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E COZINHAR

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PROJETAR

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1ª Edição “Projetar e Cozinhar” Coleção Delícia de Design Diagramador: Karoline F. Rodrigues

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Karoline Fernanda Rodrigues

Universidade do Estado de Minas Gerais Design Gráfico – 5º período Belo Horizonte, Brasil Impresso em Junho de 2012

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SUMÁRIO

9 INTRODUÇÃO 15 DEFINIÇÕES 21 CONCEITO 29 GRID 39 TIPOGRAFIA 53 ACABAMENTO

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E COZINHAR

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PROJETAR

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Nesse livro faremos a relação entre cozinhar e diagramar , existe ou não receita para design editorial? Assim como na criação de um prato , a criação de um livro exige que se siga um caminho, que se sigam alguns passos básicos, que com o tempo e a experiência passam a ser quase intuitivos.

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INTRODUÇÃO

Analogia entre a concepção de um prato culinário e a criação de um projeto de design editorial, a fim de mostrar que não existe uma receita a ser seguida, porém existe um caminho, muitas vezes intuitivo.

Com os mesmos ingredientes é possível chegar a resultados completamente diferentes, e é o que veremos nos capítulos a seguir.

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Ao configurar grupos segregados de informação, o designer procura priorizar e ordenar esses grupos, visado dar estrutura, sequência e hierarquia ao conteúdo. Esse processo pode exigir uma forte interação com o autor e o editor. Quando um texto passa por essa forma de análise, o designer reforça visualmente a estrutura editorial através do sequenciamento e da hierarquização.

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O design é uma mistura de decisões racionais e conscientes que podem ser analisadas e decisões subconscientes que não podem ser deliberadas tão prontamente, uma vez que derivam da experiência e da criatividade do designer.

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O QUE projetar e cozinhar

COZINHAR? 13


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DEFINIÇÕES

O que cozinhar? Você abre a geladeira para pensar, sente a vontade de sentir um certo sabor e Pá! Você se planeja, busca aquela receita no seu livro preferido, ou naquele caderno manuscrito. Definir o que se vai cozinhar pode ser fácil assim. Ou um processo demorado de busca, e pesquisa.Antes de se definir o projeto graficamente e iniciar de fato a diagramação, é necessário escolher sobre o que escrever, no caso do design editorial, esse material já chega pronto para o designer(na grande maioria das vezes), o que não torna a escolha do assunto/tema do livro menos relevante para esse processo , já que o conceito e conteúdo não se gera do nada. Existe uma tensão entre as necessidades de respeitar o texto originaldo autor e as ideias individuais do designer, por consequência, muitos designer que apreciam essa abordagem se tor-

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O livro será organizado em capítulos ou como um texto corrido único? O autor produziu o texto em função de uma encomenda da editora? Haverá ilustrações? Elas serão incluídas ao longo do corpo principal do texto ou segregadas em um anexo? O autor escreveu legendas longas, que precisarão ser integradas ao texto? Algumas delas são grandes o bastante para serem apresentadas como boxes laterais? A estrutura organizacional do livro deverá ser alfabética, cronológica ou temática? O que guiará o leitor, as imagens ou o texto? Qual será o formato do livro? Qual será o preço de capa projetado? Quais serão os custos de produção?

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naram, eles próprios, autores, de forma a controlar tanto o conteúdo quanto a forma do livro.

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ESCOLHA OS INGREDIENTES

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CONCEITO

Depois de definido o que cozinhar, vamos olhar na dispensa e na geladeira o que temos e fazer a lista de compras do que falta. Vá ao supermercado e procure o ingrediente de melhor qualidade, irão existir vários para confundir você, alguns ingredientes que você acha que poderá substituir os que já foram definidos serão usados no seu prato, mas não faça isso, não substitua por ingredientes que você julga mais fácil de encontrar, poderá alterar no sabor final. Faça um Braimstorm, visualize seu projeto e busque os conceitos que mais se encaixem ao seu texto.

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Uma abordagem conceitual procura a “grande ideia” – conceito – base que retém em si a mensagem. Dentro da propaganda, da publicidade, dos cartuns e do branding o pensamento conceitual forma o alicerce da comunicação.

