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CIP - BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE CATALOGAÇÃO DA EDITORA


CAPA: MARIANA SGAMBATO REVISÃO:ANDREIA TONELLO

DIAGRAMAÇÃO E-BOOK: DANIELLA MORENO

Está é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação do autor. Quaisquer semelhanças com nomes, datas e acontecimentos reais são mera coincidência. Todos os direitos reservados. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte desta obra, através de quaisquer meios – tangível ou intangível – sem o consentimento escrito da autora e Editora. Criado no Brasil.


Dedicado a Jaqueline Haas, por todas as vezes em que me obrigou a escrever logo o prรณximo capitulo..


Tudo começou com um sonho. Um sonho no qual eu precisava compartilhar com todos a historia de Lauren. Foi então que comecei a escrever os pequenos rascunhos, aprovados pela Jaqueline Haas. Agradeço imensamente a ela, por participar em cada novo detalhe para meu livro. Sempre que surgia alguma duvida sobre alguma coisa, era ela quem me dava às respostas mais sensatas para eu seguir minhas ideias. Então agradeço imensamente tudo que já fez por mim. Agradeço a minha família por sempre me apoiar nos sonhos e ideias mais loucas que me surgem. Amo todos vocês. Obrigada a Mariana Sgambato pela capa linda que fez e me deixou encantada desde o inicio. Meus agradecimentos também vão para Daniella Moreno e todos da Editora Livros Prontos, por tornar esse sonho possível.


E se tudo que você planejou para sua vida mudasse de forma totalmente radical? E se você pudesse escolher o que realmente quer para sua vida, mais seu coração te contradiz e faz você mudar de ideia por um amor de adolescência? Meu nome é Lauren, atualmente moro em Nova York onde tenho meu emprego em uma das melhores empresas de venda de imóveis. Tenho meu cargo como Gerente Geral. Logo que passei a fazer meu estágio depois da faculdade, o Sr. Ryan me chamou para estagiar em sua empresa, já que ele e meu pai sempre foram amigos e ele ajudou muito minha família logo que nos mudamos para Nova York. Aceitei de cara a proposta que ele me fez e aqui estou eu até hoje. Já faz quatro anos que estou na empresa e até hoje nunca houve nenhum inconveniente. Tenho uma boa relação com todos os funcionários e todos me respeitam. Tenho um apartamento quase no centro de Nova York e vivo muito bem sozinha. Tenho minha irmã Laura que sempre está presente em minha vida, estamos sempre estamos juntas em tudo. Somos muito parecidas e sou mais nova que ela, nossos cabelos são castanhos e nossos olhos são azuis iguais aos do papai. A diferença está apenas na altura, eu tenho 1,54m e ela tem 1,72m. Este fim de semana decidimos ir visitar nossa avó que já faz tempo que não vemos. — Está pronta, Laura? – pergunto já entrando no carro para esperá-la trazer sua última mala de acessórios. — Sim, esta é a última — ela entra no carro e coloca a mala no banco de trás. Nossa viagem é tranquila. Chegamos à casa da vovó e ela nos recebe muito feliz. — Olha quem resolveu vir me visitar depois de uma eternidade. — ela vem correndo nos abraçar e sorrimos diante do abraço apertado que ela nos dá. — Bom te ver também, vovó. – digo dando um beijo no rosto dela. — Não exagera, vó, foram só sete meses. – Laura brinca com ela.


— Nem me diga, os piores meses de minha vida longe de vocês, minhas princesas. Como vocês estão lindas. E você, Lauren, eu quase não a reconheci. Quanto tempo, minha menina. Por que nunca mais voltou para me visitar? — Desculpa, vovó, foram épocas difíceis e eu não consegui mais voltar, antes pelos estudos e agora pelo trabalho. – digo envergonhada. — Terá que se desculpar vindo mais vezes me visitar. Você não aparece há sete anos. O que aconteceu? – ela me pergunta e começo a relembrar o quanto foi difícil para eu não vir vê-la. — Sim, virei visitá-la mais vezes. Agora podemos entrar? Estou um pouco cansada da viagem e preciso me deitar um pouco. — digo indo para o porta-malas do meu novo carro, um Audi q7 preto. Depois de me instalar no quarto indicado pela minha avó, decido ir tomar um banho e deitar um pouco. Já passava das 18:00Hs quando Laura veio me chamar para jantar e depois dar uma volta até a praça local da cidade. Obviamente entendi seu recado e já me arrumei para uma noitada. Jantamos e saímos para a "praça" assim como informamos à vovó. Como não queríamos dar bandeira, trocamos de roupa dentro do carro em direção à boate. A balada que fomos era conhecida da pequena cidade. Quando morávamos aqui me lembro de ter ido uma vez com ela. É um local bem reservado e aconchegante. Chegamos e atraímos olhares de várias pessoas que ali estavam, mas não ligamos até porque já estávamos acostumadas a receber olhares alheios, tanto de homens quanto de mulheres. Dançamos igual doidas já que as músicas estavam bem agitadas. De repente, uma voz atrás de mim me chama a atenção já que chamava o nome de Laura. — Laura, não acredito que é você? – Jenny chama por minha irmã. — Jenny, quanto tempo! — minha irmã a abraça toda sorridente. Eu apenas fico observando já que faz muito tempo que não a vejo. Ela se parecia muito com ele quando fui embora. Hoje está diferente e me pergunto se ele ainda está igual ou se também mudou como ela? Jensen e eu nos conhecemos desde pequenos, estudamos juntos e começamos nossa adolescência juntos. Conforme o tempo ia passando, eu e ele nos apegamos cada vez mais. Vivemos um pequeno romance, meu primeiro amor. Eu o amei intensamente, fazia de tudo por ele e ele por mim. Como todos já tinham se acostumado que éramos amigos, nunca ninguém desconfiou que tínhamos um romance desde os 12 anos, quando nos beijamos pela primeira vez no final do verão depois de voltarmos da casa de lago dos meus pais. Depois daquele beijo, tudo mudou, aceitamos que éramos apaixonados um pelo outro e nunca nos separamos. Tudo se intensificou com o passar do tempo.


— Então, como você está? – ela pergunta e eu continuo olhando para as duas, percebo que até agora ela não me reconheceu. Não entendo por que, já que Laura e eu somos idênticas, tirando a altura. — Estou ótima. – minha irmã responde e vira para mim. — Lembra-se de minha irmã Lauren? – os olhos de Jenny viram e me olham de cima abaixo. Seu olhar de espanto me assusta e me pergunto se mudei muito. — Não acredito, é você mesma, Lauren? – ela pergunta vindo ao meu encontro, me abraçando apertado. Fico sem reação no começo, mas logo retribuo o abraço. – Você mudou tanto, eu não a reconheceria se passasse por mim na rua. — Calma, não mudei tanto assim. – digo sorrindo. — Estou falando sério, menina. – ela sorri e me abraça de novo. – Mas e daí, o que estão fazendo por aqui? — Viemos visitar nossa avó. Ela reclamou muito por não vir visitá-la já há mais de sete meses e Lauren já faz mais de sete anos que não retornou. Então fomos obrigadas a aproveitar os dias de férias que Lauren tirou e viemos visitá-la. — Ai que bom. Quantos dias vocês ficarão? – ela pergunta com um sorriso nos lábios. — Possivelmente cinco dias – Laura responde. — Ótimo, poderemos passar mais tempo juntas. Também estou de folga essa semana e mamãe adoraria ver vocês duas. Passem por lá quando tiverem um tempinho. – ela diz sorrindo. — Claro, assim que possível nós passaremos lá. – Laura responde e eu apenas fico quieta pensando se devo ou não perguntar sobre ele. Mas acabo deixando quieto. — Certo, estarei esperando. Divirtam-se, meninas. — ela diz sorrindo e volta para grupo com quem estava. Eu e Laura dançamos bastante e depois retornamos para a casa da vovó. Chegamos e ela já está dormindo por isso passamos reto para nossos quartos, amanhã será um dia longo e eu quero estar preparada para tudo o que poderá acontecer nesses dias que faltam.


"Você não pode me abandonar, por favor, diga que não vai, fica comigo". — ele me dizia e eu não sabia o que responder. Apenas não podia olhar em seus olhos. Nunca admitiria que ele tivesse ficado com Ashley, a menina nova que havia começado a estudar com ele recentemente. E o nosso amor? Onde ficou toda aquela paixão? A gente só tinha brigado semanas antes por eu não poder ficar em sua casa para as férias de verão, meu pai queria conhecer a nova cidade de tia Ellen. Já tinha ouvido dizer muito de Nova York e fiquei animada em ir conhecê-la, porém Jensen não gostou e disse que eu o abandonaria quando soube que meu pai tinha planos para me enviar para lá a fim de terminar minha faculdade. — Já tomei minha decisão, desculpe, agora é tarde para retomar suas decisões já que as minhas estão feitas. — disse e me virei entrando em minha casa sem olhar para trás. Acordo assustada e percebo que estou na casa de minha avó. Levanto e vou para o banheiro. Passo pelo quarto de Laura e ela já não está mais, a cama está arrumada. Me pergunto que horas são? Sigo para o banheiro e faço minha higiene matinal, retorno ao quarto e visto um short e uma regata branca, por fim coloco meu All Star e faço um rabo de cavalo no cabelo. Sigo para a cozinha e encontro elas tomando café, e junto com minha avó e minha irmã encontro Leda, uma empregada de minha avó que ela tem como filha. Leda cuida dela desde que me conheço por gente. — Bom dia, minhas lindas. — digo adentrando a sala e indo dar um abraço em Leda que sorri e vem ao meu encontro. — Bom dia. — escuto minha avó e minha irmã responderem. — Bom dia, minha menina, como você está bonita. — Leda me abraça e gruda no meu pescoço e eu não posso deixar de sorrir. — Obrigada, Leda, você continua a mesma. Sempre linda. — digo e ela sorri do meu elogio. — Que isso, menina, cada vez fico mais velha, isso sim. Já vejo as rugas se aproximarem de minha pele de porcelana. — ela diz e todas riem. Ela sempre faz brincadeiras sobre sua pele e ela realmente tem uma pele maravilhosa.


— Para com isso, não estou vendo nada nessa pele linda. — digo e vou sentar-me à mesa, pego um copo e me sirvo de suco de laranja. — Acordou bem disposta hoje, né, minha querida? — vovó pergunta me olhando e eu sorrio para ela. Confesso que ela me fez muita falta nesses últimos anos. Vovó sempre apoiou meu namoro com Jensen, ela soube desde o início que a gente combinava um com o outro, mas quando descobriu sobre ele ter ficado com outra garota ela me aconselhou a ir embora e dar um tempo para nós dois. Se for para dar certo, as coisas se encaixarão e o tempo o trará de volta. Assim ela me disse antes de eu me mudar para longe dela e dele. — Ah sim, vovó, o dia está ótimo hoje e eu desejo aproveitá-lo. — digo para ela sorrindo. — Ótimo, eu preciso de umas coisas do mercado e já que vocês estão novas e fortes irão ao mercado para mim. — ela diz sorrindo e se levanta da mesa. — Perto do mercado abriu uma feira de coisas antigas da cidade, talvez vocês achem alguma coisa que gostem lá para levar e ter como lembrança. — ela diz olhando para nós duas, e apenas concordamos com a cabeça. — Vou trocar de roupa e já venho. — Laura avisa e se levantando e passando por mim, indo em direção ao seu quarto. Termino meu suco e como uma banana, não sou acostumada a comer de manhã. Assim que termino, vou ao banheiro e escovo meus dentes novamente, quando saio, Laura já me espera na porta para irmos às compras para vovó. O caminho até o mercado não é longe e decidimos ir andando. Passamos primeiro pela feira e logo que chegamos ao local, na entrada encontro um tipo de brinquedo parecido ao que brincava quando pequena. Ao lado tem uma escada para subir e na frente tem uma corda para passar ao outro lado, que tem a parede em forma de escalar. Eu logo me empolgo quando vejo e vou à sua direção. Lembro-me de brincar muitas vezes junto com Jensen, porém esse era um brinquedo maior e servia para adultos também. — Eu não acredito que você vai subir nesse troço ai. — Laura vem atrás de mim sorrindo. — Porque não? — pergunto rindo dela. — Vamos aproveitar o que o presente nos dá para recordar do passado. — digo e logo me arrependo, pois ela me olha desconfiada. — Realmente você está ficando louca!— ela diz rindo ainda mais, eu começo a subir as escadas mais logo volto para pegar no braço de Laura e trazê-la junto comigo. — Para, eu não vou fazer isso. — ela diz sorrindo e parando. — Vamos, vai ser divertido. Para, eu sei que você quer vir. — digo e ela sorri, então começa a andar.


— Certo, vamos, mas é apenas uma vez. — ela diz indo na frente e eu tenho que sorrir. — Tudo bem, confessa. Você está mais empolgada que eu por poder fazer isso outra vez. — e quando termino de dizer já não a vejo, pois já pulou pela corda e eu começo a sorrir indo atrás dela. Puxo a corda e atravesso encontrando Laura já no chão sorrindo igual criança que ganha um brinquedo novo. Desço pela parede escalando e chego ao chão. Lembro que eu morria de medo de fazer isso e, com o passar do tempo, Jensen me ensinou passo a passo. Tinha muito medo de cair então ele me ajudava na hora de pular na corda, adorava a forma que ele me segurava pela cintura. — Acorda Lauren, estou falando com você e você nem responde. — minha irmã me chama e então eu volto à realidade. — Desculpa, estava me lembrando da época em que brincava com Jensen. Ele quem me ensinou a brincar com esse brinquedo. — digo sorrindo e abaixando um pouco minha cabeça para que minha irmã não possa ver em meus olhos o sofrimento que tenho quando me lembro do passado. — Tudo bem, vamos. — ela diz percebendo que já estava ficando triste pelas lembranças. — Ok. — digo e sigo atrás dela. O local é bem grande e tem muitas coisas. No fundo observamos umas mesas de madeira que me lembram da família Schmidt, eles fazem todo tipo de móveis com madeira e outros materiais. Olhando ao meu redor encontro um pouco de tudo, tem celas para cavalos e outras coisas do tipo, e me apaixono por uma cela na cor vermelha e marrom. Se eu pensasse em ter um cavalo compraria igual para ele. Sigo em frente e encontro um mural cheio de fotos e me aproximo para ver. Observo várias fotos de conhecidos, e uma me chama a atenção. Quando levanto minhas mãos para pegá-la minha irmã me chama. — Lauren, olha a foto que encontrei! — então deixo a foto dos pais de Jensen e sigo até ela para ver o que ela quer. Laura me entrega uma foto e assim que a vejo percebo que na foto estou eu e Jensen. Fico boquiaberta olhando para nossa foto, nela estávamos abraçados andando pela praça da cidade. Estávamos nos olhando e sorrindo. O típico casal apaixonado. Realmente fazíamos um par muito bonito. — Onde você encontrou essa foto? — pergunto olhando para Laura. — Ela estava bem no centro do painel. — ela diz e aponta para o local onde a foto se


encontrava antes dela pegar. Percebo que a nossa foto estava bem no meio de todas as outras e fico me perguntando o porquê. Será que o dono do local nos conhecia? Ou será que era coisa do destino? Quando me viro para procurar pelo dono do local, avisto do outro lado do salão em uma das mesas no canto do barracão, no local do estande do Sr. Schmidt, a pessoa que eu menos gostaria de ver por aqui, justo ela, Ashley Drummond! E meu coração para quando vejo Jensen se aproximando dela e sentando-se ao seu lado.


Fico parada ao lado de Laura que também está observando o casal, ela vira para mim e sorri um pouco triste, porque sabe minha história com ele e que foi por causa de Ashley que fui embora e o abandonei. Sei que na época minha atitude foi precipitada, pois eu e ele estávamos dando um tempo quando tudo aconteceu, mas nunca aceitaria que ele tivesse ficado justo com ela e ele sabia disso. Ele sabia que de todas, ela era a que eu mais odiava. Quando ela levantou do seu lugar pude observar sua barriga de grávida e aquilo cortou meu coração, e esmagou minhas esperanças de que talvez, agora que eu tinha voltado, eu o encontraria me esperando. E só tenho uma resposta para mim mesma, que boba que sou! Viro-me rapidamente em direção à porta pela qual havíamos entrado e marcho firme antes que eles possam nos ver paradas ali os observando, Laura já está atrás de mim quando passo pela porta e vou em direção ao mercado fazer as compras para vovó. Adentramos no mercado e nenhuma das duas fala nenhuma palavra, pois ela sabe que aquele momento foi um dos piores da minha vida. Nunca poderia acusá-lo por não ter ido atrás de mim, ou por não ter esperado que eu voltasse. Não, eu não poderia acusá-lo de nada. Até porque, fui eu quem o deixou sem explicações e fui embora sem dar satisfação de onde iria. Pegamos o necessário e quando estamos indo para o caixa encontramos Jenny entre as prateleiras. — Bom dia, meninas. — ela sorri e vem ao nosso encontro, nos abraçando. — Bom dia. — respondemos juntas eu e Laura. — Ei, o que vocês vão fazer hoje mais tarde? — ela pergunta, eu e Laura nos olhamos e respondemos juntas. — Nada. — e ela sorri com nossas respostas. — Que ótimo, vocês vêm com a gente para a casa de lago do Breno, lembram-se dele, né? Ele estudava com você, Laura.


— Ah claro, como poderia esquecer. Breno sempre foi o mais querido e safado da sala. — Laura responde sorrindo com as lembranças dele. — Eu me lembro um pouco dele. Só lembro que era muito gatinho. — digo sorrindo. — Você precisa vê-lo agora, está ainda mais gato. — ela diz e eu olho para Laura sorrindo com o comentário e tentando imaginar como ele estaria. — Vai ser um encontro daquela nossa turma. A maioria se encontra na cidade, e os que foram embora, justamente como vocês, estão de férias por aqui, então resolvemos nos encontrar, todos em um local, para relembrar o passado. Penso por um momento e acho que seria ótimo passar um tempo com velhos amigos. — Sim, nós vamos. — digo olhando para Laura, que confirma com um sorriso no rosto. Ela sempre foi boa de farra e sempre gostou de fazer coisas diferentes, ao contrário de mim, que sempre fui de ficar em casa ou trabalhando. Não que dispense uma balada boa, na verdade adoro dançar, mas essas coisas ficam mais para segundo plano em minha vida. Como Laura sempre me diz, "Sua vida só se resume a trabalhar. Sai dessa vida pelo menos um dia e você vai amar mais a si mesma e também a uma boa noitada". — Ótimo passa pela casa da vovó e vamos juntas. — Laura diz para ela sorrindo. — Está bem, combinado, então. Passo por lá às duas horas. — ela diz e nos direcionamos para o caixa. Chegamos à casa da vovó e ela nem pergunta por que demoramos, ou o que estávamos fazendo. Ela nos informa que terá um compromisso na parte da tarde, um chá que se realiza todos os sábados no mesmo horário na casa de suas amigas. Aproveitamos e avisamos que iremos para a casa de lago de Breno, e que possivelmente chegaremos tarde da noite ou então nem voltaremos hoje. Ela só diz que está tudo bem e que devemos mesmo aproveitar, diz especialmente para eu deixar as responsabilidades do trabalho de lado por esses dias e aproveitar cada minuto para me divertir um pouco. Faltam dez minutos para as duas e já ouvimos as buzinas do carro da Jenny em frente à casa da vovó. — Vovó, estamos indo. — informa Laura. — Está bem, divirtam-se, meninas, e não se preocupem comigo, ficarei bem. — ela diz e sorrimos. Prefiro ir com meu carro, pois não sei que horas a Jenny resolverá voltar, então para não incomodar vamos com o meu, a acompanhando, já que não sabemos bem o caminho. Depois de meia hora entamos a uma mata fechada até chegarmos a um grande portão de ferro.


Ela para o carro e paro logo atrás, depois de alguns segundos o portão se abre e entramos com os carros. Chegamos a uma enorme mansão branca cheia de vidros em toda fachada. O local é maravilhoso, o jardim fora é bem grande e cheio de flores de todos os tipos. Estacionamos os carros em um local reservado para isso, eu apenas sigo Jenny, pelo visto ela vem sempre por aqui. Descemos do carro e logo Breno aparece para nos receber. — Oh meu pai, esse fim de semana não vai prestar com tantas gatas assim em minha casa. — ele vem sorrindo e abraça Jenny, eu e Laura apenas sorrimos, pois ele não parece ter mudado muita coisa. Apenas está mais encorpado e com a barba por fazer, realmente tinha me esquecido como ele era bonito. — Oi pra você também. — Jenny responde sorrindo. — Ei, trouxe umas companhias, lembrase de Laura Crawford e sua irmã Lauren? — Ela pergunta e ele olha para Laura de cima abaixo e sorri. — Como me esqueceria de uma Deusa igual a essa. — ele diz sorrindo e nós todas sorrimos com sua cantada para cima de Laura. Então ele se vira para mim e fica me observando por um tempo. — Agora, essa coisinha linda aqui eu não estou reconhecendo, poxa, tu mudou em garota. Coitado do Jensen quando te ver. — Fala sorrindo e eu fico vermelha de vergonha por ele estar mencionando Jensen, ninguém até agora o tinha mencionado, nem minha avó. Essa reação dele me deixa surpresa. Vendo meu estado, Jenny fala para entrarmos que ali fora está muito calor. Todos assentimos e entramos na casa. Ela era enorme por fora, tinha três andares, mas quando entramos fico boquiaberta, ela ainda tinha uma escada para um térreo. Ele nos conta que comprou a casa já assim, com mais dois andares subterrâneos. Um se trata de uma sala de estar e o mais baixo é um salão grande para uma boa festa particular. Ele nos mostra toda a casa e o local é maravilhoso. A casa em si é toda branca e os móveis combinam em cor chumbo, preto e branco. Realmente uma casa dos sonhos!!! Depois de passarmos por uma saída nos deparamos com uma enorme piscina nos fundos. O local está cheio de velhos amigos, e de cara já avisto alguns que eram da minha sala. Debby, uma velha amiga vem saudar minha irmã e depois vários a saudaram, perguntando quem eu sou. Acho aquilo tudo muito engraçado, certo que cortei o cabelo e parei de usar óculos, mas não acho que tenha mudado tanto assim. E quando ela diz quem eu sou todos ficam boquiabertos e não acreditam nela, eu sorrio mais ainda por suas expressões. Olhando todo o local, não resisto em procurar por Jensen no meio de todos, mas não o acho. E quando cruzo meu olhar com aquele cara não acredito. De todas as pessoas do mundo justo ele está aqui? Junto com meus velhos amigos, como eles se conhecem? Então paro de me fazer perguntas e vou à sua direção para tirar satisfações. Quando estou chegando perto ele também me olha espantado. Pronto, ele também está surpreso com essa ocasião!


O som está alto, e dos autofalantes posso ouvir Under Control de Calvin Harris, e aquela música começa a me incomodar assim que me aproximo de Ethan. — Você por aqui. — ele fala me olhando sério. — Sim, e você também. – digo, já nervosa. – O que veio fazer aqui pra esses lados? Seu pai sabe que está por aqui? — pergunto, pois Sr. Ryan sempre está em cima de Ethan e Erick. — Claro que sabe... Bom, não do local, mas sabe que estou no interior do país. — ele diz sorrindo. — E você, gata, o que faz aqui? — ele pergunta e eu odeio quando ele me chama assim. Ethan sempre ficava atrás de mim no escritório, e sempre dizia para seu pai que um dia iria se casar comigo. Sr. Ryan sempre ria dele, pois sempre soube que eu não tinha muito interesse. Com o passar do tempo, Ethan que frequentava a academia foi ficando cada vez mais lindo. Sou sincera, então tenho que admitir que ele está um verdadeiro pedaço de mau caminho. Cada vez que seus olhos azuis me encaram tenho que evitar seu olhar, pois ele tem aquele olhar penetrante que se você não se cuidar molha as calcinhas logo em seguida. No segundo ano que estava trabalhando para seu pai, ele invadiu o banheiro feminino do escritório e me agarrou a força, claro que logo eu cedi, pois ele beijava bem pra caralho. Mas depois de alguns minutos que o beijo começou a ficar realmente quente me afastei dele e o empurrei saindo em direção à porta que ele tinha trancado. Destranquei-a e o olhei pela última vez, o avisando para que nunca mais fizesse uma loucura daquelas ou eu iria falar para seu pai. Ele sorriu e o deixei lá dentro com cara de bobo. Depois de uns dias recebi um e-mail dele dizendo que se não aceitasse jantar com ele naquela noite ele contaria a todo o escritório que estávamos namorando. Para não dar confusão, aceitei seu pedido, até porque não era boba de não sair com ele, o cara realmente era desejado por todas as mulheres do escritório. O problema não foi ter saído com ele para jantar e sim ter bebido em exagero e termos dormido juntos. Depois daquele dia eu disse que não o queria mais, para esquecer tudo que aconteceu. Mas ele, ao invés disso, continuou atrás de mim. Então depois de um tempo eu cedi para ele. Tivemos um caso de alguns meses que acabou


quando ele quis algo sério e eu não estava preparada. Ele era perfeito, mas eu não o amava e aquilo não poderia continuar! Não gostaria de enganá-lo, então falei com seu pai e ele o enviou para outra sucursal das lojas de Imóvel Johnson. Alguns dias depois ele me ligou e se desculpou por ter passado do controle e não ter entendido meu pedido para ir com calma. Então não nos vimos mais, ele passava no escritório às vezes e sempre ia me encontrar, conversávamos, ele sempre me cantava, mas não quis mais continuar aquela história, então o cortava logo no começo. Ele apenas sorria para mim. E agora estamos aqui, em frente a vários amigos meus e possivelmente dele também. — Eu morava aqui quando era nova, me mudei para fazer a faculdade e então passei a estagiar com seu pai. Minha avó mora aqui, então aproveitei esses dias de folga que seu pai me pediu para tirar e vim vê-la, já que depois que fui embora nunca mais voltei. — digo e abaixo minha cabeça para não encará-lo por muito tempo. — Nossa, cada vez mais descubro que não sei nada sobre você. — ele diz e tem um sorriso meio triste no rosto. Percebo alguém chegar por trás de mim e me viro encontrando Laura encarando Ethan. Eu mencionei sobre ele, mas ela nunca o tinha visto pessoalmente, não o levei mais para minha casa depois daquela noite que estava bêbada. Então eles nunca se encontraram. Olhando para frente encontro Ethan encarando nós duas ao mesmo tempo. — Laura, este é Ethan Johnson. — digo olhando para ele novamente. — Ethan esta é minha irmã Laura. — apresento-os formalmente. — Muito prazer em conhecê-la. — ele diz e olha para mim. — Lauren sempre falava muito bem de você. Fico feliz por finalmente conhecê-la. — ele diz com um sorriso perfeito nos lábios. — Certamente, feliz estou eu por conhecê-lo. — ela diz e se aproxima do meu ouvido falando em um sussurro. — Você não mencionou que ele era um Deus Grego, sua vaca. — e eu tenho que sorrir com seu comentário. Ethan nos olha sorrindo de orelha a orelha. — Bom... Muito obrigado pelo elogio, Senhorita. — ele diz para Laura que logo o responde sorrindo maliciosamente. — De nada, só estou dizendo a verdade. — e então sorrimos os três. Ficamos conversando por um bom tempo e então descubro que Ethan conhecia o Breno e que ele o tinha convidado para passar esse final de semana em sua casa já que tinha planos de encontrar com o pessoal. Eles se conheceram na faculdade e eu tinha esquecido que logo que fomos embora ele já não morava mais aqui, tinha se mudado para outro lugar assim como nós havíamos feito. Ethan era um cara legal, me ajudou muito quando passamos um tempo juntos. Ele sempre foi


gentil e cuidadoso, muito romântico às vezes e eu admirava isso nele já que hoje está difícil encontrar alguém assim. Gostava de conversar com ele, pois era um cara muito esperto. Dentro do escritório seu profissionalismo era impecável, está entre um dos melhores vendedores de imóveis de todas as regiões! Ele e Laura estão em uma conversa muito louca de marcarmos um jantar depois que retornarmos às nossas rotinas, e eu apenas concordo com os dois, preciso mesmo me distrair e aproveitar mais minha vida. Sinto um arrepio por toda minha coluna, com um olhar sobre mim e me viro para procurar quem está me olhando! Meu olhar vagueia pelo local cheio de gente e para em dois pares de olhos castanhos me encarando em cima das escadas que descem para o local da piscina onde estamos todos. E eu? Fico paralisada o encarando e ele a mim.


Fico olhando para Jensen e logo seu olhar sai de mim e para ao meu lado, então percebo que ele está encarando Laura. Olho para ele novamente e vejo Ashley se aproximar dele grudando em seu braço. — Olha quem resolveu aparecer – Breno fala alto e vai em direção ao casal parado ainda na escada, o que chama a atenção de todos para eles. – A grávida mais linda de todas. – ele diz e ela sorri com seu comentário. — Para com isso seu bobo, está chamando a atenção de todos. – ela diz em voz mais baixa, porém todos a escutam, e logo voltam sua atenção para o que estavam fazendo. Olho para frente para que ela não me veja, mas percebo que será em vão já que passaria o fim de semana todo junto com eles, então seria difícil ela não me ver. Olho para Ethan que está sorrindo olhando para mim e Laura novamente. Já que o fim de semana vai ser longo, prefiro não passá-lo sozinha. Ainda mais com o novo casalzinho por aqui. Então resolvo tomar uma decisão meio precipitada, mas somente pelo momento. — Ethan, você só conhece Breno deste local ou alguém mais? – pergunto e Laura já me olha imaginando o que estava aprontando. — Sim. Até o momento conversei com alguns caras, mas não os conheço. Até já esqueci seus nomes. – ele diz pensativo olhando ao seu redor e logo volta seu olhar para mim. – Por quê? — Preciso de um favor seu. – digo de uma vez sem nenhuma cerimônia. — Depende do favor. Terei alguma recompensa, gata? – Ele pergunta com um sorriso malicioso nos lábios. — Você é quem irá decidir se servirá como recompensa ou não. Quero que seja meu namorado este fim de semana. – Falo olhando sério para ele que me olha desconfiado. — Por que eu faria isso? – ele pergunta.


