Page 1

Uma História de Amor CRAVO

― Olá, tudo bem?

ROSA

― Sim, tudo bem.

CRAVO

― Você está sozinha?

ROSA

― Até você chegar, estava.

CRAVO:

― Ah! Então me considera uma companhia?

ROSA:

― É... pode ser. Você é de verdade, não é?

CRAVO

― Sim, claro, mas, isto lhe causa algum desagrado?

ROSA

― Não, só me causa espanto.

CRAVO

― Por que? O que eu te fiz? Sou feio?


ROSA

― Nada! Você até agora não fez nada...

CRAVO

― Mas o que eu deveria fazer? Cheguei agora!

ROSA

― Tá bom... então tá... me deixe só.

CRAVO

― Aham... humm... Você está sentada esperando alguém?

ROSA

― Sim, estou esperando alguém, mas não sei quem.

CRAVO

― Vem cá, você é maluca?

ROSA

― Por que você acha isso?

CRAVO

― Porque você não fala coisa com coisa. Nada tem nexo.

ROSA:

― OLHA AQUI, EU ESTAVA SENTADA, CALADA E QUEM CHEGOU ME INTERPELANDO FOI VOCÊ.


DE MAIS A MAIS, NÃO SEI PRA QUE VOCÊ PERGUNTOU SE EU ESTAVA SOZINHA. PENSEI QUE VOCÊ QUIZESSE ME FAZER COMPANHIA, MAS VEJO QUE VOCÊ É UM CHATO QUE SÓ FAZ PERGUNTAS E FICA ENCHENDO MINHA PACIENCIA.

CRAVO

― Precisa gritar?

ROSA

― Preciso gritar para que você entenda. Você parece que não entende nada!

CRAVO

― Ok, me desculpe se te incomodei. Vou embora. Até logo!

ROSA

― Que bom. Ainda bem que não precisei mandá-lo sair.

CRAVO

― Quer saber de uma coisa? Você é uma chata!

ROSA

― Espere, por favor! Uma pergunta apenas: Você tem nome?


CRAVO

― Claro que sim!

ROSA:

― Então, diga.

CRAVO

― Cravo Galante. E o seu nome, pode dizer?

ROSA

― Rosa Vermelha.

CRAVO: ― ha ha ha ha ha. Coincidência, não é?

ROSA

― Coincidência por que?

CRAVO:

― Porque Cravos e Rosas sempre brigam.

ROSA

― ha ha ha ha ha é mesmo.

CRAVO

― Então já vou. Você fica?

ROSA

― Acho que também vou

CRAVO

― Para onde vai, posso saber?


ROSA

―Vou procurar um jardim para chorar.

CRAVO: ― Por Que chorar?

ROSA

― Porque estou triste... estou só... Estou sofrendo!

CRAVO: ― Não chore, minha querida. Você é tão bonita! Não deixe que as lágrimas manchem o teu rosto. Ah! Posso te fazer companhia?

ROSA:

― Mas por que queres me fazer companhia?

CRAVO:

― Porque te achei linda. Linda! Não posso ver uma mulher linda chorando, muito menos deixá-la sozinha a chorar.

ROSA:

― Obrigada. Mas eu estou muito triste e não quero chateá-lo.

CRAVO

― De forma alguma, minha querida. Não há motivos para despedidas. A tua presença me faz tão bem.


Quer vir ao meu jardim? Ah! Não me olhe desse jeito. Prometo tratá-la com respeito Acredite, sou um bom sujeito!. Lá está vazio e sem perfume Preciso que traga seu frescor e seu olor. Em meu jardim não existe o vagalume Está escuro, sem vida, sem realce, sombrio. As borboletas saíram temerosas e chorosas, Os girassóis baixaram a cabeça em desalento Porque não há roseiras, não existem rosas! Então, Rosa, venha comigo. Não fique tão triste assim. Abra suas pétalas cheirosas Me empreste seu aroma. Sorria para mim Se você não me acompanhar, Rosa Também ficarei triste a chorar Pois quando cheguei perto de ti Desejei te conhecer, me aproximar. Mas você não entendeu o meu motivo Por ter chegado daquele jeito, de


repente É que senti que a praça ganhou um atrativo Quando me deparei com você à minha frente

ROSA

― E você acha que eu visitaria o seu jardim... assim, sem te conhecer primeiro? Na, por favor, não espere nada de mim. Peço também que não insista. Mais uma coisa: Não me siga.

