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SANTIDADE PESSOAL  EM TEMPOS DE TENTAÇÃO    Karmitta e-books Semeadores da Palavra

    Bruce H. Wilkinson  São Paulo: Mundo Cristão, 2002. 

                           

 


Por  mais  de  vinte  anos,  tenho  servido  ao  Senhor  lado  a  lado  com  o  mais  extraordinário  grupo  de  líderes  comprometidos e piedosos que já conheci: a equipe Executiva do Ministério Através da Bíblia. Esses líderes  servos  fizeram,  com  fé,  do  MAB  a  obra  ampla  e  eficiente  que  é  hoje,  por  meio  da  oração  fervorosa,  do  trabalho extenuante, da liderança inovadora e administração diligente.  Juntos, vimos o Senhor multiplicar nosso trabalho, de forma que o MAB realiza anualmente mais de 10 mil  seminários  sobre  a  Bíblia  e  treinamentos  ao  redor  do  mundo;  publica  dez  guias  de  devocional  por  mês  (recentemente  ultrapassamos  a  marca  de  100  milhões  de  exemplares);  distribui  inúmeros  cursos  em  vídeo  para milhares de igrejas e dezenas de denominações, organizações cristãs e missões; transmite o programa de  televisão MAB para milhares de lares todas as semanas; ministra à crescente equipe de apoio do MAB, por  intermédio do Conselho do Presidente e da Equipe de Oração; atualmente ministra ativamente em mais de 70  países, em 50 idiomas.  Sempre que estou perto desses homens e mulheres formidáveis, meu coração bate mais forte pelo Senhor e  seu chamado para pregarmos sua Palavra a todo mundo para que haja transformação de vidas. Sempre que  estou com esses líderes piedosos, meu coração fica mais resoluto para seguir adiante com o compromisso de  “ser santo, porque eu [Deus] sou santo”. Quando pensei a quem este livro deveria ser dedicado, encontrei‐me  diante  de  apenas  uma  opção  –  agradecer  à  Equipe  Executiva  do  Ministério  Através  da  Bíblia  pela  honra  de  servir ao Senhor a seu lado, para a glória dele.          SUMÁRIO    Agradecimentos  Eu? Santo?    PARTE UM: VOLTANDO SEU CORAÇÃO PARA A SANTIDADE  1. Santidade pessoal  2. A santidade da salvação  3. Apresentar‐se a Deus  4. Quero ser mais parecido com Cristo    PARTE DOIS: VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO  5. Como crescer em santidade  6. A verdade sobre as tentações  7. Ferramentas para a vitória  8. A pior tentação em nossa cultura    PARTE TRÊS: DESENVOLVENDO HÁBITOS SANTOS  9.   Buscando a santidade  10. Os hábitos fundamentais da santidade  11. O hábito do diário  12. Avançando na santidade            3 

 


AGRADECIMENTOS    À  medida  que  a  última página  deste  livro  saía de  minha  fiel  impressora  jato  de  tinta,  alguns  minutos  atrás,  senti  o  imenso  peso  que  todo  escritor  conhece  muito  bem  ser  tirado  de  meus  ombros.  Como  é  bom  finalmente poder dizer: “Terminei!”  A próxima emoção que senti foi uma profunda gratidão por aqueles que correram a meu lado nesta grande  corrida,  ou  que  torciam  das  laterais.  A  equipe  da  Harvest  House,  sob  a  soberba  liderança  de  Bob  Hawkins,  demonstrou excelência em todas as fases – é um prazer trabalhar com essa editora!  O  editor  sênior  hip  MacGregor  orientou  e  liderou  em  todo  o  processo  de  publicação  de  modo  formidável.  Seus conhecimentos, encorajamento genuíno e identificação provaram ser uma luz‐guia em todo o processo.  Obrigado, hip – é um verdadeiro prazer trabalhar com você! Carolyn McCready, Julie McKinney e Bill Jensen,  todos cooperaram com seus conhecimentos, pelo que sou imensamente grato.  Na  fonte  deste  livro  está  um  pequeno  grupo  de  amigos  que  sempre  me  incentivaram  a  publicar  esses  conceitos.  Sem  Bill  Watson,  Jill  Milligan,  Jim  Kinney,  John  Nill,  Bob  Westfall,  Terry  Sparks,  Phil  Tuttle,  Frank  Wilson e Norm Clinkscales, este livro só estaria disponível numa série de vídeos!  Sou  muitíssimo  grato  à  diretoria  do  ministério  Através  da  Bíblia,  que  há  muito  tempo  me  desincumbiu  das  responsabilidades  operacionais  para  me  concentrar  na  agradável  tarefa  de  desenvolver  novos  e  criativos  seminários bíblicos, vídeos e livros – este livro tem profundas raízes no sonho dos vinte anos. Obrigado a Paul  Johnson, Robert Boyd, Howard Hendricks, John Van Diest e John Isch.  Àqueles que trabalharam sob a pressão dos cronogramas, aos que tiveram que reescrever e revisar as provas,  sempre reservamos nossa mais profunda apreciação e afeição. Para minha família, que permaneceu fiel a meu  lado durante as horas intermináveis que passei sentado diante do computador – obrigado Darlene e Jéssica  por  me  compartilharem  com  este  livro.  Jamais  poderia  tê‐lo  feito  sem  a  compreensão,  a  paciência  e  as  orações de vocês. Agora tudo o que resta é seguir as antigas palavras do monge do século XV: “O livro está  terminado! Que o escritor brinque!”    EU? SANTO?    Imagine‐se  fazendo  uma  entrevista  para  o  emprego  de  seus  sonhos.  Você  foi  bem  em  todo  o  processo  de  seleção, e hoje é o teste final: uma entrevista com o presidente. Depois de uma conversa simples, ele faz uma  pergunta inesperada: “Se você tivesse de descrever‐se com apenas cinco palavras, quais seriam elas?”  Seu coração palpita enquanto pensa na melhor resposta – como alguém pode fazer um resumo de si mesmo  em apenas cinco palavras? À medida que você se concentra para responder, nota que o presidente pega em  cima da mesa uma pequena pilha de cartões, com lista de palavras em cada um. Vendo seu desconforto, ele  mexe lentamente nos cartões e diz: “Não seja tão duro consigo mesmo, apenas escolha cinco palavras. Nosso  departamento  pessoal  já  fez  essa  mesma  pergunta  a  vários  amigos  seus,  parentes  e  alguns  ex‐colegas  de  trabalho. Estamos curiosos para ver se sua resposta corresponde ao modo como todos o vêem”.  Reflita por um momento. Que palavras outras pessoas usariam para descrevê‐lo? Se o presidente permitisse  que você olhasse os carões, o que encontraria neles? Será que algumas daquelas pessoas colocariam a palavra  “piedoso” entre as cinco? Você escolheria a palavra “santa” para descrever sua vida?  Se você é como a maioria das pessoas, a idéia de chamar a si próprio de santo jamais passou por sua mente. O  conceito de ser “santo” parece ser uma daquelas qualidades reservadas para as manhãs de domingo e para  descrever missionários e servos de Deus – não pessoas como você e eu.  Recentemente, num sábado de manhã, fiz esta experiência com um grupo de homens de minha igreja. Depois  de  pedir  que  escolhessem  as  cinco  palavras  que  melhor  descrevessem  sua  vida,  perguntei  se  alguém  tinha  incluído “santo”. A resposta foi um silêncio embaraçoso. Alguns se mexeram na cadeira, outros cruzaram os  braços e a maioria olhou para os lados, evitando encarar alguém na sala.  Quando perguntei por que se sentiram desconfortáveis descrevendo‐se como santos, os homens não tiveram  dificuldade de explicar as razões: “Ser santo é para pregadores! Eu usaria essa palavra para descrever mártires  e  missionários  e  não  a  mim  mesmo!  É  para  santos,  não  pecadores.  Pode  ser  que  eu  seja  santo  depois  de  morrer, mas por enquanto sou apenas uma pessoa normal”. Para as “pessoas normais”, a santidade existe em  4 

 


algum lugar “longe” – com santos empoeirados, distantes e mortos; não estão por aí calçando botas, dirigindo  caminhões e trabalhando das 8 às 17 horas.  Para entender melhor a atitude desses homens com relação à santidade, pedi a eles que descrevessem uma  pessoa  santa.  Os  exemplos  que  me  deram  foram:  “A  santidade  é  uma  pessoa  severa,  de  roupas  escuras  e  meias pretas, de passos rígidos – mulheres usando espartilhos apertados!”; “As pessoas que se descreveriam  como  ‘santas’  vivem  com  dificuldades,  com  problemas  ocultos,  carregam  enormes  Bíblias  pretas  por  toda  parte para lembrá‐las do que não devem fazer.”; “Ser santo é viver no vale do ‘NÃO’ – não para tudo aquilo  que  possui  cor,  alegria,  espontaneidade,  humor,  variedade  e  criatividade;  não  para  o  futebol,  música  com  ritmo e para o filé enorme e suculento!”  Um dos homens, o mais engraçado do grupo, respondeu: “Santidade é como aquela velha pintura da casa dos  velhos, de pé ao lado do celeiro, com expressão severa e segurando um ancinho!”. Quando terminou, todos  irromperam  em  gargalhadas,  porque  sua  resposta  descrevia  o  que  todos  tinham  em  mente.  Definimos  santidade  com  palavras  como  sóbrio,  triste,  entediante,  severo  e  super  religioso,  mas  não  a  definimos  com  algo real ou recente.  Quanto mais eu ouvia as respostas naquela manhã, mais compreendia por que ninguém colocou “santo” na  lista de cinco palavras. Quem quer permanecer rígido, de olhar severo, com um ancinho na mão?    QUAL É SEU “QUOCIENTE DE ATRAÇÃO” DE SANTIDADE?    Quanto mais eu pesquisava, mais preocupado ficava. Sabia que aqueles homens não eram os únicos – de fato,  tiveram  a  reação  normal  ao  serem  chamados  de  “santo”.  Santidade  parece  ser  um  elemento  da  geração  passada, alegremente descartado. As pessoas parecem aliviadas por verem que finalmente a santidade está  enterrada  no  passado  distante,  e  a  maioria  não  deseja  voltar  para  desenterrar  seus  restos  gastos  e  indesejáveis. Pense em você mesmo por alguns instantes... sente‐se atraído pela idéia de santidade?  No mundo empresarial, os especialistas em marketing descrevem o sentimento de uma pessoa em relação a  alguma coisa como Quociente de Atração (QA), utilizando uma escala de 1 a 100. Quanto mais uma pessoa se  sente atraída a um produto ou conceito, maior é o seu QA; quanto mais a pessoa evita o produto ou conceito,  menor  é  seu  QA.  Agora  imagine  que  a  Empresa  de  Marketing  Santidade  contratou  você  para  pesquisar  o  Quociente de Atração de santidade. Em primeiro lugar você pesquisa como as pessoas que vivem num raio de  um  quilômetro  de  sua  casa  se  sentem  com  relação  à  santidade;  segundo,  você  afunila  mais  a  pesquisa,  restringindo‐a àqueles que são membros de igrejas e estabelece o QA médio entre eles. Por último, você faz  uma pesquisa comparativa do QA das três últimas gerações.  Qual você imagina que será o resultado? Qual o QA de sua geração com relação à santidade? E da geração de  seus pais? E da de seus avós? Qual é a tendência – as pessoas estão mais ou menos atraídas pela santidade?  Agora  digamos  que  a  Empresa  de  Marketing  Santidade  deseja  saber  se  existe  alguma  relação  clara  entre  santidade e qualidade de vida. Ou seja, à medida que a santidade declina rapidamente, o que acontece com  as bases da sociedade? Por exemplo:  1.  Com  o  declínio  da  santidade,  qual  é  a  tendência  nos  casamentos  e  nas  famílias?  O  índice  de  divórcios  aumenta ou diminui? O relacionamento entre pais e filhos se fortalece ou enfraquece? Os abusos tornam‐se  mais ou menos freqüentes?  2. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na vida das crianças? A juventude torna‐se mais honesta,  íntegra, disciplinada e respeitosa? Ou mais desonesta, egoísta e sem respeito pela autoridade?  3. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na mídia? Os filmes, programas de TV e de rádio e revistas  promovem  valores  sólidos,  fidelidade  sexual  e  integridade  nos  relacionamentos  e  negócios?  Ou  estão  promovendo imoralidade sexual, a ganância e a violência?  4. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na população carcerária? A porcentagem de condenações,  a idade média dos detentos e o nível de violência na sociedade aumenta ou diminui?  5.  Com  o  declínio  da  santidade,  qual  é  a  tendência  nas  moléstias  físicas?Há  mais  pessoas  saudáveis  ou  doentes? Os distúrbios psicológicos aumentam ou diminuem? Os indivíduos usam mais ou menos drogas para  escapar dos problemas? 

 


6.  Com  o  declínio  da  santidade,  qual  é  a  tendência  na  moral  da  sociedade?  As  pessoas  se  sentem  mais  seguras?  Nossas  cidades  são  lugares  mais  seguros?  O  alcoolismo  e  a  dependência  de  drogas  aumentam  ou  diminuem? Os processos por direitos civis tornam‐se mais ou menos predominantes?  7. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na qualidade geral de vida? As pessoas têm uma vida mais  equilibrada, com mais paz e contentamento? A bondade e a boa vontade entre os homens tornam‐se mais ou  menos prevalecentes?  O  que  você  descobriu?  As  tendências  são  inquestionáveis.  Embora  você  tenha  relacionado  o  conceito  de  “santidade”  com  casamento,  família,  mídia,  moléstias  físicas,  bem‐estar  psicológico,  vícios,  imoralidade  e  qualidade de vida, a Bíblia não apenas faz essa conexão como também repetidamente apresenta uma relação  inquestionável de causa e efeito entre santidade e os aspectos da vida cotidiana. Com base nessa verdade,  você  consegue  agora  começar  a  enxergar  o  resultado  devastador  da  atitude  negativa  geral  com  relação  à  santidade?    REPOSICIONANDO A SANTIDADE    Anos  atrás,  uma  das  palavras  da  moda  no  mundo  empresarial  era  “posicionamento”.  Como  determinado  produto  ou  serviço  está  “posicionado”  na  mente  do  público?  Quando  um  produto  é  “reposicionado”,  as  pessoas respondem de maneira totalmente diferente. Um exemplo bem conhecido é o reposicionamento das  palavras  “made  in  Japan”.  Nos  anos  60,  elas  deixavam  uma  impressão  de  produto  de  má  qualidade;  atualmente,  porém,  “made  in  Japan”  imprime  a  idéia  de  produtos  da  mais  alta  qualidade.  O  Quociente  de  Atração,  que  costumava  ser  muito  baixo,  subiu  consideravelmente  –  a  prova  é  a  grande  procura  por  esses  produtos.  É  surpreendente  com  as  coisas  podem  mudar  em  apenas  30  anos.  Antigamente,  ninguém  iria  comprar  um  carro  Datsun;  hoje,  porém,  marcas  como  Toyota,  Nissan,  Honda,  Lexus  e  Mitsubishi  praticamente  monopolizaram o mercado de automóveis importados. Com a mudança da posição, mudou também a procura  no  mercado.  De  modo  semelhante,  o  título  “presidente  dos  Estados  Unidos”  costumava  produzir  o  mais  elevado  respeito  –  era  o  símbolo  de  liberdade,  integridade,  honestidade,  liderança  e  elevada  moral  em  qualquer lugar do mundo. Hoje o título parece ter sido bem reposicionado.  Quando você considera a santidade e sua influência na vida diária, a maneira como se sente exerce um grande  poder  sobre  suas  escolhas  e  sua  vida.  Se  dado  conceito  é  genuinamente  perigoso,  então  uma  aversão  emocional proporciona uma segurança útil e mantém o indivíduo longe dele. Mas, se um conceito percebido  como  negativo  na  verdade  é  algo  benéfico  e  útil,  precisa  ser  reposicionado.  Caso  contrário,  terminaremos  evitando  aquilo  que  é  melhor  para  nós.  A  meu  ver,  a  Bíblia  revela  nossa  percepção  equivocada  da  palavra  “santo”.  Os  inimigos  da  santidade  adotaram  de  maneira  deliberada  e  incansável  a  estratégia  de  reposicionar  esse  conceito  até  que  ele  suscite  somente  emoções  negativas  nas  pessoas.  Os  santos  não  são  apenas  pessoas  severas, usando roupas sombrias. Aqueles que se consideram santos não vivem necessariamente no Vale do  “Não”. Como disse o grande escritor cristão C. S. Lewis: “Quão pouco conhecimento têm aqueles que acham a  santidade insípida. Quando alguém encontra a verdadeira santidade, descobre que é irresistível”.  Você  acha  que  Lewis  está  correto?  Quando  você  encontra  alguém  que  considera  a  santidade  insípida,  será  que isso não prova que ele realmente não sabe muito sobre o assunto? Quando você encontra uma pessoa  que  é  genuinamente  santa,  será  que  ela  não  é  uma  das  poucas  realmente  felizes?  Na  geração  atual,  a  santidade  tem  sido  reposicionada  em  muitas  mentes  como  algo  indesejável  e  até  perigoso,  quando,  na  verdade,  é  benéfica  e  cheia  de  alegria.  Assim  tive  de  dizer  àqueles  bons  cristãos  de  minha  igreja,  que  se  sentiam desconfortáveis com a santidade, que estavam pagando um alto preço pelo erro. Através dos anos,  passei a crer que C. S. Lewis tinha razão. Minha atitude com relação à santidade foi reposicionada. Passei a  crer no que a Bíblia diz sobre a santidade, e o propósito deste livro é reposicionar a santidade em sua mente.  Se  eu  tiver  sucesso,  em  algum  momento  no  futuro,  quando  lhe  pedirem  para  descrever  a  si  mesmo,  você  usará a palavra “santo”! Talvez amigos e familiares pensem na palavra “santo” quando tiverem de descrever  você. Prepare‐se, meu amigo, pois vamos atrás da santidade em sua vida. A santidade é o centro da vontade  de Deus para você e é o tema deste livro. O próprio Deus santo quer que você seja santo.    6 

 


O PROPÓSITO DESTE LIVRO    Este livro tem um objetivo claro: sua santidade pessoal. Minha fervorosa oração é que, ao terminar de ler, seu  coração e seus hábitos sejam direcionados para a santidade. Este livro é dividido em três seções, com quatro  capítulos  cada.  Cada  parte  pode  ser  lida  independentemente  das  outras,  embora  as  três  se  desenvolvam  numa ordem lógica.  A  Parte  Um  trata  do  conceito  bíblico  de  santidade  e  apresenta  seus  três  estágios.  O  primeiro  capítulo  apresenta  uma  visão  geral  do  que  é  santidade  e  do  que  não  é.  O  capítulo  2  focaliza  o  primeiro  estágio  da  santidade e revela o segredo de como se tornar “santo” aos olhos de Deus. Você descobrirá o que o Espírito  Santo  faz  por  você  neste  estágio  e  o  que  você  faz  para  alcançar  o  primeiro  nível.  O  capítulo  3  focaliza  a  santidade  no  coração  e  prepara  o  leitor  para  entrar  na  Cerimônia  de  Consagração.  O  último  capítulo  desta  seção  trata  da  “santidade  progressiva”,  questionando  os  dogmas  teológicos,  desmascarando  os  principais  equívocos sobre santidade e equipando o leitor para avaliar a própria santidade na “Tabela da Santidade”.  A Parte Dois faz a transição para o “lado escuro da santidade” e prepara o leitor para ser vitorioso diante dos  problemas “profanos” da vida diária. O capítulo 5 treina o leitor para usar os “Dez Passos da Pureza Profunda”  para os maiores problemas com pecado; o capítulo 6 marcha diretamente sobre o campo do inimigo e revela  suas estratégias básicas para derrotar o cristão: as tentações. O capítulo seguinte fortalece o leitor revelando  seu  Quociente  de  Tentação  e  descrevendo  os  sete  estágios  de  toda  tentação.  O  último  capítulo  lida  ousadamente  com  uma  das  mais  duras  tentações  culturais:  a  imoralidade  sexual.  Se  o  cristão  não  pode  se  libertar dessas amarras, a santidade continuará sendo apenas um sonho desejável e não uma realidade a ser  experimentada.  A  Parte  Três  passa  para  o  “lado  brilhante  da  santidade”  e  prepara  o  leitor  para  se  fortalecer  no  homem  interior  por  meio  do  exercício  de  hábitos  santos.  O  capítulo  9  introduz  o  leitor  a  esses  hábitos  e  revela  o  princípio do plantar e colher. Então, os capítulos 10 a 12 examinam os seis maiores Hábitos Santos praticados  pela igreja através dos séculos.  Este  livro  concentra‐se  na  prática  e  na  fácil  utilização  –  portanto,  alegre‐se  com  as  descobertas  de  tantos  conhecimentos bíblicos e ferramentas práticas que o ajudarão em sua peregrinação em direção à santidade  nesses tempos de tentação.  Bruce H. Wilkinson  Atlanta, Georgia    PARTE UM  VOLTANDO SEU CORAÇÃO PARA A SANTIDADE    1  SANTIDADE PESSOAL    Quão  pouco  conhecimento  têm  aqueles  que  acham  a  santidade  insípida.  Quando  alguém  encontra  a  verdadeira  santidade,  descobre  que  é  irresistível!  Se  somente  10%  da  população  mundial  possuísse  essa  qualidade, o mundo todo não seria salvo e feliz em menos de um ano?  C. S. Lewis    O  professor  de  teologia  entrou  na  sala  para  a  última  aula  em  sua  carreira  de  cinqüenta  anos.  Como  de  costume,  a  grande  audiência  se  alvoroçou,  cheia  de  expectativa  pela  disciplina  intitulada  “A  vida  de  Santidade”. Entretanto, durante  o  semestre,  uma  tendência  de  debates  e argumentações  tinha  arruinado  a  aula. Alguns alunos insistiam que santidade significava uma coisa, outros discordavam, argumentando que era  outra coisa. Uma facção afirmava que a santidade deve ser vivida de uma forma, enquanto que outras facções  alegavam  que  é  impossível  alcançar  a  santidade.  Apesar  de  seus  cinqüenta  anos  de  experiência  docente,  o  velho professor não era capaz de mudar a atitude dura e as divisões que surgiram entre os alunos. Para onde  olhava dentro da sala, via pequenos grupos isolados.  Tinha  acontecido  o  que  mais  temia.  Não  importava  o  que  ele  dizia  sobre  santidade,  surgiram  grupos  teológicos  conflitantes  que  argumentavam  uns  com  os  outros,  de  modo  dogmático  e  rude,  a  ponto  de  7 

 


acabarem  se  separando  física  e  emocionalmente.  Cada  grupo  repetia  incansavelmente  versículos.  Ninguém  cedia, ou chegava a ouvir realmente os versículos ou opiniões do grupo oponente. Durante praticamente todo  o semestre, o professor tentou transpor aquela atitude de julgamento e de espírito independente, mas não  obteve  sucesso.  Depois  de  refletir  durante  vários  dias,  dentro  do  seu  gabinete,  buscando  uma  possível  solução, ocorreu‐lhe uma última idéia. Era um plano arriscado, mais talvez fosse necessário para a cura.  Naquele dia, em vez de iniciar a aula como fazia sempre, o professor lentamente escreveu uma única palavra  no meio do quadro negro: “Tronco”; ficou olhando para ela, atraindo a atenção de toda a classe.  Voltou‐se, encarou os alunos e falou, medindo bem cada palavra: “Esta aula será a mais desafiadora de toda a  graduação. Façam grupos pequenos e, por favor, definam esta palavra e relacionem todas as razões por que  crêem  que  sua  definição  está  correta.  Não  discutam  suas  opiniões  com  os  outros  grupos,  nem  me  façam  nenhuma  pergunta.  Daqui  a  dez  minutos,  um  representante  do  grupo  lerá  a  resposta  encontrada”.  O  professor  fez  uma  longa  pausa.  “Quero  avisar  desde  já  que  há  somente  uma  resposta  correta  para  esta  questão; as respostas serão fundamentais na sua nota final”. Com essa revelação sóbria, o professor virou‐se  e  saiu  da  sala  com  calma  e  firmeza  de  volta  a  seu  gabinete.  O  canto  de  seus  lábios  levantou‐se  num  leve  sorriso, enquanto ele descia o corredor, perguntando‐se sobre as discussões que deviam estar em andamento  na sala de aula.  Passaram‐se  os  dez  minutos.  Quando  o  ponteiro  do  relógio  marcou  os  dez  minutos,  o  professor  entrou  na  sala, abriu o livro de notas, fitou a sala e perguntou se algum grupo queria começar. Não houve resposta. A  confusão reinava no lugar mais improvável de toda a universidade: na sua sala de aula. O professor aguardou  durante um tempo que pareceu uma eternidade. “Bem, se não há voluntários, esta opção está cancelada. Por  favor, coloquem o nome de todos os membros do grupo no final do papel com a resposta e passem adiante”.  Houve um murmúrio de protesto no fundo da sala: “Isso não é justo! Alem disso, o que ‘tronco’ tem a ver com  a  santidade  pessoal?”  Sem  dar  qualquer  atenção  às  reclamações,  o  professor  voltou‐se  para  o  quadro  e  acrescentou duas palavras na frente de “tronco”: “O grande”. Olhou novamente para a classe.  “Depois  de  pensar  melhor,  decidi  atenuar  minha  atitude  anterior  e  dar‐lhes  mais  uma  chance.  Sigam  as  mesmas instruções. Quero avisá‐los de novo: há somente uma resposta correta e sua resposta valerá para a  nota final”. Com essas palavras, a sala quase explodiu de frustração. O professor, porém, saiu em silêncio da  sala, sem olhar para trás, voltando para sua segurança no final do corredor. Dez longos minutos se passaram  até  que  retornou,  novamente  pedindo  um  voluntário.  Dessa  vez,  alguns  dos  alunos  mais  ardorosos  nos  debates baixaram a cabeça, sentindo a decepção nos olhos do querido professor. Novamente os papéis foram  recolhidos e empilhados sobre a mesa, em cima dos anteriores, deliberadamente perto do livro de notas.  Pela terceira vez, o professor virou‐se para as palavras escritas no quadro, e acrescentou mais duas: “O grande  tronco se movia”. Colocou o ponto final com ênfase exagerada.  “Pensei  bem  e  resolvi  dar‐lhes  uma  terceira  oportunidade.  Sigam  as  mesmas  instruções.  Lembrem‐se:  há  somente uma resposta correta e as respostas serão de grande peso na nota final de vocês”. Fez uma pausa e  acrescentou:  “Ah,  sim,  por  causa  da  importância  desta  resposta  em  seu  futuro  teológico,  depois  que  terminarem  de  responder,  por  favor,  discutam  as  descobertas  com  os  outros  grupos,  para  que  sejam  consideradas todas as perspectivas”.  Ao sair da sala, o professor franziu a testa. “Como os alunos se sairão nesta tarefa, considerando as atitudes  defensivas e dogmáticas que demonstraram nas discussões sobre santidade ao longo de todo o semestre?”,  pensou. Desta vez, virou à direita depois de sair da sala de aula, dirigindo‐se ao andar de cima, onde ficava a  cabine de som. Queria observar os resultados de seu plano em primeira mão.  A  sala  estava  em  caos,  com  cada  estudante  expressando  sua  frustração.  Ouvia‐se  o  som  dos  debates  e  das  discussões por toda a sala, não somente entre os grupos, mas também dentro deles. Vozes e braços subiam e  desciam.  Finalmente,  depois  de  quinze  minutos  de  debate.  Pela  última  vez,  entrou  na  sala.  Nunca  sentira  tamanha divisão numa sala de aula. Tampouco sentira tamanha responsabilidade para lidar imparcialmente  com uma questão. Dirigindo‐se à classe, começou a desafiar o pensamento de seus alunos. Primeiro, pediu a  todos os grupos que relacionassem no quadro o significado da palavra “tronco”. Foram relacionadas quatro  definições: (1)Parte mais grossa das árvores ; (2)parte do corpo humano; (3)origem de família, raça; (4)termo  usado  em  telecomunicação.  A  seguir,  o  professor  perguntou  se  tinham  mudado  de  opinião  durante  as  discussões.  Quase  todos  admitiram  que  tinham  mudado  de  idéia  pelo  menos  uma  vez.  O  professor  repetiu  mais  uma  vez  que  havia  somente  uma  resposta  certa  e  perguntou  se  algum  grupo  tinha  tanta  certeza  da  8 

 


resposta a ponto de arriscar a nota do semestre. Ninguém se moveu. “Por que não arriscam? Não têm certeza  de que sabem a resposta?”  Os alunos quase gritaram em coro: “Não, porque não temos todas as informações necessárias!”  Lentamente, o professor assentiu e virou‐se para o quadro. Com grande cuidado, tocou o ponto que colocara  no final da frase e num movimento dramático moveu o giz para baixo, transformando o ponto numa vírgula.  Ainda virado para o quadro, virou o rosto par ver o efeito da sua ação inesperada. Então, terminou a frase: “O  grande tronco se movia, com a violência das chibatadas”.  Houve um murmúrio na sala. Nenhum grupo tinha acertado. Com o primeiro sorriso do dia, o professor fez  uma pergunta crucial:  ‐ Agora, quantos arriscariam anota do semestre na resposta? – Todos ergueram a mão. – Que fator aumentou  tanto sua confiança?  O aluno mais velho da classe, que raramente falava, resumiu o pensamento de todos:  ‐ Finalmente temos todos os elementos necessários para a��resposta. Antes tínhamos apenas uma palavra, e  estávamos errados. Depois, conhecíamos apenas alguns fragmentos e ainda estávamos errados. Quando você  escreveu  “se  movia”,  muitos  mudaram  de  opinião,  pensando  que  finalmente  tinham  a  resposta.  Somente  quando você escreveu a frase completa, soubemos toda a verdade.  O professor concordou. Sabia que a classe estava prestes e a aprender uma lição estratégica.  ‐ Bom. Deixe‐me fazer uma pergunta: Quantos de vocês estão errados em suas respostas anteriores?  A resposta foi em coro:  ‐ Todos!  ‐ É verdade, todos estavam errados. Apesar dos intensos debates, todos estavam errados! Apesar de muitos  estarem  convictos  de  sua  posição,  não  tinham  as  informações  necessárias  para  se  sentirem  seguros.  Não  podemos ser dogmáticos sobre alguma coisa, a menos que tenhamos todas as informações.  Virando‐se para o quadro, o professor acrescentou:  ‐ Agora quero perguntar o que significa outra palavra.  O  professor  apagou  a  frase  e  escreveu  a  palavra  “santidade”  no  lugar  de  “tronco”.  Um  lampejo  de  compreensão atravessou a sala. Naquele momento, tocou o sinal do término da aula. O professor largou o giz  e disse:  ‐  Certifiquem‐se  de  que  possuem  todas  as  informações  antes  de  tomarem  uma  decisão.  Sorriu  e  caminhou  para a porta. O único som que se ouvia eram os aplausos dos alunos, cujos corações tinham sido tocados pela  verdade.  Em sua busca pela santidade, você sabe para onde está indo e o que está procurando? Você saberá quando  alcançou  seu  alvo  –  não  do  seu  ponto  de  vista,  mas  aos  olhos  de  Deus?  Afinal,  santidade  não  é  uma  idéia  humana, é uma idéia sobrenatural, vinda diretamente do trono de Deus.  Se  está  um  pouco  incerto,  talvez  decida  ficar  mais  um  pouco  depois  da  aula.  Lamento  informá‐lo  de  que  o  velho  e  sábio  professor  não  está  por  perto…  Você  tem  aqui  apenas  um  homem  que  gosta  de  caminhar  “através da Bíblia”...    I. SANTIDADE SIGNIFICA “SEPARAÇÃO”    O primeiro passo na busca é entender claramente o que Deus quer dizer com “santidade”. Esta palavra tem  sido  definida  das  formas  mais  variadas  por  indivíduos  e  denominações  –  envolvendo  muita  bagagem  emocional,  como  o  professor  experimentou.  O  conceito  básico  de  santidade,  porém,  é  inquestionável,  e  é  exposto pela primeira vez na Bíblia no episódio da sarça ardente: “Então disse [Moisés] consigo mesmo: Irei lá  e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima? Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver,  Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés, Moisés! Ele respondeu: Eis‐me aqui! Deus continuou: Não  te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Exôdo 3:3‐5”  Terra santa? Como a “terra” pode ser santa? Se Moisés pegasse um punhado de terra “profana” e comparasse  com aquela, teria visto alguma diferença? Se na semana anterior tivesse passado por ali com seus rebanhos, a  terra  já  seria  santa?  Ou  se  Moisés  tivesse  levado  daquela  terra  para  sua  tenda,  estudando  seus  grãos  minuciosamente, teria descoberto alguma alteração na sua natureza, ou veria que se tratava da mesma velha  terra do deserto? Desde que nada mudou na natureza da terra, por que o Senhor a classificou como “santa”?  9 

 


1. A santidade pode estar na mente daquele que crê  Se você tivesse um daqueles enormes dicionários hebraicos ao alcance da mão, como eu tenho, descobriria  rapidamente as respostas. Descobriria logo que a base do conceito de santidade está na palavra “separação”.  A terra tornou‐se santa simplesmente porque Deus a separou como o único local onde se revelaria a Moisés.  Num sentido, todo o restante do deserto permaneceu profano porque Deus não escolheu outro local para sua  conversa. Se Deus tivesse se movido alguns metros para o norte e falado de lá, aquela parte do deserto seria  santa.  Amplie um pouco sua compreensão da santidade por meio de uma ilustração hipotética. Imagine que, depois  de  uma  das  grandes  festas  realizadas  pelo  rei  Salomão,  um  dos  sacerdotes  chegasse  em  casa  e  dissesse  à  esposa: “Querida, preciso de uma nova faca sagrada para o templo. Nenhuma das que tenho lá tem um bom  corte; você se importa se eu levar uma das nossas?” No momento em que o sacerdote a dedicasse ao serviço  do Senhor, aquela faca comum se tornaria uma faca santa do templo.  A  santidade  pode  descrever  a  “separação”  na  mente  da  pessoa  com  relação  à  faca,  areia,  uma  cidade,  ou  muitas  outras  coisas.  Chamo  isso  de  “santidade  mental”,  desde  que  a  separação  ocorre  somente  no  pensamento  das  pessoas.  Por  exemplo,  além  de  a  natureza  da  areia  continuar  a  mesma,  ninguém  teria  reconhecido aquela terra como “santa” se Deus não tivesse se revelado ali.    A santidade em nós é a cópia ou a transcrição da santidade de Cristo. Assim como a cera duplica cada detalhe  do selo, e o filho tem a mesma aparência do pai, assim a santidade em nós é como a dele. Philip Henry    2. A santidade deve ser separação “de” e “para”, ou não é santidade  Santidade  exige  separação  de  uma  coisa  e  separação  para  outra  coisa.  Pense  sobre  isso  um  instante  e  imediatamente se torna óbvio que não se pode ter uma sem a outra. Para que a faca se tornasse santa, tinha  de ser separada da casa e separada para o templo. Novamente note que a natureza da faca não mudou para  torná‐la santa – somente a separação a tornou santa.  Santidade exige divisão. Até o momento de o sacerdote tirar a faca de sua casa, ela não poderia ser santa. Por  que não? Porque estava com todas as outras facas, sem distinção. Antes de o Senhor escolher aquela parte do  deserto  para  ali  se  revelar,  ela  não  poderia  ser  chamada  de  santa.  Santidade,  então,  exige  afastamento.  Santidade exige desconexão. Nesse sentido, para uma pessoa se tornar santa, tem de separar‐se de algo, ou a  santidade é impossível.  O segundo aspecto da separação requer que a faca se torne unida a algo. O sacerdote tirou‐a da cozinha e  colocou‐a  no  templo.  A  santidade  requer  reconexão.  A  santidade  requer  adição.  Novas  pessoas,  novas  práticas  ou  novos  alvos  devem  ser  adicionados  à  sua  vida,  substituindo  os  antigos  padrões  profanos.  Nós  abandonamos  nossos  antigos  caminhos  profanos  e  buscamos  os  santos  caminhos  de  Deus.  Sem  os  dois  aspectos da separação, a santidade bíblica não é possível. Separar “de”, sem separar “para” não representa a  santidade bíblica. A santidade bíblica deve ter um “parar” seguido de um “começar”.   Aquele que crê deve fugir de algo e depois seguir atrás de algo. Note essas duas partes distintas em 2Timóteo  2:22: “Foge [separe‐se], outrossim, das paixões da mocidade. Segue [separe‐se para] a justiça, a fé, o amor e a  paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.”  Sempre que uma pessoa buscar apenas a metade dessa equação, no final sua vida será abalada pela falta de  equilíbrio e pelo engano. Em grande parte, a impressão negativa que as pessoas têm da santidade é resultado  da ênfase exagerada em “fugir”. Santidade não é viver no mundo de “não”, mas abandonar o mundo de “não”  para entrar no mundo do “sim!”  Se você não consegue olhar para trás em sua vida e identificar as áreas onde se separou ou se afastou, bem  como as áreas onde acrescentou ou buscou, certamente neste momento está carecendo de santidade.  Por  todo  o  Antigo  e  o  Novo  Testamento,  o  radical  “santo”  e  todos  os  seus  derivados  são  traduzidos  por  termos como separar, dedicar e consagrar. Qualquer que seja o contexto no qual sejam empregados, sempre  estão fundamentados no conceito de “separação”.  O  versículo‐chave  deste  livro  é  extraído  de  1Pedro  1:15,16:  “...segundo  é  santo  aquele  que  vos  chamou,  tornai‐vos  santos  também  vós  mesmos  em  todo  o  vosso  procedimento,  porque  escrito  está:  Sede  santos,  porque eu sou santo.” 

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Nesse versículo, vemos o chamado do Senhor para você, individualmente: o Senhor o chama para ser santo.  Ele o convoca para se levantar da multidão, separar‐se de e para ele, afastando‐se de tudo aquilo que não é  como  ele,  devotando‐se  totalmente  a  ele  e  à  sua  vida  gloriosa.  Em  essência,  a  “santidade”  prática  para  o  cristão  ocorre  quando  deixa  para  trás  os  padrões  do  mundo  para  tornar‐se  semelhante  a  Cristo,  em  seu  caráter e conduta. Que seu coração se afaste de tudo aquilo que não é santo e busque tudo o que é.    II. A SANTIDADE TEM PADRÕES    Toda cultura adota algum tipo de santidade. Em algumas, certos locais são considerados “sagrados” enquanto  outros itens são chamados de “tabu”. Ambos os termos descrevem a questão da separação do que é secular  daquilo que é sagrado.  Para que a separação seja classificada como santidade, são necessárias duas etapas adicionais. Por exemplo,  quando  um  casal  vive  em  conflito  e  decide  divorciar‐se,  indo  cada  um  “para  seu  lado”,  ninguém  poderia  chamar tal separação de santa, poderia? Por que não?    1. A santidade exige a separação do “secular” para o “sagrado”  Em  primeiro  lugar,  a  separação  relacionada  à  santidade  deve  incluir  a  separação  do  que  é  “secular”  para  aquilo que é “sagrado”. Deve‐se incluir o Divino na santidade para que ela seja genuína. Culturas pagãs têm  “homens  santos”  que  se  separam e  se  consagram  para  a  busca  dos  deuses  tribais  e  seus  supostos  poderes  sobre a natureza, doenças, colheitas e inimigos. Os cristãos, porém, são chamados para deixar esse tipo de  atitude profana para trás e buscar a vontade de Deus. Quando você pensa sobre sua santidade, seja do que  for que decida se separar, deve se separar para o Senhor.  Essa reflexão proporciona a base do entendimento de muitas coisas santas na Bíblia, como o Santo Templo, o  Santo Sábado, o Altar Santo, o Lugar Santo e a Assembléia Santa. Nesses casos, a natureza não mudou, mas  esses  lugares  e  dia  foram  separados  do  uso  natural  e  dedicados  ao  sobrenatural,  separados  do  serviço  ao  homem para o serviço a Deus.  Várias vezes em meu ministério fui convidado a consagrar publicamente uma sala ou um edifício ao Senhor.  Num sentido real, aquele edifício torna‐se santificado, separado para o Senhor, para sua obra e sua glória. O  local torna‐se “santo para o Senhor”.  Darlene  e  eu  dedicamos  nossa  casa  e  todos  os  nossos  bens  ao  Senhor.  Primeiro  caminhamos  ao  redor  do  terreno  que  compramos  e  o  dedicamos  oficialmente  a  Deus  e  sua  glória.  Depois,  juntos,  dedicamos  toda  a  nossa casa ao Senhor e sua obra. Até ali, nunca tinha pensado em dedicar oficialmente nossa casa ao Senhor.  Em nossa mente, ainda era uma casa “comum” – depois que a dedicamos, porém, ela passou para a esfera  das coisas santas. Somos apenas administradores dos bens do Senhor e trabalhadores em sua casa.  Talvez você já tenha participado de uma cerimônia de ordenação de um indivíduo ao serviço do Senhor. No  momento mais solene da cerimônia, pede‐se ao indivíduo que se ajoelhe diante da congregação, e os líderes  impõem  as  mãos  sobre  ele,  dedicando‐o  e  devotando‐o  oficialmente  ao  Senhor  e  a  seu  ministério.  Você  estaria  correto  ao  considerar  santa  tal  cerimônia,  realizada  num  local  santo,  para  um  propósito  santo,  resultando  na  dedicação  oficial  de  uma  pessoa  santa.  Os  indivíduos  então  podem  devotar‐se  ao  Senhor  de  uma maneira que o céu descreve como santa.  Portanto,  a  separação  não  ocorre  somente  no  tangível  mas  também  no  intangível  –  no  mundo  visível  e  no  invisível.  Uma  faca  pode  tornar‐se  santa  ao  ser  dedicada  ao  serviço  do  Senhor.  De  modo  semelhante,  um  homem  ou  uma  mulher  podem  escolher  dedicar  coração,  alma  e  forças  ao  Senhor,  separando‐se  assim  de  mente e coração.  O Antigo Testamento está repleto de exemplos dessa dedicação e separação. Quando Israel concordou em ser  a nação santa de Deus, o Senhor estabeleceu algumas formas bem incomuns de separá‐la de todas as outras  nações.  Esses  “regulamentos  de  santidade”  específicos  lembravam  constantemente  os  judeus  e  os  povos  vizinhos  de  que  eles  não  eram  como  as  outras  nações;  pertenciam  ao  Senhor,  um  fato  que  influenciava  praticamente  todas  as  áreas  de  suas  vidas.  Vejamos  dois  exemplos  em  Levítico  19.19:  “No  teu  campo,  não  semearás semente de duas espécies; nem usará roupa de dois estofos misturados.”  

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Em outras palavras, para que o judeu do Antigo Testamento fosse cerimonialmente “santo”, ele não poderia  plantar  dois  tipos  diferentes  de  sementes  ou  vestir  roupas  de  tecidos  mistos  Suas  roupas  tinham  de  ser  somente de algodão.  Pense nisso: será que hoje eu seria profano por usar uma camisa de tecido misto? Certamente que não! Por  quê?  Porque  essas  “leis  de  santidade”,  específicas  e  únicas  ,  aplicavam‐se  aos  judeus  daquela  época  para  distingui‐los  e  separá‐los  de  todos  os  outros  povos.  Todas  as  manhãs,  quando  se  vestiam,  tinham  de  se  lembrar  que,  por  serem  a  nação  do  Senhor,  eram  separados  das  outras  nações  e  chamados  a  praticar  essa  separação. Em outras palavras, vestir uma roupa de tecido sem mistura não mudava o caráter do indivíduo;  era apenas, um sinal externo da aliança com o Senhor.  Há  outro  exemplo  interessante  de  “comportamento  santo”  em  Levítico  27:30:  “Todas  as  dízimas  da  terra,  tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.”  Como os “cereais do campo” ou os “frutos das árvores” podem ser santos? Somente porque o Senhor revelou  que “as dízimas da terra ou 10% de toda semente e frutos eram seus e deviam ser “separados dos” demais e  separados para” ele, por meio da dedicação e doação.    2. A santidade bíblica é definida pelo Senhor e por sua revelação    O ponto alto da santidade bíblica, porém, não é meramente separação, ou separar de algo a fim de separar  para,  ou  separação  do  secular  para  o  sagrado,  ou  separação  por  meio  da  dedicação  no  coração,  mas  separação  específica,  conforme  revelada  pelo  próprio  Senhor  Deus.  E  outras  palavras,  aqueles  “homens  santos”  encontrados  em  tantas  culturas  não  adoram  nem  ao  Senhor  nem  a  seu  Filho  Jesus;  em  vez  disso,  conectam‐se com um espírito do mundo invisível. A Bíblia os descreveria como “homens anti‐santos” porque  se dedicam e servem aos inimigos de Deus.  Da  mesma  forma,  muitas  culturas  praticam  rituais  específicos  e  práticas  religiosas  considerados  o  ponto  máximo  da  santidade,  mas  o  céu  os  considera  vãos  e  abomináveis.  “Homens  santos”,  que  percorrem  quilômetros de joelhos até os templos santos não estão fazendo a vontade de Deus, nem agradando a Deus.  “Vacas  sagradas”,  que  perpetuam  a  pobreza  e  engordam  enquanto  as  pessoas  ao  redor  passam  fome,  são  uma abominação para o céu. O Senhor do céu jamais revelou que vacas são sagradas ou devem ser tratadas  como tal. De fato a Bíblia fala claramente que aqueles que ensinam a abstinência de certos alimentos para  alcançar  a  “santidade”  na  verdade  estão  obedecendo  a  espíritos  enganadores!  Veja  por  si  mesmo:  “Ora,  o  Espírito  afirma  expressamente  que,  nos  últimos  tempos,  alguns  apostatarão    da  fé,  por  obedecerem  a  espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada  a  própria  consciência,  que  proíbem  o  casamento  e  exigem  abstinência  de  alimentos  que  Deus  criou  para  serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo  que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela  oração, é santificado [tornado santo]. 1Timóteo 4:1‐5”  Este  princípio  é  absolutamente  fundamental  para  a  santidade  bíblica.  O  Senhor  –  e  não  o  homem!  –  estabelece  o  padrão  do  que  é  santo.  Se  ele  não  revelasse  padrões  objetivos  para  sua  santidade,  imagine  a  confusão    e  as  distorções  que  reinariam,  à  medida  que  cada  pessoa  fizesse  “o  que  considerasse  certo!”  A  Bíblia é absolutamente clara, meu amigo: independentemente de quão sincero e devotado o indivíduo possa  parecer, se ele estabeleceu padrões de santidade com base em suas emoções, pensamentos, ou em qualquer  outra literatura além da Bíblia, seus padrões não refletem a santidade bíblica.  Por  exemplo,  muitas  seitas  proíbem  o  casamento.  Ensinam  que  os  níveis  mais  elevados  de  santidade  ou  serviço  ao  Senhor  exigem  a  condição  de  solteiro.  Deus  revela  em  1  Timóteo  4  que  o  padrão  que  “proíbe  o  casamento” não só não procede do Senhor como procede de “espíritos enganadores”.    3. Santidade criada por homens é santidade inútil     Não perca de vista este ponto fundamental: a santidade é definida pelo Senhor, não pelo homem. A santidade  criada pelo homem é inútil! Se você inventou padrões ou métodos não bíblicos de santidade, provavelmente  se abriu sem necessidade ao sofrimento e comportamento sem valor. Veja como em Colossenses 2:20b‐23b  fala  sobre  isso:  “Por  que...  vos  sujeitais  a  ordenanças:  não  manuseies  isto,  não  proves  aquilo,  não  toques  12 

 


aquiloutro,  segundo  os  preceitos  e  doutrinas  dos  homens?...Tais  coisas,  com  efeito,  têm  aparência  de  sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum.”  Quando viajo por várias regiões do mundo, meu coração se parte repetidamente, quando vejo “cultos de si  mesmo” e doutrinas de homens que causam grande dor e sofrimento às pessoas, mas não têm nenhum valor.  O que devemos fazer, então, se buscamos os métodos apropriados e eficientes de santidade pessoal? Veja a  resposta  revelada  pelo  Senhor  em  Êxodo  19:5,6a:  “Agora,  pois,  se  diligentemente  ouvirdes  a  minha  voz  e  guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a  terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa.  Para  que  o  povo  seja  santo  aos  olhos  de  Deus,  deve  “ouvir  a  sua  voz”  e  “guardar  sua  aliança”.  É  o  Senhor  quem  deve  definir  os  limites  do  que  é  santo  e  do  que  não  é.  Nenhuma  religião  ou  seita,  nenhum  “homem  santo”  nem  denominação  pode  fazer  isso.  Somente  o  Senhor  Deus  estabeleceu  os  padrões  da  verdadeira  santidade bíblica. Deve‐se evitar qualquer acréscimo ou subtração ao padrão bíblico , o que seria considerado  “doutrinas de homens” ou “tradições humanas”  Durante  a  vida  de  Jesus  os  líderes  judeus  e  os  mestres  ensinavam  e  prescreviam  amplamente  sua  visão  particular de santidade. Veja como Jesus os confrontou fortemente em Mateus 15:1‐3,7‐9: “ Então, vieram de  Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos  a tradição  dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós  também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso  respeito,  dizendo:  Este  povo  honra‐me  com  os  lábios,  mas  o  seu  coração  está  longe  de  mim.  E  em  vão  me  adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”  Portanto, muitas vezes “preceitos de homens” são ensinados como se fossem “doutrinas bíblicas”, quando na  verdade não são. É exatamente o que está acontecendo hoje em muitas igrejas e grupos religiosos ao redor  do  mundo.  Preferências  e  padrões  pessoais  são  ensinados  como  santidade  bíblica  e  geralmente  com  mais  fervor emocional do que com base nas Escrituras.  Leia  com  mais  atenção  a  passagem  acima,  pois  ela  revela  a  tendência  natural:  nossas  tradições  tornam‐se  mais  importantes  do  que  os  mandamentos  de  Deus.  Em  outras  palavras,  desobedecemos  à  verdadeira  santidade  bíblica  por  causa  de  nossas  tradições!  Tenha  extremo  cuidado  para  não  definir  os  padrões  da  verdadeira  santidade  bíblica  fora  dos  limites  da  própria  Bíblia!  Todos  nós  conhecemos  pessoas  que  estão  profundamente enganadas em sua busca de santidade, por meio de ensinos e tradições de homens.    4. Santidade exterior sem santidade interior não é santidade bíblica    O padrão final da santidade bíblica também é revelado nessa mesma passagem de Mateus. Depois de chamá‐ los  de  hipócritas,  o  Senhor  diz  aos  fariseus  que  “seu  coração  está  longe  de  mim”.  Para  que  a  pessoas  seja  santa, seu coração e seus motivos devem ser puros diante de Deus ou suas ações não poderão ser santas. Ou  seja,  é  possível  que  a  pessoa  faça  algo  que  a  Bíblia  claramente  define  como  santo  e  mesmo  assim  não  apresente  a  santidade  bíblica.  A  santidade  pode  ser  falsa,  porém,  o  céu  a  chama  de  nada  menos  que  impureza! Não somente o comportamento deve ser santo – o coração também deve ser.  Quando  um  cristão  busca  a  santidade,  praticando  os  ensinamentos  bíblicos,  mas  permite  que  seu  coração  permaneça arredio, ou até mesmo rebelde para com Deus, tal atitude pode ser chamada de profana – mesmo  que  externamente  seu  comportamento  seja  santo.  Para  que  o  Senhor  avalie  algo  como  santo,  tanto  os  hábitos  como  o  coração  devem  ser  separados  para  ele.  Um  sem  o  outro  cria  somente  uma  impureza  destrutiva.   Santidade exterior sem santidade interior cria a hipocrisia. A santidade hipócrita inevitavelmente degenera‐se  para  as  cadeias  do  legalismo.  Santidade  interior  sem  santidade  exterior  cria  o  emocionalismo.  A  santidade  emocional  inevitavelmente  degenera‐se  para  as  cadeias  do  fanatismo.  A  santidade  bíblica  não  fica  à  deriva  nas águas perigosas do legalismo e do fanatismo. A santidade bíblica define separação interior e exterior de  acordo com os padrões da Palavra.  Que  você  tenha  uma  visão  clara  do  que  é  realmente  a  santidade  bíblica  –  e  que  almeje  ter  um  coração  e  hábitos cheios de santidade genuína e equilibrada.      13 

 


III. A SANTIDADE TEM ESTÁGIOS    Na semana passada, os pais de minha esposa nos visitaram e passaram horas montado um enorme quebra‐ cabeça,  com  mais  de  2  mil  peças.  Eles  realmente  são  “montadores  de  quebra‐cabeça”  veteranos.  Dei  uma  olhada nas peças e percebi que era um dos mais difíceis que já tinha visto. O desenho não era bem distinto.  Céu,  montanhas,  colinas  e  o  lago  tinham  cores  difusas  e  mescladas.  Se  você  pegasse  uma  peça,  imediatamente perceberia que ela poderia encaixar‐se em quase todos os lugares! Entretanto, no final, cada  peça  só  cabia  em  um  único  lugar.  Quando  você  estuda  sobre  santidade,  imediatamente  reconhece  sua  abrangência. Peças da santidade estão espalhadas por todos os 66 livros da Bíblia! Entretanto, diferente da  figura única de meus sogros, estou convencido de que a santidade bíblica tem várias figuras distintas em seu  quebra‐cabeça!  Em  outras  palavras,  creio  que  a  santidade  bíblica  é  um  assunto  unificado  com  significados  bem diferentes, dependendo do contexto bíblico.  Voltemos um momento ao exemplo do professor. Os alunos estavam separados e isolados e até mesmo hostis  uns com os outros por causa das diferentes perspectivas sobre a santidade. Cada grupo escolheu certa parte  do  quebra‐cabeça  da  santidade  (com  uma  figura  completa  e  distinta),  levantou  muros  ao  redor  e  passou  a  defendê‐la com unhas e dentes. Obviamente, quando consideravam sua figura, descobriam numerosas peças  (textos bíblicos) que só cabiam ali e em nenhuma outra parte. Estavam absolutamente corretos – e desde que  a visão deles era bíblica, qualquer um com uma perspectiva diferente não somente estaria errado como seria  potencialmente herético.  Não admira que a santidade seja realmente um “quebra‐cabeça”! Depois de ler e estudar muitas passagens na  Bíblia  sobre  o  assunto,  percebi  sua  amplitude  e  abrangência.  Quando  lia  certas  passagens,  podia  imaginar  meus amigos presbiterianos aplaudindo; quando lia outras, imaginava meus amigos metodistas e wesleyanos  aplaudindo;  outras  passagens,  meus  amigos  batistas;  outras,  meus  amigos  pentecostais  e  carismáticos.  Dependendo  do  grupo  de  “peças  bíblicas”  do  quebra‐cabeça  da  santidade  no  qual  você  se  concentra,  seu  entendimento será influenciado e finalmente controlado.  Durante  todo  o  processo,  deixei  de  lado  meus  próprios  preconceitos.  Para  que  este  livro  tenha  integridade  bíblica, deve revelar o que ela ensina e não o que eu creio ou não creio. Assim, comecei a ler novamente cada  passagem,  com  apenas  uma  pergunta  na  mente:  o  que  esta  passagem  realmente  diz?  Com  base  em  meus  conhecimentos,  deixei  de  lado  aquelas  “caixas  teológicas”  com  todos  os  seus  limites  e  mantive  apenas  um  limite: as palavras, frases, versículos e parágrafos na “revelação bíblica” diretamente relacionados à questão  da santidade.  Como  foi  frustrante!  Não  é  de  admirar  que  existam  tantos  grupos  diferentes  proclamando  que  têm  a  “verdade”  sobre  a  santidade.  Minha  conclusão?  Na  maioria,  creio  que  os  grupos  estão  absolutamente  corretos – eles têm a verdade.  Eles  têm  a  verdade,  mas  talvez  não  toda  a  verdade.  Por  exemplo,  aqueles  estudantes  estavam  certos,  ao  definir  “tronco”  como  parte  da  árvore?  Sim.  O  outro  grupo  estava  certo,  defendendo  que  “tronco”  é  uma  parte do corpo humano? Sim. Se pesquisarem no dicionário, certamente comprovarão que essas definições  estão certas.  Mas  será  que  “tronco”  sempre  significa  parte  do  corpo  humano?  Nem  sempre.  Em  outras  palavras,  o  indivíduo pode ter a verdade, mas não toda a verdade. Alguém pode estar totalmente dentro dos limites do  que  uma  passagem  bíblica  ensina,  e  totalmente  fora  do  que  é  ensinado  em  outras  passagens.  Minha  conclusão é de que a maior parte da confusão em torno desse assunto tão vital é resultado do erro sincero de  se defender a santidade com base numa peça muito pequena do quebra‐cabeça.  Será que a santidade não se encaixa numa figura, mas tem três figuras diferentes e distintas dentro do mesmo  quebra‐cabeça?  Então,  todas  as  partes  devem  encaixar‐se  dentro  do  todo,  sem  contradição.  Nos  próximos  três capítulos, apresentaremos três partes distintas – embora correlacionadas – da santidade bíblica.  Essa três partes na verdade são três estágios diferentes da santidade. Antes de você terminar de ler os três  capítulos, poderá descobrir, talvez pela primeira vez, onde você se encontra nessa vida de santidade.    A SANTIDADE DA SALVAÇÃO    Aquele que nos criou sem nossa ajuda não nos salvará sem nosso consentimento. Agostinho de Hipona  14 

 


Folhas de papel cheias de versículos do Antigo e Novo Testamentos sobre santidade estavam espalhadas por  cima de minha mesa de trabalho. Depois de uma séria consideração, tinha decidido deixar de lado todas as  minhas convicções sobre santidade e começar tudo de novo – apenas com a Bíblia e uma nova abordagem,  deixando que a Bíblia falasse por si mesma, em vez de eu falar por ela.  Aquelas folhas continham todos os versículos bíblicos que traziam a raiz original “santo”, independentemente  de como foi traduzida para nosso idioma. À medida que eu lia os versículos, palavras como santo, santidade,  santificação  e  separado  atravessavam  as  folhas  com  dificuldade.  Por  alguma  razão,  eu  esperava  que  essa  etapa  fosse  relativamente  fácil  no  processo  do  desenvolvimento  do  assunto,  mas  minhas  expectativas  estavam muito distantes da realidade. Eu nem imaginava que essa tarefa criaria mais frustração e confusão do  que luz e compreensão.  O problema surgiu quase que imediatamente: como esse conceito básico de santidade podia ser revelado na  Bíblia como algo que já aconteceu, em outros textos como algo que deve acontecer no presente e em outros  versículos como algo que acontecerá no futuro? Como a santidade pode ser algo que Jesus fez por mim, em  outros  versículos  ser  algo  que  o  Espírito  Santo  faz  em  mim,  e  depois,  em  outros  versículos,  ser  um  mandamento?  Descobri  os  quatro  tempos  verbais  da  santidade:  santidade  descrita  no  pretérito;  santidade  descrita  no  presente;  santidade  descrita  no  futuro;  santidade  descrita  no  futuro,  referindo‐se  ao  estado  eterno daqueles que crêem.  Quanto mais eu lia, mais confuso ficava! Eu já era santo ou não? Se já era santo, por que a Bíblia ordena que  seja santo? Como os cristãos podem ser chamados de “santos” num texto, e depois, no mesmo capítulo, ser  veementemente exortados a parar de viver no pecado? Como podem ser santos, se são impuros?  Seguidamente eu sentia ondas de frustração e confusão. Em vez da santidade bíblica ser um assunto fácil de  revelar  e  ser  apresentado  de  uma  forma  compreensível  e  prática,  rapidamente  estava  se  tornando  um  emaranhado de fios. Naquele momento, eu podia apanhar um punhado daquelas folhas e provar que você já  é santo – assim, viva de maneira santa. Podia pegar outro maço e provar que um dia você será santo, por isso,  faz  bem  em  continuar  crescendo  em  santidade.  Como  você  pode  crescer  em  santidade,  se  já  é  totalmente  santo?  Não é de admirar que existam tantos pontos de vista e teologias diferentes em torno desse assunto intrigante  e intrincado. Nesse ponto, já pensava seriamente em deixar outra pessoa escrever este livro! Por que escrever  sobre um assunto no qual tantas pessoas piedosas discordam? No Ministério Através da Bíblia, esforçamo‐nos  muito,  nos  últimos  25  anos,  para  ensinar  a  Bíblia  de  forma  aberta,  clara,  sem  divisões  e  sem  entrar  nas  disputas denominacionais. O Senhor abençoou essa abordagem, e temos amplas oportunidades ministeriais,  transpondo as barreiras culturais e denominacionais em 71 países e em 52 idiomas.  Então, por que correr o risco de ofender alguém, agora? Se o Senhor não tivesse me ensinado profundamente  sobre santidade pessoal na ultima década, asseguro a você que teria abandonado este projeto. Se os homens   e as mulheres que participaram do início do preceito deste material não tivessem respondido de forma tão  profunda ao que Deus fez em seus corações, teria abandonado o livro ainda na fase de elaboração.  Por meio deste processo de clarificação, fiquei convencido de que este livro não deveria ser sobre teologia da  santidade. De fato, propositalmente você não encontrará nele nenhuma nota de rodapé. Você não encontrará  uma avaliação minha sobre o ponto de vista de outras pessoas, nem fazendo exegese minuciosa de todos os  pontos de certa passagem. Por que não?  Porque  tenho  alguns  objetivos  bem  claros  em  mente,  os  quais  serviram  como  diretriz  para  tudo  o  que  foi  escrito:  primeiro,  no  final  deste  livro  seu  coração  terá  sido  tão  profundamente  instigado  em  relação  ao  chamado  do  Senhor  para  ser  santo  que  você  solenemente  o  direcionará  para  a  santidade.  Segundo,  você  entenderá exatamente o que a Bíblia ensina e o que não ensina sobre santidade e o que fazer para alcançar o  alvo do Senhor para você ser “santo como ele é santo” e ser “santo em todo o seu procedimento”. Por último,  você estará equipado com três conjuntos de ferramentas para experimentar a santidade – ferramentas para  libertá‐lo  das  cadeias  da  impureza  em  sua  vida;  ferramentas  para  capacitá‐lo  a  vencer  as  tentações  que  o  assaltam;  e  ferramentas  para  buscar  a  santidade  pessoal  por  meio  de  hábitos  santos  usados  pelo  povo  de  Deus através dos séculos.  Em outras palavras, este livro visa a equipá‐lo de modo que possa dar passos maiores na santidade pessoal.  Em  vez  de  se  concentrar  na  santidade  do  Senhor,  este  livro  se  concentra  em  sua  santidade.  Em  vez  de  15 

