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FE............10 ANOS..........FEOD Eventos e momentos que marcaram a hist贸ria da classe Texto: Marcello Morrone

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Brest – França, 2002 O primeiro evento internacional da Formula Experience acontecia na França Vitória – ES, 2003: Durante a realização do Campeonato Sul Americano de Formula Windsurfing, o velejador peruano Ricardo Guglielmino pediu a palavra para apresentar aos brasileiros a classe Formula Experience. A proposta de ter uma classe que tornasse mais acessível a velejada em competição em pranchas de Formula era interessante, mas a filosofia da classe era totalmente voltada apenas para atrair e formar velejadores jovens para a raia e os equipamentos escolhidos funcionavam apenas com velejadores mais leves das categorias Junior (Sub 17) e Youth (Sub 20). Naquela época as pranchas homologadas para disputar as regatas de FE eram as Starboard Formula 156 Youth e Formula 136 Junior, além da Bic 170 ASA. De acordo com o as regras da classe, uma nova revisão nos equipamentos seria feita ao término do ciclo de 4 anos, no fim do ano de 2005.

Campeonato de FE nos EUA

Foto: FE International

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Brasília – DF, 2005 Já era sabido que a Starboard iria apresentar a sua nova prancha Formula 160 na versão ASA para correr na classe FE. Além dela, a marca registrou também a Formula Pro Kids 117. A Bic, por sua vez, não registrou nenhum modelo atualizado para o ciclo 2006-2010. Paralelamente à introdução das novas pranchas, chegava ao Brasil a primeira vela Severne Overdrive 11.0, que seria adotada pela veleria australiana como a vela para a classe FE. A vela “padrão” em Brasília era a 12.0 e os testes com a Overdrive 11.0 em cascos de FW surpreenderam imediatamente os velejadores da capital com uma performance muito boa nos ventos mais fracos competindo com as 12.0. Foi a partir daí que começou a ser vislumbrada a possibilidade de se ter a classe Formula Experience sendo praticada aqui no Brasil por velejadores de todas as idades. A Severne Overdrive 11.0 foi enviada para várias cidades do Brasil onde foram feitos testes de performance. A velinha foi aprovada e logo mais chegariam os primeiros cascos de FE.

Severne Overdrive 2005 em teste em Balneário Camboriú Foto: Alexandre Neves

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Vitória – ES, 2006 O sucesso do shape Formula 160 Wood foi imediato na classe Formula Windsurfing e a FE teria então a mesma prancha em uma construção mais acessível e robusta. Isso atraiu diversos velejadores de fim de semana ou “freeracers”, ou mesmo iniciantes que saiam das escolas de Windsurf e tinham à mão uma prancha que funcionava e era resistente o bastante para resistir bem ao aprendizado e ainda continuar em bom estado após isso. Aos poucos grupos foram sendo formados em Balneário Camboriú, Vitória, Brasília, Araruama e esses grupos foram rapidamente sendo transformados em flotilhas. A essa altura, nos bastidores da classe, a idéia era formatar uma classe para esses grupos, tomando-se como inspiração o programa Staboard Community Racing, que aconteceu aqui no Brasil em 2002 e 2003 com regatas de Formula Windsurfing envolvendo apenas velejadores de fim de semana. O Community Racing teve mais de 110 velejadores participantes nas duas edições e revelou talentos como o cearense Fábio Melo, assim como a FE revelava então nomes como o de Julien Quentel, que hoje compete na PWA.

Julien Quentel, Campeão Mundial de FE 2005

Fotos: FE International

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Com esse espírito realizou-se o primeiro Campeonato Brasileiro da Classe Formula Experience, na praia de Camburi, em Vitória. Nenhum velejador que tivesse terminado o Brasileiro de FW entre os 30 mais bem colocados poderia se inscrever. O capixaba Wellington Almeida conquistou o primeiro título brasileiro de FE.

