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Ultrapassar limites, vencer desafios

06 PULSAR DAS AUTÁRQUICAS

Renato França, jovem candidato do PS à Câmara de Penela, em entrevista

JOVEM socıalista

NÚMERO 488 / 8 Setembro 2009 Director Tiago Gonçalves

Equipa de Redacção Ana Catarina Aidos, André Batista, David Erlich, Guido Teles, João Correia, Luís Pereira, Mariana Mouzinho, Rui Moreira e Vanessa Neto.

ÓRGÃO OFICIAL DA JUVENTUDE SOCIALISTA

JS Summer Fest aposta ganha! Páginas 4 e 5


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Termó metro

O outro lado do JS Summer Fest Depoimentos > De quem lidera…

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JS Summer Fest 2009 A JS Summer Fest 2009 foi um sucesso. Debateram-se os temas que preocupam a juventude portuguesa (estratégias de crescimento, o compromisso político do PS e da JS, energias renováveis e eficiência energética, qualificação e emprego, igualdade), com informação, diversão e companheirismo à mistura. Uma conclusão é certa: os jovens querem um Portugal melhor e, isto, só o PS está preparado para conseguir.

Indicadores Económicos A subida dos indicadores económicos no mês de Agosto demonstram que o princípio do fim da crise económica pode estar para chegar. Mesmo assim é importante continuar a trabalhar com todo o afinco e dedicação. Não nos podemos resignar...

oi muito bom ter jovens de todos os distritos do país, podíamos ter tido mais não fosse agendas autárquicas, que acabam por desmobilizar alguns jovens, mas notava-se que faltavam estas iniciativas. A mobilização de 2000 jovens revela que é uma iniciativa que faz falta, pois há jovens que estão cá pela primeira vez numa iniciativa política, que gostam destas iniciativas, que aderem e é uma forma de conjugar as duas coisas, pois motivaos e atrai-os. O resultado é positivo. As expectativas foram superadas. Todos sabiam que esta iniciativa era de carácter político, mesmo que alguns viessem motivados por diversão, o mais importante era que viessem, pois a ideia era mesmo criar laços, sentimentos de grupo e incutir política aos poucos. Temos que motivar à participação de várias formas e esta é uma maneira de o fazer. O que nos interessou foi que saíssem daqui mais preparados do que quando aqui chegaram. Cabe-nos, portanto, envolvê-los, agarrá-los e

motivá-los para a política, num quadro em que os partidos devem diversificar os métodos de comunicação com os jovens. O futuro para mim vai ser marcado pelos jovens que participaram nesta iniciativa e tenho a certeza que mais tarde reivindicarão iniciativas destas. Espero que a JS no futuro continue a organizar iniciativas destas e digo mais, acho que o PS se deveria envolver mais nestas organizações. Há muito a fazer, vários desafios a travar nos próximos tempos, com a finalidade de reduzir desigualdades sociais e acabar com as discriminações. É isso que une os jovens. É isso que é agir por mais igualdade. Essa é a identidade da Juventude Socialista e que nos faz ter as bandeiras que temos. Aos que vieram obrigado por terem vindo. Aos que não vieram, temos pena, esperamos que haja mais iniciativas destas e se conversarem com quem veio estou certo que se vão arrepender por não ter vindo. E já agora, obrigado a todos os que estiveram do lado da organização, o seu contributo foi bastante útil.

Duarte Cordeiro Secretário-Geral da Juventude Socialista

> De quem esteve na organização…

PSD O programa político do PSD é pequenino... Querem mais estudos ao fim muitos e tantos anos a estudar as acções que temos de tomar para levar o país a encontrar o rumo certo. É um PSD dos que pensam pequenino e são incapazes de pensar em soluções viáveis e capazes de impulsinonar Portugal.

Gripe A A grande pandemia ameaça a saúde das pessoas e a já frágil economia portuguesa e mundial. Os países desenvolvidos têm encontrado soluções de prevenção e tratamento mas, o que preocupa, é a disseminação da doença nos país subdesenvolvidos, que não têm meios de combater eficazmente a doença e têm grandes surtos virais no seu país. É difícil pensar positivo.