CRAVO

― Está bem. Como queira. Me desculpe por algo que eu tenha feito.

A Rosa foi caminhando meio sem jeito, mas não voltou atrás. Continuou seu caminho e parou em frente a um lago. Em volta do lago haviam, muitas margaridas... Cada uma vestia a saia de uma cor. Uma delas aproximou-se da Rosa e perguntou: ― Você está chorando, formosa flor? ― Não se incomode comigo, por favor! ― Mas gostaria de poder ajudá-la. Quer desabafar? A Rosa quase foi embora, mas quando olhou a linda Margarida, sorriu e falou:


― Oh! linda flor do campo, que bela é a tua saia. Você também parece ser um amor. Solidária, veio logo ao meu encontro para me consolar. Obrigada, Margarida! ― Tudo bem, linda Rosa, estou por aqui. Não me vou. Se quiser conversar, me chame. Estarei ali junto às violetas. A Rosa resolveu aproximar-se do grupo, sorriu e perguntou: ― Vocês moram por aqui? ― Por aqui, não. Nós moramos aqui, respondeu a Margarida. ― Vocês parecem muito felizes, não é? ― Sim, Rosa, somos felizes porque temos este lindo lugar, um céu maravilhoso acima de nós, o sol que nos aquece e ilumina,, os pássaros, especialmente o Beija-Flor. Quando vem à chuva, as árvores nos dão abrigo. Veja só o lago... Não é bonito? Ele é Cristalino, cheio de peixes e dança com o vento quando a lua está refletida em suas águas. A Mãe Natureza é perfeita. ― É Margarida, concordo com você, mas eu não posso viver como vocês. Preciso de um lugar... de um jardim. Não sou acostumada à vida do campo. Nasci numa estufa e loo depois fui transferida para o Jardim. Naquele lugar belíssimo em que o vento sopra suave e não espanta minhas pétalas. Mas a minha dona morreu e o jardim foi se acabando. O Beija-Flor,


meu amigo, trouxe-me em seu bico e me deixou por aqui, mas prometeu que logo, logo viria me buscar. ― Bem, Rosa, se você quer realmente ir para um jardim, não deveria estar por aqui. Como é que o beija-flor poderá te encontrar? Você terá que ir para o mesmo lugar em que ele te deixou. ― Isso mesmo, Margarida. Você tem toda razão. Hoje ficarei por aqui, mas logo que o dia amanhecer irei para a praça onde ele me deixou. ― Isso, Rosa, assim é que se fala. Vá até a margem do Rio, beba um pouco d’água e descanse junto àquele Junqueiro ali. Embaixo dele tem uma terra fofa em que você poderá descansar. Tuas raízes e o teu caule necessitam da terra... Boa noite, Rosa! ― Boa noite, Margarida. Durma bem. Logo que o sol começou a surgir no Horizonte e seus primeiros raios encostaram-se às pétalas da Rosa ela estava sorridente por ter vivido aquela experiência. Mesmo assim, continuava preocupada em encontrar o Jardim que o seu amigo beija-flor lhe prometera. Despediu-se da Margarida, do Jongueiro e das flores do campo e caminhou até à praça. Aquietou-se e ficou tentando encontrar o beijaflor voando por ali. De repente ela ouviu um bater de asas forte, bem


próximo a ela. Era ele, o beija-flor, todo feliz e sorridente, pronto para mais um dia em que sentiria o sabor de muitas flores. ― Bom dia, Rosa majestosa! Como passou o dia anterior? ― Um pouco triste e com medo. Achei que fosse morrer por aqui sozinha. ― Mas minha mais linda Rosa, eu lhe trouxe para cá, porque aqui é um lugar seguro. Existem muitas flores e plantas por aqui. O melhor de tudo é que o acesso dos homens é muito difícil e assim a natureza fica preservada. ― Sim, tudo bem, beija-flor. Mas você arranjou o jardim para mim ou não? ― Sim, senhorita, vamos lá? ― Oh, que bom, beija-flor! Tomara que seja um lindo lugar. ― Será, linda rosa, será. E o beija-flor, muito cuidadoso colocou seu bico no caule da Rosa e tranquilamente voou com ela até o jardim. ― Que beleza de lugar, beija-flor! Lindo! Magnífico! Como você é maravilhoso, amigo! Obrigada. ― De nada, linda Rosa... de nada. Agora fique aqui, ajeite-se à terra e misture-se com as outras Rosas iguais a você. Todas são maravilhosas e gentis. Vou começar o meu trabalho, porque hoje estou meio atrasado. Amanhã passo por


