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Queima das Fitas 2010

Jornal da Academia do Porto || Ano XXIII || Publicação Mensal || Distribuição Gratuita Directora Tatiana Henriques || Director de Fotografia José Ferreira || Directora de paginação Mariana Teixeira Chefe de Redacção Mariana Jacob

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Destaque 2 || Educação 10 || Sociedade 14 || JUPBOX 17 || U.Porto 20 || Cultura 22 || Críticas 28 || Cardápio 29 || Opinião 30 || Devaneios 31

Semana única


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JÚLIA ROCHA

Balanço Queima das Fitas 2010

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Queima 2010 olhar para o futuro sem esquecer a tradição

Franz Ferdinand fazem uma pausa na carreira

Acabou no passado dia 8 de Maio mais uma Queima das Fitas. Deixou pelo caminho muita saudade, horas de diversão, mais histórias para contar e outros tantos excessos. A edição 2010 da Queima do Porto trouxe novidades e não desiludiu os estudantes da Academia. vivem do passado. Nós apostamos em inovar com cartazes fortes e um recinto agradável”, deixou claro Ricardo Morgado. E a verdade é que a Queima das Fitas 2010 surge, de facto, inovadora em diversos aspectos. Para além da aposta no novo palco “Mundos”, nas novas actividades académicas e na alteração da disposição do recinto, o cartaz foi mais internacional que nunca. Franz Ferdinand foi o nome mais entusiástico, Crystal Castles e Buraka Som Sistema os mais aguardados. Mas, inevitavelmente, permaneceu a velha guarda. Mais uma vez, marcaram presença os míticos Xutos e Pontapés, GNR e Quim Barreiros. Entre as maiores novidades destacaram-se Nneka, Linda Martini, Legendary Tigerman, Azeitonas e Slimmy. No espaço “Mundos”, o sucesso da estreia foi inegável. Numa ten-

da apinhada em diversas noites, reinaram nomes como Virgem Suta, Olive Tree Dance, Marcelinho da Lua ou The Dixie Boys. “A aposta residiu em grandes nomes e depois, em bandas nacionais de grande qualidade”, e o cartaz “bastante eclético” é prova disso mesmo, afirma Ricardo Morgado. “O que se pretendeu foi ir ao encontro dos diferentes gostos dos estudantes, que se reviram naquele cartaz”. Ainda que admita que o mesmo foi, de certa maneira, “construído à imagem de Franz Ferdinand”. Mas a aposta em grandes nomes não parece ter afectado gravemente o orçamento. Ricardo Morgado garante que “nenhuma ultrapassou os 5000 €”. Mas nem só de concertos se faz a Queima. Sábado, 1 de Maio, foi o dia da Monumental Serenata que abriu

as hostes à semana da Queima das Fitas do Porto. A Serenata enche a Cadeia da Relação e é um dos momentos mais aguardados por todos. Marca o traçar de capa dos caloiros acabados de chegar à Academia e a despedida dos finalistas que agora terminam o seu percurso. Mas se a melancolia invadiu o coração daqueles que partem, o orgulho e o espírito da Academia invadiram os recém-chegados, confrontados com a nova realidade. Mas a noite continua no Queimódromo, onde os Phama, a banda vencedora do Concurso de Bandas de Garagem promovido pela FAP, aqueceram o palco com rock nacional. A banda apresentou o seu primeiro EP para uma plateia rarefeita, mas dedicada. Seguiu-se o concerto de Tiago Bettencourt & Mantha, que trouxe ao palco académico suaves melodias e grandes êxitos,

como “Carta”. Bastante diferente foi o ritmo dos originais Crystal Castles. Os canadianos trouxeram força, energia e novas sonoridades ao Porto. A vocalista, Alice Glass, presenteou todos com os diversos saltos para o público que levaram ao rubro a plateia estudantil. Domingo, 2 de Maio, não ficou atrás do dia de estreia. A celebração da Missa de Bênção das Pastas, pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, atraiu os estudantes e os seus familiares, que foram surpreendidos pelo coro estudantil e a actuação da banda de renome Gen Verde. Numa comemoração que Ricardo Morgado descreveu como “incrível”, os milhares de finalistas da Academia do Porto pintaram a Avenida dos Aliados com cartolas e bengalas de todas as cores e abanaram pela última vez as suas fitas. A XII edição do ECAP, Encontro de Coros da Academia do Porto, iniciou-se ao

LILIANA PINHO

Segundo Ricardo Morgado, actual presidente da Federação Académica do Porto (FAP), o balanço foi “extremamente positivo” e houve claramente “mais pessoas do que no ano passado”. A Queima foi “um sucesso” e tentou “ser diferente dos anos anteriores”. Ricardo Morgado acrescenta que “o cartaz já vinha sendo muito repetitivo. Os estudantes estavam cansados e já mereciam esta grande evolução”. Carla Garcia, finalista de Letras, é que parece não ter gostado muito da mudança: “não tinha grandes expectativas porque o cartaz não me agradava especialmente. Não conhecia quase bandas nenhumas, mas claro, esperava divertir-me”. No final, parece ter mudado de ideias. “Sem dúvida, superou as minhas expectativas”, afirmou. “A Academia do Porto é recente mas com muito futuro. As outras

fim da noite e deu lugar à voz coral da Academia, abrilhantando um apinhado Ateneu. Mais tarde, os Flow 212 confessaram nunca ter actuado num palco como o da Queima das Fitas. Mas o empenho deu frutos e a banda fez mover as ancas mais tímidas com “Ao ritmo do meu Flow” e “És o meu sonho”. Ainda assim, em conferência de imprensa, Jey-Vi revelou que este foi um dos últimos concertos da banda. O artista, um dos criadores dos Flow 212, vai agora lançar-se numa carreira a solo e promete um single para breve. O grupo Buraka Som Sistema fechou a noite com muito kuduro, alegria e boa-disposição. Como seria de esperar, “Sound of Kuduro” e a lendária “Wegue Wegue” fizeram os estudantes vibrar e cantar em uníssono.

Os Franz Ferdinand também aproveitaram para fazer um anúncio, na noite de segunda, 3 de Maio. O grupo afirmou interromper agora o seu percurso para “uma pausa, por causa do cansaço”. Mas no último concerto da tour, a banda britânica caprichou. “Jacqueline” deu início a um espectáculo que durou mais de duas horas – cerca de 45 minutos a mais do que estava previsto. A energia do grupo escocês e os grandes êxitos em jeito de best of, como “This Fire”, fizeram os estudantes entrar em delírio, num recinto a rebentar pelas costuras. Mas ainda antes do furacão escocês, Slimmy – nome artístico de Paulo Fernandes - sentiu-se em casa. O antigo estudante da Escola Superior de Educação do Porto cantou para “familiares e amigos”. Com uma banda totalmente renovada, onde só se manteve o baixista Garim, e um estilo sempre irreverente, Slimmy apresentou temas do seu último álbum, como “Beatsound Loverboy”, “Bloodshot star” – parte da banda sonora da série CSI: Miami – e “Set me on fire”. Não esqueceu ainda o hit “You should never leave me (until i die)”, cantado a plenos pulmões pela plateia presente. (ver caixa de Mário Reis) Segunda-feira foi ainda o Dia da

Destaque

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Beneficência, que mais uma vez envolveu os estudantes na recolha de fundos para instituições de solidariedade social da cidade. Com uma história de já 50 anos, a iniciativa baseou-se na venda de pequenas miniaturas de pastas académicas de cartão com fitas alusivas às diferentes faculdades e constitui um importante factor de formação entre os jovens. Mas para além de solidariedade, é dia de (mais) musicalidade. Em alternativa ao frenesim do Parque da Cidade, surgiu mais uma edição do Concerto Promenade. Este ano, o espectáculo foi inspirado nos 100 anos da República e foi dirigido pelo Maestro António Ferreira Lobo. O festival de música erudita denominou-se de “100 anos de Passeio” e contou com a performance da Orquestra do Norte. Com 800 bilhetes disponíveis, o Coliseu estava repleto. Repleto de sons, descoberta e originalidade. Como referiu mesmo Ricardo Morgado, presidente da FAP, “foi muito bom. As actividades pararelas, como o Promenade, o FITA e o ECAP estavam cheios”. Mas ainda que o Promenade tenha sido um sucesso, a mente da maior parte dos estudantes centrava-se já em Terça-feira. Outro dos pontos altos da Queima é o Cortejo. E na edição 2010 não foi diferente. A euforia desceu pelas ruas do Porto vestidas a rigor, num evento organizado para todos aqueles que se considerem estudantes da Academia. O acontecimento é todos os anos o culminar do curso para os finalistas – que desfilam sobre os carros – e o fim da fase de caloiros para os novos alunos. O Cortejo trouxe, como habitualmente, cerca de 100 000 pessoas à rua, possibilitando o contacto próximo com a população e a apresentação da Academia à cidade. No entanto, nem sempre a competição é saudável e a “rivalidade entre casas”, como descreve Ricardo Morgado, provoca alguns “incidentes praxísticos”. Depois de histórias de discórdia e carros incendiados, a segurança foi reforçada e segundo o presidente da Federação Académica do Porto, “não houve incidente de maior”. Este ano parece ter sido mais “pacífico, com tranquilidade e é isso mes-


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Já no dia 7, os estudantes foram presenteados com o crazy pop dos Azeitonas e gritaram ao som de “Café Hollywood” e da tão famosa “Quem és tu miúda”, entre tantos outros êxitos que já conquistaram o público académico. O grupo trouxe ainda uma fanfarra carinhosamente denominada “Fanfarra Cáustica” pelo vocalista Mário Brandão, artisticamente conhecido por Marlon. Mas o espectáculo não se ficou pelo fim do concerto. Depois da grande actuação, desceram para o meio dos estudantes e fizeram a festa. Em Xutos e Pontapés, tornaramse plateia. Cantaram numa só voz lendas musicais como “Homem do Leme”, “A minha Casinha”, “(Para ti) Maria”, “Contentores” e tantas outras. O concerto levou o frio da noite e deixou sede de mais. Sexta-feira foi noite de Baile de Gala na Quinta da Camarinha, em Vila Nova de Gaia. Os cerca de 200 finalistas vestiram-se a preceito para uma noite única. O Baile de Gala é uma das mais tradicionais festas da Queima das Fitas. Realizou-se pela primeira vez em Coimbra, em 1933, quando ainda se chamava Baile da Queima ou das Faculdades. Representa o final da vida académica dos estudantes e contou com a presença de alunos de diferentes faculdades.

E enquanto os Finalistas se divertiam no Baile, os estudantes ouviam os primeiros acordes de Linda Martini, num concerto já atrasado mas ainda com pouca gente.Mas não só de grandes multidões se fazem os grandes concertos e a banda portuguesa de rock alternativo não ficou aquém das expectativas. Linda Martini, que recusa rótulos de pós-rock ou rock experimental, conquistou o público juvenil com músicas já bem conhecidas de álbuns como “Olhos de Mongol”, “Marsupial” e o mais recente “Intervalo”. Numa conferência de imprensa animada e bem-disposta, prometem ainda a chegada de um novo álbum “sem querer adiantar datas, lá para Outubro”. Mas o chamariz da noite estava para chegar. Nneka, que já conquistou Portugal e o Mundo, fez afluir ao palco do Queimódromo uma multidão que encheu o recinto. As batidas de hip hop e soul da cantora nigeriana inundaram os presentes de ritmo e dinamismo. “Heartbeat” foi o ponto alto do espectáculo, mas as emoções afloraram à pele quando Nneka difundiu mensagens sociopolíticas que foram clamadas em uníssono pelo público.

A cantora confessou aos jornalistas que deve falar destas coisas porque tem essa oportunidade. Acha ainda os portugueses muito simpáticos, mas quando interrogada sobre aquilo que mais gosta em Portugal, é assertiva: a gastronomia. E finalmente chegou o último dia da Queima das Fitas 2010. Mais uma vez, o rock dominou o palco da Queima com Legendary Tiger Man, nome artístico de Paulo Furtado, que apresentou o seu mais recente álbum “Femina” e temas como “Big Black Boat” e “Route 66”, que desde logo marcaram o seu percurso artístico. Distinguiu-se pela originalidade e pelo espectáculo lendário, rodeado de grandes telas que transmitiram em imagens as emoções do som. Seguiu-se os GNR, que deram o espectáculo mítico de sempre. Era uma plateia composta por pessoas de todas as idades, fiéis à banda nortenha. Nem o cansaço de oito dias, o frio e chuva que se fez sentir foram capazes de mover a multidão, que esqueceu tudo para gritar a plenos pulmões temas como “Mais vale nunca” e “Dunas”. Uma queima “muito mais segura que o habitual” Mas a Queima das Fitas 2010 parece ter feito a diferença também noutros aspectos. O presidente da Federação Académica do Porto contou ao JUP que a edição deste ano foi extremamente calma, mesmo em termos de queixas. E nem elementos exteriores à comunidade académica parecem ter alterado isso. “Comparado com o ano passado, foi um sossego. Se houveram incidentes, foram muito residuais, além de que a queima foi muito mais segura que o habitual. Houve até o medo do jogo Porto – Benfica mas foi pacífico”, disse. Destacou ainda outra situação que mostra a preocupação deste ano: “decidimos colocar lona transparente na tenda electrónica para ver o que se passava lá dentro. Evitou muitas coisas e permitiu um maior controlo”, destacou. Relativamente a rumores de violência nos autocarros gratuitos Especial Queima da STCP, Ricardo Morgado ainda não tinha grandes conclusões.

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Mas foi a Tuna de Medicina que arrecadou o maior número de prémios: melhor instrumental, melhor solista, melhor porta-estandarte, melhor pandeireta e ainda segunda melhor tuna. O prémio Tuna mais Tuna (atribuído pelo Magnum Consilium Veteranorum) foi ganho pela Tuna de Engenharia da Universidade do Porto. Mas apesar de ser um festival ibérico, as sete tunas a concurso eram portuguesas. Questionado sobre esta situação, o presidente da FAP ficou com algumas dúvidas. Depois de esclarecido, explicou que “era suposto ter existido uma tuna espanhola mas por questões de trabalho, visto ser uma quarta-feira, não foi possível”. Entretanto, o palco do Queimódromo recebia os Souls of Fire, que actuaram pela primeira vez na Queima. A banda passou várias mensagens durante a sua actuação, em críticas que não deixaram os estudantes indiferentes. Mas o protagonista da noite era mesmo o brasileiro Marcelo D2, que fez vibrar o público com o ritmo do Hip-Hop. O cantor relembrou antigos êxitos como “Mantenha o Respeito” e “À Procura da Batida Perfeita” e mostrou outros singles do seu último trabalho, “A Arte do Barulho”, de 2009.

RICARDO CALDAS

Relativamente a alguns incidentes que envolvem barramentos à participação de estudantes, Ricardo Morgado afirma que “da parte da FAP isso não acontece e não é algo que possa ser a FAP a controlar”. Mas assume que existem algumas coisas que é necessário mudar. Refere nomeadamente a falta de solidariedade das casas que criam situações que atrasam o cortejo e não pensam nos estudantes das instituições que passam no fim, já de madrugada, e nos familiares que lá estão para os ver. Ainda assim, este ano, esta situação parece já não se ter feito sentir de forma tão acentuada, principalmente por causa das grades, que “foram postas mais longe da Tribuna para permitir uma passagem mais pacífica”, afirmou o presidente da FAP. Segundo uma caloira do Instituto de Ciências da Saúde, “o cortejo deste ano representou a força da Universidade do Porto”. Já para Carla Garcia, finalista de Letras, “o cortejo foi o ponto alto da queima”. Depois da tarde agitada do cortejo, a festa continuou no Queimódromo, com a tão esperada “noite pimba”. Mais uma vez, Quim Barreiros marcou presença com as habituais letras apimentadas e foi recebido com grande entusiasmo por parte dos estudantes. Como disse Ricardo Morgado, “Quim é o dia do estudante”. Mas antes do famoso acordeão e do bigode vianense, os Hi-fi tocaram e encantaram quem os ouviu. Misturaram música pimba com grandes clássicos dos anos 80, que todos sabiam de cor. Provenientes de Viseu, deram um espectáculo de ver e chorar por mais. E depois da famosa noite do estudante seguiu-se quarta-feira, que trouxe consigo a XXIII edição do FITA (Festival Ibérico de Tunas Académicas). E o Coliseu do Porto encheu para ver as tunas passar, numa noite especialmente dedicada aos Finalistas da Academia. A Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto (OUP) abriu o espectáculo, que foi apresentado, como habitualmente, pelos Jograis do OUP. Depois de 5 horas cheias de música, chegou finalmente o resultado final e a Tuna da Universidade Católica do Porto sagrou-se a vencedora deste ano.

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“O ano passado houve muitos assaltos, este ano pareceu-me que não. Havia reforço de segurança nos autocarros. Mas não sei, ainda não falei com a STCP.” O Comissário Silva, responsável pelo controlo policial no recinto da Queima parece concordar. “Este ano foi tranquilo”, declara. Segundo o Comissário, os casos mais graves foram “duas detenções por posse de estupefacientes e uma por resistência e coacção”. O que destaca este ano é a “incrível quantidade de objectos perdidos, que já foram reencaminhados para os perdidos e achados”. De qualquer forma, não deixou de haver excessos. Ainda assim, o bombeiro Paulo Ribeiro garante que “não foi nada de especial, passou-se o normal numa festa de estudantes”. Acrescenta ainda que “o maior problema é sempre a ingestão de bebidas alcoólicas. O caso mais grave foi mesmo o de um finalista de Medicina que caiu abaixo de uma barraca. Teve de ser imobilizado e queixava-se muito da coluna. Tinha um ombro partido mas suspeitámos de mais alguma coisa”. A última noite também não foi pacífica. Com o mau tempo, o vento fez soltar-se a “portada

de uma barraca que acertou em dois jovens”. O que deixa sempre muito a desejar é a limpeza do recinto. O Presidente da FAP garante que este “é limpo todos os dias e as casas de banho recebem uma mangueirada”. Contudo, admite que “não se vê grandes soluções”. Mas, para além do festejo, do ambiente e da euforia, tomaram-se decisões importantes. O Parque da Cidade vai continuar a alojar o Queimódromo por mais 4 anos Na quarta-feira, Rui Rio deslocou-se em pessoa ao Queimódromo para assinar um contrato com a Federação Académica do Porto e renovar a cedência gratuita do espaço por mais quatro anos. Como disse o presidente da Federação, “é uma segurança, já que é definitivamente o espaço mais apropriado”. “Não pensámos sequer em alternativas” porque segundo Ricardo Morgado, já estava garantido. “Já tínhamos falado com o Dr. Rui Rio durante a campanha e garantimos desde logo o espaço, caso ganhasse. Foi o cumprir de uma promessa que já nos tinha feito”, disse.

Quem não concordava com o assunto era Elisa Ferreira, candidata concorrente, que sugeriu, na altura, o Palácio de Cristal como o novo espaço. O presidente académico não aceita. O baptismo de “Queimódromo” surge por alguma razão. “O nosso recinto é muito superior a qualquer outro do País. Há muitas actividades a decorrer ali, como o Red Bull Air Race e o Porto precisa de um espaço assim. Neste momento é o único que tem e não pode prescindir dele”. Foi, portanto, um protocolo importante, mas não foi único. Ricardo Morgado destacou ainda o que foi assinado com o Governo Civil, que “permitiu reforçar a componente social e veio dar um carácter de responsabilização cívica e social que a FAP tem de ter”. O protocolo com o Governo Civil, segundo comunicado da FAP, teve como objectivo a colaboração de várias entidades para “sensibilizar os jovens para a prevenção rodoviária durante a semana da Queima das Fitas”. No âmbito deste protocolo, esteve presente durante a Queima das Fitas “uma campanha de prevenção rodoviária que envolve PSP, Instituto da Droga e da Toxicodependência, Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas

(ANEBE), Associação de Discotecas Nacional e STCP”. Outra questão que se levantou ainda antes do início das festividades académicas foi o polémico regulamento de imprensa. Perante as restrições que a FAP apresentava, tais como a entrega dos trabalhos fotográficos por parte dos fotógrafos, houve diversas queixas – principalmente de uma jornalista do “Jornal de Notícias” – e mesmo uma ameaça de queixa por parte do Sindicato dos Jornalistas. Ricardo Morgado responde que, na altura, “não percebemos que íamos violar de alguma forma o estatuto do jornalista ou estávamos a atentar contra a liberdade de expressão. A nossa intenção era proteger os direitos do estudante, nomeadamente a imagem”. Afirma mesmo que “nem sabíamos da queixa que pretendiam fazer. Quando tive conhecimento, contactei-os de imediato.” Acredita que depois da revisão de alguns pontos, “tudo se resolveu a bem e até serviu de exemplo à boa comunicação entre instituições”. Para Ricardo Morgado, “pôs-se uma pedra sobre o assunto”.

