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A Desmistificação de "Os Mitos por trás do Prosavana " de Natalia Fingermann Foi publicado a 29 de Maio, na página de internet do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), o boletim Nº 49, intitulado Os Mitos por Trás do ProSavana de Natalia N. Fingermann (I). Um artigo que de forma bastante leviana e sem qualquer fundamentação pretendia desacreditar as preocupações das organizações da sociedade civil moçambicana, e até brasileira e japonesa em relação ao Programa ProSavana, retratando estas mesmas preocupações como Mitos, por de acordo com a autora, não serem reais. O documento em si nada traz de novo. Não apresenta argumentos nem informação nova, não responde de forma alguma às referidas preocupações da sociedade civil, limitando­se a camuflar as mesmas com alusões ingénuas à Lei de Terra, sobre a qual diz que apesar de se considerar que defende e protege os direitos das comunidades à terra não tem sido cabalmente respeitada e portanto até ao momento de pouco ou nada tem servido para assegurar os direitos dessas mesmas comunidades à terra. Este documento assemelha­se em tudo a um artigo de opinião encomendado. Mais recentemente, a 22 de Julho, foi publicada uma “resposta” a este artigo, sob o título Fukushima, ProSavana and Ruth First: Examining Natalia Fingermann’s “Myths behind ProSavana” da Dra. Sayaka Funada­Classen (II). O documento discute a importância da investigação responsável no contexto do Programa ProSavana em Moçambique, as actuais discussões pós Fukushima no Japão, e muito claramente rebate todos os fracos e supostos argumentos apresentados por Natália N. Fingermann. A Dra. Sayaka, uma académica japonesa, demonstra claramente não só a pobreza do artigo acima referido, como a legitimidade das preocupações da sociedade civil. É uma leitura bastante interessante e promove uma profunda reflexão em torno do ProSavana em primeiro lugar, e ainda sobre a responsabilidade e papel dos académicos na investigação. (I) http://www.iese.ac.mz/lib/publication/outras/ideias/ideias_49.pdf

(II)http://farmlandgrab.org/uploads/attachment/Fukushima%20ProSAVANA%2 0Ruth%20First%20(IR%20Final22July2013).pdf

“ A pesquisa é sobre o que não sabemos e sobre o que sabemos. Não comecem pelas "soluções", mas antes pelo enfoque "no que está a acontecer" e em "como está a acontecer". Não se foquem "no que está em falta", mas em "como é a situação actual" e em "porque é assim". A Política e a Economia parecem existir em separado, mas estão sempre ligadas. Continuem a questionar, questionem mesmo o vosso próprio quadro cognitivo"Ruth First

Foto:D.Ribeiro

Edição # 25 5 de Agosto 2013

O Disse Não Disse De Quem Não Quer Dialogar Foi com imenso prazer que a JA se fez representar na última Quinta­feira na Conferência Triangular dos Povos: Moçambique, Brasil e Japão, coorganizada pela UNAC (União Nacional de Camponeses) e ORAM (Associação Rural de Ajuda Mútua), e que teve lugar na sala de conferências das Telecomunicações De Moçambique em Maputo. A conferência, que teve como principal tópico o ProSavana, contou com a presença de vários representantes do campesinato nacional, do Ministro da Agricultura José Pacheco e alguns dos Directores Nacionais do seu ministério, bem como das mais diversas Organizações da Sociedade Civil Moçambicana e também representantes das sociedades civis Japonesa e Brasileira, entre outros intervenientes. O evento ficou marcado pelo “disse não disse” do governo e pela consequente e inevitável reacção de indignação das OSCs. Pressionado pela sociedade civil, o governo meteu os pés pelas mãos, alegou que o projecto estava ainda em fase de investigação e acabou por acusá­las de trabalhar com base em documentos “piratas” em versão draft, apetrechados de dados especulativos. A resposta das OSCs foi imediata. Contrapuseram que infelizmente não podem contar com a partilha de informação do governo, e que como tal, o governo só se pode queixar dele próprio se os dados com os quais as OSCs trabalham não são exatos. Garantiram também que os documentos que o governo agora rotula de “piratas”, apesar de ainda não terem sido devidamente partilhados pelo governo com os moçambicanos, já foram alvo de escrutínio em reuniões das OSCs com os seus potenciais parceiros tanto em Moçambique como no Brazil e Japão, tendo chegado à essas mesas de reuniões pela mão deles. Leia o resto deste artigo no nosso blog. Conselho Editor: Anabela Lemos, Daniel Ribeiro,Janice Lemos, Ruben Mama e Vanessa Cabanelas/ Layout & design: Ticha / Editor : Ruben Manna


