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03 EDITORIAL

“11 de Fevereiro”

02 CÁ POR DENTRO

JS lança campanha para o Referendo

JOVEM SOCIALISTA NÚMERO 447

Director Hugo Gaspar Equipa de Redacção Bruno Julião; Diogo Leão; João Gomes; Luísa Fernandes; Ricardo Nascimento; Vítor Reis

ORGÃO OFICIAL DA JUVENTUDE SOCIALISTA

2 0 . 1 1 > EVENTO

JS Participa no X Encontro Nacional de Juventude pág.4

> APETECE DIZER

O 25 de Novembro pág.6

> RADIOGRAFIA

Labour Youth da Irlanda pág.7


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Afectos

Cá Por Dentro

por Ricardo Nascimento ricardonascimento@juventudocialista.org

IMI Os estádios de futebol irão pagar impostos, ainda que o período máximo de isenção previsto na nova Lei das Finanças Locais seja de 10 anos. Sendo verdade que os estádios de futebol representam uma mais-valia no desenvolvimento municipal, é igualmente verdade que o mesmo sucede para outros imóveis que, nem assim se vêm isentos. Não é compreensível nem aceitável que os estádios de futebol tenham privilégios e que assumam a normalidade numa situação visivelmente excepcional.

JS lançou campanha para o Referendo Naquela que esperamos tenha sido apenas a primeira de muitas acções, por parte da Juventude Socialista, foi lançada no dia 30 de Novembro, uma campanha de recenseamento eleitoral, com a afixação de outdoors junto a universidades de todo o país e distribuição de flyers, apelando ao recenseamento por parte dos jovens. Pedro Nuno esteve na Cidade Universitária em Lisboa, juntamente com os camaradas da estrutura concelhia de Lisboa, e onde participaram ainda camaradas oriundos de diversas concelhias da FAUL.

Energias Alternativas A EDP emprega hoje 40% dos seus investimentos nas energias renováveis, principalmente na hídrica e na eólica. No que diz respeito à produção desta ultima fonte energética, a eléctrica nacional detém a 5a posição a nível mundial. O próximo projecto envolve a criação de parques eólicos que produzirão electricidade para 1⁄4 da população portuguesa.

Militância Num estudo efectuado pelo jornal Expresso, o PS vem classificado como o Partido que mais militantes recebeu em menos tempo, tendo-se assistido ao fenómeno, classificado pelo periódico como, subida meteórica. Embora não seja o Partido com o maior número de militantes inscritos, a verdade é que a franca progressão que se verificou é sintomática de uma maior vontade participativa e de uma consciência cívica que naturalmente se intensifica.

Saddam Hussein Como será fácil de calcular, dedicámos a notícia da sentença do ex-ditador aos desafectos, não porque consideremos não ter sido feita justiça, mas porque duvidas permanecem no que concerne ao formato em que a pena surgiu. Continuamos a ter reservas quanto à pena de morte, não apenas pelos motivos globalmente invocados mas também e neste caso, especialmente, pelo valor simbólico que a cultura árabe atribui à morte.

Durão Barroso Foi preciso o conflito no Iraque atingir as proporções no que se refere à violação dos Direitos Humanos a que assistimos hoje naquele território, para o antigo Primeiro-Ministro, principal protagonista do apoio prestado por Portugal à intervenção militar Americana, admitir que o processo “está a correr mal”.

& Desafectos por Luísa Fernand.

luisa.fernand@juventudocialista.org

Eleições na Federação do Algarve O

camarada André Gomes foi eleito no passado dia 25 de Novembro, Presidente da Federação da Juventude Socialista do Algarve. O André mostrou estar em sintonia com a restante estrutura, ao ter definido como prioridade a despenalização da IVG, tendo considerado a actual lei como “hipócrita e descriminatória”. Afirmou ainda o desejo de tornar a JS Algarve mais forte, activa e com um projecto político revitalizador.

JS denuncia instrumentalização de estudantes por Sindicatos N

o passado dia 16 de Novembro, a JS mostrou a sua indignação perante a instrumentalização que alguns sindicatos, ligados a um certo partido, fizeram dos estudantes do ensino secundário,

orquestrando uma manifestação, que de resto foi pouco participada. A JS sabia que a alegada espontaneidade desta manifestação, estava a ser preparada à duas semanas...

