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Vivendo sem limites Falta de conforto e disponibilidade de transportes públicos em Fortaleza Samuel e sua família reclamam da falta de conforto e disponibilidade de transportes públicos em Fortaleza,são muitas as dificuldades enfrentadas pelos deficientes físicos para circular na cidade.

Entrevista com Samuel , de 11 anos que ja ganhou campeonato de corrida da caixa econômica federal do Ceará. Páginas 2 e 3

O esporte na vida dos portadores de necessidades especiais. Página 5 e 6

Gráfico mostra diversos fatores que contibuem para a desistência da prática de esporte Página 7

Entenda os beneficios causado pela pratica de esporte ! Página 8


Editorial Nesta edição, vamos mostrar o quanto é fundamental a prática do esporte na vida das pessoas com deficiências, sejam visuais ou motoras. Como é importante serem inseridos no meio da sociedade através da prática esportiva. Trazemos uma entrevista com o pequeno Samuel, que é usuário de cadeira de rodas, mas passa por dificuldades por conta dos ônibus. Nem todos são adaptados para transportar e suprir essa deficiência. Nesse cenário atual o deficiente não tem nenhum estímulo para arrumar um emprego no mercado de trabalho formal pelo contrário se torna desestimulante saber que num trabalho informal sua renda pode ser bem melhor. É de responsabilidade de todos nós acolhermos essas pessoas e começar a olhá-los com outros olhos. Muitos são vítimas de preconceito. Trazemos números nos quais mostram o porquê de muitos deles desistirem de praticar alguma atividade esportiva. Falta de incentivo do governo, falta de apoio da sociedade e entre outros. Um cidadão deve ter dignidade, ter honra e ser respeitado por qualquer outro, ou seja, todos os deficientes têm direito a ser respeitados, pois também são cidadãos. Alguns dos objetivos de vários países são: “Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” “Construir uma sociedade livre, justa e solidária” ; “Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” Espero que gostem. Até a próxima.

Coordenação editorial : Kallyne Lima Fotografia: Pedro Ponte / Google Criação e arte : Kalyne Lima e Pedro Ponte Jornalistas : Kalyne Lima e Pedro Ponte Agradecimento : Eduardo Tello , Desirée Daynn

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O garoto que questionava porque não conseguia correr igual aos primos e amigos já ganhou um campeonato de corrida pela caixa econômica federal do Ceará.

Samuel Ribeiro Lima nasceu no dia 20 de maio de 2002, Samuel nasceu com paralisia, hoje ele tem 11 anos e aceita sua deficiência, ele e um pré-adolescente alegre e muito simpático, mas antes ele perguntava a mãe, porque não conseguia correr igual aos primos e amigos, apesar de ter algumas dificuldades para viver, como: tomar banho, fazer suas necessidades fisiológicas e até mesmo se vestir. Samuel e um jovem sorridente e tem muitos amigos na escola e sonha um dia em ser jogador de futebol. Torcedor fanático do Fortaleza esporte club, Samuel não perde um jogo do seu time de coração. Já ganhou um campeonato de corrida pela caixa econômica federal do Ceará. Samuel e sua família reclamam da falta de atenção por parte da prefeitura de fortaleza em relação a deficientes físicos. Samuel e um garoto com muitos sonhos, um dos sonhos e quando tiver 18 anos conseguir emprego mas a dificuldade e grande. Ainda existe muito desconhecimento quando se trata de empregar um PCD. É claro que cada caso é um caso quando se fala da condição de um deficiente. As empresas de recrutamento e seleção precisam ter um olhar diferenciado no processo seletivo. Não pode-se negar a questão de adaptação do espaço físico e até mesmo na recepção dos colegas de trabalho em um novo emprego, respeitando e aprendendo lidar com seus limites físicos para que ele tenha a necessária autonomia nas suas tarefas diárias. Somente assim abre-se um leque de oportunidades para que o deficiente se sinta não só ciente de suas obrigações mas que também seja colocado num patamar de igualdade com os demais, não sendo apenas um colaborador e sim um colaborador em potencial. Mas ainda não chegamos nesse nível de compreensão. A lei de cotas, que obriga as empresas ter um número x de deficientes no seu quadro de colaboradores de acordo com a quantidade de empregados, é necessária porém insuficiente. Os empresários acabam empregando o deficiente por uma exigência senão são multados e então o que acontece? Acabam tendo uma visão errônea e limitadora. Empregam os deficientes em cargos secundários (mesmo aqueles que já tem até duas faculdades) com um salário base mínimo e com isso eles não conseguem cumprir a lei de cotas porque os deficientes acabam optando pela aposentadoria e complementando a renda com trabalhos informais e até mesmo se dedicando a estudar para concursos públicos. E é o empresariado que perde com tudo isso que por optar por contratar os deficientes nessas condições repito, não conseguem cumprir com a lei de cotas e acabam tendo que desembolsar uma quantia bem maior, uma multa pesada.