A Manifestação de que Ninguém falou Nos dias 22 e 23 de Julho, em Chirodzi na província de Tete, teve lugar na concessão da Empresa Mineradora JINDAL uma manifestação com cenas de violência onde quatro funcionários da Empresa, todos de raça indiana, foram agredidos pela população local. Para quem ainda não sabe e certamente agora se pergunta o porquê desta manifestação, a Jindal está a extrair carvão de uma mina a céu aberto na província de Tete, sem um Estudo de Impacto Ambiental e sem zelar pela segurança daqueles que teria obrigação de ter reassentado devidamente, mas que continuam a viver dentro do seu espaço de concessão.

Dos quatro funcionários agredidos, um foi atacado no seu gabinete de trabalho e os outros três em suas residências. Os seguranças da empresa, a quem cabia garantir a segurança da área de concessão junto aos portões e cancelas montadas no perímetro de toda a Empresa, foram igualmente agredidos, e sem local para se esconderem da fúria popular, foram forçados a pôr­se em fuga. É de realçar que tanto a segurança da Empresa como a PRM do Comando Distrital de Changara, a PRM do Posto Administrativo de Marara e o Comando da PRM do Distrito de Cahora Bassa, embora presentes no local eram muito poucos face ao número de manifestantes e não conseguiram acalmar os ânimos da população, limitando­se a assistir impotentes às investidas da população. A massa popular que se concentrou em protesto às portas dos escritórios da Jindal, é composta por quatro comunidades locais: Chirodzi/Cahora Bassa, Chirodzi/Changara, Cassoca e Nyantsanga, sendo que estas duas últimas estão localizadas dentro da área de concessão da mina. Segundo os depoimentos destas comunidades, o protesto teve lugar em virtude do incumprimento das promessas que a Empresa fez quando se instalou no local no ano de 2008. ­ Prometeram que não haveriam de extrair carvão antes do reassentamento, embora há mais de oito meses que já o estejam a fazer; ­ Prometeram não ocupar terras, mais concretamente as machambas das comunidades locais, sem primeiro negociar com os seus legítimos donos; ­ Garantiram que solucionariam o abastecimento de água com poços e represas; ­ E prometeram empregos para os membros da comunidade. De acordo com as comunidades de Cassoca e Nyantsanga, em Dezembro a Jindal usurpou parte das suas machambas, repletas de culturas, sem qualquer aviso ou contemplação pela importância destas para a sua segurança alimentar.

Quanto ao reassentamento, não está a acontecer.

As comunidades queixam­se de problemas respiratórios frequentes entre outros efeitos colaterais, motivos que no entender destas, são mais do que suficientes para justificar esta manifestação. As comunidades garantem ainda que caso os seus direitos continuem a ser ignorados e a empresa não enverede esforços no sentido de cumprir com as promessas que lhes foram feitas, haverá mais protestos. Pelo que constatámos, o relacionamento entre a empresa Jindal e as quatro comunidades circunvizinhas é péssimo e este protesto foi prova disso. A poluição atmosférica resultante da actividade da mina é visível, deplorável e está bem patente na vegetação da área, preta de tanta poeira. Como estarão os pulmões de quem por falta de opção se encontra a viver ali? – perguntámo­nos. E os dos alunos da vergonhosa escola em ruínas sem cobertura que lá funciona?