Balneário Camboriú – SC, 2007 Durante todo o ano de 2007 a classe FE foi crescendo regionalmente, mas um local se destacava no cenário por só ter velejadores de FE competindo nas regatas estaduais. A flotilha de Balneário Camboriú se desenvolvia em cima da classe e o campeonato estadual de Santa Catarina de Formula era disputado com os equipamentos de Formula Experience. Não por menos o balneário catarinense foi escolhido para sediar o 2º Campeonato Brasileiro de FE, que já teve uma participação de velejadores de diversos estados e que consagrou novamente o capixaba Wellington Almeida como campeão em um evento.

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Wellington Almeida, bi-campeão Brasileiro de FE

Foto: Marcello Morrone

Durante o campeonato de Balneário Camboriú também foi realizada a primeira reunião de velejadores FE para discutirem os rumos da classe para o futuro. A filosofia e o formato da classe se encaixavam muito bem no perfil do velejador brasileiro, que gosta muito de velejar e competir, mas muitas vezes não pode ou não quer investir recursos e dedicar seu tempo testando equipamentos e treinando constantemente. A FE, com uma prancha só, com a quilha de série, velas mais fáceis de montar e regular, em mastros menos frágeis já atraía muitos velejadores mais experientes. Ficou definido então, pelos velejadores da classe, que, a partir de 2008 a classe abriria suas portas para quem quisesse competir, independente do biotipo, faixa etária ou nível técnico. Além disso, como classes diferentes, as regatas de FE seriam separadas das regatas de FW.

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Maceió – AL, 2008 Em 2008 a FE virou febre! As pranchas daqueles velejadores iniciantes ou “freeracers” começaram a ser requisitadas pelos velejadores mais experientes e competidores e um fenômeno interessante se deu em boa parte dos clubes de Windsurf no Brasil. Os velejadores competidores trocavam de prancha com os velejadores “freeracers”. A troca era boa para ambos, pois o competidor entraria para a classe FE com um equipamento pronto para vencer as regatas e o “freerace” trocava sua prancha barata por um casco com a construção mais sofisticada sem precisar investir mais dinheiro para isso. Não há como negar que outro fenômeno de mercado influenciou o crescimento da classe FE no Brasil: como aqui no país o nível dos velejadores de FW é altíssimo, quem quiser competir e não apenas encher a raia, vai ter que estar com o equipamento afiado. A diferença sensível de performance em quilhas fez a demanda explodir para uma oferta restrita de equipamento e o preço das quilhas boas de FW foi para as alturas. Em um dado momento, a quilha custava o mesmo preço de uma prancha de FE (com quilha). Era interessante notar que praticamente 100% dos competidores da FW estavam com a mesma marca de quilha e prancha, ou seja, numa análise extremada, qual seria a diferença em estar todos com a mesma prancha e quilha de FW e todos estarem com a mesma prancha e quilha de FE competindo entre si? Para os velejadores de FE, a única diferença era o custo e a classe continuou atraindo não só novos velejadores, como também a atenção do mundo pela quantidade de pranchas Starboard FE 160 que vinha para o Brasil. Por solicitação brasileira, a veleria Gaastra também oferecia o modelo GTX nos tamanhos 11.0 e 10.0 e com as especificações da classe FE. Com quase 4x mais velejadores que na primeira edição, Maceió recebia agora o III Campeonato Brasileiro da Classe FE. O evento foi tão bem organizado e o clima tão agradável entre os competidores que ninguém se importou com a falta de vento. Apenas duas regatas foram validadas e outra vez um capixaba, Romulo Finamore, ficou com o título.

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Maceió mostrou para o Brasil, entretanto, que o equipamento de FE funciona em ventos a partir de 7 nós e foram flagrados momentos de pranchas planando com menos que isso.