Liliana Pinho Tatiana Henriques

Uma das noites mais esperadas Na terceira noite de Queima das Fitas, o vento frio punha à prova os milhares de pessoas que se deslocaram ao Queimódromo para assistir a um cartaz que prometia Festa e Rock. A abertura das hostilidades ficou a cargo de Slimmy e a sua banda renovada; à excepção do baixista Garim, todos os outros elementos dão os primeiros passos nesta banda, depois da experiência acumulada em bandas como Funk Yard, Varuna ou Teia. Com um concerto competente e que remete para o imaginário “Glam Rock” asseguraram as primeiras ovações da noite com músicas como “Beat Sound Loverboy” e “Showgirl”. A segunda actuação da noite trouxe de volta a Portugal os escoceses Franz Ferdinand. Perante um público entusiasta que os recebeu de braços abertos, a banda banqueteou os seus fans com um concerto enérgico, baseado em harmonias simples, melodias cantáveis, refrões radiofónicos qb e as virtudes do vinho do porto que o vocalista Alex Kapranos não se cansou de elogiar. Apresentando um repertório dos seus três discos, foram as músicas do primeiro registo que provocaram as maiores explosões no público. Temas como “Take me out” ou “This Fire” foram cantados e dançados com a exuberância própria dos festejos académicos. Depois de um final de concerto em que todos os membros tocam percussão na bateria entretanto desmembrada, a banda regressou ao palco para um longo encore que terá saciado o mais exigente dos fans. Longe da ribalta e da magnitude do palco principal, os OliveTreeDance provocaram uma descarga de adrenalina num Palco Mundos a rebentar pelas costuras. Ingredientes: um didgeridoo, uma bateria e um kit de multi percussão, tudo isto tocado nunca abaixo dos 190 bpms. Pelo observado na tenda, não podemos deixar de questionar o impacto que poderiam causar no palco principal. Mário Reis


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A praxe é uma tradição indissociável do Ensino Superior. Mas será que é necessário seguir à risca as regras para se sentir um verdadeiro aluno universitário?

Tradições Académicas: Desmistificar a praxe

mias universitárias portuguesas e que visam a integração de novos estudantes dentro da instituição”. Esta rege-se pelo mote Dura Praxis Sed Praxis (A praxe é dura, mas é praxe). Esta tradição teve origem na Universidade de Coimbra e retoma ao século XIV, quando era praticado pelo clero. Na altura, tinha como base uma espécie de lei: o “foro académico”, aplicada pelos “Archeiros” cuja função era zelar pela ordem no campus e inserir os novos alunos na vida académica. A essência

manteve-se até aos dias de hoje. Assim como a contestação. No século XVIII surgem as trupes e a praxe vivesse sob o nome de «investidas», levadas a cabo pelos veteranos da Universidadede Coimbra. Foi proibida pelo Rei D. João V, depois da morte de um aluno No século XIX ressurge e o termo é substituído por «caçoada» e «troça». Mas novamente a sua prática é várias vezes obstruída devido a condições políticas, económicas e sociais – como a proclamação da

República e a I Guerra Mundial. Durante a implantação da República as actividades praxísticas são abolidas por causa da oposição dos estudantes revolucionários, voltando a ser instaurada em 1919. Durante o Estado Novo, é também posta de parte. Os alunos concentram, a sua atenção na contestação ao regime salazarista. Durante a luta revolucionária, os estudantes de esquerda consideravam que a praxe distraía os estudantes da luta política, e portanto nunca fo-

VISAO ESTUDANTES/DOCENTES E OUTRAS MANIFESTAÇÕES Desde cedo que diversos manifestos anti-praxe foram já assinados, inclusivamente por personalidades. O mais recente data de 2003 e foi assinado por personalidades como Pacman, Manuel Cruz, Eduardo Prado Coelho, Rosa Mota e Pedro Abrunhosa. A praxe é então uma tradição já inerente ao ensino Universitário do nosso País. Ainda assim, os alunos podem optar por fazer ou não parte desta tradição. As concepções sobre este assunto são diversas e envolvem todos os membros da comunidade académica. Mesmo os professores, que parecem por vezes distantes deste tipo de acções, têm uma palavra a dizer. Uma das posições mais demarcadas é a da Faculdades de BelasArtes (FBAUP) da Universidade do Porto. Não é anti-praxe, apenas não a pratica. Após o Luto Académico de 1969, Belas Artes nunca retomou as praxes, sendo, na sua generalidade, anti-praxista. Arquitectura integrada na data na FBAUP, levou consigo, para o Campo Alegre, esse legado. Mas neste caso foi diferente. A Faculdade de Medicina, em parceria com Letras e Ciências, inicia na praxe cerca de 60 pessoas de Arquitectura, do 1º ao 5º ano. Neste momento, na Faculdade de Arquitectura já há um grupo de alunos que pratica a praxe, tal como nas outras instituições. Cristina Ferreira, docente na Faculdade de Belas Artes, refere que já nos seus anos de estudante nesta faculdade a praxe não existia. Simplesmente “não é uma opção”. Apesar de participar nas restantes actividades académicas, a praxe não chega a ser considerada. Cristina Ferreira atribui este factor ao facto de, no meio artístico, a praxe não ser vista com bons olhos. Há ideias pré-concebidas acerca da praxe na Faculdade. Em Belas-Artes, os alunos são “desencorajados” a participar em praxe e a não usar o traje académico, primando pela sua individualidade e singularidade, curiosamente o contrário do que acontece nas restantes instituições. Os alunos também não estão muito interessados nisso. Cristina Ferreira diz que “a praxe é importante desde que não ultrapasse os limites. É um rito de iniciação que devia ser opção para

todos.” A professora conta o caso de uma aluna de Belas-Artes que pediu autorização à direcção da faculdade para trajar, o que nem seria necessário. A aluna é que sentiu necessidade de o fazer tendo em conta a política da faculdade em relação à praxe”. Em outras Instituições da Academia do Porto, onde a praxe é praticada e aceite, a opinião dos professores não diverge muito da de Cristina Ferreira. Helena Lima, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, participou na praxe enquanto aluna, mas considera que “a praxe da altura era muito diferente da que se pratica agora, (…) não tinha esta conotação de regime militar”. Mas acredita que a praxe pode consistir num elemento de integração, mas dependendo muito da forma como é praticada. Não deixa de reparar que a praxe pode prejudicar o percurso académico dos alunos. “Eles querem cumprir os próprios horários. Estão nas aulas e a pensar que o professor nunca mais se cala para irem para a praxe. É claro que não estão com atenção”. Tal como as docentes Helena Lima e Cristina Ferreira, Luís Mira Vieira, docente no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), frequentou a praxe enquanto caloiro da Faculdade de Farmácia. Achou a “experiência muito interessante”, ainda que não tenha continuado como doutor de praxe. “Eram brincadeiras muito engraçadas. Na altura ficava mesmo chateado, mas agora conto-as a toda a gente. (…). Uma vez obrigaram-me a medir a fachada toda do edifício com um palito”. Admite que actualmente já não está muito a par das tradições, mas considera que “a praxe pode ser uma óptima forma de integração, uma vez que é complicado para alunos que vêm de fora e não conhecem ninguém”. Na opinião de Luís Vieira, a praxe pode mesmo ser uma boa forma de incentivar os alunos a estudar, uma vez que influencia o ambiente entre os alunos. “Se os alunos se sentirem bem e integrados, sentem-se incentivados. Se não, podem nem sequer ter vontade de estar ali”. Mas o docente refere que a praxe também constitui um foco de distracção. “Noto que às quintas-feiras, [dia de praxe de alguns cursos no ICBAS], os alunos estão na aula

mas estão sempre muito agitados. Fisicamente estão lá, mas a cabeça já está na praxe”. Para contornar isto, sugere que “os alunos comecem a aprender a gerir os seus horários. Se amanhã têm um relatório importante para entregar, claro que hoje não vão à praxe”. Até porque “no final do curso não é a praxe que lhes vai arranjar emprego”, sublinha. Mas a praxe, para os estudantes, tem um carácter muito mais complexo do que parece e que exige uma grande disponibilidade e dedicação. Assim, existem alunos que fazem da praxe uma das ocupações mais importantes da sua vida académica e outros preferem simplesmente dar prioridade a outras actividades por eles mais valorizadas. Joana Borges chegou ao Curso deCiências da Informação com a ideia de que a praxe “iria valer a pena”, o irmão sempre lhe tinha dito que “era uma óptima maneira de integração e que assim poderia conhecer muitas pessoas do seu curso”. E a verdade é que a praxe não a desiludiu. Neste momento, Joana Borges frequenta o primeiro ano de Ciências da Comunicação porque entretanto mudou de curso. Mas continua a frequentar a praxe de Ciências da Informação, onde já é semi-puto [doutor de praxe com duas matrículas]. È difícil conciliar, são ambos em pólos diferentes da faculdade, mas Joana é resoluta. “Tenho de fazer imensas viagens. Mas eu acho que vale a pena. (…) Foi com aquelas pessoas que passei os meus momentos de caloira, por isso não fazia sentido mudar.” Para Joana, a praxe é muito importante e, enquanto semi-puto sabe que tem muito a aprender mas está disposta a fazê-lo. “A praxe é para os caloiros, logo há uma grande organização por trás. Nós, semi-putos, temos a função de levar o maior número de caloiros e assistir à praxe, para que para o ano possamos ser bons praxistas.” Para a aluna, a praxe pode ser muito marcante. “Eu sou muito extrovertida e se calhar não tinha problema em falar com as pessoas, mas a verdade é que existem pessoas muito caladas e tímidas que, com a praxe, se integram mais facilmente num grupo”. Sublinha ainda que considera não existir qualquer tipo de humilhações em praxe. “Nós fazemos com

que as pessoas se sintam no máximo à vontade e as pessoas de fora, que não têm conhecimento, dizem muitas vezes que na praxe se passam vergonhas e que as pessoas fazem coisas que jamais fariam noutro sítio, mas não é bem assim”. A sua função enquanto doutora de 2º ano, “é fazer com que ninguém do exterior veja a praxe. Os próprios caloiros estão impossibilitados de ver quando um está a ser praxado individualmente. Isso é mesmo opinião de quem não está presente”. “A praxe serviu mesmo para eu me sentir muito à vontade. Dia após dia sentes-te cada vez melhor de lá estar”, conclui. Margarida Pinto é aluna do 1º ano da Faculdade de Direito e no secundário, não sabia o que era a praxe e chegou ao Porto sem expectativas. Lembrava-se da irmã chegar a casa cheia de ovos na cabeça, mas como a própria refere, “agora sei que é muito mais que isso”. Para além de lhe proporcionar momentos muito bons, acredita que a praxe lhe é útil na vida e no percurso académico, enquanto aluna de Direito. “Mantenho-me na praxe porque já tive momentos muito bons e mesmo com os menos bons, aprendi muito com eles. Daqui para a frente, as coisas não vão correr sempre bem, muito pelo contrário. E acho que a praxe acaba por me preparar muito para isso.

E se calhar hoje quando alguém estiver a gritar comigo ou estiver numa oral de direito, terei uma postura completamente diferente da que teria há um tempo atrás”, afirma. A aluna de Direito acredita ainda que a praxe foi muito importante no processo de integração. “Eu não conhecia ninguém e foi na praxe que conheci. A verdade é que o meu grupo de amigos e as pessoas com quem partilho mais coisas são da praxe, não porque eu seja anti-social com as pessoas que não são da praxe ou queria seleccionar, porque não selecciono”, sublinha. Para Margarida, a praxe tem agora “muita importância”. “Se for preciso todos os dias tenho coisas da praxe”. Ainda que reconheça que por vezes o facto de ter estas actividades de praxe façam com que vá menos às aulas, a praxe tornou-se mesmo uma parte vital da vida académica que a aluna não dispensaria. “Se estamos na universidade, devemos aproveitar tudo aquilo que ela nos pode dar e nesse caso, acho que devo aproveitar a praxe”, refere. Relativamente à sua faculdade em particular, explica que se acredita que “a praxe em Direito é mais dura, há mais rigidez, mas a verdade é que praxar um médico não é a mesma coisa que praxar um juiz. PEDRO FERREIRA

PEDRO FERREIRA

A praxe é algo de que toda a gente fala, mas que poucas pessoas conhecem. Quem vive e sente percebe que a praxe vai muito mais além de qualquer história ou tradição. Tem um significado, para quem a vive, que transcende todas as definições que podemos pesquisar nos milhares de sites, fóruns e blogues que a debatem no mundo global que é a internet. Ainda assim, a praxe académica é frequentemente descrita como “um conjunto de usos, costumes e tradições praticados dentro das acade-

ram apologistas da sua prática. Muitos estudantes sofrem represálias, o que culmina no Luto Académico, em 1969. O reaparecimento da praxe acontece no final da década de 70 e rapidamente se alastra, ainda que com maior intensidade em Coimbra, ao resto do país A praxe sempre teve e continuará a ter altos e baixos e quase sempre pelas mesmas razões: a forte contestação estudantil e as reacções que suscita. No Porto, individualmente, não foi diferente. No caso da cidade invicta, os costumes praxísticos estão relacionados com o uso de um dos maiores símbolos dos estudantes: o traje. Em 1858, os estudantes da Academia Politécnica (actual Faculdade de Engenharia) fazem uma requisição ao governo, pedindo autorização para o uso deste, tal como os estudantes de Coimbra. Qualquer que tenha sido razão, o traje começa a aparecer no Porto aos poucos. O traje sempre foi composto por capa e batina, e surge com base nas vestes eclesiásticas, uma vez que foi introduzido pela Igreja, que administrava o ensino Universitário. Com o uso da Capa e da Batina, começaram a surgir na academia do Porto uma série de “instituições”, como a Tuna e o Orfeão que usavam o traje académico. Ainda que desde sempre tenham existido alguns opositores à prática da praxe em todo o País, um dos primeiros contestadores que se conhece é Teófilo Braga, que viria a ser Presidente da República. O estudante refere, em relatos pessoais, que os alunos faltavam às aulas para escaparem à praxe. Esta objecção materializa-se ainda em movimentos anti-praxe que surgem na década de 90, nomeadamente o MATA (Movimento Anti – Tradição Académica) e o Antípodas, que consideram que a praxe é um atentado à integridade física e psicológica e à dignidade humana. Estes movimentos evocam várias actividades praxísticas que já correram mal, nomeadamente casos em Elvas e Coimbra. Estudantes que ficaram com danos físicos permanentes e uma aluna que foi coberta de excrementos depois de se declarar anti-praxe (em Santarém), receberam indemnizações dos praxistas. Este caso foi o primeiro que foi resolvido na justiça.

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conseguido conciliar, afirma: “não vou deixar de viver a vida académica por causa disso. Aliás, espero participar no cortejo, vou trajar e vou continuar a sentir-me um aluno da Universidade do Porto, tanto ou mais que os meus colegas que andam na praxe”. Dinis Oliveira, colega de Pedro Costa enquanto aluno do 1º ano de Bioengenharia, foi mais radical. Nunca experimentou a praxe, e continua a não ter curiosidade em fazê-lo. No secundário, tinha a ideia de que “a praxe era uma perda de tempo e que existiam outras formas de conhecer pessoas sem perder horas naquelas actividades [de praxe] menos interessantes”. Agora, afirma que a ideia se mantém, embora tenha ficado mais elaborada. Não aprecia as hierarquias e a rigidez de toda a actividade praxista. Quanto à praxe enquanto integração, Dinis reconhece que poderia ser diferente. “Parece-me que poderia estar mais bem integrado nalguns grupos de alunos se tivesse ido, mas por outro, estou satisfeito por não ter ido porque compensou a nível académico. Seguir matérias e assim…”, declara. “Não conheço os nomes de tantas pessoas como poderia conhecer (…) mas também estamos muito no início”, e acredita que isso também se pode dever ao facto de não ser muito extrovertido. “Como não fui, dou-me com pessoas que também não são da praxe”, reconhece. Ainda assim, e ao contrário de Pedro, afirma que não se sente discriminado, “de maneira nenhuma”. Apesar das boas experiências vividas pelos alunos ou da simples opção de se manter aparte do movimento, nem tudo parece ser favorável e simples. Uma estudante da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto descreve a sua experiência como “inútil” e “uma perda de tempo”. A aluna frequentou a praxe durante quase quatro meses. Afirma que não é propriamente anti-praxe mas é contra a maneira como ela é encarada. “Se é suposto a praxe servir para integrar um estudante na vida académica e incutir espírito de grupo, não foi esse o meu caso. Penso que devia haver uma mudança relativamente ao conceito de praxe”. Sublinha ainda que “não era contra

a praxe se isso não prejudicasse o horário de estudo, se não obrigasse a estar tantas horas sem fazer nada e a ouvir pessoas a dizerem-me coisas sem sentido. (…) Ninguém me ajudou em nada nessa altura, e não me diverti minimamente com o que fazíamos”. Refere mesmo que, visto não ser do Porto, a mudança foi muito complicada e a praxe nem a conhecer a cidade ajudou. “Obrigavamme a estar cedo na faculdade e a ir muito tarde para casa sozinha, não tendo tempo para mais nada”. Faz questão de referir que “No caso da minha faculdade, a praxe não é muito agressiva em termos de humilhações”, ainda assim, a estudante de Farmácia acredita que “Era perder tempo gratuitamente. Tempo importante para outras coisas, até porque os caloiros não podiam falar entre si. Só fiz amigos na faculdade durante as aulas, depois de sair da praxe”. Na sua opinião, “a praxe podia ser um espaço em que os estu-

dantes partilhassem experiências e debatessem assuntos ou uma forma de se divertirem todos juntos sem hierarquias e regras. O mote da praxe devia ser incluir ao máximo as pessoas e tratá-las com respeito e igualdade e não excluir quem não faz parte”. A estudante vai mais longe e diz que “Se os estudantes se juntassem para defender causas justas com o empenho com que se juntam para participar na praxe, o ensino superior e muita coisa no nosso país podia ser diferente. Só assim haveria uma verdadeira união de estudantes dentro da Universidade do Porto”. Mas não se fica por aqui. “Penso que este é um problema que os estudantes vão ter de resolver futuramente entre si, pois estarmos a perder o nosso espírito crítico e o poder que tínhamos para mudar e para revolucionar”, conclui.

ORFEÃO UNIVERSITÁRIO Também no Orfeão Universitário do Porto (OUP) a praxe é símbolo de integração. Surgiu da necessidade de uma hierarquia mas é uma praxe diferente da habitual, mais centrada na vertente logística. “ (Os caloiros) têm que aprender a montar um espectáculo, a organizar, a saber que instrumentos são precisos para cada grupo”, refere Eva Mesquita Cordeiro, presidente do grupo académico. E “é aquela cordialidade – os mais velhos já carregaram, logo, carregam os mais novos”, afirma. Relativamente ao traje, o Orfeão persiste na conservação do uso da capa e da batina. No entanto, distingue-se do traje tradicional da Academia. Segundo Eva Cordeiro “O traje académico feminino nasceu em 1944 no Orfeão Universitário do Porto. (Elas) usavam um vestido com a faixa preta, da cor do Orfeão. Só depois é que se sentiu a necessidade de criar um uni-

forme para a mulher, daí usarmos meia branca. Depois a praxe é que adoptou o nosso traje, mudando, individualizando-o, usando a meia preta”.

OUTRAS FORMAS DE INTEGRAÇÃO ACADÉMICA A Real Tertúlia dos Bastardos é uma das alternativas à praxe habitual e apenas existe na Secção Autónoma de Ciências da Comunicação da UP. Existe há cerca de cinco anos e tem cada vez mais participantes, que pretendem a integração no mundo académico, mas sem as regras mais rígidas da praxe. “O grande objectivo é integrar as pessoas que entram no curso”, conta Bárbara Pinho, a actual responsável pela RealTertúlia dos Bastardos. Na sua Carta de Princípios, a Tertúlia assume-se como um “grupo académico vedado a praxistas”, descartando qualquer associação a alguma actividade praxística, seja física ou psicológica.

“não somos contra a praxe e nem competimos com ela”. A Real Tertúlia dos Bastardos é organizada por uma comissão de cinco pessoas, que existe para alterar algo na Carta de Princípios, quando necessário. O objectivo passa agora pela passagem da Tertúlia a uma instituição, “para que qualquer pessoa da Universidade do Porto pudesse entrar”.

