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Homem&Mulher

Paraíba

Domingo, 19 de agosto de 2012

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Janaína Araújo Eles só querem sexo? E daí?

Vera Lúcia Pessoa está aprendendo a conviver com a ausência do filho que foi morar no exterior

Quando os filhos vão embora...

Psicóloga diz que sofrer faz parte do processo, mas é preciso aprender a lidar com a nova rotina e procurar preencher a solidão VANESSA FURTADO O crescimento dos filhos e a consequente saída deles de casa é um evento que faz parte do processo natural da vida em família. Em geral, o fato de a prole casar, cursar uma universidade ou a busca pela independência, deveria ser festejado pelos pais, no entanto, muitas vezes esse episódio é motivo de intensa tristeza e pode levar a depressão. A dona de casa Maria Lui-

za Soares, 62 anos, passou noites sem dormir quando o filho Wedson Barbosa Soares, 26 anos, resolveu sair de casa para estudar em Natal (RN). Depois de tentar sem sucesso por quatro vezes a aprovação para o curso de Medicina na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ele se aventurou a buscar uma vaga no Estado vizinho. “Eu vi o esforço dele e no fundo entendo que é um momento importante para meu filho, mas não posso evitar a dor que sinto, é

Mulheres sofrem mais

Enquanto as mulheres que assumiram papéis ativos no mercado de trabalho e cujas vidas não são exclusivamente dedicadas a maternidade conseguem enxergar esse momento como um caminho natural para o qual foram preparadas durante toda a vida, outras adotam comportamento oposto. O sofrimento exacerbado e a consequente depressão, em geral, ocorrem em mães “cangurus”, habituadas a ficarem em casa com os filhos. Karina Simões esclarece que a dificuldade em lidar com a ausência dos filhos sempre vai acontecer. “A relação entre pais e filhos é o elo mais forte que se pode ter. É a sintonia mais fiel e comprometida entre dois seres humanos. Sofrer fará parte desse processo. O que não pode fazer parte é a permanência do sofrimento que levará a uma depressão ou outros transtornos psíquicos. Porém, de fato, hoje os pais têm lidado melhor com tal saída dos filhos. Pois hoje percebemos uma demanda maior de saída dos filhos por motivos de trabalho, e crescimento deles. E isso diminui o sentimento e sensação de perda ou de competição”, ressaltou. Um exemplo de mãe que está

aprendendo a lidar com a ausência do filho é Vera Pessoa. O filho, Paulo Virgílio, 19 anos foi fazer intercâmbio nos Estados Unidos há pouco mais de um mês. “Preparei-me para este momento sempre, de modo que criei meu único filho para ser independente, para crescer e alçar novos voos. Quando essa oportunidade surgiu, eu fiz o possível para que ele não perdesse. Eu sinto sim muita saudade, mas ainda não é a saudade dolorosa, mas sei que isso pode um dia acontecer”, afirmou. Nos casos em que a “síndrome do ninho vazio” se instala, Karina Simões esclarece que há tratamento. “No momento em que os sentimentos de tristeza profunda, angústia, insônia, procrastinação na vida, falta de motivação se tornam fixos é a hora de procurar ajuda especializada. Com apoio de um profissional e a certeza de que o amor não acaba, as angústias são mais facilmente superadas”, afirmou. Os filhos também podem auxiliar no tratamento, à medida que consolam os pais deixando claro que o amor não acabou, que se trata apenas de uma nova fase, que o mais importante é a qualidade da relação e não a quantidade.

muito grande. Não ter ele em casa fez com que eu perdesse o sentido”, desabafou. A psicóloga Karina Simões explica que essa sensação de solidão é bastante comum em famílias que veem seus filhos fazer as malas e cair no mundo. Segundo ela, o “vazio” físico deixado por aquele filho pode se tornar um vazio psicológico e em geral acomete com mais facilidade as mulheres. “Os sentimentos mais comuns que se apresentam com a saída

dos filhos são a tristeza, a angústia, o aperto do peito, no entanto, muitos desenvolvem taquicardia e problemas psicológicos. A depressão pode aparecer e apesar de a tristeza parecer normal dentro do quadro de vazio aparente, a pessoa precisa ser acompanhada quando o sentimento não for passageiro”, alertou. Convivendo com todos esses sentimentos motivados pela ausência do filho desde fevereiro deste ano, Maria Luiza é acompanhada por uma psicóloga e toma

remédios regularmente. “Wedson era meu filho mais jovem, o único que ainda convivia diariamente comigo já que minhas outras duas filhas são casadas. Como o curso demora cerca de cinco anos eu busquei ajuda para agüentar a dor”, explicou. Com o apoio do esposo, Euller Cruz Soares ela foi incentivada a modificar objetos do quarto do filho e a realizar atividades físicas de modo que não passe muito tempo dedicando-se aos sentimentos de saudade.

