Issuu on Google+

4

10 a 25 de maio de 2012

Entre o Videogame e o Bosque Com jogos e tecnologia cada vez mais acessíveis, pais precisam estimular atividades ao ar livre Foto: Carlos Bassan

Tatiane Bueno

“Videogame, só depois da lição, Gabriel!” Era assim todos os dias após a escola: Gabriel chegava em casa, jantava e logo queria jogar videogame. A mãe, Suzana Marques Molonhoni impunha limites para que o menino, aos 10 anos, não deixasse de estudar e cumprir suas obrigações. Apesar de curtir ficar horas jogando, Gabriel sempre foi bom aluno e suas notas, sempre altas. “Ele nunca me deu trabalho por causa de videogame”, conta a mãe. Hoje, aos 15 anos, Gabriel joga, no máximo, 2 horas por dia e a restrição da mãe continua sendo ter as obrigações cumpridas. “Mas não jogo todo dia, é só quando não tenho nada para fazer e fico com tédio”, conta Gabriel. Com Leonardo, de 8 anos, Patrícia Oliveira Araújo tem mais trabalho: se não fizer marcação cerrada, Leo deixa de estudar e a única coisa que quer fazer é jogar. “Já tive até que desconectar o videogame, pois chegou uma reclamação da escola dizendo que ele não

Crianças participam de atividade no Museu de História Natural, no Bosque dos Jequitibás

tinha feito lição.” Em ambos os casos, a psicóloga explica que a postura das mães foi a mais adequada. “As crianças precisam aprender, desde cedo, que existem obrigações a serem cumpridas. Entre elas estão as tarefas da escola e pequenas atividades domésticas. Se seu filho perde a noção do tempo na frente dos jogos, será preciso estipular o inicio e o fim da atividade. Vale ressaltar que os pais devem conversar com os filhos e mostrar a grade de horários que foi construída.”, explica.

Enquanto essa geração nasce praticamente sabendo mexer em computador, tablets e celulares, a escola e os pais precisam mostrar que há um mundo além da tecnologia e sair de casa, estar em contato com a natureza não só faz bem à saúde, como também ajuda a desenvolver as habilidades sociais. Embora os jogos eletrônicos ajudem a desenvolver o raciocínio, também inibem o relacionamento interpessoal, pois ao invés de a criança ou adolescente conviver com outArquivo Pessoal

Gabriel: tempo de jogo limitado, obrigações cumpridas

ras pessoas de sua idade, convivem com o jogo. “Uma dica interessante para evitar isso é tornar o jogo um momento propicio para relacionamentos, permitindo que seu filho leve amigos em casa, para jogarem juntos, tomarem um lanche”, explica a psicóloga Vanessa Rovaris Barbosa. A Região Metropolitana de Campinas tem ótimas opções de lazer ao ar livre e em contato com a natureza. Entre muitos parques, praças e zoológicos que a região possui, o Bosque dos Jequitibás está entre os destaques: está entre os 5 espaços no País que abrigam zoológico e aquário no mesmo complexo. Além disso, possui resquícios de Mata Atlântica e há também o Teatro Infantil “Carlos Maia”, o Museu de História Natural, o Aquário Municipal e a Casa dos Animais Interessantes, que possui um Centro de Educação Ambiental e conta com uma

agenda de palestras e programas educacionais, com o objetivo de educar crianças e adolescentes para a preservação do meio ambiente, através do conhecimento da fauna e flora brasileira, difundir ações conservatórias e postura solidária em ralação às questões ambientais. “Alguns domingos atrás, fomos ao Bosque e o Leo reclamou o tempo todo, dizendo que preferia ter ficado em casa jogando”, conta Patrícia. Em casos como esse, a psicóloga orienta que os pais não devem ceder às vontades da criança. “As crianças, principalmente, aprendem pelo exemplo. Se os pais querem desenvolver em seus filhos o gosto por esportes, pela natureza e por encontros sociais, eles devem ser os primeiros a praticarem isso”, completa. Seja ao ar livre ou jogando, as atividades das crianças e adolescentes precisam desenvolver seu raciocínio e habilidades sociais.


Pág. 04