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Jovem

NÚMERO 428 || 7 DE DEZEMBRO DE 2004

socıalista

> ESPECIAL IVG

Director Miguel Lopes || Director Adjunto André Fonseca Ferreira; Patricia Palma | Equipa de Redação Bruno Noronha; João Gonçalves

ORGÃO OFICIAL DA JUVENTUDE SOCIALISTA

2002-2004 PPD/PP

Editorial

O FIM DAS

TREVAS... ...UMA

ESPERANÇA DE

LUZ

Mais vale tarde... Faz lembrar a história do homem que esperou cinco minutos pelo autocarro. Como não veio, esperou mais cinco para não sentir os primeiros cinco desperdiçados. E assim esperou meia hora, depois uma hora, duas.... Não sabemos quem era esse homem, mas certamente não era o nosso Presidente da República, Jorge Sampaio. Com lucidez, assertividade e no momento oportuno (mais para uns do que para outros, claro está!), actuou como devia. E não se entenda que a dissolução do parlamento constitui a assumpção de algum erro ou arrependimento passado. Pelo contrário, a decisão do PR em afastar Santana e a “tralha santanista”, como alguém chamou, num momento tão difícil para a democracia Portuguesa, Miguel Lopes constitui um acto de responsabiliDirector dade que muitos julgam pecar de Jovem Socialisa atraso, mas do qual desconheceríamos as consequências tivesse ele sido tomado há alguns meses atrás. É pois hora de olhar para a frente e unir esforços na luta por um Portugal melhor e de maior bemestar. E a Juventude Socialista cá estará a dar a cara. E o exemplo da dinâmica que emerge e que é concretizada pelas acções desenvolvidas sobre o dossier da Habitação ou a campanha da luta contra a Sida. Porque de uma coisa temos nós a certeza: não chega ganhar eleições para governar. Talvez seja esta a mensagem que Jorge Sampaio quis passar ao País. Talvez seja esta a essência da democracia pura que se constrói no dia-a-dia. Uma verdadeira lição, para eles e para muitos de nós.... >> miguellopes@juventudesocialista.org


> ASSOCIAÇÕES DE ESTUDANTES

Dever de Participar O ASSOCIATIVISMO ESTUDANTILTEM SIDO UM DOS GRANDES MOTORES PARA O FOMENTO DA PARTICIPAÇÃO CÍVICA DOS JOVENS. NESTAS ORGANIZAÇÕES ESTUDANTIS, O ENVOLVIMENTO DE MILHARES DE JOVENS EM ACTIVIDADES DE ÍNDOLE POLÍTICA, CULTURAL, RECREATIVA, SOCIAL, PEDAGÓGICA, DESPORTIVA, ETC.,TORNA O MOVIMENTO ESTUDANTIL EM ORGANIZAÇÕES MAIS ECLÉTICAS NA SOCIEDADE ACTUAL.

