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Escola Secundária de Albufeira Disciplina de Português

Trabalho Realizado Por: >Catarina Fernandes nº8 > Eunice Zurrapa nº11

12ºD


Neste trabalho vamos abordar tanto a vida de António Vieira, como também a sua obra “Sermão aos Peixes”. Desde a sua biografia, ao resumo de cada capítulo. Com este trabalho, pretendemos aprofundar e compreender a sua obra, que passados todos estes séculos, ainda é bastante importante, pois, apesar de ter sido escrita há bastante tempo, ainda é atual nos dias de hoje, mostrando haver parecenças entre a sociedade de antigamente e a nossa. António Vieira deixou grandes obras literárias, entre elas “Sermão aos Peixes”, a qual iremos analisar ao longo deste trabalho, tentando entender a sua mensagem e as suas características.


Padre António Vieira foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Foi uma das mais influentes personagens do século XVII e destacou-se como missionário no Brasil. António Vieira defendeu os direitos dos indígenas combatendo a sua exploração e a escravatura, defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos. Mudou-se para o Brasil em 1614; regressou a Lisboa em 1641, após a restauração da indecência; Após tempos conturbados acabou por voltar ao Brasil, de 1652 a 1661, sempre defendendo a liberdade dos índios. Em 1654, pouco depois de proferir o célebre "Sermão de Santo António aos Peixes" em São Luís, no estado do Maranhão, o padre António Vieira partiu para Lisboa, junto com dois companheiros. Existem muitas lendas sobre o padre António Vieira. Uma delas fala sobre a sua genialidade lhe fora concedida por Nossa Senhora, e a que, uma vez, um anjo lhe indicou o caminho de volta à escola quando estava perdido.


Padre Ant贸nio Vieira propagando aos Peixes

Padre Ant贸nio Vieira a lutar contra a escravatura e a censura

Padre Ant贸nio Vieira a escrever um dos seus 200 Serm玫es


Como missionário, António Vieira tinha uma grande lucidez e um grande humanismo ativo. Evidencia-se, nos seus textos, a consciência da dimensão politica que a missionação assumia. A sua personalidade de vigorosa, gigantesca e exuberante, entregue completamente ao realismo político do seu tempo e à faina humilde e ardente de missionário sincero. Como pregador, Vieira usava uma linguagem fácil, imagens sugestivas, gestos teatrais e arrebatados, que influenciavam de forma profunda o ouvinte.

A arte da contrarreforma- As obras de arte deviam falar aos fiéis com a maior eficácia possível, mas em momento algum descer até eles. A arte barroca tinha que convencer, conquistar e impor admiração. Conflito entre corpo e alma- A influência da Contrarreforma fez com que houvesse oposição entre os ideais de vida eterna em contraposição com a vida terrena e do espírito em contraposição à carne. Na visão barroca, não há possibilidade de conciliar essas antíteses: ou se vive a vida sensualmente, ou se foge dos gozos humanos e se alcança a eternidade. A tensão de elementos contrários causa no artista uma profunda angústia O tema da passagem do tempo- O homem barroco assume consciência integral no que se refere à fugacidade da vida humana. Por outro lado, diante das coisas momentâneas surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao momentâneo e entregar-se à eternidade?


Literatura: Em termos estilísticos, a literatura barroca em linhas gerais dedicou um profundo cuidado à forma e ao virtuosismo linguístico no intuito de maravilhar e convencer o leitor, o que implicava o uso constante de figuras de linguagem e outros artifícios retóricos: Metáfora; Antítese; Paradoxo; Hipérbole; Prosopopeia; Forma tumultuosa O estilo barroco apresenta forma conturbada, resultante da tensão causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã. Assim, é frequente a utilização de antíteses, paradoxos e inversões, estabelecendo uma forma contraditória. Além disso, a utilização de interrogações revela as incertezas do homem barroco frente ao seu período e a inversão de frases representa a sua tentativa na conciliação dos elementos opostos.

Cultismo e conceptismo O cultismo caracteriza-se pelo uso de linguagem rebuscada, culta, extravagante, repleta de jogos de palavras e do emprego abusivo de figuras de estilo, como a metáfora e a hipérbole. Já o conceptismo, que ocorre principalmente na prosa, é marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, nacionalista, que utiliza uma retórica requintada. A organização das frases obedece a uma ordem rigorosa, com o fim de convencer e ensinar.

