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SILAS MALAFAIA

Como Deus trata os nossos problemas


GERENCIA EDITORIAL E DE PRODUÇÃO Gilmar Chaves COORDENAÇÃO

Copyright 2012 por Editora Central Gospel Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

EDITORIAL Patrícia Nunan

M ALAFAI A,

Silas

Como Deus trata os nossos problemas Rio de COORDENAÇÃO DE

Janeiro: 2012 64 páginas

DESIGN Marcos Henrique Barboza ISBN: 978.85.7689.264-9 1. Bíblia - Vida cristã

PESQUISA E

I. Título II.

ESTRUTURAÇÃO Friedrich Gustav Schmid Jr. As citações bíblicas utilizadas neste livro foram extraídas da COPIDESQUE Patrícia Nunan a

1 REVISÃO

Versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), salvo indicação específica, e visam incentivar a leitura das Sagradas Escrituras.

Juliana Ramos Patrícia Nunan

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total

REVISÃO FINAL Patrícia Calhau

ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios

DIAGRAMAÇÃO Marcello Antunes

não ser em citações breves, com indicação da fonte

CAPA Eduardo Souza IMPRESSÃO E

(mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc), a

bibliográfica.

Este livro está de acordo com as mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográfico, em vigor desde janeiro de 2009.

ACABAMENTO Esdeva a

1 edição: maio/2012

Editora Central Gospel Ltda Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara Cep: 22.713-001 Rio de Janeiro - RJ TEL: (21)21877000 www.editoracentralgospel.com


SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ....................................................... 5 CAPÍTULO 1 - Deus nos confronta com os nossos problemas ..................................................................... 9 A história de Esaú e Jacó................................................10 Um pouco mais da história de Esaú e Jacó .....................11 Como Jacó encarou seu problema?..................................14 A reconciliação como resultado........................................17 CAPÍTULO 2 – Quando Deus não Interfere diretamente para que nosso problema seja resolvido...............................................................19 Deus corrige quem Ele ama...........................................21 Deus nos ensina a fazer Sua vontade............................22 Deus promove o nosso aperfeiçoamento Espiritual........................................................................24 Quando nosso sofrimento glorifica a Deus.....................26 Quando nosso sofrimento reforça a mensagem do evangelho................................................27


CAPÍTULO 3 - Quando Deus nos dá a direção certa para resolvermos nossos problemas .................................... 31 Investigando as causas de nossos problemas ................ 32 O perigo de buscar Deus apenas diante de situaçõeslimite .............................................................................. 36 CAPÍTULO 4 - Os níveis de intercessão e a intervenção de Deus a nosso favor .................................................. 40 A intercessão de Cristo .................................................. 43 A intercessão do Espírito Santo ..................................... 45 A intercessão feita por nós mesmos em nosso favor ................................................. 46 A intercessão feita por nós mesmos a favor de outros ............................................................ 48 A intercessão feita pela Igreja, o Corpo de Cristo ........................................................... 49 Deus, um Pai amoroso e benigno ................................... 50 CAPÍTULO 5 - Armas espirituais que nos ajudam a resolver nossos problemas........................................... 52 A eficácia da oração....................................................... 52 O poder da fé ................................................................. 54 O poderoso nome de Jesus ............................................ 57 O amor e a obediência a Cristo ...................................... 58 A autoridade espiritual ................................................... 59


APRESENTAÇAO

Todos nós, independente de situação financeira, classe social, formação académica, etnia ou crença, enfrentamos problemas. E Deus pode usá-los para lratar-nos e revelar a nós Sua graça e vontade. Assim, diante de certos problemas, o Senhor pode agir de quatro maneiras bem distintas: confrontando-nos com eles; impedindo que sejam logo resolvidos; dando-nos instruções

sobre

como

resolvê-los;

ou

agindo

diretamente para solucioná-los. Por exemplo, no caso de Esaú e Jacó, que não so viam nem se falavam há anos, Deus preferiu confrontálos com o problema de relacionamento entre eles. Por quê? Porque Jacó, temendo a ira do irmão, viveu a distância, sem resolver a questão entre os dois, e isso prejudicava não somente ele, como também o restante de sua família. Na

maioria

das vezes,

fugir não

resolve

o

problema. Então, Deus fez com que Jacó usasse sua inteligência para elaborar uma estratégia a fim


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

de quebrantar o coração de Esaú e evitar, assim, a vingança deste. Esse foi o meio usado pelo Senhor para confrontar o medo de Jacó e tratar seu remorso por ele ter

se

apropriado

indevidamente

da

bênção

da

primogenitura do irmão. E esse confronto produziu um resultado muito positivo naqueles dois, pois eles se perdoaram e puderam seguir em frente com suas vidas. A segunda maneira como Deus pode escolher tratar conosco usando nossos problemas é impedindo que estes sejam logo resolvidos, com o objetivo de quebrantar-nos e moldar nosso caráter. Somos exortados a ser como o Senhor Jesus, a levar uma vida reta de acordo com a Palavra, e Deus usa também as adversidades para tratar-nos. Você conhece a história de Paulo? Ele

foi

submetido a todo tipo de sofrimento por pregar o evangelho e defender a fé cristã. Em sua vida, notamos a clara intenção do Altíssimo de promover o crescimento e aperfeiçoamento espiritual do apóstolo. Por isso, Paulo vivenciou tantos problemas. Mas, finalmente, ele se tornou um cristão mais forte e maduro; um referencial de amor e fé. Outra forma de Deus tratar conosco em relação aos nossos problemas é ajudando-nos a resolvê-los, dando-nos orientações práticas e eficazes. Para isso, precisamos pensar sobre as causas dos


SIL AS MA LA FAI A

nossos problemas e as melhores soluções para eles, bem como tomar as decisões e atitudes que nos conduzirão à saída apontada por Deus. Mas, em vez de ajudar-nos a resolver nossos problemas usando nosso potencial, Deus também pode intervir e solucioná-los. Isso é mais incomum, porém também é possível pela soberania divina. 0 Senhor pode entrar com Sua providência para curarnos do uma enfermidade grave, libertarnos de uma opressão maligna, ressuscitar nossos sonhos e fazer coisas inimagináveis. Devemos, pois, apresentar-lhe nossos problemas e rogar pela solução deles. Veremos que há cinco níveis de intercessão a Deus, com os quais podemos contar: a intercessão de Jesus Cristo, a do Espírito Santo, a da Igreja, a feita por nós mesmos e a feita por outras pessoas em nosso favor, e descobriremos como elas funcionam. Além da intercessão, veremos que Deus nos forneceu armas espirituais para tornar mais eficaz nossa ação em prol da resolução dos nossos problemas. Cada arma atua de uma maneira específica. Você verá como a oração, a fé, o amor, o nome de Jesus, a obediência a Cristo e a submissão às autoridades espirituais são importantes para sua vitória. Boa leitura!