 


enfatizar  o  conhecimento,  este  livro  enfatiza  profundas  mudanças  na  vida.  Em  vez  de  buscar  sistemas  teológicos, este livro busca transformação pessoal. Com essa introdução, vamos começar uma investigação de  como eu finalmente encontrei sentido em todas aquelas folhas de versículos.     OS TRÊS ESTÁGIOS DA SANTIDADE PESSOAL    Quando  comecei  a  preparar  este  trabalho,  nenhum  de  meus  conceitos  “esboços”  sobre  santidade  tinha  sequer  remotamente  algo  a  ver  com  “estágios”  de  santidade.  Pelo  contrário,  posso  dizer  que  tropecei  por  acidente nesta idéia ao tentar organizar todos os textos aparentemente contraditórios sobre o assunto. Não  era  difícil  compreender  cada  versículo  isoladamente;  entretanto,  quando  se  comparavam  dois  ou  três,  pareciam  ensinar  justamente  o  oposto;  eu  sabia  que  certamente  estava  perdendo  algo  fundamental.  Finalmente, comecei a prestar mais atenção ao tempo dos verbos em cada versículo e então os organizei em  várias categorias de passado, presente, futuro e eternidade.  Como você pode prever, quando os versículos dentro de cada categoria eram estudados, faziam um sentido  exato  e  lógico.  Contudo,  entre  as  categorias,  as  coisas  pareciam  não  se  encaixar  de  nenhuma forma  lógica.  Com  mais  estudo  e  um  tempo  considerável  de  reflexão,  comecei  a  notar:  santidade  pretérita  tem  certas  características  e  verdades;  santidade  presente  tem  outras  características  e  verdades;  santidade  futura  tem  outras características e verdades; santidade eterna tem outras características e verdades.  Já  que  a  ênfase  do  livro  é  a  santidade  aqui  e  agora,  a  categoria  “santidade  eterna”  foi  deixada  de  lado.  Os  versículos de cada categoria foram estudados com cuidado, e os três estágios da santidade logo se tornaram  um  esboço  extremamente  útil  para  a  compreensão  da  santidade  pessoal.  Tudo  isso  pode  parecer  meio  confuso  neste  momento,  mas  nos  próximos  capítulos  sua  compreensão  sobre  a  santidade  rapidamente  se  tornará ais clara. Vamos começar.    O PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE    Leia com atenção o versículo a seguir e veja se consegue localizar as duas palavras que são traduzidas a partir  do  mesmo  radical  de  santidade:  “À  igreja  de  Deus  que  está  em  Corinto,  aos  santificados  em  Cristo  Jesus,  chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo,  Senhor deles e nosso.1Co 1:2”  A primeira palavra relacionada ao radical é “santificados” e a outra é “santos”. Talvez você já soubesse que  “santo”  vem  do  mesmo  radical  de  santidade;  isso  amplia  nossa  compreensão.  Note  que  esse  versículo  descreve a “igreja de Deus que está em Corinto” de duas formas diferentes.  Primeiro, eles eram “santificados em Cristo Jesus”, o que significa que foram santos (ou separados) em Cristo  por  meio  de  sua  morte  e  ressurreição.  Segundo,  foram  “chamados  para  ser  santos”,  uma  expressão  que  o  apóstolo utiliza para descrever quem eles são.  Você notou que nesse versículo existem apenas duas palavras em itálico? Quando algumas traduções da Bíblia  trazem uma palavra em itálico, significa que ela não se encontra no texto original grego ou hebraico, mas os  tradutores  a  adicionaram  para  tornar  o  sentido  mais  claro.  Assim,  sabemos  que  “para  ser”  não  consta  no  texto  original,  mas  foram  adicionadas  pelos  tradutores.  Geralmente,  quando  leio  Bíblia,  sou  grato  aos  tradutores pelos acréscimos que fizeram, que são de grande ajuda na compreensão dos textos. Infelizmente,  neste caso, senti que o acréscimo me desviou completamente do rumo de meu estudo da santidade. Caminhe  junto comigo e veja o que descobri.  Se  a  Bíblia  quer  dizer  “chamados  para  ser  santos”,  percebi  que  “santo”  representa  algo  em  que  aqueles  cristãos  deviam  crescer  ou  ter  esperança  de  “ser”  no  futuro.  Essa  interpretação  de  “chamados  para  ser  santos” incentiva os cristãos a viver um estilo de vida santo no mais alto nível, de modo que algum dia talvez  alcancem aquela rara classificação de “santidade”.  Por outro lado, se a Bíblia quer dizer “chamados santos”, como está no texto original grego, então os cristãos  de Corinto perceberiam, surpresos, que já eram “santos”. Em vez de santidade ser um objetivo futuro, seria  um estilo atual.  Se  “chamados  para  ser  santos”  representava  a  melhor  tradução,  então  sem  dúvida  pouquíssimos  cristãos  coríntios  tinham  alcançado  este  estado  elevado;  mas,  se  a  melhor  tradução  fosse  “chamados  santos”,  todo  16 

 


indivíduo cristão de Corinto já tinha alcançado o título de “santo”. Leia e reflita sobre os versículos abaixo e  procure uma compreensão mais clara por si mesmo:  “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que  vivem em Filipos ... Filipenses 1:1”  “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da  parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Romanos 1:7”  “Paulo,  apóstolo  de  Cristo  Jesus  pela  vontade  de  Deus,  e  o  irmão  Timóteo,  à  igreja  de  Deus  que  está  em  Corinto e a todos os santos em toda a Acaia. 2Coríntios 1:1”  Quando esses versículos similares são colocados lado a lado (outros poderiam ser acrescentados), não é difícil  perceber que a Bíblia está se referindo aos cristãos como santos, não como cristãos que deveriam procurar  ser santos.  De fato, quando você segue esse fio condutor  de “santos” através de todo  o Novo Testamento,  descobre com surpresa que ele se refere aos crentes nascidos de novo como cristãos apenas 3 vezes, mas 62  vezes como santos! Quais são, então, as implicações de ser santo?  O radical para santo, santidade ou santificação é a palavra grega hagios. Como você viu no capítulo anterior, a  santidade traz consigo o conceito básico de separação. Quando a palavra hagios é utilizada como substantivo  no Novo Testamento, é traduzida como “santo”, que significa literalmente “separado” ou “chamado para fora  de”. A palavra “santo” não representa um estado de elevação de piedade, mas sim um estado de separação  para Deus.  Grande parte de nossa confusão sobre essa questão vem da prática de classificar‐se alguns cristãos notáveis  como “São João” ou “Santa Maria”. A história da igreja registra claramente que a designação de santo ocorreu  muitos  anos  depois  da  conclusão  do  Novo  testamento  e  da  morte  dos  apóstolos  e  discípulos.  Denominar  alguns  notáveis  de  santo  não  era  prática,  nem  ensino  específico  do  Novo  testamento,  mas  uma  prática  eclesiástica.  É interessante notar que nas 62 vezes em que “santo” é utilizado no Novo Testamento, nenhuma delas, na  linguagem original, está no singular – está sempre no plural. Não há menção na Bíblia, por exemplo, a “São  Paulo”,  mas  sim  a  “santos  de  Roma”,  de  Corinto  ou  de  Filipos.  Usar  a  palavra  “santo”  como  título  seria  o  mesmo que usar as palavras “cristão” ou “crente” como títulos: O “cristão” Paulo é o mesmo que o “crente”  Paulo, que é o mesmo que “santo” Paulo.  O  Novo  Testamento  utiliza  “santo”  para  descrever  cada  crente  em  Jesus  Cristo  nascido  de  novo.  Se  você  é  nascido  de  novo,  você  já  é  santo  ou  separado.  Se  você  ainda  não  é  nascido  de  novo,  não  é  santo  nem  separado.  O  termo  “santo”  nos  introduz  no  primeiro  estágio  da  santidade,  que  é  a  santidade  no  pretérito.  Em  que  momento  ocorre  essa  “separação”  de  maneira  que  os  crentes  podem  ser  adequadamente  chamados  de  separados?  Note  os  dois  versículos  a  seguir,  que  traduzem  o  mesmo  radical  para  a  palavra  “santificados”:  “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do  Senhor  Jesus  Cristo  e  no  Espírito  do  nosso  Deus.  1Coríntios  6:11”;  “Nesta  vontade  é  que  temos  sido  santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Hebreus 10:10”  “Fostes santificados” e “temos sido santificados” revelam claramente que certo tipo de santidade ocorre no  passado. A Bíblia não ensina que apenas alguns cristãos “foram santificados” ou eram “santos”, mas todos –  “Todos os santos..que vivem em Filipos” ou “Todos os santos em toda a Acaia”.  Muita confusão surge neste ponto, dentro das igrejas, concernente à santidade; não é difícil entender a razão.  Desde  que  a  bíblia  ensina  que  todos  os  cristãos  são  santos  e  “foram  santificados”,  então  aqueles  que  não  vivem como “santos” ou não agem de forma “santificada” certamente não podem ser cristãos, não é? Pode  ser uma questão, entretanto, a Bíblia ensina aberta e repetidamente que um “santo” pode realmente viver de  forma bem indigna durante um período de tempo. É neste ponto crítico que muitos cristãos se tornam um  tanto confusos sobre as dramáticas diferenças entre os três estágios separados da santidade.    COMO O PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE TORNA VOCÊ SANTO?    O primeiro estágio da santidade começa com seu ato de entrega ao Senhor Jesus Cristo e de recebê‐lo como  Salvador  pessoal.  Naquele  momento  você  se  torna  “santo”  e  “[é]  santificado”.  Será  que  este  estágio  de 

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santidade  –  quando  você  se  torna  um  santo  e  é  santificado  –  significa  que  seu  comportamento  reflete  a  verdade sobre você?  Pense um momento sobre a igreja de Corinto. Paulo chamou os cristãos dali de “santificados em Cristo Jesus”  e “chamados para ser santos”. Mesmo assim, poucos capítulos adiante ele profere palavras duríssimas contra  os pecados que cometiam, inclusive imoralidade, processos legais, divisões, inveja, etc. De todas as igrejas do  Novo  Testamento,  obviamente  a  de  Corinto  era  a  mais  pecaminosa  e  “ainda  carnal”  (1Co  3:3).  Entretanto,  quando você lê as duas cartas de Paulo endereçada a eles, o apóstolo não os desafia a se tornarem cristãos,  mas  a  mudar  de  comportamento.  Ele  não  diz  que  por  causa  do  comportamento  indigno,  não  podiam  ser  “santos”. Em vez disso, argumenta que por serem “santos” deviam viver de acordo. A Bíblia é incrivelmente  clara: os cristãos são santos que ocasionalmente podem escolher viver como pecadores. Se os cristãos vivem  como pecadores, serão confrontados e exortados ao arrependimento, a se submeterem ao Espírito Santo e  andar em santidade.  O que quero mostrar aqui é a clara diferença entre “santificação pretérita” e “santificação presente”. Todos os  cristãos foram santificados, mas nem todos têm vidas santificadas. Você está plenamente convencido de que  essa  perspectiva  tem  total  base  bíblica?  Creio  que  muitas  passagens  dão  base  a  esse  conceito,  inclusive  1  Pedro  2:9‐12,  que  apóia  o  que  estou  tentando  deixar  claro.  Note  os  três  passos  distintos  em  sua  argumentação: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de  Deus,  a  fim  de  proclamardes  as  virtudes  daquele  que  vos  chamou  das  trevas  para  a  sua  maravilhosa  luz”;  “Vós, sim, que, antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia,  mas,  agora,  alcançastes  misericórdia”;  “Amados,  exorto‐vos  como  peregrinos  e  forasteiros  que  sois  a  vos  absterdes das paixões carnais que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no  meio  dos  gentios,  para  que,  naquilo  que  falam  contra  vós  outros  como  de  malfeitores,  observando‐vos  em  vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.”  Quando as pessoas aceitam a Cristo como Salvador pessoal, como Pedro afirma, são trazidos “das trevas para  a sua maravilhosa luz”.  Antes  daquele  momento  da  salvação  “não  eram  povo  [de  Deus],  mas  agora  são  povo  de  Deus”.  Até  o  momento  do  perdão,  não  “tinham  alcançado  misericórdia”  [o  perdão  do  pecado  e  a  salvação  da  punição  eterna no inferno], mas agora alcançaram misericórdia [a salvação eterna e a riqueza da herança na glória].  Desde que ninguém duvidaria que tais pessoas são claramente nascidas de novo, sendo, portanto, “santas” e  “tendo  sido  santificadas”,  então  por  que  nos  versículos  seguintes,  Pedro  as  “exorta”  a  se  “absterem  das  paixões  carnais”?  Somente  porque  naquele  exato  momento  estavam  se  envolvendo  em  paixões  carnais  e  pecando  contra  o  Senhor,  não  tendo  um  “procedimento  exemplar  no  meio  dos  gentios”.  O  ponto  deve  ser  claro: a santificação que ocorre por causa da fé na obra consumada de Jesus não é igual à santificação que  ocorre no comportamento do cristão.  Se seu comportamento não se torna santo durante o primeiro estágio da santidade, então como exatamente  uma  pessoa  se  torna  santa?  Como  as  outras  “coisas”  que  a  Bíblia  descreve  como  “santas”  chegam  a  esta  condição?  Tome  a  famosa  passagem  da  tentação  de  Cristo:  “Então,  o  diabo  o  levou  à  Cidade  Santa...”  (Mt  4:5).  Respondeu  a  essa  pergunta,  como  alguém,  naquela  época,  poderia  referir‐se  a  Jerusalém  como  algo  remotamente  santo?  Você  diria  que  o  comportamento  dos  cidadãos  daquela  cidade  poderia  ser  definido  como piedoso e moralmente puro? (lembre‐se da ocasião em que Moisés teve de tirar as sandálias por causa  da “terra santa”, apesar de nada ter mudado na natureza da areia).  Quando algo é “separado” do secular, para o sagrado, biblicamente é chamado de santo, independentemente  de  sua  natureza  ou  comportamento.  Quando  o  Senhor  escolheu  Jerusalém  e  a  separou  para  si,  como  a  “menina de seus olhos” e o local do “trono de Davi”, a cidade passou a ser santa. Quando o Senhor escolheu  aquela parte do deserto para falar com Moisés, separando‐a para si, o solo em redor tornou‐se santo. Ambos  foram  descritos  como  santo  não  porque  tinham  mudado  de  comportamento  ou  de  natureza,  mas  simplesmente porque foram separados para Deus e seus propósitos.  Não somente um objeto pode ser santo sem mudança em sua natureza, como também uma “pessoa” pode  ser  descrita  como  “santa”  num  sentido,  sem  mudanças  em  sua  natureza.  Pense  nos  exemplos  do  Antigo  Testamento e você lembrará das palavras “sacerdócio santo”. Dê uma olhada nos pronunciamentos de vários  profetas  no  Antigo  Testamento  e  verá  denúncias  contra  a  impiedade  dos  sacerdotes  –  mesmo  assim  ainda  eram considerados o “sacerdócio santo”.  18 

 


Santos  sacerdotes  ímpios.  Pense  nisso  um  momento:  sacerdotes  santos  vivendo  como  pessoas  impuras.  Parece‐me o mesmo problema de Corinto, centenas de anos mais tarde: santos vivendo de maneira profana.  Assim, a essência do primeiro estágio da santidade não está na mudança do comportamento da pessoa, mas  na mudança da mente do Senhor com relação a ela. A terra tornou‐se santa somente porque o Senhor decidiu  usá‐la  para  seus  propósitos.  A  cidade  de  Jerusalém  tornou‐se  santa  pelo  mesmo  motivo.  A  tribo  de  Levi  tornou‐se  sacerdócio  santo  somente  porque  Deus  a  nomeou  como  tribo  sacerdotal.  De  forma  idêntica,  o  Senhor separou para si cada pessoa que crê em Jesus Cristo com seu Salvador pessoal. No momento da fé, a  pessoa (não seu comportamento) torna‐se “santa” ou “santificada” na mente do Senhor.  Por isso todo crente nascido de novo é santo e santificado. Se não fosse, então não seria realmente salvo, pois  a essência da salvação é o que ocorre na visão de Deus em relação a nós, e não nossa visão em relação a ele.  Cremos em Jesus, e ele nos separa para si.    COMO ENTRAR NO PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE    Tornar‐se  santo  é  um  evento  instantâneo,  não  um  desenvolvimento  progressivo  de  piedade.  Para  aprofundarmos  sua  compreensão  do  notável  “desfecho  da  história”  neste  primeiro  estágio  da  santidade,  exploraremos os papéis do Espírito Santo, de Jesus Cristo e do indivíduo que crê:    1. O papel do Espírito Santo no primeiro estágio  O  texto  de  2  Tessalonicenses  2:13  é  extremamente  útil  no  entendimento  do  que  o  Espírito  Santo  faz  no  primeiro  estágio:  “Entretanto,  devemos  sempre  dar  graças  a  Deus  por  vós,  irmãos  amados  pelo  Senhor,  porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade.”  O Espírito Santo é o agente por meio do qual o primeiro estágio da santificação é instituído: “...para salvação,  pela santificação do Espírito...”  No momento em que exercitamos a fé salvadora, o Espírito Santo nos separa para Deus. Ele nos regenera de  maneira  que  nascemos  de  novo  (Jo  3:3‐8),  nos  sela  até  o  dia  da  redenção  (ef4:30),  é  enviado  pelo  Pai  aos  nossos corações onde clama “Aba, Pai” (Gl 4:6), habita em nós (Rm 8:11), nos batiza no Corpo de Cristo (1 Co  12:13), nos dá dons espirituais (1 Co 12:7,11,18) e produz em nós frutos espirituais (Gl 5:22).  Esse  incrível  processo  do  primeiro  estágio  da  santificação  é  primariamente  a  obra  do  Espírito  Santo.  Todas  essas bênçãos são concedidas no mesmo instante ao cristão pela sua obra santificadora, quer este saiba disso  ou não. Note bem que é o Espírito Santo quem faz a obra e não o próprio cristão.    2. O papel do Senhor Jesus Cristo no primeiro estágio  A obra de santificação é realizada pelo Espírito Santo com base na obra de salvação consumada pelo Senhor  Jesus Cristo. Note como isso fica bem claro em 1 Coríntios 6:11: “...vós vos lavastes, mas fostes santificados,  mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.”  A  pessoa  é  santificada  e  justificada  somente  por  meio  do  Senhor  Jesus.  Se  ele  não  tivesse  consumado  sua  obra,  o  espírito  não  teria  como  realizar  a  sua.  Hebreus  10:10,  12,13  oferece  uma  visão  profunda  da  obra  maravilhosa de Jesus: “Nessa vontade [o papel do Pai na salvação] é que temos sido santificados, mediante a  oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.”; “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único  sacrifício pelos pecados, assentou‐se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos  sejam postos por estrado dos seus pés.”  Uma revelação tão profunda, apresentada em tão poucas palavras. O ser humano pode ser aceito por Deus e  separado para seus propósitos somente por causa do sacrifício definitivo de Jesus. Cristo morreu uma vez –  por todos os pecados, por todas as pessoas, por todas as épocas.  Deus considera que a humanidade ou está de um lado ou de outro do primeiro estágio da santidade. Ou o  homem  é  profano,  ou  ele  é  santo.  Se  o  homem  é  profano,  está  separado  de  Deus;  se  é  santo,  então  é  separado para Deus. O homem profano está separado de Deus por causa de seu pecado e rebeldia, bem como  sua  rejeição  do  sacrifício  de  Jesus.  A  penalidade  por  tal  desobediência  direta  contra  Deus  é  a  morte,  tanto  física como espiritual, no inferno. 

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Quando Cristo morreu, ofereceu sua vida como pleno pagamento por nosso pecado. Se ele não tivesse pago,  toda  a  humanidade  não  teria  outra  alternativa  senão  a  condenação  eterna.  Por  sua  graça,  misericórdia  e  amor, Deus enviou seu único Filho para morrer, a fim de que você e eu pudéssemos viver.  Muitas  pessoas  hoje  estão  confusas  quanto  à  natureza  da  salvação  e  à  obra  de  Cristo.  Pense  por  um  momento:  quando  seus  pecados  foram  pagos  por  Jesus  Cristo?  Ele  pagou  por  seus  pecados  há  2.000  anos,  quando  morreu  na  cruz.  O  Pai  aceitou  o  pagamento  de  Cristo  como  suficiente  por  todos  os  seus  pecados  naquele momento; caso contrário, seus pecados ainda estariam sobre Jesus, não pagos, e ele não teria sido  aceito de volta no céu.  Onde você estava quando Cristo morreu por você, por causa de seus pecados, há 2.000 anos? Desde que você  existia,  exceto  na  presciência  de  nosso  Deus  onisciente,  não  poderia  estar  presente  na  crucificação.  Deus  colocou sobre Jesus todos os nossos pecados, e ele pagou por cada um deles. Quando Cristo morreu, há 2.000  anos,  quantos  de  seus  pecados  já  tinham  sido  cometidos?  Todos  eles,  desde  que estavam  todos  no  futuro,  porque você nem tinha nascido! Os pecados que você cometeu no passado estavam no “futuro”, para Cristo  como os pecados que comete hoje, amanhã e daqui a vinte anos. Todos os seus pecados foram pagos antes  de qualquer um ter sido cometido.  Sua salvação baseia‐se na obra completa de Jesus Cristo; você e eu não tivemos absolutamente nada a ver.  Porque ocorreu há 2.000 anos (“está terminado”) e nunca mais se repetirá (“ele ofereceu um único sacrifício  para  sempre”),  seria  tolice  e  arrogância  dizermos  que  tivemos  alguma  participação.  Desde  que  Cristo  consumou a obra da salvação na cruz há 2.000 anos, ninguém que vive hoje teve alguma parte naquele antigo  ato de sacrifício.  “Não é você aceitar a Cristo que o salva, mas o fato de ele ter aceitado você!” Charles Haddon Spurgeon  3. O papel do indivíduo  A obra de Cristo consumou tudo o que é necessário para nossa salvação; o Espírito a aplica a você. Assim, o  que  você  deve  fazer  para  ser  salvo?  Absolutamente  nada!  Não  há  nenhuma  obra  inacabada  para  você  completar. A bem conhecida passagem de Efésios 2:8,9 captura a essência da maravilha da idéia de “nenhuma  obra” da nossa salvação: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de deus;  não de obras, para que ninguém se glorie.”  A Bíblia não poderia ser mais clara, poderia? A salvação “não vem de nós mesmos” e não vem “de obras”. Não  pode  ser  baseada  naquilo  que  você  faz,  desde  que  foi  Cristo  quem  fez.  Não  pode  ser  uma  obra  que  você  realiza, desde que Cristo já realizou a obra completa.  Desde  que suas  obras  não  têm  nada  a  ver com  a  obra  de  Cristo,  então  nunca mais  devemos  ficar confusos  sobre essas duas questões principais: Primeiro, a noção de que “tenho de praticar boas obras para ser salvo”.  Segundo, a idéia de que “devo parar de praticar ‘obras más’ para ser salvo”.  “Boas  obras”  é  apenas  outra  forma  de  descrever  “obras”.  Desde  que  a  morte  de  Cristo  na  cruz  é  a  única  “obra”  que  o  Deus  Pai  aceita  como  pagamento  por  seus  pecados,  suas  “boas  obras”  são  totalmente  irrelevantes  diante  daquilo  que  Cristo  fez.  Além  disso,  suas  obras  estão  2.000  anos  atrasadas,  para  fazer  alguma diferença!  A outra dificuldade de tentar encontrar uma solução para o problema do pecado contra Deus fazendo “boas  obras” é que Deus não determinou que serviços comunitários  e esmolas seriam um pagamento aceitável para  a rebelião contra ele. Pelo contrário, desde o início (já no jardim do Éden) Deus disse que a punição para a  desobediência  seria  a  morte.  Serviços  comunitários  podem  ser  um  bom  pagamento  para  excesso  de  velocidade e embriaguez, mas não substituem a pena de morte, não importa quantas horas de serviço você  faça.”Obras más” também é apenas outra maneira de descrever “pecados”. Desde que a morte de Cristo na  cruz já pagou por cada “pecado” individual, que você já cometeu ou ainda cometerá, parar de praticar “obras  más/pecados” não mudará nada com relação à sua salvação. O fato de você pecar ou não amanhã não muda  em nada a obra consumada de cristo há 2.000 anos!  Quando você sente medo em seu coração sobre “o que acontecerá se eu cometer um pecado grande, terrível,  no  futuro...  será  que  Deus  vai  me  perdoar?”,  esqueceu  que  todos  os  seus  “pecados  grandes  e  terríveis”  estavam no futuro quando Cristo morreu por você. Um pecado terrível cometido há vinte anos e um pecado  terrível a ser cometido daqui a vinte anos já foram pagos na morte de Cristo.  Portanto, com relação à sua salvação, você deve se sentir inteiramente impotente. Não importa para onde se  vire, não há nada que possa fazer para corrigir o problema. Não adianta se esforçar mais e praticar mais boas  20 

 


obras. Nem se esforçar mais e evitar mais obras mais. Você não pode fazer nada para resolver o problema de  seu  pecado,  ou  para  merecer  o  perdão  divino.  Então,  o  que  você  deve  fazer  para  se  salvar?  Repito:  absolutamente nada!  Assim, deixe‐me ajudá‐lo a reformular a questão: “Desde que sou pecador, e voluntariamente desobedeci a  Deus e mereço o castigo da morte eterna, como me conecto com o que Cristo fez por mim na cruz e recebo o  perdão de Deus e a vida eterna?  O querido apóstolo João tinha sua pergunta em mente quando escreveu: “Mas, a todos quantos o receberam,  deu‐lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1:12).  Já que não há absolutamente nada que você possa fazer, e desde que Jesus terminou completamente a obra  por você, tudo o que lhe resta é crer que ele fez tudo e recebê‐lo como Salvador. Nada mais funcionará. Nada  menos funcionará.    O DOM DA SALVAÇÃO    Você quer dizer que é só isso? Parece tão simples, tão fácil. É como simplesmente estender a mão e receber  um presente que está sendo oferecido especialmente a você. Paulo disse à igreja de Éfeso: “Porque pela graça  sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2:8).  João  disse  à  igreja  em  geral:  “Quem  crê  no  Filho  tem  a  vida  eterna”  (Jo  3:36).  Paulo  e  Silas  disseram  ao  carcereiro filipense: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16:31).  Filipe  discutiu  sobre  isso  com  o  eunuco  etíope:  “Então,  Filipe  explicou  e,  começando  por  esta  passagem  da  Escritura, anunciou‐lhe a Jesus. Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água disse o  eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? [Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração.  E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus]” (At 8:35‐37).  Jesus disse a Nicodemos: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para  que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).  Assim, meu amigo, quantas outras pessoas alem de Paulo, Silas, João, Filipe e o próprio Jesus terão de dizer a  mesma coisa, para que reconheçamos que nossa salvação é obra de Cristo e que requer nossa fé naquilo que  ele consumou na cruz? Ele derramou seu precioso sangue, como pagamento pleno e total por nossa pena de  morte, por causa do pecado contra Deus.  Se  você  nunca  se  prostrou  diante  do  rei  da  Glória  e  recebeu  seu  dom  incomparável  da  vida  eterna,  então  agora  tem  a  chance  de  se  ajoelhar  e  dizer  para  ele,  de  todo  coração:  “Senhor  prostro‐me  humildemente,  confessando que sou pecador e que mereço a pena de morte que tu declaraste como pagamento justo por  todo meu pecado. Confesso que nada que eu faça poderá pagar pelo meu pecado, exceto minha morte física  e eterna. Aceito a morte e a ressurreição de Cristo por mim, e recebo seu dom maravilhoso da vida eterna.  Aceito o senhor Jesus Cristo com meu Salvador. No nome dele, amém.”  Se você acabou de receber o dom da salvação de Deus, então realmente nasceu de novo e entrou no primeiro  estágio da santidade!     3  APRESENTE‐SE A DEUS  Consagração é entregar a Deus uma folha em branco, com o nosso nome assinado embaixo, para que ele  preencha. M.H. Miller    Meu  coração  ainda  estava  descompassado  e  o  suor  ensopava  minhas  costas.  A  intensidade  dos  últimos  35  minutos de palestra tinha me exaurido. O Senhor tinha se movido poderosamente no estádio, e milhares de  homens  vinham  à  frente,  demonstrando  arrependimento  genuíno  e  o  coração  aberto  para  um  novo  compromisso.  Eu  estava  sendo  encaminhado  por  um  longo  corredor  para  o  interior  do  estádio,  para  uma  pequena sala, onde faria a ultima entrevista de rádio do dia. Nunca esquecerei o momento em que a porta se  abriu,  revelando  sete  microfones,  todos  apontados  em  minha  direção,  como  pontas  de  lanças  numa  selva  hostil. Todos os entrevistados queriam fazer a primeira pergunta, mas uma pergunta se destacou:  ‐  Dr.Wilkinson,  o  senhor  não  acredita  de  fato  que  aqueles homens  foram  mudados,  não  é?  Todos  sabemos  que ninguém muda simplesmente indo à frente e tomando uma decisão emocional numa conferência.  21 

 


Era um momento propício para alguém mais desembaraçado, como meus amigos Tony Evans ou Joe Stowell –  o que eu estava fazendo ali?  ‐ É uma boa pergunta – arrisquei – Deixe‐me responder com outra pergunta: você é casado?  ‐ Que diferença isso faz? – o repórter respondeu na defensiva, mas depois acrescentou: ‐ Sim, sou.  Sem perder o contato visual, continuei: ‐ Quando casou, você foi à frente? Caminhou pelo corredor central?  Naquele momento, você não estava tão emocionado quanto todos ficam no momento do casamento?  O repórter atenuou um pouco sua atitude defensiva: ‐ Suponho que sim... mas o que isso tem a ver?  ‐  Quando  você  foi  à  frente  naquele  dia  assumiu  um  grande  compromisso,  não  diria  que  aquela  decisão  emocional literalmente mudou toda a sua vida?  A hostilidade desapareceu completamente da face dele. Abrandou sua atitude, quando a verdade penetrou  sua incredulidade.  Pense nisso: será que uma única decisão pode mudar a vida de uma pessoa? É claro que pode. E não somente  isso: uma decisão pode mudar sua vida, e é exatamente assim que todas as pessoas são mudadas! De fato, se  você fizer um retrospecto de sua vida, descobrirá que ela tem sido determinada exatamente pelas decisões  que tomou. Cada decisão representa um ponto crucial – um momento que influenciou seu futuro, moldou sua  carreira profissional, sua família e até determinou seu destino eterno. Jamais subestime o significado de uma  decisão, principalmente as decisões mais importantes. As decisões mudam sua vida.  No final deste capítulo, vou convidá‐lo a tomar uma decisão que, como você verá em breve, pode mudar sua  vida para sempre.      O SEGUNDO ESTÁGIO DA SANTIDADE    Você  já  ficou  perplexo  diante  de  algo  que  já  conhecia,  mas  que  de  repente  passou  a  ver  num  contexto  diferente? Foi exatamente o que aconteceu comigo, quando reli todas as referências no Novo Testamento em  que aparecia a palavra “santidade”. Fiquei perplexo ao ler Romanos 12:1 – um texto conhecido de longa data.  Minha primeira inclinação foi ignorá‐lo, ao buscar uma idéia nova, mas felizmente decidi não deixar nada de  lado e refazer aquele caminho bem conhecido.  Para minha grande surpresa, Romanos 12:1 revelou distintamente o segundo estágio da santidade. Esse texto  não somente não se encaixava no primeiro estágio como vinha na seqüência, de forma lógica e bíblica. Veja o  esboço de sete partes deste versículo:  6. Agradável a Deus,  1. Rogo‐vos, pois,   4.  Que  apresenteis  o  vosso  corpo  por sacrifício vivo,  7. Que é o vosso culto racional.  2. Irmãos,   5. Santo e  3. Pelas misericórdias de Deus,  Como você pode ver imediatamente, esta santidade não tem nada a ver com se tornar crente em Jesus Cristo.  O  apóstolo  Paulo  está  falando  sobre  “apresentar”  seu  corpo  como  sacrifício  vivo  ao  Senhor,  uma  ação  que  segue a decisão de tornar‐se cristão. Desde que “santo” significa separado, este segundo estágio requer que o  cristão se “separe” para o Senhor de uma maneira “santa” aos olhos de Deus.  Entenda o que estou dizendo: um segundo estágio no processo de santidade ocorre quando o crente toma a  decisão de “apresentar‐se” ao Senhor. Trata‐se de um compromisso com Deus, separado da decisão de crer  em  Jesus  Cristo,  e  que  leva  o  crente  adiante,  no  caminho  da  santificação.  Lamentavelmente,  a  maioria  dos  cristãos hoje não compreende este segundo estágio da santidade e subestima sua importância na busca da  santidade  prática.  Além  de  a  Bíblia  mostrar  claramente  seu  poder  fundamental,  as  experiências  de  cristãos  por toda a história da igreja dão testemunho do significado estratégico deste segundo estágio.  Romanos 12:1 convida o indivíduo que já passou pelo primeiro estágio a dar o próximo passo. Em trinta anos  de ministério ao redor do mundo, descobri que apenas uma pequena porcentagem de cristãos dá este passo.  Sem  compreender  e  irromper  pelo  segundo  estágio,  você  se  encontrará  repetidamente  titubeando  em  sua  busca da santidade pessoal.          22 

 


O CONVITE PARA APRESENTAR‐SE A SI MESMO    Este capítulo vai explorar a questão de “apresentarmo‐nos” a Deus. Na realidade, este processo divide‐se em  três  partes:  convite,  motivação  e  cerimônia  em  que  o  cristão  decide  apresentar‐se  plenamente  ao  Senhor.  Enquanto atentamos para o que as Escrituras têm a dizer sobre a apresentação, minha oração é para que você  decida  unir‐se  àqueles  que  compreendem  e  escolhem  tomar  essa  decisão  fundamental  de  apresentação  pessoal.    1. A apresentação não é uma ordem, mas um convite  “Rogo‐vos, pois” estabelece o tom do restante do versículo. Em vez de uma ordem, o apóstolo Paulo “roga” à  sua audiência – o que significa “suplicar” ou “pedir com insistência” – para que façam algo. Sempre que você  roga  a  uma  pessoa,  está  tentando  atingir  seu  coração  e  sua  mente.  Paulo  reconhece  que  para  que  a  apresentação  de  alguém  a  Deus  tenha  significado  e  cause  mudanças  na  vida,  tem  de  ser  de  coração.  Entretanto, ele não pede aos seus leitores que forcem tal apresentação; se desejasse mais obediência, teria  dado uma ordem.    2. A apresentação é oferecida aos cristãos nascidos de novo  Provavelmente  Romanos  é  o  livro  mais  profundo  do  Novo  Testamento.  Paulo  destaca  nele  as  principais  doutrinas  da  fé  cristã  e  as  apresenta  da  forma  mais  lógica  e  incisiva.  Para  interpretar  corretamente  essa  epístola e aplicá‐la de maneira adequada, temos de considerar sua estrutura e sua audiência.  A  epístola  aos  Romanos  sem  dúvida  foi  escrita  para  cristãos.  “A  todos  os  amados  de  Deus,  que  estais  em  Roma, chamados para serdes santos...” (Rm 1:7). Lembre‐se que no primeiro estágio da santidade indivíduos  chamados  “santos”  são  nascidos  de  novo  e  separados  na  mente  e  no  coração  de  Deus.  Além  de  serem  nascidos de novo, Paulo vai adiante, descrevendo‐os em termos radiantes: “Em todo o mundo, é proclamada  a vossa fé”. Portanto a audiência original da epístola era formada pelos salvos. De fato, Paulo refere‐se a eles  como os “amados de Deus” (1:7) e “irmãos” (12:1).  Não há nenhuma duvida de que este versículo foi escrito para aquele que crê em Jesus Cristo para a salvação,  pois  é  impossível  para  um  incrédulo  fazer  o  que  o  texto  ensina  com  qualquer  outro  resultado  exceto  a  frustração.  Se uma pessoa que não é “santa” ou “amada de Deus”, ou parte dos “irmãos” busca devotar‐se ao Senhor,  não  será  recebida.  Sua  apresentação  como  sacrifício  vivo  não  é  “santa”  nem  “agradável  a  Deus”.  Por  quê?  Porque  como  Paulo  relacionou  cuidadosamente  em  Romanos  1‐5,  a  única  forma  válida  e  aceitável  de  aproximar‐se de Deus é por meio do sangue derramado de Jesus Cristo. Quando indivíduos que não crêem em  Jesus  buscam  se  devotar  a  Deus,  estão  tentando  alcançar  o  favor  divino  por  meio  de  um  ato  de  sacrifício  pessoal e não por meio do sacrifício de Cristo.  Deus é bem claro, a salvação não existe exceto pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. A apresentação a  Deus como sacrifício vivo só pode ser aceitável por causa da aceitação do sacrifício vicário de Cristo na cruz.    3. A apresentação é separada da salvação e segue a ela  Cada  geração  encontra  suas  próprias  dificuldades  com  relação  ao  Cristianismo  bíblico.  De  alguma  forma,  a  verdade  é  misturada  com  um  pouco  de  mentira  e  depois  espalhada,  sendo  aceita  como  plena  verdade.  Há  algumas  semanas,  deparei  com  uma  situação  dessas.  Não  importa  a  freqüência  com  que  isso  ocorra  no  ministério, todas as vezes sou apanhado desprevenido.  Havia acabado de concluir três dias de ensino intensivo sobre santidade pessoal para um grupo de pastores e  líderes. O Senhor tinha operado com poder, de várias formas, e muitos expressaram como suas vidas tinham  sofrido  mudanças  profundas.  Depois  do  final  da  conferência,  eu  estava  expressando  minha  gratidão  e  incentivando  os  participantes  a  ensinar  sobre  o  assunto  em  suas  igrejas  e  organizações.  Um  jovem  pastor  apertou minha mão e expressou entusiasmado como tinha sido tocado pelo curso e estava disposto a ensinar  a outros. Disse que ia mostrar a série de vídeos Personal Holiness in Times of Temptation (Santidade Pessoal  em Tempos de Tentação) aos homens de sua igreja e depois acrescentou:  ‐ É claro que mostrarei apenas as partes 2,3 e 4. Não posso mostrar a parte 1.  Seu comentário me deixou confuso, por isso perguntei:  23 

 


‐ Por que não mostrar a parte 1 da série?  Nunca esquecerei sua resposta.  ‐ Porque na parte 1 você apresenta o falso evangelho.  Quase  caí  de  costas!  Jamais,  em  todos  os  meus  anos  de  ministério,  tinha  sido  acusado  de  apresentar  um  “falso evangelho”. Em uma de suas epístolas, o apóstolo Paulo fala claramente: “Ainda que nós ou mesmo um  anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1:8). Não  conheço afirmação mais séria. Assim, ao ouvir aquelas palavras, respirei fundo e pedi ao pastor que explicasse  o que queria dizer. Quando compreendi seu ponto de vista, fiquei com o coração partido. Ele acreditava que  temos de nos apresentar como sacrifício vivo para sermos salvos.  O  que  você  acha  que  é  necessário  para  que  um  indivíduo  receba  o  dom  da  vida  eterna  proporcionado  por  meio do sangue derramado de Jesus Cristo? Mais especificamente, o que a pessoa precisa fazer, além de crer  na obra completa e total de Cristo? Você tem de se consagrar a ele, de alguma forma, para ser salvo? Tem de  se devotar a ele para ser salvo? É claro que não – a Bíblia é clara: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo...” (At  16:31)  Crer e devotar‐se são coisas diferentes. Posso crer em alguém sem entregar minha vida a ele. Será que é um  falso  evangelho  ensinar  que  crer  em  Jesus  é  uma  ação  separada  e  distinta  de  se  apresentar  a  ele  em  consagração plena ou devoção? Embora eu já tenha lido muitos argumentos a favor de se acrescentar coisas à  fórmula “crê no Senhor Jesus e será salvo...”, continuo firme em minha convicção de que a Bíblia ensina que  nada salvará uma pessoa exceto a fé genuína em Cristo e o que ele realizou por meio de sua morte vicária e  sua ressurreição há 2.000 anos. Acrescentar outro passo ou outra condição é antibíblico.  A apresentação ocorre quando o cristão nascido de novo voluntariamente dedica‐se e consagra‐se ao Senhor.  Será  que  ele  precisa  “dedicar‐se  e  consagrar‐se  voluntariamente”  ao  Senhor  para  ser  salvo?  Não.  Aquele  pastor  bem‐intencionado  entendeu  que  por  eu  deliberadamente  separar  “dedicação  a  Cristo”  de  “crer  em  Cristo”  ensinava  um  falso  evangelho.  Em  seu  ponto  de  vista,  a  menos  que  uma  pessoa  se  devotasse  totalmente a Jesus Cristo – inclusive na consagração e dedicação – não poderia ser salva.            O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE SALVAÇÃO E DEDICAÇÃO    Romanos 12:1 apresenta uma resposta muito clara a essa questão importantíssima. “Rogo‐vos, pois irmãos,  pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,  que é o vosso culto racional”. Pense assim:  1. O Livro de Romanos foi escrito pra cristãos.  2. Portanto, os leitores da carta já eram nascidos de novo.  3. Romanos 12:1 exorta os cristãos a se apresentarem a Deus.  4. Com base nisso, concluímos que alguns cristãos ainda não tinham se apresentado a Deus.  5. Assim, a apresentação a Deus não é exigida para se ter uma experiência de salvação.  6. Desde que cristãos nascidos de novo são exortados a se apresentarem a Deus, a apresentação pode seguir  e não tem de ocorrer simultaneamente.  7. Além disso, desde que Romanos 12:1 exorta os cristãos de Roma como grupo, usando o plural “irmãos”,  vários cristãos naquela igreja ainda não tinham se apresentado a Deus.  8.  A  situação  dos  cristãos  numa  igreja  local  na  qual  uma  parte  dos  membros  ainda  precisa  se  apresentar  a  Deus pode ser mais regra do que exceção.  9. Desde que Romanos 12:1 foi escrito a vários cristãos que tinham sido salvos num período que podia variar  de  alguns  dias  a  muitos  anos,  pode  haver  um  extenso  período  de  tempo  entre  a  decisão  de  crer  em  Cristo  como Salvador e a decisão posterior de se devotar totalmente a Deus.  10.  Embora  o  texto  não  declare  explicitamente,  creio  que  Romanos  12:1  permite  supor  que  um  cristão  verdadeiro, nascido de novo, pode viver toda a sua vida cristã sem “se apresentar”. A salvação não depende  da  consagração  ou  dedicação,  senão  provavelmente  Paulo  diria:  “Vocês  ainda  não  se  apresentaram  ao  24 

 


Senhor, e isto prova que não são nascidos de novo! Em vez disso, ele roga que como cristãos se dediquem  totalmente a Deus.  Resumindo, a consagração ao Senhor não ocorre necessariamente ao mesmo tempo que a salvação e não é  uma  exigência  para  que  ela  se  realize.  Consagração  é  um  ato  voluntário  de  um  cristão  verdadeiro  e  pode  ocorrer  no  momento  da  salvação,  logo  depois  ou  muitos  anos  mais  tarde.  Talvez  nunca  ocorra!  Paulo  não  disse que os cristãos romanos que não haviam se apresentado a Deus não eram salvos. Nem os advertiu que  perderiam  a  salvação  se  não  dedicassem  a  vida  ao  Senhor.  Consagração  e  salvação  são  coisas  distintas,  separadas  (em  alguns  casos)  por  vários  anos.  A  apresentação  (ou  consagração,  dedicação  ou  o  termo  que  preferir),  portanto,  não  é  uma  exigência  para  que  haja  salvação.  A  consagração  ocorre  quando  o  cristão  decide, por livre e espontânea vontade, dedicar‐se a Cristo de forma mais profunda e significativa.  O conceito de “fé madura” ou “discipulado” deve ser separado como uma verdade distinta da “salvação” ou o  evangelho é tragicamente maculado. Considere com cuidado as palavras de Oswald Chambers: “Discipulado e  salvação  são  duas  coisas  diferentes:  o  discípulo  é  alguém  que,  reconhecendo  o  significado  da  expiação,  deliberadamente  entrega‐se  a  Jesus  Cristo  em  profunda  gratidão.  Jesus  Cristo  sempre  falou  sobre  o  discipulado com um “se”. Temos toda a liberdade de menear a cabeça e dizer: “Não, obrigado, é demais para  mim” – e o Senhor não dirá nada. Podemos fazer exatamente o que preferirmos. Ele jamais nos obrigará, mas  a oportunidade está lá.”    TOMANDO A DECISÃO    A  Bíblia  –  não  nossas  opiniões  e  experiências  –  é  a  autoridade  suprema.  Embora  as  experiências  possam  validar nosso entendimento das Escrituras, quando vivemos em obediência a seus princípios, sempre que o  ensino contradiz a norma do comportamento cristão de gerações de homens e mulheres piedosos, devemos  ficar  imediatamente  preocupados.  Ou  nossa  compreensão  da  Bíblia  está  equivocada,  ou  nossa  conduta  claramente está em desobediência e mal‐direcionada.  Eis o âmago da questão: desde que Paulo “rogou” aos cristãos nascidos de novo para que se consagrassem,  qual  é  a  norma  do  cristão  nessa  questão?  Quantos  cristão  nascidos  de  novo,  em  determinada  igreja,  já  experimentaram esta “apresentação de compromisso”?  Quantos anos normalmente se passam depois da salvação, até que os cristãos se apresentam a Deus?  Antes de revelar minhas descobertas, deixe‐me fazer uma pergunta: você já se consagrou ao Senhor, plena e  completamente?  Se  o  fez,  quanto  tempo  isso  ocorreu  depois  de  conhecer  a  Cristo?  Quando  ensinei  esse  tópico recentemente numa conferência de pastores, fiz essa pergunta. A idade média dos participantes era 40  anos. Veja o que descobri:  1. Muitos pastores e líderes admitiram que nunca havia se consagrado ao Senhor da maneira mostrada em  Romanos 12:1. Quando os desafiei a se consagrarem, alguns se ajoelharam em resposta.  2. Quando perguntei à parte da audiência que já tinha se consagrado ao Senhor (com faixas etárias de 20 a 60  anos)  quantos  anos  tinham  se  passado  entre  o  momento  da  salvação  e  o  momento  da  consagração,  descobrimos  que  o  período  variava  de  dois  a  mais  de  vinte  anos.  Para  aqueles  pastores  e  líderes,  o  tempo  médio entre salvação e consagração era de quinze anos.  Algumas semanas mais tarde, eu estava ensinando a 100 homens na sede internacional do Através da Bíblia,  em  Atlanta.  Depois  de  explicar  o  conceito  de  apresentação,  perguntei  se  aqueles  homens  que  conheciam  Jesus Cristo como Salvador ainda não tinham se apresentado a ele em plena consagração. Mais de 75% dos  presentes  imediatamente  levantaram  a  mão.  Então,  quando  perguntei  se  alguém  desejava  se  apresentar  a  Deus em sacrifício vivo, mais de 50 homens ficaram em pé. Foi um momento pungente, com todos aqueles  homens se ajoelhando e se apresentando ao Senhor.  Em outra ocasião recente, eu estava ministrando a cerca de 500 pessoas na Califórnia. Depois de falar sobre a  apresentação, perguntei se algum dos presentes desejava apresentar‐se a Deus. Em todo o auditório, homens  e  mulheres  se  ajoelharam  numa  dedicação  solene,  muitos  deles  em  lágrimas.  Quando  questionados  sobre  quanto tempo havia passado entre a salvação e a dedicação, a resposta foi em média mais de dez anos.  A apresentação não precisa ser simultânea à salvação, mas é uma decisão que todo cristão deve tomar e que  muitas vezes ocorre muitos anos mais tarde. O Senhor incentiva todos os seus filhos a se apresentarem a ele  como  sacrifício  vivo  já  no  momento  da  salvação;  para  muitos,  porém  –  inclusive  os  cristãos  do  novo  25 

 


testamento – a decisão só ocorre depois de vários anos de vida cristã. Uma de minhas orações, na elaboração  deste  livro,  é  que  o  Senhor  o  utilize  como  ferramenta  para  levar  os  cristãos  na  direção  desta  importante  decisão.    A MOTIVAÇÃO PARA A APRESENTAÇÃO      Mathew se debatia num carrossel espiritual – andando em círculos sem sair do lugar, sem progredir em sua  vida  cristã.  Ele  cresceu  bastante  como  novo  convertido,  mas  finalmente  parou,  estacionou  e  começou  a  declinar. Nós nos conhecemos numa noite de sexta‐feira, e ele desejava saber se eu podia ajudá‐lo.  Depois de lhe fazer algumas perguntas, logo percebi seu problema: nunca havia chegado a um ponto de sua  vida em que tivesse se entregado totalmente ao Senhor. É inevitável que tal obstáculo no coração dê lugar à  frustração,  confusão  e  declínio  espiritual.  A  menos  que  o  cristão  coloque  Cristo  em  primeiro  lugar,  será  incapaz de experimentar uma vitória constante.  Mathew  logo  se  abriu  e  compartilhou  que,  embora  desejasse  dedicar  sua  vida  ao  Senhor,  toda  vez  que  tentava acabava “pisando no freio”, terminando sempre no fundo do poço. Com um suspiro de resignação,  confessou que não sabia o que fazer e apenas tinha esperança de um dia conseguir superar o problema.  Coloque‐se no lugar de Mathew. Por que ele sofria fracassos tão constantes? Será que só podia ter uma vaga  esperança de um dia conseguir vencer? Espero que você não tenha caído na armadilha de pensar que a vida  espiritual é complicada demais, difícil demais, causal demais, que a pessoa fica à deriva no oceano, esperando  que algo mude. Será que a Bíblia não nos dá nenhuma ajuda específica?    1. A motivação para a apresentação está nas “misericórdias de Deus”  Por Romanos 12:1  ser o texto‐chave acerca de “apresentar‐se por sacrifício vivo”, a resposta pode estar na  ponta  de  nosso  dedos.  Qual  a  razão  usada  pelo  apóstolo  Paulo  para  encorajar  a  igreja  de  Roma  a  se  consagrar? “Rogo‐vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício  vivo...”  A motivação para se apresentar está nas misericórdias de Deus, e não em nós. Diferente de muitas áreas da  motivação, Paulo revela que a consagração não é causada por um senso de responsabilidade ou de dever, mas  por  um  senso  de  gratidão.  Em  vez  de  “eu  sei  que  devo...”,  a  idéia  é  :  “sou  grato  pelo  que  ele  fez;  por  isso  quero...”  Você  percebe  a  diferença?  Paulo  não  está  tentando  nos  motivar  por  meio  da  promessa  de  algum  tipo  de  recompensa,  ou  ameaçando  com  disciplina  ou  dor,  ou  apelando  para  alguma  forma  de  responsabilidade  moral  –  não  menciona  nada  disso.  A  motivação  para  a  dedicação  a  Deus  baseia‐se  unicamente no que Deus fez por nós.  As misericórdias de Deus proporcionam a motivação para você se apresentar. Agora, veja como aplico essa  verdade a nosso amigo Mathew e veja se pode prever o que acontecerá no desenrolar da história.  ‐ Então, Mathew, de tudo o que o Senhor tem feito por você, o que tem significado mais profundo?  Matt só conseguiu pensar em duas coisas e começou a sentir‐se embaraçado, sabendo que obviamente devia  lembrar de muitas outras – mas não lembrava.  Certamente não lembrava. Por quê? Porque este princípio nunca falha: cristãos que relutam em se entregar  totalmente sempre têm dificuldade para lembrar as muitas misericórdias de Deus em suas vidas.  As  misericórdias  de  Deus  e  a  consagração  do  cristão  são  sempre  inseparáveis.  Quanto  maiores  as  misericórdias,  maior  a  consagração.  Se  você  conhece  alguém  que  está  lutando  para  se  consagrar,  automaticamente  conhece  alguém  cujo  “banco  de  dados  das  misericórdias”  tem  poucas  informações.  Do  mesmo  modo,  se  você pergunta  a um  indivíduo  altamente  consagrado  o  que  o  Senhor  tem  feito  por  ele, é  provável que fique tocado com a abundância de testemunhos.  Portanto,  qual  é  a  resposta  bíblica  clara  para  o  problema  de  Mathew?  Encha  seu  banco  de  dados  com  as  misericórdias  de  Deus!  Uma  vez  que  as  misericórdias  divinas  são  o  segredo  da  motivação  para  toda  consagração,  o  que  você  esperaria  que  o  apóstolo  Paulo  fizesse  com  elas,  com  relação  a  seus  leitores?  Exatamente. Ele encheu o banco de dados deles até transbordar e tocou a emoção deles com a lembrança das  misericórdias de Deus. Então, e só então, ele rogou que apresentassem seus corpos. 

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Embora alguns não concordem comigo, cheguei à conclusão de que todo o livro de Romanos gira em torno  desse  ponto.  Depois  da  salvação  (lembre  que  Paulo  escreveu  a  cristãos),  o  próximo  passo  estratégico  no  crescimento  espiritual  é  a  “apresentação”.  O  que  motivaria  a  igreja  a  faze  algo  tão  notável?  Somente  uma  compreensão profunda do que Deus tem feito por ela e por todo mundo.  Pense  em  Romanos  1‐11:  versículo  após  versículo,  capítulo  após  capítulo,  Paulo  apresenta  a  incrível  misericórdia  de  Deus  de  forma  rápida  e  lógica,  até  que  culmina  em  Romanos  11:30‐36.  Note  o  tema  dessa  misericórdia  que  estamos  discutindo,  enquanto  lê  os  versículos  30‐32:  “Porque  assim  como  vós  também,  outrora,  fostes  desobedientes  a  Deus,  mas,  agora,  alcançastes  misericórdia,  à  vista  da  desobediência  deles,  assim também estes, agora, foram desobedientes, para que, igualmente, eles alcancem misericórdia, à vista  da que vos foi concedida. Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para  com todos.  Talvez  agora  fique  claro  porque  a  terceira  palavra  em  Romanos  12:1  é  “pois”.  Ela  resume  não  somente  os  últimos versículos, mas todo o livro, de 1:1 a 11:32. Tudo se encaminha para Romanos 12:1, e tudo o que se  segue é resultado da apresentação pessoal como sacrifício vivo.  2. A motivação para a apresentação aumenta até que se torna o passo mais lógico  Embora a apresentação possa ser feita de forma bem emocional, a raiz da ação sempre deve ser racional e  lógica para a pessoa. Não deve envolver apenas o coração, mas também a mente.  Quanto mais o indivíduo conhece as misericórdias e a compaixão de Deus e as traz à memória, mas racional  será seu ato de apresentação. O ato de entrega a Deus deve ser a coisa mais lógica e racional que fazemos. Se  a apresentação é feita numa base emocional, em vez de racional, a “vida de entrega” pode fracassar. Por isso  Paulo diz: “Rogo‐vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício  vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1)  Certa vez, no alto das Montanhas Rochosas, observei este processo resumido em duas horas na vida de um  empresário  da  região  de  Colorado  Springs.  Como  Mathew,  ele  buscava  irromper  em  sua  vida  espiritual,  quando  reconheceu  sua  falta  de  consagração.  Por  duas  horas  provei  delicada  porém  incansavelmente  seu  coração, seu conhecimento da Palavra e consciência do envolvimento pessoal do Senhor em sua vida. Quanto  mais eu abria seus olhos para a verdade das misericórdias de Deus, mais ele se quebrantava.  Uma por uma, tratamos de todas as áreas ocultas em que seu coração estava endurecido, por compreensão  equivocada da verdade. Repetidamente sua dureza transformou‐se em confissão, louvor e adoração. Juntos,  meditamos nas incríveis misericórdias divinas reveladas na redenção, na expiação, na reconciliação, na adoção  e no dom do Espírito Santo.  Finalmente algo se quebrou no fundo de seu coração, e ele caiu de joelhos. “Senhor, como posso ficar longe  de ti? Como tenho sofrido por dizer ‘não’ a ti e ‘sim’ a mim mesmo! Como tenho sido tolo lutando contra ti,  quando lutaste por mim e sacrificaste teu Filho em meu favor! Há algum outro Deus além de ti, que seja digno  de receber minha vida? Senhor, humilho‐me diante de ti e me ofereço a ti por sacrifício vivo!”  Veja  bem,  caro  leitor,  quando  você  vê  toda  a  verdade  sobre  o  Senhor,  seu  amor  e  cuidado,  compaixão  e  fidelidade a você, a única coisa lógica a fazer é entregar‐se aos braços amorosos dele, total e imediatamente.    3. A motivação da apresentação deve ser alimentada pelo crente e pela igreja  Como eu sabia que veria Mathew no dia seguinte, dei‐lhe uma tarefa para encher seu banco de dados com a  verdade das misericórdias de Deus, na esperança de que seu coração s libertasse. Pedi que lesse Romanos 1‐ 11, Efésios 1‐3 e Colossenses 1‐2, fazendo uma lista de tudo o que o Senhor tinha feito por ele, pessoalmente.  Nós nos encontramos na noite seguinte. Mathew levou várias folhas, cheias de anotações. Quando o vi, notei  que seu olhar estava mais brando e demonstrava mais paz.  ‐ Bem, Mathew, o que encontrou?  ‐ Eu não tinha idéia... quer dizer, onde estive durante todos os anos em que sou cristão? Veja esta lista, nem  tive tempo de terminar todos os capítulos. O Senhor é incrível!  Mathew tinha um banco de dados cheio das misericórdias de Deus, mas a verdade ainda não tocara o fundo  do seu coração.  ‐ Então, Mathew, diga‐me como se sente com relação ao primeiro item da lista.  Ele falou, relacionando boas informações, mas sem permitir que a verdade lhe tocasse fundo o coração. 