— Porque preciso de alguém do meu lado neste momento e a única é Laura, e todos aqui sabem que ela é minha irmã, e não quero passar como encalhada para todos. E já que você se está qui, e nós já estivemos juntos uma vez, vai saber lidar bem com a situação. – digo e ele fica pensando sobre minhas palavras. — Tá bom! Aceito, mas se irei fazer isso quero ter um bom motivo para fazê-lo. – ele me diz e fica me encarando esperando por uma resposta. — Tudo bem. Vou simplificar para você, Ethan. – minha irmã começa a falar se intrometendo em nossa conversa. — Aquele rapaz que está junto com a grávida, que chegou recentemente, era o namorado de Lauren, e foi por causa dele e dela que minha irmã foi embora quando era mais nova. E como não esperávamos encontrá-los por aqui ela não trouxe nenhum acompanhante a não ser eu, claro. – ela diz e para, pensando no que acabou de dizer, mas logo continua. – Como o destino nos presenteou com você por aqui, então você será seu namorado de mentirinha por este fim de semana. – ela termina de dizer quase sem fôlego por sua explicação. — Agora a situação está ficando divertida. – ele responde sorrindo e olha para mim. – Quer dizer que além de ser o namorado da famosa e difícil Lauren Crawford por um fim de semana, ainda terei o prazer de mostrar na cara daquele idiota o que ele perdeu? – ele para de falar e fica pensando por alguns minutos. — Eu aceito. Começamos agora? – ele pergunta sorrindo e eu fico besta de ver que ele está aceitando minha proposta! Mas como conheço Ethan tinha certeza que ele iria aceitar. Ele pode ser o cara mais simpático em algumas questões, porém é o mais abusado para mostrar na cara dos outros as coisas que possui. Tenho certeza que irei me arrepender depois por colocar ele nessa ocasião, pois sei que depois ele não vai largar do meu pé. Mas quer saber? Foda-se. Vou fazer de tudo para mostrar na cara daquele idiota e lindo do Jensen que eu já o esqueci há muito tempo e que já estou com outro. Mesmo sabendo que não passa de uma mentira. — Quer uma bebida, amor? – Ethan pergunta. — Quero sim. Hoje vou me liberar e tomar um pouco de álcool – digo sorrindo. — E você, cunhada?– ele pergunta para Laura. — Eu também. Trás algo bem forte, cunhadinho. – ela diz sorrindo. Ele se vira e vai em direção às bebidas. Viro-me para Laura e começamos a conversar quando sinto me levantarem, só percebo o que está acontecendo quando começam a gritar: joga, joga, joga. Sinto a água me engolindo e logo flutuo para cima, engolindo um pouco d’água. — Bem vindas de volta. – todos os rapazes dizem e riem da cena. Olho para o lado e vejo


Laura do outro lado por cima da água assim como eu e outras meninas. Nos olhamo e rimos de nós mesmas. Subo os degraus da piscina e me deparo com uma mão grande, seguro nela e me levanto. Sinto uma energia correr por todo meu corpo, mas agradeço por Ethan estar me ajudando. Quando olho para frente, dou de cara com Jensen. Meu coração acelera e fico paralisada encarando ele. Antes de algum de nós falarmos alguma coisa, Ethan chega sorrindo por trás de nós. — Oh meu amor, não posso deixar você sozinha nem por um minuto que já apronta alguma coisa. – ele diz sorrindo e vem ao meu encontro, percebo que ainda seguro a mão de Jensen, então a solto rapidamente. — Segura um momentinho aqui pra mim, cara. — Ethan entrega nas mãos de Jensen nossas bebidas, vem e me segura sorrindo. — Valeu, cara, por ajudar minha mulher. – ele diz para Jensen que o olha com cara de poucos amigos. — Por nada. – ele diz com aquela voz rouca que eu sempre amei. Então sou levantada por Ethan, ele me dá um beijo avassalador na frente de Jensen. Percebo que ainda não perdemos o contato visual então olho para Ethan e retribuo seu beijo. Depois de alguns minutos, Ethan me solta no chão e me abraça, pega das mãos de Jensen nossas bebidas e sai me guiando para o mesmo local onde estávamos antes. Avisto Laura se secando e olho para trás por cima do ombro esquerdo, Jensen ainda está nos encarando. Mas logo percebo Ashley segurar em seu braço e levá-lo para outro canto da piscina. Ela parecia estar muito nervosa e isso me faz sorrir divertidamente. — Obrigada pela cena, namorado. – digo para Ethan sorrindo. — De nada, meu amor, estou aqui para servi-la. – ele diz e começamos a rir juntos. Chegamos perto de Laura e ela também está sorrindo. — Menina, que cena foi aquela? – ela diz nos olhando e rindo. – O pessoal todo parou para ver o quão bondoso o Jensen foi ajudando a Lauren. Logo atrás chega Ethan a roubando dele e dando um beijo cinematográfico em frente aos olhares de todos. Isso realmente foi o acontecimento do dia, estão de parabéns, fofinhos. – ela diz e nos olhamos sorrindo. Bebemos um pouco e logo entramos novamente na piscina. Eu não vi mais Jensen nem Ashley, creio que foram embora depois da cena da piscina. Eu, Laura e Ethan nos divertimos muito e confesso que me senti uma adolescente novamente junto com eles. A turma está animada na piscina e passamos a tarde toda nela. Quando a noite começa a surgir decidimos ir para o lago. Os meninos fizeram uma enorme fogueira e sentamos ao redor dela. A noite está linda e com a música alta perto de nós logo surgem casais se amassando e outros dançando. Em ritmo de festa também começamos a


dançar. Laura sempre amou dançar então logo se embala a dançar com Trevis, um namoradinho que ela tinha quando era mais nova. Não quero perder a chance de aproveitar também com Ethan, então logo estamos dançando. A música está agitada e não deixo de aproveitar o embalo e danço de forma sensual com ele. — Desse jeito você vai me enlouquecer, Lauren. – Ethan fala ao pé do meu ouvido e eu rebolo ainda mais nele, sorrindo. Sempre adorei provocar e não perderia essa chance. — Apenas aproveite, Ethan, só será por este fim de semana. – digo baixinho e sorrindo. Virando de frente para ele o agarro com um beijo. Um dos detalhes de Ethan é que seu beijo é realmente bom e te faz querer beijá-lo mais e mais. Como já estou com um pouco de bebida na cabeça não o solto por um minuto sequer. Todos passam por nós e sorriem com nossa cena. Realmente parecemos um casal apaixonado, pois todos dizem que formamos um belo par. Ethan precisa ir ao banheiro então fico dançando sozinha. Olho para todos os lados e não avisto Laura. Logo penso: danada, ela já deve estar em bons lençóis com Travis. Nem digo nada, pois ele realmente está muito gostoso. Continuo dançando e logo sou agarrada por trás. — Nossa já está com saudades, amor. – digo sem olhar para trás. — Na verdade, estou há mais de sete anos com saudades. – a voz rouca de Jensen ecoa em meus ouvidos e logo levo um choque com a realidade de que é ele quem está atrás de mim e não Ethan. Fico sem reação. Devo me mexer ou apenas aproveitar seu abraço que me completa?


Me solto de seus braços e me viro o encarando com um olhar de pura raiva. Ele está me olhando de cima abaixo e aquilo me estressa mais ainda. Quem ele pensa que é para dizer que sentiu saudades? E sem querer eu acabo falando coisas que estavam entaladas em minha garganta desde que o vi no barracão com Ashley. — Quem você pensa que é para dizer que sente saudades? – digo o fulminando com o olhar. – Foi você quem me fez passar vergonha me traindo com a garota que eu mais odiava. – nesse instante eu estou gritando e percebo que vários olhares recaem sobre nós dois. – Quem foi que me abandonou quando mais precisei que apenas confiasse em mim? Quem foi que decidiu jogar todo nosso amor paro o ar e sair com a primeira que apareceu na sua frente depois de uma semana apenas que estávamos separados? Quem foi que me jurou amor eterno e no final simplesmente não optou por confiar e esperar por mim? – Sinto lágrimas escorrendo por meus olhos, uma mão toca meu braço em sinal de apoio, me viro e encontro Laura do meu lado encarando Jensen com cara de quem quer lhe arrancar o pescoço nesse instante. — Eu sei que errei tá. Já me desculpei por isso. Por que não esquece o passado? Eu estava bêbado naquele dia. Tudo aconteceu tão rápido e quando eu vi já estava com ela. As coisas não saíram como queríamos, mas você foi quem simplesmente me deixou por nada. Eu te pedi milhares de desculpas e você nem me escutou. – ele despeja suas palavras sobre mim. — Você está insinuando que você é quem sai com outra garota e eu que sou a culpada por não aguentar ser a corna da história e decidir ir embora? – Fico incrédula com a forma que ele pensa. — Não estou insinuando nada. Você sabia que eu te amava, não seria uma noite com Ashley que mudaria meus sentimentos por você. – ele diz e se aproxima de mim, mas me afasto no mesmo instante. — Pelo jeito aquela noite mudou sim. Você está com ela não comigo. Você nem teve a capacidade de ir atrás de mim.– digo nervosa e sentida por pensar em quanto tempo esperei que ele batesse em minha porta e pedisse desculpas. — Você foi embora me deixando sem nenhuma informação de onde iria. Sua avó não me contou para onde foi. Insisti muito, mas ela disse apenas que deveria aprender com meus erros


a não machucar as pessoas. – ele diz em forma de desculpa. — Bem feito. Quem mandou fazer ela de trouxa? – minha irmã fala atrás de mim. Um silêncio se instala no ar e ficamos apenas nos observando. Ele está perfeito, os anos lhe fizeram muito bem. Está encorpado e com um jeito diferente até para conversar. Seus olhos ainda me passam um ar de confiança e por isso baixo minha cabeça, pois não quero admitir que no fundo ele tenha um pouco de razão. Eu o abandonei e nem falei aonde iria. — O que está acontecendo aqui? – Ethan chega por trás me abraçando. — Nada. – Jensen responde rápido e me encara. – Já estou de saída. — ele fala e olha para mim. – Amanhã voltarei e conversaremos melhor. Boa noite para vocês. – ele diz e vira, se retirando.

— O que aconteceu? – Ethan me vira e fica me encarando com cara de preocupado. – O que ele te fez? — Eu apenas o abraço e choro mais ainda. Me pergunto porque não me apaixonei por alguém que me fizesse esquecer essa loucura de guardar rancor por um amor que se acabou por tanto tempo.

— Ele a quer de volta. Isso é o que aconteceu. – Laura responde, brava, do meu lado. – Idiota. Vontade de esgoelar ele por ser tão idiota. – ela fala sem parar.

— Desculpa, eu não deveria ter te deixado aqui sozinha. Eu apenas fui ao banheiro, juro que não o vi por aqui por isso apenas fui ao banheiro – ele tenta se desculpar.

— Não é culpa sua. Eu tenho que esquecer ele e todo o meu passado. Apenas me faça esquecêlo, Ethan. – eu digo e ele me abraça.

— Farei o que precisar para te fazer feliz. – ele me diz. Depois do que aconteceu decidimos dormir ali mesmo na casa de Breno. Ele diz que a casa está à disposição de todos e que amanhã aproveitaremos mais, já que todos estamos bêbados. Durmo em um quarto no terceiro andar com Ethan, ele dorme de conchinha comigo a noite toda e se eu me mexo na cama ele já pergunta se eu estou bem e se quero alguma coisa. Agradeço e digo que apenas seu apoio e seu abraço me confortam.


Acordo de manhã com um pouco de dor de cabeça por causa da bebida ontem. Lembro da conversa com Jensen e do apoio à noite toda de Ethan. Olho para o lado e ele está dormindo serenamente ao meu lado. Aprecio sua beleza, seus cabelos meio encaracolados e sua barba que começa a crescer. Imagino que se eu o amasse seria tão mais fácil. Porém não consigo. Algo mal resolvido dentro de mim me impede. Algo chamado MEDO! Medo de amar outra vez, medo de ser traída por qualquer bobeira, de ser abandonada novamente ou de tudo ao meu redor. Assim tenho vivido esses últimos anos.

Preciso começar minha vida novamente! Preciso amar e não ter medo de que algo possa acontecer para me machucar novamente. Olhando para Ethan eu vejo um futuro maravilhoso, mas tenho medo de segui-lo. Algo me diz que ele é simplesmente bom demais para mim.

Levanto-me e sigo para a janela do quarto. A vista deste local é maravilhosa, bem de frente para o lago. Fico observando e pensando o que farei. Devo ir embora agora antes que Jensen retorne? Devo esperar ele voltar e tirar tudo a limpo do passado? Deixar ele se desculpar e perdoá-lo pelo passado?

Eu e Jensen nos conhecemos desde pequenos então sempre estávamos juntos. Seu jeito meigo de me tratar sempre foi diferente do jeito que ele tratava qualquer outra menina. Depois de um pequeno esbarrão do destino nos proporcionando nosso primeiro beijo, tudo mudou. Começamos a nos tratar como namoradinhos.

Conforme íamos crescendo, eu o admirava mais. Ele era lindo, seus cabelos castanhos sempre estavam bagunçados e me encantava. Seus olhos castanhos profundos sempre souberam definir qualquer olhar que eu lançasse a ele. Ele sabia quando estava feliz, triste ou preocupada.

Ashley sempre deu em cima dele, até mesmo na minha frente. Teve uma vez que voei nela e ele me segurou, dizia que não valia à pena que eu estava em primeiro plano na vida dele, que ele nunca me trocaria. Pois nenhuma garota estaria ao meu alcance para chamar sua atenção. Mesmo dando foras em Ashley, ela jurou na minha frente e na frente dele que um dia ele seria dela, não importava quanto tempo tivesse que passar. Eu odeio admitir que na verdade dei margem para que sua promessa se cumprisse, até porque ele está com ela e não comigo hoje.

Vagando em pensamentos, sinto um abraço forte por trás e um beijo delicado em meu pescoço, sorrio ao perceber que Ethan já acordou.


— Dorminhoco. – digo sorrindo e dou um soco em seu braço que está em volta de minha cintura e ele sorri junto comigo.

— Você não precisava ter acordado tão cedo. – ele diz me virando de frente para ele.

— A verdade é que perdi o sono, então resolvi levantar. Que horas são? – pergunto para ele.

— São exatamente... – ele olha em seu relógio no braço. – 09h em ponto.

— Vamos nos arrumar e descer. Devemos procurar a Laura e ir embora. – digo e ele fica me encarando. – O que foi? – pergunto.

— Nada, apenas observando sua beleza. Seus cabelos ficam perfeitos todo embolado. – ele diz e tenho que sorrir, pois até agora nem fui ao banheiro me arrumar, devo estar toda descabelada.

— Idiota, mas obrigada pelo elogio. – digo sorrindo e dou um beijo em sua bochecha, me encaminhando para o banheiro.

Depois de me arrumar e esperar Ethan fazer o mesmo, decidimos descer para encontrar os outros. Estamos no começo das escadas para o primeiro andar quando escuto vozes de pessoas brigando e assim que chegamos à metade da escada elas ficam próximas e logo damos de cara com eles.

— Até que enfim você resolveu aparecer. – fala, vindo ao meu encontro perto da escada e eu fico apenas observando sua reação espantosa.


Ashley está parada na ponta da escada com as mãos na cintura me fulminando com o olhar. — Você acha que pode voltar sete anos depois e querer ele de volta? – ela me pergunta e logo percebo que ela já deve saber sobre ontem. – Fui eu quem ficou com ele esse tempo todo, ele me ama. Você deveria saber disso. A prova do seu amor está aqui na minha barriga. – ela fala nervosa passando a mão pela barriga. — Eu não só acho como sei que devo voltar. Para começo de conversa, se você está se referindo ao que aconteceu ontem. Fique sabendo que foi ele quem me procurou e não eu quem o procurei. Coloque-se no seu lugar, pois você sabe muito bem que foi por sua causa que fui embora. Foi por sua culpa que o deixei, mas devo admitir que você realmente conseguiu o que queria. E mesmo depois de tanto tempo ainda continua a incomodar minha vida. – Falo despejando tudo pra cima dela. – Você acha que tem o direito de vir e falar mal por algo que foi você mesma quem começou? Quantos garotos corriam atrás de você, Ashley? E você tinha que vir atrás justo do cara que eu mais amava. Você tinha que roubá-lo de mim apenas por diversão. – digo gritando com ela. — Eu o amava! – ela grita em resposta. – Você acha que eu gostava de todos que vinham atrás de mim? Não! Eu gostava dele. Ele que te amava, que te idolatrava. Eu nunca aceitaria que ele ficasse com você e não comigo. Ele se tornou minha obsessão. – ela fala me encarando com lágrimas nos olhos. Vejo tristeza em seu olhar, porém não posso fazer nada. Ela não foi à única ferida da história. — Não importa o que aconteceu. Você conseguiu tirá-lo de mim. Arrancou a única pessoa que eu mais amava na vida. – falo observando que Jensen já está ao lado dela. – Vocês me traíram, jogaram a culpa de uma noite para cima de mim. Eu fugi sim, nunca aceitaria ser traída e ficar no mesmo local que você, Jensen. Nunca aceitaria conviver te olhando e sabendo que fui tão boba em acreditar que você realmente me amava. – falo sentindo lágrimas escorrerem por meu rosto. — Mas eu te amo. – ele fala vindo ao meu encontro. — Eu sabia que mesmo depois de toda nossa história você iria correr atrás dela. Essa vagabunda sempre teve sua atenção só para ela. – Ashley fala atrás dele.


— Cala a boca, Ashley! – Jensen fala virando-se para ela. – Você mais que ninguém sabe que a pessoa que eu sempre amei foi Lauren. Você sempre soube que nossa história nunca daria certo. Você que sempre ficou no meu pé e fez minha cabeça para desistir de ir atrás dela A culpada de tudo sempre foi você. – ele fala gritando com ela. Todos que estavam na casa chegam na escada observando toda a cena. Não falo nada, pois vejo que tem muita coisa mal resolvida entre eles também. O que por um lado acho ótimo. — Já que o casalzinho está em momento de discussão, vamos nos retirar. Um ótimo dia a todos. – falo passando o braço pelo de Ethan que me guia até a porta. Vejo Laura nos acompanhar e sorrio por ver todos nos encarando. — Espera Lauren, ainda não conversamos. – Jensen vem ao meu encontro com Ashley furiosa o seguindo. — Por que você ainda quer conversar com ela? Não vê que ela já está até acompanhada? – ela fala olhando de cima abaixo para Ethan. – Te falei que ela já estaria com outro e você aqui todos estes anos só falando nessa idiota. — Esta será a primeira vez que vou me intrometer no assunto de vocês. Então, primeiramente, gostaria de falar para você, loira oxigenada que Lauren ganha de mil a zero de você, desde sua personalidade até sua beleza. Então agora entendo o porquê de você sentir tanto ciúme dela com Jensen, mas sugiro que você se coloque em seu lugar quando for falar alguma coisa de Lauren. – ela tenta falar, mas ele a interrompe levantando a mão. – E, por favor, demonstre alguma educação e espere as pessoas terminarem de falar para depois dar sua opinião. – fico boquiaberta quando ele fala assim e ela cala a boca na hora. – Continuando. A você, Jensen, só tenho uma coisa a dizer, não sabe o que perdeu. – ele diz passando a mão por minha cintura e trazendo-me para mais perto de seu corpo. Viramos e seguimos em direção ao meu carro. — Você veio de carro? – Laura pergunta para Ethan. — Sim. Façamos o seguinte. Laura vai com o carro da Lauren e ela vão comigo no meu carro. — Pra mim está ótimo. – Laura responde sorrindo e entrego minhas chaves a ela. Seguimos em direção à casa da vovó. Por mais que meu fim de semana não tenha sido como eu esperava, eu não iria embora hoje. Ficaria pelo menos até amanhã. Demorei muito tempo para vir visitá-la e não a deixaria só por ter brigado com aqueles idiotas. Chegamos e ela já está de pé assim como Leda que anda pela cozinha arrumando suas coisas. — Bom dia, vovó. Bom dia, Leda. – digo entrando na cozinha onde elas estão. — Bom dia, meninas. – vovó vem ao nosso encontro. Ela percebe a presença de Ethan e fica o encarando de cima abaixo. – E você quem é? – ela pergunta o especulando.


— Bom dia. Chamo-me Ethan, muito prazer em conhece-la. — Este é meu namorado, vovó. – digo abraçando Ethan. — Mas porque você não me falou quando chegou aqui que tinha um namorado, minha filha? – ela pergunta. — Ah, queria fazer uma surpresa, vovó. –digo sorrindo. — Bom, sendo assim, é um prazer conhecê-lo, meu filho. Seja bem vindo à família. – ela diz e Ethan já vai e a abraça, que retribui o abraço já sorrindo de seu jeito. — Vocês já tomaram café, menina? – Leda pergunta para Laura. — Ainda não, tem jeito de arrumar alguma coisa pra comermos? — Claro, é pra já, menina. – Leda responde sorrindo. O nosso domingo termina ótimo, não saímos mais da casa da vovó e foi muito divertido como Ethan se deu bem com ela. Para dormir ela não deixou dormirmos junto, como forma tradicional ela diz que devemos dormir juntos só depois de casados. Ethan não reclama, pois o avisei que ela é muito tradicional para algumas coisas. Acordo na segunda-feira de muito bom humor. Depois de tomar um belo café da manhã decidimos retornar para casa antes que qualquer outra coisa possa estragar meu dia. Vou com Ethan em seu carro e Laura adora ir com o meu. Como ele é novo eu nunca havia deixado nas mãos dela, mas resolvo dar um voto de confiança para ela. Ethan me deixa em casa e passo aquela semana toda pensando em tudo que aconteceu em minha vida até agora. De tudo que tenho vivido não posso reclamar pelo meu lado profissional, pois sei que estou muito bem no meu emprego e que eu saiba o Sr. Ryan não tem o que reclamar dos meus serviços. Mas pelo lado sentimental, tenho vivido em uma ilusão. Tenho vivido tanto meu passado que me esqueci de viver o presente. Em meus dias de faculdade sempre recebia convites para festas das quais nunca participei. Laura sempre participava e me incomodava por não saber aproveitar a vida e dizia que um dia me arrependeria. Acho que esse dia chegou. Hoje, depois de tudo que aconteceu, acho que, pensando em toda minha vida, fui uma completa idiota por esperar por Jensen. Me prendi tanto a amar somente ele que esqueci que muitas pessoas ao meu redor mereciam mais meu amor do que o próprio. Decido tomar uma decisão em minha vida e mudar tudo que tenho vivido até o momento. Depois que Ethan me defendeu tanto, creio que está na hora de dar uma chance a ele. Então marcamos um jantar para o fim de semana. Vou deixar que as coisas ocorram naturalmente.


Resolvemos ir ao restaurante Le Bellut, um restaurante francês muito bem frequentado e não muito longe de minha casa. Ethan passa para me buscar às 20h00min horas. Ele está maravilhoso em um terno azul escuro que desenha muito bem seu corpo musculoso. — Você está divina. – ele fala me olhando de cima abaixo. Estou usando um vestido longo todo preto com um cinto na cor dourada, uma bolsa pequena de acessórios no mesmo tom dourado do cinto. — Obrigada. Você também está divinamente lindo. – Digo e ele sorri do meu elogio. – Vamos? — É pra já, gata. – ele diz passando a mão por minha cintura, me guiando até o elevador do meu prédio. Passamos pelo hall de entrada do prédio e vejo Sebastian, o porteiro. Dou um pequeno aceno para ele com a cabeça e ele sorri a me ver. Seguimos para fora do prédio e já avisto o carro de Ethan, entramos e vamos direto ao restaurante. A moça da recepção nos direciona a nossa mesa. Logo que sentamos, Ethan já fica inquieto na minha frente. Depois que o garçom sai com nossos pedidos resolvo perguntar o que o aborrece. — Alguma coisa aconteceu? – pergunto olhando para ele. — Ainda não, mas temo que aconteça. – ele diz se levantando e direcionando seu olhar para trás de mim. Viro-me dando de cara com a pessoa que ele estava encarando.


Uma morena muito bonita se aproxima da nossa mesa com um olhar nada bom para o lado de Ethan. Ele apenas a olha com cara de quem não aceita sua presença nesse momento. Fico sem entender porque ele a olha assim até ela chegar e parar na minha frente me analisando de cima abaixo e volta seu olhar para ele. — Então o porquê de você não retornar minhas ligações é ela? – ela fala me olhando novamente. — O que você quer agora, Alex? – Ethan pergunta nervoso. — O que eu quero? Você fica mais de uma semana sem me responder! Não atende ligações nem responde meus e-mails e mensagens que deixo pra você. E vem perguntar o que eu quero? – ela fala indignada olhando para ele. – Chego aqui e você está com esta aí? – ela fala olhando para mim. — Vai com calma, Alex, você não a conhece. – ele fala olhando para mim. – Não te respondi porque não estava afim. – ele fala e volta a sentar-se à mesa. — Então é assim? Só porque achou um brinquedinho novo você se esquece de mim? – ela fala para ele e vira pro meu lado me encarando. – E você, querida, fique sabendo que Ethan é e sempre foi meu. Não vai ser você que vai tirá-lo de mim. Depois que ele se cansar de você ele vai voltar pra mim. Basta só eu esperar, e saiba que é exatamente isso que vai acontecer. — Já chega, Alexandra. Vai embora daqui e nos deixe em paz. – ele fala expulsando-a.

— Não se preocupe, Ethan! Eu estou bem, deixe que ela fale o que quiser. Não me importo mesmo. – digo sorrindo olhando pra ela. – É comigo que você está e não com ela, isso é o que basta. – digo sorrindo para ela.

— Atrevida. – ela fala vindo pra cima de mim e eu sorrio com a cena de um Ethan enorme a segurando pela cintura e levando-a para fora do local. A escuto dizendo que irei pagar caro por


ser tão abusada com ela e sorrio mais ainda, o que a deixa mais brava. Ethan volta à mesa pedindo desculpas aos que estão ao redor pela cena inadequada.

— Desculpa, Lauren, essa louca não para de me perseguir. Já tinha avisado para ela parar de fazer escândalos na frente dos outros, mas ela insiste em ficar no meu pé. – ele fala já sentado à mesa.

— Que nada! Adorei fazer ciúmes nela. – falo dando uma risada divertida relembrando da cara que ela fez quando disse que ele estava comigo e não com ela. – Se bem que não a conheço, deu até dó dela, Ethan.

— Você realmente me surpreendeu pela forma que falou com ela. Eii, cadê a Lauren que nunca seria capaz de falar algo assim pra qualquer pessoa? – ele pergunta me zoando.

— Ah, essa Lauren foi modificada. Agora só existe a Lauren que não levará desaforos para casa. – digo sorrindo.

— Ótimo. – ele ergue sua taça de vinho. – Saúde, à nova Lauren.

Brindamos e logo chega o garçom trazendo nossos pedidos. Depois de comer, Ethan me leva para casa. Como quero começar algo novo então nem o chamo para entrar quando ele me deixa na porta do meu apartamento.

Passo o domingo todo em casa, Laura aparece e durante a tarde ficamos assistindo filmes. Quando ela vai embora ainda são oito horas, mas já me arrumo para me deitar. Quero estar bem disposta para voltar a trabalhar amanhã.

Levanto cedo e me arrumo para o trabalho, visto uma saia lápis preta e uma camisa branca com um blazer rosinha claro por cima, coloco meu salto agulha preto. Me dirijo ao meu carro no estacionamento.


Chegando no escritório sou recebida por todos me saudando. Vejo que sentiram minha falta. Passo por Clara, minha secretária, cumprimentando-a.

— Bom dia, Clara, como vão as coisas?

— Bom dia, Srta. Crawford. Pra ser sincera.... Uma tremenda bagunça. – ela fala sorrindo. – Tudo sai do controle quando a Srta. não está. – ela fala e tenho que rir de seu comentário.

— Que nada, Clara. Aposto que nem fiz falta estando fora. – digo e paro em frente ao seu balcão de atendimento. – Clara, você poderia ligar lá pro Coffee Time e pedir aquele café caprichado que sempre peço?

— É pra já, Srta., assim que chegar eu lhe entrego no seu escritório.

— Está bem, obrigada. E por favor, me chama de Lauren, sabe que comigo não precisa ter tantas formalidades. Apenas quando o Sr. Ryan se encontra pelo escritório. – digo e ela sorri.

Sigo para meu escritório e logo que sento em minha cadeira, batem à minha porta.

— Entre. – digo, revisando algumas anotações que Clara deve ter deixado em minha mesa.

— Bom dia, Lauren. – Sr. Ryan entra em minha sala sorrindo.

— Bom dia, Sr. Ryan. Como está? – pergunto me levantando e estendendo a mão para ele.

— Estou ótimo. Muito obrigado, e você? Como foram as férias?

— Ah, estou muito bem, obrigada. Na verdade, não saiu como eu planejava, mas está tudo bem, não se preocupe.


— Que pena, minha querida. Mas só passei para desejar um bom dia e agradecê-la por retornar já que isso aqui não funciona sem você. — ele diz e fico emocionada com suas palavras.

— Obrigada, Sr. Ryan, espero fazer meu melhor para que isso não mude. – digo e ele sorri.

— Sei que vai, minha querida. – ele diz e se retira do escritório.

Volto a rotina de trabalhar e resolver problemas o dia todo. Quando chega a hora do almoço, peço para Clara encomendar meu almoço e nem saio do escritório. Mais um dia se finda e vou exausta para casa. Laura me liga para irmos fazer alguma coisa, mas recuso, pois estou cansada.

Depois de tomar um banho relaxante me deito no sofá e ligo a TV em qualquer canal. Começo a pensar em Jensen, como seria nosso futuro se ainda estivéssemos juntos? O que será que ele fez da vida dele depois que eu vim embora? Pergunto-me se era verdade o que Ashley disse sobre ele não me esquecer e falar de mim todos os anos. Uma batida na porta me chama a atenção e me levanto do sofá seguindo em direção a porta. Quando abro dou de cara com Alex.

— Boa noite, querida. – ela fala e entra em minha casa sem ao menos eu convidá-la.

— Desculpe, mas acho que não te dei liberdade para entrar em minha casa. – digo segurando ela pelo braço.

— Não me importo. Vim porque quero conversar. – ela diz e se dirige ao meu sofá sentando-se e esperando que eu o faça também. Me sento do outro lado ficando de frente para ela. — Gostaria de me desculpar pela cena que fiz ontem. Sei que não deveria ter falado nada pra você, até porque não te conheço. – ela me encara e apenas fico prestando atenção em suas palavras sem respondê-la. — Sei que você está com ele, tudo bem! Mas gostaria de dizer que eu o amo e farei de tudo para tê-lo novamente. Como eu disse, sei que ele voltará algum dia para mim. Mas quero que saiba que não me intrometerei na relação de vocês. Por isso estou aqui. – ela diz.


— Então sua visita é em busca de paz? – pergunto.

— Sim, por mais que isso seja o cúmulo da breguice, eu quero paz. Até porque, se eu não deixar você em paz, Ethan nunca voltará comigo. Eu o conheço bem para saber que não gosta de relacionamentos problemáticos.

— Tudo bem, aceito suas desculpas. Mas espero que esteja sendo sincera, não só comigo mas com você mesma. – digo me levantando.

— Certo, nos vemos por aí. – ela diz e se retira da sala. Depois de fechar a porta decido ir deitar. Já chega de tantas loucuras por hoje, ou assim eu espero.

Me deito e escuto meu celular apitar, pego para ver e constato uma nova mensagem de um número desconhecido.

"Saiba que um dia você ainda será minha."


Tento retornar com uma ligação, porém não chega nem a chamar e logo cai na caixa postal. Fico preocupada, mas logo decido esquecer, deve ser Ethan me passando pegadinhas. Levanto cedo, me arrumo e logo vou para o trabalho. Laura me encontra no hall de entrada do prédio, sorridente. — Oi, maninha – ela fala se aproximando e me abraça. — Oi, vejo que seu dia está sendo ótimo. – digo e ela sorri mais ainda. — Então, gostaria de ver com você sobre aquele jantar que iríamos fazer eu, você e Ethan. A gente não combinou mais nada e eu estou ansiosa. — Ah, teremos muito tempo para esse jantar, mas se quiser podemos ir sexta em algum lugar e depois aproveitamos e estendemos a alguma boate. – digo e ela fica me encarando, pasma. – o que foi? — Eu não estou te reconhecendo. Certeza que você é minha irmã? Que eu me lembre a Lauren, minha irmã, não costuma ir a boates. – ela fala, zoando com minha cara. — Sorry, Baby, essa garota decidiu ouvir os conselhos da irmã e aproveitar mais a vida. – digo e ela sorri. — Até que enfim a realidade tomou conta de você. Ufa, eu estou precisando mesmo de uma parceira, já que a Kessy foi embora. – ela fala animada. — Então está combinado. Agora tenho que ir trabalhar, tenho muitos papéis para encaminhar. – digo e dou um beijo em seu rosto. – Ah, e sobre a boate vou deixar você escolher. E por favor, a melhor. – digo e ela sorri com meu comentário. — Opa, pode deixar comigo, mana. Você não vai se arrepender. Depois que ela saiu, me joguei de cara no trabalho e assim foi todos os dias daquela semana. O número desconhecido não me atendeu mais, nem me enviou mensagem alguma. Fiquei


preocupada aqueles dias, mas acabei deixando quieto já que não me retornou. Devia ter sido engano. A tal sexta-feira chegou e já estava tudo combinado para nossa noite. Ethan escolheu um restaurante de comida italiana, e como adoro massa já estou empolgada para saboreá-las. Estava com um vestidinho azul, rodado da cintura para baixo e meu salto preto com azul, acompanhado de uma maquiagem esfumaçada no canto e cabelos soltos. Arrumo minha franja e passo meu perfume. Depois de pegar meu celular e um batom vermelho desço ao hall de entrada, pois já são oito e meia e logo Ethan passará pra me pegar. Assim que chego à portaria, encontro Sebastian que sorri a me ver. Dou um longo sorriso para ele e sigo para fora do prédio. Sebastian é um rapaz muito bonito, ele é alto e loiro, de família muito pobre, mas muito educado com todos. Gosto muito dele e sempre que posso dou umas gorjetas melhores para ele. No momento em que saio do prédio, vejo Ethan estacionar na frente. Assim que ele me vê, sorri. Entro no carro e dou um beijo em seu rosto. — Olá, princesa. – ele sorri para mim. — Oi, Ethan, tudo bem com você?

— Estou melhor agora. Vamos que ainda vou passar pegar a Laura e o Edgar.

— Quem é Edgar? – pergunto tentando lembrar de alguém conhecido com esse nome.

— Edgar é um motorista que contrato sempre que o destino é uma boate. Pago bem para que ele me deixe em casa vivo e salvo depois das baladas. – ele diz sorrindo, se explicando.

— Ah, que ótimo. Estava preocupada mesmo com esse probleminha de como iríamos voltar. – digo e ele sorri.

— Calma, gata, não colocaria a vida de vocês em risco, jamais.

— Está bem, vamos logo, senhor engraçadinho. – digo e ele sorri do meu comentário.

Laura aparece com um vestidinho preto todo de paetê que mau cobre sua bunda, mas nem ligo


porque sei que essa é sua roupa para as baladas. Ela entra no carro e esbanja um sorriso para Ethan que a encara de cima abaixo. Cachorro penso comigo.

— Boa noite, povo lindo. – ela diz.

— Boa noite, gata. – Ethan responde virando-se para frente e continua a dirigir.

— Oi, maninha.

Depois de passarmos para pegar Laura, seguimos para o restaurante. Ethan resolve pegar Edgar só depois, na hora de ir para a boate. Chegamos ao restaurante e o local está cheio de gente. Como sempre, Ethan já havia separado uma mesa para nós e a moça já nos direciona ao local. Graças ao bom Deus, Ethan escolheu uma mesa de canto. Acho estranho estar com eles porque o local todo parou para olhar quando entramos. Também, um loiro chegando acompanhado de duas irmãs iguais é bem estranho para um local familiar, há quem pense coisas.

Ignoramos os olhares e seguimos reto para a mesa. Pedimos nosso jantar e logo servem nosso aperitivo. Peço um Carpaccio de carne, que de fato está uma delicia. Para meu prato principal, com toda certeza, peço um Spaghetti.

Depois que terminamos de comer, Ethan paga a conta e seguimos para buscar o tal Edgar.

Edgar é um moreno alto, muito bonito, sua barba por fazer o deixa mais encantador. Ethan nos apresenta e informa que já havia deixado nosso endereço para Edgar e que só devemos aproveitar a noite. Chegamos ao local e como sempre Laura conseguiu entradas Vips.

O local está bem movimentado e subimos ao segundo andar para o local vip. O lugar onde ficamos está cheio de rapazes e moças bonitas. Quando nos aproximamos de uma mesa, um rapaz passa por nós e canta Laura que já logo retribuiu sua cantada com uma piscada.