A

s associações de estudantes são de facto uma gentes Associativos) sabe que o “trabalho de casa” para escola de cidadania que formam mulheres e estes “encontros” é feito, na maior parte das vezes, em homens capazes de contribuir para a sedes partidárias de acordo com os interesses políticoequidade social e enriquecimento cultural partidários que representam. do país. Uma associação de estudantes é muito mais que A Juventude Socialista tem nesta matéria mantido uma uma agremiação que defende os interesses de estudantes equidistância, sempre com grande preocupação nestas dentro das portas a que está adstrita. É também uma escomatérias apresentando propostas em busca das melhores la para a vida! soluções para os estudantes, ficando à margem de outras A história do Portugal democrático associa-se, também, organizações políticas de jovens que buscam o protagonisao movimento estudantil. Para nos apercebermos disso mo sob a forma do vale tudo, muitas vezes com a célebre basta recuar ao ano lectivo 68/69, quando em Coimbra, os coligação vodka / laranja (!) não respeitando nem valores estudantes levantam a sua voz contra o regime de então nem ideais. defendendo “a liberdade, autonomia e as democratização Outra pergunta que se pode colocar é: Deverão as do ensino” gerando os problemas que sempre, com juventudes partidárias intervir no movimento associativo firmeza, conseguiram resolver apesar das adversidades estudantil? Claro que sim, não fossem elas organizações que tiveram que enfrentar. de jovens que se preocupam em arranjar soluções Este é somente um exemplo do interesse com para os seus problemas. que todos os estudantes, quer sejam do ensino A Juventude Socialista, nesta matéria, tem tido básico, secundário ou superior, público, cooperatium papel inactivo, pois nunca se quis imiscuir vo ou privado, devem encarar as associações de nas organizações estudantis, isto é, nunca quis ser estudantes que os representam e aí intervir activaconotada com as outras juventudes políticas que mente em todas as suas organizações e eventos, se servem das associações de estudantes para se devendo sempre apresentar as suas ideais e ideias, promoverem. No entanto, no último Congresso contribuindo para a melhoria das suas condições Por João Gonçalves Nacional foi aprovada a criação de uma organie respeitando, acima de tudo, as instituições. zação de estudantes socialistas para o ensino básiNa preparação da eleição dos órgãos dirigentes é vulgar co, secundário e outra para o ensino superior, que se associar a preparação de listas concorrentes às movimendenominam respectivamente ONESEBS (Organização tações de juventudes partidárias. Será verdade? Apesar de Nacional dos Estudantes Socialistas do Ensino Básico e ser estatutariamente proibido é vulgar que assim seja. A Secundário) e a ONESES (Organização Nacional de Estumaior parte das vezes são os próprios candidatos que se dantes Socialistas do Ensino Superior). A ONESEBS tem apresentam às juventudes partidárias nem que seja só como “competências pronunciar-se sobre as linhas gerais de para a obtenção de material de campanha. Por outro lado, orientação e intervenção política da JS ensino básico e há juventudes partidárias que definem objectivos para as secundário e contribuir para a articulação nacional da JS no diferentes associações do país tendo em conta os seus e para o ensino básico e secundário”. A ONESES tem como interesses. Quem é dirigente associativo no ensino superi“competências, pronunciar-se sobre as linhas gerais de orior e participa nos ENDA (Encontro Nacional de Dirientação e intervenção política da JS no ensino superior, e

contribuir para a articulação nacional da JS no e para o ensino superior”. Desta forma a JS estará mais atenta para as políticas do ensino, facilitando a criação de propostas para o melhoramento das condições do ensino, propostas essas que serão criadas pelos próprios estudantes que sabem as suas carências. Por outro lado, facilita o intercâmbio entre os estudantes socialistas permitindo a troca de experiências e de diferentes realidades. Esta não é uma forma da JS instrumentalizar o associativismo estudantil e servir-se dele, como fazem outras organizações. É uma forma de contribuir para o melhoramento das políticas de educação, de fomentar a participação dos estudantes na sua vida académica e contribuir para o enriquecimento do estudante enquanto homem, porque parte do seu enriquecimento pessoal e curricular vem do papel activo que tem na sociedade em que está inserido. “Um curso superior vai muito para além das sebentas!” (Jorge Sampaio, P.R., em Aveiro, XV aniversário da Univ. de Aveiro) >> joaogoncalves@juventudesocialista.org

> COIMBRA || POR BRUNO NORONHA

III Encontro de Coordenadores Concelhios REALIZOU-SE NO PASSADO DIA 1 DE DEZEMBRO DE 2004 NA SALA LOUSÃ DO HOTAL MÉLIA CONFORT, EM COIMBRA, UMA REUNIÃO DO SECRETARIADO NACIONAL (SN) COM OS COORDENADORES CONCELHIOS (III ENCONTRO DE COORDENADORES CONCELHIOS). ESTA INICIATIVA SURGE NO SEGUIMENTO DE OUTRA SEMELHANTE QUE VISOU REUNIR OS PRESIDENTES FEDERATIVOS E INTEGRA-SE NA POLÍTICA DE ABERTURA E DIÁLOGO DEFINIDA PELO ACTUAL SN.

