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Stanley

M.

Horton

O Ensino BĂ­blico


Stanley

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O Ensino BĂ­blico

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Todos os direitos reservados. Copyright © 1998 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Título do original em inglês: Our Destiny Gospel Publishing House Springfield, Missouri 68502-1894 Primeira edição em inglês: 1996 Tradução: Luís Aron de Macedo Copidesque: Judson Canto Revisão: Marcus Braga Capa: Adaptação Eduardo Souza 236 HORn

- Escatologia Horton, Stanley M. Nosso Destino.../Stanley M. Horton Ia ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1998. p. 304. cm. 14x21. ISB N 85-263-0158-6 1. Escatologia CDD 236 -

Escatologia

Casa Publicadora das Assembléias de Deus Caixa Postal 331 20001-970. Rio de Janeiro, R J, Brasil

3a Edição 2002


índice

Prefácio / 9 Introdução: As Boas Novas / I I O Evangelho / I I Substitutos à Verdade / 16 O Deus da Esperança / 20 O Deus da Aliança / 23 Uma Bem-aventurada Esperança / 27

1. A Morte e o Estado Intermediário / 37 A Vida e a Morte / 37 Os Ensinos do Antigo Testamento / 40 Os Ensinos do Novo Testamento / 48 Outras Interpretações da Vida após a Morte / 51

2. A Ressurreição e o Arrebatamento da Igreja / 61 A Ressurreição no Antigo Testamento / 61 A Ressurreição no Novo Testamento / 63 Preparados pelo Espírito Santo para a Ressurreição e o Arrebatamento da Igreja / 69 Um Aviso Necessário / 70 Outras Teorias acerca da Vinda de Jesus / 72 Dois Aspectos da Segunda Vinda de Jesus / 75 O Julgamento do Tribunal de Cristo / 77 A Ceia das Bodas do Cordeiro / 81


Nosso Destino

3. A Tribulação / 85 O Reino Será Estabelecido por meio de Julgamento / 86 Uma Visão Geral da História / 90 Os Sete Anos de Tribulação / 91 A Abominação da Desolação / 93 A Ira de Deus e do Cordeiro / 94 Interpretações do Livro de Apocalipse / 95 As Visões de João / 97 O Anticristo / 102 A Batalha do Armagedom / 108

4. O Tempo do Arrebatamento da Igreja / 111 Os Pós-tribulacionistas / 112 Os Mídi-tribulacionistas / 115 Os Pré-tribulacionistas / 118 Esperando pela Vinda de Jesus / 124 O Reino Presente / 128 O Reino Vindouro / 129

5. Interpretações do Milênio / 145 Três Interpretações / 145 O Milenismo na Igreja Primitiva / 149 O Surgimento do Amilenismo / 151 O Surgimento do Pós-milenismo / 155 O Surgimento do Dispensacionalismo / 155 Interpretações Liberais / 158 Pontos-chaves para os Pré-milenistas / 160

6. O Reino Milenial / 179 As Profecias do Antigo Testamento / 180 A Realidade do Reino Vindouro / 184 Os Crentes Julgando e Reinando com Cristo / 189


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índice

7. O Julgamento Final / 195 Satanás É Solto / 195 A Necessidade de Julgamento / 196 A Certeza do Julgamento / 200 O Julgamento do Grande Trono Branco / 202 Outros Julgamentos / 205 Sérias Advertências / 206

8. O Estado Final dos ímpios / 209 A Santa Ira de Deus / 209 O Destino dos Perdidos / 211 Outras Interpretações / 214

9- O Estado Final dos Justos / 223 Completo Cumprimento / 223 O Novo Céu e a Nova Terra / 225 A Nova Jerusalém / 231 Os Séculos Eternos que Virão / 235 Um Glorioso Cumprimento / 236

Glossário / 239 Bibliografia / 251 Notas / 269

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índice


Prefácio

Ensinar acerca da doutrina das últimas coisas e da ma­ ravilhosa esperança que o crente possui em Cristo Jesus tem sido meu privilégio e alegria durante 46 anos. A fé em Jesus envolve confiança, obediência e expectativa. Para mim, essas qualidades têm-se tornado cada vez mais im­ portantes à medida que o Espírito Santo faz sua contínua obra em minha vida e ministério. Escrevo tendo em men­ te meus alunos que servem a Deus em todas as partes do mundo. Que eles e aqueles a quem ministram sintam-se encorajados ao ler e estudar o que a Bíblia diz acerca da doutrina das últimas coisas. De acordo com a versão de Almeida, Revista e Corrigida, edição de 1995 (RC), utilizada neste livro, o vocábulo “S enhor ” foi escrito em versalete para indicar o nome pessoal e divino de Deus: Jeová.1 Ao citar as Escrituras, realcei em itálico as palavras que desejei enfatizar. Para tornar mais fácil a leitura, os termos hebraicos, aramaicos e gregos foram todos transliterados para o alfa­ beto latino. Algumas abreviações e termos convencionais foram usados neste livro: a.C.: antes de Cristo ARA: Bíblia de Almeida, Revista e Atualizada. BEP: Bíblia de Estudo Pentecostal.


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Prefácio

Nosso Destino

c.: cerca de, mais ou menos em. cap,: capítulo. cf.: confronte, compare, confira. d.C.: depois de Cristo gr.: grego. hb.: hebraico. ibid.: ibidem (na mesma obra, capítulo ou página), lat.: latim. LXX: Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamen­ to hebraico feita em Alexandria, Egito, durante os dois séculos antes de Cristo. N. do T.: Nota do Tradutor. n.: número. p.: página(s) RC: Bíblia de Almeida, Revista e Corrigida, edição de 1995. v.: versículo (nas referências); volume (na “Bibliografia”) w.: versículos. vol.: volume (nas “Notas”). Agradeço de modo especial ao Dr. Zenas Bicket, ao Dr. Edgar Lee e ao Dr. Jesse Moon por terem lido o manuscri­ to e feito sugestões valiosas. Estendo também meus since­ ros agradecimentos a Glen Ellard e sua equipe editorial da Gospel Publishing House e a todos os que tomaram parte na preparação deste livro na língua inglesa.


Introdução: As Boas Novas

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E vangelho

A palavra “evangelho” significa “boas novas”. O ponto central das Boas Novas foi apresentado por Pedro no dia de Pentecostes: “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés” (At 2.32-35). As Boas Novas referem-se não ape­ nas ao fato de Jesus haver ressuscitado dentre os mortos, mas também ao estar Ele assentado à direita de Deus Pai — lugar de autoridade —, intercedendo por nós: Ele fala aa Pai.em nossa defesa (1 Jo 2.1). Desde o trono, Ele continua a derramar o Espírito Santo nos crentes para nos ajudar e capacitar com poder. Ele também aguarda pelo momento em que Deus dirá que chegou a hora de enviálo de volta, em triunfo, sobre todos os seus inimigos (Hb 10.13). Pedro apresenta maiores detalhes acerca das Boas No­ vas ao afirmar que a promessa do derramamento do Espí­ rito Santo não estava restrita ao dia de Pentecostes: era também para todos os que se arrependessem e fossem batizados: “Recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos


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Nosso Destino

os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.38,39). Contudo, esse chamamento não se resume em ir a Jesus para ser perdoado e receber poder. Pedro exorta: “Salvai-vos desta geração perversa” (At 2.40). Esse apelo é mais que necessário nos dias de hoje. Vivemos num mun­ do em que o futuro parece ser cada vez mais incerto. Após a Segunda Guerra Mundial, o grande cientista Albert Einstein chamou a atenção para o fato de que o medo entre as nações estava aumentando, como também a fome, a injustiça, os conflitos territoriais e a política armamentista.1 A despeito de todos os esforços que hoje são feitos em prol da paz, essa condição ainda é uma realidade. A natureza humana caída não mudou. João Ba­ tista chamou os incrédulos impenitentes de “raça de víbo­ ras” (Mt 3.7). Jesus os chamou de hipócritas, cães, porcos, condutores cegos, cheios de hipocrisia e iniqüidade, ten­ do por pai o diabo (Mt 7.5,6; 23.24,25,28; Jo 8.44). Ele enviou seus apóstolos “como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10.16). Pedro os descreveu como “aqueles que segun­ do a carne andam em concupiscências de imundícia e desprezam as dominações. Atrevidos, obstinados, não re­ ceiam blasfemar das autoridades; enquanto os anjos, sen­ do maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem pre­ sos e mortos, blasfemando do que não entendem, perece­ rão na sua corrupção, recebendo o galardão da sua injus­ tiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidi­ anos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na ava­ reza, filhos de maldição” (2 Pe 2.10-14). Judas acrescenta que eles “são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e


O Evangelho

cuja boca diz coisas muito arrogantes, admirando as pes­ soas por causa do interesse... escarnecedores que andari­ am segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito” (Jd 16,18,19). Como o pastor Guy Duty escreve: “Aquele que está moralmente doente afunda-se cada vez mais na escala moral”.2 AS ÚNICAS BOAS NOTÍCIAS QUE RESTARAM

A maioria das pessoas ainda teima em esperar pelo melhor, não obstante a pouca esperança evidenciada pela mídia, a ausência quase total de boas notícias. De fato, o Evangelho de Deus são as únicas boas notícias que resta­ ram. As Boas Novas abrangem o passado, o presente e o futuro. São as Boas Novas que dão ênfase ao fato de Deus, que criou todas as coisas por meio de Jesus Cristo (Jo 1.3), amar todas as pessoas e desejar nos abençoar e manter comunhão com cada um de nós. São as Boas Novas que proclamam que Jesus morreu por todos, morte essa que pôs em efeito uma nova aliança, oferecendo não apenas salvação e comunhão com Deus mediante Jesus, mas também o dom do Espírito Santo e a bem-aventurada esperança da volta de Cristo e de nossa participação na glória eterna (Rm 8.9,10,23,24; 15-13; 2 Co 3.8,11,12; Ef 3.16-19; Cl 1.17; 1 Pe 4.14). Também são as Boas Novas que anunciam que, a despeito da corrupção deste mundo, todos aqueles que arrependidos se voltarem para Deus serão lavados de seus pecados, vindo então os tempos de refrigério pela presença do Senhor. O grego indica que podemos ter esses períodos de refrigério, tempos de gran­ de reavivamento espiritual até o dia em que Jesus voltar à terra para nos buscar. As Boas Novas dão sentido à vida. Ainda podemos in­ fluenciar nosso mundo para Cristo. Ainda podemos espe­ rar ver derramamentos de poder e milhares de pessoas sendo salvas e acrescentadas à Igreja, como agora mesmo

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acontece em muitas partes do mundo. Podemos e deve­ mos ser “o sal da terra”, temperando e preservando aque­ les que nos cercam. Podemos e devemos ser “a luz do mundo”, deixando que nossa luz resplandeça “diante dos homens, para que vejam as [nossas] boas obras e glorifiquem o [nosso] Pai, que está nos céus”, como Jesus orde­ nou (Mt 5-13-16). Afastar-se da corrupção do mundo não significa dar as costas ao mundo e suas necessidades. Não significa deixar de tomar parte no processo político ou nos esforços da comunidade que objetivam melhorar a situação em que vivemos. Nossas boas obras implicam não apenas em participar das bênçãos espirituais, mas também em ajudar o pobre e fazer tudo o que pudermos para diminuir a corrupção e a violência que contaminam o mundo. Faz muito tempo que a humanidade inteira se afastou de Deus (Rm 1.18-23). Mas Deus não se afastou de nós. Ele veio ao curso da história e da vida humanas para se revelar a si mesmo e preparar o caminho para o dom do seu Filho. A morte e a ressurreição de Jesus garantem que todos os que nEle crêem não perecem mas têm a vida eterna 0o 3.16). Hoje essa vida está disponível a cada um de nós por meio do ministério do Espírito Santo. Além disso, temos outra promessa: o mesmo Jesus há de vir assim como para o céu os discípulos o viram subir (At 1.11). Uma nuvem o recebeu, e Ele retornará em nuvens, assim como Ele próprio indicou numa referência à profe­ cia de Daniel 7.13, durante o seu julgamento no Sinédrio (veja Mt 26.64). ESCATOLOGIA: REALIDADE, NÃO FUGA

Ainda que devamos evitar especulações extrabíblicas, estamos negligenciando, sob risco próprio, o que a Bíblia diz acerca do cumprimento do propósito eterno de Deus.3 O termo técnico para esse estudo é “escatologia”, do gre­ go eschatos (“último”) e logos (“palavra”, “mensagem”,


O Evangelho

“conhecimento”). Os pentecostais, assim como a maioria dos que crêem na Bíblia, reconhecem que a escatologia “forma a estrutura central e essencial da teologia do Novo Testamento”.4 A escatologia chama a nossa atenção para a verdade de que Deus é um Deus pessoal que tem um propósito, um plano que abrange presente e futuro, po­ dendo Ele contar como certa a sua realização. A escatologia nos informa que o mundo erra ao buscar um futuro me­ lhor através do evolucionismo e de meros esforços huma­ nos. Ela “nos faz lembrar que, em última análise, a reden­ ção da História é um milagre da graça”.5 Também nos diz que Deus se preocupa com as pessoas. Para o evolucionista,\ o indivíduo em si tem pouca importância. O Novo Testamento oferece salvação e um futuro cheio de bênçãos não para a humanidade em geral, mas para os indivíduos, a “todo aquele que nele crê” (Jo 3.16-18). Como Alf Corell ressalta: “A escatologia não é um vôo distante da realidade... Pelo contrário, traz em si uma profunda percepção do significado da realidade. Ela está fundamentada na revelação dada no passado... e vivenciada aqui no presente”, dando plena certeza de seu cumpri­ mento.6 Deus enviou o seu Filho, “vindo a plenitude dos tempos” (G1 4.4), Isso implica no cumprimento de um plano. Mas esse plano não findou com a primeira vinda de Cristo. Ele veio, e por isso fomos remidos “a fim de rece­ bermos a adoção de filhos” (Gl 4.5). Desse modo, tornamonos herdeiros de Deus com uma herança futura que será completamente nossa quando Jesus voltar e tomarmos parte em sua glória (Rm 8.17; Gl 4.7). Então, “convém que [Ele] reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés... para que Deus seja tudo em todos” (1 Co 15.25-28). De acordo com essa perspectiva, pode-se dizer que toda teologia é essencialmente escatológica. Definitivamente, a escatologia não é “um apêndice no contexto dos interesses maiores da vida presente”, mas “a

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certeza de que ‘aquele que em [nós]... começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo’ (Fp 1.6). Ela nos assegura que ‘quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também [nós nos manifestaremos]... com ele em glória’ (Cl 3.4)”.7 Ele é a nossa esperança (Cl 1.27),8 e a esperança da sua vinda dá significado à vida. Ele é o vencedor e, em última análise, o futuro a Ele pertence. Por conseguinte, “o futuro não é uma categoria de menor importância”. A Bíblia, em todos os seus ensinamentos, aponta claramente para o fim que se aproxima. “Toda a energia vital dos profetas, apóstolos e mártires flui para acontecimentos que ainda estão para se cumprir, os quais esclarecerão devidamente toda a vida atual”.9 S u b st it u t o s

à

V erd a d e

O mundo fora de Cristo tem perdido o rumo. Muitos rejeitam a luz que a Bíblia lança sobre os caminhos da vida. Ainda não sabem que maravilhoso e seguro guia é o Espírito Santo. Em razão disso, o mundo não sabe para onde estão nos levando as rápidas mudanças que ocorrem nos relacionamentos do mundo e na história mundial. Stephen Travis salienta que, para os descrentes, “é como se a raça humana fosse passageira de um avião a jato — sem ninguém na cabina de comando”.10 A incerteza da vida moderna produz um espírito de desespero que visa engabelar alguns a ponto de acreditarem que o mundo se autodestruirá.11 Se uma bomba nuclear não nos destruir, a poluição o fará. Alguns estão cegos, cultivando pensamentos ilusionis­ tas e confundindo os próprios desejos com a realidade. Outros tentam esquecer a situação afundando-se no amor à “boa vida” e no entretenimento. Multidões procuram fugir, voltando-se para as filosofias humanistas, místicas e pagãs ou apegando-se a práticas ocultistas, num vão esfor­ ço de controlar o futuro ou pelo menos achar esperança


Substitutos à Verdade

nele. Ignoram as advertências bíblicas contra a astrologia, a cartomancia, a mediunidade espírita, a feitiçaria, o satanismo e o culto pagão, que são coisas tolas e fúteis (Is 44.25), além de corromperem as pessoas e serem detestá­ veis ao único Deus verdadeiro (Lv 19.31; Dt 18.9,12).12 Fázem parte da área de atuação de Satanás, o espaçoso caminho cujo fim só pode ser a destruição (Mt 7.13). O engodo satânico leva tais pessoas a uma visão errônea da História. FILOSOFIAS PAGÃS

A maior parte das antigas filosofias pagãs encarava a História como um ciclo, sem começo e sem fim, sem meta. Descobertas arqueológicas em Ugarit, ao norte de Tiro e Sidom, mostram que as pessoas tinham medo de que “deuses envelhecidos, forças destrutivas, reinos da morte” estivessem trabalhando para apagar “a lâmpada da organização do mundo civilizado”, provocando desse modo “um retorno ao início do ciclo e... o caos”.13 Os cananeus viam em deuses como Baal “um ritmo sazonal entre a vida e a morte”, o que “não dava muito incentivo a qualquer planejamento de longo alcance... O ponto de vista grego com relação à vida [também] era completamente pessimista”.14 Muitos pagãos ensinavam a reencarnação. Quer dizer, uma vida devia suceder outra em um ciclo interminável. Os hindus, entretanto, não consideram a reencarnação uma vantagem. Eles esforçamse para negar o anseio pela vida, na esperança de pode­ rem sair da roda da vida, perderem a identidade e serem absorvidos por um Brama ou Atmã, suposta “grande alma” do Universo.15 Contudo, essa “grande alma” transforma-se em algo que, segundo os seus filósofos, não se pode dizer que exista ou não. Em geral, as pessoas influenciadas por essas filosofias não percebem o vazio e a falta de significa­ do que tais ensinamentos trazem à existência humana.

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A visão cíclica da História não oferece nenhuma verdadei­ ra resposta aos problemas da vida humana. O mesmo se dá com qualquer outra visão linear divorciada das raízes bíblicas, como é o caso de muitas idéias modernas de progresso. Desde René Descartes (1637), os filósofos seculares têm colocado a humanidade no centro de tudo. Immanuel Kant (1783) fez da razão humana a única autoridade. Hoje, os esforços humanos ainda tentam conduzir o mundo à democracia, à liberdade e a uma nova ordem de coisas. Mas, ao contrário disso, tais esforços “levam a um novo tipo de escravidão e autodestruição em potencial”.16 A moderna filosofia existencial também focaliza o humano “e ignora as dimensões cósmicas da Bíblia”.17 A RESPOSTA BÍBLICA

Por outro lado, a Bíblia mantém-se em juízo contra todas essas idéias e imaginações humanistas. A Palavra de Deus nos dá “uma esperança e uma promessa, as quais somos incapazes de alcançar através de nossos próprios esforços”. As Escrituras revelam essencialmente uma vi­ são linear da História, que tem Deus como Criador e Redentor.18 Houve, de fato, um começo. Deus tinha um plano na criação, o qual demonstrava seu interesse por aqueles que foram criados à sua imagem. Na redenção, o plano divino destacava-se pelo derramamento, na cruz, do amor pela humanidade 0 o 316). Ele será fiel na reali­ zação desse plano até o último e maior cumprimento; não uma volta ao começo, mas algo muito melhor: uma meta que trará o reino milenial e, por fim, os novos céus e a nova terra e a Nova Jerusalém que Ele está preparando. Por causa do pecado, “a aparência deste mundo passa” (1 Co 7.31). E tem de ser assim, pois apenas mediante julgamento o futuro Reino poderá vir em sua plenitude e perfeição (Dn 2.44,45). Todavia, pelo fato de Jesus ter


Substitutos à Verdade

vindo, o poder, o governo e a salvação do Reino de Deus entraram na História de maneira inédita e preparam a nossa participação no “eterno propósito [de Deus] que [Ele] fez em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3.11). Esse eterno propósito já fazia parte do plano de Deus antes da criação do Universo. Seu plano teve um verdadei­ ro começo e terá um verdadeiro fim. A maneira como o hebraico é usado em Gênesis 1.1 coloca em grande evi­ dência a expressão “no princípio”.19 Em geral, os antigos religiosos pagãos evitavam a idéia de um começo. Se fala­ vam a respeito de uma criação referiam-se geralmente à criação de algo que já existia, tal como a terra, o ar, o fogo e a água, o lodo ou o corpo de um gigante.20 Seus deuses eram retratados por eles como a brigar uns com os ou­ tros, sem existir verdadeiramente um soberano no Uni­ verso. Ninguém sequer imaginava um Deus que fosse gran­ de, poderoso e sábio o suficiente para criar algo do nada. Baal, por exemplo, era visto não “como aquele que torna­ va o mundo fértil, mas sim como aquele que faz [sua parte no] mundo fértil... ele se torna o meio pelo qual ganha­ mos as coisas... um deus a ser usado”, em vez de verdadei­ ramente adorado.21 Mas a Bíblia continua apontando Deus como o Criador. De fato, só Ele pode criar. O hebraico do Antigo Testamento jamais utiliza o verbo “criar” (bara ’), não sendo Deus o sujeito. E o mesmo Deus que nos criou nos ama o suficiente para nos remir. A Bíblia é o registro do desdobramento do seu grande plano de redenção, um plano que nos dá uma firme esperança. Como crentes em Jesus, somos espiritu­ almente uma nova criação, aguardando com ansiedade um novo corpo, na ressurreição, e por fim uma eternida­ de com novos céus e nova terra, uma criação completa­ mente nova. Portanto, escatologia não é unicamente o estudo da doutrina das últimas coisas. Ela se relaciona a tudo o que a Bíblia ensina. Ocupa-se, sobretudo, com a

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fidelidade de Deus, dando-nos a certeza de que a vitória final será dEle — não de Satanás.22 Como crentes em Jesus, temos também o Espírito San­ to como “outro Consolador” (parakletos, “ajudador”, Jo 14.16), que nos capacita a servir a Deus e a ajudar uns aos outros à medida que Ele mesmo nos habilita para a exis­ tência vindoura. Como experiência de revestimento de poder, o prometido batismo com o Espírito Santo outorga dons e ministérios. Mas não é só isso. O poder do Espírito Santo ocasiona o súbito aparecimento de uma esperança transbordante, fixada no Deus da esperança; uma espe­ rança das recompensas eternas reservadas no céu para nós; uma esperança da ressurreição; uma esperança da volta de Jesus e do estabelecimento do seu reino milenial; uma esperança da glória eterna que excede em peso e excelência toda a nossa “leve e momentânea tribulação” por que passamos hoje (2 Co 4.17). No presente século, podemos provar “a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro” (Hb 6.5). 0

D eu s

da

E sperança

O apóstolo Paulo orou: “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Rm 15.13). A “virtude” (ou “poder”, gr. dunamei) são as poderosas obras e dons do Espírito na época presente.23 Quando essas obras e dons se manifestam, como aconteceu no reavivamento pentecostal, sempre há um transbordamento com a esperança de que o Senhor com certeza virá e que a glória e as bênçãos do período milenial são reais.24 UMA FIRME ESPERANÇA

Pelo fato de nossa esperança provir do Deus da espe­ rança que confirmou sua promessa com juramento, “coi­ sas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta” (Hb


O Deus da Esperança

6.17,18), não há como duvidar. Chama-se esperança ape­ nas porque ainda não a temos (Rm 8.24,25). Por essa razão, é uma sólida esperança, “como âncora da alma segura e firme” (Hb 6.19). Sabemos que ela nunca nos desapontará, “porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5-5). O Espírito Santo torna o amor de Deus real em nossa vida cotidiana. Ou seja: Deus, que nos amou o suficiente para enviar Jesus a morrer no Calvário por nossos peca­ dos, nos ama o suficiente para tomar todas as providênci­ as necessárias para nos ver a caminho da glória (Rm 5-9,10; 8.17-20) e manter viva a esperança cristã. Portanto, não admira que bem no início do século XX o reavivamento pentecostal tenha sido marcado por uma intensa expecta­ tiva em relação ao retomo de nosso Senhor Jesus Cristo à terra.25 Deus sempre foi o Deus da esperança. Uma análise do primeiro capítulo de Gênesis revela que na criação houve uma seqüência gradual; uma similaridade entre os dias um e quatro, dois e cinco, três e seis; um equilíbrio com um ato distinto e criativo nos dias um, dois, quatro e cinco, e dois atos distintos e criativos nos dias três e seis; e, por fim, o clímax com a criação do homem e da mulher à imagem de Deus. Todos esses fatos indicam que tudo o que Deus criou foi de acordo com um plano. Antes do plano ter sido colocado em ação, ocorreu uma expectati­ va, ou esperança, indicada pelo contínuo adejo do Espíri­ to de Deus sobre o oceano primevo. Essa esperança teve seu cumprimento inicial na comunhão que Deus desfruta­ va com Adão e Eva pela viração do dia (Gn 3.8). UMA CONTÍNUA ESPERANÇA

Mesmo depois dessa comunhão haver sido interrom­ pida pelo pecado, Deus não abandonou sua esperança

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pela humanidade. Embora Adão e Eva e a serpente que seduziu a esta fossem punidos, no meio do julgamento da serpente encontramos Deus dando esperança, quan­ do promete que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Depois, Ele providenciou vestimentas de peles de animais mortos para Adão e Eva, o que prenunciava a cobertura dos pecados pelo derra­ mamento de sangue sacrificial, em última análise, o san­ gue de Jesus Cristo. Deste ponto em diante, Deus come­ çou a executar um plano de redenção que oferecia salva­ ção a todos aqueles que, com fé, se voltassem a Ele. Verificamos, mais uma vez, que o próprio fato de poder­ mos ver o desdobrar desse plano na Bíblia prova que houve esperança.26 tempo de Enos, alguns realmente se voltaram para Deus e o invocaram em busca de bênçãos (Gn 4.26). Mas, pela época de Noé, o mundo havia se tornado tão corrup­ to e tão cheio de violência que “arrependeu-se o S enhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração”, de modo que Ele determinou pôr em julgamen­ to a raça humana (Gn 6.5-7,11-13). Porém, mesmo então havia esperança, pois Noé andava com Deus e achou gra­ ça aos seus olhos (Gn 6.8,9). Deus graciosamente deu instruções para a construção de uma arca, o que trouxe salvação para Noé e sua família. No

Contudo, um novo começo não resolveu os problemas do mundo. Por ocasião da torre de Babel (Gn 11.1-9), novamente o mundo se havia desviado de Deus e era consumido por uma paixão em preservar a própria vida e pela exaltação de si mesmo em uma organização mundial unificada. Deus não apenas os dispersou, mas desistiu de tratar o mundo como um todo, entregando-os a seus pecados (Rm 1.24,26), para que esses pecados fizessem parte do julgamento divino sobre eles e os preparassem para perceber a necessidade de um Salvador.


O Deus da Aliança

Mas Deus não abandonou o seu plano em favor da humanidade. Ele achou um homem, Abraão, que respon­ deu com fé. A ele, Deus fez uma quádrupla e incondicio­ nal promessa de bênçãos — para o próprio Abraão, para seus descendentes, para a terra e para todas as nações do mundo — através de um único descendente que haveria de vir (Gn 12.1-3). Dessa forma, Deus foi revelado como o Deus da promessa, e, a partir de Abraão, a Bíblia tem um olhar em direção ao futuro.27 0 D eus da Aliança

A promessa a Abraão foi confirmada pela aliança de Deus e seu juramento, duas coisas “nas quais é impossível que Deus minta” (Hb 6.17,18). Mais tarde, Deus confir­ mou a promessa a Isaque (Gn 26.3,4), a Jacó (Gn 28.13,14) e depois, no período do êxodo, à nação de Israel (Ex 6.8).28 Deus cumpriria a promessa à sua própria maneira, e essa certeza foi intensificada tanto pelos profetas como pelo Novo Testamento.29 A ALIANÇA DA LEI

No monte Sinai, Deus levou o povo de Israel a um relacio­ namento de aliança consigo mesmo, quando lhe deu a Lei através de Moisés. Contudo, a Lei não era o propósito final de Deus. Ele ainda tinha em vista bênçãos para todos os povos do mundo. Israel era uma nação escolhida — eleita como serva para ajudar a realizar aquele propósito. Foi escolhido quase da mesma maneira que os comandos da Segunda Guerra Mundial — eleitos para entrar no território inimigo e fazer uma cabeça-de-praia, de modo que os outros pudessem en­ trar. O mundo todo havia se tornado em campo do inimigo. Israel, na Terra Prometida, faria uma espécie de cabeça-depraia, preparando o caminho para que as bênçãos de Deus fossem espalhadas pelas nações através daquEle que prome­ tera enviar.

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Introdução: As Boas Novas

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Contudo, o mundo não estava preparado para Cristo e nem para a cruz. Nem Israel estava pronto para ser a testemunha necessária ã preparação para a expansão do Evangelho. Conseqüentemente, a Lei foi dada como um aio temporário (gr. paidagogos, Gl 3.24) para que, através dos séculos, o povo de Israel fosse guardado até que viesse “a plenitude dos tempos” e Deus enviasse o seu Filho (Gl 4.4). Todavia, Deus “fez notórios os seus caminhos a Moisés e os seus feitos, aos filhos de Israel”, e era “misericordioso e piedoso” (SI 103.7,8). Israel caía constantemente em pecado e idolatria. Contudo, a despeito das faltas, Deus enviava profetas para consolidar a aliança e encorajar o povo com a esperança da futura restauração e de grandes bênçãos. Essa esperança incluía uma revelação gradual do prometido Messias — o Profeta, Sacerdote e Rei ungido de Deus. Alguns críticos, que afirmam que os trechos contendo mensagens de esperança são adições posterio­ res, vêem os profetas apenas como proclamadores de condenação e desesperança. Mas é impossível “não dar crédito à onda de mensagens proféticas cheias de espe­ rança que focalizam... a restauração... na qual o próprio Deus reina nos corações dos homens e particularmente por meio do Filho de Davi”.30 A profecia de Natã a Davi asseverava-lhe que Deus cuidaria para que sempre houvesse um descendente no trono. Essa promessa olhava para o futuro, àquEle que tornará eterno o trono de Davi. A profecia também deixa­ va claro que se os descendentes de Davi pecassem, eles seriam punidos “com vara de homens” (2 Sm 7.14). Por isso, visto que Israel ficava a cair vez após vez na idolatria, Deus pôs fim ao reino davídico e enviou o povo para o exílio. Entretanto, os profetas mostram que o propósito de Deus ao enviar o seu povo para a Babilônia era livrá-los da


O Deus da Aliança

idolatria (Jr 29.8-13). Isto, de fato, aconteceu. No exílio, Israel começou a perceber quem eram os verdadeiros profetas, e através do estudo dos livros proféticos viram a loucura da idolatria.31 Quando voltaram, seu propósito era reconstruir o templo e restaurar a pura adoração ao Senhor. Por ocasião do nascimento de Jesus, em Belém, os judeus e suas sinagogas estavam espalhados por todos os cantos do mundo, sendo reconhecidos como um povo que servia a Deus e mantinha altos padrões morais. Infelizmente, a visão que tinham do Messias focalizava somente os aspectos terrenos do seu reino (ou governo). Procuravam alguém que fosse apenas um homem, e sua esperança era mais temporal e política do que religiosa.32 Queriam alguém que destruísse o Império Romano e fi­ zesse dos judeus governantes do mundo. Não obstante, pelo fato de eles possuírem as Escrituras, suas sinagogas tornaram-se a base para o rápido avanço do Evangelho no primeiro século. Com a vinda do Filho de Deus e sua morte na cruz, o trabalho da Lei estava completo e já não era mais necessá­ rio. Na realidade, a Lei havia se tornado uma barreira que separava os judeus do resto das nações (os gentios). Mas Jesus mesmo “é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef 2.14-16). A NOVA ALIANÇA

Abolida a aliança da Lei, a morte de Jesus e o seu sangue derramamento fazem vigorar uma nova aliança (Hb 8.13; 9.15—10.18). Essa aliança promete uma “eterna herança” (Hb 9.15) e nos garante que Jesus “aparecerá

Introdução: As Boas Novas


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Introdução: As Boas Novas

Nosso Destino

segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salva­ ção” (Hb 9.28).33 Então, como sempre, a Bíblia faz uma aplicação prática para os dias de hoje:

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o cora­ ção purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa espe­ rança, porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia (Hb 10.19-25).34

Essa passagem nos mostra, de maneira convincente, que “a segunda vinda é uma inevitável seqüência histórica da primeira. As duas estão indissoluvelmente unidas”.35 O apóstolo Paulo tem uma aplicação prática similar em mente ao escrever aos crentes tessalonicenses: “Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho da caridade e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai”. Essa fé, caridade (ou amor) e esperança eram produtos do Evangelho que não haviam chegado até eles “somente em palavras, mas também em poder, e no Espí­ rito Santo, e em muita certeza”. Eles receberam a palavra “com gozo do Espírito Santo”, de maneira que se torna­ ram modelo, pois dos ídolos eles haviam se convertido “a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos


Uma Bem-aventurada Esperança

céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.2-10). Pedro também, em vista dos ardentes julgamentos fi­ nais do Dia do Senhor, declara: “Havendo, pois, de pere­ cer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?” (2 Pe 3.11,12). Em seguida, por causa dos novos céus e da nova terra que virão, acrescentou: “Pelo que, amados, aguar­ dando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz” (2 Pe 3.14). U ma B em - aventurada E speran ça

Vimos que houve uma progressão na história direcionada por Deus, a qual levou à primeira vinda de Cristo, conforme lemos em Gálatas 4.4,5: “Vindo a pleni­ tude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mu­ lher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. Mas a plenitude desses direitos ainda não é nossa, pois a passa­ gem bíblica prossegue, dizendo: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos [vossos] corações o Espírito de seu Fi­ lho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” (G1 4.6,7). A palavra “herdeiro” olha para além do tempo presente, para uma herança futura, unindo assim a primeira vinda com a promessa da segunda e inferindo que podemos esperar por uma progressão ordenada por Deus em direção ao seu cumprimento.36 A primeira vinda também se mostra ligada à segunda quando a Bíblia fala da graça salvadora de Deus. Essa graça nos ensina “que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente sécu­ lo sóbria, justa e piamente, aguardando a bem-aventura­

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da esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniqüidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.11-14). O termo “bem-aventurado” (gr. m akarian) sugere uma plenitude de bênçãos, felicidade e alegria através do graci­ oso e imerecido favor de Deus. Ainda que nós, como crentes, já sejamos abençoados, há muito mais para receber. Hoje, Jesus Cristo é a nossa esperança (1 Tm 1.1) e Cristo em nós é a esperança da glória que virá (Cl 1.27), pois “quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4). Como ressalta Paul Minear: “A vida em Cristo sem esperança é inconcebível. Onde quer que haja vida em Cristo há uma viva esperança”.37 Minear também observa que a palavra “esperança” (gr. elpis) nunca é encontrada no plural no Novo Testamento. Apenas uma esperança é real e consistente com a realidade e a vontade de Deus, pela qual vale a pena viver.38 EXPECTATIVAS DA IGREJA PRIMITIVA

E óbvio que o Novo Testamento considera o Reino de Deus39 como já vigorando em Jesus durante o seu ministé­ rio terreno. Através dEle, os crentes podiam “viver sob o domínio da justiça de Deus como um dom da graça de Deus” (Mt 6.33; 13.44-46).40 Nele, “o futuro já começou”.41 O Reino era uma realidade presente quando Ele expulsava demônios pelo Espírito de Deus em grandiosas demons­ trações de poder (Mt 12.28). Era um tesouro, uma pérola excelente e de grande valor (Mt 13.44-46), imediatamente disponível àqueles que se convertessem e se fizessem como crianças (Mt 18.3,4; 19.14). Estava próximo dos que se arrependiam (Mt 4.17). Contudo, a plenitude do Reino não virá até que Jesus volte (Mt 26.29), quando então os


Uma Bem-aventurada Esperança

crentes entrarão na plenitude da vida eterna e tomarão parte na alegria do seu Mestre (Mt 25.21,23,46). Por meio de Jesus, o poder e a presença de Deus adentraram à força e de forma diferente o cenário da vida humana, e o futuro será nada mais que “o desdobramento e a conclu­ são daquilo que em Cristo e no Espírito já existe e do que Ele triunfantemente realizou, a despeito... do sofrimento e da morte”.42 Portanto, quando o Espírito Santo veio como o outro Consolador, no dia de Pentecostes, Pedro interpretou o advérbio “depois”, de Joel, pela expressão “nos últimos dias” (Jl 2.28; At 2.17).43 Em outras palavras, o apóstolo reconhece que o período da Igreja, a dispensação do Espírito Santo, é o último antes da dispensação do Reino, “o século futuro”.44 Contudo, Pedro não está preocupado com a hora da vinda de Jesus. Sua maior preocupação é fazer com que as pessoas se arrependam e se beneficiem da promessa de Deus no que concerne ao perdão dos pecados e ao dom do Espírito Santo, a fim de que cada um se salve “desta geração perversa” (At 2.38-40). As pessoas daquela geração haviam sido orientadas na direção errada e estavam tentando arrastar outros junto com elas (Rm 1.32). Aqueles que se voltavam para Jesus podiam fazer a diferença pela santidade de suas vidas e pela influência que causavam em suas comunidades. Não há dúvida de que a Igreja Primitiva realmente es­ perava que Jesus voltasse logo, antes mesmo que aquela geração de crentes morresse, Os tessalonicenses espera­ vam Jesus com tamanha expectativa que chegaram a ima­ ginar que os mortos haviam perdido a alegria da vinda de Jesus. Paulo teve de lhes assegurar que os mortos em Cristo não perderiam nada, pois ressuscitariam primeiro e seriam arrebatados juntamente com os crentes que esti­ vessem vivos para um encontro com o Senhor Jesus nos ares (1 Ts 4.13-18).

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Introdução: As Boas Novas

Nosso Destino

Essa esperança permaneceu viva para o apóstolo Paulo e constituiu-se num grande incentivo para um viver pie­ doso. Mesmo quando se aproximava o fim de sua vida, ele escreveu sobre aguardar a “bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.11-14). A mesma esperança permanecia viva no coração de Paulo depois de ele saber que estava a ponto de ser martirizado. Em sua última carta, mais uma vez proclama a esperança que pautava a sua vida: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8). Ele tinha plena certeza que chegaria em segurança ao reino celestial (2 Tm 4.18). O livro de Apocalipse mostra que a esperança da vinda de Jesus ainda era intensa perto do fim do primeiro sécu­ lo, pois as últimas palavras registradas do ressurreto e ascendido Jesus foram: “Certamente, cedo venho”. E a resposta da Igreja foi: “Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20). Dessa maneira, o Deus da esperança dedica a Jesus uma grande atenção sobre o fato de que este realmente virá. Isto dá urgência ao apelo da Igreja, um senso de iminência, que é o que Ele quer que tenhamos. Precisamos dar a mesma resposta de João e orar para que Jesus volte logo. Ele realmente está vindo em triunfo, para reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16). Jesus mesmo enfatizou que “este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mt 24.14). Haverá um fim, não uma mera interrupção, não um simples beco sem saída. A palavra “fim”, nesse versículo, implica em um ajuntamento e uma consumação. Deus reunirá o que for necessário para cumprir o seu glorioso plano. Algumas das coisas que estão para acontecer foram reveladas por Deus nas profecias da Bíblia. Entretanto,


Uma Bem-aventurada Esperança

Apocalipse 10.3,4 mostra-nos o que aconteceu quando o apóstolo João ouviu o que proferiram as vozes dos sete trovões. Havia uma mensagem. Mas quando João ia escrevê-la, uma voz do céu o deteve. Isto significa que Deus preferiu não nos informar antecipadamente a res­ peito de algumas coisas que ainda estão no futuro. Há surpresas à frente, que fazem parte do seu plano tanto quanto fazem parte as coisas que Ele já nos revelou. O IMPACTO DO FUTURO SOBRE 0 PRESENTE

De fato, à medida que folheamos a Bíblia notamos que Deus está muito mais interessado em nos contar acerca de sua vontade para a vida que hoje vivemos do que em nos revelar detalhes a respeito do futuro. Toda a Escritura inspira­ da que Deus nos entregou é “proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Tm 2.16,17). As “grandíssimas e preciosas promessas” da Bíblia nos foram dadas para que por elas nos tornemos “participantes da natureza divina, havendo escapa­ do da corrupção, que, pela concupiscência [ou desejo arden­ te], há no mundo” (2 Pe 1.4). Por exemplo, Isaías ao profetizar sobre o modo como algum dia todas as nações buscarão ao Senhor, desejosas de sua instrução, conclui: “Vinde, ó casa de Jacó, e ande­ mos na luz do Senhor” (Is 2.2-5). Em outras palavras, uma vez que todas as nações irão buscar a Deus, Israel, sem dúvida, ao invés de agir como a velha natureza de Jacó, tirará proveito de sua vigente oportunidade. Deus quis que o povo de Israel vivesse em comunhão com Ele na atualidade. Assim, Isaías estava mostrando o futuro não para satisfazer a curiosidade do povo, mas para desafiá-lo à santidade e ao crescimento e maturidade espirituais. Os ensinamentos de Jesus acerca do futuro também tinham a intenção de nos desafiar. “Não eram especula­

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ções acerca do fim, nem visões para fascinar alguma curi­ osidade ociosa. Eram ensinamentos a respeito da fidelida­ de para o fim, a perseverança, a coragem, o serviço e o amor”.45 João nos desafia da mesma maneira, quando declara que no momento em que Jesus voltar seremos semelhan­ tes a Ele, isto é, transmudados à sua semelhança com corpos transformados, glorificados. E João continua: “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mes­ mo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2,3). O desafio para um viver piedoso ainda é a principal razão para pregarmos e ensinarmos o que a Bíblia diz sobre a doutrina das últimas coisas ou o fim dos tempos. Foi essa preocupação pela santidade, pureza, piedade e justiça a primordial razão que me fez escrever este livro. Nenhuma área dos ensinamentos bíblicos é mais contro­ versa que a que se ocupa com as profecias e o fim dos tempos. Diferenças de opinião são abundantes. Pessoas boas, nascidas de novo, que amam a Jesus, acreditam na Bíblia como a infalível e inspirada Palavra de Deus e se dedicam ao culto e serviço a Deus, freqüentemente têm grandes diferenças de opinião nesta área.46 Mas essas verdades também são por demais importan­ tes para serem negligenciadas pelos cristãos. Todos nós, de uma forma ou outra, somos com o os crentes tessalonicenses que dos ídolos nos convertemos “a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Je ­ sus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.9,10). O que Deus fez, não só na vida, morte e ressurreição de Jesus, mas também através delas, constitui o sólido fundamento tan­ to para a fé como para a esperança.47 Entretanto, diferenças de opinião não deveriam nos afastar da comunhão uns com os outros em Cristo Jesus. Nem deveriam as dificuldades de interpretação nos


Uma Bem-aventurada Esperança

demover de estudar e pregar as verdades escatológicas. Como W. A. Whitehouse muito bem ressalta: “Se através do Espírito, o crente humilde tem de ser alimentado com as palavras e obras de Jesus (e, sem dúvida, essa é a parte essencial para uma pregação eficaz), então a trama e o enredo escatológico dessas palavras e obras” devem se tornar parte de nosso pensamento nestes dias em que vivemos.48 Numa coisa todos podemos concordar: A Bíblia oferece uma firme e segura esperança para os crentes, uma esperança que nunca nos desapontará (Rm 5-5). Tal como os anjos falaram àqueles que viram Jesus ascender ao céu: “Este [mesmo] Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.11). UMA GRANDE NECESSIDADE

O mundo precisa dessa esperança e necessita saber que o nosso Deus é o Deus da esperança. A sociedade moderna tem feito de si mesma o centro de tudo. Aqueles que ainda têm esperança de um progresso automático esquecem-se de que Deus é o Deus do futuro, bem como do passado. Ao falarem a respeito de uma nova ordem pela qual esperam salvar o mundo de seus problemas, eles mesmos se excluem dos fundamentos bíblicos que primeiramente deram esperança e rumo, pois foram esses mesmos fundamentos que apresentaram a idéia de pro­ gresso. Isto tem resultado na exploração do meio ambien­ te como também no aumento da pobreza, do pecado e da vida sem sentido — além do crescen te perigo da autodestruição.49 Os crentes têm de tomar uma posição firme contra todas essas coisas. Ao mesmo tempo, essas coisas chamam a atenção para outro lado do futuro. Virá o dia, e terá de vir, “quando o mal for finalmente abolido” e “a justiça finalmente terá amplos e plenos poderes”.50 Nossa esperança, como a do antigo Israel, está somen­ te em Deus. Não podemos confiar no progresso humano

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ou na gama de informações agora disponíveis de um pon­ to de vista também humano. Em meio à corrupção vigen­ te na sociedade, necessitamos do poder do Espírito San­ to, não apenas para testemunhar de Jesus, mas também para nos fazer abundar em esperança, sabendo que Deus é fiel. O Deus que nos amou o suficiente para enviar o seu Filho a morrer por nós também nos ama o suficiente para nos prover de tudo o que for necessário a fim de nos ver a caminho da glória que Ele está preparando para nós (Rm 5.5-10). Assim, hoje não temos falta de nada que venha­ mos precisar, e a alegria da nossa salvação é suficiente para contestar as reivindicações do comunismo, da psico­ logia freudiana e de tudo o mais que tente contradizer o Evangelho.51 Também podemos ter a certeza de que Deus deseja que examinemos as Escrituras todos os dias, como faziam os bereanos (At 17.11). O Espírito Santo inspirou toda a Escritura (2 Tm 3.16,17) e seu desejo é tornar o estudo da Bíblia um deleite. Com sua ajuda, podemos ter revelações das verdades escatológicas e usá-las para encorajar os outros, ao mesmo tempo que nos fortalecemos em nossa santíssima fé. Como declara Stephen Travis: “Esta esperança não são pensamentos ilusionistas... nem mero escapismo”. E “um poderoso estímulo para uma vida cristã positiva e para uma mudança social... para transformar nossas vidas e influenciar nossa sociedade”.52 Embora Satanás ainda seja “o deus deste século”, que “cegou os entendimentos dos incrédulos” (2 Co 4.4), ele já é um inimigo derrotado. Jesus, o Senhor da glória, “se deu a si mesmo por nossos pecados para nos livrar do presente século mau” (Gl 1.4). Embora a vitória final ainda esteja no futuro, sua ressurrei­ ção e o derramamento do seu Espírito nos habilita a viver “num novo patamar” (At 2.33; 5-32; Gl 4.37) e “a esperan­ ça do retorno de Jesus coloca as coisas sob uma nova perspectiva”.53


Perguntas para Estudo

Esperar implica em trabalho (Mt 24.45-51; Lc 19-12-26), e nossa esperança dá novo significado a toda obra que faze­ mos, até mesmo a mais comum. Esperar também significa combater o bom combate da fé — o único combate “bom” (2 Tm 4.7). Deus nos tem providenciado uma armadura que nos permite tomar uma posição firme e vitoriosa contra todo plano maligno (Ef 6.10-18). Contudo, nossa atitude deve dife­ rir da atitude daqueles que combatem as batalhas do mundo. Não precisamos ser beligerantes nem temer o que o mundo teme. Tendo Cristo como Senhor em nossos corações, pode­ mos dar a razão de nossa esperança, e podemos fazê-lo “com mansidão e temor" (1 Pe 3.14,15). E, sem chamar a atenção para nós mesmos, podemos praticar nossas boas obras (Mt 6.1-4).

Introdução: As Boas Novas

Assim, podemos avançar, mantendo os nossos olhos firmes em Jesus, regozijando-nos até mesmo em meio aos sofrimentos, vivendo pelo Espírito, seguindo seus passos à medida que Ele nos guia (G1 5-25)- Pode ser que não mudemos o curso do mundo em sua impetuosa trajetória de colisão em direção aos dias do Anticrísto, mas pode­ mos fazer nossa parte no intuito de ajudar e salvar tantas almas quanto possível. Deus ordenou aos judeus exilados na Babilônia: “Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos ali e não vos diminuais. Procurai a paz da cidade para onde vos fiz transportar; e orai por ela ao S e n h o r , porque, na sua paz, vós tereis paz” (Jr 29.6,7). Nós também devemos orar e buscar a paz e a prosperidade onde quer que estejamos vivendo. Então, pela graça, atingiremos nossa meta indicada por Deus e levaremos outros conosco. Essas são as verdadeiras Boas Novas! P er g u n t a s

para

E stu d o

1. Por que o estudo da escatologia é essencial para a compreensão e proclamação do Evangelho?


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Introdução: As Boas Novas

Nosso Destino

9

2. Quais as razões para se poder afirmar que toda teo­ logia é essencialmente escatologia? 3. Por que a Bíblia condena a prática do ocultismo, da astrologia, da cartomancia e de outras tentativas seme­ lhantes de predizer o futuro? 4. Que efeito tem uma visão linear da História em nossa vida diária, e como isso se compara ao efeito de um visão cíclica? 5. Que relação tem Gênesis 1 com o estudo da escatologia? 6. De que modo o Espírito Santo alimenta nossa espe­ rança cristã? 7. Qual a importância da quádrupla promessa feita a Abraão? Como ela se aplica a nós hoje? 8. De que forma a aliança de Deus com Davi se relacio­ na com a promessa da primeira e da segunda vinda de Cristo? 9. De que maneira a segunda vinda de Jesus está ligada à primeira? 10. Qual o principal propósito dos ensinamentos e pregações sobre a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo? 11. A Igreja Primitiva esperava que Jesus voltasse logo, contudo todos estavam ocupados em. proclamar o Evan­ gelho. Em que sentido podemos hoje tomar parte da mesma expectativa quando anunciamos o Evangelho? 12. Como podemos satisfazer as necessidades de nossa comunidade e de nossa nação e, ao mesmo tem­ po, instigar nas pessoas uma viva esperança no Deus da esperança?


Capítulo Um

A Morte e o Estado Intermediário

Há uma parte da escatologia relacionada à nossa vida presente — a questão da morte e o que acontece no estado intermediário, que é a condição entre a nossa mor­ te e a volta de Jesus.1 Apesar de a Palavra de Deus ter muito a falar acerca da morte, pouco revela sobre a vida após a morte. A Bíblia está mais preocupada em nos mos­ trar como viver de modo agradável a Deus aqui nesta terra. Deus quer que estejamos preparados para a volta de Jesus e as glórias que se seguirão. Isto é mais importante que os detalhes das condições temporárias que presente­ mente caracterizam a vida após a morte.2 A Vida e a Morte

0 PONTO DE VISTA DO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento reconhece a brevidade e a fragi­ lidade da vida. Jó, em sua angústia, disse: “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão... A minha vida é como o vento” (Jó 7.6,7). Davi fala da morte como o “caminho de toda a terra” (1 Rs 2.2), observando: “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” (SI 103.15,16). Por outro lado, o Antigo Testamento encoraja um oti­ mismo sadio, dando mais ênfase à vida como um dom de Deus que deve ser desfrutado juntamente com suas bên­ çãos (SI 128.5,6).3 Uma vida longa era considerada uma


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Capítulo 1 A Morte e o Estado intermediário

Nosso Destino

bênção especial de Deus (Sl 91.16). O suicídio era extre­ mamente raro. A morte tinha de ser evitada tanto quanto possível. Na Lei, Deus colocou uma escolha diante de Israel: a obediência amorosa significaria vida e bênçãos; a desobediência e a rebelião da idolatria trariam morte e destruição (Dt 30.15-20). Isto foi verdadeiro até mesmo quando o rei Saul cometeu suicídio, pois a Bíblia diz: “Assim, morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra o S e n h o r ... pelo que o matou” (1 Cr 10.13,14). Deus tem o controle final sobre a vida e a morte. Entretanto, Ele permite que causas intermediárias — mesmo nossa imprudência, teimosia ou insensatez — encurtem ou limitem a nossa vida. Ao mesmo tempo, a morte está no mundo como uma conseqüência do pecado e é inevitável a todos, pois todos pecaram (Gn 2.17; 3.19,22,23; Rm 3-23; 5.12; 6.23). Isto começou a ser reconhecido nos dias de Enos, cujo nome significa “mortal”. O conhecimento de que todo o mundo, teria de morrer causou inicialmente um bom efeito, pois “então, se começou a invocar o nome do S e n h o r ” (Gn 4.26). As pessoas piedosas do Antigo Testamento continu­ aram a seguir esse exemplo, à medida que freqüentemente iam em busca do Senhor pedir proteção da morte, para que seus dias fossem alongados. A morte era considerada um inimigo que trazia tristeza, em geral expressada em altos prantos e profundos lamentos (Mt 9.23; Lc 8.52). Mesmo assim, o lamento referia-se à perda da presença corpórea do ente querido, pois, como escreve Salomão, “o espírito [volta] a Deus, que o deu” (Ec 12.7). O PONTO DE VISTA DO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento reconhece que a morte entrou no mundo através do pecado, e, pelo fato de todos haverem pecado, ela atinge a todos (Rm 5-12). A morte põe um fim à nossa oportunidade de tomar decisões que afetarão


A Vida e a Morte

nosso futuro eterno (Hb 9.27; cf. Ef 5-15,16; Cl 4.5).4 O Novo Testamento também encara a morte como um ini­ migo, “o último inimigo”, o qual não será destruído até o julgamento final (1 Co 15.26; Ap 20.14). Entretanto, para o crente, a vitória de Jesus sobre o diabo libertou a “todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15). Não precisamos mais ter medo da morte! Deus disse: “Não te deixarei, nem te desampararei. E, assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem” (Hb 13.5,6). A morte perdeu o aguilhão (1 Co 15.56,57). Ainda que o corpo natural inevitavelmente se enfra­ queça, interiormente o crente “se renova de dia em dia” (2 Co 4.16). Conseqüentemente, podemos enfrentar a morte e ser “mais do que vencedores, por aquele que nos amou”, pois “nem a morte, nem a vida... nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm 8.36-39). A mor­ te não interrompe a comunhão que temos com nosso Senhor. Pode ser que lamentemos a morte daqueles a quem amamos, por causa da perda pessoal, mas não nos entristecemos “como os demais [homens caídos e des­ crentes], que não têm esperança” (1 Ts 4.13). Para os descrentes, a m orte é uma experiência dilacerante, porque põe termo a todas as esperanças e sonhos que acalentaram e a tudo pelo que viveram e trabalharam. Por terem permanecido nesta vida “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1), a morte corpórea também acaba com qualquer oportunidade de terem um encontro com Jesus e obterem a vida eterna e as recompensas do céu. Nada mais lhes resta, exceto os permanentes efeitos do pecado e do mal que sofrerão no inferno. Entretanto, haverá graus de punição no inferno, assim como haverá graus de recompensa no céu (Lc 12.47,48; 1

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Capítulo 1 A Morte e o Estado Intermediário


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Capítulo 1 A Morte e o Estado Intermediário

Nosso Destino

Co 15.41,42; cf. Mt 23.15; Hb 10.29). Os graus de punição referem-se à intensidade do castigo, e não ã extensão do tempo, pois aqueles que morrem em seus pecados estão eternamente perdidos.5 A fé em Cristo modifica o proceder dos crentes. A morte não rouba nada pelo qual os crentes tenham vivido e ardentemente desejado. Como afirma o apóstolo Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21), ou seja, morrer significa ganhar em Cristo, mais de Cristo — e isto é muitíssimo melhor que qualquer coisa desta vida (Fp 1.23). Paulo já estava sendo “oferecido por libação” (Fp 2.17; 2 Tm 4.6), um tipo de oferta que dava glória a Deus. Contudo, sua morte não era uma derrota, mas uma “partida” (gr. exodos), como o êxodo do Egito, uma triunfante libertação — uma saída que leva a uma pátria melhor do que a terra prometida de Canaã (Hb 11.16).6 Paulo esperava ir direto à presença dejesus, para experimentar a alegria e a paz que são superiores a qual­ quer coisa que conheçamos nesta vida (Rm 8.38,39; Fp 1.23; cf. Lc 16.22; 23.43). Os E nsinos do Antigo T estamento

Ainda que grande parte do que sabemos acerca da vida após a morte não tenha sido revelado até o período do Novo Testamento, o Antigo Testamento realmente man­ tém viva essa esperança. A maioria dos israelitas do Antigo Testamento parece ter tido ao menos uma vaga idéia da vida após a morte. Mas, devido ao fato de a ênfase estar no servir a Deus nesta vida, alguns eruditos afirmam que grande parte dos israelitas não acreditava absolutamente numa vida após a morte. Isto seria muito estranho e intei­ ramente contrário à cultura que os cercava. Os egípcios faziam grandes preparações para o que acreditavam que aconteceria na vida após a morte. Também acreditavam num julgamento além-túmulo. Nas sepulturas do vale dos


Os Ensinos do Antigo Testamento

Reis, que fica do outro lado do Nilo, vindo-se da cidade de Luxor, vi pinturas nas paredes que representavam multi­ dões comparecendo diante dos deuses, uma fila de pessoas voltando com aparência feliz e outra indo embora de ca­ beça para baixo — com as cabeças cortadas. Cada enterro cananeu incluía uma lâmpada, um vaso de óleo e um recipiente contendo comida.7 Entretanto, os israelitas sim­ plesmente enrolavam o corpo em linho, ungiam-no com especiarias e o colocavam num túmulo ou o enterravam numa cova. Isto não significa que havia menos crença numa vida após a morte, pois eles falavam do espírito que ia para um lugar chamado She’oP — ou para a presença de Deus (SI 23.6). Se os israelitas realmente não acreditassem numa vida após a morte, sem dúvida nenhuma a Bíblia teria feito alguma menção a esse respeito.9 Pelo contrário, Salomão reconhece que Deus “pôs a eternidade no coração do homem” (Ec 3.11, ARA). Isto implica que somos feitos para a eternidade e, por isso, embora possamos desfrutar das coisas boas que Ele nos dá, não podemos nos satisfa­ zer com elas. Mesmo estando enfraquecido pelo pecado, nosso ser clama pela comunhão eterna com Deus. Há outra expressão que indica que os santos do Antigo Testamento esperavam por uma vida após a morte. Deus disse a Moisés, depois de este ter subido o monte (o monte Nebo, nas montanhas de Abarim) e olhado toda a extensão da Terra Prometida: “[Tu] serás recolhido ao teu povo, assim como foi recolhido teu irmão Arão” (Nm 27.13). Arão, entretanto, foi sepultado no monte Hor e ninguém sabe onde Deus enterrou Moisés (Nm 20.27,28; Dt 34.1,5,6). Portanto, ser “recolhido ao povo de alguém” dificilmente pode ser uma referência ao túmulo. A senten­ ça também sugere que “o teu povo” ainda existia, não estava destruído, não era um nada, como Jesus mesmo ressaltou (Lc 20.38).

