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UMA NAÇÃO SOB

A IRA DE DEUS


MARTYN LLOYD-JONES

UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS Estudos em Isaías, 5

Tradução de Maysa Monte Assis

~ Textus Rio de Janeiro


Título do original em inglês: A Nution Under wratt.

© 1997 by Elizabeth Catherwood and Anne Desmond, this edition issued by speeial arrangement with Kingsway Publications Lottbridge Drove, Eastbourne, East Sussex BN23 6NT, England

Ltd,

Capa: Susana Callegari Tradução: Maysa Monte Estilização Allinges Lenz

Assis

Literária: César Mafra

Revisão: João Alves Diagramação: Rosilene Moraes I;' edição outubro

brasileira: de 2000

Impressão: Geográfica Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela Textus Marketing Editorial

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ, Brasil)

L793n Lloyd-Jones, Martyn. Uma nação sob a ira de Deus: estudos em Isaías 5 I Martyn LloydJones; tradução: Maysa Monte Assis. - Rio de Janeiro: Textus, 2000 ... p; cm ISBN

85-87334-17-4

Tradução

Doutrina

de: A nation

under

I. Bíblia, A.T. Isaías bíblica. I. Título.

wrath:

- Crítica,

studies

in Isaiah

interpretação,

5.

etc. 2. Pecado

CDD-224.

-

106


CONTEÚDO

l-A

Vinha

9

2 - Materialismo.....................

25

3 - Mania de Prazer

43

4 - O Tirante de Carroça...............................................

59

5 - Perversão Moral.......................................................

75

6 - Humanismo..............................................................

91

7 - Pecado nas Altas Esferas Sociais

109

8 - Contra a Lei e contra Deus

127

9 - O Veredicto..............................................................

145


Estes sermþes foram primeiramente pregados pelo Dr. Martyn Lloyd-Jones na Capela de Westminster, entre janeiro e março de /964


1

A

VINHA

Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito de sua vinha. O meu amado tinha uma vinha numa colina fertilissima. Ele a cercou, limpou-a das pedras e plantou com as melhores vinhas; e construiu uma torre no meio dela, e também fez um lagar. Ele esperava que ela desse uvas boas, mas ela deu uvas bravas. Agora, pois, ó habitantes de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não lhe haja feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, deu uvas bravas? Agora, pois, vos farei saber o que farei com a minha vinha: tirarei a sua sebe para que sirva de pasto; derrubarei o seu muro, para que seja pisada; deixâ-la-ei abandonada. Não será podada nem sachada, mas crescerão nela sarças e espinhos; darei ordem às nuvens para que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são sua planta estimada; ele procurou juízo mas eis aí opressão; justiça e eis aí clamor. (Isaías, 5:1-7).

Estas palavras, como o próprio profeta nos diz, formam um poema ou cântico sobre o estado e a condição do povo de Israel, nos dias em que Deus levantou o profeta Isaías para lhes falar. 9


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Os profetas eram homens muito práticos. Não devemos pensar neles como sendo apenas homens de literatura ou poesia que decidiram entrar para essa carreira pelo fato de a apreciarem. Não, todos eles nos dizem que foram chamados por Deus para entregar uma mensagem aos seus compatriotas. Eles não queriam fazer isso. Alguns, na verdade, revelam-nos com honestidade, que resistiram fortemente ao chamado de Deus. Eles sabiam que a sua mensagem não seria agradável, e eles não queriam ser impopulares, não desejavam sofrer. Estavam conscientes, porém, da chamada de Deus, e, além disso, convencidos de que Ele lhes entregara uma mensagem. Não que houvessem olhado para o mundo e chegado a algumas conclusões, como hoje acontece quando determinadas pessoas as registram em artigos de jornais ou livros, ao observarem certas coisas e apresentarem sugestões que julgam ter algum valor. Esta não era a posição dos profetas. Eles afirmam em seus escritos que tudo lhes foi dado por Deus. Deus lhes abriu os olhos, deu-lhes entendimento, chamou-os e lhes ordenou que entregassem a mensagem por Ele destinada ao povo. E isso foi o que Isaías fez. Ele se dirigiu à sua nação e lhes disse exatamente a razão de as coisas estarem do jeito que estavam; porque, quando ele escreveu, o povo já enfrentava problemas. A nação, que fora grande e poderosa, estava entrando em dias maus; tudo ia muito mal, e é claro que havia todo tipo de pessoas se apressando a dar suas opiniões. Então, mediante esse homem veio esta mensagem de Deus: "Esta é a causa do seu problema; é exatamente por esta razão que estas coisas estão acontecendo com vocês." Além disso, ele profetizou sobre o que iria suceder a eles se continuassem como estavam e se recusassem a se arrepender e a se voltar para Deus. Este é o resumo da mensagem do grande profeta Isaías, mas é claro que ela vale também para os outros profetas. Todos eles tinham a mesma mensagem para dar; todos a receberam de Deus. Eles a apresentaram de formas diferentes porque Deus não os usou como meras máquinas; a personalidade do homem transparece. A mensagem, porém, era de Deus e não do homem. Este é o ponto que desejo aqui e agora ressaltar: em todas essas grandes mensagens proféticas, nós temos ao mesmo tempo, 10


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VINHA

um resumo do que Deus está dizendo a todos os homens e mulheres. A nação de Israel é apenas um exemplar, um tipo estabelecido por Deus para que, mediante ela, possa falar a toda a humanidade. Parece que nos dias do Velho Testamento apenas o povo de Israel era o povo de Deus, mas é claro que o mundo inteiro pertencia a Ele naquela época, como acontece hoje. Eles eram seu povo apenas num sentido especial, como o povo cristão ou a Igreja são hoje seu povo de uma maneira especial. O mundo todo, porém, pertence a Deus. Então, quando estudamos o que Deus disse ao profeta desta nação em particular, estamos vendo ao mesmo tempo o que Ele tem a dizer a todo o mundo. Uma coisa muito maravilhosa que transparece quando você lê a Bíblia e aprende a conhecê-la inteiramente, é que você descobre que ela é um livro atualizado e muito contemporâneo. É um livro que fala a todas as épocas e gerações, porque a humanidade permanece a mesma em todas as suas qualidades essenciais, e Deus continua o mesmo. Assim, a mensagem de Deus para o mundo é ainda esta velha mensagem, e eu quero mostrar-lhe quão relevante ela é para o mundo de hoje. Veja esse povo de Israel; eles tinham problemas, as coisas estavam indo mal, e agora, finalmente depois de muito tempo, eles começavam a enxergá-los. Mas, que estava errado? Como isso acontecera? Que poderia ser feito com relação a isso? Essas eram as questões. E são as mesmas hoje. O mundo todo está com problemas, precisa de enxergar. É um mundo confuso e infeliz. Existem problemas em geral e problemas de ordem individual e particular. Ninguém vive nele sem perceber que há um elemento de luta e dificuldade. Os jornais estão sempre exibindo isso diante de nós: as tragédias que se sucedem; os desapontamentos. Homens e mulheres conseguem enxergar isso, mas a dificuldade é que eles estão confusos e estarrecidos em relação à causa. Não há livro mais prático do que a Bíblia. Ela é o livro que fala ao mundo como ele se encontra neste exato momento. Por que não estamos perfeitamente felizes? Por que as nações não se estão unindo e trabalhando juntas pelo bem comum? Por que tantos problemas, discórdias, infelicidade e a conseqüente dor, tão evidentes em toda parte? 11


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o mundo

ainda está atordoado com relação a isso, e todos os tipos de pessoas dão suas opiniões. Mas é meu dever e função colocar diante de você esta palavra de Deus: mostrar-lhe o que Ele está dizendo ao mundo de hoje, exatamente como disse mediante seu servo, o profeta Isaías, há oito séculos, antes do nascimento de Cristo. O mundo hoje ou não crê de jeito nenhum em Deus ou está lutando contra Ele, culpando-O por tudo, indagando a razão de Ele permitir isso e aquilo, sempre cheio de queixas e reclamações. Essa é a atitude do homem e da mulher modernos, como era a do povo de Israel no tempo do profeta Isaías. Esta é, do início ao fim, uma grande mensagem da Bíblia: ela dá a resposta de Deus às perguntas: Que está errado com os homens e as mulheres? Por que se tornaram o que são? Como isso pode ser consertado? E a Bíblia tem uma variedade de modos de nos apresentar esta mensagem: mediante o ensino direto, a história e, algumas vezes, como aqui em Isaías, 5, uma ilustração ou poema. Vemos aqui outra vez a grande misericórdia e compaixão de Deus. Todos somos diferentes; uma apresentação da verdade esclarece determinada pessoa, enquanto um outro modo de mostrá-Ia ajuda uma outra. Assim, a mensagem é apresentada a nós de diferentes maneiras, de forma que todos possamos vir a entender a verdade. Vamos, então, examiná-Ia da forma como está sendo apresentada neste poema em particular. Isaías, em outras partes do seu grande livro, coloca a verdade crua, clara e di reta. Aqui, porém, ele escreve um poema, pinta um quadro, um quadro de um homem que plantou uma vinha para si. Ele escolheu o melhor lugar que pôde encontrar, em uma colina muito promissora, com solo muito fértil. Removeu todas as pedras, cercou-o, colocou um muro ao redor e construiu uma torre. Então, plantou essas mudas escolhidas e aguardou uma grande colheita. Mas, coitado, em lugar de colher uma excelente safra das mais doces e suculentas uvas, encontrou apenas uvas bravas. Isaías então explica a razão de isso haver acontecido, e faz um pronunciamento sobre o que esse homem fará. Assim, ao pintar o quadro, ao escrever o poema, o próprio Isaías faz a aplicação, dizendo: "Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são sua planta estimada; ele procurou juízo mas eis aí opressão; justiça, e eis aí clamor (Isaías, 5 :7)". 12


A

VINHA

Agora, deixe-me mostrar-lhe que esse poema é uma representação perfeita da grande mensagem da Bíblia sobre toda a raça humana. Essa é a mensagem do Evangelho cristão, da Salvação de Deus para o mundo atual, e não há nada mais urgente e relevante do que isso. Aqui, neste poema, o profeta inicialmente construiu uma figura geral - ele vai detalhá-Ia mais tarde -, de forma que possamos ver o que são os homens e as mulheres, e por que são assim. Isaías mostra também as conseqüências, a única esperança de salvação e a saída. Qual é o problema do mundo? Por que as coisas estão como estão? A Bíblia, do começo ao fim, sempre dá esta resposta: pri meiro, os homens e as mulheres estão definitivamente com problemas porque não conhecem a verdade sobre si mesmos, nem crêem nela. Isso soa aos ouvidos modernos, é claro, como algo ridículo, porque nossa maior jactância é a de que temos maior conhecirnento que qualquer criatura que haja existido antes de nós. Os tolos falam sobre o novo conhecimento que temos da natureza como o resultado do trabalho de Freud etc.: todas essas teorias que 10m caracterizado nosso século XX. Mas o fato é que o problema principal de homens e mulheres ainda é que eles são tremendamenI\.: ignorantes quanto a si mesmos. Este foi sempre o problema principal com o povo de Israel. Aqui estava uma nação que Deus fizera para si próprio. Havia outras Ilações no mundo, mas, em um certo momento, Deus escolheu um homem chamado Abrão (ou Abraão), que vivia em Ur dos Caldeus, l' o chamou. Deus lhe disse: "Eu quero falar com você. Tenho uma mensagem para você. Quero fazer de você uma nação, um povo para mim mesmo." E Ele o fez. Deste modo, a nação de Israel era distinta de todas as outras nações. Seus constantes problemas devi.un-se ao fato de que ela nunca compreendeu aquela verdade; sempre queria pensar sobre si mesma em termos de outras nações. Ela não gostava dessa singularidade; não apreciava responsabilidade; lião gostava de ter os Dez Mandamentos e uma lei moral. E se perguntavam: "Por que não podemos fazer o que todos os outros fa'/,\.:I11? Os outros povos não têm que guardar o sábado; eles podem .orner tudo de que gostam, podem casar-se com qualquer um. Por que nós sempre temos que ser diferentes?" Este era seu problema 13


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constante. Eles nunca compreenderam quem eles eram, e sua singularidade como uma nação e um povo. E este permanece sendo o principal problema da humanidade. Ela é ignorante quanto à verdade sobre si mesma. Qual é· a verdade? A resposta é dada nesse poema. Os homens e as mulheres foram criados por Deus. Assim.corno este homem criou esta vinha para si, Deus fez os homens e as mulheres para si próprio. Agora, você pode ver de imediato que este é um ponto fundamental. Os homens e as mulheres são apenas animais? São realmente o resultado da operação de alguma força cega que exerceu seu poder num protoplasma, que ao final produziu seres humanos? Não existe nada exterior a eles, nada além deles? Ou seriam eles únicos e absolutamente especiais, criados pelo Todo-Poderoso para si mesmo, para seu prazer e deleite? Seriam os homens e as mulheres algum tipo de acidente biológico, ou são eles a coroa da Criação de Deus? A totalidade da argumentação bíblica afirma que a segunda hipótese é verdadeira. Mas vamos trabalhar os detalhes, retratados tão perfeitamente neste quadro. Você observa que o que nos é dito sobre a vinha é o seguinte: "Ele a cercou, limpou-a das pedras e plantou com as melhores vinhas." Que quadro maravilhoso da criação é este, de Deus, ao fazer o mundo para a humanidade! O homem na ilustração escolheu a mais promissora colina e, colocando-a- perfeitamente em ordem, "plantou-a com as melhores mudas". Isso é justamente uma figura e uma parábola do que nos é dito no início de Gênesis sobre a criação dos homens e das mulheres. "E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem e semelhança ...": "as melhores mudas"! O homem não é meramente um animal, seja lá o que você diga sobre o desenvolvimento desse animal. É claro que o homem tem um corpo e há um tipo de relacionamento com o animal, mas o que faz o homem homem é esta coisa de 'escolha'. "Deus soprou nas suas narinas o sopro da vida; e o homem se tornou alma vivente." (Gênesis, 2:7). Deus colocou na sua própria natureza - 'a muda escolhida' - algo dEle mesmo, dentro do homem. Os homens e as mulheres são feitos 'à imagem e semelhança' de Deus. Eu sempre digo que, se não tivesse outra razão para ser cristão e rejeitar todas as teorias populares sobre a humanidade, para mim 14


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isso seria o suficiente. Todas as outras idéias são um insulto aos homens e às mulheres; fazem deles algo menor. Entretanto olhe para eles: veja sua grandeza, sua singularidade, feitos à imagem e semelhança de Deus, com um selo divino sobre eles, a imagem de Deus na alma! E agora deixe-me enfatizar uma outra coisa. Deus colocou o homem e a mulher no que é chamado em Isaías de "uma colina muito fértil". Então, "Ele a cercou e limpou-a das pedras". Bem, isso é um poema, e as pessoas certamente gostam de ilustrações. Elas dizem que não podem ler muito ou ouvir longos sermões, mas se entretêm com uma boa ilustração ... Ah, elas adoram uma figura! Então, estou aqui segurando uma figura diante de você. Aqui está o homem colocado: onde? No Paraíso! "Uma colina fertilíssima"! Um ambiente perfeito. É da própria essência da argumentação bíblica dizer que no começo este mundo, no qual nos encontramos, não era o que é hoje. Este é um mundo decaído. Deus fez o homem e a mulher à sua imagem e os colocou no Paraíso. Essa vinha escolhida foi plantada numa "colina fertilíssima", no melhor solo imaginável, posicionada para o sul, com tudo que fosse favorável e designado a estimular o crescimento e a produção. O homem e a mulher foram feitos por Deus e colocados no Paraíso numa posição de perfeição. Agora, estamos para sempre tentando entender por que o mundo está como está, e a resposta é que ele se tornou assim, não foi feito assim, não para ser do jeito que é. Isso está errado; é a Queda; é o mal. Temos aqui de observar um dos detalhes. O quadro nos conta que ele "construiu uma torre no meio dela". Que isso significa? Bem, o propósito de se construir uma torre naqueles antigos vinhedos era este: quando o dono da vinha estivesse ansioso para ir até lá, a fim de olhar as coisas e observar a maravilhosa colheita que estaria amadurecendo, se ele desejasse passar a noite ali, então teria a torre, e poderia ficar. Teria, então, oportunidade de fazer suas refeições nela, dormir; enfim, fazer o que quisesse. Ele construiu a torre no meio da vinha para sua própria conveniência. Ela também era usada com o propósito de proteção, mas basicamente se destinava a ter ele oportunidade de passar lá um pouco do seu tempo, desfrutando essa bênção. 15


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Que quadro perfeito é esse, onde nos é contada a origem do homem?! Deus fez o homem à sua imagem e o colocou no Paraíso, e desceu e conversou com ele, e comungou com ele ali: o homem era o companheiro de Deus! Essa é a figura que nos é dada. O grande Deus fez o homem e a mulher para si próprio, não apenas para que usufruíssem companheirismo com Ele, mas para que Ele mesmo desfrutasse a companhia deles. Ele os fez para sua própria glória, e os colocou lá no meio do Jardim, no Paraíso. E que esperava deles? Bem, está tudo aqui. Nos termos do quadro de Isaías, ele esperava que "produzisse uvas"; ou, como na aplicação, ele procurou "Juízo", que quer dizer julgamento, e procurou por "Justiça", que quer dizer verdade e uma vida santa. Isso é, obviamente, um assunto muito vital na atualidade. Quase não se pode pegar um jornal sem que se leia algo sobre o problema da chamada "nova moralidade". Daí o problema central diante do mundo moderno: Que é moralidade? Como devemos viver? Algumas das regras fundamentais de vida estão sendo questionadas neste tempo presente. O casamento é sagrado; algo para sempre, ou não? Existe lealdade ou não? E não se podem levantar tais questões sem se trazer à tona a questão fundamental sobre o que é o homem e o que é a mulher. Eles são, afinal de contas, animais? Deve-se esperar que se comportem como os animais numa fazenda ou na selva? A promiscuidade na natureza é real. Então, seria ela correta entre os seres humanos? Bem, se eles são apenas animais, por que não? A resposta para tudo isso é encontrada na resposta bíblica para a pergunta: Que é o homem, e que é a mulher? E quando você entender o que eles são, você fará a segunda pergunta: Eles foram criados para fazer o quê? Como devem viver? A resposta é muito simples. Deus, ao fazê-los à sua própria imagem, obviamente esperava certas coisas deles. Ele os fez senhores da Criação. Deste modo, Ele esperava que vivessem de forma diferente do resto da criação. Os animais vivem pelos instintos e obedecem a eles, o que está certo. Eles são animais; você não pensaria em corrigir ou açoitar um animal só porque ele se comporta de uma maneira discriminada e promíscua. Não há nada de errado com isso. Mas será que você espera que um homem ou uma mulher vivam assim? Não! Ele procurou juízo; ele procurou por justiça; por julgamento.

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Esta é a visão bíblica do homem e da mulher, que, por haverem sido feitos à própria imagem e semelhança de Deus, são responsáveis diante dEle; são feitos para viver de acordo com certo padrão; para honrarem a lei de Deus; para serem seus companheiros. Era isso que Deus esperava de nós. Ele esperava que fôssemos justos, disciplinados, controlados e puros; que refletíssemos algo da sua glória; que fôssemos mestres de nossas faculdades, em lugar de sermos governados por elas. É isso que Deus procura: "juízo" e "justiça". Esses são os modos que o profeta Isaías nos mostra neste quadro, relembrando-nos a verdade essencial que concerne aos seres humanos, nossa origem, nossa natureza, para o que fomos criados, e como devemos viver. O segundo princípio geral que Isaías apresenta é este: A total irracionalidade da conduta e do comportamento humanos. Aqui está a questão: "Agora, pois, habitantes de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha." Em outras palavras: ele está fazendo um apelo à razão, ao entendimento e ao senso comum. "Olhe aqui" diz o dono da vinha - foi assim que plantei a minha vinha escolhida na mais fértil colina. Eu dei a ela todas as oportunidades. E digo mais: Julguem com toda a justiça entre mim e a minha vinha. Venham comigo; constituam-se em júri; dêem seu veredicto sobre a conduta desta vinha." E isso é precisamente outra grande argumentação da Bíblia: a absoluta irracionalidade dos homens e das mulheres em sua vida e seu pecado. Considere o modo como têm vivido e se comportado, c como estão agindo neste tempo presente. Qual é a causa essencial de todos os seus males? Aqui está definida numa só palavra: Desobediência! Rebelião! E eu quero mostrar-lhe a completa irracionalidade disso. Aqui estão o homem e a mulher criados à imagem de Deus e colocados em um ambiente perfeito, tendo uma vida ideal de comunhão com Ele; feitos para desfrutar uma vida de retidão e santidade. Que, porém, eles fizeram? Deliberadamente zombaram da lei de Deus; rebelaram-se contra Ele; deram-LHE as costas c seguiram em direção oposta. Bem, isso é irracional pela seguinte razão: Que há de errado com o modo de Deus? Que está errado com o que Deus espera dos homens e das mulheres? Por que será que as pessoas estão vivendo ó

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sem Deus? Por que pensam que são mais sabidas quando zombam das leis de Deus, cospem nas coisas sagradas e ignoram o ensino do Senhor Jesus Cristo? Por que agem dessa maneira? Deixe-me explicar da seguinte forma: Como justificar uma vida agnóstica? Ou, de um modo mais positivo: Que está errado com a demanda de Deus? "Ele procurou por juízo (...) Ele procurou retidão". Que há de errado com isso? Diga-me, em nome da razão, qual a sua objeção aos Dez Mandamentos? Pegue os quatro primeiros: "Adora Deus e só a ele; não te curves a imagens esculpidas." Existe alguma coisa errada nisso? Por que iriam as pessoas querer curvar-se diante de imagens? "Não tomes o nome do Senhor teu Deus em vão." Qual sua objeção a isso? "Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo." Que há de errado em guardar o sábado? Até mesmo os médicos dizem que é bom separar um dia a cada sete para descansar. Por que não cultivar a mente e o espírito e pensar na eternidade? Qual a objeção? Vamos, porém, aos outros seis, aos Mandamentos práticos: "Não mates." Qual é sua objeção a este? É razoável querer matar? "Não roubes." Oh, isto é irracional, não é? O razoável é roubar, pegar as coisas e propriedades dos outros? "Honra a teu pai e à tua mãe." Você veio ao mundo por intermédio deles, e eles cuidaram de você; abriram mão de noites de descanso por você; não há nada que não façam em seu benefício. Será por acaso irracional pedir-lhe que os honre? Veja o que este homem diz: "E agora, ó habitantes de Jerusalém, e homens de Judá, julguem, eu lhes peço, entre mim e a minha vinha." Onde está a irracionalidade da demanda de Deus nos Dez Mandamentos? "Não cometas adultério." Será porventura irracional pedir às pessoas que mantenham seus votos matrimoniais? É errado pedir-lhes que exercitem um pouco de controle? Será errado pedir a um homem que não cobice a mulher do outro, não aborreça sua família nem traga destruição e ruína sobre ela? Enfrente isso! O mesmo se diz com relação a cada um dos pedidos que Deus fez. "Ele procurou por juízo, por retidão." Os Dez Mandamentos, a lei moral, o Sermão do Monte ... Que há de errado neles? Você não vê que, se todas as pessoas do mundo estivessem seguindo os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte, não haveria o perigo constante de guerra, ninguém estaria construindo arma18


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mentos, nem existiria a tremenda tensão internacional que se observa? Tampouco enfrentaríamos todos os problemas morais que enfrentamos hoje; não necessitaríamos de tantas comissões especiais, nem haveria tanta destruição na vida matrimonial e familiar, com suas misérias e angústias conseqüentes. Oh, a humanidade está louca! O que vivemos é insanidade, o cúmulo da irracionalidade! A rebelião dos homens e as mulheres contra Deus, e sua afronta à sua santa lei é o clímax da irracionalidade. Eles não são animais racionais, e, sim, tolos! Estão-se deixando governar por seus instintos e desejos, não pela mente e pelo cérebro. Aqui está, em Isaías, 5, tudo na forma de um quadro antigo pintado 800 anos antes do nascimento de Cristo. O terceiro ponto de Isaías é a perversão, tão característica do comportamento humano. Ele diz duas vezes: "Ele esperou que ela desse uvas, e elaproduziu uvas selvagens (... ) Por que razão, quando L:U esperei que ela desse uvas, ela produziu uvas selvagens?" E ... "Ele procurou por juízo, mas eis opressão; por justiça, mas eis um lamento." Isso é perversão. Os homens e as mulheres estavam produzindo exatamente o oposto do que deveriam produzir. Eles deveriam ser como uma vinha frutífera, produzindo as mais saborosas uvas em sua doçura e suculência, mas estão, na verdade, produzindo "uvas selvagens"; e uvas selvagens não são nada boas, não têm valor algum, não dão sustento, são repugnantes e amargas; são inúteis, urna pretensão e uma fraude. Elas apenas se parecem com a coisa real. Então, você as coloca na boca para descobrir que não são, e cospe, enojado. E não é este um perfeito resumo de tudo o que a vida humana é? Você quer que eu creia que as pessoas foram feitas para produzir os resultados que estão sendo produzidos hoje? Olhe para o mundo e catalogue o que ele está dando: embriaguez, roubo, adultério, luxúria, fornicação, violência, ciúme, rancor, malícia, ódio. É inútil e amargo; é para ser cuspido. Se as pessoas estivessem em seus sent idos perfeitos, iriam reprová-lo e renunciar a ele. O mundo não está produzindo nada que seja de valor decisivo; apenas fraude, aparência de vida que não é vida, não passa de uma existência má e inútil. Está tudo neste quadro. "Ele esperou que ela produzisse uvas e ela produziu uvas selvagens", com toda a sua acidez e amargura.

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Isso é perversão. Os homens e as mulheres estão distorcidos. Eles nunca deveriam haver-se transformado dessa maneira. Eles teriam de ser justos, limpos e santos, produzindo frutos de justiça para a glória de Deus. Em vez disso, porém, temos vergonha, trevas e imundície em todos os níveis da sociedade. Há algo, porém, ainda pior do que isso: a absoluta falta de justificativa da humanidade. Ouça esta observação de um queixoso: "O que mais poderia ter sido feito por minha vinha, que eu não tenha feito por ela?" Temos aqui o homem que comprou aquele maravilhoso terreno na colina fértil, retirou as pedras, cercou-o, protegeu-o e plantou nele a vinha escolhida. Pois ele não conseguiu nada além de uvas selvagens. Então, ele apela para a razão de todos os passantes. "Digam-me, se com razão vocês podem convencer-me de haver falhado em alguma coisa? Afinal, não fiz tudo que deveria ter sido feito por sua segurança e bem-estar? Existe algo mais que poderia ter feito?" E a resposta é: absolutamente nada. Isso me leva a afirmar que os homens e as mulheres em pecado e em sua presente vergonha são totalmente inescusáveis. O que mais Deus poderia ter feito por eles que não tenha feito? A Bíblia é o relato do que Deus fez por nós. Ele fala a cada um mediante este grande livro, perguntando-nos: Que mais eu poderia ter feito que não fiz? Ele fez os seres humanos perfeitos; deulhes um ambiente perfeito; desceu e comungou com eles; abençoou-os; deu-lhes tudo de que necessitavam. Que mais poderia ter-lhes dado? Foi assim não apenas no começo; Ele continua o mesmo. Ainda quando o homem e a mulher em sua loucura se rebelaram contra Ele, dando ouvidos ao Diabo, e pecaram, e caíram, trazendo o caos sobre si mesmos, nem assim Ele os esqueceu. Ele não disse: Muito bem: vocês fizeram isto, e isso, e aquilo; portanto é o fim. Oh, não! Mesmo quando eles se rebelaram, e como que cuspiram na Sua face, Deus desceu e eles lhe ouviram a voz no Jardim, ao cair da noite. Ele os visitou, e, quando falou simplesmente, os repreendeu, fazendo ao homem e à mulher a mais gloriosa promessa: "Embora vocês tenham feito isso, e apesar de terem trazido tudo isso sobre vocês mesmos, eu ainda assim lhes prometo que a semente da mulher ferirá a cabeça da serpente." (Veja Gênesis, 3: 15.) Ele prometeu uma forma de libertação e de salvação.

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Leia a grande história do Velho Testamento, e em seguida vá ao Novo, e é isso o que você encontrará. No Velho, você tem a bondade de Deus para conosco em sua providência. "Ele faz com que o sol se levante sobre bons e maus, e envia a chuva sobre o justo e o injusto" (Mateus, 5:45). Deus nos tem dado vida, saúde, força, alimento e vestimenta. Se Ele retirasse sua providência, tudo entraria em colapso; todos morreríamos de fome e frio. Deus nos mantém apesar de estarmos em rebeldia contra Ele. Sua bondosa providência não falha! Ele se desviou de sua trajetória para nos instruir mediante sua santa lei. Ele se preocupa conosco, embora tenhamos caído e sido desobedientes. O mais impressionante de tudo, porém, é a paciência e a benevolência de Deus. Ele levantou a nação de Israel; por meio dela falou ao mundo todo. E veja a sua paciência com eles! Eles foram de encontro a Deus e se meteram em problemas, mas quando retornaram a Ele, Ele os recebeu. Muitos de nós os teriamos amaldiçoado por muito menos! Deus, porém, contra quem eles se haviam rebelado, disse: Eu lhes perdôo! E derramou seu amor sobre eles. Depois eles voltaram a fazer as mesmas coisas, mas humilhados e arrependidos, e Deus, novamente, os aceitou. Ele faz isso constantemente. Veja sua longanimidade, paciência, misericórdia e compaixão. Veja o caso da nação como um todo, e também o caso dos grandes líderes da nação que erraram e voltaram atrás. Que mais Deus poderia ter feito por Israel? E agora pense nos avisos que nos tem dado. Os homens e as mulheres - em sua sapiência - são tentados a dizer: Mas eu não sabia ... Como poderia saber? Se ao menos eu houvesse recebido alguma instrução ... algum aviso ... Não, isso é mentira. A Bíblia está cheia de avisos. Deus disse ao homem e à mulher, antes que caíssem, que, se eles fizessem o que lhes proibira fazer, eles iriam sofrer, e muito! Eles foram avisados. E Deus tem avisado desde então a toda raça humana. Ele tem avisado não apenas com palavras, mas permitindo que certas coisas lhes aconteçam. Que mais poderia Ele fazer? "O que mais poderia ser feito?" eis a pergunta de Deus neste quadro. "Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho único" (João, 3: 16). Sua preocupação com o mundo e seus habitan21


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SOB A IRA DE DEUS

tes é tão grande que, "Quando a plenitude do tempo veio, Deus mandou seu Filho, nascido de mulher, debaixo da lei (...)" (Gálatas, 4:4) Ele mandou servos, profetas e professores. Então, disse: Vou, basicamente, fazer a maior coisa que posso. Não posso fazer nada além disso. Vou enviar-lhes meu próprio Filho. E assim o fez. O Filho de Deus nasceu como o infante de Belém. Ele se tornou homem e viveu neste mundo, agüentou a contradição dos pecadores contra Ele, compartilhou a vida com homens e mulheres comuns e, finalmente, tomou a carga de seus pecados sobre Si. Ele foi ferido pelas transgressões deles e deu a vida por sua libertação. Deus esvaziou seu próprio coração, enviando seu único e querido Filho, e "ele, que não conheceu o pecado, tornou-se pecado por nós" (II Co 5 :21). Ele deu seu Filho a ponto de morrer, enfrentar uma morte cruel e vergonhosa na cruz. Ao apontar para aquela cruz, Ele está dizendo ao mundo todo: "Creia em meu Filho, e vou perdoar-lhe todos os seus pecados. Vou apagá-los. Vou reconciliá-lo comigo e dar-lhe uma nova natureza, um novo começo, um novo nascimento, e colocar meu Espírito Santo dentro de você. Então, vou aperfeiçoá-lo e, eventualmente, recebê-lo na minha presença na glória eterna. E farei tudo isso sem pedir nada em troca, esperando apenas que creia em meu Filho. Que mais Deus poderia ter feito? Esta é a sua pergunta. "Que mais poderia ter sido feito por minha vinha, que eu não tenha feito?" Ele fez tudo. Assim, os homens e as mulheres são totalmente inescusáveis. Não adianta falar de suas fraquezas, da profundidade do seu pecado ou do poder do mal no mundo: eu sei tudo sobre isso. A salvação de Deus, porém, é mais poderosa, e você é o que é, simplesmente porque não crê nela. Você não tem desculpa. E assim só resta uma coisa: o julgamento de Deus sobre os rebeldes, pessoas tolas, que não apenas quebraram sua lei mas rejeitaram sua graça e sua maravilhosa oferta de Salvação gratuita. Ouça estas palavras terríveis: Agora, pois, vos farei saber o que farei com a minha vinha: tirarei a sua sebe para que sirva de pasto; derrubarei o seu muro, para que seja pisada; deixá-la-ei abandonada. Não será podada nem sachada, mas crescerão nela sarças e espinhos; darei ordens às nuvens para que não derramem chuva sobre ela.

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A

VINHA

Permita-me apresentar uma curta interpretação deste texto. Porque o mundo rejeitou a lei de Deus, seu Filho e sua oferta gratuita de salvação, Deus retém suas bênçãos. Ele impede as nuvens de chover sobre a Terra. Você espera ser abençoado por Deus quando recusa suas leis e rejeita sua oferta de amor em Cristo? Se é assim, então você está louco. O mundo hoje está na situação em que está porque Deus está retendo suas bênçãos. Ele não tem direito a elas. Mas Deus não parou por aí. Ele retira sua proteção e suas limitações. "Eu removerei a cerca, e ela será devorada; e derrubarei o muro, e ela será pisoteada." Neste mundo, estamos cercados por torças e espíritos malignos, e só Deus é mais poderoso que eles, capaz de fazê-los recuar e nos proteger. Rejeite Deus e eles atacarão. Pois é o que está acontecendo: eles estão atacando. Todos os inimigos da humanidade estão atacando com um poder enorme e terrível: as forças do mal e do pecado, da imundície, da sugestão e da obscenidade. As limitações da religião se foram, a limitação dada pelo Espírito Santo é retirada, as forças do maligno estão vindo como uma inundação, e a nossa desordem moral cresce de semana a semana. Deus retirou sua proteção porque os homens e as mulheres disseram que não precisavam dela. Mas Deus ainda foi além disso: "Eu vou deixá-Ia desolada." I~k fará dela um lugar abandonado. Eu interpreto isso como significando que Deus não permitirá que as pessoas sejam felizes neste mundo enquanto permanecerem num estado de rebelião. "Não há paz, diz o meu Deus, para o perverso" (Is 57:21). Assim, o nosso mundo moderno, com sua prosperidade, sofisticação e conhecimonto, é um verdadeiro inferno. Por quê? Deus não permitirá que ele tenha sucesso; fará dele um lugar abandonado. Ele está fazendo isso diante dos nossos olhos. A vida não deveria ser assim; ela foi feita para ser como a gloriosa vinha, mas o que vemos são espinhos e sarças e todo o horror que há neles: o sofrimento, a dor a angústia. Este é o quadro do mundo moderno. O escritor deste hino colocou tudo aqui:

o orgulho e a glória terrena sua confiança a espada e o templo traíram o que construiu com cuidado e carinho; torre e templo em poeira tornaram-se. Joachim Neander 23


UMA

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SOB A IRA DE DEUS

Assim eu os guiei através deste poema em Isaías, e nós temos visto que é isso o que Deus está dizendo ao mundo. E como fica o final? Aqui está a mensagem: Só há uma esperança para o homem e as mulheres individualmente, e só uma esperança coletivamente. É entender a irracionalidade e a falta de justificativa do pecado, e ir a Deus em penitência e contrição e confessar-LHE e dizer-LHE: "Eu reconheço que estou totalmente errado. Eu estava enganado sobre mim mesmo, como também sobre os outros. Entendo que fui criado por Ti, tenho valor para Ti, não posso viver sem Ti. Reconheço que sou um tolo, agindo como um louco. Senhor, tem misericórdia de mim!" Arrependa-se! Vá a Ele e confesse tudo! Então, vá em frente e diga: "Eu ouvi a tua pergunta. Tu disseste: Que mais poderia ter sido feito além de enviar meu Filho único? E eu respondo: Ó Deus, tu não poderias haver feito mais nada; fizeste tudo em Cristo. Eu me entrego." E Ele estará esperando, desejoso e pronto para recebê-lo.

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MA TERIALlSMO Ai daqueles que acrescentam casa a casa, campo a campo, até que não haja mais lugar, de forma que eles sejam os únicos no meio da Terra! Aos meus ouvidos disse o Senhor dos Exércitos: na verdade, muitas casas ficarão desertas, mesmo as grandes e belas, sem habitantes. Sim, dez acres de videiras darão um bato e um ômer cheio de semente não dará mais do que um efa (Isaías 5:8-10).

Vimos que Isaías, no seu quinto capítulo, entregou uma men'.agem a seus contemporâneos, os filhos de Israel, na forma de 11111 poema ou quadro. Ele começa apresentando o caso e depois procede particularizando e ilustrando, de uma forma geral, o que dixxcra.

