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CPAD

ΕΝCICLOPEDIA DE

BÍBLICA Mais de 140

} tópicos ’! comentados por notáveis

I especialistas em profecias

TIM LAHAYE ED HINDSON C r i a d o r e c o - a u t o r de

E D I T O R E S

d e ix a d o s para trás

G E R A I S



REIS BOOK’S DIGITAL


POPULAR de

3a Im pressรฃo

Traduzido por Jam es M onteiro dos Reis e Degmar Ribas

CPAD R io de Jan eiro

2010

TIM LAHAYE ED HINDSON Criador e c o -a u to r de

d e ix a d o s p ara tr รกs


Todos os direitos reservados. Copyright © 2008 para a língua portuguesa da C asa Publicadora das Assem bléias de Deus. A provado pelo C onselho de Doutrina. Título do original em inglês: The Popular Encyclopedia of Bible Prophecy H arvest House Publishers Primeira edição em inglês: 2004 Tradução: Jam es M onteiro dos Reis e Degm ar Ribas Revisão: Patricia A lm eida A daptação de capa: A ndré Silva A daptação de projeto gráfico e editoração: A lexandre Soares C D D : 236 - Escatologia ISB N : 978-85-263-0958-6 A s citações bíblicas foram extraídas da versão A lm eida R evista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últim os lançam entos da CPA D , visite nosso site: http://www.cpad.com.br S A C — Serviço de A tendim ento ao Cliente: 0800-21-7373 C asa Publicadora das Assem bléias de Deus C aix a Postal 331 2CW1-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 3a Impressão: 2010


AGRADECIMENTOS

É___________________________ Nossos mais sinceros agradecimentos a Kelly McBride, que digitou a maior parte do manuscrito original e auxiliou na administração dos arquivos eletrônicos.

Parte do material utilizado nesta obra foi, conforme autorização, extraído das seguintes fontes: Grom acki, Robert. The Holy Spirit. Dalas: Word, 1999. House, Wayne. “Progressive Dispensationalism”. Ensaio apresentado no Centro de Pesquisa Prétribulacionista.

Mayhue, Richard. “The Prophets Watchword: Day of the Lord”. Grace Theological Journal 6, n.° 2,1985. ---------. “Why a Pretribulational Rapture?” The Masters Seminary Journal 13, n.° 2, outono de 2002. Ryrie, Charles, Tom Davis e Joe Jordan, editores. Countdown to Armageddon. Eugene, Oregon: Har­ vest House Publishers, 1999.

Jeremiah, David. What the Bible Says About Angels. Sisters, Oregon: Multnomah Publishers, 1996. LaHaye, Tim, editor. Tim LaHaye Profecy Study Bible. Chattanooga: amg Publishers, 2000.

Stitzinger, James. “The Rapture in Twenty Centuries of Biblical Interpretation”. The Master’s Seminary Jour­ nal 13, n.° 2, outono de 2002.

Os seguintes artigos foram, em grande parte, extraídos da Tim LaHaye Prophecy Study Bible [“Bíblia de Estudos Proféticos Tim LaHaye”], edição NKJV. Chattanoga, Tennessee: amg Publishers, 2001 (uso autorizado): G od’s Covenants with M an [“A s alianças de Deus com o homem”], de Richard Mayhue, p. 20; The Office of the Prophet [“A incumbência do Profeta”], de Ed Hindson, p. 320; Th e Resurrections [“ A s ressurreições”], de Gary Frazier, p. 1361; T h e False Prophet [ Ό Falso Profeta”], de Ed Hindson, p. 1516. Os seguintes artigos contêm algumas sentenças extraídas da Tim LaHaye Prophecy Study Bible [“Bíblia de Es­ tudos Proféticos Tim LaH aye”], edição NKJV. Chattanoga, Tennessee: amg Publishers, 2001 (uso autorizado): G og and Magog [“Gogue e Magogue”], de Mark H itchcock, p. 972; The Antichrist [ Ό Anticristo”], de Ed Hindson, p. 1415; The Book of Revelation [“0 Livro de Apocalipse”], de Robert Thom as, pp. 1492-93; Preterism and the Dating of Revelation [“Preterismo e a datação de Apocalipse”], de Thom as Ice, p. 1611. O diagrama “A Cam panha de Armagedom” foi reproduzido a partir da Tim LaHaye Prophecy Study Bible [“Bí­ blia de Estudos Proféticos Tim LaHaye”], edição nkjv; Chattanoga, Tennessee: amg Publishers, 2001, p. 1102. Este diagrama foi baseado no trabalho de Arnold Fruchtenbaum. Parte do artigo intitulado “O C éu” é utilizado segundo permissão da Crossway Books; uma divisão da Good News Publishers, W heaton, Illinois, C EP 60187, www.crosswaybooks.org. O artigo intitulado “Im inência” , de Wayne A . Brindle, baseia-se em um outro artigo sobre este mesmo tópico, que foi anteriormente editado no periódico Bibliotheca Sacra (abril-junho de 2001), pp. 138-151 (uso autorizado).


A bom inação da D e so laç ão ............... ......15 A diam ento P ro fético.......................... ......20 A lia n ç a s........................................................26 A lian ça A b raâm ica....................................31 A lian ça D av íd ic a................................. ......36

Dores de P arto.................................. ........ 153 Duas T estem u n h as.................................. 155 Engano .............................................. ........ 158 Era da Ig re ja..................................... ........ 160 ........ 164

A m ilenialism o....................................... ......40

Escatalogia......................................... ........ 167

A nciãos ( 2 4 ) ......................................... ......44

de A t o s ...................................... ........ 171

A n jo s..............................................................47

de D an ie l................................... ........ 174 de Ezequiel................................ ........ 179

A n ticristo ............................................... ......49 A pocalipse, D ata d o ............................ ......54 A pocalipse, Livro d e ........................... ......57 A pocaliptism o...................................... ......61

de H ebreus................................ ........ 183 de Isa ía s..................................... ........ 186 de Jere m ias............................... ........ 189

A p o stasia................................................ ......67 A quele que D e tém .............................. ......69

de Jo ã o ....................................... ........ 194 de M a te u s................................. ........ 196

A rca da A lia n ç a ................................... ......71

de Pau lo..................................... ........ 203 de Pedro..................................... ........ 206

A rm agedom ........................................... ......74 A rrebatam ento..................................... ......81

de S a lm o s................................. ........ 210

Arrebatam ento, H istória d o ............. ......89 A rrebatam ento Parcial....................... ......95

de Tessalonicenses.................. ........ 214 de T iag o ..................................... ........ 215

A rrebatam ento Pré-Ira....................... ......97

de Zacarias................................ ........ 217 Espírito San to e Escatologia........ ........ 220 Esta G e ra ç ã o .................................... ........ 223

B abilôn ia................................................ ....1 0 0 Batalha no C é u .................................... ....102

Bodas do C ordeiro............................... .... 105

Eventos Futuros............................... ........ 226 Falso Profeta..................................... ........ 228 Falsos Profetas................................. ........ 232

C en to e Q uarenta e Quatro M il..... ....107 C é u .......................................................... ....109

Festas de Israel................................. ........ 234 Figueira.............................................. ........ 236

C onversão de Israel............................. ....112 Cordeiro de D e u s................................ ....116

Filho do H o m em ............................. ........ 239

Bendita Esperança............................... ....102 B e sta........................................................ .... 104

C o ro a s.................................................... ....119 Cum prim ento de P ro fecias.............. ....1 2 0 Dem ônios e Espíritos Im undos........ ....123 D ia do S e n h o r...................................... ....126 Discurso no M onte das Oliveiras.... ....130 D ispensacionalism o............................. ....139 D ispensacionalism o Progressivo..... ....142 D ispen sações......................................... ....146

Filho de D e u s................................... .........237 G a la rd õ e s.......................................... ........ 241 G ogue e M ag o g u e.......................... ........ 244 G rande T ribu lação......................... ........ 247 Grande Trono B ran co................... ........ 251 H erm en êu tica................................. ........ 255 H om em da In iqü idade.................. ........ 258 Ilha de Patm os................................. ........ 261 Im in ên cia.......................................... ........ 262


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n c ic l o p é d ia

Po

pular de

Império M u n dial........................................ 268

Pro

f e c ia s

B

íb l ic a s

R econstrucionism o....................................384

Império R o m an o ........................................ 272

Reino de D eu s............................................. 389

Inferno........................................................... 276

Reino M essiânico....................................... 394

Interpretação de Profecias....................... 280

R essurreição.................................................396

Ira de D e u s...................................................284

R essurreições................................................402

Ira do C ordeiro............................................287

R evolta Fin al................................................ 403

Jesus C risto ...................................................289

Sacrifícios no M ilên io............................... 406

Julgam ento das N a ç õ e s............................ 293

Santos e M ártires da T rib u lação............409

Julgam entos do N ovo T estam ento...... 296

S a ta n á s.......................................................... 410

Lago de F o g o ............................................... 301

Segunda Vinda de C r isto .........................414

L iv rin h o ....................................................... 302

Seiscentos e Sessenta e S e is.................... 417 Selos de Juízo................................................419

Livro da V ida...............................................304 M anifestação G lo rio sa ............................. 306

S e o l ................................................................ 416

M arca da B esta........................................... 307

Sete Igrejas................................................... 422

M esotribulacionism o.................................310

Setenta Sem anas de D an ie l.................... 427

Mil A n o s ...................................................... 313

Sinais dos T em pos...................................... 432

M ilênio..........................................................316

Taças de Ju ízo .............................................. 437

M isericórdia de D eus.................................320 M istérios....................................................... 323

T em p lo .......................................................... 439 Templo no M ilê n io ....................................443

N o va Jerusalém .......................................... 328

Tempos dos G en tio s...................................447

Núm eros das P rofecias............................. 333

T ip o lo g ia.......................................................452

Parábolas do R e in o ...................................335

T ribu lação.....................................................455

Pentecostes.................................................. 336 Pós-M ilenialism o.......................................341

Tribunal de C risto ...................................... 462

Pós-Tribulacionism o.................................344

Trombetas de Ju ízo.....................................469

Pré-M ilenialismo........................................348

Trono de D a v i............................................. 473

Preterism o....................................................353

Trono de D eu s............................................. 476

Pré-Tribulacionismo..................................359 Profecias M essiânicas...............................362 Profecias sobre a Igreja.............................369

Ú ltim a T rom b eta....................................... 479

Profecias sobre Israel................................ 372 Profecias sobre Jerusalém ........................ 377

Vida Futura................................................... 487 V in gan ça.......................................................489

Profecias sobre os Jud eus......................... 380

Visões sobre o M ilên io..............................491

Profetas......................................................... 382

Trombeta de D e u s...................................... 468

Ú ltim os D ia s ................................................481 Vida E te rn a..................................................484


DIAGRAMAS

A lian ça A b raâm ica..................................... 33

em Ezequiel 38— 3 9 ............................ 244

A lian ças Bíblicas, A s ..................................28

O ito Estágios do Arm agedom , O s............77

A rrebatam ento e a M anifestação

Paralelismo entre o Discurso

G lo rio sa........................................306, 415 Desenrolar da Era em Mateus 13, O ...... 335 Discurso no M onte das Oliveiras, 0 .....132

no M onte das O liveiras e os Selos de Juízo em A p o calip se...........133 Profecias M essiânicas, A s............. 363, 367

Dispensações, A s ........................................ 147

Recom pensas dos Crentes, A s ............... 297

Eventos do A rrebatamento, O s ...............82

Resum o de D aniel acerca do

Expressões relacionadas ao “Fim dos Tempos” ................................481 Julgamentos, O s ............................... 298, 299 Julgam entos Futuros, O s ..........................297 Julgam ento perante o Grande Trono Branco, O ..............................................253 M etáforas do Ju lgam en to........................ 467 N om es, no Passado e no Presente, das N ações C itadas

Futuro, O ............................................... 176 Seten ta Sem anas de Daniel, A s .............428 Textos Escatológicos sobre o “D ia do Senhor” .....................................24 Textos M essiânicos Escatológicos............25 U so da Palavra “M istério” no N ovo Testam ento, O ......................... 324 Vida Eterna, A ............................................485 Visões sobre o M ilên io............................. 492


EDITORES

Paul R. Fink, Mestre e Doutor em Teologia.

Tim LaHaye, Doutor em Literatura e Ministério.

Professor de Estudos Bíblicos na Liberty University,

Presidente e co-fundador do Tim Lahaye Ministries

em Lynchburg, Virginia.

[“M inistérios Tim LaH aye”] e do Centro de Pesqui­ sas Pré-tribulacionista, em El C ajon, Califórnia. Ed Hindson, Mestre e Doutor em Teologia, Doutor em Filosofia e Ministério. Reitor e Decano da Faculdade de Estudos Bíblicos e da Faculdade de Profecias Tim LaHaye, na Liberty University, em Lynchburg, Virginia.

Gary Frazier, Mestre e Doutor em Divindade. Presidente da Discovery Ministries, Arlington, Texas. James Freerksen, Mestre e Doutor em Teologia. Professor de Estudos Bíblicos no Liberty Baptist Theo­ logical Seminary, em Lynchburg, Virginia. Arnold Fruchtenbaum, Mestre em Teologia e Doutor em Filosofia.

GERENTE EDITORIAL Wayne A . Brindle, Mestre e Doutor em Teologia.

Fundador e diretor da Ariel Ministries, em Tustin, Califórnia.

Catedrático e professor de Estudos Bíblicos, na Liber­

Steven C. Ger, Mestre em Teologia.

ty University, em Lynchburg, Virginia.

Fundador e diretor da Sojourner Ministries, em G ar­ land, Texas.

COLABORADORES

Robert Gromacki, Mestre e Doutor em Teologia.

Mark L. Bailey, M estre em Teologia e Doutor em

Professor Emérito de Estudos Bíblicos na Cedarville

Filosofia.

University, Cedarville, Ohio.

Presidente e Professor de Interpretação Bíblica no Dallas Theological Seminary, em Dalas, Texas.

Gary R. Habermas, Mestre e Doutor em Filosofia. Professor Emérito de Apologética e Filosofia na Li­

Paul Benware, Mestre e Doutor em Teologia.

berty University, em Lynchburg, Virginia.

Professor de Bíblia e Teologia na Philadelphia Bibli­ cal University, em Langhom e, Pensilvânia.

Mark Hitchcock, Mestre em Teologia, Bacharel em Direito e Doutor em Filosofia.

James Borland, Mestre em Divindade, Mestre e Dou-

Pastor da Faith Bible Church, em Enid, Oklahoma.

tor em Teologia. Professor de Estudos Bíblicos e Teologia na Liberty

David Hocking, Mestre em Teologia e Doutor em

University, em Lynchburg, Virginia.

Filosofia. Presidente da Hope for Today Ministries, em Santa

Mal Couch, Mestre em Teologia, Doutor em Teologia

A na, Califórnia.

e Filosofia. Presidente do Tyndale Theological Seminary, em

Wayne House, Mestre em Teologia, Bacharel em D i­

Fort Worth, Texas.

reito e Doutor em Filosofia. Professor na Oregon Theological Seminary, em S a­

Robert Dean Jr, Mestre em Teologia, Doutor em Fi­

lem, Oregon.

losofia. Pastor Presidente da Preston City Bible Church, em Preston, Connecticut.

Thom as Ice, M estre em Teologia e Doutor em Fi­ losofia. Diretor Executivo do Pre-Trib Research Center, em

Timothy j. Demy, Doutor em Teologia e Filosofia.

Arlington, Texas.

Capelão Militar, Professor de Bíblia, em Newport, Rhode Island.

David Jeremiah, Mestre em Teologia, Doutor em Di­ vindade.


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n c ic l o p é d ia

Po

pular de

Pro

f e c ia s

B

íb l ic a s

Pastor Presidente da Shadow M ountain Community

Renald E. Showers, Mestre e Doutor em Teologia.

Church, em El C ajon, Califórnia.

Professor no Instituto de Estudos Bíblicos, no The Frien­

Gordon Johnston, Mestre e Doutor cm Teologia.

ds O f Israel Gospel Ministry, em Bellmawr, New Jersey.

Professor adjunto de estudos do Antigo Testamento

Gary P. Stewart, Mestre em Teologia e Doutor em

no Dallas Theological Seminary, Dalas, Texas.

Ministério.

Joe Jordan, Doutor em Divindade. Diretor da Word of Life Fellowship, em Schroon Lake, N ova York. Tony Kessinger, Mestre em Religião, Doutor em Fi­ losofia.

Capelão Militar, na Base dos Fuzileiros Navais, em Quantico, Virgínia. James Stitzinger, Mestre em Teologia. Professor A djunto de Teologia Histórica, no The M aster’s Seminary, em Sun Valley, Califórnia.

Presidente da Truth Seekers International, em M el­

Robert L. Thom as, Mestre e Doutor em Teologia.

bourne, Flórida.

Professor de N ovo Testamento, no The Master’s S e ­

Joh n F. MacArthur, Mestre em Teolgia, Doutor em Divindade.

minary, em Sun Valley, Califórnia. Stanley D. Toussaint, Mestre e Doutor em Teologia.

Presidente e professor de M inistério Pastoral no

Professor C atedrático Emérito de Exposição B í­

T h e M aster’s C ollege and Seminary, em Su n V al­

blica, no D allas T h eological Seminary, em Dalas,

ley, C alifórnia

Texas.

W. H. Marty, Mestre em Teologia e Divindade, Dou­

Elmer Towns, Mestre em Teologia e Doutor em M i­

tor em Teologia.

nistério.

Professor de Bíblia no Moody Bible Institute, em

Decano da Escola dc Religião, na Liberty University,

Chicago Illinois.

em Lynchburg, Virgínia.

Richard L. Mayhue, Mestre e Doutor em Teologia.

John F. Walvoord, Mestre e Doutor em Teologia.

Professor de Teologia e Ministério Pastoral no The

Foi reitor e presidente do Dallas Theological Sem ina­

M aster’s Seminary, em Sun Valley, Califórnia.

ry, em Dallas, Texas.

Elwood McQuaid

John C. W hitcomb, Mestre e Doutor em Teologia.

Ex-Diretor Executivo da The Friends of Israel Gospel

Presidente do W hitcomb Ministries, em Orange

Ministry, em Bellmawr, New Jersey.

Park, Flórida

Daniel Mitchell, Mestre e Doutor em Teologia.

Harold L. Willmington, Doutor em Ministério.

Pró-Reitor Adjunto e Professor de Teologia no Li­

Reitor no Liberty Bible Institute, em Lynchburg, Vir­

berty Baptist Theological Seminary, em Lynchburg,

gínia

Virginia.

Andy Woods, Mestre em Teologia e Bacharel em

J. Dwight Pentecost, Mestre e Doutor em Teologia.

Direito.

Professor Emérito no Dallas Theological Seminary,

Doutorando no Dallas Theological Seminary, em

Dalas, Texas.

Dallas, Texas.

Randall Price, Mestre em Teologia e Doutor em Fi­

G ary Yates, M estre em Teologia e Doutor em Fi­

losofia.

losofia.

Presidente da World of the Bible Ministries, em San

Professor de Antigo Testamento, no Liberty Baptist

Marcos, Texas.

Theological Seminary, em Lynchburg, Virginia.


Jam ais as profecias bíblicas suscitaram ta­ m anho fascínio com o vemos nos dias de hoje. Parte deste interesse se deve às incertezas de nossa época. N osso mundo passou a ser cada vez mais m arcado pela instabilidade política e por conflitos fe­ rozes, principalm ente no O riente Médio. Por todo o mundo, as sociedades são mar­ cadas por esta am eaça, juntam ente com a decadência moral, o crime desenfreado e os desmandos dos governos. Vivendo nes­ tes tem pos turbulentos, as pessoas buscam respostas, e muitas se voltam para a Bíblia tentando encontrá-las. N ão obstante o fácil acesso a confortos e tecnologias m o­ dernas, que incluem com putadores capazes de processar bilhões de bits de informações em um piscar de olhos, muitos ainda crêem que a Bíblia, um livro escrito há milhares de anos, guarda respostas para a vida e para aquilo que nos aguarda após a morte. Lam entavelm ente, a m aioria obtém pouco auxílio na área de estudos proféti­ cos. A menos que optem por se dedicar de forma especial ao estudo das profecias, as pessoas não encontram informações n e­ cessárias para dirimir muitas dúvidas que possuem acerca deste assunto tão impor­ tante. Tais questões merecem ser tratadas com toda a atenção, pois 28 por cento da Bíblia, ao ser escrita, era profética! Deus claram ente ligou im portância a este aspec­ to, visto que incluiu passagens proféticas em quase todos os livros da Bíblia, além de usar, quase exclusivam ente, profetas para registrar as Escrituras. Com o disse o apóstolo Pedro: “ [...] hom ens santos de Deus [os profetas] falaram inspirados pelo

Espírito S an to ” (2 Pe 1.21). A exatidão de seus escritos inspirados, particularm ente as porções proféticas, prova, sem sombra de dúvidas, a origem divina da Bíblia. N ada m otiva mais os cristãos do que o estudo das profecias. Ele acende um fogo evangelístico no coração da igreja, cham a a atenção do crente para missões e, em uma época de iniqüidade, produz o desejo de se viver em santidade. Foi por esse motivo que a LaHaye Prophecy Library [“Biblioteca Profética LaH aye”] foi lançada em conjun­ to com a Harvest House Publishers há al­ guns anos. Enciclopédia Popular de Profecias Bíblicas é um livro fundamental dessa série e deverá, na verdade, ser um dos mais com ­ pletos. Com a ajuda do Dr. Wayne Brindle, reunimos uma equipe de especialistas que já escreveu sobre os mais importantes assun­ tos na área do estudo profético. Eles podem discordar entre si em itens de menor impor­ tância, mas todos concordam nas questões principais de escatologia bíblica. Em espe­ cial, todos abraçam a visão pré-milenista e pré-tribulacionista do fim dos tempos. A fim de facilitar o estudo, os tópicos reuni­ dos nesta enciclopédia foram organizados alfabeticamente. C ada artigo foi escrito de modo que atendesse tanto os mais experien­ tes como os iniciantes no estudo das profe­ cias. Esperamos que este estudo lhe sirva de inspiração, levando a um estudo mais pro­ fundo das Escrituras. C om o disse o apóstolo Paulo, “Procura apresentar-te a Deus apro­ vado, como obreiro [...] que m aneja bem a palavra da verdade” (2 T m 2.15). Oramos para que estes artigos alim en­ tem a sua mente, abençoem o seu coração


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e despertem a sua alm a com a bendita es­ perança do retom o de Jesus. Conform e instruções de nosso Senhor, persistimos em vigiar, atentos a seu im inente retor­ no. quando nos levará com Ele ao céu. Enquanto isso, somos instados a estarmos

Pro

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íb l ic a s

sempre alertas — sempre prontos — e a continuam ente servir a Jesus até sua volta (M t 24.42-46). Tim LaH aye Ed H indson


ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO O s termos abominação da desolação, abominação desoladora e abominação que traz de­ solação dizem respeito à violação da pureza ritual do Templo judeu em Jerusalém . Tais expressões são traduções do termo hebrai­ co shiqqutz(im) mshomem e do termo grego bdelugma tes eremoseos. A m bas aparecem em profecias relacionadas à profanação do Templo, tanto em 70 d.C . com o no final dos tempos.

OCORRÊNCIAS NO ANTIGO TESTAM ENTO N o AT, a expressão aparece apenas no li­ vro de Daniel (9.27; 11.31; 12.11). Ela traduz o honor experimentado pelo povo de Deus ao testemunhar atos bárbaros e criminosos de idolatria. T ão teníveis são tais atos que o Templo se tom a ritualisticamente inadequa­ do para adoração e culto a Deus. D aniel lamenta a ocupação estrangeira de Jerusalém e a desolação do Templo: “ [...] A té quando durará a visão do contínuo sacrifício e da transgressão assoladora, para que seja entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” (Dn 8.13) Em Daniel 12.11, lemos sobre um forasteiro conquis­ tador que bane o sacrifício regular e estabe­ lece a “abom inação desoladora”. A palavra “abom inação” demonstra quanto Daniel ficou estarrecido diante da idolatria que in­ vadiu um local sagrado e o profanou.

OCORRÊNCIAS NO NOVO TESTAMENTO N o N T, a frase aparece apenas no dis­ curso proferido no monte das Oliveiras (M t 24-15; M c 13.14), quando Jesus claramente alude à profecia de Daniel. O termo eremos (“desolação”) aparece em Lucas 21.20, mas o sentido não é exatamente o mesmo. A lém disso, diz respeito a toda a Jerusalém e não apenas ao Templo. Jesus utiliza a mesma ex­

pressão em Mateus 23.38. Embora se refira ao segundo Templo, Ele prediz sua destrui­ ção (não profanação) e o derramar do juízo de Deus. Esta previsão é completamente diferente do sacrilégio causado pela abo­ m inação da desolação, o qual não redunda em juízo divino sobre o Templo, mas sobre aquele que o profanou (D n 9.27). O uso dado à expressão, por Daniel e Jesus, cla­ ramente influencia outros textos proféticos (2 Ts 2.3-4; A p 11.1-2). O N T utiliza bdelugma (palavra grega traduzida com o “abom inação” ) por quatro vezes (Lc 16.15; A p 7.4-5; 21.27). A Septuaginta (tradução grega do A T ) a usa por dezessete vezes. Esta palavra deriva de uma raiz que significa “aviltar” e “cheirar m al” . Faz referência a algo que provoca náuseas, sugerindo que se trata de algo m oralm en­ te odioso e detestável. C om o exem plo do que acontece com a palavra em hebraico no AT, o termo grego do N T aponta es­ pecificamente para ídolos e práticas idóla­ tras. A palavra grega eremoseos (traduzida com o “desolação” ) significa “devastar, as­ solar, arruinar” (M t 12.25; Lc 11.17; A p 17.16; 18.17,19). A Septuaginta usa esta m esm a palavra para descrever a desolação da Terra Prometida com o conseqüência da iniqüidade e do exílio.

SIGNIFICADO TEOLÓGICO Tanto no grego com o no hebraico, a frase abominação da desolação possui uma construção gram atical pouco comum. A melhor explicação para isto é o vínculo literário e teológico entre abominação e desolação, verificado nos escritos proféticos de Jerem ias e Ezequiel. Esses textos tratam exaustivam ente da profanação e contam i­ nação do Templo. C om freqüência, m en­ cionam as abom inações e desolações das profanações pagãs do Santuário (Jr 4-1,27; 7.10; 44.22; Ez 5.11,14-15; 7.20), além dos invasores estrangeiros que, algum tempo


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depois, degradam e destroem o Templo (Jr 4-6-8; Ez 6.11; 7.20-23). Jerem ias 44.22, em especial, afirma que as abom inações de Israel causaram a desolação da Terra, tornando-a um objeto de “espanto” (veja tam bém Ez 5.11,15; 7.20-24; 36.19-21). Esta pesquisa rápida demonstra que os israelitas consideravam os atos de impureza ritual, e especialm ente as invasões estran­ geiras do Templo, como as mais terríveis violações de santidade e com o sinais do ju ­ ízo de Deus. O s judeus eram extrem am ente cuidadosos nesta questão e faziam de tudo para impedir tais atos. Chegaram até m es­ mo a construir um muro ao redor do segun­ do Templo! H avia um aviso am eaçando de morte qualquer gentio que passasse para o pátio dos judeus. O N T (A t 21.27-28) registra a terrível revolta da m ultidão con ­ tra Paulo, porque acreditava que ele havia levado um prosélito gentio (Trófimo) para dentro do Tem plo a fim de oferecer sacri­ fícios. Eles acusavam Paulo de “profanar o santo lugar” (o Tem plo). De posse de tais informações, podemos compreender a razão de o futuro ato de profanação da abom inação da desolação ser o clím ax da septuagésim a sem ana de D aniel e indicar um aum ento da ira de Deus na segunda m etade da Tribulação (M t 24-15-21; Mc 13.14-19).

MOMENTO HISTÓRICO Durante a construção do segundo Tem ­ plo, um a m ultidão de pretensos e verdadei­ ros profanadores do Templo invadiu Jeru­ salém. Daniel, contudo, parece ter previsto a invasão do imperador sírio-greco A n tío ­ co IV Epifânio (175 a.C .— 164 a.C .), que ergueu um ídolo dentro do Templo, próxi­ mo ao altar de bronze. Em Daniel 11.31, lemos: “E sairão a ele uns braços, que pro­ fanarão o santuário e a fortaleza [área do Templo], e tirarão o contínuo sacrifício, estabelecendo a abom inação desoladora”.

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Isto aconteceu em 167 a.C . Em resposta, os sacerdotes judeus se revoltaram e vol­ taram a dedicar o Templo (um evento co­ m emorado com o a Festa da D edicação em Jo 10.22-23). O m ovim ento levou a uma vitória das forças militares judaicas sobre os exércitos de A ntíoco. A lguns críticos rejeitam um a inter­ pretação escatológica da abominação da desolação em Daniel. Consideram que to ­ das as referências dizem respeito à profa­ nação perpetrada por A ntíoco e afirmam que o livro de D aniel foi escrito após estes acontecim entos. Jesus, porém, entendia que a aplicação histórica desta expressão à profanação de A ntíoco estabelecia uma estrutura para o que aconteceria no fim dos tempos: a abom inação do A nticristo. A o citar a profecia de D aniel (cerca de du­ zentos anos após a profanação de A ntíoco) em referência à abom inação da desolação que viria no futuro, Jesus confirma tanto sua visão com o a de D aniel na aplicação escatológica da expressão.

IMPLICAÇÕES PROFÉTICAS Jesus via sua própria mensagem como uma continuação dos escritos proféticos e avaliou a geração de seu tempo à luz daque­ las profecias. Muitas vezes, citava Jeremias e Zacarias, aplicando suas profecias tanto ao juízo que estava por vir sobre Jerusalém em 70 d.C., como também ao juízo final. N a “purificação do Templo”, por exemplo, Jesus citou tanto Jeremias 7 (que alude à ameaça de violação do Templo, logo após o sermão de Jeremias sobre o Templo), como textos de Isaías e Zacarias (que dizem respeito à situação futura do Templo). O discurso de Jesus sobre o monte das Oliveiras também coloca o Templo em um contexto escatológico. Quando ouvem a profecia de Jesus sobre a destruição do segundo Templo (M t 24-1-2; Mc 13.1-2; Lc 21.5-6), os discípulos aparentemente a vinculam à vinda do M es­


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sias no fim dos tempos e perguntam sobre um sinal (M t 24.3; M c 13.4; Lc 21.7; examine também 1 C o 1.22). O “sinal” dado por Jesus foi a abominação da desolação de D a­ niel (M t 24.15; M c 13.14). Isto, portanto, seria uma indicação de que a nação de Israel se aproximava de sua libertação e restaura­ ção pelas mãos do Messias, pois a profana­ ção do Templo daria início à perseguição do povo judeu (ou seja, a “grande tribulação”; M t 24.16-22; M c 13.14b-20). Som ente o próprio Messias seria capaz de salvá-los de seus inimigos (M t 24-30-31; M c 13.26-27; Lc 21.28). O relato de Lucas não inclui a abom i­ nação da desolação no Templo, pois se tra­ ta de um evento escatológico. Este Evan­ gelho enfoca o interesse mais im ediato dos discípulos (note a frase “estiver para acon­ tecer”, em Lucas 21.7), atentando para quando seria a destruição do Templo (e de Jerusalém ). Por esse m otivo, ele tam bém omite a perseguição do fim dos tempos e a Tribulação (grego: thlipsis) que está rela­ cionada a este evento. Em seu lugar, utiliza o termo “grande aflição” (gr. anagke), que m elhor descreve a invasão e aniquilação da cidade (Lc 21.23-34). Tal acontecim en­ to teve lugar quando os exércitos rom anos conquistaram Jerusalém em 70 d.C. M ateus e M arcos localizam a abom i­ nação da desolação em um tempo no qual “então virá o fim” (M t 24.14). Ele separa o período de “tribulações”, ou “princípio das dores” (M t 24-6-12; M c 13.7-9), da “grande tribulação” (M t 24-21; M c 13.19). Lucas faz o mesmo em 21.24, separando os acontecim entos da desolação de Jerusalém (70 d .C .), e os tempos dos gentios (era atu­ al), da época descrita em “até que os tem ­ pos dos gentios se com pletem ”. A abom inação da desolação m arca o m eio da septuagésim a sem ana de Daniel, dividindo a Tribulação em duas partes, sendo uma de menor e outra de maior

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intensidade (D n 9.27). Isto corresponde aos “42 meses” de A pocalipse 11.1-2 e aos 1290 dias de D aniel 12.11. O s preteristas interpretam a abom ina­ ção da desolação (como, aliás, fazem com a m aioria das profecias) com o se esta ti­ vesse se consum ado inteiram ente na des­ truição do Templo em 70 d.C . Entretanto, os acontecim entos da Primeira R evolta Judaica, que culm inaram com a destruição de 70 d.C ., não correspondem aos detalhes descritos nos textos sobre a “abom inação da desolação” . A s incursões rom anas du­ rante esta época não poderiam ser consi­ deradas com o abom inações que causaram desolação, porque não afetaram o sistema de sacrifícios. Estrangeiros no Templo po­ dem profaná-lo sem tom á-lo impuro, razão por que os judeus o reconstruíram após a violação e destruição dos babilônios sem necessitarem de uma cerim ônia de purifi­ cação (Ed 3.2-13). A lém disso, a entrada do general rom ano Tito (que destruiu o Tem plo) só aconteceu depois de o S an tu á­ rio estar em cham as e com pletam ente des­ truído, e após os sacrifícios serem interrom ­ pidos. E im portante observar este aspecto, pois a abom inação da desolação de que fala Daniel, e que é depois m encionada por Je ­ sus, trata apenas da interrupção de sacrifí­ cios no Templo e não da sua destruição.

PERSPECTIVA ESCATOLÓGICA Q ualquer outra interpretação, com exceção da escatológica, deixa-nos com detalhes não resolvidos que, ou vem os de form a alegórica e não histórica, ou descar­ tam os com pletam ente. A visão escatológi­ ca tam bém explica o significado de tipos bíblicos que aguardam sua m aterialização. Adem ais, a septuagésima sem ana de D a­ niel e, em especial, seu acontecim ento sinalizador da abom inação da desolação, influenciou a estrutura literária do discurso no monte das O liveiras e a parte que tra­


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ta de juízos no livro de A pocalipse (caps. 6— 19). A interpretação de Jesus da ordem dos acontecim entos da septuagésim a sem a­ na é dada em um contexto histórico profé­ tico, e parece confirmar uma interpretação escatológica de D aniel 9.27. Mateus 24.714 prediz que perseguições, sofrimento e guerras continuarão até o fim dos tempos, com seu ápice em um m om ento de gran­ de aflição (vv. 21-22). Isto corresponde ao “tem po de angústia para Jacó ” (D n 12.1; Jr 30.7). Som ente após estes eventos, Jesus faz referência a Daniel 9.27 (v. 15), quan­ to ao acontecim ento que sinalizaria este tempo de Tribulação. S e as setenta sem a­ nas fossem seqüenciais e consecutivas, sem qualquer interrupção, por que Jesus colo­ caria este período intermediário antes do cumprimento dos eventos da septuagésima sem ana? O texto de M ateus, em especial, mostra que Jesus respondia perguntas de seus discípulos a respeito de sua segunda vinda e do fim dos tempos (M t 24.3). Jesus explica que sua vinda é necessária para uma intervenção divina e para que toda a nação se arrependa (vv. 37-31; Zc 12.9-10), o que ocorrerá “logo depois da aflição daqueles dias” (M t 24-29). De acordo com Mateus, os acontecim entos descritos neste período, anteriores ao advento do Messias, não po­ deriam ter se cumprido em 70 d.C . com a destruição de Jerusalém , pois tais eventos culm inam com a vinda do Messias. A pesar de a frase “abom inação da deso­ lação” não aparecer em 2 Tessalonicenses 2.4, que fala sobre a profanação do Templo no fim dos tempos, Paulo obviam ente ti­ nha este acontecim ento em m ente. A Septuaginta, por exem plo, usa por vezes tanto bdelugma (“abom inação” ) com o anomia (“iniqüidade” ) em relação a práticas idóla­ tras. Em 2 Tessalonicenses 2.3-4, portanto, Paulo descreve aquele que se ergue acima de todo o ídolo com o o “hom em da iniqüi­ dade” . A liás, a explicação de Paulo sobre

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este evento serve com o um com entário dos dois textos: os que tratam da “abom inação da desolação” de D aniel (principalm ente D n 9.27) e a declaração de Jesus, que a co ­ loca com o um “sinal” no discurso sobre o m onte das O liveiras. A lém disso, Paulo usa o evento para responder a m esm a questão a respeito do tempo do fim, sobre que os discípulos de Jesus haviam perguntado, o que reafirma a interpretação escatológica da abom inação da desolação. Paulo escreveu à igreja de Tessalônica a fim de alertar os cristãos que tinham abandonado os assuntos do dia-a-dia. Eles acreditavam que a vinda im inente de C risto, que Paulo anteriorm ente pregara (1 Ts 4.13-18), já estava próxim a (2 Ts 2.2). Paulo explicou que, antes da “vin d a” do M essias, o A n ticristo deve aparecer prim eiro (vv. 3-9). O sinal que tornará m anifesto o A nticristo, que é neste te x ­ to m encionado com o “o hom em da in i­ qüidade” , “filho da perdição” (v. 3b) e “o iníquo” (v. 8), é sua usurpação do lugar de Deus no Tem plo (v. 4; Êx 2 5.8). Este ato não apenas revelará o A nticristo, mas tam bém “a m entira” (o endeusam ento do A nticristo; A p 13.4-6,15), que m arcará seus seguidores (A p 13.16-18) e os co n ­ firmará no julgam ento final que terá lugar com a vinda do Senh or (2 Ts 2.8-12).

ABOMINAÇÃO DO ANTICRISTO Em 2 Tessalonicenses 2.4, Paulo com e­ ça a explicar sobre a profanação do Tem ­ plo afirmando que o hom em da iniqüidade “exalta a si m esmo” . Ele se levanta “contra tudo que se cham a Deus ou é objeto de cul­ to”. Em bora isto possa indicar um a extra­ ordinária blasfêm ia contra Deus, com o em A pocalipse 13.6, o cenário é o futuro Tem ­ plo de Jerusalém (reconstruído). O s “obje­ tos de culto”, portanto, são os vasos sagra­ dos (2 C r 5.5-7; H b 9.2-5), e a desolação acontece na parte m ais interna do Templo


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(O S an to dos San tos), onde a presença de Deus anteriormente se m anifestava (Ex 25.22; 30.6; Ez 43.1-7). A abom inação, no entanto, é o ato do A n ticristo de entronizar-se no lugar de Deus, “ostentando-se” (gr. apodeiknunta) com o se fosse o próprio Deus (lit., “que ele é D eus” ). Tal ato de blasfêm ia cumpre a profecia de D an iel de que o A n ticristo “ [...] se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses fa­ lará coisas incríveis [...]” (D n 11.36). N o con texto satânico de A pocalip se 12.9,1217 e 13.4-10, a abom inação traz alusões aos textos de Isaías 14.13-14 e Ezequiel 28.2-9, onde usurpadores “acim a das es­ trelas de Deus [exaltarão] seu[s] trono[s]” , “ [serão] sem elhante[s] ao A ltíssim o” e de­ clararão: “Eu sou Deus e sobre a cadeira de Deus me assen to”. A pesar do precedente estabelecido na interpretação literal do discurso no m onte das O liveiras, que claram ente alude à pro­ fanação do Templo histórico em Jerusalém, alguns intérpretes de 2 Tessalonicenses 2.4 vêem o “santuário de Deus” com o um a m e­ táfora da igreja, em uma expressão alegóri­ ca. Vêem o ato da profanação do “hom em da iniqüidade” com o apostasia no meio da igreja. O texto de Paulo, contudo, era diri­ gido a leitores do primeiro século. Em uma época em que o segundo Templo ainda es­ tava de pé, sua referência ao “santuário de Deus” só podia significar um lugar: o Tem ­ plo judeu em Jerusalém. Temos ainda outras razões para rejeitar a interpretação sim bólica e aplicar a profecia ao Templo físico (considerando, portanto, uma literal abom inação da desolação): (1) N as poucas vezes em que Paulo usou a p a­ lavra grega naos (“tem plo” ) para se referir a algo que não fosse o verdadeiro Santuário em Jerusalém (1 C o 3.16; 6.19; 2 C o 6.16; E f 2.21), ele sempre explicou o que queria dizer, a fim de que seus leitores pudessem

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com preender sua metáfora. (2) A palavra “tem plo”, em 2 Tessalonicenses 2.4, vem acom panhada de um artigo definido (“o tem plo” ), ao contrário do uso metafórico de Paulo, quando “tem plo” é, via de regra, indefinido (“um tem plo” ). (3) A expressão “no tem plo de Deus” com plem enta o sen­ tido de “se assentará” (gr. hathisai), verbo este que sugere um local específico, não um a instituição (com o a igreja). Se Paulo estivesse se referindo à apostasia no seio da igreja, teria preferido outros verbos, como “entronizar” ou “usurpar” , e não um verbo que fosse literalm ente “sentar” . Os pais da igreja anteriores ao Concilio de N icéia compreendiam essa passagem de forma literal. Irineu (185 d.C .), por exem ­ plo, escreveu: “Pois quando esse A nticristo tiver devastado tudo que h á neste mundo, reinará por três anos e seis meses e sentar-seá no Templo em Jerusalém. Então o Senhor virá por entre as nuvens, coberto pela glória do Pai. Ele enviará esse homem e seus segui­ dores para o lago de fogo, mas inaugurará a era do reino para os justos”. A interpretação de Irineu, que contem pla uma profanação li­ teral do Templo, é tanto escatológica como pré-milenialista. A interpretação simbólica ou “espiritual” do “tem plo” como sendo a igreja, em contrapartida, não aparece de­ talhadam ente desenvolvida até o século 3, com Orígenes, que foi influenciado pela in­ terpretação alegórica da escola helenista e idealista de Philo. Podemos, portanto, verificar que a in­ terpretação escatológica da abom inação da desolação é respaldada tanto pelo texto com o pelo testem unho dos apologistas da Igreja Primitiva. Isto serve para alertar-nos quanto ao dia do engano e da desolação. Ele virá no meio da tribulação, preconizan­ do o juízo de Deus e culm inando no retor­ no do Senhor.

— Randall Price


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BIBLIOGRAFIA Dodd, C. H. “The Fall o f Jerusalem and the A b o ­ mination of D esolation”, Journal o f Rom an Studies n° 37 (1947), pp. 51-63. Ford, Desm ond. The Abom ination o f Desolation in Biblical Eschatology, W ashington, dc: Uni­ versity Press of America, 1979. Price, Randall. The Desecration a n d Restoration o f the Temple in the O ld Testament, Jewish Apocalyptic Literature, a n d the New Testa­ ment. A n n Arbor, Michigan: umi, 1 993. Wenham, David. "Abom ination of Desolation”, em A n ch o r Bible Dictionary, New York: D o u ­ bleday, 1 992. Zmijewski, J. “Bdelugm a”, em Exegetical D ic­ tionary o f the New Testament, editado por Horst Balz e Gerhard Schneider. Grand Rapi­ ds: Eerdm ans Publishin Com pany, 1978.

ADIAMENTO PROFÉTICO

a Igreja (Rm 11.12-15,23,26,31). Quando a liderança de Israel rejeitou a Jesus como o Messias (M t 23.37-38; veja A t 3.13-15,17; 4.25-27), a restauração da nação foi adiada, o que tomou necessário um segundo advento messiânico a fim de completar a restauração espiritual e física de Israel (M t 23.39; veja A t 1.6-7; 3.19-21; Rm 11.25-27). O conceito de adiam ento profético é crucial para uma interpretação adequa­ da de vários textos proféticos do AT. Por exem plo, em Daniel 9.27, ocorre uma in­ terrupção no cumprimento entre o fim das primeiras 69 sem anas (cumpridas h isto­ ricam ente) e o início da septuagésima se­ m ana (cum prida escatologicam ente). Este conceito tam bém nos ajuda a entender a bênção de Deus sobre a Igreja (com o opos­ ta a Israel) sob a nova aliança (G n 12.3; Zc 8.22-23; Rm 11.17-32), bem com o o pro­ pósito da segunda vinda de Cristo.

A TERM INOLOGIA DO ADIAMENTO Adiamento profético é um a expressão usada para com unicar a dem ora do p rogra­ m a m essiân ico de redenção para a nação de Israel. O N T refere-se à prim eira e à segunda vin d a do M essias com o um a con seqü ên cia do endurecim ento ju d icial de Israel (M t 13.13-15; M c 4.11-12; Lc 8.10; Jo 12.40; A t 28.26-27; R m 11.810). O adiam en to interrom peu a restau­ ração sob a n o va alian ça (Jr 31.3 1 -3 7 ). N o AT, a restauração n acio n al de Israel incluiu dois elem entos inseparáveis: a sua regeneração espiritual (v eja Is 49.17; 53— 55; Ez 36.25-27; 3 7 .1 4 ,2 3 ) e a restauração física da terra (v eja Is 49.8; 56:1-8; Ez 3 6.24,28; 37.2 4 -2 8 ). O primeiro advento messiânico forneceu a base para a restauração espiritual (M t 1.21; veja Lc 2.11), pela qual um remanescente ju­ deu passou (Rm 11.1-5). Este é um sinal da experiência nacional posterior que acontece­ rá depois que Deus concluir o seu plano para

A expressão técnica para este entendi­ mento do intervalo no programa messiânico para Israel é interpretação apotelesmática. E derivada do verbo grego apotelo, que signifi­ ca “levar até o fim, terminar”. T elos (“fim” ou “objetivo” ), pode ter aqui a idéia mais técnica da “consum ação das profecias quan­ do elas são cumpridas” (Lc 22.37). C om o prefixo apo, que basicamente possui a co­ notação de “separação de algo” , a idéia é a de uma demora ou interrupção na conclu­ são do programa profético. Portanto, uma interpretação apotelesmática reconhece que alguns textos do A T apresentam o programa messiânico como um único evento, mas que na verdade se referem a um cumprimento histórico tanto próximo como distante, se­ parado por um período de tempo indeter­ minado. Escritores dispensacionais têm-se referido a isto como uma “intercalação” ou um “intervalo”. N o entanto, adiamento profético expressa melhor este conceito. Adia­


A d ia m e n t o P r o f é t ic o mento, porque retém a idéia original de uma interrupção no cumprimento, enquanto o suplementa com a noção de que tal demora é apenas temporária; e profético, porque entendemos que se trata de um ato intencional e pré-ordenado no programa divino. O s textos do A T sugeriram este adiam ento quando se referiram ao endureci­ m ento de Israel (Is 6.9-13; Zc 7.11-12) e ao exílio judicial (D t 4.27-30; 28.36-37,4950,64-68), mas o adiam ento só foi total­ m ente revelado no N T (Jo 12.37-40; A t 28.25-28; Rm 11.25-26). Corretam ente, este adiam ento no cumprimento da histó­ ria israelita não é tanto uma interrupção da redenção como uma extensão de um endu­ recim ento predito (R m 11.7-10). O exílio, que foi um castigo por causa da desobedi­ ência nacional, foi, portanto, prolongado durante a era da Igreja até o tem po de­ term inado para a restauração nacional de Israel (A t 1.7; 3.21; Rm 11.25-27). Desta forma, ninguém pode questionar a infalibi­ lidade da prom essa divina a Israel (Rm 9.6; 11.29). A redenção israelita individual está sendo cumprida, atualm ente, dentro da Igreja (Rm 11.1-5). Esta salvação do rem a­ nescente durante a era presente (Rm 9.8; 11.24,27) testifica da salvação final de todo o Israel na era por vir (Rm 11.26). Este as­ pecto anteriorm ente encoberto do plano m essiânico (Rm 16.25-26; Ef 3.3-6) decla­ ra que Cristo remirá Israel (Rm 11.23) tão certam ente quanto está salvando judeus e gentios agora (Rm 11.12,15,23,31).

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m ento registrada no N T, Jesus ensina que a destruição do Templo (vv. 20-23), o perío­ do da Diáspora judaica (v. 24), guerras em uma escala internacional (v. 10), desastres naturais (v. 11), perseguições .(vv. 12-19), e fenôm enos celestes e terrestres (vv. 2526) precederão a redenção nacional trazida pela segunda vinda (vv. 27-28). Quando o A T registrou que o Messias nasceria (Is 9.6) e governaria sobre o trono de Davi e sobre o seu reino (Is 9.7), esta foi a descrição de um advento m essiânico úni­ co. N o entanto, em A tos 3.18-21, Pedro explicou que a segunda m etade foi adiada. Portanto, deve-se perguntar por que se­ ria necessária uma segunda vinda se todas as promessas proféticas a respeito de Israel foram cumpridas na primeira vinda (como alegam os preteristas e historicistas). Além disso, a abordagem apotelesmática é diferente da abordagem dialética “já-ainda não”, porque esta segunda contemplaria um cumprimen­ to parcial da promessa completa, enquanto a primeira contemplaria um cumprimento completo de parte da promessa. Jesus não está cumprindo parcialmente a promessa de reinar sobre o trono de Davi como o Senhor da Igreja (A t 2.34-36; Hb 1.3; 12.2). Isto está adiado para uma futura entronização terrena, que cumprirá completamente as exigências literais das promessas do A T para a nação de Israel (2 Sm 7.16; SI 89.4; M t 19.28; 25.31).

QUALIFICAÇÕES PARA 0 ADIAMENTO

E im portante lembrar que as profecias m essiânicas foram originalm ente dirigidas A EXPRESSÃO DO ADIAMENTO a Israel e que finalmente serão cumpridas O N T se refere ao futuro cumprimentoexclusivamente com Israel. A Igreja ocupa dos textos de restauração contidos no AT. um período parentético no cumprimento Por exem plo, o A T prometeu que a cidade do destino de Israel, mas ela (a Igreja) não de Jerusalém seria liberta do dom ínio gen­ foi relegada a um a posição parentética (veja tio por intervenção m essiânica (Zc 14.1-4). Ef 1.12; 2.6-7; 3.9-10; 5.25-27; C l 1.26Isto jam ais aconteceu, mas C risto prom e­ 27). O N T confere à Igreja um propósito teu que se cumpriria na sua segunda vinda distinto no plano m essiânico, juntam ente (Lc 21.24-31). N esta predição de cumpri­ com o de Israel. N a Igreja, os eleitos (ju­


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deus e gentios) têm igual acesso a Deus (Ef 2.11-22), e um a nova revelação da graça salvadora de Deus através do M essias de Israel. Esta graça incorporou gentios com o co-herdeiros das bênçãos m essiânicas (Ef 2.3-6), incluindo a herança do reino (1 C o 6.10; G 1 5.21; E f 5.5; 1 Ts 2.12; 2 Ts 1.5). A in d a assim, as promessas de restau­ ração feitas a Israel requerem um cumpri­ m ento futuro do mesmo modo que as pro­ messas redentoras encontraram um cum ­ prim ento passado. A primeira vinda do Messias foi originalm ente dirigida à nação de Israel (M t 15.24) e cumpriu profecias específicas (Is 53; Dn 9.26). N a segunda vinda do Messias, Ele restaurará Israel (A t 1.6; Rm 11.26-27; 2 Ts 1.5-10; 2.3-12; A p 19.11— 20.9). Sabem os que estas prom es­ sas não foram cumpridas na primeira vinda de Jesus (com o sugere a interpretação dos historicistas) porque Jesus, no Serm ão do M onte (M t 24.30-31; 25.31), e Pedro em A tos (A t 3.19-21), ligam o seu cumpri­ m ento à segunda vinda. E sabemos que elas não foram cumpridas em 70 d.C . (com o sugere a interpretação dos preteristas), por­ que “o tempo dos gentios” não foi “cumpri­ do” (concluído), e as propriedades de Israel não foram restauradas. A única m aneira de harmonizar estas discrepâncias é mudar o significado das palavras dos profetas do AT, ou reconhecer um adiam ento do cumpri­ m ento profético final. A s passagens apotelesm áticas (profecias que possuem intervalos em seu cum pri­ m ento) são comuns na Bíblia. A duração de um intervalo é irrelevante, e algumas predições abrangiam m uitos séculos (tais com o a profecia do êxodo e do estabeleci­ m ento na terra, em G n 15.13-16).

ADIAMENTO E CONTINUIDADE CRONOLÓGICA A abordagem apotelesm ática inclui tanto uma extensão do exílio de Israel como

um adiamento da restauração da nação, com um período parentético incorporado para cumprir as promessas de salvação m essiâ­ nica em favor daqueles (sejam judeus ou gentios) que aceitaram o M essias de Israel. Visto que o endurecim ento de Israel não permitiu a prom essa de arrependimento nacional na primeira vinda (Jo 12.37-40), isto será cumprido na segunda. U m a obje­ ção a tal conceito de adiam ento, especial­ m ente em passagens proféticas onde uma medida clara de tem po ou espaço é espe­ cificada (com o D n 9.24-27), tem sido que, em tais casos, as unidades de tem po ou es­ paço devem ser entendidas com o algo que funciona contínua e sucessivamente. 0 adiam ento profético não afeta o cum prim ento de eventos m edidos. Os mesmos eventos cronológicos são cum ­ pridos na m esm a ordem tem poral com o se nenhum a interrupção ocorresse. Escrito­ res dispensacionais ilustram isto pela im a­ gem de um relógio profético. S e julgarm os que este relógio con ta apenas o “tem po israelense” , os ponteiros do relógio co n ­ gelaram na posição com preendida com o “tem po dos gen tios”. O relógio voltará a funcionar quando o “tem po dos gentios for cum prido” . A partir da perspectiva h u ­ m ana, o relógio parou e o cum prim ento pode parecer ter falhado. Do ponto de vis­ ta divino, porém , nad a mudou, e tudo está acon tecendo conform e o plano (porque o “tem po dos gentios” sem pre foi um a parte pretendida do cum prim ento).

0 ADIAMENTO E A PERSPECTIVA PROFÉTICA 1 Pedro 1.10-12, um texto dirigido predom inantem ente aos exilados gentios (1.1; 2.11), explica que Deus revelara aos profetas a sua intenção de trazer a salvação aos gentios (veja Is 9.1-2; 19.21-25; 42.1-2; 56.1-8). Estes profetas sabiam que o M es­ sias de Israel seria a “luz para os gentios” (Is


A d ia m e n t o P r o f é t ic o 42.6; 49.6), e diligentem ente procuravam descobrir o tempo determ inado do advento messiânico, que para eles com binava tanto a primeira como a segunda vinda. M as os profetas não podiam discernir claram ente quando os gentios receberiam a misericór­ dia, porque a m aior parte destas promessas estava ligada à era m essiânica (Is 11.10; 42.6; 60.3; M l 1.11).

0 ENSINO DE JESUS SOBRE 0 ADIAMENTO PROFÉTICO Jesus instmiu seus discípulos a respeito de duas fases do advento messiânico (a realização da redenção e da restauração). Ele disse: “Elias virá primeiro e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim fa­ rão eles também padecer o Filho do Homem” (Mt 17.11-12; grifo do autor). A resposta de Israel a João Batista prefigurou a sua resposta ao Messias e foi necessário o adiamento da sua restauração nacional. A ssim com o a vinda do precursor m es­ siânico possui duas fases, um a relacionada a João B atista (para o arrependim ento) e um a relacionada ao profeta Elias (para a restauração), tam bém a vinda do M es­ sias possui duas fases: um a com o S a lv a ­ dor (para rem ir) e um a com o Soberano (para reinar). A rejeição a João B atista por parte da liderança de Israel fez com que o seu m inistério profético term inasse sem o cum prim ento do arrependim ento nacional, necessitando então um futuro precursor m essiânico (representado por Elias). D a m esm a form a, a rejeição a Jesus por parte da liderança de Israel tam bém fez com que o seu m inistério m essiânico term inasse sem o cum prim ento da reden­ ção e restauração nacional; isto tom ou necessário o seu futuro retorno com o o M essias que Ele sem pre foi. Jesus também reconheceu o princípio do adiamento profético no uso que fez de Isaías

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61.1-2 (Lc 4-16-21). Ele diferencia o tempo do cumprimento de dois eventos messiânicos que se sucedem imediatamente no texto. Em Lucas 4, Jesus foi contra a tradição judaica na leitura pública, terminando abruptamente a sua passagem selecionada no meio da frase. O resto da frase diz: “[...] o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes”. Se o propósito do Senhor na primeira vinda foi remir em vez de reinar, então podemos entender por que Ele omitiu a segunda parte deste versículo, que tem o foco na segunda vinda. Ele não a omitiu, como alguns afir­ mam, a fim de enfatizar a graça de Deus, por­ que omitiu palavras que também enfatizam a graça de Deus. Antes, Jesus sabia que o dia do juízo gentio deveria ser adiado, e assim leu apenas a parte do versículo que dizia respeito ao cumprimento presente.

A INTERPRETAÇÃO CRISTÃ MAIS ANTIGA DO ADIAMENTO A antiga teologia cristã claram ente re­ conhecia esta interrupção na redenção de Israel. Em A tos 3.18, lemos a respeito da redenção e da primeira fase da vinda de Jesus nas palavras: “M as Deus assim cum ­ priu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado: que o C ris­ to havia de padecer”. Esta proclam ação re­ dentora está então ligada à restauração e a segunda fase da vinda nos versículos 1921: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham , assim, os tem pos do refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a J e ­ sus Cristo, que já dantes vos foi pregado, o qual convém que o céu contenha até aos tem pos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus san­ tos profetas, desde o princípio” . A s frases “tempos de refrigério” e “tem ­ pos da restauração de tudo” retratam a era m essiânica — a restauração prom etida da nação de Israel (veja Is 2.2-4; 4-2-6; 11.6-9;


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A d ia m e n t o P r o f é t ic o

6 2 .1 Ί 2 ). Estas expressões exatas aparecem som ente aqui no N T e não têm precedente direto no A T grego, mas existem idéias p a­ ralelas n a literatura apocalíptica judaica. O termo grego apokatastasis (“restau­ ração” ), em A tos 3.21, deriva-se do verbo apokathistemi (“restaurar” , a um a condição anterior) e aparece em A tos 1.6: “restau­ rando o reino a Israel” . Em M ateus 17.11 e M arcos 9.12 (veja Ml 4-5), o termo se refe­ re à vinda de Elias para “restaurar todas as coisas”. Expressões paralelas deste período de restauração no N T (embora m ais amplas em abrangência) incluem o uso que Jesus faz de “a regeneração” (gr.: palinenesia) em M ateus 19.28, e a descrição de Paulo da fu­ tura era de redenção em Rom anos 8.18-23. Este termo para restauração é especialm en­ te relacionado ao arrependimento judaico nacional, porque os dois termos vêm da m esm a raiz e parecem estar padronizados após a condição profética para a restaura­ ção do reino m essiânico: “Tornai para mim [com um coração restaurado], e eu torna­ rei para vós [com bênçãos restauradas]” (Zc 1.3; M l 3.7; veja M t 3.1-2; 4.17). Esta relação entre o arrependimento nacional e o advento m essiânico para a nação, es­ pecialm ente com a exigência acrescentada do testem unho judaico e da inclusão gentia (A t 1.8; 15.11-18), dem anda um período parentético antes do juízo final.

A INTERPRETAÇÃO DE PAULO SOBRE 0 ADIAMENTO Paulo escreveu que a rejeição de Israel ao Messias prom etido trouxe uma suspen­ são no cumprimento das promessas m essi­ ânicas a Israel (Rm 11.12,15,23,25-28,31). Ele explicou que Deus não falharia em sua prom essa feita a Israel, e assim os gentios, que atualm ente com partilham o Messias de Israel durante a era da Igreja, também recebem a certeza das bênçãos prometidas por Deus (Rm 9.6; 10.1; 11.11,29-32).

Portanto, apesar da rejeição n acional de Israel a Jesus com o o M essias, a alian ­ ça de A braão não foi revogada. Isto não lhes garante a salvação separada do arre­ pendim ento (M t 3.8-9; Rm 2.17-29), mas preserva a prom essa da futura salvação da n ação um a vez que esta se arrependa (Zc 12.10— 13.2; M t 24.30; R m 11.25-27).

EXEMPLOS DE ADIAMENTO PROFÉTICO M uitas profecias escatológicas do A T foram parcialm ente cumpridas, mas aguar­ dam o cumprimento com pleto ou final. A l­ gumas passagens apotelesm áticas incluem tanto um cumprimento histórico próximo quanto um cumprimento distante do “Dia do Senhor”.

TEXTOS ESCAT0LÓGIC0S SOBRE 0 “DIA DO SENHOR” 1 ιιιιΐ|·ι mu ιι ΐι 1 I'lO M IIll’

llllipi lllll n i l '

Π ι-Ι.ιη ΐι

Isaías 13.6

Isaías 13.9

Joel 2.1, 11

Joel 2.31

O badias 1-14

Obadias 15-21

Sofonias 1.7

Sofonias 1.14

Outros textos m essiânicos escatológicos do A T revelam (à luz da revelação do N T ) um a distinção entre um cumprimento h is­ tórico (primeira vinda) e um cumprimento escatológico (segunda vinda). M uitos dos texto s de profanação-restauração nos profetas fazem d istin ção e n ­ tre um cum prim ento p arcial (próxim o) no reto m o à terra — e na reedificação de Jerusalém e do T em plo — e um cum pri­ m ento final ou escato ló gico (d istan te) no reagrupam ento n acio n al final de Israel (Is 11.11-12) — o seu retorno à Jeru sa­ lém (Is 2.2-3) e a reedificação do Tem plo escato ló gico (Ez 3 7 .26-28; 4 0 — 48) no reino m ilenial.


A d ia m e n t o P r o f é t ic o

TEXTOS MESSIÂNICOS ESCATOLÓGIGOS Í V* C 111 iip i idps.' t"m ii|’ riiln ' j ir.iiiiin vúij F ò "= ;/ Ssçiit'» Gênesis 49.10

G ênesis 49.11-12

2 Sam uel 7.15

2 Sam uel 7.13, 16

Salm os 2.7

Salm os 2.8

Isaías 9.1-2

Isaías 9.3-5

Isaías 9.6

Isaías 9.7

Isaías 11.1-3

Isaías 11.4-16

Isaías 52.13— 55.13

Isaías 56.1-8

Isaías 59.16

Isaías 59.17-21

Isaías 61.1-2

Isaías 61.2-11

D aniel 9.26

D aniel 9.27

M iquéias 5.2

M iquéias 5.3-15

Sofonias 2.13— 3.7

Sofonias 3.8-20

Sofonias 9.9

Sofonias 9.10

M alaquias 3.1

M alaquias 3.2-3

M alaquias 4-5

M alaquias 4-6

0 ADIAMENTO PROFÉTICO E 0 DISPENSACIONALISMO O adiam ento profético é um dogm a do dispensacionalism o clássico. N ão foi cria­ do para m anter os programas para Israel e para a Igreja separados. A ntes, baseia-se na observação de que o N T m antém Israel e a Igreja com o instituições distintas quando emprega as passagens m essiânicas e de res­ tauração do AT. O N T descreve programas separados para Israel e para a Igreja. Podese chegar a algumas conclusões a respeito do adiam ento profético: 1. O atual domínio físico dos poderes gentios e o atual programa espiritual da Igreja mostram que o cumprimen­ to histórico literal da restauração e do reavivamento nacional de Israel aguardam uma era futura. 2. A evidência para o adiam ento pro­ fético (interpretação apotelesm á­ tica) não está restrita a nenhum

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texto, mas é uma característica dos textos proféticos m essiânicos e do “D ia do Senhor” . Isto pode ser pos­ teriormente apoiado pelos motivos de restauração dos profetas, que não viram um cumprimento com pleto em nenhum a era subseqüente. 3. Pode-se demonstrar o adiamento profético nos textos escatológicos do N T, especialmente no Serm ão do Monte e em A pocalipse 6— 19. 4- O N T posteriorm ente dem onstra a aceitação do adiam ento profé­ tico através da continuação das prom essas de restauração, contidas no AT, a Israel (assim com o em A t 3.19-21; R m 11.25-31). A segunda vinda de C risto está especialm ente associada ao cum prim ento dessas prom essas (veja M t 24-30-31; A t 1.6-7; 3.20; 2 Ts 2.8). Portanto, um dogm a distinto da her­ m enêutica dispensacional é a interpreta­ ção apotelesm ática, ou adiam ento profé­ tico. Este fenôm eno revela o significado do “D ia do S en h or” do A T ou dos textos m essiânicos escatológicos, em que alguns aspectos da restauração de Israel ainda não foram cumpridos.

— Randall Price BIBLIOGRAFIA DeSanto, Pasquale. “A Study of Jewish Escatholog y with Special Reference to the Final Conflict”. Dissertação PhD, Universidade Duke, 1957. McLean, John A. “The Seventieth Week o f Daniel 9:27 as a Literary Key for Understanding the Structure o f the A pocalypse o f John”. D isser­ tação PhD, Universidade de Michigan, 1990. Pierce, Ronald. “Spiritual Failure, Postponement, and Daniel 9 ”. Trinity Journal 10 NS (1982), pp. 21 1-222.


A l ia n ç a s

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Price, Randalí. "Prophetic Postponem ent in D a­ niel 9 and Other Texts”. Em Issues in Dispensationalism . Eds. W esley R. Willis e John R. Master. Chicago: M o o d y Press, 1994.

ALIANÇAS A s relações entre o hom em e Deus sempre foram mediadas por uma ou mais alianças bíblicas. Deus firmou seis alianças distin' tas, com suas respectivas promessas: (1) a A liança N oaica (G n 6.18; 9.8-17), (2) a A liança Abraâm ica (G n 15.1-21; 17.1-22; 26.2-5,24; 28.13-17), (3) a A liança M osai­ ca (Êx 19— 20,24), (4) a A liança Sacerdo­ tal (N m 25.10-13), (5) a A liança Davídica (2 Sm 7.12-16), e (6) a N o va A liança (Jr 31.31-34)· C inco destas são incondicionais, irrevogáveis, eternas e concedidas pela gra­ ça. Som ente a aliança m osaica foi condicio­ nal, passível de ser revogada, temporária e dependente das obras. Em nenhum m omento, a Bíblia m en­ ciona uma aliança da graça ou da redenção. Também não vemos nenhum a m enção às supostas alianças edênicas e adâm icas, nas mais de 280 vezes em que a palavra “alian­ ça” é utilizada no AT, ou em suas mais de trinta ocorrências no NT. (N o verbete “Dispensações” , veja m aiores informações sobre as características de “aliança” nas promessas feitas por Deus antes de N oé.) Deus se com prometeu com a realização de determ inadas coisas na história, e a profe­ cia concentra-se em com o e quando Deus realizará estas promessas.

AS DIFERENTES ALIANÇAS Aliança Noaica A primeira vez em que o termo “alian­ ça” aparece no AT, é em relação à aliança noaica (G n 6.18; 9.9-17). A pós um dilúvio universal, expressão de sua ira (6.1-7), Deus firmou uma aliança unilateral com N oé,

a fim de preservar a raça hum ana e todas as criaturas vivas da extinção. Ele afastou a possibilidade de um futuro exterm ínio global ao prometer jam ais voltar a repetir aquela experiência. Esta aliança, ignorada no NT, é incondicional, eterna, válida por todo o tem po de vida desta terra, e tem o arco-íris com o seu sinal (8.21-22; 9.1117). A irrevogabilidade desta aliança serve para m elhor com preendermos esta mesma característica nas alianças abraâm ica, sa­ cerdotal e davídica (Jr 33.20-26). A graça comum de Deus (Is 54.9) é misericordiosa e m anifestada de form a com passiva a toda a raça hum ana, atingindo cada vida indivi­ dualm ente (M t 5.45; A t 14.17; 17.25).

Aliança Abraâmica Deus firmou a aliança abraâmica, sagra­ da e autônom a (Lc 1.72), unilateralmente (G n 15.7-17) com Abraão, Isaque e Jacó (Ex 2.24). Esta aliança foi proclamada e confirmada por oito vezes (G n 12.1-3; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 22.15-18; 26.25,24; 28.13-17; 35.10-12). Ela é eterna (G n 17.7-8,13,19), irrevogável (H b 6.1318), superior à aliança m osaica (Rm 4-13; G1 3.17), imediatamente condicional (G n 17.14; Lv 26.43), mas, em última análise, incondicional (Lv 26.44; Dt 4.31). Foi mar­ cada pela circuncisão (G n 17.9-14; A t 7.8). Suas promessas eram: (1) descendentes consangüíneos a Abraão (G n 13.15; 15.18), (2) descendentes espirituais a A braão (Rm 4.11; G1 3.7, 26-29), (3) o Salvador (G1 3.16), (4) uma nação (G n 12.2; 17.4; 35.11), (5) a terra (G n 12.1; 13.15,17), (6) proteção e bênçãos pessoais (G n 12.3; 28.15), e (7) bênçãos sobre as nações da terra (G n 12.3; 17.4-6), especialmente redenção (SI 111.9; Rm 4.16-18; G 1 3.8).

Aliança Mosaica A alian ça m osaica, ou antiga alian ­ ça, é singular, autônom a e condicional


A l ia n ç a s (Êx 19.5-6; Lv 26.1-46; Dt 7.12— 8.20; 29.9,22-28). Firmada no m onte Sinai (Ex 19-20), serviu para testar Israel (Êx 20.20; Dt 8.2), que voluntariam ente ade­ riu a este pacto (Êx 19.8; 24.3-7; 34-27). Era simbolizada pelo Sabá (Êx 31.16-17). Suas disposições eram restritas ao período de validade da aliança (Êx 31.16; Lv 24.8; N m 18.19). C om as contínuas violações de Israel (Lv 26.14-39; Dt 29.25-28; 31.16, 20), esta aliança revogável, fora da graça divina e sem efeito salvífico, levou a um infeliz resultado (D t 31.16,20) — o que, por fim, levou Deus a revogá-la (Ez 44-714; Zc 11.10), de modo que ela não mais possui nenhum a autoridade (Rm 6.14-15; G1 3.23-25; Ef 2.14-16). Ela foi substituída pela nova aliança (Jr 31.31-34; Hb 8.6-13; 9.11-22; 10.1-18), sem prejudicar a aliança abraâm ica anterior (G1 3.15-22; 4.21-31). Embora apareçam leves sinais da nova aliança (D t 29.4; 30.6) e da aliança abraâ­ m ica (D t 29.13; 30.5,20) em Deuteronômio 29— 30, a aliança firmada em M oabe [que não é a aliança m osaica anteriorm en­ te firmada em H orebe (D t 29.1)] muito provavelm ente envolve um a confirmação, considerando que (1) ocorre posteriorm en­ te, (2) em um outro local, e (3) é firmada por um novo grupo. Esta aliança, portan­ to, não é original ou autônom a, pois o uso subseqüente do termo “aliança” , em Deuteronôm io 29.9-25, aponta para a aliança mosaica, condicional e bilateral.

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sa lealdade de Finéias a Deus (N m 25.1013; SI 106.30-31) levou a um a aliança unilateral (N m 2 5.12), autônom a, in con­ dicional, eterna (N m 25.13; SI 106.31) e irrevogável (Jr 33.20-21). Esta prom essa à linhagem de Finéias (1 C r 6.1-15) irá continuar durante o M ilênio (Ez 40.46; 43.19; 44.15; 4 8 .1 1 ), através da descen­ dência de Zadoque, que fielm ente exerceu as funções de sumo sacerdote junto a Davi e S alom ão (1 Rs 1.32-40).

Aliança Davídica De forma incondicional, Deus prom e­ teu a Davi que seu descendente assum i­ ria o trono e governaria Israel e o mundo (2 Sm 7.12-16; 1 C r 17.11-14). Esta alian­ ça davídica é autônom a, unilateral (2 Sm 23.5; 2 C r 13.5; SI 89.3,28,34), irrevogá­ vel (2 Sm 7.15; 1 C r 17.13) e eterna (2 C r 13.5; 21.7; SI 89.28,36). Tal aliança, con­ tudo, foi inicialm ente condicional (2 Sm 7.14; 1 Rs 2.3-4; SI 89.30-32,39), visto que descendentes ímpios estariam desqualifica­ dos. Embora esta aliança não esteja expli­ citam ente m encionada no N T (A t 2.30), parece evidente que Jesus C risto é este descendente de Davi (M t 1.1; Jo 7.42). É Ele que Deus planeja entronizar (M t 29.28; 25.31; Lc 1.32; Jo 18.37) para, futuram en­ te, durante o M ilênio (A p 20.1-10), gover­ nar Israel e todas as nações (SI 110.2; Zc 14.9; Lc 1.33; A p 11.15; 12.5; 19.15-16).

Nova Aliança Aliança Sacerdotal O sacerdócio levítico e aarônico origi­ nal, que foi condicionalm ente estabeleci­ do por Deus com o parte da antiga aliança (m osaica), deveria durar apenas durante o prazo da aliança (Êx 29.9; 40.15; Lv 24-89; N m 18.8, 19; D t 33.8-11; N e 13.29; M l 2.4-5,8). O sacerdócio, contudo, assumiu dim ensões com pletam ente inéditas em termos de orientação e duração. A corajo­

A nova aliança, incondicional, u ni­ lateral (Ez 30.37; 3 7 .2 6 ), eterna (Is 55.3; 59.21; Jr 32.40; Ez 16.60; H b 9.15; 13.20) e irrevogável (Is 54.10; H b 7.22), supõe a extinção da antiga alian ça (m osaica) em função do pecado de Israel (Jr 31.32; Ez 44.7; Zc 11.10-11). O riginalm ente firmado com Israel (Jr 3 1 .3 1 ), este pacto continha bênçãos redentoras, tanto para a salvação (Is 49.8; Jr 3 1.34) com o para


AS ALIANÇAS BÍBLICAS

Aliança da Terra de Israel Dt 30

Aliança Abraâmica Gn 12

Aliança Davídica 2 Sm 7

Aliança Mosaica Êx 20, GI3

Nova Aliança Jr 31

CD

"o 03 "O Έ 03

J ·

wm Hífc IH jS l

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Formação de Israel

Teocracia

Monarquia

Sacerdotes Juizes

Reis

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Restauração

Igreja

Reino

Apóstolos

Jesus Cristo

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, 5 SCD <03 V · Ό .Ξ jH < S

Patriarcas Moisés Josué

Antigo Testamento

Profetas

Esdras Neemias

Novo Testamento


A l ia n ç a s a vida nesta terra (Is 49.8; ]r 32.40-41). E sta aliança autônom a, m ais tarde, per­ m itiu que a Igreja do N T fosse salva (Rm 11.11-32), por interm édio de C risto, o M ensageiro (M l 3.1) e M ediador (H b 8.6; 9.15; 12.24) de um a superior aliança (H b 7.22; 8.6). Esta aliança foi com prada com o sangue e a morte deste Sum o Sacerdote especial (Zc 9.11; M t 26.28; 1 C o 11.25; Hb 9.15; 10.29). O s crentes do A T previ­ ram (H b 9.15) que o sacrifício vívificador de C risto (2 C o 3.6) iria trazer (1) graça (H b 10.29), (2) paz (Is 54-10; Ez 34-25; 3 7 .2 6 ), (3) o Espírito S an to (Is 59.21), (4) redenção (Is 49.8; Jr 31.34; H b 10.29), (5) a rem oção do pecado (Jr 31.34; Rm 11.27; H b 10.17), (6) um novo coração (Jr 31.33; H b 8.10; 10.16), e (7) um novo relacionam ento com Deus (Jr 31.33; Ez 16.62; 37.26-27; H b 8.10). Esta aliança representa um novo noivado entre Deus e Israel (O s 2.19-20), inaugurado pela m esm a m isericórdia divina que vem os na aliança davídica (Is 55.3).

TIPOS E CARACTERÍSTICAS DAS ALIANÇAS A s diversas alianças veterotestam entárias possuem alguns com ponentes comuns aos tipos existentes. H avia uma promessa solene, selada com um juram ento. Este ju ­ ram ento podia ser firmado através de uma fórm ula verbal ou de um ato sim bólico. A s partes envolvidas no juram ento ficavam com prometidas pela aliança. Esta tinha efeito legal e tornava-se a base do relacio­ nam ento entre as partes, definindo o p a­ drão ético entre elas. Existem outros aspectos im portantes nas alianças bíblicas. Em prim eiro lugar, elas são contratos entre indivíduos, com o propósito de regulam entar o relacion a­ m ento existente. Deus deseja se com pro­ m eter com o seu povo e cumprir as suas prom essas, a fim de dem onstrar na h istó ­ ria o tipo de Deus que Ele é. Em segun­

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do lugar, os relacionam entos descritos na Bíblia, com especial destaque para as re­ lações entre Deus e o hom em , são legais ou jurídicos. E por esse m otivo que são regulam entados através de alianças. A s alianças, via de regra, envolvem in ten­ ções, prom essas e sanções. H avia três tipos de alianças no an ti­ go O riente M édio: o tratado de concessão real, o tratado entre um suserano e seu vassalo, e a aliança entre pares em posição de igualdade. O tratado de concessão real era um tipo de alian ça prom issória que surgia do desejo do R ei de recom pensar seu leal servo. A recom pensa, geralm ente, envolvia concessões de terras, títulos ou um sacerdócio. Entre os exem plos bíblicos desse tipo de aliança, tem os as alianças abraâm ica e davídica. O s tratados ou alianças de concessão real são incondicionais. Este aspecto é im ­ portante para a profecia bíblica, pois colo­ caria em jogo se Deus é ou não é obrigado a cumprir suas promessas junto àqueles que originalm ente as receberam. Crem os, por exem plo, que Deus deverá cumprir para com Israel as promessas feitas em alianças incondicionais, como a abraâm ica, a daví­ dica e a aliança da terra. Se isto for verda­ de, essas promessas deverão ser cumpridas de forma literal. D uran te o segundo m ilênio antes de C risto, um a form a bastan te popular de a lian ça era o pacto entre um suserano e seu vassalo. Este pacto com prom etia um vassalo com seu suserano e era obri­ gatório apenas para o vassalo. D entre os exem plos bíblicos deste tipo de alian ça, podem os lem brar a oferta de servir a N aás, feita pelos hom ens de Jab e s-G ileade em Sam u el 11.1, além dos reis, no vale de Sed im , que serviam a Quedorlaom er, em G ên esis 14. O m ais claro e con h ecido exem plo é, contudo, a alian ça entre o S en h or e Israel no Sin ai.


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A l ia n ç a s

U m a aliança entre iguais era firmada entre indivíduos com a m esma relevância n a relação e trazia condições estipuladas por ambos. A lguns exem plos bíblicos são os pactos entre Jacó e Labão (G n 31.4450), A braão e A bim eleque (G n 21.25-32) e Josué com os gibeonítas (Js 9.3-27).

ESCOPO DAS ALIANÇAS A s alianças ou pactos entre suseranos e vassalos são condicionais. Isto é importante, pois é dentro de tal contexto que a Grande Tribulação é m encionada pela primeira vez na Bíblia. A tribulação é descrita como um evento na história de Israel que ocorrerá nos “últimos dias”, levando o povo ao arrepen­ dimento e à conversão ao Messias (D t 4-30). U m aspecto interessante em Deuteronômio é que a estrutura de alianças ali descrita for­ ma o contexto da história de Israel, seja pas­ sada ou futura. N o prólogo histórico (1.6— 4.49), o Senhor não se limita a uma rápida descrição das duas partes envolvidas à época do pacto. Ele vai adiante e apresenta uma visão profética de toda a futura história de Israel. Deuteronômio fornece um m apa pro­ fético da história de Israel. A s alianças incondicionais (com o a abraâmica) dão à humanidade os soberanos decretos de Deus, que definem para onde Ele está conduzindo a história. A s alianças condicionais (como a mosaica) nos dão os meios que ele usará para levar-nos lá. N a aliança abraâmica, Deus disse que fará algu­ mas coisas pela descendência de Abraão. A aliança mosaica, por sua vez, apresenta con­ dições que devem ser satisfeitas antes que um decreto da aliança abraâmica seja con­ cretizado. Deus decretou que Israel receberia determinadas bênçãos na Terra Prometida, mas que eles só desfrutariam destas bênçãos se fossem obedientes. Deuteronômio, por­ tanto, apresenta-nos um m apa profético que cobre toda a história, antes mesmo de Israel com eçar a trilhar seu caminho.

EFEITO DAS ALIANÇAS Padrões Proféticos Quando percorremos a Bíblia, do Pentateuco aos profetas, constatam os que o papel dos profetas é bastante sem elhante ao desem penhado pelos em baixadores de nossos dias, que representam as políticas e as posições de seus governos. O s profetas trazem, em nom e de Deus, adm oestações e com entários divinos sobre a nação de Is­ rael. O objetivo é sempre levar a nação a cumprir suas responsabilidades segundo a aliança mosaica. A o tem po dos profetas do ex ílio e posteriores a este, to d a a esp eran ça de que a n aç ã o alc an ç aria seu d estin o p ela o b ed iên cia do p ovo já h av ia sido a b a n ­ d on ad a. A esp eran ça da n ação , bem com o de todos os gen tios, e stav a no desem p en h o de um único in divíd u o: o M essias. Isto preparou p ro feticam en te a n ação p ara o prim eiro ap arecim en to do M essias n a p esso a de Jesu s de N azaré. A ssim , Jesu s e os escritores do N T se ­ guiram o m odelo p rofético e m osaico de registrar v io laç õ e s esp ecíficas da alia n ç a firm ad a por Israel (M t 21— 2 3 ), o que fu n d am en ta a ex p u lsão da terra e a diásp ora entre as n açõ es. D esse m odo, a ter­ rív el reje iç ã o do próprio F ilh o de Deus levou a um a m ald ição ain d a m ais severa que a en fren tad a an terio rm en te durante o prim eiro desterro, no sécu lo V I a .C ., realizado pelo s bab ilô n io s. A ssim com o Israel foi reunido após o cativeiro na B abilôn ia e retornou a sua terra, ele m ais um a vez será reunido de entre as nações, para onde foi dispersado em 70 d .C . D esta vez, porém , Israel será reunido por um período de sete anos co ­ nhecido com o G rande Tribulação. Este período irá prepará-lo para a conversão e para a suprem a bênção da aliança. Tal cenário é respaldado por um exam e mais profundo das passagens dos profetas vete-


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rotestam entários, as quais porm enorizam , sem contradizer, a profecia m osaica da fu­ tura G rande Tribulação.

bênçãos de Deus, a partir desta aliança, estendem-se por sobre toda a hum anidade através das eras.

Nossa Confiança

UMA ALIANÇA INCONDICIONAL

Deus se com prom eteu a m anter as prom essas uma vez feitas à nação de Is­ rael. A alian ça que abriga tais prom essas é in condicional e possui a estrutura de um a concessão real. Ele tam bém forneceu um m apa da história de Israel, através de uma ferram enta conhecida com o aliança suserano-vassalo, constante no livro de D euteronôm io. E através destes m ecanis­ mos que o Senh or lida com Israel, e Ele mesmo optou por se com prom eter em tais alianças. Por causa de sua fidedignidade, tem os a segurança de que Ele realizará es­ tas coisas no futuro de Israel e de seu povo adquirido — a Igreja.

A aliança abraâmica é um acordo ou pacto incondicional, em que Deus revela sua soberania ao eleger A braão e seus des­ cendentes e declarar-lhes os seus decretos. A rnold Fruchtenbaum explica: “U m a alian­ ça incondicional pode ser definida como um ato soberano de Deus, por meio do qual Deus se obriga em caráter incondicional a oferecer promessas, bênçãos e condições específicas ao povo com quem a aliança é firmada. Este tipo de aliança é caracteriza­ do pela fórmula “Eu o farei”, que declara a determinação de Deus em fazer exatamente como prometeu” (Fruchtenbaum, p. 570). A estrutura do pacto ou tratado, normal­ m ente utilizada no segundo milênio antes de Cristo, destaca a natureza incondicional da aliança abraâmica. A Bíblia contém três tipos de aliança: (1) o pacto de concessão real, (2) o tratado entre um suserano e um vassalo, e (3) um pacto entre iguais. U m a concessão real é uma aliança, firme e incondicional, fundam entada no desejo de um rei de recom pensar um ser­ vo leal. C om o exemplo, podem os citar a aliança abraâm ica (G n 12.1-3; 15), a aliança davídica (2 Sm 7.8-17) e a aliança do território de Israel (D t 30.1-10). Em G ênesis 15, Deus confirmou e selou a aliança abraâm ica de uma forma singu­ lar. Fez A brão cair em um sono profundo e comprometeu-se a m anter a aliança, a des­ peito da resposta de A braão. Visto que Deus foi o único a em penhar sua palavra neste pacto, trata-se de uma aliança claram ente incondicional, baseada exclusivam ente em Deus. Podemos, portanto, ficar absoluta­ m ente confiantes de que Ele m anterá sua palavra e fará com que todas as cláusulas da aliança se cumpram na história.

— Richard Mayhue e Thom as Ice BIBLIOGRAFIA Fruchtenbaum, Arnold. Israelology. Tustin, Cali­ fórnia: Ariel Ministries, 1992. Kline, Meredith. The Structure o f Biblical A u ­ thority. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing Com pany, 1 972. Mendenhall, George. “Covenant”, em Internatio­ nal D ictionary o f the Bible. Nashville: A b in g ­ don Press, 1 962, vol. 1, pp. 714-71 5. Merrill, Eugene. “D euteronom y”, em N ew A m e ­ rican Comm entary. Nashville: Broadman & Holman, 1994.

ALIANÇA ABRAÂMICA A nascente de profecias bíblicas com eça com a aliança abraâm ica (G n 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 22.15-18), a “mãe de todos os pactos de redenção” . A s


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A o compararmos a aliança abraâm ica com exem plos sem elhantes na história do antigo O riente M édio, vemos que ela se trata de um pacto de concessão real. G ên e­ sis 26.5 diz: “A braão obedeceu à m inha voz e guardou o meu m andado, os meus pre­ ceitos, os meus estatutos e as m inhas leis” . O termo “leis” vem do hebraico torah, que basicam ente significa “dirigir, ensinar ou instruir”. O primeiro verbo de G ênesis 26.5 é “obedeceu”, em referência à obediência de A braão quando este se dispôs a sacrifi­ car Isaque (G n 22.1-2). Tal term inologia é sem elhante à encontrada em A m arna, em textos que tratam de alianças. O se­ gundo verbo é “guardou”. Esta expressão é sem elhante a uma outorga real assíria, em que A ssurbanipal recom pensa o seu servo Bulta porque este “guardou a segurança do meu reinado”. M ais do que um código ético legal, ambos os verbos indicam um relacionam ento pessoal. A obediência à torah, portanto, advém de uma aliança de relacionam ento com Deus. A obediência de A braão não estava fundam entada em uma obrigação legal, mas era uma expressão de sua fidelidade a Deus. “U m exam e mais detalhado do con ­ texto revela que nenhum a das cláusulas desta aliança poderia ser vista com o uma mera disposição legal ou ética. O que o contexto torna patente é que Deus exaltou seu servo, A braão, por causa de sua fideli­ dade em fazer tudo que o Senhor dissesse. A braão não agia obrigado pela lei, mas m o­ tivado por sua fé nas orientações de Deus” (D ean, p. 13). A cordos de concessão real eram in­ condicionais. Este ponto é de grande im ­ portância na profecia bíblica, pois ressalta que Deus é obrigado a cumprir suas pro­ messas junto aos participantes da aliança. Por exem plo, acreditam os que Deus deve cumprir suas promessas à nação de Israel através de alianças incondicionais com o a

abraâm ica, a davídica e a aliança da terra de Israel. Se isto for verdade, tais promessas deverão ser cumpridas na íntegra, e muitos aspectos de seu cumprimento ainda estão no futuro. Eugene Merrill afirma: “C om o a m aio­ ria dos estudiosos atualmente reconhece, a aliança e seu contexto correspondiam a uma concessão real (de terras), que é um acordo legal bem documentado no antigo oriente médio [...] A aliança abraâmica [...] deve ser vista como uma concessão incondicio­ nal feita por Jeová a seu servo Abrão. U m a concessão que devia servir a um propósito específico e irrevogável” (Merrill, p. 26).

AS CLÁUSULAS DA ALIANÇA A aliança abraâm ica (G n 12.1-3) en ­ globa três dispositivos principais: (1) terra para A brão e Israel, (2) um a semente e (3) uma bênção sobre todo o mundo. U m a lista mais detalhada reúne 14 dispositivos, ex­ traídos das cinco passagens principais que tratam da aliança e de sua confirmação. Fruchtenbaum as relaciona da seguinte m aneira (1992, p. 570): 1. U m a grande nação se originaria em Abraão, a saber, a nação de Israel (12.2; 13.16; 15.5; 17.1-2,7; 22.17). 2. Foi prometida a A braão uma terra específica: a terra de C an aã (12.1,7; 13.14-15,17; 15.17-21; 17.8). 3. O próprio Abraão haveria de ser gran­ demente abençoado (12.2; 22.15-17). 4. O nome de Abraão seria engrandeci­ do (12.2). 5. A braão seria uma bênção para as ou­ tras pessoas (12.2). 6. Aqueles que o abençoassem seriam abençoados (12.3). 7. Aqueles que o amaldiçoassem seriam amaldiçoados (12.3).


A l ia n ç a A b r a â m ic a 8. Em Abraão, todas as famílias da terra seriam benditas, inclusive os gentios (12.3; 22.18). 9. A braão teria um filho com sua esposa Sara (15.1-4; 17.16-21).

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povo e a n ação de Israel ao longo de toda a B íblia. A Bíblia faz o desdobram ento de três concessões: terra, semente e bênção (ver o

ALIANÇA ABRAÂMICA

10. Seus descendentes seriam cativos no Egito (15.13-14). 11. Muitas outras nações, além de Israel, descenderiam de A braão (17-3-4,6; os países árabes). 12. Seu nome seria mudado de Abrão para A braão (17.5). 13. Sarai, sua esposa, passaria a chamarse Sara (17.5). 14. A aliança teria um sinal — a circun­ cisão (17.9-14).

diagrama acim a). Deus am plia estas pro­ messas com novas alianças: (1) a A lian ­ ça da Terra de Israel (D t 30.1-10), (2) a A lian ça D avídica (2 Sm 7.4-17), e (3) a N o va A lian ça (Jr 31.31-34).

A EXTENSÃO DA ALIANÇA ABRAÂMICA

Aliança da Terra de Israel

Joh n F. W alvoord resume a im portân­ cia fundam ental da aliança abraâm ica no estudo das profecias bíblicas. Ele afirma: “A aliança abraâm ica contribui para a escatologia de Israel ao detalhar o program a maior de Deus, pormenorizando seus efeitos sobre a sem ente de A braão [...] N ão é exagero d i­ zer que a exegese da aliança abraâm ica e as conclusões que desta advêm são a base do estudo profético com o um todo. N ão dizem respeito apenas à Israel, mas tam bém aos gentios e à Igreja. E aqui que encontram os o verdadeiro fundam ento para uma inter­ pretação pré-m ilenialista das Escrituras” (W alvoord, pp. 44-45). A alian ça abraâm ica é im portante na análise de qualquer p rofecia bíblica, pois expressa m uitos decretos in con d icion ais que são m inudenciados em revelações subseqüentes e, portanto, serão segura­ m ente concretizados n a h istória. E sta e x ­ p ansão de um tem a bíblico em um a reve­ lação posterior da Escritura é con h ecida com o “revelação progressiva” . Podem os verificá-la nos acordos de Deus com o

A primeira am pliação da prom essa da terra veio após A brão deixar H arã e chegar à terra de C an aã. G ênesis 12.7 relata que o Senhor apareceu a A brão em C an aã e disse: “ [...] A tua sem ente darei esta terra” . O contexto m ostra que A brão acreditou que o Senhor se referia à terra de C an aã. A promessa é claram ente dirigida aos descen­ dentes de A brão. Deus volta a am pliar a prom essa da terra após Ló, sobrinho de A brão, separarse de seu tio. D essa vez, o S en h or Disse a A brão: “ [...] Levanta, agora, os teus olhos e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente; porque toda esta terra que vês te hei de dar a ti e à tua sem ente, para sem ­ pre” (G n 13.14-15). A prom essa m ais uma vez enfatiza que Deus deu a terra a A brão e sua descendência. O novo elem ento que aqui surge diz respeito ao tem po — ela é dada para sempre. M uito se discutiu acerca desta expressão. V ia de regra, sua duração é determ inada pelo contexto. A menos que existam outros indícios, ela diz respei­


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to à duração da história hum ana e pode incluir a eternidade. Gênesis 15 registra a essência da aliança e descreve os limites da terra com maior pre­ cisão: “Naquele mesmo dia, fez o Senhor um concerto com Abrão, dizendo: A tua semen­ te tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates [...]” (G n 15.18). Deus não apenas prom eteu fazer de A braão o pai de uma grande nação, como tam bém a esta garantiu que daria um ter­ ritório. U m a nação não está realm ente form ada até que tenha seu próprio terri­ tório. Sem sua terra natal, um povo perde a identidade étnica e nacional. Surpreen­ dentem ente, Israel m anteve sua identidade nacional mesmo após 1800 anos de afasta­ m ento de sua terra natal. D euteronôm io 30.1-10 am plia este as­ pecto da alian ça abraâm ica, estabelecen­ do um a alian ça acerca do território de Is­ rael: a A lian ça da Terra de Israel (tam bém conh ecida com o A lian ça P alestina). Esta passagem declara que todas as prom essas que Deus fez em relação à terra de Israel serão cum pridas “E será que, sobrevindote todas estas coisas, a bênção ou a m al­ dição [...] e te converteres ao Senhor, teu Deus [...]” (D t 30.1-2). Deus cumprirá esta prom essa para com a nação de Israel, juntam ente com o retorno do M essias e o reinado no M ilênio.

A Aliança Davídica A segunda aliança incondicional en­ tre Deus e Israel foi mais especificamente firmada com Davi. Ela está registrada em 2 Sam uel 7.10-16. Esta aliança pormenoriza a questão da “sem ente” na aliança abraâ­ mica. O Senhor prom ete estabelecer o rei­ nado, o lar e o trono de Davi para sempre: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, en­ tão, farei levantar depois de ti a tua

semente, que procederá de ti, e esta­ belecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirma­ rei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigálo-ei com vara de hom ens e com açoites de filhos de homens. Mas a m inha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem ti­ rei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sem ­ pre diante de ti; teu trono será firme para sempre.” (2 Sm 7.12-16) Estas três palavras (“reino”, “casa” e “trono” ) dizem respeito ao futuro políti­ co de Israel. N esta aliança, Deus promete, de forma clara, tom ar Israel politicamente independente para sempre. Ela garante a proteção de Israel como um povo e, com o tempo, como uma nação. Deus haverá de cumprir esta promessa no reinado do M es­ sias, quando o Senhor Jesus Cristo, como o grande Filho de Davi, governar no trono de Davi. Isto ainda não aconteceu, mas indi­ ca o futuro de Israel como uma nação (Ez 36.1-12; M q 4.1-5; S f 3.14-20; Zc 14.1-21). Deixar de enxergar o futuro de Israel como algo especial e exclusivo que Deus preparou para seu próprio povo eqüivaleria a chamar o Criador de mentiroso e seria o mesmo que considerá-lo infiel em suas palavras. Estas promessas e profecias claram en­ te mostram que: (1) Israel jam ais possuiu toda a terra prom etida por Deus; (2) Deus prom eteu não mudar o seu propósito; (3) Deus admitiu que Israel seria disperso por entre as nações; (4) Deus traria o seu povo de volta para sua terra e os reuniria como uma nação; e (5) Israel, no futuro, servi­ rá ao Senh or sob o dom ínio do M essias na Terra Prometida. A Igreja nunca esteve dispersa por en ­ tre as nações, portanto não podem os apli­


A l ia n ç a A b r a â m ic a car-lhe o conceito de reunião. Frases como “sua própria terra” e “os m ontes de Israel” são referências óbvias à geografia da Terra Prometida, e não à Igreja. A lém disso, o contexto indica nitidam ente que Deus se referia ao futuro político e étnico de Israel. Dizer que Deus pretendia cumprir tais promessas na Igreja significaria afirmar que Ele intencionalm ente ludibriou Israel. Deus é fiel e verdadeiro, portanto tais promessas não se aplicam à Igreja. A N o va A lian ç a A próxim a aliança incondicional entre Deus e Israel é a N o va A liança. Esta aliança é nova porque substituiu a antiga, ou seja, a A lian ça M osaica. U m a vez que Israel foi incapaz de cumprir a aliança m o­ saica, Deus, graciosam ente, prom eteu darlhes uma nova aliança e um novo coração para obedecerem a Deus. Esta aliança está registrada em Jerem ias 31.31 -34: “Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. N ão conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os to­ mei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalida­ ram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. M as este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: porei a m inha lei no seu interior e a escreverei no seu co­ ração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém m ais a seu próximo, nem al­ guém, a seu irmão, dizendo: C on h e­ cei ao Senhor; porque todos me co­ nhecerão, desde o m enor deles até ao maior, diz o Senhor; porque per­ doarei a sua m aldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.”

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Primeiro, observe que Deus firma esta aliança “com a casa de Israel e com a casa de Jud á”, expressão que claram ente se refe­ re à nação étnica de Israel. Em segundo lu­ gar, a frase “N ão conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito” volta a restringir o concerto aos descen­ dentes físicos de A braão, Isaque e Jacó. Em terceiro lugar, esta aliança visa a uma futu­ ra restauração do povo não apenas como povo de Deus, mas com o um povo perdoa­ do e regenerado, que serve ao Senhor. Quando foi crucificado, o Senhor Je ­ sus Cristo estabeleceu um a N o va A liança. Lembramos que, ao celebrar a C eia, C risto disse: “ [...] Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (Lc 22.20). O N T ensina claram ente que a Igreja é um a beneficiária das recom pensas espirituais da N o va A liança, por causa de seu relacionam ento com Cristo. A s alianças firmadas entre Deus e Israel no A T garantiam que Israel teria um rei­ no eterno na terra que Deus prometera a Abraão. Embora Deus repetidamente os aler­ tasse de que seriam expulsos por causa da de­ sobediência, Ele, ao mesmo tempo, prometia devolver-lhes a terra, onde o serviriam como seu povo e sob o governo do Messias. Isra­ el nunca controlou completamente a Terra Prometida por Deus, nem jamais voltou para lá sob as condições da Aliança. O A T pro­ mete e as profecias predizem, com clareza, um futuro específico para Israel: uma entida­ de política e étnica com o status especial de Povo de Deus. Isto se cumprirá quando Israel se submeter espiritualmente a Deus.

A CONTINUIDADE DA ALIANÇA ABRAÂMICA A aliança abraâmica é dirigida a Abraão, Isaque, Jacó e seus descendentes. Ela é re­ petida por aproximadamente vinte vezes em Gênesis (12.1-3,7-9; 13.14-18; 15.1-18; 17.1-27; 22.15-18; 26.2-6, 24-25; 27.28-29,


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A l ia n ç a D a v íd ic a

38-40; 28.1-4, 10-22; 31.3, 11-13; 32.2432; 35.9-15; 48.3-4,10-20; 49.1-28; 50.2325). A inda hoje, Deus age com base nesta aliança, que está em vigor há muitos anos. Gênesis 12.50 registra o início do seu efeito na história. Quando as pessoas abençoavam A braão e seus descendentes, Deus as aben­ çoava. Quando am aldiçoavam Abraão e seus descendentes, Deus as amaldiçoava. Os efeitos da aliança abraâmica continuam ao longo de todo o AT. A s Escrituras evidenciam a integridade de Deus na história por meio de seu relaciona­ mento com o povo escolhido de Israel. Com o prometido na aliança abraâmica, Deus usa sua convivência com Israel para deixar sua marca ao longo da história. Através de Israel, Deus nos deu sua Lei, fundou uma nação, fez com que sua presença habitasse no meio de­ les, inspirou sua Palavra e enviou o Salvador do mundo. Através de Israel, Deus providen­ ciará que o evangelho seja pregado por todo o mundo e nos dará a segunda vinda de Cristo, quando Ele reinará por mil anos em Jerusa­ lém, o lugar de sua glória eterna. Sem Israel, a segunda vinda de Cristo não pode acontecer, pois a nação precisa estar presente para que este glorioso evento tenha lugar. A promessa de Deus para Israel é, portanto, a de que eles subsistirão na história e por toda a eternidade (Jr 31.35-37).

também eu rejeitarei toda a descen­ dência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o S E N H O R .” A aliança abraâm ica, portanto, é um tram polim de onde nos chegam todas as promessas de bênçãos, seja para judeus, gentios, ou para a Igreja de Deus. O fato de as promessas de Deus serem extrem am ente am plas não significa que os compromissos firmados com Israel não são permanentes ou não serão cumpridos. A aliança abraâ­ m ica vigora até hoje. Deus ainda abençoa os que abençoam Israel e ainda am aldiçoa aqueles que a am aldiçoam . Estas prom es­ sas atingirão seu clím ax durante o período da tribulação, levando à segunda vinda de Cristo e ao seu glorioso reinado em Jerusa­ lém durante mil anos.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Dean, Robert L. “Theonomy, the Mosaic Law and the Nations” (ensaio não publicado). Fruchtenbaum, Arnold. Israelology. Tustin, Cali­ fórnia: Ariel Ministries, 1992. Merril, Eugene. “A T h e o lo g y o f the Pentateu­ ch ”, em A Biblical The olo gy o f the O ld Tes­ tament. C hica go : M o o d y Press, 1 991. Ross, Allen P. Creation & Blessing. Grand Rapi­

“A ssim diz o S E N H O R , que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; S E N H O R dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fi­ xas diante de mim, diz o SE N H O R , deixará tam bém a descendência de Israel de ser um a nação diante de mim para sempre. A ssim diz o S E ­ N H O R : Se puderem ser medidos os céus lá em cim a e sondados os fundam entos da terra cá embaixo,

ds: Baker Books, 1988 Walvoord, John F. Israel in Prophecy. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1 962.

