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CORREIO DA PARAĂ?BA

HOMEM

MULHER ParaĂ­ba

Domingo, 17 de fevereiro de 2013

H1

De repente,

SolidĂŁo pode levar Ă pressĂŁo alta e atĂŠ ao câncer. É preciso lidar com o problema e aproveitar para voltar a estudar, viajar e se autoconhecer HARYSON ALVES A sensação de solidĂŁo eleva os nĂ­veis do hormĂ´nio do estresse, o Cortisol, e pode acarretar em pressĂŁo alta, demĂŞncia, perda de imunidade, problemas cardĂ­acos, depressĂŁo e atĂŠ câncer. Ela se faz presente na vida das pessoas em vĂĄrios momentos de forma leve e passageira, mas pode se tornar um proEOHPmR 3HUGDV SRU PRUWH Ă€OKRV TXH VDHP GH FDVD H FDVDLV TXH VH VHSDUDP VmR H[HPSORV GHQWUH PXLWRV HP TXH R TXDGUR SRGH VH PDQLIHVWDU 'H DFRUGR com a psicĂłloga Karina SimĂľes, os casais divorciados sĂŁo maioria dos casos atendidos em consultĂłrio em JoĂŁo Pessoa por causa do sentimento de solidĂŁo e perda. Casamento acabou “HĂĄ um ano e meio tento encontrar felicidade em sair para festas, no trabalho, visitar parentes em outras cidades HDWpQRPHXĂ€OKRTXHWHPFLQFRDQRV &RQIHVVRTXHMiVDtFRPRXWURVKRPHQV TXHWHQWHLPHDSHJDUDRXWUDVSRVVLELOL-

dades de romance, mas ĂŠ como se tudo nĂŁo tivesse graça alguma, nem me satisĂ€]HVVHÂľ UHYHORX D RGRQWyORJD .DOLQH Torres, 31 anos. Ela teve seu casamento DFDEDGR SRUTXH VHX H[PDULGR HQFRQtrou outra mulher. “JĂĄ ouvi vĂĄrios conselhos, interiorizo todos, muitos amigos e familiares PHDMXGDPPDVQDGDFRQVHJXHUHWLUDUD GRUTXHDVROLGmRWHPPHIHLWRVHQWLU2 PDLV GLItFLO SUD PLP p VDEHU TXH DLQGD estou apegada a meu ex-marido e nĂŁo conseguir deixar de estar mal por isso. É como se eu nĂŁo tivesse mais ninguĂŠm na vida, mesmo estando rodeada de pessoDVÂľGHWDOKRXDRGRQWyORJD Para Kaline Torres, as viagens para YLVLWDU SDUHQWHV GH TXHP JRVWD PXLWR SDVVDU PDLV WHPSR FRP R Ă€OKR H SURcurar se sentir bem consigo mesma sĂŁo FRLVDVTXHSRGHPDMXGDUQDVXDVLWXDomR ´(VVDV VmR VLWXDo}HV HP TXH TXHUR LQvestir muito na minha vida. Vou começar o tratamento psicolĂłgico na prĂłxima semana e espero conseguir me libertar GRV PDOHV TXH D VHSDUDomR PH WURX[H SULQFLSDOPHQWHGDVROLGmRÂľGHVHMRX

Quando os filhos vão embora... ´$QWHVGHWHUPRVÀOKRVDJHQWH era sozinho, eu e minha esposa, mas não vivíamos por eles e pra eles. Acabamos desaprendendo a viver sem eles, TXHKRMHDQGDPFRPVXDVSHUQDVHQmR PRUDP PDLV HP FDVD 3DVVDPRV KRMH pela pior sensação de solidão das nossas vidas, principalmente hå três meses, TXDQGR R WHUFHLUR ÀOKR VDLX GH FDVD¾ revelou o funcionårio público EdmilVRQ$UJLQR%RUJHVDQRVTXHFRQYLve com esse sentimento hå três anos. Ele e sua esposa estão vendendo a residência onde moram hå 33 anos. ´7XGR SDUHFH WHU ÀFDGR PDLV YD]LR H HVSDoRVRGHSRLVTXHQRVVRVÀOKRVVDt-

