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Homem&Mulher

Paraíba

Domingo, 12 de agosto de 2012

H3

Janaína Araújo Filhos pássaros

homem ideal Elas continuam em busca do

Mulher ainda procura o “príncipe encantado”; idealização leva à desilusão

VANESSA FURTADO

Encontrar o homem ideal é um dos maiores desejos de grande parte das mulheres. Na busca pelo príncipe encantado, alguns requisitos são fundamentais e unânimes e devem vir na dose exata. Um companheiro para toda a vida deve ser educado, carinhoso, gentil, romântico, bem-humorado, amigo e se souber cozinhar alcançará a máxima pontuação e atingirá o nível da excelência. No difícil caminho em busca do homem ideal, as mulheres se deparam com alguns desafios, desilusões, ansiedades e medos, em

especial o temor por ter sido talvez muito exigente com o último namorado, cujo relacionamento teve fim por um pretexto qualquer. Mas a procura não é fruto desta geração, apesar de acompanhá-la há bastante tempo, afinal ainda pequenas as crianças assistem a desenhos animados de princesas lindas com voz aveludada e que se encantam por um lindo jovem e são felizes para sempre. Isso as estimula a sonhar com um príncipe que, na realidade, só existe na ficção e mesmo quando grandinhas a procura continua, pois já está impregnada no inconsciente feminino. A psicóloga Karina Simões

Caminho de pedras

A enfermeira Roselaine Miranda, 27 anos afirmou que depois de muitas decepções descobriu o seu homem ideal. Para isso precisou aprender a conhecer a si própria e a valorizar o que a satisfazia. “Sempre existiu uma cobrança muito grande da minha família para que eu namorasse homens brancos, altos e independentes financeiramente. Eu devia sempre valorizá-lo e estar impecável em sua presença. Abri mão de conhecer e me envolver com pessoas que não se enquadravam nesse estereótipo e em nenhum momento fui feliz. Apenas quando me libertei, quando passei a valorizar o que o homem era capaz de me fazer sentir é que conheci meu príncipe encantado e hoje sou feliz com a família que constitui e com o filho que estou esperando”, revelou. “O contexto familiar é

um valor muito forte e enraizado com crenças cristalizadas ao nosso respeito. Porém, muitas vezes, a sociedade ou mesmo a família influencia de forma errônea, levando a mulher, a perpetuar uma relação convencional, interessante perante a sociedade e a família, mas não a faz feliz”, explicou Karina Simões. A psicóloga ressaltou que a descoberta do seu homem perfeito acontece no encanto da relação, na capacidade de sentir e proporcionar satisfação interior, felicidade mútua. Diferente de Roselaine, a professora Maria Luiza Soares, 33 anos permanece na busca pelo homem perfeito e acredita que ele logo irá chegar. “Quando a mulher chega a casa dos 30 anos é como se tudo que a sociedade antes impôs, deixasse de fazer sentido. Antes eu deveria me dedicar

esclarece que esta busca sempre existiu e vai continuar acontecendo porque as mulheres preferem esperar pelo homem certo a se contentar com o homem real. Segundo ela, algumas mulheres têm uma tendência mais acentuada em buscar o homem ideal, que preencha todas as qualidades positivas como amante, namorado, marido, pai. “A busca pelo homem perfeito é um grande erro. O ideal não existe, ele é um mito. Muitas mulheres criam até mesmo um estereótipo físico da pessoa e por isso jamais encontram. Hoje temos presenciado uma seletividade ainda maior por parte das mulheres nessa bus-

ca, o que tem gerado o adiamento do casamento e a opção pela carreira profissional”, contou. Com um mundo real povoado por homens reais e não por príncipes, Karina Simões lembra que bons relacionamentos são fruto de muita compreensão, entendimento e renúncia, de ambas as partes. “O primeiro passo é parar de buscar o ideal e prestar atenção na similaridade entre o casal, o que há em comum. Gostos semelhantes, crenças espirituais em comum, valores, noção de vida parecidas são fundamentais. No amor, os semelhantes se atraem, e não os opostos”, garantiu.

Exigências e decepções a minha formação profissional e namorar apenas homens que tivessem interesses parecidos com os meus. Hoje sofro pressão para casar, já não mais importando com quem seja, sua profissão, família ou ideais, mas não me deixo abalar. Sei que só serei realmente feliz ao lado de um companheiro de verdade, que me trate como sempre sonhei, que me ame como sempre imaginei”, contou. Para a psicóloga, viver eternamente na busca é o que mais atrapalha já que com o aumento da ansiedade o cérebro interpreta que se está sempre num zona de alerta, e aí, liberamos tensão ao corpo causando muitas vezes, até dores musculares frequentes, cefaleias, problemas de pele como dermatites, estresse. Segundo Karina Simões, relaxar e focalizar em outras áreas de sua vida é a melhor opção.