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Nosso Destino

O LUGAR DA VIDA APOS A MORTE

No Antigo Testamento, o lugar da vida após a morte para os ímpios é, na grande maioria das vezes, chamado Sbe’ol (geralmente traduzido por “inferno” ou “sepultu­ ra”) .10 Também é identificado pela palavra ‘avaddon, “Abadom, o lugar da destruição” (Jó 26.6; 31.12; Sl 88.11; Pv 27.20), e pelo vocábulo bor, “abismo”, “cova”, literal­ mente “uma cisterna”, mas usado metaforicamente como a entrada para o She’ol, ou como sinônimo do próprio Sbe’ol (Sl 30.3; Is 14.15; Ez 31.14). Entretanto, quando traduzido por “inferno” não é um lugar onde Satanás te­ nha seu quartel-general, tampouco é controlado por ele. É Deus que, o governa (1 Sm 2.6; Sl 139.8; Am 9.2). O She’ol não é a sepultura. Em razão de as palavras She’ol, “inferno”, “sepultura”, “perdição”, “abismo” e “cova” serem, às vezes, paralelas na construção gramatical (por exemplo, Sl 30.3; 88.11,12), alguns dizem que tanto o She’ol como o “inferno” sempre significam “sepultura”.11 Entretanto, quando a Bíblia fala de sepultura, de uma maneira inconfundível, como quando os israelitas per­ guntaram a Moisés: “Não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto?” (Êx 14.11), é geralmente usada outra palavra hebraica, qever. Quando Jacó pensou que José tivesse sido despedaçado — e, obviamente, não estava numa sepultura —, Jacó o imaginava no Sbe’ol (Gn 37.35). A Bíblia também descreve as pessoas como tendo algum tipo de existência no She’ol (Is 14.9,10; Ez 32.21). Deus age poderosamente e interfe­ re no She’ol (Sl 139.8; Am 9.2), que não pode fazer nada contra Ele Qó 26.6). Por conseguinte, outros o limitam ao lugar da vida após a morte e dizem que nunca significa sepultura.12 Três passagens (Sl 6.5; 115.17,18; Is 38.17-19) são freqüentemente citadas para mostrar que o She’o l é a se­ pultura.13 Lemos em Salmos 6.5: “Porque na morte não há


Os Ensinos do Antigo Testamento

lembrança de ti; no sepulcro [hb. Sbe’ol ] quem te louva­ rá?” Sem embargo, a lembrança é paralela ao louvor. A mesma palavra (“lembrança”, hb. zakbaf) é usada para se referir a um título solene de Deus entre o povo (Êx 3-15)Fala de uma lembrança ativa aqui na terra, a qual termina quando a pessoa morre. Em outras palavras, quando o espírito vai para o She’ol, cessam o louvor e o testemunho daquela pessoa entre aqueles que estão vivos. Salmos 115.17 fala que os mortos descem ao silêncio. Mas isto do ponto de vista das pessoas na terra. Não obstante, o salmista prossegue: “Mas nós bendiremos ao S e n h o r , desde agora e para sempre” (v. 18), o que implica numa esperança melhor e certamente não descarta o lou­ var ao Senhor na vida após a morte. O rei Ezequias, em sua oração, afirma: “Eis que, para minha paz, eu estive em grande amargura; tu, porém, tão amorosamente abraçaste a minha alma, que não caiu na cova da corrupção, porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados. Porque não pode louvar-te a sepultura [Sbe’ol], nem a morte glorificar-te; nem espe­ rarão em tua verdade os que descem à cova” (Is 38.17,18). Ezequias estava preocupado com o testemunho e suas possíveis conseqüências entre o povo. O perdão de Deus aos seus pecados guardou-o de ir para o lugar da punição. Agora que estava curado, o rei contemplaria a verdade de Deus (e a contemplou mesmo) por mais 15 anos (Is 38.5). Na verdade, o She’ol é freqüentemente descrito como um abismo que faz contraste com as alturas do céu (Jó 11.8; Sl 139.8; Am 9.2). Muitas vezes, o contexto faz refe­ rência ao furor,' cólera ou ira de Deus (Jó 14.13; Sl 6.1,5; 88.3,7; 89.46,48), e em outras vezes refere-se tanto à ira quanto ao fogo (Dt 32.22). Em alguns casos, as referências são breves e parece que o She’ol é tratado tão-somente como o lugar ou o estado dos mortos. Nele, os mortos são chamados de repha'im , ou o que poderíamos chamar de t,

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“fantasmas” (Is 14.9; 26.14).14 Outras passagens referemse a alguns dos mortos como ’elohim , no sentido de “poderosos seres espirituais” (1 Sm 28.13).15 O She’ol é traduzido por Hades. Quando o Novo Testa­ mento cita o Antigo Testamento referindo-se ao She’ol, traduz esse termo por “Hades”, o qual não é visto como um lugar indeterminado de que falam os gregos pagãos, mas como um lugar de punição (Lc 10.15; 16.23,24; cf. Ap 6.8; 20.13).16 Pedro também descreve os ímpios mortos dos dias de Noé como “espíritos em prisão” (1 Pe 3.19,20).17 O She’ol é um lugar para os ímpios. Em vista disto, é importante notar que o Antigo Testamento não ensina que todo o mundo vai para o She’ol. É verdade que Jó fala da morte como um beth m o‘ed, uma “casa do ajuntamen­ to” para todos os viventes (Jó 30.23). Mas ele está se referindo simplesmente ao fato de que todos morrem, não está afirmando que todos vão para o mesmo lugar quando morrem. Alguns santos do Antigo Testamento tinham uma espe­ rança melhor. Enoque e Elias foram levados diretamente para o céu (Gn 5.24; 2 Rs 2.11; Hb 11.5). Quando Davi sentiu a ira de Deus por causa do pecado que cometera, clamou por misericórdia para escapar do She’ol (por exem­ plo, Sl 6.1-5,9). Mas, quando a fé cresceu, sua esperança era habitar na casa do Senhor para sempre (Sl 23.6; cf. Sl 17.15). Embora o Novo Testamento identifique Salmos 16.10 com a morte e a ressurreição de Jesus, o versículo seguin­ te indica que o caminho da vida revelado por Deus con­ duz à alegria da sua presença e aos prazeres eternos exis­ tentes à sua direita. Salmos 49.15 diz, após as devidas considerações sobre a sorte do ímpio que é levado para o She’ol: “Deus, entretanto, remirá minha alma da mão do She’ol, pois Ele me tomará [para si mesmo]” (tradução do


Os Ensinos do Antigo Testamento

autor). Isto significa que o She’ol está personificado como alguém que tenta agarrar o salmista e levá-lo ao lugar de punição, mas Deus o redime e o salva, de modo que ele escapa de ter de ir para o She’ol e, ao invés disso, vai para a presença de Deus.18 O She’ol é um, lugar de punição. Algumas passagens indicam claramente que o She’ol é um lugar de punição para os ímpios (Sl 9.17; cf. Nm 16.33; Jó 26.6; Sl 30.17,18; 49.13-15; 55.15; 88.11,12; Pv 5-5; 7.27; 9.18; 15.10,11; 27.20; Is 38.18).19 A respeito dos idólatras, diz Deus: “Um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do She’ol" (Dt 32.22). “Os ímpios serão lançados no She’ol [ou, mudarão totalmente sua orientação para o She’o l ] e todas as nações [hb. goyim, “povos”, especialmente pa­ gãos] que se esquecem de Deus" (Sl 9.17). “A morte os assalte, e vivos os engula o She’ol\ porque há maldade nas suas habitações e no seu próprio interior” (Sl 55.15; cf. Sl 55.23). “Porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima [do] She’ol. Já estou contado com os que descem à cova... Sobre mim pesa a tua cólera” (Sl 88.3,4,7). “Caminhos de She’ol é a sua casa [a casa da prostituta], os quais descem às [escuras] câmaras da mor­ te” (Pv 7.27). “A mulher louca é alvoroçadora... para cha­ mar os que passam... Quem é simples, volte-se para aqui. [É o que diz] aos faltos de entendimento... Mas não sa­ bem que ali estão os mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do She’ol” (Pv 9.13,15,16,18). Quan­ do Deus pronunciou o julgamento sobre a cidade de Tiro, comparou-a “com os que descem à cova”, dizendo: “Farei de ti um grande espanto, e não serás mais” (Ez 26.19-21). Então, quando sobrevêm o julgamento à multidão do Egito, “os mais poderosos dos valentes lhe falarão desde o meio do She’ol, juntamente com os que a socorrem: Des­

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ceram e estão lá os incircuncisos, traspassados à espada” (Ez 32.18-21). Na verdade, todas as menções que Ezequiel faz ao fato de alguém estar no Shc”ol dizem respeito aos ímpios.20 Quando Coré se reuniu aos seus seguidores em franca oposição a Moisés e Arão, Deus disse a Moisés que advertisse a congregação: “Desviai-vos, peço-vos, das ten­ das destes ímpios homens e não toqueis nada do que é seu, para que, porventura, não pereçais em todos os seus pecados... E a terra abriu a sua boca e os tragou... E eles... desceram vivos ao She’ol” (Nm 16.23-33). Por outro lado, quando a médium de En-Dor disse estar vendo um espírito que subia da terra {hb. h a ’arets), parecendo um velho usando uma capa (1 Sm 28.13,14), pode ser uma referência ao corpo levantando-se da sepul­ tura e não constitui prova de que era a alma de um submundo qualquer, tanto quanto o prova o fato de Jesus ter chamado Lázaro da sepultura 0o 12.17).21 O salmista Asafe escreve que, em contraste com a des­ truição dos ímpios, “guiar-me-ás com o teu conselho”, quer dizer, enquanto vive na terra, “e, depois, me receberás em glória”, ou seja, no céu (Sl 73.18,19,24-26; cf. Sl 16.9,11; 17.15).22 Salomão também declarou que “para o sábio [isto é, para aqueles que temem ao Senhor], o cami­ nho da vida conduz para cima [ao lugar situado em cima], a fim de evitar o She’ol que está embaixo” (Pv 15.24, tradu­ ção do autor).23 A mensagem de Deus para Balaão fez o profeta reconhecer que a morte dos justos é melhor que a dos ímpios (Nm 23.10). DOIS COMPARTIMENTOS NO SlfOL

Devido, possivelmente, à influência de idéias gregas e também porque Jacó, de luto, falou em descer ao She’ol ao encontro de José, mais tarde, os judeus, considerando Jacó e José justos, raciocinaram que tanto os justos quan­ to os ímpios iam para o Sbe’ol. Assim, concluíram que


Os Ensinos do Antigo Testamento

deveria haver um lugar especial no She’ol para o justo. Para isso, seria necessária a existência de divisões no She’ol: um lugar para o justo e outro para o ímpio (1 Enoque 22.1-14).24Jacó, entretanto, naquela ocasião, recusara ser confortado, sem dúvida pensando que tanto ele quanto José estivessem de algum modo sob o julgamento de Deus. Não há registro indicando que Jacó tenha buscado ao Senhor novamente, a não ser depois de ter recebido a notícia de que José estava vivo (Gn 45.28—46.1). Portan­ to, é provável que Jacó tenha considerado o She’ol um lugar de punição. Na verdade, não há nenhuma passagem no Antigo Testamento que torne claramente indispensá­ vel dividir o She’ol em dois compartimentos — um para punição e outro para bênçãos.25 O Dr. William Shedd (1820-1894) nos proporciona um argumento clássico contra a idéia da existência de dois compartimentos. Ele salienta: [O She’ol} é um mal temível e punitivo, mencionado pelos escritores sagrados com o propósito de dissuadir os homens de pecar... e qualquer interpretação que es­ sencialmente modifique isso, deve, portanto, estar erra­ da. [Para se constituir num] alerta para os ímpios, [deve ser pertinente] som ente a eles. Se for compartilhado com os bons, seu poder de aterrorizar é nulo... Não é resposta para isto dizer que o Seol contém duas divi­ sões, o Hades e o Paraíso, e que os ímpios vão para o primeiro. Isto não está no texto bíblico, nem tem qual­ quer ligação com a Palavra de Deus. Os ímpios que são ameaçados com o Seol... não são ameaçados com uma parte dele... mas com o todo... O Seol é uma coisa só, indivisível e homogênea na representação inspirada... O Seol bíblico é sempre um mal, nada mais nada menos que um mal... Dizer que “os ímpios serão lançados no Seol” (Sl 9.17) implica que os justos não serão. Da mes­ ma forma, dizer que aqueles “que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesu s Cristo... padecerão eterna destruição” (1 Ts 1.8,9) sugere que os que real­

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m ente obedecem ao Evangelho não padecerão. Dizer que os “passos” da prostituta “firmam-se no Seol” (Pv 5-5) é o mesmo que dizer que “a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre” (Ap 21.8). Livrar a alma da criança do Seol pela disciplina paterna (Pv 23.14) não é livrá-la, da sepultura ou do mundo dos espíritos, mas do torm ento futuro que aguarda a criança m oralm ente indisciplinada.26

Os Ensinos

do

Novo T estamento

Em vez de se prender ao que acontece imediata­ mente após a morte, a ênfase dos ensinos do Novo Testamento está na ressurreição do corpo. A morte nunca foi a intenção original de Deus para a humani­ dade e, no fim, “não haverá mais morte” (Ap 21.4). A morte será tragada na vitória (1 Co 15.54). Apesar de ainda ser uma inimiga,27 a morte não deve mais ser temida pelo salvo (1 Co 15.55-57; Hb 2.15). Para o crente, o viver é Cristo e o morrer é ganho, ou seja, morrer significa ter um relacionamento mais próximo com Cristo, na prática, mais dEle (Fp 1.21). Desse modo, morrer e estar com Cristo é muito melhor que perm anecer no corpo, embora devamos ficar neste corpo pelo tempo que Deus julgar necessário (Fp 1.23,24). Então, a morte trará um descanso (isto é, uma extinção) dos nossos labores e sofrimentos terre­ nos e uma entrada na glória (2 Co 4.17; cf. 2 Pe 1.10,11; Ap 14.13). Jesus, em Lucas 16.19-31, conta sobre um homem rico, sem nome,28 que se vestia como rei e que todos os dias regalava-se com um banquete repleto de entretenimen­ tos. A sua porta, havia um mendigo chamado Lázaro, co­ berto de feridas, que queria comer os restos de comida que eram varridos porta afora, para os cachorros da rua. Esses comedores de carniça, animais impuros segundo a Lei, lambiam as feridas de Lázaro, tornando-o impuro tam­


Os Ensinos do Novo Testamento

bém. Lázaro só tinha um coisa a seu favor — seu nome,29 que significa “Deus é minha ajuda”, uma indicação de que, a despeito de tudo, ele mantinha sua fé em Deus. Quando morreu, os anjos o levaram para o seio de Abraão,30 certamente um lugar de bênçãos, pois ali foi confortado. 0 homem rico, após a morte, achou-se em agonia no fogo do Hades. Quando olhou para cima, isto é, para o céu (Mt 8.11,12; Lc 13.28,29), viu Abraão e Lázaro “ao longe”. Mas era tarde demais para ele receber ajuda, pois Abraão disse: “Está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lc 16.26). Em outras palavras, entendemos que tanto o destino dos ímpios quanto o dos salvos não pode ser mudado depois da morte.31 Alguns consideram esse relato uma parábola, visto que vem na seqüência de uma série de parábolas. Mas mesmo em suas parábolas Jesus nunca disse qualquer coisa enganosa ou que fosse contrá­ ria à verdade.32 A diferença, depois da morte, entre o estado do homem rico e o de Lázaro também sugere ter havido um julgamento com relação ao destino de cada um. Tradicionalmente, isto tem sido chamado de “o julga­ mento particular” em contraste com o julgamento do Tribunal de Cristo, que se dará após o Arrebatamento, e com o julgamento do Grande Trono Branco, depois do Milênio. COM 0 SENHOR

Contudo, não era desejo do apóstolo Paulo estar com Abraão, mas com o Senhor. Ele assinalou que tão logo estivesse fora do corpo (na morte), estaria presente com o Senhor (2 Co 5.6-9; Fp 1.23). Essa foi a promessa de Jesus ao ladrão na cruz: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43), o que sugere imediata comunhão.33 Numa vi­

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são, Paulo foi levado até o terceiro céu, o qual ele também chama de Paraíso (2 Co 12.1-5), desse modo identificando o Paraíso com o céu.34 Lá, ele “ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar” (2 Co 12.4).35 Estêvão viu o céu aberto e Jesus, de pé, ao lado direito de Deus. Em conseqüência disso, Estêvão orou: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.56-59). Está claro que, depois de morrer, Estêvão esperava que seu espírito fosse imediatamente para o céu, a fim de estar com Jesus.36 Hebreus 8.1,2 também declara que Jesus “está assenta­ do nos céus à destra do trono da Majestade, ministro do santuário”. Isto está de acordo com outras passagens que reconhecem haver um lugar especial no céu, onde Deus se manifesta de maneira peculiar no seu trono (Sl 103.19; Is 57.15; 63.15; 66.1; Mt 5.34). Salomão reconhece que “os céus e até o céu dos céus” não poderiam conter Deus (1 Rs 8.27), pois Ele está pre­ sente em todos os lugares, “em cima no céu e embaixo na terra” (Dt 4.39; cf. Js 2.11). Porém, muitas passagens mos­ tram que Deus é capaz de manifestar-se a si mesmo e a sua glória em lugares específicos, e que Ele o faz particu­ larmente no céu.37 UM LUGAR PREPARADO

Jesus fala do céu como um lugar preparado onde há abundância de moradas (Jo 14.2), não temporárias, mas “tabernáculos eternos” (Lc 16.9). É um lugar de alegria, de comunhão com Cristo e com outros crentes, e ali ecoam adoração e cânticos (Ap 4.10,11; 5.8-14; 14.2,3; 15.2-4). Ali os crentes descansam dos seus trabalhos (Ap 14.13). Con­ tudo, “descansar” não significa dormir, nem ficar inerte, sem nenhuma atividade. Na Bíblia, descansar “traz a idéia de satisfação no trabalho , ou a alegria da realização", desse modo sugerindo trabalho, adoração e libertação dos efeitos de tudo quanto é pecaminoso.38


Outras Interpretações da Vida após a Morte

Paulo desejou ardentemente estar com Cristo (Fp 1.23) e, por estar que “a nossa cidade... nos céus”, ele estava ansioso por que Jesus voltasse e transformasse “o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.20,21). Sendo o corpo ressurreto imortal, não estan­ do sujeito à morte ou corrupção, e também porque Paulo parece afastar-se da idéia de ser um espírito despido (2 Co 5.3,4), alguns ensinam que, no estado intermediário entre a morte e a ressurreição, os crentes serão espíritos sem corpo, os quais, não obstante, serão confortados por estarem com Cristo. Outros ensinam que, na morte, os crentes recebem um corpo “celestial” temporário, observando que Moisés e Elias apareceram no monte da Transfiguração com algum tipo de corpo e que túnicas brancas foram dadas às almas dos mártires no céu (Lc 9.30-32; Ap 6.9-11). Entretanto, Paulo esperava partir para estar com o Senhor, e ficar ausente do corpo dificilmente significa ir para outro cor­ po.39 Além disso, está demonstrado de modo muito claro na Bíblia que a ressurreição do corpo se dará por ocasião da vinda de Jesus para buscar sua Igreja (Fp 3.20,21; 1 Ts 4.16,17).40 Qualquer que seja o caso, é evidente que no céu have­ remos de nos reconhecer uns aos outros, exatamente como o homem rico sabia quem era Abraão. O utras I n ter pr eta ç õ es 0

da

V ida

apó s a

M orte

so n o da m o r te

Devido ao fato de Jesus ter falado que Lázaro e a filha de Jairo dormiam (Mt 9.24; Jo 11.11), e também porque Paulo se referiu à morte como dormir (1 Co 15.6,18,20,51; 1 Ts 4.13-15; 5-10), alguns, sobretudo a Igreja Adventista Cristã e os adventistas-do-sétimo-dia, desenvolveram a te­ oria da psicopaniquia, ou o sono da alma.41 Entretanto, Jesus e Paulo usaram a palavra “dormir” simplesmente

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como figura, para mostrar que a morte não é algo a ser temido, mas uma entrada à quietude e descanso, que Jesus também identificou com o Paraíso.42 Oscar Cullmann, reagindo às idéias gregas da imortali­ dade da alma, ensinou que a morte na verdade é um sono, mas “em proximidade a Cristo”.43 As almas despertarão renovadas, como faz uma pessoa depois de um sonho agradável. Contudo, a maioria daqueles que ensinam o sono da alma vão ao extremo. Dizem que a alma, ou o espírito, não está simplesmente num estado de estupor após a morte, mas que a pessoa inteira está morta e a alma — ou o espírito — deixa de existir até ser recriado na ressurreição.44 Há aqueles que comparam isso ao desligar de uma lâmpada. Não há luz até que seu circuito seja conectado novamente, quando o comutador for colocado na posição “ligado”. Mas a luz que surge não é a mesma luz. Se a “alma cessou de existir na morte e uma nova alma foi criada na ressurreição, não há possibilidade de ser a mesma alma, e não poderia, de forma justa, ser recom­ pensada ou punida pelo que a primeira alma fez”.45 Pelo fato de Deus não ser “Deus dos mortos, mas dos vivos”, também significa que Abraão, Isaque e Jacó esta­ vam (e estão) vivos, não havendo cessado de existir (Mt 22.32). Por conseguinte, Moisés e Elias no monte da Trans­ figuração sabiam o que estava se passando e falaram com Jesus acerca da sua “partida [gr. exodos, incluindo sua morte, ressurreição e ascensão], que ele estava para cum­ prir em Jerusalém” (Lc 9-31, ARA). Entenderam que. isso tinha alguma coisa a ver com eles também. Pedro usou a mesma palavra, exodos, para se referir à sua própria mor­ te (2 Pe 1.15), como também o fez Paulo (2 Tm 4.6). Como afirmaram os santos do Antigo Testamento, bem como em geral tem sustentado a Igreja ao longo de sua história, a morte para o crente só pode significar a entrada na presença do Senhor Jesus, e não em um sono.46 Quan-


Outras Interpretações da Vida após a Morte

do um dos malfeitores crucificados com Jesus implorou: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Rei­ no”, Jesus lhe respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.42,43) — e não “estarás dormindo”, ou “deixarás de ter uma existência”.47 Paulo compreendeu que, após a morte, ele seria ca­ paz de sentir se seria ou não um espírito despido.48 Portanto, “dormir” é um termo usado a partir de um ponto de vista atual, o qual somente pode ser aplicado ao corpo.49 É o corpo que é levantado para a vida, na ressurreição (cf. Mt 27.52).50 O espírito permanece cons­ cientemente vivo. Não somente isso, os mortos estão “em Cristo” (1 Ts 4.16; Ap 14.13), não se encontram “envolvidos por Ele numa forma quietista e improduti­ va”, mas compartilham, “de acordo com o seu próprio estádio, em seu estado glorificado”, com a “certeza de que, no devido tempo, serão transformados”.51 Outros supõem que após a morte a pessoa não deixa de ter uma existência, mas fica em um estado de estupor. E obvio que nem Lázaro, nem Abraão, nem o homem rico estavam inconscientes ou em um estado de entor­ pecimento. Tinham consciência do que se passava ao redor, e Lázaro estava sendo “consolado” (Lc 16.25).51 O Apocalipse também chama a nossa atenção para a vida consciente e as bênçãos desfrutadas por aqueles que estão no céu (Ap 5-9; 6.10,11; 7.9,10). 0 PURGATÓRIO

Os católicos declaram, pela autoridade de sua igreja, que todos os eleitos futuros, exceto os notáveis santos e márti­ res,53 devem passar pelo purgatório (antes uma condição que um lugar), que irá purificá-los, rejuvenescê-los, torná-los imortais e prepará-los para a entrada no céu.54 Essa doutrina não tem base bíblica. Agostinho introduziu a idéia no século IV,55 mas a palavra “purgatório” não foi usada senão depois

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do século XII e a doutrina não foi completamente posta em prática até o Concilio de Trento, no século XVI.56 Alguns católicos especulam que o purgatório está mais perto do céu que do inferno. Outros consideram o fogo literal, com chamas que metem medo, sempre intensifica­ das, mas isto “não faz parte dos pronunciam entos dogmáticos da Igreja”, embora a Igreja Romana tenha perm itido, e ainda permita, a circulação de tais ensinamentos. Outros ainda espiritualizam o fogo ou o combinam com água, como se fosse uma espécie de sau­ na espiritual. Assim sendo, afirmam que o purgatório “não é um estado de horror e miséria”, mas traz “uma nota de confiança e alegria” e “um elemento de doçura e esperan­ ça”, ainda que o sofrimento seja real. Entretanto, o sofri­ mento pode ser intenso para alguns, mas “pode ser que muitas almas passem por essa purificação como que atra­ vés de uma brisa primaveral”.57 Agostinho também introduziu a idéia de que a oração, as boas obras e o dizer a missa ajudariam os mortos a suportar os sofrimentos do purgatório. Gregório, o Gran­ de, foi ainda mais longe, declarando que dizer a missa, como uma repetição do sacrifício de Cristo, liberta as almas do purgatório. Por volta do século XI, as indulgências se tornaram num conveniente modo de diminuir ou en­ curtar os sofrimentos no purgatório.58 Lutero reagiu con­ tra a má utilização das indulgências, de modo que o abuso verificado nos dias de Lutero não é mais permitido pelas igrejas católicas. o LIMBO

Alguns católicos também conjecturaram uma condição chamada limbo para os bebês que não foram batizados, além de um outro limbo para os santos do Antigo Testa­ mento, onde sofreram punição temporária até que Jesus morresse.59 Então, a alma de Jesus desceu até o limbo dos


Outras Interpretações da Vida após a Morte

santos do Antigo Testamento “para introduzi-los na visão beatífica de Deus” e, desde a sua ascensão, estão no céu.® O limbo (para as criancinhas) é “hoje geralmente rejei­ tado” em favor da idéia de que as crianças e os severamen­ te retardados, após a morte, serão presenteados com a oferta divina da vida eterna, a qual poderão aceitar ou rejeitar.61 Um erudito católico salienta que “o magistério hierárquico não tem oferecido nenhuma posição clara e definitiva no caso do limbo” e sugere que a doutrina seja “removida do mapa da escatologia”.62 0 ESPIRITISMO

O espiritismo ensina que os médiuns podem se comu­ nicar com os mortos, geralmente através de um espírito “guia”, e que os espíritos dos mortos permanecem nas proximidades da terra.63 “Há quase que uma insistência mundial de que o mundo supraterrestre é composto de sete ou oito esferas, cada uma um pouco mais alta do que a precedente.”64 Isto entra em contradição com a seguran­ ça do salvo, a qual estipula que os crentes, depois da morte, vão “habitar com o Senhor”. A Bíblia adverte enfaticamente contra qualquer tentati­ va de comunicação com os mortos. “Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o S e n h o r , vosso Deus” (Lv 19.31). “Quando uma alma se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir após eles, eu porei a minha face contra aquela alma e a extirparei do meio do seu povo” (Lv 20.6). Qualquer confiança que se tenha nos médiuns significa rejeitar a direção de Deus, além de ser incompatível com a possibilidade de se ter um relaciona­ mento com o Senhor. Por isso, a Lei exigia que os mé­ diuns fossem mortos (Lv 20.27). As práticas espíritas e mediúnicas estavam entre os costumes abomináveis das nações e atraíam 0 julgamento

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Capítulo 1 AMorte eo Estado Intermediário


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de Deus (Dt 18.9-12). Isaías faz m enção a esses ensinamentos da Lei, quando diz: Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; — não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo essa palavra, nunca verão a alva. E passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, tendo fome e enfurecendo-se, então, amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. E, olhando para a terra, eis que haverá angústia e escuridão, e serão entenebrecidos com ânsias e arrastados para a escuridão (Is 8.19-22).

Assim, os espíritas e aqueles que os consultam com­ partilham da mesma sorte que os rebeldes, e serão colo­ cados sob o juízo de Deus.65 Essa é a realidade referente ao rei Saul, quando consul­ tou a médium de En-Dor (1 Sm 28.4-25). Em razão de estar distanciado do Senhor, Saul ficou aterrorizado quan­ do contemplou os exércitos dos filisteus acampados para a batalha. Tentou obter uma palavra do Senhor, mas Ele não lhe respondeu pessoalmente, nem por sonhos, nem pelo Urim dos sacerdotes, nem através dos profetas. Em­ bora anteriormente Saul tivesse banido o espiritismo e sentenciado à morte os espíritas, agora ele se voltava aos médiuns pagãos em busca de ajuda. A Bíblia diz: “Vendo, pois, a mulher a Samuel” (1 Sm 28.12). A aparição de Samuel diante dessa médium tem sido entendida de diversas maneiras. Alguns supõem que a mulher simplesmente viu Samuel em sua mente e, em seguida, por algum tipo de telepatia, discerniu os pensa­ mentos de Saul. Outros supõem que um demônio apare­ ceu personificando Samuel.66 Contudo, é digno de nota que ela ficou surpresa quando viu Samuel. Era, obviamen­ te, algo diferente do que ela estava acostumada a ver. Em virtude do assombro e espanto que demonstrou, parece


Outras Interpretações da Vida após a Morte

mais provável que a mulher estava esperando pela apari­ ção de um espírito demoníaco, ao mesmo tempo que Deus, na verdade, tenha permitido que o espírito de Samuel aparecesse, a fim de confirmar a Saul a sentença divina em termos de derrota e morte. O que Samuel disse estava de acordo com suas profecias anteriormente profe­ ridas (1 Sm 15-26,28). Em cumprimento a elas, os exérci­ tos de Israel foram vencidos. Depois, Saul cometeu suicí­ dio (1 Sm 31.4). Portanto, nada há neste relato que indi­ que que os médiuns realmente possam se comunicar com os mortos. Jesus também deixou claro que o homem rico no Hades era incapaz de se comunicar com seus cinco irmãos que ainda viviam na terra, e seu pedido, para que alguém dos mortos fosse enviado a eles, foi negado (Lc 16.27-30). A REENCARNAÇÃO

Por causa de sua visão cíclica da História, que nega um começo e um fim, diversas religiões orientais ensi­ nam a reencarnação. Na morte, é dada à pessoa uma nova identidade, quando então nasce em uma outra vida, como animal, ser humano ou até mesmo deus. Os postulantes dessas religiões sustentam que as ações realizadas pela pessoa geram uma força, o carma, que exige transmigração e determina o destino daquela pessoa na existência seguinte.67 Assim, ao passar de uma existência a outra, presume-se que uma pessoa gradualmente se purifique e se salve a si mesma. Na índia, acredita-se que esse processo possa levar até seiscentas mil reencarnações.68 Contudo, a Bíblia deixe bem claro que “agora é o dia da salvação” (2 Co 6.2). Não podemos nos salvar a nós mes­ mos através de nossas boas obras. Deus nos deu uma salvação completa através de seu Filho, Jesus Cristo, que nos expia os pecados e cancela a nossa culpa. Não precisa­

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mos de outra vida para tentar cuidar dos pecados e erros cometidos nesta vida ou em quaisquer outras supostas existências anteriores. Além disso, “aos homens está or­ denado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem peca­ do, aos que o esperam para a salvação [incluindo todas as bênçãos de nossa herança]” (Hb 9.27,28). É evidente também que o julgamento dos crentes ocupa-se apenas com “o que tiver [sido] feito por meio do corpo” durante esta vida presente (2 Co 5-10). Na verda­ de, nem os descrentes têm uma segunda chance de salva­ ção após a morte (Rm 2.5,6,8; cf. Rm 1.18). Na morte, o destino de uma pessoa é fixado (Mt 13.42; 24.51; 25.30; Lc 16.19-31; Jo 8.24; 2 Co 5.10; 6.2; Hb 921). Outrossim, é claro que, quando Moisés e Elias aparece­ ram no monte da Transfiguração, ainda eram Moisés e Elias. Jesus Cristo também reteve sua identidade após a morte e ressurreição. Ele disse: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo-, tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lc 24.39). Será esse mesmo Jesus — e não uma reencarnação — quem virá outra vez do céu para a terra (At 1.11). Nós o conheceremos e nos reconheceremos uns aos outros. Paulo esperava reconhecer os crentes tessalonicenses, pois eles serão sua esperança, gozo e coroa, nos quais ele e seus companheiros de trabalho se gloriarão “diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda” (1 Ts 2.19; cf. 2 Co 1.14). Na vinda de nosso Senhor, os crentes serão recom pensados com uma “herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar” e com todas as bênçãos incluídas na “salvação já prestes para se revelar no último tempo” (2 Pe 1.4,5).


Perguntas para Estudo

Perguntas para E studo

1. De que maneira os santos do Antigo Testamento encaravam a vida? 2. De que maneira os santos do Antigo Testamento encaravam a morte? 3. Quais as razões para que os crentes do Novo Testa­ mento não precisem mais ter medo da morte? 4. De que modo os ensinos do Antigo Testamento acerca da vida após a morte se comparam aos ensinos dos vizinhos pagãos de Israel? 5. O que o Antigo Testamento revela sobre o lugar da vida após a morte para os ímpios? 6. O que o Antigo Testamento revela sobre o lugar da vida após a morte para os justos (os “sábios”)? 7. Que lições aprendemos da parábola do homem rico e de Lázaro? 8. Que garantia temos de que os crentes do Novo Testamento estarão com Cristo no Paraíso imediatamente após a morte? 9. Quais as principais razões para não aceitarmos as teorias do sono da alma, do espiritismo, da reencarnação e do purgatório?

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Capítulo Dois

ARessurreição e o Arrebatamento da Igreja

A Ressurreição no Antigo T estamento não plenamente desenvolvida

A idéia da ressurreição não é completamente desenvol­ vida no Antigo Testamento. As vezes, está ligada à restau­ ração da nação de Israel, como em Ezequiel 37.12-14: “Assim diz o Senhor J e o v á : Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o S e n h o r , quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra, e sabereis que eu, o S e n h o r , disse isso e o fiz, diz o S e n h o r ” . Em Oséias 6.2, a idéia da ressurreição é mais forte: “Depois de dois dias nos dará a vida [hb. 'fchayyenu , “nos devolverá a vida”]; ao terceiro dia, nos ressuscitará [hb.y eqimenu, “nos levantará” (isto é, da terra)], e vivere­ mos diante dele”.1 A ressurreição também parece estar implícita em Jó 19.25-27. Em Jó 14.14, o patriarca pergunta: “Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” Mas, em Jó 19.25,2 ele atinge um estado de renovada fé e confiança, ao excla­ mar: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra”. E ele prossegue: “E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não


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Nosso Destino

outros, o verão; e, por isso, o meu coração se consome dentro de mim” (Jó 19.26,27). Isaías 26.19 é mais específico, embora não pareça ensi­ nar uma ressurreição universal: “Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos”. Salmos 17.14 indica que os descrentes não têm recom­ pensas, exceto nesta vida, “uma declaração que sugere que há mais do que a vida presente”.3 Então, Daniel 12.2 revela que haverá uma ressurreição corpórea para os ímpios assim como também para os justos: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressusci­ tarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”. E, em seguida, “os entendidos, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estre­ las, sempre e eternamente” (Dn 12.3).4 Também houve esperança futura na profecia: “Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor J e o v á as lágrimas de todos os rostos” (Is 25.8). OS SADUCEUS

Os saduceus, devido à influência da filosofia grega, rejeitavam a idéia da ressurreição, bem como a autoridade dos profetas que a ensinavam. Para os saduceus, a Lei (a Torá, o Pentateuco) era o único livro sagrado e de autori­ dade para eles. Por conseguinte, Jesus, ao discutir com eles, disse: “Porventura, não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” Então, tomando uma passagem que eles realmente aceitavam, acrescentou: “E, acerca dos mortos que houverem de res­ suscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é de


A Ressurreição

no Novo Testamento

mortos, mas sim é Deus de vivos. Por isso, vos errais muito” (Mc 12.24,26.27; cf. Êx 3.6). PREVISTA A RESSURREIÇÃO DE JESUS

O Novo Testamento também declara que o Antigo Tes­ tamento previu a ressurreição de Jesus. No dia de Pentecostes, Pedro citou Salmos 16.11, declarando que Davi “disse da ressurreição de Cristo” (At 2.25-32). Paulo tam­ bém faz alusão à mesma passagem para falar sobre a res­ surreição de Jesus (At 13.35-37). Pode ser que também tenha em mente Isaías 53 quando escreve: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras [o Antigo Tes­ tamento]... foi sepultado... ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15-3,4). Isaías 53 refere-se claramente ao Servo do S e n h o r , que, sem haver cometido pecado, sofreu unicamente pelos outros, morrendo como uma oferta pela culpa. E depois, vendo a sua posteridade (seus descendentes espirituais) e prolongando os seus dias, “após a realização do trabalho da sua alma, ele [como se lê nos rolos do mar Morto] verá a luz da vida e ficará satisfeito” — uma óbvia referência à ressurreição de Cristo. A Ressurreição no Novo T estamento a ressurreição de

JESUS como garantia

Jesus declarou que será a “sua voz” que desencadeará a ressurreição: “Os que fizeram o bem sairão para a ressur­ reição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5-28,29). Grande parte dos eruditos da Bíblia também reconhece que “no Novo Testamento, o futuro é visto como o desdobrar daquilo que foi mostrado na ressurreição de Cristo”.5 Inaugura o “fim dos tempos”, a última era antes do Milênio. Por causa disso, aqueles que encontram vida em Jesus experimentam um antegozo das virtudes do século futuro. “Porque em tudo [fomos]

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Nosso Destino

enriquecidos nele, em toda a [nossa] palavra e em todo o [nosso] conhecimento” (1 Co 1.5). /

Vida eterna não é simplesmente uma vida sem fim. E a vida de Jesus em nós, uma vida que será plenamente manifes­ tada em nós no século vindouro, mas que também já é nossa possessão nos dias em que vivemos, se estivermos “em Cris­ to” pela fé (Jo 5.24; cf. Jo 1.4; 3.14-16; 5-40; 6.40; 11.25; 14.6). A ressurreição de Jesus foi um tema crucial na pregação da Igreja Primitiva, pois sua verdade é vital para o Evangelho (1 Co 15.2,12-21). Ao abrir as Escrituras, tendo em mente sua ressurreição, Jesus mudou toda a perspectiva e atitude dos seus seguidores (Lc 24.25-27,44-48). No dia de Pentecostes, Pedro centralizou a atenção no Jesus ressuscitado.6 Todos os apóstolos pregaram que, na ressurreição de Jesus e através dela, a ressurreição dos mortos é hoje uma realidade e nos está garantida (At 4.2). Paulo proclama que “Cristo ressusci­ tou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Co 15.20).7 Isto eqüivale a dizer que a ressurreição dos mor­ tos não é algo que está no futuro. Já começou na ressurreição de Jesus. Jesus também é “o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18; cf. Ap 1.5). “Primogênito” não tem nada a ver com origem. Deus disse: “Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex 4.22; cf. Jr 31.9). De Davi, o filho mais moço dejessé, diz Deus: “Também por isso lhe darei o lugar de primogênito” (SI 89.20,27). O termo “primogênito” foi usado para designar o herdeiro, aquele que terá a preeminência. Assim, Jesus é o herdeiro, o único que estará no controle de tudo, “o primogênito de toda a criação. E ele é a cabeça do corpo da igreja” (Cl 1.15,18). A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é o Espírito de filiação que “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e


A Ressurreição no Novo Testamento

co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.1517). Essa glória futura incluirá a redenção dos corpos daque­ les que têm “as primícias do Espírito” (Rm 8.23). 0 fato de hoje termos somente as primícias do Espírito é a mais ampla garantia de que receberemos a plenitude na ressurreição. “Se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou ajesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11; cf. Rm 6.4,5; 1 Co 6.14). Entretanto, essa esperança nos incumbe de uma responsabilidade, pois Paulo prossegue, em Romanos 8.11-17, dizendo que, consi­ derando que Jesus nos ressuscitará através do Espírito que agora habita em nós, “somos devedores, não à carne para viver segundo a carne, porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis [ou seja, sereis ressuscitados para a ressurrei­ ção da vida, em vez de serdes ressuscitados para a ressurrei­ ção da condenação ou do julgamento (Jo 5-29)]. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Pedro também fala de “uma viva esperança, pela ressurrei­ ção de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (1 Pe 1.3,4). Portanto, a ressurreição de Jesus pelo Espírito é a ga­ rantia de que seremos ressuscitados e transformados, de modo que nossos corpos ressurretos serão imortais e incorruptíveis (1 Co 15.42-44,47-54). Para nós, os crentes, a ressurreição será nossa participação pessoal na vitória de Jesus sobre o último inimigo, a morte (1 Co 15-54). 0 DOM DO ESPÍRITO SANTO COMO GARANTIA

O dom do Espírito também é a garantia do que está para vir (2 Co 5-5). Como escreve Ralph Riggs: “Esta res­

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Nosso Destino

surreição e trasladação dos santos tem uma extensão de glória que vai além de nossa compreensão... Está chegan­ do o momento em que o Espírito nos envolverá com seu poder, transformará nossos corpos pela sua força e nos transportará para a glória... Essa será a manifestação dos filhos de Deus, a liberdade da glória dos filhos de Deus... o clímax triunfante da obra do Espírito Santo” 8 Como sempre, há uma perfeita cooperação dentro da Trindade, de maneira que a nossa ressurreição não se dará apenas pelo Espírito Santo, mas também pelo poder de Deus (Rm 4.17; 1 Co 6.14; 2 Co 1.9; 13.4; 1 Ts 4.14) e pelo próprio Jesus 0 o 5.25-29; 6.39,40,44,54; 1 Co 15-2123; Fp 3-20,21). 0 CORPO DA RESSURREIÇÃO

A esperança cristã para o futuro sempre se concentra em Deus e em Jesus. Os filósofos gregos, exceto os epicureus, ensinavam a imortalidade da alma, porém, não obstante, todos rejeitavam a idéia da ressurreição dos mortos. A concepção que faziam da imortalidade baseavase na maneira como encaravam a natureza da alma, sendo que a esperança estava focalizada numa suposta qualidade de vida, que necessariamente continuaria após a morte.9 Consideravam o corpo uma prisão ou, no mínimo, “uma carga, um obstáculo para a alma”.10 Essa a razão de alguns deles, em Atenas, escarnecerem da idéia de Paulo sobre a ressurreição (At 17.32), e, sem dúvida, foi essa influência que levou alguns crentes em Corinto a dizer que “não há ressurreição de mortos” (1 Co 15.12).11 Mas Paulo, no mesmo capítulo, apresenta uma surpreendente defesa da realidade de nossa ressurreição futura. A Bíblia também é clara ao ensinar que, como seres finitos, necessitamos de um corpo para a completa ex­ pressão daquilo que Deus nos criou. Como crentes nasci­ dos de novo, nossos “corpos são membros de Cristo”,


A Ressurreição no Novo Testamento

templos do Espírito Santo designados para honrar a Deus (1 Co 6.15,19,20).

Corpos transformados. Nossos corpos ressurretos se­ rão os mesmos que agora possuímos, transformados de modo a se conformarem com a natureza glorificada do corpo de Jesus (Fp 3.21; 1 Jo 3.2).12 Deus criou a humani­ dade conforme a sua própria semelhança, e a imagem de Deus ainda estava lá após a Queda (Gn 9.6). Também nos é dito que Adão “gerou um filho à sua semelhança, con­ forme a sua imagem” (Gn 5.3). Por isso, Paulo pôde dizer: “Assim como trouxemos a imagem do [homem] terreno, assim traremos também a imagem do [homem] celestial” (1 Co 15.49). Nosso corpo transformado será tão diferente do de hoje quanto uma planta de trigo é diferente de uma sim­ ples semente (1 Co 15.37). O contraste também pode ser verificado se compararmos a ressurreição de Lázaro, ain­ da enrolado em faixas (Jo 11.44), com a ressurreição de Jesus, que se levantou através das faixas, deixando-as para trás (Jo 20.5-8). O corpo ferido, surrado e sangrento de Jesus foi colocado no túmulo. Mas Ele ressuscitou com­ pletamente são, capaz de caminhar até Emaús, embora ainda trouxesse as cicatrizes nas mãos e no lado. Isso também sugere que, na ressurreição, os bebês e as pesso­ as idosas não terão a mesmíssima forma que tinham quan­ do morreram. De fato, cada um será o mesmo indivíduo, a mesma pessoa, mas numa forma perfeitamente desenvol­ vida e sã.12 Em uma passagem que tem instigado controvérsias, Paulo fala que “temos de Deus um edifício, uma casa... eterna, nos céus”, uma “habitação, que é do céu”, com a qual seremos revestidos, “para que o mortal seja absorvi­ do pela vida” (2 Co 5.1-4). Alguns baseiam-se nestes versículos para afirmar que receberemos um corpo tem­ porário. enquanto estivermos no céu esperando pela res­

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surreição, embora Ray Summers afirme: “Esse ponto de vista é estranho ao Novo Testamento”.14 Outros conside­ ram que esse texto se refere ao ambiente desfrutado no céu pelos crentes que já morreram. Outros ainda enten­ dem que, na ressurreição, o novo corpo se converterá num tipo de “sobretudo” para o corpo que hoje temos. Ao longo dos séculos, a maioria dos eruditos da Bíblia tem rejeitado essa idéia.15 Por causa de trechos bíblicos que colocam a transforma­ ção do corpo no momento da ressurreição e do Arrebata­ mento (por exemplo, Fp 3.20,21), George Ladd sugere que Paulo está simplesmente antevendo o corpo da ressurrei­ ção, o qual é tão bom quanto o que ele já tem, e que seu ardente desejo é ser mais revestido na ressurreição.16

Corpos espirituais. O corpo ressurreto do crente tam­ bém é descrito como “espiritual” em contraste com o presente, “natural”.17 Geralmente, concorda-se que “espi­ ritual” (gr. pneum atikon ) não significa “constituído de espírito”, nem se trata de corpo imaterial, etéreo, ou da falta de densidade física.18 Os discípulos sabiam, por expe­ riência própria, que a ressurreição do corpo de Jesus fora real, palpável, não espectral, ainda que ao mesmo tempo de uma ordem diferente, perfeitamente adequada tanto para a terra quanto para o céu. Não estava limitado às condições de nossas atuais “dimensões de tempo e espa­ ço”.19 Por isso, nosso corpo ressurreto é descrito como “do céu” (gr. epouranios). Jesus também disse que seria­ mos como os anjos nos céus, não querendo dizer que seriamos seres espirituais como os anjos, mas antes que não mais nos envolveríamos em casamento ou em ter filhos (Mc 12.25). Nosso corpo atual é terreno, natural (gr.psuchikon), com capacidades, habilidades, paixões e emoções adaptadas à pre­ sente ordem terrena, sendo os seus limites os mesmos de


Preparados pelo Espírito Santo para a Ressurreição e o Arrebatamento da Igreja

Adão após a Queda. Em contraste com isso, nosso corpo ressurreto assumirá qualidades sobrenaturais que envolvem poder e glória.20 Embora ainda venhamos a ser seres finitos, dependentes inteiramente de Deus, nossos corpos serão os instrumentos perfeitos que nos tornam sensíveis ao Espírito Santo de maneira inteiramente nova e maravilhosa.21

Bebês transformados. Estejamos certos de que as cri­ anças e os bebês que morrem também serão transforma­ dos, trazidos à completa estatura física e espiritual de Cristo, da qual todos nós miraculosamente tomaremos parte. “A nossa cidade está nos céus, donde também espe­ ramos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.20,21). Não há nada na Bíblia que diga que os bebês estejam excluídos desse evento. A vida, incluindo a vida dos bebês que foram abortados, é algo colocado por Deus, e Ele sabe como levá-la à perfeição. Ademais, como René Pache ressalta, “a Bíblia não faz nenhuma descrição de crianças brincando nos pátios dos céus”.22 Preparados pelo E spírito S anto para a Ressurreição e

o Arrebatamento

da

I greja

Quando os judeus crentes clamam “Aba!” ou os genti­ os crentes clamam “Pai!”, o Espírito Santo “testifica com o nosso espírito” que o que dizemos não são meras pala­ vras, mas nos confirma que Deus realmente é o nosso Pai. Entretanto, nossa relação com Deus como seus filhos não está limitada a esta vida. Ele nos torna herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17). Agora temos “as primícias do Espírito” (Rm 8.23). A plenitude virá junto com a plenitude da adoção (“a posição de filhos”) e com a redenção de nossos corpos (Rm 8.23), ou seja, no mo­ mento da ressurreição.

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Nosso Destino

Nesse ínterim, o Espírito Santo nos prepara de muitas maneiras para o cumprimento de nossa esperança da gló­ ria. Ele nos ajuda a orar (Rm 8.26,27),23 à medida que, “pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé” (G1 5.5, ARA). O dom do Espírito Santo é um selo e um tipo de “primeira prestação” do que recebe­ remos em maior plenitude em nossa futura herança como filhos de Deus (Ef 1.13,14). É também uma “garantia” de que realmente receberemos nossa herança prometida, se permanecermos firmes na nossa fé em Jesus24 e continuar­ mos a semear “no Espírito”, ao invés de agradar a nossa natureza pecaminosa (G1 6.7-10; Rm 2.7-10).25 Nos escritos de Paulo, a obra do Espírito Santo na nossa preparação para a era vindoura está em grande relevância. O ponto em questão de Romanos 14.17 é que a justiça, a paz e a alegria no Espírito são atributos que demonstram estarmos sob o governo de Deus — que Deus realmente reina em nossas vidas. Todavia, Paulo não está limitando o Reino a essas bênçãos presentes, Na ver­ dade, são bênçãos do Reino futuro. Mas, pelo Espírito, elas também são nossas hoje. Paulo continua, estabele­ cendo a verdade de que elas nos preparam para o futuro e nos aumentam a expectativa de nossa futura esperança (Rm 15-13). Essa esperança estava por detrás da saudação “Marana tha" (“Nosso Senhor vem!”, 1 Co 16.22), a qual reconhecia que Jesus é Senhor agora e que seu senhorio será plenamente manifestado na terra quando Ele voltar.26 Um Aviso Necessário

Juntamente com essas primeiras prestações das bênçãos da era vindoura, os crentes podem desfrutar tempos especi­ ais de refrigério pela presença do Senhor, sempre que se arrependerem ou mudarem de atitude em relação a Ele (At 3.19). Também devemos nos lembrar de suas advertências. Muitas e muitas vezes Jesus enfatizou a importância de estar­


Um Aviso Necessário

mos preparados e vivermos na iminência de sua vinda (Mt 24.42,44,50; 25.13; Lc 12.35,40; 21.34-36).27 Jesus comparou o mundo prevalecente na ocasião de sua vinda com o mundo dos dias de Noé. A despeito dos avisos, da pregação, da construção da arca, da reunião dos animais, as pessoas estavam distraídas e despreparadas. Na realidade, não acreditavam na vinda do julgamento de Deus. Para essas pessoas, o dia do dilúvio amanheceu como qualquer outro: planejaram suas refeições, seus momentos de lazer, suas festas, seus casamentos. Mas naquele dia o mundo, como o conheciam, acabou. Da mesma forma, o mundo dos dias de hoje prosseguirá às cegas, fazendo seus próprios planos. Mas um dia Jesus repentinamente virá (Mt 24.37-39). A subitaneidade de sua vinda é realçada com maiores detalhes em Mateus 24.43-50.28 Para enfatizar que sua vinda se dará num dia comum, Jesus disse: “Estando dois [homens] no campo, será leva­ do um e deixado o outro; estando duas [mulheres] moendo no moinho, será levada uma, e deixada [a] outra” (Mt 24.40,41). Quer dizer, as pessoas estarão fazendo suas tarefas normais, do dia-a-dia, quando, repentinamente, haverá uma separação. “Levar” (gr. paralam banetai) sig­ nifica “levar consigo” ou “receber”. Jesus “levando consi­ go Pedro e os dois filhos de Zebedeu” (Mt 26.38). Ele prometeu: “Virei outra vez e vos levarei para mim, mes­ m o ” (Jo 14.3). Desse modo, aquele que for levado será graciosamente recebido na presença de Jesus, a fim de estar com Ele para sempre (1 Ts 4.17). “Deixar” (gr. aphietai) significa “deixar para trás” (como em Mc 1.18,20) — quem não for levado será deixado para trás e abandona­ do para enfrentar a ira e o julgamento de Deus. Em outras palavras, não haverá nenhum aviso prévio ou qualquer oportunidade para arranjos de última hora. A mesma verdade é apresentada na parábola das dez virgens

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Nosso Destino

(Mt 25.1-13). Tudo isso nos faz lembrar que, a despeito da demora de Jesus em voltar, sempre devemos considerar seu retorno como iminente. O utras T eorias acerca da V inda de J esus

O fato de Jesus voltar à terra é claramente apresentado nas Escrituras. Em geral, os evangélicos aceitam Atos 1.11 como garantia de sua volta pessoal e visível. Entretanto,, várias teorias têm sido levantadas para tentar explicá-la. A vinda no pentecostes

Alguns dizem que Jesus retornou na Pessoa do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Contudo, o Cristo exaltado estava ao lado direito de Deus Pai, e foi dali, do céu, que Ele derramou o Espírito Santo naquela oportunidade (At 2.32,33). A VINDA NA CONVERSÃO

Outros asseveram que a segunda vinda de Jesus ocorre quando Ele entra no coração do crente, no momento conversão (em geral, cita-se Ap 3.20). Mas, as Escrituras ensinam que é a partir do instante em que o recebemos que ficamos a esperar por sua vinda (Fp 3.20; 1 Ts 1.10).29 A VINDA NA MORTE

Ainda outros afirmam que a sua vinda se realiza quando Ele vem ao crente na hora da morte. De fato, isto tornou-se quase que a única expectativa da Igreja Católica Romana.30 Contudo, tanto os mortos quanto os que estiverem vivos serão “arrebatados juntamente” na sua vinda (1 Ts 4.17). A VINDA EM 70 D.C.

Tendo como base passagens como Mateus 10.23, 16.28, 24.34, Marcos 9.1,13.30 e 14.62, alguns ligam a vinda de Jesus à destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos, em 70


Outras Teorias acerca da Vinda de Jesus

d.C., pondo assim um fim ao sistema sacrificial do Antigo Testamento. Dizem que Ele estava invisivelmente presente (manifestado) quando ocorreu esse julgamento, talvez se tratando de um estádio numa série de julgamentos em que a manifestação (gr.parousia) dejesus traz contínuas vitórias.31 Aqueles que sustentam esse ponto de vista baseiam parte de seus argumentos na suposição de que o livro de Apocalipse, que ensina uma futura vinda, foi escrito antes de 70 d.C. Entretanto, a grande maioria dos eruditos da Bíblia, de on­ tem e de hoje, datam o Apocalipse durante o reinado de Domiciano, em acerca de 95 d.C.32 (Também é óbvio que as glórias do Reino futuro e do reinado pessoal dejesus na terra não se seguiram aos eventos de 70 d.C.) Lucas 21.20-24 refere-se especificamente à queda de Jeru­ salém. Os versículos seguintes indicam que, depois de com­ pletado o tempo dos gentios, os sinais no Sol, na Lua e nas estrelas causarão angústia e perplexidade entre as nações da terra. “Então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.27). Marcos 13.14-26 suplementa essas profecias “do mesmo ponto de vista fundamental”.33 George Beasley-Murray salienta que a destruição de Jerusa­ lém e do templo está relacionada à vinda dejesus, não por­ que os dois eventos ocorram ao mesmo tempo, mas porque os acontecimentos de 70 d.C. faziam parte de uma longa série de julgamentos de Deus em preparação à chegada do fim dos tempos. Jesus não revelou o intervalo de tempo existente entre a destruição da cidade e a sua vinda, assim como os profetas do Antigo Testamento não revelaram o período de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Sua preocupação restringia-se mais em declarar o poder e a glória de sua vinda.34 A TEORIA SWEDENB0RG

Emanuel Swedenborg (1688-1772) datou, no mundo espiritual, o último julgamento em 1757, dizendo que em 19 de junho de 1770 o Senhor enviaria os seus anjos para

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reunir os eleitos. Também declarou que a “Nova Igreja”, fundada por ele, cumpriu as profecias de um novo céu e uma nova terra e da Nova Jerusalém.35 AS TESTEMUNHAS-DE-JEOVÁ

As testemunhas-de-jeová dizem que Jesus voltou invisivel­ mente em 1874. Outros seguem C. T. Russell, afirmando que Ele retornou invisivelmente em julgamento quando Jerusa­ lém foi destruída, em 70 d.C.36 OUTROS GRUPOS

Também há os que tomam a expressão “a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8.19) fora do seu contexto, para asseverar que são eles os filhos que se manifestaram. Anun­ ciam que a segunda vinda de Jesus cumpriu-se neles como filhos de Deus perfeitamente desenvolvidos, os quais es­ tão aperfeiçoando a Igreja até que ela assuma o controle dos reinos deste mundo. Rejeitam o Arrebatamento37 e alegam que o cumprem quando são “arrebatados” em maturidade espiritual. Outrossim, reivindicam ser a Nova Jerusalém e também as “nuvens” de poder e glória, nas quais Jesus está agora se manifestando e por meio das quais reinará na terra.38 Um grupo similar — os autodenominados teonomistas — quer introduzir o Reino nesta terra fazendo com que o mun­ do todo seja posto debaixo da lei de Deus, especialmente de algumas ou de todas as leis de Moisés, mesmo que isso leve vinte mil anos. Todos esses grupos servem-se de grande liberdade para espiritualizar declarações bíblicas óbvias e esquecem-se de que nós ainda não temos nossa esperança, mas “com paci­ ência [a] esperamos” (Rm 8.25). A vinda pessoal de Jesus Cristo à terra é a única maneira pela qual receberemos a plenitude da esperança que estamos esperando. Nossa es­ perança não está no cumprimento de um longo processo,


Dois Aspectos da Segunda Vinda de Jesus

que possa ser executado pelo crente individual ou pela Igreja em conjunto. Devemos estar aguardando por um súbito, inesperado e visível retorno de Jesu s (Mt 24.27,30,44; Mc 13.26; Lc 21.27; At 1.11; Fp 2.10,11), que repentinamente nos transformará e nos fará participantes da sua glória (Rm 8.18-23; 1 Co 15-51,52), tornando possí­ vel que voltem os ju n tam en te com Ele em glória (Cl 3-4).

Dois

A s p e c to s d a S e g u n d a V in d a d e J e s u s

o a r r e b a t a m e n t o d a ig r e ja

A Bíblia menciona duas fases da vinda de Jesus. Na primeira fase, Ele virá como o Preservador, o Libertador ou o Salvador “da ira futura” (lT s 1.10). “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.9). Devemos estar espiritualmente despertos, vivendo uma vida sóbria, bem equilibrada, com pleno autocontrole, e usando a armadura do Evangelho da fé, do amor e da esperança da salvação, “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salva­ ção, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos junta­ mente com ele. Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis” (1 Ts 5.9-11). Esses versículos de encorajamento referem-se à pro­ messa de que “o Senhor mesmo descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; de­ pois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados jun­ tamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4.16-18).

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Nosso Destino

Aqui é abordada somente a ressurreição dos crentes que morreram “em Cristo”. Eles serão transformados, revestidos com imortalidade “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.52-54), seus corpos serão transformados para serem “conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.21). En­ tão, os crentes que ainda estiverem vivos serão transforma­ dos e arrebatados juntamente com eles, formando um Cor­ po. A única exigência tanto para os crentes mortos quanto, obviamente, para os vivos é estar “em Cristo”, ou seja, num relacionamento de fé nEle e de fidelidade a Ele. “Arrebatados” (gr. harpagesometha)39 diz respeito ao que com freqüência é chamado “Arrebatamento”, também conhecido por “rapto”.40 “A encontrar o Senhor” (gr. eis apantesin tou kuriou ) pode ser traduzido por “para um en con tro com o S en h o r”. A palavra “e n co n tro ” freqüentemente era usada como um termo técnico, que descrevia o povo saindo ao encontro de um rei ou general à alguma distância da cidade para acompanhá-lo até a en­ trada.41 Isto corresponde ao uso do vocábulo 1parousia ”, que significa “manifestação”, “vinda” do Senhor (1 Ts 4.15), o qual tem um status técnico quando se refere à volta de Jesus42 e é, muitas vezes, usado para indicar o Arrebata­ mento.43 A MANIFESTAÇÃO DE CRISTO

Na segunda fase da vinda de Jesus, a justiça de Deus é vindicada, “quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que 'não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo... quando vier para ser glorificado nos seus santos e para se fazer admirável, naquele Dia, em todos os que crêem” (2 Ts 1.7-10). Isto se coaduna com outras passagens bíblicas que mostram que o Reino deve ser


O Julgamento do Tribunal de Cristo

estabelecido através de julgamento (Dn 2.34,35,44,45; Ap 19.11-16). Apocalipse 19.14 também diz que, quando Jesus vol­ tar para julgar o mundo, não apenas os anjos estarão com Ele, mas também os exércitos do céu, “vestidos de linho fino, branco e puro”. Tal descrição os identifica com os crentes arrebatados que já estarão no céu, já terão comparecido diante do Tribunal de Cristo e já terão participado das Bodas do Cordeiro (Ap 17.14; 19.7,8; ver mais adiante). 0 J u lg a m en to

do

T ribu n al

de

C risto

JESUS, 0 JUIZ

Ao longo da Bíblia, Deus é visto como um Juiz justo. Nos tempos antigos, Ele trouxe julgamento tanto sobre Israel como sobre as nações circunjacentes. No final dos tempos, Ele ainda será o Juiz justo, mas mediará esse julgamento através do Filho, porquanto “o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo, para que todos honrem o Filho como honram o Pai” (Jo 5.22,23; At 3.21; 10.42; Rm 2.16; 1 Ts 1.10; 2 Tm 4.8). Jesus tem o direito e a autoridade de julgar, “porque é o Filho do Homem” (Jo 5-27). Em outras palavras, assim como Ele é um Sumo Sacerdote capaz de “compadecer-se das nossas fraquezas”, pois Ele, “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15), também é um Juiz que verdadeiramente nos compreende e sempre fará o que é justo. Isto significa que todas as pessoas são responsáveis não só diante de Deus Pai, como também diante do Senhor Jesus Cristo. Devemos “dar conta” de nós mesmos a Deus (Mt 12.36). Quando o Senhor vier, Ele “trará à luz as coisas ocul­ tas das trevas e manifestará os desígnios dos corações dos homens; e, então, cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4.5). Em outras palavras, Deus observa tudo o que fazemos e considera tudo de muita importância.

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Nosso Destino

Somos de diferentes formações e temos herdado diferen­ tes dons naturais. Não podemos mudar isso. Mas podemos fazer escolhas certas que desenvolverão o nosso caráter cris­ tão e darão glória a Deus. Nossa responsabilidade é comba­ ter “o bom combate”, o único pelo qual vale a pena lutar, e acabar “a carreira”, enquanto mantemos a fé (2 Tm 4.7) — permitindo que nossa fé se expresse através do amor (G1 5.6,7). Isto significa que devemos empreender todos os es­ forços para desenvolver o fruto do Espírito e assim sermos verdadeiros seguidores de Jesus (2 Pe 1.3-11). Com a perspectiva do julgamento em mente, percebe­ mos que o Arrebatamento não é um mero “escape”. Os crentes para sempre estarão com o Senhor. Mas todos, sem exceção, serão submetidos a julgamento quando com­ parecerem diante de sua presença (Rm 14.10-12; 1 Co 3.12-15; 2 Co 5.10). Esse julgamento é chamado “o julgamento do Tribunal [gr. bema, Rm 14.10; 2 Co 5.10] de Cristo”. Ali, cada um receberá “segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem [gr. agathon, ‘espiritual e moralmente bom ou útil aos olhos de Deus’] ou mal [gr. phaulos , ‘sem valor, nocivo’; incluindo orgulho, inveja e preguiça]” (2 Co 5 .10).44 TUDO SERÁ JULGADO

Não há nenhum segredo que não venha a ser revelado (Rm 2.16). Tudo será julgado: nossas palavras, nossos atos, nossos motivos, nossas atitudes, nosso caráter, nos­ sos sofrimentos, o uso dos dons espirituais e a utilização dos bens materiais e do dinheiro (Mt 5-22; 12.36,37; Mc 4.22; Rm 2.5-11,16; 1 Co 3.13; 4.5; 13.3; Ef 6.8).45 Entre esses itens, nossos motivos (sobretudo o amor) e a nossa fidelidade parecem ser os mais importantes (Mt 25.21,23; Lc 12.43; 1 Co 13.3; Cl 3.23,24; Hb 6.10). São os que podem fazer a diferença entre nossas ações serem julgadas


O Julgamento do Tribunal de Cristo

como “ouro, prata, pedras preciosas” ou como “madeira, feno, palha” (1 Co 3.12).46 Se nossas obras não estiverem edificadas em Cristo ou se houver o envolvimento de orgu­ lho, egoísmo, teimosia ou inveja, elas desaparecerão consumidas pelo fogo (1 Co 3.12-15; cf. Mt 6.1,2,5; 7.22,23; G1 6.8-10; Fp 1.17). Em outras palavras, o julgamento encerra a possibilida­ de tanto de “detrimento”, “perda”, “dano” (1 Co 3.15), como de “prêmio”, “recompensa”, “galardão” (Rm 2.10; 1 Co 3.12-14; Fp 3.14; 2 Tm 4.8; 2 Jo 8). Devemos permane­ cer “nele [em Cristo] para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1 Jo 2.28). Do contrário, há o perigo de termos todas as nossas obras queimadas (1 Co 3.13-15). Somente aqueles que respondem com fé e amor diante da graça, dos talentos e das responsabilidades que Deus lhes dá, ouvirão Jesus dizer: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21,23). Ainda que não sejamos *salvos pelas obras, somos “criados em Cristo Je ­ sus para as boas obras [não nossas próprias idéias sobre o que é bom, mas essas obras], as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). PRINCÍPIOS PARA 0 JULGAMENTO

Paulo enfatiza que todo o julgamento estará de acordo com os princípios expostos no Evangelho (Rm 2.16). Es­ ses princípios do justo julgamento de Deus foram sumari­ ados pelo apóstolo em Romanos 2.6-11: [Deus] recom pensará cada um segundo as suas obras, a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem , procuram glória, e honra, e incorrupção; mas indigna­ ção e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verda­ de e obed ientes à iniqüidade; tribulação e angústia sobre toda alma do h om em que faz o mal, p rim eiram ente do

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Nosso Destino

judeu e também do grego; glória, porém , e honra e paz a qualquer que faz o bem , prim eiram ente ao judeu e também ao g re g o ; p o rq u e , p ara c o m

D e u s, n ão há a c e p ç ã o

de

pessoas.

OS GALARDÕES

O tema dos galardões não deveria ser tratado de maneira tão desleixada. A Bíblia dá muita importância a esse assunto. Conforme disse Jesus: “Não temas, ó pequeno rebanho, por­ que a vosso Pai agradou dar-vos o Reino. Vendei o que ten­ des, e dai esmolas, e fazei para vós bolsas que não se envelhe­ çam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão, e a traça não rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lc 12.32-34). De acordo com o que Jesus e Paulo afirmaram, também está claro que haverá diferenças em termos de galardão. Alguns, incluindo Martinho Lutero, têm feito objeções a isso, supondo que desde que a salvação é pela graça, todos os crentes devem tomar parte de forma igual na glória e graça que Deus oferece, não podendo haver quaisquer diferenças no que cada um venha a receber. Entretanto, Agostinho já havia demostrado que qualquer diferença nos galardões não causará inveja ou ciúme, por causa do amor que todos terão por Cristo e uns pelos outros.47 Não obstante, quando Paulo discursa sobre o assunto em Romanos 2.6-16, não é sua intenção dizer que todo o mundo será julgado ao mesmo tempo. Seu propósito é ressaltar que o justo julgamento de Deus indica justiça para todos, e que judeus e gentios serão julgados pelos mesmos princípios, pelos mesmos padrões. O capítulo 4 de 1 Tessalonicenses ocupa-se somente com a ressurreição daqueles que estão “em Cristo”. Isto também é verdade em se tratando de passa­ gens que dizem respeito ao julgamento do Tribunal de Cristo.


A Ceia das Bodas do Cordeiro

A menção de Paulo sobre julgar os “segredos dos ho­ mens” também chama a nossa atenção para o fato de que falhas, erros e pecados, pelos quais nos arrependemos e os confessamos com contrição na presença do Senhor, já foram perdoados e não serão lembrados diante do julgamento do Tribunal de Cristo. Quando o ímpio abandona o seu caminho (incluindo seus planos secretos e projetos de vida) e se volta para o Senhor, Ele é misericordioso e rico em perdoar (Is 55.7). Os pecados perdoados foram lançados para trás das cos­ tas de Deus (Is 38.17). Considerando que Deus está presente em todos os lugares, isso só pode significar que esses peca­ dos não existem mais. Deus os afasta de nós, assim “quanto está longe o Oriente do Ocidente” (SI 103.12), uma distância infinita. Portanto, quando Deus perdoa os pecados, nunca mais se lembra deles (Jr 31.34). Quando a Bíblia fala de Deus estar se lembrando, sempre significa que Ele está a ponto de intervir na situação vigente para fazer algo a respeito. Mas, quando os pecados são perdoados, significa que eles real­ mente não existem mais, como também a culpa não mais existe. Jesus tornou-se a nossa oferta pelo pecado (Is 53.10, ARA), de modo que não apenas todos os nossos pecados, mas também toda a nossa culpa está debaixo do seu sangue. Dessa forma, somos justificados (“declarados justos”) aos olhos de Deus. Por isso, nos achegamos à presença dEle como redimidos, havendo o sangue de Jesus pago o preço pela nossa redenção. Fomos absolvidos — o veredicto de Deus é “inocente”. Por conseguinte, mesmo agora podemos nos aproximar com ousadia do trono de Deus, no Santuário do templo do céu (Hb 10.19). A Ceia das B odas do C ordeiro

A parábola das bodas, embora nos sirva de incentivo para realizarmos as obras do Senhor, tem um cumprimento futu­

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Nosso Destino

ro, como verificamos pelo julgamento do homem que não estava trajando veste nupcial (Mt 22.1-14). Jesus é o Noivo celeste, a quem Paulo se referia quando escreveu aos crentes coríntios: “Estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2 Co 11.2). O apóstolo Paulo diz mais: “Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lava­ gem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.25-27). O Apocalipse também nos chama a atenção para o fato de que a Noiva já “se apron­ tou, e foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente” (Ap 19.7,8). Os exércitos do céu, que seguem Jesus em cavalos bran­ cos (simbolizando triunfo), estão “vestidos de linho fino, branco e puro” (Ap 19.14), identificando-os claramente com a Noiva do Cordeiro (a Igreja),48 que participa das Bodas do Cordeiro (Ap 19.6-9). Isto quer dizer que eles já estiveram no céu e já se vestiram plenamente com “os atos de justiça dos santos” (Ap 19.8, ARA). Isto também nos sugere que o núme­ ro desses atos já foram completados e que os crentes já foram ressuscitados, transformados e arrebatados para o céu. Do mesmo modo, isto implica que eles já compareceram diante do julgamento do Tribunal de Cristo (2 Co 5.10). Que tempo de alegria e deleite serão as Bodas do Cordeiro! P erg u n ta s

para

E st u d o

1. De que maneira o Antigo Testamento prepara o caminho para os ensinamentos do Novo Testamento so­ bre a ressurreição do corpo? 2. De que forma a ressurreição de Jesus se relaciona com a ressurreição dos crentes?


Perguntas para Estudo

3. Qual é a obra do Espírito Santo em relação à nossa ressurreição e como Ele nos prepara para esse aconteci­ mento? 4. Em que os nossos corpos ressurretos serão iguais e em que serão diferentes dos que hoje temos? 5. Que advertências Jesus fez no que diz respeito à sua vinda e como isso nos afeta hoje? 6. Que passagens bíblicas e que outras evidências indi­ cam que Jesus pode vir a qualquer momento, até mesmo agora? 7. Por que Jesus demonstrou grande interesse a respei­ to da queda de Jerusalém (fato ocorrido em 70 d.C.) em conexão com as profecias do futuro distante? 8. Qual é a evidência bíblica que aponta para duas fases distintas da vinda de Jesus? 9. Em que base os crentes serão julgados no Tribunal de Cristo? 10. Que atitude os crentes devem ter em relação ao tema do ganho ou perda de galardões? 11. Qual é o propósito das Bodas do Cordeiro? 12. O que nos diz, acerca dos seus integrantes, o fato de os exércitos do céu que seguem Jesus estarem vestidos com linho branco?