ram para morar fora. A casa estå enorPHSDUDQyVGRLVHMiHVWDPRVSURFXUDQGRXPDPHQRU¾FRPHQWRX$ÀOKD mais velha de Edmilson Borges e o do PHLRÀ]HUDP'LUHLWRHSDVVDUDPQXP concurso público em São Paulo, e o mais novo Ê da Engenharia ElÊtrica e DFDERXGHLUSUD'XEOLQQD,UODQGD (GPLOVRQ %RUJHV GLVVH TXH WHP FRQVFLrQFLD GH TXH RV ÀOKRV WrP VXDV YLGDV H À]HUDP VXDV SUySULDV GHFLV}HVPDVTXHDYRQWDGHGHFRQWLQXDU compartilhando tudo com eles ainda pJUDQGH´0LQKDHVSRVDHHXÀFDPRV muito tristes caso passemos dois dias VHPIDODUFRPHOHV¾IULVRX

Problema Ê mais sentido no divórcio 'H DFRUGR FRP a psicóloga Karina Simþes, em João Pessoa, a maioria dos casos clíniFRVTXHWUDWDPSDFLHQWHV com sintomas de solidão pGHFDVDLVTXHVHVHSDUDUDP(ODH[SOLFRXTXHD solidão Ê um sentimento TXH SRGH VHU VHQWLGR GH vårias formas e em vårias nuances. ´(ODMDPDLVpVHQWLda igual, nem por pessoas nem por situaçþes. Pois sentir-se sozinho, mesmo rodeado de gente, ou numa multidão, pode ser

para alguÊm uma experiência de dor tão forte ou SLRUGRTXHDVROLGmRGH SHUGDHOXWR¾FRPHQWRX A psicóloga expliFRXTXHRVHQWLPHQWRHD dor da solidão são imensuråveis. Mas alguns estudiosos da årea do luto HGDSHUGDFRQVHTXHQWHmente da solidão, como Elizabeth Kubler-Ross PRVWUDP TXH PXLWDV vezes, a perda e a dor de sentir-se sozinho após um divórcio e separaçþes pode ser muito maior H GHYDVWDGRUD GR TXH R

Algumas causas ‰ Saída dos filhos de casa (Síndrome do Ninho Vazio) ‰ Perdas ‰ Luto ‰ Fim de casamento ‰ Crises conjugais ‰ Crises de identidade

sentimento de solidĂŁo por perda de morte de alguĂŠm. “Percebemos essa FRQĂ€UPDomR QD SUiWLFD clĂ­nica, pois em consulWyULR YHMR D GHPDQGD GH SHVVRDV TXH SURFXram tratar se por perda e sentimento de solidĂŁo. 2 TXH PDLV HVFXWR VmR TXHL[DV GHSUHVVLYDV H angĂşstias de solidĂŁo a GRLV&UHLRTXHVHMDDSLR faceta da solidĂŁo: estar acompanhado e mesmo DVVLPVHVHQWLUVR]LQKRÂľ reforçou.

‰ Crises existenciais

Superando os problemas “Nosso estado de solidĂŁo TXHPFXOWLYDVRPRVQyVPHVPRV Podemos atĂŠ nĂŁo acabar com ela, mas conviver com esse sentimento dando a ele menos valor GRTXHVHGHYH$VVLPHOHWRPDUi menos espaço em nossos coraçþes e mente. É preciso transformar a solidĂŁo em uma saudade

ERDHTXDQGRFRQVHJXLPRVLVVR GH UHSHQWH QRWDPRV TXH D VROLdĂŁo nĂŁo ĂŠ mais um problema, mas uma das oportunidades de aprender com a vida e preenchĂŞODFRPRXWUDVH[SHULrQFLDVÂľRSLnou Edmilson Borges. Continua na pĂĄgina H-2


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ParaĂ­ba

Domingo, 17 de fevereiro de 2013

Homem&Mulher

Contra a solidĂŁo, atividades extras Esporte e lazer sĂŁo indicados para preencher o tempo e afugentar o vazio

