Page 1

02 CÁ POR DENTRO

06 CÁ POR DENTRO

JS Torres Vedras promove “Métodos de Estudos”.

Balanço do Site Sócrates 2009

JOVEM socıalista

NÚMERO 484 / 16 Junho 2009

Director Tiago Gonçalves

Equipa de Redacção Ana Catarina Aidos, André Batista, David Erlich, Guido Teles, João Correia, Luís Pereira, Mariana Mouzinho, Rui Moreira e Vanessa Neto.

ÓRGÃO OFICIAL DA JUVENTUDE SOCIALISTA

IX CONGRESSO REGIONAL DA JS/AÇORES pág. 08

> JS em acção

A Educação Sexual é Fundamental!

O Jovem Socialista aborda uma questão que ainda vai dar muito que falar. pág. 04 e 05


02

Termó metro

Cápordentro

Membros da JS Torres Vedras que participaram na distribuição do panfleto “Métodos de Estudo”.

Blogue do Jovem Socialista O Blogue Jovem Socialista ganhou um novo dinamismo com a publicitação do mesmo na página dos blogues do Sapo. Cerca de 500 visitantes diários têm, nos últimos dias, acedido a este espaço de reflexão e notícia, criado à pouco mais de três meses. A aposta nas novas tecnologias é para manter e melhorar.

Campanha JS/ Europeias A JS fez uma campanha marcante para as eleições europeias, que mereceu o reconhecimento do PS e de José Sócrates. Foram muitos dias a percorrer o país de norte a sul, a apresentar o nosso Manifesto, os nossos candidatos e as propostas que a JS e o PS têm para Portugal e para a UE. Mesmo sem uma vitória nas urnas, esta foi uma vitória para toda a Estrutura que mostrou vitalidade e união.

Eleições no Irão Não é só em Portugal que as sondagens se enganam… O mundo esperava ansiosamente uma nova governação no Irão mas Mahmoud Ahmadinejad, segundo os resultados apresentados, conquista o segundo mandato à frente dos destinos de um país geopoliticamente central em diversas questões, sobretudo no que respeita às questões do Médio Oriente. Veremos no que dará…

Europa à direita Nas recentes eleições europeias assistimos a uma Europa à direita. Salvo algumas excepções, os partidos de direita saem vencedores da corrida ao Parlamento Europeu. Será esta uma penalização à governação de esquerda ou um sinal de que os europeus não aprenderam com os erros do passado? Apesar de tudo, o PPE vai ter grandes dificuldades no Parlamento Europeu sobretudo se, se concretizar, a saída dos conservadores britânicos do seu seio.

por João Correia

joao.correia@juventudesocialista.org

JS Torres Vedras promove “Métodos de Estudo” A Juventude Socialista de Torres Vedras levou a cabo na terça-feira, 2 de Junho, uma acção de apoio aos estudantes torrienses. Esta acção consistiu na distribuição de panfletos com o título “Métodos de Estudo”, nas proximidades das escolas secundária Henriques Nogueira, Madeira Torres e ESCO (Escola de Serviços e Comércio do Oeste). Com a chegada do final de ano lectivo, chegam também os testes e os exames finais, por isso, a JS de Torres Vedras procurou dar o seu contributo sugerindo algumas dicas para a melhoria no rendimento escolar dos alunos torrienses. O panfleto distribuído procura responder a algumas das questões mais frequentes, tais como: “Como organizar o estudo?”, “Como gerir o tempo?”, “Como fazer apontamentos?”, entre outras. É possível ainda encontrar neste panfleto sugestões para melhorar a memória e os cuidados a ter antes e durante os testes. Para Rodrigo Miranda, Coordenador da Concelhia da JS Torres Vedras, esta iniciativa «correu muito bem,

os estudantes ficaram agradados com o facto da JS os tentar ajudar nas suas dificuldades», acrescenta ainda que «a JS Torres Vedras apoia os estudantes na preparação para os exames, por isso, criámos este panfleto com algumas técnicas de estudo, que serão, com toda a certeza, uma mais valia para o sucesso no desempenho escolar». É possível consultar o panfleto “Métodos de Estudo” no blogue da concelhia da JS Torres Vedras (http:// jstorresvedras.wordpress.com/) ou no site (http:// www.juventudesocialista.org/concelhiatorresvedras/), e fazer download. por Vanessa Neto