O JOVEM SOCIALISTA como orgão oficial da JS, é o jornal de todos os militantes. Mantem-nos informados das actividades da tua estrutura, para que sejam divulgadas neste espaço”


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Sobretudo REFERENDO

IVG - A luta de um povo

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stamos na iminência de um novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, por decisão da mulher, até às 10 semanas. Este será indubitavelmente o momento chave em que a sociedade portuguesa poderá, ao despenalizar o aborto, colocar-se ao mesmo nível de uma Europa progressista na defesa dos direitos da mulher, onde ainda se exceptuam Portugal e a Irlanda. Antes do início desta campanha é preciso lembrar que a IVG não é uma luta unicamente dos jovens socialistas, bem pelo contrário é a luta de um povo que se ergue contra a injustiça de continuarem a existir mulheres a serem julgadas por terem abortado. Mesmo dentro dos sectores mais conservadores da sociedade, como a igreja, já vemos vozes discordantes que se levantam pelo sim neste referendo. Exemplo disto é o movimento Catholics For a Free Choice que aborda esta problemática como uma questão de consciência da mulher, que deve ter a possibilidade de optar. Mesmo a abordagem da Igreja de Roma a este tema nem sempre foi tão radical como é agora, para comprovar esta tese basta observar o momento em que pela primeira vez na história, a igreja condena o aborto. A primeira condenação dá-se em 1140 com o Decreto de Graciano que distinguia a morte voluntária do feto antes da animação (incorporação da alma) e depois da animação, sendo a primeira considerada quasi homicidium e a segunda tendit ad homicidium. Curiosamente este documento vem quase legitimar o aborto até às dez semanas, pois segundo S. Tomás de Aquino e a sua tese da animação retardada, a mesma ocorria na altura em que o feto adquiria forma humana.

De lembrar que esta teoria só foi formalmente modificada pela igreja no século XX, através do Corpus Iuris Canonici de 1917, em que a concepção foi aceite como momento da animação. Na minha opinião, esta temática deve ser vista, em primeiro lugar, sobre a óptica da não legitimidade do Estado de impedir que as mulheres decidam se têm condições sociais, económicas e pessoais de terem um filho. Para além disto é preciso lembrar que o aborto continuará sempre a existir, sendo que os portugueses em Fevereiro, terão que escolher se o mesmo será feito em condições sanitárias e legais que protejam as mulheres, ou que continue a ser feito em clínicas ilegais expondo as mulheres a diversos riscos para a sua saúde e ao julgamento e consequente condenação. Em suma, a IVG não é uma luta nem dos ateus, nem dos católicos, nem da esquerda, nem da direita, não é uma questão fracturante mas sim estruturante e é acima de tudo a luta de um povo, que independentemente de todas as suas orientações quer dar a possibilidade às mulheres de fazerem uma escolha consciente sobre o futuro da sua gravidez, salvaguardando os seus direitos legais e relativos à sua saúde. CATHOLICS FOR A FREE CHOICE www.catholicsforchoice.org ASSOCIAÇÃO PARA O PLANEAMENTO DA FAMÍLIA www.apf.pt

