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02 CÁ POR DENTRO

03 CÁ POR DENTRO

Núcleos da JS/Lisboa promovem Líder da JS diz que é “irresponsável” reduzir programa esclarecimento sobre casamento “Cuida-te” à polémica dos despistes entre pessoas do mesmo sexo

JOVEM socıalista

NÚMERO 485 / 30 Junho 2009

Director Tiago Gonçalves

Equipa de Redacção Ana Catarina Aidos, André Batista, David Erlich, Guido Teles, João Correia, Luís Pereira, Mariana Mouzinho, Rui Moreira e Vanessa Neto.

ÓRGÃO OFICIAL DA JUVENTUDE SOCIALISTA

Mais de 1000 jovens socialistas discutem política de juventude com José Sócrates Páginas 4 e 5

> Sobretudo

Estudantes do Ensino Superior com mais apoios.

pág. 06


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Termó metro

Cápordentro Carlos Candal elogiado por camaradas e adversários

Novas Fronteiras Mais de 1000 jovens compareceram ao desafio do Fórum Novas Oportunidades. Perante Eles, José Sócrates defendeu que “podemos e devemos, como ideia inspiradora para um país que dá mais oportunidades aos jovens, ter um sistema de estágios na administração pública que dê oportunidade a mais cinco mil jovens por ano. Deve ser esta a nossa ambição, deve ser este o nosso objectivo”. Mais passos podem e devem ser dados. E a JS não tem faltado com propostas…

Carlos Candal, fundador do PS falecido no passado dia 18 de Junho

Eleições As datas escolhidas para as eleições não poderiam ser outras. Cavaco Silva ouviu os partidos e, no rescaldo, só o PSD não ficou “satisfeito” com a decisão. Resta saber se esta posição se devia, de facto, a uma questão economicista ou a uma estratégia política que lhes poderia facilitar o caminho…

Irão As recentes imagens que nos chegam do Irão dão conta de um país profundamente dividido, a despeito que o se dizer que as eleições foram regulares e democráticas. Apesar de tudo, não existe liberdade, de manifestação e de informação! Qualquer forma de protesto ou reivindicação é severamente reprimido com o uso de força. Talvez o caso de Neda Agha Soltan não seja o único…

Colonatos Ehud Barak autorizou a construção de mais 50 casas num colonato da Cisjordânia. Numa altura em que se presencia a destruição de lares palestinianos pelas tropas Israelitas, este é um sinal indefectível para os EUA e a UE: Telavive não cede a pressões!

por João Correia

joao.correia@juventudesocialista.org

A Juventude Socialista recordou a memória de Carlos Candal, realçando “os princípios que moldaram a sua personalidade única: a defesa da liberdade, o respeito pelos ideais socialistas e a frontalidade política. O histórico socialista marcou as gerações do PS e da JS. Foi particularmente uma referência para a juventude, num momento decisivo do movimento associativo académico

Advogado e um dos fundadores do PS, Carlos Candal faleceu no dia 18 de Junho nos hospitais da Universidade de Coimbra. Amigos e adversários políticos evocaram a sua figura de resistente antifascista, a sua frontalidade e o espírito crítico.

português, quando liderava a Associação Académica de Coimbra, na crise de 1962”. Além de figuras do PS e da JS, Carlos Candal foi recordado por vários dirigentes políticos de outros partidos. A Assembleia da República aprovou um voto de pesar por unanimidade pela sua morte. por Redacção com Diário de Notícias

jovemsocialista@juventudesocialista.org

Líder da JS diz que é “irresponsável” reduzir programa “Cuida-te” à polémica dos despistes O líder da Juventude Socialista (JS), Duarte Cordeiro, considerou em declarações à Agência Lusa, “irresponsável” reduzir o programa “Cuida-te” à “polémica dos despistes ao VIH/Sida”, sublinhando a importância da prevenção e formação dos jovens em matérias como a sexualidade. “É irresponsável reduzir o programa a uma polémica sobre os despistes do VIH/Sida”, afirmou Duarte Cordeiro. Segundo o Diário de Notícias a partir de Outubro os adolescentes poderiam fazer testes de Sida nas escolas com o apoio de cinco unidades móveis do Instituto Português da Juventude (IPJ) utilizadas em acções de rastreio e prevenção do VIH. Contudo, conforme foi explicado durante a assinatura de um protocolo entre a Alta Comissária da Saúde e o IPJ destinado à aquisição de cinco Unidades Móveis de apoio à execução do programa “Cuida-te”, apenas os jovens com mais de 14 anos vão poder submeter-se, a seu pedido, a testes de despistagem do vírus VIH/Sida em unidades móveis de saúde, tal como já acontece nos postos fixos dos Serviços de Saúde. Essas cinco carrinhas, cada uma com dois gabinetes, permitirão prestar serviços de proximidade aos jovens junto de estabelecimentos de ensino e locais de diversão, com vista a prestar atendimento e aconselhamento gratuito, anónimo e confidencial, na área da saúde sexual e reprodutiva. Ainda em declarações à Lusa, o líder da JS elogiou o programa “Cuida-te”, considerando que apenas “estra-

