Page 1


Comportamento Adequado dos Santos - Vol. I

Por W. Wilbert Welch

EDITORA BATISTA REGULAR “CONSTRUINDO VIDAS NA PALAVRA DE DEUS” Rua Kansas, 770 - Brooklin - CEP 04558-002 - São Paulo - SP Site: www.editorabatistaregular.com.br 2004


Título em inglês: CONDUCT BECOMING SAINTS Copyright, 1978, by Regular Baptist Press. Primeira edição em português: 1980 Segunda impressão: 2004 Tradução – Yolanda M. Krievin Capa: Edvaldo C. Matos Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução deste livro, no todo ou em parte, sem a permissão por escrito dos Editores.

Digitalização e edição: Semeador Jr.

EDITORA BATISTA REGULAR “CONSTRUINDO VIDAS NA PALAVRA DE DEUS” Rua Kansas, 770 - Brooklin - CEP 04558-002 - São Paulo - SP


ÍNDICE Capítulo

Página

I. A epístola do comportamento cristão......................................................................

05

II. Os que são chamados para ser santos....................................................................

12

III. O problema dos santos.........................................................................................

19

IV. Revelação divina..................................................................................................

26

V. Espiritualidade e carnalidade.................................................................................

33

VI. Obras e recompensas............................................................................................

41

VII. Sinais de liderança espiritual..............................................................................

48

VIII. Disciplina da igreja............................................................................................

55

IX. Os cristãos no tribunal..........................................................................................

32

X. Pureza cristã...........................................................................................................

69

XI. Assunto de gente casada.......................................................................................

76

XII. Assuntos referentes ao casamento e costumes sociais........................................

83

XIII. Liberdade Cristã................................................................................................

90


PREFÁCIO Como viver para o Senhor neste mundo? Esta pergunta tem passado pela mente de muitos cristãos desde o dia em que Deus nos arrancou da lama do pecado e colocou nossos pés num caminho novo de justiça em Cristo Jesus. Este livro extremamente prático de Primeiro aos Coríntios, escrito pelo Apóstolo Paulo aos crentes que moravam na Corinto pagã, dará a você algumas respostas evidentes - respostas que, se aplicadas, mudarão sua vida e provavelmente o curso de suas atividades. Nestes treze capítulos vai ser considerado os oito primeiros capítulos do livro, aplicando-os a assuntos atuais que aparecem em nossos jornais. Leia o livro todo. Examine todas as referências bíblicas. Enquanto estuda, pense e tire conclusões que se refiram à sua vida. Responda e até mesmo anote as respostas dadas às perguntas incluídas no final de cada lição. Se você quiser aprofundar-se no estudo, peça ao seu pastor que lhe indique livros para leitura colateral. Sua vida se enriquecerá durante o estudo. Peça a Deus que lhe dê a graça de aplicar à sua vida as verdades aprendidas. Depois, prossiga com Cristo em uma vida de serviço frutífero. Você se alegrará com isso!

4


I A EPÍSTOLA DO COMPORTAMENTO CRISTÃO Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Nasce uma igreja – Atos 18.1-11. Segunda-feira: A conversão de Paulo – Atos 9.1-9. Terça-feira: A chamada de Paulo – Atos 9.10-19. Quarta-feira: Segredos de sucesso espiritual – Filipenses 3.9-14. Quinta-feira: Marca dos crentes – Efésios 5.1-16. Sexta-feira: Fonte de unidade – Filipenses 2.1-8. Sábado: Atingindo a maturidade – Hebreus 6.1-9.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 1.1-3; Atos 18.1-18. As igrejas através dos séculos não mudaram muito. No despertar da história da igreja havia igrejas fortes e igrejas fracas. Nessas igrejas primitivas havia indivíduos que tinham problemas uns com os outros a ponto de causar verdadeiras divisões. Alguns eram fracos no que se referia ã convicção moral; outros brigavam até o ponto de se processarem mutuamente. Havia aqueles que não tinham muita certeza de suas convicções sobre práticas duvidosas, e alguns transformavam a ceia do Senhor em uma brincadeira. Alguns pensavam que a coisa mais importante da vida era possuir algum grande talento. Entre estes havia aqueles que consideravam a capacidade de falar em línguas como evidência certa de superioridade espiritual. Aparentemente alguns eram muito ignorantes das grandes doutrinas tais como o Arrebatamento e a Ressurreição. Todas as condições mencionadas encontravam-se na igreja em Corinto. A primeira Carta de Paulo a esta igreja tem algo a dizer sobre todos estes problemas e muitos outros. A igreja era considerada uma igreja carnal, e sob muitos aspectos. Contudo, muitos sinais de carnalidade também se encontram nas igrejas de hoje. Isto é o que torna tão atualizada a carta de Paulo a esta igreja. Pedimos a Deus que muitos transfiram os princípios espirituais de Paulo, apresentados neste livro, ao grupo das necessidades de hoje.

5


Vem-me à mente a história de um visitante que passeava por um apinhado campus universitário. – Quantos alunos vocês têm aqui? – perguntou ao professor que era seu cicerone. – Oh! Ponderou o professor, - eu diria que cerca de um em cem. Você quer ser um daqueles que vão aprender nesta série de estudos? Então estude. Leia 1 Coríntios com todo o cuidado como parte de seu preparo no primeiro estudo. Descubra por que Paulo escreveu esta Epístola. O primeiro capítulo fornecerá alicerces para melhor compreensão do livro. I. UM RÁPIDO EXAME DO LIVRO Este livro de dezesseis capítulos é a quarta carta de Paulo, sendo precedida apenas por 1 e 2 Tessalonicenses e Gálatas. A carta foi escrita em Éfeso, perto do final de sua segunda viagem missionária. (Compare Atos 20.31 e 1 Coríntios 16.5-8.) O conteúdo do livro é excepcional, pois mais do que qualquer outra Epístola trata de uma complexidade de problemas que muito bem se aplica às igrejas de hoje. À primeira vista pode-se pensar que o tema é muito amplo e sem sequencia. Na verdade, os assuntos estão intimamente relacionados com o tema central unificador do comportamento cristão. O livro está em posição doutrinária apropriada quando comparado com outras Epístolas, pois é coisa natural que a Epístola da conduta cristã viesse imediatamente após Romanos, a Epístola da justificação. Paulo tinha bons motivos para enviar uma carta aos crentes da igreja em Corinto. Recebera um relatório quanto às condições internas da igreja (1 Cor. 1.11). Ficou muito preocupado. A igreja também lhe escrevera uma carta (1 Co. 7.1) apresentando uma série de problemas enfrentados pelos novos cristãos, dentro da ímpia Corinto. Esta carta que chamamos de 1 Coríntios expressava a preocupação do Apóstolo Paulo sobre a maturidade espiritual daqueles crentes, além das cuidadosas respostas dadas a alguns de seus problemas complicados. Exceto por um afastamento ocasional, como por exemplo o grande discurso sobre a Ressurreição, toda a carta está ligada ao tema da vida ou comportamento cristão. Mesmo expondo a doutrina da Ressurreição, Paulo a usou como ponto de partida para exortar aqueles cristãos coríntios e a nós para que sejamos sempre firmes e irredutíveis na obra do Senhor (1 Co. 15.58). 6


II. UM RÁPIDO EXAME DO AUTOR No típico costume neotestamentário o escritor identifica-se bem no começo da Epístola. Quando esta Epístola foi escrita era costume colocar-se o nome do escritor no começo da carta. Paulo era conhecido nos círculos cristãos como Saulo, o perseguidor, muito antes de se tomar crente em Cristo. Seu nome despertava medo em todos os grupos de cristãos, e até mesmo na distante Damasco seu nome era bem conhecido e sua reputação de perseguidor perverso de todos os crentes estava bem firmada (Atos 9.13). Ninguém jamais poderia duvidar do seu zelo antes ou depois de sua conversão. Como o seu evangelismo posterior, quando batia nas portas de casa em casa (Atos 20.20), assim também foi seu fervor neotestamentário de perseguição, seguindo o mesmo padrão. Ele “assolava a igreja”, jogando na cadeia todos os cristãos, homens e mulheres (Atos 8.3). Sua experiência de conversão encontra-se em Atos 9.1-6, 15, 16; e foi posteriormente repetida em testemunhos (Atos 22.1-16). Desde o momento em que Paulo entregou-se a Cristo na estrada para Damasco, sua vida foi entregue à proclamação do evangelho, viajando como missionário da igreja em Antioquia e organizando novas igrejas em muitos dos grandes centros culturais. Através dele Deus nos deu grande parte do Novo Testamento. Os homens que constroem monumentos ou movimentos são homens levados pela força de grandes convicções. A vida de Paulo resumia-se em “Ai de mim se não pregar o evangelho!” (I Co. 9.16). Esta necessidade íntima de pregar as boas novas levou-o finalmente a esta cidade de Corinto. Não foi convidado, nem bem recebido. Seu ministério ali não foi contratado e a atitude de Paulo com referência a dinheiro chegava ao ponto de recusar deles qualquer ajuda financeira enquanto esteve em Corinto. Trabalhou como fabricante de tendas e até sustentava os seus colaboradores. Homens menores teriam desistido. Paulo começou trabalhando com Áquila e Priscila fazendo tendas e ao mesmo tempo pregava (Atos 18.3). Encontrando muita oposição e desânimo, o Senhor lhe falou numa visão à noite, encorajando-o com a promessa de que nenhum mal lhe aconteceria e que o Senhor tinha “muito povo” naquela cidade. Assim incentivado, continuou por cerca de dois anos em Corinto (Atos 18.11, 18) e “muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados” (Atos 18.8). Paulo tinha profunda e permanente preocupação quanto àqueles que levava a Cristo. Queria o melhor para eles. 7


Como o Senhor chorou sobre Jerusalém, Paulo chorou pelos seus convertidos (Atos 20.19, 31). Os coríntios eram seus filhos em Cristo; e quando ouviu contar de suas lutas, divisões e comportamento impróprio da igreja, procurou sinceramente corrigir os abusos e estimular seu desenvolvimento espiritual. Nos capítulos que escreveu a esta igreja em Corinto, encontramos revelada uma sabedoria, uma compaixão, uma amplitude e profundidade de caráter ainda não superada pelos homens. III. UM RÁPIDO EXAME DO POVO A razão principal da carta foi atender ás necessidades da jovem igreja em Corinto. Contudo, o Espírito Santo sabiamente acrescentou: “com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Esta mensagem foi para todos os crentes, e as verdades que Paulo enviou devem ser lembradas e praticadas por todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus (2 Tm. 3.12). Esta igreja veio a existir quando o povo ouviu o evangelho, creu no evangelho e foi batizado (Atos 18.1). Esta é a devida ordem do Novo Testamento. A igreja estava organizada e era constituída, naturalmente, de convertidos de Corinto. Poderá ajudar nos futuros capítulos se você souber alguma coisa dos seus antecedentes. Corinto era a principal cidade da Grécia e era capital da província de Acaia. A cidade era famosa em dois aspectos: pela sua cultura, comércio e riqueza, mas também por sua impiedade. A população era de cerca de 400.000 a 500.000 habitantes. Era tão perversa moralmente que o nome da cidade passou a ser usado finalmente para descrever certa perversão sexual. O alcoolismo e a sensualidade estavam na ordem do dia. Grande parte disso se devia à religião daquele lugar. A adoração centralizava-se na deusa do amor, Afrodite, à qual estavam associadas 3.000 sacerdotisas consagradas à imoralidade. Bem no meio desta pocilga1 moral, Deus escolheu um grupo de homens e mulheres para demonstrar o seu poder salvador e santificador. Em dezoito meses uma igreja estava organizada. Não levou muito tempo para saírem de Corinto, mas levou dezoito meses multiplicados para arrancar Corinto da igreja. Muitos dos problemas da igreja que serão examinados nos capítulos vindouros encontram suas raízes no ambiente e antecedentes daqueles crentes. Sua necessidade era a de se enraizarem e estabelecerem na Palavra de Deus. 1

Casa ou lugar imundo; curral de porcos.

8


A pequena mas vitalmente importante declaração, dirigida a todos os santos em todo lugar, relaciona esta Epístola ao Cristianismo do Século Vinte - a você e sua igreja. O Senhor sabia quanto estas instruções seriam necessárias hoje em dia. Leia-as; aprenda e cresça nele. IV. UM RÁPIDO EXAME DO CONTEÚDO DO LIVRO A maior parte de Primeira Coríntios foi escrita ou para corrigir problemas conhecidos na igreja ou para responder a numerosas perguntas apresentadas em uma carta a Paulo. Por causa disto a principal ênfase do livro é mais de exortação do que de doutrina. A primeira metade da Epístola se relaciona com os seguintes assuntos: Capítulo 1, depois da costumeira introdução, elogio à igreja por seus notáveis dons e pela sua expectativa da volta de Cristo. Imediatamente a seguir Paulo repreende a igreja por suas divisões carnais e pelo seu espírito sectário. Acrescentou uma repreensão por sua exibição de sabedoria humana, lembrando-os de que só Cristo é o Poder e a Sabedoria de Deus. Capítulo 2, envolve a compreensão espiritual em contraste com a sabedoria humana. A fim de possuir visão espiritual Paulo oferece sua receita: que sejam ensinados pelo Espírito de Deus através da revelação externa e iluminação interior. Capítulo 3, aponta novamente para a condição carnal da igreja, mencionando mais uma vez a causa das divisões, porque seguiam a homens. Então Paulo os lembrou que a atenção não deve ser fixada nos mensageiros mas em Deus,pois mensageiro e ouvinte deviam aparecer diante de Cristo onde cada obra humana será manifesta. Este pensamento continua através do capítulo 4. Capítulo 5, Paulo trata da séria acusação de pecado inusitado (um incesto) que acontecera no meio deles; e ordenou que a pessoa culpada fosse excluída. Capítulo 6, começa com uma repreensão porque alguns compareceram diante de tribunais seculares, quando uma desavença poderia ter sido discutida e avaliada diante dos homens sábios que tinham no meio deles. No final do capítulo Paulo advertiu os cristãos de Corinto contra o pecado da fornicação e apresenta sua argumentação para a santidade do corpo de Cristo. No capítulo 7, Paulo respondeu sua pergunta sobre o propósito do casamento e sobre o relacionamento de cônjuges salvos e não salvos, além de algumas instruções referentes às virgens. O cristianismo não muda as obrigações da lei civil, mas, antes santifica tais obrigações. 9


O capítulo 8, que concluirá as lições desta série, trata de perguntas sérias relativas à liberdade cristã. Paulo define os limites de tal liberdade, estabelecendo as fronteiras à soleira da ofensa feita à consciência de um irmão mais fraco. Novamente, nenhuma outra Epístola do Novo Testamento oferece tal variedade e riqueza de material referente à conduta cristã, tanto para o indivíduo como para a igreja local. Recapitulação 1. Por que foi escrita a carta de 1 Coríntios? 2. Descreva a conversão de Paulo. 3. Que sucesso Paulo teve perseguindo os cristãos primitivos? 4. Qual era a ocupação do Apóstolo enquanto pregava? 5. Descreva a cidade de Corinto como Paulo a via. 6. A quem a Epístola foi dirigida? O que você pensa? 1. Por que os esforços missionários de Paulo limitaram-se principalmente aos grandes centros metropolitanos? Será que este padrão que ele seguia deveria influenciar as atitudes das juntas missionárias de hoje? 2. Que qualidades você acha que Paulo tinha para organizar uma tal cabeça de ponte espiritual nesta sofisticada e ímpia cidade de Corinto em apenas dezoito meses? 3. A graça transformadora de Deus é impedida pelos antecedentes e ambiente do convertido? Versículo para memorizar “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Coríntios 1.2).

10


ESBOÇO DOS PRIMEIROS OITO CAPÍTULOS Capítulo 1 – Sabedoria humana versus sabedoria de Deus. Capítulo 2 – Ensinando pelo Espírito de Deus. Capítulo 3 – O cristão carnal. Capítulo 4 – O Senhor, o Juiz. Capítulo 5 – Exigência de disciplina. Capítulo 6 – Tribunais ilegais. Capítulo 7 – Casamento cristão. Capítulo 8 – Liberdade cristã.

11


II OS QUE SÃO CHAMADOS PARA SER SANTOS Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Chamados para ser santos – 1 Coríntios 1.1-9. Segunda-feira: A identidade dos santos – Efésios 2.1-13 Terça-feira: Os privilégios dos santos – Efésios 3.13-21. Quarta-feira: A vocação dos santos – Efésios 1.3-12. Quinta-feira: A responsabilidade dos santos – Mateus 5.13-16. Sexta-feira: A conformação dos santos – Judas 20-25. Sábado: A expectativa dos santos - I João 2.28 -3.4.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 1.1-9. Você é santo? Não, eu não quis dizer que você tenha sido canonizado por alguma autoridade religiosa. Nem perguntei se você não tem nenhum pecado. É espantoso descobrir como são poucos os cristãos que sabem responder se são ou não são santos. Na maior parte das cartas às igrejas, ele dirigiu-se aos santos. Mesmo esta igreja em Corinto era composta de santos. Provavelmente, quando examinarmos melhor esta Epístola, ficaremos espantados por que o Apóstolo lhes deu tal nome, se não tivermos em mente que aqueles a quem Deus chama santos pretende transformar em santos pelo divino poder. O contraste gritante entre o que um crente se torna em Cristo e o que ele é realmente na vida, geralmente transforma-se em uma barreira. Os santos em Cristo precisam, pela graça de Deus e o poder do Espírito Santo, tornarem-se santos na vida. A lição diante de você deverá ajudá-lo a identificar aqueles a quem o Senhor honrou com o nome de santos. Que nossa prática se aproxime mais de perto de nossa posição.

12


I. A IDENTIDADE DOS SANTOS “Aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos” é uma expressão comum usada por Paulo quando se dirigia aos crentes nas igrejas, fosse uma igreja de inusitada maturidade espiritual (Ef. 1.1) ou uma igreja de vergonhosa carnalidade (I Co. 3.1). Esta igreja em Corinto não era conhecida por sua maturidade espiritual; na verdade, exatamente o oposto era verdade. Sua vida ímpia contrastava fortemente com sua nobre posição de santos em Cristo. O termo “santificado” significa separado para Deus e aplica-se igualmente a todos os crentes. Ser santificado não significa ausência de pecado mas, antes, um novo relacionamento com Deus por causa da obra de Cristo por nós no Calvário (1 Co. 1.30). O Espírito Santo é o Agente da santificação (Rm. 15.16; 1 Pe. 1.2). Considerando que os santos são separados para Deus, há também um significado de piedade ou santidade. Aquele que é chamado para ser santo (cristão) é responsável em conduzir sua vida de tal modo que ela venha a igualar-se com a sua separação para Deus. Todos os crentes são santos sem considerar sua maturidade espiritual. Mas todos os crentes têm a responsabilidade de fugir de toda a impureza (1 Ts. 4.7). Lendo a Sua Palavra (João 17.17), submetendo a nossa vontade à dEle (Hb. 12.14) e andando com Ele diariamente (2 Co. 3.18), tornamo-nos cada vez mais parecidos com nosso Salvador. Observe que toda a igreja em Corinto era composta de santos, não só de pastores, anciãos e diáconos. Não eram pessoas anormais, vestidas de alguma roupa esquisita ou separadas da sociedade como monges ou freiras. Antes, eram todos santos, em todos os lugares, em todo o tempo. II. OS PRIVILÉGIOS DOS SANTOS Os santos são o povo especial de Deus. Ele “visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome” (Atos 15.14). A Igreja é a Sua pérola de grande preço. Cristo vendeu tudo o que tinha para comprá-la para Si mesmo (Mt. 13.46). Não tendo poupado “a seu próprio Filho”, comprou-nos. “Porventura não nos dará graciosamente com ele todas as cousas?” (Rm. 8.32). Você, filho de Deus, tem uma casa do tesouro tão pouco aproveitada. Procure na Palavra e descubra a abundância que Deus providenciou para você. Todos os tesouros dEle são seus por direito. 13


O versículo 3 é uma típica saudação paulina. Graça e paz são suprimentos divinos, enquanto que a Fonte é Deus Pai através do Canal, Seu Filho Jesus Cristo. Graça é uma apalavra todo-inclusiva que fala do favor não merecido de Deus para conosco por causa do Seu Filho. Paz é o produto experimentado por aqueles que recebem a Sua graça. A graça deve sempre preceder a paz quando Deus lida com o homem, pois o homem merece ira e juízo. No versículo 4 Paulo agradece a Deus por estes santos – não tanto pelo que eram em si mesmos, mas pelo que acontecera em suas vidas através da graça de Deus. Eram pecadores transformados, jamais voltariam a ser o que eram (1 João 3.1, 2). A graça de Deus inclui mais do que a nossa salvação. É a porta aberta a um vaso suprimento de poder divino e riquezas infinitas nas quais cada filho de Deus tem direito igual de entrar. Espiritualmente, jamais considere os outros mais afortunados do que você. Cristo dá Seu suprimento a cada homem, exatamente o quanto necessita para fazer o trabalho que Deus quer que faça. Os privilégios são os mesmos para cada crente. Este infinito suprimento nos é trazido através do Canal, o Senhor Jesus Cristo. Conte quantas vezes o Seu nome foi usado nos primeiros nove versículos deste capítulo. Cuidado com os dons espirituais! Se a igreja em Corinto serve de ilustração, pode haver relação entre abundância de dons espirituais e carnalidade fora do comum na igreja. Esta igreja não tinha falta de modo nenhum dos dons espirituais. Era, entretanto, a mais carnal das igrejas do Novo Testamento. Os dons espirituais são importantes e não deveriam levar à carnalidade. O devido uso dos dons é bom. É o sentido de orgulho pela posse dos dons que está errado. Paulo agradecia a Deus pelos dons dos coríntios. Tinham muita capacidade espiritual: eram eloquentes, tinham conhecimento, capacidade de liderança, eram professores, tinham dons de cura, de profecia falavam em línguas, além de serem bons administradores (1 Co. 12); mas tudo isto carecia de muito amor. Paulo jamais desprezou qualquer dos dons, mas deplorou sua falta de maturidade espiritual no uso dos dons. O que significa ter o testemunho de Cristo confirmado em você? Dois pensamentos são possíveis: um, é a evidência de que a pregação da cruz realmente operou. Paulo foi àquela cidade ímpia só com a Espada do Espírito, e ali estavam os resultados – os convertidos a Cristo. Dois, aqueles pagãos convertidos demonstraram uma tal mudança de vida que eram exemplos vivos do poder transformador de Cristo; eram novas criaturas (2 Co. 5.17).