vanessa.n eto@juventudesocialista.org

JS Fafe visita Lar da Criança de Revelhe No passado domingo, 31 de Maio, a Juventude Socialista de Fafe organizou uma visita ao Lar da Criança de Revelhe, tendo em conta a comemoração do Dia Mundial da Criança. Esta iniciativa contou ainda com a presença do deputado da Assembleia da República, Dr. Miguel Laranjeiro. No decorrer da visita pela instituição, tanto os jovens socialistas fafenses como o deputado Miguel Laranjeiro, tiveram oportunidade de trocar ideias com os jovens institucionalizados e com os responsáveis pela instituição. Foram realçados os princípios e valores pelos quais esta instituição se rege, assim como, os seus objectivos e os projectos futuros, que se centram maioritariamente na promoção dos direitos e protecção das crianças e jovens, e na sua reintegração na família, na comunidade e no mercado laboral. A JS de Fafe entregou aos jovens do Lar da Criança de Revelhe alguns bens de grande utilidade, tais como: brinquedos, livros e roupas. Procurou deste modo incentivar a formação dos jovens do lar e estimular a amizade e a cidadania. Com mais uma passagem pelo Dia Mundial da Criança, não se pode ignorar o número preocupante de crianças que sofrem de maus-tratos,

Membros da JS de Fafe que participaram na visita ao Lar da Criança de Revelhe.

doenças, fome e discriminações. A estrutura da JS de Fafe afirma ter pretendido «assinalar a importância da dignidade, dos direitos e bem-estar das crianças, transmitindo às crianças e jovens que se encontram no Lar da Criança de Revelhe uma mensagem de carinho e esperança para o seu futuro». por Vanessa Neto

vanessa.n eto@juventudesocialista.org


03

Editorial

Tiago Gonçalves

Director do Jovem Socialista

tiagogoncalves@juventudesocialista.org

O dia seguinte… O dia seguinte a qualquer acto eleitoral é palco para análises de todos os gostos. Uns ocupam-se a falar de quem ganhou, outros de quem perdeu, numa avaliação sobre os resultados. Não importa agora continuar essa procissão de análises a resultados, importa agora definir estratégias e apontar o rumo a seguir. Da noite eleitoral posso registar a arrogância e o mau ganhar de Paulo Rangel e do PSD, mas também a humildade do PS ao assumir o seu resultado. O povo votou, fê-lo de acordo com a sua consciência.

Blogue do Jovem Socialista em destaque no sapo.pt O blogue do Jovem Socialista – www. jovemsocialista.org – foi destacado no portal do SAPO.pt. Tendo sido lançado no dia 25 de Abril, este espaço virtual conta já com mais de 6 mil visitas. O destaque dado pela equipa dos blogues do SAPO.pt ao blogue do Jovem Socialista fez disparar as visitas deste nosso espaço. Só na última semana – 8 a 14 de Junho – registaram-se mais de 3400 visitas, tornando o blogue visitado por uma média de quase 500 pessoas por dia. Desde o lançamento do blogue, no dia 25 de Abril, foram publicados 221 artigos que obtiveram um total de 87 comentários. Este espaço só pode continuar a crescer e a vencer na blogoesfera nacional se contar com a colaboração de todos, cujos contributos podem ser enviados para o email geral do Jovem Socialista. Publicamos abaixo um dos textos publicados ao longo desta semana.

Uma análise europeia por Hugo Costa Esquecendo as particularidades das eleições em Portugal (não vou falar delas neste post). O centroesquerda e o Partido Socialista Europeu (PSE) tiveram resultados baixos nas Europeias dos 27 estados membros o que sublinha a necessidade de repensar políticas e ideologias. Nunca fui um fã do New Labor e sempre acreditei que a Terceira Via de Giddens estaria condenada no médio prazo. A crise económica que atingiu gravemente o

Reino Unido veio demonstrar a necessidade de termos um Partido Trabalhista diferente. Um partido mais social e menos agarrado aos dogmas do mercado. Brown não é Blair. O resultado de 15% entre escândalos e uma condução política deficitária era o esperado. Ergue-te Labor, a esquerda europeia precisa de ti! Muitos nas últimas semanas falaram em Bloco Central. Os resultados eleitorais dos partidos do PSE na Europa demonstram que os eleitores não compreendem e não desejam ver progressistas com conservadores. O resultado nas Europeias do SPD Alemão e dos Trabalhistas Holandeses ambos muito fracos demonstram isso. Blocos centrais são incompreendidos pela população e mesmo no caso Austríaco onde os sociais-democratas (PSE) são maioritários o resultado eleitoral não foi positivo. Na Espanha e na Hungria os governos foram castigados pela crise. No caso Húngaro a má gestão política colocou a derrota em números muito mais expressivos. Contudo e estranhamente a mesma crise deixa impunes Sarkozy, Merkel ou Berlusconi que representam a ideologia e os princípios que criaram a falência do sistema financeiro. Como isto é possível? Populismo? As vitórias dos Sociais-democratas na Suécia e Dinamarca, dos Trabalhistas em Malta e do PASOK na Grécia são muito pouco para o PSE. Numa altura de crise e onde o neoliberalismo saiu como derrotado, o centro-esquerda tem de se mostrar como alternativa à política conservadora e liberal que conduziu o mundo ao estado em que está. Os partidos do PSE têm de ser afirmar como a solução para uma Europa mais social. Só assim pudemos ter o caminho do combate à crise na Europa.

