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JOANA VILLAVERDE www.joanavillaverde.com


www.joanavillaverde.com Joana Villaverde,1970 Expõe regularmente desde 1998. Das suas exposições destacam-se: Je Vous Garde, Pavilhão Branco do Museu da Cidade, Lisboa; Ferro e Fogo, Galeria Formato Cómodo, Madrid; Desenhos, Sala do Veado, Lisboa; Identidades - continuação # 4, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa Fundação EDP; NYC Scope Art Fair, Black & White Gallery. Recentemente expos em Nova Iorque, You Took From Me All The Air So I Can Breathe, na residência artística Location One, onde esteve a trabalhar como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Colabora regularmente no teatro, onde assinou cenografias de produções apresentadas em diversas salas portuguesas: Teatro Nacional D. Maria II, Teatro da Cornucópia, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Teatro Nacional São João, Teatro do Bairro, onde também assina a maior parte dos desenhos dos cartazes e programas mensais. É co-autora com Mafalda Ivo Cruz do livro Emma, editado pela Cavalo de Ferro. O seu trabalho está representado em diversas colecções privadas em Portugal, Espanha e nos EUA, na Fundação EDP e Diocese de Beja. Em Lisboa tem atelier na Fábrica Braço de Prata


links para o meu trabalho: www.joanavillaverde.com https://www.facebook.com/pages/joanavillaverdecom/121048544665990 http://www.youtube.com/watch?v=scKzr2jpjfE http://www.drawingcenter.org/viewingprogram/share_portfolio.cfm?pf=6914 http://www.museudofado.pt/calendario/detalhes.php?id=247 https://soundcloud.com/jvillaverde/sala-do-veado-1 https://soundcloud.com/jvillaverde/antena2-molduras-085


UP SIDE DOWN / DE PERNAS PARA O AR 2012 Fรกbrica de Braรงo de Prata, Lisboa

255 X155 cm barra de รณleo e colagem sobre papel


Newsletter Gulbenkian Julho 2012

online aqui: http://www.gulbenkian.pt/media/files/FTP_files/NL/FCGJulho-Agosto12/index.html#/18/ De que modo a residência que realizou em Nova Iorque foi importante para a sua carreira? Nunca pensei o meu trabalho em termos de carreira, pensei-o em termos de coerência. É o que tenho para dar, o que sei, e o que tenho que fazer. A carreira existe colada a isso, nunca dissociada. A minha estadia por 5 meses na residência artística Location One deixou marcas, sobretudo no trabalho presente e na maneira como me entrego a ele. Fez-me crescer e não foi pouco. O trabalho que lá desenvolveu subvertia a escala, remetendo para um espaço que sufocava. Pode falar um pouco disso? Nova Iorque é como se sabe uma cidade grande em todas as suas dimensões, incluindo a artística e humana. Sente-se uma liberdade no estar e no ser, nos trabalhos que se veem, na arquitetura, na oferta cultural. A minha exposição no final da residência chamava-se YOU TOOK FROM ME ALL THE AIR SO I CAN BREATHE (titulo roubado a uma canção brasileira: você me tirou todo o ar para que eu pudesse respirar). Talvez quisesse dizer que a cidade, a experiência, me estava a oferecer ar para pensar, criar e ser feliz! O meu atelier era um espaço pequeno, o oposto da cidade. Trabalhei esse erro de escala, viver numa enorme cidade, trabalhar num espaço curto. Trabalhei uma tela de 3m de lg, (toda a largura do meu atelier) por 2m de alt. (pouco menos que o pé direito). Retratei aí uma cara, uma cara enorme que vista de onde eu a via podia ser uma pintura abstracta, podia ser uma paisagem. Brinquei com isso e colei uma silhueta de um homem de costas, como se contemplasse a paisagem, um ser pequeno sufocado por uma imensa mancha, uma cara, a cidade? Essa preocupação mantém-se ou outras linhas impõem-se atualmente no seu trabalho? De todo, nada. Essa preocupação desvaneceu-se (espero não voltar atrás). A minha estadia em Nova Iorque mudou a minha maneira de trabalhar. Sobretudo a minha maneira de olhar o tempo. Não há muito tempo, o tempo foge. Aprendi a não ter medo. A não ter medo em gastar material, não ter medo de usar materiais errados, não ter medo de rasgar, colar e voltar a rasgar. Não ter medo de errar. Já há muito tempo que procuro fugir ao tema recorrente no meu trabalho, quase sempre a minha própria identidade. Sair do meu umbigo era já uma vontade. A minha estadia em Nova Iorque veio acelerar esta decisão. Projetos atuais e futuros... Neste momento estou a trabalhar num projeto ambicioso, que creio irá durar muito tempo. É sobre a resistência. Ser artista hoje e resistir. Nunca me atrevi a trabalhar questões politicas e não é isso que quero fazer, porém não posso deixar de pensar e viver com o meu tempo. Estamos a atravessar um momento de viragem, um momento histórico que não sabemos onde e como vai parar. O mundo parece-me de pernas para o ar. No início de 2012 fiz uma exposição a que dei o nome DE PERNAS PARA O AR/ UPSIDE DOWN. Foi um começo. O mundo não está a ser construído para as pessoas, parece até que estão a ser esquecidas. Esquece-se o que são verdadeiramente as pessoas, seres que sonham, que acreditam, que sentem coisas. O querer ser feliz, querer ter sonhos não está a ser dado como um direito, mas como uma estravagância impossível de concretizar. Isso dá-me muito medo. E porque este tempo é global, estas questões passam-se em quase todo o mundo. Quero ir onde faz muito tempo que as coisas se passam às avessas. A minha pesquisa deslocou-se para o Médio Oriente, porque sim, porque acredito que de lá sairei uma pessoa diferente e espero melhor. Quero saber como, o que é que move, com que força, onde a vai buscar um artista, um criador duma parte do mundo, sempre em conflito desde que nasceu. A palestina. As preocupações são as mesmas? Quase de certeza que não. E como sempre em todo o meu trabalho tentei ir a um gomo, um único ponto para que possa traduzir as minhas preocupações na tela, no papel, na madeira no que for, ainda não sei. Como foi viver em nova Iorque? Os primeiros dois meses em Nova Iorque são de deslumbramento, de febre, correr a cidade inteira a pé, conhecer cada canto, cada avenida, cada género, Uptown, Downtonw, East e West Side. As diferenças de gente, de classes sociais e interesses de baixo para cima, de East River ao Hudson. Querer ir a todo o lado, estar presente em todas as ofertas da cidade. Depois de dois meses, acho que se cai na realidade e pensa-se: não consigo estar em todo o lado, é obrigatório fazer uma lista de prioridades. Apesar do tamanho das enormes avenidas, da quantidade de gente em todo o lado, dentro dos museus, das galerias, das salas de espetáculos, uma pessoa sente-se rapidamente parte da cidade.