14


III. A VOCAÇÃO DOS SANTOS Ser chamado é ser escolhido. A palavra “chamado” aqui não é um simples convite para aceitar a vida eterna como quando o evangelista faz um apelo, mas antes o exercício de uma influência eficiente que os levava a aceitar o evangelho (Rm. 8.30). Três coisas s.e devem notar: primeira, eram “chamados para ser santos” (v. 2), o que já consideramos. Depois, foram chamados por Deus. Esta fidelidade está enraizada na fidelidade de Deus, não na fidelidade do homem. Deus é fiel a Seus propósitos, fiel a Suas promessas e fiel a Seu povo. Paulo menciona isto de modo que os convertidos coríntios podiam confiar nEle. O Deus que os tinha chamado do paganismo para uma vida nova em Cristo não os abandonaria agora. Realizaria Sua obra até o fim (Fp. 1.6). Se os convertidos fossem simplesmente o produto de nosso apelo, jamais poderíamos assegurar-lhes o livramento final. Mas é Deus quem os chama. É Deus quem os guarda e cuida deles. E é Deus quem os manterá até que Cristo volte. Use sua concordância para estudar a palavra “vocação” ou “chamada”. Descobrirá muitos propósitos nas chamadas divinas. Fomos chamados para a salvação (2 Ts. 2.13), chamados para sermos santos e irrepreensíveis (Ef. 1.4) e chamados para a glória eterna (2 Ts. 2.14). Há muitos outros, mas o chamamento aqui é para a comunhão com o Seu Filho. Verdadeira comunhão só se encontra em Cristo. Precisamos de credos, mas convicções doutrinárias podem nos deixar frios e facciosos se não formos permeados com o calor da comunhão pessoal com Cristo. Comunhão significa ter interesses ou propósitos em comum. Os cristãos têm comunhão uns com os outros e se aproximam de Cristo em comunhão com Ele. Ele é o ponto focal. A comunhão com Cristo também inclui sofrimento (Fp. 3.10), rejeição do mundo (João 15.18, 19) e glória futura (João 17.22). É nossa humilde submissão ao Seu divino senhorio que nos capacita a penetrar totalmente na desejada comunhão e a apresentar Jesus Cristo nosso Senhor. Uma criancinha foi levada por seus pais para visitar uma grande catedral. A luz da manhã jorrava através dos lindos vitrais coloridos fazendo que os vultos dos servos de Deus neles pintados brilhassem em vivas cores. Quando o cicerone da catedral levou o grupo através dos imensos vestíbulos, alguém perguntou: “O que é um santo?” Sem esperar que o cicerone respondesse, a criancinha, apontando as janelas, respondeu: “Um santo é uma pessoa que deixa a luz brilhar através dela”.

15


Nós na qualidade de santos de Deus, temos de deixar que a luz do Senhor Jesus penetre até os perdidos e o mundo que está morrendo. Este é o propósito de Deus. Qual é o seu desejo? IV. A CONFIRMAÇÃO DOS SANTOS A confirmação do versículo 8 é diferente da confirmação do versículo 6. A confirmação do versículo 6 está no passado enquanto que a do versículo 8 está no futuro. Apesar da amplamente difundida prática, a confirmação não é um ritual da igreja mas uma obra de Cristo. Pelo poder do Espírito Santo, o Senhor realiza os Seus propósitos. Confirmar é assegurar. Observe que o Seu propósito é assegurado “até o fim”. Paulo não tem dúvidas em sua mente sobre o destino final daquele que realmente nasceu de novo. A convicção de Paulo sobre este assunto não repousa sobre a maturidade, fidelidade ou perseverança do convertido coríntio, mas sobre a fidelidade e suficiência do Salvador. “O Salvador é suficiente; Em cada necessidade. Ele conforta, Ele alegra, É compassivo de verdade. Seu amor me dá coragem. Sua graça, garantia. Seu poder me fortalece No trabalho, dia a dia.” V. A EXPECTATIVA DOS SANTOS Cristo vai voltar outra vez! Paulo cria nisto. A maior parte dos ensinamentos do Novo Testamento sobre a volta de Cristo saíram da inspirada pena do Apóstolo Paulo. O santo pode regozijar-se sobre o seu passado porque já foi perdoado, ter coragem no presente porque o Senhor prometeu atender cada uma de suas necessidades e repousar na segurança no futuro porque Deus prometeu levar Seus filhos para a glória. Verdadeiramente grande é o motivo do regozijo. “A volta de nosso Senhor Jesus 16


Cristo” aponta para a volta literal do Salvador. Não se sente grato em poder repousar nas insondáveis riquezas de Cristo? Não se sente alegre por esta esperança que Ele concedeu a cada crente? (1 João 3.2, 3). A palavra que Paulo usou para “volta” difere da palavra usada em 1 Coríntios 15.23. Ali ele usou a palavra que significa presença pessoal. Aquela será a hora em que os santos serão arrebatados ou ressuscitarão. Aqui a palavra significa aparecimento visível ou revelado e geralmente é usado para falar da volta de Cristo em glória visível para todo o mundo (2 Ts. 1.9, 10; 1 Pe. 1.7). Os santos estão aguardando pela revelação de Jesus Cristo. Será sua hora de triunfo e vitória com Ele. Imagine esta hora de consumação quando os santos terão concluído sua carreira e seremos apresentados sem mácula diante do Pai pelo Filho (Cl. 1.22). A data não pode ser encontrada em nenhum calendário aqui na terra. Só é conhecida por Deus. É “o dia de nosso Senhor Jesus Cristo” e refere-se àquela hora quando os santos comparecerão diante dEle no Tribunal de Cristo (1 Co. 3.13; 2 Co. 5.10). Naquele dia os propósitos de Deus se realizarão totalmente. Naquele dia seremos como Ele, pois o veremos como Ele é. Recapitulação 1. Quem são os santos? 2. Qual o significado da santificação? 3. Por que a graça precede a paz? 4. As Escrituras ensinam a confirmação? 5. Qual é o propósito da chamada divina? 6. Que garantias o crente tem de um lugar na glória? 7. Qual a diferença entre a “a vinda” de 1 Coríntios 1.7 e a de 1 Coríntios 15.23? O que você acha? 1. Quanta responsabilidade Deus coloca sobre o indivíduo na prática diária para uma maior conformidade com sua posição em Cristo? 2. É possível uma igreja ter dons e ainda assim ser carnal?

17


3. Será que o ambiente no qual uma igreja se encontra tem alguma influência sobre as condições dentro da igreja? 4. Será que a união dos crentes professos deveria ser mantida com o sacrifício da verdade revelada? 5. Você já memorizou os nomes dos livros da Bíblia? Versículo para memorizar “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (1 Co. 1.9).

18


III O PROBLEMA DOS SANTOS Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Mantendo o equilíbrio – 1 Coríntios 1.10-17. Segunda-feira: A provisão do crente – 1 Coríntios 1.18-31 Terça-feira: Um rei com problemas – 1 Crônicas 21.8-17. Quarta-feira: Puro e perfeito – Salmo 19.7-14. Quinta-feira: A provação do santo – Jó 2.1-10. Sexta-feira: Provações e vitórias – 1 Coríntios 10.1-13. Sábado: A prova da fé – 1 Pedro 1.1-9.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 1.10-31. Já observou algum problema em sua igreja? As igrejas têm problemas porque os santos têm problemas. E os santos têm problemas porque ainda estão na carne. Na verdade os santos estão sujeitos a mais ou menos as mesmas dificuldades e pressões que sofrem aqueles que não conhecem a Cristo. Consequentemente enfrentam problemas de saúde, problemas financeiros, problemas de família e problemas de ambiente. Os cristãos continuam vivendo na carne embora não devam viver segundo a carne. Estão sob um contínuo conflito (Gl. 5.17). O fato dos santos terem problemas não prova a insuficiência da graça de Deus para uma vida cristã vitoriosa. Apenas revela nosso fracasso em receber a Sua suficiência. É o fator humano, não o divino, que causa os problemas. Enquanto os santos andam segundo a carne (Rm. 8.5), uma irrevogável lei de Deus - tão antiga como a criação – entra em efeito. Quer seja um indivíduo ou uma igreja, as sementes da carne sempre produzirão uma colheita semelhante. Estes poucos versículos diante de nós revelam claramente que Cristo é suficiente não só para atender às necessidades da igreja de Corinto, carnal e dividida, mas também adequado para a solução de nossos problemas hoje em dia.

19


I. O PROBLEMA DA DIVISÃO INTERNA Qual era o problema da igreja de Corinto, e quais eram as causas? Um rápido exame dos primeiros oito capítulos revelarão que o seu problema não era singular, mas plural. Quase cada capítulo trata de um novo problema que, na realidade, brota de uma causa fundamental. Estes cristãos eram carnais. Esta era a fonte principal da qual procediam todos os outros males. A igreja em Corinto estava em perigo de ser rasgada por divisões entre os próprios membros. A igreja não estava manifestando a graça e a paz da qual Paulo escreveu nos versículos 3 e 4. Tinham o suprimento mas não o estavam usando - um fracasso comum para nós. Seu passatempo favorito era morderem-se e devorarem-se uns aos outros (Gl. 5.15). Paulo declarou o problema no versículo 10. Com que ternura aproximou-se desses convertidos! Não era outro a não ser o seu pai espiritual implorando. Vivera entre eles dezoito meses. Eles sabiam que ele os conhecia, e eles conheciam o seu coração. A igreja era culpada de criar divisões por causa de homens; por isso Paulo procurou uni-los à volta do nome de Jesus Cristo, o Senhor. Não há coisa melhor. Depois, Paulo colocou o seu dedo sobre o problema que dividia esta jovem igreja. Seu pedido foi que “todos falassem a mesma coisa” e que “não houvesse divisões”. Eram um povo dividido. Estavam divididos por causa de: ● Pregadores (1.12). ● Imoralidade (5.1, 2). ● Processos diante de pagãos (6.1-11). ● Casamento (7.1-40). ● Carne oferecida a ídolos (8.1-13). ● Comportamento de mulheres na igreja (11.1-16). ● A Ceia do Senhor (11.17-34). ● Dons espirituais (12.1 – 14.40). ● Ressurreição (15.1-58).

Qualquer igreja que perde contato com a Pessoa central e esquece o seu propósito fixo terá divisões semelhantes. Examine-se! 20


“Falar a mesma coisa” não fecha a porta ao pensamento independente. Antes, é um apelo a que se fuja à formação de facções ao redor de homens. A liberdade individual proíbe que outra pessoa nos induza a concordar em tudo com ela. Esta é uma das fraudes da Igreja Católica Romana e é atualmente a inclinação do movimento ecumênico (um só mundo religioso). Paulo exortava os cristãos de Corinto a que fossem perfeitamente unidos. Em Mateus 4.21 a mesma palavra foi usada significando “remendem suas redes rasgadas”. “Mesma mente” e “mesmo julgamento” não significam que todos devemos pensar de modo igual, mas, antes, os crentes deveriam ter bondosa disposição uns para com os outros, com igualdade de propósito ainda que nossos pontos de vista difiram. O problema foi revelado pela casa de Cloe. Paulo apresentou os fatos francamente. Eram internos. Não consideremos o informante como um delator. A informação brotou de uma preocupação espiritual profunda, de alguém que reconhecia em Paulo aquele que poderia salvar a igreja. Não sabemos nada mais sobre Cloe a não ser a fraca possibilidade de que tenha sido a mãe de Estéfanas, Fortunato e Acaico, que levaram a carta da igreja de Corinto a Paulo (1 Co. 16.17). A palavra “contendas” significa “discórdias”, que são consideradas como obra da carne (Gl. 5.20). O problema era causado por seguidores de homens. Toda a igreja era culpada de “partidarismo”. De alguma forma, ao engrandecer os instrumentos humanos, perdiam de vista o Salvador. Até mesmo as pessoas que se recusavam a seguir os homens pia e orgulhosamente declaravam que eram “de Cristo”. O remédio de Paulo para o problema era colocar Cristo no centro. Apresentou uma pergunta retórica: “Cristo está dividido? Paulo foi crucificado em favor de vós?” Seu sepultamento e ressurreição foi em nome de Paulo? Naturalmente a resposta era NÃO! A investida do Apóstolo foi forte. Insistiu na verdade de que a divisão fora causada porque os cristãos ocupavam-se mais com os vice-pastores. De modo nenhum interprete os versículos de 14 a 17 como desprezo pelo batismo. Paulo simplesmente colocou a devida ênfase sobre a pregação do evangelho. Hoje em dia há quem ensine que Paulo afastou-se do batismo como desnecessário para a Dispensação da Graça. Lembrem-se, na qualidade de fundador da igreja em Corinto, tinha-lhes ensinado por palavra e por exemplo a importância da ordenança do batismo (Atos 18.8). Por causa do partidarismo que agora prevalecia na igreja, entretanto, sentia-se grato por ter batizado só alguns poucos que creram em Cristo.

21


II. O ESCÂNDALO DA CRUZ A mensagem do Apóstolo não era com “sabedoria de palavras” (1 Co. 1.17) para que ninguém pudesse dizer que o fruto de sua pregação brotara de algo além do poder do Evangelho. A pregação da cruz refere-se à mensagem e não à pregação propriamente dita. A igreja não tem outro evangelho a não ser a pregação de Cristo e Ele crucificado. Está registrado que Cristo morreu pelos pecados dos homens e que os pecadores podem ser reconciliados com Deus através dos méritos do sacrifício expiatório de Cristo. Para alguns, uma tal mensagem era loucura exatamente como hoje. Estão cegos. Cegos ao seu poder – Romanos 1.16; João 12.32, 33. Cegos à sua consecução – Colossenses 1.20. Cegos ã sua revelação do amor de Deus – João 3.16; Romanos 5.8. Cegos à sua demonstração da graça de Deus – Hebreus 2.9. Para outros a mensagem é o poder dc Deus conforme declarado nos versículos de 18 a 20. Cada crente nascido de novo está cônscio de que o evangelho é o poder de Deus, porque já o experimentou pessoalmente! A palavra poder, no grego, é dunamis da qual vem a palavra dinamite. Esta é a única mensagem que arranca os homens do pecado para a santidade. Observe que o Apóstolo aqui falou de apenas duas categorias de pessoas: os perdidos e os salvos. Toda a humanidade se encaixa em uma destas classes. Ou você está perdido no pecado, sendo filho de Satanás, ou está salvo pela graça mediante a fé na obra consumada de Jesus Cristo nosso Senhor. O que você é? A sabedoria de Deus e a sabedoria do mundo foram colocadas em contraste no versículo 21. Os homens não têm compreensão espiritual fora da revelação divina. Para o homem natural – analfabeto ou doutor – a cruz não tem sentido. É esta mensagem que Deus usa para criar uma grande família espiritual chamada entre cada tribo e nação do mundo. A mensagem da cruz era simples. Enquanto os gregos desejavam sabedoria, os judeus desejavam alguma grande evidência visual que fosse digna de seu conceito de Deus. A crucificação era um sinal de fraqueza, não de poder. Arrazoavam que tal coisa não poderia vir de Deus. Para os gregos, qualquer mensagem que focalizasse a morte de um fanático religioso não merecia ser discutida.

22


Mas esta era a única mensagem de Paulo: para os judeus, uma pedra de tropeço ou um escândalo para a reputação divina; e para os gentios, não merecia nem consideração. Assim, a mensagem da cruz foi desprezada pelos que não eram salvos (1.22, 23), mas, ao mesmo tempo, foi exaltada pelos salvos (1.24). A salvação não conhece barreiras de nacionalidade. Reúne numa só família regozijante judeus e gentios. Repetimos, esta é a vocação eficaz de Deus, de modo que dois fatores ficam explicitamente revelados: um, o poder de Deus; outro, a sabedoria de Deus. Cristo é o Poder de Deus em que Ele é o Canal através do qual Deus demonstra Sua graça salvadora pela transformação de pecadores em santos. Cristo é a sabedoria de Deus em que nEle o amor e a graça de Deus, Sua santidade e justiça, encontram-se perfeitamente unidos. Em Cristo Deus revelou e executou todos os eternos propósitos de Sua mente (Rm. 11.33, 34). No versículo 25 o Apóstolo revela um contraste gritante. Os pobres gregos, amantes da sabedoria, que orgulhavam-se do seu intelectualismo e seu poder de raciocínio, não podiam discernir em Cristo a mais profunda de todas as sabedorias. O que consideravam com desprezo, Deus usava para abalar a nação. Já observou o tipo de gente que Deus tem chamado para seguir a cruz? Algumas vezes ouvimos a crítica de que só os pobres e iletrados são alcançados pelo evangelho. Não é a verdade toda; pois Deus tem Seus nobres, Seus ricos e Seus indivíduos cultos. A grosso modo, entretanto, a acusação é verdadeira. Os instrumentos que Deus usa são, em grande parte, pouco letrados, sem eloquência, riqueza, fama ou poder. A vocação divina é para os simples. Paulo diz: “Olhem à sua volta, irmãos. O que é que veem?”. Não encontramos muitos sábios ou filósofos na família cristã. Isto não significa “nenhum”, pois Deus inclui alguns. Contudo, Deus não tem necessidade de sabedoria humana; pois Ele pode escolher aqueles que não têm muitos predicados e pode transformá-los em instrumentos de grande utilidade. “Muitos poderosos” provavelmente se refere a importantes homens de estado, homens que controlam o poder por causa de posição, classe social ou riqueza. “Nobres de nascimento” inclui aqueles de nascimento ilustre ou descendentes de famílias renomadas. Entretanto, nem todos ficavam excluídos. A glória de Deus é objetiva. “Deus escolheu!” O próprio fato de sermos salvos é devido a um ato da graça de Deus. Somos o resultado de Sua escolha.

23


“Foi a graça que gravou meu nome No livro da vida eternal; Pela graça eu sou do Cordeiro, Que livrou-me de todo o mal. Foi a graça que ensinou-me a orar, E lágrimas me fez derramar; Foi a graça que me guardou, Foi a graça que não me deixou. Salvo tão só pela graça! Só isto eu posso dizer: Por toda a humildade e por mim Jesus esteve pronto a morrer.” Deus chama as coisas loucas – aquelas que estão destituídas de cultura, riqueza, categoria social e poder. Deus humilhou os sábios, mostrando-lhes que não precisa de homens para contribuir ao sucesso de Sua causa. Os fracos, os humildes, os desprezados, aqueles que o mundo considera indignos de nota – estes Deus escolheu para a Sua família e para a execução de Sua obra de modo que toda a glória seja dEle. O Filho de Deus é a Provisão adequada. O capítulo termina positivamente quando o Apóstolo explicou como Deus transformou os humildes, os fracos, os loucos e os desprezados em uma grande família espiritual. Estão todos “em Cristo”. Este é o motivo porque cada pecador salvo é uma nova criação em Cristo. Esta é a nossa unidade. Esta é a nossa proteção. Em Cristo temos justiça, santificação ou um novo relacionamento com Deus e redenção, no presente e no futuro. Recapitulação 1. O que quer dizer “a loucura da pregação”? 2. Qual o propósito de Deus em escolher os loucos, os fracos e os humildes em lugar dos sábios e poderosos? 24


3. Qual era o ponto central do problema da igreja de Corinto? 4. Será que Paulo ensinou o batismo? Prove sua resposta. O que você acha? 1. O que Paulo descobriria como o maior problema de nossas igrejas hoje em dia? 2. Que solução você acha que Paulo ofereceria? 3. Você acha que a inclinação de muitas escolas e igrejas de se afastarem da posição fundamentalista é um desejo de ganhar mais sábios e poderosos? Versículo para memorizar “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Co. 1.30).

25


IV REVELAÇÃO DIVINA Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: A Palavra de Deus – Hebreus 4.9-13. Segunda-feira: Fábulas ou Fatos – 2 Pedro 1.15-21 Terça-feira: Chamados para proclamar – Ezequiel 2.1-7. Quarta-feira: Pura e perfeita – Salmo 19.7-14. Quinta-feira: Uma Bíblia inspirada por Deus – 2 Timóteo 3.14-17. Sexta-feira: Ensinando pelo Espírito – 1 Coríntios 2.1-13. Sábado: O homem bem-aventurado – Salmo 1.1-6.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 2.1-13. Um grande debate que afetará as almas de incontáveis milhões, se o Senhor demorar, está em andamento hoje em dia. Levantou-se a questão: “A Bíblia é divinamente inspirada? É a Palavra de Deus autorizada?” Alguns duvidam de sua inspiração verbal, o que por sua vez leva à dúvida sobre sua autoridade. Este capítulo trata da doutrina da revelação divina e vai nos familiarizar com a forte convicção do Apóstolo Paulo referente à inspiração verbal e autoridade da Palavra de Deus. Se a Bíblia é alguma coisa menos que a Palavra de Deus, sua exatidão histórica e autoridade absoluta podem ser questionadas. Geralmente aqueles que são considerados como fundamentalistas históricos não defendem a inspiração das traduções e versões da Bíblia, mas somente os manuscritos originais, como eles vieram, da pena dos autores inspirados (2 Pe. 1.19-21). Ultimamente muitas versões, traduções e paráfrases da Bíblia foram colocadas no mercado. Geralmente, aqueles que produziram tais livros não consideram Cristo como o Filho divino de Deus; nem creem na inspiração verbal plenária da Palavra de Deus. Era de se esperar que tais homens procurassem a exatidão em seu trabalho de tradução e que também revelassem alguma tendência em áreas especiais e difíceis. Os crentes devem acautelar-se quando usam certas versões, traduções e paráfrases. Tenham em mente as deficiências que poderão encontrar.

26


I. REVELAÇÃO DIVINA E O PREGADOR Paulo deveria constituir um grande desapontamento para os filósofos de Corinto quando pela primeira vez o ouviram. Os coríntios gostavam de uma exibição de sabedoria. Paulo poderia tê-los agradado, pois era um homem letrado. Tendo ido diretamente de Atenas a Corinto, Paulo lembrava-se bem de sua exposição no Monte de Marte. Resolveu não confrontar-se com eles em seu nível de “busca da sabedoria”. Antes, proclamaria o evangelho em toda a sua simplicidade. Os convertidos seriam, então, um testemunho do poder de Deus e não a persuasão da lógica. Paulo lembrou-os de “quando fui ter convosco”. A maior parte dos coríntios lembrava-se da ocasião. Mas como foi? Será que movimentou as massas com oratória notável e lógica concisa? De modo nenhum! “Não com ostentação de linguagem”, ele disse. Os gregos adoravam a oratória, mas Paulo não quis discursar. Não temos fitas gravadas com as pregações de Paulo, mas sem dúvida um homem com a sua capacidade poderia usar muito mais oratória se quisesse. Muitos pregadores são tentados com oratória, e possivelmente são tentados porque este é o tipo de pregação que o povo corre para ouvir. Para muitos, o que importa não é o conteúdo mas a maneira de transmiti-lo. Paulo escolheu um modo simples de transmitir uma mensagem poderosa. Entretanto, o Apóstolo não advogou a falta de preparo ou o desleixo no falar quando se proclama a mensagem. Está falando que a mensagem deve ser apresentada de maneira atraente dentro da capacidade do mensageiro, mas nunca o mensageiro deveria, através de talento e retórica, subordinar a mensagem a um lugar secundário. Quanto à “sabedoria”, Paulo era mestre da mais alta categoria, mas não falava para exibir seus conhecimentos quando pregava o evangelho. Sua mensagem era “o testemunho de Deus”. Dava testemunho do fato de Jesus Cristo, o Filho de Deus, ter morrido pelos nossos pecados, ter sido sepultado e ter ressuscitado 110 terceiro dia (1 Co. 15.3, 4). O pensamento de Paulo estava estabelecido num só ponto: Centralizava todas as suas energias num só tema, “Jesus Cristo, e este crucificado”. Este é o negócio mais importante do ministro. Deveria ser notado mais pela sua pregação explícita do evangelho do que por qualquer outro interesse ou sucesso. Tudo o que diz e faz deveria revelar, não sua grandeza ou estudo, mas deveria refletir a glória e a sabedoria do Deus a que serve.