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‐  Devagar,  Mathew.  Permita  que  seu  coração  assimile  a  verdade  que  sua  mente  já  conhece.  Que  emoções  você experimenta, por exemplo sobre Deus tê‐lo adotado como filho?  Era essa tampa que eu estava procurando, pois dentro de poucos minutos os olhos dele estavam marejados  de lágrimas, reprimidas durante toda a sua vida cristã. A bondade de Deus atingiu seu coração – e quase o fez  sucumbir. Logo Mathew estava soluçando, seu coração quebrantado pela primeira vez, pelo amor que Deus  tinha por ele, e por todas as coisas incríveis que Deus fizera por ele. Sabe o que aconteceu naquela noite, sob  as altas árvores do norte da Califórnia? O céu exultou de alegria por outro cristão relutante que finalmente se  tornou um sacrifício vivo.  Se percebo que minha própria consagração está se desvanecendo, o que faço para reanimá‐la? Volto para as  misericórdias  de  Deus  nas  Escrituras  e  instigo  meu  coração  com  a  verdade.  Pego  meu  próprio  diário  e  leio  sobre todas as muitas misericórdias e compaixões que escrevi após reler os diários do ano anterior. Fiz isso há  poucas semanas e acabei celebrando a maravilhosa e abundante bondade de Deus em meu favor. Abro meu  diário  de  oração  e  leio  lentamente  centenas  de  respostas  específicas  que  registrei  no  passado.  Abro  meu  coração  e  inundo  o  trono  da  graça  com  meu  louvor  e  adoração.  Não  paro  até  que  minha  consagração  seja  completa. Não importa o quanto  meu coração tenha se desviado, tenho plena certeza de que ele precisa de  controle – e será controlado – até que esteja plena e alegremente submisso ao Senhor da glória!  Infelizmente,  porém,  muitos  cristãos  não  sabem  o  que  fazer  com  o  próprio  coração.  Minha  oração,  neste  momento, é que você se levante e reavalie os arquivos em sua mente marcados com “misericórdias de Deus”  e estique as cordas de seu coração até que elas toquem em uma bela harmonia com a melodia celestial.  Embora este livro não seja escrito para pastores e líderes cristãos, sinto‐me inclinado a revelar o que descobri  nas igrejas nos Estados Unidos e praticamente em todo o mundo. Com raras exceções, descobri que as igrejas  raramente  ensinam  sobre  consagração  bíblica  ou  fazem  algum  desafio.  Há  50  anos  os  pastores  desafiavam  abertamente  o  rebanho  para  a  Vida  de  Consagração.  Hoje,  porém,  o  assunto  raramente  é  abordado  dos  púlpitos!  Como  as  igrejas  têm  sofrido  por  causa  disso!  Alguns  pastores  apelam  para  o  emocionalismo  inadequado, enquanto outros se retiram para as arengas teológicas, em vez da pregação ungida e poderosa  que Deus usa para transformar vidas.  Entretanto,  o  lado  brilhante  disso  tudo  está  no  coração  dos  leitores  por  todo  o  mundo.  Sem  exceção,  os  cristãos a quem tive oportunidade de ministrar por toda a América, África do Sul, Rússia, Cingapura, Ucrânia,  Malásia  e  outros  países  estão  famintos  e  com  grande  desejo  por  uma  consagração  mais  profunda.  Mesmo  assim, na maioria das vezes receberam pouco ensinamento e carecem de líderes que os ajudem no processo.  Sem  dúvida  essa  maravilhosa  abertura  nem  sempre  permanece,  mas  a  igreja  do  Senhor  atualmente  está  sensível à consagração – que os líderes se levantem e cumpram seu chamado!    A APRESENTAÇÃO DE SUA VIDA    Paulo nos instrui para “apresentarmos” nossos corpos por “sacrifício vivo” – uma noção que muitos cristãos  hoje não entendem. Como “apresentamos” nossos corpos a Deus? O que significa “sacrifício vivo”?    1. O significado de “apresentar”   A  palavra  “apresentar”,  em  Romanos  12:1,  traz  um  sentido  geral  e  um  específico.  Em  termos  gerais,  ela  significa oferecer ou trazer. Como muitos especialistas em grego destacam, a palavra “apresentar” também é  usada em termos técnicos para descrever o pecador que oferece ou apresenta um cordeiro como sacrifício  por seu pecado. Quando essa palavra está ligada a “sacrifício”, como no versículo de nosso estudo, os leitores  do Novo Testamento podiam imediatamente visualizar a apresentação oficial de um cordeiro diante de Deus.  Quando  uma  pessoa  apresentava  ao  sacerdote  seu  cordeiro  para  ser  morto,  era  um  ato  oficial  e  definitivo  pelos pecados cometidos até aquele momento. O cordeiro morria uma vez. Os israelitas jamais apresentariam  novamente  aquele  mesmo  sacrifício,  pois  já  tinha  sido  completado.  O  Senhor  busca  nossa  decisão  mais  importante  de  apresentarmos  a  nós  mesmos  como  “sacrifício  vivo”  e  então  voltarmos  repetidamente  para  renovar esse compromisso.  No Evangelho de Lucas, essa mesma palavra “apresentação” descreve o que José e Maria fizeram com o bebê  Jesus no templo: “Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram‐no a Jerusalém para 

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o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na Lei do Senhor: todo primogênito ao Senhor será  consagrado.” (Lc 2:22,23)  Esse texto ilustra o conceito de apresentar‐se uma pessoa de maneira que seja “santa ao Senhor”. Quando  José e Maria apresentaram Jesus, ofereceram‐no de volta a Deus, dedicando‐o a seus propósitos. Por terem  dedicado o filho ao Senhor, separando‐o para o Senhor, ele era “santo” para o Senhor. Pais tementes a Deus  podem  oferecer  os  filhos  ao  Senhor  como  “sacrifícios  vivos”,  por  meio  de  dedicação  –  sabendo  que  é  agradável a Deus. Entretanto, cada indivíduo, posteriormente, deve conhecer a Cristo e escolher dedicar‐se  totalmente ao Senhor.    2. O significado do “sacrifício vivo”  Embora  todos  compreendessem  o  que  era  “sacrifício  vivo”  na  época  em  que  a  epístola  foi  escrita,  muitos  fatores devem ter chocado os destinatários. Primeiro, o Senhor falava do sacrifício de uma pessoa e não de  um  animal.  No  Antigo  Testamento,  todos  os  animais  sacrificados  deveriam  estar  vivos,  saudáveis  e  não  possuir defeito, ou o Senhor não os aceitaria. Nada de novo era revelado nos termos “sacrifício vivo”, mas o  que deve ter imediatamente instigado os sentimentos dos leitores foi o fato de o Senhor trocar os animais por  pessoas.  Divinamente  inspirado,  Paulo  escolheu  algo  que  ilustrava  como  o  Senhor  queria  todas  as  áreas  da  vida do cristão.  Segundo, pense em quem trouxe o sacrifício. No Antigo Testamento, o israelita trazia o animal a Sr sacrificado,  o qual era oferecido a Deus. No Novo Testamento, o cristão traz a si mesmo como sacrifício, oferecendo‐se a  Deus.  Os mais maduros da igreja de Roma imediatamente lembraram do único sacrifício humano exigido por Deus  na Bíblia: Abraão, oferecendo seu amado filho Isaque. Quando Abraão estava prestes a matar o filho, um anjo  do Senhor o impediu e revelou a razão por trás do sacrifício. “Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe  faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gn 22:12).  O Senhor levou Abraão a uma crise de consagração. Quem seria o primeiro em sua vida: seu filho ou Deus? O  teste do sacrifício vivo é muito similar. Em vez de seu filho, porém, o Senhor exige de você sua própria vida.  Novamente a questão subjacente é quem ocupará o primeiro lugar em sua vida – você mesmo ou o Salvador?  A  terceira  distinção  está  naquilo  que  deu  valor  ao  sacrifício  vivo.  Nos  sacrifícios  do  Antigo  Testamento,  o  animal só��tinha valor no momento da morte. Sua vida não tinha mérito; seu corpo morto não tinha mérito.  Pelo contrário, o próprio ato de morrer proporcionava a expiação pelo pecado do homem.  No  sacrifício  do  Novo  Testamento,  porém,  o  “valor”  real  do  cristão  ocorre  depois  do  momento  da  apresentação.  O  contraste  é  bem  claro.  No  Antigo  Testamento,  o  valor  do  sacrifício  vivo  centralizava‐se  no  momento da morte. No Novo Testamento, o valor do sacrifício vivo está na vida subseqüente. O cristão morre  para si mesmo, a fim de viver para Deus.    3. O significado de “santo”  A palavra “santo” em Romanos 12:1, proporciona a evidência que me leva ao conceito de apresentar‐se por  sacrifício  vivo  como  um  ato  separado  da  salvação  e  que  age  na  obediência  diária.  Como  podemos  ver  no  texto,  a  consagração  da  vida  ao  Senhor  ocorre  na  mente  e  no  coração  do  cristão,  quando  ele  se  separa  totalmente para o Senhor, com seu servo.  Particularmente creio que essa apresentação é bem similar à decisão de seguir a Cristo como discípulo e não  somente como aquele que crê. Lucas 14 mostra as condições para o discipulado, que não tem absolutamente  nada  a  ver com  a  salvação  externa,  mas  tudo  a  ver  com  obediência  e serviço.  No  meio  daqueles  versículos  poderosos, o Senhor exorta aqueles que estão considerando se devem ou não se tornar um de seus discípulos  a avaliar bem os custos que terão de pagar. Lucas 14 e Romanos 12 apresentam um convite que parece ser  uma  decisão  importante  na  vida,  seguida  por  uma  ação  que  deve  ser  avaliada  com  cuidado  e  que  traz  resultados de longa duração.  Em  vista  da  seriedade  e  das  conseqüências  dessa  decisão,  muitos  que  a  tomam  experimentam  profunda  emoção. Quanto mais velho for o cristão, mais traumática a decisão parece ser. Aconselhando e orientando  muitos homens em crise de consagração, notei que é comum a luta durar de 18 a 24 meses. O ato final da  consagração  é  feito  com  tal  conhecimento  de  suas  implicações  que  o  cristão  com  freqüência  experimenta 

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quase  que  as  dores  de  um  parto  espiritual.  Esse  compromisso  ao  Senhor  muitas  vezes  é  tão  dramático  e  profundo que um grande número de pessoas parece não entender bem o que realmente aconteceu.  Infelizmente, por causa  do ensinamento de que não pode haver salvação sem consagração, muitos cristãos  adultos  interpretam  erroneamente  o  ato  de  consagração  e  de  discipulado.  Há  duas  semanas,  ministrei  no  México um curso de imersão sobre Seven Stages of a Pilgrim’s Progress (Sete Estágios de um Peregrino), que  relaciona os estágios pelos quais todos os cristãos têm de passar para chegar à plena conformidade com Jesus  Cristo. A consagração é um dos sete estágios. Mais da metade da audiência ajoelhou‐se, apresentando‐se a  Deus.  Depois  disso,  adverti  a  todos  para  não  pensarem  que  aquele  ato  tivesse  algo  a  ver  com  salvação  eterna.  Muitos daqueles adultos de meia‐idade tinham aceitado a Cristo como Salvador pessoal na infância, mas não  decidiram  entregar‐se  totalmente  a  Deus  até  a  idade  adulta.  Quando  a  consagração  é  muito  intensa  e  emocional, muitas pessoas são tentadas a “reescrever” a vida espiritual e apagar a verdadeira experiência de  conversão, em vista da profundidade da entrega atual.  Se, quando criança, o indivíduo decidiu por livre e espontânea vontade entregar‐se a Jesus Cristo como seu  Salvador  pessoal  e  creu  genuinamente  que  ele  morreu  por  seus  pecados  e  que  somente  por  meio  de  sua  morte e ressurreição poderia ser salvo, então recebeu a vida eterna naquele momento! Nunca esqueça desse  fato e jamais permita que outra pessoa o confunda: a salvação é somente por meio do sacrifício de Cristo, e a  consagração é somente por meio de nosso sacrifício a Cristo. Um ato foi completado na cruz há dois mil anos,  e o outro pode ser consumado em seu coração durante a vida.   Antes  de  encerrar  o  significado  de  “santo”  em  Romanos  12:1,  mais  uma  questão  deve  ser  discutida.  Atualmente muitas pessoas ensinam que para nos apresentarmos a Deus como sacrifício vivo nossa vida tem  de estar em plena obediência, ou o Senhor não aceitará tal sacrifício. Reconheço que o que vou apresentar  aqui pode perturbar alguns, mas estou convicto de que se trata da interpretação correta desta passagem.  O significado da palavra “santo” deve ser determinado pelo contexto, não por nossas idéias pré‐concebidas;  do  contrário  cairemos  no  erro  do  “tronco”.  Lembre‐se:  nós  nos  tornamos  “santos”  aos  olhos  de  Deus  no  momento  em  que  cremos  em  Jesus  Cristo  –  é  errado  interpretar  a  santidade  salvadora  como  santidade  comportamental. Essa santidade salvadora é a separação que ocorre na mente de Deus, não em nossa mente  ou  comportamento.  É  algo  similar  à  terra  santa,  que  não  mudou  sua  natureza,  mas  mudou  apenas  no  pensamento de Deus.  Este é o segundo estágio da santidade bíblica, e lamentavelmente muitas pessoas forçam o estágio dois e três,  como se fossem apenas um. Romanos 12:1 convida o cristão a separar‐se em sua mente para o Senhor, como  sacrifício vivo. Portanto, o primeiro e o segundo estágios são similares, no sentido de que ocorrem na mente e  no coração e não no comportamento. O primeiro ocorre na mente do Senhor e o segundo ocorre na mente do  cristão. Romanos 12:2 faz a rápida transição para o estágio três, que se concentra inteiramente nas ações de  obediência, piedade e serviço: “E não vos conformeis com este século, mas transformai‐vos pela renovação da  vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.  Portanto,  a  pessoa  tem  de  mudar  todo  o  seu  comportamento  para  tornar‐se  um  sacrifício  vivo?  Se  o  fizer,  creio  que  erroneamente  acrescentou  condições  que  a  Bíblia  não  relaciona  diretamente  a  tornar‐se  um  sacrifício vivo! A ordem do Novo Testamento é bem clara: primeiro, apresente‐se ao Senhor, e depois não se  conforme  com  o  mundo,  mas  seja  transformado  pela  renovação  de  sua  mente.  A  ordem  não  é:  “Não  se  conforme com este mundo, mas transforme‐se pela renovação de sua mente, e, então, pelas misericórdias de  Deus, apresente‐se como sacrifício vivo”.  A  idéia  contida  em  Romanos  12:1  é  encorajar  os  cristãos  a  voluntariamente  apresentarem‐se  ao  Senhor  abandonarem‐se à liderança dele. Depois de tomarem essa decisão, tornam‐se adequadas as características  de como obedecer e servir a Deus.  A  única  exigência  para  obter  a  salvação  é  crer  no  que  Cristo  fez  na  cruz.  A  única  exigência  para  alguém  se  transformar  num  sacrifício  vivo  é  apresentar‐se  a  ele.  Entretanto,  as  exigências  para  o  terceiro  estágio  são  muitas e variadas e serão estudadas nos capítulos restantes deste livro.    4. O significado de “agradável a Deus”  A penúltima frase de Romanos 12:1 é uma das mais inspiradoras da bíblia. Como você pode ter certeza de que  Deus  aceitará  seu  sacrifício?  Jamais  esquecerei  a  ocasião  em  que  aconselhei  uma  jovem  que  buscava  30 

 


intensamente devotar‐se ao Senhor, mas, por causa de uma longa vida de imoralidade sexual, tinha certeza  de  que  Deus  não  aceitaria  seu  desejo.  Com  foi  maravilhoso  poder  mostrar‐lhe  o  “pré‐compromisso”  do  Senhor para com ela! Em Romanos 12:1, ele revela que todo que se entrega a ele como sacrifício vivo será  “agradável”.    5. Um coração sincero de consagração tem grande valor para Deus!  Permanece ainda uma questão: por que o Senhor deseja que escolhamos nos apresentar como sacrifício vivo?  O que é alcançado com tal ato? A resposta a essa pergunta novamente demonstra a incrível graça de Deus.  Veja a verdade sobre você, mesmo antes de apresentar‐se ao Senhor: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é  santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?  Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. 1Coríntios 6:19,20  Quem já possuía seu corpo desde o momento em que você creu em Cristo? O próprio Senhor! Cristo comprou  toda a sua vida pagando o preço com a vida dele. Sua morte foi o preço estipulado para nossa vida. Portanto,  “não  somos  de  nós  mesmos”;  até  este  momento,  porém,  é  possível  que  você  viva  como  se  sua  vida  lhe  pertencesse exclusivamente!  Por  que,  então,  Paulo  não  escolheu  anunciar  a  verdade  que  eles  já  eram  de  Deus,  em  Romanos  12:1,  instruindo os leitores que faziam bem em viver de acordo? Simplesmente porque o Senhor sempre busca o  serviço voluntario de seus filhos. Sabe que, a menos que nosso coração esteja comprometido, nossas ações  serão sem compromisso. Assim, apesar de você e eu já pertencermos ao Senhor, ele nos convida a apresentar  nossos corpos a ele como sacrifício vivo – abandonando o direito sobre nós mesmos, em favor dele.    A CERIMÔNIA DE CONSAGRAÇÃO    Este  capítulo  deve  culminar  numa  pergunta:  “Você  apresentará  seu  corpo  como  sacrifício  vivo  ao  Senhor,  agora?” em caso afirmativo, quero que você separe alguns minutos como “santos”, dedicando‐os ao Senhor.  Separe o local onde está sentado como “terra santa”, para ter nele um encontro com Deus.  Gostaria de estar com você neste momento, a seu lado, para poder me ajoelhar com você e ajudá‐lo com a  oração  a  seguir.  Se  seu  coração  o  instiga  a  atender  ao  apelo  do  céu,  por  favor,  ajoelhe‐se  neste  momento,  com este livro nas mãos e faça esta oração: “Querido Pai Celestial, Ajoelho‐me, humilde, diante do teu trono.  Chego à tua presença por minha própria vontade e desejo estar aqui contigo. Tu és a pessoa mais amorosa e  cheia de graça do universo. Tua bondade para comigo não tem limites nem fronteiras. Teu amor guia tudo o  que fazes por mim. Tuas misericórdias renovam‐se a cada manhã, grande é a tua fidelidade! Teu amor enviou  Jesus  Cristo  para  morrer  em  meu  lugar,  proporcionando‐me  a  vida  eterna.  Agora,  respondo  a  teu  amor,  entregando‐me  a  ti  neste  momento  solene.  Perdoa‐me  por  demorar  tanto  para  chegar  a  este  ponto  de  consagração total. Assim, elevo‐me até teu altar, apresentando‐me com sacrifício vivo. Eu me consagro e me  dedico  a  ti  pelo  resto  de  minha  vida.  Obrigado  por  aceitar  esta  apresentação  sincera!  Em  nome  de  Jesus,  amém.  Será que este momento transforma a vida dos cristãos? Quer você creia ou não, nesta semana mesmo recebi  uma carta de um homem, relatando o que lhe acontecera ao assistir a uma série de vídeo que produzi há um  ano sobre esse assunto. Como meu coração se alegrou ao ler suas palavras: “Quando você perguntou se eu  tinha respondido ao Senhor dando minha vida totalmente a ele, morrendo para mim mesmo estando ainda  vivo, senti um calafrio de antecipação. Tenho certeza de que o Espírito saltou dentro de mim diante daquele  pensamento, pois eu não podia esperar para me oferecer como sacrifício vivo. Isso aconteceu às 7 horas da  manhã, 18 de março, no chão de minha sala de estar. Louvados seja o Senhor! Agora pertenço totalmente a  ele!”   Caro leitor, o chão aguarda seu joelho e seu Pai espera sua vida. Experimente a incrível alegria de dar sua vida  àquele que deu a vida por você.            31 

 


4  QUERO SER MAIS PARECIDO COM CRISTO  “A grande obra da natureza é transformar a luz do sol em vida. Assim, o propósito supremo da vida cristã é  transformar a luz da verdade nos frutos do viver santo” Adoniram J. Gordon    Todas  as  noites,  depois  do  jantar,  nos  reuníamos  em  torno  da  fogueira,  sob  o  maravilhoso  céu  do  deserto.  Naqueles  dias,  um  raro  contentamento  enchia  nossa  vidas,  quando  todos  nós  nos  tornávamos  novamente  “garotos” acampando à margem de rios distantes, pescando de manhã à noite, em busca dos incomparáveis  salmões.  Nosso  guia  conhecia  todos  os  recantos  daquelas  águas  revoltas  e  de  alguma  forma  sabiam  onde  ficavam os “bolsões” secretos, apenas aguardando nossas iscas e ansiedades.  Num  grupo  de  vinte  amigos  passamos  uma  semana  de  pesca  inesquecível,  entretanto,  os  momentos  compartilhados ao redor da fogueira tornaram‐se a lembrança mais valiosa. As noites eram o ponto alto.  A  Bíblia era aberta, e nossos corações se derretiam sob o mover do Espírito Santo. Praticamente ninguém ia se  deitar sem ser tocado e transformado. Na noite de quinta‐feira, eu sabia que chegara a hora de tratar de uma  das áreas mais difíceis para aqueles homens, numa abordagem aberta, clara e direta.  Ao  falar  sobre  a  santidade  pessoal,  perguntei  se  algum  dos  participantes  já  tinha  experimentado  uma  verdadeira  revolução  numa  área  da  vida  –  em  que  costumavam  cair  em  pecado  e  que  agora  não  mais  pecavam.  Houve  silêncio,  até  que  alguém  atirou  uma  lenha  na  fogueira,  fazendo  com  que  as  fagulhas  subissem como foguete.  Então, um dos homens sentados em círculo disse:   ‐ Acho que posso começar. Eu amava o dinheiro. Quer dizer amava mesmo. O dinheiro governava minha vida  e quase destruiu minha família. Eu era obcecado por dinheiro. Deus começou a mostrar‐me que o dinheiro  era meu deus, e eu o adorava acima de tudo. Por cerca de seis meses, o Senhor foi me encurralando, até que  finalmente  me  quebrantei  e  confessei  minha  cobiça.  Agora  não  amo  mais  o  dinheiro;  de  fato,  consegui  quebrar de tal maneira o meu amor por ele que agora tenho prazer em compartilhar com outros!��Posso dizer  honestamente que sou uma pessoa diferente – não amo mais o dinheiro. Isso é ótimo!  Muitas cabeças assentiram ao redor do círculo. Eu conhecia bem aquele homem – os dois lados de sua vitória.  Realmente ele era uma pessoa diferente, e sua família não podia estar mais feliz! Entretanto, quando olhei  para  o  círculo,  percebi  pelo  menos  seis  homens  olhando  para  o  fogo,  enquanto  ele  falava.  Por  quê?  Eu  os  conhecia  bem  e  sabia  que  nenhum  deles  poderia  dizer  que  estava  livre  do  amor  pelo  dinheiro.  Na  semana  anterior, tive algumas conversas muito sérias com um deles sobre esse problema.  Então, um homem que muitos do grupo haviam procurado para conversar naquela semana pediu a palavra.  ‐  Isto  pode  surpreender  vocês,  mas  durante  anos  fui  escravo  de  vários  tipos  de  pornografia.  Creio  que  não  seria exagero dizer que era viciado. Nunca cheguei a ser infiel à minha esposa, nem me envolvi fisicamente  com  outras  mulheres,  mas  vivia  numa  escravidão  sexual  e  infidelidade  por  meio  de  revistas,  vídeos  filmes  pornôs. Vocês sabem o que quero dizer.  Algumas  cabeças  assentiram,  embora  muitos  parecessem  prender  a  respiração.  Tal  honestidade  e  transparência atraem a atenção, não é?  ‐  Há  uns  dez  anos,  o  Senhor  e  eu  tratamos  dessa  questão.  Eu  desejava  intensamente  me  livrar  daquela  escravidão. Não conseguia orar, não conseguia ler a Bíblia por me sentir culpado. Sempre que participava dos  trabalhos na igreja sentia‐me um grande hipócrita. Comecei confessando meu pecado ao Senhor e decidi que  não poderia ter vitória sozinho. Por isso, contei tudo, tudo  mesmo, a dois dos meus melhores amigos, a os  quais passei a prestar contas!  Calou‐se e encarou seriamente cada um daqueles homens, um por um do círculo, e depois continuou:  ‐ Hoje estou livre daquela perversão sexual! Não pequei nesta área por quase dez anos! Vocês falam sobre  liberdade  em  Cristo!  Podem  imaginar  o  que  aqueles  pecados  causavam  a  meu  casamento  e  à  minha  vida  sexual com minha esposa?   Ele começou a rir, um riso que vinha do fundo de seu ser:  ‐ Sou livre! Se você está escravizado, também pode se libertar! Fale comigo mais tarde ou me acompanhe em  meu barco amanhã. Eu o ajudarei a dar o primeiro passo!  Depois de alguns comentários adicionais, finalmente voltei ao ensinamento bíblico sobre santidade pessoal: 

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‐ Irmãos, vida cristã é exatamente isso! É esta alegria de olhar para trás e poder dizer com honestidade: “Eu  cometia este pecado, mas agora não o faço mais. Caminho em santidade nesta área”. Se você tem crescido  em santidade em sua vida, deve ter no mínimo uma área principal em que o pecado não o domina mais. É isso  que  a  obra  de  Cristo  proporciona  a  todos  nós  –  a  promessa  da  santidade  progressiva!  No  ano  que  vem,  quando  nos  encontrarmos  novamente,  talvez  haverá  mais  duas  ou  três  áreas  onde  você  progrediu  até  a  vitória completa. Quantos de vocês podem citar pelo menos uma área principal que costumava ser impura,  mas que hoje é santa?  Cerca de 12 homens, dos 20 ali reunidos, levantaram a mão, enquanto o restante olhava para o fogo com um  interesse intenso demais...    ESTÁGIO TRÊS: “SANTIDADE PROGRESSIVA”    Santidade  progressiva  significa  que  o  cristão  cresce  de  um  nível  de  santidade  para  outro  mais  elevado,  diminuindo seu nível de impureza. Santidade progressiva significa que você pode e deve seguir e subir adiante  em sua vida espiritual – que você pode ser cada vez mais semelhante a Cristo.  A  santidade  progressiva  começa  no  momento  da  conversão  e  termina  com  a  morte  física.  Nessa  janela  do  tempo, esteja ela aberta por um curto período, esteja por mais de 100 anos, a santidade progressiva deve ser  um dos maiores objetivos e paixões de sua vida. O que você semeia determinará sua colheita, seja santidade,  seja impureza.  No momento da conversão, todo cristão é santo aos olhos do Senhor (lembre‐se da santidade posicional: o  Senhor o separa para si, em sua própria mente), mas dali em diante o quanto nos tornamos “santos porque  ele é santo” dependerá de nossa resposta à sua obra em nossa vida. A Bíblia revela claramente que o Senhor  deseja que todos nós nos tornemos santos como ele. A falta de santidade em nossa vida não é falha dele, mas  nossa. Deus trabalha continuamente para nos conformar ao seu Filho, e qualquer falta de conformidade se  deve  à  nossa  resistência,  não  à  pouca  participação  de  Deus.  Portanto,  a  impureza  na  vida  de  todo  cristão  deve‐se à resistência e à rebeldia contra o chamado e a obra do Senhor.  Além de nos chamar a ser santos na essência de quem somos a santidade progressiva também nos chama a  ser santos em tudo o que pensamos, sentimos e fazemos. “Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai‐ vos  santos  também  vós  mesmos  em  todo  o  vosso  procedimento”  (1  Pe  1:15).  Um  caráter  santo  (“sede  santos”)  sempre  produzirá  uma  conduta  santa  (“tornai‐vos  santos  em  todo  o  vosso  procedimento”).  Esses  dois  versículos  (15  e  16)  são  imperativos,  por  isso  os  dois  lados  da  santidade  progressiva  não  ocorrem  automaticamente, precisam ser obedecidos para que se realizem. Portanto, na conversão, meu caráter não é  totalmente  semelhante  a  Cristo,  tampouco  minha  conduta.  Santidade  progressiva  significa  que  continuo  tornando‐me  mais  e  mais  semelhante  a  Cristo  em  meu  caráter  e  conduta.  O  nível  em  que  me  torno  semelhante a Cristo nesses dois aspectos é o mesmo em que serei santo aos olhos de Deus.  A santidade progressiva é vista e notada de forma objetiva pelo próprio indivíduo e pelos outros. Quando sua  conduta  muda,  você  perceberá  que  não  se  comporta  mais  com  de  costume  –  e  nem  deve!  Outras  pessoas  também  notarão  e  expressarão  admiração  por  seu  crescimento.  Quando  seu  caráter  muda,  seus  motivos  e  suas  reações  normais  também  mudam.  Em  vez  de  responder  com  ira,  você  responderá  com  paciência  e  autocontrole.  Em  vez  de  sucumbir  ao  egoísmo,  você  colocará  cada  vez  mais  ou  outros  em  primeiro  lugar,  cuidando  dos  interesses  do  próximo  antes  dos  seus.  Em  vez  de  fazer  fofocas  e  criticar,  você  guardará  sua  língua e só falará aquilo que edifica e constrói. Em vez de escravo da imoralidade, você praticará a fidelidade  sexual e a lealdade. Essas mudanças refletem a transição das “obras da carne” para o “fruto do Espírito”. À  medida que você cresce em santidade, sua vida será transformada bem diante de seus olhos, à imagem de  Cristo. Paulo reconhecia a santidade progressiva quando escreveu essas palavras: “... purifiquemo‐nos de toda  impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1b)  Note  que  Paulo  revela  que  esse  tipo  de  santidade  requer  que  “nos  purifiquemos”  –  a  purificação  é  absolutamente essencial! Entretanto, note também que o apóstolo revela que a verdadeira santidade não é  um  processo  já  terminado,  mas  que  exige  constante  “aperfeiçoamento”.  A  palavra  grega  traduzida  como  “aperfeiçoando” significa levar a um final, terminar, completar. A santidade nasceu no coração da conversão,  e Paulo exorta os cristãos a se esforçarem para completá‐la em todos os seus aspectos. 

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Além de a palavra e si denotar um processo contínuo, Paulo sob a inspiração de Deus, coloca “aperfeiçoar” no  tempo presente (no grego), o que geralmente dá mais a idéia de uma ação contínua do que intermitente ou já  finalizada.  Portanto,  esse  versículo  mostra  claramente  que  o  terceiro  estágio  da  santidade  deve  ser  progressivo  e  contínuo,  durante  toda  a  nossa  vida  cristã.  Você  é  santo,  está  se  tornando  mais  santo  e  finalmente depois da morte, se tornará totalmente santo como Cristo.    DESFAZENDO AS CAIXAS TEOLÓGICAS    Enquanto escrevia essas palavras em meu fiel laptop, na casa de um amigo no Colorado, fiz uma pausa e orei  por  você,  para  que  o  Espírito  Santo  abra  mais  e  mais  seus  olhos  para  as  verdades  bíblicas  sobre  santidade  pessoal. A verdade nos liberta. A verdade nos liberta, e a falta da verdade nos mantém presos. Quanto mais  você for capaz de entender as verdades sobre a santidade, mais liberdade você experimentará.  O assunto da santidade está entre os mais mal‐interpretados de toda a Bíblia. Por causa disso, muitos cristãos  são incrivelmente escravizados e vivem em constantes derrotas. Veja o resultado da confusão que um homem  fez sobre o que a Bíblia ensina sobre santidade.  Tarde  da  noite,  depois  de  uma  intensa  e  cansativa  reunião  no  Meio‐Oeste,  saí  do  local  da  conferência,  encontrando  o  ar  fresco  da  noite,  ansiando  por  chegar  logo  ao  hotel  para  uma  noite  de  sono  mais  do  que  necessária. Quando terminava de descer as escadas, antes de virar à esquerda na calçada que me levaria ao  estacionamento, avistei um homem na noite clara. Sua cabeça baixa e ombros encurvados denotavam tanto  desânimo que meu coração se compadeceu dele, mesmo antes de saber quem era. Apressei o passo e notei  que  Le  também  me  viu,  diminuindo  imediatamente  o  passo  para  chegarmos  ao  mesmo  tempo  à  esquina.  Então  vi  quem  era:  um  conhecido  estadista  cristão  de  72  anos,  que  tinha  servido  ao  Senhor  com  tamanho  sacrifício e exercera uma liderança tão nobre que conquistara o respeito de todos que o conheciam. Paramos  e  nos  cumprimentamos,  comentando  rapidamente  sobre  a  conferência  em  que  estivéramos  envolvidos  durante  todo  o  dia.  Quando  ele  falou,  senti  que  o  Senhor  fizera  nossos  caminhos  se  cruzarem  com  um  propósito. Fitei‐o direta porém gentilmente e perguntei:  ‐ Meu amigo, sinto que o Senhor pode ter nos unido aqui nesta esquina escura por uma razão importante.  Posso ser‐lhe útil de alguma maneira? Quer abrir seu coração comigo?  Ele  suspirou  pesadamente  mas  com  alívio,  como  se  o  Senhor  também  o  tivesse  alertado  sobre  aquele  encontro inesperado. Depois de alguns momentos de hesitação, compartilhou comigo seu triste fardo. Fazia  poucas horas, durante o jantar, uma jovem havia se inclinado na frente dele para apanhar um garfo que caíra  no chão. A blusa da jovem era bem decotada. Meu respeitável amigo confessou que olhou deliberadamente  para a jovem, alimentando pensamentos de cobiça.  ‐  Bruce,  como  pude  fazer  aquilo?  Pequei,  cobiçando  aquela  jovem!  Isso  prova  que  não  sou  um  cristão  verdadeiro. Infelizmente já fiz isso antes, há três anos. Sou um terrível pecador! Já tinha consagrado minha  vida ao Senhor. Como pude fazer isso?  Começou a menear a cabeça.   ‐ Agora sei que jamais serei salvo!  Como meu coração se partiu, por causa daquele irmão! Se havia um verdadeiro cristão, nascido de novo, que  andava em santidade e servia a Deus com coragem e fidelidade, era aquele homem. Mesmo assim, ali estava  ele, convencido de que por causa de seu pecado não podia ser salvo. O trauma emocional e o medo interior  assolavam  um  líder  cristão  maduro  –  tudo  por  causa  da  profunda  confusão  em  torno  da  salvação  e  da  santificação. Conversamos por cerca de trinta minutos, e o Senhor abriu seus olhos para a diferença entre a  “salvação  da  alma”  e  o  “aperfeiçoamento  da  santidade”.  Ele  orou  ali  mesmo,  confessou  seu  pecado  e  a  deslealdade emocional para com a esposa, e pela primeira vez na vida experimentou a alegria de saber que de  fato já tinha a salvação eterna.  Ele tinha pecado? Sim. Seu pecado provava que não era nascido de novo? É claro que não! Mas provava que  tinha  pecado  e  que  aquela  área  de  sua  vida  precisava  crescer  consideravelmente  em  santidade.  Aquele  pecado provava que ele não era realmente consagrado a Deus? Claro que não! Aquele homem daria tudo que  tinha  por  Cristo  a  qualquer  momento  e,  se  lhe  fosse  solicitado,  daria  sua  própria  vida  para  Cristo.  Como,  então, alguém poderá afirmar que seu pecado provava que não era consagrado? Ele era! Seu pecado provava 

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que, embora seu coração fosse totalmente devotados a Deus, seus olhos ainda não eram devotados em todas  as situações, nem estava praticando o princípio  “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”.  Você percebe a rapidez com que podemos nos confundir? Em vez esclarecê‐los, queremos combinar os três  estágios da santidade pessoal:  Santidade  Posicional  (primeiro  estágio)  não  é  o  mesmo  que  Santidade  de  Apresentação  (segundo  estágio),  que não é o mesmo que Santidade Progressiva (terceiro estágio).  A  salvação  de  nossa  alma  não  é  o  mesmo  que  a  consagração  de  nossa  vida,  que  não  é  o  mesmo  que  a  santidade de nosso caráter e conduta.   Deus me separando para si em seu coração não é o mesmo que eu me separando para ele em meu coração,  que não é o mesmo que eu separando meu coração e hábitos para ele, em meu estilo de vida.  Crer em Jesus Cristo como meu Salvador não é o mesmo que apresentar meu corpo a ele em sacrifício vivo,  que não é o mesmo que aperfeiçoar a santidade em meu caráter e conduta.  Quanto mais você entende os três tipos de santidade, mais fácil será para que o conceito faça sentido em sua  vida espiritual. Como, então, você responderia a essas perguntas?  1. Você pode ser “santo e ainda ter atitudes impuras?  2. Você pode ser realmente nascido de novo e não ser consagrado ao Senhor?  3. Você pode ser consagrado ao Senhor e mesmo assim ter áreas de sua vida caracterizadas pelas impurezas?  4. Você pode ter áreas de seu caráter e conduta que são realmente “santas” aos olhos de Deus e dos homens  e ao mesmo tempo ter outras áreas “impuras”, aos olhos de Deus e dos homens?  5.  Você  pode  conhecer Jesus  Cristo  como  Salvador  e  viver anos  sem  crescer  o  suficiente  –  e mais  tarde  ter  uma crise de consagração, em que realmente se consagra ao Senhor, para servi‐lo em obediência?  6. Você pode ser um cristão nascido de novo, tendo se dedicado a Deus quando tinha 14 anos, num retiro da  igreja,  freqüentar  a  igreja  ocasionalmente  quando  adulto,  cantar  no  coral,  raramente  fazer  devocional,  raramente orar, exceto nas refeições e nos cultos, ler a Bíblia duas vezes por semana, assistir à TV mais de 20  horas por semana, inclusive programas impróprios, tomar bebidas alcoólicas quando está longe das vistas dos  conhecidos, não crescer realmente em santidade, participar de uma conferência de avivamento em sua igreja  e se arrepender com sinceridade de sua falta de santidade em seu caráter e conduta porque não mudou nada  em décadas, morrer a caminho de casa e ainda ir para o céu?    COMO AS PESSOAS PENSAM INCORRETAMENTE SOBRE SANTIDADE PESSOAL?    A santidade pessoal é uma das verdades mais simples e desafiadoras da Bíblia. Tenho observado que muitos  cristãos perdem o equilíbrio nessa área pelo menos duas vezes no curso da vida cristã, seja no que pensam  sobre santidade, seja como tentam se comportar para se tornarem mais santos.  Antes de entrar no âmago  deste  capítulo,  pode  ser  útil  apresentar  um  breve  panorama  das  interpretações  errôneas  mais  comuns.  À  medida que você lê, veja se pode identificar‐se com alguma delas (no passado ou no presente) ou se conhece  alguém  que  está  preso  nesses  becos  sem  saída  de  santidade.  Infelizmente  o  espaço  aqui  não  permite  respostas completas a cada erro, mas apenas algumas observações gerais.  Equívoco nº 1: “Se sou de fato nascido de novo, automaticamente viverei uma vida santa”  Essa  idéia  prende  as  pessoas!  O  pensamento  fundamental  é  de  que  salvação  é  o  mesmo  que  santidade,  geralmente em vista da interpretação errônea de 2 Coríntios 5:17: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura;  as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.  Como você verá na próxima seção, em que os estágios da santidade são contrastados, a salvação garante‐nos  a  vida  eterna  e  o  dom  do  Espírito  Santo,  mas  não  nos  garante  uma  perfeição  isenta  de  pecados.  Pelo  contrário, o Novo testamento está repleto de cartas escritas para cristãos que infelizmente estavam vivendo  como  não‐cristãos.  Repetidamente  o  apóstolo  Paulo  confronta  tal  comportamento  e  diz  para  mudarem  –  obedecendo a Cristo e não apenas crendo nele. Se você deseja uma prova ampla de que homens e mulheres  nascidos de novo infelizmente ainda pecam, leia 1 Coríntios.   A verdade? Se você é de fato nascido de novo, recebe a salvação eterna, mas não se torna instantaneamente  isento  de  pecados.  Se  ainda  está  se  perguntando  se  salvação  significa  isenção  de  pecado,  leia  2  Timóteo  2:19b,  que  prova  sem  dúvida  que  o  verdadeiro  cristão  ainda  peca:  “Aparte‐se  da  injustiça  todo  aquele  que  professa o nome do Senhor”.  35 

 


Equívoco  nº  2:  “Desde  que  todos  nós  somos  pecadores  e  pecamos  o  tempo  todo,  ninguém  pode  ser  realmente santo”  Este cristão decidiu que se a santidade é impossível, qual o sentido de iniciar o processo?  Sempre que um cristão aceita esse pensamento, inevitavelmente pensa que todos pecam o tempo todo. Isso  é verdade? Você peca o tempo todo? Lembre do texto de 2 Timóteo 2:19b, que acabou de ler – você acha que  todo cristão possui uma quantidade ilimitada de pecados dos quais deve “se apartar” para ser santo?  Se  você  começasse  a  obedecer  a  essa  passagem  e  muitas  outras  semelhantes,  apartando‐se  do  pecado  e  purificando‐se  deles  um  por  um,  acha  que  nunca  terminaria?  Este  erro  é  o  oposto  ao  primeiro.  O  primeiro  pensa que automaticamente nos tornamos santos na conversão; este acha que ninguém consegue chegar a  um nível em que não se peca mais o tempo todo.  Pense em nosso versículo central: “Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai‐vos santos também vós  mesmos  em  todo  o  vosso  procedimento  (1  Pe  1:15).  Você  percebe  as  palavras  “em  todo  o  vosso  procedimento”?  A  vontade  de  Deus  é  que  você  e  eu  tenhamos  vidas  santas  em  todos  os  nossos  caminhos.  Isso  significa  que  nunca  iremos  pecar?  É  claro  que  não  –  embora  não  tenhamos  de  pecar,  ainda  estamos  sujeitos ao pecado.  Você deve ter períodos em sua vida nos quais pode dizer honestamente, diante de Deus e dos homens, que é  santo em todo o seu procedimento? Evidentemente este é o ponto principal! Santidade progressiva significa  que, pela graça de Deus, existem períodos cada vez mais longos entre seus pecados. Ontem, ao ler a biografia  do  famoso  pregador  e  escritor  Charles  Haddon  Spurgeon,  recebi  grande  encorajamento  por  meio  de  suas  palavras:  “Eu  não  viveria  deliberadamente  violando  nem  mesmo  a  menor  das  leis  de  Deus...”  O  céu  deve  concordar que este ano você pecou menos do que no ano passado meu amigo!  Equívoco nº 3: “Finalmente serei santo, quando passar por aquela crise da ‘experiência de santidade’  Existem  muitos  nomes  diferentes  para  essa  “experiência  de  crise”,  dependendo  da  tradição  à  qual  você  pertence. Para muitos, essa crise na verdade é o ato de consagração da vida a Cristo, que já discutimos no  segundo  estágio  da  santidade.  Embora  a  apresentação  ao  Senhor  influencie  profundamente  a  vida,  não  elimina  imediatamente  toda  a  luta  contra  o  pecado.  Mesmo  o  apóstolo  Pedro,  incrivelmente  honesto  e  consagrado a Jesus no cenáculo, posteriormente o traiu. Consagração não proporciona santidade instantânea.  Outros relacionam o “batismo do Espírito” ou o “enchimento do Espírito” com a erradicação de todo pecado.  Embora  ninguém  deva  negar  que  o  Espírito  Santo  ocupe  o  lugar  central  em  qualquer  discussão  sobre  santidade, será que um “batismo” ou “enchimento” poderoso e emocional corrige todos os problemas futuros  da vida santa? Novamente a vida dos santos do Novo Testamento apresenta uma resposta rápida e óbvia. De  todas  as  igrejas  neotestamentárias,  a  igreja  de  Corinto  inegavelmente  era  a  mais  abundante  de  indivíduos  “batizados e cheios de dons”. Mesmo assim, em todo o Novo Testamento, aquele grupo demonstra o nível  mais baixo de santidade.  A verdade? Embora a genuína “experiência de crise” na consagração ou relacionada ao Espírito Santo afete  radicalmente o compromisso e a santidade do indivíduo, não nos leva à santidade duradoura. Talvez por essa  razão  o  apóstolo  Paulo  nos  instrui  a  continuar  nos  enchendo  do  Espírito,  para  não  satisfazermos  à  concupiscência da carne.    COMO DEVO ENCARAR MINHA SANTIDADE HOJE?    Antes de responder a essa pergunta profunda e estratégica, quero lhe fazer uma pergunta preliminar. Quão  santo você se considera, na fase atual de sua vida? Seja o mais honesto possível e selecione a resposta que, a  seu ver, melhor descreve sua santidade pessoal:  • “Nem fale... Não tenho feito muito progresso na santidade.”  • “Acho que estou na média – como a maioria dos cristãos que conheço.”  • Tenho dado mais importância à santidade e estou fazendo mudanças em minha vida.”  • “Estou  longe  de  poder  dizer  que  sou  santo,  mas  hoje  meu  caráter  e  conduta  definitivamente  estão  mais semelhantes a Jesus do que há dois anos.”  • “A santidade pessoal é extremamente importante para mim – estou buscando ativamente o Senhor e  purificando todas as áreas da minha vida, que agora são santas aos olhos de Deus.” 

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Santidade  é  um  daqueles  grandes  conceitos,  que  para  a  maioria  das  pessoas  parece  tão  assustador,  tão  complicado  que  o  deixam  para  sempre  dentro  da  famosa  “Caixa  da  Procrastinação”,  escondida  em  nosso  interior. Descobri que para fazer progresso em qualquer área da vida duas coisas são necessárias: Primeira, a  vida deve tornar‐se simples o suficiente para que você a entenda facilmente e possa explicá‐la a outros depois  de ouvi‐la apenas uma vez – sem anotações e sem ajuda do professor. Segunda, a área deve tornar‐se óbvia o  bastante  para  que  você  perceba  instintivamente  como  ela  se  aplica  à  sua  vida  e  saiba  o  que  fazer  para  experimentar progresso significativo – sem que ninguém tenha de lhe dizer o que fazer.  Este  capítulo  busca  alcançar  esses  dois  objetivos  na  área  da  santidade.  Depois  de  lê‐lo,  principalmente  as  próximas  páginas,  você  compreenderá  tão  bem  “o  quadro  geral”  da  santidade  que  poderá  explicá‐lo  a  seu  vizinho  de  10  anos  de  idade.  E,  quando  você  perceber  onde  se  encontra  no  processo  de  santidade,  saberá  exatamente o que fazer (sem ninguém ter de lhe dizer) para fazer avanços em sua vida. Minha esperança é de  que seu desejo seja tão intenso que você consiga.  Infelizmente  a  santidade  parece  cercada  e  escurecida  por  intriga  e  mistério.  Parece  algo  tão  grande  e  complicado que muitos cristãos desistem de alcançá‐la, frustrados, depois de pouquíssimos esforços. Quando  você  pergunta  às  pessoas  o  que  pretendem  fazer  para  ser  mais  santas,  a  reposta  mais  comum  é  um  olhar  vago. Como você, eu creio que não é plano de Deus que nos tornemos místicos ou confusos com relação à  santidade pessoal, ou frustrados sobre o que deveríamos fazer como indivíduos que desejam uma vida santa.  Assim, vejamos se podemos tornar o “conceitual” mais “concreto” e o “profundo” mais “prático”.  Uma  das  melhores  maneiras  de  tornar  compreensível  um  conceito  difícil  é  a  visualização.  Com  você  pode  visualizar sua santidade na prática, de uma forma que represente o ensino bíblico sobre santidade?    USE SUA TABELA DE SANTIDADE E OS “MARCADORES MÁGICOS”    Resuma toda sua vida na “Tabela de Santidade” – um grande pedaço de papel – desenhando um quadrado  dividido em 100 pequenas caixas, 10 caixas na vertical e 10 na horizontal. Cada caixa é numerada e representa  um aspecto de seu caráter (“Sede santos, porque eu sou santo”) ou conduta (“Tornai‐vos santos em todo o  vosso procedimento”). Por exemplo o nº 14 pode ser a “caixa da verdade”, o 23  a caixa da fofoca, o nº  54  pode ser a “caixa da bondade”, o nº 72 poder ser a “oração”, o nº 83 pode ser “serviço ao Senhor” e o nº 92, a  “raiva”. Portanto, tudo o que compõe “você” deve ser representado em uma das caixas.  Então, faça um pequeno auto‐exame honesto. Digamos que o Senhor tenha lhe dado o poder de afastar‐se  um pouco de sua vida e perceber imediatamente quão santo ou profano você é em cada uma dessas caixas.  Pegue os nº 14 (sua verdade) e 92 (raiva). Imediatamente o Senhor traz diante de seus olhos todas as vezes,  nos  últimos  12  meses,  que  você  falou  a  verdade  (comportamento  santo)  ou  mentiu  (comportamento  profano).  Para simplificar, digamos que houve apenas dez situações em que a verdade foi necessária em sua vida no ano  passado  (de  fato,  foram  milhares  de  vezes  certo?).  Você  marca  qual  foi  sua  reação  a  cada  uma  dessas  dez  situações, seja como santo, seja como profano. Aqui está o que descobriu sobre verdade e raiva:  “Verdade” – Caixa 14       “Raiva” – Caixa 92  Situação 1: Profano        Situação 1: Santo  Situação 2: Santo        Situação 2: Santo  Situação 3: Santo        Situação 3: Profano  Situação 4: Santo        Situação 4: Profano  Situação 5: Profano        Situação 5: Profano  Situação 6: Santo        Situação 6: Profano  Situação 7: Santo        Situação 7: Profano  Situação 8: Santo        Situação 8: Santo  Situação 9: Santo        Situação 9: Profano  Situação 9: Santo        Situação 9: Profano  80% santo (20% profano)      30% santo (70% profano)    Portanto,  você  acabou  de  descobrir  que,  em  relação  à  “verdade”,  você  foi  80%  santo  e  20%  profano.  Com  relação à raiva, não teve tanto sucesso: 30% santo e 70% profano. Lembre‐se: o Senhor não opera de forma  37 

 


generalizada.  Ele  mantém  registros  até  das  palavras  que  você  profere!  Como  você  poderia  anotar  suas  descobertas na tabela?  Digamos que você tenha uma caixa com 100 marcadores mágicos de tonalidades diferentes de cinza, que vão  do preto ao branco, com todos os tons intermediários. Esses “marcadores da santidade”foram numerados de  1 a 100 com o nº maior representando o nível mais elevado de santidade. O preto representa apenas 1% de  santidade  (ou  totalmente  profano),  enquanto  o  branco  é  o  100%,  representando  a  santidade  completa.Eis  uma amostra dos 100 marcadores:  Nº do Marcador  Descrição  Significado  1  Preto  1% santo  25  Cinza‐escuro 25% santo  50  Cinza‐médio  50% santo  75  Cinza‐claro  75% santo  100  Branco  100% santo

Cor           

Agora pinte a “verdade” na caixa 14 com 80% de santidade e a “raiva”, na caixa 92, com 30% de santidade.  Você  imediatamente  notará  o  quanto  sua  conduta  está  próxima  do mandamento  do Senhor para ser santo  (branco total – 100%) nestas duas áreas de sua vida:  Verdade  Raiva  Caixa 14  Caixa 92  80% santo  30% santo     

O  Senhor,  então,  abre  os  seus  olhos  para  ver  o  que  ele  registrou  em  cada  uma  das  100  áreas  de  sua  vida.  Depois de cada revelação de sua santidade pessoal, você escolhe um dos 100 marcadores e pinta cada caixa  com a tonalidade de cinza apropriada. Que revelação! Em algumas de suas caixas, você foi santo durante todo  o ano: a caixa está branca. Por exemplo, você pintou a caixa de “roubo”, nº 17, com o marcador branco, pois  não roubou nada e sempre respeitou a propriedade alheia. Em outras caixas, como “perseverança”, teve de  usar o marcador 15, porque quando as coisas se tornaram difíceis, em vez de praticar o comportamento santo  da paciência e da perseverança, você foi impaciente e desistiu.  Por  meio  de  cada  caixa  colorida,  você  vê  com  seus  próprios  olhos  quão  santo  o  Senhor  o  considera.  A  santidade deixa de ser aquele termo religioso complicado e torna‐se compreensível – de fato, você percebe  que  trata‐se  apenas  de  outra  forma  de  descrever  quanto  você  é  parecido  com  Cristo  em  cada  área  de  sua  vida.  Quanto  mais  você  olha  para  sua  tabela  de  santidade,  mais  percebe  que  em  algumas  áreas  foi  muito  mais  santo do que esperava! Fica animado! Outras áreas, porém, são quase totalmente pretas – não é de admirar  que se sentisse derrotado nelas. Você deseja ter um quadro mais amplo de sua própria vida, mas não sabe o  que fazer. Curioso, pega a caixa de marcadores e nota algo escrito em letras pequenas, embaixo: “Se deseja  saber como o Senhor o vê, afaste‐se uns dez passos de sua folha e olhe novamente”.  Você coloca a folha sobre uma pilha de livros e começa a caminhar para trás, um passo de cada vez – e não  pode crer no que vê! Quanto mais se afasta, menos consegue distinguir cada caixa e as cores de cada uma vão  se mesclando. Oh! É assim que o Senhor me vê! Então fica se perguntando como poderia ter uma visão mais  clara  de  sua  própria  vida.  Fica  ali  pensando,  até  que  a  resposta  se  torna  óbvia!  Você  traz  a  caixa  de  marcadores e compara as várias cores, até que escolhe um marcador que caracterize a cor de sua tabela de  santidade. Ali está – você é o marcador 62!  1  10  20  30 40 50 60 70 80 90 100                      

Você imagina ouvir uma voz do céu dizendo: “Você progrediu mais do que imagina no caminho da santidade  pessoal! A meus olhos, você já percorreu 62% do caminho em direção à minha vontade para sua vida”. Agora  você pode ver que está seguindo adiante, tornando‐se cada vez mais parecido com Cristo. Está começando a  ser “santo em todo o seu procedimento”! Daqui a um ano, poderá ter dado mais passos em direção à imagem  de Jesus Cristo!  Faz sentido pra você? Muitos cristãos pensam que “santidade” é algo inatingível, mas nossa santidade não é  nada mais, nada menos do que quanto somos puros nos vários aspectos de nosso caráter e conduta. Não é  complicado.  De  fato,  quando  você  olha  assim,  é  imediatamente  aprovado  ou  repreendido.  Muitas  áreas  de 

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sua  vida  são  “santas”  aos  olhos  de  Deus  porque  você  cresce  em  graça  nelas,  não  comete  mais  os  mesmos  pecados e começa a viver como Cristo viveu nessas áreas. Alegre‐se por essas áreas!  Por  outro  lado,  muitas  áreas  estão  paradas  no  meio  do  caminho,  por  causa  de  um  comportamento  inconsistente – às vezes santo, às vezes profano. Outras áreas são cinza ou totalmente pretas, refletindo os  maiores fracassos ou derrotas. O pecado reina nelas, e elas precisam de uma forte obra da graça.  Por  último,  a  santidade  não  é  apenas  a  ausência  de  impurezas,  é? A  santidade  significa  que  numa  área  em  particular de sua vida você se separou do pecado e se separou para Deus. Por exemplo, a santidade na caixa  da  “raiva”  não  significa  que  você  nunca  fica  irado.  Pelo  contrário,  significa  que,  quando  seus  direitos  são  violados, você responde com paciência, perdão e fala a verdade em amor. Quanto mais escura a caixa, maior  o controle da carne/ego; quanto mais clara, maior o controle de Cristo/do Espírito.  Sabe  de  uma  coisa?  Não  há  nenhuma  experiência  que  transfira  você  instantaneamente  do  preto  para  o  branco! Em vez disso, a Bíblia revela que é um processo de transformação no qual você é mudado de uma  quantidade  de  santidade  para  outra  maior.  Outra  palavra  que  a  Bíblia  utiliza  para  descrever  a  santidade  é  “glória”. Quanto maior a santidade, maior a glória. Leia com cuidado o comentário de Paulo em 2 Coríntios  3:18b: “...somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”.  Veja,  meu  amigo,  Jesus  Cristo  está  no  final  da  Escala  de  Santidade,  sendo  100%  santo.  Ele  é  a  “própria  imagem” na qual todo cristão está sendo transformado – todo cristão está neste processo! Por isso, direcione  seu coração para a santidade e busque o alvo de “aperfeiçoar a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1b)    PARTE DOIS  VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO    5  COMO CRESCER EM SANTIDADE  Conquistei um império, mas não fui capaz de conquistar a mim mesmo. Pedro, o Grande    “Cinja os lombos”, o apóstolo Paulo diria. Em termos modernos, “arregace as mangas”, pois este capítulo é  uma  abordagem  prática  da  questão  mais  importante:  o  que  exatamente  você  deve  fazer  para  crescer  em  santidade. Não abordaremos nenhuma teologia ou conceitos de filosofia neste capítulo: apenas comunicação  direta, com base no senso comum, sobre santidade prática.   A essa altura, espero que a santidade não esteja mais encoberta, em mistério ou cercada de confusão. Espero  que  agora  ela  tenha  um  poderoso  “Quociente  de  Atração”  em  seu  coração  e  que  você  esteja  pronto  para  aprender os segredos práticos daqueles que não só estão ansiosos por santidade mas que sabem o que fazer  para crescer nela! Tenha em mente o princípio fundamental de 2 Coríntios 7:2, que o Senhor chama você para  “aperfeiçoar” (tornar completa) sua santidade pessoal.    AS DUAS METADES DA SANTIDADE    Quando  você  chega  a  um  ponto  na  vida  em  que  realmente  deseja  buscar  a  santidade  pessoal,  deve  compreender os principais métodos para crescer em santidade. A santidade não ocorre naturalmente, não é?  De fato, a Bíblia revela que a impureza ocorre naturalmente! Portanto, prepare‐se para perseguir a santidade.  Dê passos decisivos na direção correta ou poderá acabar no lugar errado.  No texto de 2 Timóteo 2:19b‐22, estão as duas metades da santidade. Leia esses versículos e descubra quais  são elas: “Aparte‐se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor. Ora, numa grande casa não há  somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém,  para  desonra.  Assim,  pois,  se  alguém  a  si  mesmo  se  purificar  destes  erros,  será  utensílio  para  honra,  santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. Foge, outrossim, das paixões da  mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.”  Quatro verbos‐chave revelam as ações que o Senhor requer de todo aquele que faz parte do povo da “honra”,  “santificado”  e  “preparado  para  toda  boa  obra”.  Três  descrevem  a  primeira  metade  e  o  quarto  descreve  a  outra metade:  1. “Aparte‐se da injustiça” (ou seja, abandone o pecado).  39 

 


2. “Purifique‐se” (abandone seus velhos caminhos profanos).  3. “Foge das paixões da mocidade” (abandone seus desejos egoístas).  4. “Segue a justiça” (persiga a santidade).  Escolhemos abandonar os velhos caminhos e buscar um novo. Volte por um momento à tabela da santidade  para visualizar essas duas metades de outra forma. Você lembra quando avaliou sua “verdade” (caixa 14) e  “raiva” (caixa 92) e notou quantas vezes você agiu de maneira santa ou profana em cada uma delas? Aquelas  duas  ações  refletem  as  duas  metades  da  santidade.  A  primeira  metade  concentra‐se  em  abandonar  a  iniqüidade, purificar‐se do pecado e fugir das paixões. A segunda metade concentra‐se na busca da justiça.  Imagine‐se sobre a linha de sua vida. Olhe para trás, para aquelas áreas profanas aos olhos do Senhor – fuja,  afaste‐se e purifique‐se! Esta é a primeira metade da santidade. Então, olhe para a frente, para Jesus Cristo  em  pé  no  final  de  sua  vida,  desafiando  você  a  se  tornar  exatamente  como  ele,  em  seu  caráter  e  conduta.  Agora busque a justiça. Esta é a outra metade.  Hebreus  12:1,2a  é  outra  passagem  que  coloca  diante  de  nós  as  duas  metades  da  santidade:  “Portanto,  também nós, visto que temos a rodear‐nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando‐nos de todo  peso  e  do  pecado  que  tenazmente  nos  assedia,  corramos,  com  perseverança,  a  carreira  que  nos  está  proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...”  De  modo  semelhante,  Hebreus  descreve  a  primeira  metade  da  santidade  como  “desembaraçando‐nos...do  pecado  que  tenazmente  nos  assedia”  e  a  segunda  metade  como  “corramos  com  perseverança...olhando  firmemente  para  Jesus”.  É  interessante  notar  que  em  ambas  as  passagens  o  escritor  claramente  pressupõe  que seus leitores precisam purificar‐se do pecado presente, buscando a justiça e Jesus. Não pense – nem por  um momento – que você é uma exceção nessas duas admoestações!  Paulo  descreveu  as  duas  metades  de  formas  diferentes  em  alguns  de  seus  livros.  Você  leu  sua  descrição  (purifique/siga) para o jovem pastor Timóteo. Agora veja como ele encoraja uma igreja local em Colossenses  3:8, 12b‐13ª: “Agora, porém, despojai‐vos, igualmente, de tudo isso: ira, indignação, maldade, maledicência,  linguagem  obscena  do  vosso  falar.  [...]  Revesti‐vos...  de  ternos  afetos  de  misericórdia,  de  bondade,  de  humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai‐vos uns aos outros, perdoai‐vos mutuamente...”  Você  nota  a  ordem?  Primeiro,  “despojai‐vos”,  depois,  “revesti‐vos”.  Embora  sejam  atos  separados  um  do  outro,  ambos  são  necessários  para  seu  crescimento  na  santidade.  Você  e  eu  temos  de  continuar  a  “nos  despojar” e “nos revestir” para crescermos na santidade. Jamais pense que você é exceção nesta instrução de  fazer as duas coisas!    A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA PURIFICAÇÃO DE TODO PECADO CONHECIDO    Purificar‐se de todo pecado conhecido é a coisa mais difícil para o cristão. Se você é um cristão comum de  hoje,  provavelmente  não  se  preocupa  muito  com  os  pecados  que  comete.  Pecados  pessoais  não  parecem  estar no topo de nossa lista de “coisas a fazer” – a menos, é claro que você tenha decidido que é hora de levar  a sério a busca da santidade. Então, não terá escolha!  A base para todo crescimento na santidade pessoal é sempre a purificação do pecado. Por quê? Porque seu  pecado  não  é  nada  mais,  nada  menos  do  que  impureza.  Portanto,  você  deve  iniciar  a  busca  da  santidade  tratando daquelas áreas de sua vida que permitiu ficarem fora da vontade de Deus. Até este momento, você  pode  estar  racionalizando  ou  na  defensiva  com  relação  ao  pecado  em  sua  vida.  Quando  você  busca  a  santidade,  não  tenta  mais  justificar  o  pecado  –  quer  apenas  se  purificar  dele  e  tirá‐lo  de  sua  vida.  Quanto  maior o seu desejo por santidade, mais disposto estará para pagar qualquer preço pela plena purificação, para  ter uma consciência limpa diante de Deus e dos homens.   Sabe  como  a  Bíblia  chama  tal  movimento  em  direção  da  purificação  pessoal?  O  início  de  um  avivamento  pessoal. Avivamento bíblico ocorre quando um cristão nascido de novo, que se desviou ou recuou em sua vida  cristã,  faz  um  acerto  com  Deus  (as  antigas  gerações  chamavam  tal  indivíduo  de  “desviado”).  Você  nunca  experimentará nenhum nível de santidade se buscar a justiça sem primeiro pedir ao Senhor que o purifique  do  pecado.  Por  isso  existem  tantas  pessoas  que  fazem  devocional  regularmente,  mas  não  andam  em  santidade.  Elas  louvam  ao  Senhor,  mas  não  o  agradam  por  causa  do  pecado  em  suas  vidas.  O  cristão  deve  purificar‐se e ter comunhão com Deus, sem nunca negar uma coisa em detrimento da outra. Pessoas que se 

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concentram  em  se  purificar  dos  pecados  sem  aprender  a  ter  comunhão  com  Deus  tornam‐se  severas,  julgadoras e legalistas.  Note  o  equilíbrio  estratégico  da  santidade  positiva  e  negativa  na  passagem  central  das  Escrituras  sobre  avivamento (santidade corporativa) em 2 Crônicas 7:14. Muitos cristãos lêem este versículo assim: “Se o meu  povo que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, então eu ouvirei dos céus, os ajudarei a  se converter dos seus maus caminhos, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”  Em outras palavras, se nós, como povo de Deus, fizermos a nossa parte – “se humilhar, orar e buscar” –, O  Senhor  promete  que  responderá,  fazendo  a  sua  –  “ouvir,  nos  ajudar  a  nos  converter  dos  nossos  maus  caminhos,  perdoar  e  sarar”.  Para  experimentarmos  o  abandono  da  maldade  (de  acordo  com  essa  linha  de  raciocínio),  temos  de  nos  humilhar,  orar  e  buscar  ao  Senhor.  Então  ele  finalmente  derramará  sobre  nós  a  ajuda de que sempre precisaremos para “nos convertermos dos nossos maus caminhos”!  Você já tentou fazer isso, e nada aconteceu? Eu já passei por isso,. Muitas vezes. Depois de um tempo, fiquei  frustrado,  desanimado,  deprimido  finalmente  desisti  de  tudo,  em  total  desespero.  A  santidade  pessoal  e  avivamento  simplesmente  não  funcionaram.  Não  importava  o  quanto  eu  me  esforçava  para  fazer  minha  parte, parecia que Deus não fazia a dele. Eu sabia que ele me ouvia. Entretanto, com certeza não me dava o  que eu precisava para limpar minha vida. Eu ficava do mesmo jeito, preso nas cadeias do pecado pessoal.  Um  dia,  porém,  li  novamente  o  mesmo  texto  –  e  senti  um  choque  em  minha  vida!  Baseado  em  minha  formação religiosa e nos ensinamentos que recebi sobre avivamento e santidade, eu tinha meus preconceitos  sobre como a santidade funciona e lia o texto de forma totalmente errada. Como você fez, quando leu! Veja  como este versículo deve ser lido: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me  buscar,  e  se  converter  dos  seus  maus  caminhos,  então  eu  ouvirei  dos  céus,  perdoarei  os  seus  pecados  e  sararei a sua terra.”  Você percebe? “Converter‐se dos maus caminhos” ocorre antes do avivamento ou da santidade, não depois!  A porta de entrada da santidade pessoal sempre é a purificação do pecado.  A  Bíblia  ensina  que  o  próprio  indivíduo  é  responsável  por  abandonar  os  maus  caminhos.  O  Senhor  não  é  o  responsável por isso – é uma escolha que eu devo fazer, em resposta a seu mandamento. Nós nos chegamos a  Deus, pedimos perdão e ele nos purifica. Não espere mais – converta‐se agora! Uma das maiores mentiras do  inimigo é que não sou capaz de me converter de meus maus caminhos agora mesmo. Até que Deus me ajude  a realmente “querer” ou “poder”, simplesmente não consigo – é difícil demais! (desde que orei e pedi a Deus  que me ajudasse e ele não respondeu, então, por alguma razão não é o momento de eu me purificar!)    A VERDADE ALARMANTE SOBRE A QUANTIDADE DE PECADOS NA VIDA DOS CRISTÃOS DE HOJE    No  início  deste  livro,  compartilhei  que  minha  experiência  provou  sem  sombra  de  dúvida  que  a  maioria  esmagadora  dos  cristãos  não  está  buscando  ativamente  a  santidade  pessoal.  Em  vez  disso,  apenas  uma  pequena minoria é séria em relação a “tornar‐se santa em todo o seu procedimento”.  Pense  nos  cristãos  que  você  conhece.  Quantos  deles  estão  buscando  a  santidade  no  caráter  e  no  comportamento?  Nos  últimos  seis  anos,  tive  o  privilégio  de  servir  num  grande  movimento  que  envia  missionários por um ano à Rússia. Em sua maioria. Esses missionários eram a “nata” dos leigos das melhores  igrejas. Sentiram o chamado divino em suas vidas e deixaram em sacrifício, tudo para trás, a fim de servir ao  Senhor.  A liderança da missão me convidou para ministrar a cada grupo, antes de ser enviado à Rússia. Assim, durante  12  conferências  de  treinamento,  ministrei  diretamente  àqueles  homens  e  mulheres  maravilhosos.  A  cada  sessão de treinamento , eu liderava os aspirantes a missionários (com idade média entre 35 e 45 anos), que já  eram cristãos  havia muitos anos (a maioria fazia 25 ou 30 anos), a um período de purificação de pecados.  Depois de ensinar os princípios bíblicos da purificação, pedia que orassem e pedissem a Deus que revelasse  todos os pecados não confessados que o entristeciam e jaziam entre o Senhor e eles. Eles escreviam tudo o  que o Senhor mostrava naqueles momentos de convicção – relacionamentos rompidos, imoralidade, mentira,  rebeldia  à  autoridade,  ou  qualquer  outro  pecado.  Pediam  que  levantassem  à  mão,  se  o  Senhor  tivesse  mostrado pelo menos três ou quatro coisas que queria que purificassem. Você sabe quantos daqueles irmãos  dedicados  levantaram  a  mão?  Mais  de  95%.  Muitos  tinham  mais  de  um  dezena  de  pecados  específicos  marcados no papel.  41 

 