por João Gom

joaogm@juventudocialista.org

EDITORIAL HUGO GASPAR

Direor Jovem Socialista hugogaspar@juventudocialista.org

11 de Fevereiro Depois desta data, saberemos se os portugueses decidiram em prol de uma sociedade que não pactua com hipocrisias e que teve a coragem de lutar contra o aborto clandestino e sem segurança, causa para graves e tantas vezes letais, problemas de saúde pública; saberemos também se finalmente as mulheres portuguesas deixaram de ser enxovalhadas, estigmatizadas e humilhadas em público, ao ter sido aprovada a alteração a uma lei embaraçosamente criminalizante; saberemos ainda se optámos por adoptar uma visão integrada da saúde sexual e reprodutiva, que privilegia o planeamento familiar, assente na contracepção; saberemos por fim, se consideramos que a mulher pode escolher livremente interromper a gravidez, em consciência e com acompanhamento; saberemos acima de tudo, e como jovens socialistas, se o nosso contributo foi decisivo para tornar tudo isto possível. Torna-se um pouco dificil, fazer uma militância activa na JS, neste início de Inverno de 2006, e não fazer menção, à árdua luta que temos pela frente. Camaradas, dois meses separam-nos desta data, que poderá vir a ser um marco inolvidável para a história da Juventude Socialista, mas sobretudo um passo firme que os portugueses decidiram dar em frente, percorrendo o caminho da liberdade, igualdade e fraternidade, afinal os valores de todos nós. Não obstante a nossa determinação, poderá porventura a ansiedade que o decorrer do tempo provoca, em conjunto com a desmesura demagógica dos defensores do não, causar alguma impaciência e acções que nada de positivo e auxiliador trazem a esta luta. Todos aprendemos com o passado, todos nos lembramos o que nos trouxe o discurso radical e extremista, a pouca mobilização e a ingenuidade de algumas posições. Se acreditamos na pertinência que este referendo tem e no progresso que pode advir da vitória do sim, então há que unir esforços, arregaçar as mangas, sair à rua, falar com familiares, colegas e amigos, militar no sentido prático. A esse propósito, queremos realçar o nível de exigência e disponibilidade com que são confrontados hoje os militantes Socialistas, jovens e menos jovens, ao fazerem política: as outras esquerdas estão visivelmente obcecadas em denegrir a imagem deste Governo, não olhando a meios para o conseguirem, seja instrumentalizando os trabalhadores dos quais se dizem porta-vozes, seja organizando manifestações “espontâneas” de estudantes, seja aliando-se politicamente à direita, como se tem verificado por tanta freguesia e autarquia por esse país fora, seja pura e simplesmente mentindo. Por outro lado, as direitas vão-se degladiando em lutas internas, num triste espectáculo, de descrédito e de desnorteamento, que esperamos sirva de exemplo, a quem porventura gostar de fazer a política do partido, fora do partido. Valendo o que valem, as sondagens mostram uma tendência clara: os portugueses estão ao lado do Governo do Partido Socialista, demonstrando que apesar dos sacrifícios exigidos, compreendem a necessidade de mudança, a necessidade de mudar o, e citando Salgueiro Maia, “estado a que isto chegou”.


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JS PARTICIPOU NO X ENCONTRO NACIONAL DE JUVENTUDE ESTIVERAM REUNIDAS EM STO. TIRSO AS MAIORES ORGANIZAÇÕES JUVENIS PORTUGUESAS, NO ENJ, PROMOVIDO PELO CONSELHO NACIONAL DE JUVENTUDE. NELE FORAM DEBATIDOS TODOS OS TEMAS QUE INTERESSAM AOS JOVENS. A JS ESTEVE OBVIAMENTE PRESENTE.

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10o Encontro Nacional de Juventude (ENJ), organizado pelo Conselho Nacional de Juventude (CNJ), organização que reúne os dirigentes das associações de jovens mais representativas de todo o país, teve lugar na cidade de Santo Tirso entre 30 de Novembro e 03 de Dezembro. No encontro, que se realiza de 2 em 2 anos, estiveram sentados às mesmas mesas jovens intervenientes nos diversos espaços públicos: político, cívico, social, artístico e cultural. A reunião deste ano esteve subordinada ao tema “Os Jovens e o Futuro da Europa” e pretendeu lançar e promover a participação dos jovens portugueses no espaço de intervenção quotidiano, através do debate das problemáticas que, de modo geral, dizem respeito a todos eles. Assim, temas como a participação cívica a diferentes escalas, necessariamente alargadas a um contexto europeu, cada vez mais amplo e diversificado; a educação dentro e fora das escolas oficiais; a emancipação face aos pais, cada vez mais tardia e complexa; a igualdade de oportunidades na diversidade de nacionalidade, etnias, orientação sexual, religião, deficiência; o desenvolvimento económico sustentado num mundo globalizado; a participação e cooperação com esse mundo mais global, entre outros que foram evidentemente abordados, não deixaram de ser debatidos pelas diferentes correntes de pensamento dos intervenientes. No fim, os intervenientes chegaram a um consenso com o fito de elaborarem uma declaração de princípios que sintetize as problemáticas, necessidades e expectativas dos jovens face a um futuro muito incerto e cada vez mais competitivo e diversificado, assente num planeta em mudanças ambientais aceleradas, a necessitar de mudança de políticas ambientais urgentes. Como nem tudo na vida é sério, ocorreram também outras actividades “extra-curriculares”, para descansar entre os trabalhos, como a Feira Associativa, exposições diversas, sessões de cinema, workshops, etc. A JS voltou a participar de forma activa no CNJ, após um interregno de 7 anos. A nossa jota, enquanto organização de cariz político nacional, a maior juventude política portuguesa, com parceiros políticos e de acção a nível europeu e mundial, com uma forte identidade, sensível aos problemas que afectam os jovens, com um plano político bem delineado e abrangente, com uma série de propostas progressivas, solidárias, inovadoras e transversais a