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Nesse cenário atual o deficiente não tem nenhum estímulo para arrumar um emprego no mercado de trabalho formal pelo contrário se torna desestimulante saber que num trabalho informal sua renda pode ser bem melhor. Estamos caminhando mas a passos lentos. Ainda é preciso avançarmos nessa concepção e oferecer cargos e salários compatíveis com o nível de estudo e experiências do deficientes de acordo com os demais. Samuel e sua família reclamam da falta de conforto e disponibilidade de transportes públicos em Fortaleza,são muitas as dificuldades enfrentadas pelos deficientes físicos para circular na cidade. Uma delas é o acesso ao transporte público. Fila, espera e ônibus cada vez mais lotado. Essa é a rotina desgastante de quem depende do trasporte público. O transporte coletivo não é acessível para cadeirantes, pelo menos 12 mil deficientes físicos utilizam o transporte público em Fortaleza. Esses usuários são cadastrados no banco de dados da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) e embarcam de graça nos ônibus. Atualmente metade da frota já adaptada para receber cadeirantes, mas o serviço ainda não é 100% eficaz, segundo especialistas. “Não existe ponto de parada ainda para os cadeirantes. Essa é a dificuldade sentida pelos motoristas. Poderia ter um espaço para nós encostarmos mais e deixar a via aberta para os outros ônibus passarem”, afirmou o motorista José Eduardo. Já para o diretor do Sindicato dos Motoristas de ônibus, Tobias Brandão, os motoristas são obrigados pelos empresários a não perder tempo nas paradas de ônibus por ter que cumprir com uma rotina sempre apertada. “As empresas não querem trasportar com uma boa qualidade de segurança. Elas querem que o motorista corra. Faça o maior número de viagens possíveis.

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O esporte na vida dos portadores de necessidades especiais

Esporte para pessoas com deficiência A prática de esportes entre pessoas com deficiência é um processo de reabilitação mundialmente conhecido, e está sendo cada vez mais difundido no Brasil e no mundo. Hoje já existem diversos eventos mundiais que reunem estes atletas guerreiros para competirem e mostrar que a prática dos esportes abre oportunidades incríveis nas vida de todos. veja este vídeo sobre as Paraolimpíadas aqui no Brasil: As pessoas com deficiência necessitam de espaço físico adaptado e específico para os treinamentos, além de profissionais capacitados na área, que deve ter conhecimento tanto no esporte como, de preferência, também na deficiência do atleta. Segundo Lucília Gouveia, coordenadora do curso de Pedagogia, da Unipar, Campus de Francisco Beltrão, algumas modalidades esportivas praticadas pelas pessoas com deficiência físicas: Arco e flecha: Atletas, em pé e sentados em cadeira de rodas, participam em competições com sistemas de resultados semelhantes à modalidade olímpica. Atletismo: Vem sendo constantemente revisto para dar melhores condições técnicas, para o desenvolvimento desta modalidade. Basquetebol sobre rodas: Jogado por paraplégicos, amputados, e atletas com seqüelas de poliomielite. Os regulamentos são os mesmos do basquetebol convencional com pequenas adaptações. Bocha: Este antigo jogo foi adaptado com sucesso para pessoas com paralisia cerebral. Ciclismo: Três classes de atletas participam do ciclismo: paralisado cerebral, cegos com guias e amputados. Handebol sobre rodas: parecido com o basquete. Esgrima: Praticado por atletas em cadeira de rodas, amputados e paralisados cerebrais. Lawn Bowls: Similar à bocha e é aberta à participação de todas as pessoas com deficiência física. Halterofilismo: Aberto a atletas do sexo masculino com deficiências físicas e competidores com paralisia cerebral. Tiro ao alvo: Aberto a atletas com deficiência física nas categorias sentado e em pé, para homens e mulheres.

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Futebol: Apenas atletas com paralisia cerebral competem. As regras sofrem algumas modificações, entre elas o número de jogadores, largura do gol e da marca do pênalti. Natação: Divide-se em dois grupos de participantes: um grupo de competidores com deficiência visual e outro grupo com deficiência física. As regras não têm adaptações. Tênis de mesa: Idêntico ao tênis de mesa convencional. É jogado por pessoas com deficiência física, nas categorias masculina e feminina, por equipe e individual. Joga-se em pé ou em cadeira de rodas. Tênis: Atletas e cadeiras de rodas jogam como o tênis tradicional, apenas com uma adaptação: de que a bola pode quicar duas vezes, a primeira dentro da quadra. As categorias são: masculino e feminino, individual e em duplas. Voleibol: é praticado por atletas amputados e lesados medulares em duas categorias: sentados e em pé. Racquetball: Praticado por atletas com paralisia cerebral. É similar ao tênis de mesa. Golball: Jogado por atletas com deficiência visual. O objetivo é arremessar a bola sonora com as mãos no gol do adversário. Judô: Praticado por pessoas com deficiências visuais do sexo masculino. A principal adaptação feita para esta modalidade é a diferença de textura do tatame que indica os limites da área de competição.