Então  eu  os  desafiava  a  fazer  o  que  fosse  necessário  para  ter  uma  consciência  purificada  antes  de  serem  oficialmente  comissionados,  dentro  de  três  dias.  Quando  a  lista  estivesse  completa,  deveriam  escrever  a  palavra “concluída” nela – assim outros podiam encorajar sua obediência – e ao notarem que algum membro  do grupo ainda não tinha terminado, deveriam orar por ele e animá‐lo.  Depois de realizar esse processo cinco ou seis vezes, através dos anos, com centenas de adultos, finalmente  fiz uma pergunta para determinado grupo depois que todos se tinham purificado completamente de todos os  pecados  conhecidos.  “Quantos  de  vocês  diriam  que  esta  é  a  primeira  vez  em  toda  a  sua  vida  que  experimentam uma purificação completa diante do Senhor, sem deixar nenhum pecado conhecido de fora?”  Mais de 70% daqueles cristãos comprometidos levantaram as mãos. Vamos assimilar essa informação por um  momento.  Você acha que estou exagerando quando digo que a vasta maioria dos cristãos não anda em santidade? Cerca  de  90%  de  toda  a  “nata”  confessou  muitos  pecados  conhecidos;  70%  dos  missionários  prontos  para  ir  ao  campo disseram que era a primeira vez em toda a sua vida que estavam sendo purificados. A menos que eu  não esteja me fazendo compreender, se um cristão reconhece que há três grandes pecados entre ele e Deus,  você diria que ele está andando em santidade?  Em todos os lugares onde pedi à audiência que fizesse uma lista dos pecados pessoais, para mais de 70% pelo  menos de três a cinco pecados vêm imediatamente à tona. Quantos pecados há em sua lista neste momento?  Lembre‐se de que o “Quociente de Atração” mencionado na Introdução era um teste fácil de como você se  sente  com  relação  ao  conceito  de  “santidade”  e  tornar‐se  uma  pessoa  “santa”.  Aplique  o  que  aprendeu  anteriormente  e  descubra  seu  “Quociente  de  Atração”  em  relação  a  como  se  sente  quanto  ao  pecado.  Embora  talvez  não  seja  algo  confortável,  será  extremamente  revelador.  Obviamente  seus  sentimentos  honestos em relação ao pecado influenciam profundamente sua escolha de pecar ou não. Escolha o nível que  expressa melhor seu posicionamento atual na vida:  1. Eu busco deliberadamente o pecado  2. Não penso muito nisso, o pecado apenas acontece  3. Na maioria das vezes, tento evitar o pecado  4. Sinto‐me mal quando peco  5. Fico furioso quando cometo um pecado  6. Fico profundamente triste quando peco  7. Odeio e abomino o pecado  Pense  em  como  a  Bíblia  e  Deus  “sentem‐se”  com  relação  ao  pecado.  Se  não  consegue,  comece  pedindo  a  Deus  que  mude  sua  mente  e  molde  suas  emoções,  para  combinar  com  a  resposta  do  coração  dele  a  seu  pecado.    AVALIE ONDE VOCÊ ESTÁ, NA QUESTÃO DA PURIFICAÇÃO DO PECADO    Depois  de  ajudar  muitos  cristãos  na  purificação  dos  pecados,  tenho  observado  cinco  etapas  distintas  no  progresso do cristão na santidade por meio da purificação do pecado. À medida que você lê, identifique qual  delas descreve melhor onde você está e o que precisa acontecer a seguir.  1. Rejeição da purificação por causa da dureza do coração  Durante  esta  fase  da  vida  cristã,  o  cristão  endurece  seu  coração  contra  o  Senhor,  por  causa  do  desejo  de  continuar no pecado. O cristão não tem uma vida devocional, não se sente próximo do Senhor e está preso a  pelo menos um pecado principal, que continua a escravizá‐lo.  2. Purificação ocasional por causa de influências externas   Nesta fase da vida cristã, o cristão responde à obra de convicção do Espírito Santo em sua vida, mas sem um  propósito duradouro. Experiências dolorosas, pregações poderosas ou outros fatores tocam seu coração, e ele  responde com genuíno arrependimento, mas não permite nenhuma mudança duradoura.  3. Profunda purificação inicial ocasionada por um desejo intenso pelo Senhor  Durante esta fase, o cristão cresce espiritualmente, tem uma vida devocional regular, com nunca tivera antes,  serve  ao  Senhor  com  maior  compromisso,  dá  frutos  e  tem  profunda  comunhão  com  Cristo.  Por  causa  do  prazer, da alegria e realização inesperados nesse relacionamento com o Senhor Jesus, o cristão deseja mais e  pede a Deus que lhe mostre o caminho para conhecê‐lo melhor.  42 

 


O  cristão  está  cumprindo,  sem  saber,  as  quatro  condições  para  avivamento  (humilhar‐se,  orar,  buscar  ao  Senhor  e  converter‐se  dos  pecados  mais  duradouros),  por  isso  o  Senhor  responde  num  nível  muito  mais  profundo,  que  ele  jamais  experimentou.  Durante  esta  “profunda  purificação  inicial”,  o  cristão  implorará  ao  Senhor que lhe mostre todo pecado que impeça um caminhar mais íntimo com ele. Não raro o cristão, nesse  estágio,  faz  uma  lista  de  várias  páginas  de  pecados  específicos  que  nunca  foram  tratados  adequadamente.  Pode ser a primeira vez em sua vida que o Senhor abre seus olhos para a dimensão e o alcance de seu pecado.  Dependendo  da  resposta  do  indivíduo  –  seja  buscando  a  purificação,  seja  se  escondendo  nas  trevas  –,  o  Senhor  o  levará  à  sua  primeira  experiência  de  purificação  plena.  Trata‐se  de  uma  experiência  de  grande  humildade para o cristão. Uma compreensão mais profunda da graça e da humildade sempre acompanha o  cristão que passa pelo terceiro estágio.  4. Repetidas purificações ocasionadas pelo desejo de santidade  Depois  da  profunda  purificação  inicial,  o  cristão  pensará  que  seu  coração  está  totalmente  limpo  diante  do  Senhor. Num sentido, seu coração realmente foi purificado, mas na verdade o Senhor não lhe revelou a plena  abrangência  do  pecado  em  sua  vida.  Deus  sabe  que  se  o  cristão  enxergasse  todo  o  pecado  acumulado  nas  semanas,  meses,  anos  e  à  vezes  até  décadas,  ficaria  tão  desolado  que  poderia  até  desistir  de  começar  a  limpar.  Entretanto, quando o cristão maduro continua  a buscá‐lo,  o Senhor coloca em seu coração o  desejo de ser  cada vez mais à imagem de Cristo. Primeiro, o cristão pedirá ao Senhor que o trone mais e mais semelhante a  Cristo. Segundo, o cristão pedirá ao Senhor que lhe permita servir mais a Cristo. Terceiro, o cristão pedirá ao  Senhor um caminhar mais íntimo com Cristo. Como você já sabe, o Senhor requer a santidade para realizar  cada  um  desses  pedidos.  Portanto,  mais  uma  vez  sem  sabê‐lo,  o  cristão  pede  ao  Senhor  que  opere  profundamente  em  sua  vida.  O  obstáculo  para  cada  uma  dessas  três  respostas  está  nos  pecados  profundamente entrincheirados na vida do cristão. Durante essa fase, o Senhor expõe níveis mais profundos  de pecado ao indivíduo, de modo que possa purificar‐se.  Como  ensino  na  série  Seven  Stages  of  a  Pilgrim’s  Progress  (Sete  Estágios  de  um  Peregrino),  do  ministério  Através da Bíblia, a purificação vem do exterior para o interior e para o eterno. Primeiro, há a purificação da  conduta,  na  qual  pedimos  ao  Senhor  que  nos  purifique  daquilo  que  fazemos.  Em  segundo  lugar  vem  a  purificação do caráter, na qual nos purificamos daquilo que somos. Em terceiro vem a purificação do âmago,  na qual nos purificamos dos motivos de nossas ações.  O Senhor traz à tona um nível por vez, num período que varia de alguns meses a uma década, dependendo da  resposta do indivíduo e da profundidade do pecado. Quanto mais profundamente o Senhor nos purifica, mais  tempo leva. Além disso, quanto mais profunda a purificação, mais dolorosos e difíceis são os pecados com os  quais  temos  de  tratar.  A  santidade  exige  um  preço  elevadíssimo.  Quando  você  encontra  um  indivíduo  realmente santo, pode ter certeza de que a vida dele já passou por várias fornalhas de purificação.  Se você já passou pela purificação da conduta, um bom número de pecados externos, conhecidos das outras  pessoas,  agora  já  não  faz  parte  de  sua  vida.  Se  você  já  entrou  na  purificação  do  caráter,  sua  “essência”  foi  transformada,  tornando‐se  mais  à  imagem  de  cristo.  Os  outros  notarão  um  semblante  mais  amável,  gentil,  compassivo, terno, resignado, amoroso e alegre e comentarão com você sobre essas mudanças preciosas.  Finalmente,  a  purificação  no  âmago  lida  com  as  verdadeiras  motivações.  Ela  pode  estar  oculta  de  nossa  verdadeira percepção até que a conduta e o caráter sejam purificados. Questões enraizadas, como ambição  egoísta, inveja, ciúme e desejo de autoglorificação, emergem e devem ser erradicadas pela obra profunda do  Senhor na vida, no coração e na alma do cristão.  5. Purificação regular ocasionada pelo relacionamento mais profundo com o Senhor  Nesta fase o cristão humilhou‐se profundamente e aprendeu a alegria de caminhar com o Senhor numa escala  e  intensidade  ascendentes.  O  coração  do  cristão  tornou‐se  tão  quebrantado  que  ele  sabe  que  se  tornou  totalmente  sensível  a  qualquer  pecado,  o  qual  ele  limpa  rápida  e  completamente  por  meio  dos  princípios  encontrados  em  1  João.  O  cristão  torna‐se  consciente  da  pessoa  do  Espírito  Santo  de  uma  maneira  mais  profunda do que antes.  O cristão cresce em seu relacionamento íntimo com a Pessoa do Espírito Santo. Aprende sua natureza mansa,  sua  lealdade,  bondade,  compaixão  e  gentileza  infinita.  Esse  relacionamento  com  o  Espírito  é  muitíssimo  valorizado,  e  o  cristão  aprende  mais  e  mais  o  que  o  entristece  e  apaga,  respondendo  rapidamente  com  a  purificação pessoal, a fim de preservar o relacionamento íntimo com ele.  43 

 


Durante essa fase, o indivíduo presta contas regularmente ao Senhor, confessa e faz restituição diariamente,  momento a momento, de maneira que a purificação maior e mais profunda não seja mais necessária. Embora  por  um  momento  possa  parecer  que  a  purificação  jamais  terminará,  há  um  final  glorioso.  Como  é  feliz  e  realizado o cristão que conhece a liberdade de caminhar em pureza de corpo, alma e espírito!    UTILIZE OS “DEZ PASSOS DA PURIFICAÇÃO” PARA A PURIFICAÇÃO MAIOR    O  maior  obstáculo  a  santidade  não  é  o  problema  da  motivação,  mas  do  acúmulo!  Os  cristãos  sentem  frustração  e  derrota  na  vida  espiritual  por  causa  do  acúmulo  de  pecados  não  confessados  e  não  tratados  deixados sob a superfície. Prepare‐se para esta seção prática sobre os “Dez passos da purificação” meditando  sobre  o  segredo  da  pureza  em  1  João  1:9:  “Se  confessarmos  os  nossos  pecados,  ele  é  fiel  e  justo  para  nos  perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.  A  confissão  é  um  componente  exigido  tanto  para  o  perdão  como  para  a  purificação  de  toda  injustiça.  Escolhemos ir ao Senhor, e ele escolhe nos purificar. Nesta passagem, nossa confissão é feita diretamente a  Deus  e  significa  que  concordamos  com  ele  –  aquilo  que  fizemos  é  pecado  contra  ele.  Agora,  deixe‐me  compartilhar  um  processo  de  dez  passos,  o  qual  já  ajudou  milhares  de  pessoas  o  redor  do  mundo  a  experimentar a purificação pessoal, muitas delas pela primeira vez na vida! Pense na liberdade e sensação de  alegria que você experimentará no final do processo.  1. Sente sozinho num lugar tranqüilo por pelo menos uma hora, com algumas folhas de papel, caneta e sua  Bíblia.  2. Acalme seu coração diante do Senhor, sentando‐se quieto, fechando os olhos, preparando seu coração para  buscá‐lo.  Deixe  de  lado  todas  as  distrações,  preocupações  e  pensamentos  em  sua  mente.  Fique  diante  do  Trono tempo suficiente para saber que finalmente está em contato com Deus. Não fique frustrado, pois isso  pode demorar um pouco.  3. Ore a Senhor, agradecendo por ele ter trazido você a este momento em sua vida – onde você deseja ser  purificado diante dele e de sua santidade. Peça que lhe dê coragem e graça, à medida que se humilha diante  dele. Comprometa‐se a não fugir de sua obra profunda em sua vida e a permanecer no processo  até que ele  revele que está totalmente purificado diante dele. Prepare seu coração para este processo e convença‐se de  que você completará o processo, independentemente do custo ou das conseqüências.  4. Peça ao Espírito Santo: “Por favor, revela‐me os pecados específicos na minha vida – mesmo aqueles que  esqueci – que estão entre mim e o Senhor. No nome de Jesus, amém”.  5.  Anote  no  papel  tudo  o  que  o  Espírito  Santo  lhe  revelar.  Não  hesite,  e  não  caia  na  tentação  de  omitir  os  pecados mais graves. Quando não conseguir pensar em mais nenhum, ore pela segunda vez: “Espírito Santo,  desejo confessar todos os pecados entre mim e o Senhor. Por favor, revela‐me qualquer outro pecado – dá‐ me tua coragem e graça”. Depois de relacionar tudo, sente‐se quieto por exatamente cinco minutos – marque  o  tempo  – e  talvez  você  se  lembre  de mais  algum.  Quando  a  lista estiver  completa,  numere  os  pecados  na  ordem de dificuldade para confessá‐los e fazer restituição, sendo o número “1” o mais difícil.  6.  Confesse  seus  pecados  um  por  um  diante  do  Senhor.  Comece  pelos  mais  difíceis  usando  palavras  com  estas: “Senhor, confesso a ti que cometi o pecado de __________. Perdoa‐me por esse pecado e purifica‐me  totalmente dele”. Siga a lista toda, confessando um pecado de cada vez, até o final.  7. Antecipe a batalha pessoal pela qual passará, pois você jamais esteve disposto a enfrentar essas questões e  confessá‐las diante de Deus. Não fique alarmado com o forte desejo que sentirá de fugir, como todos sentem  – mantenha seu compromisso. Dê a si mesmo um máximo de três dias para acertar cada item da lista.  8. Espere ter de se humilhar diante de pelo menos uma pessoa no processo de restituição. Pegue as situações  mais difíceis primeiro e fale pessoalmente com as pessoas envolvidas. Se não for possível, use o telefone; se  também não for possível, escreva uma carta. Talvez você terá de confessar algo a elas, ou fazer algum tipo de  restituição.  Às  vezes,  terá  de  retornar  a  uma  loja  e  devolver  dinheiro  por  mercadorias  que  roubou,  ou  confessar  a  um  professor  que  trapaceou  na  prova  –  sempre  faça  mais  do  que  seria  esperado  de  você  para  satisfazer ao Senhor e à pessoa ofendida.  9.  Escreva  “FEITO!”  na  folha,  depois  que  tiver  “confessado,  feito  restituição,  perdoado  e  recebido  a  purificação de Deus!” Depois, queime as folhas como um ato simbólico da certeza do perdão total e completo  da parte de Deus. Jamais permita que o acusador o ataque novamente nessas questões. Se você for assolado  44 

 


por  idéias  do  tipo  “não  fui  perdoado”  ou  “tenho  de  confessar  mais  uma  vez”  ou  “preciso  sofrer  para  ser  perdoado”, perceba que tais pensamentos não procedem de Deus e que deve interrompê‐los imediatamente.  Para casos mais recorrentes faça esta oração em voz alta: “Senhor, confessei o pecado de ____________ e sei  que tu perdoaste. Permaneço no teu perdão e purificação. Amém”.  10. Agradeça ao Senhor, depois de terminar a lista. Louve‐o pelo perdão e agradeça pela purificação.    UTILIZE O “CICLO DE PURIFICAÇÃO” PARA A PURIFICAÇÃO REGULAR    Uma  vez  que  a  purificação  principal  esteja  completa  você  se  surpreenderá  ao  sentir  que  o  Senhor  o  está  levando a mais duas ou três purificações nas próximas semanas e meses. Embora você tenha pensado que já  tratou  de  tudo  na  primeira  purificação,  porque  foi  sincero  ao  pedir  ao  Senhor  que  lhe  mostrasse  seus  pecados, ele somente revelou no nível em que sabia que você seria capaz de tratar com sucesso. À medida  que você cresce em santidade, Deus lhe revelará outras categorias de pecados, que você pode ter esquecido,  desde os primórdios de sua vida cristã. Não fique surpreso! Pelo contrário, espere que aconteça. Anime‐se,  prepare‐se e depois repita os mesmos “Dez passos da purificação”.  O “ciclo de purificação” é um remédio preventivo, cujo propósito é evitar que você tenha de submeter‐se à  purificação mais profunda. Entre aqueles que caminham com o Senhor, este processo é geralmente chamado  de “prestar contas regularmente a Deus” e significa que não permitiremos que se passe muito tempo entre o  pecado e a confissão.      Pecado  cometido 

Crise:  “O Vale da Procrastinação”  Quanto tempo se passa entre o  pecado e a confissão? 

Pecado  confessado 

Quando  você  se  compromete  com  uma  vida  de  santidade,  uma  das  primeiras  coisas  que  deve  aprender  a  praticar – até que se torne um hábito – é confessar seus pecados no mesmo instante em que são cometidos.  Obviamente, nenhum de nós deseja pecar, mas, até que entremos pelos portões do céu, estamos sujeitos a  pecar. Portanto, considere os cinco “ciclos de purificação” que podemos usar em nossa vida.  1. Ciclo do momento  Sempre  que  você  comete  um  pecado,  seja  por  praticá‐lo,  seja  por  omissão,  confesse  imediatamente  ao  Senhor e faça a restituição necessária. Quanto mais essa atitude é praticada, mais se torna uma ferramenta  poderosa  para  se  evitar  o  pecado!  Se  você  pratica  o  “ciclo  do  momento”,  quando  você  pensa  sobre  um  pecado  por  uma  fração  de  segundo,  a  noção  de  que  terá  de  ir  diante  do  Senhor  e  confessar  certamente  o  ajudará a se disciplinar!  2. Ciclo diário   Quando fizer seu devocional, de manhã ou à noite, sempre dedique um tempo de sua oração para esperar em  silêncio diante de Deus, pedindo que ele mostre se há questões pendentes do dia anterior, que precisam ser  confessadas. Nesta manhã,quando me levantei, orei a respeito do dia anterior, e Deus me revelou um ato de  impaciência. Sabe o que eu fiz? Isso mesmo: confessei.  3. Ciclo semanal  O  Senhor  estabelece  as  épocas  e  as  estações  de  nossa  vida,  não  é?  Desde  minutos,  horas,  dias,  semanas,  meses, até anos, décadas e toda uma vida. Todas essas unidades são maravilhosos blocos de tempo, durante  os quais podemos reavaliar e examinar nossa vida. Às vezes os pecados são notados no momento em que são  cometidos; outras vezes, porém, só são notados num exame mais minucioso.  Aparentemente durante toda a história do povo de Deus, o Sabbath, no Antigo Testamento, e o domingo, no  Novo  Testamento,  foram  utilizados  para  um  exame  pessoal  mais  profundo  e  para  a  confissão.  Talvez  as  últimas horas do domingo seja um tempo valioso para ficar sozinho e fazer uma revisão da semana anterior e  da próxima – do ponto de vista de Deus e não do nosso. Você pode surpreender‐se como uma perspectiva  mais  ampla  vai  revelar  áreas  que  precisam  de  sua  atenção  e  confissão,  de  forma  diferente  do  “método  do  momento” e do “método do diário”.  4. Ciclo mensal 

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No  primeiro  dia  de  cada  mês,  sempre  leio  meu  diário  para  “colher”  as  lições  de  vida  que  o  Senhor  está  operando em mim e comigo. Por exemplo, tenho trabalhado em algumas áreas profundas de minha vida, as  quais demoram em se conformar à imagem de Cristo. Ontem à tarde, mais alguns entulhos foram removidos  em uma hora de conversa com um dos colegas do ministério Através da Bíblia.  Assim, nesta manhã, em meu devocional, comecei confessando valores profundamente arraigados, os quais  estou enxergando com maior clareza e que não são a perfeita vontade de Deus.  Estivera  comigo  durante  toda  a  minha  vida,  mas  quanto  mais  me  aproximo  do  Salvador,  mais  pecaminosos  eles parecem! Um de meus melhores amigos tira um dia inteiro, todos os meses, e o dedica totalmente ao  Senhor, sondando o próprio coração, confessando, adorando e fazendo planos.  5. Ciclo anual  Por último, o “método anual” é um dos mais úteis para muitos cristãos. Muitos líderes que conheço investem  considerável tempo entre o Natal e o Ano Novo lendo os diários pessoais e de oração para perceber o que a  mão do Senhor esteve fazendo em suas vidas durante o ano. Novamente descobri que esta abordagem é nova  e encorajadora – mostrando de forma notável a agenda de Deus para minha vida. Quando você lê sobre o ano  anterior, áreas em que o pecado foi confessado e abandonado no início do ano não aparecem novamente no  final  do  ano.  Áreas  que ainda  eram nebulosas  no  início  do  ano  estão  bem  claras  no  final.  É  impressionante  quanta perspectiva se desenvolve em 12 meses de retrospecto! Quanto mais amplo o retrospecto, maior o  novo entendimento.  Como  você  pode  ver,  esta  “purificação”  não  é  uma  questão  pequena  ou  fácil.  Para  aqueles  cristãos  que  buscam ao Senhor de todo o coração, toda alma e toda a força, a confissão e a purificação são um estilo de  vida. Uma última consideração a fim de prepará‐lo melhor para sua peregrinação pessoal: quanto mais perto  do Senhor você caminha, mais percebe quanto é pecaminoso! Portanto, embora você esteja pecando muito  menos por causa da obra de Deus em sua vida, sentirá o pecado de forma muito mais profunda. Que o desejo  de seu coração pelo Senhor e pela santidade dele o conduza à santidade em toda a sua conduta.    6  A VERDADE SOBRE AS TENTAÇÕES  Nenhum homem sabe quanto é mau até que tenta ser bom. Muitos defendem a tola idéia de que pessoas boas  não sabem o que significa a tentação. C. S. Lewis    Você  está  prestes  a  penetrar  no  território  de  seu  pior  inimigo.  Enquanto  caminha  entre  as  hostes  inimigas,  ficará  chocado  ao  descobrir  qual  é  a  maior  arma  dele  contra  seu  desejo  de  viver  em  santidade.  Se  você  é  como  seus  predecessores  no  seu  aprendizado  do  conteúdo  deste  capítulo,  provavelmente  sua  vida  jamais  será a mesma. Quando seus olhos forem totalmente abertos, você reconhecerá as armas do inimigo em todas  as situações e saberá exatamente o que fazer para derrotá‐lo, bem como seus planos ardilosos contra você.  Qual  é  a  principal  estratégia  do  inimigo  para  levar  as  pessoas  ao  pecado?  É  uma  palavra  de  oito  letras:  “Tentação”.  Se  você  conseguir  anular  a  habilidade  do  inimigo  em  usar  a  tentação  em  sua  vida,  ele  ficará  imediatamente impotente.  Pense  um  instante  sobre  como  as  tentações  operam  realmente.  Como  uma  pessoa  como  você,  nascida  de  novo e que ama aos Senhor, passa de santa a profana? Qual é o passo inicial ou a estratégia que leva o cristão  da santidade à impureza, da obediência à desobediência e da justiça à iniqüidade?  Como  você  logo  descobrirá,  a  mesma  estratégia  de  tentação  é  utilizada  milhões  e  milhões  de  vezes  ao  dia  contra  as  massas  –  que  não  suspeitam  de  nada.  Essa  estratégia  funciona?  Bem  ,na  maioria  das  vezes,  uma  tentação  ou  uma  série  de  tentações  estrategicamente  posicionada  é  tudo  de  que  se  precisa  para  derrubar  uma  pessoa  que  caminha  em  santidade.  Na  última  vez  em  que  você  “caiu”  em  pecado,  na  verdade  foi  “empurrado” pela mesma mão da tentação que sempre “empurra” ou “puxa” você em direção ao pecado.  Outra  palavra  que  pode  descrever  a  tentação  é  o  “incentivo”.  Um  incentivo  é  algo  que  motiva  ou  incita  o  indivíduo a fazer algo. No mundo empresarial, o incentivo é amplamente utilizado. Por exemplo, quando você  entra  numa  loja  e  há  duas  bebidas  de  marcas  diferentes  sendo  vendidas  e  uma  delas  faz  a  promoção:  “Compre uma garrafa e leve grátis!”, a que você é levado (ou tentado)a fazer? 

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Se seu chefe anuncia que naquela semana há um excesso inesperado de produtos “vermelhos” e que haverá  um bônus para cada produto desta linha que for vendido, quando você entra em contato com seus clientes,  acha que deixaria de promover os produtos da linha “vermelha”?  Como pai, você encoraja seus filhos a arrumar o quarto e tirar melhores notas na escola com algum tipo de  recompensa ou incentivo. O incentivo é errado? Não, se ele incentiva que um comportamento correto seja  feito  de  forma  correta.  Quando  você  lê  a  Bíblia  não  pode  deixar  de  perceber  que  o  próprio  Deus  utiliza  o  incentivo com freqüência para motivar.  O  incentivo,  porém,  pode  ser  usado  não  somente  para  fins  benéficos mas  também  maléficos.  Sabe  como  a  Bíblia  define  um  mau  incentivo?  Tentação.  O  propósito  primário  de  toda  tentação  é  motivar  o  indivíduo  a  pecar. Diferente dos bons incentivos, os  maus incentivos usam o engano e a manipulação para nos motivar  ao pecado. Você acha que seu inimigo o avisa formalmente de que vai enviar uma tentação nesta tarde, às  3h13, e que, se você for tolo e cair nela, arruinará sua reputação, sua família, seus filhos e seu trabalho?  Pense em como seria bom que você entendesse todo o processo da tentação. Neste capítulo a verdade sobre  as  tentações  será  revelada,  afastando  qualquer  suposição  sobre  o  que  é  tentação  e  como  funciona.  No  próximo  capítulo,  mostraremos  os  sete  estágios  de  toda  tentação  numa  única  passagem  bíblica.  Você  aprenderá como discernir imediatamente em qual dos sete estágios se encontra em determinado momento e  como quebrar a tentação naquele ponto em que ela é mais vulnerável!  Quanto mais você compreende a verdade sobre a tentação e aprende a discernir os estágios da tentação pela  qual está passando, mais livre será para quebrar imediatamente seu poder e permanecer na santidade.    A PASSAGEM‐CHAVE SOBRE TENTAÇÃO    Quando você desejar extrair uma verdade da Palavra de Deus, comece buscando uma “passagem‐chave” que  contenha a verdade mais ampla sobre o assunto. Estude‐a para desvendar seus segredos. Quando estudamos  sobre a tentação, a passagem‐chave bíblica é 1 Coríntios 10. Leia os versículos 12 e 13 atentamente, antes de  ver as sete verdades sobre tentação e sua aplicação: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia.  Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis;  antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (ARC)  1.  A tentação é a razão primária para desejarmos pecar  O elo é claro: a “queda” no pecado sempre é precedida pela tentação, que “vence você”. A tentação é sempre  a motivação para o pecado. Se não existisse tentação, você não teria motivação para cometer pecados. Diante  de todo pecado que cometemos esconde‐se a tentação.  Quando  você  abre  as  primeiras  páginas  da  Bíblia,  o  que  encontra  satanás  fazendo?  Tentando  Adão  e  Eva,  induzindo‐os a desobedecer às instruções de Deus para não comerem do fruto da árvore do conhecimento do  bem e do mal.  Note a tentação sutil ou o incentivo que ele usou contra Eva:  “É  certo  que  não  morrereis”  –  Satanás  incentiva  Eva  a  duvidar  da  advertência  clara  de  Deus:  não  deviam  comer,  porque  senão  morreriam.  E  outras  palavras,  a  tentação  tem  de  negar  a  verdade  conhecida  que  se  opõe ao pecado, ou este não será cometido. Se Eva não caísse na tentação de duvidar que a morte realmente  se abateria sobre ela, talvez nunca tivesse cedido às outras tentações. A tentação sempre minimiza os perigos  reais e maximiza os benefícios imaginários.  “Se vos abrirão os olhos” – Satanás sutilmente dá a entender que os olhos deles estavam fechados e como  seria maravilhoso abri‐lo! Por falar nisso, quem mantinha os olhos deles “fechados”, em primeiro lugar? Que  ataque sutil ao caráter de Deus, insinuando que ele deliberadamente os mantinha cegos! Ligue esta segunda  tentação para duvidar do caráter de Deus à primeira, para duvidar de sua palavra. A tentação sempre gera a  dúvida sobre a palavra e o caráter de Deus.  “Sereis  como  Deus”  –  Satanás  incita  a  imaginação  de  Eva  com  o  pensamento  de  se  tornar  “semelhante  a  Deus”.  O  que  poderia  ser  mais  excitante  do  que  ser  “como”  Deus?  Neste  ponto,  a  tentação  dá  um  passo  ousado. Naquele momento, Adão e Eva eram mais “semelhantes a Deus” do que qualquer outra criatura em  todo  o universo, e por toda a eternidade! Foram criados por Deus, de forma sobrenatural, à sua imagem e  semelhança!  Eles já eram “como Deus”! Entretanto, ao comerem o fruto, escolheram tornar‐se o mais “diferente de Deus”  possível! Então, qual era o método para ser “igual a Deus”? Pense nisto – o meio que Satanás propôs  para  47 

 


serem  iguais  a  Deus  era  fazer  justamente  o  oposto  do  que  Deus  lhes  dissera!  Somente  escolhendo  desobedecer  a  Deus,  eles  seriam  “como  Deus”.  A  base  da  mentira  da  tentação  é  grandiosa.  Cada  tentação  individual baseia‐se em pelo menos uma grande mentira, a qual é apresentada como a resposta aos anseios  da pessoa.  “Sereis conhecedores do bem e do mal” – Satanás sabe o que representa para o ser humano a tentação do  “conhecimento proibido”. O que poderia ter mais poder do que conhecimentos secretos? Com esta tentação  é  enganadora!  Adão  e  Eva  já  tinham  a  plenitude  do  conhecimento  do  “bem”:  estavam  no  jardim  do  Éden,  andando  com  o  Deus  Todo‐Poderoso!  Por  que  desejariam  “conhecer”  o  mal,  já  que  este  nunca  promove  o  bem  e  sempre  o  destrói?  Toda  a  vida  gira  em  torno  da  busca  do  “bem”;  então,  por  que  nos  afastar  dele,  escolhendo aquilo que destrói o “bem”.  Aqui o tentador usa o desejo ou a “cobiça” de algo totalmente fora dos limites estabelecidos para o homem.  O  homem  não  foi  criado  para  romper  a  cerca  de  segurança  que  o  separa  do  bem  e  do  mal.  O  Senhor  providenciou uma abundância de bem e o protegeu com a ausência do mal. Escolhendo saber aquilo que Deus  deliberadamente  estava  retendo,  Adão  e  Eva  caíram  no  mesmo  pecado  do  próprio  Satanás,  o  desejo  de  independência e de subverter os limites da soberania divina. A tentação sempre incita a cobiça de se conhecer  e experimentar o “mal” proibido por Deus, na falsa busca daquilo que é “bom”!  Por  que  Satanás  utilizou  essas  tentações?  Porque  sem  a  tentação  ou  a  motivação,  por  que  Adão  e  Eva  considerariam  a  possibilidade  de  desobedecer  a  Deus?  Você  percebe  o  papel  crucial  da  tentação  em  nossa  vida? Sem ela, qual seria nossa motivação para escolher o pecado?  De  modo  semelhante,  considere  o  que  Satanás  fez  ao  procurar  derrotar  Jesus:  ofereceu  três  tentações  poderosas.  Note  como  Jesus  repreendeu  e  revelou  a  natureza  de  seu  ataque:  “Não  tentarás  o  Senhor,  teu  deus”.  Nunca mais perca de vista a estratégia usada por Satanás em sua vida. Todo pecado que você comete sempre  é  precedido  por  uma  “tentação”  na  qual  você  acreditou,  sentiu  motivação  e  então  agiu  de  acordo,  desobedecendo a Deus e pecando voluntariamente.  2. A tentação é mais perigosa quando você acha que não cairá  1 Coríntios 10:12 começa com uma forte advertência sobre tentação: “Aquele, pois, que cuida estar em pé,  olhe  que  não  caia”.  Talvez  este  alerta  seja  colocado  em  primeiro  lugar  porque  revela  o  oposto  do  que  as  pessoas “normalmente” pensam sobre as tentações. O que é melhor: pensar que não pode cair em pecado ou  pensar que pode cair? Quanto mais forte você pensa ou sente que é, usando frases como: “Nunca cometerei  este pecado!”, “Jamais poderei fazer isso!”, “Como aquela pessoa pôde fazer aquilo?” ou “Sinto‐me tão perto  do Senhor que acho que hoje não pecarei”, são sinalizadores gigantes e sirenes gritando, avisando do perigo  iminente. Por que não devemos nos sentir fortes e poderosos diante de alguma tentação?  “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16:18). Quando achamos que não podemos  cair,  o  orgulho  impera.  Quando  o  orgulho  impera,  a  destruição  vem  logo  atrás.  Sempre  que  vemos  a  arrogância, seja explícita, seja cuidadosamente escondida, podemos ter certeza de que em breve haverá uma  “queda”.  Quais  são  a  atitude    e  a  ação  corretas  em  face  da  tentação  que  nos  levam  à  vitória  e  não  à  destruição, para uma posição firme e não à queda? Os versículos abaixo revelam que a resposta é vigilância,  oração  e  dependência  ativa  do  Senhor.  “Vigiai  e  orai,  para  que  não  entreis  em  tentação;  o  espírito,  na  verdade,  está  pronto,  mas  a  carne  é  fraca.”  Mateus  26:41;  “Chegando  ao  lugar  escolhido,  Jesus  lhes  disse:  Orai,  para  que  não  entreis  em  tentação.”  Lucas  22:40;  “O  Senhor  sabe  livrar  da  provação  os  piedosos  e  reservar, sob castigo, os injustos para o Dia do Juízo.” 2 Pedro 2:9  Nosso foco sempre deve ser nossa fraqueza e o poder de Deus. Ore diariamente para que o Senhor o livre das  tentações. Se elas vierem, que ele lhe dê forças para superá‐las.  3. A tentação busca vencer você  A  tentação  não  é  inativa,  mas  ativa.  Ela  não  foge  de  você  –  procura  “vencer”  você.  Experimentar  uma  tentação é sentir‐se “vencido”: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia. Não veio sobre vós  tentação...”  Mesmo  nas  atividades  mais  espirituais,  as  tentações  podem  adiantar‐se  e  envolver  você  com  poder  e  persistência.  As  palavras  usadas  por  Paulo,  “veio  sobre”,  dá  idéia  de  alguém  vindo  sobre  você  rápida  e  inesperadamente, como um inimigo.  

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Paulo  ensina  que  a  tentação  é  ativa  e  tem  uma  realidade  quase  independente.  Ela  sobrevém  –  se  abate,  assalta  e  prende  –  e  tenta  nos  pressionar  até  que  pequemos.  Você  pode  notar,  em  todas  as  tentações  descritas  na  Bíblia,  bem  como  em  sua  própria  experiência,  que  quando  você  cede,  ela  deixa  de  existir.  A  tentação só existe de um lado do pecado: antes de ele acontecer! A tentação vem antes de todo pecado. Se  você derrotar a tentação, não cometerá o pecado!  4. A tentação que você experimenta nunca é única, mas é sempre comum  Sem exceção, se você pecou repetidamente em determinada área, sempre conclui que as tentações não são  do  tamanho  “normal”,  mas  realmente  incomuns  e  mais  fortes,  Entretanto,  qual  é  a  verdade  sobre  elas?  “Nenhuma tentação se abateu sobre você, exceto aquelas que são comuns a todos os homens.”  Depois  de  uma  reunião  em  que  falei  sobre  santidade  pessoal  para  um  grupo  de  homens,  um  jovem  me  procurou,  obviamente  por  convicção.  Compartilhou  que  desejava  grandes  mudanças  em  sua  vida,  mas  enfrentava dificuldades.  Logo  revelou  que  vivia  com  uma  mulher  e  que  tinha  vivido  com  muitas  outras  nos  últimos dez anos. Perguntei porque não parava com seu estilo de vida imoral e profano. Ele respondeu que  desejava, mas não tinha forças diante das tentações sexuais.  Olhei para ele e disse:  ‐ Puxa, seu apetite sexual deve ser realmente forte!  Ele respondeu imediatamente:  ‐ Bem... fico feliz que você entenda. Meu apetite sexual é tão poderoso que a tentação torna‐se forte demais.  Assenti e disse:  ‐ Provavelmente seu apetite é muito maior do que o dos homens normais.  Ele enrubesceu de vergonha por ter sido descoberto e fez um sinal de assentimento. Finalmente parecia que  encontrara  alguém  que  o  compreendia  –  seu  pecado  não  era  de  fato  sua  culpa  –  eram  aquelas  tentações  gigantescas que o atacavam.  Perguntei se faria alguma diferença para ele se as tentações sobreviessem num tamanho normal.  ‐ Puxa! Eu faria qualquer coisa para ter tentações normais. Finalmente seria capaz de dizer “não” e parar.  Olhei ao redor e percebi que a sala estava ficando vazia rapidamente, pois os homens estavam voltando ao  trabalho. Continuei:  ‐ Então, se suas tentações fossem iguais às de Chuck, Bob, Forest e dos demais homens, o que você faria?  Ele perguntou de imediato:  ‐ Como assim, o que eu faria? Em relação a quê?  ‐  Em  relação  a  continuar  com  seu  estilo  de  vida  imoral  e  pecaminoso.  Você  obedeceria  ao  Senhor  e  se  afastaria desse tipo de vida? É claro, só no caso de suas tentações sexuais serem do tamanho “normal”, como  as de todo mundo.  Aquilo lhe soou bem, de maneira que assentiu deliberada e alegremente. Era óbvio que ele sabia a resposta.  Ninguém podia resolver seu problema. Por que se preocupar?  Então, pedi que lesse 1 Coríntios 10:13 em voz alta: “Não veio sobre vós tentação, senão humana...” Foi um  choque para ele ter de reconhecer que suas tentações eram absolutamente normais e não eram diferentes  das  várias  tentações  que  assolam  a  vida  de  todo  homem.  Ele  tinha  acreditado  na  mentira:  “Sou  impotente  diante  do  tipo  de  tentação  que  enfrento,  e  que  ninguém  mais  enfrenta.  Se  minha  tentação  fosse  ‘comum’,  certamente eu poderia resistir”. Apontei para outros homens que ainda permaneciam na sala e lhe disse:  ‐ Eles enfrentam exatamente as mesmas tentações que você – só que eles dizem “não”, enquanto você diz  “sim”.  Nos momentos seguintes, presenciei a luta daquele jovem contra a trágica mentira em que sempre acreditara.  Essa  mentira  o  tinha  enterrado  sob  o  grande  peso  do  auto‐engano  paralisante.  Quando  a  mentira  foi  confrontada pela luz da Bíblia, caiu impotente a seus pés. Com lágrimas nos olhos, ele repetia:  ‐  Minhas  tentações  não  são  diferentes.  Fui  enganado.  Vou  me  libertar  hoje.  Vou  dizer  não  às  minhas  tentações sexuais. Vou sair daqui... e caminhar em santidade.  A verdade sempre os liberta; a mentira sempre nos prende em amarras. Se você está preso a um pecado, é  somente porque acreditou numa mentira.  Independentemente de sua opinião a respeito das tentações que enfrenta – sobretudo aquelas que o levam a  pecar repetidamente –, a Bíblia ensina que elas não são em nada diferentes das que todas as outras pessoas  enfrentam. Pense nas mentiras que dizemos a nós mesmos:  49 

 


• “A tentação foi muito forte; não pude fazer nada!”  • “Sou diferente, ninguém enfrenta tentações como as minhas!”  • “Faz parte de minha herança familiar – meus ‘genes’ me obrigam a agir assim!”  • “Sempre fiz isto – é tarde demais para parar agora.”  • “O diabo me obrigou a fazer aquilo.”  • “Não me preocupo com as tentações; sou forte.”  • “Não é minha culpa; fui tentado além de minhas forças.”  • “Orei sobre a tentação, mas não consegui parar.”  • “É culpa de Deus; ele sabia que eu era fraco demais.”  • “Deixe para lá – ninguém é perfeito.”  Se  você  lê  com  atenção  nosso  versículo‐chave  (1  Co  10:13),  logo  notará  que  a  idéia  é: “Não  veio  sobre  vós  tentação exceto aquela que é humana”. O texto não somente ensina que não existe tentação “incomum” com  acrescenta uma verdade mais profunda – a tentação que nos sobrevém é especialmente “comum”! Quando  você pecar, lembre que a tentação só pode ser tipo comum.  O  sentido  literal  de  “humana”,  neste  versículo  é  “comum  a  todos  os  homens”.  Toda  tentação  é  normal  e,  portanto,  totalmente  resistível.  Como,  então,  podemos  explicar  como  “nos  sentimos”  quando  formos  assaltados por tentações “incomuns”? Talvez um pequeno cão possa terá resposta.  Você  lembra  do  mago  que  dominava  a  terra  de  Oz?  Todos  tinham  medo  dele  e  tremiam  por  causa  de  sua  força e poder. Até que um cão pequeno e sujo passou por baixo da cortina sagrada! Ali Dorothy e seus amigos  descobriram um homem velho, pequeno e fraco, que mudava a voz e se cercava de efeitos especiais. Você  lembra  o  que  ele  fizeram,  ao  descobrir  a  verdade  sobre  o  “poderoso  mago”?  Eles  se  entreolharam  irados,  chocados e caíram na gargalhada! Imediatamente a verdade os libertou. Quando o engano da tentação vem à  luz, ela perde seu poder. A verdade sempre nos liberta.  Levante  a  cortina  que  cerca  sua  tentação  e  descobrirá  duas  verdades:  primeira,  sua  tentação  é  do  tipo  comum,  que  cresce  como  mato  pela  paisagem  humana;  segunda,  sua  tentação  é  cheia  de  ar  quente  e  desaparecerá no ar, quando você simplesmente disser “não”.  5. Deus é fiel e não permite que você seja tentado além de suas forças  Todas as vezes que você acha que Deus não está por perto, certamente, dizem respeito aos momentos em  que é tentado a pecar! A Bíblia, porém, revela que o Senhor está diretamente envolvido em toda tentação. Ele  não as envia, mas se certifica de que você pode suportá‐las sem ceder a elas. “Fiel é Deus”, o texto afirma,  “que vos não deixará tentar acima do que podeis”.  As  palavras  de  Paulo  proporcionam  um  encorajamento  maravilhoso  e  garantem  a  esperança  diante  das  tentações.  Em  vez  de  nos  sentirmos  “impotentes”  nas  tentações,  1  Coríntios  10:12,13  nos  assegura  de  que  somos “auxiliados” em toda tentação. Auxiliados pelo próprio Senhor Deus do universo.  Certifique‐se  de  que  esta  verdade  está  bem  arraigada  em  sua  mente.  Em  vez  de  evitá‐lo  quando  você  está  diante da tentação, o Senhor se aproxima de você para protegê‐lo e ajudá‐lo. Ele está a seu lado, no meio da  batalha,  assegurando  que  você  não  está  sendo  forçado  a  se  submeter  a  nenhum  tentação.  O  princípio  anterior deixou claro que toda tentação que você enfrenta é “comum” ou natural a todos os homens. Esse  princípio muda o foco, passando da “tentação” para aquele que está sendo “tentado”.  Embora  toda  tentação  seja  comum,as  pessoas  são  bem  diferentes  umas  das  outras.  Por  exemplo,  um  indivíduo  pode  ser  tentado  pela  gula,  outro  pela  pornografia,  outro  pela  fofoca  e  outro  pela  ira.  O  que  representa uma tentação a uma pessoa pode não ser para outra. Por exemplo, digamos que você e um amigo  vão  ao  supermercado  juntos.  Você  é  tentado  pela  gula,  por  isso  trava  uma  luta  nas  gôndolas  de  doces,  enquanto  seu  amigo  enfrenta  um  conflito  diante  das  prateleiras  de  revistas.  Será  que  você  enfrentará  a  mesma luta diante das revistas? Provavelmente não. Diferentes tentações tentam diferentes tipos de pessoas.  Portanto, posso enfrentar tentações que são comuns, mas, por ser extremamente fraco em certa área, posso  ceder  e  cair  numa  área  em  que  você  não  cai.  Neste  versículo  (1  Co  10:13)  o  Senhor  deixa  clara  a  verdade  sobre seu papel, protegendo pessoalmente você das tentações que podem estar além de suas forças: Deus  não permitirá que você seja tentado além daquilo que pode suportar individualmente.  Portanto, o Senhor coloca um regulador divino nas tentações, de acordo com sua capacidade única de lidar  com  uma  tentação  específica.  Imagine  isso!  Pense  no  que  isso  significa,  como  o  Senhor  está  intimamente  comprometido  com  você  e  sua  vitória  sobre  as  tentações!  Nunca  mais  aceite  a  mentira  de  que  Deus  fica  50 

 


zangado  ou  se  afasta  quando  você  está  diante  de  tentações.  Na  verdade,  ele  se  envolve  pessoalmente  nas  tentações. Deus desenha uma linha e ordena que a tentação chegue até ali, mas não ultrapasse.  Por  que  o  Senhor  estabelece  essa  linha,  para  você  e  para  mim?  Porque,  se  não  o  fizesse,  certas  tentações  literalmente  nos  subjugariam,  e  não  seríamos  capazes  de  dizer  “não”.  Em  sua  sabedoria  e  onisciência,  o  Senhor estabelece o limite a toda tentação abaixo de nossa capacidade de resistir e evitar o pecado. Portanto,  em  sua  vida  passada,  presente  ou  futura,  o  Senhor  jamais  permitirá  que  enfrente  uma  tentação  que  não  tenha condições de resistir.  Na tarde em que escrevia este capítulo, fiz uma pausa e saí para caminhar pela vizinhança, com minha esposa,  Darlene.  Enquanto  andávamos,  passamos  por  um  grande  carvalho,  que  se  elevava  muito  além  de  nossas  cabeças.  Ficamos  maravilhados  com  a  força  e  a  majestade  daquela  árvore,  como  tinha  resistido  durante  décadas a tempestades e ventos. Perguntei a Darlene se ela achava que alguma tempestade pudesse derrubar  o  grande  carvalho.  Ela  disse  que  sim,  pensando  naqueles  tornados  incrivelmente  poderosos,  que  destroem  tudo  o  que  encontram  no  caminho.  Será  que  existe  alguma  “tentação  tornado”  capaz  de  literalmente  derrubar  você,  destruindo  seu  forte  compromisso  com  a  santidade?  Não.  O  Senhor  nos  protege  e  limita  o  poder de toda tentação. Embora Satanás possa facilmente nos forçar a pecar, o Senhor limita sua liberdade  para nos empurrar além da “linha vermelha”, quando enfrentamos tentações.  Por que acha que o Senhor intervém em seu favor centenas – talvez milhares – de vezes durante sua vida? Há  três palavras em nosso texto que respondem a essa pergunta: “Deus é fiel”. Fidelidade significa permanecer  firme,  na  afeição  e  na  lealdade  e  permanecer  firme  em  manter  as  promessas  feitas  no  relacionamento.  A  fidelidade  inclui  lealdade,  constância  e  firme  resistência  a  tudo  aquilo  que  possa  resultar  em  traição  e  deserção.  Em  que  sentido  Deus  é  fiel,  neste  contexto?  Deus  é  fiel  a  você.  Ele  é  fiel  à  sua  Palavra.  Ele  é  fiel  a  seus  propósitos. Fiel às suas promessas. Ele é fiel à justiça. Será que Deus seria fiel se ordenasse que você fosse  “santo em todo o seu procedimento” e ao mesmo tempo permitisse que as tentações forçassem você a pecar,  apesar de você fazer tudo o que estivesse a seu alcance para evitar o pecado?  Dependa totalmente dos limites soberanos impostos a suas tentações, pois o Senhor é inabalavelmente fiel.  Entretanto, o que acontece quando nós somos infiéis repetidas vezes e escolhemos pecar quando tentados?  Obviamente  o  Senhor  deve  ter  um  limite  para  sua  fidelidade,  dependendo  do  quanto  somos  “fiéis”  a  ele,  certo?  Em  outras  palavra,  a  fidelidade  de  Deus  tem  limites?  Leia  2  Timóteo  2:13:  “Se  somos  infiéis,  ele  permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar‐se a si mesmo”.  Portanto,  a  verdade  sobre  sua  tentação  é  que  o  Senhor  Deus  nunca  o  deixará  ou  abandonará  diante  das  tentações.  Ele  sempre  –  em  todas  as  circunstâncias  e  todas  as  vezes  –  limita  soberanamente  as  tentações,  para que nunca ultrapassem sua capacidade de dizer “não”. Não é de admirar que Deus nos diga para “sermos  santos em todo o nosso procedimento” – ele já providenciou tudo do que precisamos e limitou tudo o que  não precisamos.  Algumas implicações vêm imediatamente à tona com esta verdade:  Primeiro, Deus limita as tentações que enfrento de acordo com minha capacidade e não a de outrem. Deus  não  limita  minhas  tentações  de  acordo  com  as  forças  dos  outros  cristãos,  mas  com  as  minhas.  Independentemente do que seja verdade em relação às tentações dos outros, você sempre tem a certeza de  que o Senhor tem a atenção voltada a você e sua capacidade. Ele limita soberanamente suas tentações, tendo  apenas você em mente. Quer dizer que se você e um amigo enfrentam uma tentação grande e inesperada, o  Senhor a limitará de forma diferente para cada um. A mesma tentação é limitada pelo Senhor, de acordo com  as diferentes habilidades de cada indivíduo.  Segundo, Deus limita a tentação, mas, não aumenta necessariamente nossa força. Imagine que está diante de  um haltere de 200 quilos e tenta levantá‐lo com todas as suas forças, mas não consegue. O que o Senhor faz?  Aumenta sua musculatura, por meio de um milagre? Não. A Bíblia não ensina (em 1 Co 10:13) que “o Senhor é  fiel e aumentará sua capacidade, para que seja capaz de superar a tentação”. Ela diz que “Deus é fiel e não  permitirá que você seja tentado além de suas forças”.  Deus  o  capacita  a  obedecer‐lhe  tirando  pesos  do  haltere,  até  chegar  a  um  peso  que  sabe  que  você  tem  condições  de  levantar.  Ele  não  aumenta  sua  força.  Portanto,  nunca  espere  que  o  Senhor  o  fortaleça  milagrosamente,  mas  sim  que  ele  limite  o  peso  das  tentações.  Depois  que  você  se  afasta,  outra  pessoa  se  aproxima do mesmo haltere. Sabe o que o Senhor faz por ela?  51 

 


Terceiro, Deus limita as tentações de acordo com minhas habilidades em diferentes situações. Além de sua  habilidade  de  superar  tentações  ser  diferente  da  de  outros  indivíduos,  ela  muda  de  acordo  com  o  que  acontece em sua vida. Digamos que alguém próximo a você morreu, você teve sérios problemas financeiros e  esteve  doente  por  um  logo  período.  Você  diria  que  numa  situação  dessa,  sua  capacidade  de  resistir  a  tentações seria tão forte como é normalmente? É claro que não. Assim, sabe o que o Senhor faz? Uma vez  que sua capacidade de resistir está bem reduzida, o Senhor limita ainda mais as tentações. Qualquer que seja  sua  capacidade  de  resistir,  em  determinado  momento  de  sua  vida,  é  ela  que  define  o  limite  que  Deus  estabelecerá sobre a tentação.  Não  sei  como  você  se  sente  em  relação  ao  Senhor,  ao  compreender  sua  tremenda  fidelidade  a  você.  A  compaixão e a graça que Deus manifesta para comigo me deixam literalmente maravilhado. Por isso o Senhor  pode ordenar que sejamos santos em todo o nosso procedimento. Ele assegura que sejamos capazes!  6. A tentação sempre é acompanhada por um livramento providenciado por Deus  De  todas  as  revelações  notáveis  contidas  nesses  dois  versículos,  nenhuma  toca  mais  do  que  esta  provisão  divina: “Fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes com a tentação dará também o  escape...”  Depois de considerar a primeira provisão de Deus, você pode sentir‐se com eu: o que mais Deus poderia fazer  ,  além  do  que  já  fez?  Entretanto,  quando  você  medita  neste  princípio  que  estamos  vendo,  talvez  se  sinta  maravilhado por esta segunda ação.  A primeira ação de Deus em face da tentação é a limitação: Ele não permite que você seja tentado além de  sua  capacidade  de  suportar.  A  segunda  ação  de  Deus  em  face  da  tentação  é  a  provisão:  Ele  providencia  o   meio de livramento.  A  fidelidade  de  Deus  para  conosco  o  estimula  a  tomar  duas  atitudes  diferentes.  Primeiro,  não  permite  que  nenhuma  tentação  supere  nossa  capacidade  de  resistir;  segundo,  nos  providencia  o  livramento,  para  que  possamos  escapar  da  tentação  sem  pecar.  Diante  da  tentação,  o  Senhor  diz  “não!”  para  ela  e  “sim!”  para  você. Seu propósito supremo é sua vitória total e completa sobre toda tentação, sem cair no menor pecado.  Assim  como  ocorreu  co  Cristo,  em  toda  a  sua  vida,  todos  nós  experimentamos  inúmeras  tentações.  Como  Cristo, somos chamados a resistir às tentações e ser “sem pecado”. “Porque não temos sumo sacerdote que  não possa compadecer‐se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisa, à nossa semelhança,  mas sem pecado” (Hb 4:15). Jesus foi tentado da mesma maneira que nós somos, mas sempre disse “não”.  Sempre escolheu o livramento de Deus.  Estude essas palavras com atenção: “Antes, com a tentação, dará também o escape...”. A introdução “antes”  leva  a  um  contraste  inesperado  com  o  comentário  anterior.  Deus  limita  nossas  tentações,  mas  também  proporciona o livramento. O fato de a tentação ser limitada não significa que podemos nos livrar dela. O que  aconteceria se todas as rotas de fuga fossem bloqueadas por nosso perverso inimigo?  Pergunta: Com que freqüência Deus providencia o livramento?  Resposta: Com cada tentação, Deus providencia o livramento.  Em  outras  palavras,  um  novo  livramento  é  elaborado  por  Deus  “com  a  tentação”  que  você  enfrenta.  Livramentos passados, que funcionaram em outras situações, não serão de nenhuma ajuda quando você está  acuado à beira do abismo. Cada tentação é diferente, e por isso o livramento também tem de ser diferente.  Deus não “encontra” um livramento para você; ele “elabora” um livramento. Quer dizer, quando a tentação  tenta  derrubá‐lo,  Deus,  em  sua  soberania,  inventa  e  depois  cria  uma  “rota  de  fuga  segura”  para  que  você  escape.  Se você ainda duvida se o texto fala de um livramento literal, leia novamente e note que a Bíblia utiliza artigo  definido  antes  de  “escape”  e  não  o  indefinido.  O  versículo  não  deixa  uma  idéia  vaga,  que  junto  “com  a  tentação” talvez haja um escape, mas diz que “com a tentação” haverá também “o escape”. A rota de fuga é  providenciada  por  Deus  de  forma  sobrenatural,  para  sua  tentação  natural.  Deus  intervém  na  tentação  e  providencia pessoalmente “o escape”.  A palavra “escape” dá a idéia de uma passagem secreta entre as montanhas. Imagine um exército emboscado  entre  as  montanhas,  sem  nenhuma  rota  de  fuga;  subitamente  encontram  uma  passagem  estreita  e  todo  o  exército  foge  por  ela,  sem  nenhum  dano.  Veja  como  o  apóstolo  Pedro  descreveu  o  ensinamento  de  Paulo:  “Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos...” (2 Pe 2:9, ARA). 

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A aplicação prática literalmente salta sobre nós. Quanto Deus é fiel a nós diante das tentações? Totalmente  fiel.  Ele  limita  e  providencia.  Não  permite  que  a  tentação  prevaleça,  mas  intervém  providenciando  um  livramento único e original.   Quanto  mais  a  verdade  sobre  a  tentação  torna‐se  clara  em  seu  coração,  mais  o  mandamento  “tornai‐vos  santos... em todo o vosso procedimento” mostra‐se absolutamente realista.  7. A tentação não pode ir além do que você pode suportar  Esse princípio final demonstra o coração de Deus em seu envolvimento em nossas tentações. Ele busca uma  Igreja santa e por isso possibilita a santidade em todas as situações imagináveis. Como você já viu, o Senhor  limita  e  providencia, capacitando  você  a  “suportar”.  “Fiel é  Deus,  que  vos  não  deixará  tentar  acima  do  que  podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (ARC).  A  maior  mentira  relacionada  à  tentação  é:  “Não  posso  dizer  ‘não’  a  esta  tentação,  não  importa  quanto  me  esforce”. Você sabe que isso não pode ser verdade, do contrário o Senhor seria totalmente infiel. Nunca mais  aceite esta mentira que derrota, porque no momento em que você a acalenta, mesmo por um segundo, já  começa a escorregar em direção do pecado.  Como você já entendeu, a Bíblia ensina abertamente que, seja qual for a tentação, você sempre será capaz de  suportá‐la  sem  ser  forçado  a  pecar.  Não  quer  dizer  que  sempre  será  fácil  permanecer  firme –  nem  sempre  será.  Jesus encarou a mais difícil de todas as tentações. Note o nível de usa luta: “Considerai, pois, atentamente,  aquele  [Jesus]  que  suportou  tamanha  oposição  dos  pecadores  contra  si  mesmo...  na  nossa  luta  contra  o  pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue” (Hb 12:3,4). Talvez em algum momento de sua vida você  enfrente  tentações  tão  ferozes  que  terá  de  “resistir  até  ao  sangue”.  Se  isso  acontecer,  lembre‐se  de  que  o  Senhor não permitirá que a tentação vá além do que você pode suportar.  Sempre há o livramento, mas o Senhor pode não revelá‐lo rapidamente, ou mesmo quando você pede. Em  muitos  casos,  o  livramento  está  bem  diante  de  nós  –  como  “foge  das  paixões”,  o  que  significa  que  o  livramento  está  nos  pés,  movendo‐nos  na  direção  oposta!  Outras  vezes,  porém,  o  livramento  exige  “resistência” total mesmo até a morte física. A verdade fundamental é que o mais importante é permanecer  firme contra a tentação ao pecado. Mesmo que isso signifique a morte. O “livramento” para muitos cristãos  que sofrem martírio em toda a história, e mesmo atualmente, foi permanecer firme diante da tentação mais  ameaçadora, com risco da própria vida.  Embora  muitos  tenham  sacrificado  a  vida,  outros  que  conheciam  a  Cristo  e  seu  chamado  correram  para  as  trevas,  negando  o  Senhor  que  os  redimira,apara  salvar  a  própria  vida.  Você  sabe  qual  foi  a  mentira  que  ouviram e abraçaram? “Não posso resistir – é difícil demais”. Meu amigo, mesmo a morte não é difícil demais,  porque o Senhor jamais permitirá que alguma tentação exceda sua capacidade de resistir sem pecar. Aqueles  que cedem o fazem somente porque acreditaram na mentira. Enquanto você está sendo tentado, sempre é  capaz de resistir – permanecendo santo em todo o seu procedimento.    A VERDADE SOBRE A TENTAÇÃO    Duas semanas depois de ensinar essas verdades sobre a tentação a um grupo de homens, encontrei‐me por  acaso  com  um  deles  na  rua.  Você  precisava  ouvi‐lo  contando  o  que  o  Senhor  fizera  em  sua  vida  nas  duas  últimas semanas.  ‐  Não  conseguia  acreditar  como  estive  enganado  toda  a  minha  vida  sobre  a  tentação.  Eu  a  via  como  um  gigante  enorme,  contra  o  qual  não  podia  lutar.  Depois  de  um  tempo,  desisti  de  lutar,  porque  achava  que  jamais  iria  vencer.  Então  aprendi  a  verdade  sobre  as  tentações  em  1  Coríntios  10  e  foi  como  se  todo  o  ar  saísse de dentro delas – vi a verdade pela primeira vez. Agora sei que Deus limita minhas tentações, antes que  “sobrevenham”. Sei que Deus não fica furioso comigo quando sou tentado – e que não preciso me esconder  dele. Ele é meu verdadeiro libertador e sempre providencia o livramento. Que Deus maravilhoso nós temos!   Ele não parava de falar:  ‐  Você  não  vai  adivinhar  o  que  me  aconteceu  nessas  duas  últimas  semanas.  As  mesmas  tentações  que  costumavam me derrubar não me derrubam mais. De fato, quase não acredito, mas durante essas semanas,  permaneci  na  verdade  sobre  as  tentações  e  não  pequei  da  maneira  que  havia  anos!  Realmente  funciona! 

