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arginรกlia

M ANO 01 NรšMERO 01


Marginália N A CASA DA LUZ VERMELHA A rotina de uma casa de prostituição em fotos

R ELACIONAMENTO ABERTO R ELACIONAMENTO MODERNO O amor livre na prática

P RAZER, TRANSFORMISTA Jovens que se travestem em mulheres para seduzirem homens

A MOR ETERNIZADO Tatuagens que contam histórias de amor


Editorial MARGINÁLIA (latim marginalia, plural neutro de marginalis, -e, marginal) s. f.

S UMÁRIO

1. Conjunto de anotações nas margens de um livro ou de outro documento. 2. [Brasil, Informal] Conjunto de marginais. a partir desse conceito de marginalizado que nasce

É a Marginalia, uma revista que procura o que está

fora, nas beiradas, escamoteado pela grande mídia e renegado pelo status quo. Escrevermos de e para Frederico Westphalen, municí-

A

VIDA DAS MOÇAS

03

pio de colonização ítalo-germânica com população que não chega aos 30 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul. Este local de fala determina o que é marginal, sendo assim, algumas pautas que já são clichês em grandes centros, aqui ainda merecem nossa atenção, uma vez que teimam em bater a cara na porta da tradicional família frederiquense. Nesta primeira edição reunimos algumas matérias que gravitam em torno do tema sexualidade, desde orien-

M U I TO

AMOR PRA DAR!

AMOR

P O R TATU A G E N S

tação sexual ao amor sentimental. Coisas do coração, sabe? Abrimos a revista com a fotoreportagem “A vida das

07

moças” onde as imagens procuram retarar dois mundos paralelos que por vezes se encontram, o dia a dia de prostitutas que são mães, esposas que são prostitutas. Seguimos o baile com a matéria “Muito amor pra dar” sobre relações livres e amor libertário, procurando desmistificar o status ‘relacionamento aberto’. Deixamos que Kelli, Giseli e Vitória se apresentem em “Prazer, Transformista”, confidenciando como elas se travestem pelas noites frederiquenses a procura de carinho. Ainda no tema trazemos a reportagem “Amor

A M O R E S TATU A D O S

08

por tatuagens & amores tatuados” que relata três formas diferentes de amar numa mesma forma de expressão, a tatto. Para completar nossa primeira edição, ainda lhes oferecemos “Free Style: a arte livre das ruas” uma segunda fotoreportagem sobre o estilo que tem ocupado as ruas e praça de Frederico; “Tem lugar pra mais um?”, matéria sobre caronas e caroneiros que circulam pelas BR’s e RS’s; “Moda de brechó: moda e estilo”, onde mostramos onde e como se vestir bem e barato e ainda uma entrevista com a cantora roqueira Pitty e seu parceiro Martin sobre a nova investida Agridoce. Nas margens da Marginália você ainda encontra dicas culturais de filmes, livros, discos, exposições, performances e artes em geral que podem ser facilmente achadas na web, basta recorrer ao bom e (nem tão) velho Google. Por hora era isso, boas leitura e bons drink.

&

P R A Z E R , TR A N S F O R M I S TA

10


marginais DALENOGARE, Marília. 1993. REPORTAGEM Estudante de jornalismo, metida a crítica de cinema nas horas vagas, proteladora na maior parte do tempo. Enfim, uma pessoa da comunicação, independente do veículo

F R E E S TY L E A

MARCONI, Dieison. 1992.

A R TE L I V R E

REPORTAGEM Tímido e espalhafatoso, torre traça-

DAS RUAS

12

da por Gaudi, ou: estudante de jornalismo, mas aspirante a pesquisador em comunicação e cinema, com anseios de militância pelos direitos LGBT. MARTINS, Aline. 1991.

TE M

REPORTAGEM

LUGAR PRA

Aquela velha metamorfose. Mutável. As vezes não. Decidida. As vezes

MAIS UM?

17

não. Persistente. Até desistir. Uma mistura de sim e não.

NUNES, Caroline Govari. 1988. REPORTAGEM Estudante de jornalismo, corista de rock, desassossegada, apaixo-

MODA

nada por violões e guitarras, in-

DE BRECHÓ:

trospectiva, exigente e com um monstro esganado dentro do peito.

P R E Ç O E E S TI L O

19

ROHDE, Josafá 1992. REPORTAGEM Apaixonado por comunicação, balada, Saramago, filmes e uma pitada de diversão no dia a dia. Impaciente e ansioso está sempre pronto para

novos desafios. SOUZA, Camila. 1982.

MÚSICA

D O C E PA R A

PESSOAS AMARGAS

Historiadora

por

formação,

filha por profissão, jornalista pro convicção e fofoqueira por vocação.

M A R G IN Á L IA 0 2

21

REPORTAGEM & DIAGRAMAÇÃO


A vida das moças TE X TO E F O TO S

CAMILA SOUZA JOSAFÁ ROHDE

P

ós-modernismo ou contemporaneidade, o nome dado ao período que vivemos independe para a profissão mais antiga do mundo, ela continua mais ativa do que nunca. Sob a

luz vermelha, elas, garotas de programa, putas, prostitutas, mulheres da noite, entre outras dezenas de denominações as quais são submetidas, fazem seu trabalho no melhor estilo Almodóvar, onde o sexo divide espaço com lágrimas. As garotas da noite trepam por dinheiro, dinheiro que sustenta filhos, vícios, comida e até gigolô. Trabalhar na noite pode

EFÊMERA Tulipa Ruiz POR JOSAFÁ ROHDE A tranquilidade e sabedoria dos versos de Tulipa são marcas registradas de uma das mais recentes revelações da MPB. “Hoje não vou mais partir, você voltou de vez, de mala, cuia e um presente: a promessa de continuar a fazer da minha vida um bordado de renda, de chita filó”. Com letras como esta, da faixa ‘Brocal Dourado’, Tulipa constrói em ‘Efêmera’ um disco que fala de amor, relações e vivências cotidianas. Não fossem as letras e sonoridade únicas, o álbum já valeria a pena pela suave voz da cantora


ser perigoso, as pedras no caminho muitas vezes não são as dos provérbios, elas cheiram a degradação, o vício, cheiram a craque, quando não for pó esperando por narinas famintas. Quatro dias, 24h por dia. Este foi o tempo que nossa equipe passou com as mulheres da noite que você vê a seguir. Em uma casa no interior do Rio Grande do Sul elas ganham a vida enquanto salvam a noite de outros, seja gozando ou ouvindo lamentações. Bem vindo ao cotidiano destas chinas do sul.

M A R G IN Á L IA 0 3


ELA E OUTRA S MULHERES Rubem Fonseca POR C A R O L I N E G O VA R I N U N E S Acho humanamente impossível escolher apenas uma obra do escritor carioca, mas fiquei com a mais recente que li. As temáticas dos matadores de aluguel e do assassinato por prazer estão presentes, como em todos os seus livros. Embora haja homens como narradores

e

protagonistas,

são

as

mulheres que desencadeiam os conflitos e põem em movimento tramas que quase sempre adquirem contornos perversos e cruéis. São histórias cheias de violência, vingança, desejo e obsessões, em que as mulheres definem o destino dos homens. Outra boa pedida é o “Axilas e outras histórias indecorosas”, lançado em 2012. Na verdade, quando se trata de Rubem Fonseca, leia tudo o que cair em suas mãos. Garanto que é muito mais excitante do que qualquer tom de cinza que têm aparecido por aí

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DISTANTE NÓS V AMOS Sam Mendes POR MARÍLIA DALENOGARE