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encontro contou com a participação de 60 jovens socialistas em representação de Concelhias do Porto, Braga, Viseu, Aveiro, Santarém, Lisboa, Setúbal, Coimbra, Leiria, FRO, Castelo Branco e Portalegre. A Ordem de Trabalhos versava sobre os seguintes pontos: actividades da JS e apresentação do SN, harmonização do processo eleitoral dos núcleos e concelhias, refiliação de militantes e análise da situação política. Relativamente às actividades da JS o SN surpreendeu pela quantidade de iniciativas que já iniciou, nomeadamente: campanhas eleitorais de 2005 e respectiva participação/intervenção da JS; campanha de sensibilização sobre SIDA; regionalização; organização do Encontro da ECOSY em Março de 2005 em Portugal; referendo da Constituição Europeia; participação no Fórum Social Português em Évora em 2005;

promoção da discussão sobre políticas de habitação, emprego e estágios remunerados; intervenção a nível do Ensino Superior; Educação Sexual nas escolas portuguesas; migração e minorias étnicas; reclusos e sistema prisional; ninhos de empresas numa lógica de articulação autárquica. Durante toda a reunião verificou-se uma acesa discussão de ideias e confronto de posições entre o SN e os representantes concelhios, sendo que os pontos que suscitaram mais controvérsia e debate foram a harmonização do processo eleitoral e a refiliação. Quanto ao primeiro o SN anunciou que levará à Comissão Política Nacional uma proposta que contempla como data para a realização das eleições nos núcleos o mês de Março e nas Concelhias o de Abril. Porém, os núcleos que tenham realizado eleições há menos de 6 meses não têm que as repetir. Segundo o Secretário-Geral, Pedro Nuno, se se procedesse a uma regularização dos núcleos a nível nacional 80% destes seriam extintos. É numa óptica de evitar este “choque nuclear” que se vai propalar esta situação até Março. Os núcleos que não sejam regularizados em Março ainda poderão dispor de uma benesse de mais 2 meses, finda a qual serão extintos. Relativamente à refiliação este será um processo feito com as bases e não por emanação de directivas e com controlo por parte do SN, na medida em que constitui uma reforma urgente de credibilização da própria JS.

Segundo dados do SN existem 45000 militantes da JS (que o Secretário-Geral prefere apelidar de, apenas e somente, inscritos, dada a diferença entre estar-se inscrito e praticar militância activa), sendo que destes, apenas 3000 (segundo o SN) serão militantes activos. Uma das consequências desta disparidade são os custos com “mailings” em épocas de eleições e aquilo a que se pode chamar de “efeito balão”, ou seja, núcleos com, por exemplo, 350 “inscritos” e apenas 20 militantes activos. Em situação de Congresso Nacional um núcleo com estas características elegeria 4 delegados. Colocam-se aqui duas questões: será que o trabalho desenvolvido pelo núcleo e o seu peso na eleição dos órgãos nacionais são proporcionais?; será que os núcleos, estruturas basilares da JS e do próprio processo democrático, servem apenas para eleger delegados e para acordos políticos na altura de distribuir lugares?. Tal como um balão, um núcleo assim pode parecer muito grande por fora mas ser vazio por dentro. Citando Pedro Nuno: “Este processo (a refiliação) facilitará o funcionamento político da JS”. Como metodologia de trabalho será criado um fórum de discussão no site da JS (www.juventudesocialista.org) e será enviada uma carta aos Secretariados Concelhios a explicitar o processo, de forma a poderem discuti-lo com as bases. Durante a sua concretização manter-se-iam as listas existentes. >> brunonoronha@juventudesocialista.org