O dia seguinte às eleições é tão ou mais importante que o dia anterior. O PS está consciente das suas responsabilidades, pois o PS no Governo, tal como os cartazes da nossa campanha europeia diziam e com razão, combate a crise, enquanto os outros partidos combatem o PS. É por isso que o dia seguinte às eleições é tão ou mais importante que o anterior. Muitas das medidas aplicadas pelo Governo do PS para resolver a crise orçamental, para reformar o país, eram necessárias, ainda que impopulares. Mas foram feitas, desafiando interesses e corporativismos instalados. Houve também medidas que não foram explicadas aos eleitores e por estes percebidas. É, agora, essencial continuar a governar o país, e não fazer o mesmo trilho que aos cobardes é conhecido. Não é pois este o momento de abandonar o barco e de fugir às responsabilidades, tal como alguns, à nossa direita fizeram no passado. É tempo de continuar a lutar. Por um país melhor, moderno e com futuro para tod@s. Haverá dúvida de que essa é uma luta que também nos diz respeito? Tenho a certeza que não. Vamos em frente! Um abraço amigo do,


04

A Educação Sexual é Fundamental!

“O direito à educação sexual é uma componente fundamental do direito à educação”. Esta frase tem 25 anos. Até hoje ainda não houve um consenso, mesmo dentro do PS. O Jovem Socialista aborda, neste número, uma questão que ainda vai dar muito que falar.

A

Educação Sexual pode ser definida, em termos básicos, como o ensino sobre a anatomia, a psicologia das relações humanas e todos os demais aspectos referentes ao comportamento humano sexual. Nos dias de hoje, a Educação Sexual deve ser livre de preconceitos, mitos e tabus que existem na sociedade e que estão na base de problemas cada vez mais preocupantes e emergentes, tais como, a transmissão do HIV-SIDA, de outras doenças sexualmente transmissíveis, gravidezes indesejadas, violência no namoro… Devemos, por conseguinte, procurar uma abordagem que livre os jovens de conceitos retrógrados e de outros que, deve-se admitir, são fruto de tendências consumistas que perpassam através das mais diversas formas, desde a publicidade à mais simples novela. Há vários tipos de abordagem ao ensino desta matéria: religiosos, políticos, pedagógicos. Sem dúvida que, aquele que aqui está em causa, é a abordagem pedagógica, desde sempre afastada da escola. É aquela que apela ao processo de aprendizagem dos cidadãos com base num ensino/aprendizagem dos conteúdos relativos à sexualidade, salientando a componente informativa e formativa deste processo com vista à discussão dos valores, preconceitos e atitudes que grassam na sociedade. Aqui surge um aspecto também essencial, como é a resposta a questões e dúvidas sobre sentimentos que todos nós, num dado momento da nossa vida, temos sobre esta temática. Não se poderá, no entanto, deixar de abordar esta questão, sem o devido contexto social de que ela emana. Portugal é um dos países da UE com maior incidência de SIDA e, mesmo que os indicadores venham diminuindo, eles continuam a ser alarmantes e preocupantes. Ademais, de acordo com indicadores da UNICEF, relativos a 2001, Portugal apenas é superado na Europa, no que toca à gravidez na adolescência, pelo Reino Unido, a Eslováquia e a Hungria, estando bem longe dos países como a Espanha, a Itália ou a Suiça. Não admira, portanto, que vários especialistas na matéria, alertem para o facto da necessidade de haver uma transmissão de conhecimentos sobre sexo, incrementar também uma componente motivacional de prevenção nas atitudes sexuais juvenis. A temática voltou à discussão na sociedade civil depois da aprovação,