NO ATELIER, LISBOA (FÁBRICA DE BRAÇO DE PRATA)


YOU TOOK FROM ME ALL THE AIR SO I CAN BREATHE 2011 Location One, New York City


Grafite e Barra de Ă“leo sobre Tela 300 X 280 cm Ombreira porta Cadeira pequena


Joana Villaverde (b. Portugal) creates spaces that lack a sense of proportion and proper scale. In her installation You Took from Me All the Air So I Can Breathe, an empty chair and a doorframe stands before a canvas, dwarfed by the large dimension of the portrait of a woman!s face. Although there is plenty of room between these objects, the gallery space becomes suffocating: the woman is too big for the painting in which she is entrapped, the chair is too small for its empty surroundings, and the door frame creates nothing more than an illusion of a place. Villaverde!s works are often variations on the same theme: people in a space in need of more space. This closeness or suffocation, however, is more a mental than a physical one. Villaverde brings forth an intense sense of narrative and dialogue to the viewer using the plainest elements: a canvas, a chair, and a wooden frame. Claudia Calirman http://www.location1.org/in-the-making/


JE VOUS GARDE 2009 Pavilh達o Branco Museu da Cidade


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e barra de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e Barra de Ă“leo sobre Tela 800 X 2OO cm


JE VOUS GARDE Podia ser o nome do projecto. São pessoas, pessoas pintadas, pessoas do tamanho real, de corpo inteiro, umas mais perto umas mais longe, umas mais escuras umas mais claras, todas olham para nós. Todas são pessoas que me apareceram, que me desapareceram. Quero tê-las todas na mesma linha, na mesma fila, como se fosse um retrato de família, uma fila de execução. Uma fila de apresentação. Uma fila de agradecimento. Em tempos diferentes, uns mais tempo que outros. Todos desaparecemos, todos aparecemos Estão todas despidas, sem roupa. Sem artifícios. Pessoas que vi e que desapareceram da vida. Pessoas que vi e que apareceram na vida. São pintadas em barras de óleo sobre tela, a tela é do tamanho de um corpo e desenrolada até ter o comprimento de um retrato conjunto. Gostava que dessem a volta à sala. Não há nenhum ponto de vista ideal, todos são o ideal. Outra vez, como sempre no meu trabalho, este é também uma narrativa, uma história de sensações, contada numa só imagem, num só sítio. Como se se pudesse fotografar uma história. Joana Villaverde Lisboa, Junho de 2007 Esta foi a carta que enviei a pelo menos a vinte pessoas que queria que estivessem nesta tela. Para que não me desapareçam. Não sei porquê mas quando vejo este trabalho, vejo-o como uma homenagem ao teatro, ao teatro no momento em que os actores se despem dos personagens e nos olham quase nos olhos e nos agradecem por termos estado ali. Por os termos visto trabalhar, por os termos visto representar um personagem, uma vida. É o momento, em que nós espectadores, nós também nos expomos, actores espectadores na mesma cena. Duas cenas, dois palcos. No mesmo teatro. É quase como se fosse um outro espectáculo, onde se lê, se sentem as mais diferentes reacções. É um momento onde se podem condensar todas as emoções. Este meu trabalho pode ser uma representação desse momento. É também uma homenagem a esse momento. Ao teatro, efémero como as pessoas. Estas pessoas são pessoas reais, são de carne e osso, quero-as despojadas de todos os artifícios que possam existir, quero-as cruas, quero-as de igual para igual, quero-as animais, quero-as seres vivos que acabam. Acabam por morrer. Quero