Capítulo 1 Deus nos confront a com os nossos probl emas

Como Deus trata os nossos problemas? Simplesmente os resolvendo? Seria essa a resposta certa? Se fosse assim, estaríamos falando de uma Coisa fantástica, fenomenal. Muitas pessoas acham que basta agradecer a Deus, para que Ele faça com que os seus problemas desapareçam. Mas nem sempre é assim. A fé em Deus, sim, traz alegria ao nosso coração, paz à nossa vida, e dá-nos um sentido renovado de esperança para encararmos o dia a dia. E, em relação aos nossos problemas, tudo fica realmente mais fácil quando

somos

abençoados

por

Deus

com

Sua

intervenção direta ou indireta na resolução deles. Infelizmente, no entanto, o modo de operar do nosso Deus pode não ser de acordo com a nossa lógica. Para entendermos Sua maneira de trabalhar


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

e cooperar com Ele, precisamos refletir sobre como o Senhor trata nossos problemas. Em primeiro lugar, a atitude mais frequente de Deus em relação a eles é simplesmente não fazer nada. Isso parece uma contradição, mas é a pura realidade. Não significa que Deus nos abandone diante dos nossos problemas. Afinal de contas, Ele nos deu profetas, a Sua Palavra, o Seu Filho e realiza milagres em nosso meio, entre outras coisas. Deus nos fornece exemplos poderosos sobre como devemos comportar-nos, e eles são a base que nos sustenta diante das dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Em resumo, podemos dizer que Deus atua sobre os nossos problemas usando nosso esforço pessoal. Ele está trabalhando neste exato momento com o objetivo de tornar o mundo um lugar melhor. Para isso, o Senhor nos tira da nossa zona de conforto e leva-nos a enfrentar os nossos problemas. E Ele age por nosso intermédio para que sejam resolvidos.

A história de Esaú e Jacó Isso pode ser comprovado se lermos nas Escrituras a história de Jacó, que se apoderou da primo genitura de seu irmão Esaú e, usando de artimanhas,


SIL AS MA LA FAI A

recebeu a bênção patriarcal concedida por seu pai, Isaque, no lugar de seu irmão. O problema que essa apropriação causou a Jacó foi enorme. Durante anos, ele teve de manter- se a distância do pai e da mãe para fugir da ira de Esaú, que prometeu matá-lo se o encontrasse novamente. O tempo passou, mas um dia Deus confrontou Jacó com seu medo, a fim de que ele parasse de esconder-se e enfrentasse o problema que criara. O Senhor o mandou voltar à sua terra e, no caminho, Jacó se reencontrou com Esaú para resolver a questão. E disse o SENHOR a Jacó: Torna à terra dos t e u s p a i s e à tua parentela, e eu serei contigo. Génesis 31.3

Esse comando de Deus foi uma maneira de permitir que Jacó resolvesse o seu problema com Esaú. Um pouco mais da história de Esaú e Jacó Mas quem foram esses dois irmãos e por que se tornaram inimigos por tantos anos? Os pais de Esaú e Jacó foram Isaque e Rebeca. Os meninos, gémeos, já brigavam mesmo antes de nascerem, ainda no ventre materno:

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

E Isaque orou instantemente ao SENHOR por sua mulher, porquanto era estéril; e o SENHOR ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. E os filhos lutavam dentro dela; então, disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao SENHOR. E o SENHOR lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. E, cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gémeos no seu ventre. E saiu o primeiro, ruivo e todo como uma veste cabeluda; por isso, chamaram o seu nome Esaú. E, depois, saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso, se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou. Génesis 25.21-26

Os dois gémeos cresceram muito diferentes. Jacó era calmo e preferia a reclusão. Era o favorito de sua mãe. Por outro lado, Esaú era um hábil caçador, rapaz de vida ativa, e o preferido de seu pai. Certo dia, Esaú chegou à casa de sua família e pediu a Jacó um pouco do guisado que o irmão estava cozinhando. Jacó propôs que, em troca do

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SIL AS MA LA FAI A

alimento, Esaú concedesse a ele seu direito à primogenitura, honra especial que Esaú possuía por ser o filho mais velho de Isaque e Rebeca. Essa honraria garantiria a ele uma porção dupla da herança de seu pai. Esaú, por causa de sua fome, aceitou a troca e assim preferiu saciar uma necessidade física a honrar a bênção concedida por Deus. Em outras palavras, Esaú delegou seu direito de primogenitura a Jacó (Génesis 25.27-34). Quando chegou o momento de Isaque conceder sua bênção a seus filhos, Jacó e sua mãe decidiram enganá-lo, fazendo com que Isaque abençoasse Jacó, em vez de Esaú. Assim que Esaú descobriu que bênção havia sido concedida ao irmão, ameaçou matálo. Por isso, Jacó teve de lugir (Génesis 27.1—28.7). Anos depois, como veiemos mais adiante, Esaú e Jacó se reencontraram e reconciliaram-se (Génesis 33). Esaú e Jacó se tornaram, como determinado nas Escrituras, pais de duas nações. Deus mudou o nome de Jacó para Israel (Génesis 32.28) e trans- formou-o no pai das 12 tribos dessa nação. Já os descendentes de Esaú formaram o povo edomita (Génesis 36). Edom foi uma nação que maltratou Israel durante anos, sendo finalmente julgada por Deus (Obadias 1.1 -21).


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Como Jacó encarou seu problema? O problema entre aqueles irmãos foi resolvido de uma maneira simples: Deus fez com que Jacó parasse de fugir de seu irmão e o encarasse. Mas o Senhor não deu a Jacó todos os detalhes de como ser bemsucedido

nisso.

Jacó

precisaria usar sua própria

inteligência para se reaproximar e reparar Esaú pela perda que lhe causara. O que Jacó teria de fazer? Haveria solução possível para uma desavença tão grave? Deus não se manifestou a esse respeito, não falou a Jacó absolutamente nada sobre como resolver o problema, não deu sequer um sinal específico. Mas disse a Jacó algo que valeu muito mais do que qualquer "manual para resolução de desavenças": Eu serei contigo (Génesis 31.3b). Deus não

mostrou a

Jacó

como

seria

seu

reencontro com Esaú, não deu pista alguma, nada. E esse comportamento de Deus tem uma razão bem objetiva de ser. E qual seria essa razão? Por que Deus, muitas vezes, quando estamos diante de problemas muito sérios, não nos indica a solução? Porque Deus acredita no potencial e nos talentos que deu ao homem. O Senhor sabe que somos dotados de inteligência e que vamos empregá-la para resolver nossos

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SIL AS MA LA FAI A

problemas, porque isso é fundamental para o nosso desenvolvimento. Ao crescermos, aprendemos a usar nossa inteligência para encontrar saídas para situações adversas, o que nos faz realmente crescer, uma vez que é vivendo novas experiências que amadurecemos e preparamo nos para atingir patamares mais altos. É por isso que Deus não nos dá nada de mão beijada. O objetivo do Senhor é ensinar-nos a usar o nosso potencial de uma maneira plena o independente. Nosso intelecto nos permite pensar de modo objetivo e traçar estratégias para superar as situações adversas. No caso de Jacó, que se viu diante de uma situação extrema em que sua vida estava ameaçada pela iia de seu irmão Esaú, ele percebeu que seria necessário usar sua inteligência para buscar uma reaproximação segura de seu irmão. A primeira coisa que Jacó fez foi enviar mensageiros a Esaú levando-lhe presentes. Mas Jacó fez uma recomendação expressa a cada um dos mensageiros. Ele os mandou dizer o seguinte a Esaú: "O seu servo Jacó saúda o seu senhor, Esaú, com estes presentes". Não podemos esquecer-nos de que a maneira como dizemos algo a alguém pode resolver um problema ou agravá-lo. Foi uma estratégia muito eficaz esse ato de Jacó de enviar mensageiros com presentes para seu irmão com uma saudação humil 15


COMO DEU S TRATA OS N OSSOS PROBLEMA S

de que comunicava a submissão de um irmão mais novo ao mais velho. Demonstrar arrependimento e humildade, especialmente após cometermos um ato condenável,