Foto: Daniela Morrone

Na concorrida Assembléia da Classe novas diretrizes foram traçadas pelos velejadores para o ano seguinte. Entre elas a criação do Circuito Brasileiro de Windsurf FE e o lançamento oficial da candidatura do Brasil para sediar o Campeonato Sul Americano da classe em Maragogi – Al no ano de 2009 Ancon – Peru, Réveillon 2008/2009 A prancha olímpica seria substituída e uma das propostas colocadas para a ISAF era a da FWOD (foto). A Formula Windsurfing One Design foi uma idéia concebida pela classe FW (IWA) em parceria com a Starboard para oferecer um equipamento para as Olimpíadas de Londres, em 2012. A prancha era a Starboard Formula 162 Wood, com uma quilha Deboichet R20. E a vela era um protótipo da Severne Overdrive 2009, a mesma utilizada para na FE. A proposta de se ter uma prancha de Formula nas olimpíadas não foi acatada pela ISAF, mas o legado da FWOD para a classe FE foi enorme. 8


Para a proposta olímpica, a Starboard não mediu esforços para desenvolver uma retranca de alumínio rígida o suficiente para funcionar bem no range de vento previsto para a FWOD, que só utilizaria a vela 11.0 no masculino e a 9.5 no feminino. Considerado o ponto mais discutível do equipamento de FE, a retranca de alumínio deixaria agora de ser uma preocupação e, custando 1/3 do valor da retranca de carbono, os velejadores de FE teriam um produto totalmente satisfatório para regatas de alta performance. Marcello Morrone, Romulo Finamore, Alexandre Neves e Bebeko Maia foram os primeiros brasileiros a se aventurarem em eventos internacionais na FE. O Campeonato Mundial 2008 em Ancon, no Peru foi o evento escolhido. A FE na América do Sul começou e se mantém muito ativa no Peru e muita gente participou do evento. Bebeko, com 13 anos, estava apenas aprendendo técnicas e táticas de regata. Rominho pegou uma intoxicação e não conseguiu competir. Morrone e Neves terminaram em 2º e 3º lugares respectivamente na categoria Master em um campeonato inesquecível que mostrou um espírito de integração e camaradagem incrível entre todas as flotilhas quando, em busca de vento, precisou ser transferido de sede para um local no meio do deserto distante 80 km.

El Paraíso, no Peru: sede alterada no Mundial 2008

Foto: Daniela Morrone

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Mas outro fato teve destaque em Ancon. A AGM (Annual General Meeting) discutiu a classe FE ao nível mundial. O Brasil sentava à mesa já como a maior flotilha do mundo e com o respeito de todos os integrantes da assembléia. Com as experiências passadas aqui no país desde 2005 e com as recomendações tratadas na assembléia da classe em Maceió na agenda, os representantes brasileiros propuseram algumas alterações na regra, que foram votadas e aceitas. A primeira sugestão brasileira foi em relação ao equipamento. Em 2008, 100% das pranchas inscritas em competições de FE eram Starboard. E o shape Formula 160 vinha de resultados bastante expressivos, como colocar 10 entre os 11 velejadores mais bem colocados no Mundial de FW em 2007. A proposta era a seguinte: sugerir à Starboard que só houvesse a introdução de um novo shape para a classe FE se ficasse realmente nítida a vantagem para os velejadores em termos de performance, range, facilidade de velejar ou custo. De fato, até hoje a Formula 160 Wood é uma prancha competitiva na FW e a decisão foi acatada pela Starboard para o ciclo 2010-2013. Então a Starboard forneceria a mesma prancha de 2006 a 2013, com a possibilidade de troca de shape em 2014. Pelo menos 8 anos competindo com a mesma prancha. O grupo brasileiro também conseguiu na AGM de Ancon ter o país aprovado como sede não apenas do Sul Americano em 2009, como também do Campeonato Mundial da classe em 2010. São Paulo - SP, Abril 2009 O Circuito Brasileiro de Windsurf FE tinha início com uma enorme festa realizada no clube Tempo, na represa de Guarapiranga em São Paulo.

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Um grande evento que contou inclusive com a presença do prefeito da metrópole marcou o início de uma nova fase da FE no Brasil, ainda mais competitiva e com cada vez melhor nível técnico. Após 7 regatas, o brasiliense Marcello Morrone conquistou o primeiro lugar, seguido do catarinense Rafael Cunha e de André Pedroza, também do DF.