A relação entre empregados e empregadores na Jindal é igualmente má. Segundo os funcionários da empresa que aceitaram falar connosco, há bastantes querelas em relação a alegadas discrepâncias na remuneração e subsídios atribuídos aos trabalhadores, e há também que referir que os trabalhadores que operam na mina dizem não dispor de todo o equipamento de proteção pessoal necessário, como as supostamente imprescindíveis máscaras respiratórias. A Jindal e o Governo, segundo consta, têm um relacionamento excelente. Facto fundamentado por alguns entrevistados que chegaram mesmo a dizer que o Governo arrecada “impostos” junto à empresa. Já a relação da empresa com as organizações da sociedade civil é extremamente complicada, uma vez que a empresa entende as OSCs como o grupo de agitadores por detrás dos protestos das comunidades. Quando questionados pelo nosso pesquisador sobre se em algum momento as comunidades teriam abordado a empresa ou o Governo sobre o porquê do incumprimento das promessas que lhes foram feitas, membros da comunidade responderam o seguinte: “A Jindal, diz que o Governo ainda não aprovou a tabela de pagamento de indemnizações e o plano de reassentamento, enquanto o Governo diz que está a fazer os estudos com calma porque a licença da operadora Jindal tem prazos e é por isso que já iniciou a extração de carvão, mesmo antes do reassentamento". No fim do dia, apesar de, de acordo com as leis vigentes na República de Moçambique e com as convenções internacionais que existem sobre a matéria a Jindal estar claramente em falta, é a passividade e permissividade (para não dizer conluio) do nosso governo a principal responsável por esta situação. Quando interpelada por nós, a Jindal não quis fornecer qualquer informação, mas numa atitude de clara opressão, convocou à posteriori uma reunião com os líderes das comunidades para os intimidar em não fornecer qualquer informação às OSCs, ameaçando não renovar contratos com quem o fizesse.

O mais triste nisto tudo, a nosso ver, foi o facto de sabermos que havia várias equipas de órgãos de comunicação social nacionais em Chirodzi no meio de todo este circo, mas fora o Diário de Moçambique, ninguém mais publicou esta história.


“WAMBAO AGRICULTURE” OS RECENTES E REAIS IMPACTOS DE MAIS UMA BOLADA DOS DRAGÕES EM NOME DO DESENVOLVIMENTO Produção de Arroz Vs Direitos das Comunidades Desde Junho que, sem qualquer satisfação, famílias de agricultores e camponeses que há mais de duas décadas produzem nas terras férteis do Baixo Limpopo na província de Gaza, distrito de Xai­Xai, mais concretamente nas zonas de Kana Kana e Baixa Fome, se encontram desesperadas e revoltadas com o governo do dia devido à presença de escavadoras em suas terras, responsáveis pela destruição de suas culturas já em fase de colheita, como resultado da implantação e expansão do Projecto Chinês “Wambao Agriculture”. Os mais de 500 produtores agrícolas e camponeses residentes em diferentes bairros do distrito de Xai­Xai que praticam agricultura nas zonas de Kana Kana e Baixa Fome no Regadio do Baixo Limpopo, foram surpreendidos no final do mês de Junho com a presença de escavadoras e tractores em suas terras de produção, destruindo suas culturas (na sua maioria prontas para serem colhidas) e alterando de forma desregrada as necessárias e importantes características físicas daquelas parcelas. Tudo isto sem prestar qualquer satisfação ou dar qualquer tipo de informação acerca da actividade que estavam desenvolver. Isto teve lugar como resultado da implantação, implementação e expansão das áreas de produção de arroz, pela empresa chinesa Wambao Agriculture. Esta empresa, que desde que chegou à área em 2012, tem violado sistematicamente os direitos das comunidades, agindo em violação, não só das leis e regulamentos nacionais, mas também de regulamentos internacionais, ao usurpar as terras de produção das comunidades, sua única fonte de rendimento e subsistência.