é

uma

forma

poderosa

de

buscar

reconciliação. Jacó resolveu, em seguida, dividir sua família (e os bens que possuía) em dois grupos. A ideia era sobreviver a um eventual ato de agressão por parte dos homens de Esaú, caso o irmão não se sensibilizasse e insistisse na ideia de eliminar Jacó e sua linhagem. Os servos de Jacó foram instruídos a espalhar crias de seus rebanhos no caminho dos soldados de Esaú, caso este resolvesse comandar uma perseguição ao irmão por vingança. Ao encontrar cada uma delas, seria dito aos seus perseguidores que se tratava de uma oferta do servo Jacó ao senhor Esaú. Enquanto isso, Jacó definiu a estratégia

de

colocar-se na retaguarda, mantendo atrás de si somente suas esposas, para que o coração de Esaú fosse sendo abrandado

com

as

ofertas

antes

de

chegar

propriamente a ficar cara a cara com o irmão. Só assim, imaginava o futuro patriarca, seria possível obter a misericórdia de Esaú. Por isso, não foi necessário que Deus interviesse diretamente na situação para resolver o problema entre aqueles dois irmãos. Uma vez que Jacó acreditou em seu potencial e desenvolveu a estratégia correta


SIL AS MA LA FAI A

de reaproximação com Esaú, acabou por sanar um problema grave e aparentemente sem solução.

A reconciliação como resultado Porque fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, nosso criador, não devemos, pois, menosprezarnos achando que não temos capacidade para solucionar problemas. Ele não deu a nenhum outro ser, além do homem, essa capacidade. Nem anjos, querubins ou arcanjos possuem o nosso potencial, pois não foram criados à imagem e semelhança do Altíssimo. O potencial de que dispomos pode ser suficiente para resolver os nossos problemas, caso usemos a nossa inteligência e estratégias certas, escolhamos bem a

maneira

de

dizer

as

coisas

e

cultivemos

o

quebrantamento e a humildade. Esse conjunto de coisas poderá conduzir-nos à vitória e à solução dos nossos problemas. Foi assim que aconteceu na história de Esaú e Jacó. Para afastar a ira do irmão, que vinha ao seu encontro com 400 homens, talvez disposto a vingar- -se, Jacó lançou mão de diversas estratégias a fim de apaziguar a situação. Quando Esaú finalmente o encontrou, deu-lhe um longo abraço, beijou-o com carinho, e os dois choraram copiosamente.


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Esaú não aceitou os presentes oferecidos por Jacó, porque os bens que possuía já bastavam. En tão, Jacó insistiu que, pelo menos, Esaú aceitasse receber a sua bênção. Esaú concordou. Por fim, restabeleceu-se a paz entre os irmãos. Os problemas entre eles foram resolvidos. Da mesma forma que Deus se manifestou àqueles irmãos, Ele pode manifestar-se a nós. O Senhor está sempre conosco, e pode mostrar-nos a solução para os nossos problemas e orientar-nos a usar o nosso potencial para resolvê-los. Além disso, se prestarmos atenção aos nossos próprios atos, talvez consigamos perceber que estamos causando muitos dos nossos problemas — ao faltar com respeito para com o nosso cônjuge, por exemplo; tratar os nossos filhos de maneira injusta; trabalhar pouco em troca do salário que o nosso patrão nos paga, tratar mal nossos subordinados ou desrespeitar nosso chefe; não aceitar as decisões de um juiz ou as determinações de um promotor público — e evitá-los, mudando de comportamento. Deus nos lembra de que dispomos de inteligência, que fomos capacitados por Ele para escolher o melhor e que temos a habilidade para resolver problemas. Não deixe que a falta de iniciativa ou de coragem o impeça de alcançar seu potencial.

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Capítulo 2 Quand o Deus não int erfere diret ament e para q ue nosso p roblema sej a resolvi do

A segunda maneira pela qual Deus pode tratar-nos é simplesmente não interferindo durante algum tempo para que nossos problemas sejam resolvidos. Devemos sempre nos lembrar de que um problema é uma oportunidade de crescimento. Um problema pode levar a uma ruptura com algo que está errado, que nos consome. Assim, um problema deve ser encarado como uma oportunidade de mudarmos, de sairmos de uma rotina viciada por hábitos negativos e passarmos a uma situação melhor. Mas por que Deus não interferiria para trazer solução aos nossos problemas? Qual seria Sua intenção ao não intervir em nosso favor? Os insondáveis propósitos de Deus normalmente envolvem razões

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

que podemos vislumbrar com base em determinadas passagens bíblicas. Não temos condições de enumerar todas essas razões, mas podemos inferir algumas delas, para esclarecer o motivo de Deus fazer com que alguns problemas persistam em nossa vida: assumirmos uma atitude positiva de fé diante dos problemas que surgirem no nosso caminho; tornarmo-nos pessoas mais confiantes em Deus e capazes de entender por que estamos sob Seu controle. Os exemplos que essas passagens nos mostram ajudam a responder a esses problemas com entusiasmo e vontade de superá-los, cientes de que nossa fé em Deus nos fará vencer qualquer dificuldade,e ficaremos surpresos com o resultado. O resultado que devemos desejar é sempre um futuro melhor, ao qual chegaremos reconhe cendo as imperfeições do presente e crendo em quem Deus é e naquilo de melhor que Ele pode proporcionar-nos. A esperança por um futuro melhor é justamente aquilo que joga luz sobre os nossos problemas atuais e motiva-nos a superar quaisquer dificuldades. Por isso, deixemos que nossas esperanças nos desafiem a mudar nossa

vida,

superando

aparecerem no caminho.

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todos

os

problemas

que


SIL AS MA LA FAI A

Deus corrige quem Ele ama A primeira razão por que Deus, muitas vezes, permite que alguns problemas persistam em nossa vida é o fato de Ele corrigir Seus filhos amados. Na passagem a seguir vemos a atitude de Pai disciplinador que Deus assume ao lidar conosco. Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Hebreus 12.6

Temos as opções de obedecer a Deus por meio da fé perseverante em Cristo ou de ignorar os Seus mandamentos, adotando as práticas do mundo. Preci-

samos entender que, mesmo que sejamos mais propensos ao pecado, devemos viver pelo

I spírito e de acordo com os padrões elevados que Deus estabeleceu para nós, para corresponder ao chamado do Senhor. E, se fraquejarmos, devemos arrepender-nos e pedir-lhe perdão, lembrando que Jesus sofreu por nós para nos redimir do jugo do pecado e do diabo, justificar-nos diante do Pai e, assim, salvar-nos da condenação eterna. Como Pai, Deus corrige Seus filhos. Seu pro pósito não é satisfazer nossas paixões, e sim transformar nosso caráter e nossos hábitos. Nosso Pai nos ama e está no controle de tudo. Suportemos as

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

provações com fé e paciência, sabendo que o sofrimento — seja ele imposto por inimigos e perseguidores ou adversidades — pode ser usado por Deus para nos corrigir e amoldar-nos à imagem de Cristo. Tudo o que Deus permite a nós é para o nosso bem. Então, submetamo-nos à Sua disciplina. Agindo dessa forma, conseguiremos aproximar-nos cada vez mais dele, reconciliando-nos com o nosso Pai celestial e entendendo por que passamos por provações tantas vezes. Somos seres limitados e imperfeitos; dependemos de Deus. Assim,em meio às lutas e tribulações, o mais importante é perceber que a correção dele não é uma condenação, e sim um ato de amor. Dessa forma, ela pode ser suportada com paciência e promover a nossa santificação. Veja as aflições por que passamos como oportunidades enviadas pelo nosso Pai, sábio e gracio so, visando ao crescimento e à saúde espiritual.