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toda a juventude nacional, não poderia continuar a não estar presente no CNJ, e em particular não poderia não comparecer neste ENJ, onde se fez representar com uma alargada comitiva. As temáticas em questão são, e sempre foram, preocupação profunda da Juventude Socialista, que nunca hesitou, mesmo em climas políticos desfavoráveis, debatêlos, e apresentar propostas válidas e alternativas, agitando as águas, por vezes turvas, do panorama juvenil nacional. A JS há muito que marca a agenda política jovem em Portugal; lidera debates; encabeça o combate pelos direitos e conquistas sociais juvenis; trabalha e coopera com os governos e com outras organizações na génese de diplomas que vão de encontro aos anseios dos jovens portugueses. A JS faz parte das organizações que em 1985 fundaram o CNJ, indicando na altura o primeiro presidente desta plataforma juvenil, que viria a ser António José Seguro. Hoje, a JS volta a estar presente, assumindo perante a comunidade associativa juvenil, as suas propostas e identidade fundadas no socialismo democrático e na social democracia.

GOVERNO CUMPRE BANDEIRA DA JS

Programa Nacional de Juventude próximo do próximo passo A JS assumiu nas eleições legislativas uma bandeira eleitoral – O Plano de Emancipação Jovem. O Governo decidiu, através da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, a criação de um Programa Nacional de Juventude, um documento orientador com o intuito de encontrar políticas de juventude sérias e adequadas ao mundo real dos jovens portugueses, a aposta num Programa Nacional de Juventude (PNJ). A concretização de um projecto ambicioso, exigiu um faseamento de acções, de modo a que se pudessem atingir vários objectivos traçados previamente. O primeiro prendeu-se com a realização de um diagnóstico da situação actual da juventude em Portugal, mais concretamente, de um elenco dos seu principais problemas. Com efeito, derivará da realidade aferida, a definição de prioridades de intervenção para a Política Nacional de Juventude. Um trabalho desta dimensão exigiu, até ao momento, oito meses de debates, reflexões e seminários por todo o país. Assim, Coimbra, Castelo Branco, Faro, Lisboa, Santarém, Viana do Castelo, Porto e Vila Real receberam personalidades representativas de várias entidades, públicas ou privadas, ligadas ao sector da juventude. Procedeuse a uma recolha heterogénea de informações e opiniões acerca de situações locais e nacionais com a ajuda de entidades que assumem, deste modo, o estatuto de parceiros na prossecução das políticas. Só assim, procurando compreender as reais necessidades dos jovens, é que se torna possível marcar a diferença neste domínio, ou seja, não se sustentarão políticas com base em meros pressupostos, mas em estudos completos e rigorosos. Saliente-se o facto de já mais de 10000 jovens se terem podido associar a