Seu argumento é o de que Israel é um padrão ou exemplar copor Deus diante de toda a raça humana, de forma a transmitir ·\la grande mensagem de que homens e mulheres, na sua rebelião ,., mira Deus, são ignorantes quanto à própria natureza, irracionais, perversos e totalmente inescusáveis. A única esperança para eles é vurcnder tudo isso, antes de que seja tarde demais; arrepender-se e . (' voltar para Deus, antes que a sua ira desça sobre eles. I, .cado

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UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

Aqui está o quadro completo, apresentado em poucas palavras. Ao fazer isso, porém, o profeta continua a nos dar exemplos particulares e ilustrações. Agora, alguém pode muito bem perguntar: Eles são necessários? Há necessidade de nos importarmos com eles? Por que o profeta os coloca em termos de seis "ais"? Por que ele se contentou em apenas entregar a mensagem geral? Existe muita gente que mantém esse ponto de vista. O mesmo argumento é apresentado contra um evangelho pessoal. Algumas pessoas não fazem objeção alguma quanto ao evangelho enquanto estiver no campo geral das idéias, mas, no momento em que se torna pessoal, em que passa ao campo aplicado, quando começa a fazer pressão sobre elas e a chamá-las a fazer algo, criam objeção e deixam de gostar dele. As pessoas, porém, que fazem objeções desse tipo deveriam saber que estão contestando o método bíblico. A Bíblia nunca se detém em generalidades. Ela sempre vai ao particular, e faz isso a fim de nos trazer a verdade diretamente, e produzir em nós uma convicção real. Eu poderia ilustrar isso em muitas diferentes formas. Lembro-me por exemplo, de uma ocasião em que ouvi um eloqüente homem de Estado fazendo um grande discurso sobre "A Santidade dos contratos Internacionais". O tema era a importância de uma palavra séria nas relações. Aqui está um grande princípio. A GrãBretanha, naquela época, estava lutando na Primeira Guerra Mundial, e lutava por este princípio. Ao mesmo tempo, porém, em que aquele homem era capaz de falar tão eloqüentemente sobre o princípio geral, por outro lado não estava sendo leal a seu próprio contrato matrimonial. Veja bem: é muito bom ficar entusiasmado com a santidade de contratos internacionais, e falar em torno de idéias gerais. A questão, porém, importante é: Você realmente crê na santidade de contratos? A forma mediante a qual se descobre isso não é pela discussão de princípios e idéias gerais, e, sim, do exame da própria vida. É muito fácil sentar-se e dizer: "Sim, este é um bom princípio." Mas será que você realmente concorda com ele? Você mantém os contratos. - no caso presente, o contrato matrimonial na sua vida e na sua conduta pessoal? Esta é uma das razões para

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sempre se trazer O assunto do geral até o particular. O particular nos atinge diretamente. Devemo-nos examinar a nós mesmos, porque o particular nos leva a fazer isso. Em segundo lugar, particulares, afinal de contas, são apenas ilustrações do geral. Eles pertencem ao geral, e são um bom modo de ilustrá-lo. Além disso, nós nem sempre visualizamos um princípio até que urnailustração seja dada. "Ah!" - dizemos -, "agora eu entendi. Eu não conseguia compreender o princípio, mas agora, como você o está colocando num exemplo concreto como este, posso entender exatamente sobre que você está falando." Mas há um terceiro valor nesses particulares, para o qual estou especialmente interessado em atrair a atenção, mediante esta primeira ilustração. É o seguinte: Os particulares, na forma em que lemos aqui, se não fizerem nada mais, pelo menos nos mostram que apesar da passagem dos séculos os homens e as mulheres continuam essencialmente o que sempre foram. Agora, se eu construir lima afirmação geral como esta, alguém poderá tomá-la e dizer: "Está muito bem, mas como você nos prova que as pessoas ainda são o que sempre têm sido?" Minha resposta é a de que eu descubro que há 2.800 anos o profeta Isaías tomou seis coisas que estavam palpavelmente erradas na vida de sua nação e na vida de homens e mulheres em pecado e separados do conhecimento de Deus. Creio que será uma tarefa muito fácil para eu mostrar que esses são os principais prohlemas enfrentados por todas as nações do mundo atuaI. Os particulares nos ajudam a ver, de uma forma como nada conseguiria mostrar, que o pecado é ainda pecado, e que os seres humanos ainda são exatamente como sempre foram através de toda a sua história conhecida e registrada. Em outras palavras: vou mostrar que as características da vida de então continuam a ser as mesmas da vida atuaI. Os particulares são apresentados aqui em forma de 'ais'. "Ai daqueles", diz o profeta. Por que Deus está preocupado? Por que Deus iria punir a nação de Judá? Se vocês estão em dúvida, diz o profeta, eu lhes vou contar com mais detalhes. É que vocês são culpados dessas coisas todas. Esses são os particulares que justificam o veredicto geral de ira e condenação. 27


UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

Em primeiro lugar, "Ai daqueles que adicionam casa a casa, somam campo a campo, até que não haja mais lugar, e eles sejam os únicos no meio da Terra! Aos meus ouvidos falou o Senhor dos Exércitos: na verdade, muitas casas ficarão desertas, mesmo as grandes e belas, sem habitantes. Sim, dez acres de vinhedos darão um bate" - seus dez acres produzirão apenas a porção de um dedal. "Um ômer de semente" - em lugar de produzir uma colheita abundante - "não dará mais do que um efa". Que é que o profeta está censurando aqui? Referente a que Deus está pronunciando este "ai"? A resposta é: sobre o materialismo ou mundanismo. Naquela civilização antiga, é claro, era uma questão de casas e campos. Aquele era o estilo de vida em que eles viviam: Israel era, acima de tudo, uma comunidade agrícola. Assim são esses pontos apresentados no imaginário do Velho Testamento, em termos de casas, campos e animais. O princípio, porém, é o que interessa. Se não servir para mais nada, serve para mostrar que homens e mulheres continuam a ser o que sempre foram: o pecado continua sendo pecado; nada mudou. Não há ninguém mais cego do que a pessoa que diz: Eu não vejo como o Velho Testamento possa estarse referindo a mim. Não vê? Eu espero poder mostrar que tem tudo a ver, porque, embora você esteja vivendo nos dias de hoje, você é exatamente igual ao que eram as pessoas 800 anos antes do nascimento do Senhor Jesus Cristo. O problema, em primeiro lugar, era materialismo, e nós ainda o enfrentamos, exatamente como antes. Evidentemente que nosso estilo de vida mudou. Talvez para a maioria de nós as casas sejam mais importantes que os campos, mas esta é uma mudança ·apenas superficial. Agora nós pensamos mais em termos de dinheiro e daquilo que ele pode comprar: propriedades, mercadorias enfim, tudo o que se torna nosso como resultado do seu uso. Aqui está a essência do problema moderno. O Cristianismo é como um artigo barato de liquidação no qual as pessoas não estão interessadas. Apenas 10% têm algum interesse, e, ainda assim, a metade deles está em dúvida, para se dizer o mínimo. Qual é o problema com os outros 95%? O problema é que, exatamente como o povo de Israel deu as costas a Deus, os homens e as mulheres deste século fizeram o mesmo, mostrando interesse tão-somente em posses materiais. 28


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E, é claro, tudo no mundo promove o materialismo. Ele é en"orajado por todos os partidos políticos. Na verdade, eles fazem ISSOvisando a angariar votos, porque conhecem seus constituintes 1IIIIito bem: sabem perfeitamente que o candidato que fizer mais promessas é o que tem mais possibilidades de se eleger. Não é necessário ser psicólogo para depreender isso. Os políticos comprtcm uns com os outros, oferecendo mais e mais, e afirmando que a sua oferta é melhor que a de qualquer outro. E todos dizem a III .srna coisa. Eu acuso todos eles de encorajarem um forte espírito d(' materialismo, e terem muito pouco interesse em princípios. Não estou querendo dizer que não deveríamos ter políticos; ,dguém tem que governar o país. Que bom seria, porém, se tivésseIIIOSpolíticos que se preocupassem com a verdade, os princípios, a iuoralidade e um viver correto, e não apenas com regras políticas 'IIIC só induzem à lascívia e aos desejos materiais ou lúbricos de homens e mulheres! Tudo por nada! Também os jornais talvez sepllll até os maiores culpados de encorajar essa atitude. Por isso mesmo, são uma das piores influências no mundo, sempre dando a unprcssão de que a vida gira em torno de dinheiro e posses: sempre ,ksfilando esse princípio nefasto diante de nossos olhos. Você encontra ex atam ente isso em toda a mídia: televisão, Indio e tudo o mais. O mundo inteiro está pregando o materialis1110,porque não está de modo algum interessado no espiritual. Ele II(ISdiz que temos de nos concentrar nesta vida, no agora e já. O Ialll é que se julgam muito inteligentes, ao debocharem de atitudes que parecem "voltadas para o alto", falando sobre coisas práticas e lH'ssoas que - dizem eles - "têm os pés no chão e a cabeça no IlIgar". O problema, porém, não está de fato com os assim acusados tIl' "desligados do mundo". Ele acontece porque homens e mulheI('S são fracos, não pensam, não sabem como raciocinar. Deixe-me provar minha argumentação. Um "ai" foi pronuncilido, então vamos examiná-lo do modo como está revelado. Aqui l'St<Í a coisa da qual as pessoas se gloriam hoje: a perspectiva uuucrial ista. Quais são as suas características? A primeira que precisamos notar é sua pequenez. Que vidinha! Imagine identificar :1 vida com um certo número de casas ou campos! Mas é isso mesI!lOo que as pessoas fazem! É dessa forma que elas expressam sua

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filosofia de vida, sua visão de si mesmas: ser bem-sucedido é possuir mais e mais! Há uma ótima ilustração sobre isso na Bíblia; você a encontrará no capítulo 12 do evangelho de Lucas. Jesus estava pregando um dos seus mais místicos sermões, que jamais pregara, sobre o relacionamento de homens e mulheres com Deus. Ele estava falando de tempo e eternidade. Ele os estava prevenindo para que não o negassem, mas, pelo contrário, fossem verdadeiros com ele. E também os avisava sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo. Aí nós lemos: "Um do grupo lhe disse ..." - no momento em que Jesus parou como que para tomar ar, um homem se saiu com esta: 'Mestre, fala com meu irmão que divida a herança comigo'. E ele respondeu: 'Homem, quem me fezjuiz ou testamenteiro entre vocês?" (v. 13,14) Então, ele se voltou para o grupo e disse: "Tomem cuidado com a cobiça; porque a vida de um homem não consiste da abundância das coisas que ele possui." Por que o Senhor falou desse modo? A resposta é perfeitamente óbvia. Aqui está Jesus falando sobre coisas de suma importância, e sobre os grandes mistérios e maravilhas da vida e da eternidade. E ali está um homem na congregação, cara a cara com o Filho de Deus, sem, porém, estar realmente ouvindo o que ele diz, por que não? Porque para ele o que importava não era o relacionamento com Deus e com o céu, a relação da alma com o Espírito Santo, mas uma herança! Há uma disputa entre ele e seu irmão sobre um terreno ou algumas casas, de forma que, no momento em que o Senhor faz uma pausa, ele interrompe com seu pedido: "Fala com meu irmão para que divida a herança comigo." Então, o Senhor diz: "De fato, você acha que eu vim a este mundo, e estou agüentando tudo o que estou passando para resol ver probleminhas como esta divisão de herança, esta disputa sobre propriedades e dinheiro? Você acha que eu vim do céu para isso?" Mas esta é a visão da vida para muitas pessoas. Que determina uma pessoa? O tamanho da casa, a quantidade de dinheiro no banco, as mercadorias e disponibilidades. Hoje, nós chamamos isso de "símbolos de status", Isso é o que se supõe que faça uma pessoa parecer grande. 30


MATERIALISMO Que concepção de vida! Que concepção sobre o valor de ho111L:I1S e mulheres! Esta é uma visão extremamente pequena, abismnlmente minúscula! A vida de uma pessoa, o ser e a existência «-duzidos às coisas que podem ser compradas com dinheiro! Mais urna vez, afirmo que, se eu não tivesse outra razão para ser um cris1:10, isso já seria o suficiente para mim. A visão não-cristã da vida (,,:t. de nós criaturas minúsculas, porque nos estima e nos julga sei'.llndo aquilo que possuímos, não considerando nada sobre nossa ulmu, espírito e o que nos liga a Deus e às possibilidades da eternidade. Ela não sabe nada sobre essas coisas. É um insulto à natureza 11I1I11ana. Mas não apenas isso; ela é também totalmente degradante. Nosso Senhor, mais uma vez, retrata isso perfeitamente. Ele conuuua dizendo: "Porque onde estiver o teu tesouro, ali estará o teu I oração" (v. 34). Trata-se do mesmo problema: Que vamos conu-r, que vamos beber, como nos vamos vestir? Todas essas coi·.:IS as nações do mundo - os ímpios - buscam. É claro que busI :1111, e sempre buscarão, porque é isso que determina a "vida" delrx. De forma que a competição continua: meu vestido - o vestid" da outra mulher; minha casa -, a casa do outro; os campos, os ( IITOSe todas as outras coisas. E as pessoas não conseguem dorm ir em razão da preocupação, da ansiedade, do ciúme, da inveja, d:1 rivalidade e da disputa. Que, na verdade, faz um homem e uma mulher? Que é a vida? Símbolos de status? O número e o valor d.IS coisas que possuem?! nNão há nada errado em possuir coisas. A Bíblia não é irraciuu.rl. Existem coisas que são necessárias, talvez essenciais, e a BíI!lia não as proíbe. Mas, quando você põe seu coração nelas, quando busca sua identidade mediante elas, e quando não pode viver sem r lax. então você se torna um escravo, é o que diz a Bíblia. As pessopodem possuir coisas, mas, quando são possuídas por elas, isso 11:ldamais é do que absoluta escravidão; é totalmente degradante. NI1SSOSenhor diz o seguinte sobre isso: "A vida é mais do que I omida, e o corpo é mais do que vestuário" (Lucas, 12:23). A vida I' que é, realmente, importante; e a alma. Não a roupa, nem o ali111\'l1l0,nem a casa, nem os campos, nem as posses.

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Mas veja o terrível elemento de cobiça que o profeta enfatiza aqui: "Ai daqueles que acrescentam casa a casa, campo a campo, até que não haja mais lugar e eles sejam os únicos no meio da Terra!" Isso é avareza, é claro, nada mais do que cobiça, e, uma vez que você se envolve com isso, nunca se satisfaz. Este é o sentido da cobiça: uma "afeição desordenada". Uma afeição, um desejo, está bem, mas, quando se torna desordenado, então está errado; significa que você é governado e controlado por ele, e nunca se sentirá totalmente satisfeito. A cobiça caracterizava o povo no tempo de Isaías, e o mundo moderno está hoje cheio dela. Mas devo enfatizar um aspecto em particular, que é o do egoísmo. "Ai daqueles que adicionam casa a casa, campo ao campo, até que não haja mais lugar, até que" - note bem - "eles sejam os únicos no meio da Terra!" Que não haja mais ninguém! "Eu comprei todas as casas, ou, pelo menos, consegui controlar quase todas, e tenho todos os campos. Sou só eu no meio de tudo isso; possuo tantas coisas que não vejo mais ninguém; e espero que isso me dê um pouco de prazer." O cúmulo do egoísmo! Ninguém mais tem valor além de eu mesmo! Leia outra vez a história da vinha de Nabote (I Reis, 21). O rei Acabe tinha muitos vinhedos, e havia um homenzinho que só tinha um. Seu nome era Nabote. Sua vinha era uma propriedade da família. Ele não era um grande proprietário; só tinha essa vinha onde seus pais, avós e ancestrais haviam trabalhado. O rei queria o lugar porque ficava perto de seu palácio, e ele planejava transformá-lo num jardim de ervas aromáticas. Mas Nabote, muito justamente, não estava preparado para vendê-Ia ou negociá-Ia, porque a terra fora dada à sua família por Deus como herança e parte na terra prometida. Vendêla seria desobedecer à ordem expressa de Deus. Se assim fizesse, ele estaria quebrando o tratado com Deus (Levítico, 25:23). O rei, porém, não conseguia dormir; nem podia comer. Ele estava infeliz, e - como um bebê - virou a cara para a parede. Aí veio sua mulher, a sutil Jezabel, e disse: Vamos, aja como um homem. Não é você quem manda? Eu vou conseguir o terreno para você. Então, ela planejou o assassinato daquele inocente pobre homem, Nabote. Eles, claro, pensaram que tudo seria maravilhoso. 'Nabote está morto; vá e aproprie-se da vinha.' E Acabe foi para lá.

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Mas quando você lê essa história, veja o veredicto de Deus. O julgamento de Deus se cumpriu literalmente, com o terrível fim do rei Acabe, e o fim ainda mais terrível de Jezabel, aquela mulher maquinadora - e maquiavélica, diríamos hoje! Esta é a história. Mas note o quanto de egoísmo ela envolve. !\ Calha de Acabe de não considerar ninguém mais além dele. Quem l' Nabote? De que valem seus sentimentos pessoais? De que vale Sl'U orgulho de família? Nada interessa além da minha família, miIlha grandeza! Que direito tem Nabote de recusar-se a vender? Eu vou tomá-Ia! Este é o problema com o mundo. Este foi exatamente o prohlcrna, por exemplo, de Hitler. Ele o chamou de Lebensraum; esta !,.rande nação alemã precisava de mais espaço para se expandir, e l lií lcr não se satisfaria com coisa alguma menos do que o mundo todo. Igualmente, os assim chamados conquistadores mundiais são motivados pelo mesmo espírito de egoísmo. Eles não pensam em ninguém mais, a não ser neles mesmos: querem ser os únicos. Isso não se aplica apenas a tiranos, mas ao indivíduo. Não é ('sla a maior causa das disputas trabalhistas? Elas podem ser sem(lIe j ustificadas? Houve um tempo em que eram mais do que justas, quando as pessoas ainda não recebiam salários decentes. Eu vivi ('ssa época nos anos 30. Comecei meu ministério imediatamente .lcpois da greve geral e dos seis meses de greve dos mineiros em I()26, e vi homens, mulheres e crianças à beira da morte por desnuII ição. Foi um escândalo! Mas não é mais assim. Agora as pessoas, uu-xrno sendo bem pagas, ainda fazem greve. Por quê? Mais uma v.-v., cm razão de procura de status. Apesar de ganharem bem, se .iI)',uém ganha mais ainda, então por que não tentar? ... Assim se pode arriscar todo o futuro industrial da nação. Mas qlll' interessa a nação? O que importa sou eu, e este é o princípio, o cxpfrito que existe entre os trabalhadores e também entre os patrões. V:ile para ambos os lados. Todos querem o seu. Estamos todos, por n.uurcza, defendendo interesses pessoais, e tudo não passa de uma in.mifestação de puro egoísmo. Que interesse tem o sentimento das tllllras pessoas? E que importância têm os sentimentos de uma espo'.:1 L' dos filhos, se a sensualidade de um homem precisa de ser satis11'lla" Daí, as mágoas e os problemas da vida moderna. O espírito de

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egoísmo que impera é uma expressão desta perspectiva ímpio-materialista sobre todos os aspectos da vida. Mas deixe-me tratar de algo mais importante. Nós vimos a análise do problema pelo profeta. Qual é, porém, a causa real? Que leva a isso? E a resposta é muito simples: "Aos meus ouvidos" proclama o profeta - "diz o Senhor dos Exércitos ..." (v. 9) O profeta percebe que está errado; mas como chega a essa conclusão? Ah, Deus sussurrou nos ouvidos dele! Deus falou e o profeta ouviu! Ele creu, ele viu o que era o certo, e então passa a mensagem adiante. Mas o problema com o homem é que ele se esquece de Deus. Deus não está presente em sua vida mental. Esta é a essência do problema do homem e da mulher modernos, que os leva a todos os dilemas e infelicidade. Eles se esqueceram de Deus. É aí que está o erro. Muitas pessoas pensam que estão praticando princípios cristãos. Mas isso não vai adiantar nada se eles se esquecerem de Deus. Você pode ver o Sermão da Montanha como um tipo de filosofia e dizer: Temos que fazer com que patrões e empregados apliquem esses princípios. Não adianta! Se as pessoas não se lembrarem de Deus, os princípios, por si, não vão funcionar. Homens e mulheres vêem a si mesmos como seres autônomos. Eles pensam que são o centro da vida. No momento, porém, em que dão as costas a Deus eles se fazem de deuses: tornam-se o centro da vida, o centro do universo, os determinantes do próprio destino, seus donos e senhores. Então, decidem o que é o certo e o errado. E é isso que está acontecendo no mundo no tempo presente. Este foi o pecado original do homem. Como já vimos, ele foi colocado neste mundo, no Paraíso, por Deus. Mas o diabo veio e disse: Deus disse isso? Sim, disse o homem. Que direito ele tem de dizer alguma coisa? Vamos dar-lhe as costas. Nós mesmos decidiremos! Foi assim que todos os problemas começaram na vida da humanidade. O pecado original foi o pecado de esquecer DCLls. Adão e Eva deram as costas a Ele - daí os problemas. "Aos meus ouvidos, disse o Senhor dos Exércitos" - e esta é a mensagem ela Bíblia c de Deus para o mundo. 34


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Deus ainda tem o controle. O mundo pertence a Ele e ainda está em suas mãos; nosso tempo está totalmente em suas mãos. O povo de Israel no livro de Isaías deu as costas a Deus e passou a viver como se ele não existisse. Mas isso não faz a mínima diferença. Deus é e permanece o mesmo. Ele está em toda parte e o mundo ainda é seu. Ele se inclina para baixo e fala. E o que fala é que, visto que o mundo é Seu, a coisa mais importante para nós é saber alguma coisa sobre Ele. Porque nós nunca conheceremos ii nós mesmos até que conheçamos algo sobre Ele. Só começamos a nos conhecer quando entendemos que somos feitos à imagem de Deus. Além disso, Deus revelou seu caráter. Ele é santo, justo e reto. Ele é um Deus de eqüidade, um Deus justo. "Deus é luz, e nele não há trevas" (I João, I:5). E como Ele é o criador e controlador do mundo, é também o juiz do mundo. Aqui está uma mensagem para nós. Se homens e mulheres continuam a viver como se não houvesse Deus, eles se insultam e a própria natureza; eles se rebaixam; se pervertem, se tornam vis. E o tempo todo Deus os está vendo. Lembre-se: "Aos meus ouvidos diz o Senhor dos Exércitos" - o Senhor dos exércitos celestiais; o Senhor e Mestre de todos os seres angelicais, poderes e potestades; o Senhor que é onipotente e cujo poder não tem limite algum; o Senhor que é absoluto e reina e governa sobre tudo. "O Senhor reina; tremam os povos" (Salmos, 99: I). Esta é a mensagem, seu anúncio. Ele é o Senhor de poder ilimitado, autoridade e controle. Não há nada que Ele não possa fazer. Além disto, Ele já declarou a sua vontade. Deus declarou, através dos séculos, que esta vida de materialismo, de pequenez, egoísmo e cobiça é uma abominação à sua vista. "Não há paz, disse o meu Deus ao perverso." Você encontrará esta afirmativa duas vezes nesta profecia de Isaías (em Isaías, 48:22 e 57:21), e eu sinto que esta é uma palavra da qual nossa geração necessita muitíssimo. Não importa quão inteligente você é, quão capaz ou quão próspero; se você for mau, você não terá paz. Você pode acrescentar casa a casa, campo a campo, pode imitar Acabe e Jezabel, mas você não terá paz. O Senhor assim garante.

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Agora quero levá-lo um passo adiante. Deus não apenas diz isso, mas atua de acordo com seu pronunciamento. Assim, o mundo se torna culpado não apenas de esquecimento em relação a Deus, mas igualmente de esquecimento da história. Quando aprenderemos a partir da história? Atrás de nós há uma grande história mundial. Então, veja e examine, e tente aprender com ela. Apesar de Hegel, filósofo alemão, não haver sido cristão, disse: "A História nos ensina que a História não nos ensina nada." Você pode pensar que as duas grandes guerras mundiais nos ensinaram alguma coisa, mas elas não nos ensinaram nada. Os homens e as mulheres são ignorantes da história, porque, se não o fossem, eles se comportariam de maneira bem diferente. "Ai daqueles" - diz o Senhor dos Exércitos! E é isso que ele tem dito desde o começo. A geração anterior ao Dilúvio deu as costas a Deus. "Como era" - diz nosso Senhor - "nos dias de Noé ..." (Lucas 17:26). "Eles comiam, bebiam, casavam-se, davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e o Dilúvio veio e os destruiu a todos" (Lucas, 17:27). A raiz do problema da geração antes do Dilúvio era, na verdade, o materialismo. Deus não importava a ninguém. Eles LHE haviam dado as costas; podiam viver melhor sem Ele. E assim, em lugar de adorarem a Deus, e serem guiados por Ele, estavam comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, exatamente como fazem hoje. Eles não tinham jornais naquele tempo, mas todo mundo estava falando sobre isso: "casando e dando-se em casamento": "Esse homem arranjou outra mulher..." O mundo, antes do Dilúvio, estava cheio desse tipo de coisa. E Deus disse que isso é abominação: "Toda a imaginação dos pensamentos do coração do homem é continuamente má" (Gênesis, 6:5). Então, Ele disse: "Eu destruirei o homem" (Génesis, 6:7) - e o fez! Isso é História. Igualmente o mesmo aconteceu em Sodoma e Gomorra. Não preciso de relembrar-lhe: o próprio nome "Sodoma" fala por si. E Londres é uma Sodoma. Tanto a alta quanto a baixa sociedades estão vivendo, nos dias de hoje, como em Sodoma. Materialismo! Que vida maravilhosa! Ló fez essa escolha, achando que estava sendo mais inteligente ao trocar seu tio Abraão pelas colinas para criar suas ovelhas. Ah, esta vida das cidades nas planícies! Sociedade! 36


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Civilização! Que maravilha! Mas Deus disse o que pensava sobre aquilo e cumpriu o que dissera. Eu já contei o que aconteceu com Acabe, rei de Israel, e sua mulher Jezabel. Seu crânio se partiu e o corpo dela foi comido pelos cães. Um final horrível tanto para o marido como para a mulher! Esta é a grande história que se desenrola na Bíblia. Grandes nações aparecem - Assíria, Babilônia - que não criam em Deus mas nelas mesmas e em sua riqueza e poder. Deus viu tudo isso, e permitiu que elas fossem até um certo ponto, e então "as assoprou", c elas se foram! Babilônia! Grécia! Onde estão elas? O Egito já foi LImadas maiores nações do mundo, com uma civilização impressionante. Olhe para ela agora, e veja como tem sido através dos séculos. Roma! Onde está sua grandeza? Grécia! Todos esses grandes impérios! Toda tentativa de dominação mundial terminou da mesma forma. Tudo está perfeitamente condensado no homem, que naturalmente falando, foi um grande homem: o imperador Napoleão. Ele saiu a conquistar o mundo, e onde foi parar? Confinado em uma ilhota no Atlântico Sul! Que resultado diferente daquele com que sonhara! Que final oposto ao que tanto ambicionara! Não: Deus diz e Deus faz. E ele continua a dizer: Deus vai punir esta era materialista. Ele já está fazendo isso; transforma tudo em desolação. Homens e mulheres dizem: "Eu vou juntar casa e mais casa, campo e mais campo ..." "Na verdade" - diga isso a eles: diz o Senhor - "muitas casas estarão desertas, até as grandes e belas, sem habitantes." Suas mansões se tornarão ruínas; não haverá homem ou mulher lá; os animais e a hera estarão lá; traça e ferrugem estarão lá. Desolação! E Deus fará isso. Há uma extraordinária afirmativa sobre tudo isso em Isaías, 45:7: "Eu formo, a luz e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." Que Ele quer dizer quando diz que cria o mal? Não é que Ele crie erradamente, mas que permite que venham as conseqüências más do pecado. Deus diz: Vocês ajuntam campos e casas; eu as tornarei em desolação.

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Quando o homem e a mulher pecaram, Deus amaldiçoou a Terra, e, apesar de todas os seus frenéticos empreendimentos e organização brilhante, desde então, através de todas as suas ambiciosas civilizações, eles não podem ver-se livres da maldição os espinhos, a sarça, a traça e a ferrugem! Então, o Senhor adverte: "Não ajuntem tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem corrompem, onde os ladrões roubam ..." (Mateus, 6: 19) Isso é a vida neste mundo! Faça o que você quiser, mas você não poderá impedir que a traça e a ferrugem, sem que se note, subitamente comecem a fazer seu trabalho insidioso, e o que você construiu seja desolado, porque Deus amaldiçoou a Terra, e manifesta seu juízo desta forma. Existem terríveis exemplos disso nos dias de hoje. Um dos maiores medos e ansiedades de alguns dos cientistas mais proeminentes no mundo de hoje é o medo da fome, o medo de morrer por desnutrição. Por quê? Existem duas razões principais. Uma é o crescimento fenomenal da população mundial, o número de bocas a serem alimentadas; a outra é a falta de alimento - e é aqui que o princípio que estamos considerando se aplica. Uma das grandes causas deste problema é a erosão do solo, como acontece nas regiões desérticas do continente americano. As pessoas que foram para lá no passado encontraram um rico solo virgem. Elas queriam fazer fortuna, então colheram um ano atrás do outro, sem repor nada no solo. Pensavam que podiam extrair tudo que quisessem, e que isso duraria para o resto da vida! Cortaram, então, todas as árvores, que eram a proteção natural e fonte de alimento do solo. E acabaram com tudo. Quanto mais terra melhor! - pensaram. Arranquem os troncos, criemos grandes fazendas e maravilhosos pastos. Vamos aproveitar tudo que pudermos! E assim fizeram, até que não ficou mais nada, a não ser poeira: "dustbowls" (regiões desérticas). E assim, neste maravilhoso século XX, quando homens e mulheres se fizeram, e quando o conhecimento científico está tão adiantado, nosso maior problema é a fome. Não é irânico? Sim, mas é apenas o cumprimento da mensagem bíblica. Se você tem terra e começa a juntar mais e mais sem Deus, verá que seus maravilhosos campos se tornarão assim: "Dez acres de vinhedos darão um bate" - ridículo! - "e a semente de um ôrner" - em lugar de se

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icar quase que infinitamente - "dará apenas um efa." Você grandes quantidades, mas o terreno estará tão desgastado qlll: ficará improdutivo. Essas coisas acontecem! Elas não são como II()Spensávamos que seriam. Qual é o grande problema nos Estados Unidos hoje? Bem, é o problema racial. Mas como ele começou? Por que existe um prohlcma racial? Por causa da escravidão! Quiseram fazer dinheiro rapidamente, e isso se faz quando se tomam outros para serem escravos. Você os compra por uma miséria e eles fazem o trabalho em u oca de nada. Que maravilha! - disseram aqueles homens há 200 .ruos, durante a Guerra Civil. Perfeito! Nós vamos ter o trabalho em II oca de nada, e vamos fazer grandes fortunas! Completou-se o círculo, e a situação do negro é um grande problema hoje. O problema foi criado pela ambição, pela avareza, I' 'lo materialismo, pelo erro de não se submeterem os homens tolal c absolutamente a Deus. Vemos, assim, um exemplo deste princípio em geral, e, em urmos, de países. Mas também é verdadeiro em termos de indivíduo. "Não há paz, diz meu Deus, para o perverso" (Isaías, 57:21), e ~t' você tentar viver uma vida materialista e banir Deus de seus pens.uuentos, você descobrirá que nunca estará satisfeito, nunca. Semprc haverá alguém que tem mais; ou você sentirá que não está tendo ('lIS direitos respeitados; ou um ladrão assaltará; ou a traça e a ferIlIgcm corroerão, e você pensará que está perdendo as coisas - e "sl;í mesmo -, e aquilo a que você dá valor não mais conta, sai de moda, e você fica sem 1 centavo. É assim a vida. Aí, você chega ao fim da vida, e que você tem? Nada! "Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá ... " (Jó, 1:21). Eu não !,osso levar essas coisas comigo. Afinal de contas, não passo de iu na alma, mas eu negligenciei a mim mesmo. "Pois que aproveita .1(1 homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Marcos, ~':.~6)Ele não nos permitirá que estejamos satisfeitos com coisas, porque Ele nos fez para si mesmo, e nós estamos além delas. Deus ";10 permitirá que assim façamos, porque estaremos nos insultando. Ele assoprará sobre tudo e fará uma desolação, e no final esta1,'1I10S sem esperança, e desesperados. "Ai daqueles" - diz Deus, o .'icnhor dos Exércitos. É o que ele promete certamente. Ele está semeará

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fazendo diante de nossos próprios olhos hoje - nacionalmente, internacionalmente e individualmente. Existe alguma esperança? Alguma saída? É claro! Foi por isso que Deus mandou o profeta. Apesar de isso ser verdade sobre nós, de sermos tão tolos a ponto de nos diminuirmos, e nos insultarmos, e desfigurarmos a imagem de Deus, Ele, em seu grande e glorioso amor, não nos abandona. Sua mensagem não é apenas uma mensagem de ira; há, também, uma mensagem de misericórdia. Ele levantou esses profetas para chamar a nação ao arrependimento: para que repensassem, vissem o que estavam fazendo, e, antes de que fosse tarde demais se voltassem para Ele e Lhe dessem ouvidos, a fim de que pudessem ser abençoados. E Ele faz o mesmo conosco hoje. Esta é a sua mensagem para este mundo moderno, esta era materialista, que já está começando a ver as flores murchando em suas mãos, e todos os seus refulgentes prêmios se transformado em objetos baratos. Não gaste seu tempo pensando em coisas; não insulte a você mesmo dizendo que a vida consiste na abundância de coisas que possui (veja Lucas, 12: 15); não se torne um caçador de símbolos de status. Você é um homem, uma mulher! Não gaste seu tempo perguntando: "Que vou comer? Ou: Que vamos beber? Ou: Com que nos vestiremos?" (Mateus, 6:31); nem: "Quantas casas temos conseguido comprar? Quantos terrenos? Qual tipo de carro podemos ter? De qual loja comprar? .." Não se preocupe com todas essas coisas que as pessoas vêem como sendo vitais. Pare! - diz o Filho de Deus. "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça" - busque isso em primeiro lugar - "e todas as [outras] coisas vos serão acrescentadas" (Mateus, 6:33). Você terá suficiente e mais do que suficiente, para satisfazê-lo enquanto estiver neste mundo; começando por sua alma, estará bem com Deus, e, assim, terá sucesso no seu tempo de vida, na morte e através das incontáveis eras eternas. O Filho de Deus veio a este mundo para nos angariar uma grande herança. Quando ele ressuscitou dos mortos, derrotando todos os nossos inimigos, sabe o que ele fez? De acordo com o apóstolo Pedro, "Ele nos gerou outra vez para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus Cristo dos mortos (I Pedro I:3)", "para

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uma herança incorruptível, pura, e que não se apaga, reservada nos por Deus para todos os que crêem em Cristo" (I Pedro, I :4). Se seu tesouro está neste mundo, quando você morrer você "ao terá nada. Mas se você "buscar primeiro o reino de Deus, e sua JlIsliça" receberá a herança, que é incorruptível e indestrutível. Deixe que o mundo enlouqueça num cataclismo final e se destrua a si mesmo; você sabe que "Sua vida está escondida com Cristo em I )cus" (Colossenses, 3:3), e sua herança nunca se extinguirá.

('l-LlS ... "

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Ai dos que se levantam cedo de manhã e seguem a bebida forte e continuam até a madrugada, até que o vinho os inflame! A harpa, a lira, os tamborins e as flautas estão em seus banquetes; porém, não consideram os feitos do Senhor nem as obras de suas mãos. Portanto, meu povo será levado em cativeiro, por falta de entendimento; os seus nobres terão fome e suas multidões secarão de sede. Por isso, o inferno aumentou seu apetite, e abriu a sua boca desmesuradamente, e para lá descerá a glória de Jerusalém e a sua multidão, e a sua pompa e quem nesse meio folgava. O homem mau será abatido e o poderoso humilhado, e os olhos dos altivos aviltados. Mas o Senhor dos Exércitos será exaltado em juízo, e Deus, o Santo, será santificado em justiça. Então, os cordeiros comerão lá como se no seu pasto, e os estranhos se nutrirão dos campos dos ricos lá abandonados (Isaías, 5: 11-17).

Vemos aqui o segundo dos 'ais' pronunciados pelo profeta Isaías seus conterrâneos e contemporâneos, o que nos leva a conside1.11 ii segunda manifestação do problema básico da raça humana. Por 'Illc' ii ira de Deus permanece sobre o mundo hoje? Por que o mundo ,'"I;í do jeito que está? Bem, a segunda causa do problema é quase tão )'.1 ande quanto o materialismo. São coisas que andam juntas. São dife·.()hr~

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rentes manifestações do mesmo problema fundamental. A segunda causa é o que descreveremos como 'mania de prazer', imoderação quanto ao prazer! É isso que vamos considerar nesses versículos. Aqui, elas são apresentadas particularmente em termos de bebida - "bebida forte" - e música. Mas é claro que aquilo com que o profeta e toda a mensagem bíblica estão preocupados não são os prazeres particulares, e, sim, o fato de homens e mulheres serem culpados dessa mania de prazer. Não é a questão da bebida ou da música, ou seja lá o que for. O importante é que homens e mulheres estão embriagados pelo prazer, e vivem fanática e exclusivamente para ele. É evidente, porém, que até mesmo os detalhes dados pelo profeta sobre o que acontecia oito séculos antes do nascimento de Cristo ainda são basicamente iguais aos do mundo de hoje. Não é apenas o beber, mas a bebida - cada vez mais -, e tudo que a acompanha. Qual é um dos mais populares slogans da era em que vivemos? No que as pessoas que não crêem em Deus, em Cristo e nas Escrituras, acreditam? Como é essa vida maravilhosa que lhes é oferecida? Não é essa tão insensata e frivolamente celebrada - "vinho, mulher e música"? Então, a descrição dada pelo profeta soa curiosamente contemporânea. Ele menciona "banquetes". Isso também é bastante contemporâneo. Comer! Festejar! Dar festas! O tipo de vida que está aqui resumida em pormenores. Antes que passemos à análise detalhada do profeta sobre essa perspectiva de vida, podemos notar dois pontos gerais que estão aqui bem na superfície. Você pode ver que Isaías faz um parêntese para enfatizar que isso é verdadeiro para todas as classes da sociedade. Este é um ponto muito importante porque é um princípio bíblico o fato de que todos os homens e mulheres são a mesma coisa para Deus e são culpados dos mesmos pecados. É claro que nós nos dividimos em grandes e pequenos, ricos e pobres, cultos e ignorantes, marxistas e capitalistas, e tudo o mais. Isso, porém, é totalmente irrelevante porque você encontra pessoas em todos esses grupos e partidos fazendo exatamente a mesma coisa. Veja como o profeta apresenta este ponto. Ele diz: " ...os seus nobres terão fome e suas multidões secarão de sede". Você pode dividir a sociedade assim. O mundo faz isso: poucos nos altos círculos da sociedade e as massas. Veja outra vez no v. 14: "a glória de 44


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Jerusalém", quer dizer: dos grandes homens; os grandes homens da Ilação são a glória daquela nação - "a sua glória e sua multidão" outra vez a mesma divisão - "e sua pompa, e aquele que se regozija descerão para lá [para o inferno]". Da mesma forma no v. 15 ele se mostra preocupado com isso. "O homem mau será abatido e o poderoso será humilhado." Vale para todos. A mensagem do Evangelho vale para todos; não reconhece divisões ou distinções. "Não há grego nem judeu (...) bárbaro, cita, .scravo ou homem livre" (Colossenses, 3: 11), conservador, liberai, socialista - não importa. Não importa seu país ou a cor da sua pele: "Todos pecaram"! (Romanos, 3:23) Todos são culpados: classes alta, baixa, mau, anónimo ou poderoso. Este é um ponto tremendo. É por isso que a pessoa que tem lima visão bíblica da vida julga tudo mais superficial. Algumas pessoas dizem: "É isso o que eu acho; o problema são as outras pessoas." São sempre os outros! Mas o problema é de todos. Está cm todas as classes, todos os grupos, todos os homens e todas as mulheres. É por isso que tudo o mais se torna irrelevante: todos os diferentes tipos de divisões. A questão não é totalmente por causa do trabalhador, nem totalmente por causa dos empregadores. Os dois lados são culpados de, precisamente, a mesma coisa. Não importa muito se você bebe vodca, uísque, cerveja ou cachaça; o fato (- que você ingere bebida alcoólica. É simplesmente isso. Em segundo lugar - e isso é estarrecedor, o que mais espantou o profeta -, eles estavam-se comportando assim num tempo de terríveis problemas. Deus levantou uma sucessão de profetas para ralar a esta nação por causa do seu estado e condição. Eles estavam equivocados politicamente, militarmente, moralmente, e em muitas outras coisas. Sobre o que lhes acontecia, estavam vivendo desse modo. Ele apresenta a situação bem claramente: Ai dos que se levantam cedo de manhã e seguem a bebida forte e continuam até a madrugada, até que o vinho os inflame! A harpa, a lira, os tamborins e as flautas estão em seus banquetes; porém, não consideram os feitos do Senhor nem as obras de suas mãos.