Deus nos ensina a fazer Sua vontade A segunda razão para Deus permitir que nossos problemas

não

sejam

resolvidos

logo

pode

ser

vislumbrada ao lermos o Salmo 119.71: Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. Em outras palavras, Deus permite que


SIL AS MA LA FAI A

experimentemos aflições para aprendermos a resolver os problemas de acordo com os Seus princípios. E não é nada demais passarmos por tribulações, já que muitas pessoas consagradas ao Senhor, verdadeiros heróis da fé, também passaram. A aflição traz consigo uma sensação de estresse desagradável. Esse estresse a que somos submetidos em determinadas épocas de nossa vida é realmente uma oportunidade de desprendermo- nos de visões particulares e atitudes erróneas que lemos, as quais nos impedem de ver a verdade, relacionar-nos da maneira correta com Deus e com nossos semelhantes, bem como de viver o melhor que o Senhor tem para nós. Muitas pessoas preferem viver na aflição e até desenvolvem métodos para se adaptar a essa rotina de infelicidade.

Essas

pessoas

costumam

frequentar

ambientes de pompa e orgulho, mas estão muito distantes de Deus. Na maioria das vezes, acham que estão bem próximas dele, porém depois percebem que, na realidade, haviam se afastado do Senhor pouco a pouco, sem notar. "Mas como cheguei a este ponto?" Essa é a pergunta que muitos se fazem. Eles erguem barreiras entre si e Deus, as quais só fazem com que o Senhor pareça mais e mais distante, mesmo quando tais pessoas não vivem em pecado. Para


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

elas, Deus está longe demais justamente quando elas mais precisam dele — quando estão em circunstâncias difíceis

ou

quando

a

própria

situação

parece

irremediável. Ocorreu exatamente o contrário com o rei Davi. Ele se manteve perto de Deus, mas ainda assim sofreu grande aflição. Para ele, contudo, foi muito proveitoso passar por todo o sofrimento relatado nas Escrituras. A lição que Davi aprendeu com sua aflição elevouo a um patamar que ele jamais atingiria seguindo sua conduta anterior. O Senhor se manifestou a Davi em meio ao sofrimento, para que ele pudesse aprender Suas leis. E a resposta de Davi a Deus foi exemplar: a aflição pela qual passou contribuiu para aprimorar o seu conhecimento sobre o Senhor e Sua graça. Davi percebeu que a vara e a repreensão lhe trouxeram a sabedoria. Deus promove o nosso aperfeiçoamento espiritual A terceira razão pela qual Deus permite que soframos é a necessidade que nós temos de aperfeiçoamento espiritual. Não é fácil tornar-se um cristão. E preciso eliminar velhos hábitos e cultivar novos. Nosso

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SIL AS MA LA FAI A

aperfeiçoamento espiritual depende de uma conduta fundamentada nos princípios revelados na Bíblia e em uma vida de fé, amor, perdão, renúncia à carne e paciência. Enfrentamos

muitas

dificuldades

para

mudar

nossos hábitos. Nossa natureza nos impele a continuar sempre a fazer aquilo a que já nos acomodamos. Contudo, se deixarmos os maus hábitos se cristalizarem na nossa vida, estaremos perdidos. Paulo enfatiza em Efésios 4.22-24 que grandes mudanças devem ocorrer quando nos convertemos a Deus. Precisamos abandonar o pecado e dar lugar à santidade. Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do

velho

homem,

que

se

corrompe

pelas

concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem,

que,

segundo

Deus,

é

criado

em

verdadeira justiça e santidade.

Nosso aperfeiçoamento espiritual nos aproxima de Deus, permitindo que Ele nos revele coisas que só podemos entender se estivermos em um nível profundo de comunhão com o Senhor. Por isso, às vezes, somos submetidos a situações adversas.

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Deus é suficientemente poderoso para guar- darnos do mal, iluminar-nos, fortalecer-nos, sustentar nossa alma e alegrar nosso espírito em meio aos momentos de aflição e angústia, fazendo-nos triunfar sobre a adversidade, inspirar outros a confiar nele e a glorificá-lo.

Quando nosso sofrimento glorifica a Deus Se Deus nos ama tanto, por que Ele permite obstáculos em nosso caminho? Porque, embora o sofrimento seja algo que nos machuca ou irrita, dentro do projeto de Deus, ele é algo destinado a fazer com que nós e as pessoas que nos veem sofrer reflitamos sobre nossa condição e, assim, acatemos a mensagem do evangelho. Em Filipenses 1.12, lemos o seguinte: E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho.

Você sabia que a prisão de Paulo foi de muito valor para o evangelho? Isso porque, muitas vezes, o nosso sofrimento serve a vários propósitos de Deus. Assim, o Senhor permite que soframos para que Ele seja glorificado em nossa triunfante vida.


SIL AS MA LA FAI A

De alguma maneira, essa experiência com Ele é necessária para o conhecermos melhor e as pessoas atestarem que o Senhor é conosco. Mas como evitar que as pessoas, ao verem alguém fiel a Deus sofrendo (como Paulo, preso por amor a Cristo), entendam que o sofrimento não é uma punição pela sua fé? A maioria acha que Deus não permitiria que aqueles a quem ama sofressem. No entanto, não é bem assim. O sofrimento tem o seu papel na vida do cristão. Por isso, Paulo preferiu expor tudo o que enfrentou para seguir Cristo, com a função didática de mostrar que o fim de seu sofrimento foi expandir o Reino de Deus e glorificar o Senhor. O propósito principal de Deus para nossa vida é que sejamos conformados à imagem de Cristo. O sofrimento nos quebranta, permite que nos voltemos para nosso mundo interior e reflitamos a respeito das causas do que nos aflige, bem como que nos abramos para o Senhor e Sua vontade para nossa vida.

Quando nosso sofrimento reforça a mensagem do evangelho Por fim, a quinta razão para Deus permitir um problema em nossa vida sem solucioná-lo de pronto é o fortalecimento da nossa fé e da dos outros.

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Quando as pessoas vivenciam lutas, elas oram e vão mais à igreja, para buscar ao Senhor. Têm novas experiências com Deus, e isso amplia a sua fé e atrai o olhar de outras pessoas. Por isso, devemos dar glória a Deus inclusive por nossos problemas, ao vê-los como oportunidades de o Senhor se manifestar, revelandonos Sua misericórdia, graça, fidelidade e poder. Mais uma vez, Paulo é um exemplo significativo disso: E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Filipenses 1.14

Note que, ao verem Paulo preso por divulgar as boas-novas de Jesus Cristo, os cristãos poderiam ter se sentido desanimados e desencorajados. Mas, pelo contrário, foram animados a crer na providência divina e a louvar a Deus pelo testemunho do apóstolo. O fato de estarem com Cristo e testemunharem a fé de Paulo fez com que outros cristãos preferissem enfrentar a perseguição, a fome, a prisão e até a morte a ter uma vida longe de Deus, pois verem Paulo ser assistido e consolado por Jesus


SIL AS MA LA FAI A

encheu-os de força e coragem para aguentar firme e não apostatar de sua crença no Senhor. Tudo o que Paulo vivenciou serviu para mostrar que,

mesmo

sofrendo

angústias,

perseguições

e

privações, todos que aceitam Jesus como seu Mestre e Senhor

obtêm

a

força

necessária

para

superar

quaisquer tribulações desagradáveis, porque Deus é todo-poderoso e gracioso. O poder da graça divina fez com que o que fora planejado pelo inimigo para desencorajar os cristãos se transformasse em um incentivo a eles. E assim eles tiveram coragem de permanecer em Cristo até o fim e divulgar a mensagem de Jesus, porque, depois de serem expostos ao sofrimento, eles cresceram em graça e conhecimento do Senhor. A confiança de Paulo em Deus estimulou a lé de outros cristãos. Sua coragem os encorajou a enfrentar as dificuldades e a superar os obstáculos para dar testemunho de Cristo. Eles entenderam que somos instrumentos de Deus e que por meio da nossa vida e até de nossos problemas o Senhor pode abençoar outras pessoas. Então, não reclame das dificuldades e lutas; antes, confie em Deus e glorifique-o por tudo o que Ele já fez, está fazendo e fará em você e por seu intermédio.