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Capítulo 2 A Ressurreição e o Arrebatamento da Igreja


Capítulo Três

ATribulação

Jesus declarou que o Evangelho do Reino, o Evangelho do poder e governo de Deus, deve ser pregado em todo o mundo, a todas as nações, antes do fim (Mt 24.14). Esse Evangelho, ou Boas Novas, revela diversos aspectos do Reino. Centraliza-se no Rei, o nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto estava aqui na terra, Ele manifestou poder e governo divinos, até mesmo sobre a natureza e os demô­ nios. Isto significa que o Reino estava presente em Jesus e manifestava-se através dEle. Jesus comissionou seus discí­ pulos e enviou o Espírito Santo no dia de Pentecostes para que eles manifestassem o poder de Deus em todo o mundo desta era. Portanto, o Reino está presente na Igre­ ja e manifesta-se através dela. Mas Ele também olhou para a frente, para um futuro Reino na terra, onde novamente beberia do fruto da vide e seus 12 apóstolos se assentari­ am sobre 12 tronos para julgar as 12 tribos de Israel (Mt 19.28; 26.29). Esse Reino cumprirá na terra, na era vindoura, as pro­ fecias de restauração e bênçãos prognosticadas no Antigo Testamento. A despeito da expansão do Evangelho e do derramamento do Espírito Santo, este presente século é um século mau, do qual nosso Senhor Jesus Cristo irá “nos livrar” (G1 1.4). Será substituído pela dispensação do Reino. Mas a transição não se dará de modo gradual, a estender-se por um longo período de tempo, como ensi­ nam os pós-milenistas.1 Haverá um tempo de crise ao final


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Capítulo 3 A Tribulação

Nosso Destino

desta era, quando a ira e o julgamento de Deus serão derramados como nunca antes. o Reino S erá E stabelecido por meio d e J ulgamento

Muitas passagens do Antigo Testamento retratam o julgamento de Deus que deverá vir sobre este mundo pecador antes da realização das promessas de restauração e bênçãos. Pela razão de a terra estar corrompida pela imoralidade e maldade, o fogo do julgamento de Deus consumirá os seus habitantes e poucos restarão (Is 24.5,6). Joel compara esse julgamento a uma ceifa, na qual as nações serão reunidas no vale de Josafá, literalmente, “o vale onde o Senhor julga” — também chamado “o vale da Decisão” —, onde o Senhor apresenta sua decisão e profe­ re sentença, pois a iniqüidade é muito grande (Jl 3-2,1214). Zacarias também profetizou juízo sobre as nações reunidas contra Jerusalém, o que João denominou a bata­ lha do Armagedom (Zc 14.2-4; Ap 16.16; 19.19)-2 UM

q u a d ro fun d am en tal

Daniel 2 nos proporciona um quadro panorâmico de vital importância. Nabucodonosor viu, num sonho, “uma grande estátua; essa estátua, que era grande, e cujo es­ plendor era excelen te, estava em pé diante de ti [Nabucodonosor]; e a sua vista era terrível. A cabeça da­ quela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços, de prata; o seu ventre e as suas coxas, de cobre; as pernas, de ferro; os seus pés, em parte de ferro e em parte de barro”. Enquanto Nabucodonosor estava observando, “uma pedra foi cortada, sem mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu toda a terra” (Dn 2.31-35)-


O Reino Será Estabelecido por meio de Julgamento

A ESTATUA DA BABILÔNIA AINDA ESTA CONOSCO

A interpretação de Daniel ao sonho de Nabucodonosor, dada por Deus, mostra que a estátua representa uma se­ qüência de impérios, começando por Nabucodonosor e a Babilônia. Este foi seguido pelo império medo-persa, de­ pois pelo império grego de Alexandre, o Grande, mais tarde pelo império romano e, finalmente, pelos Estados nacionalistas que, como ferro e barro, eram parcialmente fortes e parcialmente frágeis — algumas nações durando um longo tempo, enquanto que outras sempre se dividin­ do —, nenhuma permanecendo unida.3 Essa condição de ferro e barro tem sido característica dos Estados que descendem do antigo império romano desde a sua queda. Tentativas de reedificação do império têm fracassado vez após vez. Carlos Magno tentou restabelecê-lo. O mesmo tentou fazer Napoleão. Em 1914, o kaiser sonhou com um império igual. Mussolini também teve esse sonho e proclamou que faria do Mediterrâneo um lago romano. Hitler tentou assumir o controle de toda a Europa. Todos fracassaram. Outros que tentaram unir a Europa também fracassaram. A Corte Internacional de Jus­ tiça e a Liga das Nações não sobreviveram. As Nações Unidas nunca foram muito unidas. Pode ser que o Merca­ do Comum Europeu e a Comunidade Européia tragam uma aparente ou temporária unidade, que possivelmente sirva de preparação para a manifestação do Anticristo. Mas seu governo também durará pouco tempo. Observe também que, a despeito de um império dar lugar a outro, todos fazem parte da mesma estátua, do mesmo sistema mundial. Na realidade, nunca haverá uma nova ordem mundial até que a estátua seja destruída e cada remanescente seu desapareça. O presente sistema mundial ainda traz as marcas dos impérios que o precede­ ram. Ainda temos a idolatria babilônica e o amor à luxúria. A religião medo-persa supõe que o mundo acabará com

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todos tendo de passar através de um rio de fogo. Se as boas obras de uma pessoa superarem as más obras, o fogo parecerá como um leite morno; do contrário, ele real­ mente queimará. Isto estimulou um sistema ético que fez com que as pessoas saíssem por aí tentando fazer sua boa ação diária. Esse sistema ético de boas obras ainda é mui­ to comum. A filosofia grega é a base da maior parte da filosofia moderna, e a arte grega e sua exaltação ao ser humano ainda está presente em toda parte. A lei romana e as idéias romanas de poder promovem o direito, e a ma­ nutenção da paz pela força ainda influencia a política mundial. Na verdade, o atual sistema mundial, com o colapso de muitos dos Estados europeus, ainda é ferro e barro — fazendo parte da mesma estátua. Nenhuma das atuais tentativas humanas ou políticas de trazer uma nova ordem ou uma nova era mudará isso. A ESTÁTUA FOI ATINGIDA NOS PÉS

Daniel 2 não trata do Anticrísto, porque seu reino faz parte do ferro e do barro dos pés da estátua. O ponto importante aqui é que a pedra cortada de um monte atinge a estátua nos pés, não na cabeça ou em qualquer outra parte da estátua, de modo que o sonho não dá a entender que Babilônia deva ser reconstruída ou que os impérios medo-persa, grego ou romano tenham de ser restabelecidos. Alguns tomam Isaías 13.19, que profetiza a respeito da destruição de Babilônia, para afirmar que Babilônia terá de ser reconstruída, a fim de que seja possível o tipo de destruição descrita. O versículo 20 diz: “Nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração”. Isto implica que, depois de uma súbita destruição, Babilônia nunca mais será reconstruída. De fato, o rei Senaqueribe destruiu Babilônia de maneira repentina em 689 a.C., cho­ cando o mundo de então quando a nivelou ao solo e


O Reino Será Estabelecido por meio de Julgamento

escavou valas do rio para fazer daquele lugar um pântano, como está profetizado em Isaías 14.23. Entretanto, a cida­ de era muito importante naqueles dias e foi reconstruída por Esar-Hadom, filho de Senaqueribe, e seu presente estado é o resultado, não de uma súbita destruição, mas de uma gradual deterioração e abandono em benefício de Bagdá. Todavia, os verbos hebraicos empregados no versículo 20 estão na voz ativa, e não na passiva. Numa tradução mais literal,. teríamos: “Não repousará infinita­ mente e não continuará vivendo de geração em geração”. Por quê? O versículo 22 nos dá a resposta: “Bem perto já vem chegando o seu tempo, e os seus dias não se prolon­ garão”. Em outras palavras, essa profecia está dizendo que Babilônia em breve será destruída, e não que nunca será reconstruída.4 Assim, Deus julgará o mundo em sua atual condição de ferro e barro (piorada pelo Anticristo e seu falso profeta). Então, o Reino será estabelecido sobrena­ turalmente “sem auxílio de mãos humanas”, e pela pri­ meira vez teremos uma ordem mundial completamente nova. Daniel 2 também não contempla o Evangelho a assu­ mir, pouco a pouco, a direção dos reinos deste mundo, como ensinam o pós-milenismo e suas variações moder­ nas, tais como o “reino agora” e a teologia do domínio.5 A pedra não penetra na estátua e a transforma. Mas antes, despedaça não apenas os pés, mas a estátua inteira. E “o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiu­ çará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre” (Dn 2.44). Três coisas se destacam aqui. O Reino tem de entrar em vigor mediante julgamento. O Reino será estabelecido pela direta, súbita e drástica intervenção de Deus. E, quan­ do estiver estabelecido, continuará para sempre. Nem mesmo o fim do Milênio dará um fim à Pedra, pois é

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Nosso Destino

Cristo, e o seu governo continuará pelos novos céus e pela nova terra que virão. U ma V isão G eral

da

H istó ria

No começo de sua vida, Daniel interpretou os sonhos de outras pessoas, porém, mais para o fim, Deus lhe deu uma série de quatro visões, as quais nos fornecem mais detalhes a respeito da seqüência dos impérios, revelandonos suas características interiores. Daniel 7 nos proporci­ ona uma visão geral da História, começando no próprio tempo de Daniel e culminando com a segunda vinda de Jesus nas nuvens em grande glória. As três visões que se seguem apresentam mais informações acerca de certos aspectos da História discorridos no capítulo 7 até a bata­ lha do Armagedom e o Julgamento Final (Dn 11.46—12.3).6 Alguns escritores associam os “quatro animais gran­ des” do capítulo 7 com as nações do tempo do fim.7 Entretanto, Daniel 8 trata com maiores detalhes do impé­ rio medo-persa e do império grego de Alexandre. O para­ lelo com o capítulo 2, tanto no capítulo 7 quanto no 8, parece estar claro. O quarto animal do capítulo 7 repre­ senta o império romano e todos os que o seguem, até o fim dos séculos. As dez pontas, ou chifres, no quarto animal são governos ou reinos ao final dos tempos, que podem ser identificados com os dez reis contemporâneos do Anticrísto (Dn 7.24; Ap 17.12). Que eles ainda perten­ cem ao futuro é visto pelo fato de a ponta pequena arran­ car três daquelas pontas (Dn 7.8). O quarto animal e a ponta pequena (o Anticrísto) de­ vem ser destruídos, e então, depois disso, Daniel vê que “vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem” e “foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domí­ nio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, o único que não será destruído” (Dn 7.13,14). Isto associa


Os Sete Anos de Tribulação

de modo bastante claro aquele “como o filho do homem” com a Pedra do capítulo 2. O Novo Testamento também identifica a Pedra com Jesus, e o próprio Jesus declarou sua identificação com aquEle que vem sobre as nuvens do céu (Mt 24.64). O s S ete Anos

de

T ribu la çã o

O livro de Apocalipse mostra que esta era findará com uma eclosão do mal e uma série de julgamentos que culminarão no fim do presente sistema mundial. Em ou­ tras palavras, está sob consideração um determinado perí­ odo de tempo, que, de acordo com Daniel 9.24-27, julgase que seja de sete anos. Daniel estava preocupado com o que o Senhor dissera aos exilados judeus na Babilônia: “Passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cum­ prirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a tra­ zer a este lugar [Jerusalém]” (Jr 29.10). Os setenta anos estavam prestes a se cumprir, e ainda não havia evidências de que um retorno do exílio estivesse a ponto de aconte­ cer. Então, Daniel identificou-se com Israel, confessou os pecados do povo, reconheceu que não era por justiça da parte deles ou por sua própria que mereciam retornar e orou em busca de perdão e pela volta do exílio por amor do Senhor. O anjo Gabriel trouxe a resposta do Senhor. Obvia­ mente, os setenta anos profetizados por Jeremias teriam seu cumprimento. Entretanto, Deus não tinha acabado de tratar com Israel. Gabriel disse: “Setenta semanas [ou, setenta ‘setes’] estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santos dos santos” (Dn 9.24). Considerando que as setenta “se­ manas” vão além dos setenta anos da profecia de Jeremias, cada “semana” é uma unidade numérica de sete anos.8

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Nosso Destino

Um período totalizando 69 semanas (483 anos) serve de introdução ao tempo do “Messias”, que “será tirado” (Dn 9.26). Diferentes datas têm sido propostas para o início dos 483 anos. Alguns tomam como ponto de partida o ano de 538 a.C., quando Ciro decretou o retorno dos judeus a Jerusalém. Mas eles voltaram para reconstruir o templo, e não a cidade. Outros julgam que tenha começado pelo decreto expedido em 445 a.C., quando Neemias voltou para reconstruir os muros de Jerusalém, mas isto implica em considerar os anos como tendo 360 dias cada, para fazer com que os 483 anos terminem em 32 d.C.9 A carta citada em Esdras 4.11-16 indica que Esdras voltou para reconstruir a cidade em 458 ou 457 a.C., o que colocaria o fim do período de 483 anos em 26 ou 27 d.C., quando provavelmente Jesus deu início ao seu ministério.10 Depois do período de 483 anos, o Messias, o Ungido, seria “tirado” ou “cortado” (cf. Is 53.8). “O povo do prínci­ pe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações. E ele confirmará um con­ certo com muitos por uma semana; e, na metade da sema­ na, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até a consu­ mação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Dn 9.26,27). “O povo” que destrói a cidade e o santuário são os romanos, que destruíram Jerusalém e o templo em 70 d.C. (cf. Lc 21.20). São eles o povo “do príncipe, que há de vir”, somente no sentido de que eles pertencem ao mes­ mo sistema mundial contrário a Deus. “O príncipe, que há de vir”, está ligado ao fim dos tempos e, portanto, referese ao Anticrísto do tempo do fim.11 Note que a destruição de Jerusalém e do templo não ocorreu imediatamente após a crucificação de Jesus, deixando claro que há um


A Abominação da Desolação

intervalo de tempo entre o final das 69 semanas e o início da septuagésima semana.12 E, considerando que a profe­ cia fala do fim, muitos exegetas acreditam que esse inter­ valo corresponda ao período da Igreja. Também está claro que as setenta semanas estão decretadas para Israel e Jerusalém “para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santos dos santos” (Dn 9.24). Para Israel, alguns desses objetivos ainda estão no futuro (Rm 11.25-29). Israel ainda não experimentou “a justiça eterna”, nem a visão foi selada por haver sido totalmente cumprida. O “ungir o Santo dos santos” pode também ser uma referência à restauração do templo milenar.13 Por conseguinte, as setenta semanas ainda não tiveram um completo cumprimento.14 Então, o príncipe que há de vir “firmará um concerto com muitos por uma semana”.15 Assim, o estabelecimento desse concerto indicará o início dos sete anos da Tribula­ ção. O concerto, ou tratado de paz, será feito com Israel, possivelmente em relação a uma disputa de terra (cf. Dn 11.39). Mais tarde, depois de três anos e meio, o príncipe quebrará o concerto, pondo um fim aos sacrifícios e às ofertas num templo reconstruído, e então estabelecerá a abominação da desolação (Dn 9.27).16 A A bo m in a çã o

da

D eso la çã o

Depois de declarar que o Evangelho do Reino deverá ser pregado, Jesus prosseguiu falando a respeito da “abo­ minação da desolação, de que falou o profeta Daniel” (Mt 24.15). O cumprimento inicial da profecia de Daniel acon­ teceu em dezembro de 167 a.C., quando Antíoco Epifânio construiu um altar pagão em cima do altar do holocausto e dedicou o templo de Jerusalém ao deus grego Zeus.17 Mas, tanto Daniel quanto Jesus viram um cumprimento mais abrangente. Daniel 11.36—12.1 salta à frente, para a

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época do Anticrísto e o período da Tribulação, o qual é descrito como “um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo”. Jesus também descreveu esse período como de “grande aflição” (Mt 24.21). Muitos crentes, hoje, já passam por difíceis lutas, mas a Grande Tribulação receberá o impacto da ira de Deus de uma forma que vai além de qualquer coisa que já se tenha conhecido no passado (Ap 14.10; 16.17-21). Nesse tempo, Satanás e as nações também estarão cheios de ódio e de fúria (Ap 11.18; 12.12). E também nesse período que se atingirá o clímax da rebelião do mundo contra Deus, com o surgimento do Anticrísto como ditador mundial, o que desencadeará terríveis julgamentos sobre as nações do mundo. A I ra

de

D eu s

e do

C o r d eir o

Esses julgamentos, entretanto, não são apenas para os pecados visíveis das nações. A ira descrita em Apocalipse não é somente a ira de Deus, mas é também a ira do Cordeiro (Ap 6.16). O Anticrísto é retratado como uma besta selvagem e destrutiva, mas Jesus, mesmo no julga­ mento, ainda é o Cordeiro, o Único que se deu a si mes­ mo como sacrifício inocente em nosso lugar na cruz, o Único que ainda traz as marcas de haver sido morto (Ap 5.6). Portanto, a ira é infligida sobre aqueles que rejeitam seu sacrifício e seu amor. Agindo de acordo com o pecado da incredulidade profundamente encravado em si mes­ mas, essas pessoas excluem-se a si próprias da salvação e das bênçãos pelas quais Jesus morreu para nos dar.18 Como o Cordeiro, Ele também é o Leão da tribo de Judá, que triunfou — a vitória já é dEle (Ap 5-5). Mas, na realidade, sua vitória foi ganha na cruz, pelo que João não vê um leão, mas um cordeiro. Ele faz sua obra e ganha suas vitórias, não pela força ou poder humanos, não pelos


Interpretações do Livro de Apocalipse

métodos deste mundo, mas pelas sete pontas e sete olhos que representam o poder e a sabedoria dos sete aspectos do Espírito Santo profetizados em Isaías 11.2.19 Satanás e as forças coligadas do Anticristo não serão páreo para Ele. Por causa do seu sacrifício como Cordeiro de Deus, Ele agirá com poder em toda a terra. Então, “ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15).20 I n ter pr eta ç õ es

do

L ivro

de

A po c a lipse

in ter pr eta ç ã o id ea lista

Desde o tempo de Orígenes (c. 185 a c. 254) e outros alexandrinos até os dias de hoje, alguns têm adotado uma perspectiva “espiritualista” ou “idealista” ao livro do Apocalipse. Compreendem-no como um quadro genérico do conflito entre o bem e o mal, sempre presente e cons­ tante, e, portanto, não consideram que haja quaisquer identificações específicas na História. Antes, pelo contrá­ rio, procuram por princípios gerais da atividade de Deus na História e pela garantia da vitória final. in t er pr et a ç ã o h ist o r ic is t a

Durante a Idade Média, tornou-se popular a interpreta­ ção historicista. Qual seja: seus proponentes tomaram os eventos do Apocalipse e os dispersaram ao longo da his­ tória da Igreja, ligando-os com acontecimentos que não são pertinentes, tais como a ascensão do papado e as invasões muçulmanas na Europa. Com a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453, a Turquia foi consi­ derada um anticristo. Então, o avanço turco pela Europa continuou. Em 1520, capturaram Belgrado e, em 1529, avançaram contra Viena, fazendo com que muitos descre­ vessem a Turquia como a sexta trombeta do Apocalipse. Os turcos foram rechaçados. Os acontecimentos relati­ vos à sétima trombeta não se realizaram. Conseqüente­ mente, uma nova geração de historicistas teve de reavaliar

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suas interpretações. Os historicistas sempre estão preo­ cupados em fazer com que o fim da seqüência termine em seus próprios dias. De fato, cada geração sente a necessi­ dade de revisar a História e redefinir suas idéias sobre as visões do Apocalipse. Alguns historicistas acreditam que os selos, as trombetas e as taças21 são julgamentos parale­ los entre si e que cada série de selos, trombetas e taças abrange o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Durante o século XVII, os protestantes, como Joseph Mede e William Hicks, adotaram uma postura historicista. Alguns, como Nathaniel Stephens (1656), reconheceram com exatidão que os profetas do Antigo Testamento vi­ ram a primeira e a segunda vinda de Jesus como um só evento. Os profetas, segundo a perspectiva que tinham, eram como pessoas viajando em direção a duas monta­ nhas distantes, cujos picos parecem estar juntos. Mas, quando chegam ao primeiro pico, descobrem que há um grande vale entre os dois picos e que o segundo ainda está a muitos quilômetros de distância. Entretanto, como historicistas, “consideravam as profecias de Daniel e do Apocalipse um panorama de sucessivos eventos reveladores abarcando vinte séculos ou mais da história da Igreja”.22 INTERPRETAÇÃO PRETERISTA

Ao contrário daqueles protestantes, Hugo Grotius e o teólogo jesuíta Alcazar optaram por uma perspectiva preterista23 em relação ao Apocalipse. Quer dizer, presu­ miram que a maioria das visões se relaciona com eventos ocorridos no primeiro século, ligando-os com as perse­ guições romanas feitas sob Nero (64 d.C.) e Domiciano. Essa interpretação afirma que as profecias do Apocalipse já se cumpriram e realmente não dizem respeito a nós. Alguns, como William Gild e Thomas Hall, argumentavam que o Milênio já passou e que a Igreja não espera por mais


As Visões de João

nada, senão pela vinda de Jesus, imediatamente seguida por um julgamento geral tanto dos justos quanto dos ímpios.24 Ainda hoje, a interpretação preterista é popular em muitas denominações.

Capítulo 3 A Tribulação

INTERPRETAÇÃO FUTURISTA

Considerando que o Apocalipse autodenomina-se pro­ fecia (Ap 1.3),25 muitos na Igreja Primitiva eram futuristas: acreditavam que os julgamentos descritos nos capítulos 5 a 19 de Apocalipse aconteceriam num curto prazo de tempo durante o final do período da Igreja, ou seja, du­ rante a Tribulação. Esse ponto de vista teve pouca aceita­ ção entre os crentes ingleses do século XVII, na época em que a Versão do Rei Tiago estava sendo elaborada.26 De fato, Thomas Brightman (1615) declarou que um sacerdo­ te jesuíta, Ribera, inventou o futurismo, e, algum tempo mais tarde, James Durham afirmou que a idéia de que o Anticrísto reinaria apenas três anos e meio era promovida pelos católicos, com o intuito de evitar a idéia da Refor­ ma, que preconizava que o papa seria o verdadeiro Anticrísto.27 Não obstante, a interpretação futurista tem prevalecido ultimamente entre os pré-milenistas.

As V isõ es

de

J oão

As visões que João teve dos selos, das trombetas e das taças (Ap 6—9; 11; 15; 16) são os principais acontecimen­ tos descritos na parte central do livro do Apocalipse. Al­ guns consideram essas visões como descrições paralelas dos mesmos eventos a partir de diferentes pontos de vista. Entretanto, o sétimo selo apresenta e inicia a suces­ são das sete trombetas. As trombetas introduzem julga­ mentos parciais. Mais tarde, as taças derramam julgamen­ tos mais completos. Portanto, é mais provável que os julgamentos das taças venham depois dos julgamentos das trombetas e ocorram num curto período de tempo, perto do fim da Tribulação.

t


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Nosso Destino

os selos

Apocalipse 6 apresenta Jesus no céu como o Cordeiro no meio do trono, abrindo, um por um, os selos do livro (ou rolo) do julgamento de Deus. A abertura dos quatro primeiros selos mostra os quatro cavaleiros, personifican­ do conquista, guerra, fome e morte, respectivamente. É evidente que o quinto selo demonstra antecipação, pois está na expectativa de maiores julgamentos sobre um mundo que freqüentemente martiriza as testemunhas de Jesus. Considerando que não é plausível que os quatro cavaleiros representem uma seqüência (conquista por um pouco de tempo, depois guerra, depois fome, depois morte), parece provável que todos os julgamentos retra­ tados em conexão com os selos também indiquem expec­ tativa. Ou seja, quando cada selo é aberto, João no céu tem uma visão do que acontecerá no futuro, mas nada realmente acontece naquele momento. Por isso, o sexto selo é uma visão que descreve de modo geral todo o período do julgamento divino, que dará um fim a esta era e ocasionará o início do Reino milenial. O intervalo entre o sexto e o sétimo selo também denota expectativa, no sentido de que retrata os aconteci­ mentos que antecedem os julgamentos da Tribulação. Não foi permitido que se fizesse dano sobre a terra ou sobre o mar até que os 144 mil servos (gr. doulos, “escravos”) de Deus, provenientes de todas as tribos dos filhos de Israel, fossem assinalados com o selo do Deus vivo (Ap 7.1-8). Esse selo os identifica como propriedade de Deus, estan­ do debaixo de sua proteção e cuidado. Como “escravos”, estão prontos a realizar a sua vontade. E admissível que o ato de serem selados na testa também será acompanhado pelo selo do Novo Testamento: o batismo com o Espírito Santo, com a evidência inicial e externa do falar em outras línguas. Mesmo no Antigo Testamento, quando Deus con­ cedia um sinal externo, Ele também outorgava a realidade interior.28


As Visões de João

Entretanto, a tribo de Dã é deixada de fora dessa rela­ ção, possivelmente porque nunca reivindicou sua herança dada sob Josué e por ter sido a primeira a se voltar para a idolatria (Jz 18.1,27-30).29 Efraim também é reconhecido como herdeiro legítimo de José e é chamado pela tribo deste. Levi consta da lista, pois não é mais a tribo sacerdo­ tal, visto que o Messias já veio e, por sua morte e derrama­ mento do seu sangue, pôs em vigor a nova aliança. Parece que os 144 mil ficam na terra por certo tempo, levando-se em conta que os diretos julgamentos de Deus vêem somente sobre os “homens que não têm na testa o sinal de Deus” (Ap 9.4). Alguns teólogos especulam que os 144 mil serão comissionados e ungidos pelo Espírito Santo para pregar o Evangelho durante a primeira parte da Tribulação. Contudo, não é verossímil que estejam presentes quando a sexta trombeta for tocada (Ap 9-20), ou quando as duas testemunhas estiverem em plena ativi­ dade na terra (Ap 11.10). Pode ser que sejam martirizados ou, talvez, levados para o céu. Depois, em outra visão, João vê diante do trono uma grande multidão trajando longas vestes brancas. Em con­ traste com os 144 mil, seu número é grande demais para ser contado. Ao invés de ser composta somente pelas tribos de Israel, essa multidão é formada de todas as nações, tribos, povos e línguas da terra.30 Contudo, dificil­ mente isto quer dizer que Israel não faça parte dela, pois Israel também é um povo e a descrição que João faz da multidão é, sem dúvida, inclusiva. Um dos anciãos diz a João que esses vestidos de vestes brancas são os que vieram da Grande Tribulação. Alguns tomam o particípio presente “têm vindo” (“vieram”, gr. erchomenoi, ver Ap 7.14) para dizer que parte da grande multidão já havia passado pela Grande Tribulação nos próprios dias do apóstolo. Outros consideram o particí­ pio como contínuo (“continuam vindo”), referindo-se a

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todos os salvos durante todo o período da Igreja. Semelhantemente, compreendem que a expressão “Gran­ de Tribulação” seja um hebraísmo — uma maneira hebraica de dizer “longa tribulação”, visto que a palavra hebraica para “grande” também pode significar “longo”, “alto” ou “numeroso”. Além disso, recorrem à declaração de Jesus de que no mundo (isto é, nesta era) teríamos “aflições” (gr. thlipsis), palavra cujo significado abrange “dificulda­ de”, “apuro”, “tribulação”, “adversidade”, “sofrimento” e “perseguição” (ver Jo 16.33; cf. At 14.22; Rm 12.12; 2 Co 1.4; 7.4; 2 Ts 1.4; Ap 1.9; 2.9). Portanto, a “multidão, a qual ninguém podia contar”, seria o número completo dos redimidos que terminaram seu tempo de provação na terra e que estão diante de Deus. Outros entendem que o particípio significa que a grande multidão está saindo ape­ nas desse período, antes da abertura do sétimo selo. As­ sim sendo, vêm da Grande Tribulação final e são mártires acrescentados ao número de conservos e irmãos revela­ dos na visão do quinto selo. Quem quer que sejam eles, já “lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Ap 7.14) e são, portanto, crentes nascidos de novo que servirão a Deus para sempre. AS TROMBETAS

Com o rompimento do sétimo selo, o livro pode ser aberto e seu conteúdo, posto em ação. Há silêncio no céu à medida que as atenções se voltam ao trono, para o que está prestes a acontecer na terra. Sete anjos com sete trombetas anunciam e enviam pragas como julgamentos parciais na terra: saraiva e fogo misturado com sangue; uma coisa, como um grande monte ardendo em fogo, é lançada no mar; uma grande estrela, ardendo como uma tocha, cai sobre a terça parte dos rios e das fontes das águas; a terça parte do Sol, da Lua e das estrelas são escurecidas; o poço do abismo é aberto; gafanhotos cau­ sam tormentos como escorpiões; quatro anjos são soltos,


As Visões de João

e a terça da humanidade é morta. Contudo, a despeito de todo esse julgamento, ninguém que tenha ficado vivo se arrepende. AS TAÇAS

Antes do derramamento das taças, cujos julgamentos são mais completos, os sete trovões proclamam uma men­ sagem, não sendo permitido que João a registre. A seguir, há um evento parentético descrevendo as duas testemu­ nhas. A sétima trombeta enche os céus de louvores. Como outros eventos parentéticos, temos a visão da mulher (Israel) vestida do Sol, que dá à luz um filho (Ap 12), a visão da besta que sobe do mar (o Anticrísto) e a visão da besta que sobe da terra (o falso profeta), com seus mila­ gres enganosos e a ordem para que todos aceitem a marca da besta (Ap 13). Em contraste com isso, três visões (Ap 14) dão uma nota de cunho positivo: o Cordeiro aparece no monte Sião, o Evangelho eterno é proclamado por um anjo e a queda de Babilônia é anunciada. Finalmente, as sete últimas pragas fazem com que os julgamentos da Tribulação atinjam um clímax, quando os vencedores no céu entoam o cântico de Moisés e do Cordeiro, Os julgamentos das taças são mais severos e completos: aparece uma chaga má e maligna naqueles que tinham a marca da besta; o mar se torna em sangue como de um morto; as fontes das águas se tornam em sangue; o calor do Sol aumenta; o reino do Anticrísto é mergulhado em total escuridão; o rio Eufrates seca; um terremoto muda a topografia da terra; e uma grande chu­ va de pedras cai sobre as pessoas. Novamente, ninguém se arrepende, antes, pelo contrário, blasfemam de Deus. Sabem que os julgamentos procedem de Deus, mas os seus corações permanecem endurecidos, enquanto obsti­ nadamente recusam arrepender-se.31 Estão prontos para que o Anticrísto e o falso profeta os recrutem para desafi­ ar Jesus na Batalha do Armagedom.

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0 A n tic r isto

O apóstolo Paulo teve de lidar com falsos mestres que diziam que o Dia do Senhor já havia chegado (2 Ts 2.2). Os crentes tessalonicenses estavam desconcertados e assusta­ dos, porque, pelo visto, esses mestres negavam a volta literal dejesus e a “nossa reunião com ele” no Arrebatamento (1 Ts 2.1). Obviamente, não estavam mais se consolando uns aos outros, como Paulo lhes havia ordenado (1 Ts 4.18; 5.11). Por isso, Paulo declarou que aquele dia não viria sem que antes viesse a apostasia e se manifestasse “o homem da iniqüida­ de,32 o filho da perdição” (2 Ts 2.3, ARA). Ou seja, a apostasia e a manifestação do Anticristo seriam os primeiros eventos a acontecer no Dia do Senhor. Tais acontecimentos não suce­ deriam até que “o mistério da injustiça” não fosse mais detido (2 Ts 2.6,7). Uma vez que nada disso havia acontecido, os tessalonicenses não estavam no Dia do Senhor e, portanto, ainda poderiam encorajar uns aos outros com a firme espe­ rança de serem arrebatados para o encontro com o Senhor nos ares. A APOSTASIA

Quando estava em Tessalônica, Paulo já havia explica­ do esse tópico, mas infelizmente não temos o registro de sua explanação. A “apostasia” (gr. apostasia) pode signifi­ car uma rebelião espiritual, mas, num sentido mais am­ plo, refere-se a uma rebelião militar, possivelmente uma guerra mundial ou o cumprimento de Ezequiel 38 e 39. Alguns supõem que poderia significar “partida” e julgam que seja o Arrebatamento da Igreja.33 Entretanto, a palavra apostasia nunca tem o significado de simples partida em qualquer outro lugar do Novo Testam ento, ou na Septuaginta, ou ainda no grego secular dos dias do Novo Testamento.34 Aqueles que o entendem como um cumpri­ mento de Ezequiel 38 e 39, vêem nesta batalha efeitos tão devastadores, que o mundo procurará por alguém que


O Anticrísto

assuma o controle de tudo, quando então o Anticrísto aproveitará a ocasião para estabelecer o seu governo. Ezequiel profetiza uma invasão a Israel por hordas de inimigos, que não apenas serão derrotadas, mas cujos cadáveres serão espalhados pela terra. A invasão virá do Norte (Ez 38.6,15; 39.2), comandada por “Gogue, prínci­ pe e chefe de Meseque e de Tubal” (Ez 38.3). “Príncipe e chefe” também poderia significar “príncipe de Rôs”, em­ bora esse não seja o significado normal no hebraico. Al­ guns associam Rôs com a Rússia, se bem que não há como provar isso.35 A identificação de Meseque e Tubal com as cidades de Moscou e Tobolsk não tem o mínimo funda­ mento. Antigos textos cuneiformes descobertos por ar­ queólogos localizam Meseque e Tubal na Anatólia Central e Oriental, hoje parte da Turquia, ao norte da Asia Menor, região que ficava nas “bandas do Norte” para os judeus dos dias de Ezequiel.36 O ponto importante aqui é que os exércitos comandados por Gogue virão de todas as dire­ ções — do Leste (Pérsia, o moderno Irã), do Sul (etíopes, o moderno Sudão e a Etiópia), do Oeste (Pute, hoje, a Líbia) e do Norte (Gômer e a casa de Togarma) — mas todos serão inteiramente vencidos. Outra possível interpretação: depois da derrota do Anticrísto, na batalha do Armagedom, Gogue reunirá ou­ tras nações que não faziam parte dos exércitos do Anticrísto e partirá para um ataque final contra Israel durante um período de transição antes do estabelecimento do Milê­ nio. Ou pode ser que Ezequiel 38 e 39 tenham mais do que um cumprimento no final dos tempos.37 0 MISTÉRIO DA INJUSTIÇA

O “mistério da injustiça” (2 Ts 2.7) certamente é uma alusão às “atividades nos bastidores exercidas pelos poderes das trevas ao longo do curso da história humana”.38 O Anticrísto é detido por alguma coisa (o pronome “o que”, em

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2 Ts 2.6, é neutro), enquanto que o mistério da injustiça é resistido por alguém (“um”, em 2 Ts 2.7, é masculino). Uma interpretação promovida por Tertuliano (c. 160 a c. 230) e comum, tanto nos tempos modernos quanto antigamente, diz que o versículo 6 se refere ao império romano, e o versículo 7, ao imperador. Todavia, Paulo, que não hesitou em tirar proveito de sua cidadania roma­ na e assumiu uma atitude positiva em relação ao governo (Rm 13.1-7; 2 Tm 2.1,2), dificilmente teria pensado no idólatra e imoral império romano como uma força a servi­ ço do verdadeiro Deus, uma força que restringe o mal. Nem o imperador romano, que declarou ser deus, pode­ ria estar retendo a manifestação do Anticristo.39 Oscar Cullmann é a favor da idéia de Teodoro de Mopsuéstia (c. 350-428), que afirma que o versículo 6 alude à pregação dos apóstolos, a qual deve ser feita antes da volta de Jesus, e que o versículo 7 diz respeito ao próprio apóstolo Paulo.40 Entretanto, nada no contexto de 2 Tessalonicenses favorece essa idéia. Nem é provável que Paulo pensaria de si mesmo como estando a reter o misté­ rio da injustiça até que, pela morte, fosse retirado. De que maneira a sua morte deixaria o caminho livre para a ação do Anticristo? A mesma dificuldade aplica-se àqueles que, como Lutero, consideram o papa ou o sistema papal como aquele que detém ou como a força que restringe o Anticristo. A frase “para que a seu próprio tempo [o Anticristo] seja manifestado” refere-se ao início do Dia do Senhor (2 Ts 2.3) e, na prática, começa depois do Arrebatamento dos verdadeiros crentes. Dale Moody, seguindo uma su­ gestão de Ferdinand Prat, salienta que o arcanjo Miguel é “o comandante das hostes celestiais e o protetor do povo de Deus” (Dn 10.13,21; 12.1; Ap 12.7-9). Assim, ele e os anjos sob seu comando poderiam ser aqueles que retêm o mistério da injustiça e a manifestação do Anticristo.41


O Anticrísto

Herman Ridderbos sugere que não deveríamos tentar ser específicos neste assunto e que, talvez, um poder sobrenatural ou uma pessoa ou mesmo o próprio Deus poderia estar em evidência.42 Entretanto, é difícil enten­ der como eles poderiam ser tirados do seu meio, visto que não só Deus como também os anjos estarão plena­ mente ativos durante todo o período da Tribulação. Entre os pré-milenistas, é comum outra interpretação desta passagem difícil. Alguns, mesmo na Igreja Primitiva, ensinavam que aquele que detém a manifestação do Anticrísto é o Espírito Santo.43 Ele é uma Pessoa que tem todo o poder, e não há como duvidar de que pode deter as forças de Satanás. O vocábulo “espírito” (gr. pneuma ) é neutro, e o grego normalmente utiliza pronomes neu­ tros para se referir a substantivos neutros, até mesmo quando faz alusão ao Espírito Santo. O Evangelho de João é uma exceção, quando usa o pronome masculino para enfatizar que o Espírito Santo é uma Pessoa (Jo 16.7,8,13,14). Entretanto, é comum Paulo empregar o pro­ nome neutro de modo gramaticalmente correto (como em Rm 8.16). Por conseguinte, muitos entendem que o “um” que resiste à manifestação do Anticrísto seja o Espí­ rito Santo. Mas não é o Espírito Santo quem será tirado do meio (retirado de cena, ou afastado do caminho). Durante o período da Igreja, o Espírito Santo está agindo através dos crentes. Paulo chama nossos corpos de templos do Espíri­ to Santo (1 Co 6.19). Quando os crentes se reúnem como uma assembléia, eles também são o templo do Espírito (1 Co 3.16). Assim, não há razão para que a palavra masculi­ na de João 16.7 não possa se referir aos verdadeiros cren­ tes que serão tirados do meio, levados no Arrebatamento. Isto se ajusta aos fatos que indicam que o Arrebatamento acontecerá antes que o Anticrísto seja revelado. Como crentes, esperamos por Jesus Cristo, e não pelo Anticrísto.

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Apocalipse 1.1 deixa esse ponto bem claro. As visões que João viu eram primariamente uma revelação de Jesus Cris­ to, e não do Anticristo.44 A NATUREZA DO ANTICRISTO

O nome “anticristo” provém das cartas de João, onde o apóstolo infere que o Anticristo realmente virá. Contudo, seus leitores precisavam estar atentos aos “muitos anticristos” (que falsamente reivindicavam ser “ungidos”), assim como ao “espírito do anticristo”, que já estava em ação (1 Jo 2.18,19,22; 4.2; 2 Jo 7). Por outro lado, o derra­ deiro Anticristo estará destinado à destruição, e seu tem­ po será comparativamente curto.45 Essa personagem tam­ bém será uma pessoa distinta, uma pessoa real, um ho­ mem em quem estará concentrado o cúmulo da injustiça (isto é, o menosprezo às instruções e à vontade de Deus). Muitos anticristos o prenunciarão, mas em sua pessoa se convergirá a rebelião de cada um deles, quando nesta era ele se tornar o agente final de Satanás. Ele será “o homem do pecado”. Mas, desde o momento em que se revelar já estará fadado à destruição. Considerando que a mesma expressão (gr. ho huios tes apoleias, “o filho da perdição”) é usada para se referir a Judas Iscariotes, al­ guns têm sugerido que Judas será ressuscitado e voltará como o Anticristo. Entretanto, Judas “se desviou, para ir para o seu próprio lugar” (At 1.25), o lugar de sua escolha. Lá, ele aguarda o julgamento final (Hb 9.27). Além disso, somente Deus pode ressuscitar os mortos. Desse modo, a expressão só pode significar que o Anticristo está destina­ do à destruição, assim como Judas.46 Visto que ele se levantará “contra tudo o que se chama Deus ou se adora”, ou seja, será contra o verdadeiro Deus e Jesus Cristo, podemos aceitar que o prefixo “anti” signi­ fique “contra”. Entretanto, na grande maioria das vezes, o prefixo grego anti significa “ao invés de” ou “no lugar


O Anticrísto

de”,47 e o Anticrísto se assentará “no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2 ,4 )48 Em outras palavras, é mais provável que ele não venha a se declarar Anticrísto. Será o último de todos os falsos cristos, mas poderá ou não reivindicar para si o título de Cristo, embora eventual­ mente alegue ser Deus.49 E possível que declare que Moisés, Confúcio, Buda, Jesus, Maomé e outros foram todos seus precursores e que ele é “aquele que havia de vir” (Mt 11.3). Sua vinda terá aparência sobrenatural, pois virá “se­ gundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem” (2 Ts 2.9,10).50 Essa descrição se encaixa com a ponta pequena, que tinha “uma boca que falava grandiosamente” (Dn 7.8,20), com o “príncipe” do mundo, que fará um concerto com Israel para mais tarde quebrá-lo (Dn 9.27), e com a besta, o blasfemo soberano mundial que receberá poder de Satanás e será possuído por ele, e cujo falso profeta fará milagres enganosos (Ap 13.1-17).51 A MARCA DA BESTA

Pela metade da Tribulação, o Anticrísto exigirá que todo o mundo receba uma marca na mão direita ou na testa, um sinal que é “o nome da besta, ou o número do seu nome”. Esse número foi identificado como sendo 666, um número que tem causado todo tipo de especulação.52 A maioria explica que esse número é obtido quando, subs­ tituindo-se as letras do alfabeto hebraico por seu valor numérico (os números arábicos foram inventados mais tarde), o resultado é 666. Por exemplo, quando se soletra “Nero César” em letras hebraicas (Neron Kaiser, uma transliteração) o total é 666, fazendo com que muitos dos antigos acreditassem que Nero voltaria à vida. Pela razão de as letras da palavra grega Benedictos somarem 666, o

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papa Benedito XI chegou a ser indicado como o Anticristo.53 Um ex-aluno meu, da Itália, disse-me que as letras que representam os numerais romanos na inscrição em volta do interior da Catedral de São Pedro, em Roma, somam 666, o qual ele atribui ao papa. Em 1962, um crente judeu em Jerusalém disse-me para tomar cuidado com Richard Nixon, pois seu nome transliterado em letras hebraicas (.Rikard Nigson) soma 666.54 E a lista é enorme. Entretanto, a idéia de somar as letras hebraicas não faz sentido, pois o Apocalipse foi escrito em grego e faz refe­ rência a letras do alfabeto grego. Jesus é chamado pela primeira e pela última letra do alfabeto grego. Ele é o Alfa e o Omega, e não o Álefe e o Tau, do alfabeto hebraico. Considerando que 666 “é número de homem [de um ser humano]” (Ap 13.18), ele está de alguma forma associ­ ado ao fato de o Anticristo declarar-se Deus mas, na realidade, ser apenas homem.55 Contudo, por causa da ordem intimando a todos a receberem o sinal na mão direita ou na testa, ele obterá controle econômico e se tornará o ditador do mundo inteiro. Mesmo assim, não será capaz de prevenir a queda do sistema mundial babilônico e o total colapso econômico (Ap 18.1-24).56 A B atalha

do

A km ag ed o m

Ao final da Tribulação, o Anticristo conduzirá os exérci­ tos de muitas nações, exércitos reunidos por Satanás, ao Armagedom. É então que Jesus “desfará [o Anticristo] pelo assopro da sua boca e [o] aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Ts 2.8). Isto está descrito com riqueza de detalhes em Daniel 2.34,35,44,45, Zacarias 14 e Apocalipse 19.11-21. .Daniel vê a pedra não só destruindo a grande estátua, mas também transformando-se numa montanha que enche toda a terra. Zacarias vê o Senhor no comando de toda a situa­ ção, reunindo as nações, que pensam que estão, tra­


Perguntas para Estudo

tando da “questão judaica” (Zc 14.1,2).57 “E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande... Então, virá o S e n h o r , meu Deus, e todos os santos contigo, ó Senhor” (Zc 14.4,5).58 Nos capítulos 12 a 14 de Zacarias, a expressão “naquele dia” é en­ contrada 17 vezes; a palavra “Jerusalém”, 22 vezes; e o termo “nações”, oito vezes. Será uma gloriosa mani­ festação, quando Jesus voltar “para completar o que prometeu fazer”.59 Ainda que o mundo não o reconheça, Jesus está agora reinando no céu. Sua volta em glória revelará seu senho­ rio absoluto. Nesse tempo, o mundo saberá que Ele é o verdadeiro Cristo, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Então, o Anticrísto será visto como o impostor que real­ mente é. Seu destino final será o “ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19.20). P erg un tas

para

E st u d o

1. Quais as razões para que seja necessária a ocorrência de severos julgamentos antes que o futuro Reino possa ser estabelecido? 2. Quais as evidências de que o atual e ateu sistema mundial não melhorará antes da volta de Jesus? 3. De que forma as últimas visões de Daniel 7—12 confirmam a mensagem do sonho de Nabucodonosor, no capítulo 2? 4. Com base em que consideramos que a Tribulação, ao final desta era, será um período de sete anos? 5. Qual o significado da “abominação da desolação”? 6. O que significa o fato de Jesus ser retratado como um Leão e como um Cordeiro?

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7. Quais os principais argumentos a favor e contra cada uma das interpretações do livro do Apocalipse (idealista, historicista, preterista e futurista)? 8. Quais as vantagens em aceitarmos a interpretação futurista? 9. Tendo como base o ponto de vista futurista do livro do Apocalipse, de que maneira interpretamos os selos, as trombetas e as taças descritas no livro? 10. O que a Bíblia nos ensina acerca do Anticristo? 11. Qual o significado do sinal da besta? A moderna tecnologia nos dá algumas idéias sobre a maneira como esse sinal poderia ser aplicado? 12. O que acontecerá na batalha do Armagedom?


Capítulo Quatro

OTempo do Arrebatamento da Igreja

Aqueles que aceitam os pontos de vista alegórico, ide­ alista, preterista e historicista do livro do Apocalipse não colocam seus eventos num determinado tempo dentro do período da Grande Tribulação, ao final desta era. A manei­ ra como interpretam a palavra “tribulação” restringe-a às lutas que os crentes enfrentam ao longo da história da Igreja. Se, de algum modo, esperam por um arrebatamen­ to, encaram-no como uma ocorrência em conexão com a volta de Jesus em labareda de fogo para julgar o mundo. Alguns chegam a reconhecer que haverá um ressurgimen­ to incomum do mal ao final desta era. Os futuristas, entre­ tanto, reconhecem alguma coisa a mais: a Tribulação é um definido e limitado período de tempo, no qual acontece­ rão os julgamentos constantes em Apocalipse 6—19. Esse tempo de angústia foi profetizado para Israel em Daniel 12.1: “E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo [Israel], e haverá um tempo de angústia, qual nunca hou­ ve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naque­ le tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro”. Jeremias disse: “Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela” (Jr 30.7). Isaías previu que nesse período de Tribulação tam­ bém estariam envolvidos “os exércitos [satânicos e demo­ níacos] do alto na altura e os reis da terra, sobre a terra”


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(Is 24.21). Zacarias 14.1-3 também indica que abrangerá “todas as nações [gentias]”. Aqueles que reconhecem que a Bíblia revela um perío­ do de Tribulação, dividem-se em três escolas de interpre­ tação: pré-tribulacionista, mídi-tribulacionista e póstribulacionista. Há ainda os que propõem a realização de múltiplos arrebatamentos em diversos pontos durante a Tribulação. Os pré-tribulacionistas enfatizam o conceito neotestamentário da iminência da volta de Jesus, que pode ser logo, embora o momento exato esteja nas mãos do Pai (At 1.7). Ensinam que o Arrebatamento se dará antes do início da Tribulação e ressaltam que a partida dos crentes para estar para sempre com o Senhor assinalará o começo da Tribulação. Reconhecem que, no Arrebatamento, Jesus virá “para” os santos, a fim de mais tarde retomar em juízo “com” os santos, ao final da Tribulação (Ap 19.14). Essa verdade foi por demais negligenciada durante o curso da história da Igreja, por causa do surgimento do amilenismo e do pós-milenismo.1 Em tempos modernos, recebeu maior expressão nos Estados Unidos através de Edward Irving, em 1828,2 embora não tenha sido claramente delineada como o foi mais tarde por J. N. Darby e pelos Irmãos Plymouth.3 Mesmo assim, não se trata de um conceito totalmente novo, mas antes um retorno ao estado de iminência, como foi ensinado pela Igreja Primitiva e uma volta à interpretação literal das profecias bíblicas. Os mídi-tribulacionistas têm uma variedade de opini­ ões no que respeita ao tempo exato em que se dará o Arrebatamento, mas todos concordam que a Igreja fiel estará na terra ao menos na primeira parte da Tribulação. OS PÓS-TRIBULACIONISTAS

Os pós-tribulacionistas acreditam que a Igreja estará presente na terra durante todo o período da Tribulação.4


Os Pós-tribulacionistas

Consideram os termos gregos paurosia (“manifestação”, “vinda”), epiphaneia (“aparição”) e apokalupsis (“revela­ ção”) palavras técnicas, cuja aplicabilidade somente pode ser atribuída à segunda vinda de Jesus após a Tribulação. Entretanto, um exame do contexto das diversas passagens em que essas palavras ocorrem mostra que não há susten­ tação para tal argumento. Os pós-tribulacionistas negam que a volta do Senhor se dê em duas etapas e argumen­ tam que seu parecer dominou durante a maior parte da história da Igreja. Mas, ao fazerem tais asseverações, estão se incluindo aos preteristas, que dizem que os eventos da Tribulação aconteceram no século I, de modo que a Tri­ bulação já terminou; aos historicistas, que afirmam que passamos pela Tribulação através de toda a história da Igreja; e aos idealistas, ou alegoristas, que espiritualizam a Tribulação, associando-a com as lutas desta vida. Nenhum deles ensina um período específico de Tribulação ao final desta era. Alguns, com base em Mateus 24.25 (“Eis que eu vo-lo tenho predito”) e em Marcos 13.23 (“Eis que de antemão vos tenho dito tudo”), afirmam que, considerando que nesses capítulos Jesus não menciona o Arrebatamento como um evento distinto, os pré-tribulacionistas devem estar errados. Mas argumentos baseados no silêncio são sempre muito fracos. Essas passagens só podem significar ou que Jesus disse aos discípulos tudo o que eles precisa­ vam saber, em resposta à pergunta que fizeram (Mt 24.3; Mc 13-4), ou que Ele lhes disse tudo, mas nem tudo foi registrado (ver Jo 21.25). Certamente Paulo, em 1 e 2 Tessalonicenses, nos apresenta detalhes que ele recebeu diretamente de Jesus (G11.11,12; 1 Ts 4.2), mas que Mateus e Marcos não registraram. Outros chamam a atenção para Hebreus 9.28: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os peca­ dos de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos

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que o esperam para a salvação”. Asseveram que esse versículo não permite que se separe a segunda vinda em duas fases.5 Na realidade, quando o comparamos com 2 Tessalonicenses 1.7-10, verificamos que a segunda vinda decididamente requer duas fases. A passagem de Hebreus 9.28 está falando com aqueles que esperam pela volta de Cristo para lhes trazer a salvação prometida, enquanto 2 Tessalonicenses 1 .7 - 1 0 descreve sua vinda em labareda de fogo para trazer juízo sobre os descrentes e narra sua glorificação no seu povo santo — que, para tanto, já deve­ rá ter comparecido diante do Tribunal de Cristo. Os pós-tribulacionistas também afirmam que os escri­ tos dos pais da Igreja Primitiva não mencionam duas fases para o retorno de Cristo.6 Entretanto, os pais da Igreja estavam preocupados em aprimorar, antes de mais nada, as doutrinas da Cristologia e da Trindade. Muitos nada disseram acerca do Arrebatamento, e aqueles que o fize­ ram quase sempre escreveram de uma maneira geral a respeito da expectativa em que viviam em relação à volta iminente do Senhor, sem se estenderem na exposição de seus pontos de vista.7 Então, por causa da influência da escola alexandrina e, mais tarde, da de Agostinho, a ten­ dência foi espiritualizar as profecias e dar pouca atenção aos detalhes do programa profético da Bíblia. A maioria dos pós-tribulacionistas explicam que a ira, a qual não estamos destinados (1 Ts 5.9), é o estado final dos ímpios — o lago de fogo. O contexto, entretanto, diz respeito ao Arrebatamento. Contam como certo que to­ dos os crentes que estiverem vivendo passarão pela Gran­ de Tribulação. Alguns supõem que muitos desses crentes serão martirizados. Outros sugerem que Deus os protege­ rá de alguma maneira especial, talvez como Ele protegeu os israelitas das pragas do Egito.8 Argumentam que o Novo Testamento não promete que os crentes escaparão das tribulações e sofrimentos.9 O ponto que lhes escapa é que


Os Mídi-tribulacionistas

a Bíblia utiliza a palavra “tribulação” (gr. thlipsis) para se referir a duas coisas diferentes. As vezes, a palavra grega alude aos sofrimentos, perseguições, dificuldades, aflições e angústias do coração que circunstâncias externas po­ dem causar ao crente enquanto ele busca servir o Senhor num mundo que rejeita a Jesus Cristo. Por exemplo, a mesma palavra é traduzida por “tribulação” quando Paulo fala que a “nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Co 4.17). Mas, os julgamentos que ocorrerão na Grande Tri­ bulação não fazem parte dessa mesma classe — são a ira de Deus (Ap 6.16,17; 15.1,7; 16.1). \

Os

M ídi-tribulacionistas

Em geral, os mídi-tribulacionistas entendem que a primei­ ra parte da Tribulação é um tempo de paz, enquanto o Anticrísto está a estabelecer seu governo. A maioria deles acredita que o Arrebatamento se dará ao toque da sétima trombeta do Apocalipse (Ap 11.15), a qual é associada por eles com a última trombeta de 1 Coríntios 15-52, que, por sua vez, parece ser a mesma trombeta de 1 Tessalonicenses 4.16.10 Entretanto, em 1 Tessalonicenses 4.16 só é mencionada uma trombeta, e não uma seqüência delas. O mesmo se aplica à última trombeta citada em 1 Coríntios 15-52. Aqui Paulo utili­ za a palavra “última” para indicar o encerramento do período da Igreja. O apóstolo diz: “A trombeta soará”. Não há indica­ ção de que seja a última de uma série de trombetas. A trom­ beta soará antes que a ira de Deus venha sobre a terra. Convoca os crentes e é chamada “a trombeta de Deus”. Ao mesmo tempo, ao chamá-la “última”, querendo dizer que é a última trombeta para esse tempo, não descarta a seqüência das sete trombetas angelicais que virão mais tarde, durante a Tribulação. Outros consideram as duas testemunhas como pessoas representativas da Igreja e supõem que quando essas tes­

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temunhas subirem “ao céu em uma nuvem” (Ap 11.12), será esse o momento do Arrebatamento da Igreja.11 Às vezes, os mídi-tribulacionistas falam de um “arrebata­ mento antes da ira” e reputam os últimos três anos e meio do governo do Anticristo como o período da ira.12 Alguns colo­ cam o tempo da ira bem no fim da Tribulação.13Não obstante, a visão do sexto selo parece indicar que a ira se estenderá durante toda a Tribulação (Ap 6.12-17).14 A TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL

Alguns mídi-tribulacionistas ensinam que haverá um arrebatamento parcial, e que parte da Igreja passará pela Tribulação. Reputam as exortações para vigiarmos e estar­ mos sempre alertas com o sentido de que os crentes amadurecidos vigiarão, enquanto que os crentes imaturos não serão bem-sucedidos em vigiar, e, desse modo, não serão arrebatados, tendo de passar pela Tribulação. Entre­ tanto, a parábola das dez virgens mostra que aqueles que não estiverem preparados para entrar quando o Noivo vier terão completa derrota (Mt 25.12). Isto significa.que a diferença não está entre crentes maduros e imaturos, mas sim entre aqueles que têm o óleo — a preparação feita pelo Espírito Santo na vida do crente para a vinda do Senhor e a realidade interior da graça de Deus — e aque­ les que somente aparentam estar esperando pela vinda de Cristo, mas não têm um relacionamento genuíno com Ele. Entre os que ensinam um arrebatamento parcial, mui­ tos são extremamente legalistas e encaram o Arrebata­ mento como algo que deve ser merecido, em vez de considerá-lo como parte da bênção de sermos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, algo que é nosso pela graça mediante a fé.15 Robert Gundry salienta, com exati­ dão, que “considerar o período da Tribulação um tempo de purgação para os crentes vivos que fracassaram em se qualificar para o Arrebatamento” requer que também haja


Os Mídi-tribulacionistas

algum tipo de purgatório para os crentes “que morreram num estado de imaturidade cristã”.16 0 ENSINO DOS MÚLTIPLOS ARREBATAMENTOS

Outros da escola de interpretação mídi-tribulacionista ensinam que haverá múltiplos arrebatamentos.17 Muitos desses ensinamentos dividem a Igreja em vários grupos, tais como a noiva, os filhos das bodas, os servos, os convi­ dados. Argumentam que, para que as Bodas do Cordeiro fiquem cheias, todas essas categorias devem estar presen­ tes. Em geral, tratam a noiva como um grupo especial do qual somente aqueles que forem santos o suficiente ob­ têm o direito de participar. Entretanto, assim como Jesus é o Cordeiro e é também o Pastor, suas parábolas conside­ ram a Igreja como a noiva, os convidados, os servos e os filhos. Jesus não trata essas categorias como divisões se­ paradas. Na realidade, cada uma delas é um aspecto da verdadeira Igreja. Quando o Novo Testamento fala a res­ peito da Noiva de Cristo, está em vista a totalidade da verdadeira Igreja. Todos os que fazem a vontade de Deus serão seus servos (gr. douli, “escravos”). Os apóstolos e outros irmãos com humildade se referiam a si mesmos como servos ou escravos do Senhor (Rm 1.1; Cl 4.12; Tt 1.1; Tg 1.1; 2 Pe 1.1; Jd 1; Ap 1.1). Jesus alude a seus discípulos como os convidados ou “os filhos das bodas” (Mt 9.15; Mc 2.19; Lc 5.34). Na parábola da grande ceia, os convidados primeiramente chamados são os judeus. As pessoas das ruas e bairros da cidade são aquelas despreza­ das pelos líderes judeus. Aqueles trazidos dos caminhos e atalhos são os gentios (Lc 14.15-24; cf, Mt 22.2-10). Paulo afirma categoricamente que todos os mortos em Cristo e todos os crentes que estiverem vivos serão leva­ dos juntos, de uma vez, formando um corpo no Arrebata­ mento (1 Ts 4.16,17).18 “Na verdade, nem todos dormire­ mos, mas todos seremos transformados, num momento,

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num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15-51,52). A única exigência para que os mortos sejam levados no Arrebatamento é que estejam “em Cristo”. O mesmo se aplica àqueles que ainda estiverem vivos quan­ do Ele voltar. Então, visto que Jesus não desce até a terra, mas vem sobre as nuvens, havendo então o encontro nos ares, é provável que os crentes vão com Jesus para 0 céu, a fim de comparecer no julgamento do Tribunal de Cristo e participar da ceia das Bodas do Cordeiro.19

Os

P ré-tribulacionistas

Os pré-tribulacionistas reconhecem que o apóstolo Paulo ainda tinha em mente o Arrebatamento quando disse: “Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.9).20 A morte sacrificial de Jesus garante que, quer tenhamos morrido antes do Arrebatamento, quer esteja­ mos vivos quando ele se der, viveremos “juntamente com” Jesus (1 Ts 5.10), pois Ele nos livrará “da ira futura” (1 Ts 1.10). O mesmo verbo grego (rhuomai) é usado para se referir ao livramento de Ló antes que o julgamento de Deus viesse sobre Sodoma (2 Pe 2.7). Alguns observam que isto contradiz o que está escrito em Mateus 24.30,31 (“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem”). Entretanto, o advérbio “então” (gr. tote) é muito geral. Jesus, ao falar sobre sua vinda, abrange um período de tempo que inclui não só a vinda para os eleitos, ou esco­ lhidos (isto é, para os verdadeiros crentes de todas as nações, inclusive Israel),21 mas também a vinda que 0 mundo inteiro verá. Mas Jesus não trata desse período em termos cronológicos. Assim como os profetas do Antigo Testamento, Ele fala um pouco disto, um pouco daquilo, ensinando acerca de um determinado aspecto de sua vin­ da, para então lidar com outro, nem sempre em ordem e


Os Pré-tribulacionistas

sem indicar o intervalo de tempo entre eles. Mas há o intervalo de tempo.22 Embora 2 Tessalonicenses 1 fale da manifestação de Jesus em labareda de fogo, o propósito de Paulo não é cronológico, e essa manifestação não deve ser confundida com a vinda de Jesus para buscar os crentes no Arrebata­ mento (1 Ts 4.17). No caso do Arrebatamento, o foco das atenções está nos crentes e no que acontecerá a eles quando subirem para o encontro com o Senhor nos ares e, então, ficarem para sempre com Ele. Na volta de Jesus em glorioso triunfo, o centro das atenções está no que acontecerá aos descrentes quando Jesus derramar o fogo do julgamento sobre eles. Por essa época, os crentes já estarão com o Senhor. Em 2 Tessalonicenses 2.1,2, Paulo volta ao assunto da vinda de Jesus no que se refere à reunião dos crentes. Esses versículos bem que poderiam ser parafraseados assim: Agora, em co n traste ao que falam os [no capítulo 1], rogamos que vós, irmãos (e irmãs), no interesse da verda­ deira interpretação da vinda [gr.

parousia ] de nosso Se­

nhor Jesus Cristo, até m esm o no que diz respeito à nossa reunião com Ele, não sejais tão facilm ente (tão rapidamen­ te, tão p recip itad am en te) desestabilizados, transtornad os em seu equilíbrio e confundidos, de modo que se sobressaitem e fiquem num contínuo estado de agitação por causa de alguma profecia, relatório ou carta supostam ente vinda de nós, dizendo que o Dia do Senhor já veio.

Em 1 Tessalonicenses, Paulo dá a plena garantia de que todos os crentes serão levados no Arrebatamento ao en­ contro do Senhor nos ares. A despeito da advertência do apóstolo em relação a tempos e datas (1 Ts 5.1), alguns começaram a fazer exaltadas especulações. Não fizeram caso das exortações para ficar vigilantes e manter um sóbrio equilíbrio e o autodomínio (1 Ts 5.6). Com essa

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disposição de espírito, estavam muito propensos a seguir qualquer vento de doutrina que surgisse (ver Ef 4.14). Ao invés de agirem como pessoas inteligentes com um senso de julgamento sadio, estavam saindo do juízo, como barcos arrastados pelo vento, cada vez para mais longe do ancoradouro. O resultado disso foi que eles ficaram per­ turbados, aterrorizados, abalados e cheios de ansiedades febris. Jesus usou a mesma expressão quando disse aos seus discípulos para que não ficassem perturbados quan­ do ouvissem falar de guerras e de rumores de guerras (Mc 13.7). A causa de toda essa confusão foi o falso ensinamento promovido por pessoas que reivindicavam ter a autorida­ de do Espírito Santo e do apóstolo Paulo. Chegaram mes­ mo a escrever cartas que afirmavam ser provenientes de Paulo. (Naquele tempo, as cartas eram ditadas a escribas ou secretários em vez de serem escritas pessoalmente, o que facilitava a circulação de uma falsificação.) Mas, ao final de 2 Tessalonicenses (3.17), Paulo chamou a atenção deles para a saudação de encerramento feita com sua própria caligrafia. Sua intenção era que os crentes prestas­ sem bem atenção nisso, de modo que não fossem mais enganados por qualquer outra fraude. 0 DIA DO SENHOR

O falso ensino que tanto perturbava a mente dos tessalonicenses era que o Dia do Senhor (o período de tempo no qual viria o julgamento) já tivesse chegado. Em outras palavras, esses falsos mestres estavam dizendo que, visto que o Dia do Senhor já tinha começado, não havia qualquer perspectiva de um arrebatamento literal que ser­ visse de consolo para eles. Paulo nega tal assertiva tão enfaticamente quanto possível (2 Ts 2.3). O ensinamento desses falsos mestres era enganoso, não importando que meios usassem para promovê-lo. (Tais meios poderiam


Os Pré-tribulacionistas

ter incluído falsas línguas seguidas de interpretação ou mesmo falsas profecias.) O grego de 2 Tessalonicenses 2.3 indica de forma bastante clara que a primeira coisa a ocorrer no Dia do Senhor será “a apostasia”,23 seguida pela manifestação do “homem do pecado” (o Anticristo). Esses dois eventos não antecedem o Dia do Senhor, mas fazem parte do julgamento que Deus permitirá que venha sobre a terra no Dia do Senhor.24 De fato, Paulo enfatiza que devemos esperar a ocorrência do Arrebatamento an­ tes que venha o Dia do Senhor e antes da manifestação do Anticristo, ressaltando ainda que podemos nos consolar uns aos outros (1 Ts 4.18; 5.11; 2 Ts 2.17). O fato de o “homem do pecado” vir a se assentar “no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.4), tam­ bém indica que o templo deverá estar reconstruído ao menos até a primeira parte da Tribulação. Conseqüente­ mente, para os pós-tribulacionistas e para os míditribulacionistas, não pode haver a idéia da iminência da vinda de Jesus, enquanto o templo não for reconstruído.25 NOSSA ESPERANÇA FUTURA

O ponto de vista pré-tribulacionista se ajusta melhor à futura esperança apresentada na Bíblia.26 Aos crentes — a quem repetidamente se diz para ficarem de sobreaviso e esperarem pela vinda do Filho de Deus (1 Ts 1.10) —, nunca é dito para “esperarem pela Grande Tribulação ou pela manifestação do Anticristo. Esperar que tais fatos devam suceder antes do Arrebatamento aniquila o ensinamento da iminência da volta de Jesus, o qual é abundantemente apresentado nas páginas do Novo Testa­ mento”.27 Em se tratando desse ensino sobre o Arrebata­ mento, verificamos que algumas passagens falam sobre a vinda de Jesus para levar os crentes para estarem com Ele (1 Ts 4.17), enquanto que outras falam sobre os crentes estando com Ele na sua vinda (Cl 3.4; Jd 14). Por conse­ guinte, é bíblico reconhecer duas fases da vinda de Jesus.

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O fato de não estarmos destinados para a ira indica que a Grande Tribulação ocorre entre essas duas fases da sua vinda.28 Lucas 21.34-36 também é importante: “E olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do Homem”. A expressão “toda a terra” mostra que Jesus está olhan­ do para uma época além da destruição de Jerusalém em 70 d.C. — para o fim desta era. A menção a respeito de evitarmos “todas essas coisas” que estão a ponto de acon­ tecer (em toda a terra) revela que aqueles que ficarem aqui sofrerão todas essas coisas e mostra que os crentes que estiverem preparados não passarão por qualquer par­ te da Tribulação. Visto que Ele fala em permanecer em pé na presença do Filho do Homem, deve estar se referindo ao Arrebatamento.29 Também é digno de nota que a Igreja não é mencionada em Apocalipse 4—18, nem há qualquer citação que possa ser uma referência específica à Igreja ou que tenha alguma relação com ela. Todavia, não permitamos que diferenças de opi­ nião concernentes ao tempo do Arrebatamento da Igre­ ja dividam os crentes. Em tudo o que nos cerca vemos o crescente engano, a terrível apostasia, os falsos pro­ fetas, os cultos satânicos, os ensinamentos da Nova Era. A fim de evitar o naufrágio espiritual daqueles que abandonam a fé, nossa atenção sempre deve estar concentrada em Jesus, o Cristo, que se ofereceu “uma vez, para tirar os pecados de muitos” e que “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a


Os Pré-tribulacionistas

salvação” (Hb 9.28). A “coroa da justiça” não está limi­ tada àqueles que têm as idéias certas acerca do Arre­ batamento, mas é prometida “a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8). As palavras de aprovação que todos queremos ouvir são: “Bem está, servo bom e fiel”. Desse modo, vamos todos nos ocupar com os assuntos do Senhor e, ao mesmo tempo, manter esse anelo, essa expectativa pela vinda de Jesus, a qual pode acontecer a qualquer momento. OS ÚLTIMOS DIAS

A Bíblia está cheia de esperança para o futuro. O cum­ primento das profecias relacionadas com a primeira vinda de Jesus nos dão a plena certeza da ocorrência de sua segunda vinda. O fato de o Espírito Santo estar presente agora nos dá mais certeza ainda de que estamos “nos últimos dias” (At 2.17). Também nos assegura que “os últimos dias” não continuam indefinidamente, pois neste tempo presente temos apenas “as primícias do Espírito” (Rm 8.23), e o batismo com o Espírito Santo nos dá so­ mente um sinal (gr. arrabon, “primeira prestação”) de nossa herança futura, a qual sem dúvida será nossa quan­ do Jesus voltar.30 Isto era proeminente no pensamento dos crentes do primeiro século e sempre deveria fazer parte da visão dos crentes de hoje. Também deveria ser observado que no dia de Pente­ costes Pedro não usou a expressão “está cumprido” quan­ do falou a respeito da profecia de Joel. Antes, pelo contrá­ rio, indicou que o Pentecostes era somente o começo de um derramamento que permaneceria disponível a todo aquele que pedisse (Lc 11.13). “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a todos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39; cf. At 8.14-17; 9.17; 10.44-47; 11.15-17; 19.1-7; G1 3.14).31

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E sperando

pela

Vinda

de

J esus

OS CRISTÃOS PRIMITIVOS

Embora o Senhor não tenha voltado imediatamen­ te, não houve “perda de fé na segunda vinda”.32 Mui­ tos acreditam que parte do propósito de Lucas em escrever seu evangelho relacionava-se à demora da volta de Jesus. Por outro lado, um senso da iminência da volta de nosso Senhor pode ser observado em toda a literatura cristã “até à metade do século II”. A partir de então, argumentos sobre a natureza e a Pessoa de Jesus começaram a dominar a atenção da Igreja,33 De­ pois disso, a verdade de que o mundo com toda a sua história está se encaminhando para a consumação, o que novamente revelará o julgamento e a misericórdia de Deus, recuou para segundo plano em grande parte do pensamento cristão, sobretudo na Igreja ociden­ tal.34 Para muitos, a única “vinda” de Jesus na qual pensavam era sua vinda na hora em que morressem.35 O Novo Testamento, entretanto, nos inspira um sen­ timento de alegria, à medida que nos encoraja a viver com os olhos voltados para a nossa bem-aventurada esperança da volta de Jesus, ainda que não forneça todos os detalhes que os curiosos gostariam de saber. Em vez de manterem a atenção fixa em Jesus, muitos hoje querem tratar a Palavra de Deus como se fosse um livro de adivinhação. Ficam perscrutando as pági­ nas sagradas, tentando determinar o que acontecerá a seguir. Cada novo líder político ou religioso de suces­ so que se levanta passa a ser assunto de especulação.36 O pior dessas especulações são as marcações de datas para a vinda de nosso Senhor Jesus. Os erros nesses prognósticos são usados por Satanás para fazer com que as pessoas se distanciem da firme esperança que a Bíblia proporciona.