Para mim, esta é uma das coisas mais espantosas sobre os homcns e mulheres em pecado. Quase todos os dias na primeira página 45


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dos jornais populares você encontra exatamente o que o profeta diz aqui. Você já notou? De um lado você lê sobre uma grande crise problema em algum país, talvez uma ameaça de guerra, algo que pode levar a uma calamidade ou alguma coisa desesperadoramente séria -; então, na mesma página, em outra coluna, está impresso algo totalmente trivial ou fútil, infantil e quase ridículo. Mas está lá na primeira página! Por quê? Porque, apesar da crise, apesar das circunstâncias, homens e mulheres ainda estão interessados no prazer. Você já notou aquela curiosa falta de senso de proporção? Não é novidade, acontecia com o povo de Israel. Não é apenas Nero que se diverte enquanto Roma pega fogo. Isso sudeceu durante a Primeira e a Segunda Grandes Guerras. Apesar de que tudo estivesse aparentemente em perigo, homens e mulheres ainda continuavam a beber, dançar e fazer tudo o mais. Esta é a coisa mais curiosa sobre as pessoas em pecado: elas são tolas a ponto de pensar que podem comportar-se deste modo, em tal tempo, sob tais condições e circunstâncias. Não é assombroso que, com o mundo do jeito que está, com tantos cientistas não-cristãos nos dizendo que ele está em perigo, tanta proeminência seja dada a coisas que correspondem à descrição apresentada aqui da vida em Israel, oito séculos antes do nascimento de Cristo? Esta, então, é a essência do problema, e esta é a coisa que devemos agora confrontar e juntos analisar. Então, vejamos esta "mania de prazer": não se pode chamá-Ia de outra coisa. Quais são as suas características? A primeira que está enfatizada, é claro, é que homens e mulheres vivem para o prazer- " ...se levantam cedo de manhã e seguem a bebida forte e continuam até a madrugada, até que o vinho os inflame! A característica desta perspectiva é a de que o prazer se torna a coisa suprema na vida; ele se transforma em um fim e objetivo; é a própria vida. A busca do prazer! Um tipo de hedonismo, panhedonismo, se você preferir; é mais importante que tudo. Eu interpreto desta maneira, mas não há nada errado com o prazer. Não pense que o Cristianismo condena o prazer. Para mim, uma das glórias da mensagem cristã é que ela oferece alegria, e dá alegria real. O amuado, sorumbático, casmurro, tristonho, desanimado, de cara-amarrada; o implicante, agressivo, eternamente acusador, sempre mal-humorado não são bons representantes do

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verdadeiro cristianismo. Pelo contrário: são péssimos! Os crisde acordo com o apóstolo Pedro, podem ser descritos em terIIIOS de alegria. Seu relacionamento com o Senhor Jesus Cristo é ('slL::"O qual, apesar de não o termos visto, amamos; no qual, embora :Igora não o vejamos, cremos, e nos regozijamos com uma alegria rndcscritivel e cheia de glória" (I Pedro, I :8). Cristãos, diz o apóstolo Paulo, são pessoas que "se gloriam nas tribulações" (Romanos, '):.\). Quando tudo está indo mal, eles ainda se regozijam. Não há nada errado com felicidade e prazer. Deus proíbe que alguém contunda moralidade com cristianismo! Cristianismo não é uma mensa1',1'111 que nos urge a, nas palavras de Milton, "desprezar prazeres e viver para o trabalho." Não! É uma mensagem de liberação, liberta\':10, emancipação, "alegria indescritível e repleta de glória". Isso, porém, é algo muito diferente da adoração do prazer, de viver para ele. É diferente de dizer que o prazer é o supremo final e objctivo da vida e da existência, e que ele vem primeiro que qualquer outra coisa. E este era o problema das pessoas no tempo de Isaías; e não é assim também hoje? Este é um problema muito sério. Você sabe o que levou o Império Romano ao "declínio e queda"? Não foram os exércitos (·strangeiros. Eu sei que foram os góticos e os vândalos e outros que na realidade saquearam Roma e conquistaram o país, mas não l oi a sua força e seu heroísmo que levaram à queda de Roma. Foi a podridão interna que já a havia enfraquecido. E como foi isso? SimIilcxmente a mania de prazer. Os cidadãos de Roma passavam o tempo ('111 seus banhos públicos; eles tinham que ter banheiras douradas, e la relaxavam tomando sua bebida e ouvindo música. A cultura do \")'o! Isso derrubou aquele império poderoso, e tem derrubado muilus outros impérios desde então. Muitos grandes impérios se deintegraram como resultado da podridão interna. Eu me pergunto se não estamos testemunhando um pouco dis,~l) nos dias de hoje ... A atitude de muita gente com relação ao trabulho é a de que ele é apenas um meio de fazer dinheiro para comprar prazer. Onde está o artesão? Onde estão o interesse real e o prazer de trabalhar? Não, a atitude mudou em todas as classes. I -rcqüenternente, as pessoas estão na profissão para fazer dinheiro, I' lião porque estejam interessadas no seu trabalho ou em descobrir I;IOS,

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algo novo, ajudar a humanidade ou ser altruístas. Tudo se torna, como eu disse antes, uma forma de símbolo de estátuas. E assim o trabalho se transforma em um meio de as pessoas obterem dinheiro para comprar mais e mais prazer. Pior ainda: o prazer se tornou um negócio! Esta é uma das grandes tragédias da vida moderna. As pessoas falam de "esporte", mas não têm nada a ver com o esporte: é negócio. Homens e mulheres, artistas e atletas, são comprados e vendidos como se fossem escravos. Até mesmo o prazer se tornou um negócio e um meio de fazer dinheiro. E, se não houver apostas, as pessoas não apreciam. Elas não parecem apreciar a coisa em si, apenas o que pode "ser feito" com ela. E, assim, cada vez mais tudo é colocado de lado em prol do prazer; o trabalho é suspenso no meio da semana para que ao jogo de futebol, possam todos assistirem. Não importa o país, desde que tenhamos nosso divertimento. Você pode, assim, ver quão contemporâneas as Escrituras são. E isso é válido não apenas em relação às nações, mas também a indivíduos. Esta mania de prazer pode tomar conta das pessoas de tal forma que elas passem a negligenciar seu trabalho, suas profissões, e, até mesmo sua reputação. O prazer se transforma num poder tão sufocante que elas se deixam controlar por ele. Já se levantam pela manhã decididas a ir atrás dele, e continuam até à noite. A curtição é o que interessa, não o trabalho honesto, o trabalho real; não a preocupação com viver uma vida completa. Veja, então, a artificialidade desta vida. O profeta expõe isso aqui, assim como a Bíblia o expõe por todo lado. É preciso que se anuncie, que se escancare esta verdade. A tão falada vida glamourosa não pode ser mais superficial. Ela é o tipo mais frívolo de existência que pode ser concebido. Ela não pode ser mantida sem meios artificiais. É produzida artificialmente, estimulada pela bebida, peia emoção descontrolada, o canto e certos tipos de música. Homens e mulheres que não se sentem felizes, a não ser que estejam sob a influência da bebida, devem ser bem tristonhos. Será que não podem ser felizes quando estão em seu estado natural? São obrigados a ter esses estimulantes para se tornarem sociais, manterem uma conversa animada e interessante, serem simpáticos e alegres, conseguirem, enfim, divertir-se e divertir e atrair outros inclusive ... Aparentemen-

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eles não são felizes. Nada pode medir tão bem a tristeza desta era ('111que vivemos quanto o modo como a vida é levada adiante à base di' .srimulantes artificiais. É uma vida puramente artificial. Mas deixe-me enfatizar outro elemento: a degradação. Você Iwreebe como a vida é mantida? Ela depende principalmente de duas , pisas. Primeiro, "bebida forte". E qual é a outra coisa? Bem, é um , rrt o tipo de música, um tipo de ritmo produzido "pela harpa, lira, t.unborim, e flauta". Isso também é uma coisa muito séria. Esse tipo de vida só é IIIoduzido, e se torna possível, à custa das mais elevadas faculdades 1llI"lllais. As pessoas pensam que o álcool é um estimulante, mas ,,1'la qualquer livro de farmacologia e você verá que é um grande .k-prcsxivo. O que ele faz é deprimir os centros mais elevados. As 1H".·soas sob sua influência parecem brilhantes: por quê? Porque ,".1:10 um pouco menos controladas. É por isso que, lamentaveluuutc, elas começam a beber. Elas se sentem um pouco nervosas e nprccnsivas, tolhidas e reprimidas. Então, buscam a bebida. Ela eliIIllIla aqueles elementos que produzem o nervosismo, e assim elas ',I' sentem livres. Mas não é um estímulo, e, sim, um bloqueador rl.tx mais elevadas, cuidadosas qualidades e faculdades controladoras "" cérebro. Dessa maneira, as pessoas se tornam mais primitivas. 1\1:IS é assim que se vive este tipo de vida que resulta da mania de III :iv.cr. Você alcança isso se drogando mediante drogas ou álcool. Esse não é, porém, o único modo; a música também faz isso. I/iii certo tipo de música, é claro: a música ritmada, que se repete uurnitamente até que você começa a se movimentar com ela. Você já II(llplI como as pessoas fazem isso? A música se inicia e elas come'. 1111 movimentando os pés, depois se põem a balançar o corpo. Este I, .-x.uamente, o mesmo tipo de efeito produzido pelo álcool. Você k ficar "embriagado" com certos tipos de música quase que do 111l',I!lO modo como pode ficar embriagado pelo álcool: pela repeti'.II( I ritrnica e, especialmente, pelos movimentos do corpo. Seus cenII (I, elevados são bloqueados e você, gradualmente, entra num tipo II, ('slado de intoxicação. E quando você une os dois - álcool e músi'II tem o tipo de vida que está descrito aqui pelo profeta, e que se I ',ia tornando cada vez mais uma característica da vida neste país. É 11111:1 vida de gritaria, abandono, loucura, em que homens e mulheres 1('

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não mais se controlam nem se comportam de uma forma decente e humana. E isso é feito deliberadamente. É brilhantemente organizado. Existem pessoas que apostam nesse tipo de coisa, que fazem dinheiro com ela, tornando-a popular. E as pessoas, em geral, são iludidas e se tornam vítimas inocentes. Finalmente, aparece a palavra "inflamar". "Ai dos que se levantam cedo de manhã e seguem a bebida forte e continuam até a madrugada, até que o vinho os inflame." Este é um modo gráfico e poético de se pintar a questão. O que realmente acontece, é claro, é que, em primeiro lugar os centros elevados do cérebro ficam bloqueados pelo álcool e pela música, e, então, os instintos e paixões, os desejos e luxúrias tomam o controle, e as pessoas ficam cheias de fogo. Elas se tornam "inflamadas". E aí acontecem todas as conseqüências inevitáveis. Homens e mulheres se tornam feras, controlados pelos instintos das partes inferiores de sua natureza corporal. Aí está o elemento de degradação. A coisa mais impressionante é que, misturado com tudo isso, está o que Isaías no v. 15 chama de "os olhos dos altivos". As pessoas que seguem este tipo de vida pensam que são maravilhosas. Elas se gabam de não ser cristãs. Orgulham-se de sua forma de viver. Observe na televisão e em outros lugares. Não podem cumprimentar ninguém sem que estejam segurando um copo! Sempre estão tomando um drinque. Isso é que é vida: estar "ligada", numa boa! Eles acham maravilhoso. É uma vida de alegria, dizem. Lá vão eles, ao som da música e demonstrando todos os efeitos da bebida. Vamos parar por aí. Estas são as horríveis características da vida sem Deus. Quais são as causas? Elas estão registradas de uma forma bem simples no v. 13: "Assim, meu povo foi para o cativeiro, porque eles não têm conhecimento." Isaías já havia mencionado isso no v. 12: " ... mas eles não observam a obra do Senhor, nem consideram a operação de suas mãos". Eles vivem assim porque são ignorantes. "Quê!" - exclama alguém - "Você está dizendo que as pessoas não são cristãs porque são ignorantes? .." É precisamente isso que estou dizendo. Não há obra do diabo mais prima do que seu sucesso em persuadir as pessoas de que é seu conhecimento que as leva a rejeitar o Cristianismo. Mas ex ata50


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mente o oposto é que é verdadeiro. O diabo as mantém na ignorância porque, enquanto permanecerem nela, elas farão o que ele manda. A partir do momento em que recebem a luz - o Evangelho é chamado de "luz" -, elas passam a enxergar e o abandonam. Mas elas são ignorantes sobre quê? Deixe-me apresentar algumas das coisas que Isaías nos diz aqui: "Assim, o meu povo foi para o cativeiro, porque não tem conhecimento." Em outras palavras: eles não sabem que são o povo de Deus. Este é o eterno problema do povo de Israel. Eles nunca compreenderam quem são; queriam ser como as outras nações. Eles diziam: Essas outras nações são nações de muita sorte: seus deuses são muito melhores que o nosso; eles podem comer o que quiserem; podem casar-se com quem desejarem; podem fazer o que lhes der na cabeça fazer, durante os sete dias da semana! Nosso Deus nos deu os Dez Mandamentos, e eles são insuportáveis. Eles queriam ser como os outros; então, deram as costas a Deus e aceitaram os outros deuses. Nunca entenderam o privilégio de serem o povo de Deus, um povo único, um povo propriedade especial de Deus, um povo que é como "a menina-dos-olhos" para Deus, como ele os chama (Deuteronômio, 32: 10). E o verdadeiro problema do mundo hoje ainda se deve a isso: as pessoas não conhecem a verdade sobre si mesmas; não têm esse conhecimento. Que são os homens e as mulheres? São apenas máquinas de fazer dinheiro? São animais que devam buscar o prazer? Estão aqui para ficar bêbados, entregarem-se ao sexo, e endoidecerem com música ritmada? Será que você percebe? Será que as pessoas foram criadas para se comportarem como se fossem animais numa fazenda? Seria prazer o "derradeiro fim" para homens e mulheres? Será que eles só estão aqui para gratificar esse lado? Afinal, é só isso? .. Não, não! O problema com o mundo hoje é que ele não conhece o que é o ser humano. São ignorantes sobre sua própria origcm, sobre sua natureza e seu destino final dentro do propósito de Deus. "Meu povo!" As pessoas se gloriam hoje no fato de que são animais. Vangloriam-se da evolução como se fosse um grande elogio. Parecem gostar de pensar que não são nada além de macacos .xtrernamente desenvolvidos, animais racionais e nada mais. Elas odeiam a idéia da alma; não crêem em Deus nem na eternidade. Tudo porque são ignorantes sobre sua própria grandeza. 51


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Que mais elas ignoram? Veja o v. 12: " ...mas eles não observam a obra do Senhor, nem consideram a operação de suas mãos". Que Isaías quer dizer com isto? Ele diz que elas estão vivendo como se não soubessem nada sobre a obra do Senhor. Também é sobre isso que homens e mulheres modernos não pensam nunca a respeito, porque nem levam em conta. Eles não entendem que Deus é o doador de toda coisa boa e todo dom perfeito. Eles parecem pensar que o Serviço Nacional de Saúde é quem dá a saúde! Mas Deus é quem dá a saúde; Deus é o doador da vida, da força, do alimento e da vestimenta. As pessoas pensam que fazem tudo, e têm orgulho de suas invenções, seus instrumentos, suas criações etc. Se Deus, porém, suprimisse o sol e a chuva, todos morreríamos de inanição. Os homens e as mulheres não notam a obra de Deus. São ignorantes, só olham para si mesmos. Não estão cientes da bondade, misericórdia e compaixão de Deus. Não percebem que Deus " ...faz o sol nascer sobre maus e bons e envia a chuva sobre justos e injustos" (Mateus, 5:45). Pensam que controlam tudo. Podem até enfrentar a fome, como já vimos; conseguem enfrentar o desastre, por causa de sua ignorância, porque quebraram as regras de Deus e violaram as leis da natureza. Que mais as pessoas não percebem? Elas não percebem que Deus tem operado, não apenas na providência e na criação, mas na história também. História! Tente explicar a história deste mundo excluindo Deus! Você não conseguirá. A Bíblia é o melhor livro de história que existe no mundo. É nas suas páginas que você realmente começa a entender a História. Você vê que, por trás de todos os homens, reis, príncipes, homens de Estado, e das guerras, há um propósito de Deus: Deus controla tudo! Mas eles não acreditam nisso. Eles continuam desafiando. Deus, porém, está aí. Eles se metem em problemas, e por quê? Porque se esqueceram de Deus, e olvidaram "as obras das suas mãos". E então, ainda mais: há o fato de que, se você observar o processo da história, chegará à conclusão de que temos, afinal, um universo moral. Você não pode fazer o que quer neste mundo. Você não pode ser leviano. Você não pode beber bebida forte indefinidamente sem ter que pagar o preço por isso. Deus estabeleceu isso como uma lei. "O caminho dos transgressores é duro" (Provérbios,

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MANIA

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I \: 15). O transgressor, porém, não crê nisso. As pessoas que começam a brincar com o pecado não crêem nisso. Mas este é um 1:110: se você pecar, você sofrerá. E o mundo inteiro está sofrendo. O mundo é ignorante: Eles "n.io observam a obra do Senhor, nem consideram a operação de ·,tlas mãos". Existe uma idéia de que, se há de fato um Deus, então, Ill) momento em que as pessoas pecarem, Ele irá feri-las. Mas isso u.io é o que aprendemos da história de Deus na Bíblia. Nas palavras liu poeta Longfellow, o que nós aprendemos lá é isto: 'Apesar de as pl'tlras do moinho de Deus triturarem devagar, elas, ainda assim, IIirurarn excessivamente pequeno. O pecado sempre alcança as pes',(las. "Tenha certeza de que o pecado te encontrará" (Números, \ ):23). Pode demorar muito, mas chegará ao fim. Por que você 11;10 aprende? Por que não vê? Por que não observa a obra das mãos dl' Deus e enxerga o que Ele sempre tem feito? Isso leva à última coisa - os julgamentos de Deus. A tragédia (k- Israel era que Deus estava sempre tendo que trazer um julgamenIl); estava começando a puni-los, mas eles não viam. Qual é este jul",amento? "O Senhor dos Exércitos será exaltado em juízo, e Deus, o ,<";;llltO, será santificado em justiça" (v. I 6). A causa do problema é que homens e mulheres não sabem que estão num universo moral, cujo rei é Deus, e que Deus é o Juiz de todo o mundo, e o julgará com IlIstiça. Suas características são justiça, santidade, retidão e verdade. I':sscs são os parâmetros de Deus, e é assim que ele queria que houicns e mulheres vivessem: não para servir às suas paixões e aos seus .Icscjos e luxúrias; não para viverem no prazer, mas para buscarem IlIstiça, santidade, retidão e verdade. Eles foram criados para viverem l"l)1110 seres humanos e não como animais, Foram criados para serem 11111 reflexo de Deus. É por isso que Deus disse: "Façamos o homem a nossa imagem" (Gênesis, 1:26). Deus o fez senhor sobre a Cria(;;10, não para que ele se comportasse como um animal, mas para que S . sobressaísse na glória da diferença, com uma mente e uma razão, (' controle, ordem e dignidade em sua vida. E Deus julgará homens e urulheres de acordo com isso. Deus revelou isso através dos séculos. Está tudo revelado aqui lia história encontrada na Bíblia. Está igualmente claro na história xubseqüente, e se há uma época em que está claro é hoje. O julga53


UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

mento de Deus está sobre este mundo. Eu já disse antes, e repito agora: na minha opinião, as duas guerras mundiais foram nada mais do que o julgamento de Deus sobre o mundo. Ao redor de 1859 - o ano em que Charles Darwin publicou seu famoso livro A Origem das Espécies - as pessoas começaram a dizer que finalmente podíamos nos livrar de Deus. "O homem é tudo", afirmaram. "O homem é o centro; Deus não é necessário. Empurrem-no para dentro do limbo das coisas esquecidas! O homem pode viver sem Deus e construir um mundo perfeito!" Eles disseram que o mundo estava evoluindo; os poetas cantaram e falaram sobre "O Parlamento do Homem, a Federação do Mundo". O Conhecimento cresce a cada era, e o século XX deveria ser o século de ouro. Os homens e as mulheres, em sua auto-suficiência, não precisam mais de Deus. Se há um século que haja conhecido a manifestação da ira e do desprazer de Deus em sua justiça, santidade e retidão sobre o pecado da humanidade, este é o século XX. Você já observou isso? Você está consciente disso? Você sabia que Deus está falando mediante tudo isso, e nos está advertindo a parar por aqui, antes de que seja tarde demais? E isso me leva ao meu último subtítulo: o fim de tudo isso. Para onde tudo isso leva? Qual é o fim deste tipo de mania de prazer que venho analisando? Qual o veredicto sobre isso tudo? Para começar, é um tipo de vida que nunca satisfaz. Se você buscar a vida de prazeres, nunca terá o bastante, nunca. Se tentar encontrar seu prazer e satisfação em bebida alcoólica, sempre terá que tomar mais e mais. Comece a tomar drogas, e logo se tornará um viciado; busque prazer em qualquer forma que signifique falta de controle, abandono de si em prol de estimulantes artificiais, e nunca ficará satisfeito; procure satisfação no sexo, na luxúria e na imoralidade e irá de decadência em decadência, até se prostituir por inteiro; até se tornar imundo e repelente, a ponto de adoecer. A vida sem Deus nunca satisfez a ninguém. Ela é incapaz disto, porque homens e mulheres são muito mais que isto; muito maiores que isto. Eles são feitos para Deus, e essas coisas não podem satisfazer a eles. Nada, além de Deus, consegue trazer satisfação: "Tu nos fizeste para ti, e nossa alma está inquieta até que encontre descanso em ti", como já dizia Agostinho. Esta é a primeira coisa. 54


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Além disso, porém, viver para o prazer sempre implica uma dq.',eneração progressiva; sempre leva a uma perda de poder, perda (!L- refinamento e de consideração pelos outros. A vida se torna 111:tise mais egoísta quando as pessoas vivem para si próprias e p:lra a busca do próprio prazer. Elas descartam pais, mães, filhos, todo mundo; o prazer torna-se supremo, e tudo o mais é nhandonado. Oh, que perda de refinamento! Que perda de castidade e de pureza e nobreza! A mania de prazer sempre leva à pnda de todos os poderes mais elevados e das melhores e mais nobres qualidades. Há algo, porém, ainda pior esperando por aqueles que vivem ,'ssa vida: a humilhação. "O homem mau será abatido e o poderoso humilhado, e os olhos dos altivos aviltados" (v. 15). A Bíblia está h 'ia disto. A história subseqüente está cheia disto. Aqueles que vivem uma vida de prazer e dão as costas a Deus serão humilhados. !\ pompa será ridicularizada e reduzida a nada, " ...e a sua glória, sua multidão e sua pompa, e aquele que se regozija, descerão para lá [uifcrno]" (v. 14). Olhe para o mundo de hoje com sua pompa e 1',iI'lI'ia,com todo o seu gargalhar e regozijo, e toda a sua aparente trlicidade, essa felicidade artificial, esse artifício, essa coisa irreal. Mas ele pensa que é maravilhoso; "vinho, mulheres e música"() brilho da vida noturna, a excitação da luxúria. As grandes cidades: I .ondres, Paris e Nova Iorque - maravilha! Aqui está a vida! Está mesmo? Tudo terminará por ser rebaixado e humilhado; a pompa, o .-xtase, a emoção carnal e a suposta felicidade se tornarão em nada. Deixe-me usar as próprias palavras do nosso abençoado SeIIIIor, que falou sobre isto. Veja as palavras registradas em Lucas, ().24,25: "Ai daqueles que são ricosl, pois já receberam seu consolu." Você, que vive para as riquezas, já está tendo tudo que pode ( onscguir, mas você vai morrer um dia e não poderá levar nada com você; você, então, não terá nada. Você já teve "a sua consolação". "!\ i daqueles que estão cheios!" Vocês, festeiros sensuais, comiIm's e beberrões; como o salmista traduz: homens maus, "cujos (,lhos estão salientados pela gordura" (Salmos, 73:7). "Ai daqueles qllc estão cheios! porque ficarão famintos. Ai daqueles que riem ,I)'.ora! Porque eles irão chorar e lamentar" (Lucas, 6:25). Já vimos IIlgo assim, não é mesmo? I

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Eu me lembro - e nunca vou esquecer - da primeira semana da Segunda Guerra Mundial, e do terror e infelicidade das pessoas inteligentes quando estourou a guerra e a ameaça de bombardeio. Jamais olvidarei aquele domingo de manhã, o primeiro domingo depois da queda da França, no dia 17 de junho de 1940. Eu estava dirigindo o culto matutino como de costume, quando vi dois homens que nunca vira antes na congregação. Eu os conhecia fazia bastante tempo. Sabia que eram zombadores, homens não religiosos. Perplexos, porém, ante a possibilidade de um colapso geral, eles se humilharam e vieram ouvir a Palavra de Deus. "Ai daqueles que riem agora!" Quão tolos são os homens e mulheres em pecado! Eles não raciocinam, não percebem sua ignorância. Seu riso se tornará em choro! E o fim de tudo isto é o inferno. Isto está colocado em Isaías como uma imagem gráfica: "Por isso, o inferno aumentou seu apetite, e abriu a sua boca desmesuradamente, e para lá descerá a glória de Jerusalém e a sua multidão, e a sua pompa e quem nesse meio folgava"(v. 14).0 final daquele tipo de vida! Não se trata apenas da morte física: é a morte espiritual, o Hades: o sofrimento que há ali; a miséria; é a destruição eterna sem fim. O grande e o pequeno, e sua multidão, o alto e o baixo, o exaltado e todos os outros, para baixo vão todos, com toda a sua pompa, para o nada!

o gabar-se

da nobreza, a pompa do podei;

e toda a beleza, que toda aquela riqueza poderia oferecer esperam pela hora inevitável. Os caminhos da glória levam apenas ao túmulo. Thomas Gray

Então, que esperança existe para tais pessoas? Está tudo aqui. Temos simplesmente que fazer o oposto do que elas fizeram. Em outras palavras: temos que começar "a observar". "Mas eles não observam as obras do Senhor, nem consideram a operação de suas mãos" (v. 12). Você percebe a verdade desta mensagem? Como o carcereiro de Filipos, você pode dizer: "O que devo fazer para ser salvo?" (Atos, 16:30) Aqui está a resposta. Pare! Comece a "notar a obra do Se56


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nhor"; comece a "considerar o operar de Suas mãos". Pare por um momento. Pare essa frívola roda-viva de prazer, essa vida tola na qllal você se envolveu. Pare esta existência que se mantém artifici.ilmcnte. Pare por um momento e pergunte-se, analise a sua vida, urdague-se para onde ela o está levando. Que aconteceu com aqueI('s que fizeram isso no passado? Onde isso tudo termina? Observe! ( 'ornece a ler os sinais dos tempos. Veja o que está acontecendo ao /.l'1Imundo; veja quais são as possibilidades. E ao "notar", comece a "considerar" e a tirar suas conclusões. Isaías se expressa de um modo maravilhoso no final do texto. Ou.mdo todos esses outros forem lançados no inferno, "então os ( ordeiros comerão lá como se no seu pasto, e os estranhos se nuturno dos campos dos ricos lá abandonados"(v. 17). Que mensa1',l'I11!Qual é a saída? É tornar-se como uma ovelha. Não ser arro1',:llllc, não ser como o homem do século XX, orgulhoso de sua ( 1r:llcia e conhecimento, levantando-se erectamente sobre os própi iox pés, desafiando Deus e os homens; mas, pelo contrário, torn.ir-xc como uma "ovelha". Não mais a aparência arrogante de um nuclcctual, mas a humildade e a mansidão de uma ovelhinha. Em outras palavras: o caminho da salvação é o caminho das I)('IIl-aventuranças pronunciadas por nosso Senhor e Salvador: "Bem.ivcnturados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus ( .) Bem-aventurados os humildes (... ) Bem-aventurados os miseucordiosos (...) Bem-aventurados os que têm sede e fome", não de ( omida e bebida forte ou de poderio mundial, mas de justiça " ...porqlll' serão saciados" (Mateus, 5:3-7). Eles terão uma satisfação 1)('llIlanente e real. " ... os cordeiros comerão lá como em seu pró1'1ill pasto", Quando os outros se forem, as ovelhas estarão se aliuuntando em suas cocheiras até à satisfação completa. Elas terão a ',:11ixíução de conhecer Deus como seu Pai, sabendo que não têm 1I:lda a temer, na morte, no túmulo e no julgamento que se segue, ( (" rscientes de que entrarão na gloriosa herança preparada para elas p('lo Senhor Jesus Cristo.

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Ai dos que puxam para si a iniquidade, arrastando-a com cordas de mentira, e o pecado com tirantes de carroças; dos que dizem: Apresse-se Deus, faça Logo a sua obra, para que a vejamos; aproxime-se, manifeste-se o conseLho do Santo de Israel, para que o conheçamos! (Isaías, 5: 18,19)

Examinamos os primeiros dois "ais" pronunciados por Isaías, " :I)!,ora vamos examinar o terceiro. O primeiro foi o materialismo dll qual o povo de Israel era culpado, e o segundo foi a mania de PI :I/.Cr. Agora chegamos ao terceiro, apresentados nestes dois vrrxículos extraordinários. Estamos interessados neste tópico, não porque sejamos hisIllriadores, nem porque tenhamos apenas um interesse por <1111 igüidades, e tempo livre suficiente para ler a história do povo de 1',lad como lemos as histórias da Grécia ou de Roma; nem mesmo purque ler história seja uma coisa fascinante e elucidadora. Esta 11:10 ~ em absoluto a nossa posição. Estamos interessados porque VIV .rnos num mundo cheio de dificuldades e problemas, um mundo • 1 r.inhamente similar ao do povo de Israel, quando o profeta Isaías ',I' dirigiu a eles.

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Esta é a minha única motivação para chamar a atenção para este texto. Na verdade, minha proposta fundamental é a de que, desde quando o homem e a mulher se rebelaram contra Deus e caíram, o mundo tem estado neste estado, e sempre precisa da mesma mensagem. E aqui temos a mensagem de Deus para este mundo em que nos encontramos, assim como para cada um de nós como indivíduos. Quais são nossos problemas? Por que estamos perpetuamente em estado de crise, semana após semana? Assim que resolvemos um problema, começa outro: é sempre confusão, discórdia, infelicidade. Isto não acontece só internacionalmente, mas também dentro de uma nação, a vida é cheia de problemas e dissabores, cheia de dificuldades. E sabemos disto, em nossa vida pessoal. Mas será que era para ser assim? Qual a causa de tudo isto? Aonde isso tudo nos levará? Qual o fim de tudo? Seria a história, como Henry Ford 1 a descreveu: "absurda"? Não há sentido ou significado nela? Ou podemos enxergar um propósito? Essas são questões cruciais. Ainda mais urgente, porém, é saber se alguma coisa pode ser feita a respeito. Existe alguma esperança para nós em algum lugar? Ainda estamos colocando nossa fé nos oficiais do Estado? É isso o que nos pedem quando as eleições chegam. Estão sempre nos pedindo que o façamos ... Eu não quero falar contra os políticos, é preciso haver governo e políticos que governem. Mas eu não acho que existam muitas pessoas em qualquer país que realmente coloquem sua fé nas ações de algum homem ou alguma mulher de qualquer partido. Então, não há esperança? Existe alguma coisa que possamos fazer para que nos desembaracemos de tudo isto e vivamos uma vida digna de ser chamada vida? Estou chamando sua atenção para isso porque essas questões só podem ser respondidas pela Bíblia, e, em particular, por este capítulo. Ou deixe-me enfocar de uma forma totalmente diferente. Nós, que somos cristãos e pertencemos a igrejas, participamos de algo chamado Santa Ceia. Comparecemos a uma mesa sobre a qual estão vinho e um pão dividido em pedaços. Participamos dos dois. Por que fazemos isto? Dizemos: "Celebramos a morte do Senhor até que Ele venha" (I Coríntios, II :26). O Senhor Jesus Cristo ordenou que seus seguidores fizessem isto. "Façam isto" - Ele disse

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"cm memória de mim," Mas espere aí: quem Ele era? Que signi11(';1 isto? Por que deveríamos lembrar-nos dEle? Por que trazer à mente esta morte na cruz? A resposta é a de que este "Jesus de Nazaré" é o eterno Filho ,I" Deus, A afirmativa bíblica diz que Deus enviou seu filho único a ""(L: mundo; que a pessoa eterna se humilhou e tomou a natureza humana e viveu a vida como homem e morreu de forma cruel em uma cruz sobre um monte chamado Calvário, Mas por que devemos lrmhrar isso? Por que ele veio do céu para a Terra sofrer esta morSeus discípulos tentaram impedi-lo; eles disseram: Não vá para "'llIsalém, Herodes está-se preparando para matá-lo, Mas "Ele toIIIOU resolutamente o caminho de Jerusalém" (Lucas, 9:51), Nada poderia pará-lo; Ele foi deliberadamente, Por quê? Só existe uma resposta para esta pergunta, Era necessário por ,':llIsa do pecado, porque o pecado havia reduzido homens e mulheIl'S a um tal estado e condição que nada poderia libertá-los, nada, I 0111 exceção da vinda do Filho de Deus ao mundo e sua morte na ,'lUZ, "Eu não me envergonho do Evangelho de Cristo" - escreveu o upóstolo Paulo - " ...porque é o poder de Deus para a salvação de lodo aquele que crê; primeiramente para o judeu e também para o )',rL:go" (Romanos, 1: 16), Em outras palavras: você não pode concluir nada além disto, a p.utir da Santa Ceia, Não existe outro ponto ou propósito na crença (k que Jesus é o Filho de Deus e que Ele tinha que morrer na cruz, a menos que entendamos a verdade sobre nós mesmos como honu-ns e mulheres em pecado, Em pecado! E por que esta condição lia qual estamos pela própria natureza, e que manifestamos consI.uiremente na nossa vida diária - está visualizada tão perfeitamente nrxtc capítulo em que apresento esta mensagem? Por que a cruz? I'or causa disto, Vimos duas manifestações do pecado, Vimos que é um terríVL:Ipoder que detém homens e mulheres e os controla, tornando-os «scravos em total dependência, Agora, vejamos nos versículos 18 (' 19 a terceira manifestação,

I""

"Ai dos que puxam para si a iniquidade, arrastando-a com cordas de mentira, e o pecado com tirantes de carroças; dos que

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dizem: Apresse-se Deus. faça logo a sua obra. para que a vejamos; aproxime-se. manifeste-se o conselho do Santo de Israel. para que o conheçamos!"

Vamos retirar os princípios que estão ensinados aqui. Note, inicialmente, o deliberado elemento da vontade no pecado. "Ai dos que puxam para si a iniqüidade", eles se apegam a ela. Esta é uma afirmativa muito interessante, e quero demonstrar sua relevância para o presente tempo no qual vivemos. Mostrarei mais tarde que há um tipo de periodicidade na manifestação do pecado. Mas talvez nada seja mais óbvio sobre ela do que este elemento da vontade, este elemento deliberado: " ... arrastando-a com cordas de mentira". Quando diz isto, Isaías não está querendo dizer que se trata de uma simples queda acidental no pecado. Não significa meramente que, enquanto iam inocentemente, uma súbita tentação sobreveio e, antes de que soubessem onde estavam, eles haviam caído. Isto acontece, e é repreensível e será punido, mas é ainda pior. O problema com o povo de Israel nesta conjuntura particular não foi o de que eles estivessem caindo quase inadvertidamente no pecado por causa da fraqueza da carne, do poder do pecado e da sutileza da tentação: era algo muito pior. Eles desviavam-se para o pecado, motivavam-se para ele, preparando-se para pecar e indo, deliberadamente, em sua busca. Isto é algo com que a Bíblia lida em vários lugares. O apóstolo Paulo diz: "Não façam provisão para a carne" (Romanos, 13: 14). Por quê? Porque a carne já é suficientemente má da forma que é. A "carne", referindo-se à natureza humana, é tão poderosa que você não precisa de ajudá-la, diz Paulo. Não a alimente. Não lhe dê nenhum tipo de munição ou qualquer tipo de alimento. É claro que todos sabemos quão verdadeiro isto é. Enfrentamos uma luta constante contra "o mundo, a carne e o diabo". Já nascemos num mundo assim. Não importa o que façamos, o pecado está ali sempre à espera de oportunidades, sempre pronto para atacar. E ele não só nos ataca mas nos toma muitas vezes por inteiro e nos atira ao chão. As pessoas, porém no tempo de Isaías estavam na realidade se apegando ao pecado; elas o queriam; elas se desviavam de 62


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',I'IIS caminhos a fim de encontrá-lo e produzi-lo; elas o encorajaV:1111. Esta é a acusação que é feita contra elas neste ponto em particu1:11": que elas se estavam predispondo deliberadamente para pecar. Elas \'s(avam fazendo provisão para a carne. A expressão "puxar para si", que Isaías usa aqui, é muito inte1\·ssante. Carrega o elemento de deliberação que estou tentando \'llratizar. Ou seja: estavam fazendo isto apesar de certas coisas. 1':Ias tinham que "puxar"; em outras palavras: tinham que reter e, ,ks(a forma, aplicar uma energia. Elas tinham que sobrepujar certux resistências. Quais eram essas resistências? Bem, o povo de Israel tinha que ..ohrcpujar o ensino que haviam recebido como povo de Deus. Este lia o povo ao qual Deus dera os Dez Mandamentos por intermédio II\' seu servo Moisés. Eles não eram ignorantes; não estavam vivendo II;IStrevas do paganismo; não eram néscios. Haviam recebido um ruxino incomparável sobre como homens e mulheres deveriam viVl'I':"Não matarás; não roubarás; não cometerás adultério", e assim pOI"diante (Êxodo, 20). Apesar, porém, de todo esse ensino ético, 1I:1l1 obstante o fato de que Deus mesmo os havia instruído, eles estaV:IIIIcontestando, desviando-se para fazer exatamente aquilo que havr.un sido ensinados a não fazer. Estavam desafiando o grande ensino IlImal do qual eram os herdeiros. Mas Isaías 5 é também uma extraordinária e impressionante .kscrição da vida no mundo de hoje. Não vemos exatamente isso .uontecendo diante de nossos olhos? Costumava haver um certo 11;ldrão de moralidade, mas isto já está sendo hoje ridicularizado, e, ,11\'. desprezado, como sendo "vitoriano" e outras coisas. A grande lu-rança de retidão moral, o ensino moral que herdamos como cid:td:íos britânicos ou de outros países estão sendo postos de lado, e 1I!1I1lense mulheres estão resistindo a tudo que esteja no cerne de 'oIl:ISconstituições e vida nacional. Apesar desta herança, estamoIIIISapegando à iniqüidade. O povo de Israel, porém, estava não apenas indo contra a re'.I,'(l:llcia oferecida por seu singular ensino moral, como, ao mesIII(I tempo, desafiando a resistência no campo de sua própria consI ll'llcia. Queiram as pessoas ou não, existe em cada homem e em I ;Ida mulher este monitor interior: a consciência. O apóstolo Pau63


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lo, mais uma vez, diz que as pessoas que nunca tiveram a lei, como dada por Moisés ao povo de Israel, "mostram o trabalho da lei escrito em seu coração" (Romanos, 2: 15). E é por isto que "acusam ou desculpam-se uns aos outros", e a si mesmos. Todo o mundo tem um senso de moralidade ou retidão moral, de bem e mal, certo e errado, e, quando somos tentados, então esse monitor diz: Não! Pare! Mediante seu servo Isaías, Deus estava acusando o povo de Jerusalém de colocar de lado sua consciência, de deliberadamente reprimi-Ia e se apegarem à iniqüidade. Em I Timóteo 4:2, o apóstolo Paulo escreve sobre pessoas que tiveram a consciência " ...como que cauterizada com ferro quente". Elas resistiram tanto à consciência que a mesma está como morta e não mais fala. Este é um ponto muito importante. Vivemos em uma era, em uma geração na qual homens e mulheres estão deliberadamente pecando, deliberadamente debochando de tudo que seja moral, bom, limpo, puro e edificante; deliberadamente se programando para pecar. Apegando-se ao pecado, apesar de toda a herança moral que receberam. O segundo elemento de pecado que aparece aqui é seu engano, ou a falta de valor da vida de pecado. Isaías usa esta expressão: "Ai daqueles que puxam para si a iniqüidade, arrastando-a com as cordas da mentira." Cordas que nada valem! Mais uma vez, aqui está uma forma ilustrativa de se colocar um ponto em que a Bíblia apresenta do início ao fim. Isaías está expondo e ridicularizando o vazio e o vácuo dos argumentos com os quais as pessoas sempre tentam justificar o tipo de vida que estão vivendo. De acordo com a Bíblia, o pecado sempre usa argumentos falsos e mentirosos. O pecado é sutil e inteligente, e consegue sucesso porque as pessoas são facilmente enganáveis. Esta é a explicação de toda a história da raça humana. Ou não é? Lá atrás no terceiro capítulo do livro de Gênesis, lemos um relato da tentação de Eva por Satanás e de como, por sua vez, ela persuadiu Adão a desobedecer a Deus. E a coisa que se destaca sobre a tentação, como o apóstolo Paulo relembra aos Coríntios, é a sua sutileza: como o Diabo com sua sutileza "seduziu" Eva (II Coríntios, 11:3). Ele se apresentou com argumentos enganosos, que foram aceites. O pecado sempre atrai com cordas que, na verdade, não valem nada.

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Mas, como eu disse, este é um grande ponto apresentado pela IHblia, sempre se referindo ao pecado. O autor da carta aos Hebreus avisa a seus leitores: "ninguém se endureça pelo engano do pecado" (Hebreus, 3: 13). Não há nada no mundo mais enganoso do que \) pecado. É exatamente por isto que o mundo está do jeito que está. (~por isto que somos tão tolos. É por isto que não aprendemos com a história. É por isto que, apesar de lermos biografias, elas não nos ajudam. Vemos a queda de alguém por causa desta ou daquela ação, l' logo estamos fazemos a mesma coisa. É o engano do pecado! "Cordas de mentira!" Deixe-me resumir tudo com uma ilustração perfeita, no mais vívido quadro já pintado, sobre este aspecto particular da questão, ou seja, a parábola de nosso Senhor sobre o Filho Pródigo: um jovem que "atraiu a iniqüidade para si com as cordas da mentira" (Lucas, 15: 11-32). Ali estava ele criado junto com seu irmão na casa de seu pai. Ele não poderia haver tido uma casa melhor ou um pai melhor; e não poderia haver crescido em circunstâncias e condições melhores. Além disto, suas perspectivas eram excelentes. I ~k tinha tudo que um homem poderia desejar. Deixou, porém, tudo l" partiu para um país distante onde tinha certeza de que poderia vi ver uma vida maravilhosa. Eventualmente, ele não apenas se transformou num miserável, como na verdade já estava passando fome, rendo até mesmo que comer as bolotas com as quais os porcos eram alimentados. Até isto já estava faltando, e ele estava muito mal. O que possjvelrnente poderia tê-lo arrastado de uma situação a outra? Só existe uma resposta: o filho pródigo buscou a iniqüidade para si mesmo, com as cordas da mentira. Que isso significa? Bem, observe o raciocínio errôneo. O pecado é muito esperto; ele sempre apresenta suas razões, seus argumentos. O pecado nos conhece muito bem; ele sabe que gosI amos de pensar em nós mesmos como pessoas altamente inteIigcntes. Então, ele não apenas nos diz: faça isso, mas nos dá as I ;J:/.ões para que façamos, e elas pareçam maravilhosas. Mas o ponto crucial é que, na realidade, elas são falsas; são vagas e to las. O raciocínio é sempre falso. Os argumentos estão sempre errados.