Para filme, vou indicar Distante nós vamos (Away We Go), um longa de 2009 dirigido pelo cultuado diretor Sam Mendes, responsável pelo mais cultuado ainda Beleza Americana. Esse não é o tipo de filme pretensioso, filosófico, inteligente, e que agrada a críticos por todos os continentes, é um filme que eu chamaria de sutil, fofo, na verdade. Conta a história de um casal, que após descobrirem-se “grávidos” viajam por várias cidades nos EUA para descobrir onde e como seria o melhor modo de criar seu futuro herdeiro. Distante nós

vamos,

conta

com

personagens

carismáticos, diálogos legais, e aquele climinha de cinema alternativo que tanto cativa a gente, sem grandes orçamentos, efeitos, e etc. Vale a pena assistir, prestem atenção na personagem ótima da Maggie Gyllenhaal, e sua família exótica,

esse

núcleo

rende

cenas

bem

divertidas. O longa trata temas como família, amadurecimento, amor, e etc


M A R G IN Á L IA 0 5


O termo prostituir - do lat. prostituere - significa oferecer serviços sexuais com o objetivo de obter lucro. Colocar interesses materiais à frente de princípios ou ideias. O cotidiano de uma prostituta não muda muito do meu, estudante de jornalismo, nem do seu, advogado, nem de você, professora. O que muda é o trabalho,


JOURNAL DE BAD Bárbara Eugênia POR DIEISON MARCONI São Paulo, século XXI: uma nova geração de músicos traz uma influência da Chanson (gênero musical surgindo nos 40) e do rock sessentista francês, que as vezes deságua no Folk e na MPB, que hoje parece um termo muito rígido e antiquado. Dá pra sentir esta atmosfera toda ouvindo a faixa Por querer, do disco Journal de Bad da Bárbara Eugênia. Essa e outras canções de Bárbara giram em torno

de

amor

e

dor,

sentimentos

acalantados pela talentosa e aveludada voz

assim como difere um pedreiro do padre, ou o bancário do segurança. Garota de Poderia ser qualquer um, pois elas são Carinas, Andressas, Marianas, Cláudias... É a nossa vizinha, a moça do supermercado, ou aquela que te cumprimenta no elevador

M A R G IN Á L IA 0 6

programa é gente como eu e você. Poderia ser eu, você ou a prima santinha.

de uma cantora visualmente pin up


GOODBYE HORSES

M UITO AMOR PRA DAR!

Theo Gosselin POR MARÍLIA DALENOGARE A minha dica de arte, é para fotografia, ou melhor, para o fotógrafo francês Theo Gosselin, o

H

ippies, tropicalistas, Dzi Croquettes, Maio de 68, Simone de Beauvoir e até Dona

Flor e seus dois maridos –romance icônico do

qual fotografa lindamente o cotidiano, cenas

escritor baiano Jorge Amado- já reproduziam

simples que se tornam paisagens. Seus mode-

um ideal de revolução sexual e amor livre

los geralmente são seus amigos hypsters, fo-

nos anos passados. Em 'Les chansos de

tografados em qualquer lugar, dentro de

amour', musical francês de 2007 dirigido por

carros, casas, no chão, na rua, na chuva, na fa-

Cristophe Honoré, os personagens de Ludivi-

zenda, enfim, em qualquer lugar. Theo conse-

ne Sagner, Clotilde Hesme e o belo e andrógi-

gue fazer um trabalho bacana com pouco,

no Louis Garrel compõe uma relação amorosa

usando de luzes, enquadramentos e combina-

a três, na qual a personagem de Clotilde can-

ções bem pensadas, e geralmente locando a

ta nas ruas parisienses para sua parceira e

natureza, ou ambientes internos como cenário.

seu parceiro: “eu amo só você, só você”. Mas

Em 2012 o fotógrafo e seus amigos foram para

esta frase não fica restrita somente ao dra-

a estrada colocar em prática o projeto Goodbye

ma musical de Honoré, pelo contrário, brota

Horses, a lá On the Road, onde Theo fotografa

das entranhas da cena atual uma nova revo-

os detalhes da viagem, aqueles mesmos, os

lução sexual que encontra eco em vários gru-

quais ninguém repara, mas que mostram-se

pos sociais, entre homens e mulheres,

dignos de serem comparados a ensaios que de-

independente de sua orientação sexual e

mandam horas de produção. Para ver as fotos

identidade de gênero, e que fazem com que o

desse projeto, basta entrar no site: http://go-

“eu amo só você, só você” seja dirigida a mais

odbyehorses.us/. Além disso, vale a pena con-

de uma pessoa ao mesmo tempo, dentro de

ferir

artista:

uma mesma relação, no café da manha ou na

http://theo-gosselin.tumblr.com/. Tá espe-

cama depois de uma transa a três, a quatro

rando o que pra curtir essa dica de arte con-

ou mais.

temporânea?

Conceitos como relacionamentos não mono-

o

tumbler

do

gâmicos, poliamor e relacionamento aberto são comportamentos de quem tem muito amor pra dar ou é coisa de gente promiscua, como podem atacar os moralistas? Talvez neste momento seja hora de lembrar que, desde que a liberdade individual de cada um não atrapalhe a vida de outro, o que cada um faz de suas relações amorosas e onde coloca sua vagina, seu ânus, seu pênis e sua boca, só diz respeito a este proprietário e proprietária de seu corpo. Alias, nestas relações livres, não é propriedade de ninguém o corpo,

que esse amor não é único e exclusivo – e mais, sem a necessidade de excluir também" Anita Navarro, 27 anos, mestranda em história e moradora de Florianópolis é uma dessas pessoas que tem muito amor pra dar, como ela mesma diz, “prefiro muito mais ser fiel aos meus sentimentos do que seguir uma norma estabelecida como sendo única possibilidade “certa” de se relacionar com outras pessoas.” Anita, no momento tem um namorado. Ela e seu parceiro, em 8 anos de namoro (sim, é namoro, como ela gosta de frisar) costumam frequentar casas de swing na intenção de tornar o “ménage” um complemento na relação. Ao saírem com um rapaz no inicio deste ano, Anita ressalta que a dinâmica sexo e companhia foi perfeita entre os três, e que a partir daí, vem buscando amadurecer a ideia de ter um relacionamento afetivo a três, que neste caso é conhecido como poliandria, mas ainda estão na fase de teorias sobre o assunto, amadurecendo a ideia: “eu acredito na premissa de que a gente pode amar muitas pessoas ao mesmo tempo e que esse amor não é único e exclusivo – e mais, sem a necessidade de excluir também (no caso terminar um relacionamento para começar outro); finaliza Anita, que também busca no amor livre, o compartilhar de sentimentos sem amarras, pudores e pressões. Já Fernanda Haiduk, estudante do 6 semestre do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, está em uma relação livre com seu namorado a pelo menos um ano. Por

o amor e a pratica sexual do outro.

morarem longe um do outro, ele em Cruz Alta

"Eu acredito na premissa de que a gente pode amar muitas pessoas ao mesmo tempo,

consensualmente manter um relacionamento

e ela em Frederico Westphalen, decidiram aberto: “O fato de morarmos longe e prezarmos pela liberdade individual de cada um foi o melhor meio encontrado para continuarmos


TE X TO DIEISON MARCONI

juntos e ao mesmo tempo, cada um seguindo a

sexo no dia a dia. E encontro minha outra

sua vida, sem pressão, sem cobranças”. Fer-

companheira mais ou menos duas vezes por

nanda tem a liberdade pra ficar com quem

semana, na casa dela ou na minha, e também

quiser, assim como seu namorado. O relacio-

a amo e faço sexo.” Conta o rapaz que leva

namento da estudante vai de encontro aos

esta rotina com o consentimento das duas

estudos de Regina Navarro, a sexologoa, pis-

parceiras, já que elas também são relações

canalista e queridinha de quem pratica rela-

livres. Ao ser questionado como sua família e

ções livres, amor livre, etc. Em seu mais

amigos reagem ao saber de sua relação não

recente livro, ela diz: “nós temos que res-

monogâmica, ele relata naturalmente: “Al-

ponder a duas perguntas: me sinto amado?

guns acham que eu sou poligâmico oriental.