este movimento de reflexão, por intermédio da sua participação nas várias actividades organizadas pela Secretaria de Estado da Juventude. As discussões tidas nos seminários e nas jornadas versaram os seguintes temas: Voluntariado, Cultura, Criação e Inovação, Emancipação Jovem, Estilos de Vida dos Jovens, Associativismo e Participação, Portugalidade e Identidade, Política Europeia de Juventude e, finalmente, Ambiente. Estas são as áreas tidas como estratégicas para o desenvolvimento de políticas juventude para o nosso país. As conclusões dos vários debates de ideias, acessíveis no site, são instrumentos interessantes para o desenvolvimento de políticas inovadoras no sector da juventude. Por outro lado, de modo a partilhar o que foi feito e envolver de forma ainda mais eficaz a sociedade no Plano Nacional da Juventude, criou-se um site do PNJ - http://programanacional.juventude.gov.pt. O sítio permite-nos aceder a alguns estudos com informações e estatísticas acerca da população juvenil portuguesa, às conclusões dos vários seminários ou jornadas, à listagem de parceiros activos neste processo, à calendarização das actividades (...). Por outro lado, sugere-se, ainda, a quem o visita, que partilhe as suas experiências e conhecimentos, transformando o site num Fórum de reflexão. Desde Março deste ano, o PNJ permitiu a realização de estudos rigorosos, de debates cheios de ideias interessantes e proporcionará, no futuro, a implementação de medidas que ajudarão a resolver os problemas dos jovens e a melhorar a sua qualidade de vida.


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APETECE DIZER...

ANÁLISE

O 25 de Novembro O 25 de Novembro de 1975 lançou em definitivo a Liberdade e a Democracia na sociedade portuguesa, deitando por terra as aspirações totalitárias da extrema-esquerda.

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stou certo que muitos se interrogam hoje, e à medida que o tempo vai avançando e a memória dos factos tornando-se mais dependente dos livros, se a democracia portuguesa nasceu com o 25 de Abril de 1974 ou se realmente se formou após os acontecimentos do 25 de Novembro. E estou certo que muitos acham que o 25 de Novembro é a data que marca definitivamente a génese da democracia portuguesa. Até à Revolução de Abril só se poderia observar praticamente duas formas de enquadramento político, os que eram pró-fascismo e os que seriam contra o fascismo, mesmo que absolutamente clandestinos e incógnitos. O pós-25 de Abril abriu caminho para a legalização de uma série de organizações clandestinas que operavam em Portugal e no estrangeiro, organizando ideologicamente os descontentes com a ditadura fascista e partidarizando a vida política portuguesa. A influência que a União Soviética exercia um pouco por todo o mundo sentia-se ainda de forma muito nítida, estava-se em plena Guerra Fria, e a força do proletariado unido soviético era ainda uma grande inspiração para muitos. A esquerda marxista sonhava implementar em Portugal um estado inspirado na União Soviética. Por outro lado, surgiram uma série de partidos e organizações que bebiam a sua inspiração nas consolidadas democracias europeias, como a francesa e a inglesa, também a alemã, e que buscavam uma integração atlântica e uma verdadeira democracia representativa – neles estava inserido o Partido Socialista. O Verão de 75 foi marcado por duras disputas político partidárias entre ambos os lados. A esquerda radical, encabeçada pelo PCP, que possuía elementos afectos muito bem posicionados em algumas instituições do Estado e nas forças armadas, inclusive no Movimento de Forças Armadas, onde Otelo Saraiva de Carvalho pontificava enquanto comandante operacional do COPCON, havia saído fortemente penalizada das eleições à Assembleia Constituinte, não indo além dos 17%, (o PCP teve 12.5% dos votos) contra os mais de 70% de votos confiados aos partidos moderados mais representativos: PS (37.9%), PPD (26.4%) e CDS (7.6%). Isto era um sinal inequívoco que povo português, em particular aquela “maioria silenciosa” havia desejado ver Portugal no grupo das democracias ocidentais, em prejuízo claro das pretensões totalitárias da esquerda marxista e radical, inspirada no bloco de leste e até nos caudilhos prolíferos da América do Sul.