Aliás, esta prática e comportamento do nosso Governo tem­se observado um pouco por todo o território nacional, sobretudo em locais onde existem projectos de grande capital (em grande parte, capital estrangeiro)

Em Gaza, os próprios Chineses têm deixado bastante claro aos camponeses (ainda que gesticulando, uma vez que lhes é difícil falar o Português ou o Xitchangana) que já deram dinheiro aos “Bosses do Governo” para poderem fazer o que têm estado a fazer. Isto é, para poderem usar aquela terra como e para o que bem entendem. Deixando claro também, que os que se sentirem lesados deverão expressar a sua insatisfação ou procurar esclarecimentos junto ao Governo Moçambicano, pois eles apenas estão a fazer o que lhes compete e é permitido, com base no acordo e desembolso financeiro por eles já estabelecido e efectuado”. No âmbito do seu plano de monitoria do projecto em causa, uma equipa nossa encontra­se no terreno a fazer o acompanhamento directo dos eventos que não só ofendem, marginalizam e empobrecem as famílias afectadas, mas acima de tudo retiram sua única fonte de subsistência colocando em risco a sua segurança alimentar. Essa equipa tem vindo igualmente a realizar encontros com a sociedade civil local, que conhece melhor do que ninguém esta situação e suas irregularidades, e que é quem narra as tais tentativas até agora frustradas de obter respostas de algumas instituições públicas e governamentais acerca do assunto.

O preocupante e revoltante nesta situação é o facto de tudo estar a acontecer sob o conhecimento e óbvio apadrinhamento, tanto do Governo provincial como do central, pois, apesar de continua e irrevogavelmente informado quer pelas vítimas como pela sociedade civil acerca do que tem estado a acontecer naquela zona do país, o Governo nada tem feito para salvaguardar os direitos destas famílias, a quem evita mesmo receber por não estar minimamente interessado em dialogar.

Não só com base nas várias denúncias feitas pelas vítimas, mas também no que claramente constatamos no terreno, a Wambao Agriculture, com ou sem a lei do seu lado, invadiu e tem diariamente vindo a dizimar as culturas agrícolas dos mais de 500 agricultores, através do uso de escavadoras e tractores, para expandir os 20 mil hectares a eles concedidos pelo Governo de Moçambique. Trata­se de invasão e consequente bruta usurpação da terra da população. Terra esta, que segundo fontes locais, anteriormente ao projecto havia sido concedida à população pelo estado, ora em resultado de processos de indemnização, ora como compensação a antigos militares em reconhecimento da sua participação nas guerras de libertação nacional e civil durante o processo de desmobilização, numa altura em que o governo reconhecera


a necessidade de ajudar este grupo a produzir para sua subsistência e de suas famílias, uma vez que não teria como lhes dar outra ocupação e ou possibilidade de os enquadrar no sector público. Ainda no terreno, a nossa equipa pôde certificar que a invasão e destruição de culturas agrícolas nas zonas de Kana Kana nos finais de Junho, bem como na zona de Baixa Fome no dia 7 de Julho, alegadamente autorizadas pelo administrador, continuam até hoje sem qualquer explicação formal. A empresa continua a operar, trabalhando inclusivamente na calada da noite, período em que aproveita para abrir valas que afectam directamente a circulação de pessoas e bens, pois são de tal profundidade e largura que é impossível atravessá­ las. O gado fica também frequentemente preso nessas valas ao tentar beber água ou atravessar para outros campos em busca de pasto. Posto isto, muitas pessoas ficaram praticamente interditas de chegar a certas zonas, e como tal privadas de alguns bens e serviços e de comunicar com outros, tendo como única solução, percorrer longas distâncias para contornarem a situação. O gado, não podendo circular à vontade para outras áreas de pastagem, tem estado a invadir as poucas machambas que ainda restaram para se poder alimentar, destruindo desta forma também, essas culturas sobreviventes embora gerando ainda mais conflitos.

É importante referir aqui, que devido a estas acções dos Chineses, como são vulgarmente chamados na região, uma senhora agricultora, perdeu a vida no local, tendo apanhado um enfarte, por não aguentar ver as suas culturas, única fonte de subsistência para si e sua família, a serem destruídas.

