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MÚSICA E INFORMAÇÃO EM MAIO DE 2010 Nº 1

LADY GAGA

OS ARTIFÍCIOS QUE A NOVA MUSA DO POP USA E, COMO CONSEQUÊNCIA, A MULTIDÃO QUE ELA ARRASTA

CINEMA

Alice cai no louco mundo de Tim Burton

ARTE

Andy Warhol em versão menos pop

POLÍTICA

A posição de FHC sobre as drogas


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MÚSICA

MODA

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Aviso aos críticos e fãs de Britney: Lady Gaga é a bola da vez e não adianta bater o pé!

A top model Alessandra Ambrósio é eleita a mulher mais sexy do planeta

NÃO ADIANTA INTERDITAR!

A #1 DO MUNDO

CINEMA

ENTREVISTA

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ALICE CAI NO LOUCO MUNDO DE TIM BURTON

EDUCAÇÃO CUSTE O QUE CUSTAR

ARTE

POLÍTICA

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Apesar de todos os boatos sobre Andy Warhol, ele só queria era paz

O comentário que o ex-presidente soltou em conferência deu o que falar.E discutir!

A melhor adaptação feita do clássico

O OUTRO LADO DE WARHOL

Marcelo Tas, âncora do CQC, considera ‘sofrível’ a educação brasileira

A DROGA E A POSIÇÃO DO FHC


EDITORIAL Diretor de Redação: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Diretor de Arte: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Editor-Senior: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Editor: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Editor de Fotografia: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Subeditor de Arte: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Repórter: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Designer: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Estagiário: : Geraldo Carvalho de Sousa Junior Assistente Administrativa: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Diretor: Geraldo Carvalho de Sousa Junior Gerente Executivo: Geraldo Carvalho de Sousa Junior

O nome Timbre faz referência direta a música, ao que se ouve, ao que se quer ouvir, mas com qualidade. A Idéia - Foi baseada no conteúdo da Rolling Stones, que tem como carro-chefe a música, mas também com assuntos que interessam os jovens “antenados” como cinema, moda, artes plásticas, política e entrevista. Porém o que se vê nela é ainda um formato inspirado na velha diagramação americana, onde resulta num aspecto um tanto sujo e carregado, lembrando longas matérias de jornais, não sendo convidativo para leitura. A Diagramação – Depois de estudo de várias revistas, como Cult, Serafina, Trip e a própria Rolling Stones, a que chegou mais próximo do que eu iria executar foi a da Bravo!, que chama atenção pela elegância e limpeza, com um sistema de navegação descomplicado, com seus brancos oportunos e a utilização de apenas uma família tipográfica, exceto para o nome da revista. Apesar de seu conteúdo tratar de arte em geral, os assuntos são distribuídos com pesos iguais, além de ser voltado para um publico mais adulto. A Escolha da Fonte – Baseado na Bravo!, que utiliza apenas uma família tipográfica, foi executado o mesmo, porém com uma fonte menos formal e sóbria (sem serifa) e um pouco mais pesada e descontraída (com serifa). A Rockwell foi escolhida, inspirada na inquieta revista Trip, de onde foram baseados o tamanho da fonte e a entrelinha. O grid é composto por sete colunas, que ora aparece com duas colunas iguais de três partes, ora aparece com uma de quatro colunas e outra de três, sendo essa a única variação de colunas. As fotos foram expostas de maneira que resumisse a forma que a revista Bravo! trabalha, como página dupla, meia página, vazados e valorização do espaço. Assim, a Timbre fecha como uma revista de música mais informação, com conteúdo da Rolling Stones, com a sobriedade da Bravo! e com um ar jovem da Trip.