espaço europeu, culminando na promoção de uma Europa mais coesa e competitiva. No que toca à implementação da “Declaração de Bolonha” ao longo do espaço europeu, podemos afirmar que a transição da estrutura do ensino superior para os três ciclos já teve lugar em países como a França, a Alemanha, a Áustria e a Itália, tendo decorrido dentro da normalidade. Em Portugal, muitas instituições de ensino superior já se encontram preparadas para iniciar o novo ano lectivo com os novos curricula, como é o caso da Universidade do Minho e de muitas instituições privadas. Outras, contudo, têm colocado alguns entraves ao novo sistema. A implementação desta nova estrutura para o ensino superior denota grandes vantagens para o actual sistema de ensino português. Num primeiro plano, esta necessidade de reestruturação constitui uma oportunidade para uma reorganização de todo o sistema de ensino, tanto a um nível macro, em termos do leque de cursos superiores disponíveis, como também a um nível mais micro, possibilitando uma reformulação e actualização dos actuais curricula dos cursos universitários. Esta mudança pode, inclusivamente, proporcionar uma maior adequação dos actuais conteúdos leccionados no ensino superior às necessidades do mercado. Na realidade, a preocupação com a empregabilidade e com o desenvolvimento de competências de índole mais pragNO DIA 19 JUNHO DE 1999, NA CIDADE DE BOLONHA, OS MINmática assume-se, cada vez mais, como uma necessidade. ISTROS DA EDUCAÇÃO DE 29 ESTADOS EUROPEUS, PORTUGAL Num segundo plano, a reestruturação do actual sistema em ciclos, major e minor, INCLUÍDO, SUBSCREVERAM A “DECLARAÇÃO DE BOLONHA”, actua enquanto meio promotor da flexibilidade em termos do perfil educativo, podendo os estudantes combinar ciclos (major e minor) de diferentes áreas de conhecimento. A QUE APRESENTAVA COMOTELOS ORIENTADOR A CONesta flexibilidade programática está associada uma maior mobilidade interna (ao nível de STRUÇÃO DE UM ESPAÇO EUROPEU DE ENSINO SUPERIOR MAIS todo o país), entre as diferentes instituições de ensino universitário, e também externa COMPETITIVO E ATRACTIVO PARA ALUNOS E DOCENTES. ESTE (em toda a Europa). Esta flexibilidade e mobilidade possibilitam aos estudantes o desempenho de um papel mais activo na definição do seu próprio processo de aprendizagem, OBJECTIVO PROPUNHA-SE SER ALCANÇADO NUM PERÍODO contribuindo para uma maior responsabilização. TEMPORAL ATÉ AO ANO DE 2010. A capacidade das instituições de ensino portuguesas para irem de encontro a estas necessidades, em convergência com as suas congéneres europeias, irá contribuir para um ensino mais moderno, mais eficaz e mais competitivo. Contudo, estas mudanças não se adivinham fáceis, exigindo uma reestruturação considerável do sistema vigente. A nosso ver, para tornar o ensino superior português mais competitivo torna-se necessário actuar, fundamentalmente, a três níveis: técnico, pragmático e comportamental. No plano técnico, algumas instituições de ensino portuguesas têm revelado um desempenho bastante razoável. Reveste-se de crucial importância continuar a cultivar o papel das instituições de ensino como meio privilegiado de desenvolvimento e disseminação de conhecimento. Este objectivo poderá ser mais facilmente alcançado se as instituições de ensino superior apostarem fortemente na componente de investigação, que deve começar a assumir um papel cada vez mais preponderante em Portugal. De facto, a produção científica constitui um dos critérios mais determinantes para a diferenciação das instituições de excelência, das restantes. Na esfera mais pragmática, e dado que muitos estudantes irão ingressar para o mercado de trabalho após o 1º ciclo, cabe às instituições de ensino dotar os seus alunos das competências “Declaração de Bolonha” insere-se, contudo, num âmbito necessárias ao exercício de uma profissão. O alcance deste objectivo está dependente do estamais alargado, que visa a constituição de uma Europa mais belecimento e reforço de pontes entre a academia, as empresas, as ordens e outras associdinâmica e competitiva na esfera global em que se encontra ações, com vista à preparação dos estudantes para as necessidades do