por João Correia

joao.correia@juventudesocialista.org

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uando, numa reunião de secretariado nacional o Duarte Cordeiro anunciou a intenção de que o Summer Fest se realizasse em Santa Cruz, senti um misto de contentamento e preocupação, pois, como bem sabem aqueles que melhor me conhecem, para o meu espírito perfeccionista, o tempo que restava até à concretização do evento não era o suficiente para que tudo fosse planeado e realizado ao mais ínfimo pormenor. No entanto, os dias foram passando e a honra de levar a cabo na minha Federação o maior evento já realizado pela JS, com a componente de diversão e convívio, mas também, de debate político, com a presença de jovens de todo o país e oradores de renome nos nossos workshops levaram a que qualquer receio se desvanecesse e a vontade de que o evento fosse um enorme sucesso se apoderasse de mim, do Secretário-coordenador da JS de Torres Vedras, Rodrigo Miranda, e de todos os militantes da FRO que, coadjuvados, por vários voluntários de outras Federações do país tornaram possível esta Nossa “festa”.

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onsidero que na vida, não escolhemos, quando e como fazer amigos, quanto muito procuramos a oportunidade para que tal suceda, o resto surge naturalmente. Este primeiro Summer Fest da JS foi uma oportunidade desse género, principalmente pela experiência de vivermos durante três dias entre jovens de todo o país, partilhando os valores da igualdade e solidariedade inerentes à condição de campistas em que nos vemos envolvidos. Durante esses dias não houve distinções, fomos apenas

Nem tudo foi fácil, mas tudo foi facilitado pela envolvência e empenho de algumas pessoas com mais experiência nestas questões, como sejam, a Cristina Lopes, o Carlos Granadas, o Pedro Vaz, o Ricardo Lino (Mirandela) e o Rui Roque (Farras), a quem de todo o coração agradeço e nos quais personifico um agradecimento mais lato a todos os quantos abdicaram do seu tempo em favor do sucesso deste evento. Estando eu a menos de um mês dos 30 anos e em contagem decrescente para a saída dos órgãos dirigentes da JS agradeço o presente adiantado que foi receber cerca de 2000 jovens unidos pelos ideais socialistas na “minha” terra. Agradeço ter tido a possibilidade de ouvir os secretários-gerais da JS e do PS, que com os seus testemunhos e discursos a todos deram alento e coragem redobrada para buscar a vitória nas eleições que se avizinham, pois, temos consciência de que, outro resultado não será justo para com um Governo que foi uma verdadeira marca de coragem, determinação e vontade de todos os dias trabalhar por um Portugal melhor, mais justo, mais igual, mais evoluído e mais desenvolvido para todos. Assim, a todos os camaradas e amigos um sentido obrigada e um voltem sempre acompanhados de saudações Jovens Socialistas!

Cláudia Horta Ferreira Presidente da Federação Regional do Oeste e só, um enorme grupo com cerca de dois mil jovens, unidos na diversidade e irreverência que nos caracteriza, em torno dos ideais orientadores da JS, conscientes de que temos um papel fundamental no objectivo de Avançar Portugal, contribuindo cada um à sua maneira, para um país mais justo, mais solidário, mais livre e cada vez menos desigual. No final não houve diplomas de mérito ou de bom comportamento, nem atestados de esquerda e insígnias da luta, tivemos sim, apenas e só, a experiência vivida, as fotos tiradas e os contactos


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Editorial

Tiago Gonçalves

trocados com a promessa de nos voltarmos a encontrar. A consciência política e a mobilização para a participação, tal como a amizade, surgem naturalmente, como pôde ser constatado pelas assistências esgotadas em todos os workshops políticos que organizámos. Não podia deixar de referir, todos aqueles com quem tive a oportunidade de trabalhar na coordenação deste evento, nomeadamente o Pedro Vaz, pela sua paixão e dedicação à JS, o Ricardo Lino, o Rui Roque e a Cristina Lopes que através da sua experiência, boa disposição, espírito de sacrifício e disponi-

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ão sabendo exactamente o que seria aquilo a que me propunha, rumei expectante a Santa Cruz na certeza porém de que iria fazer parte de um grande momento. O trabalho foi apenas uma pequena parte de tudo, ainda que tenha sido bastante. O cansaço, ainda que muito, foi apenas um pequeno obstáculo a superar. No fim de contas, dormir significava não estar presente e o entusiasmo foi sempre uma reserva de energia.

bilidade foram uma fonte inspiradora para toda a organização, a Cláudia Ferreira, a Mafalda Serrasqueiro e o Pedro Alves pelos excelentes workshops. E por fim agradecer a todos os militantes dos vários pontos do país, mas especialmente da FRO, que participaram na organização, por todo o trabalho e empenho demonstrado, mas acima de tudo pelo orgulho que ter podido estar ao vosso lado. Tal como disse um amigo que ganhei neste Summer Fest: “A luta continua…vemo-nos nas legislativas!”. Até lá então.