ALIANÇA DAVÍDICA N o p ac to de D eus com A b raã o , vem os sin ais da a lia n ç a d avíd ica, que é c la ra ­ m ente exp ressa no S alm o 89 e em 2 S a ­ m uel 7, e se d esen vo lv e p ro g ressiv am en ­ te ao longo do restan te do AT. E la revela


A l ia n ç a D a v íd ic a o p lan o eterno de D eus p ara seu p ovo, a n ação de Israel. O Senhor disse a A braão: “ [...] de ti fa­ rei um a grande n ação” (G n 12.2). Pouco depois, declarou: “ [...] deveras te abençoa­ rei e grandissim am ente m ultiplicarei a tua sem ente com o as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do m ar” (22.17). A partir da ‘sem ente’ (plural), surgirá uma ‘Sem en te’ (singular) que assegurará as bên­ çãos para todos os descendentes de A braão. Esta Sem ente é o Filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo. A aliança davídica envolve muitas questões que são bastante importantes no estudo da profecia bíblica. Existirá um reino literal sobre a terra? Este reino é a Igreja? A Igreja substitui a nação de Isra­ el? Cristo é um M essias voltado especifica­ mente para Israel, ou apenas é o líder da Igreja de forma geral? Israel será reunido e restaurado e Davi reinará juntam ente com Jesus Cristo?

UMA FAMÍLIA DE REIS Q uando rejeitou Saul com o rei de Isra­ el, Deus disse a Sam uel: “ [...] enviar-te-ei a Jessé, o belem ita; porque dentre os seus filhos m e tenho provido de um rei” (1 Sm 16.1). O próprio Saul disse a Davi: “ [...] M ais justo és do que eu” (24-17), e então concluiu: “A gora, pois, tenho certeza de que serás rei e de que o reino de Israel há de ser firme na tua m ão” (24-20). A p ó s a m orte de Sau l, o S en h o r deu a D avi um a prom essa por m eio de seu pro­ feta N a tã . A respeito de Salom ão, o filho de D avi, Deus disse: “Este edificará um a casa ao m eu nom e, e confirm arei o trono do seu reino para sem pre.” (2 Sm 7.13). E Deus acrescentou: “Porém a tua casa e o teu reino serão firm ados para sem pre dian te de ti; teu trono será firme para sem pre” (v. 16). E sta prom essa é a base da alian ça davídica.

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A “casa” de D avi é um a referência a sua linhagem familiar. O “trono” de D avi sim boliza o governo de sua fam ília sobre o reino de Israel. O “reino” inclui tanto o povo com o seu território. A s gerações subseqüentes de israelitas, tanto do N T com o do AT, conheciam esta prom essa e aceitavam -na com o sendo literal: som en­ te através da fam ília de D avi haveria reis sobre Israel. O Salm o 89 repete a aliança davídica. O Senhor afirma: “Fiz um concerto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: a tua descendência estabelecerei para sempre e edificarei o teu trono de geração em gera­ ção” (89.3-4). D avi é o escolhido de Deus (89.19), seu servo e seu ungido (89.20). O poder de Davi será exaltado. Este “poder” clam ará a Deus: “Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da m inha salvação” (89.26). Ele será o “prim ogênito [do Senhor], o mais elevado entre os reis da terra” (89.27). “F a­ rei durar para sempre a sua descendência; e, o seu trono, com o os dias do céu” (89.29), diz o Senhor.

JESUS E A ALIANÇA DAVÍDICA A s prom essas sobre a descen dên cia de D av i estendem -se pelo futuro. Deus diz que a “casa de D av i” receberá um si­ n al: “ [...] eis que um a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nom e Em anuel (Is 7.1 4 )· Esta criança será o F i­ lho de D avi e, com ele, D eus abençoará o p ovo judeu (9 .6 ). S eu longo e contínuo nom e será “M aravilh oso C on selh eiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. D o in crem ento deste principado e da paz, n ão h averá fim, sobre o trono de D avi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em ju stiça, desde agora e para sem pre; o zelo do S en h o r dos Exércitos fará isto” (9 .7 ). Q uanto ao Filho de Davi, U nger (p. 1168) escreve:


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A l ia n ç a D a v íd ic a Seu govem o como Príncipe da Paz sobre a terra será universal e per­ pétuo, com o reinado do M ilênio se fundindo ao reino eterno (1 C o 15.24-28; A p 22.1-5) [...] Ele reinará como Filho de Davi (humanidade) e Senhor (divindade), como um R e­ dentor divino e humano (A p 19.16; 20.4-6), cumprindo a aliança davídi­ ca (2 Sm 7.12-13; 23.1-5; Ez 34.23; 37.24; O s 3.5; A m 9.11; Lc 2.4 e A t 1.6) [...] Seu govem o será eterno, “para sempre” , extrapolando o reino nesta terra e adentrando o domínio eterno do Cordeiro (A p 20.1,3).

O s Evangelhos referem-se continua­ m ente à relação existente entre Jesus, Davi e sua aliança. A ntes do nascim ento de Je ­ sus, o anjo G abriel disse a Maria: “Este será grande e será cham ado Filho do Altíssim o; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternam ente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc 1.3233). M aria tam bém foi informada de que o bebê em seu ventre era o Filho de Deus, sobre quem havia profecias em Salm os 2 (Lc 1.35). Enquanto agradecia em oração, M aria percebeu que o nascim ento de seu filho estava de alguma forma relacionado às promessas feitas por Deus a A braão. Ela declarou que Deus “amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua miseri­ córdia a favor de A braão e de sua descen­ dência, para sempre, com o prom etera aos nossos pais” (1.54-55). Zacarias, ao orar agradecendo pelo nas­ cimento de seu filho João (o Batista), citou parte da aliança davídica. Disse que Deus proveu a redenção de seu povo: “E nos le­ vantou uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo” (Lc 1.68-69). N este tre­ cho, Zacarias está citando parte do salmo da aliança davídica, em que o Senhor fala so­ bre Davi, seu “servo” (SI 89.20), e enaltece

o “poder” (89.24) de Davi. Zacarias ainda vincula a aliança davídica às promessas fei­ tas a A braão. Ele profetiza que a poderosa salvação da casa de Davi será o livramento de Israel contra seus inimigos, “para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai” (Lc 1.69-73). Durante o ministério de Jesus, até m es­ mo alguns m endigos cegos compreenderam que Ele era o Filho de Davi, que cumpria as promessas m essiânicas. O s cegos cla­ maram: “Tem com paixão de nós, Filho de D avi” (M t 9.27). Pedro e os outros discípu­ los com preenderam que a aliança davídica incluía m uitas doutrinas a respeito do M es­ sias. Pedro disse a seus com patriotas judeus que o Messias, “pelo determ inado desígnio e presciência de D eus”, fora pregado na cruz e morto pelos pecados deles (A t 2.23). Ele estava se referindo à profecia de Davi, de que o Messias seria o San to que não veria corrupção (SI 16.8-11; A t 2.25-28). Deus jurara a D avi que este teria um des­ cendente que, algum dia, sentar-se-ia em seu trono. A ressurreição, portanto, estava garantida (A t 2.30-31). Pedro argum enta que D avi não poderia estar profetizando sobre si mesmo no S a l­ mo 16 e em outros salmos, pois D avi havia morrido e jam ais subira aos céus para sen­ tar à direita de Deus, com o o fizera Jesus (A t 2.34). Pedro então cita Salm os 110,1 e, sobre C risto, diz: “Disse o Senhor ao meu Senhor: A ssenta-te à m inha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés” .

UMA INTERPRETAÇÃO LITERAL A aliança davídica deve ser interpre­ tada de form a literal. C in co pontos confir­ m am isto em 2 Sam uel 7 e em Salm os 89: (1) as palavras e a construção gram atical indicam um sentido literal. Elas não apon­ tam em nenhum m om ento para uma espi-


A l ia n ç a D a v íd ic a ritualização das promessas; (2) a aliança é claram ente dirigida à nação de Israel e não à Igreja; (3) a aliança é denom inada perpé­ tua. A s Escrituras não dão qualquer indica­ ção de que seus efeitos cessariam em algum m om ento futuro; (4) Deus confirmou a aliança com um juram ento (SI 89.3,4,33; 132.11); (5) Deus prometeu nunca romper esta aliança. “N ão violarei a m inha alian­ ça, nem modificarei o que os meus lábios proferiram. U m a vez jurei por m inha san­ tidade (e serei eu falso a D avi?): A sua pos­ teridade durará para sempre, e o seu trono, com o o sol perante m im .” (SI 89.34-36). Deus cumprirá a aliança davídica quando Jesus reinar no trono de seu pai, Davi, du­ rante mil anos. N o livro de A pocalipse, o apóstolo João lembra à igreja de Filadélfia que Cristo é aquEle que cumpre a aliança davídica. João escreve que Cristo “ [...] é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e nin­ guém abre” (A p 3.7). Jesus é tam bém “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de D avi”, o que possui a autoridade para abrir o livro com sete selos que efetivam ente dará iní­ cio à Grande Tribulação (5.5). O próprio Jesus afirma: “Eu sou a Raiz e a G eração de Davi, a resplandecente Estrela da m anhã” (A p 22.16). Jesus lembra à Igreja a aliança davídica, mas em nenhum m om ento rela­ ciona uma com a outra! O futuro reinado de C risto não é um a alegoria a respeito de sua liderança sobre a Igreja.

RESPONDENDO À INTERPRETAÇÃO PROGRESSIVA Os dispensacionalistas progressivos de­ fendem que Cristo já está ocupando o tro­ no de D avi nos céus, pois Ele está na glória, sentado à direita de Deus (SI 110.1-2). B a­ seiam seu argumento em diversas passagens das epístolas de Paulo. “A descrição de C risto com o estando ‘assentado à direita de

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Deus’, em C olossenses 3.1, aparece no con­ texto da expressão ‘reino do Filho do seu amor [de Deus]’ (1.13), a qual com bina três características da promessa davídica: reino, entranhável amor e relacionam ento filial. O mesmo versículo ainda aplica todas estas características à presente situação de Jesus” no céu (Blaising e Bock, p. 179). O Salm o 110, contudo, não afirma que C risto está assentado em seu trono m essiânico, mas à m ão direita de Deus (110,1). O s versículos deste salmo referem-se a seu governo na terra e não à sua liderança sobre a Igreja. Os progressistas dão especial destaque a Salm os 110.4: “Jurou o Senh or e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de M elquisedeque”. Seu sacerdócio segundo a ordem de M elquise­ deque está relacionado à aliança davídica ou à nova aliança, que tem a ver com seu sacrifício para redenção de pecados? Este versículo fica localizado entre outros dois, que falam sobre o futuro reinado davídico de Cristo sobre a terra, mas o autor de Hebreus vincula o sacerdócio segundo a or­ dem de M elquisedeque à nova aliança, não à aliança davídica. O escritor de Hebreus diz que Cristo “perm anece sacerdote para sem pre” (Hb 7.3), tal qual M elquisedeque, sem nenhum vínculo sacerdotal tribal ou genealógico. N esta posição, “de tanto m elhor concer­ to Jesus foi feito fiador” (7.22). Ele fez isto ao oferecer-se como sacrifício (7.27). A exem plo de M elquisedeque e sem nenhum vínculo sacerdotal com os levitas, C risto inaugurou a nova aliança (H b 8.8-13; Jr 31.31-34). O autor de Hebreus não fala em nenhum a parte que C risto está reinando no trono de D avi nos céus! Pentecost (p. 104) apresenta a seguinte conclusão: Pode se dem onstrar que, na to ta­ lidade das pregações sobre o reino


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feitas por Jo ão [Batista] (M t 3.2), C risto (M t 4-17), os doze (M t 10.5-7) e os setenta (Lc 1 0 .1 Ί 2 ), o único reino oferecido a Israel é literal e nesta terra [...] O próprio Jesus predisse este reino literal (M t 25.1-3,31-46). Em parte alguma, vem os o N T relacionar o reino prom etido a D avi ao atual m inisté­ rio de C risto. A aliança davídica será cum prida no futuro, quando o Sen h or vier à terra e sentar-se “no trono da sua glória” (M t 25.31). C om o Rei, ele cham ará todos os bendi­ tos de seu Pai e dirá: “possuí por herança o R ein o que vos está preparado desde a fundação do m undo” (M t 25.34)· Seu rei­ no durará mil anos, mas prosseguirá pela eternidade. V isto que o “trono” , a “casa” e o “reino” foram prom etidos a D avi perpe­ tuam ente, o dom ínio do M essias sobre o reino de D avi, a partir do trono de Davi, jam ais terá fim. A alian ça davídica é, por­ tan to, de vital im portância n a com preen­ são dos acontecim entos futuros.

— Mal Couch BIBLIOGRAFIA Blaising, Craig A. e Bock, Darell L. Progressive Dispensationalism . Wheaton, Illinois: Bridge­ p o r t , 1 993. Couch, Mal, editor geral. D ictionary o f Premillennial Theology. Grand Rapids: Kregel, 1 996. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1964. Ryrie, Charles C. Dispensationalism . Chicago: Moody, 1 995. Thom as, Robert L. Evangelical Hermeneutics. Grand Rapids: Kregel, 2002. Unger, Merrill F. U nger’s C o m m e n tary on the Old Testament. Chattanooga: am g shers, 2002.

Publi­

AMILENIALISMO O amilenialismo ensina que, no futuro, não haverá um reinado literal de Cristo durante mil anos. A maioria dos amilenialistas acre­ dita que uma forma espiritual deste reino já existe. O amilenialismo sistemático foi a segunda das três principais visões escatológicas que se desenvolveram. C om eçou a ser ensinada na igreja no início do século V. O am ilenialism o não adm ite o arrebatam ento. D a ascensão de C risto até sua segunda vinda, tanto o bem com o o mal prosperarão, com o R eino de Deus cres­ cendo juntam ente com o de Satan ás. S a ta ­ nás já se encontra aprisionado, mas o mal continuará a aumentar. C om o retorno de Cristo, o fim do mundo virá com a ressur­ reição e o julgam ento de todos. Esta visão espiritualiza as profecias bíblicas.

AUT0DEFINIÇÃ0 00 AMILENIALISMO Floyd E. H am ilton descreve o am ilenia­ lismo como a visão de que “o reino milenial de Cristo com eça em sua ressurreição e estende-se até sua segunda vinda sobre as nuvens, ao fim da presente era” (Ham ilton, p. 129). Eles afirmam que, em momento al­ gum, Jesus irá reinar sobre a terra a partir de Jerusalém. “O reino de Cristo ‘não é deste mundo’, mas ele reina nos corações do seu povo sobre a terra. O s mil anos simbolizam a perfeição e a plenitude do tempo que separa as duas vindas de Cristo.” A pós a segunda vinda de Cristo, os crentes de todas as eras irão para o céu por toda a eternidade e, em seguida, virá o único e derradeiro julgam en­ to de toda a humanidade. Kim Riddlebarger define o am ilenialis­ mo da seguinte form a (Riddlebarger, pp. 31-32): 1. O amilenialismo “pode também ser chamado de milenialismo ‘concreti-


A m il e n ia l is m o zado’”. Riddlebarger vê “evidências da presente era milenial no presente Reino de Jesus Cristo nos céus”. 2. “O am ilenialism o sustenta que as prom essas feitas no AT, a Israel, D avi e A braão, foram cumpridas por Jesus C risto e sua Igreja duran­ te a presente era.” 3. “O milênio é o período de tempo en­ tre os dois adventos de nosso Senhor Jesus. Os mil anos em A pocalipse 20 simbolizam este período.” 4· “Com o primeiro advento de Jesus Cristo, Satanás foi aprisionado pela vitória de Cristo obtida no calvário e no sepulcro vazio. Os efeitos desta vitória perduram por causa da pre­ sença do Reino de Deus por meio da pregação do evangelho, como é evidenciado através dos milagres de Jesus. C om a divulgação do evan­ gelho, Satanás já não está livre para enganar as nações.” 5. “C risto atualm ente reina nos céus, onde Ele estará durante todo o in ­ tervalo entre sua prim eira e segun­ da vindas.” 6. “A o fim do milênio, Satanás será solto e haverá grande apostasia. Todos res­ suscitarão e Jesus Cristo voltará para presidir o juízo final. Ele então estabe­ lecerá novos céus e nova terra.”

0 AM ILENIALISMO E A IGREJA PRIM ITIVA N ão há qualquer registro do am ilenia­ lismo na Igreja Primitiva. A princípio, p a­ rece que ele surgiu para opor-se ao literalismo pré-m ilenialista e, mais tarde, estabeleceu-se de forma plena. Em outras palavras, a Igreja Primitiva era pré-m ilenialista. Em certo m omento, aqueles que consideravam o pré-m ilenialism o prim itivo por demais m aterialista, com eçaram a ensinar o que cham arei aqui de “anti-m ilenialism o”.

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C om o tempo, o am ilenialism o surgiu do anti-m ilenialism o. O am ilenialism o aca­ bou por dom inar a igreja quando o grande pai da igreja e teólogo, A gostinho (354— 430), abandonou o pré-m ilenialism o em favor do am ilenialism o. A m aior parte da liderança da igreja foi adepta do am ilenia­ lismo durante grande parte da história da igreja. Também era am ilenialista a m aioria dos reformadores protestantes durante os séculos X V e XVI. O surgimento da interpretação alegó­ rica e a teoria am ilenialista de A gostinho estabeleceram as bases que, mais tarde, possibilitariam o aparecim ento do pós-milenialismo. W alvoord observa que A gosti­ nho “sustentava que o período com preen­ dido entre o primeiro e o segundo adventos é o m ilênio do qual as Escrituras falam e que o segundo advento teria lugar ao fim do m ilênio” (W alvoord, p. 19). Praticam ente todos os historiadores e teólogos reconhecem , de pronto, esperan­ ças m ilenialistas na Igreja Primitiva. Tam ­ bém reconhecem que tais esperanças foram frustradas, entendendo qualquer aceitação posterior desta posição com o falsa esperan­ ça fundam entada em exegeses errôneas. Podemos, no entanto, encontrar uma ex ­ plicação alternativa para este declínio na m udança dos m étodos de herm enêutica aceitos nas igrejas prim itiva e medieval. O s estudiosos saíram de uma interpretação normativa, literal e gram atical para uma profunda dependência da alegorização. Tanto o ocidente com o o oriente experi­ m entou uma forte reação contra a interpre­ tação literal da Escritura profética.

0 AM ILENIALISMO E OS PAIS DA IGREJA N o oriente, Eusébio de C esaréia (263— 339), teólogo real na corte de C onstantino e herdeiro teológico de Orígenes, era um dos principais líderes da oposição ao apocaliptism o. C om a subida de C onstantino


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ao trono e a adoção do cristianism o como religião oficial do império, passaram-se a repudiar perspectivas alternativas N orm an C oh n com enta: “O m ilenialism o predom i­ nou no meio da igreja cristã enquanto os cristãos eram uma m inoria rejeitada e am e­ açada por perseguições. Quando, no século IV, o cristianism o ascendeu a uma posição de supremacia no mundo m editerrâneo e tornou-se a religião oficial do império, a igreja passou a sufocar as crenças milenialistas” (C ohn, p. 33). N o ocidente, Jeron i­ mo (347— 420) e A gostinho tam bém rea­ giam energicam ente contra a interpretação profética. Em seu com entário sobre Daniel, escrito um pouco antes do ano 400, Jero­ nim o argumentou que “os santos de modo algum terão um reino terreno, mas apenas um reino celestial. Deve, portanto, ter um fim a fábula dos mil anos”. Jerônim o não foi o único a atacar a in­ terpretação literal e as esperanças milenialistas. Em A C idade de Deus, A gostinho re­ petidam ente desacredita quaisquer esperan­ ças de um reino milenial físico sobre a terra. C om os escritos de homens como Jerônimo, Juliano de Toledo, Gregório o Grande e, principalmente, Agostinho, a interpretação literal da Bíblia e, em especial, de Daniel e Apocalipse, rapidamente desapareceu. A influência agostiniana no ocidente calou muitas perspectivas — umas ortodoxas e ou­ tras heterodoxas e heréticas. A influência de A gostinho foi tão poderosa que seus efeitos foram sentidos por séculos. A predom inância da interpretação ale­ górica no ocidente após a época de A gos­ tinho pode ser a m elhor explicação para a aparente ausência de posturas pré-milenialistas durante grande parte da história da igreja. O pensam ento m ilenialista, contu­ do, não desapareceu por com pleto, e oca­ sionalm ente continuava surgindo em meio ao absoluto dom ínio do am ilenialism o. N a passagem do século X V I para ο XVII,

Johann H einrich A lsted reavivou o prém ilenialism o e apresentou um a alternativa ao am ilenialism o predominante. Desde o início do século XVII, o am i­ lenialismo estabeleceu-se com o única posi­ ção escatológica adm issível dentro da igre­ ja católica e da ortodoxa oriental. Já dentre os protestantes, o am ilenialism o tem expe­ rimentado um constante enfraquecimento. H oje, contudo, ainda possui alguns adeptos evangélicos e é a visão predom inante entre as denom inações tradicionais.

0 AM ILENIALISMO É BÍBLICO? O principal problem a do am ilenialis­ mo está no fato de a Bíblia sim plesm ente não ensiná-lo. O texto das Escrituras fala claram ente sobre o retorno de Cristo em A pocalipse 19, e, em A pocalipse 20, ensi­ na que Ele estabelecerá seu reino sobre a terra por mil anos. O s am ilenialistas não conseguem apresentar uma única passagem que defenda claram ente sua posição. A falta de um a fundam entação bíblica clara é fatal para o am ilenialism o perante qual­ quer cristão que creia na Bíblia. E por isso que os am ilenialistas norm alm ente atacam o pré-milenialismo e, só então, apresentam com plexos conceitos teológicos que devem ser aceitos para uma interpretação bíblica que “apóie” o am ilenialism o. O am ilenialism o carece de uma her­ m enêutica consistente. Para subsistir, ele precisa se afastar da herm enêutica literal, da abordagem histórica, gram atical e con­ textual, em direção a algum grau de alegorização. O am ilenialism o precisa de idéias e conceitos que não podem ser percebidos através de um a simples leitura do texto. A alegorização, ou espiritualização, extrai uma interpretação ádvena de um deter­ m inado texto, em vez de com preendê-lo a partir do que está literalm ente escrito. O N T não ensina em parte alguma que o R eino de Deus passou a existir com a pri-


A m il e n ia l is m o meira vinda de Cristo. N ele lemos que o R eino de Deus estava “próxim o” durante o ministério de Cristo. A lém disso, o fato de a redenção pessoal ser fundam ental para se entrar no reino não nega ensinos igual­ mente claros sobre a natureza física deste reino. U m a coisa não exclui a outra, mas ambas são complementares. A s epístolas do N T, escritas para orien­ tar a Igreja durante a presente era, não en ­ sinam ou supõem que vivem os na era do reino. O N T m uitas vezes se refere ao rei­ no com o algo futuro, e não presente. A o adm oestar Tim óteo, Paulo coloca tanto a “vin d a” de nosso S en h or com o o “reino” no futuro (2 T m 4 .1). O reino com eçaria com a segunda vinda do Senhor. Paulo dem onstra sua confiança: Έ o S en h or me livrará de toda m á obra e guardar-me-á para o seu R ein o celestial” (4-18). T al li­ vram ento de toda obra má é certam ente futuro. A ssim , o mesmo vale para o R eino celestial. M cC lain observou: “Esta expres­ são não é sinônim a de céu. M ais e x ata­ m ente, ela indica que o tão aguardado rei­ no m essiânico terá um a origem e um cará­ ter ‘celestiais’, em contraste com os reinos desta terra. E o que mais se aproxim a da conhecida expressão ‘R eino dos céus’, tão freqüentem ente utilizada no evangelho de M ateus” (M cC lain , p. 433). A pós serem perseguidos em Derbe, Pau­ lo e Barnabé retom aram a algumas das ci­ dades onde tinham conquistado almas para Cristo, e procuravam aconselhá-los: “ [...] pois que por muitas tribulações nos impor­ ta entrar no Reino de Deus” (A t 14-22). Se eles já estivessem no reino, tal afirmação não faria sentido algum. Visto que eles não estavam no Reino, nós tam bém não esta­ mos. Eles se referiam ao reino com o algo que ainda estava por vir. Diversas passagens no N T dizem que Igreja herdará o reino no futuro (1 C o 6.910; 15.50; C l 5.21; Ef 5.5; T g 2.5). M cC lain

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com enta que “Paulo não apenas vê a Igreja herdando o reino no futuro, mas segura­ m ente o exclui da presente era, fixando-o após a ressurreição e o arrebatam ento da igreja” (Ibid.). A tualm ente, Cristo está vitoriosam en­ te sentado à destra do Pai (A p 3.21) e in­ tercede pelos santos (1 Jo 2.1-3). Tais ex­ pressões não sugerem que C risto esteja no trono de Davi, que Ele haverá de ocupar durante mil anos em Jerusalém ao retornar. Trata-se de dois tronos distintos que Ele ocupará em momentos e locais diferentes. A pocalipse descreve C risto como pessoal­ m ente presente na terra durante seu gover­ no milenial. A pocalipse 5.10 prediz que os santos reinarão com Ele sobre a terra. A o fim dos mil anos, os santos continuam na terra, pois é na terra que Satan ás os ataca (A p 20.9).

UMA INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA O am ilenialism o se baseia em uma com ­ preensão artificial e sim bólica dos mil anos m encionados por seis vezes em A pocalipse 20.2-7. N inguém jam ais demonstrou, na li­ teratura antiga, por que o número “m il” de­ vesse ter algum significado sim bólico. A li­ ás, não vemos nenhum uso sim bólico deste número no N T ou no AT. Sem pre que as palavras hebraica e grega para “anos” são utilizadas juntam ente com números, elas referem-se a anos literais. Vemos por toda a Bíblia números com unicando quantida­ des m atem áticas, salvo quando o contexto estabelece o contrário.

Satanás E stá Aprisionado1 O am ilenialism o ensina que Satan ás foi aprisionado em algum m om ento duran­ te a primeira vinda de C risto. Esta visão apresenta diversos problemas. O N T não indica em m om ento algum que Satanás foi aprisionado no passado. C om o Satanás poderia estar aprisionado e tão ativo ao


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mesmo tempo? Afirmar realidades tão ab ­ surdamente contraditórias desafia a lógica e lança dúvidas quanto ao testem unho das Escrituras. Cristo volta à terra em A p o ca­ lipse 19.11-16 e Satanás é aprisionado em A pocalipse 20.1-3. A prisão de Satanás é claram ente um evento futuro. Se Satan ás está aprisionado hoje, por que ele “habita em Pérgamo” em A p o ca­ lipse 2.13? C om o é possível ele ser um leão que ruge (1 Pe 5.8)? A prisão de Satan ás é firme e definitiva, não progressiva ou par­ cial. O s verbos “prender”, “amarrar” , “lan­ çar”, “fechar” e “selar” estão no aoristo, indicando ações com pletas e definitivas. N enhum a está no m odo imperfeito, indi­ cando uma ação inconclusa no passado.

C risto em sua segunda vinda. A tu alm en ­ te, não vem os nenhum a das bênçãos pro­ m etidas para o reino. Som en te a presença pessoal do próprio Jesus C risto, governan­ do “com um a vara de ferro” , esm agará a m aldição e criará as m aravilhosas con d i­ ções que a Bíblia associa com o reino. A s ­ sim, som ente o m odelo pré-m ilenialista descreve a seqüência dos eventos necessá­ rios à im plem entação do M ilênio.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Cohn, Norm an. “Medieval Millenarism ”, em Mil­ lennial D re am s in Action, editado por S. L. Thrupp. The Hague: Moulton & Co., 1962.

Israel e a Igreja O amilenialismo confunde Israel com a Igreja. Se o Reino de Deus já está presente, as promessas de Deus para Israel são cumpri­ das na Igreja. Jesus Cristo, sem dúvida algu­ ma, cumpriu as promessas veterotestamentárias de Deus para a Igreja, mas isto não significa que Ele deixará de cumprir as pro­ messas de Deus para Israel. O amilenialismo moderno inclui o que é conhecido como te­ ologia da substituição ou supersessionismo. Tal proposta nega que o moderno Estado de Israel tenha qualquer relevância nos planos proféticos de Deus. O NT, no entanto, não afirma em parte alguma que Israel foi subs­ tituído pela Igreja. Q uanto a isto, Paulo diz o seguinte: “[...] porventura, rejeitou Deus o seu povo? [Israel] De modo nenhum !” (Rm 11.1) A Igrej a é certamente participante nas promessas abraâmicas, mas de modo algum usurpa as promessas para Israel.

O Qoverno Revolucionário de Cristo O am ilenialism o não consegue exp li­ car o fato de que as condições previstas na Bíblia para o M ilênio som ente acon tece­ rão com a revolucionária intervenção de

Hamilton, Floyd. “Am illennialism ”, em Zondervan Pictorial Encyclopedia o f the Bible. Grand Rapids: Zondervan, 1 975, volum e 1, p. 1 29. McClain, AlvaJ. The Greatness o f the Kingdom. Chicago: M o o d y Press, 1 959. Riddlebarger, Kim. A Case for Amillennialism. Grand Rapids: Baker Books, 2003. Walvoord, John J. The Millennial Kingdom. Grand Rapids: Zondervan, 1973.

ANCIÃOS (24) O s 24 anciãos aparecem em A pocalipse 4-4,10-11; 5.8-10 e 19.4. Eles fazem parte da visão de João sobre o futuro, a que ele anuncia em 1.19 e com eça a descrever em 4.1. Em 4.4, os anciãos estão assentados so­ bre tronos ao redor de outro trono maior. Eles trazem vestes brancas e usam coroas de ouro. Em 4.10-11, prostram-se no chão, adorando o Cordeiro e oferecendo-lhe suas coroas. Em 5.8-10, eles trazem harpas e prostram-se adorando o Cordeiro e ento­ ando louvores. Em 19.4, descem de seus tronos e prostram-se para adorar a Deus,


A n c iã o s (2 4 ) que está assentado sobre o trono maior. Es­ tes anciãos estão no céu durante a Grande Tribulação e, a cada juízo de Deus, reagem com m anifestações de adoração.

A FUNÇÃO DOS ANCIÃOS Em A pocalipse 5.8-10, os anciãos, en ­ tre outras coisas, tinham “ [...] salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”. Esta cena celestial representa a im portância das orações na terra, m orm en­ te durante a Grande Tribulação. “O papel dos anciãos parece ser o de demonstrar solidariedade, não o de mediar as orações feitas na terra (W alvoord, p. 117).” O sim ­ bolismo das salvas de incenso, que repre­ sentam as orações dos crentes, assemelhase às palavras de Davi em Salm os 141.2: “Suba a m inha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das m inhas mãos como o sacrifício da tarde”. João não identifica quem os anciãos representam de forma específica. A s duas principais visões quanto a sua identidade são subdivididas em três variações cada uma. A primeira visão defende que eles representam pessoas. Tais pessoas poderiam ser o povo de Israel (santos do A T) ou pessoas da Igreja, ou ambas. A segunda visão afirma tratar-se de seres angelicais, que representam ordens sacerdotais veterotestamentárias ou um tipo específico de anjo ou uma ordem angelical especial (Thom as, pp. 344-345). “A idéia de que representam outros gru­ pos com bina com o que lemos no AT, onde o sacerdócio era representado por 24 ordens sacerdotais, cada qual sendo representada por um sacerdote. Da mesma forma, os 24 anciãos representam outras pessoas” (W al­ voord, p. 106). Os anciãos envergam coroas de vitória e não coroas que simbolizam auto­ ridade para governar, apesar de A pocalipse mencionar os dois tipos. E importante ob­ servar que os anciãos traziam suas coroas, ou seja, já tinham alcançado vitória.

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IDENTIFICAÇÃO DOS ANCIÃOS A identificação dos 24 anciãos faz uma grande diferença na visão que se pode ter do arrebatamento da Igreja. Se os 24 anciãos representam os crentes da era da Igreja, e se seu número representa a completude do cor­ po de Cristo no céu, podemos concluir que a Igreja não passará pela Grande Tribulação, mas estará no céu durante este período. Em A pocalipse 4, lemos o seguinte a respeito deste grupo específico: (1) eles são cham ados “anciãos”, (2) estão sentados em 24 tronos, (3) trazem vestes brancas, e (4) usam coroas de ouro. Tanto no contexto cristão com o no judaico, a palavra “an ciãos” está relacio­ nada à liderança da congregação. S ão eles que tom am as decisões e exercem au ­ toridade sobre o povo de Deus. S ão res­ ponsáveis por representar o povo diante de Deus e executar a vontade divina em m eio ao povo. N a história de Israel, os sa ­ cerdotes tiveram um im portante papel na adoração do povo e no relacionam ento da n ação com Deus. N a Igreja do N T, todos os crentes são “sacerdotes” , e a liderança está nas m ãos dos “an ciãos” . M uito provavelm ente, a referência de A pocalipse aos “anciãos” alude à lideran­ ça da Igreja e não à liderança da nação de Israel. Isto parece ser corroborado pelo fato de a primeira ocorrência do termo vir logo após as cartas às sete igrejas. Israel não fazia parte desta visão, apesar de seu papel ativo m ais adiante no livro. Em A pocalipse 7, tem os uma im por­ tante pista quanto à identidade dos a n ­ ciãos. U m deles pergunta sobre quem é a grande m ultidão que vem da G rande Tri­ bulação. N aturalm ente, esta m ultidão não pode ser identificada com os 24 anciãos. A lém disso, “todos os an jo s” são distinguidos dos anciãos em A pocalipse 7.11, de m odo que os anciãos não podem estar relacionados a anjos.


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A n c iã o s (2 4 )

0 SIMBOLISMO DO NÚMERO DE ANCIÃOS O s 24 anciãos m uito provavelm ente não representam toda a nação de Israel, pois A pocalipse 7 fala sobre 144.000 ju ­ deus na terra durante a G rande Tribulação, e A pocalipse 12 fala sobre a perseguição de Satan ás contra a nação durante este m es­ mo período (com o o fazem m uitos profetas veterotestam entários). O único grupo com pleto de criaturas de Deus om itido nesta passagem (Israel, anjos e a m ultidão que vem da Grande Tribula­ ção são m encionados) é a Igreja. N ão há nada sobre a Igreja estar na terra durante este período. Â igreja em Filadélfia, o S e ­ nhor prometeu: “Com o guardaste a palavra da m inha paciência, tam bém eu te guarda­ rei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (A p 3.10). Será, porém, que o número 24 indica um corpo completo? A Bíblia é a melhor fonte de informações para compreendermos suas passagens, seus versículos e suas palavras. O número 24 alude a mais alguma coisa? Em 1 C rô n icas 24, encon tram os uma lista das divisões de sacerdotes que d es­ cendem de A rão . U m de seus filhos, Eleazar, originou dezesseis “cab eças” de fam í­ lias de sacerdotes, enqu anto seu outro fi­ lho, Itam ar, teve oito. O s versículos 7-18 enum eram cad a um a das 24 divisões e deixam claro que, no serviço do Tem plo, eles deviam respeitar a ordem d esta lista­ gem . Em 1 C rô n icas 25, D avi organiza os m úsicos de form a sem elhante. A queles que eram m úsicos sobrem odo talen tosos som avam 288. S eu período de serviço no Tem plo era baseado na ordem listada nos versículos 9-31, que in cluía 24 divisões de m úsicos relacion ad as às 24 divisões de sacerdotes. O número 24, quando utilizado em rela­ ção a sacerdotes e músicos, representa toda a nação de Israel. N ão seria mera especu­

lação, portanto, sugerir que os 24 anciãos representam um corpo com pleto de pessoas no céu, enquanto a G rande Tribulação tem lugar na terra. Daniel 12.1-3 apresenta de forma clara a ressurreição dos crentes do A T ao fim do período da Grande Tribulação. A lém disso, aqueles que vierem a crer na Tribulação, sendo mortos, ressuscitarão ao fim do pe­ ríodo. Tudo isso agrava o problema dos 24 anciãos no céu durante a Grande Tribulação na terra, pois eles trazem vestes brancas, in­ dicando que sua ressurreição já ocorreu. Talvez a pista m ais im portante para identificação destes an ciãos seja a d es­ crição en con trad a em A p o calip se 4.4. C om o observam os anteriorm ente, eles trazem vestes brancas e coroas de ouro. C om o é fascin an te ler nas cartas às sete igrejas que estas são as prom essas para aqueles que vencerem : 1.

sentarão em tronos (A p 3.21);

2.

irão trajar vestes brancas (A p 3.5);

3.

usarão coroas de ouro (A p 2.10).

S e A p o calip se 4 .4 retrata um tem po anterior ou contem porân eo à G rande T ribulação, é im provável que os an ciãos representem anjos, pois o ju lgam ento destes ocorrerá ao fim do M ilên io (M t 25.41; 2 Pe 2.4; Jd 6 ). A in terpretação de que os an ciãos representam san tos de todas as eras é tam bém pouco provável, pois o ju lgam ento dos san tos do A T ocor­ re apenas após o térm ino da G ran d e Tri­ bulação, com a segunda vin d a de C risto (D n 12.1-3). Som en te a Igreja, que terá sido arrebatada e estará sendo recom ­ p ensada, envergará, neste m om ento da história, coroas de honra e vitória (1 C o 3.10-15; 2 C o 5 .1 0 ). Isto significaria que os anciãos representam os crentes da era da Igreja.


A n jo s Chegam os, portanto, à conclusão de que os 24 anciãos representam o corpo com pleto de Cristo, a Igreja, incluindo to­ dos os crentes, quer judeus, quer gentios, desde o D ia de Pentecostes (A t 2) até o arrebatam ento da Igreja (simbolizado por A pocalipse 4.1 e claram ente precedendo a G rande Tribulação).

—David Hocking e Timothy J. Demy BIBLIOGRAFIA Hocking, David. The C om ing World Ruler. Por­ tland, Oregon: M ultnom ah Press, 1988. Jeremiah,

David.

Escape the C om ing Night.

Dallas: Word, 1990. LaHaye, Tim. Revelation Illustrated a n d Made plain. Grand Rapids: Zondervan, 1975. Thom as, Robert L, Revelation 1— 7: A n Exegetical Commentary. Chicago: M o o dy Press, 1 992. Walvoord, John F. The Revelation o f Jesus Christ: A Commentary. Chicago: M o o d y Press, 1 966.

ANJOS Por m ais de trezentas vezes, a B íb lia se refere a anjos com o seres espirituais c ria­ dos, pessoais e reais. M uitos teólogos acreditam que D eus criou todos os a n ­ jos n o segundo ou terceiro dia da cria­ ção (ver SI 104.4). O s an jo s podem ser bons ou maus. O s dem ônios foram anjos no passado, mas uniram -se à rebelião de S atan ás con tra Deus e foram expulsos do céu (ver A p 12.4). A Bíblia descreve os anjos de Deus com o mensageiros, protetores do povo es­ colhido e agentes do juízo divino. Eles con ­ duziram o povo de Deus (Ex 14.19; 23.20), livraram-no do m al (D n 6.22), falaram com ele (Jz 6.11) e profetizaram para ele (M t 1.20-23). N o livro de A pocalipse, os anjos

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entregam m ensagens, auxiliam o povo de Deus e executam os juízos do Senhor.

A NATUREZA DOS ANJOS O s anjos são seres espirituais que podem aparecer em forma hum ana (G n 18.1-8). G eralm ente, aparecem n a forma m asculina (M c 16.5; Lc 24-4). A única exceção apa­ rente é Zacarias 5.9, onde dois anjos são descritos com o mulheres. Em alguns casos, eles aparecem com o “seres viventes” e x ­ traordinários (A p 4-6-8). Pelo menos duas categorias de seres angelicais, serafins e querubins, possuem asas (Is 6.2-6; Ez 1.5-8). Diversos anjos são descritos voando (Dn 9.21; Lc 1.19). A Bíblia tam bém descreve os anjos com o seres assexuados e sem pecado. Eles não se dão em casam ento nem têm filhos (M t 22.28-30). Possuem personalidade própria e nomes distintos, como Miguel e Gabriel. O s anjos não são onipresentes e parecem ter suas lim itações (D n 10.1014), pois não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo. Pertencem a Deus, mas não são divinos. N ão exibem característi­ cas divinas com o a onisciência. Os anjos andam, conversam e comem (G n 18.1-9), mas suas capacidades suplan­ tam as dos hum anos. S ão seres mais fortes do que nós (1 Pe 2.11). Podem limitar a iniqüidade hum ana (G n 18.22) e executar os juízos de Deus (G n 19.1-11). O s anjos tam bém podem influenciar e agir sobre a natureza (A p 9.14-15).

0S NOMES DOS ANJOS “A n jo ” é um a tran sliteração da p ala­ vra grega angelos, que significa “m en sa­ geiro” . Seu significado é sem elh ante ao da p alavra h ebraica malak. Fred D ickason (1995, p. 61) afirma: “D ependendo do con texto , a palavra pode ser u sa­ da tan to para um m ensageiro hum ano (1 Sm 6 .2 1 ), com o para um ser espiritu­


A n jo s

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al celestial, cap acitad o por Deus com o m ensageiro a fim de tornar conhecidos os p ropósitos divinos (L c 1 .1 1 )” . “M inistro” diz respeito à natureza dos anjos com o espíritos ministradores (Hb 1.14). C om relação ao ministério dos an­ jos, o A T utiliza a palavra hebraica mishra·thim (SI 104.4) do mesmo m odo que o N T utiliza a expressão grega leitourgos. “H oste” concerne aos anjos de Deus com o um exército celestial. “Senhor dos Exércitos” é um título atribuído a Deus como Com andante dos exércitos celestiais. “U m a multidão dos exércitos celestiais” apareceu no nascimento de Cristo (Lc 2.13). “Vigia” é o termo utilizado em Daniel 4.13,17 para demonstrar que os anjos vi­ giam os hum anos e observam seu com ­ portam ento. A Bíblia freqüentem ente os descreve sendo cham ados por Deus para interferir nas questões dos homens. “Filhos de Deus” é um a outra expressão utilizada no A T com relação aos anjos. A expressão hebraica bene elohim é aplicada exclusivam ente a anjos (Jó 1.6; 2.1; 38.7). “S an to s” (hb. kadoshim) significa “se­ parados” (SI 89.6-7). Tal palavra reflete o caráter e a natureza dos anjos de Deus.

A CLASSIFICAÇÃO DOS ANJOS

Miguel é designado com o “arcan ­ jo ” em Judas 9. D ickason (p, 70) observa: “T al título o coloca de im ediato acim a, em um a posição superior, com o líder m ilitar de um exército de anjos na batalha contra S atan ás” (A p 12.7).

Gabriel é o mensageiro que anuncia o nascimento de João Batista a Za­ carias (Lc 1.11-12) e o nascimento de Jesus a M aria (Lc 1.26-29). Ele também revela diversas mensagens proféticas a Daniel (9.21).

0 MINISTÉRIO DOS ANJOS O s seres angelicais m inistram a Deus e ao povo de Deus de diversas formas: •

adoram a Deus (A p 4-6-11 );

servem a Deus e a seu povo (Hb 1.7,14);

destroem o mal (G n 19.1-13);

protegem o povo de Deus (D n 6.202 2 );

comunicam a palavra de Deus (Ap 2.1);

executam o juízo de Deus (A p 6).

A Bíblia descreve diversos tipos de anjos. •

Querubins são anjos que ocupam a mais alta posição hierárquica. Eles atendem à glória, à santidade e à majestade de Deus (Ez 1.5-14).

Serafins são os “abrasados”, ou in­ cendiários angelicais, que se infla­ mam com a glória de Deus e con­ tinuam ente anunciam sua trina santidade (Is 6.3).

Seres viventes (hb. hayoth) é a desig­ nação geral tanto dos anjos que cui­ dam da adoração a Deus como dos que executam seus juízos (A p 4; 14)·

O s anjos possuem diversos níveis hie­ rárquicos (principados, poderes, potestades, dom ínios; veja C l 1.16; Ef 1.20-21; 3.10) e são imortais. Devem os, contudo, lembrar que eles não são divinos. C om freqüência, o fascínio por anjos não passa de uma ten­ tativa frustrada de se preencher um vazio que som ente C risto é capaz de ocupar. A Bíblia claram ente ensina que não devemos adorar os anjos (C l 2.18; A p 19.10; 22.9). Eles são apenas m ensageiros de Deus que nos direcionam para o Senhor.

—David Jeremiah


A n t ic r is t o

BIBLIOGRAFIA Bietenhard, Hans. "A ngel”, em The New Testa­ m ent International Dictionary o f New Testa­ m ent Theology. Vol. 1. Grand Rapids: Zonder­ van, 1 986. Bromiley, C. W. “A n g e l”, em Evangelical D ic­ tionary o f Theology. Grand Rapids: Baker Books, 1984.

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Em 1 João 4.1-3, João nos alerta para provar os espíritos e para nos certificarmos de que estes realm ente provêm de Deus. Ele nos adverte de que m uitos falsos pro­ fetas (gr. pseudo-prophetes) “têm saído pelo m undo afora” . S ão pessoas que não reco­ nhecem que Jesus vem de Deus. Dentro deste contexto, João anuncia que “o espíri­ to do anticristo [...] já está no m undo”.

Davidson, M.J. “A n g e ls”, em Dictionary o f Jesus a n d the Gospels. D ow ners Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1992. Dickason, Fred. Angels: Elect a n d Evil. Chicago: M o o d y Press, 1 995. Jeremiah, David. What the Bible sa y s about A n ­ gels. Sisters, Oregon: Multnom ah, 1996. Oropeza, B. J. 9 9 A n sw e rs to Q uestions About Angels, D em ons a n d Spiritual Warfare. D o w ­ ners Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1997.

ANTICRISTO A s profecias bíblicas claram ente falam sobre o surgimento do A nticristo no final dos tempos. M ais de cem passagens das Escrituras o descrevem, revelando sua origem, sua nacionalidade, seu caráter, sua carreira e sua conquista global. O termo “anticristo” pode ser aplicado tanto ao indivíduo como ao sistem a que ele representa. Curiosamente, a palavra “anticristo” (gr. antichristos) aparece apenas em 1 João 2.1822; 4-3 e 2 João 7. O apóstolo João usoua no singular (“o A nticristo” ) e no plural (“muitos anticristos” ). João dá a entender que seus leitores haviam ouvido que o A n ti­ cristo viria no futuro. Então, ele os surpreen­ de dizendo que muitos anticristos já tinham vindo. João descreve estes anticristos m eno­ res como mentirosos que negam que Jesus é o Cristo (2.22). N este sentido, anticristo é qualquer falso mestre que nega a Pessoa e a obra de Jesus Cristo. Tais mestres são verda­ deiramente and (contrários a) Cristo.

0 ESPÍRITO DO ANTICRISTO N este sentido mais amplo, podemos afirmar, sem medo de errar, que o espírito do A nticristo está em ação. Este espírito anticristão faz todo o possível para rejei­ tar, negar e questionar a verdade acerca de Jesus Cristo. Ele tem estado em atividade desde o século I d.C ., opondo-se ferozmen­ te contra a obra de Jesus na terra. O s escritores da Bíblia certam ente criam que o espírito do A nticristo estava vivo e ativo no primeiro século. Por esse m otivo, não lhes causou surpresa a rejeição ao cris­ tianism o, acom panhada de perseguição e até mesmo martírio. Eles estavam conven­ cidos de que a guerra espiritual entre Cristo e o A nticristo já havia com eçado. M uitas e rem otas referências cristãs ao A nticristo estão presentes no A pocalip ­ se de Pedro, no Didaqué, na A scensão de Isaías e na epístola de Pseudo-Tito. Tam ­ bém vemos tais referências nos escritos de diversos pais da igreja, com o Irineu, Jerô­ nim o e H ipólito. Irineu, que estudou com Policarpo — que, por sua vez, fora discípulo do apóstolo João — , disse que o A nticristo viria como “um apóstata” , personificando a “apostasia satânica”. Desde o início da era cristã, os crentes sempre estiveram convictos de que um go­ vernante mundial, a encarnação de Satanás, em algum momento surgiria. Apocalipse 12— 13 apresenta uma “trindade profana” que reúne Satanás (correspondente ao Pai), o Anticristo (correspondente ao Filho) e o


A n t ic r is t o

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Falso Profeta (correspondente ao Espírito Santo). O verdadeiro poder por trás do Anticristo é, portanto, Satanás. O “pai da mentira” é a origem do engodo que condenará multidões ao juízo de Deus (2 Ts 2.11).

TÍTU LOS DO ANTICRISTO A Bíblia utiliza diversos nomes e títu­ los para a pessoa a quem usualmente nos referimos com o “A nticristo”. C ad a um traz um novo vislumbre, uma nova faceta, de seu caráter e sua natureza diabólica. Juntos, apresentam um com plexo retrato do A n ti­ cristo. Eis alguns exemplos:

que o pseudochristos (“falso C risto”) afirma ser o próprio Cristo. A descrição bíblica mostra que ele é ambos. Inicialm ente, ele se apresenta com o o “salvador” da nação de Israel, firmando uma aliança para protegêla (D n 9.27). Dessa maneira, ele parece ser o messias h á muito aguardado. N a verda­ de, porém, ele se opõe a todas as profecias acerca do verdadeiro Messias. Dentre outros títulos atribuídos ao A n ti­ cristo, temos: “o hom em do pecado” e “o fi­ lho da perdição” (2 Ts 2.3), “o iníquo” (2 Ts 2.8), um pequeno chifre (D n 7.8), “o prínci­ pe que há de vir” (D n 9.26) e “o rei que fará conforme sua vontade” (D n 11.36).

A Besta A NACIONALIDADE DO ANTICRISTO “ [...] vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diadem as, e, sobre as cabeças, um nom e de blas­ fêm ia.” (A p 13.1)

O N T não afirma claram ente se o A n ­ ticristo é judeu ou gentio. A m aioria dos estudiosos de profecias crê que seja gentio por três razões: 1. Ele lidera a união européia de nações

O Anticristo “Filhinhos, é já a últim a hora; e, com o ouvistes que vem o an ti­ cristo, tam bém agora m uitos se têm feito anticristos [...] Q uem é o m entiroso, senão aquele que nega que Jesus é o C risto? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Fi­ lho.” (1 Jo 2.18,22) Muito se escreveu sobre o prefixo “anti” na palavra “anticristo”. Ele poderia significar tanto “contra” (“em oposição a” ) como “em vez de” (“no lugar de”). Seria ele o grande inimigo de Cristo ou um falso Cristo? Se for o inimigo de Cristo e líder de um govem o mun­ dial gentio, ele mesmo será provavelmente um gentio. Se for um falso messias, aceito pelos judeus, provavelmente será judeu. A quele que é cham ado de antichristos ( “anticristo” ) se opõe a Cristo, enquanto

gentias (D n 7.8-24). 2. Em sua aliança, promete proteção gentílica para Israel (D n 9.27). 3. Seu govem o faz parte do “tempo dos gentios”, do domínio destes sobre Is­ rael (Lc 21.24). Estas passagens deixam claro que o A n ticristo liderará as p otên cias ocid en ­ tais, m as n ão in dicam que ele será esp e­ cificam ente um gentio. Ele pod eria ser de origem ou descen d ên cia ju d aica e, m es­ mo sendo um judeu am erican o ou euro­ peu, liderar o governo m undial dos ú lti­ mos dias. Em D an iel 11.37, lem os que ele não terá respeito pelo “Deus de seus p ais” (acf). E sta expressão tam bém pode ser traduzida por “deuses de seus p ais” (arc). Portanto, não chegam os a nenh um a c o n ­ clusão. A exegese de D an iel 11.37, via de regra, en foca as crenças h eréticas do


A n t ic r is t o A n ticristo e desconsidera se ele é judeu ou gentio. Tanto o livro de D aniel com o o de A p o ­ calipse associa o A nticristo a um a confede­ ração de dez nações européias que, de certa forma, correspondem ao antigo Império Rom ano. N a grande estátua do sonho de Nabucodonosor, descrita em D aniel 2.3145, vemos esta confederação simbolizada pelos dez dedos. Ela é tam bém represen­ tada em Daniel 7.19-28, e em A pocalipse 13.1-9, com os dez chifres da besta. N as profecias de Daniel, o A nticristo é sempre associado à últim a fase do Império Rom ano (a quarta dinastia). Em A pocalip­ se 17.9, ele é relacionado a uma cidade si­ tuada sobre “sete colinas” (freqüentemente interpretada com o sendo R om a). Daniel 9.25-27 declara que ele estará entre as pes­ soas que destruirão o segundo Templo; ou seja, os romanos. C om a im portância que atualm ente se dá à união m undial e à necessidade de um líder que possa garantir um a coexistência pacífica entre as nações, não é difícil im a­ ginar um poderoso governante mundial surgindo a qualquer momento.

A GENIALIDADE E O PODER DO ANTICRISTO O anticristo será o m ais notável líder político que o m undo já conheceu. Ele aparentará ser o epitom e da inteligência e do poder hum ano. A rthur W. Pink escre­ ve: “Satan ás teve todas as oportunidades de estudar a natureza decaída do hom em [...] O diabo sabe m uito bem com o des­ lumbrar as pessoas com a sedução do seu poder [...] sabe com o satisfazer a sede de conhecim ento [...] Podem os nos delei­ tar com m úsica e deliciar nossos olhos com belezas arrebatadoras [...] sabe com o exaltar as pessoas ao píncaro da glória e da fam a, para, em seguida, usar esta fam a contra Deus e seu povo” (Pink, p. 77).

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Veja abaixo a lista de características do A nticristo, tais quais estão relacionadas nas Escrituras: 1. Intelectualmente poderoso (Dn 7.20) 2. Orador impressivo (D n 7.20) 3. Mestre político (Dn 11.21) 4. Possuidor de grandes habilidades co­ merciais (D n 8.25) 5. G ênio militar (D n 8.24) 6. Perito administrador (A p 13.1-2) 7. Experto em religião (2 Ts 2.4)

Possivelmente, a característica mais marcante de seu caráter é a descrita em D a­ niel 11.21, onde lemos que ele “ [...] virá caladamente e tomará o reino com engano”. Eis aí um “mestre do engano”, fortalecido pelo “pai da mentira”. Muitos acreditam que será o próprio Satanás encarnado, o que explicaria a recuperação sobrenatural de Apocalipse 13.3.

W ^Ê B Ê B B Ê

A iitic risio .

A Verdade A mentira O Santo O iníquo Homem de dores Homem de pecados Filho de Deus Filho de Satanás Mistério de Deus Mistério da injustiça Bom Pastor Pastor inútil Exaltado nas alturas Lançado no inferno Humilha-se a si mesmo Exalta-se a si mesmo Desprezado Admirado Purifica o Templo Profana o Templo Deu a vida pelas pessoas Mata as pessoas O Cordeiro A Besta O s contrastes entre C risto e o A nticris­ to dem onstram que ambos são com pleta­ m ente opostos. U m a rápida análise das características do Anticristo confirma que ele é tanto um falso Cristo (pseudochristos) como também se opõe a Cristo (antickristos). Ele se disfarça como


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A n t ic r is t o

um anjo de luz apenas para mergulhar o mun­ do em trevas espirituais. Com o Satanás, ele é um destruidor e não um edificador. Prome­ tendo paz, leva o mundo à guerra. Em todos os aspectos imagináveis, ele é exatamente igual a Satanás, que nele habita e o capacita.

0 ANTICRISTO ESTÁ VIVO NOS DIAS DE HOJE? O espírito do A nticristo está vivo e em ação. Trata-se da expressão, inspirada por Satanás, de desrespeito e rebeldia contra Deus, contra as coisas de Deus e contra o povo de Deus. Tal espírito está vivo des­ de que Satan ás rondou o jardim do Éden. Ele tem sido a força motriz por trás de toda terrível história da raça hum ana: guerras, assassinatos, assaltos, estupros, etc. Estas são as repugnantes expressões da natureza destrutiva do próprio grande enganador. O s autores do N T nos asseguraram que o espírito do A nticristo já agia em sua época, isto há quase vinte séculos. Ele continuou ativo ao longo de toda a história da Igreja, expressando-se em perseguições, heresias, enganos espirituais, falsos profetas e falsas religiões. Satan ás vem com batendo a Igre­ ja a cada passo, esperando pelo m om ento certo para habitar a pessoa certa — o A n ti­ cristo — em sua derradeira obra-prima. Entretanto, conjecturar se certas figuras da atualidade seriam ou não o A nticristo não leva a nenhum lugar. A penas no sécu­ lo X X , vimos algumas especulações fantás­ ticas e incorretas. Todas são visualizações do futuro a partir do presente. C ad a uma padece da m esma deficiência: são sempre tentativas incertas baseadas em uma pers­ pectiva lim itada. Tragicam ente, tais pesso­ as que propõem datas e apontam possíveis A nticristos afirmam saber mais do que os próprios autores das Escrituras. O apóstolo Paulo com enta a respeito disso em 2 Tessalonicenses 2.1-12, quando

que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado”. Em seguida, ele decla­ ra: “vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado” (v. 6). S o ­ mente após o arrebatamento da Igreja, será revelada a identidade do Anticristo. Em ou­ tras palavras, você não quer saber quem ele é. Se algum dia você descobrir quem ele é, significa que foi deixado para trás! A cada geração, Satanás precisa prepa­ rar um homem para ser sua maior realização. N ão se surpreenda, portanto, com diversos candidatos aparecendo no horizonte da história hum ana apenas para desaparece­ rem logo adiante. Satanás precisa esperar o momento definido por Deus, de forma que ele já está derrotado antes mesmo de iniciar seu ataque final. Ele continuará impedido de agir até que Deus retire o poder que o detém; a saber, o Espírito Santo que habita a Igreja. O Espírito, portanto, é o agente; a Igreja, o meio. Dessa forma, Deus retém o plano diabólico de Satanás até que o Pai nos chame para estar com Ele nos céus. N esse meio tempo, Satan ás aguarda sua oportunidade de arruinar o m undo inteiro e o plano supremo de Deus. Ele pode ser um adversário derrotado, mas está decidi­ do a lutar até o fim. Mesmo agora, segue em frenética atividade, buscando o hom em correto para ser o A nticristo.

DEZ CHAVES PARA A IDENTIDADE DO ANTICRISTO A Bíblia apresenta pelo menos dez ch a­ ves para identificarmos o A nticristo quan­ do este subir ao poder. Ela nos dá detalhes suficientes para termos uma idéia geral de quem ele será quando Satanás, a fim de agir no cenário mundial, passar a inspirálo. Tais informações tam bém deixam claro que apenas uma pessoa na história poderá se encaixar nesta descrição. M uitos protó­ tipos surgiram e desapareceram, mas h ave­

nos dix que o “Dia de Cristo” não vitá “sem rá apenas um A ntictisto.


A n t ic r is t o 1. Ele subirá ao poder nos últimos dias. “ [...] no último tempo da ira [tempo do fim] [...] se levantará um rei, feroz de cara, e será entendido em adivi­ nhações” (Dn 8.19, 23).

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de da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (D n 9.27)

2. Ele governará o mundo inteiro. “[...] e deu-se-lhe poder sobre toda tribo, e língua, e nação” (A p 13.7).

9. Ele romperá seu tratado e invadirá Isra­ el. “[...] o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão deter­ minadas assolações” (D n 9.26)

3. Sua base será em Roma. “A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo [...] A s sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada” (A p 17.8-9)

10. Ele afirmará ser Deus. “[...] o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assen­ tará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.4).

4. Ele será inteligente e persuasivo. “[...] do outro [chifre] que subiu, diante do qual caíram três, daquele chifre que tinha olhos e uma boca que fa­ lava com insolência e parecia mais robusto do que os seus com panhei­ ros” (D n 7.20) 5. Seu domínio será apoiado pela co­ munidade internacional. “E os dez chifres que viste são dez reis [...] Estes têm um mesmo intento e en ­ tregarão o seu poder e autoridade à besta” (A p 17.12-13) 6. Ele governará por meio do engano. “E se fortalecerá a sua força [...] e pros­ perará, e fará o que lhe aprouver [...] também fará prosperar o engano na sua mão; e, no seu coração, se en­ grandecerá.” (Dn 8.24-25) 7. Ele controlará a economia global. “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja pos­ to um sinal na mão direita ou na tes­ ta, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o núme­ ro do seu nome.” (A p 13.16-17) 8. Ele firmará um tratado de paz com Is­ rael. “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na m eta­

A Bíblia traz muitos outros detalhes a respeito da pessoa que conhecemos como “o A nticristo”. N o geral, contudo, será um europeu que tomará o poder sobre todo o mundo ocidental. O fato de ele ser judeu ou gentio não está inteiramente claro. E evi­ dente, porém, que controlará o último bas­ tão do poder mundial gentio. De sua base no ocidente, ele estenderá seu controle sobre todo o mundo. Adm inistrará o governo e a economia mundial, assessorado pelo líder da religião mundial (A p 13.11-18). Som ente o tempo revelará sua verdadeira identidade.

— Ed Hindson BIBLIOGRAFIA Anderson, Robert. The Corning Prince. London: Hodder & Stoughton, 1922. Hindson, editor. Antichrist Rising. Springfield, M issouri: 21 st Century Press, 2003. Hunt, Dave. A W oman Rides the Beast. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1994. Jeffrey, Grant. Prince o f Darkness. Toronto: Frontier Publications, 1994. Pink, Arthur. The Antichrist. Minneapolis: Klock & Klock, 1979. Price, Walter. The C om ing Antichrist. Chicago: M o o d y Press, 1974.


A p o c a l ip s e , D a t a do

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APOCALIPSE, DATA DO A m aioria dos estudiosos escolhe entre duas datas para a com posição do livro de A p o ­ calipse: a data antiga ou nerônica, durante o reinado de N ero (64— 67 d.C .) e a data recente ou dom iciana, durante o reinado de D om iciano (95 d .C .). Para determinar qual destas opiniões é a correta, devem-se considerar as evidências externas (que se originam fora do livro de A pocalipse) e as internas (originadas dentro do próprio li­ vro de A pocalipse).

RESUMO DAS EVIDÊNCIAS EXTERNAS Tusremunhas pani .Tçsieníunlias par·: .1 P . i i . i I )i <m ii iiiii.i

a Π .ιΐιι N i T Õ i i i i .

'(95.d.C.) ■.·■·.

(ft4—T67-'d:C.)

Hegésipo (150 d.C.) Irineu (180 d.C.) Vitorino (c. 300) Eusébio (c. 300) Jerônimo (c. 400) Sulpício Severo (c. 400) Os A tos de João (c. 650) Primásio (c. 540)

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nerônica é a inscrição de um a linha na tra­ dução siríaca do N T em 550 d.C . Existem apenas duas outras testem unhas externas para a data antiga: A retas (c. 900) e Teofilácto (c. 1107). A data recente, por outro lado, possui um a con stan te lin h a de apoio de alguns dos m aiores e m ais confiáveis nom es da h istória da Igreja, com eçando em 150 d .C . A lém disso, C lem en te de A le x a n ­ dria, T ertuliano e O rígenes apóiam a d ata recente, e só n ão estão incluídos no quadro acim a porque não afirmam esp eci­ ficam ente que Jo ã o foi banido por D om i­ ciano. A s evid ên cias externas da h istória da Igreja apon tam en faticam en te para a data de 95 d .C . com o a data da escrita do A p o calip se.

EVIDÊNCIAS INTERNAS Duas linhas-chave das evidências in­ ternas favorecem a data dom iciana para a escrita do livro de A pocalipse.

A Condição das Sete Igrejas

Versão Siríaca do N T (550)

Orósio (c. 600) Andreas (c. 600) Venerável Bede (c. 700) Aretas (c. 900) Teofilácto (d. 1107) A m bas as linhas de evidência apontam para a data recente ou dom iciana (95 d.C .) com o a opinião correta.

EVIDÊNCIAS EXTERNAS A o colocarm os as evidências externas lado a lado, vemos que a primeira teste­ m unha clara, aceita e coerente para a data

U m dos principais argumentos internos para a data recente de A pocalipse é a condi­ ção das sete igrejas da A sia M enor em A p o ­ calipse 2— 3. Estas igrejas mostram todas as características de uma igreja da segunda ge­ ração. O período de grande trabalho de m is­ são de Paulo parece localizar-se no passado. Vamos considerar as pistas sobre a data de A pocalipse a partir de três das igrejas a que Cristo se dirige em Apocalipse 2— 3.

A Igreja de Efeso Se Jo ã o escreveu A p o calip se em 64— 67 d .C ., en tão a carta à igreja de Efeso, em A p o calip se 2.1-7, coincide com as duas cartas de Paulo a T im óteo, que era o pastor daqu ela igreja quando o apóstolo lhe escreveu. N a verdade, se Jo ã o escreveu A p o calip se em 64— 66, en tão Paulo p rovavelm en te escreveu 2


A p o c a l ip s e , D a t a do T im óteo depois que Jo ã o escreveu para a igreja. N o en tan to, Paulo n ão faz nenhum a m enção da perda do prim eiro am or ou da presença de n ico laítas em Efeso em sua correspon dên cia a T im óteo. Tam bém não m encion a estes problem as em sua ep ístola aos efésios, que provavelm en te foi escrita em 62 d .C . A afirm ação de Jesus em A p o calip se 2.2 de que a igreja de Efeso se guardara bem contra os erros não se en caix a no que sabem os a respeito d es­ ta igreja nos dias de N ero (A t 20.29-30; 1 T m 1.3-7; 2 T m 2.17-18). Aqueles que apóiam a data recente fre­ qüentemente respondem a este ponto ob­ servando que erros podem surgir muito ra­ pidam ente em uma igreja. Com o exemplo, citam, às vezes, as igrejas da G alácia, a quem Paulo diz: “Maravilho-me de que tão depres­ sa passásseis daquele que vos cham ou à gra­ ça de Cristo para outro evangelho” (1.6). M as há uma grande diferença entre a condição e a m aturidade das igrejas gálatas após a breve visita de Paulo ali, em sua primeira viagem m issionária, e a igreja de Efeso, onde Paulo m ontou o seu quartel ge­ neral por três anos, onde A po io ensinou, onde Priscila e À qu ila ministraram, e onde Tim óteo pastoreou por vários anos. A lém disso, A pocalipse 2.1-7 não m en­ ciona a grande obra m issionária de Paulo na A sia Menor. Em sua terceira viagem, Paulo m ontou o seu quartel general em Efeso por três anos e desempenhou um m i­ nistério profundo ali. Se João escreveu em 64— 67 d.C ., a om issão de qualquer m en­ ção de Paulo nas cartas às sete igrejas da A sia M enor é inexplicável. N o entanto, se João escreveu trinta anos depois, para a se­ gunda geração de indivíduos nas igrejas, a om issão é facilm ente entendida.

A Igreja de Esmirna A parentem ente, a igreja de Esmirna nem mesmo existia durante o ministério

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de Paulo. Policarpo era o bispo de Esmir­ na. Em sua carta aos Filipenses, escrita por volta de 110 d.C ., Policarpo diz que os da cidade de Esm irna não conheciam o S e ­ nhor durante o tempo em que Paulo estava m inistrando (11.3). M as não observei nem ouvi qual­ quer coisa entre vós, em cujo meio o bendito Paulo trabalhou, mesmo sabendo que éreis as suas cartas de recom endação, no princípio. Pois ele se vangloria a vosso respeito em todas as igrejas — pois naquela época som ente vós conhecíeis ao Senhor, pois nós ainda não o tínha­ mos conhecido. Policarpo está dizendo que Paulo elo­ giou os crentes filipenses em todas as igre­ jas, mas que durante o ministério de Paulo nos anos 50 e 60, a igreja de Esmirna nem mesmo existia.

A Igreja de Laodicéia A igreja de Laodicéia é a única das sete igrejas (com a possível exceção de Sardes) que não recebe nenhum elogio de Jesus. Em sua carta aos colossenses, provavelm ente escrita entre 60— 62 d.C ., Paulo indica que a igreja em Laodicéia consistia em um gru­ po ativo (C l 4.13), e a m enciona por três vezes na carta (2.1; 4-13, 16). Certam ente levaria de dois a sete anos para a igreja des­ viar-se tão com pletam ente da sua posição anterior, de form a que absolutam ente nada de bom pudesse ser dito a seu respeito. João descreve a igreja em Laodicéia com o sendo econom icam ente próspera. Jesus cita a igreja, com o se esta dissesse: “R ico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. N o entanto, a cidade foi de­ vastada por ocasião do terrem oto de 60 d.C . Depois do terremoto, os laodicenses recusaram toda a ajuda e auxílio de Rom a,


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preferindo reedificar a sua cidade devasta­ da a partir dos próprios recursos. Em sua obra, A nnals (14-27), Tácito, o historiador romano, descreve este espírito independente. “N o mesmo ano, Laodicéia, um a das fam osas cidades asiáticas, foi redu­ zida a ruínas por um terremoto, mas se re­ cuperou a partir de seus próprios recursos, sem a nossa ajuda”. A extensão do dano em Laodicéia e a duração de tem po que levou para reconstruir a cidade são evidências p o ­ derosas da data recente para A pocalipse. A m aioria das principais ruínas que sobrevivem hoje em Laodicéia é de edifí­ cios construídos durante o período de re­ construção após o terrem oto. O s grandes edifícios públicos destruídos no terrem oto foram reconstruídos à custa de cidadãos individuais, e só foram acabados por volta de 90 d .C . A data da conclusão do está­ dio pode ser precisam ente fixada na parte final de 79 d .C ., e as inscrições em vários outros edifícios indicam que eles tam bém podem ser datados neste m esmo período. N o vas portas e fortificações parecem ter definido a reedificação de Laodicéia. È provável que a grande porta tripla (porta síria) e as torres só tenham sido term ina­ das em 88— 90 d.C . Visto que, depois do terremoto, a ree­ dificação de Laodicéia ocupou um a gera­ ção com pleta, é altam ente problem ático afirmar que em 64— 67 d.C . Laodicéia era rica, enriquecida, não tendo falta de nada. Durante estes anos a cidade estava nos primeiros estágios de um programa de re­ construção que duraria ouros 25 anos. N o entanto, se A pocalipse foi escrito em 95 d.C ., a descrição de Laodicéia em A p o ca­ lipse 3.14-22 se encaixaria exatam ente na situação, tendo em vista que neste período a cidade fora com pletam ente reconstruída com os próprios recursos e desfrutava de prosperidade e prestígio, aquecendo-se no orgulho de sua grande realização.

O Exílio de João em Patmos Apocalipse 1.9 declara que, quando re­ cebeu o Apocalipse, João foi exilado na ilha de Patmos. A história da igreja consistente mente testifica que tanto Pedro como Paulo foram executados em Rom a perto do final do reinado de Nero. Aqueles que defendem a data antiga para a escrita de Apocalipse sus­ tentam que durante este mesmo tempo, Nero baniu o apóstolo João para Patmos. Mas por que Nero executaria Pedro e Paulo e baniria João? Isto parece incoerente. A diferença das sentenças de Pedro e Paulo da sentença de João parece indicar que eles foram persegui­ dos por governantes diferentes. Além disso, não temos nenhuma evidência de que Nero tenha usado o exílio contra os cristãos. Dom iciano foi o segundo imperador rom ano, depois de Nero, a perseguir os cristãos, e o banim ento era um a das suas m aneiras favoritas de castigo. A ssim , é m uito mais provável que o exílio de João em Patm os tenha acontecido no governo de Dom iciano, e não no de Nero.

CONCLUSÃO Levando em consideração todas as evi­ dências relevantes, tanto as externas quan­ to as internas, encontram os o m aior apoio para a opinião de que o apóstolo João es­ creveu o livro de A pocalipse em 95 d.C ., quando foi exilado na ilha de Patmos pelo imperador rom ano Dom iciano.

— Mark Hitchcock BIBLIOGRAFIA Beale, C. K. The Book of Revelation. The New International Greek Testament Commentary. Eds. I. Howard Marshall e Donald A. Hagner. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing C o m ­ pany, 1 999. Eliot, E. B. Horae Apocalyticae, seg. ed., 4 vols. Londres: Seeley, Burnside and Seeley, 1 846.


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APOCALIPSE, LIVRO DE O livro de A pocalipse primeiramente contém profecias a respeito do futuro, consti­ tuindo uma porção significativa da profecia bíblica. Ele descreve a culm inação das pro­ fecias iniciadas no AT, cuja continuidade se dá no NT. Enquanto G ênesis fala da criação dos céus e da terra, A pocalipse pre­ diz o seu fim, bem como o início de novos céus e nova terra.

TÍTU LO DO LIVRO O apóstolo João escreveu o livro em al­ guma ocasião próxim a a 95 d.C . enquanto estava exilado na pequena ilha mediter­ rânea de Patmos, longe da costa da Á sia Menor. A li o Jesus ressurreto lhe apareceu, revelando-lhe informações acerca do futu­ ro. A primeira palavra no texto grego de A pocalipse, apokalupsis (“revelação” ou “descobrim ento” ) refere-se à revelação que Deus Pai deu a Jesus, para dar a João. A ta­ refa de João era entregar estas informações a mensageiros das sete igrejas da província rom ana da A sia. A província localizava-se na região ocidental da Turquia moderna.

ASSUNTO DO LIVRO O assunto do livro de A pocalip se in­ clui “as coisas que em breve devem acon ­

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tecer” (1.1). Em um ponto-chave, na ú lti­ m a década do século I d.C ., Deus viu que convinh a dar a João — através de Jesus — a m ais com pleta revelação da Bíblia das coisas que estão para acontecer na história do mundo. A pocalipse 1.7, o versículo-tem a do livro, contém o principal evento da reve­ lação de Deus para o futuro: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tri­ bos da terra se lam entarão sobre ele. Sim ! A m ém !” A volta de Jesus C risto e todos os eventos que acom panharão o seu retorno com põem o seu tema. Ele será visível a to­ dos os moradores da terra, m uitos dos quais se lam entarão sobre o juízo que Ele trará contra a hum anidade pecadora.

ESBOÇO DO LIVRO Quando instruía João a escrever o livro, Jesus apareceu-lhe em um estado glorificado (1.12-16) e deu-lhe um esboço da profe­ cia futura (1.19). Isto inclui a própria visão de Jesus que ele acabara de ter, uma m ensa­ gem para cada uma das sete igrejas na A sia (A p 2— 3), e os eventos que se tornarão conhecidos na terra depois que os crentes fiéis forem levados para o céu, por ocasião do arrebatam ento (A p 4— 22).

Visão Inicial que João Teve de Jesus (cap. 1) Depois de proferir um a saudação de gra­ ça e paz de Deus Pai, Deus Espírito Santo, e Deus Filho (1.4-6), João fala da sua visão inicial de Jesus Cristo, que o com issionou a escrever o A pocalipse (1.9-20). Impres­ sionado com o que viu, João caiu aos pés do Senhor com o se estivesse morto. Pri­ meiro, ele viu sete castiçais de ouro, poste­ riormente identificados com o sím bolos das sete igrejas m encionadas em A pocalipse 2— 3. Então ele viu, no m eio dos castiçais, uma forma hum ana que o fez lembrar-se de uma profecia m essiânica (D n 7.13).


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A cabeça e os cabelos brancos na v i­ são representam a eterna preexistência de C risto, com o a do Pai, em D aniel 7.9. Os olhos com o cham a de fogo, derivados de D aniel 10.6, falam da penetrante inteli­ gência de Cristo e da sua ira justa. O s pés com o latão reluzente enfatizam a pureza de C risto ao mover-se entre as sete igrejas (veja Êx 1.13,27; Dn 10.6). A voz com o o som de muitas águas refere-se à autoridade divina (Ez 43.2), A s sete estrelas — iden­ tificadas com o os sete mensageiros das sete igrejas — falam da sua autoridade absoluta sobre estes mensageiros. A aguda espada de dois fios saindo da sua boca, uma imagem tirada de Isaías 11.4, retrata um guerreiro derrotando os seus inim igos em batalha e proferindo a sua sentença de juízo sobre eles. A frase “O seu rosto era com o o sol, quando na sua força resplandece” , remete à extraordinária natureza da glória de Cristo que ascendeu ao céu, a quem João teve o privilégio de testem unhar não só aqui, mas tam bém no m onte da transfiguração.

Mensagens às Sete Igrejas (caps. 2—3) D ois temas reaparecem nas mensagens de Jesus às igrejas: advertência e incentivo. O s capítulos 2 e 3 avisam sobre ajustes n e­ cessários na vida em vista do futuro derra­ m am ento da ira de Deus. C ad a carta segue aproxim adam ente o m esmo padrão: (1) o destinatário, (2) atri­ butos de Cristo, (3) o conhecim ento de C risto sobre o povo, (4) o estado da igreja, (5) um a prom essa da vinda de Cristo, (6) um m andam ento universal para ouvir, e (7) uma prom essa para o vencedor. A s úl­ timas quatro m ensagens revertem a ordem das partes (6) e (7). Efeso, a igreja da ortodoxia sem amor (2 .1 -7 ). C risto elogia a igreja de Efeso p ela defesa que fazia da doutrina ortodo­ xa, mas a repreende por ter deixado o seu prim eiro amor.

Esmirna, a igreja do martírio (2.8-11). A mensagem para Esmirna é a única das sete que não contém nenhuma promessa da vin­ da de Cristo. Esta era uma igreja perseguida, e a Palavra de Deus para ela foi: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Pérgamo, a igreja de tolerância indiscri­ minada (2 .1 2 -1 7 ). C risto elogiou a igreja em Pérgamo por reter o seu nome e não negar a fé, mas expressou desprazer com a tolerância da igreja para com aqueles que defendiam o falso ensino. Ele ordenou-lhes que se arrependessem da tolerância indis­ criminada, ou enfrentariam as conseqüên­ cias do seu juízo. T iatira, a igreja da transigência (2.1829). Cristo considerou as ações, o amor, a fé, o serviço, e a perseverança desta igre­ ja, dignos de elogio. Ele tam bém elogiou o crescim ento das suas boas ações. M as o Senhor possuía sérias queixas contra a to­ lerância para com uma falsa profetisa que ensinava os seus seguidores a com eterem a imoralidade, e a comerem coisas sacrifica­ das aos ídolos. Sardes, a igreja da complacência (3.1-6). Sardes era uma igreja com uma confissão falsa. Cristo disse: “Tens nom e de que vives e estás m orto”. Eles eram com placentes e estavam prestes a morrer. Precisavam des­ pertar e arrepender-se. Esta falha da igreja resultaria no juízo im inente de Cristo. Filadélfia, a igreja da promessa de livra­ mento (3 .7 -1 3 ). C risto não tin h a nad a de n egativo a dizer sobre a igreja em F ila­ délfia, assim com o n ão tin h a nenhum a crítica para a igreja em Esm irna. C om o um a recom pensa p ela fidelidade desta igreja, o S en h or prom eteu aos fiéis que eles seriam guardados (gr.: ek, “fora” ) da im inente h ora da te n tação que h averia de vir sobre todo o m undo com o parte da sua segunda vinda. Laodicéia, a igreja morna (3 .1 4 -2 2 ). A acusação de C risto contra esta igreja foi


A p o c a l ip s e , L iv r o d e a de não ser nem fria nem quente, uma condição que Ele considerou nauseante. C risto exortou-os a se converterem a Ele, a resolverem as suas sérias deficiências es­ pirituais, arrependendo-se em resposta à sua reprovação e restaurando a com unhão com Ele.

Eventos na Terra durante e após a Tribu­ lação (caps. 4 —22) Jesus dedica a maior parte desta reve­ lação a descrever os juízos que sobrevirão a um mundo não arrependido, em razão de sua rebelião contra Deus. João foi convidado a subir ao céu em uma cena que faz lembrar o arrebatamento (4.1). A li o profeta encon­ tra, sentado em seu trono, o Pai, o Cordeiro de Deus, e um livro com sete selos.

Juízos dos Selos João vê a abertura dos quatro prim ei­ ros selos (6.1-8) retratada com o um drama diante dos seus olhos. Primeiro, vieram cavalos de cores diferentes com cavalei­ ros, representando conquistas pacíficas do mundo, guerra e derram am ento de sangue, fome dissem inada, e a morte de um quarto da população da terra. Então, com a abertura do quinto selo (6.9-11), João testem unha, no céu, os san­ tos martirizados rogando a Deus para vin ­ gar o seu sangue, castigando o povo respon­ sável pelas suas mortes. A s súplicas destes santos desem penharão um papel significa­ tivo nos juízos de Deus contra o mundo re­ belde na Grande Tribulação. Em seguida, o sexto selo revela várias perturbações cósm icas e terrestres que sina­ lizam inequivocam ente para os moradores da terra que os juízos dos selos deram início à ira predita de Deus contra a hum anidade rebelde (6.12-17). Em seu Serm ão do M on­ te, Jesus tam bém predisse tais perturbações ao falar de futuros terremotos e sinais cós­ micos (M t 24-7; M c 13.8; L c 21.11).

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O Sétimo Selo e as Seis Primeiras Trombetas A abertura do sétimo selo (8.1) resul­ ta no toque de sete trombetas (8.7-11.15), sete juízos físicos mais severos do que os seis primeiros selos. A primeira trombeta prediz a queim a de um terço da vegetação da terra, um juízo sem elhante à punição aos egípcios nos dias de M oisés (Ex 9.25), O toque da segunda trombeta traz uma visão da destruição de um terço da vida m a­ rinha. A terceira trombeta sinaliza um ob­ jeto caindo do céu que envenena um terço da água fresca da terra. A quarta trombeta traz o escurecimento de um terço dos corpos celestes — o sol, a lua, e as estrelas. Neste ponto na série de trombetas, uma águia vo­ ando no meio do céu traz um tríplice “ai” para os moradores da terra, um aviso de au­ mento na severidade do juízo das três trom­ betas restantes. A quinta trombeta introduz uma praga de gafanhotos demoníacos que infligem dor. A sexta traz morte a um terço dos moradores da terra por meio de uma outra visita demo­ níaca. U m a ordem do céu encarrega o sexto anjo de soltar os quatro anjos presos no rio Eufrates. Quando este sexto anjo atende à ordem, João vê cavalos cujos cavaleiros têm couraças de fogo, de jacinto, e de enxofre. Estas pragas matam um terço de todos os seres humanos. A inda assim, os homens se recusam a arrepender-se em meio às pragas por que sofrem tão severamente.

Um Interlúdio e a Sétima Trombeta João fornece informações adicionais em 10.1— 11.14. Esta seção tam bém serve com o uma introdução à sétim a trom be­ ta. A prim eira parte da preparação para a últim a trombeta é o anúncio de que “não haveria mais demora” , no capítulo 10. Ele liga o cumprimento do mistério de Deus ao toque da sétim a trom beta (10.7). A segunda parte da preparação é a m edida do Tem plo de Jerusalém e de seus


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adoradores (11.1-14). O s adoradores serão um rem anescente piedoso em Israel que adorará a Deus no Tem plo reconstruído; alguns se converterão à fé em C risto atra­ vés do m inistério das duas testem unhas descritas em 11.3-12. Estas serão ativas em Jerusalém durante os 42 meses finais (1 1 .2) ou 1260 dias (11.3) antes da volta de C risto. A m bas as testem unhas — pro­ vavelm ente M oisés e Elias — enfrentam a ira da Besta do abism o e por fim sofrem o m artírio, mas a ressurreição visível de am ­ bos resulta em um grande reavivam ento n a cidade (11.13). C om o toque da sétim a trombeta vêm dois cânticos celestiais. Estes cânticos an­ tecipam um tem po na conclusão de uma série de trombetas, no qual Deus terá assu­ mido um papel ativo sobre o mundo.

A P rep aração p a r a a s Sete T aç as A ntes de descrever as taças propriamen­ te ditas, João tem visões que preparam o cam inho para elas (12.1— 14-20). Primeiro, ele tem uma visão da mulher, um filho, e um dragão (cap. 12). O dragão — posteriormen­ te identificado como Satanás — está cheio de ódio contra o menino, o Messias. A mulher é um sím bolo em conjunto do Israel étnico, que deu à luz ao Messias. O rem anescente fiel da nação recebe pro­ teção contra o furioso ataque do dragão du­ rante a segunda metade do período da Tri­ bulação. M iguel e os seus anjos expulsam o dragão do céu, e o dragão m anifesta a sua ira contra o rem anescente fiel. A cena seguinte em preparação às sete taças leva João a um a praia onde ele vê “subir do mar uma besta”. A cena retrata o caráter do dragão e algumas façanhas da Besta (13.1 -10). O dragão deu à Besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade, de forma que as atividades da Besta são sim ­ plesm ente uma continuação da tentativa do dragão de ferir o restante dos filhos da

mulher m encionada no capítulo anterior. Esta Besta é obviam ente o A nticristo. João então vê uma outra besta subin­ do da terra cuja tarefa é apoiar a prim ei­ ra Besta (13.11-18). Esta segunda besta é o assistente religioso da primeira, o qual é o último falso C risto. O papel da segunda besta é capturar todas as religiões organi­ zadas do mundo e colocá-las a serviço da primeira Besta. M ais tarde, a segunda besta é identificada com o o Falso Profeta. A porção seguinte na preparação para a descrição de João das sete taças vem como quatro anúncios clim áticos (14.6-18). O primeiro é feito por um anjo proclam ando o evangelho eterno, dizendo aos moradores da terra para que tem am a Deus e dêem-lhe glória, a fim de escaparem da hora do seu juízo, que é chegado. O segundo anúncio fala da queda da Grande Babilônia como castigo pelas suas excessivas expressões de infidelidade a Deus. O terceiro anúncio descreve o torm ento eterno daqueles que escolhem adorar a Besta em vez de adorar a Deus e seu Filho, Jesus. O quarto anúncio pronuncia bênçãos sobre aqueles que per­ m anecerem fiéis ao Senhor. A s Sete T aç as N este ponto, João encontra sete novos anjos cuja responsabilidade é distribuir os sete juízos das taças, tam bém conhecidos com o as sete últimas pragas (15.1). A p o ­ calipse 15 é uma espécie de interlúdio ce­ lestial para introduzir o derramamento das sete taças da ira divina em A pocalipse 16. Os sete anjos são enviados em sua missão de infligir a desgraça. Eles derramam as taças em uma rápida seqüência. A s seis primeiras infligem chagas feias e dolorosas, trazendo morte a toda a vida marinha, transforman­ do toda a água fresca em sangue, queimando todas as pessoas pela intensidade do sol, es­ curecendo o reino da Besta e preparando a condenação dos reis da terra (16.17-21).


A p o c a l ip t is m o João observou sete cenas que continu­ am a descrever o conteúdo da sétim a taça: (1) a segunda vinda de Cristo (1 9 .1 1 Ί 6 ), (2) a morte dos adversários hum anos de C risto (19.17-21), (3) a prisão de Satan ás (20.1-3), (4) o reino m ilenial (20.4-10), (5) a soltura de Satan ás e a sua derrota fi­ nal (20.4-10), (6) o Grande Trono Branco (20.11-15), e (7) a introdução da N o v a Je ­ rusalém (21.1-8). U m a descrição detalhada da N o va Jerusalém se segue (21.9-22.5). A profecia de João, então, descreve o fu­ turo reino milenial na terra, a primeira prisão de Satanás, e o seu lançamento no lago de fogo. O esboço da N ova Jerusalém apresenta um quadro positivo de existência na cidade, mas ele também reflete o juízo de Deus con­ tra os infiéis, mencionando a exclusão deles desta cidade (veja 21.8,27; 22.15).

Epílogo (Capítulo 22) A pocalipse term ina com um epílogo (22.6-21) que enfatiza três características que se mostraram proem inentes no livro. A s três ênfases constituem uma confirma­ ção da autenticidade da profecia (22.69,16,18-19), a im inência da volta de Jesus Cristo (22.6-7,10,12,20), eu m convite para entrar na N o v a Jerusalém (22.11,14,17).

— Robert L. Thomas BIBLIOGRAFIA Hindson, Ed. The Book of Revelation. Chatta­ nooga: A M G Publishing, 2002. LaHaye, Tim. Revelation Unvailed. Grand Rapi­ ds: Zondervan, 1 999. Thom as, Robert L. Revelation 1— 7: A n Exegetical Commentary. Chicago: M o o d y Press, 1992. ------. Revelation 8— 22: A n Exegetical C o m m e n ­ tary. Chicago: M o o d y Press, 1995. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1966.

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APOCALIPTISMO Aqueles que interpretam a Bíblia segundo um ponto de vista dispensacionalista, geral­ mente, classificam diversos livros proféticos — como Ezequiel, Daniel e A pocalipse — como “literatura apocalíptica”. C om isso, estes intérpretes querem dizer que tais livros revelam, ou manifestam, os planos profé­ ticos de Deus. A palavra grega apokalypsis apenas significa “manifestar” ou “revelar”.

UM N0V0 SIGNIFICADO Alguns intérpretes mais recentes, contu­ do, começaram a atribuir um novo significa­ do a esta palavra. A o utilizarem a expressão “literatura apocalíptica”, eles eqüivalem os livros de Ezequiel, Daniel e Apocalipse a uma miríade de obras extrabíblicas e não ca­ nônicas, surgidas desde o período intertestamentário até o século II. Dentre elas, temos Enoque, o Apocalipse de Baruque, Jubileus, a Assunção de Moisés, Salmos de Salomão, o Testamento dos Doze Patriarcas e os O rá­ culos Sibilinos. Estes escritos possuem um conjunto de características em comum. E possível citar os seguintes: ampla utilização de simbolismos; visões como principal meio de revelação; a presença de anjos atuando como guias; atividades de anjos e demônios; enfoque no fim da presente era e no princípio da era vindoura; ansiosa expectativa pelo fim do mundo em um futuro imediato; o fim dos tempos na forma de uma catástrofe cósmica; uma nova salvação e o paraíso; a manifesta­ ção do reino de Deus; um mediador com atri­ butos reais; dualismo entre Deus e Satanás; o plano espiritual determinando o fluxo da história; pessimismo quanto à capacidade do homem de mudar o curso dos acontecimen­ tos; periodização e determinismo na história humana; peregrinações e uma disputa final entre o bem e o mal (Gregg, pp.10-12; Mur­ phy, pp.130-133).


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Ezequiel, D aniel e A pocalipse contêm algumas destas características, principal­ m ente o últim o, que foi escrito quase si­ m ultaneam ente com os escritos apocalíp­ ticos não canônicos. N o entanto, colocar o A pocalipse na m esma categoria dos escritos apocalípticos não canônicos m ina a inter­ pretação dispensacionalista tradicional do livro e perverte os princípios herm enêuti­ cos nele utilizados.

A LINGUAGEM DA LITERATURA APOCALÍPTICA A abordagem literal que se utiliza na interpretação das Escrituras, por exemplo, é difícil de ser utilizada com os escritos apocalípticos não canônicos. G regg (p. 11) sustenta que, apesar de a interpretação literal ser um bom princípio a ser seguido com outros textos bíblicos (a não ser quan­ do produz conclusões absurdas), ela não funciona com a literatura apocalíptica, em que o literalismo é exceção e o simbolismo, regra. Tais escritos não podem ser interpre­ tados de forma literal, pois retratam adversidades e m om entos de crise (Collins, p. 38). Para destacar a gravidade da situação, o apocaliptista utilizava expressões exa­ geradas. Veja a seguinte afirmação: “Meu m undo chegou ao fim, pois m inha nam o­ rada terminou nosso rom ance”. Ê claro que o m undo não está literalm ente acabado. A linguagem enfática serve, mais exata­ mente, para transmitir a relevância de um acontecim ento pessoal. Se esta m esma m e­ todologia foi utilizada em A pocalipse por João, as descrições de catástrofes, com o a destruição de m etade da população m un­ dial (A p 6.8; 9.15) ou o m aior terrem oto da história hum ana (A p 16.18), não d e­ vem ser interpretados de form a literal. Em vez disso, eles seriam, de m aneira sem e­ lhante, um a form a enfática de se relatar algum episódio experim entado pelo povo de Deus no passado, com o a opressão im ­

posta por R om a a Jerusalém . Interpretar o A pocalipse de form a tão radical abre a possibilidade de que Jo ão tenha sim ples­ m ente descrito, com expressões globais, um fenôm eno histórico local. Esta m en­ talidade perm ite o surgim ento de tendên­ cias com o o historicism o e o preterism o. A lém disso, os apocaliptistas even­ tualm ente lançavam mão da linguagem alegórica a fim de disfarçar a entidade que os oprimia. A o prever a destruição cata­ clísm ica do inimigo, eles procuravam dar esperanças ao povo oprimido de Deus. N ão eram, contudo, livres para identificar seus opressores, devido ao medo de retaliação. Por esse m otivo, disfarçavam sua m ensa­ gem com alegorias. Por vezes, os escritos apocalípticos utilizavam, por exem plo, a Babilônia para representar R om a (O rácu­ los Sibilinos, v. 143, 159-60, 434)· Se este foi o cam inho seguido por João, ele também não se referia à Babilônia ao m encioná-la. Estava, em vez disso, usando a palavra “B a­ bilônia” com o um disfarce sim bólico para identificar o opressor. Ele poderia ter em m ente Jerusalém ou Rom a. Polivalência é um a outra característica herm enêutica da literatura apocalíptica. O exílio dos judeus na Babilônia provi­ denciou um paradigm a para as tribulações posteriores, e os apocalipses judaicos, em vez de focarem circunstâncias históricas específicas, enfatizavam padrões repetiti­ vos (C ollins, p.51). Se João aplicou a po­ livalência apocalíptica ao A pocalipse, é possível que os eventos descritos no livro não sejam consecutivos, mas ocorram re­ petidam ente ao longo da história. Algum as pessoas, por exemplo, defendem que “B abi­ lônia” não se refere apenas a um reino no futuro, mas tam bém à Jerusalém histórica. Sem elhantem ente, seguindo esta linha de pensam ento, a Besta de A pocalipse 13 poderia se referir tanto a N ero com o a um futuro A nticristo.


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LITERAL OU ALEGÓRICO? Classificar o A pocalipse como apocalíp­ tico também influencia o modo de se inter­ pretar seus números. Outras literaturas apo­ calípticas, em geral, utilizam números para comunicar conceitos, e não a contagem do que quer que seja. Por esse motivo, classifi­ car o A pocalipse como literatura apocalípti­ ca afasta o intérprete de uma interpretação literal dos números contidos no livro, em direção a uma compreensão simbólica. M ui­ tas pessoas concluem que o número “ 1000”, m encionado por seis vezes em A pocalipse 20, indica um período de tempo mais ex­ tenso, e não mil anos literais. Outros de­ monstram relutância semelhante em aceitar o número “ 144-000” literalmente (A p 7). Outros, ainda, questionam uma interpreta­ ção literal das medidas da cidade eterna, que é descrita em Apocalipse 21— 22. M uitos estudiosos futuristas acred i­ tam que diversos núm eros encontrados em A p o calip se, com o “ 1260 d ias” (A p 12.6) ou “42 m eses” (A p 11.2; 13.5), são referências diretas a pon tos ain d a não concretizados da p rofecia das seten ta se­ m anas de D an iel (D n 9.2 4 -2 7 ). O s p ri­ m eiros 483 anos (69 “setes” ) desta profe­ cia foram cum pridos ao pé d a letra, o que nos leva a con cluir que os pontos ainda não cum pridos seguirão o m esm o cam i­ nho. A ssim , valores com o “ 1260 d ias” e “42 m eses” n ão servem apenas para tran s­ m itir con ceitos, mas são efetivam ente grandezas num éricas. O A p o calip se não apresenta num erais evidentem ente sim ­ bólicos. N a verdade, a regra é a utilização de núm eros sem valor sim bólico.

SEMELHANÇAS E DISCREPÂNCIAS A brir tal precedente hermenêutico — classificar o A pocalipse como um livro apocalíptico — é improcedente. U m exame mais detalhado demonstra que as diferen­ ças entre o A pocalipse e os escritos apoca­

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lípticos suplantam amplamente quaisquer semelhanças. A pesar de os escritos apoca­ lípticos serem, por exemplo, geralmente assinados com pseudônimos, o A pocalipse traz o nome do seu autor (A p 1.1,4,9; 22.8). A lém do mais, o A pocalipse não transmite o mesmo pessimismo dos apocaliptistas, que demonstravam ter perdido toda a esperança na história humana. Pelo contrário, ele re­ flete o otimismo de Deus operando a reden­ ção através do Cordeiro, tanto no presente como no futuro, A literatura apocalíptica não contém nenhum material epistolar, en­ quanto que, em A pocalipse 2— 3, achamos sete epístolas eclesiásticas. Tam bém não observam os im perativos m orais sendo enfatizados na literatura apocalíptica. Em bora seja possível en ­ contrar um a ou outra exceção a esta regra (1 Enoque 9 1 .1 9 ), os apocaliptistas não são geralm ente m otivados por um forte sentim ento de urgência m oral, em razão de acreditarem ser parte do rem anescen­ te fiel. Eles escreviam para encorajar este rem anescente a resistir, perm anecer fiel e m anter a esperança, não para persuadir as pessoas a se afastarem do pecado. O A p o ­ calipse, por outro lado, lança m ão de im ­ perativos m orais. A s exortações de C risto às sete igrejas (A p 2.5,16,21,22; 3.3,19) ressaltam a necessidade hum ana de arre­ pendim ento e podem os encontrar exorta­ ções ao arrependim ento por todo o livro (A p 9.20-21; 16.9,11). Adem ais, a vinda do M essias na litera­ tura apocalíptica ocorre exclusivam ente no futuro. O A pocalipse afirma que Cristo já veio e estabeleceu as bases de sua segunda vinda através de sua morte redentora. Por fim, o A pocalipse m enciona diversas vezes ser um a profecia (A p 1.3; 22.7,10,18,19). A liás, ele em prega por dezoito vezes o ter­ mo prophêtês ou cognatos. A seguinte tabe­ la, produzida por Robert Thom as, resume estas diferenças entre A pocalipse e a lite­


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ratura apocalíptica (Thom as: Evangelical Hermeneutics, p. 338):

Escrita com pseudônimo

Sem utilizaçao de pseudônimo

Pessimista em relação

N ão pessimista em

ao presente

relação ao presente

Sem estrutura epistolar

Estrutura epistolar

Poucas admoestações de ordem moral

Muitas admoestações de ordem moral

A vinda do Messias é exclusivamente futura

O passado é a base da futura vinda Messias

N ão proclama ser uma profecia

Proclama ser uma profecia

Podemos observar mais algumas diferenças. A literatura apocalíptica, por exemplo, vê o sofrimento de forma diferente da veri­ ficada no Apocalipse. N os escritos apocalíp­ ticos, o sofrimento é uma deplorável con­ seqüência do conflito entre o bem e o mal, É algo ruim e deve ser evitado. N o A poca­ lipse, porém, o sofrimento vem diretamente das mãos de Deus (A p 5.5) e, portanto, às vezes, pode ser bom, de forma que devemos nos submeter a ele. Com o se não bastasse, a literatura apocalíptica é uma pseudoprofecia, ou vaticinia ex eventu, que significa “profecias que vêm após o fato”. Em outras palavras, os apocaliptistas, via de regra, re­ tratam um fato histórico como uma profe­ cia. O mesmo não acontece em Apocalipse, em que João vê o futuro a partir de seus dias (Morris, p. 94). O livro de A pocalipse está imerso em um clima de premêncía contida, na medida em que João atenta tanto para a necessidade de sua própria época como para a de um futuro distante. Tal tensão não é observada n a literatura apocalíptica (ibid.).

PROFÉTICO OU APOCALÍPTICO? O forte vínculo de A pocalipse com D a­ niel e Ezequiel tam bém lança dúvidas so­

bre se o livro deveria ser classificado como apocalíptico. Ezequiel e D aniel profetiza­ ram quatrocentos anos antes de a literatura apocalíptica se tornar predom inante no período intertestam entário. A lém disso, A pocalipse 12.1 utiliza a m esma im agística de G ênesis 37.9-10, que surgiu no período patriarcal, quase 1800 anos antes de o apo­ caliptism o com eçar a florescer. Por fim, al­ guns escritos apocalípticos não conseguem apresentar uma estrutura escatológica pre­ cisa (C ollins, p. 56). Diferentem ente, m ui­ tos concordam que o texto de A pocalipse 6— 19, que é condensado e se concentra em um período de sete anos, apresenta uma estrutura escatológica clara. A pocalipse 20— 22 tam bém parece apresentar um a su­ cessão cronológica de eventos. A pesar de o A pocalipse possuir uma série de afinidades com a literatura apoca­ líptica, é difícil classificá-lo com o apocalíp­ tico, pois as diferenças parecem suplantar as similaridades. N a verdade, “profético” é um a classificação mais precisa que “apoca­ líptico”. Tal classificação seria mais fiel às diversas afirmações do livro, de que o texto é uma profecia. Isto tam bém consideraria o fato de que o A pocalipse é sem elhante ao estilo exibido pelos profetas do AT, que não apenas exortavam o povo de Deus ao arrependimento, mas tam bém consolavam , anunciando visões de vitória em um futuro distante (Is 40-66; Ez 36-48; A m 9.11-15). O A pocalipse se encaixa nesta descrição, não apenas por continuam ente cham ar as sete igrejas ao arrependimento (A p 1— 3), mas tam bém por transmitir-lhes uma profe­ cia acerca da futura vitória final do crente (A p 4— 22). Classificar o A pocalipse como um livro profético tam bém o relaciona ao livro de Daniel, a que ele alude mais do que a qualquer outro livro do AT. A té mesmo Jesus se referiu especificamente a Daniel com o um profeta (M t 24.15). C onsideran­ do que o conteúdo de A pocalipse está in-


A p o c a l ip t is m o tensam ente relacionado a Daniel, é natural que o m aterial encontrado em A pocalipse tam bém seja classificado com o profético. A palavra grega apolmlypsis, que aparece no primeiro versículo do livro, não o impede de ser qualificado com o um livro profético. Esta palavra apenas significa “revelação”, e não possui o significado que os estudiosos de hoje atribuem ao termo “apocalíptico”. C onsiderar o A pocalipse como um livro profético, em vez de apocalíptico, muda significativam ente o quadro herm e­ nêutico. Sendo profético, devemos tratá-lo tal qual tratamos qualquer outra profecia. Devem os utilizar a mesma m etodologia histórica, gram atical e literal de que nor­ m alm ente lançam os mão para interpretar as Escrituras. N ão é necessário estabelecer um novo conjunto de princípios de her­ m enêutica para interpretar corretamente o livro do A pocalipse (Thom as: Revelation 1— 7, p. 38). O s cam inhos de herm enêu­ tica já descritos, associados ao apocaliptismo, não são válidos se o livro for profético e não apocalíptico. O intérprete, pelo con­ trário, fica restrito ao literalismo, que pode ser definido com o atribuir a cada palavra o mesmo significado que esta teria em seu uso normal.