Me sinto desejado? Caso seja sim para as duas

Outros acham que eu sou corno. Mas em geral

pessoas, o que o meu parceiro ou minha par-

as pessoas aceitam na boa, e se têm algo con-

ceira faz não deve ser de meu domínio, por-

tra, nunca me dizem diretamente. Com a fa-

que ele não é minha propriedade”

mília também foi tranquilo. Minha mãe só me perguntou se eu era feliz, e aceitou. O resto

“O fato de morarmos longe e prezarmos pela liberdade individual de cada um, foi o melhor meio encontrado para continuarmos juntos e ao mesmo tempo, cada um seguindo a sua vida, sem pressão, sem cobranças” Dificil? Pode até ser, mas não para Marcelo Soares. Se Anita está prestes a ingressar em

da família eu não tenho satisfações à dar. Mas também não comentaram comigo.

"Eu moro com uma das minhas companheiras, a qual amo e faço sexo no dia a dia. E encontro minha outra companheira mais ou menos duas vezes por semana, na casa dela ou na minha, e também a amo e faço sexo”

relação poliândrica, Marcelo já vive a poligaAssim, pode-se dizer que as pessoas podem

felizes assim. E essa felicidade adveio de es-

ter quantos amores elas quiserem, e princi-

colher ser Relação Livre, por acreditar que as

palmente, viver todos eles ao mesmo tempo.

relações monogâmicas são apenas constru-

Mas engana-se quem pensa que esta multi-

ções hitórica- culturais estabelecidas, e que

plicidade sexual e afetiva não é coisa séria.

por isso, não precisam ser um modelo a ser

Este segmento está organizado em grupos de

seguido.

discussão, cofraternização, lazer e informa-

Marcelo se desvencilha da forte cultura em

ção, exemplo disso é a Reunião Nacional de

torno do amor romântico (aquele da alma

relação não monogâmica que acontece em

gêmea, ‘você me completa’, não posso viver

estados diferentes. Se você se interessou pelo

sem você’, etc.) que faz com que as pessoas

assunto, se acredita que tem muito amor pra

continuem procurando nos seus companhei-

dar e é adepto das relações livres, acesse o

ros pessoas idealizadas, sem defeitos ou com

blog Rede Relação Livre, e curta a página do

defeitos insignificantes: “eu moro com uma

mesmo no Facebook: pode ser uma boa opor-

das minhas companheiras, a qual amo e faço

tunidade de experimentar novas relações

M A R G IN Á L IA 0 7

mia com suas duas parceiras, e estão muito


A MOR POR TATUAGENS & TE X TO E F O TO S

C A R O L I N E G O VA R I N U N E S

músicas já falaram de paixões por Quantas tatuagens, ou até mesmo sobre paixões ta-

anos 60, trazida pelo dinamarquês Knud

tuadas? Imelda May canta “an arrow through

prostituição da cidade de Santos, daí a contri-

your heart saying ‘I Love You’, a name on your

buição para o preconceito e descriminalização

arm sayin you’ll always be true/ declaration

da atividade. Durante décadas, ela foi conside-

of love in red, white and blue / you gotta a lo-

rada

ve tattoo; Rita Lee compôs “Tatuagem”, que foi

marginal,

gravada por Marjorie Estiano dizendo “fiz

com o passar do

uma tatuagem quando no auge de uma louca

tempo esse rótulo

paixão/ Escrevi na coragem seu nome no pei-

tem perdido sua

to, sob o meu coração"; a banda Cracker Blues

força e hoje a ta-

fala sobre desilusão amorosa nos seguintes

tuagem é usada

versos: "Eu tatuei o nome dela no meu braço /

por todas as ca-

eu tatuei até não me sobrar espaço / e aquela

madas da popula-

vaca me trocou por outro macho / no nome

ção.

dela eu tatuei 'piranha' embaixo"; entre ou-

Muitas pessoas tatuam frases, trechos de mú-

tros vários exemplos que poderíamos citar.

sicas, rostos e nome de seus artistas favori-

A tatuagem é uma das formas de modificação

tos em seu corpo. É o caso da professora

do corpo mais conhecidas e cultuadas do mun-

Caroline Casali, 30 anos, que tatuou “Revolu-

do. No Brasil, a elétrica surgiu por volta dos

tion” no pé direito como forma de eternizar a

Harld Likke Gregersen para a zona boêmia e de

uma

arte mas

"Gosto de várias m tenho paixão espec bey Road", mas "R senta muito do juventude, luta, esp mano, resign


& AMORES TATUADOS

MINIMANUAL DE QUALIDADE DE VIDA Ana Paula Botelho POR A L I N E M A R TI N S importância que o amor e os Beatles (e o

mento de Guilherme, seu filho, mas não acon-

amor pelos Beatles) têm em sua trajetória.

teceu porque ela queria a tatuagem bem

Aos 27 anos – idade que marca historicamente

pequena e os números poderiam ficar ilegí-

o rock’n’roll, Caroline resolveu fazer a tatua-

veis. "Ainda penso em dar forma estética ao

gem por pensar que “ela representa pessoas

amor incondicional que sinto pelo Gui, mas

(e momentos) que

parece que nada representa com dignidade

marcam

esse sentimento", finaliza a professora.

músicas dos Beatles, cial pelo disco "AbRevolution" repreque penso sobre perança no ser hunação e amor"

algum

Fora dos padrões o monólogo com direção de Ana Paula Botelho o texto de Daniela Ocampo, chega ao teatro CIEE, em Porto Alegre, no mês de março com garantia de boas risadas. Conduzido pela atriz Alexandra Richter, a trama discute de forma leve e

momento especi-

Um exemplo de tatuagem de amor que não há

divertida como levar a vida seguindo os

al em nossas vi-

chance de arrependimento é a que a mãe ho-

padrões de qualidade estabelecidos pela

das”.

menageia o filho. Pensando nisso – e na im-

sociedade. A humorista interpreta Angelina

Essa é a única ta-

portância singular de seu filho, a estudante

Pimenta, uma palestrante atrapalhada que

tuagem que Caro-

de direito Karine Dalla Valle, 25 anos, tatuou

apresenta à plateia um guia com dicas para

line tem em seu

“Murilo” no pulso direito. Quando Murilo ti-

ser culto, bem sucedido, analisado e bonito

corpo, e diz que

nha 1 ano e quatro meses, Karine resolveu

lutando contra o relógio e contra as próprias

foi feita em um momento de transição em sua

deixar marcado em sua pele a importância do

limitações

vida, de resignação diante do que não poderia ser mudado e de fé que tudo se ajeitaria como Carol disse que já ensaiou um código de barra no pulso, com a numeração da data de nasci-

pre sua vida. “Fiz a tatuagem como uma forma de carrega-lo sempre comigo, mesmo quando estamos separados”. Além da homenagem a Murilo, Karine tem tambem as iniciais de seus pais no pé direito.

