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AÇÃO INTEGRADA DO PEDAGOGO NA REDE ESTADUAL DO PARANÁ: ORIENTAÇÃO E/OU SUPERVISÃO ESCOLAR? STOCKMANNS, Jussara Isabel¹ - UNICENTRO

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo aprofundar a discussão sobre a atuação do Pedagogo nos Colégios da Rede Estadual de Ensino do Paraná, investigando como o mesmo profissional está integrando as funções/atribuições da supervisão e orientação educacional. Relata as ações do Pedagogo no âmbito educacional, contextualizando historicamente o surgimento das funções do supervisor e orientador. Com o intuito de perceber como vem ocorrendo o trabalho dos gestores escolares considera-se a atuação do Pedagogo numa perspectiva do trabalho coletivo na organização escolar. Parte do pressuposto que a identidade do Pedagogo como articulador do trabalho pedagógico assuma outras áreas de atuação: Orientação Educacional e Supervisão Educacional. Portanto, o objeto de trabalho do Pedagogo é sempre o mesmo: articular o processo de produção do conhecimento. A ação do pedagogo tem sua especificidade em organizar o trabalho pedagógico em sua totalidade, a luz do Projeto Político Pedagógico. INTRODUÇÃO:

A presente pesquisa tem como objetivo aprofundar a discussão sobre a atuação do Pedagogo, investigando como o mesmo profissional está integrando as funções/atribuições da supervisão e orientação educacional. Aborda as ações do Pedagogo no âmbito educacional, contextualizando historicamente o surgimento das funções do supervisor e orientador. Com o intuito de perceber como vem ocorrendo o trabalho dos gestores escolares considera-se a atuação do Pedagogo numa perspectiva do trabalho coletivo na organização escolar. Salienta alguns aspectos essenciais acerca da função dos Especialistas em Educação, primeiro numa visão tecnicista, de fragmentação do trabalho pedagógico, voltada à reprodução da sociedade capitalista, depois numa visão progressista de educação, de trabalho coletivo. Opta por apresentar um paralelo no sentido de evidenciar a trajetória histórica dos Especialistas em Educação, tanto do Supervisor e do Orientador Educacional. Aborda as concepções atuais da função do Pedagogo como Gestor do Trabalho Mestre em Engenharia da Produção pela UFSC, Professora dos cursos Pedagogia, Geografia e Educação Física da UNICENTRO, pesquisadora na área de Educação a Distância e Gestão Educacional. E-mail: jussaraisabel1@hotmail.com


Pedagógico. Contudo, não se pode negar a identidade pessoal no desempenho das funções, mas isto não significa, necessariamente, desarticulação, até porque os fatos (e atos) específicos inserem-se em circunstâncias e situações mais amplas; é o que se entende pelo princípio da relação entre especificidade e totalidade segundo RANGEL(1997). O fato é que as ações de administrar, de orientar e de supervisionar acompanham a humanidade desde os seus primórdios. É com a consolidação do capitalismo industrial que são mais bem elaboradas

e

mais definidas

suas

intencionalidades,

cujos

princípios

norteadores giram em torno da produtividade, da eficiência, da eficácia, e do controle dos que administram sobre aqueles que são executores, buscando, através da burocracia, garantir os objetivos da organização. O sistema capitalista, ao reproduzir as relações sociais de produção, reproduz os lugares das classes sociais. A escola contribui para essa divisão ao exercer uma ação hegemônica concomitante à dominação econômica. Essa ação viabiliza, pela direção político-ideológico, a dominação social e a exploração econômica. Não é a escola, então, que gera a divisão de classes. Pode-se dizer que a sociedade de classes gera a escola enquanto esta pode cooperar com a própria divisão, pondo a serviço de um dos polos da relação seu arsenal intelectual e moral. A divisão que a escola propicia em si e dentro de si não é apenas fruto da divisão social do trabalho. A divisão na e da escola coopera ativamente como razão e função da mesma divisão na sociedade. Portanto, atuar como pedagogo requer consciência histórica e política, abertura ao novo, focando projeções e articulação na produção do conhecimento, envolvendo os membros da comunidade escolar interna e externa.