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Capítulo 3 Quand o Deus nos d á a di reção certa para resol vermos nossos probl emas

Muitas vezes, Deus revela a direção que devemos tomar para resolvermos nossos problemas. Seu Espírito fala ao nosso espírito, orienta-nos, e o nosso desafio é entender, discernir, a Sua voz em nosso coração e ser capazes de obedecer-lhe. Essa voz profunda, perene, duradoura em nosso íntimo é a do Espírito Santo falando conosco. Por meio desse diálogo interior, o Senhor nos dá uma r direção. O Senhor também pode comunicar-se conosco de outros modos. Ele pode usar uma pessoa para liberar uma palavra profética, de sabedoria ou de ciência, ou orientar-nos por Sua Palavra escrita, ao lermos a Bíblia. O Senhor faz isso para que possamos resolver os nossos problemas, e isso representa novas experiências com Ele e em glória ao Seu santo nome. Contudo, para sermos direcionados por Deus, precisamos clamar por Sua orientação e pedir ao


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Espírito Santo que nos explique, revele, mostre o caminho a seguir, bem como que possamos entender os sinais divinos. Em

nossas

orações,

podemos

e

devemos

apresentar ao Senhor as dúvidas que nos assolam. Feito isso, devemos assumir a posição que Deus espera de nós, a posição de alguém que aguarda Sua resposta e Seu direcionamento, antes de tomar decisões difíceis e partir para uma ação eficaz que as respalde. Clame a Deus e confie na direção apontada por Ele, e você será vitorioso sobre os problemas.

Investigando as causas de nossos problemas Com a ajuda de Deus, fica muito mais fácil identificar as causas dos nossos problemas. Assim, as decisões a serem tomadas para resolvê-los tornam-se mais claras. Deus nos faz vencer o desânimo, dandonos uma força capaz de transformar- -nos em pessoas proativas, que confiam no Senhor para superar as crises e oposições. Quando

respondemos

com

honestidade

às

perguntas quem?, o que?, onde?, por que?, quando? e como?, podemos identificar as causas do problema e o que está envolvido nele, bem como reconhecer as soluções aceitáveis. Normalmente,


SIL AS MA LA FAI A

há sempre muitas causas interligadas, e é difícil definir com clareza a principal, mas, mesmo assim, podemos entender a dinâmica do problema e posicionar-nos a respeito. Por exemplo, em uma família com muitas dívidas, a causa principal pode ser um dos cônjuges gastar muito, extrapolando o orçamento. Mas, em paralelo, outros fatores — como crises pessoais e profissionais, elevado custo de vida, despesas emergenciais — podem contribuir para que a situação seja agravada. Isso faz com que a solução do problema seja um processo mais trabalhoso. Também é importante entender que não há apenas uma solução para cada problema. Mas existem as soluções mais eficazes e as menos eficazes. Você conhece a história de Neemias? Ele poderia ter tomado outras atitudes para reconstruir Jerusalém. Ele poderia ter-se omitido quanto à edificação dos muros, reunido os judeus que viviam na cidade e organizado uma rebelião, ou mesmo chegado a um acordo com Sambalate e Tobias, os líderes locais que se opunham aos judeus. Mas a solução que Neemias preferiu foi aquela apontada por Deus,

ou seja,

restaurar os muros, a lei e a ordem entre o povo judeu que vivia em Jerusalém.

33


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Para resolvermos nossos problemas, precisamos considerar todos os ângulos da situação e todas as opções

de

ação

válidas

de

que

dispomos

para

solucionar os problemas. Mas é fundamental atentarmos para os princípios e instruções revelados na Palavra de Deus. As melhores soluções serão sempre aquelas que, direcionadas pelo Senhor, levarem em consideração todos os interesses envolvidos, desde que sejam legítimos. Dessa maneira, poderemos criar um plano de ação de modo a todas as partes envolvidas serem beneficiadas. A melhor solução, como dissemos, é sempre aquela indicada por Deus. Mas a questão não se limita a simplesmente esperarmos que Ele nos diga como resolver os nossos problemas. Precisamos utilizar nosso intelecto para considerar as vantagens e desvantagens de

cada

situação,

combinando

as

melhores

características de cada solução para chegar à melhor forma de resolver o problema. Antes de definirmos qual solução

preferimos

adotar, devemos perguntar-nos: "Se eu optar por essa solução, conseguirei arcar com os resultados que ela provocará?" Isso porque nem sempre todas as partes envolvidas saem satisfeitas, ainda mais quando os seus interesses legítimos são desconsiderados. Depois, tendo tomado uma decisão, é preciso planejar sua execução com cuidado. O ideal é ter


SIL AS MA LA FAI A

uma meta definida e montar uma estratégia com todos os

passos

para

alcançar

o

resultado

pretendido.

Devemos estabelecer as ações e planejar os momentos em que devem ocorrer. Também é preciso definir quem vai participar e os recursos necessários para tornar realidade esse plano. Provérbios

21.5

confirma

a

importância

de

chegarmos a uma solução almejada: Os pensamentos do diligente tendem à abundância, mas os de todo apressado, tão-somente à pobreza. Ao lermos o capítulo 2 do livro de Neemias, podemos vislumbrar como montar um plano eficiente para superar os desafios, implementar as mudanças necessárias e atingir o objetivo proposto. Devemos espelhar-nos

em

Neemias

para

elaborar

nosso

planejamento estratégico, porque ele é um exemplo de homem bem-sucedido. Por fim, é necessário avaliar se a solução que escolhemos foi a melhor. Isso é muito importante! Como saberemos se um problema foi resolvido, se não avaliarmos se o efeito da solução foi positivo? E não basta constatarmos o êxito temporário na solução do problema; precisamos verificar se foi algo duradouro. Fazendo isso, conseguiremos não só saber se

os

nossos

esforços

valeram,

como

também

determinar se o plano que sanou a situação pode ser implementado e/ou melhorado da 35


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

próxima

vez

que

precisarmos

de

uma

solução

semelhante. O ensino da Bíblia sobre a resolução de problemas pode ser muito útil para que possamos entender melhor e superar os desafios da vida, que são vários. Mas uma coisa é certa: não busque a ajuda de Deus apenas diante de situações-limite. Conte com a orientação dele sempre, em todo o tempo; nos dias bons e nos maus também!

