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CAPITULO UM Não acreditar em nada é muito mais fácil.

Mais um dia na escola, mas um dia dessa vida medíocre, que só me faz querer sair dela o mais rápido possível. Meu nome é Kitana, eu tenho 17 anos que mais se parecem dezessete vidas. Às vezes me pergunto como tudo ocorreu tão depressa e como tudo me transformou completamente. E com tão pouco tempo eu só consigo pensar em ódio muito mais do que amor, esse sentimento que todos dizem que precisamos para viver, mas no meu caso, sentenciou minha morte, a morte da garotinha meiga e compreensiva que fazia o bem. Não venha me dizer que Deus sempre esteve comigo e blá blá blá, eu já acreditei muito nele, já acreditei nas flores, no céu azul, no amor. E acredite quando digo não acreditar em nada é muito mais fácil. Todo dia eu acordo e fico sentada na beira da cama. Com o coração apertado eu seguro a lágrima que persistia em rolar em meu rosto ao lembrar-se daquela menina cheia de sonhos que acreditava em coisas que hoje considero bobas. Sei que nunca mais serei aquela garota, mesmo que tente novamente acreditar em um romance bobo, ou chore ao ver uma cena de filme. As pessoas mudam, e eu posso afirmar que na maioria das vezes nem sempre é pra melhor. A escola não é uma prisão. Não no meu caso, é mais um refugio, um pequeno momento que tento ser feliz. Falo isso porque lá tenho uma amiga, e ela é a única capaz de me deixar alegre depois de tudo que ocorrera. Mas há algo irritante nela, ela gosta de um menino, sabe aquele tal do ‘popular’? Então, estou falando desse tipinho que acha que é alguém por ter um carro do ano, ou ser um filhinho de papai, o nome dele é Bryan e está no ultimo ano. Digo isso sendo um pouco maldosa, ele até é um cara legal, mas depois daquele dia, não vejo mais tanto interesse em meninos. Minhas aulas hoje são um pouco animadas, pois tenho biologia que o professor é um lunático, ás vezes se perde em seus próprios pensamentos o que faz a classe inteira rir. Depois disso tenho aulas de português, química e sociologia. Sempre me divirto na escola o que me distrai um pouco e me faz esquecer os problemas caudados pelo acidente. Quando estou na ultima aula, sinto meu estomago revirar, sei que irei embora há poucos minutos, e ir embora não é uma das coisas que me deixam feliz, pois sei que quando chegar lá não o encontrarei, ele não vai correr ao meu encontro e me perguntar como foi meu dia de escola. Depois daquele maldito acidente tudo mudou, eu nunca mais fui eu mesma. Mas continuei viva, ou simplesmente respirando. Pego minha mochila e saio, tenho mais um longo e sem sentido dia pela frente. **** Cego em casa, e como sempre está vazia, a tia Naomi esse horário leva os filhos dela para a escola e tenho um tempo para colocar a cabeça em ordem. Ligo o som no ultimo volume, só assim consigo me livrar das lembranças. Faço alguns dos deveres ou arrumo a casa. Tento me distrair o maior tempo possível, quando termino tudo que tenho de fazer vou para cama, dizem que o sono salva, no meu caso apenas alivia mais já é alguma coisa. Durmo praticamente o resto de tarde que tenho, quando me dou conta acordo com os pestinhas, Breno e Hugo fazendo o maior fuzuê na sala. Eles têm sete anos e são gêmeos, daqueles