1. GESTOR DO TRABALHO PEDAGÓGICO O gestor do ambiente escolar aparece no cenário atual como sendo todas as pessoas que participam do processo educativo. Contudo, se percebe nas práticas educacionais a problemática de repensar o papel do gestor, não mais como responsáveis por cargos, delegação de poder, execução de tarefas, entre outros. Dentro dessa lógica, a figura do gestor do trabalho pedagógico no [Digite texto]


papel do pedagogo, visto que é o sujeito que organiza, acompanha, apóia, direciona e avalia as ações pedagógicas de toda a escola. Desse modo, o papel do gestor/pedagogo na escola é permeado pela coexistência de conduzir formas de participação de todos os envolvidos no processo educativo, descentralizando responsabilidades, pois o professor é o gestor do processo ensino aprendizagem em sala de aula. O pedagogo ao assumir as ações do supervisor e orientador no processo de organização do trabalho pedagógico contribui para a qualidade de aprendizagem e a qualidade do ensino. Na lógica dessa nova estrutura da educação, Libâneo mostra uma compreensão dos princípios de autonomia na gestão participativa. O conceito de participação fundamenta-se no princípio da autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos para a livre determinação de si próprios, isto é, para a condução da própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições dá-se pela participação na livre escolha de objetivos e processos de trabalho e na construção conjunta do ambiente de trabalho. (LIBÂNEO, 2003, p. 329).

A partir desse cenário em que as políticas promovem uma flexibilização nas tomadas de decisões, ao mesmo tempo em que vincula os procedimentos organizativos em novas formas de operacionalizar a função do Estado surge os questionamentos a respeito do que é efetivamente participar das decisões no processo educativo e quais as possibilidades de atuação com a real intenção de transformar práticas homogeneizantes e excludentes em ações de participação. Desse modo, a participação requer a autonomia dos sujeitos na decisão de formas de trabalho que atenda as necessidades comuns dos envolvidos. Entretanto, essa é uma visão um tanto quanto idealizada frente a realidade educacional em nosso país. Segundo Libâneo “a autonomia é o fundamento da concepção democrático-participativa de gestão escolar” (LIBÂNEO,2003, p. 333). Assim, depreende-se que a participação requer um processo de entendimento das possibilidades da democracia.

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Portanto, pensar a democracia no âmbito escolar não deve significar apenas a introdução de mecanismos participativos nas decisões da escola. Este processo deve ir além, permeando todas as ações e relações que se produzem nestes espaços. Isto significa encarar a democracia como um modo de vida e não apenas como regime político. Nesse sentido, a escola exige uma gestão consciente, onde todos precisam cooperar, serem solidários, respeitarem as diferentes ideias e usar o bom senso, sempre pensando no bem estar comum para que o trabalho em equipe se efetive de forma transparente e autônoma. O conflito surge pela falta de diálogo. Quanto mais juntas às pessoas poderão produzir, crescer, trocar ideias e conhecimentos, amplia o trabalho qualitativo da escola. É nessa perspectiva, com as transformações sociais e, consequentemente, das relações de trabalho, novas são as exigências em relação à educação. Quanto a isso Lück menciona (2009, p. 20): O trabalho dos gestores escolares se assenta, pois, sobre sua capacidade de liderança, isto é, de influenciar a atuação de pessoas (professores, funcionários, alunos, pais) para a efetivação dos objetivos educacionais propostos pela escola. Isso porque a gestão se constitui em processo de mobilização e organização do talento humano para atuar coletivamente na promoção de objetivos educacionais. Considerando que a gestão escolar é um processo compartilhado, torna-se necessário também considerar o desdobramento da liderança em coliderança ou liderança compartilhada, pelas quais ocorre o compartilhamento com outros profissionais e até mesmo com alunos, do espaço da tomada de decisões e da oportunidade de interinfluência recíproca de todos os membros da comunidade.

Diante disso, é impossível pensar em Gestão Democrática sem um sistema de inovação, permitindo um ambiente propício para a busca de novos conhecimentos. Percebe-se então que para alcançarmos esse conhecimento almejado, faz-se necessário a interação entre indivíduos. O que distingue um indivíduo do outro são suas crenças, valores e costumes. No relacionamento social entre os indivíduos é importante haver uma relação harmoniosa onde haja respeito e compreensão pelo outro. Para o pedagogo, enquanto intelectual comprometido com a transformação social, pensar a escola concreta é ponto estratégico, pois a partir daí, inicia-se um novo movimento: o de buscar compreender o meio em que ela está inserida, seus desafios, seus anseios, suas contradições e seus limites. É preciso analisar o mundo do aluno para, a partir do conhecimento de sua

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realidade, ajudá-lo a encontrar meios para mudar a correlação de forças com a sociedade que o explora. E a partir daí, procurar desenvolver a sua capacidade de organizar o pensamento e compartilhar suas idéias, de se constituir enquanto grupo e de compreender a força da ação coletiva, de liderar, de pensar criticamente a realidade social, de filtrar da história oficial a história de sua classe, de se capacitar a se tornar sujeito de sua própria história. (VALE, 1982, p. 35).