O perigo de buscar Deus apenas diante de situações-limite O que normalmente chamamos de situações- limite são aqueles momentos em que nos deparamos com problemas que estão além da nossa capacidade de resolução e não podem ser sanados somente por nossos esforços. São exemplos de situações-limite as doenças, as perdas, a morte e o medo que sentimos dessas situações. A morte é a mais impactante de todas as situações-limite. Ela é o único momento em que nos vemos

definitivamente

separados

daqueles

que

amamos e que são importantes para nós. Por isso, diante dela, entramos em pânico. Mas essa situação também nos proporciona a oportunidade

36


SIL AS MA LA FAÍ A

de refletir e de conjecturar sobre a nossa condição diante da vontade de Deus. A questão é que muitas vezes só procuramos Deus em situações-limite (diante de perdas, enfermidades terrninais), porque, tendo tentado de tudo e não obtendo um bom resultado, consumimos nossas forças

e

recursos;

então,

nossa

autoconfiança

desaparece, e reconhecemos que precisamos ouvir o que o Senhor tem a dizer-nos e receber Sua ajuda. Diante de perdas, percebemos que não devemos apegar-nos tanto a coisas terrenas e secundárias; diante

de

enfermidades,

constatamos

que

somos

absolutamente vulneráveis, que a nossa vida é muito frágil e que alguém a quem estamos conectados pode simplesmente desaparecer de uma hora pata outra. Ante essas duras realidades, é quando maiscontamos com os sinais e a orientação de Deus, pois são essenciais à nossa superação e vitória. Em situações-limite somos desafiados a refletir sobre a complexidade da vida e nossa vulnerabilidade. Isso nos leva as ser mais humildes e dependentes de Deus, bem como a uma maturidade intelectual e espiritual. Entendemos que, sem Deus, não somos nada e que seguir em frente sem Sua orientação pode ser solitário e perigoso. Por outro

37


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

lado, com Deus, se nos desapegarmos do medo e removermos

o

véu

do

sofrimento

para

orarmos,

conversarmos com Ele, veremos que, mesmo que não haja solução aparente, o Senhor será conosco e proverá o necessário para superarmos as crises e todo e qualquer sofrimento. Com a minha voz clamei ao SENHOR; com a minha voz ao SENHOR supliquei. Derramei a minha queixa perante a sua face; expus-lhe a minha angústia. Quando o meu espírito estava angustiado em mim, então, conheceste a minha vereda. No caminho em que eu andava, ocultaram um laço. Olhei para a minha direita e vi; mas não havia quem me conhecesse; refugio me faltou; ninguém cuidou da minha alma. Ati, ó SENHOR, clamei; eu disse: tu és o meu refugio e a minha porção na terra dos viventes. Atende ao meu clamor, porque estou

muito

abatido;

livra-me

dos

meus

perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste bem. Salmo 142.1-7

Davi, em uma situação-limite, acuado na caverna de Adulão, nada mais fez do que orar a Deus. Nesse belíssimo salmo, que representa os 38


SIL AS MA LA FAI A

problemas de Davi, vemos um exemplo da postura que devemos assumir quando estamos em perigo. Davi não recorreu a Deus só porque estava em perigo, porque não havia como escapar, porque não tinha amigos a quem buscar, porque tinha abandonado todos os cuidados com a sua segurança e a sua vida e a de seus homens. Ele não desistiu jamais de sua fé, de seus princípios e das promessas que Deus lhe havia feito.

Assim,

ele,

com sinceridade,

suplicou

pela

proteção de Deus e assegurou-se de louvar ao Senhor por sua libertação. Esse é um exemplo para os cristãos, que devem aprender a partilhar a alegria e a edificar o altar da oração e adoração a Deus para agradecer-lhe pelas bênçãos recebidas e pela misericórdia que Ele lhes dispensa.


Capítulo 4 Os níveis de i ntercessão e a intervenç ão de Deus a nosso favor

Mas e quando os nossos problemas são tão complicados que se esgota a nossa capacidade de lidar com eles? E quando o desemprego, as crises existen ciais, conjugais e financeiras, ou a velhice e a doença chegam de maneira implacável e roubam as nossas forças e nossa vontade de viver? Nesses momentos, só uma intervenção direta de Deus para conduzir-nos à vitória, à solução do problema que nos aflige. Deus é soberano. Se Ele quiser, poderá resolver os nossos problemas imediatamente. O Senhor é todopoderoso. Sua capacidade é ilimitada. Ninguém pode resistir-lhe. Quando Deus intervém, não existe nenhuma força capaz de detê-lo. Não há demónios nem homens poderosos que permaneçam de pé diante do poder de Deus. Assim, uma porta aberta pelo Senhor não pode ser fechada por mais ninguém. 40


SIL AS MA LA FAI A

Por isso, Sua intervenção é definitiva, não havendo como resistirmos a ela. Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? Isaías 43.13

Você conhece a história do êxodo de Israel. Deus disse a Moisés que tiraria Seu povo do Egito. O faraó resistiu o quanto pôde em relação à libertação dos escravos hebreus. Todavia, a ação direta de Deus sobre a natureza fez com que pragas recaíssem sobre aquela nação e a destruíssem. Então, o faraó se deu por vencido e consentiu na saída dos israelitas. Então, disse o SENHOR a Moisés: Agora verás o que hei de fazer a Faraó; porque, por mão poderosa, os deixará ir; sim, por mão poderosa, os lançará de sua terra. Êxodo 6.1

Da mesma maneira que Deus interveio naquele momento, Ele pode fazê-lo hoje e poderá agir amanhã, usando

Seu

poder

incomensurável

sempre

que

necessário. Por isso, devemos louvá-lo e glorificá-lo em todos os momentos.

41


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai sobre os céus, pois o seu nome é JEOVÁ; exultai diante dele. Salmo 68.4

O louvor e a glória que dedicamos a Deus são um reconhecimento do Seu poder, capaz de derrubar nossos inimigos e remover imediatamente todos os empecilhos que surjam em nosso caminho, se essa for a vontade dele. O Senhor pode dar-nos a vitória no momento que quiser, porque é soberano, de modo que ninguém, homem ou demónio, tem a capacidade de impedir isso. Contudo, essa forma de intervenção direta de Deus para dar solução a nossos problemas, que é o que sempre esperamos que ocorra, é justamente a forma menos comum de Ele agir. Mas, vez por outra, o Senhor intervém, agindo diretamente de modo a resolver um problema nosso. Isso só acontece quando este está além da capacidade de resolução do ser humano. Normalmente, Deus age em parceria conosco. Fazemos o que nos é possível, Ele faz o impossível. Damos passos de fé, e Ele reage favoravelmente a ela. Precisamos cultivar a fé e aprender a apresentar ao Senhor nossos sentimentos, sonhos, proble mas, necessidades. Paulo recomendou:

42


SIL AS MA LA FAI A

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Filipenses 4.6,7

A intercessão a Deus pela resolução de nossos problemas pode ocorrer em cinco níveis. Não devemos desprezar nenhum deles, porque todos atuam em conjunto para assegurar-nos socorro divino e vitória no mundo espiritual e humano. Vejamos agora os tipos de intercessão diante de Deus com que podemos contar.

A intercessão de Cristo A primeira intercessão que podemos e devemos contar é com a de Jesus Cristo em nosso favor. Em Hebreus 7.23-25, lemos: Na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer; mas este [Jesus], porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar

43


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

Jesus está assentado à destra de Deus. Neste exato momento, Ele pode interceder para que nossos problemas

sejam

resolvidos,

nossas

necessida des

sejam sanadas e para que vençamos as nossas lutas. Jesus vive para interceder por nós — essa é a Sua função como Sumo Sacerdote. Não há ociosidade no céu. Tanto o Filho como o Pai trabalham incessantemente. Enganam-se aqueles que acham que no céu não há qualquer atividade. Pelo contrário, no céu o que não existe é cansaço e fadiga em

virtude

do

trabalho

ou

doenças.