Nos sentamos à mesa e logo Ethan se afasta para buscar bebidas. Ele demora a voltar e um rapaz loiro se aproxima de nossa mesa sentando-se ao lado de Laura.

— Boa noite, meninas.

— Boa noite. – respondemos juntas.

— Posso saber o que essas moças lindas estão fazendo sozinhas em uma noite tão agradável como esta? – antes de respondermos ele continua com sua cantada. – Bom, antes que vocês respondam gostaria de oferecer uma bebida para as senhoritas. Aceitam?

— Respondendo sua primeira pergunta, estamos esperando que um gato assim como você venha nos fazer companhia. – Laura responde se jogando para cima do rapaz desconhecido. – E sim, aceito uma bebida.

— Sinto-me lisonjeado em servi-las. – ele fala e no mesmo momento um garçom se aproxima trazendo bebidas. Fico me perguntando por que então o Ethan saiu e até agora não voltou se tinha bebidas por aqui. Mas quer saber? Não me importo. Hoje vou aproveitar a noite com ou sem ele.

Depois de várias bebidas com o rapaz chamado Alejandro, já estamos indo para a pista de dança quando Ethan chega acompanhado de Breno.

— Olá, gatas, quanto tempo? – ele fala dando beijos em meu rosto e no de Laura que logo some no meio do povo com Alejandro, creio que vão para a pista de dança.

— Chegou agora? – pergunto para Breno.

— Sim, Ethan me informou que estariam aqui e como o local é de um conhecido, resolvi aparecer.


— Que ótimo. Agora vamos dançar para animar a noite, por favor. – digo agarrando os braços dos dois e seguimos para a pista de dança. Perto da pista, uma loira já agarra no braço de Breno que na mesma hora se afasta de nós e vai com ela para algum lugar da pista de dança.

O local está animado ao som de umas músicas remixadas. Logo que chegamos ao centro da pista começamos a dançar. Entrego-me ao prazer de dançar sem me importar se tem algum conhecido por perto. Ethan fica atrás de mim e estamos em um embalo de corpos se chocando e aproveitando o momento.

Depois de muito dançar com Ethan resolvo ir ao bar beber algo. Chegando lá, encontro Alex pendurada no pescoço de um rapaz muito bonito, a verdade é que eles se parecem então deduzo que se não for seu irmão deve ser algum primo dela. Desvio deles seguindo para o outro lado do bar antes que ela me veja. Peço uma tequila e viro em minha garganta. Olho para a pista de dança e avisto do outro lado um rapaz me encarando, foco meu olhar nele. Acho que devo ter bebido demais, pois parece que vejo Jensen me encarar do outro lado.

Minha primeira reação foi virar para o lado do bar e pedir outra bebida. Acho que estou vendo muitas coisas esta noite. Olho para o local onde tinha visto Jensen e apenas observo um rapaz de cabelos castanhos dançando com uma garota. Realmente devo ter bebido demais, penso comigo. Volto em direção ao Ethan que ainda continua na pista com várias garotas ao seu redor.

— Vazem que ele é meu. – digo agarrando seu pescoço e beijando sua boca. Sinto seu sorriso em meio aos beijos que lhe dou. Olho para os lados e não vejo mais nenhuma garota, então continuo abraçada a ele beijando-o.

— Calma, gata, assim você vai me matar se não me deixar respirar. – ele fala sorrindo.

— Não fala nada porque sei que você está amando meus beijos. – digo sorrindo.

Começa a tocar uma música e começo a dançar me esfregando em Ethan. Depois de alguns minutos estamos desesperados por mais.


— Vamos embora? – pergunto fazendo uma cara de safada para que ele entenda que quero mais que beijos e amassos.

— É pra já, gata. Vamos procurar Laura?

— Sim, não posso deixar aquela louca aqui sozinha. – digo segurando sua mão e seguindo em direção à área vip onde estávamos. Procuro-a pelo local e a avisto aos beijos com Alejandro em uma mesa perto da que a gente estava quando chegamos.

— Laura, já estamos indo embora. – digo chegando perto dela. – Você vai ficar?

— Com toda certeza, maninha. Nem começou a noite ainda. – ela fala olhando para Alejandro que sorri com malícia de seu comentário.

— Pode deixar que eu a levo para casa depois. – ele fala olhando para ela.

— Ótimo. Viu? Já tenho companhia. – fala e volta a se agarrar com ele.

Agarro no braço de Ethan e seguimos para a saída. Passamos por várias pessoas até conseguirmos sair. Ethan chama por Edgard para buscar o carro e eu fico em frente ao local esperando. Meu celular toca e logo visualizo uma mensagem na tela.

"Nunca se esqueça que Eu fui o seu primeiro e somente Eu serei o seu último."

Droga, só pode ser o Jensen. Ele foi o meu primeiro, mas não quer dizer que vai ser o último. Credo, ele vai ser pai! Por que continua vindo atrás de mim agora depois de tanto tempo? Ele deveria estar cuidando de Ashley já que preferiu a ela e até a engravidou. Se ele acha que apenas um fim de semana vai ser o suficiente para eu voltar pra ele, está muito enganado, penso comigo mesma e guardo o celular na bolsa. Ele não vai atrapalhar minha noite com Ethan. Hoje quero apenas poder aproveitar novamente todo aquele corpo sarado de Ethan.


Seus lábios tocam os meus e ele me aperta junto a si, sinto sua ereção e logo estou pronta para ele. Algo me diz que essa noite vai ser quente. Sinto que Ethan está com medo de eu pedir para que ele pare, pois seus beijos estão cada vez mais apressados, seu toque está carregado de malícia e vontade. Apenas me entrego ao prazer de senti-lo novamente. Sim, eu amo como ele me faz querê-lo. Depois de muito nos amarmos, adormeci em seus braços enormes. Acordo meio tonta e sinto seus braços ao meu redor. Sorrio me lembrando da noite maravilhosa que tivemos e me aconchego mais entre seus braços. A verdade é que eu senti saudades da forma como Ethan me tratava na cama. Ele sempre tinha seus lados desconhecidos. Noites intensas de amor, e noites intensas de loucuras. Amo seus dois lados e ontem o que se apresentou foi o amável. Ele me tratou como uma princesa. Sorrio pensando na possibilidade de que sim, pode ser que esteja me apaixonando por ele. Sinto ele se mexer e viro-me de frente para ele. Analiso seu rosto, passo a mão pelo seu cabelo e vejo um sorriso se formar no canto de sua boca. Gosto da forma que ele costuma acordar, sempre sereno e calmo. — Bom dia. – digo e beijo suas bochechas. — Bom dia, linda. – ele diz abrindo seus olhos e me encarando. — Dormiu bem? – pergunto. — Não poderia ter sido melhor, você estava ao meu lado. E só por saber que novamente te fiz minha estou muito feliz. – ele fala e sorrio. – Sabe que eu te amo, né? — Por favor, não comece. Eu estou tentando e você sabe disso, mas vamos com calma. – digo para ele que me encara colocando minha franja para o lado. — Sei que você ainda não está preparada, vou esperar, e um dia sei que você poderá se apaixonar por mim. Só devo esperar o tempo certo. — Obrigada. – digo, passando a mão por seu rosto macio.


— Pelo que, princesa? — Por estar ao meu lado. Mesmo eu tentando te afastar o máximo que pude, você esteve ao meu lado o tempo todo. Obrigada. — Só quero que você seja feliz. Saiba que o que acontecer, independente da sua opinião, eu estarei ao teu lado. — Por que está me dizendo isso? – pergunto confusa. — No tempo certo você saberá que muitas coisas eu só fiz para protegê-la. Mesmo você não me amando, eu amo você. Eu só quero o seu bem. Você mudou minha vida depois que surgiu lá no escritório tempos atrás. — Eu sei que me ama. Se não me amasse não continuaria indo ao escritório de tempos em tempos apenas para me ver, com desculpas esfarrapadas. — Está bem. – ele fala, levantando-se da cama. – Vamos tomar um café agora? Tá com fome? — Ótima ideia. Estou faminta! – digo, me levantando e indo para o banheiro. Tomamos um banho juntos e depois descemos para tomar café. Tem uma padaria bem perto do meu prédio e amo as comidas dali. Seguimos para lá e passando em frente a uma banca de jornal, decido comprar um para ver as notícias. Enquanto pego uma revista de fofocas ao lado dos jornais o rapaz me cobra pelo jornal. Meus olhos me atraem para uma foto minha e de Ethan na capa da revista com uma manchete enorme falando sobre nós. Ao lado tem uma foto menor minha, olhando para o celular. Foi tirada quando Ethan foi falar com Edgard para buscar o carro e eu fiquei esperando ele do lado de fora. Agarro a revista e falo para o rapaz descontar também a revista. Ele entrega o meu troco e seguimos até o local do café. Começo a ler a revista enquanto Ethan está com o jornal em mãos. Novidades do dia: O famoso galanteador, Ethan Johnson, apareceu acompanhado por uma moça muito bonita na noite de ontem. Todos se perguntam quem será a moça linda que o acompanhava? Será que ela fisgou o coração de Ethan? Fontes confiáveis nos informaram que os dois têm estado muito juntos nos últimos dias. E a pergunta que não para é: Será que vem um noivado por aí, Ethan? Fico boquiaberta com o que leio. Entrego a revista para Ethan que me olha estranhando meu jeito. — O que foi? – ele pergunta, segurando a revista e olhando para mim. — Apenas leia. – digo mostrando nossa foto na revista. Ele fica lendo a capa onde estamos e logo vira para mim, surpreso.


— Eu juro que não vi ninguém ontem quando saímos do local. – ele fala já se explicando. — Eu também não. – digo para ele. – Eu fiquei lá fora te esperando e até uma foto minha sozinha tem aí. – falo apontando com o dedo para onde estava minha foto sozinha. — Nossa, mas você tava uma delícia ontem, em? – ele fala olhando para minha foto. — Para de ser bobo. – digo para ele preocupada. – Agora seu pai vai nos ver juntos. — Para com isso, ele já sabe que estou com você. – ele fala. — O que? Como assim? — Eu o avisei que iria sair ontem já que ele queria ir lá em casa falar sobre negócios. Então tive que abrir o jogo e contar que iria sair com uma garota. Ele começou a falar merda, pensando que era a Alex, então expliquei que sairia com você. – ele fala e eu fico prestando atenção em cada palavra que ele pronuncia. – Ele ficou surpreso na hora, mas logo me disse que era pra cuidar de você, que você não era nenhuma Alex que eu poderia fazer o que quisesse, pois ele arrancaria minhas bolas. Sorrio de seu comentário e ele me encara de forma séria. — Achando graça, né? Pois fique sabendo que deveria te dar um sumiço, pois até meu pai gosta mais de você do que do próprio filho. Isso é o cúmulo. – ele fala e eu continuo rindo. — Devo agradecer ao Sr. Ryan por me defender de safados pervertidos. — Você tá me chamando do que? – ele fala me jogando em cima do seu ombro tão rápido que só percebo quando já estou de pernas para cima. — Me coloca no chão, Ethan. Você sabe que falei a verdade. — Acho que não. Vou desfilar com você assim por toda a esquina. Talvez assim você me respeite mais. – ele fala e eu não aguento mais de dor na barriga de tanto rir. Ele vai até a frente do café comigo em seu ombro, sorrindo, quando chega à porta ele me coloca no chão sorrindo e me dá um beijo na testa, segura minha mão e entramos no café. Passamos o dia todo juntos, à tarde vamos ao cinema e até agora não tive nenhum sinal de Laura. Ela não atende nem responde minhas mensagens. Começo a ficar preocupada, de noite, por ela não dar sinal de vida. Quando são dez para as nove da noite recebo uma ligação, Laura. Atendo no segundo toque. — Onde você esteve o dia todo? Por que não me respondeu nem deu sinal de vida? – já vou


logo perguntando. — Desculpa, Lauren, estou ligando para avisar que sua irmã está bem. Estamos na casa dela e amm... Não tivemos tempo para ligar para ninguém, passamos o dia todo ocupados, se é que me entende. – Alejandro fala do outro lado da linha. — Ai, Alejandro, não precisa me dar detalhes. Tudo bem espero que ela esteja bem mesmo. Posso falar com ela? — Ela está no banheiro. Perai, já está saindo. Lauren está no telefone, vem falar com ela. – escuto Alejandro gritar para minha irmã. — Fala pra ela que estou bem e vem logo para o banheiro. – escuto a voz dela no fundo. — Ela falou que está ocupada agora. Vou falar para te ligar amanhã. – ele fala sorrindo. — Tudo bem, Ale, até amanhã. – digo desligando o telefone. Vou em direção à porta do quarto, está um vazio. Ethan já foi para casa dele então decido ir dormir. Acordo cedo e vou trabalhar, todos do escritório estão me encarando e a essa altura imagino que todos já saibam da fofoca da revista que vi ontem. Malditos repórteres, penso comigo. Passo por Clara a cumprimentando e sigo reto para o escritório. Depois de algumas horas, escuto o telefone tocar e vejo que é Clara da recepção. Atendo no mesmo instante. — Fala, Clara. — Srta Lauren. O Sr. Ryan está aqui e quer falar com a Srta. Posso mandar entrar? — Pode sim, estou aguardando. Só o que me faltava, Sr. Ryan vai vir tirar satisfação do nosso encontro de ontem, só pode. Estou ferrada.


— Bom dia, Srta. Lauren. – Sr. Ryan vem ao meu encontro, sorrindo como sempre. — Bom dia, como está? – digo estendendo minha mão como de costume. — Estou bem, menina. E você? — Estou ótima, obrigada. — Srta. Lauren, tenho um comprador para um imóvel, o senhor que me procurou está em busca de um local bom para conviver com sua esposa que está grávida e sua irmã mais nova, então ele quer uma moradia boa. Por esse motivo vim até você, quero que direcione o casal a casa certa. Se não puder levá-los, então procure entre uma de suas melhores para esta ocasião. Sugiro que seja uma mulher. Pelo que entendi, a esposa do rapaz é bem exigente, então levará um tempo até que a mesma goste de algum lugar. — Claro, Sr. Ryan. Creio que por enquanto não poderei seguir com este casal porque ainda tenho alguns papéis para encaminhar, revisar e assinar das casas já vendidas e outras que vão ser alugadas. Como passei um tempo fora, tenho alguns detalhes pendentes que terminarei ainda essa semana. Então, como o Senhor recomendou que seja uma mulher, acho que tenho a pessoa certa pra escolher por enquanto. Carla será a responsável por levá-los até alguns locais que eu vou lhe recomendar. — Tudo bem. Sei que estando em suas mãos posso confiar. – ele fala sorrindo. — Claro, estou aqui para fazer meu melhor pela empresa. – digo sorrindo. — Obrigado. Agora vou indo que tenho que passar em alguns locais e depois terei uma reunião com os representantes daquelas empresas do exterior. — Tudo bem, Sr. Ryan. Qualquer coisa estarei a disposição. – ele se vira e vai em direção à porta. — Mais uma coisa. – ele se vira para mim com a mão na maçaneta, tremo de cima abaixo com o que ele vai falar a seguir. Já imagino que seja sobre eu e Ethan.


— Quando chegar a hora certa de firmar o contrato com as empresas do exterior enviarei você para analisar os locais que estaremos alugando. Você terá que passar alguns dias por lá. Teria algum problema em ir? — Não, ficaria honrada em representar o Sr, mas por que não envia seu filho Ethan? — Ele não está ao alcance como você. Confio mais em você do que nele. — Bom, sendo assim, fico contente em ajudá-lo. — Ótimo, assim que as coisas correrem do jeito certo, eu te aviso uns dias antes para você se preparar. — Tudo bem. Estarei esperando. – digo sorrindo e ele se retira da sala. Sento em minha cadeira com um alívio imenso em minha alma. Não que ele já não saiba que estamos saindo, eu e Ethan, porém seria estranho ter aquela conversa sobre minha relação com seu filho. Volto a mexer em meus papéis e logo está na hora do almoço. Recebo uma mensagem de Ethan falando que está com saudades e logo respondo que também estou. Passo pela mesa de Carla e ela ainda está envolvida no telefone com algum cliente. Espero ela terminar de falar e a convido para almoçar comigo, já que tenho que passar o trabalho para ela fazer até eu poder me responsabilizar pelo mesmo. Chegamos ao restaurante que fica perto do nosso local de trabalho e quando já estamos sentadas em uma mesa no canto do local começo a falar e explicar a situação para ela. — Então, Carla, o Sr. Ryan esteve hoje mais cedo em meu escritório e passou um caso de um cliente que quer conhecer alguns lugares para morar com sua esposa que está grávida e uma irmã mais nova. – ela presta atenção em cada palavra que falo. Gosto dela por ser muito esperta. Sempre que passo um trabalho, fico muito contente com o resultado. Sabe aquela pessoa que você só fala uma vez e ela sempre te surpreende com o resultado? Sim, essa é a Carla. – Como estou organizando alguns documentos porque estive fora, não poderei dar o atendimento que o Sr. Ryan quer. Mas como confio em você para o serviço, informei a ele que te passaria para mostrar alguns locais. Assim que eu puder, tomarei o serviço de onde você parou ou então apenas te acompanharei até que eles escolham a casa certa. — Tudo bem. Vou adorar atendê-los. E pode deixar que se eu precisar me ausentar para atender outro cliente, vou te manter informada se precisar de sua ajuda. — Ótimo. Separei já alguns locais que creio que a família irá gostar. Passa em meu escritório mais tarde para combinarmos alguns detalhes sobre os locais.


— Está bem. – ela fala e logo chega nosso almoço. – Sem querer ser intrometida, mas gostaria de tirar uma dúvida diretamente com a Senhorita. – ela fala me olhando desconfiada e eu já até imagino que o assunto deve ser Ethan.

— Pode falar.

— Sei que não tenho nada a ver com a senhorita, mas é verdade sobre você e Ethan?

— Sim, é verdade. Estamos saindo já há algum tempo.

— Eu sabia. Ele mudou muito depois que a senhorita entrou para trabalhar na empresa. E teve aquela foto de vocês dois na revista que só acabaram com as suspeitas do pessoal.

Fico sem saber o que responder então apenas como meu almoço quieta e ela logo percebe que não quero dar continuidade ao assunto. Depois de almoçarmos voltamos ao escritório e logo vou terminando de separar alguns locais que Carla deveria ir. Depois que ela chega informo os locais e ela logo gosta das minhas ideias. Quando estou por sair lembro-me do apartamento de frente para o meu. O prédio todo é da empresa, então recentemente tinha sido esvaziado o local de frente para o meu apartamento. Como o local é bem grande e ótimo para uma família igual à deles, logo passo para ela que os envie para olhar o local em primeiro lugar, pois tenho certeza de que irão adorar.

Depois de trabalhar a tarde toda, decido ir embora. Chego em casa e Ethan está me esperando na porta.

— O que está fazendo aqui? — pergunto a ele.

— Como estava com saudades resolvi passar para te ver. – ele fala e vem ao meu encontro me beijando.

— Vamos. – abro a porta e o puxo para dentro.


**************** Depois de passar uma noite perfeita com Ethan, levanto-me cedo e sigo para o trabalho. Carla me informa que pela manhã levará o casal para conhecer o apartamento de frente para o meu. Depois que ela me informa repasso alguns documentos que faltam minha assinatura e logo os reenvio para o Sr. Ryan finalizar com sua assinatura.

Hoje é uma quarta-feira muito ensolarada, então depois do expediente de trabalho decido ir dar uma caminhada com Laura. Já faz dias que não faço caminhada e estou precisando me exercitar.

— Laura, vamos fazer uma caminhada hoje? – falo assim que ela atende ao telefone.

— Ai mana, hoje não vai dar. Marquei de sair com uns amigos. Amanhã te acompanho, pode ser?

— Tudo bem, então. Vou sozinha mesmo. – falo com voz dengosa para ver se ela decide ir comigo.

— Desculpa, mana. Juro que amanhã eu vou. – ela fala e logo desliga o celular.

Arrumo-me, coloco meu tênis e pego meus fones. Entro em meu diretório de músicas e logo aperto o play de músicas aleatórias. Sigo em direção ao elevador, mas logo mudo de ideia, decidindo ir pelas escadas. Chego ao hall de entrada e vejo uma moça conversando com Sebastian que sorri para o que a moça fala. Olhando por trás, ela parece ser conhecida, mas sigo reto e apenas dou um aceno de cabeça quando ele me avista saindo do prédio. A moça se vira para ver quem ele está saudando, mas logo estou fora do prédio e sigo reto em direção a um parque que tem perto do meu prédio. Aumento o som até o último volume e foco minha mente apenas na música. Sam Smith – I'm Not The Only One começa a tocar e cada palavra perfura minha alma. You and me we made a vow (Você e eu fizemos um voto) For better or for worse (Para o bem ou para o mal) I can't believe you let me down (Eu não posso acreditar que você me decepcionou) But the proof is in the way it hurts (Mas a


prova está no jeito que dói) For months on end I've had my doubts (Durante meses a fio eu tive minhas dúvidas) Denying every tear (Negando cada lágrima) I wish this would be over now (Eu queria que isso estivesse acabado agora) But I know that I still need you here (Mas eu sei que ainda preciso de você aqui) You say I'm crazy (Você diz que eu sou louco) Cause you don't think I know what you've done (Pois você não sabe que eu sei o que você fez) But when you call me baby (Mas quando você me chama de 'amor') I know I'm not the only one (Eu sei que não sou o único) You've been so unavailable (Você tem estado tão indisponível) Now sadly I know why (Agora, infelizmente, eu sei porquê) Your heart is unobtainable (Seu coração é inalcançável) Even though Lord knows you have mine (Mesmo assim, o Senhor sabe que você possui o meu) I have loved you for many years (Eu tenho te amado por muitos anos) Maybe I am just not enough (Talvez eu não seja suficiente) You've made me realise my deepest fear (Você me fez perceber o meu maior medo) By lying and tearing us up (Mentindo e nos destruindo) You say I'm crazy (Você diz que eu sou louco) Cause you don't think I know what you've done (Pois você não sabe que eu sei o que você fez) But when you call me baby (Mas quando você me chama de 'amor') I know I'm not the only one (Eu sei que não sou o único) I know I'm not the only one (Eu sei que não sou o único) I know I'm not the only one (Eu sei que não sou o único) Quando a musica acaba, percebo que estou chorando. Por que estou chorando? Droga, a verdade é que isso dói demais. Por que tudo tinha que ter acontecido assim? Fico me perguntando e acelero mais os passos. Pessoas passam ao meu redor me olhando, não ligo, sei que devo estar horrível chorando assim em frente a um parque público, mas quer saber? Fodase. Se é o único jeito de passar esse mal dentro de mim então será assim que irei afastá-lo de minha mente. Sento em um banco colocando meu rosto entre minhas mãos e fico pensando. Droga, Jensen, por que não te esqueço?


Volto para casa e tomo um banho demorado em água bem quente. Depois de me sentir renovada saio do banho e vou me deitar. O dia começa bem na empresa, e logo me animo para esquecer a recaída que tive ontem. Recebo notícias de Carla que o casal gostou muito do apartamento que lhe recomendei. Depois de analisar o restante da papelada que tinha para encaminhar, me vi disposta a acompanhar Carla na parte da tarde em sua visita a outro local. Carla se anima quando ligo informando para irmos juntas mostrar a casa. Almoço coisas leves, mais salada do que carnes. Não pretendo passar mal durante o dia. Quando falta pouco para as duas, Carla se apresenta em meu escritório para irmos ao local da casa. A casa que escolhemos é bem grande e toda branca. Existe um grande jardim atrás o que proporcionaria um bom local para quando a criança fosse crescer. Em si, uma ótima casa para uma família que está começando a vida. Passo para a parte de trás da casa para olhar o pátio, Carla recebe uma ligação e logo me indica que o casal já está em frente à casa. Deixo que ela vá recebê-los e fico mais um tempo olhando para o pátio e imaginando como uma criança seria feliz crescendo ali. Do lado esquerdo, eu colocaria uma grande cama elástica, e do outro lado já imagino o mesmo brinquedo que brincava quando era criança. O local ficaria perfeito, assim imagino. Carla aparece na porta e direciono meu olhar para ela que está parada me encarando. — Você não vai vir? – ela fala. — Ah sim. Apenas fiquei imaginando como poderia ser o quintal da nova família. – digo sorrindo e vou em sua direção. — Vamos, vou te apresentar à família. Seguimos para dentro da casa, e assim que chegamos à sala me deparo com as pessoas que menos imaginaria estar aqui. Ashley se encontra agarrada ao pescoço de Jensen e sorri para


Alex? O que ela faz aqui? Logo atrás avisto Jenny que observa o local com muito cuidado. — Gostaria de apresentar a Srta. Lauren Crawford. Nossa administradora geral das empresas Johnson. – Todos os olhares da sala se voltam para mim. Observo todos da mesma forma que todos me observam, espantados. O olhar de Ashley é de espanto assim como o de Jenny. Alex por outro lado não se surpreende a me ver ali. Quando meus olhos caem sobre Jensen não consigo identificar qual sua reação. Ele parece saber que eu estaria ali, não sei. Algo estranho está acontecendo agora. — Não acredito. Você por aqui? Que surpresa agradável. – Jenny vem correndo ao meu encontro e me abraça. – Jamais imaginaria te encontrar por aqui. Olha pra você, administradora geral. Estou orgulhosa. – ela fala sorrindo. — Obrigada. Verdadeiramente, uma grande surpresa. – digo encarando Jensen que no exato momento que me viu largou-se dos braços de Ashley. — Não posso acreditar. O que fiz para merecer isso? – Ashley fala olhando para mim com raiva em seu olhar. Todos olham para ela, estranhando seu comentário. – Por que diabos você insiste em aparecer em minha vida? Será que nunca vou me livrar de você?

Fico sem reação com respeito às suas acusações. Droga, devia ter olhado a ficha desse cliente antes de ter passado diretamente para Carla. Pensando nela, procuro entre todos e a encontro no canto da sala observando com atenção tudo que acontece nesse momento.

— Vocês já se conhecem, prima? – Alex agora se intromete na conversa. Só podiam ser primas, eu mereço.

— Infelizmente sim, ela é a ex de Jensen. – fala Ashley me encarando. – Uma ex que quer se tornar a atual, mas jamais permitirei.

— Não acredito. Que incrível coincidência. – Alex fala, voltando seu olhar para mim. – Pelo visto, então, tem fama de querer o que é dos outros? — Sinto o ar pesar sobre mim com seus olhares, então decido mudar de assunto.

— Bom, pelo que sei vocês estão em busca de uma ótima casa para construir uma família. Esta casa será ótima, pois o local é grande contendo no total sete quartos e nove banheiros. Uma


sala de estar grande e espaçosa como estão observando. Mais adiante contamos com a sala de jantar localizada no meio da casa. A cozinha está quase no final da casa. Creio que Carla vai amar mostrar em detalhes toda a casa para vocês. – falo e todos estão com seus olhares focados em mim. Sei que estou sendo uma fraca optando por usar todo meu lado profissional para evitar confusões, mas esta é minha única opção, a não ser pular no pescoço das duas e esgoelálas por quererem os homens que mais gosto em minha vida. E mais ainda por serem abusadas comigo.

No instante em que tinha terminado de falar, graças ao meu bom deus, meu celular toca e peço licença para atender. Vou em direção à cozinha segurando meu celular e vejo que Ethan me liga.

— Boa tarde, princesa. – ele fala ao telefone.

— Na verdade, péssima tarde. Como você não me falou nada que Alex era Drummond?

— Por que essa pergunta a essa hora da tarde? Ela te fez algo? – ele pergunta curioso.

— Pelo motivo que acabei de encontrar com Jensen, Ashley, Jenny e Alex para mostrar uma casa. Ela chamou Ashley de prima, você sabia?

— Bom, sabia que ela tinha parentes lá na cidade que tínhamos ido, onde sua avó também mora.

— Com assim tínhamos ido? Você a levou lá?

— Bom, sim. Eu a levei, mas depois que a deixei na casa dos parentes, fui para a casa de Breno. Depois você já sabe o final. – ele fala.

— Mas que droga. – falo pensativa, por isso que ela reclamou que ele não a respondeu mais. Ele a abandonou lá e veio comigo. Coitada, penso comigo mesma. – Tá bom, vou dar um jeito


de sair desse lugar se não vou acabar matando as duas.

— Por quê? Estão te provocando? – ele pergunta com voz de quem está sorrindo com meu comentário.

— E você acha que não? Se uma Drummond que não gosta de mim se encontra no mesmo lugar que eu já acabo em barraco, imagina duas. – falo e ele solta uma gargalhada do outro lado da linha.

— Está bem, sai daí e vai para seu escritório que te encontro lá, dentro de meia hora, para tomarmos um café e relaxarmos um pouco.

— Acho que preciso de coisa mais forte para relaxar. – falo sorrindo e ele solta outra gargalhada do outro lado.

— Daremos um jeito em você.

— Vou desligar, nos vemos daqui a pouco. – falo desligando e volto para a sala.

Não encontro ninguém no local, então imagino que devem estar olhando os quartos da casa. Aproveito e saio, apenas envio uma mensagem para que Carla saiba que estou voltando para o escritório. Falo para que ela passe em meu escritório depois acabar a visita, até porque tenho que explicar para ela sobre o inconveniente com o casal.

Sigo em direção à saída e logo lembro que vim no carro de Carla. Droga, estou a pé. Ligo novamente para Ethan. No primeiro toque ele me atende.

— Ethan, tem algum jeito de você passar para me buscar aqui na casa branca que estamos vendendo no Condomínio Brites?


— Claro, passo por ai dentro de dez minutos.

— Ótimo, vou esperar.

Fico esperando do lado de fora do estacionamento da casa e logo alguém se aproxima de mim, olho para trás e percebo Jensen me encarando.

— Você está linda. – ele fala olhando-me de cima abaixo.

— Obrigada. Sua esposa também está. – falo com rigidez para que ele saiba se colocar em seu devido lugar – Na verdade, ficou bem grávida.

— Para com isso, você não sabe o que já passei com ela. — ele começa a falar e eu apenas ergo minha mão em sinal de que ele não me deve satisfação.

— A verdade é que não preciso saber. Então, se me der licença. – digo tentando me retirar do local, mas logo sinto sua mão segurando meu braço com delicadeza.

— Por favor, não vai. Você tem que me escutar, me dá um minuto do seu tempo para que eu explique o que está acontecendo.

— Tudo bem, lhe darei uma chance. Você tem dez minutos para se explicar antes que minha carona chegue.

— Depois daquele fim de semana, não tenho mais me acertado com Ashley, a verdade é que nunca consegui. Mas como ela apareceu grávida na minha porta depois de alguns dias que cometi a burrada de ficar com ela novamente em uma festa, não pude mandá-la embora. O filho pode ser meu. De acordo com o que ela falou, não tinha saído com nenhum outro homem, só comigo e logo engravidou. Então não posso dizer se é meu ou não. Depois disso, tenho tentado cuidar dela para que não cometa alguma loucura, até porque ela está grávida, mas depois daquele fim de semana que vi você com aquele babaca que pensa que sabe tudo da vida,


– antes que ele fale alguma coisa mais de Ethan eu o mando calar a boca.

— Faz-me um favor, estou te dando uma chance de explicações e você vem ofender Ethan? Foi ele quem esteve presente na minha vida quando você deixou de estar, foi ele quem me tratou com amor e carinho quando eu mais precisei, foi ele quem mesmo eu o tratando mal para afastá-lo de mim, com medo de que em um futuro ele fizesse o mesmo que você fez, continuou do meu lado e me mostrou que eu posso sim ser feliz sem você.

— Você não pode. Eu não posso ser feliz sem você. Você não imagina como foram esses anos sem você. Lembrar de todos os momentos que passamos juntos e você não estar ali do meu lado. Você pensa que foi fácil pra mim?

— Não me importa se foi ou não fácil, você está com ela.

Quantas vezes te falei que ela ainda iria nos separar e você sempre dizendo que não, que não deixaríamos isso acontecer? E adivinha... Você foi o primeiro que deu chance para que ela entrasse e estragasse os anos de amor que tínhamos vivido. E tudo por motivos tolos. Se você tivesse optado por confiar em mim, tudo teria sido diferente.

— Eu confiava em você, só não podia perdê-la. Ficaríamos muito longe um do outro e isso me perturbava dia e noite.

— Não importa mais. Depois daquele fim de semana no Breno, tive a certeza de que nada que você ou eu fizermos não daria certo ficarmos juntos.

— Não fala assim, ainda podemos recomeçar. Eu te amo e sei que no fundo você também não deixou de me amar.

— Por favor, não fala mais nada. Apenas me deixe em paz! Quero viver, quero poder amar alguém e ser amada, sentir confiança na pessoa sem pensar que estou sendo traída. Para você foi fácil, foi você quem traiu. Para mim, nunca poderei esquecer, talvez um dia possa te perdoar, mas agora não.


Ele está próximo de mim e em todo momento seu olhar me passa a confiança de que suas palavras são verdadeiras. Depois do que disse ele apenas abaixa sua cabeça e há um silencio entre nós, me viro para ver se Ethan já está chegando, mas não tem nem sinal dele. É tão rápido que nem sinto direito ele me puxar pelo braço e quando vejo sua boca já está na minha. É um beijo urgente e, Deus, como eu esperei por esse beijo.

Ele devora minha boca de forma feroz, seus braços me puxam para si e uma de suas mãos está em minha nuca segurando firme para eu não fugir. Droga, tinha me esquecido como seu beijo era bom. Depois de alguns segundos, eu já me entrego a seu beijo quente. Algo dentro de mim desaba uma barreira que tinha construído com o tempo e a qual tinha jurado nunca mais permitir que ele derrubasse e voltasse a me tocar. É como se seu calor a destruísse. Nesse momento me sinto perdida. Sim, eu ainda o amo com todo meu coração. Meu corpo não responde a mim e só paramos ao ouvir uma voz extremamente brava, vindo ao nosso encontro.