27


Apesar de suas Epístolas, mais o Livro de Atos, pouco sabemos sobre Paulo. Estes versículos ajudam-nos a entender este homem que tão grandemente foi usado por Deus. “Em fraqueza” sem dúvida refere-se ao corpo de Paulo mais do que a seu espírito, uma vez que “temor e grande tremor” estariam relacionados com o espírito. Paulo talvez tivesse alguma pequena enfermidade física conforme indica 2 Coríntios 12.7, a qual o incomodava enquanto esteve em Corinto. Pelo menos, as pessoas não se impressionavam com sua aparência pessoal (2 Co. 10.10). “Temor e grande tremor” são indicações de que Paulo estava muito preocupado com o sucesso do evangelho nesta cidade sofisticada. Possivelmente sentia-se um tanto alarmado, também, com sua segurança física. Pelo menos Atos 18.9, 10 indicariam isto. O versículo 4 repete o pensamento do versículo 1 de que Paulo falava sem grande eloquência ou sabedoria. Quaisquer resultados obtidos de sua pregação não persuasiva (atraente) revelariam que o evangelho era o poder de Deus. Seus próprios defeitos realçavam o evangelho que pregava. A fé deveria repousar sobre a sólida rocha, não sobre areia sem estabilidade. Se alguém é persuadido a crer por argumentação, também poderá ser dissuadido por outro argumento mais lógico. Paulo reconhecia que era assim. Por isso procurou dirigir sua fé só para o Filho de Deus que podia salvar. II. A REVELAÇÃO DIVINA E O OUVINTE Há profundidade na mensagem cristã porque foi concebida na mente de Deus. É a sabedoria de Deus. A mensagem de Paulo era a essência da sabedoria divina. Esta mensagem não era tida em alta conta pela maioria das pessoas (1.22-28), mas é a mais alta sabedoria entre outras – os “experimentados” (2.6). Esta palavra “experimentados”, (perfeitos2) não se refere a pessoas sem pecado, mas a cristãos que agora podem captar a verdade espiritual. Amadureceram. Fizeram progresso espiritual naquelas “cousas que são melhores e pertencentes à salvação” (Hb. 6.9). A palavra “experimentado” também não inclui todos os remidos, pois na família cristã existem aqueles que são classificados como criancinhas ou imaturos espiritualmente falando. 2

Bíblia Almeida, Edição Revista e Corrigida.

28


Esta sabedoria da qual Paulo fala era a sabedoria do Senhor que continua para sempre. É a sabedoria que tem o poder de mudar os corações dos homens. Qual é esta “sabedoria de Deus em mistério”? O Apóstolo a identifica como “oculta” além de ordenada por Deus para a nossa glória. Não significa que o evangelho seja misterioso e precise ser descoberto, mas, antes, que é o maravilhoso plano da redenção substitutiva, escondido no coração de Deus e jamais esquadrinhado pelo homem e que agora foi revelado. Entretanto, esta sabedoria ainda está oculta, pois aqueles que se encontram fora do ministério do Espírito Santo continuam nas trevas do pecado. A sabedoria de Deus no Seu plano de salvar um pecador foi revelado aos crentes mas continua escondido para os incrédulos. Então, Paulo diz na última parte do versículo 7 que o evangelho não foi uma reflexão posterior. Antes de Adão existir, Deus já tinha um esboço para a formação de uma nova família sob o Senhorio do último Adão, Jesus Cristo, Seu Filho. Pense neste maravilhoso plano de redenção! Regozije-se pois inclui você. A Mensagem foi a do Filho de Deus (Hb. 1.2); mas quando a Mensagem veio à terra, nenhum dos grandes deste mundo o reconheceu. III. REVELAÇÃO DIVINA E INTERPRETAÇÃO ESPIRITUAL Como Deus revela Sua sabedoria aos homens? Como pode a mente finita – depravada e corrupta – entender a verdade espiritual? Paulo disse: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. Este não é um bom texto sobre o céu? De modo nenhum! Refere-se às maravilhosas verdades espirituais que cada crente pode reconhecer nesta vida, mas não podem ser captadas sem a iluminação divina do Espírito de Deus. A mente humana não pode captá-las. Nem os sentidos (olhos, ouvidos) humanos. Só o crente, cheio do poder do Espírito Santo de Deus e doutrinado por Ele pode compreender as riquezas e glórias do mundo espiritual. Deus as preparou para você, filho de Deus. São suas com garantia, um dom da graça dEle. Observe que “o que Deus tem preparado” está no tempo passado “tem preparado”, ou “preparou”. Seja o que for não é só para o doce porvir do futuro, mas para o presente aqui e agora. O armazém divino do Deus onipotente está cheio e transbordante de todas as provisões que Ele planejou para os Seus. Mas muitos dentre

29


o povo de Deus exibem pobreza espiritual. Seu armazém inclui conhecimento espiritual, fruto do Espírito e capacitação divina para o trabalho – hoje. Sem dúvida os crentes têm uma casa do tesouro para o futuro também (1 Pe. 1.4); mas este versículo fala do que nós temos para o presente. “Deus no-lo revelou”. Não há razão para ignorância espiritual. Deus demonstrou Sua sabedoria em Seu Filho e então abriu nossos olhos que estavam cegos, nossos ouvidos e mentes, de maneira que possamos captar as verdades. O Mestre nesta divina sala de aula é o Espírito Santo. O objeto de Sua instrução se encontra em “no-lo”. A nós – os fracos, os humildes, os desprezados – o Espírito Santo trouxe iluminação espiritual. Só aqueles que nasceram do Espírito de Deus têm a capacidade de saber as coisas de Deus. Paulo raciocina do ponto de vista humano para o divino e do conhecimento para o desconhecido para explicar por que é assim. Só o próprio homem pode conhecer seus pensamentos e propósitos. Nenhum outro, do lado de fora, pode conhecê-los totalmente. Da mesma forma as coisas de Deus, Seus propósitos e planos, podem ser conhecidos através do Espírito de Deus. Cada crente está habitado pelo Espírito e assim está qualificado a conhecer as coisas espirituais. Os cristãos precisam não ser ignorantes espiritualmente, pois estas coisas são-nos dadas livremente por Deus. IV. REVELAÇÃO DIVINA E INSPIRAÇÃO Deus se revelou através da natureza e através de Sua Palavra. A Palavra de Deus é uma Pessoa viva (João 1.1). A Palavra de Deus também é escrita – sessenta e seis livros da Bíblia abrangem a Palavra escrita. A Palavra escrita de Deus é Sua revelação divina para nós. A inspiração é o meio pelo qual Deus transmite verdades espirituais através de agentes humanos. Iluminação é a obra do Espírito Santo sobre as mentes e corações dos crentes para que possam entender a mensagem de Deus. A inspiração limitou-se a poucos homens (cerca de quarenta) que foram controlados pelo Espírito e escreveram o que Deus quis que ficasse registrado nas Sagradas Escrituras. A iluminação é para todos. Na inspiração há um instrumento humano que Deus usa para fazer a Sua obra. Paulo simplesmente escreveu as coisas que o Espírito de Deus instruiu-o a escrever. Não Leve interpretação particular. Ele falou “movido pelo Espírito Santo”. (Veja 2 Pedro 1.20, 21). A Bíblia é um Livro inspirado por Deus. O Espírito Santo tomou conta dos escritores. Usou suas mentes, experiências e corpos; e guardou-os do erro. 30


Os escritores da Bíblia deram-nos as Escrituras “em palavras... ensinadas pelo Espírito”. As palavras da obra original da Palavra de Deus foram inspiradas: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm. 3.16). Cada filho de Deus deveria tentar memorizar este versículo de importância vital. Guarde-o em seu coração. Quando Satanás enviar os dardos da dúvida e da incerteza, lembre-se, você crê na Palavra DE DEUS. A Palavra de Deus é uma unidade. Estude-a “conferindo cousas espirituais com espirituais”. Quanto mais você estiver familiarizado com os ensinamentos de todo o Livro, melhor você poderá entender a verdade espiritual de cada porção. Quanto maior a maturidade espiritual, melhor a compreensão da verdade divina. A sabedoria e profundidade da Palavra inspirada de Deus são tão sem fim que o mais sábio e mais velho de todos os santos ainda encontrará verdades novas e desconhecidas que farão sua alma vibrar. Mas aquelas mesmas verdades, inspiradas e ensinadas pelo Espírito Santo, conduzem o mais jovem e o mais simples dos filhos de Deus, do novo nascimento à maturidade espiritual. “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm. 11.33). Recapitulação 1. Como Paulo se aproximou dos cultos habitantes de Corinto? 2. Qual era a determinação de Paulo? 3. No que nossa fé deveria se firmar? 4. Quando Deus criou o plano de salvação? 5. Por que não temos desculpa para sermos cristãos espiritualmente ignorantes? 6. Memorize 2 Timóteo 3.16. O que você acha? 1. Por que você acha que a doutrina da inspiração verbal é uma doutrina pouco aceita em muitos setores hoje em dia? 2. É possível perder o respeito pela autoridade da Palavra de Deus e ainda assim manter seus padrões? 31


Versículo para memorizar “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo cousas espirituais com espirituais” (1 Co. 2.13).

32


V ESPIRITUALIDADE E CARNALIDADE Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Três tipos de homens – 1 Coríntios 2.14 – 3.4. Segunda-feira: O fruto da carne – Gálatas 5.17-21. Terça-feira: O fruto do Espírito – Gálatas 5.22-26. Quarta-feira: Uma guerra interna – Romanos 8.5-13. Quinta-feira: Vitória para o derrotado – Romanos 7.15 – 8.4 Sexta-feira: A oração do desviado – Salmo 51.1-13. Sábado: Santos e os seus pecados – 1 João 1.5 – 2.2.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 2.14 – 3.8. Se lhe pedissem para citar apenas uma característica dos cristãos professos que impede a causa de Cristo em todo o mundo, o que você citaria? Talvez fosse a importância que alguns dão aos movimentos, dentro ou fora da igreja. Talvez você dissesse que é o espírito de divisão ou atitudes de crítica. Outros certamente mencionariam a insistência da parte de alguns na enfatização de certas doutrinas acima de outras. Outros ainda diriam que os padrões na roupa e no comportamento dos cristãos são tão rigorosos que provocam a desarmonia em relação ao nome de Cristo. Muitos ignorarão tudo isso e irão ao âmago do problema, a natureza de cada crente individualmente e como essa natureza reflete Cristo. Quanto a isso, em algum ponto lá em cima da lista das características que atrapalham a causa de Cristo, estaria a imaturidade espiritual. Um velho provérbio índio diz: “Um diamante defeituoso tem mais valor que um seixo perfeito”. Portanto, amigo crente, diante de Deus, você apesar de suas falhas e desobediência, é muito mais valioso do que o incrédulo moral. Você foi comprado

33


com o preço do Seu precioso Filho, o Senhor Jesus Cristo. Você é Seu filho. Ele o amou e deu-se por você. Quando você aceitou a Cristo como Salvador, Ele lhe deu uma nova natureza. É desejo de Deus que você, em sua condição nova, siga “para o que é perfeito” (Hb. 6.1). Muito poucos de nós podem dizer: “Isso faremos, se Deus permitir” (Hb. 6.3). Ser imaturo é ser incompleto, é não ter atingido ainda um desenvolvimento completo. Ser amadurecido, entretanto, é ter atingido total crescimento e desenvolvimento, estar completamente realizado, perfeito. Você pode se dizer amadurecido? Naturalmente, não, e nenhum crente pode dizer honestamente que atingiu o nível da perfeição total. Nós o alcançaremos quando deixarmos esta vida e estivermos com Cristo, quando formos “semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é” (1 João 3.2). É plano de Deus que estejamos crescendo, amadurecendo na Sua Palavra, tomando-nos cada vez mais parecidos com o Salvador. Mas também é verdade que cada vez maior número de igrejas estão se dividindo, maior número de cultos ficam sem as bênçãos de Deus, grandes comunidades do mundo não são alcançadas com o evangelho de Cristo e inúmeros crentes privam-se dos benefícios espirituais que Deus tem para eles e para suas igrejas, simplesmente porque recusam-se a admitir humildemente sua imaturidade espiritual, que prevalece entre os cristãos de toda parte. Na introdução do capítulo 2, Paulo revelou que Deus tem grandes coisas espirituais preparadas “para aqueles que o amam”. Aparentemente muito poucos crentes estão qualificados. Temos uma revelação divinamente inspirada da vontade de Deus e o Espírito para iluminar nossos corações com entendimento. Por que tão pouco progresso? Em sua resposta Paulo descreve as três grandes divisões da humanidade: Homem Natural, Homem Carnal, Homem Espiritual. Ao mesmo tempo ele toca bem no âmago deste problema que prevalece nos círculos cristãos de hoje – a falta de maturidade espiritual da parte de milhares e milhares.

34


I. O HOMEM NATURAL Leia de novo o versículo 13, mais o versículo 14. Paulo acabou de apresentar sua doutrina referente à revelação divina. Deus usou os homens sob a direção do Espírito Santo para nos dar uma revelação da verdade espiritual. Até cada uma das palavras ficou sob a superintendência do Espírito Santo de modo que temos uma Bíblia verbalmente inspirada. Mas uma vasta multidão da raça humana não tem compreensão da verdade espiritual mesmo que Deus a tenha colocado ao nosso alcance. Quem é este homem para quem as verdades espirituais não existem? É o homem natural. A. Sua identidade Por “natural” Paulo quis dizer aquele que é, como nasceu fisicamente. Só nasceu uma vez e da carne (João 3.6). Ele não tem compreensão dos valores espirituais (João 3:3, 5), pois não pode ver ou entrar no reino de Deus. Vive no plano inferior da vida material. B. Suas características É mais fácil descrever as características do que a própria pessoa. O Apóstolo coloca diante de nós alguns sinais identificados do homem natural: 1. Não aceita as coisas de Deus. Está fora da sintonia divina. 2. As coisas espirituais parecem-lhe loucura. As coisas que os crentes gozam, parecem-lhe pura bobagem, parvoíce religiosa. 3. É impossível que reconheça as coisas espirituais. Assim como o cego de nascença não consegue entender a descrição das cores, assim o homem nascido só da carne não pode entender as coisas espirituais. II. O HOMEM CARNAL A segunda importante divisão da humanidade, encontrada no capítulo 3, é o homem carnal. Diz-se que este é uma criancinha em Cristo.

35


A. Sua identidade Esta palavra “carnal” foi usada três vezes nos quatro primeiros versículos do capítulo 3. Descubra-a. A palavra significa sensual ou carnal. Descreve de maneira precisa o cristão que é motivado mais pela carne do que pelo Espírito de Deus. O cristão carnal pode ocupar uma entre duas posições. Pode ser um convertido novo e assim ser uma criancinha em Cristo. Está apenas começando a sua jornada de obediência a Cristo. Ainda não teve oportunidade de estudar a Palavra de Deus e aprender seus preceitos para o crescimento e serviço. É capaz de entender e digerir só o leite da Palavra porque é jovem e imaturo. Como qualquer criancinha, o cristão novo pode tropeçar e cair enquanto aprende a andar no caminho que Deus planejou. Mas, conforme vai se alimentando da Palavra de Deus, ganha forças e avança na direção da maturidade em Cristo. Ou, então, o homem carnal já comemorou muitos aniversários espirituais, mas jamais abandonou seu comportamento infantil. Negligenciou a Palavra de Deus. Não procurou a comunhão com o povo de Deus. Não se submeteu à vontade de Deus. O homem carnal encaixa-se nestas duas posições. Vamos examinar suas características. B. Suas características 1. O homem carnal é espiritualmente imaturo. Paulo sentia-se frustrado. Desejava falar de grandes verdades espirituais e atacar assuntos mais importantes. Contudo, não podia ensinar aos cristãos coríntios de maneira adequada porque era necessário que usasse a linguagem espiritual infantil para falar com eles. Paulo não os repreendeu por esta condição no versículo 1. Lembra-se dos dias quando estivera com eles. Eram novos na fé e, portanto, criancinhas em Cristo. E foi tudo. Gigantes espirituais não amadurecem da noite para o dia depois do nascimento. O Apóstolo disse que os alimentara com leite naquela ocasião porque não tinham capacidade de receber outra coisa. Não podemos acusar uma criancinha sem dentes porque não come carne. Na verdade, nem lhe damos carne. Mas cinco longos anos tinham se passado. Houvera oportunidades para crescimento. Mas os cristãos de Corinto não tinham mudado. Continuavam carnais. Ainda eram criancinhas. Paulo teve de lhes dizer: “Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais”.

36


2. O homem carnal é motivado pela carne. A condição de “ainda carnal” dos versículos 2b e 4 é bem mais séria do que a dos versículos 1 e 2a. Aquela é uma carnalidade de crescimento paralisado, de vida segundo a carne e não segundo Espírito. Paulo citou qualidades específicas que acompanharam sua caminhada segundo a carne: “ciúmes”, que é o oposto do fruto do amor; “contendas”, ou uma reputação de serem briguentos; “divisões”, ou contendas dentro do grupo; e finalmente, Paulo disse que eram discípulos de homens. Estas características demonstraram claramente que os cristãos coríntios e os crentes iguais a eles hoje em dia, deixaram de reconhecer e lembrar-se da verdade de 1 Coríntios 1.7: “de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”. Daniel Webster, nascido quando os Estados Unidos ainda era uma nação muito nova, tornou-se um dos seus maiores oradores e notável estadista. Webster, durante a sua carreira em Washington, fez tudo que podia para reunir os estados em uma nação forte. Um repórter perguntou certa vez ao Sr. Webster: “Qual o pensamento mais sóbrio, mais penetrante que o senhor já teve?” Sem hesitação o firme estadista replicou: “Minha responsabilidade pessoal para com Deus!” Cada pessoa que nasce no mundo enfrenta esta responsabilidade. O homem natural vai enfrentá-Lo em pecado, perdido e sem esperança. O crente apresentar-se-á diante dEle, revestido da justiça do Salvador, para prestar contas das obras praticadas na carne. Deus não nos chama para que permaneçamos como criancinhas carnais em Cristo, mas para que cresçamos como santos úteis e espirituais que dão frutos para Sua glória. III. O HOMEM ESPIRITUAL Este é o homem que é mais motivado pelo Espírito do que pela carne. A agência controladora de sua vida está mais lá em cima do que aqui embaixo. Ele não é perfeito no sentido da ausência de pecado; mas tal é o espírito e a conduta de sua vida que é o próprio sal da terra e a luz do mundo (Mt. 5.13, 14). Coloque este homem dentro dos padrões de 1 Coríntios 13 e Gálatas 5.22, 23, e ele não estará abaixo do peso. É o tipo de homem que você sempre gosta de ver por trás do púlpito, nos bancos – e no espelho. 37


A. Sua identidade “Ele é espiritual”. Nasceu do Espírito (João 3.3). Tem uma nova natureza (2 Pe. 1.4). É uma nova criação (2 Co. 5.17). Prossegue “para o alvo” (Fp. 3:14). Saiu da infância espiritual alimentando-se da Palavra, tendo comunhão com o Salvador e os Seus santos e servindo. B. Suas características 1. É espiritualmente amadurecido, porque progrediu além do “estágio do leite” (3.2; Hb. 5.14). Aprendeu que para trabalhar para Cristo, deve primeiro ser obra de Cristo. Aprendeu a tomar a Palavra de Deus o seu livro de texto para o viver diário. Aprendeu a obedecer ã orientação do Espírito. Ativamente deseja andar no caminho divino. 2. Tem um inteligente discernimento espiritual (2.15). Isto não se deve a uma qualidade intelectual superior mas por causa do seu íntimo contato com o Espírito de Deus que é a Sabedoria do Céu. O homem espiritual tem a capacidade de examinar e avaliar todas as coisas por suas qualidades espirituais, carnais ou naturais. Contudo, “não é julgado por ninguém”. O homem espiritual não tem a motivação que leva os não salvos à ação; portanto, é um enigma. Um cristão não deveria realmente esperar que seus antigos amigos não salvos o entendam. Isto deve ser lembrado quando outros membros da família ainda estão sem Cristo. 3. É motivado pelo Espírito. Veja Gálatas 5.16-26, onde Paulo estabelece o forte contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Apesar da luta, o sinal do homem espiritual é que ele anda segundo o Espírito e produz fruto do Espírito. 4. É um discípulo de Cristo (3.4. 21-23). Em cada igreja Deus tem servos cuja obra é edificar os santos na fé. O homem espiritual reconhece esses servos pelo que são, instrumentos de Deus. Ele não se gloria neles. São simples homens. Gloria-se em Deus por ter enviado Seus servos para serem líderes espirituais. IV. A CURA DA CARNALIDADE CORÍNTIA Muitos anos se passaram desde que Paulo escreveu esta carta prática ao povo da igreja em Corinto. A natureza humana não mudou. Os conflitos de personalidade ainda atuam na igreja que deixa de vigiar e orar. 38


Este era o problema em Corinto. Por causa das diferenças de personalidade e talento de certos mestres, grupinhos começaram a reunir-se à volta de cada um. Os que apoiavam cada um deles proclamavam a superioridade de seu predileto. Como Deus queria que o problema fosse resolvido? Seu Espírito disse a Paulo o que escrever para lhes dar o conselho necessário. A tendência de engrandecer o servo de Deus é realmente loucura. Toda a obra espiritual é obra de Deus ainda que seja plano Seu usar instrumentos humanos. Com muita sabedoria o Apóstolo comparou a diferença de ministérios dos líderes á semeadura e rega. Ambas são necessárias, e nenhuma seria suficiente sem a outra; mas é Deus que dá a colheita. É Deus que merece o louvor. Seja Pedro, Paulo ou Apoio, o propósito do seu ministério era o fruto espiritual, não as divisões. Paulo organizou a igreja, mas recusou-se a invejar o ministério audacioso e eficiente de Apoio. O semeador, o lavrador e o colhedor são todos um – nenhum poderia ver a consumação de seu trabalho sem o outro. Não deveríamos considerar um mais importante do que o outro. Em qualquer obra espiritual sempre há dois obreiros, um instrumento visível humano e o Sócio Divino invisível que capacita. Recapitulação 1. Cite as três divisões da família humana desta lição. 2. Cite as duas divisões da família cristã. 3. Quais as características do cristão carnal? 4. Em que sentido os servos de Deus são um? O que você acha? 1. Até quando um cristão novo pode ser considerado como carnal? 2. Quais as evidências dos discípulos de homens? Qual a cura? 3. Muitas igrejas são críticas e têm medo dos evangelistas. À luz da Palavra de Deus, você acha que um evangelista é privilégio da igreja? 4. Faça uma lista das características em sua vida que indicam sua maturidade cristã. Faça uma outra lista das características, que devem amadurecer à luz dos ensinamentos desta passagem. 39


Versículo para memorizar “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais, como a crianças em Cristo” (1 Co. 3.1).