na generalidade, no dia 19 de Fevereiro, dos projectos-lei que PS e PCP apresentaram na Assembleia da República. Foi neste debate que o anterior Secretário-Geral da JS, Pedro Nuno Santos, alegou que “níveis elevados de educação sexual estão associados a um envolvimento mais tardio em relações sexuais” e ao “uso mais frequente do preservativo”, afirmando que “são estes resultados que nós queremos multiplicar”. O Projecto-Lei pretende ainda, como revela o seu conteúdo que, no Ensino Básico a Educação Sexual se integre “no âmbito da educação para a saúde”, enquanto no Ensino Secundário seja integrado e aplicado, de forma transversal em “áreas curriculares disciplinares e não disciplinares”. Cada turma terá um professor responsável, como se salienta, pela educação para a saúde e educação sexual. O mesmo documento, e este é talvez um dos aspectos que mais celeuma tem vindo a levantar, aponta para que as escolas com 2º e 3º ciclos tenham “um gabinete de informação e apoio no âmbito da educação para a saúde e educação sexual”, aberto, pelo menos, durante três horas por semana. No Ensino Secundário, este gabinete prover e “deve assegurar aos alunos a distribuição gratuita de métodos contraceptivos não sujeitos a prescrição médica”. Como forma, ainda, de alertar a escola e a comunidade escolar para esta problemática, o ProjectoLei Socialista refere ainda a obrigação das escolas “dedicar um dia em cada ano lectivo à educação sexual, envolvendo a comunidade escolar em palestras, debates, formação ou outras actividades”. No final do debate na generalidade, Pedro Nuno Santos, referiu haver abertura da parte do PS para, no debate na especialidade, “trabalharmos um texto o mais consensual possível”. A moção “Agir por mais Igualdade”, levada a Congresso por Duarte Cordeiro, aborda este tema, largamente objecto de reflexão e luta por parte da JS ao longo dos últimos anos, refere que “a Juventude Socialista deverá bater-se por um modelo de educação sexual inovador e exigente, assente nas seguintes premissas: • Autonomização de disciplina curricular própria para a Educação Sexual a partir do 3.º ciclo do Ensino Básico, sem prejuízo da sua abordagem transversal até esse momento (e, se necessário e adequado, no restante percurso escolar) nas diversas disciplinas cujos conteúdos sejam adequados (Estudo do Meio, Ciências Naturais,

Há uma grande dimensão de conservadorismo que não se coaduna com a realidade dos jovens


05

O direito à educação sexual é uma componente fundamental do direito à educação

Formação Cívica, entre outras); •Assegurar formação específica e contínua do corpo docente nesta área; •Sensibilização das escolas através de missivas oficiais sobre o propósito das políticas educativas nesta área; •Reforço de parcerias com entidades ligadas à saúde e planeamento familiar através de workshops, palestras, cursos de formação para alunos e professores, actividades lúdico-pedagógicas, diversificando os meios para lá dos recursos das escolas; •Previsão de ajustamento das matérias leccionadas aos níveis de ensino (designadamente como a previsão de “Educação para os Afectos” desde o primeiro ciclo com continuidade até à Educação sexual), bem como adequação das estratégias pedagógicas e da leccionação dos conteúdos à realidade social de cada Escola; •Inclusão nos curricula da disciplina e na abordagem transversal nas outras disciplinas da dimensão do combate à discriminação motivada pelo género e orientação sexual e abordagem das questões de identidade de género, encorajando o conhecimento, tomada de consciência e questionamento dos modelos e representações sociais dominantes, permitindo ultrapassar concepções estereotipadas e discriminatórias do outro. Não admira, portanto, que a JS esteja empenhada nesta luta. Duarte Cordeiro já veio referir que, apesar de admitir a revisão do texto da lei, a JS não abdicará da distribuição de preservativos nas escolas. Até questionou, quando abordado pela Comunicação Social: “Gasta-se tanto dinheiro em campanhas para utilização de preservativos, distribuem-se à entrada dos festivais de Verão, porque não se há-de disponibilizá-los nas escolas, que é onde estão os jovens?” referindo que “é uma grande ingenuidade, porque os jovens dificilmente se deslocam a um centro de saúde para ir buscá-los”. Já várias entidades, religiosas e políticas, abordaram esta questão, seja em posições oficiais, seja junto da comunicação social. Numa súmula pergunta-se: de que têm medo, afinal, estas organizações? Talvez o líder da JS já tenha respondido a esta questão: “Há uma grande dimensão de conservadorismo que não se coaduna com a realidade dos jovens.” O tema é, sem dúvida, como referiu Alberto Martins, “muito sensível”. No entanto, o que está em causa é igualmente sensível: o combate às doenças sexualmente transmissíveis, a consciencialização dos jovens para a responsabilidade sexual e, na sequência, a luta contra as gravidezes indesejadas. Urge uma solução, vinculante para o Estado e para Escolas, que permita, de uma vez por todas, completar a educação ministrada aos jovens portugueses e ajude a obviar os problemas abordados. Duarte Cordeiro já apontou o caminho: “Temos de fazer alguns deputados perceber que já devia ser possível distribuir preservativos nas escolas há anos. Que serão distribuídos por técnicos de saúde que informarão os estudantes antes de os distribuir. Que já são distribuídos gratuitamente em milhares de sítios sem informação prévia. Que as escolas são entidades responsáveis e capazes de gerir este programa sem dramas. Que é difícil falar de Educação Sexual sem falar em preservativos e que é incompreensível que depois não estejam disponíveis na escola. por João Correia