GERALDO CARVALHO Diretor Geral geraldo.carvalho@timbre.com.br


MÚSICA

NÃO ADIANTA INTERDITAR! AVISO AOS CRÍTICOS E FÃS DE BRITNEY: LADY GAGA É A BOLA DA VEZ E NÃO ADIANTA BATER O PÉ! Por Alexandre Sanches Foto Kate Drump Para uma jovem vestida como se fosse uma imperatriz alienígena, Lady Gaga até que se comporta de um modo estranhamente humano. Ela está agarrada ao então namorado (eles se separaram recentemente), o ex-modelo Speedy, no banco da van que usa para excursionar, e parece tão confortável quanto alguém vestido em uma roupa colada - com ombreiras pontudas em forma de asa - pode se sentir. “Ele me acha bonita”, ronrona Gaga, batendo os enormes cílios falsos enquanto repousa a cabeça, recoberta pelo cabelo loiro platinado, no ombro de Speedy, quase furando o próprio olho no adorno pontiagudo de seus ombros. Enquanto a van avança pela rodovia 405, na Califórnia, entre um anfiteatro em Irvine e um estúdio em Burbank, fogos estouram nos céus distantes da Disneylândia. Gaga, comendo punhados de pipoca e dando pequenos goles em uma Diet Coke, fica pensativa. “O que estou fazendo?”, pergunta, parecendo sonolenta e estranhamente vulnerável. “Quem sou eu?” Com um timing quase teatral alguém do banco de trás dá a resposta: “Você é a nova princesa do pop!” A voz pertence ao blogueiro e fofoqueiro de plantão Perez Hilton, um dos primeiros e mais fervorosos seguidores de Gaga. Ele passou o dia todo com ela, vestindo uma camiseta Adidas com estampa de leopardo, cumprimentando as pessoas e oferecendo

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sorrisos empolgados. Gaga ri, chocada com a perfeição quase roteirizada do momento. “Você é”, diz Hilton também sorrindo. Há menos de uma hora, diante de 15 mil adolescentes estridentes em um show patrocinado por uma rádio de Los Angeles, Gaga cantou um repertório que incluiu “Just Dance” e “Poker Face” - o tipo de sucesso dance-pop recheado de sintetizadores no estilo anos 80 que, junto com seu senso de moda distorcido e eurofuturista, a tornou a estrela pop definitiva de 2009: ela governa o universo de estética plastificada que criou com a segurança de uma Madonna - e marca sua própria estranheza com hits que não se envergonham de ser pop. Com o refrão “Just dance / Gonna be OK” (“Apenas dance/ Tudo vai ficar OK” - a personagem da música está tão chapada na balada que perdeu suas chaves e seu celular), o primeiro sucesso de Gaga pode ser encarado como um hino à insistência e à superação ou um atestado à negação total. “Poker Face”, por sua vez, tem mais camadas - é sobre Gaga querendo transar com uma garota enquanto está saindo com um cara. Os dois hits lhe renderam um disco de platina - um feito cada vez mais raro - e quase 10 milhões de singles vendidos digitalmente. “O que mais prende as pessoas, acho, é o medo. Por um minuto, tive medo. Entrei naquela sala e dei um tiro na cara do meu medo”


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SER EXTRAVAGANTE É SER POP Os casos e, principalmente, os modelitos que Lady Gaga mostra ao mundo

TROCA DE FAVOR - Após aparecer no clipe de “Video Phone”, Lady Gaga chama Beyoncé para dar o ar da graça no longo video “Telephone”

Gaga é gaga o tempo todo. no palco ou fora dele, está sempre vestindo as roupas futuristas que ela mesma cria com a ajuda de seu diretor criativo de 23 anos, Matthew Williams, a quem ela chama de Matty Dada - ele é parte do coletivo Haus of Gaga, que ela vê como uma versão moderna da Factory de Warhol. Gaga nasceu Stefani Joanne Angelina Germanotta, mas ninguém a chama assim há anos. Seu primeiro produtor, Rob Fusari, inspirou o apelido. Certa vez ele ouviu algumas harmonias ao estilo Freddie Mercury que ela havia gravado e começou a cantar “Radio Ga Ga” para ela, como piada. Um dia ela mandou uma mensagem via celular com seu novo nome e nunca mais atendeu quando a chamavam de “Stef”. Na van, Gaga gargalha enquanto assiste pela primeira vez ao vídeo de “Butterface”, uma paródia brutal de “Poker Face” (parte da letra: “You were thinking that I’m a 10 / But my body’s like a Barbie / And my face is like a Ken” - “Você me achava nota 10 / Mas meu corpo é como o da Barbie / E meu rosto como o do Ken”). A verdade é que as feições um tanto exóticas de Gaga - nariz étnico, dentes da frente proeminentes - parecem quase infinitamente mutáveis: em um dia ela se parece com Debbie Harry e, no outro, lembra Donatella Versace. Mas de perto é sempre mais bonita e jovem do que parece em suas fotos ultraestilizadas.