Lá,

de-

sempenharemos alguma função. Na Bíblia, são men cionadas pelo menos duas, a de reis e de sacerdotes. E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém! Apocalipse 1.6

Evidentemente, se não quisermos estar com Deus no céu e não dermos ouvidos à oferta de salvação em Cristo, o que nos restará será a condenação eterna. Essa é uma escolha que cabe ao ser humano somente. O que você prefere: vida,


SIL AS MA LA FAI A

paz e trabalho no céu, ou pranto, ranger de dentes e ociosidade no inferno?

A intercessão do Espírito Santo Também podemos contar com a intercessão do Espírito Santo por nós junto a Deus. Como lemos nas Escrituras,

Ele

intercede

por

nós

com

gemidos

inexprimíveis. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Romanos 8.26

Levando em conta o nosso caso, problema ou luta, tribulação, adversidade, o Espírito Santo se comunica com Deus de uma maneira que não temos capacidade de entender, para nos socorrer em nossas aflições e nas batalhas espirituais que são travadas contra nós pelo diabo. Para você entender como funciona a intercessão feita pelo Espírito e sua importância, imagine -se diante de

um

governador

ou

presidente

da

República,

precisando de algo que só ele pode liberar,

45


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

mas não sabendo como lhe pedir algo da maneira conveniente. No entanto, se você for assessorado por alguém que conheça muito bem o mundo da política e entenda

os

protocolos,

será

beneficiado

pelo

conhecimento dessa pessoa e conseguirá obter aquilo de que necessita. O Espírito Santo faz algo semelhante ao in terceder por nós diante de Deus. Ele fala do modo correto ao coração do Pai, traduzindo para Ele nossas reais necessidades. O que não sabemos dizer a Deus em

palavras,

o

Espírito

comunica

com

gemidos

inexprimíveis. Conte com a intercessão do Espírito Santo. Ela é poderosa!

A intercessão feita por nós mesmos em nosso favor A

intercessão

também

pode

acontecer

por

intermédio de nós mesmos. Essa intercessão ocorre mediante nossa oração, que é uma das armas espirituais que Deus nos recomenda usar com destreza. No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti- -vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Orando em todo tempo com


SIL AS MA LA FAI A

toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos. Efésios 6.10,11,18

A sinceridade da oração é que determina a sua eficácia como ato de intercessão em nosso favor. Nossas orações

não

podem

ser

subjeti-

vas

ou

confusas. E preciso que sejamos muito específicos ao orar, e não nos mantenhamos na superficialidade, fazendo

pedidos

exatamente

do

genéricos.

que

Deus

precisamos e

quer como

saber estamos

sentindo-nos. Falemos de maneira clara e sem rodeios. A conversa ideal tem de ser entre cada um de nós e

Deus,

em

compartilhemos

ambiente a

privado.

nossa

Quando

intimidade

sem

orarmos, nenhum

disfarce. Devemos falar do que nos incomoda, dos defeitos que não conseguimos corrigir em nós mesmos, mas sendo sempre muito específicos, porque nada pode ser escondido de Deus. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e„ fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. Mateus 6.6

47


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

A intercessão feita por nós mesmos a favor de outros Você sabia que pode interceder por aqueles com quem se relaciona e que outras pessoas podem interceder por você junto a Deus. Em Tiago 5.16, lemos: Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.

A oração de alguém temente a Deus em nosso favor pode tocar o coração do Senhor a agir para livrarnos de um laço, impedir a ação de Satanás contra nós. Por isso, podemos considerar nossos irmãos como intercessores diante de Deus por nós. Na Bíblia, encontramos muitos casos de pessoas que intercederam junto a Deus. Um exemplo bastante conhecido é o de Abraão. Ele tomou a iniciativa de rogar a Deus para que poupasse os justos em Sodoma. Chegou-se

Abraão,

dizendo:

Destruirás

também o justo com o ímpio? Se, porventura,

48


SIL AS MA LA FAI A

houver cinquenta justos na cidade, destruí-los-ás também e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então, disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei todo o lugar por amor deles. Génesis 18.23-26

Também

encontramos,

no

Novo

Testamento,

casos de oração de intercessão. O principal intercessor foi Jesus. Ele intercedeu em oração rogando a Deus que perdoasse seus ofensores. Ao ser crucificado, disse as seguintes palavras: E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Lucas 23.34a

A intercessão feita pela Igreja, o Corpo de Cristo A Igreja também pode e deve interceder por nós. Sua autoridade, outorgada por Jesus, é gran de, de modo que nós, como cristãos, devemos ter comunhão uns com os outros e orar uns pelos

49


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

outros. Somos Corpo de Cristo. Ele é o cabeça. Todos estamos interligados. A Igreja é a organização neotestamentária com autoridade concedida por Jesus para representá-lo no mundo. Tudo o que ela liga na terra é ligado no céu. Foi o que Jesus disse em Mateus 18.18: Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

Deus, um Pai amoroso e benigno Por que podemos ter a certeza de que Deus é capaz de agir e resolver os nossos problemas? Em primeiro lugar, porque Ele é Pai, e como tal sabe cuidar bem de Seus filhos. Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Mateus 7.11

Deus é capaz disso porque Ele jamais se esquece de nós. Normalmente, uma mãe não se esquece do seu filho, gerado em seu ventre.


SIL AS MA LA FAI A

Mas, ainda que ela se esquecesse dele, em hipótese alguma, Deus se esqueceria, porque é o Pai verdadeiro. Mas por que Deus é capaz de agir em qualquer área e resolver qualquer tipo de problema? Vejamos a resposta nas Escrituras: Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar a sua alma da morte e para os conservar vivos na fome. Salmo 33.18,19

51


Capítulo 5 Armas espirit uais q ue nos aj ud am a resol ver nossos p roblemas

Apesar de nós mesmos já sermos instrumentos de Deus,

o

Senhor

nos

concedeu

algumas

armas

espirituais muito relevantes, a fim de fortalecer-nos e conceder-nos vitórias nas lutas diárias que travamos. Entre essas armas, destacamos: a oração, a fé, o poderoso nome de Jesus, o amor e a obediência a Deus, a autoridade espiritual que Cristo nos concedeu. Vejamos cada uma dessas armas espirituais.

A eficácia da oração A primeira arma espiritual que vamos destacar é a oração, o meio pelo qual podemos comunicar- -nos efetivamente com Deus. Contudo, vale lembrar que orar sem o foco apropriado, de modo

mecânico ou por obrigação

religiosa, como alguns fazem antes das refeições e 52


SIL AS MA LA FAI A

de dormir, pode tornar-se algo vazio e sem efeito espiritual; afinal, o poder da oração não depende do ato de orar em si, e sim de Deus e de uma profunda comunhão que quem ora tem com Ele. Em 1 João 5.14,15, vemos isso com clareza: E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.

A fé também é algo que torna nossa oração eficaz. E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis. Mateus 21.22

A convicção com a qual oramos está dire- tamente ligada

ao

propósito

da

oração,

porque

Deus só

responde às orações que são feitas com a motivação certa e estão de acordo com Sua vontade. Sendo assim, não adianta apenas sermos bons oradores. Precisamos ter a motivação correta e ser verdadeiros em nossa comunicação com Deus. As respostas dele não são sempre sim, mas estão de acordo com o que é melhor para nós. Quando aquilo que desejamos está alinhado com

53


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

a vontade do Senhor, e oramos com fé e propósito, Deus responde poderosamente! Por isso, não devemos jamais

pronunciar

orações

impessoais

e

vazias,

baseadas em fórmulas decoradas, para nos dirigirmos ao Senhor. É melhor sermos sinceros e específicos quanto

ao

que

queremos,

até

porque

Ele

sabe

exatamente quem somos e o que de fato desejamos, antes mesmo de abrimos nossa boca. Ore. Fale com o Senhor. Em resposta à sua oração, Deus pode abrir os seus olhos espirituais, perdoá-lo, aquietar o seu coração, curar as feridas em sua alma, conceder-lhe sabedoria, libertar alguém cativo, salvar o perdido, trazer restauração à sua vida e a daqueles que você ama. Humilhe-se diante do Senhor e peça-lhe o que vcoê precisa! Não subestime o poder da oração ao Senhor todopoderoso!