Carlos Granadas Alenquer, Federação Regional do Oeste Quando me juntei à JS, disseram-me que éramos uma grande família. No Summer Fest pude verificar o quão grande somos e senti-me verdadeiramente parte de um todo. Esse foi o sentimento que me ficou presente. Não se trata do X, do Y ou do Z, somos todos JS. Não me atreveria a falar da Summer Fest sem referir a colaboração e paciência de todos os que a tornaram possível, elementos da organização e participantes, e em especial do Sr. Afonso que comigo passou horas ao telefone de modo a tornar possível o transporte de todos. Muito obrigado e até à próxima.

Cristina Lopes Torres Vedras, Federação Regional do Oeste

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Summer Fest 2009… Para nós, organização, foram longos e duros dias sem dormir, alimentados a cachorros quentes. Ainda assim, foram dias de muita festa, convívio e diversão. Nunca tinha visto pessoas que se tinham acabado de conhecer serem tão unidas e trabalharem tão bem em equipa como vi neste festival. O espírito da organização era, por um lado, assegurar que nada corria mal para os participantes e, por

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JS Summer Fest foi para mim, acima de tudo, uma experiência única, palco de grande festa, convívio e debate, que me deu a conhecer outra face da JS, novas pessoas vindas de norte a sul do país e com experiências de vida muito

outro, participar com eles na festa e desfrutando, também, da iniciativa. As pessoas que conheci, tanto da organização como participantes, bem como, a retrospectiva geral que faço daqueles três dias compensam bem o esforço e a dedicação. Numa frase, o JS Summer Fest foi uma experiência única e inesquecível. Só espero que este espírito não se perca e que para o ano haja mais JS Summer Fest.

Duarte Pedroso Lourinhã, Federação Regional do Oeste diferentes da minha. Claro que o festival foi também muito cansativo, principalmente porque nós enquanto organização quisemos gozar, também, o festival e as noites de festa, o que resultou em poucas horas de sono, para que desta forma fossem cumpridos os turnos de trabalhos e assegurado que tudo decorresse sem incidentes (o que se veio a verificar). Fica a vontade e o desejo de que o JS Summer Fest se volte repetir num futuro próximo.

João Nicolau Alenquer, Federação Regional do Oeste

> De quem não esteve presente…

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e acordo com os militantes que participaram na “JS SUMMERFEST” fica-me a certeza de ter sido uma experiência ímpar e enriquecedora do espírito de camaradagem. Apesar de já usual nas iniciativas desenvolvidas pela Juventude Socialista, os participantes confirmam que esta realização primou pela exce-

lente organização e pela proximidade da JS a todos os jovens que quiseram aliar a diversão à formação política democrática. Servirá, por isso, como motivação suplementar para a intervenção activa dos jovens no ciclo político que entusiasticamente vivemos!

Rui Machado

de Coimbra

Coimbra, Federação Distrital

Director do Jovem Socialista

tiagogoncalves@juventudesocialista.org

Ultrapassar limites, vencer desafios Escrevo este editorial na tenda da recepção aos participantes no JS Summer Fest 2009. Lá dentro, no recinto, não falta gente e animação. E isto decorre depois de um dia de palestras no âmbito do Campus JS, dedicadas a temas desde o ambiente e a energia às questões programáticas para desenvolver, no governo de Portugal, durante os próximos quatro anos. Sobre este JS Summer Fest tenho a dizer que a aposta está ganha e revela um espírito e uma ambição de ultrapassar os limites até agora impostos e vencer mais um desafio, o de proporcionar mais uma grande iniciativa nacional de qualidade a todos os militantes e simpatizantes da Juventude Socialista. E sem eles, sem o seu contributo nada disto teria sido possível de concretizar. Desde anfitriões a militantes de outras concelhias e federações, é notável o empenho de todos. Uma vez que não posso aqui referir o nome de todos aqueles que estiveram de forma voluntária envolvidos na organização, dou à Cláudia Ferreira, a presidente da Federação anfitriã, os parabéns pelo trabalho realizado, pelas horas de sono não dormidas, pelo suor de todo o esforço que implica a organização de uma iniciativa com este festival. Mas, se é verdade que muitos disseram “sim!” à chamada de participar neste JS Summer Fest, outros, por motivos vários ficaram nas suas terras, de certo que por motivos também eles importantes, tais como o trabalho autárquico, uma vez que também esse acto eleitoral, a par com o das eleições legislativas, se aproxima. Para quem não esteve presente, nesta edição deixamos um relato dos três dias de festival em Santa Cruz e fotografias de várias estruturas que não faltaram à chamada. Desse modo, estou certo, alguma inveja saudável será alimentada no espírito de quem não pode vir ao JS Summer Fest. Um abraço amigo do