mercado. Por outro embebida, por forma a revelar-se capaz de promover o lado, deste diálogo abrangente pode resultar a produção de conhecimento que contribuía crescimento económico, social e político, de uma forpara o desenvolvimento do tecido empresarial português, especialmente ao nível da ma sustentada. Encontrando-se a sociedade actual inovação. E na realidade, é através da inovação que Portugal pode conquistar uma alicerçada no desenvolvimento, transformação e posição de destaque no mercado global, produzindo produtos e/ou serviços diferdifusão de conhecimento, a aposta na educação enciáveis, capazes de gerar valor-acrescentado. emerge enquanto motor de desenvolvimento da actual conjuntura europeia, A nível comportamental, provavelmente a mais difícil de alcançar, revela-se rumo à excelência. Na realidade, o repto da competitividade europeia passa, imprescindível o desenvolvimento de competências orientadas para a aprenirremediavelmente, pela adopção de uma estratégia sólida assente no desendizagem ao longo da vida, para a mudança contínua, para a flexibilidade e para volvimento dos seus recursos humanos e institucionais, norteado por critérios o empreendedorismo. Em síntese, os estudantes devem, cada vez mais, ser de qualidade e eficácia. A “Declaração de Bolonha” constitui, assim, um passo Por Patrícia Palma capazes de construir o seu próprio lugar no mercado de trabalho. Esta ideia fundamental no alcance deste objectivo. está em consonância com Anthony Giddens, que considera o empreendedorisA aplicação da “Declaração de Bolonha” assenta em três pilares fundamentais, cormo como um importante pólo dinamizador da actual conjuntura económica e social. rentemente designados como o “Triângulo de Bolonha”: (1) a adopção de uma estrutura Se a acção das instituições portuguesas for de encontro a estes desafios, estamos certade graus de ensino comparável e legível, (2) o estabelecimento de um sistema de créditos mente a contribuir para um ensino melhor, para o desenvolvimento de pessoas mais e (3) a implementação de um sistema de avaliação e acreditação. Em linhas genéricas, e adaptadas às exigências crescentes de um mundo em constante mudança, enfim … estaem concordância com a Lei de Bases, está prevista a adopção de um sistema de ensino mos a contribuir para um Portugal melhor. O Estado desempenha, contudo, um papel baseado em três ciclos. Um 1º ciclo (major), associado ao grau de licenciado, que poderá fundamental, ao nível da disponibilização de recursos e da criação de condições propícias ser composto por um período de 6 a 8 semestres, em função das diferentes áreas do saber à aplicação em pleno da “Declaração de Bolonha” em Portugal. e das condições necessárias para o exercício profissional. O número de créditos correFontes spondente será de 180, no caso de se adoptarem 6 semestres, ou 240, para os 8 semestres. Processo de Bolonha. Ministério da Ciência e do Ensino superior. Um 2º ciclo (minor), que confere o grau de mestre, que poderá apresentar uma duração Relatório da Comissão Especializada do CRUP para a Educação e Formação Inicial, de 2 a 4 semestres, sendo acompanhado de um sistema de créditos que varia entre os 60 e Pós-graduada e Permanente. Ministério da Ciência e do Ensino superior. os 120. E um 3º ciclo, que concede o grau de doutor, sendo constituído por um número Reforma do ensino superior: Orientação para a harmonização de estruturas de formínimo de 6 semestres. Ao nível do sistema de avaliação e acreditação, procura-se promação no âmbito do Processo de Bolonha. Ministério da Ciência e do Ensino superior. ceder a uma avaliação das instituições de ensino, ao nível das actividades de ensino, investigação e intervenção na comunidade, com vista ao incremento da qualidade das instituThe European Higher Education Area: Joint declaration of the European Ministers of ições de ensino superior. Education. Comissão Europeia. A aplicação em pleno das três vertentes referidas contribui, de uma forma determiGuiddens, A. (1998). The Third Wave. Cambridge: Polity Press, Blackwell. nante, para o incremento da aprendizagem ao longo da vida e da mobilidade ao longo do >> patriciapalma@juventudesocialista.org