tégias conservadoras” podem querer “minimizar” um programa como aquele. “O programa tem várias valências destinadas a diferentes faixas etárias com o objectivo final de sensibilizar os jovens para problemas de saúde, droga, sexualidade, alimentação, obesidade, entre outros. É uma excelente resposta”, salientou, insistindo que o “Cuida-te” não pode ser reduzido apenas à questão dos despistes. “A prevenção e a formação é cada vez mais importante”, enfatizou. Na cerimónia de assinatura do protocolo entre a Alta Comissária da Saúde e o IPJ o secretário de Estado da Juventude e do desporto, Laurentino Dias, adiantou aos jornalistas que os testes de despistagem “já existem em Portugal há vários anos nas unidades de saúde fixas, promovidas pelo Ministério da Saúde que está connosco neste projecto”. “O funcionamento dessas unidades é exactamente igual aos das unidades fixas”, insistiu, acrescentando que esses serviços são prestados aos jovens há já vários anos “e não só não mereceram até agora nenhuma contestação, como têm tido êxito”. por Redacção com Agência Lusa e Diário de Notícias

jovemsocialista@juventudesocialista.org


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Editorial

Tiago Gonçalves

Director do Jovem Socialista

tiagogoncalves@juventudesocialista.org

Querer é poder! Fotografia do grupo de militantes da JS que participou na distribuição de flyers.

Núcleos lisboetas na rua pela igualdade Na noite de Sexta-Feira, dia 19 de Junho, três núcleos lisboetas distribuíram, em zonas de diversão nocturna, folhetos relativos à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa original e marcante iniciativa. Os núcleos de Olivais-Encarnação, Ajuda e Alcântara decidiram deitar mãos à obra: foram para o Parque das Nações e, seguidamente, para as Docas de Alcântara, espalhar a mensagem socialista de igualdade. Por uma longa causa da JS, adoptada recentemente pelo PS e cada vez mais enraizada na sociedade portuguesa, dezenas de jovens socialistas – entre os quais o coordenador da JS/Lisboa, Diogo Leão – distribuíram folhetos contendo os argumentos favoráveis à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A atitude por parte da juventude receptora dos folhetos foi genericamente favorável, mostrando que o progressismo tem cada vez mais adeptos. No começo da iniciativa, o Jovem Socialista entrevistou os coordenadores de dois dos três núcleos organizadores desta iniciativa. Diogo Amaral, coordenador da JS/Alcântara, afirmou: “espero que esta iniciativa seja produtiva. É inédito fazermos uma campanha à noite com um tema tão delicado. Foi uma ideia muito específica fazermos esta campanha em duas zonas da noite lisboeta. Espero que corra bem. Costumase dizer que a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma questão de igualdade; mas também é uma questão de liberdade, pois discriminar

Diogo Amaral, coordenador da JS/Alcântara, Eduardo Magalhães, coordenador da JS/Olivais-Encarnação, Joel Galvão, coordenador da JS/Ajuda e Diogo Leão, coordenador concelhio da JS/Lisboa.

uma minoria é um atentado à sua liberdade e à própria democracia”. Já Eduardo Magalhães, coordenador da JS/Olivais-Encarnação, disse: “espero apenas cumprir o meu papel enquanto cidadão e enquanto militante da JS, no sentido de estar do lado dos homossexuais de modo a que tenham exactamente os mesmos direitos que qualquer heterossexual tem.” Aquilo que ocorreu durante a noite não ficou aquém das expectativas, bem pelo contrário. Receptividade, energia, dinamismo, diálogo, foram algumas das palavras que nortearam a acção. Como nos diz Joel Galvão, coordenador da JS/Ajuda, “a iniciativa foi um marco importante no combate à discriminação e conservadorismo latentes na sociedade. Distribuímos 800 flyers e a aceitação foi bastante boa.” por David Erlich

daviderlich@hotmail.com

André Rijo e Renato França são candidatos do PS a presidentes de Câmara. Nas duas próximas edições do Jovem Socialista sai em entrevista estes dois rostos da JS para o poder local.