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Creio  que  pela  primeira  vez  realmente  tenho  esperança  de  que  posso  me  tornar  santo  em  todo  o  meu  procedimento, antes de morrer!  Na  próxima  vez  que  você  sentir  que  está  enfraquecendo  diante  da  MENTIRA  da  tentação,  pronuncie  essas  palavras poderosas de VERDADE e ficará surpreso como as tentações fogem para as trevas – para o lugar de  onde você foi tirado e ao qual elas pertencem. A verdade sempre o libertará!  “Reconheço  que  estou  no  meio  de  uma  tentação  para  pecar.  Quero  me  entregar  nas  mãos  do  Senhor,  depender do Espírito Santo e não pecar. Sei que o Senhor está limitando a tentação, e ela não é mais forte do  que  minha  capacidade  de  resistir.  Sei  que  ele  está  providenciando  o  livramento  para  mim.  Sou  capaz  de  resistir à tentação até que ela termine. Escolho obedecer ao mandamento de Deus de “ser santo em todo o  meu procedimento”. Obrigado, Senhor, por tua fidelidade para comigo! Amém.”    7  FERRAMENTAS PARA A VITÓRIA  O homem santo não é aquele que não pode pecar. O homem santo é aquele que não pecará. A. W. Tozer    Agora que você sabe que o Senhor intervém em toda tentação que você enfrenta, este capítulo abrirá seus  olhos para o que exatamente deve fazer ao enfrentar tentações. Embora o Senhor as limite e providencie o  livramento, você ainda precisa enfrentá‐las e vencer. Precisa travar suas próprias batalhas e chegar à vitória.  Embora devamos orar e depender do Espírito de Deus, a Bíblia é bem clara e diz que nós devemos ser “fortes”  e  devemos  “vestir  a  armadura”.  Ela  nos  lembra  de  nossa  “luta”  e  que  devemos  “resistir”  e  “permanecer  inabalável”. Tudo o que o Senhor faz nos momentos de tentação é visando a nossa vitória.  Este capítulo lhe proporcionará ferramentas poderosas para derrotar as tentações. Se você está decidido a se  tornar uma pessoa santa, deve tornar‐se especialista em derrotar tentações. Deve saber como elas operam  contra você de forma singular e exatamente o que fazer para experimentar a verdadeira vitória, numa batalha  de cada vez. Posso prometer uma coisa, enquanto você lê este capítulo: você nunca mais olhará da mesma  maneira para as tentações. Você as derrotará cada vez mais à medida que desenvolve a habilidade de utilizar  essas armas.  Deixe‐me compartilhar um último pensamento antes de embarcarmos. Pense na alegria e na liberdade que  terá quando se tornar um hábil “guerreiro da tentação” – lutando contra as tentações com a provisão de Deus  e  sua  diligência  pessoal.  Quero  que  você  saiba  que  essas  ferramentas  realmente  funcionam  –  utilizo‐as  regularmente  em  minha  vida.  Quando  comparo  minha  vida  antes  e  depois  de  empregá‐las,  vejo  uma  diferença acentuada e duradoura. A santidade está do outro lado da vitória sobre a tentação!    SEU “QUOCIENTE DE SUSCETIBILIDADE À TENTAÇÃO”    Você tem uma ferramenta que lhe permite fazer uma “leitura rápida” de si mesmo e determinar quanto está  vulnerável  a  ataques  em  dado  momento?  As  tentações  são  dirigidas  contra  nós  com  todo  cuidado,  no  momento  mais  oportuno.  Elas  maximizam  o  poder  de  destruição  atacando‐nos  nos  momentos  de  maior  vulnerabilidade. Do profeta Moises ao rei Davi, as tentações tiveram sucesso em derrubar os mais fortes entre  nós atacando‐nos nos pontos fracos e nos momentos de fraqueza. Estude os homens e as mulheres da Bíblia  em sua luta contra as tentações e verá a mesma tendência. As tentações atacam onde o cristão é mais fraco e  quando ele menos espera.  Quando Satanás tentou Jesus? Depois que este passara 40 dias sem se alimentar, no meio da debilidade física  e  completo  isolamento.  Quando  você  está  mais  fraco  e  mais  vulnerável  às  tentações?  O  “Quociente  de  Suscetibilidade à Tentação” (QST) é uma ferramenta notável, que levará dois minutos para ser usada, depois  que  você  praticar  algumas  vezes.  O  objetivo  do  QST  é  alertá‐lo  sobre  quanto  está  vulnerável  quando  certa  tentação  ataca.  Existem  dez  categorias  diferentes,  com  o  lado  negativo  à  esquerda  e  o  positivo  à  direita.  A  cada momento de sua vida, você está em algum ponto da escala, do ponto mais baixo, o número 1, ao mais  alto,  10  das  dez  categorias.  Agora  faça  um  círculo  ao  redor  do  número  que  melhor  o  representa  neste  momento:  1. Fisicamente Exausto / cansado  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  Cheio de energia / forte  2. Emocionalmente desanimado / deprimido  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  Encorajado / animado 

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3. Mentalmente entediado / descontente  4. Espiritualmente acomodado / vazio  5. Geograficamente distante / sozinho  6. Relacionalmente distante / frio  7. Internamente sem esperança / triste  8.  Pessoalmente inseguro / incerto  9. Secretamente amargo / irado  10. Profundamente ferido / magoado  • Hoje, meu QST é: 

1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10 

Motivado / contente  Em crescimento / pleno  Próximo / acompanhado  Íntimo / caloroso  Esperançoso / feliz  Seguro / confiante  Disposto a perdoar / aceitar  Apreciado / amado 

Depois de circular onde você está neste momento, dentro de cada categoria, some os números. Você obterá  seu quociente. Veja como interpretar resultado.  90 – 100 Você já foi glorificado no céu!  80 – 89 Muito forte, mas fique atento ao orgulho e à arrogância sutis.  70 – 79 Forte, mantenha sua dependência no Senhor.  60 – 69 Adequado, mas preste atenção em suas tendências; você está na linha de fogo.  50 ‐59 Fraco, você está emocionalmente vulnerável.  40 – 49 Perigo! Guarde‐se intensamente – você está patinhando.  30 – 39 Extremo perigo! Procure seu melhor amigo cristão e grite por “socorro!”.  20 – 29 Situação crítica – provavelmente já caiu em pecados graves.  10 – 19 Estão levando você para o necrotério; mexa‐se...  0 – 9 É um pesadelo; belisque‐se e tente novamente!  Se você está abaixo de 70. É melhor levantar a “bandeira amarela”, porque as coisas estão muito piores do  que aparentam na superfície. Se está abaixo de 60, com certeza está em águas turbulentas, a caminho de um  naufrágio. Se fico abaixo de 60, compartilho com minha esposa Darlene (geralmente ela percebe antes que eu  fale,  por  causa  de  nossa  proximidade):    “Querida,  estou  me  sentindo  muito  vulnerável  e  com  pouca  estabilidade  –  ore  mais  por  mim  nesses  próximos  dias.  Se  eu  estiver  um  pouco  impaciente  e  insensível,  lembre‐se que não é nada com você”.�� Se você desce abaixo de 50, é melhor solicitar o apoio da artilharia pesada. Basta uma palavra a seu melhor  amigo – como “sinto‐me meio frio”, ou “estou passando por lutas” – e você abrirá a porta para que ele entre  em sua vida e lhe dê o apoio tão necessário. Entretanto há certas lutas que você enfrenta que é melhor não  compartilhar com pessoas do sexo oposto (exceto seu cônjuge) – senão, você acaba caminhando para outra  armadilha. Nunca faça tal coisa. Nunca! Você sabe quantos de meus amigos já tiveram sérios problemas por  compartilhar  questões  profundamente  pessoais  com  pessoas  do  sexo  oposto?  Muitos.  Proteja‐se  de  mais  tentações – procure amigos do mesmo sexo.  Quantas vezes você deve medir seu “QST”? Provavelmente uma vez por semana, a cada 12 semanas. Por que  você não copia a tabela, coloca dentro de sua Bíblia e a utiliza durante os avisos na igreja, todo domingo? (ou  em outro lugar, se você é daqueles que prestam atenção nos avisos!). Se não funcionar, escolha outra ocasião  e um local onde possa ir toda semana, para que essa prática se torne parte de sua rotina. Registre seus pontos  semanais  na  “Tabela  de  Tendência  do  QST”  e  avalie  seus  progressos.  Levará  apenas  alguns  segundos,  mas  abrirá radicalmente seus olhos.  Pontos  semanais  90‐100  80‐89  70‐79  60‐69  50‐59  40‐49  30‐39  20‐29  10‐19  0‐9 

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Como você notou, a Tabela de Tendência do QST tem três categorias com tons diferentes:  55 

 


Área Saudável         Área de Perigo Médio (na verdade é a área de transição)        Área de Crise    Todos  nós  subimos  e  descemos  nessas  três  áreas.  Por  exemplo,  neste  momento  estou  no  59  –  vigiando  e  orando para que o Senhor “não me deixe cair em tentação” e “me fortaleça no homem interior quando me  submeto ao Espírito Santo”. Na semana passada meus pontos foram 76 e na semana anterior 83. Quer saber?  Minha  tendência  inspira  cuidados.  Se  na  próxima  semana  meus  pontos  caírem  abaixo  de  50,  terei  de  aumentar  consideravelmente  meus  esforços  diante  do  Senhor,  alertar  pelo  menos  um  de  meus  amigos  e  concentrar‐me em restaurar a saúde e a força em minha vida.  O valor dessa tabela de tendência é dar a você uma visão da direção em que está indo. Pense sobre isto: Não  conheço  nenhum  cristão  que  tenha  caído  em  pecados  graves  e  cuja  tabela  de  tendência  não  estivesse  na  “Área de Crise” por pelo menos três semanas consecutivas!  Se você está determinado a levar uma vida de santidade, deve ficar mais alerta com relação à sua própria vida  e suas condições. Quanto mais baixo o QST, maior deve ser o cuidado. Quanto mais o QST cai abaixo de 50,  maior  deve  ser  a  preocupação.  Duas  semanas  de  50  ou  menos  devem  fazer  você  gritar  “FOGO!”  e  fazer  mudanças imediatas em sua vida.  Não menospreze sua própria condição durante mais uma semana! Se você faz parte de um grupo que está  estudando este livro, comece a compartilhar com outros membros qual foi o QST da semana. De fato, para ter  benefícios ainda maiores, compartilhe qual tem sido a Tendência do QST de cada um. Não sinta como se sua  tabela fosse a única inferior a 95! Lembre‐se de que sua pontuação não é um sinal de pecado – é um sinal do  que está ocorrendo em sua vida. Muitas vezes os eventos em sua vida estão totalmente fora de controle. Não  desanime por causa de sua pontuação, mas use‐a como alerta de sua condição diante das tentações!  À medida que o QST vai se tornando parte de sua vida, logo você será capaz de olhar para suas atividades da  próxima  semana  e  quase  prever  o  que  vai  enfrentar.  Tome  medidas  para  buscar  o  equilíbrio  e  assuma  o  controle de sua vida. Fazendo isso, você se tornará mais forte contra as tentações, preservado a santidade.    DESVENDANDO O JOGO DA CULPA    É importante que você entenda todo o desenvolvimento da tentação que o leva ao pecado. É surpreendente,  mas  o  Senhor  revela  em  sua  Palavra  os  passos  exatos  que  o  inimigo  dá  contra  nós!  Você  logo  verá  que  novamente a Bíblia vem em nosso favor ensinando abertamente as estratégias do inimigo.  Toda tentação passa por sete estágios esboçados em Tiago 1:13‐17. Imagine como seria saber em que estágio  você  está  durante  uma  tentação  e  ter  o  poder  de  saber  o  que  esperar  a  seguir.  Essa  informação  é  incrivelmente valiosa – por isso o Senhor a compartilha conosco!  Leia com atenção os versículos a seguir, pedindo a Deus que abra seus olhos para tudo o que ele revelou para  sua vitória sobre as tentações: “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode  ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça,  quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá a luz o pecado; e o pecado, uma  vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito  são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”  Quando Tiago escreveu sobre os sete estágios da tentação, usou como introdução um ataque direto contra a  pior mentira concernente à tentação: “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus”. Você sabe o que  cada ser humano vai fazer depois que as reais conseqüências dos pecados cometidos finalmente emergirem?  Culpar.  Culpar  os  outros.  Culpar  as  circunstâncias.  Finalmente,  quando  não  houver  mais  nada  para  culpar,  culpará o próprio Deus.  Como as pessoas detestam aceitar a plena culpa dos pecados que cometem! Desde o início da criação, todos  lançavam a culpa do pecado sobre os outros. Quando Deus perguntou a Adão se ele tinha comido do fruto 

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proibido, ele respondeu: “A mulher....me deu da árvore, e eu comi”. Quando Eva foi interpelada: “A serpente  me enganou, e eu comi”.  Culpar  os  outros  significa  não  aceitar  a  responsabilidade  pessoal  pelas  próprias  ações  e  acusar  outros  pela  falta cometida. Geralmente a culpa é chamada de a “batata quente”, até que não haja, mais ninguém para  quem  passá‐la.  Como  presidente  de  uma  organização,  isso  é  familiar  para  mim.  Quando  pecamos  e  há  conseqüências dolorosas e destrutivas, a “batata quente” muitas vezes pode chegar até o topo. Deus deve ser  o responsável!  Você notou que não citei a resposta completa de Adão. Na verdade, ele disse: “A mulher que me deste por  esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. Quem era o maior culpado pelo pecado de Adão? Deus. Era como  se ele estivesse dizendo: “Deus – tu me deste aquela mulher; se não tivesses dado, eu não teria pecado. Deus,  tu és a causa suprema do meu pecado – não eu. Tu enviaste a tentação, me dando a mulher. Portanto, não  me culpes, pois no fundo sou inocente”.  Você já culpou Deus por seus pecados? “Deus poderia ter me impedido”, ou “se Deus sabe de todas as coisas,  sabia que eu iria pecar desde o começo; portanto, poderia ter me parado antes”; “eu orei, e Deus não afastou  a tentação; o pecado não foi minha culpa”. Tudo isso soa familiar, não é?  Agora você sabe exatamente por que Tiago começou sua profunda revelação sobre tentação com as palavras:  “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus”. Deus não é a fonte de nenhuma tentação. Sempre que  você se descobre pensando: “se Deus tivesse...” ou “não foi minha culpa, porque...” sabe que está tendo uma  atitude de culpar outros que só resultará em terremotos em sua vida. A Bíblia é clara: O Senhor não tenta a  ninguém – direta ou indiretamente. Nunca.    DEUS: O DOADOR DE TODA BOA DÁDIVA    A passagem, porém, vai adiante e revela algo surpreendente. Se Deus não é a causa da tentação, então qual  exatamente  é  a  sua causa?  Leia com  atenção  as  últimas  linhas  do  texto  de  Tiago:  “Toda  boa  dádiva  e  todo  dom  perfeito  são  lá  do  alto,  descendo  do  Pai  das  luzes,  em  quem  não  pode  existir  variação  ou  sombra  de  mudança” (v.17).  Se você conhece o Livro de Tiago, é possível que já se tenha perguntado o que essas palavras têm a ver com  tentação. A resposta é: tem tudo a ver! Veja bem, a tentação busca somente nosso pecado, e o pecado busca  nossa destruição (como você verá logo a seguir). Se Deus está por trás das tentações, em última análise deve  ser  um  Deus  vil,  que  tem  prazer  em  nos  ver  sofrer  r  sentir  dor.  Será  que  este  é  o  caráter  de  Deus?  Lamentavelmente,  creio  que  é  assim  que  pensamos,  nos  recantos  mais  sombrios  de  nosso  coração,  até  conhecermos  a  verdade.  Veja  como  soa:  “Se  Deus  me  amasse,  não  permitiria  que  aquela  tentação  me  atacasse”  ou  “Se  Deus  realmente  se  preocupasse  comigo,  saberia  como  sou  fraco  e  certamente  teria  me  ajudado – mesmo que só um pouco –, mantendo a tentação longe de mim”.  Você percebe o que estamos fazendo! Atacamos os motivos de Deus! Despedaçamos seu coração. Ele poderia  ter interrompido a tentação, então não teríamos pecado. Já que ele não o fez, seu coração deve ser frio, duro  e até cruel.  Tiago  deve  ter  antecipado  a  perversidade  de  nosso  coração  e  nossos  pensamentos  dúbios,  de  maneira  que  revelou a verdade sobre Deus e as tentações. Em vez de enviar dardos de destruição, veja o que Deus envia:  “Toda boa dádiva e todo dom perfeito”. Tenha isso bem claro em sua mente: Deus não é autor de nenhuma  tentação. Ele sempre é o autor de todo o bem em nossa vida. Como poderíamos saber desse fato sobre Deus,  se a Bíblia não revelasse? Como eu poderia saber que por trás de “toda boa dádiva e todo dom perfeito” está  a  mão  de  Deus?  Normalmente  pensaríamos  que  as  “coisas  boas”  que  nos  acontecem  são  o  resultado  de  nossos esforços ou apenas “acontecem”. Isso, porém, nem de longe é verdade.  Será que podemos acreditar que Deus está por trás de toda tentação que nos acomete, mas não conseguimos  crer que ele está por trás de cada boa dádiva? É como se Tiago estivesse prevendo nossa incredulidade – ele  utiliza duas vezes a palavra “todo” num grupo de sete palavras. “Toda” – isso mesmo: “TODA” é o que ele tem  em  mente.  Toda  boa  dádiva,  e  todo  dom  perfeito  –  procedem  do  alto.  Podemos  receber  uma  “dádiva”  de  outro ser humano, entretanto, se ela é “boa” e “perfeita”, você pode estar absolutamente certo de que em  última análise “desceu do Pai das luzes”! 

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Assim, qual é o verdadeiro motivo e o método de Deus? Somente boas dádivas e dons perfeitos procedem de  suas  mãos.  Nunca  tentações  malignas.  Não  esqueça  o  que  Paulo  ensinou  sobre  o  envolvimento  divino  em  nossas  tentações,  como  vimos  no  capítulo  anterior:  em  sua  soberania,  Deus  limita  toda  tentação  que  vem  sobre nós e nos dá um meio de livramento. Além de nos dá tudo de que precisamos para nos livrar do mal, ele  também  nos  dá  tudo  o  que  é  bom!  Sempre  que  cometemos  um  pecado  com  graves  conseqüências,  imediatamente somos tentados a acreditar que o coração de Deus não está cheio de amor. Somos tentados a  pensar que está cheio de más intenções. Note como a serpente levantou essa dúvida quanto ao caráter de  Deus no jardim do Éden: “Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que  no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”  (Gn 3:4,5).  Preste atenção nessas palavras sutis e enganadoras e verá duas mentiras fortíssimas esgueirando‐se na mente  de Eva: primeiro, a serpente diz que o caráter de Deus não é perfeito porque ele mentiu. Deus pode ter dito:  “Certamente  morrereis...”,  mas  a  verdade  é  que  “certamente  não  morrereis”.  Portanto,  argumentou  a  serpente, Deus pode mentir novamente – você não pode confiar nele ou em sua Palavra.  Segundo,  os  motivos  de  Deus  não  são  perfeitos  porque  deliberadamente  Deus  retém  algo  que  vocês  poderiam e na verdade deveriam possuir: “ Deus sabe [e não contou a vocês, não é?...] que no dia em que  dele  comerdes  se  vos  abrirão  os  olhos  e,  como  Deus,  sereis  conhecedores  do  bem  e  do  mal”  (Gn  3:5).  Portanto,  Deus  não  tem  compromisso  com  vocês  e  com  seu  bem‐estar.  Ele  é  egoísta  e  retém  o  que  lhes  pertence por direito. Você percebe como essa estratégia sempre funciona? Difamar e distorcer o caráter de  Deus é uma estratégia usada constantemente pelo inimigo. Por quê? Porque no momento em que a dúvida  sobre Deus entra em seu coração, você escancara a porta para muitas tentações.  Deus disse a verdade? Certamente, pois Adão e Eva morreram, exatamente como ele dissera. A motivação de  Deus era buscar o bem deles? Certamente, pois eles não se tornaram iguais a Deus – tornaram‐se iguais a seu  inimigo. Juntamente com o “conhecimento do mal” veio toda sorte de males sobre suas vidas. Quando você  reflete  no  significado  das  palavras  de  Tiago,  percebe  que  novamente  ele  antecipou  o  que  nós  estaríamos  pensando:  “Toda  boa  dádiva  e  todo  dom  perfeito  são  lá  do  alto,  descendo  do  Pai  das  luzes,  em  quem  não  pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17)  Haverá algum momento em que essas duas verdades sobre o caráter e a motivação de Deus não se aplicarão?  Será que Deus poderia ficar tão irado ou frustrado conosco, a ponto de seu coração se voltar contra nós e ele  mandar tentações para pecarmos? Tiago descreve o Senhor com aquele “em quem não pode existir variação  ou sombra de mudança”, Deus não mandou, não manda e jamais mandará tentação contra você.  A  terceira  mentira  sobre  tentações  é  que  não  podemos  conhecê‐las  ou  compreendê‐las,  porque  são  misteriosas  e  ocultas.  Nada  poderia  estar  mais  distante  da  verdade!  As  “tentações”  são  compreensíveis;  quanto  mais  você  presta  atenção  nelas,  mais  as  compreende  e  tem  controle  sobre  elas.  Com  o  tempo,  é  possível até antecipá‐las, sabendo quando e onde emergirão das sombras. Não devemos ignorar os métodos  das tentações!  O Senhor jamais envia tentações sobre alguém. O Senhor sempre é a fonte de toda boa dádiva e todo dom  perfeito. O Senhor revela abertamente como as tentações operam. Agora, vamos realmente tratar de como  você pode derrotar as tentações – exatamente onde elas são mais vulneráveis!    OS SETE ESTÁGIOS DE TODA TENTAÇÃO    Ao  ler  a  Bíblia,  você  depara  com  uma  verdadeira  mina  de  ouro  de  verdades.  Quanto  mais  cava,  maior  o  tesouro que extrai. Tiago 1:14,15 tem apenas três dezenas de palavras, mas desvenda completamente a obra  interior de toda tentação: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a  cônica, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.              58 

 


Número  Estágio 1  Estágio 2  Estágio 3  Estágio 4  Estágio 5  Estágio 6  Estágio 7 

Texto Bíblico  “Quando esta o atrai,  a própria cobiça,  e seduz  a cobiça, depois de haver concebido,  dá a luz o pecado;  e o pecado, uma vez consumado,  gera a morte” 

Estágio  OLHAR  COBIÇA  SEDUÇÃO  CONCEPÇÃO  NASCIMENTO  CRESCIMENTO  MORTE 

O versículo 14 introduz a questão “cada um é tentado...” e apresenta os sete passos, que relacionamos abaixo  de forma resumida:  ESTÁGIO 1: OLHAR – “QUANDO ESTA O ATRAI”    Você é tentado “quando” alguma coisa acontece – se nada acontece você não cai na tentação. “Cada um é  tentado...  quando  esta  o  atrai”.  A  palavra  “atrai”  é  emprestada  da  caça  e  da  pesca,  quando  um  peixe  vai  saindo lentamente para fora de seu esconderijo, ou quando um animal vai até o local onde há uma armadilha  pronta para pegá‐lo. O quadro é de uma pessoa sendo distraída por algo que desvia sua atenção de um foco  principal.  Pense sobre ser “atraído” – trata‐se de uma linha sutil, quase imperceptível, entre estar num estado seguro e  protegido, cuidando de sua vida, e escorregar para um estado de risco, no estágio inicial da tentação. A menos  que você seja distraído daquilo que está fazendo, não pode ser atraído para a tentação.  Veja como acontece: um ruído, alguém que passa por você, um telefonema, um “pensamento distraído” que  parece  surgir  do  nada,  uma  carta,  uma  pessoa  que  atravessa  seu  caminho,  um  perfume  que  traz  velhas  lembranças de pecados anteriores, uma carteira de dinheiro caída entre as árvores, seu vizinho que constrói  uma linda piscina, enquanto seu próprio quintal é feio, o caixa que lhe dá dinheiro a mais por engano, alguém  que lhe conta uma fofoca apimentada, o colega de trabalho casado que fica dando dicas tentadoras sobre o  que poderia acontecer durante a próxima viagem de negócio juntos.  Esse  primeiro  estágio  é  chamado  de  “olhar”  porque  desempenha  o  papel  da  porta  de  entrada  na  terra  da  tentação.  A  tentação  jamais  poderá  tocá‐lo  sem  primeiro  “atrair”  seu  olhar.  Guerreiros  hábeis  aprendem  como discernir quase imediatamente quando estão sendo atraídos – e recuam no mesmo momento! Se você  não entra pela porta, não pode ser tentado!  O segredo do Estágio 1 é: recue imediatamente quando sente que está sendo atraído!    ESTÁGIO 2: COBIÇA – “A PRÓPRIA COBIÇA”    Faça uma “checagem de tentação”. Pense sobre você mesmo e as maiores fontes de tentação que enfrenta.  Por exemplo, com que freqüência ouve alguém dizer: “Aquela garrafa é uma tentação” ou “aquele dinheiro  sobre  a  mesa  era  uma  tentação  muito  forte”;  “meu  chefe  é  a  pessoa  mais  injusta  que  conheço  e  me  faz  trabalhar tanto que uma hora vou perder a cabeça e começar a roubar a empresa, para compensar”; “se meu  cônjuge fosse mais romântico, eu não seria tão tentado a buscar satisfação com outra pessoa”; “eles cortaram  minhas horas extras, de maneira que tive de mentir na declaração de IR, para poder pagar as contas”; “ela se  insinuou para mim de maneira tão forte, sábado à noite, que não consegui resisti à tentação”.  Seja  qual  for  a  motivação  de  sua  tentação  –  raiva  roubo,  imoralidade,  ódio,  egoísmo,  inveja,  embriaguez,  pornografia ou mentira –, veja se você não consegue identificar as maiores fontes de suas tentações:  1. A principal “pessoa” que me tenta:__________________________________________  2. A principal “situação” que me tenta:_________________________________________  3. O principal “objeto” que me tenta:__________________________________________  4. O principal “lugar” onde sou tentado:________________________________________  5. O principal “pensamento” que me tenta:_____________________________________  Imagine  se  todas  essas  coisas  que  o  tentam  simplesmente  desaparecessem!  A  vida  seria  maravilhosa,  não  seria? A santidade se tornaria uma “sopa”, se essas fontes de tentação se desvanecessem. Certo?  Errado.  Veja  essas  palavras  chocantes:  “Cada  um  é  tentado  pela  sua  própria  cobiça,  quando  esta  o  atrai  e  seduz”. Qual é a fonte de toda tentação que você enfrenta? Você mesmo. Eu??? Sim, você. A única razão pela 

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qual a tentação “tenta” você é sua própria cobiça. Se ela não estivesse operando em sua vida, aquela situação  ou  pessoa  não  o  importunariam.  A  única  razão  para  você  atravessar  aquele  portal  é  que  ouve  seu  “nome”  sendo chamado! Seus desejos ocultos o atraem. Sem tais desejos, por que faria alguma coisa?  Neste momento, estou no meio de uma dieta de um mês, para perder cinco quilos indesejáveis. São 15h32, e  a fome esta começando a incomodar meu estômago. Digamos que minha esposa venha até mim com alguns  biscoitos de chocolate e uma xícara de café quentinho. Quanto eu seria tentado?  Agora, vamos mais adiante com este mesmo exemplo. Digamos que terminei de fazer uma refeição e comi  dois pedaços de torta de amora na sobremesa. Vamos nos sentar na varanda, e Darlene traz dois dos biscoitos  de chocolate.  Será que eu seria tentado? O que fez diferença e minha vulnerabilidade à tentação?  A tentação só é eficaz por causa do que há dentro de você e não fora. Que revelação poderosa na Palavra de  Deus! Portanto, quando o jovem que aconselhei recentemente disse: “Aquela garota me tenta demais!”, qual  era a verdade? Ou no caso do adolescente que diz: ”Não pude me controlar: aquele dinheiro sobre a mesa era  tentador  demais”.  A  mulher  não  era  a  fonte  de  tentação,  mas  sim  seu  próprio  coração  cheio  de  cobiça.  O  dinheiro esquecido sobre a mesa não era a fonte de tentação, mas sim seu coração ganancioso.  Quando a Bíblia diz “pela sua própria cobiça”, a palavra “cobiça” significa algo que nos atrai, qualquer coisa  que desperta em nós um desejo incontrolável. Quando você deseja comida, é positivo, mas se você permite  que o desejo por comida ultrapasse a barreira do autocontrole, cai no pecado da gula. Cada desejo que temos  foi dado por Deus. Deus colocou dentro de nós todos os desejos humanos, como um ato soberano da criação.  Juntamente  com  os  desejos,  o  homem  tem  também  a  liberdade  de  utilizar  os  meios  apropriados  para  satisfazê‐los sem pecado.  A  tentação  sempre  age  sobre  um  desejo  dado  por  Deus  e  tenta  nos  induzir  ao  pecado  em  duas  direções.  Primeira,  induzindo  o  desejo  dado  por  Deus  a  ultrapassar  seus  limites  normais  e  exceder‐se.  Segunda,  induzindo o desejo dado por Deus a buscar sua satisfação usando meios “fora dos limites”.  A  sede  de  toda  tentação  que  você  enfrenta  é  seu  próprio  coração.  Se  você  é  tentado,  nunca  culpe  outras  coisas ou pessoas: pegue um espelho e aponte o dedo para a pessoa que vê diante do espelho. Agora, cada  vez que for tentado, você já sabe que há desejos espreitando dentro de seu coração.  O segredo do Estágio 2: Toda tentação só é eficaz por causa de meus desejos pessoais.    ESTÁGIO 3: SEDUÇÃO – “E SEDUZ”    Este terceiro estágio é chamado “sedução” porque é exatamente o que o texto quer dizer. Se você já pescou,  conhece a importância estratégica de utilizar a isca certa e como fazê‐la se mover pela água. Este é o estágio  em que o desejo em você cresce de uma pequena atração para uma vontade avassaladora. É quando você é  seduzido, aliciado e atraído com destreza para cada vez mais perto do objeto de desejo.  Seduzir significa atrair com habilidade suscitando esperança ou desejo. Não esqueça que embora um objeto  em particular só possa tentá‐lo por causa de seu desejo interior, aquele mesmo objeto pode influenciar seu  desejo, incitando‐o cada vez mais.  Um  versículo  interessante  em  Provérbios  mostra  os  dois  lados  da  sedução:  o  interior  e  o  exterior:  “Não  cobices  no  teu  coração  [sedução  interior]  a  sua  formosura,  nem  te  deixes  prender  com  as  suas  olhadelas  [sedução exterior]” (Pv 6:25)  Qual é o propósito de toda sedução? Aumentar seu desejo, de forma que ele influencie seus pensamentos e  atitudes. Este é o estágio em que você realmente “quer” fazer algo. Quando seu desejo torna‐se mais forte,  você se torna cada vez menos consciente de tudo o mais em sua vida e concentra‐se no objeto do desejo. O  desejo  incontrolável  cega,  não  é? Há  uma  passagem  mais  clara  em  Provérbios  que  mostra como  a  sedução  aumenta  o  desejo:  “Eis  que  a  mulher  lhe  sai  ao  encontro,  com  vestes  de  prostituta  e  astuta  de  coração.  É  apaixonada e inquieta, cujo pés não param em casa; ora está nas ruas, ora, nas praças, espreitando por todos  os  cantos.  Aproximou‐se  dele,  e  o  beijou,  e  de cara  impudente  lhe  diz:  [...]  Vem,  embriaguemo‐nos  com  as  delicias  do amor,  até  pela  manhã; gozemos  amores.  Porque  meu  marido  não  está  em casa, saiu  de  viagem  para longe. [...] Seduziu‐o com as suas muitas palavras, com as lisonjas dos seus lábios o arrastou. E ele num  instante a segue, como o boi que vai ao matadouro...” Provérbio 7:10‐22  Tudo o que o Estágio 3 faz é atirar lenha seca no fogo ardente de seu desejo. A lenha pode ser atirada por seu  próprio  coração,  ou  por  ações  externas  de  outros.  Todas  as  ações  externas  da  sedução  focalizam‐se  em  60 

 


apenas uma coisa: fazer seu desejo crescer a tal ponto que você não se importa mais com o preço que terá de  pagar  para  satisfazê‐lo.  Em  áreas  de  tentações  nas  quais  você  cometeu  pouco  pecado  ou  jamais  pecou,  geralmente se passa um longo tempo de sedução repetitiva até que seu desejo cresça o suficiente para fazê‐lo  pecar.  Entretanto, se você peca repetidamente em certa área, assim que a tentação ergue sua cabeça enganadora  acima do horizonte, seu desejo é aguçado com muita rapidez, como se você nem tivesse passado pelo estágio  da sedução. Na realidade, seu desejo nem precisou ser instigado, ele já tem vontade própria e compromisso  com o pecado.  A  sedução  pode  ser  interrompida.  Se  a  tentação  é  externa,  fuja.  Se  é  interna,  pare  com  aquela  conversa  interior imediatamente. Quanto mais rápido você extingue as chamas do desejo, mais rápido você o controla.  Quando seus desejos são controlados, a tentação se desvanece.  O  segredo  do  estágio  3  é:  Extinga  os  desejos  impróprios  interrompendo  todos  os  processos  interiores  e  fugindo da sedução externa.    ESTÁGIO 4: CONCEPÇAO – “A COBIÇA, DEPOIS DE HAVER CONCEBIDO”    Há um abismo enorme entre nosso “desejo” e sua satisfação por meio do “pecado”. Toda tentação tem um –  e apenas um – objetivo: levá‐lo ao pecado. Primeiro a tentação o atrai, então seu desejo responde; depois,  seu desejo cresce com a sedução e finalmente “concebe” a decisão de pecar. Note com atenção a sequência  neste  versículo:  “Cada  um  é  tentado  pela  sua  própria  cobiça,  quando  esta  o  atrai  e  seduz.  Então,  a  cobiça,  depois de haver concebido, dá a luz o pecado...”  Quando  termina  a  sedução  e  começa  a  “concepção”  nos  estágios  da  tentação?  No  momento  em  que  você  toma a decisão de satisfazer seu desejo por meio do pecado, a sedução senta – seu trabalho está terminado.  A sedução é o elo poderoso entre o desejo e a decisão.    Desejo        Sedução          Decisão    A sedução só pode começar quando o desejo é instigado. Como você pode seduzir alguém que está dormindo,  ou  com  a  atenção  voltada  para  outra  direção?  O  fluxo  da  sedução  dirige  o  desejo  para  cima,  até  que  ele  literalmente  supera  seu  poder  de  decisão.  É  por  isso  que  quando  você  toma  a  decisão  de  pecar,  sente‐se  quase aliviado ou experimenta algum tipo de alivio emocional. A pressão atenua‐se, e chega a hora de pecar.  Quanto  mais  prolongada  a  sedução,  maior  é  a  transição  entre  as  três  fases  específicas.  Quanto  maior  é  o  estágio da sedução, maior é a facilidade de identificar em que fase você se encontra.  • Fase 1 da sedução: Foco emocional – “sentimentos”  • Fase 2 da sedução: Foco mental – “pensamentos”  • Fase 3 da sedução: Foco volitivo – “escolhas”  As três fases – sentimentos, pensamentos e escolhas – sobrepõem‐se e influenciam‐se entre si. Passando do  “desejo” para a “defesa”, e finalmente desta para a “decisão” de pecar.    As três fases da sedução                               Desejo (sentimento)            Defesa (pensamentos)              Decisão (escolhas)    Durante a Fase do Desejo, você experimenta uma atração emocional crescente pela tentação e “sente” com  força cada vez maior que quer fazer aquilo. O desejo finalmente instiga seus pensamentos, racionalizando e  buscando uma justificativa para entregar‐se ao pecado.  Durante a Fase da Defesa, você começa a racionalizar consigo mesmo por que é justificável cometer aquele  pecado. Duas táticas de defesa são usadas com freqüência: a negativa e a positiva. Para cometer o pecado,  você  precisa  diminuir  as  razões  para  não  fazer  (negativa)  e  aumentar  as  razões  para  fazer  (positiva).  As  emoções nunca têm o poder de fazer a pessoas pecar. A mente e a vontade sempre estão envolvidas, e você  precisa da permissão e da afirmação delas.  Lentamente você retira os pesos da Balança da Decisão para mudar seus pensamentos das razões para não  fazer  algo  para  as  razões  para  fazê‐lo.  Às  vezes  você  na  verdade  retira  as  razões  para  não  fazer  algo  da  61 

 


balança,  ou  as  esconde  nas  cavernas  da  mente.  Outras  vezes  você  transforma  a  razão  para  não  fazer  algo  numa razão para fazê‐lo, trazendo à memória a mágoa que uma pessoas possa ter‐lhe causado no passado, ou  inventando maus motivos para ela em sua imaginação.  A razão mais poderosa para se cometer u pecado é quando você pega uma razão negativa para não pecar e a  transforma  numa  razão  positiva.  É  incrível  como  todos  nós  somos  criativos  quando  somos  impelidos  pelas  emoções. Por exemplo, muitas pessoas casadas, que são tentadas a ter um envolvimento adúltero, começam  com as razões negativas, dizendo que “são casadas” e que “fizeram votos”. Depois, porém, destroem essas  razões  lembrando  de  todas  as  coisas  ruins  que  o  cônjuge  já  fez,  terminando  com  uma  razão  positiva:  meu  cônjuge vai ter exatamente o que merece, aquele rato sujo!”  Durante a Fase da Decisão, você faz a escolha. É o último estágio da concepção, quando você decide cometer  o pecado e começa a planejar quando e como o fará.  Lembre  que  as  três  fases  deste  estágio  são  relativamente  fáceis  de  perceber  em  sua  vida.  Primeiro,  você  começa  ficando  emocionalmente  atraído  pelo  pecado;  segundo,  você  começa  a  elaborar  boas  razões  para  cometer  o  pecado;  terceiro,  começa  a  planejar  como  cometer  o  pecado.  Embora  as  primeiras  tentativas  possam  ser  difíceis,  aprenda  a  medir  seu  próprio  “pulso”  nesta  questão.  Preste  atenção  como  está  e  ficará  surpreso com o que descobrirá.    ESTÁGIO 4: O PONTO MAIS FRACO DA TENTAÇÃO – “A COBIÇA, DEPOIS DE HAVER CONCEBIDO”  Em minha experiência em aconselhamento, tenho visto que essas três fases são úteis para discernir onde um  cristão está, ao cair no pecado. Fazendo duas ou três perguntas, do tipo: “Como você cometeria este pecado,  se decidisse fazê‐lo?”, você ficaria impressionado com as respostas. Se não sabem como fariam, é bom sinal,  pois mostra que não estão na fase da “escolha”.  Este gráfico ajuda a resumir os sete estágios da tentação.       1    2    3    4    5    6    7     

Olhar         Cobiça            Sedução         Concepção     Nascimento    Crescimento       Morte         Emoção                             Pensamento                         Vontade  Não peca       Não peca             Não peca              Decide pecar             Peca                  Mais pecado       Pecado maior   

Ao  olhar  para  este  gráfico,  fica  claro  que  a  vitória  sobre  a  tentação  fica  mais  fácil  quanto  mais  cedo  você  interrompe a tentação. Quando você começa a prestar mais atenção aos próprios sentimentos, pensamentos  e  escolhas,  discernirá  exatamente  onde  está  dentro  dos  sete  estágios.  Este  quarto  estágio  é  o  ponto  mais  fraco de toda tentação e o local onde você deve concentrar cuidadosamente seus esforços. Lembre das três  fases:  • A fase inicial: Você sente fortemente que quer cometer o pecado.  • A fase intermediária: Você pensa rápido sobre as razões para cometê‐lo  • A fase final: Você planeja com cuidado como consumar o pecado.  Todos  os  três  –  sentimento,  pensamento  e  planejamento  –  ocorrem  dentro  de  você.  Não  são  atitudes  subconscientes, mas sim conscientes, que emanam bem do centro de sua vida. Embora talvez você nunca as  tenha notado antes, são os atores principais em toda tentação que você enfrenta.  Assim, o que você deve perguntar a si mesmo? Primeiro, o que sinto que desejo fazer? Numa escala de 1 a 10,  quanto eu realmente quero cometer este pecado? Há quanto tempo me sinto dessa forma?  Segundo,  o  que  estou  pensando  sobre  este  pecado?  Estou  tentando  racionalizar  por  que  este  pecado  não  seria tão mal? Estou tentando me justificar usando os erros de outras pessoas?  Terceiro, o que estou planejando fazer com este pecado? Já pensei sobre quando e onde eu o cometeria? Já  projetei o quadro em minha imaginação?  Ao  fazer  essas  perguntas  simples,  você  descobre  exatamente  onde  está  nessas  três  fases  perigosas.  Se  não  consegue imaginar nenhum plano de ação, mas apenas começou uma lista de razões, você está no início da  fase intermediária.  O  que  você  deve  fazer  depois  que  descobre  exatamente  onde  está?  Reconheça  que  ainda  não  cometeu  nenhum pecado – portanto, não é tarde demais. Reafirme seu compromisso com a verdade e sua obediência  a ela, dizendo em voz alta:  62 

 


1. Tenho compromisso em ser “santo em todo o meu procedimento”.  2. Submeto‐me ao Senhor e escolho fazer sua vontade para minha vida.  3. Sujeito‐me ao Espírito Santo e à sua obra em minha vida.  4. Renuncio a todas as paixões da carne.  5. Reconheço que esta é uma tentação comum, que todos enfrentam.  6. Creio que o Senhor está limitando esta tentação, para que eu possa resistir.  7. Creio que o Senhor está providenciando um meio de livramento.  8. Sei que o Senhor não é o causador desta tentação.  9. Sei que o Senhor é o doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito.  10. Sei que o Senhor me ama e deseja o melhor para mim.  11. Sei que este pecado entristece a Deus e me causará dores.  12. Fui seduzido por esta tentação.  13. Sinto meus desejos me impelindo na direção da tentação.  14. Levo “cativo todo pensamento a Cristo” e paro com todos os pensamentos sobre este pecado.  15. Afirmo que estou plenamente consciente desta tentação e não estou sendo enganado.  16. Sei que esta tentação tem como alvo minha destruição.  17. Portanto, escolho voltar as costas para ela.  18. Submeto‐me totalmente a Cristo e resisto ao diabo.  19. Apresento todos os meus membros como armas da justiça.  20. Agradeço ao Senhor o seu sangue derramado e a minha salvação eterna.  Só  pelo  fato  de  você  orar  e  declarar  essas  verdades,  “a  verdade  o  libertará”,  você  quebrará  o  poder  da  mentira! Você ficará surpreso com a rapidez com que a tentação foge na noite, quando você traz a Luz!  O “Princípio Cuspir Rápido” é uma ilustração engraçada, mas muito útil, extraída de uma viagem de pescaria  que  fiz  ao  Colorado,  junto  com  meu  filho,  David.  Tínhamos  um  guia  que  nos  levou  ao  local  mais  “quente”,  onde garantiu que poderíamos pescar quantas trutas quiséssemos. “É um local tão bom”, ele disse, “que toda  vez que jogarem uma das minhas iscas feitas a mão pegarão uma truta”. Ele nos lembrou também de que era  um local onde tínhamos de “pescar e soltar”, por isso teríamos de usar somente anzóis lisos.  O guia nos levou até o local, nos posicionou na margem do rio e nos orientou para atirarmos a linha em certa  área,  deixando  a  isca  ser  levada  pela  correnteza.  Joguei  a  linha  coma  isca  e  fiquei  observando  a  bóia  ser  levada pela correnteza. Nada. Quando me preparei para recolher a linha, ouvi o guia dizendo: “deixou escapar  um”. Fiquei surpreso, mas lancei a linha novamente. Enquanto observava a bóia sendo levada, o guia repetiu:  “Deixou escapar outro”. Depois de uns momentos, acrescentou: “Acabou de deixar um peixe escapar”. Eu não  sabia se ele era louco, ou estava zombando de mim!  Frustrado, entreguei a vara de pescar ao guia e sugeri que me mostrasse como fazer. Afastei‐me da margem.  Sorrindo triunfante. Ele atirou a linha no mesmo local onde eu atirara antes. Imediatamente uma grande truta  mordeu a isca! Meu filho dobrava‐se de tanto rir, enquanto o guia me devolvia o equipamento, lembrando  que  havia  muitos  peixes  ali,  apenas  esperando  para  ser  fisgados,  de  maneira  que  eu  “não  podia  deixá‐lo  escapar”.  Voltei  à  margem  do  rio,  achando  que  o  guia  tinha  “amaciado”  o  local  para  mim  e  que  agora  era  minha vez de pegar a próxima truta. Joguei a isca exatamente no mesmo lugar e esperei, cheio de expectativa.  Embora eu não seja especialista em pescaria, já peguei muitos peixes, e aquela situação estava se tornando  embaraçosa.  Depois de uns trinta segundos, ouvi o guia repetir aquelas palavras impossíveis: “Deixou outro peixe escapar”.  Eu não acreditava! Não tinha sentido a mínima vibração na vara de pesca. Entreguei vara novamente ao guia,  e  outra  truta  me  fez  de  tolo,  sendo  fisgada  assim  que  ele  atirou  a  linha.  Eu  não  agüentava  mais  aquela  situação e pedi que o guia me contasse seu segredo. Então ele sorriu pela primeira vez.  ‐ Os peixes são realmente espertos. Como eles vivem num local onde os peixes devem ser soltos depois de  apanhados, já foram fisgados dezenas de vezes, talvez centenas. Ficam observando a isca, depois tocam nela  de  leve,  com  a  ponta  da  boca.  Se  sentirem  qualquer  coisa  dura  dentro,  cospem  imediatamente.  É  só  uma  fração de segundo. A razão de você não ter apanhado nenhum não foi porque eles não morderam a isca, mas  sim porque você ainda não desenvolveu a sensibilidade necessária para fisgá‐los naquela fração de segundo  antes que eles “cuspam” a isca! 

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Enquanto  eu  refletia  naquilo  durante  o  restante  do  dia,  ocorreu‐me  que,  como  aquelas  trutas,  precisamos  desenvolver um incrível senso de consciência. A tentação pode estar tentando nos apanhar, por isso temos de  aprender a cuspi‐la rapidamente, sem lhe dar tempo de nos “fisgar”.  Aquelas trutas eram como os cristãos  mencionados  em  Hebreus:  “Pela  prática,  têm  as  suas  faculdades  exercitadas  para  discernir  não  somente  o  bem, mas também o mal” (Hb 5:14).  Que  você  e  eu  possamos  nos  tornar  aqueles  que  têm  tanta  prática  na  santidade  que  possamos  discernir  imediatamente  quando  o  desejo  do  coração  está  indo  atrás  daquilo  que  pode  levar  ao  pecado.  Como  você  pode vencer a tentação? Pratique o “cuspir rápido”!  O segredo do Estágio 4 é: Decida com antecedência não pecar. Nunca se permita pensar numa boa razão para  pecar, assim você jamais tomará a decisão de pecar.    ESTÁGIO 5: NASCIMENTO – “DÁ À LUZ O PECADO”    No instante em que a decisão de pecar é tomada, o “esperma” do pecado penetra no “óvulo” da vontade do  indivíduo  e  a  vida  da  escolha  para  o  pecado  é  concebida.  Na  maioria  dos  casos,  depois  que  o  indivíduo  concebe  o  pecado  decidindo  pecar,  este  nasceu  ou  é  cometido  rapidamente.  Em  alguns  casos,  ocorre  uma  lacuna  entre  a  “concepção”  e  o  “nascimento”,  durante  a  qual  o  cristão  tem  uma  última  oportunidade  de  mudar de idéia e evitar o pecado. Durante esta “janela de oportunidade”, o Espírito Santo frequentemente  opera com poder, insistindo com o cristão para que ele interrompa o pecado. A convicção inunda o coração, e  o Senhor mais uma vez estende sua misericórdia, oferecendo ao indivíduo uma última chance de livramento.  O segredo do Estágio 5 é: Se você está no caminho de pecar, obrigue‐se a se submeter à convicção do Espírito  Santo e aborte o pecado, antes que seja tarde demais.            ESTÁGIO 6: CRESCIMENTO – “E O PECADO, UMA VEZ CONSUMADO”    Todo pecado cresce. Se você se entrega à ira, a ira cresce. Se você se entrega à cobiça, a cobiça cresce. Se  você se entrega ao amor ao dinheiro, o amor ao dinheiro cresce. O pecado não se satisfaz numa única vez. O  pecado é um vício.  O  pecado  cresce  como  um  organismo  vivo,  da  concepção  ao  nascimento,  e  deste  à  maturidade.  Entre  o  nascimento e a maturidade estão todos os estágios intermediários, à medida que ele cresce e se desenvolve.  Um  pecado  cresce  e  espalha‐se  até  o  próximo  pecado  e  dali  para  o  próximo.  O  pecado  não  se  satisfaz  no  mesmo nível de pecado e degenera‐se em pecados maiores e mais longos. O pecado busca o controle.  O  segredo  do  Estágio  6  é:  Cada  pecado  que  você  comete  cava  sua  sepultura.  Nunca  acredite,  nem  por  um  momento, na mentira: “Vou pecar apenas mais esta vez”, pois o pecado se fortalece mais contra você a cada  vez que você o comete.    ESTÁGIO 7: MORTE – “O PECADO... GERA A MORTE”    O  poder  e a  presença  do  pecado  crescem  com maior  firmeza  à  medida  que  o cristão  repetidamente  pecar.  Com  o  tempo,  e  por  causa  das  constantes  derrotas  diante  de  uma  tentação  em  particular,  o  cristão  lentamente  começa  a  experimentar  uma  tendência  ainda  mais  destrutiva.  Nos  estágios  iniciais  da  prática  deste pecado, ele poderia facilmente parar; nos últimos estágios, porém, mal consegue resistir – apesar de  toda a sua determinação e orações sinceras.  Embora alguns cristãos hoje ensinem que um cristão verdadeiro não pode cair nas garras do pecado, a Bíblia  ensina que você pode e a experiência geral comprova isso. A Bíblia adverte repetidas vezes sobre o enorme  perigo de o cristão cair sob o domínio do pecado. Pode‐se escrever todo um livro sobre este assunto, mas eis  algumas passagens que podem estimular seu estudo: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal,  de maneira que obedeçais às suas paixões [...] Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para  64 

 


obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a  justiça? [...] Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a  maldade,  assim  oferecei,  agora,  os  vossos  membros  para  servirem  à  justiça  para  a  santificação.  Romanos  6:12,14a, 16, 19b  Quando você lê Romano 6, pelo comando de Paulo “não reine o pecado”, fica claro que certamente o pecado  pode dominar a vida do cristão – por isso ele deu tal instrução. O pecado pode ter “domínio” sobre qualquer  cristão  que  repetidamente  sucumbe  às  suas  tentações.  Além  disso,  “iniqüidade  leva  a  mais  iniquidade”,  confirmando o conceito de que um pecado sempre leva a um pecado maior. Por último, note a frase “seja do  pecado para a morte ou da obediência para a justiça”, a qual ilustra a “morte” que se espalha com câncer na  vida do cristão que vive sob o domínio de certos pecados.  Com  é  esta  “morte”?  É  como  uma  escuridão  que  se  espalha  lentamente,  como  a  neblina  matinal  que  se  espalha pela paisagem da vida do indivíduo. A alegria, a paz e a segurança lentamente vão se desvanecendo,  sendo  substituídas  pela  depressão,  ansiedade  e  dúvida.  Tenho  visto  que  os  cristãos  que  experimentam  um  período  prolongado  sob  o  domínio  do  jugo  pesado  do  pecado  no  final  começam  a  duvidar  de  tudo,  até  da  própria salvação.  “Como  alguém  que  é  salvo  pode  levar  uma  vida  secreta  de  pecado,  com  eu?”  A  resposta  da  Bíblia  é:  apresentando continuamente sua vida a um pecado, você não somente pode levar uma vida de pecado, como  isso será inevitável. O pecado contínuo espalha trevas: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até  agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele,  porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas  lhe cegaram os olhos”. 1 João 2:9‐11  Quanto  mais  fundo  no  pecado  o  cristão  penetra,  mais  fundo  cai  nas  trevas.  Quando  o  cristão  continua  cometendo o pecado, seus olhos lentamente vão ficando cegos. Não pode enxergar o que antes enxergava  com facilidade. Quando você encontra um cristão que está “cego” ou “endurecido” diante de uma verdade  óbvia sobre um aspecto de sua vida, imediatamente você sabe que pode haver pecados mais graves em sua  vida, praticados há algum tempo. Aquela pessoa pode estar em amarras terríveis.  Quando  a  amarra aumenta,  até  os pensamentos  sobre  o  que  fazer  para  se  libertar  se  desvanecem  naquela  pessoa. Não pode enxergar por causa da escuridão do domínio do pecado. O terrível jugo do pecado continua  empurrando  e  empurrando,  até  que  o  cristão  perde  todo  o  autocontrole  naquela  área  de  pecado:  “Ora,  é  necessário  que  o  servo  do  Senhor  não  viva  a  contender,  e  sim  deve  ser  brando  para  com  todos,  apto  para  instruir,  paciente;  disciplinando  com  mansidão  os  que  se  opõem,  na  expectativa  de  que  Deus  lhes  conceda  não  só  o  arrependimento  para  conhecerem  plenamente  a  verdade,  mas  também  o  retorno  à  sensatez,  livrando‐se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade. 2 Timóteo  2:24‐26  Que  revelação  chocante!  Embora  alguns  ensinem  que  esta  passagem  não  se  aplica  aos  cristãos,  o  contexto  prova  o  contrário.  Não  se  trata  de  uma  passagem  sobre  “salvação”,  pois  o  parágrafo  anterior  claramente  descreve o comportamento pecaminoso e não a incredulidade em Jesus com Salvador. Será que de fato um  cristão pode ser “feito cativo pelo diabo para cumprir sua vontade” em alguma área de sua vida? Certamente.  Já  perdi  a  conta  do  número  de  ocasiões  em  que  estive  em  contato  com  cristãos  desesperados,  em  vários  lugares  do  mundo,  que  buscam  ajuda  para  se  livrar  da  terrível  escravidão  do  pecado.  O  problema  não  é  a  salvação  eterna  desses  indivíduos.  Eles  perderam  a  “sensatez”,  caíram  “nos  laços  do  diabo”  e  tornaram‐se  “cativos... para cumprirem a sua vontade”.  Não perderam a salvação por causa dos pecados que cometeram – precisam apenas ser libertos deles e voltar  a caminhar em santidade. Por isso Paulo disse aos Romanos, presos sob o domínio do pecado, para que se  apresentassem ao Senhor e se colocassem sob o domínio da justiça. Paulo não disse que eles precisavam de  salvação, nem que precisavam se converter novamente. Paulo não disse a Timóteo para levar os cativos à fé  em  Jesus  Cristo  como  Salvador.  Em  vez  disso,  diz  para  “discipliná‐los  em  mansidão”,  para  que  Deus  “lhes  conceda  arrependimento”  do  pecado,  para  que  possam  “conhecer  plenamente  a  verdade”,  retornem  à  “sensatez”, escapem do “laço do diabo” naquela área e quebrem aquele cativeiro terrível.  O segredo do Estágio 7 é: Independente do nível da escravidão sob a qual você se encontra, a obra de Cristo é  suficiente para torná‐lo totalmente livre.    65 

 


VOCÊ PODE VENCER A TENTAÇÃO    No ministério, dificilmente há algo mais maravilhoso do que testemunhar o milagre da libertação do domínio  do pecado ocorrer na vida de um cristão. É maravilhoso! Nas últimas três semanas, tratei com dois homens  exatamente  nesta  questão.  O  primeiro  levou  quatro  horas  e  meia  até  ajoelhar‐se  e  chorar:  finalmente  recobrou  a  sensatez  e  chorou  amargamente  diante  do  Senhor,  quebrando  o  jugo  do  inimigo  sobre  si.  O  segundo  levou  menos  de  uma  hora.  Você  precisava  tê‐lo  visto  junto  com  sua  esposa  na  manhã  seguinte.  Totalmente transformado!  Aqueles homens eram cristãos sinceros? Certamente. Estavam escravizados pelo diabo em pelo menos uma  área específica? Sim, e reconheceram isso rapidamente. Suas mentes estavam cegas? Com certeza. Estavam  andando  em  trevas  em  algumas  áreas  de  suas  vidas?  Sem  dúvida.  Estavam  escravizados  pela  vontade  do  inimigo? Ambos se descreveram com palavras como “desesperado” e “preso”.  O  primeiro  era  pastor  havia  quinze  anos.  O  segundo  era  pastor  fazia  quarenta  e  cinco  anos.  Havia  dezoito  meses o primeiro estava preso. O segundo estava vivendo em escravidão por mais de cinqüenta anos. Jamais  pense  que  tal  coisa  não  pode  acontecer  co  você,  meu  amigo.  A  escolha  consciente  de  pecar  tem  conseqüências terríveis e destrutivas, que literalmente podem devastar sua vida e a das pessoas a seu redor.  Mas a boa notícia é que o sangue preciso de Jesus nos deixou completamente livres. De fato, 1 João 3:8b faz  uma  declaração  poderosa:  “Para  isto  se  manifestou  o  Filho  de  Deus:  para  destruir  as  obras  do  diabo”.  A  libertação de todas as amarras do pecado foi providenciada pela morte e ressurreição de Jesus e é o direito e  privilégio de todo aquele que crê. Meu amigo, se você está preso pelo pecado em sua vida, quero animá‐lo.  Nunca é tarde demais para voltar, arrepender‐se, retornar à sensatez e ser libertado de todas as amarras do  inimigo.  Sua vida pode ser totalmente purificada. Sua consciência pode ficar limpa. Nenhum pecado, nenhuma amarra  e nenhum demônio podem vencer nosso Libertador, o Senhor Jesus! Volte ao capítulo 5 e passe novamente  pelos  Dez  Passos  da  Purificação.  Se  você  ainda  está  em  luta,  procure  seu  pastor  ou  algum  irmão  piedoso.  Revele  seu  pecado  e  peça  ajuda.  O  Senhor  sempre  dá  graça  para  aqueles  que  se  humilham  e  buscam  a  purificação!    8  A PIOR TENTAÇÃO EM NOSSA CULTURA  A sensualidade é facilmente o maior obstáculo à piedade... hoje e está causando o caos na Igreja. Piedade e  sensualidade se excluem mutuamente. Aqueles que se apegam à sensualidade, enquanto estiverem presos  nessa doce prisão, não alcançarão a piedade. R. Kent Hughes    Recentemente numa reunião com um grupo de 40 homens, perguntei quais eram as três maiores tentações  que  os  homens  enfrentam  hoje.  Um  deles,  que  estava  nas  primeiras  filas,  respondeu  imediatamente:  “Número 1: sexo; número 2: sexo; número 3: sexo!” Toda a sala explodiu em gargalhadas!  Numa  pesquisa  recente,  foi  solicitado  aos  homens  cristãos  que  relacionassem  os  pecados  com  os  quais  se  debatiam com maior freqüência. Quando os resultados foram compilados, a imoralidade sexual, seja qual for  o  tipo,  aparecia  em  62%  das  respostas  (o  segundo  pecado  mais  mencionado  aparecia  em  apenas  12%  das  respostas).  Para  os  homens,  o  problema  da  imoralidade  sexual  é  cinco  vezes  maior  do  que  o  próximo  problema grande que enfrentam.  Embora possamos achar que seja um problema exclusivamente masculino, há cada vez mais evidência de que  as mulheres são tão tentadas quanto os homens – de fantasias a envolvimentos físicos. Veja as telenovelas,  tão  populares  entre  as  mulheres,  cujos  enredos  saltam  de  um  envolvimento  sexual  para  outro.  Recentemente,  quando  comentei  sobre  este  problema  com  um  vendedor  que  viaja  bastante,  ele  riu  alto  e  disparou:  “Nos  casos  de  envolvimento  sexual  em  nosso  escritório,  ou  nas  ‘noitadas’  durante  as  viagens  a  trabalho, noto que sempre há uma mulher tão envolvida quanto o homem!”  Há dois dias, Darlene e eu lideramos um retiro para casais, durante o qual um empresário compartilhou sobre  a luta enfrentada pelas mulheres jovens que se envolvem em imoralidade sexual com colegas de trabalho e  com chefes, para galgarem os degraus da carreira profissional. 