joao.correia@juventudesocialista.org

o que dizem por aí

S

endo a ideia da educação sexual nas escolas falar de sexo com jovens para que suceda o mais tarde e mais informadamente possível, o facto de o Estado português andar há 25 anos para entrar em vias de facto poderia parecer enternecedoramente simbólico não fosse irresponsável e estulto. Tão estulto e irresponsável como a resistência à disponibilização de contraceptivos nas escolas aos jovens que os solicitem quando os mesmos jovens podem há décadas recebê-los grátis nos centros de saúde - ou até, imagine-se, comprá-los. Vá, senhores - cresçam. Fernanda Câncio Jugular.blogs.sapo.pt

A

Educação sexual é um problema actual? É, e um problema bem grave. A inadequação do modelo actual espelha-se nos estudos realizados aos comportamentos sexuais dos jovens, particularmente dos adolescentes e dos índices de desconhecimento que continuam a revelar em matéria de contracepção ou em prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A prevenção não tem sido bem sucedida, cabe a nós mudar o actual panorama, lançar a discussão e pôr isto a andar. É assim que se faz política, de causas para os jovens em particular, para a sociedade no geral, de que a JS não deve abdicar. No futuro, poderá ser graças a estas discussões que notícias como esta não se repitam: “Portugal entre os maiores exportadores europeus de Sida”. A forma como se irão distribuir os preservativos ainda está por definir, mas acredito que será da forma mais responsável. Curiosamente, numa entrevista que li há pouco tempo, os alunos até se mostram favoráveis em relação a esta medida de prevenção. Luís Pereira jovemsocialista.blogs.sapo.pt

A

sexualidade existe para servir ao indivíduo e não o contrário, o indivíduo para viver a serviço da sexualidade. Até parece que ela é o seu objectivo de vida e não uma consequência natural do seu desenvolvimento como ser humano. A nossa cultura tem uma tendência de reduzir a sexualidade a sua função reprodutiva, esquecendo, por vezes, a importância dos sentimentos e emoções decorrentes do processo educacional e vivencial de cada um. A educação sexual vista como um instrumento relacional importante, a sexualidade fundamenta-se no aspecto biopsicossocial de cada indivíduo. Assim, ela é construída a partir de três elementos primordiais: o potencial biológico, o processo de socialização e a capacidade psicoemocional. Margarida Braga edif.blogs.sapo.pt


06

Por entre dilemas, rumo à vitória! No passado dia 7 de Junho, os portugueses foram chamados às urnas para eleger os seus representantes no Parlamento Europeu. Uma noite em que o PS é derrotado mas que “dá apenas mais vontade, ânimo e energia para encararmos as tarefas que o PS tem pela frente”, como referiu José Sócrates. A grande vitória, afinal, foi para a abstenção…

O

PS e a JS protagonizaram uma campanha elevada, procurando debater os temas europeus e sem fugir às grandes questões que devem dominar a discussão no Parlamento Europeu, como a sustentabilidade económica da UE, os desafios da mobilidade, a crise económica e, entre muitos outros, sustentabilidade e aprofundamento democrático. No entanto, como foi bom de ver, os temas dominantes foram assumidamente nacionais, com os partidos da oposição a insistir no debate em torno das questões dominantes da governação nacional. Uma estratégia, aliás, que seria de esperar, tendo em linha de conta as dificuldades constantes que o Governo tem tido no capítulo das mudanças estruturais que o país necessita. Infelizmente, esta foi uma eleição que teve como pano de fundo uma elevada abstenção que, mesmo que não tenha crescido tanto como o aumento existente entre as eleições de 1999 e 2004, não deixa de ser preocupante. Não foi portanto, com espanto, que foi ainda abordada a temática do voto obrigatório, dado o aparente alheamento dos cidadãos da Europa e, sobretudo, da eleição dos seus representantes no Parlamento Europeu. Os resultados das eleições deram a vitória ao PSD com 31,7% - 8 eurodeputados, seguido do PS com 26,6% - 7 eurodeputados, BE com 10,7% - 3 eurodeputados, CDU com 10,6% - 2 eurodeputados e CDS com 8,4% - 2 eurodeputados. José Sócrates, na reacção aos resultados eleitorais, foi claro, ao dizer que “este resultado dá-nos determinação para seguirmos a nossa estratégia até à vitória nas Eleições Legislativas”. Assim deve ser… Não podemos baixar os braços na luta que fazemos por um Portugal solidário, competitivo e moderno. Os dilemas que agora surgem no seio do Partido Socialista devem ter uma resposta pronta e apta a enfrentar os reais problemas do país. É essencial que, após

