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Um sonho de outro mundo O lugar era lindo e, tamanha a sua evidente grandeza, só poderia estar situado no infinito. Animais que pareciam ter sido retirados de livros de histórias para crianças brincavam felizes, enquanto algumas pessoas de feitios estranhos cantarolavam alegres. No alto de um majestoso morro encontrava-se um belo castelo, feito de torrinhas e torreões. O céu – cortado de lado a lado por um arco-íris – era tal qual algodão. O ar, sendo uma fumaça enevoada e colorida, ficava visível aos olhos de todos. Não seria possível existir, nos vários mundos, ambiente em mais perfeita harmonia do que aquele. Inesperadamente, um lampejo amarelado e ofuscante cortou céu e chão, alterando o cenário por completo. O que antes era grama (tão verde quanto a mais perfeita das folhas em um dia de primavera) transformouse em cinzas sobre as quais, agora, jaziam corpos desacordados. Os sóis foram extintos e tudo nublou: o dia passou a ser iluminado apenas por finos feixes de luz prateada, provenientes de uma fonte desconhecida. Alguém havia roubado as cores e a vida daquele lugar, e não era provável que ambas retornariam tão cedo. Então o espaço enegreceu: para além da profunda e dolorosa escuridão, não se avistava mais nada. Escutava-se, porém, uma voz fraca, embora nítida, que demonstrava certo nervosismo e hesitação ao implorar por socorro. “Venha até mim, venha nos salvar. O fim dos Mundos se aproxima e há forças cruéis que pretendem dominar as terras. Venha e salve o meu Mundo, venha e salve o seu Mundo. A passagem para o Reino do Inimigo foi aberta, rompendo a barreira que nos separava dos mortos. O macabro – Ele – está por vir. Você deve procurar a Grande Árvore, porque quando o sino do Reino dos Mortos anunciar a primeira madrugada do novo ano, algo muito maior e mais cruel do que o fim de nossas vidas começará. Tenha pressa, mas tenha cuidado.”

E, com isso, o mundo (o nosso) entrou novamente em foco aos olhos de nove crianças que, uma a uma, levantavam-se extasiadas, pondo-se a pensar no significado daquele horroroso sonho. 9

O Velho Mundo  

Este é o primeiro capítulo do livro "O Velho Mundo - Abrem-se os portões de Erebo", uma obra infantojuvenil de literatura fantástica escrita...

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