Esperando pela Vinda de Jesus

MARCANDO DATAS

Vez por outra, ao longo de toda a história da Igreja, levanta-se alguém procurando marcar uma data específica para o retorno de Cristo. Lactâncio estabeleceu a data de 200 d.C. Hipólito disse que seria em torno do ano 500. A epístola de Barnabé (15-4) sugeria que mil anos são iguais a um dia e, delineando um paralelo com os seis dias da criação, o escritor supôs que após seis mil anos começaria o descanso do sábado milenar. Essa teoria foi repetida várias e várias vezes em escritos posteriores.37 Tais pesso­ as interpretam Salmos 90.4 (“Mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou”) e 2 Pedro 3.8 (“Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia”) de forma totalmente equivocada. Esses versículos apenas nos informam que Deus não está limitado ao tempo, como nós.38 Nunca foram designados para nos servir de base para o estabelecimento de alguma data para a segunda vinda de Jesus. A medida que o ano 1000 se aproximava, houve uma certa expectativa, porque alguns dos pais da Igreja sugeri­ ram que a criação ocorrera em cerca de 5000 a.C.39 Mas a excitação tomou conta de apenas alguns poucos. A Igreja Católica Romana deu pouca atenção ao fato, pois, segun­ do Agostinho, rejeitava a idéia de um reino milenar, espiritualizava-o, associava a Igreja com o Reino eterno e colocava a vinda de Jesus num futuro bem distante. A Igreja Católica encarou seu evidente sucesso no domínio da Europa, como prova de que estava “construindo a cidade de Deus aqui na terra e arrogantemente tomou para si a autoridade daquela cidade”.40 A Reforma, pelo seu “redescobrimento do Deus vivo da Bíblia, que ativamente intervém” nos assuntos huma­ nos, ocasionou um novo e poderoso ressurgimento da esperança da segunda vinda de Jesus.41 Martinho Lutero não marcou nenhuma data, mas julgava que estivesse vi­

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vendo nos últimos dias e que “Jesus se mantinha no ar pronto para retomar, a fim de libertar os seus e dar o golpe fatal num mundo cheio de corrupção”.42 Entretan­ to, alguns de seus seguidores projetaram datas para o fim do mundo, fixando-as entre 1588 e 1673.43 João Calvino foi mais ponderado ao reconhecer que a esperança da volta de Jesus nos ajuda a permanecer firmes em Cristo e a segui-lo, sabendo que Ele virá e restaurará tudo de acordo com os desígnios de Deus.44 Em 1588, o rei Jaime I publicou um comentário do livro do Apocalipse, no qual afirmou que, de toda a Bíblia, “o cerne da revelação tem de estar por estes nossos últi­ mos tempos”.45 Os puritanos, na Inglaterra, fizeram cálcu­ los que colocavam a volta de Jesus entre 1640 e 1660.46 John Napier usou os logaritmos para chegar a uma data entre 1688 e 1700.47 O sucessor de sir Isaac Newton, William Whiston, disse que o Milênio começaria em 1715. Quando 1715 passou, ele fixou o ano de 1734, e depois 1866. William Miller (1742-1849) predisse que Jesus voltaria em 1843. Então, em 1844, mudou a data para 22 de outubro daquele ano.48 As Testemunhas de Jeová anunciaram vári­ as datas, incluindo 1874, 1914, 1915 e 1975.49 Em 1988, um livro contendo 88 razões que indicam que Jesus pode­ ria voltar durante a festa judaica do Rosb Hashshanah50 daquele ano recebeu uma atenção fora do comum. O livro contém diversos erros e interpretações equivocadas que provavelmente não eram evidentes para o leitor casual. É claro que o livro provou não ser diferente de tantos ou­ tros do gênero que o antecederam e o seguiram. Nenhum daqueles que marcam datas presta muita aten­ ção em Marcos 13-33: “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo". Nem consideram de forma apro­ priada a resposta que Jesus deu aos seus discípulos justamen­ te antes de sua ascensão, quando perguntaram: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Sua resposta foi:


Esperando pela Vinda de Jesus

“Não vos pertence saber os tempos e as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder”— uma maneira educada de dizer que as épocas e as datas não eram da conta deles.51 Então, Jesus revelou o que desejava que todos fizessem: “Recebereis a virtude do Espírito Santo, e ser-me-eis testemu­ nhas tanto em Jerusalém como em toda ajudéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.6,8). Isto descarta toda e qual­ quer tentativa de estabelecer datas, inclusive sugestões acer­ ca do tempo e até mesmo da estação do ano em que Jesus virá.52 A atenção dos crentes deve estar voltada para Jesus (Hb 12.2,3) e para o fiel cumprimento da Grande Comissão (Mt 24.14,45,46; 25.21,23). Por outro lado, não devemos permitir que a fixação de datas amorteça nossa sensibilidade para a possível proxi­ midade da vinda de nosso Senhor. Depois de falar que a criação espera em “ardente expectação” pela “manifesta­ ção dos filhos de Deus”, pois “a mesma criatura será liber­ tada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”, a Bíblia prossegue: “Sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mes­ mos, esperando [ansiosamente] a adoção, a saber, a re­ denção do nosso corpo. Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; por­ que o que alguém vê, como o esperará? Mas, se espera­ mos o que não vemos, com paciência o esperamos” (Rm 8.19-25). Embora pareça paradoxal, o esperar ansiosamente e, ao mesmo tempo, “com paciência”, mostra que é bom estarmos na tensão entre o trabalhar e o vigiar, permane­ cendo de sobreaviso em relação ao tempo, sem, contudo, ficar marcando datas, seguindo as instruções de Jesus. A BREVIDADE DA VINDA DE JESUS

Nos primeiros séculos da Igreja, a palavra “breve” (gr. tachu) não causava nenhum problema, como acontece a

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alguns hoje em dia.53 O significado normal dessa palavra é “rapidamente”, “com pressa”, “sem tardar”, “num curto período de tempo”. Entretanto, é provável que Jesus esti­ vesse referindo à maneira como Ele virá, embora também seja evidente que Ele queria que os crentes vivessem com um senso da iminência da sua vinda. Quando Ele vier, virá repentinamente, “com pressa” e “como o ladrão de noite” (1 Ts 5.2). Para a Igreja Primitiva, tais expressões significavam o dever de ficar em permanente estado de alerta, pois “o senhor da casa” poderia voltar à tarde, ou à meia-noite, ou ao cantar do galo, ou pela manhã (Mc 13.35). De maneira geral, reconheceram que tinham uma missão a cumprir e compreenderam o significado da paciência de Deus, de modo que se dedicaram “irrestritamente à obra e não passaram por nenhuma crise em relação à demora da volta do Senhor”.54 Contudo, ao mesmo tempo, viviam na perspectiva da vinda do Senhor, aguardando com expec­ tativa “a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). 0 R ein o P r esen t e

Entretanto, é digno de nota que João Batista, Jesus e os discípulos enviados por Jesus, proclamassem a mensa­ gem: “O Reino de Deus [ou “dos céus”] está próximo” (Mc 1.15; ver Mt 3.2; 4.17; Lc 10.9,l l ) . 55 “Próximo” (gr. engiken) está num tempo perfeito da língua grega, cujo significado é “aproximou-se e ainda continua próximo”.56 A mesma palavra (engiken) é usada para se referir à proxi­ midade de um momento (a hora da traição, Mt 26.45) e à proximidade de uma pessoa (Judas, Mt 26.46). Tiago 5-8 utiliza esse termo para aludir à vinda do Senhor, e 1 Pedro 4.7 emprega-o para dizer que “já está próximo o fim de todas as coisas”.


O Reino Vindouro

Quando os fariseus acusaram Jesus de estar expulsan­ do os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios, Jesus declarou: “Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus” (Mt 12.28), com isso, querendo dizer que o Reino já estava presente. O poder e a autoridade reais de Deus estavam sendo manifestados através de Jesus e do Espírito Santo. Mais detalhes são apresentados por Jesus quando explicou que isso era uma manifestação do “dedo de Deus” (Lc 11.20), outra maneira de falar sobre o poder e a autoridade reais de Deus. A primeira vinda de Jesus foi claramente retratada como um tempo de cum­ primento das profecias. Jesus disse: “Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes, pois eu vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram” (Lc 10.23,24). Os discípulos já estavam provando “as virtudes do século futuro” (Hb 6.5), assim como todos os crentes hoje, mediante a vida em Cristo e através do poder do Espírito Santo.57 Foi com essa intenção em mente que Jesus disse aos fariseus: “O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós” (Lc 17.20,21). A “aparência exterior” dos fariseus incluía o cálculo de datas e a busca por sinais.58 Jesus rejeitou tal especulação. Portanto, con­ siderando que Ele estava falando aos fariseus, a expressão “entre vós” (ARC) foi muito bem traduzida. Os fariseus precisavam reconhecer quem estava em seu meio. O R ein o V in d o u r o AS EXPECTATIVAS DOS JUDEUS

Todavia, ainda que fosse evidente que o Reino, como poder e autoridade de Deus, tivesse adentrado o mundo através da Pessoa e ministério de Jesus, também é evidente

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que isso diferia das expectativas dos .judeus do primeiro sécu­ lo, sendo tão-somente uma prévia do que haveria de vir. Depois de Jesus ter alimentado os cinco mil, alguns dos judeus quiseram tomá-lo à força para fazer dEle a seu rei (Jo 6.14,15). As vividas profecias apocalípticas59 do livro apócrifo A Assunção de Moisés foram provavelmente um fator determinante para isso, Assim como também o foram as expectativas políticas dos Salmos de Salomão (c. 48 a.C.).60 Sem dúvida as pessoas imaginaram que se Jesus pôde por um milagre alimentar uma grande multidão, não teria qualquer dificuldade em superar os exércitos romanos. Mas Jesus evi­ tou isso, ao retirar-se para uma montanha, sozinho. Mais tarde, disse a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Não é “deste mundo” no que diz respeito à sua ori­ gem ou metodologia. Quando o Reino vier em sua plenitude, será por um ato sobrenatural. No monte da Transfiguração, Pedro, Tiago e João tiveram uma amostra da glória de Jesus, a qual será inteiramente revelada e compartilhada com os seus santos em sua segunda vinda. Mas a voz do céu direcionou a atenção deles para Jesus, e Jesus falou a respeito de seus futuros sofrimentos, pois a cruz tinha de vir antes da coroa (Mt 17.1-8,12,22,23). Os discípulos também teriam de sofrer antes que pudessem reinar com Ele, pelo que os orientou acerca da maneira como deveriam enfrentar as dificuldades e provações através da ajuda do Espírito Santo (Mt 10.19,20). Todavia, não deviam deixar de focalizar as suas atenções no futuro reinado com Cristo. Por essa razão, Jesus os ensinou (e também nos ensi­ na) a orar: “Venha o teu Reino” (Mt 6.10). Ele estava contem­ plando o Reino que envolvia um aspecto futuro — um reino e um domínio sobre a terra —, e Ele voltaria para cumpri-lo.62 UMA VÍVIDA EXPECTATIVA

Os cristãos gentios primitivos, como os tessalonicenses, tinham dos ídolos se convertido “a Deus, para servir ao


O Reino Vindouro

Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.9,10). “Esperar” (gr. anamenein) implica em ficar na expectativa. O Evangelho já havia sido espalhado em todas as direções. Por isso, em vista da promessa de Jesus registrada em Mateus 24.14, alguns concentraram suas atenções no tempo da volta do Se­ nhor. Por isso, quando alguns crentes morreram, surgiu o temor de que todo crente, ao morrer, perdesse a glória e as bênçãos relacionadas à volta de Jesus. Paulo deixou bem claro que eles não perderiam nada, pois ressuscitariam primeiro e em seguida, nós, os que estivéssemos vivos, seriamos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares (1 Ts 4.15-17). Paulo não lhes disse para deixarem de esperar ou de ficar na expectativa. Neste ponto, o próprio Paulo pode ter tido a esperança de ainda estar vivo quando Jesus voltasse.63 Contudo, também aguardava ansiosamente a ressurreição (1 Co 6.14; 2 Co 4.14; Fp 3.11), e disse: “Cada dia morro” (1 Co 15.31), o que significa que arriscava a vida todos os dias. Agia assim com ousadia por causa da plena certeza que tinha da futura ressurreição. Em vez de simplesmente esperar estar vivo quando Jesus voltasse, parece que concentrava suas atenções no Senhor.64 Tam­ bém reconheceu que os coríntios não tinham falta de nenhum dom espiritual e que isto estava relacionado com a espera ansiosa que mantinham pela “manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7). Mas isto era igual­ mente o resultado da graça de Deus a eles concedida em Cristo Jesus, o que significa que sob todos os aspectos haviam sido enriquecidos nEle (1 Co 1.4,5). Com efeito, a atenção deles devia estar concentrada no Senhor Jesus, e não no tempo da sua vinda. Mais tarde, quando Paulo soube que daria sua vida como testemunha (mártir) por Cristo, sua esperança e

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certeza não foram toldadas, como ele mesmo declarou: “Combati o bom combate [o único combate digno de ser combatido], acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, o justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.7,8). A demora em acontecer essa manifestação não incomodou Paulo, pois sua esperança estava fixada em Jesus, e não no tempo. Não obstante, ele promoveu um amor por Cristo que inspiraria um contínuo anseio pela sua vinda. A TENSÃO ENTRE 0 “BREVE” E 0 “AINDA NÃO”

Na realidade, o próprio Jesus advertiu seus discípulos, por inúmeras vezes, que sua vinda seria retardada.66 A demora está implícita nas parábolas do grão de mostarda (Lc 13.18,19), da semente (Mc 4.26-29), do semeador (Lc 8.5-15), do trigo e do joio (Mt 13.24-30), dos dez talentos (Mt 25.14-30, note o v. 19: “E, muito tempo depois...”) e das dez virgens (Mt 25.1-13, observe o v. 5: “E, tardando o esposo...”). O atraso também está implícito quando o re­ lato da viúva persistente finda com a pergunta: “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” (Lc 18.8). Bem antes de sua entrada triunfal em Jerusalém, Jesus contou a parábola dos dez servos e das dez minas, porque as pessoas “cuidavam que logo [gr. parachrema, “imedia­ tamente”] se havia de manifestar o Reino de Deus”. A parábola (Lc 19.11-27) informa que, ao mesmo tempo que teria de haver uma demora, as pessoas teriam de perma­ necer alerta, preparadas para o momento em que Ele poderia voltar. Na parábola, Jesus se compara a um ho­ mem de nobre nascimento que partiu para uma terra “remota” (distante), a fim de tomar para si um reino e depois voltar. Isto indica que Ele ficaria ausente por um


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longo período de tempo. Mais tarde, os discípulos com­ preenderam que a parábola significa que antes que Jesus pudesse voltar como Rei, deveria subir aos céus para ali ser entronizado (Hb 12.2; Ap 3.21).

Sinais. Na última semana antes de sua crucificação (como registrado em Mt 24), os discípulos chamaram a atenção admirados para a construção do templo. Pelo visto, quando Jesus lhes disse que nenhuma pedra ficaria sobre a outra, os discípulos concluíram que tal destruição traria a volta de Jesus e o fim dos tempos. Por isso, indaga­ ram: “Dize-nos, quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Jesus, entretan­ to, não respondeu à pergunta imediatamente. Primeiro, direcionou a atenção deles para o que teriam de enfrentar neste mundo e os advertiu contra os enganadores. Dei­ xou subentendido que precisamos ser cuidadosos acerca da procura por sinais, pois os muitos falsos cristos indubitavelmente lançariam mão de “sinais” para enganar a muitos. Alguns teólogos tentam converter as “guerras e rumores de guerras” em sinais, mas guerras, fomes, terre­ motos e as perseguições que os crentes sofrem são ape­ nas parte das coisas pertinentes a esta era. Os sinais do fim dos tempos não deveriam ser usados como “um intrigante jogo de especulação”. Antes, pelo contrário, deveriam “produzir uma radical mudança de vida... um compromisso mais sério com Jesus Cristo e um maior grau de não-conformismo com o sistema do mun­ do”.67 Precisamos enfatizar tudo isso, ainda mais porque vemos que os falsos profetas estão aparecendo e enga­ nando as pessoas, e porque verificamos que a maldade está aumentando e o amor de muitos está ficando cada vez mais frio. Somente aquele que perseverar até o fim é que será salvo (Mt 24.13). No grego, o verbo “perseverar” está no singular, pois Jesus quer que cada um de nós o aplique a si mesmo.

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i A salvação aqui em vista é a completa herança que Jesus dará a cada crente quando voltar. Inclui nossos no­ vos corpos e nosso reinado com Ele no Milênio. Manten­ do essa maravilhosa promessa diante de nós, recebere­ mos ajuda para nunca mais voltarmos ao mundo ou à antiga vida. O que Jesus também queria que os discípulos entendessem era que este mundo não seria um mundo ideal. A plenitude do Reino ainda não chegou. Até mesmo os sofrimentos desta vida são apenas “o princípio das dores [de parto] ”, comparados com o julgamento que virá ao final desta era — julgamento esse que estabelecerá o Reino (conforme o indica Dn 2.44,45). Jesus também desejava que os discípulos compreen­ dessem que não poderiam esperar por condições ideais para então proclamar o Evangelho. Deveriam sair pelo mundo com todas as suas guerras, rumores de guerras, fomes, terremotos, falsos cristos e falsos profetas para pregar o Evangelho. Deveriam viver pela fé em meio a todos esses eventos adversos. Ao invés de se permitirem ser distraídos por eles, deveriam manter sua confiança na Palavra revelada de Deus e conservar sua esperança em Jesus, enquanto realizavam a Grande Comissão. Outrossim, o fato de que “este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes” antes do fim, antes da consumação dos sécu­ los, também indica a existência de um tempo considerável (Mt 24.14).68 (Observe-se que o Evangelho do Reino é o mesmo que Jesu s proclam ou, o mesmo que Ele comissionou seus discípulos a ensinar e a pregar, e o mesmo que o apóstolo Paulo pregou tanto aos judeus quanto aos gentios, pois há apenas um Evangelho [At 10.25; 28.23,31]. Assim como Paulo disse aos gálatas: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” [G1 1.8] .69)


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Na última ceia, quando Jesus disse aos discípulos: “Não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai” (Mt 26.29), de­ terminava Ele que devemos esperar pelo Reino.70 “Aquele Dia” é claramente um dia futuro, o prometido Dia do Senhor, quando haverá julgamento e restauração. “Este fruto” indica que “aquele Dia” será nesta terra e o Reino do Pai também será nesta terra, e não apenas no céu.71

Esta Geração. Jesus nunca disse por quanto tempo ficaria ausente.72 O que Ele realmente disse foi: “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas acon­ teçam” (Mt 24.32-34; Mc 13.28-30; Lc 21.29-32). Hoje, há quem tome essas palavras para dizer que Jesus esperava retornar dentro do prazo de uma geração, ou seja, qua­ renta anos.73 Mas não prestam atenção o suficiente ao que Ele imediatamente acrescentou: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai” (Mt 24.36; Mc 13-32). Por con­ seguinte, outras interpretações têm sido propostas. Alguns consideram que a palavra “geração” (gr. genea) tenha o significado de “raça”, sendo, portanto, uma refe­ rência ao povo judeu como raça. O sentido mais próximo da palavra refere-se àqueles que descendem de um antepassado comum. Por isso, a palavra veio a significar “raça” ou “nação”. Conseqüentemente, a interpretação do versículo seria que o povo judeu não irá ser aniquilado pelas calamidades, guerras, fomes, terremotos etc. Sem dúvida, isso tem sido verdadeiro ao longo dos anos. Onde estão as outras pequenas nações que circundavam o anti­ go Israel, tais como os moabitas, os edomitas, os amonitas, os heteus, os horeus, os heveus, os jebuseus, os filisteus?

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Foram espalhadas para diversos pontos do mundo, casa­ ram com diferentes grupos de pessoas e perderam a iden­ tidade. Os judeus também foram dispersados, casaram com pessoas de outras raças e credos e têm passado por muitos sofrimentos, mas, pela providência de Deus, não perderam a identidade.74 O uso mais comum da palavra genea no Novo Testa­ mento diz respeito aos contemporâneos de Jesus, à gera­ ção de pessoas que então viviam.75 Entretanto, a Septuaginta traduz usualmente a palavra hebraica dor no Antigo Testamento por genea, o que “revela um tipo de homem... o tipo mau que se reproduz e é bem-sucedido em muitas gerações físicas... Repare em Atos 2.40, Filipenses 2.15, Hebreus 3.10”.76 Outros entendem que Jesus quis aludir à última gera­ ção antes da Tribulação, a geração que veria a intensifica­ ção das guerras, fomes, terremotos e falsos ensinamentos. Ou, pela razão de a figueira ser na maioria das vezes um símbolo do Israel do Antigo Testamento, interpretam o brotamento das folhas da figueira como uma alusão à restauração do Estado de Israel, em 1948. Entretanto, como já foi mencionado, a expressão “esta geração”, quan­ do se refere a tempo em outras passagens do Novo Testa­ m ento, diz respeito à geração do prim eiro século que naquela época ainda vivia. Além disso, a idéia de que a última geração começou em 1948 só tem gerado confusão. Outros ainda sugerem que a expressão “todas essas coisas” remete de volta à predição original de Jesus, a qual levantou a pergunta dos discípulos — que nenhuma pedra do templo ficaria sobre a outra (Mt 24.2; Mc 13.2). Portan­ to, “esta geração” seria uma referência à ocasião em que o templo foi destruído pelos romanos, em 70 d.C., e não à segunda vinda de Cristo.77 Essa predição cumpriu-se com todas as letras. Não obstante, Jesus também deixa bem


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claro que “o evento de real importância não é a ruína do templo, mas a vinda do Filho do Homem”.78 SOMENTE 0 PAI SABE 0 TEMPO

De fato, Jesus retornará com poder e grande glória. Entretanto, ninguém, a não ser o Pai que está nos céus, sabe o Dia e a hora (Mt 24.36; Mc 13-32,33). Talvez Deus tenha retido essa informação para minimizar o perigo concomitante à demora da vinda de Jesus. Porquanto muitas pessoas são tentadas a seguir o exemplo do servo mau, registrado em Mateus 24.45-51, que disse consigo mesmo: “O meu senhor tarde virá”, e se o servo mau “começar a espancar os seus conservos, e a comer, e a beber com os bêbados, virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 24.48-51). É muito melhor que não saibamos o tempo da volta de Cristo. Deus quer que realizemos a sua obra. E mais pro­ vável que sejamos fiéis e tenhamos ardente dedicação em servi-lo se soubermos que temos o dever de estar sempre alerta, prontos a qualquer hora para a sua vinda (Mt 24.42; 25-13). Esse estado de alerta deveria ser “permanente e natural e sem haver nada de artificial”, envolvendo “não apenas a mente, mas... a personalidade inteira... sempre a vigiar, nunca se aborrecendo por não estar fazendo nada e nunca se exaltando por estar fazendo tudo”.79 A despeito de Jesus ter novamente indicado que have­ ria um longo tempo (Mt 25.19), por inúmeras vezes Ele enfatizou que sua vinda seria inesperada. “Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa, não acrediteis. Por­ que, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.26,27). O versículo seguinte — “Onde

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estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (ARA) — também tem relação com a subitaneidade da vinda de Jesus, e seu significado pode ser muito simples: “Você o verá, quando acontecer”.80 Também é uma indicação de que o julgamento virá sobre os ímpios, tanto quanto os abutres rapidamente se lançam sobre um cadáver. 0 SIGNIFICADO DE “VIGIAR”

Entretanto, os crentes fiéis não serão pegos de surpre­ sa. Estarão esperando, trabalhando, não importa o quanto demore a vinda do Senhor (Lc 12.35-38). Os cristãos só podem ser surpreendidos se deixarem seus corações se carregarem de glutonaria, de embriaguez e dos cuidados da vida. Então, aquele Dia virá sobre eles de improviso, como uma armadilha (Lc 21.34). Jesus adverte: “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de aconte­ cer e de estar em pé diante do Filho do Homem” (Lc 21.36). Paulo também chama a nossa atenção para o quan­ to precisamos desses conselhos (Rm 13.11-14; 1 Co 6.9,10; 9.27; 10.11,12; 11.32; 16.22; Ef 5.6-20). Mas para permanecermos em estado de vigilância não significa que tenhamos de ficar examinando os céus. De­ pois de Jesus ter ascendido aos céus, dois anjos disseram aos discípulos: “Por que estais olhando para o céu? Esse [mesmo] Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.11). Isto fez com que voltassem para Jerusalém, onde “todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” '(At 1.14). Todos deram-se conta de que vigiar significa esperar pelo dom prometido pelo Pai — o batis­ mo com o Espírito Santo (At 1.4) — e testemunhar sobre Jesus “até aos confins da terra” (At 1.8,22). No dia de Pentecostes, Pedro, falando pelo dom espiri­ tual da profecia, atribuiu o “depois” de Joel à expressão


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“os últimos dias” (At 2.17; cf. Jl 2.28). Ao fazer isso, reco­ nheceu que todo o período da Igreja são “os últimos dias” - o último período antes da volta de Jesus e do vindouro Milênio. Os profetas do Antigo Testamento viram “os últi­ mos dias” como dias de julgamento, restauração e salva­ ção (cf. Is 2.2-4,10-21; 4.2-6; 11.10,11; Os 2.21-23; Jl 2.2327; Am 9.11-15). O Novo Testamento simplesmente reconhece que o período da Igreja é também o período do Espírito Santo. Assim sendo, Pedro falou sobre a necessidade de arrepen­ dimento e sobre o dom do Espírito Santo: “A promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, cha­ mar” (At 2.38,39). “A vós, a vossos filhos” incluiria todos os judeus que aceitassem Jesus como o seu Messias, Se­ nhor e Salvador. “A todos os que estão longe” seriam os gentios (cf. Ef 2.11-14,17), embora Pedro não tenha en­ tendido assim, até que foi enviado à casa de Cornélio (At 10.34,35,43). Alcançar aqueles que “estão longe” também implica na passagem de tempo e na demora da vinda de nosso Senhor. Então, depois de curar o mendigo coxo na porta For­ mosa do templo, Pedro declarou que haveria (note o plural) os tempos de refrigério provenientes do Senhor, que Jesus voltaria, mas que convinha que o céu o conti­ vesse “até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio” (At 3.19-21). Contudo, a ênfase de Pedro não estava no tempo, mas -no propósito de Deus em dar refrigério e bênçãos a todas as pessoas. Essas bênçãos vieram primeiramente àqueles a quem Pedro fa­ lava, a fim de desviá-los, a cada um, das suas maldades (At 3.25,26). Que essa bênção de viver corretamente devia vir a todas as pessoas do mundo, à medida que se voltassem para Jesus, é mais uma indicação de tempo e demora. De

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fato, essa demora era necessária para que as pessoas pu­ dessem ser salvas, pois não há nenhum outro meio de salvação, exceto através de Jesus Cristo (At 4.12). A VISÃO QUE DEUS TEM DO TEMPO

Pela época da Segunda Carta de Pedro, havia escarnecedores que diziam: “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pe 3.4). Mas, temos de lembrar que Deus não olha o tempo da maneira como nós o fazemos, nem é limitado por ele. “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3.8). Deus pode fazer em um dia o que levaríamos mil anos para realizar. Ele pode estender por mil anos o que gostaríamos ver realizado em um dia. Deus também está interessado em que mais pes­ soas cheguem ao arrependimento, o que nos permite que continuemos a cumprir a Grande Comissão (2 Pe 3.9). Portanto, é bom que vivamos na tensão entre o “breve” e o “ainda não”, fazendo a sua vontade, realizando as obras que Ele nos designa a fazer, até que Jesus volte (Mc 13.33,34; Lc 19.13). Paulo reforça as advertências de Jesus ao reconhecer que o “Dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (1 Ts 5.2). Contudo, os crentes não serão pegos de surpresa — não porque saibam o tempo da sua vinda, mas porque são “filhos do dia”, vivendo na luz da Palavra de Deus e aguar­ dando que Jesus volte a qualquer momento (não são “fi­ lhos da noite”, que pertencem à escuridão das trevas). Por conseguinte, estão alerta e agem com equilíbrio, protegi­ dos pela fé e amor como uma couraça e tendo a esperança da salvação como um capacete (1 Ts 5.4-9). À semelhança do apóstolo Paulo, os “filhos do dia” mantêm um intenso desejo pela manifestação de Cristo (2 Tm 4.8), porque o amam e confiam nEle plenamente. A esperança de Paulo nunca estava “limitada a uma data fixa, mas ao Evangelho que proclama o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e exige uma existência pela fé”.81


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UMA GARANTIA DAS BÊNÇÃOS FUTURAS

Paulo também reconhece o derramamento do Espírito Santo como um sinal de que o período da Igreja já havia começado. Contudo, esse é apenas um antegozo, que nos dá a absoluta certeza das prometidas bênçãos do Reino.82 Assim, Paulo se refere ao batismo com o Espírito Santo como o selo da propriedade de Deus em nós e alude ao seu Espírito em nossos corações como um penhor (um tipo de primeira prestação), garantindo-nos o que está para vir (2 Co 1.22). Depois de falar do tempo em que receberemos nossos novos corpos, Paulo enfatiza mais uma vez: “Ora, quem para isso nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito”, afirmandonos como certo o que está-para vir (2 Co 5.5). Mais tarde, Paulo escreve aos crentes em Éfeso: “E, tendo nele [preferivelmente, “por Ele”, por Jesus, aquele que batiza] também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor [a evidência] da nossa herança, para redenção da possessão [proprieda­ de] de Deus, para louvor da sua glória” (Ef 1.13,14). De­ pois, em Efésios 4.30, prossegue: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o Dia da redenção”. O penhor (gr. arrabon ) é uma “primeira prestação”, uma parcela inicial da herança que hoje temos por conta do que mais tarde receberemos em maior medida, quan­ do recebermos nossa herança completa83 — ou seja, quan­ do Jesus voltar e recebermos nossos novos corpos, trans­ formados segundo a sua semelhança (Rm 8.23; 1 Co 15.51,52). O selo da propriedade de Deus também está relacionado com o pensamento de 1 João 3.2: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”.

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Em meio à corrupção, decadência e morte que marcam o “presente século mau” (G1 1.4), também temos corpos mortais com muitas limitações. Tomamos parte em mui­ tas das dificuldades, problemas e sofrimentos comuns à humanidade (1 Co 4.9-13; 2 Co 4.8-10; 6.1-10). Todavia, ao mesmo tempo, através do Espírito Santo, desfrutamos hoje do início de nossa herança — “as primícias” (Rm 8.23; cf. 1 Co 2.9,10; 2 Co 4.7) —, incluindo os dons e as bênçãos do Espírito.84 Isto nos capacita a demonstrar o poder, o governo e a vida de Deus mesmo na vida em que hoje vivemos na terra.85 REAVIVAMENTOS PARA TODOS

Além de tudo isso, podemos desfrutar dos tempos es­ peciais de refrigério, como indicado em Atos 3-19. Tais tempos nos dão vitórias espirituais, à medida que o Espíri­ to Santo transforma e amolda nossas vidas “ao modelo da futura consumação”. Também nos encorajam a viver com esperança, sabendo que a libertação completa, a consu­ mação de nossa salvação, está a caminho.86 A história da Igreja também mostra que Deus sempre envia tempos de refrigério nas vezes em que há um genu­ íno arrependimento, que inclua uma mudança de atitude para com Deus, Jesus e a Bíblia. Atos 3.19,20 denota que podemos ter mais desses tempos de refrigério desde ago­ ra até o dia em que Jesus voltar. Portanto, em vez de aos aspectos negativos do curso desta vida, nossa atenção deve estar voltada para as garantias positivas das promessas de Deus. E verdade que nos últimos dias haverá tem­ pos trabalhosos, difíceis de serem vividos (2 Tm 3.1). Também é verdade que “os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3-13). Vemos que todas essas coisas estão acontecen­ do hoje, o que deveria aumentar nosso anseio para que a vinda de nosso Senhor Jesus aconteça o mais rápido pos­ /


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sível. Portanto, reivindiquemos o prometido refrigério enquanto estudamos e proclamamos as Escrituras, de maneira que sejamos perfeitamente instruídos “para toda boa obra” (2 Tm 3.17), pondo em prática essas boas obras mesmo em meio às trevas e aos perigos dos últimos dias.87 SENDO DIFERENTES DO MUNDO

Pode ser que também tenhamos de criar uma subcultura cristã. Se estamos destinados a escapar da ira vindoura (Rm 5-9; 1 Ts 5-9), precisamos evitar as coisas que provo­ cam a ira de Deus e advertir os outros através do exemplo e por meio de conselhos cheios de amor (cf. Jd 21-23). Pois, no mundo de hoje, o aumento de pecados que re­ quer o julgamento divino é uma indubitável indicação de que a ira revelada no Apocalipse está bem perto de se cumprir. Depois de dizer que devemos amar o próximo como a nós mesmos, Paulo continua: E isto digo, co n h ecen d o o tem po, que é já hora de despertarm os do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitem os, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andem os h onesta­ m ente, com o de dia, não em glutonarias, nem em bebed ei­ ras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesu s Cristo e não ten h ais cuid ad o da carn e em suas co n cu p iscê n cia s (Rm 13.9,11-14).

Semelhantemente, Paulo nos lembra o julgamento que sobreveio aos israelitas que se satisfizeram em festanças pagãs, cometeram imoralidade sexual, provocaram o Se­ nhor e murmuraram. “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10.11). Sem dúvida, se esses avisos foram apropriados para os crentes coríntios

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há dois mil anos, são ainda de maior aplicabilidade hoje. De fato, a vinda dé Jesus está, agora, mais perto do que quando aceitamos a fé! P erg un tas

para

E st u d o

1. Por que é importante considerarmos a doutrina da iminência da volta de Jesus, quando nos detemos a exami­ nar o tempo do Arrebatamento da Igreja? 2. Por que há tantas diferenças de opinião a respeito do tempo do Arrebatamento? 3. Quais os principais argumentos contra a interpreta­ ção pré-tribulacionista e de que modo podemos respon­ der a tais argumentos? 4. Que outras referências bíblicas se ajustam à inter­ pretação pré-tribulacionista? • 5. Que evidências comprovam que hoje estamos viven­ do o período que a Bíblia chama de “os últimos dias”? 6. Quais as razões para não ficarmos a marcar datas para o Arrebatamento da Igreja? 7. Por que é bom que não saibamos e não possamos saber o tempo do Arrebatamento? 8. De que forma o ponto de vista de Deus em relação ao tempo é diferente do nosso? 9. De que maneira o símbolo do Espírito Santo como uma “primeira prestação” e como um “selo” se relaciona à nossa esperança da vinda de Jesus? 10. O quanto precisamos ser reavivados hoje e como o fato de estarmos sendo diferentes do mundo contribui para recebermos os tempos de refrigério pela presença do Senhor?


Capítulo Cinco

Interpretações do Milênio

Um dos trechos mais interessantes do Apocalipse é a promessa, no capítulo 20, de que Satanás será preso e amarrado no abismo por mil anos. Não mais ele será capaz de enganar as nações, como fazia através do Anticrísto e de seu falso profeta. Esse período de mil anos é chamado Milênio, termo composto do latim mille, “mil”, e do latim moderno enium, derivado do latim annus, “ano”. (Assim como “biênio” significa um período de dois anos, “milê­ nio” diz respeito a um período de mil anos.) T rês I n t er pr et a ç õ es

Os pontos de vista do Milênio mais comuns entre os evangélicos são as interpretações pré-milenista, amilenista e pós-milenista. Os pré-milenistas acreditam que nosso Senhor Jesus voltará antes do Milênio para reinar como Sacerdote e Rei, na terra, por mil anos de bênçãos e paz, cumprindo de forma literal as profecias bíblicas. Os amilenistas espiritualizam essas profecias e dizem que não haverá uma época de ouro, ou Milênio, na terra — não antes da volta de Jesus, nem depois que Ele voltar.1 Cana­ lizam “a qualquer preço todas as profecias do Antigo Tes­ tamento no ministério do crucificado, ressurreto e exalta­ do Jesus... o que significa a perda das facetas históricas do Reino”.2 Argumentam que Satanás foi preso na cruz, de modo que seu poder está limitado, não podendo obstruir a expansão do Evangelho ou impedir que os crentes, atra-


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Capítulo 5 Interpretaçóes do Milênio

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v®s do poder de Jesus, tenham vitória sobre o mal. Identificam o Milênio com a atual restrição do mal mencionada por Paulo em 2 Tessalonicenses 2.6,1? Grande parte dos amilenistas considera a palavra “mil” como um número simbólico, o qual indica o complemen­ to de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Jesus, qualquer que seja a extensão de tal período. Alguns apli­ cam esse tempo ao reinado espiritual dos crentes com Cristo na terra (quer dizer, na vida espiritual interior do crente) durante o período da Igreja.4 Outros o aplicam às bênçãos que os crentes desfrutam depois da morte, no céu, durante o tempo presente.5 Ou limitam-no a “um reinado de mártires no Paraíso para indicar a vitória, mes­ mo enquanto a Igreja foge para o deserto”.6 Todos esses argumentos são muito subjetivos.7 Nenhum deles fornece considerações apropriadas ao que realmente diz Apocalipse 20.1-4. Entretanto, a maioria dos amilenistas concordará com os pré-milenistas no que tange ao fato de que a situação na terra ficará cada vez pior antes de Jesus voltar. Contudo, divergem ao dizer que a volta de Jesus trará uma ressurreição geral e um julgamento geral, não só dos justos como também dos ímpios, todos ao mesmo tempo. Os pós-milenistas também afirmam que Satanás foi pre­ so na cruz, embora alguns considerem esse um processo ainda em andamento. Tratam o período de mil anos como uma extensão do período da Igreja numa nova dimensão, o que ocasionará uma grande disseminação do Evange­ lho, de modo que “Cristo retornará a um mundo verda­ deiramente cristianizado”.8 Também julgam que o núme­ ro “mil” seja um símbolo para representar qualquer que seja o tempo que se leve para cristianizar o mundo. Tendo como base a Grande Comissão (Mt 28.18-20) e a promessa da poderosa obra do Espírito Santo (Lc 24.49; Jo 16.7-11), os pós-milenistas declaram que as “agências divinamente instituídas para a evangelização do mundo” trazem consi­ go a “garantia divina de sucesso”.


Três Interpretações

Portanto, afirmam que somente depois que o mundo como um todo se converter e houver um longo período repleto de paz, bênçãos e justiça, é que Cristo voltará para uma ressurreição geral e um julgamento geral, tanto dos justos quanto dos ímpios.9 Por isso, argumentam que aque­ les que não acreditam que o mundo será conquistado pela Igreja antes da volta de Jesus também não acreditam no poder do Evangelho.10 Augustus Strong modifica um pouco essa interpreta­ ção ao declarar que Jesus viria espiritualmente no início dos mil anos, passando então a reinar num sentido espiri­ tual com seus santos para promover o seu Reino. Em seguida, findos os mil anos, Jesus retornaria visível e lite­ ralmente para trazer a ressurreição final dos justos e dos ímpios, vindo a seguir o julgamento geral.11 Recentes modificações têm sido apresentadas pelos teonomistas, proponentes do “reino agora” e do “domí­ nio” (ou da “reconstrução”), segundo os quais a Igreja deve subjugar a educação, as artes, a ciência, o governo, o sistema financeiro e todos os outros campos de ação da vida humana, conduzindo-os todos sob o domínio de Deus, de maneira que a verdadeira paz, a bondade, a justiça e a retidão prevaleçam em todos os setores do mundo antes que Jesus volte.12 Assim como os outros pós-milenistas, esses também não aceitam o cumprimento das profecias para Israel. Alguns dizem que “Israel, como o povo da aliança... deve ser destruído cabal e irrevogavelmente”, e “o Reino... deve ser estabelecido progressivamente ao longo da História”.13 Há, entretanto, pouca evidência de tal perspectiva de progresso neste presente mundo cheio de violência e pobreza sempre crescentes. Jesus, na parábola do trigo e do joio, disse: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa” (Mt 13-30). Depois, Ele mesmo deu a interpretação de suas palavras: “A ceifa é o fim do mundo” (Mt 13-39).

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Nosso Destino

Portanto, a ceifa é um evento cataclísmico que não dá lugar para a conversão gradual do mundo como um todo. A esperança para a cristianização do mundo levou os libe­ rais a desenvolver o suposto evangelho social, o qual tem fracassado e continuará' a fracassar. O reino milenial so­ mente pode ser instaurado mediante o julgamento de Deus seguido por sua ação divina e graciosa. Pela razão de os pré-milenistas reconhecerem isso, os críticos os chamam de pessimistas.14 Na verdade, os prémilenistas acreditam no poder do Evangelho. Entretanto, admitem que Jesus estava sendo realista em Mateus 24.414, dizendo aos seus discípulos para não esperarem por condições ideais para então proclamarem o Evangelho. Nosso dever é sair pelo mundo do modo como ele está, com todas as suas guerras, rumores de guerras, fomes e terremotos, e anunciar as boas novas de salvação através de Jesus Cristo. Ele também foi realista quando proferiu a parábola do semeador. Algumas das sementes não produ­ zem os resultados esperados; nem todos acreditam no Evangelho. Mas há a boa terra, que produz muito fruto (Mt 13.1-8,18-23). Haverá alguns “de toda tribo, e língua, e povo, e nação... E eles reinarão sobre a terra” (Ap 5.9,10). Esse tipo de realismo tem instigado os pré-milenistas num dos maiores e mais bem-sucedidos empenhos missionári­ os dos tempos modernos. Os pré-milenistas pentecostais têm recebido ajuda extra dos dons espirituais, os quais são dados para a edificação da Igreja tanto no sentido espiritual quanto numericamente.15 Por outro lado, alguns pré-milenistas, em vista do jul­ gamento futuro, revelam pouco ou nenhum interesse no que se refere ao meio ambiente e à administração dos dons que Deus pôs neste mundo natural. Entretanto, mais recentemente, muitos, em conjunto com outros evangéli­ cos, têm reagido à crise ambiental, reconhecendo que até que Jesus venha nosso dever consiste em aceitar a res­ ponsabilidade ecológica imposta sobre a humanidade no


O Milenismo na Igreja Primitiva

princípio, quando Deus disse para “sujeitar” a terra (isto é, trazê-la sob adequado controle) e “dominar” ou gover­ nar a vida animal (isto é, de maneira tal que tome conta dela e a proteja [Gn 1.28]).16 0

M ilen ism o

na

I g reja P rimitiva

A Bíblia é muito clara ao afirmar que nosso Senhor Jesus retornará para reinar na terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores. A Igreja Primitiva aguardou ansiosa­ mente que Ele voltasse para estabelecer o seu Reino e para reinar em Jerusalém como o herdeiro do trono de Davi. Os primitivos crentes interpretaram de modo literal a promessa de Jesus de que os 12 apóstolos se assentariam sobre 12 tronos para julgar e governar as 12 tribos de um Israel restaurado (Mt 19.28). Os crentes tessalonicenses, que dos ídolos tinham se convertido “a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho” (1 Ts 1.9,10), puderam se identificar com o novo cântico de Apocalipse 5.9,10. Esse cântico celebra não apenas a redenção pelo sangue do Cordeiro, mas também a coroação por Cristo, como reis e sacerdotes que “reinarão sobre a terra”. Ao longo do primeiro século, muitos foram perseguidos, mas, ao mes­ mo tempo, criam que “se sofrermos, também com ele reinaremos” (2 Tm 2.12). O quadro da vitória final de Jesus descrito no Apocalipse acrescentou a certeza dos mil anos do Reino milenial antes do último julgamento e da vinda dos novos céus e da nova terra profetizados por Isaías (Is 65.17; 66.22). Então, provenientes da Ásia Menor, conceitos da inter­ pretação pré-milenista rapidamente começaram a se alas­ trar.17 Vemo-los refletidos nos escritos de Papias (60-130), de Justino Mártir (100-165), de Irineu (130-202), de Tertuliano (160-230) e de outros. Justino Mártir esperava o cumprimento literal de Isaías 65-18-24. Irineu18 interpre-

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Nosso Destino

c 6 5 de Isaías literalmente e insurgiase contra aqueles que espiritualizavam essas passagens, Tertuliano esperava pela promessa de um Reino sobre a terra após a ressurreição.19 Alguns chegavam mesmo a ir longe demais. O herético gnós.tico Cerinto retratava o Milênio como um tempo de gratificação desenfreada dos desejos carnais. Mas a Igreja em massa rejeitou essa idéia, mesmo quando considerava a crença no estabelecimento do Milênio na terra como “um artigo inquestionável da ortodoxia”, ou como uma doutrina correta, fundamenta­ da nas profecias do Antigo Testamento, mas confirmada pelo Novo Testamento e dele dependente.20

t a v a o s c a p í t u l0 s

11

Até meado do século II, a maioria dos cristãos manti­ nha-se firme na esperança da volta de Jesus, para então passar a reinar com Ele por mil anos. A medida que o tempo transcorria, a esperança de alguns arrefeceu. Toda­ via, muitos na Igreja Primitiva ainda enfatizavam o Reino milenial de Cristo na terra. Eram chamados às vezes de “quiliastas”, termo que provém do grego chilioi, “mil”. Metódio de Olimpo (morto em 3 1 1 ) ensinou o estabeleci­ mento de um milênio na terra que celebraria o cumpri­ mento da Festa dos Tabernáculos. Entretanto, Apolinário, bispo de Laodicéia (310-390), era de opinião que durante o Milênio os crentes precisariam guardar a Lei. Alguns poucos, no terceiro e quarto séculos, tais como Comodiano, Vitorino e Lactâncio, também criam num tipo de milênio sobre a terra. \

Após essa época, o interesse da Cristologia se afastou da esperança futura. Orígenes (c. 1 8 5 a c. 2 5 4 ) , influenci­ ado pela filosofia grega e pelo filósofo judaico Filo, popu­ larizou um método alegórico que espiritualizava o Reino futuro, considerando-o como sendo o presente período da Igreja.21 Por conseguinte, negava que houvesse um futuro período ou reino milenial. Dionísio de Alexandria (220-265) também negava a literalidade de um reino


O Surgimento do Amilenismo

milenial, e Eusébio de Cesaréia (260-339) encarava todas as profecias de uma maneira mística ou simbólica.

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S u rg im en to

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Depois que o imperador Constantino22 tornou o Cristi­ anismo a religião oficial do império romano, uma mudan­ ça começou a ocorrer. Os pastores e superintendentes das igrejas não mais assumiram a função de guias servos. Ao invés disso, seguiram o modelo do imperial. Quando a capital do império foi mudada para Constantinopla, abriuse um vácuo em Roma, dando ao bispo de Roma oportu­ nidade de assumir a liderança política e fazer de sua posi­ ção uma autoridade real. Então, muitos bispos começa­ ram a olhar para suas igrejas como bases de poder. Den­ tro em pouco, a atenção estava mais focalizada no poder e autoridade terrenos do que na bem-aventurada esperança da Igreja. Como resultado desse processo, o amilenismo nasceu como a negação de um futuro Reino de Deus sobre a terra. Jerônimo (347-420), que traduziu a Bíblia para o latim, disse que o estabelecimento de um Milênio literal era idéia judaica, espiritualizou o Apocalipse e associou o período da Igreja ao Milênio.23 Agostinho, bispo de Hipona, Norte da África, de 396 a 430, influenciado por Ticônio (morto em 400) e usando uma abordagem mais figurativa que literal, sustentava que o Milênio tinha começado com a primeira vinda de Jesus e que cada batismo era um tipo de “primeira ressurreição”, na qual a alma era tirada da morte espiritual e reinava com Cristo na vida espiritual. Considerava cada batismo uma continuação do Milênio. Grande parte do sistem a amilenista de hoje estava já delineado em sua obra A Cidade de Deus, Livros 20—22.24 Preconizava os mil anos como uma figura da perfeição, dez ao cubo, e interpretava esse período como a plenitude de qualquer que fosse o


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Nosso Destino

tempo por vir. Como muitos dos supostos pais da igreja daquela época, ele foi mais influenciado pela pagã filoso­ fia de Platão (427-347 a.C.) que pela Bíblia.25 Enfatizou que a igreja seria o Reino de Deus e que aqueles assenta­ dos nos tronos (Ap 20.4) seriam os governantes da Igreja Católica, identificados por ele como o arraial dos santos (Ap 20.9). Considerou o aprisionamento de Satanás, des­ crito em Apocalipse 20.2,3, uma indicação de que não é permitido a Satanás exercer seus plenos poderes durante o presente século. Fez com que a igreja tomasse o lugar do império romano, reinando absoluta e supremamente sobre o mundo. Contudo, não demorou muito e o único reino com que muitos se preocupavam era aquele que pudessem construir para si mesmos, usando as pessoas como seus escravos. A aplicação disso para nossos dias é óbvia. 0 REINO DE DEUS

Pelo século V, o Reino de Deus e a hierarquia visível da igreja foram identificados entre si, ficando a igreja com a incumbência de emitir os julgamentos. Em conseqüência, o futuro Reino e os julgamentos finais não eram mais enfatizados.26 Então, na última parte da Idade Média, a igreja romana acreditou que estivesse construindo a cida­ de eterna de Deus aqui na terra.27 Muitos fecharam os olhos para a maldade que grassava veloz. Poucas pessoas demonstravam qualquer evidência de que criam num Deus que tinha um plano ou que viesse a estabelecer o futuro Reino por seu próprio feito.28 Somente de vez em quando desencadeava-se subitamente a crença num futuro Milê­ nio, em geral como uma forma de protesto contra a auto­ ridade hierárquica. Como um importante exemplo disso, temos os ensinamentos de Joaquim de Floris, da Calábria, logo atrás da Península Itálica (1145-1202).29 Ele cria numa era do Pai, numa era do Filho e ensinou que estas seriam seguidas pela era do Espírito Santo, começando em 1260.


O Surgimento do Amilenismo

Muitos foram instigados por ele a viver uma vida piedosa e a render cultos espirituais.30 A Reforma deu nova ênfase à autoridade da Bíblia e à atividade do Deus vivo na História, o Deus que julgará a humanidade.31 Entretanto, no que concerne à doutrina das últimas coisas, a atenção foi focalizada na glorificação dos crentes e houve pouca referência à consumação dos séculos e ao estado final.32 O amilenismo foi introduzido nas igrejas protestantes após a Reforma. Muitos não acei­ tavam em seus sistemas teológicos qualquer restauração de Israel na terra. Por isso, espiritualizaram as profecias do Reino constantes no Antigo Testamento e as aplicaram à Igreja.33 Afirmaram que Israel, por haver rejeitado Jesus, havia perdido todas as promessas que Deus lhe havia feito, e sua função ou missão havia sido atribuída à Igreja. Alguns viam uma futura salvação para os judeus e sua incorporação à Igreja, mas sem qualquer lugar especial nos planos de Deus. 0 APOCALIPSE

Os amilenistas também espiritualizaram o Apocalipse, asseverando que Satanás foi preso na cruz, de modo que não importa que tipo de Milênio possa haver, sua realiza­ ção está ocorrendo agora (ou espiritualmente na terra ou então no céu). Ensinaram que quando Jesus voltar haverá um julgamento geral, tanto dos justos quanto dos ímpios, ao mesmo tempo. Em seguida, Jesus estabelecerá imedia­ tamente o seu Reino eterno e reinará na Nova Jerusalém, sem haver um Milênio entre um evento e outro. Entretanto, a Bíblia de Genebra (1560), em suas notas ao livro do Apocalipse, colocou o aprisionamento de Sata­ nás na ocasião do nascimento de Jesus e afirmou que Satanás foi solto no tempo do papa Silvestre (999-1002). Alguns disseram que foi solto no tempo do papa Gregório VII (1073-1085) e outros falaram que foi em 1300. Em

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qualquer caso, acreditavam que estivessem vivendo aque­ le “um pouco de tempo” de Apocalipse 20.3. Os protes­ tantes também ensinaram que Gogue e Magogue eram, respectivamente, o papa e Maomé, e que a Igreja Católica Romana estava prestes a ser destruída. 0 LUGAR DE ISRAEL

Um dos principais proponentes do amilenismo, em meados do século XX, foi Oswald Allis, do Seminário Westminster. Em seu livro Prophecy and the Church (As Profecias e a Igreja), Allis indica os extremos de alguns dispensacionalistas. Disse que tais extremos estão errados e que, portanto, o amilenismo está certo.34 Visto que o sistema amilenista não aceita qualquer res­ tauração nacional de Israel, os amilenistas negam que a nação de Israel seja, em qualquer sentido, um povo esco­ lhido de Deus.35 A maioria deles afirma que nada do que tenha acontecido em Israel depois de 1948 é importante. Alguns vão mais longe. Um pastor amilenista de Springfield, Missouri, Estados Unidos, disse-me que odeia os judeus. Tem, na sua opinião, o direito de odiá-los, pois os consi­ dera inimigos da Igreja. Mas será que o apóstolo Paulo, apesar de eles o terem perseguido e lhe ameaçado a vida, odiou os judeus que não tinham crido no Evangelho? De forma alguma! Na verdade, Paulo estava disposto a passar a eternidade no inferno, se isso garantisse a salvação dos judeus. E claro que o apóstolo sabia que isso não era possível, mas desse modo demonstrava o quanto os ama­ va (Rm 9.1-5). Na Inglaterra do século XVII, a crença num Milênio tor­ nou-se mais popular, sobretudo entre os puritanos instruídos por Joseph Meade.36 Ele reconheceu que os profetas do Anti­ go Testamento não viram o intervalo de tempo entre a pri­ meira e a segunda vinda de Jesus. Entretanto, muitos ainda acreditavam que o Milênio já havia tido seu cumprimento na


O Surgimento do Dispensacionalismo

história da Igreja. Parte da razão para isso foi o fato de que aqueles que pregavam a segunda vinda de Cristo para vir estabelecer o Milênio prejudicaram sua causa ao fazer cômputos que colocavam o Arrebatamento entre 1640 e 1660.37 0

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P ó s - m ilen ism o

No século XVIII, o pós-milenismo começou a se tornar popular. A derrota da Armada Espanhola, em 1588, fez com que muitos pensassem que o anticristo papal poderia ser vencido e que os protestantes poderiam instituir um Milênio antes da volta de Cristo. Então, Daniel Whitby (1638-1726) popularizou a interpretação de que Jesus não voltaria senão depois que um milênio de progresso colo­ casse o mundo sob a autoridade do Evangelho.38 Jonathan Edwards (1703-1758) buscou por uma vitória sobre o Anticristo (a Igreja Católica Romana), o islã, o paganismo e pela conversão dos judeus, sendo que tudo isso se realizaria mediante o derramamento do Espírito Santo num poderoso reavivamento. Essa vitória introduziria um longo período espiritual de prosperidade para a Igreja. Depois, Satanás ameaçaria outra vez a Igreja e Jesus viria para julgar e dar início ao Reino eterno.39 O pós-milenismo dominou os Estados Unidos no sécu­ lo XIX e se ajustou às filosofias de progresso automático vigentes na época. “As campanhas para a reforma do sába­ do, a sobriedade e o antiescravismo faziam parte do pro­ grama para preparar a nação para o advento da grande era milenial”.40 Alguns, tais como Charles Hogde e Berfjamin B. Warfield, eram crentes.41 Outros se inclinaram a tomar uma atitude liberal e chegaram mesmo a associar suas interpretações com o evolucionismo teísta.42 0

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D ispen sa cio n alism o

Entretanto, pelo fim do século, conferências bíblicas de verão novamente disseminavam a esperança de um

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I

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futuro M ilênio.43 Ju n to veio a expansão do dispensacionalismo, cuja interpretação literal das profecias está em extremo contraste com as interpretações figurati­ vas do pós-milenismo e do amilenismo, bem como dos liberais e dos existencialistas.44 Também rejeitou-se a idéia de que a Igreja tinha tomado o lugar de Israel no plano de Deus e foi ensinado que Deus tinha dois planos, um para a nação de Israel e outro para a Igreja. Muitos ensinavam que Jesus, em sua primeira vinda, ofereceu um reino a Israel e instituiu o Sermão da Monta­ nha como sendo as leis desse reino, assim como “a Lei de Moisés foi promovida ao seu mais elevado poder”,45 Ensi­ navam também que esse reino foi rejeitado e adiado, com o período da Igreja interpondo-se como um parêntese no plano de Deus. Ao final do período da Igreja, Jesus voltará para estabelecer um reino para Israel. Esse reino é menci­ onado como o “Reino dos céus”, em contraste com o “Reino de Deus”, apesar de uma comparação entre os Evangelhos mostrar que essas expressões são usadas alternadamente.46 Além disso, dizem que a Igreja foi identificada como um povo do céu e Israel como um povo da terra. A pro­ messa de que a semente de Abraão será como as estrelas do céu (Gn 15.5) e a areia do mar (Gn 32.12, ou como o pó da terra [Gn 28.14]) é entendida da seguinte maneira: a Igreja é como as estrelas, e Israel, como a areia ou o pó. Entretanto, Moisés deixa bem claro que, quando os filhos de Israel estavam a ponto de entrar na Terra Prometida, eles já eram como as estrelas dos céus em multidão (Dt 1.10; 10.22).47 E Paulo, em Romanos 11.17-25, indica que há somente uma oliveira. Os crentes gentios foram gracio­ samente enxertados nela, e a rejeição a Israel não é com­ pleta nem definitiva.48 Os judeus serão enxertados de vol­ ta na mesma oliveira, no plano mesmo e permanente de Deus, no qual os gentios foram enxertados.49


O Surgimento do Dispensacionalismo

É também neste contexto que devemos compreender a declaração de Paulo de que “todo o Israel será salvo” (Rm 11.26). Os israelitas têm de ser salvos pela graça mediante a fé em nosso ressurreto Senhor Jesus Cristo, “porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser sal­ vos” (At 4.12; cf. Ef 2.8). Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e o exaltou à sua destra como Príncipe e Salvador, “para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados” (At 5.30,31). Não há nenhum outro meio de salvação, de maneira que Israel deve ir pela graça através da fé no ressurreto Jesus. Além disso, Paulo já havia dito que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6). Um grande número de judeus pode ser salvo durante a Tribulação (Dt 4.30,31; Os 5-14—6.3; Ap 7.1-8). Aqueles que não acreditarem em Jesus prova­ velmente se ajuntarão aos exércitos do Anticristo e se­ rão destruídos quando Jesus voltar em glória (cf. Is 10.2023; Ez 20.34-38; Zc 13-8,9). Os crentes, juntamente com as pessoas piedosas do Israel dos tempos antigos, serão o “todo o Israel” que será salvo. Alguns dispensacionalistas chegam a interpretar Jeremias 31.31 como um concerto novo para Israel distinto de um concerto novo e não previsto dado à Igreja, apesar de o Novo Testamento não fazer tal diferença. Há somente um novo concerto, 0 concerto posto em vigor pela morte de Jesus na cruz do Calvário (Hb 2.14,15; 12.24). Alguns vão longe a ponto de dizer que as profecias referentes aos judeus não têm relação com 0 plano de Deus para a Igreja. Por exemplo, alguns dizem que Joel 2.28-32 era apenas para os judeus e não teve seu cumpri­ mento no dia de Pentecostes, quando os crentes (que já eram a Igreja) foram batizados com o Espírito Santo. Cer­ to escritor chega ao extremo de afirmar que Pedro não quis dizer: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel”. O que

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realmente quis dizer foi: “Isto é algo como aquilo”.50 Mas a declaração de Pedro não poderia ser mais categórica. De fato, a profecia de Joel foi cumprida no dia de Pentecostes, e tanto Joel quanto Pedro indicam um contínuo cum­ primento do dia de Pentecostes até o fim dos séculos. Portanto, não deveria parecer estranho que algumas pro­ fecias do Antigo Testamento referentes aos eventos do tempo do fim venham a ter um cumprimento que envolva não somente Israel, mas também a Igreja. Não há como duvidar que Deus será fiel às suas pro­ messas para com a nação de Israel sem separar Israel e a Igreja em dois povos e dois planos.51 Para aceitar isto, muitos dispensacionalistas, hoje, têm modificado o clássi­ co ponto de vista dispensacional. I n t er pr et a ç õ es L iber a is

Os liberais, que na realidade são anti-sobrenaturalistas, sob a influência dos filósofos Immanuel Kant, Albrecht Ritschl, Georg W. F. Hegel e Friedrich Schleiermacher, removido do evangelho social, apregoam que não haverá qualquer intervenção divina no futuro.52 Para eles, o Reino de Deus é algo que os seres humanos podem criar por sua própria sabedoria, sem a ajuda dos céus. A religião é tratada como meros sentimentos humanos ou simples aspirações morais, enquanto que Deus, como fonte e do­ ador da esperança eterna, é ignorado. Segundo eles, a ética cristã cristianizaria o mundo. Esse anti-sobrenaturalismo atingiu seu clímax com Albert Schweitzer e Rudolf Bultmann. Schweitzer despiu a representação bíblica de Jesus para fazer dEle um mero homem que erroneamente pensou que o fim viria em seus dias. Schweitzer tomou “surpreendentes liberdades para com as evidências históricas”.53 O mesmo fez Bultmann quando extirpou os milagres da Bíblia, focali­ zou a atenção apenas no indivíduo e nesta presente exis-


Interpretações Liberais

tência, rejeitou a visão linear bíblica da História54 e tratou a esperança bíblica como mera especulação humana ou apocalicismo judaico.55

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0 EXISTENCIALISMO

Também na Europa, o existencialismo, por ter um foco concentrado no ser humano, ignorou “as dimensões cós­ micas das Escrituras” e forneceu uma fuga de qualquer preocupação relacionada com o passado ou futuro.56 En­ tre os existencialistas, a neo-ortodoxia tentou corrigir as doutrinas ortodoxas, enquanto que, ao mesmo tempo, tratou a Bíblia como um registro meramente humano. Na Suíça, Karl Barth enfatizou a soberania de Deus e “restau­ rou a escatologia ao seu lugar de destaque na teologia”.57 Na Inglaterra, C. H. Dodd popularizou a idéia de que o Reino de Deus viera completamente, “de uma vez por todas”, no ministério de Jesus, e que os escritores do Novo Testamento compreenderam mal seus ensinamentos, criando assim uma expectativa de que Ele iria voltar.58 Uma modificação dessa idéia chamada “escatologia inau­ gurada”, defendida por R. P. Fuller, ensina que Jesus olha­ va para trás no que se referia à vinda do Reino. Fuller também modificou os registros do Novo Testamento que mostram que Jesus aguardava ansiosamente pelo estabe­ lecimento de um futuro Reino.59 Diversas reações às idéias de Bultmann foram registradas. Uma das mais proeminentes é a teologia da esperança, de Jürgen Moítmann. Ele enfatiza que o “Cristi­ anismo... é esperança, que olha para frente e se move para frente, e que, portanto, também revoluciona e trans­ forma o presente”.60 Ao mesmo tempo, olha não para um futuro dia apocalíptico, mas para a vinda de Cristo imi­ nentemente para o homem. Não temos de esperar passi­ vamente pela sua volta, mas antes devemos sofrer, a fim de nos tornarmos um “com aqueles que não estão liberta­

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dos”. Temos de “levar a paz às áreas onde há pobreza e exploração, violência e opressão, e onde ocorre a destrui­ ção do meio ambiente”.61 A

t eo lo g ia da libertação

Então, o existencialismo — juntamente com a teologia política do católico João Batista Metz — inspirou o desen­ volvimento da teologia da libertação, a qual vê o Reino de Deus como uma metáfora e busca por radicais mudanças políticas e sociais no presente. Com base nas teorias soci­ ais de hoje, essa teologia ensina que a verdade é encontra­ da somente no meio dos acontecimentos concretos e his­ tóricos, nos quais as pessoas são envolvidas na tentativa de mudar o mundo.62 Embora os cristãos tenham a responsabilidade de fazer o que puderem para ajudar os outros, às vezes até com grande sacrifício, não há, entretanto, nenhuma base bíbli­ ca para que os crentes do Novo Testamento se envolvam em mudanças políticas por meio de uma revolução arma­ da. Nenhuma utopia política é possível por tais meios. O povo de Israel não foi libertado do Egito por ter-se arma­ do ou cometido atos terroristas. O reino milenial não será estabelecido por meio de esforços humanos. Israel foi tirado do Egito mediante a intervenção direta de Deus. A Bíblia mostra que nossa única esperança, nossa firme es­ perança para uma nova ordem mundial, é que Deus intervirá, julgará o atual sistema e enviará Jesus de volta à terra para estabelecer seu governo e tornar eterno o trono de Davi (2 Sm 7.11-13; SI 89.20-37; Is 9.7). P o n t o s - chaves

para o s

P r é - m ilen istas

Os principais pontos que separam os pré-milenistas dos pós-m ilenistas e dos am ilenistas são (1) a hermenêutica: literal ou figurativa; (2) a prisão de Sata­ nás: depois da Tribulação ou na cruz; (3) a natureza da


Pontos-chaves para os Pré-milenistas

primeira ressurreição: no momento do Arrebatamento ou na conversão; (4) os julgamentos: o julgamento no Tribu­ nal de Cristo, antes do Milênio, e o julgamento no Grande Trono Branco, após o Milênio, ou um julgamento geral, depois de uma ressurreição geral, tanto dos justos quanto dos ímpios; (5) o lugar de Israel: a restauração literal de Israel no Milênio ou sua eliminação definitiva dos planos de Deus; e (6) o Reino de Cristo e dos santos “na terra”: depois da volta de Jesus ou no tempo presente. INTERPRETAÇÃO LITERAL

Quando nos referimos à interpretação literal, quere­ mos dizer a busca do significado de determinado texto em seu contexto, aliás, não apenas dentro do contexto da própria passagem, mas também dentro do livro do qual faz parte e da Bíblia como um todo. Por exemplo, a ser­ pente em Gênesis 3.1 é identificada como um animal. Era uma serpente de verdade. Mas isso não significa que era apenas uma serpente.63 A medida que continuamos a ler, percebemos que era mais do que uma serpente, tendo conhecimento e capacidade que nenhuma serpente co­ mum possui. Então, quando lemos Apocalipse 12.9 e 20.2, descobrimos que essa serpente é chamada “o diabo e Satanás”. Está perfeitamente claro em toda a Bíblia que somente Deus pode criar. Também está claro que Satanás e seus demônios, como seres espirituais, podem se mani­ festar apenas quando tomam a posse de algum ser vivo que tenha corpo. Portanto, Satanás deve ter tomado a posse do corpo de uma serpente, Do mesmo modo, reconhecem os que a Bíblia freqüentemente se utiliza de símbolos, mas que esses símbolos têm um significado e representam uma realida­ de. O Anticristo é chamado de besta, mas será uma pessoa de verdade. Também reconhecemos que o fato de o Apocalipse usar símbolos não significa que tudo no livro

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seja simbólico. Itens que claramente são literais incluem, por exemplo, o sangue de Jesus (Ap 5.9), os santos rei­ nando na terra (Ap 5.10), as tribos de Israel (Ap 7.5-8), a crucificação de Jesus (Ap 11.8) e o maior terremoto que jamais houve desde que há homens na terra (Ap 16.18). Muitas outras coisas, tais como o Grande Trono Branco e a Nova Jerusalém, também deveriam ser consideradas literalmente.64 Para serem consistentes, aqueles que não aceitam uma interpretação literal do Milênio também deveriam “espiritualizar”65 a segunda vinda de Jesus. Alguns real­ mente o fazem, ao considerá-la “a mera presença (mani­ festação) contínua de Jesus com seus amados em todo o tempo”.66 Mas, como mencionado por Bernard Ramm, há muitos textos bíblicos que demandam uma volta literal de Jesus.67 Hebreus 9.27,28 é um deles: “E, como aos ho­ mens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação”. Jesus Cristo é nossa esperança (1 Tm 1.1), e sua vinda literal para dar a plenitude de nossa salvação requer a realização de uma ressurreição literal, de um Milênio lite­ ral e de um Reino literal na terra. A PRISÃO DE SATANÁS

A visão que João teve da batalha no céu mostra que Satanás foi derrotado e “precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Ap 12.7-9). Depois disso, Satanás não será mais capaz de entrar nas regiões celes­ tes, embora ainda tenha poder sobre a terra, por um curto período de tempo. Então, após a derrota final do Anticrísto, Satanás será preso por mil anos.68 Alguns identificam o aprisionamento de Satanás com o édito de Constantino, que pôs fim à perseguição à Igreja e


Pontos-chaves para os Pré-milenistas

fez do Cristianismo a religião oficial do império romano. Não obstante, a perseguição voltou a ocorrer, a maldade se fez pior na Baixa Idade Média e a própria Igreja Católi­ ca, através da Inquisição, tornou-se a perseguidora dos verdadeiros crentes. Grande parte dos amilenistas e dos pós-milenistas rela­ ciona o aprisionamento de Satanás às vitórias de Jesus sobre Satanás durante seu ministério terreno e na cruz. Tratam o aprisionamento como um caso de limitação do poder de Satanás, em vez de encará-lo como o seu total confinamento. Citam Mateus 12.28,29: “Mas, se eu expul­ so os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus. Ou como pode alguém entrar em casa do.homem valente e furtar os seus bens, se primeiro não manietar o valente, saqueando, então, a sua casa?” Essa expulsão de demônios não é um aprisiona­ mento total de Satanás, mas uma restrição do seu poder em casos específicos. Satanás e seus demônios ainda con­ tinuam ativos na terra (At 16.16,18). Também aludem a Colossenses 2.13-15, onde diz que Jesus, havendo perdoado todos os nossos pecados, riscou “a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. Sem dúvida, a cruz foi uma derrota para Satanás, mas seus efeitos definitivos ainda não são vistos na terra. Satanás ainda está ativo, embora nunca seja capaz de ir além do que a soberania de Deus o permitir (veja Jó 1.12; 2.6). Se Apocalipse 20.1-3 diz respeito ao que aconteceu na cruz, então o aprisionamento foi mesmo parcial. Satanás ainda é “o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência” (Ef 2.2). Sata­ nás também pode impedir os crentes (1 Ts 2.18). Por essa

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razão, devemos resisti-lo, “firmes na fé”, pois ele ainda “anda em derredor, bramando ■como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5-8,9; cf. Ef 6.11,12,16). Quando Ananias fracassou em resisti-lo, Satanás encheu o seu co­ ração para que mentisse ao Espírito Santo (At 5-3). Evi­ dentemente, Satanás ainda tem poder sobre a terra, e sua ação só pode ser limitada em casos individuais. A maioria dos amilenistas e dos pós-milenistas reco­ nhece que a volta de Jesus em triunfo e o julgamento do Anticristo e do falso profeta (Ap 19.11-21) estão no futu­ ro.69 Mas entram em contradição ao afirmar que a prisão de Satanás (Ap 20.1-3) se deu na cruz, no passado. Nada mais lógico que Jesus, quando voltar, trate não apenas do Anticristo e seus exércitos, mas também de Satanás, que estará habitando no Anticristo para lhe dar de sua autoridade. Os amilenistas dizem que Satanás está preso apenas no sentido de hoje não poder enganar as nações. Mas as nações são formadas por pessoas, muitas das quais neste momento estão sendo enganadas por Satanás. Na verda­ de, está bem claro que o aprisionamento de Satanás é total (Ap 20.2). Um anjo do céu não apenas amarra Sata­ nás, mas o lança no abismo, encerra-o ali e põe selo “sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem”. Depois, “Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra” (Ap 20.7,8). /

E evidente que durante os mil anos Satanás estará to­ talmente aprisionado, e não sobre a terra, nem terá a liberdade para enganar as nações. “Nações” (gr. ethne) significa povos, em vez de Estados nacionalistas e na mai­ oria das vezes se refere aos gentios ou pagãos. Em Apocalipse 20.3, Satanás não é capaz de enganar as pesso­ as da terra e, em Apocalipse 20.8, ele novamente conse­ gue enganá-las. Conseqüentemente, ninguém é enganado


Pontos-chaves para os Pré-milenistas

por Satanás durante o período do Milênio. Isto se ajusta à interpretação pré-milenial.