da derrota, sejamos capazes de assumir as nossas ideias, ideais e propostas, para as apresentar nas eleições legislativas e autárquicas que, dentro de meses, serão escrutinadas. Almeida Santos, presidente do PS, em declarações à Comunicação Social, revelou que “vamos fazer uma reflexão. Mas mudar, por mudar, para agradar a quem não governa, não”. É importante que o PS e a JS sejam capazes de transmitir a sua mensagem política aos cidadãos, sem demagogias ou falsas esperanças, em razão da realidade económico-social do País, da Europa e, como se vê, do Mundo. A ideia é manter o mesmo inconformismo que nos caracteriza há muitos anos e procurar desenvolver estratégias de resposta às dificuldades que, todos os dias, põem à prova Portugal. Como afirmou Manuel Alegre, “os portugueses mostraram um cartão de protesto ao Partido Socialista. Estes resultados são das europeias e não para as legislativas”. E como cada eleição é diferente, cumpre agora revitalizar as estruturas e a forma como fazemos chegar aos cidadãos as nossas propostas políticas. À hora de fecho desta edição, estava convocada uma reunião da Comissão Política do PS que tinha, como ponto de discussão, a análise da situação política. Também convocada está uma reunião do Fórum “Novas Fronteiras” para dia 20 para começar a preparar as próximas eleições legislativas. Com tudo isto, e numa abordagem verdadeiramente europeia dos resultados, pode afirmar-se que o centro-direita e a direita foram as vencedoras destas eleições. O PPE reforça a sua posição política não tanto por virtude própria mas mais devido à pronunciada queda dos socialistas e sociais-democratas no número de representantes no Parlamento Europeu. No entanto, esta aparente vitória, trará muitos problemas para ao PPE que, do ponto de vista político, precisará do PSE para atingir maiorias mais significativas. Resta saber se o PSE estará disposto a embarcar neste rumo...

Balanço do Site Sócrates 2009

temos um espaço aberto onde os utilizadores podem deixar comentários sobre qualquer temática que desejem. No entanto, a parte mais interessante do site, onde verdadeiramente se interage com os candidatos, é o chat, onde personalidades participam, num chat livre e sem censura, respondendo às perguntas de todos os utilizadores que queiram Visita o site Sócrates 2009 em www.socrates2009.pt participar. Estas conversas ficam arquivadas e podemos consultá-las em qualquer altura. Este chat tem tido uma enorme adesão, têm sido respondidas várias perguntas, algumas delas difíceis, e tem havido uma discussão verdadeiramente aberta com vários membros do Governo, entre eles, Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência, Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, José Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social e José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura. Um site que, para além de ter toda a informação relativa à acção do PS no presente (em que estão incluídas notícias), à estratégia política para o futuro e às orientações programáticas; promove uma verdadeira participação dos utilizadores, que podem discutir entre si, partilhar informação em vários formatos e interagir em tempo real com membros do governo. Um site que tem tido uma participação constante e crescente e que é um exemplo da verdadeira democracia e abertura política. Um site que todos devemos visitar e em que todos devemos participar.

A 1 de Março de 2009, no XVI Congresso do PS, em Espinho, foi lançado o Movimento Sócrates 2009 online. Já feito noutros países, particularmente na campanha de Obama, mas pioneiro em Portugal, este movimento online tem tido imenso sucesso e já tem mais de 6000 aderentes.