40


VI OBRAS E RECOMPENSAS Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Obra de qualidade – 1 Coríntios 3.9-15. Segunda-feira: O código de edificação para a eternidade – Mateus 7.24-29. Terça-feira: O obreiro cristão – 2 Timóteo 2.1-7. Quarta-feira: Regras a observar – 2 Timóteo 2.15-26. Quinta-feira: Responsabilidade cristã – 2 Coríntios 5.1-13. Sexta-feira: Tempo e talentos – Mateus 25.14-30. Sábado: À espera da coroa – 2 Timóteo 4.1-8.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 3.9-23. Um cristão sonhou que estava diante do Tribunal de Cristo. Diante de seus olhos perplexos o Filho de Deus tomou todas as obras de sua vida inteira – o que ensinou, o que cantou no coro, o que contribuiu, sua frequência assídua à igreja e centenas de gentilezas que fez a outras pessoas – e colocou tudo em uma grande proveta. A proveta foi colocada sobre o fogo; e, conforme os ingredientes das obras de sua vida eram aquecidas, começaram a derreter e então separaram-se em diferentes níveis dentro do tubo. Então ele percebeu o que estava acontecendo. O divino químico começou a medir e dividir os conteúdos. O calor das chamas separou todas as obras de sua vida em diversas motivações que induziram as obras. Envergonhado, observou as medidas: Amor aos elogios – 30 %; Senso de responsabilidade – 25%; Hipocrisia – 15%; Ambição pessoal – 20%; Amor a Cristo – 10%;

41


Toda uma vida de trabalho passando pelo julgamento divino e só 10 por cento de tudo que fizera fora motivado pelo seu amor a Cristo. Quando o Senhor olhou para ele, o homem acordou. Fora só um sonho. O sonho não contraria as Escrituras, entretanto. A lição diante de nós fala do serviço cristão e das futuras recompensas. A primeira e mais importante decisão da vida é aceitar Cristo como Salvador e Senhor. Só Ele é o sólido Fundamento sobre o qual devemos construir. Tendo estabelecido o fundamento, vamos construir direito – com o material adequado e as motivações certas. I. O OBREIRO CRISTÃO Paulo acabara de falar sobre trabalho e recompensa. Apoio e Paulo tinham diferentes ministérios, mas formavam na verdade uma equipe onde cada um tinha tarefa especial para que se atingisse um devido fim. “Somos cooperadores de Deus”. Poderia haver um conceito de serviço cristão mais agradável do que este? Cada faceta do serviço cristão torna-se não um dever, mas um santo privilégio. Trabalhamos em parceria divina com o Rei dos reis. “Cooperadores” significa que cada obreiro cristão é sócio de Deus ou simplesmente que todos os obreiros cristãos são como uma equipe que Deus empregou. O contexto parece apontar para o segundo significado. Em ambos os casos desaparecem o senso de trabalho enfadonho. O mesmo acontece com o senso de inutilidade e total frustração. Deus está em todo nosso trabalho. Estamos numa cooperativa divino-humana na qual somos o instrumento humano e Deus é o que capacita. A igreja em Corinto era jardim de Deus. “Lavoura de Deus”. Paulo e Apoio eram os lavradores empregados pelo Dono. Deus deseja que Seus jardins produzam frutos. “Edifício de Deus sois vós.” Mesmo que carpinteiros e pedreiros tenham construído sua casa, ela não é o seu lar? Ainda que mecânicos e operários possam ter construído o seu carro, você não o considera seu? O Senhor usa Seus operários e servos na igreja local, mas a Igreja (as pessoas e não os tijolos) é edifício Seu. E por que não deveria ser Sua a Igreja? Foi planejada por Deus e comprada por Seu Filho; o fundamento foi estabelecido por Deus na encarnação, na morte, no sepultamento e na ressurreição de Cristo; e ali Ele providencia os servos e as graças necessárias para seu

42


aperfeiçoamento. (Um conceito semelhante da Igreja encontra-se em 2 Coríntios 6.16; Efésios 2.21; Hebreus 3.6 e 1 Pedro 2.5. Leia para receber bênçãos.) Cada cristão que colabora com Deus em qualquer pedaço do Seu jardim ou em qualquer aspecto da edificação de Sua Igreja está sob uma grave obrigação. “Cada um veja como edifica.” Esta responsabilidade deveria amedrontar cada obreiro cristão se não fôssemos colaboradores de Deus e se Ele não fornecesse tudo o que os Seus obreiros precisam (2 Co. 3.5). Sua provisão é mais do que suficiente. E Seus suprimentos estão à disposição de quem precisa. Edifique com confiança! Paulo disse que sua obra era “segundo a graça de Deus”. Poderia alguém desejar mais? O escritor diz: “Concede mais graça se o fardo é pesado; Mais força Ele dá se o trabalho é difícil; Se há mais aflição, maior compaixão; Se mais tentação, há muito mais paz”. Paulo foi chamado em graça e sustentado pela graça. Nenhum cristão deve se atrever a retroceder quando enfrentar responsabilidade solene de trabalho, pois o Senhor também garante graça que capacita. O Apóstolo fala, então, do “prudente construtor”. Quando foi a Corinto, reconheceu que era aquele que lançava os fundamentos. Devia executar bem seu trabalho. Não devia edificar sobre sabedoria humana ou personalidade atraente, mas sobre Jesus Cristo (3.11). Outros, também, deviam construir bem. Há muito lugar para o emprego da inteligência com oração no trabalho da igreja. Vastas áreas da vinha de Deus estão empobrecidas porque tão poucos “tomam cuidado” quando estabelecem a superestrutura do edifício de Deus. Experiências e inteligência não santificadas são inteiramente inadequados para um ministério espiritual e bem sucedido. Do mesmo modo não há desculpa para a preguiça mental, ou falta de planejamento adequado em erguer a superestrutura do edifício de Deus. Seu edifício exige o melhor dos Seus.

43


II. A LIMITAÇÃO CRISTÃ O eterno e divino Filho de Deus é o único Fundamento para a salvação, o único Fundamento para a edificação de uma vida cristã adequada e o único Fundamento para a Igreja. Não existe Cristianismo sem Cristo e nenhuma igreja cristã, separada do Cristo da Palavra de Deus. Aqueles que querem ter uma igreja sem as grandes doutrinas centralizadas em Cristo estão edificando sobre fundamento arenoso. Podem ter uma religião, mas não o Cristianismo proclamado por Paulo. III. A SUPERESTRUTURA CRISTÃ Há um só Alicerce, Jesus Cristo, a Rocha; mas inúmeros materiais podem ser usados para a superestrutura. “Se alguém”, pode referir-se ao pregador-professor nos materiais que emprega (doutrinas, métodos, etc.) na edificação do Corpo de Cristo; ou pode referir-se a cada crente individualmente que, tendo aceito a Cristo como Salvador, começa a edificar sua vida cristã daquele momento em diante. O contexto pode aplicar-se a ambos. Temos uma escolha de materiais; assim, o tipo e o valor da superestrutura depende de nós. Os materiais duráveis são três: ouro, prata e pedras preciosas. São caros, não facilmente adquiríveis; mas fornecem uma linda e permanente estrutura. Considerando que temos um Alicerce tão maravilhoso, não seria sábio colocar sobre o mesmo um edifício de qualidade inferior. Geralmente o fundamento invisível é julgado pelo edifício visível. O mestre que sabiamente maneja as verdades da Palavra de Deus verá construído um edifício de beleza e permanência. O ouro pode apresentar a excelência do Pai, a plenitude que há em Cristo. A prata fala da redenção comprada por Deus para o homem na Pessoa do Senhor Jesus. As pedras preciosas estabelecidas por aquelas verdades divinas centralizadas nas grandes doutrinas da Palavra. Paulo estava principalmente preocupado com as duas classes de material de construção que o obreiro poderia selecionar para a superestrutura. É possível edificar com materiais ordinários e seculares: “madeira, feno, palha”. São baratos no custo, fáceis de se obter e longe de serem permanentes – o oposto dos materiais de construção de primeira classe. Podem referir-se à “sabedoria dos homens” e “falatórios inúteis” conforme mencionados em 1 Timóteo 1.6-7; 4.6-7; 6.4, 20. Agora temos uma pergunta: Seria possível aplicar os ensinamentos desta porção aos cristãos individualmente? A primeira referência é aos obreiros cristãos cooperando com Deus em Sua lavoura e em Seu edifício. Mas uma mudança no uso do pronome 44


no versículo 9 dá a entender que temos o direito de relacionar isto com todos os crentes. Observe a mudança do “nós” para “vós”. O “nós”, naturalmente, refere-se aos obreiros cristãos; enquanto que o “vós”, sem dúvida aplica-se a cada crente individualmente na igreja de Corinto. Cada crente individual é um construtor. Também enfrenta uma escolha de materiais que vai usar na sua construção para Deus. Já observou uma família de passarinhos construindo o seu ninho para uma nova estação? Já viu o lar terminado? Com que cuidado é tecido e entretecido para atender às necessidades das aves. Já observou, também, o processo de um jovem casal, que começa a administrar sua própria casa, quando escolhe a mobília certa e o equipamento com o qual vai começar a viver junto. Será que nós, os crentes, edificamos com o mesmo cuidado? Ou haverá perigo na edificação cristã de escolher com motivações erradas e julgamento deficiente e, então, construir uma superestrutura de qualidade deficiente, sem valor, inferior, imprópria para Aquele a quem servimos? IV. O JULGAMENTO CRISTÃO O que você acha que está incluído na declaração de Paulo, “a obra de alguém”? Dá a entender que cada crente deve comparecer diante do Tribunal de Cristo para prestar contas da obra de sua vida. Inclui mais que pregadores, missionários e mestres. Se aceitou o Senhor Jesus Cristo como Seu Salvador, inclui você. Observe, não é o homem que será julgado. Este julgamento não tem nada a ver com a salvação do homem. Isto já foi resolvido pela morte de Jesus Cristo na cruz. O julgamento é para o seu trabalho; é a superestrutura e não o alicerce que será provado. O alicerce do edifício é Cristo. “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co. 3.11). Este julgamento relaciona-se com as recompensas do crente por sua fidelidade, serviço e motivações próprias. Que responsabilidade temos de ter, para sermos edificadores para a Sua glória! “O dia” em que isto vai acontecer é o dia do “tribunal de Cristo” (2 Co. 5.10) que se realizará na volta do Senhor Jesus Cristo (2 Tm. 4.8; Ap. 22.12). Naquele dia toda simulação, pretensão, justificativa mesquinha e tarefa relaxada serão reveladas. Você crê neste fogo literal? Leia Hebreus 12.29 e Tiago 3.6. Da mesma maneira o fogo foi usado aqui como símbolo do julgamento que revela e prova os materiais. Não é raro encontrar os escritores da Bíblia empregando o fogo como um símbolo. 45


Nestas passagens, Deus é um “fogo consumidor” e “a língua é um fogo”. Nesta passagem de Primeira Coríntios o fogo é um agente revelador. O Senhor está mais preocupado com a qualidade de nosso trabalho (“qual seja”) do que com a quantidade de nosso serviço. Examine o serviço que prestou para Ele, testando-o pelo “fogo”. Um obreiro cristão estava ocupado da manhã até a noite, trabalhando até que não conseguia nem dormir de tanto cansaço. Cada dia parecia acrescentar novas obrigações. Todas eram boas. A maior parte necessária. Mas um dia quando saía para fazer visitas no hospital percebeu que há semanas não conversava com o Senhor, orando e lendo a Bíblia. O telefone vivia tocando ou alguém o procurava para aconselhamento, ou os seus filhos precisavam dele. Então chegou à conclusão: “Que trabalheira! E tudo perdido porque feito de maneira errada”. O que é que motiva seu serviço prestado para Deus? A quem você procura agradar? O fogo só revelará o que o Senhor, o justo Juiz, já sabe. Deus reconhecerá e recompensará tudo o que vale a pena guardar. Se a obra do crente-construtor “permanecer” – isto é, passar pelo teste – o construtor receberá seu salário. A natureza da recompensa não é mencionada. Mas certamente o Deus que providenciou um sacrifício perfeito para o pecado preparou a devida recompensa para o serviço fiel. Todo ministério edificado sobre o orgulho, ambição pessoal ou motivação carnal será considerado como perda para o construtor; mas ele mesmo será salvo embora o Senhor não o recompense. V. A MOTIVAÇÃO CRISTÃ Há dois bons motivos para os cristãos viverem vidas santas e servirem ao Senhor com temor piedoso. São também os motivos por que a igreja local deveria ser pura no seu testemunho e cuidadosa na conduta e serviço. Uma razão é que o Espírito Santo habita dentro de cada crente. “Sois o templo”. Deus chamou o corpo coletivo dos crentes em Corinto de Seu templo e habitação do Espírito. Isto é verdade no que se refere a cada igreja neotestamentária. Que glória para as assembleias locais! Tal templo deve ser mantido puro para Cristo; puro, porque não deve separar-se de Sua pureza; e unido ao redor de Cristo e não de homens. A outra razão é o temor do Senhor. Paulo advertia aqueles que causavam divisões em Corinto. O crime do versículo 17 é muito mais sério do que o trabalho 46


relaxado dos versículos 13 a 15. “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá.” Isto não é aniquilação mas castigo severo para o ofensor. Tal declaração deveria tornar todos os crentes mais cuidadosos em suas atitudes e atos para com a igreja. Concluindo Paulo profere uma advertência cristã (vs. 18-23). Nenhum homem deveria se enganar pensando ser mais importante do que é (Rm. 12.3). E nenhum homem deveria gloriar-se em homens (1 Co. 3.21). Seria loucura gloriar-se no servo em lugar do Salvador. A perda de toque de toda a maturidade espiritual é a exaltação de Cristo. Tudo o que possuímos, todas as motivações, todo o serviço deve centralizar-se nele; pois “tudo é vosso... e vós de Cristo, e Cristo de Deus”. Recapitulação 1. O que Paulo disse que a igreja em Corinto era para Deus? 2. Quem é o Fundamento da igreja? E da vida cristã? 3. Cite os materiais para edificação sobre o Fundamento. 4. O que é “o dia” do versículo 13? 5. O princípio da “recompensa pelo serviço” está errado? 6. O que Deus planejou para o bem do cristão? 7. Qual o significado de “cooperadores”? Versículo para memorizar “Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará” (1 Co. 3.13).

47


VII SINAIS DE LIDERANÇA ESPIRITUAL Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Qualificações do servo – 1 Coríntios 4.1-8. Segunda-feira: Responsabilidades e provisão – Josué 1.1-9. Terça-feira: Ore e planeje – Neemias 2.1-10. Quarta-feira: Confiança e cooperação – Neemias 2.11-20. Quinta-feira: Convicção e coragem – Ester 4.10-17. Sexta-feira: Atitudes e atos – Romanos 12.9-21. Sábado: Os ramos devem frutificar – João 15.1-8.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 4.1-21. Se você estivesse escolhendo um pastor, que qualidade desejaria que possuísse? Qual seria o seu relacionamento com ele? Quase todas as igrejas enfrentam, numa determinada ocasião, a responsabilidade de convidar um vice-pastor. É claro que todo membro de igreja que crê na Bíblia, pastor ou leigo, pode aprender com o conselho de Paulo em 1 Coríntios 4. Paulo coloca os pregadores sob a luz escrutinadora da inspiração divina. Aparentemente as divisões na igreja em Corinto eram mais sérias do que poderia parecer à primeira vista. Este quarto capítulo tem o propósito de ajudar a igreja a sair de sua condição de divisões. Na mente de Paulo – sob a direção do Espírito de Deus – o assunto exigia tratamento completo. Examine com ele as qualificações que deveriam ser encontradas nos verdadeiros servos de Deus. A saúde espiritual da igreja está intimamente relacionada com a liderança da igreja. Este capítulo é de vital importância. Paulo reconhecia, também, o relacionamento íntimo que existe entre os líderes da igreja e os cristãos que Deus lhes deu para liderar. Cada um tem responsabilidades junto ao outro que devem ser cumpridas honestamente diante do Senhor. Ao estudar, você vai descobrir alguns conselhos bons para os membros de Corinto – e para os crentes de qualquer lugar. Pense cuidadosamente nas verdades que Paulo apresenta a você. 48


I. O LÍDER E SUA RESPONSABILIDADE “Tudo é vosso”, declara Paulo (3.21). “Vosso” incluía cada crente na igreja de Corinto, e inclui você e as circunstâncias de sua vida. Paulo tentava persuadir os crentes de Corinto a retirar os olhos dos homens que os tinham levado a Cristo para focalizar sua atenção em Cristo que os tinha salvado. Os próprios líderes são responsáveis, não diante daqueles que levaram a Cristo, mas diante de Deus. Que diferença faria em cada vida e obra cristã se a pessoa verdadeiramente reconhecesse esta verdade! Uma devida perspectiva das responsabilidades de um ministro à luz da Palavra de Deus nos dará uma estimativa melhor do que Deus deseja dos Seus obreiros. Um ministro cristão é representante de Jesus Cristo. Sua conversão, sua chamada, seus dons vêm de cima. Sábios são os crentes de uma igreja que respeitam o servo de Deus, não por causa de sua oratória no púlpito, não por causa de sua cintilante personalidade ou seu gênio administrativo, mas porque é representante do Senhor. E ainda mais sábio é o pastor ou obreiro cristão que se lembra em profunda humildade que representa o Senhor, não por causa de alguma qualidade que valha nele mesmo, mas porque o Senhor lhe deu um chamado assim santo. É preciso que um mordomo seja fiel. Todos os crentes são mordomos (1 Pe. 4.10), mas de um modo particular, o líder espiritual. O Mestre, em Sua ausência, fez dele um superintendente da Sua obra. O obreiro cristão também é um “despenseiro dos ministérios de Deus”, isto é, das grandes verdades da Palavra de Deus. O ministro é responsável em saber e fielmente transmitir a Palavra de Deus. Responsabilidade pessoal diante de Deus é necessária em cada servo. Paulo apresentou-se como um exemplo: “todavia, a mim” (4.3). Não podia falar pelos outros, mas podia – e falou – de si mesmo. Ele considerava o julgamento humano incompetente. Ser esquadrinhado ou reexaminado pelos homens era coisa de pouquíssima importância. Avaliação humana pouco significava para o Apóstolo. Tal julgamento era defeituoso e superficial, e com muita frequência sem base nos fatos. Nota-se muito hoje em dia que há pessoas que preferem criticar sem conhecimento dos fatos, em lugar de procurar conhecer a exatidão do que ouviram contar. Conta-se a história de um diácono sábio que, quando alguém se aproximava dele para falar mal do pastor, dizia: “Já contou a mais alguém? Não? Então vá para casa; conte a Jesus e nunca mais fale sobre isso a não ser que Deus lhe mande contar 49


ao próprio pastor. Se o Senhor quiser um escândalo em nossa igreja, que Ele mesmo o faça; não seja você o instrumento”. A causa de Cristo tem sido imensamente prejudicada pelas contínuas críticas dirigidas aos servos de Deus. Peça a Deus a ajuda de ser sábio neste assunto. Paulo reconhecia que não era um juiz adequado de si mesmo. Não tinha consciência de nenhum fracasso em seu trabalho, mas quem era ele para julgar? Só o Senhor é totalmente competente para oferecer julgamento perfeito. Aparentemente o passatempo predileto da igreja de Corinto era julgar os servos de Deus. Paulo tentava persuadi-los que só o juízo divino é perfeito e que haverá um juízo futuro. A única ocasião indicada para completa avaliação do mérito do obreiro cristão ainda está no futuro – “até que venha o Senhor” (4.5). Neste futuro juízo (1 Co. 3.13) o Senhor fará duas coisas. Primeira, “trará à plena luz as cousas ocultas das trevas”. Isto não significa a corrupção encoberta dos obreiros cristãos; mas significa que aquelas coisas que os outros não podem ver serão reveladas. Quem sabe o que acontece por trás das cortinas no serviço cristão? Quem pode determinar quantos participaram da salvação de uma só alma? Deus mantém o registro. Naquele dia Deus trará à luz outras respostas. Sem dúvida haverá mais do que algumas poucas surpresas quando as recompensas forem distribuídas. Quando o Senhor vier, Ele “manifestará os desígnios dos corações”. As motivações do homem no trabalho serão reveladas. Alguns pensam que têm abundância de fruto no seu ministério. Naquele dia talvez seja revelado se os resultados foram devidos às orações ou testemunho de outras pessoas. Deus revelará isto também. Naquele dia cada obreiro terá o seu elogio de Deus. II. O LÍDER E OS LIDERADOS Exatamente como a maturidade espiritual e o trabalho frutífero de uma igreja dependem muito das qualificações do líder, também dependem da qualidade dos que estão sendo liderados. Um bom relacionamento entre os dois é necessário. Quando se perde a confiança, o amor e o respeito mútuo, a causa de Cristo é irreparavelmente prejudicada. Paulo apresentou uma lição para ser aprendida. O que tinha causado as divisões? “Estas coisas”, disse Paulo, ele as transferiu para si mesmo e Apoio. Eles não as tinham provocado. Estes indivíduos estavam ocupados fazendo a obra que Deus lhes dera para fazer. Mas Paulo os escolheu para usar como ilustração. Usando a si 50