iguaizinhos mesmo, cara de um focinho do outro são bem levados como toda criança. Naomi chega e vai para cozinha preparar o jantar, como de costume brinco um pouco com os meninos e os ajudo a fazer o dever de casa. Depois jantamos e vamos cada um para onde quiser. Naomi vai para o computador ver algumas planilhas do serviço, os meninos votam na sala brincar e eu fico sem fazer nada, vou para meu quarto e observo o escuro. Outro dia começa e a mesma rotina de novo. Suzana, como sempre tentando fazer Bryan olhar para ela com o mesmo interesse que ela o olha mais isso é impossível, pois ele tem todas as meninas do colégio aos seus pés e nunca se interessaria por uma sem sal como Suzana. Não sei o que ela vê tanto nele, ele é popular, mais só, nada de mais, existem muitos meninos assim na escola. Focada na lição que o professor acabara de passar, vejo que Bryan está do meu lado, o vejo e como reflexo levo um susto, ele me olha e sorri. - Oi Kitana, você tem com quem fazer o trabalho de biologia? - Oi, que trabalho? - O que o professor acabou de passar, onde estava com a cabeça que não anotou? - Num tom sarcástico e risonho ele respondeu. - Oh desculpe, nada não, não sei, cadê a Suzana? - Ah, ela falou que não poderia fazer com você, pois o Thales já a chamou. - U hum – achei aquilo um absurdo, nunca que Suzana ia deixar de fazer um trabalho comigo para fazer com o sem noção do Thales, isso era praticamente impossível, havia alguma coisa muito estranha nisso. – E ai, você vai querer fazer comigo? - Ah, claro pode ser sim, depois marcamos de como e onde vamos fazer. Disse aquilo para ele entender que o assunto estaria encerrado e não fizesse mais perguntas. – Tudo bem. Ele me respondeu e com um olhar de quem havia conseguido o que queria ele se dirigiu para o seu lugar que era um tanto longe do meu. Quando resolvi olhar para o quadro para anotar o deveria ser feito me deparei com o tema REPRODUÇÃO HUMANA, aquilo veio como um soque nocauteando-me brutamente. Como ia fazer um trabalho como esse, com um tema desses, com o cara que minha amiga estava afim? E mais, o que ela iria pensar? Sabia que precisava falar com Suzana, precisava ver o que ela acharia, olhei ao redor e vi que ela não estava na sala, quando perguntei a menina que estava na minha frente ela falou que ela havia ido ao banheiro, peguei meu celular que estava em cima da carteira e me dirigi o mais depressa possível para lá. Chegando lá a vi no banheiro retocando a maquiagem, fiquei pensando o porquê ela estaria fazendo isso, ela é o que? Que espécie de pessoa sai para o banheiro para retocar a


maquiagem? Achava ela uma tola às vezes. - Ei, o que está fazendo aqui? - Nada só vim ver onde você estava. O que está fazendo? - Ah, estou retocando a maquiagem. Ela me disse e senti vontade de voar na garganta dela, mas não o fiz. Logo perguntei. – -Mais porque, estamos na segunda aula ainda! - Ei, eu sei disso, mas veja, temos um trabalho em duplas e tenho certeza de que Bryan irá me chamar. O que? Como ela poderia estar pensando naquilo, nunca que ele ia chamar nem ela, nem a mim era o que eu pensava mais ele me chamou e só aceitei porque ele tinha me falado que ela já tinha uma dupla. Aquilo deixou meu sangue fervendo, não sei o que fazia primeiro, falar para ela que ele já havia me convidado e eu tola teria aceitado, ou ia lá e arrancava sua cabaça fora, no entanto não fiz nada só fiquei olhando-a terminar e se dirigir para a sala. Chegando lá, ela foi direito para o lado das janelas que era onde ele sentava, começou a conversar com algumas meninas e logo após com ele. Fiquei imóvel enquanto vi ele lhe falar que já havia combinado de fazer comigo e que eu tinha aceitado numa boa e que já tínhamos até combinado de sair para fazermos, o que por sinal era mentira. Quando ele terminou de falar há vi me olhar com um olhar de surpresa e de traição vi quando foi se sentar no seu lugar com um olhar que parecia me fuzilar. Quando tentei me explicar que não foi minha culpa, ele que tinha armado tudo aquilo, ela se levantou e disse que eu não precisava lhe falar nada, que ela já entendera tudo, e que não precisava de explicações. Tentei mais uma vez falar que a culpa não era minha, então ela se levantou me deu as costa e foi falar com Giovanni, o cara mais galinha da sala, ela sabia que aquilo me irritaria, pois havíamos combinado de que nunca, em hipótese nenhuma conversaríamos com ele. Eu acompanhava tudo de onde estava sentada e com um olhar de superioridade ela se levantou e fez questão de espalhar para a sala inteira de que ia fazer o trabalho com ele e iam sair juntos a noite, o que me fez levantar e quase ir dar um tapa na cara dela, o que impediu foi Bryan entrando na minha frente me perguntando como iriamos fazer o trabalho. Tudo o que consegui falar para ele é que ele era um completo babaca, que tinha conseguido estragar minha melhor amizade e que não ia fazer droga de trabalho nenhum com ele. Sei que fui muito grossa, e depois me arrependi de tudo que dissera mais ele merecia ouvir, mentiu para mim só para interesse próprio, interesse que só dizia respeito a ele e a ninguém mais, me fez brigar com minha melhor amiga por um trabalho bobo. Como de costume acabaram as aulas e lá estava eu, tentando digerir tudo que acabara de acontecer, deitada em minha cama tentava arrumar ou pelo menos tentar ajeitar as coisas em minha cabeça. Não tive vontade de dormir esta tarde, então peguei o filme mais melo dramático que tinha em casa e fui assistir, e assim fiz o resto da tarde. Fui surpreendida com uma mensagem que acabava de chegar ao meu celular, era de Bryan, olhei e não dei a mínima