M A R G IN Á L IA 0 8

deveria ser. Sobre fazer uma tatuagem nova,

nascimento daquele que mudaria para sem-


Um "L" de Leila e um "E" de "Elucir" estão eter-

mais românticos teve certeza de que seu rela-

nizados como gratidão aos pais. Karine ainda

cionamento fosse durar para toda a eternina-

afirma que pensa em tatuar o nome do seu

de, amém.

próximo filho na mesma região. “Sei que eles

Entretanto, nem tudo são flores (ou imagens

vão crescer e fazer a própria vida, mas as

fáceis de cobrir). Um dos fatos mais recorren-

marcas na minha vida eternamente”, comple-

tes no mundo dos famosos é a incessante tro-

ta a estudante.

ca de nomes no corpo de modelos, cantores, atores e outros tantos artistas que decidem

"Você foi embora , a tatuagem não"

provar seu amor eterno, mas esse eterno, muitas vezes, não dura meses. Aí começam as

C AIM José Saramago POR JOSAFÁ ROHDE O mestre, ganhador do Nobel de literatura, ausente desde 2010, José Saramago, deixou dentre suas relíquias o livro ‘Caim’. Tendo como centro o primogênito de Adão e Eva, Caim, Saramago usa de toda sua ironia e sarcasmo para

retratar

a

maratona

bíblica

do

personagem. Polêmica e autêntica, a obra é uma ótima pedida para quem quer ler algo com uma boa pitada de humor. ‘Caim’ foi o último livro publicado por Saramago antes de sua morte

No início da matéria, vimos exemplos de le-

sessões de laser ou desenhos para cobrir o

tras de música onde artistas cantam suas pai-

que já saiu do coração (até que outro amor

xões tatuadas. Quem nunca, em um momento

apareça e com ele outra tatuagem).

de paixão, pensou em tatuar o nome do seu

Durante um namoro que se estendeu para um

amado em algum lugar do corpo? Que atire a

noivado, o microempresário Gustavo Goulart

primeira pedra aquele que nos momentos

Minuzzi, 25 anos, tatuou a frase (e nome de


uma música dos Ramones) “She belong’s to me” nas costas. O casal estava feliz da vida e à procura de uma casa para irem morar juntos, quando o microempresário resolveu que queria tatuar seu amor pela noiva. Porém, após 6 anos, o noivado acabou, mas a tatuagem continua intacta. Mostrando mais maturidade com a situação e o oposto de muitas pessoas que fazem tatuagens decorrentes de um relacionamento, Gustavo não pretende apaga-la – ao contrário, quer retoca-la. Ele afirma que não é tirando (ou camuflando) a tatuagem de sua pele que o que aconteceu durante o relacionamento vai se apagar

"Acredito que ficamos com marcar muito mais profundas ao dividir quase 6 anos com outra pessoa – muito mais profundas que uma tatuagem. Ela continua fazendo sentido, no momento muito mais pela música. E como me dou muito bem com minha ex-noiva, entendo que, de uma forma ou de outra, nós temos uma ligação permanente, agora como ótimos amigos"

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P RAZER, TRANSFORMIS F O TO S

CAMILA SOUZA TE X TO DIEISON MARCONI

DEI SIM, DEI TUDO SÓ PRA ELE. HOJE, POR G MESMO ASSIM ME PERGUNTO SE NÃO FA


STA

GRANA, PRA TODOS. NÃO ROUBO, NÃO MATO.

AÇO ALGO DE ERRADO.

(FRANCISCO ALVIM)

HEDWIG: ROCK , A MOR E T RAIÇÃO John Cameron Mitchell POR CAMILA SOUZA

Já que estamos falando sobre trans e travas, por que não continuar no tema ao invés de falar da iogurteira top term? Hedwig é um filme canadense sobre um jovem que mora na Alemanhã, mas sonha em se tornar estrela no Estados Unidos. Transcultural define. O filme tem qualquer coisa de musical com boas cenas da protagonista cantando toda sua dor. Hedwig tem tudo que um bom drama com pitadas de comédia

precisa,

inclusive

uma

quase

transexual que sofre todas dores de amor. Ficou curios@? Joga no google e bom filme!

M A R G IN Á L IA 1 0


M

ichês? Amantes anônimos? Transformis-

meiro transformista na cidade: "foi ele quem

tas? Prostitutos ou homossexuais a pro-

ensinou os outros gays a se prostituírem, no

cura de sexo fácil em uma pequena cidade do

fim, todo mundo gostou".

interior do Rio Grande do Sul? Em Frederico

Foi Lety também que batizou seus pupilos com

Westphalen todos já ouviram falar das “bichas

nomes femininos: Vitória, Kelly Gisele, Saman-

do centro”, me diz um menino sentado a minha

ta, Tina, Tainá. Durante a noite, enquanto es-

frente, falando e rindo para um gravador, mas

tão tentando programa, atendem apenas por

que prefere ser chamado de Vitória quando sai

estes nomes. Dizem não fazer programa com

nas noites frederiquenses pra conseguir sexo.

outros gays e nas relações sexuais são sempre

Além dele, há outros, entre adolescentes e

passivos, a não ser que e o programa seja por

adultos, que costumam fazer o mesmo: tra-

dinheiro. Além do nome, travestir-se de mu-

vestidos de mulher, saem batendo salto atrás

lher é importante pra conseguir o programa

de uma companhia pra noite, ou somente pra

de cada noite, pois os clientes preferem assim:

transar, pra conseguir dinheiro, ou tudo ao

eles caem em uma fantasia tanto por parte dos

mesmo tempo, pois segundo eles, é difícil para

clientes, que dizem ser “heterossexuais”, mas

um gay conseguir sexo em uma cidade pequena

que gostam de transar com homens, princi-

e interiorana como Frederico Westphalen, e as-

palmente se estes estiverem vestidos de mu-

sim recorrem a prostituição para suprir esse

lher, assim como por parte de

desejo.

exemplo, que se diz mulher usando roupas fe-

Saem em dupla, em grupo e raramente sozi-

mininas, mas que não mudaria de sexo. Já Gi-

nhos, principalmente nas sextas, sábados e

sele, um dos meninos mais novos do grupo, não

quando há alguma festa que provoque um

queria nem ter nascido homem.

grande movimento na cidade. Saem sempre por volta das 12:00 da noite, primeiro no centro, na Rua do Comércio. Após isso, vão para as esquinas ou para os locais onde há mais movimento devido as festas, sempre procurando ficar mais visível aos clientes, pra que estes possam chegar até eles sem serem notados por outras pessoas. O preço do programa varia: da mesma forma como podem conseguir 120 reais em uma noite com um único cliente, podem fa-

E SCULTURA S NA AREIA Antonio Iannini POR

zer de graça: basta o cliente ser bonito.

"Fazemos programa mais pra dar um ar de mulher, né. Não por 'precisão'. Mais por boa vontade” (Kelli, 22 anos)

A L I N E M A R TI N S

Kelli, por

"Por dinheiro eu acabo sendo ativa né, fazer o quê! Eles querem tudo da gente.” (Vitória, 16 anos.) A mãe de Vitória sabe que ele se prostitui. Os colegas da escola sabem apenas que ele é gay. Mas pra mãe, ele já contou algumas vezes que conseguiu dinheiro dessa forma, embora ela não goste. O Pai de Gisele também sabe que ele faz programas, mas evitam conversar sobre isso. Já Kelli, o mais velho do grupo, diz que seus pais sabem e não veem problema algum nisso. Ela também se orgulha da fama que fez fama: todos sabem que ele faz programa, inclusive alguns chefes dos locais onde traba-

compradores

Não se dizem profissionais do sexo e não saem

lhou. Vai a lojas e compra roupas femininas,

disputam centavo a centavo o maior lance em

todos os finais de semana. Alguns fazem por

sapatos, maquiagem, bolsas e as vendedoras

leilões de artes, dedicar semanas para esculpir

dinheiro só quando precisam, quando julgam o

são suas amigas, sabem o que ele faz.

a céu aberto parece loucura. Não para o

cliente feio ou quando o mesmo tem a idade

Já Eduard não se prostitui como seus colegas,

artista italiano Antonio Iannini, 60 anos, exibe

um muito avaçada. Além disso, boa parte deles

uma grande escultura na Praia Central de

costumam trabalhar durante o dia em bares,

Balneário Camboriú SC. Com 10 metros de

lojas, restaurantes, como atendentes e gar-

comprimento e pelo menos 2,5 metros de

çons: o programa é pra conseguir prazer e se-

altura, a obra em constante modificação nas

xo. Muitos começaram a prostituir-se ainda na

proximidades da Praça Almirante Tamandaré

menor idade, geralmente influenciados por

transforma

outros que já faziam programa. Segundo Vitó-

Em

um

universo

a

em

areia

que

em

monumentos,

construções e até figuras humanas

ria, Lety foi o primeiro gay assumido e o pri-

pelo contrário: apesar de não recriminar quem o faça, como opção individual abomina a prostituição. Veste-se de mulher apenas pra conquistar os homens e conseguir sexo, mas sem prostituir-se: “eu detesto essa condição. Essa é uma condição que faço pra poder atrair os homens heterossexuais, o perfil de homem pelo qual eu sinto uma atração fatal”.