mesmo, talvez os membros da igreja também fizessem uma aplicação pessoal das verdades. Paulo poderia ter citado os próprios indivíduos que causaram as divisões; contudo, preferiu não fazê-lo. Tal exposição poderia embaraçar a igreja; por isso, “por vossa causa”, preferiu a sua própria pessoa. Paulo e Apoio, ambos eram apóstolos e notavelmente dotados de dons espirituais. Não precisavam encabeçar partidos; nem outros de menor envergadura seriam elevados a tais posições. Ninguém deveria “ensoberbecer-se” ou considerar os outros com desprezo. Os cristãos podem desfrutar os talentos especiais que Deus deu a certos líderes, mas jamais deveriam ficar tão ligados a um líder, que se colocassem contra outro líder que pareça ter menos talentos. Tudo o que qualquer servo tem é somente pela graça de Deus. Quem lhe dá o poder discriminatório de exaltar uma pessoa e menosprezar outra? “Quem é que te faz sobressair?” É uma pergunta que se dirige a cada indivíduo na igreja de Corinto e na sua igreja se for culpada de escolher partidos. Leia o versículo 8 com o sarcasmo espiritual que Paulo deve ter tido em mente. A igreja de Corinto achava que tinha alcançado o pináculo das realizações espirituais. Não percebia sua própria pobreza. A igreja estava satisfeita consigo mesma; por isso não sentia fome espiritual. Essa era a sua presunção. Considerava-se possuidora de tudo o que receberia sob o reinado de Cristo. Os coríntios pensavam que já tinham ultrapassado seus mestres em realizações espirituais. Era uma ironia cortante! (Até parece que Paulo era um ratinho escondido no canto da sua ou da minha igreja.) Paulo aguardava o dia quando a igreja de Corinto desse evidências de toda a maturidade espiritual que seus membros pensavam já possuir. Paulo e Apoio forneceram um exemplo a ser seguido. Deus o usou para demonstrar a graça de Deus. Você já observou os carros polidos nas vitrinas das agências automobilísticas? São para que você saiba o que têm para você. Deus tem Suas vitrinas também; e os apóstolos foram dados para demonstração das graças que Deus deseja para os crentes, o que Ele tem para eles. Deviam demonstrar humildade. Foram condenados à morte, mas não houve amargura nem queixas – só uma pronta aceitação da escolha de Deus para suas vidas. Tinham de ser fiéis. Paulo tinha uma mensagem para transmitir. Era a sabedoria de Deus, o evangelho de Cristo. Recusava-se a exibir sua sabedoria, seu poder pessoal 51


ou sua honra. Assim, tornou-se o objeto de desprezo dos coríntios que amavam a sabedoria. Tinham de ser submissos. À luz das coisas que Paulo estava pronto a suportar por amor ao evangelho. Meça sua submissão a Cristo. É necessário a graça para suportar as difíceis provas que Paulo suportou. Quanto um homem pode aguentar? Já se fez esta pergunta? Ali estava este apóstolo humano – ultrajado, perseguido, difamado e considerado lixo; mas permaneceu firme. A compaixão é a explicação para a paciência do apóstolo. Paulo amava os seus convertidos apesar da carnalidade deles. Todo o seu sarcasmo, severidade e ironia eram instrumentos de cirurgião que examina o paciente para remover as causas de seu sofrimento. Paulo era motivado por seu amor e compaixão. Não pretendia que os santos de Corinto ficassem envergonhados. Queria que fossem espiritualmente amadurecidos, que crescessem em Cristo. Era desejo seu levá-los a uma vida na qual experimentassem as melhores bênçãos que Deus tinha para eles. III. O LÍDER E SUA AUTORIDADE Já viu as igrejas que, antes infrutíferas, começaram a florescer e crescer sob a liderança de pastores que trabalhavam muito, ganhando almas para Cristo ao imitá-lo? Essas igrejas, vendo o exemplo dos seus piedosos pastores, começaram a perceber o fracasso de suas próprias vidas e os membros, um a um, transformaram-se em santos úteis, fazendo a igreja prosperar. Alguém já disse que se pode olhar os membros de uma igreja e determinar que tipo de liderança têm. O mesmo se pode dizer dos grandes movimentos religiosos que passaram pela história. Até no povo da cidade de Corinto podia-se ver. Seus habitantes eram vis e corruptos porque fora o exemplo de seus sacerdotes pagãos. Seguiram a má autoridade. É verdade, entretanto, que quando os líderes espirituais demonstram humildade, fidelidade, submissão a Cristo, graça e compaixão, os crentes fazem bem em segui-los. Não há autoridade melhor do que uma vida bem equilibrada, disciplinada, piedosa. Paulo era um exemplo piedoso. Não desejava que os seus convertidos se lhe apegassem pessoalmente. Antes, desejava que o imitassem nas atitudes, na fidelidade e na singeleza de propósito; assim seriam imitadores de Cristo. Esta seria a espécie de exemplo que você é diante daqueles que o seguem? Você é o único cristão que algumas pessoas conhecem. Elas olham para você como o 52


exemplo daquilo que um discípulo de Cristo deveria ser. Se eles fossem exatamente iguais a você, ficaria satisfeito com a vida cristã deles? Um missionário trabalhou durante muitos anos numa determinada área do Continente Negro. Muitos foram ganhos para Cristo através do seu ministério. Mas um dia percebeu que os crentes não estavam crescendo em Cristo; não desejavam trabalhar para Ele nem submeter-lhe suas vontades. Finalmente o missionário fez suas malas e voltou para a América. De coração partido declarou: “Eu não vejo Cristo naqueles que me seguem. Precisam de uma nova liderança”. Que reputação invejável Paulo tinha. Durante dezoito meses conviveu com os coríntios. Agora queria que se lembrassem de como vivera entre eles. Seu comportamento era cristão. Mandou que Timóteo os fizesse lembrar dos seus “caminhos em Cristo”. Observe seus próprios caminhos. Tenha certeza de que os outros observam! Alguns em Corinto achavam que Paulo, tendo enviado Timóteo para transmitir sua mensagem, estivesse com medo deles. Apressou-se em lhes dizer que planejava ir logo que o Senhor permitisse. Então descobriria se seus críticos na igreja de Corinto tinham algo mais do que oratória. Será que realmente tinham poder e unção de Deus? Planejava ir. Se a atitude deles mudasse, ele os cumprimentaria com amor. Caso contrário, repreendê-los-ia com severidade. A escolha era deles. Cristão, isto não fá-lo lembrar-se de outra vinda? Cristo vem. Quando? Esse segredo está trancado no coração de Deus. Mas Ele VEM. E quando vier, quer cumprimentá-lo com amor e recompensas. Como Ele o fará é decisão sua. A escolha é sua! Recapitulação 1. Quando o trabalho dos servos de Deus será devidamente avaliado? 2. Que dois fatores farão que o julgamento seja justo? 3. Por que Paulo disse aos coríntios que lhe dessem atenção? 4. Por que Timóteo foi enviado à igreja em Corinto?

53


O que você acha? 1. À luz do capítulo 4, quais são algumas das qualificações dos líderes espirituais? 2. Até que ponto um servo de Cristo deve manifestar independência dos homens? 3. O que você diria ser a mais urgente necessidade nas igrejas locais, considerando tais setores como o reavivamento espiritual, melhor organização, pessoal mais qualificado, cristãos mais dedicados, grandes esforços missionários, forte liderança espiritual, finanças mais adequadas? Versículo para memorizar “Além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co. 4.2).

54


VIII DISCIPLINA DA IGREJA Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Problema de pureza – 1 Coríntios 5.1-13. Segunda-feira: Provocando um curto-circuito no poder de Deus – Josué 7.1-13. Terça-feira: Semeando e colhendo – 2 Samuel 12.1-14. Quarta-feira: Joio no trigo – Mateus 13.24-30. Quinta-feira: Padrão a seguir – Mateus 18.15-19. Sexta-feira: Guardador de meu irmão – Gálatas 6.1-10. Sábado: Um bom testemunho –1 Tessalonicenses 1.1-10.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 5.1-13. Ninguém exceto Deus sabe quantas pessoas voltaram as costas para Cristo por causa de conduta inconveniente de cristãos professos dentro da igreja. A igreja, além de pregar o evangelho em todo o mundo e declarar todo o conselho de Deus na edificação do crente, também é responsável pela manifestação do fruto do Espírito. Só então os de fora verão evidências do poder de Cristo resolvendo as necessidades do coração humano. Por que você acha que Deus colocou sua igreja em sua comunidade? Para revelar a Cristo. O que a comunidade vê em sua igreja? O testemunho de sua igreja não é mais forte nem mais luminoso do que o testemunho coletivo dos santos que a compõem. Leia Mateus 5.13-14. As verdades que você encontra ali deveriam se aplicar a cada crente e muito especialmente a você, membro de igreja. Se, tal como a igreja de Corinto, uma igreja tolera pecados flagrantes dentro dela, o poder do testemunho dessa igreja desaparece. Paulo resolvera um problema – as divisões por causa dos líderes. Por causa da ênfase sobre qual seria o maior, a igreja se tornara relaxada quanto ao pecado sem restrições entre eles. Um pecado geralmente abre a porta a outro. Paulo começou a resolver este outro pecado e desmascarar sua hediondez. É claro que esta é uma lição importante e necessária sobre a pureza da igreja. Ao estudá-la, ore a Deus pedindo para ser usado no seu fortalecimento e no fortalecimento de sua igreja.

55


I. O PROBLEMA OBSERVADO Não é fácil lidar com o pecado na igreja. Geralmente aqueles que são culpados têm amigos que valorizam a amizade acima do desejo de agradar ao Senhor. Quando se tenta aplicar a disciplina, a igreja geralmente se divide. Não sabemos como a conduta imoral em Corinto começou ou por que foi apoiada pela igreja. Não somos nem sequer informados sobre como Paulo ficou sabendo; mas ao ler, você perceberá que a informação veio da casa de Cloe exatamente como a notícia sobre as divisões internas por causa da liderança. Notícias más viajam depressa! A natureza humana passa adiante as más notícias mais depressa do que as boas. Toda a assembleia em Corinto parece que falava sobre o pecado. “Geralmente se ouve”. Mas parece que ninguém se preocupava o bastante para fazer alguma coisa além de falar. Paulo não tolerava o pecado. Era uma violação das leis divinas que governavam o relacionamento sexual. Ele citou o pecado e o desmascarou. A palavra “imoralidade” geralmente é usada para descrever qualquer mal sexual. Neste caso foi usada referindo-se a um incesto que Paulo imediatamente descreveu como a causa do pecado na igreja. Incesto era uma forma de mal que nem os pagãos praticavam. Isto tornava o pecado ainda mais detestável aos que estavam fora da igreja. “Nem mesmo entre os gentios” não significa que os gentios não falassem sobre o pecado. Sem dúvida falavam; e, pode estar certo, falavam com desprezo. Corinto era conhecida pela frouxidão moral, mas não isto. Paulo identificou a fornicação. Um dos homens tomara a esposa de seu pai. Provavelmente tomara por esposa sua madrasta, uma coisa estritamente proibida pela Palavra de Deus (Lv. 18.8). Naturalmente a melhor solução seria o arrependimento do membro da igreja que se encontrava em pecado. Deus fez provisão para a confissão individual e perdão do pecado. Em Sua grande sabedoria Ele sabia que pecaria. Em Sua justiça perfeita era preciso que castigasse o pecado. Em Sua misericórdia cheia de amor providenciou um meio para o santo pecador receber o perdão e ser restaurado à comunhão. “Há uma amplidão na misericórdia divina, Como a amplidão do mar; Há uma bondade em Sua justiça,

56


Que faz mais que libertar. Há boas vindas para o pecador, E mais graça para todos; Há misericórdia com o Salvador; Há cura no Seu sangue.” (Frederick W. Fáber) O fornicador na igreja de Corinto não aceitara a ordem divina para rejeição do pecado e busca da purificação. Sua presença pecadora na igreja não só prejudicava a si mesmo, mas também a todo o corpo de crentes. Até mesmo os que não são salvos tinham vergonha dele. Já observou que ocasionalmente um cristão que está fora da comunhão com Deus rebaixa-se na prática de pecados que escandalizam até mesmo os que não são salvos? A igreja em Corinto evidenciava uma indiferença carnal para com o terrível pecado no seu meio. Uma igreja que manifesta indiferença calejada ao pecado já está muito longe do seu primeiro amor. Três coisas revelavam a enfermidade espiritual da igreja em Corinto. Paulo, na sua maneira franca mas cheia de amor, procurou destacar os problemas deles. Primeiro, estavam “ensoberbecidos”. Não significa que estivessem orgulhosos por causa do pecado no meio deles. Provavelmente nenhum crente diria que desejava o pecado ali, que aprovava as atitudes do incestuoso. Antes, os cristãos coríntios orgulhavam-se apesar do pecado na igreja. Segundo, não havia tristeza por causa do horrível pecado. Aqueles cristãos foram libertados da degradação da Corinto pagã. Muitos deles foram participantes de pecados semelhantes antes de serem remidos pelo sangue de Cristo. Agora ignoravam imoralidade grosseira entre seus membros. Deus espera que uma igreja se perturbe e chore com a presença do pecado em suas assembleias. Ele espera que os crentes considerem o pecado à luz de Sua santa Palavra. Qualquer prática de piedosa disciplina na igreja sem tristeza sincera está errada. A disciplina na igreja sem tristeza evidencia a aridez do legalismo e dará pouco resultado. Terceiro, a igreja não agia com sabedoria para expulsar o ofensor e corrigir o mal. Deus deu à igreja um procedimento bíblico a seguir (Mt. 18.15-20); e Ele espera 57


ação compassiva, com oração. Às vezes na resposta à oração Deus remove a pessoa através de algum juízo divino. Normalmente o Senhor espera que Sua igreja exerça a autoridade que recebeu. II. O PROCEDIMENTO A SEGUIR Eis uma ocasião na qual temos de andar em Espírito e pôr em prática toda a sabedoria que temos à nossa disposição. Embora toda disciplina na igreja não seja de modo nenhum a mesma, aqui Paulo colocou diante de nós algumas atitudes e princípios que nos orientam em problemas semelhantes. O que Paulo faria se estivesse em Corinto? Avaliando todas as evidências que estavam à sua disposição, “já sentenciara” (5.3). Seu veredicto era que a igreja devia excluir as pessoas culpadas. Aconselhou que estivessem “reunidos”. Disciplina espiritual na igreja não é responsabilidade individual; antes, é um assunto para toda a igreja. A igreja, “em nome do Senhor Jesus”, devia agir com autoridade que Cristo lhe transmitiu. Em nome da Cabeça, a igreja devia julgar em relação à pureza do corpo. Paulo disse que estava com eles em espírito para uma tão solene responsabilidade; e o Senhor Jesus estava com eles em poder. Estude cuidadosamente o versículo 5. A igreja devia “entregá-lo a Satanás para destruição da carne”. Isto aparentemente significa exclusão ou remoção da comunhão da igreja e, portanto, a perda de todos os privilégios cristãos. (Leia os versículos 2, 7 e 13). O mundo fora da igreja é reino de Satanás. O propósito da exclusão era a “destruição da carne”. Isto não significa que o homem devia morrer, pois o propósito era que fosse restaurado à comunhão. Parece que Paulo considerava que a expulsão do culpado da comunhão e proteção da igreja fosse alguma aflição física. O objetivo final da disciplina era “que o espírito seja salvo no dia do Senhor”. Quando a disciplina da igreja resulta em restauração espiritual, todo o sofrimento e a dor envolvidos valeram a pena. Este deveria sempre ser o propósito (1 Tm. 1.20). A restauração foi alcançada conforme Paulo revelou em sua segunda carta (2 Co. 2.7). É infinitamente melhor experimentar o julgamento e a aflição pelo pecado nesta vida, sendo restaurado assim à comunhão cristã, do que continuar no pecado e experimentar o fogo do julgamento sobre as obras do crente no Tribunal de Cristo. Neste último caso sofre-se perda eterna. 58


III. NECESSIDADE PROFILÁTICA Unidade e pureza eram duas grandes necessidades da igreja de Corinto. Paulo resolvera as questões da divisão e unidade. Acabara de tratar do caso específico relativo à pureza. Então passou para os princípios gerais que aqueles cristãos precisavam conhecer. Certas atitudes são necessárias para manutenção da pureza. Reconheça a natureza do pecado. Os coríntios vangloriavam-se de sua tolerância. Paulo disse: “Não é boa a vossa jactância”. Abusavam da liberdade de Cristo. Uma expressão predileta de Paulo quando falava a esta igreja – “Não sabeis?” – revelava sua ignorância da natureza do pecado. O pecado é como fermento que rapidamente se espalha por toda a assembleia. As famílias judia do Velho Testamento tinham de remover todo o fermento quando se preparava para a Páscoa (Êx. 12.18-20; 13.6, 7). Paulo insistiu com os cristãos a que removessem a influência corruptora do seu meio para que fossem uma nova massa não tocada pelo fermento. Tinham de igualar a conduta da igreja à profissão – “como sois de fato sem fermento”. IV. A PUREZA RESULTANTE Posicionalmente todos os cristãos são puros, porque estão em Cristo. O ministério do Espírito através da Palavra é o de colocar sua conduta em nível de igualdade ao padrão. Paulo explicou por que era assim: “Pois, também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado”. O cordeiro pascal foi sacrificado por Israel no Egito; Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós. Israel tinha de investigar todo o fermento ou mal durante sete dias antes da Festa da Páscoa. Em nosso caso o sacrifício já aconteceu. É hora de abandonar todo o fermento. Em Cristo não temos fermento. Vamos imitá-Lo na prática. “Celebremos a festa” ou vamos, continuamente, observar a pureza relacionada com a festa. Aquelas coisas que caracterizavam nosso estado de perdidos (o velho fermento) têm de ser abandonadas. A malícia e a maldade falam de tudo o que há em nós que desagrada a Deus. A sinceridade e a verdade falam da pureza, nas motivações e atitudes. Onde você se encontra?

59


V. OS ASPECTOS PRÁTICOS DA DISCIPLINA A disciplina da igreja tem um propósito que vale a pena. Para manter a pureza da igreja há certas verdades que deveríamos observar com cuidado. Cuidado com as companhias! “Não vos associeis” tem a ideia básica de que não devemos ter amizade com aqueles que transgridem as funções normais do sexo. Paulo falou mais sobre isto no versículo 11, incluindo os avarentos, aqueles que só pensam em obter lucros e tirar vantagens dos outros; os idólatras que adoram outros deuses; os maldizentes, aqueles que ofendem outras pessoas; os beberrões e os ladrões, aqueles que se apossam daquilo que não é seu. Paulo disse aos coríntios que não deviam comer com aqueles que participavam de atos ímpios. “Nem ainda comais” vai além da prática de muitos. Não deviam comer com aqueles que praticavam tais pecados. Era uma injunção para que se não convidasse tais membros de igreja em suas casas – ainda que fossem chamados “irmãos” – ou aceitassem convites deles. Ter comunhão com a pessoa que está vivendo em pecado seria apoiar sua atitude e participar dela. Sem dúvida isto incluía a comunhão na Ceia do Senhor também. É preciso nos guardarmos do fanatismo. Os cristãos têm de falar com pecadores. Seria impossível evitar todo o contato com eles. Deus não pretende que Seus filhos fujam de qualquer contato com o mundo. Contudo, Ele quer que nos mantenhamos puros enquanto estamos no mundo. Não julgue o mundo. “Deus julgará”. A autoridade do cristão para julgar não se estende aos que estão fora da igreja, mas inclui os que estão dentro. A igreja local recebe membros. A igreja tem autoridade e responsabilidade de excluir os membros ofensores, para mantê-la pura e útil para a obra de Cristo. Deus julgará os perdidos, aqui nesta vida e diante do Grande Trono Branco. Mas Deus garantiu aos crentes na igreja alguma responsabilidade de julgamento para com aqueles que estão dentro da igreja. Quando a igreja exerce a autoridade que Deus lhe deu, o ofensor pode ser salvo para o serviço aqui nesta vida e das perdas no Tribunal de Cristo. Aqueles que criticam a devida disciplina na igreja estão, na realidade, prejudicando aqueles que necessitam de uma oportunidade de purificação em suas vidas para poderem proporcionar glória a Cristo. Examine sua atitude para com esta bendita provisão dada por Deus através do Seu servo Paulo. 60


Recapitulação 1. Quais eram os rumores em Corinto? 2. Como a igreja reagiu diante do seu problema? 3. Qual foi o conselho de Paulo à igreja? 4. Quais propósitos Paulo tinha em mente excluindo o ofensor? O que você acha? 1. Quais os fatores que acabam com o poder da igreja hoje em dia? 2. Você acha que o exercício da disciplina da igreja ajudaria ou prejudicaria sua igreja atualmente? 3. Será que a liberdade da graça degenerou em licença de pecar para os santos? 4. Seria bom se as igrejas batistas tivessem algum tribunal superior para apelar para os casos disciplinares mais difíceis? Seria bíblico? Versículo para memorizar “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (1 Co. 5.6)