“Nós não fazemos praxe. Só nos reunimos e estamos juntos. Além das reuniões marcamos jantares para convivermos uns com os outros”, assegura Bárbara. A responsável afirma ainda que na Tertúlia “ se pretende que os mais novos tenham sempre alguém a quem pedir apontamentos e que lhes conte o que se passa no curso. O ambiente é informal”. As tradições académicas são seguidas da mesma forma, podendo os “tertulianos” usar traje (já que este é académico), terem direito a Baptismo e participarem na Serenata. Mas, durante o cortejo, os participantes na Tertúlia não passam na tribuna, como os restantes colegas que pertencem à praxe. Não obstante, as insígnias, como a semente, nabo ou grelo, não são permitidas, pois são de cariz praxístico. Também existe uma hierarquia dentro da Real Tertúlia dos Bastardos, mas que serve como “uma mera formalidade”. Bárbara Pinho salienta que ninguém se trata por “doutor” e nem se fazem saudações, “podem olhar-nos nos olhos e sentar-se ao mesmo nível que nós”. A responsável lembra ainda que sentiu alguma picardia entre a Tertúlia e a Praxe: “já sentimos bastante discriminação, apesar de agora ter diminuído um pouco. Mas chegaram a perseguir-nos e boicotar as nossas reuniões”. Além disso, Bárbara refere que os cartazes que anunciavam os encontros da Tertúlia foram arrancados. A responsável acrescenta que “os cartazes são colocados em finais de Outubro para que os caloiros experimentem a Praxe, e só depois decidam se querem ou não, ir à Tertúlia”. Bárbara Pinho esclarece que a Tertúlia é anti-praxe, mas que há respeito pelas actividades praxísticas,

FAP – FEDERAÇÃO ACADÉMICA DO PORTO

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ta que a praxe “era uma maneira de me integrar no espírito universitário, era uma maneira de conhecer as pessoas do meu curso”, ainda assim, “não era uma prioridade”. Como o próprio justificou, “a partir do momento em que não me deixaram conciliar a praxe com os estudos e o desporto (Pedro pratica natação de competição) à minha maneira, optei por não continuar. Conta ainda que eles [os doutores de praxe] “não eram más pessoas mas não nos deixavam fazer o que nós queríamos. Quando saíamos das aulas íamos logo ser praxados, nem nos deixavam conhecer a faculdade e estar com os nossos amigos (…) porque dizem que é para conhecer os outros e às vezes nem podemos falar com eles. Mas sei de algumas pessoas do meu curso que vão à praxe até se tornaram grandes amigas”, assegura. Pedro acredita ainda que a praxe é importante na ajuda à integração, na interacção com alunos mais velhos do mesmo curso e como ele próprio refere, “para perceber como tudo funciona”. Mas na sua opinião, “os alunos não podem fazer da praxe o expoente máximo da sua vida universitária”. Ele acredita que “uma praxe mais liberal” até o motivaria mais, porque o que menos apreciou foi “que o pusessem entre a espada e a parede”, porque “desta maneira, quem quer ter boas notas, acaba sempre por deixar de ir. A praxe exige muito tempo”. Em relação às polémicas de violência e abusos em praxe, Pedro não concorda. “Nunca sofri violência nenhuma. Somos um bocadinho gozados, mas basta entrarmos no jogo e pode ser muito engraçado”. Ainda assim, sente a discriminação na pele, por parte de alguns colegas. “Houve pessoas que deixaram de falar para mim quando deixei a praxe, mas isso não são os alunos mais velhos, são mesmo colegas meus que não entendem o porquê de não termos a mesma visão que eles [da praxe] ”. Ainda que a praxe seja evocada como ritual de integração, Pedro sente-se “totalmente integrado (…), e nunca me senti excluído de nada por não ir [à praxe].” O aluno universitário não deixa de referir que considera “as tradições académicas mesmo importantes”, e ainda que tenha pena de não ter

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Acredito que muitas das coisas que acontecem na praxe têm um porquê. Não sabemos é esses porquês logo no primeiro ano.” “Lembro-me que no primeiro dia éramos imensa gente nos degraus da faculdade à espera da primeira sessão de praxe e no final desse dia só restavam muito poucos”. Assim, acredita que “se a praxe fosse mais suave nos primeiros dias se calhar tinha ficado mais gente, mas não sei até que ponto é que isso era bom, porque é importante ver até onde as pessoas podem ir”. E Margarida não duvida de que um dos objectivos da praxe “é conseguir pessoas que realmente consigam aguentar” e por isso, “há uma selecção de forma natural na primeira semana. As pessoas mais frágeis não conseguem mas a partir do momento em que aguentas as primeiras semanas, ficas até ao fim”. Assim, no próximo ano, quer praxar os novos caloiros e partilhar com eles aquilo que este ano partilharam com ela. “Para mim seria estúpido não praxar porque acho que estaria a ser egoísta. Se eu tive a oportunidade de viver coisas, quero proporcioná-lo a outras pessoas”. Considera ainda que “é importante praxar. Mas é importante praxar tendo sido um bom caloiro, porque depois há os maus praxistas que se calhar praxam com um intuito muito diferente do que aqueles que já passaram por isto”. E na opinião da caloira, um bom praxista “é aquele que tem os horizontes suficientemente abertos para aceitar as pessoas que não são de praxe e que (…) consegue fazer com que no dia anterior ao dia de praxe apeteça aos caloiros ir. É aquele que vem ter connosco e nos diz uma palavrinha ou faz um gesto de apoio que pode marcar os caloiros para o resto do percurso académico, e que faz pensar que os doutores até se preocupam connosco”, finaliza. Pedro Costa, aluno do 1º ano de Bioengenharia da Faculdade de Engenharia. Experimentou a praxe durante dois meses, e ainda que tenha saído, não foi por não ter gostado. Aliás, ainda que viesse do secundário com “expectativas diferentes” e esperasse algo mais “dinâmico”, vê a praxe como “uma experiência diferente” da qual “gostou imenso”. Tal como Margarida, Pedro acredi-

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A Academia do Porto é formada por todos os estudantes de ensino superior da área metropolitana, seja Universidade Pública, Privada, Politécnicos ou outros. Segundo o site da própria instituição, a Federação Académica do Porto (FAP) surge “como interlocutor representativo da maior Academia do país (…). Assume-se como organismo coordenador do movimento estudantil, criando os meios para a união das diversas associações.” Segundo a mesma fonte, a FAP “é constituída por 26 Associações, fiéis depositárias dos interesses dos seus estudantes, que são mais de 70 000”. Isto é, a FAP é constituída pelas associações de estudantes da Academia do Porto. Quer sejam praxistas quer sejam anti-praxe. Porque o conceito é ‘académico’ e não praxista. Qualquer aluno, independentemente das suas crenças, é aluno da Academia do Porto e portanto usufrui das actividades da FAP e tem os mesmo direitos e deveres que qualquer outro. Senão, que legitimidade teria a FAP de representar associações como a de Belas-Artes? Os dirigentes da FAP devem ainda ser isentos de opções e partidos. Enquanto representantes da Academia, deverão representar a Academia, composta por todos os alunos e não tomar grupos isolados, quer sejam praxistas ou não. Deverão representar, sim, uma mediação entre eles. Aliás, a FAP descreve-se como sendo um “espelho de um movimento associativo que se quer dinâmico e interactivo. É um espaço de trabalho, convívio e de aproximação aos estudantes.” Como tal, todas as actividades realizadas pela FAP - como a Queima das fitas (que envolve o Cortejo, a

Monumental Serenata, a Bênção das Pastas, etc. …) – são dirigidas a todos os estudantes da Academia do Porto, ainda que esta seja realizada com a colaboração do Magnum Concilium Veteranorum, instituição da Academia. Segundo a FAP, a história da Queima das Fitas no Porto surge em 1920, quando os finalistas de Medicina da Universidade do Porto faziam a chamada “Festa da Pasta”, considerada a origem da Queima das Fitas do Porto. “Desde então, este evento tem sofrido uma progressiva mutação: deixou de ser exclusivamente uma festa restrita aos estudantes para passar a ser a segunda maior festa da cidade do Porto e a maior festa académica do país.” Precisamente. A Queima das Fitas é uma festa académica. Para além disto, em todos os locais referentes ao Cortejo pela FAP, este está sempre identificado como sendo o Cortejo Académico do Porto, não tendo qualquer relação com a actividade praxista. Deste modo, não se entende o porquê de, todos os anos, vários alunos antipraxe da Academia não terem o mesmo direito de desfilar com o seu curso no Cortejo. Se consideram legítimo ser vedado aos alunos que não se encontram em praxe, visto ser representado pelo Magnum Concilium Veteranorum, então a FAP não tem o direito de lhe chamar académico. O JUP tentou entrevistar o actual presidente Ricardo Morgado que, por indisponibilidade, não conseguiu aceder ao pedido antes do fecho desta edição. Tentou igualmente contactar Américo Martins, DUX VETERANORUM da Academia do Porto. Tais tentativas revelaram-se infrutíferas.

LILIANA PINHO, JÚLIA ROCHA, TATIANA HENRIQUES E TERESA CASTRO VIANA


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FOTO DE: MANUEL RIBEIRO

sede do JUP), na Rua de Miguel Bombarda, uma festa de comemoração deste acontecimento. Ao fim da manhã, o ambiente era tranquilo, marcado pela descontracção. Jogava-se à bisca 61, um jogo de cartas típico de S. Tomé e Príncipe. Posik do Espírito Santo, Presidente da Associação de Estudantes de S. Tomé e Príncipe, explicou ao JUP a diferença entre a bisca 61 e a bisca tradicional: “na nossa, o 5 vale 10 valores e o 7 não vale nada, só serve para trocar as cartas”. Carlos Santo, Vice-Presidente do Conselho Fiscal, referiu ainda que este é um jogo em que o valor total das cartas é 120 e só pode ser jogado a 2 ou entre 2 pares de 2 jogadores. Ganha a bisca 61 quem fizer de 61 pontos para cima. Enquanto o jogo decorria, os ritmos envolventes eram o pano de fundo. Também a gastronomia marcou presença neste festejo. Pairava no ar o cheiro do que melhor se faz em África. Pascoal Sangonga, um associado angolano, revelou ao JUP os ingredientes do “Calulu”, um dos pratos santomenses que estava a ser confeccionado: “leva olho de palma, espinafres, frango ou peixe e farinha de mandioca” Carlos Santo contou ao JUP um pouco do que ainda se ia passar ao longo do dia

“Mas nós queremos ainda uma coisa mais bela. Queremos unir as nossas mãos milenárias, das docas dos guindastes, das roças, das praias, numa liga grande, comprida dum pólo a outro da terra, p’los sonhos dos nossos filhos, para nos situarmos todos do mesmo lado da canoa” Excerto de ‘No mesmo lado da Canoa’, de Alda Espírito Santo

DIA DE ÁFRICA

COMEMORADO NA SEDE DO JUP Marcado pela gastronomia, música e danças tradicionais santomenses, o Dia de África foi comemorado no passado dia 29 de Maio na sede da Associação de Estudantes de S. Tomé e Príncipe. São muitos e milenares os laços que nos ligam ao Continente Africano. Em 25 de Maio de 1963, reuniram-se em Adis Abeba 32 chefes de estado africanos numa luta contra a subordinação que o seu continente sofrera há séculos. Ao longo dos tempos, o

povo africano foi alvo das mais duras injustiças. Viram as suas riquezas roubadas por aqueles que se consideravam superiores e, durante muito tempo, nada foi feito para contrariar esta tendência. A reunião em Adis Abeba foi o ponto de partida para uma mudança de tradições. Nesse dia, os chefes

de estado reunidos criaram a OUA (Organização da Unidade Africana), hoje denominada União Africana. Dada a importância deste encontro, a ONU estabeleceu, em 1972, o dia 25 de Maio como o Dia da Libertação de África. Um dia que simboliza a independência do povo africano, a sua memória e a vontade

comum da sua unidade. Um dia para glorificar o passado, incidir sobre o presente e traçar o futuro da (nossa) África. Assim, e no seguimento da importância do Dia de África, realizou-se no passado dia 29 de Maio, na sede da Associação de Estudantes de S. Tomé e Príncipe (também

FOTO DE: MANUEL RIBEIRO

“vamos ter a apresentação de poemas da nossa querida Santomense Alda do Espírito Santo. Mais tarde temos uma exposição e depois, a partir das 16h, temos o convívio com música e dança”. Carlos Santo

Durante a tarde, a festa decorreu na sede no JUP com música e dança. Simultaneamente, a Associação de Estudantes de S. Tomé e Príncipe, convidada pela Associação da Comunidade Angolana no Porto, reuniuse em Paranhos até ao fim da noite para comemorar o Dia de África. O evento contou com gastronomia, música, dança e desfile de trajes tipicamente santomenses. Carlos Santo refere que as iniciativas da AESTP, alusivas às comemorações do Dia de África “têm como objectivo a confraternização entre os associados”. Teresa Castro Viana

Alda do Espírito Santo

Alda do Espírito Santo nasceu em S. Tomé e Príncipe em 1926 e morreu em Março deste ano em Angola. Estudou em Portugal e foi uma das poetizas africanas mais conhecidas. Ocupou cargos importantes nos governos de S. Tomé, tendo sido Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada.

FOTO DE: MANUEL RIBEIRO


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FOTO DE: SERGIO SILVA

Novo reitor anunciado a 15 de Junho A UP é a primeira universidade portuguesa com um candidato estrangeiro. O resultado será conhecido este mês. Perto do fim do mandato do actual Reitor, é necessário o início de um novo processo de candidatura para o representante máximo da Universidade do Porto. Os candidatos ao cargo são Prabir K. Bagchi, professor da Universidade de George Washington em Washington D.C. (EUA) e o actual Reitor da Universidade do Porto, José Carlos Marques dos Santos. Com a chegada ao fim de um ciclo, outro rapidamente começa. No passado dia 19 de Maio, o Conselho Geral da Universidade do Porto organizou uma audição pública que teve lugar no Salão Nobre da Reitoria. Neste espaço os dois candidatos a reitor puderam apresentar o programa de acção que se comprometem a cumprir caso sejam eleitos. Deste programa consta uma proposta orçamental para o desempenho do cargo, bem como os objectivos concretos que lhe estão associados. Conforme planeado, à apresentação de cada um seguiu-se uma sessão de questões colocadas pelo Conselho Geral. Das oito candidaturas originalmente apresentadas só Prabir K. Bagchi e José Carlos Marques dos Santos satisfizeram todas as condições exigidas num processo como este. O reitor deve ser professor ou investigador da UP ou de outras instituições de ensino universitário ou de investi-

gação, nacionais ou estrangeiras. Além disso, deve promover valores, quer eles sejam científicos, humanísticos ou culturais e ter capacidade de estratégia que faça elevar cada vez mais a Universidade. Além disso, o reitor terá de cumprir um mandato de quatro anos e esta é a única função que pode ter. O processo de nomeação do representante da UP começa com a apresentação da candidatura, que deve conter o curriculum vitae e o programa de acção do respectivo candidato, nos prazos estipulados. Esta é entregue em português ou inglês ao Presidente do Conselho Geral, representante da organização que vai fazer a escolha. Depois de o Conselho Geral decidir quem considera a melhor opção para o cargo, a proposta segue para o Conselho de Curadores. Este ano, o Conselho vai reunir-se no dia 15 de Junho para homologar a decisão. José Manuel Marques dos Santos, de 63 anos, licenciado em engenharia electrotécnica pela FEUP e professor nesta mesma faculdade, justificou a sua recandidatura ao JUP falando das recentes mudanças no ensino superior em Portugal: “(…) a decisão de me candidatar a um novo mandato reitoral surge como um imperativo de consciência, um dever a que não me podia furtar. Penso ser minha obrigação disponibilizar-me para prosseguir o processo de reformas na U.Porto e consolidar os resultados já alcançados (…)”. Acrescenta ainda que o

o primeiro mandato lhe permitiu conhecer o potencial humano e os recursos da nossa comunidade académica. Marques dos Santos sublinha a importância das reformas em curso e determina que os objectivos principais são “a afirmação da U.Porto como uma universidade de investigação; a excelência na formação, segundo os mais exigentes padrões internacionais de aferição; e a participação activa no desenvolvimento socioeconómico da cidade do Porto, da região Norte e do país”. Questionado sobre o estado do ensino superior em Portugal, o Reitor destaca as complexas reformas efectuadas nos últimos anos, “cujos resultados não são ainda totalmente visíveis” e acredita na consolidação da reforma que permitirá a evolução do sistema. Destaca ainda que há coisas a melhorar, como o financiamento da investigação e a capacidade de atrair e reter os melhores investigadores. Para José Manuel Marques dos Santos, é necessária uma “urgente reorganização do sistema de ensino superior português”. DIREITOS RESERVADOS

“a decisão de me candidatar a um novo mandato reitoral surge como um imperativo de consciência, um dever a que não me podia furtar” Marques dos Santos

O outro candidato, Prabir K. Bagchi é ainda relativamente desconhecido pela maioria da comunidade académica. Indiano de 61 anos e engenheiro mecânico (licenciado pelo Instituto Indiano de Engenharia, Ciência e Tecnologia), traz o espírito da mudança e evolução à Universidade do Porto. Bagchi é professor na Universidade de George Washington onde já exerceu funções ligadas à reitoria da instituição. Irina Ribeiro e Júlia Rocha

Ser voluntário na Universidade do Porto Solidariedade, entrega e partilha, participação cívica individual e comunitária exercida de forma livre, responsável e organizada. São estes os valores defendidos por um número cada vez maior de estudantes da Universidade do Porto. São voluntários e têm uma certeza: nunca é de mais ajudar.U.Porto Sérgio Guedes Silva, 28 anos, é presidente da ONG Grupo de Acção Social do Porto (G.A.S. Porto), consultor das Nações Unidas pela World Food Programme, doutorando da FEUP e voluntário. Integra ainda a Comissão de Voluntariado da UP. Tendo já passado como voluntário por Cabo Verde, Timor-Leste, Quénia, Etiópia, entre outros, Sérgio conhece o seu próximo destino: “Onde for preciso. Mas, nos próximos anos, provavelmente estarei mais ligado a Moçambique, Timor e talvez Guiné-Bissau”. E como surge o envolvimento com o voluntariado? Sérgio explica que “se acreditamos num mundo tPedro Harrier, estudante na FEUP, é também voluntário do GIPSE e costuma dedicar uma ou duas tardes por semana a auxiliar o estudo de alu-

nos da Escola EB2,3 de Miragaia. “Alguns têm grandes problemas de indisciplina e de insucesso escolar, outros apenas precisam de uma pequena ajuda para terem bons resultados”, diz Pedro. “A experiência está a ser fantástica. Apesar de ninguém fazer milagres, é bom ver que em muitos casos a nossa ajuda, minha e dos outros voluntários, fez uma grande diferença”, ressalta o voluntário. Mas os grupos e projectos relacionados com o voluntariado não se ficam por aqui. Existem muitos mais, como o G.A.S. – Grupo de Acção Social do Porto. O presidente da organização destaca a história deste grupo, “que de um sonho, de uma visão, se tornou algo muito real. No início, nós, no G.A.S.Porto, estudantes, sonhávamos em criar um maior dinamismo na ajuda aos mais

pobres. Agora temos um grupo com mais de cem pessoas que acredita que juntos conseguimos chegar mais longe, que conseguimos com a nossa criatividade, inovação e conhecimento, ajudar em Portugal e nos países mais pobres do mundo”. E Sérgio alia a experiência do voluntariado à teoria e conhecimentos universitários. Desenvolvendo a tese intitulada “Um novo modelo para a Ajuda Humanitária”, o doutorando da FEUP explica os objectivos: “Juntamente com algumas pessoas que trabalham comigo e com a experiência do G.A.S.Porto e nas Nações Unidas, espero definir um modelo que possa introduzir boas referências em como conseguir realizar um apoio ao desenvolvimento mais eficaz e eficiente”. Entre os projectos voluntários, destacam-se ainda o”Projecto FEUP Social”; a VO.U: Voluntários universitários; o EpDAH – Engenharia para o Desenvolvimento e Assistência Humanitária da FEUP; o NEV-FEP – Núcleo de Estudantes Voluntários da FEP; o FEP Solidária; o Projecto de Tutoria Estudantes Erasmus da FEP, o Programa de Voluntariado da FMDUP; o GIVE Grupo de Intervenção, Voluntariado e Envolvimento da FPCEUP; o SAED UP – Serviço de Apoio ao Estudante com Deficiência. Os programas de voluntariado da UP podem abranger actividades de curta duração associadas a objectivos específicos ou actividades mais prolongadas e regulares. Tudo depende das necessidades dos grupos sociais ou das áreas de intervenção dos voluntários e das entidades a que se associam. Para além dos momentos gratificantes, as dificuldades são diárias. Sérgio Guedes Silva explica que os momentos mais difíceis do voluntariado “são aqueles em que somos ineficientes! Há momentos em que queremos ajudar e não conseguimos ou, simplesmente, falhamos”. A VO.U (Voluntários Universitários) é uma das associações de voluntariado na UP que pretende promover acções de carácter filantrópico, científico, educativo, cultural, ambientalista e de defesa dos Direitos Humanos. Pedro Vide, presidente da VO.U e estudante de Medicina no ICBAS, explica que as actividades da VO.U se encontram divididas em três planos: “O Plano Vida, para a promoção da saúde, o Plano Ponte, que visa o acompanhamento social e o Plano Mundo, que está vocacionado para o auxílio internacional”.

A VO.U tem inúmeros projectos: o “VO.U socorrer” (que se destina a divulgar as técnicas básicas de socorrismo); o projecto “Geração Objectivos do Milénio” que visa informar, numa primeira fase, a comunidade académica para os objectivos de desenvolvimento da ONU para o milénio; o VO.U acompanhar que se destina ao acompanhamento de idosos em situações de solidão, entre tantos outros. Para a promoção do voluntariado junto da comunidade académica, foi criada a Comissão de Voluntariado da UP. Os seus objectivos são estabelecer protocolos e acordos de cooperação com entidades especialmente vocacionadas para a ajuda humanitária; apoiar grupos sociais mais carenciados; promover o sucesso escolar, a cultura e o desporto. No fundo, enquadrar e articular as acções de voluntariado. Desta

estrutura que reúne os 17 projectos de voluntariado da Universidade, já resultaram eventos como o I Encontro do Voluntariado na U.Porto. Sérgio Guedes Silva explica que a Comissão tem conseguido uma maior dinamização, mas, acima de tudo, tem introduzido uma melhor organização nas várias actividades de voluntariado: “É muito importante que haja coordenação entre as várias iniciativas para que se desenvolvam sinergias e que se possa garantir um bom nível de qualidade no que se faz”. A Universidade do Porto estabeleceu também o Dia do Voluntário, que se realiza na última quarta-feira do mês de Abril. Este dia é assinalado com um conjunto de acções de divulgação das actividades de voluntariado realizadas na Universidade.