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JS Summer Fest: o retrato de um sucesso As bandeiras já estavam preparadas. Mais de quatro mil pessoas esperava o Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates. Jovens de todo o País, participantes no JS Summer Fest, misturados com as gentes locais, formavam um quadro de pluralidade.

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m quadro de pessoas diferentes na proveniência e nas idades, mas unidas sob um lema: o de Avançar Portugal. Já muito havia ocorrido no festival organizado pelos Jovens Socialistas. Concertos, debates, praia, animação. E ainda havia grandes nomes da música portuguesa guardados para o fim. Mas aquela era a altura de ouvir o candidato a Primeiro-Ministro, o líder de um partido moderno, solidário e progressista. Com entrada livre, grandes artistas, debates profundos, praia e convívio, o JS Summer Fest tinha tudo para ser bem sucedido. O festival começou na quinta-feira, dia 27 de Agosto. Por volta da uma da manhã, o parque de campismo de Santa Cruz, onde ficaram os milhares de jovens que participaram nesta iniciativa, vivia um invulgar sossego. Este era trazido às inúmeras tendas sempre que os concertos e actuações atraíam a juventude para fora do recinto de alojamento. De resto, o terreno protegido por árvores imponentes, que durante três dias se tornou a casa de centenas de jovens, contava sempre com música, conversas, gritos, correrias; no fundo, com o entusiasmo daqueles que, com a irreverência própria da juventude, se sabiam unidos pelos ideias de mudança e de modernidade. Na noite de dia 27, ainda havia algumas pessoas reunidas à porta das tendas, aproveitando, ao ar livre, a companhia de uma noite quente. Todas as outras estavam já na discoteca Faraó, dançando ao som do DJ Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, cujo apoio foi, aliás, agradecido por José Sócrates. Relembre-se que apesar do aproveitamento político que a oposição fez em torno do novo êxito dos Xutos e Pontapés “Sem Eira nem Beira”, Zé Pedro disse, depois, em entrevista, que “perante o estado da Nação, não temos outra alternativa ao [Governo] dirigido por Sócrates” e que “o engº Sócrates tem uma posição mais futurista com que me identifico. Muito mais do que a da oposição.” De manhã, as tendas assistiram ao regresso dos seus habitantes.

Sexta-feira foi um dia repleto de reflexões importantes para o futuro do País. Pela manhã, Teixeira dos Santos, Ministro de Estado das Finanças e da Economia e candidato a deputado, e Jorge Lacão, Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e também candidato a deputado, debateram “Estratégias para o Crescimento”. A crise económica e a resposta sólida que lhe tem sido dada pelo Governo, bem como os caminhos de aposta futura, foram dois dos temas em cima da mesa. Pela tarde, António Vitorino, Coordenador do Programa Eleitoral do PS, Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares e candidato a deputado, e Sérgio Sousa Pinto, dirigente nacional do PS e candidato a deputado, abordaram “O nosso compromisso político.” O conteúdo do Programa Eleitoral do PS, Avançar Portugal – 2009-2013, foi o grande tema abordado. Finalmente, Jorge Seguro e António Ramos Preto, deputados do PS e recandidatos, e Carlos Martins, CEO da Martifer, empresa especializada no fabrico e montagem de estruturas metálicas, nomeadamente para energia a eólica, foram os convidados para debater o tema “Energias Renováveis e Eficiência Energética”. O caminho já percorrido com as apostas deste Governo, a importância ambiental das energias renováveis e a centralidade da eficiência energética na autonomia energética foram alguns dos temas debatidos. O local escolhido para os Campus JS foi o Hotel Santa Cruz, numa sala que albergava cerca de duas centenas de jovens. Depois de uma festa na praia e do jantar, já no interior do parque de campismo, Jorge Beirão dedicou-se a animar as hostes. Multifacetado artista, especialista na concertina, no teclado e na voz, Beirão cantou êxitos conhecidos, e outros menos conhecidos. Ecoando por todo o parque de campismo, o músico polivalente emitiu ritmos dançantes. Mas não só de Beirão se fez a noite, que contou também com o DJ Fernando Alvim, na discoteca Faraó. De manhã, uma vez mais, as tendas assistiram ao regresso dos seus habitantes, no prenúncio de um dia que iria ser o culminar de uma das maiores iniciativas de sempre da JS.