> ACORDO DE BOLONHA

Que desafios para

Portugal?

A


> ARTIGO DE OPINIÃO || PEDRO NUNO SANTOS

SECRETÁRIO GERAL DA JS

SIDA. Tem tudo a ver contigo. s dados da UNAIDS (Joint United Nations Programme on HIV/AIDS) apontam para 37 milhões de adultos (dos 15 aos 49 anos; cerca de50% são mulheres) e 3 milhões de crianças infectadas. O que torna esta questão próxima de ti é o facto de quecerca de metade dos seropositivos terem sido infectados antes dos 25 anos e,normalmente, morrerem antes de chegar aos 35 anos.Portugal é um dos países da Europa Ocidental onde a taxa dediagonóstico do vírus da SIDA é mais elevada. Existem 610 mil casos deinfecção com HIV/SIDA, sendo que os consumidores de drogas injectáveisrepresentam 50% desta população. O número de infecções registadas emmulheres nos primeiros seis meses deste ano (445 casos) é o dobro dos casosregistados em igual período do ano passado. Também nas crianças a SIDA estáa aumentar. Tal deve-se à transmissão vertical mãe-filho, cuja taxa de casosregistados na população de infectados é de 4%, o dobro da taxa comunitária. Um estudo realizado pela Comissão Nacional da Luta contra aSIDA a 4693 estudantes do Ensino Superior dos 18 aos 24 anos revela QUE OSJOVENS UNIVERSITÁRIOS TÊM COMPORTAMENTOS DE RISCO NAS RELAÇÕES SEXUAIS.Apesar de 98,7% destes estudantes estarem informados sobre risco detransmissão do vírus e as suas formas de prevenção, mais de metade ( 53,9%)não recorreram ao preservativo na sua última relação sexual. Como nãoexiste cura, a prevenção através da educação, de um comportamento sexualresponsável e o uso de preservativo permanecem vitais. Os jovens, em todos os países, deviam poder participar na formulação eimplementação de políticas de prevenção e tratamento relacionadas com aSIDA, pois são eles quem melhor compreende os padrões de comportamento da juventude. A Juventude Socialista lança esta campanha a nível nacional,no Dia Mundial da luta contra a SIDA, com o propósito de sensibilizar-tepara a problemática. Numa sociedade de costumes tradicionais fortes, como anossa, a luta pelos direitos de emprego, acesso à saúde e à educação daspessoas portadoras do vírus e dos doentes, deve ser uma das nossasprincipais preocupações. A todos os jovens cumpre a missão de divulgar esta mensagem e de conquistar o seu próximo para esta causa!

O

> INICIATIVA || JS DE PEDROGÃO GRANDE

Seminário sobre a Deficiência e o Desporto ealizou-se no passado dia 1 de Dezembro de 2004 na sala Lousã do Hotal Mélia Confort, em Coimbra, uma reunião do Secretariado Nacional (SN) com os Coordenadores Concelhios (III Encontro de Coordenadores Concelhios). Esta iniciativa surge no seguimento de outra semelhante que visou reunir os Presidentes Federativos e integra-se na política de abertura e diálogo definida pelo actual SN. O encontro contou com a participação de 60 jovens socialistas em representação de Concelhias do Porto, Braga, Viseu, Aveiro, Santarém, Lisboa, Setúbal, Coimbra, Leiria, FRO, Castelo Branco e Portalegre. A Ordem de Trabalhos versava sobre os seguintes pontos: actividades da JS e apresentação do SN, harmonização do processo eleitoral dos núcleos e concelhias, refiliação de militantes e análise da situação política. Relativamente às actividades da JS o SN surpreendeu pela quantidade de iniciativas que já iniciou, nomeadamente: campanhas eleitorais de 2005 e respectiva participação/intervenção da JS; campanha de sensibilização sobre SIDA; regionalização; organização do Encontro da ECOSY em Março de 2005 em Portugal; referendo da Constituição Europeia; participação no Fórum Social Português em Évora em 2005; promoção da discussão sobre políticas de habitação, emprego e estágios remuner-