A INTERPRETAÇÃO LITERAL A aplicação coerente de uma aborda­ gem literal ao texto de A pocalipse, como não podia deixar de ser, impede que o in­ térprete considere seu conteúdo com o cum ­ prido no passado, levando a um a interpre­ tação futurista (Tenney, pp. 139, 142). H á uma relação entre literalismo e futurismo, pois o entendim ento corrente das palavras e expressões presentes no A pocalipse torna impossível argumentar que os fatos ali nar­ rados já se cumpriram. O bviam ente, a des­ truição de parte da população m undial (A p 6.8; 9.15) e o m aior terremoto da história hum ana (A p 16.18) jam ais aconteceram .

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Em uma abordagem literal, o intérprete considera a acepção regular de cada palavra, até deparar-se com um sinal claro de que o texto enveredou pelo sentido simbólico ou alegórico. C om o o intérprete reconhece quando tal linguagem está sendo utilizada? Existem alguns sinais claros no próprio tex­ to, como em A pocalipse 11.8, onde vemos que Jerusalém, “espiritualmente, se cham a Sodom a e Egito”. Aqui, o advérbio “espiri­ tualmente” se destina a chamar a atenção do leitor para um sentido espiritual ou ale­ górico. Outra dica envolve o uso da palavra “sinal” (sêmeion). A o usar esta palavra, João demonstra ao intérprete que está falando de forma sim bólica ou em linguagem figurada. Por exem plo, ele utiliza a palavra sêmeion na descrição da mulher em A pocalipse 12.1. Tal mulher é obviam ente sim bólica ou tipifica algum a outra coisa. O utra pis­ ta im plica o uso das palavras “sem elhante” (homoios) ou “com o” (hõs), quando João indica uma correlação entre o que ele viu em sua visão e o que tenta descrever. Em A pocalipse 8.8, por exem plo, lemos: “e foi lançada no mar uma coisa como um gran­ de m onte ardendo em fogo...” A palavra “com o” cham a a atenção do leitor para o fato de João, na descrição de sua visão, es­ tar apenas utilizando um a linguagem com ­ parativa. O monte, portanto, não deve ser interpretado de forma literal. Algum as das expressões figuradas uti­ lizadas em A pocalipse são idênticas às do AT. U m a vez que, em A pocalipse 13.2, o leopardo, o leão e o urso são utilizados para descrever nações, o intérprete entende que João está utilizando um a linguagem sim bó­ lica. O leopardo, o leão e o urso, portanto, representam nações tanto em A pocalipse 13 com o em D aniel 7. A lgum as vezes, a linguagem figurada inclui uma interpreta­ ção im ediatam ente em seu contexto. Se algum a coisa é interpretada para o leitor, então aquilo que foi interpretado é obvia­


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m ente um símbolo. A mulher retratada em A pocalipse 17 é claram ente sim bólica, pois ela é logo em seguida interpretada como sendo uma cidade (17.18). Por fim, p o ­ demos ainda com preender uma expressão com o sim bólica quando a interpretação li­ teral chega a conclusões absurdas. Se, por exem plo, a mulher em A pocalipse 12.1 es­ tivesse literalm ente vestida de sol, o calor a destruiria. A ssim , a linguagem utilizada deve ser a simbólica. A pós identificar uma linguagem como sim bólica ou figurada, como ela deve ser compreendida? Algum as vezes, o texto ime­ diatamente posterior interpreta a simbologia apresentada. A pocalipse 12.9, por exemplo, interpreta o dragão do versículo 3 com o sen­ do Satanás. John F. Walvoord, estudioso das profecias, identifica 26 passagens em A p o ­ calipse em que a simbologia é interpretada logo em seguida (Walvoord, pp. 29-39). U m outro método de interpretação é verificar se a mesma simbologia é utilizada em alguma

sem elha m ais ao gênero apocalíptico ou profético. Perceber o livro de A pocalipse com o apocalíptico abre inúmeras portas no cam po da herm enêutica, levando a te­ orias sobre códigos, textos com m últiplos sentidos, sim bologia num érica, enxer­ gando a linguagem global de A pocalipse com o de âm bito local. Por outro lado, aqueles que o consideram profético ad o­ tam um m étodo de interpretação literal, gram atical e histórica, considerando cada palavra em seu sentido com um, a menos que o texto indique claram ente o con trá­ rio. O livro de A pocalipse possui algum as afinidades com o apocaliptism o, mas tais sem elhanças são vastam ente sobrepujadas pelas diferenças existentes. O livro é m ui­ to m ais sem elhante à literatura profética. A ssim , as sem elhanças entre o A pocalipse e a literatura apocalíptica não são sufi­ cientes para que o intérprete prescinda do literalism o no estudo do livro.

outra parte do AT. O símbolo da mulher, uti­ lizado em A pocalipse 12.1 é também usado em Gênesis 37.9-11, na descrição de Israel. A mulher de A pocalipse 12, portanto, sim ­ boliza Israel. Esta é uma boa estratégia, pois 278 dos 404 versículos de A pocalipse fazem alusão ao AT. U m a última maneira de com ­ preender a linguagem simbólica de A po ca­ lipse é observar que João, ao utilizar palavras como “sem elhante” ou “com o”, está tentan­ do descrever eventos futuros muito além de sua capacidade lingüística. Em seu discurso, ele se utiliza de analogias. Em outras pala­ vras, a fim de relatar aquilo que vê, ele lança m ão de símiles e semelhanças, comparando coisas de seu próprio mundo com os eventos futuros que testemunha em sua visão. Em resumo, pode-se afirmar que a m ais im portante decisão que o intérpre­ te deve tomar, no que diz respeito ao tipo de herm enêutica que utilizará na análise de A pocalipse, é definir se o livro se as­

— Andy Woods BIBLIOGRAFIA Collins, John J. The Apocalyptic Im agination: A n Introduction to Jewish Apocalyptic Lite­ rature. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing Company, 1 998. Gregg, Steve, editor. Revelation: Four Views, A Parallel Commentary. Nashville: T h om as Nel­ son, 1 997. Moris, Leon. Apocalyptic. Grand Rapids: Eerd­ m ans Publishing Company, 1980. Murphy, FrederickJ. Early Judaism. Peabody, M as­ sachusetts: Hendrickson Publishers, 2002. Tenney, Merrill C. Interpreting Revelation. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Company, 1957. T h om as, Robert L. Revelation I — 7: A n Exegetical Com m entary. Chicago: M o o d y Press, 1992. ----- . Revelation 8— 22: A n Exegetical C om m en­ tary. Chicago: M o o d y Press, 1992.


A p o s t a s ia ------. Evangelical Hermeneutics: The New Ver­ sus the Old. Grand Rapids: Kregel, 2002. Walvoord, John F. The Revelation o f Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1966.

APOSTASIA A despeito das m elhores in tenções e dos m elhores desejos daqueles que confiam em Jesus com o o Salvador, um grande ab an d on o da verdade ocorrerá um dia. O N T aborda com freqüência o assunto. Em 2 T essalon icen ses 2.3, Paulo ch am a este dia de “ap o stasia” . Em 1 T im óteo 2.3, ele claram en te afirma que “ alguns apostatarão da fé” . A s afirmações de Paulo sugerem que a grande apostasia terá lugar pouco tempo an­ tes do arrebatamento da Igreja (2 Ts 2.2,79; 2 T m 3.1). Paulo também escreveu que havia alguma forma de apostasia em sua própria geração. Tais “desvios” haveriam de continuar durante toda a história da Igreja, culminando nos últimos dias (2 Ts 2.7). Whitlock define apostasia como “delibe­ radamente abandonar e rejeitar a fé que um dia se professou” (Whittlok, p. 70). Ele obser­ va que a apostasia difere da heresia no ponto em que um herege, apesar de negar aspectos específicos da fé cristã, insiste em se declarar cristão. O apóstata é aquele que abandona e renega absolutamente o cristianismo. N o N T, tem os alguns exem plos de após­ tatas: Judas Iscariotes, Demas, H im eneu e A lexandre (2 C o 4.10; 1 T m 1.20). O imperador rom ano Julíano, “o A póstata” , professou o cristianism o e, algum tempo depois, renunciou à fé e tentou restabele­ cer o paganism o no Império Rom ano.

DEFININDO APOSTASIA Som ente 2 Tessalonicenses 2.3 utiliza a palavra grega apostasia em seu sentido teo­

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lógico com relação à Igreja. Paulo escreve: “Ninguém , de maneira alguma, vos engane, porque não será assim [o D ia do Senhor] sem que antes venha a apostasia”. Pouco antes, no N T, os crentes judeus de Jerusalém haviam acusado Paulo de ensinar “todos os judeus que estão entre os gentios a aparta­ rem-se [apostasia] de M oisés” (A t 21.21). Podemos obter uma melhor compreensão da palavra a partir de um termo correlato, apostasion, que é traduzido por “divórcio” nos Evangelhos (M t 5.31; 19.7; M c 10.4). W alter Bauer define apostasia como “rebelião, deserção” (Bauer, p. 98). Liddell e Robert S co tt sugerem o seguinte signifi­ cado: “desviar-se, ficar contra, separar-se, abandonar” (Liddell e Scott, pp. 218-219). Charles Ryrie afirma que se trata de “um distanciam ento da verdade anteriormente aceita, envolvendo a ruptura de um rela­ cionam ento confesso com Deus. A apos­ tasia sempre im plica abandonar delibera­ dam ente um a verdade conhecida, a fim de adotar o erro” (Ryrie, p. 140). Q uanto à etim ologia, a palavra é uma com binação da preposição grega apo (“dis­ tante de” ) e do substantivo stasis (“posi­ ção” ). Seu sentido literal é “afastar-se” ou “apartar-se” de um a posição assumida.

ADVERTÊNCIA CONTRA A APOSTASIA QUE ESTÁ POR VIR Em 2 Tessalonicenses 2.1-12, Paulo descreve as ações de Satan ás e do A n ti­ cristo no m eio do período de tribulação de sete anos. “Segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de m entira” (v. 9), o “hom em do pecado” re­ velará quem realm ente é e “se assentará, com o Deus, no tem plo de Deus, querendo parecer D eus” (vv. 3-4). O apóstolo Paulo, contudo, avisa os crentes de Tessalônica para não se pertur­ barem, pois o D ia do Senhor, a tribulação, ainda não veio (v. 2). A ntes deste dia, há


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A p o st a sia

de ocorrer o “afastam ento” [apostasia] (v. 3). Paulo diz aos tessalonicenses que, bem antes de o A nticristo agir na direção da Tribulação, eles veriam um a “apostasia”. A Igreja fiel será tom ada pela cegueira espiritual — a m esm a cegueira que uma vez tur­ vou os sentidos bíblicos e morais daqueles que rejeitaram a Cristo. N o s últim os instantes da dispensação da Igreja, m uitos daqueles que confessam a verdade da Bíblia e afirmam ter um relacionam ento com Deus estarão simplesmente fingindo, ou seja, vivendo uma mentira. A apostasia será intensa nos últimos dias an­ tes do arrebatamento. Os apóstolos João, Pedro e Paulo falam da apostasia que já existia em seus dias e continuaria até o final dos tempos. Falam sobre uma apostasia existente tanto no presente com o no futuro da Igreja. Ryrie observa: “A apostasia é algo que assola a igreja em todas as gerações; mas ao fim da era da igreja, antes do D ia do Senhor, virá a grande apostasia” (Ryrie, 140). Em 1 Tim óteo 4.1-3, Paulo escreve que o Espírito expressam ente diz que, nos últim os tempos, alguns abandonarão a fé. A palavra “abandonarão” vem do verbo grego ephistemi, que pode ser traduzido por “desprezarão”. Tais pessoas não são fiéis a Cristo. Paulo acrescenta que eles “ [darão] ouvidos a espíritos enganadores e a doutri­ nas de dem ônios”. A consciência de cada um deles estará cauterizada. Em 2 Tim óteo 3.1-9, Paulo fala so ­ bre os “últim os dias” , em que sobrevirão tem pos difíceis. Ele escreve sobre h o ­ m ens am antes de si mesmo e do dinhei­ ro. C ham a-os de “avarentos, presunçosos, soberbos, blasfem os, desobedientes a pais e m ães, ingratos, profanos, sem afeto n a­ tural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem am or para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, m ais am igos dos deleites do que amigos

de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia d ela” (vv. 2-5). O apóstolo Pedro descreve falsos m es­ tres, que “[trarão] sobre si mesmos repen­ tina perdição”. Fala sobre a sensualidade desses hom ens e sobre com o difamarão o cam inho da verdade, explorando os cren­ tes com palavras falsas (2 Pe 2.1-3), João faz o alerta de que o “espírito do anticristo” está vindo, “e eis que está já no m undo”. Em A pocalipse, João fala sobre a apostasia que, já então, sufocava a Igreja. Fala sobre os nicolaítas (A p 2.15) e sobre a imoralidade de uma “Jezabel”, que esta­ va m inando a força espiritual das igrejas, com o aconteceu à Tiatira (2.20-23).

DEFENDENDO-SE CONTRA A APOSTASIA A epístola de Judas lida quase que e x ­ clusivam ente com o problem a da ap osta­ sia. Judas exorta os cristãos a defender a “fé que um a vez foi dada aos san tos” (v. 3) e a lutar contra a am eaça da apostasia. G eorge Lawlor com enta que Judas co n ­ clam a os crentes a “batalh ar” (Lawlor, pp. 42-44), indicando que isto im plica dispo­ sição para lutar por algo que o adversário deseja tomar. Judas define os apóstatas com o aqueles que transform am a graça de Deus em per­ m issão para im oralidades, negando o se­ nhorio de Jesus C risto (v. 4 ). Ele explica que a im oralidade é, m uitas vezes, a base da apostasia. O s apóstatas negam a fé por­ que não foram transform ados pela graça de Deus. Judas, então, lista diversos exemplos bí­ blicos de apostasia. C ita os anjos caídos, a multidão que saiu do Egito no êxodo e as populações de Sodom a e Gomorra. Em se­ guida, descreve o caráter e o com portam en­ to dos apóstatas. S ão “sonhadores” e difamadores (v. 8), vivendo em perversidade e repletos de ilusões. Desprezam a autoridade e blasfemam de Deus. Judas encerra sua epís­


A q u ele q u e D etém tola (vv. 20-25) lembrando os verdadeiros crentes de se edificarem na fé, orando no Es­ pírito. Exorta-os a se concentrarem no amor de Deus e na misericórdia de Cristo, sempre buscando ao m áxim o alcançar aqueles que estão a ponto de perecer.

RESISTINDO ATÉ 0 FIM CONTRA A APOSTASIA O N T é claro em seus alertas contra os perigos da apostasia em cada geração, mas, principalm ente, nos últim os dias antes do arrebatam ento da Igreja. O s apóstolos nos exortam a permanecermos na fé até que Jesus venha para nos buscar. O problema não está em práticas heterodoxas de menor im portância ou em preferências pessoais. A apostasia envolve o abandono espontâneo e o repúdio voluntário de Jesus Cristo e da fé cristã.

—Mal Couch e Ed Hindson BIBLIOGRAFIA Bauer, Walter. “A p o stasia”, em A Greek-English Lexicon o f the New Testament. Traduzido por Williams F. Arndt e F. W. Gingrich. Chicago: University o f Chicago Press, 1 979. Couch Mai. “The C o m in g A p o sta sy of the Chur­ ch", em The Fundam entals for the TwentyFirst Century. Grand Rapids: Kregel, 2000. Gunn, George e Flindson, Ed. “A p o sta sy ”, em The D ictionary o f Premillennial Theology. Grand Rapids: Kregel, 1996. Lawlor, George. The Epistle o f Jude. Philadel­ phia: Presbyterian and Reformed, 1976. Liddell, H. G. e Scott, Robert. A Greek-English Lexicon o f the New

Testament.

London:

Oxford University Press, 1990. Ryrie, Charles C. Dispensationalism . Chicago:

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AQUELE QUE DETÉM A o longo de toda a história da Igreja, as pessoas ofereceram várias sugestões para a identidade do personagem descrito em 2 Tessalonicenses 2.6-9. A lguns dos patriar­ cas da Igreja defendiam que se tratava do Império Rom ano, ou alguma outra forma de lei ou governo. Outras pessoas pensaram que ele poderia ser a influência lim itadora moral da própria Igreja. M uitos têm defen­ dido que o testem unho dos crentes detém o A nticristo. A lguns vêem até mesmo a obra de Satan ás com o uma form a de lim itação ao aparecim ento da personalidade m aligna conhecida com o o “hom em do pecado” ou “o filho da perdição” (v. 3).

DETERMINANDO A IDENTIDADE R om a O s dispensacionalistas apontam para o fato de que “aquele que detém ” deve ser um indivíduo inigualável e divino, capaz de reter a vinda do ser m aligno que exer­ cerá grande poder e autoridade sobre as religiões do mundo inteiro (v. 4)· Este ser m aligno certam ente seria o A nticristo que Paulo descreve em 2 Tessalonicenses 2.39. O Império Rom ano não se qualificaria para ser o que detém porque ele mesmo foi um terror sobre a terra. A lém disso, o A n ­ ticristo na verdade governará e controlará o Império Rom ano revivido, e o usará para estender a sua autoridade rebelde m undial­ mente. C om o Joh n F. W alvoord escreve: “O período da Tribulação é revelado como uma era de governo absoluto em que tudo que é social, religioso e econôm ico é orga­ nizado de m odo rígido” , pelo novo poder rom ano (W alvoord, p. 40).

M o o d y Press, 1995. Whitlock, L. G. “A p o sta sy ”, em Evangelical D ic­ tionary o f Theology. Grand Rapids: Baker Books, 1984.

A Igreja Q uan to à Igreja, G erald B. S tan to n diz: “A Igreja é, sob determ inado aspecto,


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A q u ele q u e D etém

um organism o im perfeito. A o se colocar d ian te de Deus, ela é certam ente perfeita, m as, experim entalm ente, dian te dos h om ens, nem sem pre é irrepreensível, ou seja, nem sem pre está distante da repreensão. Sem elh an te ao governo hum ano, a Igreja está sendo usada por Deus para obstruir a m an ifestação total do M alig ­ no nesta era presente, m as aquEle que efetivam en te o detém com certeza não é o crente em si, mas o que cap acita o crente — o Espírito S an to que h ab ita em cad a crente (Jo 16.7; 1 C o 6 .1 9 ). Longe da presença do precioso Espírito, nem a Igreja nem o governo teriam a habilidade de obstruir o program a e o poder de S a ta ­ n ás” (S ta n to n , p. 61).

PISTAS DO GREGO U m exam e minucioso da passagem de 2 Tessalonicenses 2 ajudará a responder a questão da identidade daquele que detém. Em 2.6 o texto grego é mais bem traduzido da seguinte forma: “e o que agora [o] con­ trola [ou o detém] vós sabeis, de forma que ele será revelado a seu próprio tem po”. O versículo 7 diz: “C om efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda som ente que seja afastado aquele que agora o detém ” (R A ). A palavra grega katecho é uma p a­ lavra com posta formada por kata (“para baixo” ) e echo (“ter”, ou “m anter” ). Disto vem o pensam ento “m anter para baixo ou reter”. Katecho pode ter o significado de “deter a ação, m anter sob controle, privar a liberdade física, com o algem ando ou pren­ dendo um crim inoso” . A quele que detém então está impedindo que o A nticristo se m anifeste até o seu tempo determinado, que seria durante ou exatam ente antes do início da Tribulação, N o versículo 6, to katechon é um particípio do presente neutro, traduzido com o “agora, sabeis o que o detém ”, em ­ bora no versículo 7 seja usado o particí­

pio do presente m asculino, ho katechon, devendo ser traduzido com o “aquele que agora o detém ” . Esta diferença gram atical certam ente excluiria a Igreja pelo fato de “igreja” ser um a palavra fem inina em gre­ go. A lgu n s pensam que o gênero neutro no versículo 6 refere-se ao Im pério R o ­ m ano, e que o m asculino no versículo 7 esteja relacionado ao im perador rom ano. M as este ponto de vista não é plausível. A palavra “espírito” (pneum a) está no gêne­ ro neutro, mas quando se refere ao Espíri­ to San to , o N T usa o pronom e m asculino. João 14.26 cham a o Espírito, a quem o Pai enviará em nom e de Jesus, de paraclete (alguém cham ado para ficar ao lado, o conselheiro). Paraclete é um substantivo m asculino, mas Espírito é um substantivo neutro. “A m udança intencional na gra­ m ática enfatiza a personalidade do Espí­ rito San to . N ão haveria nenhum m otivo para m udar do neutro para o m asculino, a m enos que o Espírito fosse entendido com o um a pessoa” (Enns, p. 249).

AS EVIDÊNCIAS DAS ESCRITURAS O ponto m ostrado na passagem de 2 Tessalonicenses 2 parece claro. O homem do pecado, o A nticristo, não pode se m ani­ festar até que este poder que o detém seja retirado. Pela providência divina, e por todas as evidências das Escrituras, o Espí­ rito S an to caracteristicam ente detém e re­ siste contra o pecado (G n 6.3). O Espírito atualm ente perm anece no mundo de um modo especial nesta era, através da Igre­ ja. A dificuldade em ver aquele que detém com o sendo o Espírito San to é um outro sinal do entendim ento inadequado da dou­ trina do Espírito San to em geral, e da sua obra em relação aos maiores m ovim entos providenciais de Deus na história hum ana (veja W alvoord, pp. 44-45). U m a objeção a citar o Espírito Santo com o “aquele que o detém ” está relaciona­


A r c a d a A l ia n ç a da com a frase no final de 2 Tessalonicenses 2.7 — “até que do meio seja tirado”. Muitos alegam que tirar ou remover o Espíri­ to de Deus parece ser um a interpretação incôm oda. Mas é isto que a passagem está dizendo? A palavra grega traduzida como “tirado” é genetai, e é um subjuntivo aorista m édio de ginom ai, um verbo depoente. Tais verbos aparecem no m eio ou na forma passiva, mas ainda são traduzidos com o ati­ vos, significando que o sujeito (neste caso, aquele que detém) está fazendo a ação. “O verbo depoente não denota a rem oção por uma força externa, mas antes por um ato voluntário por parte daquele que detém ” (Hiebert, p. 207). E m elhor ler a expressão “S e ja tirado do m eio” , com o “sair do m eio” (Lenski, p. 421). O Espírito San to sairá do meio; Ele não será tirado do meio. Q uando o Espírito se afastar, ou sair do meio, “ [...] será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e pro­ dígios de m entira” (vv. 8-9). O A nticristo perm anecerá ativo durante os sete anos de Tribulação; mas, na segunda vinda de C ris­ to, ele será m orto e lançado no lago de fogo (A p 19.20). Conhecido com o “a besta” em A pocalipse, o A nticristo, que exigiu que os seus seguidores recebessem “o sinal”, será atorm entado noite e dia com aqueles que adoraram a ele e a sua imagem (14.9-11). Embora provavelm ente seja correto d i­ zer que aquele que detém sai de cena no m om ento do arrebatam ento da Igreja, para que “a seu tem po [o Anticristo] seja m ani­ festado” (2 Ts 2.6), o Espírito Santo ainda continuará a obra de levar as pessoas à sal­ vação. Enquanto a Igreja estiver aqui, Ele estará ativo, e o seu poder estará operando na vida dos crentes.

— Mal Couch

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BIBLIOGRAFIA Couch, Mal, gen. ed. Dictionary of Premillennial Theology. Grand Rapids: Kregel, 1996. ------. The Hope of Christ's Return. Chattanooga: A M G Publishers, 2001. Enns, Paul. The M o o d y H and book of Theology. Chicago: M o o d y Press, 1989. Hiebert, D. E. 1 & 2 T h essalon ian s of St. Paul's Epistles to the Thessalonians. Minneapolis: A u gsb u rg Publishing House, 1966. Stanton, G. B. Kept from the Hour. Miam i Sprin­ gs, FL:Schoettle Publishing, 1991. Walvoord, John F. The Picture Question. Grand Rapids: Zondervan, 1979.

ARCA DA ALIANÇA A A rca da A liança (hb. ‘aron há-brit) era o objeto religioso mais sagrado de Israel. Foi projetada para guardar as tábuas originais da Lei e era onde Deus manifestava sua glória shequiná. Tratava-se de um baú de madeira de acácia (hb. shittim) coberto por lâminas de ouro (Ex 25.10-11), com aproximadamente um metro de comprimento e 80 centímetros na altura e na largura. Em cima da arca ficava o propiciatórío (hb. kapporet; literalmente, “a tampa” ), uma tampa de ouro com figuras esculpidas. A s figuras no propiciatórío sim­ bolizavam querubins — criaturas angelicais que guardavam a santa presença de Deus no jardim do Éden (G n 3.24). Deus prom eteu a Israel: “A li, virei a ti e, de cim a do propiciatórío, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel” (Êx 25.22). A parentem ente, a arca servia com o um lugar intermediário entre o céu e a terra. Q ual um escabelo visível para o trono invisível de Deus, tal estava ela dis­ ponível quando Ele “descia” à Terra, como


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A r c a d a A l ia n ç a

acontecera no Sinai, no cam po de batalha, ou em terra estrangeira (na Filístia). A arca possibilitou que Deus manifestasse a sua presença em m eio aos israelitas. A Tenda da C ongregação, o Tabernáculo, e por fim o Tem plo foram cons­ truídos para abrigar a arca (Ex 25.8-22; 2 C r 6.10-11), que desapareceu quando os babilônios destruíram o prim eiro Tem ­ plo. Q uando os hebreus exilados voltaram para Jerusalém a fim de reconstruir o Tem ­ plo e repor seus utensílios (Ed 1.7-11; Is 52.11-12; Jr 27.16-22), a arca estava m is­ teriosam ente ausente.

A REVELAÇÃO DE SEU SIGNIFICADO PROFÉTICO O s profetas m encionavam a arca como um símbolo da disciplina de Deus, da res­ tauração do Templo e da nação de Israel. N a profecia de Ezequiel, quando a pre­ sença de Deus se afasta da arca, temos um prenuncio da profanação e da destruição do Templo (Ez 10.4-11.23). De m anei­ ra sem elhante, a profecia sobre o retorno da presença de Deus para o último Tem ­ plo, e supostam ente para a arca dentro do Templo, prom ete sua reconstrução e nova consagração. Quando restaurar Israel, Deus situará sua glória entre as nações e restabe­ lecerá suas bênçãos sobre aquela nação (Ez 39.21-26). Tal descrição parece recordar as funções da arca: a glória de Deus situava-se nela (1 Sm 4-21), trazendo bênçãos a Israel (2 Sm 6.11-12) e protegendo-o em sua ter­ ra (N m 10.33-36). Esta linguagem pode indicar que a arca realm ente estará presente nos últi­ m os dias. N o passado, a glória de Deus encheu o Tem plo logo após a chegada da arca (1 Rs 8.4-12), transform ando-o no trono de Deus (1 Sm 4.4; 2 S m 6.2; 2 Rs 19.15; Is 37.16; SI 80.1; 99.1) e no lu­ gar onde o Sen h or habitaria para sempre com Israel (SI 132.7-8, 13; Ez 37.26-28).

O nde m ais o leitor de Ezequiel esperaria o reto m o da glória de Deus, que n ão na arca (Ex 25.22)? Teriam eles considera­ do a restauração com pleta, caso o últim o Tem plo não recuperasse o que o prim eiro perdera? Em bora a arca n ão seja ex p licita­ m ente m encion ada no últim o Tem plo de Ezequiel, ela parece ser sugerida em outras sentenças que exigem sua presença para o adequado cum prim ento de certos rituais, com o o D ia da Expiação (incluído em “as m inhas solenidades” de Ezequiel 4 4 .2 4 ). A lguns itens do Tem plo são m encionados — com o as vestes sacerdotais (Ez 4 2 .1 4 ), o altar para holocaustos (Ez 43.13-27) e a m esa dos pães da proposição (Ez 41-22; 44-16) — enquanto outros são ignorados, com o o altar do incenso e o m enorá. A m enção de alguns utensílios im plica a presença de todos, pois este Tem plo ap a­ rece em pleno funcionam ento.

UM EXAME DAS PASSAGENS PROFÉTICAS O Livro do Apocalipse O livro de A pocalip se m ostra juízos provenientes do tem plo celestial e da arca em resposta à profanação do Tem plo ter­ restre durante a Tribulação. A pocalipse 11.1-2 prediz que o átrio do Tem plo ter­ restre será pisoteado pelo A n ticristo (D n 11.45). Tal violação está aparentem ente vinculada à abom inação da desolação profetizada por D an iel (D n 9.27; 12.11), Jesus (M t 24.15; M c 13.14) e Paulo (2 Ts 2,3-4). R eagindo a este ato de sacrilégio, o tem plo celestial se abre e a arca aparece com sinais de ira (A p 11.19). Esta corre­ lação pode dar a entender que o Tem plo da T ribulação tam bém abrigará a arca, que viria a ser, com o o próprio Tem plo, alvo de um a violação. Tam bém vem os indícios da presença da arca neste m om ento da história em 2 Tessalonicenses 2.4· A “asa das abom inações” (D n 9.27) pode sugerir o local exato onde terá lugar


A r c a d a A l ia n ç a a abom inação da desolação: próxim o ao querubim alado sobre a arca. Em 2 Tessa­ lonicenses 2.4, a explicação de Paulo sobre este sacrilégio m ostra que o “hom em do p e­ cado” (o A nticristo), em um ato de enaltecim ento, assentar-se-á na parte mais sagra­ da do Templo, “querendo parecer Deus”. Tal ato de deificação pessoal no Santo dos Santos só faria sentido se viesse após uma dem onstração da presença divina na arca (Êx 25.22; SI 80.1; 99.1).

O Livro de Jeremias A A rca da A lian ça tam bém aparece em Jerem ias 3.16-17, na profecia sobre a res­ tauração de Jerusalém durante o M ilênio. Quaisquer que sejam as im plicações desta profecia com relação à futura existência da arca, seu objetivo é, neste contexto, tran­ qüilizar Israel. Eles acreditavam que seu futuro não poderia ser concretizado sem a fundam ental presença da arca. Jerem ias explica que, sob a N o v a A liança, a arca já não teria a m esma im portância que tinha na A n tiga A liança. A glória de Deus esta­ ria sobre toda a Jerusalém e a cidade seria um santuário (Is 4-5; Ez 43.12). Em outras palavras, durante o M ilênio, a arca não se­ ria tão necessária quanto fora no passado. Sua perda não impediria a restauração final de Israel, de m odo que eles não precisavam se preocupar com seu destino. É im portante observar que Jerem ias 3.16-17 não afirma que a arca não estará presente, mas apenas que ela não desem pe­ nhará a função que tinha n a A n tiga A lian ­ ça. Jerem ias diz que Israel “nunca m ais” consultará, dará atenção, lembrará ou v i­ sitará a arca; insinuando que, no período anterior ao M ilênio, estas coisas possivel­ m ente serão feitas. A frase “N em lhes virá ao coração” sig­ nifica que, no futuro, o povo não precisará se preocupar com a arca com o no passado. D esse m odo, as palavras do versículo 16

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são com preensíveis. De qualquer forma, as últim as palavras deste versículo, “e não se fará outra” , exigem um esclarecim ento para evitar qualquer contradição com esta proposta, pois tal tradução im plica que a arca será destruída e jam ais reconstruída. A arca, portanto, não poderia existir no futuro. A expressão “não se fará” , con ­ tudo, poderia ser traduzida por “não será usada” . A palavra hebraica 'asah geral­ m ente significa “produzir” ou “fazer” , mas tam bém pode significar “usar”. Ê interes­ sante observar que um a das duas vezes em que o verbo aparece com este sentido diz respeito ao m aterial “utilizado” na con s­ trução da arca (Êx 28.34; a outra ocorrên­ cia é em 1 Sam u el 8 .16). N este caso, o texto quer dizer que a arca, no tem po da N o v a A liança, não será utilizada tal qual o era sob a A n tiga A lian ­ ça. Já não será uma testem unha da lei, nem funcionará com o um transmissor do poder de Deus na guerra. Sob a N o v a A liança, a lei de Deus será absorvida por meio do Espí­ rito que habitará os corações, de forma que “nunca mais andarão segundo o propósito do seu coração m aligno” (v. 17; veja tam ­ bém Jr 31.33-34; Ez 36.25-27). A s tábuas da Lei que se encontram na arca não se­ rão necessárias para testem unhar contra as violações da santidade de Deus perpetradas por Israel, porque eles serão santos e vive­ rão em obediência à vontade de Deus (Zc 14.20-21). A lém disso, no M ilênio, Israel e as nações não mais aprenderão a guerrear (Is 2.4). A arca não funcionará com o sím ­ bolo do poder protetor de Deus na guerra, pois não haverá guerras. Esta interpretação se verifica nas notas explicativas da Bíblia das Forças de Defesa de Israel: “A lei do S e ­ nhor estará escrita nos corações, de modo que não será necessário m antê-la na arca. N ã o haverá guerras e não será necessário levar a arca ao cam po de batalha, como acontecia na A ntigüidade” .


A rm aged o m

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Em bora as evidências não sejam con­ clusivas, a A rca da A lian ça poderá ter um papel no fim dos tempos, retom ando para com pletar um plano profético. U m plano profético que inclui um Templo reconstru­ ído e a restauração da glória de Deus sobre Israel e sobre as nações no M ilênio.

—Randall Price BIBLIOGRAFIA Bloomfield, Arthur. Where is the A rk o f the C o­ venant a n d What is its Role in Bible Prophecy? Minneapolis: D im ension Books, 1976. Fruchtenbaum , Arnold. Israelology: The M issing Link in System atic Theology. Tustin, Califór­ nia: Ariel Ministries, 1 992. Lewis, David Allen. Prophecy 2000. Green Fo­ rest, Arkansas: New Leaf Press, 1 993. Price, Randall. In Search o f Temple Treasures: The Lost A rk a n d the Last Days. Eugene, Ore­ gon: Flarvest House Publishers, 1994. ------. S e a rc h in g for the A r k o f the Covenant. Eugene, O regon: H arvest H o u se Publishers, 2005.

ARMAGEDOM O A rm agedom , a ultim a grande guerra da história, acon tecerá em Israel, ju n ta ­ m ente com a segunda vin d a de C risto. A batalh a ou cam pan h a do A rm agedom é descrita em D an iel 11.40-45, Jo el 3.917, Zacarias 14-1-3 e A p o calip se 16.1416. E la terá lugar nos últim os dias da G ran d e Tribulação, Jo ã o nos diz que os reis do m undo se reunirão “para a b a ta ­ lha, n aquele grande D ia do Deus Todop od eroso” , em um lugar con h ecido com o “A rm agedo m ” (A p 1 6 ,14,16). A reunião dos exércitos será n a p lan ície de Esdrelotv, em to m o d a c o lin a de. M egido. E sta área está localizada no norte de Israel,

aproxim adam ente 30 km ao sul-sudeste de H aifa e 80 km ao norte de Jerusalém . E um a região que já foi cenário de m uitas batalh as do AT. O livro de Juizes registra que lá se deu o confronto entre Baraque e os cananeus (cap. 4 ), e a batalh a entre G id eão e os m idian itas (cap. 7).

0 QUE É “ARM AGEDOM ”? O termo “A rm agedom ” vem da língua hebraica. H ar é a palavra para “m ontanha” ou “colina”. M ageddon provavelm ente diz respeito às ruínas da antiga cidade de Megido, que fica acim a do Vale de Esdrelon no norte de Israel, onde os exércitos do m un­ do se reunirão. De acordo com a Bíblia, grandes exérci­ tos do oriente e do ocidente se unirão nesta planície. O A nticristo derrotará os exércitos do sul, pelo fato de estes ameaçarem o seu poder, e destruirá uma Babilônia reconstruí­ da a leste — antes de finalmente voltar suas forças para Jerusalém a fim de dominá-la e destruí-la. Quando ele e seus exércitos mar­ charem contra Jerusalém, Deus entrará em ação e Jesus Cristo voltará para resgatar o seu povo, Israel. O Senhor, com seu exército angelical, destruirá os exércitos, capturará o Anticristo e o Falso Profeta e lançá-los-á no lago de fogo (A p 19.11-21). Quando o Senhor voltar, o poder e o do­ mínio do Anticristo terão fim. Charles Dyer afirma: “Daniel, Joel e Zacarias identificam Jerusalém como o local onde ocorrerá a bata­ lha final entre Cristo e o Anticristo. O s três predizem que Deus interferirá na história em favor do seu povo e destruirá o exército do Anticristo em Jerusalém. Zacarias profetiza que a batalha terá um fim quando o Messias voltar à terra e seus pés tocarem o monte das Oliveiras. Esta batalha será concluída com a segunda vinda de Jesus” (Dyer, pp. 237-238). A cam panha do A rm agedom — na vetdade, em Jerusalém — setá \im dos acontecim entos m ais desapontadores da


A rm aged o m história. C om exércitos tão gigantescos reunidos em am bos os lados, seria de se es­ perar um confronto épico entre o bem e o mal. N ã o im porta, todavia, quão poderoso alguém é na terra. N inguém é páreo para o poder de Deus.

QUAIS SÃO OS PROPÓSITOS DO ARMAGEDOM? C om o em m uitos eventos hum anos, o A rm agedom possui dois propósitos: o divi­ no e o hum ano — o plano divino e a lógica hum ana. O propósito divino é que o juízo do A rm agedom prepare o reino m ilenial de C risto sobre a terra. O propósito humano, inspirado por Satan ás, é liquidar os judeus de um a vez por todas.

O Propósito Divino N osso soberano Senhor, segundo sua providência, supervisiona toda a história. Logo, toda história resulta do decreto do Deus trino. N ad a acontece que Ele não tenha efetivam ente planejado. A o longo de todo o tempo, norm alm ente sem que a hum anidade tenha ciência, há uma bata­ lha entre Deus e Satanás, entre o bem e o mal. A guerra do A rm agedom é o clím ax de toda uma série de eventos que culm i­ nam neste ato final. De acordo com o propósito divino, será no Armagedom que Deus julgará os seus ini­ migos. Tanto a oposição do homem como a de Satanás estarão concentradas em Israel, a nação eleita de Deus, e Deus os trará àquele local a fim de desbaratar seus planos insen­ satos e suas rebeliões. O salmista registra a reação de Deus ante os débeis planos hum a­ nos de derrubá-lo no Armagedom: “Por que se am otinam as nações, e os povos im aginam coisas vãs? O s reis da terra se levantam , e os príncipes juntos se m ancom unam contra o Senh or e contra o seu un­

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gido, dizendo: Rom pam os as suas ataduras e sacudam os de nós as suas cordas. A quele que habita nos céus se rirá; o Senh or zombará deles. Então, lhes falará na sua ira e no seu furor os confundirá. Eu, porém, ungi o meu R ei sobre o meu santo m onte S iã o .” (SI 2.1-6)

O Propósito Humano A louca perspectiva hum ana, que leva ao embate final em Jerusalém , parece ser m otivada pelo esforço dessas pessoas em solucionar o que acreditam ser a fonte dos problemas do mundo: os judeus. A o acom ­ panharm os os fatos que levam ao A rm age­ dom em A pocalipse (11— 18), observamos que a perseguição a Israel com eça no meio da Tribulação e vai progredindo até culm i­ nar com a reunião de exércitos de todo o m undo em Israel.

QUANDO OCORRERÁ 0 ARMAGEDOM? Em bora a cultura popular m encione o A rm agedom a todo instante, este não acontecerá am anhã, no próximo mês, ou m esmo no próximo ano. É um conflito m i­ litar que acontecerá após o arrebatam ento e ao fim dos sete anos de tribulação. Será o ápice do reinado do A nticristo e terminará com a segunda vinda de Jesus C risto, que destruirá o A nticristo e suas forças. Este conflito é o últim o grande acon te­ cim ento da cronologia profética antes da fundação do reino m ilenial. O A rm agedom não é algo pelo que qualquer pessoa deves­ se ansiar com alegria, pois trará morte e destruição a muitos. E, contudo, um futuro enfrentam ento m ilitar real que nenhum a negociação poderá evitar. A seqüência pormenorizada de eventos e os termos utilizados em relação ao A rm a­ gedom demonstram que, em vez de um a ba­ talha isolada, trata-se de um a cam panha ou série de batalhas. Em vez de utilizarmos o


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nom e para um a “batalha final” , deveríamos considerá-lo uma cam panha ou guerra. O A rm agedom é uma série de conflitos que culm inam com a segunda vinda de Jesus. A palavra grega polemos, traduzida por “guer­ ra” em A pocalipse 16.14, geralm ente sig­ nifica uma guerra prolongada. O s aconteci­ m entos do A rm agedom não ocorrem todos em um mesmo dia, nem se resumem a uma batalha isolada. Ocorrem em uma ampla área geográfica ao norte e ao sul de Jeru­ salém, com o tam bém à leste da Babilônia. Todos os eventos acontecerão ao longo de, pelo menos, alguns dias. Provavelm ente, levarão algumas semanas.

QUEM ESTARÁ PRESENTE NO ARMAGEDOM? A s Escrituras indicam que todas as nações da terra se reunirão para com ba­ ter Israel. Trata-se de um clím ax b astan ­ te apropriado para a G rande Tribulação, durante a qual o m undo inteiro se rebe­ lará contra os céus (com exceção de um rem anescente de fiéis). A Bíblia ensina que esta guerra não ficará lim itada às ter­ ras de Israel, mas se estenderá por todas as nações do mundo (Zc 12.3; 14-2; A p 16.14). Tam bém m enciona os reis (plural) do oriente, que assum em um papel de des­ taque na escalada m ilitar que leva à guerra do A rm agedom : “E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparas­ se o cam inho dos reis do O rien te” (A p 16.12). Provavelm ente, o versículo está enfatizando os poderes das nações orien­ tais sim plesm ente porque é lá que vivem as m aiores m assas populacionais. Q uando consideram os o fato de que toda a G rande Tribulação será um a guerra entre Deus e seus oponentes — Satan ás, os anjos caídos e a hum anidade decaída — , não nos surpreende que o período ve­ n ha incluir um grande núm ero de b ata­

lhas. A s inform ações bíblicas nos levam a crer que a Tribulação será um tem po de grandes conflitos m ilitares, a ponto de não ser errado afirmar que todo este período será um a guerra m undial.

0 QUE SÃO OS ESTÁGIOS DO ARMAGEDOM? U m estudo d etalh ad o de todas as passagens bíblicas que tratam do A rm a­ gedom revela um a cam pan h a um tan to com plexa. U m dos m ais com pletos es­ tudos sobre este assunto foi realizado por A rn old Fruchtenbaum , que dividiu a cam pan h a em oito estágios. Em bora se possam apresentar outras propostas, a av aliação de A rn old parece-nos ser a m ais lógica e abrangente. Ele escreve (Frunchtenbaun, p. 3 1 4 ): O s dois m ais im portantes ac o n te ­ cim entos da G rande T ribulação são a cam pan h a do A rm agedom e a segunda vin d a de Jesus C ris­ to. A s Escrituras apresentam um a boa qu antidade de inform ação so ­ bre este período. U m a das m aiores dificuldades no estudo da escatologia é estabelecer a seqüência cron o ló gica desses even tos, para que se possa verificar o que e x a ­ tam ente acon tecerá n a cam panh a do A rm agedom [...] A cam panha do A rm agedom pode ser dividida em oito estágios, o que facilita um a com preensão da seqüência dos acon tecim en tos. C ad a um desses oito estágios serve a um propósito distinto n a cam panha como um todo. Embora nenhum a passagem bíblica isolada nos passe a seqüência de todos os eventos, esta proposta parece juntar todas as peças da forma mais correta e abrangen­ te possível:


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OS OITO ESTÁGIOS DO ARMAGEDOM 1. A reunião dos aliados do A nticristo (J13.9-11; SI 2.1-6; A p 16.12-16). 2. A destruição da Babilônia (Is 13.14; Jr 50-51; A p 17-18). 3. A queda de Jerusalém (M q 4-11-5.1; Zc 12-14). 4. O s exércitos do Anticristo em Bozra (Jr 49.13-14). 5. A regeneração de toda a nação de Israel (SI 79.1-13; 80.1-19; Is 64-112; Os 6.1-13; J1 2.28-32; Zc 12.10; 13.7-9; Rm 11.25-27). 6. A segunda vinda de Jesus Cristo (Is 34.1-7; 63.1-3; Hc 3.3; M q 2.12-13). 7. A batalha desde Bozra até o Vale de Josafá (Jr 49.20-22; Zc 14.12-15; J1 3.12-13). 8. A vitória sobre o monte das O livei­ ras (Zc 14.3-5; J1 3.14-17; M t 24.2931; A p 16.17-21; 19.11-21).

Primeiro Estágio: Reunião dos Aliados do Anticristo A p rin cipal referência b íb lica deste prim eiro estágio é A p o calip se 16.12-16, onde lem os que o rio Eufrates se sec a­ rá para preparar o cam inh o dos “reis do orien te”, sobrevin do então o H ar-M agedon. A reunião dos exércitos com eça sim ultaneam ente com o juízo divin o da sexta taça. N e ste m om ento, o fato de o Eufrates secar irá p ossibilitar que os “reis do orien te” se reúnam com m aior fa ­ cilidade e rapidez. N a B íblia, a p alavra “ orien te” diz respeito à região da M e so­ potam ia (A ssíria e B ab ilô n ia). A ssim , o leito seco do rio perm itirá que as forças do A n ticristo se agrupem do lado de fora da cidade da B abilôn ia, sua cap ital. O s exércitos ali reunidos pertencerão aos sete reis rem anescentes dos dez reis d es­ critos em D an iel 7.24-27 e A p o calip se 17.12-13. S e u o b jetivo será a destruição total dos judeus.

Babilônia (Localização desconhecida)

( }β O itos Estágios Reunião dos A liados do feristo .ção da Babilônia de Jerusalém ércitos do Anticristo om Bozra egeneração de Israel 6. Segunda Vinda de Cristo 7. Fim da Batalha no Vale de Josafá 8. Vitória sobre o M onte das Oliveiras

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Segundo Estágio: Destruição da Babilônia N este estágio, toda a ação passa da reunião dos exércitos do A n ticristo para a destruição da Babilônia, sua capital, por forças ad ­ versárias. Enquanto estiver reunindo seus exércitos em A rm agedom , a cap ital do A nticristo será atacada e destruída, A ironia é que, enquanto o A n ticristo reú­ ne seus exércitos no N orte de Israel, com o objetivo de atacar Jerusalém (a cidade de D eus), Deus ataca a c i­ dade do A nticristo, a B ab i­ lônia. N o AT, B abilôn ia foi tanto a cidade do cativeiro de Israel com o o lugar onde


A rm agedom

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nasceu a idolatria. Tam bém conhecida com o S in ar (G n 10.10; 11.2; D n 1.2; Zc 5.1 1 ), ela será um centro m undial, tanto econôm ico com o religioso, durante a G rande Tribulação (A p 17— 18). D e acordo com Isaías 13.19 e Je re ­ m ias 50.4 0 , a d estru ição será d e v asta d o ­ ra e com p leta, tal qu al a de S o d o m a e G o m o rra. A p ó s ser ata ca d a e arrasada, B a b ilô n ia se torn ará in ab itáv el e jam ais v o lta rá a ser recon stru íd a (A p 18.212 4 ). O A n tic risto g ov ern ará o m undo, m as o seu con trole n ão será ab soluto e ele não será capaz de im pedir insur­ reições e esm agar to d a a op o sição (D n 1 1 .4 1 ). A p e sa r de suas te n ta tiv as, isto será tatic am en te im possível. A d estru i­ ção virá com o um juízo d iv in o . B a b ilô ­ n ia será c astig ad a por sua lo n g a h istó ria de an tagon ism o s e con fro n tos com o p o v o de Israel. O resu ltad o será a co m ­ p le ta destru ição da cidade. “E pagarei à Babilônia e a todos os moradores da C ald éia toda a m al­ dade que fizeram em Sião, à vossa vista, diz o Senhor. Diz o Senhor: Eis-me aqui contra ti, ó m onte des­ truidor, que destróis toda a terra; e estenderei a mão contra ti, e te re­ volverei das rochas, e farei de ti um m onte de incêndio. E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundam entos, porque te tornarás num a assolação perpétua, diz o Senhor.” (Jr 51.24-26)

Terceiro Estágio: Queda de Jerusalém A pesar de a capital do A nticristo ser destruída na segunda fase da cam panha, suas forças ainda não estarão perdidas. Em vez de voltar para o oriente, a fim de defen­ der sua capital, o A nticristo m archará para Jerusalém . Lemos sobre isto em Zacarias 12.1-3 e 14.1-2.

“Peso da palavra do S E N H O R so­ bre Israel [...] Eis que porei Jerusa­ lém como um copo de tremor para todos os povos em redor e também para Judá, quando do cerco contra Jerusalém . E acontecerá, naque­ le dia, que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que carregarem com ela certam ente serão despedaçados, e ajuntar-se-ão contra ela todas as n a­ ções da terra.” A s forças do A nticristo m archarão so­ bre Jerusalém e, uma vez mais, a cidade cairá sob o controle dos gentios. Embora Zacarias 12.4-9 e M iquéias 4.11-5.1 des­ crevam uma resistência feroz e obstinada, Jerusalém cairá. A s perdas serão enormes em ambos os lados, mas as forças do A n ti­ cristo prevalecerão e Jerusalém será derro­ tada. C om a queda de Jerusalém , o terceiro estágio da cam panha será encerrado.

Quarto Estágio: O Anticristo Marcha para o Sul contra o Remanescente N o quarto estágio, a cam panha irá deslocar-se para desertos e m ontanhas. Provavelm ente, irá para a região de Bozra e Petra, cerca de 130 km ao sul de Jerusalém. N o início da segunda parte da Grande Tri­ bulação, após o A nticristo romper seu tra­ tado com Israel (D n 9.27; M t 24-15), m ui­ tos judeus fugirão para o deserto em busca de segurança, o que será o cumprimento das palavras e exortações de Jesus em M a­ teus 24-16-31. N o versículo 16, Jesus fala àqueles que verão a abom inação da desola­ ção: “então, os que estiverem na Judéia, que fujam para os m ontes”. Esta fuga pela vida tam bém é descrita em A pocalipse 12.6,14. D epois da captura de Jerusalém , o A n ­ ticristo seguirá para o sul, em um a ten ta­ tiva de destruir aqueles que possivelm ente tenham fugido durante os prim eiros três


A rm aged o m anos e m eio. Em M iquéias 2.12, lemos sobre Deus recolhendo e protegendo o rem anescente de seu povo: “C ertam ente te ajuntarei todo inteiro, ó Jacó; certa­ m ente congregarei o restante de Israel; pô-los-ei todos juntos, com o ovelhas de Bozra; com o rebanho no m eio do seu cur­ ral, farão estrondo por causa da multidão dos h om ens”. A região do m onte Seir, que fica cerca de 50 km ao sul do mar M orto, é norm alm ente associada a esta parte da cam panha. Dois locais são considerados com o a localização dos judeus em fuga: Bozra e Petra (Is 33.13-16 e Jr 49.13-14). C om a reunião dos exércitos na árida re­ gião do m onte Seir, o quarto estágio chega ao fim e os últim os dias da cam panha têm seu início.

Quinto Estágio: Regeneração da Nação de Israel A cam panha do A rm agedom culm ina­ rá com a segunda vinda de Cristo. A ntes de seu retorno, porém, Israel confessará os pecados da nação (Lv 26.40-42; Jr 3.11-18; O s 5.15) e clam ará pelo retom o do Messias (Is 64.1-12; Zc 12.10; M t 23.37-39), que acontecerá quando os exércitos do A n ti­ cristo se reunirem para destruir os judeus no deserto. De acordo com Oséias 6— 13, os líderes judeus exortarão o país ao arre­ pendim ento. A reação do povo será positi­ va e a lam entação persistirá por dois dias. Fruchtenbaum escreve: “O s líderes de Israel finalmente reconhecerão o porquê de a tribulação haver caído sobre eles. O texto não deixa claro se isto acontecerá por cau­ sa do estudo das Escrituras, pela pregação dos 144.000, pela pregação das duas teste­ m unhas ou pelo ministério de Elias. M uito provavelm ente será uma com binação de todos estes. De algum a forma, no entanto, os líderes com preenderão o pecado de toda a nação. A ssim com o seus líderes uma vez levaram todo o povo a rejeitar Jesus com o

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o Messias, eles levarão todos, desta vez, a aceitá-lo. Farão isto por m eio da exortação presente em O séias 6.1-3, que dará início aos três últim os dias antes da segunda vin­ da” (Fruchtebaum, p. 337). Durante três dias, Israel se arrependerá e orará pelo retorno do Messias. O quinto estágio chegará ao fim com o terceiro dia da confissão de Israel. N o sexto estágio, Deus responderá suas orações. Cumprir-seá a profecia bíblica, e a m aior esperança de todos os tempos será satisfeita.

Sexto Estágio: A Segunda Vinda de Jesus Cristo N o sexto estágio, as orações dos ju ­ deus serão respondidas e Jesu s C risto retornará. Ele derrotará os exércitos do A n ticristo em Bozra e dará in ício às ú lti­ m as fases da cam panh a. Ele vo ltará sobre as nuvens, da m esm a form a que partiu (M t 24.30; A t 1.9-11). O fato de Jesus retornar prim eiro ao deserto m ontan h oso de Bozra é visto em Isaías 34-1-7; 63.1-6; H abacuque 3.3 e M iquéias 2.12-13. Em sua segunda vinda, Jesus C risto, o M es­ sias, batalh ará con tra as forças do A n ti­ cristo e m iraculosam ente as derrotará. Conform e o que lemos em ju d as 14-15 e A pocalipse 19.11-16, Jesus voltará com um exército de anjos e com os santos da Igreja (vestidos de branco para as bodas do C or­ deiro), que terão sido arrebatados antes da Grande Tribulação. A pocalipse 19.11-16 deixa claro que a segunda vinda trará des­ truição aos inimigos de Jesus. Estes versícu­ los descrevem-no pisando o lagar da ira de Deus e governando com uma vara de ferro. A o ouvir o pedido de Israel, Jesus C ris­ to voltará à Terra e com baterá o A n ticris­ to e seus exércitos. S alv ará da destruição os judeus que estiverem no deserto e se­ guirá para Jerusalém , a fim de salvar o rem anescente naquela cidade e pôr fim à cam panha (Zc 12.7).


A rm aged o m

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Sétimo Estágio: A Batalha Final N a sétima fase, Jesus, o Messias, com ­ baterá sozinho por Israel. Ele destruirá o A nticristo e todos aqueles que perseguiram e combateram o povo judeu. N esta fase, o A nticristo será aniquilado pelo verdadeiro Cristo (H c 3.13b; 2 Ts 2.8). Entre as primei­ ras baixas, está o próprio Anticristo. A pós ter dominado o mundo com grande poder e ter falado contra o Filho de Deus, o filho impostor ficará indefeso diante de Cristo. Habacuque 3.13 diz: “Tu saíste para salva­ mento do teu povo, para salvamento do teu ungido; tu feriste a cabeça da casa do ímpio, descobrindo os fundamentos até ao pesco­ ço. (Selá)” Em 2 Tessalonicenses 2.8, lemos: “então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda”. A partir de Bozra e seguindo para Jeru­ salém e o Vale de Cedrom , tam bém conhe­ cido com o Vale de Josafá, Jesus com baterá e destruirá as forças do A nticristo (Jl 3.1213; Zc 14.12-15; A p 14-19-20). N o Vale de Josafá, próxim o aos muros de Jerusalém, à leste da cidade, as nações e os exércitos que se reuniram para destruir os judeus se­ rão destruídos por Jesus C risto, o Messias e R ei dos Judeus.

Oitavo Estágio: A Subida do Monte das Oliveiras C om a com pleta destruição do A n ti­ cristo e de suas forças, a cam panha estará finalizada. Jesus irá para o topo do monte das O liveiras, em uma subida simbólica. A o fazê-lo, ocorrerão diversos eventos ca­ taclísm icos e a Tribulação chegará ao fim, com o vemos em Zacarias 14.3-4· “E o Senhor sairá e pelejará contra estas nações, como pelejou no dia da batalha. E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o m onte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o

oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra m eta­ de dele, para o sul.” A pocalipse 16.17-19 acrescenta: “E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do tem plo do céu, do trono, dizendo: Está feito! E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terrem o­ to, com o nunca tinha havido desde que h á hom ens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a gran­ de cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram .” A s calam idades naturais que sobrevirão ao mundo nesse m om ento corresponderão à sétim a taça de juízo e incluirão o maior terremoto que o m undo testem unhou. C om tal terremoto, Jerusalém será partida em três e o m onte das Oliveiras, em dois. O vale criado no m onte das Oliveiras possi­ bilitará que os habitantes judeus da cidade escapem do terremoto (Zc 14.4b-5).

0 QUE VEM APÓS 0 ARMAGEDOM? O Armagedom será a última grande guer­ ra mundial da história, a qual ocorrerá em Is­ rael e será acompanhada pela segunda vinda de Cristo. A Bíblia é bastante clara ao tratar esta guerra como um evento cataclísmico que certamente virá. De acordo com a Bíblia, grandes exércitos do oriente e do ocidente se reunirão para um ataque definitivo contra Israel, Estas forças reunidas serão ameaçadas por exércitos do sul. A ntes de o Anticristo marchar com seus exércitos sobre Jerusalém para dominá-la e destruí-la, uma Babilônia restaurada será destruída. Quando ele e seus exércitos estiverem se dirigindo para Jerusa­


A rrebatam ento lém, Deus interferirá e Jesus Cristo voltará para resgatar seu povo, Israel. O Senhor e seu exército angelical destruirão esses exércitos. Ele capturará o Anticristo e o Falso Profeta, lançando-os no lago de fogo (A p 19.11-21). O Arm agedom , de certa forma, é uma batalha que nunca chega realm ente a acon ­ tecer. Em outras palavras, ela não acon te­ ce segundo seu propósito hum ano — o de que os exércitos do mundo se reúnam para executar a “solução final” do “problem a dos judeus”. E por isso que Jesus Cristo esco­ lhe este m om ento da história para voltar. Ele vem para impedir a tentativa de aniquilação dos judeus por parte do A n ticris­ to, e para destruir os exércitos do mundo. Parece um tanto apropriado que, em face do legado de sangue da hum anidade, uma guerra m undial contra Israel deva precipi­ tar o retorno de Cristo.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Dyer, Charles. W orld N ew s a n d Bible Prophecy. W heaton, Illinois: Tyndale House, 1 991. Feinberg, Paul. “The M ideast March to Megiddo", em Foreshocks o f Antichrist, editado por William James. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1997. Fruchtenbaum, Arnold. Footsteps o f the M es­ sias: A Study in the Sequence o f Prophetic Events. Tustin, Califórnia: Ariel Press, 2003. Hindson, Ed. Approaching Arm ageddon. Euge­

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da Bíblia. Ele é claram ente ensinado em 1 Tessalonicenses 4.15-18, onde o apóstolo Paulo nos fornece os seguintes detalhes: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Por­ que o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trom beta de Deus; e os que morreram em C risto ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficar­ mos vivos, seremos arrebatados ju n­ tam ente com eles nas nuvens, a en­ contrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos ou­ tros com estas palavras.” Esta passagem das Escrituras delineia cinco estágios do arrebatam ento: (1) o próprio Senhor descerá do céu com alarido e com som de trombeta; (2) os mortos em C risto ressuscitarão primeiro; (3) nós que estivermos vivos e permanecermos na terra seremos “arrebatados” (gr.: harpazo) ju n ta­ m ente com eles nas nuvens; (4) encontra­ remos o Senhor; e (5) estaremos sempre com Ele. O apóstolo Paulo tam bém reve­ lou o que cham ou de “m istério” a respeito do arrebatam ento. Em 1 C oríntios 15.5153, ele explicou que alguns crentes não dormiriam (morreriam), mas os seus corpos seriam instantaneam ente transformados.

ne, Oregon: Harvest House Publishers, 1997. Jeffrey, Grant. A rm a ge d d o n : A p pointm ent with Destiny. N ew York: Bantam Books, 1 991.

ARREBATAMENTO O arrebatam ento da Igreja é um dos eventos proféticos mais com oventes e em polgantes

“Eis aqui vos digo um mistério: N a verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressus­ citarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da in-


OS EVENTOS DO ARREBATAMENTO 1. O Senhor mesmo descerá da casa de seu Pai, onde Ele está preparando um lugar para nós

tíveis e juntam-se aos seus espíritos, que Jesus traz consigo — 1 Tessalo­

(João 14.1-3; 1 Tessalonicenses 4-16).

nicenses 4.16-17).

2. Ele virá outra vez para nos levar para si mesmo (João 14-1'3).

8. Então nós, os que estivermos vivos, seremos transformados (ou tornados incorruptíveis, tendo os nossos corpos revestidos da “ imortalida­

3. Ele ressuscitará aqueles que dormiram nEle (crentes falecidos a quem

de” — 1 Coríntios 15.51, 53).

nós não precederemos — 1 Tessalonicenses 4· 14-15).

A C a sa do Pai

4- O Senhor clamará ao descer (“ordem em voz alta”, 1 Tes­

9. Serem os capturados (arrebatados) juntam ente (1 Tessalonicenses 4.17).

salonicenses 4-16). Tudo isto acontecerá em um “piscar de olhos” (1 Coríntios 15.52).

10. Seremos arrebatados nas nuvens (onde os crentes mortos e vivos terão um grandioso encontro — 1 Tes­

5. N ós ouviremos a voz do arcanjo (talvez para guiar Israel durante os sete anos da Tribulação, como ele fez no A T — 1 Tes-

salonicenses 4.17).

Bodas do Cordeiro

João 14.1 -3

salonicenses 4.16). 6. N ós também ouviremos o chamado da trom­ be ta de Deus (1 Tessalonicenses 4.16), a última trombeta para a Igreja. (N ão confundir esta com a sétima trombeta de juízo sobre o mundo du­ rante a Tribulação em Apocalipse 11.15.) 7. O s mortos em Cristo ressusíSKKÊtSSÊSÊÊ

Tribunal de Cristo 1 Coríntios 3.9-15

citarão primeiro (os restos mortais corruptíveis dos seus corpos tornam-se incorrup­

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11. Encontraremos o Senhor nos ares (1 Tessaloni­ censes 4.17). 12. Cristo nos tomará para si mesmo e nos levará para

a casa do Pai “para que, onde eu estiver, estejais vós também” (João 14.3).

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13. “E assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4 1 7 ) .

® | ® Arrebatamento

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14. N o chamado de Cristo aos crentes, Ele julgará todas as coisas. O s crentes comparecerão ante o Tribunal de Cristo (Romanos 14.10; 2 C o 5.10), descrito em detalhes em 1 Coríntios 3.11-15. Este juízo prepara os crentes para ... 15. A s Bodas do Cordeiro. A ntes de C risto voltar à terra em poder e grande glória, Ele se encontrará com a sua noiva, a Igreja, e a ceia das bodas ocorrerá. Nesse ínterim, depois que a

1 Tessalonicenses 4.16-17 Igreja for arrebatada, o mundo sofrerá o derramamento sem precedentes da ira de Deus, o qual 1 C oríntios 1 5 .5 1-5 8 o nosso Senhor chamou de “grande aflição” (Mateus 24-21).

®® Era da Igreja ®

®® A Tribulação de 7 Anos

Milênio


A rrebatam ento corruptibilidade e que isto que é mor­ tal se revista da imortalidade.” A ssim acontecerá no dia do arrebata­ mento. Sem nenhum aviso, os corpos de todos os crentes que morreram desde o Dia do Pentecostes, de repente, serão transfor­ mados em novos corpos ressurretos, vivos e imortais. Mesmo aqueles cujos corpos há muito tempo se decompuseram, ou cujas cinzas foram espalhadas sobre os oceanos, receberão um novo corpo. Este novo corpo se reunirá com o espírito da pessoa, que Jesus trará consigo. Então os corpos daqueles que igualmente aceitaram a Cristo como o S a l­ vador e que estiverem vivos na ocasião tam ­ bém serão instantaneam ente transformados em novos corpos imortais. Juntos, todos os crentes serão transportados subitamente aos céus para encontrarem o Senhor. Aqueles que estiverem vivos e rejeitaram a salvação de Jesus Cristo permanecerão para trás, na terra, e testemunharão um evento miraculo­ so de proporções espantosas — o repentino desaparecimento em massa de milhões e m i­ lhões de pessoas da face da terra.

A BEM -AVENTURADA ESPERANÇA O arrebatamento é freqüentemente refe­ rido como “a bem-aventurada esperança” (T t 2.13), porque concede segurança aos crentes que estão preocupados com a Tribulação, e oferece consolação aos que anseiam reunirse com os seus entes queridos que partiram, compartilhando a mesma fé em Cristo. A s mais de trezentas referências bíblicas à segunda vinda de Cristo claramente m os­ tram que a sua volta possui duas fases distin­ tas. O s elementos contrastantes não podem ser fundidos em um único evento (veja o ar­ tigo intitulado “Segunda Vinda de Cristo” ). N a primeira fase, Ele virá de repente para arrebatar a sua Igreja nos ares e levar todos os crentes para a casa do seu Pai, em cumpri­ mento à promessa em João 14.1-3. A li, eles

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comparecerão ante o Tribunal de Cristo (2 C o 5.8-10). Enquanto os crentes estiverem no céu, aqueles deixados para trás na terra sofrerão as angústias do período de sete anos da Tribulação. N a segunda fase da segunda vinda de Jesus (a manifestação da glória), Ele voltará à terra em poder e grande glória para estabelecer o seu reino milenial. Toda a segunda vinda tem sido comparada a uma peça em dois atos (o arrebatamento e o apa­ recimento da glória) com um intervalo de sete anos (a Tribulação). O apóstolo Pau­ lo faz distinção entre as duas fases em Tito 2.13, onde se refere ao arrebatamento como “a bem-aventurada esperança” e a volta de Cristo à terra como “o aparecimento” (ou “m anifestação” ) da glória.

0 QUE SIGNIFICA ARREBATAMENTO? A palavra “arrebatam ento” vem da p a­ lavra latina raptus, que as Bíblias latinas traduzem com o a palavra grega harpazõ, usada catorze vezes no N T. A idéia básica é “remover ou arrebatar repentinam ente”. E uma palavra usada pelos escritores do N T em referência a roubo ou saque (M t 11.12; 12.29; 13.19; Jo 10.12,28-29) ou remoção (Jo 6.15; A t 8.39; 23.10; Jd 23). O N T emprega um terceiro uso, cujo enfoque aponta para o fato de sermos le­ vados para o céu. A palavra descreve a experiência do “terceiro céu” de Paulo (2 C o 12.2, 4) e a ascensão de C risto ao céu (A p 12.5). O bviam ente, harpazõ é a pala­ vra perfeita para descrever Deus repentina­ mente tom ando a Igreja da terra e levando para o céu na primeira parte da segunda vinda de Cristo.

0 ARREBATAMENTO SERÁ PRÉTRIBULACIONAL? A Igreja Não E stá na Terra em Apocalipse 4— 18 O termo comum do N T para “igreja” (gr.: ekklêsia) é usado dezenove vezes em


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A rrebatam ento

A pocalipse 1— 3, e trata da igreja histó­ rica do século I. N o entanto, A pocalipse usa igreja mais uma vez — no final do livro (22.16), onde João volta a dirigir-se à igreja do século I. M ais interessante é o fato de que em nenhum a passagem durante o pe­ ríodo da Tribulação o termo igreja é usado em referência aos crentes na terra. A m udança de João destas instruções detalhadas à igreja para um absoluto silên­ cio a respeito desta por m uitos capítulos seria im pressionante e totalm ente ines­ perada, se de fato a Igreja continuasse na terra durante a Tribulação. Se a Igreja fosse passar pela Tribulação (a septuagésim a se­ m ana de Dn 9), então certam ente o estudo m ais detalhado dos eventos da Tribulação incluiria instruções para a Igreja, o que não ocorre. A única explicação para esta freqüente m enção à Igreja em A pocalipse 1— 3 e a total ausência desta na terra até A pocalipse 22.16 é um arrebatam ento prétribulacional, que irá transferir a Igreja da terra para o céu antes da Tribulação.

Um Arrebatamento Pós-Tribulacional E Incoerente Se Deus preservar m iraculosam ente a Igreja durante a Tribulação, por que h a­ veria um arrebatam ento? Se é para evitar a ira de Deus no A rm agedom (ao fim da Tribulação), então por que Deus não conti­ nuaria protegendo os santos na terra (com o defende o pós-tribulacionism o) assim como Ele protegeu Israel (veja Ex 8.22; 9.4,26; 10.23; 11.7) da sua ira derramada sobre o Faraó e o Egito? A lém disso, se o propósito do arrebatam ento é para que os santos v i­ vos evitem o Arm agedom , por que tam bém ressuscitar os santos (que já estão imunes) ao mesmo tempo? S e o arrebatam ento ocorresse em cone­ xão com a m anifestação da glória pós-tribulacional do nosso Senhor, a subseqüente separação entre ovelhas e bodes (M t 25.31-

46) seria redundante. A separação ocorre­ ria no mesmo ato da trasladação. S e todos os crentes da era da Tribula­ ção forem arrebatados e glorificados após a Tribulação e exatam ente antes do início do reino m ilenial, quem então restará para povoar e propagar o reino? A s Escrituras indicam que Deus julgará os descrentes v i­ vos no final da Tribulação e os rem overá da terra (veja M t 13.41-42; 25.41). N o entan­ to, elas tam bém ensinam que as crianças nascerão dos crentes durante o M ilênio, e que estas crianças serão capazes de pecar (veja Is 65.20; A p 20.7-10). Isto não seria possível se todos os crentes na terra fossem glorificados através de um arrebatam ento pós-tribulacional. U m arrebatam ento pós-tribulacional e o suposto retom o im ediato da Igreja à terra não deixa tempo para o bema — Tribunal de Cristo (1 C o 3.10-15; 2 C o 5.10). Por estas razões, um arrebatam ento pós-tribulacional não faz nenhum sentido lógico. U m arrebatam ento pré-tribulacional, ao contrário, não nos deixa com estas dificul­ dades insuperáveis.

A Tribulação Não É Iminente Por todas as epístolas do NT, Deus deixou muitas instruções para a Igreja, in­ cluindo advertências, mas nem uma vez os crentes são avisados a se prepararem para entrar e passar pela Tribulação (a septuagé­ sim a sem ana de D aniel). O N T adverte vigorosam ente a respei­ to do erro futuro e dos falsos profetas que virão (A t 20.29-30; 2 Pe 2.1; 1 Jo 4.1-3; Jd 4) e contra a vida ímpia (Ef 4.25— 5.7; 1 Ts 4-3-8; H b 12.1). O N T até mesmo ad­ m oesta os crentes a perseverarem em meio à tribulação atual (1 Ts 2.13-14; 2 Ts 1.4; e toda a epístola de 1 Pedro). N o entanto, o N T cala-se absolutam ente a respeito da Igreja se preparar para a Tribulação, como descrito em A pocalipse 6— 18.


A rrebatam ento A s Escrituras certam ente não silen ­ ciariam sobre este período de tem po im ­ portante e traum ático para a Igreja. Se o arrebatam ento fosse ocorrer em parte du­ rante ou no final da Tribulação, seria de esperar que as ep ístolas ensinassem a pre­ sença, o propósito, e a con d uta d a Igre­ ja durante o período. N o en tan to, não encon tram os absolutam en te n ad a deste ensino. A p en as um arrebatam ento prétribu lacion al ex p lica satisfatoriam en te a falta de tais instruções.

O Conteúdo de 1 Tessalonicenses 4.13-18 Suponham os hipoteticam ente, por um m omento, que o arrebatam ento não seja pré-tribulacional. O que esperaríamos en­ contrar em 1 Tessalonicenses 4? C om o isto se com para com o que observam os ali? Esperaríamos que os tessalonicenses estivessem alegres pelo fato de seus entes queridos estarem em casa com o Senhor e não terem de passar pelos horrores da Tribulação. Mas descobrimos que os tessa­ lonicenses estão na verdade angustiados e temerosos pelo fato de seus entes queridos terem perdido o arrebatam ento. A penas a possibilidade de um arrebatam ento prétribulacional justifica esta angústia. Tam bém esperaríam os que os tessalo­ nicenses estivessem angustiados devido à sua própria tribulação im inente, em vez de estarem angustiados por causa dos entes queridos. A lém disso, esperaríam os que estivessem curiosos quanto à sua fu­ tura condenação. M as os tessalonicenses não têm m edo ou perguntas a respeito da futura Tribulação. Finalm ente, esperaríamos que Paulo, mesmo na ausência de interesse ou de per­ guntas por parte dos tessalonicenses, for­ necesse instruções e exortações para uma provação tão suprema, que faria com que a tribulação que estavam enfrentando pare­ cesse m icroscópica. Mas não encontram os

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nem mesmo um a única indicação de qual­ quer im inente tribulação desse tipo. Dado o cenário em 1 Tessalonicenses 4, apenas a possibilidade do arrebatam ento pré-tribulacional faz sentido.

João 14.1-3 Faz Paralelo com 1 Tessalo­ nicenses 4.13-18 João 14-1-3 se refere à volta de Cristo outra vez. N ão se trata de uma promessa de que todos os crentes irão a C risto por ocasião da morte. A ntes, o texto se refere ao arrebatam ento da Igreja. Observe os pa­ ralelos próximos entre as promessas de João 14-1-3 e 1 Tessalonicenses 4.13-18. Primei­ ro, considere as promessas de estarmos com C risto: “ [...] para que onde eu estiver, estejais vós tam bém ” (Jo 14.3), e “A ssim esta­ remos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17). Em segundo lugar, observe as promessas de consolação: “N ão se turbe o vosso coração” (Jo 14-1), e “Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4-18). Jesus disse aos discípulos que Ele esta­ va indo para a casa de seu Pai (céu) para preparar-lhes um lugar. Ele prometeu que voltaria e os receberia de forma que pudes­ sem estar com Ele, onde Ele estivesse. Embora a frase “onde eu estiver” sugi­ ra um a presença contínua em geral, aqui significa a presença no céu em particular. O Senhor disse aos fariseus em João 7.34: “A on de eu estou vós não podeis vir” . Ele não falava sobre a sua m oradia atual n a ter­ ra, mas antes, a sua presença ressurreta à mão direita do Pai. Em João 14-3: “onde eu estiver” deve significar “no céu”, ou a passagem 14.1-3 não teria sentido. U m arrebatamento pós-tribulacional exi­ giria que os santos encontrassem Cristo nos ares e descessem imediatamente para a terra sem passar por aquilo que o Senhor prometeu em João 14. Devido ao fato de João 14 se re­ ferir ao arrebatamento, apenas um anebatamento pré-tribulacional satisfaz a linguagem


A rrebatam ento

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de João 14.1-3 e permite que os santos arre­ batados habitem por um período de tempo significativo com Cristo na casa de seu Pai.

O Arrebatamento e a Volta U m a com paração do arrebatam ento (1 C o 15.50-58; 1 Ts 4.13-18) com a m ani­ festação da glória (M t 24-25) revela pelo m enos oito contrastes ou diferenças signi­ ficativas, que exigem que o arrebatam ento ocorra em um tempo significativamente diferente da m anifestação da glória: 1. N o arrebatamento, Cristo vem nos ares e volta para o céu (1 Ts 4.17). N a manifestação da glória, Cristo vem para a terra para habitar e reinar (M t 25.31-32). 2. N o arrebatamento, Cristo reúne os seus (1 Ts 4.16-17). N a manifestação da glória, os anjos reúnem os eleitos (M t 24.31). 3. N o arrebatamento, Cristo vem para dar o galardão (1 Ts 4.17). N a m a­ nifestação da glória, Ele vem para julgar (M t 25.31-46). 4. N o arrebatamento, a ressurreição é proeminente (1 Ts 4.15-16). N a m a­ nifestação da glória, a ressurreição não é mencionada. 5. N o arrebatamento, os crentes deix a m a te r r a (l Ts 4.15-17). N a m ani­ festação da glória, os incrédulos são levados da terra (M t 24-37-41). 6. N o arrebatamento, os incrédulos permanecem na terra. N a manifes­ tação da glória, os crentes permane­ cem na terra (M t 25.34). 7. O reino de Cristo na terra não é m encionado no arrebatamento. N a manifestação da glória, Cristo vem para estabelecer o seu reino na terra (M t 25.31,34).

8. N o arrebatamento, os crentes re­ ceberão corpos glorificados (1 C o 15.51-57). N a manifestação da gló­ ria, os sobreviventes não receberão corpos glorificados.

A Promessa de Livramento Em A pocalipse 3.10: Jesus prometeu: “Eu te guardarei da [gr.: ek, “fora”] hora da tentação que há de vir sobre todo o m un­ do”. Esta passagem deixa claro que a in­ tenção de C risto é guardar a Igreja fora do período da Tribulação. A preposição grega ek adm itidam ente tem a idéia básica de saída. M as isto não é sempre assim. Dois exem plos notáveis são 2 Coríntios 1.10 e 1 Tessalonicenses 1.10. N a passagem de C oríntios, Paulo narra o seu livramento da morte feito por Deus. Paulo não saiu da morte, mas antes foi sal­ vo do perigo de morte potencial. A in d a mais convincente é 1 Tessaloni­ censes 1.10. A qui, Paulo afirma que Jesus está livrando os crentes da ira futura. A idéia não é sair, mas, antes, protegê-los da entrada na ira divina. Se A pocalipse 3.10 significa imunidade ou proteção “dentro”, como outras posições procuram insistir, então várias contradições se apresentam com o resultado. Primeiro, se em A pocalipse 3.10 a proteção limita-se apenas à proteção da ira de Deus e não da de Satanás, então A pocalipse 3.10 nega o pedido de nosso Senh or em João 17.15. Segundo, se A pocalipse 3.10 significa imunidade total, então que valor tem a prom essa tendo em vista A pocalipse 6.9l i e 7.14, onde há abundância de m árti­ res? O martírio dos santos em larga escala durante a Tribulação exige que a promessa para a Igreja de Filadélfia seja interpretada com o “guardando fora” da hora da ten ta­ ção, e não “guardando dentro” desta. A Igreja deve ser livrada da ira futura. Em 1 Tessalonicenses 1.10, o apóstolo Paulo


A rrebatam ento nos diz que devem os “esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” . O contexto da passagem aponta para o arre­ batam ento. A Igreja deve ser rem ovida da terra antes que a Tribulação com ece, a fim de ser livrada da ira futura. A Igreja não está destinada para a ira. Conform e 1 Tessalonicenses 5.9, “Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus C risto”. M ais uma vez, o contexto da passagem mostra que se trata do arrebata­ m ento. Pelo fato de a Tribulação envolver especificamente a ira de Deus, e pelo fato de os cristãos não estarem destinados à sua ira, a Igreja deve ser arrebatada, tirada do cam inho, antes que a Tribulação comece. Se a Igreja é arrebatada no fim da Tribulação, não restará ninguém para povoar o Milê­ nio. Exatamente antes do início do Milênio, todos os pecadores (aqueles que rejeitarem a Jesus Cristo como Salvador) que sobrevive­ rem à Tribulação, serão lançados no inferno conforme Mateus 25.46. Se o arrebatamen­ to ocorresse no final da Tribulação, todos os crentes também seriam removidos da terra, não deixando ninguém na terra com um cor­ po natural para repovoar o planeta durante o Milênio. O s “justos” ( “ovelhas” ) que entram no Milênio são os santos que sobrevivem à Tribulação — aqueles que não eram salvos no momento do arrebatamento, mas que se tomaram crentes durante a Tribulação. Para que isto ocorra, o arrebatamento deve acon­ tecer antes da Tribulação, e não no seu final.

PERGUNTAS E RESPOSTAS 1. Visto que, em 1 Tessalonicenses 4-17, a frase “encontrar o Senhor” pode re­ ferir-se a uma cidade amistosa saindo para encontrar o rei visitante, escol­ tando-o de volta à cidade, ela não in­ dica decididamente um arrebatamento pós-tribulacional?

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Em primeiro lugar, este termo grego pode referir-se tanto a um en­ contro dentro da cidade (M c 14-13; Lc 17.12) como à saída da cidade para encontrar e voltar (M t 25.6; A t 28.15). Assim, o uso desta frase específica não é, de nenhum modo, decisivo. Em segundo lugar, lembrese de que na manifestação da glória, Cristo está vindo para um povo hostil em geral, que acabará lutando contra Ele no Armagedom. O arrebatamen­ to pré-tribulacional retrata melhor o Rei resgatando, através de um arreba­ tamento, os seus seguidores fiéis que estão presos em um mundo hostil, e que posteriormente o acompanharão quando Ele voltar à terra para derro­ tar os seus inimigos e estabelecer o seu reino (A p 19.11-16). 2. Por que, em 1 Tessalonicenses 5 .6 , Paulo instrui os crentes a vigiarem como uma preparação para o “D ia do Senhor” , se eles não irão vê-lo, uma vez que terão sido arrebatados antes da Tribulação? Em 1 Tessalonicenses 5.6, Pau­ lo exorta os crentes a vigiarem e viverem piedosam ente em um con ­ texto do “D ia do S en h or” assim com o Pedro faz em 2 Pedro 3.1415, onde a experiência do “D ia do S en h or” está claram ente no fim do M ilênio (porque os antigos céus e terra serão destruídos e substituídos por n ovos). N estas passagens, há exortações instruindo os verdadei­ ros crentes a viverem vidas piedo­ sas tendo em vista o futuro juízo de Deus sobre os incrédulos. 3. A passagem de Mateus 24-37-42, onde as pessoas são tiradas da terra, não ensi­ na um arrebatamento pós-tribulacional?


A rrebatam ento N a verdade, M ateus 24.37-42 ensina exatam ente o contrário. Primeiro, ensina que N o é e a sua fam ília foram deixados vivos en ­ quanto o m undo inteiro foi retira­ do em m orte e juízo. Esta é e x ata­ m ente a seqüência a ser esperada na m anifestação da glória de C ris­ to com o ensinado na Parábola do jo io (M t 13.24-43), na Parábola da R ede (M t 13.47-50), e no juízo das “ovelhas e bodes” das nações (M t 25.31-46). Em cad a um destes ca­ sos, na m anifestação da glória, os incrédulos são retirados em juízo, e os crentes justos perm anecem . 4. Um arrebatamento pré-tribulacional não resulta em duas segundas vindas de Cris­ to, ao passo que as Escrituras ensinam que há apenas uma segunda vinda? De m odo nenhum. Indepen­ dentem ente da posição de arrebata­ m ento defendida, a segunda vinda de Cristo é um único evento que ocorre em duas partes — Cristo vin­ do nos ares para arrebatar a Igreja e Cristo vindo à terra para subjugar o mundo e estabelecer o seu reino. 5. Se o pré-tribulaáonismo é verdadeiro, por que Apocalipse 4— 19 não mencio­ na a Igreja no céu? E verdade que a palavra grega para “igreja” (ekklêsia) não é usada em relação à Igreja no céu em A p o ­ calipse 4— 19. N o entanto, isto não significa que a Igreja esteja invisível. Ela aparece no céu pelo menos duas vezes. Em A pocalipse 4— 5, os 24 anciãos simbolizam a Igreja. A frase “vós, santos apóstolos e profetas”, em A pocalipse 18.20, claram ente refere-se à Igreja no céu. A p o ca­ lipse 19 tam bém retrata a Igreja (a

noiva de C risto) no céu antes do seu retom o triunfal. Q ue cenário de arrebatam ento, nesses textos, m elhor representa a Igreja no céu neste tem po? U m arrebatam ento pré-tribulacional. 6. Por que Apocalipse se dirige à Igreja se a Igreja não passará pelo período de Tri­ bulação em virtude do arrebatamento? N o AT, Deus advertia Israel com freqüência quanto ao juízo im inen­ te, em bora as gerações que recebe­ ram a profecia não fossem passar por ele. Tanto Paulo (1 Ts 5.6) como Pedro (2 Pe 3.14-15) exortaram os seus leitores a uma vida piedosa re­ ferindo-se ao juízo futuro que os seus leitores não testem unhariam . João seguiu o mesmo padrão em A p o ca­ lipse. Ele alertou a Igreja quanto aos juízos futuros de Deus para que os crentes advertissem adequadam en­ te o mundo perdido em relação ao juízo por vir. 7- A trombeta mencionada em 1 Tessalo­ nicenses 4-16 e 1 Coríntios 15.52 é a mesma de Joel 2.1; Mateus 24-31; e Apocalipse 11.15? U m estudo cuidadoso dos quase cem usos de “trombeta” ou “trombetas” no A T alerta rapidamente o es­ tudante da Bíblia para não equiparar as trombetas em quaisquer conjunto de textos sem uma grande evidência contextual que venha a corroborar esta interpretação. Por exemplo, trombetas são usadas para avisar (Jr 6.1), para adoração e louvor (2 C r 20.28; SI 81.3; 150.3; Is 27.13), para vitória (1 Sm 13.3), para lembrar (2 Sm 2.28; 18.16), para alegrar-se (2 Sm 6.15), para pronunciamentos (2 Sm 20.1; 1 Reis 1.34; 2 Rs 9.13), e


A r r e b a t a m e n t o , H is t ó r ia do para dispersão (2 Sm 20.22), para mencionar algumas. A s trombetas em Joel e no N T são usadas para vários propósitos distintos. A trombeta de Joel 2.1 é uma trom beta de alarme avisan­ do que o dia do Senhor está próxi­ mo (veja Jr 6.1). A trom beta de 1 Tessalonicenses 4.17 e 1 Coríntios 15.52 anuncia a aproxim ação do rei (veja SI 47.5). A trom beta de M a­ teus 24.31 é de convocação, para reunir (veja Êx 19.16; N e 4.20; J1 2.15). A trom beta de A pocalipse 11.15 anuncia vitória (veja 1 Sm 13.3). A s Escrituras não oferecem nenhum a razão que leve a equiparar a trom beta do arrebatam ento com quaisquer destas outras trombetas. Portanto, estes textos não podem ser usados para determ inar o tempo ou a hora do arrebatam ento. U m a das principais características do arrebatam ento é que este será repentino, inesperado e surpreendente. “Daquele Dia e hora ninguém sabe”, de form a que deve­ mos viver “apercebidos [...] porque o Filho do H om em há de vir à hora em que não penseis” (M t 24.36,44)· Som ente um arre­ batam ento pré-tribulacional preserva um retorno im inente (“a qualquer m om ento” ) de C risto. A o longo das eras, os crentes têm entendido o arrebatam ento com o im i­ nente. N a d a poderia m otivar mais a busca de um a vida santa do que saber que Jesus pode vir a qualquer momento.

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LaHaye, Tim. The Rapture. Eugene, OR: Harvest House Publishers, 2002. Stanton, Gerald. Kept from the Hour. Miami: Schoettle Publishing, 1991. Walvoord, John J. The Blessed Hope a n d the Tri­ bulation. Grand Rapids: Zondervan, 1 986. ----- . The Rapture Question. Grand Rapids: Z on ­ dervan, 1967. Wood, Leon. Is the Rapture N e x t ?Grand Rapids: Zondervan, 1966.

ARREBATAMENTO, HISTÓRIA DO O s críticos do arrebatam ento pré-tribu­ lacional freqüentem ente citam a falta de base histórica desta visão. Por vários anos, os oponentes da posição do arrebatam en­ to pré-tribulacional têm argum entado que este foi inventado por Joh n Darby, em meados dos anos de 1800, e que jam ais foi m encionado antes disso. A rgum entos como este geralm ente alegam que, pelo fato de o ensino ter menos de duzentos anos, ele não pode ser bíblico, ou os crentes teriam defendido este ponto de vista m uitos anos antes. Em últim a análise, a verdade bíblica deve ser determ inada pelo claro ensino das Escrituras, e não pelo m odo com o o ensi­ no tem sido visto ao longo da história. N o entanto, uma quantidade substancial de evidências revela uma crença no arreba­ tam ento pré-tribulacional m uito antes de Joh n Darby.

PATRIARCAS DA IGREJA PRIM ITIVA

— Tim LaHaye e Richard Mayhue BIBLIOGRAFIA Hindson, Ed. Earth’s Final Hour. Eugene, OR: Harvest H ouse Publishers, 1999.

O s docum entos mais antigos da Igreja Primitiva (incluindo o cânon do N T ) refle­ tem um claro pré-milenialismo. M as uma discussão m enor cerca a relação do arreba­ tam ento com a Tribulação. O s pré-tribulacionistas apontam para a clara crença da Igreja Primitiva na im inência com o sinal


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A r r e b a t a m e n t o , H is t ó r ia do

de que o pré-tribulacionism o era defendido por pelo menos alguns daqueles que vive­ ram nos tem pos mais antigos. Com o era típico em todas as áreas da te­ ologia da Igreja Primitiva, os pontos de vista iniciais de profecia não estavam desenvolvi­ dos e às vezes eram contraditórios, conten­ do um campo fértil para desenvolvimento de vários e diversos pontos de vista teoló­ gicos. Encontrar um pré-tribulacionismo claro “soletrado” pelos patriarcas da Igreja Primitiva é difícil, mas alguns elementos pré-tribulacionais são nítidos. Quando sis­ tematizados com os seus outros pontos de vista proféticos, estes elementos contradi­ zem o pós-tribulacionismo e apóiam o prétribulacionismo. Por exemplo, os patriarcas apostólicos ensinavam claramente a carac­ terística pré-tribulacional da iminência da volta do Senhor Jesus Cristo. U m exam e superficial dos patriarcas da Igreja Primitiva revela que eles eram predom inantem ente pré-m ilenialistas ou quiliastas. Existem claros exem plos nos escritos de Barnabé (100— 105), Papias (60— 130), Justino Mártir (110— 165), Irineu (120— 202), Tertuliano (145— 220), H ipólito (185— 236), Cipriano (200-250), e Lactâncio (260— 330). Os patriarcas da Igreja Primitiva esperavam fervorosam en­ te que a Igreja estivesse sofrendo e sendo perseguida quando o Senhor voltasse. N o entanto, eles tam bém acreditavam no re­ torno im inente de C risto, que é uma carac­ terística central do pensam ento pré-tribu­ lacional. Esta falta de precisão tem levado a um debate entre os estudiosos quanto a com o interpretar os escritos dos patriarcas da Igreja Primitiva. Expressões de im inência abundam nos patriarcas apostólicos. Clem ente de Rom a (90— 100), Inácio de A ntioquia (98— 117), O Didaquê [A instrução dos doze apóstolos] (100— 160), A Epístola de Bar­ nabé (117— 138), e O Pastor de Hermas

(96— 150) — todos falam da im inência. Suas afirmações têm abundância de exor­ tações para “vigiar”, “esperar”, e “estar pre­ parado” para a vinda do Senh or em breve. A lém disso, O Pastor de Hermas (1.4.2) fala de escapar da Tribulação: Vós escapastes da Grande Tribulação em virtude da vossa fé, e porque não duvidastes na presença de tal Besta. Ide, portanto, e contai aos eleitos do Senhor os seus atos poderosos, e dizei a eles que esta Besta é um tipo da Grande Tribulação que está se aproximando. Se então vos preparardes, e vos arrependerdes de todo o vosso coração, e vos converterdes ao Senhor, será possível escapardes dela; sim, se o vosso coração for puro e imaculado, e passardes o resto dos dias das vossas vidas servindo ao S e ­ nhor irrepreensivelmente. N o entanto, ninguém, pode produzir uma afirmação clara de escatologia patrística a respeito do arrebatam ento. M as p o ­ demos concluir o seguinte: •

Eles esperavam uma vinda literal de Cristo seguida de um reino de mil anos literal.

Eles acreditavam na vinda iminente de Cristo com ocasionais inferências pré-tribulacionais.

Eles estavam sendo perseguidos pelo governo rom ano, mas não equipararam isto com a futura ira tribulacional.

Larry Crutchfield (p. 77) corretamente conclui, Esta opinião dos patriarcas sobre a im inência, e, nos escritos de alguns,


A r r e b a t a m e n t o , H is t ó r ia do referências a escapar do tem po da Tribulação, constitui o que pode ser definido, para citar Erickson, “sem entes das quais a doutrina do arrebatam ento pré-tribulacional poderia se desenvolver [...]” Se não fosse pelo enfraquecim ento da exegese sadia, trazida pelo alegorismo alexandriano e mais tarde por A gostinho, questiona-se que tipo de produto estas sementes poderiam ter gerado — muito antes de J. N . Darby e do século XIX.

A IGREJA MEDIEVAL O período entre A gostinho e a R e­ nascença foi am plam ente dom inado pelo “entendim ento que A gostinho possuía da Igreja, e a sua espiritualização do M ilênio com o o reinado de Cristo nos santos”. H a­ via apenas “discussões esporádicas aqui e ali de um M ilênio futuro e literal” (H an ­ nah, pp. 315-316), tornando os exemplos do pré-tribulacionism o muito raros. N o en ­ tanto, uma pesquisa histórica cuidadosa re­ velou muitas afirmações pré-tribulacionais há muito negligenciadas.

Efrém de N isíbis (306—373) Efrém era um escritor extrem am ente im portante e prolífico. Também conhecido com o Pseudo-Efrém, ele foi um grande teó­ logo da antiga Igreja O riental (Bizantina). O seu im portante sermão “N o s Ú ltim os Dias, o A nticristo e o Fim do M undo” (c. 373) declara: “Todos os santos e eleitos de Deus serão reunidos antes da Tribulação que está por vir, e serão levados ao Senhor, para que em nenhum m om ento possam ver a confusão que dom ina o mundo por causa dos nossos pecados”. N este sermão, Pseudo-Efrém desenvolve uma elaborada escatologia bíblica, incluin­ do uma distinção entre o arrebatamento e a segunda vinda de Cristo. Ela descreve o

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arrebatamento iminente, seguido por uma Grande Tribulação de três anos e meio de duração sob o governo do Anticristo, segui­ do pela vinda de Cristo, a derrota do A n ti­ cristo, e o estado eterno. O seu ponto de vis­ ta inclui um parêntesis entre o cumprimento da sexagésima nona e a septuagésima sema­ na de Daniel (D n 9.24-27). Pseudo-Efrém descreve o arrebatamento como “iminente” e precedendo a Tribulação.

Codex Amiatinus (690— 716) Este m anuscrito latino significativo da Inglaterra foi com issionado por A bbot Ceolfrid, dos mosteiros de Jarrow e Wearmouth em Northum berland. N o título do Salm o 22 (Salm o 23 na Vulgata), aparece o seguinte: “Salm o de Davi, a voz da Igre­ ja depois de ser arrebatada”. A frase lati­ na post raptismum contém um verbo da raiz rapio, significando “capturar, ou sair correndo” . Este título não é transportado a partir da Vulgata de Jerônim o e assim é provavelm ente o produto do m osteiro Jar­ row. Embora não conclusivo e ainda neces­ sitando de um estudo adicional, parece que o C odex A m iatinus apresenta um outro exem plo de pensam ento pré-tribulacional na Idade M édia.

Irmão Dolcino (1307) U m estudo recente do texto do século XIV, A H istória do Irmão Dolcino, com ­ posto em 1316 por uma fonte anônima, revela outra im portante passagem pré-tribulacional. C om o líder dos Irmãos A p o s­ tólicos no norte da Itália, o Irmão D olcino conduziu o seu povo através de tempos de trem enda perseguição papal. U m a pessoa deste grupo escreveu as seguintes palavras espantosas: O Anticristo estava entrando neste mundo dentro dos limites do dito pe­ ríodo de três anos e meio; e depois de


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A r r e b a t a m e n t o , H is t ó r ia do sua vinda, então ele [Dolcino] e seus seguidores seriam transferidos para o Paraíso, no qual estão Enoque e Elias. E desse modo seriam preservados ile­ sos da perseguição do Anticristo.

A ssim , o escritor desta H istó ria acre­ d itav a que D olcin o e seus seguidores seriam transferidos para o paraíso, e x ­ pressando esta crença com a palavra la ­ tin a transferrentur, ou “traslad ação” , um sinônim o de arrebatam ento. D olcin o e seus seguidores se retiraram para as m on ­ tan h as do norte da Itália para aguarda­ rem a sua rem oção por ocasião do ap are­ cim ento do A n ticristo. A credita-se que as seitas como os Albigenses, Lombardos, e os W aldenses foram atraídos para o pré-m ilenialism o, mas pou­ co se conhece dos detalhes de suas crenças desde que os católicos destruíram as suas obras, quando foram encontradas. Francis Gum erlock é o indivíduo que defende a opinião sobre o arrebatamento do Irmão Dolcino. Gum erlock (p. 80) escreveu: “O s dolcinitas defendiam uma teoria de ar­ rebatamento pré-tribulacional semelhante à mesma teoria no dispensacionalismo m o­ derno”. A importância dessas antigas afir­ mações é que elas claramente contradizem aqueles que têm tentado dizer que as afirma­ ções sobre o arrebatamento não existiram antes de 1830. Gum erlock (p. 361) acredita que esta é uma afirmação do arrebatamento pré-tribulacional, e ele conclui: Este parágrafo de A História do Ir­ mão Dolcino indica que no norte da Itália, no início do século XIV, um ensino muito semelhante ao pré-tribulacionismo moderno estava sendo pregado. Respondendo às condições políticas e eclesiásticas angustiantes, Dolcino travou especulações deta­ lhadas sobre escatologia e acreditava

que a vinda do Anticristo era im i­ nente. Ele também acreditava que o meio pelo qual Deus protegeria o seu povo da perseguição do Anticristo seria através de um traslado dos san­ tos para o paraíso.

A ERA DA REFORMA D epois de m ais de m il anos de supres­ são, o pré-m ilenialism o com eçou a ser revivido com o resultado de pelo m enos quatro fatores. Prim eiro, os R eform ad o­ res vo ltaram para os patriarcas bíblicos e ap ostólicos. Isto os expôs a um pré-m i­ len ialism o ortodoxo. E specialm en te sig ­ n ificativo foi o reaparecim en to do texto com pleto de C o n tra H eresias, de Irineu (in cluin d o os últim os cin co cap ítu los), que ad ota um futurism o con sisten te e lan ça a septuagésim a sem ana de D an iel no futuro. Segundo, eles repudiavam boa parte da alegorização que dom inava a herm enêutica m edieval adotando uma abordagem mais literal, especialm ente na área da exegese gram atical e histórica. Terceiro, m uitos dos protestantes en ­ traram em contato com os judeus e apren­ deram hebraico, o que os levou a perguntar se as passagens que falam da nação de Israel deveriam ser tom adas histórica ou alegoricam ente na tradição da Idade Média. Quarto, com eçando no final do século XV, a tradução da Bíblia nas línguas n ati­ vas do povo, pela primeira vez desde os dias da Igreja Primitiva, produziu uma explosão de leitura bíblica pelo público em geral. Isto resultou em um conhecim ento geral da Bíblia, especialm ente do AT, pela primeira vez na história da Igreja. Visto que o A T fala prim eiramente de Israel, levou apenas algumas décadas para as pessoas com eça­ rem a pensar em Israel e em seu futuro. Isto tam bém contribuiu para um reavivam ento do pré-milenialismo.