Capítulo 5 Interpretações do Milênio

A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO

Os amilenistas e os pós-milenistas associam a primeira ressurreição ao novo nascimento e à nova vida que o Espírito Santo concede. Afirmam que “sobre esses espiri­ tualmente ressurretos... a segunda morte, ou o castigo eterno, não tem nenhum poder”.70 Chamam a atenção para Romanos 6.3,4: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batis­ mo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mor­ tos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”. Mas, neste contexto, a Bíblia está falan­ do em morrer para o pecado e viver para a justiça. “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.11). Isto é uma aplicação para a nossa vida presente, o que não nega a promessa de uma ressurreição literal do corpo, como 1 Coríntios 15 deixa bem claro. Alguns amilenistas tomam a frase “E vi as almas daqueles que foram degolados” (Ap 20.4) para sugerir que João viu apenas as “almas”, as quais estavam reinando no céu, e não na terra. Mas, no mesmo versículo (Ap 20.4), João também observa que as almas “viveram”. Que a sentença “E viveram e reinaram com Cristo du­ rante mil anos” é uma referência à ressurreição corpórea, e não à ressurreição espiritual, também é confirmado pelo fato de que “os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Ap 20.4,5).71 Os “outros mortos” são os não-salvos. Se o “viver” no versículo 4 for uma alusão à ressurreição espiritual no instante do novo nasci­ mento, então o versículo 5 tem de significar que após os mil anos os “outros mortos” são os espiritualmente mor­


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tos, os quais todos recebem uma segunda chance, sendo então todos salvos. Mas, na realidade, os “outros mortos” são levados diante do Grande Trono Branco e lançados no lago de fogo (Ap 20.11-15). Apocalipse 20.4 ocupa-se com dois grupos de pessoas. O primeiro se assenta sobre tronos para julgar (isto é, para “governar”, que é o significado mais comum dessa palavra no Antigo Testamento). A mensagem para todas as igrejas (Ap 3.21,22) indica que esse grupo compreende todos os crentes do período da Igreja, que permanecerem fiéis, vencendo, ou seja, conquistando, triunfando (Ap 2.26,27; 3.21; ver também 1 Jo 5.4). Entre eles, como Jesus prometeu, estão os 12 apóstolos, julgando (gover­ nando) as 12 tribos de Israel (Lc 22.30) — visto que o Israel restaurado, purificado e cheio com o Espírito Santo de Deus sem dúvida nenhuma ocupará toda a terra pro­ metida a Abraão (Gn 15-18).72 Além dos vencedores do período da Igreja, João viu “as almas”, quer dizer, as pessoas fiéis que haviam sido martirizadas durante a Tribulação (Ap 6.9-11; 12.15).73 Esses dois grupos são unidos para reinar com Cristo por mil anos. Então, Apocalipse 20.5 traz a aberta (mas parentética) declaração acerca dos “outros mortos”. Nestes incluem-se todos aqueles que não estão nos dois grupos menciona­ dos no versículo 4. Ou seja, incluem todos os que morre­ ram em seus pecados sem a graça salvadora de Deus. Eles não serão ressuscitados senão depois do reino milenial de Cristo. “Esta é a primeira ressurreição” (Ap 20.5) significa que aqueles mencionados no versículo 4 completam a primei­ ra ressurreição.74 Jesus falou de duas ressurreições 0o 5.29): a primeira, a ressurreição da vida, para aqueles que fizeram o bem que Deus lhes designara fazer quando aceitaram Jesus e passaram a viver para Ele; e a segunda, a


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ressurreição da condenação, para aqueles que, por incre­ dulidade, fizeram o mal. Mas, assim como os profetas do Antigo Testamento não mostraram a diferença de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, também Jesus, em João 5.29, não mostrou a diferença de tempo entre as duas ressurreições. Seu propósito era encorajar as pessoas a viverem para Deus, de modo que a diferença de tempo entre as duas ressurreições não era pertinente ao que Ele estava ensinando naquele momento. Maiores revelações nos traz 1 Coríntios 15.20,23, quan­ do Paulo compara a primeira ressurreição com uma co­ lheita. O Cristo ressurreto é as “primícias” (os “primeiros frutos”) da colheita. O corpo principal da colheita vem, “por sua [própria] ordem”, no momento da vinda de Je ­ sus para nos encontrar nos ares.75 Então, os martirizados durante a Tribulação, as respigas da colheita, irão comple­ tar a primeira ressurreição, também chamada “uma me­ lhor ressurreição” (Hb 11.35), “a ressurreição dos justos” (Lc 14.14) — é a ressurreição dos mortos que o apóstolo Paulo aguardava ansiosamente, com o comprometimento lógico de que alguns não a alcançarão (Fp 3-11)- Os parti­ cipantes dessa ressurreição são chamados “bem-aventura­ dos” (Ap 20.6), porque desfrutarão da plenitude das bên­ çãos de Deus. São “santos”, ou seja, dedicados a Deus e ao cumprimento da sua vontade. Pela razão de a ressurrei­ ção deles ser como a ressurreição de Jesus, ressuscitarão para nunca mais morrerem (cf. Jo 11.24,25; 1 Co 15-4354). Portanto, a “segunda morte” (o lago de fogo) não terá poder sobre eles. Paulo ensina que quando nosso Senhor voltar haverá uma ressurreição específica daqueles que pertencem a Cristo (1 Co 15-23). A esperança de Paulo (Fp 3-11) era literalmente a “sobre-ressurreição [ten exanastasin ] para fora, proveniente do meio dos mortos [ten ek nekron}”. Portanto, visto que Paulo esperava ser ressuscitado “para

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fora, proveniente do meio dos mortos”, isto implica tam­ bém que alguns dos mortos serão deixados em suas se­ pulturas depois de os crentes serem ressuscitados e arre­ batados para o encontro com o Senhor nos ares. Alguns valem-se da frase eita to telos — “então virá o fim” — para afirmar que o fim virá imediatamente após a ressurreição, não dando lugar para o estabelecimento do Milênio. Entretanto, Paulo usa a palavra eita para indicar “eventos distintos separados por períodos de tempo”.76 “O fim” é um período após o qual Jesus entregará “o Reino ao Pai”. Um período de tempo foi indicado, o que dá lugar para o Milênio e o reinado de Cristo (1 Co 15-25). OS JULGAMENTOS

A idéia de um julgamento geral está estreitamente liga­ da à idéia de uma ressurreição geral, na qual tanto os justos quanto os ímpios são ressuscitados, para que então todos, ao mesmo tempo, sejam julgados. Jesus afirmou claramente que o Pai lhe deu autoridade para julgar. Em seguida, disse: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5-27-29). Paulo, em Atenas, falou que Deus “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos m ortos” (At 17.31). Entretanto, o Dia do Senhor, ou o Dia do Julgamento, é mais do que as 24 horas de um dia, pois inclui todo o período de tempo desde o Arrebatamento da Igreja até o julgamento do Grande Trono Branco. A apostasia e a ma­ nifestação do Anticristo acontecem nesse “Dia”. Paulo tam­ bém declara sua esperança em Deus “de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos ímpios”


Pontos-chaves para os Pré-milenistas

(At 24.15). Contudo, essas passagens estão falando sobre a realidade da ressurreição e do julgamento. Outras passa­ gens fazem nítida distinção entre as duas ressurreições e os dois julgamentos.77 S

I

0 LUGAR DE ISRAEL

Por mais de cem anos antes de Israel tornar-se nação, , em 1948, os pré-milenistas faziam predições de que o povo judeu seria restaurado à terra que Deus lhe dera. “Os pré-milenistas criaram pontes de ligação entres os cristãos e os judeus, engajaram-se num evangelismo ju­ daico sincero e sem preconceitos, condenaram o antisemitismo europeu e, de maneira geral, assumiram uma posição favorável pelos direitos judaicos, quando pouquíssimos pareciam se importar.”78 *

A teologia da substituição. Por outro lado, os amilenistas e os pós-milenistas ensinam que a Igreja to­ mou o lugar de Israel no plano de Deus, e que as profecias do Antigo Testamento relacionadas à futura restauração e à glória da nação de Israel deveriam ser espiritualizadas e aplicadas à Igreja como “o Israel de Deus” (G1 6.16).79 Chamam a atenção, por exemplo, para certos textos bíbli­ cos, como a parábola dos lavradores maus, onde se lê que os lavradores matam o filho do proprietário da vinha e Jesus diz: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ân­ gulo; pelo Senhor foi feito isso e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos" (Mt 21.42,43). Entretanto, isso não precisa ser considerado como uma rejeição total a Israel, pois Mateus prossegue, dizendo que os príncipes dos sacerdotes e os fariseus sabiam que Jesus estava falando a respeito deles, diferen­ temente da multidão, do povo, que tinha Jesus como profeta (Mt 21.45,46). Não muito depois disso, Jesus cho­

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rou sobre Jerusalém, isto é, sobre o povo de Jerusalém, e disse que a casa desse povo foi deixada deserta. “Casa” pode significar cidade, família e seus domésticos ou uma nação que descendeu de um antepassado comum. Neste contexto, Jesus ainda está falando para as pessoas ou à nação, quando acrescenta: “Desde agora, me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 23.37-39). Em outras palavras, Jesus olhava para a frente, para uma futura restauração espiritual do povo de Israel. /

E verdade que o Antigo e o Novo Testamento mostram que os crentes gentios tomarão parte com Israel das glórias futuras do reinado do Messias.80 Mas isto não significa que a Igreja tenha substituído Israel. Paulo, quando usou a ilustração da oliveira, disse que apenas “alguns dos ramos foram quebrados” e que os gentios foram enxertados em lugar deles e feitos participantes da raiz e da seiva da oliveira (Rm 11.17). Mas isto não remove a distinção entre Israel e a Igreja. Embora a salvação tenha sido sempre pela graça mediante a fé e os judeus não tenham mais qualquer vantagem ou preeminência com relação à salva­ ção, Paulo, todavia, ainda reconhece “os judeus e os gen­ tios como grupos étnicos distintos em suas cartas” (Rm 1.16; 9.24; 1 Co 1.24; 12.13; G1 2.14,15)”.81 Além disso, o termo “Israel” no Novo Testamento não é usado para aludir aos gentios. A cidadania compartilhada pelos cren­ tes judeus e gentios é a da Jerusalém celestial que virá (Ef 2.19; Fp 3-20; Hb 12.22-24). Até essa época, devemos buscar por mais cumprimentos das profecias dadas a Israel.

Profecias para Israel. A Bíblia afirma repetidas vezes que Deus se revelará si mesmo em relação ao seu procedi­ mento para com a nação de Israel. Muitas das profecias do Antigo Testamento aplicam-se especificamente a Israel e estão formuladas de tal maneira que não podem ser atri­


Pontos-chaves para os Pré-milenistas

buídas a qualquer outro povo. Ezequiel 36 e 37 são bons exemplos. Ezequiel dá grande ênfase à importância do nome de Deus, o qual está identificado com sua natureza e caráter santos. Deus declara: Não é por vosso respeito que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nom e, que profanaste... Eu santificarei o meu grande nom e, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; e as nações sabe­ rão que eu sou o

Sen h or,

diz o Senhor

Jeo v á ,

quando eu for

santificado aos seus olhos. E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então, espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados... E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo... Porei dentro de vós o meu Espíri­ to... Habitareis na terra que eu dei a vossos pais, e vós me sereis p o r povo, e eu vos se re i p o r D eu s... Então, vos lembrareis dos vossos maus cam inhos e dos vossos feitos, que não foram bon s; e tereis n o jo em vós m esm os das vossas maldades e das vossas abom inações. Não é por am or de vós que eu faço isso, diz o Senhor

Jeo v á;

notório vos seja:

envergonhai-vos e confundi-vos pelos vossos cam inhos, ó casa de Israel (Ez 36.22-32).

Isto foi confirmado por Deus em uma visão. O Espírito do Senhor coloca Ezequiel no meio de um grande e am­ plo vale, cheio de ossos sequíssimos (Ez 37.1,2). O Se­ nhor perguntou ao profeta: “Poderão viver estes ossos?” Ezequiel não quis dizer: “Não parece possíver, por isso respondeu: “Tu o sabes”. Então, Deus ordena-lhe que profetize aos ossos, e, pelo poder da palavra profética, os ossos se juntam: “Vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito” (Ez 37.3-8). A seguir, Deus mandou que Ezequiel profetizasse novamente, e, por mais uma ação da palavra profética, “o espírito entrou neles, e vive­ ram e se puseram em pé, um exército grande em extre­ mo” (Ez 37.10).

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Deus mesmo deu a interpretação da visão: “Estes ossos são toda a casa de Israel; eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados. Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Se­ nhor Je o v á : Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel... Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra” (Ez 37.11-14). Ainda que os filhos de Israel tenham profanado o nome de Deus, Ele prometeu restaurá-los à sua própria terra, não por amor deles, mas pelo seu santo nome. Portanto, é evi­ dente que Israel nada pode fazer para abortar o cumprimen­ to desta profecia. A promessa de sua restauração é incondicio­ nal. Está baseada na promessa de Deus e na aliança feita com Abraão (Gn 15.18-20; 17.8; cf. Ne 9.7,8). A promessa da terra é específica e “não pode ser separada de outros aspectos da promessa feita a Abraão, como se fosse apenas uma promes­ sa temporária ou como se se tratasse de algo ‘espiritual’ ou ‘celestial’ ”.82 Ezequiel 36 também indica que eles voltarão para a terra em estado de incredulidade. Depois, quando estiverem esta­ belecidos na terra, Deus realizará uma restauração espiritual e colocará neles o seu Espírito. O capítulo 37 confirma isto ao mencionar que os ossos são juntados sem vida, pois Israèl é reunido à sua terra sem ter vida espiritual. Em seguida, Deus faz uma obra maior. Assim como acontece em grande parte das profecias do Antigo Testamento, o intervalo de tempo não está sob consideração. Não sabemos quanto tempo pas­ sará depois da restauração de Israel em estado de increduli­ dade até que haja a restauração espiritual, mas sabemos que acontecerá. O próprio Deus está por detrás desta promessa.85 A maioria das profecias do Antigo Testam ento concernentes a Israel e à Terra Prometida não teve,.de maneira nenhuma, cumprimento na Igreja, como alguns têm afirmado. Deus ainda tem um lugar para Israel em


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seu plano. Ele fará de Israel uma bênção para todos nós durante o Milênio.

O Novo Testamento reconhece Israel. No Novo Testa­ mento, Zacarias, “cheio do Espírito Santo”, profetizou que “o Senhor, Deus de Israel... nos levantou uma salvação poderosa... para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos aborrecem e para manifestar miseri­ córdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo con­ certo e do juramento que jurou a Abraão, nosso pai, de conceder-nos que, libertados das mãos de nossos inimi­ gos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” (Lc 1.67-75). Esse juramento a Abraão foi incondicional (Gn 15.9-17) e tam­ bém incluía a terra (Gn 15.18-21).84 Simeão, movido “pelo Espírito”, viu em Jesus a “luz para alumiar as nações e para glória de teu povo Israel”, povo de Deus (Lc 2.27,32). Assim, ele percebeu que Israel ainda teria um lugar e uma glória especiais. Isaías também vê essa luz do Senhor brilhando à vista de todos desde Jerusalém, na terra restaurada, quando profetiza: Virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao m onte do

Sen h or, à

casa do Deus de Jacó , para que nos ensine o

que concerne aos seus caminhos, e andem os nas suas vere­ das; porque de Sião sairá a lei lém, a palavra do

Sen h or.

[a instrução}, e de Jeru sa­

E ele exercerá o seu juízo sobre as

nações e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças, em foices; não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. Vinde, ó casa de Jacó, e andem os na luz do Senhor

(Is 2.3-5).

Conseqüentemente, as pessoas virão para a terra res­ taurada e, por causa disso, Isaías exorta o seu povo a andar na luz do Senhor, mesmo nos dias em que viviam. Se Jesus quisesse que acreditássemos que a Igreja ti­ nha substituído Israel, teria aproveitado uma excelente

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oportunidade para dizer isso, quando os discípulos perguntaram: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (At 1.6). Sem dúvida nenhuma, o reino que eles tinham em mente era o profetizado em Daniel 7.27: “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão”. Neste contexto, os discípulos associariam “o povo dos santos” com o povo de Israel. Também estariam se lembrando da aliança com Davi, vis­ to que reconheceram em Jesus o prometido Filho de Davi. Jesus, entretanto, não disse que o reino não seria res­ taurado a Israel. Ele simplesmente focalizou as atenções no tempo. Na verdade, o reino seria restaurado a Israel no bom tempo do Pai. Mas, até que isso acontecesse, os discípulos deveriam ser testemunhas de Jesus. Paulo disse enfaticamente: “Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu” (Rm 11.2). As alianças e as promessas ainda são de Israel (Rm 9.4). Durante o pre­ sente tempo, há um remanescente fiel que tem aceitado Jesus. Embora a maior parte da nação de Israel tenha rejeitado Jesus, isto não foi devido ao decreto de Deus, mas é o resultado da própria incredulidade e desobediên­ cia de cada um (Rm 10.3). “Deus está lidando com um povo que crê e que não crê, e não com marionetes”.85 Além do mais, eles ainda são um povo santo (Rm 11.16), e essa rejeição é não só parcial como também temporária. Depois da colheita dos gentios crentes, multidões de ju­ deus se converterão, no fim desta era (Rm 11.25,26). A própria fidelidade de Deus para com suas promessas o garante.86 Contudo, a futura salvação miraculosa de Israel não significa que hoje devamos negligenciar a busca da salvação dos judeus. O Evangelho ainda “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do


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judeu e também do grego” (Rm 1.16). O próprio Jesus tornou-se “ministro [servo] da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas fei­ tas aos pais [Abraão, Isaque e Jacó]; e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia” (Rm 15.8,9). O livro de Hebreus também deixa claro que Israel ain­ da é um item que interessa a Jesus Cristo, pois Ele morreu “para remissão das transgressões [de Israel] que havia debaixo do primeiro testamento” (Hb 9-15). “Ele, eviden­ temente, não socorre a anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos [judeus], para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas refe­ rentes a Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo [ou seja, de Israel]” (Hb 2.16,17, ARA).87 Portanto, apesar de alguns judeus terem rejeitado Jesus, este não rejeitou Israel como nação. Ele morreu por eles. Sua res­ tauração glorificará a Deus e fará com que o mundo intei­ ro veja o quão grande é o seu amor e a sua fidelidade, o quão maravilhosa é a sua redenção. Deus é um Deus pessoal que age na História. Ele não é apenas um mero conceito de amor, uma simples força impessoal. 0 REINADO DE JESUS NA TERRA

Muitos dos amilenistas e dos pós-milenistas dizem que não há nenhuma promessa de um futuro reinado com Jesus na terra. Eles espiritualizam Apocalipse 5-10, ainda que todos, menos alguns manuscritos tardios, tragam o tempo verbal no futuro (“eles reinarão sobre a terra”), interpretam-no como um reinado espiritual durante a presente era. William Barclay, por exemplo, chama-o de “o segredo da vida vitoriosa sob quaisquer circunstâncias... a vitória sobre o eu, a vitória sobre as circunstâncias e a vitória sobre o pecado”.88 O anjo que aprisiona Satanás desce do céu para prendêlo (Ap 20.1), de modo que a libertação de Satanás permite

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cIue e ^e saia a “enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra” (Ap 20.7,8). Mesmo assim, alguns dizem que a eena em Apocalipse 20.4-6 acontece no céu. Evidentemente, o contexto não confirma isso. O reinado de Jesus durante o Milênio é sobre a terra.89 Será um reinado universal “de mar a mar, e desde o rio [Eufrates] até às extremidades da terra” (SI 72.8; Zc 9.10). P erg un tas

para

E stu d o

1. Em que pontos os ensinamentos dos amilenistas são semelhantes aos dos pós-milenistas e em que pontos são diferentes? 2. Quais os principais pontos nos quais os amilenistas e os pré-milenistas diferem? E em quais concordam? 3. Quais os principais pontos nos quais os pós-milenistas e os pré-milenistas diferem? E em quais concordam? 4. Nos primeiros dois séculos da história da Igreja, quais eram as interpretações mais comuns referentes ao Milênio? 5. O que contribuiu para o surgimento do amilenismo, e quais foram os resultados dessa divulgação? 6. Por que o pós-milenismo se tornou popular nos séculos XVIII e XIX? 7. Quais foram os ensinam entos dos primeiros dispensacionalistas com relação ao povo de Israel e à Igreja, e até que ponto hoje muitos dispensacionalistas modificam essas interpretações? 8. De que maneira você definiria uma interpretação “literal” da Bíblia e de suas profecias? 9. Quais as razões para acreditarmos que Satanás ainda será preso e lançado no abismo?


Perguntas para Estudo

10. Quais as razões para acreditarmos que Deus dará um cumprimento literal às profecias concernentes a Israel, que ainda estão no futuro? 11. Qual a importância do fato de que reinaremos com Cristo na terra durante o Milênio?

Capítulo 5 Interpretações do Milênio


Capítulo Seis

OReino Milenial

Apocalipse 20.1-3,7-10 trata do julgamento de Satanás. Ele será encarcerado no abismo por mil anos. O abismo será fechado à chave e sobre ele será posto um selo, para que o diabo não tenha nenhuma possibilidade de exercer qualquer atividade na terra durante esse período. Depois, ele será libertado por um curto espaço de tempo antes do seu eterno julgamento no lago de fogo. Nesse entretempo, em Apocalipse 20.4-6, a Bíblia fala daqueles que são sacerdotes de Deus e de Cristo e que reinarão com Ele por mil anos.1 Nenhum detalhe desse reinado é mencionado em Apocalipse 20, mas isto não significa que a Bíblia não tenha mais nada a dizer acerca do Milênio. O reinado de Jesus trará o cumprimento a muitas profecias que claramente se ocupam com a futura restauração e com as bênçãos vindouras.2 Jesus falou de um tempo quando “muitos virão do Oriente e do Ociden­ te e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jácó, no Reino dos céus” (Mt 8.11; Lc 13.29). Jesus também prometeu: “Não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai” (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.18). Essas passagens indi­ cam um maravilhoso tempo, no qual os crentes desfruta­ rão de plena comunhão com Jesus, os apóstolos e os santos do Antigo Testamento no futuro Reino sobre a terra, onde cresce o “fruto da vide”.


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Nosso Destino

As

P rofecias

do

Antigo T estamento

O Antigo Testamento focaliza-se primariamente na res­ tauração de Israel, pois os profetas eram mensageiros de Deus para aquela nação. Haveria um remanescente: “E acontecerá, naquele dia, que os resíduos de Israel e os escapados da casa de Jacó... se estribarão sobre o Senhor, o Santo de Israel, em verdade” (Is 10.20). Mas os profetas não se esqueceram de que a promessa feita a Abraão incluía bênçãos para “todas as famílias da terra” (Gn 12.3). UM REINO NA TERRA

Muitas passagens revelam progressivamente que essas bênçãos incluíam um Reino de Deus na terra.3 Daniel viu este Reino como uma pedra que substituiu os reinos des­ te mundo e que “se fez um grande monte e encheu toda a terra... Um reino que jamais será destruído” (Dn 2.35,44).4 Daniel também viu esse Reino sendo entregue ao Filho do Homem, depois que os reinos deste mundo haviam sido destruídos (Dn 7.11-26). Isto significa que Jesus receberá o Reino depois da Grande Tribulação, depois que Deus derramar sua ira sobre as nações (Sf 3.8,9). Está claramen­ te evidenciado que o Reino não virá como “o resultado de reformas sociais, mas como conseqüência da ação de Deus no julgamento”.5 Temos o dever de orar pela paz de Jeru­ salém (SI 122.6), mas a paz última que o salmo recomenda que ansiosamente esperemos é a paz espiritual em comu­ nhão com o Senhor. Isto só pode acontecer em toda a sua plenitude mediante a derrota do Anticrísto e a vinda do Príncipe da Paz.6 Então, o julgamento será seguido por bênçãos. Os “san­ tos do Altíssimo receberão o reino” (Dn 7.18,22,27). Esses santos pertencem a Deus. São eles uma “santa semente” (cf. Is 6.13). O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enga-


Os Crentes Julgando è Reinando com Cristo

nosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante. Canta alegrem ente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te e exulta de todo o coração, ó filha de Jeru salém . O teu inimigo; o

Senhor

afastou os teus juízos, exterm inou o

Sen h or, o

rei de Israel, está no m eio de ti; tu

não verás mais mal algum. O

Sen h or,

teu Deus, está no meio

de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu am or, regozijar-se-á em ti com júbilo... Certam ente, vos darei um nom e e um louvor entre todos os povos da terra, quando reconduzir os vossos cati­ vos diante dos vossos olhos, diz o

Senhor

(Sf 3.13-15,17,20).

0 RETORNO DE ISRAEL

Os profetas deram ênfase a duas razões principais pe­ las quais Deus cumprirá sua promessa referente ao retor­ no de Israel à Terra Prometida.7 Uma é a compaixão de Deus. Isaías disse: “0 Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel, e o porá na sua própria terra” (Is 14.1). A outra é o zelo que Deus tem por seu santo nome. Seu nome foi profanado entre as nações, porque o fato de Israel ser dispersado entre as nações do mundo fez com que as pessoas acreditassem que Deus não podia libertar o seu povo. Mas Deus prometeu revelar a santidade do seu grande nome (Ez 20.41; 36.23). Isto se deu quando do regresso de Israel à sua terra — mesmo que tenha sido em estado de incredulidade, mesmo que não o merecessem —, por causa da fidelidade de Deus. Sua fidelidade também será evidenciada quando Israel receber um coração novo e um espírito novo, e quando o Espírito do Senhor for colocado dentro deles (Ez 36.26,27; 37.14). Deus é um Deus pessoal e realizará sua vontade de uma maneira consistente, de acordo com seu “propósito justo e todo abrangente”.8 Como já foi demostrado, essas profecias olham para o futuro, para um tempo que está além do regresso de Israel da Babilônia sob o comando de Zorobabel. De fato, Zacarias, depois de Israel haver regressado, profetizou:

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Nosso Destino

Fortalecerei a casa de Judá, e salvarei a casa de José, e tornarei a plantá-los, porque me apiedei deles; e serão como se os não tivera rejeitado; porque eu sou o S e n h o r , seu Deus, e os ouvirei. Eu lhes assobiarei e os ajuntarei, porque os tenho remido, e multiplicar-se-ão como se tinham multi­ plicado. E eu os semearei entre os povos, e lembrar-se-ão de mim em lugares remotos; e viverão com seus filhos e voltarão. E eu os fortalecerei no S e n h o r , e andarão no seu nome, diz o S e n h o r (Zc 10.6,8,9,12).

Quer dizer, Zacarias falou de uma dispersão futura (que aconteceu depois da destruição de Jerusalém em 70 d.C.), como também predisse um retorno à terra. Essas profecias só podem ter um cumprimento com­ pleto num Reino estabelecido sobre esta terra, e não numa nova terra, como afirmam alguns. Cristo será o mediador do Reino de Deus ao mundo, pois Ele tem de reinar (1 Co 15.25), o que implica em tempo. Depois, Ele entregará o Reino a Deus Pai, quando a eternidade começar (1 Co 15.24-28), pois esse tipo de mediação não será mais ne­ cessário na nova terra. Muitas profecias falam de um Israel restaurado, servin­ do como agente de Deus para levar bênçãos a outros povos. Isto é uma descrição clara de uma nação de verda­ de e indica situações que se darão no Milênio, e não na nova terra e na Nova Jerusalém. Também em outras profe­ cias que mencionam Israel vindo a possuir a terra, verifi­ camos certos indícios que sugerem um cumprimento milenial (Os 11.11; 14.4-7; Jl 2.32; 3.1,17,18,20; Am 9.1115; Ob 20,21; Mq 7.14-20; Sf 3.9-20; Zc 9.10,16; 10.6-8; 14.8-11). 0 TEMPLO DE EZEQUIEL

Ezequiel 40—48 descreve a visão do profeta: um novo templo e a restauração de um cerimonial repleto de sacri­ fícios e ofertas. A terra é repartida entre as tribos em faixas indo de oeste a leste através da Terra Santa. A


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porção central destinada ao templo parece situar o tem­ plo milenial num lugar diferente do de Salomão, possivel­ mente porque seu local tenha sido contaminado pela ido­ latria. Os gentios que tiverem filhos (significando, prova­ velmente, filhos espirituais e um ministério entre os israelitas) também receberão uma herança entre as tribos (Ez 47.22,23). Grande parte dos pré-milenistas é da opinião de que essas profecias de Ezequiel devem ser consideradas lite­ ralmente e que o cerimonial e os sacrifícios descritos são memoriais. Hobart Freeman ressalta: “Assim como os sa­ crifícios do Antigo Testamento não podiam expiar os pe­ cados, mas eram símbolos do sacrifício de Cristo, assim também serão os sacrifícios no Milênio”. Nem “o próprio israelita individualmente jamais faz um sacrifício... o que parece sugerir um propósito diferente no sistema de sa­ crifícios do período milenial”.9 “Do mesmo modo como hoje observamos a ceia do Senhor, não como um substi­ tuto de sua obra perfeita, mas como um memorial da realidade cumprida, assim é mantida a observância da lei cerimonial profetizada por Ezequiel, se o cumprimento literal for tão-somente memorial e sacramental”.10 Os de­ talhes apresentados e a distinta separação entre o templo e a cidade (Ez 48.8,15) tornam lógica a interpretação literal.11 Outros, baseando-se no fato de que Hebreus trata a lei e o cerimonial do Antigo Testamento como tipos e sombras, dizem que Ezequiel profetizou sob o ponto de vista da dispensação da qual fazia parte, mas que suas profecias serão cumpridas pela presença pessoal de Jesus, que é em si mes­ mo o cumprimento de todo o sistema sacrificial (ver Hb 8.13; 9 . 9 - 2 8 ; 1 0 . 1 , 1 8 ) . Não podemos ser dogmáticos acerca do tem­ plo de Ezequiel, embora não haja nada contra a existência de “um templo restaurado e recolocado bem no centro da terra [de Israel] Qualquer que seja a interpretação que prove ser

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verdadeira, podemos estar certos de que haverá uma maravi­ lhosa comunhão com Jesus durante todo o Milênio, a qual continuará pela eternidade afora. A R ealidade do Reino V indouro

Entretanto, a comunhão espiritual com Cristo não des­ carta a realidade física e material de uma terra restaurada e de um mundo renovado tendo seu cumprimento no Milênio. Nem o fato de que todas as promessas de Deus são cumpridas em Cristo “anula o significado dessas pro­ messas na Pessoa de Jesus”.13 O Reino vindouro na terra será real, bem como a presença física de Jesus. Assim serão muitas das bênçãos profetizadas na Bíblia. Jesus, depois de haver ressuscitado, ainda tinha a capacidade de comer com os discípulos e de ter comunhão com eles. Os crentes ressuscitados também terão novos corpos igual­ mente capazes de desfrutar das bênçãos tanto do céu quanto da terra. bênçãos terrestres

Isaías compreendeu que as prometidas bênçãos terres­ tres teriam sua realização no futuro distante. E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da Casa do S e n h o r no cume dos montes e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos no monte do S e n h o r , à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei [hb. torah, “instrução”], e de Jerusalém, a palavra do S e n h o r . E ele exercerá o seu juízo sobre as nações e repreenderá a muitos povos; e estes con­ verterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças, em foices; não levantará espada nação contra nação, nem apren­ derão mais a guerrear (Is 2.2-4; Mq 4.1-3).

Portanto, havendo paz entre as nações, todos os ins­ trumentos de guerra serão transformados em ferramentas


Os Crentes Julgando e Reinando com Cristo

de paz e produtividade (Mq 4.3,4). Todo o mundo terá um lugar para morar e desfrutará das provisões de Deus debaixo de sua própria “videira” e de sua própria “figueira”. Certamente, será esse o tempo em que o Príncipe da Paz se manifestará, pois “o principado está sobre os seus ombros”. Suas qualificações são bem impressionantes, pois o seu nome (isto é, sua natureza e caráter) é “Maravilhoso Conselheiro [pois nEle está a sabedoria de Deus], Deus Forte, Pai da Eternidade [isto é, Soberano do eterno futu­ ro] , Príncipe da Paz [pois Ele é a nossa paz]. Do incremen­ to deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do S e n h o r dos exércitos fará isso” (Is 9.6,7). Em outras palavras, o próprio Deus tomará providências para que essas profecias tenham o devido cumprimento nesta terra em que vivemos. Isaías também disse que Deus é o Salvador de Israel, e profetizou que “Israel é salvo pelo S e n h o r , com uma eter­ na salvação”. Mas o profeta não parou por aí. Sua profecia prossegue fazendo o convite do próprio Deus, um convite que não está limitado a Israel somente: “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.15,17,22). Deus até mesmo usará os gentios para ajudar a restaurar Israel, e os gentios humildemente aceitarão as bênçãos de Deus através de Israel (Is 49.22,23; cf. Is 60.4-18; Zc 8.20-23). Isaías continua: “Vós sereis chamados sacerdotes do S e n h o r , e vos chamarão ministros de nosso Deus... Por vossa dupla vergonha e afronta, exultarão pela sua parte; pelo que, na sua terra, possuirão o dobro e terão perpé­ tua glória” (Is 61.6,7). Então, “as nações verão a tua justi­ ça, e todos os reis, a tua glória; e chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do S e n h o r nomeará. E serás uma

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coroa de glória na mão do Senhor e um diadema real na mão do teu Deus” (Is 62.2,3). Sem dúvida, Deus realizará todos esses objetivos para com o seu povo, Israel, durante o Milênio. Então, a oração dos filhos de Coré terá sua completa realização: “A miseri­ córdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram. A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus. Também o S enhor dará o bem, e a nossa terra dará o seu fruto. A justiça irá adiante dele, e ele nos fará andar no caminho aberto pelos seus passos” (Sl 85.10-13). Jeremias 3.14-18 olha para uma futura restauração, que incluirá Israel e Judá vivendo como um povo em paz e em justiça na terra, mas sem a arca da antiga aliança, e portan­ to, sob a nova aliança no período milenial. Ainda que Jeremias profetize um regresso da Babilônia depois de um cativeiro de setenta anos — profecia que já se cumpriu —, ele também olha mais para a frente, para um futuro regresso, não apenas da Babilônia, mas de todas as nações do mun­ do (Jr 29.14). O profeta também vê o Messias, o renovo da justiça de Deus, vindo para estabelecer eternamente o trono de Davi e para fazer com que Jerusalém seja digna do nome: “O S enhor É Nossa Justiça” 0r 33.14-16). 0 ENVOLVIMENTO DOS GENTIOS

Amós também previu que a restauração de Israel en­ volveria os gentios. “Naquele dia, tornarei a levantar a tenda de Davi, que caiu, e taparei as suas aberturas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e a edificarei como nos dias da Antiguidade; para que possuam o restante de Edom e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o Senhor que faz estas coisas” (Am 9.11,12). Essa passa­ gem refere-se à restauração das 12 tribos do reino de Davi sob a autoridade do Messias, com sua soberania sobre as nações ou povos convertidos que são abençoados por


Os Crentes Julgando e .Reinando com Cristo

Israel e que agora trazem o nome de Deus. O restante de Edom representa aqueles que sobraram dos antigos inimi­ gos de Israel, ou de todos os povos do mundo que resta­ rem depois da Tribulação e se tornaram possessão ou pertencem a Israel.14 Sofonias 3.9 confirma isso: “Porque, então, darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do S en h or , para que o sirvam com um mesmo espírito”. Certamente, essas grandes profecias descrevem “uma extraordinária ordem de incomparável esplendor sobre a terra... Se elas forem apenas figurativas e simbólicas, en­ tão a montanha da Palavra divinamente inspirada traba­ lhou e produziu somente um rato da realidade”.15 Os discípulos também focalizaram a atenção em Israel, quando perguntaram a Jesus, imediatamente antes de sua ascensão: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (At 1.6). Se, como os amilenistas e os pós-milenistas ensinam, a Igreja tivesse substituído Israel e não houvesse um reino milenial para Israel sobre a terra, aqui teria sido a ocasião perfeita para Jesus dizer isso. Mas Ele não disse. O que Ele disse foi: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio po­ der”. Portanto, a única pergunta que tem relação com a restauração do reino de Israel é o quando. Para Jesus, implicava que o Pai realmente restauraria o reino a Israel. Paulo viu na plenitude da salvação de Israel grandes riquezas para o mundo (Rm 11.12). Deus não rejeitou o seu povo. Paulo, tinha tanto amor, até mesmo por aqueles judeus que eram seus inimigos, que estaria disposto a passar a eternidade no próprio inferno se isso pudesse garantir a salvação deles (Rm 9.3). O bom desejo do seu coração e sua oração a Deus pelo povo de Israel era para que fossem salvos (Rm 10.1). E Paulo anteviu um tempo, depois “que a plenitude dos gentios haja entrado”, quan­ do “todo o Israel será salvo” (Rm 11.25-27).

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Que Paulo esteja se referindo à nação de Israel está claro pelo contexto, que fala daqueles que “são amados por causa dos pais” (Rm 11.28), e pelo fato de Paulo chamar nossa atenção para a sua própria descendência e filiação tribal, como prova de que ele é israelita (Rm 11.1). Portanto, no Milênio, ainda que Israel venha a fazer parte da Igreja (pois haverá um rebanho e um pastor [Jo 10.16]), Israel ainda será Israel. O Milênio também verá o cumpri­ mento de profecias específicas que dizem respeito às pes­ soas e à nação. Isto não significa que haverá competição entre Israel e o resto da Igreja. Cada um abençoará o outro, pois Deus providenciou “alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aper­ feiçoados” (Hb 11.40). Esse aperfeiçoamento dos propó­ sitos de Deus para com Israel e a Igreja terá seu cumpri­ mento quando eles estiverem reunidos sob Jesus Cristo, seu Senhor e Rei, quando Ele reinar sobre toda a terra durante o Milênio.16 A TERRA SERÁ RESTAURADA

O Milênio será um tempo de paz e bênçãos, com a justiça prevalecendo em todos os lugares (Is 2.2-4; Mq 4.3-5; Zc 9.10). O Espírito Santo fará um trabalho de reno­ vação. Até mesmo o mundo natural refletirá a ordem, a perfeição e a beleza que Deus pretendeu para a sua cria­ ção (Is 29.17; J1 2.22-27; Am 9.13; Zc 14.8).17 “A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.21, ARA). Os desertos florescerão e o mundo animal será transforma­ do. Será uma verdadeira obra de criação, pois a própria natureza dos animais será mudada e todos os conflitos cessarão (SI 72.16; Is 11.6-8; 35.1,6,9; 55.13; Ez 34.25-27). A violência e a corrupção presentes no mundo de hoje acabarão. “Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do


Os Crentes Julgando e Reinando com Cristo

conhecimento do S enhor , como as águas cobrem o mar” (Is 11.9). “Não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao S en h or ; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior” (Jr 31.34). Como disse o apóstolo Paulo: “Agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido” (1 Co 13.12). Certamente isto também envolverá a obra do Espírito Santo, pois é o Espírito aquele que guia “em toda a verda­ de” 0 o 16.13). Ele permanecerá com os crentes transfor­ mados “para sempre” (Jo 14.16), a fim de nos impulsio­ nar, dar poder, equipar e capacitar. As pessoas do Israel restaurado também serão enchidas com o Espírito Santo (Ez 36.27; 37.14). Joel 2.28-32 mostra um derramamento contínuo, não apenas no dia de Pentecostes, não apenas sobre Israel, mas também “sobre toda a carne” (hb. kol basar), expressão que de acordo com a prática geralmen­ te observada no Antigo Testamento significa “gentios”, “as nações” ou “toda a humanidade”.18 Por causa da multidão do povo de Israel e dos crentes gentios transformados, a obra do Espírito Santo no Milê­ nio será mais poderosa e maravilhosa do que nunca (Is 35.10; 51-11; Ez 11.19; Jl 2.18-32). Hoje, temos apenas um primeiro vislumbre, mas então desfrutaremos de uma maior plenitude em relação à vinda do Senhor e à restau­ ração de Israel na terra. Que adoração e louvor, que fer­ vor espiritual, que gloriosos dons, que santo amor o Espí­ rito ministrará através de todos nós! Que gozo e paz Ele trará! Não admira, pois, que nossos espíritos gemam pela vinda daquele dia (Rm 8.23,24). Os C

ren tes

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r is t o

Jesus fez muitas promessas para nos assegurar que Ele sempre estará conosco: “Porque eu vivo, e vós vivereis. Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós,

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em mim, e eu, em vós” (Jo 14.19,20). Paulo ensinou que “quando Cristo, que é nossa vida, se manifestar, então, também [nós nos manifestaremos] com ele em glória” (Cl 3.4). A ênfase está no fato de que estaremos com Cristo. UMA TEOCRACIA

A forma de governo será teocracia, que significa gover­ nado por Deus.19 O ponto de convergência do Novo Tes­ tamento está concentrado no Rei divino, que ainda é o Deus-homem e que agora está assentado ao lado direito do Pai, esperando pela hora da sua vinda. O reino milenial é um reino de Cristo, e Ele mesmo estará presente. Res­ taurará o trono de Davi e reinará. “Convém que [Ele] reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (1 Co 15-25)- Esse reinado de Cristo é necessá­ rio para que Ele cumpra todos os propósitos de Deus relacionados à criação e redenção.20 Todas as injustiças serão corrigidas por Ele. Os mártires e as outras pessoas que nesta vida foram condenadas injustamente serão vindicadas e abençoadas. Em suas cartas às igrejas da província romana da Ásia, Jesus também prometeu conceder àqueles que vencerem o direito de se assentarem com Ele no seu trono, assim como Ele venceu e se assentou com seu Pai no seu trono (Ap 3.21). Hoje, os santos podem passar por sofrimentos, tendo de levar a cada dia sua cruz. Mas o Milênio dará um fim a todo o sofrimento e opressão humanas, pois todos os opressores terão se juntado aos exércitos do Anticristo para serem mor­ tos por Jesus, no dia em que voltar em sua glória. Devido ao fato de os santos julgarem o mundo e de nós julgarmos os anjos (1 Co 6.2,3), e também pelo fato de aqueles que estão assentados em tronos receberem “o poder de julgar” (Ap 20.4), alguns acreditam que eles passarão todo o período do Milênio revendo casos e dando ênfase ao justo julgamento de Deus.21 Entretanto, não será senão no Grande


Os Crentes Julgando e Reinando com Cristo

Trono Branco que os livros serão abertos e as justas decisões de Deus declaradas. É mais provável que o verbo “julgar” seja usado aqui no sentido de “governar”, como era empregado no Antigo Testamento, e que seja equivalente à palavra “rei­ naram” da última parte do versículo. Outros supõem que todos os descrentes serão mortos juntamente com os exércitos das nações que se coligaram sob o comando do Anticrísto na batalha do Armagedom. Isto significaria que apenas os santos estarão presentes na terra durante o Milênio e que seu governo e reinado significa tão-somente que eles gozarão dos privilégios de reis e sacerdotes que servem a Deus. Então, visto que os crentes, com seus novos corpos, tomam parte nos triun­ fes de Cristo e nunca mais serão tentados por Satanás, teria de haver uma ressurreição dos descrentes ao final do Milênio para que alguns seguissem a Satanás quando ele fosse solto. Contudo, existem indicações de que a destruição final no período da Tribulação aplica-se aos exércitos do Anticrísto, e não à população do mundo inteiro. O fato de Satanás ser preso, fechado à chave e selado no abismo “para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem” (Ap 20.2,3), indica claramente que algumas pessoas das nações do mundo inteiro ainda ficarão na terra para que possam estar sujeitas às tentações malignas no momento em que ele estiver presente. Zacarias 12.1— 14.21 trata da batalha do Armagedom e da derrota dos inimigos de Israel. Todas as nações serão reunidas contra Jerusalém (Zc 12.3). Então, depois de serem vencidas, “todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorarem o Rei, o S enhor dos Exércitos, e para celebrarem a Festa das Cabanas”, ou seja, a Festa dos Tabemáculos (Zc 14.16). O número preciso dos sobreviventes não nos é informado. Pode ser que sejam milhões.

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A FESTA DOS TABERNACULOS

A exigência para celebrar a Festa dos Tabernáculos, também chamada Festa da Colheita (Êx 23.16; 34.22), é significativa. No antigo Israel, as pessoas se reuniam em Jerusalém por sete dias, ocupando cabanas temporárias, feitas de ramos, para lembrar os quarenta anos passados no deserto. Com isso, também estavam declarando ser tão dependentes de Deus na Terra Prometida como no tempo em que estavam no deserto, quando dependiam do maná e da água que saía da rocha. O fato de os sobre­ viventes do período da Tribulação celebrarem a Festa dos Tabernáculos, significa que eles estarão se identificando com a história de Israel, de modo que tomarão parte em sua história como povo de Deus. Ao mesmo tempo, esta­ rão expressando sua dependência de Deus. A Festa dos Tabernáculos também celebrava o término da colheita de verão. As pessoas de todas as nações que subirem em obediência para adorar também virão pela fé, pois Deus não aceita qualquer adoração exceto aquela que é feita em Espírito e em verdade. Assim, essa será uma colheita final das almas e pelo menos um cumprimento parcial da profecia que diz: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.10,11). Entretanto, haverá alguns que oferecerão resistência, pois Zacarias continua: “Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o S enhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva” (Zc 14.17). Além disso, a despeito das condições ideais, ainda haverá motivo para punição e morte. “O jovem morrerá de cem anos, mas o pecador de cem anos será amaldiçoado” (Is 65.20). Isto implica que, durante o reinado milenial de Cristo sobre a terra, aqueles que nasce­ rem dos sobreviventes da Tribulação descobrirão que ainda terão de escolher seguir a Jesus pela fé e em obediência.


Os Crentes Julgando e Reinando com Cristo

Quaisquer que sejam os problemas que os pecadores venham a causar, não há dúvidas de que serão tratados se­ gundo a verdadeira retidão e justiça (Is 11.3-5). Com Satanás preso, o mal não terá ação e os crentes desfrutarão da mais perfeita paz. Que alegria será poder viver sem temor da violência ou mal de qualquer tipo! Ainda que a derrota final de Satanás e o fim do mal não venham senão depois do Milênio, no Julgamento do Grande Trono Branco, os crentes não terão medo. Eles saberão que a vitória de Deus sobre Satanás será total e definitiva, e esperarão ansiosamente pelo momento de poder tomar parte em seu triunfo final.22 P erg un tas

para

E stu d o

1. O que Jesus disse para afirmarmos que Ele aguarda ansiosamente o estabelecimento de seu Reino aqui na terra? 2. Cite algumas referências do Antigo Testamento que falam de futuras bênçãos nesta terra. 3. Por que tantas pessoas espiritualizam as passagens do Antigo Testamento que tratam de situações e aconteci­ mentos que exigem um reino milenial nesta terra? 4. Quais as principais razões para acreditarmos que Deus ainda tem um lugar para Israel no Reino futuro? 5. Como os crentes gentios se envolverão com Israel no reino milenial? 6. De que maneira a visão de Ezequiel do templo milenial tem sido interpretada, e qual interpretação você acredita que se ajusta ao quadro geral que a Bíblia revela sobre o Milênio? 7. Que tipo de meio ambiente podemos esperar no Milênio, e de que maneira ele se dará? 8. Que tipo de governo será exercido no Milênio, e como ele será?

Capítulo 6 0 Reino Milenial


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Capítulo 6 O Reino Milenial

Nosso Destino

9. Qual o significado da celebração da Festa dos Tabernáculos durante o Milênio? 10. De que forma podemos melhor nos preparar para o Milênio?


Capítula Sete

OJulgamento Final

S atanás E S o lto

O Apocalipse não fornece maiores detalhes acerca do Milênio, provavelmente porque as profecias anteriores são suficientes. Depois de se completarem os mil anos, Sata­ nás será solto, possivelmente para trazer uma vindicação final da justiça de Deus. Quer dizer, embora as pessoas tenham experimentado o maravilhoso governo de Cristo, elas ainda seguirão Satanás na primeira oportunidade. Isto prova que, com ou sem o conhecimento de como será o reinado de Cristo, as pessoas não-salvas se rebelam. De acordo com a justiça, Deus nada pode fazer exceto separálas para sempre de suas bênçãos. A Bíblia não identifica aqueles que serão enganados por Satanás. Alguns acreditam que sejam as pessoas nasci­ das durante o Milênio, que não escolheram seguir a Jesus. Outros crêem que sejam os descendentes dos povos das regiões remotas do mundo, que não foram destruídos pelas pragas derramadas no período da Tribulação ou pela batalha do Armagedom. São em grande número, “como a areia do mar” (Ap 20.8), e marcharão através da largura da terra para cercar “o arraial dos santos e a cidade amada”, isto é, a Jerusalém terrestre. As nações da terra que se reúnem para essa batalha final são chamadas de Gogue e Magogue. Embora os no­ mes sejam emprestados de Ezequiel 38 e 39, as circuns-


196 Capítulo 7 0 Julgamento Final

Nosso Destino

tâncias descritas em Apocalipse são diferentes daquelas constantes em Ezequiel. Portanto, parece lógico afirmar que os povos citados em Apocalipse sejam simplesmente um tipo dos povos de Gogue e Magogue. Satanás, o grande enganador, também engana-se a si mesmo ao acreditar que ainda possa derrotar Deus. Mas sua última tentativa fracassará miseravelmente. Fogo do céu devorará inteiramente os exércitos reunidos por ele. Nunca mais haverá rebelião contra Deus e seu amor. A Necessidade de J ulgamento

Alguém já salientou que o mundo quer manter uma “atitude de conto de fadas”, na qual tudo acaba bem, não havendo necessidade de nenhum julgamento. Na realida­ de, somente aqueles que conhecem Jesus como o Filho de Deus e vivem em seu perfeito amor não precisarão ter medo de serem castigados, tendo, em vez disso, plena confiança no Dia do Juízo (1 Jo 4.15-18). ên fa se b íb lic a

A Bíblia, do começo ao fim, enfatiza a necessidade de julgamento. Primeiro, Deus julgou a serpente, a mulher e o homem, quando os dois últimos comeram do fruto proibido (Gn 3.14-19). Desse ponto em diante, o julgamento feito por um Deus santo, íntegro e justo é um dos maiores temas da Bíblia. Os profetas repetidas vezes falaram acerca de um julgamento vindouro. Jesus mesmo falou sobre o assunto muitas vezes e de maneira muita clara, ainda que na verdade tenha mencionado a existência de diferentes graus de puni­ ção: “O servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites com poucos açoites será castigado. E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá” (Lc 12.47,48).


A Necessidade de Julgamento

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\

Jesus também falou acerca do julgamento no presente tem­ po: “Quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.18; cf.Jo9.39; 12.31; 16.11). Entretanto, isto não descarta um futuro julgamento. Jesus também fez referência ao último dia e a um futuro julgamento, sobre o qual lhe foi dado plena autoridade (Jo 5.27,29; 12.48). Pedro, em sua segunda carta, no capítulo 3, enquanto comenta a vinda de Jesus e o estabelecimento do seu reino milenial, pula diretamente para os julgamentos que trarão os novos céus e a nova terra, a fim de salientar o quanto precisamos ser lembrados destas coisas (2 Pe 3.110). Depois, ele enfatiza que o fim da presente ordem de coisas criadas é um dos maiores incentivos para uma vida de santidade (2 Pe 3.11-18). Para nós, é importante lembrarmos as “palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os... após­ tolos” (2 Pe 3-2). Tudo faz parte de uma revelação e de um plano divino de redenção. Precisamos ser constantemen­ te lembrados dos futuros julgamentos, primeiro porque “nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pe 3.3,4). Paulo também deu uma advertência similar: Nos últimos dias sobrevirão tem pos trabalhosos; porque haverá hom ens am antes de si m esm os, avarentos, presun­ çosos, soberbos, blasfem os, d esobed ientes a pais e mães, in g ra to s, p ro fa n o s, sem a fe to n atu ral, irre c o n c iliá v e is, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem am or para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais am igos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de pieda­ de, mas negando a eficácia dela... Os hom ens maus e enga­ nadores irão de mal para pior, enganando e sendo engana­ dos (2 Tm 3.1-5,13).

Capítulo 7 0 Julgamento Final


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Capítulo 7 0 Julgamento Final

Nosso Destino

O Espírito expressam ente diz que, nos últimos tem pos, apostarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganado­ res e a doutrinas de dem ônios, pela hipocrisia de hom ens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consci­ ência [isto é, marcada com ferro em brasa, com o a consci­ ência de um criminoso] (1 Tm 4.1,2).

ZOMBANDO DA PROMESSA

Os zombadores concentram seus escárnios na promes­ sa da vinda de Jesus, dizendo: “Desde que os pais dormi­ ram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2 Pe 3.4). A atitude dessas pessoas é seme­ lhante à daquelas dos tempos do Antigo Testamento, que escarneciam dos avisos de julgamento sobre Judá e Jeru­ salém e pensavam: “O S enhor não faz bem nem faz mal” (Sf 1.12). Supõem que Deus nunca interferirá nos assun­ tos concernentes a este mundo, mas esquecem-se de que, embora Deus seja tardio em irar-se, é “grande em força e ao culpado não tem por inocente” (Na 1.3). São um tanto quanto semelhantes aos modernos deístas, que encaram Deus apenas como uma Primeira Grande Causa, mas recu­ sam-se a acreditar que Ele tem estado presente desde que pôs o Universo em movimento. Muitos dos que se autodenominam teológicos liberais sustentam esse ponto de vista. Alguns seguem Paul Tillich (1886-1965), que considerava Deus uma “base [impesso­ al] do ser” e se negava a ver a mão de Deus na vida e na história humanas. Por conseguinte, procuram atenuar ra­ cionalmente os milagres e tentam tornar nulas as promes­ sas de Deus relacionadas à cura e ao batismo com o Espí­ rito Santo durante a atual dispensação. De fato, a natureza humana caída não quer que Deus intervenha. Os pecadores têm tirado Deus do trono e colocado o eu em seu lugar. Com isso, querem afirmar: “Eu sou o dono do meu destino. Eu sou o comandante da


A Necessidade de Julgamento

minha alma”. Mas os tais não são livres como pensam que são, pois são escravos do pecado. UMA LIÇÃO EXTRAÍDA DO DILÚVIO

Os que escarnecem da promessa da vinda de Jesus e supõem que o tempo prosseguirá para sempre fecham os olhos para o fato de que Deus, na verdade, já interferiu na história da humanidade. “Eles voluntariamente ignoram isto: que pela Palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mun­ do de então, coberto com as águas do dilúvio. Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma Palavra se reser­ vam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da destruição dos homens ímpios” (2 Pe 3-5-7). A palavra de Deus trouxe os céus à existência. Sua palavra também tirou a terra seca do oceano primevo (Gn 1.9,10), pois tudo foi formado pela sua palavra. “Tirada” (2 Pe 3.5) também significa “manter unido”, como em Colossenses 1.15-17, onde encontram os mais dados reveladores sobre a função de Jesus como a viva Palavra de Deus: “[Jesus] é imagem do Deus invisível, o primogênito [o mais alto soberano, o Senhor] de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Quer dizer, tudo o que Ele tem de fazer é retirar sua mão para que o Universo inteiro se desintegre. Pela mesma palavra de Deus (Gn 6.7,13,17), o mundo habitado, que veio à existência como resultado da criação divina, foi inundado e destruído. Desse modo, Deus pôs um fim ao mundo daqueles dias. Portanto, está claro que Ele interferiu no mundo após a criação.

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Nosso Destino

O que a Bíblia ensina acerca do dilúvio ainda escapa a muitos hoje em dia. A maioria dos geólogos modernos segue a filosofia do uniformitarismo, a qual supõe que todos os processos que hoje observamos na natureza sem­ pre se comportaram da mesma maneira desde o início da história geológica.1 Qualquer intervenção catastrófica na terra, como por exemplo o dilúvio, é negada por eles. Entretanto, não há como provar que os índices de com­ portamento de todos os processos sempre foram os mes­ mos. Além disso, há evidências de mudanças relativamen­ te súbitas na crosta terrestre. A Bíblia, contudo, não se preocupa com os efeitos geológicos do dilúvio. Pedro encara o dilúvio como uma prova de que Deus realmente julga o pecado. O mundo dos dias de Noé era caracterizado por duas coisas: corrup­ ção e violência (Gn 6.5,11,13). Exceto por Noé e seus filhos, o padrão dos pensamentos, intenções, propósitos e planos da humanidade era mau continuamente (Gn 6.5). As pessoas não eram somente corruptas, mas cada vez mais estavam ativamente corrompendo o seu estilo de vida. Não se satisfaziam com o estado imoral em que se encontravam. Trabalhavam apenas para tomá-lo pior (Gn 6.12). Não admira que Deus tenha fixado um limite, quan­ do disse: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem [a humanidade], porque ele também é carne; porém os seus dias [os dias da humanidade] serão cento e vinte anos” (Gn 6.3). Isto significa que Deus, em sua longanimidade e misericórdia, deu mais 120 anos da sua graça à humanidade, para então enviar o dilúvio como julgamento do pecado. A C erteza do J ulgamento

Os profetas também constataram um limite semelhan­ te para a longanimidade de Deus em sua maneira de lidar com Israel e Judá. Quando Amós teve a visão dos gafanho­


A Certeza do Julgamento

tos e do fogo, como julgamentos que Deus enviaria sobre o reino do Norte de Israel, ele orou humildemente, inter­ cedendo pelo povo, e Deus não enviou aqueles juízos (Am 7.1-6). Mas depois, Deus mostrou a Amós a visão de um prumo (um peso, suspenso por um fio, utilizado para determinar se um muro ou parede está na linha vertical). Se o prumo mostrasse que o muro estava inclinado, o muro teria de ser derrubado. Assim Deus ia passar o seu prumo no meio do povo de Israel, e, por causa da idola­ tria e do pecado, a nação teria de ir para o exílio. Deus não pouparia mais o povo (Am 7.7,8). De fato, aquela foi a última geração do Reino do Norte. Viveram para ver os assírios destruírem Samaria em 722 a.C., e depois foram expulsos de sua terra — assim como Deus havia dito. O Reino do Sul, Judá, não aprendeu nada com isso. Nos últimos dias de Judá, Deus também disse a Jeremias que deixasse de orar e de interceder por aquela nação (Jr 7.16; 11.14; 14.11). Ainda que os maiores intercessores que jamais viveram, Moisés e Samuel, ficassem na presen­ ça do Senhor, intercedendo por Judá, Deus não deixaria de enviar o julgamento (Jr 15-1,2). Assim Jeremias viveu para ver as três levas de exilados rumarem para Babilônia sob Nabucodonosor (605, 597 e 586 a.C.) e também pre­ senciou a destruição de Jerusalém e do templo (586 a.C.). Ao longo de toda a Bíblia, vemos que Deus, mais cedo ou mais tarde, julga os povos que pecam — um mundo pecador pode esperar o mesmo. Deus prometeu a Noé não enviar outro dilúvio mundial: “Enquanto a terra du­ rar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (Gn 8.22). Ele também deu um novo significado para o arco-íris. E um sinal do concerto que indica que, enquanto a terra durar, podemos esperar como certa a continuação dos processos uniformes da natureza, sem a ocorrência de outros cataclismos. Não precisamos temer qualquer calamidade natural que outra

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Nosso Destino

vez dê um fim à população do mundo. Mas isto não signi­ fica que Deus nunca mais julgará o mundo. Os atuais céus e terra, “pela mesma palavra” de Deus que trouxe o dilú­ vio, “guardam-se para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios” (2 Pe 3.7). Esse julgamento refere-se ao que acontecerá no Grande Trono Branco. 0 J ulgamento do G rande T rono B ranco

Depois que Satanás é lançado no lago de fogo, um imenso trono branco aparece — é branco porque irradia a santidade, majestade e glória de Deus (Ap 20.11). É o trono do julgamento final de Deus. Todavia, aquele que se assenta no trono deve ser o glorificado Rei dos reis e Senhor dos senhores, o nosso Senhor Jesus Cristo. Idéias judaicas populares em vigor nos dias do Novo Testamento não concebiam que o Messias fosse o derradeiro Juiz do mundo, embora realmente esperassem que Ele tivesse uma participação ativa na destruição do mundo pagão (SI 2.8,9). Não obstante, Jesus disse: “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai” (Jo 5.22,23; cf. Jo 5.27). JESUS, 0 JUIZ

Paulo declara que Deus “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitandoo dos mortos” (At 17.31). Em Romanos 2.16, também lemos que “Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo”. Jesus, entretanto, será o Mediador entre Deus e a humanidade neste julgamento final, assim como hoje é o Mediador em nossa redenção (1 Tm 2.5) e tam­ bém foi o Mediador na criação (Jo 1.3). O fato de Jesus ser o derradeiro Juiz também prova que Ele compartilha da majestade de Deus e que Ele é mais que um Mestre entre outros mestres, mais que um Guia entre outros guias.