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ados; intervenção a nível do Ensino Superior; Educação Sexual nas escolas portuguesas; migração e minorias étnicas; reclusos e sistema prisional; ninhos de empresas numa lógica de articulação autárquica. Durante toda a reunião verificou-se uma acesa discussão de ideias e confronto de posições entre o SN e os representantes concelhios, sendo que os pontos que suscitaram mais controvérsia e debate foram a harmonização do processo eleitoral e a refiliação. Quanto ao primeiro o SN anunciou que levará à Comissão Política Nacional uma proposta que contempla como data para a realização das eleições nos núcleos o mês de Março e nas Concelhias o de Abril. Porém, os núcleos que tenham realizado eleições há menos de 6 meses não têm que as repetir. Segundo o Secretário-Geral, Pedro Nuno, se se procedesse a uma regularização dos núcleos a nível nacional 80% destes seriam extintos. É numa óptica de evitar este “choque nuclear” que se vai propalar esta situação até Março. Os núcleos que não sejam regularizados em Março ainda poderão dispor de uma benesse de mais 2 meses, finda a qual serão extintos. Relativamente à refiliação este será um processo feito com as bases e não por emanação de directivas e com controlo por parte do SN, na medida em que constitui uma reforma urgente de credibilização da própria JS.

Segundo dados do SN existem 45000 militantes da JS (que o Secretário-Geral prefere apelidar de, apenas e somente, inscritos, dada a diferença entre estar-se inscrito e praticar militância activa), sendo que destes, apenas 3000 (segundo o SN) serão militantes activos. Uma das consequências desta disparidade são os custos com “mailings” em épocas de eleições e aquilo a que se pode chamar de “efeito balão”, ou seja, núcleos com, por exemplo, 350 “inscritos” e apenas 20 militantes activos. Em situação de Congresso Nacional um núcleo com estas características elegeria 4 delegados. Colocam-se aqui duas questões: será que o trabalho desenvolvido pelo núcleo e o seu peso na eleição dos órgãos nacionais são proporcionais?; será que os núcleos, estruturas basilares da JS e do próprio processo democrático, servem apenas para eleger delegados e para acordos políticos na altura de distribuir lugares?. Tal como um balão, um núcleo assim pode parecer muito grande por fora mas ser vazio por dentro. Citando Pedro Nuno: “Este processo (a refiliação) facilitará o funcionamento político da JS”. Como metodologia de trabalho será criado um fórum de discussão no site da JS (www.juventudesocialista.org) e será enviada uma carta aos Secretariados Concelhios a explicitar o processo, de forma a poderem discuti-lo com as bases. Durante a sua concretização manter-se-iam as listas existentes.

FÓRUM ESTUDANTE/JUVENTUDE’2004 Entre os dias 14 e 18 de Dezembro irá realizar-se a VIIIª edição da Exposição FÓRUM ESTUDANTE/JUVENTUDE na Feira Internacional de Lisboa (FIL). Esta é considerada a maior manifestação de divulgação das ofertas de ensino/formação e seguramente a maior Feira de Juventude do país, contando anualmente com cerca de 70000 visitantes. Este ano, como em anos anteriores, a JUVENTUDE SOCIALISTA estará presente neste certame com um stand, onde os jovens que nos visitarem poderão, entre outras coisas, fazer o teste à sua “cor política”, no teste da bússola política. Visita-nos!

Jovem Socialista 428  

7 de Dezembro de 2004

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