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O designer normalmente sai da reunião inicial do briefing com muitas perguntas que exigem respostas muito amplas, mas tendo absorvido informações suficientes para adquirir uma visão geral do projeto. Um período de reflexão é de grande ajuda, permitindo a analise da forma externa do livro em relação a sua estrutura interna.

O termo “conceitual” pode ser usado para descrever uma abordagem mais ampla que a de um gráfico de ideias, quando um diretor de arte é responsável pelo visual de uma coleção de livros ou mesmo de toda a produção da editora. Uma coleção de livros

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ou mesmo de toda a produção da editora.

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Uma coleção de livros pode ser ligada por um conceito comum, que defina a natureza e o uso do texto, a fotografia e a ilustração, o número de elementos na página, o tamanho e a forma dos livros, e assim por diante.

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DIVIDA AS QUANTIDADES

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GRID

Compras feitas, é hora de separar quanto de ingrediente sua receita necessita, nem mais, nem menos, na medida certa para o prato perfeito. Um pouco disso, um pouco daquilo? Seja mais preciso, consulte na receita quantas vezes forem necessárias. Visualize o tamanho do seu texto, títulos, quantidade de imagens, e defina seu projeto, o grid é essencial, e deve ser calculado com antecedência, não deve sobrar e nem faltar nada.

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O formato do livro define as proporções externas da página; a grade determina suas divisões internas; o layout estabelece a posição a ser ocupada pelos elementos. O uso da grade proporciona consistência ao livro, tornando coerente toda a sua forma. Os designers que usam grade partem da premissa que tal coerência visual permite que o leitor concentre-se no conteúdo, em detrimento da forma. Cada um dos elementos da página – texto ou imagem – te uma relação visual com todos os outros elementos: a grade fornece um mecanismo pelo qual essas relações podem ser formalizadas. Os sistemas básicos de grade determinam as larguras das margens; as proporções da mancha; o número , comprimento e profundidade das colunas; além da largura dos intervalos entre elas. Os sistemas de grade mais complexos definem uma grade para as

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Um grande número de livros ilustrados é projetado sem o uso de grade. Uma vez que o formato e o tamanho do livro tenham sido decididos, as imagens serão desenhadas ou pintadas na proporção da pagina e o ilustrador ou designer trabalhara na composição dos elementos. O lettering ou a tipografia podem ser aplicados à ilustração, mas geralmente não precisam ser formalizados, nem mesmo por meio de uma estrutura rudimentar de grade. Pode-se usar caracteres tipográficos ou letras manuscritas, contudo, as linhas de base e o espacejamento entre caracteres devem ser considerados parte integral da imagem e, portanto, tratados da mesma maneira que as marcas do desenho.

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linhas da base sobre a qual as letras serão assentadas e podem determinas o formato das imagens, além da posição dos títulos, números das páginas, notas de rodapés etc.

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As disposições básicas de texto são: alinhamento à esquerda, alinhado à direita, centralizado e justificado. Um livro pode usar várias formas de alinhamento diferentes para aplicar à folha de rosto, conteúdo, abertura de capítulo de capítulos, corpo de texto, legendas e índice. Cada alinhamento possui intensidades que sustentam a leitura de informações diferentes ou a aparência visual da página. Ao longo do tempo os leitores foram condicionados a associar certos estilos de alinhamento à elementos específicos do design do livro. O processo de execução do layout de um livro envolve o trabalho de designers que tem de tomar decisões sobre o posicionamento exato de todos os elementos da página.

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TEMPERO NA MEDIDA CERTA

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TIPOGRAFIA

Sal e pimenta a gosto, ou açúcar, ou mel, tudo dependerá da sua receita, assim como a tipografia, com ou sem serifa? Eixo humanista? Moderna? Releia o seu conceito, busque aquela tipografia que mais se encaixará, tempere, nem de mais, nem de menos. Seu conceito te guiará, mas use do bom senso, lembre-se da legibilidade e leiturabilidade, e pense no grid, escolha uma família com a tipografia completa, pode ser necessário o uso de bold ou itálica, se atente à acentuação.

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É importante que o leitor se sinta seguro em qualquer que seja o sistema de disposição usado, uma vez que esse arranjo é o que permite que ele avance suavemente na leitura do texto.

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As considerações relativas à maneira de se dispor a tipografia na página – dentro de uma estrutura de grade – forçam o designer a examinar como o significado será articulado ao longo dos parágrafos, como o texto será alinhado dentro da grade e de que maneira os espaços verticais e horizontais serão usados.