O Julgamento do Grande Trono Branco

Conseqüentemente, as outras religiões do mundo não têm validade e só podem levar à rejeição final no julga­ mento do Grande Trono Branco.2 0 JULGAMENTO DOS MORTOS

Em pé diante do trono estarão todos os mortos, “gran­ des e pequenos”, isto é, sem considerar seu status na vida terrena. (Neste grupo, não estão incluídos os menciona­ dos em Apocalipse 20.4, pois já foram ressuscitados com novos corpos que não podem mais morrer ou definhar.) Grandes e pequenos serão ressuscitados para serem jul­ gados. Visto que a ressurreição é corpórea, essas pessoas terão algum tipo de corpo, mas não será como o corpo da ressurreição dos crentes, pois os descrentes, por causa de sua natureza pecaminosa, só podem ceifar destruição (gr. phthoran, “ruína”, “corrupção”). Eles sairão dos túmulos (Dn 12.2; Jo 5.28,29) e serão julgados pelas obras (anota­ das em registros divinamente mantidos, nos quais sem dúvida estará inclusa a sua rejeição a Jesus e submissão a Satanás, além de seus pecados públicos e particulares).3 Nessa ocasião, o Livro da Vida também será aberto, prova­ velmente como prova de que seus nomes não estão ali. Quer dizer, Jesus fará mais do que sentenciar os ímpios. Ele dará respostas a questões no que respeita à qualidade da graça, retidão, justiça, cuidado, paciência e amor de Deus, tudo em contraste com a base da ira de Deus contra o pecado e o mal. Como ressalta Charles Ryrie: “Este julgamento não é para verificar se deverá ser o céu ou o inferno o destino final daqueles que são julgados; é um julgamento para provar que o inferno é o destino merecido”.4 Então, com o lançamento da morte e do inferno no lago de fogo, a justiça de Deus finalmente triunfará, e a justiça e a paz serão estabelecidas para sempre nos novos céus e na nova terra. Alguns consideram o julgamento pelas obras contradi­ tório aos ensinamentos bíblicos sobre a justificação pela

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fé. Mas, visto que somos salvos pela graça mediante a fé, a justificação é um dom pelo qual Deus olha para nós como se nunca tivéssemos pecado. Entretanto, os dons de Deus somente são verdadeiramente nossos quando os toma­ mos e os pomos em prática. A fé deve agir ou se expressar através do amor (G1 5.6), visto que não é real, a menos que seja demonstrada pela ação. Se realmente crermos, estaremos nos importando com as outras pessoas, com suas necessidades e, sobretudo, com seus sofrimentos. Não atenuaremos o que a Bíblia ensina “no intuito de torná-la menos exigente”.5 As nossas obras, então, tornam-se evidências da realidade de nossa fé. Também é verdade que os motivos são importantes nesse processo de julgamento das obras. Alguns que nun­ ca foram condenados por qualquer crime pelos tribunais humanos podem estar cheios de ódio, amargura, inveja ou orgulho presunçoso e egocêntrico. E tudo será revela­ do “no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo” (Rm 2.16). “Nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido” (Lc 12.2). “Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36). Naquele dia “todo joelho se dobrará diante de mim [do Senhor], e toda língua confes­ sará a Deus” e “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.11,12). Alguns especulam que aqueles que forem salvos du­ rante o Milênio (quer dizer, depois do julgamento do Tribunal de Cristo) também podem ter de comparecer diante do Grande Trono Branco para receber cada um a sua recompensa. Entretanto, a Bíblia não afirma isso em nenhum lugar.6 Parece provável que eles receberão a ple­ nitude da salvação, incluindo novos corpos, e se ajuntarão ao restante dos santos glorificados assim que forem salvos e se comprometerem com Jesus.


Outros Julgamentos

O utros J ulgamentos

A Bíblia fala de outros julgamentos, mas sem dar maio­ res detalhes relacionados a tempo ou lugar. Paulo mencio­ nou que os santos (todos os verdadeiros crentes, pois eles são consagrados à adoração e ao serviço do Senhor) julgarão o mundo e os anjos, em contraste com o julga­ mento desta vida (1 Co 6.2,3). Pode ser que isso aconteça durante o Milênio. Outros consideram Mateus 25.31-46 — a separação dos povos “uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25.32) — um julgamento especial das nações no princípio do Milênio. Trata-se de um julgamento das obras, em reconhecimento de que aquilo que é ou que deixa de ser feito para os outros é ou deixa de ser feito para Jesus. O que quer que façamos, estamos fazendo como ao Senhor (Cl 3.23). A palavra “nações”7 significa povos, e não estados nacionais — o conjunto dos poderes políticos de uma nação. As obras são aquelas feitas por indivíduos que se importam com os irmãos (e irmãs) de Cristo ou que os desprezam.8 O resultado é uma herança para aqueles que são benditos e fogo eterno para os que não são, um fogo preparado para o diabo e seus anjos. Ou seja, é o estado final, e não o Milênio, que está em apreço nesta descrição. James Oliver Buswell faz uma interessante sugestão. Visto que a cena é “de uma vasta e cósmica perspectiva”, pode ser que Jesus tenha colocado tanto o julgamento do Tribunal de Cristo quanto o do Grande Trono Branco em um só quadro, em prol da lição de que “julgamento” significa separação uns dos outros bem como separação de Deus. Então, assim como os profetas do Antigo Testa­ mento não mostraram a diferença de tempo entre a pri­ meira e a segunda vinda de Jesus, este, da mesma forma, não indica a diferença de tempo entre os dois grandes julgamentos.9

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Nosso Destino

S érias Advertências

Os cristãos devem levar esses julgamentos a sério: “Se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o peca­ dor?” (1 Pe 4.18). Se pecarm os voluntariamente, depois de term os recebi­ do o conhecim ento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebran­ do alguém a lei de Moisés, m orre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testem unhas. De quanto maior cas­ tigo cuidais vós será julgado m erecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testam ento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecem os aquele que disse: Minha é a vin­ gança, eu darei a recom pensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.26-31).

Existe a possibilidade de que aqueles que uma vez foram salvos se retirem para a perdição (Hb 10.39), embo­ ra o escritor de Hebreus nos encoraje a não rejeitarmos a nossa confiança, a perseverarmos e continuarmos firmes, sendo um daqueles que crêem e são salvos (Hb 10.35,36,38,39). P erguntas

para

E studo

1. Quais as possíveis razões para que Satanás seja solto por um curto período de tempo depois do Milênio? 2. Por que será necessário que Deus faça um julgamen­ to final dos descrentes? 3. Por que a Bíblia está sempre nos lembrando dos futuros julgamentos? 4. Que lições o Novo Testamento nos dá a respeito do episódio do dilúvio? 5. Que lições devemos aprender dos julgamentos que Deus enviou sobre os reinos de Israel e de Judá?


Perguntas para Estudo

6. Quem será o Juiz e quem será julgado no Grande Trono Branco? 7. Com base em que as pessoas serão julgadas no Gran­ de Trono Branco? 8. Que outros julgamentos a Bíblia mostra que haverá? 9. Por que a Bíblia nos descreve esses julgamentos?

Capítulo 7 0 Julgamento Final


Capítulo Oito

OEstado Final dos ímpios

Deus nunca relutou em salvar quem quer que fosse. Seu desejo é “que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Ele não quer que “alguns se percam”, mas sim “que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3.9). Deus nem sequer preparou um lugar especial para os infiéis. Ele simplesmente os envia “para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). Por conseguinte, os pecadores que não aceita­ rem a oferta divina de salvação e de vida através de Jesus Cristo serão condenados (Jo 3.18) e, a menos que se arrependam, tornar-se-ão alvos da ira de Deus. Ele é um Deus que fará justiça (Gn 18.25) e tratará com imparciali­ dade aqueles que escolherem rejeitar seu amor para se­ guir os próprios caminhos. A Santa Ira de Deus

Deus é santo. Ele ama o pecador £. procura alcancar a todos ods. Mas, derramará a sua ira no pecado e em tudo o que é mau, de maneira a poder revelar sua justiça, poder, sabedoria e glória. A Bíblia usa duas palavras para se refe­ rir à ira divina: thumos e orge. O vocábulo thumos é usado no sentido de derramamentos específicos da ira de Deus (Ap 14.10,19; 15.7; 16.1,19; 19.15). O termo orge é empre­ gado para assinalar a ira que é a atitude contínua e justa de Deus em relação ao pecado e ao mal.1 Por que existe o mal? Só Deus o sabe, ainda que não o compreendamos


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Capítulo 8 0 Estado Final dos ímpios

Nosso Destino

inteiramente. Mas o mal será vencido para sempre, e o lago de fogo “é a esfera e o clímax de sua derrota final”. Portanto, podemos estar certos de que Deus no fim domi­ nará o mal e cumprirá “seus próprios, justos e retos” propósitos.2 Sua ira obrigatoriamente atingirá a todos os que de.spre7.arem “as riquezas da sua benignidade, e paci­ ência, e longanimidade” e “aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade” (Rm 2.4,8). De fato, a ira de Deus vem somente sobre os des­ crentes (Rm 5-9; 1 Ts 1.10; cf. 1 Ts 5.9). É diferente da disciplina a que o Senhor submete aqueles que Ele ama.3 Sua disciplina pode ser dolorosa, mas “produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hb 12.5-11; cf. 1 Co 11.32). Hoje é o dia da salvação para aqueles que, por causa do pecado, são por natureza objetos da ira de Deus. Quando aceitarem Jesus, serão transformados, pois Deus é riquíssimo em misericórdia e seu grande amor fez o devido provimento para a nossa salvação (Ef 2.3-5). Entretanto, quando a ira de Deus atingir os descrentes, será tarde demais. A Bíblia não dá nenhuma indicação de que sua ira venha a fazer com que as pessoas se arrepen­ dam ou sejam atraídas para Ele. Apocalipse 9.20,21 decla­ ra especificamente que o restante da humanidade que não morrer pelas pragas dos julgamentos das trombetas não se arrependerá. As pragas das taças da ira de Deus som ente induzirão as pessoas a amaldiçoá-lo (Ap 16.9,11,21). Na realidade, essas pessoas estarão se exclu­ indo do amor de Deus. João Batista, de acordo com os profetas do Antigo Testamento, adverte sobre a vinda de uma “ira futura” (Mt 3.7), mas sem perceber o tempo que há entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Tanto Jesus quanto Paulo ob­ servam que os pecadores já são alvos da ira de Deus e, mesmo nesta vida, o juízo pode vir sobre eles 0o 3.36; Rm 1.18—3.20; Ef 2.3; 5-6). Mas também existe uma “ira futu­


O Destino dos Perdidos

ra” (1 Ts 1.10). Nela está incluída a ira que será derramada durante a Tribulação4 e que no fim resultará na eterna punição no lago de fogo.5 0 D estino dos Perdidos as trevas

A Bíblia descreve o destino final dos perdidos como algo terrível, que vai além da imaginação.6 São as “trevas exteriores” reservadas para aqueles que escolherem amar mais as trevas do que a luz 0o 3.19,20; cf. Mt 22.13). Nessas trevas, haverá “pranto e ranger de dentes”, isto é, frustração e remorso à medida que os perdidos continua­ mente sofrem a ira de Deus, enquanto ficam a pensar em todos os pecados e erros cometidos em uma vida que poderia ter sido abençoada por Deus mas que foi desperdiçada por suas próprias escolhas (Mt 8.12; 22.13; 25.30; Lc 13.28; Rm 2.8,9; Jd 13).7 0

fo g o et er n o

O destino dos perdidos também é descrito como uma “fornalha de fogo” (Mt 13.42,50), onde o fogo por sua própria natureza é voraz e nunca se apaga (Mc 9.43; Jd 7). Causa perda eterna ou destruição perm anente (gr. olethron, “destruição”, “ruína”; 2 Ts 1.9, ARA), e “a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre” (Ap 14.11; cf. Ap 20.10),8 Jesus o chamou “o tormento eterno” (gr. kolasin, palavra usada para se referir a uma tortura contí­ nua; Mt 25.46). Ele também usou a palavra gehenna para descrevê-lo (Mt 5.22,29,30; 10.28;9 18.8,9; 23.15,33). Gehenna é o vocábulo aramaico para o vale de Hinom, uma ravina estreita situada na parte oeste e ao sul de Jerusalém. Durante o declínio do Reino de Judá, esse era o lugar onde os apóstatas judeus faziam passar seus filhos e suas filhas pelo fogo, em sacrifício a Moloque, deus dos amonitas (2 Rs 16.3; 21.6; 23.10; Jr 7.31,32; 32.35). Os

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Capítulo 8 0 Estado Final dos ímpios


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Capítulo 8 0 Estado Final dos ímpios

Nosso Destino

judeus dos dias do Novo Testamento fizeram daquele lugar a lixeira da cidade e ali sempre havia fogo ardendo. Dessa forma, Jesus se utilizou dele figurativamente como o lugar do juízo final — o lago de fogo.10 Suas chamas de enxofre a queimar indicam o quão doloroso será o fogo. Certamente, as advertências de Jesus não teriam sido tão veementes se não houvesse tal julgamento vindouro. O lago de fogo será o lugar para os tímidos, os incrédu­ los, os abomináveis, os homicidas, os fomicários, os feiti­ ceiros, os idólatras e para todos os mentirosos (Ap 21.8). Os “tímidos” são mencionados em primeiro lugar, porque lhes faltam a coragem e a lealdade necessárias para resistir o mundo, a carne e o diabo. Incluem-se em suas fileiras os que tomam parte na adoração à besta e sua imagem. Os “incrédulos” são os que intencionalmente não crêem — rejeitam a verdade — porque amam mais as trevas do que a luz. Os “abomináveis” são aqueles que estão contamina­ dos pelas obscenidades repugnantes do sistema mundial babilônico (Ap 17.4,5). Fazem parte dos “homicidas” prin­ cipalm ente aqueles que matam os mártires, Os “fornicários”, os “feiticeiros” e os “idólatras” são todos elementos constituintes do falso culto que exalta o ho­ mem e torna as pessoas vítimas de Satanás. Os “mentiro­ sos” são os que, por terem rejeitado Jesus como Senhor e Salvador, participam da natureza do seu pai, o diabo, que é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Todas essas pessoas terão eliminado para sempre qualquer possibili­ dade de entrar na Nova Jerusalém, pois “ficarão de fora” de toda a nova criação (Ap 22.15). As “trevas exteriores” também indicam que esses indi­ víduos estão destituídos da luz de Deus. A fé, a esperança e o amor que, para nós permanecem (1 Co 13.13), para sempre estarão faltando naquele ambiente.11 O “descan­ so” que desfrutaremos nunca estará disponível para eles, nem disporão do gozo e da paz que nosso Senhor dá àqueles que crêem. O lago de fogo também será um lugar


O Destino dos Perdidos

solitário, um lugar terrível, eternamente excluído da co­ munhão com Deus. Além disso, a amargura e o ranger de dentes dos ímpios, assim como sua inalterável natureza caída, impedirão que tenham comunhão uns com os outros.12 Estejamos certos de que “o castigo pelos pecados será real e rigoroso... O infinito amor e a perfeita justiça serão a medida da taça que cada um terá de beber”.13 Só os crentes serão transformados, os pecadores não. O ranger de dentes também demonstra a frustração causada pelo fato de que eles ainda terão as mesmas lascívias, os mes­ mos desejos, os mesmos hábitos, o mesmo egocentrismo, o mesmo ciúme, a mesma amargura — tudo sem nenhu­ ma oportunidade de encontrar satisfação ou alívio. Tudo o que os tornou inaptos para o céu e a comunhão com Deus ainda estará presente em suas vidas.14 Assim como em vida tornaram-se insensíveis às amea­ ças de punição, levantando barreiras contra os apelos do amor de Deus e do sacrifício de Jesus na cruz, da mesma forma tornar-se-ão ainda mais insensíveis nas chamas do lago de fogo. Assim como os pecadores amaldiçoarão a Deus por causa das pragas que serão enviadas no período da Tribulação (Ap 16.21), pode ser que também venham a amaldiçoar a Deus quando perceberem que poderiam ter recebido suas bênçãos — para eles, então, inalcançáveis para sempre. Por haverem rejeitado o amor de Deus, deverão ser abandonados às conseqüências de sua pró­ pria corrupção.15 Também não haverá qualquer escape da punição ou um fim para o castigo, pois a geena, o lago de fogo, é um lugar “onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Mc 9.48). O que Jesus falou sobre Judas pode ser aplicado a todos os que acabam indo para lá: “Bom seria para esse homem [ou para essa mulher] se não houvera nascido” (Mt 26.24).

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O u tra s I n t er pr et a ç õ es o

un iversalism o

( ou

resta u ra cio n ism o )

Orígenes (c. 185-254) ensinou que a punição dos ímpios será restauradora e que, no fim, todos serão salvos, até mesmo Satanás e seus anjos.16 Os misericordes, que eram sucessores de Orígenes, acreditavam que todos os seres humanos seriam salvos, mas não Satanás ou os demônios.17 Os universalistas encontram esperança para a salvação de toda a humanidade em trechos bíblicos como o de 1 Timóteo, onde está escrito que “Deus, nosso Salvador... quer que todos os homens se salvem e venham ao conhe­ cimento da verdade. Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem, o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (1 Tm 2.3-6). Mas eles chamam a atenção somente para o desejo de Deus e ignoram o que Paulo diz mais adiante, na mesma carta: “Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifes­ tam-se depois. Os que querem ser ricos caem em tenta­ ção, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Tm 5-24; 6.9). Semelhantemente, Romanos 11.32 ex­ pressa o desejo que Deus tem de ser misericordioso para com todos. Mas a Epístola aos Romanos também mostra a severidade do julgamento de Deus. Depois, temos Efésios 1.9,10, que fala a respeito do mistério da vontade de Deus “que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”. No entanto, Paulo diz mais quando explica que aqueles que estão “em Cristo” são os que ouvem o Evan­ gelho e crêem (Ef 1.13). Aqueles que não estão “em Cris­ to” e cujos nomes não forem encontrados no Livro da


Outras Interpretações

Vida serão lançados no lago de fogo, o qual é externo a toda a nova criação. Colossenses 1.19,20 diz: “Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele [em Jesus] habitasse e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus”. Mas Paulo prossegue, dizendo aos crentes colossenses: “Agora, contudo, vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, perm anecerdes fundados e firm es na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho que tendes ouvido” (Cl 1.21-23). As pessoas podem recusar os propósitos de Deus. Podem se apartar deles até mesmo depois de esta­ rem convertidas e reconciliadas com Deus.18 Deus não força nosso livre-arbítrio, antes ou depois de estarmos salvos. Os universalistas afirmam que as palavras ditas por Jesus em Mateus 25.46, Marcos 9.44-48 e João 5.29 são figurativas. Argumentam que o amor de Deus é infinito, que sua misericórdia estende-se de eternidade a eternida­ de e que sua graça não tem limites. Portanto, Ele restaura­ rá todas as coisas e a redenção será universal.19 Mas a justiça de Deus é o outro lado do seu amor. O amor de Deus requer um relacionamento pessoal com o crente, que livremente o ama. Conseqüentemente, aqueles que decidem rejeitar o seu amor estão escolhendo o caminho largo que conduz à perdição. Outro argumento é que Deus não poderia criar nada em vão, portanto, em última análise, todas as coisas deve­ rão ser redimidas. Mas aqueles que se opõem à graça divina já estão sob a ira de Deus e irão a julgamento, a menos que se arrependam e creiam em Jesus (Mt 3.7; Lc 3.7; Jo 3.18; 1 Ts 1.10). Deus nos fez seres responsáveis, e nossas escolhas têm conseqüências eternas.

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Os universalistas também declaram que a palavra “eterno” (gr. aionios) na maioria das vezes significa “com longa exis­ tência”, assim como o termo hebraico ‘olam freqüentemente significa “tempo indefinido” em vez de “tempo infinito”.20 Entretanto, a palavra aionios, nas 71 vezes em que ocorre no Novo Testamento, claramente significa “eterno” ou “perpé­ tuo”. Sessenta e quatro vezes “descreve Deus ou fatos divinos que dizem respeito à sua obra de salvação e vida eterna... Além disso, em 2 Coríntios 4.18, o vocábulo aionios está em contraste com proskairos (‘transitório’, ‘aquilo que dura ape­ nas por um período’, cf. Fm 15)”.21 Baseando-se em 1 Coríntios 15-22, que diz: “Assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”, os universalistas querem afirmar que o pronome indefinido “todos” inclui cada um dos seres hu­ manos. Mas Paulo estava falando a crentes, quando tam­ bém acrescentou: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). Desse modo, o “todos” significa todos os que colocam a fé em Jesus e firmam a esperança nEle. Alguns universalizam a promessa: “Todos seremos trans­ formados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos trans­ formados” (1 Co 15.51,52). Entretanto, “os mortos” aqui não são todos os mortos, mas somente os que irão “her­ dar o Reino de Deus”, aqueles cujo “trabalho não é vão no Senhor” (1 Co 15.50,58). Os universalistas ignoram “o efeito endurecedor da obstinada persistência no mal e o poder da vontade hu­ mana em resistir a lei e rejeitar o amor de Deus”.22 A Bíblia é clara ao assegurar que devemos não apenas receber o perdão de nossos pecados, mas também nos arrepender deles e abandoná-los.23 Sem a santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).


Outras Interpretações

Os universalistas ignoram o fato de que a Bíblia não dá nenhuma indicação de uma segunda chance de salvação após a morte. Jesus foi bem claro em Lucas 16.26 — o “grande abismo” torna impossível deixar o inferno. Hebreus 9.27 é ainda mais explícito: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo”. “A natureza do inferno, a natureza do céu, a pecaminosidade do pecado, o custo da expiação — tudo isso precipita a negação de qualquer perspectiva do restauracionismo”.24 Além disso, muitas advertências das Escrituras25 não teriam significado se, no fim, todas as pessoas se salvassem.26 Como salienta William Shedd, Mateus 25.31-46 mostra que Jesus “não poderia ter acredi­ tado nem esperado que todos os homens, sem exceção, eventualm ente fossem santificados e se tornassem felizes”. Ameaçar com “o tormento eterno” uma classe de pes­ soas descrita como bodes à esquerda do Juiz eterno, en­ quanto que ao mesmo tempo se sabe que essa classe no fim teria a mesma santidade e a mesma felicidade daque­ les descritos como ovelhas à direita do Juiz, teria sido não só mentira com também loucura. A ameaça teria sido falsa. Pois nem mesmo um longo tormento no mundo vindouro teria justificado que Jesus ensinasse que essa classe de humanidade iria experimentar a mesma recom­ pensa com “o diabo e seus anjos”. Pois os judeus, a quem Ele falou, entenderam que esses estão sem esperança, sendo eternamente espíritos perdidos.27 Deus respeita cada pessoa como um ser responsável. Ele não subjuga as pessoas nem as força a se salvarem a despeito de si mesmas.28 Seu convite é para que aceite­ mos a Jesus, mas Ele também nos adverte: “Como escapa­ remos nós, se não atentarmos para uma tão grande salva­ ção?” (Hb 2.3). Os argumentos do universalismo apelam para a mente natural, mas o Novo Testamento não os

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apóia.29 Somente aqueles que servem o vivo e verdadeiro Deus serão livrados por Jesus da ira que está para vir (1 Ts 1.10). Ninguém e nada mais pode nos salvar e livrar. UM RESTAURACIONISMO MODIFICADO

Uma versão do restauracionismo enfatiza que Deus restaurará tudo (At 3.21) e que Ele está fazendo novas todas as coisas (Ap 21.5). Também encara o propósito do lago de fogo como meio de purificação e propõe que, quando os crentes comparecerem diante do Julgamento do Tribunal de Cristo, aqueles que não estiverem à altura ou não forem santos o suficiente serão enviados por de­ terminado tempo ao lago de fogo, a fim de serem purifica­ dos. Então, quando o Anticristo, o falso profeta, Satanás e seus anjos e todos os ímpios forem lançados no lago de fogo (o qual, dizem, só “dura uma era”), eles também serão purificados e, no fim, salvos e restaurados à comple­ ta comunhão com Deus. Os que sustentam esse ponto de vista afirmam que se trata de um incentivo para um viver santo, pois o horrível tormento do fogo, que é a colheita do pecado, é quase inconcebível, e quem sabe quanto tempo durará essa era?30 Contudo, a restauração de que trata Atos 3.21 está limitada, no mesmo versículo, ao que Deus “falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”. Nenhum profeta prometeu uma restauração final de to­ dos os ímpios. Além do mais, a declaração de Apocalipse 21.5 é feita em relação aos novos céus, à nova terra e à Nova Jerusalém. Sob nenhuma circunstância implica que o lago de fogo proporcione algum tipo de renovação ou que aqueles que forem lançados nele sejam restaurados. O fogo, por sua própria natureza, nunca se apaga (gr. asbestos; Mt 3.12; Mc 9.43; Lc 3.17). Mas, perguntam alguns, os eternos sofrimentos de pa­ rentes e amigos não estragarão o gozo do céu para os


Outras Interpretações

crentes? Poderiam estragar se Deus não enxugasse todas as lágrimas dos crentes (Ap 7.17). Mas — e esse é o ponto mais importante — os crentes no céu terão um entendimento da excessiva pecaminosidade do pecado e da extraordinária santidade de Deus de uma maneira inédita. Mesmo agora, os crentes têm mais comunhão uns com os outros do que com os amigos não-salvos e parentes. Também é certo que a alegria da comunhão com Deus e Jesus e a participação de sua glória eterna encherão nossas vidas com tantas bên­ çãos, que o passado cairá no esquecimento.31 0 ANIQUILACIONISMO ( a IMORTALIDADE CONDICIONAL)

O aniquilacionismo ensina que a pessoa como um todo deixa de existir e que a alma e o espírito cessam de ter qualquer existência. Quase todos os aniquilacionistas en­ sinam que Deus criou Adão e Eva mortais e que, mais tarde, recompensou os justos com a imortalidade, ou en­ tão afirmam que ninguém é imortal, exceto pela livre graça que há em Cristo Jesus e que essa graça não é dada aos pecadores que não se arrependeram.32 Fausto Sócino (1539-1604) promoveu essa idéia durante a Reforma. Em 1706, Henry Dodwell, de Oxford, ensinou que o batismo cristão conferia o dom da imortalidade. O escritor escocês Henry Drummond (1851-1897) en­ sina que a imortalidade condicional é compatível com a fé evangélica. Quer dizer, aqueles que negam se arrepender e crer no Evangelho não receberão a imortalidade.33 Ou­ tros ensinam que Deus na realidade criou Adão e Eva imortais, só que mais tarde Ele tirou esse dom dos ímpios.34 Muitos baseiam-se em passagens como 2 Tessalonicenses 1.8,9, onde Paulo diz que Jesus tomará “vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obede­ cem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Se­

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nhor e da glória do seu poder” (ARA). Os aniquilacionistas afirmam que a palavra “destruição” (g. olethrori) significa “uma total cessação da existência”. Entretanto, o uso do verbo “destruir” em 1 Coríntios 3.17 — “Se alguém des­ truir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o tem­ plo de Deus, que sois vós, é santo” — mostra que a palavra não significa aniquilação. Nenhum ser humano poderia aniquilar o povo de Deus. Também declaram que o termo “perdido” significa “aniquilado”. Mas, quando Jesus en­ viou os Doze “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.6), é claro que não estava querendo dizer “às ovelhas aniquiladas”. Estavam perdidas, porque estavam separa­ das de Deus. Perdição eterna significa banimento para sempre da presença de Deus. Além disso, a aniquilação não demonstraria apropria­ damente o ódio que Deus tem para com o pecado, nem se adequaria a certos trechos bíblicos como Mateus 25.46, onde está escrito que os ímpios irão “para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna”. Os vocábulos “eterno” e “eterna” são a tradução da palavra grega aionion .35 Portanto, se nossa vida em Cristo é eterna e nossos novos corpos são imortais e imperecíveis, não su­ jeitos à morte ou corrupção (1 Co 15.42,52-54), então a punição dos ímpios também tem de ser eterna, sem fim (veja também Mt 18.8; 25.41; Mc 3.29; 2 Ts 1.9; Hb 6.2; Jd 7). Tampouco o verbo “p erecer”, em João 3.16 (gr. apoletaí), significa aniquilação ou extinção. A mesma pa­ lavra é freqüentemente usada para se referir aos pecado­ res que estão perdidos (Mt 10.6; Lc 15.4,6; 19.10; 2 Co 4.3), à perda do galardão (Mt 10.42) e à morte física (Mt 8.25; 26.52; 27.20; Lc 17.27; Jd 11). O substantivo corres­ pondente (apoleiá) alude à perda eterna, à ruína eterna, mas não à perda da existência.36 Assim como a vida eterna é a vida de Jesus em nós, pela qual tomamos parte na


Perguntas para Estudo

comunhão com Ele, também a morte eterna é a ausência da vida de Deus e a separação eterna dEle e de suas bênçãos. Os crentes vão para um lugar preparado para eles. Os perdidos vão para um lugar que nunca foi desti­ nado a eles, um lugar preparado para o diabo e seus anjos, o destino final de Satanás, sua prisão definitiva. Não admira que Jesus tenha advertido os pecadores assim com tanta freqüência! Algumas pessoas tratam o assunto do tormento eterno de maneira descuidada, frívola até. Mas esse é um caso muito sério. Ainda que Deus venha a enxugar toda a lágri­ ma, é quando contemplamos essa situação pecaminosa dos dias de hoje que lágrimas deveriam surgir em nossos olhos, impulsionando-nos a orar, testemunhar, contribuir para missões nacionais e estrangeiras, enquanto seguimos a Jesus e compartilhamos do seu desejo de buscar e salvar o que está perdido (Lc 19.10). Depois do julgamento final, a morte e o Hades serão lançados no lago de fogo (Ap 20.14). O lago de fogo, o qual está completamente do lado de fora dos novos céus e da nova terra (cf. Ap 22.15), será o único lugar onde a morte existirá.37 Como resultado disso, a vitória de Jesus sobre a morte como o salário do pecado finalmente será consumada na sua totalidade, pois “o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Co 15.26). Como prevê Isaías, Deus “tragará a morte para sempre” (Is 25.8, ARA) e nos novos céus e na nova terra “não haverá mais morte” (Ap 21'.4). P erg u n ta s

para

E st u d o

1. Para quem o lago de fogo foi preparado e por que os descrentes irão para lá? 2. Em termos de natureza e conseqüências, qual a dife­ rença entre a disciplina que os crentes recebem de Deus e a sua ira que sobrevêm aos descrentes?

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3. Como pode um Deus bom também ter ira? 4. Qual será o estado final dos ímpios? 5. De que maneira a Bíblia descreve as pessoas que estarão no lago de fogo? 6. Quais as bases bíblicas para crermos que o tormento no lago de fogo é eterno e que o propósito do lago de fogo é juízo, e não restauração? 7. Quais os argumentos favoráveis à doutrina da imor­ talidade condicional, e quais os contrários?


Capítulo Nove

OEstado Final dosJustos

Abraão se dispôs a viver na Terra Prometida como estrangeiro porque “esperava a cidade que tem funda­ mentos, dà qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.9,10), uma cidade que já existe no céu (G1 4.26; Hb 11.16).1 Fazia isso de bom grado porque percebera que a Nova Jerusalém será mais real, mais sólida e mais bela que a terra de Canaã, na qual mana leite e mel. E uma cidade onde nossos relacionamentos serão mais excelentes, mais emocionantes e mais gloriosos que qualquer coisa que conheçamos ou tenhamos experimentado na terra. Abraão também percebeu que nessa cidade há uma maior segu­ rança em relação ao que pode ser encontrado nesta terra, pois ele “pôs de lado toda segurança terrena e ‘saiu [de seu país], sem saber para onde ia’. Por quê? Porque ‘espe­ rava a cidade’ (Hb 11.8,10), ‘um Reino que não pode ser abalado’ (Hb 12.28)”.2 Todos os crentes são, pela fé, “filhos” ou herdeiros das mesmas promessas feitas a Abraão; portanto, compartilhamos da mesma esperança (G1 3.7-9,29). C ompleto C umprimento

Os vários sistemas da teologia cristã objetivam, de al­ guma forma, dar o cumprimento final e a efetivação de todas as bênçãos prometidas no novo céu e na nova terra, com sua cidade maravilhosa e celestial, a Nova Jerusalém. Que contraste com as atuais cidades deste mundo e da


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Babilônia do Anticrísto! (Ap 17.1-18). Contudo, alguns sistemas teológicos dão pouca ênfase à realização futura e definitiva do Reino de Deus. Lutero e Calvino diziam que a Nova Jerusalém é a Igreja, e decididamente não a enca­ ravam como uma cidade literal. Mas a Igreja é o corpo de Cristo aqui na terra, enquanto a Nova Jerusalém ainda está para descer à terra.3 A teologia da libertação, assim como a teologia femi­ nista, diluem e distorcem as promessas de Deus quando procuram estabelecer programas sociais, esperando des­ se modo salvar a humanidade pelo “reajustamento huma­ no das potências mundiais”.4 Essas teologias ignoram o fato de que só Cristo é o único que “convém que reine até que tem haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (1 Co 15.25). Somente a obediência a Deus mediante a fé em Jesus pode trazer vida eterna e paz real. As tentativas da humanidade em salvar-se a si mesma ainda se deparam com um inimigo invencível: a morte. Mas Jesus, por seu grandioso poder, despojará a morte de seu domínio e a destruirá. Cristo tem poder para fazer isso por­ que Deus, que o ressuscitou dos mortos, o colocou à sua direita nos céus, “acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef 1.19-23). Então, quando a morte — o último inimigo — tiver sido completamente destruída, “o Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (1 Co 15.28). O plano de Deus terá alcançado sua suprema e gloriosa culminância, e para sempre nos alegraremos na Nova Jerusalém e nos novos céu e terra. O Apocalipse não apresenta minúcias do novo céu e da nova terra. Em vez disso, focaliza o lindo quadro da Nova


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O Novo Céu e a Nova Terra

Jerusalém descendo do céu. A Cidade Santa é o lar final e eterno e a sede de todos aqueles cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 21.27). Haverá abundância de lugares. Ali ninguém ficará sem morada. Também é o tabernáculo, a habitação de Deus (Ap 21.3). Ainda que Deus esteja presente em todos os lugares, Ele é capaz de se mani­ festar de maneira especial sempre que quiser. Nesta dispensação, como também em tempos idos, Deus manifesta a sua presença de modo especial no céu, fazendo dali o lugar do seu trono. Mas, no Reino definitivo, Ele transferirá sua sede para a Nova Jerusalém, na nova terra. Isso dará uma conclusão ao plano que Deus tem de ter para si mesmo um povo especial. Esse propósito foi reve­ lado por Ele a Israel no monte Sinai. Ali, Ele disse a respei­ to de Israel: “Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propri­ edade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo” (Ex 19.5,6). Através do novo concerto, o propósito foi estendido à Igreja, pois “os gentios são co-herdeiros, mem­ bros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3.6, ARA). A Bíblia também fala a todos aqueles que, crendo, se aproxi­ mam de Jesus: “Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Em outras palavras, todos os que dizem que a Nova Jerusalém é o seu lar “serão 0 seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3). Esse é o destino que Deus, em seu amor, tem pretendido para a humanidade desde o tempo em que fomos criados. A

0 Novo Céu e

a Nova Terra

Isaías foi o primeiro a profetizar a criação de Deus de um novo céu e de uma nova terra. Tão totalmente novos

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serão que “não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17). Mas Isaías, como João, não fornece maiores detalhes acerca de como serão o novo céu e a nova terra. O versículo seguinte (Is 65.18) começa com uma forte conjunção adversativa (hb. ki-’im, “contudo”), estabelecendo assim um nítido contraste. Re­ almente haverá um novo céu e uma nova terra, mas a atual Jerusalém também terá seu cumprimento. O restan­ te do capítulo 65 ocupa-se com as condições prevalecentes no Milênio nesta presente terra depois que Jesus vol­ tar. Tais condições não se ajustam de modo algum à des­ crição da Nova Jerusalém em Apocalipse 21 e 22. João viu a Nova Jerusalém que de Deus descia do céu, e isso tinha ligação com sua visão do novo céu e da nova terra. Portanto, a Nova Jerusalém virá descendo até a nova terra, e não até esta terra que conhecemos, pois “já o primeiro céu e a primeira terra passaram” (Ap 21.1). A SUBSTITUIÇÃO DOS ATUAIS CÉUS E TERRA

A extinção do primeiro céu e da primeira terra reporta-se a Apocalipse 20.11, onde lemos que João viu “um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles”. O significado mais elementar desse versículo diz que os atuais céus e terra desaparecem — acabam, deixam de existir —, visto que não há mais lugar para eles. O fato de terem “fugido”, indica que se tornaram inaptos para a presença de Deus, por causa da contaminação causada pelo pecado da humanidade e pela revolta dos anjos que caíram. A termino­ logia está de acordo com Daniel 2.35, onde está escrito que a grande estátua foi levada pelo vento, não se achando lugar algum para ela. A estátua, que representa o atual sistema mundial, terá de ser suprimida para que as melhores coisas do reino milenial possam ser estabelecidas. Até mesmo o céu e a terra que conhecemos são transitórios, e terão de ser


O Novo Céu e a Nova Terra

eliminados de modo que um novo (e melhor) céu e uma nova (e melhor) terra sejam trazidos à existência. Isaías profetizou: “Todo o exército dos céus se gastará [se dissipará, se decomporá, será induzido ao desapareci­ mento], e os céus se enrolarão como um livro [isto é, num movimento súbito, rápido]” (Is 34.4). “Os céus desa­ parecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como uma veste... mas a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será’ quebrantada” (Is 51.6). Salmos 102.25-27 declara: “Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como uma veste, envelhece­ rão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim”. Ou seja, os atuais céus e terra serão trocados por novos e diferentes céus e terra, assim como quando alguém muda de roupa. O verbo “perecer” também é usado para se referir à aboboreira de Jonas (Jn 4.10) e às coisas sendo aniquila­ das, extinguidas, eliminadas (SI 102.26). Hebreus 1.10-12 sustenta isso e Hebreus 12.25-29 cita Ageu 2.6, explicando que a remoção das coisas móveis significa a remoção das coisas criadas, e acrescenta: “O nosso Deus é um fogo consumidor”. Pedro, ao descrever o fim conclusivo do Dia do Se­ nhor, vaticina: “Os céus passarão com grande estrondo, e os elementos [as substâncias elementares e, como em Is 34.4, o exército do céu], ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão...5 Os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão. Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pe 3.10,12,13). UMA TERRA RENOVADA?

Alguns teólogos não concordam com a idéia de a terra ser substituída e ensinam que o fogo que Pedro descreve

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renovará somente a superfície, idéia promovida pelo teó­ logo católico Tomás de Aquino (c. 1227-1274).6 Em sua opinião, o fogo tinha mais qualidades purificadoras que destruidoras. Segundo ele, essa purificação estendia-se pelos céus atmosféricos até 15 côvados (isto é, 6,67 metros) acima dos picos das montanhas, mas não ia até os céus estrelados, pois, deduzia ele, os céus não foram contami­ nados pelos pecados da humanidade. Também raciocina­ va que todos os que estivessem vivos, tanto maus quanto bons, seriam mortos pelo fogo, para depois serem imedia­ tamente ressuscitados com o propósito de comparecer num julgamento geral,7 Ainda hoje há seguidores de Tomás de Aquino ensi­ nando que se a Bíblia menciona a maldição da terra (Gn 3.17), mas nunca diz qualquer coisa específica sobre a maldição dos planetas ou das estrelas, os céus que serão destruídos incluem somente a atmosfera ao redor da terra e os novos céus serão os céus atmosféricos renovados ou reformados pelo fogo, juntamente com a terra.8 David L. Turner define esse processo como “o velho universo adâmico gloriosamente libertado”.9 As vezes, o termo grego paraleusontai (“passarão”, 2 Pe 3-10) é usado para aludir a um jejum que passou e ao tempo que passou e não volta mais (At 27.9; 1 Pe 4.3). Também é usado para se referir ao céu e à terra em contraste com a Palavra de Deus, que nunca há de passar (Mt 24.35), e à flor da erva, que passa (Tg 1.10,11). Na Septuaginta, em Isaías 26.20, esse termo indica a indigna­ ção de Deus, que passa e acaba. Alguns consideram que o verbo grego lutbesetai (“se desfarão”, 2 Pe 3.10) tenha o sentido de “soltar-se”, “desa­ tar-se” ou “partir-se em pedaços”. Entretanto, também é usado para se referir à demolição de uma construção e ao estraçalhar de um barco (At 27.41). Entre outros usos da palavra incluem-se “revogar”, “anular”, “abolir”, “destruir”,


O Novo Céu e a Nova Terra

“dar fim a”, “extinguir”. Sem dúvida, seria a palavra mais provável do Novo Testamento para descrever a desinte­ gração atômica. Muitos, em gerações passadas, percebe­ ram que renovação era uma tradução necessária, porque a ciência ensinava que a matéria não podia ser destruída. Mas hoje a ciência atômica nos mostra que a matéria pode ser completamente transformada em energia. Quando as antipartículas, como os pósitrons, encontram suas corres­ pondentes partículas, como os elétrons, num instante são transformadas em energia térmica.10 Então, tudo o que Deus teria de fazer é permitir que um universo de antimatéria fosse impelido através do Universo em que vivemos para haver um calor fervente e, depois, nada. Além disso, a palavra grega teketai, em 2 Pedro 3.12, é um termo que sempre significa “fundir” ou “desintegrar”. Outros fazem objeções à aniquilação dos atuais céus e terra, por causa de versículos que parecem dizer que esta terra em que vivemos sempre terá uma existência. Entre esses versículos incluem-se Gênesis 49.26 e Habacuque 3.6, os quais falam de “outeiros eternos”, “montes perpé­ tuos”. Entretanto, o hebraico é melhor traduzido por “ou­ teiros antiquíssimos”, os quais “se encurvaram”, o que parece indicar que eles não são tão “eternos” assim, como as pessoas pensam que são, Também lemos da “terra que [Deus] fundou para sem­ pre” (SI 78.69; cf. SI 104.5; 125.1) e que “para sempre permanece” (Ec 1.4). Entretanto, Eclesiastes está simples­ mente fazendo um contraste entre as gerações de pessoas que vêem e vão e a terra que ainda permanece. A expres­ são “para sempre” (hb. le‘olam ) é freqüentemente usada para aludir ao passado distante (em Ec 1.10, foi traduzida por “séculos passados”) ou é uma referência ao futuro que a pessoa que fala não é capaz de ver um fim, apesar de eventualmente haver um. Alguns também baseiam-se em Eclesiastes 1.4 para dizer que sempre haverá uma terra, ainda que a atual seja substituída.

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Nosso Destino

Ainda outros argumentam que, considerando que (1) o primeiro céu e a primeira terra foram criados para a humani­ dade e que (2) somos revestidos do novo homem (gr. ton kainon anthropon-, Ef 4.24) sem que antes tenhamos de ser aniquilados, então, por analogia, o primeiro céu e a primeira terra também não precisam ser aniquilados para serem cria­ dos de novo.11 Entretanto, o recurso da analogia é um argu­ mento fraco. As declarações em Salmos 102.26, Isaías 34.4, 51.6 e 2 Pedro 3-10-13 são por demais fortes para serem interpretadas de qualquer outra forma que não a aniquilação dos atuais céus e terra. Os novos céus e a nova terra é que estarão diante da face do Senhor (Is 66.22), NOVOS E DIFERENTES CÉUS E TERRA

O adjetivo “novo” (gr. kainos) quase sempre significa “previamente desconhecido”, “completamente novo”, ou mesmo “de uma nova espécie”, com a idéia de_ “maravi­ lhoso” ou “inaudito”.12 É usado para aludir ao novo con­ certo, o qual é inteiramente diferente do antigo, firmado no monte Sinai (Jr 31.31; Hb 8.8). João, em suas visões na ilha de Patmos, fornece-nos detalhes valiosos acerca da nova terra, mostrando que ela, de fato, será diferente da que conhecemos. Na verdade, “um mundo totalmente novo deverá ser criado; Deus, o Pai, é rico o suficiente para não precisar copiar nada do mundo atual; Ele tem poder criativo para estabelecer nele algo verdadeiramen­ te novo e infinitamente superior”.13 Embora tudo na velha criação fosse “muito bom” (Gn 1.31), a nova será muito melhor. Adão foi criado inocente. Como nova criação em Cristo, o “novo homem... segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.24). Adão foi coloca­ do num jardim com a árvore da vida. Nosso lar definitivo será numa cidade com o rio puro da água da vida e com a árvore da vida em ambas as margens do rio (Ap 22.1,2). Deus é tão bom que tudo o que foi perdido na Queda será substituído por algo muito melhor.


A Nova Jerusalém

Lá não mais haverá mar (Ap 21.1). Hoje, os oceanos cobrem a maior parte da terra, e os microrganismos do mar (sobretudo as diatomáceas) são necessários para a substituição do oxigênio e a manutenção do equilíbrio em nossa atmosfera. Parece evidente que, considerando que nossos novos corpos, como o corpo glorificado de Jesus, serão apropriados tanto para o céu como para a terra, não mais teremos dependência de oxigênio ou de viver numa atmosfera pressurizada. A N ova J erusalém

A nova terra se tomará o local da Nova Jerusalém, a qual será completamente diferente da Jerusalém atual, pois Deus é quem a construirá. João viu “a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21.2). “Como uma esposa” é uma símile indicando o quão bela e maravilhosamente a cidade é preparada. Não identifica ou iguala a cidade com a Igreja, como noiva de Cristo. Por­ tanto, mesmo quando um dos anjos diz a João: “Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro”, e lhe mos­ tra “a grande cidade, a santa Jerusalém” (Ap 21.9,10), ele ainda está usando uma símile, do mesmo modo como Jesus fez quando clamou: “Jerusalém... quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” (Lc 13.34), ou quando chorou sobre a cidade (Lc 19.41). Jesus se dirigia às pessoas quando falou, mas isso não significa que ali não houvesse realmente uma cidade. Semelhantemente, aque­ les que dizem que a Nova Jerusalém é somente a Igreja, e não uma cidade real, estão indo longe demais.14 AS DIMENSÕES DA CIDADE

O tamanho da cidade (Ap 21.16), de 2.220 quilômetros em cada um de seus três lados (usando-se o estádio grego

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Nosso Destino

[stadion], cerca de 185 metros), corresponderia à extensão de quase metade do continente norte-americano. Pelo fato de sua altura ser a mesma, a cidade irá além da estratosfera, ao que consideramos ser o espaço cósmico. Por conseguinte, muitos acreditam que a nova terra será maior que a atual. Visto que sua largura, comprimento e altura são iguais, a forma mais provável é a de um cubo perfeito, tal como era o oráculo no interior do santuário, o Lugar Santíssimo, onde Deus manifestava a sua presença e glória, no tabernáculo e no templo do Antigo Testamento (1 Rs 6.20). Essa idéia se ajusta ao fato de João não ter visto templo na cidade, pois a presença e a glória de Deus e de Cristo a preenchem totalmente, fazendo da cidade inteira um santuário, um Lugar Santíssimo. Não haverá mais se­ paração entre o santo e o imundo, como sob a lei do Antigo Testamento, pois ali tudo é santo, e tudo o que era imundo foi separado da nova criação e lançado no lago de fogo. Sendo a cidade na forma de cubo, em cada um de seus lados estaria disponível um espaço de aproximadamente 536 metros cúbicos por pessoa — para cerca de vinte bilhões de pessoas. Certamente haverá abundância de lugares para todos os salvos de todas as épocas. Outros especulam que a forma da cidade será a de uma pirâmide com degraus, com cada nível tendo cada vez menos área do que o nível imediatamente mais abaixo. Eles descrevem o rio descendo através da cidade de um nível ao outro. Entretanto, a forma de pirâmide nos tem­ pos bíblicos tinha sempre ligação com a adoração idolátrica. Portanto, não é tão provável que a cidade ve­ nha a ter essa forma. Outros ainda supõem que a cidade será um cubo dentro de uma esfera de cristal, dando voltas ao redor da nova terra. Mas, o fato de a Nova Jerusalém estar descendo do céu


A Nova Jerusalém

parece ser uma indicação mais provável de que a cidade irá pousar na superfície da nova terra. Seus fundamentos e por­ tas abertas também sustentam essa conclusão. Tudo isso nos sugere que a Nova Jerusalém é algo novíssimo “para aqueles que têm um ‘novo nome’ e can­ tam um ‘novo cântico’ num ‘novo céu’ e numa ‘nova terra’. Sendo assim, a palavra ‘novo’ [kainos] deve signifi­ car uma novidade que é nova de uma maneira nova”.15 ISRAEL E A IGREJA

O fato de os nomes das 1 2 tribos de Israel estarem escritos nas portas da cidade e os nomes dos 12 apóstolos estarem nos 12 fundamentos parece uma clara indicação de que Israel e a Igreja estarão juntos na cidade (Ap 21.12,14). Eles se unirão na adoração e no compartilhamento das bênçãos da presença de Deus e de Cristo. O povo de Deus não estará mais na terra e nem o trono de Deus no céu. O trono estará na Nova Jerusalém, que será a sede do Pai e do Filho. Dessa forma, a Nova Jerusalém, na nova terra, se tornará na sede divina para o novo Universo. Paulo descreve Deus como “o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores, aquele que tem, ele só, a imortalidade; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1 Tm 6.15,16). Mas Deus sempre quis ter comunhão com o seu povo, como ressalta Isaías: “Assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eterni­ dade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). Portanto, naquela cida­ de não haverá separação de Deus e sua glória. 0 TABERNÁCULO DE DEUS

João ouviu uma voz proveniente do céu, que dizia: “Eis aqui o tabernáculo [gr. skene, “tenda”, “habitação”] de

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Nosso Destino

Deus com os homens [gr. antbropon, “humanidade”],16 pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.3,4). Esse será o completo cumprimento dos propósitos de Deus para com o seu povo, conforme expressam o Antigo e o Novo Testa­ mento (Lv 26.11,12; Jr 7.23; 11.4; 30.22; Ez 36.28; 37.23,27; Zc 8.8; Rm 9.25; 1 Pe 2.10). O “tabemáculo” de Deus também diz respeito ao que os rabinos chamaram de “shekinah ",17 Esse “tabernáculo” foi previsto pela glória de Deus manifestada no Santo dos Santos do tabernáculo e do templo do Antigo Testamen­ to, bem como na encarnação de Jesus como a Palavra viva por meio da qual Ele “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14), uma “habitação” que revelou sua glória. Então, aquele que estava assentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5). Não haverá mais pecado, maldade, aflição, miséria, sofrimento ou tra­ balho infrutífero.18 Talvez até mesmo a memória dessas coisas seja eliminada (Is 65.17), ainda que certamente as coisas boas que Deus criou venham a ser lembradas. Gutra coisa que será nova: “A cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada... As suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite” (Ap 21.23,25). A terra atual é depen­ dente, para nossa comida e sustento, da energia que che­ ga do Sol. Na nova terra, porém, Deus nos concederá luz divina, e sua própria energia divina, infinita e poderosa nos virá diretamente através de Jesus como “lâmpada”. A mesma luz será transmitida para toda a terra, pois “as nações andarão à sua luz, e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra” (Ap 21.24). Visto que a essa altura


Os Séculos Eternos que Virão

todos os ímpios e descrentes já terão sido lançados no lago de fogo, as “nações” só podem ser os santos redimidos “de toda tribo, e língua, e povo, e nação” que reinaram com Cristo na terra durante o Milênio (Ap 5.9,10). Entre os “reis da terra” devem estar inclusos os mártires que também se juntam a eles. Essas nações são povos advindos das várias regiões da presente terra, entre os quais estará Israel, pois até mesmo a palavra hebraica do Antigo Testa­ mento para nações (goyirn) abrange, às vezes, essa nação (Gn 25.23; 35-11; Js 3.17; Is 26.15). Esses se tornaram os residentes da Nova Jerusalém, “e qualquer que seja a gló­ ria ou honra que tiveram, eles a levarão para a cidade e a darão inteiramente a Deus, a quem é devido”.19

Os

S éculos E ternos

que

V irão

Entretanto, o fato de que ali não haverá noite não significa que estaremos numa eternidade sem tempo. Al­ guns consideram a expressão “nós voamos”, de Salmos 90.10, um indício da abolição do tempo, mas Moisés está somente enfatizando a natureza transitória da vida huma­ na.20 Nem a declaração de que “não haverá mais tempo” (Ap 10.6, de acordo com a Versão do Rei Tiago) sustenta a idéia de que o tempo venha a ser substituído pela eterni­ dade. O versículo é melhor traduzido por: “Não haveria mais demora”. Refere-se ao fato de que, havendo soado a sétima trombeta, já não haverá mais demora. Os eventos restantes da Tribulação irão suceder-se em rápida seqüência.21 NÃO É INTEMP0RAL

Uma eternidade intemporal, sem antes ou depois, sem passado ou futuro, seria como estar num transe. Também não faz sentido pensar num tempo seguido pela eternida­ de, se a eternidade não tem tempo. Então, como poderia vir depois do tempo? Na Bíblia, a eternidade é apenas

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tempo interminável, infinito.22 Sem o temor de que a ale­ gria e as bênçãos cheguem a um fim, jamais haverá dimi­ nuição da glória que para sempre teremos. Não há como perder uma parte sequer da futura herança, que é nossa mediante Jesus Cristo. A menção às “portas” implica que os justos podem entrar e sair. A Nova Jerusalém será a capital do novo céu e da nova terra, e serviremos a Deus e reinaremos como reis para sempre e sempre (Ap 22.3-5). “Para todo o sem­ pre” (gr. eis tous aionios ton aionon, “pelos séculos dos séculos”) tem o significado de “tempo infinito”, “século após século após século”. Portanto, a idéia de seqüência, de tempo prosseguindo para sempre, é claramente o sig­ nificado que temos aqui. Não haverá fim para a glória e bênçãos daqueles que servem o Senhor e tomam parte em seu reinado, seu trono, isto é, em seu poder e domí­ nio real. DEPENDÊNCIA DE DEUS

Apesar disso, não seremos deuses. Ainda seremos se­ res finitos, dependentes de Deus para nosso bem-estar. Isto é indicado pela árvore da vida com suas folhas “para a saúde [cura, bem-estar] das nações” (Ap 22.2).23 Nunca mais haverá qualquer um dos efeitos da maldição que caiu sobre tudo o que Deus criou, por causa do pecado de Adão (Gn 3.17; Zc 14.11; Rm 8.20), nem haverá uma espa­ da flamejante para nos manter afastados da árvore da vida (Gn 3.24). U m G lo r io so C u m prim en to

Então, experimentaremos a plenitude do que significa ter o Senhor como nosso Bom Pastor, que provê tudo de que precisamos. A glória e a honra que hoje as nações reivindicam para si mesmas também virão a ser nossas naquela cidade, mas somente depois de serem expurgadas


Um Glorioso Cumprimento

de toda e qualquer imperfeição e enchidas com a glória de Deus. “Não entrará nela [na cidade] coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão escritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.27). João, entretanto, não parece encontrar linguagem hu­ mana adequada para expressar tudo o que viu na Nova Jerusalém. Quem pode imaginar uma pérola grande o bastante para servir de porta para uma cidade?! Quem já viu ouro “como vidro transparente”? (Ap 21.21.)24 O ouro como hoje o conhecemos pode ser batido até ficar da espessura de apenas algumas moléculas e colocado numa janela como uma lâmina de ouro. Mas não fica transparen­ te como o vidro. Parece que a Bíblia está tentando nos dizer que a nova criação incluirá substâncias novas e mais bonitas que qualquer coisa que hoje conheçamos ou pos­ samos imaginar. Estamos tratando aqui do cumprimento final do “que Deus preparou para os que o amam” (1 Co 2.9). Para sempre estaremos a desfrutar da maravilhosa e amável comunhão com Jesus. Hoje, o Espírito Santo torna a co­ munhão com Jesus real para nós. Mas o que então com­ partilharemos será tão maravilhoso que vai além de nossa atual capacidade de imaginar. Também estaremos envolvidos em gloriosos serviços para o Rei dos reis (Ap 22.3), o que incluirá sublimes atividades reais, não apenas na Nova Jerusalém, mas tam­ bém em todo o novo céu e na nova terra. E o novo céu e a nova terra não serão uma mera cópia do Universo atual, pois Deus é poderoso para criar algo completamente novo e imensamente superior. E, o que é mais importante, a justiça será o último tema da obra do Espírito Santo que caracterizará o Reino eterno de nosso Pai. Os justos resplandecerão como o Sol para sempre e sempre (Mt 13.43). O Espírito Santo continuará a nos en­ cher até a medida “de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19), o

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que pressupõe crescimento contínuo em mente e em espírito.25 O apóstolo Paulo ainda revelava, após muitos anos de crente, uma ardente paixão em conhecer Cristo (Fp 3.10). Visto que Deus é infinito, é impossível conhecer e saber tudo acerca dEle de uma vez só. Num sentido real, nós sempre seremos discípulos, “alu­ nos”; sempre estaremos aprendendo mais e mais a respei­ to do Deus infinito e de seus caminhos — cada vez mais com um crescente desejo em conhecê-lo. As coisas que hoje não compreendemos serão devidamente esclarecidas. Veremos como em todas as coisas Deus tem trabalhado “para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28). Então, com eterna alegria serviremos e adoraremos a Deus e ao Cor­ deiro (Ap 22.3,4). Tomaremos parte em sua glória, gozo e paz numa sobrenatural e infinita felicidade. Veremos sua face, e seu nome estará em nossas testas, porque nossas vidas mostrarão o seu caráter e a sua santidade para sem­ pre e sempre. Aleluia! P erg u n ta s

para

E st u d o

1. A fé de Abraão lhe foi creditada como justiça. O que estava envolvida nessa fé? 2. Em direção a que meta o plano de Deus está se movendo? 3. De que maneira a Nova Jerusalém se compara ao jardim do Éden? 4. Quais as razões para crermos que o novo céu e a nova terra serão totalmente novos em vez de meramente renovados? 5- Quais as razões para crermos que a Nova Jerusalém será uma cidade real, com muros e portas de verdade? 6. O que caracterizará o povo da cidade? 7. O que a Bíblia menciona acerca dos futuros séculos da eternidade?


Glossário

Aba. Palavra aramaica que significa “o pai” ou “ó Pai”. Alegoria. Modo de interpretar as Escrituras pela pro­ cura de algum significado mais profundo ou “espiritual” por detrás do sentido literal.

Amilenismo. Interpretação que declara que não have­ rá um futuro reinado de Cristo sobre a terra. Alguns espiritualizam o Milênio e fazem com que ele represente o atual reinado de Cristo no céu durante a totalidade do período da Igreja. Negam que Apocalipse 20 seja uma referência a um período literal de mil anos.

Aniquilacionismo. Ensinamento que preconiza que os ímpios deixam de existir quando morrem ou depois de passar por determinado período de tempo no lago de fogo.

Anticrísto. Falso cristo que aparecerá ao final do perí­ odo da Igreja e se tornará num ditador mundial, exigindo que todos o adorem.

Anti-sobrenaturalismo. Conjunto de princípios que nega a existência e a realidade do sobrenatural. Tenta explicar todas as coisas em função da lei natural.

Apostasia. Desviar-se total e deliberadamente de Cris­ to e de seus ensinamentos.

Apóstolo. Um “mensageiro”. Dois grupos de pessoas são mencionados no Novo Testamento como apóstolos. Os Doze foram especialmente treinados e comissionados por Jesus


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Glossário

Nosso Destino

para serem testemunhas originais de sua ressurreição e ensinamentos e para proclamar o Evangelho. Eles julgarão (governarão) as 12 tribos de Israel no reino milenial (Lc 22.30). O termo também é usado para aludir a outros direta­ mente comissionados por Jesus, incluindo Paulo, Barnabé, Andrônico, Júnias e Tiago, irmão do Senhor.

Armagedom. “Montanha de Megido”, situada cerca de 32 quilômetros ao su-sueste de Haifa. Será o local da batalha final entre Cristo e o Anticristo (Ap 16.16).

Arqueologia. Estudo científico dos vestígios de uma cultura e de um povo. Tal estudo implica em desenterrar esses vestígios, registrá-los e fotografá-los.

Arrebatamento. Rapto de todos os verdadeiros cren­ tes para um encontro com Jesus nos ares.

Arrependimento (gr. metanoia, “mudança de men­ te”). Mudança das atitudes básicas para com Deus e Jesus, o que envolve um abandono dos pecados e uma busca das normas e da justiça de Deus.

Blasfêmia. Linguagem caluniosa e abusiva que insulta ou fere a reputação das pessoas ou, de modo mais especí­ fico, esse tipo de linguagem dirigida contra Deus, Jesus Cristo ou o Espírito Santo.

Carma. No hinduísmo e no budismo, é a força resul­ tante das ações de uma pessoa que determina o destino da alma na vida seguinte.

Ceia das Bodas do Cordeiro. Grande comemoração da união de Cristo com a Igreja. Realizar-se-á justamente antes da volta de Jesus em triunfo para destruir os exérci­ tos do Anticristo e estabelecer o reino milenial.

Concerto. Contrato solene e obrigatório entre as par­ tes. Os concertos de Deus são contratos por meio dos quais Ele se obriga a abençoar aqueles que aceitam os termos do concerto e passam então a viver pela fé e em obediência aos seus ditames.


Glossário

Demônios. Seres espirituais, às vezes chamados de espíritos maus ou imundos, que trabalham sob as ordens de Satanás. Alguns acreditam que eles sejam os anjos caídos.

Discípulo. “Aprendiz”, “aluno”. Inclui todos os que buscam aprender de Jesus e seguir seus ensinamentos.

Dispensacionalismo. Interpretação primeiramente popularizada por J. N. Darby (1800-1882) e disseminada pela Bíblia de Scofield com Referências. Esse ponto de vista divide a atividade de Deus na História em sete dispensações, enfatiza uma interpretação literal das profe­ cias e assevera que Deus tem dois planos, um para Israel e outro para a Igreja.

Encarnação. Ato pelo qual o eterno Filho de Deus se fez ser humano sem abandonar sua divindade.

Escatologia (gr. eschatos, “último”). Estudo sobre o que acontece na vida após a morte e sobre o que acontece no fim dos séculos e no estado final, tanto dos justos quanto dos ímpios.

Espiritualizar. Dar um significado espiritual ou “mais profundo”, não no sentido literal ou comum da palavra ou ensinamento.

Evangelismo. Afirma a inspiração e a autoridade da Bíblia, bem como a verdade de seus ensinamentos, com ênfase à necessidade de conversão pessoal e regeneração pelo Espírito Santo.

Existencialismo. Corrente de pensamento iniciada pelos ensinamentos de S0ren Kierkegaard (1813-1855). Enfatiza a subjetividade que busca encontrar a verdade através da própria experiência individual de cada um (so­ bretudo pela ansiedade, culpa, medo, angústia) em vez de buscá-la pela objetividade científica.

Expiação. Execução da completa propiciação feita pelo sangue.

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Glossário

Nosso Destino

Falso profeta. Muitos falsos profetas apareceram nos tempos bíblicos e seu número aumentará nos últimos dias. O último falso profeta virá junto com o Anticristo (Ap 16.13; cf. Ap 13.12).

Fariseus. “Separatistas”. Membros de um rígido parti­ do religioso surgido um século ou mais antes de Cristo. Os fariseus observavam a letra da lei escrita por Moisés e também seguiam a tradição oral, que afirmavam ter sido dada a Moisés.

Fé. Crença em Deus e em Cristo expressa em obediên­ cia confiante e sincera. A fé bíblica é sempre mais do que simplesmente crer que algo seja verdadeiro; tem sempre Deus e Jesus Cristo como alvo.

Filosofias da Nova Era. Grupo de ensinamentos im­ precisamente relacionados entre si, que tem como base as filosofias orientais, com ênfase à adoração natural, inclu­ indo muitas vezes um conhecimento superficial da termi­ nologia cristã.

Gnosticismo. Ensinamento surgido no século II d.C., que dizia que a salvação vem por meio de um conheci­ mento especial e superior. Alguns ensinavam que a maté­ ria física é má; a maioria dos gnósticos negava a humani­ dade de Jesus.

Graça. “Favor imerecido”. São as riquezas de Deus às expensas de Cristo; sua generosidade para com a humanidade.

Hades. A mitologia grega usou esse termo como o nome de um deus cruel, assim como o empregou para se referir a um submundo sombrio habitado pelos espíritos dos que partiram. No Novo Testamento, é a tradução da palavra hebraica She’ol e é sempre um lugar de agonia (Lc 16.23,24).

Hermenêutica (gr. hermeneuo, “explicar”, “interpre­ tar”). Teoria da interpretação do sentido de uma passa­


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gem bíblica, incluindo a análise do texto, sua intencionalidade, contexto e os costumes e cultura do autor humano.

Idólatra. Pagão; adorador de falsos deuses. Iminente. “A ponto de acontecer”, ou que tem o po­ tencial de acontecer a qualquer momento.

Interpretação futurista. Ensinamento que afirma que todos os acontecimentos mencionados no Apocalipse, depois do capítulo 4, ocorrem num curto espaço de tem­ po, ao final do período da Igreja.

Interpretação historicista. Ensinamento que diz que os eventos constantes no Apocalipse têm tido um cumpri­ mento gradual ao longo do curso da história da Igreja.

Interpretação idealista. Ensinamento que declara que as figuras e símbolos contidos no Apocalipse representam apenas a luta permanente entre o bem e o mal, com o triunfo final da justiça.

Interpretação preterista. Ensinamento que afirma que os eventos relatados no Apocalipse dizem respeito ao primeiro século e já se cumpriram no contexto histórico original do império romano, a não ser pelos capítulos 19 a 22, que aguardam cumprimento. 4.

Jeová (Javé). Em hebraico, nome pessoal de Deus formado pelas consoantes YHVH, também escrito pelas consoantes JHVH. Fala do ser de Deus em ação, de como Ele é para com o seu povo. Quando as vogais do título hebraico que significa “Senhor” foram colocadas nessas quatro consoantes (depois do século VIII), os judeus eram lembrados de que deveriam ler “Senhor”, ao invés de tentar pronunciar o nome pessoal de Deus. Desse modo, as vogais colocadas junto com as consoantes JHVH (JeHoVaH) formou o nome “Jeová”, que, na verdade, foi uma palavra cunhada pelos tradutores a partir da junção do nome pessoal com o título.

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Nosso Destino

Justificação. Ato de Deus de declarar e aceitar uma pessoa como justa aos seus olhos. Deus perdoa os peca­ dores que aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador e os trata como pessoas sem culpa — como se nunca tives­ sem pecado.

Liberais. Aqueles que negam o sobrenatural e redefinem os ensinamentos e práticas cristãs de acordo com as filosofias humanas da atualidade.

limbo (lat. limbus, “borda”). De acordo com a doutri­ na católica, é o estado permanente em que se encontram as crianças muito novas que morreram sem serem batizadas. Por não terem nenhuma culpa pessoal, não vão para o inferno, mas, devido ao pecado original, não po­ dem ir para o céu.

Literatura apocalíptica (gr. apokalupsis, “revelação”, “divulgação”). Literatura que se utiliza de rico simbolismo para descrever o futuro Reino de Deus e os eventos que o levam a ocorrer. As visões contidas em Daniel e Apocalipse são exemplos de literatura apocalíptica.

Livros apócrifos. Livros escritos durante o período compreendido entre o livro de Malaquias e o nascimento de Jesus. Os judeus não os incluem na Bíblia hebraica e todos os reformadores protestantes os rejeitaram por se tratarem de livros sem autoridade inspirativa.

Manuscritos. Livros escritos à mão. Antes de 100 d.C., eram rolos de pergaminho ou papel; após essa data, eram livros encadernados.

Maranata. Aglutinação de duas palavras aramaicas, “Marana tha”, com o significado de “Senhor, vem!” (1 Co 16.22).

Messias. Do hebraico Mashiah, “Ungido”. Milênio. Expressão advinda do latim que significa “mil anos”. E usada para aludir ao futuro reinado de Cristo na terra.


Glossário

Missa. Nome que a Igreja Católica dá para a Ceia do Senhor.

Monte das Oliveiras. Colina de 829 metros de eleva­ ção, situada a leste da área do templo de Jerusalém.