— O que está acontecendo aqui? – Ashley nos encara furiosa. Alex, Jenny e Carla logo aparecem atrás. — Até que em fim. – Jenny fala, vindo ao nosso encontro sorrindo. — Que tipo de cunhada é você? Você está do lado deles? E nosso tempo de amizade? — Ashley agora a fuzila com o olhar. — Querida, a verdade é que eu nunca gostei de você. Você sempre foi a pior cunhada que tive. E que me perdoe mais não aguento mais ficar um minuto sequer perto de você. Não sei como Jensen a suporta. — Quanta falta de consideração de sua parte. Pensei que gostava de mim. — Pois pensou errado. A verdade é que sempre te odiei. A pessoa que sempre gostei foi Lauren. Sempre torci para que esse dia chegasse e que Jensen pudesse ver o quão idiota ele foi por ter ficado com você e não com ela. — Ashley põe a mão no coração como se tivesse se importado com a forma que Jenny a tratou e logo se volta para nós. Jensen ainda está do meu lado e sua mão está em minha cintura. Tudo aconteceu tão rápido que nem me dei conta de me afastar. No mesmo momento distancio-me dele. — De qualquer forma. Jensen vai ser o pai do meu filho e não há nada que possa impedir isso. Nem você, Lauren, nem ninguém conseguirão nos separar. — Disso eu não tenho certeza. A verdade é que não quero mais ficar com você. O filho pode ser meu, mas isso não vai mais me segurar ao seu lado. O que mais quero agora é estar ao lado de Lauren e nem você nem ninguém me vai impedir de fazê-lo. — Desculpa me intrometer. Mas a verdade é que Lauren está com Ethan. A não ser que ela esteja com os dois ao mesmo tempo. – Nesse instante, ela olha para trás e sigo seu olhar, me deparando com Ethan parado logo atrás de mim encarando toda a cena. — Não é o que parece Ethan. – falo indo ao seu encontro. Mas quando chego perto ele se afasta e me lança um olhar de repulsa. – Precisamos conversar.


— Você não precisa me explicar nada. Já entendi o que está acontecendo aqui. — ele fala e logo sai, me deixando plantada sem nem ao menos deixar com que eu explique o que estava acontecendo. Raiva sobe a minha cabeça e vou furiosa em direção às duas raparigas que estão na minha frente. Quando percebo estou no ar sendo segurada por Jensen, elas me olham assustadas, mas nem se mexem do lugar. — Eu vou matar vocês duas. Você... — falo apontando o dedo na direção de Alex que me olha com espanto. – Se você tentar fazer alguma coisa para que Ethan fique mais bravo comigo, eu juro que vou tornar sua vida um inferno. E você Ashley, some da minha vida. Porque se eu te ver mais uma vez, juro que vou arrancar sua cabeça. Já estou cansada de você aparecer em minha vida e estragar tudo que construo. Mas que droga eu fiz para você ter tanta raiva de mim a ponto de nunca me deixar em paz? Eu nunca fiz nada para você, mas sempre que aparece em minha vida estraga tudo. Sempre tornando minha vida um inferno. Então, para seu próprio bem, desapareça da minha vida ou não me comprometo pelos meus atos. – Ela me olha espantada, pois nunca a encarei e falei coisas diretas na cara dela. Sempre procurei manter a calma e deixar tudo se resolver com o tempo. Mas quer saber? Chega! Eu não vou tolerar mais nada que venha dela para me atingir. Carla que até esse momento me encarava assustada pela minha reação vem ao meu encontro e segura pelo meu braço, falando perto do meu ouvido para irmos embora antes que eu faça mais alguma loucura, me lembrando que estamos em local de trabalho. Jensen me solta no chão e me aparta de Ashley que nesse momento está admirando suas unhas como se nada tivesse acontecido. Vaca! Penso comigo mesma. — Sei que as coisas não estão certas para nós dois. Mas quero que me dê uma chance de recomeçar. Vou te procurar em seu escritório, já que agora já sei onde trabalha. E assim conversaremos melhor. — Você é quem sabe. – é a única coisa que falo antes de seguir e entrar no carro de Carla, que logo depois de se despedir deles vem ao meu encontro no carro. — Sei que tenho muita coisa para te explicar, mas poderia me deixar em casa? Avisa lá no escritório que tive um inconveniente e amanhã pela manhã estarei no escritório. Se precisarem de algo que apareçam amanhã. — Tudo bem. Descanse, que você precisa. Ela me deixa em casa e logo que entro em meu apartamento começo a chorar e pensar o que fiz de errado para que toda vez que começo a ser feliz algo acontece para destruir minha felicidade. Tento ligar para Ethan, mas ele não atende e logo depois de três vezes tentando, ele já desligou o celular. Depois de muito chorar, adormeço em minha cama e logo que me levanto


vou tomar um banho. As lágrimas insistem em rolar pelo meu rosto e eu apenas as deixo cair. Ligo para Laura logo em seguida. — Laura, preciso muito que você venha ao meu apartamento. — O que aconteceu? Você está bem? Tá chorando? – ela dispara em perguntas. — Eu apenas preciso que você venha ao meu apartamento. Pode? — Estou indo. Cinco minutos e estarei ai. Quando Laura chega, vou até a porta e a recebo chorando. Ela me abraça e sentamos no sofá. Depois de contar tudo a ela o que aconteceu hoje, ela apenas me abraça e eu choro mais ainda. — Você tem que esquecer o passado, minha irmã. Quantas vezes já te falei que se você o tivesse esquecido não estaria nesse estado? E se quer saber, fez bem em ter brigado com elas, são duas estúpidas. — Eu não vou aguentar se Ethan ficar me evitando. Ele já faz parte da minha rotina e eu não consigo pensar que não o terei por perto nos próximos dias ou meses, sei lá. Já não sei o que pensar. — Calma. Vocês vão se acertar. Ethan precisa de tempo. Ele sabe que você ainda gosta do Jensen e tê-lo por perto não vai lhe fazer bem, já que sabe que você não estava segura de como se sentia assim que ele chegou. Quando ele perceber que você ainda é a mesma, ele vai voltar e tudo ficará bem. — Assim espero. Sem Jensen foi difícil continuar vivendo, mas sem Ethan não sei se consigo. — Calma. Você vai conseguir. Eu estou aqui, você sabe que pode contar comigo para tudo. Depois de muito conversar com ela sinto uma paz que se alastra dentro de mim e logo adormeço no sofá. Acordo mais disposta e depois de me arrumar decido ir trabalhar. Assim que chego, peço para Clara informar a Carla que gostaria que ela viesse em minha sala. Escuto algumas batidas na porta. — Pode entrar. — Bom dia, Srta. Lauren. Clara me informou que pediu minha presença. — Bom dia, Carla. Pode sentar-se. – apontei para sofá em frente a minha mesa.


— Em que posso ajudá-la? — Sobre o ocorrido de ontem, gostaria de explicar sobre o mal entendido. Aqueles que foram ver a casa são conhecidos que tenho desde pequena. Jensen, o marido, era meu namorado de adolescência e sua esposa, Ashley, foi a garota que o roubou de mim. Quando o fato me aconteceu, me mudei para este local e desde então tenho vivido por aqui. De certa forma, tudo que tento construir em minha vida Ashley aparece e consegue destruir. E agora que está por aqui, tenho certeza de que ela fará um inferno em minha vida. E isso é o que está acontecendo. Ela fica em silêncio por alguns minutos, então me olha séria e fala. — Bom, está explicado sua reação de estresse de ontem. Sei que não tenho nada a ver com sua história, mas acho que ele realmente gosta da senhorita pelo que pude ver ontem. — A verdade é que já não sei de mais nada, Carla. Depois de tudo que aconteceu, eu não sei se acredito que ele ainda gosta de mim ou não. Ethan agora não me responde também e não sei mais o que fazer. Estou perdida em milhares de pensamentos sobre tudo o que está acontecendo. — Imagino, mas tenta levar as coisas da forma que puder. O que for para acontecer vai acontecer, você só tem que esperar o tempo certo. — Obrigada, Carla. Se eles te informarem de alguma coisa a respeito das casas me avise. — Tudo bem, Srta. Lauren. Mais alguma coisa? — Não, Carla, pode se retirar. Se possível, avise para Clara vir que quero falar com ela. — Tudo bem. Com licença. Assim que ela se retira, começo a pensar. Com o tempo aprendi a superar o silêncio, a solidão, o medo. Aprendi a conviver com os mesmos e foi a partir daquele momento que pude ter um pouco de felicidade em minha vida. Não importa o que venha a acontecer daqui para frente, enfrentarei de cabeça erguida e o que tiver que acontecer, vai acontecer. Hoje, sei que não posso impedir o que o futuro me reserva, apenas esperar que ele aconteça.


Depois do incidente lá na casa não ouvi mais falar de Alex, Jensen ou Ashley. Tenho trabalhado muito essa última semana. Ethan até hoje não fala comigo, sei que ele está magoado e não posso fazer nada, pois não sei que horas ele chegou no local e muito menos o que ele viu ou ouviu. Sei que desde o começo eu o avisei que não poderia me comprometer a amá-lo. Mas depois de tudo que passamos juntos, ele deve ter pensado que talvez eu tivesse mudado de ideia com respeito a ele. A verdade é que eu mudei realmente, mas depois que vi Jensen naquela casa, algo em mim mudou. Esse era o destino que eu havia planejado tantas vezes para nós dois. Quantos sonhos eu tive de como seria nossa vida quando nos casássemos? Como seria nossa casa? Sinceramente, aquela era a casa do meu sonho. Um local grande para receber nossas famílias e o mais importante é que tinha um local perfeito para nossos filhos. Quando penso que tudo que aconteceu é verdade, me aperta o coração. Tudo poderia ser mentira, ou até mesmo um sonho no qual eu ainda vou acordar e vamos estar abraçados em minha cama assim como fazíamos sempre que voltávamos do colégio. Tenho certeza de que nosso futuro seria perfeito se ainda estivéssemos juntos. Porém, tudo que aconteceu foi tão rápido para me ensinar que nem tudo na vida é perfeito. Nosso amor era perfeito demais, nós quase não brigávamos. Aquela foi nossa primeira briga e foi a que resultou uma completa mudança em nossas vidas. Se fôssemos para dar certo por que aquilo tinha que ter acontecido? Por que tempos depois o destino decide nos juntar novamente? A verdade é que se tudo aquilo não tivesse acontecido, hoje eu não teria conhecido o Ethan. Não teria passado momentos perfeitos com ele. Não teria aprendido a lidar com meus medos e receios. Pensava que o medo não me deixava me aproximar de outra pessoa, mas a verdade é que no momento em que conheci Ethan, eu coloquei meus medos de lado e dei chances para que ele me fizesse feliz. Hoje eu sei, porque já não sinto medo de amar Ethan, sinto medo de perdê-lo. Essa semana que ele não me deu notícia, foi o resultado de um desabamento interno. Mostrando-me que ele já estava ali, colocado em algum lugarzinho no meu coração. Eu apenas não o tinha percebido e me sinto uma idiota por não tê-lo aproveitado. Me tranquei tanto no passado que não pude notar o que o presente me oferecia. Agora a indecisão me consome. Como posso dar uma chance a Jensen e destruir a família que esse bebe que está por vir teria? Sei que se eu o fizesse estaria ganhando de Ashley, mas ao


contrário dela eu jamais faria algo do tipo. Então, com toda certeza, está na hora de conversar com Jensen de maneira civilizada e colocar os pingos nos is. Ligo para Clara que me atende no segundo toque. — Clara, poderia ligar para Carla e pedir o número do cliente dela chamado Jensen? Assim que ela te passar, trate de agendar uma reunião que bate com meus horários livres e os dele e assim que estiver confirmado me informe que estarei esperando. — Tudo bem, Srta. Lauren. Depois que desligo, volto a revirar os papéis na minha frente, mas nada que eu mexo consegue fixar minha atenção. Então decido ir tomar um café. Já são três horas da tarde, então desço e aviso Clara que vou sair para buscar meu café e logo estarei de volta. Ela se surpreende, pois sempre peço que ela ligue e encomende, mas hoje eu mesma irei buscar. Preciso me distrair.

Quando chego ao local de café que tem perto do escritório entro e procuro por uma mesa em um canto mais afastado.

— Boa tarde, senhorita, o que gostaria de provar hoje?

— Boa tarde. Por favor, um café preto bem forte e com pouco açúcar.

— Já vou trazer para a Senhorita.

— Obrigada.

Fico sentada com a cabeça no mundo da lua olhando para a porta. Meu celular toca e logo avisto o nome de Laura. Tinha que ser, já que hoje é sexta e ela com toda certeza quer ir à balada. Bendita Kessy, por que tinha que ter ido embora? Agora Laura não me deixa em paz.

— Boa tarde, irmãzinha querida. – ela fala do outro lado do telefone.


— Boa tarde, Laura. Tudo bem com você?

— Estou ótima, você é quem deve estar mal. Por que tanto desânimo nessa voz?

— Estou bem, só um pouco alheia ao que se passa ao meu redor hoje.

— Só hoje? – ela fala sorrindo e eu reviro meus olhos. –Brincadeira, queria te convidar para ir a uma balada hoje comigo.

— Bem o que imaginei – falo baixo, mas ela acaba escutando do outro lado e sorri do meu comentário.

— Para de ser velha. Eu sou mais velha que você e aproveito mais minha vida do que você que é nova e tem tudo para aproveitar. E não me diga que tem que trabalhar, pois a semana toda você vem dando essa desculpa e não sai comigo. Será que sou tão má companhia que você nunca quer sair comigo?

— Tá bem, para com isso. Eu vou, quer que eu passe aí de táxi para irmos juntas?

— Ebaaa, vou esperar. Passa lá pelas nove porque hoje vamos mais cedo para aproveitar bem à noite.

— Tudo bem. Acho que preciso mesmo de alguma distração senão vou ficar louca.

— Só para lembrar, você já é louca.

— Para com isso, se não eu não vou mais. Sabe que não gosto que me chame de louca.


— Tá bem, já parei. Beijinhooos, até de noite.

— Outro. – falo e desligo o celular.

O café chega e logo tomo um gole bem grande já que estou precisando de um pouco de cafeína senão vou acabar dormindo de tão acabada que estou. Esses últimos dias não tenho conseguido dormir bem, já que fico sem sono pensando em como vou resolver minha vida. Então nos horários de trabalho é que o sono chega e se não me cuidar acabo dormindo no escritório.

Meu celular toca outra vez e vejo que é Clara que me liga.

— Fala, Clara.

— Srta. Lauren, estou ligando para confirmar a sua reunião com o Sr. Jensen. Ele informou que hoje às quatro horas ele pode vir conversar com a senhorita. Confirmei, já que seu horário para a tarde toda está livre de reuniões. Tem algum problema?

— Não, fez bem. Estou terminando de tomar meu café e logo vou para o escritório.

— Quer que eu arrume a sala para a reunião? – ela pergunta do outro lado.

— Não, pode deixar. O que tenho que conversar com ele é um assunto pessoal então será no meu escritório. E por favor, não marca mais nada para hoje. Assim que terminar essa reunião com ele, eu irei para casa.

— Tudo bem, senhorita.

— Obrigada, Clara. Até daqui a pouco.


— Até, senhorita.

Termino meu café e sigo para o caixa, pago e volto para o escritório. Depois de arrumar alguns papéis que tinha deixado em cima da mesa, decido ir ao banheiro e retocar a maquiagem, sei que quando ele chegar quero estar perfeita e não demonstrar o quão perdida estou por dentro. Passo meu perfume de rosas que tenho em minha bolsa e logo me olho no espelho.

Estou usando um vestido vermelho sangue com um cinto preto e salto agulha preto. Olhando no espelho posso ver que estou realmente bonita e ele com toda certeza vai cair de quatro quando me ver, e isso é realmente o que quero dele. Que ele perceba o que ele perdeu. Clara me informa que Jensen já chegou, peço para que ele entre e, assim que ele passa pela porta, perco meu fôlego. Ele está esplêndido. Está usando um terno azul escuro com uma camisa branca e uma gravata vermelha.

— Boa tarde, Lauren. – ele fala com uma voz rouca e se aproxima de minha mesa. Fico em pé e estendo minha mão para ele em forma de cumprimento.

— Boa tarde. — falo e quando ele segura minha mão com a sua, correntes elétricas passam por todo meu corpo e, sem querer, eu direciono meu olhar para sua mão e depois para seu rosto para ver se ele também está sentindo. Ele está parado na minha frente me encarando. Então solto sua mão e me ajeito em minha cadeira.

— Sente-se. – indico o sofá de frente para minha mesa. Observo ele se sentar com muita elegância e direcionar seu olhar para mim. Naquele momento, abaixo minha cabeça mais logo levanto e o encaro, está na hora de resolver toda essa situação. De hoje não pode passar, penso comigo.


Silêncio paira no ar, então começo a falar. — Chamei você aqui porque quero que cheguemos a um acordo com respeito a nós. — digo e ele me encara com interesse, espero que ele assinta para que eu continue. — Claro, continue. — Sei que muitas coisas aconteceram entre nós e eu quero ter pelo menos um pouco de paz em minha vida de agora em diante. Por isso pedi para Clara te chamar. Seu olhar penetra minha alma e eu fico perdida por alguns minutos sobre o que eu estava falando. Ele percebe meu estado e logo muda de posição no sofá. — Sei que nossa relação ficou complicada desde anos atrás. Mas quero que saiba que eu ainda a amo. Você foi e sempre será a mulher da minha vida. Você sabe disso, sempre soube desde o início. — Você quis dizer "sabia". Uma vez eu soube que isso era verdade. Hoje as coisas mudaram e esse “sabia” também foi mudado. — Quero te pedir uma coisa. Esqueça tudo que aconteceu e vamos recomeçar? Vamos viver uma nova vida, eu e você. — quando ele me diz aquilo, a única coisa que se passa por minha cabeça é a criança que está vindo ao mundo, então, sem pensar, respondi. — Não podemos. A verdade é que nunca poderemos. — ele me olha confuso. — Por que não? O que nos impede? O que te impede? — Seu filho! Você será pai em poucos meses. Eu jamais deixaria que a culpa fosse minha por destruir uma família. — Mas você não está destruindo nada. Ashley e eu nunca daríamos certo. Estávamos tentando nos mudar pra cá pra ver se as coisas mudariam e se conseguiríamos nos dar bem. Pelo bem de nosso filho. Mas foi um erro, não importa aonde formos nunca daríamos certo. Ela sabe disso,


eu não a amo. — por alguns minutos fico sem saber o que pensar para responder, então logo ele continua falando. — Nós sabíamos que não daríamos certo. Ela foi quem quis tentar e eu só aceitei pelo bem da criança. Minha mãe quase nem fala comigo por causa dela. Ela nunca aceitou que eu tivesse deixado você. — Ninguém aceita... — falo baixo, mas ele me escuta. — Você sabe que éramos jovens. Foi uma noite de loucura. Eu bebi demais e tudo aconteceu muito rápido. Ela foi quem me induziu a fazer as coisas. Eu estava desesperado, você estava fugindo de minhas mãos sem eu poder fazer nada. Eu estava ficando louco e então tudo aconteceu. — novamente fico sem reação, o deixarei falar tudo que quiser porque até hoje nunca dei essa chance para que ele explique seus motivos sobre tudo que aconteceu. — Ela me drogou aquela noite. Eu não me lembro de nada a não ser de acordar de manhã com muita tontura e dor de cabeça. Então, ela estava ali do meu lado, dormindo pelada e eu também. — Por favor. Corte certos detalhes. Estou te dando a oportunidade de se explicar, o que não quer dizer que você precise falar tudo que aconteceu entre vocês. Já não basta eu pensar e agora você falar é pior ainda. Mas continue. — Desculpa. Não quero te deixar mal. Continuando... Depois que acordei coloquei minhas roupas e saí correndo do quarto antes mesmo dela acordar. Quando estava na porta para sair, um grupo de rapazes que estavam na festa comigo ainda estavam lá e todos vieram falando besteiras pro meu lado por ter ficado com ela. Eles filmaram e tiraram fotos nossas. Eu só podia estar drogado porque nunca faria com ela o que fiz naqueles vídeos no meio de todo mundo. Eu jamais faria aquilo só pra te magoar. Jamais faria algo pra te deixar triste. Você sabe disso, não é? — A verdade é que não sei de mais nada. Não sei em que ponto deixei de acreditar que você faria algo ou não. Mas isso não importa mais. – ele fica em silêncio me encarando. — A pior parte foi ver você me deixar sozinho sem nem ao menos conseguir me explicar. Você sabe como foi difícil pra mim depois daquele momento que você virou as costas e me deixou pra sempre? Eu não pude acreditar que depois de tudo que passamos você me abandonaria por causa daquilo. — Não foi apenas aquilo. Droga, Jensen, você me traiu com a pessoa que eu mais odiava e ainda odeio. Podia ter sido qualquer uma, eu talvez não ligasse se fosse outra garota. Mas ela... Ela, eu nunca aceitaria e você sabia disso. Sempre soube e mesmo assim você fez. Você ficou com ela. — Lauren, eu tava drogado! — ele levanta o tom de voz e eu me encolho em minha cadeira de couro. Vendo meu estado, ele se desculpa. — Desculpa... Você apenas não me deixou explicar


o que aconteceu. Você percebe que se ela não tivesse me drogado nada daquilo aconteceria? Hoje estaríamos juntos se não fosse culpa dela. — Pode ser que sim. Mas o mais engraçado é que depois de tudo você ainda está com ela. Mesmo tentando me fazer acreditar em tudo que você diz, você ainda está com ela. Você vai ser pai do filho dela. Sabe como esse pequeno detalhe muda tudo? — Ele fica em silêncio me olhando, então resolvo desabafar. — Sabe o que é estar apaixonada por uma pessoa a vida toda? Sonhar que no futuro você vai se casar com ela e ter uma casa maravilhosa? Ter filhos lindos que serão seus e da pessoa que você mais ama? Imaginar uma vida perfeita então, de repente, o destino vem e tira todos seus sonhos? Joga eles para o alto e faz você observar que o destino que você imaginava para você está se realizando com a pessoa que mais você odeia? A pessoa que roubou quem você mais amou? Que está por comprar a casa que é do seu sonho? Droga, ela vai ter um filho com você. — ele me observa sem reação. — Sabe quantas vezes eu imaginei que essa vida era pra ser minha e não dela?

— Ainda não é tarde. Podemos recomeçar, Lauren. Podemos reconstruir seus sonhos e tornar realidade.

— Não. Não podemos. A única coisa que posso pensar agora é que não importa o quão boa tenho sido na vida, quantas coisas boas tenho feito para meu próximo, parece que tudo que faço de bom para os outros volta pra mim de forma ruim.

— Não pensa assim. — ele fala se aproximando de mim dando a volta na mesa. Levanto na mesma hora.

— Por favor... O que não quero que você sinta por mim é pena. Isso seria muita humilhação. — falo me afastando dele.

— Jamais sentiria pena de você, pelo contrário, eu te admiro muito. — ele fala se aproximando de mim novamente. — Sempre admirei seu jeito determinado de lidar com os problemas. A forma como você pensa sobre como levar sua vida, como resolver seus problemas. — ele coloca suas mãos em meu rosto me fazendo encará-lo. Seu olhar encontra com o meu e por alguns minutos me sinto perdida em meio a uma confusão de sentimentos que pairam sobre mim. – Você é uma pessoa brilhante, e apesar de tudo que aconteceu, você se saiu muito bem na vida.


Ficamos em silêncio por alguns minutos e logo ele começa a se aproximar de mim. Droga, ele vai me beijar. Me solto de suas mãos e me afasto de seu toque. A última vez que isso aconteceu só me trouxe problemas.

— Depois de tudo que aconteceu, eu espero que você e Ashley possam ser felizes. Não me importa que vocês não estejam se dando bem. Não quero que no final a culpada tenha sido eu. Quero que você pelo menos tente se dar bem, pelo bem do bebê que está por vir.

— Então, essa é sua decisão final? – ele pergunta me segurando pelo braço e trazendo-me para perto dele novamente.

— Sim. Até que as coisas melhorem, eu não quero mais problemas. Acho que pelo bem desse bebê você tem que tentar com a Ashley, eu já estive sozinha por esses anos, não me importarei de ficar sozinha pelo resto de minha vida. Isso também não quer dizer que eu vou ficar te esperando, eu vou achar uma pessoa que goste de mim e vou aproveitar o que a vida tem a me oferecer. – Dou um beijo em seu rosto e ele fica rígido. – Estou muito feliz por você. Vai ser um pai maravilhoso.

— Obrigado. A verdade é que eu imaginei que teria meus filhos com você e não com outra pessoa. Mas a verdade é que o destino mudou meus planos. Vou fazer o possível para cuidar dessa criança, além de tudo é meu filho por mais que não seja com você.

— Isso não importa, sei que ele vai ser lindo e esperto como o pai. Espero conhecê-lo um dia.

— Você vai, ele vai amar você assim como o pai dele ama.

— Tá bem. Para com isso, de agora em diante quero que sejamos amigos. Como quando éramos crianças. Quero que converse com Ashley para que me deixe em paz, não quero mais vê-la. Quero que me deixe em paz.

— Tudo bem, falarei com ela. Espero que consiga ser feliz. Desculpe se fracassei com você,


não consegui fazê-la feliz, mas espero que alguém consiga. Desculpa por tudo.

— Tudo bem. – digo e abraço ele. Seus braços fortes me envolvem e eu me perco por alguns segundos em seus braços. Senti tanta falta dele que me dói o coração.

— Acho que devo ir embora. Creio que você não vai mudar de ideia, então desejo que encontre a felicidade que eu não te dei. E não se preocupe, assim que o bebê nascer, eu darei um jeito de te mandar uma foto.

— Tudo bem, obrigada. – ele beija o canto de minha boca e se retira da sala.

Sento em minha cadeira e fico pensando em tudo que aconteceu até meu celular tocar.

— Cadê você? — pergunta Laura do outro lado da linha.

— Estou no trabalho.

— Ainda? Já são sete da noite, pelo amor de Deus. O que você ainda está fazendo aí?

— Sete? Droga, acabei perdendo o horário. Vou pra casa.

— Ótimo, estou indo lá agora, pois tenho uma surpresa.

— Ai Laura, não venha com surpresas, eu já tive um dia muito longo.

— Você vai amar, não vai acreditar quando ver. Vai logo pra casa.

— Está bem... — e com toda certeza ela desliga na minha cara.


Pego minha bolsa e volto para casa. Subo no elevador e quando chego ao andar do meu apartamento e coloco a chave na porta, uma mão grande impede minha entrada. Viro-me para brigar com a pessoa e dou de cara com Lorenzo.

— Enzo... Não acredito! O que você está fazendo aqui? – Olho atrás de Enzo e encontro Andrew e Laura sorrindo ao me verem.

O dia não podia acabar melhor. Sorrio por pensar que por um momento estou me sentindo completa por tê-los por perto.


— Estou tão feliz em te ver. – falo dando um grande abraço em Enzo. – O que está fazendo por aqui? — Também estou feliz em te ver, bebê. – Enzo fala sorrindo e beija minha testa. — Por favor, não me chama de bebê. Sabe como odeio ser chamada assim. – falo dando um soco em seu ombro. — Bobeira, sempre vai ser o bebê da casa. – ele fica me encarando por alguns minutos e sorri. – Você tá gostosa, em, maninha. – fala sorrindo com malícia e olha para Andrew que vem logo atrás dele e o empurra para me ver por completo. — Tá gostosa mesmo, em, Lau. – fala sorrindo e me abraça apertado. – Saudades de você. Como cresceu. — Oh, muito obrigada. – digo sorrindo. — Também estava com saudades. — Oi, Lau. – Laura passa por mim e empurra a porta do apartamento para entrarmos. — Ai desculpa, fiquei tão emocionada que me esqueci de convidar vocês para entrar. Vamos, entrem, sintam-se em casa. — Ai que ótimo, porque a casa da Laura é apenas um cubículo e juro que não suportaria ter que morar com ela. — Por quê? Você veio para morar aqui? E seu emprego na Espanha? — Desculpa, maninha, se eu não estivesse tão cansado de ficar em pé eu contaria, mas vamos entrar e sentar que eu conto tudo. Entramos na sala e Laura já estava sentada em um dos sofás. Sento no meio do sofá e Enzo senta do meu lado esquerdo enquanto Andrew senta do meu lado direito. — Estou tão feliz por estarem aqui. Agora não me sentirei tão sozinha.


— Com certeza não vai se sentir sozinha. Vou morar com você de agora em diante. — Ai que droga, vou ter que comprar uma casa maior, então. – falo fazendo careta e todos riem. –Brincadeira, isso vai ser demais. Droga, Enzo, por que demorou tanto pra vir nos ver? — Nem foi tanto assim, foram só cinco anos. Sobre meu emprego, acabei pedindo demissão depois de ter enviado um currículo a empresa Walt's Advocacia. Assim que eles me enviaram a resposta, eu pedi demissão na mesma hora, e Andrew já estava com planos de voltar, então já estava desempregado. Pegamos o primeiro voo e aqui estamos. — Que bom, fico feliz em ter vocês por perto. Você também, Andrew. — Também estou feliz em estar aqui com vocês. – o celular dele começa a tocar e ele o pega para atender. — Que droga, é minha mãe. — Eu falei pra você ligar pra ela quando a gente chegou, ela deve estar louca de preocupação. – Enzo fala e Andrew se levanta para atender a mãe. — Você trouxe suas malas? – pergunto encarando Enzo. — Sim, estão no carro de Laura. — Está bem. – falo encarando ele. — Você está um gato, em, mano. — Eu sempre fui. – ele começa a se gabar e eu sorrio de seu jeito. — Estou indo embora. Tenho compromisso amanhã de manhã, então vou dormir cedo. — Vou descer com você para pegar as malas. — Vamos lá. Boa noite, Lauren. — Boa noite, maninha, e obrigada pela surpresa. — De nada. Eles se retiram da sala e eu fico ali pensando em como vou resolver minha vida agora, depois da conversa com Jensen e com a chegada do meu irmão e do irmão de Ashley. Será que ele sabe tudo que tem acontecido por aqui ultimamente? Estou perdida em pensamentos quando Andrew se aproxima e senta ao meu lado no sofá, me abraçando. — Desculpa o incomodo de ficar na sua casa. — Que nada, você é sempre bem vindo, Andrew. Ao contrário de sua irmã, que a vida toda só me fez mal, você sempre me apoiou e sem contar que é o melhor amigo do meu irmão.


— Desculpa também por isso. Ashley sempre foi louca e ultimamente tem se superado nas loucuras. — Eu que o diga. – digo sorrindo. Enzo aparece novamente na sala com as malas e eu o guio até meu pequeno quarto de hóspedes. Ele terá que dormir comigo e Andrew no quarto de hóspedes. Depois que converso a sós com Enzo decido que já é hora de trocar de casa e pegar uma maior. Meus investimentos estão bem encaminhados já que de todo salário que eu recebi até hoje a metade tenho colocado a juros no banco e acho que agora está chegando a hora de usá-lo. Enzo disse para não me preocupar com ele que ele vai comprar sua casa, mas como eu não quero mais ficar sozinha resolvi por ele que ele iria morar comigo e que se Andrew quisesse também poderia morar com nós dois. Depois de falar com os dois, decidimos que será ótimo para todos, no momento eu comprarei a casa e assim que eles já estiverem estabilizados me ajudarão no que poderem. A casa branca me vem a mente por ser grande e espaçosa, então amanhã mesmo eu verei com Carla se já foi vendida ou não, e se ainda estiver a venda eu farei de tudo para ser minha. Conto para os dois o que tem acontecido ultimamente, sobre minha recente conversa com Jensen e eles apenas concordam que minha decisão foi certa, mesmo Ashley merecendo que eu tirasse Jensen dela. — Minha irmã sempre foi louca por Jensen desde pequenos. Sempre falei para ela que o que ela fazia era loucura, ela ter drogado Jensen foi a pior burrada da vida dela. Mas ela nunca escuta, por isso eu nunca mais falei com ela depois de ir embora para a Espanha. Nunca aceitei que ela fizesse isso com você, até porque você nunca fez nada para ela. Mas ela é louca, sempre falei pro Enzo que tenho até medo do que ela possa fazer por estar nesse estado de loucura. Minha mãe quase nem fala mais com ela pelos mesmos motivos. Ela está louca. — Depois de tudo, até considerei que ela tivesse mudado, mas então ela só piorou? – Enzo fala pensativo sentado ao meu lado no sofá. — Eu já cansei de pensar o que eu fiz para ela ter tanta raiva de mim, mas que eu lembre nunca fiz nada pra ela. Sempre que ela me humilhava em frente a Jensen ele não me deixava fazer nada. Sempre fiquei quieta e escutei calada tudo que ela falava. Mas chega um ponto da vida que a gente cansa de ser pisada, a gente cansa de ser humilhada. Então resolvemos mudar e não deixar que os outros subam em cima da gente por poucas coisas.

— Você está certa. Nessa história quem saiu ganhando ainda foi você. – Andrew fala me olhando do outro lado do sofá. – Depois de tudo que ela te fez você não desistiu de viver, pelo contrário, você se tornou uma mulher incrível. Você é linda e muito inteligente, coisa que Ashley nunca será por causa de suas paranoias. Você é incrível, Lauren.