A r r e b a t a m e n t o , H is t ó r ia do Joseph Mede (1586— 1638) é conside­ rado o pai do pré-milenialismo inglês, ten­ do escrito Clavis A pocalyptica (Chave do Apocalipse) em 1627, em que “ele tentou construir um esboço do Apocalipse baseado somente em considerações internas. N esta interpretação, ele defendeu o pré-milenialismo de um modo tão erudito que esta obra continuou a influenciar a interpretação escatológica por séculos” (Clouse, p. 646). Increase M ather (1639— 1723), presi­ dente do Harvard College (1685), foi um im portante puritano am ericano. N o que diz respeito à futura vinda de C risto, ele escreveu que os santos “seriam apanhados nos ares” com antecedência, desse modo escapando da batalha final. Outros começaram a falar do arrebata­ mento. Paul Benware (pp. 197-198) observa: O Reformador francês Peter Jurieu, em seu livro Approaching Delive­ rance of the Church [Livramento Futuro da Igreja] (1687), ensinou que Cristo viria nos ares para arrebatar os santos e voltaria para o céu antes da batalha do Armagedom. Ele falou de um arrebatamento secreto antes da sua vinda em glória e do juízo no A r­ magedom. Am bos os comentários de Philip Doddridge sobre o N T (1738) e de John G ill sobre o N T (1748) usaram o termo arrebatamento e falaram deste como iminente. Fica claro que estes homens acreditavam que esta vinda precederá a descida de Cristo à terra e o tempo do juízo. Jam es M acknight (1763) e Thom as Scott (1792) ensinaram que os justos serão transportados para o céu, onde estarão seguros até que o tempo do juízo termine. A mais clara referência (se não a mais desenvolvida) pré-Darby, de um arrebata­

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m ento pré-tribulacional vem de M organ Edwards (1722— 1795), que via um arreba­ tam ento distinto ocorrer três anos e meio antes do início do M ilênio. Edwards foi um pregador, evangelista, historiador e edu­ cador batista que fundou a Rhode Island College (Brown U niversity). Durante os seus dias de estudante no Sem inário B atis­ ta Bristol na Inglaterra (1742— 1744), ele escreveu um a dissertação sobre a profecia bíblica. A dissertação foi publicada na Fi­ ladélfia, em 1788, com o Dois Exercícios A cadêm icos sobre A ssuntos que Levam os Seguintes Títulos: M ilênio, Ú ltim as N o ­ vidades. Edwards escreveu: “A distância entre a primeira e a segunda ressurreição será de pouco mais de mil anos [...] devi­ do ao fato de que os santos mortos serão ressuscitados, e os vivos transformados na ‘m anifestação’ ou ‘aparecim ento’ de C risto ‘nos ares’ (1 Ts 4 .1 7 )”. •

Ele acredita que passarão mais de mil anos entre as ressurreições,

Ele associa a primeira ressurreição com o arrebatamento de 1 Tessalo­ nicenses 4-17.

Ele associa o encontro dos crentes com Cristo nos ares com João 14-2.

Ele vê os crentes desaparecendo no céu durante o período da Tribulação.

N ão há dúvida de que M organ Edwards era um pré-tribulacionista, aproxim ada­ m ente cem anos antes de Darby.

A IGREJA MODERNA Q uando o futurism o com eçou a subs­ tituir o historicism o dentro dos círculos pré-m ileniais nos anos de 1820, os propo­ nentes m odernos do pré-tribulacionism o dispensacional entraram em cena. Por vo lta de 1818, W illiam W itherby elaborou um trabalho que tinh a virtualm ente todas


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as características do futurismo m oderno. Jo h n N elson Darby (1800— 1882) afirma ter entendido pela prim eira vez o seu pon ­ to de vista do arrebatam ento, com o resul­ tado de um estudo bíblico pessoal feito durante um período de convalescen ça na casa de sua irmã, ocorrido de dezembro de 1826 a janeiro de 1827. Foi ele quem p o ­ pularizou a versão m oderna da doutrina de um arrebatam ento pré-tribulacional. A doutrina do arrebatam ento espalhou-se pelo m undo através do M ovim en­ to Brethren (“Irm ãos” ), do qual Darby era associado. Parece que através dos seus escritos, ou através das visitas pessoais à A m érica do N orte, esta versão de prétribulacionism o propagou-se, chegando a todos os evangélicos am ericanos. Dois antigos proponentes deste ponto de vista incluem o presbiteriano Jam es H. Brookes (1 8 3 0— 1897) e o b atista J. R. G raves (1 8 2 0— 1889). A posição pré-tribulacional se espalhou através da influência da era da C onferência Bíblica N iagara (NY, 1878— 1909), e rece­ beu uma am pla exposição nas populares pu­ blicações proféticas T h e Truth, Our Hope, T h e Watchword, e M aranatha. Ela também foi divulgada no livro de W illiam Backstone cham ado Jesus is Com ing (1909), na popular Scofield Reference Bible (1909) de C . I. Scofield, e outras obras. Proeminente professores bíblicos pré-tribulacionais arti­ cularam a posição no circuito da conferên­ cia bíblica nos séculos X IX e X X , incluin­ do A rno C . G aebelein (1861— 1945), A . J. G ordon (1836— 1895), Jam es M. Gray (1851— 1935), R. A . Torrey (1856— 1928), Harry Ironside (1876— 1951), John F. Strom beck (1881— 1959), Lewis Sperry Chafer (1871— 1952), A lv a J. M cC lain (1888— 1968), Charles Lee Feinberg (1909— 1995), J. Dwight Pentecost, John F. W alvoord (1910— 2002), Charles Ryrie, e Tim LaH aye.

D urante os últim os 120 anos, várias escolas, faculdades e diversos sem inários foram estabelecidos expondo o pré-tribulacionism o dispensacional. Estes incluem M oody Bible Institute, B iola U niversity, Philadelphia B iblical U niversity, D allas T h eological Sem inary, G race T h eological Sem inary, Liberty U niversity, Bob Jones University, M aster’s C ollege and S e m in a­ ry, e outros. O pré-tribulacionism o tam ­ bém é um a grande posição doutrinária em m uitas igrejas batistas, presbiterianas, pentecostais, e bíblicas independentes. N a frente popular, nada tem feito m ais para prom over a posição do arrebatam ento pré-tribulacional do que a obra Late G re ­ at Planet Earth (1970) de H al Lindsay e a série de 12 volum es Left Behind (1995— 2004) de Tim LaH aye e Jerry Jenkins.

— Thomas Ice e James Stitzinger BIBLIOGRAFIA Benware, Paul. Understanding End Times Pro­ phecy. Chicago: M o o d y Press, 1995. Clouse, Robert C. “Joseph Mede (1 58 6 — 1638)”. Em The New International Dictionary o f the Christian Church. Ed. J. D. Douglas, ed. rev. Grand Rapids: Zonervan, 1978. Crutchfield, Larry. “The Blessed Hope and the Tribulation in the A postolic Fathers”. Em When the Trumpet Sounds. Eds. Tim othy D em y e Th om as Ice. Eugene, OR: Harvest H ouse Publishers, 1995. Gumerlock, Francis. “A Rapture Citation in the Fourteenth Century”. Bibliotheca Sacra. Vol. 159, n° 635 (2002). Hannah, John. O ur Legacy: The History of Christian Doctrine. C olorado Springs: NavPress, 2001. Stitzinger, James. “The Rapture in Twenty C en­ turies o f Biblical Interpretation". M aster’s Se­ m inary Journal, 13.2 (Outono de 2002), pp. 149-171.


A r r e b a t a m e n t o Pa r c i a l

ARREBATAMENTO PARCIAL A lgu n s com en taristas da B íb lia já suge­ riram que o arrebatam ento, m encion ado em 1 T essalon icen ses 4-16-17 e 1 C o rín ­ tios 15.51-52, será apenas parcial e não in cluirá todos os que crêem . A rgu m en ­ tam que a p articip ação no arrebatam ento não se baseia na salvação, m as que se tra­ ta de algo con d icion al, baseado n a c o n ­ duta d a pessoa. Esta teoria se apóia em passagens do N T que enfatizam a vigilân cia e a obedi­ ência (M t 25.1-13; 1 Ts 5.4-8; H b 9.28). De acordo com esta visão, apenas parte da Igreja é arrebatada. A parte rem anescente fica para enfrentar a Tribulação, parcial­ m ente ou no todo. Tais textos bíblicos na verdade diferenciam os crentes genuínos, que são arrebatados, daqueles que apenas professam o cristianism o, que são d eix a­ dos para trás. T extos relacionados à se­ gunda vinda de C risto são com freqüência utilizados erroneam ente para respaldar a teoria do arrebatam ento parcial.

AS BASES DA TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL O arrebatam ento pode ocorrer a qual­ quer m om ento e incluirá todos os crentes (1 Ts 4.13-17). N ossa fidelidade a Cristo e nossa obediência à sua Palavra são, sem dúvida, determ inantes para a nossa recom ­ pensa. A s Escrituras, porém, não falam, em nenhum m omento, que alguns crentes poderiam correr o risco de perder alguma parte da sua salvação (1 C o 3.15). Algum as pessoas aceitam a teoria do arrebatam ento parcial por crerem que o pecado e a desobediência im possibilitam a ida do cristão para os braços de Cristo, de m odo que seria necessária a punição da Tribulação. A o explicar esta visão, W augh (p. 108) escreveu:

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Pois n ão são poucos — alguns são aplicad os e piedosos estu d an ­ tes da B íb lia — os que crêem na traslad ação de apenas um a parte ex p ectan te e preparada dos cren ­ tes. Eles acreditam que, a partir de Lucas 21.36, pode-se facilm ente con clu ir que aqueles que não “v i­ giarem ” não poderão “escapar de todas estas coisas que têm de su ­ ceder” . N ão serão, portan to, ac h a­ dos dignos de “ estar em pé diante do Filho do H om em ” . D e p assa­ gens com o F ilipen ses 3 .2 0 ; T ito 2.12-13; 2 T im óteo 4.8 e H ebreus 9.28, eles apreendem que serão ar­ rebatados apenas os que tiverem “esperado” , “b u scad o” e “am ado sua v in d a” . U m dos principais problem as com esta visão é que ela necessariam ente nega parte do valor da morte de C risto na cruz. Segun­ do esses teólogos, as boas obras do cristão dão a ele uma boa posição junto a Deus, tornando-o qualificado para o arrebata­ mento. A lguns defensores de tal posição baseiam -se na visão wesleyana de que a santificação plena é necessária para que a pessoa seja levada no arrebatam ento. R e­ denção, no entanto, significa em essência que Cristo pagou com pletam ente o preço pelos nossos pecados. C om o todos os p e­ cados foram punidos e remidos, Deus não voltará a punir os cristãos, deixando-os de fora do arrebatamento. O s defensores do arrebatam ento par­ cial recorrem a ainda outras passagens para com provar sua visão (M t 25.1-13; Ef 2.2122; 5.27,30; 1 C o 15.23). Quando, porém, estudamos estes textos em seu contexto, verificamos que não respaldam a visão de um arrebatam ento parcial. A pós estudar os textos que fundam entam o arrebatam ento parcial, Dawson (p. 46) escreveu: “Essas


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passagens claram ente demonstram que cada membro da Igreja, o corpo de C ris­ to, que tenha verdadeiram ente nascido de novo será arrebatado na ocasião do retorno do Senh or”.

OS PROBLEMAS DA VISÃO DE UM ARREBATAM ENTO PARCIAL A teoria do arreb atam en to p arcial n ão con segu e ser c o n v in c en te por in ú ­ m eros outros m otivos. Em prim eiro lu ­ gar, 1 C o rín tio s 15.51 diz que “to d o s” serem os tran sform ad os. Em segundo lugar, um arreb atam en to p arcial lo g ic a ­ m en te exig iria que, em p aralelo, h o u ­ vesse um a ressurreição p arcial, que n ão é en sin ad a em n en h um a p arte das E scri­ turas. Em terceiro lugar, um arreb ata­ m en to p arcial reduziria e p raticam en te elim in aria a n ecessid ad e do T ribu nal de C risto . Em quarto lugar, criaria um tipo de “p u rg ató rio ” na terra p ara os crentes que fossem d eix ad o s. Em q uin to, o ar­ reb atam en to p arcial n ão é en sin ad o em n en h u m a p arte das Escrituras. O arre­ batam en to d a Igreja será to tal, plen o e co m p leto , n ão p arcial. Dwight Pentecost opôs-se ao arrebata­ m ento parcial pelo fato de este estar funda­ m entado nos seguintes “m al-entendidos”: 1. O arrebatamento parcial fundam en­ ta-se em uma compreensão errônea do valor da morte de Cristo, mor­ mente quanto ao seu valor para livrar o pecador da condenação e tom á-lo aceitável a Deus. 2. Os defensores do arrebatamento par­ cial são obrigados a negar a doutrina neotestamentária da unidade do cor­ po de Cristo. 3. N a defesa dessa visão, é preciso re­ pudiar a completude da ressurreição dos crentes no arrebatamento.

4· O s partidários do arrebatam ento parcial confundem os ensinos das Escrituras quanto às recompensas. 5. U m defensor do arrebatamento par­ cial não consegue enxergar as dife­ renças entre a lei e a graça. 6. U m defensor do arrebatam ento p arcial tem n ecessariam ente de negar a d istin ção entre Israel e a Igreja. 7. Aqueles que crêem em um arrebata­ mento parcial colocam parte da Igre­ ja fiel na Tribulação. M uitos desses, com sinceridade, acre­ ditam que é necessário exortar os outros crentes a preparar-se para o arrebatam en­ to, e não apenas confiar que serão arreba­ tados independentem ente de com o vivam . Este cuidado é certam ente necessário, mas não tem nada a ver com a determ inação de quem será ou não arrebatado. U m a so­ lução definitiva para esta questão requer um a correta com preensão da doutrina da salvação e um a exegese das passagens b í­ blicas acerca do arrebatam ento.

—Elmer Towns e Richard Mayhue BIBLIOGRAFIA Clouse, R. C. “Rapture o f the C h u rc h ”, em Evangelical D ictionary o f Theology, edita­ do por Walter Elwell. Grand Rapids: Baker Books, 1 984. Daw son, J. E. M. Present D a y Problems. London: Pickering & Ingalls, 1 940. LaHaye, Tim. The Rapture. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 2002. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1975. Waugh, Thom as. When Jesus Comes. London: Charles H. Kelly, 1901.


A r r e b a t a m e n t o P r é -I r a

ARREBATAMENTO PRÉ-IRA A teoria do arrebatam ento pré-ira ensina que o D ia do Senhor, o tempo da ira divina sobre a terra, terá início em algum m om en­ to durante a segunda m etade da septuagé­ sim a sem ana de Daniel, e que o arrebata­ m ento da Igreja o precederá im ediatam en­ te (Rosenthal, p. 35). De acordo com esta opinião, o D ia do Senhor será introduzido pelas perturbações cósm icas associadas ao sexto selo do juízo e terá início com a aber­ tura do sétimo selo. A Igreja sofrerá perse­ guição pelo A nticristo durante os prim ei­ ros 63 meses da septuagésima sem ana de Daniel, embora proponentes deste ponto de vista afirmem que a presença desta per­ seguição não invalida a bem -aventurada esperança (T t 2.13). N a verdade, os selos são a garantia da segurança eterna para os crentes que sofrerem o martírio duran­ te este período de 63 meses. O A nticristo pode ferir os seus corpos, mas não as suas almas, do mesmo m odo que Satan ás tratou a Jó (Rosenthal, pp. 144-45). Este período de 63 meses é um tempo da ira do homem, que deve ser distinto dos 21 meses finais da Tribulação, nos quais o mundo experim en­ tará a ira de Deus, ou o D ia do Senhor. De acordo com os proponentes originais deste ponto de vista, o termo arrebatamen­ to pré-ira distingue esta opinião das outras posições sobre o arrebatamento, afirmando que a Igreja será salva das mãos do A nticris­ to antes da ira de Deus ser derramada sobre a terra. Esta opinião diverge das outras no que diz respeito ao tempo exato do evento do arrebatamento e das definições dos eventos que levam à segunda vinda de Cristo. A perspectiva pré-ira teve o seu início em uma série de discussões entre M arvin Rosenthal e Robert Van Kam pen em 1986. Em 1990, Rosenthal apresentou o seu li­ vro, The Pre-Wrath Rapture of the Church,

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com o um novo entendim ento do arrepen­ dim ento, da Tribulação e da segunda vinda de Cristo. Em 1992, V an K am pen publicou a obra The Sign, em que ele tentou harm o­ nizar as passagens do tem po do fim em am ­ bos os Testam entos (Van Kam pen, p. 13), e em 1997 ele lançou a obra The Rapture Question Answered com o outro argumento para a posição pré-ira. Os que defendem o arrebatam ento préira ensinam que a Igreja entrará no período de sete anos que precede o retorno físico de Cristo à terra (a septuagésim a sem ana de D aniel) e enfrentará a tribulação deste período e o próprio A nticristo. Esta septu­ agésim a sem ana de D aniel (D n 9.24-27) contém três características principais: O princípio das dores, a Grande Tribulação, e o D ia do Senhor.

0 PRINCÍPIO DAS DORES A prim eira m etade da septuagésim a se­ m ana de D aniel (3 anos e meio) é inicia­ da quando o A nticristo firma um concerto para proteger Israel (D n 9.27). Durante este período, ocorrem a abertura dos pri­ meiros quatro selos (A p 6.1-8) e a aposta­ sia (2 Ts 2.3-4). Tam bém haverá guerras e rumores de guerras, nação se levantará contra nação, falsos messias aparecerão, e fomes, terremotos e pestes ocorrerão em vários lugares (M t 24-4-8).

A GRANDE TRIBULAÇÃO N o meio da septuagésima sem ana de Daniel, o Anticristo usará Jerusalém como seu posto de comando em sua artimanha para proteger Israel (Dn 11.42-45). Ele eri­ girá uma estátua a si mesmo no Templo (2 Ts 2.3-4), e os judeus se darão conta do seu verdadeiro caráter e identidade. Este evento é conhecido como “abominação desoladora” (Dn 9.27; 11.31; M t 24-15) e dará início ao período de perseguição tão severa que le­ vou o próprio Cristo a dizer: “E, se aqueles


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A r r e b a t a m e n t o P r é -I r a

dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (M t 24.22). Este é um tempo da ira do homem contra o homem, quando Satanás dará poder ao Anticristo para tentar extinguir os escolhi­ dos de Deus (A p 12.12-17). A abertura do quinto selo dá início à Grande Tribulação, e o sexto selo a findará (A p 6.9-17).

Rosenthal cita um rabino judeu francês cha­ mado Rashi que viveu entre 1040 e 1105 como autoridade no uso da palavra hebrai­ ca, que significa literalmente “ficar parado”. Ele alega que Miguel, em D aniel 12.1, será colocado de lado ou ficará inativo em sua função especial de guardião de Israel. A ina­ tividade de Miguel constitui a remoção da resistência que atualmente limita a impie­ dade de Satan ás (Rosenthal, pp. 256-257).

O D I A D O SENHOR Esta é a expressão final da ira de Deus, resultando no juízo divino. Durante o sexto selo, os hom ens fogem para escapar desta ira. O D ia do Senhor com eça com o sétimo selo. A njos tocam trombetas anunciando a ira de Deus e derramam taças de ira sobre a terra dando início aos resultantes juízos das trombetas. O s que defendem o arreba­ tam ento pré-ira vêem nesta atividade an­ gelical uma distinção entre a ira do homem contra o homem, na abertura dos selos, e a ira de Deus contra a injustiça, nos juízos das trombetas e das taças. Quando o sétimo selo é aberto, os juízos das trombetas e das taças são progressivamente liberados, abrangendo um amplo derramamento da ira de Deus. De acordo com aqueles que defendem o arrebatamento pré-ira, o arrebatamento ocorre na abertura do sétimo selo em con­ junto com o som da última trombeta (1 C o 15,51-52). Assim , o sétimo selo dá início tanto ao arrebatamento da Igreja como ao Dia do Senhor. Esta vinda de Cristo é um evento único, e ocorre 21 meses depois da abominação da desolação (que ocorre no meio da septuagésima sem ana de Daniel). Durante os próximos 21 meses, os juízos das trombetas e das taças são executados e C ris­ to permanece continuam ente n a terra. Tanto Rosenthal como Van Kampen ar­ gumentam que aquele que resiste, m encio­ nado por Paulo em 2 Tessalonicenses 2.7, é Miguel, o arcanjo. O argumento baseia-se no verbo hebraico amad em Daniel 12.1.

PRÉ-IRA E IMINÊNCIA A doutrina da im inência defende que Cristo pode vir para arrebatar a sua Igreja a qualquer m omento. O s crentes n a Igre­ ja Primitiva, incluindo o apóstolo Paulo, criam que C risto poderia vir durante o pe­ ríodo de suas vidas (1 Ts 1.10; 4.13-15; T t 2.13). A Igreja vê esta doutrina com o um incentivo para o m inistério e para a vida cristã. Será que isto significa que a vol­ ta de C risto para buscar a Igreja ocorrerá a qualquer m omento, sem qualquer sinal, um evento que não será precedido por n e ­ nhum evento profetizado e que ainda não foi cumprido? O s que defendem o arreba­ tam ento pré-ira argum entam que Cristo poderia vir em qualquer geração, mas que os sinais anunciarão o tempo geral. Estes sinais incluem: (1) o surgimento do A n ti­ cristo, (2) guerras e rumores de guerras, (3) fome, (4) peste, e (5) perturbação cósmica. O s que defendem o arrebatam ento pré-ira enfatizam a expectativa dos crentes com relação ao retorno de C risto em vez de sua im inência. Esta expectativa da volta de Cristo é o catalisador para uma vida santa.

PRÉ-IRA E PRÉ-TRIBULAÇÃO Pelo fato de a teoria pré-ira ser freqüen­ tem ente descrita por alguns com o pré-tri­ bulacional, é im portante notar que a teoria na verdade diverge do ponto de vista do arrebatam ento pré-tribulacional. Quatro áreas são dignas de nota:


A r r e b a t a m e n t o P r é -I r a

A Ira do Homem e a Ira de Deus A divisão da pré-ira da septuagésima sem ana de Daniel em três seções é um es­ forço arbitrário, torcendo a verdade de que a septuagésima semana de Daniel como um todo é um tempo da ira de Deus. Os prétribulacionistas consideram todo o período de sete anos como um tempo da ira de Deus. A pocalipse 6.16-17 é uma declaração resu­ mida de que os primeiros seis selos contêm a ira do Cordeiro, sob a qual o povo pergunta: “Quem poderá subsistir?” A passagem não diz que o derramamento da ira de Deus ainda está por vir, como alegam os que defendem a pré-ira, mas que a ira já está sendo derra­ mada. Com o um cumprimento da promessa de A pocalipse 3.10, a Igreja foi removida da “hora da tentação”, não estando sujeita a esta como um tempo de menor tribulação.

A Segunda Vinda e o Arrebatamento Os que defendem o arrebatam ento préira encontram o arrebatam ento em M ateus 24-40-41 e Lucas 17.20-37. Estas passagens são similares a reconhecidas passagens que falam do arrebatam ento (Jo 14-1-3; 1 C o 15.51-53; 1 Ts 4.13-18), porém não descre­ vem o mesmo evento. N o arrebatam ento, os crentes se encontram com Cristo nos ares; na segunda vinda, os pés de Cristo to­ cam o m onte das O liveiras (Zc 14-4)· N o arrebatam ento, os santos no céu não vêm para a terra; na segunda vinda, Cristo lide­ ra os exércitos do céu que virão à terra (A p 19.11-16). N o arrebatam ento, os crentes são tirados da terra, porém os descrentes são deixados para que entrem na Tribula­ ção; na segunda vinda, os descrentes são tirados da terra, e os crentes são deixados para que entrem no reino m ilenial.

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levando-se em consideração o ministério protetor especial de Miguel em relação a Israel. Os pré-tribulacionistas geralmente vêem o Espírito Santo como aquele que re­ siste e entendem que Ele permanece na ter­ ra, mas permite que Satanás cause o mal que prevalece durante o período da Tribulação.

Iminência Os pré-tribulacionistas defendem que o arrebatam ento da Igreja é a bem -aven­ turada esperança (T t 2.13), para a qual os crentes olham. E um evento que pode ocorrer “a qualquer m om ento” e não preci­ sa ser precedido por nenhum outro evento profético. C om o resultado, ele é um ca­ talisador para uma vida santa e para uma expectativa posterior. O s que defendem o arrebatam ento pré-ira vêem pelo menos cinco sinais que devem ocorrer primeiro, e depreciam a idéia de um arrebatam ento “a qualquer m om ento” , referindo-se à expec­ tativa em vez da im inência. A posição do arrebatam ento pré-ira e a posição do arrebatam ento pré-tribulacional são claram ente distintas, e as Escrituras favorecem o pré-tribulacionismo.

— Tony Kessinger BIBLIOGRAFIA LaHaye, Tim. The Rapture. Eugene, OR: Harvest H ouse Publishers, 2002. MarcosLean,

John

A.

“Another

Look

Atos

Rosenthal's Pre-Wrath Rapture”. Bibliotheca S acra 148, O utubro de 1 991, pp. 388-398. Rosenthal, Marvin. The Pre-Wrath Rapture o f the Church. Nashville: T h om as Nelson, 1990. Stanton, Gerald B. “A Review of the Pre-Wrath Rapture of the C hurch”. Bibliotheca Sacra

Aquele que Resiste O ponto de vista pré-ira defende a idéia bastante inventiva de que Miguel, o arcan­ jo, é aquele que resiste. Este conceito falha,

148, Janeiro de 1 991, pp. 91-112. Van Kam pen, Robert. The R apture Q uestion A nsw ered. G rand R apids: Flem ing Revell, 1997.


Ba b il ô n ia

100

BABILÔNIA A cidade de Babilônia, localizada a cerca de 80 km ao sul da atual Bagdá, é um a das cidades m ais antigas do m undo, a segun­ da m ais influente sobre a terra. Fundada aproxim adam ente cem anos após o D ilú­ vio, por um grupo de descendentes rebel­ des de N oé, B abilôn ia foi um viveiro de idolatrias e heresias. A Bíblia a m enciona por 280 vezes. Som ente Jerusalém ultra­ passa esta m arca, sendo m encionada por m ais de 300 vezes. Babilônia bem poderia ser cham ada de “cidade de Satan ás”, pois rapidamente tornou-se a fonte de todo tipo de heresias e blasfêmias. A cidade cresceu em sua influ­ ência e rebeldia contra Deus. O Senhor, ao castigá-la, “confundiu a linguagem de toda a terra” na Torre de Babel, dispersando o povo (G n 11.9). Em torno de 600 a.C ., o rei N abucodonosor transform ou a B ab ilôn ia em um p oderoso im pério pagão — um centro de religião, com ércio e governo. A cidade d eve ter sido a m ais poderosa m onarquia da h istória m undial. A p ó s algum tem ­ po, Deus enviou os filhos de Israel para a B ab ilô n ia com o p un ição p ela adoração de ídolos. Lá, por interm édio do profeta D an iel, Deus ensinou que “h á um Deus nos céus que revela segredos” . O tem po de Israel n a B ab ilôn ia curou os filhos de Israel, de um a vez por todas, de sua ten ­ d ên cia à idolatria. O controle e a influência da Babilônia, contudo, não duraria para sempre. Isaías e Jerem ias profetizaram o fim de seu dom ínio sobre o mundo. A Babilônia caiu em uma única noite sob Ciro, rei da Pérsia, em 539 a.C ., deixando de ser um poder mundial. C om o tempo, a cidade da Babilônia se transformou em um m onte de escombros, tal qual o profeta profetizara.

A TO RRE DE BABEL O s p lan os d ivin os p ara a B abilôn ia, no que diz respeito ao fim dos tem pos, rem ontam ao relato h istórico da Torre de B abel (G n 11). E sta p arte das E scri­ turas registra a prim eira rebelião m undial con tra Deus. L ogo após o D ilúvio, Deus m andou que a h um anidade se espalhasse sobre a terra (G n 9 .7 ). S o b a liderança de N in ro d e (G n 10.8-12), os hom ens ac a ­ baram se aglom erando n a terra de S in ar (G n 11.2). Lá, construíram um a cidade e ergueram um a torre que deveria chegar ao céu (G n 11.4). T ratava-se de um a rebelião espiritual. Estes prim eiros sedentários provavelm en ­ te plan ejaram o zigurate com o um tem plo para adoração das estrelas (H itch co ck , p. 4 1 )· Foi tam bém em B abel que surgiu a infam e adoração à m ãe e seu bebê. S e ­ gundo fontes extrab íblicas, a esposa de N in rode, Sem iram is, teve um filho c h a ­ m ado Tamuz, que teria sido concebido de form a supostam ente m iraculosa. C o n ­ form e a tradição, Tamuz foi m orto por um anim al selvagem e m iraculosam ente ressuscitou (W alvoord, p. 9 7 0 ). C om o tem po, a lenda de Sem iram is e Tamuz espalhou-se pelo m undo, m as os nom es de seus personagens foram alterados c o n ­ form e cad a cultura, N a A ssíria, a m ãe cham ava-se Ishtar, e o filho, Tamuz. N a F enícia, eram A staro te e Baal. N o E gi­ to, Isis e O síris, ou H órus. N a G récia, eram A fro d ite e Eros, Em R om a, Vênus e o cupido (H itch co ck , p. 4 2 ). B abilôn ia tornou-se a “m ãe das p rostitu ições” , e a p rin cipal influência em todas as culturas que se seguiram (G arlan d ). De acordo com G ên esis 11.5-9, Deus frustrou esta ap ostasia de dim ensões m undiais ao confundir o idiom a de seus construtores e im pedir que se com u n icas­ sem uns com os outros. A ação de Deus teve um propósito. E xistin d o um único


Ba b il ô n ia governo, S atan ás poderia desviar a h u ­ m anidade da verdade sem m aior esforço se este governo caísse nas m ãos de forças contrárias a Deus. M as com a existên cia de m uitas nações, as que não se curvassem às forças de S atan ás poderiam , de certa form a, agir em con ju n to para restringir a ação do m al. Por esse m otivo, desde o in cidente com a Torre de Babel, Deus decretou que as n ações se organizassem segundo suas fronteiras, e não sob um governo global (D t 23.8; A t 17.26). O propósito de S atan ás ao longo da h istória tem sido subverter a estrutura de n ações estab elecid a por Deus. Ele d eseja voltar a reunir o m undo debaixo de um único governo, a fim de m ais um a vez poder controlá-lo por interm édio de um único hom em (H itch co ck , p. 4 3 ). A am bição de S atan ás, portan to, tem sido sem pre a m esm a: trazer o hom em de v o lta para a B abilôn ia, sob sua autoridade. O fato de a rebelião h um ana poder levar-nos, em um único dia, de v o lta ao com eço de tudo não causa surpresa algum a. Vem os diversas situações correlatas nos livros de G ên esis e A po calip se.

A BABILÔNIA NO LIVRO DE APOCALIPSE Existem muitas teorias sobre a identi­ dade da Babilônia no livro de Apocalipse. A lguns estudiosos acreditam que “Babilô­ nia” simboliza Rom a. U ns poucos (em sua maioria, intérpretes preteristas) atribuem o título à Jerusalém do primeiro século. Para outros com entaristas, João usa o termo “Babilônia” com o um a m etáfora para um sistem a m undial de corrupção. Existem, contudo, muitas profecias so­ bre a cidade literal da Babilônia que ainda não se cumpriram. A tualm ente, os autores acreditam que, na Tribulação vindoura, o A nticristo dom inará o mundo a partir de uma Babilônia reconstruída, às margens do rio Eufrates, na m oderna nação do Iraque.

10 1

PROFECIAS VETEROTESTAM ENTÁRIAS Isaías 13— 14 e Jerem ias 50— 51 des­ crevem a destruição da Babilônia. Embora tenha caído sob o Império M edo-Persa (Dn 5.31), em 539 a.C ., a queda da Babilônia histórica não com bina com a linguagem cataclísm ica encontrada em Isaías e Je ­ remias. Para tais profecias serem perfei­ tam ente cumpridas, Babilônia terá de ser reconstruída e voltar a ser destruída, con­ forme os detalhes específicos apresentados em Isaías e Jerem ias. Zacarias 5.5-11 afirma que, conforme a vontade de Deus, a iniqüidade, o comércio e a religião hum ana voltarão mais uma vez para a Babilônia. C om o Babilônia já tinha caído (539 a.C .) ao tempo desta profecia (519 a.C .), a visão de Zacarias parece pre­ dizer uma Babilônia reconstruída no futu­ ro. A pocalipse 17— 18 registra as circuns­ tâncias em que esta visão será cumprida.

APOCALIPSE 17— 18 A pocalipse 17 apresenta um a mulher com um título inscrito em sua testa: “M is­ tério, A Grande Babilônia, A M ãe das Prostituições e A bom inações da Terra” (A p 17.5). Dos 404 versículos de A p o ca­ lipse, 278 aludem ao AT. Q uando o A T usa a palavra “Babilônia”, sempre diz respeito à Babilônia literal. Provavelm ente, o mesmo tam bém é válido para A pocalipse. A histó­ ria hum ana, em algum m omento, voltará para onde tudo com eçou. N a m esma região onde o primeiro imperador da hum anida­ de levou todos a uma rebelião política e religiosa contra Deus, o futuro A nticristo tam bém conduzirá a últim a revolta cole­ tiva antes da volta de Cristo. Entretanto, “o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o R ei dos reis” (A p 17.14). A s autoridades econôm icas e políticas m undiais lam entarão pela Babilônia (A p 18.9,11), mas Deus será louvado quando os fiéis clamarem: “A leluia! Salvação, e gló-


B e n d it a E sp e r a n ç a

102

ria, e honra, e poder pertencem ao Senhor, nosso Deus” (A p 19.1).

—Andy Woods e Tim LaHaye BIBLIOGRAFIA Dyer, Charles H. The Rise o f Babylon, edição re­ visada. Chicago: M o o d y Publishers, 2003. Garland, Tony. “Revelation C om m entary”. A ce s­ sado pela Internet no endereço http://www. spiritandtruth.org, em 1 de Março de 2004. Hitchcock, Mark. The Second C om ing o f B a­ bylon. Sisters, Oregon:

M ultnom ah

Publi­

shers, 2003. Pink, Arthur. The Antichrist. Swengel, Pennsyl­ vania: I. C. Herendeen, 1923. T h om as,

Robert

L.

Revelation

8 — 2 2: A n

Exegetical Com m entary. Chicago: M o o d y Press, 1 992. W alvoord, John F. “Revelation”, em The Bible Knowledge Com m entary, editado por John

cluído, Deus Pai declarará: “Satanás, Eu já o tolerei no meu céu por m uito tempo! M i­ guel, lance-o fora!” N esta ocasião, de acordo com A p o ­ calipse 12.7, “houve batalha no céu”. Os adversários são M iguel e seus anjos que lutam contra o dragão (Satan ás) e seus anjos (os dem ônios). A batalha é curta e o resultado, indiscutível — Satan ás e seus anjos “não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus” (A p 12.8). Em ­ bora este evento ainda seja futuro, o seu acontecim ento e resultado são tão certos que são descritos no tempo passado do ver­ bo. C om o resultado desta batalha, Satan ás e seus anjos serão lançados à terra e virão com um a vingança contra a nação de Is­ rael, em um inútil esforço de destruí-la e frustrar a prom essa que Deus fez a A braão, de fazer de Israel um a grande nação (D n 12.1; A p 12.9-17).

F. W alvoord e Roy B. Zuck, 2 volum es. C o ­

— Paul Fink

lorado Springs, Colorado: Chariot Victor Pu­ blishing, 1 983.

BIBLIOGRAFIA

BATALHA NO CÉU Durante a primeira parte dos sete anos seguintes ao arrebatam ento da Igreja, en­ quanto o juízo de Deus é derramado sobre a terra, a Igreja com parecerá ao Tribunal de Cristo. S ão dois os objetivos deste ju ­ ízo: determ inar as recom pensas eternas a serem dadas aos crentes da era da Igreja e demonstrar que estes possuem a justiça de C risto; portanto, de forma justa pertencem ao céu. O acusador, aparentem ente, será o próprio Satanás. Ele tentará em vão pro­ var que cada santo não merece o seu lugar no céu e deveria ser banido da presença de Deus. O juízo durará três anos e meio. Satan ás não conseguirá condenar nem um único santo. Q uando o juízo estiver con­

Hindson, Ed. The Book o f Revelation. Chatta­ n o o ga A M G Publishers, 2002. Walvoord, John F. The Prophecy Know ledge Flandbook. Wheaton, IL: Victor Books, 1990. ------. The Revelation of Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1 966.

BENDITA ESPERANÇA E sta é um a exp ressão que d escreve o arreb atam en to da Igreja. E ntre 63 e 65 d .C ., Paulo escreveu a T ito, seu jovem d iscíp u lo gen tio, sobre com o viver na p resen te era (2 .1 2 ), afirm ando, em se ­ guida, que a graça de Deus in strui os fi­ éis a “ [aguardar] a b en d ita esp eran ça e a m an ifestação da glória do nosso grande


B e n d it a E s p e r a n ç a D eus e S alv ad o r C risto Je su s” (2 .1 3 ). Paulo exorta os crentes a aguardar a b e n d ita esp eran ça en q u an to viverem na presen te era, ou seja, na era da Igreja. Isto sin aliza que o arreb atam en to virá an tes da G ran d e T ribulação.

A BENDITA ESPERANÇA A “bendita esperança” em Ti to 2.13 poderia ser m elhor traduzida por “jubilosa expectativa” (gr. makaria elpida). Esta es­ perança, que certam ente se realizará, pode tam bém produzir grande alegria, na medida em que os crentes aguardam ansiosam ente a redenção definitiva. A queles que são ago­ ra capacitados pela graça de Deus vivem a ansiosa expectativa de deixar este mundo antes que venham os horrores da tribula­ ção. Em 1 Tessalonicenses 1.9-10, Paulo m enciona que os crentes daquela igreja aguardavam o retom o de Cristo. Trata-se com certeza de um a referência ao arrebata­ mento. O s crentes daquele lugar aguarda­ vam o retom o pessoal de Cristo a qualquer m omento. Esta é a atitude correta de um filho de Deus que está sempre pronto para a volta do Senhor.

0 APARECIMENTO DA GLÓRIA DE DEUS E sta “m an ifestação” tam bém p o d e­ ria ser traduzida por “oferecer-se à v is­ ta, brilhar” . “G ló ria” , no texto grego, é doxa, e diz respeito à reputação, à honra e ao esplendor de Deus. A lgu m as p esso­ as traduzem esta passagem com o “m a­ nifestação glorio sa” , m as “m an ifestação da glória” é m ais literal e ap on ta para a glorificação de C risto, agora n o céu. S u a glória aparecerá! A segunda ocorrência do artigo “a ” não con sta no texto grego. A passagem ficaria m elhor traduzida sem ele: “a bendita esperança, m an ifestação da g ló ria...” , o que in dicaria que o texto se refere a um único even to, visto a partir de duas perspectivas. Para os crentes, é

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realm ente a ben d ita esperança, a tão a l­ m ejada concretização desta.

NOSSO GRANDE DEUS E SALVADOR CRISTO JESUS Esta é uma frase realm ente extraordiná­ ria na carta de Paulo a Tito. Ela assevera o fato de que C risto é o próprio Deus, sendo um importante testem unho da doutrina da Trindade. Patrick Fairbairn, estudioso do grego, afirma que as duas expressões, “gran­ de Deus” e “Salvador”, são atributos da m esma Pessoa. Ele acrescenta que diversos pais da igreja, tanto de língua grega como latina, fazem referência a esta passagem e claram ente com preendem que a referência a Deus tam bém diz respeito a C risto (Fair­ bairn, p. 281). Kenneth W uest destaca que a estrutura gram atical de “bendita esperança, m anifes­ tação da glória” é a m esma de “nosso gran­ de Deus, Salvador, C risto Jesus” . Ele ainda com enta que o deus e salvador do Império Rom ano era o próprio imperador. O Deus e Salvador dos cristãos é C risto Jesus, a quem aguardamos retornar dos céus. E possível que Paulo estivesse fazendo um protesto contra a adoração do imperador romano. W uest acrescenta que “as duas expressões referem-se ao mesmo indivíduo. A divin­ dade do Senhor Jesus é salientada por uma regra de sintaxe da língua grega” (Wuest, vol. 2, p. 195). S erá que o próprio D eus Pai descerá para resgatar a Igreja? N ão . Ele é Espírito e n ão pode ser visto. O Filho será v isí­ vel e ele é o grande D eus. A divindade de C risto é gram aticalm ente in qu estio­ nável. O N T , em nenhum m om ento, m en cion a o aparecim ento de D eus Pai, m as apenas do Filho. Paulo afirma aqui que o aparecim ento, ou epifania, de J e ­ sus C risto finalm ente se dará. E ntão, Ele, que é p essoalm ente “nosso grande Deus e S alv ad o r” , virá em tod a sua glória, que


Besta

104

tran scenderá tudo o que n ossa im agin a­ ção é capaz de conceber.

—Mal Couch BIBLIOGRAFIA Couch, Mal, editor. A Pastor’s M anual on D oing Church. Springfield, M issouri: 2 1 st Century Press, 2002. Fairbairn, Patrick. C om m en tary on the Pastoral Epistles. Grand Rapids: Zondervan, 1956. K n ight

III,

George.

The

Pasto ral

Epistles.

Grand Rapids: Eerdm ans P u b lish in g C o m ­ pany, 1 996. LaHaye, Tim. The Rapture. Eugene, Oregon: Harvest H ouse Publishers, 2002. Show ers, Renald E. Pre-Wrath Rapture View. Grand Rapids: Kregel, 2001. Wuest, Kenneth S. Wuest’s Word Studies. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Company, 1998.

BESTA N ão resta a menor dúvida de que a Besta do livro de A pocalipse é o Anticristo que os apóstolos Paulo e João descrevem em suas epístolas. A palavra “besta” (gr. theenon) sig­ nifica “animal selvagem”. Em Apocalipse, a primeira ocorrência desta palavra está em 11.7, onde a besta sobe do abismo e m ata as duas testemunhas que convenciam o mun­ do da sua iniqüidade. Dizer que ela emerge das profundezas pode apenas significar que é inspirada pelo âmago do coração de Satanás. Noutras passagens das Escrituras, ela é des­ crita como um a criatura terrena e racional, não apenas como uma criatura demoníaca. A o destacar-se no cenário mundial, o A n ti­ cristo deverá ser o mais poderoso e repulsivo ser humano sobre a terra. Ele agirá como a ferramenta do Diabo para a destruição física e espiritual da humanidade.

A Besta surge de entre as nações (“o m ar”; A p 13.1) e induz o m undo a segui-la (v. 3). O Falso Profeta, tam bém denom i­ nado “a besta” (vv. 11-12), leva o m undo a adorar a prim eira Besta e até faz desta um a im agem (v. 15). A B esta é identifi­ cada por um m isterioso núm ero, o 666 (v. 18; 16.2), cujo significado exato jam ais foi identificado pelos estudiosos. Q uando vierem os eventos da tribulação e a Bes­ ta entrar em cena, os verdadeiros cristãos provavelm ente serão capazes de reconhecê-la por algum a característica identifica­ da pelo núm ero “6 6 6 ” . Perto do fim da G rande Tribulação, a Besta controlará os últim os grandes g o ­ vernantes e reis da terra (17.7-18). Ela os levará a atacar e destruir a grande meretriz do livro de A pocalipse, que “é a grande c i­ dade que reina sobre os reis da terra”. N os últim os instantes da tribulação, a Besta levará os reis da terra a “fazerem guerra” contra Jesus C risto, que enfrentará todas as nações reunidas para o conflito final na batalh a de A rm agedom (19.1 1 -1 9 ). O fim da B esta será repentino. A o fim da tribu­ lação, ela será tom ada junto com o Falso Profeta, e am bos serão “lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com e n ­ xofre” (19.20). Os dez chifres de A pocalip se 17.7 com ­ binam com os dez chifres de D an iel 7.7. S ão os líderes das nações que fazem par­ te do últim o grande im pério m undial, ou seja, o Im pério R om ano restaurado. Trata-se do m esmo im pério visto por D aniel, que é descrito com o “o quarto anim al” , o qual é “terrível, espantoso e sobrem odo forte” . Isto está obviam ente relacionado à Besta do A pocalipse. E im portante, no entanto, observar que D an iel descreve um a entidade geográfica e política, en ­ quanto João, em A pocalipse, se refere a um a personalidade. A B esta de Jo ão não é apenas um a força, nação ou poder, mas


B o d a s d o C o r d e ir o apresenta todas as características de uma personalidade. Trata-se de um outro “c h i­ fre” , ou do “pequeno chifre”. C om o des­ creve D aniel, ele surge de entre as nações e possui “olhos, com o os de hom em , e um a boca que [fala] com in solência” . Isso signi­ fica que ele possuirá a sabedoria do m undo e controlará as nações com seus discursos (D n 7.8). E a m esm a B esta descrita por João em A pocalipse. N o NT, o Anticristo é chamado de “a besta” por aproximadamente 32 vezes — e isto apenas em Apocalipse. Já o termo “A n ti­ cristo” é mencionado em 1 João 2.18, apesar de o apóstolo João também falar sobre o espí­ rito do Anticristo, que estimula a negação de Deus Pai (v. 22), e sobre um ardil que possui a natureza do Anticristo (4.3; 2 Jo 7). O após­ tolo Paulo menciona-o com grandes detalhes em 2 Tessalonicenses 2, descrevendo-o como o iníquo “cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodí­ gios de mentira” (v. 9; veja também os verbe­ tes “A nticristo” e “Falso Profeta”.)

—Mal Couch BIBLIOGRAFIA Balz, Horst e Schneider, Gerhard. Exegetical D ictionary o f the New Testament. 3 volum es. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing C o m ­ pany, 1994. Couch, Mai, editor geral. A Bible Handbook to Re­ velation. Grand Rapids: Kregel, 2001 Froom, Leroy Edwin. The Prophetic Faith o f O ar Fathers. 4 volum es. W ashington, dc: Review and Flerald, 1 954. Flindson, editor. The Book o f Revelation. Chatta­ nooga: A M G Publisher, 2002. Pink, Arthur W. The Antichrist. Grand Rapids: Kregel, 1988. Thom as, Robert L. Revelation 8— 22: A n Exe­ getical Comm entary. Chicago: M o o d y Press, 1995.

105

Tucker, W. Leon. Studies in Revelation. Grand Rapids: Kregel, 1980. Walvoord, John F. The Revelation o f Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1966.

BODAS DO CORDEIRO A Bíblia descreve muitos casam entos. Ο próprio Deus celebrou o primeiro de to ­ dos os casam entos (G n 2.18-25). Dentre alguns casam entos célebres, podem os des­ tacar o de Jacó e L ia (G n 29.21-25), o de Rute e Boaz (R t 4), o de A cabe e Jezabel (1 Rs 16.29-31), e o casam ento em C aná, onde Jesus C risto realizou seu primeiro m i­ lagre (Jo 2.1-11). N o entanto, o mais maravilhoso dos ca­ samentos ainda está por vir. Jesus profetizou acerca dele por meio de parábolas (M t 22.2; 25.1; Lc 12.35-36) e João descreveu o que Deus lhe mostrou em uma visão: “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (A p 19.7). O anfitrião deste casam ento será Deus Pai. Ele é descrito preparando a cerimônia e enviando seus servos para chamar os convi­ dados (Lc 14.16-23). O noivo é Jesus Cristo, o Filho amado do Pai (M t 3.17; 17.5). Em João 3.27-30, João Batista referiu-se a Jesus como “esposo” e a si mesmo como o “am i­ go do esposo”. Em Lucas 5.32-35, Jesus, em uma alusão a sua morte, disse: “Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e, então, naqueles dias, jejuarão”. A identidade da n oiva tam bém é evi­ dente. O apóstolo Paulo, a respeito da Igre­ ja, escreveu: “ [...] porque vos tenho prepa­ rado para vos apresentar com o um a virgem pura a um marido, a saber, a C risto” (2 C o 11.2). Posteriormente, aos efésios, ele es­ creveu: “Vós, maridos, am ai vossa mulher, com o tam bém C risto am ou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25).


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B o d a s d o C o r d e ir o

O N T retrata o relacionam ento entre C risto e a Igreja segundo as características de um típico casam ento no O riente Médio. Tais casam entos consistiam em três está­ gios distintos.

0 NOIVADO N o primeiro século, os acordos nupciais eram geralm ente propostos pelo pai do noivo ainda com as partes m uito jovens (algumas vezes até antes do nascim ento). Ele assinava um docum ento legal, peran­ te um juiz, prom etendo seu filho à m enina escolhida. O pai, então, oferecia um dote que fosse adequado. Dessa forma, ainda que jam ais tivesse visto o noivo, a m oça era le­ vada a casar-se com o rapaz. U m exem plo neotestam entário deste primeiro passo é o noivado de M aria e José (M t 1.18). O estágio do casam ento, portanto, era formado por duas partes: a seleção da noiva e o pagam ento do dote. A s Bodas do C or­ deiro ainda estão na fase do noivado. •

A noiva já foi escolhida: “como tam ­ bém nos elegeu nele antes da fun­ dação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4).

O dote já foi pago: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 C o 6.20; 1 Pe 1.18-19).

A APRESENTAÇÃO N o devido tempo, o pai do noivo en­ viava os seus servos, munidos do contrato anteriormente firmado, à casa da noiva. Os servos então levavam a noiva para a casa do pai do noivo. Quando tudo estava pronto, o pai da noiva passava a mão de sua filha ao pai do noivo, que, por sua vez, passava a mão da moça a seu filho. Aplicando este contexto às Bodas do Cordeiro, a Igreja ainda espera por

esta segunda fase, que acontecerá no arrebatamento. “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.” (A p 19.7-8) Sem elhantem ente ao noivado, a fase da apresentação tam bém possui duas partes: a apresentação dos contratos anteriormente firmados e o cortejo da noiva até a casa do pai do noivo. •

Os contratos legais serão mostrados: “ [...] o fundamento de Deus fica fir­ me, tendo este selo: O Senhor co­ nhece os que são seus” (2 T m 2.19).

A noiva será levada à casa do Pai: “N a casa de meu Pai há muitas m o­ radas; se não fosse assim, eu vo-lo te­ ria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, vi­ rei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14-2-3).

A CELEBRAÇÃO Depois de realizada a parte privada do ritual, tinha início o banquete público. M uitos convidados eram cham ados para a festa. Foi durante um jantar assim que Jesus realizou o seu primeiro milagre (Jo 2.1-11). A lgum tem po depois, Ele referiu-se a este terceiro passo, quando disse: “O R eino dos céus é sem elhante a um certo rei que cele­ brou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a cham ar os convidados para as bo­ das” (M t 22.2-3; L c 12.35-37; 14-16-17). Em que m om ento o casam ento tornase público? A parentem ente, a cerim ônia de casam ento (a fase de apresentação) será realizada no céu em caráter privado, possi­ velm ente logo após o julgam ento bema de Cristo. O banquete de casam ento (a fase da


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C e n to e Q u a re n ta e Q u a tro M il celebração) será realizado publicam ente na terra, logo após a segunda vinda de Cristo. N ão é por acaso que a Bíblia descreve o M ilênio como im ediatam ente após o início do banquete (A p 19— 20). À época do NT, a duração e o custo do banquete eram determ inados pelos recursos financeiros do pai. Quando, portanto, seu am ado Fi­ lho contrair núpcias, o Pai de toda a graça (cuja riqueza não possui lim ites) dará aos noivos uma festa que durará 1000 anos! O banquete de casam ento envolve Israel na terra e “é uma representação alegórica de toda a era do M ilênio, para o qual Israel será convidado durante o período da Tribulação” (Pentecost, p. 227). Este casam ento será com pletam ente diferente de todos os que foram realizados sobre a terra. Em primeiro lugar, em um casam ento na terra, o noivo ou a noiva podem voltar atrás no últim o minuto. Isto não será possível no casam ento celestial. O N oivo já expressou seu grande amor pela noiva (Ef 5.25) e Ele nunca volta atrás (Hb 13.8). Quando chegar o casam ento, a noi­ va celestial terá sido glorificada e será im a­ culada, não podendo ser tentada a mudar de idéia ou a perder seu amor pelo N oivo (Ef 5.27; H b 10.14). Em segundo lugar, em um casam ento na terra podem surgir diversos problemas legais, com o m enoridade ou mesmo um ca­ sam ento anterior, mas não no casam ento celestial (Rm 8.33-39). Em um casam en­ to na terra, pode acontecer a tragédia da morte, mas não no casam ento celestial. A noiva (Jo 11.26) e o N o iv o (A p 1.18) ja ­ mais morrerão.

—Harold L. Willmington

Th om as,

Robert

L.

Revelation

8— 2 2 :

An

Exegetical Com m entary. C hicago: M o o d y Press, 1 995. Walvoord, John F. The Prophecy Knowledge H a n ­ dbook. Wheaton, Illinois: Victor Books, I 990. The Revelation o f Jesus Christ: A Commentary. Chicago: M o o d y Press, 1966. W illmington, Harold L. Willmington's Guide to the Bible. Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, 1 984.

CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL O maior reavivamento que o mundo jamais viu não ocorrerá durante a era da Igreja, mas imediatamente após seu encerramento, du­ rante os 21 primeiros meses da Tribulação. Segundo A pocalipse 7, enquanto o A n ti­ cristo estiver ocupado em seus planos políti­ cos, o Espírito Santo, por meio de um grupo conhecido como “os 144-000”, alcançará os corações de milhões de pessoas, que serão levadas a um conhecim ento salvífico de Je ­ sus Cristo, ocasionando a maior colheita de almas da história da humanidade. Quem são estes 144.000? A s contribui­ ções de numerosas seitas e grupos religiosos prom overam confusão e especulação gene­ ralizadas acerca destes servos de Deus so­ brenaturalm ente protegidos. Su a identida­ de, no entanto, com eça a ficar clara quan­ do nos habituam os a, sempre que possível, interpretarmos a Bíblia de forma literal. E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel. (A p 7.4)

BIBLIOGRAFIA Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1958.

Este grupo será formado por descenden­ tes das doze tribos de Israel. Serão 12.000 indivíduos de cada tribo, perfazendo um


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C e n to e Q u a re n ta e Q u a tro M il

total de 144.000. U m anjo “assinalará”, ou “selará”, estes evangelistas judeus já no iní­ cio da Tribulação e eles passarão a m inis­ trar o evangelho àqueles que foram deixa­ dos para trás. Estes servos de Deus pregarão fielmente a m ensagem da salvação por meio de Jesus Cristo e alcançarão resultados in­ críveis. Eles, contudo, tam bém enfrentarão perseguições pessoais e passarão pelas terrí­ veis provas da Tribulação. A ssim com o o A nticristo exigirá que seus seguidores recebam a “m arca da besta” sobre a fronte ou mão direita (A p 13.1418), as 144-000 testem unhas receberão de Deus seu próprio selo sobre a fronte. Elas terão um a boa com preensão do livro de A pocalipse e serão capazes de antecipar os eventos e a duração da Tribulação. Estes ju­ deus irão im ediatam ente deixar toda a sua vida de lado e passarão a pregar o evange­ lho por todo o mundo, a todos que tiverem ouvidos para ouvir. O texto bíblico não os cham a especificamente de “testem unhas”, m as a proclam ação do evangelho de Jesus C risto será um a de suas principais funções. O Anticristo e seus futuros seguidores ficarão perplexos ao verificarem que, com o an'ebatamento, milhões de crentes foram de uma hora para a outra tirados de seu meio. A s pessoas que ficarem ficarão extremamente chocadas. Por causa do arrebatamento, todas as classes profissionais terão seus quadros se­ riamente reduzidos. Esta vacância generali­ zada e sem precedentes trará conseqüências caóticas. Os que ficarem para trás estarão ple­ namente cientes do aspecto sobrenatural do arrebatamento, mormente quando percebe­ rem que todos os desaparecidos eram crentes em Cristo. O Anticristo distorcerá a verdade e fará com que muitas pessoas esqueçam o impacto de tão incomum evento. Muitas ou­ tras pessoas, porém, sentir-se-ão estimuladas a conhecer mais sobre as profecias bíblicas, o que proporcionará terreno fértil para os 144-000 evangelistas judeus.

Sabem os, a partir de 2 Pedro 3.9, que Deus não quer ver ninguém perecer. O Es­ pírito San to trabalhará nos corações daque­ les que forem deixados para trás. O número de pessoas que aceitará o Senhor durante a primeira parte da Tribulação bem pode ex­ ceder a quantidade de convertidos durante os últimos 2000 anos. Diversos fatores po­ deriam possibilitar isto, com o o tam anho da população mundial, as condições caóti­ cas durante a Tribulação e a poderosa ação do Espírito San to por m eio do evangelismo incansável das 144.000 testemunhas. Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, tra­ jando vestes brancas. (A p 7-9) Estes são os que vieram de grande tribulação, lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do C or­ deiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de n o i­ te no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. (A p 7.14-15) A identidade desta “multidão, a qual nin­ guém podia contar” é óbvia. Estes são os san­ tos que vêm da Tribulação após assumirem um compromisso pessoal com Jesus Cristo. O fato de estarem “diante do trono de Deus” indica que estão mortos. A o que parece, todo aquele que aceitar a Cristo durante a Tribu­ lação sofrerá intensa perseguição e, provavel­ mente, acabará morto nas mãos do Anticris­ to e de seus seguidores. Contudo, aqueles que “perseverarem até o fim” receberão, na vida eterna, bênçãos e recompensas sem medida das mãos do Senhor.

— Tim LaHaye


C éu

109

diz que Deus “cobre o céu de nuvens” . Este é o primeiro céu.

BIBLIOGRAFIA LaHaye, Tim. Revelation Unveiled. Grand Rapi­

O Céu estelar

ds: Zondervan, 1999. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1975. Th o m a s, R obert L. Revelation I — 7: A n Exegetical

C om m entary.

C h ica go :

M oody

Press, 1 992.

O céu estelar, o segundo céu, é onde es­ tão as estrelas, a lua e os planetas. A s Escri­ turas usam esta m esma palavra, “céu”, para descrever esta região. G ênesis 1.14-17, por exem plo, diz:

Trites, Alison. The Concept of “Witness'' in Jo hn ’s Gospel. Cam bridge University Press, 1 980. Walvoord, John F. The Prophecy Knowledge H an ­ dbook. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1 990. The Revelation o f Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1966.

CÉU N a King James Version (K JV ), a palavra “céu” é em pregada 582 vezes em 550 di­ ferentes versículos. Shamayim, a palavra hebraica geralm ente traduzida por “céu”, é um substantivo no plural que literalm ente significa “as alturas”. A palavra grega tra­ duzida por “céu” é ouranos (a m esma p ala­ vra que inspirou o nom e do planeta U ra­ no). Refere-se a algo que está elevado ou é sublime. A s Escrituras usam tanto shimayim com o ouranos em relação a três lugares dis­ tintos. (Isto explica por que, em 1 Coríntios 12.2, Paulo m enciona que foi levado até o “terceiro céu”.)

OS TIPOS DE CÉU O Céu atmosférico O céu atm osférico é o espaço visível, ou troposfera: região atm osférica respirável que envolve o nosso planeta. G ênesis 7.11-12, por exem plo, diz: “ [...] as janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites”. A qui, a palavra “céu” diz respeito à cober­ tura atm osférica que envolve o mundo, que é onde ocorre o ciclo da água. Salm os 147.8

E disse Deus: H aja luminares na expansão dos céus, para haver se­ paração entre o dia e a noite; e se­ jam eles para sinais e para tempos determ inados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E as­ sim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar m aior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estre­ las. E Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra.

O terceiro Céu O terceiro céu, m encionado por Paulo em 2 Coríntios 12, é onde habitam Deus, seus santos anjos e os santos que já parti­ ram. O s outros dois céus passarão (2 Pe 3.10), mas este é eterno. A lguém pode perguntar: “Se Deus é onipresente, com o as Escrituras podem dizer que o céu é o local onde Ele habita? Afinal, como poderíam os afirmar que al­ guém onipresente habita em um ou outro lugar?” Salom ão, ao dedicar o Templo em Jerusalém, orou: “Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27). “O s céus e até o céu dos céus” certa­ m ente não poderiam com portar a pessoa de Deus. Ele é onipresente. Su a presença alcança tudo e todos. O salm ista, ao exaltar a onipresença de Deus, disse: “ [...] se fizer


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C éu

no Seol a m inha cam a, eis que tu ali estás também” (SI 139.8). A ssim , dizer que Deus habita os céus não significa que Ele esteja contido nos céus. O céu é tão-som ente o seu lar, seu centro de operações, seu quartel general. É onde fica seu trono e onde ocorre a mais perfeita adoração da sua Pessoa. N este sentido, dizemos que o céu é o lugar da sua habitação. A s Escrituras revelam que o céu não é lim itado por dim ensões físicas, com o altura, profundidade e largura. O céu parece ultrapassar todos estes conceitos e vai ainda m ais além. N a m ensagem de C risto à igreja de Filadélfia, por exem plo, Ele fala sobre o R eino eterno com o “ [...] a n ova Jerusalém , que desce do céu, do meu D eus” (A p 3 .1 2 ). N o s últim os capítulos da Bíblia, o apóstolo Jo ão fala sobre “ [...] a grande cidade, a san ta Jerusalém , que de Deus descia do céu” (A p 21.10). N ovos céus e nova terra com binados em um gran­ de R eino que engloba os dois dom ínios. O paraíso da eternidade é desse m odo reve­ lado com o um grandioso Reino, que une o céu e a terra em tão grandiosa glória que ultrapassa todos os lim ites da im aginação hum ana e das dim ensões da terra.

A LOCALIZAÇÃO DO CÉU O céu, portanto, não se encontra em um local específico, determ inado por lim i­ tes físicos ou visíveis. Ele transcende o con­ ceito de espaço-tempo. Talvez o céu faça parte do que lemos na Bíblia sobre Deus habitar na eternidade (Is 57.15). O local da habitação de Deus — o céu — não está sujeito a dim ensões finitas ou a limites nor­ mais. N ão nos é necessário especular sobre com o isto é possível; basta-nos entender que é assim que as Escrituras descrevem o céu. É um lugar real, onde pessoas com cor­ pos físicos habitarão na presença de Deus por toda a eternidade. Tam bém um dom í­

nio que sobrepuja nosso lim itado conceito de “lugar” . O céu transcende as dim ensões normais de tempo e espaço em um outro im portan­ te sentido. Segundo as Escrituras, uma m is­ teriosa form a do R eino de Deus, engloban­ do todos os elementos do próprio céu, é a esfera espiritual onde todos os verdadeiros cristãos já vivem. O R eino dos céus invade e passa a governar a vida de cada crente em Cristo. Espiritualm ente, o cristão torna-se parte do céu nesta vida, com todos os direi­ tos de um cidadão celestial, aqui e agora. Era exatam ente isto que Paulo dizia ao afirmar: “M as a nossa cidade está nos céus” (Fp 3.20). N o que diz respeito a nossa ati­ tude para com a vida, nós, que cremos, já estam os vivendo no R eino de Deus. Em Efésios 1.3, Paulo diz que Deus nos abençoou com todas as bênçãos espi­ rituais nos lugares celestiais em C risto”. Em 2.5-6, de form a sem elhante, declara: “Estando nós ainda mortos em nossas ofen­ sas, [Deus] nos vivificou juntam ente com C risto [...] e nos ressuscitou juntam ente com ele, e nos fez assentar nos lugares ce­ lestiais, em Cristo Jesus”. Observe que, em ambas as passagens, os verbos encontramse no passado. Paulo, neste trecho, está falando sobre um a realidade consum ada. A in d a não possuímos corpos celestiais, mas no que tange a nossa posição, estam os sentados com C risto nos lugares celestiais. Devido à nossa união com Ele, já fazemos parte do R eino celestial. Possuímos a vida etem a, e as riquezas espirituais do céu já são nossas em C risto Jesus.

A GLÓRIA DO CÉU C om o crentes, tudo o que nos é precio­ so está no céu. O Pai está lá. É por isso que Jesus ensinou-nos a orar: “Pai nosso que estás no céu, bendito seja o teu nom e” (M t 6.9). O pró­ prio Jesus está à direita do Pai. Hebreus 9.24


C éu diz: “Porque Cristo não entrou num santuá­ rio feito por mãos, figura do verdadeiro, po­ rém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus” . N osso S al­ vador, portanto, também está no céu, onde intercede em nosso favor (H b 7.25). Muitos irmãos e irmãs em Cristo também estão lá. Hebreus 12.23 diz que, quando nos voltamos para Deus, chegamos “à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que es­ tão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de to­ dos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados”. Nossos amados, irmãos na mesma fé, estão lá. Todos os crentes falecidos, tanto do A T como do NT, encontram-se agora no céu. Nossos nomes estão registrados lá. Em Lucas 10.20, dirigindo-se a seus discípulos que estavam expulsando dem ônios, Jesus disse: “M as não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nom e escrito nos céus”. A o dizer-nos que nossos nomes estão escritos no céu, Cristo assegura-nos que tem os uma propriedade lá. Trata-se da nossa herança. Em 1 Pedro 1.4, lemos que somos gerados em C risto “para um a herança incorruptí­ vel, incontam inável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós”. Nossa pátria está nos céus, de acordo com Filipenses 3.20. Em outras palavras, o céu é o nosso lar. Som os apenas “estrangei­ ros e peregrinos na terra” (H b 11.13). N o s­ sos objetivos não deveriam incluir o acúmu­ lo de posses neste mundo. N ossa verdadeira riqueza — nossa recompensa eterna — está no céu (M t 5.12). Em Mateus 6.19-20, Jesus afirma que o único tesouro que conservare­ mos por toda a eternidade está lá. Portanto, tudo que deveríamos am ar entranhavelm ente e dar a devida im portân­ cia — tudo que possui algum valor eterno — está no céu. O m elhor de tudo é que podem os viver sob o brilho da glória celes­ tial aqui e agora, com o nosso coração no céu, o que significa dizer que a vida cristã

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na terra deve ser tal qual será no céu. Os crentes provam regularm ente dos deleites do mesmo céu em que algum dia viverão para sempre. Louvar e amar a Deus com todo o seu ser, adorar e obedecer a Cristo, buscar a santidade, cultivar a com unhão com os outros santos. Estes são elementos da vida celestial que podem os com eçar a experim entar neste mundo. Estes mesmos objetivos e privilégios farão parte de nós para todo o sempre, mas podem os com eçar a praticá-los im ediatam ente.

0 NOVO CÉU O céu na eternidade será diferente d a­ quele onde Deus agora habita. N a consu­ m ação de todas as coisas, Deus renovará os céus e a terra, fundindo seu céu a um novo universo e formando uma habitação per­ feita que será nosso lar eterno. Em outras palavras, o céu irá expandir-se e englobar todo o universo da criação. Tudo será trans­ form ado em um lugar perfeito e magnífico, adequado à glória do céu. O apóstolo Pedro descreveu isto com o a esperança de todos os remidos: “M as nós, segundo a sua pro­ messa, aguardamos novos céus e nova ter­ ra, em que habita a justiça” (2 Pe 3.13). N aturalm ente, um a reforma cósm ica radical sempre esteve nos planos de Deus. Esta foi tam bém a graciosa prom essa que, por m eio dos profetas do AT, Deus deu a seu povo. Em Isaías 65.17-19, Deus diz: Porque eis que eu crio céus novos e n ova terra; e não haverá lem ­ brança das coisas passadas, nem mais se recordarão. M as vós folgareis e exultareis perpetuam ente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria e para o seu povo, gozo. E folgarei em Jerusalém e exultarei no meu povo; e nunca m ais se ouvirá n ela voz de choro nem voz de clamor.


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C o n v e r s ã o d e Is r a e l

N este trecho, Deus declara que transform ará de tal form a o céu e a terra que h oje conhecem os, que corresponderá a um a nova criação. O bserve que, em um novo universo, a N o v a Jerusalém será o foco de todas as coisas. O novo céu e a nova terra serão tão m agníficos que tornarão os antigos insignificantes (“não haverá lem brança das coisas passadas, nem m ais se recordarão” ; v. 17). N o capítulo final da profecia de Isaías, o S en h or pro­ m ete que este novo céu e esta n ova terra perdurarão para sempre, juntam ente com todos os santos de Deus: “Porque, com o os céus novos e a terra n ova que hei de fazer estarão diante da m inha face, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteri­ dade e o vosso nom e” (Is 66.22). N os novos céu e terra nada nos trará m edo e nada nos separará uns dos outros. A única água descrita será “o rio puro da água da vida, claro com o cristal, que [pro­ cede] do trono de Deus e do Cordeiro” (A p 22.1). Este rio claro com o o cristal desce pela rua principal do céu (22.2). A pocalipse 21.3-7 traz uma descrição das características mais m arcantes dos n o ­ vos céus e nova terra:

o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Q uem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.” A s Escrituras aqui prom etem que o céu será um Reino de perfeita bem-aventurança. N o s novos céus e na nova terra não haverá lugar para lágrimas, dor, tristeza e pranto. L á o povo de Deus habitará com Ele por toda a eternidade, com pletam en­ te livre de todos os efeitos do pecado e do mal. Deus é retratado secando pessoalm en­ te as lágrimas dos remidos. N o céu, a m orte estará com pletam ente aniquilada (1 C o 15.26). A li não haverá doença, fom e, problem as ou tragédias. H averá apenas a alegria com pleta e b ên ­ çãos eternas.

—John Mac Arthur BIBLIOGRAFIA Baxter, Richard. The Sain ts' Everlasting Rest, resum ido por John T. W ilkinson. Londres: Epworth, 1 962. Lane, Anthony, editor. The Unseen World. Grand

“E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os hom ens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido; Eu sou o A lfa e o Om ega, o Princípio e

Rapids: Baker Books, 1 996. MacArthur, John. The Glory o f Heaven. W hea­ ton, Illinois: C ro ssw ay Books, 1 996. Smith, Wilbur M. The Biblical Doctrine o f H ea­ ven. Chicago: M o o d y Press, 1968. Stowell,

Joseph.

Eternity.

Chicago:

M o o dy

Press, 1995.

CONVERSÃO DE ISRAEL O arrebatam ento da Igreja pode ocorrer a qualquer m omento. A ntes, contudo, da se­ gunda vinda de Jesus, Israel deve arrepen­ der-se e aceitá-lo com o Messias.


C o n v e r s ã o d e Is r a e l

ISRAEL REJEITA JESUS COMO SEU MESSIAS Q uando pregou a Israel, Jesus p rocla­ mou o R ein o de Deus. Este, porém , estava condicionado à aceitação de Jesus com o o M essias. Em M ateus 4— 12, Jesus realizou diversos m ilagres para com provar quem Ele era (o M essias) e a m ensagem que pregava (o Evangelho do R ein o). Q uando Israel o rejeitou com o M essias, em M ateus 12.24, o propósito de seus m ilagres e de todo o seu m inistério passou por um a m u­ dança radical. O s fariseus tinham feito sua esco­ lha. Recusaram -se a aceitar Jesus com o o Messias, visto que Ele não se enquadrava na noção preconcebida do que o Messias, supostam ente, devia dizer e fazer (Lc 7.3035). Chegaram a declarar que o próprio Je ­ sus era possuído por um dem ônio, mas não por um dem ônio comum. Afirm aram que Ele era possuído pelo príncipe dos dem ô­ nios, Belzebu. Em M ateus 12.30-37, Jesus pronunciou um juízo contra aqueles que chegassem a esta conclusão: tinham com e­ tido um pecado imperdoável. Em M ateus 12.38-40, Jesus anunciou sua nova política em relação a milagres: “Então, alguns dos escribas e dos fa­ riseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu e disse: U m a geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal, senão o do profeta Jonas, pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do H om em três dias e três noites no seio da terra.” Jesus continuou a realizar m ilagres depois destes acon tecim en tos, m as seu propósito fora m odificado. Eles já não serviam para confirm ar sua identidade e

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sua m ensagem , a fim de que a n ação to ­ m asse um a decisão. U m a d ecisão já h av ia sido tom ada. Seu s m ilagres passaram a servir para o trein am en to dos doze ap ós­ tolos. D evido ao fato de os judeus terem rejeitad o a obra m essiân ica de Jesus, eles teriam um n o vo tipo de m inistério para conduzir. A q u ela geração não teria sinal algum além do sin al de Jo n as, que é o s i­ n al da ressurreição. Este sin al ch egaria a Israel em três oportunidades: (1) na res­ surreição de Lázaro, (2) na ressurreição do próprio Jesus, e (3 ) n a ressurreição das duas testem unhas durante a G ran d e T ri­ bulação. Israel rejeitou as duas prim eiras oportunidades. A ce itará a terceira, pois as duas testem unh as levarão à salvação os judeus de Jerusalém .

OS LÍDERES VALIDARAM A REJEIÇÃO Q uando Jesus entrou triunfante em Jerusalém , milhares de judeus gritaram: “Bendito o R ei que vem em nom e do S e ­ nhor!” Esta é uma saudação m essiânica ju ­ dia, baseada em Salm os 118.26. A s massas proclam avam que Jesus era o Messias, mas os líderes insistiam em rejeitá-lo. Por esse m otivo, Jesus proferiu um juízo sobre a ci­ dade de Jerusalém (Lc 19.41-44)· M ateus 23.1-36 é a d en ú n cia e c o n ­ d en ação dos escribas e fariseus, a lid eran ­ ça de Israel, por causa de vários pecados. N e sta con d en ação, duas passagens p rin ­ cipais são relevan tes aqui. A prim eira é M ateus 23.13, em que Jesus resp on sabi­ liza os fariseus n ão apenas por rejeitá-lo, m as tam bém por levar tod a a n ação ao m esm o erro. A segunda é M ateus 23.2936, onde Jesus declara que aquela gera­ ção seria responsabilizada não apenas por rejeitá-lo, mas tam bém pelo sangue de todos os profetas do AT. Isto porque tudo o que D eus tin h a a dizer sobre o M essias h av ia sido dito pelos profetas. A q u ela geração tin h a nas m ãos todo o


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cân o n do AT. A lém disso, tinham ouvido Jo ã o B atista anun ciar a im inente vinda do Senhor. Por fim, eles dispunham das m an ifestações físicas e da presença de J e ­ sus, o M essias, que veio acom pan h ad o de todos os sin ais. Eles, todavia, seguindo o exem plo de seus líderes, rejeitaram -no. Por isso, seriam responsabilizados pelo sangue de todos os profetas que falaram a respeito do M essias.

A ÚNICA CONDIÇÃO DA BÊNÇÃO Em Levítico 26, Moisés predisse que os judeus, por desobedecerem à vontade de Deus, seriam espalhados por todo o mundo. De acordo com o N T, isto foi uma conseqü­ ência direta de terem rejeitado Jesus como o Messias. A dispersão dos judeus pelo mun­ do, conforme vemos em Levítico 26.39, é um fato histórico. A té os dias de hoje, a re­ alidade tem sido a descrita em Levítico 26. Então, no versículo 42, Moisés afirma que Deus pretende dar a Israel todas as promes­ sas e bênçãos da aliança abraâmica, inclu­ sive a Terra Prometida. A ntes, porém, de usufruir das bênçãos desta aliança, eles de­ vem cumprir as condições do versículo 40 e “ [confessar] a sua iniqüidade e a iniqüidade de seus pais”. A palavra “iniqüidade” está no singular e tem um sentido específico. Israel deve primeiro confessar uma iniqüidade em especial. Seus “pais”, ou ancestrais, com e­ teram tal iniqüidade, mas a geração de seus descendentes deve agora confessá-la. Jerem ias 3.11-18 descreve as bênçãos que Deus tem guardadas para Israel no reino m essiânico. Quando o M essias es­ tabelecer seu reino, virá grande bênção e restauração sobre o povo judeu. Todas estas bênçãos, porém, estão condicionadas pelo versículo 13, que explica a necessidade de confessarem uma iniqüidade específica que haviam com etido contra Jeová, seu Deus. Zacarias 12.10 vai m ais adiante neste tema. Os capítulos 12— 14 são um a única

revelação profética, uma única seqüência de raciocínio. O capítulo 13 fala da purifi­ cação de pecados para toda a nação de Isra­ el. O capítulo 14 descreve a segunda vinda e a fundação do reino. A purificação de Is­ rael, a segunda vinda e o reino m essiânico estão, no entanto, subordinados a Zacarias 12.10. A ntes de Israel receber a purificação de seus pecados e antes de o M essias voltar para estabelecer seu reino, a nação deverá primeiro olhar para aquEle a quem traspassou e implorar por sua volta. A pós fazerem isto, receberão purificação e passarão a des­ frutar das bênçãos da era do Messias. O séias 5.15 lança ainda m ais luz sobre a situação. O próprio Deus tom a a pala­ vra e declara que voltará para seu lugar. O lugar de Deus é o céu. A n tes que possa voltar ao céu, Deus deve primeiro deixálo. A questão é a seguinte: “Quando Deus deixou o céu?” Deus deixou o céu quando encarnou na Pessoa de Jesus de Nazaré. Então, por causa de um “pecado” (a pala­ vra está no singular) específico, ele voltou ao céu quando ascendeu a partir do m onte das Oliveiras. Este versículo ainda afirma que Ele não retornará à terra até que Israel reconheça seu pecado. Q ue pecado Israel com eteu contra Jesus? A o contrário do que muita gente pensa, não se trata do fato de o terem assassinado. N a verdade, Jesus foi morto nas mãos dos gentios. U m gentio o julgou e sentenciou. Soldados gentios o crucificaram. Em últim a análise, isto é to­ talm ente irrelevante. Independentem ente da aceitação ou rejeição dos judeus, Jesus, de qualquer maneira, teria de morrer como sacrifício pelo pecado. A ofensa da nação de Israel foi rejeitar Jesus com o Messias. De acordo com O séias 5.15, o M essias só retornará à terra quando Israel reconhecer sua ofensa, Com o vimos anteriormente, Mateus 23.1-36 descreve o momento em que Jesus denuncia os escribas e fariseus, a liderança


C o n v e r s ã o d e Is r a e l judaica naqueles dias, por levarem a nação a rejeitá-lo como Messias. N os versículos 3739, Jesus continua falando com eles, reite­ rando seu primeiro desejo de reuni-los se ao menos o aceitassem. Por causa de tal rejei­ ção, em vez de serem reunidos, seriam todos dispersos. Seu lar, o Templo, seria abando­ nado, destruído e desolado — nada sobraria do Templo judeu. Jesus, então, declara que não mais o veriam sem que dissessem: “Ben­ dito o R ei que vem em nome do Senhor!” Esta saudação m essiânica seria o sinal de que tinham aceitado o messiado de Jesus.

A ESTRATÉGIA DE SATANÁS CONTRA 0 POVO JUDEU Jesus, portanto, não voltará à terra até que os judeus e seus líderes clam em por seu retorno. A ssim com o levaram a nação a re­ jeitar o Messias, os líderes judeus algum dia terão de levar o país a aceitá-lo. Isto explica a guerra de Satanás contra os judeus ao longo da história e, mais espe­ cificamente, durante a Grande Tribulação. Satanás sabe que, quando o Messias voltar, sua liberdade acabará. Ele também sabe que Jesus não voltará até que os líderes judeus o peçam. Portanto, se Satanás for bem-suce­ dido em acabar com os judeus de uma vez por todas, antes que a nação se arrependa, Jesus não voltará e a carreira do inimigo de nossas vidas estará segura para sempre. E por isso que, quando estiver confinado durante o Milênio e consciente de que seu tempo é curto, ele empreenderá todas as suas ener­ gias para tentar varrer os judeus da face da terra. O anti-semitismo em qualquer de suas formas, ativo ou passivo, seja racial, étnico, nacionalista, econômico, político, religioso ou teológico, é sempre parte da estratégia satânica para evitar a segunda vinda.

A REGENERAÇÃO DA NAÇÃO DE ISRAEL Eis, então, o duplo fundam ento da se­ gunda vinda: Israel deve confessar o pecado

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de toda a nação (Lv 26.40-42; Jr 3.11-18; Os 5.15) e implorar pelo retorno do M es­ sias, “ [pranteando-o] com o quem pranteia por um unigênito” (Zc 12.20; veja também M ateus 23.37-39). C om os exércitos do A nticristo na ci­ dade de Bozra, a cam panha do Arm agedom entrará em seus três últim os dias, conforme o que lemos em O séias 6.1-3. Esta passagem é, na verdade, uma continuação de Oséias 5. A divisão dos capítulos não ajuda, pois quebra a linha de raciocínio. Oséias 5.15 exorta ao arrependimento e, em Oséias 6.1-2, os líderes judeus conclam am a nação a arrepender-se e confessar o pecado que é com um a todos. Som ente então, Deus res­ taurará as bênçãos físicas que Israel desfru­ tou no passado (v. 3). N aqueles dias, os líderes de Israel por fim reconhecerão o m otivo de a tribulação ter vindo sobre eles, o que deverá ocorrer por intermédio do estudo das Escrituras, da pregação dos 144.000, das palavras das duas testem unhas (o terceiro sinal de Jo ­ nas, ao qual os judeus de Jerusalém já h a­ viam correspondido), ou pelo ministério de Elias. M uito provavelm ente, será uma com binação de todos estes fatores, mas os líderes, de algum a forma, dar-se-ão conta do pecado da nação. Embora, no passado, tenham levado a nação a rejeitar o m essia­ do de Jesus, agora farão com que a nação o aceite. Eles proclam arão o cham ado de O séias 6.1-3, que terá início nos últimos três dias anteriores à segunda vinda. Israel confessará seu pecado durante os dois primeiros dias. Isaías 53.1-9 nos traz o que efetivam ente falarão. N esta confis­ são, o povo adm itirá que a nação vira Je ­ sus com o um hom em comum, um simples crim inoso que morrera por seus próprios pecados. N esta hora, contudo, reconhece­ rão que Jesus não era um hom em qualquer, m as o Cordeiro perfeito de Deus, o próprio Messias. A lém disso, reconhecerão que Ele


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não morreu pelos próprios pecados, mas pelos pecados deles, a fim de que não sofressem o devido castigo. A regeneração da nação, portanto, virá através da confissão nacional descrita em Isaias 53.1 -9. N o terceiro dos três últimos dias, toda a nação será salva, cumprindo a profecia de Romanos 11.25-27. “Todo o Israel” signi­ fica exatamente isto, ou seja, todo judeu que estiver vivo naquele momento. Será o terço sobrevivente dos judeus que estavam vivos no início da Grande Tribulação (Zc 13.8-9). A confissão e a regeneração de toda a nação de Israel se darão nos dois dias que se seguirão à conclamação ao arrependimento. O segundo aspecto que conduz à se­ gunda vinda é a súplica de Israel pela vol­ ta do Messias, a fim de salvar a nação dos exércitos do mundo, os quais tencionam destruí-la e encontram -se reunidos nas cer­ canias de Bozra. A intercessão dos judeus é abordada em muitas partes das Escrituras. Zacarias 12.10-13.1 descreve este evento. O rogo pela volta do M essias não ficará res­ trito aos judeus de Bozra, mas tam bém se estenderá aos judeus que ainda estiverem em Jerusalém . Eles confessarão o pecado da nação e orarão pelo retorno de Jesus, para que os salve das aflições daquele m omento. C lam arão por aquEle a quem crucificaram. Este será o resultado do derramar do Espí­ rito Santo (12.10), da lam entação de Israel pelo Messias (12.11-14) e da purificação dos pecados da nação (13.1). U m a outra profecia sobre este evento aparece em Joel 2.28-32. A regeneração é obra do Espírito Santo. Por isso, a nação de Israel será regenerada pelo derramar do Es­ pírito San to sobre seu povo, criando algu­ m as dram áticas m anifestações em seu m eio (vv. 28-29). Em conseqüência, tanto os ju ­ deus de Jerusalém como o rem anescente de Bozra serão salvos e escaparão. Em Zacarias 13.7-9, vemos que os so­ breviventes receberão o conhecim ento sal­

vador de Jesus, o Messias, através do fogo da tribulação. Dois terços dos judeus pere­ cerão, mas o terço rem anescente será puri­ ficado. Quando toda a nação confessar seu pecado, eles serão purificados. Deus então atenderá suas súplicas e salvará o seu povo. M ais uma vez Israel será o seu povo, e Ele será o seu Deus. A n ação de Israel, portanto, será rege­ nerada e salva dois dias após confessar seu pecado. N o terceiro dia, Israel clam ará pela segunda vinda, e C risto retornará e salvará Israel.

—Arnold Fruchtenbaum BIBLIOGRAFIA Fruchtenbaum, Arnold. Footsteps o f the Messiah. Tustin, Califórnia: Ariel Ministries, 1983. ----- . Israelology: The M issing Link in System a­ tic Theology. Tustin, Califórnia: Ariel M in is­ tries, 1 992. Larsen, David. Jews, Gentiles and the Church. Grand Rapids: D iscovery House, 1995. Price, Randall. Jerusalem in Prophecy. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1998. Walvoord, John F. Israel in Prophecy. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1962.

CORDEIRO DE DEUS U m a das mais importantes doutrinas do A T diz respeito ao pecado e ao sacrifício. O próprio Senhor im olou o primeiro anim al inocente a fim de cobrir a nudez de A dão e Eva depois de haverem pecado (G n 3.21). Este sacrifício estabeleceu um m odelo para todas as outras ofertas de sangue no AT. O sacrifício de um anim al inocente prefigurava o sacrifício do M essias, que de um a vez por todas levaria sobre si o pecado de toda a humanidade.


C o r d e ir o d e D e u s Deus ressaltou que os sacrifícios em si não tinham com o expiar o pecado: “Porque eu quero m isericórdia e não sacrifício; e o conhecim ento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6.6; veja M t 9.13).

0 PROPÓSITO DO SACRIFÍCIO Todos os sacrifícios feitos antes e após a Lei de M oisés apontavam para o C risto que viria. O S en h or Jesus seria a últim a e suprem a oferta pelos pecados. O s sacrifí­ cios tam bém ensinaram a Israel diversas lições im portantes. Primeiro, com o san ­ gue derram ado durante um sacrifício, o povo judeu podia experim entar um pouco do horror do pecado. Em segundo lugar, o sacrifício ilustrava o conceito de substitui­ ção. O anim al inocente assum ia o papel de um substituto, e todos os pecados da pessoa eram transferidos para ele. A lém disso, pela im olação, o povo podia ter um a rápida idéia da ira e da fúria de Deus contra o pecado. Por fim, com a oferta de sacrifícios, o povo percebia a necessidade de receber o perdão de pecados. O relato da Páscoa mostra de forma mais detalhada a importância do cordeiro sacri­ ficial (Ex 12). O povo ofereceu o sacrifício de um animal inocente a fim de ser liber­ to da opressão do Faraó. A importância da Páscoa é evidenciada pelo fato de esta ter se tornado a mais conhecida festa judaica. N a noite da libertação, cada família judia precisou oferecer um cordeiro “para cada casa”. Os judeus daquela época não tinham consciência disso, mas o “cordeiro [...] sem m ácula” representava o Senhor Jesus. Ele tomou-se o verdadeiro Cordeiro, sem culpa ou mácula, e ofereceu o próprio sangue pe­ los pecadores (1 Pe 1.19-20). N a noite da Páscoa (pas’ach), foi preciso que os judeus comessem todo o cordeiro assado, com pães ázimos (pão sem fermento, representando a ausência de pecado) e ervas amargas (Ex 12.8). A quele dia passaria a ser um “m em o­

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rial” para todas as futuras gerações do povo judeu. Era uma festa que, daquele momento em diante, deveria ser celebrada “por estatu­ to perpétuo” (12.14). O sangue do sacrifício seria passado nas vergas e nos umbrais das portas de cada casa. Vendo o sangue, disse o Senhor, “passarei por cim a de vós” (12.13). O s filhos de Israel foram poupados e libertos, mas os egípcios foram amaldiçoados com a perda de seus primogênitos. C om a marca do sangue da Páscoa, “o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém, quando vir o san­ gue na verga da porta e em ambas as om ­ breiras, o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (12.23). O apóstolo Paulo relaciona este importante acontecim ento à crucificação e escreve: “Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 C o 5.7). O livro de Levítico traz inúmeros exem ­ plos de sacrifícios de anim ais inocentes. Q uando um pecado era com etido, o indiví­ duo tornava-se culpado (Lv 4-27). Então, a pessoa trazia um anim al inocente aos sa­ cerdotes, que im punham suas m ãos sobre a cabeça do sacrifício, indicando que o peca­ do da pessoa era passado para a oferta (v. 29). O sacrifício era “apresentado” a Deus. M olhando o dedo no sangue do anim al, o sacerdote tocava as pontas dos chifres do altar do sacrifício (v. 30). Era, portanto, feita a expiação (kah’phar, “cobertura” ) do pecado para satisfazer ao Senhor. “Assim , o sacerdote por ela fará expiação dos seus pecados, que pecou, e lhe será perdoado o pecado” , (v. 35). N a realidade, esses sacrifícios eram apenas exem plos visuais do que o Messias faria. C om o exem plo de A braão, Deus cla­ ram ente demonstrou que a justificação só era possível por meio da fé (G n 15.6).

A MORTE SACRIFICIAL DE CRISTO Em Isaías 53, encontram os um dos mais pungentes capítulos do A T acerca


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C o r d e ir o d e D e u s

do sacrifício substitutivo do M essias por nossos pecados. E a profecia a respeito do servo sofredor, que é “desprezado” , “ferido de Deus e oprimido” e então “traspassado pelas nossas transgressões” . A lém disso, “o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”, que “com o cordeiro foi levado ao m atadouro [...] ele não abriu a boca”. O profeta tinha a crucificação em mente quando predisse que Jesus seria contado com os perversos, mas com o rico estaria “na sua m orte”. Por sua morte, o servo de Deus “justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si”. O profeta Zacarias tam bém alude ao “traspassam ento” do Messias e relaciona o fato diretam ente à segunda vinda do Filho de Deus, que trará libertação aos judeus e à cidade de Jerusalém (12.10). C ertam ente, João Batista lembrouse de Isaías 53 quando, ao ver Jesus, disse aos judeus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do m undo!” (Jo 1.29,36) A o sacrificar-se pelo pecado com o um cordeiro inocente, Cristo tom ou-se o Sum o Sacer­ dote (FLb 9.11), que obteria para os peca­ dores uma “eterna redenção” (v. 12). Os sacrifícios de anim ais eram apenas ilustra­ ções proféticas do que Cristo faria na cruz. C om o sacrifício santo e perfeito, o Senhor se tornaria “o M ediador da nova aliança” para dar a “prom essa da eterna herança” (v. 15). Salm os 40.6-8 prediz que o Cristo ofereceria seu corpo com o sacrifício e h olo­ causto. O autor de Hebreus concentrou-se nesta m aravilhosa profecia, m encionandoa de forma explícita em 10.5-7. Jesus, após ter “oferecido, para sempre, um único sa­ crifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus” para eternam ente interceder por aqueles que ele mesmo remiu (v. 12). O apóstolo Pedro tam bém fala sobre a obra sacrificial de Cristo com o o C or­ deiro de Deus. Ele afirma que os fiéis não foram resgatados com coisas corruptíveis,

mas “pelo precioso sangue, com o de cor­ deiro sem defeito e sem mácula, o sangue de C risto” (1 Pe 1.19). Em 2.21-25, Pedro alude especificamente à profecia de Isaías 53, citando diretam ente ou parafraseando m uitos de seus versículos. C risto, portanto, sofreu por nós e “ [levou] ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudésse­ mos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (v. 24).

0 CORDEIRO DE DEUS O texto do livro de Apocalipse se encerra com referências ao Senhor Jesus sendo exalta­ do como o Cordeiro de Deus. N a eternidade, esta imagem será preservada, lembrando-nos que temos a vida eterna porque Ele entregou a si mesmo como um Cordeiro por nossos pe­ cados. Além disso, como o Cordeiro de Deus, Ele também reforça a doutrina da Trindade. O Deus Todo-poderoso e o Cordeiro são, por exemplo, vistos como o Templo na nova e eterna Jerusalém (Ap 21.22). Esta “santa ci­ dade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus” (v. 10), é denominada “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9). A glória de Deus ilumina a cidade, mas o Cordeiro de Deus é a sua lâmpada (v. 23). N a cidade eterna, a água flui “do trono de Deus e do Cordeiro” (22.1). N a nova cidade “estará o trono de Deus e do Cordeiro” (v. 3). O sacrifício vicário pelo pecado é o prin­ cipal conceito por trás da figura do “C ordei­ ro de Deus”. A o falar sobre o conceito de substituição, Lightner (p. 115) escreve: [Cristo] não morreu apenas para mostrar bravura na hora da morte. Ele não morreu apenas para o bene­ fício da humanidade. N em morreu Ele como vítim a de seus persegui­ dores. Ele, mais exatamente, morreu no lugar de pecadores. Sua morte foi vicária no sentido de que Ele, sem


C oroas pecados, assumiu o lugar da hum a­ nidade. O Salvador tomou o lugar do pecador e o assumiu como seu substituto. A certeza e a eficácia da substituição independem de a pessoa apropriar-se ou não desta pela fé.

—Mal Couch BIBLIOGRAFIA Briggs, Charles A. M essianic Prophecy. Peabo­ dy, Massachusetts: Hendrickson, 1988. Hengstenberg, E. W. Christology o f the O ld Tes­ tament. Grand Rapids: Kregel, 1970. Lightner, Robert P. Sin, The Savior, an d Sa lv a ­ tion. Grand Rapids: Kregel, 1991. Soltau, Henry W. The Tabernacle. Grand Rapids: Kregel, 1972. Walvoord, John F. M ajor Bible Prophecies. Grand Rapids: Zondervan, 1991. White, Jam es R. The God Who Justifies. M innea­ polis: Bethany House, 2001. Witmer, John A, Immanuel. Nashville: Word, 1998.

COROAS U m a coroa é um ornam ento circular, um chapéu ou um turbante. E posto sobre a cabeça para evidenciar soberania, autori­ dade, grandes feitos ou vitórias. U m a coroa separa aquele que a veste para uma tarefa especial ou confere honra a algum feito. O termo “coroa” tam bém se refere à honra, glória, vitória ou recompensa.

0 ANTIGO TESTAM ENTO N o AT, existem quatro palavras hebrai­ cas traduzidas por “coroa”. 1. Netzer significa “ser sep arad o” ou “con sagrad o” , e sua raiz é a m esm a

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da palavra “nazireu” . Este term o designa a p laca de ouro, com a in s­ crição “San tid ad e ao S e n h o r” , que era afixada com um cordão azul à frente da m itra do sum o sacerdote (Êx 28.36-38; 29.6; 39 .3 0 ; L v 8 .9). A coroa do rei tam bém era d escri­ ta com esta palavra (2 S m 12.30). A ssim , tan to a coroa do rei com o a do sum o sacerdote in dicavam um a p osição favorecid a por Deus. A s coroas dos reis gentios jam ais foram descritas com esta palavra no AT. 2. O termo genérico para “coroa” (Zc 6.11) ou “diadem a” (Pv 4.9) era ‘ata­ ra, uma palavra que servia para de­ signar outras coroas, que não a do rei ou a do sacerdote. Servia, por exem ­ plo, para a nobreza (Et 8.15), reis estrangeiros (2 Sm 12.30), recémcasados (C t 3.11) ou alguém digno de honra (Pv 12.4; 14-24; Ez 16.12; 21.26; 23.42). 3. Kether aparece apenas no livro de Ester. É utilizada som ente para descrever a coroa ch eia de pedras preciosas do m on arca persa (Et 1.11; 2.17; 6.8). 4. U m a outra palavra hebraica, qodcpd, refere-se à parte de cim a da cabeça de um homem (Jó 2.7).

0 N 0V0 TESTAM ENTO N o N T, há duas palavras gregas tra­ duzidas por “coroa”: stephanos e diademos. Stephanos era um a coroa ou diadem a co n ­ cedido com o recom pensa por um a disputa atlética (1 C o 9.2 5 ), ou com o um troféu por algum a conquista na vida. O s escri­ tores do N T utilizam a coroa stephanos com o um a m etáfora para a honra e o ga­ lardão que serão concedidos aos crentes fiéis diante do Trono de C risto. Tais co ­


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C u m p r im e n t o d e P r o f e c ia s

roas serão dadas pelos bons serviços e pelo crescim ento espiritual de cada um (1 C o 3.10-15; 2 C o 5.10). C om o os cristãos obtêm essas coroas através de conquistas espirituais, elas nada têm a ver com a sal­ vação ou as bênçãos divinas inerentes a esta. A s bênçãos divinas são concedidas por m eio da graça de Deus. Q uatro coroas são descritas com o possíveis recom pensas para as diferentes categorias de devoção e serviço cristão: a coroa da ju stiça (1 T m 4 .8 ), a coroa da vida (T g 1.12; A p 2 .1 0 ), a coroa de glória (1 Pe 5 .4 ), a coroa de alegria (1 Ts 2.19). A o m encion ar um a coroa incorruptível (1 C o 9 .2 5 ), Paulo refere-se a todas as recom pensas. Três outras coroas stephanos tam bém representam dom ínio ou soberania, com especial destaque para o livro de A p o c a ­ lipse. A prim eira é a utilizada pelos gafa­ nh otos que form avam o exército d em o­ n íaco de A bad om , o an jo do abism o (A p 9 .7 ). A segunda é a coroa com doze es­ trelas utilizada p ela m ulher que represen­ ta Israel (A p 12.1). A terceira é a coroa de espinhos cravad a sobre a cabeça de nosso S en h or a fim de ridicularizar suas afirm ações de que era o R ei. Triunfante, o S en h or ressurreto e glorificado enverga um a coroa stephanos de ouro (A p 14.14; H b 2 .9). O termo diademos descreve apenas a co­ roa da realeza no NT. A palavra é utilizada apenas por três vezes. A s duas primeiras ocorrências (A p 12.3; 13.1) estão relacio­ nadas às autoridades seculares que colabo­ rarão com o poder político do A nticristo durante a G rande Tribulação. A terceira descreve os m uitos diadem as que adorna­ rão a cabeça do R ei dos reis e Senhor dos senhores por ocasião de sua conquista da terra (A p 19.12).

—Robert Dean Jr.

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CUMPRIMENTO DE PROFECIAS O s profetas do A T falavam por Deus. Eles acreditavam que eram enviados por Deus com uma mensagem específica. Enquanto os sacerdotes representavam o povo de Deus, os profetas apresentavam Deus ao povo. Assim, os profetas falavam com autoridade divina e capacitação divina. Eles eram cha­ mados por Deus, prestavam contas a Deus, e eram capacitados por Deus. O povo de Is­ rael reconhecia-os como “homens santos de Deus” que falavam a Palavra de Deus.

PREDIÇÕES PROFÉTICAS U m a das características mais inigualá­ veis dos verdadeiros profetas do A T era a habilidade que tinham de prever os even­ tos futuros com perfeita exatidão. O próprio Deus previu o cativeiro de Israel no Egito e o seu subseqüente livramento (G n 15.13-18). Moisés previu a conquista bem-sucedida da Terra Prometida pelos israelitas sob o co­ mando de Josué (D t 31.23). Sam uel previu o fracasso da dinastia de Saul (1 Sm 15.28), N atã previu as conseqüências do pecado de Davi e seus efeitos sobre a sua própria famí­


C u m p r im e n t o d e P r o f e c ia s

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lia (2 Sm 12.7-12). Elias previu as mortes de A cabe e Jezabel (1 Rs 21.19-23). Isaías previu o livramento de Jerusalém da inva­ são assíria de Senaqueribe (2 Rs 19.34-37). Jeremias previu o cativeiro dos judeus por setenta anos na Babilônia. Sam uel Schultz (p. 37) observa: “Este elemento de previsão era norm al na m en­ sagem de um profeta. Pelo fato da m ensa­ gem ter a sua origem em Deus, era de espe­ rar que os eventos futuros fossem incluídos, visto que todo o passado, presente e futuro eram conhecidos pelo Deus eterno, onis­ ciente e onipresente”. O próprio Senhor Jesus agiu conforme a tradição profética (Jo 1.45), e foi reconhe­ cido como um “mestre vindo de Deus” (Jo 3.2). N a verdade, Jesus claramente afirmou o seu compromisso de “cumprir” a lei e os profetas (M t 5.17). N o entanto, Jesus tam­ bém indicou que Ele era mais do que apenas um profeta. Diferentemente dos profetas, Jesus declarou com ousadia que era um com Deus, o Pai. Ele também aceitou adoração (Jo 9.35-38) e proclamou que era a manifes­ tação do próprio Deus (Jo 14-7-12). Schultz (p. 148) acrescenta: “Jesus veio para cumprir as Escrituras. Sem dúvida, Ele penetrou na m ultidão de interpretações conflitantes da lei [...] e falou com autori­ dade a respeito do verdadeiro significado e interpretação da vontade de Deus”.

A s profecias escritas eram especial­ m ente pungentes, pois se em pregava fre­ qüentem ente a form a verbal hebraica conhecida com o “perfeito profético”. H o ­ bart Freem an (p. 122) observa: “N o h e­ braico clássico, não há form as verbais que indiquem tem po. O tem po de um verbo é determ inado pelo seu contexto. Em vez de form as verbais, h á duas afirm ativas, desig­ nadas com o ‘perfeito’ e ‘im perfeito’, indi­ cando uma ação com pleta ou incom pleta, respectivam ente” . Freem an prossegue in­ dicando que a afirmação hebraica perfeita geralm ente descreve um a ação passada e com pleta. N o entanto, um a das caracte­ rísticas incom uns do idiom a hebraico é que a afirmação perfeita tam bém pode ser usada para referir-se a um tem po futuro que o profeta vê com o tendo ocorrido. O s profetas bíblicos falam de eventos futuros com o se estes tivessem ocorrido. A ssim , prevêem coisas ainda por acon te­ cer com o se já estivessem no presente: A virgem está grávida (Is 7.14), o filho di­ vino nasceu (Is 9 .6), a estrela de Jac ó se m anifestou (N m 24.17), Israel foi para o cativeiro (Is 5.1 3 ). Estes são apenas alguns dentre centenas de exem plos do idiom a pelo qual os profetas prevêem o futuro e predizem o seu exato cum prim ento com tan ta certeza, descrevendo-o com o se já tivesse acontecido.

LINGUAGEM PROFÉTICA

PREDIÇÕES MESSIÂNICAS

O s profetas entregavam as suas m ensa­ gens de três m aneiras básicas: verbalm en­ te, por escrito, e através de atos simbólicos. Eles pregavam, escreviam, ou dem onstra­ vam. A s suas declarações verbais eram “a palavra do Senhor” (hb.: debhar Yahweh). A origem e a inspiração divinas destas de­ clarações eram presumidas pela sua própria natureza. Deus disse a A m ós (7.14-16): “Vai e profetiza ao meu povo [...] Ora, pois, ouve a palavra do Senhor” .