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As palavras dos campus No Sábado o entusiasmo pairava no ar. Novos jovens haviam chegado durante a noite, para participarem no último dia do JS Summer Fest. Depois dos Campus JS, iria haver os esperados concertos, e a não menos aguardada intervenção de José Sócrates. Acordou-se com um sorriso, pronto a conquistar o dia, sabendo que aquilo que se estava a viver era uma marca na história da JS. Durante a tarde os Campus JS contaram com a presença de Fernando Medina, Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional e candidato a deputado, e de João Proença, Secretário-Geral da UGT, para explorar o tema da “Qualificação e Emprego”. O sucesso das Novas Oportunidades e a necessidade de uma aposta continuada nessa área foi uma das referências. Os candidatos a deputado Inês de Medeiros, actriz, Elza Pais, Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e Miguel Vale de Almeida, antropólogo, debateram o tema da “Igualdade”. A crítica à tentativa de apropriação das questões identitárias de igualdade por parte de sectores radicais da sociedade foi uma das mensagens veiculadas. Muito havia acontecido. Já os The Plus haviam pisado o palco, bem como Luís Represas – ainda nele estariam os Wray Gunn, os GNR, e na discoteca Faraó o DJ Miguel Quintão. Já o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Manuel Soares Miguel, havia saudado a iniciativa da JS e afirmado a mudança que a gestão socialista fez sentir no município. Carolina Patrocínio, mandatária do PS para a Juventude, falara sobre a alegria que sentira quando, chegada de férias, lera duas boas notícias: o fim da recessão técnica e os melhores resultados escolares. E Duarte Cordeiro, líder da Juventude Socialista, fizera um discurso forte e frontal contra o conservadorismo e insensibilidade social da Presidente do PSD. Considerando que a verdadeira opção é entre o “PS de José Sócrates ou o PSD da Dra. Ferreira Leite”, o Secretário-Geral da JS afirmou que “votar BE ou PCP é votar na direita”, e ainda que “o verdadeiro voto de protesto, de protesto contra a desigualdade e discriminação, é o voto no PS”. As bandeiras já estavam preparadas e mais de um milhar de pessoas esperava o Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates. As gentes locais e os jovens de todo o País formavam um quadro de pluralidade, de pessoas diferentes na proveniência e nas idades, mas unidas sob um lema: o de Avançar Portugal. E foi desse mesmo Avanço que Sócrates falou. Elegeu as “leis progressistas” aprovadas pelo PS desde 2005 como exemplo da visão de “modernidade e de futuro” contra “a visão passadista”da líder do PSD. Depois de afirmar que o PS não desistirá da lei das uniões de facto – “não foi possível aprová-la nesta legislatura, mas aprová-la-emos na próxima” – Sócrates falou da lei de Procriação Medicamente Assistida, promulgada “para nunca mais estarmos nas mãos dos preconceitos ideológicos e retrógrados e os casais não terem de sofrer com a infertilidade”. Abordou ainda a Lei da Paridade e a “nova lei do divórcio”, apresentada “para terminarmos com o espectáculo degradante, de dor e sofrimento, e da exibição dessa dor e sofrimento de tantos casais nos tribunais”, afirmando que “o divórcio litigioso não tinha e não tem razão de ser”. O Secretário-Geral do PS traçou também, eficaz e frontalmente, as duas alternativas que verdadeiramente estão em jogo nas próximas eleições. “Uma das principais escolhas será entre duas mundivisões”. Ou seja, “há duas formas de olhar para a sociedade e para o futuro. Aqui, neste partido, neste Governo, ninguém acredita que o casamento deve servir apenas para a procriação; aqui ninguém acredita que é preciso uma lei do divórcio que o dificulte, porque aqui acredita-se na liberdade e na tolerância. Este partido tem uma visão progressista, de um país aberto, contra um partido fechado e retrógrado, que acredita que as obras públicas apenas servem para dar emprego a cabo-verdianos e ucranianos.” “Neste arranque da caminhada, o que nos une é a confiança em nós próprios, no país e nos portugueses. É a atitude de quem quer andar para frente”, declarou. No fim de um discurso directo que marcou a reentrée, perante uma multidão ao rubro e a gritar “um, dois, três, maioria outra vez!”, José Sócrates retribuiu com “Porreiro Pá, Força JS!”. por David Erlich daviderlich@hotmail.com