Assim, num jogo de sedução e prostituição feito

gulhados em uma confusão ideológica do que é

pelas ruas de uma cidade interiorana, conser-

ou não ser gay, de desejos de se transformar

vadora e católica, Gisele, Eduard, Kelli, Vitória

em mulher, mas não abrir mão de ser homem,

são homens e meninos que se metamorfoseiam

ou de ser homem, mas querer ser uma mulher,

a partir da meia noite, “transforma-se” em

ou ainda: de travestir-se de mulher e ao mes-

mulheres por motivos diferentes e estão mer-

mo tempo detestar isso

M A R G IN Á L IA 1 1


FREE STYLE A ARTE LIVRE DAS RUAS TE X TO E F O TO S CAMILA SOUZA JOSAFÁ ROHDE


COLOR CONSUMPTION Estúdio Army POR DIEISON MARCONI As fotografias conceituais do ensaio Color Consumption, feitas pelo Estúdio Army, como o próprio nome já diz, são um consumo inebriante de cores, onde nunca se sabe de são os modelos fotografados que consomem as cores ou se estes são consumidos por elas. No entanto, aos poucos cores e modelos acabam tornando-se uma coisa só, criando fotografias intensas, vivas e vibrantes.

O ensaio é

encabeçado pelo casal de artistas Pum e Jake LeFebure, e

você pode conhecer melhor as

obras no site da Revista Zupi

M A R G IN Á L IA 1 2


O PENSAMENTO É UM ÍMÃ Vivendo do Ócio POR C A R O L I N E G O VA R I N U N E S Em 2012 a soteropolitana Vivendo do Ócio lançou seu segundo disco e atingiu grandes visualizações no youtube e em canais de música,

começando,

assim,

a

sair

do

underground que até então se encontravam. A pegada da banda é do mais puro rock’n’roll independente, apesar do som ter ficado um pouco mais limpo e maduro nesse disco. Destaco “Nostalgia”, minha música preferida do quarteto. Pra mim, uma das melhores bandas nacionais do momento

D

os guetos de Nova Iorque para as ruas de Frederico Westphalen, o hip hop cruzou he-

misférios e veio dar à praça. Mais que um estilo músical, hip hop é cultura. Breaking, locking, popping ou krumping, qualquer que seja o estilo, o que importa é cair no cipher e improvisar! Todos os dias, ao fim de tarde, na hora do rush, Bboys e Bgirls fazem da Praça da Matriz, no centro da cidade, o palco de suas performances. Na batitda do beat box, os garotos insanos treinam powermoves, spins, footworks e freezes. Entre pedestres, carros e bicicletas Renan Castro, Gilnei Alencar da Silva e Ismael Santos, membros do grupo Insane Boys, rodopiam, dão saltos mortais e se contorcem mostrando para a cidade que a rua pode ser uma grande pista de dança.


M A R G IN Á L IA 1 3


T

atoo, brinco, boné e skate são acessórios que compõem o visual da tribo do hip hop. As roupas

são largas para que os movimentos fiquem maio-


C A SA MILÀ Antoni Gaudí POR C A R O L I N E G O VA R I N U N E S impossível falar de arquitetura sem citar o arquiteto catalão Gaudí. Por toda Barcelona você percebe claramente o que foi desenhado por ele. Com intensas influências góticas, Gaudí se destacou por suas novas concepções plásticas ligadas ao modernismo catalão. A Casa Milà, também conhecida como La Pedrera,

desenhada

pelo

arquiteto

e

construída entre 1905 e 1907, não possui qualquer linha reta e é de tontear, literalmente. Todos os aspectos do edifício são impressionantes, desde o piso até o telhado, que parece um sonho psicodélico onde você tenta alcançar suas linhas dançantes – em vão

res, dando mais efeito visual para a dança. Hoje o se destacando como estilistas, vide Diddy e 50 Cent.

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hip hop é tendência fashion tendo famosos rappers


FEBRE DO R ATO Cláudio Assis POR DIEISON MARCONI Só não gosta de cinema brasileiro quem é desatualizado, ou só quem viu Cinderela baiana e ficou traumatizado, ou ainda acha que a sétima

arte

tupiniquim

se

resume

às

produções aguadas da TV Globo. Deixa disso e veja a Febre do Rato (2012), mais um filme do Cláudio Assis, mais um filme de Recife, esta terra que é um celeiro de bons filmes nacionais.


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Glossário:

Bboys e Bgirls: pessoa dedicada ao breakdance que o pratica ou faz Beat box. Beat box: arte em reproduzir sons de bateria com a voz, boca e cavidade nasal. Breaking: estilo de dança de rua, parte da cultura do Hip-Hop. Cipher: espaço de dança circular que se forma naturalmente quando a dança começa. Footworks: movimentos de dança baseados no trabalho dos pés. Freezes : congelar o movimento ao final de um passo.


O D EUS DA S M OSCA S William Golding POR A L I N E M A R TI N S Publicado originalmente em 1954, O Deus das Moscas de William Golding é um dos mais perturbadores e aclamados romances da actualidade. Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um

grupo

de

rapazes.

Inicialmente,

desfrutando da liberdade total e festejando a

ausência

de

adultos,

unem

forças,

cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder

Krumping: estilo de dança marcado por movimentos de estilo livre e expressivos e o uso de pinturas faciais.

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Locking: estilo de dança funk e street dance Popping: estilo de dança hip hop e um dos estilos de dança funk original Powermoves : movimentos de dança poderosos. Spins : movimentos de giros na dança


TEM LUGAR PRA MAIS UM? TE X TO

MARÍLIA DALENOGARE Fotos Divulgação

D

inheiro, tempo, aventura, diversão, parceria, os motivos que levam os jovens a pegar caronas são muitos. Você não precisa ser um mochileiro para ter que ape-

lar à carona quando notar que a grana não vai sobrar pra pagar a passagem, ou que o

TEATRO B UTÔ

Kazuo Ohno POR DIEISON MARCONI A dança compassada do teatro Butô já foi considerada como uma alusão a zoofilia, mas embora permaneça desconhecia para muitos, ninguém pode negar o caráter provocativo e misterioso desta arte que nasceu no Japão durante o período pós guerra. Mesclando características do teatro tradicional japonês e da mímica, o Butô é uma expressão artística que

inspira

medo,

desespero,

erotismo,

tranquilidade, paz ou êxtase, com os corpos dos bailarinos pintados de branco. Pra quem quiser conhecer um poucos mais, dá pra assistir clássicos como “Dead Sea” "Ka Cho Fu Getsu",

"My

Mother",

"Water

interpretados pelo mestre Kazuo Ohno

Lilie”


ônibus não vai chegar lá na hora que você precisa. Sendo assim, a carona acaba tornando-se uma grande aliada desses jovens. Em Frederico Westphalen, torna-se cada vez mais comum para os jovens, principalmente universitários, sair em busca da carona para ir para casa.