Entre as muitas predições dos profetas está uma série de profecias m essiânicas (ao todo, mais de 100) que especificamente apontam para Jesus C risto com o o Messias real, o Filho do H om em , o Profeta ideal, o Sacerdote perfeito, o Sacrifício sem p e­ cado, o Servo do Senhor, e o futuro R e­ dentor. (V eja o artigo intitulado “Profecias M essiânicas”.) H engstenberg (p. 10) assinala: “O principal objetivo da profecia era preparar


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C u m p r im e n t o d e P r o f e c ia s

o cam inho para C risto, a fim de que, quan­ do Ele viesse, pudesse ser identificado por um a com paração da predição com o seu cum prim ento”. Em bora isto seja evidente aos leitores sérios da Bíblia, m uitos evan ­ gélicos hoje estão escorregando na ladeira resvaladiça do liberalism o, sugerindo que m uitas dessas profecias só podem ser in ­ terpretadas com o analogias vagas à pessoa e à vida de C risto. Este raciocínio teria encontrado pouca aceitação entre os pri­ meiros cristãos, que acreditavam que estas escrituras eram profecias específicas a res­ peito de Jesus Cristo. Lucas 24.44-45 chega a afirmar que o próprio Jesus ensinou aos discípulos que as profecias estavam especificamente apon­ tando para Ele. Assim , os primeiros cristãos creram no ponto de vista dos apóstolos e evangelistas, visto que suas idéias vinham diretam ente do próprio Salvador. Quando Jesus leu Isaías 61.1-2 na sina­ goga de Nazaré, declarou: “H oje se cum ­ priu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4 .21). Sem dúvida, Jesus está declarando que Ele é o cumprimento da predição de Isaías. Desde o nascim ento virginal na ci­ dade de Belém (M t 1.23; 2.5) até a mor­ te de Cristo com o o Servo do Senhor (A t 8.28-35), vem os Jesus apontando estas pre­ dições e os seus cumprimentos literais com grande confiança.

Freem an (p. 126) observa: “A profecia m essiânica, em um sentido real, pode ser considerada com o o N T no A T ” . A s pre­ visões dos profetas dão-nos a história com antecedência, e os autores do N T ajudamnos a entender a ligação e a aplicação des­ tas verdades. E lliso n (p. 5 4 ) observa que os p ro fe ­ tas “n ão eram filósofos que d eclaravam as verd ad es etern as no ab strato; eram porta-vozes de D eus em d eterm in ad as situ ações h istóricas. S u as m ensagens ain d a são válid as h oje, porque nem o c aráter de Deus nem o p ecad o hum ano m udaram [...] D evem os nos lem brar de que D eus falou m u itas vezes e de m uitas m an eiras através dos p rofetas (H b 1.1). Isto sign ifica, en tre outras coisas, que o cum prim en to realizado por D eus é sem ­ pre m ais ex trao rd in ário do que a p róp ria m en sagem ” . A promessa dos profetas era a de que Deus cumpriria as suas promessas ao seu povo, e a proclam ação dos autores do N T foi a que Ele realizou isto com exatidão — literal e especificamente. Portanto, temos a grande certeza de que as predições da se­ gunda vinda de C risto serão cumpridas da m esma m aneira (A t 1.11).

— Ed Hindson BIBLIOGRAFIA

PADRÃO PROFÉTICO G irdlestone (p. 10) observou há muito tem po que, “em bora as profecias bíblicas sejam declarações de muitos hom ens e o produto de muitas eras [...] quando con­ sideradas com o um todo, elas mostram-se correlatas. Form am um a vasta série que se estende por muitas gerações”. O que os profetas do A T com eçaram , os escritores do N T projetaram para o futuro. Assim , “o testem unho de Jesus é o espírito de profe­ cia” (A p 19.10).

Ellison, H. L. The M essage o f the Old Testament. Londres: Paternoster Press, 1981. Freeman, Hobart. A n Introduction to the Old Testament Prophets. Chicago: M o o d y Press, 1968. Girdlestone, R. B. The G ram m ar o f Prophecy. Grand Rapids: Kregel, 1955. Hengstenberg, E. W. Christology o f the O ld Tes­ tament. Grand Rapids: Kregel, 1970. Schultz,

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The PropheTessalonicenses

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D e m ô n io s e E s p ír it o s Im u n d o s

DEMÔNIOS E ESPÍRITOS IMUNDOS Os term os sinônim os “d em ônios” e “ es­ píritos im undos” referem -se aos anjos caídos que seguiram S atan ás em sua re­ vo lta con tra D eus (M t 12.24; A p 12.7). A real ex istên cia destes seres espirituais é confirm ada pelo m enos dez vezes no A T e por todos os autores do N T , com e x ­ ceção do autor de H ebreus. Jesus C risto reconheceu a existên cia destes seres ao ensinar sobre eles (M t 12.27-28; 25.41; Lc 10.20; 11.18-20) e expulsar dem ônios de indivíduos possessos.

A TERM INOLOGIA RELACIONADA AOS DEMÔNIOS No Antigo Testamento

123

lhada em 1 Reis 22.19-23, onde o profeta M icaías relata como o Deus soberano lan­ ça mão até mesmo dos espíritos maus para executar seus propósitos.

No Novo Testamento O N T denom ina estes anjos caídos com três palavras, ou expressões: “dem ônio” (daimon aparece apenas em M ateus 8.31, mas seu dim inutivo, daimonium, é utiliza­ do com m aior freqüência), “espírito m au” (pneuma ponera) e “espírito impuro” (pneuma akathartos). Em alguns casos, os adjeti­ vos “m au” (ponera; M t 12.45; Lc 7.21; 8.2; 11.26; A t 19.12-16) e “enganador” (planos; 1 T m 4.1) descrevem esses espíritos.

AS ATIVIDADES DOS DEMÔNIOS No Antigo Testamento

O A T pouco fala sobre as atividades A expressão hebraica para “dem ônio” é dos demônios. S ão eles que estão por trás shed, que é utilizada em duas passagens fun­ das falsas religiões e da idolatria (D t 32.17; dam entais (D t 32.17; SI 106.36-37). Estas SI 106.37). N esta posição, eles agem como passagens revelam o papel do dem ônio no emissários de Satanás, executando seus estímulo da idolatria e de falsas religiões. planos em oposição ao plano de Deus. N ão O s ídolos de m etal, madeira e pedra eram são, porém, descritos com o agentes livres. Satan ás e seus demônios podem agir ape­ representações de demônios. U m a segunda palavra hebraica para nas dentro dos lim ites do controle sobera­ “dem ônio” é as’ir. Ocorre apenas no plural no de Deus (1 Rs 22.19-23). Deus, algumas vezes, envia espíritos (Lv 17.7; 2 C r 11.15) e descreve demônios na forma de bodes (sátiros), que eram ado­ maus para castigar e provar seu povo. D e­ rados nas culturas pagãs que cercavam a an­ pois da morte de Gideão, seu filho, Abim etiga nação de Israel. Duas outras palavras, leque, procurou solidificar seu poder assas­ Azazel (Lv 16.8, 10, 26) e Lilith (tam bém sinando os outros filhos de seu pai. A fim traduzida por “coruja”, em Isaías 34.11) p o ­ de puni-lo, Deus enviou um espírito mau para im plantar discórdia entre os cidadãos dem ser nomes de demônios. O A T tam bém usa um termo mais ge­de Siquém e impedir a escalada de Abim enérico, espírito (hb.: ruach), para descrever leque ao poder. Deus tam bém enviou um espírito mau estas criaturas, sugerindo um a natureza im aterial. A palavra “espírito” vem adje­ para atorm entar Saul, com o parte de um tivada por “m au” em sete ocorrências (Jz castigo divino pela sua desobediência 9.23; 1 Sm 16.14-16,23; 18.10; 19.9), en ­ (1 Sm 16.14-23; 18.10-11; 19.9-10). A l­ fatizando seu caráter. Em cada um destes gum tem po depois, Deus lançou m ão de casos, o espírito mau é enviado por Deus. um espírito enganador para induzir A cabe Encontram os uma descrição mais deta­ à batalha. A cabe foi derrotado, desgraçado


D e m ô n io s e E s p ír it o s Im u n d o s

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e morto, com o parte do castigo divino sobre o reino de Judá. O s dois prim eiros capítulos do livro de Jó descrevem um ataque realizado por Satan ás e seus dem ônios contra os planos de Deus. N aqu ela ocasião, Satan ás pediu perm issão para testar Jó. N o livro de Daniel, Deus enviou um anjo para responder a oração de D aniel, m as um “príncipe da Pérsia” atrasou o anjo. Isto dem onstra a organização e a oposição das forças d e­ m oníacas aos planos de Deus na história hum ana (D n 10.13).

No N ovo Testamento Segundo o relato bíblico, o número de ações dem oníacas durante o ministério de Jesus Cristo suplanta o de qualquer ou­ tra época. Embora Jesus tenha expulsado demônios em diversas oportunidades, os Evangelhos descrevem apenas oito ocasi­ ões específicas: 1. Marcos 1.23-28 (Lc 4.33-37) 2. M ateus 8.28-34 (M c 5.1-20; Lc 8.26-40) 3. Mateus 15.21-28 (M c 7.24-30)

“saíram” de muitos que estavam possuídos (A t 8.7). A terceira ocorrência m enciona alguns exorcistas judeus que, incrédulos, tentaram expulsar espíritos em nome de Je ­ sus e não obtiveram êxito (A t 19.12-16). A s epístolas pouco falam sobre dem ô­ nios. Paulo reconhece que eles são o poder por trás dos ídolos (1 C o 10.20-21) e a ver­ dadeira fonte de toda falsa doutrina (1 T m 4.1). Ele tam bém nos informa que os dem ô­ nios possuem uma estrutura hierárquica (Ef 1.21; 6.12). Tiago reconhece que mesmo os dem ônios acreditam na existência de Deus (T g 2.19), mas sua sabedoria contradiz a sabedoria divina (T g 3.15). Tanto Pedro com o Judas explicam que Deus aprisionou alguns demônios por causa de sua desobe­ diência na época do dilúvio (1 Pe 3.19-20; 2 Pe 2.4; Jd 6). O livro de A pocalipse mostra as ati­ vidades dos dem ônios durante a Grande Tribulação. A o longo daquele período, as pessoas adorarão dem ônios por intermédio da idolatria (A p 9.20). Eles tam bém serão importantes para a reunião dos exércitos que enfrentarão Deus no Arm agedom . Su a quantidade eqüivale a um terço de todos os anjos (A p 12.4).

4. Mateus 17.14-21 (Lc 8.2). 5. Marcos 9.14-29 (Lc 9.37-43)

AS AFLIÇÕES QUE 0S DEMÔNIOS CAUSAM

6. Mateus 12.22 (Lc 11.14)

O N T descreve algumas pessoas sen­ do habitadas por demônios. O termo mais comum para descrever isto é “possessão de­ m oníaca”, uma tradução do particípio grego daimonizomai. O N T também fala sobre pes­ soas que “possuem demônio” (echo daimonion). Alguns contestam a conveniência do termo “possessão”, visto que traz o conceito de propriedade. “Possessão”, contudo, tam ­ bém transmite a idéia de habitar, ou ocupar, sem direito à propriedade ou controle inter­ no. Isto é o que vemos nos casos em que o termo daimonizomai é utilizado. Aqueles que eram possuídos por demônios tinham seus demônios expulsos. O N T mostra demônios

7. Lucas 13.10-17 8. Mateus 9.32-34 Duas passagens m encionam os discípu­ los em relação às atividades dem oníacas: Mateus 10.1-8 (M c 3.13-19; Lc 9.1) e Mar­ cos 6.7,13. O livro de A tos cita demônios ou espíri­ tos imundos em apenas três oportunidades. A primeira relata que os apóstolos curavam pessoas atormentadas por espíritos maus (A t 5.16). A segunda descreve o ministério de Filipe em Sam aria, onde espíritos imundos


D e m ô n io s e E s p ír it o s Im u n d o s entrando em pessoas ou porcos e sendo re­ tirados de pessoas. Esta terminologia de en­ trar e sair mostra que a possessão demoníaca ocorre quando uma pessoa tem um demônio habitando em seu corpo. O N T utiliza a palavra grega ekballo para descrever a remoção de demônios. Esta p a­ lavra descreve a ação de Jesus ao desalojar demônios de seu domicílio temporário. Em nenhum momento, vemos a palavra “exor­ cizar” (exorkiso) ser aplicada às ações de Jesus ou de seus discípulos. O termo “exorcismo” descreve os rituais e as ações pagãs utilizadas para tentar livrar uma pessoa de demônios. Grande é o poder que os demônios p o ­ dem exercer sobre aqueles em quem habi­ tam. Eles podem conceder uma trem enda força física (Lc 8.29), causar cegueira (M t 12.22) e provocar a perda da fala (M t 12.22; M c 9.17). Eles fizeram com que um m eni­ no tentasse suicídio lançando-se no fogo e na água (M c 9.22); aleijaram uma mulher com um a enfermidade por dezoito anos (Lc 13.11-17); causaram epilepsia (M t 17.1518; Lc 9.37-42) e provocaram diversos pro­ blemas físicos e m entais (M t 9.32-33; Lc 8.26-35). N a época de Jesus, os judeus não utilizavam apenas a possessão dem oníaca para explicar doenças. Jesus curou algumas enferm idades que n ão estavam associadas a demônios (M t 4-24; M c 1.32; A t 5.16). Debate-se continuam ente se um cristão pode ou não ser possuído por demônios. A legações a favor, via de regra, vêm de nar­ rativas oriundas do campo missionário, Mas contra tal possibilidade há o forte argumen­ to de que, na salvação, os corpos dos cren­ tes passam a ser templos do Espírito Santo (1 C o 3.16). A pós a salvação, o crente está “em C risto”, e Cristo, nele. A s epístolas, por exemplo, não trazem nenhum alerta sobre esta possibilidade, nem transmitem instru­ ções para a expulsão de demônios. Possivelmente, a mais pérfida ação de­ m oníaca de nossos dias seja a divulgação

125

de falsas doutrinas e cosm ovisões arrogan­ tes que se opõem aos ensinos das Escrituras (1 T m 4.1; T g 3.15). Esta influência dem o­ níaca pode enganar os cristãos.

AS CATEGORIAS DE DEMÔNIOS A s Escrituras m encionam três catego­ rias de anjos caídos.

Anjos Caídos Aprisionados no Tártaro M uitos evangélicos têm discutido so­ bre a identidade dos dem ônios m encion a­ dos em Judas 6 e 1 Pedro 3.19-20. A de­ sobediência destes espíritos aconteceu no tem po do dilúvio de N o é. Eles “pecaram ” (2 Pe 2.4) ao ter relações sexuais com “ou­ tra carne” (sarkos heteros) e foram aprisio­ nados sob trevas (Jd 6). Estes anjos deso­ bedientes podem ser classificados com o os “filhos de D eus” de G ên esis 6, que é um termo veterotestam entário que descreve os anjos (Jó 1.6; 2.1; 3 8 .7 ). Existem duas outras interpretações principais para o termo “filhos de D eus”. A primeira identifica os filhos de Deus como os descendentes de Sete. Esta visão, con­ tudo, carece de fundam entação léxica e sugere que todos os descendentes de Sete foram salvos, enquanto que todos os des­ cendentes de C aim foram condenados. Isto tam bém im plica que som ente os hom ens da linhagem de C aim casaram-se com as mulheres da linhagem de Sete. A segunda alternativa defende que “fi­ lhos de Deus” era apenas uma expressão para designar guerreiros poderosos. Também esta visão não pode ser comprovada segun­ do o aspecto léxico. A lém disso, não vemos nenhum a evidência disto em passagens do NT, e esta visão não explica como o casa­ mento entre déspotas e pessoas comuns po­ deria corromper toda a raça humana. Deus não libertará esses dem ônios cati­ vos até o Juízo final, quando enviará todos para o lago de fogo (M t 25.41).


D ia d o S e n h o r

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Demônios Ativos e Operantes no Mundo S ão dem ônios que, sem serem vistos, agem atualm ente. Cegam os ímpios para a verdade do evangelho (2 C o 4-4) e promovem falsas doutrinas (1 T m 4.1). Distraem os cristãos, atrapalhando-os no cumpri­ m ento dos planos de Deus para o am adure­ cim ento espiritual em suas vidas.

Demônios Aprisionados no Poço do Abis­ mo até a Qrande Tribulação Este exército dem oníaco está atualm en­ te confinado no abismo (A p 9.1) e será sol­ to pelo quinto anjo, na quinta trombeta de juízo da G rande Tribulação. O A pocalipse com para esses demônios a gafanhotos e re­ laciona seu poder ao dos escorpiões. Eles atorm entarão as pessoas com um sofrimen­ to tão excruciante que os aflitos implorarão para morrer, mas não morrerão (A p 9.6). Seu líder, cham ado A badon em hebraico, é o único dem ônio a receber um nom e na Bíblia. Seu nom e significa “destruidor”. O julgam ento final de todos os dem ô­ nios e anjos caídos, ao que parece, acon ­ tecerá após a rebelião final de Satan ás ao fim do M ilênio (A p 20.7-10). Todos os dem ônios serão lançados no lago de fogo e enxofre, juntam ente com seu líder, Satan ás (M t 25.41; Jd 6; A p 20.10).

— Robert Dean BIBLIOGRAFIA Dean, Robert e Ice, Thom as. What the Bible Tea­ ches About Spiritual Warfare. Grand Rapids: Kregel, 2000. Lightner, Robert. Angels, Satan, a n d Demons. Nashville Word, 1 998. Show ers, Renald. Those Invisible Spirits Called Angels. Bellmawr, New Jersey: Friends of Is­ rael, 1997. Unger, Merrill F. Biblical Demonology. Wheaton, Illinois: Scripture Press, 1952.

DIA DO SENHOR O “D ia do Senh or” é uma expressão fun­ dam ental na com preensão da revelação de Deus para o futuro. O s escritores do N T usavam esta frase conforme sua com preen­ são dos profetas do AT. U m a análise desses profetas demonstra que a expressão era uti­ lizada tanto para fatos históricos próximos com o para eventos escatológicos. O s es­ critores neotestam entários retomaram seu sentido escatológico. A plicaram a expres­ são tanto ao juízo que marcará o apogeu da Grande Tribulação com o ao julgam ento que precederá uma nova terra. O Dia do Senhor é uma das principais fibras que formam a tessitura da profecia bí­ blica. Sem compreendê-lo claramente, os planos de Deus para o futuro ficam obscuros. A expressão aparece em quatro passa­ gens incontestes do N T (A t 2.20; 1 Ts 5.2; 2 Ts 2.2 e 2 Pe 3.10). Os profetas, contudo, foram os que mais escreveram sobre este assunto, estabelecendo os fundam entos da com preensão de Pedro e Paulo.

INFORMAÇÕES D0 ANTIGO TESTAM ENTO A expressão “D ia do Senh or” aparece por dezenove vezes no AT. Podemos vê-la em dois dos principais profetas e em seis dos profetas menores.

Obadias O badias relata a rixa fam iliar entre Is­ rael (Jacó) e Edom (Esaú). O tem a deste livro é o Dia do Senhor, enfrentado ini­ cialm ente por Edom e, em seguida, pelas nações (15-16) que seguiram os passos de Edom. Obadias 15 é o versículo principal. O fato de a linguagem dos versículos 1-14 ser particularm ente aplicada a Edom asse­ gura seu cumprimento em um futuro pró­ ximo. M uito provavelm ente, tratava-se da pilhagem prom ovida por Nabucodonosor.


D ia d o S e n h o r Já a linguagem dos versículos 15-21 aponta para um futuro distante, com o estabeleci­ m ento do R eino de Deus. W alter Kaiser observa: “N o que diz res­ peito ao cumprimento dessa profecia, O b a­ dias com binou em um único cenário o que a história separa em m om entos e eventos distintos [...] com acontecim entos próxi­ mos e distantes na linha do tempo, ou com m últiplos cumprimentos. Tudo isso partici­ pa no objetivo do autor de focar tanto uma vitória mais im ediata contra Edom, com o a vindoura vitória do Reino de Deus (Kaiser, pp. 188-189)”. O badias, para resumir, faz diversas contribuições ao estilo bíblico. Ele co m ­ b in a um a visão m ais im ediata (particu lar­ m ente no que se refere a Edom , vv. 1-14) com um a visão de longo prazo (en v o lv e n ­ do todas as nações, vv. 15-21), e prediz juízo e destruição sobre todos os ím pios (vv. 15-16,18). A restauração de Israel aparece em longo prazo (vv. 17-21), mas n ão é evidente em um futuro próxim o. O que ocorre de form a m ais im ed iata é um a prova, um a prévia, garan tin do o que o futuro guarda em um a seqü ên cia lógi­ ca crescente. Por fim, o D ia do S en h or term ina com a in stauração do R ein o de D eus (v. 21).

Joel O D ia do Senhor é m encionado por cinco vezes no livro de Joel (1.15; 2.1; 2.11; 2.31; 3.14). O s detalhes de cada passagem são um tanto sem elhantes, mas existe um bom número de diferenças. Estas diferenças indicam que Joel com eça em um contexto histórico bastante lim itado (um a praga de gafanhotos), e então o expande para incluir uma aplicação universal e escatológica. Em sua descrição do D ia do Senhor, Joel lança mão de temas que outros profe­ tas aproveitarão posteriorm ente:

127

Joel 2.2

D ia de trevas

Joel 2.2

Trevas espessas Sofonias

!§f u - l 2 . 1 1; v j l i m i i . I u d u i "

Joel 2.31; Distúrbios 3.15 cósm icos

Sofonias 1.15

Sofu iiLi''

1.15 1.14;

Isaías 13.10

O s gafanhotos de Joel são gafanhotos verdadeiros, ou locustas, que pouco antes tinham levado destruição aos campos de Judá. Estes gafanhotos haviam destruído campos e arruinado colheitas. E neste cená­ rio de destruição que se encontra a base do discurso de Joel. Ele cham a a nação ao arre­ pendimento, para que não venha o D ia do Senhor com destruição ainda maior (1.15). A mensagem de Joel 1 é que desastres natu­ rais, como as pragas de gafanhoto, anunciam uma iminente destruição divina. O alerta de um desastre im inente e a experiência com gafanhotos descrita em Joel 1 são, em Joel 2, utilizados para des­ crever a futura destruição causada por um exército invasor. Conform e prossegue, sua profecia cresce em intensidade e abrangên­ cia. Joel 2.18-27 funciona com o um a tran­ sição entre um a visão mais estreita e uma visão mais am pla. Os eventos profetizados por Joel em 2.28-32 serão espetaculares. Deus derramará do seu Espírito sobre toda a hum anidade (2.28-29). Perturbações cós­ m icas exibirão nos céus a grandeza do S e ­ nhor (2.30-31). O arrependimento estará ao alcance de todos (2.32; O b 17). O mais im portante em 2.31 é a decla­ ração de que ocorrerão grandes sinais cós­ m icos “antes que venha o grande e terrível D ia do S E N H O R ”. S e Joel 3.15, Mateus 24-29 e A pocalipse 6.12 m encionam o mesmo acontecim ento, isto parece limitar


128

D ia d o S e n h o r

o D ia do Senhor ao período final da Grande Tribulação. O D ia do Senhor, ao fim da tribulação, conterá m anifestações inconfundíveis da grandeza de Deus. Isto envoiverá tanto perturbações físicas (2 Pe 3.10) com o reavivam entos espirituais.

Amós A profecia sobre o D ia do Senhor, em A m ós 5.18, possui um im portante cenário histórico. O profeta escreveu ao rei Jeroboão e às tribos do norte, predizendo seu futuro exílio na A ssíria (5.27; 6.14; 7.9; 7.17). Am azias, o sacerdote de Betei, acusou A m ós de conspiração (7.10) e tentou enviá-lo de volta a Judá. A m ensagem de A m ós não com binava com a m ensagem de paz e prosperidade de Amazias. A queles israelitas hipócritas enga­ navam -se em ansiar pelo dia da volta de Jeová. Pensavam que aquele dia lhes tra­ ria bênçãos e prosperidade. A descrição de A m ós do D ia do Senhor era com pletam en­ te oposta a esta visão (5.18-20). Conform e A m ós, não seria um dia de júbilo, mas de trevas; um dia de tristeza, não de alegria. O dia previsto por A m ós foi a queda de Sam aria, em 722 a.C . (2 Rs 17). O profeta enfatizou a inevitabilidade desta destruição (5.19-20). Ele não se utilizou da expressão “o D ia do Senhor” para retratar o aspec­ to escatológico do julgam ento de Deus. N o entanto, prenunciou a intervenção de Deus a favor de Israel, a fim de restabelecer o seu reino (9.11-15).

Isaías Isaías 2.12 traz a primeira m enção do “D ia do Senhor” neste livro. O capítulo ressalta a futura instauração do Reino de Deus (2.2-4), a impiedade de Israel naque­ le m om ento (2.5-9), e o futuro dia de ajus­ te de contas (2.10-22). N os juízos descri­ tos em 2.10-22, o profeta parece enxergar além do que é mais im ediato, penetrando

no futuro distante da m esma forma como fizera com o reino escatológico em 2.1-4. Vemos m uitos indícios do reino do M ilênio em 2.1-4 (leia tam bém A pocalipse 20.1-6). O m onte Sião será a capital do mundo e todas as nações afluirão para lá (2.1-2) a fim de buscar a Palavra de Deus (2.3). Deus julgará as nações e não haverá mais guerras (2.4-5). Esta ênfase escatológica em 2.2-4 leva-nos a concluir que os juízos em 2.1022 tam bém são escatológicos. Isaías descreve o D ia do Senhor com o um tem po de hum ilhação m undial para todos aqueles que são altivos e orgulhosos (2.11-12,17). Em contrapartida, Deus m os­ trará o esplendor de sua m ajestade e o povo fugirá para cavernas em busca de proteção (2.10,19,21). Som ente o Senh or será exal­ tado (2.11,17). A seqüência dos eventos e a term inologia de Isaías 2.21 são surpre­ endentem ente sem elhantes à descrição do sexto selo em A pocalipse 6.16-17. Isaías 13.1-8 fala sobre Deus utilizando a Babilônia com o instrumento da sua in­ dignação, para a destruição de Israel (13.56). Isto lembra uma das consternações de H abacuque com a possibilidade de Deus fa­ zer tal coisa (H c 1.2-4). Isaías tinha o Dia do Senhor em m ente (13.6), m uito embora ainda faltassem cem anos para tal dia, que chegou quando a Babilônia destruiu Judá em 586 a.C . Isaías 13.9-16, contudo, fala sobre im ­ plicações para o futuro distante: distúrbios cósm icos (13.10,13; M t 24-29; A p 6.12-13; J1 2.31) e o julgam ento de toda a hum a­ nidade (13.11; leia 2,11-12). A ênfase em questões mais im ediatas volta em 13.17-22, onde Isaías descreve o fim da Babilônia.

Sofonias Esta profecia retrata Judá com o um sa­ crifício (1.7) oferecido a Deus pelo sacer­ dote Babilônia. Sofonias com eça com uma perspectiva am pla e universal (1.1-3). Em


D ia d o S e n h o r seguida, concentra sua atenção na situação mais im ediata de Judá (1 .4 Ί 3 ). Por fim, volta à primeira perspectiva em 1.14-18. De forma bastante intensa e realista, Sofonias 1.14 descreve o D ia do Senhor como um dia de ira, caracterizando-o com o um tempo de inquietações e tristezas, destruições e desolação, escuridão e sombras, nuvens e densas trevas, trombetas e clam o­ res de batalhas.

Ezequiel Ezequiel escreveu durante o cum pri­ mento de um juízo do Senhor (13.5). Ele estava cativo na Babilônia em 597 a.C ., ao tempo do exílio de Joaquim (1.2). Ezequiel 13 foi escrito em 592 a.C ., seis anos após a segunda fase do cativeiro. A qui, Ezequiel profetiza contra falsos profetas (vv. 1-16) e profetisas (vv. 17-23), cujas profecias v i­ nham de seus próprios corações (13.2), e a paz que pregavam era imaginária. N a ver­ dade, não havia nenhum a paz (13.10). A o contrário do que faz Obadias em 1.15-21, Ezequiel não apresenta nenhum a aplicação escatológica clara a todas as n a­ ções. Charles Feinberg (p. 173), porém, su­ gere que devemos supor esta aplicação. O dia do juízo de Deus sobre o Egito pode ser identificado, em princípio, com o dia em que o Senhor exigirá que todas as nações prestem contas.

Zacarias Zacarias é o prim eiro profeta a falar so ­ bre o D ia do Senh or após o exílio. C om o os juízos exercidos por m eio da A ssíria e da B abilôn ia já tinham ficado na história, toda a profecia de Zacarias diz respeito a um a longínqua exp ectativa escatológica. Seu tem a no capítulo 14 é o D ia do S e ­ nhor e suas conseqüências, onde se afirma que, antes de m elhorar (14.1-14), tudo irá piorar (14-2,5). Deus então interferirá contra as nações e lutará por Israel (14*3-

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5,12-13). Trata-se de um a descrição da volta de C risto no A rm agedom (J1 3; M t 24; A p 19), a ãm de estabelecer seu reino no M ilênio e reclam ar seu lugar de direito no trono de Davi. Zacarias sempre descreve o D ia do S e ­ nhor com o o dia da ira e da fúria de Deus, não com o um dia de bênçãos. Podem os então concluir que se trata de um tem po em que Deus intervém com o justo Juiz, a fim de im por e executar seu decreto de castigo. A pós o D ia do Senh or escatológi­ co cumprir os decretos divinos, Deus rei­ nará sobre a terra e abençoará seu povo. A s bênçãos vinculadas ao D ia do Senh or são cronologicam ente posteriores a ele e não concom itantes.

Malaquías O grande e terrível dia de M alaquias 4.5 (J1 2.11,31; S f 1.14) está descrito em 4-1-3. Trata-se de um dia de juízos, como se vê claram ente pelas referências a fornalhas, fogo, restolho e cinzas. Este trecho aponta para o fim da G rande Tribulação, quando será derramada a ira do Cordeiro e do Deus Todo-poderoso (A p 6.16-17; 16.14).

0 CUMPRIMENTO PROFÉTICO O s profetas, servos de Deus, falaram acerca do D ia do Senhor tanto com o algo próxim o com o escatológico. M uitas pas­ sagens trazem esta transição do im ediato para o distante. Em cada “D ia do Senh or”, o tem a principal é o juízo de Deus sobre o pecado. A s bênçãos do R eino de Deus são subseqüentes e vêm em conseqüência do D ia do Senhor, mas não são parte dele. R. V. G . Tasker observa: “A expressão ‘D ia do Senh or’, ao tem po do surgimento dos grandes profetas de Israel, referia-se a um acontecim ento ansiosam ente aguarda­ do pelos israelitas. Era a vingança divina final da justiça do seu povo contra seus in i­ m igos” (Tasker, p. 45).


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George Ladd acrescenta: “Os profetas en­ xergavam o futuro imediato contra um pano de fundo escatológico, pois o mesmo Deus que agia na história imediata acabaria por es­ tabelecer seu reino no futuro” (Ladd, p. 68). O “D ia do Senh or” é um a frase bíblica utilizada pelos profetas de Deus. C om ela, descreviam tanto o futuro im ediato como a derradeira consum ação escatológica. O leitor deve interpretar cada ocorrência da expressão em seu contexto e, então, deter­ minar se a visão do profeta se referia a um ato im ediato de Deus ou a um derradeiro acontecim ento escatológico. D ois períodos do D ia do S en h or ainda aguardam cum prim ento sobre a terra: (1) o julgam ento que encerra a G rande T ri­ bulação (2 Ts 2.2; A p 16-18) e (2) o juízo final sobre a terra que levará a um novo m undo (2 Pe 3.10-13; A p 20.7-21.1). A utilização da expressão “D ia do S en h or”, no AT, fornece-nos base para um a inter­ pretação m ais precisa de A tos 2.20, 1 Tessalonicenses 5.2, 2 Tessalonicenses 2.2 e 2 Pedro 3.10. C ad a um a destas passagens possui um a ênfase escatológica. G . M. Burge (p. 295) observa que, com relação à segunda vinda de Cristo e ao jul­ gamento no “D ia de Cristo” , o N T conserva a mesma expectativa futurística para o Dia do Senhor (Fp 1.10; 2 Ts 2.2). O s escritores do NT, portanto, interpretam este dia com olhos para seu cumprimento escatológico.

— Richard L. Mayhue BIBLIOGRAFIA Burge, G. M. “D ay of Christ, God, the Lord”, em Evangelical D ictionary o f Theology. Grand Rapids: Baker Books, 1984. Feinberg, Charles. The M inor Prophets. C hica­ go: M o o d y Press, 1 976. Kaiser, Walter. Towards an O ld Testament Theo­ logy. Grand Rapids: Zondervan, 1978.

Ladd, George. The Presence o f the Future. Grand Rapids: Eerdmans Publishing C o m ­ pany, 1 974. Price, W. K. The Prophet Joel a n d the D a y o f the Lord. Chicago: M o o d y Press, 1971. Tasker, R. V. G. The Biblical Doctrine o f the Wra­ th o f God. London: The Tyndale Press, 1 951.

DISCURSO NO MONTE DAS OLIVEIRAS O discurso no m onte das Oliveiras (M t 2425; M e 13; Lc 21; Lc 17.20-17) é o mais longo sermão profético proferido por Jesus e uma das passagens mais im portantes de toda a Bíblia.

0 CONTEXTO N os eventos imediatamente anteriores a Mateus 24, Cristo apresentou-se como o Messias ao povo de Israel, mas eles o rejei­ taram. Jesus repreendeu-os, expondo a hi­ pocrisia e a incredulidade daquele povo em Mateus 22 e 23. Ele comentou que aquela geração de líderes judeus era tal qual às anteriores, que haviam m atado os profetas (23.29-36). Cristo então diz aos líderes ju­ deus: “Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração” (23.36). Que coisas são essas? Era a m aldição de um juízo, que haveria de vir sobre o povo judeu pelas mãos do exército romano em 70 d.C. “Já não existia esperança alguma de que Is­ rael se voltasse para Deus”, diz Stanley Toussaint (pp. 264-265). “A o Rei, portanto, res­ tava apenas a alternativa de rejeitar aquela nação, durante aquele período, no que diz respeito ao Reino de Deus. A evidente de­ claração desta decisão pode ser vista nestes versículos do Evangelho de Mateus.” A pesar de o povo judeu merecer o juízo que se avizinhava, Jesus ainda clamou: “Je ­ rusalém, Jerusalém , que m atas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas


D is c u r s o n o M o n t e d a s O l iv e ir a s vezes quis eu ajuntar os teus filhos, com o a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (23.37) Jesus de­ sejava reunir seu povo (com o Ele mesmo profetizou em 24-31, de que Ele um dia o fará), mas, em vez disso, derramou sobre eles seu juízo, dispersando-os por todas as nações (Lc 21.24)· Em M ateus 23.38, Jesus declarou: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta” . A que “casa” Jesus se refere? N o contexto da pas­ sagem, o texto provavelm ente diz respeito ao Templo judeu. M ateus 24.1-2 apresenta uma conversa entre Jesus e seus discípulos acerca do Templo. Jesus assusta-os ao dizer: “N ão vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (24.2). Tanto 23.38 com o 24-2 referem-se à m esm a coisa: o Templo, de quem Jesus se despede até seu retorno triunfante em sua segunda vinda.

AS PERGUNTAS DOS DISCÍPULOS Enquanto Jesus se encontrava no m on­ te das Oliveiras, os discípulos fizeram as se­ guintes perguntas: “Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (24.3) Trata-se de duas ou três perguntas? H á discordância entre os com entaristas. Se os discípulos fizeram duas perguntas, a segunda com certeza está dividida em duas partes. Creio que a estru­ tura gram atical da passagem dem onstra a existência de duas perguntas básicas. Isto significa que “tua vinda” e “fim do m undo” estavam intim am ente relacionados entre si na m ente dos discípulos. Evidentem ente, a prim eira pergunta está relacionada à destruição do Templo, que ocorreu durante a invasão romana, culm inando na destruição de Jerusalém em 70 d.C . E igualm ente claro que as duas partes da segunda pergunta ainda estão por ter lugar na história. O s discípulos, contu­ do, criam que os três eventos estavam re­

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lacionados a um único acontecim ento: o retorno do M essias (Zc 14.4). Eles estavam corretos em pensar em Zacarias 12— 14. Estavam , porém, errados em vincular o juí­ zo iminente sobre Jerusalém e o Templo ao retorno do Messias. Os discípulos podem ter feito um a fusão destes eventos, mas Cristo, não. M ateus e M arcos não falam sobre a destruição do Templo em seus registros do discurso no m onte das Oliveiras. Eles se concentram na futura tribulação que culm inará no re­ torno de Cristo. Som ente no relato de Lu­ cas vem os C risto lidar com a destruição de Jerusalém (21.20-24)· Lucas, porém, tam ­ bém fala sobre a Tribulação e o retorno de Cristo (21.25-36). Por algum m otivo, M a­ teus e M arcos concentram -se apenas nesta últim a questão: “que sinal haverá da tua vinda e do fim do m undo?”. O s discípulos primeiramente pergunta­ ram a Jesus: “Dize-nos quando serão essas coisas?” (M t 24-3) Cristo falara-lhes sobre o Templo e afirmara: “[...] não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (M t 24.2). Jesus, portanto, estava aqui cla­ ramente profetizando acerca da destruição do Templo pelas mãos romanas em 70 d.C. Lucas 21.20-24 registra a resposta de J e ­ sus à primeira pergunta dos discípulos: Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação. Então, os que es­ tiverem na Judéia, que fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, que saiam; e, os que estiverem nos campos, que não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas e das que criarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira sobre este povo. E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e


0 DISCURSO NO MONTE DAS OLIVEIRAS (MATEUS 24— 25)

geraçao “O Sinal” que vir essas Uma Guerra coisas não Mundial, Passará sem fomes, pragas ? ! $ T e terremotos 'v;V , que elas se 24·7-8 .

Glorioso aparecimento de Cristo 24.26-31

Arrebat-------CUmpram· Arrebatamento 2 4 32-36

l

ATribulação de Sete Anos A Segunda Metade (3,5 anos) j.

Destruição do Templo em 70 d.C. 24.1-3

Início da Tribulação 24.9-14

A Grande Tribulação 24.21 -25

Profanação do Templo e perseguição aos judeus 24.15-20

Julgamento das nações 25.31-46


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D is c u r s o n o M o n t e d a s O l iv e ir a s Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se comple­ tem. (Grifo do autor) Lucas 21.20-24 claram ente refere-se à invasão rom ana de Jerusalém no século I. A s palavras grifadas na passagem iden­ tificam os pontos-chave que indicam este cumprimento em 70 d.C . A in d a assim, não encontram os a m esma linguagem em M ateus 24 e M arcos 13. Em vez de “gran­ de aflição na terra e ira sobre este povo”, M ateus 24 fala sobre o Filho do H om em enviando seus anjos para resgatar o povo judeu (M t 24.29-31). A ssim , a primeira pergunta dos discípu­ los no m onte das Oliveiras está relacionada à queda de Jerusalém em 70 d.C . A respos­ ta de C risto só é encontrada em Lucas 21. M ateus 24— 25 e M arcos 13 lidam apenas com a últim a pergunta, que diz respeito a eventos que ainda não ocorreram.

ANALOGIAS COM A TRIBULAÇÃO

M ateus 24-4-41 fala sobre a Tribulação de sete anos (D n 9.24-27). O período é dividido na m etade pela abom inação da desolação, m encionada por Jesus no versí­ culo 15. Desse modo, os versículos 4-14 referem-se à primeira metade da Tribulação e correspondem aos cinco primeiros selos de juízo descritos em A pocalipse 6.

Dores de Parto Mateus 24-8 caracteriza os acontecim en­ tos dos versículos 4-7 como “o princípio das dores”. M uito provavelmente, nosso Senhor tinha em mente a referência veterotestamentária às dores de parto de Jeremias 30.67 (Is 13.8; 26.17-18; Jr 3.32), onde se lê: “Perguntai, pois, e vede se um hom em tem dores de parto. Por que, pois, vejo a cada h o­ mem com as mãos sobre os lombos, como a que está dando à luz? E por que se têm torna­ do macilentos todos os rostos? A h! Porque

PARALELISMO ENTRE 0 DISCURSO NO MONTE DAS OLIVEIRAS E OS SELOS DE JUÍZO EM APOCALIPSE \|_'l'l.l Ill'll (■

M atou* 2 4

M arcos 1 í

1 I I I .IS I 1

Falsos Messias, Falsos Profetas

2

5, 11

6

8

Guerras

2-4

6-7

7

9

Discórdia Internacional

3-4

7

8

10

Fomes

5-8

7

8

11

Pragas

8

Perseguição,

9-11

9

9-13

12-17

Terremotos

12

7

8

11

Fenômenos Cósmicos

12-14

11

Martírio

11


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aquele dia é tão grande, que não houve ou-

Ainda Não Será o Fim

tro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela”.

A s pessoas ficarão inclinadas a pensar que tais guerras são o sinal do fim, mas este não será o caso. A liás, o alerta vem sendo ignorado ao longo de toda a história da Igreja. C om dem asiada freqüência, m uitos já im aginaram que determ inados confli­ tos m ilitares eram o prenúncio do fim da era. Por isso, Jesus diz a seus discípulos que, quando virem o início das dores do parto — os prim eiros selos de A p o calip ­ se 6 — os sete anos da Tribulação estarão apenas com eçando. M uitos outros even ­ tos deverão ocorrer antes que as pessoas possam “ [olhar] para cim a e [levantar] a cabeça, porque a redenção está próxim a” (Lc 21.28).

Que Ninguém vos Engane V isto que a T rib u lação se in icia com a ch eg ad a do A n tic risto , n ão causa sur­ p resa que esta seção tam bém com ece com um alerta sobre sua ch egad a. J e ­ sus co m eça a responder a pergu n ta dos d iscíp u lo s alertan d o -os co n tra os falsos m essias: “A ca u te lai-v o s, que ninguém vos en gan e, porque m uitos virão em m eu nom e, dizendo: Eu sou o C risto ; e en gan arão a m u ito s” (M t 2 4 .4 -5 ). O en gan o esp iritu al será o p rin cip al o b je ­ tiv o do A n tic risto durante a T ribu lação . Jesu s alerta seus seguidores p ara que to ­ m em cu id ad o com o en gan o. A ênfase no versículo 5 está na p alav ra “muitos". A p rofecias co n cern en tes a m uitos falsos m essias com certeza n ad a têm a ver com os even tos que levaram à d estru ição de Jeru salém em 70 d .C .

Querras e Rumores de Querras A palavra grega polemos é um termo ge­ nérico para “guerra” . M ais que as batalhas individuais que com preendem uma cam ­ panha maior, o termo transmite a idéia do conjunto de todas as hostilidades, referindo-se às verdadeiras guerras futuras contra o povo judeu. Tem os aqui um texto análogo a A p o ­ calipse 6.4 e ao juízo que acom panha o cavalo verm elho: “ [...] foi dado que tirasse a paz da terra e que se m atassem uns aos outros; e foi-lhe dada um a grande espada” . O prim eiro selo de juízo em A pocalipse 6.2 é o cavalo branco, um falso cristo que corresponde ao texto de M ateus 24-4-5. Isto significa que o A n ticristo inicia a Tribulação com um a falsa paz que logo se transform a em m últiplas guerras ao redor do mundo.

O Levante de Nações e Reinos A primeira metade de Mateus 24-7 diz: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino”. De imediato, notamos uma diferença entre o significado atribuído pelo Senhor aos termos “nação” (gr.: ethnos) e “reino” (gr.: basileia). O uso destes termos implica conflitos étnicos que se tomarão guerras internacionais de âmbito global. A o considerarm os os versículos 6-7, vemos que esta passagem descreve eventos que ocorrerão durante a prim eira parte da Tribulação. Mateus 24.6-7 corresponde ao segundo selo de juízo em A pocalipse 6.3-4 e refere-se à Tribulação vindoura. A p o ca­ lipse 6.4 diz: “E saiu outro cavalo, verm e­ lho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra e que se m a­ tassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada”. O A nticristo, portanto, estará envolvido em guerras contra reinos e nações já a partir do início da Tribulação (D n 7.8,23-24).

F omes e Terremotos Sabem os que a “abom inação da deso­ lação” (M t 24.15) ocorre exatam ente no


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m eio do período de sete anos (D n 9.2427). Logo, os eventos anteriores ao versículo 15 ocorrerão na primeira m etade da Tribulação, o que mais uma vez se confirma pela correlação entre os principais acon te­ cim entos de M ateus 24-4-8 e os primeiros quatro selos de juízo de A pocalipse 6.1-8. Isto significaria que as fomes e os terremo­ tos de M ateus 24-7 relacionam -se a even­ tos futuros, sobre os quais A pocalipse 6.5-8 fala em maiores detalhes, e não sobre qual­ quer evento atual ou que tenha ocorrido nos últimos 2000 anos.

povo judeu. Jo h n M acA rth u r (p. 23) diz: “Paradidômi (“en tregará” ) possui o m es­ mo sentido de “d elatar” e era freqü en te­ m ente utilizada de form a técn ica em re­ lação à prisão pelas m ãos de p oliciais ou m ilitares (v eja M t 4 -1 2 )” . A referência a martírios nesta passagem corresponde ao quinto selo de juízo em A pocalipse 6.9-11. A pocalipse 6.9 diz: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do tes­ tem unho que deram ”.

Tribulação

Aumentará a Iniqüidade

Dado que o discurso no m onte das O li­ veiras concentra-se em Jerusalém , Mateus 24-7 provavelm ente tem em vista a perse­ guição contra os judeus. Contudo, todos os cristãos receberão tratam ento sem elhante durante a Tribulação. Esta frase aparece apenas no relato de Mateus, talvez por cau­ sa de seu viés judaico. O A T ensina que a Tribulação será um tempo de grande perseguição contra o povo judeu (Jr 30.7,11, 22-24; Ez 20.33-44; 22.1722; Dn 7.25; 12.1-3; Os 5.15; S f 1.7-2.3). O N T ecoa este ensino (M t 10.17-22; 24-9, 15-24; Mc 13.9-20; Lc 21.12-19; A p 13.7; 18.24). Todo o capítulo 12 de Apocalipse é dedicado à descrição da perseguição contra os judeus durante a segunda metade do período. Tal perseguição será executada pelo próprio Satanás e por seu comparsa, o Anticristo, também conhecido como “a Besta”.

A palavra grega anomia é geralm ente traduzida com o “im piedade” ou “in iqüida­ d e”. Ela traz a idéia de desobediência deli­ berada a determ inadas diretrizes. C on for­ me o contexto da passagem , as diretrizes de Deus serão ignoradas. Freqüentem ente, a palavra “ iniqüidade” é utilizada com o um antônim o de “ju stiça” ou “boas ações” (M t 23.28; R m 6.19; 2 C o 6.14; T t 2.14; H b 1.9). Esse tempo de iniqüidade será certa­ m ente algo singular na história hum ana. N osso Senhor traçou os contornos da con­ dição espiritual dos ímpios que caracteriza­ rá o período da Tribulação, especialm ente a primeira metade. Esta descrição da ini­ qüidade encontra um paralelo na descrição que Paulo faz do “hom em da iniqüidade” em 2 Tessalonicenses 2.3. O relato de M a­ teus 24 culm ina com a abom inação da de­ solação (24.15), que será com etida pelo A nticristo no m eio do período da tribula­ ção. Paulo vincula o hom em da iniqüidade à abom inação da desolação quando diz: “ [...] se m anifeste o hom em do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se le­ vanta contra tudo o que se cham a Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no tem plo de Deus, querendo pare­ cer Deus” (2 Ts 2.3-4).

Martírio A perseguição que M ateus anun cia em 24-9 é um even to futuro e deverá acon tecer durante a segunda m etade da Tribulação. O verbo “entregar” é o m es­ mo utilizado por Jud as na ocasião da trai­ ção de Jesus (M t 26 .1 5 ), respaldando a idéia de que esta futura entrega para a m orte será tam bém um a traição contra o


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O Evangelho do Reino M ateus 24.14 descreve um evento fu­ turo e corresponde a A pocalipse 14-6-7. A m bas as passagens, em seus contextos, afirmam que ocorrerá uma evangelização global logo antes da m etade do período da Tribulação. Tal qual a Grande Com issão, estas passagens não se cumpriram no nasci­ m ento da Igreja. M ateus 24.14, assim como todas as outras profecias neste contexto, aguarda um cumprimento futuro, mais es­ pecificam ente durante a Tribulação. A

Abominação da Desolação

M ateus explica que o leitor pode com ­ preender o termo “abom inação da deso­ lação” recorrendo ao texto de Daniel. A s passagens-chave que m encionam o termo “abom inação da desolação” são D aniel 9.27; 11.31 e 12.11. Trata-se de um termo técnico — seu significado é precisam ente o mesmo em todas as passagens. A passagem refere-se a um ato abom inável que tom a o Templo impuro. Daniel 9.27 afirma que esta abominação acontecerá no meio do período de sete anos. A passagem diz: “[...] na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador”. Em outras palavras, o futuro príncipe deste mundo fará exatamente o que Antíoco fez no século II a.C. Daniel prossegue e diz que aquele que cometer tal ato será destruído três anos e meio depois. Daniel 12.11 apresenta uma cronologia precisa: “E, desde o tempo em que o contínuo sacrifício for tirado e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias”. A lém destas três passagens em Daniel, as duas referências de Jesus em Mateus e Lucas, as doutrinas paulinas em 2 Tessalonicenses e a visão de João em A pocalipse 13.14-15 falam a respeito deste acontecim ento. A abominação da desolação, que o leitor deve compreender, inclui o seguinte:

1. Ocorre no Templo judeu em Jerusa­ lém (D n 11.31; 2 Ts 2.4)· 2. Tem a ver com uma pessoa colocan­ do uma estátua no lugar do sacrifí­ cio no Santo dos Santos (D n 11.31; 12.11; A p 13.14-15). 3. Resultará na interrupção dos sacrifí­ cios regulares (D n9.27; 11.31; 12.11). 4. H averá um tempo de aproxim ada­ mente três anos e m eio entre este evento e o final do período (D n 9.27; 12.11). 5. Tem a ver com uma pessoa que apre­ senta uma estátua de si mesma, a fim de ser adorada no lugar de Deus (Dn 11.31; 2 T s 2 .4 ; A p 13.14-15). 6. A imagem é dado viver (A p 13.15). 7. Instaura-se um sistem a de adora­ ção deste falso deus (2 Ts 2.4; A p 13.14-15). 8. A o fim deste período de tempo, o indivíduo que cometeu tal ato será extirpado (D n 9 .2 7 ).

A GRANDE TRIBULAÇÃO Vimos que Mateus 24.15 descreve um evento que marca a metade dos sete anos da Tribulação. Os versículos 16-20 descrevem a reação apropriada a ser tom ada pelos fiéis que virem a abominação da desolação em Jerusalém. Devem fugir de Jerusalém o mais rápido que puderem. Por quê? Porque a se­ gunda parte da Tribulação será um período de perseguição contra o remanescente de judeus. Cham a-se “Grande Tribulação”, no que diz respeito ao destino do remanescente judeu em Israel. Durante a primeira metade, estavam todos cobertos pela aliança entre o Anticristo e a nação de Israel. A segunda metade, porém, será um tempo de grande perseguição por parte do Anticristo. M ateus 24.21 fala sobre a Grande Tri­ bulação, ou os últim os três anos e meio do


D is c u r s o n o M o n t e d a s O l iv e ir a s período da Tribulação, que culm inarão no segundo advento de Cristo. O doutor John W alvoord (p. 188) diz: “A G rande Tribula­ ção, portanto, é um período de tem po es­ pecífico que se inicia com a abom inação da desolação e term ina com a segunda vinda de C risto, conforme as profecias de Daniel, confirmado pela referência a 42 meses. Em A pocalipse 11.2 e 13.5, a Grande Tribula­ ção é um período específico de três anos e meio que culm ina com a segunda vinda” . Jesus explica que a Grande Tribulação será o período m ais difícil da história para o povo judeu. M arcos 13.19 é ainda mais claro. N osso Senhor diz: “porque, naque­ les dias, haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jam ais haverá”. Joh n M acA rthur (p. 44) diz: “N enhum mom ento ou evento na história de Isra­ el se encaixa na descrição do holocausto aqui m encionado por Jesus. Logicam en­ te, os acontecim entos descritos por nosso Senhor, Daniel e João devem referir-se ao mesmo grande holocausto do fim dos tem ­ pos, im ediatam ente anterior à instituição do reino m ilenial sobre a terra”.

QUEM SÃO OS ELEITOS? Jesus usa o termo “os escolhidos” por três vezes no discurso do m onte das O livei­ ras (M t 2 4 -2 2 ,2 4 ,3 1 ; M c 13.20, 22,27). A s três ocorrências, nos dois livros, referem-se sempre ao mesmo grupo de pessoas. Evi­ dentem ente, naquele contexto, a expres­ são está relacionada a algum grupo de fiéis durante a Tribulação. Visto que a Igreja já terá sido arrebatada, o termo “escolhidos” não pode estar relacionado a ela. N a verda­ de, diz respeito ao rem anescente judeu. A s epístolas do N T m encionam os crentes da era da Igreja (tanto judeus como gentios) como sendo “os escolhidos” (Rm 8.33; C l 3.12; 2 T m 2.10; T t 1.1). Este ter­ mo, porém, é utilizado de diversas outras

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formas. Cristo provavelm ente o utilizou em referência àqueles que pertenciam ao rem anescente judeu. Em bora ainda não salvos, eles o receberão e se converterão, conforme verificamos na passagem corres­ pondente de D aniel 12.1, na qual um anjo, falando a Daniel, diz: Έ , naquele tempo, se levantará M iguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro”.

UM EVENTO FUTURO O s preteristas negam que Mateus 24-27-31 esteja retratando um retorno fí­ sico e pessoal de Cristo. Tal visão é respal­ dada por apenas uns poucos intérpretes ao longo da história da Igreja. O contexto, to­ davia, sustenta que Jesus está falando aqui sobre seu retorno físico. C ontrastando com a vinda de C risto no versículo 27, tem os os falsos cristos e os falsos profetas dos versí­ culos 23-24, que são claram ente indivíduos que podem ser fisicamente vistos. O retor­ no de Cristo está justaposto ao surgim en­ to destes. A volta de C risto será pública e evidente a todos. N ão há como encaixar isto em algum “juízo” nas mãos do exérci­ to romano. A despeito de outras doutrinas ensinadas em outras passagens, o contexto de M ateus 24 corrobora um retorno físico de Jesus, que é necessariam ente a sua se­ gunda vinda. A palavra grega parousia é utilizada neste versículo e em outras quatro ocorrências de Mateus 24- O dicionário grego/inglês, edi­ tado por Bauer, Arndt, Gingrich e Danker, informa que parousia significa a “presença” ou a “chegada” de Cristo. Quase sempre, seu advento messiânico em glória, para jul­ gar o mundo ao fim desta era. Ele cita todas as quatro ocorrências de parousia em Mateus 24 com o referências ao segundo advento de


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D is c u r s o n o M o n t e d a s O l iv e ir a s

Cristo. Parousia, portanto, transmite a idéia de uma “vinda presencial” e não o conceito preterista de uma “vinda não-presencial”, de uma vinda invisível. O fato de nosso Senhor utilizar o termo parousia exige sua presença física, corporal.

GLOBAL, NÃO LOCAL M ateus 24.27, que diz: “Porque, assim com o o relâm pago sai do oriente e se m os­ tra até ao ocidente, assim será tam bém a vinda do Filho do H om em ”, enfatiza uma vinda em âm bito global. Este versículo se contrapõe aos falsos mestres m encionados no versículo 26 que falam sobre aparições locais do Messias. O s preteristas ensinam que Jesus veio localm ente, com o exército rom ano, em 70 d.C . Esta visão contradiz o versículo 27, que ensina o retorno do M es­ sias como um evento global. Vemos nesta passagem que a segunda vinda de Cristo será algo que ser nenhum ser hum ano, nem mesmo o A nticristo, será capaz de falsificar. Tal será sua natureza que apenas Deus será capaz de fazê-lo. Será um evento global e miraculoso, de nenhum modo com parável à destruição de Jerusa­ lém pelo exército rom ano em 70 d.C . Trata-se, portanto, de um evento futuro, visto que nada assim jam ais ocorreu.

IMEDIATAMENTE APÓS A TRIBULAÇÃO Em M ateus 24.29, a n arrativa de C ris­ to se vo lta para um n o vo foco, passando dos even tos relacion ad os à T ribulação para um acon tecim en to que virá após esta. A pesar de Jesus, no versículo 27, ter com en tado sobre as circun stân cias de sua segunda vinda, Ele agora fala sobre o m es­ m o assunto em relação à T ribulação. Ele falara anteriorm ente sobre os even tos da T ribulação (M t 24.9, 21; M c 13.19), mas agora passa a tratar de algo que aco n tece­ rá “im ed iatam en te” após a tribulação d a­ queles dias. O acon tecim en to em questão

é o futuro retorno físico de C risto à terra, que é con h ecido com o “a segunda v in d a” (v. 3 0 ). O que C risto descreve em uns poucos versículos (2 9 -3 1 ), Jo ã o exp lica em m aiores detalh es (A p 9 .1 1 -2 1 ). O se ­ gundo adven to, então, vem logo após os eventos da Tribulação. Eutheos é um advérbio grego geralmente traduzido com o “im ediatam ente” ou “já, de uma vez, rapidam ente”. O s eventos do ver­ sículo 29, portanto, ocorrem im ediatam en­ te após a Tribulação, sem que haja atrasos e sem nenhum acontecim ento interveniente. Isto significa que M ateus 24.29-31 virá logo após a últim a taça de juízo descrita em A pocalipse 16.17-21.

0 SINAL DO FILHO DO HOMEM U m a das primeiras perguntas que os dis­ cípulos fizeram a Jesus no início do discurso foi: “que sinal haverá da tua vinda?” Ele res­ ponde sobre os sinais a partir do versículo 23. A pós falar sobre sua vinda no versículo 27, Jesus desenvolve o ponto de que Ele não chegará em segredo, mas que sua volta será um evento público e aberto que ocor­ rerá de m aneira repentina. Su a tão gloriosa vinda será exatam ente o que é descrito nos versículos 29 e 30. N o versículo 30, a or­ dem do texto grego é a seguinte: “então, aparecerá o sinal do Filho do H om em no céu”. O texto grego permite a possibilidade de que o sinal do Filho do H om em venha a aparecer no céu ou no firmamento. Em suma, M ateus 24.30 descreve um apareci­ m ento visível do Filho do H omem , o arre­ pendim ento de Israel e o triunfante retorno de Cristo para reinar no planeta Terra.

UMA REUNIÃO PROMOVIDA PELOS ANJOS Em M ateus 23.37, Jesus chorou por Jerusalém , anunciou o juízo de 70 d .C . e declarou: “Q u an tas vezes quis eu aju ntar os teus filhos, com o a galin h a aju n ta os seus pin tos debaixo das asas, e tu n ão qui-


D is p e n s a c io n a l is m o se ste !” A gora, no capítulo 24, o m esm o Jesus retorna após a G rande T ribulação, com Jerusalém m ais um a vez em perigo. D esta vez, contudo, os judeus reagem p o ­ sitivam en te ao m essiado de Jesus. N o s ­ so Senhor, então, en via seus an jo s para aju ntar seus eleitos (judeus salvos ao fim da T ribulação) de todas as extrem idades da terra. Todos são reunidos em Jeru sa­ lém e não espalhados, com o ocorrera em 70 d .C . (Lc 21 .2 4 ). T am anha reunião foi profetizada no AT:

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revelação de verdades acerca do arreba­ tam en to da Igreja ocorre m ais tarde, nas epístolas n eo testam en tárias, com e x c e ­ ção da introdução dada por Jesus sobre a esperan ça da Igreja no discurso proferido no cenáculo (Jo 14.1-3).

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Enns, Paul. “Olivet D isco urse ”, em D ictionary o f Premillennial Theology, editado por Mal C o u ­

Então, o Senhor, teu Deus, te fará voltar do teu cativeiro, e se apiedará de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todas as nações entre as quais te es­ palhou o Senhor, teu Deus. A inda que os teus desterrados estejam para a extrem idade do céu, desde ali te ajuntará o Senhor, teu Deus, e te tom ará dali. (D t 30.3-4)

CINCO ILUSTRAÇÕES EM FORM A DE PARÁBOLA A o fim de seu discurso acerca da Tribu­ lação e de sua segunda vinda, Jesus apresen­ tou cinco parábolas como ilustração do que Ele acabara de ensinar. H ouve a parábola da figueira (24-32-35), a ilustração sobre os dias de N oé (24-36-39), a com paração entre os dois hom ens e as duas mulheres (24-40-41), a ilustração do vigia sempre alerta (24-42-44) e a parábola do servo fiel e prudente (24-45-51). Todas estas ilustra­ ções estão relacionadas às doutrinas ensi­ nadas por Cristo em Mateus 24. Todas as parábolas con tid as no discur­ so no m onte das O liveiras relacionam -se à segunda vinda, e não ao arrebatam ento da Igreja. Isto fica evidente ao observar­ m os que tod a a pregação no m onte das O liveiras foi dirigida a Israel, falando sobre a perseguição con tra o povo e o re­ torno de C risto ao fim da T ribulação. A

ch. Grand Rapids: Kregel, 1996. Gaebelein, A rn o C. The Gospel o f Matthew: A n Exposition. Neptune, New Jersey: Loizeaux Brothers, 1961. MacArthur, John.

The New Testament C om ­

mentary: M atthew 2 4 — 28. Chicago: M o o d y Press, 1989. Toussaint, Stanley. Behold the King: A Study o f Matthew. Portland, Oregon: Multnom ah Pu­ blishers, 1980. Walvoord, John F. Matthew: Thy Kingdom Come. Chicago: M o o d y Press, 1974.

DISPENSACIONALISMO (V eja tam bém “D isp en saçõ es”)

M uitos cristãos m ais conservadores interpretam a Bíblia segundo o dispen­ sacionalism o. C rêem que as Escrituras m ostram Deus se relacionando com a hum anidade através de sete dispensações ou épocas específicas. A salvação é pela graça, por interm édio da fé, em todas as dispensações. Deus, contudo, se relacio­ n a com as pessoas de m aneira diferente a cada dispensação. O dispensacionalism o está presente em m uitas denom inações, que freqüentem ente se identificam com a B íblia de R eferência Scofield e, via de regra, interpretam as Escrituras de acordo com suas notas e esboços.


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D is p e n s a c io n a l is m o

DEFINIÇÃO

seja, a nação de Israel. Este plano para Israel inclui as promessas de que eles possuirão sua terra, deixarão sua semente e serão uma bênção para to­ das as nações. Muitas das promessas para a nação de Israel ainda serão cumpridas. Deus ainda não terminou com Israel.

A tualm ente, o dispensacionalism o é um sistem a de pensam ento m ultifacetado. O s dispensacionalistas crêem no seguinte: •

A Bíblia é a inspirada e infalível re­ velação de Deus para a humanidade. A s Escrituras proporcionam a estru­ tura por que devemos interpretar o passado e o futuro. A Palavra escrita de Deus traz-nos seus planos para sua criação, os quais certamente serão concretizados.

C om o a Bíblia é literalm ente a Pa­ lavra de Deus e seu plano para a história, devem os interpretá-la de forma literal. A Bíblia revela o plano de Deus para a história. O plano de Deus in­ clui diferentes dispensações, eras e momentos históricos, nos quais Ele testa suas criaturas (pessoas e anjos). N este cam inho do Éden à cidade celestial, Deus instrui e orienta suas criaturas.

Toda a humanidade caiu em pecado, então cada um deve receber indivi­ dualmente a salvação de Deus, cren­ do no evangelho, por meio da morte e ressurceição de Cristo. Jesus Cristo, portanto, é o único Cam inho para um relacionamento com Deus.

A s Escrituras ensinam que, por ter pecado, toda a humanidade é n a­ turalmente rebelde para com Deus e suas coisas. E por isso que apenas os crentes verdadeiros dão ouvidos à Bíblia. A salvação, portanto, é um pré-requisito para uma compreensão adequada da Palavra de Deus.

O plano de Deus para a história in­ clui uma proposta para os descen­ dentes de Abraão, Isaque e Jacó, ou

Desde a eternidade, os planos de Deus também incluem um propósito para a Igreja. Isto, contudo, é uma fase temporária que terá fim com o arrebatamento. A pós o arrebatamento, Deus concluirá seu plano para Israel e os gentios.

O principal propósito de Deus em seu plano mestre para a história é glori­ ficar a Si mesmo por intermédio de Jesus Cristo. Jesus Cristo é, portanto, o Herói e o Objetivo da história.

Lewis Sperry C hafer estava certo quan­ do sugeriu que “toda pessoa é dispensacionalista, quando crê no sangue de C risto e não no sacrifício de um anim al” e “toda pessoa é dispensacionalista ao guardar o primeiro dia da sem ana e não o últim o” (Chafer, p. 9). A m aioria dos estudantes das Escritu­ ras concordaria com o dispensacionalism o em seu sentido m ais am plo, na m edida em que distingue entre as características do A T e do NT. A o resumir a natureza essencial do dis­ pensacionalismo, Charles Ryrie comenta: “O dispensacionalismo enxerga o mundo como um lar governado por Deus. Nesse mundo-lar, Deus delega ou administra seus assuntos conforme a própria vontade e em vários estágios ao longo do tempo. Estes estágios assinalam variadas disposições de recursos na concretização de seu propósito maior. Estas disposições são as dispensações. Compreender as diferentes disposições dos


D is p e n s a c io n a l is m o recursos de Deus é essencial para uma cor­ reta interpretação de sua revelação em meio às várias dispensações” (Ryrie, p. 31). Para compreender o plano e o objetivo de Deus ao longo das eras, é preciso enxergar a relação existente entre uma dispensação e uma aliança. U m a dispensação é um período específico de tempo baseado em um teste con­ dicional, o qual procura avaliar se a humani­ dade será ou não fiel às condições de Deus. Scofield definia uma dispensação como “um período de tempo, durante o qual o homem é testado em sua obediência a uma revelação específica da vontade de Deus” (Scofield, p. 5). De acordo com Ryrie, “uma dispensação é um arranjo de recursos claramente distinguí­ vel na materialização do propósito de Deus. Se fôssemos descrever uma dispensação, te­ ríamos de incluir outras coisas, como uma revelação específica, provas, fracasso e juízo” (Ryrie, p. 29). A humanidade falhou em di­ versos desses testes e, por esse motivo, cada dispensação termina em juízo. U m a aliança é um pacto eterno firmado por Deus com o gênero hum ano, que revela o que Ele fará pela hum anidade. Deus fir­ mou sete alianças com o hom em ao longo da história. C ad a aliança traz princípios pelos quais Deus se relaciona com o ser hu­ m ano. O hom em tem o livre-arbítrio para rejeitar a aliança ou os princípios de Deus; porém, quando desrespeita esta aliança, so­ fre as conseqüências.

FUNDAMENTOS DO DISPENSACIONALISMO Ryrie (p. 41) enunciou o que ele cham a de fundam entos ou imperativos do dispen­ sacionalism o. “A essência do dispensacio­ nalism o é, portanto, a diferença entre Isra­ el e a Igreja. Isto surge do uso consistente de uma interpretação normal, simples ou histórico-gram atical. Tal posição reflete um entendim ento dos propósitos de Deus e, principalm ente, do propósito fundam en­ tal de seu relacionam ento com a hum ani­

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dade, como o de glorificar a S i mesmo por m eio da salvação”.

Primeiro Fundamento: Uma Sólida In­ terpretação Literal O primeiro fundam ento do dispensacio­ nalismo enunciado por Ryrie não se lim ita à interpretação literal, mas abrange um a her­ m enêutica literal sólida. “A palavra ‘literal’ talvez não seja tão adequada quanto ‘regu­ lar’ ou ‘sim ples’, mas, de qualquer modo, trata-se de um a interpretação que evita espiritualizações e alegorias, com o vemos na interpretação não-dispensacionalista” , explica Ryrie (p. 40). U m a interpretação literal é fundam ental para uma abordagem dispensacionalista das Escrituras.

Segundo Fundamento: Israel e a Igreja São Distintos entre si “U m dispensacionalista separa a Igreja de Israel” , declara Ryrie (p. 39). Ele também observa que “todo aquele que continuam en­ te deixa de diferenciar Israel da Igreja irá, sem a menor dúvida, afastar-se das caracte­ rísticas dispensacionalistas — ao contrário daquele que percebe tal distinção”. Qual o objetivo de Ryrie em manter a Igreja sepa­ rada de Israel? O s dispensacionalistas crêem que o plano de Deus para a história envolve um planejam ento para Israel e um outro, di­ ferente, para a Igreja. O plano de Deus trata de dois povos: Israel e a Igreja. John Walvoord (p. 88) afirma que “as dispensações são regras de vida. N ão existem diversos cam i­ nhos para a salvação. H á apenas um cam i­ nho para a salvação, que é pela graça por meio da fé em Jesus Cristo”.

Terceiro Fundamento: A Qlória de Deus E o Propósito da História O terceiro fundam ento do dispensacio­ nalism o está habilm ente resumido nesta citação de R enald Showers (p. 53): “O su­ premo propósito da história é a glória de


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D is p e n s a c io n a l is m o P r o g r e ssiv o

Deus, a qual é m anifesta na dem onstração de que som ente Ele é o soberano Deus”.

UMA FILOSOFIA BÍBLICA DA HISTÓRIA A visão dispensacionalista da Bíblia equipa o crente com uma filosofia bíblica da história. Isto é im portante para o cris­ tão. Com preender o propósito de Deus para cada era da história ajuda-nos a desen­ volver um a visão da vida em conformidade com a vontade de Deus. O crente que pos­ sui um a perspectiva divina do passado, do presente e do futuro é capaz de reconhecer o que Deus espera dele hoje, em todas as áreas de sua vida. N a atual era da Igreja, o N T ensina-nos com o viver pública e privadam ente. O s dis­ pensacionalistas, por exem plo, não vivem nesta era da graça com o se estivessem sob a lei m osaica. Com preendem os que, em vez disso, estam os agora sob o que o N T cham a de “a lei de C risto” (1 C o 9.21; G1 6.2). N ossos compromissos nesta dispensação com binam com as responsabilidades da era anterior, a fim de munir o crente neotestam entário com um com pleto sistem a de referência bíblica que leve à com preensão de com o agradar a Deus em todas as áreas de nossas vidas.

UM SISTEMA BÍBLICO DE TEOLOGIA Cremos que o dispensacionalismo é um sistema de teologia que foi corretamente de­ senvolvido a partir da própria Bíblia. O dis­ pensacionalismo é essencial para uma coneta compreensão da Bíblia, mormente da profecia bíblica. Ninguém seria capaz de separar a Pa­ lavra de Deus sem compreender estas grandes verdades. Em vez de ser um empecilho à cor­ reta compreensão da Palavra de Deus, como afirmam seus críticos, o dispensacionalismo é um rótulo humano para a correta abordagem e compreensão das Escrituras.

— Elmer Towns e Thomas Ice

BIBLIOGRAFIA Bass, Clarence. Backgrou nds to Dispensationalism. Grand Rapids: Eerdmans Publishing Company, 1 960. Chafer, Lewis Sperry. Dispensationalism . Dallas: Dallas Sem inary Press, 1 936. Ryrie, Charles C. Dispensationalism . Chicago: M o o d y Press, 1 995. Scofield, C. I. Scofield Reference Bible. New York: Oxford University Press, 1917. Show ers, Renald. There Really is a Difference! A Com parison o f Covenant a n d Dispensational Theology. Bellmawr, New Jersey: Friends of Israel, 1990. Walvoord, John F. "Biblical K ingd om s Com pared and Contrasted", em Issues in D ispensationa­ lism. Chicago: M o o d y Press, 1 994.

DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO Dispensacionalism o é o sistem a teológico que reconhece as formas de tratam ento de Deus com a hum anidade em diferentes dispensações de tempo, ao longo de toda a história (veja artigos intitulados “D ispen­ sações” e “D ispensacionalism o” ). Em geral, o dispensacionalism o repousa sobre uma herm enêutica literal e uma distinção entre Israel e a Igreja ao longo de toda a Bíblia. O dispensacionalism o é também a estrutura teológica geral para o pré-tribulacionismo. Nos últimos anos, surgiu um novo desen­ volvimento de dentro do dispensacionalismo que passou a ser chamado de “dispensaciona­ lismo progressivo”. Os que aderem a este sis­ tema consideram-se como parte da família da teologia dispensacional, mas têm feito muitas mudanças em relação à posição mediadora entre dispensacionalismo e o não dispensacio­ nalismo. Muitos elementos de sua abordagem interpretativa são similares aos dos pré-mile-


D is p e n s a c io n a l is m o P r o g r e ssiv o nialistas históricos não-dispensacionais. Em vez de seguirem um sistema de interpretação histórico-gramatical tradicional, eles defen­ dem uma hermenêutica histórica-gramaticalliterária-teológica ao explicarem a Escritura. Assim, ao invés de permitir que o contexto original de um texto e a intenção original do autor determinem o único significado de uma passagem, o dispensacionalismo progressivo leva em conta a adição de outros significados que alteram o intento original do autor.

CRENÇAS BÁSICAS DO DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO Charles Ryrie (pp. 96-97) observa as seguintes crenças e ênfases do dispensacio­ nalismo progressivo: 1. O Reino de Deus é o tema unificador da história bíblica (embora a natu­ reza deste reino não seja claramente definida). 2. A s eras dispensacionais são limitadas a quatro: patriarcal, de Moisés, da Igreja, e de Sião. A s eras antes a que­ da, depois da queda, e de A braão es­ tão misturas em uma única era. A era de Moisés termina com a ascensão de Cristo em vez da sua morte, fazendo da dispensação da Igreja (eclesial) a inauguração do reino davídico. 3. Cristo já inaugurou o reino daví­ dico no céu. O trono de Deus é o trono de Davi. (Isto ignora o fato de que Cristo está assentado no trono celestial de Deus, e não no trono terreno de Davi. Ryrie além disso assinala que a atividade atual de Cristo é a de nosso sumo sacerdote celestial. Ele só atuará com o um rei davídico na terra quando passar a governar no reino m ilenial.) 4. A nova aliança está inaugurada para Israel. Embora as suas bênçãos não venham a ser totalm ente percebidas

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até o Milênio, os seus efeitos já estão garantidos para Israel. 5. A distinção entre Israel e a Igreja deve ser abandonada. O s progressi­ vos rejeitam o conceito de dois pro­ pósitos e dois povos de Deus. (N o en­ tanto, a Igreja é claramente distinta de Israel no NT. A Igreja foi batizada com o Espírito Santo [At 11.15-16], começou no Pentecostes e continu­ ará até o arrebatamento [1 Ts 4-17]. Ela é habitada por Cristo [Cl 1.27] e foi com issionada para evangelizar o mundo. Israel, ao contrário, ainda é retratado como uma nação separada depois do Pentecostes [veja A t 3.12; 4.8; 5.21,31,35; 21.28].) 6. Significados complementares podem se atribuídos às promessas do AT. Em outras palavras, os dispensacionalis­ tas progressivos espiritualizam con­ ceitos encontrados no N T de forma que os tom a complementares às pro­ messas. Por exemplo, hermenêuticas literais ditam que o Templo em A p o­ calipse 11.1 é um edifício literal, mas a hermenêutica complementar do dispensacionalismo progressivo lhes permite dizer que ele é uma referên­ cia ao corpo de crentes, pelo fato de o termo ser usado deste modo em ou­ tra passagem no NT. Este é um dos maiores problemas com a abordagem dispensacional progressiva; ela deixa a porta hermenêutica aberta para uma larga gama de interpretações. 7. O plano de redenção holística de Deus abrange todas as pessoas e to­ das as áreas da vida humana. (Em ­ bora isto seja verdadeiro no sentido definitivo do governo universal de Deus sobre tudo na vida, não sig­ nifica que as prioridades universais [sociais, políticas, ecológicas] devam


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D

is p e n s a c io n a l is m o

ter precedência sobre a Igreja e a sua missão de evangelizar o mundo.)

PROBLEMAS COM 0 DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO O s dispensacionalistas progressivos ar­ gumentam que eles estão apenas tentando rever o dispensacionalism o. N o entanto, um exam e cuidadoso de seus pontos de vis­ ta revela um a m udança radical em vez de desenvolvim entos ligeiramente matizados. A ssim , os não-dispensacionalistas têm afir­ m ado publicam ente o óbvio. W alter Elwell disse em Christianity Today (12 de setembro de 1994): “O mais novo dispensacionalis­ mo se parece tanto com o pré-milenialismo não-dispensacional que se tem dificuldade para ver qualquer diferença”. U m a posição verdadeiramente dispensacional mostrará duas distinções específicas:

Israel e a Igreja Ryrie (p. 39) vê isto como um elemento necessário do dispensacionalismo verdadeiro. Ele escreve: “Este é provavelmente o teste te­ ológico mais básico para se descobrir se uma pessoa é dispensacionalista ou não, e, sem dúvida alguma, é o mais prático e o mais con­ clusivo”. E então continua: “Os dispensacio­ nalistas progressivos parecem obscurecer esta distinção, dizendo que o conceito não está na mesma classe do que é transmitido pelos con­ ceitos de gentios, de Israel e de judeus”. Se Israel e a Igreja não são distintos, por que a Igreja parou de sujeitar-se à lei enquanto Israel sempre esteve sujeito a ela? Se Israel e a Igreja não são distintos, deve-se perguntar por que aqueles que abraçaram a fé de Israel, tais como os discípulos de João, precisaram ser batizados no nome de Jesus e receber o Espírito, ou por que, no Pentecos­ tes, os fiéis tiveram de identificar-se com a nova verdade? A Igreja parece ser uma nova realidade. Para ser justo, os dispensacionalis­ tas progressivos criaram um híbrido, porque

P r o g r e ss iv o

eles não querem dizer que a nação de Israel e a Igreja são idênticos, ou que a Igreja seja o Israel espiritual, mas antes, apenas que os fiéis de Israel e os gentios compõem a Igreja. O s dispensacionalistas progressivos conside­ ram a Igreja uma continuação do povo de Israel no AT, que era crente. Eles foram uni­ dos por Cristo em um único corpo novo; e todos irão participar da mesma ressurreição e do futuro reino davídico no Milênio.

Hermenêutica Literal O segundo sine qua non do dispensa­ cionalism o é o uso consistente de uma herm enêutica literal. Ryrie (p. 40) diz o seguinte a respeito: “C on sistentem ente literal, ou sim ples, a interpretação indica um a abordagem dispensacional para a in ­ terpretação das Escrituras. E é esta m esm a consistência — a força da interpretação dispensacional — que parece incom odar o não-dispensacionalista, tornando-se o objeto do seu escárnio”. M as os dispensacionalistas progressivos seguem verdadeiram ente a interpretação literal, gram atical e histórica? Eles real­ mente preferem apenas os termos gram a­ ticais e históricos, porque supostam ente é difícil saber o que se pretende com literal. M as a m aioria de nós sabe o que literal sig­ nifica em herm enêutica. Isto tem sido en ­ sinado nos textos padrões de herm enêutica do passado. A ofuscação deste termo para torná-lo meramente o oposto do figurativo é desnecessária. Quando as Escrituras falam do lobo mo­ rando com o cordeiro, seria uma referência a algum significado mais profundom, uma verdade mais elevada como a paz no mundo, ou isto significa que o lobo e o cordeiro real­ mente coabitarão sem hostilidades? Quando o texto nos diz que o Messias realmente des­ cerá no monte das Oliveiras e que o monte se partirá em dois, de norte a sul, está falando de um princípio mais elevado da majestade do


D is p e n s a c io n a l is m o P r o g r e ssiv o Messias, ou o monte real a leste de Jerusalém se partirá? Quando Zacarias, o profeta, fala do rio fluindo no Templo, indo tanto para o mar Mediterrâneo como para o mar Morto, de uma forma completa, com descrições e fronteiras, isto se refere meramente a alguma verdade espiritual? O Templo de Ezequiel é apenas uma vaga descrição de Jesus como o templo de Deus? A forma como abordamos idéias como estas revelará o nosso compro­ misso com uma hermenêutica literal. A o lidarmos com a interpretação lite­ ral, falam os de com o um leitor abordando um texto o leria normalm ente, entenden­ do as convenções do idiom a tais com o expressões idiom áticas e figuras de lin­ guagem, sem o acréscim o de uma teologia externa que poderia ser sobreposta ao tex­ to. Esta im posição é exatam ente o que o dispensacionalism o progressivo faz com a herm enêutica complementar, em que um significado mais com pleto encontrado no N T acrescenta algo ao significado encon­ trado no texto do AT. Assim , a m etodologia do dispensacio­ nalism o progressivo deixa o significado definitivo das passagens proféticas aberto à com plem entação. O s dispensacionalistas tradicionais vêem isto como uma prática perigosa que permite que intérpretes futu­ ros continuem lendo novos significados no texto bíblico.

PREOCUPAÇÕES SOBRE 0 DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO M uitos dispensacionalistas tradicionais estão preocupados com o fato de os dispen­ sacionalistas progressivos estarem obscurecendo a distinção entre Israel e a Igreja. N este ponto, a abordagem progressiva com eça a parecer mais com uma teologia de aliança do que um dispensacionalismo. Quando os povos distintos de Deus (Is­ rael e a Igreja) não estão distintos, toma-se difícil explicar a função destes povos dentro

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do plano divino. Este obscurecimento ocor­ reu rapidamente no século IV. Certam ente, os primeiros líderes e apologistas cristãos eram cristãos judeus que ainda criam em um futuro nacional para Israel. Mas o sucesso da Igreja romana no século IV levou ao triunfalismo e a uma mudança dramática na opi­ nião da Igreja quanto ao futuro de Israel. U m a segunda preocupação é o aban­ dono de uma interpretação literal das Escri­ turas. D eixar a exegese literal, contextu­ al, gram atical e histórica leva, no final, a interpretações inovadoras e inventivas Bíblia. Isto, por sua vez, deixa a porta her­ m enêutica aberta para m étodos de exegese de m últiplos níveis, em vez de uma sólida exegese do texto. Tal abordagem identifica o significado no texto em vez de permitir que o texto fale por si só. A maioria dos dispensacionalistas pro­ gressivos não se considera estar substancial­ mente desviando-se do dispensacionalismo clássico. N o entanto, a sua abordagem ino­ vadora parece realmente ter um efeito so­ bre aqueles que seguem a sua ideologia. O método de interpretação cham ado de “com ­ plementar” muito rápida e facilmente leva ao método de múltiplos níveis apoiados por aqueles que de forma gradual se afastaram totalmente do dispensacionalismo. Vivemos em uma época em que a abor­ dagem pós-m oderna da verdade está m o­ vendo a sociedade para longe da verdade objetiva, e na direção da verdade subjetiva. Tendo isto em m ente, não precisam os de­ finir os parâmetros do dispensacionalism o mais claram ente do que nunca? Desgastar as características do dispensacionalism o a fim de dialogar com os que defendem a aliança poderia, no final, debilitar com ple­ tam ente todo o sistem a do dispensaciona­ lismo clássico.

— Wayne H ouse e Robert Thomas


146

D is p e n s a ç õ e s

BIBLIOGRAFIA

promessas de Deus;

mandamentos de Deus para testar a obediência humana;

princípios para guiar a vida da huma­ nidade;

o fracasso do gênero humano em cumprir as ordenanças de Deus;

o juízo de Deus;

uma revelação progressiva dos pla­ nos de Deus para a humanidade.

Blaising, Craaig e Darrell Bock. Progressive D is­ pensationalism. Wheaton, IL: Victor Books, 1993. Ryrie,

Charles.

Dispensationalism .

Chicago:

M o o d y Press, 1995. Saucy, Robert. The Case for Progressive Dispen­ sationalism. Grand Rapids: Zondervan, 1993. Thom as, Robert. “The Herm eneutics o f Progres­ sive D ispensationalism ”. The M aster's Jour­ nal 6.2 (Spring 1995), pp. 79-95. Willis, W esley e John Master, eds. Issu e s in Dispensationalism . Chicago: M o o d y Press, 1994.

DISPENSAÇÕES

AS SETE DISPENSAÇÕES A lgum as promessas, ordenanças e prin­ cípios passam de uma dispensação para outra, enquanto que outras são anuladas e substituídas por novas revelações. Deus re­ velou sete dispensações nas Escrituras:

(Veja também “Dispensacionalismo”) 1. Inocência Deus adm inistra os assuntos do m undo conform e sua própria von tade e em v á ­ rios estágios, que são às vezes d en om in a­ dos de “disp en saçõ es” . C om preender a diferen ça entre estas dispensações ajuda a interpretarm os corretam ente as reve­ lações de Deus para cad a um a delas. A cad a dispensação, D eus apresenta novas prom essas e ordenanças, m as o seu plano para a redenção e recon ciliação da h u ­ m anidade perm anece o m esm o ao longo da história.

0 QUE É UMA DISPENSAÇÃO? O termo em português, “dispensação”, é um a tradução do grego oikonomía, não raro traduzido por “adm inistração” nas tra­ duções mais modernas. Oikonomía é uma justaposição de oikos, que significa “casa”, e nomos, que significa “lei”. Ela descreve o gerenciam ento ou a adm inistração dos as­ suntos de um lar. U m a dispensação inclui os seguintes elementos:

2. Consciência 3. Governo Humano 4. Promessa 5. Lei 6. G raça ou Igreja 7. Reino

(O bservação: A s ditas alianças “edê­ nica” e “adâm ica” não são, na verdade, alianças, mas podem ser assim considera­ das para um a com paração entre prom es­ sas, juízos e etc. V eja o verbete “A lian ças” para m ais inform ações.) 1. A Aliança Edênica e a Dispensação da

Inocência A primeira aliança envolveu a existên­ cia física do hom em sobre a terra. A dão não tinha uma história e, portanto, n e­ nhum conhecim ento sobre com o cuidar de suas necessidades físicas. Em vez de deixar o hom em experim entar formas próprias de


AS DISPENSAÇÕES — 0 CUMPRIMENTO DO PLANO DE DEUS AO LONGO DO TEMPO T ir o c c n c ia T e ste N ão comer da árvore do conhecimento do bem e do mal

Consciência T e ste Viver pelo conhe­ cim ento do bem e do mal

l m \ lTIU» ] l i in i .m u T e ste Espalhar-se pela terra e formar governos

Graça

L’ lO llK 'ss.1

T e ste

T e ste

T e ste

T e ste

Viver pela fé

O bedecer à lei

A ceitar a C risto

B a s e a d o n a fid e ­

pela fé

lid a d e d e D e u s

F a lh a

F a lh a

F a lh a

F a lh a

F a lh a

F a lh a

0 pecado original

O homem fez somen­ te o que era mau

A Torre de Babel

A b an don o da terra

U m a longa lista de desobediências

A igreja apóstata

A rebelião final

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

C o n s e q ü ê n c ia

E xpulsão do Jardim

0 dilúvio

O exílio e a cruz

A Tribulação

O inferno

A lia n ça Edênica

A lian ça A d âm ica

F a lh a

1. Povoar a terra 2. Subjugar a terra 3. Dominar sobre os animais 4- Alimentar-se de ervas e frutos 5. Abster-se de co­ mer da árvore do bem e do mal 6. O castigo era a morte

1. A serpente foi amaldi­ çoada 2. Surge a primeira pro­ messa 3. 0 estado da mulher é alterado a. A dor do parto é multiplicada b.Maternidade com sofrimento 4· A terra é amaldiçoada 5. 0 sofrimento na vida toma-se inevitável 6. Surge o trabalho fatigante 7. Surge a morte física

A confusão causada O cativeiro no Egito por múltiplos idiomas A lia n ça N o aica 1. É confirmada a re­ lação do homem com a terra 2. E confirmada a or­ dem da natureza 3. E instituído o go­ verno humano 4- Jamais voltaria a haver um dilúvio universal; ou seja, juízo pelas águas

A lian ça A braâm ica A lian ça M osaica 1.Faria de Israel uma 1. 2. grande nação 2. A descendência se­ ria abençoada 3. Seu nome seria grande 4· Seria uma bênção 5. Quem a abençoasse seria abençoado 6. Quem a amaldiço­ asse seria amaldi­ çoado 7. Em Israel, todas as 3. famílias da terra se­ riam abençoadas 8. A terra prometida

Dada a Israel Dividida em três partes a. Os mandamen­ tos revelam a justiça de Deus b. Os juízos reve­ lam as exigên­ cias sociais c. As ordenanças revelam a vida religiosa Morte revelada

N o v a A lian ça 1. Melhores promessas 2. Mente e coração dispostos 3. Um relacionamento pessoal com Cristo 4· A destruição do pe­ cado 5. A consumação da redenção 6. Perpetuidade, con­ versão e bênçãos

A lian ça D avídica 1. A casa de Davi: prosperidade da fa­ mília. 2. O Trono — uma au­ toridade real 3. O reino davídico — um governo 4. Perpétua, eterna 5. Cristo assentar-se-á no trono de Davi


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D isp e n sa ç õ e s

suprir o que lhe fosse necessário, Deus re­ velou a A dão com o ele deveria cuidar de suas necessidades. A s necessidades funda­ mentais do ser hum ano não mudaram m ui­ to ao longo do tempo. Quando Deus criou Adão, no Jardim do Eden, este era puro, e recebeu também certos princípios a serem seguidos. Mantendo-se fiel a tais princípios, A dão prosperaria, assim: 1. Povoaria a terra com seus filhos (G n 1.28). 2. U saria a natureza (subjugaria a terra) para alimentar-se, abrigar-se e vestirse (G n 1.28). 3. Dominaria sobre toda a vida animal (G n 1.28). 4. Alimentar-se-ia de frutas e vegetais (G n 1.29). 5. Trabalharia pelo seu sustento (G n 2.15). 6. Obedeceria a Deus (abstendo-se de comer o fruto da árvore que Deus lhe proibira).

A alian ça edênica está vin culada à d ispen sação da in ocên cia, p ela qual Deus testou o hom em para ver se ele viveria segundo as condições divinas. Deus or­ denou que o hom em não com esse do fruto da árvore do con h ecim en to do bem e do m al (G n 2 .1 7 ). A d ispensação term inou com o fracasso do hom em : Eva foi en gan ad a (1 T m 2.14) e A d ã o d eli­ beradam ente desobedeceu. C om o resul­ tado, o prim eiro hom em experim entou p essoalm ente o con h ecim en to do bem e do m al. O que p arecia o sim ples ato de com er um a fruta levou a um am plo c o ­ n h ecim en to do que é certo ou errado. N a d isp en sação seguinte, os descendentes de A d ão foram responsáveis por esta n ova con sciên cia do pecado.

Com o A dão não cumpriu as condições da prim eira dispensação, Deus o julgou. O julgam ento de Deus levou à expulsão do jardim. A primeira dispensação, assim com o as seguintes, deixa claro que o hom em natural é incapaz de obedecer ou agradar a Deus. O hom em perdeu o privilégio de viver no am biente inocente do Éden, mas o princípio da aliança seguiria intocado: o hom em continuaria responsável por prover suas necessidades. C om o conseqüência do fracasso hum ano, Deus colocou um que­ rubim à entrada do jardim para impedir o hom em de retornar (G n 3.24). 2 . A Aliança Abraâmica e a Dispensação da Consciência

A segunda aliança surgiu do fracasso da hum anidade na primeira dispensação. A aliança adâm ica não apenas prometeu redenção para a hum anidade, mas tam bém juízo para aquele que fora responsável pelo primeiro pecado. A aliança adâm ica in­ cluía as seguintes promessas e juízos: 1. Deus amaldiçoou a serpente, instru­ mento de Satanás, transformando-a de uma bela criatura a um odioso réptil. 2. Deus prom eteu destruir Satan ás, esm agando sua cabeça no futuro (G n 3 .15). 3. Deus prometeu que a mulher daria à luz um descendente: um Redentor para a humanidade, o qual destruiria Satanás (G n 3 .1 5 ). 4. O homem haveria de prover suas n e­ cessidades físicas por meio de traba­ lho físico duro e sofrido (G n 3.19). 5. Deus am aldiçoou a natureza (a criação). C on ceder seus frutos para o suprim ento hum ano tornou-se m ais custoso e sua beleza esm ore­ ceu (G n 3.17-18).


D is p e n s a ç õ e s 6. O sofrimento da mulher no parto foi multiplicado e ela tomou-se submissa a seu esposo (G n 3.16). 7. A raça hum ana passou a experimen­ tar a morte física (Rm 5.12). U m a vez que o hom em não conseguiu ser bem -sucedido no teste da dispensação da inocência, Deus lhe deu um a segunda dispensação juntam ente com um segundo teste. A hum anidade não tinha com o vol­ tar atrás, então prosseguiu para o teste se­ guinte. Quando o hom em adentrou o am ­ biente mais hostil fora do Jardim do Éden, Deus estabeleceu um segundo conjunto de princípios para guiar sua vida. Esta dispen­ sação da consciência foi orientada por um conhecim ento lim itado do certo e do erra­ do, o qual A dão acumulara por experiência própria. Deus apresentou a aliança adâm i­ ca logo no início desta dispensação. Durante a dispensação da consciência, o hom em desfrutou de uma vida longa, mas não foi capaz de seguir sua consciência. A hum anidade falhou no teste e demonstrou que não seguiria o princípio geral de fazer o que é bom. Em vez disso, “era continua­ m ente mau todo desígnio do seu coração” (G n 6.5) e “se arrependeu o Senhor de ter feito o hom em na terra” (G n 6.6). A dis­ pensação da consciência terminou com o juízo do dilúvio.

3. A Aliança Noaica e a Dispensação do Qoverno Humano A pós o dilúvio varrer a sociedade da face da terra, deixando apenas oito pessoas vivas, Deus apresentou um a nova aliança com novas promessas, a qual veio com uma nova dispensação e novos testes. Os prin­ cípios das duas primeiras alianças tiveram continuidade (as pessoas deviam prover suas necessidades e viver de acordo com a sua consciência), mas o hom em já não vi­ via com o um indivíduo isolado, responsá­

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vel apenas por si mesmo. A aliança noaica incluiu a instituição do governo humano. A hum anidade passaria a viver em uma so­ ciedade corporativa. A n tes disso, as pesso­ as viviam em grandes fam ílias governadas por chefes tribais. C om o crescim ento da sociedade, as pessoas passaram a organizarse sob governos centrais. Depois do dilúvio, Deus firmou uma aliança com N o é e concedeu o arco-íris com o sinal: “Este é o sinal do concerto que ponho entre mim e vós” (G n 9.12). A aliança n oaica deu início ao terceiro período de tempo: a dispensação do go­ verno hum ano. Deus já não perm itia que a consciência individual fosse a única base da vida hum ana. A hum anidade falhou em viver conforme a consciência individual, então Deus puniu a hum anidade por meio do dilúvio mundial. N a aliança do governo hum ano, Deus confirmou elem entos das alianças ante­ riores: o hom em devia subjugar a terra e prover suas necessidades (G n 9.3), e as leis físicas do universo continuariam orga­ nizadas (G n 8.22). Deus então acrescenta um a nova promessa: a terra jam ais voltaria a sofrer um dilúvio (G n 9.15). A essência da aliança noaica era o direito legal de se tirar uma vida hum ana (G n 9.6), que é a suprema expressão de um governo. O teste da dispensação do governo hu­ m ano consistia em a hum anidade se dividir em nações, sociedades e governos. A Bíblia fala muito pouco sobre esta dispensação e sobre como o hom em vivenciou tal teste. A m aior parte dos registros históricos traz as gerações dos filhos de N oé. Por esse m o­ tivo, G ênesis 10 lança pouca luz sobre este longo e misterioso período de tempo. O juízo que encerra esta era, porém, é muito bem conhecido. O fracasso da hum anidade fica evidente com o juízo divino na Torre de Babel (G n 11.6-8). Embora a hum anidade falhasse na


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D isp e n sa ç õ e s

dispensação do governo, Deus não anulou os princípios dados a N oé. O s princípios de governo e os princípios das duas primeiras alianças continuaram válidos.

4. A Aliança A braâmica e a Dispensação da Promessa Quando Deus cham ou A braão, a h is­ tória do hom em experim entou uma revi­ ravolta dram ática. Deus lidara com a h u ­ m anidade em cada uma das dispensações. C om A braão, todavia, Deus o escolheu e planejou fazer dele uma nação única, o centro de sua obra. Por meio unicam ente daquela descendência, Deus planejou sal­ var o mundo. A aliança abraâm ica incluiu as seguin­ tes promessas: 1. De Abraão, Deus faria uma grande nação. U m a nação que influenciaria outras nações e perduraria enquanto outras desapareceriam. 2. Deus abençoaria esta nação com prosperidade financeira e espiritual (G n 12.2). 3. Deus tom aria o nome de Abraão universal e eterno. 4· Deus abençoaria A braão (G1 3.1314). 5. Deus abençoaria as nações que aben­ çoassem a descendência de Abraão. 6. Deus abençoaria todas as famílias da terra por meio da semente de Abraão, ou seja, o Cristo (G n 12.3). 7. Deus conduziu Abraão à terra (G n 12.1) e prometeu-a a ele (G n 12.7). A partir daquele momento, ela pas­ sou a denominar-se Terra Prometida. O aspecto mais importante da aliança de Deus com A braão é a promessa. Este quarto período, a dispensação da promessa,

testou a disposição e a capacidade do povo de Deus de aceitar e viver à luz da promessa de Deus. Eles deviam viver na Terra Pro­ m etida e, quanto à sem ente prometida, confiar em Deus. C ad a dispensação incluía um teste e a quarta delas demonstrou a inépcia hum ana em viver pela promessa de Deus. O s des­ cendentes de A braão recusaram-se a viver na terra pela fé, então imigraram para o Egito. O último teste desta dispensação e o conseqüente fracasso do povo de Deus (Is­ rael) aconteceram quando Deus tentou le­ vá-los do Egito para a Terra Prometida. Em Cades-Barnéia, o povo recusou-se a confiar em Deus e entrar na Terra Prometida. Deus os julgou e todos que não aceitaram sua prom essa pereceram no deserto. Som ente os que tiveram fé (Josué e C alebe) e aque­ les com idade inferior a vinte anos entra­ ram na Terra Prometida.

5. A Aliança Mosaica e a Dispensação da Lei O pacto firmado por Deus no m onte S i­ nai foi a aliança m osaica, que incluía a lei. A lei evidenciava para cada indivíduo que este era um pecador perante Deus. Durante as dispensações anteriores, o hom em era um pecador mesmo sem ter conhecim en­ to da lei. Paulo fala: “reinou a morte desde A dão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à sem elhança da transgressão de A d ão” (Rm 5.14). A aliança m osaica possuía três partes: (1) os m andam entos, que expressavam a justa vontade de Deus; (2) os juízos, que expressavam a vida social de Israel; e (3) as ordenanças, que regulam entavam a vida religiosa da nação. Jesus chamou-as todas de “a lei” (M t 5.17), e Paulo explicou que tratava-se de um “ministério da condena­ ção” (2 C o 3.7-9). N inguém jam ais foi sal­ vo por cumprir a lei. Era apenas uma forma de Deus testar Israel. O fracasso da nação


D is p e n s a ç õ e s em cumprir a lei levou a um juízo, tal qual todas as outras dispensações. A dispensação da lei terminou com J e ­ sus Cristo. Ele cumpriu a lei com perfeição (M t 5.17) e cravou-a na cruz (C l 2.14)· Ele “aboliu, na sua carne, a lei dos m an­ dam entos na forma de ordenanças” (Ef 2.15). A ssim como os princípios das alian­ ças anteriores continuaram pelas dispensa­ ções posteriores, o princípio da lei também continuou após a cruz de Cristo. Cristo não jogou fora a sabedoria da lei, mas apenas suas punições.

6. A N ova Aliança e a Dispensação da Qraça O A T já contem plava a nova aliança: “Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firma­ rei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Jud á” (Jr 31.31). A nova aliança, tam bém cham ada de “N o vo Testam ento” , foi firmada na morte de Jesus Cristo. Ela é tam bém denom inada “Segunda A lian ça”, contrastando com a aliança m osaica da lei: “Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de m aneira alguma esta­ ria sendo buscado lugar para um a Segunda” (H b 8.7). A nova aliança é “m elhor” que a antiga aliança: 1. Ela é incondicional: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel” e “eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (H b 8.10). 2. Deus garante que os homens cumpri­ rão suas condições: “N a sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei” (H b 8.10). 3. Ela é extensiva a todos: “Todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior” (H b 8.11). 4. Ela erradicará completamente o pe­ cado: “de seus pecados e de suas pre­

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varicações não me lembrarei mais” (H b 8.12). 5.

Está baseada no sacrifício de Cristo, o melhor Mediador, e assegura bên­ çãos eternas para todos aqueles que a aceitarem.

C risto predisse a n ova aliança na noite de sua morte, quando instituiu a C e ia do Senhor: “Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derram ado em favor de m uitos, para rem issão de p ecad os” (M t 26.28). O s resultados da nova alian ça se aplicam principalm ente à dispensação da graça, mas, da m esm a form a que as alian ­ ças anteriores eram aplicáveis às futuras dispensações, a nova aliança estende os benefícios da salvação aos crentes das d is­ pensações anteriores. A dispensação da graça não testa a obe­ diência à lei. Em vez disso, a questão é o que a pessoa fará com Jesus C risto. O s cren­ tes nesta dispensação devem aceitar Jesus C risto e viver pela graça. A dispensação da graça terá fim quando a Igreja rejeitar a gra­ ça divina e descam bar para a apostasia. A conseqüente tribulação é o juízo de Deus, o qual porá fim à era da graça.