Como resultado destes eventos e por haver um descontentamento generalizado por parte da população e agricultores, os mesmos decidiram reunir­se e dirigiram­se na manhã de terça­feira dia 9 de Julho à administração do distrito de Xai­Xai, com o objectivo de obter uma satisfação e solução do administrador, exigindo que o mesmo se deslocasse ao local para, não só observar o que está a acontecer, mas acima de tudo para dar uma explicação a aquela população que há mais de duas décadas usa aquela terra para garantir a sua subsistência. Só nesta zona, estamos a falar de mais de 500 pessoas. Há igualmente que referir que no passado dia 4 do mês de Julho, o administrador foi chamado a dar uma explicação ao mesmo grupo de agricultores, pela invasão e destruição de culturas pela empresa na zona de Baixa Fome. Invasão que teve lugar apôs uma autorização do administrador, mas sem nenhum conhecimento por parte da liderança local (lideres tradicionais), e muito menos dos agricultores, ocupantes e praticantes de agricultura naquela

zona. O administrador, encurralado, limitou­se em pedir desculpas às vítimas por não as ter informado. Infelizmente, a tentativa das vítimas se reunirem com o administrador neste dia foi gorada, assim como frustrada também foi a tentativa da equipe da Justiça Ambiental se reunir com o mesmo. Alegadamente por estar ausente... A única resposta que foi dada aos camponeses, foi que possivelmente lhes seriam dadas novas terras para a prática de agricultura e algumas sementes. Mas que não havia comida para eles nos armazéns. Uma vez frustrada a tentativa, no dia seguinte, quarta­feira dia 10 de Julho, os agricultores e camponeses, que eram acima de 100 e na sua maioria mulheres, reuniram­se mais uma vez em busca de respostas em Kana Kana. Procurando esclarecer a situação, juntaram­se numa das vias de acesso aos campos por onde acreditavam que o administrador passaria, e em jeito de manifestação e protesto, fizeram autêntica espera defronte das as suas terras, palco de destruição das suas culturas pela Wambao Agriculture. A situação era volátil, até catanas havia nas mãos da multidão. Mas não passou nem administrador, nem membro nenhum do governo em seu lugar. Um técnico do Regadio do Baixo Limpopo foi o único transeunte com quem puderam desabafar, a quem puderam demonstrar a sua insatisfação, frustração e sentimento de revolta e pedir respostas e soluções. Para além de expressarem os seus sentimentos em relação ao projecto e o modelo de governação do partido Frelimo, fizeram também exigências, sugestões e recomendações, sem deixar de fora os vários recados ao governo provincial e ao central. Alguns chegaram mesmo a ameaçar não votar ou votar contra o actual governo. Às várias manifestações de insatisfação daquele grupo vulnerável de agricultores e camponeses, o técnico representante do Regadio do Baixo Limpopo pouco pode dizer, mas depois de acompanhado por alguns membros do grupo de vítimas ali reunido, aos vários locais disputados entre a população e a Wambao, o mesmo garantiu que a vala aberta que dificulta a comunicação e interdita a circulação não só de pessoas e bens, mas também de gado, seria fechada para a garantir a livre e facilitada circulação da maquinaria da empresa. O representante garantiu ainda que a população de Kana Kana nunca mais veria as máquinas em causa nas suas terras, alegando que tal era de sua competência, mas que nada podia fazer e ou garantir em relação à área de Baixa Fome, pois não tinha competência para mudar aquilo que já fora decidido pelo administrador, embora tenha garantido que encaminharia as preocupações e indignação daquele grupo ao administrador.