“Ajudar os outros faz-nos mais Homens, mais completos e equilibrados” Sérgio Guedes da Silva

Voluntariado no currículo académico Para além da experiência pessoal e profissional que se adquire, a participação dos estudantes da Universidade do Porto em acções de voluntariado já faz parte do respectivo currículo académico, passando a ser mencionada num suplemento ao diploma. A medida abrange os estudantes da Universidade que participem em pelo menos 20 horas de actividades relacionadas com o voluntariado. O objectivo é reconhecer a participação dos estudantes em iniciativas que manifestem responsabilidade social. Os voluntários concordam com esta medida: “Acho que é positivo sentirmos que alguém reconhece esse trabalho, o tempo que dedicamos a uma causa”, diz Diana Pinto. Pedro Harrier defende que apesar do voluntariado deve ser feito gratuitamente, sem estar à espera de qualquer recompensa, “não há problema no reconhecimento do trabalho desenvolvido como voluntário. Acho que deveria entrar para o currículo mas, se fosse feito durante um ano lectivo inteiro, porque se alguém estiver lá com algum interesse, desiste rápido”, diz. Susana Ribeiro, estudante de mes-

tra Já Sérgio Guedes Silva acredita que esta medida “trata-se mais de justiça do que incentivo”, não devendo ser vista como um compensação extra, algo contrário ao espírito voluntário. E continua: “Entre outros, um agente associativo tem direitos porque dedica o seu tempo a uma associação estudantil. É uma forma justa de dar nome a algo que todos respeitam e valorizam. Não penso que altere a dinâmica de voluntariado”. Para os estudantes, Sérgio deixa a mensagem de vivência e convicção. “Ser voluntário não é nada complexo nem requer muito tempo. Ajudar os outros faz-nos mais Homens, mais completos e equilibrados. Todos nós, quando somos estudantes, queremos ser inteligentes. Queremos ser alguém, queremos ser felizes. E ser feliz e inteligente passa por ser-se mais pessoa, passa por sermos úteis”. As portas do voluntariado na U.P. estão abertas a quem pretende contribuir para a ajuda do próximo, vivendo uma experiência de ajuda humanitária que tem marcado todos os voluntários. Daniela Teixeira, Diana Ferreira e Marta Oliveira

Como ser voluntário na U.P Para seres voluntário na Universidade do Porto, basta ires ao site (http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_ pagina?p_pagina=1004175), escolheres a instituição ou organismo ao qual queres pertencer e depois no site específico desse organismo seguires as instruções necessárias para te tornares voluntário


Sociedade

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Viver (num)a República

dade que, por sua vez, pressupõe conhecimento dentro da república. José Borges, antigo membro da República do Bint’oito, à rua da Boa Hora, afirma que na sua antiga República “não existe uma hierarquia definida. Os mais velhos têm sempre um maior poder na tomada de decisões, mas na generalidade somos todos iguais”. Já José Balau, primeiro Dux Veteranorum da Academia do Porto após a revolução de Abril, explica que, quando viveu na República “O Reino das Águias Carecas”, existia uma hierarquia com apenas dois graus. Caloiro era o grau hierárquico mais baixo, sendo estes os mais recentes membros da república que tinham menos poder e importância dentro da habitação. Depois, seguiam-se os veteranos, que eram todos os membros da República com mais de um ano de residência. Os veteranos tinham poder para tomar decisões e definir o rumo da República, devido às vivências que lá passaram e ao conhecimento do funcionamento da república.

As Repúblicas de estudantes são originárias da antiga cidade de Coimbra. Foi quando a cidade do Porto acolheu estudantes vindos de Coimbra que este tipo de vivência no mundo universitário surgiu na Invicta. Mais do que uma casa, as Repúblicas são “comunidades onde se partilha o bom e o mau”.

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“Praxe” na república

Quando se fala de repúblicas de estudantes, todos associam este termo às conhecidas, e de longa idade, habitações de estudantes de Coimbra. Porém esta tradição acabou por se estender à Invicta.

Saber viver

O objectivo das repúblicas é, além do percurso académico, ensinar a “saber viver”, “saber fazer” e “saber dizer”. A vida boémia alia-se, des-

te modo, a um ensinamento mais complexo, que pode e deve ser uma mais-valia no futuro. Há a tradição de todas as repúblicas terem uma bandeira negra com um símbolo humorístico, alusivo à praxe, à bebida e às mulheres. O hino e grito são também uma prática, mas é escolhido individualmente por cada república. Os residentes são distintos por uma hierarquia, definida pelo número de anos de vivência na república. Os mais velhos têm uma maior autoridade sobre a república e sobre

os mais novos. As hierarquias das repúblicas variam de casa para casa, sendo esta definida com o tempo e com as vivências da república. Vítor Monteiro, actual repúblico da República dos Lysos, perto do Campo 24 de Agosto, explica que existem quatro graus hierárquicos dentro da república. O grau mais elevado é o de Repúblico Mor, este é o representante de toda a república, tendo poder de tomar decisões em caso de empate. A exigência para chegar ao grau de repúblico é a de

permanência por mais de um ano dentro da República dos Lysos. Após um ano de permanência, os membros podem atingir o estatuto de repúblicos e apoiar na gestão da república. Abaixo dos repúblicos estão os candidatos. Trata-se dos novos membros que estão à espera de chegar a repúblicos. Por último, existem os penduras, membros que procuram a República apenas pela experiência de lá viveram num espaço de tempo, que nunca é superior a um ano. O critério principal é a antigui-

Aqui entra o fenómeno da praxe, que faz também parte da vida numa república, como forma de integração e divertimento. José Balau viveu todo seu percurso académico em repúblicas e acredita que estas actividades são “apenas brincadeiras inofensivas, mas é necessário aceitar e entrar no espírito”. A desistência de novos residentes não é habitual, mas já aconteceu. Ficar sem sapatos, dormir sem colchão algumas noites ou ser mudada a mobília para outro quarto sem aviso prévio eram práticas dos veteranos, às quais teve de habituar-se, mas que não deixou de realizar no seu tempo. Balau conta um episódio que o marcou bastante enquanto viveu no Reino das Águias Carecas: “Lembro-me de um amigo que o pai era da Serra. Então, foi até lá e quando voltou para o Porto trouxe alguns queijos da Serra para um amigo do pai. Mas, no espaço de tempo dele pousar as coisas, tomar banho e vestir-se para levar os queijos, estes foram comidos. Quando o meu amigo chegou ao quarto só lá estavam as cascas. Eram episódios desagradáveis, mas nós tínhamos formas de nos vingar”. Segundo Balau, “os caloiros se vin-

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gavam à maneira deles”. Sozinhos na república poderiam planear partidas, sobre as quais os veteranos nunca descobririam a autoria. Conta que, era prática recorrente na República colocarem-se baldes de água em cima das portas “as pessoas iam a passar e levavam com aquilo em cima. Como é normal, depois ninguém sabia quem tinha sido a fazer aquilo, podiam ter sido caloiros ou ate veteranos”. A República dos Lysos nunca contou com nenhuma desistência, pois, como explica Vítor Monteiro, “os estudantes que vêm para cá já sabem como é uma república. Normalmente vêm com uma ideia exagerada acerca das partidas praticadas a novos membros.” No final, como explica Vítor, os estudantes acabam por esquecer os maus momentos e “deixam-se levar pelo sentimento”.

Repúblicas “centenárias” Cada ano numa República equivale a 100 anos para cada um dos seus membros. Serão cem anos demasiado tempo? Vítor Monteiro diz que não. “Vivemos tudo de uma forma apressada, tudo muda de um momento para o outro. A vivência de um adolescente, por norma, já é apressada. A de um grupo de jovens adultos ainda é mais apressada. São muitos momentos e uma grande partilha de experiências”. O centenário, comemoração de mais um ano da República, coincide com o baptismo dos novos repúblicos, explica o Vítor. Quando questionado acerca do momento que mais o marcou dentro da República dos Lysos, Vítor Monteiro refere o seu baptismo de repúblico. Diz que “são sempre experiências incríveis”. A cerimónia é realizada após um ano de estadia dos novos membros, quando estes passam a repúblicos. Vítor explica as brincadeiras que são feitas na cerimónia: “os repúblicos são expostos em fraldas e vamos para dentro de bacias. Temos que beber um néctar feito pelos repúblicos e depois somos apresentados aos antigos membros”. O aniversário da república é sempre importante. A República dos Lysos reúne cerca de 200 antigos membros todos os anos nesta data.

das repúblicas ou mesmo das Instituições que as suportam. Na república do Bint’oito, no Porto, apenas se realizam sessões de praxe duas ou três vezes por ano, uma vez que os Serviços de Acção Social da Universidade do Porto (SASUP) proíbem a ocorrência de actividades de praxe. Esta tradição é opcional e as regras são definidas pelas diversas repúblicas individualmente. Durante a sua longa história, as repúblicas opuseram-se diversas vezes à praxe universitária e, “nos dias de hoje e de um modo geral” podem mostrar-se “criticas em relação à praxe”, como afirmou Aníbal Frias, em 2003, no artigo sobre “praxe académica e culturas universitárias”. Contudo, o luto académico de 1969 juntou praxe e repúblicas numa luta comum, contra o regime governamental. Mário Soares, por exemplo, em 1969, promoveu uma conferência da República dos Kágados. A convivência entre os residentes mantém-se, porém, tranquila e amigável e alheia-se a qualquer actividade de praxe. A solidariedade sobrepõe-se à hierarquia e todos se sentem apoiados em situações mais complicadas. Jorge Borges afirma que a entre-ajuda existente numa república ainda é visível, mas em menor escala do que antigamente. O apoio entre os membros é visível tanto a nível curricular, como pes-

soal. “Se algum de nós estiver com dificuldades económicas ou com outro tipo qualquer de dificuldades, nós ajudamos. Afinal a vida é assim”, afirma o antigo membro da República do Bint’oito. Este é um valor característico das repúblicas e tornou-se, desde cedo, fundamental à sobrevivência dos estudantes. Balau relembra as dificuldades económicas sentidas na altura e demonstra a importância da solidariedade dentro da República. “As repúblicas são comunidades onde se partilham o bom e o mau, o que há e o que não há. Ajudávamonos em tudo. Até 1992, as bolsas de estudo eram pagas apenas em Maio. A maior parte dos alunos era bolseiro, então passava o período de Setembro a Maio sem receber nada. Havia dificuldade, mas nós ajudávamo-nos. Dividíamos comida e, muitas vezes, com o dinheiro para o almoço de 7 pessoas, comíamos 14.”

A vida depois da república José Balau gosta de relembrar os seus tempos no Reino das Águias Carecas. Fez “amigos para a vida”. Foi no ano de 1996 que a sua república deixou de existir. Actualmente, o edifício deu lugar ao conhecido Contagiarte. Balau ainda se lembra do seu quarto: “a minha cama estava

onde está hoje o balcão para servir as bebidas no Contagiarte.” “Foram bons tempos”, afirma Balau. No entanto, estes bons tempos não são esquecidos pelos antigos membros das Repúblicas. Todos os anos, os antigos membros do Reino das Águias Carecas promovem um encontro para conviver e relembrar o passado. Continuam amigos e a relação entre todos é de uma grande intimidade. Os encontros começaram no Porto, no próprio Reino das Águias Carecas, explica Balau. “Dormíamos todos cá, uns até no chão, outros iam para casa de amigos ou família que vivia cá perto”, explica. Contam já com 35 encontros de antigos residentes do Reino das Águias Carecas, sendo o deste ano no Funchal. O destino fica decidido de um ano para o outro, assim como a data e a pessoa que fica responsável por organizar tudo. Anos depois, os ex-repúblicos ainda possuem a intimidade e amizade contraída na juventude. Balau diz que “somos uma grande família. Ainda hoje nos damos todos muito bem. As nossas mulheres e os nossos filhos divertem-se muito uns com os outros. Aliás, na nossa grande família já contamos com 4 ou 5 netos”. Este é o efeito de ter vivido numa república, “vivemos todos na mesma casa, fomos todos praxistas, passamos muitos momentos jun-

Solidariedade acima da hierarquia A intensidade da praxe depende

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tos e arreliamo-nos uns aos outros imensas vezes”. Os encontros vão se diversificando de local para local, a cada ano. Porém, uma tradição perdura. Balau continua a contar o encontro em 69 quadras. Esta é já uma tradição antiga e muito apreciada dentro desta “família”. Mariana Catarino e Rita Duarte

Repúblicas à moda antiga As repúblicas universitárias são uma tradição desde o séc. XIV e agregam estudantes de todo o país. São uma possibilidade de estudar numa outra cidade e tornam-se uma experiência intensa e inesquecível. Caracterizam-se pela vida comunitária e de entre-ajuda, sem esquecer o lado boémio e festivo da universidade. Nasceram em Coimbra, em 1309, quando D. Dinis promoveu a construção de casas na zona de Almedina, com o objectivo de diminuir as despesas dos estudantes. Estas casas deram lugar às repúblicas, que ainda hoje são muito usuais na cidade. José Balau explica que as actuais repúblicas eram, na sua maioria, “lares da Mocidade Portuguesa”. Depois do 25 de Abril, ficaram praticamente abandonadas e “entraram em auto-gestão pelos alunos que viviam nessas casas.” As repúblicas podem ser masculinas ou femininas. No caso das femininas, estas tiveram uma dificuldade acrescida na sua existência, uma vez que nem sempre foram reconhecidas ou legítimas, principalmente nas escritas dos antigos. As repúblicas dividem-se em três categorias: Solar, República ou Real República, sendo a mais importante a Real República devido à sua antiguidade e relevância dentro da cidade. É o Conselho de Repúblicas, o órgão superior das repúblicas, criado em 1948, que se encarrega da tarefa de classificar as diferentes casas.


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O que o PEC traz (ou leva) de novo Portugal está no centro das atenções da economia internacional, e muito se fala sobre planos de para a recuperação económica no nosso país. Afinal, o que muda na vida dos portugueses com as novas medidas? O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) português para os anos de 2010 a 2013, aprovado a 25 de Março, prevê a diminuição nos gastos públicos e medidas para aumentar as receitas do Estado, de forma a repor a economia nos valores definidos pela União Europeia.

subsídios de desemprego, congelamento de salários na função pública (significa que a subida dos salários não acompanha a inflação) e privatizações. Os subsídios de contratação de jovens, aprovados nos planos anti-crise, vão ser retirados já em 2011.

taxa mais alta para os que recebem salários mais elevados, introdução de portagens em auto-estradas SCUT (Sem Custo para o Utilizador) e, ainda em discussão nas últimas semanas, uma subida do IVA, além da polémica proposta de corte nos subsídios de Natal.

Na diminuição das despesas do Estado estão incluídos cortes nos

O PEC pretende o aumento de receitas através dos impostos: uma

As medidas mais duras pouparam o Ensino Superior. Não estão previstas

alterações significativas nas propinas ou no regime de atribuição de bolsas de estudo. Os estudantes sofrem, sim, com o aumento do custo de vida e com as crescentes dificuldades em encontrar emprego, que afecta os recém-licenciados. O economista Miguel Duarte explicou ao JUP que Portugal está numa situação delicada, por estar no centro das atenções da economia inter-

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JUPBOX

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Onde esteve durante a visita do Papa ao Porto? Bento XVI esteve em Portugal e o JUP foi saber onde estavam as pessoas durante a visita do Papa à nossa cidade.

nacional. “Os holofotes das finanças internacionais significam apenas que se vai prejudicar grandemente o bemestar de todos os portugueses, pagando taxas de juro mais elevadas, tendo mais dificuldades no crédito, havendo mais desemprego. Esta é a visão do nosso futuro de curto prazo.” Aline Flor e Marília Freitas

Política à portuguesa

Leandro Silva e Paulo Camões

01 | João Carvalho, 43 anos Estava a trabalhar, não me deram folga. Mas acho que não teria ido.

02 | Joaquim Pinto, 64 anos Estava em casa, com a minha mãe, que está doente. Mas fiquei a ver na televisão.

03 | Marília Sousa, 55 anos Estava em casa, a trabalhar, mas teria ido se pudesse. Não acerto muito com a figura dele, mas é uma pessoa de boas intenções.

ALINE FLOR

ALINE FLOR

ALINE FLOR

acção do escritor, falecido em 1908. De volta ao actual chefe do governo, José Sócrates também sofreu com a traiçoeira matemática. Numa conferência de imprensa, o Primeiro-Ministro esclareceu que a nova bolsa de estudo atribuída pelo Estado a estudantes, seria igual ao dobro, não, duplicaria, não, triplicaria, não, seria igual ao valor do abono de família mais o dobro. Mais do que dúvidas sobre as contas públicas, ficou a desconfiança, não sobre a licenciatura, mas sobre a conclusão do ensino básico.

ALINE FLOR

riam esforçar-se para fazer Portugal um país mais pobre? Cavaco Silva, preocupado com a taxa de natalidade em Portugal, perguntou ao país: “O que era preciso fazer para nascer mais crianças em Portugal?” Para Santana Lopes o tempo não se aplica. O político vive numa ribalta inconstante, algo que deverá certamente confundir o seu fuso horário. Em 2003, a assessoria do então Presidente da Câmara de Lisboa enviou uma carta ao escritor brasileiro, Machado de Assis, agradecendo um livro da autoria de Assis que tinha recebido. Não se conhece a re-

JUPBOX

Ainda não chegamos ao patamar ucraniano – cujo Parlamento protagonizou recentemente cenas de pancadaria com direito a lançamento de granadas de fumo – mas não tem sido por falta de tentativas. No mundo político, a pressão por resultados é constante e a atenção mediática, intensa. Em raras ocasiões, os nossos políticos perdem a concentração, e com isso, surgem momentos que ficam na memória: na deles e na nossa. Quem não se lembra de José Sócrates, que num momento de honestidade espontânea, disse que todas as famílias portuguesas deve-

JOSÉ FERREIRA

Poderemos pensar que o cenário político português está longe do ideal. As gaffes por aqui abundam e estão de boa saúde, obrigado. São elas que dão cor e alegria a um assunto por vezes demasiado cinzento, a política.

04 | Ricardo Caldas, 20 anos Estava lá, tinha alguma curiosidade e acho que era um evento importante para um futuro jornalista assistir.


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Onde estudar na Invicta?

Café do Palácio de Cristal

Chegada a época de exames, é preciso encontrar o lugar certo para a maratona de estudo. Para os que sufocam em bibliotecas ou preferem o burburinho da cidade, o JUP foi à procura de bons lugares para estudar, relaxar… e petiscar pelo meio.

MIGUEL LOPES RODRIGUES

Centro Comercial Bombarda Rua de Miguel Bombarda, 285

O Centro Comercial Bombarda fica na Rua de Miguel Bombarda, em plena baixa portuense. Prima pela tranquilidade e pelo fácil acesso. Tem mesas dispostas ao longo do espaço e, em época de Verão, dispõe de uma esplanada onde também é agradável estudar. Está aberto de Segunda a Sábado entre o meio-dia e as oito da noite. Não é um Centro Comercial igual a tantos outros. O CCB é um lugar onde a arte é a palavra de ordem. As lojas que o integram primam pela criatividade e pela diferença. O CCB tem também um restaurante: alternativo, agradável e acessível. Deste modo, devido à enorme afluência em horário de almoço, não é permitido estudar no Centro Comercial Bombarda neste perío-

O Bar dos Artistas fica no piso 0 da Casa da Música. Funciona de Segunda a Domingo entre as dez da manhã e as oito da noite. Nos dias de espectáculos, fecha às onze da noite. Dispõe de um serviço de refeições rápidas (self-service). No período de almoço e jantar não são permitidas sessões de trabalho/estudo. O Bar dos Artistas está aberto ao público em geral e não exige consumo obrigatório. É frequentado tanto por aqueles que trabalham na CdM, como por jovens em busca de um local sossegado para trabalhar ou estudar. Graças ao patrocínio da Câmara Municipal do Porto, o Bar dos Artistas oferece wireless grátis. Inserido dentro de uma das maiores estruturas culturais do Porto, é uma das opções possíveis para umas horas de estudo.