61


IX OS CRISTÃOS NO TRIBUNAL Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Cristãos no tribunal – 1 Coríntios 6.1-8. Segunda-feira: Enfrentando um problema – Atos 15.5-18. Terça-feira: Encontrando a solução – Atos 15.19-31. Quarta-feira: O reino dos santos – Apocalipse 20.1-6. Quinta-feira: Anjos sob julgamento – Judas 3-7. Sexta-feira: Advertência e ilustrações – 2 Pedro 2.1-11. Sábado: A igreja equipada – 1 Coríntios 12.23-31.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 6.1-8. Davi Ben Gurion, o famoso primeiro ministro da nação de Israel, disse a um missionário: “Os padrões da doutrina do Novo Testamento são maravilhosos, mas onde estão aqueles que vivem de acordo com eles? Será que existe alguém que vive a vida cristã? Será que este Livro realmente produz o que apresenta?” Suas perguntas têm produzido eco na mente de muitas pessoas no mundo inteiro. Os santos fazem coisas estranhas! Frequentemente os padrões de seu comportamento são parecidos com os das pessoas perdidas de tal modo que torna-se difícil distinguir quais os crentes e quais os incrédulos. O cristão que verdadeiramente vive de acordo com o Livro refletirá o Autor do Livro de tal maneira que aqueles que o virem saberão que é diferente. Os santos em Corinto viviam vidas confusas. Paulo acabara de exortá-los – no capítulo 5 – a que evitassem julgar os que estavam fora da igreja; agora tornava-se necessário ensinar que era errado pedir aos que estavam fora da igreja para julgar os que estavam dentro. Os crentes de Corinto estavam empenhados em processos uns contra os outros diante de tribunais e juízes pagãos. Só há um argumento que os crentes deveriam apresentar diante do tribunal do mundo – o argumento de que Cristo morreu pelo pecado do mundo. Na qualidade de crentes devemos apresentar da maneira mais lógica e inteligente as reivindicações do Salvador para os corações dos ímpios. Pela persuasão, pelo argumento piedoso, por todos os meios que temos, devemos dar testemunho cristão diante do mundo que nos 62


rodeia. Esta era a responsabilidade dos cristãos primitivos em Corinto onde a igreja estava nascendo. Esta é a responsabilidade de cada crente no mundo de hoje. Pense em como a área do testemunho cristão cresceu desde o tempo de Corinto! O evangelho foi de Jerusalém, à Judéia, à Samaria e aos confins da terra sob as ordens de Deus. Você participa nisso através de seu programa missionário. E onde quer que haja crentes, há a responsabilidade de falar da causa de Cristo, não através de discussão ou conflito, mas com o amor que o levou a morrer pela nossa salvação. “Para vergonha vo-lo digo”, disse Paulo à igreja em Corinto, porque estavam levando problemas pessoais aos tribunais do mundo para serem julgados. A carnalidade revela-se de muitas formas. Primeiro foi vista nas divisões dentro da igreja. Depois os membros ficaram indiferentes ao mal que havia entre eles. Agora os cristãos começaram a se ocupar em controvérsias legais diante de incrédulos. É difícil que dois crentes se ocupem de um processo legal, um contra o outro, sem que haja prejuízo para a igreja diante da comunidade. Esta prática tornou-se comum demais hoje em dia. Disputa de propriedades, processos por danos sofridos, contas que não foram pagas, ou pior ainda, igrejas divididas – tudo isso diminui o respeito do mundo pelos cristãos e suas igrejas. O alvo dos crentes não é o de “receber o que tem direito”, mas de honrar o seu Salvador e levar homens e mulheres a Ele. As palavras latinas lex talionis significam “lei da retaliação”. O amor e o perdão devem ser a lei do cristão. Em lugar da vingança, Deus nos ordena – através do exemplo do Seu Filho – “Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe. 2.23). As instruções de Paulo aos coríntios sobre este assunto são dignas de sua consideração e estudo enquanto você procura aplicar os ensinamentos bíblicos a este problema. I. AS CONTROVÉRSIAS DOS SANTOS O tribunal de justiça era comumente usado na cidade de Corinto para resolver disputas. Antes de nascerem de novo, muitos cristãos coríntios deveriam considerar direito e apropriado levar seus dissídios à justiça. Alguns dos convertidos continuaram a fazê-lo depois de salvos. Dois erros são imediatamente evidentes. Primeiro, o indivíduo crente estava errado porque não percebia como sua atitude prejudicaria o testemunho de Cristo diante dos pagãos. Segundo, os líderes espirituais da igreja 63


estavam errados porque não escolhiam alguém na assembleia que fosse capaz e estivesse disposto a ajudar os crentes a resolver suas disputas de maneira bíblica. “Aventura-se algum de vós... a juízo perante os injustos e não perante os santos?” Paulo exclamou. Esta repreensão cortante declarava que tal atitude era incompatível com o Cristianismo. Não havia rodeios quando Paulo escrevia falando de sua conduta inconsistente. Sem dúvida, considerando que a natureza humana era a mesma que é agora, não havia só membros de igreja ocupados em processos, mas havia também amigos que os defendiam. Era uma desordem séria, e não se podia receitar aspirinas espirituais. O Dr. Paulo tinha de usar o bisturi do cirurgião para extirpar a doença que poderia corromper todo o corpo. Você não precisou ficar muito velho para tomar total consciência de que os santos têm suas diferenças. Não é coisa fora do comum. Nem é necessariamente errado. O pecado não está na diferença de opinião, mas antes nas atitudes que muitos assumem e expressam diante dos outros por causa das diferenças. Um cristão pode discordar de outro mas ainda assim conservar atitudes dentro dos limites do amor cristão estabelecido em 1 Coríntios 13.4-8. Um pastor fiel fez uma declaração que, involuntariamente, enfureceu um dos seus diáconos. O diácono o levou até a porta, empurrou-o para fora e fechou a porta na sua cara. Enquanto o pastor caminhava na direção do seu carro, sentiu-se indignado e ofendido. A alegria do Senhor o deixou. Não pode ficar assim, pensava; e voltou imediatamente à porta do diácono para lhe pedir perdão com humildade de espírito. O resultado foi unidade e paz em lugar de divisão e amargura. O pastor deu um bom exemplo para todos os crentes seguirem. Estes coríntios, entretanto, decidiram ir aos tribunais “perante os injustos”. O acerto de diferenças entre cristãos nos tribunais era contrário aos melhores interesses do crente individual, sua família e a igreja. Há ocasiões quando problemas legais estão envolvidos e torna-se necessário determinar a ação legal a ser tomada. Paulo não dizia que era proibido. O que dizia era que estava errado que dois irmãos cristãos se envolvessem tanto em mal entendidos que chegassem a ponto de comparecer diante de um tribunal pagão para esclarecer quem estava com a razão. Não que o tribunal pagão decidisse injustamente. Antes, Paulo provou em Atos 18.12-26 que estava errado irmãos cristãos comparecerem aos tribunais pagãos em busca de julgamento daqueles que não criam em Cristo.

64


Paulo dava a entender que uma igreja cristã deveria ter meios excelentes de averiguar diferenças entre seus membros. Os cristãos deveriam submeter seus problemas a irmãos cristãos que pudessem servir de árbitros entre eles, evitando assim prejudicar o testemunho dos irmãos e da igreja. II. A AUTORIDADE DOS SANTOS Paulo fazia uma série de perguntas procurando ajudar a igreja em Corinto na busca de uma solução adequada para seu dilema. Quatro perguntas retóricas foram feitas; isto é, perguntas que realmente não precisavam de respostas porque estas eram claramente óbvias. Veja as perguntas nos versículos 2 e 3. Destas perguntas você notará que os crentes possuem uma autoridade divina por causa do Espírito Santo que habita neles. “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo?” Os cristãos coríntios tinham falhado em perceber isto em sua total implicação. Refere-se àquela data futura quando os crentes reinarão com Cristo em Seu Reino milenar. Primeiro Ele vem para buscar os Seus (1 Ts. 4.13-18) e então, depois, retomará com os Seus santos para reinar em justiça (Dn. 7.22; Mt. 19.28; Lc. 22.30; Ap. 19.11-16). A partir desta verdade Paulo perguntou aos crentes em Corinto – tendo tal autoridade garantida pelo Senhor – se não podiam resolver assuntos comparativamente tão triviais como os que tinham surgido na igreja local. “Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?” Anjos são os mais elevados seres criados, mas serão julgados por criaturas abaixo deles na escala da criação, por aqueles que foram remidos pelo sangue do Senhor Jesus Cristo. Duas vezes lemos sobre o julgamento dos anjos (Judas 6; 2 Pe. 2.4). Este é o juízo final quando os anjos decaídos comparecerão diante do Senhor e os remidos participarão de Sua autoridade e glória no julgamento angélico. Agora, Paulo apresentou um argumento que não podia ser rebatido, se os santos julgariam o mundo espiritual invisível, não podiam julgar o reino material de todos os dias, ou “as cousas desta vida”?

65


III. A PRÁTICA VERGONHOSA DOS SANTOS Estes cristãos coríntios tinham permanecido como criancinhas por tempo demasiadamente longo. Já estava na hora de demonstrarem alguma maturidade espiritual. O Apóstolo os repreendeu com palavras fortes: “Para vergonha vo-lo digo!” Esta igreja que se vangloriava de sua sabedoria era alvo do sarcasmo Paulino. Será que não tinha um só homem sábio? Paulo queria lhes mostrar como a questão toda era vergonhosa. Havia uma falha ou defeito entre eles que trazia uma nuvem sobre a comunhão cristã de dois irmãos, horizontal e verticalmente. Quando alguém interrompe a comunhão com outro cristão, invariavelmente perturba sua comunhão com o Salvador, e também com os demais crentes. Já é grande o prejuízo quando, na família cristã, dois irmãos brigam entre si, mas é consideravelmente pior quando brigam publicamente diante dos incrédulos. “Um irmão... contra outro irmão” mostra que eram verdadeiramente crentes. Uma coisa é receber o prejuízo com um espírito manso, pois o Senhor observa e honra. Mas é totalmente diferente o cristão fazer o mal. Seu erro está parcialmente exposto na palavra “dano” que implica em “roubo”. Poderia um cristão roubar outro cristão? A experiência tem comprovado que alguns descendentes dos cristãos coríntios sobreviveram até o presente. Não – não o tipo de roubo que implica em assalto ou violência – mas o roubo através de meios mais sutis. Temos percebido algumas destas vergonhosas práticas dos santos através dos anos. Tem havido meeiros cristãos que deixam de pagar o que deviam aos donos de suas terras e que abusam das prioridades enquanto moram ali. Outros compram objetos de negociantes cristãos com um pagamento inicial mínimo, estragando o equipamento depois e, finalmente, devolvendo-o à loja por não poder pagá-lo. Em alguns casos, emprestou-se dinheiro de parentes confiantes com a promessa de pagar “dentro de seis meses”. O dinheiro emprestado não foi pago no tempo prometido, além do que o credor não consegue nunca encontrar alguém em casa ou obter uma resposta pelo telefone. Naturalmente o devedor se justificava em sua falta. Os tempos não eram difíceis? Ele não tinha sido cortado em suas horas extras? Afinal, tinha de pagar as prestações do carro novo! Você não acha que as discussões deveriam ser as mesmas com aqueles cristãos primitivos naquela antiga cidade de Corinto?

66


IV. A ATITUDE CRISTÃ PARA COM AS DISPUTAS PESSOAIS Paulo escreveu sob a inspiração do Espírito Santo. Consequentemente suas advertências à igreja refletem a sabedoria que vem de cima. Os problemas espirituais só podem ser resolvidos com resoluções espirituais. Sábia é a igreja que na hora extrema volta-se para o Senhor em oração pela solução certa. Para cada crise da igreja primitiva no Livro de Atos, o Espírito Santo providenciou uma solução. Não há outro caminho. Às vezes Ele usa o conselho sábio de alguns indivíduos. Um dos dons que Deus garante ao crente - e através do crente à igreja – é o dom do governo (1 Co. 12.28). É responsabilidade da igreja coletiva reconhecer tais dons e utilizá-los para a saúde da igreja e para o fortalecimento dos seus ministros. Leia os versículos 4 e 5 cuidadosamente. Paulo não pretendia que a igreja selecionasse para a resolução de algum problema aqueles que eram os menos inteligentes, os menos competentes. Isto seria contrário ao contexto – e especialmente ao conselho de Paulo quando ele pergunta no versículo 5 pelos mais sábios. A tradução deveria ser na forma de uma pergunta e não de uma ordem. Então o significado é exatamente o oposto. Seria: “Considerando que vocês estão qualificados para resolver suas próprias diferenças (pois vocês julgarão o mundo e os anjos), empregam tribunais e juízes pagãos, nos quais a igreja não pode ter muita confiante? Esses homens estão fora do reino de Deus e eles mesmos estão sujeitos ao julgamento. Esses são os homens que resolvem as questões entre os crentes?” Paulo indicava que a igreja deveria escolher os mais sábios, os mais dignos de confiança para árbitros dentro da igreja. “Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” Esta pergunta direta merece resposta; pois este é o segredo que precisamos obedecer, o segredo que vai evitar os processos entre os crentes. A devida humildade cristã não deveria ser confundida com a aceitação da impiedade ou compromisso com o mal. Contudo, uma atitude de disposição para sofrer perda se necessário – em lugar de defender seus direitos com espírito de amargura – será mais eficiente na solução de problemas pessoais entre crentes. Fazer a nossa vontade não é que, com humildade bíblica, permite que o defraudem se necessário, será reembolsado pelo Doador de todo o bem e do dom perfeito. Lembre-se, a vingança prejudica o crente mais do que a própria injúria. 67


Recapitulação 1. Quando os santos em Corinto tinham desavenças, o que alguns faziam? Por que estavam errados? 2. Quando os santos julgarão os anjos? 3. Qual era a solução dupla que Paulo apresentou para o problema das desavenças internas? O que você acha? 1. Que responsabilidade tem a igreja para com um membro que se recusa a pagar seus débitos legais? 2. Você é capaz de mencionar alguns casos em que acha que um cristão poderia ser justificado em procurar um tribunal civil para solução de algum problema? Quais os motivos? 3. Como você acha que os santos julgarão o mundo? 4. Como poderia explicar a conduta carnal dos cristãos coríntios à luz de 1 João 3.9? Versículo para memorizar “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois acaso indignos de julgar as cousas mínimas?” (1 Co. 6.2)

68


X PUREZA CRISTÃ Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Passado, presente e futuro – Efésios 2.1-7. Segunda-feira: Vocês eram, vocês são – 1 Coríntios 6.9-12. Terça-feira: Um corpo comprado – 1 Coríntios 6.13-20. Quarta-feira: Coisas velhas, coisas novas – 2 Coríntios 5.14-21. Quinta-feira: Verdade e liberdade – João 8.31-36. Sexta-feira: O futuro do corpo – 1 Coríntios 15.39-53. Sábado: União com Cristo – João 15.1-7.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 6. 9-20. O Senhor deposita um punhado de areia no coração da terra. Debaixo recebe calor intenso. De cima, a pressão de imenso peso. Um dia o homem o encontra; é uma opala flamejante. Nosso grande Deus faz a mesma coisa com o barro e o homem encontra uma ametista cintilante. Deus pressiona o negro carbono e o homem descobre um glorioso diamante. É realmente maravilhoso! Mas muito maior é o poder demonstrado quando Deus toma um pobre e inútil pecador e o transforma numa nova criatura em Cristo. Isto foi o que fez pelos crentes de Corinto. Isto é o que deseja fazer por você. Se você ainda não crê em Jesus Cristo como Salvador, não quer fazê-lo agora? Se já crê, sentir-se-á grato pelas verdades pertinentes à piedade prática que vai descobrir lendo esta passagem bíblica. Paulo apresenta alguns motivos irrefutáveis por que os cristãos coríntios deveriam dar evidências de que são “novas criaturas em Cristo”. Frequentemente os cristãos perguntam: “Será que está certo? Será que está errado?” Como determinar a resposta de Deus para nós? Será que há um meio de conhecer a mente de Deus e será que há poder para obedecê-Lo? Os cristãos não devem se conduzir como os injustos. Paulo apresenta aqui dois princípios de conduta para os cristãos que abrangem muitos setores além da lei: a lei da conveniência e a lei da contínua liberdade cristã. Aplique estas verdades e você se 69


tornará mais e mais semelhante ao Salvador que deseja transformá-lo em um cristão de rara beleza. Num mercado de uma cidade italiana há uma linda estátua de uma escrava grega bem vestida que pode ser vista por todos os transeuntes. Um dia, conta-se, uma criança pobre e esfarrapada – suja e desgrenhada – parou diante da estátua e pôs-se a admirar aquela beleza toda. Subitamente saiu correndo para retomar mais tarde com o rosto lavado e o cabelo um pouco mais arrumado. Dia após dia a criança mendiga examinava a estátua; e dia após dia saia correndo para voltar, ou com os pés lavados, ou com a roupa consertada, até que um dia, quem olhasse para a criança, não veria mais a mendiga suja, mas uma menina linda ocupada em ajudar os que dela precisassem. É apenas uma história, mas pode ajudá-lo a lembrar-se que quanto mais você olhar para o bendito Senhor e a Sua Palavra e procurar obedecê-Lo, mais parecido com Ele você se tornará. E o poder para a transformação vem dEle. I. A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DO CRISTÃO “Os injustos não herdarão o reino de Deus” é uma declaração que devemos transmitir a todo o mundo. Os injustos não necessariamente os perversos. Os injustos são simplesmente aqueles que não são justificados pela fé em Jesus Cristo. Por causa das verdades precedentes, os injustos podem ser os juízes pagãos. Significaria então: Por que levar seus problemas, já que são cristãos, àqueles que não podem entrar no Reino de Deus? Ou talvez seja uma referência àqueles que praticavam a injustiça defraudando e roubando os irmãos cristãos. Nenhum cristão professo se atreveria a continuar no espírito de rebeldia contra a vontade de Deus revelada. Seja qual for a referência, declara explicitamente que os injustos não podem entrar (herdar) no Reino de Deus. Este Reino é reservado para aqueles que nasceram do Espírito de Deus (João 3.3) e que tenham aceitado a Cristo como Senhor e Salvador (Atos 16.31). Eis a advertência! “Não vos enganeis”. Preste atenção. Que a sua esperança do céu não repouse em algum falso fundamento que não faz de você uma nova criatura em Cristo. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12). 70


Examine as listas de pecados que Paulo coloca diante de nós que são incompatíveis com a salvação. A lista dos pecados da carne do versículo 9 é impressionante: ● Impuros – um termo para todos os tipos de pecados sexuais. ● Idólatras – aqueles que adoram outros deuses; e em Corinto deviam praticar

imoralidade sexual grosseira uma vez que foram incluídos nos pecados da carne. ● Adúlteros – aqueles que especificamente pecam contra o casamento. ● Efeminados – quando esta palavra (usada três vezes no Novo Testamento)

aplica-se à moral, fala de um modo autoindulgente de vida sem restrições ao ego ou à carne. Pode incluir aqueles que se ocupavam com a prostituição, um pecado muito comum em Corinto. ● Sodomitas – uma referência à pederastia.

No versículo 10 Paulo fez uma lista daqueles pecados que são praticados contra os outros. ● Ladrões – uma palavra usada para pequenos furtos. ● Avarentos – aqueles que possuíam desejo intenso de ter mais. É digno de nota

que Paulo sempre classificou a avareza entre os piores pecados. Devemos olhar para a avareza através dos olhos de Deus. (Veja Colossenses 3.5). ● Bêbados – um vício bem conhecido; um homem que não tem controle. ● Maldizentes – um homem que fala mal dos outros; pessoa áspera e amarga e

que vilipendia o caráter e machuca os sentimentos. ● Roubadores – ladrões de toda sorte; aqueles que são ávidos de lucros e estão

prontos a oprimir os outros por amor ao dinheiro. Alguns dos coríntios já tinham sido classificados entre tais pecadores, mas a divina transformação da graça acontecera em suas vidas; “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes”. Era bom que alguns em Corinto demonstrassem tais mudanças de suas vidas pagãs para suas novas vidas em Cristo, para que outros reconhecessem a diferença. Não só o cristão faz uma escolha quando aceita a Cristo, mas também experimenta transformações.

71


Qual é a transformação? Paulo disse aos coríntios: “Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. “Vós vos lavastes” tem dupla implicação espiritual. Refere-se à lavagem da regeneração através do sangue de Cristo (Ap. 1.5), mais a purificação diária que o cristão experimenta através da lavagem da água pela Palavra (Ef. 5.6). Ambas são essenciais - uma para salvação e outra para pureza cristã. “Fostes santificados” é obra do Espírito Santo quando separa o crente para Deus. Cada crente foi separado para Deus. Acontece na salvação e é um ato divino em nosso benefício. O crente não “ora para acontecer”, nem “trabalha” para isso. Outra frase da santificação inclui a separação do mundo (Rm. 6.19, 22). Também é operado em nós pela Palavra de Deus (João 17.17). “Fostes justificados” dá-nos nossa liberação legal ou judicial diante do Deus santo quando somos declarados justos. Isto acontece no momento em que confiamos no Filho de Deus, Jesus Cristo, como nossa única Esperança de perdão e vida eterna (Rm. 3.20; Gl. 3.8). Toda esta maravilhosa redenção é através da provisão do Senhor Jesus e pela agência pessoal do Espírito Santo. Veja o versículo 11. Descubra a palavrinha “mas”, usada três vezes, dando a entender as transformações dramáticas que Paulo disse terem acontecido nos santos em Corinto. Eis aí o poder do Cristianismo em qualquer comunidade. Nada é tão eficaz para atingir os outros como uma vida transformada. Um bêbado, recentemente nascido de novo, contava a seus vizinhos na festa anual da vizinhança que grandes coisas o Senhor fizera com ele salvando sua alma. Falava com humildade de espírito, esperando ganhar alguns dos seus amigos para Cristo. Um antigo companheiro de farras zombou: “Sim, Herb, é o que você diz; mas espere um pouco. Um dia destes, você vai acordar do sonho e voltar para a nossa companhia”. O filho adolescente do ex-beberrão colocou-se silenciosamente ao lado do seu pai e disse: “Espero de todo coração que ele não acorde, porque nossa família gosta do que o Senhor fez pelo papai”. Há poder transformador no evangelho do Senhor Jesus Cristo. Transformou os coríntios. Pode transformar você. 72


II. O PRINCÍPIO ESPIRITUAL QUE ORIENTA O CRISTÃO A liberdade cristã foi pervertida por muitos. De modo nenhum nossa liberdade em Cristo deveria se transformar em licenciosidade para relaxamento de conduta. Os cristãos estão “livres da lei”. Que condição feliz! Mas isto não significa que o cristão está livre do amor. O Apóstolo descreveu a lei da liberdade cristã para os coríntios. “Todas as coisas são lícitas” não significa que tenho liberdade de fazer o mal. Muitas atitudes talvez não tenham restrições legais, mas nem todas as coisas me “convêm” ou são vantajosas. Algumas coisas não trazem proveito nem para quem faz nem para quem recebe. Se algumas atitudes atrapalham outras, não tenho liberdade para com elas. Alguém disse: “Posso descer a rua balançando os braços à vontade; mas minha liberdade de fazê-lo cessa onde começa o seu nariz”. Isto também se aplica espiritualmente. Um homem deve perguntar se a sua escolha ou atitude vai agradar ao Senhor. Qualquer coisa que prejudique sua sensibilidade espiritual deveria ser evitada. “Eu não me deixarei dominar por nenhuma” apresenta a lei da escravidão. Platão ensinou que um homem livre tem o poder de escolher a escravidão; mas, depois de escolhê-la, não tem mais o poder de escolher a liberdade. Paulo ensinou a mesma verdade no reino espiritual. É errado exercer minha liberdade se, exercendo-a, perco o meu poder de autocontrole. Qualquer coisa que me transforme em escravo está errada. Lembre-se, o cristão tem liberdade. Sua salvação não se baseia na observação de certas regras; nem fica circunscrita por uma multidão de restrições. A soma total dos ensinamentos de Paulo é que todas as coisas são legais, mas que o cristão não deve abusar desta liberdade para não ferir outros nem se tornar um escravo de algum hábito ou atitude. Qual é a essência do versículo 13? Ao estudá-lo, perceberá que Paulo ensinou que os apetites do corpo são normais e dados por Deus. Além dos apetites da fome, da sede, do sexo, também o desejo de ver, ouvir, sentir e saber. Deus garantiu aquilo que satisfaz o apetite. Contudo, o propósito da vida não é a satisfação dos apetites carnais. Isto é simples fato acompanhante, não o propósito principal da vida. Não vivemos para comer. Um apetite indisciplinado leva a glutonaria, à bebedice e toda sorte de perversões. Deus está acima do corpo e seus apetites. Ele “destruirá tanto estes como aqueles”. Coisas espirituais, não carnais, têm prioridade. O corpo igualmente tem um propósito. A palavra “corpo” inclui mais do que carne e seus apetites. Inclui todo o homem, feito por Deus e para Deus. O corpo é para o Senhor; isto é, o instrumento no qual nós o servimos. O Senhor é para o corpo; isto é, só encontrará a mais plena realização dos seus propósitos quando o Senhor lhe dá 73


energia e o controla. Por causa do relacionamento do corpo com o Senhor, não deve ser entregue à imoralidade. Um exame deste assunto feito com oração ajudará o crente a viver nesta sociedade permissiva e imoral de hoje. Deus, através de Paulo, deu estas instruções para os cristãos na Corinto pagã e esperava que obedecessem. Sabia que nós também, em nosso ambiente pagão, poderíamos entender e obedecer. O corpo ressuscitará (v. 14). Os apetites – e aquilo que satisfaz os apetites – serão destruídos; mas o corpo ressuscitará pelo mesmo poder que ressuscitou a Cristo. Além disso, nossos corpos são membros de Cristo. Aquele que é membro de Cristo não pode se entregar à fornicação, pois estaria negando que o corpo é para o Senhor. Você não acha que o conhecimento destas coisas deveria ajudar o crente que está tentando vencer algum pecado habitual que o escravizou? Não deveria ser um incentivo para manter o seu corpo puro para Cristo? “Fugi” implica em perigo que está perto. Depressa! Para salvar a vida! E esta foi a orientação de Paulo: “Fugi da impureza!” III. O CRISTÃO Ê UMA PROPRIEDADE COMPRADA Não há nenhuma verdade mais conducente a um alto padrão de vida cristã do que os versículos 19 e 20. Eis a nobreza de vida que só o Espírito Santo pode tornar possível. Em 1 Coríntios 3.16, toda a igreja é o templo de Deus. Eis aqui o crente individual. No Velho Testamento, o Templo era o lugar da presença e glória de Deus. No Novo Testamento, Deus não habita mais em um templo de pedras, tijolos e cimento, mas no corpo remido do crente. Paulo enfatizou a santidade do corpo do crente – o templo de Deus. Desde a glorificação do Filho de Deus, cada crente é habitado pelo Espírito de Deus. As promessas do Salvador em João 7.37-39; 14.17 e 16.7 atingiram o clímax no Pentecoste (Atos 2.4). Tudo era parte do plano redentor de Deus. Paulo expressou o significado dizendo: “o qual tendes da parte de Deus”. Somos selados com o Espírito (Ef. 1.13, 14) até a total redenção da propriedade comprada (Rm. 8.23). Há um bom motivo por que o crente não pertence a si mesmo. “Fostes comprados por preço”. Tendo sido comprados no mercado dos escravos do pecado, agora pertencemos a Deus. “Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”, que é de Deus. É uma questão de obrigação e de gratidão guardar o seu corpo para Deus. 74


Um cristão pode glorificar a Deus na adoração, no serviço cristão, no ganhar almas, enviando a mensagem da redenção a todos os homens, no bom comportamento, no capricho do trabalho e na demonstração diária das graças espirituais. Glorifique a Deus em seu corpo. Não protele! Não há mais muito tempo. É verdade que você pode viver uma vida longa, mas se já é adulto, a maior parte de sua vida já foi. Use cada dia que o Senhor lhe dá para Deus e Sua glória. Recapitulação 1. Por que os injustos não podem herdar o Reino de Deus? 2. Você conhece alguém que foi “enganado” (v. 9) sobre a questão de sua salvação? Como poderia ser ajudado para vir a conhecer o verdadeiro caminho da salvação? Versículo para memorizar “Todas as cousas me são lícitas, mas nem todas me convêm. Todas as cousas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1 Co. 6.12).

