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arte_ Mundo Arte Global


Foi uma daquelas coisas que só acontecem em festa do Beco. Eram umas três da manhã e eu estava no Beco na Zona (festa que rolou no Madrigal) quando alguém que eu não conhecia surgiu do meio da louca multidão que dançava e disse: “Carol, está na hora de fazer uma revista sobre a noite, uma revista para essa galera aqui.” Falou isso assim, do nada, e saiu. E foi nessa situação meio nonsense, que para alguns passaria despercebida, que surgiu a idéia de fazer a revista do Beco. No dia seguinte, eufórica, liguei para o Vitor contando sobre o insight e ele, claro, topou na hora. Pelo motivo óbvio: o Beco é muito mais que o Cabaret do Beco e o Porão do Beco - as duas casas noturnas mais legais do underground gaúcho - e a marca responsável pelo super reconhecido festival de música independente Gig Rock. O Beco criou uma seita de seguidores que o acompanham desde quando ficava embaixo do viaduto, na João Pessoa. O Beco virou símbolo de um grupo lindamente livre, que cria estilo, consome cultura, entende de música, aceita (e ama) o novo, sem preconceitos com outros grupos e outros estilos. E como disse aquele misterioso ser noturno que me abordou, só faltava uma revista sobre esse universo. Aqui está ela. Carol Teixeira, Editora


índice 06_editorial 08_quem faz? 12_os bequistas 16_gogol bordello 18_cory kennedy 24_meu beco 26_gig rock 30_shortbus 32_css 38_moptop 42_fotos 50_coluna do fredi 52_coluna do iuri 54_coluna do machuca 56_coluna do schutz 58_shots 60_agenda 62_finalera

quem faz?

Vitor Lucas o poderoso chefão_

Carol Teixeira editora_

É o dono do mundo, ops, do Beco. Sobrinho do Marlon Brando e primo do Al Pacino. É o representante da família Corleone no sul do Brasil.

É escritora, filósofa, tem dois livros publicados e muitas frases e borboletas tatuadas pelo corpo. Acredita piamente que só o Beco salva. www.carolteixeira.com.br

Rafa Rocha diretor de arte_

Douglas Gomes designer_

É diretor de arte, ilustrador, designer, fotógrafo, poeta, músico, cantor de mambo, dj, alpinista, tricolor, samurai, tyler durden e muito mentiroso...

Fanático por ondas e todas suas variações físicas, naturais e não naturais. Armado com lápis e papel sonha dominar o mundo e 4:20 é sua hora sagrada.

Foto de Capa_ Felipe Neves Beco 203_ www.beco203.com.br Porão do Beco_ Av. Independência 936 Cabaret do Beco_ Av. Independência 590 Contato_ revista@beco203.com.br Só o Beco salva.


Rafael Schutz colunista_

Gabriel Machuca colunista_

Fredi “Chernobyl” Endres|colunista_

É Dj residente e produtor das noites do Beco. Passa os dias repicando o cabelo, discursando sobre sua raíz róque e mesmo assim é o queridão da galera.

É lindo, culto, o genro dos sonhos, indie, rapper e usa a humildade como fonte de auto-descrição. É amigo de todos os seres do mundo, exceto um, Fito Paez.

Becólatra, guitarrista desde 1985, tem uns 15 discos lançados no Brasil e no exterior. Entre shows e gravações, se escora no balcão do Beco com sua amada.

Iuri Freiberger colunista_

Camila Mazzini colaboradora_

Felipe Neves fotógrafo_

É de Porto Alegre, mas mora no Rio de Janeiro. Sua banda é Tom Bloch, produziu mais de 40 cds, é o curador do Gig Rock e sua vida tem música 24 horas.

É jornalista, fotógrafa de vez em quando, assistente de produção e “faz-tudo” do Beco.

Fotógrafo, canta muito mal, estuda propaganda, não toma refri, mas gosta mesmo é de aipim frito.


Os

Bequistas

Saiba mais sobre os seres que habitam as noites do Beco.

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.: quem é?

.: quem é?

LAKA

Daniela Ribeiro a.k.a. Dani Hyde - DJ aposentada

.: o que faz? Cabeleireiro

.: o que faz?

.: top 3 do iPod_

Estudante e pesquisadora em História

“Psycho” (System of a Down), “Hands Away” (Interpol), “Before I Forget” (Slipknot)

.: festa preferida do Beco_ Looks Like Poa, a festa do site

.: por que só o Beco salva? Porque os outros lugares condenam.

.: top 3 do iPod_ ipobre, vide resposta anterior: Todos do John Frusciante, “In the Court of the Crimson King” (King Crimson), “Eletric Ladyland” (Jimi Hendrix)

.: festa preferida do Beco_ A extinta Róque Town (minha, do Machuca e do Perassolo) e os Classic Albuns da Império da Lã

.: por que só o Beco salva? Procure uma foto antiga do Machuca e você vai entender.


.: quem é?

.: quem é?

.: quem é?

Guri Assis Brasil

Chico.

.: o que faz?

.: o que faz?

Isadora Ferrão, presente em todas as listas das festas

Guitarrista da Pública e integrante da Império da Lã

Ufrgs e festa no Beco

.: top 3 do iPod_

“Sun it rises” (Fleet Foxes) “Money Man” (Amy Winehouse) “Temptation Greets You Like a Naughty Friend” (Arctic Monkeys)

“Ballad of The Thin Man” (Bob Dylan), “Dilli Dilli” (Pata de Elefante) e “Sessão da tarde” (Pública).