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Fatores que contribuem para a desistência da pratica do esporte

62.96% dos deficientes visuais entrevistado apontaram como o principal empecilho a pratica desportiva a falta de transporte e a falta de acessibilidade aos locais da pratica desportivas ou seja locais adaptados ainda 51.85% deles demonstram a falta de uma atividade física adaptadas para as pessoas com deficientes visuais 44% demonstram medo da exclusão 40% apontou a falta de material adequado, 37% aponta a condição financeira, 29.62% também consideram um fator importante à adesão a pratica esportiva os medos de se machucarem dentro das aulas, com 7.4% dos deficientes visuais apontam como não se sentem bem com muitas pessoas reunidas.

Já para os deficientes motores podemos observa que o fato que apresenta maiores impedimentos para que eles adotem a pratica esportiva como habito foi: 13.6% dos DM entrevistado foi à falta de transporte para os locais de pratica empatado com a falta de material e com 4.5% relataram a falta de profissional especializado e a falta de esporte adaptado a sua necessidade.100% dos deficientes motores entrevistados, apontaram que, o medo de se machucar o medo da exclusão a vergonha de expor e não se sentir bem com outras pessoas não são motivos que os impedem de praticar a atividade esportiva adaptadas.

Freitas e Cidade (2002), vêm confirmar os dados obtidos, segundo as autoras, as barreiras arquitetônicas e as dificuldades de transportes são os maiores empecilhos para que os deficientes se enquadrem no contexto social. O mundo físico, é criado pelos homens e para os “homens dito normal”. As pessoas que por seus costumes, valores, atitudes e expectativas sociais excluem por preconceito, desconhecimento ou a desvalorização, os portadores necessidades especiais, visto que estes têm capacidades iguais aos seus semelhantes, que não possui algum tipo de necessidade especial.

Oliveira Filho (2003), afirma que o desporto é uma atividade que requer força de vontade e que é penosa em determinadas ocasiões.A formação da força de vontade, a perseverança, a iniciativa, tenacidade, decisão e a audácia, a prudência e o domínio de si próprio constituem uma parte da for.

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Os beneficios do esporte Praticar esporte é uma forma que os portadores de deficiência dispõe para redescobrir a vida de uma forma ampla e global. Previne as enfermidades secundárias à deficiência e ainda promove a integração social, levando o indivíduo a descobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma vida normal e saudável. Abraçar uma atividade física pode transformar o dia-a-dia de um atleta especial e ainda fazer bem para a saúde do corpo e da mente. Movimentar-se é a palavra de ordem. Não importa se o atleta tem como objetivo jogar profissionalmente ou de forma amadora. O importante é procurar uma modalidade esportiva que se adeque as condições e limites. Benefícios físicos e psíquicos Praticar atividade física tanto por competitividade quanto por diversão pode trazer ao indivíduo benefícios físicos e psicológicos. São eles: Físicos: Agilidade, equilíbrio, força muscular, coordenação motora, resistência física, melhora das condições organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestório, reprodutor e excretor), velocidade, ritmo, possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição, prevenção de deficiências secundárias, promoção e encorajamento do movimento, desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais para melhor realização das atividades de vida diária, entre outros. Psíquica: melhora da auto-estima, aumenta a integração social, redução da agressividade, estímulo à independência e autonomia, experiência com as possibilidades, potencialidades e limitações, vivência de situações de sucesso e de frustração, motivação para atividades futuras, desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas, entre outros. É imprescindível respeitar as limitações, adequando modalidades e objetivos pessoais. É preciso haver acompanhamento e muita atenção na hora de executar um movimento. É necessário respeitar todas as normas de segurança, evitando novos acidentes e o mais importante, estimular sempre o desenvolvimento da potencialidade individual.

O esporte se apresenta como um dos requisitos indispensáveis para que o indivíduo possa atingir a dimensão total de inclusão social. Isso pode ser comprovado por ser um instrumento simples, acessível e eficiente que muito contribui para que a pessoa pertença ou tome parte do seu lugar na sociedade (AZEVEDO; BARROS, 2004). Seus benefícios incluem o desenvolvimento físico, relacionado com alterações orgânicas (aspectos metabólicos, cardiorrespiratórios e músculo-osteoarticulares) e o desenvolvimento das características psicológicas, como aumento do bom humor, redução do estresse e autoconceito mais positivo. Além desses benefícios, o esporte também está relacionado com o desenvolvimento das qualidades sociais, como a empatia pelas pessoas e o desenvolvimento do relacionamento dentro de diferentes grupos sociais (ZUCHETTO; CASTRO, 2002). Para a população de pessoas com deficiência enfatiza-se a prática de atividades que levem em conta a sua capacidade, necessidades e limitações, auxiliando os mesmos no desenvolvimento e aprimoramento de movimentos necessários para a realização de tarefas essenciais no seu cotidiano (AZEVEDO; BARROS, 2004). Para Teodoro (2006), uma questão interessante é que quando a pessoa com deficiência começa a ter sucesso no esporte, a sociedade reconhece que, além de atleta, o indivíduo passa a ser cidadão representante da instituição a que pertence (clube, cidade, estado e país), tornandose motivo de orgulho para

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Vivendo sem limites  

Acessibilidade para os portadores de deficiência.

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