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O estudante de jornalismo Fábio Pelinson

não expor a a feminilidade quando uma

conta que "o motivo financeiro, principal-

mulher pede carona, pois existem muitas

mente na faculdade, é o grande incentiva-

pessoas má intencionadas. Outra dica é que

dor. Afinal, você chega no teu destino já

quando faço as placas indicando a cidade

pensando em quanto você economizou. A

que quero carona, indico também que sou

questão da aventura é o algo a mais, afi-

estudante. Isso facilita muito". Ela também

nal, toda carona é uma história diferente,

conta que atualmente não está muito fácil

é difícil tu chegar no teu destino sem ter

pegar carona "embora muitas pessoas ain-

uma história legal para contar para al-

da forneçam carona

guém". Ele também diz que não se conside-

é um ato de muito

ra um mochileiro, "mochileiro não pensa

risco. Acho que é es-

nas possibilidades capitalizadas, arruma a

se o pior problema

mochila e vai, sem planejamento, com espí-

que vejo, pois nunca

rito de aventura antes de tudo. Quem sabe

se sabe com quem

um dia, eu tire um tempo de mochileiro de

você irá viajar"

verdade, hoje sou só um estudante que vê

Já o estudante de

em ir “para a faixa” uma boa alternativa

Relações Pública, Vi-

pra viajar''.

nícius Grings, mo-

A estudante de Engenharia Ambiental

chileiro assumido, conta que pega carona,

Mauren Buzzatti, conta que pega carona

desde 2009, pelo tempo e pela "grana", ele

desde 2009, na época do vestibular quando

diz que hoje em dia está fácil pegar carona,

tinha que ir sempre para Santa Maria, ela

e que com o tempo pega-se o jeito, sobre

diz que com certeza o motivo é financeiro,

essa "manha" ele diz que "quando faço via-

porque as passagens de ônibus são muito

gem de Frederico à Santa Maria eu vou

caras e que com um pouco de disposição se

sempre com a camisa ou jaqueta do curso,

acaba chegando onde quer sem custos. Ela

porque as pessoas tem mais confiança em

explica que "o segredo é nunca ir em muita

estudante. Tu geralmente pega carona com

gente; Infelizmente a carona para mulher

quem já pegou carona antes. Quando vou

é sempre mais perigoso, por tanto sempre

pra lugares mais longe me visto melhor,

uso casacos, camisetas, não uso brincos e

mas não muito melhor, porque tu não pode

se possível vou de butina. É importante

parecer playboy, mas também não tão

Ca A Gent Não Escolhe Par às Vezes S O Quanto S (Duca L


“chinelo” que tu vá parecer um assaltante,

ol" (carona solidária) e é uma prática

um mendigo. Eu geralmente uso uma cami-

incentivada pelo governo, interessado em

sa branca, que chama atenção, uma calça

diminuir as emissões de gases e de melho-

jeans, aparo a barba e o cabelo, são coisas

rar o trânsito.

que ao longo do tempo eu vi que ajuda". Ele

Seguindo movimentos por todo o país e

també conta que não escolhe carona, o que

mundo, o ato de pegar carona em Frederico

vier, está bom, tem vezes que uma carona

Westphalen também já se virtualizou,

leva até poucos quiolômetros adiante, mas

através do facebook. A iniciativa foi do es-

de lá pega outra

tudante de Relações Públicas, Rafael Abreu

e vai indo, ele

Fontanelli, que há mais ou menos 6 meses

diz

arona te Pega e Onde Vai Parar rando Se Aprende Se Pode Andar Leindecker)

"tem

dias

criou o grupo de caronas, que agora já

demora

conta com mais de 4.000 membros, e são

mais pra apare-

postados mais de 20 postagens diárias e

cer carona, mas

com grande número de sucesso nos pedidos

nunca

demorei

e ofertas de caronas. Segundo Rafael, “a

mais tempo do

ideia de criar o grupo veio quando eu pre-

que o ônibus".

cisava de carona para ir para a minha ci-

que

Além dos fato-

dade, Santa Maria, daí pensei que se eu

res favoráveis à carona citados acima,

precisava os meus colegas e amigos tam-

existe muitos movimentos espalhados pelo

bém, daí resolvi criar o grupo para ajudar

mundo em prol dela, uma das grandes

todo mundo”. A página criada pelo estu-

questões defendidas é a do meio ambiente,

dante tem a vantagem de aproximar as

pesquisas comprovam que a maioria dos

pessoas da mesma região.

carros que trafegam pelas grandes cidades

As opções são muitas quando se trata de

levam somente um passageiro, sendo as-

viajar "no dedão", o que vale na carona é

sim, se cada pessoa pegasse carona com um

tomar cuidado na hora de escolher com

vizinho, colega de trabalho ou familiar, por

quem viajar, ter paciência, um bom papo e

exemplo, reduziria o número de carros nas

aproveitar, porque umas boas histórias de

ruas, os congestionamentos e a poluição.

carona para contar é resultado certo des-

Em países como o Japão e Cánada, por ex-

sa aventura na estrada

emplo, a carona é conhecida como "carpo-

ATÉ A ETERNIDADE Guillaume Canet POR JOSAFÁ ROHDE O longa francês de Guillaume Canet conta a história de um grupo de amigos, que prestes a ir para a tradicional viagem anual na casa de Max, á beira da praia, é abalado por um grave acidente envolvendo o amigo Ludo. Com a distante

temporalidade

para

alta

do

integrante do grupo, eles resolvem fazer a viagem mesmo sem Ludo. ‘Até a Eternidade’ se vale de diálogos para expressar os conflitos que vão surgindo ao longo da trama, e revelando os segredos e traumas de cada um, até seu ápice, onde as máscaras caem. Com uma fotografia encantadora, roteiro costurado como poucos, o longa é uma ótima pedida para quem está disposto a passar quase três horas imerso em cotidianos conturbados

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M ODA DE BRECHÓ: PRE TE X TO E F O TO S

A L I N E M A R TI N S

e vestir bem por uma pechincha, que

do seu roupeiro, que você não gosta

mulher não gosta? Para isso nada

mais, pois é, ela pode ter uma finalida-

mais aconselhável do que os brechós.

de, pois roupa de brechó não significa

Locais onde encontramos peças diferen-

roupa sem qualidade. Grande parte do

ciadas com preços mais em conta, pois se

estoque vem de doações de pessoas que

tratam de roupas usadas, mas que nem

têm peças em casa que não as servem

por isso deixam de ser bonitas e cheias

mais, ou que simplesmente não gostam

de estilo.

mais e resolvem doar, fazendo com que

Com o vai-e-vem da moda os brechós

então esse mercado e gire e outras pes-

tornaram-se atualmente uma opção a

soas possam adquirir àquelas peças com

mais na procura por peças diferencia-

um valor bem mais abaixo do mercado.

S

das. A moda vintage, que tomou conta das vitrines brasileiras, faz referência à

W HO

peças “antigas” mas que tornaram-se

David Byrne & St. Vincent

zem parte de entidades beneficentes revertem o valor arrecadado em recur-

A L I N E M A R TI N S

sos financeiros para a entidade. A Liga

Desde que em 2009 se conheceram na gravação da colectânea “Dark Was the Night” e começaram a trabalhar juntos que Byrne e Clark não pararam de trocar ideias. Em 2010, o ex-vocalista dos Talking Heads participou no concerto “American Songbook” de St. Vincent no Lincoln Center, convidando depois a cantora norte-americana a colaborar no seu álbum “Here Lies Love”, editado no mesmo ano. É então que surge a ideia de trabalharem num álbum em conjunto, assinado pelos dois e que levou cerca de dois anos a ganhar forma. O primeiro single, “Who”, foi lançado em Junho e no final de Julho, de 2012, ficou a conhecer-se "Weekend in the Dust", numa antevisão ao disco especializada

Em Frederico Westphalen os brechós faque utilizam as doações para venda e

POR

que despertou

clássicas.