Centro Comercial Península Praça do Bom Sucesso, 159

MIGUEL LOPES RODRIGUES

E-Learning Café Pólo Universitário

Teresa Castro Viana

Com uma pluralidade de espaços diferentes, o E-learning Café da UP é sempre um bom sítio para estudar. Para estudar a sério, sozinho ou em grupo, o melhor é ir para a sala de trabalho. Este espaço está dividido em duas partes: uma destinada ao estudo em grupo e outra para estudo individual. As mesas para estudar em conjunto têm uma concha acústica que impede o som de se difundir, assegurando o silêncio da sala. A sala de chill-out é um espaço mais

MIGUEL LOPES RODRIGUES

do temporal. No entanto, esta é uma óptima escolha em época de exames. Talvez para fugir um pouco aos

O Palácio de Cristal pode-se revelar um bom local para estudar. O Café do Palácio tem boas condições para uma tarde de estudo: há silêncio e tranquilidade. O espaço tem um lado com paredes de vidro que traz uma vista para os jardins e proporciona uma luz muito agradável. O sítio é indicado para trabalhos de grupo porque o ambiente informal permite a troca de ideias em voz alta. Na esplanada também há muitas mesas redondas e durante a semana não costuma haver muita afluência. O café do Palácio está aberto de

lugares habituais... Teresa Castro Viana

Segunda a Domingo das 9.30 às 18.30. Ao Domingo, se o objectivo for a concentração, talvez este não seja o sítio mais indicado porque há sempre muita gente a passar. Neste espaço existe rede de internet wireless, mas é paga. A internet gratuita existe só na Biblioteca Almeida Garrett, dentro também do espaço do Palácio de Cristal. Para uma pausa no estudo para relaxar, os Jardins do Palácio e uma bela vista para o rio estão mesmo ali à beira. Daniela Teixeira

MIGUEL LOPES RODRIGUES

informal para apenas ler um livro, uma revista, ou navegar na Internet. A grande vantagem deste espaço é o horário: o E-Learning Café está aberto todos os dias das 8 às 4 da manhã. O espaço está equipado com uma cafetaria, para refeições ligeiras, que abre às 8 e fecha às 24h. Todo o espaço está coberto por uma rede wireless à qual é possível aceder de forma gratuita. Daniela Teixeira

Foz Café

Rua Fonte da Luz, 217 Situado na Foz, como o próprio nome indica, o Foz Café é o ponto de encontro de muitos estudantes, seja para o convívio ou para o trabalho. Com uma decoração retro e um ambiente descontraído, é um local excelente para navegar na Internet, uma vez que o dispõe de Internet gratuita para os seus clientes. Está aberto todos os dias até às duas da manhã. Aos Domingos e feriados abre às 14h00 e nos restantes dias às nove da manhã. É um café de fumadores, conheci-

MIGUEL LOPES RODRIGUES

Av. da Boavista, 4149

CARLOS NUNES

Bar dos Artistas (CdM)

Rua de Dom Manuel II

do pelos seus croissants e pelo óptimo serviço prestado. Por vezes, quando está cheio, não é fácil estudar devido ao ruído que se cria. No entanto, é o local ideal para fazer trabalhos.

Está bem localizado e é de fácil acesso. Em suma, o local certo para fazer trabalhos e estudar quando o ambiente o permite. Teresa Castro Viana

O Centro Comercial Península fica perto da Rotunda da Boavista. É um local apetecível para muitos jovens em época de exames. As mesas dispostas pelo Shopping e a tranquilidade que este garante, fazem do Península um magnífico lugar de estudo. Silencioso e bem localizado, é o ponto de encontro daqueles que procuram o sossego e a concentração necessária para o estudo. Como em qualquer Centro Comercial, existem lojas e restaurantes que podem servir como distracção num momento de pausa. É, de um modo geral, uma opção atractiva para os estudantes. Tanto que, por vezes, a sua lotação fica completa. Funciona todos os dias desde as dez da manhã. Teresa Castro Viana


UPorto

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BREVES

Portugal já conhece adversários para o Mundial de Rugby Sevens

Está de volta o projecto da Universidade do Porto que todos os anos proporciona aos mais jovens a experiência única de conhecer por dentro a maior universidade do país, a Universidade Júnior.

JC/REIT

Quénia, Canadá e Hungria são os primeiros adversários de Portugal na Pool D Masculino. Brasil, Itália e Rússia são as selecções rivais para a equipa feminina na Pool A. Nos restantes grupos destaque para os embates entre França e África do Sul na Pool E e Espanha vs Itália na Pool G.

José Carlos Marques dos Santos foi eleito Reitor, por maioria, na sessão do Conselho Geral da Universidade do Porto do passado dia 28 de Maio. O Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia é o primeiro Reitor da U.Porto eleito de acordo com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (que criou o Conselho Geral) e iniciará a 29 de Junho o segundo mandato, após o primeiro período de 4 anos que começou em 2006.

lia e a França, sem esquecer os três primeiros classificados no último campeonato universitário disputado em Córdoba (África do Sul, Espanha e Rússia). Liderada por Tomaz Morais, a selecção nacional portuguesa promete tentar chegar ao pódio.

Maques dos Santos nasceu em Bolama, Guiné-Bissau, a 31 de Janeiro de 1947. É professor catedrático da Faculdade de Engenharia desde 1989, tendo assumido a direcção da Faculdade durante 11 anos consecutivos, entre 1990 e 2001. No ano seguinte assumiu uma das vicereitorias da Universidade do Porto.

JC/REIT

tas vindos dos cinco continentes. Durante quatro dias, de 21 a 24 de Julho, vários estudantes universitários vão invadir a cidade do Porto e o Estádio do Bessa, local onde vão decorrer todos os jogos. Com 32 equipas (20 masculinas e 12 femininas), a organização supera largamente os números do último Mundial disputado em Córdoba (19 selecções). Entre as selecções inscritas, destaque para a presença das potências mundiais como a Austrália, a Grã-Bretanha, a Itá-

JC/REIT

Sublinhe-se que o Campeonato Mundial Universitário de Rugby Sevens é organizado pela Universidade do Porto e vai contar com cerca de 600 atle-

Com apenas 300 vagas por preencher, a Universidade Júnior volta a apostar nas escolas de investigação, exclusivas para estudantes do ensino secundário interessados em vivenciar in-loco o dia-a-dia dos laboratórios de investigação da Universidade do Porto. Ciências da Vida e da Saúde, Humanidades, Física, Química e Matemática são as opções a que cada estudante se pode candidatar, sendo que as classificações obtidas ao longo do ano lectivo é um dos critérios a ter em conta na escolha dos candidatos. As candidaturas às Escolas da Universidade Júnior estão abertas até 4 de Junho.

ESCOLA DE LÍNGUAS Alemão, Espanhol, Francês e Inglês são as línguas que, durante a primeira ou a segunda quinzena de Julho, ainda estão disponíveis para todos os jovens do 5.º ao 11.º ano. Aprender uma língua num ambiente descontraído, através de jogos didácticos e debates interessantes é o principal objectivo da Escola de Línguas da Universidade Júnior. Para além das sete línguas apresentadas, a Universidade Júnior oferece também a possibilidade aos alunos estrangeiros de aprenderem português. No ano em que comemora o sexto aniversário, a “Universidade Júnior” atinge um novo recorde no número de actividades disponíveis: são mais de 132 actividades diferentes, que prometem deliciar os pré-universitários. Para procurar mais informações sobre a Universidade Júnior, os interessados podem visitar o site: http://universidadejunior.up.pt.

Marques dos Santos: reitor em segundo mandato

No final do sorteio, Tomaz Morais mostrou-se convicto que a selecção nacional pode lutar pelos três primeiros lugares apesar de reconhecer que Portugal não teve muita sorte no sorteio. Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, fez questão de reconhecer que o Campeonato Mundial Universitário de Rugby Sevens vai prestigiar não só o desporto universitário como o nosso país. Para além disso, Laurentino espera que este campeonato traga ao Porto grandes figuras do râguebi mundial.

AGENDA

Universidade Júnior volta a abrir as portas

No passado mês de Maio, as 32 selecções (20 masculinas, 12 femininas) ficaram a conhecer os seus adversários no IV Campeonato Mundial Universitário de Rugby Sevens. Segundo Tomaz Morais, director técnico nacional, Portugal vai ter pela frente grupos complicados. Já andaram à roda as bolas do sorteio do Campeonato Mundial Universitário de Rugby Sevens numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, e do director técnico da selecção nacional, Tomaz Morais.

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Na sessão do Conselho Geral da Universidade, no passado dia 19 de Maio, apresentaram-se dois candidatos: o Professor Catedrático agora reeleito e Prabir K. Bagchi, professor da George

Washington University, de Washington D.C. (Estados Unidos da América). O candidato mais votado apresentou ao órgão máximo da Universidade um programa que é, de acordo com as suas próprias palavras, “uma visão para a U.Porto que a coloca num lugar entre as melhores a nível mundial”, constituído por 12 objectivos essenciais, entre os quais se destaca: “Garantir excelência na formação”, “Reforçar o apoio social e à integração académica dos estudantes”, “Afirmar a Universidade do Porto como uma Universidade de Investigação”, “Participar no desenvolvimento económico e social da região e do país”, “Reforçar a internacionalização da Universidade do Porto”, “Agilizar a governação e a gestão da U.Porto” e “Reforçar a cultura da qualidade”. A tomada de posse do Reitor reeleito decorrerá a 29 de Junho, às 11h, no Salão Nobre do edifício central da Praça Gomes Teixeira. JC/REIT

AGENDA JUP - JUNHO

DE 8 DE JUNHO A 2 DE JULHO 2010

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DURANTE O MÊS DE JUNHO

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: DIAGRAMAS Átrio de Química da Reitoria da Universidade do Porto HORÁRIO DA EXPOSIÇÃO: TERÇA A SEXTA / 11H00 ÀS 17H00 Entrada livre Projecto da autoria de André Alves, Filipe dos Santos Barrocas, Isabel Correia e Maria João Soares

“BOM AMBIENTE ÀS QUARTAS” Sala G424 - FEUP 18H00 Entrada Livre.

Abertas as candidaturas à Universidade Itinerante do Mar. As Universidades do Porto e Oviedo estão a promover a edição da Universidade Itinerante do Mar de 2010 (UIM 2010), subordinada ao tema: “As cidades da porta Atlântica da Europa”. Esta edição decorrerá entre 10 de Julho e 6 de Agosto de 2010 e será organizada em torno de 2 cursos, cada um com um máximo de 42 estudantes que, embarcando no navio de treino de mar CREOULA, operado pela Armada Portuguesa, beneficiarão de um programa específico de formação a bordo e em terra:

Partindo do arquétipo do corpo humano, foram fotografadas 45 pessoas, individualmente, de pé, sem roupa e de costas para a câmara, contra um fundo regrado de azulejos. Dos retratos efectuados foi escolhido um conjunto final de 30 imagens impressas em tamanho real: diferentes corpos contra o mesmo fundo, com o mesmo enquadramento e à mesma distância da câmara. Este conjunto de imagens permite-nos escalar e percepcionar as diferenças e semelhanças, oferecendo-nos também uma nova possibilidade de olhar a continuidade dos corpos adjacentes. Algo que nos é tão próximo e comum, porém tão estranho e surpreendente. Como nos colocamos perante a imagem? Como percepcionamos o outro, o distante ou o indivíduo. Nós próprios?

DE 14 A 18 DE JUNHO WORKSHOP DE FILOSOFIA COM CRIANÇAS E JOVENS: EXERCÍCIOS E TÉCNICAS DE DEBATE EM SALA DE AULA Horário: 19h - 21h PREÇO: 90€ UP/ 100€ NÃO UP Infromações e Inscrições: a n a m a r t i n s @ r e i t . up.pt;rrodrigues@reit.up.pt

Prossegue na Faculdade de Engenharia esta iniciativa, através da qual se pretende criar um espaço de debate aberto e reflexão sobre ambi-ente urbano. Pretende-se que os temas em discussão tenham um enquadramento institucionalizado e, ao mesmo tempo, o carácter de “conversa de café”. Organização - Centro de Investigação Território, Trans-portes, e Ambiente (CITTA)

TODAS AS QUARTAS-FEIRAS SOCIEDADE DE FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA Sala 308 - FLUP Todas as quartas-feiras, entre as 19h30 e as 21h30, a sala 308 da Faculdade de Letras é ponto de encontro para troca de ideias e conversas. Neste espaço de convívio semanal é possível ver filmes, séries, discutir assuntos relacionados com ficção científica e fantasia, jogar jogos de tabuleiro ou de cartas coleccionáveis. O espaço resulta de uma ideia de Ana Machado e André dos Santo e conta com a colaboração da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da U.Porto (AEFLUP).

CURSO I - 10 A 23 DE JULHO: Lisboa - Aveiro - La Coruña - Avilés - MARÍN - PORTO CURSO II - 23 DE JULHO A 6 DE AGOSTO: PORTO - PORTIMÃO - CEUTA CÁDIZ - LAGOS - LISBOA PARA MAIS INFORMAÇÕES HTTP://WWW.CIMAR.ORG/UIM/

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DE 28 DE JUNHO A 9 DE JULHO ARQUITECTURA E CINEMA – CURSO LIVRE FAUP Docente: Prof. Dietrich Neumann, Universidade de Brown, EUA Pagamento: Membros da Universidade do Porto e Estudantes: 100€. Outros: 150€

JC/REIT


Cultura

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FESTIVAIS DE VERĂƒO 2010 UMA TRADIĂ‡ĂƒO, UM MODO DE VIDA, UMA DISTRACĂ‡ĂƒO Com o VerĂŁo a chegar e o calor a apertar, os jovens portugueses esquecem os exames e a chatice das aulas e focam-se apenas numa coisa: FĂŠrias. Mas, sendo jovens, as fĂŠrias nĂŁo sĂŁo passadas de papo para o ar (pelo menos o tempo todo) e a adrenalina e as grandes noitadas jĂĄ abrasam, de tĂŁo perto. A correria aos Festivais de VerĂŁo começou jĂĄ em Maio. t30$,*/3*0 0'&45*7"- '".*-IAR

bum Omen. Motorhead Ê mais rock que metal mas o seu peso e velocidade nada deixam a desejar. Megadeth vêm a Portugal depois da tour Rust in Peace, comemorativa do seu vigÊsimo aniversårio. O dia e o festival fecham em alemão com Rammstein, que têm tanto de sucessos como de polÊmicas. Depois do concerto a solo no Pavilhão Atlântico em 2009, pleno de poder, novas cançþes e efeitos pirotÊcnicos, o concerto no Rock in Rio promete não desiludir.

t 015*.64 "-*7&  1"3" 26&. /Î0%*41&/4"0163030$, Com cerca de 20 bandas só para PQBMDPQSJODJQBM P0QUJNVT"MJWF traz-nos, uma vez mais, qualidade, variedade e inovação. Com um conceito e uma organi-

zação completamente diferentes do dos festivais portugueses, o Alive (nome inspirado na mĂşsica “Aliveâ€?, dos Pearl Jam), prima pela apresentação de grandes nomes. Surgiu em 2007 e jĂĄ trouxe de tudo. Rage Against the Machine, White Stripes, Smashing Pumpkins, Beastie Boys e Linkin Park. Este ano nĂŁo deixa por menos e traz de volta Pearl Jam e Gogol Bordello, bem acompanhados por lendas como Deftones, Alice in Chains, LCD Soundsystem, Skunk Anansie, entre outros que nada deixam a desejar. Quem faz as honras da casa sĂŁo os escoceses Biffy Clyro que abrem o festival com a promessa de um grande concerto de puro rock e muita energia. Apresentam o recente Only Revolutions, um dos melhores ĂĄlbuns

de 2009 na Grã-Bretanha, onde disputam o protagonismo do top com os Arctic Monkeys. Moonspell são bem conhecidos entre o público português, jå bem habituado à potência do metal da banda de Fernando Ribeiro. 8 de Julho continua em alta com o rock inglês de Kasabian e o grunge rock de Alice in Chains que deixaram saudades desde as ultima actuaçþes no território nacional em 2006. Finaliza com o metal alternativo dos americanos Faith No More que voltaram fresquíssimos aos palcos em 2009, depois de uma pausa de cerca de 10 anos. Sexta-feira traz JET e uma grande expectativa. Manic Street Peachers não são novatos no assunto e espera-se um rock alternativo de deixar ågua na boca. Os inclassificåveis Mão Morta

t461&3#0$,461&330$,

MARIANA TEIXEIRA

O festival nasce no Brasil, Rio de Janeiro. Idealizado por Roberto Medina, surge pela primeira vez em 1985. Em Portugal, teve a sua primeira edição em Lisboa, no ano de 2004. Pelos palcos do Rock in Rio jĂĄ passaram nomes como Queen, Whitesnake, AC/DC, Scorpions, Guns and Roses, Santana, Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Metallica, Da Weasel, Kasabian, entre tantos outros grandes nomes do panorama musical mundial. Este ano, continua a ter rock no nome mas pouco nos palcos. No dia 21, Mariza abre a noite com legĂ­timo fado portuguĂŞs. Ivete Sangalo, rasga a melancolia com o ritmo brasileiro para depois dar lugar ao pop acĂşstico e Ă boa onda de John Mayer. A noite promete acabar com os hits do Ăşltimo ĂĄlbum She Wolf e a loucura daquela que foi eleita a latina mais sexy do Mundo em 2003, Shakira. No dia 22, a mĂşsica portuguesa de JoĂŁo Pedro Pais abre o R&B de Leona Lewis, que traz na bagagem o recente Echo e temas como “A Moment Like Thisâ€?, “Bleeding Loveâ€? e “Runâ€?. De seguida, o monstro do piano Elton John, que dispensa apresentaçþes. A mĂşsica cantada em portuguĂŞs volta com Trovante, ainda antes da noite terminar com 2 Many Djs, que prometem um serĂŁo animado. 27 de Maio traz sonoridades diferentes. Sum 41 ĂŠ energia e algum punk rock, que jĂĄ serviu de banda sonora a filmes como Spider-Man e American Pie. Xutos & PontapĂŠs sĂŁo letras e temas que saem por instinto e um espectĂĄculo que o pĂşblico de portuguĂŞs jĂĄ sabe de cor. Os britânicos Snow Patrol trazem com eles sucessos como “Signal Fireâ€? e “Chasing Carsâ€?. A Hundred Million Suns foi o Ăşltimo ĂĄlbum, em 2008. De Muse espera-se, mais uma vez, um espectĂĄculo mĂ­stico e envolvente que vai “cair que nem gingasâ€? depois de um dia que se espera no mĂ­nimo, esgotante.

Segue-se o Såbado em Família: Miley Cyrus, de 17 anos e muito glam pop, promete no mínimo muita criançada excitada. Dzr’t reforça o estatuto familiar e infantil McFly, recente banda de 2003, surge com um pop rock muito teen e adequado. Não fosse a escocesa Amy Macdonald, que se distancia mais do conceito e apresenta o seu último trabalho A Curious Thing com muito indie e soft rock à mistura, dir-se-ia que este Ê o dia com mais concordância do festival. O último dia tambÊm parece não ter muito que se lhe diga. É metal do início ao fim, agradando aos fãs do som mais pesado. Soulfly, formado por Max Cavalera depois de este abandonar os Sepultura, surge em 1997. Eståvel desde 2004, apresenta o seu mais recente ål-

marcam presença portuguesa, atĂŠ Ă entrada de Skunk Anansie com a poderosa voz de Skin que esgotou em Novembro o Coliseu de Lisboa e assegura nĂŁo decepcionar. 10 de Julho tem nomes poderosos. Começando pelo indie de Gomez e o punk cĂŠltico de Dropkick Murphys, que prometem levantar os pĂŠs do chĂŁo. Voltam ainda os jĂĄ experientes Gogol Bordello, os multiĂŠtnicos de gypsy punk com sonoridades surpreendentes e um grande espectĂĄculo. Mas nada melhor que Pearl Jam e o recente “Backspacerâ€? que foi directamente da discogrĂĄfica para os tops mundiais. Acompanhados de temas como “Aliveâ€?, “Even Flowâ€?, “Better Manâ€? ou “World Wide Suicideâ€?, a receita promete ser explosiva. LCD Soundsytem assegura o remate, nĂŁo muito cedo, com modernidade e exuberância, bem Ă  altura do festival urbano. Mas se no Palco Optimus boa mĂşsica e muito espectĂĄculo sĂŁo as palavras de ordem, no palco Super Bock nĂŁo ĂŠ muito diferente. Bandas como The XX, La Roux, The Gossip, Peaches, New Young Pony Club ou tantos outros, parecem dividir a atenção dos festivaleiros.

