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Jornal comunitário produzido por alunos da escola estadual maestro de oliveira. edição 1 - 04/12/12

Com vocês: O Maestro Bem-vindos a leitura do “O Maestro”. Nosso Jornal é fruto da parceria entre estudantes do 6º período de Jornalismo da UEMG e alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio da Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira. Também conhecida pela sigla EEMJO ou apenas por Estadual, essa escola tem muito pra mostrar. Nossas matérias vão lhe contar alguns dos assuntos mais interessantes do EEMJO, e adivinha só? Foram pensadas e escritas pelos próprios alunos. É, o Jornalismo Comunitário já está em ação. Os textos foram produzidos durante o mês de novembro até a presente data de lançamento (05/12/12). Essa é nossa 1ª edição e esperamos que O Maestro seja uma ótima companhia para você nos próximos minutos. Confira um pouco do que tem No Maestro.

Esporte

Cotas

Moda

Política


Coluna A DEMOCRACIA MODERNIZADA O conceito de democracia vem sendo deturpado desde sua criação na Antiga Grécia, onde os próprios cidadãos exerciam o seu direito de voto e escolha. Nos tempos modernos, o sistema representativo camufla a verdadeira e digna democracia idealizada pelos gregos. Nos últimos anos, o direito democrático foi exaustivamente reprimido, perdendo assim, o significado de liberdade e escolha que os cidadãos podiam exercer. Aqueles que atualmente governam a chamada “voz do povo”, demonstram um despreparo para o exercício dessa função e não reconhecem a necessidade real daqueles que os elegeram, atendendo na maioria das vezes uma pequena parcela economicamente dominante da população, agindo assim, contrários ao princípio basilar da democracia. Isto demonstra que a mesma no Brasil é uma farsa. Assim como diversos institutos que encontram-se falidos - escolas, estado, família e religião - o sistema induz o cidadão através de ideologias repassadas em novelas, filmes, grifes, etc., sugerindo que o homem, cidadão comum, está vivendo o seu auge intelectual e que sua liberdade de escolha é, mais do que nunca, exercida em plenitude. Na verdade nossa realidade é frustrante. A vida em um país cuja frase de sua bandeira é “Ordem e Progresso” não permite o exercício total da liberdade de expressão. A opressão é estampada, pois aqui estamos para vivermos em “Ordem”, seguindo as leis sem questionar, e conseguirmos o tão aclamado e sonhado “Progresso”.

de ensino sucumbirem aos deprimentes números e estatísticas. Nos painéis internacionais, o Brasil tem o orgulho de afirmar e mostrar quadros onde provam que nossas crianças concluíram o primário, e que praticamente se extinguiu o analfabetismo nos grandes polos. Essa é uma forma de manipulação da realidade, dos números e do povo. Os analfabetos funcionais se transformam em eleitores, escolhendo assim candidatos que não são cobrados, que não exercem a função para qual foram eleitos, e que enganam a todos dizendo que a educação está melhorando a cada dia. Praticar a democracia hoje é poder escolher o que adquirir, comprar um objetivo novo e poder escolher a cor e o modelo. Baseado nesse processo, as ordens governamentais fazem nossa instituição de ensino apenas parte de um sistema que repassa a imagem de um país ideal. Dentre todas as regras expressas como um dever a seguir, ninguém tem o direito de questionar o que é coerente. São contadas velhas histórias sobre o que já aconteceu que dão esperanças àqueles que as ouvem, mas não é permitido torná-las realidade.

A escola, onde criamos nossas principais relações afetivas, tenta ignorar este fato e nos manter a uma distância “segura” daquele que está ao nosso lado. As regras que devemos seguir são repassadas apenas em palavras e ações, respeitando a hierarquia dentro deste setor do sistema. Em outras palavras, as ordens são para que se ouça a direção, depois o professor e, caso sobre tempo, Diante dos fatídicos aconteci- o aluno. A salvação do país está mentos e manobras governa- na comunicação entre os reprementais, vemos as instituições sentantes e os representados,

tanto os que nos atendem como governantes quanto os que nos atendem como diretores. Evitaria os problemas com quais temos que conviver diariamente e serviria como exemplo para uma democratização real do país. Estúpida forma de democracia idealizada. Não podemos aceitar que o povo se contente com tão pouco. É necessário se libertar da ideologia implementada para

servirmos de marionete dos que estão no governo. Somos, acima de tudo, um povo com um histórico maior do que essas imposições que nos perseguem agora. Para um desenvolvimento como nação, necessitamos compreender de forma critica o desinteresse e as falhas existentes que nos trazem problemas desde sua base, construindo assim uma nova forma de governo justa para todos.