guardá-las neste instante vivas e com corpo. Quero o gozo, a força de desenhar corpos nús. Quero trabalhar o meu reconhecimento de um corpo nú, do corpo da pessoa que retrato, sem que seja óbvio para todos. (não me interessa que quem veja este trabalho acabado, reconheça algum retratado), interessa-me sim que eu reconheça. Quero trabalhar com a memória, o tempo que passou, o tempo que vai passar. Todo ali no mesmo instante. Quero guardar um momento. Quero saber se é o fundo, a cor do fundo da tela que se funde nos corpos, se são os corpos que se fundem na tela, quero a sensação de tempo, quero ferro, a cor do ferro, a oxidação, quero a sensação de duração. Quero-os ali no presente Criar um diálogo. Reuni-los uns aos outros e guardá-los, lembrálos. Joana Villaverde Lisboa, Março, 2008 “Não sei porquê mas quando vejo este trabalho, vejo-o como uma homenagem ao teatro, ao teatro no momento em que os actores se despem dos personagens e nos olham quase nos olhos e nos agradecem por termos estado ali. Por os termos visto trabalhar, por os termos visto representar um personagem, uma vida. É o momento, em que nós espectadores, nós também nos expomos, actores espectadores na mesma cena. Duas cenas, dois palcos. No mesmo teatro.” Isto, querida Joana, dizes tu. Já nos cruzámos no teatro. Já sabia que nas tuas passagens pelo teatro não andavas à procura de personagens mas de gente, de pessoas. Ainda bem. O teu desassossego quando fazes um cenário é sinal de que andas no teatro à procura de mais do que comédias, dramas ou tragédias. Não gostas de ficções. O que te dá gozo é conhecer. E aposto que a tua pintura luta contra as ilusões em busca de uma matéria mais áspera, mais vital, mais violenta. Mas gostas da contracena, das brincadeiras, de te esconderes para mais te mostrares. E gostarás talvez mais de quem se esconde que de quem julga mostrar-se. Também passa por aí o meu gosto pelo teatro. Construir disfarces em nome da vontade de construir um verdadeiro encontro com os outros. Achei portanto graça à tua ideia de lutar contra a máscara expondo a nudez. Vou contar-te um segredo. Sempre que preparo uma ficção e invento uma personagem, dirias tu, atrás da qual me esconder, se a coisa corre bem e estou a conseguir inventar a personagem até ao fim, há sempre um momento em que me apetece aparecer nalguma cena todo nu: sinal de que consegui que a invenção da personagem estivesse para além do fato, que a máscara fosse mais longe que a nudez do corpo. Desisto sempre da ideia, claro. A máscara já está construída e já posso vestir-me outra vez. Mas não temos melhor maneira que a nudez para falar da verdadeira exposição perante os outros. Só que um actor que se preze sabe que é mais complicado do que parece isso de uma pessoa se expor. A minha “nudez”, onde se vê é na invenção, só minha, da máscara que inventei. Foi aí onde mais mostrei quem sou e como sou. A gente não é só corpo. Isso é os bichos. E mesmo assim não tenho a certeza. O momento dos aplausos é, ao contrário do que julgas, o momento em que um actor menos se expõe, porque veste a máscara que não inventou, a que os outros lhe impõem e que usa cada dia. Ou o sorriso de circunstância que esconde uma pessoa toda. Só que falar nisso ajuda a falar da questão. A gente podia dizer da natureza da arte como, eu sei, os dois a entendemos: “é pôr-se nu perante os outros”. É, sem máscara, oferecermos aos outros aquilo que somos e o que fazemos da vida. Mas será que não te deixas reconhecer que, para a complicação que é um ser humano, só com artifícios,