Neo-ortodoxia. Tipo de teologia associada especial­ mente a Karl Barth (1886-1968). Aceita os destrutivos mé­ todos críticos dos liberais para a interpretação da Bíblia, mas ensina as principais doutrinas da Reforma e crê que Deus fala com as pessoas através das Escrituras (mesmo que não reconheça a inerrância da Bíblia).

Neo-universalismo. Tendência entre alguns evangé­ licos de aceitar a possibilidade de salvação final de todos os seres humanos devido ao extravagante amor e graça de Deus.

Ocultismo. Conhecimento secreto de supostas forças ou agências sobrenaturais, sobretudo no espiritismo, quiromancia, cartomancia, feitiçaria e astrologia. São aventu­ ras perigosas dentro do território de Satanás.

Ortodoxo (do gr. ortbos, “vertical”, “reto”, “correto”, “verdadeiro”, e de dokeo, “pensar”, “crer”). Diz respeito às práticas corretas segundo foram estabelecidas pela Igre­ ja, e é usado pelos evangélicos para referir os corretos ensinamentos bíblicos. As igrejas orientais tomaram esse nome (Igreja Católica Apostólica Ortodoxa) quando ocor­ reu a cisão da igreja ocidental (Igreja Católica Apostólica Romana).

Pais da Igreja. Destacados líderes e mestres da Igreja durante os primeiros séculos da era cristã.

Parousia. Palavra grega que significa “manifestação”, “vinda”, “chegada”. É usada na teologia para descrever a vinda de Jesus ao final do período da Igreja.

Pentateuco. Os cinco livros de Moisés (do Gênesis ao Deuteronômio) chamados em hebraico de Torah, “Instrução”.

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Nosso Destino

Pentecostalismo. Movimento iniciado em 1901 que enfatiza o restabelecimento do batismo com o Espírito Santo, tendo como evidência inicial e externa o falar em outras línguas; também destaca a restauração dos dons do Espírito Santo.

Pentecostes. “Qüinquagésimo”. Nome da Festa da Colheita, que ocorria cinqüenta dias depois da Páscoa. No primeiro Pentecostes depois da ressurreição de Jesus, o Espírito Santo foi derramado sobre 120 crentes a fim de dotá-los de poder.

Período da Igreja. Período compreendido entre a ressurreição de Jesus e sua segunda vinda.

Pós-milenismo. Ensinamento que diz que o Milênio é o período da Igreja ou uma extensão do período da Igreja com Cristo reinando, mas não em pessoa.

Pré-milenismo. Ensinamento que afirma que Jesus voltará pessoalmente ao final do período da Igreja e esta­ belecerá seu Reino na terra por mil anos. Enfatiza a inter­ pretação literal da Bíblia.

Propiciação (hb. kippurim). “Ato de reconciliação” a Deus providenciado pela cobertura (pagamento) de um preço, o sangue de um substituto, de maneira que a puni­ ção não é mais necessária. (Gr. katallage, “reconciliação”.)

Providência. Cuidado e orientação de Deus. Pseudepígrafes. Termo grego que significa “escritos com títulos falsos” ou “escritos com nome falso de autor”. São composições literárias judaicas dos tempos próximos aos dias de Cristo não incluídas na Septuaginta. Eram atribuídas a pessoas como Moisés, Salomão, que eviden­ temente não eram seus verdadeiros autores.

Psicologia freudiana. Teorias e práticas psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939).


Glossário

Purgatório (lat. purgatus, “purificação”). Lugar onde os católicos acreditam que as almas dos fiéis são purificadas antes de entrarem no céu.

Puritanos. Movimento surgido no século XVI, na In­ glaterra, que tinha o propósito de purificar a igreja inglesa através da introdução de mais reformas calvinistas, junta­ mente com uma simplicidade na adoração.

Reconciliação. Levar as pessoas a Deus numa comu­ nhão restaurada.

Redenção. Restabelecimento da comunhão com Deus através do pagamento da penalidade de nossos pecados, efetuado por Jesus Cristo mediante sua morte na cruz e o derramamento do seu sangue.

Reencamação. Crença que afirma que quando uma pessoa morre, a alma deixa o corpo e passa a habitar em outro corpo (um bebê, um animal, um inseto ou mesmo um deus, de acordo com o hinduísmo).

Reforma. Movimento surgido no século XVI, conduzi­ do por Martinho Lutero, que tencionava reformar a Igreja Católica Romana.

Reino de Deus. O reinado, o governo e o poder real de Deus no coração do crente, na Igreja, no mundo e, eventualmente, no reino milenial que será regido por Cristo nesta terra. No Novo Testam ento, é usado intercambiavelmente com a expressão “Reino dos Céus”.

Reino Eterno. O estado final dos salvos no novo céu e na nova terra, tendo a Nova Jerusalém como lar e quartelgeneral.

Religião. Sistema de crenças e modo de cultuar. O termo também é usado para descrever os esforços huma­ nos na tentativa de querer agradar a Deus ou a outros deuses.

Restauracionismo. Ensina uma segunda chance de salvação após a morte.

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Nosso Destino

Revelação. Manifestação de Deus — de si mesmo e de sua vontade.

Sacramental. Que tem o caráter de um rito religioso ou de um ato de devoção.

Saduceus. São os que rejeitavam as tradições dos fariseus e davam ênfase à lei escrita e ao templo. Durante o tempo de Jesus, o sumo sacerdote e seus amigos eram saduceus (cf. Mt 16.1,2; 23.23-34; At 23.7,8).

Salvação. Inclui tudo o que Deus tem feito e fará para os crentes com o fim de libertá-los do poder do pecado e da morte e restaurá-los à comunhão com Ele, bem como garantir a futura ressurreição e a completa herança que Ele prometeu.

Santificação. Obra do Espírito Santo que visa separar os crentes do pecado e da maldade e os dedicar à adora­ ção e ao serviço de Deus. Na conversão, há um ato inicial de santificação e, durante a vida, é um processo contínuo, à medida que cooperamos com o Espírito Santo quando fazemos morrer nossos maus desejos.

Santificar. “Separar para Deus”, “tornar santo”. Santuário. Lugar separado por Deus para a manifesta­ ção de sua presença. O santuário tem dois sentidos no Novo Testamento. Sempre que os crentes se reúnem, são um santuário. O corpo de cada crente também é um santuário.

Selo. Marca ou sinal estampado sobre algo por meio de um anel sinete ou de um cilindro pequeno, contendo num lado uma gravação em alto ou baixo-relevo. Era usa­ do para autenticar ou identificar um documento ou um objeto. Espiritualmente, identifica uma pessoa como sen­ do de propriedade de Cristo.

Senhor. “Patrão”, “proprietário”. Termo representan­ do o nome pessoal de Deus (Jeová), usado no Novo Tes­ tamento para se referir a Deus Pai e a Jesus Cristo. Entre­


Glossário

tanto, quando a palavra “mestre” é aplicada para designar Jesus, é na maioria das vezes a tradução do vocábulo grego didaskalos, “professor”.

Septuagésima Semana de Daniel. Derradeiro “sete” ou semana de anos, o qual é identificado pela maioria dos pré-milenistas como a Grande Tribulação, que se dará ao final do período da Igreja.

Septuaginta. Tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego feita durante os duzentos anos antes de Cristo. Uma tradição mais antiga diz que foi feita por setenta (ou 72) tradutores. Por essa razão, é comum ser citada pelos nume­ rais romanos que representam o número setenta: LXX.

She’ol. Nome hebraico do lugar para onde vão as al­ mas dos ímpios mortos, traduzido por Hades no Novo Testamento.

Sionismo. Movimento que visava fazer com que os judeus voltassem à terra que Deus lhes prometeu. Os sionistas políticos foram os instrumentos usados para aju­ dar no estabelecimento do moderno Estado de Israel.

Teologia da libertação. Teologia reacionária que inter­ preta a Bíblia de maneira tal, que chega a ponto de permitir um tipo de revolução marxista para a libertação dos pobres.

Teologia do reino-agora. Tipo de pós-milenismo, cuja ênfase está em fazer dos reinos deste mundo o Reino de Cristo agora.

Teologia. “Estudo de Deus”. Também empregado como um termo geral para referir o estudo de todos os ensinamentos bíblicos.

Teonomistas (de teonomia, “governo de Deus”). São os que afirmam estar trabalhando para trazer todas as coisas sob o governo de Deus.

Teoria centro-tribulacionista. Teoria que apregoa que o Arrebatamento da Igreja ocorrerá no meio dos sete anos da Grande Tribulação, ao final do período da Igreja.

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Nosso Destino

Teoria pós-tribulacionista. Teoria que afirma que os crentes passarão pelos sete anos da Grande Tribulação no final dos séculos. O Arrebatamento é considerado acon­ tecimento idêntico à volta de Cristo em glória para des­ truir o Anticristo e estabelecer o reino milenial.

Teoria pré-tribulacionista. Teoria que assevera que 0 Arrebatamento da Igreja acontecerá antes do começo da Grande Tribulação e que o Julgamento do Tribunal de Cristo e a Ceia das Bodas do Cordeiro ocorrerão no céu, antes de a Igreja voltar com Jesus para destruir o Anticristo e estabelecer o reino milenial.

Tipos, figuras, sombras. Pessoas, acontecimentos ou objetos do Antigo Testamento que prenunciam ou prognosticam as verdades do Novo Testamento, sobretu­ do quando relacionados com Jesus Cristo. *

Tribulação (gr. thlipsis, “aflição”, “opressão”, “angús­ tia”, “sofrimento causado pelas circunstâncias”). Também usado para aludir à Grande Tribulação, ao final do perío­ do da Igreja, quando a ira de Deus for derramada imedia­ tamente antes da volta de Jesus em glória.

Unção. Refere-se a um ato de dedicação ao serviço de Deus pelo derramamento de óleo na cabeça de uma pes­ soa. Também tem relação com a capacitação ou dotação de poder feita pelo Espírito Santo.

Universalismo. Ensinamento que diz que todos os seres humanos, os anjos e o próprio Satanás eventual­ mente serão salvos e para sempre desfrutarão do amor, da presença e das bênçãos de Deus.

Vencedores. “Conquistadores”, “vitoriosos”, todos os crentes que mantêm a fé em Jesus Cristo (Rm 8.37; 1 Jo 5.4). V

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Visão. As vezes, é outra palavra para indicar sonho. E, por vezes, usada para referir uma manifestação sobrena­ tural que traz uma revelação divina.


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Notas

P r e fá c io }A língua hebraica só utilizava as consoantes YHVH. Mais tarde, a tradição tomou o tetragrama JHVH do latim e acrescentou as vogais da palavra “Senhor” em hebraico para lembrar a quem estivesse lendo que pronunciasse a palavra Se­ nhor em vez do nome divino. Nunca se teve a intenção de que o tetragrama passasse a ser lido “Jeová”. Nota do tradutor: Na RC, versão bíblica utilizada neste livro, o tetragrama YHVH ou estará transliterado por “J e o v á ” , tradicionalmente usado há muito tempo em várias versões bíblicas em português, ou terá a forma “S e n h o r ” . (N. do T.)

I ntrodução ^ t t o Nathan, Heinz Norden, eds., Einstein on Peace (Einstein em Tempos de Paz). Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1980, p. 355, 356. ^Ver Guy Duty, Chrisfs Corning and the World Church (A Vinda de Cristo e a Igreja Mundial). Mineápolis: Bethany Fellowship, 1971, p. 119. 3 W. A. Whitehouse, “The Modem Discussion of Eschatology” (“A Moderna Discussão sobre Escatologia”), in: Eschatology {Escatologia), William Manson, G. W. H. Lampe, T. F. Torrance, W. A. Whitehouse. Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1953, p. 66, 67, 77, 79, 89. 4Eldin Villafane, The Liberating Spirit (O Espírito que Liberta). Grand Rapids: William B, Eerdmans Publishing Company, 1993, p. 184. 5James M. Childs Jr., Christian Anthropology an d Ethics {Antropologia Cristã e Ética). Filadélfia: Fortress Press, 1978, p. 126. 6Alf Corell, Consummatum est: Eschatology and the Church in the Gospel o f St. John (Consummatum est: A Escatologia e a Igreja no Evangelho de João). Tradução para o inglês por Order of the Holy Paraclete (Ordem do Santo Paráclito), Whitby. Londres: Society for the Promotion of Christian Knowledge, 1958, p. 7. 7Dale Moody, The Hope o f Glory (A Esperança da Glória). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 15. 8Jürgen Moítmann, Theology o f Hope: On the Ground and the Implications o f a Christian Eschatology (Teologia da Esperança-. Bases e Im plicações de uma Escatologia Cristã). Tradução para o inglês por James W. Leitch, da 5a edição alemã. Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1967, p. 16, 17. Moítmann reconheceu isso, embora sua teologia separe a esperança da história e, junto


270

Notas

Nosso Destino

com a teologia do católico João Batista Metz, tenha inspirado uma teologia da libertação que vê o Reino de Deus como uma metáfora e procura fazer mudan­ ças políticas e sociais no presente. Cf. Stanley M. Horton, ed., Systematic Theology (Teologia Sistemática). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1994, p. 617. Donald G. Bloesch, A Theology o f Word and Spirit (Uma Teologia da Palavra e do Espírito). Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1992, p. 106. 9Thomas C. Oden, Life in the Spirit (Vida no Espírito), vol. 3, Systematic Theology (Teologia Sistemática). São Francisco: Harper, HarperCollins Publications, 1992, p. 368, 371, 373. 10Stephen Travis, The fesu s Hope (A Esperança fesu s ). Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 10. 11Ver Oden, Life in the Spirit, p. 37512G. C. Berkouwer, The Retum o f Christ (A Volta de Cristo). Tradução para o inglês por James Van Oosterom . Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 11. 13Ulrich E. Simon, The End Is Not Yet (O Fim ainda Não Chegou). Digswell Place, Welwyn, Inglaterra: James Nisbet & Company, 1964, p. 4. 14Hans Schwarz, On the Way to the Future: A Christian View o f Eschatology in the Light o f Current Trends in Religion, Philosophy, and Science (A Caminho do Futuro: Uma Interpretação Cristã da Escatologia à Luz das Atuais Tendências na Religião, Filosofia e Ciência). Edição revista, Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1979, p. 17. 15Ver Guru Adiswarananda, “Hinduism” (“Hinduísmo”), in: How Different Religions View Death and Afterlife (O Quão Diferentemente as Religiões Vêem a Morte e a Vida após a Morte). Editores Christopher J. Johnson e Marsha G. McGee. Filadélfia: Charles Press, Publishers, 1991, p. 159-162, 175. l6Schwarz, On the Way to the Future (A Caminho do Futuro), p. 25; cf. p. 125, 127, 158. 17Zachary Hayes, What Are They Saying about the E?íd o f the World? (O que as Pessoas Estão Dizendo sobre 0 Fim do Mundo?). Nova Iorque: Paulist Press, 1983, p. 7. Hayes ressalta que Rudolph Bultmann usou a filosofia de Martin Heidegger para interpretar alegoricamente os símbolos da Bíblia e para separar por completo a escatologia da cronologia, negando a vinda de qualquer reino. Percebe-se que grande parte do moderno pensamento católico tem sido influ­ enciado nessa direção ao se comparar R. Bultmann, J. Moltmann, W. Pannenberg, J. Jeremias e 0 , Cullmann. Ver Zachary Hayes, Visions o f the Future: A Study o f Christian Eschatology (Visões do Futuro: Um Estudo sobre a Escatologia Cris­ tã). Wilmington, Delaware: Michael Glazier, 1985, p. 13. 180scar Cullmann, Christ and Time (Cristo e o Tempo). Edição revista, tradução para 0 inglês por Floyd V. Filson. Filadélfia: Westminster Press, 1964, p. 105. 19Em geral, as frases em hebraico começam com o verbo, mas qualquer palavra pode ser colocada no início da sentença com o intuito de dar ênfase, como ocorre em Gênesis 1.1. 20James B. Pritchard, ed., The Ancient Near East: An Anthology o f Texts and Pictures (O Antigo Oriente Próximo: Uma Antologia de Textos e Im agens), vol. 1. Princeton, Nova Jersey: Princeton University Press, 1973, p. 35. 21A. J. Conyers, The Eclipse o f Heaven: Rediscovering the Hope o f a World Beyond (A Eclipse dos Céus: Redescobrindo a Esperança de um Mundo Além). Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1992, p. 131.


Notas

271

22Joseph Papin, ed., The Eschaton: A Community o f Love (A Consumação da Histó­ ria: Uma Comunidade de Amor). Villanova, Pensilvânia: Villanova University Press, 1971, p. 59.

Notas

23Neill Quinn Hamilton, “The Holy Spirit and Eschatology in Paul” (“0 Espírito Santo e a Escatologia Paulina”), Scottish Journal o f Theology Occasional Papers (Re­ vista Escocesa de Documentos Suplementares de Teologia), n. 6. Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1957, p. 35. 24Verdadeiramente isso ocorreu no reavivamento da rua Azusa, em Los Angeles, Estados Unidos (1906-1908), quando minha mãe e seus pais o experimentaram. O Espírito Santo gerou neles um intenso desejo de ver logo a vinda de Jesus. 25James R. Goff Jr., “Closing Out the Church Age: Pentecostals Face the Twenty-first Century” (“Encerrando o Período da Igreja: Os Pentecostais Encaram o Século XXI”), Pneuma, vol. 14, n. 1, primavera de 1992, p. 12. 26Esta é uma profunda esperança, na qual se prende “o destino de todas as [nações] gentias à vitória do gentil Jesus” (Is 42.1-4; Mt 12.18,20,21). Na Bíblia, a palavra grega (elpis) sempre é encontrada no singular, nunca no plural. Há apenas uma única esperança pela qual a humanidade inteira pode verdadeiramente viver. Paul Sevier Minear, The Christian Hope and the Second Corning (A Esperança Cristã e a Segunda Vinda). Filadélfia: Westminster Press, 1954, p. 19, 23. 27WílIiam J. Dalton, Aspects o f New Testament Eschatology (Aspectos da Escatologia do Novo Testamento). Nedlands, Austrália: University of Western Australia Press, 1968, p. 4. 28T. V. Farris, Mighty to Save: A Study in Old Testament Soteriology (Poderoso para Salvar: Um Estudo sobre a Soteriologia do Antigo Testamento). Nashville: Broadman Press, 1993, p. 72, 73. 29Dalton, Aspects o f New Testament Eschatology, p. 5. 30Simon, The End Is Not Yet, p. 14. 31Note a tremenda ironia verificada nas descrições bíblicas da idolatria (Is 40.18-20; 44.9-20; Os 4.12; 13.2; Am 5-26). 32George Raymond Beasley-Murray, Jesus and the Future: An Examination o f the Criticism o f the Eschatological Discourse, Mark 13 with Special Reference to the Little Apocalypse Theory (Jesus e o Futuro: Um Exame da Critica do Discur­ so Escatológico em Marcos 13 com Especial Referência à Teoria do Pequeno Apocalipse). Londres: Macmillan & Company, 1954, p. 14, 15. 33Esta passagem de Hebreus 9.28 nos serve de base para nos referirmos ao retorno de Jesus como a “segunda vinda”. Cf. Travis, The Jesus Hope, p.51. 34Esse “Dia” não é uma alusão a um intervalo de 24 horas, mas trata-se de um período da atividade de Deus, por mais longo que seja. Ver J. E. Fison, The Christian Hope-. The Presence and the Parousia (A Esperança Cristã: a Manifestação e a Parousia). Londres: Longmans, Green & Company, 1954, p. 94. 35Edgar Young Mullins, The Christian Religion in Its Doctrinal Expression (A Reli­ gião Cristã em Sua Expressão Doutrinária). Valley Forge, Pensilvânia: Judson Press, 1917, p. 451. 36Geerhardus Vos, The Pauline Eschatology (A Escatologia Paulina ). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 83. 37Minear, Christian Hope, p. 28. 38Ibid., p. 22, 26.


272

Notas

Nosso Destino

39Jesus deu novo significado às expressões “Reino de Deus” e “Reino dos céus”, as quais só raramente apareciam na literatura judaica (incluindo os rolos sectários encontrados no mar Morto), com exceção dos Evangelhos. A maioria das expres­ sões que Jesus usava em relação ao Reino “não tem paralelo na linguagem dos contemporâneos de Jesus (nem mesmo na literatura secular)”. Joachim Jeremias, New Testament Theology (A Teologia do Novo Testamento). Tradução para o inglês por John Bowden. Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1971, p. 32. 40William David Kirkpatrick, “Christian Hope” (“A Esperança Cristã”), Southwestem Journal o f Theology (Revista Teológica do Sudoeste), vol. 36, n. 2, primavera de 1994, p. 39. 41Hendrikus Berkhof, Well-Founded Hope (Uma Esperança Bem Fundam entada). Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1969, p. 11. 42Ibid., p. 19. 43Essa idéia não partiu do próprio Pedro. O mesmo Espírito Santo que inspirou o profeta Joel também inspirou o apóstolo Pedro. 44Ver R. P. C. Hanson, The Attractiveness o f God: Essays in Christian Doctrine (A Atratividade de Deus: Ensaios na Doutrina Cristã). Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1973, p. 190, 191. Hanson ressalta que a expressão “‘segunda vinda’ não é usada no Novo Testamento, porque a primeira vinda era tão escatológica, que a segunda vinda não pode ser mais do que uma consumação da escatologia, em vez de ser uma introdução a ela”. 45Conyers, The Eclipse o f Heaven, p.49. 46Antigamente, tinha por hábito evitar as oportunidades que surgiam para ensinar e pregar sobre profecia. Sentia que, não importava o que dissesse, sempre acaba­ ria magoando os sentimentos de alguém ou fazendo com que pensassem que minhas intenções eram transtornar suas idéias e esperanças. 47Kirkpatrick, “Christian Hope”, p. 3348W. A. Whitehouse, “The Modern Discussion of Eschatology”, p. 66. 49Schwarz, On the Way to the Future, p. 25. 50Thomas N. Finger, Christian Theology: An Eschatological Approach (Teologia Cristã: Uma Abordagem Escatológica),. Nashville: Thomas Nelson Publishers, vol. 1 1985, p. 145. 51Ver Berkhof, Well-Founded Hope, p, 19. 52Travis, The Jesus Hope, p. 19. 53Finger, Christian Theology, p. 37, 102.

C a pítu lo 1 !Isto no que diz respeito aos crentes. Pois, para os descrentes, o estado intermediá­ rio é o estado entre a morte e o julgamento final do Grande Trono Branco. Ver o capítulo 7. 2Loraine Boettner, Immortality (Im ortalidade). Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1956, p. 91. 3Cf, Robert Martyn-Achard, From Death to Life: A Study o f the Development o f the Doctrine o f the Resurrection in the Old Testament (Da Morte para a Vida: Um Estudo sobre o Desenvolvimento da Doutrina da Ressurreição no Antigo Testa­ mento). Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1960, p. 3-5.

*


Notas

273

^Thomas C. Oden, Life in the Spirit, vol. 3, Systematic Theology (.Teologia Sistemáti­ ca ). São Francisco: Harpes, HarperCollins Publications, 1992, p. 478, 479.

Notas

5Ver o capítulo 8, seções “A Santa Ira de Deus” e “O Destino dos Perdidos”. 6Dale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 55. 7Observei isso quando fazia parte de uma expedição arqueológica em Dotã, Israel, onde foram explorados diversos túmulos de famílias cananéias. Algumas dessas sepulturas tinham até cinco camadas de terra, abrangendo um período de mais de duzentos anos. 8Alguns consideram que a palavra She’ol seja derivada de Sba’al, que significa “per­ guntar”, indicando um lugar de julgamento. Outros vêem sua origem no termo Sba‘a l , que quer dizer “ser oco ou profundo”, ou de Sha’ah, “jazer em ruínas”. Ver Martyn-Achard, From Death to Life, p. 37. 9As palavras do Pregador (Salomão), ditas durante seu estado de apostasia, quando encarava a vida como sem sentido, chegando inclusive a dizer: “Quem sabe?” (Ec 3-21, ARA), não eram características do pensamento israelita. 10O termo She,ol encontra-se 65 vezes no Antigo Testamento, sendo traduzido varia­ velmente por “sepultura”, “inferno” e “cova”, segundo o contexto e a respectiva versão. (Nota da BEP ao Salmo 16.10.) 1Martyn-Achard considera o She’ol “um tipo de grande sepultura, da qual os sepul­ cros individuais são meramente manifestações particulares”, From Death to Life, p. 38. 12Ernest Swing Williams, Systematic Theology ( Teologia Sistem ática ), vol. 3. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1953, p. 178. George Eldon Ladd, The Last Things: An Eschatology fo r Laymen (A Doutrina das Últimas Coisas: Uma Escatologia p a ra Leigos). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1978, p. 32. 13James Oliver Buswell Jr., A Systematic Theology o f the Christian Religion (iUma Teologia Sistem ática da Religião Cristã), vol. 2. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1963, p. 317. 14É possível que a palavra rephaHm venha da raiz raphah, que significa “moderar”, “enfraquecer”, “relaxar” ou “desvanecer”, embora haja aqueles que a relacionem com a idéia de ser “impressionante”, “sábio”. Ver Martyn-Achard, From Death to Life, p. 34. 150 vocábulo ’elohim , dependendo do contexto, é empregado para se referir ao Deus verdadeiro, aos deuses pagãos, aos anjos e aos heróis mortos. l6Além do Hades ser identificado como um lugar de punição, 2 Pedro 2.4 menciona o Tartarus como um lugar de punição para os anjos caídos. Parece que o Tartarus se encontra nas profundezas do Hades. Ver também Atos 2.27, onde Pedro cita Salmos 16.10, associando de maneira óbvia o She’ol com o Hades. 17A passagem de 1 Pedro 3.19,20 é difícil. Alguns, nos primeiros séculos da Igreja, supunham que Jesus pregara o Evangelho às pessoas no Hades, dando-lhes uma segunda chance de salvação. Mas Hebreus 9.27 contradiz a idéia de uma segun­ da chance. Agostinho e muitos reformadores ensinaram que Jesus pregara atra­ vés de Noé ao povo antediluviano, às pessoas que hoje estão no Hades. Uma interpretação mais moderna diz que Jesus pregou no Hades aos anjos caídos, não para lhes oferecer salvação, mas simplesmente para declarar sua vitória na cruz. Alguns acreditam que Judas 9 apóia esse último ponto de vista. 18Ver Martyn-Achard, From Death to Life, p. 155.


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Notas

Nosso Destino

19R. H. Charles, A Criticai History o f the Doctrine o f a Future Life: In Israel, in fudaism , an á in Christianity {Uma História Criteriosa sobre a Doutrina de uma Vida Futura: Em Israel, no Judaísmo e no Cristianismo). 2. ed., revista e ampliada. Londres: Adam & Charles Black, 1913, p. 33-35. Charles apresenta a razão para isto ao fazer referência à “doutrina bíblica de que a morte é o problema do pecado”. 20Daniel I. Bíock, “EzekieFs Vision of Death and Afterlife” (“O Ponto de Vista de Ezequiel em relação à Morte e à Vida após a Morte”), Bulletin fo r Biblical Research {Boletim para Pesquisas Bíblicas), n. 2, 1992, p. 126. 21William Grenough Thayer Shedd, The Doctrine o f Endless Punishment {A Doutri­ na da Punição sem Fim). Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1886, reimpresso em Mineápolis: Klock & Klock Christian Publishers, 1980, p. 67. Para saber mais sobre a mulher de En-Dor e o profeta Samuel, veja mais adiante a seção “O Espiritismo”, neste mesmo capítulo. 22A grande maioria dos eruditos da Bíblia sustenta que Salmos 73.24 significa que, na morte, “os justos serão recebidos na presença de Jeová e habitarão em sua glória”. Martyn-Achard, From Death to Life, p. 163. 23A locução “para cima” (hb. lem a‘elah) é traduzida mais literalmente por “ao [lugar] situado em cima”. “Guardar alguém de” é uma expressão usada para evitar alguma coisa de modo geral (como quando Jó “desviava-se” do mal, Jó 1.1). Assim, a palavra She’ol em Provérbios 15.24 não pode ser uma alusão à sepultura, pois até o sábio, que inevitavelmente morre, não evita a sepultura. 24Isto está indicado no livro pseudepigráfico de 1 Enoque (22.1-14), Alguns rabinos diziam que os compartimentos dos justos estavam separados dos compartimen­ tos dos ímpios apenas pela largura da palma da mão; outros afirmavam que era somente pela largura de um dedo. Isso contrasta com o “grande abismo” que Abraão mencionou na parábola do rico e Lázaro (Lc 16.26). 25Na verdade, o livro pseudepigráfico de Enoque fala de quatro divisões no She’ol\ uma para os mártires, outra para os justos que morrem de morte natural, outra para os pecadores que sofrem nesta vida e outra para os pecadores que não sofrem. Ver H. A. Guy, The New Testament Doctrine o f the aLast Things”: A Study o f Eschatology {A Doutrina do Novo Testamento sobre as “Últimas Coi­ sas”: Um Estudo Escatológico). Londres: Geoffrey Cumberlege, Oxford University Press, 1948, p. 19. Charles, A Criticai History, p. 33, 34. 26Shedd, The Doctrine o f Endless Punishment, p. 21-25. 27Erickson sugere que a morte não é algo natural para a humanidade. Millard J. Erickson, Christian Theology (Teologia Cristã). Grand Rapids: Baker Book House, 1985, p. 1170, 1171. 28“Dives” é a transliteração de um substantivo comum do latim, que simplesmente quer dizer “um homem rico”; não é nome próprio. 29Lázaro é a forma grega de “Eliézer”. 30A palavra “seio” era usada para se referir ao comer junto com alguém enquanto se estivesse deitado no mesmo divã (cf. Jo 13.23). Implica em estreita comunhão e, provavelmente, era um lugar de honra. 310rígenes, Friedrich Schleiermacher, alguns místicos, testemunhas-de-jeová e al­ guns anabatistas estão entre aqueles que acreditam numa segunda chance de salvação após a morte. Mas Boettner salienta que isso “deprecia a importância da vida presente e... extingue o zelo missionário”. Boettner, Lmmortality, p. 104-108.


Notas

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32Francis J. Hall, Eschatology ÇEscatologia). Nova Iorque: Longmans, Green & Company, 1922, p. 9.

Notas

33A declaração de Jesus é muito enfática. Em grego, a ordem das palavras é: “Hoje, comigo, estarás no Paraíso!” 34Parece que Paulo considerava a atmosfera que circunda a terra como o primeiro céu, os astros como o segundo céu e o céu dos céus como o terceiro céu, o lugar onde estão o trono de Deus e o Paraíso. A idéia de sete céus não é encontrada na Bíblia, embora tenha se tornado parte integrante da moderna teologia judaica. Ver Wilbur M. Smith, The B iblical Doctrine o f Heaven (A Doutrina Bíblica dos Céus). Chicago: Moody Press, 1968, p. 167. William O. E. Oesterley, The Doctrine o f the Last Things: Jewish and Christian (A Doutrina das Últimas Coisas: Judaica e Cristã). Londres: John Murray, 1908, p. 172, 173. 35“Não é lícito” (gr. ouk exon) também pode significar “não é possível”. 36John Miley, Systematic Theology (Teologia Sistemática), vol. 2. Nova Iorque: Hunt & Eaton, 1893, reimpresso em Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1989, p. 431. 37Smith, The Biblical Doctrine o f Heaven, p. 50, 61. 38Boettner, Immortality, p. 92, 93. 39Moody, The Hope o f Glory, p. 65. William W. Stevens, Doctrines o f the Christian Religion (Doutrinas da Religião Cristã). Nashville: Broadman Press, 1967, p. 378, 379. Herman Ridderbos, Paul: An Outline o f His Theology (Paulo: Um Perfil de Sua Teologia). Tradução para o inglês por John R. DeWitt. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1975, p. 505. 40Ladd, Last Things, p. 35, 36. 41Ver Boettner, Immortality, p. 109-111. Smith, The Biblical Doctrine o f Heaven, p. 156. Os adventistas do sétimo dia modificam isto dizendo que “a morte não é uma completa aniquilação; é somente um estado de inconsciência temporária, enquanto a pessoa aguarda pela ressurreição”. Ministerial Association General Conference of Seventh-Day Adventists (Conferência Geral da Associação Minis­ terial dos Adventistas do Sétimo Dia), Seventh-Day Adventists Believe (Em que os Adventistas do Sétimo Dia Acreditam). Hagerstown, Maryland: Review & Herald Publishing Association, 1989, p. 352. 42Ray Summers, The Life Beyond (A Vida Além). Nashville; Broadman Press, 1959, p. 9. 430scar Culímann, The Immortality o f the Soul, or Resurrection o f the Dead? (A Imortalidade da Alma ou a Ressurreição dos Mortos?). Londres: Epworth Press, 1958, p. 11, 48-57. 44Victor Paul Wierwille, fundador da seita O Caminho, ensinou que “quando você morre, você está morto” e que presentemente não há ninguém mais no céu a não ser Jesus Cristo. Todas as passagens usadas como prova para o sono da alma (SI 6.5; 13.3; 115.17; 146.3,4; Ec 9-5,6; Mt 9.24; Jo 11.11-14; At 7.60; 1 Co 15-51; 1 Ts 4.13,14) tratam do corpo morto como ele aparece do ponto de vista da pessoa comum que ainda esteja vivendo. Na verdade, esses textos não tratam do que acontece com a pessoa que vai para o inferno ou com o salvo que parte para estar com o Senhor depois da morte. 45Boettner, Immortality , p. 110. 46Smith, The Biblical Doctrine o f Heaven, p. 161, 165. 47Alguns daqueles que ensinam o sono da alma transformam essa afirmação de Jesus numa pergunta. Contudo, o grego é muito enfático: “Hoje, comigo, estarás no Paraíso!”


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Notas

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48Stevens, Doctrines, p. 381. 49Para um debate acerca dos três verbos gregos traduzidos por “dormir”, ver Thomas R. Edgar, “The Meaning of ‘Sleep’ in 1 Thessalonians 5:10” (“O Significado do Verbo ‘D orm ir’ em 1 Tessalonicenses 5.10”), Jo u rn al o f the E vangelical Theological Society (Revista â a Sociedade Teológica Evangélica), vol. 22, n. 4, dezembro de 1979, p. 345-347. 150Ver Boettner, Immortality, p. 109-116, para um bom debate acerca da doutrina do sono da alma. Edgar, “The Meaning of ‘Sleep’”, p. 345-349- Moody, Hope o f Glory, p, 67-69. 51Geerhardus Vos, The Pauline Eschatology. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 158. 52No gr. parakaleitai , palavra que implica numa atmosfera de encorajamento. 53Alois Winklhofer, The Corning o f His Kingdom: A Theology o f the Last Things (A Vinda do Seu Reino: Uma Teologia da Doutrina das Últimas Coisas). Tradução para o inglês por A. V. Littledale. Freiburg, Alemanha Ocidental: Herder; Mon­ treal: Palm Publishers, 1965, p. 114. 54Alguns católicos admitem que não há base bíblica para o purgatório, entretanto, afirmam que não há nada na Bíblia que seja contrário à doutrina. Zachary Hayes, “The Purgatorial View” (“A Doutrina do Purgatório”), in: Four Views on Hell (Quatro Interpretações do Inferno). Editor William Crockett. Grand Rapids; Zondervan Publishing House, 1992, p. 107. “De modo geral, a tradição [católica] apela para 2 Macabeus 12.38-46.” Zachary Hayes, Visions o f the Future: A Study o f Christian Eschatology (Visões do Futuro: Um Estudo sobre a Escatologia Cristã). Wilmington, Delaware: Michael Glazier, 1985, p. 112. 55Alguns católicos afirmam que a idéia retrocede a Tertuliano (c. 160 a c. 230 d.C.). Winklhofer, The Corning o f His Kingdom , p. 100. 56Jacques Le Goff, Birth o f Purgatory (O Nascimento do Purgatório). Tradução para o inglês por Arthur Goldhammer. Chicago: University of Chicago Press, 1984, p. 3, 41, 61. O Concilio de Trento não disse nada a respeito da natureza do fogo, acerca do local do purgatório, aliás, nem mesmo menciona que seja um lugar. Hayes, “The Purgatorial View”, p. 113. 57Winklhofer, The Corning o f His Kingdom , p. 102, 104, 107-110. 58Hans Schwarz, On the Way to the Future: A Christian View o f Eschatology in the Light o f Current Trends in Religion, Philosophy, and Science. Edição revista. Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1979, p. 181. 590 limbo (lat. Umbus, “orla”, “cercanias”) foi relacionado por alguns com os “espíri­ tos em prisão” mencionados em 1 Pedro 3.19. Ver Boettner, Immortality, p. 102. Boettner, contudo, considera que a pregação tenha sido feita há muito tempo atrás, pelo Espírito de Cristo, através de Noé, às pessoas dos dias de Noé que hoje estão “em prisão”. “Joseph Pohle, Eschatology, or the Catholic Doctrine o f the Last Things: A Dogmatic Treatise (Escatologia ou a Doutrina Católica das Últimas Coisas: Um Tratado D ogm ático ). Versão inglesa por A rthur Preuss. W estport, C onnecticut: Greenwood Press, Publishers, 1971, reimpressão de 1917, p. 26, 27. 6lFrancis X. Cleary, “Roman Catholicism” (“O Catolicismo Romano”), in: How Different Religions View Death and Afterlife. Editores Christopher J. Johnson e Marsha G. McGee. Filadélfia: Charles Press, Publishers, 1991, p. 271.


Notas

62Hayes,

Visions, p. 120.

63“Não há prova satisfatória de que os médiuns realmente façam contato com os espíritos dos mortos... Mesmo nos mais famosos médiuns têm sido detectada fraude”. Ademais, a feiticeira de En-Dor ficou muito surpresa pela aparição de Samuel”. Deus tomou conta da situação e usou a ocasião para pronunciar o julgamento sobre o rei Saul (1 Sm 28.12). Boettner, Immortality, p. 138, 149. 64G. W. Butterworth, Spiritualism an d Religion (O Espiritualismo e a Religião ). Londres: Society for Promoting Christian Knowledge, 1944, p. 129. 65René Pache, The Future Life (A Vida Futura). Tradução para o inglês por Helen I. Needham. Chicago: Moody Press, 1962, p. 77. 66Ralph W. Klein, 1 Samuel, Word Biblical Commentary (Comentário Bíblico Word), vol. 10. Waco, Texas: Word Books, 1983, p. 271-273. 67Ver Anne C. Klein, “Buddhism” e Guru Adiswarananda, “Hinduism”, in: How Different Religions View Death. Editores Johnson e McGee, p. 85-108, 157-184. â8Pache, Future Life, p. 92.

C a pítu lo 2 ^ o b e rt Martyn-Achard, From Death to Life: A Study o f the Development o f the Doctrine o f the Resurrection in the Old Testament (Da Morte para a Vida: Um Estudo sobre o Desenvolvimento da Doutrina da Ressurreição no Antigo Testa­ mento). Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1960, p. 74. 2Alguns dos comentaristas mais antigos supunham que Jó via seu Redentor apenas para a alma ou espírito. R. H. Charles, A Criticai History o f the Doctrine o f a Future Life: In Israel, in Judaism, and in Christianity, 2. ed. revista e ampliada. Londres: Adam & Charles Black, 1913, p. 49. 3Leon Morris, New Testament Theology (A Teologia do Novo Testamento). Grand Rapids: Academie Books, 1986, p. 266. 4Ver French L. Arrington, PauTs Aeon Theology in 1 Corinthians (A Teologia Paulina do Éon em 1 Coríntios). Washington, D.C.: University Press of America, 1978, p. 101 . 5Louis Berkhof, Systematic Theology (Teologia Sistemática ), 4. ed. revista. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1941, p. 18. 6Francis J. Hall, Eschatology. Nova Iorque: Longmans, Green & Company, 1922, p. 10. 7As primícias (primeiros frutos) eram em geral um feixe — ou seja, uma grande quantidade de qualquer coisa. Talvez seja essa a razão de muitos corpos de santos qiie dormiam terem ressuscitado, saído dos sepulcros e, depois da res­ surreição de Jesus, terem aparecido a muitas pessoas (Mt 27.52,53). Com isto, quis-se chamar a atenção para o fato de que a ressurreição de Jesus significa a ressurreição das outras pessoas. 8Ralph Riggs, The Spirit Himself (O Mesmo Espírito). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1949, p. 188, 189. Riggs foi superintendente geral das Assem­ bléias de Deus nos Estados Unidos durante o período de 1953 a 1959. 9A. J. Conyers, The Eclipse o f Heaven: Rediscovering the Hope o f a World Beyond. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1992, p. 43-45. 10George Eldon Ladd, The Last Things: An Eschatology fo r Laymen. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1978, p. 29, 30.

Notas


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Notas

Nosso Destino

nDale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 78, 12Deve ser observado que o corpo humano está em constante mudança na forma e em relação às moléculas que o constituem, embora ainda continue mantendo sua identidade. Deus é capaz de reunir o que quer que seja necessário para a ressurreição do corpo, mesmo que o corpo tenha sido decomposto, queimado ou comido por crocodilos (como aconteceu com o corpo do missionário J. W. Tucker), 13Uma pessoa de setenta anos de idade ainda é a mesma pessoa que era aos cinco, dez ou vinte anos, ainda que tenham havido mudanças na forma física, bem como na composição química das moléculas do corpo. 14Ray Summers, The Life Beyond. Nashville: Broadman Press, 1959, p. 17. 15Ver Moody, Hope o f Glory, p. 81-91, 94. l6Ladd, Last Things, p. 35-37. 17A palavra “espiritual” (gr. pneum atikos [nominativo]) é usada para se referir ao maná como o “manjar espiritual”, o pão do céu (1 Co 10.3); aos “cânticos espirituais” (Ef 5.19; Cl 3.16); à “sabedoria e inteligência espiritual”, sabedoria e inteligência dadas pelo Espírito (Cl 1.9); aos “dons espirituais” dados e capacita­ dos pelo Espírito (1 Co 12.1); e às pessoas que são cheias do Espírito Santo e usadas por Ele (1 Co 14,37; G1 6.1), 18Geerhardus Vos, The Pauline Eschatology. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 166, 167. Ver também Geerhardus Vos, Redemptive History and Biblical Interpretation: The Shorter Writings o f Geerhardus Vos (A H istória Redentora e a Interpretação B íblica: Os Escritos m ais Breves de G eerhardus Vos). Editor Richard B. Gaffin Jr. Phillipsburg, Nova Jersey: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1980, p. 49, 50. 19Henry Blamires, “The Eternal Weight of Glory” (“O Eterno Peso de Glória”), Christianity Today (iCristianismo Hoje), vol. 35, n. 6, 27 de maio de 1991, p. 3034. 20Os relacionamentos conjugais e as paixões sexuais não farão mais parte da vida após a ressurreição (Mc 12.25). Serão suplantados por uma experiência maior em termos de relacionamento espiritual com Jesus. Mas isso não significa neces­ sariamente que nossos corpos ressurretos serão assexuados, pois a identificação macho e fêmea parece ser uma parte essencial do ser humano. Ver H. Wayne House, “Creation and Redemption: A Study of Kingdom Interplay” (“A Criação e a Redenção: Um Estudo sobre a Interação no Reino”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 35, n. 1, março de 1992, p. 9, 10. 2IHenry Barclay Swete, The Holy Spirit in the New Testament (O Espírito Santo no Novo Testamento). Grand Rapids: Baker Book House, 1976, reimpresso de 1910, p. 190, 191. 22René Pache, The Future Life. Tradução para o inglês por Helen I. Needham. Chica­ go: Moody Press, 1962, p. 353. 23Os “gemidos” de Romanos 8.26 parecem estar relacionados com os “gemidos” dos versículos 22 e 23, os quais aguardam ansiosamente um cumprimento futuro, quando Jesus voltar à terra. Ver Neill Quinn Hamilton, “The Holy Spirit and Eschatology in Paul”, p. 36. 24Charles Webb Carter, The Person an d Ministry o f the Holy Spirit: A Wesleyan Perspective (A Pessoa e o M inistério do Espírito Santo: Uma Perspectiva Wesleyana). Grand Rapids: Baker Book House, 1974, p. 300-302.


Notas

25Cf. Moody, Hope o f Glory, p. 46. 26Thomas N. Finger, Christian Theology: An Eschatological, vol. 1. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1985, p. 37. 27Schwarz observa: “Prontidão imediata não expressa necessariamente crença no retomo cronologicamente perto do Senhor Jesus, mas mostra que nossa atitude atual é indicativa de nosso futuro... Exige-se que os crentes vivam suas vidas numa dinâmica expectativa, como se cada minuto fosse o último”. Ver Hans Schwarz, “Eschatology” (“Escatologia”), in: Christian Dogmatics (A Dogmática Cristã). Editores Carl E. Braaten e Robert W. Jenson, vol. 2. Filadélfia: Fortress Press, 1984, p. 583. 28R. Earl Allen, The Hereafter (O Além-mundo). Old Tappan, Nova Jersey: Fleming H. Revell Company, 1977, p. 85-92. 29“Hebreus 9.28 é decisivamente contra” a idéia de que a parou sia possa “ser espiritualizada numa mera presença ou manifestação contínua de Jesus com seus amados em todas as ocasiões”. Bernard Ramm, “A Philosophy of Christian Eschatology” (“Uma Filosofia da Escatologia Cristã”), in: Last Things (A Doutri­ na das Últimas Coisas). Editor H. Leo Eddleman. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1969, p. 33. 30Alois Winklhofer, The Corning o f His Kingdom: A Theology o f the Last. Tradução para o inglês por A. V. Littledale. Freiburg, Alemanha Ocidental: Herder; Mon­ treal: Palm Publishers, 1965, p. 11. 31Willibald Beyschlag, New Testament Theology (A Teologia do Novo Testamento). Tradução para o inglês por Neil Buchanan, vol. 1. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1895, p. 196-200. 32George Raymond Beasley-Murray, Jesus an d the Future: An Examination o f the Criticism o f the Eschatological Discourse, Mark 13 with Special Reference to the Little Apocalypse Theory. Londres: Macmillan & Company, 1954, p. 167-171. 33Ibid., p. 204. 34Ibid. 35Ver T. Francis Glasson, His Appearing and His Kingdom: The Christian Hope in the Light o f Lts History (Sua Manifestação e Seu Reino: A Esperança Cristã à Luz de Sua História). Londres: Epworth Press, 1953, p. 53, 54, 36Beasley-Murray, Jesus and the Future, p. 167, 170. 37Ver nota 39. 38Hobart E. Freeman, Exploring Biblical Theology (Explorando a Teologia Bíblica). Varsóvia, Indiana: Faith Ministries and Publications, s.d., p. 298, 299. 39Este mesmo verbo é usado para se referir ao varão que foi “arrebatado” para Deus e para o seu trono (Ap 12.5). Também é usado com relação a Paulo ter sido “arrebatado” até o terceiro céu, ao Paraíso (2 Co 12.2,4), e ao Espírito do Senhor, quando “arrebatou a Filipe” (At 8.39). Além de ser usado no que tange à transferência sobrenatural, o verbo também é empregado no que diz respeito ao lobo arrebatar as ovelhas 0o 10.12), ao maligno arrebatar a Palavra semeada (Mt 13-19) e às instruções dos oficiais romanos para que seus soldados “tiras­ sem” Paulo do meio dos judeus (At 23.10). Dessa forma, a palavra envolve a idéia de um poderoso “arrebatamento”.

i0A palavra “rapto” é derivada do latim raptus, particípio passado do verbo rapere , “agarrar”, e tem o significado original de ser arrebatado subitamente, com violência ou com força, e ser levado embora. Portanto, “rapto” é uma designa­

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280 Notas

Nosso Destino

ção apropriada do fato de “sermos arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares”, como também o é o termo “arrebatamento”. Na linguagem dos dias de hoje, “arrebatamento” tomou o sentido de “estar arrebatado ou exaltado numa emoção ou êxtase plena de alegrias”. Podemos estar certos de que o Arrebata­ mento também será uma experiência cheia de alegrias quando encontrarmos o Senhor nos ares. 41Ver o uso da palavra “encontro” na parábola das dez virgens (Mt 25.1-10) e na ocasião em que Paulo foi encontrado pelos crentes de Roma, que o acompanha­ ram até a cidade (At 28.15). Ver também Políbio, 18,48,4 (século II a.C.). Editor e teólogo Buttner-Wobst, p. 1882-1904. 42Thoralf Gilbrant, ed., The Complete Biblical Library (Biblioteca Bíblica Comple­ ta), vol. 15. Springfield, Missouri: Complete Biblical Library, 1991, p. 101, 102. 430 s vocábulos epiphaneia (“manifestação”) e apokalupsis (“revelação", “divulga­ ção”) também são usados para aludir à volta de Jesus. Essas três palavras (i.e,, incluindo parousia) podem ser usadas intercambiavelmente para indicar a vin­ da de Jesus aos seus santos que o aguardam (cf. 1 Co 1.7; 1 Ts 2.19; 1 Tm 6.14), bem como para denotar sua volta em labareda de fogo no fim da Grande Tribulação (cf. 1 Ts 3.13; 2 Ts 1.7; 2.8; 1 Pe 1.7). Parousia enfatiza sua chegada e manifestação pessoal; apokalupsis, sua descida do céu ao qual subiu; e epiphaneia , a maravilhosa manifestação de sua glória e poder. 44Alguns antigos manuscritos gregos trazem aqui o vocábulo kakos , que é uma palavra com sentido mais abrangente e geral, significando “mal”, “maldade”, “injustiça”, “erro”, em vez do vocábulo phaulos. 45Ver mais adiante, na seção “Os Galardões”, onde tratamos dos pecados cobertos pelo sangue de Jesus. 46Note que todas essas coisas têm a ver com as obras feitas por meio do corpo, ou seja, nesta vida presente. Não há uma segunda oportunidade após a morte. 47Joseph Pohle, Eschatology, or the Catholic Doctrine o f the Last Things: A Dogmatic Treatise. Versão inglesa por Arthur Preuss. Westport, Connecticut: Greenwood Press, Publishers, 1971, reimpressão de 1917, p. 40, 42. 48Stanley M. Horton, The Ultimate Victory (A Vitória Final). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1991, p. 277-279.

C a pítu lo 3 !Para maiores informações sobre a interpretação pós-milenista, ver o capítulo 5, seção “Três Interpretações”. 2Alguns escritores consideram essas passagens de Isaías, Joel e Zacarias como apocalípticas. Contudo, tais trechos bíblicos não revelam muitos dos indícios que comprovam ser de fato literatura apocalíptica. São profecias escatológicas. Ver H. H. Rowley, The Relevance o f Apocalyptic: A Study ofjew ish and Christian Apocalypses from D aniel to the Revelation (A A plicabilidade da Literatura A pocalíptica: Um Estudo dos A pocalipses Ju deu s e Cristãos de D aniel ao Apocalipse). Nova edição, revista. Nova Iorque: Association Press, 1964, p. 25, 26. 3Os modernos eruditos críticos da Bíblia, que não acreditam no sobrenatural, negam a realidade das profecias. Por isso, interpretam a seqüência desta maneira: Babilônia, Média, Pérsia, Grécia e o império grego dividido, que passou para o controle dos generais de Alexandre, o Grande, após sua morte. Agem dessa maneira para adequar sua interpretação de que o livro de Daniel é uma história escrita durante o período em que os judeus foram perseguidos por Antíoco


Notas

Epifânio (175-164 a.C.), redigida na forma de profecia. Entretanto, o próprio livro de Daniel (Dn 8.20) retrata o império medo-persa como um único animal (o carneiro), dessa forma confirmando a interpretação de que a Média-Pérsia é o segundo império de Daniel 2. Vários eruditos conservadores apóiam a data mais antiga para o livro de Daniel, incluindo Edward Young, H. C. Leupold, Kenneth Kitchen, R. D. Wilson, John H. Raven e Carl F. Keil. Ver Michael Kalafian, The Prophecy o f the Seventy Weeks o f the Book o f Daniel: A Criticai Revieui o f the Prophecy as Viewed by Three Major Theological Interpretations and the Impact o f the B ook o f D aniel on Christology (A Profecia das Setenta Semanas de Daniel: Uma Revisão Crítica das Profecias com o Vista petas Três M aiores Escolas de In terpretação Teológica e o Im pacto do Livro de D aniel na Cristologia). Lanham, Maryland: University Press of America, 1991, p. 201-206. 4Os arqueólogos encontraram os registros de Senaqueribe que comprovam essa interpretação. Esse assunto é discutido numa tese de doutorado não publicada: “A Defense on Archaeological Grounds of the Isaian Authorship of the Passages in Isaiah Dealing with Babylon” (“Uma Defesa com Base Arqueológica da Autoria de Isaías das Passagens que Isaías Trata da Babilônia”), de Stanley M. Horton, Kansas City, Kansas: Central Baptist Theological Seminary, 1959. 5Para maiores informações sobre essas variações do pós-milenismo, ver o capítulo 5, seção “Três Interpretações”. 6J. Barton Payne, “The Goal of Daniefs Seventy Weeks” (“O Propósito das Setenta Semanas de Daniel”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 21, n. 2, junho de 1978, p. 114. 7Alguns consideram que o leão seja a Grã-Bretanha; as asas de águia, os Estados Unidos; o urso, a Rússia; o leopardo, o Japão e a China; o quarto animal, a Comunidade Européia. Ver Michael B. Wieteska, Intimations o f Empire: The Great Powers in Prophecy (Insinuações do Império: As Grandes Potências nas Profecias). Genebra: N.A.T.I.O.N., 1993, p. 10-15, 45. 80 fato de Daniel estar se ocupando com uma profecia de setenta anos, que teve um cumprimento literal, mostra que as setenta semanas deveriam ser consideradas como um número real e que a profecia inteira deveria ser interpretada de modo literal. V er Robert Anderson, The Corning Prince (O Príncipe que Vem). Grand Rapids: Kregel Publications, 1957, reimpresso da 10a edição, p. xiii. Anderson considera a data de 6 de abril de 32 d.C. como a data da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando Ele “foi aclamado como o ‘Messias, o Príncipe, o Rei, o Filho de Davi”’. O problema com essa data é que os judeus sempre acrescentavam um mês extra de tempo em tempo, a fim de que os anos tivessem em média 365 dias. A maioria dos expositores da Bíblia, hoje, considera que a entrada triunfal de Jesus tenha ocorrido em 30 d.C., o que faz com que a data de 457 a.C. pareça ser a mais razoável para o início do período de 483 anos. 10A referência ao reinado de Dario em Esdras 4.5 é repetida em Esdras 4.24, indican­ do que o texto entre esses dois versículos é um parêntesis. Isto coloca a oposi­ ção dos samaritanos até os próprios dias de Esdras e esclarece que a “força” de Esdras 4.23 foi a causa da situação registrada em Neemias 1.3. Por conseguinte, a correlação com as 69 semanas é exata. Ver Payne, “Goal of DaniePs Seventy Weeks”, p. 101. 11Ver Robert D. Culver, “Daniel”, in: The Wycliffe Bible Commentary (Comentário Bíblico Wycliffe). Editores Charles F. Pfeiffer e Everett F. Harrison. Chicago: Moody Press, 1962, p. 151.

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Notas

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120 s amilenistas e outros que consideram que a septuagésima “semana” se segue imediatamente após a sexagésima-nona, sem que haja a ocorrência de um inter­ valo de tempo entre elas, não interpretam Daniel 9.27 de modo literal e são incapazes de encontrar qualquer evento que “se assemelhe a um cumprimento evidente na história”, Kalafian, Prophecy o f the Seventy Weeks, p. 96. Cf. Jay E. Adams, The Time Is at Hand (O Tempo Está Próximo). Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1974, p, 3. 13Payne, “Goal of Daniefs Seventy Weeks”, p. 102. l4Robert H. Gundry, The Church an d the Tribulation (A Igreja e a Tribulação). Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1973, p. 189, 190. 15Este concerto não pode ser o concerto feito por Jesus. Seu concerto, que entrou em vigor pela sua m orte e pelo derram am ento do seu sangue, nunca será quebrado. lfiMuitos referem-se a esse período como um “tempo de angústia para Jacó” (Jr 30.7), um “tempo de angústia” (Dn 12.1). Não há qualquer referência que indique que a Igreja esteja presente na terra durante esse período. 17Primeiro Macabeus 1.47,54,59; 2 Macabeus 6.2. 18Stephen Travis, The Jesus Hope. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 61, 62. 19Ver Apocalipse 1.4,5, que se refere à Trindade, dessa maneira identificando a sétupla expressão do Espírito com o próprio Espírito Santo. Note também a onisciência de Jesus indicada nas sete menções do verbo “saber” (gr. oida) em Apocalipse 2.2,9,13,19; 3.1,8,15. 20J. Daryl Charles, “An Apocalyptic Tribute to the Lamb (Rev. 5:1-14)” [“Uma Home­ nagem Apocalíptica ao Cordeiro (Ap 5.1-14)”], Jou rn al o f the Evangelical Theological Society, vol. 34, n. 4, dezembro de 1991, p. 462, 468. 21Tradução do termo grego phiale , que indiscutivelmente significa “uma taça grande”. 22Bryan W. Bali, “A Great Expectation: Eschatological Thought in English Protestantism to 1660” (Uma Grande Expectativa: O Pensamento Escatológico no Protestantis­ mo Inglês até 1660), vol. 12, in: Studies in the History o f Christian Thought (Estudos na História do Pensamento Cristão). Editor Heiko A. Oberman. Leiden, Holanda:. E. J. Brill, 1975, p. 63, 72. 23Palavra proveniente do latim praeteritus , “foi-se’’, “passou”, indicando que a ação foi realizada inteiramente no passado. 24BaIl, “Great Expectation”, p. 162, 163. 25João chama o livro de “Revelação [gr. apokalupsis] de Jesus Cristo” (Ap 1.1). Por conseguinte, alguns classificam o livro como literatura judaica apocalíptica, a qual é especulativa e fértil em imaginações (a maior parte dessa literatura são reproduções semelhantes às visões do livro de Daniel). Esse tipo de literatura atingiu seu apogeu no período de aproximadamente 200 a.C. até depois dos dias de Jesus. Ainda que o Apocalipse use linguagem e imagens retóricas similares a Daniel e Ezequiel, não é uma mera imitação ou repetição. Emprega a linguagem do Antigo Testamento para trazer novas revelações proféticas e dar uma nova imagem de Jesus como o Cordeiro de Deus e o triunfante Senhor. 2SBall, “Great Expectation”, p. 72, 73. 27Ibid., p. 74, 75. 28Stanley M. Horton, The Ultimate Victory. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1991, p. 111.


Notas

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29Não obstante, é notório que a tribo de Dã tem um iugar garantido na terra durante o Milênio (ver Ez 48.1).

Notas

30Alguns têm tentado associar os 144.000 com a “multidão, a qual ninguém podia contar”, mas, como ressalta Dale Moody: “As descrições peculiares a cada um desses grupos desafia tal associação”. Ver Dale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 168. 31J. Dwight Pentecost, Will Man Suruive? (Sobreviverá o HomemF). Chicago: Moody Press, 1971, p. 75. 32Muitos manuscritos mais antigos, além dos pais da Igreja, como Tertuliano, trazem “o homem [gr. anthropos, ‘um ser humano’] do pecado” (como temos na RC, versão bíblica adotada neste livro), mas isto não muda a essência do sentido. O Anticristo se colocará acima da lei e fará da sua vontade a lei suprema como um ditador absoluto. Ele ajusta-se perfeitamente à descrição daquele que “fará conforme sua vontade” (Dn 11.36-45). 33Ver nota 39. 34Ver Gundry, Church an d Tnbulation , p. 115. 35GviI Gesenivs, Lexicon M anvale H ebraicvm et Chaldaicvm (M anual Léxico H ebraico e Caldaico ). Lipsiae, Alemanha: Vogeli, 1833, p. 916, 917. Gesenivs sugere que “Rôs” significa Russorum (Rússia), mas não há qualquer ligação entre as palavras hebraica e russa. Ver também Dwight J. Wilson, Armageddon Now! The P rem illen n arian Response to Russia a n d Israel Since 1917 (Armagedom Agora! A Resposta Pré-milenista à Rússia e Israel desde 1917). Grand Rapids: Baker Book House, 1977, p. 152. Arthur E. Bloomfield, A Survey o f Bible Prophecy (Um Exame da P rofecia B íblica). Mineápolis: Bethany Fellowship, 1971, p. 85. 36Edwin Yamauchi, “Meshech, Tubal, and Company: A Review Article” (“Meseque, Tubal e Companhia: Uma Revisão”), Jou rn al o f the Evangelical Theological Society, vol. 19, n. 3, verão de 1976, p. 243, 244. 37Ralph H. Alexander, “A Fresh Look at Ezekiel 38 and 39” (“Uma Nova Abordagem em Ezequiel 38 e 39”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 17, n. 3, verão de 1974, p. 160-169. Alexander também propõe que, tomando-se por base o principio do múltiplo cumprimento, Gogue é o Anticristo em Apocalipse 19, e Satanás, em Apocalipse 20. 38Donald C. Stamps, ed., The Full Life Study Bible (Bíblia de Estudo Pentecostal). Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 1895-1898. 39Para o disparate da identificação do império romano como aquele que restringe o mal, ver Oscar Cullmann, Christ and Time. Edição revista, tradução para o inglês por Floyd V. Filson. Filadélfia: Westminster Press, 1964, p. 164-166. 40Ibid, 41Moody, Hope o f Glory, p. 180. 42Herman Ridderbos, Paul: An Outline o f His Theology. Tradução para o inglês por John R. DeWitt. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1975, p. 525. William Neil, The Epistle o f Paul to the Thessalonians (A Epístola de Paulo aos Tessalonicenses), The Moffatt New Testament Commentary (Comen­ tário Moffatt do Novo Testamento). Londres: Hodder & Stoughton, 1950, p. 170. 43Henry Alford, The Greek Testament (O Testamento Grego), 5. ed., vol. 3. Cambridge, Londres: Deighton, Bell, & Company, 1871, p. 57, 58.


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Notas

44Stanley M. Horton, IVs Getting Late (Está Ficando Tarde). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1975, p. 105, 106. 45Cf. Mateus 24.22, onde temos a declaração de que, no plano de Deus, esses dias foram abreviados (mas não para menos de três anos e meio, período concernente à segunda metade da Tribulação). 46Walter Bauer, A Greek-English Lexicon o f the New Testament (Léxico Greco-inglês do Novo Testamento). Tradução para o inglês por William F, Arndt e F,Wilbur Gingrich. Chicago: University of Chicago Press, 1957, p. 103. 47Cf. Mateus 20.28, onde lemos que Jesus veio “para dar a sua vida em resgate de [anti\ muitos”, o que indica expiação substitutiva. ^Isto aponta para a necessidade da reconstrução do templo em Jerusalém (cf. Dn 9.26; Mt 24.15; 2 Ts 2.4), o qual será destruído quando a Babilônia religiosa for destruída (Ap 17.16-18). Ver Horton, Ultimate Victory, p. 194. Payne, “Goal of Daniel’s Seventy Weeks”, p. 106. 49Cf. Mateus 24.4,23,24. Alguns sugerem que o Anticrísto reivindicará ser Deus em term os tão absolutos, que não poderá declarar que também é o Messias. Geerhardus Vos, The Pauline Eschatology. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 113. Ridderbos, Paul, p. 519. Contudo,um ho­ mem inspirado por Satanás poderia dizer que é os dois. 50Os adeptos da interpretação pós-tribulacionista costumam dizer que aqueles que aceitam a ocorrência do Arrebatamento antes da Tribulação sofrerão tamanha desilusão quando tiverem de enfrentar o Anticrísto, que não permanecerão firmes em sua fé e serão enganados por ele. Ver J. Rodman Williams, Renewal Theology (A Teologia da Renovação), vol. 3. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 381. Contudo, somente aqueles que se recusarem a receber “o amor da verdade para se salvarem ” é que serão enganados pelo Anticrísto (2 Ts 2.10). Nenhum salvo será iludido pelo Anticrísto. 51Horton, Ultimate Victory, p. 183-194. Isto não significa que o Anticrísto seja a encarnação de Satanás ou que Satanás tome a forma de um homem. Ele é um homem de verdade, que a si mesmo se abrirá para ser possuído por Satanás. 32Por exemplo, o papa Inocêncio III (1198-1216) disse que os 'sarracenos eram o Anticrísto e que Maomé era seu falso profeta, e que o domínio muçulmano duraria 666 anos. Pelo fato de esse tempo estar perto de se cumprir, ele procla­ mou uma nova cruzada contra o islã. 53T. Francis Glasson, His Appearing and His Kingdom: The Christian Hope in the Light o f Its History. Londres: Epworth Press, 1953, p. 41. 54Nixon morreu em 1994. 55Horton, Ultimate Victory, p. 196, 197. 5<sDevido ao fato de a sexta taça anunciar a preparação para a batalha do Armagedom, alguns associam a queda da “moderna Babilônia mundial” com a batalha do Armagedom. Ver Hans K. LaRondelle, “The Biblical Concept of Armageddon” (“O Conceito Bíblico do Armagedom”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 28, n. 1, março de 1985, p. 23, 24. 57Walter C. Kaiser Jr., Toward an Old Testament Theology (Sobre uma Teologia do Antigo Testamento). Grand Rapids: Academie Books, 1978, p. 256. 58Alguns têm afirmado que há uma grande falha geológica que atravessa o monte das Oliveiras. Cf. H. A. Ironside, The Lamp o f Prophecy (A Lâmpada da Profecia).


Notas

Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1940, p. 99. Entretanto, quando fui ao Instituto de Estudos Orientais para fazer uma pesquisa nos mapas geológicos da região, não encontrei tal falha. 59De acordo com a RC, versão bíblica utilizada neste livro. (N. do T.) 60Kaiser, Old Testament Theology, p. 256.

C a pítu lo 4 *Para maiores informações sobre o amilenismo e o pós-milenismo, ver o capítulo 5, seções “O Surgimento do Amilenismo” e “O Surgimento do Pós-milenismo”. 2Isto sucedeu antes da primeira profusão de línguas e profecias verificadas na igreja de Edward Irving, em 1831. Ver Robert H. Gundry, The Church an d the Tribulation. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1973, p. 185-187. As­ sim sendo, os ensinamentos de Irving eram procedentes das Escrituras, e não surgiram através de uma mensagem em línguas seguida de interpretação ou de uma profecia de Margaret MacDonald, como alguns têm afirmado. Contudo, mais tarde, as línguas e a interpretação podem muito bem ter confirmado as Escrituras. 3John F. Walvoord, The Blessed Hope and the Tribulation: A Historical and Biblical Study o f Posttribulationism (A Bem-aventurada Esperança e a Tribulação: Um Estudo Histórico e Bíblico a respeito do Pós-tribulacionismo). Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1976, p. 42-48. 4George Eldon Ladd, The Blessed Hope (A Bem -aventurada Esperança). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1956. 5William R. Kimball, The Rapture: A Question o f Timing (O Arrebatamento: Uma Questão do Tempo). Joplin, Missouri: College Press Publishing Company, 1985, p. 113. 6Ladd, Blessed Hope, p. 31. Walvoord, Blessed Hope, p. 16, 17, 24. 8J. Rodman Williams. Renewal Theology, vol 3, Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 378. 9Alguns aceitam a interpretação historicista, que associa a tribulação com os proble­ mas desta vida. J. Barton Payne, The Imminent Appearing o f Christ (A Iminente M anifestação de Cristo). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1962. 10James Oliver Buswell Jr., A Systematic Theology o f the Christian Religion , vol. 2. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1963, p. 398, 431, 444, 450, 456, 458, 459. 11Ibid., p. 456. Os pós-tribulacionistas consideram essa idéia “fantasiosa” e argumen­ tam que as duas testemunhas ministrarão durante a segunda metade dos sete anos da Tribulação, porque só depois que o Anticristo quebrar seu concerto com Israel é que os gentios “pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses” (Ap 11.2). Ver Gundry, Church and Tribulation , p. 200, 201. 12Martin J. Rosenthal, The Prewrath Rapture o f the Church (O Arrebatamento da Igreja antes da Ira). Orlando, Flórida: Zions Hope, 1989. 13Gundry, Church and Tribulation , p. 89. 14Stanley M. Horton, The Ultimate Victory. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1991, p. 104-107.