75


XI ASSUNTO DE GENTE CASADA Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Bendita comunhão – 1 Coríntios 7.1-9. Segunda-feira: Uma só carne – Gênesis 2.18-25. Terça-feira: Uma escolha sábia – Rute 1.15-22. Quarta-feira: A suficiência divina – Isaías 50.1-7. Quinta-feira: Deus e Israel – Oséias 2.1-9. Sexta-feira: Relacionamento bíblico – Efésios 5.22-23. Sábado: Um só esposo – 2 Coríntios 11.1-3.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 7.1-16. Manuais sobre o casamento, conselhos sobre como ter uma união feliz, livros sobre os prós e contras do casamento versus vida em comum versus permanecer solteiro – tudo isso e muito mais enche as prateleiras das chamadas livrarias bíblicas no mundo de hoje. Um recente exemplar de um dos principais jornais da América, percebendo o intenso interesse pelo assunto, publicou um artigo de duas páginas sobre livros que tratavam do sexo e casamento escritos por autores intitulados “evangélicos”. Além disso – que talvez sejam, talvez não, dignos de valor – o mercado está atulhado de livros, folhetos e artigos que antigamente receberiam a etiqueta de pornográficos, mas agora estão entre os “best-sellers”. Quase todo programa favorito de TV está cheio de aventuras de pessoas procurando alguma nova experiência conjugal ou extraconjugal. A palavra de quatro letras que há alguns poucos anos era proferida com cuidado e em voz baixa, agora é um assunto tão comum que até pessoas nascidas de novo falam dela com leviandade e com boçalidade, parecendo quase imitar os que não são salvos, no seu desejo de excitar e chocar seus ouvintes. Alguém pergunta: “Será que a antiga Corinto era pior?”. Conta-se a história de que no começo do século XX, quando o correio era muito mais lento do que agora, uma jovem enviou ao seu amado, que morava a uma certa distância, uma carta dizendo que aceitava sua proposta e que se tomaria sua esposa. A 76


carta foi entregue cinquenta e seis anos depois. Nesse tempo o amado dela, casou com outra pessoa e, naturalmente, morreu. Nada sabemos sobre este romance; mas em alguns que conhecemos, deixar de casar teria sido muito melhor do que efetuar as tristes uniões em que resultaram. Naturalmente o conselho da Palavra de Deus é essencial neste assunto importantíssimo do casamento neste ponto da história. Paulo levou o conselho de Deus ao povo de Corinto. Com que cuidado deveríamos estudar e dar atenção ao seu conselho. Estudando a passagem bíblica e o material deste livro, lembre-se de que a instituição do casamento foi ordenada por Deus como parte do Seu plano para o homem. Considerando que o casamento foi ordenado por Deus, Ele tem regulamento e regras para o comportamento do homem dentro do plano. Deus deu tanta atenção à instituição do casamento que o escolheu como figura do amor de Cristo pela Igreja. Leia sobre isso em Efésios 5.25. O íntimo relacionamento de um casal unido pelo sagrado matrimônio é certamente um símbolo adequado da união de Cristo e Sua Noiva. Os crentes coríntios enfrentavam um problema sobre o devido relacionamento conjugal entre a esposa e o marido depois que um se tornava cristão. Deveriam permanecer juntos mesmo quando um não era crente? E se o incrédulo decidisse acabar com o relacionamento conjugal e partir, o que fazer? Qual deveria ser o procedimento quando crentes que estavam casados não se davam bem? Todos eram problemas importantes e os cristãos se voltaram para o Apóstolo Paulo em busca de uma solução. Alguns membros da igreja escreveram a Paulo explicando as dificuldades que enfrentavam. Na sua resposta Paulo tocou em setores relacionados com o casamento cristão que são pertinentes hoje em dia. Já percebeu como Deus é cheio de graça? A vida neste mundo está cheia de problemas que são causados pelo pecado e por Satanás. Mas Deus em Sua Palavra e através do Seu Espírito tem a resposta e a solução para cada problema que Satanás pode inventar. Ele dá a solução e, então, dá a sabedoria e graça para lhe obedecer. Outros livros nos dizem o que o homem supõe; a Bíblia nos diz o que Deus sabe. Descubra o que Deus tem para você nesta porção de Sua Palavra. Considere as condições ambientais do casamento na igreja de Corinto. As irregularidades conjugais abundavam. Alguns crentes membros da igreja eram de opinião que os cristãos solteiros eram mais santos do que os casados. Outros achavam que o relacionamento normal de marido e mulher deveria ser abandonado depois que eles se convertiam. Tais crentes consideravam o leito conjugal uma coisa desonrosa.

77


Aparentemente alguns também tinham abandonado seus cônjuges incrédulos quando se converteram. Eram cristãos novos em uma igreja nova, salvos de uma sociedade pagã. Todo o seu modo de pensar até aquele momento centralizara-se nas práticas pecaminosas de sua antiga religião que se baseava na imoralidade. Este é um estudo sobre o qual é mais fácil escrever do que falar publicamente. Leia o texto bíblico com cuidado. Ore por seu professor. A questão do casamento era tão importante que neste capítulo Paulo dá aos coríntios a mais longa porção inspirada sobre o casamento e o relacionamento conjugal que encontramos. I. PRINCÍPIOS GERAIS SOBRE O CASAMENTO “Quanto ao que me escrevestes” mostra que a igreja em Corinto preocupava-se sobre as irregularidades e confusão no casamento que experimentavam. Pediram a ajuda de Paulo. Ele tinha de ser o seu conselheiro conjugal inspirado por Deus. O seu conselho, vindo do próprio Deus, vale mais do que todos os conselhos que são tão facilmente adquiríveis hoje em dia. Paulo declarou que ser solteiro é bom. “É bom que o homem não toque mulher”. Isto não se referia à fornicação, mas ao casamento. A palavra “toque” significa ligação conjugal. Em “não toque” Paulo disse que sob certas circunstâncias a pessoa solteira estaria mais livre para servir o Senhor não tendo as responsabilidades do casamento. Alguns estavam ensinando que um homem era mais santo se permanecesse solteiro ou celibatário. Paulo concordou que o celibato é bom e mais tarde destacou certas vantagens. Mas ele nunca disse que o celibato é moralmente melhor do que o casamento. No próximo versículo ele disse: “Cada um tenha a sua própria esposa”. De modo nenhum Paulo era contra o casamento. O mesmo homem escreveu 1 Timóteo 4.3, destacando que um dos sinais da apostasia dos últimos tempos seria os que “proíbem o casamento”. Sob certas condições seria melhor não casar-se, e sob outras seria melhor casar-se. Casar-se é coisa normal. De acordo com Gênesis 2.18 está perfeitamente dentro dos planos divinos que um homem e uma mulher se casem e organizem o seu lar. “Fugi da impureza!” foi uma ordem para Corinto. A adoração no templo centralizavase na prostituição que conduzia à corrupção fora do comum. A fornicação era um grande mal e a solução certa para fugir deste mal era o casamento. 78


Paulo falava claramente que o seu conselho aplicava-se a ambos, o homem e a mulher. O casamento envolve responsabilidade. Provavelmente um dos motivos mais comuns dos problemas no casamento seja o fato de um ou ambos os membros da união recusarem-se a assumir as devidas responsabilidades. Para um casamento proveitoso é preciso observar algumas regras ou princípios de orientação. De modo nenhum o Apóstolo pretendeu abranger todos os setores do casamento com os seus conselhos. Aqui Paulo estava preocupado com um assunto muito delicado, as obrigações mútuas do marido e da mulher no relacionamento conjugal. 1. O casamento envolve um débito mútuo (v. 3). Alguns na igreja em Corinto achavam que era sinal de superioridade abster-se do relacionamento conjugal normal. Paulo disse que não era assim; antes, “não vos priveis um ao outro”. O casamento tem suas obrigações, parte das quais é reconhecer e atender às exigências normais do apetite sexual. A palavra “conceder” (v. 3) não implica na concessão de um favor mas o cumprimento de uma obrigação. 2. O casamento envolve um respeito pelas necessidades mútuas (v. 4). No casamento os dois se tornam um. Já não há mais um senhorio independente do corpo. Os dois agora têm obrigações mútuas. Sábios são os maridos e esposas cristãos que reconhecem e obedecem à interdependência de ambos para satisfação mais plena da vida de casados. O marido cristão tem um ministério para com sua esposa – o de envolvente força, apoio, segurança e satisfação nos mais íntimos afetos. O mesmo acontece com a esposa no seu ministério para com o marido em lealdade, estímulo, no cumprimento das obrigações familiares e domésticas e na realização das obrigações mútuas dos mais íntimos afetos. 3. O casamento implica em proteção contra a tentação (v. 5). “Não vos priveis um ao outro”. Nem o marido nem a esposa não devem privar o outro daquilo a que tem direito. Contudo, às vezes, seria sábio, disse Paulo, praticar a abstenção dos direitos conjugais normais para a consecução de objetivos espirituais. Nessas ocasiões, três condições pelo menos devem ser observadas: (1) Haver mútuo consentimento. (2) Ser por tempo limitado. (3) Ter por objetivo o enriquecimento da vida espiritual. Deixar de observar as condições, especialmente numa prolongada separação, levaria à tentação e ao pecado. Quando Paulo escreveu: “E isto vos digo como concessão”, não quis dizer que não tinha inspiração divina neste assunto. Simplesmente quis dizer que estava dando um conselho, não um mandamento. Indicava sua opinião pessoal. As condições variam de lar para lar; assim, em alguns exemplos, não seria nada sábio para a esposa 79


ou o marido absterem-se por tempo indeterminado por causa das responsabilidades que tem. Há ocasiões cm que há mais demonstração de graça cristã cuidar das obrigações do lar do que sair para algum retiro espiritual, se o lar for por isso negligenciado. No versículo 7 Paulo declarou sua preferência pela condição de solteiro. Por causa das dificuldades que os cristãos enfrentavam naqueles dias, sentia que seria melhor ficar sem casar. Mas de modo nenhum para todos os homens. “Cada um tem de Deus o seu próprio dom”, ou capacidade de continência. Cada homem deveria considerar a vontade de Deus para ele. II. CONSELHO PARA AS SOLTEIRAS E VIÚVAS Paulo incentivou as mulheres solteiras e viúvas a permanecerem sozinhas. Sem dúvida o Apóstolo pretendia que esta declaração fosse assim como uma conclusão ao seu argumento precedente. O “no entanto” indica isto. As viúvas foram incluídas porque poderiam pensar que a declaração anterior de Paulo não se aplicava a elas. Esta situação de celibato só era preferida por causa do sofrimento vigente (v. 26). Mais tarde ele advogaria que as mulheres jovens se casassem (1 Tm. 5.14). Se um homem ou mulher não tem o dom do autocontrole, que siga o padrão normal do casamento. “Abrasado” refere-se a um desejo intenso. Seria melhor ser casado do que experimentar continuamente algo que rouba a paz da pessoa e pode levá-la à amargura tentação. III. MANDAMENTO PARA OS CASADOS O Apóstolo Paulo falava com a autoridade das Escrituras que o apoiavam. “Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de adultério, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério” (Mt. 5.31, 32). Volte-se para a Bíblia e leia Mateus 19.3-9. Os ensinamentos de Cristo são explícitos. O laço conjugal era sagrado e inviolável. Mas os registros mostram que hoje em dia, quase um casamento em três é um desastre e termina em divórcio.

80


Cônjuges crentes não deveriam separar-se. Não deveria haver divórcio nem causa para divórcio num lar cristão. Só há um pecado que dissolve o relacionamento conjugal. “O que Deus juntou, não o separe o homem”. Sob certas sérias circunstâncias conjugais pode-se conceber que um dos cônjuges vá embora. Paulo não discriminou as condições mas reconheceu a possibilidade. Entretanto, tal pessoa continua casada, disse o Apóstolo, e não pode casar-se com outra. Um cônjuge cristão não deveria se divorciar do cônjuge incrédulo. Muitos tinham se casado antes da regeneração pela fé no Senhor Jesus Cristo. Agora tinham cônjuges incrédulos. Paulo lhes ofereceu seu inspirado conselho: O cônjuge cristão não devia separar-se do cônjuge incrédulo se este quisesse permanecer ao lado do outro. Há uma influência espiritual sobre o lar onde um dos cônjuges é salvo. Por causa deste, os outros dentro do lar são pelo menos separados (santificados) por influência especial que vem daquele que conhece o Senhor na graça salvadora. Se o cônjuge incrédulo deseja dissolver o relacionamento e toma a iniciativa nessa atitude, o cristão não tem obrigação de evitá-lo. “Que se aparte”, disse Paulo. O cristão deveria submeter-se em paciência e graça. Não há nenhuma indicação de que o divórcio ou um novo casamento seja permissível. Um marido ou esposa cristãos, convertidos depois do casamento, enquanto o outro cônjuge não se converte, deve se lembrar de que não é mais a mesma pessoa com a qual o outro se casou. Na qualidade de nova criatura em Cristo, o cristão é totalmente diferente. À vista disso, seja paciente e ore por aquele que não tem Cristo. Uma vida assim piedosa pode levar o outro ao Salvador. O que você acha? 1. Você acha que os ministros cristãos teriam mais sucesso como guias espirituais se não fossem casados? 2. Há vantagens em que os ministros tenham família? 3. É mais espiritual ficar solteiro? 4. Será que Paulo ensina que um cônjuge salvo sempre conseguirá levar o que não é salvo à Cristo?

81


OBSERVAÇÃO De vez em quando, as lições para adultos incluem passagens e assuntos nos quais há uma diferença de pontos de vista entre os fundamentalistas. A Imprensa Batista Regular adotou a política de permitir ao escritor que apresente sua própria interpretação, ainda que reconheça que outros podem ter convicções diferentes sobre o assunto. Este é o princípio que seguimos nesta lição em relação ao discutido tema do divórcio e novo casamento. Versículo para memorizar “Pois como sabes, ó mulher, se salvarás a teu marido? Ou como sabes, ó marido, se salvarás a tua mulher?” (I Co. 7.16)

82


XII ASSUNTOS REFERENTES AO CASAMENTO E COSTUMES SOCIAIS Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: Aceitando nossa vocação – 1 Coríntios 7.17-24. Segunda-feira: As primeiras coisas em primeiro lugar – 1 Coríntios 7.25-40. Terça-feira: Um espírito certo – Filipenses 4.5-13. Quarta-feira: Um padrão de boas obras – Tito 2.1-10. Quinta-feira: Palavras de sabedoria – 1 Timóteo 5.1-25. Sexta-feira: Maneira correta de vestir – 1 Pedro 3.1-6. Sábado: A alegria de ser chamado bem-aventurado – Provérbios 31.10-31.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 7.17-40. Um dia Abraão Lincoln, conta a história, caminhava ao longo de uma rua em sua cidade natal, Springfield, Illinois. Com ele iam seus dois filhos, chorando desesperadamente. Um vizinho perguntou: “O que é que há com os garotos?” Ao que Lincoln respondeu: “Exatamente o mesmo que há com todo o mundo; tenho três nozes e ambos querem duas”. Quantas pessoas satisfeitas você conhece? As pessoas estão insatisfeitas com o seu emprego, sua esposa, seus rendimentos, seu chefe, seus filhos, seus cônjuges, seu lar, seu carro, sua igreja, seu pastor, seu professor, sua classe... e assim por diante. A satisfação relaciona-se com a paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-lo dou como a dá o mundo” (João 14.27). A gente não descobre a satisfação. Recebe-se. Poucos estão tão satisfeitos quanto deveriam estar. E você? É impossível desfrutar totalmente as bênçãos da vida cristã enquanto estamos tentando obter mais e mais. A insatisfação brota pondo em dúvida a sabedoria e a bondade de Deus no seu relacionamento com o indivíduo e as circunstâncias. A satisfação não depende das circunstâncias mas antes da fé em Deus e Sua providência que tudo supervisiona em benefício do crente. “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp. 4.11).

83


Primeira Coríntios 7.17-20 relaciona a ideia da satisfação com diversos setores da vida. Quando nos tornamos cristãos, não deveríamos ficar insatisfeitos com nossas presentes circunstâncias. Um pecador realmente recebe uma nova natureza quando se converte, mas não necessariamente uma nova posição social ou econômica. Deus deseja cristãos em todos os caminhos honrosos da vida. Um engenheiro em Iowa foi salvo. Alguém lhe perguntou: “Que diferença fez tornar-se cristão? Você trabalhava como engenheiro antes e continua trabalhando. Você não é diferente”. O recém-convertido respondeu: “Ah! Você está enganado. Antes, eu trabalhava para a firma. Agora trabalho para Deus enquanto trabalho para a firma”. E o seu bom testemunho era prova disso. I. A CONVERSÃO NÃO PRECISA MUDAR NOSSA VOCAÇÃO “Cada um conforme Deus o tem chamado”, é o princípio apresentado por Paulo. Ele quis dizer que, embora a conversão trouxesse uma experiência transformadora na vida interior e na conduta externa, não tem de envolver qualquer mudança radical em nossa vocação. Cada crente deveria procurar glorificar a Deus no local e na posição em que Deus o salvou. Antes o fenômeno dos parques de aventuras feito pelo homem, um dos locais preferidos pelos turistas era o Yellowstone National Park. Os pais ansiosos em demonstrar o devido respeito pelas maravilhas da América, faziam as malas da família e viajavam às vezes centenas de quilômetros até Wyoming e Montana para examinar as 139 milhas quadradas do parque. A atração principal geralmente era ficar sentado sobre um pesado tronco de madeira para ver um pouco de água jorrando da terra na direção do céu, para exclamar: “Vejam! Lá vai o Velho Leal bem no horário!” Yellowstone Park está cheio de gêiseres. Muitos deles jogam a água muito mais alto e com maior volume do que o “Velho Leal”, mas poucos de nós sabemos seus nomes. Por que este ficou famoso? O “Velho Leal” é digno de confiança, pois entra em atividade regularmente e na hora certa, vez após vez, ano após ano. Cada igreja tem algum cristão “Velho Leal” fazendo o trabalho que Deus lhe deu para fazer. Trabalha regularmente e bem, com pouco reconhecimento da parte dos outros, mas com fidelidade e devoção a Cristo. Há aquela humilde e obscura dona de casa cristã que tem fielmente trabalhado na sua esfera de serviço, dando exemplo piedoso ao marido e filhos, que fica

84


desanimada um dia e diz: “Fiz tão pouco para Jesus. Gostaria de ter feito grandes coisas para Ele. Mas, em lugar disso lavo louças e roupa suja e tiro o pó”. Há o mesmo número de homens exatamente tão humildes e obscuros que trabalham em fábricas ou escritórios, ou na lavoura e construções, ou em qualquer lugar onde têm de trabalhar, que se censuraram, imaginando por que não foram capazes de fazer coisas mais importantes para o seu Salvador. Alguns líderes cristãos, parecem até que aumentam o sentimento de indignidade do trabalho cristão, que não leva o indivíduo para longe da igreja local para o que geralmente se intitula de “trabalho cristão de tempo integral”. Quando você, na qualidade de cristão leigo, consagrado e dedicado, é fiel no lugar onde Deus o colocou, você está servindo. Sua recompensa no céu pode até ser maior do que a de alguns cujos nomes e obras são mais conhecidos. Deus recompensa Seus filhos, não de acordo com os padrões humanos, mas de acordo com a qualidade de nosso trabalho em Sua vinha. Naturalmente, se Deus chama você para deixar o seu lar e ir a algum outro campo de trabalho, vá imediatamente. E, na qualidade de crente, não permaneça executando qualquer tarefa que transgrida os princípios cristãos. Examine o seu trabalho à luz das palavras de Paulo quando falhou aos cristãos em Corinto. Alguns convertidos judeus queriam remover todos os sinais de suas vidas antes da salvação; isto é, a circuncisão. Outros estavam igualmente convencidos que cada convertido a Cristo deveria passar pela circuncisão. Aqui Paulo ensinou que aqueles que eram convertidos como judeus não deviam desprezar sua circuncisão, e os que se converteram como gentios não deviam sentir necessidade de observar este ritual. Paulo procurou ajudá-los a encontrar a vontade de Deus para eles. “Guardar as ordenanças de Deus” (v. 19) é, à primeira vista, uma declaração estranha. Certamente não significa que a salvação se obtém guardando a Lei, pois isto seria contrário a outras passagens das Escrituras muito explícitas (Ef. 2.8, 9). Significa que o ritual não é tão importante como a obediência espiritual. A palavra “vocação” no versículo 20 refere-se a nossa posição. O princípio da satisfação toma a ser repetido. Que um homem permaneça na posição em que foi salvo. Isto se aplicava também àquele que era escravo quando se converteu. Embora a escravidão não seja ensinada na Bíblia, um homem não deveria ficar impaciente com a sua situação.