7. A Aliança Davídica e a Dispensação do Reino A aliança de Deus com D avi é espe­ cial. H á um grande intervalo de tem po entre as revelações de Deus acerca desta alian ça e sua futura consum ação. A alian ­ ça davídica teve im plicações im ediatas para Israel, mas foi o fundam ento de uma futura dispensação conhecida com o “a era do reino” — o M ilênio — quando o filho de D avi sentar-se-á no trono de Israel e governará sobre Jerusalém . A nteriorm ente, Deus prom etera a Eva que da sua sem ente viria o Redentor (G n 3.15). Depois, Deus reduziu a linhagem da


D isp e n sa ç õ e s

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prom essa aos descendentes de Sem (G n 9.26). Então passou à fam ília de A braão (G n 12.3) e, por fim, à tribo de Judá (G n 49.10). A linhagem do Redentor volta mais uma vez a estreitar-se e, agora, a sem ente prom etida deve vir dos descendentes de Davi. A alian ça d avíd ica é in con d icion al (SI 89 .2 0-37) e baseia-se na natureza de D eus. D eus in stituiu sua n ação por inter­ m édio da alian ça abraâm ica; deu suas leis ao povo d esta n ação com a alian ça m o­ saica; e estab eleceu um soberano sobre ela n a alian ça davídica. A prom essa da A lia n ç a D av íd ica é divid id a em quatro partes (2 Sm 7.13): 1. Deus firmará a linhagem familiar de Davi. 2. Deus governará seu povo por meio de seu filho: o Filho de Davi. 3. Deus estabelecerá seu reino. 4. Deus reconhecerá o reino de Davi para todo o sempre. Esta alian ça é perpétua e in con dicio­ nal: “N ão quebrarei o meu concerto [...] U m a vez jurei por m inha santidade (não m entirei a D a v i)” (SI 89.34-35). Q u an ­ do Israel desobedeceu, Deus n ão anulou sua aliança, m as lim itou-se a castigar seu povo pela desobediência. O castigo veio quando o reino foi dividido no governo de R oboão. Deus confirmou esta aliança com um juram ento (SI 89). Confirm ou-a novam ente a M aria (L c 1.31-33), e Pedro a repetiu no Pentecostes (A t 2.29-32). Podem os saber com segurança que Deus cumprirá esta alian ça em um futuro reino. Esta sétim a e últim a era a governar a vida do hom em na terra virá após o juízo apo­ calíptico que irromperá ao fim da era da Igreja. Em bora tenha todas as oportunida­ des para agradar a Deus, o hom em falhará.

N esta últim a dispensação, o hom em v i­ verá em um am biente perfeito, o próprio Jesus C risto governará a hum anidade e Deus rem overá a m aldição que avilta a natureza. A in d a assim, em circunstâncias sobrem odo ideais, o hom em não con se­ guirá agradar a Deus. A “dispensação da plenitude dos tem ­ pos” (Ef 1.10) é um outro nom e para este futuro reino, que será governado pelo filho de Davi (2 Sm 7.8-17; Zc 12.8; Lc 1.3133). Será um a era repleta de bênçãos. 1. Cristo assumirá o controle do reino (Is 11.3 -4) e porá fim a toda anarquia e desgoverno. 2. Deus recompensará a humanidade e lhe dará descanso (2 Ts 1.6-7). 3. Deus dará glórias àqueles que sofre­ ram (Rm 8.17-18). 4. Deus salvará toda a nação de Israel (Rm 11.26), curará sua cegueira (2 C o 3.14-17) e a restaurará (Ez 39.25-29). 5. O tempo dos gentios chegará ao fim. 6. Deus suspenderá a m aldição sobre a criação e a natureza será restaurada (G n 3.17; Is 11.6-8; 65.20-25; Rm 8.19-21). M esm o esta últim a dispensação, com suas circunstâncias ideais, term inará em juízo. O teste consistirá em as pessoas se subm eterem ao Filho de D avi, Jesus C ris­ to. Ele regerá com um a vara de ferro, o que significa que reinará absoluto, lideran­ do a hum anidade com ju stiça e equidade. A o fim dos m il anos, porém, um grupo se reunirá para rebelar-se contra o R ei (A p 20.7-9). Deus os julgará juntam ente com Satan ás (A p 20.10). Então, no juízo final das eras (dispensações), aqueles que rejei­ taram a Deus serão lançados no lago de fogo (A p 20.11-15).


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D o r e s d e Pa r t o Deus, dessa forma, terá demonstrado

------. “Dispensation, D ispensationalism ”, E van­

que em todas as eras (dispensações), sob quaisquer circunstâncias ou provas, o h o­ mem jam ais será capaz de viver conforme os princípios expressos nas alianças, ou cumprir as exigências das dispensações. A queles que viverem com Deus por

gelical Dictionary o f Theology. Grand Rapids:

toda a eternidade só o conseguirão por causa da graça de Deus. O hom em nada fez para m erecer a salvação. A queles que sofrerem por toda a eternidade perce­ berão que lhes foram oferecidas diversas oportunidades e m últiplos testes para de­ m onstrarem sua fé em Deus. Em todas as dispensações, a hum anidade fracassou m i­ seravelm ente. N as eras futuras, portanto, ninguém poderá dizer que Deus foi injusto ou sem m isericórdia.

0 COMEÇO DO FIM A s dispensações nos cap acitam a com preender corretam ente o cronogram a profético de Deus para a história. N a atual era, o instrum ento que Deus utiliza para agir é a Igreja, não Israel. T odavia, para que o resto da p rofecia de D an iel (D n 9 .25-27) se cum pra literalm ente, tal qual as 69 sem anas, a Igreja deve ser rem ovida da terra. Este even to é ch am a­ do de “arreb atam en to” . Pode acon tecer a qualquer m om ento e deverá preceder os sete últim os anos do decreto de Deus para Israel, conhecidos com o a G rande T ribulação.

— Elmer Towns e Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Radmacher, Earl. "The Current Status o f D is­ pensationalism

and

its

Eschatology”, em

Perspectives on Evangelical Theology. Grand Rapids: Baker Books, 1979. Ryrie, Charles C. Dispensationalism . Chicago: M o o d y Press, 1995.

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DORES DE PARTO A doutrina sobre as “dores de p arto” é de extrem a im portân cia para a com preensão das profecias bíblicas. In icialm en te, encontra-se em Jerem ias 3 0 — 31. A q u i, J e ­ rem ias profetiza a respeito da tribulação, do ódio que as n ações sentem por Israel, da N o v a A lia n ç a e do contínu o cu id a­ do de Deus para com o povo judeu. N o discurso sobre o m onte das O liveiras (M t 24— 25), C risto apresenta alguns d e ta­ lhes sobre as dores de parto e os eventos da G ran d e Tribulação. O apóstolo P au ­ lo tam bém m en cion a as dores de parto e o D ia do S en h o r em 1 T essalonicen ses, onde en sin a que a Igreja não p assará por este terrível período.

JEREM IAS Em Jerem ias 30.6, o profeta escreve: “Perguntai, pois, e vede se, acaso, um ho­ mem tem dores de parto. Por que vejo, pois, a cada hom em com as mãos na cintu­ ra, como a que está dando à luz? E por que se tornaram pálidos todos os rostos?” Jerem ias vê um futuro em que os ho­ mens gemerão e sofrerão como se fossem mulheres com as dores do parto. Isto acon­ tecerá quando Deus “restaurar as fortunas” de todos os judeus (Jr 30.3), durante os sete anos de tribulação. Será um período “de tremor, de temor, mas não de paz” (v. 5).


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D o r e s d e Pa r t o

E o profeta acrescenta: “Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó ” . A pesar de m uitos judeus perecerem durante este período, a nação com o um todo será salva (30.7). A partícula hebraica meen significa “fora de, longe de”. Toda a nação será salva, levada para “longe” deste tem ­ po de sofrimento derradeiro. Estas coisas acontecerão “naquele dia” (30.8); ou seja, o D ia do Senhor. A o final das dores de parto, o Senhor restaurará “a sorte das tendas de Jacó e [compadecer-se-á] das suas m oradas” (Jr 30.18). O castigo “cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios” (30.23). Jerem ias explica com o este período chegará ao fim: “N ão voltará atrás o furor da ira do Senhor, até que tenha executado e até que tenha cumprido os desígnios do seu coração; no fim dos dias, entendereis isto” (30.24). A o fim daquele tempo, quando o rei­ no m ilenial tiver início, os judeus gritarão uns aos outros: “Levantai-vos, e subamos a Sião, ao Senhor, nosso D eus!” (31.6) Os judeus dispersos cantarão: “Salva, Senhor, o teu povo, o restante de Israel” (31.7). A s nações então ouvirão: “A quele que es­ palhou a Israel o congregará e o guardará, com o o pastor, ao seu rebanho” (31.10).

DISCURSO DE JESUS N0 MONTE DAS OLIVEIRAS A o descrever a tribulação que estava para vir, C risto cita Jerem ias 30 em seu serm ão no m onte das O liveiras. Ele conta a seus discípulos que virá o dia em que as nações se levantarão umas contra as ou ­ tras, com fom es e terrem otos ocorrendo em vários lugares (M t 24.7). Em seguida, acrescenta: “ [...] todas essas coisas são o princípio das dores” (M t 24.8). Jesus ain­ da diz: “A quele, porém , que perseverar até o fim, esse será salvo” (24.1 3 ). Isto se parece com o que Jerem ias escreveu em

30.7. Sem elhan te tam bém a esta passa­ gem é o com entário de Jesus em M ateus 24-21: “porque nesse tem po haverá gran­ de tribulação, com o desde o princípio do m undo até agora n ão tem havido e nem haverá jam ais”. M uitos dispensacionalistas utilizam a expressão “grande tribulação” (gr. megale thlipsis) para a segunda m etade deste terrí­ vel período. Mas quando Jerem ias afirma, em 30.7, que “grande é aquele dia” (Hb. ga’dol) e que será “tempo de angústia para Jacó ” (Hb. za’rah; “tribulação” ), ele parece estar descrevendo todos os sete anos de ter­ ror mundial.

PAULO E OS TESSALONICENSES A pós passar seu longo e detalhado es­ tudo sobre o arrebatam ento da Igreja (1 Ts 1.9-10; 4.13-18), Paulo assegura aos tessalonicenses que estes não experim entarão a “repentina destruição, com o vêm as dores de parto à que está para dar à luz” (1 Ts 5.3). C om a expressão “lhes sobrevirá” , ele pode estar aludindo especificamente às provações do povo judeu ou, talvez, tam ­ bém aos terríveis dias que virão sobre todo o mundo. U m a interpretação mais am pla parece estar correta, pois Jesus diz: “aquele dia [...] virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra” (Lc 21.34-35). Em 1 Tessalonicenses 5.3, Paulo escreve que as pessoas estarão dizendo “paz e segurança” im ediatam ente antes do iní­ cio das dores de parto. Ele cham a este dia de “D ia do Senh or” (5.2). Estas expressões são m uito sem elhantes à declaração de J e ­ remias de que estas coisas “ [serão] naquele dia” (Jr 30.8). Paulo cham a as dores de parto de “ira” , mas garante a seus leitores: “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a sal­ vação m ediante nosso Senhor Jesus C ris­ to” (1 Ts 5.9). Q ue boa notícia para nós que vivem os nesta dispensação (na “era da


D u a s T estem u n h a s igreja” ou “era da graça”). C om esta mensagem de esperança, o apóstolo exorta seus leitores: “C onsolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, com o tam ­ bém estais fazendo” (5.11). O que Paulo quer dizer com a expressão “alcançar a salvação” ? A salvação (gr. soteria) possui três aspectos. Em primeiro lugar, o crente é salvo da culpa do pecado pela morte de Cristo. Em segundo, o crente é capacitado a vencer o pecado por m eio do Espírito San to que nele habita. Em tercei­ ro, vemos em 1 Tessalonicenses 5.9 que o crente é salvo da ira, das dores de parto, que virão sobre todo o mundo ímpio.

PARA OS ÍMPIOS Para resumir, parece que as “dores de par­ to” incluem todo o período da tribulação. Je ­ sus e Paulo referem-se a tal período como “a ira”. Trata-se também do Dia do Senhor. Ele virá sobre os ímpios, gentios e judeus, quando os judeus voltarem à Terra Prometida, à terra de Israel. A Igreja será arrebatada e afastada dos horrores de todo este período. A prom essa de livram ento das dores de parto é feita sem qualquer precondição. Deus, conforme o beneplácito de sua pró­ pria vontade, decretou que escaparemos do derramar de sua ira. N ão vemos aqui nenhum a idéia de santificação ou arrebatam ento parcial. "Nenhum crente que per­ tença ao corpo de Cristo será deixado para suportar sua ira” (Couch, p. 141)·

— Mal Couch BIBLIOGRAFIA Couch, Mal. The Hope o f Christ's Return. Chat­ tanooga: A M C Publishers, 2001. Feinberg, Charles L. “Jeremiah”, em Expositor’s Bible Comm entary. Frank E. Gaebelein, edi­ tor geral. Grand Rapids: Zondervan, 1 986.

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Glasscock, editor. Matthew. Chicago: M o o d y Press, 1997. Holladay, William L. A Concise Hebrew a n d A r a ­ m aic Lexicon o f the O ld Testament. Grand Ra­ pids: Eerdm ans Publishing Company, 1974. Th om pson, J. A. The Book of Jeremiah. Grand Ra­ pids: Eerdmans Publishing Company, 1989. Toussaint, Stanley D. Behold the King. Sisters, Oregon: Multnomah Publishers, 1981. Walvoord, John F. The Prophecy Knowledge H an ­ dbook. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1990.

DUAS TESTEMUNHAS A pocalipse 11.3-13 descreve a obra de dois indivíduos excepcionais que proclamarão o evangelho durante 1.260 dias, na pri­ m eira parte da Tribulação. M encionadas com o as “duas testem unhas” , o ministério sobrenatural destas duas pessoas dirige-se a Jerusalém e à nação de Israel, a quem elas fornecem um testem unho especial do pro­ grama de juízo de Deus. A pesar de severa oposição dos gentios e opressão de Isra­ el durante a segunda parte da Tribulação (A p 11.2), Deus continuará a proporcionar oportunidade para o arrependimento, e a sua soberania sobre a história e a natureza hum ana se demonstrará ao longo de todo o N o AT, etam necessárias duas teste­ munhas para que houvesse um testem u­ nho legal com petente que assegurasse a condenação (D t 17.7; 19.15; N m 35.30). N o entanto, a obra destas duas pessoas é mais profética do que de procedim entos. Segundo A pocalipse 11.3, as testem unhas pertencem a Deus e são mensageiros pro­ féticos especiais, vestidos de pano de saco. A sua vestim enta, que indica aflição, hu­ m ilhação e tristeza, é rem anescente da dos profetas do AT, e é um sím bolo de que as testem unhas são profetas de condenação,


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D u a s T estem u n h a s

convocando a nação de Israel ao arrependim ento (veja SI 69.11; Is 37.1-2; Dn 9.3; J 1 1.13; Jn 3.5-8).

A IDENTIDADE M uitos estudiosos das profecias identi­ ficaram as duas testem unhas com o Moisés e Elias, embora outras opções tam bém te­ nham sido conjeturadas. Entre outros pares históricos sugeridos pelos intérpretes ao longo dos séculos, encontram -se Enoque e Elias (um a vez que ambos foram levados ao céu sem morrer), Jerem ias e Elias, T ia­ go e João, Pedro e Paulo, dois cristãos que foram martirizados pelo general romano Tito, e dois futuros profetas judeus que ain­ da não tenham vivido. A lguns intérpretes, observando que as testem unhas são ch a­ m adas de “castiçais” , em A pocalipse 11.4, e que os castiçais são símbolos das igrejas em 1.20, argum entam que as testemunhas simbolizam a Igreja. N o entanto, esta in­ terpretação pressupõe que toda a passagem (11.3-13) é sim bólica. A lém disso, som en­ te indivíduos podem vestir pano de saco, e a descrição das testem unhas evidencia que elas têm poderes extraordinários e identi­ dades específicas, como os profetas do AT. Tal visão sim bólica tam bém exige que to­ dos os crentes desta época sejam martiriza­ dos. A lguns tam bém argumentaram que as duas testem unhas são um misto de figuras históricas e simbólicas. Talvez a solução mais simples seja in­ terpretar que se trate de Moisés e Elias. A m bos reapareceram na transfiguração de Jesus (M t 17.3; M c 9.4; Lc 9.30), e os sinais milagrosos realizados (A p 11.5-6) com binam com os que foram realizados pelos dois profetas. M oisés converteu água em sangue e enviou pragas aos egípcios (Ex 7.1 4 -1 1.10). Elias fez descer fogo do céu (2 Rs 1.10) e impediu que a chuva caísse dos céus (1 Rs 17.1; veja Lc 4.25; T g 5.17). A duração da seca, nos tem pos de Elias, tam ­

bém é a m esma deste período. U m a ajuda adicional para identificar as duas testem u­ nhas com o sendo M oisés e Elias vem de M alaquias 4.5, que afirma que Elias será enviado outra vez, por Deus a Israel, “antes que venha o dia grande e terrível do S e ­ nhor”. A lguns intérpretes, no entanto, fazem objeção a esta hipótese de M oisés e Elias, porque João Batista cumpriu a profecia de M alaquias, e porque M oisés realm ente morreu, e morrer um a segunda vez (A p 11.7) é algo problem ático. M as ainda que João Batista fosse com o Elias, ele não res­ taurou todas as coisas, com o profetizadas. A respeito de Moisés, duas mortes para um indivíduo é algo extraordinário, mas não se trata de algo sem precedente, pois Lázaro teve a m esma experiência. O utra questão é se Elias foi glorificado depois que “subiu ao céu” em um redem oi­ nho (2 Rs 2.11). Em caso afirmativo, como poderia ele voltar à terra em um corpo físico, mortal, e morrer? U m fator impor­ tante para solucionar este problem a pode ser encontrado em um a declaração de Je ­ sus: “N inguém subiu ao céu, senão [...] o Filho do H om em ” (Jo 3.13). A sua decla­ ração parece excluir a possibilidade de que qualquer pessoa, incluindo Enoque e Elias, pudesse ter subido ao céu do trono de Deus. Jesus foi “as prim ícias dos que dorm em ”, no sentido de receber um corpo ressurreto glo­ rificado. Ninguém mais receberá um cor­ po com o este até o arrebatam ento (1 C o 15.20-23). N a verdade, ninguém poderia ter sido glorificado antes do próprio Jesus. Talvez, então, nem Enoque nem Elias te­ nham recebido corpos glorificados quando Deus os tirou da terra. C om o Paulo (2 C o 12.2-4), eles podem ter sido levados ao céu (ou paraíso) de Deus por um período de tempo. Depois, ambos retornaram à terra, tem porariamente, para aparecer com Jesus na sua transfiguração (M t 17.3), E, final­


D u a s T estem u n h a s mente, ambos podem, mais uma vez, entrar na vida mortal no início da Tribulação e morrer outra vez, três anos e m eio depois. A razão por que M oisés é um a escolha m elhor do que Enoque é o fato de que Eno­ que não seria um com panheiro de testemunho apropriado com Elias em um ministério profético dirigido exclusivam ente a Israel. Para a futura nação apóstata de Israel, depois do arrebatam ento da Igreja, não have­ ria outros dois hom ens em toda a história de Israel que recebessem m aior respeito e apreciação do que Moisés e Elias. M oisés foi o grande libertador dado por Deus ao seu povo, como tam bém o legislador para Israel (veja D t 34-10-12). Os judeus do sé­ culo I realm ente pensavam que M oisés lhes dera o m aná no deserto (Jo 6.32). E Deus levantou Elias para confrontar Israel em um a época de grande apostasia nacional. Deus o justificou, enviando fogo do céu e “um carro de fogo, com cavalos de fogo” para escoltá-lo para fora deste mundo. T ão elevada era a opinião que os judeus da épo­ ca de Jesus tinham sobre Elias que, quando viram os milagres de Jesus, alguns concluí­ ram que Elias havia retornado (M t 16.14).

0 MINISTÉRIO O ministério destas duas testemunhas incluirá pregação, profecias e realização de milagres. Elas chamarão as pessoas ao ar­ rependimento, predirão eventos futuros e anunciarão que é chegado o reino. Com o Zorobabel e Josué, que procuraram restaurar Israel à sua terra, as duas testemunhas enco­ rajarão a fidelidade a Deus, independente­ mente das circunstâncias individuais. A pocalipse 11.4 descreve as testem u­ nhas com o “as duas oliveiras e os dois cas­ tiçais que estão diante do Deus da terra”. Este versículo é um a alusão a Zacarias 4.3, 11, 14, em que Zorobabel e Josué, o sumo sacerdote, líderes de Israel na época de Za­ carias, são retratados como um castiçal, ou

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luz, para Israel. O seu com bustível é o azei­ te de oliva, que representa o poder do Es­ pírito Santo. A ssim tam bém , nos últimos dias, as duas testem unhas se levantarão pelo poder de Deus e trabalharão em seu cargo profético. Deus protegerá as duas testem unhas da­ queles que tentarem causar-lhes m al antes que a sua missão esteja concluída. A p o ca­ lipse 11.5-6 registra os poderes milagrosos dados a estas testem unhas e declara que se alguém lhes quiser fazer mal, será destruído pelo fogo. Isto corresponde à proteção dada a Elias, que, em duas ocasiões, fez descer fogo do céu, quando soldados tentaram aprisioná-lo (2 Rs 1). De m aneira similar, os idólatras e inimigos de M oisés foram destruídos pelo fogo (N m 16.35).

A MORTE E RESSURREIÇÃO Por decreto divino, o m inistério das testem unhas durará 1.260 dias. Durante três anos e meio, elas ministrarão em J e ­ rusalém, a “grande cidade [...] onde o seu Senhor tam bém foi crucificado” (A p 11.8), sem que lhes seja feito nenhum mal. N o final deste período, Deus retirará a sua pro­ teção especial, e as duas testem unhas serão m ortas pela Besta. Ela “lhes fará guerra” (11.7), uma expressão rem anescente de Daniel 7.21, e prenunciando A pocalipse 13.7. Durante este período, Jerusalém será sem elhante, espiritualmente, a Sodom a e ao Egito. A sem elhança figurativa sugere uma degradação moral e espiritual com ple­ ta, e total antagonism o relativo a Deus e ao seu povo. Segundo A pocalipse 11.9, os corpos das duas testem unhas não serão sepultados, fi­ carão pelas ruas de Jerusalém durante três dias e meio, com o um espetáculo, para que todas as pessoas os vejam . Esta era um a das piores m aneiras de desonrar um corpo nos tempos bíblicos (SI 79.2-3). H averá regozi­ jo m undial pela morte das testem unhas por


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Engano

parte dos “que habitam na terra” (11.10). Esta expressão é uma fórmula apocalíptica para o mundo incrédulo (A p 3.10; 6.10). Os profetas morrerão na m esma cidade onde morreu o seu Senhor, e, com o Ele, tam bém serão fisicamente ressuscitados levados ao céu em um a nuvem (A p 11.1112; cf. A t 1.9), da m esm a m aneira como a Igreja terá sido arrebatada (1 Ts 4.17). A ascensão das duas testem unhas será pública e à vista de seus inimigos e zombadores (A p 11.12). Depois do arrebatamento das testemunhas, um terremoto destruirá a décim a parte de Jerusalém e m atará 7.000 pessoas. Depois disto, os restantes se con­ verterão a Deus com arrependimento. O arrependimento vem no final dos juízos das taças, oferecendo encorajam ento em meio ao m aior horror do mundo.

—Timothy J. Demy e John C. Whitcomb BIBLIOGRAFIA Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah. 5Ed. rev. Tustin, CA: Ariel M in is­ tries, 2003. LaHaye, Tim, e T h om as Ice. Charting the End Ti­ mes. Eugene, OR: Harvest H ouse Publishers, 2001. Thom as, Robert L. Revelation 1— 7: An Exegetica! Commentary. Chicago: M o o d y Press, 1992. —

. Revelation 8— 22: A n Exegetical C om m e n ­ tary. Chicago: M o o d y Press, 1992.

Walvoord, John F.The Revelation of Jesus Christ. Chicago: M o o d y Press, 1966.

ENCANO Enganar é levar deliberadamente, por meio de palavras ou atos, outra pessoa ao erro.

Embora possa ser realizado para bons pro­ pósitos (por exem plo, quando as parteiras hebréias enganaram o Faraó para salvar a vida de meninos recém-nascidos; Ex 1.19), o ato de enganar acontece mais freqüente­ m ente na exploração de outra pessoa ou no ensino de falsas doutrinas.

A UTILIZAÇÃO D0 ENGANO A U tilização no A ntigo Testam ento A principal palavra h ebraica para “en gan o” é ramah, ju n tam en te com suas derivadas. Ramah é utilizada com relação ao logro ético e pessoal. S u a form a verbal (ramah) é en con trad a em oito ocorrên­ cias no A T e descreve deslealdade, ardil ou traição. O s gibeonitas, por exem plo, usaram de engano para firmar um trata­ do com Israel (Js 9 .2 2 ). A form a nom inal (mirmah) é utilizada por qu aren ta vezes no AT, e descreve o engan o que um a p essoa p ratica con tra a outra. “Então, responderam os filhos de Jac ó a Siqu ém e a H am or, seu pai, engan osam ente, e falaram , porquanto h av ia c o n tam in a­ do a D iná, sua irm ã.” (G n 3 4 .1 3 ) A m ós condena com ercian tes desonestos que “ [procedem] d olosam ente com balan ças en gan ad oras” (A m 8 .5 ). Provérbios 11.1 diz: “B alan ça en gan osa é abom in ação para o S en h or [...]” A língua do ím pio é ch am ad a de “fraudulenta” (S I 5 2 .4 ). O “chifre pequ en o” (D n 8 .2 5 ), um a refe­ rência a A n tío c o E pifânio, usará de astú ­ cia e engan o para ganh ar poder, e te n ta ­ rá destruir o povo de D eus (C arp en ter e G risan ti, pp. 1122-1123). A segunda palavra hebraica para “en ­ gano” é patah e, na Septuaginta, está tra­ duzida pelo grego apatao. O verbo patah em N ifal significa “ser enganado” (Jó 31.9). Em Piei, significa “enganar” (2 Sm 3.25; Pv 24-28). Em Pual, é “ser enganado” (Jr 20.7, 10). Tal qual ramah, patah refere-se a um logro pessoal e ético.


Engano

A Utilização no N ovo Testamento O N T utiliza diversas palavras gregas para “engano” : plane (“erro” ), dolos (“astú­ cia” ou “ardil” ), apate (“falsidade”, “sim ula­ ção” ) e paralogizomai (“ilusão” , “farsa” ). O N T utiliza planao em sua form a ativa quase que exclusivam ente no sentido ap o­ calíptico (G unther, p. 459). N o discurso de jesu s no m onte das O liveiras, ele aler­ ta sobre falsos m essias que enganariam a m uitos (M t 24-5; M c 13.6; L c 21.8). Paulo prevê a apostasia nos últim os dias e avisa que “hom ens perversos e im postores irão de m al a pior, enganando e sendo engan a­ dos” (2 T m 3.13). Em 1 Jo ão 1.8, o autor da carta usa planao em um sentido ético e espiritual: “Se disserm os que não tem os pecado, enganam o-nos a nós m esmos, e não h á verdade em nós” (v eja tam bém 3 .7 ). C om o Paulo, Jo ão alerta contra falsos mestres ou anticristos “que vos procuram enganar” (1 Jo 2.26; 2 Jo 7). Paulo, Pedro, João e Judas usam o substantivo plane para avisar sobre falsos m estres e táticas enga­ nadoras (2 Ts 2.11; 2 Pe 2.18; 1 Jo 4.6; Jd 11-13). Judas, ao descrever os falsos m estres com o estrelas errantes, passa-nos o principal conceito por trás de planao. C om o estrelas que escaparam de seu lugar no espaço, os falsos m estres abandonaram a verdade e têm tentado persuadir outras pessoas a segui-los em seus erros. Por isso, apesar de planao possuir um sentido espa­ cial, os escritores neotestam entários usam a expressão em um sentido teológico ou ético, a fim de descrever aqueles que se apartaram da verdade. A s palavras “engano” ou “ardil” (dolos) são fundam entalm ente utilizadas no sentido ético. Jesus m enciona “engan o” (dolos) em um a lista de perversões morais, a fim de enfatizar que não é o que entra no estôm ago que corrom pe um a pessoa, mas o que sai do coração (M c 7.21-23). Paulo condena o feiticeiro judeu Elim as, d ecla­

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rando: “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a m alícia, inim igo de toda a justiça, n ão cessarás de perverter os retos cam inhos do Senh or?” (A t 13.10) Paulo inclui “engano” (dolos) com o um dos pecados da hum anidade perdida (Rm 1.29). Ele cham a os falsos apóstolos de “obreiros fraudulentos” (2 C o 11.13). Pedro exorta os crentes a deixar de lado “toda m alícia, e todo engano [dolon], e fingim entos, e invejas, e todas as murmurações” (1 Pe 2 .1). Jesus elogiou N atan ael, pois, ao contrário dos hom ens enganosos, ele era um verdadeiro israelita, “em quem não há dolo” (Jo 1.47). Paulo afastou-se dos cam inhos enganosos dos falsos m es­ tres (1 Ts 2.3). Pedro louvou a C risto com o o perfeito exem plo de quem sofreu injustam ente, pois “não com eteu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). O supremo enganador é Satan ás, a quem C risto, triunfante, lançará no lago de fogo (A p 20.10). O N T utiliza as palavras apatao e apate, tanto teologicam ente com o no sentido ético. Paulo alertou os tessalonicenses para que não fossem enganados por falsos pro­ fetas. Estes falsos profetas apregoavam que o D ia do Senhor já havia chegado (2 Ts 2.1-4; E f 5.6; C l 2.8). A o falar sobre o po­ der de sedução das riquezas, Jesus em pre­ ga esta palavra em seu sentido ético (M t 13.22; M c 4-19). Paulo, Pedro e o autor de Hebreus usam o termo para expor o poder enganador do pecado (Rm 7.11; H b 3.13; 2 Pe 2.13). Paulo usa-o por duas vezes ao falar sobre o ardil de Satan ás contra Eva (2 C o 11.3; l T m 2.14). Paulo também usa a palavra paralogi­ zomai (“ilusão”, “farsa” ) ao avisar sobre os argumentos sedutores que podem desviar (paralogizetai) o crente (C l 2.4). Tiago diz que o crente pode enganar a si mesmo ao escutar a palavra e não praticá-la (T g 1.22). A m bas as passagens trazem a idéia implícita


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E r a d a I g r e ja

de algo que dá a impressão de ser verdadeiro ou certo, mas que na verdade é errado.

BIBLIOGRAFIA Braun, Herbert. “Planao”, em Theological Dictio­

0 SIGNIFICADO PARA A ESCAT0L0GIA Enganar é um dos pecados dos ímpios (M c 7.21-23; Rm 1.29). Conform e o que nos diz João, todo aquele que permanece no pecado tem sua fé reprovada (1 Jo 3.36). O verdadeiro crente não é capaz de consistentem ente praticar o engano. Por isso, os crentes são exortados a buscar a pu­ rificação e a se prepararem para a volta de C risto (1 Jo 3.2-3). Jesus e os escritores do N T previram que, na era atual, falsos mestres tentariam desviar os crentes com doutrinas engano­ sas. A parentem ente, à m edida que a atual era chega a seu fim e a Grande Tribulação se aproxima, veremos um a proliferação de falsos mestres, cujos esforços para enganar ímpios m al informados e crentes incrédu­ los serão intensificados (2 T m 3.13). O A n ticristo (a besta que sobe do mar) e o Falso Profeta (a besta que sai da terra) trabalharão juntos para enganar as pesso­ as, levando-as a adorar Satan ás (o dragão) durante a G rande T ribulação (A p 13.118). M as observe que Satan ás (o m aior dos enganadores), a B esta e o Falso Pro­ feta estão destinados para o lago de fogo ardente (A p 20.10).

A GRAVIDADE DO ENGANO “Enganar” — ou seja, mentir delibe­ radam ente a outra pessoa — pode servir a propósitos bons ou maus. Quando usado para o mal, é um pecado mortal. Eva deso­ bedeceu a Deus porque Satan ás a enganou, tornando toda a criação cativa do pecado. O A T e o N T condenam o engano, tanto teológica com o eticam ente. Eles alertam para os juízos de Deus sobre todo aquele que é enganador.

— W. H . Marty

n a ry o f the New Testament. Volum e vi, edi­ tado por Gerhard Kittle e Gerhard Friedrich. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing C o m ­ pany, 1 968. Carpenter, Eugene e G risanti, Michael A. “Ra­ m a h ” em The N ew Inte rn ationa l D ictio n a ry o f O ld Testam ent The olo gy a n d Exegesis. Volum e 3, editado por W illem A. Gem eren. G rand Rapids: Z ond e rvan, 1997. Farr, F. K. “Deceit” e “D eceivableness”, em The International Stand ard Bible Encyclopaedia. Volum e 1, editado por James Orr. Grand Rapi­ ds: Eerdmans Publishing Co., 1 939. Gunther, Walther. “Lead Astray, Deceive”, em The New International Dictionary o f New Tes­ tament Theology. Volum e 2, editado por C o ­ lin Brown. Grand Rapids: Zondervan, 1976. Ryken, Leland, Wilhoit, James C, e Longm an, Tremper, editores. “Deception, Stories o f, em Dictionary od Biblical Imagery. Dow ners Gro­ ve: InterVarsity Press, 1998.

ERA DA IGREJA A era da Igreja teve início no D ia de Pentecostes, em A tos 2, e será encerrada com o arrebatam ento, antes do início da G rande Tribulação. Esta era não é caracterizada por eventos proféticos verificáveis ao longo da história, com exceção de seu início e seu fim (Pentecostes e arrebatam ento, respec­ tivam ente). A profecia bíblica, contudo, revela seu curso em linhas gerais. A m aior parte das profecias cum pri­ das durante a era da Igreja n ão diz resp ei­ to especificam ente à própria Igreja, mas ao plano profético de Deus para Israel. A p rofecia sobre a destruição de Jerusalém e do Tem plo em 70 d .C ., por exem plo, diz respeito a Israel (M t 23.38; L c 19.4344; 21.20 -2 4 ). Em bora ain d a vivam os na era da Igreja, os preparativos proféticos


E r a d a Ig r e ja com relação a Israel já estão em curso, com o restabelecim ento da n ação israe­ lense em 1948.

UMA DESCRIÇÃO DA ERA DA IGREJA Mateus 13 A s parábolas de M ateus 13 permitem que vislum brem os a relação existente entre a presente era e o reino futuro. Elas cobrem o período de tem po entre os dois adventos de C risto — a prim eira e a segunda vinda. Isto inclui a presente era (era da Igreja), a G rande Tribulação, a segunda vinda de C risto e o Juízo Final, embora não m encio­ ne o arrebatam ento. Pentecost apresenta o seguinte resumo desta descrição: Podemos resumir o ensino a respei­ to do curso desta era da seguinte for­ ma: (1) a Palavra será dissem inada durante o período, mas tam bém (2) a m entira será pregada; (3) o reino experim entará um crescim ento iné­ dito, mas (4) será conspurcado por corrupções doutrinárias internas. O Senhor, ainda assim, arrebanhará para si (5) um tesouro especial den­ tre o povo de Israel e (6) dentre a Igreja. A era será encerrada com um julgam ento em que os ímpios serão excluídos do reino vindouro e os justos serão recebidos para desfru­ tar as bênçãos do R eino do Messias. (Pentecost, p. 149) Isto significa que esta era é um tem po de con tín u a pregação do evangelho. A igreja com eça com o um p equen o grupo de pessoas, m as torna-se um a in stituição global. N a m edida em que se expandir p ara alcan çar o m undo inteiro, a igreja se tornará cad a vez m ais ap óstata, o que levará a um juízo global após o arreb ata­ m ento da Igreja.

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Apocalipse 2—3 A s cartas às sete igrejas tam bém contri­ buem com um panoram a do curso desta era (A p 2— 3). Esta passagem aplica-se à Igreja, e não ao reino futuro, conforme se vê pela freqüente expressão: “Q uem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (A p 2.7,11,17,29; 3.6,13,22). Estas sete igrejas históricas do primeiro século fornecem um paradigma para todas as igrejas que viriam a existir ao longo da história da Igreja. A p o calip se 1.19 in dica que o livro é dividido em três partes. “Escreve, p ois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acon tecer depois d estas.” A p o c a ­ lipse 1 corresponde às “coisas que v iste” , descrevendo o C risto ressurreto. A p o c a ­ lipse 2— 3 diz respeito às “ [coisas] que são ” , i.e., à atu al era da Igreja. A p o c a ­ lipse 4— 22 refere-se às “ [coisas] que h ão de acon tecer depois d estas” , ou seja: a G ran d e Tribulação, a segunda vinda, o M ilênio e o estado eterno. Que lições sobre a era da Igreja podemos extrair destas sete epístolas em Apocalipse? Muitos estudiosos vêem características pe­ culiares das sete igrejas presentes continua­ mente ao longo de toda a história da Igreja. (Para uma explicação sobre esta abordagem, confira o verbete “Sete Igrejas de A po ca­ lipse”.) Outros, como G . H. Pember, acre­ ditam que as sete igrejas “representam um retrato profético de sete períodos históricos a serem atravessados pela Igreja” (Pember, pp. 494-495). Esta abordagem é conhecida como “método de interpretação históricoprofético” (Fruchtenbaum, p. 38) e resume a era da Igreja da seguinte forma (p. 36): 1. Efeso: a igreja apostólica (30 a 100 d.C .) 2. Esmima: a perseguição romana (100 a 313 d.C .) 3. Pérgamo: a era de C onstantino (313 a 600 d.C .)


E r a d a I g r e ja

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4. Tiatira: a Idade M édia (600 a 1517 d.C .) 5. Sardes: a Reforma (1517 a 1648 d.C .) 6. Filadélfia: o movimento missionário (1648 a 1900 d.C.) 7. Laodicéia: a apostasia (1900 até os dias de hoje) E claro que, considerando esta visão, so­ m ente ao fim da era da Igreja nós seriamos capazes de olhar para trás e com preender tudo isto. Som ente ao fim da presente era, conseguiríam os correlacionar a história da igreja aos padrões revelados na análise que o Senh or faz das igrejas citadas acima.

A apostasia ocorre em dois aspectos principais, que são: doutrina e com porta­ mento. Ou seja, a forma como pensamos e como agimos. De acordo com o NT, ao fim desta era, a igreja que professa o nome de Je ­ sus passará a negar a verdade e a santidade. •

N egará a Deus — 2 Timóteo 3.4-5

N egará a C risto — 1 João 2.18; 4-3

N egará a volta de Cristo — 2 Pedro 3.3-4

Negará a fé — 1 Tim óteo 4.1-2; Ju ­ das 3

Negará a verdadeira doutrina — 2 Timóteo 4.3-4

N egará a liberdade cristã — 1 Tim ó­ teo 4-3-4

N egará princípios morais — 2 Tim ó­ teo 3.1-8, 13; Judas 18

N egará a autoridade — 2 Timóteo 3.4 (Pentecost, p. 155)

As Epístolas D iversas epístolas do N T falam sobre as condições da cristandade perto do fim dos tem pos. Praticam ente todos os co ­ m entários vêm de epístolas escritas pouco antes da m orte de cada autor, com o que para enfatizar os perigos em potencial que existiriam durante os últim os dias da Igre­ ja. Eis um a rápida lista das sete principais passagens que tratam dos últim os dias da Igreja: 1 Tim óteo 4.1-3; 2 Tim óteo 3.1-5; 4-3-4; Tiago 5.1-8; 2 Pedro 2; 3.3-6; e a pequena epístola de Judas. C ad a um a des­ tas passagens enfatiza insistentem ente que a apostasia será m arcante na Igreja dos úl­ tim os tem pos. Em português, “apostasia” significa “re­ nunciar ou abandonar uma religião, crença ou fé”. O texto em grego do N T utiliza duas palavras para “apostasia”. U m a é apostasia, nome composto por dois termos gregos: apo (“distante de” ) e istémi (“posicionar-se” ), o qual significa “ficar distante” ou “apartarse”. A outra é o verbo piptô, que significa simplesmente “esquivar-se” ou “abandonar”. Quando utilizada em relação a algo abstrato, como em “abandonar a fé”, esta palavra se encaixa na categoria de apostasia.

A s Escrituras indicam que, quando che­ gar a hora do arrebatamento, a apostasia estará disseminada por toda a cristandade. A apostasia verificada na Igreja atual é uma preparação para o engano ainda maior que, durante a Grande Tribulação, virá com o Anticristo. Porém, enquanto a Igreja estiver aqui na terra, Deus Espírito Santo estará em ação, trazendo novas pessoas a Cristo e capa­ citando crentes fiéis a amadurecerem na fé.

0 DESTINO PROFÉTICO DA IGREJA A Bíblia sistem aticam ente alerta os crentes desta era contra a apostasia. Tal característica, em termos gerais, é um si­ nal do fim dos tempos. Qual é, contudo, o futuro profético da Igreja? Para responder esta questão, devemos separar a Igreja ver­ dadeira da cristandade em geral. A verda­ deira Igreja é form ada por judeus e gentios que efetivam ente conhecem a Jesus como


E r a d a I g r e ja Salvador e tiveram seus pecados perdoados. Desde o D ia de Pentecostes, em A tos 2, até o arrebatam ento, todos os crentes fazem parte do corpo de Cristo, a Igreja. C ham am os a esfera de influência da Igreja de Cristandade. A cristandade é form ada por tudo que está associado à igreja visível, incluídas todas as suas ram ificações. A cristandade inclui tanto os cristãos verdadeiros com o os m eram ente nom inais. O trigo e o joio crescem juntos (M t 13.24-30). A cristandade e a verda­ deira Igreja possuem destinos proféticos com pletam ente diferentes.

0 FUTURO DA IGREJA É 0 ARREBATAMENTO N o calendário profético, o próxim o evento reservado para a verdadeira Igreja é o arrebatam ento (Jo 14.1-3; 1 C o 15.5152; 1 Ts 4.13-18). Este evento é descrito em 1 Tessalonicenses 4-17; onde lemos que, naquele dia, todos os crentes, vivos e m ortos, serão “arrebatados juntam ente com eles nas nuvens, a encontrar o Senh or nos ares”. Isto pode acontecer a qualquer m om ento, sem nenhum aviso. Enquanto C risto está preparando um lugar para a Igreja, esta deve perm anecer fiel e estar sempre alerta para o repentino retorno do Senhor. Q uando Deus der o sinal, a era da Igreja será concluída no arrebatam ento e estarem os para sem pre na presença de C risto.

0 FUTURO DA CRISTANDADE APÓSTATA É 0 JUÍZO A cristandade apóstata, contudo, será deixada para trás, enfrentará a G rande Tribulação e será a meretriz de S atan ás, ou seja, a “grande meretriz que se ach a sen ta­ da sobre m uitas águas” (A p 17.1). Ela aju ­ dará a criar a grande ilusão do A nticristo. Esta igreja apóstata preparará o cam inho para um a grande religião m undial, a saber, a adoração do A n ticristo e o acolhim ento

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da m arca da B esta (A p 13.16-18). A p o ­ calipse 13.11-18 apresenta o Falso Pro­ feta (o líder da igreja apóstata durante a tribulação) com o aquele que defenderá, em nom e do A n ticristo, o recebim ento da m arca da Besta. A ssim com o a Igreja verdadeira possui a função de declarar e propagar a verdade de Deus, a prostituta de Satan ás tem , com o principal função, prom over o engano.

0 FUTURO DA IGREJA É DISTINTO DO FUTURO DE ISRAEL A Igreja possui um a posição exclusiva nos planos de Deus, desvinculada dos p la­ nos divinos para Israel. A Igreja participa das prom essas espirituais da aliança abraâm ica, na m edida em que estas foram cum ­ pridas por intermédio de Cristo. Já Israel, e não a Igreja, cumprirá separadam ente seu destino como nação. Isto acontecerá depois do arrebatam ento e da Grande Tribulação, durante o M ilênio. O N T ensina que, no AT, a Igreja era um m istério oculto (Rm 16.25-26; E f 3.2-10; C l 1.25-27). É por isso que ela com eçou de form a repentina e im prevista em A tos 2, e por isso também term inará de form a repentina e imprevista, no arrebatam ento. A Igreja, portanto, após o arrebatam ento, não possui nenhum des­ tino profético nesta terra.

0 TRONO DE CRISTO O N T ensina que a Igreja será removi­ da da terra no arrebatamento, antes que a Grande Tribulação tenha início (1 Ts 1.10; 5.9; A p 3.10), e será levada por Cristo para a casa do Pai (Jo 14.1-3). A Igreja estará no céu durante a tribulação, como é represen­ tado pelos 24 anciãos (Ap 4.4-11; 7.13-14; 19.4). O s crentes ficarão diante do trono de Cristo, preparando-se para acompanhá-lo em sua segunda vinda (A p 19.14). O banquete das Bodas do Cordeiro acontecerá no início do Milênio, logo após a segunda vinda.


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Eras

0 MILÊNIO E O ESTADO ETERNO Durante o M ilênio, a Igreja reinará e governará com Cristo (A p 3.21). Em M a­ teus 19.28, Jesus disse a seus discípulos, membros da Igreja, que eles voltariam a reunir-se no reino e governariam sobre as doze tribos de Israel. Em 2 Tim óteo 2.12, Paulo escreve: “se sofrermos, tam bém com ele reinarem os”. O principal propósito do M ilênio é a restauração de Israel e o dom í­ nio de Cristo sobre ele, mas a Igreja, como noiva de Cristo, tam bém estará envolvida nos eventos deste período.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Chafer, Lewis Sperry. System atic Theology. 8 volum es.

Dallas, Texas:

Dallas

Sem inary

Press, 1 948. Fruchtenbaum , Arnold C. The Footsteps o f the Messiah. San Antonio, Texas: Ariel Press, 1982. Pember, C. H. The Great Prophecies o f the Centuries C o n ce rn in g the Church. Miam i Sp rin gs,

Florida:

C o n le y

and

Schoettle,

1 984. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1958.

de C risto e prosseguirá pelos m il anos sub­ seqüentes (A p 20.3).

0 EQUÍVOCO M uitos am ilenialistas, pós-m ilenialistas e preteristas acreditam que “a era vindoura” diz respeito à era atual em que vivem os. A lguns afirmam que ela teve in í­ cio na prim eira vinda de C risto, enquanto outros defendem que ela com eçou com um suposto retorno de C risto, em 70 d.C . G ary D eM ar diz: O “fim da era” se refere ao fim do sistem a salvífico da antiga aliança, que envolve sacrifícios e rituais [...] O “fim da era” se refere ao fim da exclusividade dos judeus com o be­ neficiários das promessas da aliança e à inclusão dos gentios nas bên­ çãos da aliança e nos privilégios do evangelho e do reino (M t 21.41,43; 22.10). “Fim da era” é uma expres­ são relacionada a alianças. C om o Templo em ruínas, não seria possí­ vel, ou mesmo necessário, pôr em prática as inflexíveis exigências do sistema de sacrifícios, que era um sistem a predestinado a extinguir-se com a encarnação, morte, ressur­ reição, ascensão e entronização de Jesus. (DeMar, pp.69-70)

ERAS U m a im portante expressão em profecia bíblica é “era vindoura”. Para se interpre­ tar corretam ente a profecia bíblica, tam ­ bém é necessário com preender um termo sem elhante: “era atual”. “Era atual” diz respeito ao atual m om ento da Igreja, que com eçou h á quase 2000 anos, no D ia de Pentecostes. Este período será encerrado com o arrebatam ento da Igreja. A “era vindoura” está relacionada ao reino milenial, que com eçará com a segunda vinda

O s preteristas tendem a crer que as expressões “presente era” e “esta era” d i­ zem respeito a um período de ap roxim a­ dam ente quarenta anos, que vai do m i­ nistério de C risto n a terra à d estruição de Jerusalém em 70 d .C . C o m o destaca D e­ Mar, isto significa que, após 70 d .C , e sta­ m os todos naquilo que a B íb lia denom in a de “porvir” . Preteristas radicais (que n ão acreditam em um a segunda vin d a futura) crêem que, ao citar “esta era” , Jesus se referia à era m osaica em que Ele m esm o


E ras vivia. A era do “porvir” , portan to, seria a

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era cristã em que, segundo entendem , a Igreja está vivendo.

(Zc 14-4-5) e dar início à glória do reino (Zc 14.14-15). Eis o que aconteceria com a chegada da “era vindoura” .

AS PERSPECTIVAS A Profecia Bíblica segundo a Perspectiva dos Judeus

A Profecia Bíblica segundo a Perspectiva de Cristo

A perspectiva judaica da profecia bíblica dividia a história em dois momentos. Inicialm ente havia a “presente era” em que Israel aguardava pela vinda do Messias. Em seguida, viria a “era vindoura” , em que Deus cumpriria suas promessas e alianças e Israel desfrutaria das bênçãos prom etidas com a vinda do Messias. A “presente era” haveria de terminar com o surgimento do Messias, quando teria início a “era vindou­ ra”. A “presente era” , portanto, term inaria em juízo, e a “era vindoura” seria precedida por esta m esma devastação. N o m onte das O liveiras, ao questio­ narem Jesus (M t 24.3), os discípulos rela­ cionaram suas palavras de juízo acerca da destruição do Templo com a invasão de Jerusalém que Zacarias profetizara. Eles acreditavam que aquele evento precederia o advento do Messias. Em Zacarias 14.4, o profeta descreve o advento do Messias, no m om ento da insti­ tuição do seu reino: “E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o m onte das O liveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o m onte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e m etade do m onte se apartará para o norte, e a outra m etade dele, para o sul.” S u a vinda haveria de ser precedida pela invasão e captura de Jerusalém (Zc 12.13; 14.1-3). O Messias, contudo, desceria o m onte das Oliveiras para libertar Jerusalém

Jesus utiliza o m esm o vocabulário, da m esm a m aneira, quando, em M ateus 12.32, afirma: “S e alguém proferir algu­ m a palavra con tra o Filh o do H om em , ser-lhe-á isso perdoado; m as, se alguém falar con tra o Espírito S an to , n ão lhe será isso perdoado, nem n este m undo nem no porvir” . C risto faz um a clara d istin ção entre a era atu al e a era vindoura. M eyer afirma: “A ‘presente era’ é o período que precede a vin d a do M essias ou [...] com o Jesus a com preendia: 0 período anterior à segunda vinda". Ele diz que “era vin d ou ra” é “o período que sucede a vin d a do M es­ sias [...] com o Jesus a com preendia: 0 perí­ odo posterior à segunda vinda" (M eyer, vol. 1, p. 3 4 2 ). Em M ateus 13.49, Jesus diz: “A ssim será na consum ação dos séculos: virão os anjos e separarão os m aus dentre os ju sto s” . Ele então prossegue com um discurso dentro dos padrões ju d aicos de seu tem po. O s discípulos concluíram que o juízo predito por C risto poria um fim na pre­ sente era. A pós este juízo, o M essias viria e introduziria a era vindoura. Em M ateus 24.3, portanto, eles fizeram as perguntas que levaram ao discurso no m onte das O liveiras: “Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do m undo?” M ais tarde, após sua res­ surreição e antes da ascensão, Jesus p as­ sou a G rande C om issão a seus discípulos e disse em M ateus 28.20: “ [...] eis que eu estou convosco todos os dias, até à co n ­ sum ação dos séculos”. M ais um a vez, seu vocabulário apresenta um a estrutura que traz expressões com o “presente era” e era do “porvir” .


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Eras

A Profecia Bíblica segundo a Perspectiva dos Apóstolos O apóstolo Paulo usa o mesmo linguajar quando, em Efésíos 1.21, assevera que os crentes do N T receberam um a posição em C risto “acim a de todo principado, e poder, e potestade, e dom ínio, e de todo nom e que se nom eia, não só neste século, mas tam ­ bém no vindouro” . Em G álatas 1.4, Paulo diz que Cristo “deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente sécu­ lo mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai”. Paulo tam bém diz aos cristãos que a graça de Deus nos instrui para que “[...] renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivam os neste presente século sóbria, justa e piam ente” (T t 2.12). Paulo segue utilizando expressões como “esta era” e “era vindoura” da m esma forma que C risto. Embora Jesus já tivesse passa­ do pela terra, Paulo continua percebendo a época em que a igreja vivia com o ante­ rior à vinda do Messias. Estamos, portanto, ainda na “presente era”. Isto significa que o “porvir” ainda não chegou e só virá com a segunda vinda de Cristo. Trata-se de um tem po que, ainda hoje, pertence ao futuro. Mesmo após o período de quarenta dias, posterior à ressurreição, no qual Cristo ensi­ nou a seus discípulos sobre as “coisas concer­ nentes ao reino de Deus”, eles lhe pergunta­ ram, em A tos 1.6: “ [...] Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Jesus não os repreendeu nem descartou a pergunta como imprópria. Em vez disso, afirmou: “N ão vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder”. Isto obviamente implica a existência de um futuro reino tal qual eles pensavam... porém, não ainda. “O reino” é uma referência à era do porvir. N osso Senhor, então, disse a seus discípulos para irem e pregarem o evangelho por todo o mundo. Em A tos 3, Pedro prega o evangelho para Israel e diz que seus irmãos judeus e os

governantes agiram “por ignorância” ao exi­ gir a crucificação de Jesus. Ele então diz: “M as Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado: que o Cristo havia de padecer. A rre­ pendei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tem ­ pos do refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado, o qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o prin­ cípio.” (A t 3.18-21) Dentro do mesmo espírito, Tiago, pe­ rante o concilio de Jerusalém , diz em A tos 15.13-17: Έ , havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Varões irmãos, ouvi-me. Sim ão relatou com o, prim eiramente, Deus visi­ tou os gentios, para tom ar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas, com o está escrito: Depois disto, vol­ tarei e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído; levantá-lo-ei das suas ruínas e tornarei a edificálo. Para que o resto dos hom ens bus­ que ao Senhor, e também todos os gentios sobre os quais o meu nome é invocado” Tiago não acreditava que havia ch e­ gado o reino ou a era do “porvir” , ou ele jam ais teria feito a declaração acima. E evidente que os escritores das epístolas uti­ lizam a expressão “desta era” em relação ao período de tempo que precede a chegada


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E s c a t o l o g ia do Messias. Quando Ele vier, trará consigo o seu reino. A in d a hoje, tal evento está re­ servado para o futuro.

AS IMPLICAÇÕES O s escritores das epístolas do N T apre­ sentam seu próprio tem po e a tribulação como sendo im ediatam ente anteriores à segunda vinda de Cristo e ao “porvir”. Três passagens do N T (Rm 16.25-27; Ef 3.1-13; C l 2.4-3.3) ensinam que a era da Igreja é um m istério tem poral no plano m aior de Deus. A era da Igreja, portanto, é uma con ­ tinuação da “presente era”, que com eça a partir de Cristo. Outros trechos do N T ain­ da revelam que, ao terminar com o arreba­ tam ento e a tribulação, tal tem po será ime­ diatam ente sucedido pela era do “porvir”; ou seja, pelo tempo do reinado do Messias. Toda a era da Igreja, na qual ainda vi­ vemos, é perm eada por um sentido de ur­ gência. Paulo, por exem plo, ao com entar sobre esta era, cham a-a de “angustiosa situ­ ação presente” (1 C o 7.26). Considerando a possibilidade de Cristo poder retornar a qualquer m om ento com o arrebatam ento, os crentes devem estar sempre atentos e prontos para o seu retom o. Veja a seguinte lista de passagens neotestam entarias que ensinam esta doutrina: 1 Coríntios 1.7; 16.22; Filipenses 3.20; 4.5; 1 Tessalonicenses 1.10; Tito 2.13; Hebreus 9.28; Tiago 5.7-9; 1 Pedro 1.13; Judas 21; A pocalipse 3.11; 22.7,12,17,20. O s preteristas vêem o fim desta era em torno de 70 d .C ., enquanto que ou­ tros acreditam que ela teve in ício duran­ te o m inistério de C risto em sua prim eira vinda. C om o as epístolas do N T foram escritas para guiar os crentes até o encer­ ram ento desta era perversa, a visão preterista im plica que todas estas doutrinas e instruções só foram válidas durante um período de quaren ta anos, tendo o seu fim em 70 d .C . L ogicam en te, n ão faria

sentido eles aplicarem os ensinos e as instruções das epístolas a suas vidas, visto que crêem já estar viven d o no “porvir” . Isto tam bém se ap lica àqueles que acre­ ditam que a era do “p orvir” com eçou com a prim eira vin d a de C risto. Esta é a razão por que alguns preteristas crêem que já vivem em novos céus e n o va terra. N ós, contudo, ain d a não estam os em nosso es­ tado eterno. C o n tin u am os aguardando o retorno de nosso S en h or Jesus C risto a qualquer m om ento, quando será encerra­ da esta era.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA DeMar, Gary. Last D ays Madness. Pow der Sprin­ gs, Georgia: Am erican Vision, 1 999. Guthrie,

Donald.

New

Testament

Theology.

Dow ners Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1981. Meyer, H. A. W. “The Gospel o f Matthew ”, 2 v o ­ lumes, err Critical a n d Exegetical C om m en­ tary o f the New Testament. Edinburgh: T. & T. Clark, 1878. Pentecost, J. Dwight. Thy K'mgdon Come. W hea­ ton, Illinois: Victor Books, 1 990.

ESCATOLOGIA “Escatologia” é a área da teologia siste­ m ática que trata das últim as coisas. O ter­ mo deriva de uma com binação das palavras gregas eschatos, que significa “últim o”, e logos, que significa “palavra” (o sufixo por­ tuguês “logia” significa “estudo, ciência ou doutrina”). A lguns escritores contem porâ­ neos preocupam-se excessivam ente com a escatologia, enquanto outros a ignoram por com pleto. Tentarem os estabelecer uma escatologia equilibrada, em algum ponto entre estes dois extremos.


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E s c a t o l o g ia

A escatologia lida com realidades ex­ trem am ente pessoais, com o a morte, a condição im ediatam ente posterior ao passam ento e a glorificação. Ela tam bém aborda, contudo, questões mais cósm icas e gerais, com o a segunda vinda de Cristo, o M ilênio, o Juízo Final, recom pensas e castigos eternos, novos céus e nova terra. A escatologia é tanto pessoal com o universal, tanto individual quanto cósm ica. Em bora lide com eventos futuros, a escatologia tem suas raízes tanto na vida, morte e ressurreição históricas de Cristo com o em seu futuro retorno. Com o afirma Berkouwer: “N ão é o desconhecim ento do futuro, mas sim seu conhecim ento que é fundam ental na reflexão escatológica” (Berkouwer, p. 13). A verdadeira questão é “se as expectativas bíblicas são cer­ tas ou incertas, duvidosas ou inevitáveis” (Berkouwer, p. 24).

m ento ao ladrão n a cruz quando afirmou: “Em verdade te digo que hoje estarás co ­ migo no Paraíso” (L c 2 3.43). N a morte, o corpo físico perm anece na terra, aguar­ dando o dia em que C risto reunirá corpo e alm a para viver com Ele eternam ente na N o v a Jerusalém . Para o ím pio, a m orte segue sendo um a inim iga. A o morrer, a alm a do ím ­ pio vai im ediatam ente para o castigo no H ades (Lc 1 6 .19-31), onde aguarda pelo ju lgam en to dian te do G ran d e T ro­ no Branco de A p o calip se 20.11-15. A pó s tal julgam en to, o H ades será lan çad o no lago de fogo. Visto que tanto o crente com o o ímpio passarão por am bientes temporários, esta fase é cham ada de estado intermediário, onde a alm a experim entará a presença ou a ausência de Deus. N ão é o estado final da alma, mas um a transição entre a morte e a ressurreição.

ESCATOLOGIA PESSOAL Em 1 Coríntios 15.26, Paulo escreve: “Ora, o último inimigo que há de ser aniqui­ lado é a morte”. Aqui, ele refere-se à morte física. A morte, diz Paulo, é um inimigo. Para o crente, o medo da morte é mitigado pela esperança que há em Cristo. Paulo es­ creveu aos coríntios: “E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortali­ dade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 C o 15.54-55). A vida hum ana consiste em um a som a do que é m aterial (corpo) com o que é im aterial (alm a e espírito). N o m om ento da m orte, a expressão im aterial do cren­ te entra im ediatam ente n a presença de Deus. Em 2 C oríntios 5.8, Paulo escreve: “M as tem os confiança e desejam os, antes, deixar este corpo, para h abitar com o S e ­ nhor”. Jesus expressou este mesmo pensa­

ESCATOLOGIA GERAL Eis uma verdade com a qual quase todos os teólogos evangélicos concordam: Jesus voltará. Os cristãos fundamentam sua es­ perança nesta promessa, que foi claramente firmada por Cristo (M t 24-27-31). N as p a­ rábolas dos dois servos (M t 24-45-51), das dez virgens (M t 25.1-13) e dos talentos (M t 25.14-30), Jesus assegurou que voltaria. Ele virá sobre as nuvens (Dn 7.13; M t 26.64; A p 1.7), à vista de todos (M t 24-30; 26.64; A p 1.7), chegará ao mesmo lugar do qual partiu ( Z c l 4 . 4 ; A t l . l l ) e e m um momento que apenas o Pai conhece (M c 13.32). Embora os estudiosos norm alm ente concordem que Jesus voltará, existem di­ ferentes opiniões sobre os detalhes das cir­ cunstâncias que levarão ou se seguirão ao retom o de C risto. Estas diferentes opiniões estão relacionadas à seqüência dos eventos do fim, à Grande Tribulação, ao M ilênio e ao futuro de Israel.


E s c a t o l o g ia

A SEQÜÊNCIA DOS EVENTOS NO FIM DOS TEMPOS M arcos 13.32 assinala que apenas o Pai conhece o m om ento do retom o de C risto. M ateus 24-42 alerta: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” . Paulo escreve: “porque vós mesmos sabeis m uito bem que o Dia do Senhor virá com o o ladrão de noite” (1 Ts 5.2). Estas passagens indicam que Jesus pode retom ar a qualquer m omento, advertindo-nos para estarmos prontos. J á outras passagens trazem sinais que precederão a volta de C risto. O próprio Jesus m encionou sinais que m arcariam o fim dos tem pos, com o lemos em M ateus 24.1-14: (1) falsos C ristos, (2) guerras e rumores de guerras, (3) nações levan tan ­ do-se contra outras nações, (4) fom es e pestes, (5) terrem otos e distúrbios cósm i­ cos, (6) tribulações, (7) apostasia e (8) a dissem inação m undial do evangelho. Paulo acrescenta dois outros sinais: a re­ construção do Tem plo em Jerusalém e a entronização do A n ticristo no Tem plo (2 Ts 2.3-4). Estas passagens m ostram que, a partir dos sinais do fim dos tem pos, uma pessoa aten ta reconhecerá a proxim idade da vo lta de Cristo. C risto, então, virá a qualquer m om en­ to ou existem sinais a serem cumpridos antes? A resposta está provavelm ente re­ lacionada a dois aspectos da volta de Jesus. Primeiro, C risto voltará para seus santos (Jo 14.1-3; 1 C o 15.51-52; 1 Ts 4.13-18) no arrebatam ento da Igreja, quando Ele encontrará nos céus com os crentes vivos e com os ressurretos. D as cinco interpre­ tações do arrebatam ento, apenas a prétribulacionista ensina que C risto poderia voltar por sua Igreja a qualquer m om ento. A pós algum tem po, C risto voltará pesso­ alm ente e visivelm ente à terra. O arreba­ tam ento e sua segunda vinda estão separa­ dos pela G rande Tribulação.

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A Qrande Tribulação O A T refere-se à Grande Tribulação com o o “tem po de angústia para Jacó ” (Jr 30.7), o “D ia do Senh or” (Is 2.12; S f 1.7; O b 15), “dia de indignação” (S f 1.15) e “o grande e terrível D ia do Senh or” (M l 4.5). N o N T, Jesus o descreve com o um tempo de aflição “[...] como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tam ­ pouco haverá jam ais” (M t 24.21). A p o ca­ lipse 3.10 cham a-o de “ [...] hora da ten ta­ ção que há de vir sobre todo o m undo”. Em A pocalipse 6.17, o povo que atravessa este período diz: “porque é vindo o grande D ia da sua ira; e quem poderá subsistir?” O s estudiosos divergem quanto a se (1) a Grande Tribulação está presentem ente em curso, se (2) é um período futuro literal de sete anos, conforme lemos em D aniel 9.24-27, ou se (3) é um período futuro li­ teral de três anos e m eio, de acordo com D aniel 7.25; 12.7 e A pocalipse 13.5. A l­ guns estudiosos acreditam que a Igreja será poupada deste tem po de provas, enquanto outros crêem que, apesar de protegida, ela passará por este período.

O Milênio Millennium é a palavra latina que signi­ fica “mil anos”. Este termo não é especifi­ cam ente encontrado nas Escrituras. A p o ­ calipse 20 m enciona este período por seis vezes em seus sete primeiros versículos. Os estudiosos da Bíblia propõem três posições quanto ao M ilênio. I . Amílenialismo. A palavra significa “sem m ilênio”. Aqueles que defen­ dem uma interpretação alegórica ou simbólica de A pocalipse vêem o M ilênio como um período de tempo indefinido. A lgo espiritual, não físi­ co. U m período está sendo cumprido apenas no céu ou cumpre-se na terra na presente era.


2. Pós-milenialismo. Com o o próprio nome implica, os partidários desta perspectiva defendem que a segunda vinda só acontecerá após o Milênio. Os pós-milenialistas crêem que o Milênio compreende todo o período entre o primeiro e o segundo adven­ to de Cristo. 3. Pré-milenialismo. E a visão defendida por aqueles que interpretam o A p o ­ calipse de forma literal. O Milênio é visto como um período de mil anos que terá início após a segunda vinda de Cristo, inaugurando uma era de justiça,em que Cristo governará a terra com uma vara de ferro.

O Futuro de Israel O s estudiosos debatem a partir de duas posições no que diz respeito ao fu­ turo de Israel. Segundo a primeira, as promessas de Deus para Israel no A T serão cumpridas n a Igreja. O s judeus rejeitaram e con ti­ nuam rejeitando Jesus com o seu Messias. Por causa disso, perderam o direito de se­ rem cham ados de povo de Deus. O s judeus crentes serão absorvidos no seio da Igreja, pois Paulo ensina que todas as diferenças entre judeus e gentios acabaram em Cristo. O A T deve ser interpretado à luz do NT. O plano original de Deus era estabelecer o reino físico de Israel já na primeira vinda de Cristo. Conform e a segunda posição, Deus ainda deverá cumprir suas alianças, visto que são firmes e irrevogáveis, para com a nação de Israel. O N T é o clímax do plano que Deus revelou no AT, de modo que o primeiro não pode ser compreendido sem o segundo. Conform e o que Paulo declara em Rom anos 11.26, “[...] todo o Israel será salvo”. A s outras questões que fazem parte da escatologia cósm ica ou universal são a res­ surreição, o julgam ento e o estado eterno.

A Ressurreição A Bíblia prom ete a ressurreição de crentes e ímpios. D an iel 12.2 refere-se a um m om ento futuro quando os mortos se erguerão — alguns para a vida eterna e outros para a vergonha e condenação eternas. Jesus disse: “Em verdade, em ver­ dade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os m ortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (Jo 5.25). Em certo sentido, os crentes já p as­ saram da m orte para a vida. Em um ou­ tro sentido, chegará um tem po em que os mortos viverão. A o falar com M arta, irmã de Lázaro (que ele em seguida ressuscitaria dos m ortos), Jesus disse: “Eu sou a ressur­ reição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja m orto, viverá” (Jo 11.25). Os apóstolos ensinavam a ressurreição (A t 4-2; 17.18; 24-15). A m bos os Testam entos falam de ressurreição para justos e injustos (D n 12.2; Jo 5.28-29; A t 24.14-15).

O Julgamento A segunda vinda de Cristo promoverá, de imediato, o julgamento descrito por Jesus nas parábolas do joio e do trigo (M t 13.2430, 36-43) e dos bodes e das ovelhas (M t 25.31-46). A pocalipse 20.11-15, contudo, detalha um evento que ocorre após um perí­ odo de mil anos. Este Juízo Final dos ímpios é o julgamento diante do Grande Trono Branco, também chamado de “segunda mor­ te” (A p 24-14). Aqueles cujos nomes não forem encontrados no Livro da Vida serão julgados por suas obras. Serão condenados e lançados no lago de fogo, juntam ente com Satanás, o A nticristo e o Falso Profeta. Ali, eles “serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (A p 20.10). O crente irá com parecer ante o Tri­ bunal de C risto (R m 14-10; 2 C o 5.10). A qui, as obras do crente serão avaliadas e se definirá se elas têm ou não valor na eternidade. A s obras que possuem um cor­


A t o s , E s c a t o l o g ia d e reto fundam ento, que é C risto Jesus, são descritas n a Palavra com o ouro, prata e pedras preciosas. T ais obras serão julgadas dignas de recom pensa. Por outro lado, as que têm um outro fundam ento, sendo des­ critas com o m adeira, feno e palha, serão queim adas no fogo da provação e nenhu­ m a recom pensa será dada. E im portante com preender que este ju l­ gam ento provavelm ente ocorrerá durante a Grande Tribulação e não im plicará pu­ nição para o crente. O destino eterno do crente é decidido no m om ento em que a pessoa se submete ao senhorio de Jesus Cristo. Paulo escreve: “Portanto, agora, nenhum a condenação há para os que estão em C risto Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1).

O Estado Eterno O estado eterno do crente é a N o v a Jerusalém (A p 21.9-22.5). A descrição de A pocalipse demonstra o tremendo esplen­ dor e a m ajestade que testem unharem os ao estar na presença de Deus (A p 22.4)· Em sua presença, os crentes não m ais chorarão, não sentirão tristeza ou dor e não mais h a­ verá morte (A p 21.4). Em contrapartida, o estado eterno dos ímpios é o lago que arde com fogo e enxo­ fre. Eles ficarão lá para sempre, separados da presença de Deus e “atorm entados para todo o sem pre” (A p 20.10).

— Tony Kessinger BIBLIOGRAFIA Berkouwer, C. C. The Return o f Christ. Grand Ra­

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Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1958.

ATOS, ESCATOLOGIA DE O livro de A tos é essencial no NT. Ele regis­ tra a transição do A T e dos Evangelhos para as epístolas; do foco sobre Israel como nação escolhida por Deus para a Igreja — um povo que Deus escolheu dentre todas as nações.

QUANDO VIRÁ 0 REINO DE DEUS? A tos 1.6-7 revela que os apóstolos esperavam que Jesus cumprisse as m uitas profecias do A T e estabelecesse seu reino sobre a terra. N aquele m om ento, eles não esperavam o céu ou a Igreja. Suas palavras são claras: “ [...] Senhor, restaurarás tu n es­ te tem po o reino a Israel?” (v. 6). A p a­ lavra “restaurar” (gr. apokathistanõ) sugere quatro aspectos: 1. O reino a que os apóstolos se refe­ riam era aquele que Israel possuíra no passado. Israel havia sido o reino de Deus quando o povo saiu do Egi­ to com o um a nação (Ex 19.6). Deus era o seu R ei (1 Sm 8.6-7; 12.12; Jz 8.23; Is 43.15; O s 13.9-11). 2. Este reino não mais existia quando os discípulos fizeram a pergunta. 3. Este reino voltará a existir, junta­ mente com a nação de Israel. 4. Este reino é o mesmo que existiu com Israel, pois “restaurar” significa trazer de volta algo que existiu an­ teriormente.

pids: Eerdmans Publishing Company, 1972. Grudem, Waine. System atic Theology. D ow ners Grove, lllinnois: InterVarsity Press, 1994. Kessinger, Tony. Come Out o f H er M y People. Philadelphia: Xlibris, 200B.

Jesus suavem ente repreendeu os d iscí­ pulos por esta pergunta, mas não os cen ­ surou por sua esperança na restauração do reino terreno que Deus estabelecera com


A t o s , E s c a t o l o g ia d e

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a n ação de Israel no passado. Censurou-os apenas por terem Israel com o sua princi­ pal e m ais urgente preocupação. N aquele m om ento, C risto estava concentrado na fundação de sua Igreja (A t 1.8). Ele ad ­ vertiu os discípulos, explicando que não lhes cabia saber os tem pos ou as estações (v. 7). Isto tam bém deve nos servir de alerta. N ão devem os especular ou teorizar de m aneira excessiva a respeito de coisas futuras que Deus não nos quis revelar.

A ASCENSÃO E A SEGUNDA VINDA DE JESUS CRISTO A ascensão de Jesus para estar com o Pai, no céu, foi um tanto diferente de tudo o que ocorrera durante os quarenta dias após sua ressurreição (A t 1.9-11). D uran­ te aqueles dias, Ele aparecia e desaparecia in stantaneam ente (Lc 24.31), voltando a aparecer m ais tarde. O que aconteceu na ascensão foi diferente e conclusivo: os olhos de todos puderam vê-lo subir gradu­ alm ente ao céu, até que Ele desaparecesse por trás das nuvens. Estas nuvens podem sim bolizar a glória shekinah e a presença de Deus, que fora vista no A T (Ex 40.34) e m anifestada no m onte da Transfiguração (M t 17.5). Enquanto os apóstolos se en ­ cantavam com o que viam , dois “hom ens” apareceram naquele lugar. Diversos fatos evidenciam que estes hom ens eram anjos: 1. Suas vestes brancas com binam com outras aparições de anjos (M t 28.3; Jo 20.12). 2. A mensagem que deixaram é seme­ lhante aos anúncios feitos por anjos (M t 28.5-7). 3. O s anjos são m uitas vezes descri­ tos com o hom ens (A t 10.3,30; A p 21.17). 4. A té mesmo o raro uso do ver­ bo no pretérito mais-que-perfeito

(pareistékeisan — “se puseram” ) suge­ re um acontecimento dramático (ver Harrison, p. 41)· Estes dois anjos asseguraram aos após­ tolos que Jesus retornaria da m esma forma que o viram ascender ao céu. 1. Sua ascensão foi visível. Logo, sua volta será visível (A p 1-7). 2. Ele ascendeu em carne. Também em carne, portanto, Ele voltará àquele mesmo lugar, o monte das Oliveiras (Zc 14.4). 3. Ele subiu ao céu em uma nuvem de glória e voltará em uma nuvem de glória (M t 24.30; M c 13.26). O retorno de Jesus ainda não aconteceu e não acontecerá até que a G rande Tribula­ ção tenha vindo sobre Israel e toda a terra (M t 24.29-30).

0 CUMPRIMENTO DA PROFECIA DE J0 E L Pedro, em A to s 2.17, parece dizer que o P en tecostes é o cum prim ento da p rofecia de Jo e l para os últim os dias (J1 2.28-3 2 ). Jo el, contudo, claram en ­ te relacio n a estes eventos ao tem po da G ran d e Tribulação. Logo após 2.32, Joel declara: “P orquanto eis que, naqueles dias e naquele tem po [...]” e prossegue descrevendo o tem po da G ran d e Tribu­ lação (3 .9 -1 6 ) e o R ein o de Deus sobre a terra (3 .1 8 -2 1 ). E ntão, estaria Pedro ven do o cum prim ento de Jo e l 2 no D ia de P en tecostes? N ã o , pois ele nem tinha com o im aginar seu cum prim ento. Ele não tin h a visto o Espírito ser derram ado sobre toda a carne. Q uando proferiu esta pregação, Pedro acab ara de ver o Espírito ser derram ado sobre apenas 120 pessoas (A t 1.15). A qu ilo , porém , foi o suficiente para con ven cê-lo de que tudo o que vira


A t o s , E sc a t o l o g ia d e era só o com eço, a prim eira fase daquele cum prim ento (Bruce, p. 61).

0 RETORNO DE JESU S E A RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS Se alguém im aginar que Pedro estava confuso e espiritualmente cego quando, antes do Pentecostes e do derramar do Espírito Santo, perguntou a Jesus sobre a restauração do reino de Israel em A tos 1.6, seria de se esperar que, após o Pentecostes, o entendim ento de Pedro estivesse bem mais claro. Em A tos 3.19-26, no entanto, a com preensão de Pedro acerca do reino de Deus com Israel perm anece inalterada. Pedro afirma que Israel precisa se ar­ repender e voltar-se para Jesus, a fim de que Deus torne a enviá-lo, para que h aja tempos de refrigério e restauração — tem ­ pos proclam ados por todos os profetas do A T (v. 21). A palavra grega traduzida aqui por “restauração” deriva do mesmo radical que dá origem ao verbo utilizado em A tos 1.6, quando os apóstolos perguntam sobre a restauração do reino de Deus em Israel naquele tempo. C orretam ente, Pedro crê que Deus restaurará seu reino em Israel quando Je ­ sus literalm ente voltar do céu para a terra (M t 25.31-32; A p 19.11-20.6) e que a n a ­ ção de Israel deve buscar arrependim ento (ver Rm 2, especialm ente vv. 25-27; Zc 12.10-14; 13.8-9). N este serm ão, Pedro m encion a dois im portantes aspectos escatológicos. Por um lado, Jesus retornará e restaurará tudo que Deus prom eteu e Isra­ el perdeu. Por outro lado, aqueles que não ouvirem e aceitarem Jesus serão com ple­ tam ente elim inados destas bênçãos (Fer­ nando, p. 140).

A PROFECIA SOBRE 0 REINO NO LIVRO DE AMÓS E A IGREJA PRIM ITIVA N o C on cilio de Jerusalém registrado em A tos 15, Tiago, pastor em Jerusalém , citou

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o profeta A m ós (9.11-12) para m ostrar que a salvação de m uitos gentios durante os dias da Igreja Prim itiva não devia surpreender a ninguém, pelo fato de ela ter sido prevista pelos profetas do A T (A t 15.15-17). A m ós declara que aqueles gentios entrariam no Reino de Deus, o que leva alguns a crer que a Igreja, portanto, é o cumprimento da prom essa veterotestam entária acerca do Reino de Deus. Tiago, contudo, não declarou que a profecia de A m ós estava sendo cumprida na Igreja Prim itiva de sua época. N a verda­ de, existem evidências de que a afirmação de Tiago era de que tal profecia não seria cumprida até um m om ento futuro, poste­ rior aos seus dias, quando Jesus retornasse à terra. Em primeiro lugar, Tiago afirma: “con­ cordam as palavras dos profetas”, com res­ peito ao que acontecia na Igreja Primitiva (A t 15.15). O que Deus haveria de fazer no futuro reino, durante o m ilênio — ou seja, salvar e cham ar m uitos gentios — , Ele já estava fazendo na Igreja dos primeiros dias. Tiago escolheu cuidadosam ente a palavra “concordar”, e não “cumprir”. A conversão de gentios nos dias da Igreja Primitiva não foi o cumprimento desta profecia do AT, mas estava em harm onia com o que Deus tam bém faria em seu R eino — Ele incluiria todas as nações. Em segundo lugar, Tiago altera uma expressão da profecia de A m ós. Em vez de “naquele dia”, ele diz “depois disto”. Dessa forma, Tiago dem onstra sua com preensão de que a profecia se referia a um tempo “depois” do primeiro século, uma alusão à futura era do M ilênio. Em terceiro lugar, T iago acrescen ta a palavra “retornar” em sua citação da p ro­ fecia. Ele leva em con sideração o fato de que, antes que a profecia de A m ós p u des­ se se cumprir, C risto h av eria de vo ltar à terra um a segunda vez, a fim de restaurar


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o seu reino. T iago diz: “Depois disto, voU tarei e reedificarei o tabernáculo de D avi, que está caído; levan tá-lo-ei das suas ruínas e tornarei a edificá-lo. Para que o resto dos hom ens busque ao Senhor, e tam bém todos os gen tios sobre os quais o m eu nom e é in vocado, diz o Senhor, que faz todas estas c o isas” (A t 15.16-17; grifo m eu). Estas duas m udanças n ão são m eras variações textu ais, com o dizem a l­ guns, m as estão diretam ente relacion ad as à in terpretação de T iago. Tiago, portanto, testifica o fato de que a Igreja não é o reino prometido, mas que este viria após (“depois disto” ) a atual era da Igreja.

alim entação do A T deixam de ser válidas no N T (A t 10.1-6). O s gentios converti­ dos com eçam a suplantar num ericam ente os judeus cristãos. A profecia de Jesus, de que Ele edificaria sua Igreja (M t 16.18), com eça a realizar-se e o evangelho alcan ­ ça “os confins da terra” (A t 1.8).

—James Freerksen BIBLIOGRAFIA Bruce, F. F. A cts (NICNT).

Edição revisada.

Grand Rapids: Eerdm ans Publishing C o m ­ pany, 1 998. Fernando, Ajith. The N IV Application C om m en­ tary: Acts. Grand Rapids: Zondervan, 1 998.

A RESSURREIÇÃO E 0 JULGAM ENTO DE TODAS AS PESSOAS

Harrison, Everett F. Acts: The Expanding C hu r­

N o discurso que proferiu em A tenas, Paulo anunciou que Deus, Criador de to­ das as coisas, é tam bém juiz sobre todas as coisas. Ele até mesmo determ inou o dia e o Juiz (A t 17.30-32). A ressurreição deste Juiz, Jesus Cristo, dá a certeza de que este julgam ento será realizado. O s atenienses do primeiro século achavam absurdo o conceito de um a ressurreição física, pois a filosofia neoplatônica considerava o rei­ no físico com o intrinsecam ente mau. Por que m otivo Deus ressuscitaria fisicamente um hom em dentre os mortos? O homem, segundo criam, só seria capaz de subsistir com o um espírito. Paulo, mesmo assim, proclam ava audaciosam ente, com o tema central do evangelho, a ressurreição e o Ju ­ ízo para o final dos tempos.

Kent Jr, Hom er A. Jerusalem to Rome. Grand Ra­

UMA NOVA DISPENSAÇÃO O livro de A to s traz-nos diversos exem plos da transição entre as dispensações do A T e do N T. O batism o, por exem plo, deixa de ser um ritual judeu e passa a ser um a experiência caracteristicam ente cristã (A t 19.1-5). A s leis sobre

ch. Chicago: M o o d y Press, 1 975.

pids: Baker Books/BMH, 1972. Longenecker, Richard N. “Acts", em Expositor's Bible Commentary, vol. 9. Grand Rapids: Zondervan, 1 981.

DANIEL, ESCATOLOGIA DE N a organização judaica dos livros do AT, Daniel não se encontra na segunda parte (os Profetas), mas na terceira (o Kethubhim: os Escritos). Alguns estudiosos acreditam que isto se deve ao fato de o livro de Daniel ter sido escrito muito tempo depois da maioria dos livros proféticos, após o encerramento dessa seção. Em sentido estrito, Daniel não era um profeta, mas um estadista na corte dos monarcas pagãos da Babilônia e da Pérsia. Possuía o dom da profecia, mas não assumiu o ofício de um profeta. N este sentido, Cristo confirma a historicidade de Daniel e referese a ele como um profeta (M t 24.15). D a­ niel está incluído entre os profetas menores, mas dificilmente ele poderia ser considerado “menor” em suas profecias. Sua posição é de


D a n i e l , E sc a t o l o g ia d e destaque junto aos profetas mais importan­ tes como Isaías, Jerem ias e Ezequiel (Unger, Commentary, p. 1603).

A VISÃO ORTODOXA JUDAICA A RESPEITO DE DANIEL De acordo com Judah J. Slotki, estu­ dioso das tradições rabínicas, Daniel 7— 12 demonstra que “o curso da história é deter­ minado por um plano divino e parte deste plano é pôr um fim, no tempo de Deus, às provações que afligem os justos” (Slotki, p. x v ). Ele acrescenta que a instauração do R ei­ no de Deus e o triunfo final da justiça não são idéias restritas ao livro de Daniel. O mes­ mo tema aparece repetidas vezes em escritos dos primeiros profetas, como Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias e Amós. A tradição judaica interpreta todas estas predições de um ponto de vista escatológico e não vê diferença entre estas profecias, sobre um Reino dos céus uni­ versal, e as profecias de Daniel. Muitos livros bíblicos aludem à imortalidade da alma, mas a doutrina da ressurreição só aparece de for­ ma explícita em Daniel (Slotki, p. xv).

UMA CORRETA INTERPRETAÇÃO DO LIVRO DE DANIEL A fim de interpretar corretamente D a­ niel, três premissas são relevantes: (1) O livro é genuíno e foi escrito pelo profeta D a­ niel no século VI a.C. Muitos críticos afir­ mam que o livro de Daniel faz parte daquilo que conhecemos como literatura apocalípti­ ca, que veio a surgir já no período helenístico. Eles sustentam que fraudes de autoria e data são comuns neste gênero literário. Tais suposições racionalistas são, contudo, ina­ ceitáveis (Unger, Commentary, p. 1605). A interpretação de qualquer livro considerado apocalíptico não exige uma herm enêutica específica ou sistem as interpretativos especiais. M udar sua herm e­ nêutica é separar a profecia bíblica de seu cum prim ento histórico. E um a tentativa

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liberal de se considerar a profecia com o m ito ou fantasia. (2) U m a interpretação precisa depen­ de do fato de a profecia não ser apenas possível, mas tam bém do fundam ento dos verdadeiros e genuínos escritos bíblicos apocalípticos. A s profecias levaram muitos supostos estudiosos a rejeitarem a genuinidade das visões de Daniel. M uitos críticos rejeitam de form a cabal o que é claram ente uma profecia preditiva. A única form a de explicarem a m eticulosidade e a acurácia das profecias de D aniel é relegando-as a um a época posterior e a um outro autor (Unger, Commentary, pp. 1605-1606). (3) U m a con-eta interpretação de Daniel esclarece a revelação espiritual de que Deus tem um futuro para Israel. U m raciocínio crí­ tico acerca da mensagem profética de Daniel cria uma concepção fictícia da importância do livro. Tamanho erro na interpretação ex­ clui o significado das profecias e tom a o livro de Daniel em um conto de fadas. O livro de D aniel é a chave de todas as profecias bíblicas. Sem ele, rem otas re­ velações escatológicas e seu escopo profé­ tico são inexplicáveis. A s grandes profecias do Senhor, no discurso sobre o m onte das Oliveiras (M t 24— 25; M c 13; Lc 21), bem com o 2 Tessalonicenses 2 e o livro de A p o ­ calipse (am bos m encionam o A nticristo de D aniel 11), só podem ser com preendidas com a ajuda das profecias de D aniel (U n ­ ger, Commentary, p. 1606).

AS PROFECIAS DE DANIEL N abucodonosor Sonha com uma Estátua A prim eira profecia de D an iel foi acerca do rei N abu cod on osor. T ratava dos d etalh es de um sonho que o rei tivera e de sua in terpretação. D an iel disse: “ [...] darei ao rei a in terp retação” (2 .2 4 ), e en ­ tão interpretou a visão do poderoso m o­ n arca sobre um a “ex trao rd in ária” (2 .3 1 ) estátu a com cab eça de ouro, peito e bra­


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ços de prata, ventre e quadris de bronze e

N ab u co d o n o so r, D eu s revelou o prop ósito

pernas de ferro (2 .3 2 -3 3 ). Era um sonho sobre os futuros poderes do m undo. A c a ­ beça de ouro era a B abilôn ia; o peito e os braços representavam os M edos e os Persas. O s quadris de bronze represen ta­ vam a G récia, e as pernas e os pés sim bo­ lizavam o Im pério R om ano, em seu auge e declín io. Por fim, surge um a “p edra” . A pedra representava o M essias de Israel, que feriria “a estátua nos pés de ferro e de barro” , esm iuçando-os (2 .3 4 ). Deus en ­ tão estab eleceria seu reino, “que não será jam ais destruído”, referindo-se ao futuro reino m essiân ico de C risto (2 .4 4 ). Esta profecia transpôs o âm bito histó­ rico e mostrou que certas características em cada um a dessas nações levariam ao reino milenial. “N a eternidade, os aspec­ tos tem porais irão fundir-se com a criação de um novo céu e uma nova terra” (Unger, Commentary, p. 1619). C om o sonho de

de toda a história através de Daniel. N e ­ nhum outro profeta recebeu revelação tão com pleta e precisa.

A Escrita na Parede Durante o reinado de Belsazar, Daniel foi cham ado para interpretar os escritos que apareceram, certa noite, na parede do salão de banquetes do rei (D n 5). C om um a ou­ sadia concedida por Deus, D aniel declarou a Belsazar que ele perderia seu reino: “ [...] a Deus, em cuja m ão está a tua vida e todos os teus cam inhos, a ele não glorificaste” (5.23). N a parede, lia-se: Μ ΕΝΕ, Μ ΕΝΕ, T E Q U E L , PA R SIM . D aniel com preen­ deu com pletam ente o significado por trás daquelas palavras e disse: “C on tou Deus o teu reino e deu cabo dele [...] Pesado foste na balança e achado em falta [...] D ividi­ do foi o teu reino e dado aos medos e aos persas” (5.26-28). N aquela m esma noite,

0 RESUMO DE DANIEL ACERCA DO FUTURO 612 a.C.

612 a.C. 0 tempo dos Gentios — Lucas 21.24

0 sonho de N abucodonosor | prim eiro quanto à qualidade S m isturado com barro. s%,

agnífica estátua que representa a decadência do poder gentílico: k do % r o ao ferro e ao barro; depois em poder, indo do ferro ao ferro

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A Grandi ifle lB a ç ã

612 a.C.

Im pério MedoPersa 538 a.C.

it

Im pério da Babilônia

Império Romano

330 a.C.

63 a.C. i

Leão

f*

I'1'i!

Dn 7.1-4

Leopardo Dn 7.6

Mísão de Daniel das Bestas Dn 7.1-3

Bode' Dn.8.8-12

Quatro Divisões do Reino de Alexandre

Besta Dn 7.7-8


D a n i e l , E s c a t o l o g ia d e soldados m edos entraram sorrateiramente em Babilônia, tom ando a cidade e o reino. “N aquela m esma noite, foi m orto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, com cer­ ca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino.” (5.30-31) A s Quatro Bestas Durante o primeiro ano do reinado de Belsazar, Deus revelou a D aniel um outro resumo dos impérios m undiais que estavam por vir. Por meio de um sonho e visões noturnas, Daniel viu o mar revolto (repre­ sentando os povos da terra). Dele, subiam quatro grandes anim ais “diferentes uns dos outros” (7.2-3). O s anim ais eram um leão, um urso, um leopardo e um outro não defi­ nido, que era “terrível, espantoso e sobre­ m odo forte” (7.7). Sobrepondo-se à profe­ cia da estátua no sonho de N abucodonosor, os anim ais representavam a Babilônia (o leão); a M edo-Pérsia (o urso); a G récia (o leopardo), com seus quatro generais que dividiram o reino de A lexandre, o Grande, logo após sua morte; e R om a (o quarto an i­ m al). M ais um im portante novo elemento foi acrescentado nesta revelação.

O Filho do Homem A D aniel foi concedida a visão celestial do Filho do H om em perante o tremendo e resplandecente trono do Deus Todopoderoso, o A n cião de Dias (D n 7.9-14). Durante suas palavras no cenáculo, o S e ­ nhor Jesus disse a seus discípulos que Ele (o Filho do H om em ) retom aria ao seio de seu Pai celestial, que o enviara para morrer pela hum anidade (Jo 14.1-6,28; 16.28). N a verdade, sua volta para a glória foi testem u­ nhada por aqueles fiéis discípulos. O s anjos lhes disseram: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo com o o vistes subir” (A t 1.11). D aniel pode ter testem u­ nhado a ascensão do Senhor e sua entrada diante do trono de Deus, depois de morrer

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pelos pecados da hum anidade. Daniel viu: “ [...] eis que vinha com as nuvens do céu um com o o filho do hom em , e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele” (D n 7.13). Tanto a divindade como a hum anidade de C risto são vistas nas pala­ vras que o identificam. Era o Filho de Deus (SI 2.7) e o Filho do H om em que havia sido profetizado. Ser cham ado de Filho do H om em m ostra que C risto não era apenas um a divindade, mas tam bém um ser hum a­ no (Montgomery, p. 318). A o Filho do Homem, “foi-lhe dado do­ mínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o ser­ vissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destru­ ído” (Dn 7.14). Trata-se, na verdade, de um quinto reino cuja duração será de mil anos na história da terra (A p 20.4-9). Este reino, con­ tudo, prosseguirá pela eternidade com a N ova Jerusalém e novos céus e nova terra, onde a paz e a justiça prevalecerão (A p 21— 22). Durante este reino, o Messias, o A ltís­ simo, reinará (D n 7.18,22,25,27): “O rei­ no, e o dom ínio, e a m ajestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do A ltíssim o; o seu reino será reino eterno, e todos os dom ínios o servi­ rão e lhe obedecerão” (7.27).

As 70 Semanas Por ser piedoso e fiel, D aniel recebeu um a das poucas profecias bíblicas que en ­ volvem uma cronologia e um calendário do que está por vir. Em 9.20-27, ele recebe a profecia das setenta semanas, sobre a re­ construção do Templo e da cidade de J e ­ rusalém, que tinham sido destruídos pelos babilônios. Esta profecia tam bém mostra, com im pressionante precisão, a época e o ano em que o M essias foi rejeitado. Tam ­ bém prediz claram ente os sete anos de tri­ bulação que virão sobre o mundo. (Veja “S eten ta Sem anas de D aniel”.)


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E z e q u ie l , E s c a t o l o g ia d e

Outros Qovernantes Mundiais D aniel tam bém predisse o surgimento do “pequeno chifre”, que era A n tíoco Epifânio, historicam ente descrito em 1 Macabeus 1— 6. Em D aniel 8, o profeta viu um carneiro com dois chifres, representando o império Medo-Persa. O carneiro “dava marradas para o ocidente, e para o norte, e para o sul” (8.4) com grande fúria, e ex­ pandia o reino dos Persas. C om um afiado discernim ento profético, Daniel predisse as im placáveis conquistas da Medo-Pérsia (539— 331 a.C .). Em seguida, viu um bode, que seria A lexandre, o G rande (8.67). Prosseguindo, Daniel previu o esfacela­ m ento do Império de A lexandre em quatro partes (8.8) e descreveu o surgim ento de A n tíoco (8.9-10, 23-25).

O Anticristo Em 11.36-45, Daniel predisse o apare­ cim ento do A nticristo. N o capítulo sete, 0 profeta tam bém o havia descrito como “outro pequeno [chifre] [...], e eis que neste chifre havia olhos, com o os de hom em, e uma boca que falava com insolência (7.8). Ele é “aquele chifre” (7.20), cujo dom ínio será retirado, destruído e consum ido para sempre (7.26). O apóstolo Paulo tom a esta descrição e o cham a de “hom em da iniqüi­ dade”, “filho da perdição” (2 Ts 2.3) e “o iníquo” (2 Ts 2.8). Este é aquele que, algum dia, no Templo reconstruído em Jerusalém, irá “assentar-se no santuário de Deus, os­ tentando-se com o se fosse o próprio Deus” (2 Ts 2.4). O apóstolo João m enciona-o em 1 João 2.18,22; 4.3 e 2 João 7. Em especial, ele o m enciona no livro de A pocalipse, já a partir do capítulo 13.

na e outros [os perdidos] para vergonha e desprezo eterno” (D n 12.2). O s justos res­ plandecerão eternam ente com o as estrelas (12.3). E interessante observar que, aqui, D aniel m ostra que tanto justos com o in­ justos existirão eternam ente. A queles que rejeitaram a Deus não experim entarão n e­ nhum “sono espiritual” .

INTERPRETAÇÃO DE DANIEL ACERCA DA PROFECIA A s profecias de D aniel contêm muitos símbolos, mas o que ele viu e profetizou deve ser considerado em todo seu senti­ do comum, histórico e literal. Por trás do sim bolismo de D aniel, há um cum prim en­ to literal. A lém disso, todo o simbolismo gira em torno de pessoas e nações reais que existiram nos dias de D aniel ou viriam a existir no futuro. Em suas profecias, D aniel retrata o de­ senvolvim ento do poder m undial gentílico, ou seja, “os tempos dos gentios” (Lc 21.24). A o longo da história, vimos muitas dessas profecias se cumprirem. A destruição de grandes nações por um quinto reino (o M essias) ainda está por vir. Este quinto rei­ no é descrito com o uma pedra cortada sem o auxílio de mãos (D n 2.34,45). Por causa da grande fidelidade de D aniel, Deus lhe prom eteu descanso, dizendo: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte, no fim dos dias” (12.13).

—Mal Couch BIBLIOGRAFIA Archer, Gleason L. A Survey o f O ld Testament Introduction. Chicago: M o o d y Press, 1 994.

A Ressurreição A últim a grande profecia de D aniel tem a ver com a futura ressurreição dos santos do AT: “E m uitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eter­

Freeman, Hobart E. A n Introduction to the O ld Testam ent Prophets. Chicago: M o o d y Press, 1 969. Leupold, H. C. Exposition o f Daniel. Grand Rapi­ ds: Baker Books, 1 969


E z e q u ie l , E s c a t o l o g ia d e Montgom ery, Jam es A. A Critical a n d Exegetical Com m entary on the Book o f Daniel. Edinbur­ gh: T. & T. Clark, 1989. Neusner, Jacob. D ictionary o f Judaism in the Bi­ blical Period. Peabody, Massachusetts: Hen­ drickson, 1 999. Patai, Raphael. The M essiah Texts. Detroit, M i­ chigan: Wayne State U niversity Press, 1979. Pusey, E. B. Daniel the Prophet. Minneapolis: Klock & Klock, 1985. Slotky, Judah J. Daniel, Ezra, Nehemiah. New York: Soncino Books, 1 968. Unger, Merrill F. U n ger’s C om m en tary on the Old Testament. Chattanooga: am g

Publi­

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16; 17; 19; 23), sete julgam entos de n a­ ções (A m om , M oabe, Edom , Tiro, Sidom, e Egito; caps. 25— 32) e doze atos sim bólicos (caps. 3; 4; 5; 21; 24; 3 7 ). Seu principal enfoque é o povo santo (Israel), a cidade san ta e a terra santa. A pesar de suas previsões sobre im inente ruína sobre a im penitente Judá, ele tam bém prevê a futura redenção de Israel — que inclui um novo êxodo, um a nova aliança, um a Jeru ­ salém restaurada, um Israel reunido, uma revigorada dinastia davídica e um futuro reino m essiânico.

shers, 2002. -------- . Introductory Guide to the O ld Testa­ ment. Grand Rapids: Zondervan, 1981.

EZEQUIEL, ESCATOLOGIA DE Ezequiel foi um profeta e sacerdote que, du­ rante o cativeiro na Babilônia, viveu entre os exilados judeus. Ele e seus com panheiros foram separados do Templo, de forma que muitas de suas profecias estão relacionadas ao Tem plo e a seu significado com o sím bo­ lo da presença de Deus em Israel. Su a pre­ gação abordava múltiplos assuntos e trazia um cativante repertório de imagens, onde ele descrevia tanto experiências pessoais com o expectativas para o futuro. C om o profeta de Deus, Ezequiel previu a destruição de Jerusalém e do primeiro Templo, a conseqüente dispersão (diáspora) dos judeus e, por fim, a volta do povo e seu restabelecim ento na Terra Prometida. Ezequiel tam bém anuncia o juízo im inente sobre Israel, de quem a glória de Deus se havia afastado. Ele, porém, tam bém prevê o retom o desta glória e a restauração da grandeza de Israel na era m essiânica. A s profecias de Ezequiel são expres­ sas em quatro visões (caps. 1— 3; 8— 11; 37; 40— 48), cinco parábolas (caps. 15;

A GLÓRIA SE AFASTA A pós descrever sua prim eira visão (1— 3) e realizar seus prim eiros atos sim ­ bólicos com respeito ao futuro cerco de Jerusalém (4— 7), Ezequiel volta a aten ­ ção para o problem a da profanação do Tem plo. Ele apresenta quatro m otivos por que Deus escolheu afastar-se e retirar sua glória shequiná do Tem plo e da cidade de Jerusalém : a im agem dos ciúm es (8.3), os ídolos da casa de Israel (8 .1 0 ), as mulheres chorando porT am uz (8 .1 4 ), os 25 hom ens adorando o sol (8.16). Em resposta a esta flagrante ap ostasia religiosa e espiritual, Deus retirou sua presença em quatro estágios distintos. A glória levantou-se do querubim sobre a arca da alian ça (9 .3 ), passou para a e n ­ trada do T em plo (1 0 .4 ), pairou sobre os querubins e, aos poucos, afastou-se com ­ pletam en te do Tem plo (1 0 .1 8 ). Por fim, a glória do S en h o r se pôs sobre o m onte das O liveiras (“que está ao oriente da c i­ d ad e” ). A li, ascendeu ao céu do m esm o lugar onde Jesus, tem pos depois, subiria aos céus (1 1 .2 3 ; A t 1.9-11). Por causa disso, o Tem plo foi destituído da presen ­ ça de Deus e ficou vu ln erável a ataques e saques dos babilônios. O afastam ento da glória de Deus e a subseqüente destruição do Tem plo predo­


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m inam na escatologia de Ezequiel, jun ta­ m ente com as profecias sobre o retorno desta m esma glória a um futuro Templo na era do M essias (40— 48). A ntes de tudo, porém, Israel deve ser reunido em sua pró­ pria terra. Lá, será restaurado por Deus e resgatado por sua divina providência.