Tendo contado com 2000 jovens de todo o País, a adesão ao JS Summer Fest, segundo Duarte Cordeiro, “revela que esta é uma iniciativa que faz falta”, “uma forma de conjugar política, convívio e diversão, que motiva e atrai os jovens”. Fica aqui, precisamente, o registo das declarações políticas mais marcantes que os participantes nos Campus puderam ouvir. “Entendo que Portugal não deve aumentar os impostos, porque isso seria errado, já que o objectivo deve ser controlar e reduzir a despesa. Acho que também não é possível neste momento reduzir impostos sem pôr em causa a saúde das finanças públicas e fazer regressar uma crise orçamental. Parece agora que estamos perante um regresso ao passado [perante a proposta do PSD de redução de impostos].”

“A vencerem as posições de direita, o Estado Social que defendemos estará em crise.”

Teixeira dos Santos

“Sabemos que há que reduzir a emissão de dióxido de carbono para entre 2 a 3 toneladas per capita, de forma a que a temperatura não aumente mais de dois graus celsius, em 2050, em relação a 1990. Isto não é fácil. Por exemplo, os EUA estão a emitir 20 toneladas per capita; a Europa está quase nas 15 toneladas per capita”.

“A política de isolacionismo ficou espatifada.”

Jorge Lacão “É surpreendente que sobre a necessidade de maior coordenação internacional em relação ao funcionamento dos bancos que operam a nível transnacional, o principal partido da oposição em Portugal tenha achado por bem que era possível apresentar um programa eleitoral sem dedicar sequer um parágrafo ou uma frase que seja à questão da regulação financeira internacional. Percebe-se qual o alcance político dessa estratégia de Manuela Ferreira Leite: dizer que os problemas do país são todos internos e ficam a dever-se à má política económica deste Governo, e para que essa tese possa ter alguma verosimilhança é preciso então apagar da mente das pessoas a circunstância de estarmos a viver a mais grave crise internacional desde a grande depressão dos anos 30. Em relação a esta conjuntura de crise internacional, o PSD ou não tem ideias alternativas, ou pura e simplesmente as ideias alternativas que tem não as quer explicitar.”

António Vitorino

Augusto Santos Silva “O actual Governo deixou uma marca extremamente positiva que tem a ver com a implementação das energias renováveis.”

Jorge Seguro

António Ramos Preto “Eu acredito que a médio prazo Portugal pode ser auto-suficiente em termos energéticos. Se calhar a pessoa mais nova que estiver nesta sala, quando tiver a minha idade, vai ver um Portugal autosustentável em termos de energia.”

Carlos Martins “Quando as questões da igualdade começam a ser defendidas por outras pessoas que não as do costume, ou quando as pessoas que as defendem já não o fazem dentro de um determinado chapéu-de-chuva político, aí o caldo fica entornado. Começa a ver-se que, de facto, havia uma tentativa de apropriação de agendas por alguns sectores políticos”

Miguel Vale de Almeida “Há que terminar com as discriminações que ainda persistem, não só ao nível da lei, mas também no plano prático. Ainda identificamos discriminações de género, de orientação sexual, com as minorias étnicas ou com os imigrantes”

“Este programa eleitoral da direita podia ter sido escrito há quinze ou dez anos, com a mesma fé cega no mercado e a mesma mentalidade de seita, sem abertura para novas respostas. A direita provou que não tem qualquer resposta para os problemas do nosso tempo.”

Péricles disse uma coisa de que gosto muito: «não há felicidade sem liberdade e não há liberdade sem coragem».”

Sérgio Sousa Pinto

Inês de Medeiros

Elza Pais


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Jovem Socialista à entrevista com Renato França jovem candidato do PS à Câmara de Penela, em entrevista

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omo encaras este desafio de seres o candidato do PS à Câmara Municipal de Penela?