NĂŁo hĂĄ festival mais indeciso que o Super Bock. Depois de salas fechadas, recintos abertos, palcos diferentes em terras diferentes, do carĂĄcter nacional e depois internacional, e novamente nacional, o Super Bock Super Rock assenta este ano no Meco com trĂŞs palcos e boa mĂşsica. Destacamos a ousada dupla Pet Shop Boys, nascidos em 1980, de quem se espera os grandes ĂŞxitos “West End Girlsâ€?, “Always on My Mindâ€? (da versĂŁo original de Elvis Presley) ou “It’s a Sinâ€?, assim como mĂşsicas do Ăşltimo ĂĄlbum “Yesâ€?. 5BNC§N ,FBOF  B GBNPTB CBOEB inglesa de pop-rock que marcou presença no MarĂŠs Vivas do ano passado. Antecipa-se um grande espectĂĄculo, com temas como “Crystal Ballâ€?, “Everybody’s Changingâ€?, “This is the Last Timeâ€? e o novo “Stop for a Minuteâ€?, cantados em unĂ­ssono. Os australianos The Temper Trap tambĂŠm marcaram presença o ano passado e vĂŞm de novo a Portugal, desta vez com “Faderâ€? e “Love Lostâ€? na bagagem. Do mesmo continente vĂŞm Empire of the Sun, uma dupla que perpetua a onda electrĂłnica do Super Bock deste ano. Mais uma vez, a AustrĂĄlia estĂĄ bem representada, com John ButUMFS5SJPFi"QSJM6QSJTJOHw SFDIFado de diversidade. Os recentes Vampire Weekend, DPNPOPWPTJOHMFi(JWJOH6QUIF Gunâ€? sĂŁo uma banda de indie rock americana que promete sur-

preender com o seu estilo inovador e insdescritĂ­vel, definido QFMPT QS°QSJPT DPNP i6QQFS West Side Sowetoâ€?. Hot Chip e o seu electropop antecipam uma boa noite de espectĂĄculo com o fresquĂ­ssimo “One Life Standâ€?, com um pĂşblico europeu jĂĄ aprenderam a cativar. Mas, para alĂŠm da electrĂłnica, o indie marca presença. Wild Beasts, ainda que com apenas dois ĂĄlbuns, sĂŁo jĂĄ uns grandes representantes deste gĂŠnero.

4ZTUFN§VNBDPODIFHP6NDPOcerto de esperar para ver. A Silent Film, por sua vez, são uma CBOEBSFMBUJWBNFOUFSFDFOUF6NHSVpo de jovens de Oxford que se juntou num barracão e agora edita The City that Sleeps. Vêm a Portugal mostrar a genuinidade do seu rock alternatiWP6NGFTUJWBMGFJUPEFOPWBTWP[FTF grandes lendas, a não perder.

t'&45*7"-1"3&%&4%&$063" 0 MĂ?TICO INDIE

JĂĄ com 17 anos, o Festival Paredes t '&45*7"- ."3Âœ4 7*7"4  40- & de Coura continua a ter o mes(3"/%&4/0.&4/6.".#*&/- mo ideal, a mesma humildade e igual paixĂŁo que tinha quando foi 5&63#"/0 criado, em 1993. O MarĂŠs Vivas ĂŠ um dos festivais Tornou-se mais que um festival, mais baratos em Portugal. AtĂŠ hĂĄ tornou-se um hĂĄbito, uma tradibem pouco tempo, apenas o pes- ção. Tornou-se um vĂ­cio, abençosoal de Gaia e arredores sabia da ado pela caracterĂ­stica chuva que sua existĂŞncia, mas a projecção marca sempre presença. deste festival tem crescido de Mas se, em alguns anos, o “Paredesâ€? chamava por apresentar vento em popa. Ă€ beira rio plantado, faz do Cani- OPNFT DPNP 'PP 'JHIUFST  ,PSO  delo o seu palco e tem surpreendi- Pixies, Papa Roach, 3 Doors Down, do pelos nomes que tem reunido: The Arcade Fire ou tantos outros, (VBOP"QFT 4DPSQJPOT ,BJTFS$IJF- neste momento nĂŁo se pode dizer fs, Jason Mraz, Prodigy e Lamb sĂŁo o mesmo. O Festival continua com o mesmo espĂ­rito, o mesmo palco apenas alguns exemplos. A edição de 2010 ainda nĂŁo tem o verdejante e as mesmas experiĂŞncartaz fechado, mas jĂĄ atrai com cias Ăşnicas, mas jĂĄ nĂŁo ĂŠ a mĂşsica a bandas como Ben Harper and Relen- principal atracção. Ainda assim, para tless 7, Placebo, Editors, Morcheeba, quem vai, o “Paredesâ€? ĂŠ mĂĄgico. Goldfrapp e o mais internacional mĂş- Os lendĂĄrios The Specials chegam para apresentar o seu 2 tone, comsico portuguĂŞs, David Fonseca. ApĂłs Innocent Criminals Ben Har- posto por misturas de mod e ska. per apresenta a nova banda, Relen- Originais e bem sucedidos, pareceu tless 7. Depois de ter aprendido a nĂŁo ser suficiente. Depois de sucestocar guitarra na loja de mĂşsica sivas paragens, voltaram a juntar-se da mĂŁe, vem embalar o pĂşblico em 2008 e espera-se agora que toportuguĂŞs com os seus acordes quem os seus grandes sucessos e rĂ­tmicos e descontraĂ­dos. Espera- deixem a plateia de Paredes de Couse um concerto, acima de tudo, ra sedentos de mais e mais. envolvente com ĂŞxitos como “In Este ano, apresenta os norte-ameYour Eyesâ€?, “She’s Only Happy in ricanos Best Coast, com o diferente surf pop. the Sunâ€? ou “Amen Omenâ€?. Os teatrais Goldfrapp apresen- Os novatos Enter Shikari voltam a tam o recente “Head Firstâ€? e pre- Portugal com Tribalism e acreditamos nunciam um grande espectĂĄculo ser um espectĂĄculo a nĂŁo perder. Bem a modo de Paredes de Coura, de electrĂłnica. Quem tambĂŠm surge com um BDUVBNUBNC§N,MBYYPOT RVFTVreportĂłrio de electrĂłnica envol- gerem um autĂŞntico espectĂĄculo vente de pop, blues e trip hop de indie rock. num estilo muito alternativo, Dandy Warhols trazem consigo sĂŁo os Morcheeba que andam o seu potente rock psicadĂŠlico. Depois do Sudoeste em 2004, esperapor cĂĄ desde 1995. Placebo, do latim “placereâ€?, ou se um autĂŞntico e ousado concerto, seja, “agradareiâ€?, prometem fazer Ă altura da banda americana. juz ao nome. Formada em Londres A edição 2010 conta ainda com as acmas constituĂ­da por membros de tuaçþes de Gallows, Vivian Girls, os vĂĄrias nacionalidades, mostram, novatos White Lies e The Tallest Man mais uma vez a Portugal, o seu PO&BSUI PTVFDP,SJTUJBO.BUTTPO  rock alternativo com influĂŞncias que apresenta The Wild Hunt. de post-punk, para deleite da O cartaz ainda nĂŁo estĂĄ fechado, mas surge jĂĄ uma banda para o Afplateia potuguesa. E&64 WŠN EBS B DPOIFDFS P TFV ter Hours que antecipa uma granrock belga Ă  população nortenha de noite: We Have a Band, com depois de, em 2007, terem anima- WHB e muito boa disposição. do as gentes em Paredes de Coura. David Fonseca enveredou pelo es- t 46%0&45& 5./  13"*"  $"-03 tudo do cinema mas dĂĄ cartas na &6.".#*&/5&.6*50%&4$0/mĂşsica. Depois do sucesso de “A TRAĂ?DO Cry 4 Loveâ€?, surge este ano “Stop 4 a Minuteâ€? que promete mais pop “Oh Elsaaaaaaaa!â€?: ĂŠ apenas uma rock alternativo portuguĂŞs‌ ainda das tradiçþes que se criaram no Sudoeste TMN. que cantado em inglĂŞs. Para fĂŁs de Gorillaz, Gorillaz Sound O sol e o pĂł jĂĄ sĂŁo companheiros e

a Herdade da Casa Branca ĂŠ o local fundamental das fĂŠrias de muitos jovens (cada vez mais jovens). Para quem gosta de praia, calor e nĂŁo se importa que o cartaz seja quase sempre repetitivo, o Sudoeste ĂŠ a perfeição. Para o pessoal descontraĂ­do, hĂĄ o palco do reggae, principalmente quando combinado com dias de relax e banhos de mar em plena Zambujeira. Este ano o cartaz apresentado atĂŠ Ă data apresenta M.I.A, Flaming Lips, Maria GadĂş, Jamiroquai, a doce (atĂŠ de mais) Colbie Caillat, o levezinho James Morrisson, Bomba EstĂŠreo, o excĂŞntrico Mika, as populares Sugababes, Bajofondo, a potĂŞncia de David Guetta, o poprock de Massive Attack, Air, Mikes Patton’s e Mondo Cane. M.I.A ĂŠ uma cantora britânica que combina rap com funk e vem apresentar Maya, com o seu estilo sempre Ăşnico. Espera-se um concerto no mĂ­nimo, vigoroso. Os bizarros Flaming Lips sĂŁo uma banda americana de rock alternativo e, segundo a Q Magazine, uma das 50 bandas para se ver antes de morrer. Tendo em conta a produção e a elaboração de cada espectĂĄculo, corrobora- se. A nĂŁo perder. Jamiroquai ĂŠ bem conhecido do pĂşblico portuguĂŞs, habituados a grandes concertos com muito ritmo e grande paixĂŁo pela mĂşsica. Colbie Caillat e James Morrisson trazem o romance ao palco do Sudoeste. Com um percurso idĂŞntico – ela começa a carreira aos 11 e ele aos 12 – sĂŁo ambos apaixonados QFMBHVJUBSSB6NUPRVFEFGBOUBTJB numa tarde que se espera quente. A excentricidade de Mika faz prever isso mesmo: um concerto excĂŞntrico, caloroso. Num palco que jĂĄ lhe ĂŠ bem conhecido, depois de em 2008 ter estado no Super Bock, em Lisboa. Bajofondo ĂŠ um grupo constituĂ­EP QPS NÂľTJDPT EP 6SVHVBJ F EB Aregntina. Apresentam uma espĂŠcie de tango argentino, bem diferente do que se costuma esperar. David Guetta, o Dj francĂŞs, tamC§NO¤P§VNBOPWJEBEF6NEPT seus Ăşltimos trabalhos foi a produção de “I Gotta Feelingâ€?, o hino da selecção, para Black Eyed Peas. Heligoland ĂŠ o novo ĂĄlbum de Massive Attack, o duo inglĂŞs de trip hop. A banda de “Teardropâ€?, faixa que integrou a banda sonora da sĂŠrie House M.D., jĂĄ nĂŁo ĂŠ novata nestas andanças e fazem jus Ă s boas crĂ­ticas que tĂŞm, desde sempre, recebido.

LILIANA PINHO

Datas ROCK IN RIO 21, 22, 27, 29 e 30 de Maio Parque da Bela Vista, Lisboa 58₏ (dia) Sem Campismo OPTIMUS ALIVE! 8, 9 e 10 de Julho Passeio Marítimo de AlgÊs, Oeiras 50₏ (dia) 90₏ (passe três dias) Sem Campismo. Parceria com Parque de Campismo de Monsanto e Lisboa Camping: 15₏ SUPER BOCK SUPER ROCK 16, 17 e 18 de Julho Herdade do Cabeço da Flauta, Meco 40₏ (dia) 70₏ (passe 3 dias) Com Campismo. MARÉS VIVAS 15, 16 e 17 de Julho Canidelo, Gaia 25₏ (dia) 40₏ (passe 3 dias) Sem Campismo. PAREDES DE COURA 28, 29, 30 e 31 de Agosto Praia Fluvial do Tabuão, Paredes de Coura 40₏ (dia) 72₏ (passe 4 dias) Com Campismo Gratuito. SUDOESTE TMN 2, 3 e 4 de Julho Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar 40₏ (dia) 80₏ (passe 3 dias) Com Campismo. SUMOL SUMMER FEST 25 e 26 de Junho Ericeira Camping, Ericeira 30₏ (dia) 40₏ (passe 2 dias) Com Campismo DELTA TEJO 2, 3 e 4 de Julho Alto da Ajuda, Lisboa 25₏ (dia) 40₏ (passe 3 dias) Sem Campismo.


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JUP || JUNHO 10

o Sonetos Completos a 2€ e há muitos mais”.

DANIELA TEIXEIRA

Catarina Oliveira, aluna de Farmácia na ESTESP, diz que os livros em Portugal são muito caros. “Um livro que na versão original, em inglês ou francês, custe cerca de 10 ou 12 euros, em português chega a custar 20 euros que é um valor que nem todos podem pagar”, afirma. LIVROS EM SEGUNDA MÃO Existem muitas outras formas de adquirir bons livros que vão para além da compra nas lojas convencionais e que, muitas vezes, passam a lado da maior parte das pessoas. Comprar livros usados é uma boa

opção para quem quer ler e tem pouco dinheiro no bolso. O JUP foi até à Livraria Académica, na Rua dos Mártires da Liberdade, e falou com o seu mentor, Nuno Canavez que nos diz que “cada vez vêm menos jovens” à sua livraria e que “o cenário não é maravilha nenhuma”. No entanto, Nuno Canavez afirma que com pouco dinheiro se podem comprar bons livros na sua livraria: “há montes deles e de autores consagrados, por exemplo, por menos de 5€, podem comprar os livros da Agatha Cristie, os livros do Érico Verissímo, muitos de Jorge Amado… de imensos autores portugueses: como Camilo, Eça, Ramalho… e mais modernamente

José Régio, tudo por preços entre os 2,5€ e os 5€!”. Na Travessa de Cedofeita fica a Livraria Lumiére. Cláudia Ribeiro, dona da Livraria, diz que os estudantes que frequentam a sua livraria normalmente “compram livros baratos e geralmente não levam mais porque não têm muito dinheiro…”. Sobre o preço dos livros da Livraria Lumiére Cláudia diznos que “Aqui a 2€-3€ compram-se bons livros de literatura estrangeira e portuguesa a bons preços, por exemplo, tenho aqui esta edição de livros de Eça de Queirós, que até são para bibliófilos, que estão a 5€, ou este de Antero de Quental,

LITERATURA

LOW COST

Ler muito e bem pode ficar caro. Os preços dos livros nas livrarias convencionais podem atingir preços que nem todos os estudantes podem pagar. Mas há muitos livros à espera de um leitor fora dos espaços mais banais de compra de livros.

Na Livraria Paraíso, criada em 2009, na Rua José Falcão, Amélia Coelho diz que há muitos jovens a frequentar a sua livraria: “os estudantes compram muito, mas tem de ser livros baratos, é por isso que tenho sempre aqui este balcãozinho com livros a 1€” . Seguem-se exemplos de livros que encontramos na banca dos livros a 1euro: Os Meus Amores, de Trindade Coelho, O vestido cor de fogo, de José Régio, O Jogador, de Dostoiévski, A morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi, O potro vermelho, de Steinbeck, entre muitos, muitos, outros. Na Rua das Oliveiras, junto ao Teatro Carlos Alberto, situa-se a Livraria Vieira, fundada em 1984. Fernanda Vieira diz que “os jovens quando cá vêm procuram os livros mais baratos: 50 cêntimos, 1 euro, dois… não passa muito disso. Às vezes acontece que gostam mesmo muito de ler mas não têm dinheiro para pagar”. “Tenho histórias muito curiosas com jovens”, prossegue, “uma vez veio cá um jovem que queria um livro do Camilo que o pai adorava, e que custava 20€ por ser uma primeira edição… e ele só tinha dez. Eu disse-lhe para ele o levar por 10euros e que quando pudesse me trazia os outros 10. E o rapaz foi embora encantado. Depois, passado algum tempo, ele veio trazer-me o dinheiro que faltava. Porque dez euros para um jovem é muito dinheiro.”. Questionada sobre bons livros a baixo custo na Livraria Vieira, Fernanda diz “ praça Carlos Alberto, que é um livro magnífico ou O riso das esquinas, de Júlio Couto… estamos agora até com uma baixa de preços em livros óptimos, que dantes custavam 20€”. Os livros que se encontram nestas lojas nem sempre são da edição mais recente. Às vezes têm a sua existência marcada pelo desfolhar de outras mãos. Às vezes têm pó e as páginas amarelas do passar do tempo. Mas deverá isto ser um impedimento para ler com a mesma paixão e voracidade com que se lê quando se trata de um livro novo? Pelo contrário. Afinal, a poeira de uma vida deve ter algum sentido. BOOKCROSSING: UM CLUBE PARA APAIXONADOS POR LIVROS O Bookcrossing é um clube para pessoas que “gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que outras pessoas os possam ler”, como podemos ler no site da iniciativa em bookcrossing-portugal. com. O Bookcrossing é, então, um clube destinado a leitores de todo o mundo que pretendem trocar livros entre si. O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca. Para Lígia Teixeira, membro do clube desde 2006, “é um óptimo ponto de encontro para leitores ávidos que não gostam de ver os livros nas estantes a apanhar pó e que pretendem

partilhá-los com outros leitores”. Este clube, fundado em 2001, conta já com cerca de 900 mil pessoas de 130 países diferentes. Em Portugal, são mais de 8 mil inscritos. No entanto, o número de pessoas que faz Bookcrossing no activo é bastante inferior. Segundo Lígia Teixeira, “a comunidade tem vindo a crescer cada vez mais e nos últimos dois anos já foi possível realizar duas convenções nacionais”. O Bookcrossing oferece aos seus membros a possibilidade de ler mais e ter acesso a literatura bastante diversificada. Para além disso, a troca de informações sobre livros entre os bookcrossers dá também a conhecer muitos autores novos, quem o afirma é Lígia Teixeira. No conceito do Bookcrossing, ler também implica alguma aventura. Os bookcrossers anunciam no site da iniciativa que vão “largar” um livro em tal sítio e depois cabe aos interessados fazerem por o encontrarem se o quiserem ler. Qualquer membro registado pode libertar ou “caçar” livros. No momento da escrita deste texto existiam 470 livros libertados em Portugal à espera de um leitor.

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(Festa em) Serralves (em Festa) A sétima edição do Serralves em Festa realiza-se a 5 e 6 de Junho durante 40 horas Non-Stop. Este é um dos maiores festivais de expressão artística contemporânea da Europa e o maior do país. JOSÉ FERREIRA

- A CONVERSA? (Vídeo e Cinema) - COLOMBINA’S (Música Pop Rock) - MAL-AMAR-TE (Teatro) -MONUMENTO AO DESEMPREGADO DO ANO (Performance) - PIRILAMPOS (Performance) - O FASCÍNIO DO PEQUENO LAGO (Performance) - QUADRIVIUM (Música Improvisada e Jazz) - SOLITUDE (Performance) - THIS PLANET SUCKS! (Música Pop Rock)

COMO LER MUITO COM POUCO DINHEIRO: OUTRAS ALTERNATIVAS Mas há muitas formas de ler livros a um preço mais baixo. Os livros de bolso são uma boa alternativa e representam uma grande diferença de preço comparativamente à edição normal. Para ilustrar a situação, usamos o livro Memória das minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez cujo preço da edição normal num site de venda de livros online ronda os 15€ e o da edição de bolsa não chega aos 5€. A aquisição de livros que saem como suplemento de revistas e jornais é outra das formas de ler bons livros a um preço mais económico. Alguns jornais e revistas aproveitam para divulgar boa literatura, oferecendo aos seus leitores a possibilidade de adquirirem livros de poesia, romances e policiais de grandes escritores. Os preços destes livros varia geralmente entre 1€ e 5€. Marília Freitas, estudante de Ciências da Comunicação na FLUP, diz que esta “é uma boa oportunidade para aquelas pessoas que gostam de ler, mas não têm muitos recursos económicos para o fazer, adquirirem bons livros a preços mais baixos”. As feiras do livro, as promoções e as compras online são também boas formas para comprar livros a preços mais reduzidos, segundo Catarina Oliveira. “O que eu faço muitas vezes é aproveitar aquelas promoções, como “leve 3 pague 2”, ou bons descontos que há muitas vezes nas feiras do livro, ou então encomendo os livros online, que, muitas vezes, assim, ficam mais baratos”, diz. Para ler muitos e bons livros não é preciso muito dinheiro, é só preciso vontade, amor pela leitura e alguma imaginação. DIANA FERREIRA E DANIELA TEIXEIRA

Finalistas do Concurso de Projectos Artísticos 2010

A festa começa dia 3 de Junho no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, com o projecto Tout va Bien e continua no dia 4 na baixa portuense (Metro da Trindade, Rua de Santa Catarina, Café Piolho, entre outros). Das 8h da manhã de Sábado, 5 de Junho, até às 24h de Domingo, 6 de Junho, Serralves vai receber mais de 90 eventos e mais de 600 artistas das mais diversas áreas, desde a música improvisada ao teatro de rua, passando pela acrobacia e pelo circo contemporâneo. À semelhança do que aconteceu nos anos anteriores, também este ano a Fundação de Serralves promove o Concurso de Projectos Artísticos para o Serralves em Festa. Esta competição tem como objectivo promover as jovens criações de arte, procurando o seu reconhecimento junto de diferentes públicos. Os dez finalistas, já revelados, vão ter as suas obras introduzidas no programa do festival. Na área musical, a organização do Serralves em Festa 2010 destaca as

actuações dos norte-americanos Burnt Sugar the Arkestra Chamber, que prestam homenagem a James Brown, da banda indie-punk Bonaparte, da banda parisiense dOP e do colectivo de DJs Kolombo & Loulou Players. No Jazz, o destaque vai para a Big Band do Hot Club de Portugal. Na Dança Contemporânea, os destaques vão para Vale de Madalena Victorino, um espectáculo com dança e música ao vivo e Íman da performer Filipa Francisco, que apresenta uma coreografia dinâmica e colorida desenvolvida por um grupo de dança da Cova da Moura. Como já é habitual neste evento, o Circo Contemporâneo ocupa um lugar de especial relevo. Este ano, a companhia francesa Le Nadir apresenta Shoot the Girl First, um projecto da responsabilidade de Isabel Alves Costa. Este é um filme-espectáculo com uma intriga misteriosa e comovente, construída em avanços e recuos temporais. A prática circense utilizada é a acrobacia aérea. Relativamente ao Teatro de Rua, o pro-

jecto Tout Va Bien, representado pela companhia Kumulus, sugere a habitação dos equipamentos citadinos destinados à publicidade. Por outro lado, o espectáculo A-TA-KA!, da Companhia Cal Y Canto, consiste numa animação de artefactos e animais voadores que povoam os céus, animados e guiados pela luminosidade. Por fim, na área do Teatro para a Infância e Juventude o destaque vai para a apresentação de Pig, da companhia britânica Whalley Range All Stars. Este espectáculo realiza-se dentro do ventre de uma porca e os espectadores são desafiados a agir como pequenos leitões. TERESA CASTRO VIANA JOSÉ FERREIRA

Serralves em Festa ENTRADA GRATUITA Parque de estacionamento grátis no Queimódromo Use transportes públicos para chegar ao Serralves em Festa - Linha 201 (das 6H às 21H) Sá da Bandeira > Viso; Linha 203 (das 6H às 21H) Marquês > Castelo do Queijo; Linha 502 (das 6H à 01H) Bolhão > Matosinhos Mercado; Linha 504 (das 6H10 às 00H45) Boavista > Norteshopping


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GOURMET DAS TASCAS

Feira mais feira não há Na altura em que este jornal estiver nas vossas mãos, já está na rua – na Avenida dos Aliados, para ser exacto – a 80ª edição da Feira do Livro do Porto. Quem a vir assim tão bonita, em filas de barracas quase novas a brilhar ao sol, não imagina as dificuldades que a feira trouxe este ano. A sua localização só foi conhecida uma semana – uma semana – antes da data de início prevista, e o espectáculo que antecedeu o anúncio oficial não deixa ninguém apresentável na fotografia: a primeira localização seria a mesma do ano anterior, isto é, a Avenida dos Aliados; depois, falava-se na Rotunda da Boavista; mais tarde, de novo o local proposto era a Avenida, mas a Câmara Municipal do Porto, diziam os responsáveis da APEL na altura, não respondia às diligências da associação que procu-

“Que se crie espaço na cidade para os livros”

rava assegurar a localização. Como há anos vem sendo habitual nestas situações, a Câmara Municipal de Gaia voluntariou-se de imediato para acolher a feira sem-abrigo e agora apontava-se o Cais de Gaia como o sítio mais provável. Eis senão quando, uma semana antes do início previsto da feira – repito, uma semana – entra o comunicado oficial, assinado tanto pelo presidente da CMP, Rui Rio, como pelo da APEL, Paulo Teixeira Pinto, declarando que, no final de contas, é mesmo nos Aliados que a feira fica.