“As crises podem levar uma pessoa a isolamento e depressĂŁo ou ser um impulso para mudar de vidaâ€?, diz a aposentada Maria JosĂŠ Rodrigues. “Quando Ă€TXHLYL~YDDFKHLTXHPLQKDYLGDWLQKD DFDEDGR0DVYLTXHSRGLDDMXGDURXWUDV PXOKHUHV TXH FRPR HX HVWDYDP VR]LQKDV¡GLVVH´+RMHVRPRVXPJUXSR PXOKHUHV H YLDMDPRV MXQWDV H ID]HPRV YiULRV SURJUDPDV 8PD DMXGD D RXWUDÂľ explica. (GPLOVRQ %RUJHV TXH HVWi SDVVDQGR SHOD IDVH GR ÂśQLQKR YD]LRÂľGLVVH TXHWHPFRQVFLrQFLDGHTXHRVĂ€OKRVWrP suas vidas Apesar disso, Edmilson Borges e sua esposa apostaram nos esportes, viagens e na participação em grupos da

LJUHMD SDUD DIXJHQWDUHP D VHQVDomR GD VROLGmR ´3UHHQFKHPRV QRVVR WHPSR livre durante o dia e a noite. Acabeid H HQWUDU QD QDWDomR HPERUD HX Mi VHMD PDUDWRQLVWD H FLFOLVWD $ PLQKD PXOKHU FRPHoRXDFRUUHUQDSUDLDHMiID]LDQDWDção�, comentou.AlÊm disso, o casal estå VHSURJUDPDQGRSDUDYLDMDUHQWUHDEULOH PDLR´1RVVRREMHWLYRpYLDMDUFRPXP GHQRVVRVÀOKRVRXWRGRVSRUYH]$VVLP PDWDPRVDVDXGDGHHID]HPRVDOJRSUD]HURVR$~OWLPDYLDJHPIRLSDUDR&KLOH e a próxima serå para Dublin�, adiantou (GPLOVRQ %RUJHV 2XWUD DWLYLGDGH TXH PDQGRX SUD Oi D VROLGmR GR FDVDO IRL D participação em grupos da terceira idade GHQWURGDLJUHMD

Angústia, dor no peito e oscilação de humor

!

Quando o quadro de solidĂŁo se agrava a ponto de a pessoa sentir angĂşstias frequentes, dores no peito, ansiedade elevada, tristeza, oscilação de humor, crises de choro, entre outros sintomas ĂŠ hora de procurar ajuda. “A solidĂŁo pode ser sentida no decorrer da vida das pessoas e por todos, porĂŠm de forma leve e passageira. NĂŁo deixando marcas nem sequelas. Mas, quando esse sentimento consome o indivĂ­duo de uma forma que interfira nas ĂĄreas de vida como a familiar, pessoal, afetiva, na saĂşde e trabalho, algo nĂŁo estĂĄ bem e precisa ser tratado com um profissional da saĂşde mental. DepressĂŁo ĂŠ uma doença sĂŠria e nĂŁo pode ser subestimadaâ€?, alertou a psicĂłloga Karina SimĂľes.

Perdeu o marido e conseguiu dar um ‘up’ na vida

!

“JĂĄ me senti culpada por estar viva depois que meu marido faleceu. Durante dois anos vivi sem saber o que fazer porque perdi meu Ăşnico namorado, Ăşnico marido, meu Ăşnico homem. Casei aos 16 anos e fiquei completamente sem norte na vida devido Ă solidĂŁoâ€?, comentou Maria da Salete Morais, aposentada de 66 anos, que perdeu o esposo hĂĄ quatro anos. Ela revelou que chegou a perder 11 kg dos 50 kg que pesava, mas que conseguiu reverter a situação depois de conviver dois anos com esse sentimento e se inquietar com aquele sofrimento. “Aluguei a casa onde eu morava com meu marido porque tudo lĂĄ me lembrava ele e fui morar em outro local. ApĂłs dois anos de sofrimento, disse pra mim mesma que aquela situação nĂŁo poderia continuar. DaĂ­, fiz novas amizades e entrei num grupo de amigas, mudanças que fizeram a total diferença na minha vidaâ€?, assegurou a aposentada. De acordo com Maria da Salete, seus dias ficaram preenchidos de atividades, principalmente com o grupo de amigas. “A gente vai Ă  pizzaria, fazemos festas, promovemos nossos aniversĂĄrios e fazemos juntas diversas outras atividades que nos traz bem estar e alegriaâ€?, comentou Maria Morais.