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15Um senhor do estado americano de Illinois me escreveu dizendo que tinha absolu­ ta certeza de que não era bom o suficiente para ser levado no Arrebatamento, mas tinha a resoluta idéia de que seria capaz de permanecer firme contra o Anticrísto durante a Tribulação. Isto soa como salvação pelas obras. Ver Stanley A. Ellisen, Biography o f a Great Planet (Biografia de um Grande Planeta). Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, 1975, p. 117. 16Gundry, Church and Tribulation , p. 201. 17Glen Menzies e Gordon L. Anderson, “D. W. Kerr and Eschatological Diversity in the Assemblies of God” (“D. W. Kerr e a Diversidade Escatológica nas Assembléi­ as de Deus”), Paraclete, vol. 27, n. 1, inverno de 1993, p. 8-16. 18Para uma discussão mais detalhada sobre esse assunto, ver John F. Walvoord, The Rapture Question (A Questão do A rrebatam ento). Findlay, Ohio: Dunham Publishing Company, 1957, p. 105-125. 19James Everett Frame, A Criticai and Exegetical Commentary on the Epistles o f St. Paul to the Thessalonians, International Criticai Commentary (Um Comentá­ rio Crítico e Exegético sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses, Comen­ tário Crítico Internacional). Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1912, p. 176. 20PauI D. Feinberg, “The Case for the Pretribulation Rapture Position” (“As Razões para o Ponto de Vista Pré-tribulacionista do Arrebatamento”), in: The Rapture: Pre-, Mid-, or Post-Tribulational? (O Arrebatamento: Pré-tribulacionista, Miditribulacionista ou Pós-tribulacionista?). Richard Reiter, Paul D. Feinberg, Gleason L. Archer e Douglas J. Moo. Grand Rapids: Academie Books, 1984, p. 50-72. 21“E, naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao S e n h o r e serão o meu povo” (2c 2.11), Ver George Raymond Beasley-Murray, Jesus an d the Last Days: The Interpretation o f the Olivet Discourse (Jesus e os Últimos Dias: A Interpretação do Discurso do Monte das Oliveiras). Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1993, p. 434. 22Stanley M. Horton, Welcome Back, Jesus (Bem-vindo de Volta, Jesus). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1967, p. 33. 23Alguns entendem que a palavra grega apostasia significa “partida", em vez de “apostasia” ou “rebelião”. Assim, lançam mão dessa tradução como mais uma forte indicação de que o Arrebatamento precederá a manifestação do Anticrísto. Ver Ellisen, Biography o f a Great Planet, p. 121-123. Entretanto, “rebelião” ou “abandono” é o significado comum dessa palavra. A despeito de Tyndale, Coverdale, Cranmer e a Bíblia de Genebra terem na verdade traduzido a palavra por “uma retirada”, provavelmente queriam se referir a um afastamento para longe de Deus. A maioria considera a rebelião como sendo uma apostasia religiosa, embora possivelmente seja uma referência aos eventos de Ezequiel 38 e 39. Ver Stanley M. Horton, Ws Getting Late. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1975, p. 100. William Neil, The Epistle o f P aul to the Thessalonians, The Moffatt New Testament Commentary (Comentário Moffatt do Novo Testamento). Londres: Hodder & Stoughton, 1950, p. 160. Neil consi­ dera o termo “rebelião” como “um acontecimento definido”, sendo concebivelmente “um paralelo terreno da batalha travada no céu (Ap 12.7ss)” e também cita a batalha descrita em Ezequiel 38 e 39. 24Robert L. Thomas, “A Hermeneutical Ambiguity of Eschatology: The Analogy of Faith” (“Uma Ambigüidade Hermenêutica da Escatologia: A Analogia da Fé”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 23, n. 1, março de 1980, p. 52.


Notas

25J. Dwight Pentecost, Will Man Survive? Chicago: Moody Press, 1971, p. 41. 26Ver a introdução a este capítulo e a seção “Os Pré-tribulacionistas”. 27Assemblies of God (Assembléias de Deus), Wbere We Stand (No que nos Basea­ mos). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1990, p. 129. 28AIguns acusam os pré-tribulacionistas de serem “escapistas”. Entretanto, o prétribulacionismo é uma doutrina prática, e sua ênfase sobre a iminência da volta de Jesus mantém nossos pensamentos nesse evento, encorajando-nos a teste­ munhar e a fazer missões, bem como a termos uma vida piedosa. Cf. James Montgomery Boice, Foundations o f the Christian Faith (Fundamentos da Fé Cristã). Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1986, p. 707, 708. 29Guy Duty, Escape from the Corning Tribulation.■Hoiv to Be Prepared fo r the Last Great Crisis o f History (Fuga da Tribulação que se Aproxima: Como Estar Preparados p ara a Última Grande Crise da H istória ). Mineápolis: Bethany Fellowship, 1975, p. 13-19. 30David Ewert, And Then Comes the End (E Então Virá o Fim). Scottdale, Pensilvânia: Herald Press, 1980, p. 17. 31Hobart E. Freeman, An Lntroduction to the Old Testament Prophets (,Introdução aos Profetas do Antigo Testamento). Chicago: Moody Press, 1969, p. 155, 156. 32Francis J. Hall, Eschatology. Nova Iorque: Longmans, Green & Company, 1922, p. 12 .

33R. P. C. Hanson, The Attractiveness o f God: Essays in Christian Doctrine. Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1973, p. 191. Hanson também ressalta que as palavras “segunda vinda” não estão no Novo Testamento, porque a segunda vinda de Jesus é, na verdade, a consumação de sua primeira vinda. 34J. E. Fison, The Christian Hope: The Presence and the Parousia. Londres: Longmans, Green & Company, 1954, p. 22. 35Alois Winklhofer, The Corning o f His Kingdom: A Theology o f the Last Things. Tradução para o inglês por A. V. Littledaíe. Freiburgo, Alemanha Ocidental: Herder; Montreal: Palm Publishers, 1963, p. 11. 36Aprendi uma tremenda lição sobre isso quando entrei na sala de livros da Universi­ dade Biola, em La Miranda, Califórnia, Estados Unidos, no dia seguinte à morte do primeiro-ministro italiano, Benito Mussolini, em 1945- Vi ali uma grande pilha de livros em oferta a cinco centavos de dólar cada um. O título era Is Mussolini the Antichrist? (É Mussolini o Anticristo?). O autor indicava que poderia ser. Em 1990, outro livro anunciava Saddam Hussein, presidente do Iraque, como o Anticristo, que em breve assumiria o controle do mundo. 37G. W. H. Lampe, “Early Patristic Eschatology” (“Escatologia Patrística Primitiva”), in: Eschatology, William Manson, G. W. H. Lampe, T. F. Torrance, W. A. Whitehouse. Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1953, p. 31. 38Nossa perspectiva em relação ao tempo está condicionada pelos movimentos da terra e sua vinculação com outros elementos do Universo. Como Fison ressal­ tou: “As horas do nosso relógio ou o tempo do nosso calendário... são a abstra­ ção que precisa de correção do ponto de vista de Deus”. Fison, Christian Hope, p. 104. 39Na realidade, Santo Agostinho e Eusébio tinham fixado a data em 5202 a.C., aproxi­ madamente. Não obstante, deve ser observado que a chegada do ano 1000 não se tornou num “grande foco de expectativa”. Não houve pânico. Grandes plane­ jamentos com relação à fixação de uma data que ia além daquele ano eram comuns nos anos que o precederam. Ver T. Francis Glasson, His Appearing and

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His Kingdom: The Christian Hope in the Light o f Its History. Londres: Epworth Press, 1953, p. 45-47. Robin Bruce Barnes, Prophecy and Gnosis: Apocalypticism in the Wake o f the Lutheran Reformation (Profecia e Gnose: 0 Apocalicismo como Resultado da Reforma Luterana). Stanford, Califórnia: Stanford University Press, 1988, p. 21. 40Hanson, Attractiveness o f God, p. 194. 4lF, F. Torrance, “The Eschatology of the Reformation” (“A Escatologia da Reforma”), in: Eschatology, Manson et al., p. 38, 42Robin Bruce Barnes, Prophecy and Gnosis, p. 343Ibid., p. 60, 93, 110, 116, 131, 132, 134, 165, 168, 189. 44Bryan W. Bali, “A Great Expectation”, p. 16. 45Citado em Bali, “Great Expectation”, p, 2346Ibid., p. 1-4, 19-23. 47Stephen Travis, The fesus Hope. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 86. 48Glasson, His Appearing, p. 49, 50. 49Travis, The Jesus Hope, p. 86. 50Que é a Festa das Trombetas (Lv 27.23-25; Nm 29.1-6; o início do ano secular ou fiscal, mais tarde celebrado como o dia do ano novo). Erradamente grafado como “Rosh-Hash-Ana”, em Edgar C. Whisenant, 88 Reasons Why the Rapture Could Be in 1988 (88 Razões p or que o Arrebatamento Poderia Ser em 1988). Nashville: World Bible Society, 1988. 51Podemos esperar como certo o surgimento de outras especulações acerca da fixação de datas para a vinda de Jesus, Algumas delas serão provenientes de pessoas que podem ser sinceras, mas que interpretam as Escrituras de maneira errada. Outras virão de pessoas sem escrúpulos, que se utilizam do medo e da curiosidade alheias para fazer com que o povo lhes envie dinheiro. Outrossim, deve ser observado que o termo “geração” (gr. genea\ Mt 24.34) também pode significar “raça”, constituindo-se numa possível alusão ao não-extermínio ou completa destruição do povo judeu. Mesmo que seja considerado como “gera­ ção”, poderia ser uma referência à extensão de trinta, quarenta ou cem anos, ou até mesmo a um período de tempo indefinido, visto que, provavelmente, a expressão “todas essas coisas” tenha em mira a inclusão da destruição de Jerusa­ lém, bem como a consum ação e a p a ro u sia . Ver Henry Barclay Swete, ‘ Commentary on Mark (Comentário de Marcos). Londres: Macmillan & Company, 1913, reimpresso em Grand Rapids: Kregel Publications, 1977, p. 315. R. C. H. Lenski, The Interpretation o f St. Matthew’s Gospel (Interpretação do Evangelho de Mateus). Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1943, p. 952, 953. Lenski salienta que em Mateus 24.14 somos encaminhados ao tempo do “fim” e que, do mesmo modo como a palavra hebraica dor foi traduzida na LXX por genea , a palavra pode se referir a um tipo de pessoa “que se reproduz e é bem-sucedida em muitas gerações físicas”. 52Ver William M. Alnor, Soothsayers o f the Second Advent (Os Adivinhos do Segundo Advento). Old Tappan, Nova Jersey: Power Books, Fleming H. Revell Company, 1989, p. 194, 195- Neste livro, seu autor faz menção à obra de David Lewis chamada “Manifesto on Date Setting” (“Manifesto sobre o Estabelecimento de Datas”). Lewis considera Marcos 13-33 como 0 versículo-chave contra todas as formas de fixação de datas.


Notas

53C. H. Dodd, em seu livro The Interpretation o f the Fourth Gospel (Interpretação do Quarto Evangelho), Cambridge, Inglaterra: Cambridge University Press, 1953, sugere que João não esperava mais a parousia ("manifestação”) de Jesus numa segunda vinda, mas que desejava que a Igreja se contentasse com a “manifesta­ ção” do Espírito Santo. Contudo, o Evangelho de João não ensina isso. João 14.3 e 21.22 fala de um retorno pessoal. Na verdade, a manifestação do Espírito Santo é uma das garantias de que Jesus Cristo de fato vai voltar. Ver Fison, The Christian H ope , p. ix-x. Alf Core 11, Consummatum est: Eschatology an d the Church in the Gospel o f St. John (Consummatum est: Escatologia e a Igreja no Evangelho de João). Tradução para o inglês por Order of the Holy Paraclete (Ordem do Santo Paráclito), Whitby. Londres: Society for the Promotion of Christian Knowledge, 1958, p. 89, 101. 54Adrio Konig, The Eclipse o f Christ in Eschatology: Toward a Christ Centered Approach (A Eclipse de Cristo na Escatologia: Em Direção a uma Abordagem Centrada em Cristo). Grand Rapids; William B. Eerdmans Publishing Company, 1989, p. 199. Konig considera que 2 Pedro 3 trata de uma minoria que tinha uma interpretação errônea da iminência da volta de Jesus. 55Uma comparação de Mateus com Marcos e Lucas mostra que os termos “Reino dos céus” e “Reino de Deus” são usados intercambiavelmente. Ver Robert L. Saucy, The Case fo r Progressive D ispensationalism : The In terface betw een D ispen sation al a n d N on dispen sation al Theology (A? R azões p a r a o D ispensacionalism o Progressivo: A In tercon exão entre a T eologia D ispensacional e N ão-dispensacional). Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1993, p. 19. A palavra “reino” (gr. basileia) basicamente significa “poder real”, “governo real” ou “domínio real” e na maioria das vezes diz respeito à autoridade de um rei, em vez de se referir ao território ou aos súditos desse rei, embora tenha de existir um território ou uma região onde possam vigorar as leis do rei. Cf. Herman Ridderbos, The Corning o f the Kingdom (A Vinda do Reino). Tradução para o inglês por H. de Jongste. Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1962, p. 14, 24-28. Por outro lado, Mateus usa a expressão “Reino dos céus” para nos fazer lembrar que o Reino vem até nós proveniente das regiões celestiais, onde as realidades são invisíveis, não estando sujeitas ao domínio humano. Ver Carl F. H. Henry, “Reflections on the Kingdom of God” ("Reflexões sobre o Reino de Deus”), Jou rn al o f the Evangelical Theological Society, vol. 35, n. 1, março de 1992, p. 43. 56Cf. Ridderbos, Corning o f the Kingdom , p. 3, 4. 57WÍlliam Manson, “Eschatology in the New Testament” (“Escatologia no Novo Testa­ mento”), in: Eschatology, Manson et al., p. 6. 58George Raymond Beasley-Murray, Jesus an d the Future: An Exam ination o f the Criticism o f the E schatological D iscourse, M ark 13 with S pecial Reference to the Little Apocalypse Theory. Londres: Macmillan & Company, 1954, p. 175. 59A literatura “apocalíptica” tem relação com as visões que m ostram um fim cataclísmico do mundo atual e um futuro cheio de bênçãos num novo céu e numa nova terra. Ver Richard E. Sturm, “Defining the Word ‘Apocalyptic’: A Problem in Biblical Criticism” (“Definindo a Palavra ‘Apocalíptico’: um Problema na Crítica Bíblica”), in: Apocalyptic an d the New Testament (A Literatura Apocalíptica e o Novo Testamento). Editores Joel Marcus e Marion L. Soards, Journal fo r the Study o f the New Testament Supplement Series 24 (Revista para a Série Suplementar 24 ao Estudo do Novo Testamento). Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic Press, T989, p. 21.

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60J. H. Leckie, The World to Come an d Final Destiny (O Mundo Vindouro e o Destino Final), 2. ed., revista. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1922, p. 42. 61Bernard Ramm, “A Philosophy of Christian Eschatology”, in: Last Things . Editor H. Leo Eddleman. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1969, p. 35. 62Clayton Sullivan ressalta que C. H. Dodd foi inconsistente em sua “escatologia realiza­ da”, a qual nega que a realidade do Reino esteja relacionada com um lugar e um futuro reinado, e que Dodd, ao usar a teoria dos dois documentos dos evangelhos sinópticos, “excluiu de sua discussão um grande m ontante de material dos sinópticos concernente ao Reino”. O mesmo ocorreu com a “escatologia consis­ tente” de Albert Schweitzer, Martin Dibelius e Krister Stendahl, a qual sugere que Jesus pensava que o Reino viria imediatamente, mas que Ele estava enganado. Clayton Sullivan, Rethinking Realized Eschatolog}> (Reconsiderando a Escatologia Realizada). Macon, Geórgia: Mercer University Press, 1988, p. 3, 13, 16, 17, 24, 35, 61, 80, 117. Tanto a teologia “realizada” quanto a “consistente” negam a futura “renovação e o cumprimento de toda a criação”. Carl E. Braaten, Eschatology and Ethics (Escatologia e Ética). Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1974, p. 11. 63A concepção de Oscar Cullmann, de que Paulo mudou de idéia, é refutada por Herman Ridderbos, Paul: An Outline o f His Theology. Tradução para o inglês por John R. DeWitt. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1975, p. 491, 492. 64Leon Morris, New Testament Theology. Grand Rapids: Academie Books, 1986, p. 88, 89. 65Emil Brunner, Etem al Hope (Eterna Esperança). Tradução para o inglês por Harold Knight. Filadélfia: Westminster Press, 1954, p. 128. 66Alguns críticos, como E. Grasser, têm levantado a teoria de que as declarações de uma longa demora da vinda de Jesus foram criadas mais tarde pela Igreja e inseridas no relato dos Evangelhos. Essa teoria foi refutada com êxito por I. H. Marshall, Eschatology an d the Parables (A Escatologia e as Parábolas). Lon­ dres: Theological Students’ Fellowship, 1973, p. 15-21. Marshall salienta que “a base fundamental da crítica é tão-somente a recusa dos críticos em aceitar a possibilidade de um Jesus sobrenatural” (p. 21). 67Keith M. Bailey, Chrisfs Corning an d His Kingdom (A Vinda de Cristo e de Seu Reino). Harrisburg, Pensilvânia: Christian Publications, 1981, p. 27. ó80 aumento no número de missionários, o elevado montante de Bíblias distribuídas e os diversos países alcançados pelo Evangelho, tudo isso não significa que estejamos apressando a data assinalada por Deus para o fim. Quando fazemos tais coisas estamos apenas pondo em prática o que deveríamos cumprir em todas as gerações. Ao mesmo tempo, devemos permanecer firmes, levantando nossas cabeças, porque a nossa redenção está próxima (Mt 24.13; Lc 21.28). Ver Ewert, Then Comes the End, p. 35. Oscar Cullmann, The Early Church (A Igreja Primitiva). Editor A. J. B. Higgins. Tradução para o inglês por A. J. B. Higgins e S. Goodman. Londres: SCM Press, 1956, p. 157. 69Alguns consideram que o cumprimento de Mateus 24.14 e Marcos 13.10 se dará na proclamação por um anjo durante a Tribulação (Ap 14.6,7). Entretanto, Jesus estava se dirigindo aos discípulos e tratava do período da Igreja, durante o qual a graça de Deus é proclamada. Ver Dale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 157. 70George Eldon Ladd, Crucial Questions about the Kingdom o f God (Questões Cruciais sobre o Reino de Deus). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1952, p. 69.


Notas

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71Ainda que muitos dos nossos antigos hinos atentem apenas para o Reino celestial. Ver Geoffrey Wainwright, Eucharist and Eschatology (Eucaristia e Escatologia). Londres: Epworth Press, 1971, p. 56, cf. p. 58, 59.

Notas

7'Ver Joachim Jeremias, New Testament Theology (A Teologia do Novo Testamento). Tradução para o inglês por John Bowden. Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1971, p. 139. Joachim Jeremias escreveu: “Não temos nenhuma declaração de Jesus que protele o fim para um futuro distante”. Entretanto, Jesus esvaziou-se a si mesmo de tal maneira que Ele não sabia o tempo, somente que haveria uma demora. 7íÀs vezes, a Bíblia reputa uma geração como tendo cem anos, mas levando-se em conta que a dedução aqui é que os discípulos veriam isso, quarenta anos é mais provável. 7,John Miley, Systematic Theology, vol. 2. Nova Iorque: Hunt & Eaton, 1893, reimpresso em Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1989, p. 443. 75Ver Mt 11.16; 12.41,42,45; 17.17; 23.36; Lc 7.31; 9.41; 11.29-32,50,51; 17.25; cf. Mt 1.17; At 13.36; Hb 3.10. 7f,Lenski, Interpretation o f St. M atthew G ospel, p. 952, 953. Dessa maneira, Lenski identifica a geração como o povo judeu que continuará através desta era, en­ quanto ocorre uma sucessão de sinais. Ridderbos também considera a geração como "o povo desta particular disposição e estado de espírito que é avesso a Jesus e às suas palavras... O significado temporal da palavra genea recua para segundo plano ou é com pletam ente ignorado”. Ridderbos, Corning o f the Kingdom , p. 502. 77Moody, Hope o f Glory, p. 178. 78Beasley-Murray, Jesus and the Last Days, p. 388. 79Fison, Christian Hope, p. 174. H0Jeremias, New Testament Theology (A Teologia do Novo Testamento), p. 123. mHans Schwarz, “Eschatology”, in: Christian Dogmatics. Editores Carl E. Braaten e Robert W. Jenson, vol. 2. Filadélfia: Fortress Press, 1984, p. 498. 82Ralph P. Martin, “The Spirit in 2 Corinthians in Light of the ‘Feliowship of the Holy Spirit’ in 2 Corinthians 13:14” (“O Espírito em 2 Coríntios conforme os Critérios da ‘Comunhão do Espírito Santo’ em 2 Coríntios 13.14”), in: Eschatology and the New Testament (Escatologia e o Novo Testamento). Editor W. Hulitt Gloer. Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1988, p. 119, cf. p. 127. 83Charles Webb Carter, The Person and Ministry o f the Holy Spirit: A Wesleyan Perspective. Grand Rapids: Baker Book House, 1974, p. 302. H4French L. Arrington, PauVs Aeon Theology in I Corinthians. Washington, D.C.: University Press of America, 1978, p. 119, 133. 85Stanley M. Horton, What the Bible Says about the Holy Spirit (O que a Bíblia Diz sobre o Espírito Santo). Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1976, p. 236, 237. Travis, The Jesus Hope, p, 96. 86Neill Quinn Hamilton, ”The Holy Spirit and Eschatology in Paul”, p. 87, 89. 87Adrio Konig sugere que, visto que “o Novo Testamento nomeia o próprio Jesus como o Último, o Fim e o Ômega”, que embora seja natural e “correto dizer que o tique-taque do relógio nos leva cada vez mais para perto do fim (isto é, para a vinda de Jesus)... é igualmente verdade que hoje vivemos no tempo do fim (isto é, em comunhão com Jesus, que é o fim [o alvo perfeitoj)”. Eclipse o f Christ, p. 6, 26.


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Notas

C a pítu lo 5 Stanley J. Grenz, “The Deeper Significance of the Millennial Debate” (“O Significado mais Profundo do Debate sobre o Milênio”), Southwestem Journal o f Theology, vol. 36, n. 2, primavera de 1994, p. 19. 2Carl F. H. Henry, “Reflections on the Kingdom of God”, Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 35, n. 1, março de 1992, p. 40. 3Sydney H. T. Page, “Revelation 20 and Pauline Eschatology” (“Apocalipse 20 e a Escatologia Paulina”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 23, n. 1, março de 1980, p. 33-36. 4Oswald T. Allis, Prophecy an d the Church (As Profecias e a Igreja). Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1945, p. 70, Grenz, “Deeper Significance”, p. 18. 5Anthony A. Hoekema, The Bible an d the Future (A B íblia e o Futuro). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1979, p. 230-233. Floyd Ha­ milton, The Basis o f Millennial Faith (A Base da Fé no Milênio). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1942. Esse parecer foi popularizado pela primeira vez por F. Duesterdieck (1859) e Theodor Kliefoth (1874). John F. Walvoord, The Blessed Hope an d the Tribulation: A H istorical and Biblical Study o f Posttribulationism . Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1976, p. 14. 6Everett I. Carver, When Jesus Comes Again (Quando Jesus Voltar), Phillipsburg, Nova Jersey: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1979, p. 299. 7Robert L. Thomas, “A Hermeneutical Ambiguity of Eschatology: The Analogy of Faith”, Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 23, n. 1, março de 1980, p. 47. 8Loraine Boettner, “Postmillennialism” (“Pós-milenismo”), in: The Meaning o f the Millennium: Four Views (O Significado do Milênio: Quatro Interpretações). Editor Robert G. Clouse. Downers Grove, Illinóis: InterVarsity Press, 1977, p. 118. Ver também J. Marcellus Kik, An Eschatology o f Victory (Uma Escatologia da Vitória). Nutley, Nova Jersey: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1971, p. 4. 9Loraine Boettner, The Millennium (O Milênio). Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1957; p. 14. Alguns levam em conta que também deverá haver um rápido ressurgimento da apostasia e do mal um pouco antes de Jesus voltar. Ibid., p. 69. 10John Miley afirmou que o pré-m ilenism o autom aticam ente desestim ulou a evangelização do mundo e causou danos aos interesses do Cristianismo. Ver seu livro Systematic Theology, vol. 2. Nova Iorque: Hunt & Eaton, 1893, reimpresso em Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1989, p. 446, 447. A histó­ ria das missões modernas mostra que o inverso é que é a verdade. "Augustus Hopkins Strong, Outlines o f Systematic Theology (Perfis da Teologia Sistemática). Filadélfia: Judson Press, 1908, p. 263, 264. William W. Stevens, Doctrines o f the Christian Religion. Nashville: Broadman Press, 1967, p. 383, 384. ■ 12Charles C, Ryrie, Basic Theology. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1986, p. 444. Ryrie observa que alguns teonomistas são ex-amilenistas. 13David Chilton, Paradise Restored: A Biblical Theology o f Dominion (O Paraíso Restaurado: Uma Teologia Bíblica do Domínio). Tyler, Texas: Reconstruction


Notas

Press, 1985, p. 73, 80. Chilton também diz: “A Grande Tribulação findou com a destruição do templo em 70 d.C.” (p. 88, 93). l4Grenz, “Deeper Significance”, p. 19. '^Stanley M. Horton, What the Bible Says about the Holy Spirit. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1976, p. 224, 282, 283. l6Ver Erich Sauer, The King o f the Earth (0 Rei da Terra). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1962, p. 9. Francis Schaeffer, Pollution and the Death o f Man: The Christian View o f Ecology (A Poluição e a Morte do Homem: A Perspectiva Cristã sobre a E cologia). Wheaton, Illinois; Tyndale House Publishers, 1970. William B. Radke, Project Earth: Preserving the World God Created (Projeto Terra: Preservando o Mundo que Deus Criou). Portland, Oregon: Multnomah Press, 1991. Calvin B. DeWitt, “Christian Environmental Stewardship: Preparing the Way for Action” (“Administração Cristã do Meio Ambiente: Preparando o Caminho para a Ação”), in: Perspectives on Science and Christian Faith (Perspetivas sobre a Ciência e a Fé Cristã), vol. 46, n. 2, junho de 1994, p. 80-89. l7Larry V. Crutchfield, “The Apostle John and Asia Minor as a Source of Premillennialism in the Early Church Fathers” (“O Apóstolo João e a Ásia Menor como Fonte do Pré-milenismo para os Pais da Igreja Primitiva”), Jou rn al o f the Evangelical Theological Society, vol. 31, n. 4, dezembro de 1988, p. 412, 427.

wAgainst Heresies (Contra Heresias), vol. 5, p. 32-35V)Against Marcion (Contra Márcion), vol. 3, cap. 24. 21J, N. D. Kelly, Early Christian Doctrines (Doutrinas Cristãs da Igreja Primitiva), 2. ed.. Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1960, p. 472. 21Hans Schwarz, On the Way to the Future: A Christian View o f Eschatology in the Light o f Current Trends in Religion, Philosophy, and Science (A Caminho do Futuro: Uma Interpretação Cristã da Escatologia à Luz das Atuais Tendências na Religião, Filosofia e Ciência). Edição revista. Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1979, p. 175- Orígenes sustentava que havia níveis de interpretação: a natural, a moral e a espiritual. 22Constantino reinou de 306 a 337. 23Harold W. Hoehner, “Evidence from Revelation 20” (“Evidências de Apocalipse 20”), in: A Case fo r Premillennialism: A New Consensus (Razões para o Prémilenism o: Um Novo Consenso). Editores Donald K. Campbell e Jeffrey L. Townsend. Chicago: Moody Press, 1992, p. 241, 242. “‘Suas interpretações foram endossadas pelo papa Gregório, o Grande (590-604). Ver Joseph Pohle, Eschatology, or the Catholic Doctrine o f the Last Things: A Dogmatic Treatise. Versão inglesa por Arthur Preuss. Westport, Connecticut: Green Press, Publishers, 1971, reimpresso de 1917, p. 158. 25Dale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 16. 26Louis Berkhof, Systematic Theology , 4. ed., revista. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1941, p. 663. Pouco antes do ano 1000, houve um curto acesso de expectativa relacionada com o fim do mundo, deflagrado pelo ensinamento de alguns pais da Igreja, que diziam que a terra fora criada em cerca de 5000 a.C., e pela idéia exposta na epístola de Barnabé (15.4), que afirmava que seis mil anos depois da criação teria de haver um descanso sabático final. Cf. William Manson, G. W. H. Lampe, T. F. Torrance e W. A. Whitehouse, Eschatology. Edimburgo, Escócia: Oliver & Boyd, 1953, p. 31.

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Notas

27R. P, C. Hanson, The Attractiveness o f God: Essays in Christian Doctrine. Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1973, p. 194. Manson et al., Eschatology, p. 37. 28Stephen Travis, The fesus Hope. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 54. 29Berkhof, Systematic Theology, p. 663. Ver Jacques Le Goff, The Birth o f Purgatory. Tradução para o inglês por Arthur Goldhammer. Chicago: University of Chicago Press, 1984, p. 83. Joaquim propôs que o Milênio começaria em 1260 e que então o mundo se converteria. Ver Ryrie, Basic Theology, p. 443. 30Moody, Hope o f Glory, p. 17. 31T. F. Torrance, “The Eschatology of the Reformation”, in: Eschatology, Manson et al., p. 38. 32Manson et al., Eschatology, p. 38. Berkhof, Systematic Theology, p. 663. 33Ryrie, Basic Theology, p, 449. 340swald T. Allis, Prophecy and the Church, o livro inteiro. 35Jay E. Adams, The Time Is at Hand. Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1974, p. 3. Adams também considera que o Milênio é “uma realidade presente” (ibid., p. 9). 36Wilber B. Wallis, “Eschatology and Social Concern” (“Escatologia e a Preocupação Social”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 24, n. 1, março de 1981, p. 5. 37Bryan W. Bali, “Great Expectation”, p. 1-4, 19-23. 38Wallis, “Eschatology”, p. 4, 5. A opinião de Whitby consistia não apenas em que o mundo seria convertido, mas também que os judeus convertidos reinariam desde Jerusalém sobre o mundo inteiro, que o papa e os turcos seriam derrota­ dos e que haveria mil anos de paz e justiça antes de Jesus voltar. Ver Ryrie, Basic Theology, p. 443. 39Jonathan Edwards, The History o f R edem ption (A H istória d a R eden ção). Marshalltown, Delaware: The National Foundation for Christian Education, (1773), p. 305-328. 40George M. Marsden, The Evangelical Mind an d the New School Presbyterian Experience (O Pensamento Evangélico e a Experiência Presbiteriana da Nova Escola). New Haven, Connecticut: Yale University Press, 1970, p. 185, 186. 41Charles Hodge, Systematic Theology (Teologia Sistemática), vol. 3. Nova Iorque: Charles Scribner’s Sons, 1895, p. 790-880. 42Walvoord, Blessed Hope, p. 14. 43Craig A. Blaising, “Introduction” (“Introdução”), in: Dispensationalism , Israel and the Church: The Search fo r Definition (O Dispensacionalismo, Israel e a Igreja: A Busca p or D efinição). Editores Graig A. Blaisint e Darrell L. Bock. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 16-22. 44Thomas N. Finger, Christian Theology: An Eschatological Approach, vol. 1. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1985, p. 110, 45Charles L. Feinberg, Prem illennialism or Amillennialism? ( Pré-milenismo ou Amilenismo?), 2. ed. Wheaton, Illinois: Van Kampen Press, 1954, p. 64. Ladd salienta que “porquanto os cristãos não usarão a Oração Dominical, porque é dada para o período do Reino, e não para a presente era, devemos testar cuidadosamente a validade dessa posição”. George Eldon Ladd, Crucial Questions about the Kingdom o f God. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1952, p. 106.


Notas

46Feinberg identifica o Reino dos céus como tendo em mira apenas o povo de Israel, enquanto que o Reino de Deus é “universal em escopo e extensão”. Premillennialism , p. 288, 289. Outros dispensacionalistas admitem que “nenhu­ ma distinção entre essas expressões foi intencional pelos escritores sagrados”. Robert L. Saucy, The Case fo r Progressive Dispensationalism: The Interface betw een D ispensational an d N ondispensational Theology . Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1993, p. 19. 47Somente cerca de seis mil estrelas são visíveis a olho nu, e Israel era muito mais do que isso em termos numéricos. ^Charles M. Horne, “The Meaning of the Phrase ‘And thus ali Israel will be saved’ (Romans 11:26)” [“O Significado da Expressão ‘E, assim, todo o Israel será salvo’ (Romanos 11.26)”], Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 21, n. 4, dezembro de 1978, p. 330. 49Alguns dispensacionalistas modernos reconhecem que Deus tem um plano unifica­ do que inclui tanto o povo de Israel quanto a Igreja, e que ambos, “em última análise, têm juntos uma esperança celestial na Jerusalém celestial”. Saucy, Case fo r Progressive Dispensationalism , p. 24. wArno C. Gaebelein, The Holy Spirit in the New Testament (O Espírito Santo no Novo Testamento). Nova Iorque: Our Hope, s.d., p. 34. 51WaIter C. Kaiser Jr., “The Davidic Promise and the Inclusion of the Gentiles (Amos 9:9-15 and Acts 15:13-18): A Test Passage for Theological Systems” [“A Promessa Davídica e a Inclusão dos Gentios (Amós 9-9-15 e Atos 15-13-18): Uma Passagem Teste para os Sistemas Teológicos”], Jou rn al o f the Evangelical Theological, vol. 20, n. 2, junho de 1977, p. 110. ^Helmut Thielicke, The Evangelical Faith (A Fé Evangélica). Tradução para o inglês por G. W. Bromiley, vol. 1. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1974, p. 125. ^J. H. Leckie, The World to Come and Final Destiny, 2. ed., revista. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1922, p. 42. ^Contra Bultmann, consulte a defesa da história linear por Oscar Cullmann em Christ and Time. Edição revista, tradução para o inglês por Floyd V. Filson. Filadélfia: W estm inster Press, 1964, p. 96, 105. Para uma crítica das superdeclarações de Cullmann, ver James Barr, Biblical Words fo r Time {Pala­ vras Bíblicas para o Tempo), 2. ed., revista. Naperville, Illinois: Alec R. Allenson, 1969, p. 12-180. ^Bultmann tratou a escatologia como se fosse “mitologia” e considerou os milagres obsoletos e inaceitáveis. Ver os comentários de Emil Brunner, Eternal Hope. Tradução para o inglês por Harold Knight. Filadélfia: Westminster Press, 1954, p. 214. Millard J. Erickson, Christian Theology, Grand Rapids: Baker Book House, 1985, p. 1159. 56Zachary Hayes, What Are They Saying about the End o f the World? Nova Iorque: Paulist Press, 1983, p. 7. Carl E. Braaten, Eschatology and Ethics. Mineápolis: Augsburg Publishing House, 1974, p. 15, 16. Hendrikus Berkhof, Well-Founded Hope. Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1969, p. 12. Finger argumenta que “o ‘enxerto’ de Israel é outra indicação” de que não é bíblico o ponto de vista existencial de nossa futura esperança. Finger, Christian Theology, vol. 1, p. 170. 57Charles Mwakitwile, “The Eschatology of Karl Barth” (“A Escatologia de Karl Barth”), Southwestern fou m al o f Theology, vol. 36, n. 2, primavera de 1994, p. 25. 58I. H. Marshall, Eschatology an d the P arables. Londres: Theological Students’ Fellowship, 1973, p. 13. J- E. Fison, The Christian Hope: The Presence and the

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Nosso Destino

Parousia. Londres: Longmans, Green & Company, 1954, p. ix, x. Em carta dirigida ao Dr. George Beasley-Murray, Dodd admite que Jesus pode ter usado uma lingua­ gem apocalíptica, mas “certamente num sentido simbólico”. George Raymond Beasley-Murray, Jesus and the Future: An Examination o f the Criticism o f the Eschatological Discourse, Mark 13 with Special Reference to the Little Apocalypse Theory. Londres: Macmillan & Company, 1954, p. 100. Dodd repudiou a parousia , desfez-se dos elementos apocalípticos do Novo Testamento, por considerá-los de influência judaica, e importou “uma concepção platônica do tempo”, na qual não há lugar para a ação de Deus, de Jesus ou do Espírito Santo numa era futura. Para uma avaliação crítica da teologia de Dodd, ver Neill Quinn Hamilton, “The Holy Spirit and Eschatology in Paul”, p. 54-60. Clayton Sullivan, Rethinking Realized Eschatology. Macon, Geórgia: Mercer University Press, 1988, p. víi, 4, 34-70. 59Marshall, Eschatology and the Parables, p, 14. Hanson, The Attractiveness o f God, p. 190. Entre outros que negam as interpretações tradicionais de Deus, de Jesus e da escatologia, incluem-se: Paul Tillich (as pessoas estão alienadas de Deus como a base do ser), Schubert M. Ogden (teísmo neoclássico, teologia do procedimento), Gordon Kaufmann (Deus é o processo evolucionário que move a humanidade em direção ao Reino de Deus na terra), Edward Farley (a natureza da fé e da igreja estão em constante mutação), Robert P. Scharlemann (a revela­ ção é impossível à linguagem humana). 60Jürgen Moltmann, Theology o f Hope: On the Ground and the Implications o f a Christian Eschatology. Tradução para o inglês por James W. Leitch, da 5a edição alemã. Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1967, p. 16. Koch ressalta que Moltmann separa essa esperança da história e, “no fim, arrasa com a salvação e a criação”. Klaus Koch, The Rediscovery o f Apocalyptic (A Redescoberta da Litera­ tura Apocalíptica). Tradução para o inglês por Margaret Kohl. Naperville, Illinois: Alec R, Allenson, s.d., p. 107, 108. Randall E. Otto, “God and History in Jürgen Moltmann” (“Deus e a História em Jürgen Moltmann”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 35, n. 3, setembro de 1992, p. 379, 384. Otto também salienta que Moltmann nega o sobrenatural, não aceita as histórias da Bíblia como fatos e contesta o ponto de vista bíblico do cumprimento da esperança apresentada nas páginas sagradas. Moltmann também impinge na Bíblia “um ponto de vista histórico derivado do marxismo revisionista”. 61Joe Davis, “The Eschatology of Jürgen Moltmann” (“A Escatologia de Jürgen Moltmann”), Southwestem Journal o f Theology, vol. 36, n. 2, primavera de 1994, p. 27. 62Finger, Christian Theology, p, 74-77. Hayes, What Are They SayingF, p. 10, 11. Schwarz, On the Way, p. 107. ó3Elliott E. Johnson, “Premillennialism Introduced: Hermeneutics” (Introdução ao Pré-Milenismo: H erm enêutica), in: A Case fo r P rem illennialism : A New Consensus (Razões para o Pré-milenismo: Um Novo Consenso). Editores Donald K. Campbell e Jeffrey L. Townsend. Chicago: Moody Press, 1992, p. 17. 64Stanley M. Horton, The Ultimate Victory. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1991, p. 314. 65Este método de “espiritualizar” as Escrituras leva em conta as coisas de modo figurativo ou alegórico, procurando significados ocultos, místicos, e “nada tem a ver com a espiritualidade ou o ser espiritual". Paul Lee Tan, The Interpretation o f Prophecy (A Interpretação das Profecias). Rockville, Maryland: Assurance Publishers, 1974, p. 33. ó6Bernard Ramm, “A Phiiosophy of Christian Eschatology”, in: Last Things. Editor H. Leo Eddleman. Grand Rapids: Zondervan, Publishing House, 1969, p. 33.


Notas

67Ibid.

68Horton, Ultimate Victory, p. 176, 177. 69Alguns não acreditam numa volta literal de Jesus e interpretam Apocalipse 19.11-16 “como uma descrição altamente simbólica do testemunho da Palavra de Deus no mundo através da Igreja. Tal interpretação parece impossível. O tema do Apocalipse é a volta do Senhor Jesus para consumar sua obra de redenção”. George Eldon Ladd, “Historie Premillennialism” (“O Pré-milenismo Histórico”), in: The Meaning o f the Millennium (O Significado do Milênio). Editor Cíouse, p. 33. 70Stevens, Doctrines, p. 383. 71Os amilenistas interpretam a palavra ezesan (“viveram”) em Apocalipse 20.4 no sentido de viver espiritualmente (pelo novo nascimento), e fazem com que a mesma palavra tenha um significado diferente em Apocalipse 20.5. 72No Milênio, como proposto por Bruce Ware, “Israel e a Igreja são de fato um povo de Deus... um pela fé em Cristo e pela comum participação do Espírito, e, não obstante, distintos na medida em que Deus ainda restaurará Israel como nação à sua própria terra... sob uma nova aliança”. Ware, “The New Covenant and the People(s) of G od” [“A Nova Aliança e o(s) Povo(s) de D eus”], in: Dispensationalism, Israel and the Church. Editores Blaising e Bock, p. 97. 73É possível que João também tenha querido incluir os mártires cristãos, tais como Estêvão, Tiago, Antipas e outros, bem como os mártires cujas almas estavam debaixo do altar (Ap 6.9-11), em cujo número provavelmente estão inclusos os mártires do Antigo Testamento (Mt 23.35; Hb 11.35-37). J. Webb Mealy, “After the Thousand Years: Resurrection and Judgment in Revelation 20” (Após os Mil Anos: Ressurreição e Julgamento em Apocalipse 20), Journal fo r the Study o f the New Testament Supplement Series (Revista p ara Estudo da Série Suplementar do Novo Testamento), n. 70. Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic Press, 1992, p. 110, 111. 74Em outros quarenta textos do Novo Testamento, o vocábulo “ressurreição” (gr. anastasis) refere-se claramente à ressurreição do corpo. Uma passagem, Lucas 2.34, é uma possível exceção, embora também possa ser uma referência à ressurreição corpórea. 750s santos do Antigo Testamento serão incluídos no corpo principal da colheita (Is 26.19-21; Ez 37.12-14; Dn 12.2,3). 76D. Edmond Hiebert, “Evidence from 1 Corinthians 15” (“Evidências de 1 Coríntios 15”), in: A Case fo r Premillennialism (Razões para o Pré-milenismo). Editores Campbell e Townsend, p. 230, 231. 77Ver o capítulo 1, seção “Os Ensinos do Novo Testamento”; capítulo 2, seções “Um Aviso Necessário”, “O Arrebatamento da Igreja”, “Os Galardões”; capítulo 5, seções “O Milenismo na Igreja Primitiva”, “A Primeira Ressurreição”; capítulo 7, seção “O Julgamento dos Mortos”. 78Timothy P. Weber, “A Reply to David Rausch’s ‘Fundamentalism and the Jew’ ” (Resposta ao ‘Fundamentalismo e os Judeus’ de David Rausch”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 24, n. 1, março de 1981, p. 67. 79Considerando que em todos os outros lugares Paulo usa o termo “Israel” para designar os judeus ou a nação judaica, aqui deve estar em foco os cristãos judaicos. Eles precisavam desta exortação sobre a circuncisão. Ver Ernest DeWitt Burton, A Criticai and Exegetical Commentary on the Epistle to the Galatians (Comentário Crítico e Exegético sobre a Epístola aos Gálatas), International Criticai Commentary (Comentário Crítico Internacional). Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1921, p. 258.

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Nosso Destino

80Ver o capítulo 6. 81Carl B. Hoch Jr., “The New Man of Ephesians 2” (“O Novo Homem de Efésios 2"), in: Dispensationalism , Israel and the Church. Editores Blaising e Bock, p. 118. 82Saucy, Case fo r Progressive Dispensationalism , p. 44. T. V. Farris, Mighty to Save: A Study in Old Testament Soteriology. Nashville: Broadman Press, 1993, p. 72. 83Alguns amilenistas ensinam que as profecias de Ezequiel 36 e 37 foram cumpridas quando os judeus, por ordem de Ciro, voltaram da Babilônia para a terra de Israel, em cumprimento dos setenta anos de exílio profetizados por Jeremias. Contudo, o próprio fato de eles terem a profecia de Jeremias demonstra que a esperança ainda não tinha ficado “m uito seca”, nem havia acabado. Nem tampouco foram espalhados por “todos os países” (Ez 36.24). Mas, durante os séculos que se seguiram à destruição de Jerusalém em 70 d.C., os judeus foram dispersados por todos os lugares do mundo. Durante a Idade Média, em uma época ou outra, foram expulsos praticamente de todos os países da Europa. Então, certamente poderiam dizer: “Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados” (Ez 37.11). O retorno dos judeus à terra de Israel no século XX foi basicamente em estado de incredulidade. O sionismo político instigou os judeus a buscarem uma terra natal. Mas Deus ainda dará uma restauração espiritual. 84Robert B. Chisholm Jr., “Evidence from Genesis” (“Evidências do Gênesis”), in: A Case fo r Premillennialism (Razões p ara o Pré-milenismo). Editores Campbell e Townsend, p. 40 85Gunter Wagner, “The Future of Israel: Reflections on Romans 9-11” (“O Futuro de Israel: Reflexões em Romanos 9-11”), in: Eschatology an d the New Testament (E scatologia e o Novo Testam ento). Editor W. H ulitt Gíoer. Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1988, p. 81. 86Ver a argumentação em “Israel in God’s Plan of Salvation” (“Israel no Plano de Salvação de Deus”) e sobre Romanos 11 em The Full Life Study Bible. Editor Donald Stamps. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 17481753. 87Charles P. Anderson, “Who Are the Heirs of the New Age in the Epistle to the Hebrews?” (“Quem são os Herdeiros do Mundo Vindouro na Epístola aos Hebreus?”), in: Apocalyptic and the New Testament (A Literatura Apocalíptica e o Novo Testamento), Journal fo r the Study o f the New Testament Supplement Series (Revista para Estudo da Série Suplementar do Novo Testamento), n. 24. Editores Joel Marcus e Marion L. Soards. Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic Press, 1989, p. 268. 88Wiiliam Barclay, The Revelation o f fohn (O Apocalipse de Jo ão ), 2. ed., vol. 1. Filadélfia: Westminster Press, 1960, p. 225. 890 capítulo 6 traz maiores detalhes sobre o reinado milenial.

C a pítu lo 6 *0fato da expressão “mil anos” estar repetida seis vezes em Apocalipse 20.2-7 dá ênfase e sugere que esse período deve ser considerado literalmente. 2S1 2.8; 24.7,8; Is 9-7; 11.6-10; 35-1,2; 61.3; Jr 23.5,6; Ez 40-48; Dn 2.44; Os 1.10; 3-5; Am 9.11-15; Mq 4.1-8; Zc 8.1-9; Mt 19-28; At 15.16-18; Ap 2.25-28; 11.153Ver 2 Sm 7.12-16; 1 Cr 28.5,7; Is 9.6,7; Dn 2.35; 7.13,14; 2

Tm 4.1; Ap 11.15-

4Cf. Is 28.16: “Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina”. Ver também SI 118.22; Is 8.14; 17.10; Rm 9.33; 1 Pe 2.6-8.


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1Jack P. Lewis, The Minor Prophets (Os Profetas Menores). Grand Rapids: Baker Book House, 1966, p. 52.

Notas

6Stanley A. Ellisen, Wiòo O ttw the Land? (Quem É o Dono da Terra?), Portland, Oregon: Multnomah Press, 1991, p. 184-186. 7FJmer A. Martens, God's Design: A Focus on Old Testament Theology (O Desígnio de Deus: Um Foco na Teologia do Antigo Testamento). Grand Rapids: Baker Book House, 1981, p. 240-242. "R. B. Y. Scott, The Relevance o f the Prophets (A Importância dos Profetas). Edição revista. Nova Iorque: Macmillan Company, 1968, p. 158. 9Hobart E. Freeman, An Introduction to the Old Testament Prophets. Chicago: Moody Press, 1969, p. 322, 323. 1(,James Oliver Buswell Jr., Unfulfilled Prophecies (Profecias Não Cumpridas). Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1937, p. 82. ' “Paul Lee Tan, The Interpretation o f Prophecy . Rockville, Maryland: Assurance Publishers, 1974, p. 320-322. !2Walter C. Kaiser Jr., Toward an Old Testament Theology. Grand Rapids: Academie Books, 1978, p. 244. i3Robert L Saucy, The Case fo r Progressive Dispensationalism. The Interface between D ispensational an d N ondispensational Theology. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1993, p. 32. A idéia de que as profecias literais do futuro estão desprovidas de significado, porque as realidades espirituais cumprem-se em Cris­ to, é procedente da influência do filósofo grego Platão, e não oriunda da Bíblia. ‘‘‘Na tradução grega da Septuaginta, lê-se: “Para que o remanescente dos homens [gr. anthropon , “da humanidade”] e todas as nações que são cham adas pelo meu nome busquem ao S e n h o r Tiago, o irmão de Jesus, ao citar essa passagem também usou a expressão “o resto dos homens [da humanidade]” (At 15.17). Visto que o hebraico originalmente não foi escrito com vogais, a mesma palavra Çdm) poderia significar tanto Edom quanto humanidade (hb. ’a dam ). Muitos acreditam que os judeus mais tarde trocaram ’adam por ‘edom simplesmente porque os cristãos chamavam a atenção para isso em Atos 15.17. Os rolos do mar Morto trazem evidências de que a Septuaginta deve ser a tradução de um texto hebraico mais antigo. 15W. R. White, “Here and Now and Yet to Be” (“Aqui e Agora e Ainda Será”), in: Last Things (A Doutrina das Últimas Coisas). Editor H. Leo Eddleman. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1969, p. 77. 16Daniel C. Gruber, My H earfs Desire (O Desejo do Meu C oração). Springfield, Missouri: General Council of the Assemblies of God, Intercultural Ministries Department, 1991, p. 17. 17Ver SI 96.11-13; 98.7-9; Is 14.7,8; 35.1,2,6,7; 51-3; 55.12,13; Rm 8.18-23. 18Walter C. Kaiser Jr., The Uses o f the Old Testament in the New (Os Costumes do Antigo Testamento no Novo). Chicago: Moody Press, 1985, p. 96-100. 19Governo de Deus (gr. theos). 20French L. Arrington, PauTs Aeon Theology in 1 Corinthians. Washington, D.C.: University Press of America, 1978, p. 127. 21William E. Biederwolf, The Second Corning Bible (A Bíblia da Segunda Vinda). Grand Rapids: Baker Book House, 1972, p. 695, 696. 22Philip Mauro sugere que pelo fato de a expressão “mil anos” ocorrer seis vezes em Apocalipse 20, “o Milênio, com todas as suas bênçãos, ainda está aquém da


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perfeição... Não são o novo céu e a nova terra. Não é o lugar da habitação eterna de Deus e de seus filhos”. Mauro, Things Which Soon Must Come to Pass: A Commentary on the Book o f Revelation (Coisas que em Breve Devem Aconte­ c er: C om entário a o Livro do A pocalipse ). Swengel, Pensilvânia: Reiner Publications, 1974, p. 520.

C a pítu lo 7 filosofia promovida por Sir Charles Lyell (1797-1875), geólogo britânico. 2Willibald Beyschlag, New Testament Theology. Tradução para o inglês por Neil Buchanan, vol. 2. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1895, p. 1919. 3Considerando que essas são obras ou atos feitos durante esta vida presente, é claro que não há segunda chance de salvação após a morte. Ver John Miley, Systematic Theology, vol. 2. Nova Iorque: Hunt & Eaton, 1893, reimpresso em Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1989, p. 436, 437. 4Ch'arles C. Ryrie, Basic Theology. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1986, p. 350. 5Stephen Travis, The fesus Hope. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 64. 6William E. Biederwolf, The .Second Corning Bible. Grand Rapids: Baker Book House, 1972, p. 707.

7A palavra grega ethnos (ethne [plural]) tem um amplo significado, abrangendo qualquer grupo de pessoas. O povo de Deus é um ethnos santo (1 Pe 2,9). A palavra ethne era usada na maioria das vezes com o sentido de “gentios”. i

^Alguns sustentam que o termo “irmãos” seja uma referência ao povo judeu. Entre­ tanto, Jesus coerentemente chamou seus próprios seguidores de irmãos (Mt 12.46-50; 28.10; Mc 3-31-35; Lc 8.19-21; Jo 20.17; Rm 8.29; Hb 2.11). Até mesmo seus discípulos são ò “pequeno rebanho”, os pequeninos, a quem o Pai se agradou de dar o Reino (Lc 12.32). 9James Oliver Buswell Jr., A Systematic Theology o f the Christian Religion , vol. 2. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1963, p. 422, 423.

C a pítu lo 8 ]David Ewert, And Then Comes the End. Scottdale, Pensilvânia: Herald Press, 1980, p. 136, 137. 2Francis J. Hall, Eschatology. Nova Iorque: Longmans, Green & Company, 1922, p, 217. 3William V. Crockett, “Wrath That Endures Forever” (“Ira que Dura para Sempre”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 34, n. 2, junho de 1991, p. 199. 4Ver o capítulo 4, seção “Os Pós-tribulacionistas”. 5Ewert, Then Comes the End, p. 137. 6Os não-crentes não gostam da idéia de um tormento sem fim. A maioria das seitas rejeita essa idéia. Ver Donald G. Bloesch, Essentials o f Evangelical Theology (Fundamentos da Teologia Evangélica ), vol. 2. Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1979, p. 219. 7Os universalistas dizem que um Deus bom não enviaria ninguém para o inferno. Os unitaristas afirmam que há muita coisa boa em cada pessoa para que Deus mande alguém para o inferno. Só que ambos ignoram a santidade e a justiça de


Notas

Deus. Um pai bom não daria para seu filho um copo de leite com algumas gramas de estricnina, dizendo: “Há muita coisa boa neste leite para ser jogado fora”. Da mesma forma, nosso Pai celeste tem de expulsar aqueles que recusam aceitar o único antídoto contra o pecado, o sangue de Jesus. Para uma discussão mais detalhada sobre esse assunto, ver Harry Buis, The Doctrine o f Etem al Punishm ent (A D outrina d a P unição Eterna). Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1957, p. 112-122. O universalismo é perigoso, pois, na prática, nega “a existência de qualquer risco definitivo na vida moral”. J. H. Leckie, The World to Come and Final Destiny, 2.. ed., revista. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1922, p. 286. 8Haverá gradações na intensidade dos castigos (Lc 12.47,48) de acordo com as obras (Ap 20.12,13), mas sem limite em relação ao tempo. À punição será eterna. Alguns tomam a palavra “eterno” com o significado de “duração de uma era”, mas o uso deste termo no Novo Testamento mostra que significa “sem fim”. A mesma palavra é utilizada para aludir à “vida eterna” (Mt 25.46; Jo 3.16) e ao “Deus eterno” (Rm 16.26). 90 verbo “perecer”, em Mateus 10.28, é a tradução do verbo grego apolesai, o que fala de perda eterna, e não de aniquilação. Ver mais informações na seção “O Aniquilacionismo” (A Imortalidade Condicional), ao final deste capítulo. l()Uma heresia disseminada na década de 20 por Charles H. Pridgeon [Is Hell Etemal; or Will God’s Plan Faü? (O Inferno é Eterno; ou o Plano de Deus Fracassará?), 3. ed. Pittsburgh: Evangelization Society of the Pittsburgh Bible Institute, 1931] associou o fogo de 1 Coríntios 3.15 com o lago de fogo. Isto sugere que os crentes que não forem santos o bastante terão de passar algum tempo no lago de fogo. Isto também indica que o propósito do fogo é purificar e que, através dele, todos serão salvos, inclusive o diabo e seus demônios. Essa heresia tira a expressão “restauração de tudo” fora do seu contexto (At 3.21), pois não reco­ nhece que o “tudo" mencionado neste versículo inclui somente aquelas coisas faladas pela boca de todos os santos profetas de Deus. É difícil entender por que haveria a necessidade da cruz, se o lago de fogo pudesse prover outro meio de salvação. uUma pessoa que não tem fé não pode desfrutar da vida eterna em Cristo tanto quanto um peixe, destituído de pulmões, não pode viver fora d ’água. Ver T. A. Kantonen, The Christian Hope (A Esperança Cristã). Filadélfia: Muhlenberg Press, 1954, p. 107. Conseqüentemente, não há esperança de uma salvação final e universal. 12Millard J. Erickson, Christian Theology. Grand Rapids: Baker Book House, 1985, p. 1235. 13Vernon C. Grounds, “The Final State of the Wicked” (“O Estado Final dos ímpios”), Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 24, n. 2, setembro de 1981, p. 219. 14Lembro-me de ouvir alguém contar a história de um pecador que sonhou que tinha morrido e que se aproximava do céu. No sonho, não havia muros, portões, cercas, nada, a não ser verdes pastos e vistosas árvores frutíferas. Mas, quando o pecador caminhou por sobre os pastos, cada folha da grama era como a ponta de uma faca. Quando experimentou o fruto, era como ácido que lhe devorava a língua. Ao acordar, ele entendeu a lição de que o céu pode ser até mesmo pior do que o inferno para alguém que não esteja preparado e que, pela ação do Espírito Santo, não tenha sido feito nova criatura em Cristo Jesus. 1501iver Chase Quick, Doctrines o f the Creed: Their Basis in Scripture and Their Meaning Today (As Doutrinas do Credo: Sua Base nas Escrituras e Significado p ara Hoje). Londres: Nisbet & Company, 1938, p. 257.

301 Notas


302

Notas

Nosso Destino

16Orígenes também pensava que o mal poderia germinar outra vez e, mesmo no céu, seria possível cair em pecado e ir para o inferno e lá ser restaurado. Isto leva à teoria de “uma sucessão sem fim de quedas e restaurações, de infernos e céus”. Essas idéias foram “fortemente combatidas em seus próprios dias pela ilustre assembléia dos pais contemporâneos e, subseqüentemente, pela Igreja”. William Greenough Thayer Shedd, The Doctrine o f Endless Punishment. Mineápolis: Klock & Klock Christian Publishers, 1980, reimpresso de 1886, p. 2-4. 17Jacques Le Goff, The Birth o f Purgatory, Tradução para o inglês por Arthur Goldhammer, Chicago: University of Chicago Press, 1984, p. 68. 18Stephen Travis, I Believe in the Second Corning o f fesus (Eu Creio na Segunda Vinda de Cristo). Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1982, p. 202, 203. 19Grounds, “Final State of the Wicked”, p, 212. 20Ver mais adiante, neste mesmo capítulo, a seção “O Aniquilacionismo” (A Imortali­ dade Condicional). 21Thoralf Gilbrant, ed., The Complete Biblical Library, vol. 11. Springfield, Missouri: Complete Biblical Library, 1990, p. 128. 22Frederic W. Farrar, E tem al Hope (Eterna E sperança ). Londres: Macmillan & Company, 1878, p. xvi. 23Até mesmo um liberal, como Lotan Harold DeWolf, admite: “É difícil entender como podemos estar certos de que todos se voltarão a Deus em contrita fé”. Ver seu livro A Theology o f the Living Church (Uma Teologia da Igreja Viva), 2. ed., revista. Nova Iorque: Harper & Row, Publishers, 1968, p, 286. 24William W. Stevens, Doctrines o f the Christian Religion. Nashville: Broadman Press, 1967, p. 410. 25Cf. Mc 9.48; Jo 17.12; Rm 9.22,23; Fp 1.28; 3.19; 2 Ts 2.3; 1 Tm 6.9; 2.Pe 2.3; 3.7,16; Ap 17.8,11; 20.10. 26Leckie, World to Come, p. 286. 27Shedd, Doctrine o f Endless Punishment, p, 13, 14. 28Quick, Doctrines o f the Creed, p. 260. 29Ewert, Then Comes the End, p. 143. 30Pridgeon, Is He11 Etemal? 31Hall, Eschatology, p. 215, 216. 32Ibid., p. 228. Isto foi ensinado por Arnóbio (Disput. c. Gentes, vol.ii, p. 15-34). 33Grounds, “Final State of the Wicked”, p. 214. 34Para uma análise dos argumentos que provam queo espíritohumano não pode ser destruído e que “o condicionalismo nega implicitamente a unidade orgânica da raça humana”, ver Leckie, World to Come, p. 245-247. 35Em 64 das 72 duas vezes em que essa palavra é usada no Novo Testamento, diz respeito a Deus ou à salvação e vida eterna. A palavra também faz contraste com proskairos, que significa “um pouco de tempo” ou “aquilo que dura apenas por um período de tempo”. 36Gilbrant, Complete Biblical Library , p. 417-420. 370 s aniquilacionistas ensinam que, depois de um breve período, Deus ocasionará uma total cessação dos seus seres. Alguns afirmam que os seres humanos foram criados mortais e que a mortalidade foi ganha apenas como uma recompensa de


Notas

Deus. Outros dizem que os seres humanos foram criados imortais, mas Deus, por um ato seu, destitui-os da imortalidade. Em qualquer caso, poucas razões haveria para que o fogo fosse “inextinguível”. Loraine Boettner, Immortality. Filadélfia: Presbyterian & Reformed Publishing Company, 1956, p. 117-119. Clark H. Pinnock, “The Conditional View” (“A Interpretação Condicional”), in: Four Views on Hell (Quatro interpretações do Inferno). Editor William V. Crockett. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 135-166. Travis, I Believe in the Second Corning, p. 198.

303 Notas

C a pítu lo 9 ‘David L. Turner, “The New Jerusalem in Revelation 21:1—22:5: Consummation of a Biblical Continuum” (“A Nova Jerusalém em Apocalipse 21.1—22.5: Consumação de um Continuum Bíblico”), in: Dispensationalism , Israel an d the Church. Editores Craig A. Blaising e Darrell L. Bock. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992, p. 273. Alguns, entre eles Tertuliano, Cipriano, Lutero e Calvino, ensinaram que a Jerusalém celestial, que é a nossa mãe (G1 4.26), é a Igreja. Outros consideram que seja o próprio céu. Ver Dale Moody, The Hope o f Glory. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1964, p. 265. "Stephen Travis, The Jesus Hope. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1974, p. 76. ■^Moody, Hope o f Glory, p. 265. 4Carl F. H., Henry, “Reflections on the Kingdom of God”, Journal o f the Evangelical Theological Society, vol. 35, n. 1, março de 1992, p. 49. sO termo “se queimarão” é encontrado em muitos manuscritos antigos. Também é possível que uma partícula negativa tenha sido suprimida inadvertidamente por um copista antigo, de maneira que o significado seria “desaparecerão”. Na verdade, a partícula negativa é encontrada na versão saídica traduzida no alto Egito em cerca de 200 d.C. Ver Bauer, A Greek-English Lexicon o f the New Testament. Tradução para o inglês por William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich. Chicago: University of Chicago Press, 1957, p. 325. 6Este ponto de vista tornou-se a interpretação predom inante na Igreja Católica, embora Blaise Pascal (1623-1662) ensinasse que o atual Universo seria aniquila­ do. Ver T. Francis Glasson, His Appearing an d His Kingdom: The Christian Hope in the Light o f Its History. Londres: Edworth Press, 1953, p. 182, 183. 7Ibid., p. 16. 8Joseph Pohle, Eschatology, or the Catholic Doctrine o f the Last Things: A Dogmatic Treatise. Versão inglesa por Arthur Preuss. Westport, Connecticut: Greenwood Press, Publishers, 1971, reimpresso de 1917, p. 115. 9Turner, “The New Jerusalem”, p. 265. Também citado por Al Truesdale em “Last Things First: The Impact of Eschatology on Ecology” (“As Últimas Coisas Primei­ ro: O Impacto da Escatologia na Ecologia”), Perspectives on Science and Christian Faith (Perspectivas sobre a Ciência e a Fé Cristã), vol. 46, n. 2, junho de 1994,

p. 116. 10Wilbur M. Smith, The Biblical Doctrine o f Heaven. Chicago: Moody Press, 1968, p. 229. nIbid., p. 223-227.

o


304 Notas

Nosso Destino

12Walter Bauer, A Greek-English Lexicon o f the New Testament an d Other Early Christian Literature (Léxico Greco-inglês do Novo Testamento e Literaturas Cristãs Primitivas), 2. ed., tradução para o inglês por William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich, revista e aumentada por F. Wilbur Gingrich e Fr.ederick W. Danker. Chicago: University of Chicago Press, 1979, p. 394. 13WiIlibald Beyschlag, New Testament Theology. Tradução para o inglês por Neil Buchanan, vol. 1. Edimburgo, Escócia: T. & T. Clark, 1895, p- 215. 14Turner, “The New Jerusalem”, p. 286, 287. 15Moody, Hope o f Glory, p. 270. 16“Humanidade” aqui se refere aos santos redimidos e ressuscitados, o remanescente piedoso de Israel e das nações, pois somente esses são os únicos que habitam na nova terra e na Nova Jerusalém. 17Palavra proveniente do verbo hebraico shakhan , “habitar”. Ver Êxodo 25.8: “E habitarei no meio deles”. 18Isaías 35.10 mostra que haverá um cumprimento parcial disto no Milênio, quando “os resgatados do S e n h o r voltarão e virão a Sião com júbilo; e alegria eterna haverá sobre a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido”. Ver também Isaías 65.19. 19Stanley M. Horton, The Ultimate Victory. Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1991, p. 323, 324. 20G. C. Berkouwer, The Retum o f Christ. Tradução para o inglês por James Van Oosterom. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1972, p. 40-45. 21Horton, Ultimate Victory, p. 149. 22Hendrikus Berkhof, Well-Founded Hope. Richmond, Virgínia: John Knox Press, 1969, p. 29. 230 termo “nações” (gr. ethnon ) significa “povos”, em vez de nações na moderna acepção da palavra. 240 vocábulo “praça” (gr. platéia ) está no singular, o que pode ser a indicação de uma rua extensa que atravessa a cidade inteira descendo em seus vários níveis. Há os que consideram a palavra genérica, ou seja, que todas as ruas da cidade serão de ouro puro. 25Edgar Young Mullins, The Christian Religion in Its D octrinal Expression. Valley Forge, Pensilvânia: Judson Press, 1917, p. 487, 488. Mullins ressalta que “a verdadeira perfeição moral não é estática... Ela se desdobra e se expande... A esperança é um fundamento permanente na vida do salvo e isso importa em crescimento e obtenção sem fim”.


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A u to r Professor emérito de Biblid e de Teologid no Seminário Teológico dds Assembléids de D eus nos Estádos Unidos. Tem grdu

Teológico G orddn-C onw ell, mestre em Teàlfogjó S,dcrd (S. T. M .) peld Universid d d e de^Mgrvdrd e doutor em Teologid (Th. D .) pelo Seminário Teológico Bdtistd Centrdl.

ISBN 85-263-0343-01

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