Há que referir que as vitimas exigem também ser compensadas pelas culturas destruídas e que já estavam em fase de colheita, pois aquela actividade é a sua única fonte de rendimento e subsistência e através da qual também garantem a subsistência de suas famílias, incluindo a educação da mesma (o que pode ser feito através de dinheiro ou de ensumos). É importante mencionar também que este projecto, ao qual foram concedidos 20 mil hectares de terra para exploração no Regadio do Baixo Limpopo por um período de 50 anos pelo Governo de Moçambique em 2012, e que conta com um investimento de mais de 200 milhões de dólares americanos, é famoso no Xai­Xai por estar a fornecer e vender arroz estragado (podre). O projecto em causa, Wambao Agriculture, encontra­se inserido e faz parte da implementação do Plano Estratégico para o Desenvolvimento Agrário (PEDSA) aprovado em 2011 e que tem como objectivos centrais, alegadamente: o aumento da produtividade, melhoria de acesso ao mercado, melhoria da gestão dos recursos naturais e o fortalecimento das instituições que trabalham no sector agrário como um todo.

A Monsanto na União Europeia A Monsanto vai deixar ativamente de produzir seus insumos na União Europeia, exceto nos países aonde exista apoio politico, como Portugal e Espanha. Essa noticia surgiu exatamente depois de que mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo se manifestaram nas ruas contra a ingerência politica da Monsanto e os danos ambientais causados por seus produtos. Leia mais em http://www.mpabrasil.org.br/noticias/monsanto­se­retira­ da­europa

Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio o previne. "Albert Einstein"

Hungria destrói plantações com sementes transgênicas da Monsanto A Hungria decidiu eliminar as plantações da Monsanto, e foram queimados cerca de 500 hectares das lavouras de milho. A intenção é que o país não tenha nenhum fruto com origem de material geneticamente modificado. As plantações de milho destruídas estavam espalhadas pelo território húngaro e haviam sido plantadas recentemente. Assim, o pólen venenoso do milho ainda não estava a ponto de ser dispersado no ar, não oferecendo, então, perigo à população. Os húngaros são os primeiros a tomar uma posição contundente na União Europeia em relação ao uso de sementes transgênicas. Leia mais em:http://www.cut.org.br/agencia­de­noticias/52171/ hungria ­ destroi­plantacoes­com­sementes­transgenicas­da­monsanto


Jornal o País: Ética Procura­se No dia 18 do mês de Junho, o Jornal o País publicou, tanto na sua edição online como na impressa, um artigo (I) ou bastante mal intencionado ou bastante mal escrito e referenciado, cuja autoria foi de um senhor chamado Luís Rodrigues. Ora, como seria de esperar, porque não permitimos nem permitiremos jamais que nos caluniem sem exercermos o direito de nos defendermos, e embora pudéssemos muito bem tê­lo feito exercendo imediatamente o nosso consagrado direito de resposta na mesma publicação, decidimos ser mais consensuais e escrevemos a seguinte carta à redação do jornal, a exigir que se retratassem: “Excelentíssimos Senhores, Em virtude da notícia intitulada “Delimitação de terra reduz conflitos no corredor de Nacala”, publicada por vós no dia 18 de Junho de 2013, tanto na vossa edição online como na página 8 da vossa edição impressa, e cuja autoria é do Sr. Luís Rodrigues, vimos por este meio solicitar que se dignem a retratar­se de forma cabal daquilo que consideramos serem erros graves, fruto de uma falta de profissionalismo abismal. Apesar de não percebermos claramente com que intenção o autor estabelece a ligação entre a delimitação de terra e o ProSavana , e de acharmos que uma vez estabelecida essa ligação da forma como foi feita o artigo adquire imediatamente um carácter opinativo, respeitamos a vossa política editorial e a liberdade que vos é consagrada de escreverem o que bem entendem, como bem entendem. No entanto, a liberdade de uns, termina onde começa a dos outros, e conforme já havíamos mencionado, lamentavelmente o artigo contém lapsos inaceitáveis, e que a nosso ver atentam ao nosso bom nome e tornam esta peça jornalística num excelente exemplo de contrainformação. 1)A fotografia utilizada na peça (e que é do nosso arquivo, apesar de não estar devidamente identificada como exige a lei sobre os direitos de autor) está escandalosamente mal legendada. Ao fazer uso dela, o artigo mente descarada e categoricamente e induz o leitor em erro, como passo então a explicar:

2)A fotografia data de Agosto de 2012 e retrata a marcha de apoio à Cúpula dos Povos, não uma manifestação contra o ProSavana. Nem a Justiça Ambiental, nem nenhuma outra ONG ou movimento (de que tenhamos conhecimento) alguma vez marchou ou se manifestou nas ruas exclusivamente contra o ProSavana. Ou seja, a marcha ou manifestação que a fotografia diz retratar nunca aconteceu. 3)O artigo em questão lesa o nosso bom nome, pois, propositada ou inadvertidamente, ao legendar mal e não contextualizar a fotografia com o assunto abordado, o texto deixa subentendida a ideia de que a Justiça Ambiental agora já “percebe” a essência do ProSavana. Esta ideia é descaradamente plantada pelo primeiro parágrafo do texto, onde não especificando a que organizações se refere, o autor escreve que “Organizações Não Governamentais que operam na área de gestão de terra no corredor de Nacala começam a perceber a essência do Programa de Cooperação Triangular entre Moçambique, Japão e Brasil para o Desenvolvimento Agrícola da Savana Tropical em

em Moçambique, ProSavana”. Se a vossa intenção não era a de insinuar que fazemos parte desse “lote” de organizações convenientemente não identificadas, não percebemos de todo o porquê da utilização da nossa imagem neste artigo, uma vez que este não nos menciona nem reflete ou aborda a nossa posição sobre o ProSavana (que felizmente é clara e de conhecimento público).

Posto isto, em nome da boa relação que pretendemos continuar a manter convosco, pedimos encarecidamente que nos expliquem o sucedido e exigimos que (abordando os 3 pontos a que fazemos menção neste texto) se retratem publicamente em todos os espaços de vossa responsabilidade em que esta notícia foi publicada.” Escusado será dizer que não obtivemos resposta alguma, mesmo embora tenhamos feito um follow­up e chegado mesmo a contactar telefonicamente o jornal a fim de perceber se faziam tenção de nos responder. Mas um mês e meio depois... nada. Toda e qualquer dúvida que tínhamos em relação à eventual possibilidade de o artigo ter sido uma infeliz conjugação de factos foi dissipada. A intenção ficou clara, resta saber de quem era. Igualmente clara ficou a noção de ética e responsabilidade deste órgão e daqueles que gerem a sua política editorial. Deixa muito a desejar... (I)http://www.opais.co.mz/index.php/sociedade/45­sociedade/25831­ delimitacao­de­terra­reduz­conflitos­no­corredor­de­nacala.html

Barragens, Realocação, e a Ilusão de Desenvolvimento Foi recentemente publicado nos Estados Unidos da América um livro intitulado Dams, Displacement, and the Delusion of Development: Cahora Bassa and its Legacies in Moçambique, 1965­2007 (Barragens, Realocação, e a Ilusão de Desenvolvimento: Cahora Bassa e os seus legados em Moçambique), cuja autoria é do Professor Allen F. Isaacman e Barbara S. Isaacman. O livro é um testemunho vivo dos impactos das Megabarragens nas comunidades, biodiversidade e da usurpação em grande escala de terra e água. Como se não chegassem os impactos da Barragem de Cahora Bassa, o Governo de Moçambique planeia construir ainda mais barragens no Zambeze, sendo que a edificação de Mphanda Nkuwa é dada como praticamente certa. Igualmente certa será também a devastação do Rio, dos seus ecossistemas e das comunidades que tanto dependem dos seus recursos para viver. “A razão de construir outra barragem em Mphanda Nkuwa, é, como outrora, a de obter capital estrangeiro através da venda de energia a nações sedentas de energia como a África do Sul e outros países da região. A electrificação rural permanece uma prioridade secundária, apesar de apenas 7% dos lares moçambicanos terem eletricidade. Neste aspecto, o Moçambique pós­independência continua a ver, pensar e agir de modo colonial.” – explicam Allen e Barbara Isaacman na introdução da sua mais recente obra (pg6).

"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro."Indios Cree

Newsletter Agosto 2013  

Newsletter mensal da organização não governamental moçambicana Justiça Ambiental

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