Arte Pintura: Mostrava maior dinamismo, contrastes mais fortes, maior dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de manifestar uma tensão entre o gosto pela riqueza e a procura de uma vida espiritual. Uma das mais típicas modalidades de pintura do Barroco é a criação de grandes tetos pintados onde as paredes do templo parecem continuar para cima e se abrir para o céu, oferecendo a visão de uma epifania onde santos, anjos e Cristo parecem descer entre nuvens e resplendores de glória. Também típica da pintura barroca foi a corrente dedicada à exploração especialmente dramática dos contrastes de luz e sombra.


Também se tornaram comuns no Barroco a pintura de naturezas-mortas e interiores domésticos, refletindo a crescente influência dos gostos burgueses. Escultura: A escultura é o desenvolvimento de um género de composição grupal chamado "sacro monte". Trata-se de um conjunto que reproduz a Paixão de Cristo ou outras cenas piedosas. Contraia-se cenários nos quais eram inseridas as estátuas a fim de criar ainda maior ilusão de realidade, numa conceção verdadeiramente teatral. Para aumentar o efeito de semelhança, muitas possuíam membros articulados, para que pudessem ser manipuladas como marionetes. Vestiam-lhes roupas que imitavam as de pessoas vivas, e pintura que se assemelhava à carne humana. E para dar maior ilusão, os seus olhos podiam ser de vidro ou cristal, as cabeleiras naturais, as lágrimas de resina brilhante, os dentes e unhas de marfim ou osso. Arquitetura: A arquitetura barroca é caracterizada pela complexidade na construção do espaço e pela busca de efeitos teatrais que dessem impacto, uma preferência por plantas centralizadas, pelo uso de contrastes entre cheios e vazios, entre formas convexas e côncavas, pela exploração de efeitos dramáticos de luz e sombra, e pela integração entre a arquitetura e a pintura, a escultura e as artes decorativas em geral. Na arquitetura barroca foi importante a observação de proporções geométricas definidas.


Durante o século XVII, o sermão não foi só um género literário predominante, mas também a base da mais importante cerimónia social: a pregação. O sermão, retoricamente construído, é destinado a uma conjuntura tempo-espaçocultural específica. Destaca-se especificamente o interesse no valor persuasivo ao elemento visual implícito nesta prática, bem como o caráter educativo dado a este recurso no género da oratória sagrada da época. Este foi um estilo literário marcado pela linguagem requintada, o uso de antíteses e de paradoxos. Estão presentes duas vertentes: o cultismo e conceptismo Cultismo é a valorização da forma e imagem, do jogo de palavras, uso de metáforas, hipérboles, analogias e comparações. Concetismo é a valorização do jogo de ideias através do raciocínio lógico. Há o uso da parábola com finalidade mística e religiosa. Estes recursos são destinados aos sentidos, afetos e imaginação dos ouvintes.


Delectare, Movere e Docere são três funções oratórias presentes no Sermão, que leva o auditório à reflexão, à ação e à mudança: Delectare: O deleitar tem a ver com o aquecimento do auditório para levá-lo a ouvir o sermão até ao fim. Movere: Comover, persuadir, influenciar o comportamento do auditório, no sentido de o fazer reformular a atitude ética do seu auditório castigando e ridicularizando os vícios do seu tempo. Docere: Ensinar – função didática

O Sermão foi escrito no Brasil e proferido na cidade de São Luís do Maranhão em 1654, foi uma construção literária e argumentativa notável, o sermão pretende louvar algumas virtudes humanas e, principalmente, censurar os vícios dos humanos. Este sermão foi pregado três dias antes de Padre António Vieira embarcar ocultamente para Portugal, para obter uma legislação justa para os Índios.


O Sermão está dividido em 3 partes a Introdução (exórdio), Desenvolvimento (a exposição e a confirmação) e Conclusão (peroração). O capítulo 1 corresponde ao Exórdio (introdução), o Capitulo 2, 3, 4 e 5 corresponde à Exposição e à confirmação (desenvolvimento) e o último capítulo corresponde a peroração (conclusão). A exposição e confirmação dos capítulos II, III, IV, V representam os Louvores dos peixes em geral e em particular.