importância, e mais e mais mensagens chegavam. Não abri nem uma delas, estava furiosa como ele. Vendo que eu não respondia – e não iria responder – ele me ligou, a principio desliguei, falei para mim mesma que não iria atender a nenhum telefonema vindo dele. Mais telefonemas se prosseguiram, e como vi que ele não descansaria até falar comigo, atendi. - O que é? Qual o seu problema, não quero falar com você! Está muito difícil de entender? - Kitana, por favor, sei o quanto você esta chateada mais queria me desculpar. Não foi minha intenção deixa-la tão irritada, só queria que fizéssemos o trabalho juntos, está muito difícil de entender? - Mais existem vários métodos de você convidar uma pessoa para fazer um trabalho, mais você o que fez? Fez-me acreditar que minha melhor amiga não queria fazer o trabalho comigo só por sua vontade boba, sinceramente, não acredito em você. - Ok, tudo bem, sei que não agi da maneira correta, mais queria me desculpar, o que acha de sairmos para tomar um sorvete, não aceito uma não como resposta. Disse isso com o que parecia um sorriso mais o ignorei. - Então a resposta é NUNCA. Não vou sair com você em hipótese nenhuma. Qual era o problema dele? Não entendia que não queria nada com ele? Não iria sair para lugar nenhum, afinal, tinha que falar com Naomi antes de qualquer coisa. Mesmo assim continuou a insistir. - Por favor, não vai ser nada de mais, podemos tomar um sorvete, eu peço desculpas e vou embora, só isso. - N-Ã-O. Você pode pedir desculpas na escola. Ai me lembrou de que estávamos na sexta feira, e as aulas só voltaria na quarta da semana seguinte dado a um feriado que tinha. Esse argumento já passara para fora das desculpas para não ir. - Não, você sabe que não tem escola nem segunda, nem terça, e não vou aguentar esse tempo me corroendo de culpa. Ai não, agora ele iria apelar para o lado emocional? Qual era o problema, já dissera que não ia e acabou, chega – no fundo sabia que ele não desistiria até que eu que ia. - Por favor, são só alguns minutos nada, além disso. Não vendo alternativas, conclui que seria melhor eu ir, lá jogaria em sua cara tudo que ele precisava ouvir. - Tudo bem, mas preciso falar com minha tia. - Eu posso falar com ele se você quiser.


- Não obrigado, eu mesmo falo. - Tudo bem, pode ser amanhã, ás 19h00min? Eu a levo e trago posso falar pra ela. - Ok vejo com ela certinho e te mando uma mensagem confirmando. Adeus. - Até amanhã. Beijo. Naquele momento não sabia o que fazer como eu fora tão burra? Não podia ter aceitado seu convite, e sei que Naomi iria me encher o saco em relação a horários. Poderia ser uma desculpa para não ir, mas sabia o quanto ele era insistente. Havia estudado com ele nos últimos quatro anos, e sabia o quanto era chato em relação a querer algo. Fui à cozinha comi algumas babatas fritas que estavam no micro-ondas e fui para meu quarto ensaiar o discurso de como eu iria contar para Naomi que um rapaz tinha me convidado para sair, e como iria, e quando iria voltar, essas coisas.

Lindo  

tipo, ta estranho pq tudo aconteceu nas primeiras páginas, e ela não pode ser uma suicida pq não, ela pode até ter vontade de morrer mas ela...