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Nos bastidores do show de Los Angeles, ela andava para lá e para cá vestindo uma jaqueta vintage Gareth Pugh com padrões geométricos sobre um collant que mal cobria seu robusto, porém malhado, traseiro. Mas o preço desse visual sem calças é a eterna vigilância: o tempo todo, seu guarda-costas ex-oficial da marinha norte-americana e três dançarinos se revezam atrás dela - eles estão protegendo a bunda de Gaga dos paparazzi. No começo da semana, ela causou confusão em um mercado no Queens, em Nova York, ao aparecer vestindo uma roupa transparente (somente de sutiã e calcinha fio-dental por baixo) para comprar um torteloni. “Por que você não faz uma sessão de fotos com os fãs no setor de congelados?”, sugeriu Speedy. Depois ela fez uma refeição para os pais de Speedy, possivelmente ainda com o traseiro de fora. Nessa época ela conheceu o cara que ela ainda chama de “o amor da sua vida” - um carismático baterista de heavy metal chamado Luke. Quase todas as canções de seu álbum de estreia, The Fame, foram inspiradas por ele - da exuberante “Boys Boys Boys” ao doce novo single “Paparazzi”, que lembra Britney em começo de carreira e trata do amor como válvula de escape para seu próprio narcisismo e desejo por fama. Gaga estava tão apaixonada por seu namorado e empresário.

FOTO JONAS ARKULAND

OS EXECUTIVOS DA GRAVADORA DE LADY GAGA ACHAVAM QUE SUA PERSONA NÃO ESTOURARIA EM LARGA ESCALA. ERRARAM FEIO


FOTOS FRANCIS LAWRENCE / SHOPIE MULLER / DAVID LACHAPELLE

FEMINISMO É FOGO O deboche e o poder da mulher retratado no video de “Bad Romance”

Gaga cresceu em uma vida confortável, no Upper West Side de Manhattan, estudando piano clássico e trabalhando com o professor de canto de Christina Aguilera. Seu pai, um exmúsico de bar, a educou com discos de Bruce Springsteen e ela cantou em uma banda que fazia covers de rock clássico enquanto estudava em uma escola católica, no colegial. “Conheci rapazes bonitões com suas guitarras, mas queria transar com homens mais velhos e gostosos - eles eram veteranos”, ela conta. Na sala ao lado está um homem imponente, ítalo-americano, vestindo jeans e uma camisa branca para fora da calça. Ele é Joseph Germanotta, pai de Lady Gaga e bem-sucedido empresário da internet. Ele aperta minha mão e dá um conselho sobre este artigo, com seu sotaque inconfundível de Nova Jersey: “Nada de sujeiras”, diz, me dando um cutucão forte no peito. Então ele levanta a manga da camisa para mostrar sua nova tatuagem - é um raio, símbolo de Lady Gaga, uma entre muitas referências que a nova musa do pop adota, deixandro uma brecha para deixar sua própria marca, •

TERROR E MODA - Lady Gaga com seu look “chocante”, recebendo o prêmio no VMA 2009

CULPADA. E DAI? - Lady Gaga e um de seus fetiches: o mundo da prisão, presente no clipe “Paparazzi”