Capitulo I: O sal não salga (os pregadores não estão a passar a mensagem). A terra não se deixa salgar (os ouvintes não estão a captar a mensagem). A solução de cristo para o sal era mudar de pregador. A solução de Santo António para a terra era mudar de lugar (púlpito) e mudar de ouvintes (Auditório)

Capitulo II: Vieira pertente louvar as virtudes dos peixes e repreender os seus vícios, cumprindo, assim, as obrigações do sal: louvar o bem e repreender o mal. Ele invoca as qualidades dos peixes, de serem obedientes, ordem, quietação, atenção.

Capitulo III: Tobias-cura a cegueira e o seu coração afasta os demónios, simboliza o poder curativo. Vieira é comparado ao Tobias, pois também tinha poder curativo e afastava os maus espíritos através das suas palavras. Rémora-peixe pequeno, mas que tem muita força, simboliza a força e determinação (a palavra). Torpedo-peixe pequeno que ao morder o anzol lança uma descarga elétrica que faz com que o pescador largue a cana, permitindo, a fuga do peixe. Simboliza a conversão.


Quatro olhos- este peixe tem um par de olhos virados para cima e outro para baixo, simboliza vigilância, (António vieira relembra o céu e o inferno)

Capitulo IV: Os peixes comem-se uns aos outros, o que comprova a tese de que os homens se exploram uns aos outros. O pregador considera que existem várias formas de sustento e que este comportamento é apenas reflexo de sua crueldade.

Capitulo V: Os peixes pequenos, mas que se julgam muito importantes, simbolizam a arrogância. Os peixes que vivem colados nos outros, simboliza o parasitismo e oportunismo. Os peixes que possuem grandes barbatanas que usam como asas, simboliza a ambição e a presunção. O polvo são os maiores enganadores dos mares, enganam os inocentes e os distraídos.

Capitulo VI: O padre António Vieira compara-se aos peixes e que conclui, que ao contrário destes, não comprem o objetivo: servir a Deus.


António Vieira é muito atento à realidade política e social, estando pronto a denunciar abusos e a condenar opressões.

Vieira critica os colonos do Maranhão, quer quando critica, quer quando louva os peixes. Acusa-se os homens de ignorância, cegueira, vaidade, oportunismo, ambição e hipocrisia.  Com o uso da Sátira Social evidencia-se mais esta critica e é possível demonstrar esta intenção sátira no sermão:  Na crítica aos colonos e à sociedade humana em geral, com recuso a tipos como representação dos defeitos observáveis na sociedade, como por exemplo quando Vieira faz um conjunto de tipos representativos do ser humano, sendo o ser humano arrogante, ambicioso, etc, que ainda hoje não mudaram.  Quando cria estes tipos, Vieira recorre também à caricatura de figuras e situações.  No uso da ironia. Um dos motivos da sua crítica é a luta contra a escravatura e contra a sede de ambição e domínio dos colonos do Brasil. O Sermão de Santo António aos Peixes ainda hoje é atual, pois quatro séculos depois, continuam a existir seres humanos que não são respeitados e são explorados. Tal como acontecia no passado, as vítimas são os mais fracos.


O poder expressivo do estilo vieiriano manifesta-se em metáforas construídas sem pendor cultista, nas fábulas, exemplos e aproximações com situações outras vividas por personagens bíblicas e através de interrogações, invetivas e exclamações conceitistas. Marcada por antíteses. Ele aludia aos exemplos e as palavras de personagens bíblicos para tentar conscientizar os envolvidos na situação. Pelas comparações, pelas anástrofes, pelas exclamações, pelos trocadilhos, pelos paralelismos metafóricos, pelas antíteses, pelas gradações, pelas apóstrofes, pelas prosopopeias, pelas perguntas e respostas, pelas réplicas e tréplicas, pelas enumerações exemplificativas, pelo uso frequente da anáfora e por uma adjetivação apropriada e bem graduada.


Com este trabalho aprendemos inúmeras coisas, como as características barrocas, características do Sermão, algumas críticas à sociedade que podemos ajudar a alterar. Mas aprendemos sobretudo a valorizar alguém que nos passava de despercebido ou que não lhe dávamos mais de alguns segundos de atenção. António Vieira ou Padre António Vieira foi uma personagem muito importante do seculo XVII (17), fez feitos notáveis, como defender os judeus, a abolição da escravatura e escreveu mais de 200 sermões, 700 cartas e alguns tratados proféticos. Alguém que Fernando pessoa considerava “imperador da língua portuguesa”, devido à riqueza e qualidade das suas obras.

Padre António Vieira (Sermão)  

Trabalho Realizado Por: Catarina Fernandes e Eunice Zurrapa

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