Mas estes resultados não bastaram para a extrema-esquerda abdicar de tentar impor uma outra ditadura, após mais de 40 anos de ditadura fascista, agora a “proletária”. Quando o MFA lança o documento Aliança Povo/MFA, o qual visava a construção de uma sociedade socialista em Portugal, provocando a apreensão das forças políticas e militares moderadas, tal como o descontentamento de uma grande faixa da população, muito estava ainda para acontecer. Após o assalto à sede do PCP em Rio Maior os acontecimentos de cariz violento precipitaram-se, com apoiantes de ambos os lados a confrontarem-se por diversas ocasiões durante o Verão Quente de 1975, situação que se prolongou até ao 25 de Novembro. Foi neste ambiente volátil, tenso e sombrio para o futuro de Portugal, com os governos provisórios a sucederem-se, com o constante realinhamento dos poderes, com a divisão no seio do MFA, com a criação de um grupo militar que visava fazer contra poder ao COPCON, com as nacionalizações a sucederem-se, que um grupo de militares pára-quedistas de Tancos, afectos à esquerda radical, decide marchar sobre as bases militares de Lisboa, com o propósito de se manifestarem com a passagem à reserva dias antes de cerca de 1000 camaradas seus, no que diziam ser uma afronta e uma tentativa de enfraquecer o lado radical da esquerda portuguesa. Cercando e invadindo o Regimento de Artilharia de Lisboa 1 acendem o rastilho que leva as forças políticas e militares democráticas a reagirem, prevendo um possível golpe de Estado que tentasse impor uma sociedade comunista por parte dos revoltosos, que teria o possível apoio das forças populares afectas ao PCP, os militares ligados aos partidos e forças moderadas decidem, em conjunto com o Presidente da República Costa Gomes, intervir militarmente e controlar em definitivo o destino da nossa nação, pondo termo à revolta dos pára-quedistas e afastando de todos os cargos políticos e militares relevantes os elementos ligados à esquerda marxista. Nos dias seguintes Otelo é destituído e a liberdade e a democracia vencem, agora sem margem para equívocos. Poderemos voltar ao primeiro parágrafo do texto e reflectir sobre o que seria hoje Portugal se a revolta dos pára-quedistas se espalhasse às ruas e as forças extremistas pró-comunistas tivessem conseguido dominar o poder político e militar. Talvez o desfecho não fosse mais que uma breve passagem para a Democracia, até porque o declínio da União Soviética deu-se 10 anos depois. Ou talvez não.

por Vior Reis vitor.reis@juventudocialista.org


INTERNACI NAL 07 MÉDIO ORIENTE

Resistentes à história de guerras “Urge fazer tudo para proporcionar uma paz duradoura, de modo a acabar com o sofrimento do povo libanês. Neste domínio, as instituições internacionais podem desempenhar um papel fundamental... ao contrário do que aconteceu após os altamente desproporcionais ataques israelitas que começaram no dia 2 de Julho deste ano e mataram imensos civis, a comunidade internacional não pode mais abandonar os libaneses.”

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xistem zonas do globo que parecem atrair conflitos e que vivem sob uma tensão constante. O Médio Oriente é, infelizmente, paradigmático neste sentido. Em particular, o Líbano, o país do Médio Oriente que faz fronteira com a Síria e Israel, é, historicamente, uma nação cujo povo tem vindo a sofrer continuamente as maleitas da guerra. No século I, o seu território foi conquistado pelo Império Romano, depois pelo Império Bizantino; no século VII pelos árabes; durante a Idade Média foi disputado pelo Ocidente cristão e pelos árabes muçulmanos; no século XII, o sul do Líbano esteve integrado no reino latino de Jerusalém e foi, em 1516, ocupado pelo Império Otomano. A França gere o território após a Primeira Guerra Mundial e em 1926, a República Libanesa é criada. Depois, durante a Segunda Guerra Mundial, foi ocupada pela França e Grã-Bretanha. Em 1945 torna-se um país independente, sendo, na altura, considerado um país com fortíssimas potencialidades económicas e turísticas. Em 1976, dada a existência de uma guerra civil entre cristãos e muçulmanos, a Síria intervém militarmente na região e os israelitas também se acharam no direito de ocupar a parte de sul do Líbano. Começa aqui, também, a intervenção da ONU, na tentativa de acalmar as hostilidades. Israel força, em 1982, a saída de palestinianos e verifica-se de seguida um massacre de civis muçulmanos em Beirute. A Síria volta a protagonizar uma intervenção em 1987 e Israel em 1988, com cerca de 20 ataques aéreos. Apesar de alguns acordos que vão surgindo de forma a tentar evitar mais conflitos, a tensão continua com as lutas do Hezbollah contra o exército israelita que ocupa o Líbano. Desde então, os libaneses resistem, em acções de legítima defesa, aos ataques israelitas. Com efeito, a economia libanesa e a qualidade de vida dos seus cidadãos foi-se degradando. No entanto, recentemente, voltou a ser uma economia com uma taxa de crescimento alta e o turismo cresceu. Um aspecto profundamente idiossincrático da população libanesa e também causadora de crises internas é o seu carácter multiétnico e multireligiosoo, sendo composta por muçulmanos (xiitas e sunitas), cristãos maronitas, ortodoxos gregos, melquitas greco-católicos, cristãos arménios, cristãos assírios, coptas e as seitas alavíta e drusa. A verdade é que esta riqueza cultural merece ser um exemplo de coexistência pacífica de diferenças. Para além de tudo isto, no plano político, o governo