.: festa preferida do Beco_

.: top 3 do iPod_

Não é por que faço parte, mas a que mais gosto é o Classic Albuns.

.: festa preferida do Beco_

.: por que só o Beco salva?

.: por que só o Beco salva?

Por que temos o Tinga e o Odilon para nos receber. E admiro muito o Vitor. Ele dá a cara a tapa, é um louco com muita visão e tudo o que toca vira ouro. Ele tinha que abrir o Xis do Beco, o buteco do Beco, o teatro e depois conquistar o mundo.

Porque é ele quem nos condena.

Hypes de sexta no Cabaret do Beco.

.: o que faz? Vestibulanda, temporariamente.

.: top 3 do iPod_ “Ashes to Ashes” (David Bowie), “King of the Rodeo” (Kings of Leon), “Stuck in the Middle With You” (Stealers Wheel).

.: festa preferida do Beco_ Fuck Rehab e as Open são as minhas favoritas. Também as Batalhas de iPod e a festa do queridão Schutz, I Love Diskorock

.: por que só o Beco salva? Ali tudo é possível. Tens a liberdade de ser tu mesmo, ou quem tu quiser ser. E me salvou - graças ao Beco, tenho os melhores amigos e uma coleção de momentos inesquecíveis. É a minha segunda casa.


gogol bordello_

Texto_ Carol Teixeira Fotos_ Divulgação

Ucraniano, cigano, roqueiro, performático e queridinho da Madonna. É tão cool que todos já acham legal, mesmo antes de ouvir. Cada vez mais admirado pela cena indie, Evgeny Aleksandrovitch Nikolaev, mais conhecido como Eugene Hütz, é o líder da banda Gogol Bordello e faz um tipo de som inclassificável, mas que com algum esforço pode ser definido como punkcigano, no qual mistura elementos do leste europeu com gêneros ocidentais.

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ELE É O CARA

Já morou no Rio de Janeiro com a namorada antropóloga (onde chegou até a atacar de DJ na Lapa, na festa Ciganomania), já viveu em comunidades gypsies na Polônia e Hungria, já atuou no ótimo Uma Vida Iluminada (filme baseado no também incrível romance do americano Jonathan Safran Foer) e agora protagoniza o filme que Madonna dirigiu, Filth and Wisdom. Mega carismático, ele ganhou tanto a admiração da diva pop que ela até o chamou para fazer parte de sua turnê brasileira, no final do ano. Antes disso, no entanto, dá para ver o cara e sua banda no TIM Festival. Com integrantes saídos da Ucrânia, Etiópia, Equador e Rússia (entre outros), Gogol Bordello é pura performance e


delírio, tão intrigante que fica impossível fazer alguma comparação com algo conhecido. Nove pessoas—entre elas dançarinas e músicos tocando acordeão, violino e percussão—que se reuniram para fazer algo diferente porque sentiam que a civilização ocidental, em termos de música, tinha se esgotado e se repetido demais. Mas ai de quem chamar seu som de world music. Em uma entrevista para a Folha de São Paulo, Eugene reagiu indignado à mera menção do termo: “É estúpido, racista. Como se dissessem: ‘Aqui está a música americana, o resto é world music’. O que isso quer dizer?”. Procure no YouTube por “Start Wearing Purple”. Música ótima, clipe criativo e muito louco. Dá para ter uma idéia de que esse hype todo tem fundamento.

gogolbordello.com/

Flickr.com Tags_ ciganomania rio

wip.warnerbros.com/ everythingisilluminated/

Trailer no YouTube_ Tags: madonna filth wisdom

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cory kennedy_

Texto_ Carol Teixeira Fotos_ Divulgação

WHO THE FUCK IS CORY KENNEDY? É impressionante ver a capacidade que a internet tem de criar ícones culturais da noite para dia. Cory Kennedy é mais uma personagem dessas fábulas pós-modernas que cada vez mais fazem parte de nossas vidas. Sem ser filha de famosos ou se destacar em alguma atividade que chamasse a atenção da mídia, ela virou símbolo de uma geração de adolescentes por um único motivo: ela tinha estilo.

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Esse absurdo fenômeno da internet começou assim: Cory Kennedy, uma desconhecida menina de 15 anos de Santa Monica foi num show dos Blood Brothers no El Rey Theatre. Lá foi fotografada por Mark Hunter, mais conhecido como The Cobra Snake, fotógrafo que tem um dos blogs mais legais e acessados da Califórnia, cobrindo as festas mais hypadas, desde as mais undergrounds até aquelas disputadíssimas, freqüentadas por celebridades – tudo registrado de uma maneira nada convencional. Eis que a tal foto da menina de cabelo propositalmente despenteado, vestidinho amarelo Lacoste e tênis surrado chamou atenção de alguns blogs de moda. E Hunter notou que cada vez que postava de novo alguma foto de Cory, as vistas aumentavam vertiginosamente. Notando esse espantoso starquality, Hunter começou a investir nela, vendo aí uma forma de chamar mais atenção para o seu próprio trabalho. O cara, mega influente, apresentou Cory para o editor da revista Nylon e na semana seguinte ela já estava sendo fotografada para um editorial.