Um amor eterno

Dicas Para encarar o momento de partida dos filhos de maneira menos dolorosa e até com prazer, a psicóloga Karina Simões dá algumas dicas:

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- Mantenha-se íntegra, inteira, buscando sua realização pessoal no trabalho, na sociedade, na vida familiar;

- Saber aproveitar o momento para renovar o casamento e reconquistar a liberdade anteriormente perdida pela rotina com os filhos. - Deixar claro aos filhos que sempre poderão retornar ao lar. 4 -- Buscar trabalho, atividades físicas prazerosas, rever amigos

A médica Gláucia Souza Firmino, 58 anos, ainda está se acostumando com a ausência da filha caçula Renata Alessandra, 26 anos. Embora tenha realizado o sonho dos pais ao deixar o lar após a cerimônia de casamento, devidamente planejada, o vazio que sua saída provocou ainda permanece forte. Exemplo disso é que Gláucia Firmino mantém intacto o quarto onde a filha passou a maior parte de seus dias no lar dos pais. “Na verdade, eu nunca me preparei para a saída dos meus filhos de casa. Sempre os criei como se ficassem eternamente comigo. Uma prova disto é que o quarto dela continua como se ela ainda morasse em casa. O nome dela desenhado no gesso lá permanece, além da cama, foto, a plaquinha na porta do quarto com o seu nome, sua pequenina TV. Não sei responder o porquê, acho que a ‘ficha’ ainda não caiu”, contou. Outra prova do quanto é difícil enternecer o laço invisível e forte que une mãe e filha é revelado pela médica de maneira bastante sensível. “Outro dia entrei no quarto de Renata e comecei a pensar, ao olhar sua foto, ‘como a minha filha é linda’ e então vieram as recordações claras de como ela prendia o cabelo quando estava com calor, o local

onde ficava seu computador, ela sentada ali, estudando ou navegando na internet. A saudade é grande, embora nos comuniquemos por telefone, e-mail e mensagens telefônicas”, disse. Para lidar com a saudade da filha que hoje mora em Campina Grande, Gláucia e o esposo João Batista têm fortalecido a união como casal e aprendendo juntos a vivenciar cada etapa dessa nova experiência. “Cada um de nós sentimos de maneira distinta a saudade dela, em especial durante a noite que era o momento em que estávamos todos juntos. Mas nos mantemos unidos no trabalho diário de entender e respeitar as escolhas de nossos filhos, porque também fizemos as nossas, inclusive a de sairmos da casa de nossos pais”, lembrou. O resgate da cumplicidade conjugal, segundo a psicóloga Karina Simões é extremamente importante e depende primordialmente da maneira como o casal cultivou a relação durante toda a vida. “Este é o momento de fortalecer a união. Quando os filhos saem, os pais precisam estar preparados para uma nova fase do casamento. Uma nova fase e mais prazerosa e madura. Saber aproveitar e renovar votos é o mais importante”, disse.

Gerou rebuliço no twitter os comentários sobre a postagem da Marie Claire americana on line sobre a reportagem: “Nove sinais de que ele só está na sua apenas por sexo”. As mulheres foram para cima, mesmo!! Muitas reclamaram do discurso machista da revista super-feminina sobre o teminha que incomoda muita gente!! No blog da revista, a matéria ensina a identificar os malfeitores e enganadores que oferecem amor para ter sexo e depois pah! Tchau, garota! Realmente, a revista capricha no quesito besteirol e chega a informar como correr fora dos marmanjos que aplicam muito afeto para abrir a caixa de pandora. “Mesmo o cara mais legal de todos pode estar atrás de sexo”, diz o subtítulo. E continua: “Esses tipos conseguem o que querem e, uma vez satisfeitos, vão embora. Relacionamentos profundos não fazem sentido para eles”. Entre as pérolas citadas tem: “eles gastam muito dinheiro, mas nunca têm muito tempo” até “você não conheceu a família e os amigos dele”. Tem ainda outra: “Quando estão juntos, você sempre está bêbada”. Será que as mulheres fazem sexo para ter amor? Acredito que sim. Mas quando uma mulher quer apenas sexo com um homem, ela também quer apenas isso. Ora! É conversa furada dizer que ela foi enganada, coitadinha! Não adianta colocar as mulheres num pedestal sem escolha, sem poder de percepção do outro, do seu próprio corpo e dos seus desejos. Não somos bibelôs nas mãos do outro. Quando se quer compromisso e o vínculo amoroso, se investe, se constrói. E as mulheres sabem o momento de cair fora numa relação. São elas que dizem mais não. Não dá mais! Aquelas que não sabem, fingem não saber. No fundo, todas sabem! Não é um caminho de mão única o amor, mas de dupla. Duplamente sentido e cultivado. Bom, a revista nos ensina, pelo menos, que não sejamos ridículas!! Janaína Araújo é jornalista, editora do caderno Cidades e do caderno Veículos do Correio. Envie email para janainaaraujo@correiodaparaiba. com.br ou via twitter: @Janaina_ Araujo

correio-da-paraiba-19ago2012  
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