Moda

A MODA É SER ÚNICO E SE SENTIR BEM Você sabe o que é moda? Moda não é só um croqui, um desenho em folha branca que se transforma em vários recortes em panos e sedas sofisticadas. Não é só uma vitrine, que revela nomes talentosos e beldades de tirar o fôlego para todo o mundo. Não é só um luxo, reservado para poucos. Moda é arte, é criação, é se aceitar em várias formas em você mesmo. É se olhar no espelho e se sentir bem perante as várias críticas que iriam te entristecer, é se impor na sociedade e não ter medo do que vão dizer. Não é só falar de roupas, é também ver suas atitudes através da imagem, é se comunicar através de um só olhar, é sua porta de entrada no seu mundo.

Moda não deve ser uma regra fixa a ser seguida, mas sim sentida por você mesmo. Não escolhe lugar, pessoa, hora, ou humor. A moda está em todo lugar, e em tudo que seus olhos podem enxergar. Se libertar e abrir o coração sem medo de errar é forma de expressão e vontade de se recriar. Não importa se você acha que é magra, gorda, bonita ou feia, cada pessoa tem seu biótipo e seu estilo. Mas sem exageros, cada pessoa é bonita da sua maneira, cada um tem a sua moda e “ridículo é tudo aquilo que não se pode usar”, não importa o que dirão, todos estão na moda à sua maneira. Na EEMJO (Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira)

encontramos moda em diversos tamanhos, formas, e tecidos iguais, só que em recortes diferentes. Qualquer coisa lançada no mercado é algo novo a se impondo perante a sua personalidade, seja uma cor de um novo esmalte da novela teen, ou uma sapatilha que todos estão usando. A escola é um dos locais que mais influencia nas opções de cada um. Assim como em outros assuntos, a moda gera polêmica e algumas vezes comentários maldosos. Isso porque tudo que é diferente tende a ser mais comentado, tanto um corte de cabelo, quanto um sapato diferente. Mas em meio a isso tudo a dica é ser sempre você mesmo, usar o que combina com você e o que te faz

sentir bem. Independente de ser parecido ou diferente com o que os outros usam, até porque o diferente também é belo e se destaca. Seguindo essa ideia, Maria Paula Alves Faria, estudante da EEMJO, concorda com a prioridade ao indivíduo e não é a favor da situação da moda atual. “Eu apenas não sigo padrões, tento ser sempre eu mesma. A moda em si funciona apenas como uma rede econômica que influencia as pessoas a adquirirem peças para ficar nos padrões e descartar outras para não parecer que não sabem se vestir a cada mudança de ano/ estação.”, diz.


Esporte

EEMJO é a campeã dos XII Jogos da Primavera de Frutal

Foi realizada em Frutal, dos dias primeiro a 10 de Novembro, a décima segunda edição dos Jogos da Primavera. Torneio tradicional entre as escolas públicas e particulares da cidade, o evento realizado no Alvorada Praia Clube proporcionou mais uma vez uma competição acirrada entre os alunos participantes e um espetáculo empolgante para a plateia. Tradicionalmente

disputado apenas em esportes com bola, como Futsal, Basquete, Vôlei e Handball, o evento conta atualmente com modalidades como Natação e Atletismo, além do Xadrez, acrescentado à programação neste ano. Ao término do evento, a EEMJO (Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira) conquistou o troféu pela terceira

vez, enquanto a Escola Estadual Lauriston Souza, ou Polivalente, ficou com o segundo lugar. Rivais clássicas, as duas escolas disputaram mais uma vez o título com grande margem sobre a terceira colocada, a escola Vicente Macedo. “Como sempre há uma rivalidade entre Estadual e Polivalente. São as duas escolas maiores que têm o maior número de alunos, e o maior

número de turmas, então as duas escolas respiram o esporte, e a gente faz o nosso esporte como sendo um incentivo muito grande, a gente joga, a gente faz interclasse, e quando chega a época das olimpíadas, é o maior sonho da vida deles.”, diz Elaine Maria Lacerda, professora de Educação Física da EEMJO.


Esporte

Os alunos da Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira se destacaram nas mais variadas modalidades. Aqui, medalhistas do atletismo. Além da inclusão do xadrez, essa edição dos jogos também ficou marcada pela disputa de partidas não só no Alvorada Clube. “Em virtude da quantidade de escolas, e da quantidade de jogos, esse ano nós teremos jogos também em dois ginásios, aqui no Alvorada Praia Clube, e no ginásio Claiton

Brito.”, diz Valdinei Garcia de Souza, o Dinei, coordenador do evento e chefe municipal de Divisão de Esportes. Outra novidade foi a entrega do prêmio de melhor escola particular, conquistado pela escola Presidente Vargas. Veja abaixo a classificação final do torneio:

1º Estadual – 281 pontos 2º Polivalente – 241 pontos 3º Vicente Macedo – 113 pontos 4º Presidente Vargas – 54 pontos 5º Galileu – 44 pontos 6º Objetivo – 36 pontos 7º Geralda de Carvalho – 32 pontos 8º Professor Bandeira – 25 Pontos