Clube Tempo em SP durante a 1ª etapa do Circuito 2009 Foto: Marcello Morrone

A classe dava sinais de começar a se desenvolver também fora da América do Sul. Por outro lado, a veleria Gaastra tirava de produção a boa vela GTX FE enquanto a Severne continuava bastante interessada e desenvolvendo produtos para a classe. Foi a marca australiana que herdou a produção da retranca da FWOD, batizando o modelo de Alu Race, nos tamanhos específicos para as velas Overdrive. Para não comprometer a rigidez, cada tamanho de retranca monta apenas os 2 tamanhos de vela permitidos para cada velejador. Geralmente 11.0 e 10.0 ou 10.0 e 8.5. A retranca seria lançada em julho, durante o Mundial da classe, em Cádiz, Espanha.

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Florianópolis – SC, Junho 2009 A segunda parada do Circuito Brasileiro 2009 foi em Floripa, em pleno inverno. Apenas 3 regatas foram realizadas em ventos fracos. Morrone venceu de novo, com Alexandre Neves na segunda colocação e André Pedroza em terceiro. A mesma raia de Jurerê sediaria o IV Campeonato Brasileiro de FE no mês de outubro.

Por do sol em Jurerê, na 2ª etapa do Circuito 2009

Foto: Daniela Morrone

Uma reunião extraordinária foi convocada para que os velejadores brasileiros pudessem discutir e encaminhar sugestões para a AGM que seria realizada no Mundial, no mês seguinte. Uma das propostas votadas e aprovadas foi a idéia de se tornar a classe One Design, usando a prancha Starboard 160 FE e as velas Severne Overdrive, tornando os equipamentos iguais e aumentando ainda mais a disputa dentro d’água. Cádiz – Espanha, Julho 2009 Morrone, Neves, Rominho e Bebeko mais uma vez viajaram para representar o Brasil no Mundial de FE. Junto com eles mais dois

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garotos, Mateus Isaac e Leonardo Venturini engrossaram o caldo pros gringos. Neves se sagrou campeão Mundial Master, Bebeko trouxe o mesmo título na Sub 15 e Mateus foi o vice-campeão na Sub 17, que, então era a divisão principal da FE internacional.

Mateus Isaac em Cádiz

Foto: FE International

Novamente o Brasil teve destaque dentro e fora d’água. A AGM de Cádiz determinou mudanças interessantes para a classe, novamente sugeridas pelos brasileiros. A primeira delas, já em prática no Brasil há dois anos, determinava que a classe FE não poderia largar junto com outra classe. E, a mais importante, propunha que não mais a categoria Sub 17 fosse a única a disputar a medalha ISAF, mas a classe como um todo. 13


A partir de 2010 então, a medalha ISAF seria para o melhor classificado geral da classe FE. Essa proposta abriu uma nova perspectiva para a classe ao nível mundial, tornando a FE mais atraente para velejadores de todas as faixas etárias.

Alexandre Neves: 1º lugar Master em Cádiz Foto: FE International

Brasília – DF, Agosto 2009 91 velejadores participaram do COFE, o Centro-Oeste de Formula Experience entre os velejadores de FE e os convidados da classe FW.

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O evento fazia parte das comemorações do primeiro aniversário do Clube Katanka e foi uma confraternização bonita em torno do Windsurf. Nas condições particulares do Lago Paranoá, quem se destacou mesmo foram os velejadores da casa, colocando 6 atletas entre os 7 melhores colocados. Roberto Esteves foi o vencedor, seguido por Rafael Carvalho e Rodolfo Mariozzi, todos velejadores do Katanka. Florianópolis – SC, Outubro 2009 O IV Campeonato Brasileiro de FE foi disputado em condições perfeitas. Foram regatas com ventos soprando em diversas intensidades e direções. E foi um campeonato emocionante com disputas intensas em todas as regatas e com o título decidido apenas na última regata com Marcello Morrone terminando apenas um ponto à frente do paulista Mateus Isaac, de 15 anos. Luiz Fernando Urubu, de Vitória, ficou em terceiro.

Marcello Morrone em Jurerê

Foto: Daniela Morrone

Como não poderia ser diferente, mais uma vez os velejadores da classe FE se reuniram para discutir assuntos pertinentes à classe.