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Veja o caso de Eva, como aparece registrado em Gênesis, 3. "Deus não disse ... ?" - perguntou o tentador. O próprio tom de voz que ele usou deveria haver posto Eva em guarda. Quando alguém vem até você dizendo: "Será que Deus disse? ..", você deve logo desconfiar. Ninguém deve falar assim de Deus. O Diabo, porém, veio e falou: "Deus não disse que você não deveria fazer certas coisas no Jardim?" Eva respondeu, e o Diabo disse: "É claro que você sabe porque Ele disse isto ... Deus sabe perfeitamente que, no momento em que vocês comerem daquela árvore, vocês se tornarão deuses. Foi por isto que Ele deu a ordem para que não comessem. Ele não quer que vocês se tornem como deuses; Ele quer mantê-los como subordinados, como vassalos. Ele disse que não comam porque ele sabe que, no momento em que vocês fizerem isto seus olhos serão abertos, e vocês entenderão tudo, da mesma forma que Ele. Vocês serão iguais a Ele, e não mais subservientes. Vocês reinarão. Serão deuses. Comam a fruta!" Foi o mesmo argumento no caso do Filho Pródigo. "Esta vida aqui em casa" - ele disse - não está com nada. É isso que é viver? Eu ouvi falar que naquele país estrangeiro eles vivem de verdade. Mas aqui, ah! existem perspectivas, é claro, mas de uma vida de sujeição ao meu pai e ao meu irmão que é mais velho que eu. Eu não tenho oportuinidades. Não tenho liberdade. Eu desejo vida. Quero espaço para viver. Eu quero o que é meu!" Assim o filho pródigo raciocinou consigo mesmo, instigado pelo Diabo. Isto é típico da argumentação do pecado. Ele vem até nós e diz: "Se você quiser ser alguém, pare de ler a Bíblia, pare de ir à igreja, comece a fazer isto e aquilo ... : é só assim que você vai deixar a sua marca. Você não é mais uma criança, um bebê: prove que é um adulto! Mostre o que há em você. Apareça!" Não são estes os argumentos? "Cordas da mentira"! Ou pode vir a nós como "a coisa a fazer". Que argumento! Temos que fazer o que todo mundo está fazendo. "Se você quiser progredir" - diz novamente o pecado - "tem que fazer isto ou aquilo." E outras vezes ele vem e diz: "Não há nenhum mal nisto ... Por que você diz que há? Por que não fazer? Isto é apenas radicalismo! Você está atrasado no tempo. Seja moderno!"

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o TIRANTEDACARRoçA Estes são os argumentos do pecado, e todos falsos. É assim que as pessoas se apegam ao pecado. Essas são as razões que elas dão: "Vai ser maravilhoso! Vai ser ótimo! Vai ser o máximo! É assim que se faz ..." O pecado nunca nos diz uma palavra do que vamos perder. Assim, ele não é apenas falso em seus argumentos e raciocínio, mas também nas suas promessas. Ele nos oferece tudo, mas que nos dá? Aqui está a promessa diabólica, no Jardim do Éden: "Vocês serão como deuses" (Gênesis, 3:5). Mas foi assim mesmo? Passados alguns momentos eles estavam tremendo e se escondendo atrás das árvores, aterrorizados e alarmados. O problema se ins(alou, o caos começou, e continua desde então. "Com as cordas da mentira", prometendo o mundo inteiro, mas não dando nada; prometendo felicidade, mas nos levando à desgraça e à tristeza. Quão triste é uma vida de pecado! Você já não sabe disto? Leia os jornais e verá. A vida de pecado e vício é terrível, acima de tudo o que se pode definir. Ela não traz felicidade; antes, é uma vida arruinada e sórdida. Em vez de nos dar as coisas que promete, o pecado rouba-nos tudo o que há de melhor em nós - a pureza e a honestidade, e um conceito nobre de humanidade. Ele nos rouba IIOSSO conhecimento de Deus e a possibilidade de relacionamento com Ele. O pecado oferece tudo e não dá, absolutamente, nada. Ele IIOS retira as coisas mais preciosas e, eventualmente, deixa-nos com porcos e as bolotas. Não parece tão mau em termos de aparência externa, mas, por dentro, na alma, no domínio do espírito, não é nada mais que p issimo. Ele nos subtrai tudo e nos deixa sem nada: de mãos vaI,ias. Tudo por que vivemos nos é impossível levar conosco na morte. E aí estamos nós, exaustos, acabados, sem nada. O pecado xrmpre funciona assim: "puxa para si a iniqüidade com as cordas (!;J mentira". A próxima afirmativa é, de certo modo, ainda mais chocante. "Ai daqueles que puxam para si a iniqüidade com as cordas da rnenlira, e o pecado com tirantes de carroças." Vemos aqui um grande rontraste. Eu me pergunto quantas pessoas ainda sabem o que é um "I irante" de carroça. Se você sempre viveu na cidade, provavelrnenI\" não sabe, mas eu sou velho o suficiente para lembrar os dias ()S

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quando carruagens e carroças eram puxadas por cavalos, antes de que o motor de combustão interna se tornasse de uso comum. Tirantes de carroças! Compridas e fortes cordas com as quais se amarrava o cavalo à carroça, ou, até mais, de um cavalo. Não havia nada mais grosso e resistente que uma corda de carroça. Se você quisesse algo muito forte para puxá-Ia com sua tremenda carga - de feno ou outra coisa que estivesse ali -, usaria um tirante. De acordo com Isaías, esse era o problema com a nação de Israel: ela pecava com uma corda de carroça. Que isso significa? Ele está-se referindo, claro, à força do pecado, ao elemento óbvio do pecado. Ele está mostrando que eles estavam pecando com toda a sua força, gloriando-se nele, entregando-se a ele. Não era, repito, o caso de um povo caindo inadvertidamente no pecado, enredado sem perceber. Não, eles se lançaram, os olhos inflamados, e pecaram com toda a vontade. Não pouparam nada, "com tirantes de carroças". Este é o modo de Isaías descrever o pecado sem restrições, pecado sem inibições, aberto e bom som. Existe, claro, um argumento a esta altura: as pessoas não gostam de hipocrisia. Certo. Concordo com isto. Condene o hipócrita se quiser. Há, porém, algo a ser dito até para o hipócrita: ele certamente é melhor do que o tipo de pessoa que peca com tirantes de carroça, porque isso não é apenas pecar, mas ostentar o pecado, o que é ir além. É pecar de tal modo que, como Jeremias expressa: " ...e nem sabem ficar envergonhados" (Jeremias, 6: 15). Há uma completa ausência de vergonha; eles são óbvios, e eles se gabam dele; não conseguem satisfazer-se, e o fazem com toda a força e vontade. Não vivemos em uma era que carrega esta culpa? Veja como tudo se organiza hoje. Veja a falta de decoro em tantas coisas. Olhe para a tela de sua televisão e verá o pecado desavergonhado. Nada é poupado. Eles expõem tudo e pecam com toda a energia do seu ser e toda a inteligência de que possam dispor; pecam com tirantes de carroça. Eles até parecem estar rivalizando e competindo uns com os outros em relação à profundidade a que conseguem descer. Não há decência, vergonha ou tristeza pelo pecado; tentativa alguma de disfarçá-lo. Está tudo exposto. O profeta Isaías

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descreve o século XX tão precisamente quanto descreveu a conti ição do povo de Israel. Mas vamos ao último ponto, o desafio, a arrogância, a hlasfêmia, o elemento insano do pecado. Ouça: "Ai deles (... ) que dizem, apresse-se ele." Lembre-se que eles estavam falando sobre Deus. " ... e faça depressa a sua obra." Já vimos, antes, uma referência a esta obra. Diz-se deste povo: "Eles não vêem a obra do Senhor, nem consideram a operação de suas mãos" (v. 12). Considerarnos isto no v. 2, mas aqui eles vão além: não apenas pensam na obra de Deus, mas a desafiam. Eles se levantam e divem: "Apresse-se ele e faça depressa a sua obra, para que a vejamos; aproxime-se, manifeste-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos!" Esta é uma situação terrível. Você percebe a blasfêmia? Eles tomam o nome de Deus em vão! Com efeito, dizem ao profeta: Você está sempre falando do Santo de Israel. Então, que ele se aproxime e faça o que tem que fazer: seu Santo de Israel! Eles se referem a Deus com sarcasmo, com deboche, com amargura e desprezo. É assim que falam do Senhor Deus Todo-Poderoso! Não apenas tomam seu nome em vão, mas fazem referências debochadas à sua obra. O profeta os faz relembrar como Deus os ameaçou, o que disse que iria fazer quando homens e mulheres vivessem aquele tipo de vida. E eles dizem: "Apresse-se ele então ...Você está-nos transmitindo a Palavra de Deus. Então, deixe que ele execute a sua palavra." São referências desrespeitosas sobre a Palavra de Deus, seu ensino moral, suas ameaças, seus julgamentos, sua revelação de si mesmo, e seu propósito santo. Mas a mais terrível de todas as coisas - e é aí que o pecado se revela em pura loucura e insanidade - é o desafio ao poder de Deus, e a incitação para que Deus faça o pior. "O Santo de Israel" - dizem eles - " ... você está dizendo que Ele é o Juiz do mundo, que vai punir () mundo e julgá-lo com justiça. Muito bem, por que Ele está hesitando? Por que está esperando? Por que não faz logo? O seu Santo de Israel, onde está Ele?" Deixe-me apresentar tudo isto numa forma mais atual, pois esta - é o que me parece - é a condição de muitas pessoas. Deus, sua lei e seu Evangelho têm sido ridicularizados. Deus, para mui-

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tos, é nada mais do que um termo com o qual eles amaldiçoam ou expressam algum tipo de juramento. Eles usam o nome de Deus em suas conversas comuns e o fazem com deboche. Eles não crêem em seu Livro; não crêem, em hipótese alguma, que ele exista. São pessoas sem Deus, que já O baniram de seus pensamentos; eles O tratam e a tudo que se refere a Deus com extremo desprezo e escárnio. Ele é a piada das pessoas inteligentes. Sóbrios ou embriagados, não faz diferença, eles blasfemam seu nome. Você vê isso mesmo nas conversas. Houve uma época em que as pessoas não faziam isso. Sabemos que certas pessoas não conseguem falar sem xingar, blasfemar ou usar juras. Nós as ouvíamos, mas não repetíamos suas palavras. Agora, porém, esses adjetivos e epítetos são usados publicamente, e a blasfêmia e tudo isto está-se tornando, cada dia mais, desavergonhado e arrogante entre nós. Mas não apenas isto. Eles desafiam Deus em conjunto. Eles se levantam diante dEle e dizem, como aquelas pessoas diziam: "Se existe um Deus, então deixe que Ele faça alguma coisa. Vocês pregadores dizem que Deus vai julgar o mundo e puni-lo, mas eu tenho vivido uma vida de desafio a Ele e nada me tem acontecido. Se Ele é Deus, por que não mostra? Se tem poder, por que não o revela? Quero vê-LO fazer o pior" ... Era isso que o povo de Israel estava dizendo. É o tipo de conversa que você encontra registrada na segunda epístola de Pedro. Pedro profetizou que nos últimos tempos eles se levantariam e diriam a mesma coisa outra vez: "Onde está a promessa da sua volta?" (II Pedro, 3:4) Vocês cristãos, vocês que crêem na Bíblia, vocês dizem que crêem em Deus e que Deus irá julgar o mundo, mas onde está a promessa da sua volta? Vocês dizem que Ele vai enviar seu Filho outra vez ao mundo para julgá-LO com retidão e destruir o mal e estabelecer seu glorioso reino, mas onde está Ele? Os séculos estão passando e não há sinal de sua volta. É bobagem, é fantasia, conto-de-fadas. Não é verdade. Deus não existe e não vai acontecer nada.Vamos pecar e viver como quisermos." Este é o argumento, e é assim que a humanidade se tem comportado em certos períodos terríveis na história da raça humana. Eles têm-se levantado e desafiado Deus para que faça o pior.

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"Nós não temos medo de Deus! Vocês têm medo. Sua reli!,.i;1oé uma questão de medo. Vocês não são homens de verdade. Vocês não são nada mais do que almas encolhidas de medo. Por que 11;10 tentam ser fortes, se levantam e dizem: 'Não existe Deus; ele 11;10 pode fazer nada?' O mundo todo está nas mãos dos homens e mulheres, e não há nada a temer. Expresse-se, viva sua própria vida, aproveite e tenha sua porção de prazer." Este é o argumento muito proeminente nos dias de hoje. Tem sido gritado sobre nós pela mídia. Mas existem terríveis avisos contra este tipo de coisa nas Esvrituras. Havia certas pessoas, quando Jesus estava aqui neste mundo, que diziam coisas similares: Pilatos fora avisado pela esposa que não se envolvesse na condenação do Senhor Jesus Cristo. Ela disse: "Eu tive um sonho sobre este homem. Não faça nada!" E Pilatos fez o que pôde para libertá-lo. Contudo, os judeus não permitiram. Eles disseram: "Não! Levem este homem. CrucifiquemIlO. Dêem-nos Barrabás." Então: Quando Pilatos viu que não conseguia, mas que um tumulto se formava, tomou água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Eu sou inocente do sangue deste justo: A responsabilidade é vossa. Então, o povo respondeu e disse: O seu sangue seja sobre nós e nossos filhos" (Mateus, 27:24,25).

"Não estamos com medo", foi o que eles disseram. "Vós, Govcrnador romano Pilatos, pareceis estar com medo; lavais vossas III;IOS e dizeis: a responsabilidade é vossa. Está bem, nós certamente estamos prontos a tomar a responsabilidade; não temos medo. SCLI sangue seja sobre nós, e sobre nossos filhos. Que venha o pior." Eles disseram as mesmas coisas que Isaías acusou seus conrcrnporâneos de dizerem. Foi o que disseram por volta do ano 33 A.D. e, então, no ano !O A.D., quando os exércitos romanos cercaram Jerusalém e a x.iquearam, mataram esses mesmos judeus que haviam dito: "Seu x.mgue seja sobre nós." E veio sobre eles, sua cidade foi arrasada :l1~ o chão e eles foram expulsos da Palestina, espalhados entre as nações, onde a vasta maioria ainda está. O sangue de Cristo tem

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vindo sobre os judeus através dos séculos. Eles pediram, e assim sucedeu. No tempo de Isaías, o povo de Israel também sofreu. Isaías havia avisado, mas eles não ouviram. E, então, veio o dia em que o exército caldeu cercou a cidade e ela foi destruída. Eles haviam dito: Se Deus pode fazer alguma coisa, que faça. E Ele fez. Minha mensagem é a de que Deus é ainda o mesmo. Está tudo no terceiro capítulo da segunda epístola de Pedro. Os zombadores se levantam e dizem: "Onde está a promessa de sua volta? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas continuam como eram no começo da Criação." Aqui está a resposta: Há, contudo, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: é que para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Sen.hor não tarda a cumprir a sua promessa, como pensam alguns, entendendo que há demora; o que ele está é usando de paciência convosco, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se. O Dia do Senhor chegará como ladrão, e então os céus se desfarão com estrondo, os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão e a Terra, juntamente com suas obras, será consumida. (II Pedro, 3:8-10)

Está chegando! Deus agirá! Mas lembre-se: Ele não age imediatamente; para o Senhor, mil anos são como um dia, e um dia como mil anos. Sobre esta presente geração, e sobre todas as outras gerações que blasfemaram e ridicularizaram sua palavra e suas leis, seu poder será manifesto, e eles verão sua obra e sentirão seu poder: "Os céus se desfarão com estrondo C ... ) E todo mal e pecado serão lançados num lago de destruição e perdição." Oh, que blasfêmia! Quanta arrogância e loucura de homens e mulheres em pecado! É por isso que o mundo está do jeito em que se encontra. Pode-se fazer alguma coisa por essas pessoas, que aí estão, que se apegam à iniqüidade com toda a força? Existe esperança? Bem, graças a Deus que existe. Existe apenas uma esperança, e é que o poder de Deus é maior que o poder do pecado, do Diabo e do inferno. O pecado e o Diabo nos envolvem e fazem com que nos

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.rpcguemos à iniqüidade com tirantes de carroça. Homens e mulhen.:s não podem livrar-se. O poder de Deus, porém, pode. Ouça como Deus fala pelo profeta Oséias: "Eu te atraí com cordas humanas, com laços de amor (...)" (Oséias 11 :4) Aqui está a única esperança, o poder de atração de Deus, que é maior que o poder de atração do pecado. O pecado atrai com cordas de carroça; I )cus atrai com laços de amor e cordas humanas! "Ninguém pode vir a mim, exceto aqueles a quem o Pai me enviar" (João, 6:44). I':sla é, na verdade, nossa única esperança. Qual é a esperança? É a de que Deus é capaz de nos retirar das trevas para sua maravilhosa luz! Isto é o Evangelho. "O poder de I >Cuspara salvação de todo o que crê" (Romanos, 1: 16). Ele pode .urair-nos para Ele próprio. Ele o faz em Cristo, que disse: "Eu, quando for levantado da Terra, atrairei todos os homens a mim" (João, 12:32). Estas são as abençoadas boas notícias para este mundo mau, onde o pecado nos está atraindo cada vez mais poderosamente. Mas Deus é ainda mais poderoso: ao morrer na cruz e dar xcu corpo para ser partido e seu sangue para ser derramado, Cristo estava liberando um poder suficientemente grande para tornar o unundo, limpo. "Cristo crucificado (...) o poder de Deus, e a sabedoria de Deus" (I Coríntios, 1:23,24). Aí está. Ele "atrai". E, se ele 11;10 nos atraísse, estaríamos todos condenados, carregados para o inferno pelo pecado com tirantes de carroças. E, à luz deste poder de atração da cruz de Cristo, podemos di/,cr o que diz o profeta Isaías no capítulo 12: "Deste modo, com .ilcgria retirarem~s água dos poços da salvação" (Isaías, 12:3). Você, que está apegado ao pecado, beba dos poços da salvação abertos no monte Calvário. Se você gastou o tempo da sua vida .ipcgado à iniqüidade com as cordas da mentira e com tirantes de v.uroças, eu digo agora: "Chegue-se a Deus e ele se chegará a você" (Tiago, 4:8).

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MORAL

Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem, mal, dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas; que mudam o amargo em doce e o doce em amargo! (Isaías, 5:20)

É da essência do entendimento desta mensagem - tanto do capítulo todo quanto do v. 20 em particular - que nós entendemos que era uma mensagem para o período em que foi dada. O profeta, deixe-me lembrar-lhe, foi levantado por Deus para dirigir-se aos seus contemporâneos, à nação de Judá, em tempos particularmente sérios. Esta nação existira por muitos anos. Criada por Abraão, agora, 110 século VIII antes de Cristo, as coisas estavam começando a ir mal, perigosamente erradas. A nação estava face a face com a calaIII idade, e Deus levantara um profeta para avisar ao povo que, se não ,~. arrependessem, não se voltassem para Deus, não teriam nada além de ruína. Mas como já vimos, estamos vivendo em uma era e em uma /"nação que corresponde muito exatamente à que está descrita aqui. Além disto, de acordo com o ensino da Bíblia, homens e mulheres, desde que caíram e desobedeceram a Deus, têm sempre sido peca75


UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

dores em todas as eras e em todas as gerações. Mas - este é o princípio - existem épocas e tempos quando eles se tornam excepcionalmente pecadores, ou quando seu pecado fica particularmente evidente. Não se pode ler a Bíblia - um livro de história e ao mesmo tempo de grandes ensinamentos - sem notar que existe um extraordinário tipo de periodicidade a esse respeito. Você encontrará eras em que os israelitas estavam certamente vivendo uma vida não perfeita, mas ainda assim comparativamente bem. Existem, porém, outros períodos relevantes quando, como já vimos, eles pecaram violentamente, com tirantes de carroças, e a situação se tornou desesperadora. Em outras palavras: às vezes o pecado parecia levar a um terrível clímax; e àquele clímax, invariavelmente, seguia-se a calamidade. Ao dizer isto estou fazendo uma simples observação histórica. Nota-se esse tipo de curva no gráfico da história da humanidade, quando se lêem o Velho e o Novo Testamentos, e exatamente o mesmo é encontrado quando se segue a subseqüente história da humanidade. Tome, por exemplo, o relato que a Bíblia faz da destruição do mundo pelo Dilúvio. Isto é o que ela nos diz. O filho de Adão e Eva, Caim, começou a pecar; sua descendência continuou do mesmo modo, e, assim, o pecado foi aumentando. Ele alcançou um ponto tal, tornando-se tão feio e repulsivo que Deus falou à raça humana: "Meu Espírito não contenderá com o homem" (Gênesis, 6:3). Então, ele levantou um homem, Noé, para avisar à humanidade que, se eles não se arrependessem, seu mundo seria destruído. Aquela geração era formada pelos que pecavam com toda a vontade, desafiando Deus com uma arrogância incomparável. A isto se seguiu a calamidade do Dilúvio. Outro exemplo tem relação com a Torre de Babel. Ali, outra vez o pecado da humanidade alcançou tais proporções que Deus desceu e confundiu suas línguas, destruindo a Torre que eles estavam tentando erigir. Novamente, isto levou a uma situação desastrosa. E aqui, nesta parte do livro de Isaías que estamos considerando, temos outro exemplo notável da mesma coisa. Aqui, estava Judá pecando do modo que Isaías descreve, levando a uma orgia final, e, novamente, seguido de calamidade. Os caldeus e os babilônios se 76


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levantaram, reuniram seus exércitos, vieram e saquearam a cidade de Jerusalém, levando a maioria dos judeus como escravos para a l3abilônia. Esse terrível período de pecado, mais uma vez, levou a uma tremenda calamidade. Vê-se exatamente a mesma coisa no tempo de Jesus Cristo. Os judeus novamente começaram a pecar de um modo excepcional. Apesar dos avisos de João Batista, e dos avisos do próprio Filho de Deus, eles não deram ouvidos. Não obstante a subseqüente pregação dos apóstolos, continuaram, desesperadamente, em pecado, e, mais uma vez, isso levou exatamente ao mesmo resultado. No ano 70 A.D. o exército romano cercou a cidade de Jerusalém, conquistou-a e saqueou-a, arrasando-a até os alicerces, e os judeus, como nação, foram espalhados entre as outras nações. Essas são ilustrações deste princípio claramente ensinado na Bíblia, de que, embora homens e mulheres sejam sempre pecadores, existem tempos em que o pecado excede a si próprio. A situação enlouquece, e as pessoas pecam de uma forma tão desesperada, desafiando Deus em uma arrogância tão blasfema, que isto as leva a um período que chega a ser indescritível em seu horror. A Bíblia nos ensina que, nesses tempos, Deus retira seu poder, permitindo que os seres humanos se afundem em sua iniquidade, e então os visita com punição na forma de um terrível desastre. Ele, porém, nunca faz isto sem, antes, avisar. Ele sempre envia seus profetas, seus mensageiros para falarem ao povo individual e coletivamente. Nesses tempos, nada é mais proeminente no comportamento da raça humana do que o elemento revelado neste versículo que .starnos examinando: o elemento da perversão moral: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; dos que transformam as trevas cm luz e a luz em trevas; dos que mudam o amargo em doce e o doce em amargo!" Em todos esses períodos na história da humanidade, quando o pecado toma conta, esta é, invariavelmente, a caracrcristica mais pronunciada. E ela se apresenta diante de nós forçosamente aqui, neste versículo. E é assim, infelizmente, porque este l: o elemento mais proeminente na vida do mundo moderno para o qual estou chamando a sua atenção. 77


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À luz do que é demonstrado tão claramente pela história, existe alguma coisa que requeira nossa consideração tão urgente? Alguma coisa mais importa diante disto? Ao lado disto, que significado tem a maior conferência entre homens de Estado? Se isso é verdadeiro, então estamos numa posição desesperada. Se a lei da história é verdadeira, a menos que nos arrependamos e nos voltemos para Deus, só há um final: calamidade. Então, vamos examinar o ensino das Escrituras com relação a este assunto. Em primeiro lugar, devemos considerar as características desta situação. O princípio é sempre o mesmo, mas quero colocá-lo particularmente na sua expressão moderna. Pecado é sempre pecado, mas existem graus de pecado. Ele pode aparecer em diferentes formas e aparências. Algumas vezes, homens e mulheres pecam e ficam envergonhados. Esta é uma situação de pecado. Mas existem outras ocasiões, como já vimos no nosso estudo prévio, quando as pessoas não mais sentem vergonha; elas pecam abertamente; elas orgulham-se do pecado e, até mesmo, gabam-se dele. Esta é uma condição diferente. Existe, porém, algo além disto. Épocas há, nas quais as pessoas não parecem ter absolutamente nenhum senso de moral. Isto é válido não apenas de uma forma geral mas, também, individual. Todos conhecemos indivíduos que pecaram e estão envergonhados. Espero que todos experimentemos essa vergonha. Também conhecemos aqueles que pecaram e não estão envergonhados. E podemos, até, conhecer indivíduos que perderam por completo seu senso de moral, que não parecem saber a diferença entre o certo e o errado. Eles são amorais, imorais. Mas existe algo ainda pior que isso - e é o que está descrito neste versículo -, a saber: a condição de perversão. Porque ser pervertido é pior que ser imoral. Ser imoral é, de alguma forma, ser negativo, mas os pervertidos foram além da imoralidade e estão em uma posição na qual revertem moralidade e colocam mal por bem, e bem por mal; trevas por luz e luz por trevas; amargo por doce e doce por amargo. Esta é uma posição na qual eles derrubaram todos os padrões. É uma reversão positiva, deliberada, do que antes era mais ou menos universalmente aceite. 78


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Isto é algo que pode ser visto em indivíduos, em nações, em grupos de pessoas e às vezes na vida de toda a comunidade mundial, como tenho demonstrado pelas Escrituras. Neste estado, homens e mulheres viram tudo de pernas para o ar, andam de cabeça para baixo e se gloriam no fato de que estão agindo desta maneira. Aquela era a situação do povo vivendo em Jerusalém quando Isaías se dirigiu a eles nesta profecia e lhes avisou que, a menos que se arrependessem, não poderiam esperar nada além de um desastre. Isto não é igualmente válido para hoje? Esta não é uma das mais óbvias características destes anos nos quais estamos vivendo? Não é este elemento de perversão a maior e mais relevante característica do nosso tempo, este virar de cabeça para baixo, a inversão de tudo que era comumente aceite e reconhecido? Isto pode ser ilustrado em quase todos os campos; é uma situação muito persuasiva. Você a encontra em todas as artes onde o belo é freqüentemente desprezado, forma e linha não são reconhecidos e o feio é entronizado. Mas esta perversão de padrões é muito mais séria, claro, quando se chega ao campo moral. Hoje, a grande palavra sobre a qual as pessoas se gabam é "a nova moralidade". Esta está sendo ensinada abertamente. Em dezembro de 1962, o professor Carstairs apresentou suas famosas palestras: a série Reith, na qual atacou diretamente a moral tradicional e pronunciou o que foi, então, chamado de "a nova moralidade", advogando experiências sexuais antcs do casamento e também experiências extramaritais. E essa liherdade-libertinagem não se limita ao professor Carstairs. Existem, também, outros que não hesitam em escrever livros e artigos c aparecer nos programas de televisão, introduzindo esta nova moralidade que nos diz que o que até aqui foi visto como pecado não é pecado. Na verdade, eles concordam em que é errado condenar essas coisas, por serem uma forma de auto-expressão ... Somos, assim, confrontados não apenas por um ataque à religião mas, também, à moralidade num todo. E o ataque é direto e diário! Na verdade, vai além disto. Existem aqueles que ainda atacam a mente do homem. Esta é a essência da posição de D. H. Laurence. Ele disse que todo o problema com a raça humana é que da pensa muito e o cérebro se desenvolveu demais. Assim, o

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segredo do sucesso e da felicidade na vida é deixar que a parte inferior governe e tome o controle; é o "de volta à natureza". É um ataque à mente e a tudo por cujo meio exercemos discriminação e controle. Na verdade, para resumir, é em, última análise, a ridicularização do controle, da disciplina e da decência. É um apelo para que façamos tudo o que quisermos fazer, e dispensemos qualquer idéia de decência, ordem e respeito. Deixe-me dar um exemplo. Aconteceu de eu ler a manchete de um jornal que me levou a ler a crítica de uma peça que estreara em Londres. Isto é o que um crítico muito conhecido disse: "Há uma década, este tipo de choramingo de espuma de sabão deve haver parecido na televisão bravo e realista. Suas homilias sobre a infidelidade e a santidade da família têm tons de moralidade de classe média, e parecem, ao mesmo tempo, antiquadas e puritanas." Veja onde chegamos! Aparentemente, esta era uma peça que há dez anos teria sido considerada corajosa e chocante. Hoje, porém, qualquer tentativa, mesmo singela, de defender a moralidade ou fazer referência aos equívocos da infidelidade, e à santidade da família, como uma unidade da sociedade, é algo rejeitado com grande desprezo, como "moralidade de classe média, que parece, ao mesmo tempo antiquada e puritana". Em um certo sentido, é uma perda de tempo ler essas críticas; em outro sentido, não é. Eu leio a crítica de filmes e dramas e é isso o que observo. Se houver qualquer elemento de decência em um filme ou em uma peça, ele é dispensado e ridicularizado. A única coisa louvada é o pervertido, o que apresenta o anormal e feio, ou que contenha algo mais ou menos repulsivo. Este parece ser o padrão universal, e, se houver algum elemento de romance ou de beleza, é para ser ridicularizado. Esta é a situação que nos está confrontando, e você deve haver notado algo mais. Você já notou a tendência atual de ser mais simpático em relação ao criminoso do que à pessoa que sofre em suas mãos? As pessoas fazem abaixo-assinados a seu favor, dizendo que precisam receber uma segunda oportunidade, e que não deve ser tratado tão duramente. O mesmo se aplica aos pervertidos. Nós quase chegamos ao estágio em que não ser pervertido é anormal. O pervertido é glorificado. Não há nada tão maravilhoso como o amor dos pervertidos!

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Tudo pode ser resumido em uma frase que tem sido o slogan desta geração: Mal, seja o meu bem. "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal..." Isto é precisamente o que está acontecendo cm tantos países, em círculos culturais e educativos, entre intelectuais e aqueles que se proclamam líderes da sociedade. Não é lima repetição exata dos dias de Isaías? Ou, quem sabe? até muito pior. Qual é o argumento que os devotos dessa perversão apresenIam para defendê-la? Eu, obviamente, não posso lidar com isto adequadamente. Estou tentando dar uma olhadela na situação. Uma das grandes correntes de justificativa para tudo isto diz que de qualquer forma isto não é hipocrisia. Hipocrisia é vista como a pior coisa concebível; e esta é a resposta a ela: perversão! Ninguém, claramente, quer defender a hipocrisia. Não há nada que possa ser dito, enfim, em sua defesa; mas o derradeiro provedor de máximas, o francês Conde de la Rochefoucauld, disse uma verdade sobre ela: "A hipocrisia é a homenagem paga pelo vício à virtude", e esta é uma afirmativa muito profunda. Em outras palavras: um hipócrita é alguém que sabe que está errado e tenta esconder seu erro, fingindo que não o praticou. Ele reconhece a moralidade e ele mesmo, de alguma forma, paga tributo a ela. Ele lião é um pervertido. Isto é o que se pode dizer da hipocrisia. Desta forma, existe sempre esperança para o hipócrita; ele é uma pessoa que distorce as coisas, mas, pelo menos, sabe que está errado. O segundo elemento najustificativa da nova moralidade, ou a argumentação apresentada para defendê-la, é que é certo questionar a existência de qualquer padrão moral externo, objetivo, universal. Até agora a humanidade em geral tem crido que exista tal padrão. Às vezes, eles o chamam de "lei natural", e ela tem sido mais ou menos reconhecida em todas as sociedades, cristãs ou não. Vivemos, porém, numa era em que isto está sendo seriamente quesIionado. Ouvimos de alguns filósofos do momento que não existe essa coisa como um padrão de moral externo: cada homem tem o seu. O que eu acho certo é moral para mim, e, se faço algo que você julgue errado, isto não importa: devo agir de acordo com meu próprio padrão e interior. E assim é. Cada homem se torna lei para si próprio e faz o que bem entende e o que cisma que vai fazer, e o que .icredita ser certo.

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Um outro ponto muito grave é que essas pessoas estão questionando toda a categoria do natural, ou do normal. A Bíblia faz uma grande questão deste ponto. Por exemplo: lê-se em II Timóteo, 3:3: "sem afeição natural". Do mesmo modo, tem-se esta afirmativa crucial no capítulo 1 de Romanos, onde Paulo, em seu grande indiciamento da era em que viveu, e de outras eras, usa este tipo de linguagem: "De igual modo, também os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em seu desejo uns pelos outros, praticando torpezas, homens com homens, e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração" (v. 27), e assim por diante. O mesmo, diz ele, acontece com as mulheres. Mas o termo que ele usa é "natural". Hoje, isto está sendo posto em dúvida. Dizem-nos que não devemos usar este termo. Eles nos perguntam: "Que você quer dizer com 'natural', e 'normal'?" E acrescentam: "Que para você significa 'natural'?" Mas se outro homem é diferente, então é natural para ele. Em última análise: não há diferença entre os sexos e não existe essa coisa como "natural". E, assim, este comportamento é justificado mediante o questionamento das diferenças naturais entre homem e mulher, e o desejo natural da mulher pelo homem e do homem pela mulher. Na verdade, tudo está sendo negado, e o que se diz é que pode ser "natural para um homem desejar outro homem, e uma mulher desejar outra mulher". Todos os padrões se foram porque a categoria do natural não é mais reconhecida. E, é claro, acima de tudo as pessoas dizem que não existe essa coisa como pecado, e isto porque não existe Deus. Se não existe nenhum cânon moral universal, então não há pecado. Na verdade, não existe crime. Nas cortes, cresce o número de pleitos por "responsabilidade reduzida" ou "responsabilidade diminuída". Que isso significa? Um médico aparece na corte e diz: "Este homem fez isto - já admitiu -, mas eu estou aqui para declarar que ele não podia deixar de havê-lo feito porque ele é do jeito que é; é constituído de uma forma tal - física e biologicamente - que não pôde evitá-lo." Assim, não há pecado nem crime; tudo passa a ser uma questão de tratamento médico. Todos os padrões se foram para sempre. Eu entendo, óbvio, que existem casos registrados nos quais o pleito de "responsabilidade diminuída" seja válido, mas eu estou protestando contra a tendência de universalizar o excepcional.

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Então, positivamente, a justificação do malfeitor toma a forIlla de culto de auto-expressão. Dizem-nos o seguinte: "Você tem cxxes poderes dentro de você, então certamente você deve usá-los. I ~Ies não devem ser reprimidos e restringidos. Por que você acha que os recebeu? Por que eles se encontram em você? Libere-se! I .xpresse-se!" Então, vem o argumento do amor contra a castidade. O prohlcrna no passado, dizem, é que a castidade é vista como uma coisa maior que o amor. Mas o amor é o que realmente importa; a castidade vem em segundo lugar. Se houver amor, não faz diferença se 11111 homem ama um homem ou uma mulher sexualmente. Não teI110S que nos preocupar com moralidade e castidade. A única coisa que interessa é o amor. Desta maneira, tem-se toda a confusão, Ioda a promiscuidade e as perversões de hoje. Meu problema é mostrar o equívoco de tudo isto de uma forIlIa breve. O Senhor coloca a questão da seguinte forma: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e com toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e com toda a tua força: este é o primeiro mandamento. E o segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Marcos, 12:30,31).