Nesse sentido, frente a análise documental

sugerida

pela SEED

(Secretaria de Educação), mantém uma dinâmica de ações organizadas coletivamente. Mesmo que nem sempre seja possível a efetivação de todas elas. O trabalho pedagógico dos pedagogos necessita ser planejado, organizado coletivamente e informado a toda a comunidade interna. De acordo com Viana (1986, p. 52) Para trabalhar em regime participativo precisa ser um indivíduo objetivo, capaz de discernir na evolução dialética do social seus pontos permanentes atuando como elemento de dinamização das suas estruturas, através de seu ato inovador e criador. Será transmissor do processo de socialização de indivíduos para a criação de uma sociedade racional harmoniosa, democrática, controlada, planejada, mantida e reestruturada pelos próprios indivíduos que a compõem. Para que isso se efetive, deve ser um indivíduo aberto para garantir a troca constante de informações com o ambiente amplo ou restrito, possibilitando aperfeiçoamento contínuo, constante e progressivo de todos os elementos envolvidos no processo de educar gerações.

Portanto as ações do Gestor do Trabalho Pedagógico devem ser planejadas,

executadas

e

avaliadas.

Visto

o

que

foi

pesquisado

documentalmente e a partir do aprofundamento teórico, descrevemos abaixo sobre a organização e os desafios do pedagogo supervisor e orientador pedagógico da escola. Apresento a temática desassociada, visto que o processo histórico estar estruturado diferentemente, porém as ações realizadas nas escolas são efetivadas por um mesmo profissional habilitado.

1.1 PEDAGOGO NA AÇÃO SUPERVISORA O desempenho da ação supervisora começa a ser delineada nas comunidades primitivas, onde caçavam, pescavam, coletavam frutos, agiam sobre a natureza e se relacionavam uns com os outros, onde os adultos [Digite texto]


educavam pelo exemplo seus filhos e estes estavam sempre sob uma discreta “supervisão”. Na Antiguidade com o advento da propriedade privada da terra e a divisão do homem em classes, delineia-se a escola, pois os filhos dos proprietários de terra

começam a

organizar-se

para uma educação

escolarizada. Isto continua na Idade Média, pois ainda existiam os dominantes (senhores feudais) e os dominados (servos), e apenas os membros da classe dominante que não precisavam viver do trabalho é que tinham acesso a educação escolarizada. Na sociedade primitiva o controle era discreto, já a partir da Idade Média o controle, adaptação, inspeção e mesmo as punições e castigos físicos começam a se fazer presente. Saviani nos diz que Provavelmente, a forma conspícua de manifestação da função supervisora pode ser encontrada na figura do pedagogo tal como se configurou na Grécia. Etimologicamente significando aquele que conduz a criança ao local de aprendizagem, o pedagogo era inicialmente, na Grécia antiga, o escravo que tomava conta da criança e a conduzia até o mestre do qual recebia a lição. Depois, passou a significar o próprio educador, não apenas porque, em muitos casos, ele passou a encarregar do próprio ensino das crianças, mas também porque, de fato, sua função, desde a origem, era a de estar constantemente presente junto às crianças, tomando conta delas, isto é, vigiando, controlando, supervisionando, portanto, todos os seus atos. (SAVIANI, 2002, p16).

Com o desenvolvimento da economia medieval, foi intensificando o comércio, determinando a organização do processo de produção, surgindo a sociedade capitalista, deslocando o eixo do campo para a cidade, passando da agricultura para a indústria. Aliando a isto a incorporação da ciência e com esta, a necessidade de dominar códigos escritos. Na época Moderna tem-se a necessidade de generalização da escola, para o domínio de uma cultura intelectual, em uma educação institucionalizada, aqui começa a esboçar a ideia de supervisão educacional. No Brasil é por volta de 1549 que começam as atividades educativas com os jesuítas e é na Ratio Studiorum onde, segundo Saviani afirma:

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A função supervisora é destacada (abstraída) das demais funções educativas e representada na mente como uma tarefa específica para a qual, em conseqüência, é destinado um agente, também específico, distinto do reitor e dos professores, denominado prefeito dos estudos. (SAVIANI, 2002, p. 21).