— Oh, para de cantar minha irmã. Lembra o combinado? – Enzo fala e Andrew cai na gargalhada.

— Desculpa, cara, mas você tá vendo esse mulherão aí? Vai que a cantada cola, né?

Todos rimos e depois da cena resolvemos ir dormir porque eu trabalho cedo no outro dia.

Acordo cedo, me arrumo e vou para o trabalho. Enzo e Andrew ainda estão dormindo. Fiz o mínimo de barulho para não acordar Enzo já que ele dormiu comigo. Por um momento, estou me sentindo mais completa por tê-los ao meu lado. Andrew é irmão de Ashley, mais desde o começo quando ela começou a me incomodar por causa do Jensen ele esteve ao meu lado. Ele e meu irmão são muito amigos e assim que nos mudamos para Nova York eles foram embora para Espanha e desde então quase não nos falamos. Fico muito feliz em saber que ele está do meu lado e não do lado da própria irmã.

Chego ao trabalho e vou direto para o meu escritório. Encontro Clara com um sorriso no rosto quando me vê.

— Bom Dia, Srta. Lauren.

— Bom Dia, Clara. Qual o motivo de todo esse sorriso?

— Tive uma ótima noite ontem. — ela fala e seu rosto cora. Clara e eu nos damos muito bem, mas não temos muita intimidade então é difícil uma contar alguma coisa para a outra. Mas gosto muito dela, sei que seriamos grandes amigas.

— Que bom pra você. Eu até esqueci quando foi minha última noite ótima. Mas tudo bem. — falo sorrindo.

Entro em meu escritório e logo começo a trabalhar. Com o passar das horas, Sr. Ryan me liga e


informa sobre os preparativos para a festa da empresa. Semana que vem seria a festa, mas por motivos pessoais o Sr. Ryan me informa que foi passada para este fim de semana. Os ajustes já estão todos certos e apenas terei que ligar e informar aos nossos melhores clientes. Fico feliz pela firma estar completando seus 25 anos. Posso levar quem eu quiser, então está claro que levarei meus amores. Enzo será meu acompanhante e Andrew acompanhará Laura.

A semana passa rápido e todos ficam empolgados com a notícia da festa. Os meninos topam na hora e Laura fica indecisa se vai na festa ou em uma boate que vai abrir no mesmo dia. Então resolvemos ir à festa primeiro e depois à boate de Laura.

Depois de todos os detalhes acertados, no sábado de manhã decido ir para casa. Chego em casa e nenhum dos meninos está. Decido dormir um pouco porque hoje a noite vai ser longa. Coloco meu celular pra despertar e deito na cama, apagando logo em seguida.

— Acorda, bela adormecida. — Enzo grita em meu ouvido pulando na cama. Acordo assustada e ele começa a sorrir da minha cara.

— Idiota. – falo, jogando meu travesseiro em sua cabeça. Ele ri mais ainda e eu decido levantar. Pego meu celular e olho a hora. Droga, estou atrasada. Saio correndo para o banheiro.

Depois de tomar um banho rápido, volto para meu quarto só de toalha. Coloco um vestido longo azul marinho com calda branca e com um pequeno cinto branco. Puxo meus cabelos para um lado e coloco um colar delicado no pescoço. Faço uma maquiagem leve e me olho no espelho, pego minha bolsa e coloco meu celular e um batom. Chego à sala e encontro os dois rapazes da casa já com seus smokings perfeitamente acentuados em seus corpos. Eles estão perfeitos.

— Nossa, você está um arraso, maninha? — Enzo vem ao meu encontro e segura minha mão erguendo-a para que eu gire.

— Está perfeita. Maravilhosa. — Andrew fala vindo ao meu encontro e me dando um beijo no rosto. — Vamos que precisamos passar pra pegar Laura.


— A verdade é que já estamos atrasados. – falo, passando por eles.

Pegamos meu carro e seguimos até a casa de Laura. Deixei Enzo dirigir meu carro porque confio nele, sei que ele cuida e não deixaria nada acontecer com meu baby. Chegamos em frente a casa de Laura e ela já está na frente nos esperando. Ela entra no carro e todos sorrimos de sua cara nada animada por ter que ir à festa conosco. Foi difícil fazê-la aceitar ir primeiro à festa e depois a sua boate.

Chegamos e o local ainda está vazio, entramos e eu fico na recepção para receber os convidados. Clara e Sr. Ryan chegam logo depois de mim.

— Sr. Ryan, esse é meu irmão, Lorenzo Theodore Crawford. Creio que não o conheceu, pois morava na Espanha — aponto para meu irmão que estende sua mão para o Sr. Ryan.

— Muito prazer em conhecê-lo. Sou Ryan Johnson.

— Esse é o Sr. Andrew Junior Drummond. – falo, indicando Andrew que está ao lado de meu irmão.

— Prazer em conhecê-lo, rapaz.

— Esta é minha... — sou interrompida pelo Sr. Ryan.

— Senhorita Laura. Que bom vê-la novamente. Está maravilhosa. — fala sorrindo dando dois beijos no rosto dela.

— Muito obrigada. O senhor também está todo charmoso. — fala e ele sorri de seu comentário.

— Obrigado pelo elogio, querida. E por favor, me chame de Ryan. Creio que ainda não estou


tão velho para ser chamado de Senhor. — todos sorriram de seu comentário.

— Lorena não virá? — pergunto sobre sua esposa.

— Ah sim. Mas sabe como são as mulheres. Precisam de tempo a mais para se arrumar. Decidiu vir mais tarde com Ethan.

— Ethan virá? — pergunto sem pensar.

— Sim. Por muito Lorena insistiu ele resolveu vir.

— Que bom... — falo e nesse instante começam a chegar alguns clientes. — Com licença, irei receber os clientes. Acompanha-me, Enzo?

— Sim. Vamos? — Ele passa sua mão por minha cintura e seguimos para a entrada.

Todos os clientes que passam por nós elogiam como estou bonita e que fazemos um belo par. Sorrimos e explicamos que somos apenas irmãos. Enzo decide pegar uma bebida e Andrew vem ficar comigo.

— Cansada já de receber convidados?

— Um pouco, são todos meus conhecidos então eles param pra perguntar como estou e essas coisas. Creio que acabou. Vamos tomar uma bebida?

— Ótimo. Estava esperando esse momento.

Vamos em direção a um pequeno local reservado onde tinha as bebidas. Peço um espumante para mim e um para Andrew. O local não fica longe da entrada e assim que o rapaz me entrega


as bebidas me viro para entregar a Andrew, quando avisto Ethan entrar acompanhado por Alex. Eles parecem felizes. Logo atrás avisto Lorena que entra toda sorridente no local. Assim que me vê, ela vem em minha direção atraindo o olhar de Ethan para mim. Ele me encara por alguns minutos e sinto raiva e ódio em seu olhar. Grudo meu braço em Andrew que está encarando de cima abaixo a Alex parada ao lado de Ethan. Droga, a noite vai ser longa.


— Lauren, que linda você está. – Lorena se aproxima sorrindo. — Obrigada, a senhora também está perfeita. — Obrigada, menina. Como estão as coisas por aqui? — Até agora está tudo perfeito. Os convidados estão contentes. – olho para o lado e Andrew está parado olhando para Lorena, então me lembro de apresentá-los. – Lorena gostaria de apresentar meu amigo Andrew. — Oh, muito encantada em conhecê-lo, rapaz. – ela estende a mão para saudá-lo e ele beija sua mão. — Encantado estou eu. — Sabe onde está Ryan? – Lorena direciona seu olhar para mim. — Creio que está perto da mesa de aperitivos com alguns de seus clientes. — Está bem, querida. Vou ver se o encontro. Com licença, queridos. — Fique à vontade. –Andrew a responde. Procuro Ethan na multidão, mas não o encontro. Lembro de seu olhar frio e duro e me sinto tão vazia nesse momento. — Lauren? Está me escutando? — Desculpa, Andrew, estava em outro mundo. — Já sei. Lauren e seu mundo de pensamentos. Mas eu estava falando que por coincidência encontrei uma prima minha aqui na festa.


— Eu sei. Alex, não é? — Como você sabe? — Bom acho que me esqueci de contar sobre meu lance com Ethan, o filho do patrão. E se eu não contei sobre ele então também não contei sobre ela. — Então conta logo. – ele fala curioso. — Tive um lance com Ethan e um dia nos encontramos em um restaurante e descobri que ela era um de seus passatempos. Depois também descobri ser prima de vocês no encontro da casa que comentei com vocês. — Mas que droga, em, parece que as mulheres da minha família sempre arrumam algo para odiar você. Algo não... Arrumam homens. Homens que de certa forma gostam de você. Acho que está virando rotina elas tomarem eles de você. Vai se benzer garota ou então comece a tomar atitudes mais drásticas. — Droga, Andrew. Eu sei, esse é o problema. Eu posso fazer o que eu quiser e mesmo assim elas acabam ficando com eles. — Então para de perder oportunidades. Você não ter aceitado Jensen fez bem pelo bebê que está por vir. Mas Ethan você não pode perder. Corre atrás, não a deixe engravidar e tirar ele de você também. — Você acha que ela vai fazer isso? Engravidar para tirá-lo de mim, assim como Ashley fez? — Se quer saber, não duvido de mais nada sobre as mulheres da minha família. Elas têm provado não gostar nadinha de você e o primeiro passo para segurar um homem seria ter um bebê dele.

— Claro, como não pensei nisso? Ela planejou tudo isso. Engravidar e ter a certeza de que seguraria Jensen. Ela me conhece para saber que mesmo eu amando ele, eu não os separaria se ela estivesse grávida de seu filho.

— Nossa você demorou captar os planos de minha irmã, heim? Assim que você contou tudo que aconteceu na mesma hora seus planos passaram como filme em minha mente. E desculpa em lhe dizer que acho que foi minha ideia essa do filho.

— Por quê? Como assim? Você sabia de tudo?


— Não, claro que não. Porém na última vez que falei com Ashley ela me perguntou umas coisas estranhas. Algo do tipo que se uma menina gostasse de mim e eu não gostasse dela, qual era a única coisa que me prenderia a ela... E com toda certeza eu disse que seria um filho. Óbvio que não sou uma pessoa má, então nunca abandonaria meu filho.

— E foi exatamente o que ela fez para segurar Jensen. Ficando grávida dele, ele nunca abandonaria um filho e ela sabia disso. Você só confirmou.

— Exatamente. Ainda bem que você entende as coisas direitinho. Não gostaria de ter que explicar já que tem uma bela morena me encarando do outro lado do salão. – ele fala e instintivamente meu olhar segue o seu, parando na filha de um grande amigo de Ryan.

— Se eu fosse você, não iria. – Falo e ele me encara.

— Por quê? Conhece?

— Filha de um bilionário amigo de Ryan. Ela costuma sair com todos. Não é o tipo de garota que sirva para você.

— Por que não? Eu não quero casar com ela. E se ela for como você falou, então está ótimo para mim. — Você é um tarado. Tenho pena delas.

— Não deveria ter, você é tão ingênua, Lauren. O mundo hoje está assim. Ninguém quer mais compromissos para se prender alguém. Hoje em dia, todos buscam se satisfizer com a liberdade.

— Está bem, mas eu ainda acho que as pessoas deveriam procurar o amor e não ficar se iludindo com coisas passageiras.


— Não vou ficar discutindo com você. Vou aproveitar minhas ilusões, então. — Vai lá. E bom proveito. Ele sorri com malícia e se distancia, me deixando sozinha. Hoje em dia, as coisas estão tomando rumos tão estranhos. As pessoas já nem casam por amor e sim por dinheiro. Isso quando casam. O mundo está se distanciando de seus velhos costumes.

— Aproveitando a noite? – Laura me assusta.

— Que droga, Laura. Estava pensativa aqui. Nem vi você se aproximar.

— Dessa forma imagino que não percebeu Ethan do outro lado do salão te encarando descaradamente, não é?

— O que? – falo me virando para olhar, mas ela me impede.

— Pelo amor de Deus, como vou te contar algo e você se vira desse jeito sem nem ao menos esperar um minuto.

— Desculpa. Foi por impulso. É verdade? Ele está me encarando?

— Sim, e tem uma Alex não muito contente do lado dele.

— Ótimo. Pois essa noite vai ser de provocações. — Por quê? O que está acontecendo?

— Estou deixando de ser ingênua.

— E quem falou que você é?

— Andrew. Mas não quero falar sobre isso.


Continuo bebendo e cumprimentando alguns clientes que vem me saudar. Não procuro por Ethan no meio da multidão e nem me preocupo em esbanjar charme pra cima de alguns clientes que jogam cantadas para cima de mim. Certo momento da festa, o Sr. Ryan pede para que eu me apresente no centro da pista de dança e logo em seguida o vejo chamar Ethan para comparecer no centro da pista junto comigo. Ele informa que dedicará essa musica à empresa e pelo fato de ser sua funcionária preferida e Ethan ser seu filho, além de seu funcionário, ele escolhe nós dois para representar a dança pela empresa.

Ethan que está parado na minha frente com seu olhar travado no meu, começa a se aproximar. Uma música lenta começa a tocar e ele segura em minha mão. Não falo nada e ele também não. Ficamos perdidos em pensamentos por alguns minutos, então percebo que estamos encarando um ao outro. Disfarço e olho para outro lado longe de seu olhar.

— Você está muito bonita. – ele fala e sua voz atrai meu olhar rapidamente.

— Obrigada... Você também. – falo sem jeito.

A música termina e nos separamos. Sou chamada para fazer agradecimentos em nome da empresa. Meu discurso é rápido. Agradeço a todos que estiveram sempre presentes incentivando a empresa e dando seu apoio sempre que preciso. Agradeço a todos os funcionários presentes pelo seu trabalho e esforço que tem levado a empresa ao status em que ela está atualmente. Elogio a família Johnson por sempre ser amável e apoiar seus funcionários e todos aplaudem, então desejo um brinde pela empresa e depois de brindar todos aplaudem e desço recebendo os parabéns pelo belo discurso. Sorrio amavelmente para todos e sigo em direção a mesa que estamos.

— Vamos para a boate agora? – Laura fala assim que terminamos de jantar.

— Daqui a pouco. – falo para ela.

— Se vocês não forem eu já vou. Essa festa está muito chata e tenho que passar em casa pra trocar de roupa. – ela fala e, pensando bem, também vou ter que trocar essa roupa. Esse vestido


é muito longo para uma balada.

— Tudo bem, vamos nos despedir do Sr. Ryan e podemos ir.

— Graças a Deus. – ela fala levantando e os meninos começam a gargalhar de seu jeito.

Despedimo-nos deles e seguimos reto para minha casa. Troco de roupa colocando um vestido tomara que caia preto com babadinhos embaixo. Ergo meu cabelo em um coque e pego uma bolsa rosa colocando um batom e meu celular. Coloco meu salto agulha aberto na frente e sigo para sala.

— Vamos?

— Tá gatinha, em? –Enzo fala me olhando de cima abaixo.

— Tá é muito gostosa. – Andrew fala olhando para minhas pernas.

— Para com isso. – falo puxando meu vestido para baixo e eles soltam uma gargalhada pelo meu jeito.

— Que isso, beleza como a sua foi feita para ser admirada. – Andrew fala. – Vamos que temos que pegar um táxi e passar pela casa de Laura.

— Está bem.

Laura está usando um vestido cinza claro de uma manga só. Ele é bem curto e muito bonito.

Seguimos para a balada e o local está cheio de gente. Desviamos de alguns e seguimos para a área vip que Laura conseguiu para nós. Sentamos em uma mesa e logo o rapaz vem perguntar


o que iremos beber. Andrew pede enquanto eu olho ao redor do local. Não vejo nenhuma pessoa conhecida então logo relaxo. Nossas bebidas chegam e logo viro o copo que contém tequila. Desce queimando minha garganta, mas não ligo. Depois de algumas doses, resolvemos ir dançar.

O som está alto e dos alto-falantes sai a voz de Calvin Harris cantando Summer. Dançamos igual loucas. Enzo e Andrew já acharam companhias e dançam ao nosso lado com duas belas loiras.

Essa noite não gostaria de ser a garota ingênua que Andrew me fez admitir ser. Hoje à noite, quero ser a garota que todos querem, mas que nem todos podem ter. Hoje, sou eu quem vai escolher com quem quero ficar. Alguns rapazes se aproximam de mim, mas eu não os quero.

À minha frente encontro um rapaz moreno me encarando. Sorrio para ele que retribui meu sorriso. Já escolhi, ele será o meu passatempo por essa noite. Ou assim eu imagino.


Ele se aproxima de mim com um sorriso no rosto. Acho que me apaixonei. Seu sorriso é perfeito e eu fico igual boba encarando sua boca. — Olá, gata. Está sozinha? — Oi, creio que agora não mais. – ele sorri. – E você? — Creio que irei fazer companhia para você. Moças bonitas como você não merecem ficar sozinhas. — Que bom que agora já tenho companhia. Vem vamos dançar. – seguro em seu braço e o puxo para mim. O primeiro passo para deixar de ser ingênua é ser ousada. Então, essa noite serei ousada. Dançamos colados a cada música e eu realmente me divirto com ele. Ele cheira muito bem, um cheiro suave de sabonetes e perfumes caros. Suas mãos passam por meu corpo e aquilo já está me deixando excitada. Ele realmente sabe conquistar uma mulher. Depois de beber algumas bebidas voltamos para a pista de dança e eu já estou entregue a este novo homem que nem sei o nome. Olho para todos na pista de dança e avisto do outro lado da pista Ethan dançando com Alex, é o que me falta para essa noite. Resolvo ignorar e aproveitar com o novo moreno. Começo a me esfregar nele rebolando de cima abaixo e percebo que ele já está me acompanhando no embalo da música. Viro-me para ele e ataco sua boca. Ele tem os lábios macios e grossos. Seu hálito quente com sabor de menta invade minha boca e por alguns minutos eu quero só estar ali e senti-lo. Ele parece ser diferente, parece sentir o que eu preciso e me beija com força e desejo. De repente, sou empurrada e vejo, em câmera lenta, Ethan dar um soco na cara do rapaz que desvia de seu soco tão rapidamente que fico paralisada encarando os dois. Quando percebo, o moreno está dando socos na cara de Ethan e me obrigo a entrar no meio. — Para, por favor. – falo olhando para o moreno, e olho para Ethan que está com um pouco de


sangue saindo de sua boca. – Por que estão fazendo isso? — Você o conhece? – os dois perguntam na mesma hora. — Sim, eu conheço, esse é Ethan. – falo apontando para Ethan. – E esse é... – percebo que ainda não sei o nome dele. — Sou Henry. — Sim, Henry. – falo decorando seu nome. – E você, Ethan? Por que fez isso? — Você nem conhece ele e estão quase se comendo no meio da pista? O que você pensa que está fazendo, Lauren? — Está certo. Não o conheço, mas pretendo conhecer. – falo piscando para ele. Ethan me olha incrédulo pela minha reação. – E se quer saber, não interessa. Vamos sair daqui, Henry? — Só se for agora. – ele fala segurando minha cintura e passando por Ethan. Alex aparece encarando toda a cena. — O que está acontecendo aqui? – escuto ela falar e não resisto sair sem provocá-la. Paro e me viro encarando-a. — Deixa que eu explique. – falo erguendo minha mão para Ethan, o fazendo ficar quieto. – Eu estava aproveitando minha noite com esse rapaz maravilhoso já que se bem me lembro estou solteira, e o seu querido namorado veio dando socos em Henry. Por simplesmente estarmos dançando. Dá pra acreditar?

— Vocês estavam se comendo na pista de dança! – Ethan fala me olhando irritado.

— E daí? Que eu me lembre estou solteira e faço o que eu quiser.

— Isso é verdade, Ethan? – Alex fala encarando ele.

— Não começa, Alex. Nós nem estamos juntos, então nem vem com ataque de ciúmes.

— Você falou que ia esquecer ela. E eu te deixo sozinho por um minuto, você já está nos pés dela novamente.


— Acho que você não está muito confiante de si mesma. – falo provocando. – Deveria confiar mais em seu parceiro.

— Eu e ela não estamos juntos! – Ethan exclama, ficando nervoso.

— Isso não vem ao caso. E se quer saber, não me interessa.

— Precisamos conversar, Ethan Johnson. Agora! – Alex fala e eu tenho vontade de soltar uma gargalhada de sua cara de idiota nervosinha.

— Bom, creio que devemos ir embora, não é, Henry? Temos uma longa noite pela frente. – falo e olho piscando para os dois parados na minha frente.

— Estou te esperando, gata. – Henry fala e Ethan me encara com cara feia.

— Boa noite. – falo e Henry coloca sua mão novamente em minha cintura. Ethan me segura e me puxa para ele rapidamente.

— Por favor, não vai. Precisamos conversar.

— Creio que não é uma boa hora para isso, se não percebe, estou ocupada. – falo apontando para Henry que continua ali me esperando. Ele pisca pra mim e eu mando um beijo no ar para ele.

— Para com isso, Lauren, você está bêbada. Vai se arrepender amanhã pela manhã. Venha, vamos conversar. – me solto de suas mãos.

— Deixa-a ir, Ethan. Ela já deixou claro que está fazendo porque quer.


— Isso, escuta sua namorada. Deixe-me ir e aproveitar minha noite.

— Mas que droga, Lauren, ela não é minha namorada.

— Não me interessa. Era com ela que você estava todos esses dias que tentei te ligar e você não atendia. E se quer saber? Vai se ferrar. Você, ela e todos que aparecem em minha vida e depois desaparecem me deixando arrasada. E agora se me der licença, estou indo embora.

Seguro na mão de Henry e o puxo para a porta de saída. Escuto Ethan vir atrás de nós resmungando, mas decido ignorar ele.

— Você veio de carro? – pergunto para Henry.

— Sim, vou buscar. Espera-me dois minutos.

— Você tem um minuto, antes que aquele louco me alcance e eu pegue um táxi e suma daqui.

— Certo, um minuto.

Ele sai correndo no meio do povo e eu fico parada em frente à boate. Esqueci de falar para Laura que estava indo embora, então resolvo ligar.

— Onde você está? – ela fala do outro lado da linha assim que atende.

— Aqui do lado de fora da boate. Rolou um barraco entre Ethan e um rapaz que eu estava dançando.


— Como assim?

— Estou indo embora com um moreno do sorriso que molha as calcinhas, então não me procure amanhã. Avisa aos meninos para eles não colocarem fogo na casa até eu voltar.

— Lauren, me explica o que está acontecendo agora. Que rolo é esse?

— Amanhã te conto, ou depois de amanhã. Sei lá, quando eu estiver livre e satisfeita eu te ligo.

— Lauren... – ela fala e eu desligo antes de escutar o que ela vai falar.

Henry aparece com um lamborghini gallardo preto e eu fico parada boquiaberta observando seu carro.

— Entra logo que o cara louco está quase atrás de você. Sem olhar para trás, eu entro no carro e escuto Ethan chamando meu nome, mas Henry arranca com o carro e eu começo a sorrir com tudo que acabou de acontecer. Acho que estou ficando louca, mas não ligo.

Seguimos o caminho todo sem dizer uma palavra, ele adentra em um condomínio muito famoso por ser só de pessoas ricas e eu observo tudo calada. Ele adentra em uma mansão e estaciona na garagem.

— Você quer realmente isso? – ele pergunta me encarando. Fico em silêncio por uns minutos observando como ele é bonito. Seu rosto é perfeito, as maçãs do rosto são fofinhas e sua barba por fazer o deixa mais atraente. Tem um sorriso perfeito. Epa... Será que eu tô me apaixonando por um cara que nem conheço? Não, acho que estou bêbada demais, isso sim. – Ei, você está aí?

— Oh sim, pode crer que eu quero tudo que seja de você. – ele me encara por alguns segundos pensando no que falei. – Oh, mas com toda certeza não quero seu dinheiro. Não se preocupe. Agora, usufruir de todo seu corpo, isso eu não posso recusar.


Ele me olha com uma cara safada e desce do carro. Saio do carro e ele segura em minha mão direcionando para dentro da casa.

A casa é bem grande e ele me guia para a parte do segundo andar onde estão os quartos. Entramos em um quarto grande com uma cama de casal no meio e dois criados mudos um de cada lado da cama. Os móveis da casa são todos brancos e têm alguns detalhes em marrom escuro, o quarto também contém os mesmos tons de branco e marrom.

Antes que eu fale alguma coisa, ele me ataca e devora minha boca, tão pouco tempo e eu já estou me acostumando com seus beijos quentes. Entrego-me a seus beijos, ele começa a tirar meu vestido, puxa o zíper do lado e o vestido vai para o chão. Por ser um vestido que contém bojo, não estou usando nenhum sutiã e ele fica encarando meus peitos.

— Creio que você está com muita roupa. – falo e começo a tirar sua camisa e depois sua calça.

Posso estar bêbada, mas depois de me entregar para ele, um desconhecido que nunca tinha visto antes, me sinto satisfeita deitada em seus braços depois de um sexo muito selvagem e cheio de puro desejo. Fico pensando que, por um momento, eu não imaginei nem Ethan e nem Jensen. Eu apenas me entreguei e aproveitei o momento com meu novo companheiro de cama.

Nunca fiz isso em minha vida, mas confesso que não me arrependo e nem me arrependerei de ter um dos melhores sexos de minha vida com um desconhecido. Ele sabia onde me tocar, o que facilitou muita coisa. Ele nem me conhece e sabe exatamente o que eu preciso para me satisfazer. Esse homem só pode ser um galinha por conhecer exatamente onde tocar nas mulheres sendo a primeira vez que o faz.

Meus pensamentos voam e eu acabo adormecendo em seus braços.

Acordo no outro dia com um peso em cima de mim. Olho do meu lado e um moreno perfeito está dormindo com suas mãos em volta de mim.


— Onde estou? – pergunto baixinho, encarando o local desconhecido. As imagens me vêm em mente de tudo que aconteceu ontem e eu me deito novamente na cama com a mão na testa. – Droga... Estou ferrada.


Tento tirar seu braço de cima de mim com cuidado para que ele não acorde. Saio procurando um banheiro. Na primeira porta encontro outro quarto, um pouco menor que o que estávamos, sigo pelo corredor e abro outra porta me deparando com outro quarto. Olho para o corredor e tem mais três portas, vou em direção à última, pois imagino que ela deve ser o banheiro, mas me deparo com outro quarto. Onde estão os banheiros desta casa? Volto para o quarto e Henry ainda está dormindo. Olho para os lados e tem duas portas que não tinha percebido quando sai do quarto, vou em direção a uma delas e me deparo com um closet, está cheio de roupas masculinas, ternos, sapatos sociais, camisas e gravatas de todas as cores. Dou meia volta e vou em direção a outra porta. Por fim é um banheiro. Faço minha higiene e volto para o quarto. Pego meu celular e me deparo com 20 ligações das quais 19 são de Ethan e uma é de Enzo. Creio que Ethan deve estar pegando fogo de tanta raiva de mim, mas eu não ligo. Cansei de correr atrás dele. Nenhuma vez ele atendeu minhas ligações ou respondeu minhas mensagens e agora vem querer ter ciúmes de mim? Ele que não venha com esses joguinhos pro meu lado. Henry tem o sono profundo e ainda não acordou, sento ao seu lado e fico observando-o dormir. Ele é bonito, tem traços marcantes. Não me arrependo de ter ficado com ele, mas não sei como reagir quando ele acordar. Não quero ter mais problemas em minha vida, então decido ir embora antes que ele acorde. Deixo um bilhete em cima do travesseiro em que dormi. “Obrigada pela noite maravilhosa, Henry, espero poder encontrar com você outra vez. Beijos... Lauren C.” Saio da casa sem olhar para trás. Pego um táxi fora do condomínio e retorno para casa. Chego em casa e ligo para Enzo que logo me atende. — Tá em casa? — Sim. — Abre a porta. A porta se abre depois de alguns segundos e logo aparece um Enzo todo descabelado.


— Onde você estava, senhorita Lauren? — Estava me divertindo um pouco. Não posso? — Pode, mas você sumiu e não atendeu minha ligação. — E você acha que em qual parte da minha diversão eu iria ficar olhando para o celular? — Tá legal. Entra logo e vai tomar um banho, você tá toda descabelada. — Eu imaginei. Não deu tempo de me arrumar por completo na casa de Henry. — Quem é esse Henry? De onde você o conhece?

— Por favor, ataque de ciúmes agora não. Mas a verdade é que eu nem conheço ele.

— Como você não conhece o cara e já sai com ele assim, sem mais nem menos, Lauren? Quantas vezes já conversamos sobre isso?

— Milhares... Mas e daí? Foi só uma noite.

O celular dele começa a tocar. E ele olha sério para o celular e depois para mim.

— Ainda não terminamos essa conversa.

— Claro que já, a casa é minha e você está aqui como meu convidado então não venha querer mandar em mim.

— Sou mais velho que você então nem começa. Você tem que me obedecer.

— Jamais. – falo e saio correndo para meu quarto.


— Lauren, volta já aqui.

Eu começo a gargalhar e tranco a porta. Enzo sempre quis mandar em mim. Por ele ser mais velho, sempre teve o posto de "Eu sou mais velho então me obedeça" e eu adoro provocar ele.

Tomo um banho bem demorado e só depois saio do quarto, vou até a cozinha e preparo um sanduíche. Andrew ainda deve estar dormindo porque até agora não o vi e Enzo pelo jeito saiu de casa, pois não o encontrei em lugar algum.

Depois de comer lavo a louça e recebo uma ligação.

— Lauren, eu tive que sair pra ver um negócio, mas estou ligando para pedir um favor.

— Diga.

— Um velho amigo meu está morando aqui em Nova York e assim que falei com ele hoje cedo ele decidiu vir me encontrar. Poderia aumentar o almoço?

— Tudo bem, ainda não sei o que fazer mesmo. Ele é enjoado com comida?

— Não, faz o que você quiser que ele come de tudo.

— Está bem.

— O nome dele á Augustus, se eu não chegar a tempo em casa, recebe ele e diz para esperar que não vou demorar.

— Ok.


Ele desliga o telefone e eu vou arrumar a casa. Um minuto que você deixa dois homens sozinhos, eles conseguem tirar tudo do lugar. Depois de limpar toda a casa, decido fazer o almoço. Farei algo diferente, reviso minha geladeira e não encontro nada que gosto. Ligo para Enzo.

— Posso pedir pizza? Esqueci de ir ao mercado ontem.

— Pode ser. Escolhe aí o sabor.

— Tudo bem.

Ligo para um restaurante e peço para entregarem aqui, perto do horário do almoço.

Decido ir deitar um pouco, passo pelo quarto de Andrew para verificar se ele está vivo, mas ele não está, deve ter saído também. Sigo para meu quarto e me deito, ligo o play em um álbum que eu gosto do meu celular e fico escutando música. Fico perdida em pensamentos enquanto escuto músicas. Olho para o relógio e já está dando meio-dia, então resolvo levantar e deixar a mesa arrumada.

Depois de arrumar a mesa me sento no sofá, a campainha toca e eu vou atender pensando que é o cara das pizzas. Assim que abro, me deparo com Henry parado em minha porta. Ficamos nos encarando. Mas que merda ele tá fazendo aqui? — O que você está fazendo aqui? Como conseguiu meu endereço?

— Espera aí... Vai me dizer que você é a irmã do Enzo? — ele pergunta, me olhando de cima abaixo.

— Sim. Por quê?

— Só perguntando. — ele fala meio confuso.


— Como sabe que ele é meu irmão?

— Eu sou o amigo dele que ficou de passar aqui. Ele me avisou que sua irmã me receberia. Mas jamais imaginei ser logo você.

— Por quê? Qual o problema em ser eu?

— Nenhum. É que você saiu sem se despedir hoje cedo e não deixou nenhum número pra te ligar. Pensei que nunca mais te veria.

— Desculpa. Entra aí pra conversarmos.

Ele entra e observa cada detalhe da minha casa, acho que é por ser bem inferior à dele. Seguimos para a sala e ele se senta no sofá, sento-me de frente para ele.

— Como conheceu meu irmão? — pergunto tentando evitar falar do que aconteceu noite passada.

— Isso não vem ao caso agora. Quero saber por que saiu de minha casa sem nem se despedir. — ele fala e eu fico paralisada sem saber o que responder.

— Eu não sei. Apenas queria evitar constrangimentos. — ele fica me observando e eu fico sem jeito. — Foi a primeira vez que saí com um alguém totalmente desconhecido. Eu não sabia o que fazer quando você acordasse. Então resolvi vir embora.

— Você não precisava ter fugido. Eu não faria nada de mal para você.

— Como eu iria saber? Eu nem te conhecia.


— De qualquer forma. Creio que não dei a entender que te sequestraria ou coisa do tipo. — ficamos em silêncio nos encarando.

— Desculpa. — falo sem jeito.

— Bom, está certo. Não se pode confiar em qualquer um. Você deveria pensar melhor antes de fazer essas coisas.

— Foi a última vez. Jamais vou fazer coisas que me arrependa depois. — falo sem pensar.

— Quer dizer que se arrepende da noite que esteve comigo? — ele pergunta sério, sentando mais na ponta do sofá.

— Sim... Quer dizer, não. — fico pensando um pouco e ele me encarando. — Com toda certeza, não.

— Então o que quer dizer?

— Quero dizer que me arrependo de sair com um estranho.

— Bom, se não se arrepende, então tudo bem. Por que agora já não sou mais um estranho, não é?

— Bom... Ainda não te conheço. A não ser que você me disse que seu nome é Henry e meu irmão falou que seu nome é Augustus. Agora estou meio confusa pensando que, sim, você é um completo estranho. Que eu não te conheço, porém já dormi com você.