Se você olha por este lado, não vai querer justificar tudo que faz dizendo: "Ah, eu amo". Você reconhecerá que pode haver cobiça, I' que você não deve magoar a outra pessoa. Você reconhecerá que a outra pessoa é alguém aos olhos de Deus, que Deus está acima de ,1I11bose que vocês não são animais mas seres responsáveis diante do I )cus Todo-Poderoso, que espera que vocês vivam uma vida mais I' levada e nobre. Você entenderá que sendo assim deve disciplinar-se I' controlar-se, e que você expressa seu amor ao considerar seu viziIlho como você próprio, levando-o em consideração, e nem sempre volocando seu desejo de autogratificação em primeiro lugar. Consideramos até aqui os argumentos que se apresentam em I avor da nova moralidade, e vimos que são todos falsos. Desta forn i.t. eles não fornecem a explicação para a conduta moderna. Não, a resposta é muito simples para aqueles que conhecem ',11<1 Bíblia. A primeira coisa que a Bíblia tem a dizer é que não há 83


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nada novo sobre a "nova moralidade". Ela é tão velha quanto o período antes do Dilúvio. Tão velha quanto Sodoma e Gomorra - daí alguns termos usados hoje. Ainda assim o homem do século XX se gaba de seus avanços. Uma nova moralidade? Ela é tão velha quanto o pecado! A Bíblia conhece tudo sobre ela, e pode ensinar-lhe mais sobre ela do que a maioria dos livros modernos. Tudo está definido e analisado ali. Não só isso - e para mim isso é o mais impressionante -, mas a Bíblia na verdade profetiza que este tipo de coisa vai acontecer, que ocorrerá de tempos em tempos. Outra vez, para aqueles que conhecem sua Bíblia não há nada extraordinário sobre a situação presente. Eu não estou nem um pouco surpreso com o fato de os homens e mulheres do século XX, com toda a sua sofisticação, estarem-se comportando do jeito que estão. A Bíblia afirma que isto aconteceria. Você já leu, em Lucas, 17, a profecia de Jesus Cristo sobre os últimos dias? "Como foi nos dias de Noé, assim também será (...) Como foi nos dias de Ló (...) assim também será ( ...)" (Lucas, 17:26-30). Tudo está predito. Seja lá o que você fizer, se você for um seguidor da assim chamada nova moralidade, você não estará fazendo nada novo; sua moralidade é muito velha. Na verdade, como alguém já disse: "A nova moralidade não é nada além da velha moralidade tentando se aperfeiçoar em termos filosóficos". Mas a Bíblia pode dizer-lhe por que ela ressurge e por que as pessoas se comportam deste modo. E isso é que é importante. Por que estamos sendo afligidos por tudo isso em nossos dias? Por que nos defrontamos dia a dia com este horror? Aqui estão as respostas bíblicas. A principal explicação é que o pecado não pode nunca satisfazer, nunca. Ele finge, apenas. Ele diz: "Só uma vez ..." Mas você nunca pára em uma vez. O pecado nunca satisfaz, e as pessoas ficam assim cansadas de seus pecados em particular, e querem mais. Quando se cansam do espectro completo dos pecados conhecidos, inventam outros diferentes, e torcem e pervertem. A perversão é sempre uma prova da falha do pecado em se satisfazer. É um tipo de exaustão. Conheci um caso muito trágico de um médico que se tornou viciado em drogas. Eu me lembro de haver perguntado ao coitado, que foi meu colega de classe: "Como você entrou nessa?" E ele me disse que seu problema sempre fora o fato

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de ser um alto consumidor de álcool, mas chegara a um ponto tal que a bebida não mais fazia efeito. Contudo ele necessitava experimentar sempre aquela sensação. Então, com a falha da bebida começou com as drogas. É por essa razão que existem milhares de miseráveis e infelizes viciados neste país. O pecado sempre pressiona para algo além, e quando os caminhos normais do pecado não mais satisfazem as pessoas se voltam para o anormal. É apenas a manifestação da falha do pecado em satisfazer verdadeiramente. Mas existe uma segunda razão. Você já notou o aspecto contraditório e pouco inteligente dessas perversões? Aqui temos homens e mulheres, por um lado se gabando de seus grandes avanços, de seu conhecimento, desprezando seus ancestrais de 100 ou 200 anos passados, e ainda mais os de mil ou 2 mil anos antes. Aqui está a moderna sociedade do alto de seu conhecimento, sofisticação e desenvolvimento - quão maravilhosamente deixou todas as prévias gerações para trás! Dizem que as pessoas são inteligentes demais para serem cristãs! Mas agora olhe para eles por um outro lado, onde D.H. Lawrence denuncia o super desenvolvimento de uma parte do cérebro, e diz que eles pensam demais e que o caminho para ser feliz neste mundo é parar de pensar e ir em frente. Não apenas isso, mas apesar de todo o orgulho quanto ao seu grande desenvolvimento, para onde vai a sociedade em termos de música e artes? Está voltando à selva, retornando aos desenhos nas paredes das cavernas. Isso são fatos. As duas coisas, porém, não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Se a melhor música é a música do analfabeto e sem educação, onde está a sofisticação? Ser sofisticado hoje é voltar ao primitivo, às origens, ao elementar. E o mesmo é óbvio em todos os outros aspectos. Isto é surpreendente, posto que não é inteligente. Este é o elemento contraditório que é sempre encontrado no pecado: ao mesmo tempo em que as pessoas estão-se gloriando de estar à frente de todos os outros, na realidade, estão de volta ao começo. Mas há algo ainda mais profundo sobre tudo isso. Olhando do ponto de vista psicológico, creio que tudo isto é resultado de uma consciência sem paz. É o fato de as pessoas estarem tentando sufocar a consciência, fazer frente a ela. É medo e infelicidade; é não-paz. 85


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Um outro fator, e para mim o mais importante de todos, é que tudo o que estamos testemunhando é, em última análise, decorrência de uma falha em entender a verdadeira natureza do homem e da mulher, a natureza e o sentido da vida, seu fim e propósito. Não estou dizendo tudo isto por mera crítica. Sou um pregador do Evangelho, e estou interessado nisso porque desejo que as pessoas sejam salvas e livres de tudo que é mau, e recebam a verdadeira felicidade em Cristo. Estou apresentando estes argumentos com a finalidade de ajudar. Creio que a principal causa da tremenda perversão moderna é a frustração e o vazio. Em um certo sentido, não condeno as pessoas. Vivemos neste século assustador, depois de havermos passado por duas guerras mundiais, e as nações ainda estão empilhando armamentos. Então, os jovens são tentados a perguntar: "Que é a vida? Que é viver? Quem sou eu? Sou eu apenas bucha de canhão? Estou aqui apenas para ser explodido por uma bomba? Eu quero experimentar; quero descobrir. Talvez eu não esteja aqui por muito tempo. Por isto quero aproveitar o máximo da vida enquanto estou aqui ..." Os homens e as mulheres modernos estão perdidos; não se conhecem; não sabem que são seres feitos à imagem de Deus; não sabem como usar a mente e o cérebro; não percebem que são diferentes dos animais. Ignoram que não foram feitos para serem criaturas cobiçosas, e, sim, para refletir algo do próprio Deus eterno. Esta é a causa do problema - as pessoas desconhecem isto, razão por que se comportam dessa maneira -, o que é um insulto a si mesmas. Então, acima de tudo isto, eis uma demonstração sensacional do que a Bíblia quer dizer quando fala sobre o poder do pecado: o fato de que o pecado é algo que prende e escraviza pessoas, fazendo delas seus servos. Porque o diabo, o inferno e o pecado são muito poderosos. Que coisa malévola é o pecado! Deixe que ele se desenvolva e você verá até onde o levará, não meramente ao pecado e à vergonha, mas ao pecado e à ausência de vergonha, à total falta de conceito moral. Segue-se a perversão: luz, trevas, trevas, luz; amargo, doce, doce, amargo; e toda a falsidade e as conseqüências que se seguem.

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Ao mesmo tempo, o estado do nosso mundo atual mostra que o problema real com o ser humano está no coração. Nosso Senhor disse tudo: "Esta é a condenação, que a luz veio ao mundo e os homens amaram as trevas mais do que a luz, porque as suas obras eram más" (João, 3: 19). Se você é um seguidor da nova moralidade, isso não acontece por causa da sua cabeça, e sim do seu coração. Eu já mostrei que você não é governado por sua cabeça. Se isso fosse verdade você não se estaria contradizendo a si mesmo, como faz. Seu problema está no coração - você gosta do pecado, é cobicoso, tem um coração mau. Esta é a verdadeira explicação para tudo ISSO.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. Qual é o fim para o qual tudo isso invariavelmente leva? Já demos resposta a essa pergunta. Leva ao dilúvio, à destruição de Sodoma e Gomorra, ao saque de Jerusalém e ao povo de Israel levado como escravos para a Babilônia. Leva ao ano 70 A.C. e à dispersão dos judeus entre as nações. Sempre levou e sempre levará. Tome a história secular. Vimos que isso mesmo foi a causa do declínio e da queda do grande Império Romano. Roma caiu porque apodreceu em seu coração. Um abscesso se formou e os cidadãos de Roma se tornaram imorais e pervertidos. Roma decaiu a partir do centro, e os góticos e vândalos vieram e a conquistaram como resultado direto. E esta foi a causa do declínio e queda, desde então, da maioria de outros impérios. As autoridades que escrevem sobre isto dizem que as sociedades antigas perderam sua força e poder quando os padrões morais relaxaram. É sempre a mesma coisa. Uma vez que o povo perde sua compreensão moral de si mesmos e da vida, toda a sua força, politicamente, militarmente e em lodos os outros aspectos, se vai. Eles relaxam em seus banhos, cometem suas fornicações e adultérios e permitem que seus impérios se arruínem. Mais uma vez, recordo as palavras solenes do Filho de Deus: "Como foi nos dias de Noé, assim será (...)" (Lucas, 17:26). Antes de que venha o julgamento final, diz ele, é assim que eles estarão vivendo; estar-se-ão se divertindo e dando-se em casamento, comendo e bebendo, comprando e vendendo. Eles o fizeram antes do Dilúvio, c antes de Sodoma, e farão uma vez mais antes do fim. É isto que faz

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com que nossa situação atual seja tão alarmantemente séria. Embora o homem moderno não creia em Deus, e não acredite em padrões morais; ainda que ele não creia em nada, exceto nele mesmo e em seus próprios desejos, isso não afeta a situação em nada. Deus ainda está no céu; Ele ainda é Todo-Poderoso e continua a ser o "Juiz Eterno". Deus ainda trará a história a uma conclusão com um julgamento e a destruição eterna de todo mal e erro. O diabo e todos que pertencem a ele serão lançados no lago da perdição sem fim. "Nos últimos dias", diz Paulo, "tempos difíceis virão. Os homens serão egoístas, gananciosos, jactanciosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais (...)." Você vê pelos jornais isto acontecendo todos os dias; o Novo Testamento está bem atualizado: " ...ingratos, iníquos, sem afeto, implacáveis, mentirosos, incontinentes" - não podendo controlar-se. Eles afirmam: "Eu não posso evitar, sou um animaL." E diz mais o apóstolo: " ...inimigos do bem, atrevidos, enfatuados". Ou seja: eles debocham da moralidade (II Timóteo, 3: 1-3). Sim, ali estava acontecendo no primeiro século A.C. Eles desprezavam essa "moralidade de classe média": tão puritana, tão certinha e arrumada. Cuspiram nela; riram dela. Homens e mulheres que são fiéis no casamento, que crêem na família, que se restringem a si próprios: quão puritanos! Que piada! Que atraso! Que fora de moda! Imagine ainda se crer nisso! Sim, eles desprezam aqueles que fazem o bem, são "traidores, enfatuados, atrevidos, mais amigos dos prazeres do que de Deus" (II Timóteo, 3:3,4). Estas são as condições que sempre prenunciam calamidade e desastre, sofrimento e dor. É, pois, no nome de Deus que peço a vocês que considerem essas coisas à luz deste pronunciamento, e à luz do que Deus fez invariavelmente no passado. Então, aqui está o diagnóstico bíblico. Existe alguma esperança para esse povo? Existe uma mensagem para este mundo do jeito que está? Existe algo a se dizer a esses "novos moralistas", aqueles que exultam e se gloriam na perversão e ridiculizam a moralidade e a santidade? Graças a Deus tenho um glorioso Evangelho para eles. Já houve, antes, no mundo pessoas como essas: como já vimos. O apóstolo Paulo escreve aos cristãos na Galácia: "Não se deixem enganar, de Deus não se zomba" (Gálatas, 6:7). E à

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igreja em Corinto ele diz que certas pessoas nunca terão uma herança no reino de Deus. Quem são elas? Ele dá uma lista terrível: "Não se deixe enganar: nem fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas (...) nem os bêbados, nem os mentirosos (...) herdarão o Reino de Deus" (I Coríntios, 6:9,10). Eles estarão de fora. Nada impuro pode entrar no reino de Deus, porque "Deus é luz, e nele não há trevas algumas"(1 João, I :5). Não há impureza no céu. Tudo ao redor de Deus é gloriosamente puro, limpo, saudável, lindo e verdadeiro. E homens e mulheres nessa situação de impureza não têm herança no reino de Deus. O problema, então, está no coração das pessoas. Pode-se fazcr algo por elas? Bem, elas não conseguem fazê-lo por si mesmas, porque não se pode mudar o próprio coração. "Pode o etíope mudar a sua cor, ou o leopardo suas manchas?" (Jeremias, 13:23) Não podem. Você não pode dar-se um coração limpo; você não pode renovar a sua natureza. A mensagem da santa Bíblia, porém, é a de que Deus pode. Nosso Senhor disse a Nicodemos: "Em verdade em verdade te digo, ii menos que o homem nasça de novo, ele não pode ver o reino de Deus"(João, 3:3). O que homens e mulheres precisam é de um novo coração, uma nova natureza que irá amar a luz e odiar as trevas. Eles necessitam de uma nova natureza que irá apreciar o que é doce e n.io o que é amargo; uma natureza que tudo o que quer é amar o bem c odiar o mal. E não é este o problema de todos nós? É a nossa natureza que está errada. Nós somos errados dentro de nós. "A boca fala do que () coração está cheio" (Lucas, 6:45). Eu sou guiado por meu cora,';to e levado a pecar; o problema todo está aí. Por causa da minha natureza, preciso de um coração novo, uma nova aparência, um novo desejo. Como conseguir isso? Bem, eu não posso produzi-los, mas posso suplicar como Davi no Salmo 51: "Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova em mim um espírito reto" (v. 10). Davi disse isto depois de haver cometido adultério e assassínio. Ele se conícssou repelente e impuro: "Tu desejas a verdade no íntimo" (v. 6). Pois foi justamente aí que ele errou. Senhor, faze de mim algo que não sou. "Purifica-me com hissope e eu serei limpo; lava-me, e ficarei mais branco que a neve" (v. 7). ('U

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Graças a Deus, a mensagem ainda é esta. Eu não me desespero com os homens e mulheres modernos e sua assim chamada nova moralidade e perversões. O Evangelho é "o poder de Deus para Salvação" (Romanos, 1:16). O apóstolo Paulo pregou na cidade portuária de Corinto para a ralé, para a sordidez, o centro do mal, que era aquele lugar. Ele pregou ali e o poder de Deus foi demonstrado na vida de homens e mulheres. "Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados no nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito de nosso Deus" (I Coríntios, 6: 11). E graças a Deus isto ainda acontece. Seu sangue pode tornar o imundo limpo, seu sangue disponível a mim. Charles Wesley

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Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião! (Isaías, 5:21)

Este é o quinto "ai" pronunciado por Isaías sobre seus contemporâneos, e está relacionado com algo para o que temos uma nova palavra hoje: Humanismo, o credo de nossos assim chamados intelectuais. A relevância deste versículo em geral, e também em alguns aspectos em particular, para a nossa situação atual, é algo que deveria fazer-nos parar por um momento, porque traz algumas verdades muito claras. A primeira é que ele nos faz recordar que a Bíblia é um livro estranhamente contemporâneo. As pessoas pensam que é um livro ultrapassado, e por isto não a lêem. Elas acham que ela não tem nada para nos dizer sobre a vida atual. A resposta mais direta, porém, é a de que, se você ler a Bíblia, vai ver que ela fala tudo sobre o mundo moderno. Se você quiser a melhor descrição da vida como está sendo vivida nos tempos presentes, vá à Bíblia e ;1 encontrará. Isto nos mostra que não se trata de um livro qualquer. 91


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A Bíblia, porém, também nos dá uma explicação sobre o fato de as coisas serem do jeito que são. Ela nos diz que o problema humano é sempre basicamente o mesmo. Em outras palavras: como a Bíblia expõe no livro de Eclesiastes: "Não há nada novo debaixo do sol" (I :9): nada mesmo! Não há nada tão fútil como a jactância moderna de que 'estão com tudo'; de todas elas, esta é a mais vazia. Do ponto de vista intelectual, não há nada tão ridículo como o modo de as pessoas pensarem que a vida moderna é algo inteiramente novo. Elas olham para as pessoas que viveram no passado antes delas e acreditam que não sabiam nada da vida. Comentam:" Na verdade, nós temos avançado, temos descoberto um novo modo de pensar e de viver!" Tudo isso, porém, a que se referem já aconteceu muitas vezes antes, e está inteiro registrado na Bíblia. Os homens e as mulheres modernos, com toda a sua inteligência, são incapazes de inventar um novo pecado. As piores formas de vícios e males cometidos hoje são encontrados em algum lugar na Bíblia. Nada é novidade debaixo do sol! Esta bazófia e reivindicação de modernidade, e a idéia de que a maioria das pessoas não são cristãs porque são modernas e pertencem ao século XX, é uma bobagem. Eu consigo entender os que dizem que não são cristãos e não aceitam a mensagem, mas eles não podem dizer que isto acontece pelo fato de viverem no século XX. Não há nada novo sobre a rejeição do cristianismo. As pessoas o têm rejeitado através dos séculos, e exatamente pelas mesmas razões, como iremos demonstrar. Este impressionante capítulo da profecia de Isaías nos mostra estas coisas claramente, tanto o caráter contemporâneo da Palavra de Deus, quanto o fato de que não há nada novo debaixo do sol. A história é algo extremamente importante, e, se você a estudar, verá que ela aparece em ciclos. Pensamos que estamos avançando, mas isto é uma ilusão; estamos sempre dando voltas em círculos. Isto se vê claramente na questão da moda e vestuário, como todo o mundo sabe. Eu estava lendo um jornal no outro dia sobre um homem que guardou um terno durante alguns anos. Por algum tempo, ele tinha vergonha de usá-lo, mas agora novamente ele está na última moda! 92


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Isto não é válido apenas em relação a roupas: é igualmente verdadeiro no campo dos pensamentos, e em todos os outros campos. Os seres humanos nunca são muito originais; eles meramente se repetem, e a Bíblia apresenta isto de uma maneira extraordinária. Que significa Humanismo? Eu não poderia dar uma definição melhor do que a que está expressa nestas palavras de Isaías: "Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião!" Humanismo é a crença na humanidade. É o interesse apenas nos homens e mulheres, sem levar Deus em consideração. Ele exclui Deus porque crê que os seres humanos são suficientes em si mesmos. Esta é a verdadeira essência do Humanismo. O homem é o centro do universo, e não há nada maior nem mais grandioso. Existem dois tipos principais de Humanismo: o que é chamado de "Humanismo clássico", o que significa que para sua direção na vida e entendimento da mesma você não vai à Bíblia, mas retorna i'l literatura, à filosofia, ao drama e à poesia gregos. Os humanistas clássicos são pessoas que estudam os grandes autores gregos e conduzem sua vida de acordo com seus ensinos. Não é função do ensino cristão desacreditar os gregos. Eles foram realmente grandes homens. O Humanismo, porém, clássico ensina que não há nada além deles, e que se você desejar sabedoria deve retroceder ao pensamento e à meditação dessas mentes gigantes do passado. Você os estuda e raciocina com eles, e tenta entender o que pensavam e o que nos deixaram. Procura, então, pôr aquilo em prática. Este é, no mundo presente, o modo de viver uma vida boa e harmoniosa. A outra forma que o Humanismo toma é a conhecida como "Humanismo científico". O clássico representa o poético, o filosófico, e assim por diante. Por outro lado existe a perspectiva científica, a abordagem que diz que a resposta para os problemas do mundo não virá da filosofia grega ou poética mas da percepção científica de todo o universo, incluindo os seres humanos. Este é o mais moderno dos dois tipos de Humanismo. Ele reivindica ser novo porque as descobertas são, no mínimo, comparativamente recentes, retrocedendo pouco menos que uns 400 anos, 110 máximo. Ao investigar os mistérios do universo e sua constitui-

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ção, você descobre a verdade científica sobre a vida, e, a partir daí, começa a trabalhar seu próprio esquema de vida. Temos que examinar isso porque, aqui em Isaías, está dito que esta confiança na sabedoria humana leva ao "ai". Mas vamos ser claros sobre isso. Não é parte da argumentação pró-evangelho pregar a desvalorização do intelecto. Na verdade, isto é o oposto do ensino do Evangelho. O Evangelho dá muito valor ao intelecto. Que ninguém pense que o que Isaías quer dizer é que não há nenhum valor em se ter um cérebro, ou na habilidade em usá-lo, ou no entendimento, no poder da razão, e assim por diante. Não se trata disso. Não há nada errado com o intelecto ou com o saber em si. Na verdade, a Bíblia diz-nos que o mais alto dom que Deus deu a homens e mulheres no campo dos talentos - não estou falando da alma e do espírito, mas de dons, - é o da mente, da razão e do entendimento. O que é verdadeiramente maravilhoso sobre os seres humanos é que eles podem contemplar-se a si mesmos, analisar-se, avaliar-se e criticar-se a si próprios. Este é um tremendo dom, segundo a Bíblia, dado por Deus. Então, não devemos dizer nada que desvalorize o intelecto, a razão ou a mente. O pregador cristão não é apenas um sentimentalista ou um obscurantista. Não é apenas um homem que conta histórias e tenta divertir as pessoas. Ele está aqui para raciocinar com elas, porque Deus lhe deu uma mente para ser usada. Mas, como vou mostrar, a verdadeira explicação para o problema do mundo é o fato de que as mentes se corromperam, e o homem não sabe como usá-Ia adequadamente. Qual é, então, a atitude da Bíblia com relação ao Humanismo? É que, conquanto esteja tudo certo com a mente, o entendimento e a razão, o erro das pessoas está em colocarem sua confiança na mente. Elas têm tanto orgulho dela que começam a adorá-la. Pensam que é suficiente em si mesma, e nada além é necessário. O problema tem início quando começam a se gabar da razão e a acreditar que, com sua mente, podem envolver o cosmos inteiro. Esta afirmativa de Isaías define perfeitamente essa questão - "Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos." Eles se colocaram num pedestal. "Olhe para mim" - dizem -, "não sou mesmo maravilhoso?" "Sábios a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria 94


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opinião." Não há nada errado em ser sábio, mas, se você for sábio a seus próprios olhos, estará em uma situação muito perigosa. É exccl ente ser inteligente, mas, se você for inteligente na sua própria opinião, estará sob a condenação proferida pelo profeta. Eu creio que isto ficou claro. Longe de querer dizer que não há valor no intelecto, o que desejo é usar o pouco que tenho, e vou pedir-lhe que faça o mesmo! Por que Deus pronuncia um "ai" sobre aqueles que são sábios a seus próprios olhos, e adoram seu cérebro e entendimento: os humanistas? A primeira resposta é a de que esta é a própria essência de seus problemas e males; esta é a causa principal de todos os males da raça humana. Leia a Bíblia e verá que ela diz que este foi seu pecado original, e assim tem sido desde então. A tentação que primeiro veio ao homem e à mulher, como já vimos, roi: "Será que Deus disse?" (Gênesis, 3: 1). Em outras palavras: Será que Deus está tentando reprimi-lo? Estará tentando colocarse entre você e o conhecimento do bem e do mal? Será que está buscando esconder algo de você? "Está" - disse o diabo -, "porque ele sabe que, se vocês comerem do fruto, vocês serão deuses, terão entendimento, saberão tudo, serão iguais a ele." Este foi o primeiro pecado do homem, e tem sido a causa de todos os males subseqüentes. Mas agora deixe-me mostrar-lhe no Novo Testamento. Tome, por exemplo, o que o apóstolo Paulo diz na segunda metade de Romanos, 1. Ele se expressa muito claramente. Descrevendo por que a raça humana se tornou o que é, ele diz: "Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus, nem lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos raciocínios, e seu coração insensato ficou nas trevas. Jactando-se de possuir a sabedoria, tornaram-se tolos e trocaram a glória de Deus incorruptível por imagem do homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isto, Deus os entregou (...)" (Romanos, 1:21 -24) No capítulo 12 de Romanos, Paulo coloca o problema na forma de um conselho. Provavelmente, todos precisamos dele: "Tende a mesma estima uns pelos outros, sem pretensões de grandeza, mas sentindo-vos solidários com os mais humildes: não vos deis 95


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ares de sábios" (Romanos, 12: 16). É a mesma coisa: o perigo de confiar na própria sabedoria, o próprio intelecto; o sentimento de que você é maravilhoso e não precisa de ajuda alguma. Isto fica ainda mais claro neste grande texto de I Coríntios, do capítulo 1, versículo 17, até o final do terceiro capítulo. Aqui, Paulo traça um contraste entre o Evangelho e a sabedoria do sábio. Por confiarem no próprio intelecto, e no próprio entendimento, os filósofos gregos se referiam ao Evangelho como "bobagem". Este foi sempre o problema. A Bíblia está cheia deste ensinamento. Ninguém foi mais condenado do que o fariseu. O problema era a sua presunção. Ele pensava que estava bem, que era muito sábio e fazia tudo com a maior perfeição. Os fariseus "confiavam em si mesmos como sendo justos"(Lucas, 18:9). É a mesma coisa. Eles não precisavam de nenhuma ajuda e se ofendiam com o ensino desse arrogante, como consideravam o Senhor. Quem era ele para ensinar-lhes? Orgulho do intelecto: era o problema central deles, uma manifestação de um tipo curioso de Humanismo. Cristo também ensinou ex atam ente o mesmo ponto nesta parábola do rico tolo no capítulo 12 do evangelho de Lucas. O argumento apresentado pela Bíblia é o de que o orgulho do intelecto é, em um certo sentido, o supremo pecado. Este é o problema básico que leva a outros: homens e mulheres que se gloriam, gloriando-se especialmente em sua intelectualidade, em sua mente. Em I Coríntios, o apóstolo Paulo explica como isso se torna o pecado supremo. Porque homens e mulheres fazem mau uso do maior dom de Deus. Deus enobreceu os seres humanos ao criá-los à sua imagem e dar-lhes este maravilhoso dom, mas isto é justamente o que eles usam contra Deus e para si próprios, e assim se abatem. A segunda razão porque um "ai" é pronunciado é a de que as pessoas crêem em uma mentira. Elas pensam que são sábias e inteligentes, mas não são. Isto, certamente, é um fato assombroso. Os homens e as mulheres modernos têm orgulho de si próprios, de seu intelecto e da sua sabedoria; eles se sentem superiores a todos os que viveram antes. Mas como é possível que se sintam assim sobre si mesmos, com o mundo do jeito que está e como tem sido durante o

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século XX, com guerras horríveis, crescentes ondas de crimes, absurda imoralidade e traição, e a mais completa confusão? A Bíblia explica isto dizendo que as pessoas se gloriam em sua sabedoria e em sua inteligência porque são tolas! Quanto mais sábio o homem ou a mulher for, mais humilde será. Aqueles que têm uma pitada de conhecimento são sempre os mais difíceis. Aqueles que realmente têm grande conhecimento conhecem o suficiente para saber o quanto ainda não sabem. "Uma quantidade mínima de conhecimento é uma coisa muito perigosa!" E assim a Bíblia diz que a principal verdade sobre aqueles que não crêem em Deus, e que não são cristãos, é que são tolos. A Bíblia usa muitos termos em suas descrições do pecador, mas "tolo" é o termo mais freqüente. Jesus o emprega na parábola do "rico tolo". Aqui está um homem jactando-se: "Alma, tens muitos bens para muitos anos; folga, come, bebe e alegra-te" (Lucas, 12: 19,20). O homem que pensou ser tão inteligente, tão sábio, era nada mais do que um tolo. "Eu estou bem, cara!" - é a forma moderna de se expressar. "Tudo bem; eu tenho dinheiro para o futuro. Usei a cabeça. Que cara inteligente que sou!" "Tolo!" - diz Deus - "Esta noite pedirão a tua alma; e as coisas que acumulaste para quem serão?" A Bíblia pronuncia um "ai" sobre tudo isto, porque tudo isto é uma mentira. Mas como você prova que é uma mentira? - alguém irá perguntar. Infelizmente, isto é muito fácil de fazer. Eu digo que aqueles que são sábios e inteligentes a seus próprios olhos serão condenados porque se condenam a si mesmos; eles vivem uma mentira. Reivindicam ser sábios, mas como vivem? Como testar sua sabedoria? Como testar sabedoria e entendimento? Não é uma questão de leitura de livros e capacidade de dar respostas. Este é o grande erro que as pessoas cometem. Não o modo como são testadas; não é mediante o quanto saibam, mas se têm de fato o poder de aplicar o que sabem. Você entende o suficiente para pôr em prática? Conheço muitas pessoas que eram excelentes nas provas, mas depois não deram para nada. Ou muitas outras que, quando estudantes de Medicina, tiravam boas notas, podiam decorar tex-

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tos e recitar de memória como papagaios. Clinicamente, porém, quando estavam face a face com um paciente não serviam para nada; eram incapazes de aplicar seus conhecimentos. Este é o teste da sabedoria. O homem ou a mulher sábios não têm meramente conhecimento: você pode alimentar um computador, mas eles têm o poder de se apropriar daquele conhecimento e o assimilar, até que se transforme em julgamento. O conhecimento se torna parte deles, controlando seus pontos de vista e determinando suas ações e práticas. Assim, nossa sabedoria é julgada não meramente pelo número de livros que lemos, ou podemos citar e recitar, mas pelo modo de vida que vivemos, a maneira como usamos o conhecimento. Cristo apresenta uma famosa questão: O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro [de conhecimento e riqueza] e perder a sua alma?" (Marcos, 8:36) Que dizer dos seres humanos individualmente, nos dias de hoje? Como vivem os assim chamados "sábios"? Olhe para essas pessoas que podem ensinar tudo sobre a vida. Quantas vezes algumas delas já passaram pelas cortes de divórcio? Pegue muitos dos filósofos famosos. Leia sua biografia. Nunca tome apenas o livro encontre alguma coisa sobre a pessoa, sua vida. Escrever um livro pode ser tão fácil! Muito mais fácil que vivê-lo! Sim, é mais fácil pregar que viver. Mas viver é o supremo teste da sabedoria. Não estou interessado na reivindicação de um homem ou mulher sobre seu grande conhecimento e perspicácia se estiveram falhando em sua própria vida; se são alcoólatras ou adúlteros, ou se não se pode confiar neles. Qual é, então, o valor de seu conhecimento e sua cultura? Eles se dizem sábios mas não são; são tolos, enganando-se e iludindo-se a si mesmos; e enganando e tentando ludibriar outros. Mas que dizer das pessoas coletivamente? Quão orgulhoso o mundo é de seu conhecimento! Olhe, porém, para ele! Ao mesmo tempo que são tão orgulhosos de si mesmos e do seu intelecto, os homens precisam de ser lembrados desses fatos. Com todo o seu conhecimento e sabedoria, já tiveram duas guerras mundiais, e têm levado neste século mais pessoas à destruição do que nunca antes. É isto o que os homens e mulheres modernos fazem na prática com sua sabedoria e inteligência. E aqui estão eles, ainda discutindo sobre

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mísseis e os meios de destruição; ainda preocupados com tensões e insegurança e confusão moral. Mesmo assim, as pessoas ainda se gabam de sua sabedoria. Elas são sábias a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião: com seu mundo fora de ordem, com uma espécie de carnificina bem diante de si! É uma mentira! E é por isto que está condenado na Bíblia. É apenas ostentação ridícula, nada além de conversa. Tem a grandeza de um balão de ar. É muito estridente na sua profissão, mas não há prática. Eu posso, porém, demonstrar isso de outro modo; e aí está a falha das pessoas até mesmo em entender. Elas gostam de pensar que, embora não sejam santos perfeitos, como parecem, são cheias de sabedoria. Mas são mesmo? "Sábios a seus olhos." Então, qual é a sua visão de você mesmo? Que é o homem? Você o compreende? Você se compreende? O homem e a mulher modernos realmente se compreendem? Eles entendem o sentido da vida? Estão muito orgulhosos de sua sabedoria e entendimento, mas que realmente sabem sobre a vida? É a vida grandiosa ou pequena? É algo grande ou ignóbil? Que é a vida, afinal? Onde está, então, seu conhecimento? Onde se mostram sua inteligência e a sabedoria? Qual é o sentido total do mundo? Que é a história? Existe algum desígnio nela, ou algum propósito? Ou seria tudo apenas um saco de bobagens, sem propósito, sem alvo, sendo apenas levado para qualquer direção, sem que ninguém saiba aonde, ou o que ou como ... Onde está a sabedoria de tudo isso? Que os homens e as mulheres sabem sobre as coisas mais importantes? Eles sabem muito sobre eletricidade, o átomo, o poder, e lodos esses assuntos científicos incompreensíveis. Eu não os critico, mas quando se fala de sabedoria, o que quero saber é: Como devo viver? Que tudo isto significa? Como posso encontrar felicidade e paz? Como posso viver de tal forma que não sinta vergonha de mim mesmo no final da jornada? Isto, sim, é sabedoria! Isto é de fato inteligência! Mas além disto, as pessoas não parecem saber nada sobre a causa de seus problemas. Elas, que têm sido "sábias a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião", têm profetizado nos últimos cem anos coisas maravilhosas para este século. Vamos re-

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solver todos os nossos problemas. Os pensadores vitorianos - os filósofos, os poetas, os políticos, os agnósticos - todos disseram isso. O problema com homens e mulheres, disseram, é que eles eram pobres, e o crime era inevitável enquanto houvesse pobreza. Mas assim que as pessoas fossem educadas, assim que tivessem boas casas e melhores salários, tudo entraria nos eixos. Bem, nós já lidamos com a maioria dessas falhas; ainda assim, o problema está maior que nunca: na verdade agora dizem que a crescente onda de crimes é devido à influência? Onde está a sabedoria? Onde está a inteligência? As pessoas, obviamente, não entendem seus problemas, e são ainda menos capazes de descobrir a cura. Dizem-me que não critique os modernos escritores e novelistas. Comentam-me que eles são moralistas, procuram melhorar a situação. Qual, porém, é o seu método? Seu método de tentar melhorar é descrevendo. Mas com certeza você não resolve um problema simplesmente descrevendo-o; não se melhora uma situação meramente pintando-a ... A questão do moralista é resolver o problema, livrar as pessoas do apuro. Não necessitamos de mais descrições. Já sabemos tudo sobre a questão. Não é necessário que alguém escreva um livro para nos dizer como as pessoas pecam está tudo na Bíblia. E não apenas está tudo lá, mas qualquer um que viveu neste mundo sabe tudo sobre isso. Não precisamos de novelas, filmes e dramas para nos contar como as pessoas se comportam. O que queremos saber é como sair do fracasso e da confusão morais, como cessar de cometer erros, como ser libertos. Dizem, porém, que o trabalho dos modernos escritores e dramaturgos é muito realista! Certo, mas isso não faz diferença. O que você pensaria de um médico que ao ser você levado a ele desesperadamente doente, chegasse até você e lhe entregasse um relatório de sua temperatura, seu pulso, ritmo respiratório, a cor da sua pele, o estado das pupilas etc.; enfim, descrevesse sua condição de um modo vívido, e terminasse dizendo: "Esta é a sua situação - muito séria, muito má." E então o mandasse de volta a sua casa? Esta não é uma caricatura dos modernos críticos. Isto é exatamente o que os humanistas nos estão dizendo hoje. Tenho que admitir: eles são especialistas em descrição. Eles podem dizer-nos tudo sobre nós mesmos, analisando inteligente e profunda-

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mente a nossa situação. "Aqui está você" - dizem eles. "Esta é a sua situação." Eles não têm nada para nos dar. Por quê? Porque nada é mais elevado na criação do que os seres humanos, e foram justamente eles que falharam. Veja ainda outra razão pela qual a Bíblia pronuncia um "ai" em relação ao humanista. Esta é ainda mais séria. Ela faz isso não apenas porque o Humanismo é uma mentira, mas em razão do que ele produz, da direção em que nos leva. Este é um aspecto realmente sério da questão. Então, de que se trata? Primeiramente, e acima de tudo, o Humanismo é orgulho. Orgulho é o maior de todos os pecados. Ele é mais prolífico em causar problemas do que qualquer outra coisa no mundo. É também o mais feio dos pecados. E que estragos tem causado na longa história da raça humana! E o que estamos examinando é nada menos do que orgulho do intelecto. Ele se mostra no desprezo por tudo que veio antes, o que os modernos cientistas humanistas têm muito prazer em fazer. Ninguém jamais soube de nada, até que eles apareceram em cena. Eles desprezam seus antepassados. Isto se verifica em todos os campos. Eles rejeitam todos os livros anteriores, todo o conhecimento prévio. Tudo está ultrapassado; nada tem valor algum. Na verdade, existem tolos que ocupam púlpitos cristãos e dizem isso mesmo. Com efeito, ninguém pode, verdadeiramente, entender a Bíblia até que veio esta geração com seu conhecimento moderno. Eles jogam fora 19 séculos de ensinamentos e exposição bíblica cristãos. Isso já seria o suficiente para levá-los a um tribunal: seu colossal orgulho e vaidade. É horrível! E Deus odeia isso. Ele contempla o homem erecto e inflado e pronuncia seu "ai" sobre ele. Isto por sua vez leva à autoconfiança e à auto-satisfação. Jesus pintou o quadro perfeito disto na sua parábola do fariseu e do publicano que foram ao templo orar. Veja o fariseu dirigindo-se direto à frente. Aqui está um homem satisfeito com ele mesmo, um homem que tem um cérebro e uma mente; e ele agradece a Deus por ser o que é. Ele não precisa de nenhuma ajuda; não pede nada. Ele tem tudo; pode fazer tudo sozinho! Este é o tipo de homem que Cristo denunciou mais amargamente: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!" Não há nada mais terrível na opinião de Deus do que a autoconfiança. 101


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o que faz, porém, com que essa autoconfiança se torne uma coisa tão terrível é que ela sempre leva à rebelião contra Deus. Já disse aqui antes que esta foi a causa do pecado original. O diabo veio e disse: "Deus está tentando te controlar ..." E Adão e Eva creram nele e começaram a sentir ódio de Deus. Eles pensaram, que se apenas pudessem alcançar aquele conhecimento, tudo ficaria bem, e eles poderiam levar uma vida independente. Então, elevaram-se em sua auto-estima. E, assim, os seres humanos, desde então, têm estado nesse pedestal. Rebelião contra Deus é a essência do Humanismo. O humanista diz: "Eu não creio em Deus, e vou dizer porquê: Eu não preciso dele. Eu consigo viver perfeitamente sem ele. Não há Deus." A resposta de Deus a ele se encontra no Salmo 14: "O tolo disse em seu coração: não há Deus" (v. 1). Existe, porém, muita gente hoje que pensa que ninguém dissera isto até este século. Mas Davi disse isto no Salmo 14, há quase 3 mil anos! Essa era uma verdade já naquela época, mil anos antes do nascimento de Cristo. As pessoas já diziam: "Deus não existe." E Davi disse: "Sim, eles dizem isso porque são uns tolos." Então, os humanistas não crêem em Deus, porque afirmam não ter necessidade dEle. Por que as pessoas que são sábias a seus próprios olhos e prudentes a seu próprio ver necessitariam de Deus? Se elas entendem de tudo e podem gerenciar toda a sua vida, então não precisam de Deus. Esta tem sido, cada vez mais, a posição da raça humana nos últimos séculos, com o crescimento do conhecimento e o avanço e desenvolvimento do conhecimento científico: nós somos tão avançados! "É claro que houve um tempo em que as pessoas precisavam de Deus" - dizem eles -, "mas agora não. Todo o mundo tem agora o suficiente. Temos dinheiro, recebemos melhores salários, podemos ter o que quisermos! Podemos ler, temos a televisão e somos homens e mulheres cheios de conhecimento. Então não precisamos de Deus." Isto é rebelião contra Deus. "A mente carnal é inimizade contra Deus: porque não está sujeita à lei de Deus, nem pode, em verdade, estar" (Romanos, 8:7). Esta é sempre uma conseqüência ime102


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diata da rebelião contra Deus. No momento em que as pessoas pensam que são sábias, e se rebelam contra Deus, começam a agir em decadência moral. É uma questão muito sutil. Homens e mulheres não vêem, em sua tolice, que a sua verdadeira objeção contra Deus é o fato de terem que obedecer a Ele, porque Deus é um Deus de justiça, de retidão e santidade. E a Bíblia nos diz que Deus fez o homem e a mulher à sua imagem, e Ele queria que eles vivessem da mesma maneira em que Ele vive. As pessoas, porém, não aceitam viver desta maneira; elas não querem viver uma vida reta, pura, disciplinada e santa. Elas querem assumir as rédeas de suas paixões e seus desejos. Desejos, aí está o problema - o fruto proibido, é claro. O ilícito: "Ah! Isso é que é amor! Isso é que é bom!" "Gente tola não entende!" - dizem. "Pensei que estivesse apaixonado antes, mas agora é pra valer. Pensei que estava, mas não estava: agora é amor de verdade!" Deixe que façam o que quiserem, que cometam adultério e cuspam nas coisas santas. "Não me falem de lei!" - dizem eles - "Não me venham com moralismo. Isso é legalismo. Façam amor!" A verdade, é claro, é que esse proclamado amor não passa de lascívia, mas, para ceder a ela silenciando a própria consciência, eles tentam produzir uma filosofia, na qual não há nada mais elevado do que os seres humanos. Deus já não existe ... Desta maneira, eles não têm nada a temer; tudo fica bem; podem continuar agradando e satisfazendo a si próprios e a seus instintos carnais. Nunca houve uma forma de Humanismo sem declínio moral. Os humanistas que conheço declaram ser pessoas de moral, e na vida pessoal muitos deles o são. O ensinamento bíblico, porém, diz que, em cada época em que o Humanismo esteve em ascensão, a moralidade, invariavelmente, decaiu. " ...declarando-se a si mesmos como sábios, eles se tornaram tolos" - diz Paulo, como vimos em Romanos, I:22. Então, o declínio morai entrou. Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pela lascívia de seu próprio coração, para desonrarem seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo à criatura em lugar do Criador; o qual é bendito eterna-

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mente, amém. Por causa disso Deus os entregou a paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza" (Romanos, 1:24-26).