O tamanho do tipo é a questão chave a ser considerada pelo designer, uma vez que exerce grande influencia sobre o design da página e a extensão do livro. É importante lembrar que os tamanhos dos tipos – sejam eles de metal ou digitais – são as medidas do corpo.

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Devido a essas variáveis, é difícil fornecer uma orientação definitiva sobre a questão da escolha de tipos, mas vale a pena examinar algumas das soluções que são frequentemente usadas para embasar uma decisão.

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Quando se escolhe um tipo de letra para um determinado livro, muitas questões influenciam a decisão do designer, incluindo o conteúdo, sua origem, o período em que foi escrito, seus antecedentes históricos, seu publico leitor, a possibilidade de sua publicação em outras línguas, as questões práticas de legibilidade, a variedade de pesos, versaletes ou frações disponíveis na fonte, além dos custos de produção estimados.

Muitos designer relacionam a escolha de um tipo de letra ao tema do livro. Eles não buscam impor um conjunto de crenças, características nacionais ou ideais políticos ou culturais e não

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Essa abordagem indica que um designer pode produzir livros radicalmente diferentes valendo-se de uma grande variedade de tipos. O designer que demostra adaptabilidade por meio de trabalhos por ele produzidos pode não ser instantaneamente reconhecido, contudo a escolha da fonte, o layout e a atmosfera geral do livro podem representar mais apuradamente seu conteúdo.

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aceitam usar a tipografia da moda. Consideram tais ideias como uma imposição ao livro; para eles o tipo deve refletir o conteúdo da obra.

Questões a serem levantadas quando se seleciona a tipografia de um livro: Qual o tema do seu livro? Quem o escreveu? Quando ele foi escrito? Onde ele será impresso? Para quem o livro foi escrito; quem irá lê-lo? O livro será publicado em varias línguas? O livro é com-

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posto de um texto único ou ele contém diversas vozes? A obra inclui historias marginais independentes? Como as ilustrações são legendadas? Há uma quantidade significativa de matérias entre aspas? O livro tem referências ou notas de rodapé, de margem ou notas bibliográficas? Qual é a hierarquia dos capítulos, títulos, seções e assim por diante? A obra contém prefácio ou introdução? O material inclui apêndices muito extensos? Há quantidades significativas de tabelas ou gráficos? O livro tem glossário de termos técnicos? Como ele é indexado? Quais são os valore destinados à produção, papel, impressão e encadernação? Que qualidades tonais a tipografia do livro possui? A tipografia deverá ser produzida em que cor? Qual o preço de capa estimado? Seja qual for a abordagem geral para a seleção tipográfica, as respostas a essas questões práticas irão revelar-se extremamente úteis. Um

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designer que tem a intenção inicial de criar um livro usando uma única família tipográfica, poderá descobrir que o texto contem muitas datas, números, frações ou listas de nomes. Se a escolha inicial não incluir uma fonte que tenha caracteres especiais ou versaletes, talvez não seja adequada, o que o forçará a reconsiderar sua escolha ou usar uma combinação de tipos.

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DO PRATO

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APRESENTAÇÃO

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Chega agora o momento de se definir o acabamento do livro, partindo de um conceito já definido. é nesse estágio do processo que se escolhe os elementos mais ‘físicos’ e atrativos do livro: a capa, os materiais, o tipo de encadernação e os acabamentos.

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ACABAMENTO

Comer com os olhos e julgar um livro pela capa. De que adianta fazer a comida mais gostosa do mundo, ter a melhor diagramação, escolher a melhor tipografia, se o resultado final não for bem apresentado, não for apetitoso e encher os olhos de quem vai devorar o conteúdo do livro.

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Como tipos de encadernação temos como exemplo a capa dura ou cartonada que consiste em processo industrial, as capas são produzidas separadamente das páginas do miolo, estas são constituídas por peças de cartão rígido ou flexível, que serão revestidas com diversos materiais, tais como, papel, telas ou tecidos. As capas possuem sempre uma medida superior à do miolo aparado, a esta

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A capa de um livro tem a função de: proteger e indicar o conteúdo. O velho ditado popular sobre não julgar um livro por sua capa é uma critica às habilidades do designer e do ilustrador por comunicar o conteúdo da obra por meio de um pôster em miniatura. A capa de um livro se torna uma promessa feita pela editora, em nome do autor, para o leitor. A capa funciona como uma arma de sedução para que o livro seja aberto e/ou comprado.