No Império passou-se a ter um inspetor que iria supervisionar e controlar todos os estabelecimentos educacionais. E por volta do século XX, meados da década de 1920 surgem os técnicos/profissionais da educação, com a separação da parte administrativa e da parte técnica de orientação, surge então a figura do supervisor, em muitos casos a mesma função do inspetor. Quanto à profissão de Supervisor, ela só vai aparecer aqui no Brasil na década de vinte com o “surgimento dos profissionais em educação, isto é, o aparecimento dos técnicos em escolarização, constituindo-se como uma nova categoria profissional.” (SAVIANI, 2000, p. 25). Porém, a Supervisão Educacional, enquanto habilitação em nível de formação surgirá, no Brasil, com o Parecer 252/1969, que reformula os cursos de Pedagogia, criando as habilitações. Enquanto especialidade em Educação, a Supervisão Educacional, nos moldes do tecnicismo é regida pelas teorias da administração empresarial, diz que cabe ao supervisor educacional a função de assistir técnica e didaticamente ao professor no sentido de que se alcance a melhor produtividade possível no trabalho com os alunos. No final da década de 60, houve uma reformulação dos cursos de Pedagogia, antes formavam pedagogos, eram os técnicos ou especialistas em educação, após a reformulação O curso de Pedagogia foi, então, organizado na forma de habilitações, que, após um núcleo comum centrado nas disciplinas de fundamentos da educação, ministradas de forma bastante sumaria, deveriam garantir uma formação diversificada numa função específica da ação educativa. Foram previstas quatro habilitações centradas nas áreas técnicas, individualizadas por função, a saber: administração, inspeção, supervisão e orientação; (...) (SAVIANI,2002, p. 29).

Do ponto de vista da Educação Progressista, a função do supervisor, como de todo especialista, é a de educador. Nesta ótica, se faz necessário que o supervisor seja um profissional empenhado em desenvolver um trabalho que esteja voltado às questões sociopolíticas da educação.

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O Supervisor Educacional comprometido com o trabalho coletivo sente necessidade de uma visão do todo escolar e da sua relação com o contexto. É aquele que procura a visão sobre, no interesse da função coordenadora e articuladora de ações. É também quem estimula oportunidades de discussão coletiva, crítica e contextualizada do trabalho. (RANGEL, 1997, p. 147).

O papel do supervisor não se limita a supervisão e ao controle, ou ao repasse de técnicas aos professores, mas, no sentido de oferecer-lhes acompanhamento teórico, metodológico e didático educacional. Diante dos problemas educacionais cotidianos, cria momentos de reflexão teórico-prática e, com o respaldo da fundamentação teórica e uma visão do ato de ensinar e de aprender como algo articulado, coordena tais discussões. Desta forma, o supervisor é um dos responsáveis pelo planejamento, organização e execução da proposta pedagógica da escola, e nesta relação está colocado em situação hierarquicamente superior aos professores, à forma como são conduzidas essas questões interfere no resultado do trabalho da escola como um todo. A liderança educacional, nesta perspectiva, coloca-se como desafio à ação supervisora, que além de dar conta das questões burocráticas e legais, contribui com a formação dos professores em serviço e com sua qualificação. Assim, planejar significa pensar o antes, o durante e o depois, no sentido de melhorar o fazer pedagógico. O pedagogo deve ter como parâmetro para sua ação como supervisor, o seu plano de ação, focando a qualidade educacional, desde a elaboração, retomada, aplicação, execução e avaliação, primando pelo envolvimento e participação de todos os envolvidos na escola. A função supervisora teve sempre o caráter de ação educativa. Desde a sua origem a característica da função supervisora era a de estar constantemente presente junto às crianças, tomando conta delas, isto é, vigiando, controlando, supervisionando, portanto, todos os seus atos. (SAVIANI, 2000, p. 17).