É fato reconhecido na História que alguns dos grandes filósofos gregos eram pervertidos moralmente. Altamente idealistas ao escreverem seus ensaios de Utopia, e ainda assim culpados dos vícios mais vis! Isso sempre acontece! As conseqüências morais sempre acompanham, e é por isto que Deus pronuncia seus "ais" sobre elas. Quando as pessoas se colocam como a autoridade final, elas sempre descem ao abismo. Por quê? Porque não podem desvencilhar-se; não têm esse poder. Isto nos leva ao último ponto, que é Deus pronunciando um "ai" sobre o orgulho intelectual, esta confiança no entendimento humano. Porque é isto que, acima de tudo, mais leva homens e mulheres a recusarem a salvação de Deus. Esta é a coisa mais calamitosa de todas. Ali, estão eles em sua terrível condição, e tentando desvencilhar-se a si próprios. Eles aperfeiçoam seu sistema educacional, multiplicam sua cultura e poder de mídia. Nunca estiveram tão ocupados tentando acertar-se, como nos últimos séculos. Eles exauriram quase toda estratégia conceptível e tentaram todos os caminhos, mas, apesar de tudo isto, vemos o que está acontecendo. E embora nesta terrível situação, quando o Evangelho de Cristo é oferecido ao homem e à mulher - único meio de libertá-los e salválos -, eles o recusam. Por que isto acontece? Porque eles acreditam que se bastam; porque pensam que são sábios e prudentes; porque crêem que podem salvar-se a si mesmos. Por que as pessoas não lêem a História? Por que não lêem seus próprios livros? A História prova que homens e mulheres não podem libertar-se a si próprios, mesmo que tentem, com toda a sua força e vontade. Todas as grandes civilizações ruíram, e a presente civilização está decaindo. Mas as pessoas ainda rejeitam a oferta do Evangelho. Elas ainda riem de Cristo e ridicularizam a cruz. Elas cospem na face de Deus e dizem que não precisam dEle. Este orgulho intelectual é a própria maldição, o verdadeiro problema da humanidade. Eles dizem, com a maior alti-

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vez: "Eu não vou crer, a menos que possa entender". Eles querem entender Deus! Acreditam ser muito grandes, a ponto de poderem medir o próprio Deus: medir o infinito! Então, homens e mulheres estão debaixo da ira e do "ai" de Deus, em último lugar, porque recusam a oferta dEle. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho único para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo. mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê lião é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê 110 nome do Filho único de Deus. A condenação é esta: a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João, 3: 16-19).

Deus pronuncia um "ai" sobre tudo isso; e vejo a calamidade se aproximando. Mais do nunca, homens e mulheres estão erectos em seu orgulho: orgulhosos de sua sabedoria, sábios a seus próprios olhos, e prudentes a seu ver, dizendo que não precisam de Deus e que podem lidar com seus próprios problemas, e resolvê-los. Afirmam que podem aperfeiçoar o mundo; e se levantam e dizem tudo isto, enquanto recusam o Evangelho, ridicularizando-o e blasfemando contra ele! Eles são como aquele rico tolo que se voltou para si mesmo congratulando-se ao dizer: "Alma, tens muitas mercadorias acumuladas para muitos anos; relaxa, come, bebe e alegrate" (Lucas, 12: 19). "Este mundo é bom" - dizem eles, autocongratulando-se. "Nós estamos nos divertindo! Nunca foi tão bom!" "Mas Deus disse a ele: Louco, esta noite vou requerer a tua alma" (Lucas, 12:20). E se os cientistas estiverem certos, e este universo não tiver muitos anos mais, que acontecerá então? Onde estarão sua sabedoria e seu conhecimento? Onde irá ter tudo isso? Quando Deus diz: "Esta noite você vai sair deste mundo; você vai morrer -; por efeito de uma virose ou de uma bomba, isto não importa, mas você vai morrer - esta noite sua alma será requerida." E aí? Você sabe para onde irá? Você sabe que acontecerá com você depois da morte? Você pode dizer que sucederá naquele "grande desconhecido" do além? Isto é sabedoria: que eu sou? Como é que

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tenho vida? Como morro? Que acontece comigo depois? Onde está seu conhecimento? De que você tanto se orgulha? O humanista não tem nada, nada mesmo, e Deus pronuncia seu "ai" sobre ele, e aterro ri zador. Deixe-me chamar sua atenção para alguns versículos no livro de Apocalipse, o último da Bíblia, o livro que nos fala do dia que se aproxima, quando Deus se levantará e dirá a todo o universo: "É Hoje!" E aos grandes homens da Terra lhes é dito: E vendo a fumaceira do seu incêndio [da cidade de Babilônia, que significa a civilização l, gritavam: Que cidade se compara à grande cidade? E lançaram pó sobre a sua cabeça, e chorando e pranteando, gritavam: Ai! Ai! da grande cidade na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios no mar, à custa da sua opulência, porque em apenas uma hora foi devastada. Exaltai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa. Então um poderoso anjo levantou uma grande pedra como de moinho e atirou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com grande violência será atirada Babilôni a, a grande cidade, e nunca mais será encontrada (Apocalipse, 18: 18-21).

E a civilização babilônica será destruída num instante, quando Deus se levantar. "Ai daqueles que são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes em sua própria opinião!" Esta é a última palavra? Graças a Deus que não é. É, porém, última palavra no que concerne ao Humanismo. O Humanismo está essencialmente errado. É uma fraude, um engano, uma falha. Não pode explicar nada. E atrai a ira sobre si. Não é a última palavra. Apesar da insanidade de homens e mulheres; apesar do fato de serem tão tolos e cegos, Deus tem misericórdia deles. Existe uma resposta para tudo isso: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Provérbios, 9: 10). Esta é a resposta. As pessoas necessitam de ser despertadas; elas precisam de entender. Elas têm de reconhecer que são tolas, falhas, e que o resultado da sua vida irá levá-Ias a um final mortal. E elas precisam de se submeter. O apóstolo Paulo diz: "Se alguém no meio de vós parece ser sábio neste mundo, faça-se como tolo, para

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que seja sábio" (I Coríntios, 3: 18). A sabedoria humana não leva a nada. Existe, porém, a "sabedoria de Deus". "Nós pregamos a Cristo crucificado, uma pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gregos; mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e sabedoria de Deus" (I Coríntios, 1:23,24). "Por causa da sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria mas aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação" (I Coríntios, 1:21). Quando homens e mulheres falharam completamente, "Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, debaixo da lei, para redimir os que estavam debaixo da lei" (Gálatas, 4: 4,5). Então, que é necessário? Aqueles que quiserem ser sábios devem tornar-se como criancinhas e admitir que não sabem nada. Que cada um diga: "Eu sou apenas uma criança; pensava que sabia, mas estava apenas enganando a mim mesmo. Estava embriagado com minha própria intelectualidade. Quando se refere a mim, vejo que não sei nada sobre mim. Eu não entendo a vida. Não entendo o mundo, e não posso fazer nada a respeito. Sou um tolo, uma criança, não sei nada!" Abençoados são os que chegam a este ponto. "A menos que vocês se convertam, e se tornem como criancinhas, vocês não entrarão no reino do céu" (Mateus, 18:3). E a essas pessoas Deus diz: "Eu enviei meu filho único ao mundo para redimir pessoas como você. Você se tornou como uma criancinha, então ofereço a você, por meio de Cristo, meu filho que levou seus pecados no próprio corpo no madeiro, o perdão gratuito. Eu vou apagar todos os seus pecados, como se nunca os houvesse cometido na sua vida." A sabedoria de Deus em Cristo! Este é o caminho para a solução do problema. Esta é a sabedoria, celestial, divina.

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7 PECADO

NAS ALTAS

ESFERAS SOCIAIS

Ai dos que são poderosos para beber vinho e valentes para misturar bebida forte; os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam a justiça! (Isaías, 5:22,23)

Estamos chegando ao sexto e último dos "ais", pronunciados pelo profeta Isaías sobre seus contemporâneos. O profeta, deixeme lembrar-lhe, estava entregando uma de suas maiores mensagens à nação. Não foi sua própria reflexão sobre a situação o que o fez falar. Nenhum profeta jamais falou como resultado de sua própria cogitação. "Nenhuma profecia da Escritura", diz Pedro, "é de interpretação particular" (II Pedro, 1:20). Isto quer dizer que não podemos interpretá-la particularmente. Significa que não se trata de um domínio privado; não é uma questão de "cada um tem a sua interpretação". Não se trata de um urande filósofo discursando. Não é o caso de um vidente que olha para uma questão, medita sobre ela, faz conclusões, e então fala. Isto não é profecia. Profecia é uma mensagem dada por Deus a um de seus servos. Era propósito central de Deus, ao levantar profetas, que o povo fosse salvo do desastre e das conseqüências de sua lou109


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cura. Temos, assim, contemplado esta grande mensagem, não porque estejamos animados por algum interesse meramente histórico ou voltado para a antigüidade, embora, se você quiser fazer algo realmente interessante e inteligente, não há nada melhor do que considerar a história do povo de Israel; ela é muito mais excitante que qualquer ficção. Mas não estamos considerando este texto por esta razão: não podemos dar-nos a este luxo, porque estamos com problemas realmente sérios. Nossa intenção é, ouvir a mensagem de Deus mediante seu profeta, posto que ela é sempre contemporânea, e, ao contemplá-Ia, temos visto mais e mais claramente que estamos ouvindo uma palavra que também é dirigida a nós no presente momento. Chegamos, assim, ao último dos "ais" pronunciado pelo profeta nestes versículos extraordinários. Talvez você pense que isto é uma repetição do que Isaías disse previamente no segundo "ai": "Ai dos que se levantam cedo pela manhã e seguem a bebida forte, e continuam até de madrugada, até que o vinho os inflame!" Ou você pode pensar que tenha alguma coisa a ver com o quarto dos "ais": "Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem, mal; fazem da escuridão, luz e da luz escuridão; põem o amargo por doce e o doce por amargo!" Superficialmente, pode este sexto "ai" soar apenas como uma repetição e algum tipo de confirmação dos outros "ais". Quero, porém, demonstrar que não é assim. Existe um elemento, é claro, que é o mesmo, mas vai muito além. Ele carrega a análise da condição do povo de Israel até o ponto mais extremo, porque o que temos nesses dois versículos é a manifestação do pecado de Judá em seus altos líderes, em seus juízes. Eles são culpados, diz Isaías, não apenas de se entregarem à bebida, mas também de praticarem injustiça e de perderem o senso de moral. Esta é a posição aqui: licenciosidade e injustiça nas altas esferas sociais. O "ai" se refere a homens que são culpados de duas coisas, e eu me preocuparei em mostrar que elas andam juntas. Ao examinar esses "ais" - e precisamos de fazer um resumo deles agora, antes de prosseguimos para o último -, deveríamos haver sido impactados e impressionados pelo caráter multiforme do pecado. O pecado é uma terrível doença, e seus sintomas são intime110


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ros. Esta mensagem salta das páginas da Bíblia. A Bíblia mostra aquilo de que em uma condição de pecado os seres humanos são capazes, c a variedade de manifestações pecaminosas: temos uma coleção delas apenas nesta frase. Todas elas, porém, devem-se à mesma coisa, e provêm da mesma fonte. Nada é mais extraordinário sobre o pecado do que isto, e é em razão do caráter variado de suas manifestações que as pessoas, tão freqüentemente, não as reconhecem como pecado. Nossa tendência natural é a de ver apenas certas coisas como pecado, e não a de nos conscientizar de que outras coisas, que parecem ser tão diferentes, são igualmente pecaminosas. Veja, por exemplo, o modo como isto é encarado nos Evangelhos. Duas classes de pessoas lidavam com o Senhor: publicanos, pecadores, fariseus e escribas. A princípio, você pode pensar que elas não têm nada em comum. Mesmo assim, o foco principal do seu ensino era mostrar que ambas as classes eram igualmente pecaminosas. Isto era o que tanto enraivecia os fariseus. Eles reconheciam que os publicanos, isto é, os cobradores de impostos e as prostitutas eram pecadores. É claro! Todo o mundo sabe disto! Mas os fariseus nunca imaginavam que eles próprios fossem pecadores, que estivessem sofrendo essencialmente da mesma doença. Por que não? Porque não manifestavam os mesmos sintomas; eles não eram culpados das mesmas ações. Essa doença, porém, pode produzir uma grande variedade de manifestações. Em outras palavras: a autojustificação é tanto uma manifestação do pecado quanto uma vida de corrupção e prostituição. Ambos são manifestações da mesma condição essencial, porque o pecado, em última análise, é um relacionamento errado com Deus, e não importa a forma que isso tome. Contanto que seja um relacionar-se incorreto, isso é pecado. Pode ser algo altamente respeitável; pode ser vergonhoso e obviamente embaraçoso - não faz a menor diferença. Na verdade, eu poderia fazer uma boa argumentação, considerando que, aos olhos de Deus, o pecado "respeitável" é muito mais terrível do que o outro. O ponto, porém, que desejo enfatizar e que nos é demonstrado aqui, é como o pecado pode ser sutil e variado em suas manifestações, de tal forma que nos iluda e nos faça pensar que nós não somos pecadores de jeito algum. Então, o profeta, com a sabedoria que lhe é dada por 111


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Deus, não apenas diz: "Vocês são pecadores", e sim: "Vocês estão pecando neste ponto, naquele e naquele outro." Ele mostra a abrangência do pecado; mostra-o em detalhes aos indivíduos, e evidencia, ao mesmo tempo, que é algo comum a todos. Isto transparece no estudo deste texto. Outra coisa que aparece claramente é o terrível poder do pecado. Eu me proponho lidar com isso agora em particular, porque me parece que é nisto que nossa geração tem falhado completamente em entender. Este é um ponto desesperadoramente sério, porque o poder do pecado é a causa principal da maioria de nossos problemas atuais. Isto aparece particularmente forte neste último dos "ais". O homem e a mulher modernos não gostam nem um pouco do termo "pecado". Toda e qualquer noção de pecado tem sido odiada neste século. Fico intrigado ao observar como alguns homens, que gastaram muito da sua vida nos púlpitos denunciando o ensino bíblico sobre o pecado, estão agora tão desesperados, quando aparecem muito visíveis as manifestações sociais e as conseqüências do pecado, cuja existência negaram por tanto tempo. Se não fosse tão desesperadoramente sério e trágico, seria realmente engraçado. Essas pessoas nunca entenderam o poder do pecado. Fomos instruídos a não afirmar que o pecado é uma força positiva e poderosa; mas a dizer: "algumas qualidades estão ausentes". Não devemos dizer que um homem é mau, mas que ele não é um bom homem. Pecado, nos é dito, é uma negação; é a ausência de qualidades. Os especialistas, com seu conhecimento de psicologia, ensinam-nos que homens e mulheres têm sido mal orientados através dos séculos pelo ensino bíblico relativo ao pecado. A verdade, dizem eles, é que simplesmente a humanidade ainda não se desenvolveu o suficiente. A raça humana é como uma criança que não compreende o que mais tarde compreenderá, mas ela crescerá, e então cessará de fazer certas coisas. O que tem sido chamado de bem ou mal é uma característica da infância da raça humana. Sendo assim, é algo a cujo respeito temos que ser pacientes. Não devemos denunciar ou pronunciar "ais" sobre isso, como Isaías fez. Isto é terrível! Aquele era o Deus do Velho Testamento, quem eles odeiam tremendamente, porque pronuncia "ais" e julgamentos.

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"Não, você tem que ser paciente com as pessoas!" - dizem eles "Você tem que lhes mostrar o belo. Dê a elas quadros do belo e conte-lhes histórias comoventes. Faça isto, talvez com uma voz afetada pelo sentimento, e use luzes coloridas para produzir um efeito psicológico. E faça com que elas se sintam bem, confortáveis e felizes. Assim, elas logo estarão vivendo uma vida melhor ..." Agora, porém, até os mestres desta falsa doutrina estão, eles próprios, começando a se alarmar, ao verem a crescente evidência da destruição moral. O que eles falharam em entender é que a força mais poderosa no mundo, depois do poder de Deus, é o poder do mal, o poder do pecado. As pessoas falam do poder atômico, mas isto não é nada, se comparado ao poder do pecado. Eu sei que a explosão de uma bomba atômica pode trazer muito caos e calamidade. Pense, porém, no que o pecado tem feito com a raça humana! Aqui está o grande poderio que tem trazido continuamente a destruição, e agora nos ameaça engolir, num desastre final. Não, pecado não é uma negação, não é a mera ausência de certas qualidades. Ele não pode ser tratado puramente com educação e exortação. O problema do pecado não pode ser solucionado com o estabelecimento de mais Comissões Reais. Mas é isto o que as autoridades ainda estão propondo. Tome, por exemplo, um relatório recente da Associação Médica Britânica. Trata-se de uma comissão que vem trabalhando por dois anos para produzi-lo. O relatório enfatiza o que oficiais de saúde têm relatado por algum tempo: que as doenças venéreas estão crescendo com uma rapidez incrível em todos os países. Que eles podem fazer a respeito? Ah, eles querem fazer uma conferência! As autoridades em educação e os sociólogos devem reunir-se com a Igreja: todos os que ensinam sobre moralidade. (Esta é, abrindo um parêntese, a idéia deles sobre a Igreja: um lugar onde a moral é ensinada.) Eles se reunirão em conferência e tentarão criar um sistema para lidar com isto. Toda esta estultícia se deve, apenas, ao fato de que eles nunca entenderam que o pecado é a maior força no universo, com exceção do poder de Deus. Vivemos em um mundo onde esses dois grandes poderes estão lutando uma batalha pela alma de homens e mulheres, por você e por mim. Não estamos diante de algum problema 113


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acadêmico. Estas questões não são de mero interesse teórico. Realmente, todos estamos vital e tragicamente envolvidos nisto. Existem pais que estão envolvidos porque seus filhos estão com sérios problemas. Esses mesmos filhos pensam que sua vida está arruinada. Coisas terríveis estão acontecendo, e ainda piores acontecerão. Todos estamos comprometidos. Então, a essência da sabedoria é dar ouvidos à mensagem bíblica para que possamos aprender algo do terrível e trágico poder do pecado. O último dos "ais" de Isaías revela o poder do pecado de um particularmente forte. A primeira coisa que aprendemos aqui é que o pecado não respeita ninguém. Este é outro grande engano. As pessoas costumam pensar que só encontrariam o pecado em certos lugares. Mas o pecado é tão comum em um bairro nobre quanto numa favela. A verdade sobre o pecado é que ele é comum todos os lugares. Neste "ai" nos é dito que ele afeta as elites locais, os juízes, os homens de quem você esperaria retidão, eqüidade e uma opinião justa. "Ai daqueles que são poderosos para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!" Isaías faz esta colocação, é claro, em termos de sua civilização. Mas vamos olhar a questão em sua forma contemporânea. O pecado não respeita ninguém. Deste modo, pensamos que se pode dividir homens e mulheres entre os que são pecadores e os que não são, e que aqueles que não são pecadores não o são porque pertencem a uma certa classe, ou por causa de seu nascimento, habilidade ou educação ... Estamos, no entanto, caindo em uma grande falácia. Por que a mensagem, aqui e em qualquer lugar, é, que ninguém tem imunidade natural ao pecado. Ele é tão poderoso que pode atacar o mais valente e maior e levá-lo à vergonha e à derrota. A Bíblia repete constantemente esta mensagem. Claro que a maioria das autoridades modernas não gosta do Velho Testamento porque diz que não se trata de um livro decente. Lá, nós lemos sobre Davi cometendo adultério e assassínio, e coisas como estas não podem ser ensinadas às crianças! Mas por que a Bíblia nos conta sobre o adultério de Davi? Para nos mostrar o poder do pecado. Aqui está o rei de Israel, um grande homem e poderoso guerreiro, um grande sal mista e maravilhoso poeta, quem o peca114


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do derrubou. Graças a Deus pela honestidade deste livro! Aqui está o relatório da AMB - e todos os outros relatórios - datados de muitos séculos atrás. Não há nada novo em tudo isto. Quando seremos despertados? Quando começaremos a ler a Bíblia, até mesmo por sua história, e parar de pensar em nós mesmos como se fôssemos algum povo especial porque vivemos no pós-guerra e na era atôrnica? Quando cresceremos e enfrentaremos os fatos da história? Aqui está o grande registro: o pecado ataca todo mundo; ninguém está imune. "Você está querendo dizer" - pode alguém argumentar - "que a habilidade e a educação de uma pessoa não contam, que nascimento e criação não fazem diferença? .." Minha resposta é a de que tudo que eles fazem é tão-somente modificar um pouco as manifestações. O problema essencial continua, a doença ainda está lá. Somos bons em medicar sintomas, mas muito pobres em curar a doença. Ninguém está imune ao pecado. Elites e humildes, ricos e pobres, cultos e ignorantes: todos são suas vítimas. Aprendizagem, conhecimento e educação não são nada além de capas. O coração do homem continua a ser o que era:

o posto (a posição social) é só a cara do guinéu (da moeda); o homem dá seu ouro por isso! O homem ainda é um homem, apesar dele. Robert Burns Pobre Robert Burns: ele sabia! Ele sabia disto por ele mesmo, e sabia que era válido para os outros. O posto é apenas um rótulo. Você varia a vestimenta; você peca em vestido de gala em vez de em roupa esfarrapada. E você pensa que isso o torna diferente ... É assim que nos enganamos! É assim que a humanidade e a civilização continuam-se iludindo. O coração, o ser interior, é o que conta, e ele é o mesmo em todos os tipos de pessoas. Isaías afirma que os juízes de Israel erram: os homens cultos, os homens de quem se esperaria algo melhor. Mas o pecado não respeita ninguém. Eu nunca me esquecerei do choque que experimentei há muilOS anos, quando eu era umjovem profissional e tive o privilégio de

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ir a um jantar de homens cultos ligados a uma certa profissão. Para minha surpresa, encontrei esses homens esclarecidos, que ocupavam posições proeminentes, gastando seu tempo repetindo algumas assim chamadas piadas. Eu não esperava encontrar aquilo naqueles círculos. Tolamente não havia entendido a mensagem de Isaías. Eu imaginava que apenas uma certa classe de pessoas faria aquele tipo de coisa. Acreditava que aquilo só acontecia em bares da vida; que estivesse confinado ao inculto e mal-educado. Mas aqui estava eu, subitamente ouvindo homens de altos círculos gastando seu tempo repetindo coisas que o quinto capítulo da Epístola aos Efésios nos ensina que "não deve sequer ser mencionado ..." Também me lembro de uma outra ocasião, anos mais tarde, quando me encontrei no Hotel Claridges, em outro jantar. Fora convidado porque havia trabalhado com o convidado de honra daquela noite. Era uma reunião para apenas trinta homens, cuidadosamente escolhidos. Inicialmente foi servido o jantar, e então vieram os discursos. Novamente, fiquei chocado. O homem sentado à minha direita - um profissional altamente qualificado - literalmente vomitou no chão durante a refeição, aparentemente em face do ao fato de que consumira muitos coquetéis com o estômago vazio. Menciono estas coisas apenas como ilustração. Você pode observar na vida contemporânea, nos altos círculos profissionais, industriais, políticos etc., nas mais prestigiadas universidades, muitas das quais originalmente fundadas como instituições cristãs, e certamente irá encontrar o pecado solto, não apenas entre os alunos mas também entre os professores. Nada que a civilização haja produzido foi bem-sucedido, ao lidar com o problema do pecado. Digo isto deliberadamente, porque a civilização tem sido a tentativa de sobrepujar este problema. A humanidade não coloca as coisas assim, é claro, porque não acredita em pecado. É isso, porém, que ela tenta fazer. A civilização tem-se esforçado em produzir ordem a partir do caos; tem buscado diminuir e abafar certos erros, injustiças e sofrimentos, mas tudo o que ela tem tentado até agora tem falhado completamente em relação a este terrível poder. Nada é mais urgente, mais vital, do que entendermos que o pecado é poderoso, e devemos tentar livrar-nos de uma vez por todas, da noção de que haja algo que os seres humanos 116


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possam fazer para lidar radicalmente com ele. Não conseguem. Este, como já mostrei, foi o problema essencial do farisaísmo. Em segundo lugar, a coisa mais terrível sobre o poder do pecado também é demonstrada deste modo: ele leva homens e mulheres a insultarem sua própria natureza, seu eu, sua verdadeira grandeza e glória. Onde Isaías diz isto? Isto transparece de forma definitiva nestes dois versículos. Veja, por exemplo, de que o povo se gabava. O v. 22 tem uma notável afirmativa. Em uma outra tradução, diz: "Ai daqueles que são os heróis da bebida e os feras da mistura de vinhos!" Este é um tremendo indício dos que são culpados de pecado. O que seria para eles um sinal de força, algo com que pudessem gabar-se? Assim como acontecia no tempo do profeta Isaías, sucedeu hoje. Os homens e as mulheres têm faculdades e forças, cérebro e habilidade, bem como força física, mas de que se orgulham? Uma das coisas, é seu conhecimento sobre bebida. Isto não é um exagero. Um dos homens mais populares na televisão nunca deixa de se gabar sobre seu hábito de beber. Ele não crê em Deus; ele ridiculariza o Cristianismo. De que se gaba esse homem sofisticado? Que para ele é saber viver? Ele não se cansa de repetir: "boa comida", e, com um sorriso insinuantemente malévolo: "boa bebida e uma boa conversa ... " Seu conhecimento sobre bebidas é a marca registrada de seu status como ser civilizado. Se você não souber qual vinho deve tomar-se a cada prato da refeição, então você é um tolo, um simplório, "não sabe de nada", "está por fora". "Estranho que você não saiba o que se toma com o peixe ou a carne! Quem é você? Onde você vive, afinal? Onde foi educado?" Este é o modo pelo qual se avalia hoje uma pessoa!. .. Há, porém, ainda o elemento da ordem - e quero mostrar o quanto Isaías está atualizado -: " ...poderosos para misturar bebida forte!" Eu não estou falando, deixe-me repetir, do homem das ruas, mas daqueles que olhamos como líderes. De que eles se gabam? Eles se gabam do fato de saberem misturar um coquetel! "misturar bebida forte". "Misturar": o mesmo termo. Nem todo mundo sabe como prepará-lo, razão por que isto é uma coisa da qual há motivos para se gabar, pois é marca da sofisticação. Que mais? Ah, sim, eles são "homens fortes para misturar bebida, poderosos para beber vinho". Como você avalia a força, 117


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não de um animal, mas de um homem? O modo moderno é perguntando: "Ele sabe beber?" Outra vez eu afirmo que não estou exagerando: esses são os fatos. Tenho ouvido homens distintos se gabarem da quantidade que podem beber; de que foram os últimos a se agüentarem de pé, enquanto todos os outros caíam ao chão. Existem coisas que deveriam fazer-nos rir, mas esta não é uma delas! Nunca ria da bebedeira, ou de um homem bêbado. Muita destruição e miséria neste mundo são causadas por ela. Mas eles se vangloriam disto ..., e faziam o mesmo nos dias de Isaías! Um "ai" é pronunciado sobre este tipo de coisa. Que mais? Note que o pecado deste tipo faz com que as pessoas insultem a própria natureza, à medida que obviamente falham em encontrar prazer sem lançarem mão desses recursos estimulantes artificiais. Por que as pessoas fazem esse tipo de coisa? Porque se sentem murchas e miseráveis sem ela. Elas falharam em encontrar felicidade, paz e, mesmo, prazer. Este é, para mim, o mais impressionante aspecto do pecado, e o mais insultante à natureza humana. Dizem-nos que não podemos ser simpáticos e sociais sem a bebida; que temos que estar "relaxados". Será que homens e mulheres não podem ser sociais, agradáveis, atenciosos, alegres ou felizes, a não ser que estejam debaixo da influência do álcool ou das drogas? Mas esta é a posição hoje. Isto mostra a extrema derrota e o avassalador vazio da vida sem Deus e sem Cristo. Eles não podem viver sem estimulantes. Por isto existem à disposição os coquetéis, as pílulas, o álcool e as drogas, que as pessoas tomam para dar "uma levantada". Por quê? Porque estão muito infelizes, e complexados, e derrotados, emocional e espiritualmente falando. Em nome da natureza humana eu protesto! Homens e mulheres não precisam afundar-se tanto, a ponto de não conseguirem encontrar prazer no seu dia-a-dia, a não ser que se droguem e bombardeiem o corpo e o cérebro, e se insultem. O resultado de tudo isso, como já vimos, é o entorpecimento dos altos centros cerebrais, permitindo que o que é mais instintivo tome o controle, dê a volta na chave da ignição ... Mas note que está implícito nesta afirmação que o pecado abusa não apenas da mente e do espírito, mas também do corpo e de suas capacidades. "Ai daqueles que são fortes para beber vinho 118


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e homens poderosos para misturar bebida forte." As pessoas põem sua energia, sua força e vitalidade nisto. Existe um elemento de sarcasmo neste "ai". Já não existem poderosos pejo país, nem "homens fortes" por alguma causa nobre. Tudo vai para este tipo de coisa, para o prazer, para a vida nas drogas e na bebida. O corpo, a mente, toda a força, enfim, é direcionada a vários tipos de dissolução. Que terrível abuso do corpo, e que insulto à natureza humana! A tragédia está no fato de que, enquanto as pessoas estão entregando sua força à bebida, ao prazer e a coisas desse tipo, não têm uma concepção sobre como os seres humanos deveriam funcionar, como homens e mulheres feitos por Deus, espírito, alma e corpo, em uma maravilhosa triunidade, um equilíbrio perfeito. Eles foram criados para viver em todos esses níveis ao mesmo tempo. Como deveriam usar sua energia? Jesus resumiu tudo desta maneira: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com toda a tua força" Este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este é: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (Marcos, 12:30,31). Porque, porém, as pessoas são vítimas do pecado e estão debaixo do poder do pecado elas não têm esta concepção. Elas ferem mente, alma e corpo. Elas abusam do corpo pela superestimulação, e fazem dieta desde muito jovens, ou têm os nervos em frangalhos, ou se tornam vítimas de doenças psicossomáticas, simplesmente porque não sabem como viver. Eu poderia ilustrar isto extensivamente. Uma vez, tive o privilégio de olhar o fichário de um grande médico, e vi que muito freqüentemente o diagnóstico do paciente era: "Come demais"; "Bebe demais"; "Dança demais"; "Não dorme o suficiente". O paciente trabalhava duramente em seu escritório durante o dia, para se esbaldar à noite, insultando seu corpo, gastando sua energia, sem entender como viver e como usar os dons que Deus lhe deu. Em lugar de usar a mente, a alma e a força - até sua capacidade físicacom propriedade, ele as estava atacando com a superestirnulação, e o resultado era exaustão e preocupação. Isto leva-nos ao terceiro e último princípio ensinado nestes dois versículos: o mais sério de todos. O pecado afeta todos os tipos; ninguém está imune a ele. Ele leva homens e mulheres a

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insultarem a própria natureza. Em terceiro lugar, porém, ele os degrada, e destrói o melhor e mais elevado neles. Estas coisas andam juntas. "Ai daqueles que são fortes para beber vinho, e poderosos para misturar bebida forte: os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!" Eles são culpados desta última coisa, por causa da anterior. Embora tenham habilidade e entendimento; embora estejam em posições elevadas, por causa do efeito degradante do pecado em sua vida pessoal, eles perdem o poder de julgar corretamente. O pecado sempre leva à degradação, e em todas as formas. Assim como acontece em relação ao corpo, sucede ainda mais em relação aos aspectos mais elevados do ego. O apóstolo Paulo resumiu tudo em suas famosas palavras: "As más conversações corrompem as boas maneiras" (I Coríntios, 15:33). E corrompem mesmo! Idéias erradas sempre levam a práticas erradas. Pode até levar muito tempo, mas sempre acontece. Eu creio que a grande falácia no pensamento deste século XX é a que diz que você pode ter justiça sem santidade. A idéia é que, embora você desista de Deus e da crença nEle e no Evangelho, ainda pode manter a ética depois de haver abandonado a doutrina. Esta tem sido a grande falácia. Ela começou a circular na metade da era vitoriana, e se tornou quase universal neste século presente. Agora, estamos testemunhando seus efeitos totais. Mas você não pode ter justiça sem santidade. Esta é a grande mensagem da Bíblia. O apóstolo Paulo traduz isto claramente, como já vimos em Romanos, I: 18: "Pois a ira de Deus se revela dos céus contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade em injustiça." O profeta Isaías a expõe diante de nós de uma forma impressionante. Os mesmos homens para os quais eles se voltaram à procura de justiça e liderança estavam começando a obstruir a justiça. E o faziam por causa de seu próprio pecado e falhas. O pecado sempre ofusca o senso de moral, o senso de certo e de errado, e sempre escurece o senso de justiça. Você não pode continuar pecando sem que sua consciência seja afetada. Que diferença há entre cometer um pecado pela primeira vez e pela centésima vez? Oh, a excitação da primeira vez! Por quê? Porque a consciência fala poderosamente, restringe e avisa: 120


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"Não faça! Olhe o que vai acontecer! Pense nas conseqüências!" Se você, porém, comete o ato, será mais fácil repeti-lo da próxima vez, e mais fácil depois, e depois, até que, por fim, sua consciência não acusa mais nada. Chega-se a um estágio, de acordo com o apóstolo Paulo, quando a consciência se torna "cauterizada como com ferro quente" (I Timóteo, 4:2), e você fica como se fosse uma pessoa sem consciência. O pecado corrói a consciência, e sempre a amortece. Você não pode continuar pensando erradamente e pecando de alguma forma sem destruir todos os seus valores morais, seu senso de certo e de errado e seu senso de justiça. É exatamente isto que estamos vendo acontecer diante de nossos olhos, no mundo atual. Eu profetizo, por exemplo, que não está muito longe o dia em que as cortes judiciais vão ter que se livrar do sistema de júri. Por quê? Porque não se poderá mais depender dos homens e das mulheres do júri para trazerem veredictos justos. As pessoas, hoje, não olham para os fatos e os casos em termos do que seja certo ou errado; elas avaliam em termos de si mesmas. Um amigo fez parte de um grande júri há uns três ou quatro anos, e me contou o que acontece. Um homem estava sendo julgado por uma série de ofensas de trânsito. Os fatos foram trazidos ao júri, que se retirou para ponderar. O presidente do júri perguntou: "Bem, e então que faremos?" Para meu amigo, a maioria das acusações era tão evidente como a luz do dia: o homem em julgamento era obviamente culpado. As acusações não eram difíceis, e não deveria haver nenhuma hesitação. Assim, quando ouviu a pergunta, meu amigo respondeu: "Certamente, é um caso bem evidente: o homem é obviamente culpado." Ele pensou que todos concordariam, e que logo poderiam ir para casa. A atitude de seus colegas de júri foi-lhe dizerem: "Da próxima vez, pode ser você ... Você gostaria de receber um veredicto de culpado, se fosse a pessoa em julgamento?" Em outras palavras: eles não mais pensavam em termos de certo ou de errado; já não se tratava de uma questão de justiça, mas de: "E se fosse com você, ou comigo? ..." Como posso proteger a mim mesmo? Como Isaías traduz: eles queriam "justificar o perverso por suborno (recompensa)". Ou seja: "recompensa" era o que viam; eles se livrariam, quando chegasse a vez deles ... Eles 121


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não mais viam o crime sem parcialidade, objetiva e honestamente, mas se tornaram partidos interessados, com motivos ulteriores, cuja inteira noção de justiça se corrompera. Por quê? Porque eles eram pecadores; porque sabiam que fariam as mesmas coisas do homem em julgamento. Ele tentou ultrapassar outro carro quando não deveria haver feito isso, ou havia bebido e fora pego. E se for você da próxima vez? E se acontecer com você? .. Isso, porém, não é algo que acontece apenas com a pessoa comum. Isso é algo que temos visto acontecer nos níveis mais altos. Quão freqüentemente lemos uma opinião sobre uma questão moral dada por um professor titular ou alguém da universidade, e sua atitude não é a de definir o certo ou o errado. Em lugar disto, dizem: "Eu não fico procurando nas gavetas; o que não vejo eu não comento." Esta é a atitude. Mas, freqüentemente é ainda pior que isso. O pecado é desculpado ou explicado; a noção de pecado tem sido ridicularizada. Como temos visto, instalamos "uma nova moralidade", digna dos novos tempos em que vivemos: "Você não deve continuar com velhas idéias: conforme a humanidade evolui, suas idéias devem mudar. O que pode haver parecido ser errado em uma certa época não é mais errado. Não existem mais modelos objetivos. Tudo está num estado de fluxo; não existe uma verdade eterna ..." Não é esta a posição? Onde estão os guardiães da moralidade? Onde está o povo que deveria estar falando? Que dizer das autoridades do governo? Dos líderes da Igreja? Dos líderes em cada departamento da vida? Você descobrirá que eles advogam "casamentos experimentais" e argumentam que a licenciosidade e, até, a perversão em assuntos de sexo não estão erradas, que existem horas em que elas podem estar certas. O amor é mais importante que a castidade; na verdade, amor e castidade tendem a ser vistos como opostos. Aqui, está exatamente sobre o que o profeta Isaías escreveu e sobre o que pronuncia seus "ais". Tudo leva a isto: o senso de obrigação e responsabilidade está rapidamente desaparecendo, e a idéia do serviço já se eclipsou. Que posso lucrar com isto? Que me vai render mais com o menor esforço? Idéias de altruísmo e sacrifício próprio são sempre desprezadas. Tudo se aceita, tudo está certo. Estamos num estado de mu122


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danças: a piedade é desprezada, a integridade sofre deboche e a castidade e a pureza são vistas como fora de moda e ultrapassadas. Se você tentar viver uma vida de piedade e retidão, será perseguido, debochado e tratado com desdém. Porque "Justificam o perverso por suborno e ao justo negam justiça!" Tudo isso, como já disse, deve-se ao fato de que os líderes estão vivendo uma vida de pecado. Por que eles atacam o ensino da Bíblia sobre o pecado? Porque este é um dos efeitos gerais do pecado sobre homens e mulheres: ele os envenena e os torna cínicos. "Que diferença faz?" - retrucam eles. "Deixe-me em paz; dou qualquer coisa para ficar em paz." Não apenas isto, mas eles estão encobrindo deles mesmos e tentando silenciar a consciência. Se a sua consciência o estiver atacando em termos de moralidade, você pode pensar que o melhor modo de lidar com ela é produzir uma "nova moralidade", e provar com seu intelecto que o que o está ferindo é simplesmente um tipo de defeito herdado de uma condição menos desenvolvida da raça humana. Então, você inventa uma "nova moralidade" para tentar silenciar sua própria consciência. Assim, você toma suas drogas, e se lança mais profundamente no prazer. Você desculpa os outros, de forma que você mesmo possa ser desculpado. E ao continuar, seus centros elevados são retirados de ação e você vai regredindo até uma vida animal. Às vezes, é até pior que isto, porque uma fera não se droga ela mesma. O animal não desativa deliberadamente seus elevados centros de entendimento e controle a fim de realizar uma ação de natureza inferior. Ele pode comer amoras venenosas sem saber o que está fazendo, mas homens e mulheres o fazem deliberadamente. Desta forma, homens e mulheres se sobressaem na imensidão do universo de Deus como os maiores tolos, insultando sua natureza interior, que foi feita à imagem e semelhança de Deus, e se gabando e se gloriando em sua vergonha, "cujo deus é seu ventre, e cuja glória está em sua vergonha" (Filipenses, 3: 19). Eles não apenas praticam o mal, mas se alegram com aqueles que o fazem, encorajando-se uns aos outros na performance. A Bíblia não tem nada a dizer a essas pessoas, a não ser que a ira de Deus está sobre elas. "Ai daqueles" que pensam e vivem as123


UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

sim! Você não pode insultar Deus e se sair bem ... Se você pudesse, Deus não seria Deus. Deus precisa de recompensar isto; Ele tem que punir. E Ele nos tem dito que fará isto. Ele nos tem avisado. Ele tem pronunciado seus "ais", e exposto o pecado diante de nós. Ele nos tem pedido que pensemos e reflitamos sobre estas coisas, para que as entendamos e nos arrependamos. O trabalho da pregação do Evangelho é entregar esta palavra de convite da parte de Deus. Os "ais" não são sua última palavra. Ele diz: "Reconheça a sua posição e pare!" "Desperta, tu que dormes, sai dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá" (Efésios, 5: 14). Que você quer é vida, não é? Felicidade e alegria é o que procura. É claro que é! Está certo que tenha esses desejos. Só existe, porém, um caminho para se conseguir. Qualquer outro caminho zomba de você e o ilude; ele o conduz durante um certo tempo, até que termina por abandoná-lo eventualmente na miséria e no desespero, na infelicidade e na desesperança extrema. Só existe uma saída de tudo isto. Não é mais educação, nem mais Comissões Reais; tampouco um novo Departamento de Estado ou um novo ministro de gabinete especialmente encarregado de lidar com o problema da imoralidade. Isto não vai servir para nada, nada mesmo. O pecado é poderoso demais para esses expedientes. Ele afeta o maior cérebro, o maior entendimento, a pessoa mais durona, e os derruba. Ele pode derrotar as pessoas fisica, mental e moralmente. Ele tem feito assim através dos séculos e continua a fazer. Só existe um poder que pode lidar com o pecado. Charles Wesley explica assim: Ele ele seu seu

quebra deixa o sangue sangue

o poder do pecado; prisioneiro livre; pode tornar o imundo limpo, disponível a mim.