O poder da fé A segunda arma espiritual que Deus nos legou foi a fé. Se não cremos, realmente fica impossível resolver qualquer problema. E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê. Marcos 9.23

54


■ SILAS M AL AF AIA

De um modo geral, ter fé implica crer em algo ou em alguém. A fé faz com que estejamos plenamente convencidos da veracidade e confia- bilidade das coisas em

que

cremos

e

das

pessoas

em

quem

nos

apoiamos/rogamos. Por isso, a fé em Deus e em Jesus é a nossa maior arma. Ora, a f é é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11.1,6

A fé consiste em uma força espiritual que nos torna capazes transpor os obstáculos em nosso caminho e prosseguir rumo à solução dos problema que enfrentemos. Vejamos o que Jesus disse a respeito da fé em Marcos 11.23: Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

A fé em Deus deve ser algo prático. Sua natureza não

é

simplesmente

intelectual,

mas,

sobre tudo,

espiritual, visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação (Romanos 10.10). Com fé, obteremos, segundo a vontade de Deus, respostas

às

nossas

orações

e

conquistaremos

patamares mais elevados em todas as áreas da vida. Jesus disse: Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis (Marcos 11.24). É preciso entender também que viver pela fé significa ter atitudes compatíveis com essa fé, adotar condutas certas, tendo Cristo como modelo. Devemos viver de maneira coerente com aquilo em que acreditamos e que professamos; logo, serão nossas ações e nossos discursos que demonstrarão essa coerência. Não basta sermos sinceros, bemintencionados ou preparados intelectualmente; temos de crer na Palavra, sem duvidar, e agir em conformidade com ela. Sendo assim, a fé bíblica não implica crer em ✓

qualquer coisa à nossa maneira. E crer no Deus autorrevelado na Bíblia, considerando os princípios que Ele

mesmo

abundante.

estabeleceu

para

termos

uma

vida


SIL AS MA LA FAI A

O poderoso nome de Jesus Outra importantíssima arma espiritual é o nome de Jesus. Quando cremos em Deus e pedimos algo a Ele usando o nome de Jesus, nossa oração adquire mais força. E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. João 14.13,14

Contudo, não podemos achar que basta pedirmos, e nos será concedido tudo o que quisermos. O uso puro e simples da expressão em nome de Jesus como uma fórmula mágica é completamente errado. Da mesma forma, devemos evitar o uso de outras expressões repetitivas, principalmente no final da oração. Se tivermos em mente que não são as palavras na oração que importam, sempre nos lembraremos de que o importante é o propósito dela. O verdadeiro objetivo da menção ao nome de Jesus na oração é evocar a autoridade dele e pedir a Deus que considere nossa oração relevante, uma vez que a fazemos em nome de Seu Filho, Jesus, de

57


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

acordo com Sua vontade. Assim, a oração coerente com a Palavra e em nome de Jesus é sempre válida. Declarando o nome de Jesus em nossas orações, demonstramos, portanto, a confiança absoluta que depositamos em Cristo como nosso Salvador e Senhor. Quando pedirmos o que quer que seja de acordo com a Sua vontade, seremos ouvidos. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos> sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos (1 João 5.15).

O amor e a obediência a Cristo Existe uma série de princípios estabelecidos pelo Senhor em Sua Palavra. Um deles é que, para conseguirmos o que lhe pedimos, precisamos atender a uma condição simples: estar em Cristo e Sua Palavra estar em nós. Se vós estiverdes em mim, e as minhas

palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. João 15.7

Evidentemente, isso não significa que Deus nos concederá

carta

branca

para

que

simplesmente

recebamos tudo aquilo que desejarmos somente porque atendemos a essa condição. Só podemos 58


SIL AS MA LA FAI A

pedir o que o próprio Cristo pediria. Assim, não é questão de saciarmos a nossa vontade, porque, quando aceitamos Jesus, é para que seja feita a vontade dele em nós. Jesus disse em João 8.29: E aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. Dessa maneira, a oração, em hipótese alguma, deve ser confundida com a livre expressão da nossa vontade

a

Deus.

Orar

é

a

humilde

e

sincera

manifestação da nossa atitude de dependência dele e confiança na Sua ajuda e provisão. Nesse sentido, aquele que ora é sempre submisso à vontade soberana do Senhor.

A autoridade espiritual Outra arma que o Pai nos disponibiliza é a autoridade espiritual. Ela

nos permite

superar as

dificuldades que encontrarmos em nossa caminhada cristã. Usar essa autoridade em nosso favor é uma maneira de resolver nossos problemas e o de outros. Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum. Lucas 10.19

59


COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Quando aceitamos Jesus Cristo como nosso Salvador, Ele também assume a posição de Senhor, com autoridade sobre tudo em nossa vida. Então, para termos a autoridade dele, precisamos, antes, submetermos a Ele, observando o que o Mestre disse em Lucas 6.46: E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? Ter autoridade significa ter o direito de comandar e impor obediência. Deus é a autoridade máxima a quem devemos obedecer. O Senhor reina sobre todas as demais autoridades, e Cristo reina com Ele. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. 1 Coríntios 15.25-28

60


SIL AS MA LA FAI A

Deus é tanto o Criador como o Sustentador de todo o universo (Génesis 1.1; Atos 17.24 -29). Somente Ele tem poder de comando e de delegar autoridade a quem quer que seja. Nenhum ser humano tem direito ou poder para colocar-se em pé de igualdade com Deus. Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes. Daniel 2.20,21

É o Senhor quem remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes (Daniel 2.21). Ele está acima de tudo e de todos e pode fazer tudo o que lhe apraz porque é soberano e todo-poderoso. Se você é um cristão obediente a Deus e à Sua Palavra, também tem autoridade. Honre-a, usando-a da forma certa, como convém a um crente fiel. Se o fizer, pode esperar que Deus interaja com você e favoreça-o, porque Ele tem o poder para intervir, ajudar-nos, dirigirnos e agir diretamente para solucionar nosso problema, se Ele assim quiser.

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COMO DEU S TRATA OS NOSSOS PROBLEMA S

Os ouvidos de Deus estão sempre atentos ao nosso clamor. Ele ouve quando os justos clamam, livrando-os de todas as suas angústias (Salmo 34.6, 17). O Senhor é capaz de ouvir o seu clamor e de dar a solução eficaz para os seus problemas. Creia! Deus poderá ajudá-lo trazendo luz à sua mente de modo que você use a sua inteligência e seus talentos para resolver a questão. Ele também pode, durante um tempo, não permitir que esse problema seja sanado, para tratar com você. Mas acredite que Ele o ama, quer o melhor para você e, no tempo oportuno, vai responder ao seu clamor e agirá sobre aquilo que não lhe é possível resolver. Não perca a sua esperança nem a sua fé, porque Deus é conosco. Ele sempre nos ajudou, ajuda e ajudará. Ouça a voz dele a falar com você agora: Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. Isaías 41.10

Deus o abençoe!



COMO DEUS TRATA NOSSOS PROBLEMAS