VEJA +

o clipe de “Telephone em timbre.com.br

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ALICE CAI NO LOUCO MUNDO DE TIM BURTON TIM BURTON ESTÁ PARA O CINEMA ASSIM COM LEWIS CARROLL PARA A LEITURA. NÃO POR ACASO SUA “ALICE” É A MELHOR ADAPTAÇÃO Por André Nigri 10

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FOTO © DISNEY ENTERPRISE, INC. ALL RIGHTS RESERVED

CINEMA


Apesar de emprestar o nome, não é (adaptação de) Alice no País das Maravilhas, o livro de Lewis Carroll, de 1865. Ou de Alice Através do Espelho, a sequência de 1871. Tampouco acompanha a versão carne-e-osso-e-figurinode-época da Alice da Disney, de 1951. Pois não é a Alice aos 7 anos. É a protagonista aos 20. E é como o diretor Tim Burton (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, Batman, Edward Mãos de Tesoura) enxerga o que seria o ingresso da menina à vida adulta. Vale porque o passo adiante de uma história de sonho encharcado de surrealismo caiu nas mãos de um diretor exímio em colocar delírios nas telas de maneira quase palpável. Com Tim Burton, o Gato Risonho, o Coelho Branco, o Chapeleiro Maluco e os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum ficam quase ao alcance das mãos. Não pelo recurso 3D, que na hora e 44 minutos da película funcionam mais como pasta americana, daquelas que servem para dar enfeite apenas, do que como cereja ou chantili.

Vale porque Burton foi ousado a ponto de fugir do argumento primeiro de Lewis Carroll, que são os questionamentos da adolescência (eu avisei que colocaria minha interpretação no texto, hein?), e parte para a entrada de Alice na saída dessa fase e a percepção de que a maioria dessas interrogações a acompanhará pelo resto da vida. O gatilho é a fuga da garota (interpretada pela australiana Mia Wasikowska), aos 19 anos, de um pedido de casamento em público por um lorde, posição tão valorizada à época quanto caricaturalmente estúpido é o personagem (falha de Burton). No devaneio de partida para seguir o Coelho Branco, ela cai no buraco onde as duas histórias (a de Carroll e a de Burton) se encontram. As linhas de raciocínio voltam a se cruzar em diversos pontos do filme, como no crescer/diminuir de Alice, na conversa com a lagarta (para Burton, ela fuma narguilé), na refeição com o Chapeleiro e com o Coelho. E abrem caminhos e versões e situações paralelas em outras. Para Burton, Alice não se lembra da primeira visita (aos 7 anos, de acordo com o original de Carroll) ao País das Maravilhas. Nem os moradores do País das Maravilhas têm certeza se é a mesma menina, o que se mostra um alinhavo fraco, já que pouco importa no resultado final. Mas a dubiedade constrói uma diferença fundamental na versão 2010 – enquanto na obra original a personalidade de Alice é o próprio País das Maravilhas (Wonderland), com todos os arquétipos, nesta a rebeldia e postura contestatória da personagem são explícitas, o que leva Burton a mais um deslize de roteiro, a criação de um personagem fraco como a Rainha Branca (Anne Hathaway). Com ela, irmã da Rainha de Copas (para Burton, Rainha Vermelha), fica instaurado o maniqueísmo e é colocado destinatário no envelope do longa-metragem: o espectador médio de blockbuster, que tem a satisfação saciada por esses confrontos de opostos. Anne Hathaway (Noivas em Guerra) não extrai nada de seu polianesco personagem, enquanto Helena Bonham Carter (a bruxa Bellatrix Lestrange, da série Harry Potter, e também mulher de Burton) deita e rola com a cabeça gigantesca de sua Rainha Vermelha. •

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ARTE

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O OUTRO LADO DE WARHOL

FOTOS LIV THOMPSON

APESAR DE TODOS OS BOATOS SOBRE ANDY WARHOL, ELE SÓ QUERIA ERA PAZ Por Gisele Kato Registrado como Andrew Warhola, era filho de pais originários da Eslováquia que migraram para os Estados Unidos durante a Primeira Grande Guerra. Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design. Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper’s Bazaar e The New Yorker, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines de lojas. Começa aí uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director’s Club e do The American Institute of Graphic Arts. Fez a sua primeira mostra individual em 1952, na Hugo Galley onde exibe quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o MOMA, Museu de Arte Moderna, em 1956. Passa a assinar Warhol. Registrado como Andrew Warhola, era filho de pais originários da Eslováquia que migraram para os Estados Unidos durante a Primeira Grande Guerra. Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design.Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper’s Bazaar e The New Yorker.