Cotas A polêmica do sistema de cotas

Um dos assuntos causadores de grande polêmica atualmente no Brasil é o sistema de cotas. Muitos afirmam que esta é somente uma forma do governo tratar do racismo utilizando-se do próprio racismo, uma vez que o sistema é uma forma de reservar vagas em universidades para determinados grupos e etnias. As medidas de cotas raciais e sociais implantadas pelo governo ajudariam no acesso desses grupos, teoricamente menos favorecidos, na concorrência com o resto da população. Sancionada em Agosto deste ano, a Lei de Cotas passa a valer a partir de 2013. A lei nº 12.711, ou Lei de Cotas, estabelece que a partir do ano que vem, 12,5% das vagas de todas as universidades federais do país devem ser destinadas a alunos que estudaram integralmente em escolas públicas durante o ensino médio. Essas vagas deverão ser preenchidas por negros, pardos e

indígenas, conforme a proporção de cada população no estado da instituição. Metade ainda dessas cotas, devem ser preenchidas pelos estudantes provenientes de famílias que possuam renda familiar mensal igual ou inferior a R$ 933,00 (um salário mínimo e meio) per capita. A lei também determina que esse porcentual deve aumentar gradativamente, chegando a 50% até 2016. Segundo o Secretário Municipal de Educação de Frutal, José Luiz de Paula e Silva, o objetivo das cotas é corrigir injustiças históricas provocadas pela escravidão e exploração desses grupos na sociedade brasileira. Um dos efeitos desse passado escravocrata é o fato de negros e índios terem menos oportunidades de acesso à educação superior e, consequentemente, ao mercado de trabalho. Ainda que seja benéfico para muitos, inclusive para parte dos

alunos da E E M J O (Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira), o sistema sofre duras críticas por ser considerado uma forma de racismo e de escape para o governo, que não ofereceria os recursos básicos para não haver a necessidade de tal medida. O professor Pedro Paulo Carboni lembra a importância da sociedade se instruir. “A cultura e a educação são a solução para o racismo. A educação precisa esclarecer para as pessoas o que signi-

ficam essas diferenças de raças, as diferenças de condições, estes privilégios. E a cultura é o que vai se encarregar de assentar isso ao longo do tempo. Uma sociedade mais culta consegue trabalhar estas diferenças de uma maneira mais tranquila.”, diz.


Política

A paralisação da educação No ano de 2011, o Governo do Estado de Minas Gerais, representado em sua figura máxima por Antonio Anastasia, deixou de pagar o PSPN (Piso Salarial Profissional Nacional) de todos os professores da rede pública do estado. A retirada

do piso, direito instituído por lei federal, causou a revolta de docentes por toda Minas Gerais, culminando em uma greve que durou 112 dias e chegou a mais de 50% de adesão em todo o estado.

Em Agosto do mesmo ano, alguns professores da EEMJO (Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira) aderiram à greve, que foi suspensa pouco mais de um mês depois. Após o encerramento do ano letivo normalmente, logo no início

de 2012 a matéria de Geografia foi retirada de todos os segundos colegiais, seguindo-se a isso o fechamento de uma sala do segundo e uma do terceiro colegial.

Com o fechamento dessas salas, alguns professores foram despedidos, como Danilo Alves, que conta como foi informado da situação. “No primeiro momento a gente teve uma informação interna, porque já estava sendo discutida essa possibilidade, o governo já havia feito isso em outras cidades de Minas. Algum tempo depois veio a informação oficial, que fechariam duas salas realmente.”, diz. Participante

ativo da greve, Danilo não se considera perseguido. “A reação contrária de professores é natural, hoje a própria sociedade tem de alguma forma um conservadorismo. Perseguido eu não me vejo, pois tinha direta ou indiretamente o apoio de professores que não suportam mais a forma com que o governo lida com a educação.”, conta o professor. Questionado sobre a possível relação destes fatos com a gre-

ve do ano anterior, o diretor da EEMJO, Sinomar Lopes, se diz impossibilitado de responder e que tal informação pode ser obtida somente na Secretaria de Educação, em Uberaba. Sinomar também reitera que a determinação foi do governo do estado, que repassou o processo para a secretaria que enfim a encaminhou para a escola. Convidado a se retirar da escola no mesmo período dos acon-

tecimentos, o ex-aluno Heitor Bernardi defende os professores. “Os alunos da EEMJO se cansaram de fazer papel de bobo pra sociedade, estávamos querendo o nosso direito. Eu era perseguido naquela escola, isso porque eu sempre estava querendo lutar pelos meus direitos e não me calava diante algumas medidas implantadas pela própria escola e pelo governo.”, argumenta.


Os Maestros Esporte

Educação

WANNER Menezes E Jhonatas Corrêa

Gabriela Vilela e Álefe Souza

Coluna

Fotografia

Larize Miranda e Maria Paula

Otávio Augusto

Moda

Política

Lorena Carvalho e Lorena Martins

Tatiane Ferreira


O Maestro  

Jornal Comunitário produzido por alunos da Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira sob orientação de alunos do 6º período de Comunicação...

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