André Rijo Arruda dos Vinhos

Renato França Penela

Envia-nos uma pergunta a fazer a cada um deles:

>> jovemsocialista@juventudesocialista.org

A Juventude Socialista no passado fim-desemana provou que querer é poder. Foram mais de mil jovens socialistas e outros tantos independentes que se juntaram na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico para discutir políticas de juventude com o actual primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates. Esta iniciativa junta-se assim à galerias das provas de que a JS é uma estrutura de jovens activa, não só em mobilização para o combate eleitoral, mas também rica em ideias e em discussão política. Quem assistiu conseguiu encarar com os seus próprios olhos e ouvidos que na JS os militantes pensam por si e que são suficientemente capazes e aptos a construir as suas próprias propostas políticas para o país. A JS no passado sábado provou que é capaz de contribuir para um país mais justo, mais fraterno e mais solidário. E nessa luta a JS não se tem escusado a participar. Nem tudo foi realmente feito pelo Governo do PS, mas muitos e importantes passos foram dados em sectores fundamentais, tais como a Educação. E é isso que distingue o PS e a JS das outras opções políticas, é a sua humildade democrática para assumir que é preciso fazer mais e melhor por Portugal. É assim que se constrói um país melhor. Muito mais fácil seria se um partido como o PS e uma organização partidária de juventude como a JS optassem por uma postura de tudo prometer a todos, mas isso não contribuiria em nada para termos um país melhor, mas infelizmente para Portugal é assim que outros partidos actuam. Nas próximas edições do Jovem Socialista dedicaremos algum espaço já a outro desafio que se aproxima. Faltam cerca de uma centena de dias para as próximas eleições autárquicas e teremos as candidaturas autárquicas de vários jovens socialistas a diversos órgãos dos municípios. Com maior destaque daremos aqui espaço à entrevista e ao contacto com os nossos camaradas André Rijo e Ricardo França, candidatos, respectivamente, às presidências das Câmaras de Arruda dos Vinhos e Penela. Eles simbolizam uma nova geração de políticas autárquicas firmada sob o rosto dos quadros da JS. Força André Rijo e Ricardo França, a JS tem orgulho no vosso combate! Um abraço amigo do


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José Sócrates, ladeado por Duarte Cordeiro e Carolina Patrocínio, na sua intervenção onde fez o balanço da acção do actual Governo

Sócrates discute políticas de juventude com a JS Mais de 1000 jovens socialistas participaram no evento que lotou por completo a Sala Tejo do Pavilhão Atlântico no passado dia 27 de Junho

O

primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, discutiu políticas de juventude com mais de 1000 jovens socialistas, apontando baterias ao principal partido da oposição, o PSD, a quem acusou de querer “rasgar” as políticas sociais desenvolvidas pelo executivo socialista. A escolha [de voto] é muito óbvia” para o primeiro-ministro: entre o partido (PS) que quer avançar e o que quer recuar (PSD), defendeu o secretário-geral do PS, no Fórum Novas Fronteiras da JS, na sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Os jovens socialistas querem participar na elaboração do programa eleitoral do partido e Sócrates anunciou que irá repetir a reunião em todos os distritos. Sócrates defendeu que a direita adicionou um “novo verbo” à sua mensagem política: além dos repetidos “parar”, “adiar” e “retroceder”, o PSD quer agora, acusou, “rasgar todas as políticas sociais” desenvolvidas pelo Governo, incluindo as que levaram “ao aumento do salário mínimo”. “Esses que querem reduzir o Estado ao mínimo não aprenderam nada com a actual crise, nem com a governação que fizeram há quatro anos”, disse, insistindo que o

programa político da “direita é um exercício de negativismo”: “só dizem aquilo que não querem”, sem apresentar propostas. O actual primeiro-ministro lançou, ainda, duas ideias: reforço do programa Erasmus e dos estágios na função pública, medidas que têm sido defendidas pela Juventude Socialista. Antes, das críticas ao PSD, José Sócrates explicou as três “marcas” da sua governação: os programas educativos, como o Novas Oportunidades e os cursos profissionais, de melhoria das qualificações dos portugueses, a aposta nas energias renováveis e a “massificação” do uso tecnologia. O líder dos socialistas chegou mesmo a elogiar a freguesia de Castanheira do Vouga, em Águeda, pelo boicote que realizou às últimas eleições europeias, por não ter acesso à internet de banda larga. “Fez muito bem em protestar”, frisou, assegurando que “o problema está resolvido”, uma área onde o executivo depositou grandes esforços com concretização de programas como o e-escolas e e-escolinhas. A apresentadora de televisão Carolina Patrocínio apoiou a iniciativa, considerando ser um imperativo da sua condição de cidadã participar activamente na definição do rumo do país. À intervenção do líder do PS, seguiram-se perguntas dos participantes, totalmente livres e que abordaram diversos temas. José Sócrates respondeu a todas,