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Pesquisas têm revelado que os sites mais visitados hoje na Internet não são de negócios ou de informação,  mas  de  pornografia.  Se  você  acredita  que  este  é  um  problema  “secular”,  que  não  se  infiltrou  nos  meios  evangélicos, converse com alunos de seminários e de instituições cristãs e comprove como este problema é  abrangente e destrutivo.  Portanto, antes de entrarmos no tópico da “santidade positiva”, creio que seria útil avaliar a maior tentação  isolada de nossa sociedade. A imoralidade sexual é claramente o pecado mais difundido e mais destrutivo de  nossa cultura, apesar de raras vezes ser abordado e discutido nos círculos cristãos. Deixado sem oposição, ele  acaba  controlando  e  arruinando  a  vida  daqueles  que  vivem  sob  seu  domínio.  Logo  homens  e  mulheres  perdem  toda  esperança  de  um  dia  ser  “livres”  e  “purificados”  novamente  –  adentrando  a  prisão  sombria  e  solitária da derrota e do desespero.    DEUS COMPREENDE SEU IMPULSO SEXUAL?    Deixe‐me  lhe  fazer  uma  pergunta  estratégica:  você  acredita  que  o  Senhor  realmente  compreende  seus  impulsos sexuais? Crê que ele o criou, inclusive com desejos sexuais, mas que algo deu errado no processo?  Talvez Deus olhe para o outro lado, fazendo “vista grossa” à imoralidade. Quem sabe, quando ele disse “sede  santos em todo o vosso procedimento”, tenha decidido ignorar o problema da imoralidade sexual. Talvez você  acredite que o Senhor de fato criou o ser humano com fortes impulsos sexuais, mas tem prazer em vê‐los se  debatendo para se controla. Nesse caso, Deus deve ser um grande sádico – dando‐nos algo que desejamos  intensamente e depois zombando e dizendo: “Não faça isso!”  Todos esses pensamentos não poderiam estar mais distantes da verdade. O Senhor inventou o sexo e colocou  o impulso sexual na humanidade, como um presente maravilhoso, por muitas razões boas. Deus conhece e  compreende  os  desejos  e  as  necessidades  que  acompanham  esse  presente  e  providenciou  uma  resposta  notável para seu pleno gozo e realização. Não esqueça, quando Deus disse “tornai‐vos santos em todo o vosso  procedimento”,  incluía  também  a  área  sexual.  Você  deve  ser  santo  em  cada  parte  de  sua  vida  e  seu  comportamento – inclusive em tudo o que diz respeito a sua vida sexual.  Esta  é  uma  questão  delicada,  por  isso  precisamos  ter  três  coisas  em  mente  ao  explorarmos  o  assunto.  Primeiro, temos de nos manter dentro do ensino bíblico. A Bíblia não nos deixa no escuro sobre essa questão,  mas revela a mente e o coração de Deus sobre a sexualidade e a imoralidade. A principal passagem do Novo  Testamento  sobre  imoralidade  sexual  será  apresentada  sem  constrangimento  como  a  resposta  divina  ao  problema. Não acrescentarei comentários psicológicos ou sociológicos à Palavra de Deus sobre esta questão:  pelo contrário, abrirei os textos bíblicos que contêm respostas diretas às perguntas.  Segundo, precisamos ser diretos. De todos os capítulos, este será o mais difícil de escrever e, talvez, de ler. A  sexualidade é uma questão muito particular. Quando me debatia sobre como abordar essa questão, o Senhor  me lembrou de que aquilo que ele disse (e como disse) nas Escrituras revela exatamente o que deseja que  saibamos.  Nem  mais,  nem  menos.  Com  essas  discussões,  vamos  abordar  uma  passagem  básica,  escrita  por  Paulo, sob inspiração divina, para uma igreja local. Quando esta carta foi recebida, foi lida em voz alta para  toda a congregação. Paulo escreveu essas palavras bem diretas para uma audiência mista, que a ouviu num  local publico. Portanto, serei tão direto quanto a Bíblia é nessas questões relacionadas à sexualidade.  Terceiro,  precisamos  manter  o  foco.  Este  livro  tratará  da  tentação  sexual  e  não  atacará  os  males  da  imoralidade  em  nossa  sociedade  como  um  todo.  Se  você  achar  que  estou  ignorando  questões  culturais  relevantes,  lembre‐se  de  nosso  foco:  o  que  a  Bíblia  ensina  sobre  imoralidade  sexual?  O  espaço  não  nos  permitirá uma apresentação ampla e completa do amor no casamento, portanto, este capítulo se limitará a  uma apresentação específica do que uma passagem do Novo testamento ensina sobre a solução de Deus para  a imoralidade sexual.     O PADRÃO DIVINO PARA A CONDUTA SEXUAL    Muitas pessoas, inclusive cristãos, na entendem com clareza o que é um comportamento “santo” e o que não  é na área da sexualidade. Há alguns anos, quando ministrava a conferência de treinamento 7 Leis do aprendiz  num  hotel,  senti  em  primeira  mão  a  profunda  confusão  em  torno  dos  padrões  sexuais  de  Deus,  de  uma  maneira surpreendente. Na segunda tarde da conferência, muitos dos  participantes estavam espalhados ao  67 

 


redor  da  piscina,  conversando  sobre  o  que  tinham  aprendido  a  respeito  dos  métodos  pedagógicos.  Eu  me  juntei a um pequeno grupo, e ficamos um tempo conversando, até que pedi que cada um dissesse o nome, de  onde era e por que estava participando da conferência.  Cada um foi falando, a te que chegou a vez de uma jovem, a qual disse que estava apreciando a conferência e  que viera de outro Estado, junto com o namorado. Disse que o namorado não estava ali no grupo, que ficara   no  quarto  assistindo  ao  beisebol  na  TV.  Sorri  e  perguntei  se  ele  também  estava  matriculado  no  curso.  Ela  respondeu: “Não, ele ainda não é cristão, mas quis me acompanhar”.  Como  você  pode  imaginar,  a  afirmação  daquela  jovem,  de  que  estava  compartilhando  um  quarto  com  o  namorado numa conferência do ministério Através da Bíblia criou uma situação delicada. Perguntei se tinham  passado a noite juntos, e ela respondeu que sim sem nenhum constrangimento e acrescentou que já viviam  juntos  por  quase  dois  anos  (notei  naquele  momento  que  ninguém  no  grupo,  antes  tão  animado,  parecia  sequer respirar).  ‐ Você já é cristã, ou ainda está se chegando a Cristo? – perguntei.  ‐  Já  sou  cristã  há  quase  cinco  anos  e  estou  crescendo  –  ela  disse  a  que  igreja  pertencia  e  emendou,  entusiasmada, que realmente gostava da classe da Escola Dominical.  Fiz uma oração silenciosa pedindo graça e perguntei:  ‐ Como acha que Deus se sente por você e seu namorado morarem juntos?  ‐  Não  tem  problema!  – ela  respondeu  com  um sorriso  radiante.  –  Creio  que  ele  se  tornará  cristão,  e  então  iremos nos casar.  ‐ Se Deus lhe dissesse que não devia ter envolvimento sexual com seu namorado, nem morar com ele antes  do casamento, o que você faria?  Pela expressão corporal da jovem, percebi que tal idéia nunca passara por sua cabeça.  ‐ Bem, teria de pedir a meu namorado que mudasse de casa. Seria difícil, mas eu amo a Deus e obedeceria a  ele. Por que pergunta?  Olhei ao redor para o pequeno grupo, mas como era de esperar, não é comum que alguém leve a Bíblia para a  piscina, numa tarde de sol.  ‐ Por que você não vai até seu quarto e apanha a Bíblia? Quero mostrar‐lhe algo muito importante sobre a  vontade de Deus para sua vida e de seu namorado. Creio que você gostará de saber.  Ela foi buscar a Bíblia. Nenhum dos presentes parecia ter algo a dizer. Os mais maduros estavam orando em  silêncio,  percebendo  claramente  que  Deus  tinha  um  propósito  naquela  conversa.  Nos  minutos  que  se  seguiram, mostrei àquela jovem as passagens bíblicas sobre a questão e pedi que lesse em voz alta. Logo ela  percebeu qual era a vontade de Deus – ninguém teve de dizer‐lhe, porque ela leu por si mesma na Bíblia.  Então, pela primeira vez, ela demonstrou seu  desconforto. Não por causa dos presentes ali na piscina, mas  por causa da obra interior de convicção do Espírito Santo. Lentamente a jovem levantou os olhos da Bíblia e  disse:  ‐ Então, o que estou fazendo é “fornicação” – e é um pecado grave aos olhos de Deus, certo?  Assenti, esperando que o Espírito Santo conduzisse.  ‐  bem  –  ela  continuou,  com  os  olhos  marejados  –,  então  meu  namorado  terá  de  ir  embora.  Não  podemos  morar juntos sem nos casar. Certo?  Assenti, enternecido. Como o Senhor foi bondoso, mostrando sua vontade àquela jovem de forma mansa e  delicada.  Nunca esquecerei o que ela disse a seguir:  ‐  Não  cresci  num  lar  cristão.  Não  conhecia  nenhum  cristão.  Todas  as  minhas  amigas  dormiam  com  os  namorados, por isso nunca me preocupei com isso. Mas já sou cristã há cinco anos, vou à igreja quase toda  semana. Por que ninguém me falou que dormir com o namorado sem estar casada era pecado?  Naquele momento, todos no grupo desviaram o olhar. Ninguém falou, quando a convicção do Senhor moveu‐ se  do  pecado  daquela  jovem  para  o  pecado  coletivo  dos  cristãos  em  todo  lugar,  que  escondem  o  claro  ensinamento  da  Bíblia  por  medo  de  ser  rejeitados  ou  ridicularizados.  Algo  no  fundo  de  meu  ser  quebrou,  quando  ela  fez  aquela  pergunta  difícil  e  dolorosa.  Desde  então,  não  considero  nenhuma  verdade  insignificante. Que o Senhor crie essa mesma convicção em todo aquele que conhece sua Palavra.      68 

 


DEFININDO IMORALIDADE SEXUAL    O  que  exatamente  é  pecado  sexual?  Abaixo,  relacionamos  as  cinco  principais  descrições  bíblicas  de  imoralidade sexual:   1.  Imoralidade  sexual  é  ter  relações  sexuais  antes  do  casamento,  com  qualquer  pessoa.  Um  padrão  inconfundível  na  Bíblia  concernente  ao  comportamento  sexual  é  que  o  sexo  antes  do  casamento,  com  qualquer pessoa, é pecado. Em geral, o sexo entre pessoas solteiras é chamado de fornicação. Entre pessoas  casadas é chamado de adultério e entre pessoas do mesmo sexo é chamado de homossexualismo.  O sexo antes do casamento, praticado com o futuro cônjuge, é tão pecaminoso quanto com qualquer outra  pessoa. Noivos não são casados, até que a união seja oficializada pelas autoridades civis e religiosas. Relações  sexuais  entre  noivos  antes  da  oficialização  do  casamento,  é  fornicação.  Casais  de  noivos  que  fazem  “votos  secretos” entre si para poderem ter relações sexuais antes de estar formalmente casados não estão casados  aos olhos de Deus e estão cometendo fornicação.  De  vez  em  quando  encontro  casais  que  não  são  legalmente  casados,  que  tiveram  relações  sexuais  e  que  acharam que assim estavam casados aos olhos de Deus. O sexo antes do casamento nunca foi chamado de  casamento na Bíblia – é sempre chamado de fornicação ou adultério. A vontade de Deus é clara: não se deve  manter relações sexuais com ninguém, antes do casamento.  2. Imoralidade sexual é ter relações sexuais após o casamento com outra pessoa além do cônjuge. Depois do  casamento,  a  relação  sexual  mantida  com  qualquer  outra  pessoa  além  daquela  com  quem  o  indivíduo  está  casado é sempre chamada de imoralidade  3.  Imoralidade  sexual  é  qualquer  atividade  sexual  praticada  com  qualquer  pessoa  além  do  cônjuge.  Inclui  qualquer coisa que uma pessoa faça com outra (exceto com o cônjuge) com o propósito de obter prazer ou  satisfação  sexual.  Ou  seja,  atividades  sexuais  solitárias,  com  crianças,  com  membros  da  família  (incesto)  ou  com um parceiro contratado (prostituição). Todas essas atividades são imorais aos olhos do Senhor.  4. Imoralidade sexual é fazer qualquer coisa em si próprio com o propósito de instigar o desejo sexual. Este  princípio  geral  é  muito  útil  para  ajudar  o  cristão  a  definir  se  está  indo  na  direção  da  imoralidade.  A  Bíblia  direciona  a  realização  dos  desejos  sexuais  para  o  cônjuge.  Buscar  deliberadamente  instigar  ou  satisfazer  os  desejos sexuais com qualquer outra pessoa além do cônjuge ou de qualquer outra forma está fora dos limites  da vontade de Deus. Isso inclui as linhas eróticas “0900”, sites eróticos na internet e casas de massagem com  propósitos sexuais. Relacionamentos muito íntimos entre casados e pessoas do sexo oposto também podem  levar à infidelidade emocional ou sexual e devem ser evitados.  5.  Imoralidade  sexual  inclui  pensamentos  de  cobiça.  Jesus  definiu  claramente  os  “pensamentos  impuros”  como imoralidade sexual em Mateus 5:28: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com  intenção  impura,  no  coração,  já  adulterou  com  ela”.  A  pornografia  inclui  revistas  eróticas,  novelas  apimentadas,  boates  de  strip‐tease,  filmes  com  cenas  de  nudez  e  sexo  e  entrevistas  de  conteúdo  imoral.  Todos esses elementos são produzidos com o propósito de estimular a imoralidade sexual.  Agora que você já conhece o padrão divino da conduta sexual, como avalia seu comportamento nesta área,  nos  últimos  meses?  Tem  sido  sexualmente  puro  ou  impuro?  Tem  buscado  –  direta  ou  indiretamente  –  estimular ou satisfazer seus desejos sexuais com qualquer pessoa além do cônjuge? Se você não é casado tem  praticado o celibato tanto mental quanto fisicamente?  Se você é como muitos, deve estar se sentindo mais do que desafiado em relação aos padrões divinos e seu  comportamento. Muitas vezes, surgem três perguntas importantes neste ponto:  • Qual é a resposta divina a meu impulso sexual?  • Como posso lidar com minha dificuldade em autocontrolar‐me?  • Como posso resistir às tentações sexuais quando elas surgem?  Neste capítulo, você lerá a notável – e talvez até chocante – revelação da poderosa resposta da bíblia a essas  três perguntas.    A PROVISÃO PRIMÁRIA DO SENHOR PARA AS TENTAÇÕES SEXUAIS    1 Coríntios 7:2‐5 apresenta a notável resposta divina às tentações sexuais. Leia esta passagem com atenção,  antes  de  estudar  os  sete  princípios  extraídos  dela:  “Por  causa  da  impureza,  cada  um  tenha  a  sua  própria  69 

 


esposa,  e  cada  uma,  o  seu  próprio  marido.  O  marido  conceda  à  esposa  o  que  lhe  é  devido,  e  também,  semelhantemente,  a  esposa,  ao  seu  marido.  A  mulher  não  tem  poder  sobre  o  seu  próprio  corpo,  e  sim  o  marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.  Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à  oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.    1. O Senhor revela que “por causa da impureza” [imoralidade sexual], as pessoas devem se casar  Paulo  escreveu:  “Por  causa  da  impureza,  cada  um  tenha  a  sua  própria  esposa,  e  cada  uma,  o  seu  próprio  marido”.  Pense  por  um  momento:  Se  alguém  lhe  perguntasse  qual  é  a  solução  bíblica  para  a  imoralidade  sexual, o que você diria? Orar? Ler a Bíblia? Exercitar o domínio próprio? Todas são boas idéias, mas nenhuma  delas é a resposta específica dada por Deus. A provisão divina para o combate à imoralidade é o casamento!  Este texto de 1 Coríntios é a revelação mais direta concernente ao plano de Deus para a satisfação de nosso  impulso  sexual  de  uma  maneira  que  o  agrada.  Portanto,  o  casamento  deve  ser  considerado  “santo”  e  separado para ele.  O  casamento  não  poderia  ser  realmente  a  resposta  para  todos  os  tipos  de  imoralidade  sexual,  poderia?  E  quanto à pornografia? Como o casamento pode resolver o problema das tentações na Internet? E quanto às  tentações  que  enfrentamos  nas  lojas  e  ruas?  Não  perca  a  resposta  de  vista:  o  casamento  é  a  solução  para  todos os tipos de “imoralidade”. Por quê? Porque a imoralidade sexual sempre se relaciona a uma única coisa:  seu impulso sexual. As imoralidades sexuais são as várias maneiras que as pessoas encontram para satisfazer  o impulso sexual. Quando esse impulso é satisfeito, as várias imoralidades são atenuadas.  O  casamento  é  a  solução  primária  de  Deus  para  as  tentações  sexuais.  As  palavras  “cada  um  tenha  a  sua  própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” são imperativas – mandamentos positivos que devem ser  obedecidos, a menos que Deus abra uma exceção à norma com o raro “dom do solteiro”.  Deus ordena que as pessoas se casem, por causa da impureza. Esse mandamento não é um princípio geral,  mas  bastante  pessoal,  como  mostram  as  palavras  “cada  um”  e  “cada  uma”.  A  imoralidade  é  um  problema  tanto de homens com de mulheres, e a solução é a mesma para ambos: casem‐se!   Na  época  do  Novo  Testamento,  geralmente  as  pessoas  casavam‐se  durante  a  puberdade.  O  casamento  permitia que o impulso sexual que desabrochava fosse satisfeito e não fosse reprimido. Atualmente, porém,  os casamentos são adiados até a idade adulta, por pressões educacionais, profissionais e financeiras. Quanto  mais o ser humano adia o casamento além da puberdade, mais tentações sexuais terá de enfrentar.  A maioria dos jovens, inclusive muitos cristãos, são sexualmente promíscuos e cometem fornicação antes do  casamento.  Talvez  a  razão  mais  forte  seja  o  adiamento  da  época  de  casar.  Aparentemente  o  jovem  cristão  decidiu  que  a  fornicação  é  preferível  ao  casamento,  em  vista  das  restrições  culturais  da  prioridade  da  formação  profissional/acadêmica  e  dos  prazeres  pessoais  de  um  estilo  de  vida  independente  e  sem  compromisso.  As pessoas devem casar, quando não conseguem controlar o impulso sexual dado por Deus? A Bíblia é bem  clara:  “Caso,  porém,  não  se  dominem,  que  se  casem;  porque  é  melhor  casar  do  que  viver  abrasado”  (1  Co  7:9). Diante do atual adiamento (não natural) do casamento, muitos indivíduos entregam‐se às tentações e  tornam‐se  promíscuos,  de  uma  maneira  ou  de  outra.  Essas  concessões  sexuais  fora  do  casamento  enfraquecem drasticamente o esquema divino. Ao encontrarem satisfaça sexual fora do matrimônio, milhões  de  solteiros  estão  contornando  a  pressão  estabelecida  por  Deus  de  encontrar  um  parceiro  para  se  casar,  adiando a época natural do casamento.  Tenho  falado  em  muitas  conferências  cristãs  para  solteiros  e  posso  dizer  que,  tragicamente,  a  maioria  esmagadora dos solteiros é sexualmente ativa, vivendo, assim, na imoralidade. Por encontrarem “alívio” para  os  impulsos  dados  por  Deus  por  meios  condenados  por  Deus,  o  relógio  pessoal  para  o  casamento  é  radicalmente afetado.  Existem exceções nessas situações? Certamente. Todas as pesquisas, porém, sejam cristãs, sejam seculares,  mostram claramente que as exceções consistem em situações extremamente raras. Em que idade você acha  que a maioria dos cristãos comete fornicação? Entre os 14 e 19 anos de idade. Em que idade você acha que a  maioria dos cristãos se casa? Entre os 24 e 30 anos. 

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Nunca  esquecerei  uma  conversa  que  tive  com  um  amigo  numa  de  nossas  conferências  em  Phoenix,  no  Arizona.  Uma  sessão  matutina  sobre  imoralidade  tinha  suscitado  grande  interesse  e  discussão.  Quando  eu  voltava para meu gabinete, um amigo de longa data começou a conversar comigo.  ‐ Bruce, não sei mais o que dizer a esses jovens – ele disse.  ‐  O  que  você  quer  dizer?  –  realmente  fiquei  surpreso,  pois  ele  trabalhava  com  discipulado  havia  mais  de  cinqüenta anos.  ‐  Bem  –  continuou  um  tanto  constrangido  –  alguns  desses  jovens  têm  sérios  problemas  sexuais,  inclusive  tentações e imoralidade. Eu não sei o que lhes dizer.  Depois de uma pausa, acrescentou:  ‐  Bruce,  não  consigo  me  identificar  com  os  problemas  deles.  Minha  esposa  sempre  supriu  minhas  necessidades sexuais. Simplesmente não tenho nenhuma frustração nesta área.  Ainda me lembro do impacto de suas palavras honestas e vulneráveis. Parei bem no meio do corredor e olhei‐ o diretamente nos olhos.  ‐ Você descobriu a resposta bíblica! Não é só por causa de seu compromisso com Cristo que você não comete  imoralidade sexual, mas porque está cumprindo o plano perfeito de Deus contra a tentação sexual: o sexo no  casamento!  Citei para ele o texto de 1 Coríntios 7 e disse:  ‐  Mostre‐lhes  estes  versículos,  ensine,  não  omita  nenhuma  palavra  e  não  ceda  nem  um  milímetro.  Mas...  compartilhe também como funcionou maravilhosamente seus 50 anos de casamento!  O casamento é a solução primária de Deus para a imoralidade sexual.    2. O Senhor ordena que os cônjuges “cumpram suas obrigações sexuais”  Paulo continua: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao  seu  marido”  (1  Co  7:3).  O  Senhor  antecipou  este  problema  específico.  Nem  todas  as  tentações  sexuais  desaparecem imediatamente só porque uma pessoa se casa. O casamento é o único alívio aprovado por Deus  para o impulso sexual, mas não traz alívio para muitos homens e mulheres. De fato, muitos casados são os  mais  imorais.  Veja  bem,  não  é  o  casamento  que  é  a  resposta...  o  sexo  dentro  do  casamento  é  a  resposta!  Entretanto,  o  que  acontece  se  o  marido  não  corresponde  aos  avanços  sexuais  de  sua  esposa?  O  impulso  sexual dela fica frustrado, e ela tentada nesta área.  A  Bíblia  ensina  que  o  casamento  é  um  prazer,  bem  como  uma  obrigação.  Uma  “obrigação”  é  uma  responsabilidade  legal  ou  moral,  decorrente  de  certa  posição.  É  obrigação  de  cada  cônjuge  atender  ao  impulso sexual do parceiro. Note que a Bíblia revela que tal obrigação é voltada para o cônjuge: o marido tem  uma obrigação para com a esposa, e a esposa para com o marido. O pensamento subjacente a essas palavras  não é que o marido tem obrigação de ter relações sexuais com a esposa quando ele quer, mas é sua obrigação  atender sua esposa quando ele deseja ter relações, e vice‐versa.   A obrigação não é da pessoa que toma a iniciativa sexual, mas daquela que responde. Por exemplo, digamos  que o marido faz alguns avanços em direção à esposa. Esse versículo ensina que é obrigação dela ter relações  com  ele.  Por  quê?  Porque  neste  caso,  o  marido  tem  um  impulso  sexual  que  está  buscando  satisfação,  e  a  esposa tem obrigação de garantir que tal necessidade seja suprida. Portanto, sempre que seu cônjuge toma  iniciativas sexuais, lembre‐se de suas obrigações matrimoniais.  Você pode surpreender‐se com todas as palavras que Deus poderia ter escolhido para expressar qual era sua  vontade no contexto do casamento – e ele escolheu a palavra “devido”. Esta palavra relaciona‐se a obrigação  e responsabilidade. Quando você casa, está sob a obrigação divina de conceder a seu cônjuge a satisfação de  suas necessidades sexuais.  A  mesma  frase  (em  1  Co  7:3)  usa  também  a  palavra  “conceda”:  “O  marido  conceda  à  esposa  o  que  lhe  é  devido,  e  também,  semelhantemente,  a  esposa  [conceda],  ao  seu  marido”.  Conceder  significa  abrir  mão,  permitir  a  plena  realização,  liberar,  desenvolver  o  pleno  potencial.  “Conceder  o  que  é  devido”  significa  cumprir plenamente uma promessa ou cumprir uma obrigação. Uma vez que o que é “devido” se relaciona a  guardar o cônjuge de cometer imoralidade, as ações de ambos os parceiros devem satisfazer de tal forma as  necessidades sexuais que ambos se sintam realizados. Assim, o termo “completamente satisfeito” captura o  sentido da expressão bíblica “conceder o que é devido”. 

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Qual dos dois cônjuges deve decidir se os impulsos sexuais ou desejos foram totalmente satisfeitos? O que  tomou a iniciativa. Em outras palavras, a única maneira de o marido saber se “concedeu o que é devido” à  esposa é perguntando a ela: “Suas necessidades sexuais foram totalmente satisfeitas?”.  Depois de aconselhar centenas de casais nos últimos trinta anos, posso lhe garantir que são raros os casais  que compreendem e aplicam este princípio bíblico. Sua “obrigação” sexual nunca é voltada para você mesmo,  mas  para  seu  cônjuge.  O  senso  de  conceder  o  que  é  devido  refere‐se  às  necessidades  do  cônjuge.  A  Bíblia  definitivamente coloca a responsabilidade de satisfazer as necessidades sexuais sob a “obrigação” do cônjuge.  Em termos gerais, o marido (ou a esposa) deve encarar como obrigação fazer o que for preciso (que não seja  ilegal ou imoral) para satisfazer as necessidades sexuais do cônjuge.  Tive uma conversa marcante com um homem num estacionamento, depois de uma Conferência de Santidade  Pessoal. Ele tinha caído em adultério várias vezes, até que sua esposa descobriu e seu casamento acabou em  divórcio. Era um homem destruído. Ele me disse com os olhos marejados: “Se minha esposa acreditasse no  ensino bíblico sobre sexo no matrimônio, minha vida talvez não fosse a desgraça que é hoje. Ela protegeu e  manteve o controle sobre o próprio corpo, usando‐o como recompensa ou punição em minha vida. Sei que  meu adultério não é culpa dela, mas minha. Mas se ela tivesse tido relações comigo mais de uma vez por mês,  talvez nada disso tivesse acontecido. Ela me privou dezenas de vezes durante nosso tempo de casamento, até  que  não  me  arriscava  mais  a  sentir  a  dor  da  rejeição.  Comecei  a  procurar  em  outros  lugares.  O  mais  surpreendente  é  que  eu  não  queria  ir  a  outro  lugar.  Eu  amava  minha  esposa  –  mas  ela  concluiu  que  se  eu  tinha relações com outras mulheres era porque não a amava. Por isso pediu o divórcio. Imagino como a vida  poderia ter sido diferente se ela conhecesse e cresse nas Escrituras”.  Sempre  há  circunstâncias  extenuantes  que  levam  ao  divórcio,  mas  me  pergunto  se  aquela  esposa  sabe  a  participação que teve nos pecados do marido. Ela deliberadamente o privou da única satisfação aceitável de  suas necessidades sexuais. Este é o ponto de nosso texto bíblico – por causa da impureza, ela devia cumprir  suas obrigações. Ambos pecaram gravemente desobedecendo aos mandamentos claros de Deus.    3. O Senhor deu a autoridade sobre seu corpo físico a seu cônjuge   “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido  não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher”. 1 Coríntios 7:4  Quando você entende o que Deus disse neste versículo, pode ficar chocado. Quando captei seu pleno sentido,  comecei  a  compreender  como  o  Senhor  abomina  a  imoralidade  e  a  ampla  provisão  que  ele  fez  para  nossa  pureza  sexual.  Este  versículo  revela  a  notável  amplitude  na  qual  o  marido  e  a  esposa  devem  cumprir  suas  obrigações concernentes às necessidades sexuais de ambos.  Soberanamente Deus tira algo do matrimônio e devolve como um presente de casamento para seu cônjuge. O  Senhor  não  pergunta  se  pode  fazer,  nem  pergunta  se  você  quer.  Soberano,  ele  tira  a  autoridade  que  você  possui  sobre  seu  próprio  corpo  enquanto  viver.  Ele  dá  o  direito  sobre  seu  corpo  a  seu  cônjuge.  Não  pode  haver  confusão  com  relação  à  seriedade  com  que  Deus  encara  a  imoralidade  sexual  e  sua  provisão  para  a  satisfação sexual.  Qual é o único lugar onde seu cônjuge pode expressar suas necessidades sexuais e ser santo? Com você – e  somente com você. Não com outras pessoas. Nem mesmo sozinho. A Bíblia revela como a santidade pode ser  totalmente satisfeita em relação os desejos sexuais: pelo sexo no matrimônio.  Para ter certeza de que você não vai reter a única provisão dada por ele para o sexo, Deus tira o direito de seu  corpo  de  suas  mãos  e  o  entrega  como  um  presente  a  seu  cônjuge.  Literalmente  seu  cônjuge  tem  o  direito  sobre seu corpo. Como Deus deu seu corpo a seu cônjuge, ele na verdade está apenas sendo gentil em pedir.  Seu cônjuge não “toma seu corpo emprestado”, não precisa “implorar” por seu corpo, nem mesmo precisa  “conquistar” seu corpo. Em termos simples e claros, Deus deu meu corpo para minha esposa, e eu não tenho  nada  a  dizer  sobre  isso.  O  termo  “poder”  nesta  passagem  significa  claramente  que  o  cônjuge  “tem  direito  sobre” ou “tem exclusividade” sobre o corpo do outro. Como uma autoridade altamente respeitada escreveu  sobre  este  versículo:  “Pessoas  casadas  não  controlam  mais  seu  próprio  corpo,  mas  devem  sujeitar  a  autoridade sobre ele aos cônjuges”.  O  sucesso  e  a  vitória  no  casamento  sempre  resultam  da  obediência  aos  ensinamentos  da  Bíblia,  em  bases  regulares e duradouras. É confortador e animador pensar que essa idéia não é humana, nem de Satanás, mas  do próprio Deus. Também não foi idéia do Senhor apenas para o prazer e a proteção de seu cônjuge, mas sua  72 

 


também. Além de lhe dar impulso sexuais e desejos, o Senhor também o protege dos traumas e da destruição  causados  pela  infidelidade  conjugal.  Sua  principal  proteção  contra  todo  tipo  de  imoralidade  sexual  é  o  presente divino do corpo de seu cônjuge, para sua satisfação sexual.  Este ensinamento claro da Bíblia vai diretamente contra nossa cultura moderna, independente e egocêntrica.  A idéia de que Deus deu seu corpo a seu cônjuge para sua satisfação sexual suscita várias reações, as quais  precisam ser avaliadas com cuidado, na vida de cada casal. Depois de discutir esse assunto com muitos casais,  percebo que parece inevitável que surjam três conceitos errados.  Primeiro, algumas pessoas acham que o sexo é inerentemente sujo, pecaminoso ou com o único propósito de  procriação.  A  Bíblia  ensina  que  o  sexo  é  um  dom  de  Deus,  que  os  casais  podem  apreciar  a  relação  intima  independentemente  da  procriação  e  que  estar  nu  diante  do  cônjuge  não  é  nada  vergonhoso.  Deus  não  o  exortaria  a  “cumprir  suas  obrigações  sexuais”  e  “entregar  seu  corpo  a  seu  cônjuge”  se  o  sexo  dentro  do  casamento fosse errado ou profano. O casamento é “santo” porque o Senhor separou este relacionamento de  todos os outros relacionamentos no mundo.  O segundo conceito errado é que o sexo é uma recompensa ou uma punição. O Senhor já deu a autoridade  sobre  seu  corpo  a  seu  cônjuge,  portanto,  o  sexo  não  deve  ser  tratado  como  punição  ou  concedido  como  recompensa. Não deve ser oferecido somente porque o parceiro tem sido bondoso, trouxe presentes, chegou  em  casa  na  hora  certa,  limpou  a  casa,  não  ultrapassou  o  limite  do  cartão  de  crédito  ou  por  alguma  razão  “merece” uma relação sexual. Da mesma forma, o sexo não deve ser negado porque o cônjuge agiu mal, foi  mal‐educado, esqueceu algo, não arrumou direito a casa ou gastou demais. Deus retira o sexo da arena da  “punição e recompensa” e o coloca dentro da autoridade de seu cônjuge.  O terceiro conceito errado sobre o sexo é que ele é uma parte opcional do casamento, dependendo do humor  ou das preferências de um dos cônjuges. Muitos casais tendem a considerar a intimidade sexual como algo sob  seu  poder  e  não  sob  a  autoridade  do  cônjuge.  Muitos  relutam  em  tomar  iniciativa  na  relação  temendo  a  rejeição – embora nosso texto descarte totalmente esta atitude. As lendárias desculpas da “dor de cabeça”,  “cansaço” ou já “já tivemos sexo a noite passada!” caem sob a falsa premissa de que meu corpo me pertence  e  posso  fazer  com  ele  o  que  bem  entendo.  Quando  o  cristão  casado  adota  plenamente  a  delegação  de  autoridade, o casamento passa por uma transição maravilhosa e surpreendente.  Como  você  pode  ver,  1  Coríntios  7:4  traz  profundas  implicações.  Os  casamentos  cristãos  devem  refletir  o  caráter  divino  e  ser  caracterizado  pelo  amor  abnegado.  Não  é  de  admirar  que  a  imoralidade  seja  tão  abrangente  –  a  solução  primária  de  Deus  contra  ela  é  desprezada  por  muitos!  A  vontade  de  Deus  é  que  homens e mulheres casados experimentem satisfação e realização na vida sexual. Não é a vontade de Deus  que experimentem frustração e desapontamento na vida conjugal.    4. O Senhor ordena que os casais parem de “privar um ao outro” do sexo  “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à  oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. 1 Coríntios  7:5  Imagine uma cena: você chega em casa, vindo do trabalho, às 6 da tarde. Entra pela porta e grita:  ‐ Estou morrendo de fome! Mal posso esperar o jantar!  Sua esposa olha para você e responde:  ‐ Como assim? Eu fiz seu café da manhã. Você o tomou. Saiu para almoçar e comeu. Agora quer que eu faça o  jantar para você? Você é algum tipo de glutão?  Como você se sentiria, diante de uma situação dessa? Quando pensa em responder, sua esposa continua:  ‐ Além do mais, você só pensa em você mesmo. Na sua fome. Nos seus horários. Você é um egoísta!  Obviamente  este  exemplo  não  deveria  acontecer.  Por  que  não?  Porque  sabemos  que  o  café  da  manhã  e  o  almoço  não  são  suficientes  para  alimentar  uma  pessoa  até  a  hora  de  dormir.  Ninguém  chamaria  você  de  egoísta por causa do desejo de se alimentar – concedido por Deus – em todas as refeições, não é? Assim, se  um  homem  teve  relações  sexuais  na  noite  anterior,  por  que  deveria  sentir‐se  “egoísta”  por  ter  o  mesmo  desejo na noite seguinte? Como devemos olhar para uma mulher que tem um desejo sexual mais forte que o  do marido? O desejo por alimentos é dado por Deus e bom? O desejo sexual é dado por Deus e, portanto,  bom? A resposta deve ser “sim” para as duas perguntas. 

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Por que, então, há tanto problema, confusão e frustração emocional em torno do impulso sexual e o desejo  por alimentos é encarado com naturalidade? Até onde sei, existem três razões.  Primeiro, a fome pode ser satisfeita sem a participação de outras pessoas. Minutos atrás, fui à cozinha e me  servi de uma xícara de café e torrada. Quer saber? Não precisei da ajuda de ninguém. O impulso sexual, por  outro lado, exige a participação ativa de outra pessoa, sempre que for satisfeito de acordo com a Palavra de  Deus.  Segundo, o desejo por comida foi dado a todos na mesma medida. Todos sentem fome pelo menos três vezes  por  dia.  Em  nossa  cultura,  a  maioria  espera  comer  no  café  da  manhã,  no  almoço  e  no  jantar.  E,  salvo  em  situações  excepcionais,  a  maioria  das  pessoas  sente  fome  nos  mesmos  horários.  O  Senhor  criou  homens,  mulheres  e  crianças  para  sentirem  fome  mais  ou  menos  com  a  mesma  freqüência.  O  impulso  sexual,  por  outro  lado,  na  maioria  dos  homens  é  muito  mais  intenso  do  que  na  maioria  das  mulheres.  Essa  diferença  representa uma escolha soberana do Criador. Ele força todos os casamentos a experimentar certo equilíbrio,  em relação ao nosso relógio sexual interno.  É  grande  o  número  de  homens  que  se  sentem  “egoístas”  por  causa  dos  impulsos  sexuais  que  lhes  foram  dados por Deus.  A variação de intensidade na necessidade sexual não tem nada a ver com homens ou mulheres e tudo a ver  com Deus. Os homens não são “egoístas” por precisarem de sexo com maior freqüência, nem as mulheres são  “altruístas”  por  necessitarem  menos.  O  egoísmo  não  deve  ser  aplicado  ao  impulso  sexual,  assim  como  não  pode ser aplicado à fome três vezes ao dia.  Sempre  que  ensino  esta  série.  No  inicio  algumas  mulheres  na  audiência  ficam  na  defensiva:  “Se  eu  tiver  relações  com  meu  marido  toda  vez  que  ele  quiser,  vamos  ter  relações  toda  noite!”  Leia  novamente  esta  afirmação,  mas  agora  da  perspectiva  de  Deus.  Voltemos  um  momento  ao  exemplo  da  fome.  Digamos  que  quando  a  esposa  chega  em  casa  para  jantar,  embora  seja  a  vez  do  marido  de  cozinhar,  ele  não  só  não  preparou nada como também trancou a despensa e a geladeira. O que a esposa seria tentada a fazer naquela  noite? Certo: vasculhar a cozinha atrás de alguma comida. Digamos que o marido fale: “Se comer em algum  outro lugar, estará sendo infiel e provará que não me ama”.  Você  sabe  o  que  logo  acontecerá?  Aquela  esposa  deixará  de  procurara  alimento  em  sua  própria  casa  e  começará a procurá‐lo na cozinha de outras pessoas, antes de voltar para casa. Poderá também começar a  estocar comida embaixo da cama ou bem no fundo de uma gaveta.   Reconheço que muitas pessoas têm dificuldade com o texto bíblico que estamos estudando. Para os homens  que não atendem às iniciativas sexuais das esposas, negando‐lhes seus corpos repetidamente, o versículo tem  profundas  implicações:  “Não  vos  priveis  um  ao  outro...  para  que  Satanás  não  vos  tente  por  causa  da  incontinência” (1 Co 7:5).  Existem  duas  perspectivas  bem  diferentes  sobre  impulso  sexual  dentro  do  matrimônio.  Uma  delas  é  que  a  maneira do cristão de lidar com o impulso sexual é exercitar um considerável autocontrole, privando‐se com  freqüência  e  ter  relação  sempre  que  o  cônjuge  estiver  disposto.  A  outra  perspectiva  é  que  o  cristão  deve  exercitar  considerável  auto‐realização,  privar‐se  o  mínimo  possível  (geralmente  só  em  caso  de  viagem  e  enfermidade) e ter relações sempre que desejar.  Você percebe a profunda diferença entre as duas perspectivas? Quando fazemos uma votação informal nos  seminários e conferências, a audiência cristã indica que mais de 80% dos casais cristãos praticam o conceito  “privando‐se com freqüência”. Entretanto, o que a Bíblia diz sobre a privação sexual dentro do contexto do  casamento? “Não vos priveis um ao outro” (1 Co 7:5)  Em  vez  de  ensinar:  “Privem‐se  pelo  autocontrole”,  a  Bíblia  diz:  “Não  vos  priveis  um  ao  outro”!  A  resposta  bíblica  à  imoralidade  não  é  aprender  como  estar  contente  na  privação,  mas  estar  contente  aproveitando  o  sexo  com  o  cônjuge.  O  Senhor  não  deseja  que  você  viva  frustrado  na  área  sexual,  ou  inibido,  dentro  dos  limites da vida conjugal.  A palavra traduzida como “priveis” significa literalmente “não roubeis um ao outro” ou “não defraudeis um ao  outro”.  Os  comentaristas  concordam  que  a  defraudação  pode  ocorrer  no  casamento  porque  um  parceiro  pode ser desonesto com seu cônjuge, negando‐lhe e retendo o que é seu por direito. Se um parceiro nega seu  corpo quando o cônjuge busca ter relações, biblicamente está cometendo fraude. O Senhor deu o corpo do  indivíduo a seu cônjuge. Ao negar algo que não lhe pertence, ele está defraudando o outro. 

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Sempre  lembro  de  algo  que  aconteceu  depois  que  ensinei  sobre  isso  a  um  grupo  de  500  líderes  cristãos.  Depois da palestra, muitos choraram em arrependimento. Uma senhora distinta, de 65 anos, aproximou‐se de  mim  depois  que  todos  já  tinham  ido  embora.  Seus  olhos  estavam  vermelhos,  e  ela  não  conseguia  mais  esconder a dor que sentia.  “Eu não tinha idéia de que defraudei meu marido durante toda a nossa vida conjugal. Dizia “não” para ele por  qualquer motivo – apenas para evitar ter relações com ele. Finalmente ele parou de me procurar, e receio que  tenha  encontrado  em  outro  lugar.  Sei  que  pequei  contra  Deus  e  contra  meu  marido.  Será  que  é  tarde  demais?”  Passamos um tempo precioso conversando naquele dia, à medida que a chuva caia do lado de fora e a água  purificadora  da  Palavra  de  Deus  lavava  a  vida  daquela  senhora.  Quando  ela  foi  embora,  era  uma  pessoas  diferente. Ao se despedir, ela disse: “Talvez meu marido tenha um ataque cardíaco, mas a partir desta noite  vou fazer mais do que cumprir minha obrigação de suprir suas necessidades sexuais!”    5. O Senhor revela que há só quatro condições para que os casais possam “privar” um ao outro  “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à  oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. 1 Coríntios  7:5 “  Quais são as exceções? Será que de fato a Bíblia diz que sou obrigado a ter relações sexuais com meu cônjuge  cada vez que ele deseja? Felizmente a Bíblia não nos deixa no escuro sobre essa questão tão importante – ela  relaciona quatro condições nas quais o cônjuge pode privar o outro.  Primeiro, pode haver privação quando há “consentimento mútuo”. Você não pode decidir sozinho privar seu  cônjuge de sexo. Ambos devem concordar em não ter relações, para se encaixarem nessa exceção.  Eis  como  isso  pode  funcionar  na  vida  real.  Digamos  que  na  noite  passada  seu  cônjuge  tomou  iniciativas  sexuais. Por causa do dia longo e exaustivo, você disse: “Hoje estou realmente cansado. Você se incomodaria  de esperar até amanhã à noite? Se não quiser, meu amor, pode ser hoje. O que você prefere?” Biblicamente  falando, quem tem a palavra final nesta decisão? O “parceiro cansado” ou o “parceiro que tomou iniciativa”?  O  que  toma  a  iniciativa  sempre  tem  a  palavra  final,  pelo  fato  de  ambos  estarem  sob  a  obrigação  divina  de  cumprir  o  papel  conjugal  e  reconhecer  que  o  próprio  corpo  está  sob  a  autoridade  do  outro.  Se  o  cônjuge  deseja ter relações mesmo depois de ouvir o pedido do outro, continua tendo “autoridade” sobre seu corpo.  Entretanto,  o  fato  de  seu  corpo  pertencer  a  seu  cônjuge  não  significa  que  você  não  tem  a  liberdade  de  negociar!  Quando  o  parceiro  que  toma  iniciativa  percebe  uma  atitude  disposta,  sem  rejeição,  apesar  do  cansaço,  geralmente  age  com  compreensão.  A  Bíblia  não  dá  margem  para  que  um  cônjuge  prive  o  outro,  exceto com consentimento mútuo.  Segundo, pode haver privação quando ambos concordam em suspender as relações por um período. Sempre  que  um  casa  concorda  em  privar  um  ao  outro  de  intimidade  sexual,  os  dois  devem  estar  de  acordo  sobre  quando terão relações novamente. Concordar em “hoje não” não segue o princípio bíblico. A Bíblia utiliza uma  palavra grega bem específica para “algum tempo”, a qual significa “um período específico de tempo”.  Terceiro, pode haver privação quando o casal dedica‐se à oração. O texto diz: “Não vos priveis um ao outro,  salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração”. Certamente temos  aqui uma razão clara e bastante incomum para a privação de relações sexuais, na sociedade moderna. O único  propósito bíblico para que um casal se prive das relações sexuais é a oração – quando ambos se concentram  num objetivo espiritual no casamento.  Quarto,  somente  deve  haver  privação  até  que  ambos  decidam  voltar  a  ter  relações  sexuais.  Você  percebe  como rapidamente a Bíblia nos leva de volta à questão de que a intimidade sexual deve ser a regra e não a  exceção? É quase como se o autor tentasse estabelecer a exceção, para voltar rapidamente à “regra da vida  conjugal”.    6. O Senhor adverte que, se os cônjuges privam um ao outro, ficam abertos aos ataques de Satanás  Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à  oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. 1 Coríntios  7:5 “ 

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Esse  versículo  afirma  claramente  que  na  área  sexual  os  cônjuges  devem  se  unir  novamente  depois  de  um  período  de  abstenção,  ou  ficarão  vulneráveis  a  ataques  satânicos  desnecessários  nesta  área.  As  tentações  sexuais  podem  ser  incrivelmente  poderosas  por  causa  do  impulso  que  Deus  colocou  nos  seres  humanos.  Depois  de  um  período  de  abstenção,  o  casal  deve  unir‐se  novamente,  senão  Satanás  vai  contra  os  dois  cônjuges  com  tentações,  impelindo‐os  para  a  imoralidade.  Quanto  mais  a  relação  sexual  for  adiada  e  os  cônjuges demorarem em se unir, maior é o risco de se cair na tentação satânica.    7. O Senhor adverte que os cônjuges “perdem” o autocontrole quando se privam das relações sexuais  O que acontece com pessoas casadas, quando ficam sem ter relações sexuais por vários dias? A Bíblia afirma  que  Satanás  os  tenta  por  causa  de  uma  razão:  a  incontinência.  Privando  um  ao  outro  de  sexo,  os  cônjuges  enfraquecem mutuamente o autocontrole na área sexual.  Em algum lugar, na mente das pessoas, está o conceito errado e perigoso de que não existem conseqüências  reais em se “privar” o cônjuge das relações sexuais, exceto a frustração imediata e de pouca duração. O texto  bíblico mostra outra realidade: o adiamento contínuo de relações sexuais dentro do casamento coloca uma  pressão real e desnecessária sobre a pessoa.  Se entendi corretamente as palavras de 1 Coríntios 7:5, indivíduos casados serão mais tentados por Satanás se  suas necessidades sexuais forem negadas do que se satisfeitas. Com base nesta passagem, podemos concluir  que o cônjuge que priva ou defrauda seu parceiro pode representar a causa primária de tentações satânicas a  imoralidades sexuais.    APROVEITANDO O DOM DO SEXO    Uma das realidades que enfrentamos no ministério Através da Bíblia são as viagens longe de casa. Com mais  de 3 mil cursos bíblicos, ministrados em mais de 70 países e em 50 idiomas, você pode imaginar a experiência  que acumulamos em quase 25 anos de ministério. Em cada reunião nacional de treinamento, nossa liderança  se reúne para cursos de aperfeiçoamento e comunhão. Nosso deão e sua equipe falam sobre a seriedade das  tentações  sexuais.  Da  maneira  mais  discreta  possível,  ele  exorta  os  membros  da  liderança  a  compartilhar  abertamente com seus cônjuges a importância de terem suas necessidades sexuais supridas antes de saírem  da cidade, diminuindo assim a força das tentações que enfrentarão durante as viagens.  Muitos  homens  me  procuram,  expressando  profunda  apreciação  por  esta  apresentação  direta  –  principalmente quando as esposas estão presentes. Às vezes até os mais corajosos entre nós acham difícil e  desconfortável  expressar  essas  coisas.  Alguns  ainda  preservam  um  pouco  de  senso  de  culpa  por  causa  do  desejo de ter relações sexuais com as esposas antes de viajarem.  Minha esposa e eu estávamos conversando num galpão de hotel durante uma conferência de treinamento,  quando a esposa de um de nossos “veteranos” se aproximou e pediu para falar conosco em particular. Contou  que  apreciava  demais  as  “conversas  sobre  sexo”.  Apesar  de  ter  um  casamento  feliz  (seu  árido  estava  no  ministério  pastoral)  de  mais  de  25  anos,  os  conceitos  que  compartilhávamos  sobre  a  necessidade  que  os  casais tinham de ter relações sexuais antes das viagens de um dos cônjuges eram novos e até surpreendentes  para ela. Disse que pelo fato de ser mulher e ter necessidades sexuais bem diferentes das do marido, jamais  saberia aquelas coisas, a menos que outra pessoa lhe dissesse.  Aquela  senhora,  que  já  tinha  quase  60  anos,  nos  disse  o  quanto  ficara  desapontada  porque  nem  sua  mãe,  nem qualquer outra mulher mais velha, lhe informara sobre algo tão vital. Ela sorriu, desviou os olhos de mim  e olhou diretamente para Darlene: “Sabe Darlene, agora que sei a verdade, jamais deixo meu querido marido  sair em viagem sem o presente especial que só eu posso lhe dar – mesmo que ele não esteja com vontade!  Não é apenas a disposição dele no momento que me preocupa, mas sim a disposição dele no dia seguinte à  noite  quando  eu  não  estarei  por  perto.  Quero  continuar  sendo  a  única  pessoa  que  ele  se  sinta  tentado  a  procurar para receber aquele presente!            76 

 


PARTE TRÊS  DESENVOLVENDO HÁBITOS SANTOS    9  BUSCANDO A SANTIDADE  Não podemos dizer “não” à tentação sem dizer “sim” a algo muito melhor. Erwin W. Lutzer    Cada  palavra  que  escrevemos  até  aqui  foi  para  prepará‐lo  para  este  capítulo.  Você  sabe  que  “santidade”  significa separação, que deve incluir separação “do” secular “para” o sagrado e ser definida pelos padrões do  Senhor e de sua Palavra. Entende que “santidade posicional” significa como Deus o vê no momento em que  você  aceita  a  morte  vicária  de  seu  Filho  por  seus  pecados,  “santidade  de  apresentação”  significa  que  por  causa  das  misericórdias  de  Deus  você  dedica  toda  a  sua  vida  a  serviço  dele  e  que  parte  da  “santidade  progressiva” consiste em você se purificar constantemente de tudo o que o Senhor considera profano.  Entretanto,  discutimos  pouco  sobre  o  que  normalmente  vem  à  sua  mente  quando  pensa  em  santidade:  conduta  e  caráter  semelhante  aos  de  Cristo.  A  Bíblia  descreve  uma  ordem  específica  para  a  santidade  progressiva  –  veja  se  descobre  a  ordem  em  Efésios  4:22‐24:  “...vos  despojeis  do  velho  homem,  que  se  corrompe  segundo  as  concupiscências  do  engano,  e  vos  renoveis  no  espírito  do  vosso  entendimento,  e  vos  revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.  Infelizmente  muitos  cristãos  não  percebem  este  padrão  bíblico  e  experimentam  constantes  derrotas  (e  até  desespero)  nas  tentativas  sinceras  que  fazem  na  busca  as  santidade.  A  Bíblia  revela  o  padrão  que  deve  ser  seguido: primeiro, devemos nos purificar da impureza e então buscar a pureza. Embora obviamente o Senhor  se agrade de todas as ações relacionadas à busca da justiça, a Bíblia nos alerta para o fato de que pode haver  impureza atrapalhando nosso crescimento nas áreas da santidade.  Em  outras  palavras,  tire  o  carpete  estragado,  antes  de  tentar  fixar  o  novo.  “Despojar”  antes  de  “revestir”.  “Afastar‐se  da  iniquidade”  antes  de  “buscar  a  justiça”.  Quer  dizer  que  nunca  devemos  buscar  primeiro  as  características  positivas  da  justiça?  É  claro  que  não.  Mas  talvez  a  verdadeira  perspectiva  bíblica  seria  esta:  Busque  a  santidade  purificando‐se  primeiro  de  toda  impureza;  depois  que  toda  a  impureza  conhecida  é  retirada, concentre‐se mais diretamente na busca da santidade positiva.  Quando  os  cristãos  buscam  os  atributos  positivos  de  santidade,  permitindo  a  permanência  de  áreas  de  pecado, o Senhor pode considerar até nossas ações positivas como pecaminosas. Por quê? Porque é possível  que estejamos racionalizando nossos pecados achando que nossa vida devocional ou ações positivas podem  fazer com que o Senhor “esqueça” ou pelo menos “faça vista grossa” a nossos pecados.  Repetidamente,  por  meio  dos  profetas  do  Antigo  Testamento,  o  Senhor  revelou  seu  desagrado  para  com o  povo  de  Israel,  por  causa  da  tentativa  que  faziam  de  obedecer  e  ao  mesmo  tempo  cometer  o  pecado.  O  pecado opõe‐se à obediência – quer dizer, a santidade positiva pode ser rejeitada pelo Senhor como indigna,  por cauã da santidade negativa. Buscar o Senhor em algumas áreas e ao mesmo tempo se rebelar em outras  áreas pode destruir todo o processo.  Veja  o  que Cristo  falou  no  Sermão do  Monte  sobre  qual  metade  da  santidade  deve  receber  nossa  primeira  atenção: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra  ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar‐te com teu irmão; e então, voltando, faze a tua  oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o  adversário não te entregue ao juiz,   o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão”. Mateus 5:23‐25  Como princípio geral, sempre procure se purificar em todas as áreas onde há impureza em sua vida antes de  se  concentrar  nas  áreas  celestiais  de  santidade  positiva.  Não  faça  confusão:  ambas  as  áreas  precisam  igualmente  de  santidade!  Embora  os  cristãos  pensem  que  a  santidade  positiva  seja  “melhor”  do  que  se  despojar da santidade negativa, a Bíblia não ensina tal coisa. Em outras palavras, busque a santidade primeiro  purificando‐se  do  pecado  e  depois  acrescentando  maior  obediência.  A  ordem  é  bíblica,  e  tenho  visto  na  prática que é uma verdade central desprezada na mente da maioria dos cristãos. O avivamento começa com  arrependimento e purificação, depois prossegue numa maior intimidade com Cristo e mais obediência a ele.      77 

 


A SEGUNDA PARTE DA SANTIDADE PROGRESSIVA    A primeira parte da santidade progressiva concentra‐se na eliminação de tudo o que é negativo em sua vida,  enquanto a segunda parte concentra‐se em ajudar você a acrescentar o que é positivo. Ambas as partes são  processos  e  não  eventos,  e  ambas são  duradouras  e  jamais  podem  ser  completadas  de  uma vez  por  todas.  Termine  de  purificar‐se  de  todo  pecado  conhecido  e  depois  chegue  diante  de  Deus  com  honestidade,  com  uma consciência limpa em todas as áreas. Não caia na armadilha do conceito de que “você jamais pode ser  totalmente purificado”. A Bíblia ordena que você caminhe nesta direção, “purificando‐se” até que o processo  se complete naquele momento em particular. Não caia em outro falso conceito de que, por ter completado o  processo aos olhos de Deus e a seus próprios olhos, você não precisa mais trabalhar no mesmo processo em  sua vida. Reflita um pouco mais nas duas partes da santidade:  Impureza  “Santidade Negativa”  Completada Primeiro  Atos pecaminosos de injustiça  “Purifique‐se”  Exclua toda a impureza  Despoje‐se do “velho homem”  “Obras da carne”  Vida egoísta  Desobediência 

Santidade  “Santidade Positiva”  Buscada em segundo lugar  Atos piedosos de justiça  “Busque a santidade”  Inclua toda a santidade  Revista do “novo homem”  “Fruto do Espírito”  Vida no Espírito  Obediência 

Quando você olha para esta lista, reconhece que, embora ambas se relacionem à santidade, são totalmente  diferentes e distintas. Ninguém se torna biblicamente santo apenas apagando os pecados da vida.Um número  excessivo  de  cristãos  pensa  assim:  “Se  eu  abandonar  esses  pecados,  serei  santo!”  A  Bíblia  não  ensina  que  santidade é apenas a ausência de algumas coisas – é também a presença de outras.  Pense mais nesta questão: por que você e eu não nos tornamos automaticamente santos no momento  em  que  obedecemos  à  Bíblia  e  nos  purificamos  de  toda  impureza?  Porque  “por  baixo”  de  tudo,  nosso  coração  continua  enganosamente  ímpio.  Ao  contrário  de  muitos  dos  teólogos  liberais  modernos,  a  Bíblia  é  mais  do  que  clara  ao  dizer  que  o  homem  no  fundo  não  tem  um  coração  “bom”  –  mas  sim  um  coração  “ímpio  e  enganoso”.  Portanto,  quando  obedecemos  à  Bíblia,  purificando‐nos  de  toda  injustiça,  não  fomos  cheios  de  toda santidade – apenas não somos impuros naquele momento. Depois, precisamos nos revestir de Cristo.  A santidade não existe meramente pela ausência de impureza. Por isso a Bíblia, ao discutir a santidade, quase  sempre exorta o cristão a dar atenção aos dois lados da equação progressiva: purifique‐se e busque a justiça.  Despoje‐se do velho homem e revista‐se do novo.  Assim, será que você “se reveste do novo homem” apenas “se despojando do velho”? É claro que não! O lado  negativo e o positivo devem ser realizados, ou o Senhor não nos descreveria como santos em todo o nosso  procedimento. A conduta santa é caracterizada pela ausência de pecado e pela presença de justiça. Portanto,  a  segunda  metade  da  santidade  progressiva  é  a  busca  ativa  e  constante  de  tudo  aquilo  que  condiz  com  a  imagem de Cristo.    A VERDADE PERTURBADORA SOBRE A BUSCA DA SANTIDADE    Em  vista  do  enorme  índice  de  impureza  que  existe  hoje  na  comunidade  cristã,  provavelmente  podemos  concluir  que  deve  haver  uma  santidade  ainda  menos  positiva  na  vida  dos  cristãos.  Como  princípio  geral,  a  santidade negativa (a quantidade de pecados conhecidos e preexistentes) é sempre maior do que a santidade  positiva (quantidade de justiça praticada e preexistente).  Das duas partes, a santidade positiva é a mais avançada. Então, para ter um vitória duradoura, a santidade  negativa (purificar‐se de toda injustiça) é um pré‐requisito geral para a santidade positiva. Esse único princípio  pode esclarecer muito sobre sua vida espiritual, quando você reflete sobre ele. Talvez seja útil apresentarmos  algumas implicações:  1. Se o cristão busca aprofundar seu caminhar com o Senhor, o primeiro passo é sempre buscar primeiro a  purificação.  A  razão  pela  qual  muitos  cristãos  fracassam repetidamente  na  vida  devocional  não  é  a  falta  de  disciplina. Nem falta de vontade. Nem falta de perseverança. De fato, o fracasso deve‐se à falta de purificação  78 

 


dos  muitos  pecados  conhecidos  e  preexistente.  Tais  pecados  agem  como  obstáculos  enormes  e  quase  irremovíveis na peregrinação da santidade.  2. A quantidade de santidade positiva habitual e constante (explicarei com mais detalhes mais adiante neste  capítulo) na vida de uma pessoa é um indicador confiável da quantidade de pecado que existe atualmente em  sua vida. Quanto menor a santidade positiva, maior a santidade negativa. Em outras palavras, se um cristão  não  ora  muito  em  particular,  não  lê  a  Bíblia  regularmente,  não  investe  seu  dinheiro  na  obra  de  Deus,  não  serve ao Senhor com seus talentos, não louva nem adora em público ou a sós, não investe sua vida em coisas  eternas, não ajuda os necessitados, não compartilha o evangelho com os perdidos, pode‐se presumir que há  áreas de pecados sob a superfície na vida dele.  3.  Esse  princípio  geral  aplica‐se  não  somente  à  vida  de  cristãos  individuais  mas  também  às  famílias,  igrejas  locais ou organizações cristãs. Um das formas mais fáceis de medir o pulso da santidade é monitorar algo tão  simples como a vida de oração. Averiguando a quantidade de tempo e de energia que você investe na oração  pessoal por um período de três meses, você terá uma boa indicação da santidade de sua conduta e caráter.  Pessoas  que  não  oram  muito  não  são  muito  santas.  Igrejas  que  não  oram  muito  também  não  são  muito  santas.  Lembro‐me  de  uma  vez  que  mudamos  de  cidade  e  visitamos  uma  igreja  próxima  que  alguém  nos  indicou.  Cerca de 400 adultos participavam do culto todos os domingos de manhã. Numa quarta‐feira à noite, fui ao  culto de oração. O pastor estava pregando no templo. Numa pequena sala nos fundos da igreja finalmente  localizei  o  grupo  de  oração.  Quatro  mulheres  piedosas,  todas  idosas,  reuniam‐se  semanalmente  para  orar.  Sabe o que descobri posteriormente sobre aquela igreja? Não havia muita santidade nem vida ali.  Da próxima vez em que estiver junto com alguém que ora bastante, pergunte se aquela pessoa experimenta  muitas  sessões  de  purificação  em  sua  vida.  Provavelmente  ela  sorrirá  e  assentirá.  Assim,  como  você  descreveria a quantidade de santidade positiva na vida dos cristãos verdadeiros de hoje? Eis o que descobri  em minhas próprias observações nos últimos trinta anos de ministério ao redor do mundo:  • Sem contar as orações feitas nas refeições e nos cultos, o cristão médio ora menos de dois minutos por  dia.  • Sem  contar  a  leitura  da  Bíblia  durante  os  cultos  e  reuniões  na  igreja,  junto  com  outras  pessoas,  o  cristão médio lê a Bíblia menos de três minutos por dia.  • De acordo com as estatísticas, o cristão médio doa  menos de 3% do total de suas finanças a causas  cristãs.  Esses fatos o surpreendem ou chocam? Duvido. Se você já é cristão há algum tempo, sem dúvida já sentiu que  esta pode ser também a sua situação. Pode ter se sentido desconfortável diante de tais estatísticas, porque  chegam muito perto de sua própria descrição. Toda esta seção do livro foi escrita para você. Além de desejar  que  você  se  liberte  dessa  vida  espiritual  superficial,  Deus  quer  também  que  você  a  torne  mais  profunda.  Portanto, faça isso!    POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS    Há  duas  semanas,  passei  uma  tarde  com  um  estudante  em  um  de  nossos  seminários  mais  respeitados.Perguntei‐lhe  se  tinha  apreciado  os  três  anos  de  estudos,  preparando‐se  para  o  ministério.  Ele  rapidamente expressou apreciação pelas muitas cosias que aprendeu, mas depois desviou o olhar e proferiu  essas palavras reveladoras: “Estou feliz por ter vindo para o seminário, e sei que aprendi muito. Mas tenho  um grande desapontamento: nunca me ensinaram e eu nunca aprendi como andar com Deus. Aprendi sobre  teologia,  Bíblia,  missões,  educação  cristã,  evangelismo,  apologética  e  outras  matérias  importantes.  Tive  até  um  curso  de  um  semestre  sobre  vida  espiritual.  Entretanto,  nunca  aprendi  realmente  como  orar,  nunca  aprendi a ter comunhão com Deus nem a andar com ele. Receio que, embora tenha aprendido muitas cosias e  possa realizar o “ministério” melhor do que quando entrei aqui há três anos, na verdade não seja uma pessoa  mais santa do que quando comecei. De fato, meu coração está menos sensível e eu oro menos do que antes  de iniciar todo este processo. De alguma maneira, eu estava errado. Pensei que o seminário iria me ensinar  como andar com Deus e me conduzir no caminho de como me tornar um homem santo. Isso não aconteceu.  De  fato,  nunca  tentei  seriamente.  Sentei‐me  alguns  momentos  atrás  e  pensei  em  tudo  isso.  Embora  esteja  num dos três melhores seminários do país – conhecido por sua ênfase na evangelização – em todos os meus  79 

 


três anos de estudo intenso, menos de 2% desse tempo foi investido em como andar com Deus e caminhar  em santidade.”  O aluno olhou para mim e fez a pergunta que eu temia que fizesse:  ‐ O senhor acha, Dr. Wilkinson, que este seminário reflete os valores de Jesus? O senhor acha que ele adota o  modelo de treinamento que Jesus usou com os  discípulos? O senhor acha que é mais importante aprender  grego e teologia do que aprender como andar com Deus,como orar e como ser santo? O senhor acha que só  2% do conteúdo das cartas do Novo Testamento fala sobre andar com Deus, andar no Espírito, oração e viver  em santidade?  O que você responderia àquele jovem seminarista? O rio corre na mesma direção que a nascente. Os pastores  e missionários são influenciados pelo seminário. As igrejas são influenciadas pelos pastores e missionários. Os  cristãos são influenciados pelas igrejas e organizações cristãs.  Talvez uma última observação seja útil nessa questão importante. Digamos que você seja novo na cidade e  deseje descobrir qual é a reputação da igreja na qual está interessado. Entretanto, em vez de perguntar aos  membros da igreja, você bate em oito casas escolhidas ao acaso, todas próximas da igreja. O que as pessoas  diriam se você perguntasse? “Você pode me dizer algo sobre aquela igreja ali?”  Se minha experiência lhe serve de modelo, não faça o que fiz. Você deveria ouvir as respostas que recebi. As  divisões  da  igreja.  Os  argumentos  de  que  toda  a  cidade  sabia  que  o  regente  do  coral  havia  fugido  com  a  secretária.  E  sobre  o  pastor  que  expulsou  pessoas  da  igreja  porque  se  colocaram  diante  de  seu  caminho.  Quando me afastei da última casa, as palavras de Jesus me vieram á mente: “Assim brilhe também a vossa luz  diante  dos  homens,para  que  vejam  as  vossas  boas  obras  e  glorifiquem  a  vosso  Pai  que  está  nos  céus”  (Mt  5:16).  Veja bem, a santidade deixa sua marca nas ruas da cidade. Ela espalha boas obras em todas as direções. Por  quê?  Porque  a  santidade  positiva  influencia  o  comportamento  e  controla  as  ações.  Por  isso  Jesus  proferiu  aquelas palavras em Mateus 7:15‐20: “Acautelai‐vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados  em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. [...] Não pode a árvore  boa  produzir  frutos  maus,  nem  a  árvore  má  produzir  frutos  bons.  [...]  Assim,  pois,  pelos  seus  frutos  os  conhecereis.”  Você percebe a lógica divina? O que há dentro de uma pessoa é o que sai dela. Se há bondade dentro dela, ela  dará bons frutos. “Bom fruto” nada mais é do que “boas obras”, já que os dois conceitos são frequentemente  interligados no Novo Testamento. Quando a pessoa é santa, seu comportamento transborda de boas obras.  Quando  uma  igreja  é  santa,  seu  comportamento  transborda  de  boas  obras,    e  todos  que  estão  ao  redor  reconhecem isso. Não esqueça que as pessoas que veriam as boas obras referidas por Jesus em Mateus eram  os não‐cristãos, portanto, a quantidade de santidade positiva de uma igreja pode ser medida perguntando‐se  aos vizinhos – não aos membros!    OS FRUTOS DA IGREJA    Infelizmente,  embora  haja  notáveis  exceções,  a  vasta  maioria  das  igrejas  é  mais  conhecida  pelas  obras  malignas de divisões, imoralidade, líderes com sede de poder e escândalos financeiros. Quando a comunidade  não consegue mencionar nem mesmo uma única boa obra da igreja, podemos ter certeza de que aquela igreja  não está transbordando de santidade. A santidade bíblica sempre transborda na comunidade, em forma de  boas  obras.  Se  a  comunidade  não  sabe  nada  sobre  as  boas  obras  da  igreja,  é  sinal  de  que  ela  carece  de  santidade. Por quê? Porque, com Jesus destacou, as árvores sempre produzem frutos. Boas árvores produzem  bons  frutos,  e  árvores  ruins  produzem  frutos  ruins.  Se  a  comunidade  tem  conhecimento  apenas  de  frutos  ruins, a igreja não pode ser santa aos olhos de Deus.  Então, como deve ser uma igreja realmente “santa”? Hoje de manhã terminei de ler sobre a vida de um pastor  de  20  anos  de  idade  que  assumiu  uma  igreja  pequena,  de  200  membros.  Quando  o  pastor  morreu,  aos  58  anos,  o  ministério  literalmente  tinha  se  espalhado  por  todo  país.  Veja  as  “boas  obras”  que  aquela  igreja  realizou na comunidade:  1. Fundação de 23 agencias missionárias que trabalhavam ativamente em toda a comunidade.  2. Vinte e seis classes de Escola Dominical ministrando ativamente em toda a comunidade, principalmente nos  bairros pobres da cidade.  80 

 


3. Mais de 1.000 membros trabalhando nas áreas mais pobres, todos os domingos pela manhã.  4. O estimulo de avivamentos maiores e mais duradouros em toda a região.  5. A construção de um templo com capacidade para mais de 5.000 pessoas, totalmente paga.  6.  Planejamento  e  construção  de  um  grande  instituto  bíblico,  no  qual  são  treinados  mais  de  100  pastores  anualmente.  7. Mais de 200 classes de estudo bíblico todas as semanas, por toda a região.  8. Planejamento e desenvolvimento de uma grande Sociedade de Folhetos.  9. Início de uma livraria, que distribuía grande quantidade de livros cristãos por meio de visitas a residências,  que muitas vezes resultavam em classes de estudo bíblico. Em um ano, 926.290 lares foram visitados!  10. A fundação de mais de 200 novas igrejas por toda a região.  11. Construção de 17 asilos para viúvas e idosas abandonadas, com a doação de todo o alimento necessário e  pagamento das despesas de manutenção.  12.  Planejamento  e  construção  de  um  orfanato  para  abrigar  cerca  de  400  crianças  em  período  integral,  sustentando‐o totalmente sem ajuda do governo.  13.  Início  de  um  ministério  com  livros,  doando  dezenas  de  milhares  de  livros  cristãos,  enviando‐os  gratuitamente a missionários e pastores pobres em todo o mundo.  14.  Fundação  da  Sociedade  Beneficiente  de  Senhoras,  que  confecciona  roupas  para  as  crianças  órfãs  da  cidade.  15. Por meio de todos esses ministérios, mais de 39.000 novos convertidos foram batizados em apenas doze  anos.  Esses  são  apenas  15  dos  66  ministérios  diferentes  lançados,  fundados  e  mantidos  por  aquela  igreja!  Você  pode  imaginar  o  que  a  comunidade  achava  daquela  igreja  e  de  seu  humilde  líder,  Charles  H.  Spurgeon?  Se  você o tivesse visto pregando a Palavra de Deus nos domingos, teria visto as pessoas chegando aos milhares  para conhecer a Cristo. Quando os cristãos começam a viver realmente como povo de Deus, dão bons frutos,  de acordo com o plano divino.  Quase  todas  as  marcas  da  santidade  positiva  estão  ausentes  na  vida  da  grande  maioria  dos  cristãos  e  nas  igrejas  locais.  Que  possamos  nos  arrepender  diante  do  Senhor,  purificando  nosso  coração  e  nossa  ações,  e  buscar a santidade de todo coração, alma e força. Quando fizermos isso, não somente o céu irromperá em  júbilo como também os ímpios que estão a nosso redor glorificarão a Deus, porque verão as obras dignas de  louvor: “Amados, exorto‐vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que  fazem  guerra  contra  a  alma,  mantendo  exemplar  o  vosso  procedimento  no  meio  dos  gentios,  para  que,  naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando‐vos em vossas boas obras, glorifiquem  a Deus no dia da visitação.” 1 Pedro 2:11,12    AVALIE ONDE VOCÊ ESTÁ NA BUSCA DA SANTIDADE    Às  vezes  há  grande  mérito  em  examinarmos  o  progresso  que  estamos  fazendo.  Por  agora,  você  deve  reconhecer que a Bíblia revela que este terceiro estágio da santidade é progressivo, começando no momento  do  novo  nascimento  espiritual  e  terminando  com  a  morte  física.  Entre  esses  dois  pontos  estão  as  únicas  oportunidades que você terá em  toda a eternidade para crescer na santidade.  Meça  o  pulso  de  sua  santidade  avaliando  esses  sete  estágios  da  maturidade  e  selecionando  aquele  que  melhor representa sua posição na busca da santidade positiva:  1.  Tenta  manter  uma  vida  devocional,  mas  fracassa  constantemente.  O  primeiro  estágio  na  busca  da  santidade  parece  sempre  girar  em  torno  da  vida  devocional.  Se  você  tem  experimentado  dificuldades  consideráveis  em  iniciar  e  manter  uma  vida  devocional  regular,  ainda  permanece  no  ponto  de  partida  da  caminhada da santidade. Considere a possibilidade de voltar ao capítulo anterior e submeter‐se novamente  aos “Dez passos da purificação”, que apesar de ser um processo doloroso traz libertação.  Por  favor,  não  acredite  na  mentira  que  a  razão  de  você  não  ter  uma  vida  devocional  regular  é  falta  de  disciplina ou falta de vontade. O peso negativo dos pecados preexistentes em sua vida é tão forte que você só  consegue  carregá‐lo  por  alguns  dias  e  logo  desiste.  Entretanto,  sem  um  tempo  regular  com  a  Palavra,  você  não pode e não vai crescer na santidade. 