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Temos também a capa mole ou brochuraone os diversos cadernos depois de dobrados são coleccionados/al ceados para, numa operação posterior, lhe ser serrada/desfiada a lombada por meio de uma equipamento do tipo rebarbadora. Após esta operação de desbaste a lombada fica preparada para lhe ser aplicada a cola quente que lhe fixará a capa, a fase seguinte será para aparo dos três lados com a utilização de uma guilhotina trilateral. Este acabamento é pouco dispendioso e é muito

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diferença se chama seixa. Ao miolo, depois de previamente alçado e cosido, ser-lhe-ão coladas duas guardas que, terão como função “agarrar” o miolo à capa cartonada. O acabamento de capa dura é sempre mais dispendioso que o acabamento de capa mole, mas a sua longevidade e o seu elevado valor perceptível, tornam-no num produto gráfico exclusivo.

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Outro acabamento são os livros cosidos de capa mole onde possui um processo de acabamento em tudo igual ao da capa mole, a única diferença reside no facto de, após o alceamento dos cadernos, estes serem unidos por um processo de costura especial, tal como os livros de capa dura. Um livro acabado nestas condições nunca perderá as folhas e poderá ser aberto “em 180 graus”. As capas poderão também ser simples ou possuir badanas. Este acabamento é mais barato que o cartonado e é largamente utilizado pelo mercado editorial, dadas as suas inegáveis vantagens no que diz respeito à sua boa relação preço/durabilidade. Aplicações: livros profissionais, livros, livros escolares e manuais.

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usado para produtos com pouca utilização ou menos longevidade.

Dupla costura metalica ou agrafados, trata-se

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Acabamento mecanico, é um método de acabamento no qual o livro é sujeito a uma furação especial efectuada ao longo da margem da lombada e na qual é aplicada uma espiral de arame (Ring Wire) ou uma placa de vinil (Plastic Comb) Aplicações: Manuais, material de formação e obras especiais tais como livros de receitas que deverão ficar espalmadas.

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de um método de acabamento que consiste no encasamento/coleccionamento dos cadernos através da sua inserção uns nos outros (encavalitados), com aplicação de posterior do(s) agrafo(s) na lombada assim formada e posterior aparamento das três faces. Menos dispendioso que qualquer dos acabamentos mecânicos ou que utilizem cola, tem também um valor perceptível baixo. Aplicações: Jornais, brochuras e folhetos com uma espessura inferior a 5mm.

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No texto é citada a frase ‘o desigen das coisas cotidianas é invisível’, normalmente segue-se um padrão, a não ser nos casos em que foge radicalmente da aparência que esperamos. Certas convenções devem ser seguidas desde a escolha da gramatura do papel, até a escolha tipográfica, para evitar que se cometam gafes visuais.

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Dificilmente será feito algo 100% inovador no campo do Design Editorial. Existe uma metodologia e regras que foram desenvolvidas ao longo dos séculos.

A mensagem do livro não é transmitida para o leitor somente atravez do texto, o design pode causar um efeito radical ou sutil, dependendo das escolhas gráficas do designer.

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‘A novidade não é necessariamente uma virtude’ é importante que as inovações acrescentem algum sentido ao texto, para que a aparência nao fuja totalmente ou sobreponha à mensagem do livro.

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As escolhas do designer ditam a forma como o leitor se relacionará com o livro, que vai da preocupação com os aspectos ergonomicos, até os aspectos afetivos, pendendo para dois caminhos, um mais tradicional e outro mais contemporâneo.

Porém seguir um design tradicional pode ser tão dificil quanto criar um novo, mas entendemos o aspecto atemporal que esse livro terá, o tradicionalismo não evita o trabalho dificil.

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Assim como tratado nos capítulos anteriores, podemos concluir que o design de dois livros não pode ser exatamene igual, mesmo seguindo das mesmas regras e convenções. tratam de orientações e não de regras inflexiveis, então sigam a receita, mas não se prendam, deixe a intuição fluir junto ao bom senso, e divirta-se.

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A novidade cria suas próprias regras, ‘todas as regras e convenções contém algo do clichê que as envolve. Elas não são obsoletas mas tampouco absolutas’.

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