Labour Youth Ireland Nome Labour Youth Website www.labour.ie/youth/ N.º de Militantes Aproximadamente 2 mil. Secretário-Geral da actualidade Patrick Nully Data da Fundação 13 de Maio de 1979. Orgânica: A Labour Youth da Irlanda tem dois tipos de estruturas base: estruturas de escola (campus) e estruturas territoriais. A representatividade a nível regional e nacional, nomeadamente, a capacidade de eleger e ser eleito depende das quotas pagas anualmente pelos membros, uma vez que há dois tipos de quotização. Os núcleos (todo as estruturas de base) elegem um representante à Conferência Anual da Labour Youth. Que elege a direcção executiva nacional, por um ano, e que é obrigatoriamente composta por 9 membros. Todos com pelouros designados estatutariamente e obrigados a reunir entre si, pelo menos, 15 vezes por ano. Existe ainda um Conselho Nacional que é composto pelos Coordenadores de todas as estruturas e a Comissão Executiva Nacional.

libanês vai sofrendo baixas decorrentes de intervenções de grupos extremistas, como a do ex-Primeiro-Ministro Hariri, ou de discordâncias de fundo no seio do heterogéneo governo libanês. É tempo de exigir a paz. Urge fazer tudo para proporcionar uma paz duradoura, de modo a acabar com o sofrimento do povo libanês. Neste domínio, as instituições internacionais podem desempenhar um papel fundamental e Portugal, apesar das condições de segurança não serem as ideais, faz bem em, uma vez mais, integrar as forças de paz (UNIFIL) que perseguem esse objectivo. São 140 mulheres e homens da Companhia de Engenharia que vão ajudar a reconstruir as infra-estruturas do país e a restaurar a segurança. Desta vez, ao contrário do que aconteceu após os altamente desproporcionais ataques israelitas que começaram no dia 2 de Julho deste ano e mataram imensos civis, a comunidade internacional não pode mais abandonar os libaneses. Só após 30 dias de guerra (!) é que o Conselho de Segurança da ONU oficializou uma resolução com o propósito de pôr termo à situação dramática que já há muito se vivia. É evidente que o Hezbollah, que sequestrou dois militares israelitas, o que deu início ao conflito deste ano, não pode, igualmente, continuar a tentar vingar as suas opiniões pelo uso do terror. Mas agora, tem de ser tempo de serenidade para um povo quase acomodado à violência.

por Bruno Julião bruno.juliao@juventudocialista.org

Principais bandeiras políticas na actualidade: Luta contra a reintroduzição de propinas no Ensino Superior; Boicote à Coca-Cola devido à falta do direito de sindicalização dos trabalhadores da Coca-Cola na América Latina; Luta contra a Guerra do Iraque e à utilização do Aeroporto de Shannon pelo exército dos Estados Unidos.

POSIÇÃO RELATIVAMENTE A: Interrupção Voluntária da Gravidez: A favor Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Não diz Liberalização das Drogas Leves: A favor


Jovem Socialista 447  

15 de Dezembro de 2006

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