Este é o poder de Cristo, o Filho de Deus! É o poder de sua vida santa e sem pecado; o poder de seu sangue para cancelar todo pecado e toda iniqüidade; o poder de sua ressurreição. O poder de Cristo mediante seu Espírito Santo lhe dará um novo nascimento, uma nova natureza, uma nova aparência e um novo entendimento: 124


PECADO NAS ALTAS ESFERAS SOCIAIS

um novo tudo. E quando você o tiver, você terá paz, alegria e felicidade. Você não mais precisará de drogas. Não precisará de preparar seus coquetéis. Não necessitará dar uma "levantada" com estimulantes artificiais. Você encontrará tudo em Cristo, muito mais do que pode conceber. Creia nEle, e ao receber sua vida você revitalizará todo o seu corpo. Isto fará de você uma nova pessoa e uma personalidade total. Ele fará isto por você imediatamente. Ele o capacitará a viver plenamente enquanto estiver neste mundo, e a morrer triunfante e vitorioso. Finalmente, Ele o acompanhará ao céu e à glória de Deus, e às "alegrias que não têm fim, e ao amor que não pode cessar". Reconheça que, da forma como você é por natureza, você é uma vítima, um escravo do pecado, de Satanás e do mal. Entenda também que nada e ninguém, além do Filho de Deus, pode libertá-lo. Ele é capaz disto! "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João, 8:36).

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8 CONTRA

A LEI E CONTRA

DEUS

Pelo que, como o fogo devora o restolho, e a chama consome o mato seco, assim suas raízes serão como podridão e seu broto se dissipará como poeira: porque rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel (Isaías, 5:24).

Temos visto como a exposição detalhada de Isaías sobre a condição de seus contemporâneos, registrada no capítulo 5, é uma mensagem de julgamento de Deus. Mas Deus nunca julga, nunca pune, sem dar suas razões. Ele não é um Deus de caprichos. Ele disse aos homens e às mulheres como viver; apresentou as condições, e lhes disse muito diretamente o que aconteceria se não preenchessem estas condições. Na sua tolice, porém, eles o ignoraram e viveram uma vida pecaminosa. Então, Deus pronuncia seu julgamento sobre eles. Mas deixe-me enfatizar, uma vez mais, que o objetivo disto é chamar os homens a mulheres ao arrependimento. Isaías coloca diante de nós a oferta do Evangelho, e só depois de a havermos rejeitado é que a punição de Deus desce sobre nós. É isto que encontramos neste capítulo em particular. Como já vimos, 127


UMA

NAÇÃO

SOB A IRA DE DEUS

o profeta nos primeiros sete versículos apresenta um resumo geral de toda a acusação. Depois, ele a ilustra em seis diferentes aspectos, e pronuncia seis "ais" sobre o povo de Israel. Havendo feito isto, o profeta neste versículo resume outra vez a mensagem inteira. Por que a ira de Deus está sobre este povo? Por que Deus vai puni-los? Como Isaías diz no próximo versículo: "Por isso está a ira de Deus acesa contra seu povo e contra ele estende a sua mão, e o fere". Por quê? A resposta é dada neste versículo, em particular. Aqui está, finalmente, a causa real do problema. Aqui está a explicação dos motivos pelos quais o povo de Israel estava-se comportando do modo pervertido e tolo que temos visto, conforme passamos pelos seis "ais". Esta é a causa de estar sobre eles a ira de Deus. Chamo a atenção sobre tudo isto porque esta é a causa essencial de todas as mazelas e de todos os problemas humanos. Detalhes são importantes, e nós temos observado alguns e visto quão contemporâneos são. Todas as acusações que o profeta Isaías trouxe contra seus contemporâneos ainda são muito óbvias no mundo atual. Os detalhes são importantes, e devemos entendê-los, mas parar nos detalhes é um grande erro. O objetivo dos pormenores é dirigir nossa atenção ao principal, ao problema em si, e a falha ao entender isto é fatal. É, porém, isso exatamente o que está acontecendo nos dias de hoje. As autoridades estão interessadas nos detalhes. Elas observam a delinqüência juvenil, o aumento das doenças venéreas, o aumento do crime e da violência. Então, como já dissemos, criam comissões especiais para questionar cada um e tentar descobrir alguma solução. Elas estão lidando com o problema por partes. Isto, porém, não funciona, e nunca funcionará. Por que é assim? Porque eles estão medicando os sintomas e não tratando da doença. Assim, a pergunta que fazemos, mais uma vez, é esta: Por que as pessoas são capazes de uma loucura tão grande? Por que conseguem viver tão tolamente? Por que o mundo está como está? Esta é a pergunta. Temos que continuar a voltar a ela, e devemos fazê-lo porque estamos todos no meio do problema. Vemos o mundo inteiro afundado em tremendos e contínuos distúrbios, e a grande questão é: Qual é o problema? 128


CONTRA A LEI E CONTRA DEUS

Por que homens e mulheres são capazes de algumas dessas barbaridades que temos observado? Por que tanto materialismo? Por que as pessoas vivem para ter casas e dinheiro? Por que será que acordam cedo, e algumas delas já se programam para tomar bebida forte e viver apenas para o prazer? Por que homens e mulheres "puxam para si a iniqüidade com cordas de vaidade e o pecado com tirantes de carroças"? Por que elas são loucas pelo pecado? Por que essa perversão moderna de chamar "mal ao bem e bem ao mal", e fazer da "escuridão luz e da luz escuridão?" E do "amargo doce e do doce amargo"? Por que será que o homem e a mulher modernos, vendo seu mundo em chamas, ainda assim estão orgulhosos de si mesmos: "sábios aos seus olhos, e prudentes na sua opinião"? Por que em lugar de competirem pela grandeza e pelo bem de si mesmos, de seu país e da glória de Deus, são "fortes para beber vinho e poderosos para misturar bebida forte"? Tudo isto é muito contemporâneo. É um grande erro pensar que a Bíblia é um livro antiquado e fora de moda, que não diz nada ao mundo moderno. Aqui, você tem uma descrição da vida moderna e a única solução para sua condição. Qual é a explicação de viverem as pessoas desta maneira extraordinária e surpreendente? Só há uma resposta: " ...Porque eles rejeitaram a Lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel." Você pode gostar de uma tradução alternativa: "Eles jogaram fora a lei do Senhor e mostraram desprezo pelas palavras do Santo de Israel." Aqui está a essência do problema. O problema com homens e mulheres não é meramente que eles hajam feito coisas erradas em particular. O problema com todos nós, por nossa natureza, não é simplesmente havermos quebrado algumas leis de Deus. O verdadeiro problema é que, na verdade, rejeitamos a lei de Deus como um todo. Nós a dispensamos, a desdenhamos e a tratamos com imencionável desprezo. Esta é a posição nos dias atuais, assim como foi naqueles dias em Israel. Não é simplesmente que as pessoas são culpadas deste ou daquele pecado em particular; é que elas, de modo algum, reconhecem o pecado. Não é que estejam quebrando algumas leis em particular, e, sim, que não reconhecem a lei de Deus, nem o próprio Deus. Deus e suas leis é dispensado e tratado com total desprezo: 129


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este é o problema de hoje, como foi nos dias de Isaías. Era isto, de acordo com o profeta, que estava atraindo a ira de Deus sobre Israel. E ela, realmente, desceu. O povo de Israel foi atacado por um grande exército caldeu. Seu exército foi destruído, suas cidades destruídas e o povo orgulhoso foi levado cativo como escravos para a terra da Babilônia. Foi isto o que aconteceu, e foi por isto que aconteceu. O verdadeiro problema hoje é a impiedade, o desprezo pela totalidade da lei de Deus e a recusa em reconhecer essa categoria. Tudo isto é tão velho quanto a humanidade, tão velho quanto sua história. Há apenas um elemento novo na sua manifestação presente, e é que os homens e mulheres modernos estão buscando justificar tudo isto, tentando explicar sua atitude em termos intelectuais. Eles estão escrevendo livros sobre isto, alguns deles chamados de religiosos e outros de filosóficos. Falam sobre ele na televisão e na rádio. Desta forma, estão confirmando sua liberdade. Estão tentando mostrar que sacudiram as correntes da religião e se livraram do "ópio do povo", e agora encontraram algo maior, superior, que realmente os faz crescer. Esta é uma nova característica sobre este tipo atual de rejeição de Deus e de suas leis, e ela se apresenta a nós como um grande avanço, como alguma coisa nobre e maravilhosa. Ela proclama oferecer-nos emancipação e libertação. É isto que a faz tão séria. Há sempre esperança para pecadores que sabem que são pecadores. Se você sabe que é um pecador, a porta do céu está aberta para você. Não importa quão profundamente homens e mulheres hajam pecado; contanto que saibam, que o sintam e se arrependam, sempre existirá uma esperança eterna para eles, e o Evangelho cristão terá uma mensagem gloriosa para eles. Se nem mesmo, porém, reconhecem o fato do pecado; se estão orgulhosos da vida que estão vivendo, e tentam justificá-la intelectualmente, então, enquanto se mantiverem nesta condição, não há nenhuma esperança para eles. Permanecer assim é a desesperança final, e eles estão completamente perdidos até que sejam convencidos e reconheçam sua transgressão. Esta é a posição em que nos encontramos hoje, e é sobre ela que Deus pronuncia seus "ais". Isto acontece porque "eles dispen-

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saram a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram - trataram com desprezo - "a palavra do Santo de Israel." Isto é, obviamente, uma questão muito séria, o tipo de coisa que atrai a ira de Deus sobre indivíduos, comunidades e países. Temos, assim, que examiná-Ia, e, ao fazermos isto deixe-me expor uma coisa muito claramente, para que não haja mal-entendidos. O que estou falando se refere ao tipo de pessoa que rejeita a lei de Deus e as palavras do Santo de Israel. Não me estou referindo a pessoas que estão meramente reagindo contra os códigos da sociedade. Não estou lidando com pessoas que estão simplesmente reagindo contra, e contestando uma moralidade superficial; tampouco lidando com pessoas que fazem objeção à mera respeitabilidade. Quero deixar isto bem claro. Existe uma reação na presente geração contra o que podemos chamar de vitorianismo, e eu seria a última pessoa no mundo a defendê-lo. Na verdade, poderia dizer que sou um dos seus mais constantes críticos. Não tenho lugar para o vitorianismo, aquela era na qual a coisa a se fazer era ir a um lugar de adoração porque a pessoa, provavelmente, conseguiria um emprego melhor se tomasse essa iniciativa, e isso era uma atitude aceitável. Não estou aqui para defender isto. Não estou interessado em "religião", nem é meu papel pregar a moralidade como tal. Eu não sou um pregador cristão destinado a ajudar o governo a manter a ordem, ou, simplesmente, interessado no bem-estar político deste país. Este não é o meu objetivo. Então, se você está tão-somente fazendo objeção a um código social, ou a uma moral superficial e fácil, ou a uma respeitabilidade que se autojustifica, estou com você. Eu sou contra ela tanto quanto você. Não defendo fraude, falsidade, pretensão e mera hipocrisia. Sei que os homens e as mulheres modernos têm reagido violentamente contra tudo isto. Fui criado neste tipo de atmosfera; havia mais disto no início do século do que existe hoje. Eu me lembro do começo de reação contra a antiga religião de respeitabilidade da era vitoriana e eduardiana, e fui uma das pessoas que fizeram objeções a isto, e ainda faço. Estou 40 anos mais velho, mas ainda repito o que disse então. A religião é, freqüentemente, o grande inimigo do Cristianismo. Respeitabilidade é a antítese da vida cris131


UMA NAÇÃO SOB A IRA DE DEUS

tã verdadeira. Você pode dizer o que quiser contra fraude, falsidade, pretensão e hipocrisia. Eu direi amém, aplaudirei, direi muito bem! Mas o problema é que os homens e as mulheres modernos, ao reagirem contra tudo aquilo, foram muito longe, a ponto de rejeitarem "a lei de Deus e as palavras do Altíssimo". Sejamos justos. Sinto grande simpatia por aqueles que reagem. Deixe-me dar-lhe uma ilustração simples do que quero dizer. Pense no povo na Rússia que crê no comunismo ateísta. Por que eles estão nesta posição? Não há dificuldade para se responder a esta pergunta. Sua única concepção de Cristianismo é a de que eles viam na Igreja Ortodoxa Russa, e especialmente na vida de um homem como Rasputin, que tinha um poder muito grande sobre o Czar, e particularmente sobre sua esposa. Aquela era a concepção do Cristianismo. Eles disseram que não a queriam, porque era horrível. Então, afastaram-se inteiramente dela e se tornaram ateístas. E esta é a tragédia. Eles estavam certos em fazer objeções ao horror de Rasputin, mas não perceberam que aquilo era uma perversão do Cristianismo, e em sua cegueira e ignorância rejeitaram todo o Cristianismo e toda crença em Deus. Então, vamos ser bem claros sobre o que estamos examinando. Estamos enfocando os homens e mulheres que rejeitam a lei de Deus, e o próprio Deus, e cada palavra que vem do Altíssimo. E esta é a posição da vasta maioria das pessoas. Elas odeiam Deus e suas leis e o Cristianismo verdadeiro. São violentas em relação a ele e amargamente opostas a ele. Isto é quase incrível, mas é um fato. Ao mesmo tempo, justificam sua "nova moralidade" como sendo sua concepção de moralidade sem Deus. Como, então, tomaram tal posição? Vamos analisar em termos do que nos é contado aqui em Isaías. A primeira explicação é a de que eles são culpados de uma completa má compreensão da lei. "Eles jogaram fora a lei do Senhor dos Exércitos" porque têm uma incompreensão fundamental sobre ela. Eles têm o sentimento de que a lei não é para nosso bem-estar, mas que é algo contra nós. Querem livrar-se da lei do Senhor porque sentem que ela tem sido um inimigo. 132


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Eles se rebelam contra a lei de Deus por três razões principais. Em primeiro lugar, odeiam-na porque sentem que ela se opõe à sua felicidade. Eles querem felicidade, e dizem que nada se pode interpor entre as pessoas e a felicidade como esta lei o faz. Dizem que ela leva as pessoas a sentir que são miseráveis pecadoras; e também diz "não" a tudo que queiram fazer. Faz com que crucifiquem seus poderes naturais, e vivam uma vida não natural; e, finalmente levam-nas a encarar como errado tudo aquilo que é essencialmente certo. E assim - dizem eles - ela leva à total infelicidade. Então, eles contestam a lei do Senhor e a deixam de lado. Eles a vêem como inteiramente negativa e puramente restritiva. Para citar Mílton, eles a vêem como algo que leva a pessoa "a desdenhar os deleites e uma vida de dias laboriosos". Mas aqui, a questão que se levanta é: Que é a felicidade? Todos nós a desejamos. Não há nada errado nisto: fomos criados para ser felizes. Deus nos fez e queria que fôssemos felizes. A tragédia, porém, da posição moderna é que ela vê a felicidade apenas como experiência. Você pode ver isto na literatura, no drama, em todas as coisas que temos mencionado. Este é o teste da felicidade: experiência, e, especialmente, "a experiência do momento". O momento presente! Nada importa tanto quanto isto. Você deixa todo o resto de fora; você não considera nada mais além da experiência no presente; e isto é o que conduz a muitos dos problemas de hoje, e a tantas calamidades. Essa definição de calamidade é muito pequena e estreita. Felicidade deve ser definida em termos da pessoa total; mas agora ela é definida apenas em termos de certas experiências particulares. O argumento é o de que nós não podemos ser realmente felizes, a menos que tenhamos liberdade aqui e agora. Esta é a idéia de felicidade: a gratificação do meu desejo do momento; nada mais é levado em consideração. A pessoa, como um todo - a mente, a alma, a consciência -, não é considerada; as conseqüências não são levadas em consideração. O resultado, claro, é quase inevitável. Se você partir de uma falsa concepção de felicidade, nunca vai encontrá-la; e o homem e a mulher modernos que estão vivendo para o prazer e para a felicidade não a estão encontrando. Essas pessoas jogaram fora a lei do 133


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Senhor. Elas dizem: Nós não podemos ser felizes enquanto esta idéia da lei, este monstro da moralidade, estiver sobre nós; vamos livrar-nos dela, e então poderemos ser felizes. Mas elas não estão felizes. Por que não? Porque cada pessoa tem uma consciência. Elas não crêem em consciência, mas ela está aí, e elas não podem livrar-se dela. Você não pode livrar-se do remorso, não pode abolir o sentimento de vergonha: eles estão aí. A experiência do momento! Isto é que é vida! Isto é felicidade! Mas será mesmo? E que dizer do dia seguinte? Existem certas leis na vida. A Bíblia nos fala desde o princípio: " ... 0 caminho dos transgressores é duro" (Provérbios, 13: 15). Se você quebrar as leis de Deus, você vai sofrer. Há uma lei da vida e do ser e outra da felicidade. Os fatos mostram que a moderna rebelião contra a lei de Deus e a falsa busca pela felicidade não estão trazendo felicidade. Com que base digo isto? Sugiro que as estatísticas do divórcio o provam. Li, recentemente, que um em cada dois casamentos em Los Angeles termina em divórcio. E este é o lugar onde eles crêem em "liberdade", não é mesmo? É onde eles vivem para a felicidade. Los Angeles! Hollywood! Isto é que é vida! Aqui, porém, está o resultado: um em cada dois casamentos se dissolve! Eles jogaram fora as leis de Deus, mas será que encontraram felicidade? Mas, infelizmente, não pára no divórcio: existem as drogas, a bebida, a procura eterna de novas experiências. Se as pessoas estão felizes, por que têm que fazer essas coisas? Elas não são felizes porque toda a sua noção de felicidade está errada. É muito pequena. Elas não começam olhando para os seres humanos pensando no que são, e entendendo que antes de que possam ser felizes cada parte deles tem que estar satisfeita. Elas só querem a experiência atual, o prazer imediato. A tragédia é que homens e mulheres podem ser, na verdade, tão tolos a ponto de crer que possam encontrar felicidade nessas condições. Freqüentemente, este tem sido o caso. Deixe-me darlhe um exemplo que talvez seja um dos mais dramáticos e chocantes: o caso do grande mestre cristão Agostinho. Ele tentou tudo, há muito tempo, lá pelo final do século 4. Aqui, estava um homem com toda a sua genialidade, sua filosofia brilhante. Não era um cristão, mas estava tentando encontrar a felicidade, e havia tentado, do

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mesmo modo das pessoas hoje. Mas não conseguiu. Ele buscou de todas as maneiras. Não era novidade ter uma amante. Isto é tão velho quanto a natureza humana. Tentou tudo, mas seu grande cérebro não ficou satisfeito, porque ele sentia a falta de algo. E continuou no encalço da felicidade. Aí, veio o momento dramático, quando ele fez sua grande confissão: Tu nos fizeste para ti e nosso coração não tem paz, até que encontre a paz em ti.

Em segundo lugar, as pessoas se rebelam contra a lei porque a vêem como algo oposto à liberdade. Esta, é claro, é a grande afirmativa: que a religião prende, manda não fazer isto, ou aquilo, não deixa a pessoa se expressar. "Queremos liberdade", dizem; "Queremos ser livres". Todo mundo sabe disto muito bem. Todos passamos por isto. Quando você era adolescente aguardava ansioso o dia em que não mais seria forçado a ir à Escola Dominical; quando seria um adulto e decidiria por você mesmo o que fazer; quando seria livre e abandonaria a igreja, o culto, Deus e a religião, e realmente viveria a sua vida em liberdade! Essas pessoas colocam a lei e a liberdade uma contra a outra, e este é outro erro trágico, porque a questão que vem a seguir é: Que é a liberdade? E a idéia moderna de liberdade é licenciosidade: fazer o que quiser, cada um por si, o tempo que quiser; não ser restringido por nada; não se preocupar com ninguém. Se você quer algo, então é seu. Pegue e não pense em mais ninguém! Mas isto é licenciosidade, não liberdade. E ainda: a tragédia em tudo isto é que não leva à liberdade. Você pode pular a cerca, pode empurrar a lei de Deus porta afora, cuspir nas coisas santas e "desprezar as palavras do Santo de Israel" ... Não tente, porém, imaginar que este seja o caminho da liberdade, porque não é. Deixe-me dizer-lhe por que ... Jesus fez uma grande afirmativa que você encontrará no oitavo capítulo do evangelho de João. Um dia, quando ele estava falando e as pessoas pareciam acreditar nEle, Ele olhou para elas e disse: "Se vocês permanecerem na minha palavra, então serão meus discípulos de verdade; e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará." 135


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Elas, porém, não gostaram daquilo. Voltando-se para Ele, disseram: "Nós somos semente de Abraão, e nunca fomos servos de ninguém. Como podes dizer que seremos livres?" E Jesus lhes respondeu: "Na verdade, na verdade, vos digo: Aquele que comete pecado é servo do pecado" (João, 8:31-34). Você pode livrar-se da lei, mas não consegue ser livre. Você torna-se escravo do pecado. Pense nos homens e nas mulheres que têm desprezado o nome de Deus, blasfemado contra Ele e jogado fora toda a sua lei. Eles se tornaram livres? Pobres escravos! São escravos do sexo, da bebida e de várias outras coisas que os prendem e os manipulam; escravos de sua profissão; escravos da inveja e do orgulho. Veja a vida da sociedade. Eles se dizem muito inteligentes para crer em Deus, mas observe a miserável escravidão dessa vida de polidez da sociedade. Eles têm inveja da roupa um do outro, e da aparência, e do carro, e da casa, e do iate, e disto, e daquilo. É pura escravidão! Não, não, não! "O que comete pecado é servo do pecado." Você não encontra liberdade nem felicidade jogando a lei pela janela afora. Deixe-me citar algumas palavras excelentes do Marechal de Campo Lord Slim, que li recentemente. Eu creio que este seja um resumo profundo de toda a discussão. "Você pode ter disciplina sem liberdade", diz ele, "mas não pode ter liberdade sem disciplina." E por que não? Por esta razão: você não estará realmente livre até que tenha um relacionamento correto com todos. Você tem o que quer, mas a outra pessoa também fará o mesmo, e você sentirá que ela está tirando de você; você não será livre. Não existe liberdade sem disciplina, e a tragédia atual é que homens e mulheres estão convencidos de que há. Eles acham que o caminho para ser livre é jogar fora a lei de Deus. Eles não sabem nada do que Tiago chamava de "a lei perfeita da liberdade"; ou como está registrado no Livro de Orações da igreja Anglicana: "cujo culto é a perfeita liberdade". Eles são ignorantes disto. Toda a sua noção de liberdade se deturpou. Mas, em terceiro lugar, eles vêem a lei como o oposto do amor, e esta é a interpretação favorita. Eles crêem no "amor". Carstairs, um professor de Reith, disse que o problema todo se deve ao fato de que a Igreja põe a castidade antes do amor. Mas o

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amor é que é importante! Então, ele vai adiante advogando a causa do casamento experimental. "Amor é o oposto da lei", dizem eles. "A Igreja tem pregado a lei, e todos estão infelizes. O que precisamos é de amor!" Então, eles contrastam isto com o ensino de Paulo, sobre quem são tão sofridamente ignorantes. E o grande professor de Reith mostrou uma profunda e colossal ignorância quanto ao ensino de Paulo - "Paulo, o misógino" - disse ele -, "o homem que é contra as mulheres!" Quanta bobagem! Por que não lêem o apóstolo Paulo? Contrastá-lo com o ensino do Senhor Jesus é blasfêmia. Ninguém jamais honrou o Senhor Jesus Cristo mais do que o apóstolo Paulo. Não existe nenhuma contradição: é precisamente o mesmo ensino. Mas nestes termos eles colocam o amor contra a lei e a lei contra o amor. Assim, a pergunta que aqui temos de nos fazer é: "Que é o amor?" E eu creio que, de todas as questões que o homem e a mulher modernos devem considerar, esta é uma das primeiras. Vivemos em uma geração dirigida pelo sexo e pela mídia. Daí, vem a noção contemporânea do amor. Não é nada mais do que lascívia: viver como um animal, liberar-se isto é o que se pensa do amor. Que mais? Bem, alguma boa intenção mais vaga etc., e ... é claro, que a lei de Deus muito acertadamente é contra isto. Ela está contra lascívia e contra essa conversa geral, vaga e sem sentido. A lei de Deus é forte e poderosa; é uma expressão do amor de Deus. Ela não se opõe ao amor. O apóstolo Paulo diz: "O amor não faz mal ao próximo" (Romanos, 13: 10). A essência da Lei de Deus diz ele que é esta: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo (...), o amor é o cumprimento da lei" (v. 9, 10). Longe de ser a antítese da lei, o amor cumpre a lei e é forte, é nobre, é puro, é limpo e reto. Nosso Senhor Jesus Cristo é a perfeita encarnação do amor de Deus. Ele que é o amor perfeito nos diz: "Não penseis que eu vim destruir a lei ou os profetas: Eu não vim para destruir, mas para cumprir" (Mateus, 5: 17). É trágico ver como hoje homens e mulheres rejeitam a lei de Deus. Isto acontece porque não a entendem, têm uma concepção completamente errada em relação ao seu significado. 137


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A segunda causa da rebelião e rejeição da lei de Deus é esta: há um profundo mal-entendido quanto à natureza dos homens e mulheres. "Porque jogaram fora a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel." Por que eles fazem isso? Porque não entendem a lei, sim. O mais trágico, porém, é que, ao tentarem exaltar a si próprias, as pessoas estão se degradando e mostrando que o verdadeiro problema é que elas não entendem nada sobre si mesmas e sua verdadeira natureza. Elas perguntam: "Por que devo ter lei? Por que me devo conter? Por que não me posso expressar?" Temos, assim, o culto da auto-expressão. Mas aqui está a questão: Que, então, é o homem, e é a mulher? Qual é a visão moderna? Se as pessoas dizem: "Eu não gosto da lei porque é um insulto a mim", então podemos perguntar: "Mas quem é você? Que é você?" E elas não têm nenhuma resposta. Esta é uma das coisas mais trágicas. Aqui está uma das definições modernas para o homem. Dizem que ele é "um bando de sensações"! Não existe uma coisa tal como "Eu" ou "Ego". Dizem-me que eu não sou nada além desse bando de sensações. Existem toda sorte de impulsos e instintos e desejos dentro de mim - sensações -, e, ao reagir aos outros e ao mundo, adquiro mais sensações. Eu sou o que sou no momento. Neste momento, tenho consciência de certas sensações de prazer, dor, contentamento, descontentamento etc. Eu, porém, não sou mais nada senão essas sensações momentâneas. Esta é uma questão muito séria. Os homens e as mulheres modernos deixaram de crer em Deus e na lei de Deus. Então, qual é a filosofia favorita hoje? É a chamada visão existencialista da humanidade: o existencialismo. É extremamente popular. Você o encontra em livros, peças e filmes. Que isto nos diz sobre quem eu sou? Bem, deixe-me dar-lhe algumas citações. Eu sou "um mero núcleo de experiência consciente na corrente espaço-temporal". A vida é uma corrente espaço-temporal. Ela se move adiante e eu sou apenas um tipo de núcleo de experiência dentro dela. Aqui está outra definição. Sum cogitens, que quer dizer sou um centro de pensamento. Sou capaz de pensar e tenho certos pensamentos. Isto é tudo que posso saber sobre mim mesmo. 138


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Agora, veja outra: "Somos seres finitos num processo infinito, e nos tornamos reais ao aceitar este fato, em lugar de nos iludirmos pela falsa estabilidade do pensamento conceptual". Então, que sou? Um ser finito em algum processo infinito que me está levando. Havia vida antes de mim, existe vida agora, e haverá vida depois de mim. Aqui está um processo infinito. Eu não conheço o começo nem o final dele. Mas eu sou finito. Eu não estive sempre aqui; eu não vou estar para sempre aqui. E a forma de me tornar verdadeiro é aceitar este fato, em lugar de me iludir, crendo em Deus e em salvação. Ou, permita-me dar-lhe ainda outra definição, e o faço muito deliberadamente. Porque as pessoas crêem neste tipo de coisa, elas rejeitam a lei de Deus e cospem na palavra do Santo de Israel. Pegue um grande escritor francês - digo grande porque ele é um grande escritor, mas é um não-crente e infiel - Jean-Paul Sartre. Este é o seu ensino. Ele diz que aceitou o completo ateísmo e a completa liberdade de decisão, e está preparado para arcar com as conseqüências dessas duas proposições. "A humanidade deve fazer suas escolhas vitais sem nenhuma premissa sobre a qual arrazoar. Eu nada sei, não posso ter certeza de nada, mas devo fazer minhas escolhas. Tenho que viver, e viver significa fazer escolhas." Mas eu pergunto: Sobre que bases posso decidir? Sartre responde: "Somos lançados no mundo, não sabemos como, e somos deixados livres para fazer nossas escolhas. Nós não temos regras, princípios, nem verdade a escolher. Nossa situação é absurda porque nosso conceito de nós mesmos, nossa essência, está sempre à frente do que somos no presente. Diz mais: "Nunca sou o que quero ser; nunca sou o que eu sei que deveria ser. Estou sempre em movimento, mas nunca chego lá, e é por isto que toda a nossa posição é absurda." E onde tudo isso termina? Bem, de acordo com Sartre, termina em desespero e náusea, um sentimento perpétuo de enjôo. E a era moderna está enjoada da vida. Daí, toda a literatura e o drama e a arquitetura e tudo o mais de que já falei. É a era do enjôo! É a náusea! Os homens e as mulheres estão nauseados e cansados, por não saberem onde estão. Tudo é muito grande para eles, e, ainda assim, dizem que conseguem entender. Eles admitem que não têm

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nenhuma base sobre a qual arrazoar, mas têm que fazer escolhas vitais. Esta é a visão deles quanto a si próprios, e é por causa disto que rejeitam a lei de Deus. Mas, além disto, eles crêem que ainda são capazes de decidir; ainda pensam que podem decidir o que é melhor para eles. Mas, como podem? Cada opinião difere, e, no momento em que você toma essas diferentes opiniões, acontecem os choques, e você não consegue ter harmonia ou uma boa vida. Não apenas isto, mas as pessoas são por natureza egoístas, autojustificadas e controladas pelos desejos. Ainda pensam, porém, que podem tomar as decisões corretas, e - o que é mais monstruoso e ridículo ainda - julgam que são capazes de manter suas decisões depois de chegarem a elas. Elas ainda afirmam que os seres humanos não necessitam de Deus; podem fazer seu próprio mundo e fazê-lo de uma forma maravilhosa. Qual é a resposta? Ela é dada de uma vez por todas na Epístola aos Romanos, capítulo 7: "O querer está presente em mim, mas o realizar aquilo que é bom isto eu não encontro. Porque o bem que eu quero eu não faço e o mal que eu não quero este eu faço" (Romanos, 7: 18, 19). E isto é válido para todo homem e toda mulher. Há uma luta perpétua, e eles não podem fazer o que pretendem; mesmo assim, afirmam que podem. Homens e mulheres são uma massa de contradições. Desde o nascimento da civilização, eles têm admitido que, na prática, não conseguem governar-se nem fazer o que reconhecem como o certo. Mesmo nas tribos mais primitivas, existem costumes e tabus, regras e regulamentos. Por/quê isto? É porque a vida em comunidade é impossível fora dela. Deixe que cada homem e cada mulher faça o que quer, e você terá nada além do caos. Mesmo os humanistas modernos têm que reconhecer que, na prática, você tem que ter limites, tem que ter regras. Eles reconhecem que certas coisas estão erradas. Ao não crerem na anarquia, pronunciam o seguinte princípio: Você tem que ter lei. E isto é bastante óbvio no nível internacional. Por que precisamos da ONU (Organização das Nações Unidas)? Por que os líderes mundiais pensam em termos de um parlamento mundial ou força de paz? É porque as pessoas devem ser mantidas em ordem, e não podem chegar a isto por si mesmas, seja individualmente, seja como grupos nacionais. 140


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E tudo isto acontece porque, como diz a Bíblia, homens e mulheres são criaturas caídas; são más. Se fossem boas, não precisariam da lei. As leis não são feitas para os certos, mas para os errados, e toda a humanidade é errada e injusta. São criaturas decaídas que se desviaram, estão perdidas; são escravas da lascívia e do desejo; não vivem de acordo com seu cérebro, embora tentem convencer-se de que vivem. Sua grande necessidade é sabedoria; elas precisam de conhecimento; precisam de controle e poder. Isto tem acontecido muito freqüentemente. Volte à Grécia Antiga, antes do nascimento de Jesus Cristo. Em Atenas, havia, ao mesmo tempo, um ensino brilhante, os filósofos e, como o apóstolo Paulo descobriu, um altar ao Deus Desconhecido (Atos, 17). Eles não podiam encontrar Deus. Então, tinham que postulá-lo, e construíram um altar para ele, e procederam em adorá-lo em ignorância. Esta é a admissão completa de que os seres humanos são incapazes de ordenar a própria vida. Eles não podem continuar sem lei; não podem continuar sem Deus. Ainda assim, imaginam em sua loucura que podem, desprezando, desta maneira, a lei de Deus. O último ponto é este: essa atual rejeição da lei de Deus não se deve apenas a um mal-entendido quanto à lei e quanto à natureza humana. Acima de tudo, ela está baseada na extrema ignorância de Deus " ...porque eles jogaram fora a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel". O profeta Isaías apresenta a natureza de Deus ao descrevê-lo de dois modos diferentes: "O Senhor dos Exércitos", e "O Santo de Israel". Esta é a tragédia do homem e da mulher modernos. E eles acham que Deus está contra eles, que Deus é um monstro que se opõe a eles e os está mantendo em sujeição. Esta é a tragédia, e foi o primeiro pecado. Mas, pior ainda: aqueles que rejeitam a lei de Deus odeiam tudo que seja relativo à santidade de Deus. Isto é uma coisa terrível, mas verdadeira. As pessoas estão prontas a crer em um Deus de amor, mas odeiam a idéia de um Deus Santo: o Santo de Israel! "Elas não gostam de santidade; sentem que isso vai de encontro a elas e seus maiores interesses; é o contrário do que querem ser." Quando Deus diz "Porque eu sou Deus, vocês não (...)", elas o odeiam. Não há uma característica mais terrível das pessoas modernas do que o ódio pela santidade de Deus. 141


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E do mesmo modo, na sua ignorância elas desafiam o poder de Deus " ...porque jogaram fora a lei do Senhor dos Exércitos", do Deus que comanda o Sol, a Lua e as estrelas; do Deus que reina sobre tudo, que fez tudo e sustenta tudo: o Senhor Deus Jeová! Senhor dos Exércitos! Infinito, absoluto em poder! E elas se levantam e o desafiam; rejeitam sua santa lei e desprezam suas mais santas palavras. Não percebem que estão nas mãos de Deus, que Deus está em todo lugar, e que não se pode escapar dEle. Não se dão conta de quão "terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hebreus, 10:31). Elas não sabem que com toda a sua sagacidade irão morrer e se encontrar com Deus. Façam o que fizerem, não podem escapar disto nem evitá-lo. "O Santo de Israel!", "O Senhor dos Exércitos!" Esta é a explicação da tragédia do homem e da mulher modernos. Mas de que eles precisam? Está claro, não está? Eles precisam de saber a verdade sobre Deus, o que Deus é: Santo, Justo e Todo-Poderoso. Precisam de conhecer Deus como seu Criador, aquele que lhes deu vida e forma para que vivessem para sua glória e para desfrutá-lo para sempre. Eles têm de saber disto. Também necessitam de saber da verdade sobre si mesmos, que não são animais, nem um bando de sensações. Pelo contrário, têm de ter certeza de que foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis, 1:26), possuem mente e entendimento, uma alma e um espírito, são maiores que o mundo e a vida e toda experiência; enfim, são almas viventes. Além disso, eles precisam de saber a verdade sobre a vida, e como vivê-la. Eles têm de saber que a sua felicidade está baseada numa coisa apenas: o conhecimento de Deus e o guardar da sua santa lei. Eles necessitam conscientizar-se de que, se tão-somente fizerem isto encontrarão .a felicidade, a liberdade e o amor que tanto desejam e procuram. Nosso Senhor ensinou: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." Se tão-somente amássemos nosso próximo como a nós mesmos, o mundo seria perfeito, e nunca nos aproveitaríamos de ninguém. Eu nunca faria mal ao outro para satisfazer a minha lascívia; teria respeito pelo outro. Sentiria amor pelo próximo e o consideraria da mesma forma que considero a mim mesmo. Assim, também fariam as nações. Haveria uma paz perfeita se apenas amássemos nossos vizinhos como a nós mesmos. 142


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Mas que me capacitará a fazer isto? Jesus Cristo, como ja vimos, deu-nos a resposta. Só existe um modo como chegarei a amar meu próximo como a mim mesmo, e é obedecendo à instrução de Jesus: "Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua mente e com toda a tua força: este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo" (Marcos, 12:30,31). Você nunca conhecerá a si mesmo, ou se amará adequadamente até que conheça Deus e esteja vivendo para Ele e para a sua glória. Quando fizer isto você também estará bem com seu próximo, e o amará como a você mesmo. Nenhum de nós, faz isto; ninguém consegue fazer. Pelo fato de sempre estarem falhando quanto a isto, muitos explicam, de maneira blasfema e insana: "É esta religião, esta lei de Deus que está estragando tudo" ... Mas é justamente o contrário que acontece: fique bem com Deus, comece a obedecer a Ele, e todos os seus problemas se resolverão. Esta é a maravilhosa mensagem do Evangelho cristão. Porque nós não podemos cumpri-la, e até mesmo não queiramos atender a ela, é que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João, 3: 16). Deus nos viu em nossa miséria, em nossa escravidão e falta de amor, e, em sua compaixão, enviou seu filho do céu a este mundo, para morrer em uma cruz, e nos tornar livres. Assim, quando o Senhor, como vimos antes, disse: "Aquele que comete pecado é servo do pecado", em seguida completou, dizendo: "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João, 8:34,36). Livres da lascívia, de todas as coisas que nos acorrentam; livres para desfrutar a liberdade que só Deus nos pode dar. Então, deixe-me expor isto a você nas palavras do apóstolo Paulo. Ali estava ele, tentando viver uma vida correta e falhando, até que, em sua extrema agonia ele lamenta: "Maldito homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" - desta pura contradição que sou? E a resposta é esta: "Graças a Deus, mediante Jesus Cristo nosso Senhor" (Romanos, 7:24,25). "A lei do Espírito de vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e morte" (Romanos, 8:2). Eu sou um homem livre! Assim, Paulo pôde dizer como

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salmista: "Oh, como eu amo a tua lei!" (Salmos, 119:97). "Eu me deleito em fazer a tua vontade, ó meu Deus!" (Salmos, 40:8). Só há uma forma de encontrar felicidade e liberdade; só há um modo de encontrar amor. Aqui está um homem que encontrou, e é assim que ele ora:

O

Minha vontade não é minha até que a faças tua; se ela chegasse ao trono do monarca ela a coroa a ti entregaria. George Matheson

Não creia na mentira do diabo de que ser cristão é ser infeliz, ser um escravo e não ter amor. Não, pelo contrário, ser cristão sincero é desfrutar liberdade, vida, alegria e paz. "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."

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o VEREDICTO Por isso a ira do Senhor está acesa contra seu povo, e ele estende a sua mão contra eles e os fere: de maneira que os montes tremem e seus cadáveres estão dilacerados no meio das ruas. Apesar de tudo isso a sua ira não se aplaca, mas ainda está estendida a sua mão (Isaías, 5:25).