thecobrasnake.com/ partyphotos.html

Nylon magazine_ nylonmag.com

Site da Cory_ corykennedy.uber.com


Os pais da menina, que obviamente não são da geração internet, ficaram chocados quando se deram conta de que a filha tinha virado uma celebridade, solteira de novo, saindo toda noite com amigas tipo Paris Hilton e Lindsay Lohan, pegando um dos caras do Kings of Leon. Nesse ponto, Cory já estava trabalhando no escritório de Hunter como estagiária, os dois estavam namorando e indo juntos em todas as festas mais badaladas do circuito. A partir daí a coisa foi indo numa velocidade espantosa: L.A. Weekly fez um pequeno artigo sobre Cory e a banda Good Charlote fez um clipe com ela para a música Keep Your Hands Off My Girl, que consistia basicamente em ela ouvindo a tal música no iPod enquanto comia comida indiana. O clipe se tornou um dos mais populares da web e logo Cory Kennedy já estava ganhando bem para aparecer nos eventos mais disputados. Os pais da menina, que obviamente não são da geração internet, ficaram chocados quando se deram conta de que a filha tinha virado uma celebridade, solteira de novo,

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saindo toda noite com amigas tipo Paris Hilton e Lindsay Lohan, pegando um dos caras do Kings of Leon, aparecendo em capas de revista e tendo cinco mil acessos por dia em seu site. O estilo heroin-chic da menina começou a ser imitado por adolescentes pelas ruas e estilistas cada vez mais se interessavam pela capacidade única que Cory tinha de criar seu estilo misturando peças baratas e de brechós com acessórios de grife. Hoje ela tem 17 anos, anda participando de diversas campanhas publicitárias de marcas incríveis, indo nas melhores festas, segue com seu mega acessado blog e, devido ao seu namoro com Nick Simmons (filho de Gene Simmons, baixista e vocalista do Kiss), faz algumas aparições no reality show da família, Gene Simmons Family

Youtube tags: Good Charlotte Keep Your Hands Cory

Escute o novo disco Only by the Night_ myspace.com/kingsofleon

aetv.com/genesimmonsfamilyjewels

Jewels.

Como disse Marvin Scott Jarrett, editor da Nylon, quando perguntado sobre o sucesso da menina: “É como um ‘Ingrediente X’; algumas pessoas têm e outras não.”

Flickr.com Tags_ Cory Kennedy Paris Hilton


meu beco_

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Foto_ Felipe Neves Assist. Foto_ Lucas Tergolina

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.: Carlinhos Carneiro_ Invadimos o quarto do Carlinhos Carneiro, (Bidê ou Balde e Império da Lã). Papo com Carlinhos é sempre aquela coisa: impossível parar de rir. E foi entre muitas risadas, bem obediente, aceitando as dicas da mamãe, que ele nos contou sobre seu nada organizado canto (“A cama desarrumada é para parecer que teve movimento na noite passada, né?”). 1 “A Alcione eu dei para minha mãe no dia das mães de 2006. Ela era toda tímida e quietinha mas agora, como diz a Lia, mãe do Guri (da Pública), ela está ‘outra pessoa’, toda faceira, fazendo festa para todo mundo. ” 2 “É uma escultura em tamanho real da cabeça do Tinico, feita pelo artista curitibano Antônio Carlos de Paula (ex-Ternurinha) ” 3 DVD do filme Meu Amigo Harvey_ “É um filme de 1950, um dos meus preferidos. A moral é tipo ‘Os bêbados tem razão’, sabe? (risos)” 4 Livro do Brizola: Um Brasiliero Chamado Brizola_ “Meu pai era muito fã do Brizola. Daí esses dias conheci um cara do PDT, que é superengajado, e ele puxou esse livro, escreveu uma dedicatória gigantesca, bem bêbado...acho que vou até votar esse ano só por causa dele (risos)” 5 Disco do Beck_ “Tenho esses disco há nove anos e nunca ouvi. Porque é uma biografia do Beck e eu acho que deve ser o maior golpe do mundo, eu comprei só para ter, não queria deixar que outro tivesse.” 2 6 “Máscara do PC Farias, que a gente chama de João Ubaldo, porque é a cara do João Ubaldo Ribeiro. Eu, o Pedrão e o Pila compramos em Curitiba, depois de um show, às oito da manhã. Bêbados claro.” 7 Coleção Os Pensadores_ “Eu não li todos, né? Mas eu lembro que quando eu li alguns diálogos do Platão eu entrei numa viagem que era muito Tarantino! Sério, tem tudo a ver com os diálogos do Tarantino! (risos) 8

Chega de Justiça! “Foi uma das coisas que peguei bêbado, na rua...”


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gig rock_


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short bus_

de perto ninguém é normal

Texto_ Carol Teixeira Foto_ Rafa Rocha 30


o m l

Shortbus tem sexo explícito, orgasmos verdadeiros e, ainda assim, não é um filme sobre sexo. Duvida? Então corra atrás desse que foi um dos filmes mais revolucionários dos últimos anos, se tornando hit entre a galera underground do mundo todo. Como ele nunca entrou em cartaz no Brasil (a não ser em raras mostras alternativas) e não tem nas locadoras, se vira na internet. Título mais apropriado é impossível: “shortbus” é um ônibus escolar dos EUA usado pelas crianças com necessidades especiais, aquelas que não se encaixam mental, fisica ou emocionalmente. No filme de John Cameron Mitchell (do super cult Hedwig and the Angry Inch), Shortbus é uma festa dionisíaca, com um anfitrião andrógino, em um lugar muito lúdico que mais parece saído de um conto de fadas underground – se tal coisa existisse de fato. Nas diferentes salas, pessoas que se sentem fora dos padrões se unem na melhor das libertinagens, em busca de alguma salvação em meio a muita arte, num clima de celebração da vida. Em uma sala, um grupo assiste a um show de strip burlesco; em outra, pessoas transam de todas as fomas possíveis enquanto outras observam. Pelos corredores e infinitas salas, essas almas perambulam tentando criar conexões, buscando serem aceitas – o que pode ser resumido numa das belas frases do filme dita por um dos interessantíssimos personagens: “Nova Iorque é o lugar onde as pessoas vêm para serem perdoadas”. E nessa festa todos são perdoados.