aqui para ver como você se saiu. Beijos! E a Rosa meio envergonhada misturou-se às outras que a receberam com alegria. Mas todas ficaram admiradas pela beleza daquela Rosa que estava chegando. Foi um burburinho só no jardim. Eis que apareceu um senhor de idade, todo sorridente, acompanhado de um belo rapaz que carregava um balde e ferramentas nas mãos. Ao lado da Rosa, a outra rosa lhe cochichou: O mais velho se chama José e o mais novo João. Eles cuidam do jardim. O Senhor José já está conosco há muitos anos, mas o João chegou faz um mês, porque tem que aprender tudo. Se o Senhor José precisar se ausentar ou mesmo parar, devido a idade, o João ficará no lugar dele. Mas não tema, eles são ótimos, os dois, O senhor José aproximou-se do roseiral e falou bem alto: - Bom dia, queridas rosas! Que a luz do sol ilumine todas vocês e que a mãe natureza nos ajude, para que o solo seja sempre fértil e nunca nos falte a água que necessitamos. As rosas brilharam e balançaram suas pétalas, na cadência da brisa leve, para aplaudir o Sr. José que, feliz e sorridente acariciava uma a uma. De repente o João falou: ― Seu José, o senhor não está estranhando nada aqui? ― Não! O que foi, João?


― O Senhor não acha que essa rosa aí é diferente? Ela num estava aqui ontem não. ― Como não? Você conhece alguém que mexa em nosso roseiral? Aqui ninguém mexe co mas rosas. Ela cresceu mesmo! Senhor José abaixou-se e encostou seu rosto nas pétalas da ROSA. Falou baixinho com ela: ― Eu sei que você não estava aqui. Mas sei que quem te enviou foi Deus, porque eu pedi muito a ELE que fizesse crescer em meu roseiral uma rosa forte e formosa como você. ELE me ouviu! Seja bem vinda, querida! Mas guarde esse segredo com você, senão todas as rosas vão ficar enciumadas. A ROSA lhe sorriu acenando suas pétalas. Dias se passaram e a Rosa estava feliz, mas não continha sua inquietação. Ela estava recebendo tudo que necessitava para se manter forte e sadia. Sua beleza foi aumentando a cada dia e cada vez mais majestosa era a ROSA. Porém, ela pensava no Cravo que tanto a impressionara. Certo dia, resolveu se banhar aproveitando o orvalho que estava em suas pétalas. Ouviu um chamado: ― Rosa Vermelha, é você? ― Sim, sou eu. Quem está aí? ― Você esqueceu de mim, linda Rosa? ― A sua voz não me é estranha... ―Você poderia


chegar mais perto de mim para que eu possa vê-lo? Eu não posso me virar. ― Pronto, olhe para mim. ― Nossa! Você é o Cravo Galante? ― Sim, linda Rosa. Sou eu mesmo. ― Como você veio parar aqui? ― Eu é que te pergunto, porque eu moro aqui. Te convidei para vir àquele dia ara cá, mas você rejeitou meu convite. ― Eu não te conhecia direito, Cravo. Mas eu estava esperando o beija-flor e se saísse dali eu estaria sendo irresponsável com ele. Ele foi muito amigo meu. Ele salvou minha vida. ― E por que então você estava tão triste? ― Porque todas as minhas companheiras ficaram naquele jardim abandonado e sei que vão morrer. ― Não, Rosa, não morreram. Uma mulher comprou aquela propriedade e contratou os serviços do Senhor José para que cuidasse do Jardim. Um dia antes de te encontrar eu fui trazido para cá pelo Senhor José que me colocou junto da família de cravos. Por isso te convidei. Não sabia que você estava aqui. Hoje é que descobri, porque o beija-flor me perguntou: ― Você já viu a linda Rosa que eu trouxe para este jardim? Ele me deu detalhes de como era você e eu vim para ter ver se você era aquela que me deixou saudade. ― Ah, deixa disso, Cravo! Eu fico mais vermelha ainda. ― Eu não consigo te esquecer, Rosa Vermelha.