Taxada de superexigente pelas amigas, desde a adolescência, a empresária Edilane Martins, 42 anos viveu amores e decepções. Namorou durante oito anos e desfez o noivado ao descobriu uma traição. Depois disso, embarcou em relacionamentos frívolos, superficiais com pessoas completamente diferentes do que cogitava como perfeito. Abriu mão de seus próprios conceitos e casou-se com um homem 12 anos mais velho com quem viver durante seis anos até finalmente cair na real que ele não chegava nem perto do que seria seu homem ideal. “A decepção com meu noivo foi tão grande que levou ao chão todas as minhas concepções de um relacionamento perfeito. Ele era bonito, tinha uma facilidade incrível com as palavras, era perspicaz e român-

tico, tudo que eu julgava perfeito em um homem. Mas, faltou a ele caráter e isso me deixou arrasada. Depois disso abri mão das exigências e fui me envolvendo e abandonando os relacionamentos por medo de me decepcionar novamente. Ainda encarei um casamento com um homem mais velho, na esperança de que uma vida estável me faria feliz. Hoje estou separada e decidida a encontrar o homem que se pareça realmente comigo, que tenha personalidade forte ao mesmo tempo em que é dedicado e que seja bonito”, assegurou. Cada mulher tem o direito de querer escolher com quem pretende dividir o mesmo teto, no entanto é imprescindível reconhecer que nenhum homem real será capaz de suprir aquilo que faz parte da expectativa de homem ideal de uma mulher.

Deixar os filhos se transformarem em pássaros - livres para descobrir o mundo cheio de experiências ricas, tristes, abundantes ou perigosas - é um desafio para qualquer mãepássaro. Brinco com as palavras porque defino mães como mulherespássaros. São aquelas que desejam que seus filhotes se tornem autônomos, criem asas firmes e bravas e cultivem o hábito de fazer escolhas. Transformar-se em mãe pássaro não é muito fácil. O bom é querer ter o filho por perto, morando por perto. Fica mais fácil cuidar, proteger, cativar, acolher. É uma proteção que começa desde cedo. Um registro de proteção afetiva no abrir dos olhinhos ao sair da barriga, passando pela primeira fase do aleitamento, a escolinha, a brincadeira com os amigos, os aniversários, o passar de ano, a fase da adolescência. Cada período é um processo aonde a mãe vai se transformando em pássaro lentamente. Vai trocando penas, garras, os voos vão ampliando. Ela percebe que o filhote pode sair sozinho, cuidar um pouco de si, dar conta de algumas decisões, ter opinião própria, questionar regras e conceitos e ameaçar levantar alguns voos. Mesmo que repentinos. Cabe a mãe-pássaro estimular o processo de autonomia. Psicólogos afirmam que autonomia é uma conquista árdua. Não é um ganho. “Os pais não podem dar autonomia aos filhos: devem ceder espaço quando eles se mostram capazes de exercê-la”, diz a psicóloga Rosely Sayão. Segundo ela, o adolescente ainda exige tutela dos pais, que devem ter e manter a autoridade para exercê-la. Essa atitude permitirá o acesso dos filhos à maturidade exigida pela vida adulta. Mas não adianta liberar tudo! Não se pode liberar tudo! A mãe pássaro precisa aprender a dosar, dosar um pouco de liberdade e um pouco de acolhida. Nesse momento, um dos mais difíceis para a mãe é a partida. Alguém devia ensinar isso para as mães-pássaros. O “deixar ir” é como viver um novo parto, uma nova experiência. É deixar o filhote voar, criar novos vínculos. Essa, acredito, é a fase mais delicada. Sente-se dor no peito, ansiedade, falta de sono. Medo. Medo que o outro se perca, busque caminhos tortuosos, faça caminhos complicados e dolorosos. Não me ensinaram a virar pássaro. Agora vivo uma transformação, na espera que o filhote retorne mais vivo e cheio de vivências enriquecedoras. Que retorne com um olhar cheio de vida pelo vivido e experienciado. O ninho espera idas e retornos. Mas por aqui no meu coração não existe uma gaiola, existe um cantinho de apoio em favor da autonomia e da felicidade. Boa viagem! Janaína Araújo é jornalista, editora do caderno Cidades e do caderno Veículos do Correio. Envie email para janainaaraujo@correiodaparaiba. com.br ou via twitter: @Janaina_ Araujo

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CP12H1-03  

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