A história é centrada em alguns personagens que se encontram ali: uma terapeuta sexual que não consegue ter orgasmos, um casal gay com problemas na relação, um voyeur e uma dominatrix que não divide seus problemas com ninguém, todos infelizes ou angustiados com alguma questão de suas vidas. John Cameron Mitchell queria um filme de verdade e achou que a única maneira de extrair essa verdade era mostrar em cena sexo real e orgasmos verdadeiros, de forma que, através dessa realidade, pudesse ser contada uma história que transcendesse a questão sexual e atingisse o ponto sobre o qual ele queria realmente falar: as relações sociais na Nova Iorque de 2003. Para isso ele precisava de performances naturais que só podiam ser feitas se ele criasse conexões verdadeiras entre os atores no ensaio. E foi por isso que ele abriu os testes também para não atores, que teriam mais disponibilidade de entrega, seguindo um método nada convencional: pediu para os candidatos mandarem gravações de dez minutos narrando experiências sexuais importantes em suas vidas. Depois de analisar mais de 500 vídeos ele selecionou seus preferidos e os submeteu a um longo período de ensaio. O envolvimento foi tanto que, para deixar os atores mais à vontade, o diretor e cinegrafistas chegaram a ficar nus ao rodar as cenas de orgia. O mais legal de Shortbus é que o sexo, ali, funciona como metáfora. Os problemas sexuais são apenas sintomas de problemas bem mais profundos de cada um. E o mais bonito é que, no fim das contas, acabamos de assisti-lo com a sensação de que todos nós, de uma forma ou de outra, pertencemos a um “shortbus”.


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css_


Entrevista com Adriano Texto_ Carol Teixeira Fotos_ Roberta Ridoli

Depois de confusões com empresário e saída de uma integrante, CSS lança mundialmente seu segundo CD, Donkey, cuja sonoridade se aproxima mais da visceralidade que eles sempre mostraram no palco. Em Londres, num dos poucos dias livres da banda, Adriano Cintra concedeu essa entrevista para a Revista do Beco.


No CSS, Adriano é “o cara”, em todos os sentidos. O bendito fruto entre a mulherada da banda é a cabeça responsável pela musicalidade do grupo - produtor mega competente e criativo, compõe as músicas e toca o instrumento que for colocado na sua frente. Nessa entrevista exclusiva, ele fala sobre a nova rotina, o novo cd, desfaz boatos e conta que ainda não caiu a ficha de que eles fazem parte do mundo pop internacional. Na tua opinião, a que se deve o sucesso do CSS? Muito trabalho, um pouco de sorte e diversão. Estava vendo o myspace do CSS e fiquei chocada, vocês tem shows quase diariamente. Como fica a vida pessoal de alguém nesse contexto? O Gorky, do Bonde do Rolê, por exemplo, até a pouco tempo atrás não sabia nem dizer onde morava... Agora que temos organização é muito mais fácil. Ano passado, quando trabalhávamos com uma pessoa que não tinha a menor noção do que estava fazendo, foi muito complicado. Até hoje sofremos os efeitos colaterais desse começo de vida fora do Brasil, foram mais de 250 shows em 365 dias, sem casa, sem dinheiro. Agora estamos todos morando em Londres, que é uma cidade mais central (é perto do resto da Europa, é perto de Nova Iorque, fica a doze horas do Japão), então sempre voltamos pra casa. Não é aquela coisa de ficar morando em hotel que é um horror. Só fica ruim quando fazemos tour pelos Estados Unidos, mas mesmo assim, nada catastrófico; três semanas longe de casa no máximo.

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“Essa onda de criança de quinze anos tocando folk não dá, acho uma porcaria e uma coitadice, uma judiação.” Em que contexto as músicas do Donkey foram criadas? Em quarto de hotel, em avião, ônibus, day off...? As músicas são compostas primeiramente no computador ou de forma orgânica? Esse disco eu usei mais a guitarra pra fazer as músicas, os riffs. Daí eu fiz a pré-produção toda no meu computador. Eu nem sei direito como esse disco foi composto, foi no meio de tanto stress. Eu fiz música até em sala de espera de aeroporto. A imprensa adora rotular um disco, dizer que está mais rock, mais pop, mais isso, mais aquilo. Como você define o novo trabalho de vocês? Como avalia a evolução? Esse disco é um passo adiante do primeiro. Pra gente era muito claro que tinha que ser assim, mais simples, mais formatado que o primeiro. Eu nunca mais escutei o primeiro disco, às vezes ouço uma música dele tocando na TV e até me assusto, tipo “que isso?”, porque quando tocamos as músicas ao vivo elas soam mais como o Donkey do que como o


outro. A imprensa adora rotular as coisas mas, por mais que ela tenha falado da gente, muito pouco jornalista realmente acompanhou nossa vida. Acho que agora aqui no exterior está acontecendo a mesma coisa que aconteceu com a gente no Brasil, quando a gente deixou de ser uma banda tosca e obscura e lançou o primeiro CD. As pessoas adoram achar que conhecem uma coisa; elas ouvem uma música e pronto, a banda já é delas. Só que a gente vive a banda o ano inteiro, um belo dia a pessoa que um dia gostou da primeira demo vai ouvir o CD e fica assustada, “nossa que diferente”. Umas vão gostar mais, outras menos. É assim mesmo, gosto é gosto. Agora você obviamente não tem tempo, mas no futuro tem vontade de produzir outros artistas (fora os remixes que já faz)? Acho que sim. Agora eu estou já pensando no terceiro CD do CSS. Queremos tirar um ano de férias pra fazer as músicas. Não quero saber de alavancar as coisas mais, agora está tudo certo, podemos planejar tirar férias.