05 > PULSAR DAS AUTÁRQUICAS

António Costa faz balanço de mandato à conversa com as redes sociais As redes sociais são um espaço cada vez mais concorrido pela população jovem, daí a importância dos partidos e dos políticos de se adaptarem à sua crescente utilização como meio de contacto. No próximo dia 2 de Julho, na Sala do Arquivo nos Paços do Concelho de Lisboa, pelas 18 horas, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista António Costa, vai fazer o balanço do seu mandato à conversa com as redes sociais (twitters, bloggers, etc). Numa iniciativa inédita, este autarca do Partido Socialista dá um importante passo implementando uma nova forma de comunicação e de política de proximidade. O blogue do Jovem Socialista acompanhará a iniciativa através do www. jovemsocialista.org. por Luís Pereira

luis.pereira@juventudesocialista.org

> JS EM ACÇÃO

NES/FCSH da Universidade Nova de Lisboa debateu segurança manifestando, vontade para que se “possa sempre melhorar e evoluir” nalgumas áreas da governação. Esse desafio, já havia sido feito pelo secretário-geral da JS, Duarte Cordeiro, tanto em declarações à agência Lusa como na intervenção que iniciou a sessão, “umas eleições legislativas para um Governo que se recandidata são sempre uma oportunidade de fazer um balanço e mostrar a mente aberta para melhorar” e que o espírito a seguir será o de “aceitar e de forma crítica que houve coisas bem feitas, mas outras em que podemos melhorar”, declarou o líder da JS. Duarte Cordeiro reconhece que “houve uma prioridade assumida pelo Governo que foi o combate às fracas qualificações (...) foram tomadas medidas como o combate ao abandono e insucesso escolar, o reforço da acção social escolar, o programa Novas Oportunidades, o alargamento [da escolaridade obrigatória] ao 12.º ano, o reforço do ensino profissional no secundário”, elencou o líder da JS. No entanto, prosseguiu Duarte Cordeiro, relativamente a outros problemas sentidos pela juventude, nomeadamente “ao nível da segurança no emprego” e de outros “constrangimentos à emancipação dos jovens” agravados pela actual crise financeira, “houve respostas, mas é possível melhorar”. por Luís Pereira

luis.pereira@juventudesocialista.org

em cima Duarte Cordeiro, secretário-geral da JS, frisou a importância de se fazer um balanço da governação e mostrar “a mente aberta para melhorar”

Duarte Cordeiro recebe no palco o Secretário-Geral do PS, José Sócrates

no centro

em baixo José Sócrates efusivo no final da sua intervenção.

No passado dia 23 de Junho, o Núcleo de Estudantes Socialistas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa levou a cabo a iniciativa “Segurança – um conceito em debate”. Contou com a participação de dois professores do departamento de estudos políticos da Universidade Nova de Lisboa, Cristina Montalvão Sarmento e Horta Fernandes. O debate, em conjunto com os alunos, abordou entre outros temas, qual o papel do Estado quando se fala em segurança, os diferentes tipos de segurança em regimes diferentes, a compreensão do que significa uma Europa mais segura, se será a insegurança uma das razões do afastamento dos cidadãos e dos jovens da politica e se existe uma dicotomia entre uma maior segurança e Democracia. por Redacção com Blogue da ONESES

jovemsocialista@juventudesocialista.org


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Estudantes do Ensino Superior com mais apoios

J

Na Assembleia da República, no debate quinzenal de dia 24 de Junho, dedicado ao tema do “apoio aos estudantes”, o Primeiro-Ministro José Sócrates apresentou, a par dos resultados das políticas já levadas a cabo, novas medidas rumo a uma maior igualdade de oportunidades.