com máscaras, se chega lá? Eu acho que a ideia da tua “exposição” de pintura é afinal uma máscara, uma ostensiva e violenta “metáfora” do que, seja a pintar seja a representar, queríamos andar a fazer: viver com os outros. Creio que, no teu caso, sem nenhum desencanto. Só desejo de chegar mais longe. Ou mais fundo, pintando superfícies. Um abraço muito grande, Joana, do Luis Miguel Cintra Maio de 2009


7º DIA DA CRIAÇÃO DIOCESE DE BEJA, 2005

Grafite e pastel de óleo sobre papel 155 X 120 cm


Joana Villaverde: o autoretrato de Deus A arte anterior a esta talvez tenha sido a das crianças vendadas, que se colocam no centro de uma roda, e que aos poucos descobrem, num arrepio íntimo que depois não nos larga, que toda a adivinhação é, afinal, reconhecimento, e que todo o reconhecimento (mesmo o daqueles que estão espantosamente próximos) é, afinal, adivinhação. Foi assim, parece-me, com os 30 rostos que Joana Villaverde multiplicou numa grelha de imagens individuais (Construção, 2003), pois o reconhecimento adivinhado ou a adivinhação cognescente não é senão a experiência de que todo o real continuará, face às estratégias de análise, inapreensível, transumante, fugaz. O nosso (real) mais ainda que o dos outros, pois desses rostos sucessivamente repetidos e ensaiados Joana Villaverde escreveu: «acho que este trabalho é [apenas] o retrato da minha construção». É mais um retrato, ou melhor, é ainda o retrato que Joana Villaverde busca neste misterioso patamar simbólico do sétimo dia, onde o relato teológico judeo-cristão coloca o fecho da construção do mundo. Enquanto nos primeiros seis dias da criação o mundo se constrói de forma laboriosa e activa, ao sétimo dia apresenta-se, na metáfora de um Deus que descansa, a plenitude do repouso contemplativo como sua verdadeira finalidade. Mas não se trata aqui de um espaço de ócio para a recuperação das forças em vista de um recomeço: trata-se de afirmar maximamente uma actividade de um novo tipo, um gesto criativo absolutamente inédito: transformar o tempo em templo e habitar essa realidade transfigurada. No seu tratado “Da Pintura Antiga” sugere Francisco de Holanda «ser Deos [um] pintor evidentissimo», pois se toda a pintura se constrói partindo de dois princípios, a «lux/claro» e o «escuro/sombra», nas obras de Deus estão o exemplo e a substância dessa arte. Atribuir a Deus o título de pintor parece até nem ser uma invenção de Francisco de Holanda: há quem a faça remontar a Empédocles, outros dizem ter sido Clemente de Alexandria a transmiti-la ao mundo medieval, onde o mestre português a teria apreendido como uma das fórmulas advocativas comuns na abertura de discursos semelhantes ao seu. Importa-me, porém, esta anotação de Francisco de Holanda, porque ela ilumina a acção do olhar sobre o trabalho de Joana Villaverde. E permite-nos, talvez, chegar a um silogismo (improvável como todos os silogismos) que se enunciaria assim: A. A pintora nos múltiplos retratos manipula apenas o seu retrato. B. Deus é o pintor evidentíssimo. C. A pintora trabalha apenas o autoretrato de Deus. José Tolentino Mendonça


SALA DO VEADO 2006


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 155 X 120 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 155 X 120 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 155 X 120 cm


Grafite e pastel de 贸leo sobre papel 120 X 155 cm


On doit toujours s'excuser de parler peinture Paul Valéry To use again and again the some gestures and forms is not deemed a failure of imagination in a painter (or a choreographer) as it might be in a writer. Repetitiveness seems like intensity. Like purity. Like strength. Susan Sontag

Usually I make large drawings with oil pastels, because I find this material the most appropriate for the intense physical nature of my work. I consider my creative process an act of resistance. I have been working on a series of large drawings in oil pastels on paper (150 X 120 cm). These are variations on the same theme: a woman, a naked woman in a space without space. She’s nowhere. At times she resembles a creature, other times better, more like a real woman. I want to find out if I can paint her in red. If I can paint her in blue, if I can dress her. If she will get angry, if she will laugh. If she wants to come out of the paper and go some where else. I’d like to discover the way she sees. How she is seen and where she is seen from. Where does she look? Is she forever nowhere? Will she ever be anywhere? Does she have strength to do anything? Does she do anything? I want to observe how she changes.