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2. Serve ativamente ao Senhor em pelo menos um ministério regular. Em alguns casos, este estágio pode vir  antes do primeiro. O Senhor sempre encoraja seus filhos a servi‐lo, e muitas vezes este é um primeiro passo e  mais fácil em direção a Deus. Se você ainda se limita a freqüentar a igreja e permanecer à margem do serviço  ao Senhor, está na hora de aproximar‐se do centro dele. Lembre‐se, o Senhor o salvou por sua graça, mas o  salvou  também  para  sua  obra:  “Pois  somos  feitura  dele,  criados  em  Cristo  Jesus  para  boas  obras,  as  quais  Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).  3.  Aspira  a  profundamente  viver  uma  vida  muito  mais  santa.  Em  algum  ponto,  durante  o  movimento  progressivo  em  direção  da  santidade,  o  cristão  chega  a  uma  encruzilhada.  Como  forma  de  preparação,  o  Senhor  geralmente  o  conduz  a  várias  decisões  menores,  as  quais  o  levarão  mais  perto  ou  mais  longe  da  santidade.  Se  o  cristão  continua  escolhendo  o  caminho  da  obediência,  então  finalmente  o  Senhor  o  leva  à  “grande decisão”: se vai ou não buscar a santidade em sua vida, ativa e conscientemente.  Pense  um  momento  em  nossa  Introdução,  sobre  aqueles  homens  que  foram  desafiados  a  se  descrever  em  poucas palavras – se “santidade” apareceria em alguns de seus cartões. Você se lembra da aversão deles ao  conceito?  Santidade  não  era  algo  que  desejavam,  por  isso  ficavam  presos  num  beco  sem  saída  da  vida  espiritual.  4. Apega‐se a Cristo por meio da vida devocional regular e de qualidade. Nesta fase da caminhada, o cristão já  experimentou várias purificações profundas e quebrantamento. Seu coração já se tornou mais fervoroso e sua  fome  pelo  Senhor  cresceu  consideravelmente.  Por  causa  desse  desejo  ardente,  finalmente  está  disposto  a  pagar o preço exigido pela purificação mais profunda, para experimentar mais do Senhor. Como resultado, o  Senhor permite que o cristão experimente um relacionamento mais significativo e mais satisfatório com ele.  Neste  ponto  ocorre  uma  transição  mais  importante:  A  devoção  sai  da  categoria  “obrigação”,  a  qual  exige  muita  determinação  e  disciplina  e  passa  para  a  categoria  “prazer”,  o  que  significa  que  o  resultado  excede  muito o esforço. O sacrifício parece insignificante em relação ao que se alcança. A devoção cresce e atinge o  ponto mais elevado da vida do cristão naquele momento.  5. Avança fielmente, obedecendo ao Senhor em áreas específicas da imagem de Cristo. Depois que o senhor  alimenta  profundamente  seu  filho,  por  meio  da  devoção  íntima,  começa  a  chamá‐lo  para  uma  obediência  maior. Neste ponto, o cristão deseja mais do Senhor com tamanha intensidade que está mais do disposto a  fazer  tudo  o  que  ele  exige.  À  medida  que  o  relacionamento  com  Deus  se  aprofunda,  o  cristão  também  se  torna mais sintonizado com seu coração e anda com maior cuidado, não desejando entristecer ou extinguir o  Espírito Santo.  Neste ponto,o cristão ultrapassa mais uma barreira em sua vida espiritual: a obediência não é mais um fardo,  uma obrigação que a Bíblia ordena que cumpra. Pelo contrário, a obediência é a alegria do relacionamento  porque seu amigo mais próximo e Senhor mais compassivo o desafia a ser como ele. Que diferença! É durante  este  período  da  vida  espiritual  que  o  cristão  começa  a  ver  com  outros  olhos  os  mandamentos  do  Novo  Testamento. Aqueles que anteriormente eram desprezados agora se tornam diretrizes pessoais recebidas de  um  Pai  amoroso.  O  cristão  não  mais  racionaliza  áreas  inteiras  de  sua  vida  –  de  fato,  ele  busca  com  determinação: “Revesti‐vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia,  de  bondade,  de  humildade,  de  mansidão,  de  longanimidade.  Suportai‐vos  uns  aos  outros,  perdoai‐vos  mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim  também perdoai vós” (Cl 3:12,13).  6. Aumenta o investimento de tempo, talento e finanças na obra do Senhor. Nesta fase do progresso do cristão  em direção à santidade pessoal, são tantas as áreas de sua vida que começam a trabalhar juntas pela primeira  vez  que  o  cristão  se  sente  como  se  estivesse  sendo  carregado  pelo  Senhor  (e  está  mesmo!).  Quando  seu  coração é quebrantado, purificado e redirecionado, o cristão começa a ver a vida da perspectiva celeste e não  da terrena. Essa mudança dramática de perspectiva faz uma diferença fundamental na tomada de decisões.  Áreas da vida do cristão que antes eram prioritárias agora são deixadas de lado, quando ele percebe sua falta  de significado eterno.  Com o passar do tempo, o Senhor continua convidando o cristão a buscar níveis cada vez mais profundos de  santidade. É durante esta fase que ele percebe que é mordomo de usa vida e não dono. Quando se submete  ao Senhor, começa a redirecionar seu tempo, talentos e recursos para a obra do Senhor. O tempo do cristão  torna‐se um bem precioso, o qual ele “administra” como nunca. Seus talentos agora são vistos com um bem  que lhe foi confiado, o qual o Senhor o chama para multiplicar para a eternidade, como revelado na parábola  82 

 


dos  talentos  em  Lucas  19.  Por  fim  o  cristão  libera  o  dinheiro  do  Senhor  (em  vez  de  retê‐lo  para  proveito  próprio ou por medo do futuro) e alegremente contribui com uma porcentagem maior de seus ganhos para o  serviço divino.  7.  Abandona  tudo  para  conhecer  a  Cristo  e  servi‐lo.  Creio  que  o  nível  “supremo”  da  santidade  positiva  é  a  completa  conformidade  à  imagem  de  Jesus  Cristo  em  todas  as  áreas  da  vida.  Tudo  o  que  o  cristão  deseja  neste estágio final é ser um com Cristo e servi‐lo, da mesma maneira que Cristo serviu ao Pai – de maneira  absoluta, fiel e fervorosa. Paulo registrou sua atitude e suas ações neste sétimo estágio em Filipenses 3:8‐14.  Note  o  profundo  despojamento  e  a  intensidade  da  comunhão  e  do  serviço:  “Sim,  deveras  considero  tudo  como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo, meu Senhor; por amor do qual perdi todas  as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo [...] para o conhecer, e o poder da sua ressurreição  [...] prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. [...] esquecendo‐me  das  coisas  que  para  trás  ficam  e  avançando  para  as  que  diante  de  mim  estão,  prossigo  para  o  alvo,  para  o  premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”  A esta altura, você deve estar se perguntando se a atitude de Paulo é de fato realista. Devemos buscar seguir  os  passos  de  Cristo  e  no  final  demonstrar  a  mesma  atitude,  ações  e  aspirações?  A  Bíblia  responde  a  esta  questão  nos  versículos  seguintes:  “Todos,  pois,  que  somos  perfeitos,  tenhamos  este  sentimento;  e,  se  porventura  pensais  doutro  modo,  também  isto  Deus  vos  esclarecerá.  [...]  Irmãos,  sede  imitadores  meus  e  observais  os  que  andam  segundo  o  modelo  que  tendes  em  nós.  Pois  muitos  andam  entre  nós,  dos  quais,  repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino  deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam  com as coisas terrenas. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor  Jesus Cristo.” Filipenses 3:15,17‐20  Faça uma pausa e avalie onde você está em seu progresso em direção à santidade.  Nível 1  Tenta  manter  uma vida  devocional,  mas  fracassa  constan‐  temente 

Nível 2  Serve  ativa‐  mente ao  Senhor  em pelo  menos  um mi‐  nistério  regular 

Nível 3  Aspira   a profun‐ damente   viver   uma   vida   muito   mais   santa 

Nível 4  Apega‐se   a Cristo   por meio   da vida   devocional  regular e   de quali‐  dade 

Nível 5  Avança   fielmen‐  te, obe‐  decendo   ao Se‐  nhor em  áreas  específi‐  cas da  imagem   de Cristo 

Nível 6  Aumenta  o investi‐  mento de  tempo,  talentos e  finanças  na obra  do Senhor 

Nível 7  Abandona  tudo para  conhecer a  Cristo e  servi‐lo 

  PLANTE SANTIDADE HOJE PARA COLHER SANTIDADE MAIS TARDE    A santidade não é algo natural, ela é sobrenatural. Ela não vem como resultado de uma ou duas “crises de  experiência”. Ela se desenvolve ao longo de anos e anos de vida piedosa. Os padrões de santidade são bem  claros e incluem “todo o nosso procedimento”, de acordo com as palavras de Pedro. Nas palavras de Zacarias,  em Lucas 1:74,75, há uma notável profecia sobre a obra de Jesus por nós: “Conceder‐nos que, livres das mãos  de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias.”  Quando  você  considera  esses  dois  versículos,  percebe  que  podem  conter  o  resumo  mais  notável  de  toda  a  Bíblia  do  objetivo  de  nossa  vida  de  santidade:  adorar  ao  Senhor,  em  santidade  e  justiça,  todos  os  dias  de  nossa vida!  Quanto mais caminho com o Senhor, mais me convenço de que um dos segredos da vida espiritual está nas  palavras: “todos os nossos dias”. Não diz “todas as semanas de nossa vida”, “todos os meses de nossa vida”,  nem “todos os anos de nossa vida”. A santidade cresce mais com a vida cotidiana, portanto, nesta seção do  livro  a  maior  parte  das  aplicações  práticas  é  diária  e  específica,  gerando  resultados  garantidos  em  sua  peregrinação para a santidade pessoal em tempos de tentação.  As  palavras  “resultados  garantidos”  podem  soar  um  tanto  exageradas,  mas  deixe‐me  dizer  que  não  são  de  forma  alguma  uma  afirmação  otimista  demais.  Pelo  contrário,  são  tão  certas  quanto  as  leis  imutáveis  do  83 

 


plantar e colher. Aquilo que se planta inevitavelmente será o que se vai colher. Plante sementes no jardim da  santidade e você colherá o fruto da santidade. Não por algum tempo, nem na maioria das vezes, mas sempre.  Que encorajador! Significa que se você planta sementes de santidade, as verá crescer,florescer e dar frutos de  santidade.  Não  há  necessidade  daquela  “esperança  cega”  de  que  talvez  o  Senhor  as  faça  germinar.  Precisamos lembrar de quatro coisas quando iniciamos esta seção:  1. Lembre que o tempo entre a semeadura e a colheita exige grande paciência   A  paciência  não  é  necessária  no  processo  de  plantio  ou  de  colheita,  mas  ela  é  necessária  basicamente  no  período  entre  ambos.  Lembro  quando  plantei  minhas  primeiras  sementes  de  legumes  no  quintal  de  casa,  quando  era  criança.  Todas  as  manhãs  eu  descia  as  escadas  correndo,  saía  em  disparada  pela  porta  de  trás  para ver a pequena horta de 3m x 90cm que parecia um enorme campo aos meus olhos de 4 anos de idade.  Verificava todos os dias para ver se meus pés de tomate, berinjela e rabanete já tinham crescido. Depois de  três dias, eu queria desenterrar as sementes para ver se ainda estavam lá! Dia após dia, nada acontecia,e eu  ficava mais e mais desanimado. Meu sábio pai me dizia repetidas vezes que eu precisava ter paciência, que as  sementes brotariam quando chegasse o tempo certo.  Talvez Paulo conhecesse bem a tendência dos cristãos de ficarem impacientes e perderem a esperança de que  seus esforços seriam recompensados quando escreveu Gálatas 6:7,9 (com alguns comentários meus, à guisa  de  explicação):  “Não  vos  enganeis: de  Deus  não  se  zomba;  pois  aquilo  que  o  homem  semear,  isso  também  ceifará.  [...]  e  não  nos  cansemos  de  fazer  o  bem  [plantando  sementes  de  santidade],  porque  a  seu  tempo  [exatamente  dentro  do  programado]  ceifaremos  [não  que  talvez  ceifemos  ou  esperemos  ceifar,  mas  ceifaremos], se não desfalecermos [desanimarmos porque nada acontece rápido o suficiente e pararmos de  semear e cuidar da lavoura no meio tempo].”  Nunca  duvide,  nem  por  um  momento,  que,  se  você  continuar  nesses  hábitos  de  santidade,  de  fato  experimentará  uma  “colheita  de  santidade”  gloriosa  e  abundante.  Quanto  maior  for  a  colheita  que  você  deseja,  mais  deve  semear.  Deus  garante  resultados  diretamente  proporcionais  à  semeadura,  mas  em  quantidade  muitíssimo  maior.  Sabe  por  quê?  Porque  você  sempre  colhe  muito  mais  do  que  planta.  Plante  uma única semente de melancia e faça planos de convidar todos os seus vizinhos  para ajudá‐lo a comer os  frutos da colheita.  2. Lembre que a confiabilidade de sua colheita depende da qualidade da semente  Plante  sementes  de  tomate,  e,  não  importa  quanto  você  trabalhe,  espere  e  se  esforce,  não  pode  nem  vai  conseguir  colher  pepinos.  Se  você  busca  a  santidade,  deve  plantar  sementes  de  santidade.  Se  plantar  sementes de tomate de má qualidade, os resultados não serão garantidos. Se você plantar e regar sementes  ruins, o retorno não será satisfatório, pelo contrário, será desanimador.  Muitos cristãos se apóiam em práticas emocionais e incomuns para desenvolver santidade em suas vidas. Tais  práticas  parecem  ter  rompantes  de  tremendo  sucesso,  mas  são  seguidas  por  escorregões  que  acabam  culminando em derrota. Em todas as partes do mundo por onde viajo, encontro muitos cristãos desiludidos,  que  por  um  motivo  ou  outro  se  desviaram  da  busca  da  santidade.  Uma  grande  porcentagem  parece  ter  confiado em “semente ruim” para produzir frutos.  Em  vez  de  buscar  “os  bons  e  velhos  padrões  de  santidade”  usados  pela  Igreja  através  dos  séculos,  certo  número  de  cristãos  parece  ser  atraído  pelos  métodos  novos  de  santificação,  a  exemplo  da  mariposa  que  é  atraída para a luz. Depois de décadas observando esta prática, posso encorajá‐lo a não se desviar do caminho  estreito e direto? Se certa prática de santidade não é ensinada claramente nem há exemplos na Bíblia, se não  foi praticada pela Igreja através da história (por exemplo o compartilhamento), não adote tal método.  Posso  dar  um  exemplo  pessoal:  na  noite  passada,  fui  dormir  depois  de  escrever  o  parágrafo  acima.  Nesta  manhã, eu estava lendo o famoso livro de John Bunyan, O Peregrino, escrito na metade do século XVII. Note a  advertência contra esta mesma tendência perigosa: “No pouco tempo que tenho de cristão, observei que há  muitos correndo para lá e para cá – alguns por este caminho, outros por ali; mesmo assim, deve‐se temer que  muitos não estão no caminho certo. Como resultado, embora corram tão rápido quanto o vôo de uma águia,  não  têm  nenhum  benefício.  Alguns  correm atrás  de  agitação,  outros  correm atrás de  barulho; outros  ainda  vão  atrás  de  batismo,  e  outros  querem  independência...  É  possível  que  todos  esses...  estejam  correndo  na  direção errada...”  Como  alguns  de  meus  amigos,  no  decurso  dos  anos,  têm  entrado  por  vários  desses  caminhos,  venho  intercedendo  por  eles  diante  do  Senhor  e  buscando  a  raiz  do  erro.  Embora  possa  haver  algumas  exceções,  84 

 


tenho  chegado  a  algumas  conclusões:  a  grande  maioria  dos  cristãos  que  perdem  o  rumo  e  desviam‐se  na  busca da verdadeira santidade geralmente tem um desses três traços em comum:  Primeiro,  exibem  uma  propensão  para  uma  atitude  “cola  rápido”  para  uma  questão  que  não  permite  tal  procedimento  –  ou  seja,  geralmente  não  estão  dispostos  a  praticar  as  “coisas  difíceis”  relacionadas  à  santidade, preferindo buscar métodos mais simples, mais fáceis e mais rápidos.  Segundo, exibem uma tendência de tomar decisões com base em experiências emocionais e “sinais” em suas  vidas,  os  quais  validam  a  direção  incomum  que  escolhem.  Em  outras  palavras,  acreditam,  com  base  em  numerosas experiências pessoais, que o Senhor os está chamando de forma sobrenatural para aquele método  incomum. É quase universal o fato de aqueles que caem nesta armadilha acabarem defendendo suas posições  com as palavras: “mas o Senhor me disse...”  Terceiro, exibem uma ambição egoísta profundamente oculta, a qual os impele a buscar as “coisas profundas  de  Deus”  acima  dos  amigos,  da  família  e  dos  colegas.  Em  algum  ponto  desse  caminho  para  a  desilusão,  acreditam que encontraram uma “verdade perdida” ou uma “verdade desconhecida” sobre a vida espiritual, a  qual  Deus  lhes  revelou  com  exclusividade.  As  outras  pessoas  não  apreciam  suas  idéias,  ações,  ou  direção  simplesmente porque não foram iniciadas nesse “nível mais profundo de verdade”.  Caro leitor, se você se identifica com um desses três traços, está em águas perigosas, e tempestades muito  maiores  poderão  abater‐se  sobre  sua  vida.  Fuja  dessas  águas!  Abandone  este  barco.  Pare  de  ler  qualquer  literatura  que  esteja  lendo.  Pare  de  ir  a  qualquer  reunião  que  esteja  indo.  Pare  de  ouvir  as  “fitas”  que  promovem  tais  atitudes.  Volte  para  o  caminho  reto  e  estreito  de  todo  aquele  que  encontra  a  bêncão  da  santidade.  Embora  você  sem  dúvida  atravesse  águas  bem  menos  empolgantes  por  algum  tempo,  sua  vida  espiritual será levada a um porto seguro.  3. Lembre que entre a semeadura e a colheita você precisa continuar cuidando da lavoura  Na busca da santidade, não esqueça que é inevitável que surjam ervas daninhas. Se você é novo nesta busca,  aguarde muitos tipos diferentes de ervas! Por quê? Porque antes, em sua vida, você deixava seu “solo” livre, à  mercê da natureza. Todos os tipos de espinhos e ervas indesejáveis entravam e praticamente dominavam seu  jardim.  Quando você cria um jardim, no início parece que nunca vai terminar de arrancar as ervas daninhas. “Todo  esse trabalho apenas por alguns tomates!”, talvez você acabe falando. No ano seguinte, porém, terá menos  ervas  daninhas  e  muito  mais  tomates.  Quando  você  dedica  sua  atenção  àquele  pedaço  de  terreno,  e  as  sementes  e  raízes  de  ervas  indesejáveis  são  arrancadas  e  queimadas,  lentamente  o  solo  vai  se  tornando  totalmente devotado à sua vontade e às sementes que você planta. Em vez de lutarem para crescer em seu  jardim  cheio  de  ervas  daninhas,  suas  plantas  selecionadas  experimentarão  uma  liberdade  quase  total  de  crescer sem aquelas poderosas distrações, diversões e desastres.  Assim, você pode perceber que sua vida pode estar coberta por todo tipo de erva daninha, capim e espinhos.  Não  desanime,  continue  trabalhando!  Confesse  e  purifique‐se  sempre,  à  medida  que  novas  sementes  de  pecado continuam aparecendo. Com o tempo, cada vez menos aparecerão, por causa das repetidas limpezas  feitas  no  jardim.  Você  acha  que  as  pessoas  maduras  têm  a  mesma  quantidade  de  erva  daninha  depois  de  décadas de jardinagem espiritual, cuidadosa e diligente? Dificilmente. E você precisa ver a colheita que fazem!  4. Lembre que santidade exige plantar e colher vários “hábitos santos”  Quando nossa família morou pela primeira vez no campo, plantávamos apenas duas coisas: melancia e batata‐ doce.  Tivemos  uma  grande  colheita,  mas  também  aprendemos  uma  dura  lição!  Três  semanas  depois  da  colheita, todos sentíamos que, se víssemos outra melancia ou batata‐doce, iríamos sair gritando. Demos sacos  cheios de batatas e melancias a nossos amigos e decidimos que no ano seguinte seríamos muito mais sábios  na hora de plantar. Plantar apenas um ou dois produtos leva ao tédio.  Você sabe o que parece ser o inesperado culpado da busca sincera que os cristãos fazem pela santidade? O  tédio. Inicialmente o cristão sente‐se culpado por se sentir entediado. Como alguém pode sentir‐se entediado  pela santidade? Limitando‐se a apenas um ou dois tipos de práticas de santidade em sua vida. Torne‐se um  praticante da santidade altamente diversificada.  Por exemplo, pense por um momento e relacione todos os métodos que você utiliza atualmente na busca de  sua santidade. Tente disciplinar‐se por um instante e preencha esta pequena tabela:  *Método 1 para busca da santidade  *Método 2 para busca da santidade 

   

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*Método 3 para busca da santidade  *Método 4 para busca da santidade  *Método 5 para busca da santidade 

     

O que você descobriu? Ontem à noite, Darlene e eu conversávamos bastante sobre nossos vários métodos de  santificação,  como  indivíduos  e  como  casal.  Chegamos  a  uma  boa  lista,  quando  relacionamos  as  várias  ferramentas que são significativas nesta fase atual de nossa vida!  Muitas  vezes  os  cristãos  se  restringem  ao  uso  de  apenas  um  ou  dois  métodos  para  buscar  ao  Senhor  e  a  santidade.  Quero  encorajá‐lo  a  descobrir  mais  alguns  e  fazer  uma  lavoura  rotativa.  Deixe  sua  “terra”  descansar de um método e passe para outro. Lembre‐se, os métodos de santificação são apenas ferramentas  em  suas  mãos,  para  ajudá‐lo  a  alcançar  a  santidade  aos  olhos  de  Deus.  Seja  qual  for  a  ferramenta  que  funcione para você (seja bíblica, seja comprovadamente utilizada pela Igreja durante sua história) é aceitável!  Que  seu  coração  não  apenas  se  volte  para  a  santidade  mas  que  seus  hábitos  também  se  voltem  para  ela!  Venha, junte‐se a nós e conheça os hábitos primários de santidade.    10  OS HÁBITOS FUNDAMENTAIS DA SANTIDADE  A beleza serena e silenciosa de uma vida santa é a influência mais poderosa do mundo, depois do poder do  Espírito de Deus. Blaise Pascal    No  início  do  século  XX,  Samuel  Smiles  expressou  o  tema  deste  capítulo:  “Plante  um  pensamento  e  você  colherá uma ação; plante uma ação e colherá um hábito; plante um hábito e colherá um caráter; plante um  caráter e colherá um destino.”  Essas ações articuladas da vida são inquestionáveis e inquebráveis. Nós passamos dos pensamentos à ação,  desta ao hábito; e os hábitos dão forma ao nosso caráter. Essas etapas nunca mudam de ordem em sua vida;  nenhuma delas é saltada. Em última análise, seu destino é controlado por seus hábitos e pensamentos. Bem  no  meio  dessa  cadeia  de  cinco  etapas  (do  pensamento  à  ação,  da ação  ao  hábito,  do  hábito ao  caráter, do  caráter  ao  destino)  encontra‐se  o  conceito  de  “hábito”.  Um  hábito  é  uma  tendência  estabelecida  ou  uma  maneira  usual  de  comportamento  adquirido  pela  repetição  constante  ao  longo  do  tempo,  de  modo  que  se  tornou quase ou completamente involuntário.  Quando um hábito é criado, um caráter é formado. Ao pensar sobre isso, você percebe que o caráter é a soma  total das atitudes habituais e qualidades de uma pessoa. Quando há uma grande mudança de hábito, a parte  do caráter correspondente também muda. Por exemplo, se uma pessoa mente constantemente, seu caráter  torna‐se  indigno  de  confiança.  Se  ela  aprende  a  dizer  habitualmente  a  verdade,  seu  caráter  torna‐se  totalmente confiável.  Digamos que você está numa festa da empresa onde trabalha e uma de suas colegas está se comportando de  modo impróprio. Ao descrever as atitudes dela a seu chefe perplexo, você diz que ela está “fora de si”, o que  significa que ela não está agindo de forma habitual.  Mude seus hábitos, e no tempo devido você mudará seu caráter. Portanto, para ter uma vida de santidade,  substitua seus hábitos por hábitos santos.  Se  você  deseja  ser  uma  pessoa  com  um  caráter  santo,  precisa  identificar  e  desenvolver  hábitos  pessoais  santos. Quanto maior o tempo e a intensidade que esses hábitos forem praticados, mais se tornarão parte de  sua vida – até que finalmente se tornem “todo” você! Os hábitos que se tornam involuntários são chamados  de “qualidades de caráter”.  Quando as pessoas tentam mudar o próprio caráter, devem mudar seus hábitos. Passar da impureza para a  santidade significa, pelo menos em um sentido, que os hábitos passaram de hábitos negativos e impuros para  hábitos positivos e santos. Quando  as pessoas  buscam seriamente a santidade, a realidade do que significa  tornar‐se  santo  deve  passar  do  geral  para  o  específico.  A  santidade  não  é  uma  existência  utópica  difusa,  pintada  dentro  de  uma  aura  reluzente  e  suave  de  nuvens.  A  santidade  é  específica  e  objetiva  e  deve  ser  praticada  totalmente  por  aqueles  que  professam  o  nome  d  Senhor  Jesus.  O  Senhor  nos  chama  para  ser  “santos  em  todo  nosso  procedimento”  e  providenciou  tudo  de  que  necessitamos  para  viver  na  justiça  e  na  piedade. 

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A Bíblia ensina que a santidade é ao mesmo tempo uma posição e um processo, por isso temos de continuar  pensando  com  clareza  sobre  como  ela  realmente  funciona.  A  santidade  começa  quando  aceitamos  Jesus  Cristo como Salvador pessoal. Nesse momento, o Senhor nos separa para si como seus filhos e membros de  sua família. Dali em diante, ele nos chama para sermos transformados de glória em glória à imagem exata de  Jesus Cristo. Com o passar do tempo, todos nós devemos mostrar os mesmos traços do caráter de Cristo –  amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole.  Embora nossa vida possa ter fases em que há uma aceleração na santidade, o crescimento é gradual e firme.  Ninguém pode perceber o crescimento de uma planta ou flor enquanto ele ocorre. No entanto, se sairmos de  casa pela manhã e voltarmos à noite, é possível que um botão tenha  se transformado numa linda rosa.  Da  mesma forma, nosso crescimento será lento, mas significativo. Dê tempo para que ele ocorra naturalmente e  você verá diferenças notáveis. Em 2 Coríntios 7:1 Paulo nos exorta: “Purifiquemo‐nos de toda impureza, [...]  aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”. “Aperfeiçoando a nossa santidade” reflete o processo  vitalício de nos tornarmos semelhantes a Cristo.  Lembre‐se:  os  hábitos  determinam  o  caráter.  O  caráter  não  pode  ser  transformado  a  menos  que  hábitos  ligados aos pensamentos, crenças e comportamentos sejam mudados. Quando você muda seus hábitos, seu  caráter também muda. Você não precisa “esperar” que, de alguma maneira ou forma, seu caráter mude, pois  sabe que com certeza ele mudará. Não instantaneamente, mas com certeza. Da mesma forma que não pode  ver uma rosa abrindo suas pétalas, você também não será capaz de ver seu caráter desabrochando em Cristo.  Entretanto, faça uma avaliação de sua vida depois de alguns meses e você não se reconhecerá!  Como é possível que a santidade resulte de tais hábitos? Porque a Bíblia várias vezes nos exorta a praticá‐los –  muitas vezes com promessas e benefícios vinculados. Durante toda a história da Igreja, cristãos com você e eu  praticam esses hábitos e sempre tiveram os mesmos resultados benéficos. Você não precisa sair por aí à caça  de alguma palavra mágica ou de rituais secretos de iniciação – esses hábitos são óbvios e estão ao alcance de  todos nós.  Faça a experiência: pense na pessoa mais piedosa que você conhece. Entre em contato com ela e diga que  você está lendo este livro e que o autor o incentivou a fazer uma pergunta: “Quais são os três segredos de sua  caminhada  com  Deus  e  seu  estilo  de  vida  piedoso?”  Se  minha  própria  experiência  reflete  a  regra,  você  descobrirá  que  a  resposta  será  as  mesmas  disciplinas  espirituais  relacionadas  neste  capítulo  e  no  próximo.  Não  espere  nada  novo  ou  exótico.  O  mais  importante:  a  resposta  só  poderá  ser  coisas  que  fazem  uma  diferença significativa quando aplicadas regularmente por um longo período de tempo.    HÁBITO SANTO 1:  CRIE SEU HÁBITO DEVOCIONAL    Atualmente qual é o centro de sua vida? Seu trabalho? Seu casamento? Sua família? Sua igreja? Seu dinheiro?  Seus negócios? Qualquer que seja o centro de sua vida, você deve passá‐lo para o segundo lugar, para que o  Senhor e seu tempo com ele possam reinar como figura central. A mudança individual mais importante que  você  pode  fazer  para  plantar  sementes  de  santidade  e  depois  colher  santidade  é  colocar  seu  “hábito  devocional” diário na lista de prioridades neste exato momento.  Metade do “hábito devocional” é a palavra “devoção”, que significa “separar para um fim especial e muitas  vezes  mais  elevado”.  O  foco  da  devoção  diária  não  são  os  procedimentos  específicos  seguidos,  mas  o  relacionamento  íntimo  com  Deus.  Você  se  devota  ao  Senhor  e  por  isso  escolhe  dedicar  seu  tempo  diariamente a ele, como prioridade. Ele é a pessoa mais importante do mundo para você, por isso você não  permite  que  ninguém  ou  nada  lhe  tenha  precedência.  Eis  algumas  dicas  que  podem  melhorar  seu  hábito  devocional.    1. Escolha o local para seu “hábito devocional”  A primeira chave para uma vida devocional bem‐sucedida é escolher um local favorito em sua casa. Deve ser  um  local  confortável,  absolutamente  quieto  e  o  mais  particular  possível.  Na  casa  de  Wilkinson,  o  “lugar  de  Darlene” é na sala da frente, na cadeira de balanço verde; o “lugar de Jessica” é o quarto dela; o “lugar de  Bruce” é o porão, no canto que dá para o quintal. 

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Naquele  canto  está  minha  cadeira  azul  favorita,  presente  inesperado  de  um  amigo  do  Colorado.  Bem  em  frente da cadeira, ao longo da parede, há uma estante com meus livros de “vida espiritual”, meus registros  mais recentes e meu caderno de oração. À esquerda há uma luminária e uma pequena mesa; à direita, um  grande globo, que uso para orar pelas nações do mundo. Para mim, o local é perfeito.  Com o passar do tempo, separei aquele lugar para o Senhor e o dediquei como local em que me elevo para  encontrá‐lo pela manhã. É um lugar cheio de louvores, adoração, meditação e amizade profunda.    2. Separe o horário para seu “hábito devocional”  Eu cresci como uma pessoa de hábitos noturnos. Tinha certeza de que não fazia diferença para Deus o horário  que  escolhia  para  fazer  a  minha  devocional,  e  lembro‐me  de  defender  minha  opinião  com  veemência,  no  início do seminário. Um dia, há muitos anos, estava discutindo essa questão com um velho professor, e ele me  perguntou  se  os  gigantes  espirituais  da  história  em  geral  faziam  devocional  de  manhã  ou  à  noite.  Tive  de  admitir que todos os que eu conhecia faziam devocional pela manhã, mas rapidamente destaquei que aquilo  não provava nada.  Quando terminei, o professor cruzou os braços, sorriu e se sentou – sem dizer nada. Finalmente, quando eu  não  tinha  mais  argumentos,  ele  falou  de  forma  gentil,  mas bem  séria:  “Bruce, enquanto  você  não  parar  de  defender sua preguiça e não se levantar cedo, não encontrará a Cristo como deseja”. Depois, se levantou e foi  embora.  Aquele  amigo  estava  absolutamente  certo.  As  primeiras  horas  da  manhã  são  as  horas  da  santidade.  Com  o  tempo  as  coisas  mudaram,  e  eu  me  tornei  uma  pessoa  comprometida  com  o  hábito  de  levantar  cedo.  O  Senhor e eu gostamos de nos encontrar enquanto o Sol ainda está nascendo para se unir a nós.  Isso pode significar alterações em sua rotina, com ir mais cedo para a cama ou diminuir as horas de sono. Para  ser  honesto,  na  vida  agitada  da  maioria  das  pessoas,  quando  há  uma  mudança  de  prioridade  com  essa,  geralmente o sono é prejudicado até que se aprenda a ser mais disciplinado.  Seja qual for sua escolha, encontre‐se com o Senhor no mesmo horário todos os dias da semana. Com relação  ao sábado e domingo, você deve escolher um horário apropriado no fim de semana. Pessoalmente costumo  me levantar cedo aos domingos, mas não aos sábados. O sábado geralmente permite um horário mais flexível,  e duvido que o Senhor não aprecie nosso tempo de descanso.  Cuidado para não cair na tentação de tornar‐se legalista em sua caminhada cristã. Seu tempo devocional deve  seguir o fluxo da vida, considerando‐se as emergências, a exaustão e as situações inesperadas. Enquanto eu  ministrava em Asheville, na Carolina do Norte, há alguns dias, fiquei aconselhando durante o dia todo e por  boa parte da noite. Na manhã seguinte eu estava tão exausto emocional e fisicamente que me levantei cedo,  coloquei uma cadeira confortável perto da lareira e aproveitei a presença do Senhor em silêncio. Não cumpri  meus  procedimentos  usuais,  não  segui  minha  lista  de  oração,  não  escrevi  em  meu  diário,  nem  mesmo  li  a  Bíblia. O que eu fiz? Apenas me sentei na presença de Deus por uma hora – adorando e me alegrando nele.  Lembre‐se, a devocional pertence ao homem e não o homem à devocional.    3. Organize sua agenda “devocional” para cada dia do ano  Nada  parece  arruinar  as  boas  intenções  mais  rapidamente  do  que  cambalear  até  o  local  da  devocional,  de  manhã,  e  não  saber  ao  certo  o  que  fazer  –  desperdiçando  aqueles  momentos  preciosos  em  frustração,  tentando pensar no que poderia fazer.  Tire essa complicação de sua vida! Estabeleça uma rotina que você possa seguir todas as manhãs. Descobri  que o melhor é estabelecer uma nova rotina para cada ano, com base no que se descobriu no ano anterior.  Assim, quando finalmente sento em minha grande cadeira azul, com meu suco de laranja ou café, não perco  um  segundo.  É  maravilhoso,  mas  tenho  de  admitir,  infelizmente,  que  levei  anos  para  chegar  a  esse  ponto.  Ainda me lembro a frustração de ficar folheando a Bíblia, tentando escolher um texto para ler, ou sobre o que  orar ou como começar. Agora, isso não acontece mais. É maravilhoso!  Qual  o  segredo?  Avalie  o  que  funciona  para  você.  Escreva  o  que  descobriu  num  cartão,  ou  numa  folha  de  papel,  e  tente  repetir  no  dia  seguinte,  fazendo  depois  uma  avaliação.  A  princípio  o  processo  pode  levar  algumas semanas – relaxe e não tente estabelecer uma rotina imediatamente. Inicie o procedimento e faça  alterações  na  lista  de  etapas  até  que  se  sinta  confortável  com  ela,  então  siga  as  etapas  durante  o  resto  do  ano. A questão não é quantas coisas você faz, mas as coisas que faz realmente funcionarem para você.  88 

 


DICAS PARA O SUCESSO    Você  deve  começar  pela  coisa  mais  fácil,  mais  motivadora  e  que  realmente  desperte  seus  sentidos.  Não  comece  se  debatendo  com  as  coisas  difíceis,  mas  prepare‐se  para  elas.  Por  exemplo,  uma  das  amigas  de  Darlene  começa  a  sua  devocional  de  manhã,  ligando  uma  fita  de  cânticos  de  louvor,  fechando  os  olhos  e  cantando  por  uns  dez  minutos.  Eu  costumo  ler  um  trecho  da  biografia  de  algum  homem  de  Deus  ou  outro  livro de devoção – isso carrega minha bateria. Lembre‐se de que a chave é você começar com aquilo que acha  mais  fácil,  mais  agradável  e  que  lhe  traga  ânimo  imediato.  Não  há  nada  mais  espiritual  do  que  começar  a  devocional com a oração. Entretanto, se eu começo pela oração, corro o risco de pegar novamente no sono!  Darlene,  no  entanto,  começa  seu  dia  com  oração  e  louvor,  depois  lê  a  Bíblia,  faz  suas  anotações  e  termina  com outro tempo de oração. A ordem estabelecida deve ser importante para você, não para os outros.  Segundo,  quando  você  estiver  pronto  para  buscar  ao  Senhor  de  todo  coração,  pare  e  prepare‐se  para  o  encontro. Feche os olhos e acalme seu coração. Concentre‐se na sala do trono nos lugares celestiais. Traga  cada pensamento cativo e não permita que sua mente fique divagando, distraindo‐se com outras coisas. Se  tudo isso é novidade para você, pode ser que fique bastante frustrado por ver que sua mente se comporta  como  um  cachorrinho  inquieto  e  indisciplinado,  saltando  e  correndo  para  todos  os  lados.  Nos  primeiros  meses, essa inquietação mental pode durar algum tempo, mas não se desanime. Com o tempo, levará apenas  alguns segundos para colocar seu coração em foco.  Terceiro,  siga  os  procedimentos  na  mesma  ordem,  todos  os  dias.  Não  pule  nenhuma  etapa,  não  importa  quanto  seja  tentado  a  fazê‐lo.  Discipline‐se  e  não  permita  que  a  “tentação  da  fuga”  se  aposse  de  sua  determinação. O sentimento de “fuga” pode ser muito forte, mas pode ser totalmente controlado. Siga como  dedo a etapa em que está na devocional e não o mova para a próxima enquanto não tiver terminado. Quando  sinto  vontade  de  pular  alguma  etapa,  observo‐a  e  faço  um  asterisco  nela,  como  um  alerta  da  oposição  espiritual.  Seja  o  que  for  que  você  faça,  não  permita  que  sua  concentração  se  afaste  do  Senhor  e  daquilo  que  se  comprometeu  a  fazer  naquela  etapa  da  devocional.  Quando  você  mantém  sua  atenção  em  Jesus  Cristo,  a  oposição  sempre  se  desvanecerá  bem  diante  de  seus  olhos.  Não  duvide  disso.  Hoje  mesmo,  pela  manhã,  quando cheguei ao número 16 de minha lista de oração, inesperadamente experimentei esse tipo de oposição  e lembrei que isso acontecera nos dias anteriores. Por quê? Não sei, nem preciso saber – assim, renovei meu  fervor e fui adiante. Amanhã chegarei a este ponto com fé e submissão ao Senhor, sabendo que a oposição  fugirá para a escuridão.  Quarto, não permita que nada substitua esses dois absolutos: a oração e a Palavra de Deus. Não permita que  nenhum  livro,  por  melhor  que  seja,  tome  o  lugar  da  Bíblia.  Jamais  pule  ou  diminua  o  tempo  da  oração.  Independentemente do que você faz em sua devocional, pelo menos 50% do tempo total deve ser dedicado  aos “dois grandes”: a oração e a leitura da Palavra.  Faça isso agora mesmo. Pegue um pedaço de papel e crie o primeiro esquema de sua devocional. Amanhã,  depois de seguir as etapas, faça uma revisão. Se for seu primeiro ano, limite‐se a três ou quatro etapas, do  contrário  vai  começar  a  se  exercitar  com  muito  peso.  Valorize  mais  o  hábito  do  que  a  dificuldade  ou  a  intensidade  neste  estágio!  Pegue  essas  etapas  básicas  e  coloque‐as  na  ordem  que  seja  melhor  para  você:  Leitura da Bíblia, Oração, Louvor, Anotações, Leitura de um livro cristão.  O que acontece se você falhar um dia? Ou uma semana? Ou mesmo um mês? Prepare‐se para reiniciar este  hábito santo e retorne exatamente onde parou! Não tente recuperar o tempo perdido, apenas siga em frente.  Nunca se permita construir uma montanha a ser conquistada a fim de “pagar” sua negligência em relação ao  Senhor.  Cristo  pagou  por  todos  os  seus  pecados  e  pelos  meus.  Seu  pagamento  foi  suficiente  para  o  Pai,  portanto,  deve  sê‐lo  também  para  você.  Peça  perdão  ao  Senhor,  como  faria  a  um  amigo,  por  evitar  sua  companhia e receba o perdão e o abraço caloroso do Senhor. Ele sentiu sua falta mais do que você sentiu a  dele.  Lembre‐se:  nenhum  relacionamento  dura  muito  tempo  se  estiver  baseado  apenas  na  culpa  e  na  obrigatoriedade.        89 

 


HÁBITO SANTO 2:  MEDITE NAS ESCRITURAS    De  todos  os  hábitos  santos  específicos  que  promovem  a  santidade  e  controlam  diretamente  sua  transformação  numa  pessoa  santa,  a  leitura  da  Palavra  de  Deus  é  o  de  alta  prioridade.  Embora  você  possa  achar que a oração é o segredo da transformação, não creio que seja isso que a Bíblia ensina. Pelo contrário,  ela  própria  é  o  agente  transformador  básico.  Evidentemente,  o  Espírito  Santo  é  o  transformador  por  excelência, mas ele utiliza a Bíblia como sua ferramenta principal de transformação.  Note  como  o  apóstolo  Paulo  descreve  esta  transformação  em  Romanos  12:2b:  “Transformai‐vos  pela  renovação  da  vossa  mente”.  A  transformação  começa  na  mente  do  cristão,  e  não  em  seu  comportamento.  Todos  nós  agimos  exatamente  de  acordo  com  aquilo  que  cremos.  Embora  possamos  pensar  que  nosso  comportamento não reflita nossas convicções mais profundas, a Bíblia revela que ele reflete. De fato, nunca  há exceção. Se eu peco, é porque, naquele momento, considerando todas as opções, concluo que o pecado  atende melhor meus interesses, caso contrário, eu não pecaria. Quando eu realmente acredito que a melhor  opção é a obediência, então esta será minha escolha.  Aquilo  que  eu  penso  determina  o  que  faço.  Meus  pensamentos  determinam  meu  comportamento.  Já  que  esta é a verdade, então a questão crucial é que minha mente seja mudada para pensar exatamente o que a  Bíblia ensina. De modo geral, nossa mente não é transformada de imediato, num lampejo, mas aos poucos, à  medida que compreendemos mais e mais a verdade e cremos nela.  Paulo  revelou  que  a  transformação  é  um  processo,  pois  escolheu  a  palavra  “renovação”,  que  literalmente  significa “tornar novo outra vez”, outra vez e outra vez. O cristão deve tornar sua mente nova repetidamente,  até que cada pensamento da “antiga” maneira de pensar tenha sido extirpado e tudo que faz parte da “nova”  (bíblica) maneira de pensar tenha sido firmemente plantado e tenha criado raiz.  A transformação ocorre pela renovação da nossa mente pela Bíblia, não apenas pela leitura dela. Embora a  leitura bíblica certamente influencie nossa vida de muitas maneiras maravilhosas, a transformação só ocorre  quando  nossa  mente  é mudada,  deixando  de  acreditar  numa  mentira  para  crer  na  verdade.  Se  a  leitura da  Bíblia não se ajusta à nossa maneira de pensar, então a Bíblia não transformará, num toque  mágico, nosso  comportamento.  Nunca  esqueça  as  famosas  palavras  de  D.  L.  Moody:  “A  Bíblia  não  foi  dada  para  nossa  informação,  mas  para  nossa  transformação”.  Não  leia  a  Bíblia  buscando  apenas  informações;  leia‐a  para  a  transformação por meio da renovação de sua mente.    1. Renove sua mente lendo a Bíblia��toda ou o Novo Testamento anualmente  A leitura da Bíblia toda ou do Novo Testamento anualmente é uma prática maravilhosa, adotada por centenas  de milhares de cristãos comprometidos. Não há nada melhor para a vitalidade espiritual em geral do que ler  grandes  passagens  bíblicas  todos  os  dias.  Como  você  pode  prever,  o  Ministério  Através  da  Bíblia  é  profundamente comprometido com esta prática. Já publicamos mais de 100 milhões de guias devocionais e  muitas  Bíblias  para  que  as  pessoas  possam  ler  e  renovar  a  mente  por  meio  da  Palavra  de  Deus.  Teremos  prazer em ajudá‐lo, encorajando‐o a desenvolver o hábito diário de ler a Bíblia e meditar    2. Renove sua mente meditando em textos cuidadosamente selecionados  Diferentemente  da  leitura  de  grandes  trechos  bíblicos,  este  hábito  seleciona  cuidadosamente  pequenas  passagens  que  se  concentram  em  áreas  específicas  que  precisam  ser  transformadas  para  que  você  agrade  totalmente a Deus.  Como  você  pode  saber  em  quais  textos  deve  meditar?  Observe  seu  próprio  comportamento  e  atitudes.  Sempre que você descobrir pontos que não condizem com Jesus, é sobre eles que deve meditar! Selecione a  área  em  que  aparecem  os  pontos  e  procure  de  três  a  cinco  versículos  ou  capítulos  na  Bíblia  que  tratem  diretamente do problema. Escreva os versículos ou capítulos em pequenos cartões e leia‐os em voz alta todos  os  dias.  Dedique  pelo  menos  um  mês  para  cada  área,  pois  você  não  conseguirá  renovar  sua  mente  por  completo em poucos dias. Medite bastante sobre esses versículos, pedindo ao Senhor que lhe mostre qual é a  mentira que precisa ser descartada e qual a verdade que deverá substituí‐la.  90 

 


Sempre que você ler os versículos, faça uma marcação no cartão e mantenha‐se firme até que a mentira ou a  verdade sejam reveladas. Se você descobrir a mentira na qual acreditou até este momento em sua vida, que  representava  o  poder  por  trás  de  seu  pecado,  renove  sua  mente  de  forma  cuidadosa  e  ativa  nessa  área  determinada até você reconhecer que sua mente foi literalmente transformada e começar a ver a realidade  de uma nova perspectiva.  Se o conjunto de pecados que recobrem essa determinada “mentira” não fizer mais parte de sua vida, você  pode  parar  de  meditar  sobre  o  assunto,  pois  sabe  que  houve  uma  transformação!  O  âmago  da  meditação  sobre  as  Escrituras  não  é  o  fato  de  você  ter  meditado,  mas  de  você  ter  se  transformado  completamente  naquela área. Portanto, o processo só tem valor para você na medida em que lhe traga transformação!  Muitos  cristãos  bem‐intencionados  memorizam  muitos  textos  bíblicos,  mas  sem  experimentar  nenhuma  transformação.  Acham  que,  se  conseguirem  se  lembrar  do  versículo,  a  transformação  ocorrerá  de  forma  automática  e  sobrenatural.  Alguns  dos  cristãos  mais  carnais  que  conheço  sabem  citar  de  cor  muitos  textos  bíblicos! A memorização das Escrituras apenas coloca os textos em seu “banco de memória”, para que possa  meditar neles e ser transformado por eles. Se o objetivo é a memorização, então ela se torna um fim em si  mesma mais do que um meio para o objetivo bíblico da transformação.  Se  você  realmente  deseja  que  sua  vida  seja  transformada  por  meio  da  memorização  de  versículos,  escolha  uma área da vida que precise mudar. Defina essa área de sua vida com uma palavra bíblica, como ira, roubo,  cobiça ou fofoca. Procure de três a cinco versículos bíblicos sobre o assunto que falem claramente a verdade e  a diretriz para sua vida. Escreva os versículos em pequenos cartões. Carregue‐os consigo e leia‐os em voz alta  várias vezes. Pense em cada palavra e busque a “sabedoria” que reside em cada versículo.  Ore  e  peça  ao  Senhor  que  revele  as  “mentiras”  que  você  está  acatando  na  área  determinada,  confesse  os  pecados que tem cometido nela, um de cada vez. Identifique bem o que você costumava crer (a “mentira”) e  que  agora  sabe  que  não  é  bíblico  e  declare  a  verdade  bíblica,  juntamente  com  suas  atitudes  e  comportamentos  piedosos:  “A  Bíblia  diz  que...”  Apóie‐se  ativamente  no  Espírito  Santo  para  aplicar  essas  verdades e para capacitá‐lo no compromisso de conhecer a verdade e experimentar a liberdade de obedecer  ao Senhor.  A  questão  não  é  quantos  versículos  você  memorizou,  mas quantas  áreas  de  sua  vida  foram  transformadas!  Não colecione versículos como “troféus”, quando o único troféu que causa júbilo no céu é sua vida santa.    3. Renove sua mente transformando textos bíblicos em oração  Este  é  um  hábito  maravilhoso,  que  deve  ser  praticado  regularmente.  Selecione  textos  bíblicos  que  são  particularmente  significativos  para  você  e  transforme‐os  em  orações  ao  Senhor.  Nos  livros  de  Salmos,  Provérbios,  Efésios,  Colossenses  e  Filipenses  há  passagens  fáceis  para  esse  propósito.  Quando  você  faz  orações  ao  Senhor  com  base  em  textos  bíblicos,  uma  parte  diferente  de  sua  vida  será  influenciada  e  transformada. Geralmente a meditação toca sua mente. A meditação em forma de oração toca sua mente e  seu coração.  Quando você ler as Escrituras e nelas meditar, não deixe de fazer anotações pessoais em sua Bíblia. Marque a  data em que o Senhor se comunicou com você, de uma forma especial, por meio de uma passagem. Um de  meus primeiros professores no seminário um dia nos mostrou sua Bíblia – tinha linhas, setas, cores, círculos e  anotações por toda parte! Mal pude acreditar. Fiquei imaginando se um dia faria o mesmo com minha própria  Bíblia. Agora, passados trinta anos, quero encorajá‐lo a fazer o mesmo. Sempre que pego minha Bíblia para  ler, apanho uma caneta azul e uma vermelha para marcar o que aprendo na própria Bíblia.  Portanto, mude sua maneira de olhar para a Bíblia. Ela é um presente de valor incalculável, para todo o corpo  de Cristo, bem como para cada cristão individual. Quanto mais você aproximar sua vida dos planos evidentes  da Bíblia e usá‐la para os propósitos aos quais ela se destina, mais você experimentará o cumprimento das  promessas  divinas  de  transformá‐lo  à  imagem  de  Jesus  Cristo:  “Toda  a  Escritura é  inspirada por  Deus  e útil  para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus  seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Timoteo 3:16,17          91 

 


11  O HÁBITO DO DIÁRIO  A santidade surgiu para mim com uma natureza doce, agradável, encantadora, serena e calma. Trouxe uma  pureza, um brilho, uma paz e um arrebatamento inexprimíveis à alma. Em outras palavras, ela fez da alma um  campo ou um jardim de Deus, com todos os tipos de lindas flores. Jonathan Edwards    Primeiro você  está deitado, depois ergue a cabeça, vira‐se de um lado para o outro, engatinha, fica de pé,  cambaleia, caminha, anda depressa e finalmente corre. Primeiro aprende a contar, depois a somar, subtrair,  multiplicar e dividir, depois aprende a resolver equações, aprende geometria e finalmente resolve problemas  de trigonometria.  Em todas as áreas da vida, sempre há “primeiros passos”, seguidos de “passos intermediários”, que por sua  vez são seguidos de “passos avançados”. Este capítulo apresenta dois passos intermediários para a santidade,  construídos sobre os hábitos fundamentais mencionados anteriormente. Como você pode prever, há segredos  e habilidades de “especialistas”, que serão abordados no próximo capítulo. Se você conseguir praticar e, por  fim,  dominar  todos  os  seis  hábitos  santos,  posso  garantir  que  sua  vida  será  transformada  radicalmente  à  maravilhosa imagem de Jesus Cristo.    HÁBITO SANTO 3:  O DIÁRIO DE ORAÇÃO    O terceiro hábito santo que deve se tronar a “habilidade central” de quem busca a santidade é a oração. De  todas as disciplinas espirituais, creio que esta é a mais discutida e a menos praticada. Muitas pessoas acham  que a oração é ao mesmo tempo um dos aspectos mais fáceis e mais difíceis da vida cristã.  Se  a  Bíblia é  a  ferramenta  básica  para  a  renovação  da mente,  a  oração  é  a  ferramenta  fundamental  para  a  renovação  do  relacionamento  com  o  Senhor.  A  oração  é  a  linguagem  da  comunhão  e  abre  a  porta  da  intimidade entre o humano e o divino. Sem uma forte vida de oração, sua caminhada à santidade será apenas  uma tentativa unilateral de melhoramento humano. A oração é o agente catalisador do relacionamento e cria  um elo entre seu coração e o coração de Deus.  Além  da  oração  ser  a  linguagem  do  relacionamento,  Deus  a  designou  para  ser  a  ferramenta  básica  de  liberação das respostas  sobrenaturais a seus desejos, esperanças e situações impossíveis e emergenciais da  vida. Embora alguns promovam o conceito de que Deus não intervém de forma sobrenatural hoje em dia, a  Bíblia  está  repleta  de  mandamentos  para  buscarmos  exatamente  isso:  uma  resposta  sobrenatural.  O  que  é  uma resposta sobrenatural? É quando Deus ouve a oração e responde a ela, e você se torna o recipiente de  uma mudança proposital em sua “natureza” que Deus promoveu de modo “sobrenatural” em você.  Ao entender que Deus respondeu a suas orações repetidas vezes, sua confiança no poder da oração crescerá  exponencialmente. De fato, quanto mais você observa o Senhor responder, mais você se sente encorajado a  orar  por  milhares  de  coisas  que  nunca  sequer  sonhou  em  pedir  a  ele.  A  Bíblia  é  claríssima  e  totalmente  consistente no que diz sobre a oração: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma cosia ao Pai,  ele vo‐la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que  a vossa alegria seja completa” (Jo 16:23b,24).  Deus faz alguma exigência para responder a suas orações? “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras  permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” João 15:7.  Note que a primeira palavra é “se”, que geralmente precede uma condição que deve ser cumprida para que a  resposta  seja  concedida.  Além  de  João  15:7  requerer  o  “permanecer  em  Cristo”  para  o  cumprimento  da  maravilhosa  promessa  da  resposta  às  orações,  exige  também  que  “as  palavras  dele  permaneçam  em  nós”.  Tiago 15:16b‐18 vincula a oração de um “justo” às respostas: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.  Elias  era  homem  semelhante  a  nós,  sujeito  aos  mesmos  sentimentos,  e  orou,  com  instância,  para  que  não  chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a  terra fez germinar seus frutos”.  Essa  passagem  é  notável,  porque  sua  tese  principal  é  de  que  o  cristão  do  Novo  Testamento  pode  experimentar respostas notáveis e, sim, sobrenaturais a suas orações – como as que foram feitas pelo profeta 

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Elias: a oração do profeta literalmente interrompeu o ciclo normal das chuvas por três anos. Deus responde  àquele que é justo e que ora com “insistência”.    PEDIR NO NOME DE JESUS    Não  há  dúvida  quanto  à  razão  pela  qual  hoje  em  dia  as  pessoas  não  estão  recebendo  muitas  respostas  às  orações. Elas não mantém um relacionamento íntimo com Cristo nem obedecem à sua Palavra (santidade).  Portanto, não podem herdar a promessa magnífica porem condicional de que Deus lhes dará o que pedirem –  e  a  incrível alegria  que tal  resposta  dá  ao  cristão.  Não  menospreze  essas  afirmações  memoráveis  e  diretas,  feitas pelo próprio Jesus, sobre a oração: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai  seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” João 14:13,14; “Pedireis o  que quiserdes, e vos será feito” João 15:7b; “A fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo‐ lo  conceda”  João  15:16b;  “Em  verdade,  em  verdade  vos  digo:  se  pedirdes  alguma  coisa  ao  Pai,  ele  vo‐la  concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa  alegria seja completa” João 16:23b,24.  Você sabe o que a Igreja de Cristo faz com esses versículos? Basicamente, arranca‐os do Novo Testamento.  Por quê? Por que os cristãos decidiram que não funcionam e, se não funcionam, não devem ser verdadeiros!  Será que é assim? Não. Se os ensinamentos claros e repetidos da Bíblia não surtem efeito em nossa vida, não  é porque a Bíblia de repente deixou de ser verdadeira, mas sim porque nós deixamos de cumprir os requisitos  para obter as promessas.  Leia novamente as passagens citadas e descubra quais são as exigências universais que Deus soberanamente  vinculou  às  promessas.  Cumpra  essas  condições,  ore  com  fervor  e  fé  e  veja  como  o  Senhor  cumprirá  suas  promessas a você!  Há pouco tempo, conversei sobre essa questão com um amigo íntimo, que é um guerreiro da oração. Jamais  esquecerei  o  que  aconteceu  naqueles  20  minutos  de  conversa.  Aquele  homem  de  oração  apenas  sorriu  e  pegou  seu  diário  de  oração  em  cima  de  uma  escrivaninha.  Era  30  de  abril  de  1998.  Ele  foi  folheando  as  páginas do diário, voltando até 1º de janeiro de 1996, e contou 368 orações que o Senhor havia respondido  naqueles dois anos e quatro meses. Deus dissera ‘sim’ a 368 pedidos específicos daquele homem de oração!  Permaneci  sentado  e  emudeci.  Você  consegue  imaginar  uma  vida  de  oração  maravilhosa  assim?  Ele  estava  sorrindo, e ás vezes ria abertamente ao compartilhar algumas respostas miraculosas memoráveis que tinha  recebido. Fantástico! Quando ele fechou o diário de oração, olhei profundamente em seu coração cheio de  alegria e percebi que a Promessa de Deus em relação à oração tinha se cumprido na vida daquele homem.  Por  que  há  toda  essa  discussão  sobre  o  fato  de  que  Deus  realmente  responde  a  orações  –  muitas  delas?  Porque o Senhor ordena que você ore a ele e peça respostas, para que ele as dê e faça com que sua alegria  literalmente transborde, como ocorrera com meu amigo. E qual é o problema? Você deve permanecer nele e  andar em santidade. Um preço pequeno para uma alegria tão grande. “Se guardardes os meus mandamentos  [...] assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai [...] o vosso gozo seja completo” (Jo  15:10,11).  Quase todos aqueles que avançam além dos níveis básicos da oração costumam manter algum tipo de diário  de oração. Antes de eu me tornar um homem comprometido com a oração regular e organizada, com o uso  de diário, minha vida de oração produzia mais culpa do que outra coisa!  O método mais prático de manter um diário de oração é usar um fichário de folhas avulsas, com divisões de  plástico. Compre um bloco de folhas coloridas e inicie seu próprio diário. Você descobrirá vários exemplos nas  próximas páginas, mas por agora lhe apresento três dicas bastante práticas sobre como maximizar sua vida de  oração na busca da santidade.    PADRONIZE SEU TEMPO DE ORAÇÃO    A  rotina  é  o  grande  provedor  da  eficácia.  Ao  estabelecer  uma  rotina  diária  e  semanal  para  a  oração,  você  destrói  os  três  maiores  obstáculos  da  oração.  O  primeiro  obstáculo  mais  comum  é  a  falta  de  um  local  adequado,  de  tempo  e  de  um  procedimento  a  seguir.  Quando  você  determina  um  tempo  de  oração,  num  momento específico, dentro de seu hábito devocional, a oração torna‐se natural. Por exemplo, descobri que  93 