Foi com grande honra e humildade, valores pelos quais sempre procurei pautar a minha vida, que aceitei ser candidato pelo Partido Socialista à Câmara Municipal de Penela. Faço-o na convicção de que estou à altura do desafio. Porque reconheço que perante a vida devo assumir uma atitude humilde, de constante aprendizagem, chamei à minha equipa os “menos jovens”, a quem a vida foi ensinando o que jamais se aprenderá pela leitura de um livro, contando com as suas experiências e os seus ensinamentos sempre sábios. Juntos elaborámos um projecto para o Município de Penela, capaz de restaurar a esperança, devolvendo o futuro aos Penelenses.

Quais são as principais apostas do teu programa para a Autarquia? Arruda dos Vinhos no período do pós 25 de Abril conheceu um significativo progresso, no que à área das infra-estruturas básicas diz respeito, nomeadamente na área das redes de abastecimento de águas para consumo público, na rede de esgotos e saneamento básico, nas principais vias de circulação rodoviária, e nos equipamentos de saúde,

educação etc. Mais recentemente, e também com o contributo decisivo do Governo PS, desenvolveu-se em Arruda a vertente dos transportes com a construção do terminal rodoviário, a vertente do desporto com o campo sintético de jogos municipal, tendo-se assistido também ao alargamento do parque escolar e ao incremento de condições de operacionalidade para as forças de segurança com o novo quartel da GNR.

Quais são as principais apostas do teu programa para a Autarquia? O nosso projecto é de mudança e se for eleito Presidente da Câmara Municipal como espero, não faz qualquer sentido a persistência em actividades despesistas que procuram passar a ideia de um Concelho desenvolvido e próspero, quando na realidade os problemas de hoje são os de ontem agravados pelo passar do tempo. Se fosse utópico, diria que iria criar melhores condições para que o desenvolvimento do Concelho fosse uma realidade nas suas diferentes vertentes. Sendo realista, tenho perfeita consciência que o Concelho deverá deixar de seguir a via despesista irresponsável, sem qualquer rumo ou estratégia, seguida pelo actual executivo. Tal atitude comprometeu seriamente, para o futuro qualquer estratégia mais arrojada de investimentos públicos no Concelho, com uma estrutura de receitas praticamente dependente do Orçamento de Estado.


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empregadores e para quem procura trabalho, será outra medida a implementar, em resposta ao actual momento de crise internacional.

Penela, sempre foi uma Câmara governada pelo PSD. Qual é o balanço que fazes desses mandatos? Seria errado da minha parte não reconhecer que foi percorrido um caminho. Efectivamente o Concelho encontra-se actualmente dotado de um conjunto de infraestruturas que acrescentaram qualidade ao dia-a-dia dos Penelenses. No entanto, o essencial não foi conseguido. A tendência de desertificação humana, o envelhecimento da população e a fraca relevância do Concelho em termos económicos, com clara dependência do sector público e social, são um diagnóstico pouco animador pelo qual o PSD tem que ser responsabilizado. Nos últimos 4 anos, o trabalho da maioria do PSD e do seu Presidente na Câmara Municipal, poderá ser divido em duas vertentes: a ilusão e a desilusão. A ilusão assentou na promoção mediática do Concelho, que para além de dar a conhecer o Concelho “fora de portas”, custou muito dinheiro ao cofre municipal e com resultados efectivos para a população pouco ou nada visíveis. Tratou-se mais de uma atitude de promoção pessoal do Presidente da Câmara Municipal, que neste momento já cansou os penelenses. A desilusão assenta no abandono da população do Concelho, fraca execução de obra pública, o Concelho está mais pobre que no ano de 2005, perdeu-se emprego, a dívida municipal aumentou desmesuradamente, não sendo de excluir graves problemas financeiros e de liquidez a curto prazo.

Tendo em linha de conta as particularidades do concelho de Penela, quais os principais horizontes estratégicos para onde ele se deve virar ou centrar a sua actividade? A certificação e criação de denominação de origem para produtos como o Queijo do Rabaçal, o mel, o vinho, o azeite e a noz, assumem prioridade enquanto salvaguarda e valorização da economia local. Por outro lado, a criação de “imagens de marca” facilmente associáveis ao Concelho, potencia estes recursos. O desprezo pela marca “Rabaçal” tem sido uma constante, quando a meu ver constitui um valor acrescentado, com enorme potencial. A aposta tem que passar cada vez mais pelas singularidades concelhias, uma vez que os denominadores comuns deixaram de ser pólos de atracção para pessoas, investimento e turismo. Uma vez que falamos em particularidades do Concelho de Penela e face ao valioso património arquivístico existente, consagrado pelos seus longos anos de história, defendo a criação de um Arquivo Municipal, como garantia da sua salvaguarda e direito de acesso.