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Com as novidades da AGM de Cádiz colocadas, restava ao Brasil definir a sede do Mundial 2010 e o local escolhido por aclamação pela assembléia foi Araruama, no Rio de Janeiro. O contrato a ser assinado pela organização do evento com a IWA (International Windsurfing Association) foi passado às mãos de Leonardo Rebello, do clube Upwind em uma cerimônia carregada de emoção. Em 4 anos o Brasil saía do 0 para o principal país representante da classe FE e sediando o Mundial. Maragogi – AL, Novembro 2009 O Sul-americano seria o teste final do Brasil para sediar com sucesso o Campeonato Mundial. E a organização do evento em Maragogi foi impecável, com muita integração fora d’água entre as flotilhas participantes (Brasil, Chile, Peru) e regatas disputadas em um cenário paradisíaco de águas verdes, areias brancas e coqueirais.

Largada de uma das regatas em Maragogi

Foto: Cote Miranda

Nicolas Schreier foi o vencedor, com Marcello Morrone em segundo e Mateus Isaac em terceiro. 16


O Brasil estava, de fato, capacitado e chancelado para sediar o mais importante evento da classe FE no ano de 2010. Nos bastidores nenhuma fábrica de prancha registrou novos shapes para a classe e a Starboard FE 160 já era a única prancha disponível no mercado para competir na classe FE. A Severne enviou para o Brasil um protótipo da Overdrive 2010 e continuou desenvolvendo as velas especificamente para a classe. Já eram 5 anos de pesquisa e desenvolvimento das velas em cima das pranchas FE, procurando atender as demandas específicas dos velejadores. Nenhuma outra veleria registrou velas específicas para FE, apenas adaptações de modelos que se enquadravam na regra. São Paulo – SP, Março 2010 O 2º Circuito Brasileiro de Windsurf FE novamente abriria a temporada na represa de Guarapiranga, em São Paulo. A disputa agora não era apenas pelo primeiro lugar, mas para estar no G5, que era o grupo formado pelos 5 melhores ranqueados no circuito, automaticamente contemplados com passagens aéreas para viajarem de graça para a etapa seguinte do circuito. Houve um acréscimo de 50% de velejadores inscritos em relação ao circuito do ano anterior e nove estados foram representados por atletas durante as regatas. Desta vez a etapa de São Paulo não contou com bons ventos, mas num esforço incrível da organização e dos atletas, foi realizada uma regata que validou o evento no último dia praticamente no por do sol. André Yamin (foto), 17


Marcello Morrone, Fernando Bocciarelli, Romulo Finamore e Leonardo Venturini eram os primeiros 5 velejadores a formarem o G5 do ranking brasileiro. Vitória – ES, Maio 2010 A 2ª etapa do Circuito Brasileiro de Windsurf FE 2010 trouxe de volta as regatas ao local do primeiro evento nacional da classe. O vento também não foi o que normalmente sopra em Vitória e apenas 3 regatas foram realizadas no domingo. O paulista Boccia venceu as três provas e conquistou o título da etapa. Morrone, de Brasília foi o segundo e Mateus Isaac o terceiro.

Pranchas de FE enfileiradas no ICES

Foto: Marcello Morrone

Paracas – Peru, Agosto 2010 O sul-americano da classe FE foi disputado na bonita baía de Paracas, ao sul de Lima, no Peru. As regatas atraíram velejadores peruanos, chilenos, venezuelanos e, claro, brasileiros. Desta vez 6 atletas brasileiros representaram o país nas águas calmas e frias do Pacífico na região de Paracas. 18


Nicolas Schreier mais uma vez conquistou o sul-americano para o Peru. Desta vez o melhor brasileiro ficou apenas em 5º, mas o título das categorias Master e Junior ficaram para o Brasil com Alexandre Neves e Leonardo Venturini.