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Como é a convivência entre vocês na estrada? Depois do show cada um vai para o seu lado ou vocês são parceiros de festa também? Quando estamos em Londres quase nunca saímos de casa! Eu saio pra correr, pra fazer supermercado. Mas como estar em casa é um luxo que lutamos muito para conseguir, ficamos em casa. Cada um na sua casa, mandando email um pro outro. Receitas, coisas da TV. Bem velhos. Mas dura pouco, porque quando digo que ficamos em casa, estou falando de períodos de quatro, cinco dias. É o tempo de lavar a roupa da viagem, cozinhar e ver uns DVDs. É verdade que foi você quem ensinou as meninas da banda a tocar os instrumentos? Não! Elas já sabiam tocar, os shows deixaram elas mais afiadas. Eu não sei ensinar nada a ninguém, eu sou muito ansioso e não consigo entender como a pessoa não está entendendo. Como foi a confusão com o Eduardo Ramos, exempresário? Ai, sinceramente eu não quero mais falar disso. Espero que ele esteja bem apesar de saber que até


o dia que ele assumir tudo o que fez, a vida dele vai ser uma merda. Eu acredito em karma e realmente já superamos tudo que aconteceu entre nós. Eu realmente desejo tudo de bom e melhor para ele. Só o CSS e o Sepultura se destacaram fora do Brasil sem ter uma batida tipicamente brasileira ou alguma influência do tipo. Quando caiu a ficha de que vocês faziam parte do pop mundial? Ainda não caiu, sabia? Tipo eu me assusto quando vejo uma música nossa em propaganda de TV. Outro dia estavam usando nossa música na propaganda daquela série, House. E uma música do disco novo! Eu fiquei tão passado que não conseguia dormir, tive insônia! Tem algum artista que você admirava e que agora é teu amigo ou admirador da banda? Eu gosto muito de Grizzly Bear e sou muito amigo do Ed Droste. A mesma coisa com o Tilly and the Wall, sou muito próximo da Kianna. E meu disco favorito ultimamente é o do Natalie Portman’s Shaved Head e tivemos o prazer de tê-los como banda de abertura nessa última turnê amerciana que fizemos com o Go! Team e os Matt and Kim. Uma vez a Björk pediu para ter o nome dela na nossa lista mas não foi no show e quando a conhecemos ela pediu desculpa de não ter ido. Eu fiz um remix para a Yoko Ono e o empresário dela mandou avisar que ela adorou o CD novo. É muito louco. Lá em Moscou ouvi boatos de que o poderoso russo presidente do Chelsea chamou vocês para tocarem na festa de aniversário da filha dele. É verdade mesmo? E como foi isso? É tudo mentira! Saiu até na imprensa que a gente tinha ganhado 200 mil libras pra tocar nessa tal

festa! Você sabia que existe uma banda CHINESA que se chama CSS e o baterista da banda se chama ADRIANO? Procure CSS ADRIANO no youtube. Vai ver que foi essa banda! O CSS, como várias outras bandas dessa geração, começou como um fenômeno de internet. Hoje, a venda de discos te interessa mais? É fundamental? Claro que não! Só artista muito muito muito A LISTER ganha dinheiro vendendo CD. Rihanna. Cold Play. Beyoncé. Esse tipo de gente. Nós ainda ganhamos dinheiro fazendo show e temos shows marcados até dia 21 de dezembro. Como você vê a música no Brasil hoje? Dá para acompanhar? Não acompanho. No Brasil eu tocava muito com minhas outras bandas e sempre ia em show. Agora como não estou mais aí, às vezes leio alguma coisa sobre artistas novos, mas tudo que tenho ouvido é muito derivativo e chato. Essa onda de criança de quinze anos tocando folk não dá, acho uma porcaria e uma coitadice, uma judiação. Entre a turma roqueira-de-terninho, os emos e o electro-performático, quem você escolhe? Eu prefiro a Leila Lopes contando do dia que ela bateu o carro e disse “Berenice, segura, nós vamos bater!”.


moptop_

Como

se

comportar Texto_ Carol Teixeira Fotos_ Divulgação

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Moptop é uma banda que mal apareceu e já caiu nas graças da crítica e do público com um elogiadíssimo primeiro álbum. Agora, com CD novo na roda, Como se Comportar, os cariocas ressurgem mais autênticos, mais experientes e, de novo, ganham merecidos aplausos. O baixista Daniel Campos achou uma brecha na correria da turnê de lançamento para falar com a Revista do Beco sobre influências literárias, bandas independentes e a responsabilidade de lançar um segundo álbum.