O

objectivo é incentivar uma interacção entre os candidatos e os eleitores, possibilitando a discussão e a participação no site com vídeos e fotografias. Existe uma parte no site, chamada “MyMov”, que serve como uma rede social onde cada pessoa tem um perfil que pode preencher com vídeos, fotografias, comentários e links, tendo também amigos com quem pode trocar mensagens e comentários públicos. Temos também uma parte, o “Fórum”, que serve para debater publicamente entre todos os utilizadores. Cada semana é lançado um tema que constitui o debate da semana e sobre o qual os utilizadores comentam e discutem. É um espaço que tem bastante adesão e onde a discussão está sempre a decorrer. Paralelamente,

por João Correia joao.correia@juventudesocialista.org

por Mariana Mouzinho mariana.m ouzinho@juventudesocialista.org


07

Fotografias: Tito Cardoso

IX Congresso da JS Açores A federação açoriana da Juventude Socialista realizou o seu congresso nos dias 12, 13 e 14 de Junho. Esta reunião magna ficou, por um lado, marcada por uma renovação da estrutura regional, e, por outro, pela definição de novos paradigmas de acção, com o valor da igualdade a assumir particular centralidade e com a re-afirmação do objectivo da emancipação jovem.

C

om o objectivo de estabelecer “Links para o Futuro”, reuniramse na cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, 146 delegados com direito a voto e 31 delegados inerentes. No seguimento daquela que tem sido a tendência desta estrutura federativa regional verificou-se a introdução de novos temas de debate, com especial enfoque para a abordagem da liberalização das drogas leves, como medida responsável de combate ao tráfico e ao consumo das habitualmente designadas drogas pesadas. O debate sobre este assunto fracturante na sociedade portuguesa foi assumido pelos intervenientes com enorme responsabilidade, estabelecendo-se como prioridade a introdução deste novo paradigma na agenda política regional, de forma a promover

o debate na sociedade açoriana. A separação de mercados entre as drogas leves e as drogas pesadas, nomeadamente através de uma nova abordagem legislativa deste assunto foi uma medida defendida pelo congresso. Mais uma vez ficou explícita a divergência de princípios entre a JS Açores e a JSD deste arquipélago. Criticando veementemente a posição dos jovens sociais-democratas que continuam a adjectivar de criminosos os toxicodependentes, a Juventude Socialista do arquipélago dos Açores, assumindo como pressuposto o carácter patológico da dependência aos estupefacientes, marcou a diferença, centralizando o debate na procura de soluções para este problema que preocupa todos os jovens açorianos. A introdução de novos paradigmas não se ficou, porém, por aqui. Do intenso debate entre os congressistas sobressaiu, também, uma grande preocupação com o valor da igualdade. Reconhecida a falência do modelo capitalista, típico das políticas de direita, o congresso da JS Açores foi unânime ao reconhecer a necessidade de assumir a igualdade como o valor fulcral de qualquer governação. A procura por um equilíbrio material entre as classes, a afirmação do princípio da solidariedade social e o reconhecimento da importância de uma matriz socialista de governação foram vectores que resultaram claramente do rumo traçado pelos delegados ao congresso para o futuro da região. O IX congresso da JS Açores ficou, ainda, marcado pela renovação das estruturas regionais. Num claro sinal de progresso e de vitalidade, a estrutura política regional socialista de juventude saiu deste congresso com um elevado número de caras novas eleitas para os órgãos regionais. Berto Messias, presidente re-eleito da JS Açores, traçou nitidamente a prioridade de renovação dos órgãos representativos regionais, reconhecendo essa realidade como um importante sinal de dinamismo e de progresso de uma estrutura que tem demonstrado uma enorme capacidade de intervenção política. Foi aprovada a nova constituição da Comissão Regional da JS Açores, com a eleição de Guido Teles para a presidência deste que é o principal órgão partidário entre congressos. O congresso da Juventude Socialista Açores contou com a presença do secretáriogeral da JS Nacional, Duarte Cordeiro, e sua comitiva, e a Secretária Geral da Juventude Socialista das Canárias, Estefânia Castro Chavez. Na sessão de encerramento esteve, ainda, presente o presidente do Partido Socialista Açores, Carlos César. por Guido Teles guido.teles@juventudesocialista.org


Roteiro Federações JS

JS Braga

Entrevista a...

Hugo Pires Presidente da Federação

E

m Dezembro de 2006, foste eleito presidente da Federação Distrital da JS de Braga. O que te levou a abraçar este desafio?

A principal motivação surgiu do trabalho executado nas estruturas concelhias e da vontade de um grupo alargado de militantes das respectivas concelhias para transpor os sucessos alcançados para um novo projecto para a Federação Distrital da JS Braga. A nível pessoal, como coordenador da Concelhia da JS Braga, a forma de estar própria e inovadora, e uma nova geração de políticas que promovemos, ainda aliado aos resultados que alcançamos, motivou-me para um projecto federativo que ganhou forma na moção “14 em Rede, uma Nova Ger@ção”.

Que balanço fazes do teu mandato?