Para o supervisor, planejar significa pensar o antes, o durante e o depois, no sentido de melhorar o fazer pedagógico. É nessa significação que deve atuar a supervisão na escola. Tem, pois, no contexto da escola, o compromisso de fazer acontecer a integração entre diferentes segmentos e setores, assessorando o trabalho para a efetivação do projeto político pedagógico.

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1.2 PEDAGOGO NA AÇÃO ORIENTADORA

Quando pensamos no orientador educacional, pensamos no profissional preocupado com a formação pessoal de cada estudante, ajudando-o em seu desenvolvimento pessoal. O mesmo trabalha na organização e realização da proposta pedagógica, orientando, ouvindo e dialogando com estudantes, professores, pais e/ou responsáveis e comunidade. As realidades escolares se diferenciam dependendo da época e/ou local, por este motivo sentimos a necessidade de olhar a trajetória do orientador educacional, sempre fazendo uma relação com o cotidiano escolar. O trabalho do orientador educacional vem sendo olhado, questionado, como decorrência das transformações gradativas que ocorrem na sociedade. O profissional desta área durante muito tempo atuou somente no espaço escolar, onde tinha a tarefa de ajustar o aluno à escola, família ou sociedade. Mas atualmente, a orientação educacional volta-se à construção do individuo além do espaço escolar. Historicamente percebe-se que na França, a orientação era desenvolvida na comunidade escolar, como um serviço de psicologia escolar, objetivando conhecer o educando no ambiente formal e informal. Neste contexto passou a ter orientação profissional, embasada na aplicação de testes, sendo que o profissional da área era denominado de psicólogo escolar, cabendo-lhe elaborar relatórios com todas as informações possíveis sobre os educandos. A orientação educacional encontra suas raízes nos Estados Unidos da América por volta de 1920, pois com o desenvolvimento das profissões, também ampliou a necessidade de orientar os jovens para uma adequada decisão, capaz de lhe assegurar sucesso no mercado de trabalho. No Brasil, desde a década de 20, com o surgimento dos técnicos em educação, a função da orientação educacional passou por diversos períodos históricos, ou seja, de 1920 a 1941, no chamado Período Implementador, devido às exigências de um contexto sócio-econômico-cultural voltado à industrialização. Neste contexto a orientação educacional esteve voltada para a orientação profissional, e dessa [Digite texto]


forma, seu papel esteve voltado para o trabalho de seleção e escolha profissional. De 1941 a 1960 - Período Institucional - ocorre a exigência legal da orientação educacional nas escolas. De 1961 a 1970 - Período Transformador - a orientação educacional apresenta um caráter preventivo, ou seja, realiza trabalhos, principalmente de dinâmica de grupos, com o intuito de sustar eventuais conflitos. De 1971 a 1980 - Período Disciplinador - com a Lei 5692/71 a orientação educacional fica sujeita à obrigatoriedade. Neste período estava em alta o tecnicismo, que exigia da orientação educacional atribuições voltadas à psicologia, as quais envolviam, basicamente, o aconselhamento vocacional ou profissional. Nesse caso, seguindo as teorias da psicologia, o orientador educacional tem como objeto o aluno, cabendo-lhe, portanto, a função de orientação terapêutica e psicológica, ou seja, de dar conselhos ao aluno, procurando ajustá-lo ao modelo de família, escola e sociedade do sistema capitalista, cuja finalidade, em última instância, é formar para o mercado de trabalho. No início o trabalho de orientação profissional era realizado pela empresa, mas depois foram criados os escritórios de orientação profissional, visando orientar os indivíduos sobre as várias opções, com base em suas próprias capacidades. Depois esse trabalho passa a ser solicitado no interior da escola, para orientar os educandos nos planos de carreira e estudo conforme as aptidões de cada um, e passou a ser denominado de orientação escolar. Mesmo com todo este cuidado em torno do futuro profissional, nos mais variados âmbitos, ainda assim existia a necessidade de pensar o ser humano, então surgem os estudos sobre as relações humanas no trabalho. A partir daí a orientação profissional passa a integrar a área da orientação educacional, pois a formação do profissional tem início com a formação do homem, nos variados aspectos da vida sejam no âmbito familiar, escolar, social ou profissional. Segundo Carvalho (1989), estes estudos e debates já apontavam necessidade de revalorização do trabalho docente e do atendimento às reais carências da população, articulando a formação do educador à questão da divisão do trabalho. Tais estudos e debates se polarizavam em duas perspectivas críticas: [Digite texto]