A FUTURA RESTAURAÇÃO DE ISRAEL Ezequiel 36— 37 enfoca a futura reu­ nião dos judeus na Terra Prom etida. A restauração da nação visa m uito além da vo lta do povo após o cativeiro na B abi­ lônia. Ela prevê um tem po em que Deus, m ais um a vez, restaurará a grandeza que lhes estava reservada. Esta restauração tam bém prevê que o povo judeu santificará novam ente o nom e de Deus (36.23). Deus prom ete que lhes dará um renasci­ m ento espiritual (um “novo coração” ) e colocará seu Espírito dentro deles (36.262 7 ). Em conseqüência, eles “habitarão na terra” (Israel), Deus lhes será por Deus e eles serão o seu povo (3 6.28). A profecia atinge seu clím ax no capítu­ lo 37, com a visão do vale de ossos secos. Os restos de esqueletos espalhados retratam a desesperançada condição da nação sem intervenção divina. Deus faz um a pergun­ ta: “Poderão reviver esses ossos?” , e explica claram ente: “Estes ossos são toda a casa de Israel” . N esta conhecida profecia dos ossos, Deus fala sobre a condição desesperada da Israel envolta pelo pecado, prediz sua der­ radeira reunião e descreve sua regeneração espiritual nos últim os dias. Deus revela a Ezequiel que o povo ju ­ deu não ficará mais dividido entre duas n a ­ ções (Efraim e Judá), mas que se tornarão “um a só n ação” na terra de Israel (37.22). Ele revela a descrição escatológica de um Israel regenerado que não mais “se con ta­ m inará”; pois, diz o Senhor, “eu serei o seu D eus” (37.23). Davi reinará sobre eles e toda a nação viverá em paz (37.24-26).

A INVASÃO DE GOGUE E MAGOGUE O s capítulos 38— 39 prevêem uma ter­ rível e devastadora invasão contra o Israel restaurado “no fim dos anos” (38.8). N esta assombrosa profecia, Ezequiel prevê uma aliança de nações inimigas lideradas por Magogue, com Pérsia, Líbia e outros países em sua formação. Tal horda de invasores cobrirá a terra com o nuvens de tem pestade (38.9), mas Deus investirá contra eles com um grande terremoto, pestes e uma “chuva inundante” de fogo e enxofre. C om isso, a batalha será encerrada, os invasores serão destruídos e Israel será poupado. N ada nesta profecia corresponde aos detalhes da invasão babilônica (586 a.C .) ou rom ana (70 d .C .) em Israel. Por esse m otivo, qualquer cumprimento literal desta profecia pertence necessariam ente ao futuro (veja o verbete “G ogue e M ago­ gue”). Deus informa que, com o resultado desta dram ática intervenção, Israel “[sabe­ rá] que eu sou o Senhor, seu Deus” (39.22). O cativeiro de Jacó finalmente terá fim e “toda a casa de Israel” refletirá o nom e e a glória de Deus (39.25).

A GLÓRIA RETORNA U m dos mais importantes textos para uma interpretação futurista da profecia que diz respeito a Israel está na visão de Ezequiel registrada nos capítulos 40— 48. Neste tex­ to, o profeta apresenta as instruções de Deus para a construção de um novo Templo, como parte da promessa de restauração de Israel. O segundo Templo, construído pelos ju­ deus remanescentes que voltaram do exílio (538— 515 a.C.), não seguiu os detalhes do projeto de Ezequiel. O futurismo, portanto, interpreta o cumprimento literal desta profe­ cia de forma escatológica, com a construção de um Templo durante o Milênio. Este texto é crucial para o futurismo. Se não for possí­ vel interpretá-lo de forma literal, toma-se suspeita toda e qualquer interpretação literal


E z e q u ie l , E s c a t o l o g ia d e de textos do AT, o que incluiria as profecias messiânicas, que estão intimamente vincula­ das às profecias sobre a restauração de Israel. A pesar de todo este cuidado, predom i­ na a interpretação sim bólica desta porção da profecia de Ezequiel, a qual é prom ovida por importantes estudiosos e não-futuristas (historicistas, preteristas e idealistas). Tal posição baseia-se em alegações de que as visões proféticas empregam linguagem apo­ calíptica, que utiliza o recurso literário da hipérbole (discurso exagerado) para trans­ mitir idéias ou simbologias, e não conceitos literais. O s não-futuristas, por conseguinte, afirmam que o m otivo pelo qual os cons­ trutores do segundo Templo não seguiram os planos de Ezequiel é que o povo judeu com preendia as profecias apocalípticas de forma sim bólica e não literal. A escola que segue esta linha de interpretação, porém, não concorda quanto ao significado deste simbolismo. A lguns intérpretes crêem que serviria para preservar a m emória do pri­ meiro Templo por m eio de uma lem bran­ ça idealista. Outros dizem que descreveria idealisticam ente o segundo Templo, que foi reerguido quando os judeus voltaram do exílio para Judá. E ainda outros vêem o fato com o uma ilustração de um ideal es­ piritual (Deus habitando em santidade em meio a seu povo) ou um a realidade espiri­ tual (o céu, o estado eterno, ou a igreja). Evidências internas e externas sustentam uma interpretação escatológica e literal desta passagem.

A UNIDADE LITERÁRIA DO LIVRO Os capítulos 40— 48 formam uma con­ clusão indivisível do livro. Embora consti­ tuam uma nova visão na profecia, eles estão vinculados aos capítulos 1— 39, repetindo te­ mas anteriores de uma forma mais detalhada. Esta relação é salientada pelas semelhanças entre os capítulos 1 e 40. A visão de Ezequiel sobre a presença de Deus na Babilônia (Ez

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1.1; 8.1), por exemplo, é complementada e concluída na visão em que ele é levado à ter­ ra de Israel (Ez 40.2). De forma semelhante, o problema criado pelo afastamento da presen­ ça de Deus no início do livro (caps. 9— 11) é solucionado com seu retomo na seção aná­ loga (Ez 43.1-7). Aliás, a preocupação com a presença de Deus bem pode ser o tema que une todo o texto de Ezequiel. Sem os capí­ tulos 40— 48, não temos uma resposta para a situação de Israel em geral e, em especial, de Jerusalém e do Templo. Sem esses capítu­ los, ficamos sem uma solução para o escân­ dalo religioso na história da nação e sem um desfecho para o drama divino que envolve a nação escolhida. A profecia de Ezequiel sobre o futuro Templo mostra a restauração da presença de Deus em Israel (um interesse tanto fí­ sico com o espiritual). Ela possui três en­ foques: (1) profecias sobre a profanação e destruição do Templo (Ez 4— 24), (2) profecias sobre a volta e recuperação de Israel, e (3) profecias sobre a restauração do Templo e de seus rituais (40— 48). Se o primeiro Templo foi o assunto da primeira parte do livro, sua parte final logicam en­ te tam bém lidaria com um Templo literal. O s profetas viam a reconstrução do Tem ­ plo físico com o essencial à recuperação da nação (D n 9.20; 2 C r 36.22-23; Ed 1.2-11; A g 1.2-2.9; Zc 1.16; 6.12-15; 8.3). Será que Ezequiel, que tinha esta m esma m entalida­ de (ou Deus, o supremo A utor da profecia), tentou confortar a perda física e espiritual de seu povo com qualquer outra coisa que não a reconstrução literal de um Templo ao qual a presença de Deus pudesse retom ar?

0 CONTEXTO DA RESTAURAÇÃO D0 TEM PLO O s capítulos 40— 48 começam com uma declaração precisa quanto à data da visão de Ezequiel: “[...] no princípio do ano, no déci­ mo dia do mês” (Ez 40.1). O s sábios judeus


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consideraram necessária esta observação cronológica para estabelecer um contexto escatológico, pois o décimo dia do primeiro mês (Tishrei) é reconhecido como um ano de Jubileu (hb.: yovel) e estipulou-se que a data da visão de Ezequiel é o primeiro Dia da Expiação (hb.: Yom Kippur) do ano de Jubileu. Juntas, estas datas representam a redenção espiritual e física de Israel. Os ra­ binos, portanto, consideraram que o texto possui um contexto escatológico e literal já a partir do primeiro versículo. A restauração da presença de Deus em seu santuário (Ez 37.26-28) aparece como um acontecim ento de extrem a im portân­ cia na restauração descrita em Ezequiel 33— 37. N os capítulos 40— 48, Deus en ­ che o Templo e consagra-o com o seu trono (Ez 43.1-7). Ezequiel 37 diz que isto acon ­ tecerá quando: “o meu servo D avi [reinar] sobre eles [Israel]”; quando “um concerto de paz [...] perpétuo” for estabelecido en ­ tre Deus e Israel; e quando Deus puser seu “santuário no meio deles para sempre” ; e todas as nações souberem que “eu sou o Senh or” (37.24-28). O “concerto de paz [...] perpétuo” (hb.: shalom), em especial, é sem igual. A descrição de Ezequiel 34-2529 o relaciona a terra, afastando todos os anim ais perigosos, garantindo a segurança contra invasões estrangeiras e trazendo um renovo agrícola com chuvas enviadas por Deus nas épocas certas (ver Zc 14.17). Tal aliança nunca foi firmada com Israel e, portanto, deverá cumprir-se no futuro (no reino m ilenial). O s termos utilizados em relação ao Templo em Ezequiel 37.26-28 também apontam para um contexto escatológico. O Templo é cham ado de mishkan, a palavra hebraica anteriormente utilizada para o Tabernáculo, que está em “seu m eio” ou, mais literalm ente, “com eles” (hb.: 1lyhm). Isto representa a presença protetora de Deus. O Templo tam bém é cham ado de miqdash

(“santuário” ), o que enfatiza sua santidade. Afirma-se ainda que, tal qual a aliança e a restauração da presença de Deus, o santuá­ rio é eterno (37.26,28). M ais uma vez, ve­ mos que tal Templo só poderia vir a existir no reino milenial, com o retorno da prote­ tora nuvem da glória de Deus.

A DESCRIÇÃO DO TEM PLO A s medidas precisas do Templo — com o projeto de seus pátios, colunas, galerias, côm odos, câmaras, portas, ornam entos e vasos, além das instruções pormenorizadas quanto ao serviço sacerdotal — dem ons­ tram que o texto trata de um Templo real. O trecho de Ezequiel 43.10-11 foi escrito para aqueles judeus que viverão ao tempo da restauração final ( ao tem po do cumpri­ m ento da profecia), para que eles constru­ am o Tem plo conforme as instruções ali contidas. O mesmo tipo de inform ação so­ bre as dim ensões arquitetônicas do Templo tam bém é dado a respeito do altar (43.1327). Tais dim ensões devem ser observadas “no dia em que o farão [o altar]” (v. 18). A coerência e a lógica literária exigem que, se o altar do Templo deve ser construído, o mesmo vale para o próprio Templo.

OUTRAS PASSAGENS PROFÉTICAS DO ANTIGO TESTAM ENTO E de esperar que Ezequiel 40— 48, por ser um texto sobre restauração, exiba se­ m elhanças e concordâncias com outros textos proféticos. Deus, por exem plo, ordena que Israel reconstrua o Tem plo após “envergonhar-se de suas m aldades” (43.10-11). Ezequiel 36.22-38 já havia definido que esta vergonha nacional, ou arrependim ento espiritual, faria parte da obra regeneradora do Espírito (v. 3 3). O s profetas fizeram freqüentes m enções a tal arrependim ento (Is 55.3-5; 66.7-9; Jr 31.34; O s 3.4-5; Zc 12.10— 13.2), assim com o Jesus (M t 24.30-31; M c 13.26-27),


H e b r e u s , E s c a t o l o g ia d e Lucas (A t 3.19-21) e Paulo (Rm 11.253 0 ). Estas passagens refletem um a espe­ rança derradeira para a nação, que deve ser projetada em um reino escatológico.

REVELAÇÃO PROGRESSIVA O afastam ento da glória shequiná do Templo físico em Ezequiel 9— 11 terá fim com seu retorno em Ezequiel 13.1-7. Eze­ quiel descreve o retorno da glória shequiná passo a passo, m ostrando-o pelo m es­ m o cam inho percorrido quando a glória abandonou o Templo. Ela parte do Santo dos Santos para o pátio interno; dali para a porta oriental e, depois, rumo ao leste. Ela volta a partir do leste, passando pela porta oriental, atravessando o pátio inter­ no e chegando ao Santo dos Santos. Este retorno pelo mesmo trajeto certam ente tenciona com unicar a restauração do que se perdera anteriorm ente (a presença d i­ vina). N enhum dos ouvintes originais de Ezequiel poderia deixar de compreender que estes dois eventos são com plem entares, com o últim o fechando o ciclo do pri­ meiro. Se (com o se aceita universalm ente) a presença divina literalm ente deixou o primeiro Templo antes de sua destruição, por que não haveria de voltar ao último Templo após sua reconstrução? Também o aspecto teológico exige o cumprimento literal destas passagens. Em nenhum a parte das Escrituras (ou em qual­ quer literatura judaica extrabíblica) en­ contram os uma descrição da presença de Deus enchendo o segundo Templo como o fez com o Tabem áculo (Êx 40.34-35) e com o primeiro Templo (1 Rs 8.10-11; 2 C r 5.13-14; 7.1). N a verdade, as fontes judaicas (com o o Tosefta Yom Tov) apon­ tam sua ausência e deixam tal esperança para o período escatológico. A revelação progressiva tam bém exige que o dilema teológico criado para Israel, pelo juízo di­ vino em um exílio literal, seja solucionado

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pela graça divina m anifesta em um retor­ no e restauração literais. Estes são os dois lados das previsões dos profetas, entre os quais contam os Ezequiel. A reconstrução do Templo e sua dedicação, com a volta da glória shequiná, é a conclusão da restaura­ ção. Este evento reúne Deus a seu povo e o restaura à condição de nação santa, rei­ no de sacerdotes e luz para as nações (Ez 37.27-28). A fim de eficientem ente solu­ cionar a tensão teológica criada pela falha de Israel, é preciso que seja restaurada sua prosperidade (tanto física com o espiritu­ al). N esta resolução, a profecia de Ezequiel é de suma im portância. Ela term ina com a concretização desta restauração e garante seu sucesso, declarando que “o Senhor Está A li” (Ez 48.35).

—Randall Price e Ed Hindson BIBLIOGRAFIA Breuer, Joseph. The Book o f Yechezkel: Transla­ tion a n d Commentary. Jerusalém: Phillip Feldheim Inc., 1 993. Feinberg, Charles. The Prophecy o f Ezekiel: The Clory o f the Lord. Chicago: M o o d y Press, 1969. Greenberg, Moshe. "The D esign and Them es of Ezekiel’s Program of Restoration”, Interpreta­ tion 38, 1984, p. 181-208. Price, Randall. The C om ing Last D a y s Temple. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1999. Schmidtt, John W. e Laney, Carl. M essiah's Co­ m ing Temple: Ezekiel's Prophetic Vision o f the Future Temple. Grand Rapids: Kregel, 1997.

HEBREUS, ESCATOLOGIA DE O livro de Hebreus é, em m uitos aspectos, singular. E a única epístola anônim a do N T. O escritor dirige-se aos crentes he-


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breus cerca de cinco anos antes da queda de Jerusalém em 70 d.C . O autor demonstra um enorme conhecim ento do A T e de sua relação com Jesus, o Messias. O princi­ pal argum ento do livro é que Jesus cumpre e supera o judaísm o veterotestam entário, o que é demonstrado utilizando o próprio AT. C risto, em sua primeira vinda, cum ­ priu a m aior parte das referências proféti­ cas citadas em Hebreus. Algum as outras partes, porém, dizem claram ente respeito a um cumprimento futuro.

ADMOESTAÇÕES A fim de compreender a escatologia do livro de Hebreus, devemos primeiro com ­ preender o propósito do autor em escrevêlo. Ele adm oesta os crentes judeus (3.1,1214; 6.9) a não abandonarem a fé em Jesus, o Messias (2.1), e alerta-os para não voltarem ao judaísmo a fim de fugir da crescente per­ seguição (10.32-39). A epístola inclui cinco passagens admoestatórias principais (2.1-4; 3.7-14; 5.11-6.8; 10.19-39; 12.25-29) que descrevem as conseqüências de um afasta­ mento da fé em Jesus. Hebreus argumenta que Jesus é, pessoalmente e em seu ofício sacerdotal, mais excelente que o ministério veterotestamentário, demonstrando a supe­ rioridade do cristianismo neotestamentário sobre o judaísmo. O escritor de Hebreus “deseja demonstrar-lhes a superioridade do Messias sobre os três pilares do judaísmo: an­ jos, Moisés e o sacerdócio levítico”, comenta A rnold Fruchtenbaum. “Ele consegue isto por meio de contrastes. N ão em compara­ ções entre algo bom e algo mau, pois ambos procedem de Deus. Ele compara o bom e o melhor” (Fruchtenbaum, p. 951). Esta epístola trata não apenas do rela­ cionam ento entre cada judeu e o messiado de Jesus, mas tam bém do juízo que haveria de vir sobre a nação de Israel por ter, no primeiro século, rejeitado Jesus com o seu M essias. O A T havia previsto este juízo

(Lv 26.34-39; D t 28.64-68; D n 9.26-27) e o próprio C risto reforçou o alerta (M t 2223; 24.1-2; M c 13.1-2; Lc 19.41-44). Os judeus que confiavam em Jesus, no entan­ to, dariam atenção a estas profecias, assim com o os hebreus cristãos que fugiram para Pella em 62 d.C . Isto significa que as cinco passagens de Hebreus visavam , em parte, alertar sobre o juízo que viria em 70 d.C. Tal juízo seria o cumprimento de m aldições sobre a nação de Israel, as quais viriam por causa de desobediências verificadas segun­ do a aliança m osaica. O autor, portanto, alerta os crentes judeus de que retornar ao já conhecido conforto do judaísm o signifi­ caria colocar-se sob juízo temporal, o que traria conseqüências eternas. Hebreus trata mais especificamente da apostasia do crente judeu, não das tentações e conseqüências da apostasia cristã como um todo. Esta abordagem dupla, que apre­ senta Jesus como superior ao A T e alerta o leitor sobre os perigos de uma volta ao ju­ daísmo, proporciona um rico contexto para novas compressões do futuro profético.

ESTES ÚLTIMOS DIAS O escritor usa a frase “nestes últimos dias” em Hebreus 1.1. A lguns com enta­ ristas acreditam que esta expressão é uma referência aos últim os dias da Grande Tri­ bulação. Embora, por vezes, esta expressão esteja realm ente relacionada a um futuro período de tribulações (Is 2.2; Jr 23.20; 49,39; Ez 38.16; M q 4-1; A t 2.17), é preci­ so determ inar a intenção do autor a partir do contexto. N o contexto aqui exam ina­ do, o autor tem em mente todo o perío­ do entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Esta, portanto, não é uma passagem escatológica. O versículo 2 segue em frente e diz: “a quem constituiu herdeiro de tudo”. Cristo foi vitorioso em sua primeira vinda e agora assenta-se à mão direita de Deus. Quando,


H e b r e u s , E s c a t o l o g ia d e porém, voltar à terra, Ele governará tudo que há no céu e na terra. Este é o seu desti­ no com o “herdeiro de tudo”.

0 FUTURO REINO DE CRISTO O restante de Hebreus 1 dem onstra, a partir de citações do AT, que Jesus é o Deus-hom em glorioso que um dia reinará sobre toda a criação. A pesar de estar perfeitam ente qualificado para exercer seu dom ínio, Jesus ainda não está reinando no trono de D avi. Som ente após sua segun­ da vinda Ele derrotará todos os inim igos e governará sobre todas as coisas em seu reino m ilenial. Hebreus 2.5-10 cita o salm ista para de­ monstrar que Jesus cumpriu a profecia de Davi e, no futuro, reinará sobre os anjos e toda a criação. O s anjos não reinarão so­ bre a hum anidade no “mundo futuro” (v. 5). Salm os 8 indica que, por um pouco de tempo, a hum anidade foi feita um pouco m enor que os anjos. Jesus, durante sua en ­ carnação, tam bém pareceu ser inferior aos anjos. Isto, contudo, não o colocava sob a autoridade dos anjos. N a verdade, por cau­ sa de sua vitória, Ele governará sobre os anjos no “mundo futuro”. Hebreus 7 explica que o sacerdócio de Jesus não era sem elhante ao de A rão, que se restringia a um tempo e exigia sacrifícios contínuos. Jesus, em vez disso, assemelhase a um outro misterioso personagem do início de G ênesis, M elquisedeque, que apa­ renta ser atem poral e surge para interceder. C om o o sacerdócio de Jesus, tal qual o de M elquisedeque, é eterno (7.17,24), este é tam bém superior ao sacerdócio mosaico, temporal. Jesus, então, será um Sum o S a ­ cerdote para sempre. A tualm ente, Jesus in­ tercede pelos crentes à mão direita do Pai.

SALVAÇÃO Sabem os que a “consum ação dos sécu­ los” (9.26) é uma referência à primeira vin­

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da de Cristo, pois a passagem diz: “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”. Esta referência à pri­ meira vinda de Jesus prepara o leitor para a m enção de sua segunda vinda no versículo 28. Jesus “aparecerá segunda vez, sem peca­ do, aos que o esperam para a salvação”. N es­ te contexto, “salvação” não se refere à salva­ ção espiritual por meio da fé em Cristo (Ef 2.8), mas a um resgate ou livramento físico (Rm 13.11). Quando Hebreus 9.28 afirma que Cristo “aparecerá segunda vez”, referese muito provavelmente ao arrebatamento e não ao segundo advento. Isto fica evidente a partir da frase “aos que o esperam”. O NT, ao descrever o crente da era da Igreja que aguarda o iminente arrebatamento, retratao como alguém que ansiosamente aguarda a vinda de Cristo (Rm 8.19,23,25; 1 C o 1.7; G 1 5.5; Fp 3.20; 1 Ts 1.10; Jd 21).

0 DIA QUE SE APROXIMA Hebreus 10.25 diz aos crentes: “N ão deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. A frase “quanto vedes que o Dia se aproxima” tem sido aplicada ao ar­ rebatamento, à segunda vinda de Cristo e aos iminentes juízos incluídos na destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos em 70 d.C. Creio que a intenção do autor era referir-se a este último evento pelas seguin­ tes razões. Em primeiro lugar, a segunda ge­ ração de crentes judeus que vivia na Judéia veria o exército romano chegar a Jerusalém ao fim da década de 60. Em segundo lugar, a Bíblia não ensina em nenhum a parte que o arrebatamento da Igreja seria precedido por sinais observáveis. O arrebatamento é sempre m encionado como algo repentino e imprevisto. E por isso que o crente da Igre­ ja está sempre à espera do arrebatamento — nenhum sinal o precederá. Em terceiro lugar, esta sentença está no meio do quarto


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trecho de alerta para aqueles que desejavam retom ar ao judaísmo, advertindo-os não apenas quanto ao juízo eterno, mas também quanto ao imediato juízo de 70 d.C. O livro de Hebreus ensina a doutrina neotestamentária básica de que o crente deve manter uma perspectiva eterna. Dessa forma, ainda que com sacrifícios, ele seria motivado a servir o Senhor. Esta mentalidade é ilustra­ da na listagem dos heróis da fé que encon­ tramos em Hebreus 11, onde vemos muitos santos do A T que, com olhos no futuro, permaneceram fiéis no presente. U m a visão apropriada do futuro estimula os crentes a vi­ verem para o Senhor no presente. Depois de arrolar diversos exemplos do A T no capítulo l l , o autor de Hebreus conclui: “Portanto, tam bém nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nu­ vem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corra­ mos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando fir­ m emente para o A utor e Consum ador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” (H b 12.1-2)

A GRANDE TRIBULAÇÃO O quinto e últim o trecho de alerta contém com entários de teor escatológico (12.26-29). N o versículo 26, o autor de H ebreus escreve: “aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém , ele prom ete, dizendo: ‘A in d a um a vez por todas, farei abalar não só a terra, m as tam bém o céu’” . A citação do A T é extraída de A geu 2.6, que é uma referência à G rande Tribulação. A passagem tam bém se presta ao sentido de Hebreus. A prim eira referência à voz de D eus abalando a terra rem ete-nos ao livro

de Êxodo. A segunda, que fala da terra e do céu sendo abalados, encaixa-se n a des­ crição da G rande Tribulação encontrada em A pocalipse. Este “abalar” serão os ju í­ zos da G rande Tribulação, que foram p la­ nejados para preparar a vinda de “um rei­ no in abalável” (1 2 .2 8 ). Este reino é um a referência ao reino m ilenial. O crente, portanto, deve “ [reter] a graça, pela qual sirvam os a Deus de m odo agradável, com reverência e santo tem or” (12.28).

NÃO SE TRATA DE UMA ESCATOLOGIA SISTEMÁTICA A escatologia do livro de H ebreus não nos dá um a visão com pleta dos eventos futuros do N T , o que não nos surpreen­ de, se considerarm os o propósito central da epístola de lidar com a apostasia cris­ tã judaizante à luz do juízo im inente em 70 d .C . A in d a assim, o escritor m encio­ na im portantes eventos proféticos com o o arrebatam ento, a G rande Tribulação, a segunda vinda, o M ilênio e o estado eter­ no, A m aior ênfase escatológica do livro é o com portam ento do crente no presente à luz da eternidade.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Fruchtenbaum, Arnold. Israelology: The M issing Link in System atic Theology. Tustin, Califor­ nia: Ariel Ministries Press, 1992. Kent, Hom er A. The Epistle to the Hebrews: A Comm entary. W inona Lake: Indiana: bm h Books, 1972.

ISAÍAS, ESCATOLOGIA DE Isaías tem muitas vezes recebido o título de “príncipe dos profetas” . Seu livro recebe


Is a ía s , E s c a t o l o g ia d e grande destaque no A T com o obra-prima da literatura clássica hebraica. E o mais longo dos livros proféticos e, dentre seus contem porâneos, são as suas profecias que penetram mais profundam ente no futuro. Sobre Cristo, o profeta Isaías profetizou acerca de seu nascim ento virginal, seu m i­ nistério na terra, sua morte vicária e seu retorno triunfal. A escatologia de Isaías in­ clui profecias sobre a Grande Tribulação, o M ilênio e novos céus. Isaías foi um dos cidadãos mais pro­ em inentes de Jerusalém , com acesso à li­ derança sacerdotal e à realeza. Seu nome, Yesha Yahu, significa “O Senhor é salva­ ção” — um nom e que não poderia ser mais apropriado, pois Isaías priorizava a vinda do Salvador bendito que traria a salvação a judeus e gentios. O ministério profético de Isaías esten­ deu-se por mais de m eio século, indo da morte do rei Uzias (740 a.C .) até pouco depois da morte do rei Ezequias (686 a.C .). M uitos dos eventos descritos em suas pro­ fecias cumpriram-se enquanto ele ainda era vivo — com o a queda de Sam aria, Dam asco, e o livram ento de Jerusalém da invasão A ssíria que seria perpetrada pelo rei Senaqueribe — porém m uitos outros se destinavam a um futuro distante, princi­ palm ente no que diz respeito às duas vindas de Cristo.

0 MESSIAS QUE VIRIA Em Lucas 4-17-21, o próprio Jesus ci­ tou Isaías 61.1-3, dizendo: “ [...] H oje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos”. N osso Senhor estava afirmando que Ele era o verdadeiro cumprimento das profecias m essiânicas de Isaías. Quando João Batista, perto de ser executado, buscou assegurar-se de que Jesus era o Messias, Jesus citou Isaías 35 e 61, confirmando que os sinais m essiâ­ nicos estavam efetivam ente sendo cumpri­ dos em seu ministério (M t 11.2-5).

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C om eçando com sua previsão acerca do nascim ento virginal (7.14), Isaías apre­ senta um retrato da vinda do Messias e de suas características divinas, chegando a cham á-lo de “Deus Forte” (9.6). A visão do profeta fora tão clara que os primeiros cris­ tãos de pronto viram seu cumprimento em Jesus Cristo (A t 8.26-35). Isaías fez muitas descrições proféticas de Cristo: 1. o nascimento virginal (7.14); 2. o ministério na G aliléia (9.1-2); 3. a origem divina (9.6-7); 4· o cham ado aos gentios (11.10); 5. um precursor lhe prepara o cam inho (40.3); 6. a encarnação (40.9); 7. Servo de Deus (42.1-4); 8. Redentor de Israel (44.6); 9. Luz para os gentios (49.6); 10. Salvador sofredor (52.13— 53.12); 11. Senhor ressurreto (51.10); 12. Rei que virá (66.15-18).

A TRIBULAÇÃO VINDOURA O trecho com preendido entre os ca­ pítulos 24 e 28 de Isaías foi muitas vezes cham ado de “pequeno A pocalipse”. N estes capítulos, o profeta antevê um juízo cata­ clísm ico vindo sobre todo o m undo no fu­ turo. Seu uso intercam biável das palavras ‘eret (“terra”, no sentido de solo) e tebel (“Terra”, no sentido de planeta” ) deixa cla­ ro que esta profecia prevê uma calam idade m undial de grande magnitude, tal qual a que ocorrerá durante a Grande Tribulação (M t 24.21-30). O bservando através das eras, Isaías vê um tempo em que o m undo inteiro sofre­ rá o juízo de Deus. Por terem todos trans­ gredido as leis morais de Deus, o planeta


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Is a í a s , E s c a t o l o g ia d e

é quase que com pletam ente destruído. A natureza universal deste juízo escatológico deixará a população com pletam ente atemorizada (24.13). O s fundam entos da terra estremecerão e o planeta “violentam ente se m overá” (24.18-20). Todas estas des­ crições aludem ao terremoto que abalará a terra durante a Grande Tribulação.

0 REINO VINDOURO Isaías não profetizou apenas a respeito da Grande Tribulação, mas tam bém sobre a era do reino. Ele descreve este período com o um tem po em que “muitas nações” irão a Jerusalém para adorar ao Senhor (2.1-5). N este tempo, a paz e a salvação reinarão sobre toda a terra (26.1-4). O de­ serto florescerá como a rosa e a glória de Deus resplandecerá sobre a terra (35.1-2). A santidade, a justiça e a alegria da salva­ ção abençoarão todo o mundo (35.8-10). O s capítulos finais de Isaías (60— 66) enfatizam a natureza pacífica do porvindouro Reino do Messias. Deus promete cumprir seu pacto com Israel e enviar o Redentor a Sião para abençoar seu povo. N estas passa­ gens, Isaías utiliza o pretérito perfeito em suas profecias. Sua confiança no cumpri­ m ento destas promessas era tanta que ele as descreve como fatos consumados. Isaías previu um tem po em que os gen­ tios (hb.: goyim, “nações” ) serão atraídos, não pela terra de Sião, mas pela refulgência do próprio Senhor brilhando em seu povo. Ele profetizou que as nações afluirão dos cantos mais remotos da terra para buscar o Senhor na N o v a Jerusalém, cujos portões estarão continuam ente abertos (60.11). Durante a era m essiânica, Jerusalém re­ ceberá “o dobro” (hb.: misheneh) das bên­ çãos de Deus para com pensar os anos em que esteve sob a m aldição do juízo (61.7). Estas bênçãos incluirão “perpétua alegria” . Deus abençoará Israel por causa de sua “aliança eterna” com eles (61.8). N este

tempo, eles usarão “vestes de salvação” e o “m anto da justiça” (61.10). N ão se pode ler esses capítulos a par­ tir de um a perspectiva judaica e deixar de enxergá-los com o as promessas eternas de Deus para Israel. Tentar aplicar tais passa­ gens à Igreja, com o a um “Israel” espiritual, viola todos os princípios necessários para uma interpretação saudável da Bíblia. Isaías assegura ao leitor de que, durante o tempo de seu reino sobre a terra, Deus cumprirá as promessas feitas a Israel. Em ­ bora sejam exclusivas para o povo judeu, tais promessas não foram cumpridas na antigüidade. Seu cumprimento dar-se-á no futuro, quando os “remidos do Senh or” fo­ rem a S ião com louvores de paz e salvação para o mundo inteiro (62.12). Isaías 63— 66 ressalta o fato de que o juízo divino (o período da Grande Tribu­ lação) precederá a era do reino. O Messias pisará as uvas da ira no lagar do juízo de Deus enquanto m archar para a vitória no A rm agedom (Is 63.1-6; A p 16-19). Isaías fala para seus leitores: “Regozijaivos com Jerusalém ”, pois a paz fluirá “como um rio” durante o M ilênio (66.10-16). A s nações então declararão a glória do S e ­ nhor sobre toda a terra (66.19). Os salvos participarão tanto na era do reino como nos “novos céus e nova terra” (66.20-22), quando todos os salvos se reunirão para adorar o Senhor.

0 ESTADO ETERNO A s profecias de Isaías terminam com um claro lembrete de que há apenas dois destinos: céu ou inferno (66.23-24). Temos apenas uma vida, onde podem os optar por um dos dois cam inhos: ou servimos a Deus ou sofremos as conseqüências. Desde a gló­ ria dos portões dos céus, vem o derradeiro aviso sobre a realidade da condenação eter­ na. Deus coloca diante de todos o cam inho da vida e o cam inho da morte. Por nossa


J e r e m ia s , E s c a t o l o g ia d e vez, devem os fazer a mais im portante de todas as escolhas.

— Ed Hindson BIBLIOGRAFIA Delitzsch, F. Biblical Com m entary on Isaiah,

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parcialm ente com o retorno dos exilados sob a liderança de Zorobabel em 536 a.C . e com a reconstrução da nação no período pós-exílico. O s eventos, porém, dificilm en­ te alcançaram a grandeza das expectativas de Jerem ias. O pleno cumprimento das profecias ainda aguarda um cumprimento escatológico.

2 vols. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing Company, 1 949. Hindson, Ed. “Isaiah", em King Jam es Bible C om ­ mentary. Nashville: T h om as Nelson, 1999. MacRae, A. A. The Gospel o f Isaiah. Chicago: M o o d y Press, 1977. Martin, Alfred. Isaiah: The Salvation o f Jehovah. Chicago: M o o d y Press, 1962. Watts, J. N. D. Isaiah, 2 vols. Waco, Texas: Word Books, 1 981. Young, Edward J. The Book o f Isaiah, 3 vols. Grand Rapids: Eerdmans Publishing C o m ­

AS DESCRIÇÕES DE JEREM IAS ACERCA DOS JUÍZOS FUTUROS N os capítulos 2— 29, Jerem ias previu a chegada de N abucodonosor, a conquista de Judá, a destruição de Jerusalém e a deporta­ ção do povo para a Babilônia. N os capítulos 30— 33, ele previu uma era futura, quando Deus reverteria a sorte de Israel/Judá. A o fim dos setenta anos, Deus destruiria a B a­ bilônia (25.11-14) e reconduziria os exila­ dos à Terra Prometida (29.10-14).

pany, 1 972.

JEREMIAS, ESCATOLOGIA DE A o profetizar nos últim os dias antes da queda de Jerusalém em 587 a.C ., Jerem ias predisse que Deus enviaria Judá e Jerusa­ lém para o exílio na Babilônia, em razão de terem violado a aliança m osaica. Entretan­ to, ele tam bém predisse o dia em que Deus destruiria o poder da Babilônia e de outras nações hostis, restaurando a terra ao seu povo. N aquele tem po, Deus estabeleceria uma nova aliança com Israel e Judá reunificados, capacitando o povo a obedecer-lhe perpetuam ente. Deus ainda restabeleceria a dinastia davídica e restauraria um sacer­ dócio levítico purificado. Tudo isto teria início ao fim dos setenta anos de exílio, caso toda a nação se arrependesse. O rei­ no de Israel/Judá seria com pletam ente res­ taurado se eles continuassem a obedecer a Deus após voltarem para a Terra Prom eti­ da. A s profecias de Jerem ias cumpriram-se

AS DESCRIÇÕES DE JEREM IAS ACERCA DA RESTAURAÇÃO FUTURA A queda da Babilônia ao fim do exílio de setenta anos seria sucedida pela restau­ ração do povo de Deus (25.12-14; 29.1014). Deus haveria de reverter a sorte de Israel, resgatando os exilados em um glo­ rioso “segundo êxodo” , dando início a uma era de bênçãos sem paralelo e inaugurando um a nova aliança eterna com Israel e Judá. Ele asseguraria a obediência de seu povo, restabeleceria a dinastia de Davi por meio de um descendente justo (um “R enovo de justiça” ) e restauraria o sacerdócio levítico. Tam bém exaltaria uma Jerusalém purifica­ da e restaurada com o um centro de adora­ ção para Israel e todas as nações. Estende­ ria sua redenção às nações gentílicas que se arrependessem ao testem unhar as podero­ sas bênçãos de Deus sobre seu povo. A questão da condicionalidade é o tem a central das profecias de Jerem ias. Isto vale tanto para as que falam de juízos am eaçadores com o para as que discorrem


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J e r e m ia s , E s c a t o l o g ia d e

sobre as bênçãos prom etidas (18.1-11). U m juízo anunciado poderia ser evitado pelo arrependimento, mas era mais do que garantido a uma rebelião que prosseguisse. D a m esma forma, as promessas de bênçãos seriam cumpridas m ediante obediência, mas revogadas diante do pecado. C om o até seus contem porâneos reconheceram, o juí­ zo anunciado contra Jerusalém nos dias de Ezequias (M q 3.9-12) foi revogado quan­ do a cidade se arrependeu (Jr 26.17-19). De acordo com Jerem ias, a destruição de Jerusalém e o exílio babilônico poderiam ser evitados se a nação se arrependesse, do contrário a destruição seria certa. Jerem ias anunciou que o exílio duraria setenta anos, mas a restauração da nação não seria auto­ m ática. Dependia de um genuíno arrepen­ dim ento nacional: “Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a m inha boa palavra, tom ando a trazer-vos para este lugar” (29.10). Em 536 a.C ., um rem anescente retor­ nou para a terra, cumprindo a profecia de Jerem ias acerca dos setenta anos de exílio (2 C r 36.22; Ed 1.1). Daniel, no entanto, informa que a descrição apresentada por Je ­ remias de um a gloriosa restauração do reino (D n 9.1-2) não se cumpriu com pletam en­ te no século VI a.C ., mas foi postergada e deverá se cumprir no futuro (D n 9.24-27). U m rem anescente arrependeu-se, mas a nação não voltou para Deus nem perm ane­ ceu fiel durante o período pós-exílico (A g 1.2-11; M l 1.6-14; 2.10-17; 3.6-7).

O Retorno do Exãio Babilônico: O “ Segundo Êxodo” Jeremias predisse o exílio babilônico, mas também previu um dia em que Deus restauraria os exilados. Deus traria de volta os exilados de Judá e Israel, reunificando a nação. Aparentem ente, eles viriam de todas as partes e de todas as nações. Formariam

uma grande multidão, incluindo até aqueles que normalmente seriam incapazes de via­ jar, como os cegos, os coxos e as mulheres grávidas prestes a dar à luz (31.7-8). Esta grandiosa libertação seria como um “segun­ do êxodo” que empalideceria a primeira li­ bertação do Egito. A chegada de Israel/Judá a Sião daria início a uma era de ouro, com redenção eterna e bênçãos inigualáveis, as­ seguradas pela perfeita obediência do povo a Deus em uma nova aliança eterna.

Restauração, Purificação e Exaltação de Jerusalém Jerem ias predisse que a devastada ci­ dade de Jerusalém voltaria a ser habitada (30.17-20) e reconstruída (31.4,38; 33.7), a ponto de cada edificação destruída pelos babilônios ser reerguida em seu lugar origi­ nal (30.18). A pós ter sido profanada pelo pecado, Jerusalém seria purificada. A té mesmo o impuro Vale de H inon seria san­ tificado e incorporado aos lim ites expandi­ dos da cidade (31.39-40). Jerusalém estaria perpetuam ente segura e protegida sob a guarda do Senhor (32.37; 33.16) e nunca mais seria abatida ou destruída (31.3840). C om o alvo especial das bênçãos de Deus (31.23), a fam a da cidade haveria de espalhar-se entre as nações e glorificar a Deus (33.9). A s peregrinações a Jerusa­ lém voltariam a ocorrer, realizadas pelos povos de Israel, Judá (31.6, 12-14; 31.11) e do mundo inteiro (3.17). N aquele tem ­ po, Jerusalém seria cham ada de “o Trono do Senhor” (3.17), “ m orada de justiça” e “santo m onte” (31.23), além de “o Senhor é N ossa Ju stiça” (Jr 33.16; Is 1.26; 62.2-4; Jr 23.6; Ez 48.35; Zc 8.3). Jerusalém foi reconstruída e voltou a ser habitada, prim eiramente em escala reduzi­ da, durante o período persa, e com maior intensidade durante os períodos grego e rom ano. Su a situação e reconhecim ento, porém, não chegaram aos pés da glória re­


J e r e m ia s , E s c a t o l o g ia d e tratada por Jerem ias. Sião tornou-se o cen­ tro da adoração em Israel e até mesmo prosélitos gentios adoravam ali, mas ela jam ais se tom ou um centro de adoração para o mundo inteiro. A dem ais, Jerusalém jam ais esteve inteiram ente segura ou protegida. Sofreu a chacina prom ovida por A ntíoco Epifânio em 165 a.C . e a m onstruosa des­ truição de Tito em 70 d.C . A lém disso, não foi a profecia de Jerem ias que falhou, mas a própria Jerusalém . Deus prom etera “mudar a sorte” de Jerusalém quando houvesse ar­ rependim ento (29.10-14). Ele derramaria bênçãos eternas sobre a cidade com a con­ dição de que perseverassem em obedecerlhe (31.31-34; 32.36-41; 50.4-5). Deus, não obstante, m andará um redentor a Sião no futuro (Rm 11.27). Ele enviará Cristo dos céus à Jerusalém , a fim de cumprir to­ das as promessas firmadas em aliança e as profecias da antigüidade (A t 3.19-21). Du­ rante o M ilênio, Cristo governará a partir da “cidade am ada” (A p 20.4-10). O derra­ deiro cumprimento das profecias de Jere­ mias culm inará na futura N o v a Jerusalém (A p 20.1-10; 21.2-22.5, 14-15).

A Reocupação da Terra como uma Pos­ sessão Eterna O Senhor dera à Israel a terra com o “possessão eterna” (G n 17.8; 22.17; 48.4; 2 C r 20.7), mas sua ocupação perpétua e contínua estava condicionada à obediên­ cia (D t 4.1; 6.1). A geração ímpia dos dias de Jerem ias perdeu a posse da terra por causa do pecado (17.4; 32.23), mas Deus h averia de restaurá-la à Israel, com o uma “possessão eterna” (3.18; 30.3; 32.8). O Senhor iria “plantá-los” na terra e eles flo­ resceriam (31.27-28). A nação de Israel, restaurada, jam ais voltaria a ser desarraígada da terra (23.3-4; 24.6; 30.3) ou sub­ jugada por governantes estrangeiros (30.8, 19-20), mas viveria em segurança (32.37) e seria eternam ente uma nação (31.36-

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37). Israel/Judá retomaria a posse da terra após o exílio caso a nação se arrependes­ se (29.10-14). M anteriam esta posse para sempre se continuassem obedientes (7.3,7; 11.5; 25.5; 35.15).

A Renovação da Aliança: A Nova Aliança O ponto alto da descrição de Jerem ias sobre a futura restauração de Israel foi a prom essa de uma nova aliança eterna (31.31-37; 32.36-41; 50.4-5). Jerem ias des­ creveu o início da nova aliança (31.31-37; 32.38-40; 50.4-5), quando Deus traria de volta os exilados da Babilônia, C om o M oi­ sés prenunciara muito tem po antes (D t 30.6), Deus transformaria os corações para que verdadeiram ente lhe obedecessem: “Dar-lhes-ei coração para que me conhe­ çam que eu sou o Senhor” (24-7; 3.17). Esta seria um a nova aliança no sentido de que seria diferente da que foi firmada no Sinai. A diferença não estaria nas exigên­ cias básicas da aliança em si, mas na capa­ cidade das pessoas para obedecê-la. A an ­ tiga aliança, gravada em tábuas de pedra, podia mandar, mas não instilava obediên­ cia. A nova aliança seria escrita “em seus corações” (31.34), contrastando com a ge­ ração iníqua da época de Jerem ias, em cujo coração o pecado estava gravado (17.1) e cuja capacidade para o m al era parte ine­ xorável de sua natureza (13.23). O Senhor continuaria a exigir obediência, mas dessa vez Ele mesmo concederia o desejo e a ca­ pacidade para serem fiéis. A nova aliança, portanto, sobrepujaria de tal form a a antiga aliança, que esta últi­ m a acabaria praticam ente esquecida (3.1617). Deus firmaria esta nova aliança com Israel (31.31-37; 32.36-42; 50.4-5), ju n ­ tam ente com o resgate dos exilados. Isto estaria condicionado a que hum ildem en­ te buscassem ao Senhor, contristados por seus atos e com genuíno arrependimento


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(50.4-5; 29.10-14). Jesus inaugurou a nova aliança por meio de seu sacrifício, como claram ente afirmam as citações de Jere­ mias 31.31-34 no N T (H b 8.8-10; 10.16). A s bênçãos da nova aliança são uma reali­ dade para os que pertencem à Igreja, quer judeus quer gentios (Ef 1.13-14; 3.1-9), mas as promessas da nova aliança quanto à redenção de Israel ainda são um even­ to futuro (Rm 11.25-27). Isto acontecerá quando o supremo R ei davídico vier a Sião (R m 11.27) e restaurar o reino de Israel (A t 1.6-8; 3.19-26).

A Restauração das Bênçãos da Aliança M oisés proclam ou a promessa divina de recom pensar a obediência com as bên­ çãos da aliança (Lv 26.1-13; D t 28.1-14) e punir a desobediência com as m aldições descritas na aliança, culm inando no exílio (Lv 26.14-38; D t 28.15-68). Deus, porém, tam bém prom eteu restaurar a nação caso houvesse verdadeiro arrependimento (Lv 26.39-45; D t 30.1-10). À luz da estrutura desta aliança, Jerem ias descreveu as futuras bênçãos que, após a m aldição do exílio b a­ bilônico, viriam sobre a nação penitente. Tais bênçãos reparariam as calam idades an­ teriores (31.23), perm itindo ao povo des­ frutar de seus antigos privilégios (30.20). A promessa divina de abençoar a n a­ ção arrependida foi parcialm ente cumpri­ da na reestruturação da com unidade pósexílica. Eles, contudo, não desfrutavam das benesses prom etidas por Deus a seus pais, m as suportavam grande sofrimento sob o dom ínio de governantes estrangeiros (N e 9.36-37). Por causa de sua desobediência à lei m osaica, o povo de Israel sofria as m aldições da aliança em vez de vivenciar suas bênçãos (A g 1.7-11; M l 3.6-7). C om a nova aliança im plem entada por Cristo, os crentes neotestam entários receberam to­ das as bênçãos espirituais (Ef 1.3) e foram capacitados a obedecer à lei de Cristo (Rm

8.3-4)· Quando Israel se voltar para Cristo, experim entará a plenitude das bênçãos da aliança (Rm 11.13-32). O com pleto cum ­ prim ento destas bênçãos virá no final dos tempos, com o recom pensa pela fé e obedi­ ência (Rm 8.20-24).

A Restauração do Reinado Davídico Eterno C om exceção de Josias, todos os sobe­ ranos da linhagem de Davi à época de Jere­ mias foram iníquos. Jerem ias, no entanto, previu o dia em que Deus restabeleceria líderes santos (3.15), levantando um rei justo da linhagem de Davi para restaurar a dinastia (23.5-6; 30.9; 33.15-22). Deus prometeu instituir uma dinastia davídica eterna no trono (2 Sm 7.12-16, 2529; 23.1-7; 1 Rs 2.1-4; 9.3-9; 1 C r 17.7-14; 28.2-10; SI 89.3-4,19-37; 132.10-18), mas advertiu que a continuidade desta linha­ gem estava condicionada à obediência (SI 132.12). Jeremias, então, censurou a popular, mas errônea, crença de que o trono de Davi era absolutamente inviolável. Deus cobraria na justa medida cada rei iníquo da linhagem davídica e a dinastia como um todo (4-9; 21.11-14; 23.1-2). C aso se arrependessem, a dinastia continuaria de geração a geração, mas se insistissem no pecado, a dinastia es­ taria em risco (17.19-26). Jeremias, porém, anteviu o dia em que, após resgatar os exi­ lados, Deus restauraria a dinastia davídica e levantaria governantes justos (“pastores”) que guiassem (“apascentassem” ) correta­ mente seu povo (3.15; 23.1-4). Então, não mais existiriam reis estrangeiros governando a nação, mas do meio do povo seria levanta­ do um líder (30.21). A dinastia seria restau­ rada por meio de um “renovo de justiça”, ou seja, um descendente davídico justo (23.5; 33.15). Algum as pessoas crêem que este go­ vernante é Davi que, ressuscitado, reina ao lado de Cristo. A maioria, contudo, com ­ preende tratar-se do próprio Cristo. Jeremias chama-o “D avi” (30.9), não por ele ser Davi


J e r e m ia s , E s c a t o l o g ia d e ressuscitado, mas porque governará segundo o mesmo espírito de seu ilustre ancestral (Ez 34.23-24; 37.24; O s 3.5; M q 5.2).

A Restauração do Sacerdócio Levítico Em bora tenha declarado juízos sobre os sacerdotes levitas corruptos à época de Jerem ias (4.9; 6.13-15; 8.1; 13.13; 20.1-6; 23.34; 26.1-11), Deus prometeu restaurar o sacerdócio levítico (31.14; 33.11). Esta restauração teria o objetivo de cumprir sua prom essa de “aliança do sacerdócio eterno” para com os levitas, segundo a qual seus descendentes serviriam com o sacerdotes perante Deus para sempre (33.18-22; N m 18.19; 25.1-13; D t 33.8-11; SI 106.30-33). De acordo com Jerem ias, Deus restauraria a sucessão eterna de sacerdotes levíticos a fim de que m inistrassem no Templo, assim com o restauraria ao trono a sucessão eterna dos descendentes de Davi. A s palavras de Jeremias foram parcial­ mente cumpridas quando o sacerdócio foi reestruturado com Jesua, o sumo sacerdote, em 538 a.C .(E d 3.2,8-13). O ministério e a sucessão eterna dos sacerdotes levíticos fo­ ram, no entanto, interrompidos quando o Templo foi destruído em 70 d.C. O N T de­ clara que o sacerdócio levítico, que deveria ser eterno, foi substituído pelo sacerdócio de Melquisedeque exercido pelo Messias. Isto não se deu por alguma falha moral dos le­ vitas, mas devido à eficácia superior do sa­ crifício vicário de Cristo. Alguns teólogos acreditam que o Templo deve ser novam en­ te reconstruído e o sacerdócio levítico resta­ belecido, para que literalmente se cumpram as profecias de Jeremias e de outros profetas do A T (em especial Ez 40— 48).

A Restauração da Adoração no Templo Jerem ias censurou a crença popular de que o Templo em Sião era absolutamente inviolável (7.2,4,14; 26.6,9; 27.16; 28.6). O pecado de Judá havia profanado o Tem ­

193

plo (11.15; 23.11) e, por esse m otivo, este seria destruído tal qual o antigo santuário em Siló (7.14; 26.6,12; 27.18,21; 39.8). Jerem ias, ainda assim, retratou um Templo restaurado em um a futura era após o exí­ lio. Ele não disse de forma explícita que o Templo seria reconstruído e nem forneceu os detalhados planos encontrados em Eze­ quiel 40— 48, mas afirmou que voltaria a existir abundância de sacrifícios em seus al­ tares (31.12,14; 33.11; 17.26). Israel, Judá e o mundo inteiro fariam peregrinações ao Templo para adorar o Senhor (3.17; 31.6,12-14; 33.11).

Futuras Bênçãos e Salvação para os Qentios Um Unico Povo de Deus Jerem ias previu um dia — posterior aos juízos de Deus sobre as nações gentílicas e o resgate de Israel do exílio — em que os gen­ tios se arrependeriam da idolatria e abraça­ riam som ente a Jeová (16.19-20). Esta sal­ vação dos gentios acom panharia a divina restauração da Judá arrependida (4.2). A s nações dariam louvores e glórias a Deus ao verem Jerusalém ser livrada e coberta de bênçãos (33.9). Ele tam bém prom eteu restaurar a sorte de M oabe (48.47), Edom (49.7) e Elão (49.39). N ão é, contudo, ofe­ recida nenhum a esperança futura para a Babilônia, pois seus crimes são excessivos. T ão numerosos são os seus pecados que ela é utilizada para representar todas as nações hostis que se opõem a Deus e seu povo (A p 14.8; 16.9; 17.5; 18.2,10,21). Jerem ias tam bém disse que, após julgar inúmeras nações gentílicas, Deus se apiedaria e se com padeceria daquelas que se ar­ rependessem (12.14-17) e incluiria gentios entre o povo de Deus. Jerem ias, assim, an­ tecipava a futura inclusão de fiéis gentios, juntam ente com os judeus, na nova alian­ ça. Era a criação de um único povo de Deus que só veio a ser plenam ente revelado no NT. Logo, as condições da nova aliança


J o ã o , E s c a t o l o g ia d e

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estão cumprindo as expectativas que Jere­ mias tinha sob a antiga aliança. Ele havia antecipado que o poderoso livramento da arrependida nação de Israel levaria à con­ versão uma m ultidão de gentios que a es­ tivesse observando. A redenção do rem a­ nescente de Israel levou à conversão uma multidão de gentios que, por sua vez, um dia tam bém trará a nação de Israel para a salvação da nova aliança (Rm 11.11-27).

— Gordon H . Johnston BIBLIOGRAFIA Brueggem ann, Walter. A Com m entary on Jere­ m iah: Exile a n d Hom ecom ing. Grand Rapids:

tradição. M uitas vezes, quando não é pos­ sível encaixar os ensinos de João em uma dessas teorias, os estudiosos conveniente­ mente ignoram os dados conflitantes. C o n ­ sideram que possa ter havido uma alteração do redator ou, pior, um a noção equivocada dos autores originais. A queles que defendem a inerrância da Bíblia descartam am bas as conclusões, ven­ do-as com o incom patíveis com a natureza das Escrituras. A in d a assim, mesmo um fir­ me defensor da inerrância precisa reconhe­ cer as peculiaridades dos escritos de João. A o compararmos o seu Evangelho, suas três epístolas e o A pocalipse com os outros livros da Bíblia, fica evidente a singularida­ de de seu conteúdo, estilo e propósito.

Eerdm ans Publishing Com pany, 1998. Chisholm , Robert B. “A Th eo logy of Jeremiah and Lam m entations”, em A Biblical Theology o f the Old Testament, editados por Roy Zuck e Eugene Merrill. Chicago: M o o dy Press, 1991. Feinberg, Charles. Jerem iah: A Commentary. Chicago: M o o d y Press, 1 981. Kaiser, Walter. “Evidence from Jeremiah", em A Case for Premillennialism, editado por D. Κ. Cam pbell e J. L. Tow nsend. Chicago: M o o d y Press, 1 992. McConville, J. Gordon. Judgm ent a n d Promise: A n Interpretation o f the Book o f Jeremiah. W inona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 1993.

JOÃO, ESCATOLOGIA DE Estudos recentes levantaram sérias ques­ tões quanto à relação existente entre os ensinam entos de João e outras doutrinas do N T, resultanto em muitas teorias sobre o assunto. H á os estudiosos mais antigos, que vêem os ensinos de Jo ão com o tardios, mudando a tradição. De outro lado, há aqueles mais jovens, que entendem os en­ sinos de João mais provavelm ente com o os primórdios, alterados posteriorm ente pela

UMA PERSPECTIVA VERTICAL Utilizando-se das idéias de alguns es­ tudiosos, porém de uma perspectiva evan­ gélica, G . E. Ladd fala sobre uma dupla perspectiva teológica nos escritores do NT, descrevendo-a como um “duplo dualismo” (Ladd, p. 338ss)., João ilustra graficamente uma perspectiva vertical (cósmica) em João 1.51, e nós vemos uma perspectiva horizon­ tal (escatológica) em 12.25. João enfatiza a vertical, mas sem ignorar a horizontal. Este contraste é ainda mais espantoso quan­ do comparamos, por exemplo, o discurso no monte das Oliveiras (M t 24— 25) com aquele no C enáculo (Jo 13— 16). Enquanto os outros três escritores do evangelho dão maior atenção à seqüência horizontal de eventos escatológicos, João concentra-se no envio do Espírito Santo. Em vez de falar de Cristo vindo sobre as nuvens em glória em algum momento futuro, João quer que o lei­ tor compreenda que, durante a presente era, Cristo sempre estará presente, e em íntima comunhão, por intermédio da presença do Espírito Santo em nossos corações. João não rejeita a verdade de sua gloriosa m anifesta­ ção futura, assim como os outros escritores


J o ã o , E s c a t o l o g ia d e não rejeitam o atual ministério de Cristo por meio do Espírito Santo. N a verdade, ele escreve para encorajar seus leitores com esta última e mais imediata verdade (1 Jo 2).

A VIDA ETERNA U m a outra forma de se observar esta dualidade nos escritores do N T é atentar para o uso das expressões “já” e “ainda não” em relação às promessas do reino. Isto é especialmente verificado nas palavras de João acerca da vida eterna. A vida eterna fala, além de uma vida perpétua na presença de Deus, de uma realidade presente (Jo 3.16; 4.36; 12.25; 14.1-3; 1 Jo 1.2; 2.17; 3.1-5; 5.13). C om o Paulo, João promete clara­ mente um lar no céu, mas, para ambos os autores, o futuro (o “ainda não”) com eça no presente (o “já” ). N o cenáculo, João registra as palavras de Jesus aos discípulos. Jesus dis­ se que, enquanto partia para “preparar-lhes lugar”, eles deviam permanecer para receber a promessa do Consolador (Paráclito) e fa­ zer “grandes obras” (14.7-17). Paulo exorta seus leitores de maneira bastante semelhante, ao vincular a promes­ sa de uma “casa terrestre [...] eterna, nos céus” à vinda do Espírito, ao julgamento, à nova criação e ao ministério da reconcilia­ ção (2 C o 5.1-21). Isto é novam ente obser­ vado na primeira epístola de João, em que ele faz a seguinte exortação: “Filhinhos, ago­ ra, pois, permanecei nele, para que, quan­ do ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 Jo 2.28). E novamente: “Am ados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabem os que, quando ele se m ani­ festar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1 Jo 3.2). A quilo que “seremos” é o que já somos, ou seja, filhos de Deus. A pesar de João não re­ gistrar a transfiguração de Cristo (M t 17.2; M c 9.2), não se pode deixar de imaginar que

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era esta a manifestação da glória de Jesus — a qual testemunhou juntam ente com Pedro e Tiago — que ele tinha em mente na pas­ sagem acima. Quando Ele vier, os filhos de Deus se tom arão “semelhantes a ele”, i.e., gloriosamente transfigurados. A vida eterna foi manifesta em sua primeira vinda (1 Jo 1.2), mas sua plenitude só virá a lume em sua segunda vinda (1 Jo 3.1-3). Em Filipenses 3.20-21, Paulo discorre sobre esta mesma esperança escatológica.

0 ANTICRISTO Esta dualidade de uma realidade futura com efeitos no presente tam bém é verifica­ da nos ensinos de João a respeito do A n ti­ cristo. Podemos ver este fato sucintam ente expresso em 1 João 2.18: “Filhinhos, já é a últim a hora; e, com o ouvistes que vem o anticristo, também, agora, m uitos anticristos têm surgido; pelo que conhecem os que é a últim a hora”. A m enção do A n ti­ cristo evoca a oposição às leis de Deus e ao povo de Deus, personificada por A ntíoco Epifânio, em D aniel 8 e 11. Esta oposição chegará a seu ápice no surgimento de uma personalidade inspirada pelo demônio, se­ m elhante a A ntíoco, que surgirá em cena no tempo do fim: o A nticristo. Segundo a perspectiva de João e de outros escritores neotestam entários (2 Ts 2.3-11), este tal ainda não veio. A lgum as pessoas, no entanto, fingem seguir a Cristo, mas “não [são] dos nos­ sos”. Eles não possuem a verdade, embora tenham “sido dos nossos” (1 Jo 2.19-22). Estes prenunciam a obra e a m aldade do A nticristo (1 Jo 2.18; 2 Jo 7). N o espírito do A nticristo, falam mentiras, não reco­ nhecem que Jesus é o C risto e negam o Pai e o Filho (1 Jo 2.22-23).

MORTE, RESSURREIÇÃO E JUÍZO V isto que já é verdadeiro que “quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36),


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tam bém é verdade que “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternam ente” (Jo 11.25-26), com o Jesus orientou Marta e M aria na sepultura de Lázaro. M arta es­ tava voltada para uma ressurreição futura, mas Jesus declara que a porção daqueles que lhe pertencem já é uma realidade. Para os crentes, a morte física — a separação entre o corpo e o espírito — não passa de um evento transitório no cam inho para a glória. A queles que não lhe pertencem, porém, enfrentam uma terrível realidade igualm ente verdadeira, tanto para agora com o para o futuro: “A quele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele perm anece” (Jo 3.36 b). O juízo, freqüentem ente visto como exclusivam ente escatológico, já está sobre aqueles que rejeitam a única Fonte de vida. “Q uem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquan­ to não crê no nom e do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os hom ens am aram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram m ás.” (Jo 3.18-19) Tal qual a ressur­ reição e a glória, o juízo já é prom ovido no presente. O apóstolo, contudo, não deixa de lembrar seu leitor de que isto ainda não é o fim (Jo 5.24-29). O juízo final, por fim, acabará por revelar 0 presente juízo e, ao fazê-lo, confirmá-lo-á em toda a sua cruel realidade. O s perdidos, agora, vivem em um paraíso absurdo de ne­ gação, mas aqueles que são habitação de Cristo vivem, desde logo, em seu amor (1 Jo 4-17-19). O destino do crente é ser amado por Jesus, ser semelhante a Ele (Jo 17.22-26; 1 Jo3 .1 -3), estar com Ele (Jo 14-3; 1 Jo 1.2-3; A p 21.1-7), ser protegido por Ele (Jo 17.1 Ι ­ Ο ; 1 Jo 5.18) e com Ele permanecer para todo o sempre (Jo 17.3; A p 7.15; 22.3).

— Daniel R. Mitchell

BIBLIOGRAFIA Barret, C. K. The Gospel According to St. John. London: spck, 1 978. Beasley-Murray, George R. Gospel o f Life: The Theology in the Fourth Gospel. Peabody, MA: H endrickson, 1991. Ladd, George E. A Theology o f the New Testa­ m ent, 2a ed. Grand Rapids: Eerdm ans Pu­ blishing Company, 1993. Marshall, I. Howard. The Epistles o f John, nicnt. Grand Rapids: Eerdm ans Publishing C o m ­ pany, 1 978. Ryrie, Charles C. Biblical Theology o f the New Testament. Chicago: M o o d y Press, 1959. Stott, John R. W. The Epistles o f John, tntc, edi­ ção revisada. Grand Rapids: Eerdm ans Pu­ blishing Company, 1988.

MATEUS, ESCATOLOGIA DE O Evangelho de M ateus serve a vários propósitos: prova que Jesus é o Messias e R ei que cumpre as profecias do AT; expli­ ca a razão de o reino prom etido ainda não ser uma realidade; e ensina à Igreja sobre com o levar uma vida piedosa e sobre seu papel nesta era. O reino antevisto no A T é o principal tema de Mateus. Logo, este Evangelho contém um a grande quantidade de profecias.

A ENCARNAÇÃO E A APRESENTAÇÃO DO MINISTÉRIO DO SENHOR (1.1— 4.25) H á um a primeira alusão às profecias que ainda estão por se cumprir em M a­ teus 1.21, quando um anjo do Senhor diz a José para dar à criança concebida pelo Espírito San to o nom e de “Jesus” (“Jeová S alv a”) — porque ela “ [salvaria] seu povo de seus pecados”. Trata-se de um a alusão à prom essa veterotestam entária de um filho de D avi que salvaria Israel de seus peca­


M a t e u s , E s c a t o l o g ia d e dos e conseqüentes danos (Is 9.3-7; 16.5; 22.22; 55.3-4,12-13; Jr 23.5-6; 33.14-16; SI 130.8). Conform e prossegue o Evangelho de Mateus, a expressão “povo do M essias” assume um significado cada vez mais amplo, mas o contexto de 1.21 descreve este povo com o sendo especificamente de judeus. N o futuro, Deus libertará Israel e lhe fará uma grande nação. O nom e “Em anuel” (1.23) significa “Deus con osco” . A o longo da história, o desejo de Deus tem sido h abitar com a hum anidade. Ele fará exatam ente isto no reino vindouro (Êx 15.17-18; SI 68.16; 132.14). N a eternidade, a N o v a Jeru sa­ lém não terá um Tem plo, pois o próprio Deus estará presente. O próprio Sen h or habitará no Tem plo m ilenial (Ez 43.1-9). M ateus 1.23 prenuncia o reino vin d ou­ ro. N esse m eio tem po, o Senh or Jesus, por interm édio do Espírito San to , possui atualm ente três tem plos: o corpo hum ano (1 C o 6.19), a igreja local (1 C o 3.16) e a Igreja universal (E f 2.21-22). A referência a M iquéias 5.2, encon­ trada em M ateus 2.6, antecipa um tempo em que Israel, que até então só conhecera pastores infiéis, será governado pelo Bom Pastor, o Senhor Jesus — novam ente um prenuncio do M ilênio. A té mesmo a ado­ ração dos magos prenuncia um futuro em que todos os gentios reconhecerão o se­ nhorio de Cristo. A perspectiva escatológica fica perfeita­ m ente clara em M ateus 3, com a declaração de João Batista: “Arrependei-vos, porque é chegado o R eino dos céus” (v. 2). Mateus fala m uito sobre “o R ein o” , termo que uti­ liza em outras 53 vezes. A form a mais clara e óbvia de explicar os termos “R eino dos céus” e “R eino de Deus” é afirmar que eles sempre prenunciam a eternidade e o reino m ilenial vindouro. Jo ã o B atista proclam ava que o R eino de Deus estava próxim o. Para que este

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viesse, Israel precisava arrepender-se (Zc 12.10-14). Deus não perm itirá a entrada de alm as im penitentes. H averá um ju l­ gam ento antes que ven h a o reino. O m a­ chado já estava posto (tem po presente no texto grego) à raiz da árvore, logo, o reino estava próxim o (M t 3.10). A declaração celestial do Pai acerca do Filho (M t 3.17) tam bém possui sentido profético. “Este é o meu Filho am ado” vem de Salm os 2.7, um salmo que prenuncia o futuro reinado do Senhor. Isaías 42.1 é a passagem por trás destas palavras: “Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho, o meu Elei­ to, em quem se compraz a m inha alm a”. A s duas passagens do A T apontam para o rei­ no m ilenial do Messias. M ateus escreve que o ministério de Cristo em C afam au m cumpriu o que fora dito em Isaías 9.1-2 (M t 4.14-16). O sen­ tido de “cumprir” aqui é o de “confirmar” , pois Isaías 9.1-2 ainda se cumprirá no futu­ ro. Isaías prossegue descrevendo o governo de justiça do M essias no reino vindouro. O Senhor Jesus concordou com a p a­ lavra de João ao proclam ar exatam ente a m esma mensagem: “Arrependei-vos, por­ que é chegado o R eino dos céus” (4-17). O reino estava preste a vir, bastando haver o arrependimento de Israel.

0 SERMÃO DO MONTE (5.1— 7.29) O famoso Serm ão do M onte é um códi­ go de ética a ser cumprido pelos seguidores de Jesus até a vinda do reino. E um guia a ser seguido nesse m eio tempo. A s bemaventuranças (M t 5.3-12) prom etem bên­ çãos para aquele povo porque ele entrará no reino vindouro. O conforto, a herança da Terra Prometida, ver a Deus e outras bênçãos — todas retratam o reino vindou­ ro: o M ilênio e a eternidade. A s referências ao R ein o de D eus em 5.19-20 dizem respeito ao futuro R ein o do M essias. O s versículos 29-30 aludem ao


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inferno e indicam o trágico julgam ento dos perdidos. M ateus 6 fala sobre as recom pensas dos salvos. O Senhor recom pensa apenas as boas ações realizadas para agradar a Deus Pai. Realizá-las para ganhar aplausos e a aprovação dos hom ens não traz nenhum a recom pensa. O s judeus davam grande im ­ portância aos atos de justiça m encionados aqui por Jesus, ou seja, dar esmolas, orar e jejuar. Estas atividades representavam to ­ das as boas ações (6.1). Jesus continua ensinando sobre a oração com uma prece simples (6.9-13). O s primei­ ros três pedidos são inteiramente proféticos. “Santificado seja o teu nome” poderia ser traduzido como “permita que teu nome seja santificado” ou “faça com que teu nome seja reverenciado”. Esta passagem aponta para Ezequiel 36.16-36, que antecipa a era do rei­ no, quando todo o mundo honrará a Deus. Em outras palavras, este é um pedido para que Deus dê início à era em que seu nome será honrado sobre a terra. “Venha o teu reino” é um clamor para que Deus traga o seu reino à terra. A lguns estudiosos explicam a passagem com o uma petição para que o R eino de Deus entre no coração de seu povo, mas as Escrituras sem ­ pre falam de pessoas entrando no reino, e não vice-versa. “S eja feita a tua vontade, tanto na terra com o no céu” é mais um pedido para que o R eino de Deus venha para a terra. Desse m odo, os três primeiros pedidos nesta ora­ ção clam am pela m esma coisa: o R eino de Deus na terra. O povo de Deus em nossa época devia estar clam ando por este reino vindouro. Em M ateus 6.11-13, Jesus ora pelas necessidades dos que pertencem ao Senhor até que venha o reino. João Batista disse que um julgam ento precederia o reino, e o Senhor alude ao mesmo julgam ento (ainda futuro) em M a­ teus 7.13-27. O s salvos entrarão no reino

e os im penitentes irão para a destruição e para o fogo.

JESUS MANIFESTA-SE A ISRAEL (8.1—

11 .1 ) Em M ateus 8— 9, o Senhor realizou uma série de milagres que legitimaram sua pessoa. Estes milagres tam bém dem ons­ tram com o será o reino, pois ilustram o que Cristo fará para produzir as condições do reino. M ateus 8.10-12 vê o futuro com ênfase na salvação dos gentios. O Senhor tam bém profetizou sobre a presente era, em que m uitos judeus não creriam e seriam ex­ pulsos do reino vindouro. M ais problem ática é a citação de Isaías 53.4 em M ateus 8.17. A s curas realizadas em 8.16 confirmaram o cumprimento de­ finitivo das promessas para as pessoas que terão seus corpos glorificados no futuro Reino de Cristo. N a eternidade, todos os que confiam em Cristo conhecerão esta bênção. A s pessoas são curadas nos dias de hoje, não por causa da cura expiatória, mas porque Deus, em sua soberania, lhes concede a cura. A cura expiatória será dada a todos os crentes quando receberem seus corpos eternos. Quando Jesus curou dois endemoniados (M t 8.28-34), os dem ônios expul­ sos disseram a m esma coisa: “Vieste aqui atormentar-nos antes de tem po?” Eles evidentem ente sabiam que o lago de fogo estava preparado para o D iabo e seus anjos (25.41). A lém disso, tam bém sabiam que o m om ento ainda não tinha chegado. Era algo ainda futuro. Em M ateus 10, o Senh or Jesus enviou seus doze apóstolos a Israel (excluindo sam aritanos e gentios) com a m esm a m ensa­ gem que Ele e João Batista haviam procla­ mado (3.2; 4.17; 10.7): “É chegado o Reino dos céus”. O reino estava próximo, mas a possibilidade de ele estabelecer-se estava nas mãos de Israel. Isto explica por que o


M a t e u s , E s c a t o l o g ia d e Senhor proibiu os apóstolos de irem aos sam aritanos e gentios (15.24). Em 10.16-25, surgem duas dificuldades. Em primeiro lugar, M ateus não registra n e­ nhum indício de que os apóstolos tenham enfrentado o tipo de oposição que Jesus descrevera. A única resposta plausível p a­ rece ser que as palavras de Cristo referiamse ao ministério dos apóstolos após a ressur­ reição. Durante o ministério de Cristo na terra, eles não foram levados à presença de governadores e reis por se terem associado ao Senhor. O segundo problema, um dos mais di­ fíceis na Bíblia, diz respeito à profecia de Cristo sobre seu retom o durante a vida dos discípulos. A m elhor solução seria supor que tal evento foi adiado pela rejeição, crucificação e ressurreição do Senhor, tal qual realm ente aconteceu (a rejeição pode ser vista nos vv. 22,24-25,38). C om o Isra­ el continuou a desdenhar de Jesus com o o Messias, mesmo após sua ressurreição, Deus adiou o reino e os sete anos de Tribulação que o precederiam. Durante a futura tribu­ lação, os judeus mais uma vez m inistrarão a Israel e a m esma promessa voltará a ser v á­ lida. A vinda do reino e a futura tribulação estavam condicionadas à reação de Israel junto ao Senhor Jesus.

OPOSIÇÃO A CRISTO (11.2— 13.53) Em M ateus 11, vemos o Senhor Jesus reconhecendo a rejeição de Israel. Então, nos versículos 20-24, lemos profecias acer­ ca de juízos futuros sobre aquela geração, os quais seriam mais rigorosos que os destina­ dos a Tiro, Sidom e Sodom a. Esta passagem é de grande im portância, porque m ostra que haverá níveis de torm ento para os per­ didos. Q uanto m aior a luz recebida, mais severo será o julgam ento (12.41-42). Conform e o capítulo 12, o Senhor h a­ veria de manifestar-se em fraqueza até que viesse para instituir seu reino (v. 20). Esta

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passagem tam bém antecipa a salvação dos gentios (v. 21). M ateus 10— 12 registra a rejeição de Israel em relação ao Senhor. N o capítulo 13, o Senhor responde com uma série de parábolas informando aos discípulos que o reino viria bem mais tarde, precedido por uma era que viria sem aviso. A prim eira e a últim a parábola possuem a propriedade de introduzir e concluir a série. A s seis parábolas falam sobre m isté­ rios (novas verdades) acerca dos planos de Deus para o reino. A Parábola do Joio (vv. 24-30, 36-43) ensinou aos discípulos que viria uma n ova era antes da vinda do reino, na qual o bem e o mal coexistiriam . Depois disso, viria um julgam ento para determinar quem entraria no reino e quem seria exclu­ ído (contrastando com as palavras de João Batista, que pregava este julgam ento como sendo im inente). A Parábola do G rão de M ostarda (vv. 31-32) ensinou aos discípulos que o núm e­ ro de herdeiros do reino aum entaria gradu­ alm ente e eles prosperariam. O reino, em nossa atual era, não irromperia repentina­ mente nas civilizações mundiais, com o D a­ niel previra. Isto acontecerá ao fim da era. Em bora controversa, a curta Parábola do Fermento (v. 33) claram ente descreve o crescim ento do pecado e da apostasia até sua totalidade durante a Tribulação. Em vez do reino esperado, o m al dom inará. Então virá o reino. N o versículo 44, tem os a Parábola do Tesouro Escondido. Talvez o tesouro es­ condido seja o reino, e C risto bem pode ser aquEle que o encontra. A parábola alu ­ de à proxim idade do reino, seu subseqüen­ te adiam ento e, por fim, sua revelação. O Sen h or Jesus com prou aquele cam po com sua morte. A Parábola da Pérola de G rande Valor (vv. 45-46) corresponde à Parábola do Te­ souro Escondido. A pérola possivelm ente


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representa os remidos de todas as eras. Es­ tes entrarão no futuro reino. A rede de pesca (vv. 47-50) representa o julgam ento que, ao final da Tribulação, precederá o M ilênio. Estas parábolas ensinam novas verdades sobre a era que precederá a vinda do reino. Tal era intermediária passou a existir por­ que Israel rejeitou seu Messias. Deus, em sua sabedoria, respondeu com a inserção de um período que não estava anteriormente predito, durante o qual o evangelho seria pregado por todo o mundo, encontrando as mais diversas reações (Rm 11.25-36).

A REAÇÃO DE JESUS À OPOSIÇÃO (13.54— 19.2) A fam osa p rofecia de que C risto edificaria sua Igreja sobre a rocha (1 6.18) in clui um a im portante previsão para o futuro: “as portas do inferno n ão p reva­ lecerão contra ela” . A expressão “portas do in ferno” refere-se à m orte, a m aior evid ên cia do poder de S atan ás na terra. M as tal poder será ven cid o p ela ressurrei­ ção de C risto e pela futura ressurreição da Igreja! N em a própria m orte poderá sobrepujar a Igreja. A transfiguração (16.28— 17.8) asse­ gura a futura vinda do R eino de Deus. A prom essa de 16.28 é cumprida em 17.1-8. Em 2 Pedro 1.16-18, vem os a confirmação de que esta é a interpretação correta. O Senhor é glorificado, M oisés e Elias repre­ sentam os santos salvos com o Senhor na glória, e Pedro, Tiago e João representam aqueles que, em seus corpos físicos, herda­ rão o R eino de Cristo sobre a terra. Elias virá antes do Senhor (17.11). Po­ tencialm ente, João Batista era Elias, mas com o ele não cumpriu a profecia de Malaquias 4-5-6, não se tornou o Elias que fora predito. N o futuro, virá um a pessoa que, no espírito e no poder de Elias, cumprirá as profecias (Is 40.3; M q 3.1; 4.5-6).

A REJEIÇÃO A JESUS POR PARTE DE ISRAEL (19.3— 25.46) A Parábola dos Trabalhadores na Vinha (20.1-16) ilustra as futuras recom pensas que serão dadas aos seguidores do Senhor que aproveitarem as oportunidades de ser­ vi-lo (19.27-30), mas esta não é sua ênfase principal. O principal assunto da parábola é a igualdade entre judeus e gentios nesta era (v. 11). O s que são contratados prim ei­ ro simbolizam os judeus e suas alianças, os que são cham ados mais para o fim do dia são os gentios. A ssim , os últim os serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos (19.30; 20.16), de modo que todos são iguais (Ef 3.1-6). M ateus 22.1-14 com para o reino vin ­ douro a um banquete de casam ento, que é a parte mais im portante de um casam ento judeu. A segunda parte da parábola (vv. 11-14) m ostra que o Senh or Jesus exigirá a correta indum entária para que a pessoa entre no reino. A lguém poderia supor que, por causa do convite aberto, qualquer tipo de roupa seria aceita, mas todos que não estiverem envergando a justiça imputada por Deus ficarão de fora no reino vindouro sobre a terra. A infame charada proposta pelos saduceus a respeito do casam ento no céu (22.23-28) proporcionou um a oportunida­ de para que o Senhor falasse sobre a futu­ ra ressurreição dos santos (vv. 29-32). Eis a parte principal de sua resposta: “Eu sou o Deus de A braão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó ”. Isto nada tem a ver com o presente estado de A braão, Isaque e Jacó. Tal argum ento com provaria sua presente existência espiritual, mas não sua ressurrei­ ção. A o citar Exodo 3.6, Jesus reporta-se à promessa de Deus de que a terra de C an aã seria dada a eles e a sua sem ente. Estas promessas, é claro, jam ais foram cumpridas junto aos patriarcas pessoalm ente; logo, eles devem ser ressuscitados para que Deus


M a t e u s , E s c a t o l o g ia d e cumpra sua palavra. Jesus calou os saduceus com sua resposta. Em Mateus 22.43-45, o Senhor citou Salm os 110.1, que prenuncia o atual m i­ nistério do M essias e seu futuro reino sobre a terra. A passagem afirma que o Messias, Filho de Davi, será m aior que o próprio Davi. Este “Senhor” está agora à mão di­ reita do Pai, até que o reino venha. A pas­ sagem antecipa o futuro reinado de Cristo (H b 10.12-13). D epois da acusação contundente aos escribas e fariseus (M t 23.1-36) e de seu lam ento trágico (23.37-38), o Sen h or faz a seguinte declaração: “Porque eu vos digo que, desde agora, m e não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nom e do S e n h o r!” Estas palavras foram extraí­ das de Salm os 118.26 e prenunciam a res­ posta de Israel ao M essias no futuro. Todas as esperanças de Israel estão no advérbio “até”. C h egará o dia em que a nação se arrependerá, então virá o reino. A vinda do reino depende do arrependim ento de Israel (Zc 12.8-14). Mateus 24— 25 registra o mais longo discurso profético do Senhor. Com eça com uma impressionante afirmação a respeito do Templo, “Em verdade vos digo que não fica­ rá aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (24-2), a qual trouxe perplexidade e confusão aos discípulos, de modo que estes perguntaram a Jesus: “Dize-nos quando se­ rão essas coisas e que sinal haverá da tua vin­ da e do fim do mundo?” Para os discípulos, todas as três perguntas giravam em tom o da visão que tinham a respeito da vinda do Senhor — visão que seguia o que fora pro­ fetizado em Zacarias 14.1-4. Por causa desta profecia, a destruição de Jerusalém e a vinda de Jeová para libertar Israel compreendiam apenas um breve momento na história. A resposta do Senhor começou com um aviso para que não fossem enganados (24-46). Esta era intermediária seria caracterizada

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por falsos mestres e guerras, mas tais eventos ainda não marcariam o seu fim. O versículo 8 traz o próximo ponto cro­ nológico: “o princípio das dores”. Em outras palavras, o fim desta era incluirá um aum en­ to das guerras entre reinos e nações, com fomes e terremotos por todo o mundo. O período final da Tribulação incluirá uma perseguição universal contra os crentes (os que forem salvos durante a tribulação). H averá terrorismo, falsos profetas, des­ respeito à lei e a proclamação do reino ao mundo inteiro (24-9-14). Este parágrafo é um rápido esboço dos últimos sete anos que precedem o segundo advento de Cristo. A m ais relevante característica da Tri­ bulação será a abom inação da desolação, profetizada em D aniel 9.27; 11.31 e 12.11 (v eja tam bém 8.13). Esta abom inação, m uito provavelm ente, é um ídolo coloca­ do no Tem plo pelo hom em da iniqüidade. Trata-se de um evento futuro e é segura­ m ente o acon tecim ento descrito em A p o ­ calipse 13.14-15. C om o Paulo observa em 2 Tessalonicenses 2.3-4, esta será a mais clara indicação de que a Tribulação co ­ m eçou. A abom inação dará início a uma tribulação sem precedentes e a orientação do Senh or é que, quando ela vier, seus fi­ éis fujam para salvar a vida. O s falsos messias, apesar de realizarem m ilagres espantosos, serão desmascarados diante da presença do Filho do H omem , tam anho será o esplendor de sua m anifes­ tação. Será com o um raio que cruza de um lado para o outro no céu (24-23-27). O Senhor anunciará sua vinda com grandes convulsões na terra e no céu, além de algumas m anifestações pessoais nos céus (possivelm ente a glória shequiná do Jeová veterotestam entário; ver Zc 12.10). Por fim, cumprindo D aniel 7.13, Isaías 27.10 e Zacarias 9.14, o Senhor voltará ao som de uma trom beta para recolher seus es­ colhidos sobre a terra (M t 24.29-31).


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Durante o período da Tribulação, os ha­ bitantes da terra estarão tão concentrados em suas atividades cotidianas que serão pegos de surpresa pela volta de Cristo, a exemplo do que aconteceu com a geração de Noé, que foi repentinamente tomada pelo dilúvio. Os in­ divíduos que são tomados da terra em 24.4041 nada têm a ver com o arrebatamento, mas serão mortos de forma que não entrarão no reino após a Tribulação. Assim como as ví­ timas do dilúvio foram tomadas por aquela catástrofe, estes também serão tomados pelos juízos de Deus (M t 24.37-41). Em M ateus 24.42— 25.30, o Senhor apresenta diversas parábolas para ilustrar o julgam ento dos salvos e dos perdidos, falan­ do sobre os que entrarão no reino vindouro e sobre os que serão mortos e lançados no inferno. A lgum as dessas parábolas também descrevem recom pensas para os salvos, envolvendo responsabilidades e posições de destaque durante o reinado do Messias sobre a terra. O julgam ento descrito em 25.31 -46 não ocorre perante o Grande Trono Branco que está profetizado em A pocalipse 20.11-15. Existem dois julgam entos distintos, sepa­ rados por mil anos. O julgam ento perante o G rande Trono Branco acontece após o M ilênio, quando os im penitentes do hades serão lançados nas cham as eternas do lago de fogo (A p 20.14-15). M ateus 25.31-46 profetiza acerca do julgam ento dos gentios ainda vivos no final da Tribulação. A ntes deste julgam ento, virá o dos judeus (Rm 2.9-10; Ez 20.33-44; Lc 19.27). Três grupos estão en volvid os neste cenário: as ovelhas (os gentios salvo s), os bodes (os gentios con d en ados) e “meus irm ãos” (os judeus salv o s). D urante a T ri­ bulação, o anti-sem itism o estará de tal form a desenfreado que ajudar um judeu p oderá envolver risco de vida, p rin cip al­ m ente se for um judeu sem a m arca da B esta. O destin o dos salvos é o reino que

Deus p lan ejou para a h um anidade desde a criação do m undo (2 5 .3 4 ).

A CRUCIFICAÇÃO E A RESSURREIÇÃO Significativam ente, o futuro R eino de Deus para a hum anidade estava na m ente do Senhor até mesmo quando Ele instituiu a C eia do Senhor (M t 26.29). N a ocasião, Cristo referiu-se a um a fruta literal que será apreciada no futuro reino literal. Quando o sumo sacerdote confrontou Je ­ sus e colocou-o sob juramento, Cristo mais uma vez referiu-se a si mesmo como o Filho do Homem, um termo messiânico extraído de Daniel 7.13-14. Jesus então descreve a si mesmo sentado à direita do Pai, conforme Salmos 110.1 (posição que Ele agora ocupa; Hb 10.12-13). De lá, Ele retomará por entre as nuvens do céu (Dn 7.13). Esta vinda ainda é futura e precederá seu reino sobre a terra. A última profecia do Senhor Jesus no Evangelho de Mateus está implícita no ver­ sículo final. Em Mateus 28.20, Cristo pro­ mete estar junto de seus seguidores até o fim dos séculos, claramente aludindo à profecia anterior de que esta era terminará com seu glorioso retom o. N ão é de surpreender que a Igreja Primitiva proclamasse: “M aranata!”

— Stanley D . Toussaint BIBLIOGRAFIA Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps od the Messiah. Tustin, California: Ariel Press, 1982. Larson, David. Jews, Gentiles a n d the Church. Grand Rapids: D iscovery House, 1995. McClain, Alva. The G reatm ess o f the Kingdom. Grand Rapids: Zondervan, 1 959. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Findlay, Ohio: Dunham , 1 958. Toussaint, Stanley D. Behold the King. Portland, Oregon: Multnom ah Press, 1980. Walvoord, John F. Matthew, Thy Kingdom Come. Chicago: M o o d y Press, 1974.


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PAULO, ESCATOLOGIA DE Em suas epístolas, o apóstolo Paulo escreveu extensivam ente sobre muitos assuntos proféticos, de uma forma literal e histórica. Seus com entários extrem am ente práticos tratavam das preocupações de seus leitores da época. Dentre os tópicos tratados, havia a apostasia religiosa.

A APOSTASIA DA IGREJA A pesar de alguns estudiosos dis­ cordarem, Paulo claram ente profetizou so­ bre uma apostasia religiosa perto do fim da era da Igreja. A palavra “apostasia” significa “ficar longe ou afastar-se de” e Paulo a uti­ liza apenas uma vez (2 Ts 2.3). Escrevendo para a igreja de Tessalônica, ele diz: “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele [provável referência ao arrebata­ mento], que não vos m ovais facilm ente do vosso entendim ento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, com o de nós, com o se o Dia de C risto estivesse já perto” (2 Ts 2.1-2). O s cristãos de Tessalônica erroneam ente pensavam que a terrível Tribulação era imi­ nente. Paulo assegurou-lhes: “Ninguém , de m aneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a aposta­ sia e se m anifeste o hom em do pecado, o filho da perdição” — este, um a referência ao A nticristo. A lguns leitores crêem que a “apostasia” (ou o “afastam ento” ) pode es­ tar relacionada ao arrebatam ento dos cren­ tes para a glória. O consenso mais amplo, porém, é que ela tem a ver com um afasta­ m ento espiritual (“afastam ento” da fé) que ocorre nos estágios finais da era da Igreja. Em suas cartas a Timóteo, Paulo especi­ fica o que constitui este afastamento, escre­ vendo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns

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da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 T m 4.12). Com a frase “apostatarão alguns da fé”, Paulo deixa subentendido que estes apósta­ tas continuarão a ser “religiosos”, mas nega­ rão a verdade da fé em Cristo e sua salvação. Aqui, “apostatarão” é o futuro do indicativo do verbo aphieemi e significa “abandonar” ou “afastar-se”. Os homens, portanto, não serão afastados por forças externas, mas afastarão a si próprios da verdade, abraçan­ do doutrinas de espíritos malignos e ensinos de demônios. Paulo volta a escrever sobre esta apostasia em 2 Tim óteo 3.1-5: “ [...] nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá hom ens am antes de si m es­ mos, avarentos, presunçosos [...] mais am i­ gos dos deleites do que amigos de Deus” . Paulo fala sobre este assunto no futuro do presente, mas acrescenta que tal apostasia já estava presente dentro da Igreja. Ryrie (p. 140) diz que apostasia é “um afastam ento de um a verdade previam ente aceita, envolvendo a ruptura de um rela­ cionam ento professado para com Deus. A apostasia sem pre im plica abandonar ver­ dades já reconhecidas e abraçar o erro” . N o s últim os tem pos da dispensação da Igreja, m uitos dos que se declararem co n ­ vertidos e professarem um relacionam en­ to pessoal com Deus estarão apenas repre­ sentando, vivendo um a m entira, levando vidas de charlatões. N o s últim os dias an ­ tes do arrebatam ento da Igreja, a apostasia será intensa.

A RESSURREIÇÃO DOS SANTOS DA IGREJA Tal qual Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, os crentes em Cristo também pos­ suem a promessa da ressurreição do corpo. Cristo foi sepultado e então ressuscitado “se­ gundo as Escrituras”. Em seguida, apareceu a Pedro, aos doze apóstolos, a quinhentos ir­


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mãos “uma vez”, a Tiago e, por fim, a Paulo (1 C o 15.4-8). Sem a ressurreição de Cristo, não temos esperança em nossa própria ressurreição (15.12-19). Paulo prossegue em sua argumentação escatológica em 1 Corín­ tios 15, proclamando que a maior vitória da humanidade é a ressurreição do corpo: “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 C o 15.56-57). Quando o Senhor voltar para sua Igre­ ja, Deus trará com Ele “os que em Jesus dorm em ” (1 Ts 4.14)· Estes serão ressus­ citados primeiro; então, os que estiverem vivos serão arrebatados. Os santos vivos serão “arrebatados juntam ente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts 4-17). N esta passagem , Paulo com ­ bina a ressurreição dos santos da Igreja e o arrebatam ento. Outras ressurreições virão, para os santos do A T e para os que perecerem na Tribu­ lação. Também experimentarão a ressurrei­ ção os perdidos, que serão julgados perante o Grande Trono Branco. Paulo, contudo, concentra-se aqui na ressurreição da Igreja, “os que morreram em Cristo” (1 Ts 4-16).

mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressus­ citarão primeiro; depois, nós, os que ficar­ mos vivos, seremos arrebatados [gr.: harpazo] juntam ente com eles [os ressurretos] nas nuvens”. Esta é a bendita esperança para aqueles que não morreram. Paulo escreve: “Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4-16-18). A queles que crêem devem “esperar dos céus a seu Filho [...] a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1 Ts 1.10), pois “Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação [libertação], por nos­ so Senhor Jesus C risto” (5.9). O filho de Deus deve crer na profecia e esperar pela “bem -aventurada esperança e o apareci­ m ento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus C risto” (T t 2.13). Os cren­ tes serão conduzidos à “presença de nosso Senhor Jesus” (1 Ts 2.19) e serão apresen­ tados irrepreensíveis e em santidade “dian­ te de nosso Deus e Pai, na vinda de nos­ so Senhor Jesus C risto, com todos os seus santos” (1 Ts 3.13). A s profecias acerca do arrebatam ento são um a característica sin­ gular da escatologia de Paulo.

0 ARREBATAMENTO DA IGREJA

0 TRIBUNAL DE CRISTO

C risto parece aludir ao arrebatam ento em João 14.1-3, mas é Paulo que apresenta a doutrina com pleta e a revelação acerca do acontecim ento. Ele cham a o arrebata­ m ento de “um m istério”: algo secreto ou não revelado previam ente. Q uanto aos que não estiverem mortos, ele escreve: “todos seremos transform ados” (1 C o 15.51-53). Paulo profetiza que “num m om ento” (gr.: atoma), num abrir e fechar de olhos, ante a últim a trombeta, nós seremos transforma­ dos. De im ediato, o corruptível se revestirá de incorruptibilidade. Paulo, profeticamente, entra em maiores detalhes a respeito desta verdade: “Porque o

Paulo escreve sobre as recom pensas de C risto para os santos da Igreja. O Tribu­ nal de C risto (gr.: bema) é o trono ou o pódio onde todos devem os com parecer, “para que cada um receba segundo o que tiver feito por m eio do corpo, ou bem ou m al” (2 C o 5.10). Este julgam ento tem sido m al com preendido. C om freqüência é visto apenas com o um lugar de recom ­ pensas. Paulo, entretanto, cham a-o de um lugar de com pensação (gr.: komizo, “re­ ceber para si” ). O Senh or aten ta para o que fazemos, seja bom (aghathos) ou mau (phaulos). Serem os com pensados de acor­ do com nossas obras.


Pa u l o , E s c a t o l o g i a d e Anteriorm ente, Paulo escreveu sobre este dia de juízo para os crentes em 1 C o ­ ríntios 3.10-15. Ele diz que os crentes constroem sobre o fundam ento de Cristo, edificando suas vidas com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha. Estes materiais simbolizam a qualidade da vida cristã e do serviço prestado a Cristo. Tais obras serão testadas pelo fogo, que consu­ mirá o que for indigno e preservará o que for digno do Senhor.

A TRIBULAÇÃO De m odo geral, Paulo utiliza a palavra “ira” (gr.: orge) para descrever profetica­ m ente o período de sete anos da Tribulação sobre a terra. Ele diz que, no arrebatam en­ to, Jesus nos salvará da ira vindoura (1 Ts 1.10) e declara que “Deus não nos destinou para a ira” (1 Ts 5.9). Quando Jesus vier para ser glorificado com seus santos em seu reino, executará um juízo de labaredas de fogo, tom ará vingança e aplicará o castigo da “eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” (2 Ts 1.7-9). Em 2 Tessalonicenses 2.3-4, Paulo des­ creve rapidam ente a profanação do Tem ­ plo reconstruído pelas m ãos do A nticristo, o “hom em do pecado, o filho da perdição”. O apóstolo refere-se à profecia de Daniel sobre a vinda do A nticristo (D n 11.36-45). D aniel profetizou sobre um rei obstinado que falará contra o “Deus dos deuses” e se engrandecerá contra Deus. Paulo, por sua vez, profetizou que esse A nticristo será eli­ m inado pelo sopro da boca de Cristo em sua segunda vinda (2 Ts 2.8). Durante a Tribulação, Deus enviará o erro sobre os ímpios e escarnecedores, a fim de que não recebam a verdade para serem salvos (2 Ts 2.9-10). Deus tam bém enviará um a influência enganadora para que creiam no que é falso e sejam julgados “os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade” (2 Ts 2.11-12). O s alertas de

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Paulo para que não rejeitem os a C risto são realmente graves.

0 REINO MESSIÂNICO A pesar de Paulo falar pouco a respei­ to do reino no M ilênio, esta realidade faz parte do pano de fundo de suas considera­ ções escatológicas. Ele vê a Igreja a cam i­ nho do reino e, em um m om ento futuro, desfrutando das bênçãos do reino de C ris­ to sobre a terra. Q uando Paulo e Barnabé saíram a pre­ gar o evangelho, lembraram os fiéis de que eles algum dia entrariam no reino “por m ui­ tas tribulações” (A t 14-22). Paulo pregou o evangelho na sinagoga de Efeso por três meses, “disputando e persuadindo-os acer­ ca do Reino de Deus” (A t 19.8). Enquan­ to esteve em prisão dom iciliar em Rom a, Paulo falou aos anciãos judeus da cidade a respeito de Jesus e “declarava com bom testem unho o R eino de Deus e procurava persuadi-los à fé de Jesus” (A t 28.23). S o ­ m ente aqueles que forem considerados jus­ tos e remidos pelo sangue de C risto serão capazes de herdar o R eino de Deus (1 C o 6.9). Cristo entregará o reino a Deus Pai “quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força” (1 C o 15.4). Deus, em sua misericórdia, libertou os santos da Igreja do dom ínio das trevas e “nos trans­ portou para o R eino do Filho do seu am or” (C l 1.13). N ão devemos confundir a dispensação do reino com a dispensação da Igreja. Pau­ lo separa com pletam ente o reino da era da graça, o que fica claro quando ele dá uma atribuição a Tim óteo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senh or Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu R ein o” (2 T m 4-1). Pau­ lo preserva a visão veterotestam entária a respeito do reino: um período de tempo específico, em que C risto reinará sobre a nação de Israel e sobre as nações de todo o


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mundo. E um a época com pletam ente dife­ rente da era da Igreja. Paulo não substitui o reino pela Igreja e, em nenhum m omento, cham a a Igreja de reino. O reino ainda é algo futuro. E algo que só será real na terra após o retorno pessoal do Rei.

— Mal Couch

sente, tom ando nossos dias mais difíceis suportáveis e alegres (1 Pe 1.8).

TÓPICOS ESCAT0LÓGIC0S QUE TRAZEM ENCORAJAM ENTO Pedro refere-se aos seguintes tópicos escatológicos para encorajar o crente a perseverar na dificuldade e fazer o que é correto e digno perante o Senhor:

BIBLIOGRAFIA Couch, Mal, editor. A Biblical Theology o f the Church. Grand Rapids: Kregel, 1999. The Fundam entals for the Twenty-First Century. Grand Rapids: Kregel, 2000. Enns, Paul. The M oody H andbook o f Theology. Chicago: M o o d y Press, 1989. LaHaye, Tim, e Ice, Thom as. The End Times Controversy. Eugene, Oregon: Harvest H ou­ se Publishers, 2003. Ryrie, Charles C. Dispensationalism . Chicago: M o o d y Press, 1 995.

PEDRO, ESCATOLOGIA DE Para o apóstolo Pedro, é a escatologia que possibilita suportar tem pos incertos, prova­ ções, perseguições, zombarias e falsas dou­ trinas. E o impulso do crescim ento espiri­ tual e a certeza da vitória. O Pai nos ch a­ mou e escolheu (1 Pe 1.2, 15), o Espírito de C risto nos santifica (1 Pe 1.2), e a prom es­ sa de uma herança eterna e incorruptível nos aguarda (1 Pe 1.3-5). Esta inexplicável salvação, que deixou os profetas da antigüi­ dade perplexos, e até hoje deixa os anjos fascinados, é nossa, para a abraçarmos e desfrutarmos à luz da gloriosa expectativa por tudo o que será nosso com a segunda vinda do Salvador (1 Pe 1.5,7,13). De m a­ neira simples, a escatologia mostra que o fiel vencerá, ainda que todos os aspectos de sua atual situação indiquem o contrário. A escatologia é relevante para o tem po pre­

1. A viva esperança: a certeza da vida eterna, que é dada ao crente por meio da ressurreição de Jesus Cristo (1 Pe 1.3; 3.15). 2. A salvação: o processo pelo qual Deus chama, separa e transforma uma pessoa à imagem de seu Filho. E o infalível processo de redenção que com eça na cruz, com o arrependi­ mento, e culmina na segunda vinda de Cristo (1 Pe 1.2-9; 5.10). 3. U m a herança: a promessa divina de uma recompensa aos crentes, a qual é boa, eterna e incorruptível (1 Pe 1.3-5; 3.9; 5.4). 4. O retomo de Cristo: para Pedro, é o momento em que as provas, que acompanham nossa caminhada de fé sobre a terra, finalmente resultam na glória, na honra, no louvor e no júbi­ lo que os crentes sempre ansiaram por dar ao Senhor (1 Pe 1.7; 4.13; 5.1). É o momento em que a obra da graça de Deus completa a salvação da alma do crente (1 Pe 1.13; 5.1). E um m o­ mento visto como iminente; ou seja, o retomo de Cristo pode acontecer a qualquer momento (1 Pe 4.7). 5. A promessa de uma nação santa: a reunião de um povo que Deus, por meio de sua grande misericórdia, escolheu dentre os povos do mundo para refletir sua vontade e seu caráter (1 Pe 2.5-10).


P e d r o , E s c a t o l o g ia d e 6. O juízo: a promessa de que os delitos, de todo e qualquer indivíduo, como os prazeres ilícitos e as imprecações contra os justos, serão cobrados (1 Pe 4.35 , 1 7 Ί 8 ). Pedro refere-se ao derradei­ ro derramar do juízo de Deus como “o Dia do Senhor” (2 Pe 3.10,13). 7. O inferno: é provável que Pedro ti­ vesse o inferno em mente quando entendeu que a “escuridão das trevas” estava reservada para aqueles que en­ sinam falsas doutrinas (2 Pe 2.17). 8. N ovos céus e nova terra: um perí­ odo ardentem ente ansiado pelos crentes, o qual encerrará o D ia do Senhor (o terrível juízo final sobre o m undo), pondo um fim ao pecado e ao sofrimento. Os novos céus e a nova terra serão um lugar onde h a­ bitará a justiça (2 Pe 3.13). Pedro não trata de eventos específicos que ocorrerão durante a segunda vinda, com o o arrebatam ento, a Grande Tribulação, o segundo advento, a batalha do Arm agedom , o M ilênio ou o julgam ento perante o Grande Trono Branco. Em vez disso, ele vê a volta de Cristo com o um acontecim ento futuro e inevitável que de­ veria incentivar os crentes a perm anece­ rem firmes na fé.