Joana Villaverde Lisbon, June 2005


A mulher aflita Sobe-se a escadaria da antiga Faculdade de Ciências junto ao jardim botânico onde tantas vezes brinquei com a minha mãe ou a minha madrinha. Os degraus estão agora encardidos dos pássaros e torna-se manifesto que os limpam pouco. Avança-se por velhos corredores, espessos, sem sol, frios. Atravessa-se as salas do Museu de Historia Natural, onde se acumulam pedras lindíssimas. E lá dentro, por fim, encontramos uma mulher. Essa mulher deve-se à pintura, menos às cores do que à dinâmica dos traços de Joana Villaverde. É um circulo que está quase a fechar-se, mas que encontra aqui o seu apogeu. Esta mulher, com outros rostos, acompanha o percurso discreto mas incisivo, da artista. Entramos por aquelas paredes repletas de segredos gelados e começamos por ver partes de um rosto, um nariz, uma orelha, vistos de tão perto que se tornam exorbitantes e incomodativos. Mas o que importa é o sentido envolvente das linhas aqui reforçadamente circulares, ali penetrantes e capazes de entrarem por um corpo dentro. Até à noite dos corpos. É aqui que um corpo começa a ganhar sentido, quase sempre obsceno, a saír de cena: corpo de boca voraz, corpo onde os outros se podem rever como espelhos que encontram em cada um de nós os espaço que os oprime. É esse aspecto de aflição que emerge nesta mulher que se expõe sem pose. Nalguns quadros vemos uma cabeça demasiado grande sobre um corpo que se vai reduzindo até se apoiar apenas na fragilidade dos pés descalços. Noutras vezes, o calor chega pela violência das cores envolventes. Nenhum erotismo, nenhuma voz que vá além do murmúrio. Todas as falas são apenas um movimento dos olhos. São os olhos que nos vêem e emudecem. Neste percurso em que o chamamento de uma mulher vem apenas de um conjunto de traço comprimidos, de paredes vazias onde por vezes ela se encosta ou mesmo se esconde, pressentimos um mundo que está atravancado, mas que cria esse excesso por um excesso de vazio. É uma dimensão politica que se abre no interior dos corpos e nos narra o que os devora. A última imagem é particularmente interessante. Aqui é uma mulher que se enrola no interior de uma moldura e o quadro parece estar ali a esmagar a protagonista. É a última partícula de um processo em que a pintura exerce todos os seus poderes e a mulher ao deixar-se pintar, aceita a sujeição de um corpo a todas as instancias que a podem submeter, desde os traços e as cores até ao domínio dos espaços, programando o tempo e a vida. É nesta autocrítica da pintura (onde um traço estrangula, onde uma voz sussurra, a politica dirige, os burocratas concentrcionários territorializam) que Joana Villaverde ultrapassa este ciclo Eduardo Prado Coelho in público, 27 de Fevereiro 2006


UMA ESTANTE VALE BARRIS 2004

Óleo sobre ferro 90 X 20 X 500 cm


CENOGRAFIA


DUAS FARSAS CONJUGAIS, GEORGES FEYDEAU, TEATRO DA CORNUCÓPIA, 2002


CESAR ANTI CRISTO, ALFRED JARRY, TEATRO DA CORNUCÓPIA, 2004 2004


GATA BORRALHEIRA, ROBERT WALSER, CULTURGEST, 2006


LEONCIO E LENA, GEORG BüCHNER, TEATRO DA CORNUCÓPIA, 2008


PRINCIPE DE HAMBURGO, Heinrich von Kleist, CCB 2010


FIDALGO APRENDIZ de Francisco Manuel de Melo Teatro Nacional D. Maria II 2011


ATELIER


Colagem sobre MDF 700 X 200 (variรกvel)


Profile for Joana Villaverde

Villaverde joana portfolio 2013  

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