Começarei por elaborar um plano de saneamento financeiro e de pagamento das dívidas negociado com os credores municipais, salvaguardando sempre as despesas de funcionamento de modo a não comprometer a operacionalidade da Câmara Municipal. Pretendo com esta estratégia sair da situação de grande dificuldade financeira e, no futuro, ainda dentro deste mandato, retomar os projectos estruturantes para o Concelho. Defendo um crescimento concelhio assente numa base sólida, pelo que a ampliação e remodelação das redes de saneamento básico, de modo a atingir uma percentagem de população servida de 80% (actualmente 29%), a beneficiação e conservação da rede viária municipal, dotando-a de bermas e valetas, a requalificação e expansão da Zona industrial de Penela, situada junto ao futuro nó de acesso ao IC3, serão linhas estratégicas na nossa acção. O desenvolvimento económico para nós é a questão fundamental para que o Concelho se possa afirmar e inverter a tendência de desertificação humana a que se assiste. Começaremos no apoio aos pequenos projectos, nomeadamente investimentos ao nível da pequena indústria, do pequeno comércio e da agricultura que, assentes no cariz familiar e local, são o sustentáculo da vida económica do Concelho. Verificando-se o envelhecimento da população, o apoio à terceira idade é uma necessidade imperiosa no Concelho. As estruturas existentes não conseguem dar resposta, por muito mérito e empenho que tenham, pelo que consideramos importante a construção de lares de terceira idade e centros de dia, que apoiem idosos com menor capacidade económica, permitindo-lhes o acesso a uma “velhice” humanizada e digna. O património edificado das zonas históricas e aldeias do Concelho está degradado, sendo para nós uma preocupação a sua reabilitação, por via da elaboração de protocolos com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

Numa primeira linha, procurarei estabelecer contactos com a Direcção Regional de Educação do Centro e o Agrupamento de Escolas Infante D. Pedro, tendo em vista a reactivação do Ensino Secundário em Penela. Falo em reactivação porque decorreu no passado uma “experiência” inserida neste propósito, e que em meu ver foi mal conduzida. A pouca procura deveu-se não porque os estudantes prefiram frequentar o Ensino Secundário em concelhos vizinhos, mas sim porque o agrupamento na altura seleccionado para arranque não correspondeu ao que mais estudantes absorvia. Estamos a colocar os nossos jovens em desvantagem, pelo que esta questão tem que ser alvo de uma reflexão, ausente de qualquer demagogia. Porque entendo que constituem pólos dinamizadores, e porque falamos numa conversão, pretendo estabelecer contactos com a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e a Direcção Regional de Educação do Centro, de modo a que seja convertida em Pousada da Juventude a antiga Residência de Estudantes, actualmente sem ocupação, sujeita à “erosão” do tempo. Tendo em vista a fixação de residência, destaco a intenção de criar “Loteamentos de Habitação Jovem”, possibilitando a aquisição por jovens a custo reduzido.

Numa situação de crise internacional, que medidas pode a Câmara tomar, no âmbito das suas competências, na área social e no apoio às famílias jovens?

O que podem os penelenses esperar de ti enquanto próximo presidente da Câmara?

A criação do “Cartão 60+”, com o objectivo de apoiar os idosos economicamente mais carenciados, nomeadamente nas áreas da saúde e do social, será uma realidade. Paralelamente, será implementada uma linha telefónica de apoio domiciliário aos utentes do “Cartão 60+”. A “Bolsa Municipal de Emprego”, possibilitando uma busca geograficamente mais eficiente, promovendo uma boa rede de contactos junto do tecido empresarial local, de modo a transformá-la num instrumento eficaz para

Apesar da minha juventude, tenho a consciência e a responsabilidade de não cair na promessa eleitoral de tudo ser possível, mas sim de encarar a realidade municipal e com ela optimizar os seus recursos e mobilizar os penelenses, tendo sempre em atenção que se deverá reduzir o nível da dívida municipal, para que no futuro o Concelho prospere. Trabalho, empenho e dedicação serão uma constante da minha acção, pedindo para tal o apoio de todos em Outubro próximo.

Sendo que és um dirigente da JS e candidato à Câmara de Penela, a juventude será, evidentemente, uma das preocupações centrais. Em que aspectos contarás desenvolver essa acção?


>> www.juventudesocialista.org


Jovem Socialista 488  

8 de Setembro de 2009

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