Vivemos um tempo em que os produtores musicais ganham status de
estrela e muitas vezes se destacam tanto quanto os próprios músicos.
Até que ponto o produtor Paul Ralphes interferiu no som de vocês?

 O Paul Ralphes foi muito importante nesse processo todo.
Foi dele a idéia de gravar o máximo possível ao vivo, entendeu bem o
momento que estávamos vivendo, soube lidar com uma ansiedade natural de uma banda na nossa situação. Fizemos pela primeira vez uma pré-produção
assistida onde pudemos, junto ao produtor, fechar várias idéias ainda em
aberto para as músicas. O resultado disso foi um disco mais orgânico e mais
sincero, sem muita frescura e super-produção.

mo p t o p

O novo cd da banda está sendo superelogiado pela crítica. Vocês
acham que houve uma evolução de fato? Em que sentido?

 Nós vivemos um novo momento, o segundo disco de uma banda sempre gera
uma expectativa maior. Para se proteger disso decidimos nos isolar um
pouco no período de pré-produção e o resultado foi que conseguimos, em
um curto espaço de tempo, decidir o rumo que queríamos dar para banda. Isso foi um mérito. Sem dúvida melhoramos como músicos, afinal para esse disco tivemos a bagagem de uns 150 shows e isso reflete tanto nas composições quanto nos arranjos de forma bem natural.

Li que vocês gostam do Jack Kerouac. Como a literatura influencia a
música de vocês? Tem alguma música específica que mostre essa
influência?
 Isso varia muito de música para música. Em algumas fica mais escrachada, em
outras essa influência fica mais subjetiva. A temática em geral de nossas
músicas fica em torno do nosso cotidiano e de tudo que o cerca, do
livro que gostamos, filmes que nos inspiraram, situações que vivenciamos e
por aí vai. O próprio nome do disco Como se Comportar (que é também nome de uma faixa), representa bem essa temática, se trata de uma crítica ao comportamento de uma forma mais abrangente - no caso do disco, como uma banda deve se comportar para o segundo disco; no caso da música, uma crítica bem mais simplista de situações corriqueiras.
É engraçado você citar Jack Kerouac pois fizemos um paralelo do grande
sucesso desse autor “on the road” com o momento vivenciado pela banda no
nosso release.

 Em tempos de internet, qual a vantagem de pertencer a uma grande gravadora como a Universal Music?
 Nós vemos a Universal como uma grande parceira. É muito bom saber que uma gravadora desse porte está interessada em trabalhar esse tipo de som. Do
ponto de vista artístico a gravadora sempre nos deu carta branca para
fazer o que quiséssemos, tanto musicalmente quanto artisticamente, seja na
escolha do produtor, capa do disco, foto divulgação, site, ou seja:
todas as decisões passam pela aprovação da banda. É claro


opto 40

que do lado
financeiro temos facilidades que não teríamos no independente, como uma
divulgação mais agressiva, orçamento para clipe, disco, a chance de gravar
com quem escolhemos em um bom estúdio...


 E essa coisa de compararem vocês com os Strokes? Incomoda ou infla o ego? No primeiro disco essa comparação era mais evidente, mas nunca nos
incomodamos com isso por se tratar de uma banda de que realmente somos
fãs. Acreditamos fazer parte de uma cena de rock em que o Strokes
participam. Nesse segundo disco nos permitimos fazer mais experimentações e essa comparação ficou um pouco mais diluída.


Como vocês vêem o cenário da música independente atual? O que vocês têm ouvido?

 A cena independente está cada vez mais rica, os festivais crescem e ganham
notoriedade a cada edição. Com isso as bandas vem cada vez mais se
profissionalizando, buscando uma qualidade maior em busca desse espaço em
festivais e isso é muito saudável.É sempre muito difícil citar bandas que admiramos, ainda mais se tratando de bandas independentes (sempre corre o risco de sermos injustos esquecendo de alguma), mais aí vai.
Binário é uma banda muito boa que escuto bastante. Tem o Monno, de BH,
Superguidis e Cartolas aí do sul, Rockz que é do Rio e por aí vai.


coluna do fredi_

Atomic Drops

_Fredi “Chernobyl” Endres é guitarrista, dj e produtor musical. (myspace.com/ djchernobyl)

Youtube: Tags: Fredi Justice

myspace.com/ crookers

myspace.com/ hotchip

myspace.com/ edukfrenetiko

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.: Apesar da sonzeira excelente e do cenário genial com caixas Marshall e uma cruz iluminada, os caras do Justice tocam com o set pronto e sem fone, enquanto fumam cigarros, como típicos franceses. Quer coisa mais blasé do que isso? Comprovei de cima do palco, no Japão. Mas devemos levar em conta que eles são produtores musicais, não são DJs, e podem se apresentar como quiserem.

no exterior, toca nos festivais mais legais do momento e é ídolo na Austrália.

.: Hot Chip é uma daquelas bandas excelentes que não tem as vozes tão boas quanto o instrumental, que é genial. Mas, fazer o quê?, vocais de ingleses delicados costumam agradar muita gente...

.: Crookers, a dupla de produtores italianos de electro, é a base da pista de dança dos clubs europeus. Os caras remixaram Moby, Chemical Brothers e o escambau. Tenho certeza de que eles estão com uma fórmula que deu certo e estão aplicando ela em tudo, por isso a sonoridade pode ficar batida em breve.