Não consigo te esquecer... Despediu-se da Rosa e meio triste voltou para o seu lugar. A noite quando não havia mais perigo de ninguém se aproximar, o Cravo Galante foi ter com a Rosa. A Rosa Vermelha estava mais linda que nuca. Suas pétalas estavam aveludadas, macias, brilhantes... Seu aroma estava suave, exalando perfume por todo o jardim. ROSA

Aiii, fiquei emocionada com você Não pensei que eu pudesse agradar Sai do meu jardim que estava descuidado E um beija-flor amigo me trouxe pra cá Estava meio perdida, sei lá... Não sabia o eu fazer, nem onde iria parar Mas você me apareceu tão envolvente Que quase resolvi te acompanhar.

Mas ainda bem que não cometi esse erro Porque você estava mentindo para mim Dizendo que onde você morava tudo


era sombrio E que não haviam rosas em seu jardim. O Senhor terá que me dar uma bela explicação Porque não gosto que me enganem não Quem mente, Senhor Cravo, vive de ilusão O senhor não me respeitou e magoou meu coração.

CRAVO

Não, linda Rosa, eu não te enganei! Eu ainda não conhecia este jardim Quando te conheci, me apaixonei E me referi ao vazio que estava em mim Dê-me suas mãos, querida flor Chegue mais perto de mim Você despertou o meu amor Desejo levá-la ao meu jardim. Por favor, não me deixe sucumbir Me dê tua atenção, linda flor Sem você, não quero mais existir. Não me faça um cravo sofredor. Você será perpetuada, desenhada numa tela Eu vim para declarar-te meu sincero amor Porque de todas as rosas, você é a mais


bela Não fira meu coração como na canção do horror. ROSA

Que canção dom horror é essa? Você não está exagerando, Cravo Galante?

CRAVO

Claro que não, minha rainha. Ouça a canção: O cravo brigou com a rosa Debaixo de uma sacada O cravo saiu ferido E a rosa, despedaçada.

ROSA

Que horror!

CRAVO

Eu não te disse, minha donzela?

ROSA

― Mas quem fez essa canção que nos causa tanto terror?

CRAVO

― Possivelmente alguém que não conhece o amor e menos ainda de flor.

ROSA

― É verdade, Cravo Galante. Quem não


sabe nada de flor, também não pode conhecer o amor. Bem, diante de toda sua explicação, quero dizer que entendi e te perdôo.

CRAVO: Posso te fazer uma pergunta? Por favor, não fiques envergonhada É que resolvi te fazer um pedido: Quer ser minha namorada?

ROSA:

Ah, que linda noite você me proporcionou Estou feliz no jardim, mas em sonho te chamei O seu jeito garrido me fez feliz, me encantou Pensei que nuca mais o veria e por vezes chorei Meus espinhos cresceram e eu quase sangrei Confiei minha vida a sorte e muito lamentei

Senti-me só, esperei por ti e pensei: Nunca mais irei vê-lo. Nunca me perdoarei. Eis que o destino te trouxe novamente


Estou feliz com você perto de mim Todos perceberão o quanto estou contente Pela sorte de vir morar em teu jardim.

CRAVO

Oh, minha linda Rosa! Meu amor verdadeiro. Hoje estou todo prosa Gritarei ao mundo inteiro

ROSA

Não, não grite, Cravo Galante Podem de novo nos separar Você costuma ser muito falante E isso pode nos prejudicar.

CRAVO

Você, Rosa, é sempre muito sensata Seu equilíbrio tem a medida exata Veja: está caindo chuva de prata Soa como uma linda e feliz serenata, Batizando a paz que o momento retrata

Querida, posso te fazer uma pedido? Por favor, não fiques espantada ou zangada.

Resolvi te dizer tudo que trago comigo: Então... Você quer ser minha


namorada?

ROSA

HA-HA-HA, claro que sim. Eu quero!

E assim surgiu aquele lindo e doce amor De repente, do nada, como uma centelha que cai sem rumo, incendeia e traz calor Unindo o Cravo Galante a Rosa Vermelha. ME FAÇA UMA VISITA http://juntandoletrascommeg.blogspot.com/ http://www.megklopper.recantodasletras.com.br/ http://www.avbl.com.br/website?p=Yz0xMDQmYT1TQg== http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12541467 http://www.bancodoplaneta.com.br/profile/MEGKLOPPER http://www.apoloacademiadeletras.com.br http://www.blocosonline.com.br http://unionhispanoamericana.ning.com/profile/MEGKLOPPER http://www.ligia.tomarchio.nom.br/ligia_amigos_MegKlopper.htm

UMA HISTÓRIA DE AMOR - O CRAVO E A ROSA  

Homenagem ao Dia dos Namorados, resgatando através do lúdico a maneira simples de amar.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you