 


para  mim  a  oração  torna‐se  melhor  depois  que  li  a  Bíblia  e  fiz  minhas  anotações.  Com  Darlene,  ocorre  o  oposto. Repito, selecione a melhor ordem e, depois de algumas tentativas iniciais, não mude mais. Qualquer  frustração que sentir provavelmente estará ligada à “tentação da fuga” sobre a qual já falamos.  O  segundo  obstáculo  mais  comum  à  oração  é  não  saber  o  que  orar  o  momento  da  oração.  Se  isso  não  for  determinado com antecedência, você desperdiçará tempo e energia tentando decidir o que fazer. O terceiro  obstáculo  é  o  que  chamo  de  “divagação”,  que  parece  assolar  praticamente  todos  os  cristãos  nos  primeiros  estágios  da  oração.  Estabelecendo  um  esquema  de  oração  fixo  e  escrito,  a  chance  de  “divagação”  diminui  rapidamente e até desaparece.  Abaixo  listamos  algumas  categorias  que  você  pode  escolher  para  desenvolver  seu  esquema  de  oração.  Entretanto, comece devagar e vá acrescentando uma categoria de cada vez, usando‐a pelo menos durante um  mês antes de acrescentar outra. Se você está nos estágios iniciais do hábito da oração, comece com quatro a  seis categorias, mantendo esse número por alguns meses.    1. Pecado  Confesse todos os pecados conhecidos e espere em silêncio diante do Senhor, purificando seu coração diante  dele em todas as áreas    2. Ego  Confesse sua natureza independente, morra para o próprio ego e entronize a Cristo. Humilhe‐se diante dele,  colocando‐o como Senhor e Mestre deste dia. Apresente‐se a ele como sacrifício vivo. Apresente os membros  de seu corpo como armas que ele pode usar neste dia.    3. Oração de santificação  São  os  pedidos  que  você  fará  em  oração  por  toda  a  sua  vida,  expressando  seu  desejo  de  tornar‐se  mais  semelhante a Cristo em áreas específicas. Essa oração nunca será totalmente respondida, pois sempre haverá  algo a melhorar.    4. Orações específicas  São os pedidos concretos, aqueles que você saberá com certeza quando forem respondidos pelo Senhor com  “sim”, “não” ou “mais tarde”.    5. Espírito de Deus  Reafirme o compromisso de não entristecer ou apagar o Espírito Santo. Peça a ele que tenha sua vida para o  serviço neste dia. Dependa dele para direção, sabedoria, fortalecimento e liderança.    6. Dons espirituais  Agradeça  ao  Senhor  os  dons  que  soberanamente  lhe  deu.  Peça  a  ele  que  aprofunde  cada  dom  e  purifique  você  do  orgulho  e  da  ambição  egoísta  que  possa  ter  por  causa  dos  dons.  Peça  ao  Senhor  que  o  ajude  a  estabelecer um objetivo claro em sua vida, para que possa se concentrar cada vez mais no uso de seus dons,  para a glória dele.    7. Visão espiritual  Peça  ao  Senhor  que  lhe  dê  visão  quanto  a  sua  vida,  seu  casamento,  sua  família  e  aos  lugares  onde  serve,  inclusive sua igreja. Concentre‐se nas coisas celestiais e procure ver sua vida da perspectiva divina.    8. Serviço espiritual  Ore  pelos  aspectos  específicos  do  dia,  inclusive  por  suas  principais  responsabilidades,  reuniões  de  que  participará, decisões importantes a tomar etc.    9. Batalha espiritual 

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Vista  toda  a  armadura  de  Deus,  uma  peça  por  vez,  certificando‐se  de  que  não  há  nada  fora  do  lugar.  Comprometa‐se a ficar firme e a resistir ai inimigo. Peça ao Senhor que o guarde das tentações e do maligno e  comprometa‐se a escolher a obediência.    10. Fortalezas espirituais  Confesse  todas  as  fortalezas  das  quais  deseja  ser  purificado  e  experimente  a  renovação  por  meio  da  meditação na Palavra. Renove sua mente em oração, confessando todos os pensamentos e ações contrários à  Bíblia. Peça ao Senhor que derrame sua misericórdia e sua graça sobre você e opere profundamente em sua  vida.    11. Sabedoria espiritual  Peça para ter a mente e os pensamentos de Cristo para os desafios do dia. Peça sabedoria e generosidade na  administração de duas finanças. Peça a sabedoria do alto, que é pura, pacífica e indulgente, ou compreensiva.    12. Gratidão espiritual  Agradeça  ao  Senhor  pelo  menos  dez  coisas  específicas  que  tenha  recebido  nos  últimos  dias,  sem  omitir  nenhuma. Não saia desta seção até que seu coração esteja exultante de gratidão.    13. Objetivos espirituais  Ore por seus objetivos principais no ano, pedindo ao Senhor que lhe dê sabedoria, paciência, graça e poder  para alcançá‐los.    14. Intercessão espiritual  Ore por cada um dos membros de sua família, pelos demais parentes, pelas pessoas com as quais trabalha,  amigos da igreja, pessoas que não conhecem ao Senhor, seu pastor e líderes cristãos, pelos governantes de  seu país e pelas pessoas que você está discipulado.    ESCREVA SEU PEDIDO EM SEU DIÁRIO DE ORAÇÃO    A motivação sem dúvida é uma das portas que precisam ser destrancadas para uma vida de oração duradoura  e  significativa.  Quando  Deus  nos  criou,  ele  vinculou  a  motivação  que  sentimos  às  coisas  que  consideramos  importantes e às pessoas que amamos. Quanto maior a importância que damos a algo, mais motivados nos  sentimos para ir em sua direção.  Assim, quando termino de orar pelos pedidos específicos que fiz nos dias anteriores, pergunto a mim mesmo  que resposta desejo receber do Senhor hoje. Se as coisas que vêm à minha mente são importantes para mim  e não estão em desacordo com a vontade ou o caminho divinos, escrevo esses pedidos específicos em meu  diário de oração. No dia seguinte, sabe qual é o pedido mais recente da lista? Certo – o mais importante e  oportuno para mim. Desde que comecei a fazer isso, não tive mais problemas com motivação em minha vida  de oração!  Quando oro por esses pedidos específicos, vejo se o Senhor respondeu a alguma oração desde o dia anterior  e, então, faço uma marca. É uma tremenda aventura diária!  Depois de experimentar vários métodos de registro dos pedidos, cheguei a um formato que parece funcionar  muito bem:  Número  1  2  3  4  5 

Pedido Específico           

Data do  Início           

Data da  Resposta           

Número De dias           

Sim/ Não           

 

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Número: É o número do pedido. Por exemplo, se você iniciou hoje, provavelmente pensará em cinco pedidos  importantes,  numerando‐os  como  o  exemplo  acima.  Amanhã,  depois  que  tiver  orado  do  pedido  1  ao  5,  o  próximo que fará será o 6.  Pedido  Específico:  Nesta  linha  escreva  o  pedido  ao  qual  deseja  que  o  Senhor  responda.  Deve  ser  o  mais  específico  possível,  para  que  você  saiba  se  o  Senhor  respondeu  a  ele  ou  não.  Uma  das  últimas  lições  que  aprendemos neste assunto é não estabelecer a data em que desejamos que um pedido seja respondido, a não  ser que haja uma razão para isso. Descobri que muitas vezes o Senhor respondia a minhas orações, mas seu  tempo inexplicavelmente não coincidia com a data que eu tinha estabelecido.  Percebi  que  especificava  a  data  em  meus  pedidos  apenas  porque  não  queria  esperar.  Aprendi  que,  ao  determinar uma data para questões “sem data”, eu estava colocando Deus dentro de uma prazo. Assim, ele  tinha  de  se  apressar  e  atender  a  meus  pedidos  de  acordo  com  meu  cronograma.  Não  era  este  o  plano  de  Deus.  Data do Início/Data da Resposta: São as datas em que você escreveu o pedido em seu diário de oração e a  data em que recebeu a resposta do Senhor. Veja como ficariam essas datas numa página do diário: 4/3/96 –  5/9/96; 4/3/96 ‐16/3/96; 23/9/96 – 30/4/98.  Número de Dias: Este ponto é bem pessoal, mas eu gosto de ter uma idéia de quantos dias orei até obter uma  resposta do Senhor a minhas orações. Como o intervalo de tempo entre a data em que começo a orar por um  pedido  e  a  data  em  que  Deus  responde.  Olhando  para  uma  antiga  página  de  meu  diário,  em  que  todos  os  pedidos foram respondidos, vejo algo assim: 181 dias, 1248 dias, 12 dias, 90 dias, 12 dias, 2 dias, 54 dias, 60  dias, 75 dias, 15 dias, 15 dias, 60 dias, 90 dias, 164 dias, 15 dias.  Sim/Não: Quando o Senhor dá uma resposta, sempre anoto na forma de “sim”, “não” ou “0”se acontece algo  que torna a resposta impossível. Coloco a resposta do Senhor na última coluna da lista, à direita, com uma  caixa ao redor dela. É um grande encorajamento! Assim, quando abro o diário, olho para a última coluna à  direita, procurando a caixa vazia, e oro por aquele pedido. Entretanto, como você pode imaginar, cada página  tem várias caixas com “sim” e “não”, de modo que o processo diário me encoraja profundamente a continuar  minha vida de oração. Olhando as respostas mais recentes do Senhor a minhas orações, veja como fica a caixa  do sim/não: sim, sim, não, não, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, não.  Este hábito de oração aprofunda sua consagração a Deus. Você não acha que, se anotasse todas as respostas  miraculosas que recebe, não ficaria plenamente convicto da ação e do envolvimento de Deus em sua vida?    ESTABELEÇA UM OBJETIVO DE ORAÇÃO PARA TODA A VIDA    De vez em quando, o mundo empresarial surge com um conceito que se mostra útil para nós, que estamos no  ministério.  Um  dos  melhores  conceitos  que  surgiram  nos  últimos  anos  foi  o  método  de  estabelecer  o  “padrão” mais elevado de qualidade, que então é utilizado como novo padrão para avaliação de desempenho.  No  Ministério  Através  da  Bíblia,  os  vários  ministérios  desenvolvem  seu  próprio  padrão  de  qualidade.  Por  exemplo, o ministério dos seminários – que já dura 23 anos – pesquisa qual foi o ano em que teve o melhor  desempenho nas seguintes categorias:  1. Número total de seminários realizados durante o ano.  2. Número total de participantes.  3. Número total de convertidos.  4.  Número  total  de  pessoas  que  manifestaram  ter  passado  por  uma  experiência  espiritual  que  mudou  suas  vidas.  5. Número total de pessoas que se comprometeram a ler a Bíblia.  6. Número total de entradas financeiras, de todas as fontes.  7. Número total de oportunidades para novos ministérios.  Esses  padrões,  então,  tornam‐se  uma  medida  prática  pela  qual  a  equipe  dos  seminários  ora  e  se  empenha  para  alcançar  e  superar  a  cada  ano.  Por  exemplo,  em  1997  o  Ministério  Através  da  Bíblia  estabeleceu  o  objetivo  de  realizar  1.600  seminários  em  apenas  12  meses,  nos  Estados  Unidos.  Em  1998  o  vice‐presidente  dos seminários elevou o padrão de excelência e agora deseja realizar 2.000 seminários em apenas 12 meses.  Como  você  pode  imaginar,  o  desempenho  vai  melhorando  cada  vez  mais,  em  vista  de  termos  um  padrão  conhecido, com o qual avaliamos nosso desempenho anterior.  96 

 


Que  medida  você  está  usando  em  sua  vida  de  oração?  Creio  que  é  sábio  que  um  mordomo  tenha  três  medidas  específicas  para  avaliar  sua  vida.  Primeiro,  use  as  medidas  bíblicas  sempre  que  encontrá‐las.  Segundo, use o padrão de desempenho que você alcançou no anterior e procure melhorá‐lo em qualidade e  em quantidade. Terceiro, encontre o padrão mais elevado naquela área e coloque‐o com “linha de chegada”,  a qual você gostaria de alcançar antes de encontrar‐se com o Senhor no fim de sua vida.  Particularmente costumo chamar o padrão mais elevado que alguém coloca em determinada área de “padrão  de  vida”.  Obviamente  Jesus  Cristo  é  o  padrão  supremo  em  muitas  áreas  de  minha  vida.  Em  outras  áreas,  porém,  ele  não  foi  chamado  pelo  Pai  para  alcançar  os  mesmos  objetivos  que  Deus  estabeleceu  para  mim.  Lembre que Jesus disse que terminou a obra que Deus o chamou a fazer, mas nunca foi chamado a escrever  um livro.  Quando tento descobrir quem é a pessoas que recebeu o maior número de respostas de oração, não tenho  dificuldade. Embora alguns cristãos tenham escrito verdadeiras obras‐primas sobre oração e outros tenham  recebido  respostas  maravilhosas,  não  conheço  ninguém  que  ao  menos  chegue  perto  do  homem  que  viveu  para provar que Deus responde a orações: George Muller. Até o dia de sua morte, George Muller registrou  mais de 10 mil respostas específicas que Deus lhe concedera diretamente, durante sua vida.  Há  duas  semanas,  Darlene,  Jessica  e  eu  tivemos  o  prazer  de  passar  uma  semana  esquiando  no  Colorado,  hospedados  por  um  amigo  em  sua  linda  cabana  nas  montanhas.  Enquanto  subíamos  pelo  teleférico,  até  o  topo das montanhas, literalmente envolto em nuvens, sentíamos com se estivéssemos indo para o céu! Nunca  me  esquecerei  de  uma  tarde  de  neve  em  que  deparei  com  um  sol  brilhante  ao  irromper  as  nuvens  e  fitei  extasiado o magnífico cenário da cadeia de montanhas. Fiquei sem fôlego.  Quando  penso  na  montanha  que  George  Muller  escalou  em  oração  diante  de  Deus,  só  posso  chamá‐lo  de  “Padrão Muller para a Vida de Oração”.  Junte‐se a nós nesta empolgante aventura de seguir os passos daquele gigante da oração. Embora eu talvez  ainda esteja no sopé da montanha, estou determinado a me manter firme no objetivo e não olhar para trás.  Talvez algum dia, antes que me encontre com o Senhor, pela graça dele eu possa romper as nuvens e pelo  menos vislumbrar o altíssimo “Padrão Muller”. Por isso, meu amigo, coloque as botas de alpinista, ajoelhe‐se  e escreva seu Pedido de oração nº1.    HÁBITO SANTO 4:  SEU DIÁRIO    Minha esposa adora escrever cartas. Detesto escrever cartas tanto quanto ela adora. Se há dez anos alguém  tivesse me falado que algum dia eu escreveria um livro sobre os valores e a prática de manter um diário, eu  não teria acreditado. De fato, para dizer a verdade, creio que durante toda a minha vida já comecei seis ou  sete diários, os quais depois de três semanas foram atirados no fundo de uma gaveta, longe de minha visão e  pensamento! Se não estiver enganado, cada um daqueles falsos começos era inaugurado com a data “1º de  janeiro de...” e provavelmente o último registro era feito entre fevereiro e março.  Sempre começando, recomeçando e começando novamente? E finalmente desistindo? Quando se tratava de  manter  um  diário,  finalmente  concluí  que  era  algo  além  de  minhas  boas  intenções.  Se  você  tem  me  acompanhado  durante  toda  esta  apresentação,  sabe  que  a  razão  pela  qual  o  diário  não  funcionava  anteriormente em minha vida era a falta de outras disciplinas espirituais básicas. Eu tentava construir o “5º  andar da disciplina espiritual” sem construir o terceiro e quarto andares!  Quando eu tinha 38 anos, algo aconteceu e felizmente mudou minha vida. Não sei quantos diários escrevi e  completei  desde  então,  mas  posso  dizer  que  foram  dezenas  deles.  Hoje  cedo,  às  5  horas  da  manhã,  meu  diário foi novamente aberto. Tenho grande proveito e alegria no processo.  Em 1985, no meio de uma crise difícil de meia‐idade, atravessei o país para me encontrar com um homem  especializado na formação e no desempenho de líderes cristãos. Depois de ouvir pelo telefone meu desejo de  abandonar o ministério, minha frustração e desespero, ele me convidou para encontrá‐lo e passarmos uma  tarde juntos.  O que ele compartilhou comigo naquela tarde marcou minha vida para sempre. A primeira coisa que ele pediu  foi  que  eu  contasse  a  história  de  minha  vida.  Quando  fiz  um  retrospecto  geral,  até  uns  dois  anos  antes  daquela data, ele me interrompeu e perguntou se ele podia concluir a história. Indaguei como poderia saber o  97 

 


que aconteceu comigo. Ele apenas sorriu e esperou que eu me calasse. Quando começou a falar, eu não podia  acreditar no que ouvia! Quanto mais ele falava, maior era minha surpresa, porque ele expressava exatamente  o que tinha me acontecido. Quando terminou, perguntei‐lhe se havia solução para uma pessoa como eu! Ele  riu e disse:  ‐ Você está dentro do programado  Embora  não  tivesse  idéia  do  que  aquelas  palavras  significavam,  suspirei,  com  profundo  entusiasmo  de  que  talvez as coisas finalmente pudessem melhorar.  Então  ele  estendeu  as  duas  mãos  na  minha  frente,  com  a  mão  esquerda  um  pouco  mais  elevada  do  que  a  direita. Disse que, no começo de minha vida cristã, minha vida interior com Deus era forte (a mão esquerda) e  minha competência no ministério era fraca (mão direita). Assenti com a cabeça. Então ele disse que com o  passar do tempo, depois do Instituto bíblico e do seminário, minha competência cresceu rapidamente, mas  minha  caminhada  com  Deus  provavelmente  diminuiu.  Enquanto  descrevia  essa  situação,  ele  moveu  lentamente  as  mãos,  de  maneira  que  a  direita,  que  representava  a  competência,  elevou‐se  acima  da  esquerda,  que  representava  minha  caminhada  interior  de  santidade  devocional.  Concordei  com  a  cabeça  e  comecei a sentir uma crescente convicção.  Então ele disse que meu desejo de abandonar o ministério devia‐se ao fato de que meu senso de satisfação  pelo ministério tinha sido tirado pelo Senhor e, independentemente do quanto eu me esforçava no serviço a  Deus, eu não conseguia obter a realização e a alegria que o ministério me proporcionava antes – o Senhor não  permitiria. Lembro que fiquei me perguntando como aquele homem sabia daquilo... Então ele tirou o resto da  venda de meus olhos carentes.  ‐ O que ocorre neste momento de sua vida é que o Senhor sabe que a menos que essas duas mãos troquem  mais uma vez de posição, voltando à ordem original, você nunca será o líder espiritual que ele o criou para  ser.  Então  ele  me  fez  algumas  perguntas  penetrantes  sobre  a  disciplina  espiritual  em  minha  vida.  Eu  fazia  devocional  todos  os  dias,  mas  de  forma  relaxada.  Lia  a  Bíblia  regularmente,  mas  não  extraia  ajuda  nem  alimento dela. Embora orasse, eu não orava muito nem recebia respostas a minhas orações.  Novamente ele riu e assentiu, sem nenhum sinal de condenação na voz ou nos olhos. Como  eu agradeço a  Deus a vida daquele homem e seus conselhos, naquele momento crítico de minha vida. Então, sua mão que  estava  mais  baixa,  representando  minha  vida  espiritual,  começou  a  forçar  a  mão  da  competência.  Ele  disse  que o Senhor deliberadamente estava me pressionando, retirando o senso de realização de “fazer” para que  eu redescobrisse a realização mais plena de “ser”.  Ele me disse que havia uma convicção que o senhor trazia à vida de todos, na qual ele chama a andar com ele  mais do que trabalhar para ele, e que essa mudança deve ocorrer. Então, aquele mentor disse que eu devia  voltar  para  minha  cidade  e  concentrar  meus  melhores  esforços  para  aprender  e  praticar  as  disciplinas  espirituais.  Então  ele  me  deu  a  idéia  de  manter  um  diário  espiritual!  Disse  que  é  uma  ferramenta  incrivelmente poderosa, que nos auxilia na peregrinação do fazer para o ser.  Aquele  homem  estava  absolutamente  certo.  Passei  a  me  dedicar  ao  Senhor  durante  aqueles  meses  transformadores  e  jamais  olhei  para  trás.  Louvo  ao  Senhor  por  aquelas  “mãos”  terem  trocado  de  posição,  corrigindo as prioridades em minha vida. Agora, para mim, andar com o Senhor é o ponto alto de minha vida,  mais do que trabalhar para ele. Finalmente meu ministério é baseado em “ser” e não em “fazer”.    DICAS PARA SEU DIÁRIO    Obviamente, pode‐se escrever todo um livro sobre cada uma dessas disciplinas, inclusive sobre como obter  grande vitória por meio da prática de manter um diário. Eis alguns dos segredos que descobri:    1. Escreva em seu diário todos os dias em que fizer a devocional.  2. Dedique toda uma página do diário para cada dia.  3. Coloque a ponta da caneta no início da página e só a levante quando tiver terminado a página toda.  4. Dê a si mesmo três meses de prazo até se habituar. Não se sinta frustrado.  5. Seja totalmente honesto sobre o que escreve, inclusive sobre seus pecados.  6. Lembre‐se de que o diário deve ser o termômetro de sua vida espiritual.  98 

 


7. Tente várias abordagens diferentes e mantenha aquilo que lhe foi mais útil.    O  que  você  deve  escrever  em  seu  diário?  Eis  uma  lista  das  categorias  que  eu  mesmo  utilizo.  Lembre‐se,  porém, de que no próximo ano poderei fazer modificações – use tudo o que funcionar para você nesta fase de  sua vida. Se não funcionar, seja paciente e continue tentando, pedindo ao Senhor que lhe dê sabedoria sobre  o que fazer. Vá em frente! Talvez essas dicas sejam práticas:    1. Registre suas orações ao Senhor.  2. Registre os pensamentos que lhe vieram à mente ao meditar.  3. Registre suas confissões de pecados (muitas pessoas mantém o diário em um lugar trancado)  4. Registre suas frustrações e temores e converse sobre eles com o Senhor.  5. Registre seus sonhos, visões e desejos pessoais.  6. Registre as lições extraídas do sucesso e do fracasso.  7. Registre seu fervor e adoração ao Senhor.    Existem  alguns  livros  cristãos  muito  úteis  sobre  como  manter  um  diário;  visite  as  livrarias  evangélicas  e  informe‐se. Seja o que for que escolha fazer, aprenda a escrever seu diário com o coração. Se você lesse meu  diário,  logo  me  conheceria  por  inteiro  –  como  o  Senhor  me  conhece.  Os  homens  e  as  mulheres  que  começaram este hábito santo tornaram‐se maravilhosamente “viciados” na alegria de manter um diário!    12  AVANÇANDO NA SANTIDADE  Uma vida santa é uma voz; ela fala quando a língua está em silêncio e é ou uma constante atração ou uma  perpétua reprovação. Robert Leighton    Se você visitar uma livraria evangélica e perguntar pela seção de livros sobre disciplina ou vida espiritual, sem  dúvida  encontrará  muitos  livros  excelentes  sobre  mais  de  vinte  disciplinas  diferentes  da  vida  espiritual.  Obviamente, como discutimos apenas seis aspectos neste livro, talvez sua disciplina favorita nem tenha sido  mencionada. Não pense, porém, que jejum, grupos de estudo bíblico, grupos de compartilhamento, solitude,  serviço,  viagens  missionárias  e  retiros  espirituais  não  sejam  elementos de  importância  fundamental em sua  visa. Eles são.  Depois de encorajar a vida espiritual das pessoas em vários lugares do mundo, descobri que os seis hábitos  santos  que  apresentamos  aqui  são  os  mais  básicos,  utilizados  pelos  cristãos  que  andam  com  Deus  e  que  causam  impacto  no  mundo.  Além  disso,  esses  seis  hábitos  são  apresentados  na  ordem  em que  observei  os  cristãos começarem a praticá‐los e finalmente dominá‐los.  Obviamente, quando nos limitamos a apenas um livro sobre santidade pessoal, há mais informações fora do  livro do que nele! Pessoas como você e eu não têm grande interesse em livros de 3.000 ou 4.000 páginas...  Assim, você terá de ler outros livros para aprender a andar no Espírito, aprender sobre a união com Cristo,  batalha  espiritual,  teologia  da  vida  espiritual  e  discipulado.  Nas  próximas  páginas,  porém,  aprenderá  sobre  dois hábitos espirituais avançados.    HÁBITO SANTO 5:  LOUVOR E ADORAÇÃO    É  incrível  –  nós  chamamos  de  “culto  de  adoração”,  mas  acontece  de  tudo  naquela  hora  e  meia,  menos  adoração genuína. A adoração é definida como o ato reverente de oferecer respeito, admiração ou devoção  extremos  a  nosso  mais  elevado  objeto  de  estima:  nosso  Deus.  A  raiz  da  adoração  vem  do  conceito  de  “dignidade” ou de “digno”; portanto, quando dizemos que adoramos o Senhor, expressamos a ele como nos  sentimos e como ele é digno. Adoração não é nada mais e nada menos do que expressar ao Senhor Deus, de  forma pessoal ou corporativa, como ele é digno.  Recentemente  eu  estava  participando  numa  conferência  sobre  liderança  em  outra  cidade.  No  domingo  de  manhã, fui a uma igreja próxima. Durante o principal momento de “adoração”, quando todos cantavam hinos  99 

 


de  louvor,  ousei  dar  uma  espiada  na  congregação.  Contei  20  adultos  numa  fileira.  Entre  eles  apenas  seis  estavam  cantando.  Ao  observar  a  expressão  dos  rostos  e  corpos  desses  seis,  percebi  que  nenhum  deles  sequer remotamente demonstrava estar conectado a Deus enquanto cantava, para dedicar a ele a glória e a  honra devidas. Você já sentiu assim em um “culto de adoração”?  Enquanto escrevo estas linhas, meu coração transborda de lembranças de uma experiência oposta, que tive  poucos  meses  antes.  Numa  viagem  internacional  pelo  Ministério  Através  da  Bíblia,  tive  o  privilégio  de  falar  numa  grande  igreja  em  Cingapura  e  na  semana  seguinte  numa  grande  igreja  na  Malásia.  Você  sabe  o  que  aconteceu nos dois cultos? Os líderes conduziram a congregação num período de uma hora de louvor antes  de  me  convidarem  a  falar  a  Palavra.  Em  ambos  os  países,  ninguém  se  sentou  durante  aquela  uma  hora  de  adoração.  Quando  observei  a  congregação,  procurando  sinais  confiáveis  de  verdadeira  adoração,  vi  exatamente  o  oposto  do  que  ocorreu  na  igreja  que  antes  mencionei.  Milhares  de  pessoas  expressavam  no  rosto  e  na  voz  que  Deus  era  digno  de  louvor!  Como  a  adoração  daquelas  pessoas  devia  ser  agradável  ao  Senhor!  Você  já  aprendeu  a  louvar  e  adorar  a  Deus?  Nos  Estados  Unidos,  dois  movimentos  recentes  trouxeram  o  louvor e a adoração de volta às igrejas. O primeiro é o movimento carismático e o segundo é o Movimento  Guardadores  da  Promessa.  Já  falei  em  muitos  eventos  organizados  pelo  Movimento  Guardadores  da  Promessa e vi essa mesma cena de adoração muitas vezes. Homens que nunca adoraram realmente a Deus  em toda a vida são iniciados na maravilha do louvor ao Senhor.  Primeiro,  eles  cantam  hinos,  como  sempre  fizeram.  Depois,começam  a  cantar  com  o  coração,  enfatizando  bem  as  palavras.  Depois,  começam  a  entrar  em  comunhão  com  Deus  enquanto  cantam.  Finalmente,  as  pessoas  ficam  tão  enlevadas  que  parecem  não  querer  mais  parar  de  louvar.  Uma  vez  que  experimentam  o  sabor  do  verdadeiro  louvor  bíblico,  nunca  mais  desejarão  voltar  aos  cultos  de  louvor  e  de  adoração  desprovidos de louvor e de adoração.  A tragédia, porém, é que voltam. O pior é que a maioria dos homens e mulheres jamais aprende como louvar  e  adorar  por  si  próprios,  sem  todo  o  incentivo  do  ambiente  da  reunião,  dos  eventos  especiais  e  das  conferências. O quinto hábito santo consiste em sua prática contínua da adoração individual e pública.  Até onde sei, o Senhor concedeu o dom do louvor e da adoração a apenas duas entre o imenso número de  suas criaturas vivas: aos anjos e à humanidade. Entretanto, o simples fato de termos sido criados por Deus  com habilidade e desejo inatos de louvar não significa que usamos tal capacidade com o propósito designado  por ele.  Sem aprender e praticar este incrível dom de adoração, o cristão permanece limitado e experimenta a vida  somente  no  plano  horizontal.  Milhões  de  cristãos  “adoram”  ano  após  ano  sem  jamais  entrar na  verdadeira  comunhão com o Senhor num nível pessoal e profundamente transformador.  O cristão pode fazer devocional diariamente, sem adorar nem louvar. Pode ir aos cultos da igreja toda semana  sem adorar nem louvar. Pode orar regularmente sem adorar nem louvar. Louvor e adoração são experiências  únicas e representam o quinto hábito santo.    EXPRESSANDO A DEUS QUE ELE É DIGNO    A  primeira  característica  do  louvor  bíblico  é  expressar  a  Deus  que  ele  é  digno.  Estou  convencido  de  que  a  razão primária pela qual tão poucos cristãos realmente adoram a Deus é simplesmente o fato de os cristãos  estarem distantes da grandeza e do poder de Deus. Embora muitos possam achar que os cristãos não adoram  nem louvam a Deus porque não foram ensinados, minha convicção é de que não é bem assim. Quando nós  entramos na presença de Deus depois da morte, adoramos e louvamos a Deus imediata e intensamente. Na  Bíblia, vemos que sempre que um indivíduo deparava com um anjo, em toda a sua glória, imediatamente se  prostrava e adorava. A adoração é a resposta inata e imediata à presença e ao poder de Deus. Indivíduos que  conhecem a Deus e sua glória sempre o adoram. Indivíduos que não adoram a Deus sem dúvida estão cegos  por suas próprias glórias.  A razão pela qual a adoração e o louvor são o quinto hábito santo, em vez do primeiro, segundo, terceiro ou  quarto  é  que  os  cristãos  não  adoram  de  forma  constante  e  significativa  sem  que  os  outros  hábitos  sejam  praticados. Sem devocional, meditação na Palavra e oração regular, o cristão vive um tipo de meia‐vida que  jamais conseguirá romper para experimentar a verdadeira majestade de Deus.  100 

 


A menos que a pessoa que lidera o culto de adoração, e sobretudo a música tocada, saiba conduzir as pessoas  ao louvor ao Senhor na adoração, a congregação será direcionada de uma maneira que impede a adoração,  em  vez  de  promovê‐la.  Depois  de  trinta  anos  de  ministério  em  centenas  de  lugares,  tenho  observado  que  menos de 10% das igrejas guiam a congregação ao louvor e à adoração.  Lembre‐se: se o coração do cristão não se conecta com o Senhor, para que possa expressar que ele é “digno”,  então  a  adoração  e  o  louvor  bíblicos  não  ocorrem,  independentemente  do  que  ocorre  externamente.  Por  exemplo:  • Cantar não é adorar; é expressar palavras dentro de uma escala musical.  • Cantar rapidamente ou devagar não é adorar; é ter ritmo.  • Cantar a plenos pulmões ou a meia voz não é adorar; é volume.  Quando realmente ocorrem a adoração e o louvor? Quando o indivíduo (ou grupo) entra em comunhão com o  Senhor para expressar o quanto ele é maravilhoso. A adoração e o louvor são uma interação íntima, em que o  cristão “elogia” o Senhor de forma tão pessoal e direta que sente como se fosse a única pessoa na presença  divina naquele momento.  Se o cristão não busca essa “comunhão” pessoal com o Senhor, não pode haver adoração bíblica. Por isso o  Senhor recebe tão pouca adoração e louvor, mesmo no meio dos cultos de adoração numa grande igreja. A  congregação concentra‐se em cantar o hino e não em adorar a Pessoa a quem a música é dirigida. O foco deve  sair do processo de cantar, para que o hino seja o veículo que leva e entrega o louvor que vem do coração.  Cantar pode ser o método mais fácil de louvor e adoração. Entretanto, se o líder exigir toda a atenção para si,  então  o  Senhor  não  recebe  a  atenção.  Quando  isso  ocorre,  o  dirigente  corre  o  risco  de  tornar‐se  um  obstáculo, em vez de promover a adoração.  Em algum ponto da execução do hino, a congregação deve fazer a transição do ato de cantar para o ato de  adorar. As palavras e o ritmo do hino tornam‐se secundários, de modo que a pessoa possa expressar louvor e  adoração em seu interior.  Ensinar um novo hino pode ser um obstáculo ao louvor, a menos que o líder tenha habilidade de ensinar a  congregação  de  uma  maneira  que  ela  aprenda  a  cantá‐lo  ao  Senhor  em  vez  de  se  concentrar  na  letra  ou  melodias novas. Se você reparar nas canções de louvor mais recentes, verá que elas têm letra e melodia bem  simples.  Os  cristãos  mais  velhos  geralmente  criticam  tais  hinos  de  louvor,  acusando‐as  de  falta  de  profundidade.  Na  verdade,  porém,  creio  que  o  propósito  dos  hinos  é  adorar  e  louvar  ao  Senhor  e  não  comunicar  verdades  doutrinárias  profundas.  Obviamente,  muitos  hinos  mais  antigos  estão  repletos  de  verdades  doutrinárias  significativas  e  alguns  também  incentivam  o  louvor,  embora  outros  na  realidade  atrapalhem.  A música é uma parte importante da vida da igreja e nem sempre precisa culminar com a adoração. Algumas  vezes os cânticos são boas ferramentas didáticas. Entretanto, se o coração do cristão não expressa adoração  durante  o  cântico,  então  não  há  verdadeiro  louvor.  O  Senhor  não  deseja  receber  serenata.  Ele  quer  ser  adorado.  Assim,  retorno  à  minha  questão  original:  você  adora  e  louva  ao  Senhor?  Em  caso  afirmativo,  você  é  um  “adorador corporativo”? Quer dizer, só adora quando tem um ambiente externo adequado, no qual você é  “induzido”  à  adoração?  Digamos  que  você  é  afortunado  e  participa  de  uma  igreja  onde  há  verdadeira  adoração ao Senhor: você o louva também durante a semana, quando está sozinho? Se não louva, então pode  ser que você saiba mais como ser “induzido ao louvor” do que realmente “louvar ao Senhor”.  Muitas  vezes  a  parte  do  culto  em  que  o  pastor  prega  é  marcada  no  boletim  com  “Adoração  através  da  pregação”. Novamente, pode ou não haver adoração por meio da pregação. Sei quando há adoração ao ouvir  alguns  homens  de  Deus  pregando  nos  púlpitos.  Eles  exaltam  a  Deus  de  tal  forma  que  não  consigo  me  controlar  –  tenho  de  agradecer  e  louvar  ao  Senhor!  Quanto  mais  alto  o  pregador  exalta  ao  Senhor,  mais  espontaneamente eu o louvo em meu coração.  Entretanto,  o  que  ocorre  nos  “cultos  de  louvor”  também  vale  em  muitas  “pregações”.  Na  maioria  dos  púlpitos, mesmo naqueles que contam com pregadores que crêem na Bíblia e têm um sólido conhecimento  dela,  a  Bíblia  é  pregada  de  forma  verdadeira,  mas  o  Senhor  não  e  exaltado  de  modo  a  levar  a  audiência  a  adorá‐lo.  Muitos sermões explicam o significado dos textos bíblicos, mas raramente permitem que o pastor cumpra seu  maior chamado – por meio da pregação da Palavra, levar o coração da congregação à presença gloriosa de  101 

 


Deus, para que as pessoas sejam tocadas por sua graça, grandeza e glória e respondam a ele em adoração e  louvor sinceros.  Os sermões devem desenvolver‐se em três estágios distintos: focalizar o pregador, depois focalizar a Bíblia e  finalmente focalizar o próprio Deus. Se a conclusão é feita antes de os corações sedentos tocarem o coração  de Deus, então infelizmente ocorreu um trágico aborto no processo da pregação.  A  pregação  deve  fazer  uma  conexão  tão  forte  entre  o  céu  e  a  terra  que  no  final  o  pregador  torna‐se  totalmente  irrelevante  na  mente  dos  ouvintes!  Depois  de  uma  pregação  assim,  o  povo  vai  embora  não  somente apreciando a Palavra de Deus mas, muito mais do que isso, cativado pelo Deus da Palavra. Sempre  que o foco permanece na Palavra e não no Senhor das Escrituras, nossa resposta a ele é abortada.  Agora, porém, vamos mudar o foco da música e da pregação de volta para você. Sem isso, essa explanação  não lhe servirá de nada, exceto lhe dar razoes para pecar por meio da crítica, da racionalização e da culpa pela  falta  de  adoração  e  louvor.  Em  última  análise,  o  Senhor  nos  chama  para  adorá‐lo  e  louvá‐lo,  mesmo  que  o  líder do louvor ou o pastor não facilitem esse processo.    ADORAÇÃO PESSOAL    Minha maior adoração ocorre em minha “cadeira devocional”. Meu louvor e minha adoração pessoais mais  intensos ocorrem entre os domingos e não aos domingos. Assim deve ser com você também. O domingo é o  tempo de os cristãos se reunirem para a adoração corporativa, mas não deve ser o único momento em que  você adora ao Senhor.  Por que não? Porque a grandeza de Deus não diminui quando você sai do templo. Portanto, sua resposta a ele  não  deve  mudar!  Este  não  é  um  livro  sobre  louvor  e  adoração,  mas  sobre  santidade.  O  hábito  do  louvor  produz santidade em duas direções. Primeiro, quando você se separa para tributar ao Senhor glória e força,  você se dedica a este propósito sagrado.  Segundo, quando você exalta ao Senhor em sua própria mente e o separa acima de tudo e de todos, você o  torna  santo  em  seu  coração.  Quanto  mais  você  o  exalta  em  sua  mente  e  o  separa,  reconhecendo  sua  magnificência, mais você o adora na beleza da santidade. Quanto mais seu coração louva ao Senhor por sua  santidade, mais profundamente você começa a viver em santidade.  Durante toda a elaboração deste livro, tive de lutar contra o desejo natural de escrever sobre santidade de  Deus em vez da nossa. Este livro, porém, dedica‐se à sua santidade, principalmente em tempos de tentação.  Talvez possamos dar uma rápida olhada na santidade divina.  Quando  você  atravessa  o  último  portal  e  entra  na  presença  de  Deus,  o  que  você  verá  os  vinte  e  quatro  anciãos, os quatro seres viventes, os milhões e milhões de anjos e a multidão de santos fazendo? O Senhor  revelou  essa  resposta  diretamente  ao  apóstolo  João.  Eis  o  cântico  dos  vinte  e  quatro  anciãos  e  dos  quatro  seres  viventes:  “Digno  és  de  tomar  o  livro  e  de  abrir‐lhe  os  selos,  porque  foste  morto  e  com  o  teu  sangue  compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste  reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi, e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres  viventes  e  dos  anciãos,  cujo  número  era  de  milhões  de  milhões  e  milhares  de  milhares,  proclamando  em  grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e  glória, e louvor” Apocalipse 5:9‐12.  Essa visão chega ao clímax com a seguinte revelação. Não esqueça quem disse: “Então, ouvi que toda criatura  que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele  que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos  séculos” Apocalipse 5:13.  Você  já  se  perguntou  por  que  todos  estarão  falando  ou  cantando  a  mesma  coisa,  por  toda  a  eternidade?  Porque  quando  vemos  o  Senhor  e  sabemos  a  verdade  sobre  ele  e  sobre  o  que  fez,  faz  e  fará,  não  conseguiremos  impedir  nosso  coração  de  irromper  em  adoração  inexprimível  e  inexaurível.  As  primeiras  palavras serão: “Tu és digno!”  Quando  você  crer  na  verdade  sobre  quanto  o  Senhor  é  digno,  não  conseguirá  evitar  de  proclamar  isso.  Quando você desejar expressar seu coração cheio de admiração, gratidão e louvor, quererá que apenas uma  Pessoa ouça – o próprio Deus. Quando desejar ardentemente ter comunhão com Deus e expressar que ele é  digno, saiba que entrou pelos portais da verdadeira adoração.  102 

 


FERVOR DIANTE DE DEUS    A segunda característica do louvor bíblico é que você entra em comunhão com Deus cheio de fervor. A Bíblia  dá diversas instruções sobre como devemos louvar e adorar ao Senhor. Elas estão em todas as nossas Bíblias –  e  são  claras  e  diretas.  Não  estão  escondidas  em  passagens  complicadas,  e  você  não  precisa  saber  grego  e  hebraico para compreendê‐las. Pelo contrário, estão bem na superfície, mais visíveis do que qualquer outro  ensinamento das Escrituras.  Então, qual é o problema? Cada denominação ou igreja local seleciona um grupo de passagens bíblicas sobre  louvor  e  adoração  e  então  exclui  ou  evita  as  demais,  embora  sejam  tão  claras  e  diretas  como  aquelas  que  escolheram para  afirmar  e  praticar.  Não  é  só  isso.  Para  justificar  sua  escolha,  cada  grupo  acaba  atacando  a  prática de outros grupos cuja “lista selecionada” de “práticas aprovadas” de louvor e adoração são diferentes.  Quando  viajamos  ao  redor  do  mundo,  ministrando  em  muitas  denominações  e  grupos  diferentes,  nossos  olhos  são  forçados  a  se abrirem  diante  de  nossa  mente estreita!  Bem no  início,  lembro‐me  de  literalmente  suar porque não sabia o que fazer com as mãos. Em alguns países, sentia‐me desconfortável por não saber o  que fazer com os  pés.  Em outras situações, lembro que mordia os lábios até quase sangrarem, porque não  sabia o que dizer em voz alta, enquanto outros gritavam.  Veja  bem,  fui  criado  numa  igreja  com  uma  tradição  maravilhosa.  Agora,  olhando  para  trás,  percebo  que  se  tratava da “posição passiva do louvor”: quanto menos, melhor. Quanto mais silencioso, mais bíblico. Quanto  mais escuras as roupas, mais santas. Quanto mais lento o ritmo, mais profunda a adoração. Entretanto, não é  possível  encontrar  base  para  este  tipo  de  adoração  na  Bíblia.  Finalmente  percebi  que  preciso  descobrir  exatamente o que o Senhor espera de seu povo no louvor e na adoração.  Assim,  descobri  que  Deus  nos  instruía  a  adorá‐lo  com  fervor.  Quão  “fervoroso”  você  é  na  adoração  e  no  louvor? Pense nas últimas semanas e dê uma nota para seu nível de fervor no louvor e na adoração. Se “zero”  significa que você não demonstra nenhum fervor e “100” significa que experimentou extrema intensidade na  adoração,  que  nota  você  daria?  Com  que  fervor  você  torce  para  seu  time  de  futebol?  Com  que  fervor  comemora o fechamento de um bom negocio? Com que fervor você lê o Livro de Salmos?  Se sua adoração e seu louvor permanecem lânguidos entre as notas 10 e 30, além de o Senhor não ficar muito  impressionado, você também não terá motivação de voltar aos corredores da adoração. Por quê? Porque é  algo que o entedia até à alma. Compare sua atitude com o fervor das pessoas na Bíblia.  O termo bíblico para adoração fervorosa é a palavra hebraica “hallelujah!” (aleluia). O Salmo 150 (VR) mostra  a atitude de adoração e louvor cheia de fervor – eu o chamo de “Coral Aleluia do Antigo Testamento”: “Louvai  ao  Senhor!  Louvai  a  Deus  no  seu  santuário;  louvai‐o  no  firmamento  do  seu  poder!  Louvai‐o  por  seus  atos  poderosos;  louvai‐o  conforme  a  excelência  da  sua  grandeza!  Louvai‐o  ao  som  de  trombeta;  louvai‐o  com  saltério e com harpa! Louvai‐o com adufe e com danças; louvai‐o com instrumentos de cordas e com flauta!  Louvai‐o  com  címbalos  sonoros;  louvai‐o  com  címbalos  altissonantes!  Tudo  quanto  tem  fôlego  louve  ao  Senhor. Louvai ao Senhor!”  Note  os  pontos  de  exclamação  e  as  instruções  específicas  neste  salmo.  Quando  uma  pessoa  torna‐se  fervorosa, muitas vezes sua voz se eleva e o corpo se movimenta mais. Para um rápido estudo sobre como é  fervor,  observe  os  jogadores  de  futebol  e  ouça  os  torcedores  nas  arquibancadas.  Observe  o  que  fazem,  principalmente em relação ao placar e à proximidade do final do jogo. Você olha para as arquibancadas e não  vê nenhum torcedor sentado, nenhum torcedor calado e nenhum torcedor com as mãos no bolso. Por quê?  Porque o fervor deve manifestar‐se fisicamente.  Você  acha  que  as  leis  do  fervor  que  se  manifestam  nos  estádios  mudam  quando  se  trata  de  um  serviço  religioso?  Quando  alguém  louva  ou  adora  a  Deus  com  fervor,  fica  difícil,  ou  até  mesmo  impossível,  permanecer  sentado.  Além  disso,  quanto  maior  a  intensidade  do  indivíduo  ao  louvar  ao  Senhor,  mais  ele  enxerga o céu. É interessante notar a postura de Cristo quando orou antes da multiplicação dos pães para os  5.000: “... tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou” (Mt 14:19b).  Obviamente  a  Bíblia  não  ordena  tal  postura  para  a  adoração  todo  o  tempo,  e  não  há  nada  inerentemente  melhor entre “inclinar a cabeça para orar” ou “olhar para o céu”. Entretanto, você perceberá, observando a si  mesmo e as outras pessoas, que quanto mais intensos forem sua adoração ou seu louvor, mais você olhará  para o céu, mesmo sem perceber.  103 

 


Isso  não  se  aplica  apenas  à  posição  do  rosto.  Descobri  algo  surpreendente  também  com  relação  às  mãos.  Quanto mais intensa for a adoração, mais as mãos tendem a erguer‐se. Para uma pessoa que cresceu num  ambiente onde a santidade era definida como “mãos abaixadas”, mal posso crer o quanto me desviei (ou me  aproximei, dependendo de que lado das “mãos” você esteja!). A tendência pode ser observada numa reunião  do povo de Deus em que as pessoas oram ou louvam com fervor. Tenho observado esse fenômeno muitas  vezes nas conferencias dos Guardadores da Promessa. Na sexta‐feira à noite, apenas alguns homens erguem  as mãos durante o louvor e é provável que se sintam um tanto deslocados. Na reunião do sábado de manhã,  30 ou 40% da audiência ergue a mão espontaneamente quando cantamos “Maravilhosa Graça”. No meio da  tarde, quando cantamos “Santo, Santo, Santo”, não há ninguém cujas mãos e rosto não estejam voltados para  o céus.  Acredito  que  a  maioria  dos  preletores  não  levanta  as  mãos  em  suas  igrejas  locais,  por  que  as  levantam  durante nas conferências dos Guardadores da Promessa? Pelo mesmo motivo que levantariam as mãos se a  adoração e o louvor se concentrassem intensamente no Senhor em qualquer outro local.  Não  me  entenda  mal,  não  estou  defendendo  a  questão  da  mão  erguida  ou  abaixada.  Estou  apenas  compartilhando  minhas  observações  sobre  o  que  “as  mãos”  parecem  fazer  numa  reação  diretamente  proporcional  ao  fervor  da  oração  ou  da  adoração:  “Antes  de  tudo,  pois,  exorto  que  se  use  a  prática  de  súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens [...] Quero, portanto, que os  varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade” (1 Tm 2:1,8).  Outro conceito relacionado ao fervor é a postura do corpo. Não consigo encontrar na Bíblia a ordem: “sente‐ se e ore!” ou “sente‐se e louve!”, mas posso encontrar passagens que mostram que “levantar” e “ajoelhar”  são atitudes bíblicas. “Prostrar‐se sobre o rosto” é bíblico (“dançar” também é bíblico, mas depois de “erguer  as mãos”, é melhor não ser bíblico demais!). Portanto, se você deseja seguir o modelo bíblico, não leve muito  tempo orando ou louvando sentado.  Alguns dos maiores homens e mulheres de Deus só liam a Bíblia ajoelhados. Apocalipse fala que os 24 anciãos  “prostraram‐se” diante de Deus para adorá‐lo.  Portanto,  faça  a  seguinte  pergunta  a  si  mesmo:  Será  que  me  sinto  confortável  ampliando  minha  “zona  de  conforto” e adotando a norma bíblica no louvor e na adoração ao Senhor? Você pode susurrar? Pode gritar?  Pode ajoelhar‐se? Pode prostrar‐se? Você chora? Pode aplaudir com entusiasmo? Você já dançou diante do  Senhor,  no  recôndito  de  seu  quarto,  no  meio  de  um  bosque,  ou  mesmo  na  imaginação  de  seu  coração  exultante? Você poderia acompanhar o rei Davi, enquanto ele “dançava com todas as suas forças diante do  Senhor” (2Sm 6:14a) ou obedecer à instrução dos salmistas, quando nos dizem para louvar com todo tipo de  instrumentos?  Embalado  neste  tipo  de  discussão  livre  sobre  “estilos  de  adoração”  vai  o  incentivo  para  que  você  seja  um  pouco  mais  tolerante!  Você  acha  que  quando  estiver  no  céu,  as  hostes  celestes  nunca  baterão  palmas,  mexerão  os  pés,  erguerão  as  vozes,  ou  gritarão  “glória  Deus!”?  Se  o  céu  proporciona  liberdade  para  que  expressemos nossa adoração indo além de um “amém” susurrado mais ou menos a cada quatro anos, talvez  seja bom começarmos a nos preparar para quando “for para valer”!  Como  podemos  saber  se  atingimos  o  ponto  real  em  nossa  adoração?  Quando  nos  comportamos  diante  de  Deus como se acabássemos de receber uma resposta de emprego depois de meses desempregados! Quando  os  limites  da  adoração  são  ampliados,  então  sua  eficácia  aumenta  drástica  e  automaticamente.  Imagine  se  você superasse suas inibições concernentes ao louvor e à oração! Quanto mais amplo foi o estilo da adoração,  mais profundo e satisfatório é o louvor.    DECLARE AO SENHOR QUE ELE É DIGNO    Quantas razões diferentes você tem para adorar e louvar a Deus? Quanto mais razoes você tem, maior é seu  potencial para louvar. Se você consegue pensar em cinco ou seis motivos para louvar a Deus, logo se afastará  da adoração e do louvor honestos e significativos. Quanto mais categorias de louvor você conhece e utiliza,  mais sua vida será plena de adoração e louvor. Considere alguns motivos para louvar ao Senhor.  1.  A  criação  é  um  motivo  maravilhoso  e  quase  ilimitado  de  louvor.  Para  qualquer  lugar  que  você  olhar,  encontrará  a  obra  das  mãos  do  Criador.  Quanto  mais  você  conhece  sobre  um  organismo  vivo,  mais 

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impressionado  fica  com  as  obras  de  Deus!  Em  todas  as  partes  da  natureza  o  Senhor  imprimiu  seu  gênio  criativo, não apenas para nosso deleite mas também como um convite sutil para exaltarmos sua grandeza.    2. A  misericórdia do Senhor permeia toda a história humana, passando por todo  o seu passado, presente e  futuro. Quando você se propõe e ver as obras de Deus em sua vida, com certeza terá razoes de sobra para  louvá‐lo e adorá‐lo. Nossa consciência da misericórdia divina deve nos proporcionar uma nova lista de razões  para adorá‐lo a cada dia. Jeremias falou sobre isso: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos  consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam‐se cada manhã. Grande é a tua fidelidade”  (Lm 3:22,23).  Você  percebe  o  fluxo  do  raciocínio  do  profeta?  Ele  viu  uma  nova  realidade  nas  misericórdias  de  Deus  que  imediatamente dirigiu seus pensamentos aos Senhor, numa frase de louvor: “Grande é a tua fidelidade!”    3.  O  caráter  do  Senhor  torna‐se  o  foco  mais  precioso  da  adoração,  à  medida  que  você  o  conhece,  em  sua  caminhada de santidade. Por quê? Porque a coisa mais importante sobre uma pessoa não é o que faz ou diz,  mas o que ela é. Talvez seja por isso que Jeremias não agradeceu a Deus a renovação de sua misericórdia, mas  exaltou a grandeza de sua fidelidade.  Depois  de  anos  de  prática  de  louvor,  tenho  notado  minha  própria  tendência  de  apreciar,  respeitar  e  “valorizar” o caráter de Deus, mas do que seus feitos, suas promessas, seus milagres e suas profecias. Exalto  sua compaixão, fidelidade, misericórdia, paciência, força, sabedoria, longanimidade, bondade e benignidade.    Ainda não encontrei um cristão que vive continuamente em comunhão com o Senhor, o louva com fervor e  que não tenha prazer na devoção regular, na leitura da Bíblia e numa vida de oração consistente.  Eis o que o rei Davi revelou sobre esta maravilhosa fonte de alegria e de prazer, a qual nunca se esgota: “Na  tua presença há plenitude de alegria, na tu destra, delicias perpetuamente” (Sl 16:11). Que cada um de nós  possa  experimentar  esta  “plenitude  de  alegria”  por  meio  da  adoração  ao  Senhor  deste  lado  do  véu  da  eternidade, e que desfrutemos no presente uma prova das “delicias perpetuas”!    HÁBITO SANTO 6:  JEJUM    Quando você caminha pelos corredores de qualquer shopping, vai a qualquer restaurante ou caminha entre  as gôndolas de alimentos dietéticos e de baixo teor de gordura nos mercados, percebe rapidamente que não  somos uma geração que acredita no jejum e o pratica regularmente. Quantos cristãos você conhece que já  jejuaram pelo menos por dois dias, mais do que umas duas vezes na vida? O jejum é uma arte perdida para a  maioria dos cristãos de hoje. Entretanto, quando você faz uma rápida pesquisa bíblica para ver quem jejuou,  veja o que descobre: Moisés, o povo de Israel, Samuel, Davi, Elias, os ninivitas, Neemias, o rei Dario, Daniel,  Ana, Jesus, João Batista e seus discípulos, os fariseus, os apóstolos, Paulo e os primeiros cristãos.  O que exatamente é o jejum espiritual? Jejum é a prática da abstenção de algo específico durante um tempo  específico, feita pelo indivíduo, casal, pela família, igreja, cidade ou nação – por razões espirituais. Por que o  jejum  espiritual  funciona?  Em  sua  soberania,  o  Senhor  decidiu  que  sempre  que  uma  pessoa  se  abstém  de  alimentos,  de  sono,  de  falar  (silêncio)  ou  da  presença  de  outras  pessoas  (solitude)  com  um  propósito  espiritual,  os  resultados  espirituais  são  multiplicados.  Lembre‐se,  por  exemplo,  da  dificuldade  que  os  discípulos  estavam  enfrentando  em  Mateus  17:14ss,  quando  tentaram  curar  o  homem  epilético  que  tinha  demônio. Eles pediram ao Senhor que explicasse o que tinham feito de errado e devem ter ficado chocados  com a resposta: “Esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum”.  A oração normal e os procedimentos normais para problemas demoníacos não tiveram poder suficiente para  expulsar aquele tipo específico de demônio. Entretanto, quando se acrescenta o jejum à oração, o demônio  sairá. O Senhor multiplica o poder da oração quando seu povo jejua e ora.  Os  cristãos  escolhem  jejuar  quando  estão  lutando  numa  área  importante  de  suas  vidas.  Muitas  pessoas,  quando jejuam, não o fazem porque gostam – pois o jejum não é agradável nem atraente –, mas porque ajuda  a alcançar a vitória. Alguns jejuam para se libertar de um pecado insistente, outros para agradecer a Deus uma  resposta recebida e outros para concentrar toda a atenção no relacionamento com Deus.  105 

 


Você pode jejuar para receber direção do Senhor numa decisão importante, para se arrepender e humilhar‐se  diante de Deus, ou para buscar a proteção divina contra a guerra, a tragédia ou a destruição. Alguns cristãos  jejuam para buscar um avivamento. Entretanto, você somente jejuará quando realmente necessitar de uma  resposta  específica  e  souber  que  o  Senhor  é  Aquele  que  pode  atender.  Você  somente  jejuará  quando  crer  realmente que o Senhor é poderoso e está interessado o suficiente para atender a seu pedido e intervir na  situação  pela  qual  está  orando.  Você  não  jejuará  até  concluir  que,  ao  se  abster  e  se  humilhar  diante  do  Senhor, sua oração terá um grau maior de influência.  Muitas vezes as pessoas são impulsionadas ao jejum pela crise. Se um terrível acidente automobilístico coloca  a pessoa que mais amamos entre a vida e a morte, muitos de nós fariam jejum em vista de uma oração mais  fervorosa, pedindo a intervenção miraculosa do Senhor.  Com  que  freqüência  você  deve  jejuar?  Sempre  que  desejar.  Entretanto,  não  informe  às  pessoas  que  está  jejuando. Não se levante em publico para pedir oração para suportar o jejum! Conforme Jesus instruiu, vista  suas melhores roupas, mostre seu “melhor sorriso” e proteja seu jejum dos olhos dos homens. O que deve  fazer se for convidado a almoçar ou jantar fora? Comunique que não vai comer por “razões pessoais”, mas  que gostaria de desfrutar da companhia das pessoas.  Algumas pessoas participam de um jejum anual, escolhendo a mesma data todos os anos e criando o hábito  de sempre jejuar juntas. Outras participam de um jejum semanal, escolhendo o mesmo dia da semana para  jejuarem regularmente. Um método prático é começar a jejuar domingo à noite e só se alimentar novamente  na segunda‐feira à noite.  Você também pode tentar um jejum rápido, sempre que surge uma questão importante e precisa buscar a  ajuda  divina  com  maior  intensidade.  Pule  uma  refeição  e  utilize  esse  tempo  extra  para  concentrar‐se  diretamente na presença do Senhor. Alguns cristãos praticam o jejum de Daniel, alimentando‐se apenas de  frutas verduras durante uma semana. Não tocam em café, refrigerante, pão, carne nem doces por sete dias.  Darlene  e  eu  descobrimos  que  todo  jejum  de  Daniel  traz  uma  tremenda  liberação  no  sexto  dia  –  e  nunca  queremos  parar  no  sétimo  dia,  por  causa  da  obra  que  o  Senhor  realiza  em  nossa  vida.  O  jejum  de  Daniel  funciona muito bem no contexto familiar e permite que você mantenha suas responsabilidades sociais com  maior facilidade.  Um  pastor  espiritualmente  maduro  praticou  um  total  de  quarenta  dias  de  jejum  por  catorze  anos.  Há  dois  meses, descobri que muitos membros de sua igreja o acompanham neste jejum espiritual todos os anos e que  o número cresce cada vez mais. Que maravilhoso! Você precisa ouvir os testemunhos de bênçãos tremendas  que ocorrem na vida dos participantes e da igreja como um todo.  O  jejum  é  um  hábito  santo  avançado,  que  proporciona  a  seus  praticantes  recompensas  valiosíssimas  na  caminhada da  santidade  e  com  Deus.  Se  você não  pratica nenhum  tipo  de  jejum em  sua  vida,  por  que  não  tenta o jejum de Daniel por uma semana? Posso garantir por experiência própria que você ficará maravilhado!    TER UMA VIDA SANTA    Para  concluir,  posso  lhe  dar  uma  palavra  pessoal?  Quando  você  pensa  sobre  sua  vida  hoje,  com  está  praticando  esses  hábitos  santos?  Pare  um  momento  antes  de  prosseguir  na  leitura  e  reflita  um  pouco.  Preencha a tabela a seguir, da maneira que melhor expresse sua atual situação. Quando terminar, some os  pontos para ter uma idéia de seu progresso nos “hábitos santos” neste momento de sua vida.  Independentemente de sua pontuação nos hábitos santos, não desanime! O mais importante não é onde você  se encontra hoje, mas sim onde estará amanhã, daqui a um ano e daqui a dez anos. Reconheça que você é o  administrador  de  sua  própria  vida  e  que  está  sendo  desafiado  pelo  Senhor  a  continuar  progredindo  na  santidade.  Hábito  Santo  Pontuação  1.Devocional  2.Bíblia  3.Oração  4.Diário 

Não  Comecei  0         

Tento e  Fracasso 5         

Sucesso  Esporádico  10         

Prática  Habitual  15         

Satisfação  Habitual  20         

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5.Adoração  6.Jejum  Total 

     

     

     

     

     

De todos os hábitos santos, qual deles você acha que fará a maior diferença em sua vida, aos e aprofundar  mais em cada um deles? É justamente com este que deve começar! Não tente implementar todos de uma vez,  pois este é um meio garantido de fracasso. Pegue aquele que você mais deseja aplicar e concentre‐se apenas  nele  pelos  próximos  trinta  dias.  Todos  aqueles  que  experimentaram  grandes  vitórias  nestes  hábitos  diários  descobriram  que  é  preciso  pelo  menos  um  mês  para  construir  um  hábito  sólido.  Lute  contra  a  tentação  de  começar pelos hábitos avançados, sem obter um forte índice de sucesso nos hábitos fundamentais.  Resista à tendência natural de querer corrigir tudo em apenas um dia. Rejeite tal tentação, pois quase sempre  ela  procede  de  seu  orgulho  carnal  e  desejo  de  perfeição.  Pelo  contrário,  alegre‐se  com  a  vitória  e  com  as  mudanças duradouras ocasionadas pelo sucesso na prática de um hábito por vez. Depois que você o pratica  por  algum  tempo  e  não  exige  mais  um  grande  esforço,  escolha  outro  (sempre  aquele  que  mais  deseja)  e  trabalhe nele por mais um período. Pense em como será sua vida dentro de alguns anos!  Finalmente, deixe‐me compartilhar algumas palavras de incentivo. Primeiro, viva sob a graça e não sob a lei:  Não  se  transforme  num  escravo  legalista  de  seus  hábitos.  Dê  a  si  próprio  espaço  para respirar  e  não  tenha  medo  de  falhar  com  eles  um  dia  ou  outro.  Nos  domingos,  tenho  uma  rotina  totalmente  diferente  e  na  segunda‐feira  de  manhã  estou  mais  do  que  pronto  para  reassumir  minha  rotina  semanal.  Você  não  estará  cometendo nenhum pecado mortal por relaxar um dia, ou mesmo alguns dias – deixe sempre um espaço para  as surpresas e adversidades que a vida traz. O Senhor entende muito bem!  Segundo,  alegre‐se  mais  acrescentando  variedade  à  sua  rotina:  Se  você  está  um  pouco  entediado  ou  está  ficando  difícil  levantar  cedo  para  fazer  a  devocional,  tente  outra  coisa:  compartilhe  com  o  Senhor  que  nos  próximos dias irá dormir um pouco mais, pois crê que será uma companhia melhor se tiver um pouco mais de  descanso. Vá dormir o mais cedo possível e durma o máximo que puder. É incrível o que um pouco mais de  descanso pode fazer por um guerreiro exausto! Depois, para recarregar as baterias, escolha um livro cristão  motivador,  ou  fita,  e  o  inclua  em  seu  devocional.  Comecei  a  fazer  isso  alguns  anos  atrás  e  percebi  que,  ao  mudar regularmente minha dieta literária, não tive mais problema com meu interesse e minha motivação.  Terceiro, antecipe a alegria dos hábitos santos de “baixa disciplina”: Depois de praticar esses hábitos santos  por um tempo, o retorno que você recebe será tão grande e recompensador que não vai querer perdê‐lo por  nada!  Deixará  para  trás  aqueles  dias  em  que  tinha  de  usar  toda  a  autodisciplina  para  levantar  cedo  e  ter  comunhão com o Senhor. Pelo contrário, sua motivação interna o empurrará para fora da cama.  Se você pensar nisso por um momento, perceberá que a disciplina é necessária quando você no fundo não  deseja  fazer  algo  ou  tem  um  hábito  contrário  ao  que  está  tentando  fazer.  Quando  você  tiver  desenvolvido  hábitos santos fortes e significativos, entrará numa esfera diferente da vida, em que a devocional, a oração, o  diário, a adoração e a meditação acontecem naturalmente.  O  que  faz  com  que  algo  ocorra  “naturalmente”?  O  hábito.  O  que  acontece  com  seu  caráter  quando  seus  hábitos  são  naturalmente  santos?  Você  se  torna  santo.  Portanto,  comece  a  desenvolver  esses  hábitos  hoje  mesmo e caminhe na direção da santidade pessoal.     

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Santidade pessoal em tempos de tentação