A primeira tem como ponto de partida o papel ideológico que os especialistas de educação têm cumprido até agora, reproduzindo no âmbito escolar a divisão social do trabalho. Propõe a extinção dos referidos especialistas da escola, como forma de superação entre os que pensam (especialistas) e os que executam a educação (professores) e, conseqüentemente, a democratização do processo de trabalho. A segunda perspectiva apresenta o mesmo ponto de partida e de chegada, mas difere quanto à forma de resolução do problema, propondo resgatar a função progressista que essas mesmas especializações portam e colocá-las, assim, a serviço das transformações sociais (CARVALHO, 1989, p. 99).

Portanto, no Brasil, a história da orientação educacional tem como base os dois modelos, americano e francês que, embora sejam diferentes em alguns aspectos, estão baseados em um mesmo conceito de sociedade, assim como ocorreu com a supervisão escolar. A orientação educacional foi criada seguindo experiências de fora do Brasil, que se delinearam através das leis, com base na dimensão psicológica e em consonância com os objetivos educacionais mais amplos. No Brasil, Lourenço Filho foi quem primeiro criou o serviço de orientação profissional e educacional no Departamento de Educação do Estado de São Paulo, em 1931. No Rio de Janeiro, a experiência pioneira, datada de 1934, coube a Maria Junqueira Schmidt e Aracy Muniz Freire, na Escola Comercial Amaro Cavalcanti. A legislação concernente à orientação educacional data do início dos anos 40. Nos anos 80 ocorreram algumas mudanças, avanços e contradições na história da orientação educacional, mas os profissionais dessa área assumiram um papel mais político e comprometido com a sociedade, defendendo uma escola pública de qualidade e filiando-se à Federação Nacional de Orientação Educacional (FENORE), à Central Única dos Trabalhadores

(CUT) e,

mais tarde,

à Confederação

Nacional dos

Trabalhadores em Educação (CNTE). Ao extinguir-se a FENOE, ocorre a fragilização da identidade do orientador educacional. Com a formulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN 9.394/96, não há uma referência específica à orientação educacional. Contudo, não deixa de ser mencionada em vários artigos, principalmente no art. 39, segundo o qual “a [Digite texto]


educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.” Concordamos com Nóvoa (1999, p. 25) quando nos diz que, “o funcionamento de uma organização escolar é fruto de um compromisso entre a estrutura formal e as interações que se produzem no seu seio, nomeadamente entre grupos com interesses distintos”. A conduta do orientador educacional pode ajudar no bom andamento da cultura organizacional à medida que através de seu trabalho ele busca o contato constante entre a escola, o aluno e seus pais, mediando conflitos, temores, focando a efetivação do projeto político-pedagógico da escola. Para Grinspun (2002, p. 112) o Orientador “é aquele que discute as questões da cultura escolar promovendo meios/estratégias para que sua realidade não se cristalize em verdades intransponíveis, mas se articule com prováveis verdades vividas no dia-a-dia da organização escolar”.

Esse

profissional, portanto, incorpora e colabora, na reprodução das formas de interpretação do problema gerado na instituição no momento. Tradicionalmente, o orientador educacional tem sido visto como um profissional, cujo papel principal é atuar com os educandos. Desse modo a orientação é definida como um método pelo qual o orientador educacional ajuda o aluno, na escola a tomar consciência de seus valores e dificuldades, concretizando principalmente através do estudo, sua realização em todas as suas estruturas e em todos os planos de vida. Em vista disso, o mesmo faz levantamentos de dados, realiza sessões de orientação e de aconselhamento e desempenha uma série de funções de maior ou menor importância, relacionadas com a concepção do atendimento ao educando. Segundo Urbanetz e Silva (2009, p.43) A função do orientador educacional surgiu da necessidade de especialização do trabalho docente e da organização do trabalho escolar, muito aos moldes da especialização apregoada no mundo do trabalho. Com o aparecimento da idéia de orientação vocacional, corroborou-se dentro da instituição escolar a visão tecnicista de encontrar o homem certo para o lugar certo. Sua linha mestra, o “aconselhamento”,

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visava direcionar as crianças e jovens ao mundo do trabalho de maneira adequada e “conformada”.