Pega entre Eduardo Herman e Alexandre Neves em Paracas

Foto: Daniela Morrone

Em Paracas voltou-se a discutir a idéia da classe se tornar One Design. Ao final do campeonato, a pergunta que cada velejador levou na mala foi: por que não? Se a prancha de Formula Experience não muda, por que o mesmo não pode acontecer com o rig? Isso tornaria a classe mais competitiva, mais estável e mais acessível, que é o objetivo fundamental da FE. Começou-se então uma discussão muito intensa e produtiva pelo comitê da FE em torno deste tema. Com membros espalhados na Ásia, Europa e América do Sul, as conversas eram por meio eletrônico e quase uma centena de e-mails foram trocados ponderando sobre 19


todos os aspectos que orbitariam em torno da proposta da Formula One Design. A opinião da própria IWA, associação que rege a classe FE, foi decisiva. De acordo com Ceri Williams, ou se tem classes fechadas ou abertas, tudo que está no meio disso não terá futuro. Porto Alegre – RS, Setembro 2010 A terceira etapa do Circuito Brasileiro voltava para a água doce. O rio Guaíba, em Porto Alegre, foi o novo cenário da classe em eventos nacionais. Talvez o evento mais descontraído da temporada, timoneado pela Raia 1, escola e guarderia importantíssima para o windsurf brasileiro, com mais de 20 anos aberta no mesmo endereço. Foram regatas muito divertidas, que contaram com elementos que deixaram as disputas ainda mais interessantes e técnicas. Na mesma raia os velejadores encontravam trechos com muita ondulação, trechos com água lisa, rondadas de vento e uma forte correnteza que empurrava todos contra o vento. Era inacreditável o ângulo de orça das pranchas na etapa de Porto Alegre. Marcello Morrone conquistou o primeiro lugar na etapa, com Mateus Isaac em segundo e Fernando Bocciarelli em terceiro. Londres – Inglaterra, Outubro 2010 O comitê aprovou a proposta de discussão em assembléia da proposta da classe FE tornar-se One Design, ou seja, apenas um tipo de equipamento homologado para as disputas. O assunto entraria na pauta levando-se em consideração os seguintes pontos: Estabilizar a classe como já ocorre com os cascos permitidos Lojas e distribuidores, às vezes distantes meio mundo das principais fábricas, poderiam estocar equipamentos de FE durante todo o ano

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O grande barato de se ter todos os velejadores competindo com o mesmo equipamento seria possível em uma prancha de Formula A classe FE seria mais facilmente identificada e reconhecida já que havia ainda uma confusão na mídia e mesmo entre os velejadores em relação à FW A classe se tornaria ainda mais acessível, com a estabilidade de equipamentos também em relação às velas, que, assim como as pranchas, não teriam os modelos modificados constantemente. A Starboard, fabricante das pranchas e proprietária da marca Severne, através do seu presidente Svein Rasmussen, só se manifestou uma vez durante toda a discussão pelo comitê afirmando o seguinte: “A Starboard estará contente em seguir o que for a decisão da AGM” A pauta da AGM de Araruama era então publicada no site oficial da classe no dia 05 de outubro. Arraial do Cabo – RJ, Outubro 2010 O V Campeonato Brasileiro de FE foi também o mais concorrido. Ao todo, 92 velejadores se inscreveram no evento para competir na FE, FW e Start.

Como sempre nos campeonatos de FE, foram regatas incríveis, com trocas de posições constantes e pegas inesquecíveis.

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Montagem da bóia da primeira para a segunda volta de uma regata

Foto: Igor Aguirre

Com 4 regatas disputadas no primeiro dia, sendo as duas primeiras com ventos acima de 20 nós e as duas últimas com ventos na faixa dos 14 nós, Leonardo Rebello conquistou o título brasileiro jogando em casa. Marcello Morrone ficou com o vice-campeonato e Fernando Bocciarelli foi o terceiro. Na noite do dia 09 a flotilha brasileira se reuniu mais uma vez em torno de uma mesa para conversar sobre a classe. Em pauta, além dos assuntos rotineiros das assembléias, como a escolha das sedes dos campeonatos, seria discutida e votada a posição do Brasil em relação à pauta da AGM (Annual General Meeting) a ser realizada na semana seguinte, durante o Mundial. Após o esclarecimento de algumas dúvidas, foi decido, por unanimidade, que o Brasil iria votar “sim” para a proposta da classe FE se tornar One Design utilizando os rigs Severne Overdrive como oficiais do novo formato da classe. Araruama – RJ, Outubro 2010 Enfim o esperado Mundial do Brasil! Um ano após a escolha da sede na assembléia nacional da classe em Florianópolis, a Upwind realizava seu maior evento. Foram 15 regatas com ventos que sopraram de fracos a fortíssimos! As disputas foram realizadas em um nível muito alto e raia cheia. O resultado final só foi definido no último dia de competição.