a

curiosidade da

crítica

Feminina de Combate ao Câncer, por exemplo, tem seu próprio brechó e recebe doações diariamente. A blogueira de moda Patricia Vanzin usa peças compradas em brechó e as customiza de acordo com suas preferências. A dica da Patrícia é que para encontrar peças de roupas para montar um look moderno, bonito e barato você precisa ir com tempo ao brechó e sem preguiça de procurar. “ Quem tem interesse em encontrar peças legais deve ir com tempo no brechó pois nem tudo que você encontrar lá vai te agradar, então não pode ter preguiça e saber procurar também ajuda”, destacou. Sabe àquela roupa que está lá no canto

Liga Feminina de Combate ao câncer Para quem quer comprar roupas diferenciadas, em Frederico Westphalen, gastando pouco o Brechó da Liga Feminina de combate ao Câncer é mais uma opção. Segundo a secretária do brechó da Liga, Francine Magalski, pessoas de baixa renda são as que mais procuram o local, pelo preço das roupas que variam de três reais até 15 reais. Além de vestuário o brechó também vende acessórios, livros, eletrodomésticos, utensílios para casa, entre outros. A equipe da Marginália foi até o brechó da Liga Feminina acompanhada da blogueira de moda Patrícia Vanzin e montou vários looks para diversas ocasiões: dia-a-dia, passeio, trabalho e balada. Com roupas exclusivas do local você poderá ter noção de como combinar as peças encontradas


EÇO E ESTILO

Moda Vintage POR CAMILA SOUZA Couture, prêt-à-porter, kitsch, pop, grunge, pin up, hippie, punk, clássico ou despojado, seja qual for o estilo, em algum momento da História, a moda o recriará. Qualquer pessoa que circule pelo planeta a mais de 20 anos já deve ter percebido como a moda é cíclica e se reinventa constantemente. Pantalona, ombreira, boca de sino, trapézio, renda, espartilho, cintura alta, cintura baixa, corsário, plataforma, tudo isso um dia já foi in, e no outro out. Não só é difícil acompanhar a moda, como é caro! Mas, uma das últimas tendências parece ser a solução para os dois problemas, conheça a moda vintage. Vintage é um termo emprestado da enologia, ciência que estuda o vinho, que significa o ano de colheita da uva, um bom ano de preferência. Como o tempo é amigo dos vinhos, logo se associou o termo vintage às coisas clássicas, antigas, mas de excelente qualidade. Em moda o termo se aplica ao resgate dos estilos das décadas de 20, 30, 40, 50 e até 60 do século passado. O diferencial desta tendência é que a recuperação dos estilos se dá pela incorporação de peças antigas ao visual, que podem ser encontradas em brechós ou mesmo no fundo

M A R G IN Á L IA 1 9

dos armários de sua família.


Dicas de looks montados em brechó p

Vestido perolado que pode ser combinado com sapatos rosas. Super feminino e pode ser usado tanto pra festa como também para o dia-a-dia. Para usá-lo na balada por exemplo, um maxicolar vai bem. No dia a sapatilha é uma boa pedida.

A saia jeans e a camisa xadrez podem criar um look folk, porém o resultado foi diferente. As peças se encaixaram bem e o complemento com uma mochilinha de couro acabou fazendo o look virar mais rock, as cores escuras predominaram e o resultado surpreendeu.

Ousar é sempre bom! E foi pensando nisso que foi montado esse look. O neon é tendência viva no verão e não podia ficar de fora. A calça detonada já é linda por si só, para deixar com um ar mais leve. A barra dobrada até metade da canela, fez com que o look ficasse mais divertido e fresco.


ONCE

pela blogueira de moda Patrícia Vanzin

John Carney POR C A R O L I N E G O VA R I N U N E S O filme é de 2006 e um dos que mais mexem comigo. Gravado em Dublin, Glen Hansard

Algumas vezes necessitamos de algo mais elegante. Pensando nesses momentos esse look fecha bem. O charme da camisa

transparente

com

pedrinhas na gola associada à estampa de onça o deixou chique e versátil.

interpreta um músico de rua que conhece uma jovem mãe (interpretada por Markéta Inglová) e o filme gira em torno dessa relação. Ao contrário dos tradicionais finais felizes, Once nos deixa um gosto amargo de abdicação

misturado

com

a

frágil

possibilidade de uma próxima vez. Só assistindo para entender. Ou não

Colete jeans é tendência para o verão! Com uma camisa branca mullet (moda desde o inverno) e um shorts básico o look ficou perfeito para a correria do dia-a-dia. Sem muitos apetrechos a bolsapasta chama atenção por sua tonalidade barro contrastando com o resto do look.

Para homenagear a liga nada mais justo que usar a cor que ela tem como base: rosa! A saia jeans clara da volume a parte da frente do corpo. O sinto rosa dá cor e destaque ao look, a t-shirt moustache é símbolo do mês de combate ao câncer e deixou tudo mais por ser uma camisetona ela possibilita várias customizações.

M A R G IN Á L IA 2 0

despojado! Sem falar que


M ÚSICA DOCE PARA PESSOAS AMARGAS TE X TO & F O TO

C A R O L I N E G O VA R I N U N E S

Mumford & Sons POR MARÍLIA DALENOGARE Minha dica de hoje é sobre uma banda que toca um folk rock, misturado com um indie, enfim, é bem legal, é a Mumford & Sons, não muito conhecida no cenário atual, exceto por alguns indies soltos por aí, quem sabe agora que os bonitos

ganharam

um

Grammy

eles

aparecerão mais, né? A banda está por aí desde 2007, já passou da hora de você dar uma conferida. Indo nesse mesmo sentido, vale a pena também dar uma conferida em uma banda chamada Of monsters and men, que há pouco

vem

conquistando

seu

espaço,

sonoramente, tem uma vibe parecida com a do M&S, com uso de gaitas e violões, é uma banda com grande riqueza instrumental, além do mais é da terra da Bjork, a fria Islândia


E

les surgiram devagar: com um myspace, algumas demos, um twitter... E em 2011 o projeto paralelo virou do avesso

a carreira da cantora e compositora Pitty, lançando um disco e posteriormente um DVD sobre as gravações do álbum. Estamos falando do Agridoce, projeto de Pitty Leone e Martin Mendezz, o qual foi criando vida na sala da casa da cantora em idos de 2009. Influenciados por Nick Drake, Iron&Wine, Elliott Smith e tantos outros artistas, Pitty e Martin, acompanhados do produtor Rafael Ramos, do engenheiro de som Jorge Guerreiro e do fotógrafo/cinegrafista Otavio Sousa, se isolaram na Serra da Cantareira, onde lá permaneceram durante 22 dias do mês de agosto do ano passado para produzir o disco no qual Martin abusa dos violões e Pitty se relaciona carinhosamente com o piano. Cantando quase todas as faixas do disco, Pitty entona sua voz com uma incrível doçura, mas não se engane: a aparência doce das músicas reveste letras e contextos azedos. Agora em 2013 a cantora dá uma pausa no projeto e volta a ceu desde o surgimento do Agridoce até o lançamento do disco você confere nessa entrevista feita por e-mail.