.: Edu K, que neste ano foi “bookado” apenas duas vezes no Brasil (!), está em sua décima tour pela Europa. O gaúcho, que já teve suas músicas em campanhas da Nike, Coca-Cola e Sony Ericsson

.: B-more (Baltimore Club) é o estilo de som criado ainda nos 90’s por Scottie B., Frank Ski, Big Tony, e DJ Spen. Em 2005, foi consolidada de vez pela turminha da Hollertronix. Junto com o “baile-funk” é a variação do set dos DJs de electro mais fodas do mundo nos clubs undergrounds de hoje. Vamos tocar B-more, Porto Alegre?


coluna do Iuri_

O País do Gig Rock

_Iuri Freiberger é produtor musical, baterista da Tom Bloch e curador do Gig Rock.

myspace.com/ amprockrecife

myspace.com/ vamozrock

myspace.com/ volverbrasil

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Alou, gente! Começando uma nova revista com muitas novidades, entre elas essa coluna que escrevo cá do meio do Brasil, sobre o que está acontecendo de legal na música independente nacional. Como costumo passar por vários festivais e cidades mais diversas e interessantes do nosso país, trago aqui alguns testemunhos sobre os artistas e bandas que são o que existe de mais legal nesse momento atual da cena brasileira.

Para começar, AMP. No sul, desde do início dos anos 90, tivemos muitas referências musicais vindas de Pernambuco oriundos do Mangue Beat, na época em que Mundo Livre S/A e Chico Science surgiram, trazendo aquela nova onda do crossover, rock com música regional brasileira. São ícones e responsáveis por uma geração enorme de artistas surgidos em PE desde então, e até hoje estão atuando e muito, como grandes artistas nacionais, e internacionais. Desse momento histórico, nos ficou a

sensação que tudo o que surgia por lá tinha esse tipo de linguagem, como o Cordel do Fogo Encantado, e algumas bandas que sempre tinham tambores e regionalismos como elemento de sua música. Mas o que o país não viu muito, em geral, era uma cena como acontece em nossas cidades que gostam de rock, com artistas e bandas influenciados pelo o que estava acontecendo no momento, nas suas gerações, fora do país. Bandas como Vamoz!, Volver, que tem um estilo muito próximo às bandas gaúchas, Astronautas, e mais recentemente, AMP. Eles são uns garotos de 20 e poucos anos de idade, com vasta experiência de circular pelo país tocando com outras bandas, influenciados basicamente por bandas como o Queens of The Stone Age, mas não ficando só nisso. O som é denso, com guitarras e baixos esporrentos, e bateria precisa. Tendo tocado em vários outros festivais, em breve estarão se apresentando em PoA na sexta edição do GigRock!


coluna do machuca_

A mecânica indie do amor

_Machuca é Dj residente e produtor de festas do Beco.

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Incluso nos dezoito reais mensais que o Vitor me paga para ser roqueiro, vem agora essa genial coluna. Mas o que falar numa primeira coluna? O que será que o Serguei escreveu em sua primeira coluna? Ele tinha uma? Bom, mas como é uma estréia, não há como falar sobre a tal nova banda incrível (também conhecida como “o rock acabou” para os mais malas), ou sobre essa tal nova tendência que irá mudar o mundo hoje. Vou falar sobre... você, caro amigo freqüentador novo! Você, que acha estar perdido por ali, não se assuste! Essas pessoas com as piores danças do mundo, os piores penteados e o maior índice de alcoolismo e promiscuidade são iguais a você - com a diferença de que um amigo apresentou a eles essa vida “descolada” meses antes. Pois para ter isso tudo é muito fácil. Para começar, compre o seu querido All Star, depois digite “hits Strokes” em algum mecanismo de busca (“hits Kinks”

no caso dos anti-indies, novos roqueirões). Feito isso, ligue para o Alexandre Paranhos. Às 19h ele cortará seu cabelo de um jeito estranho. À meia-noite termine sua dose de álcool e grite no ouvido de uma garota (ou garoto, se for um caso de armário ou bebida demais) “muito bons esses Arctic Monkeys, hein?”. Ela dirá, “não gosto”. Mas, de novo, não se preocupe! Ela gostou de você, apenas queria mostrar valor. Até porque a música possivelmente seria de alguma banda escocesa de 2009 que o Schutz acabou de baixar. Passado o DIA D, agora é tudo maravilha (exceto a parte de lidar com sua família lhe chamando de emo e chorando por ter perdido o filho para as calças justas). E ainda, você poderá incluir A Caminho de Kandahar em sua lista de filmes no Orkut para impressionar seus novos amigos. E a partir de agora você tem ânimo para descobrir coisas incríveis do rock. É bom, eu juro! Agora você é cliente do Beco (ou seja, um desastre).


coluna do schutz_

Prepare-se

_Schutz é Dj residente e produtor das noites do Beco (myspace.com/ schutzdj)

www.myspace.com/ steveaoki

steveaoki.blogspot. com/

dimmak.com

dimmakcollection.com

thecobrasnake.com

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Tá pintando no mês de novembro, a primeira turnê brasileira do top star rock DJ STEVE AOKI, e rolam boatos que o Beco tá na parada (cof, cof) para trazer o cara para Porto Alegre. Então, conheça um pouco mais do workaholic, multimídia e talentoso DJ Aoki. O cara comanda o bem sucedido projeto DIM MAK que além da festa hypada do club Cinespace em Los Angeles, que reúne de estrelas de Hollywood à galera do rock. Conta também com um selo que lançou ao mundo o Bloc Party e o Klaxons, e nomes como MSTRKRFT, The Bloody Beetroots e Mystery Jets, além de uma marca de roupas concorridíssima entre os fashionistas de mesma marca. Como se não bastasse isso, ele é um dos poucos DJs do mundo que leva seu nome a uma linha de fones, os Aoki Headphones, fabricados pela Wesc, e toca também o projeto COBRA SNAKE com seu amigo fotográfo Mark Hunter, que, para quem não sabe, é um dos