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E Nicolas Schreier venceu de novo, mas não foi fácil. Leonardo Rebello ficou em segundo e Fernando Bocciarelli foi o terceiro. Outros 4 brasileiros terminaram o campeonato entre os 10 primeiros colocados. Além disso, 3 títulos mundiais em sub-categorias ficaram no Brasil: Leo Rebello conquistou o Mundial na categoria Master, Leo Venturini venceu na Junior (Sub 17) e Almyr Barros ganhou na Gran Master .

Leonardo Rebello

Foto: Daniela Morrone

A AGM que definiu a Formula One Design ocorreu no dia 14 de outubro com a presença de 11 membros/países com direito a voto. As questões levantadas foram as mesmas respondidas durante a assembléia nacional, poucos dias atrás. A mais interessante foi em relação ao monopólio das marcas, que poderia elevar os preços dos equipamentos. O presidente da classe, Remi Villa, explicou que os preços serão supervisionados pela classe e que qualquer discrepância deverá ser imediatamente reportada para evitar qualquer problema nesse sentido. 23


Remi salientou também, em seu discurso, que federações importantes com a francesa e inglesa registraram que a FE só seria aceita em seus respectivos países com perspectiva de crescimento caso fosse adotado o formato One Design. A classe aberta já está muito bem representada pela FW na Europa. Apenas o México, votando por procuração, foi contra a proposta. Todos os demais membros e países foram favoráveis e a classe FE passará a se configurar como uma classe One Design com os equipamentos*: Pranchas

Starboard Formula 160 Tufskin Starboard Formula Pro Kids

Velas

Severne FEOD

Mastros

Severne Blue Line

Retrancas

Severne Alu Race

Extensões

Severne HD

Pé de mastro

Severne Euro Pin

Quilhas

Drake R19 NR 70 Drake R13 NR 70 Drake R13 NR 68 Drake R13 NR 66

* Todos os equipamentos previamente homologados para a classe FE continuarão podendo competir

Esta é a história da Formula One Design, uma classe que nasceu na água, inventada e formatada pelos velejadores! A classe foi sendo moldada pelos próprios velejadores, sempre no sentido de se tornar uma alternativa mais acessível e também mais simples para o Windsurf de competição.

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As combinações de equipamentos são bem restritas, mas possíveis para que velejadores de todos os biotipos possam estar competitivos em um range maior de vento. As demandas colocadas pelos velejadores para a Severne foram no sentido sempre de ter equipamentos que dão prazer de competir, com rigs eficientes dentro do que a regra e a filosofia da classe propuseram. Velas mais fáceis de regular, mastros mais baratos e mais resistentes, retrancas mais baratas e uma prancha que já vem com a quilha de fábrica formam o pacote da Formula One Design. Em cada campeonato o velejador pode inscrever 1 prancha, 2 quilhas, 2 rigs. Cancun – México, Réveillon 2011/2012 O primeiro Mundial da classe sob o formato FEOD foi realizado no balneário mexicano de Cancun. O Brasil foi representado pelos capixabas Fernando “Urubu”, Gabriel Bastos, Leonardo Venturini e pelo carioca Andrés Bessada. Mais uma vez o título ficou com o peruano Nicolas Schreier. Urubu ficou com o vice-campeonato na Open, Gabriel Bastos em 2º na Sub 20 e Leozinho também com a prata na Sub 17. A FEOD continua agregando adeptos na América do Sul, com Uruguai e Argentina formando suas flotilhas e algumas federações européias também estudam a introdução da classe no velho mundo!

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FE=FEOD  

História da classe Windsurf Formula Experience One Design

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