O orientador educacional tem uma ação direta com os alunos, verificando as necessidades de individualização da ação educativa. Procura conhecer cada aluno como um individuo concreto, uma personalidade única em desenvolvimento, dotado de determinado potencial, que se expressa de certa forma e que desempenha nos grupos sociais. Sua ação se estende ainda fora da escola, quando planeja junto a outras instituições da comunidade ação mais ampla do que a desenvolvida na escola. Entrando, percebe-se uma organização didática pedagógica criada no sentido de ajudar o aluno a fazer uso de sua liberdade em opções simples e ao alcance de seu nível de maturidade, de organizar seus padrões de conduta, através da autodisciplina. Portanto, o pedagogo na atuação das ações de orientador educacional possui inúmeras funções e atribuições indo além do âmbito escolar, integrando a escola e a família. O orientador educacional se depara com o educando dentro de seu ambiente, de seu mundo e do seu convívio com a família, buscando criar um clima de cooperação e gerando condições para um trabalho construtivo.

METODOLOGIA A referida pesquisa foi realizada com base em referenciais teóricos e pesquisa de campo num contexto de cinco escolas estaduais do Paraná.

RESULTADOS

O estudo a respeito do gestor do trabalho pedagógico e das especificidades da ação supervisora e orientadora também permitiram uma reflexão teórico prática.

A problemática de trabalho do pedagogo é gerenciar a gestão da

aprendizagem. Cada escola está inserida em uma realidade, o que exige do pedagogo especificidades diferenciadas. No entanto, o trabalho de articulador, problematizador, e integrador as ações, perpassa todos os segmentos da [Digite texto]


escola, visando a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Somente a formação permanente e o exercício do trabalho planejado coletivamente garantirão uma atuação consciente e qualificada do gestor do trabalho pedagógico. DISCUSSÕES

Frente ao que foi aprofundado teoricamente e observado na realidade escolar, ainda nos deparamos com muitos desafios sobre a efetivação do trabalho do pedagogo. Entre elas, entre o ideal do acompanhamento das atividades dos docentes e discentes e a realidade se percebe a grande demanda de professores e alunos no atendimento por pedagogo. Outro fator é a falta de sistematização do trabalho do pedagogo, no que se refere a registros de acompanhamento dos alunos e do trabalho dos professores. O que coloco em discussão é como função do pedagogo, cientista da educação, não se envolver e disponibilizar tempo para reflexões em grupos no âmbito da escola visando a realidade local quanto aos aspectos qualitativos e de desafios frente aos problemas encontrados e, muito menos a ênfase para a pesquisa e suas publicações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Enfim, a gestão do trabalho pedagógico deve buscar a garantia de um pensar/agir administrativo e pedagógico coerente e defensor das finalidades da educação em favor dos educandos. É importante que se questionem as finalidades da ação do pedagogo e como ela está sendo articulada dentro do projeto político pedagógico de cada escola, a fim de que, através de um trabalho mais abrangente, devidamente planejado e organizado. É necessário que a ação pedagógica assuma efetivamente o seu espaço no processo de ensinar e aprender. Para tanto, cabe ao pedagogo, nas ações de supervisor ou orientador, viabilizar articulações no processo ensino e aprendizagem promovendo abertura no interior da escola para que professores, alunos e pais possam [Digite texto]


estudar, discutir e avaliar a qualidade dos conteúdos trabalhados, bem como o material didático, procedimentos de ensino, avaliação e programas, ou seja, tudo o que faz parte do trabalho pedagógico na sua totalidade. Assim, o pedagogo estará comprometido com a construção de uma sociedade democrática, visando à superação do trabalho fragmentado dentro da estrutura educacional. Certamente, é grande o desafio do pedagogo em efetivar seu trabalho no âmbito da ação coletiva. Porém, além de ser uma questão de compromisso pessoal, é também uma questão de formação, daí a necessidade de instituições de ensino superior que estejam dispostas a formar profissionais capacitados para estarem rompendo com as teorias tecnicistas, reformulando a ação tecnicista, fragmentada do trabalho escolar, e buscando o trabalho coletivo na execução das diversas funções dentro da Escola. E, principalmente, enfatizando sempre que o projeto maior de todo pedagogo, independentemente da sua área de atuação, é o processo de produção do conhecimento

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AÇÃO INTEGRADA DO PEDAGOGO NA REDE ESTADUAL DO PARANÁ: ORIENTAÇÃO E/OU SUPERVISÃO ESCOLAR?  

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