85


No versículo 22 Paulo apresenta seus motivos. O cristão que é escravo é livre no Senhor, e o convertido livre toma-se escravo do Senhor. No versículo 23 o Apóstolo dá um passo adiante. Considerando que cada crente foi comprado pelo preço infinito do sangue de Cristo, já não pertence mais a ninguém além do Senhor. Pode ser fisicamente escravo, mas nunca no espírito. E você? Já aceitou a Jesus como seu Salvador no que se refere ao pecado? Sua Palavra declara que você é um pecador; você precisa de um Salvador. Deus enviou o Seu Filho, Jesus, para morrer na cruz como seu Salvador. Creia nEle, e você será um filho de Deus. Ele o ama e deseja que você seja dele. II. AS VIRGENS E O CASAMENTO Poderia parecer que a questão das virgens era de igual modo umas das perguntas que a igreja de Corinto incluiu em sua carta a Paulo. Ele respondeu a pergunta mais detalhadamente aqui. Os que tinham filhas solteiras deviam dá-las em casamento? As condições que prevaleciam em Corinto eram tais que alguns achavam que seria errado dar suas filhas em casamento. O conselho de Paulo era autorizado? Não tinha mandamento direto do Senhor; mas como alguém que fora chamado e salvo misericordiosamente e comissionado por Deus para ser fiel, sentia-se autorizado a dar a sua opinião. Reconhecia que o Espírito de Deus o estava usando (v. 40). Os cristãos em Corinto viviam dias de intensa perseguição. “Por causa da angustiosa situação presente”, dizia Paulo, “considero ser bom” (v. 26). Paulo aconselhou-os que seria sábio para o homem permanecer solteiro devido à terrível perseguição. É o mesmo conselho que ofereceu-lhes antes (v. 7) com as mesmas condições a serem observadas (v. 9). O versículo 27 é explícito. Leia-o. No versículo 28 Paulo explicou que se naqueles dias turbulentos um homem encontrasse companheira que desejasse acima de tudo partilhar a vida com ele, não era pecado casar. A mesma verdade se aplicava a uma virgem. Então, por que Paulo advogava que o celibato era preferível? “Tais pessoas (os casados) sofrerão angústia na carne” (v. 28). A palavra “tais” está no masculino e se refere a ambos, homens e mulheres. 86


Embora haja muitas e ricas compensações no casamento, há também aquilo que pode ser classificado de “angústia na carne”. O coração de Paulo era cheio de gentileza; por isso, ele disse: “Eu quisera poupar-vos”. III. O CASAMENTO E AS PRESSÕES DA VIDA Paulo olhava para o breve regresso de Cristo. “O tempo se abrevia” (v. 29). Paulo considerava o tempo que restava antes da vinda de Cristo como curto e assim deveria afetar a conduta e opinião dos cristãos coríntios. Se a volta era breve nos dias de Paulo, o que diremos de nós? Se era próximo aquele tempo, certamente está muito próximo agora. Os casados não deviam deixar nada interferir no seu serviço prestado a Cristo. À vista do retorno do Senhor, os valores humanos normais diminuíam e os valores espirituais se destacavam. O marido não deveria ser menos marido; mas não deveria permitir que o seu relacionamento humano diminuísse seu amor e serviço prestado a Cristo. “Livres de preocupações”. Paulo desejava que os cristãos coríntios vivessem sem preocupações desnecessárias. Isto é mais natural na pessoa solteira. Toda a sua energia, tempo e capacidade podem ser dedicados a Cristo. Mas a pessoa casada tem dupla obrigação. Tem de se preocupar com “as cousas deste mundo” (v. 33). Isto não se refere ao amor deste mundo conforme I João 2.15. (Leia o versículo). Antes, significa que um homem casado deve providenciar pelas exigências materiais normais da vida por causa de sua família. Não é pecado para o homem casado fazê-lo. Paulo destaca simplesmente o contraste entre o casado e o solteiro em sua liberdade de servir ao Senhor Jesus Cristo. O mesmo princípio se aplica à mulher casada e solteira. Aquelas que escolheram não se casar por amor ao evangelho deveriam ser altamente respeitadas e não alvo de comentários indelicados e depreciativos. Paulo as respeita. Não deveríamos fazer o mesmo? No versículo 35 Paulo insistiu de novo que tinha advogado o que achava ser bom para eles; mas ele não pretendia “enredá-los”. O casamento era permissível e totalmente dentro da vontade de Deus; mas ele desejava que eles não fossem perturbados quando servissem ao Senhor.

87


IV. A RESPONSABILIDADE DO PAI CRISTÃO Esta é uma das mais difíceis porções do capítulo. Leia os versículos 36 a 38 com cuidado. Lembre-se dos costumes da época quando os pais tinham a responsabilidade de encontrar o cônjuge para seus filhos. O escritor acha que o seguinte é o que mais se aproxima do verdadeiro significado da passagem. “Trata sem decoro a sua filha” significa deixar de tomar providências para o casamento da filha. Impedir que uma moça se case na idade apropriada poderia ter resultados desastrosos em uma cidade como Corinto, especialmente se a moça desejasse casar-se. “Passar-lhe a flor da idade” significa ultrapassar o estágio do desenvolvimento completo, além da idade do casamento. “As circunstâncias o exigem” refere-se àquela capacidade ou incapacidade de permanecer continente, como Paulo ensinou explicitamente nos versículos 7 e 9. Se o pai achava que era melhor, considerando todos os fatores, então não devia impedir que sua filha se casasse. No versículo 3 Paulo declara novamente que ele preferiria que a virgem não fosse dada em casamento. “Não tendo necessidade” é a chave à decisão do pai para impedir que sua filha se case. Não há nenhum mal se a decisão for diferente. V. CASAMENTO E NOVO CASAMENTO Só a morte do cônjuge dissolve o casamento. Paulo escreveu a cristãos. A fornicação, exceção encontrada em Mateus 5 e 19, não foi examinada aqui, pois a fornicação dentro do casamento cristão não entrava em consideração. Paulo enfatizou a permanência do casamento. Na última porção do versículo 39 o Apóstolo Paulo falou das viúvas: “Se falecer o marido”. Essa tinha liberdade de tornar a casar-se, mas só no Senhor. Mesmo aqui Paulo achava que seria melhor permanecer viúva. Paulo concluiu sua exortação, destacando sua autoridade em falar sobre um assunto tão delicado e difícil. Tinha certeza de que possuía a mente do Espírito em tudo isto.

88


Recapitulação 1. De acordo com a Bíblia, a escravidão é consistente com o Cristianismo? 2. Quanta ênfase deveria o cristão colocar sobre o progresso individual? 3. Você acha que Paulo advogaria o celibato hoje? 4. Qual deveria ser o fator determinante ou os fatores sobre o quanto dos bens deste mundo um cristão deveria acumular? O que você acha? 1. Na qualidade de pai cristão você aceitaria igualmente que seu filho fosse um obreiro solteiro trabalhando para o Senhor ou uma pessoa casada vivendo de maneira dividida para Ele? 2. Às vezes os missionários de férias falam com um pouco de amargura sobre as “coisas” que os servos cristãos possuem nos lares. O que você acha disto? Já considerou... ...a importância de gastar algum tempo, todas as manhãs, em oração pessoal, particular, pedindo a ajuda de Deus para o seu dia? ...a alegria que teria se ganhasse uma alma para Cristo sozinho? ...o benefício de frequentar reuniões de oração todas as semanas? ...a bênção que receberá se ajudar um amigo cristão que está passando alguma necessidade? ...a urgência da necessidade de oração pelos missionários que você conhece pessoalmente e pelas nações junto às quais eles servem, por seu intermédio? Versículo para memorizar “Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado” (1 Co. 7.24).

89


XIII LIBERDADE CRISTÃ Leituras Bíblicas Diárias: Domingo: A verdadeira liberdade – 1 Coríntios 8.1-13. Segunda-feira: Motivação adequada – Mateus 22.34-40. Terça-feira: A extensão do amor – 1 Coríntios 13.1-13. Quarta-feira: Singeleza de propósito – Mateus 6.19-24. Quinta-feira: Exercendo a prudência –1 Coríntios 6.9-14. Sexta-feira: Despojai-vos e revesti-vos – Colossenses 3.1-14. Sábado: Viver piedosamente – Tito 2.11-15.

Texto Bíblico: 1 Coríntios 8.1-13. “O helicóptero de nossa reportagem sofreu um acidente. Ambos, o piloto e o cinegrafista morreram!” O locutor da televisão interrompeu o programa regular para dar a notícia do trágico acontecimento. O piloto, percebendo que tinha de aterrissar, olhou à volta procurando um lugar adequado. Bem no meio do seu caminho havia um grupo de crianças jogando bola. Num instante resolveu o que tinha de fazer. Sua decisão provocou a morte dele e do seu passageiro, mas as vidas das crianças foram salvas. Decisões fazem parte normal da vida. Todos os dias enfrentamos decisões de diversas formas. Algumas não têm consequências. Outras, como a do piloto, fazem a diferença entre a vida e a morte. Já enfrentou alguma vez uma decisão séria sobre se determinada atitude estava certa ou errada para um cristão? Isto é normal. Suas atitudes devem ser pesadas por diversos motivos. O que você vai fazer não será indigno do nome de Cristo? Sua decisão não prejudicará seu testemunho de cristão? Sua atitude não será uma pedra de tropeço para os outros? Algumas coisas estão sempre certas. Pense em algumas delas. É sempre certo obedecer à Palavra de Deus; é sempre certo dizer a verdade, ser bondoso, odiar o pecado, trabalhar honestamente. A lista não tem fim.

90


Outras coisas estão sempre erradas, não importa o século em que vivemos ou quais as nossas circunstâncias de vida. Mas nem todos os assuntos relacionados com a convicção cristã podem ser classificados como absolutamente certos ou absolutamente errados. Os antecedentes do indivíduo, como também a sua maturidade espiritual, têm grande influência na sensibilidade de sua consciência. Isto não deve ser entendido que os padrões morais são relativos e não fixos; sempre é errado mentir, roubar, fornicar, mais uma dezena de outros pecados. Mas será sempre errado assistir televisão? Ou será sempre certo? Será sempre certo ouvir rádio, ou será sempre errado? Algumas coisas são relativas e exigem sensibilidade espiritual para decisão. Paulo atingiu bem no âmago deste importante problema quando tratou da liberdade cristã e das motivações do cristão naqueles setores da vida onde a questão pode não ser absolutamente certa nem absolutamente errada. Leia a passagem bíblica com todo o cuidado. Gaste algum tempo em oração antes de prosseguir no seu estudo. Peça a Deus para falar ao seu coração do modo que Ele achar necessário. Seja como o cristão de Hong-kong que fez a sua profissão de fé: “Agora estou lendo a minha Bíblia e me comportando de acordo com ela”. Examine sua vida à luz destas palavras que Deus enviou através de Paulo à igreja em Corinto. I. AS DUAS MOTIVAÇÕES DA VIDA Antes de compreendermos totalmente por que os cristãos em Corinto sentiam-se perturbados a respeito dos ídolos, é necessário saber quais eram os costumes sociais da cidade. Era prática comum que grandes grupos de pessoas se reunissem para comer junto. Fazia parte da vida social normal do povo em Corinto. Com muita frequência estes banquetes se realizavam no Templo ou em lugares semelhantes associados com um ídolo. Recusar-se a comer em tais circunstâncias afastaria o indivíduo de contatos sociais importantes. Outro fator importante tornava o problema ainda mais sério. Grande parte da carne vendida no mercado já tinha sido oferecida antes a algum ídolo. Imagine a situação desagradável daqueles novos convertidos. Os que tinham uma consciência sensível recusavam-se a comer com pecadores num lugar dedicado a ídolos. Mas, mesmo recusando-se a ir aos banquetes, onde comprariam carne para comer – carne que não fosse oferecida aos ídolos? 91


Alguns dos cristãos raciocinavam: “Um ídolo não é nada, só um pedaço de pedra. Nenhum cristão inteligente se preocuparia com um assunto tão corriqueiro”. Outros tinham a firme convicção de que comer carne oferecida aos ídolos contrariava totalmente sua recém-descoberta fé cristã. O que deviam fazer? Decidiriam perguntar a Paulo que os aconselhasse no assunto. No começo sua resposta pode parecer irrelevante; mas quando avaliamos o fato dos motivos que pesam em todas as nossas decisões, veremos que sua resposta é muito pertinente. “Todos somos senhores do saber”, Paulo declarou. Alguns em Corinto pareciam considerar o saber como o fator mais importante da fé cristã. Se um cristão tinha conhecimento, era amadurecido e podia comer qualquer carne sem escândalo, até mesmo a carne oferecida aos ídolos que se encontrava no Templo. De acordo com eles o problema era simples para resolver: Adquirir mais conhecimento. Aqueles que tinham problemas de consciência com qualquer coisa, simplesmente não eram bastante sábios! Paulo incluía entre os que tinham conhecimento quando disse “todos”. Isto deve ter dado um pouco de humildade aos seus leitores. Afinal Paulo era um mestre do mais alto calibre. Sua conclusão era que o conhecimento era uma base muito instável para determinar a devida conduta cristã. O conhecimento tende a deixar o seu possuidor orgulhoso, arrogante e impaciente com os outros. O conhecimento incha, mas o amor edifica. O conhecimento tem ainda outra falha. É incompleto por maior que seja; ao mesmo tempo, é totalmente enganador. O conhecimento é neutro. Não é completamente bom nem completamente mau. Devidamente usado, o conhecimento pode ser uma grande bênção. Erradamente usado, pode ser uma terrível maldição. O homem necessita de alguma coisa mais que o conhecimento. Se ele pensa que atingiu o pináculo do conhecimento, ainda está ao pé da montanha. Ninguém jamais tem verdadeiro conhecimento se não for humilde. Não é sábio agir com base no conhecimento. Contudo, Paulo disse: “O amor edifica”. O verdadeiro amor cristão é o guia mais seguro para a conduta cristã do que o conhecimento, porque o amor preocupa-se com os outros. A palavra “amor” ou “caridade” (vs. 1, 2) foi usada na mais nobre forma de amor encontrada na Bíblia. É um amor profundamente reverente ou piedoso. Foi este amor que enviou o Salvador da glória celestial às profundezas do pecado e da vergonha para remir o homem pecador. Este amor não produz orgulho nem assume atitude de superioridade. Busca o benefício dos outros e deseja a aprovação de Deus. 92


Que o holofote do verdadeiro amor cristão brilhe sobre os seus problemas. “Esse é conhecido por ele” significa simplesmente que o cristão cujas decisões e atitudes brotam do amor a Deus terá a aprovação de Deus. Por outro lado, o crente que toma suas decisões com base no conhecimento superior – com pouca preocupação sobre o quanto uma decisão afeta os outros – não terá o sorriso aprovador de Deus. Tome suas decisões para Ele com sabedoria e amor. II. AS DUAS DIVINDADES Se classificamos todos os ídolos e deuses falsos sob uma cabeça e o Deus verdadeiro como outra, toda a raça humana pode ser dividida em dois campos. Cada homem tem o seu deus, e cada homem se torna igual ao deus que adora. Paulo retornou às carnes que tinham sido oferecidas aos ídolos pagãos e declarou: “Sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não há senão um só Deus”. Um ídolo não era nada além de um pedaço de pedra ou madeira esculpida. Certamente não podia contaminar a carne. Paulo concordava que muitos em Corinto tinham este conhecimento maduro, mas de nada adiantaria para resolver o problema deles. Antes de tentar responder, desejava lembrá-los de seu novo conhecimento em Cristo. Portanto, apontava-lhes o verdadeiro Deus. “Todavia, para nós” (v. 6) mostra que os cristãos são diferentes dos pagãos. Cremos em um Deus que é verdadeiro. Cremos que Ele é “o Pai”, mas não cremos na paternidade universal de Deus (João 8.41-44). Este relacionamento fica reservado para aqueles que nasceram de novo pela fé no Senhor Jesus (João 1.12, 13). Para ter o Deus verdadeiro é preciso estar em Cristo. Então Deus é o seu Pai. Até então você é filho de Satanás, destinado ao Inferno. A criação deve sua existência original e contínua a Deus (“de quem são todas as coisas”). “E nós também” diz que nós, igualmente, devemos nossa existência física e espiritual a Ele. Logo a seguir Paulo falou do Senhor Jesus Cristo como sendo igual ao Pai. Antes disse “de quem”. Agora suas palavras são “pelo qual são todas as coisas”. Isto é, Cristo é o Agente de toda a existência enquanto o Pai é o Originador. Então, novamente Paulo mudou de “de quem” para “pelo qual” no versículo 6. O crente vive para Deus, mas sua nova vida tem sido possível por Cristo.

93


III. AS DUAS REAÇÕES A primeira vista é um pouco difícil ver por que Paulo injetou o versículo 6 na resposta à pergunta sobre o comer a carne oferecida aos ídolos. A expressão, “para nós há um só Deus”, refere-se aos cristãos fortes; isto é, aqueles que tinham conhecimento. Para aqueles que tinham este conhecimento, o comer a carne oferecida aos ídolos era uma questão de pouca importância. Suas consciências não os incomodavam; portanto, por que deveriam se preocupar sobre como tal conduta afetava os outros? A liberdade cristã devia ser prezada mesmo se prejudicasse os outros. Parece que talvez Paulo incluísse as verdades do versículo 6 bem aqui para lembrar os cristãos coríntios (e a nós) que, fracos ou fortes, todos nós devemos nossa existência a Deus, e fazemos parte de uma família espiritual pela graça de Cristo. Na qualidade de membros da mesma família, tendo o mesmo Pai e o mesmo Salvador, devemos demonstrar preocupação amorosa por todos os membros da família, fracos ou fortes. Nenhum homem deveria fazer a sua própria vontade. Alguns crentes coríntios reagiram aos argumentos dos cristãos mais fortes. Tinham acabado de sair do paganismo com a idolatria. Achavam difícil libertar-se daquelas influências ímpias. Para eles comer carne oferecida aos ídolos equivalia à idolatria. Era um hábito dos adoradores de ídolos e, ainda que não cressem mais nos ídolos, qualquer associação com eles era repugnante às suas consciências. Ao praticar algum ato contrário à consciência, a feliz comunhão com Deus era destruída. Era o que estavam experimentando. Paulo sabia qual era o significado da genuína liberdade cristã. Comer algum alimento em particular não era assunto espiritual. Se alguém come, não é mais espiritual que os outros. Esta liberdade de consciência é para todos os cristãos. IV. AS DUAS ATITUDES “Vede, porém”. Quer sua consciência diante de Deus o aprove ou desaprove na questão do comer carne oferecida aos ídolos, este não é único fator a ser considerado. Um homem que não é motivado pelo amor a Deus e ao seu próximo cristão, ficará indiferente quanto ao mal que pode causar aos outros. Esquece que todos nós saímos do mesmo abismo, e que a maturidade espiritual que temos é pela graça de Deus (1 Co. 15.10). O exercício da liberdade cristã sem o amor cristão pode constituir uma pedra de tropeço.

94


Somos facilmente influenciados pelas decisões e atos daqueles à nossa volta. O versículo 10 mostra o poder do exemplo. Um homem que não fica perturbado em sua consciência quando pratica alguma coisa pode influenciar algum outro irmão a participar de um ato que contraria a consciência deste. O resultado, Paulo afirmou, é que o irmão fraco sofre então um desastre espiritual. Isto não significa a perda de sua alma. “Pelo qual Cristo morreu” apresenta o exemplo que o crente deve seguir na vida que levamos diante do mundo e dos irmãos crentes. Cristo em amor deu Sua vida pelo seu irmão enquanto ainda era pecador. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco,pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8). Como se torna, então, egoísta e nada cristão o indivíduo que exerce sua liberdade pessoal de um modo que pode prejudicar o companheiro cristão espiritualmente. Pecar contra um irmão é pecar contra Cristo. Os cristãos são intimamente identificados com Cristo de modo que machucar um cristão é machucar o Salvador. É nossa responsabilidade demonstrar uma atitude de altruísmo com referência ao nosso irmão e irmã em Cristo. Para aqueles setores da conduta cristã que não podem ser classificados como absolutamente certos ou absolutamente errados, o versículo 13 oferece a melhor orientação espiritual a ser seguida. “Carne” inclui todos aqueles setores da vida que, embora sejam legítimos em si mesmos, sob certas condições podem prejudicar outros membros da família cristã e toda a causa de Cristo. Simplesmente declarado, Paulo quis dizer que por amor ao bem-estar espiritual dos outros seria melhor se fôssemos vegetarianos a vida inteira para que, na satisfação pessoal de comer carne, não prejudicarmos nosso irmão. Se cada cristão pusesse em prática este princípio Paulino da liberdade cristã, transformaria cada igreja; e sem dúvida provocaria um reavivamento com muitas almas salvas. Resolveria uma multidão de problemas que deixam a igreja cristã de hoje perplexa. Pegue um papel e lápis. Anote cada ato ou costume que constitui um problema para você. Examine cada um à luz deste versículo, e dê uma resposta honesta. Se envolve escolha de divertimentos, ética nos negócios, práticas ou hábitos sociais – tudo deve ser colocado sob a orientação deste princípio bíblico. Isto não significa que a liberdade cristã deveria ser sacrificada sobre o altar do preconceito ou da intolerância, mas antes que cada crente deve evidenciar um desejo – por amor a Cristo – de caminhar “qualquer distância no autossacrifício, mas nem uma polegada renunciando a verdade” (W. E. Vine). 95


Nosso alvo deveria ser o de viver de tal modo que aqueles que nos veem tenham consciência de que somos semelhantes a Cristo e que tal semelhança vale a pena ser imitada. Seja como Ele, “porque também Cristo não se agradou a si mesmo” (Rm. 15.3). Recapitulação 1. O que o conhecimento tende a fazer no seu possuidor? 2. Por que o amor cristão é uma boa conduta para o cristão? 3. Explique por que Paulo usou o versículo 6 como passo para o argumento do exercício da liberdade cristã. 4. Quais os perigos envolvidos quando um cristão faz o que bem lhe agrada? 5. Qual foi a conclusão de Paulo no que se refere ao melhor princípio cristão para decisões ou conduta? O que você acha? 1. O que você faria se achasse que ninguém vai ficar sabendo? 2. Há uma diferença entre o Norte e o Sul (nos EEUU) em questões tais como nadar em público e fumar. Será que são (e outras também) simplesmente diferenças geográficas, ou deveriam ser colocadas sob a regra do princípio paulino? Versículo para memorizar “E por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (1 Co. 8.13).

96


Karmitta kcas  

http://semeadoresdapalavra.forumeiros.com/

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you