osé Sócrates começou a sua intervenção inicial por traçar uma síntese do panorama do ensino superior, no que diz respeito ao que foi feito nos últimos anos. “Definimos (…) o objectivo de modernizar e internacionalizar o ensino superior português. Para isso, adequámo-lo ao Processo de Bolonha, isto é, integrámo-lo plenamente no espaço europeu de ensino superior. Incentivámos a internacionalização das universidades e politécnicos portugueses, promovendo acordos de cooperação com centros de referência ao nível mundial, como o MIT ou as Universidades do Texas, de Harvard ou de Carnegie Mellon. Reformámos o regime jurídico e de governo das universidades e institutos politécnicos, favorecendo a assunção de mais autonomia e mais responsabilidades e fortalecendo as lideranças. Criámos um novo sistema de avaliação de cursos e instituições, e não hesitámos em encerrar aquelas que deixaram de ter condições para funcionar. E criámos novas oportunidades para a frequência do ensino superior, atraindo novos públicos e favorecendo a mobilidade nacional e internacional dos estudantes.” O governante socialista aproveitou também a sua intervenção para frisar que as melhorias registadas no ensino superior se deveram também ao “empenhamento das instituições portuguesas” e à “dedicação dos seus alunos e professores”, que, em conjunto com o esforço reformista do Governo, contribuíram para a melhoria de quatro indicadores essenciais, apesar das “condições de restrição orçamental de todos conhecidas”. O primeiro desses indicadores é o crescimento do número de novos inscritos no ensino superior. No presente ano lectivo, são 115 mil os inscritos pela primeira vez no primeiro ano de um curso superior: o valor mais alto da última década. Actualmente,

35% dos jovens com 20 anos de idade frequenta um curso superior, o que aproxima Portugal da média europeia. O segundo indicador consiste no aumento dos diplomados no ensino superior, no conjunto dos ciclos de estudos e com especial importância nos doutoramentos. São agora cerca de 1500 os novos doutoramentos realizados e reconhecidos, anualmente, pelas universidades portuguesas. Metade dos doutoramentos foi obtida nas áreas de ciência e tecnologia, ou seja, em áreas fulcrais para a modernização económica. O terceiro indicador prende-se com o investimento nas áreas de formação em que Portugal estava mais carenciado, nomeadamente, nas ciências da saúde. Foi criado um novo curso de medicina, na Universidade do Algarve, havendo um aumento de 36 %, entre 2004 e 2008, do número de vagas para os cursos de medicina. O quarto indicador relaciona-se com a melhoria da qualificação do corpo docente e de investigação. 65% dos docentes das universidades públicas possuem o grau de doutor, o que é a proporção mais alta alguma vez atingida, e o número de investigadores duplicou em dez anos. Quase metade dos investigadores são mulheres, o que coloca o País numa das posições mais favoráveis no conjunto dos países desenvolvidos. Nesta exposição das políticas levadas a cabo pelo Governo socialista, José Sócrates abordou ainda “duas decisões fundamentais” que foram tomadas: “A primeira decisão foi o reforço da acção social escolar, com o crescimento do número de bolseiros e o aumento da dotação orçamental para os serviços de acção social. Hoje, mais de 73 mil estudantes, correspondendo a um quinto do total de alunos, beneficiam da acção social escolar. A segunda decisão foi a criação dos empréstimos para estudos superiores, uma medida há muito estudada e prometida,


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mas que nós tornámos finalmente efectiva. Cerca de 6500 estudantes beneficiam de empréstimos para realizar os seus estudos, com garantia do Estado.” Mas mais do que para descrever os sucessos governamentais já alcançados, José Sócrates foi ao Parlamento para anunciar um novo alargamento do Estado Social, que começará a produzir efeitos já a partir do próximo ano lectivo. Numa época de crise, o Governo Socialista não abdica de apoiar os estudantes mais carenciados:

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aumento extraordinário, em 10%, do valor de todas as bolsas de acção social escolar, no ensino superior. No caso dos bolseiros deslocados, esse aumento será de 15%. Esta medida beneficia um em cada cinco estudantes, num total superior a 73 mil. O aumento anual da bolsa poderá chegar, nos estudantes mais carenciados que estejam deslocados da sua família, aos 700 euros.

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aumento, em 50 %, da bolsa Erasmus destinada aos estudantes bolseiros da acção social que se encontrem em mobilidade internacional ao abrigo desse programa. Será mantida totalmente o direito à bolsa de acção social durante a estadia no estrangeiro. alargamento do passe escolar aos jovens até aos 23 anos. Assim, a redução em 50% do preço da assinatura mensal nos transportes urbanos, que hoje abrange os alunos até aos 18 anos, passará a beneficiar também os estudantes do ensino superior, qualquer que seja a instituição, pública ou privada, que frequentem. garantia da inexistência, no próximo ano lectivo, de qualquer aumento do preço mínimo das refeições e do preço do alojamento.

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lançamento, em colaboração com os municípios interessados, de um programa de reforço do investimento, em regime de concessão, em residências universitárias. Este programa tem um duplo objectivo: reforçar o número de lugares disponíveis para estudantes deslocados; e contribuir para qualificar, com a presença de jovens estudantes, as zonas históricas das cidades.

por David Erlich

daviderlich@hotmail.com

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