M A R G IN Á L IA 2 1

tocar com sua banda principal. Mas um pouco do que aconte-


CAROL – O AGRIDOCE SURGIU NA SALA DE PITTY, TOMOU UMA GRANDE PROPORÇÃO E AGORA ESTÁ AÍ, AINDA

C – SE

começamos a nos sentir mais a vontade

ISOLAR EM UMA CASA NO MEIO DO MATO DEVE TER SIDO UMA EXPERIÊNCIA MUITO INTERESSANTE, ARTISTICAMENTE E PESSOALMENTE FALANDO. DÁ PRA PERCEBER QUE AS MÚSICAS SAÍRAM DE UMA CASA E FORAM PARA OUTRA, SEM HORÁRIO MARCADO EM UM ESTÚDIO. ISSO FOI PENSADO PARA NÃO PERDER O CARÁTER INTIMISTA?

com esse novo formato a ideia de gravar

M – Totalmente. Além disso estávamos

um disco e fazer shows foi se tornando

atrás da aventura de gravar num ambi-

cada vez mais um desafio atraente e se

ente que não foi previamente preparado

mostrando um desdobramento natural

pra isso, o que acaba gerando ótimos de-

do projeto. Rafael acabou sendo o grande

safios e resultados surpreendentes. A

catalisador desse disco, ele acompanhou

maneira pecu-

o Agridoce a distância desde o começo e

liar como

sempre manifestou a intenção de se jun-

instrumentos

tar a nós nessa empreitada e de fazer

soavam lá e os

um registro mais cuidadoso das canções.

ruídos naturais

Pitty – Demorou bastante desde as jam

da casa estão

sessions caseiras até o disco. Já estamos

presentes

há uns dois anos nessa de compor, matu-

todo o disco e

rar as ideias, resolver finalmente

conferem a ele

transformar o projeto num álbum. No

muita

começo, nem sabíamos que seria um

nalidade, essas

projeto e muito menos que viraria disco.

interferências

A coisa foi indo, foi indo...

eram

CHAMANDO TANTA ATENÇÃO QUANTO A BANDA PRINCIPAL. PODEM NOS CONTAR UM POUCO SOBRE COMO FOI DESDE O NASCIMENTO DO PROJETO ATÉ A IDEIA DE GRAVAR O DISCO? Martin – Quando o repertório cresceu e

C – O AGRIDOCE É FRUTO DE EN-

os

em

perso-

elemen-

tos que está-

"Acabamos cri horário com particular. Caf duas da tarde, da noite e dorm último pedia a gravar e tocar que desse vo

vamos buscando quando fomos gravar

CONTROS DESCOMPROMISSADOS ENTRE OS DOIS. DEMOROU ATÉ VOCÊS RESOLVEREM DISPONIBILIZAR “DANÇANDO” NA INTERNET, JÁ QUE INICIALMENTE ERA ALGO MUITO PARTICULAR, OU FOI UMA CONSEQUÊNCIA NATURAL?

lá.

M – Disponibilizamos “Dançando” na in-

P – Não lembro exatamente quanto

MO AS MÚSICAS QUE VOCÊS TINHAM DISPONIBILIZADO NO MYSPACE ACABARAM TOMANDO NOVOS RUMOS, FICANDO MAIS SOFISTICADAS. FICAR APENAS ENTRE 5 PESSOAS AJUDOU NESSA COMPOSIÇÃO, JÁ QUE VOCÊS NÃO SOFRIAM INFLUÊNCIAS EXTERIORES?

tempo demorou entre só tocar em casa e

M – Sim. Realizar esse disco em parceria

termos uma música de verdade, pronta.

com Rafael Ramos foi um fator crucial

Mas lembro que se passou um certo

pro trabalho tomar esses novos rumos.

tempo antes disso.

Temos uma relação muito boa com ele,

ternet no exato momento em que ela ficou pronta. Apesar do caráter particular e pessoal não resistimos ao desejo de compartilhar aquilo que tínhamos acabado de realizar e que tinha nos empolgado tanto.

P – E a imersão total e completa na coisa, sem interferência externa, sem telefone, internet ou televisão. Só a música e criação, 24h por dia.

C – É PERCEPTÍVEL QUE ATÉ MES-


tanto profissional quanto pessoal, e sa-

e vamos desenvolvendo, mas temos ca-

bíamos que permitir essa interferência

sos de canções que já chegaram quase

seria muito proveitoso e enriquecedor.

prontas e outras em que fizemos tudo

P – É a questão da confiança e da sincro-

juntos partindo do zero.

nicidade de ideias que permite essa in-

P – Eu tenho mais costume de fazer as

terferência. Desde o começo sabíamos

letras/melodias e ele as harmonias por

que queríamos o mínimo de gente possí-

ser mais o terreno de cada um, mesmo.

vel, porque cada um que chega vem com

No Agridoce rolaram outros processos

uma energia a mais. E sabíamos que as

além desse, mas ainda prevaleceu a coi-

energias tinham que combinar, então ca-

sa de "cada um canta sua letra". A ten-

da um ali foi escolhido a dedo.

dência é misturar cada vez mais, acho eu, até o ponto de ninguém mais saber quem

C – ALGUMA

IDEIIA SOBRE O QUE FAZER COM AS MÚSICAS QUE NÃO ENTRARAM NO DISCO, OU AINDA É CEDO PARA PENSAR NISSO?

iando um fuso mpletamente fé da manhã às , almoço às sete mir só quando o arrego, rsrs. E r o tempo todo ontade" (Pitty)

fez o quê. C – “Upside down”, só para exemplificar, ratifica a cumplicidade entre a dupla. A letra é natural, bonita e simples, além de uma amargura no refrão. Aquele “I

M – Ao seu tem-

don’t belong here” não vem de hoje,

po algumas de-

acredito eu. Pensando nisso e na música

las vão tomando

brasileira, parece que estamos todos em

seu rumo, por

uma geração que foi perdendo a sua

exemplo “La Ja-

personalidade... Infelizmente existe a

vanaise”, versão

necessidade de se encaixar para ter es-

de Serge Gains-

paço. Como vocês enxergam essa adap-

bourg que gra-

tação das bandas à modinha atual?

vamos,

entrou

M – Acho que isso se deve a uma “pre-

bônus

guiça” que foi inoculada no grande pú-

track na venda

blico pelos meios de comunicação em

do disco pelo iTu-

massa, as pessoas esperam que a men-

como

nes.

sagem venha facilmente digerível e nu-

P – "BDay" apesar de não ter entrado no

ma embalagem familiar. Apesar dessa

disco está no repertório do show, e por

estética predominar ainda existem bons

aí vai. Conteúdo nunca se perde.

exemplos de artistas na contramão des-

C – MARTIN

É GUITARRISTA E NO SEU PROJETO COM DUDA (MARTIN E EDUARDO) APARECEU COMO LETRISTA E VOCALISTA. COMO É DIVIDIR AS COMPOSIÇÕES? VOCÊS DIVIDIRAM TAMBÉM AS LETRAS, OU UM CHEGAVA COM A LETRA E O OUTRO COM A MELODIA? M – Essa divisão é uma característica do projeto, já tínhamos colaborado em composições anteriormente, mas o Agrimos

um

método

para

compor,

geralmente alguém chega com uma ideia

quando se fala de mercado acredito que essa mesa, mais cedo ou mais tarde, vai virar. P – A gente não pensa nem em se encaixar nem em desencaixar. A gente gosta de fazer as coisas que a gente gosta, e depois fica torcendo para que haja um nicho pra ela em algum lugar do mundo. Eu não acredito nessas bandas ou artistas que buscam "se encaixar". É o que você falou, não tem personalidade e fica evidente a farsa. Só engana quem não tem um pouco de senso crítico- o que, infelizmente, pode ser a maioria

Paul Hansen POR A L I N E M A R TI N S O flagrante do horror de um conflito que se estende há décadas foi eleito a fotografia do ano

no

mais

importante

prêmio

do

fotojornalismo mundial, o Word Press Photo ( WPP). De autoria do fotógrafo Paul Hansen, a imagem

mostra

um

grupo

de

homens

carregando os corpos de duas crianças, de dois e três anos, mortas em um ataque de mísseis israelitas que destruiu a casa onde viviam, na cidade de Gaza, em território Palestino

M A R G IN Á L IA 2 2

doce é baseado nessa parceria. Não te-

sa tendência, e como tudo é tão volátil

PRÉMIO WORLD PRESS PHOTO


arginรกlia

M


Marginaliai