— Deixe que eu me apresente, e em momento algum pense que eu menti pra você. Jamais


mentiria pra uma mulher tão linda. — ele fala e dá um sorriso de canto que eu amoleço no sofá. — Meu nome é Henry Augustus Ferreira. Muito prazer em conhecê-la. — ele estende sua mão.

— Prazer. — seguro sua mão e sorrio. — Lauren Crawford.

— Encantado.

Ficamos sem reação nos encarando. Seu corpo musculoso chama por mim e eu não consigo resistir sem encarar seu belo peitoral. Percebo que ele também me encara. Quando vejo já estou em cima dele no sofá, agarro seu pescoço e o beijo com vontade. A verdade é que senti falta dessa boquinha malcriada.

Ele percorre meu corpo com suas mãos me deixando louca. Quando estamos prestes a fazer sexo em meu sofá, escuto a voz de Enzo chegando perto da sala. Separamo-nos com tudo e olhando em direção a porta encontramos um Enzo boquiaberto nos encarando. Fico sem reação assim como Henry que está ao meu lado.

— Seu desgraçado, eu falei para ficar longe das minhas irmãs. – quando vejo Enzo está pulando em cima de Henry e eu fico mais ainda sem reação.


Eles estão se pegando no sofá e eu entro no meio para interferir. — Vocês dois querem parar? – grito com os dois. Enzo solta Henry e eu o seguro afastando-o de Enzo. — Nossa, que recepção, heim, cara. – Henry fala dando risada. — Cala boca. De onde você o conhece, Lauren? — Era com ele que eu estava ontem à noite. — O que? — ele olha furioso para Henry que logo começa a se explicar. — Em momento algum, você disse que ela era sua irmã. Eu não a conhecia e ela não falou o sobrenome. Jamais saberia que justo ela era sua irmã. Eles se encaram por alguns minutos e logo a campainha toca, deve ser as pizzas. — Enzo, vai buscar as pizzas. — Vai, você. – ele fala ainda encarando Henry. — Enzo. – Grito com ele e ele me encara. – Vai abrir a droga da porta. — Ok. – ele fala e sai em direção à porta. Espero ele sair da sala e grudo no pescoço de Henry dando um beijo nele novamente. — Depois continuamos. – falo sorrindo e ele pisca de uma forma safada para mim. Lembro das piscadas que Jensen me dava quando estávamos juntos. Enzo volta com as pizzas nas mãos e uma cara nada agradável. — Bom, vamos comer. – falo sorrindo animadamente.


— Precisamos conversar. – Enzo fala olhando para Henry. — Vocês terão o dia todo para isso. Vamos comer e explico como conheci Henry. Eles concordam e seguem para a cozinha atrás de mim. Sentamos à mesa e logo reparto a pizza colocando um pedaço em cada prato. Sento em minha cadeira no meio dos dois e começo a comer. — Estou esperando sua explicação. – Enzo fala. — Poxa, você não vai me deixar comer em paz, não é mesmo? – ele fica me encarando e percebo que sua resposta é não. — Estávamos dançando, eu avistei Ethan do outro lado da boate com Alex então resolvi achar alguém para dançar comigo. Você e Laura tinham voltado para a mesa e eu estava sozinha quando Henry apareceu em minha frente me encarando. Decidi que sairia com ele. Bebemos bastante e começamos a dançar grudados um no outro. Ethan deve ter nos visto e não gostou nadinha, ele chegou empurrando Henry que logo se defendeu. – falo depressa e dou uma garfada em minha pizza. Os dois estão focados em mim nesse instante. — Quem é esse Ethan? – Henry pergunta curioso. — Depois explico, continuando... Acabou rolando uma briga entre os dois e depois eu provoquei Alex e daí fomos para casa de Henry onde tive uma noite maravilhosa. Hoje pela manhã sai de fininho, pois não o conhecia e fiquei constrangida em como falar com ele quando ele acordasse. Então saí da casa dele sem me despedir e vim embora. Por uma coincidência ele apareceu hoje na minha porta dizendo ser esse seu amigo que estava para chegar. Fim. — Lauren, como você sai com alguém que nem conhece? Você está ficando louca? — Ah, para com isso. Eu ia conhecê-lo hoje, então pega leve. — Mesmo assim, você não o conhecia quando saiu com ele ontem à noite. — Está bem, eu sei que não agi da forma certa, mas já passou e não vai mais acontecer. – falo olhando para ele que em encara. Logo depois de comer, Henry foi embora e eu fui reto para meu quarto, não queria discutir mais ainda com Enzo. A semana passou rápido e depois do meu encontro no sábado com Henry não o tenho visto mais. Creio que Enzo o proibiu de chegar perto de mim.


Hoje é sexta-feira e Carla me informou que Jensen comprou a casa branca dos meus sonhos, não pude deixar de imaginar que ele está morando com Ashley nesse exato momento na casa que eu gostaria que fosse minha. Uma tristeza entra em meu coração e eu não consigo admitir que depois de tudo que aconteceu eu ainda gostaria de acordar e dizer que isso foi um sonho, gostaria de estar ao lado dele. Ele sempre me entendeu como ninguém. Penso que o destino às vezes prega peças em nossas vidas que servem para refletir sobre nossas decisões. Minha vida teria sido diferente se eu tivesse perdoado ele naquela época. Mas jamais conseguiria e ele sabia disso. O telefone toca na minha mesa e eu volto à realidade. — Sim, Clara. – falo esperando sua resposta do outro lado da linha. — Srta Lauren, o Sr. Ethan está aqui e deseja conversar com a senhorita. Posso mandar entrar? — Sim, Clara, fala para ele entrar. Ethan entra em minha sala com uma cara nada agradável e senta em minha frente. — Bom dia, Ethan. – falo naturalmente. — Bom dia, Lauren. Vim aqui no escritório porque precisamos conversar. — Pode falar. Estou ouvindo. — Por que você não atendeu minhas ligações no sábado e no domingo? — Desculpa, não acho que eu deva me explicar para você. — Você não só deve como está obrigada a se explicar. O que está acontecendo com você? Você nunca foi de sair com desconhecidos. — Quem falou que ele é um desconhecido? — Claro que ele é. Você o conheceu lá na festa. — Como você sabe? — Eu estava te observando o tempo todo. — Que mentira. Você estava era aproveitando a noite com sua namoradinha Alex. – falo cuspindo as palavras. — Eu já falei que não somos namorados. Eu fiquei sabendo que você estava na festa e fui lá para cuidar de você. — Ah sim, daí a Alex chegou e você acabou se desconcentrando de mim e se concentrou nela.


– falo de forma ignorante. Ele dá a volta na mesa e vem ao meu encontro, gira minha cadeira e se ajoelha na minha frente. Observo-o calada, seus olhos penetram os meus e um momento de silêncio paira no ar.

— Desculpa se eu agi como criança aquele dia não te dando a devida atenção. – ele começa a falar e abaixa sua cabeça. – Não posso ver você perto de Jensen. Algo em mim diz que você nunca será minha, que eu já te perdi. Entra um desespero em mim e eu perco o controle de como agir.

— Você nunca vai me perder. Não importa o que aconteça. Eu sempre vou te amar. Seja como meu amigo ou algo mais.

— Então, é isso. – ele fala e me encara com um olhar triste. – Você só me vê como seu amigo e nada mais.

— Não posso dizer que te amo, Ethan. Eu estaria mentindo. – falo e ele se levanta.

— Você o ama, não é? Você sempre o amou!

— Desculpa. Eu não posso mudar o que sinto.

— Você pelo menos tentou gostar de mim? – Ele pergunta focando seu olhar no meu.

— Sim. Eu tentei, mas quando amamos alguém é difícil esquecê-lo e se apaixonar assim tão rápido por outra pessoa. Eu queria tanto te amar. – falo pensativa. – Talvez se eu te amasse não seria tão difícil.

— Então me ame. Vamos nos casar, ter filhos. Eu sei que posso te fazer feliz. – ele fala e lágrimas vem ao meus olhos por ver o quanto eu decepciono ele.


— Desculpa, eu não posso. Eu juro que gostaria, sei que você me faria feliz. Mas não posso! Eu não te amo, não ficarei com você só por me sentir mal por você gostar de mim. Você vai achar alguém que te ame. Sei que vai.

— Mas eu não quero. Quero você, droga. – ele fala e se ajoelha na minha frente novamente, vejo as lágrima escorrerem de seus olhos e acabo deixando as minhas escaparem.

— Me perdoa. Não foi justo te trazer para minha vida dessa forma. Jamais gostaria de te ver assim, sofrendo por mim. Foi você quem me ajudou quando eu sofria por Jensen. Não me faça sentir culpada por não te amar. Isso já me machuca demais, saber que não consegui te amar depois de tudo que você fez para mim.

— Eu fiz o que qualquer um teria feito. Você é linda e não merece o que Jensen fez para você. Mas a verdade é que eu estava com Alex para saber sobre o seu passado com Jensen. Ela é prima de Ashley e sabe de todos os podres da prima. Tenho uma má notícia para te dar com respeito a essa gravidez.

— Por quê? O que aconteceu?

— Esse filho nunca foi de Jensen. – suas palavras são confusas em minha mente e eu tento entender o porquê dele dizer isso. – Ashley armou para Jensen quando soube que ele viria te procurar. Ele jurou que um dia ia te encontrar novamente e que se casariam e teriam filhos, depois que você foi embora. Ela não aceitou sua decisão e engravidou de um primo dela para dizer que o filho era de Jensen. Ele não suspeitou por que na noite em que eles se encontraram no barzinho ele bebeu demais pensando em você e perdeu a consciência. Ela falou para ele que os dois dormiram juntos e meses depois ela informou que estava grávida.

— Eu sabia que aquela vaca faria de tudo para tirar ele de mim. – falo nervosa absorvendo toda a informação.

— Não iria te falar isso, mas já que você realmente ama esse cara e até hoje não o esqueceu, então se não posso ficar com você pelo menos quero que seja feliz. Não importa o que ele tenha feito, vocês até hoje se amam. Dê uma chance para esse amor.


— Obrigada. – falo passando a mão em seu rosto. – Espera, ele já sabe de tudo isso?

— Não, mas vai ficar sabendo. Eu fiz Alex prometer contar toda a verdade para ele ainda hoje se ela queria realmente ter algo comigo. Sabia que você não me daria essa chance de te fazer feliz, então falei com ela para ela mudar. Sua prova de mudança seria esse primeiro passo. Contar a verdade para Jensen.

— Óbvio que ela aceitaria. Tiraria de vez eu da sua vida e você ainda daria uma chance a ela. – falo pensativa.

— Isso mesmo. – ele fala e ficamos nos encarando. Sorrio para ele que devolve um sorriso para mim.

Abraço ele com toda minha força e acabamos caindo no chão. Soltamos uma gargalhada ao mesmo tempo pela cena que estamos fazendo. Os dois no chão se matando de rir. Deito do lado dele e olhamos para o teto. Penso em tudo que aconteceu e olho para ele que está com seus pensamentos longes também.

— Obrigada. Obrigada por tentar me fazer feliz.

— Você merece toda felicidade do mundo. Agora vamos levantar antes que alguém entre em seu escritório e nos pegue aqui no chão. Irão pensar coisas que não são verdade. Mas bem que poderia, não é? – ele fala e eu dou uma gargalhada de seu jeito safado.

— Você não tem jeito, não é? Vamos, me ajude a levantar. Ele se levanta e estende sua mão para mim, levanto a tempo da porta abrir e o Sr. Ryan entrar.

— Bom dia para os dois.

Clara aparece atrás com uma cara de preocupação, e ergue as mãos em sinal de que está pedindo desculpas. Ninguém segura o Sr. Ryan.


— Bom dia. – Ethan e eu respondemos juntos.

— Srta. Lauren, vim informar que a viajem ao exterior foi marcada para semana que vem.

— Que ótimo, Sr. Ryan, só tenho uma péssima notícia para lhe dar. Houve um imprevisto e terei que enviar Ethan em meu lugar. – falo olhando para Ethan piscando e ele me encara incrédulo. – Sei que o senhor gostaria que eu fosse nessa viajem, mas creio que seu filho está mais que apto para fazê-la. Ele tem se saído um dos melhores vendedores de toda a Johnson. Ele saberia lidar muito bem com os novos contratantes.

— Bom, sendo assim, confio plenamente em você. Lauren. Se acha que Ethan está apto para esse trabalho. Fico contente em ver o esforço do meu filho por nossas empresas.

— Obrigado, pai.

— Tenho que resolver alguns papéis com a Carla sobre à casa que ela vendeu, depois ela vai trazer para você assinar.

— Tudo bem.

— Até mais. – ele fala se retirando da sala.

— Espera, pai, eu te acompanho. – Ethan fala e olha para mim. – Até mais, Lauren, e boa sorte com aquele assunto.

— Obrigada mais uma vez. –falo sorrindo para ele que logo segue atrás de seu pai.

E eu fico em minha sala perplexa com tanta informação para absorver.


Depois de passar o resto do dia pensando no que Ethan falou decido ir para casa. Sei que agora admiti amar Jensen até hoje, mas tenho que dar um tempo para que ele resolva os problemas que tem com Ashley para podermos dar continuidade ao nosso relacionamento. Chego a casa e vou direto ao meu quarto, não encontro os meninos na sala o que acho estranho, mas decido ignorar. Tomo um banho bem demorado e sigo para meu closet, coloco um vestido rodado até o joelho e uma rasteirinha. Vou em direção a cozinha, preparo um copo com cereal e leite e sigo para a sala. Sento no sofá e ligo a TV em um canal de culinária. Minha mente voa para a época em que eu namorava Jensen. Sabe quando você gosta de uma pessoa, porém não consegue achar a melhor forma de dizer a ela o quanto ela é importante para você? Quando a pessoa que você mais gosta esteve tanto tempo longe de você e quando você a vê, você não consegue falar o quanto ela fez falta, o quanto você esteve sozinha sem tê-la por perto? Era assim que eu me sentia quando Jensen não estava ao meu lado. Aquele amor ainda existe em mim, aquele sentimento de saber que o sábado estava chegando e que ele viria me visitar em minha casa. A ansiedade corria solta em meu peito e só quando ele chegava em minha casa que eu conseguia me controlar. Ele me abraçava e me dava um beijo, e eu sabia que não importava o que iria acontecer em minha vida, ele estar ao meu lado era o que importava. Percebo que estou chorando emocionada por pensar que aquele mesmo sentimento ainda está em mim, e que depois de pensar nele sinto-me como uma adolescente que espera pelo namorado que está por chegar a minha casa a qualquer momento. Engraçado como a vida da voltas, não é? Nosso namoro era perfeito demais e eu sempre tive medo de que um dia ele fosse acabar. Quando a vida está perfeita demais sempre acontece algo para destruir sua vida e te deixar na miséria. Eu e Jensen éramos muito felizes. Tínhamos planos para o futuro, faríamos faculdade, casaríamos, teríamos filhos que seriam frutos do nosso amor. Mas o destino nos separou por uma simples bobeira, e hoje, depois de tanto tempo, aqui estou eu sentada em meu sofá chorando e esperando o momento em que Jensen


entrará pela minha porta e me segurará em seu colo, o momento em que ele me beijará e eu saberei que tudo ficará bem. Mas as coisas não acontecem como queremos, ele não vem me abraçar e beijar, então resolvo deitar, já que nenhum dos meninos estão em casa. Apago no instante em que deito em minha cama, o dia foi bem corrido e cansativo que nem penso em muita coisa e já estou dormindo. Acordo mas cedo que o normal. Tomo um banho e vou até a cozinha, estranho que Enzo não dormiu em casa, mas creio que ele deve estar com alguma garota. Ele tem estado estranho ultimamente, mas não quero ser intrometida e ficar em seu pé toda hora para saber o que está acontecendo. Depois de tomar meu café, sigo para o quarto e me arrumo para o trabalho, faltam alguns minutos, mas decido ir para não chegar atrasada. O escritório ainda está meio vazio, então passo reto e vou para minha sala, encontro Clara se arrumando em sua cadeira, ela sempre chega bem cedo. — Bom dia, Clara. — Bom dia, senhorita Lauren. — Só Lauren, Clara, estamos sozinhas e não precisa ser tão formal. — Claro, senhorita... Quer dizer, claro, Lauren. — Ótimo, não precisa pedir meu café, pois já tomei em casa. – falo e ela acena. Sigo para minha sala e coloco minha bolsa dentro do balcão que está atrás de minha mesa, sento nela e fico olhando para minha agenda na minha frente. O dia hoje não vai ser muito corrido, apenas assinar alguns documentos, confirmar o preço de umas casas para alguns clientes, nada demais. Empolgo-me trabalhando, quando meu telefone de mesa começa a tocar. — Sim, Clara. – falo e ela logo começa a falar. — Senhorita Lauren, tem um rapaz aqui na recepção que quer falar com a senhorita. — Quem é? Ele não tem horário marcado, não é? — Não, senhorita. Seu nome é Lorenzo. — Ah sim, pode mandar entrar. É meu irmão. — Seu irmão? – ela pergunta curiosa e com um pouco de espanto na voz.


— Sim, peça para que ele entre. — Ok, senhorita. A porta se abre e vejo Enzo sorrindo para Clara, ele entra em minha sala e senta em minha frente. — Bom dia, sumido. – falo e ele me encara.

— Bom dia, Lauren. – ele fala.

— A que devo o prazer da sua visita em meu escritório logo cedo?

— A verdade é que eu precisava falar com você. Tenho uma bomba para te contar. Aconteceu uma coisa ontem à noite.

— Ah, entendi o porquê de você não aparecer em casa ontem. Engravidou uma garota?

— Não é isso exatamente, mas é sobre gravidez. – Enzo fala e se arruma na cadeira.

— Bom, vejo que você tem muita coisa para me falar, pode começar. – falo sorrindo e cruzando minhas pernas por baixo da mesa.

— Ashley não estava esperando um filho de Jensen e sim de um primo dela. – ele fala despejando tudo de uma vez.

— Isso eu já sabia. – falo olhando para ele.

— Como? Então você já sabe o que aconteceu ontem à noite?

— Não, Ethan veio conversar comigo ontem no escritório e ele me pediu uma chance para me


fazer feliz, eu não pude dar essa chance, pois amo outra pessoa e todos sabem. Não posso dizer que não amo mais Jensen, depois de tudo que aconteceu, eu não consigo deixar de amá-lo. Então ele me contou que a gravidez era mentira.

— Como ele soube?

— Ele sabia que não iria dar uma chance a ele então me explicou que estava com Alex para descobrir informações sobre esse namoro de Ashley e Jensen. Descobriu que a gravidez era falsa, que o filho que Ashley espera não é de Jensen e sim de um primo dela.

— Entendi. – ele fala olhando para baixo pensativo. Seu olhar volta para mim rapidamente. – Você não sabe o que aconteceu ontem, não é?

— Não, só sei que Ethan me falou isso e foi embora.

— Droga, não queria ser eu a te contar. Mas melhor seu irmão do que qualquer um. – ele fala me olhando de lado.

— Fala logo, Enzo, vai me matar do coração. – falo exigindo uma resposta dele.

— Alex falou a verdade para Jensen, ele não aceitou muito bem e teve uma briga feia com Ashley. Ela ficou paranoica dizendo que o filho era dele. Ele não aceitou o que ela falou e Alex chamou o primo delas. Ele confessou que o filho era dele. Ela surtou e disse que era mentira. Jensen a mandou sumir da vida dele e jurou que se ela voltasse a falar com ele mais uma vez, ele a mataria por ter enganado ele. – Fico paralisada com as notícias e ele continua falando. – Ela pegou o carro e saiu igual louca correndo, ninguém soube aonde ela iria e não conseguiram segui-la. Meia hora depois receberam a notícia que ela havia sofrido um acidente.

— Ai meu Deus. Ela está bem? – falo assustada.

— Ela está bem, teve alguns arranhões, mas o problema não é com ela. – ele fala e fico séria,


lembrando que ela estava grávida.

— O bebê... O que aconteceu com o bebê? – falo, já querendo chorar. Por mais que ela tenha me feito muito mal eu jamais desejaria mal a um bebê, fosse ele filho de Jensen ou do primo dela.

— O bebê morreu. Ela estava de seis meses e com a batida forte, ele morreu. Ela bateu primeiro a barriga e o bebê morreu na hora.

— Ai meu Deus. – Falo levantando e colocando a mão na boca.

— Ela está internada agora e os médicos acham que ela está louca. Ela fica falando com a barriga agora vazia e fica dizendo que o filho dela com Jensen vai ser perfeito. Está alucinando.

— Nossa. Não sei nem o que dizer. – falo perplexa.

— Todos estão sem palavras. Ela fica falando da barriga e quando não está falando da barriga, está dizendo que a culpa é toda sua. Estão achando que ela tava querendo ir à sua casa quando ocorreu o acidente.

— Quero ir vê-la. – falo levantando.

— Você está louca? Ela não está em bom estado para você aparecer lá. Ainda mais se ela estiver realmente louca.

— É, você está certo.

— Eu preciso ir embora, tenho que passar pegar meu carro novo. Vou lá ao hospital mais tarde, daí te ligo.


— Tudo bem. Por favor, não se esqueça de me ligar.

— Tá bem. Comporta-se e vê se não faz loucura. – ele fala e se aproxima de mim, dando um beijo em minha testa. – E não se preocupe. A culpa não foi sua. Ela que é culpada por tudo.

— Tudo bem. Obrigada.

Ele se retira da minha sala prometendo me ligar assim que soubesse de alguma coisa.

Fico sentada morrendo de vontade de chorar pela perda do bebê, mas de qualquer forma creio que ela não queria esse bebê, já que nem se cuidou para não o perder. Só espero que Jensen esteja bem e que não esteja se culpando por ela estar assim, louca.


Um mês se passou e aqui estou eu sentada em meu escritório sem saber o que fazer. Jensen ainda não me procurou depois de tudo que aconteceu. Ashley foi realmente internada por estar louca e seu estado não está nada bem. Por um lado, me sinto culpada por tudo que aconteceu, mas não posso fazer nada. A que mais saiu prejudicada nessa história foi eu. Minha vida se resumiu a medo. Tive tanto medo que por muito tempo fiquei sem olhar para qualquer homem que aparecia na minha frente. Quando Ethan apareceu, eu o ignorei por um longo tempo e mesmo assim ele continuou atrás de mim, ele compreendia que o meu estado não era normal. Eu não conseguia amar. Uma vez que um amor se estraga dentro de você é meio que impossível você continuar sua vida naturalmente. Sempre o medo estará presente para te fazer ver coisas onde não estão. Sempre pensei que um mal-entendido do passado pode estragar uma vida. Existem pessoas que conseguem sair do buraco que estão e continuar suas vidas, eu não me encaixo entre essas pessoas. Jamais consegui dar uma chance para um novo amor. Aquele amor de adolescência que foi meu primeiro amor ainda está dentro de mim, eu o guardei em um local dentro de mim onde ninguém conseguiu alcançar para substituí-lo. E por mais que eu quisesse esquecer, dar uma nova chance a mim mesma, eu nunca consegui. Esperei tanto tempo imaginando que um dia Jensen voltaria e me pediria desculpas por tudo, esse dia chegou, porém com ele veio Ashley grávida. O que eu poderia fazer? Aceitar as desculpas e voltar com ele mesmo ela estando grávida? Não, eu nunca conseguiria ser tão baixa para chegar a esse ponto. Mas o destino às vezes nos surpreende, ele traz coisas boas e depois te joga no buraco para que você não consiga alcançá-las. Você fica lá dentro fazendo de tudo para sair, mas as correntes que te prendem não cedem e você cai no abismo. Hoje sinto que aquelas correntes estão se afrouxando, mas não sei como sair daquele buraco. Não consegui amar Ethan que fez muita coisa para estar ao meu lado. Sei que ele me amava, mas não posso dar um amor a ele que eu não sinto. Não posso mentir... Não para ele que foi tão verdadeiro comigo em todo momento. Então, eu fiquei aqui sentada, esperando que algo acontecesse para me fazer voltar a viver, voltar a amar. Mas nada acontece, então resolvo levantar da cadeira e fazer algo da vida.


Sigo em direção à porta e vejo Enzo conversando com Clara, sorrio ao ver os dois conversando tão descontraídos. — Bom dia, Enzo, veio me ver ou veio ver, Clara? – pergunto séria e os dois me encaram sem jeito, Clara cora e eu não consigo me manter séria e começo a rir. — Bom dia. Não é nada do que a senhorita está pensando. – Clara se antecipa a falar. — Não se preocupe, Clara, só estou brincando. Vocês já se conheciam? — Bem, nos conhecemos em uma balada há alguns dias atrás, não sabia que ela trabalhava com você e foi uma surpresa encontrá-la aquele dia que vim te visitar. — Legal. Bom, já está no horário do almoço. Que tal irmos almoçar os três? – pergunto empolgada. — Obrigada pelo convite, senhorita, mas não quero atrapalhar vocês. – Clara fala envergonhada. — Que nada, Clara, vamos sim. Será um prazer ter você junto conosco no almoço. – Enzo fala. — Isso aí, maninho, será um prazer tê-la junto conosco. – falo encarando ele que está olhando para ela com cara de bobo. Aí tem rolo, penso comigo mesma. — Sendo assim, então vamos. – ela fala e sorri para mim. — Ótimo. – Enzo fala sorridente. Nosso almoço é bem proveitoso, comemos, bebemos e sorrimos muito. É legal ver Clara fora do escritório, ela é descontraída e bem sorridente. Divertimo-nos bastante e depois voltamos ao escritório traçando planos para aproveitar e sairmos juntos na sexta-feira à noite para curtir um pouco. No momento eu digo que não vou, pois não estou com ares para uma balada, mas quando Clara se afasta para ir ao banheiro Enzo me faz prometer ir junto nessa balada, pois está afim dela. Se eu não for ela não irá e ele não quer que isso aconteça. Fica marcado que na sexta-feira sairemos juntos. Volto ao trabalho e como não quero ficar no escritório, resolvo sair com Carla para apresentar umas casas a alguns de seus clientes. O dia passa voando e eu agradeço por ter saído daquele escritório já que me distrai e nem me lembrei dos meus problemas. A semana passa rápida e com ela a sexta-feira chega. Tudo está combinado para que Enzo nos leve a alguma boate. E com toda certeza Andrew e Laura também estão convidados a irem conosco. O dia passa rápido e assim que termino meu trabalho vou para casa. Tomo um banho relaxante


e coloco um vestidinho preto bem justo no corpo com uma abertura nas costas, ergo meu cabelo em um rabo bem alto que deixa à mostra o detalhe do meu vestido nas costas. Coloco meu salto Scarpin vermelho sangue e logo vou para a frente do espelho terminar minha maquiagem. Faço um esfumado preto e logo completo com meu batom vermelho. Afasto-me olhando-me por completa no espelho e com toda certeza estou arrasando.

Sigo para a sala, Enzo e Andrew já estão me esperando, estão perfeitos.

— Vamos querida, ainda temos que passar na casa da Clara. – Enzo fala.

— Nossa, toda essa educação só pra sair com minha secretária? – falo sorrindo.

— Esse cara tá um babaca de quatro por essa garota. Estou morrendo de curiosidade para conhecer a delícia.

— Você nem se atreva a chegar perto dela. – Enzo fala apontando o dedo para ele.

— Ah, por favor. Não me diga que vão brigar agora por causa de Clara.

— Claro que não! – os dois falam juntos.

— Certo, então vamos buscar Clara e Laura.

— Tudo bem. – os dois falam juntos e se olham de forma engraçada.

Saímos de casa e passamos na casa de Laura, a mesma está deslumbrante como sempre. Usa um vestido azul da cor dos nossos olhos, com um sapato Scarpin preto aberto na frente. Ela está maravilhosa.


— Boa noite. – ela fala assim que entra no carro sentando-se ao meu lado.

— Boa noite. – respondemos os três.

— Então quer dizer que minha irmã resolveu aproveitar realmente a vida? Acho que estou perdendo a vez. Você está mais animada para baladas do que eu. Estou realmente ficando velha. – ela fala suspirando e todos rimos.

— Cuidado, heim, maninha, você vai perder para nossa irmã mais nova.

— Ah parem com isso, você mesmo sabe, Enzo, que só estou fazendo isso por que você pediu.

— É, na verdade, te obriguei. Ponto para você, então. – ele fala sorrindo.

Passamos pela casa de Clara que assim que chegamos senta na frente ao lado de Enzo. Ela está diferente do seu cotidiano no escritório. Costumo vê-la só de terninho ou de camisas sociais. Ela está vestida com uma saia tule branca toda cheia de babados, com uma blusa tomara que caia preta toda rendada e um salto alto preto. Está perfeita.

— Nossa. – Enzo fala assim que ela entra no carro. – Você está perfeita. – ele fala e ela cora na hora.

— Obrigada. Boa noite a todos.

— Boa noite. – respondemos.

— Prazer, Andrew. – ele estende a mão para ela. — Sou amigo de Laura e de Enzo.

— Muito prazer. Sou Clara. – ela fala sorrindo meiga.


— Oi, sou Laura, irmã desses trouxas. Já me conhece do escritório, não é?

— Ah sim, creio que já te vi visitar a senhorita Lauren.

— Por favor, só Lauren. Já falamos sobre isso, Clara.

— Ah sim, desculpa. Estou tão acostumada a ser profissional no escritório que esqueci que não estamos mais lá.

— Desculpada por que hoje é sexta e vamos aproveitar a noite. – Laura fala empolgada.

— É isso ai, hoje vamos aproveitar. – falo tentando me manter na empolgação de Laura.

A balada está lotada e logo que chegamos ao centro da pista de dança já começamos a dançar. Depois de dançar algumas músicas vamos até o bar. O barman pega nossos pedidos e logo estamos bebendo. A bebida faz minha garganta arder depois que viro o copo e logo me viro para a pista novamente. Depois de dançar algumas músicas, volto ao bar para beber mais algumas bebidas. O barman começa a me cantar e eu acabo cedendo aos seus charmes, ele é bonito e sabe cantar uma mulher.

— Um copo de uísque com dois gelos, por favor. – uma voz rouca e conhecida fala ao meu lado. Viro e dou de cara com Jensen me encarando.

— Boa noite, Lauren. – ele fala e eu fico sem reação.

— Jensen? – falo tocando em seu rosto para me certificar de que ele está realmente na minha frente ou se estou imaginando ele.


— Sim. Você está maravilhosa. – ele fala segurando meu rosto e olhando dentro dos meus olhos. – Você está bêbada, Lauren?

— Não. Quer dizer, sim. Talvez um pouco. – falo meio confusa com seu olhar penetrando o meu.

— Por que você está bebendo? Nunca foi de beber. – ele fala e abaixa suas mãos. Fico observando-as e querendo que ele não as tivesse tirado do meu rosto. – Lauren?

— Desculpa. Eu apenas queria beber pra esquecer a vida. – falo sem pensar, baixando meu olhar. – Pra esquecer você, na verdade. – falo e tomo o resto da minha bebida, quando percebo que ele fica rígido na minha frente, eu volto a olhá-lo, percebendo que falei demais.

— Você está bêbada por minha causa? – ele fala e eu fico sem responder, o garçom traz a bebida que ele havia pedido e ele agradece voltando sua atenção para mim.

— Quero dançar. Depois conversamos. – falo tentando sair para não conversar com ele sobre isso.

Antes que ele me responda já estou na pista de dança novamente. Avisto do outro lado Enzo se agarrando com Clara e eu sorrio igual boba vendo os dois naquele estado.

Danço ao som da música, não presto atenção na letra porque não me importa, só quero dançar e esquecer que Jensen está ali por perto. Mas fica difícil quando sinto seus olhos em mim a todo o momento. Olho para o bar e ele está lá parado, bebendo e me olhando de cima abaixo. Um rapaz chega perto de mim e, assim que começamos a dançar, vejo Jensen se aproximar.

— Sai. – ele fala olhando furioso para o rapaz que sem reclamar sai de perto.

— Por que você fez isso? – falo olhando séria para ele como se estivesse me importando com o rapaz, mas na verdade estou mais interessada em saber o porquê de sua reação do que sobre


quem era o rapaz que ele se desfez.

— Não vou deixar você se agarrar com qualquer desconhecido.

— Isso me soa tão familiar. – falo para mim mesma e abaixo minha cabeça.

— O que? – ele fala me encarando.

— Nada. Não falei nada. Quer dançar comigo já que espantou meu parceiro?

— Será um prazer. – ele fala dando-me um sorriso perfeito.

A música continua tocando e estamos dançando bem perto um do outro. Ele está atrás de mim com sua mão em minha cintura. Começa a tocar One More Night de Maroon 5.

So I cross my heart and I hope to die (Então faço uma promessa que espero cumprir até morrer) That I'll only stay with you one more night (Que só ficarei com você mais uma noite) And I know I said it a million times (E eu sei que disse milhões de vezes) But I'll only stay with you one more night (Mas só ficarei com você mais uma noite) Try to tell you no (Tento lhe dizer "não") But my body keeps on telling you Yes (Mas meu corpo continua te dizendo "sim") Try to tell you stop (Tento lhe dizer que pare) But your lipstick got me so out of breath (Mas seu batom me deixa sem fôlego) I'd be waking up (Eu acordaria) In the morning probably hating myself (De manhã provavelmente me odiando) And I'd be waking up (Eu acordaria)


Feeling satisfied, but guilty as hell, eh (Me sentindo satisfeito, mas culpado para caramba, eh) Seu corpo está colado ao meu e começo a dançar mais sensualmente. Esta noite essa música me define, quero dizer não, mas meu corpo diz que sim. Então essa noite o farei ser meu novamente.