Aqui neste versículo o profeta está pronunciando seu veredicto. Deus lhe deu esta mensagem para Israel porque as coisas estavam começando a dar errado. Havia falsos profetas: aliás, sempre houve. Está registrado que eles eram as pessoas que sempre chegavam e ... "curam a ferida da filha de meu povo, superficialmente, dizendo paz, paz; quando não havia paz" (Jeremias, 8: 11). Este é sempre o problema com os falsos profetas. Eles estão aí para agradar, ser populares, sabendo que o povo gosta de ouvir: "Paz, paz"! As pessoas gostam de ouvir que tudo está bem: "Não se preocupe!" "Não fique ansioso!" "Não tenha medo!" "Há algo errado, sim, mas não é nada sério, logo vai se resolver." "Paz, paz ..." E havia muitos desses falsos profetas falando ao povo de Israel. 145


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Mas o verdadeiro profeta é chamado por Deus, e sua mensagem não é uma mensagem de "paz, paz". Ele não olha meramente para as condições exteriores, e faz um diagnóstico superficial; nem está preocupado em simplesmente medicar os sintomas. Ele está preocupado com a verdade; ele realmente quer ajudar, e sabe que você tem que ser cruel, sincero. Ele diz a verdade, e é isto que temos no capítulo S. Todas estas coisas virão até vocês, diz o profeta, porque vocês não se conduziram como povo de Deus. Este é o significado, como já vimos, daquele poema, daquela parábola, nos primeiros sete versículos. Então, Isaías passa pelos pecados e transgressões específicos dos quais o povo era culpado, e, como acabamos de ver, resume tudo em uma acusação final contra o povo de Israel, dizendo: "Eles jogaram fora a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram as palavras do Santo de Israel." Esta é a acusação, e, agora, aqui está o veredicto desta acusação: "Por isso a ira do Senhor está acesa contra seu povo, e ele estende a sua mão contra eles e os fere." Ela foi severa, e não terminou; até isso não é o fim. " ... mas a sua mão ainda está estendida". Por quê? Porque eles não se arrependeram. Vamos examinar esta grande mensagem juntos. Note que ela nos faz lembrar do que trata. É claro que, da palavra mais proeminente em todo o capítulo, a palavra "ai". Seis "ais" foram pronunciados, e aqui está a conclusão na palavra "ira" ou "cólera". Depois disto o restante do capítulo é puramente descritivo. Os versículos de 26 até o final não são nada mais do que uma descrição detalhada do tipo de punição que Deus estará enviando ao povo de Judá. Então, esse versículo é, realmente, o final de nosso estudo deste capítulo. Ao chamar sua atenção para esse versículo, estou totalmente consciente de que não há um aspecto da mensagem bíblica que perturbe tanto os homens e mulheres modernos quanto a ira de Deus: Deus, aquele que pune o pecado e a iniqüidade. Não há nenhuma parte, nenhum elemento no ensino bíblico, contra o qual as pessoas tenham uma objeção tão violenta e enraizada como esta verdade em particular. Agora, é claro que não é nada surpreendente que as pessoas julguem isto questionável. Particularmente, não surpreende que seja 146


o VEREDICTO questionado pelo tipo de pessoa que estávamos examinando quando lidamos com aqueles que contestam toda noção de lei, uma noção completa, em última instância, da moralidade, e na verdade de todo o ensino sobre Deus. Não é uma surpresa que façam objeção a esta doutrina da ira de Deus. Eles seriam inconsistentes se não a fizessem. Eu quero crer que a posição deles é em tudo coerente e lógica. Se você não crê em leis, não posso esperar que creia na doutrina da ira de Deus e da punição do pecado por ele. Uma, inevitavelmente, acompanha a outra. Assim, a objeção quanto a esta doutrina é encontrada entre aqueles que não são cristãos e que estão fora da Igreja. Eles a contestam acima de qualquer outra. Eles dizem: "Nós entendemos a idéia do amor de Deus, mas esta noção de ira e da mão de Deus estendida, isto é impossível." "O homem natural", como a Bíblia classifica essas pessoas, aquelas que não se professam como cristãs, ressente-se desta doutrina. Aliás, sempre tem sido assim. Mas, coitado}, a objeção não está confinada às pessoas que estão fora da Igreja. Existem muitas que estão dentro da Igreja e fazem tantas objeções quanto as que estão fora. Elas têm uma visão das Escrituras que chamam de "liberal", e, assim, abominam esta doutrina da ira de Deus. Agora, quero lidar, em particular, com este segundo grupo, mas, é claro, ao mesmo tempo creio que estarei, de algum modo lidando com o caso dos que estão fora da Igreja. Rendo minhas homenagens, deixe-me repetir, aos que estão de fora, porque, de alguma forma, eles são consistentes e lógicos. Eu, porém, não posso homenagear os que estão dentro da Igreja e negam a doutrina da ira de Deus. Eles, realmente, estão mima posição indefensável, como espero mostrarlhe; não há consistência nenhuma neles. Sejamos, ao menos, pessoas consistentes, que se posicionam, não pessoas que estão metade dentro e metade fora, pessoas que pegam um pedaço e largam o resto. É tudo ou nada, quando se trata desta doutrina bíblica. Este é um assunto vital, visto não apenas do ponto de vista da mensagem cristã e da Igreja mas também de um ponto de vista geral político e social. Se fosse meu objetivo fazê-lo, acredito que não teria muita dificuldade em demonstrar que um grande número de nossos problemas atuais - estou-me referindo aos políticos e 147


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sociais - derivam, realmente, desta enraizada objeção a toda noção de disciplina, ordem, lei, retidão, justiça e retribuição. Eu acredito em que a objeção a esses princípios dá explicação, em uma grande medida, da ruína da disciplina da vida no lar, e pode também ser a raiz de muitos dos problemas da delinqüência juvenil. Mas - outra vez - sejamos honestos e justos. Sei que estamos neste século sofrendo de uma reação contra aquilo a que já me referi como vitorianismo. Longe esteja de mim tentar defender o tipo vitoriano de pai - aquele tirano -, porém, o mundo reagiu tão violentamente contra ele, que essa reação, é claro, como todas as reações, foi longe demais. Ela alcançou um ponto de ilegalidade, e o pai moderno, em seu desejo de não ser como o durão, ranzinza, dedo-duro, truculento, sem amor, pai vitoriano, tornou-se tão fácil e indulgente que não crê, de forma alguma, em disciplina. E o resultado é o que, infelizmente, tem-se testemunhado, com tanta freqüência, na vida do lar e da família, nas escolas, e na falta em geral de um comportamento decente entre os jovens e as crianças. E ainda outro resultado - que só menciono ocasionalmente é a nossa atitude em relação a prisões e ao que deveria acontecer em uma prisão. Qual é o propósito em mandar alguém para a cadeia? Hoje, a idéia já não é a de punir o ofensor: não cremos em retribuição. O objetivo da prisão - explicam - é a reforma. Mas você está familiarizado com alguns dos detalhes para os quais isto tem levado a questão, por exemplo, de se existe uma coisa tal como o pecado, no momento está na balança. Na verdade, a questão principal de que haja essa coisa como o crime também parece estar em julgamento. Para algumas pessoas, muito em breve não haverá criminosos: todos estaremos "doentes", de uma forma ou de outra! O crime se torna um assunto médico, não um problema legal, e, assim, não se punem mais as pessoas: elas são "tratadas" ... Você chama os psiquiatras, e já não há punição. Penso que é tempo de começar a examinar-se mais seriamente, toda essa questão, porque nossos modernos esforços não parecem dar resultados muito bons. Mas aí está esta contestação fundamental a toda idéia de lei e aplicação da lei, especialmente quanto à punição: é uma coisa para a qual o pensamento moderno tem uma objeção muito enraizada e violenta. 148


o VEREDICTO Então, qual é a dificuldade? Por que esta objeção? E particularmente, por que existe esta discussão entre pessoas que se chamam a si mesmas de cristãs? Parece-me que duas são as respostas óbvias. A primeira é a de que as pessoas não se submetem à revelação da Bíblia. Isso é fundamental. Em última análise, só existem duas posições abertas, tanto para os que estão dentro quanto para os que estão fora da Igreja: ou se submetem à revelação e ao ensino da Bíblia, ou os rejeitam. Até onde entendo, esta é a única classificação que interessa. Nada mais interessa do ponto de vista da pessoa que crê na Bíblia. O problema com essas pessoas que dizem ser cristãs e ainda assim não crêem em punição é o de que elas aceitam a Bíblia em algumas coisas, mas não em outras. Elas explicam que não crêem porque não podem reconciliá-Ia com a idéia de um Deus de amor. E as pessoas de fora dizem a mesma coisa: "É impensável que Deus tenha ira ou cólera, ou que venha a levantar a sua mão para punir." E continuam: "Tal Deus não é um Deus de amor, e eu não poderia crer nEle desse modo." Até mesmo pessoas dentro da Igreja dizem isto. O problema é que sua noção de Deus não se deriva da Bíblia, mas do que pensam de Deus, do que pensam do amor. Eles partem de suas próprias idéias, e, porque a Bíblia não concorda, eles a rejeitam. Eles são os juízes, o modelo, e desprezam toda a categoria da revelação; então, veremos o significado disto. Mas a segunda razão para isso - e para mim a mais importante, e ao mesmo tempo muito fascinante! - é esta: As pessoas não conseguem ver a unidade da mensagem bíblica. Muitas doutrinas diferentes são ensinadas na Bíblia, mas a glória da Bíblia é a sua unidade: são, todas, facetas de uma grande verdade central unificada. Só isto, no que me concerne, seria mais do que suficiente para me fazer crer que a Bíblia é a Palavra de Deus. Aqui, está um grande livro que consiste em 66 ~ incorporados em um, escritos cm épocas diferentes, por autores diferentes, com séculos de intervalos, e, ainda assim, dizendo todos a mesma coisa. Existe uma 'r;1I1de mensagem do Gênesis ao Apocalipse, um tema central. Tudo c: levado a uma magnífica unidade. Há uma inteireza que é xuprcrna . divina, e o problema com as pessoas é que elas não a enxergam. Elas examinam as doutrinas isoladamente, e, pelo fato de axxim 149


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fazerem, concentram-se nos particulares e deixam de fora o geral, não conseguindo entender nem mesmo o particular. Por esta razão, tendem a estar erradas em cada ponto. Se você deixar de fora esta doutrina da ira de Deus, toda a doutrina da salvação entrará em colapso. Se eu não cresse na doutrina da ira de Deus, não entenderia a morte de Cristo na cruz: ela não teria sentido para mim. Você não pode ficar escolhendo neste assunto; ou você leva tudo ou não leva nada. É por isto que devo enfatizar, outra vez, que as pessoas que me parecem estar fazendo o maior mal à causa cristã são os cristãos inebriados, não as que estão, de fato, fora da Igreja. Elas perdem o ponto principal, a inteireza, a unidade, a grandiosidade. Não vêem como cada doutrina se encaixa com a outra! Elas não entendem que, se você tirar uma, destrói tudo. Então, as pessoas que não crêem na doutrina da ira de Deus nunca têm uma visão correta da Cruz. A visão delas da Cruz é algo sentimental, superficial. Tem que ser assim, visto que não se apropriam da chave essencial ao entendimento da glória da Cruz. Vamos, então, olhar para aquele momento que aconteceu na Sexta-Feira da Paixão, quando Jesus de Nazaré estava crucificado no Calvário entre os dois ladrões. Ele entrara em Jerusalém montado em um jumento, e as pessoas haviam estendido suas roupas, cortado ramos de palmeiras e forrado a estrada; e gritavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor" (Marcos, II:9). Mas ele estava indo para a morte, para a crucificação, para a vergonha, para a ignomínia, para o deboche e para um sofrimento incrível. Mas que significa tudo isto? É uma questão de História. Jesus de Nazaré pertence à História. O Domingo de Ramos aconteceu mesmo.'!' Não é uma história, é um fato que aconteceu. E a grande questão que deveria preocupar-nos é esta: Quem é este Jesus? Que estava fazendo ali, esta pessoa montada em um jumento? E o mais importante: Por que Ele acabou pregado na cruz? Tudo isto tem ou não um significado? Minha opinião é a de que você nunca compreenderá, a menos que entenda o ensino bíblico em relação à ira de Deus, e sua ira sobre o pecado. (I)

Esta mensagem foi pregada no Domingo de Ramos de 1964.

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o VEREDICTO Por que isto é tão essencial? Vou apresentar-lhe três respostas. A primeira é a de que a doutrina da ira de Deus é absolutamente essencial ao entendimento da verdade sobre o próprio Deus. Aqui, é claro, está a proposição primária. Tudo é uma questão de conhecer Deus. Qual é a verdade sobre Deus? É disto que o Cristianismo trata. A idéia de que o Cristianismo é apenas algo que confere um sentimento bom - ou me faz esquecer os problemas, que é um tipo de ópio ou paliativo - é a mais perfeita e completa caricatura. Sei muito bem que Deus sempre tem sido apresentado assim: "Venha a Jesus, e você terá isto, e isso, e aquilo ..." Mas este não é o cristianismo bíblico. O Cristianismo bíblico é este: Deus e meu relacionamento com Ele! Mas quem é Deus? Que é Deus? Esta é a questão fundamentaI. Que sei sobre Deus? Não muito. Como posso saber algo sobre Ele? Veja, crer ou não na ira de Deus depende de sua visão de Deus. Mas, de onde você tira esta visão? E aqui está o ponto no qual muitos se desviam. "Poderia você, procurando Deus, encontrá-LO? (Jó, I I :7). Bem, o apóstolo Paulo, um homem culto e brilhante, diznos "o mundo mediante a sabedoria" - referindo-se à filosofia "não conheceu a Deus" (I Coríntios, 1:21). Ah, sim, os filósofos estavam indagando sobre Ele ... Não há dúvida de que aqueles homens poderosos haviam lutado com este problema. Eles estavam conscientes da complexidade da vida e tentavam entendê-la. Estavam fazendo perguntas fundamentais. Mas o problema é que eles nunca poderiam chegar a uma resposta. Pode um homem encontrar Deus, procurando-O? E a resposta é "Não." Às vezes, penso que não há nada mais interessante em todo o Novo Testamento do que a história em Atos, 17. É a história da visita feita pelo apóstolo Paulo à famosa cidade de Atenas. Não há dúvida de que ele fora ali de férias. Depois de haver sido tratado mal em Tessalônica e em Beréia, seus amigos levaram-no até o mar e ele partiu para Atenas a fim de descansar. Mas ele não pôde descansar. Ele teve que começar a falar, porque, como disse ao povo ateniense: "Eu percebo que vocês são bastante supersticiosos sobre todas as coisas." Que levou Paulo a esta conclusão? Encontrou a famosa cidade de Atenas, o grande centro filosófico, a terra e o lugar da Filosofia, abarrotada de templos e altares a vários ídolos. E o mais 151


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interessante de tudo é que, entre aqueles altares, encontrou um com a inscrição: "Ao Deus Desconhecido." Esta era uma tremenda confissão. Atenas conhecera o melhor da Filosofia, e o grande período do florescimento da mesma. O tempo dos grandes "mestres" terminara - lembre-se -, quando isto aconteceu. Apesar, daquele ensinamento todo, porém, aqui estava um "Deus Desconhecido"! Havia um poder externo - acreditavam eles - maior que o homem e a sua mente, seu pensamento e seu entendimento; havia poderes influenciando este mundo; havia "deuses". Assim, na verdade, com sua filosofia eles tinham "religião demais", só que ainda estavam procurando por Deus e não conseguiam encontrá-LO. "O mundo, por sua sabedoria, não conheceu Deus", e ainda não pode conhecê-lo pela própria sabedoria. E a razão para isto é exatamente o caráter e a pessoa de Deus. Se eu conseguisse encontrar Deus, isto significaria que eu seria maior que Deus. Se Deus fosse um objeto que eu pudesse examinar e dissecar, então eu seria maior que Ele. Deus, porém, por definição, está além; Ele é absoluto, é eterno. E, assim, o ensino bíblico diz que homens e mulheres não podem, de forma alguma, saber algo sobre Deus, a menos que Deus escolha revelar-se a eles. É claro que reconheço que, mediante o estudo da natureza e da criação, você pode chegar a uma crença em um Criador. Esta foi a conclusão a que chegou Sir James Jeans: deve haver uma grande mente por trás do universo. Ele disse que seu conhecimento científico o fizera chegar a esta conclusão. Mas isto só leva ao conhecimento de Deus como algo poderoso, um Deus Criador. Este é o argumento do apóstolo Paulo no primeiro capítulo da Epístola aos Romanos. Ela pode levá-lo a isto, mas isto não é conhecer Deus. Quero conhecê-LO como ele é; quero conhecer um Deus pessoal; quero saber os atributos do caráter de Deus. E aí não posso ser bem-sucedido; aí, ninguém pode ser bem-sucedido, ninguém jamais foi bem-sucedido: este é o mistério de Deus! Ó mysterium tremendum! - como alguém já disse. E isto é o que Ele é. É o máximo: Deus! Estamos presos à revelação. Não sabemos nada sobre Deus, exceto aquilo que Ele se agradou em nos revelar. E graças a Deus por se haver agradado em nos dar essa revelação! Esta é a grande mensagem da B íbl ia. É uma grande falácia pen152


o VEREDICTO sar e dizer que a Bíblia é o maior relato da procura do homem por Deus. É exatamente o oposto. É o relato do fracasso do homem, e de Deus graciosamente se revelando, bem como seu propósito para o mundo. É um relato da revelação e não da descoberta. Trata-se de antíteses absolutamente opostas. Então, Deus nos deu sua revelação. Ele a deu a Adão, a Eva e a Caim, seu filho. Ele deu uma revelação de si mesmo ao povo antes do Dilúvio e ao povo que construiu a Torre de Babel, em sua sagacidade e esforço para alcançar os céus. Ele deu uma revelação nos Dez Mandamentos que entregou a Moisés, e na lei moral. Entregou a mensagem aos profetas. Na verdade, todo o Velho Testamento não é nada mais, em um certo sentido, do que um grande relato da revelação de Deus sobre si mesmo. E que ensina Ele? Isto: "Eu sou o Senhor teu Deus! Eu sou um Deus Santo!" Em todo lugar, é isto o que Ele nos conta sobre si mesmo. Colocou o homem e a mulher no Jardim e disse: Agora guardem os meus mandamentos, obedeçam à minha santa lei, e vocês se desenvolverão, crescerão e nunca morrerão. Mas, se não fizerem assim, morrerão, perecerão, serão expulsos. Esta foi a revelação da santidade de Deus. E foi da mesma forma que Ele se revelou a todos os profetas. Leia o que está resumido por Habacuque: "Tu [Deus] és tão puro de olhos que não podes ver o mal" (Habacuque, I:13). Esta é a grande mensagem do Velho Testamento: de que Deus é um Deus santo, um Deus justo e reto. E foi por não perceber isto que o povo de Israel enfrentou sempre problemas. Agora, vá ao Novo Testamento. Que dizer do ensino do Novo Testamento em relação a Deus? Veja o ensino do próprio Senhor Jesus. As pessoas dizem que não gostam do Deus do Velho Testamento, mas gostam do Deus-Jesus. Mas que Jesus disse sobre Deus? Bem, vejamos a Oração do Pai Nosso, com a qual ensinou o povo a orar. Ela começa com "Pai nosso"! Sim, mas não deixe que alguém pense: Ah, Deus é como um pai, não é? Igual ao pai moderno, indulgente, que sorri docemente sobre o que você faz ou deixa de fazer. Não! "Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome!" É assim que Ele nos ensina a orar! Não "papaizinho"; não como alguém com quem possamos estar 153


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familiarizados, mas "Deus que está no céu, santificado seja o teu nome." Alem disto, quando você lê os relatos das próprias orações de Jesus, observe como, invariavelmente, Ele orava: "Pai Santo"! Aqui está Jesus Cristo, a encarnação do Deus de Amor. Seu ensino sobre Deus é o de que Ele é um Deus santo, justo e reto, e que é a própria antítese do pecado, do mal e de tudo que está errado. Este é o ensino de nosso Senhor. Vá, agora, ao ensino dos apóstolos, e encontrará a mesma coisa. Eles dizem: "Deus é luz, e nele não há treva alguma" (I João, I :5). "Nosso Deus é um fogo consumidor" (Hebreus, 12:29). Todos são unânimes em seus ensinamentos. O ensino da Bíblia no Velho Testamento e no Novo é uma grande revelação deste Ser Augusto. Deixe-me acrescentar que os judeus, apesar de todo o seu pecado e de toda a sua recalcitrância, tinham um conceito fundamentaI sobre a santidade de Deus, pois Deus lhes dera seu próprio nome. Ele disse: Eu sou Jeová! "Eu sou o que sou" (Êxodo, 3: 14). "Eu sou o que serei! Eu sou de eternidade a eternidade! Eu sou um Deus santo"! Eles não tinham nem coragem de pronunciar o nome de Deus. Era tão sagrado, tão santo, que se referiam a Ele como "o Nome". Eles foram ensinados assim. Veja Moisés e a sarça que queimava sem cessar! Ele se interessou pelo fenômeno, e como um típico homem moderno se perguntou a si mesmo: "Que é isso? Agora, vou voltar e ver esta grande visão" (Êxodo, 3:3). Então, veio a palavra: Para trás! "Descalça as sandálias dos teus pés, porque o lugar que estás pisando é lugar santo" (Êxodo, 3:5). Isto significa que Deus não é para ser examinado; Ele não é um fenômeno para nossa investigação científica. Deus é! Ele é santo, e é como fogo. Deus é luz. É justiça e retidão, e devo humilhar-me diante dEle; descalçar os sapatos, porque estou em território santo. Não sou o examinador: sou o adorador. Eu devo calarme; tenho de ouvir. E certamente, isto é algo que deve ser óbvio para todos nós. Esta é a revelação, e assim tem de ser. O atributo essencial de Deus é glória. Não podemos definir a glória; não sabemos nada sobre ela. Somos muito manchados, indignos, poluídos. Deus Glória, porém, é o absoluto em tudo: absoluto em santidade e retidão, o

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o VEREDICTO maximo em justiça, amor, misericórdia e cornpaixao. Deus é onisciente; onipotente e onipresente. Todos os seus atributos são perfeitos e são todos um em sua eterna pureza. Luz eterna! luz eterna! Quão pura a alma deve ser, quando, colocada diante da tua visão que escrutina, não se extingue, mas em tranqüilo deleite pode viver e a ti ver. Thomas Binney Imortal, Invisível. Deus de sabedoria, na luz inacessível escondido de nossos olhos, Abençoado, Glorioso, Ancião de Dias, Poderoso, Vitorioso, teu grande nome louvamos. Walter Chalmers Smith

Mas esta descrição não é nada! Ela não define Deus; vai além disto. Tudo que sabemos é que Deus é glorioso em todos os seus atributos, e é inconcebível que Ele não seja santo. Se Deus pudesse misturar-se com o pecado, o mal, o vício e as coisas com que estamos tão familiarizados, não mais seria Deus. Deus é exatamente o oposto do que sou, em toda a minha pequenez, finitude, indignidade e feiúra. Deus é o eterno contraste de tudo isto, em toda a sua glória e maravilha e perfeição, e é inconcebível que esse Deus possa fingir que não vê o pecado, que não o odeia, que todo o seu ser não o abomina. Deus não poderia coexistir com isto. Então, digo, com toda a reverência, que Deus tem que fazer algo a respeito do pecado. O ensino bíblico é que Ele fez e fará. Então, esta doutrina da ira de Deus é essencial, em primeiro lugar, para uma compreensão de Deus mesmo. Em segundo lugar, porém, esta doutrina é absolutamente essencial a um entendimento da história humana. E quando digo história humana estou-me refirindo a toda a história da civilização de que se tem conhecimento, da raça humana, a história que temos disponível. É essencial como? Bem, como você explica a história passada do mundo até este momento? Deixe-me fazer-lhe, mais uma vez, a pergunta: Por que o mundo está como está? Por que esta 155


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desordem? Por que a confusão? Por que o sofrimento, a dor, a agonia, a corrupção, a baixeza moral e a injustiça? Por que tanta infelicidade no mundo? A Bíblia tem uma resposta para isto, para mim a única adequada. É a seguinte: Não é porque o mundo esteja passando por algum processo evolucionário doloroso na direção da perfeição, porque não há nenhuma evidência disto. O mundo está tão mal hoje quanto sempre esteve. Não. A resposta é, que Deus fez um mundo perfeito e pôs um homem e uma mulher perfeitos nele, e a vida teria sido um paraíso. Deveria haver sido uma vida santa, limpa, pura, feliz e alegre. "Então, por que as coisas estão do jeito que estão?" - você me perguntaria. A Bíblia tem suas respostas: É porque o pecado entrou, porque o homem e a mulher se rebelaram contra Deus. Com efeito, já vimos que Deus lhes disse: Vivam como eu criei vocês e como espero que vocês vivam, e terão apenas felicidade. Se, porém, assim não fizerem, trarão a punição sobre vocês. Deus os avisou; não havia desculpas. Eles entenderam os termos, que estavam bem claros e razoáveis. Em sua indescritível tolice, porém, e na arrogância de seu orgulho, eles se rebelaram contra Deus, e Deus fez o que disse que faria. Ele os puniu e os retirou do Paraíso. E avisou: "Comerás teu pão com o suor do teu rosto" (Gênesis, 3: 19). Mas não foi somente isto. Ele também amaldiçoou a Terra, e espinhos e sarças começaram a crescer. Daí por adiante, a vida da humanidade seria uma luta, a semente da serpente contra a semente da mulher, conflito, tensão, problema, guerras, calamidades, doenças malditas, todas estas coisas entrariam como parte da punição pela rebelião e pelo pecado. Deus avisou que aconteceria, e aconteceu. Sugiro a você que não existe uma explicação mais adequada para o estado em que o mundo está hoje. Assim como está expressa, você a encontrará através do Velho Testamento. E ela está confirmada repetidamente na vida das nações fora da história do Velho Testamento. Deus tomou um homem chamado Abraão e fez dele uma nação. Ele disse: "Eu vou fazer um povo para mim." Então, abençoouos e derramou seus dons sobre eles. Disse, também: "Vocês só têm 156


o VEREDICTO que viver de uma maneira que me glorificará, e eu continuarei abençoando vocês. Se assim não fizerem, eu os punirei." Mas eles não obedeceram. Eles se rebelaram contra Ele, e, embora fossem seu povo escolhido, Ele os puniu. Deus levantou inimigos contra eles, que os conquistaram e os levaram para o cativeiro. Esta é a história bíblica. É tudo uma parte da punição do pecado. Como já vimos, encontramos esta verdade no caso de indivíduos. Alguns deles grandes homens, os maiores homens de todos. Veja o caso de um homem como Davi. Ficamos sabendo que ele era um favorito de Deus. E que homem poderoso era ele, um grande rei, um grande líder militar, um grande poeta, um grande sal mista. Mesmo assim, ele teve que sofrer muito neste mundo. Por quê? Por causa do seu pecado! Ele quebrou as leis de Deus, rebelou-se contra Ele, e a punição lhe sobreveio. Pobre Davi! Ele teve um aspecto trágico de vida. Começou tão bem, mas veja o final: tudo porque não deu ouvidos a Deus. Por isto teve que suportar as conseqüências de suas ações. Deus o puniu, apesar de ele ser seu servo escolhido. Isto aconteceu no passado, mas dá-se também no presente. O mundo atual está tão cheio de problemas como sempre esteve. Apesar de todos os avanços e de toda a nossa educação, o mundo enfrenta seriíssimos problemas. Não conheço nenhuma outra explicação além da que é dada pelo apóstolo Paulo em Romanos, I,onde ele repete três vezes: "Deus os entregou"; como em Romanos, 1:28: "Deus os entregou a uma mente reprovável." Isto é parte do julgamento de Deus. Quando a humanidade não dá ouvidos a Deus, não ouve seus apelos, e rejeita suas ofertas, então Deus começa a punir. E uma das punições é a de retirar suas restrições. Ele permite que os homens e as mulheres "façam seu jogo" como queiram. É assim que ele diz: "Muito bem, você acha que pode continuar sem mim, então vá adiante." E creio que esta é a grande e terrível explicação para este nosso século XX. Deus está, nos permitindo "ir adiante", mas sozinhos. As limitações se foram, e tudo que Deus faz para confinar o mal está sendo liberado. Estamos, assim, testemunhando o inferno escancarado. Ele nos entregou a uma mentalidade reprovável. Deus repetiu muitas vezes no Velho Testamento: "Não há paz (...) para o perverso" (Isaías, 57:21). Você pode ser muito culto, 157


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mas isto não lhe dará paz; você pode ser muito rico, mas não pode comprar a paz. Graças a Deus que não! Graças a Deus que neste mundo moderno existem algumas coisas que dinheiro nenhum consegue comprar! Você não pode comprar felicidade, tranqüilidade, amor verdadeiro, saúde intocável, a paz de consciência, a isenção do medo da morte. Dinheiro não serve, cultura não serve; nada serve. "Não há paz" - diz o meu Deus - "para o perverso." Quer você queira, quer não, você está no mundo de Deus, e suas leis ainda estão em operação. Faça o que fizer, você nunca encontrará paz, a não ser que reconheça que há um Deus e, então, submeter-se a Ele. Há uma outra frase muito importante, como já vimos: "O caminho dos transgressores é duro" (Provérbios, 13: 15). Sempre foi e sempre será. Não se pode pecar e sair impune. Você terá que pagar por ele. Pagar talvez com sua saúde, ou com a sedação de suas faculdades, ou em um gradual embrutecer de toda a sua aparência. "O caminho dos transgressores é duro." Tem sido sempre assim, ainda é, e sempre será. Há uma explicação para o passado e para o presente. E que dizer do futuro? Bem, de acordo com esse texto, as coisas não vão melhorar nada. Mas alguém pode argumentar: "Eu pensei que em algum momento haveria um pouco de esperança! Você diz, porém, que as coisas vão piorar? A Bíblia diz-nos: "Os Homens maus (...) irão de mal a pior" ( II Timóteo, 3:13), e "haverá guerras e rumores de guerras" (Mateus, 24:6). Pode haver movimentos políticos e outros movimentos contra a guerra, e grandes esforços para "banir a bomba" - mas as guerras nunca vão terminar. Por que não? Porque a guerra está no coração humano. Por que ficar ofendido quando um tirano invade um país e o anexa? Por que tanta indignação sobre isto, se você desculpa o indivíduo que invade o lar de outro homem, sua vida conjugal, e te rouba dele a esposa; ou vive uma vida dupla e sórdida: lá e cá? Qual, em princípio, é a diferença? Nenhuma! E é por isto que o mundo nunca será capaz de se reformar a si mesmo, ou de se salvar. Ele tem tentado fazer isto através dos séculos! Esta é a grande história da civilização. Vamos voltar à Grécia. Veja seus planos utópicos. Por que não aconteceram? Qual foi o problema? 158


o VEREDICTO Só há uma resposta: "Não haverá paz" - diz meu Deus - "para o perverso." Na verdade, a mensagem bíblica conduz a isto: a história está-se encaminhando para um clímax. Ela diz que Deus começou o processo temporal, que Ele ainda o tem sob controle, e que o mundo será julgado com justiça. Você encontra isto em toda a Bíblia. Será a coisa mais impressionante que jamais poderemos contemplar. Mas, para mim, embora seja algo aterrador, agradeço a Deus por ela, por me mostrar que tenho a dignidade da responsabilidade, que não sou uma simples máquina, um mero agregado de princípios biológicos ou um fortuito resultado das emissões das glândulas sexuais. Ela me diz que sou um ser humano responsável diante de Deus; que terei que aparecer perante uma corte de julgamento, e que por Deus me é concedida a honra de prestar contas de minha mordomia da alma que Ele me deu, e de minha conduta e comportamento neste mundo temporal. Tudo conduz a um julgamento final. Então, estou argumentando que você não pode entender a história humana e a história do mundo se rejeitar a grande doutrina da ira de Deus sobre o pecado. Mas em último lugar, se você rejeitar esta doutrina, nunca entenderá a graça de Deus, o amor de Deus, nem compreenderá jamais o Evangelho. Acima de tudo nunca entenderá a cruz de Cristo, nunca! Esta só se pode compreender à luz do ensino bíblico no que se refere à ira de Deus sobre o pecado. É por esta razão que estou tão preocupado com esta doutrina. Ao rejeitá-la, você rejeita todas as mais maravilhosas coisas de todo o Evangelho. Reflita sobre isto desta maneira: se a única coisa em que temos que crer é no amor de Deus, e se - como a maioria faz - o interpretamos como significando que não importa o que façamos, contanto que vamos a Deus e lhe digamos "Eu sinto muito", e Ele nos perdoará; se isto é realmente verdadeiro, então por que seria necessária a Encarnação? Se o amor de Deus é a única coisa que interessa, e se isto resolve todos os problemas; se todo o universo, toda a humanidade vai para o céu porque Deus é amor, por que, então, o Filho de Deus veio a este mundo? Qual o objetivo? O povo de Israel recebera a mensagem sobre Deus como sendo amor: "Quando meu pai e minha mãe me abandonarem" - diz o salmista: 159


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"então o Senhor me acolherá" (Salmos, 27: 10), e os profetas estão repletos deste grande ensinamento. Então, pergunto: "Se tãosomente o amor de Deus é a doutrina na qual temos que crer, e se devemos rejeitar a ira de Deus, por que, afinal, o Filho de Deus deixou os lugares celestiais e veio nascer como um bebê? Por que viveu em absoluta e completa pobreza? Por que trabalhou com as próprias mãos como carpinteiro? Por que, acima de tudo, morreu naquela cruz? Se Deus é amor, e é só amor, por que permitiu que seu Filho morresse? Ele poderia havê-LO poupado. O próprio Jesus falou: "Se eu quisesse escapar, eu o faria facilmente. Eu comandaria doze legiões de anjos e eles me carregariam para o céu" (Mateus, 26:53). Mas não: "Ele se fez como nós para cumprir toda a justiça" (Mateus, 3: 15). Mas por que a cruz? Só há uma explicação: por causa da ira de Deus contra o pecado. Eu digo isto com reverência: o amor de Deus não pôde lidar apenas com o problema do pecado humano. Ele precisou da Encarnação. E isto leva às maiores glórias do Evangelho. Aqui está: "Vindo porém a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gálatas, 4:4,5). Ou deixe-me citar outra vez o texto favorito da maioria: João, 3:16 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único Filho" - para quê? - "para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Só há uma explicação para a vinda do Filho de Deus ao mundo, e para o fato de Ele haver ido para a cruz: para que homens e mulheres não "perecessem"! Este é o Evangelho cristão. Esta é a manifestação do amor de Deus: que Deus enviou seu Filho ao mundo para nos salvar da sua própria ira sobre o pecado. Deixe-me resumir citando dois versículos nos quais o apóstolo Paulo traduziu isto muito claramente:

o

qual Deus propôs, 110 seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impune os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente; para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus (Romanos, 3:25,26).

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o VEREDICTO Que significa isto? É o seguinte. O problema do perdão de pecados é o maior problema que o Deus eterno jamais teve que enfrentar. Criar o mundo não foi nada: tudo que Ele teve que fazer foi dizer "Haja luz ... " Uma palavra, umfiat, foi o suficiente. Mas como os homens e as mulheres poderiam ser perdoados? Este é o problema, diz Paulo. Como Deus pode ser justo e, ao mesmo tempo, perdoar o pecador? Como Deus pode continuar santo e extremamente afastado do pecado e, ainda assim, perdoar as pessoas que pecam? Este é o problema na mente e no coração do Deus eterno. O amor apenas não pode resolvê-lo, porque a justiça e a retidão insistem no julgamento. As leis de Deus devem ser vindicadas. O pecado é uma afronta contra Deus, uma agressão à sua pessoa e uma rebelião contra Ele. O que importa não são meramente nossas ações, mas o que elas determinam em nossa atitude com relação a Deus, porque para nós, pecar é desafiar o eterno e glorioso Deus, que tudo fez e tudo possui. A honra de Deus, seu caráter e sua pessoa devem ser vindicados. Deus não pode perdoar de uma maneira que de alguma forma lance algum reflexo ou dúvida sobre sua justiça e retidão. Então, aqui está o problema: Como é possível que Deus continue justo e, ao mesmo tempo, justifique o perverso, o pecador e o rebelde? Como poderia Ele fazer isto? E a resposta é - diz o apóstolo Paulo - que só havia um caminho, e Deus o escolheu. E, se você quiser saber algo sobre o amor de Deus, é aqui que você encontra. O amor de Deus pelos homens e pelas mulheres decaídos é tão grande que Ele enviou seu próprio Filho como "uma propiciação, mediante a fé em seu sangue". "Mas que significa isso?" - alguém pergunta. Significa que, embora você haja pecado e se rebelado contra Deus, e não obstante se haja transformado em algo que é uma caricatura da natureza humana, Deus o ama tanto que coloca seus pecados e os meus sobre seu querido Filho único, e o Filho os recebe de boa vontade sobre si. Quando Deus examinou o problema, o Filho disse: "Aqui estou para fazer a tua vontade" (Hebreus, 10:7,9). Alguém tinha que se apresentar para receber a punição. Deus tem que ser justo, e sua justiça tem que punir o pecado! Então, quer 161


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saber como alguém pode ser perdoado? Aqui está sua resposta: o pecado foi punido no Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Foi por isto que ele morreu! Foi por isto que Ele não deu ordem às doze legiões de anjos que O salvassem. No Jardim do Getsêmane, suando grandes gotas de sangue, Ele orou três vezes dizendo: "Pai, se possível, passa de mim este cálice; no entanto, seja feita não a minha vontade, mas a tua" (Mateus, 26:39). Que Ele estava dizendo? Que "cálice" era esse? Que era isto que tanto O amargurava? Não era o medo da morte física. Os mártires não têm medo dela, e você o torna menor que eles, se disser que Ele estava meramente sofrendo com a dor física. Não, foi o seguinte: De fato, Ele se voltou para o Pai e disse: Existe outra forma pela qual a humanidade possa ser salva e perdoada que não seja tomando seus pecados e lançando-os sobre mim? Porque isto significaria que não poderei contemplá-lo e terei a sua ira sobre mim, mesmo que por apenas um segundo. Não existe outro modo? Mas, se não houver, ainda assim eu o farei. Isto é que é amor!: que este santo Filho de Deus fosse feito pecado por nós, e que a ira de Deus houvesse vindo sobre Ele. E agora você O ouve clamando em agonia na cruz: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus, 27:46) O Deus em cuja face Ele olhara da eternidade, escondeu dEle seu rosto e sua ira desceu sobre Ele, Jesus Cristo, o Filho de Deus. Tudo pela punição do teu pecado e do meu! Isto sim, é amor! E o resultado é que a justiça de Deus é vindicada e seu amor manifesto. A justiça e o amor se encontraram e se abraçaram. Os atributos santos de Deus abraçaram-se um o outro. Todos os santos atributos de Deus são glorificados juntamente na morte do Filho de Deus na cruz. Então, você nunca saberá nada sobre o amor de Deus, até que entenda o modo como Deus nos salva e nos livra da perdição, ao sofrer a punição que nosso pecado tão justamente merecia. À luz da cruz, você não tem argumentos. De nada vale sua reclamação sobre a ira de Deus; você nunca vai sofrê-Ia! Deus enviou seu próprio Filho para salvá-lo dela. Se você reconhecer seu pecado e se arrepender, e crer no Senhor Jesus Cristo, nunca conhecerá a ira dEle. 162


o VEREDICTO Então, você não pode reclamar. Se estiver sofrendo debaixo da ira de Deus, você não terá ninguém além de si para culpar. É seu orgulho do intelecto. Você pensou que entendia Deus, que podia ditar-lhe como Ele seria. Você disse: Eu não aceito a ira; só aceito o amor. Então, assim você trouxe a destruição sobre si porque insultou Deus, e de fato a merece. Nós, todos nós, merecemos a ira de Deus! E ninguém sabe disto tão bem quanto o cristão. Os cristãos não são o que são porque são bons homens e boas mulheres. Cristãos são pecadores vis, salvos unicamente pela graça de Deus. Os cristãos não se gloriam neles mesmos e em suas boas obras. Você sabe em que eles se gloriam? Deixe-me responder-lhe nas palavras de um hino: Sobre a cruz de Jesus, meus olhos às vezes podem ver a forma agonizante daquele que ali sofreu por mim; e do meu coração ferido, em lágrimas, duas maravilhas eu confesso: as maravilhas de seu glorioso amor e a minha própria falta de valor. Eu tomo. ó cruz. a tua sombra, como lugar para morada; não quero outro sol resplandecente senão o brilho da tua face; Contente em largar o mundo, desconhecer ganhos ou perdas meu ego de pecado, minha vergonha, minha única glória - toda a cruz, Elizabeth Cecília Clephane

O dia da graça - agradeça a Deus - ainda é este. Por quanto tempo mais eu não sei, mas não parece que o mundo se está preparando para um cataclismo final! Ainda não aconteceu: o portão da salvação ainda está aberto. Se você consegue enxergar esta verdade, reconheça-a diante de Deus e entre pelo portão. Deus o está 163


esperando para perdoar todos os seus pecados, aplicar o sangue de Cristo sobre eles, fazer de você um novo homem, ou uma nova mulher, e dar-lhe uma herança entre seus filhos na Glória eterna.

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Karmitta 123