A Federação de Braga da Juventude Socialista é, agora, a maior distrital do país e, conforme referi anteriormente, composta por um número de estruturas concelhias muito fortes em número de militantes e em actividade política. Uma moção mobilizadora e ambiciosa foi capaz de ganhar forma através de uma rede entre as diversas estruturas, de partilha de boas práticas e esforços que está gradualmente a ser conseguida, com um projecto cada vez mais activo e também consensual. Atingimos grande parte do objectivo abrindo caminho para uma nova geração de políticas. Como defines as relações entre os Jovens Socialistas de Braga e as estruturas análogas do Partido Socialista?

O trabalho realizado a nível federativo com o Partido Socialista tem sido importante de forma a influen-

ciarmos o trabalho do partido com as nossas ideias, formas de estar e desafios, e transmitirmos dinamismo e juventude, aproveitando a experiência dos camaradas. A nível pessoal tem sido uma experiência muito enriquecedora, onde aprendi muito e onde tenho muito ainda para aprender. A JS ganha cada vez mais espaço e responsabilidades na estrutura do partido. O mesmo tem vindo a passar-se entre as estruturas concelhias da JS e do PS, conquistando espaços de participação, acompanhadas pela confiança das estruturas do partido em jovens motivados e preparados para assumirem mais responsabilidades, juntamente com a experiência dos camaradas do partido, preparando assim nova geração de políticas que defendemos. E em relação às concelhias, como caracterizas a ligação da Federação com estas estruturas?

Enquanto responsável distrital a minha principal actuação é de acompanhar e colaborar com as estruturas concelhias e promover uma interacção entre as mesmas, bem como potenciar a relação destas com as estruturas nacionais. Nesse sentido, promovemos, conforme inscrito na moção, a criação de um Conselho Coordenadores Concelhios, que permite a criação de sinergias entre as estruturas e um melhor acompanhamento das actividades e necessidades das concelhias e federação. Ainda no sentido de valorizar as várias concelhias, promovemos reuniões e actividades descentralizadas. Julgo que esta relação e forma de trabalho está a gerar fruto, o que é também comportável pelo aumento da visibilidade da JS no distrito e da representatividade que a JS em Braga conquistou nos orgãos nacionais da JS e do PS.

Nem sempre é fácil para os mais jovens assegurar boas representações no órgãos autárquicos. Quais as tuas expectativas em relação à representatividade dos jovens socialistas bracarenses nas próximas eleições locais?

A presença de jovens nas listas do Partido Socialista no distrito de Braga têm crescido, e se em algumas concelhias ainda não perceberam as vantagens e a necessidade de abertura aos jovens, outras já assumem essa vontade e representatividade como factor diferenciador da sua estratégia eleitoral e do trabalho efectuado ao nível autárquico. Posto isto, temos trabalhado com as diversas estruturas e militantes para incrementar essa participação, e como tal prevemos que a participação de jovens nas listas das autárquicas deverá ser forte em número e qualidade. Essa abertura nas estruturas do partido, para além do dinamismo, renovação e juventude que imprime, torna-se em 2009 importantíssimo no processo que nos leva a 2013, onde, fruto da delimitação de mandatos, muitos autarcas não poderão continuar, e cabe ao Partido Socialista e às respectivas estruturas preparar os jovens, com a experiência e conhecimento que detêm, por forma a que o futuro seja liderado por políticos capazes de continuar o trabalho desenvolvido e desenvolver as reformas e mudanças necessárias na política e na sociedade. Essa confiança do Partido já se faz sentir a nível da Federação de Braga e em algumas Concelhias, esperando que alastre essa forma de trabalho e que os jovens socialistas continuem a fazer o seu trabalho e a seguir o seu projecto. por André Batista e David Erlich

andrepinotesbatista@juventudesocialista.org | daviderlich@hotmail.com

JS Braga Presidente da Federação Hugo Alexandre Polido Pires Presidente da Comissão Política Federativa Hernâni Vítor Ferreira Loureiro Presidente da Comissão Federativa de Jurisdição Rui Andre Pereira Machado Costa Concelhias e Coordenadores Concelhios: Orlando De Carvalho Lopes Cabeceiras Basto Nuno José Dias Gonçalves Vila Verde Pedro Miguel Pereira De Sousa Braga Pedro Miguel Araújo Pires Vieira Minho Vitor Manuel Da Silva Gonçalves Cabeceiras Basto Monique De Jesus Da Costa Rodrigues - Vizela Maria Jacinta Gonçalves Teixeira - Celorico Basto Nuno André Vasques Vieira - Famalicão

www.juventudesocialista.org

Jovem Socialista 484  

16 de Junho de 2009

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you