Não importa quanto tempo se passou. Ou o que aconteceu nesse tempo todo. O mais importante é esse exato momento em que Jensen devora minha boca como se fôssemos morrer agora mesmo. Ansiedade corre por nossas veias. Escuto seu coração bater na mesma velocidade que o meu. Minha boca dói com a urgência de seus beijos. Ele abaixa o zíper do meu vestido que logo está no chão. Seu toque é quente, assim como me lembro de nossa adolescência. Nesse momento não quero saber do amanhã. Quero-o todo para mim. Quero ter certeza que não importa o quanto ficamos longe um do outro, ainda nos amamos descontroladamente. Invado seus cabelos com minhas mãos e eles estão mais sedosos e compridos. Puxo com força e ele geme em meio a nosso beijo. Suas mãos estão em toda parte do meu corpo. Antecipo seus movimentos e vou tirando sua camisa. Puxo com força até os botões se espatifarem no chão. Ele sorri e me agarra com mais força. Tiro seu cinto e logo em seguida tiro sua calça que vai parar em um canto do quarto dele. Separo meu corpo do seu e observo cada detalhe de seu corpo. Ele está terrivelmente sexy. Sorrio ao ver seu olhar dominador sobre mim. Ele continua o mesmo. Nossos olhos se encontram e uma explosão de sentimentos me toma. Sinto-me triste e feliz, vazia e completa. Seu olhar parece enxergar minha alma e por um momento sou agarrada com força por braços musculosos. Ele me abraça forte e por um momento sei que tudo ficará bem. Não quero mais fugir de seus braços. Não quero que ele deixe de me abraçar, quero ele ao meu lado de agora em diante.

Ele procura minha boca e logo sua língua pede passagem, e eu a concedo. Seu beijo avassalador e suas mãos estão em mim novamente. Sou erguida do chão e logo sinto a maciez da cama atrás de mim. Ele está por cima de mim me dominando, dominando meus sentidos e sentimentos.

Ele me trata com todo carinho do mundo, e enquanto fazemos amor sinto toda a paixão que


nos envolve. Assim que chegamos ao êxtase, ele se deita ao meu lado e me puxa para seu peito. Estou sorrindo igual boba ainda sentindo todos os seus toques em mim.

— Você não sabe como eu esperei por esse dia. — ele fala de repente, passando a mão em meu cabelo.

— Não foi só você. Esperei todos os dias para esse dia chegar. — falo e olho para seus olhos.

— Eu te amo de uma forma tão desesperada. Nunca mais me deixe, não quero nem pensar em te perder novamente. — ele fala dando um beijo em minha testa. Vejo verdade em seu olhar. Vejo o medo que lhe corroe.

— Você não vai.

— Promete?

— Prometo.

Depois de prometer não abandoná-lo novamente, fizemos amor várias e várias vezes. **************

Acordo muito animada lembrando-me da noite perfeita que tive ontem. Olho do meu lado e encontro Jensen dormindo serenamente. Sorrio olhando ele dormir, tão perfeito.

Sigo em direção ao banheiro da casa. Sim, ele está morando na casa branca. Ela está ainda mais perfeita agora com os móveis. Os móveis são a maioria preto e branco. Faço minha higiene no banheiro e sigo novamente para o quarto e ele ainda está dormindo.

Encontro meu celular no criado mudo e me deparo com algumas ligações de Laura. Vejo uma


mensagem dela no whatsApp me xingando por não atender suas ligações. Deito na cama e Jensen me abraça puxando-me para ele. Faço um bico e tiro uma foto com ele dormindo ao meu lado. Logo envio para Laura. Meu celular logo apita e eu volto a olhá-lo.

Laura: Não acredito. Você dormiu com Jensen? Como assim você nem me contou? Quero detalhes da reconciliação.

Sorrio com a mensagem dela e logo respondo.

Lauren: Sim, eu dormi com Jensen. Desculpa, foi tão rápido que só deu tempo de avisar Enzo. Pensarei a respeito se te contarei os detalhes. Laura: Sua vaca, vai contar, sim. E quero saber de tudo. Lauren: Depois conversamos. Jensen está acordando. Beijos.

Coloco o celular novamente no criado e fico observando ele acordar. Passo a mão em seu cabelo e ele sorri com meu toque.

— Bom dia, minha vida. — ele fala e me abraça com força.

— Bom dia, meu amor. — falo e ele beija minha bochecha.

— Que bom que você está aqui. Por um momento pensei que estava só sonhando. — ele fala abrindo os olhos bem devagar. Quando os abre totalmente, ele foca seu olhar no meu e sorri ternamente. — Queria acordar todo dia ao seu lado para ver tamanha beleza.

— Para com isso. Vou ficar tímida se me tratar assim. E sim, não era um sonho. Passamos a noite toda nos amando.


— Que bom que não era um sonho, pois pretendo aproveitar o dia todo ao seu lado. — ele me puxa para perto e me beija ternamente. — Preciso ir ao banheiro, quando voltar quero você sem nenhuma roupa me esperando na cama.

— Opa, melhor começar a tirar minha roupa, então. — falo piscando e ele me dá um sorriso safado.

Passamos o sábado e o domingo juntinhos, só levantamos para comer e renovar as energias e logo voltamos para a cama e fazemos seções de sexo o dia todo. Estou amando cada minuto ao lado dele. E se alguém me falasse que era sexo demais para duas pessoas eu só responderia: Sete anos separados não é pra qualquer um. Foi tempo demais separado para agora não aproveitar.

O amanhecer de segunda é uma chatice. Não quero me separar dele, porém eu e ele temos que trabalhar. Infelizmente, a vida não é só feita de sexo e prazeres. Existem os desprazeres da vida e um deles é ter que trabalhar. Infelizmente.

Chego à empresa e encontro Clara muito sorridente. Tenho que falar com Enzo sobre como foi seu final de semana. Aposto que não foi somente o meu que foi bom. Sorrio ao passar por ela que me devolve um largo sorriso.

— Bom dia, Senhorita Lauren. — ela fala se levantando.

— Bom dia, Clara. Bom, já somos amigas agora, então me chame somente de Lauren. Chega de formalidades entre nós. Tudo bem? — Está bem, Lauren. — ela fala e eu sorrio para ela. Viro e sigo em direção ao meu escritório.

Depois de guardar minha bolsa em seu devido lugar, sento em minha cadeira e começo a relembrar todo meu final de semana. Ainda parece um sonho.

A manhã passa rápido e logo chega o meio-dia. Laura me envia mensagem querendo almoçar comigo, mas sei que sua curiosidade já não cabe mais só nela. Arrumo minha sala e vou em direção à saída e logo a avisto me esperando. Sorrio e sigo em sua direção.


— Bom dia.

— Bom dia. Vamos logo para um restaurante aqui perto mesmo. Você está me matando de curiosidade.

— Tudo bem. – falo e seguimos para a porta de saída. Chegamos ao restaurante e logo conto tudo que aconteceu se não essa louca não me deixaria em paz. Sorrio com a cara que ela faz quando falo que transamos o fim de semana todo.

— Você não está dolorida?

— Bom, Jensen tem um bom potencial entre as pernas o que, sim, me deixou bem dolorida. Mas é uma dor que não me incomoda. Apenas me anima a pensar que não foi um sonho. – falo e ela sorri da minha cara.

— Sua louca, podia ter se machucado.

— E daí? Pelo menos foi o melhor fim de semana que já tive. Ele superou Ethan, Henry e qualquer um que tenha passado em minha cama. – falo e ela fica me olhando pensativa. – Bom, acho que foram só esses que passaram em minha cama. – falo confusa.

— Mas também, você nunca soube aproveitar a vida. Lembra daquele gatinho do terceiro ano de faculdade? Ele era caidinho por você e você só ignorava ele. Até que eu o peguei de tanta dó que tinha do coitado, daí ele parou de te incomodar.

— O que? Você o pegou?

— Sim. Você não sabia o que estava desperdiçando, então eu fui obrigada a consolá-lo. E pensa em um consolo que lembro cada detalhe até hoje.


Ela comenta sorridente e eu tenho que rir de sua cara. Essa minha irmã é louca.

Depois de muito conversar, resolvo voltar ao escritório, já que já passou do meu horário. Chego e logo entro em minha sala. Sou surpreendida com meu escritório cheio de orquídeas e rosas de todas as cores. Um enorme cartaz está logo atrás de minha mesa.

“Perdoe-me por todas as burradas que cometi na vida. Sei que posso te fazer a mulher mais feliz do mundo. Vamos dar essa chance para nosso amor? P.s: Eu Te Amo, Lauren Crawford. By: Jensen Holland.”

E eu não contive as lágrimas de felicidade que queriam sair.


Depois de uma discussão com minha namorada decido sair e ir a uma festa com meus amigos. Os pais dela não a deixaram ir passar as ferias de verão junto comigo na casa de lago dos meus pais. Eu não me importei porque sabia que o pai dela não iria deixar. Só quis fazer um drama, mas minha boneca não aceitou muito bem. Brigamos e aqui estou eu, decidido a aproveitar um fim de semana com meus amigos. Eles têm ficado no meu pé ultimamente, já que não tenho saído mais com eles. Arrumo-me e vou para a festa, chegando lá, já encontro Breno e os outros bebendo. Começo a beber e logo a garota nova se aproxima de mim. — Oi, Jensen. Está sozinho? Cadê sua namoradinha? — Ela não veio. Estamos dando um tempo. Mas nem se preocupe que amanhã mesmo iremos voltar. — falo antes que essa louca comece a dar em cima de mim novamente. — Ah, que pena. Mas por que não aproveitamos a noite? Podemos aproveitar, não é mesmo? Você está solteiro e eu também. Uma noite não vai fazer mal. Juro que ninguém precisa saber. — ela fala se aproximando e colocando suas mãos em meu pescoço. — Não, obrigado. Eu amo minha namorada e não quero problemas. — Você está sozinho. Você mesmo disse que estão separados. – antes que ela fale outra coisa me antecipo em falar. — Por um pequeno contratempo. Mas logo estaremos juntos então, por favor, não enche. Saio, deixando ela sozinha. Não quero ter problemas com minha boneca e de todas as garotas, ela é a que mais Lauren odeia. Desde o começo, quando Ashley começou estudar e deu em cima de mim, as duas já não se bicaram. E de todas, ela seria a última que eu ficaria se fosse pra trair minha boneca. O que tenho com Lauren não é recente. Há um bom tempo já estamos juntos. E eu a amo e tenho planos para meu futuro com ela. Tenho toda certeza de que ela é a mulher da minha vida.


Sigo em direção ao grupo de rapazes e logo começamos a conversar. As horas passam e a festa está muito sem graça. Estou pensando em ir embora, quando Ashley se aproxima novamente e me oferece uma bebida. Decido tomar a última e depois irei embora. Depois de alguns minutos que virei todo o copo de bebida, a festa parece rodar e logo vejo Ashley dançar na minha frente. É engraçado, ao mesmo tempo em que é Ashley, agora é minha pequena boneca. Sorrio para ela que devolve seu sorriso para mim. Depois de dançar com minha pequena não vejo mais nada. Apenas sei que não a perderei. Ela não escapará de minhas mãos. Acordo assustado e em um quarto diferente. Levanto lentamente e tento me lembrar o que fiz ontem à noite. Nada... Nada vem em minha mente. Olho para o lado e vejo que alguém está em minha cama. Por um momento sorrio pensando que é minha boneca, mas quando olho direito vejo um cabelo loiro. — Droga. — falo baixo tirando o lençol da cara da garota. — Ashley? Mas que porra. — falo me levantando da cama. Droga, ela parece estar pelada. Olho para mim mesmo e também estou pelado. — Droga, droga, droga. O que foi que eu fiz? — Olho ao redor e não sei onde estou. Pego minhas roupas e visto apressadamente. Saio do quarto deixando ela lá dormindo.

Passo pelo corredor e logo vejo que estamos ainda no salão da festa. Chego dentro do salão e encontro Breno e os outros caras levantando algumas coisas do chão. Aproximo-me confuso, ainda tentando lembrar o que aconteceu.

— Olha quem apareceu. O cara mais sortudo da cidade.

— Se não é o preferido das mulheres. – outro retruca sorrindo.

— Por que está falando isso?

— Você não se lembra? Ontem à noite, você e Ashley?

— Não. Só me lembro dela me entregar uma bebida e logo depois comecei a ver Lauren. Dançamos e não me lembro de mais nada.


— Ih, o cara tava chapadão. Você dançou foi com Ashley. Lauren nem apareceu na festa. Pra sua sorte. – Breno fala.

— Droga. Achei estranho mesmo acordar ao lado de Ashley.

— Isso não foi nada. Chega aqui que vou te mostrar alguns vídeos. Você tava chapado, cara. — Breno fala se aproximando e rindo.

Depois de ver aqueles vídeos não tive dúvida. Ela me drogou com aquela bebida, só pode. Maldita hora que fui aceitar bebida daquela louca. Eu jamais faria o que fiz naqueles vídeos. Não com ela e não em frente a todo mundo. Lauren...

Droga, nesse momento ela já deve saber de tudo. Até mais do que eu sei.

Saio desesperado e vou em direção à minha casa. Preciso tomar um banho e tirar esse peso de cima de mim. Preciso tirar as imagens do que passei com Ashley. Estou imundo depois de ver tudo que fiz com ela em público.

Vou para casa de Lauren depois de já ter tomado um longo banho e ter tirado quaisquer vestígios de Ashley do meu corpo. Tento ligar para Lauren, mas ela não me atende. Resolvo bater na porta de sua casa e perguntar por ela.

Sua mãe me atende e logo diz que ela não quer falar comigo. Falo que é importante e ela vai chamar Lauren. Antes de ela aparecer, Laura, sua irmã mais velha, passa pela porta e me olha com cara feia me chamando de idiota. Fico sem responder, pois nesse ponto creio que todos estão sabendo. Essas fotos só podem estar na internet.

Vejo decepção nos olhos de Lauren quando ela se aproxima. Tento conversar e me explicar, mas ela não deixa. Droga, eu não sei o que falar para que ela me desculpe. Ela apenas diz que não aceita minhas explicações e que sua decisão está tomada, e se afasta entrando em sua casa. E eu sei que a perdi. Ela escapou de minha mão e eu sei que homem não deve chorar, mas nesse momento não consigo segurar uma lágrima que cai pelo meu rosto. Vou dar um tempo para que ela possa me perdoar e depois falarei com ela. Ou assim eu penso que vou fazer.


Uma semana se passa e eu não consigo mais ficar longe de minha boneca. Vou procurá-la em sua casa, mas encontro tudo vazio. Busco na casa de sua avó e tenho a pior notícia de todas. Ela havia se mudado e sua avo não quer me contar seu endereço. Imploro para que ela me fale, mas ela não me fala. Diz que sua neta merece alguém melhor, alguém que não a traia com qualquer uma. Eu juro que não fiz nada e que estava drogado, mas sua avó não me dá moral e diz que se formos para dar certo o destino a trará de volta.

Não é fácil para mim não saber de Lauren. Minha boneca havia me deixado e eu não sei o que fazer da minha vida. Então me foco no estudo e depois no trabalho. Minha família sempre foi de boas condições, mas eu sempre procurei ter o que é meu. Minha vida se resume em beber e trabalhar. Quanto mais trabalho e bebo mais eu fico um porre. Não falo mais com ninguém e os que falam comigo só falam o necessário, pois sempre acabo xingando e mandando à merda.

Ashley desaparece da minha vida depois que a mando à merda e quase a mato. Se não fosse Andrew, o irmão dela, entrando no meio eu a teria esgoelado sem dó nem piedade. Minha raiva é tanta que até dou um soco em Andrew. Depois peço desculpas e deixo bem claro para ela não se aproximar de mim se quiser permanecer viva.


Os meses se passaram, os anos se passaram. Eu tentei encontrar Lauren. Viajei várias e várias vezes a sua procura, mas não a encontrei. Hoje já faz seis anos que ela me deixou. Não consigo ficar com outra mulher, não consigo. amar outra mulher. Nenhuma chega aos pés de Lauren. Todas não me satisfazem e logo as mando embora. Bebo a noite toda e em inúmeras vezes Breno me acompanhou quando podia. Ele presenciou toda minha vida e sabe como me acabei com o passar dos anos. Ele foi o único que não privei de minha vida. Hoje marcamos de nos encontrar e beber. O bar fica perto da minha casa e vou a pé para lá. Chego e já peço minha bebida. Não demora muito, quando vejo Breno adentrar no local e logo atrás dele vê a cabeleira loira de Ashley. Mas que porra ela tá fazendo aqui? Eles se aproximam e ela vai logo falando que não quer problemas. Breno falou que viria beber e ela apenas o acompanhou para beber também. Não dou muita moral pra ela, pois o bar é público e não posso proibi-la de frequentálo. Ela não se aproxima ou tenta falar comigo e agradeço porque não quero brigar com ela. O estrago já está feito e culpá-la não adiantaria. Alguns meses se passam e ela continua a frequentar o bar e beber conosco. Eu perco a noção do tempo e bebo até cair no chão e ter que ser carregado por Breno. Para muitos, aquilo é uma loucura, para mim só é a forma de esquecer que Lauren não está mais ao meu lado e que a culpa é toda minha por ter ido naquela maldita festa. Um dia acordo ao lado de Ashley na cama e logo a mando à merda novamente. Ela jura não se lembrar de nada do que fizemos, porém dois meses depois ela aparece grávida e me jura não ter dormido com nenhum cara, a não ser aquela noite comigo enquanto estávamos bêbados. Não me lembro de nada, então não sei se ela fala a verdade ou não. Depois de muito insistir que o filho é meu eu, resolvo aceitar o que ela diz e esperar essa criança nascer para fazer um teste de compatibilidade. Um DNA resolverá meu problema assim que a criança nascer. Se for meu, eu assumirei e se não for, mandarei essa garota para puta que pariu. Depois de um mês e meio que estava sabendo da gravidez, Breno nos chama para uma festa na casa dele. Não iria, mas Ashley dá a louca que quer ir e que eu devo estar perto se algo acontecer com ela. Sou obrigado a ir, mas para minha sorte encontro Lauren e sua irmã na


festa. Ela mudou, está mais encorpada e tem agora suas curvas bem salientes. Ela está perfeita. Não a reconheço assim que chego, mas logo percebo que é ela, pois está bem parecida com Laura. Tento falar com ela assim que aquele idiota que estava junto com ela se afasta. Ele parece uma formiga em cima do doce. Não desgruda um minuto dela, o que me deixa puto da vida. Começo a beber e assim que ele se afasta me aproximo. Ela me afasta mais uma vez. Eu já não aguento mais sua rejeição. Tento me explicar e novamente o sanguessuga se aproxima. Retiro-me e vou embora. Deixo Ashley na casa da mãe dela, pois não quero confusão. No outro dia, quando chegamos à casa de Breno sigo em direção à piscina, mas logo ouço um barraco e sigo em direção a casa e lá está ela toda linda na escada. Uma raiva me sobe quando vejo Ashley jogar seu veneno para cima de minha boneca. E lá atrás da minha boneca está o idiota que está acompanhando ela. Mas uma vez ela não me escuta e vai embora me deixando no vácuo. Passam alguns dias e minha vida está um inferno. Ashley não para de me incomodar, então resolvo me mudar. Decido começar algo novo em Nova York, já que estou abrindo uma nova sucursal da minha empresa lá. A única coisa que não havia mudado em minha vida era minha vontade de trabalhar e ter o que era meu, então por isso eu não deixo de trabalhar. Mesmo bebendo e me acabando à noite, durante o dia eu estou lá marcando minha presença no trabalho. Começamos a procurar casas e logo que acho a melhor empresa de imóveis, contato o dono. Fica tudo certo e logo é marcada uma visita para ver algumas casas. A última coisa que espero é encontrar Lauren na casa em que vou comprar. E mais uma vez o destino a trouxe para perto de mim. Éramos para ser, só pode. Seria algo muito estranho se não fosse o destino tentando nos unir. Ashley consegue arrumar um barraco com Lauren. Mas eu não posso perdê-la outra vez. Quando ela some de perto de sua vendedora, eu não posso evitar segui-la. Ela para em frente a casa e eu me aproximo lentamente, observando sua beleza. Ela é perfeita. Está ainda mais bonita do que quando morávamos na nossa antiga cidade. Seu beijo me enche de esperança, mas logo Ashley tem que nos atrapalhar. Brigamos e Lauren me deixa novamente. Eu só podia ter feito muita merda em minha vida passada, porque não é certo tudo que está acontecendo comigo. Não canso de me perguntar que porra eu tinha feito na vida por merecer isso. Para ter que passar por isso. Consigo falar com Lauren alguns dias depois e ela me deixa explicar tudo que aconteceu.


Porém não consegue me perdoar. Ela não se dá essa chance. O pior de tudo é ver em seu rosto a mágoa que ainda está ali. Penso que depois de tanto tempo ela tentaria me dar uma chance, mas não é isso que acontece. Assim como eu, ela não conseguiu dar continuidade a sua vida de forma certa. Sinto-me orgulhoso por ela, pelo menos está em um ótimo trabalho e não deixou seus estudos de lado. Ela decide que é melhor para o bebê que ele esteja com a mãe e o pai. Dou razão a ela, porém outra vez algo me impede de estar com o amor da minha vida. Compro a casa branca porque ela é a casa dos sonhos que um dia planejei com Lauren. Não levo Ashley para morar lá, ao invés disso, compro outro apartamento e estamos morando lá, eu, Ashley e Jenny, minha irmã. Minha irmã foi à única que não parou de falar comigo depois de tudo que aconteceu. Quando tive que ficar com Ashley porque ela estava grávida, minha mãe parou de falar comigo. Ela não aceita que a garota havia tirado tudo de bom da minha vida. Não aceita que depois de tudo, eu ainda tenho que ficar com ela. Jenny nunca apoiou e, depois do barraco na casa branca, ela nem olha mais para Ashley. Sempre soube que ela só aturava a outra por estar grávida de um filho meu. Mesmo assim ela sempre me aconselhava a largar dela e correr atrás da minha felicidade. Conheço Alex, uma prima de Ashley, que é igualzinha a mesma com respeito às atitudes, ou assim eu pensava até o dia em que ela resolveu me contar a verdade sobre a gravidez. Quando descubro que estava sendo enganado esse tempo todo, uma ira entra em mim e logo mando chamar o suposto pai da criança. Ele assume ser verdade que tudo não passou de uma enganação e eu não me aguento em querer matar Ashley ali mesmo. Como fui idiota em pensar que seria verdade? Sempre tive um pé atrás, mas não podia fazer nada, pois não tinha certeza. Ela começa a falar que não, que o bebê é meu e que eles todos estão mentindo. Ela não aceita que eu nunca mais quero vê-la e, logo que eu me afasto e mando-a sumir da minha vida, ela pega o carro e sai igual louca. Estou pouco me lixando para onde ela está indo. Recebo a notícia que ela sofreu um acidente e, por um momento, não quero ver como ela está, mas também não sou tão cafajeste de deixá-la lá sozinha. Logo aparece seu irmão Andrew e me conta que os planos dela eram de ir e matar Lauren. Ela começa a falar coisa com coisa e o médico avisa que o estado dela é delicado. Ela deve ter batido a cabeça e se encontra meio demente. Está alucinando. O bebê morreu, infelizmente, até porque não queria mal nenhum para a criança, ela não tinha culpa da mãe dela ser louca. Ela é internada alguns dias depois e seu estado só piora. Ela havia ficado louca. Acho bom, pois ela merece pela bagunça que fez em minha vida. Porém, não pensei que ela ficaria nesse estado. Enfim, resolvo esperar e, quando tudo tiver voltando ao normal, procurarei minha Lauren que a este momento já sabe do ocorrido, pois Enzo, seu irmão, ficou encarregado de contar a ela o que aconteceu. Ela merece saber a verdade. Por mais que eu quisesse contar a ela, aceito quando eles decidem que o melhor a ser feito é Enzo contar e eu dar um tempo e esperar as coisas se estabilizarem.


Espero um mês e não aguento, eu preciso de Lauren ao meu lado. Preciso saber que de agora em diante as coisas voltarão ao normal e que poderemos viver bem um com outro. Preciso ter certeza de que ela voltará a ser minha. Procuro informações e Andrew me diz que ela estará em uma festa, não penso duas vezes e vou encontrar minha boneca. Lá está ela toda linda. Seu vestido mau cobre sua bunda, sem falar da baita abertura nas costas. Fico duro na mesma hora e logo me aproximo, antes que qualquer babaca resolva fazer o mesmo. E agora aqui estou eu, depois de ter o melhor fim de semana com minha boneca, esperando sua resposta se me perdoa e se deseja começar algo novo comigo. Algo dentro de mim quer estourar para fora de tanta ansiedade por sua resposta. Espero a noite chegar e ligo para ela que me atende logo em seguida. — Olá, meu amor. — falo e espero sua resposta.


Passo o dia sorrindo igual boba com a declaração de Jensen e só então percebo que não tenho nenhum número dele para poder lhe dar a resposta. O dia passa rápido e, logo que acaba o expediente, eu vou para casa. Levo um buquê de rosas vermelhas para colocar em um vazo que comprei esses dias. Vai ficar perfeito. Chego em casa e tomo um banho, assim que saio do banheiro, meu celular toca e corro para atender. Um número desconhecido, não costumo atender desconhecidos, mas pode ser Jensen que conseguiu meu número. Assim que atendo, ouço sua voz do outro lado da linha e sorrio igual boba. — Olá, meu amor. — ele fala com sua voz grossa e eu fico toda emocionada. — Oi, minha vida. — Tudo bem com você? — Tudo sim, e com você? — falo deitando-me na cama. — Estou bem, mas aposto que ficarei melhor quando tiver sua resposta. Aceita começar tudo novamente? — e antes que eu o responda, continua falando. — Mas dessa vez eu juro que será diferente. Prometo te amar pelo resto de minha vida e juro que se me der essa chance, você não vai se arrepender. — ele fala e eu fico emocionada pensando em tudo que ele acabou de me falar. Mas minha decisão já havia sido tomada. — Sim, meu amor. Eu aceito seu pedido para uma nova chance. Acho que, depois de tudo, nós merecemos uma chance, você não acha? — Sim, meu amor. Tenho certeza de que merecemos. — Ótimo. Vou marcar um jantar para amanhã. Quero tornar nosso namoro oficial. — falo toda empolgada. — E quem disse que estamos namorando? — ele fala sério e na hora eu paro de sorrir.


— Não estamos? — Claro que sim. Só estava brincando. Queria ver sua cara agora, boneca. — Seu chato, quer me fazer de boba, é? Olha que paro de te dar moral. — falo séria, mas estou brincando com ele. — Calma amor. Nem se atreva a parar de me dar moral. Acho que agora eu morreria se você fizesse isso comigo, boneca. — Claro que não. E para de me chamar de boneca. Você ainda não se acostumou que eu odeio esse apelido? — Ah amor, já faz tanto tempo que não te chamo assim que de agora em diante vou te chamar só de minha bonequinha. Minha boneca preferida. — Não gosto que me chamem de boneca. Me dá a impressão de que querem apenas brincar comigo. E olha que você já fez muito isso, em? — falo meio chateada. — Claro que não, amor. Você é minha boneca, a minha preferida. Nenhuma mulher no mundo é tão linda e importante para mim igual a você. E desculpa tudo que fiz você passar. Prometo que agora será diferente, boneca. — É, você não vai parar mesmo de me chamar assim, não é? — Na verdade, não. — ele fala e escuto uma gargalhada do outro lado da linha. – Amor, que hora você quer que eu esteja aí amanhã? — Vem lá para as 19h30minhrs que estarei esperando. Vou chamar meus irmãos também, está bem? — Claro amor. Chama quem você quiser. Se quiser chamar o mundo inteiro eu não ligo. Quero mesmo que todos saibam que estamos juntos. — ele para um pouco de falar e parece pensar em algo. — E falando nisso, vou ligar agora para minha mãe. Ela precisa saber que estamos juntos e que pretendo fazer de você a mulher mais feliz do mundo. — Tudo bem. Até mais, amor. Manda um beijo para ela e diga que estou com saudades. — Está bem, amor. Beijos. Assim que ele desliga, vou para o closet e coloco um vestidinho. Sigo em direção à sala e encontro Enzo deitado num sofá e Andrew sentado no outro. Devem ter chegado agora do trabalho. Eles ainda moram comigo, porém Enzo está dormindo no meu sofá, já que ele se parece com uma cama. Eles estão estáveis e até agora não deixei eles comprarem outro apartamento. Quero tê-los perto de mim.


— Oi, meu povo. — falo animada. — Oi. — os dois respondem juntos. Sento na ponta do sofá onde Enzo está deitado. Ele sorri e logo se vira colocando sua cabeça em meu colo. Começo a mexer em seu cabelo e sorrio com a notícia que tenho para dar. — Tenho uma notícia para dar a vocês. — Pode falar, estamos ouvindo. — Andrew fala se endireitando no sofá e me encarando. — Amanhã vou fazer um jantar aqui em casa. Algo especial já que é para oficializar meu namoro. — assim que falo, Enzo pula do sofá, se sentando e me encarando. — O que? Com quem? Como eu só sei agora? É com Henry? — nesse momento Andrew está dando gargalhadas no sofá. — Claro que não, né, seu idiota. Você não viu que sua irmã passou o fim de semana todo com o Jensen? Mas é retardado mesmo. — fala jogando uma almofada em Enzo que o encara nada contente. — Então é sério o rolo? — ele fala me olhando. E eu assinto com a cabeça. — Que bom que se resolveram. Já estava mais do que na hora de vocês se acertarem. Eu presenciei o quanto os dois eram infelizes longe um do outro. Espero que as coisas mudem agora. — Eu também. Mas agora eu acho que vamos pra frente. A gente se ama. — falo sorrindo igual boba. — É, é bom que ele venha mesmo amanhã já que quero ter uma boa conversa com ele. Ele que não se atreva a fazer minha irmã de boba novamente. — Enzo fala voltando a deitar no meu colo. — Ai, para com isso. Não vai falar nada. Prometemos esquecer o passado. – falo e presto atenção na TV, mas logo me lembro de que não falei tudo. – Ahh, e mais uma coisa. Se quiserem podem trazer uma acompanhante. — Está bem. — eles falam e voltam a olhar pra TV. — Bom, vou lá no quarto ligar para Laura. Daqui a pouco volto. — Tá bem. — Enzo fala e já começa a falar com Andrew sobre o jogo que está passando na TV. Sigo para o quarto e sento na minha cama. Procuro o número de Laura que logo no segundo toque já me atende. — Fala maninha linda.


— Oi, Lau. Em, quero te fazer um convite. — Qual boate? — Não tem nada de boate. Vou fazer um jantar aqui em casa amanhã e queria que você viesse. — Jantar? Na sua casa? Qual o tema em especial para estar me chamando pra jantar? — O tema é Jensen. — Ai Deus. Ele meteu o pé na tua bunda de novo e você quer consolo? Vou ter uma conversa séria com aquele trouxa. Pode deixar, maninha. Eu vou te defender. — Calma, Lau. Não é isso que você está pensando. Vou fazer um jantar para oficializar nosso namoro. — Namoro? Vocês estão namorando agora, é? — Sim. Hoje, depois que cheguei do nosso almoço, encontrei minha sala de trabalho toda cheio de flores. E tinha um cartaz dele me pedindo desculpas. Tão lindooo. Explico tudo pra ela como aconteceu e falo também que se ela quiser pode trazer um acompanhante. Ela sorri, mas diz que vai pensar no meu caso. Vou dormir naquele dia extasiada com tantas coisas acontecendo em minha vida. Acho que o destino está mudando seu jeito de pensar sobre mim. Meu dia passa rápido, o trabalho toma bastante meu tempo hoje e logo de manhã recebo uma mensagem de Jensen dizendo que me ama e que está ansioso para a noite. À tarde, chamo Ethan em meu escritório e, assim que ele aparece, conto sobre meu namoro e ele fica muito feliz. Chamo-o e Alex para o jantar já que se não fosse por eles dois eu e Jensen não estaríamos juntos novamente. Ele fica feliz com o convite e diz que estarão presentes, sim. A noite chega e eu já estou terminando o jantar quando a campainha toca e eu saio correndo pra atender. É ele. Meu baby chega e aquilo tudo é real. Eu realmente não estava sonhando. — Oi, minha linda. — ele fala e me agarra pela cintura me puxando para si e me dando um beijo longo. — Estava com saudades. – fala logo em seguida e me dá o sorriso mais lindo e safado de todos. — Eu também. Entra, estou cozinhando, então tenho que voltar para a cozinha. Se quiser conhecer a casa fica à vontade já que os meninos não estão. Foram buscar suas acompanhantes. — Tudo bem. – ele fala e segue em direção aos quartos. Logo em seguida a campainha toca


novamente e eu vou atender. Quando abro a porta me surpreendo com quem está parado me olhando. — Pois não? Precisa de alguma coisa?