A ESCATOLOGIA APLICADA ÀS QUESTÕES COTIDIANAS Buscar a Deus e não ao mundo(l Pedro 1.13—2 .12). O s crentes deveriam dedicar cada dia de suas vidas à busca de características e qualidades condizentes com sua heran­ ça incorruptível, afastando-se das coisas corruptíveis e vis desta terra (1 Pe 1.14; 2.1,11-12). C om o povo de Deus, os cristãos são “peregrinos e forasteiros” neste mundo (1 Pe 2.11), cujo destino final são novos

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céus e nova terra, onde apenas a justiça habitará. Considerando esta situação, seu com portam ento deveria ser tal que os ím­ pios, ao observarem seus valores, tivessem dificuldade em levantar calúnias e ficassem inclinados a receber esta m esma misericór­ dia, concedida por Deus a todos os que se arrependem (1 Pe 2.12).

Submeter-se às autoridades, quer boas, quer más (1 Pedro 2.13-25). A queles que sobre nós exercem autori­ dade, independentem ente de quem sejam (autoridades locais, estaduais, federais, m ilitares, em nossos empregos e negócios, na igreja local ou na fam ília), possuem a responsabilidade de assegurar a m anuten­ ção da justiça, de forma que nossa socie­ dade seja o mais equânim e possível. Em sua relação com essas autoridades, o cristão pode vir a sofrer injustiças, seja porque a autoridade ignora o problem a ou porque não se interessa em com batê-lo. N esta si­ tuação, os servos do Deus A ltíssim o, que outorga poder a quem quer conforme seus próprios planos para toda a hum anidade, devem suportar as conseqüências de pro­ curar fazer o que é certo em uma situação ruim. O sofrimento do Senh or em sua vida na terra culm inou na ressurreição e numa nova vida. Por causa do que Ele suportou e realizou na cruz, a experiência do cristão na terra term inará em uma com pleta cura espiritual (1 Pe 2.24) e na concretização da esperança viva, por que ele ansiosam ente espera (1 Pe 1.3-5).

Sempre bendizer em meio aos problemas (1 Pedro 3.1-22). O cristão tem a responsabilidade de sem ­ pre abençoar. Em outras palavras, bendizer com palavras de louvor, gratidão e apoio, ou agir em benefício do outro sem esperar gratidão. A salvação que Deus promete aos crentes — a herança que lhes é garantida


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— capacita-os a fazer o bem pelos outros a despeito da situação, pois, que dano permanente pode o ímpio causar ao justo (1 Pe 2.6)? N ada pode separar o que é chamado daquele que chama. A salvação do crente é algo inexorável. O crente tem apenas de viver a salvação graciosamente concedida por Deus de forma que venha refletir a graça e o amor do Senhor pelos mais relutantes (1 Pe 3.8-9), seja um cônjuge (1 Pe 3.1-7), um irmão ou um inimigo do evangelho. Visto que já recebeu a m aior de todas as bênçãos — a garantia da salvação eter­ na (1 Pe 1.2-9) — o crente se torna capaz de buscar a santidade e sacrificar o que for necessário para abençoar o próximo. U m a escatologia bem estruturada incentiva o amor e a confiança do cristão em um C ris­ to que ele jam ais viu. Dessa forma, ele é capaz de participar, de forma respeitosa e consciente, de um m undo que não pode ver (1 Pe 3.15-16).

Viver o resto da vida segundo a vontade de Deus (1 Pedro 4.1-19). N enhum ser hum ano conhece a hora em que o Senhor voltará. A té onde é pos­ sível saber, isto é algo sempre “próxim o” ou im inente (1 Pe 4.6). Por isso, Pedro exorta os crentes a viverem segundo a vontade de Deus (1 Pe 4-2). N ão há tem po a perder na busca das coisas que satisfazem hom ens pe­ cadores e lascivos, nem tempo para se preo­ cupar com a zombaria daqueles que as pro­ curam (1 Pe 4.4). A queles que, em prol de sua própria satisfação, escolhem abandonar o Senhor serão julgados por suas transgres­ sões. A pesar de os ímpios perseguirem os justos, eles já perderam a batalha que real­ m ente importa: a batalha entre a vida e a m orte espirituais, entre o espírito e a carne (1 Pe 4.5, 17-18). C om seu destino final sempre em vis­ ta, o crente deve lembrar que sofrer com C risto o identifica com o alguém que aban­

donou os próprios interesses em prol das outras pessoas (1 Pe 4-1). A lém disso, a volta de Cristo e o juízo vindouro impelem o coração do crente a m anter a mente con ­ centrada na oração, no amor, no perdão, no partilhar de suas posses (hospitalidade), no desenvolvim ento e na utilização dos dons que Deus deu aos santos, a fim de que ministrem uns aos outros e às outras pesso­ as (1 Pe 4.7-11). A alegria que um crente é capaz de sentir ao enfrentar perseguições por causa de Cristo será transform ada em júbilo na segunda vinda (1 Pe 4.13). A q u e­ les que sofrem por fazer a vontade de Deus confiam seu destino eterno aos cuidados do Criador, cujas promessas de justiça e alegria preenchem as esperanças de cada dia.

Fazer com que a humildade seja a arga­ massa que une a família de Deus (1 Pe­ dro 5.1-14). Embora, com o fim de assegurar a or­ dem, seja necessário o respeito pela autori­ dade dentro da igreja, posições não tornam um crente melhor ou pior que os outros. A consciência que um crente adquire em relação à obra de Deus, no que diz respei­ to ao resgate de sua alm a miserável, tem o im pacto de aniquilar a m enor insinuação de arrogância e prom over um a m ontanha de hum ildade. A ceitar é tudo o que as pes­ soas podem fazer quanto ao plano salvífico de Deus; todo o resto é resultado da graça do Senhor. Com preender os aspectos pas­ sados (escolhidos por Deus; 1 Pe 1.1-2), presentes (a obra santificadora do Espírito e a proteção do poder de Deus; 1 Pe 1.2,5) e futuros (a herança incorruptível que está reservada no céu; 1 Pe 1.4) do processo de redenção torna possível que líderes e reba­ nho trabalhem juntos para o bem de todos. C ad a papel serve aos demais sem ciúmes ou com petição. N o tempo de Deus, Ele trará seus filhos para a glória eterna, onde Ele os “aperfeiçoará, confirmará, fortificará


P e d r o , E s c a t o l o g ia d e e fortalecerá” (1 Pe 5.6-10). A humildade reconhece que o futuro está sob o controle de um Deus soberano. A queles que a pos­ suem escolheram enfrentar as tem pestades que acom panham a fé nesta vida, pelo inexaurível prazer de desfrutarem a próxim a na com panhia de Deus.

D ar atenção às admoestações de uma tes­ temunha ocular (2 Pedro 1.1-21). Embora a escatologia seja um grande es­ tímulo para o crente suportar as agruras que acom panham uma vida fiel ao Senhor nes­ ta terra, ela não é suficiente para, de forma isolada, sustentá-lo. O crescimento de um crente exige diligência, que, com o tempo, amadurece a natureza divina que é dada a todo crente pela fé em Cristo e ajuda a su­ perar a corrupção que há no mundo (2 Pe 1.2-4,9). A s promessas de Deus garantem a plenitude da salvação para cada crente (1 Pe 1.3-5,9,13). O acréscimo de virtudes cristãs à vida do crente assegura uma experi­ ência mais rica, tom ando a vida cristã mais proveitosa e espiritualmente frutífera, uma vez que tenha sido moldada pelo verdadeiro conhecim ento de Cristo (2 Pe 1.8-9). Sem excelência moral, conhecimento, autocon­ trole, perseverança, santidade, fraternidade e amor, o crente leva uma vida cristã nom i­ nal, improdutiva e fracassada. A idéia de que os crentes pudessem fa­ lhar em sua fé era por demais intolerável para Pedro levar em consideração. N o tex ­ to de 2 Pedro, fica claro que sua exortação não é a primeira (2 Pe 1.12-15). Ele se pre­ ocupa de tal forma em ser levado a sério, que continuam ente lembra sua audiência de que seu entendim ento da necessidade de tais virtudes cristãs advém do fato de ele ter sido testem unha ocular da glória e da honra de Cristo na transfiguração. Lá, na transfiguração, a voz audível de Deus convenceu-o com pletam ente de que a re­ lação entre Jesus e seu Pai era efetivam ente

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singular (2 Pe 1.16-18). A confirmação de Deus na transfiguração de seu Filho tornou todas as profecias a respeito de C risto “mui firme [s]” , reforçando a credibilidade das Es­ crituras com o um todo (2 Pe 1.18-19). O conhecim ento da Palavra de Deus produz um crente com prometido, com petente e confiante, capaz de suportar as provações de seu tempo enquanto aguarda a vinda do Senhor (1 Pe 1.13; 2 Pe 1.16).

Lembrar que o juízo divino sobre o pecado é certo (2 Pedro 2.1-3.18). A o longo da história, sempre houve pe­ ríodos em que a injustiça foi a regra. A liás, pode-se afirmar sem medo de errar que a impiedade é o padrão do com portam ento hum ano. Tal qual Davi, que estava cansado das investidas e perseguições dos ímpios, os crentes hoje podem com justiça clamar: “A té quando, ó Deus, nos afrontará o ad­ versário? Blasfem ará o inim igo o teu nome para sempre?” (SI 74.10) E, porém, impor­ tante lembrar que a Bíblia está repleta de ilustrações em que Deus assegura que os ímpios colherão as conseqüências do mal que plantaram . Pedro lembra seus leito­ res do Juízo de Deus sobre os anjos caídos (2 Pe 2.4), da destruição dos ímpios nos tem pos de N oé (2 Pe 2.5) e da condenação de Sodom a e G om orra (2 Pe 2.6). M esmo durante os m ais negros períodos da história hum ana (2 Pe 2.5,7-9), Deus preserva os justos e condena os iníquos. A história re­ gistrada na Bíblia mostra que o fim de toda falsa doutrina e de todo o pecado é o juízo divino. Se ele julgou os ímpios no passado, certam ente julgá-los-á no futuro — sua ju s­ tiça im utável não exige menos do que isso. A m ensagem de incentivo de Pedro é clara e simples: manter-se fiel em m eio às falsas doutrinas e proteger-se de sua influ­ ência (2 Pe 2.17-22). Deus não permitirá que o pecado dure para sempre (2 Pe 2.17). Em verdade, no tem po escolhido, Deus en­


S a l m o s , E s c a t o l o g ia d e

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viará um juízo de proporções globais (2 Pe 3.5-9). Este juízo será tão abrangente que exigirá a criação de novos céus e nova ter­ ra, onde som ente a justiça perm eará a vida daqueles que lá habitarem (2 Pe 3.10-13). Pedro encerra sua segunda epístola da mesma form a com o iniciara a primeira: com a prom essa de um tem po em que a jus­ tiça reinará sem ser lim itada pelo pecado hum ano. C ientes de que a vitória é ine­ vitável, os crentes devem concentrar suas energias em refletir as qualidades morais de seu Deus (2 Pe 3.14), aprofundar sua com ­ preensão da Palavra (2 Pe 3.2, 16) e levar um a vida obediente e livre das influências do m undo (1 Pe 1.13-19).

— Gary P. Stewart BIBLIOGRAFIA Blum, Edward A. Ί

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SALMOS, ESCATOLOGIA DE 0 REINADO DE DEUS O reinado eterno e absoluto do S e ­ nhor é o conceito teológico unificador

dos Salm os. O S en h or é “R ei grande sobre toda a terra” (4 7 .2 ), e o seu reino “é um reino eterno” (1 4 5 .1 3 ). O seu governo se estende “acim a de todos os deuses” (95.3), e Ele é o “Deus dos deuses” e “Senh or dos senhores” (136.2-3). O s Salm os declaram que o Senh or estabeleceu o seu direito para governar a criação quando trouxe o m undo à existên cia (95.3-5; 96.4-10; 104-1-9; 146.6-10). C on trário às reivin­ dicações da religião cananéia, o Senhor, e não Baal, subjugou o mar e sujeitou as forças do caos à sua autoridade (74.13-15; 89.9; 93.3-4). O S en h or tam bém afirmou a sua soberania na história derrotando os seus inim igos e levando Israel à terra de C an a ã (9.5-7; 24-7-10; 66.6-7; 68.7-10, 21-24; 77.16-20). A esperança escatológica dos Salm os é a consum ação e o reconhecimento universal da soberania do Senhor. Embora o reinado do Senhor seja uma realidade eterna, ini­ migos rebeldes ainda se opõem ao governo de Deus e oprimem o seu povo. O s Salm os mostram uma tensão entre o governo abso­ luto de Deus e a sua evidência, o que parece sugerir que os inimigos de Deus prevalecem. A s nações conspiram contra o Senhor e o governante davídico (2.1), e as forças do caos que o Senhor subjugou na criação con­ tinuam fazendo-se valer (46.2-3). Os justos sofrem nas mãos dos seus ini­ migos, tanto nacionais como pessoais (9.13; 17.8-12; 102.8). O salmista é cercado pelos inimigos, que são com o animais vorazes de­ sejando despedaçá-lo (22.12-16). Em vez de desfrutar da segurança do Senhor como o seu Pastor (23.1), Israel queixa-se de serem “reputados como ovelhas para o matadouro” (44.22). Exércitos de inimigos que lançam os seus insultos contra o Senhor profana­ ram e queimaram o seu santuário (74-3-10). N o s lamentos, os salmistas perguntam: “A té quando?” (6.3; 13.1; 119.84) A té que o S e ­ nhor intervenha e eles recorram a Deus,


S a l m o s , E s c a t o l o g ia d e pedindo-lhe que “desperte” e aja de acordo com o seu caráter (7.6; 35.23; 44.23). Os salmos imprecatórios são clamores inflama­ dos e impacientes para que Deus ponha fim àqueles que se opõem ao seu governo e ao seu povo (cf. 3.7; 58.6-10; 137.8-9).

0 SENHOR 00M0 GUERREIRO E JUIZ A pesar das injustiças da vida, os S a l­ mos refletem uma firme confiança de que o Senhor agirá com o Guerreiro e Juiz, para corrigir essas injustiças e livrar o seu povo. O Senhor virá para julgar a terra (96.13; 98.9). C om o resultado, os justos estão se­ guros, com o árvores bem regadas, enquan­ to os ímpios são com o a palha soprada para longe, pelo vento do juízo de Deus (1.3-5). O Senhor destrói os ímpios com “fogo e en ­ xofre e vento abrasador”, mas recom pensa as ações piedosas dos justos (11.6-7). Os ímpios podem prosperar tem porariamente, m as serão rápida e repentinam ente destru­ ídos (73.18-20; 92.7-9). Embora o juízo divino antecipado nos Salm os não seja explicitam ente escatológico em natureza, os Salm os aguardam ansio­ sam ente um tem po em que Deus virá para estabelecer a justiça em um a escala m un­ dial (cf. 67.7; 96.10-13; 98.9). O s salmos de S ião prom etem que o Senhor derrotará os exércitos hostis que atacarem a santa cidade de Jerusalém (46.5-7; 48.3-8; 76.26), e os profetas do A T falam de um ataque final sobre Jerusalém no grande D ia do S e ­ nhor, quando o Senhor purificará Israel em juízo, e então, de um a vez por todas, livrará o seu povo dos seus inimigos (Ez 38— 39; Joel 3.9-21; S f 3.6-20; Zc 14; veja tam bém A p 19.14-20; 20.7-9).

A SALVAÇÃO DAS NAÇÕES Os Salm os não só vêem as nações como objetos de juízo, mas incluem os povos do mundo no plano de salvação de Deus. Israel desfruta privilégios singulares como o povo

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da aliança de Deus, mas a “bondade” do Senhor se estende por toda a terra (33.5). Deus ordenou que Israel proclamasse os atos de salvação do Senhor às nações (96.1-4; 105.1), e o plano de Deus era que os seus atos poderosos em Israel e as suas bênçãos providenciais sobre toda a criação fizessem com que as nações se submetessem ao seu governo (65.5-13; 98.3). O fato de as nações serem convocadas a louvarem ao Senhor pe­ los atos de salvação em favor de Israel (96.13; 98.1-3) mostra que, no final, as próprias nações irão partilhar desta salvação. Finalmente, todas as nações se subme­ terão ao Senhor e lhe oferecerão a adora­ ção que é devida ao seu nome (22.27-30; 145.10-13). Salm os 47.9 até mesmo retrata os príncipes das nações reunindo-se para adorar como “o povo do Deus de A braão”, cumprindo a promessa da aliança de que to­ das as famílias da terra seriam benditas em A braão (G n 12.1-3). A adoração de Israel a Deus é a antecipação da grandiosa sinfonia de louvor que todas as nações oferecerão ao Senhor na N o va Jerusalém (A p 21.22-27).

0S SALMOS E 0 MESSIAS A escatologia dos Salm os está inextricavelm ente ligada à prom essa de um fu­ turo M essias, em razão da íntim a relação existente entre o reinado de Deus e o go­ verno do rei davídico em Jerusalém . O S e ­ nhor estabeleceu um relacionam ento de aliança com a casa de D avi, prom etendolhe um a dinastia eterna, estipulando que abençoará ou punirá os governantes da descendência de D avi conform e a obedi­ ên cia que dem onstrarem aos m andam en­ tos de M oisés (89.28-37; veja tam bém 2 S m 7.12-16). O reinado visível do rei davídico é um a reflexão do governo invisível de Deus. Pelo fato de o S en h or dom inar o m ar (8 9 .9 ), Ele estabelece a soberania do rei davídico pondo “a sua m ão no m ar”


212

S a l m o s , E s c a t o l o g ia d e

(8 9 .2 5 ). O filho de D avi é tam bém um “filho de D eus” , não porque o rei seja deificado, mas porque o S en h or o adotou neste relacionam ento especial (2.7; 89.27). C om o nenhum outro governante hum a­ no, o rei davídico desfruta de um a posição privilegiada com o servo do S en h or (35.27; 69.17; 89.3,20,39; 143.12). Salm os 45.6 declara: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo” ; aqui se entende que h aja um a referência ao governante davídico (veja os vv. 2-5) por causa da sua posição com o representante hum ano de Deus. A ssim , ele era alguém inigualável em sua época. O relacionam ento entre Deus e a casa de D avi espelha o relacionam ento entre Deus e A dão, onde A d ão é a “im agem de D eus” e serve com o regente designado por Deus, governando e tendo dom ínio sobre o resto da criação (veja G n 1.26-28; SI 8). Por causa do relacionam ento de alian­ ça entre Deus e Davi, o Senhor promete proteger o rei em batalha, derrotar os seus inim igos e dar-lhe o dom ínio sobre as n a­ ções (2.8-9; 18.35-45, 50; 20.6-8; 72.8-11; 110.5-7). O Senhor abençoará o rei com um longo reinado que trará bênção e pros­ peridade ao povo de Israel (72.1-7). Os salm os reais eram principalm ente orações pelo governante davídico contem porâneo, baseados nas promessas especiais que Deus fizera à casa de Davi. Estes salmos, em sua m aior parte, não eram proféticos no sen­ tido estrito do termo, porque expressavam aspirações associadas com todos os gover­ nantes na descendência de Davi. N o en ­ tanto, eles assumem um significado profé­ tico e escatológico pelo fato de nenhum rei davídico na história de Israel e Judá ter percebido o ideal que retratava. Em ­ bora os reis de nações sujeitas trouxessem os seus tributos a Jerusalém para honrarem ao Senhor (47.9; 2 Sm 8.1-14; 1 Rs 10.115), nenhum governante davídico jam ais estabeleceu um dom ínio que se estendes­

se até “os confins da terra” (2.8). Todos os governantes históricos da dinastia davídica falharam e foram, na m elhor das hipóteses, pobres im itações do ideal. Som ente o Messias, Jesus Cristo, cum ­ prirá o ideal que os salmos reais imaginam. Talvez na maior parte das referências diretas e proféticas ao futuro Messias, Davi reco­ nheça a superioridade deste futuro descen­ dente, referindo-se a Ele como “meu S e ­ nhor” (110.1). Salm os 2.9 imagina Jesus es­ tabelecendo a soberania mundial ferindo as nações em juízo na sua segunda vinda (veja A p 19.15). N a verdade, o cumprimento das promessas a Davi, em Cristo, vai além da linguagem ideal dos salmos reais. Mais do que um filho adotado do Senhor, Jesus é o Filho de Deus em sua própria natureza (Rm I.3; H b 1.2-3). Ele governa à mão direita de Deus não só a partir do trono terreno em Jerusalém, mas também a partir do seu trono exaltado no céu (110.1; veja A t 2.3235; Hb 1.3; 8.1). N ão sendo apenas parte de uma dinastia eterna, o próprio Senhor Je ­ sus reinará para todo o sempre (Lc 1.33; A p II.1 5 ), cumprindo literalmente a linguagem hiperbólica associada ao governante davídi­ co nos Salm os (veja 21.4-6; 72.5,17).

ESCATOLOGIA PESSOAL Os Salmos apenas dão a entender os de­ talhes da vida após a morte. O salmista im­ plora ao Senhor que o poupe dos castigos “até que tome alento”, diz ele, “antes que me vá e não seja mais” (39.13). O Seol, que inclui tanto a sepultura quanto um submundo de trevas e sombras, é o destino final dos justos e dos ímpios mortos (89.48). E um lugar onde não se pode mais lembrar ou dar louvores ao Senhor (6.5; 30.9; 115.17) e está associado com terror e medo (18.5; 116.3). A diferença fundamental entre os justos e os ímpios é que Deus preserva a vida dos seus fiéis da morte inoportuna, enquanto os ímpios são lança­ dos no Seol rápida e repentinamente (i.e.,


S a l m o s , E s c a t o l o g ia d e antes do tempo) (veja 37.35-36; 49.13-14; 55.15,23). N o entanto, certas passagens nos Salmos prometem a vida eterna na presença de Deus: “N ão deixarás a minha alma no in­ ferno” (16.10); “Deus remirá a minha alma do poder da sepultura” (49.15). Esta esperan­ ça se sobressai em maiores detalhes na litera­ tura profética (Is 26.19; Dn 12.2). Os Salmos expressam confiança na per­ manência do relacionamento entre Deus e os justos. Em Salmos 23.6, o salmista declara que ele habitará “na casa do Senhor por lon­ gos dias”. Ele será parte da comunidade ado­ radora por toda a sua vida. A mão direita de Deus, há “delícias perpetuamente” (16.11), e o Senhor é a “porção [do salmista] para sem­ pre” (73.26). Estas passagens apontam para um relacionamento que não pode ser confi­ nado apenas aos limites desta vida. Embora os Salmos não ensinem claramente o que esteja nos aguardando do outro lado, a con­ fiança em um relacionamento perpétuo com Deus antecipa a esperança e a certeza da vida eterna que nos foi revelada em Jesus Cristo.

ESCATOLOGIA E 0 ARRANJO DO LIVRO DOS SALMOS Estudos recentes têm demonstrado que mesmo a formação e o arranjo final do livro dos Salm os parecem refletir uma ênfase escatológica. Salm os 1 e 2, geralmente vistos como a introdução para o livro inteiro, con­ têm mensagens a respeito de um tempo de juízo e ajuste de contas tanto para os indiví­ duos (1.4-6) como para as nações (2.8-12). Semelhantemente, o Salm o 145, no final do livro, tem o seu foco no tema do governo do Reino de Deus (145.10-13) e convoca “toda a carne” a bendizer o seu nome (145.21). O s salmos de aleluia, na conclusão do livro (145— 150), oferecem louvor ao Senhor como aquEle que governa sobre tudo e to­ dos. O s Salmos, como um todo, refletem um movimento do lamento (o gênero dom inan­ te na primeira metade dos Salm os — livros

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1 a 3 ou Salm os 1— 89) aos hinos e louvo­ res, as formas principais que estão presentes na segunda metade dos Salm os (livros 4 a 5 ou Salm os 90— 150). Embora o povo de Deus enfrente tempos de crise e angústia no presente, o salmista vê a certeza do triunfo definitivo de Deus através dos olhos da fé. O s salmos reais aparecem em pontos estratégicos no livro dos Salm os — o S a l­ mo 2, no início do livro um, e o Salm o 72 e 89, no início e no final do livro três. O Salm o 89 trata da crise relativa à monarquia davídica, criada pelo exílio e pela ausência do rei (89.39-51), levando a uma afirmação do reinado do Senhor nos Salm os 93— 99. O reinado do Senhor é do alto, e não é de­ pendente do bem-estar da descendência da­ vídica, embora os salmos reais na segunda metade dos Salm os (110; 132) continuem a afirmar o compromisso de Deus com a casa de Davi. A presença de um salmo real prometendo a vitória do governante davídi­ co sobre as nações, na introdução do livro (2.8), e a inclusão dos salmos reais no livro dos Salm os após o exílio — quando não ha­ via nenhum rei no trono — testificam sobre a tenacidade da esperança m essiânica que é encontrada nos Salmos. Esta confiança está presente até mesmo quando as circunstân­ cias da história parecem ter destruído qual­ quer expectativa desse tipo.

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T e s s a l o n ic e n s e s , E s c a t o l o g ia d e

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Vincent, M. A. “The Shape of the Psalter: An Escathological D im e n sio n ?” Em N ew Heaven a n d New Earth — Prophecy a n d the Millen­

o A nticristo (2 Ts 2.3b-12);

o juízo depois da Tribulação (2 Ts

o reino (1 Ts 2.12; 2 Ts 1.5).

1.6 -1 0 ; 2 .8 );

nium: Essays in H o n o r o f A nthony Gelston, eds. P. J. Harland and C. T. R. Hayward Leiden, Holanda: Brill, 1999, pp. 61-81. Wright, C hristopher J. H. Know ing Jesus Throu­ g h the O ld Testament. D ow ners Grove, IL: InterVarsity Press, 1 995.

TESSALONICENSES, ESCATOLOGIA DE A s duas epístolas de Paulo aos Tessalonicen­ ses fornecem mais informações sobre profe­ cias da Bíblia do que todas as outras epístolas do N T juntas. N a primeira e na segunda epís­ tola, Paulo apresenta profecias sobre a ressur­ reição, o anebatamento, a Tribulação, o Anticristo, a segunda vinda, o juízo dos perdidos no retomo de Cristo, e o reino. E possível que estes dois livros, cuja escrita é separada por vários meses (aproximadamente no ano 51 d.C .), sejam as duas primeiras epístolas que o apóstolo escreveu (embora alguns creiam que a epístola aos Gálatas seja o seu primeiro livro). Grandes temas claramente proféticos estavam na mente de Paulo, desde o princí­ pio do seu ministério de escrita. Paulo descreve eventos proféticos fu­ turos contra o cenário do sofrimento e da perseguição por que passava a igreja tessalonicense. Suas aflições seriam vingadas pela futura libertação. O Senhor do céu resgataria a Igreja, libertando-a de seus problem as e sofrimentos. A s seções proféticas predominantes nes­ tes livros incluem os seguintes assuntos: •

a ressurreição da Igreja (1 Ts 4-13-18);

o arrebatamento (1 Ts 1.9-10; 2.19; 3.13; 4.13-18; 5.9-10,23; 2 Ts 2.1-3a);

a Tribulação e o D ia do Senhor (1 Ts 1.10; 5.1-4);

A doutrina do arrebatamento é o tema profético mais predominante nas epístolas aos Tessalonicenses. Aparentem ente, Paulo mencionou o arrebatamento em uma carta ou seção de ensinamentos anterior, mas os crentes tessalonicenses ainda estavam con­ fusos a respeito da seqüência de eventos, porque pensavam que possivelmente já esti­ vessem na Tribulação (o D ia do Senhor). Estas duas cartas enfatizam a importância de se compreender as distinções das dispensações no estudo da Bíblia. Seria bastante simples mesclar todas as seqüências proféti­ cas e ficar completamente confuso a respeito do fim dos tempos. A doutrina da Igreja lida com aqueles que estão “em Cristo”. A Igreja não é o Reino de Deus nem o Reino do céu mencionado de modo tão proeminente nos Evangelhos. N ão é uma substituição de Isra­ el, nem um Israel espiritual. Paulo não suge­ re, de nenhuma maneira, tal correlação entre a Igreja e Israel. A o estudar cuidadosamente as cartas aos tessalonicenses, é possível ver que elas são consideradas separadamente. A Igreja não é Israel, o arrebatamento não é a segunda vinda de Cristo, e o Anticristo não virá até que a Igreja esteja fora do caminho, e a Tribulação tenha início. O apóstolo Paulo m enciona o R eino de Deus em cada um a das cartas (1 Ts 2.12; 2 Ts 1.5), o que alguns com entaristas in­ terpretam com o uma alusão à Igreja. O ar­ gumento é que a Igreja substituiu Israel e tornou-se aquele reino prom etido no AT. N as duas cartas, Paulo refere-se ao Reino de Deus, mas jam ais diz que este é a Igreja. Paulo também descreve a Tribulação de maneira explícita, retratando-a como as “do­ res de parto” (1 Ts 5.3). Isto recorda Jeremias 30.6-7, onde o profeta descreve “aquele dia


T ia g o , E s c a t o l o g ia d e [...] tão grande” como “a que está dando à luz”. E acrescenta: “que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia [hb.: za-rah; ‘tribulação’] para Jacó”. O Senhor Jesus cita Jeremias 30, descrevendo a ira que virá como “grande aflição” (M t 24.21). Semelhantemente a Jeremias, Cristo chama este período de um dia “como nunca houve desde o prin­ cípio do mundo até agora, nem tampouco ha­ verá jamais”. N o mesmo contexto, o Senhor chama-o de “princípio das dores” (24.8). Mais adiante, Paulo cita Jeremias e Jesus para des­ crever a Tribulação da mesma maneira — as repentinas dores de parto (1 Ts 5.3). Paulo cita Cristo outra vez, quando es­ creve: “N ão vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o Dia de Cristo estives­ se já perto” (2 Ts 2.2). A palavra “m ovais”, no texto grego, é throeo, cujo infinitivo quer dizer “estar aterrorizado”, “traumatizado”. O apóstolo indica que agora eles não estão em meio à Tribulação. “N ão vos assusteis”, diz o Senhor Jesus aos discípulos. Ele disse que muitas coisas sobreviriam ao mundo, mas a Tribulação não teria começado. “Então, não vos perturbeis.” (veja M t 24.6; Mc 13.7). Cristo usou a palavra throeo somente uma vez, conforme registrado nos textos de M a­ teus e Marcos. Paulo usa-a praticamente da mesma maneira, em sua forma gramatical, de modo que ele está claramente citando Jesus e lembrando os crentes tessalonicenses de que o D ia do Senhor não tinha com e­ çado, embora eles estivessem vivendo uma época de terrível perseguição. A s cartas à igreja de Tessalônica apre­ sentam m ensagens poderosas sobre as pro­ fecias, especialm ente sobre a doutrina do arrebatam ento. Paulo desejava certificar-se de que a igreja com preendia o fluxo dos eventos futuros.

— Mal Couch

215

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TIAGO, ESCATOLOGIA DE A o contrário das epístolas de Paulo, a car­ ta de Tiago não traz novas revelações, mas aplicações de ensinam entos do A T e de Je ­ sus (M t 24-25; M e 13; Lc 17; 21). A esca­ tologia de Tiago, portanto, não apresenta algum a nova informação. Tiago fala m uito sobre o juízo vindouro (2.13; 3.1; 5.5, 9,12) e sobre a morte (1.15; 2.26; 4-14; 5.20). M enciona o futuro Reino de Deus (2.5) e a segunda vinda do Senhor (5.7-9). Três aspectos da escatologia de Tiago merecem atenção especial: o reino, o inferno e o retom o do Senhor.

HERDEIROS D0 REINO DE DEUS Q uan do repreende seus leitores, que eram cristãos judeus, por m ostrarem p re­ ferên cia pelos ricos e desprezarem os p o ­ bres, T iago lem bra-lhes que D eus, m ui­ tas vezes, escolh e os pobres aos olh os do m undo para torná-los ricos na fé e her­ deiros de seu reino (2 .5 ). C om certeza isto diz respeito ao futuro reino m ilenial


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T ia g o , E s c a t o l o g ia d e

que Deus prom eteu por m eio de seus profetas no AT, e que tam bém Jesus, antes de vo ltar para o Pai, prom eteu a seus d iscí­ pulos (M t 24.31; 25.31). Tiago não afirma que todos os pobres irão para o céu, mas que estes não levam nenhum a desvantagem quanto a se to m a­ rem herdeiros da vida eterna e do R eino de Deus (Lc 6.20; 1 C o 1.26-29). O s leitores de Tiago tinham preferência pelos ricos, mas Deus honra os menos favorecidos e aceita todas as pessoas igualmente.

A LÍNGUA É INCENDIADA PELO INFERNO O A T ensina que a língua é um fogo (SI 120.3-4; Pv 16.27; 26.21). Tiago deu ênfa­ se a este ensinam ento identificando a fonte deste fogo com o sendo o inferno (3,6). A palavra aqui traduzida por “inferno” não é Hades, a mais comum, mas Geena. Esta palavra é utilizada apenas por doze vezes no N T. Onze delas estão nos Evangelhos sinópticos, onde Jesus usa Geena para des­ crever o horror do lago de fogo eterno. A única outra ocorrência neotestam entária é esta em Tiago. N o AT, G een a era um a região a sudo­ este de Jerusalém que, durante o reinado de Acaz, fora utilizada com o lugar de sa­ crifícios hum anos ao deus pagão M oloque (2 C r 28.3; 33.6). O rei Josias (c. 630 a.C .) profanou G een a (2 R s 23.10), impedindo futuros sacrifícios humanos. A época do N T, G een a se tornara um depósito de lixo para Jerusalém . O lixo e detritos queim avam continuam ente. O mau cheiro dos vermes era inextinguível (M c 9.43-48). Este retrato forneceu uma boa idéia de com o seria o lago de fogo eter­ no (A p 19.20; 20.10,14,15).

referência à “vin d a” do Senhor. N o grego secular, esta palavra era utilizada em rela­ ção à chegada de um rei ou outro dignatário. A Igreja Prim itiva freqüentem ente a utilizava com relação à vinda de Jesus ao fim desta era, para julgar os ímpios e libertar os santos (M oo, p. 221; veja 1 C o 15.23; 1 Ts 2.19; 3.13; 4-15; 5.23). A palavra enfatiza a vinda e a presença do Senh or ao lado de seu povo. D enota um evento específico, um a esperança bem co ­ nhecida dos leitores da epístola de Tiago (H iebert, p. 296). A palavra grega parusía n ão é u tili­ zada na tradução grega do A T (a Septuaginta). Provavelm ente, isto se deve ao fato de que ela só passou a ser associada ao M essias após sua prim eira vinda (M t 24.3,27,37 ,3 9 ). E, contudo, am plam ente utilizada no N T em relação ao retorno de C risto (H iebert, p. 296). T iago exp ressa claram en te a cren ça de que o retorno de C risto é im in ente. Ele afirm a que a v o lta de Jesu s está “ à m ão ” e d ram aticam en te p roclam a que o Juiz está “às p o rta s” . T iago , p ortan to, e xorta seus leitores a serem p ac ie n te s a d esp eito das in ju stiças que en fren tam , e a cessarem de m urm urar uns c o n tra os outros por cau sa do im in en te retorno de Jesu s C risto .

—James Freerksen BIBLIOGRAFIA Baker, William. Books o f Jam es a n d I & 2 Peter. Chatanooga: am g Publishers, 2004. Hiebert, D. Edm ond. The Epistle o f James. C hi­ cago, Illinois: M o o d y Press, 1979. Kent, H om er A. Jr. Faith That Works: Studies in

A VINDA D0 SENHOR

the Epistle o f James. W inona Lake, Indiana:

Tiago, tal qual os dem ais apóstolos, es­ perava pelo retorno pessoal de Jesus C ris­ to. Ele utilizou a palavra grega parusía em

bm h Books, 1 986. Moo, D ou glas J. The Letter o f James. Grand Ra­ pids: Eerdm ans Publishing Company, 2000.


Z a c a r ia s , E s c a t o l o g ia d e

ZACARIAS, ESCATOLOGIA DE U m a certa fam iliaridade com o livro de Za­ carias é essencial para desenvolver um en ­ tendim ento claro e mais com pleto do plano profético de Deus, porém este livro está en ­ tre os m enos estudados do AT. O s autores do N T citam o conteúdo de Zacarias, ou a este se referem, quarenta vezes, tornando-o uma das obras do A T mais citadas. Zacarias revela mais acerca do Messias que virá do que todos os outros profetas m e­ nores com binados. Ele é verdadeiram ente o profeta menor, com a m aior mensagem. N as páginas de Zacarias, encontram os m ui­ tas das maiores “pistas” da profecia m essiâ­ nica a respeito da restauração de Jerusalém e o R ei m essiânico que virá.

0 AUTOR O profeta Zacarias, cujo nom e quer di­ zer “aquele de quem o Senhor se lembra” , ou “Javé se lembra”, é m encionado entre os 50.000 judeus exilados que retom am , em Esdras 5.1; 6.14. Descendente de sacer­ dotes, ele nasceu durante o exílio na B a­ bilônia, e assim é o terceiro na tríade de profetas-sacerdotes associados com o exílio na Babilônia: Jerem ias, cujo ministério se deu antes do exílio, Ezequíel, cujo m inisté­ rio se deu durante o exílio, e Zacarias, cujo ministério se deu depois do exílio. Zacarias data cuidadosam ente as suas profecias, que se iniciaram no final de 520 a.C.

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do futuro, o tipo de previsão que norm al­ m ente vem à m ente quando se pensa em m inistério profético.

0 CONTEÚDO O livro tem duas ênfases específicas. A prim eira é a da poderosa aparição do S en h or para destruir os inim igos do seu povo, Israel, e (um a vez que todos este­ jam subjugados sob o seu controle) para h abitar pessoalm ente entre o seu povo. A segunda é a da escolha e glorificação es­ pecífica da sua cidade, Jerusalém , a sede do seu Tem plo e o centro da adoração ao Deus de Israel (ou seja, ao Deus de todo o m undo). Zacarias m encion a Jerusalém (e seu sinônim o, “S iã o ” ) cinqüenta vezes em seus catorze capítulos. A restauração e glorificação sobrenatural da cidade do R ei m essiânico é claram ente o foco central deste profeta.

0 PROPÓSITO Zacarias transm itiu a Palavra de Deus aos exilados judeus que retornavam para incentivá-los a terem coragem em m eio a determ inadas circunstâncias, e a term ina­ rem de reconstruir o Tem plo. Ele explica os planos do Senh or para estabelecer o Tem plo com o o centro do seu reino, quan­ do Ele retornar pessoalm ente e glorificar a sua cidade, Jerusalém . Isto resultará no cum prim ento de todas as prom essas do concerto: a libertação final do seu povo, Israel, e a facilitação da adoração univer­ sal ao Senhor.

A ESTRUTURA O conjunto da m ensagem de Zacarias divide-se em três partes principais. A pri­ m eira seção, capítulos 1— 6, contém oito visões apocalípticas, acom panhadas por interpretações angélicas. A segunda se­ ção, capítulos 7— 8, é um exem plo de pro­ fecia ética, ou exortação. A seção final, capítulos 9— 14, é um a profecia preditiva

TEMAS A Restauração de Jerusalém e do Povo Judeu à sua Terra O Senhor prom ete restaurar o povo judeu, independentem ente de seus erros, por causa da sua impressionante paixão protetora por eles. Zacarias fala de quatro promessas divinas específicas:


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Z a c a r ia s , E s c a t o l o g ia d e 1. N o futuro em breve, o Senhor retor­ nará pessoalmente a Jerusalém e re­ sidirá permanentemente entre o seu povo, dando proteção, provisão, pros­ peridade, paz e segurança (8.3-5). 2. A sua presença em J erusalém glorificará e santificará a cidade. Sua glória ma­ nifesta será visível a todos (2.5-12). 3. Independentemente da condição do compromisso do concerto de Israel com Ele, a sua obrigação de concerto com a nação como um todo não fa­ lhará (9.11-13). 4. N ão importa quão grande tenha sido a dispersão do povo judeu, o Senhor ga­ rante que fará retomar pessoalmente o seu povo a Jerusalém e restaurará o seu relacionamento de concerto com Ele, por um ato soberano de graciosa autoridade (8.7-8). Zacarias descreve vividamente o retomo dos exilados da sua dispersão por todo o mundo como um segundo êxodo. Os exilados que retomam serão tão numerosos que encherão a terra, e as fronteiras de Israel precisarão ser expandidas (10.8-11). O Senhor abençoará a po­ pulação renovada de Israel, e eles o adorarão (10.12).

O Juízo de Deus sobre Israel A n tes de qualquer futura bênção d iv i­ na e prosperidade, Deus julgará e lim pará todos da com unidade do concerto que se­ jam culpados de rom per o pacto, transgre­ dindo a lei de Deus. Para que Deus resida pessoalm ente em m eio ao seu povo, eles devem estar lim pos de tudo que seja clas­ sificado com o impureza no concerto. Toda a terra de Israel será devastada (11.1-3) por causa da rejeição de Israel ao Pastor escolhido do Senhor, o M essias (11.4-17). O povo está destinado a passar por um terrível sofrim ento por causa do seu repú­

dio ao Líder escolhido de Deus (11.8-9). N o futuro, eles voltarão a entrar em sua terra, m as dois terços dos h abitan tes se­ rão m ortos (1 3 .8 ). O s sobreviventes des­ te genocídio serão purificados através do sofrim ento e adorarão ao S en h or com seu m odo de vida, que estará de pleno acordo com o concerto (1 2.10— 13.1).

O Messias que Virá Zacarias revela a vinda do representante do Senhor, o Messias (9.9-10), que deverá governar pelo Senhor como o justo e vito­ rioso Rei de Israel. Ele descreve o Messias como sendo humilde e conduzindo um reino de paz, entrando em Jerusalém não sobre um cavalo de guerra, mas sobre um jumento. O reino das fronteiras de Israel será expandi­ do em todas as direções, até a sua extensão prometida, sob o reinado justo e pacífico do seu Messias, e este Rei de Israel na verdade reinará sobre toda a tena. Q uando o M essias aparecer em cena, com pletará a construção do seu Templo e governará Israel com vigor, pela fusão dos ofícios de R ei e Sum o Sacerdote, rem oven­ do o pecado do povo judeu e inaugurando um período de tremendas bênçãos para o povo e a terra (3.1-10). U m a signiíicativa ambigüidade pertur­ ba o relacionam ento entre o retorno do Senhor ao seu povo e a vinda do Messias. O Senhor e seu M essias estão tão intim a­ m ente associados no texto de Zacarias que, em determ inados pontos, as suas identida­ des parecem se mesclar.

O Juízo de Deus e a Restauração das Nações A ira de Deus deve ser derram ada so­ bre todas as nações que participaram ou irão participar da dispersão do povo ju ­ deu. Perseguindo o povo judeu, as nações culpadas m altrataram , pessoal e doloro­ sam ente, o Senhor, a quem o povo judeu


Z a c a r ia s , E s c a t o l o g ia d e está ligado através de um relacionam ento de concerto (2.8). M as quando o Senh or passar a residir em Jerusalém e a enchêla com a sua glória protetora, inúmeros gentios se unirão ao povo judeu no seu relacionam ento com o Senhor, e adorarão juntam ente com eles (2.12-13). M u lti­ dões de nações vizinhas serão atraídas ao Senh or e peregrinarão fervorosam ente a Jerusalém para adorá-lo no Tem plo, ju n ­ tam ente com o povo judeu. Em virtude do seu relacionam ento de concerto com o Senhor, os judeus servirão com o mediadores e receberão um a posição de proem inência entre os gentios (8.9-23). Seguindo o triunfo final do Messias, toda a terra reconhecerá o Senhor, e conseqüen­ tem ente a sua com unidade do concerto se expandirá (14-9). O s sobreviventes das n a­ ções adorarão o Senhor com o povo judeu em Jerusalém , no Templo, o lugar da sua presença manifesta. O s em baixadores de todas as nações farão peregrinação anual a Jerusalém para celebrar a Festa dos Tabernáculos (ou “das C ab an as” ), o grande dia santo relacionado com o pedido de chuva, a leitura pública da Torá, e a renovação do concerto (14.16-19).

A Vitória Final do Messias em Jerusalém Zacarias narra a libertação sistem ática dos inimigos nacionais vizinhos dada por Deus a Judá e a vinda do M essias para es­ tabelecer o seu reino (9.1— 11.17). Ele re­ vela as circunstâncias angustiantes, ainda que revigorantes, que precedem a vitória definitiva do R ei m essiânico e o estabele­ cim ento do reino (12— 14). Zacarias conta que todas as nações batalharão contra o povo judeu, e a sua capital Jerusalém será cercada de todos os lados por um a coalizão internacional (cap. 14). N o entanto, o S en h or intervirá em favor do seu povo e in capacitará os seus inim igos (12.2-3).

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Quando as nações parecerem estar pron­ tas para derrotar completamente Jerusalém (com metade da população da cidade tendo sido levada cativa e deportada, e o restante tendo visto suas possessões pilhadas e suas mulheres, brutalmente violentadas; 14-1-2) e parecer que as nações completarão a sua vitória com uma “solução final”, o Senhor entrará pessoalmente na batalha e engajará as nações em favor do seu povo (14.3). Ele chega a leste da cidade, no monte das O li­ veiras, acom panhado por exércitos de anjos sob seu comando. O Messias é poderosamente revelado como o próprio Deus que se manifestou aber­ tamente. Com a sua aparição, o monte das Oliveiras se dividirá em dois (uma lembran­ ça da divisão do mar Vermelho), criando um vale que servirá como rota de escape (14-5). A vitória conclusiva do Senhor levará à bên­ ção suprema para o seu povo, o estabeleci­ mento do seu reino, e o cumprimento final de todas as promessas do concerto. Quando a am eaça que representam os inimigos nacionais de Israel for finalmente neutralizada, o Senhor infundirá no povo judeu convicção espiritual e contrição. Ele capacitará o povo a perceber a sua necessi­ dade do perdão divino, e toda a nação de Israel se arrependerá de sua rejeição ante­ rior ao Messias, o representante da lideran­ ça am orosa do Senhor. Zacarias integra a identidade do Senhor com a do Messias. Ele declara que, quando o povo judeu vir o Senhor, repentinam ente com preenderá que, quando feriram m ortal­ mente o Messias, tinham ferido fisicamente o próprio Senhor. Depois de perceber isto, a sua angústia será enorme (12.10). A pós este período de tristeza e arrependimento, o Senhor perdoará o povo judeu pela re­ jeição da sua liderança e conduzirá a sua purificação espiritual (13.1).

— Steven C. Ger


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Exegetical Commentary:

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ESPÍRITO SANTO E ESCATOLOGIA O dispensacionalismo pré-milenialista ensina que o Espírito Santo terá, no futuro, um ministério diferente do que exerce hoje.

NO ARREBATAMENTO Ele Completará a Igreja Quando Cristo subiu aos céus, enviou o Espírito Santo, tal qual prom etera em João 16.7. O s crentes, portanto, foram pela pri­ m eira vez batizados no Espírito San to no D ia de Pentecostes (A t 2.1-4). Sem pre que um pecador, na atual era da Igreja, crê em Jesus Cristo com o seu Salvador, ele é ime­ diatam ente batizado pelo Espírito Santo no corpo de Cristo. Jesus C risto um dia virá e tom ará sua Igreja para si (1 Ts 4-13-18). Quando hou­ ver a últim a conversão nesta era, o corpo de C risto estará com pleto e o ministério do batism o pelo Espírito San to term inará com o arrebatam ento. Embora possam ser salvas após o arrebatam ento, as pessoas não mais poderão fazer parte do corpo de Cristo.

ELE JÁ NÃO FARÁ OPOSIÇÃO AO PECADO N a correspondência enviada por Paulo para os fiéis em Tessalônica, ele falou sobre os seguintes tópicos de escatologia: o arre­ batam ento (1 Ts 4.13-18); o D ia do Senhor (5.1-11); o hom em do pecado, tam bém co­ nhecido com o A nticristo (2 Ts 2.3-4); e a volta de Cristo à terra (2 Ts 2.8). Quando o A nticristo se manifestará? Paulo explica: Έ , agora, sabeis o que o de­ tém, para que ele seja revelado som ente em ocasião própria. C om efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda som ente que seja afastado aquele que agora o detém; en­ tão, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus m atará com o sopro de sua boca e o destruirá pela m anifestação de sua vinda” (2 Ts 2.6-8). A lguém ou algu­ ma coisa continua impedindo a revelação deste futuro líder satânico — um agente restritivo que deve ser mais poderoso que o A nticristo ou Satanás. O único que su­ planta seu poder é o próprio Deus. De que forma, contudo, Ele será tirado? A frase “o que o detém” é uma tradu­ ção de to katechon, um particípio verbal de gênero neutro. A frase “aquele que agora o detém ” é ho katechon, um particípio ver­ bal de gênero masculino. Aparentem ente, tanto a obra (gênero neutro) como a pessoa (gênero masculino) desta força coerciva são apresentadas na passagem. O texto grego do N T usa tanto pronomes masculinos como neutros para o Espírito Santo. A palavra pneuma (“espírito” ) possui gênero neutro, mas o Espírito é uma Pessoa eterna. O Espírito é “aquele que agora o de­ tém ” e realiza seu trabalho através da Igre­ ja. Q uando a Igreja for rem ovida da terra no arrebatam ento, a presença do Espírito San to tam bém será afastada. C om o veio à terra, assim a abandonará. O Espírito S an to já estava presente na terra mesmo antes de com eçar a cumprir, no D ia de Pentecostes, o ministério que


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lhe foi separado. Durante a era do AT, Ele conscientizou e regenerou pecadores. A pós o arrebatam ento, Ele terá um ministério se­ m elhante ao que tinha antes do surgim en­ to da Igreja: continuará a conscientizar e a regenerar pecadores.

sangue do C ordeiro” (7 .1 4 ). C om o o Espí­ rito S an to é Deus, Ele tam bém é onipre­ sente. Por isso, apesar de deixar o m undo com o arrebatam ento e já não h abitar na Igreja, Ele continuará na terra e seguirá regenerando pecadores com o fizera antes da era da Igreja.

NA GRANDE TRIBULAÇÃO Ele Salvará Judeus e Qentios

Ele D ará Forças aos Servos de Deus

A G rande Tribulação com preende todo o período de sete anos entre o arre­ batam ento da Igreja e a segunda vinda de C risto à terra. Trata-se de um sinônim o da septuagésim a sem ana de D aniel, o clím ax dos planos de Deus para Israel (D n 9.2427). D urante este período futuro, o Espí­ rito fará o que fez no passado, antes da era da Igreja. N o discurso sobre o m onte das O li­ veiras, C risto descreveu o que h averá de acon tecer nestes sete anos, logo antes do seu retorno visível (M t 24 .2 4 ). N a P ará­ bola das O velh as e dos C ab rito s, as o v e­ lhas representam os gentios salvos duran­ te a G ran d e T ribulação que terão m iseri­ córdia dos judeus perseguidos (2 5 .3 1 -4 6 ). O s israelenses atuais poderiam cham á-los de “gentios ju sto s” . N a Parábola das V ir­ gens, as cinco virgens sábias representam os judeus salvos que estarão prontos para o encon tro com C risto em seu retorno (2 5 .1 -1 3 ). N a visão de João, registrada no livro de A pocalipse, ele viu 144.000 servos de Deus selados, oriundos das doze tribos de Israel (A p 7.4-8). Por m eio do m inistério do Espírito, Deus salvará esses judeus du­ rante a G rande Tribulação. Jo ão tam bém viu um a “grande m ultidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do C ordeiro” (7.9). Esta descrição inclui tan to judeus com o gentios. Eles são “os que vieram de grande tribulação, la­ varam as suas vestes e as branquearam no

N inguém pode servir a Deus com a pró­ pria força. N ão somos capazes de fazer isto por nós mesmos (2 C o 3 .5). Por esse m oti­ vo, os 144-000 servos judeus que estarão na Grande Tribulação servirão pelo poder do Espírito Santo (A p 7.3-8). Deus tam bém usará duas testem u ­ nhas anônim as para um m inistério de três anos e m eio (A p 11.3-12), as quais profetizarão e realização m ilagres. A liás, farão o que M oisés e Elias fizeram no p as­ sado: im pedirão a chuva, transform arão água em sangue e fustigarão a terra com pragas. M oisés e Elias foram cap acitados pelo Espírito S an to , logo, é razoável su­ por que estas duas testem unhas farão os sinais pelo m esm o poder do Espírito. A s duas testem unhas estão relacio n ad as às duas oliveiras e às duas lâm padas, um a an alo gia com o sum o sacerdote Josu é e o líder Zorobabel, que guiaram os judeus que retornavam para reconstruir o T em ­ plo (Zc 4 .1 -1 4 ). Estes dois líderes veterotestam entários foram en corajad os pelas seguintes palavras: “N ã o por força, nem por violên cia, m as pelo m eu Espírito, diz o S en h o r dos E xército s” (Zc 4-6). A s duas testem unhas presentes na G ran d e T ribu­ lação tam bém m inistrarão pelo poder do Espírito de Deus.

Ele Será Derramado sobre Israel Por interm édio do profeta Jo el, Deus disse a Israel: “E h á de ser que, depois, derram arei o meu Espírito sobre tod a a carne, e vossos filhos e vossas filhas pro­ fetizarão, os vossos velhos terão sonhos,


Ill

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os vossos joven s terão visões. E tam bém sobre os servos e sobre as servas, n aq u e­ les dias, derram arei o meu E sp írito” (J1 2.2 8 -2 9 ). Este derram am ento será acom ­ pan h ado por “prodígios no céu e na terra, sangue, e fogo, e colunas de fum aça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em san gu e” (J1 2.30-31). Pedro citou esta profecia de Joel em seu sermão no D ia de Pentecostes. C om base nesta passagem, os pentecostais e carism á­ ticos afirmam que a profecia cumpriu-se naquele dia. O s fenôm enos visíveis, porém, não ocorreram na ocasião. O derram am en­ to do Espírito no D ia de Pentecostes apenas m anifestou o poder do M essias ressurreto. N o futuro, Deus derramará de seu Espírito sobre Israel ao fim do período da Grande Tribulação, quando Cristo retornar.

Ele Preparará Israel para a Vinda de Cristo Israel iniciará o período da Grande Tri­ bulação, tam bém conhecido como “tempo de angústia para Jacó ” (Jr 30.7), ainda sem ter sido salvo. N esse tem po de dificuldades, perecerão dois terços do povo de Israel (Zc 13.8-9). Seis m ilhões de judeus morreram durante o H olocausto nazista, mas os que perderão a vida nas mãos do A nticristo se­ rão m uito mais numerosos. Cristo disse que esse será o período de m aior perseguição na história do m undo (M t 24-21). A in d a assim, Deus protegerá e salvará um terço (Jr 30.7; Zc 13.9). O povo de Is­ rael clam ará pelo nome do Senhor e será salvo (J1 2.32; Zc 13.9). Eles serão libertos quando virem Cristo voltando à terra (Rm 11.26), e dirão: “Bendito o que vem em nom e do S en h o r!” (M t 23.39) C risto explicou a N icodem os que uma pessoa precisava nascer do Espírito para poder entrar no R eino de Deus (Jo 3.3-8). Os israelitas, portanto, nascerão do Espíri­ to durante a Grande Tribulação e com o re­

torno do Messias, a fim de adentrar o reino político e espiritual de Cristo.

DURANTE 0 MILÊNIO Ele Fortalecerá Cristo em seu Reinado A s palavras “m il anos” aparecem por seis vezes nas Escrituras (A p 20.2-9). A palavra portuguesa “m ilênio” é derivada do latim mille (“m il” ) e annus (“an o” ). A pesar de a expressão “mil an os” não ap a­ recer no AT, existem profecias veterotestam entárias que descrevem o período do M ilênio. Q uando Jesus C risto voltar à ter­ ra após a septuagésim a sem ana de D aniel (D n 9.24-27), Ele destruirá o A n ticristo e as nações iníquas n a batalha de A rm agedom (A p 19.17-21), e então governará a terra por mil anos. Em um a profecia acerca das bênçãos do reino m ilenial, Isaías escreveu: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E re­ pousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Es­ pírito de conhecim ento e de tem or do S e ­ nhor” (Is 11.1-2). O Espírito de Deus veio sobre Jesus em seu batism o e permaneceu com Ele durante todo seu ministério na terra. N Ele, o Espírito continua a perm ane­ cer, e perm anecerá ao longo de seu futuro reinado na terra.

Ele Habitará nos Fiéis Deus prom eteu firmar uma nova aliança com Israel (Jr 31.31-37; Ez 36.24-32); uma aliança que, em últim a análise, cumprirse-á no reino m ilenial. A s bênçãos desta aliança incluem a restauração da nação e sua reunião na Terra Prometida, a gravação das leis de Deus nas mentes e nos corações dos israelitas remidos, a adoração pura, o perdão de pecados e a prosperidade m ate­ rial. Deus, além disso, prometeu: “E vos da­ rei um coração novo e porei dentro de vós


E st a G eração um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu espí­ rito e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ez 36.26-27). Durante o M ilênio, todos os fi­ éis estarão perm anentem ente cheios do Es­ pírito Santo, que os capacitará a obedecer a todos os m andam entos de Deus.

As Implicações para Nós Em primeiro lugar, devemos conside­ rar que, hoje, a função do Espírito San to é com pletar a form ação da Igreja. A través do testem unho e da evangelização, os crentes devem participar desta tarefa divina. Visto que o arrebatam ento está às portas, deve­ mos ser diligentes em nossos esforços para ganhar os perdidos. Em segundo lugar, sejam os instrum en­ tos santos nas mãos do Espírito, a fim de que Ele possa deter o pecado por meio de nossas vidas. Devem os ser sal, e luz. N ão podem os contribuir para o declínio moral do m undo e para o esfriamento espiritual da Igreja. Em terceiro lugar, é nosso dever orar pela paz em Jerusalém. Devemos amar Israel, o povo da aliança de Deus, e apoiar a dissemi­ nação do evangelho na sociedade judaica.

—Robert Gromacki BIBLIOGRAFIA Ferguson, Sinclair, The Holy Spirit. D ow ners Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1996. Gromacki, Robert. The H oly Spirit. Nashville: Word Publishing, 1 999. Ryrie, Charles C. The Holy Spirit. Chicago: M o o ­ d y Press, 1997. Unger, Merrill. The Baptizing Work o f the H oly Spirit. Chicago: M o o d y Press, 1 973, Walvoord, John F. The Holy Spirit at Work Today. Chicago: M o o d y Press, 1973.

223

ESTA GERAÇÃO “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (M t 24.34; M c 13.30; Lc 21.32). Durante os úl­ timos cem anos, esta tem sido uma das pas­ sagens mais controversas dentre as profecias bíblicas. Muitos estudiosos a utilizam para explicar suas convicções no que diz respei­ to a quando Deus cumprirá os eventos pro­ féticos do discurso no monte das Oliveiras. Quais sãos as diversas visões existentes?

EXAMINANDO AS VISÕES A Visão da Figueira U m a das principais visões assevera que “esta geração” refere-se àqueles que teste­ munharam o renascim ento da nação de Is­ rael, que teve lugar em 1948. Segundo esta visão, no período de tempo de uma geração (40 anos) após Israel ter voltado a ser uma nação, o Senhor voltará. A ssim , som ando quarenta anos a 1948, definiu-se erronea­ m ente 1988 com o o ano da volta de Cristo. M ais recentem ente, sugeriu-se que o ano inicial deveria ser 1967 (ano em que Israel tom ou posse de toda a Jerusalém ). Esta visão baseia-se na crença de que a “figueira” de M ateus 24.32 simboliza a reconstituição de Israel com o um a nação. A ssim , a geração que visse Israel tornar-se um a nação tam bém veria a segunda vinda Cristo. Lam entavelm ente, esta opinião possui diversos problemas. Em primeiro lu­ gar, Jesus jam ais indicou que a figueira real­ m ente sim bolizava Israel. Em Lucas 21.29, Jesus refere-se à “figueira e todas as árvores” na m esma ilustração. Em segundo lugar, esta visão leva a ilus­ tração de Cristo sobre a figueira um pouco m ais longe do que Jesus pretendia. Jesus, em outras palavras, utilizou a aparência das folhas da figueira com o uma ilustração dos sinais daquele tempo. A lgum as pessoas to­


224

E st a G eração

maram esta ilustração e transformaram-na em um a profecia. O contexto claram ente indica que Jesus quis utilizar a figueira ape­ nas com o um a ilustração, não apresentar m ais um a profecia.

A Visão Preterista Gary DeM ar (pp. 66-67) diz: “A gera­ ção que estava presente quando Jesus fa­ lou a seus discípulos não passaria até que transcorressem todos os eventos relatados antes do versículo 34”. A o contrário de seu companheiro preterista Kenneth Gentry, DeM ar acredita que esta passagem exige o cumprimento, de uma forma ou de outra, de tudo o que está escrito em Mateus 24 e 25 em tom o do ano 70 d.C., quando os romanos invadem e destroem Jerusalém e o Templo. DeM ar afirma: “Todas as vezes que a expressão ‘esta geração’ é utilizada no N T, significa, sem exceção, a geração com que Jesus estava falando” (DeMar, p. 68). Esta expressão, entretanto, não precisa necessa­ riamente referir-se àqueles que estavam vi­ vos quando ela foi usada. Em Hebreus 3.10, por exemplo, ela claramente diz respeito aos israelitas que vagaram pelo deserto durante quarenta anos à época do êxodo.

ENCONTRANDO A VISÃO CORRETA O Contexto Com o é possível que, quando quase todas as outras ocorrências do termo “esta gera­ ção” dizem respeito aos contemporâneos de Jesus, o mesmo não seja válido para Mateus 24.34? Podemos decidir sobre a questão ao examinarmos o contexto de cada ocorrên­ cia. Em Marcos 8.12, por exemplo, lemos: “suspirando profundamente em seu espírito, [Jesus] disse: ‘Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará sinal algum’”. Por que podemos concluir que, nesta passagem, a expressão “esta geração”, utilizada por Cristo, está re­ lacionada a seus contemporâneos? Sabemos

que eram os contemporâneos de Cristo que buscavam um sinal. Os aspectos que cercam a situação apontam para aqueles que viveram na mesma época em que Jesus viveu. D eM ar e m uitos outros preteristas con ­ sideram que, em M ateus 24.34, a frase “esta geração” possui o mesmo significado que verificamos em M arcos 8.12. C ad a passa­ gem, porém, deve ser estudada tanto indi­ vidualm ente com o em com paração com outros textos. N a definição do significado exato do texto em questão, o contexto é o fator de m aior relevância. E assim que p o ­ demos perceber que a m aior parte das ou­ tras ocorrências de “esta geração” refere-se aos contem porâneos de Jesus. M ateus 23.36 diz: “Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração”. A quem se refere a expres­ são “esta geração” ? A espressão está rela­ cionada ou é gram aticalm ente controlada pela frase “todas essas coisas” , que por sua vez relaciona-se aos juízos pronunciados por Cristo em M ateus 22.23. Todas as ve­ zes que o N T m enciona a expressão “esta geração” , o significado é determ inado por aquilo que é afetado pela expressão em seu contexto imediato.

A RELAÇÃO GRAMATICAL DeM ar insiste que, com o uso do prono­ me demonstrativo “esta”, é sempre estabe­ lecida uma relação de tempo. O s objetos ou situações relacionados a tal partícula teriam lugar no tempo em que a oração é proferida. Este, contudo, não é o caso. O gramático grego Daniel W allace (p. 325) diz: “A s re­ lações de proximidade atribuídas por outos [este] e ekeinos podem estar relacionadas a algo próximo/distante (1) no contexto, (2) na mente do autor, ou (3) no que diz respeito ao momento do autor ou do leitor”. W alla­ ce, portanto, observa que o orador pode usar um pronome demonstrativo de proximidade pelo menos de três maneiras.


E st a G eração O fato de Jesus ter dito a frase “esta ge­ ração” no primeiro século não significa que Ele tivesse em mente apenas seus contem ­ porâneos, como sugerem os preteristas. Pelo contrário, o uso gramatical de “esta” permi­ te que Jesus fale no primeiro século, ainda que olhando profeticamente para um futuro distante. A frase “todas essas coisas” contro­ la o significado de “esta geração”. Com o as evidências demonstram que nenhum a des­ sas coisas ocorreu com a destruição de Jeru­ salém em 70 d.C., Cristo estava apontando para um outro período de tempo.

EXPLICANDO A VISÃO CORRETA Sabem os que, em Mateus 24-34 (M c 13.30; Lc 21.32), “esta geração” não se re­ fere aos contem porâneos de Jesus, porque a expressão que governa seu significado é “todas essas coisas”. Temos aqui um longo discurso profético; logo, devem os deter­ minar a natureza de “todas essas coisas” profetizadas por Jesus do versículo 4 ao 33, para sabermos a que geração Jesus se refere. C om o “todas essas coisas” não aconteceram no primeiro século, Cristo deve estar falan­ do de uma geração futura. Ele afirma que a geração que testem unhar “todas essas coi­ sas” não deixará de existir sem que todos os eventos da futura tribulação sejam literal­ m ente cumpridos. Cristo não está falando a seus contem porâneos, mas à geração que verá os sinais de M ateus 24- Darrell Bock, ao interpretar a passagem paralela no evan­ gelho de Lucas, com enta:

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sar de tudo, no contexto profético do discurso, a observação vem após os comentários sobre a proximidade entre o fim e certos sinais. Assim , é a questão dos sinais que controla a for­ ça da passagem, tom ando esta visão verossímil. Se esta visão está correta, Jesus está dizendo que, quando vie­ rem os sinais do com eço do fim, o fim virá de forma relativamente rápida, no espaço de uma geração (Bock, pp. 1691-1692). O argumento preterista inverte o pro­ cesso interpretativo. Ele declara de início que “esta geração” obrigatoriam ente diz respeito aos contem porâneos de C risto. A partir disso, insiste que “todas essas coisas” teriam de acontecer no primeiro século. “Esta geração” não está relacionada a eventos do século I ou a nossa própria época. Cristo usou a expressão para dizer que a geração que presenciar os eventos da Grande Tribulação de sete anos será a mesma que testem unhará a segunda vinda. Esta interpretação encaixa-se na estrutu­ ra gram atical e no contexto da passagem. A lém disso, harmoniza-se com o resto dos ensinos bíblicos relativos aos eventos da G rande Tribulação vindoura.

— Thomas Ice BIBLIOGRAFIA Bock, Darrell L. Luke 9.51— 24.53. Grand Rapi­

Jesus está dizendo que a geração que vir o início do fim também verá sua conclusão. Quando os sinais vierem, suceder-se-ão rapidamente, sem se ar­ rastarem por diversas gerações. Tudo acontecerá durante uma geração [...] A tradição refletida em A pocalipse mostra que, uma vez iniciada, a con­ sum ação se dá rapidamente. [...] A p e­

ds: Baker Books, 1996. Carson, D. A. Exegetical Fallacies. Grand Rapi­ ds: Baker Books, 1984. DeMar, Gary. End Times Fiction. Nashville: T h o ­ m as Nelson, 2001. Wallace, Daniel. Greek G ra m m a r Beyond the B a­ sics. Grand Rapids: Zondervan, 1996. Zuck, Roy. Basic Bible Interpretation. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1991.


Evento s Futu ro s

226

EVENTOS FUTUROS O próximo evento previsto no calendário profético de Deus é o arrebatamento da igreja, que levará à completude do corpo de Cristo. Imediatamente após este acontecimento, diversas profecias do A T e do N T irão cum­ prir-se rapidamente, dentre as quais se destacam aquelas referentes à Grande Tribulação, à segunda vinda de Cristo, aos juízos de Deus, ao reino milenial e ao estado eterno. Deus planejou estes acontecim entos fu­ turos de modo que se cumprissem tanto suas promessas como suas advertências. Cumprirse-ão suas palavras em relação aos diversos grupos com quem Ele vem lidando desde a criação do mundo, incluindo a hum anida­ de, Israel e a Igreja. Alguns acontecim en­ tos estão previstos para ocorrerem em uma seqüência específica (como, por exemplo, os selos de juízos, as trombetas de juízos, as taças de juízos e a segunda vinda de Cristo), enquanto outros, via de regra, têm lugar ao fim da Era e levam à conclusão do plano de Deus para esta terra. A cronologia abaixo representa o que a Bíblia nos diz sobre aqui­ lo que “há de vir” (Jo 16.13): 1. O Arrebatam ento da Igreja João 14.1-3; 1 Coríntios 1,7-8; 4-5; 15.23,51-53; Filipenses 3.20-21; Colossenses 3.4; 1 Tessalonicenses 1.10; 2.19; 3.13; 4.13-18; 5.23; 2 Timóteo 4.8; Tito 2.12-13; Hebreus 9.28; 10.25,37; Tiago 5.8; 1 João 2.28; 3.2; A pocalipse 2.25; 3.10-11; 4.1 2. O Tribunal de Cristo Romanos 14.10-12; 1 Coríntios 3.1115; 9.24; 2 Coríntios 5.10; Gálatas 6.7-7; Colossenses 3.24-25; 2 Timó­ teo 4-8; Hebreus 10.30; 1 Pedro 1.7; 1

João 4.17

3. Surgimento do Anticristo e do Falso Profeta

Daniel 7.24-25; 2 Tessalonicenses 2.2-3; A pocalipse 13.1,11-12) 4. Organização da Igreja Meretriz 1 Tim óteo 4.11; 2 Tim óteo 3.1-5; 4.1-4; 2 Pedro 2.1; 1 João 2.18-19; Judas 4; A pocalipse 17.1-6 5. Ressurgimento do Império Rom ano Daniel 2.41; 7.23-24; Apocalipse 12.3; 13.1; 17.12 6. Tratado de Paz de Sete A nos Finnado entre o Anticristo e Israel Daniel 9.27 7. M inistério dos 144.000 Mateus 24-14; Marcos 13.10; A p o ­ calipse 7.1-8; 14-1-5 8. Reconstrução do Templo Judeu Daniel 9.27; Mateus 24-15; 2 Tessa­ lonicenses 2.4; A pocalipse 11.1-2 9. M inistério das Duas Testemunhas A pocalipse 11.3-6 10. O s Sete Selos de Juízos Mateus 24.5-9; Marcos 13.6-8,12,25; Lucas 21.8-11,16; Apocalipse 6.2-14 11. Invasão de Israel por G ogue e Magogue Ezequiel 38.1— 39.12 12. Martírio das Duas Testemunhas Apocalipse 11.3-7 13. Satanás É Expulso dos Céus A pocalipse 12.9 14. A bom inação da D esolação no Tem ­ plo Mateus 24.15-16; Marcos 13.14-18; 2 Tessalonicenses 2.3-4; Apocalipse 13.11-15 15. Plena M anifestação do A nticristo Daniel 7.25; 11.36-37; 2 Tessaloni­ censes 2.8-10; A pocalipse 13.5-8 16. Perseguição de Israel por todo o Mundo Daniel 12.1; Zacarias 11.16; Mateus


E vento s Futu ro s 24-21; Lucas 21.20-22; A pocalipse 7.13-14; 12.13 17. Destruição da Babilônia Religiosa A pocalipse 17.16 18. A s Sete Trombetas de Juízos Apocalipse 8.7-12; 9.1-3,13-16; 11.15 19. A s Setes Taças de Juízos Apocalipse 16.2-4,8-12,17-21 20. Destruição da Babilônia Política e Econômica Isaías 13.19-20; Jeremias 51.8; A p o ­ calipse 14.8; 18.1-2,9,18-21) 21. Batalha do Armagedom Salm os 2.1-5; Isaías 13.6-13; 24-1,1920; 26.21; 34.2-3; 42.13-14; 63.6; 66.15-16, 24; Jo e l3.2,9-16; Miquéias 5.15; Sofonias 1.14-17; 3.8; Zacarias 12.2-4,9; 14.1-3,12; Mateus 24.28; A pocalipse 14.14,20; 16.6; 19.17-21 22. Segunda Vinda de Cristo Isaías 11.12; 25.9; 40.5,10; 59.20; Ezequiel 43.2-4; Daniel 7.13-14; Habacuque 3.3-6,10-11; Ageu 2.6-7; Zacarias 8.3; 14-4,8; Malaquias 3.1; 4.2; Mateus 24.29-30; 26.64; Marcos 13.26; 14.62; Lc 21.27; 22.69; A tos 1.11; 3.20-21; 15.16; Romanos 11.26; 1 Coríntios 15.24; 2 Tessalonicenses 1.7-8; Apocalipse 1.7; 2.25; 19.11-13 23. Reunião e Julgamento de Israel Isaías 10.20-23; 11.12; 35.10; 40.5; 43.5-6; Jerem ias 16.14-15; 23.3; 24.6; 29.14; 31.8; 32.37-40; 46.27; Ezequiel 11.16-21; 20.33-44; 34-1113; 36.25-28; 37.12-14; Oséias 1.10-11; 3.5; A m ós 9.9-10, 14-15; M iquéias 7.18-19; Zc 12.10; 13.1,89; M alaquias 4.1; M ateus 24.31,4851; 25.7-10,24-30; M arcos 13.27; Lucas 21.34-35; Rom anos 9.6 24· Julgamento das N ações M ateus 25.31-32; 13.40-41,47-49; 25.31-46

227

25. Julgamento dos A njos Marcos 1.23-24; 1 Coríntios 6.3; 2 Pedro 2.4-9; Judas 6 26. Ressurreição dos Santos da Grande Tribulação e do A T Jó 19.25-27; Salmos 49.15; Isaías 25.89; 26.19; Daniel 12.2-3; Oséias 13.14; João 5.28-29; 11.23-27; Hebreus 11.35; Apocalipse 6.9-11; 20.4-6 27. Satanás É Lançado no Abism o Rom anos 16.20; A pocalipse 20.2-3 28. Banquete do Casamento do Cordeiro Isaías 61.10; Mateus 22.2; 25.1; Lu­ cas 12.35-36; A pocalipse 19.7-9 29. Reinado M ilenial de Cristo Salm os 2.6-8; 98.4, 9; Isaías 2.2-4; 9.6-7; 11.9-6; 25.8; 29.18-19; 30.2326; 35.5-10; 40.4-5,10-11; 42.16; 45.6; 49.10-11; 55.13; 60.1, 3,11,1920, 22; 65.19-20, 25; Jeremias 23.56; Ezequiel 34-23-24; Daniel 2.44; 7.13-14; Joel 3.18; A m ós 9.11,13; Miquéias 4-1-6; Habacuque 2.14; Sofonias 3.9,15,17; Zacarias 6.12-13; 8.3-5; 14.8-9,16,20; Mateus 19.28; 25.31; Lucas 1.31-33; 22.30; A tos 2.30; Rom anos 8.21; 1 Coríntios 15.24-28; Filipenses 2.10-11; 2 Ti­ móteo 2.12; Hebreus 1.8; A pocalipse 3.21; 5.13; 11.15; 19.15-16; 20.4 30. Revolta Final de Satanás A pocalipse 20.7-8 31. Julgam ento perante o Grande Trono Branco Salm os 9.17; Eclesiastes 12.14; D a­ niel 7.9-10; Mateus 7.21-23; 12.3637; João 5.22,27; 12.48; A tos 10.42; 17.31; 2 Timóteo 4-1; Hebreus 9.27; Apocalipse 20,11-12) 32. Destruição da Terra e do C éu que Existem atualmente Isaías 51.6; Mateus 24-35; Hebreus 1.10-12; 2 Pedro 3.10; 1 João 2.17


Fa l s o P r o f e t a

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33. Criação de uma N ova Terra, N ovos Céus e da N ova Jerusalém Isaías 65.17; 66.22; 2 Pedro 3.13; A pocalipse 21.1-2

—Harold L. Willmington e Wayne A . Brindle BIBLIOGRAFIA

AS CARACTERÍSTICAS QUE IDENTIFICAM 0 FALSO PROFETA O Falso Profeta atuará com o porta-voz do A nticristo. O s planos de Satan ás culm i­ nam com a ação conjunta das duas Bestas. A prim eira irá opor-se a C risto de forma clara, enquanto a segunda assumirá a po­ sição de um líder religioso notoriam ente vinculado a Cristo. A pocalipse 13 apresenta dez caracterís­ ticas que identificam o Falso Profeta:

House, H. W ayne e Price, Randall. C harts o f Bible Prophecy. Grand Rapids: Zondervan, 2003. Ice, T h om as e Demy, Tim othy J. The Return. Grand Rapids: Kregel, 1999. Pentecost, J. Dwight. Things to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1 958. Walvoord, John F. Israel, the Nations an d the C hurch in Prophecy. Grand Rapids: Zonder­ van, 1988. ------. Prophecy in the New Millennium. Grand Rapids: Kregel, 2001. Willmington, Harold L. Willmington’s Guide to the Bible. Wheaton, Illinois: Tyndale House, 1981.

1. emerge da terra (13.11); 2. controla as questões religiosas (13.12); 3. é motivado por Satanás (13.11); 4. promove a adoração da Besta (13.12); 5. opera sinais e milagres (13.13); 6. engana o mundo inteiro (13.14); 7. dá poder à imagem da Besta (13.15); 8. m ata todos que se recusam a adorar a imagem da Besta (13.15); 9. controla o comércio e a economia (13.17); 10. controla a marca da Besta (13.17-18).

FALSO PROFETA O A n ticristo não subirá sozinho ao p o ­ der. S eu sucesso será o resultado de um ardil espiritual em escala m undial, per­ petrado pelo Falso Profeta — líder reli­ gioso cu ja hab ilid ad e de realizar sinais m iraculosos irá cap acitá-lo a convencer o pú blico de que o A n ticristo é o líder por que todos buscavam . O m aior engano do fim dos tem pos en volverá a adoração ao A n ticristo por todo o m undo, fato que será prom ovido pelo Falso Profeta (A p 19.20; 2 0 .1 0 ), tam bém conhecido com o a segunda “b esta” (A p 13.11-17). O A p o calip se não revela claram ente sua identidade (nem a do A n tic risto ), mas apresen ta diversas pistas.

Alguns estudiosos crêem que o Falso Profeta será judeu, enquanto outros acre­ ditam que será gentio. O registro bíblico, por si só, é inconclusivo. Quando, contu­ do, observamos o relacionam ento entre o Falso Profeta e a grande prostituta (A p 17), im ediatam ente percebemos sua rela­ ção com a cidade sobre as “sete colinas” (A p 17.7, 9), que “reina sobre os reis da terra” (A p 17.18). C onsiderando a term i­ nologia utilizada na descrição do símbolo da “Grande Babilônia”, João parecia estar aludindo à cidade de R om a (fam osa por suas sete colinas). O A nticristo e o Falso Profeta são duas pessoas distintas que trabalharão por um objetivo comum e enganoso. Seus papéis


Fa l so P r o fe t a e relacionam entos são sem elhantes aos que vem os entre governantes do passado (o A nticristo) e seus sumos sacerdotes (o Falso Profeta).

A ATUAÇÃO DO FALSO PROFETA O livro de A pocalipse descreve o Falso Profeta com o alguém que usa sinais de m i­ lagres e m aravilhas para enganar o mundo, levando-o a adorar o A nticristo. Embora estes eventos ainda estejam por vir, deve­ mos, com o cristãos, estar sempre atentos contra os enganos espirituais. Tais enganos tam bém ocorrem hoje e não estão restritos ao fim dos tempos. H á um século, Sam uel Andrew s afir­ mou que a tarefa do Falso Profeta será es­ tender seu dom ínio eclesiástico sobre toda a terra, estabelecendo a igreja do A n ticris­ to com o um a réplica fraudulenta da ver­ dadeira Igreja. Andrew s descreveu uma religião apóstata, reunida em torno de um ódio com um ao cristianism o e cheia do poder do dem ônio. O Falso Profeta, por­ tanto, não apenas nega a doutrina cristã, mas tam bém a deturpa. Som en te assim o A n ticristo poderá assentar-se no Tem plo de Deus, exigindo ser adorado com o Deus (Is 14.12-14). Q uando tentou a C risto no deserto, S a ­ tanás pediu que Jesus o adorasse (M t 4.810). Satan ás chegou a oferecer o mundo inteiro a Cristo, caso este o adorasse. Por isso, não é de estranhar que o objetivo do Falso Profeta inspirado por Satan ás seja levar todo o mundo a curvar-se diante do A nticristo, que é a personificação do pró­ prio Satanás. Juntos, Satan ás (o D ragão), o A nticristo (a Besta que sobe do m ar) e o Falso Profeta (a Besta que sobe da terra) formam a “trindade profana” , que tenta imitar o Deus trino e uno. Satan ás opõe-se ao Pai, o A nticristo opõe-se ao Filho e o Falso Pro­ feta opõe-se ao Espírito Santo. Esta aliança

229

profana é a suprema tentativa satânica de destruir a obra de Deus na terra. A Bíblia explica o m étodo utilizado. O A nticristo não ousará aparecer até que ve­ nha a “revolta” (N T L H ) ou a “apostasia” (A R C ) (2 Ts 2.3). Enquanto esta hora não chega, o espírito do A nticristo (iniqüida­ de) já está em ação, tentando perverter o evangelho e corromper a Igreja. Quando o processo estiver suficientem ente adianta­ do, o Falso Profeta surgirá para preparar a vinda do A nticristo.

A PROSTITUIÇÃO ESPIRITUAL DO FALSO PROFETA A pocalipse 17 relaciona o Falso Profeta com a “grande prostituta” (a religião após­ tata). A prostituição, não raro, fazia parte dos cultos pagãos, mas o adultério m encio­ nado aqui diz respeito a um adultério es­ piritual. A mulher da passagem é culpada de ceder espiritualm ente e associar-se com religiões apóstatas. M uitos estudiosos m encionaram diver­ sas analogias entre o A nticristo e A ntíoco IV Epifânio, que perseguiu os judeus no século II a.C. O falso profeta é para o A n ti­ cristo o que M enelau foi para A ntíoco IV. A n tíoco promulgou m uitos decretos helenizantes e M enelau foi o responsável pela aplicação de cada um sobre seu próprio povo, os judeus. A o descrever o Falso Profeta, João diz que ele “ [...] tinha dois chifres sem elhantes aos de um cordeiro; e falava com o o dra­ gão” (A p 13.11). O A nticristo parece ser piedoso, mas fala com o o Diabo. Falsifica a verdadeira religião a fim de esconder sua verdadeira identidade. Enquanto o m inis­ tério do Espírito San to é trazer as pessoas a Cristo, a obra enganosa do Falso Profe­ ta consiste em atrair as pessoas para uma aliança espiritual com o A nticristo. O Falso Profeta engana o mundo por meio da apostasia, que é um a renúncia ao


Fa l s o P r o f e t a

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verdadeiro evangelho. O espírito do A n ti­ cristo segue atuando ao longo da história, negando o verdadeiro Salvador e sua obra na cruz que nos remiu de nossos pecados.

A APOSTASIA RELIGIOSA INCITADA PELO FALSO PROFETA O erudito puritano John Owen observou que a apostasia é promovida pelo próprio grande apóstata. Ele escreveu: “O diabo, o maior dos apóstatas, tem como seu maior desejo destruir a Igreja de Cristo sobre a ter­ ra. Fracassando, ele procura corrompê-la e tom á-la sua própria igreja” (Owen, p. 135). O w en descreve os ataques externos de Satan ás contra a Igreja com o as investidas de um leão furioso. Q uanto aos ataques internos, ele os com para a botes de uma serpente venenosa. “U m a vez dentro da Igreja, ele, de form a secreta e gradual, en­ venena as mentes de muitos. Provoca pen­ sam entos fúteis de poder e am bição, gos­ to pelo louvor e pela honra que o mundo oferece, e superstições. Ele, então, afastaos da sim plicidade e do poder espiritual do evangelho [...] Dessa forma, o ‘mistério da iniqüidade’ agiu e foi bem- sucedido”. Ow en prossegue em seu texto e relacio­ n a os sinais que alertam para o perigo da apostasia (pp. 148-150): 1. perda de todo apreço pelo evange­ lho; 2. perda da convicção de que o evange­ lho é verdadeiro; 3. desprezo pelas promessas de Deus; 4. repulsa pela verdadeira religião cristã; 5. ódio pelo povo de Deus; 6. ódio pelo Espírito de Deus; 7. ódio por Cristo. A p esar de ter feito estas observações h á m ais de 3 00 anos, elas descrevem de

form a precisa a natureza da apostasia, tan to eclesiástica com o pessoal. Q uando cristãos professos se voltam con tra a ver­ dade, eles geralm ente o fazem de form a v io len ta e im petuosa. N ão devemos, portanto, ficar surpresos com o fato de o Falso Profeta representar a religião apóstata ao tempo do fim. Se o seu trajeto rumo ao poder for sem elhante ao trilhado pelo A nticristo, ele presidirá a cristandade apóstata após o arrebatam ento dos verdadeiros crentes. O s que não forem cristãos serão deixados para trás e o Falso Profeta não terá dificuldades para enganálos. O Espírito San to ainda será onipresen­ te no mundo, mas a rem oção da Igreja (o corpo de C risto) fará com que seu m inisté­ rio de contenção chegue ao fim.

A GRANDE WIENTIRA PROPAGADA PELO FALSO PROFETA O apóstolo Paulo explicou este proces­ so quando escreveu: “Porque já o mistério da injustiça opera; som ente h á um que, agora, resiste até que do meio seja tirado” (2 Ts 2.7). A pós o arrebatam ento, o Espí­ rito San to continuará convencendo as pes­ soas do pecado, mas seu ministério refreador chegará ao fim e a maldade de Satanás ficará solta na terra. Então o iníquo será revelado. Paulo disse: “a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem ” (2 Ts 2.9-10). O surgimento do A nticristo (“o iníquo” ) será com o um colapso da religião e dos valores morais, levando a um a sociedade decaden­ te que crerá na “m entira” (v. 11), ao invés da verdade. O apóstolo n ão chega a definir a “m en­ tira” (gr.: pseudei), mas deixa claro que se trata de um a m entira específica, não um a qualquer. Ele poderia estar se referindo à


Fa l s o P r o f e t a m entira perpetrada para justificar o arrebatam ento. M ais provavelm ente, porém, a “m entira” significa a rejeição oficial do C risto e a aceitação, deificação e adoração do A nticristo. A pocalipse apresenta o Falso Profeta com o um indivíduo capacitado por S a ta ­ nás (A p 13.11-12). O sistem a religioso por ele representado é cham ado de “a grande prostituta” (17.1), que se em briaga com o “sangue dos santos” (17.6). A fase final da apostasia é, então, tanto o sistem a religioso com o o indivíduo que o lidera.

A DERRADEIRA RELIGIÃO INSTITUÍDA PELO FALSO PROFETA U m as poucas observações se fazem n e­ cessárias. Em primeiro lugar, os apóstolos estavam convencidos de que o espírito do A nticristo (1 Jo 4-3) e o m istério da iniqüi­ dade (2 Ts 2.7) já estavam em ação naquela época. Isto significa que o espírito da apos­ tasia precede todas as igrejas m odernas que conhecem os hoje. Em segundo lugar, se os pré-tribulacionistas estão corretos em supor que o arre­ batam ento da verdadeira Igreja acon tece­ rá antes do início da G rande Tribulação, todas as igrejas “cristãs” rem anescentes apostatarão independente da denom i­ nação. Todos esses falsos cristãos, sendo deixados para trás, bem poderão se unir em torno da incredulidade que lhes será com um (2 Ts 2.8-12). Para resumir:

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incredulidade desenfreada nos cír­ culos liberais. 4- A pós o arrebatamento dos verdadei­ ros crentes, todos os “cristãos” pro­ fessos deixados para trás apostatarão da fé, independentemente de sua de­ nominação. 5. O Falso Profeta virá para levar a cristandade apóstata a aceitar o A nticristo. Em 2 Tessalonicenses 2.3-12, Paulo in­ form a que este processo terá início já na era da Igreja. A apostasia virá antes da “vinda de nosso Senhor Jesus C risto” (2.1,3). Sua expansão final com o uma forma de incre­ dulidade global, contudo, não acontecerá até que o ministério refreador do Espíri­ to San to (que habita a verdadeira Igreja) seja interrompido no arrebatam ento. Isto parece indicar que provavelm ente não sa­ beremos quem é o Falso Profeta antes do arrebatam ento. A queles que ficarem por aqui para enfrentar a G rande Tribulação conhecerão sua verdadeira identidade.

— Ed Hindson BIBLIOGRAFIA Andrews, Samuel. Christianity a n d Antichristianity. Chicago: M o o d y Bible Institute, 1 898. Hindson, Ed. Antichrist Rising. Springfield, M is ­ souri: 2 1 st Century Press, 2003. Lee, Richard e H in d so n , Ed. A n g e ls o f Deceit.

1. O espírito do Anticristo e o mistério da iniqüidade estavam em ação no tempo dos apóstolos. 2. A apostasia avançou ao longo da his­ tória da Igreja, antecedendo a igreja de nossos dias. 3. U m grande segm ento da cristandade m oderna já é apóstata. H á um a

Eugene,

O re go n:

Harvest

H o u se

Publi­

shers, 1 993. Owen, John. A p o stasy from the Gospel. Resu­ m ido por Law, R. J. K. Edinburgh: Banner of Truth, 1992. Pentecost, J. Dwight. T hings to Come. Grand Ra­ pids: Zondervan, 1 965. Walvoord, John F. M ajor Bible Prophecies. Grand Rapids: Zondervan, 1 991.


Fa l so s P r o fe t a s

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FALSOS PROFETAS O engano prom ovido por falsos profetas (gr.: pseudo prophetes) não é um fenômeno novo. M oisés tratou do assunto ao falar com os filhos de Israel: “C om o conhecere­ mos a palavra que o Senhor não falou?” A resposta recebida foi: “Q uando o tal profe­ ta falar em nom e do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com so­ berba a falou o tal profeta; não tenhas te­ mor dele” (D t 18.21-22). U m verdadeiro profeta deve: 1. falar em nome do Senhor e não em nome de algum outro Deus; 2. transmitir mensagens em harmonia com a verdade revelada por Deus nas Escrituras; 3. Prever eventos futuros que ocorram tal e qual foi profetizado.

SUAS CARACTERÍSTICAS A Bíblia descreve os falsos profetas das seguintes formas: 1. Enganam a si mesmos. Falsos mestres podem ser sinceros, mas, ainda as­ sim, estar errados. A lguns enganam a si mesmos e convencem-se de que a mensagem é verdadeira. C om o ve­ mos em Jeremias 23.9-11, tais m en­ sagens provêm de suas próprias m en­ tes, não de Deus. 2. Mentirosos. Alguns falsos profetas são deliberadamente mentirosos e não têm intenção nenhuma de fa­ lar a verdade. O apóstolo João diz: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho” ( l j o 2.22).

3. Hereges. Falsos profetas pregam heresias (doutrinas falsas) e pro­ m ovem a divisão da Igreja. A seu respeito, João disse: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos” (1 Jo 2.19). O apósto­ lo Pedro disse: “Entre vós haverá tam bém falsos doutores, que intro­ duzirão encobertam ente heresias de perdição [...] blasfem ando do que não entendem ” (2 Pe 2.1, 12). 4. Escamecedores. Alguns mestres não chegam a promover falsas doutri­ nas, mas apenas negam a verdade de Deus. Sobre estes, a Bíblia adverte: “N os últimos dias virão escam ecedo­ res, andando segundo as suas próprias concupiscências” (2 Pe 3.3). O após­ tolo Paulo chama-os de “amantes de si mesmos [...] presunçosos, soberbos” (2 T m 3.2). Judas chama-os de “murmuradores, queixosos” (Jd 16). 5. Blasfemos. Aqueles que falam mal de Deus, de Cristo, do Espírito Santo, do povo de Deus, do Reino de Deus e dos atributos de Deus são chamados de blasfemos. Judas qualifica-os como homens ímpios que “dizem mal do que não sabem [...] ondas impetuosas do mar [...] estrelas errantes” (Jd 10, 13). O apóstolo Paulo com enta que ele mesmo era um blasfemo antes de sua conversão a Cristo ( l T m l .1 3 ) . 6. Sedutores. Jesus alertou-nos de que alguns falsos profetas fariam sinais de milagres e maravilhas, a fim de seduzir e enganar até mesmo os elei­ tos, “se possível” (M c 13.22). N o s­ so Senhor quer dizer que a sedução espiritual é uma am eaça real até mesmo para os crentes, o que expli­ caria o fato de uns poucos crentes verdadeiros, mas enganados, serem encontrados em seitas heréticas.


Fa l s o s P r o f e t a s 7. Reprováveis. Este termo significa “re­ provados”, “corrompidos” ou “rejei­ tados”. Paulo o utiliza com respeito àqueles que, voltando-se para as tre­ vas espirituais, rejeitaram a verdade de Deus. Em conseqüência, Deus “os entregou a uma disposição mental reprovável” (Rm 1.28-30). Eles de tal forma rejeitaram a Deus que se tom aram “cheios de toda injustiça”. São “aborrecedores de Deus”, pesso­ as tão corrompidas espiritualmente que, apesar de terem consciência de sua situação, não se importam. N a mensagem profética do próprio Jesus, proferida sobre o monte das Oliveiras, somos alertados: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane [...] muitos serão escandalizados [...] E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos [...] porque sur­ girão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios” (M t 24.4,10-11,24). N osso Senhor alertou seus discípulos sobre os peri­ gos da sedução espiritual nas mãos de falsos profetas.

0 ENGANO QUE PROMOVEM A Bíblia descreve Satan ás com o o “pai da m entira” (Jo 8.44) e retrata-o com o o supremo enganador. Seu nom e significa “acusador”, e ele é descrito com o o acu­ sador do povo de Deus (A p 12.10). Incita hom ens e mulheres a pecarem contra as leis de Deus (G n 3.1-13); nega e rejeita a verdade de Deus, enganando aqueles que perecem sem Deus (2 Ts 2.9-10), e, por fim, é o inspirador dos falsos profetas e do espí­ rito do A nticristo. A Bíblia avisa claram ente que, nos últi­ mos dias, “apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutri­ nas de dem ônios” (1 T m 4-1). Estas falsas doutrinas serão dissem inadas por hipócritas

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mentirosos, cujas mentes foram capturadas pelas m entiras de Satanás. A ssim , tem os o processo do engano espiritual traçado com clareza nas Escrituras:

S atanás Pai da Mentira

\ D e m ô n io s Doutrinas de Demônios

i F a lso s M est r es Mensageiros do Engano

A palavra “anjo” (gr.: angelos) signi­ fica “m ensageiro”. O s anjos de Deus são seus m ensageiros (H b 1.14; A p 1.1) e os verdadeiros profetas e pregadores são cha­ mados de anjos das igrejas (A p 2.1,8,12,18; 3.1,7,14). Em contrapartida, Satan ás é des­ crito como um anjo caído, líder de outros anjos caídos, o qual engana o mundo (A p 12.9). Ele é revelado com o o verdadeiro poder por trás do A nticristo e do Falso Profeta, enganando a hum anidade com a falsa religião (A p 13.14-15). Os m ensagei­ ros (anjos) do engano são, portanto, falsos profetas e mestres inspirados por Satanás. Suas m ensagens carregam o mesmo espíri­ to que habitará o A nticristo. Quando um a pessoa aceita a premissa de um falso ensino, fecha sua m ente para a verdade e lança fora todo raciocínio lógi­ co. Vivemos em uma época em que as falsas doutrinas são cada vez m ais prevalentes. C om o tempo, chegarem os ao contexto n e­ cessário para que o Falso Profeta prom ova seu engano final. A s pessoas estarão tão ce­ gas para a verdade que já não reconhecerão


F e st a s d e Isr a e l

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o engano pelo que ele é. Crerão e obedece­ rão ao que lhes for dito, chagando a ponto de adorarem o A nticristo.

—Ed Hindson

outono de form a literal. A s festas de pri­ m avera incluem a Páscoa, a festa dos Pães A sm os, a festa das Prim ícias e o Pentecostes. A s festas de outono incluem a festa das trom betas, o D ia da Expiação e a festa dos Tabernáculos.

BIBLIOGRAFIA AS FESTAS DE PRIMAVERA Ankerberg, John e Weldon, John. Cult Watch. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1992. Breese, Dave. M arks o f the Cults. Wheaton, Illi­ nois: Victor Books, 1984. Enroth, Ronald. A Guide to Cults a n d New Re­ ligions. D ow n e rs Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1983. Horton, Michael. The A g o n y o f Deceit. Chicago: M o o d y Press, 1990. Hunt, Dave e M cM ahon, T. A. The Seduction o f Christianity. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1 985. Lee, Richard e Hindson, Ed. A n gels o f Deceit. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1993. Mather, G. A. e Nichols, L. A. D ictionary o f Cults, Sects, Religions a n d the Occult. Grand Rapi­ ds: Zondervan, 1 992.

FESTAS DE ISRAEL A lei m osaica prescrevia sete festas anuais no calendário religioso de Israel, as quais eram divididas em dois grupos: festas de prim avera e festas de outono. C ad a festa com unicava um aspecto específico do p la­ no de Deus, tan to para Israel na história do hom em com o para a vinda do M essias (H b 10.1). A s quatro festas de prim avera prenunciavam eventos da obra salvadora do M essias em seu prim eiro advento, e sobre a fundação da Igreja. Tais profecias, ou tipos, foram cum pridos de form a literal no dia exato de cada festa. Podem os supor que Deus tam bém cumprirá as festas de

A Páscoa era a prim eira das festas sa­ gradas, e tam bém a prim eira das três ce­ lebrações anuais de peregrinação que e x i­ giam a presença de todos os hom ens no Tem plo em Jerusalém (Êx 12; 23.17; Lv 23.5; D t 16.16). A Páscoa com em orava a libertação histórica dos judeus da escravi­ dão no Egito e era observada no décim o quarto dia de N issan, que é o prim eiro mês do calendário religioso judaico. A Páscoa era um prenuncio da redenção por m eio da crucificação do “C ordeiro de Deus que tira o pecado do m undo” (Jo 1.29; 1 C o 5.7). C risto foi crucificado na véspera da Páscoa, em um sacrifício vicário pelos pe­ cados do m undo (Jo 19.14). N o dia seguinte à Páscoa, no décim o quinto dia de N issan, com eçava a festa dos Pães A sm os que se estendia por uma sem ana, indo até o décim o prim eiro dia de N issan. D urante esta sem ana, ninguém em Israel podia trabalhar. N o prim eiro e no últim o dia, o povo oferecia sacrifícios (Lv 23.6-8; N m 28.16-25; D t 16.1-8). Esta festa ressaltava a separação de Israel do resto do m undo. A festa dos Pães A s ­ m os tam bém retratava a característica de pureza da hum anidade de Jesus C risto, que era um a união h ipostática entre o Verbo e a natureza hum ana, pois Jesus C risto é cham ado de o “Pão da V ida” (Jo 6.35). Por não ter pecado, C risto estava qualifi­ cado para m orrer n a cruz pelos pecados do m undo (2 C o 5.21). Israel observava a festa das Primícias um dia após o sábado que se seguia à Pás­ coa. N esta festa, que era dedicada à colhei­


F e st a s d e Isr a e l ta, os fiéis traziam ao Templo um feixe do primeiro cereal que colhessem e o sacerdote m ovia-o de forma ritual perante o Senhor. Os sacerdotes então debulhavam o cereal, m oíam -no até formar farinha e ofereciamno ao Senhor com o oferta de manjares, juntam ente com um litro de vinho. A s prim ícias simbolizavam a bênção divina e eram um a garantia de que a colheita seria abundante (Lv 23.9-14). A festa das Primí­ cias tipificava a ressurreição de Cristo, “as prim ícias dos que dormem” (1 C o 15.20). Tal qual a festa das Primícias, a ressurreição de Cristo anuncia e garante a colheita que se seguirá (a ressurreição dos santos). C inqüenta dias após a festa das Primí­ cias, vinha o Pentecostes, a “Festa das S e ­ m anas” (Lv 23.15-22; D t 16.9-12). Esta era a terceira peregrinação anual e celebrava a colheita do trigo, a chegada da provisão de Deus. O Pentecostes representava a pro­ messa do Espírito San to de Deus para Isra­ el sob a N o v a A liança. Inicialm ente, ela deveria ser cumprida no primeiro advento. Quando, porém, Israel rejeitou o messiado de Jesus, a chegada do Espírito Santo passou a prenunciar o juízo de Deus sobre a nação (cumprido em 70 d .C .), e não a bênção do reino m essiânico. O cumprimento do sinal desta festa, portanto, não se realizará para Israel até que seu povo seja reunido na Ter­ ra Prometida no futuro reino m ilenial.

AS FESTAS DE OUTONO A segunda fase do calendário religioso de Israel ocorre no outono. A s festas de outono anunciam o segundo advento de Jesus. A festa das Trombetas ocorre no pri­ meiro dia de T ishrei (o sétim o mês do ca­ lendário religioso judaico), no outono (Lv 23.24; N m 29.1-6). Esta festa, cujo sinal irá cumprir-se ao fim da Grande Tribula­ ção, quando os exércitos do A nticristo ata­ carem Jerusalém , representa a preparação de Israel para o arrependimento nacional

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e aceitação de Jesus com o o M essias. N a ­ quele m omento, Israel será preparado para aceitar Jesus com o M essias e experim en