sites mais cultuados pelo povo da moda, lançador de tendência e focado na “Party Culture”. Neste ano Steve Aoki lançou o seu disco de estréia PILLOWFACE & HIS AIRPLANE CHRONICLES, com participações de Klaxons, Spank Rock, Justice, MSTRKRFT e Bloc Party. Também formou recentemente a banda HERCULEZ, formada por ele mais o fotógrafo Mark Hunter, Alex Rhida, do Boys Noize, e Jacob Thiele e Todd Fink, do The Faint. Entre outras particularidades (ti ti ti) do DJ Steve Aoki, é que ele foi namorado da atriz troublemaker Lindsay Lohan e é irmão da atriz e modelo Devon Aoki, que vocês devem lembrar pelo papel de Miho no filme Sin City. Vale a pena conferir, e se tudo der certo e ele pintar por essas bandas, pode acreditar que será a festa do ano!


shots Por_ Carol Teixeira e Camila Mazzini

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Too Many Djs_

Ok, They Started Nothing, But..._

Na Europa a galera se cansou de ouvir seus iPods naqueles fones originais pequenos que nem grave têm. Por quererem ouvir seus sons com uma qualidade decente, agora decidiram usar fones como os dos DJs profissionais. Em Berlim virou febre, tem gente que anda na rua com fone no pescoço mesmo sem estar ouvindo música, só para tirar onda. Onde comprar o seu: skullcandy.com

The Ting Tings, dupla composta por Katie White e Jules de Martino, recentemente desbancou Madonna chegando ao topo da parada britânica com “That’s Not My Name”, música do CD cujo título escancara a despretensão da dupla: We started nothing. De fato, eles não começaram nada inclusive são acusados de copiar descaramente as bandas que os influenciam - mas funciona tanto, que não tem como não gostar. Jules toca bateria, Katie canta e toca guitarra, que aprendeu há menos de um ano. Cru, direto e eficiente. Corre lá: myspace.com/thetingtings


O Cabelão da Amy_

Hippie or Hype?

Ela canta como ninguém, tem uma vida conturbada e é referência para stylists, fotógrafos, maquiadores e a galerinha antenada do mundo todo. Aquele cabelo anos 60, misturado com muito laquê tem servido de inspiração não só para as fashionistas como para as meras mortais. O cabelão da Amy Winehouse tem sido visto na noite diversas cidades, inclusive Porto Alegre. Em São Paulo virou febre. Salões já estão se especializando no look, que fica pronto em mais ou menos uma hora e custa cerca de 90 reais.

Uma das tendências para o verão 2009 é uma tiarinha hippie que está, literalmente, tomando a cabeça das modernas lá fora. O enfeite de cabeça é acessório obrigatório no verão na Europa e nos Estados Unidos, sempre combinado com cabelos bagunçados e óculos vintage. Até as glamurosas Mischa Barton, Ashlee Simpson e Elle McPherson têm aparecido usando esse tipo de tiara – a delas de jóia, o que elimina totalmente a cara dos anos 1960/70. Alguns estilistas brasileiros já estão investindo na produção das tiarinhas para as novas coleções.


Agenda outubro Confira os eventos de Novembro em www. beco203. com.br

PORÃO DO BECO_

CABARET DO BECO_

Quarta, 01/10 FUCK REHAB Quinta, 02/10 IT’S ROCKZZ Sexta, 03/10 FERVE pela banalização do champanhe! Sábado, 04/10 PORÃO ROCK CLUBE

Quinta, 02/10 DOUBLE FUN Sexta, 03/10 LOOKS LIKE Sábado, 04/10 999

Quarta, 08/10 FUCK REHAB Quinta, 09/10 CLASSIC ALBUNS Sexta, 10/10 DANCE! Sábado, 11/10 CLUBE DA LUTA Quarta, 15/10 FUCK REHAB Quinta, 16/10 SHOW THUNDERBIRD Sexta, 17/10 I LOVE DISKOROCK! Sábado, 18/10 BATALHA DE iPODS Quarta, 22/10 FUCK REHAB Quinta, 23/10 SHOW - MÓICA Sexta, 24/10 BAILE DE PERUAS Sábado, 25/10 ANIVER DO BECO Quarta, 29/10 FUCK REHAB Quinta, 30/10 SHOW – JAZZ BO. Sexta, 31/10 BAILE DE PERUAS 60

Quinta, 09/10 SUPERNINTENDO Sxta, 10/10 LUST Sábado, 11/10 NEON Quinta, 16/10 MAKE UP Sexta, 17/10 OK ROCK Sábado, 18/10 ROCKWORK Quinta, 23/10 SHUFFLE Sexta, 24/10 PULP Sábado, 25/10 ANIVER DO BECO Quinta, 30/10 NYLON Sexta, 31/10 O 5° DIA DO RESTO DAS NOSSAS VIDAS


finalera_

ilustra: Nina Moraes ilustra: Nina Moraes

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. “Mas nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que são loucos por viver, loucos por falar, loucos por serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam (...) mas que queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo (...)” Jack Kerouac, On The Road


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Revista do Beco