Sobram as perguntas do costume. Quando é que CMP volta a prestar um ínfimo de atenção às actividades culturais que precisam da cidade (e de que a cidade tanto precisa)? Sim, é certo, o Porto tem o Teatro Nacional de São João, tem a Casa da Música, tem Serralves. Contudo, o Porto não poder ser apenas TNSJ CasadaMúsica Serralves. Se a cidade continuar a ser tnsjcasadamusicaserralves, arrisca-se a que tnsjcdmserralves se torne num mero slogan cultural que se esvazia de toda a substância até ao vazio do significante. Podia atacar, como tantos têm feito, o gosto duvidoso que a cidade tem vindo a desenvolver por grandes eventos motorizados – Circuito da Boavista, Red Bull Air Race, Porto Roadshow – mas não o farei. Reconheço o valor de tais eventos e não escondo a minha costela de fã do automobilismo. Todavia, também reconheço que o orçamento não pode esgotar-se nunca naquilo que serve apenas a alguns. Não falo daquilo que, arrogantemente, é apelidado de subsídiodependência da cultura, não: neste caso, falo apenas de espaço. Que se crie espaço na cidade para os livros, ainda que apenas a uma semana do início da feira. Já dizia o grande poeta povo: mais vale tarde que nunca.

Tiago Sousa Garcia

MIGUEL LOPES RODRIGUES

CONTA-ME COMO É...

PEDRO ALMEIDA (FLUP)

Arroz-doce: rizomas, rupturas e retórica Não é certo que, falando hoje de Uni-

power-point learning), sintomática da

versidade, evoquemos a casa à qual se

necessidade de fixação destas (peque-

dirigia André de Resende quando, em

nas) crenças através de um materia-

1534, na sua Oratio Pro Rostris, louva o

lismo que se firma próximo da orla do

renascimento de um espaço de saberes

dogmático, como que um empertigar-

que são “mais obra que ostentação”.

se, um pôr-se em bicos-de-pés que não

A crise das Humanidades, mantendo

disfarça a falência de um discurso que

uma relação difusa com a desagragação

é, ele mesmo, uma performance em

das filologias, assume entre nós con-

falha, uma performance da falha, ou

tornos bastante específicos. Aderindo

a esforçada tentativa de fazer aderir à

à pulverização disciplinar de inspiração

realidade textual um pensamento apo-

anglo-saxónica, o discurso académico

rético. Porque o rizoma é hoje, afinal de

não se emancipou, contudo, da gramá-

contas, o lugar do pensamento huma-

tica conceptual estruturalista, dando

nista na sociedade. A verdadeira ruptu-

origem a uma curiosa anatomia dis-

ra é bem mais real do que se faz crer: é

ciplinar, balcanizada, mas altivamente

o hiato entre o pensar e o ser em que

empírica. Em lugar de uma insurreição

se acham os saberes, para lá das portas

dos saberes subjugados (na expressão

do novo milénio.

de Foucault), assistimos ao entrinchei-

E é neste contexto que emergem novas

ramento dos efeitos de poder do dis-

(?) propostas para uma retoricização do

curso científico em redutos ínfimos. Se,

conhecimento. Workshops de redacção

por um lado, não conseguiu encarar de

de artigos científicos destinados a “au-

frente as consequências do pragmatis-

mentar o impacto das conclusões junto

mo e do desconstrucionismo, por outro,

da comunidade científica”; indústrias

não resistiu o suficiente ao aliciamento

criativas e a esteticização das relações

da migração para novas zonas de estu-

comerciais; dispositivos de “cientifici-

do atravessadas pelo positivismo cultu-

zação de ideias”; conferências com in-

ral. Suspenso por fios invisíveis, o texto

vestigadores internacionais centradas

acomoda-se a uma rede de conceitos

sobre técnicas para “obter sucesso na

previamente aquecida, que basta levar

ciência”, ou o desdobramento de áreas

ao microondas para fazer saltar pipocas

de estudo aplicado de ferramentas re-

rizomáticas: fragmentariedade, descen-

tóricas são apenas algumas das faces

tramento, deslocações, indecidibilidade,

deste cerco ao pensamento.

diferendo, fulgurações, sedimentações.

Talvez essa seja a desajeitada resposta

O texto não tem nada a ensinar, pouco

que encontrámos para contrabalançar

tem a ver com a vida ou as convicções,

o imperialismo das ciências biológicas

ele está simplesmente aí, pronto a rece-

e a sua hegemonia no panorama acadé-

ber no seu corpo acutilantes investidas

mico. Talvez a inconsciente colonização

que outros pré-confeccionaram para

por essas mesmas ciências.

nós, mais ou menos mecanicamente,

Não creio que alguém traga no bolso

aplicarmos.

a chave para o presente e abra novos

Desta miríade de pequenas narrativas

horizontes ao trabalho crítico e teórico.

que tudo explicam, parece decorrer

Não duvido, porém, de que cabe a uma

Uma das iniciativas do Movimento Hare Krishna é o programa “Food for Life” que promove a distribuição gratuita

um novo estilo na fala dos académi-

nova geração procurar trilhos mais ará-

cos. “Nas nossas universidades, insistir

veis. É provável que esse esforço passe

nas rupturas, fragmentos e desconti-

pela revalorização da compreensão em

de comida lacto-vegetariana entre as populações que vivem abaixo do limiar de pobreza. No Oriente do Porto, todas as quartas-feiras por volta das 18h, reúnem-se voluntários que executam todo o processo desde a confecção dos alimentos à sua distribuição pelas zonas mais carenciadas da cidade.

nuidades continua a ser o cúmulo do

face da explicação, pela prova da inteli-

chique”, observa René Girard (2002:229).

gibilidade enquanto compromisso com

É a ruptura que outorga direito de cida-

uma verdade mais ampla. Há algo que

dania às personagens do pensamento,

aguarda para ser nomeado, anunciado

exercendo um fascínio encantatório,

nos silêncios que nos pontuam, não

magnetizante, hipnótico sobre o texto

como ausência, porque sempre esteve

literário, qual novo Midas. Simultanea-

aqui, mas talvez de Rilke aquela “alta

mente, renasce um apego a uma certa

árvore no ouvido”.

Oriente no Porto O Restaurante Oriente no Porto situa-se próximo da Torre dos Clérigos, por detrás da antiga Cadeia da Relação e na proximidade da igreja de São Bento da Vitória. Este espaço existe desde 1990 e assume-se como um espaço alternativo na cidade do Porto. A equipa que gere o restaurante é seguidora do movimento Hare Krishna (Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna) e, naturalmente, a sua orientação lacto-vegetariana reflecte-se nos pratos que confeccionam: a cebola e o alho são substituídos por assa-foetida; usam leite de vaca mas normalmente apenas nas sobremesas; evitam a manteiga e os ovos; excluem todos os tipos de carne optando pela soja, o seitan e o tofu; nos pratos salgados utilizam essencialmente leite de soja ou coco. Relativamente a esta opção Rui Silva acrescenta «Defendemos uma alimentação sem crueldade. Isto significa que não utilizamos qualquer ingrediente que tenha sido testado num animal, ou que seja de origem animal.». Diariamente, este restaurante disponibiliza uma opção de refeição que inclui sopa, o prato, a sobremesa e a bebida. As doses individuais são servidas pela equipa do restaurante em tab-

uleiros individuais e é sempre possível repetir. Esta refeição, servida diariamente no período do almoço, tem um custo fixo de 4,00 euros para estudantes. Às sextas e sábados, no período do jantar, o serviço é à mesa sendo possível escolher diferentes pratos. Nas palavras de Rui Silva «O prato que tem mais saída é a nossa francesinha vegetariana. Todos aqueles que a comem ficam muito satisfeitos e consideram uma alternativa bem conseguida à francesinha tradicional, tão típica desta cidade». Questionamos sobre a receita deste prato típico, Rui Silva revela «A Francesinha é constituída por fatias de pão, seitan grelhado, salsicha de soja, tofu com especiarias e queijo/queijo vegano. O Molho é feito com cenoura, tomate, pimento, aipo, especiarias, leite de coco, piri-piri, orégão, assafoetida e o resto é segredo..».

Oriente no Porto RUA DE S. MIGUEL, 19 Contacto: 222 007 223 Horário de funcionamento: Segunda a Sábado das 13h00 às 15h00. Sexta e Sábado servem jantares das 20h00 às 22h30

O espaço Oriente no Porto, para além do restaurante, inclui zona de habitação reservada aos monges, templo e ainda uma pequena loja com artigos indianos (literatura sobre o movimento Hare Krishna, vestuário, acessórios, objectos rituais e decorativos, cosméticos sem ingredientes testados em animais e produtos alimentares). A Loja e o restaurante funcionam como uma forma de subsistência e um canal de divulgação do vegetarianismo.

MARIANA JACOB

Food for Life em Portugal

rigidez conceptual esquematizante (vd.

Entrou aos 15 anos; obviamente não fez o percurso habitual. Já tinha tentado antes, durante a primária, mas a experiência de um mês não lhe disse nada. Já no Secundário, uns amigos desafiaram-no a tentar de novo e, desta vez, foi mesmo para ficar. “O primeiro ano foi de aproximação”, diz, “mas no segundo já era tudo meu!”. Hoje, Hugo Carneiro é caminheiro e, aos 22 anos, tomou a decisão de não abandonar os escuteiros e passar para o lado dos que ensinam. “O Corpo Nacional de Escutas”, começa o Hugo, com uma expressão concentrada e um discurso convicto, “é uma instituiçao católica” que se baseia nos ensinamentos de Baden Powell. Há escuteiros em todos os países do mundo, a fraternidade que nos une é a mesma, a única especificidade está apenas em cada um transmitir os valores da religiao que escolhe”. Actualmente, reconhecidas pelo escutismo mundial existem as Guias de Portugal, o Corpo Nacional de Escutas e a Associação dos Escoteiros Portugueses, que formam a FEP, a Federação Escutista Portuguesa. Hoje em dia conta com 13 mil jovens, mas mais de 300 mil pessoas já foram escuteiras em Portugal. Neste momento, são 25 milhões os escuteiros espalhados pelo mundo. Algo que só prova que ainda há espaço para o escutismo, entre ballets, piscinas e playstations. O número de associados tem vindo a aumentar nas últimas décadas, “mas a participação já não é tão intensa! Eu andava lá sempre metido! Mas nem

sempre os miúdos têm tempo e disponibilidade!”. O escutismo baseia-se muito no convivio prolongado, não é uma actividade de fim-de-semana: há que manter as crianças numa actividade constante, espicaçar-lhes a curiosidade sobre o outro e as suas diferenças, ensinar-lhes o respeito. É um programa educativo completo e, como tal, há também que “educar” os pais a apoiar e valorizar o que lhes é ensinado: “às vezes os pais é que acham que os filhos não tem disponibilidade…”. O que é certo é que os resultados ficam para sempre: “Vais para o liceu, para a faculdade… mas os amigos com quem ainda vais acampar, todos os anos desde a tua infância, e com quem convives 24 sobre 24 horas, são esses que ficam!”. Por vezes lá apanha alguns miúdos mais complicados, sobretudo mais velhos. “Esses sim, temos de os ter sempre entretidos. A fase mais difícil é a dos 12, 13 anos, depois disso, quem fica sabe que é disto que gosta”. E afinal, o que é exactamente ser escuteiro? “Cada um tem a sua função no grupo e é isso que te ensina a ganhar responsabilidades”. Para passar para o próximo nível, é necessário interiorizar e adquirir algumas competências relativas ao convívio, asseio, e crescimento interior: no escalão inferior de lobitos, por exemplo, as crianças aprendem a respeitar as diferenças entre meninos e meninas, a saber as horas de descansar e de comer, a ser autónomas e participativas. “É pedagogia por com-

petências, ou seja, aprender fazendo. A partir daí, vêm outros valores como o companheirismo, e a amizade.” E todos ajudam: o CNE é uma organização reconhecida pela disponibilidade e altruísmo dos seus membros: “Participamos nas recolhas do Banco Alimentar, temos um protocolo com a Quercus e pedimos aos miudos que recolham rolhas de cortiça para contribuir para a plantaçao de árvores, ajudamos as pessoas que estão no Hospital S. João a ir à capelania aos Domingos, pequenas coisas. O nosso lema, a partir dos caminheiros, é estar sempre alerta para servir”. A própria filosofia aplica-se também dentro do grupo: “Não é por dinheiro que não se entra para os escuteiros. Temos alguns miúdos que não têm dinheiro para comprar a farda e nesse caso nós arranjamos. Ou então um pai chega e diz que a camisa já não serve ao filho, nós guardamos e depois pode passar para outro miúdo mais novo.” Um bom escuteiro também deve saber encarar outro tipo de desafios, bem mais caricatos: “No dia de S.Jorge, (que também é patrono dos escuteiros!) mascarei-me de Merlin… e tive de levar um fato com estrelas, luas e trovões, chapéu pontiagudo e barba. A ideia foi minha… O mais complicado foi pôr as estrelas a brilhar, por ser de dia! Mas à noite, os miúdos ficaram todos contentes”. A felicidade e o orgulho de guiar estas crianças é nítida, partilha com elas todos os momentos. É mais fácil inspirar os escuteiros mais novos a serem mais uns pelos outros, apesar dos medos e inseguranças, recorrendo a esses Cavaleiros da Távola Redonda, corajosos paladinos do cavalheirismo; e Hugo encarna bem o papel de conselheiro do mago de fantasia. Mais descontraído, quando questionado sobre o que era preciso para ser um homem em calções, já brincava com a situação: “Há que ter resistencia ao frio… mas também ao calor! É que o chapeu é feito de pele de coelho… e ah! Há que ser inteligente, para saber apertar as meias na medida certa.” E da palavra de escuteiro não se duvida. ANA PELAEZ E MARIA INÊS ANTUNES

PAULO PEYROTEO

...ser escuteiro


JUP || JUNHO 10

Cardápio

Críticas

28 ||

MÚSICA

TEATRO

EVENTOS

VÁRIOS

5 DE JUNHO

DE 20 A 30 DE MAIO

18 A 30 DE JUNHO

9 A 13 DE JUNHO

HEALTH

NEM O PAI MORRE NEM A GENTE ALMOÇA Teatro Universitário do Porto SEDE DO TUP, TRAVESSA DE CEDOFEITA 2,5€ por pessoa

NUNO CALVET - PORTO-GRAFIAS Exposição de Fotografias - Casa do Infante

DIAGRAMAS (EXPOSIÇÃO)

Casa da Música, Sala Suggia

15€ por pessoa

7 DE JUNHO DEOLINDA

9/10

8/10

KICK-ASS MATTHEW VAUGHN

DOISMILEOITO

Um filme de Super-Heróis mas sem a parte do “Super”. Kick-Ass é o novo filme de Matthew Vaughn, produtor de Snatch, e conta-nos a história de um rapaz amante da 9ª arte que não compreende como nunca houve ninguém que tentasse ser um Super-Herói e sente-se, então, compelido a tentar, dando uma volta enorme à sua vida. O filme é baseado na banda desenhada com o mesmo nome escrita pelo guru do século XXI dos comics, Mark Millar, e desenhada pelo veterano John Romita Jr. O filme conta com os talentos de Aaron Johnson, Christopher MintzPlasse, Chloe Grace Moretz, Mark Strong e Nicholas Cage. Embora não tendo uma carga tão dramática como Dark Knight de Christopher Nolan ou Watchmen de Zack Snyder, Kick-Ass possui toda a mística da B.D. e toda a magia de Mark Millar, que nos põe no mundo real mostrando que, de certa forma, uma história destas poderia ser possível, dando ao espectador comum uma ligação ao mundo dos Super-Heróis. Ao início, parece mais um filme de adolescentes mas, na verdade, é um dos melhores filmes de Heróis desde o boom deste tipo de filmes no início do novo milénio. Acção digna de um filme de Luc Besson, banda sonora adequada a cada cena, um humor leve e um realismo quase gutural fazem deste um filme com capacidade para se tornar um sucesso de Verão apesar de não ser suficientemente publicitado para tal. Mesmo assim, um filme imperdível. MIGUEL LOPES RODRIGUES

Na noite de 18 de Maio, os doismileoito, formação da Maia constituída por Pedro Pode (vocalista/ guitarra), André Aires (Bateria/ Teclado/voz) e Nicolau Fernandes (Baixo/voz) deram um concerto inserido nos festejos dos 10 anos do Fórum Cultural de Ermesinde. A banda que lançou o álbum homónimo em Fevereiro do ano passado chegou ao palco depois da hora prevista e antes até de se apresentar, começou a tocar ‘Acordes com Arroz’ uma das suas músicas mais conhecidas que foi tema de uma campanha de Verão da TMN, mas que foi aqui apresentada com um novo arranjo. A plateia embora escurecida por uma iluminação que se pretendia intimista estava animada e envolveu-se com os elementos da banda, estabelecendo-se um ambiente familiar e divertido, existindo uma troca de piadas constante. O grupo tocou êxitos da rádio como ‘Bem Melhor 12200074’ e a preferida do sexo feminino ‘Cabanas’ que contou com grande participação do público. Apresentou também novos temas como ‘Carta aos mortos’ e ‘Atrás de Mim’ que vão fazer parte do próximo álbum que vai começar a ser gravado brevemente. Juntos há mais de 3 anos a banda tem agora um novo elemento nos concertos, o guitarrista Bruno Almeida, cuja permanência na banda ainda não está definida. Para quem conhece a banda, o concerto foi mais uma vez um momento pautado pela familiaridade. Para quem vê pela primeira vez, os doismileoito são uma agradável surpresa pois nunca se espera que apenas quatro pessoas tenham toda aquela força sonora. MARTA GOMES

Fórum Cultural de Ermesinde

10/10 INTO THE WILD – O LADO SELVAGEM JON KRAKAUER Into the Wild – O Lado Selvagem conta a história do jovem Chris McCandless que, depois de terminar o curso, deixa, literalmente, tudo e parte à aventura pelos EUA com o objectivo de chegar ao Alasca e lá viver, usando, como único recurso, a terra. Chris doa os 25 mil dólares que tinha na conta, abandona o seu adorado carro Datsun e troca de identidade passando a responder pelo nome de Alexander Supertramp. Esta história é verídica. Podemos considerar este livro uma espécie do documentário escrito. O jornalista Jon Krakauer, que decidiu investigar o caso de Chris, leva os leitores a compreender as verdadeiras motivações do jovem. O próprio Krakauer chega mesmo a relatar parte das suas aventuras pelo Alasca, o que, de certa forma, justifica o porquê deste livro: o autor identifica-se com o personagem. Durante a sua viagem, Chris McCandless conhece pessoas únicas, espera e desespera, vai lendo (era um grande admirador de Tólstoi), e tenta concretizar o grande objectivo que é a comunhão perfeita com a Natureza que encontrará vivendo no Alasca. Infelizmente a história de Chris não teve um final feliz. Cabe a cada leitor fazer a sua interpretação da importância e significado desta “viagem”. Esta obra já foi transposta para o cinema por Sean Penn, com Emile Hirsch a encarnar Chris McCandless e banda sonora de Eddie Vedder. É, sem dúvida, algo a ler e a interiorizar. JÚLIA ROCHA