— Olá, Lauren. – Henry fala, agora parado em minha porta me olhando de cima abaixo. — Oi, veio visitar Enzo? — Na verdade... – antes que ele termine de falar, Laura sai do elevador falando bem alto. — Não se preocupe que eu já achei. Meu celular estava no... – antes de ela terminar, ela olha para mim e para Henry e volta seu olhar para mim que estou parada ao lado de Henry perto da porta. – Carro. –então ela termina de falar sorrindo. — Oi, Laura. — Oi, Lauren. Então, esse é Henry. – fala apontando para Henry ao meu lado. – O trouxe como acompanhante. Ele é amigo de Enzo e quando fui visitar Enzo há uns três anos atrás eu acabei conhecendo Henry e acabamos nos relacionando. Por incrível que pareça nos esbarramos esses dias e ele me contou que está morando aqui agora. Então, como não tenho nenhum namorado, resolvi trazer ele já que é o que está perto de algo especial para mim. Tudo bem? Assim que ela termina de falar fico paralisada encarando ela. Então foi por isso que naquele dia Enzo falou que Henry estava proibido de chegar perto de suas irmãs. Agora faz todo sentido o porquê de Enzo ficar tão bravo aquele dia. Mas é claro que nenhum dos dois me contaria que ele havia ficado com Laura. E obviamente Henry não contou a Laura sobre nós dois também. Nossa, que loucura, penso comigo mesma. — Tudo bem? – ela volta a repetir sua pergunta. — Claro. Entrem e fique a vontade. Jensen está olhando os quartos, logo ele estará no sofá junto com vocês. — Que Jaguará ele, em? Já chegou e foi reto para os quartos. Fico sem responder, coro na hora em que vejo Henry me encarar e esperar minha resposta.


— Enfim, estou cozinhando, então já volto. Tenho um jantar pra terminar. Fiquem à vontade. Falo e me retiro da sala deixando os dois lá. Sigo em direção à cozinha e penso comigo mesma que essa noite pelo jeito vai ser mais do que longa. Termino o jantar e vou até a sala esperar todos chegarem. Encontro Jensen conversando com Laura animadamente, e ao lado de Laura, Henry encara Jensen de um jeito nada normal. Assim que Jensen me vê chegar, já logo me chama para seu lado. — Amor, que bom que já acabou. Venha, sente-se aqui conosco. — Claro. – falo e sorrio para eles que me encaram agora. Sento ao lado de Jensen que logo tem seu braço atrás de minha cabeça no sofá. Assim que me sento, a porta se abre e logo entra Enzo acompanhado de Clara. Sorrio, pois já imaginava que ele iria convidá-la, por isso resolvi os deixar trazerem acompanhantes. — Boa noite, família. – ele adentra na sala todo sorridente. — Boa noite, pessoal. – Clara fala saudando a todos e seu olhar para em mim. – Boa noite, Lauren. Espero não atrapalhar o jantar de vocês. Enzo me convidou e fiquei sem graça de não aceitar. — Claro que não, imagina. Ele me falou que iria convidá-la. – falo piscando para ele que sorri em resposta. — Boa noite, pessoas. – Andrew adentra na sala sorridente logo atrás de Enzo e Clara. — Boa noite. – respondemos em uníssono. — Que coisa linda ver esse lugar cheio de casaizinhos e eu o único vela aqui no meio. Todos sorrimos de seu comentário e eles logo se sentam nos sofás. A campainha toca e eu imagino ser Ethan, o único que está faltando. Abro a porta e me deparo com Jenny. Ela pula em meus braços sorrindo. — Boa noite, cunhadinha lindaaaaa. – ela fala gritando em meu ouvido e eu começo a sorrir. — Boa noite, Jenny. Que bom vê-la aqui. — E você acha mesmo que eu perderia esse momento tão importante para vocês dois? Claro que não, né? — Vamos, entre. O pessoal está na sala.


— Tudo bem. – ela fala e vai entrando. Vejo o elevador apitar e espero um pouco, logo vejo Ethan e Alex saírem sorrindo. Eles se aproximam de mim e eu sorrio para os dois. Alex fica séria, mas eu ignoro e continuo sorrindo. — Boa noite, Lauren. Aqui estamos como o combinado. E mais uma vez muito obrigado pelo convite. — Boa noite. Estou feliz que vieram. – falo e dou um abraço em Ethan, vejo o olhar mortal de Alex, mas sorrio. e o solto. Abraço ela, mesmo ela não querendo, logo ela me abraça de volta. — Obrigada por tudo que fez. Obrigada por trazer minha felicidade de volta. — De nada. Fiz isso pelo Ethan e não por você, mas tudo bem. – ela fala e eu sorrio de seu comentário. — Eu sei, eu sei. Mas mesmo assim. Obrigada aos dois. Agora vamos entrar que o jantar está pronto e só estava esperando vocês. Entramos e, assim que chegamos à sala, todos param e ficam nos olhando. — Pessoal, resolvi chamar Ethan e Alex para esse jantar também, já que o motivo de hoje estarmos juntos, eu e Jensen, é eles. Eles que estiveram na parte mais importante de tudo isso. Agora vamos jantar que já está na mesa. Falo e todos sorriem. — Boa noite a todos. – Ethan fala já se enturmando com Laura. Jensen se levanta do lado de Jenny e vem me abraçar. Seguimos para a sala de jantar e o povo logo nos acompanha. Ainda bem que minha mesa é grande e cabem todos sentados. Depois de servidos, começam a comer e elogiar minha comida. Fico nas nuvens com seus comentários. Fazia tempo que não cozinhava. Quando todos haviam terminado de comer, resolvemos tirar a mesa. As meninas me ajudam e os meninos vão para a sala. Na cozinha, Jenny resolve que lavará a louça e, mesmo eu falando que tinha a mulher que fazia as coisas pra mim, ela não aceita. Então a deixo lavar. — Você por um acaso já conhecia Henry? – Laura pergunta para mim. — A verdade é que sim. Conhecemo-nos naquela festa em que eu sumi de vocês e apareci só no domingo aqui em casa. — Como assim se conheceram? — Droga, Laura, eu não conhecia ele. Ele estava me encarando e acabou pintando um clima.


Depois deu barraco com Ethan, lembra? Fui para casa de Henry naquele dia e tivemos uma noite maravilhosa, mas no outro dia eu fui embora sem me despedir. Mais tarde naquele dia, Henry veio aqui em casa e eu surtei quando descobri que eles eram amigos. Enzo falou algo sobre ele ficar longe de suas irmãs, mais eu não pensei na hora que você e ele... Ai Deus, como eu iria imaginar? Você não me contou nada disso. — Nossa, que louca essa sua vida, em? – escutamos Jenny falar e olhamos para ela que está sorrindo. — Coloca loucura nisso. – Laura fala. – Pra você ter uma ideia, na sala nesse momento estão todos os caras que minha irmã já ficou na vida. Ethan, Jensen, Henry. Somente meu irmão e Andrew que ela não ficou. — Nossa pegadora você, em, Lauren? — Para com isso. Ah, me sinto tão estranha colocando dessa forma que você falou agora. Melhor esquecer. Finja que nada aconteceu, foi só uma noite com Henry. Depois daquilo, ele não me procurou e nem eu a ele. Assim que termino de falar, Jensen aparece na cozinha e vem me abraçar por trás. — Já está com saudades, maninho? – Jenny fala zoando dele. — Sempre. – ele fala sorrindo e me beija o pescoço. – Oi, amor. — Oi, amor. — Ai, desgruda um pouco, cara. Isso é meloso demais. – Laura fala jogando um pano em Jensen. Depois de arrumar toda a cozinha, seguimos para sala. Alex está sentada no colo de Ethan e conversam com Henry animadamente enquanto Enzo, Andrew e Jensen falam de negócios. Assim que nos sentamos, Laura chama Henry para irem embora, Enzo vai levar Clara também. Ficamos na sala Ethan, Alex, Jensen e eu, já que Andrew foi levar Jenny em casa. Jensen dormirá comigo hoje. — Esperei todos saírem porque na verdade queria falar com você, Lauren. Tem algo que precisa saber, então antes de qualquer coisa quero te pedir uma coisa. — Pode falar. – falo e todos nós estamos olhando para ele nesse momento. — Você se lembra de uma vez em que te falei que queria que me perdoasse por uma coisa que eu possivelmente faria no futuro?


— Sim, me lembro. Achei estranho você me pedir desculpas, mas te perdoei mesmo sem saber o por que. — Então, tenho que te contar algo que aconteceu e eu não contei porque fui covarde e só pensei em mim. Mas quero que me perdoe por aquilo. — Fala logo, Ethan, e para de enrolar a garota. – Alex fala. Encaro-a por uns minutos e depois volto meu olhar para Ethan. — É, diga logo, Ethan.


— Quando comecei a sair com Breno, ele me levou em alguns bares. Um dia ele me informou que me levaria em um bar onde nos encontraríamos com um de seus amigos. Falei pra ele que tudo bem. A intenção era beber, não importava com quem. Enfim, chegamos ao bar e lá encontrei Jensen bêbado. Breno até tentou nos apresentar, porém o cara estava passado de tanta bebida. Levamos ele para casa dele e em todo o caminho o cara não parava de falar de uma mulher. Ele pedia desculpas, dizia que a amava e que a culpa não tinha sido dele. Depois daquilo, fomos embora porque a noite já não tinha mais graça. Alguns dias se passaram e novamente acabamos nos encontrando no bar. O cara estava bêbado outra vez. Resolvi perguntar ao Breno porque o cara estava naquele estado toda vez que nos encontrávamos. Ele me contou pouca coisa. Disse apenas que a namorada dele o havia deixado e ele não conseguia esquecê-la. — Quer dizer que... — tento raciocinar sobre o que ele está dizendo, mas logo ele impede que eu fale. — Espera, deixa-me explicar tudo primeiro e depois você fala o que quiser. — Tá bem. — falo esperando que ele continue. — Passou alguns dias e outra vez encontramos o cara bêbado. Resolvi não perguntar mais nada para Breno, já que pelo visto ele não queria falar muito a respeito. Mas em um instante da noite ele começou a chamar seu nome. Ele falava: perdão Lauren, eu juro que nunca tive intenção de traí-la. — Achei engraçado ele chamar justo o seu nome, então perguntei a ele mesmo como era o nome completo da Lauren que ele amava. Ele me falou seu nome. Então comecei a ligar as coisas umas com as outras e por fim tive a certeza de que era por causa dele que você tanto sofria. No momento, achei bom. Ele merecia mesmo sofrer por fazer você sofrer tanto. Mas o cara tava acabado e aquilo começou a ser foda. A última vez que o encontrei no bar, uma garota loira o acompanhava. Ele era estúpido com ela, mas mesmo assim ela ficava lá ao lado dele, marcando território. — Parei de ir aos bares com Breno porque aquela situação já estava chata. Passado alguns dias da última vez que o tinha visto, Breno me convidou para passar o fim de semana lá naquela


cidade. Ele disse que teria muitas mulheres e bebidas. Eu aceitei na hora, porque não perderia algo assim por nada. E lá justamente encontro com Lauren. O resto vocês já sabem. — ele fala me encarando. — Mas, se você o conhecia, por que não falou nada quando te perguntei naquele dia? — Eu não o conhecia. Foram poucas vezes que o encontrei nos bares, e todas às vezes ele estava bêbado. Ele não se lembraria de mim, então não fiz questão de dizer que conhecia alguém. Por esse motivo, fiz questão de estar ao seu lado para que aquele idiota fracassado desse conta do que ele tinha perdido. — Vai com calma, Ethan. Eu estou aqui. — Jensen fala, rígido ao meu lado. — Por isso que, quando você apareceu, me parecia tão familiar. Poderia estar bêbado, mas me lembro vagamente de você. Pensei que era coisa da minha cabeça, mas na verdade já nos conhecíamos. — Tá, desculpa. Mas você foi um idiota em ter se deixado levar por Ashley. Você achou mesmo que ela só iria ficar bebendo com você? Aquilo tava mais que claro na testa dela, que ela faria de tudo pra ter você do lado dela. Mas, enfim, não tenho nada a ver com aquilo. O tema é que fui covarde e não falei para Lauren o que eu sabia. Podia ter evitado muita coisa. Mas como todos agora sabem, eu gostava dela. Faria de tudo por ela e todos sabiam disso. Não daria essa chance para que você a tirasse de mim. Mas o problema não estava em você, e sim nela. Ela não conseguiu me aceitar, não conseguiu me amar. E quando cansei de dizer para mim mesmo que o que estava fazendo não era certo, resolvi correr atrás de tentar ser feliz. Por esse motivo, fiz Alex investigar a verdade porque se eu me desse essa chance de gostar de outra pessoa não poderia deixar Lauren continuar infeliz. Por isso fiz o que fiz. Espero que me perdoe. Tanto você, Lauren, como você, Jensen. Mas se bem que você mereceu sofrer. — ele fala dando uma risadinha e olhando para Jensen de lado. Não sei o que pensar nesse momento. Por um lado acho errado tudo que Ethan fez. Acho errado ele ter mentido para mim e não ter falado a verdade, porque de qualquer forma ele conhecia Jensen. Jensen não fala nada e acho estranha sua reação. Pensei que ele falaria alguma coisa, mas não falou nada até agora. Estamos todos sentados com o pensamento longe. — Não importa mais o que aconteceu. O importante é que agora estamos bem. Talvez se você tivesse me contado antes, hoje não estaríamos juntos. Se o destino quis nos unir novamente só agora, então é porque era para ser assim. Mas agradeço por falar a verdade. Antes tarde do que nunca, não é mesmo? — falo e eles estão me olhando. — Desculpa. Não queria ter feito tanto mal a você. — A culpa de tudo isso é da louca da minha prima. Se ela não tivesse dado em cima de Jensen,


hoje vocês estariam juntos e eu estaria com Ethan. Mas de qualquer forma, hoje estamos todos bem. E de agora em diante o que devemos fazer é esquecer o passado e pensar somente no futuro. — Acho que Alex tem razão. — Jensen se manifesta. — Não importa mais o que foi feito ou não. Eu e Lauren prometemos esquecer o passado e pensar no futuro. Não adianta querermos culpar um ou outro agora por ter errado. Todos erraram e a única coisa que nos resta fazer é perdoar e esquecer os erros cometidos. Mesmo você me chamando de idiota na minha cara, Ethan, eu te perdoo pelo que fez. E te agradeço por ter me ajudado naqueles piores meses da minha vida. Mesmo sem eu saber do ocorrido. — De nada. Só estava ajudando Breno. Igual não te conhecia, mas não era justo te deixar lá do jeito que você ficava. De qualquer forma, o que tinha para falar já o falou. Vamos embora? – Ele olha para Alex que assente e logo levanta. — Bom, gostaria de me desculpar por tudo que fiz, mas o medo falou mais alto quando vi você com Ethan, espero que me perdoe se fiz algo desagradável para você. Desejo que seja feliz e espero que da mesma forma possamos ser felizes também, não é, meu amor? – ela fala abraçando Ethan que agora beija sua testa com carinho. — Sim, meu amor. Seremos felizes. — Obrigada por tudo. E não se preocupe com isso, eu também não deixei para trás quando me intimidou. Mas já passou e espero que agora possamos ser grandes amigas. — Seremos, vamos marcar para sair junta uma hora dessas? – Alex fala sorrindo. — Seria perfeito, combinarei com Lauren e assim que possível sairemos juntos. – Jensen fala sorrindo e me abraçando. — Ótimo, vamos embora agora? — Sim, querido. Boa noite pra vocês e adorei o jantar. — Boa noite, Alex, e obrigada por ter vindo. Venham mais vezes. – falo e ela sorri em resposta. — Boa noite. – Jensen passa suas mãos por minha cintura. Eles vão embora e os acompanho até a porta. Fecho-a assim que vejo o elevador fechar também e sigo em direção a sala novamente. Jensen não está ali, então sigo reto para o quarto. Ele está deitado na cama só de cueca e me olha com desejo de cima abaixo. Sorrio de seu olhar e adentro no local trancando a porta logo em seguida. — Você não faz ideia de como eu aguardava ansioso pelo momento em que todos fossem


embora para ter você todinha para mim. Agora vem aqui que preciso matar minha saudade ou vou enlouquecer. – ele fala e eu sorrio mais ainda de seu jeito. E eu me entrego àquele momento de corpo e alma, me entrego a ele de todo meu coração. Esperei tanto tempo que realmente penso que ainda estou em um sonho. Os momentos ao lado dele têm sido únicos e a cada minuto eu tenho medo de que vou perdê-lo outra vez. Mas então ele me abraça e beija minha cabeça e eu sei que ficarei bem novamente, sei que estamos bem novamente. E eu não consigo deixar de sorrir igual idiota e agradecer a Deus mais uma vez por ter trazido ele para mim outra vez. Minha única certeza em meio a tudo é de que meu amor nunca mudou, ele continuou intacto e agora apenas se intensifica. E sim, eu o amo de todo coração.


Já se passaram dois meses desde nosso jantar e, sempre que possível Ethan passa em meu escritório para ver como estou e se Jensen não tem feito nenhuma besteira para me magoar novamente. Fico feliz por ele se importar tanto comigo, pelo menos dessa forma vejo que ele ainda gosta de mim e quer o meu bem. Tenho Ethan como um irmão agora para mim. Ele e Alex estão se dando bem. Ele diz que ela mudou seu jeito de ser e que de certa forma tem um carinho enorme por ela. Falo pra ele não se preocupar, ela é bonita e muito simpática. Tenho certeza de que em pouco tempo ele vai estar apaixonado por ela. Só não está porque seus olhos estavam sós em mim e não na mulher que estava ao seu lado tentando ter sua atenção esse tempo todo. Laura anda sumida e creio que está tendo uma relação com Henry. Eles vão se der bem, Henry é um rapaz muito legal e gentil. Não falei mais com ele e creio que ele entendeu que nosso caso foi só uma noite, já que não me procurou mais depois do dia que brigou com Enzo. Acho bom, pois foi apenas uma loucura momentânea. Mas ele e Laura vão ser um casal legal. Os dois gostam de uma boa balada. Falando em balada, hoje marcamos de ir a uma boate aproveitar a noite. Jensen não saiu do meu lado nem um dia sequer. Ele me chamou para morar na casa dele, mas acho que ainda está cedo para isso. Quero ir com calma e fazer as coisas direito. Tomo um banho rapidamente e vou me vestir. Hoje vou estar diferente. Coloco um vestido vermelho sangue e um salto preto. Passo uma maquiagem básica e logo sigo para a sala. Vou até a cozinha e tomo um copo de água. Logo escuto alguém bater na porta. Sigo para abri-la e fico paralisada vendo minha tia parada me olhando de cima abaixo. — Oi, querida. — ela fala já me puxando para um abraço. — Que saudade eu estava de você, minha pequena. — Tia Ellen? O que a senhora faz aqui? — disparo curiosa. — Não posso visitar minha sobrinha?


— Claro que pode. Vamos, entre. — falo puxando ela para dentro. Tia Ellen sempre foi muito ocupada, ela tem sua agência de modelos e sempre está sobrecarregada com tanto trabalho. Dificilmente ela vem nos visitar e eu entendo seu lado, já que não é fácil quando o dever está em primeiro lugar. Ela está maravilhosa, sempre cuidou de sua beleza. Esse é um pequeno detalhe que ela nunca deixa para trás. — O que a trouxe até aqui? Conseguiu sair um pouco do trabalho e deixar tudo por conta do Leo? — Leo é o sócio gay de minha tia. Ele não a deixa em paz nem um minuto, e ela adora isso. O mundo dela sempre foi à moda e os Flashes. — Ai, querida, ele não gostou nada quando disse que tiraria o dia de folga. Mas fazer o que... Eu precisava ver minhas meninas. Não é todo dia que estou por essa cidade linda e depois de amanhã já vou viajar para Paris. — Vejo que sua rotina continua a mesma, em? — falo e ela sorri para mim. — Oh querida, nunca muda. Mas eu vim aqui para falar de você e não de mim. Passei na casa de Laura primeiro e ela me contou sobre seu novo relacionamento. Meus parabéns, minha menina. Estou tão feliz que finalmente você e Jensen se entenderam. Mamãe vai surtar quando contar pra ela. — ela fala toda animada e percebo que até agora não falei com a vovó para contar a novidade. — Obrigado, tia. Na verdade ainda não falei com a vovó. Mas com respeito a Jensen, estamos muito bem agora. Ele já deve estar chegando, marcamos de ir em uma boate. Quer ir conosco? — Mas é claro que eu vou. Só se eu estiver ficando louca e velha para não querer ir em uma boa boate. Louca eu não estou e velha muito menos, né, amor? — ela fala e eu não consigo segurar um sorriso. — Você está perfeita, tia. Está até melhor que eu. — Que isso menina. Você e Laura são perfeitas. Minhas sobrinhas preferidas. — ela fala me abraçando no sofá. — Claro, né, Tia, só nós duas somos suas sobrinhas. — Por isso mesmo. — ela fala e cai na gargalhada. Alguém bate na porta e faço sinal para que ela espere. Abro a porta e Jensen me levanta do chão, dando-me um beijo avassalador. Sorrio e logo me solto de seu beijo.


— Temos visita. – falo, assim que ele deixa meus lábios. — Que isso, querida. Se for por minha causa podem continuar. — Tia Ellen fala logo atrás de mim, o que faz eu e Jensen soltarmos uma gargalhada. Sempre curiosa essa minha tia. — Tia Ellen, que bom te ver. — ele fala abraçando ela. — Bom mesmo é te ver, garoto. Você está gato. — ela fala e olha pra mim. — Boa escolha, menina. Sempre soube que tinha bom gosto. — Obrigada. — falo e nós três sorrimos. — Tia Ellen vai conosco para a boate. Tem problema? — Claro que não. Será perfeito. — Jensen fala sorrindo para ela. Depois de esperar que ela retoque sua maquiagem e bisbilhote toda minha casa decidiu ir para a boate. Encontramos todos lá e a noite é bem divertida. Todos adoram ver minha tia. Ainda mais Enzo que não a via fazia alguns anos. Aproveitamos a noite e tia Ellen também. Acordo e logo preparo meu café. Os meninos posaram fora de casa e o quarto de Andrew ficou para tia Ellen. Depois de tomar meu café decido ligar para vovó. Sei que ela ficará feliz em saber da notícia por mim e não por outra pessoa. — Bom dia, vovó. — falo assim que ela atende. — Bom dia. Com quem eu falo? — ela fala do outro lado e eu sorrio. — Sou eu, Lauren. — Oh, é você, menina. Não costumo receber muitas ligações e não tinha esse seu número. — É o número da minha casa. Estava sem créditos no celular por isso estou ligando com esse número. — Ah tá. E como você está menina? — Estou bem, vovó. E a senhora está bem? — Na medida do possível, sim, minha filha. E quando vai vir me ver? — Vou marcar uma viajem novamente com Laura. Mas eu liguei porque tenho uma notícia para dar. — Notícia? Boa ou má? — Boa. Ou assim eu espero que seja. Fiz as pazes com Jensen. Estamos namorando.


Ela fica quieta por alguns minutos e eu logo a chamo. — Vovó? Está ai? — Ah sim, menina. Só fiquei feliz com a notícia. Tenho esperado esse dia já faz tempo. Espero que de agora em diante você possa ser feliz. — Assim espero vovó. Resolvi dar essa chance para nós dois. Erros foram cometidos, mas nós dois éramos jovens demais e tomamos atitudes inesperadas. Espero que de agora em diante possamos viver em paz. — Assim espero, menina, cansei de te ver sofrer. Mas como eu disse aquela vez. Se vocês dois eram para ficar juntos o destino iria unir vocês. E assim aconteceu, espero que agora vocês se acertem mesmo. — Eu também. Bom, vovó, tenho que desligar agora. Tia Ellen está aqui. Quer falar com ela? — Sério? Quero sim. Passa aí pra ela que tenho que ter uma conversa seria com essa menina. — Tá bem. — Tia Ellen... A vovó quer falar com você. — saio gritando dentro de casa e logo ela aparece na porta com uma cara nada agradável. — Dá aqui esse telefone. Mas para de gritar. — ela fala e eu sorrio. Ela bebeu demais ontem à noite. Deve estar com uma ressaca daquelas. Vovó sempre me apoiou em minhas decisões. Quando vim embora ela disse que um dia as coisas tomariam seu rumo e no tempo certo nós dois iríamos nos entender. E aqui estou eu, anos depois, namorando meu ex-namorado. Temos alguns contratempos já que ele trabalha bastante, mas sempre que pode ele fica comigo por horas, para compensar o tempo fora. Ele tem sido meigo e carinhoso. E sei que foi isso que sempre quis para minha vida. Olhando para o futuro agora, posso ver nós dois juntos. Estamos recomeçando e quero que tudo seja perfeito. No tempo certo, vamos nos casar e sei que teremos filhos maravilhosos. E eu aguardo ansiosamente por esse dia, o dia em que terei em meu colo o fruto de nosso amor. Mesmo que tenhamos passado por muitas coisas, hoje estou feliz por tê-lo ao meu lado. Estou feliz por Ethan ter encontrado uma pessoa legal para estar ao seu lado. Henry e Laura estão em um pequeno relacionamento que eles não querem dar nome, mas sei que dessa Laura não vai escapar. Ela tem estado à vida toda evitando relacionamentos. Mas o caso dela com Henry estão mais longe do que os dois imaginam. Enzo tem frequentado bastante o meu escritório. E sei que o motivo não é para me ver e sim


para se encontrar com Clara. Na verdade, espero que os dois se entendam. Ela é uma garota legal e sei que vai fazer ele feliz. Andrew, pelo contrário, não se amarra a ninguém. Continua o típico galinha que será difícil de ser domado. Mas como alguém conseguiu domar Laura, creio que não vai ser difícil alguém domá-lo também. Na verdade, meu único desejo, a partir de hoje, é que todos sejam felizes. Que todos possam dar chances ao amor e encontrar a tampa de suas panelas assim como eu encontrei a minha.


5 Anos depois. O sol está radiante hoje o que deixou o povo todo animado. As crianças estão brincando nos brinquedos e os adultos estão preparando o almoço. Hoje faz quatro Anos que eu e Jensen nos casamos e decidimos convidar nossos amigos para uma festa em nossa casa. Assim como eu havia imaginado, a casa branca está como nos meus sonhos. Tem quartos para todos e na parte de trás tem um grande espaço para a família toda. Do lado esquerdo estão os brinquedos das crianças. Quase montamos um parque ou algo do gênero, mas não ligamos. Queremos que nossos filhos sejam felizes assim como todos nós fomos em nossa infância. Do lado direito está uma enorme piscina e como o sol está quente hoje, a maioria está dentro dela se refrescando. Olho para o lado da churrasqueira que Jensen montou e o vejo sorrindo para algo que Enzo acaba de falar. Perto deles, vejo Ethan conversar animadamente com Andrew. Fico olhando para eles quando vejo Laura se aproximar de mim. — Você tem certeza que Dalla está cuidando das crianças? — Claro que sim. Desde que fiquei grávida, Dalla cuidou de mim e sempre é ela que me ajuda a cuidar do Stevan. Você sabe que ela é confiável. Foi ela que cuidou da Brenda quando você e Henry tiveram que ir viajar aquela vez. Eles estão sendo bem cuidados. — Tá bom. É que me preocupo com Brenda. — Eu sei. Mas trate de aproveitar o dia. Você e Henry merecem. — Verdade. — ela fala e fica pensativa olhando Henry na piscina. — Quer saber de uma coisa? — Fala. — Vou dar um mergulho. Se precisar de ajuda e só chamar. — Tá esperando o que? Vai logo se divertir. Ela sai toda animada e assim que se aproxima da piscina ela dá um pulo dentro da mesma o que faz todos olharem pra ela e rir. Logo vejo Ethan e Andrew fazerem o mesmo e sorrio com o mortal que Andrew dá. Entro em casa para pegar alguns talheres e logo Clara vem atrás. Dois anos depois que me casei, ela se casou com meu irmão. Estão bem e ela está grávida de sete meses.


— Precisa de ajuda? — ela fala animada. — Se você puder levar alguns talheres, eu agradeceria. — Claro. Onde estão? — Já te entrego, deixa eu pegar aqui embaixo pra você. Assim que me abaixo para pegar os talheres escuto a campainha tocar. — Pode abrir para mim? — Sim. Vou lá ver quem é. Mas já estão todos aqui, não estão? — Creio que sim. Não me lembro de alguém que esteja faltando. Ela sai em direção à porta e logo escuto algumas conversas. Vou até a porta e a vejo vindo em minha direção com minha mãe. — Minha menina. — mamãe fala se aproximando de mim e me abraçando. — Mamãe? O que está fazendo aqui? — O que toda mãe deveria fazer. Estou aqui porque hoje é um dia importante para você e meu querido genro. — Como a senhora soube? Você e papai não estavam no Brasil? — Tinha ligado para Laura esses dias e ela me contou. Fiz de tudo para seu pai vir também, mas sabe como ele é. Só pensa em trabalho, trabalho e trabalho. Então o deixei lá e vim sozinha. — Eu imagino. Papai parece que esqueceu que há muito tempo ele teve três filhos. Nem para visitar os netos ele vem. — Por isso que eu vim. Se ele não tem interesse pela nossa família, eu tenho. Onde estão todos? E cadê meus pequenos que estou morrendo de saudades. — Estão todos lá fora. Venha à comida já está pronta. — Que ótimo porque estou mesmo com fome. Pego os talheres e sigo para fora junto com elas. Todos se espantam ao verem mamãe ali parada ao meu lado e ao lado de Clara. Mas logo Laura se aproxima para saudá-la e por fim todos a cumprimentam. O almoço está animado e, assim que sentamos à mesa para comer, tia Ellen chega. É um


alvoroço só, já que ela e mamãe não tinham se visto mais. Todos sorriem e conversam animadamente. Jensen se aproxima de mim e beija meus lábios. Logo fala “eu te amo” em meu ouvido e eu respondo que também o amo. Stevan se aproxima sorridente e Jensen logo o pega no colo. Ele é idêntico ao pai, de mim só tem os olhos azuis brilhantes. Beijo sua bochecha e ele me dá outro beijo em troca. Sorrio para os dois amores da minha vida. Logo Stevan sai correndo atrás de Isadora, a filha de Ethan e Alex. Depois do almoço a maioria segue para a piscina e logo trato de tirar a mesa. Clara e Alex me ajudam enquanto mamãe está conversando animadamente com Laura e tia Ellen. Assim que acabamos, voltamos a sentar junto com elas e é conversa pra todo lado. Por mais que eu confie em Dalla, resolvo ir dar uma olhada nas crianças. Encontro todos brincando e sorrio ao ver que eles estão brincando animadamente no brinquedo que um dia eu e Jensen brincávamos quando éramos criança. Assim que fizemos esse local para as crianças, ele encomendou um brinquedo parecido com o de nossa infância. Sorri quando ele me contou e fiquei muito feliz quando vi o brinquedo chegar a casa. Stevan quase não sai do brinquedo e sempre que possível Alex traz Isadora para brincar com Stevan. Eles se dão muito bem e quase não brigam. Fico parada olhando eles brincarem e logo sinto as mãos de Jensen envolverem minha cintura. Ele observa junto comigo os dois brincarem. E logo sorrimos ao ver Stevan apoiar Isa, assim como Jensen me apoiava. Eles estão alheios a nós e logo continuam brincando. Viro-me para Jensen e o encontro com um sorriso nos lábios. Não resisto e logo o agarro e trago sua boca para minha. Depois de um longo beijo nos separamos ao escutar um coral de "Eca" ao nosso lado. Viramos e nos deparamos com Stevan, Isa e Brenda nos olhando com cara de nojo. Sorrimos para eles que logo voltam a brincar. Quando o dia termina, coloco Stevan para tomar banho e depois o levo para a cama. Mamãe irá dormir aqui em casa por alguns dias e os outros foram embora. Assim que me mudei para esta casa para morar com Jensen, Enzo e Andrew possuíram meu apartamento e só depois que Enzo e Clara casaram que ele deixou o local. Naquele mesmo mês, Andrew comprou meu apartamento e está morando lá até hoje. Ashley ainda continua no hospital e os médicos não sabem quando ela vai sair de lá. Quanto ao meu pai não ter vindo hoje, eu não estou preocupada. Papai sempre colocou o trabalho em primeiro lugar. Depois que nos mudamos para esta cidade, ele ficou dois anos e já se mudou. O trabalho dele requer que ele mude bastante de lugar, e mamãe adora conhecer lugares novos, por isso nunca reclamou. O único problema nisso tudo é que ele se afastou bastante de nós, os filhos e netos dele. Desta forma, eu já nem ligo para a ausência deles. Mas confesso que fiquei surpresa com a presença de mamãe. Estou feliz por ela ter vindo nos visitar.


Assim que vejo Stevan pegar no sono, sigo para meu quarto. Encontro Jensen sentado na cama sorrindo para mim quando me vê entrar no quarto. — Qual o motivo do seu sorriso? — Estou feliz, apenas isso. — Que bom que está feliz. Pois tenho novidade. — Novidade? — ele pergunta curioso. — Minha menstruação está atrasada e resolvi fazer um teste ontem. — E qual foi o resultado? — Estou grávida novamente. — falo empolgada e ele se levanta e me abraça, sorrindo de orelha a orelha. — Creio que estou completando dois meses daqui a dois dias. — Que ótima notícia, amor. Parabéns para nós, então. — ele fala sorrindo. — Obrigado por me fazer o homem mais feliz da terra. — Obrigado você, meu amor. Por estar sempre ao meu lado e ao lado de Stevan, e por nos fazer muito felizes. Espero que agora possa vir uma menina. Para completar nossa família. — Se não vier uma menina podemos tentar novamente, até vir uma menina linda igual à mãe. — Ela vai ser perfeita igual ao pai. Não tenho dúvidas. E depois de fazermos amor nos acomodamos na cama e logo o sono me atinge. Durmo feliz e agradecida por mais um dia que tive a oportunidade de estar junto com meus amores. E agora é só esperar para ver qual será o sexo desse pequeno anjo que carrego aqui dentro.


Fim.


208 s


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Chances do amor - ester baldus  
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