Quando vira problema 'HDFRUGRFRPRSVLTXLDtra Frederico Navas, uma das PDLRUHVGLĂ€FXOGDGHVpGLDJQRVticar e tratar a depressĂŁo. Assim TXHVXUJLUHPRVSULPHLURVVLQtomas o paciente deve procurar XPSVLTXLDWUDXPQHXURORJLVWD

HXPSVLFyORJRTXHVmRRVSURÀVVLRQDLVPDLVLQGLFDGRVSDUDD GHÀQLomR GR GLDJQyVWLFR SRU meio de uma consulta clínica GHWDOKDGD DOpP GH H[DPHV HVSHFtÀFRV ´$ FKDYH GR GLDJQyVWLFR

Como lidar

!

É importante que as pessoas que se sentem sozinhas busquem por um estilo de vida mais saudĂĄvel, fazendo atividade fĂ­sicas e tendo uma alimentação equilibrada. “AlĂŠm disso, manter bons contatos sociais, fazer amigos, aumentar a sociabilidade e se envolver com familiares, praticar a caridade , lidar bem a com a espiritualidade, dentre outros, sĂŁo os aspectos importantes para saber lidar com o afastamento da solidĂŁo na sua vidaâ€?, sugeriu a psicĂłloga Karina SimĂľes.De acordo com ela, tudo ĂŠ vĂĄlido para um processo de modificação e tentar fazer um movimento de saĂ­da do quadro solitĂĄrio.

Ser ĂŠ diferente de estar

!

“Estar sozinho ĂŠ diferente de se sentir solitĂĄrio. Um indivĂ­duo pode estar sozinho por opção e ser satisfeito com a vida que leva; ter sua vida social e familiar em ordem. Por mais que ele se encontre sozinho, isso nĂŁo significa necessariamente que ele estaria infeliz. Em contrapartida a disso, a autosuficiĂŞncia em excesso pode ser prejudicial. Na verdade, qualquer virtude em excesso se tornarĂĄ um defeito ou algo que prejudicarĂĄ o indivĂ­duo em algum momento. Achar a dose certa ĂŠ a grande conquista do ser humanoâ€?, concluiu a psicĂłloga Karina SimĂľes.

p SURFXUDU DMXGD QD SHUVLVWrQcia dos sinais, principalmente, TXDQGRHOHVFRQWLQXDPSRUGXDV ou mais semanas� , explicou Frederico Navas. É importante ÀFDUDWHQWRDDOJXQVVLQDLVHVLQWRPDVFRPRKXPRUGHSULPLGR

sentimento de inutilidade, de FXOSDRXGHIUDFDVVRSHUGDGH energia e desinteresse, pessimisPRFKRURjWRDRXGLĂ€FXOGDGH GH FKRUDU SHUGD RX JDQKR GH peso, insĂ´nia, ansiedade, vontade de morrer, entre outros.

SINTOMAS DA DEPRESSĂƒO „ perda de energia ou interesse; „ humor deprimido; „ dificuldade de concentração; „ alteraçþes do apetite e do sono; „ atividades fĂ­sicas e mentais mais lentas; „ sentimento de pesar ou fracasso; „ pessimismo; „ dificuldade de tomar decisĂľes; „ dificuldade para começar a fazer tarefas; „ irritabilidade ou impaciĂŞncia; „ inquietação; „ achar que nĂŁo vale a pena viver e/ou desejo de morrer; „ chorar Ă toa; „ dificuldade para chorar; „ sensação de que nunca vai melhorar e desesperança; „ sentimento de pena de si mesmo; „ dores no corpo; „ sentimentos de culpa injustificĂĄveis; „ Perda do desejo sexual.

Profile for Karina Simões

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