6/10 O PRÍNCIPE DE HOMBURGO, DE HEINRICH VON KLEIST Esteve em cena no TeCA, até ao dia 16 de Maio, O Príncipe de Homburgo, do escritor romântico alemão Heinrich von Kleist, também conhecido por outros textos dramáticos como A Família Schroffenstein e Robert Guiskard e do ensaio “Sobre o teatro e marionetas”. Este “drama patriótico”, segundo a designação do próprio von Kleist, apresenta-nos Frederico Artur de Homburgo, a perfeita encarnação do herói romântico – contraditório, impetuoso e sonhador – que entra em confronto com o rigor e a disciplina claramente clássicos do GrãoEleitor e do seu exército. Um texto ao gosto burguês, que explora dicotomias convencionais, mas que não deixa de surpreender pela forma como trata o tópico sonho/verdade e como desenvolve a personagem de Natália d’Orange, muito mais do que uma mulher-anjo. A encenação, que ficou a cargo de António Pires e Luísa Costa Gomes, é intencionalmente minimalista, sem ilusões (são os próprios actores que trazem os adereços para palco). No entanto, faltou dinâmica, faltou rasgo no guarda-roupa; faltou, se calhar, espírito romântico. Mesmo no que toca a interpretações, destacamos apenas o seguro João Ricardo no papel do Grão-Eleitor e Marcello Urgeghe, cuja teatralidade exagerada, resultou bem na construção da personagem do Conde Hohenzollern. Por outro lado, faltou energia a Graciano Dias, o Príncipe de Homburgo, e Margarida Vila-Nova trouxe-nos uma Natália d’Orange um pouco bland de mais. INÊS EVANGELISTA MARQUES

|| 29

JUP || JUNHO 10

Casa da Música, Sala Suggia

20€ por pessoa

30 DE JUNHO

8 JUNHO

A EUROPEIA, DE DAVID LESCOT Espectáculo do 3ano do curso de teatro do ESMAE TEATRO HELENA SÁ E COSTA 22horas

JORGE MAYANO – PIANO, COMEMORAÇÕES DO BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CHOPIN E SCHUMANN Matosinhos - Salão Nobre dos Paços do Conselho

Reitoria da Univerisade do Porto - Átrio de Química

Terça a Sexta-feira das 10h às 17h; Sábado 11h às 18h

9 A 30 DE JUNHO DIAGRAMAS (EXPOSIÇÃO) Reitoria da Univerisade do Porto Átrio de Química

5 E 6 DE JUNHO FESTIVAL SERRALVES EM FESTA! Fundação Serralves

Das 8h de sábado às 24h de domingo

19 DE JUNHO

DE 15 A 31 DE JULHO

FESTIVAL DE FOLCLORE - CENTENÁRIO DO ORFEÃO DO PORTO Praça da Batalha

21,30h

O DIA DE TODOS OS PESCADORES, DE FRANCISCO LUÍS PARREIRA

ATÉ 30 DE JUNHO

Entrada Livre

Teatro Carlos Alberto

OFICINAS GUTEMBERG

Entre 10€ e 15€

Museu Nacional da imprensa

19 DE JUNHO

Entrada 3€

WORKSHOP ANÁLISE E IDEIAS DE INVESTIGAÇÃO Reitoria da Universidade do Porto

9 DE JUNHO VIENNA ART ORCHESTRA - CICLO JAZZ GALP Casa da Música, Sala Suggia 22H 15€ por pessoa

9 DE JULHO CASIMIR ET CAROLINE Teatro Nacional de S.João

5 A 26 DE JUNHO

Entre 7,50€ e 16€

EDUARDO TEIXEIRA PINTO - O PRAZER DEFOTOGRAFAR Bibliioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho - Maia

DE 23 A 27 DE JUNHO NÃO, DE HÉLDER GUIMARÃES

12 E 13 DE JUNHO CLASSE DE PERCURSÃO DA ESMAE Teatro Helena Sá e Costa SÁBADO - 21,30H DOMINGO - 18H

15 DE JUNHO RODRIGO LEÃO E CINEMA ENSEMBLE Casa da Música, Sala Suggia 30€ por pessoa

23 DE JUNHO ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO - CONCERTO DE S.JOÃO Casa da Música

22h

Teatro Sá da Bandeira - sala Estúdiio Latino

21,45h

ATÉ 30 DE JUNHO JAMES LEE BYARS Museu de Arte Contemporânea de Serralves

21 A 24 DE JULHO RUGBY SEVENS NA UNIVERSIDADE DO PORTO


Opinião

30 ||

JUP || JUNHO 10

Do Porto até Toronto O conceito de viagem, segundo a poesia pessoa, traduz um sentimento de ‘ser outro a cada dia’. A viagem ao Canadá seria um

da própria universidade e do país na CICE 2010, um evento onde a ‘nata’ dos investigadores e académicos de craveira internacio-

bom paradigma para reflectir o estado da investigação e o surgimento de oportunidades para jovens investigadores que levam o conhecimento, produzido na Universidade

nal se juntam para debater as grandes problemáticas e novos paradigmas da educação. A palavra-chave para conferências deste género é networking. A rede de contactos

do Porto, para além das exíguas e limitativas fronteiras de Portugal. A ideia original do projecto “Second Life for Erasmus Students” (SLES), que nos trilhou o caminho até Toronto*, foi criar uma simbiose entre os cada vez mais presentes mundos vir-

tangíveis neste tipo de eventos é elevada e essencial na formação de parcerias que trarão dividendos aos investigadores e às instituições que estes representam. Neste papel que nos auto-incumbimos, a priori, de visão estratégica de futuro, ficou ga-

tuais e a necessidade profícua que os alunos Erasmus, a estudar nas diversas faculdades da Universidade do Porto, têm em aprender por-

rantida. O investimento na formação e, sobretudo, na divulgação das boas ideias que nascem em Portugal são o caminho

tuguês de uma forma interactiva, contextualizada, imersiva e que rompesse com alguns dos paradigmas contraproducentes da tradicional sala de aula. Posto isto, o culminar desta possibilidade de aprendizagem ‘in-world’, em Second Life, seria o ensino de português com os alunos ainda no seu país de origem.

indicado para a afirmação intelectual da Universidade e de colocar, ainda mais, esta academia no mapa internacional dos epicentros de conhecimento. Uma palavra para Toronto, na limitação tão óbvia de uma cidade infinita. Toronto apresenta-se como uma personificação do

Esta foi a nossa proposta, em forma de artigo, enviada para a organização da Canada Inter-

capitalismo de uma sociedade consumista e agitada, mas com nuances de um tempe-

national Conference on Education (CICE 2010). O meio incubador deste projecto foi o Mestrado de Ciências da Comunicação, mais precisamente a cadeira de Novos Media, leccionada pelo Prof. Paulo Frias, devido ao enfoque no crescimento nas plataformas de mundos virtuais, particularmente o Second Life.

ramento tolerante e uma atitude pacífica de um melting pot cultural que ultrapassa os valores de tão superficiais desejos. Diversity is our strength, dizem (e bem) os canadianos.

Com esta ambiciosa proposta, a Reitoria da Universidade do Porto assumiu um papel

Frias o seu orientador.

crucial ao proporcionar-nos a ida ao Canadá e, consequentemente, a representação

Licenciado em Sociologia e mestrando em Ciências da

* Ricardo Cruz, colega de Mestrado em Ciências da Comunicação, foi outro dos mentores do projecto SLES e o Prof. Paulo

Ricardo N. Fernandes Comunicação JOSÉ FERREIRA

FICHA TÉCNICA DIRECÇÃO DIRECÇÃO DO NJAP/JUP - PRESIDENTE Sara Moreira VICE-PRESIDENTE Rita Falcão TESOURARIA Rita Bastos VOGAIS Pedro Ferreira (JUP) || Filipa Mora (aguasfurtadas) || Bárbara Rêgo (espaçosJUP) || Manaíra Athayde (galerias) DIRECÇÃO DO JUP Tatiana Henriques DIRECTORA DE PAGINAÇÃO Mariana Teixeira DIRECTOR DE FOTOGRAFIA José Ferreira CHEFE DE REDACÇÃO Mariana Jacob EDITORES E SUB-EDITORES EDUCAÇÃO Tatiana Henriques SOCIEDADE Aline Flor CULTURA Tiago Sousa Garcia OPINIÃO Pedro Ferreira COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Aline Flor || Ana Pelaez || Daniela Teixeira || Diana

A beleza, enquanto conceito e experiência humana, foi amplamente explorada nos domínios da arte, da filosofia, da literatu-

nos dias de hoje? Ou o belo é algo elitista? Só para os eruditos, ou os artistas, ou os que visitam os museus?

ra, etc. Ao longo da história ela foi sendo procurada e definida de acordo com os parâmetros de observação de cada época e de cada lugar. Mas se virmos a beleza não apenas como uma qualidade intrínseca a

Manuel de Souza Falcão (MSF): No meu ponto de vista, há espaço para o belo, sempre. Contudo, actualmente, na vida nas sociedades predominantemente económicas e técnicas observa-se uma pressa na actividade quotidia-

um objecto com determinadas características, mas como uma experiência que podemos ter perante algo, podemos reparar que a beleza possui infinitas formas de se

na que é uma agressão ao Homem e à sua dignidade e que por isso e por mais alguma coisa condiciona a contemplação ou a simples fruição (no sentido de gozo e posse) do belo...

manifestar e que enriquece o quotidiano de cada um com os momentos em que é percepcionada. Experiências que podem ser de prazer, de contemplação, de deslumbre, de “ficar arrepiado”, de uma relação mui-

Participante: Eu acho que é tudo uma questão de disponibilidade. Se estamos dispostos ou não a ver beleza. Se calhar ela está em toda a parte, em todo o lado ou em parte nenhuma. Estamos dispostos ou não a vê-la.

to especial que se estabelece com alguém, com algo, ou consigo próprio... Será que ela se manifesta quando estamos predispostos para que tal aconteça? Será

Rui Penha (RP): Penso que a beleza se pode definir por uma sensibilidade perante a beleza. Ela existe quando alguém a identifica. Portanto torna-se importante desenvolver

que a beleza existe, acima de tudo no olhar de quem a vê? Se a existência da beleza é tão vasta ao ponto de todos os povos possuírem essa capacidade de a reconhecer (independentemente dos valores que a ela estão associados), onde reside a sua impor-

essa capacidade de identificar a beleza... Pessoalmente, eu associo a beleza a uma ideia de serenidade, não necessariamente do objecto que é apresentado, mas serenidade na contemplação, na relação com esse objecto. Ou seja, não é só necessário desenvolver essa

tância? Qual o seu valor nos dias de hoje? De onde vem este impulso tão humano de procurar e criar beleza?

capacidade de identificar a beleza, mas também a tranquilidade para gostar de o fazer e o ter tempo para a identificar.

Todas estas questões foram motivo de uma conversa organizada pela coreógrafa Teresa Prima, que contou com a presença dos convidados Rui Penha (compositor, músico e professor) e Manuel de Souza Falcão (historiador de arte, professor e artista visual), moderada por Paulo Duarte, sj.

PD: Então parece-me que hoje em dia, para encontrarmos esse espaço de beleza é preciso educarmo-nos para tal... Como professores, qual é a vossa experiência MSF: Penso que o mais importante é preparar as pessoas como pessoas. Criando uma relação com os alunos que permita que eles

O JUP foi assistir a esta conversa, que não tentou alcançar uma nova definição de beleza,

se abram, podemos depois ir falando de outras coisas. É muito importante estar aces-

mas que se revelou de uma enorme partilha e acessibilidade. Não se trata portanto de uma “opinião”, como se refere esta parte do jornal, mas de colocar em mesa diferentes “opiniões”, dar espaço e voz a várias pessoas sobre o mesmo assunto, para que ideias e experiências se

sível para que as pessoas possam dialogar. RP: Na educação para a sensibilidade, e no ensino de música em particular, eu acho que nós devemos mostrar as obras em que realmente acreditamos, conhecemos e perante as quais somos sensíveis. Porque o

contaminem, se entrelacem. São excertos de “uma conversa com pessoas sentadas em círculo” à volta da beleza... Paulo Duarte (PD): Há espaço para o belo

entusiasmo também se transmite. Penso que a identificação da beleza é algo que está directamente relacionado com as referências que temos... E se somos facil-

Ferreira || Frederico Carpinteiro || Inês Evangelista Marques || Irina Ribeiro || Júlia Rocha || Leandro Silva || Liliana Pinho || Manuel Ribeiro || Maria Lemos || Mariana Catarina || Mariana Jacob || Marília Freitas || Mário Reis || Marta Gomes || Marta Oliveira || Miguel Rodrigues || Paulo Camões || Pedro Lopes Almeida || Ricardo Noronha || Sérgio Guedes da Silva || Rita Duarte || Tatiana Henriques || Teresa Castro Viana COLABORADORES DE PAGINAÇÃO Bruno Gomes || Cláudia Castro || Sara Figueiredo || Mariana Teixeira

PRÉ-IMPRESSÃO Jornal de Notícias, S.A IMPRESSÃO NavePrinter - Indústria Gráfica do Norte, S.A. Propriedade Núcleo de Jornalismo Académico do Porto/Jornal Universitário REDACÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Rua Miguel Bombarda, 187 - R/C e Cave 4050-381 Porto, Portugal || Telefone 222039041 || Fax 222082375 || E-mail jup@jup.pt

IMAGEM DA CAPA Mariana Teixeira DEPÓSITO LEGAL nº23502/88 TIRAGEM 10.000 exemplares DESIGN LOGO JUP Bolos Quentes Design EDITORIAL/GRAFISMO Joana Koch Ferreira PAGINAÇÃO Joana Koch Ferreira

APOIOS Reitoria da Universidade do Porto, Serviços da Acção Social da Universidade do Porto, Universidade Lusófona do Porto, Instituto Português da Juventude.

FOTO: JOSÉ FERREIRA

Second Language for À volta da Beleza Erasmus Students Uma “conversa com pessoas sentadas em círculo”

OPINIÃO || 31

JUP || JUNHO 10

mente capazes de identificar a beleza em obras de períodos históricos do passado, em relação à sensibilidade perante a criação contemporânea penso que ela depende ainda mais de quem somos, da nossa educação, dessas mesmas referencias. Por isso, o homem verdadeiramente rico é o homem verdadeiramente culto. Um homem verdadeiramente culto é um “self-made man”. A cultura é das poucas coisas que tu não herdas dos teus progenitores ou família, como os genes, o dinheiro, etc. PD: E como se relacionam com o mo-

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, já dizia o nosso poeta renascentista Luís de Camões. De ano para ano, são muitas as mudanças. Mas nem tudo muda quando falamos na Queima das Fitas do Porto. Os rostos são diferentes, os desafios também. Mas o espírito académico

Devaneios

continua a ser o mesmo. Esta é a semana por excelência dos estudantes. Alguns apresentam-se à

mento da experiência da beleza? Será ele uma epifania? RP: Estaria a mentir se dissesse que não adoro sentir o belo. É uma experiência excepcional... Mas se calhar o anseio em encontrar essa beleza pode fazer com que ela fuja mais depressa. A beleza acontece quando uma série de coisas se conjugam, é um feliz acaso! [risos] Eu se calhar tenho uma forma um bocado naif de ver as coisas, mas acho que quando a beleza acontece, por exemplo ao interpretar uma obra musical, toda a gente que está presente vai sentir... Portanto eu acho que o que nós temos de fazer é deixar de nos preocupar, gozar a viagem quer ela chegue ao fim quer não chegue... MSF: No trabalho que faço, o que eu procuro é trabalhar bem e daí sai a possibilidade da beleza. Eu não trabalho à procura da beleza. Mas há a possibilidade de, depois de ter trabalhado concentrado, tentando fazê-lo com qualidade, depois disso, de surgir a beleza... PD: A possibilidade abre espaço para o outro, então. MSF: Sim, o trabalho, uma vez produzido, resultado de uma tensão, pertence a quem o observa, a quem o frui, a quem encontra nele a hipótese de contemplação. Por isso é que eu digo que passo o trabalho para o outro. RP: [voltando um pouco atrás] Eu gosto muito dessa ideia do potencial de beleza. Vou roubá-la. [risos] Quando uma pessoa se senta numa sala de espectáculos, por exemplo, senta-se com uma predisposição a estabelecer uma conexão. Penso que pode ser importante termos consciência de que vamos assistir a um processo, e que se essa beleza acontecer é a cereja no cimo do bolo. PD: De facto, fascina-me imenso a experiência do impacto que a obra tem em mim, quando vou disponível para receber o que ela tem para me dar. Pode provocar-me, pode agitar-me... Considero que nós hoje somos extremamente racionais, não estamos educados para o sensível (o sensível no sentido da coisa ressoar em mim, de ser tocado), para o impacto que o sensível pode causar. Por isso sinto que a importância da beleza também reside aqui. Porque a beleza impacta. A beleza obriga a quem a percepciona, a uma fluidez de si próprio... Maria Lemos

EDITORIAL

cidade, enquanto outros despedem-se. As ruas voltam a encher-se de muitas cores, símbolo de tradição com incontáveis anos. O Queimódromo fica mais uma vez repleto, cheio de música,

Vivemos dentro deste pequeno rectângulo, cujos limites são cada vez mais intransmissíveis. Fazemos parte de uma sociedade que gosta de se manter inalterada, somos avessos ao crescimento e à mudança. Assim, é fácil constatar que nada evolui. Assim, faz sentido quando os sábios referem que não saímos da cepa torta. Somos demasiado racionais, demasiado ponderados, demasiado iguais a todos os outros. A diferença assusta-nos e tentamos afastá-la a todo o custo. Procuramos a felicidade e o bem-estar na igualdade. Deixemo-nos disto! Sejamos diferentes. Sejamos originais. Sejamos nós próprios e não imagens repetidas de tantos outros. Sejamos impulsivos, instintivos, irracionais e instantâneos. Sejamos inovadores nos pensamentos, nas palavras e nas atitudes. Sejamos sinceros e transparentes ao pôr as cartas na mesa e a abrir o jogo. Deixemo-nos de preconceitos e discriminações. Deixemo-nos de falsos moralismos, de frases feitas e de clichés. Deixemo-nos de prender quem se quer libertar e deixemos ficar quem não quer ir. Não nos deixemos absorver. Sejamos individuais, pessoais, exclusivos e particulares. Sejamos irracionais. Deixemos de ter medo de admitir quem somos, deixemos de recear o pensamento alheio, deixemo-nos de máscaras e armaduras. Alteremos mentalidades. Tiremos as palas dos olhos e alarguemos os nossos horizontes. Deixemos de ver apenas o óbvio e procuremos algo mais além do que está ao nosso alcance. Lutemos pela diferença, sejamos autênticos. Se o que está à nossa volta não muda, que mudemos nós para que tudo mude!

Teresa Castro Viana

diversão e momentos irrepetíveis. Os que partem passam o testemunho aos que ficam e que não querem desiludir. As capas negras passam a fazer parte apenas da memória e dão lugar à cartola e à bengala. Quem é finalista vive um misto de emoções: alegria por terminar aquilo a que se comprometeram e tristeza por abandonar a família que entretanto abraçaram. A partir de agora, o passado fica mais longe e a saudade mais perto. A Balada de Despedida do 5º Ano Jurídico fala que “segredos desta cidade, levo comigo para a vida”. E que segredos esconderão os tantos estudantes da Academia? Concretizações ou frustrações, risos ou lágrimas, esperança ou receio. E tantas outras coisas que as palavras não conseguem expressar. Não obstante, muitos dos mistérios foram denunciados ao longo da Queima... Nos sorrisos cúmplices, nos cânticos entoados em perfeito uníssono, nas inevitáveis lágrimas que não param de cair no rosto dos mais emocionados. Tanto recém-chegados como os que estão de partida partilham as memórias de um tempo ímpar. Um tempo que acaba e que não mais volta, que dá lugar a outro, aquele que todos procuraram quando iniciaram a sua caminhada no ensino superior. Sim, são muitas as mudanças e diferentes vontades. Mas há algo que nunca muda. O espírito académico que só quem é estudante percebe. Mas que emoções são estas? Bem, essas já não se conseguem definir, é preciso vivê-las e senti-las. E além do mais, são segredo...


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JUP JUNHO 2010  

Capa: Queima das Fitas 2010 Semana Única Ficha Técnica: Jornal da Academia do Porto || Ano XXIII || Publicação Mensal || Distribuição Gratui...