ARTISTA MULTIMÍDIA Do meio da década de 1960 e mais adiante, a partir da década de 1970, Warhol radicaliza a idéia de artista multimídia em seu tempo e passa a militar em outras áreas que incluem a música e o cinema, filmando, inicialmente, em 16 mm e depois em Super 8 mm. Seus filmes undergrounds são hoje clássicos do gênero e, entre eles, se destacam Chelsea Girls, Empire e Blow Job (1964). São filmes conceituais, onde “nada acontece”, como uma câmera parada filmando um corpo humano ou um edifício a partir de uma janela e chegam a atingir diversas horas de duração. Também fez experiências retratando pessoas célebres no formato Polaroid. MAO, FOICE, MARTELO E SOMBRAS No fim dos anos 70 e início dos 80, nas artes plásticas, Warhol cria uma série de figuras que incluem o rosto de Mao (1982), com uma dezena de variações em cores berrantes, variações sobre foice e martelo (Hammer and Sickle, 1977), variações sobre o crânio humano (Skulls, 1976), Torso (1982), variações sobre a sombra (Shadows, 1979) e dezenas de retratos de personalidades judaicas, que incluem Freud, Einstein, Kafka, Gershwin, Gertrude Stein e diversos auto-retratos. Em 1982 aproxima-se da tv a cabo e cria Andy Warhol’s TV e Andy Warhol’s Fifteen Minutes para MTV, em 1986. Data dessa época a sua intensa colaboração e amizade com JeanMichel Basquiat, jovem e promissor artista. •

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MODA

A #1 DO MUNDO ALESSANDRA AMBRÓSIO É ELEITA A MULHER MAIS SEXY DO PLANETA Por José Paiva Foto JR Duran Quando Alessandra surgiu no saguão do hotel, bronzeadíssima, recém-desperta, deslocando seu complexo instrumento de trabalho com passos displicentes, calçando chinelos brancos e tomando um Toddynho, minha primeira impressão foi de que ela não era tão alta. Tem 1,76 m, embora nas fotos pareça medir 10 centímetros a mais - uma magia que combina as proporções de seu corpo com saltos gigantes, poses e macetes de câmera. A segunda foi seu sotaque. Apesar de nascida e criada em Erechim, no noroeste do Rio Grande do Sul, a 360 quilômetros de Porto Alegre, e de ser gremista e fã de churrasco (seus olhos brilham ao citar sua preferência, costelinha de porco com salada de batatas), Ale tem nítido sotaque catarinense. Ela não concorda. - Sotaque catarinense, eu? - foi sua reação. A proximidade da fronteira é uma hipótese, mas a explicação mais provável é sua atração pelas belas praias de Florianópolis. Ela tinha acabado de passar uma semana na ilha, o que explicava o bronzeado. Vai para lá sempre que pode para descansar e surfar. O surfe, aliás, é uma de suas paixões. Subiu numa prancha pela primeira vez em Los Angeles e jura que ficou em pé na segunda tentativa. Também pratica mergulho. “Já mergulhou?”, me pergunta. “Precisa fazer isso um dia. Existem montanhas no fundo do mar, é outro mundo.” Conversei com Alessandra no estúdio, mas por que não imaginar, em um exercício semificcional, que estávamos em seu lugar favorito no mundo? Então faz de conta que viajamos para Bali, na Indonésia, mais especificamente numa praia chamada Kuta, no litoral sul da ilha. O mar está liso e o sol começa a escorregar. Digamos que ela está lá de férias e acaba de sair do mar.

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Alessandra parece imune aos possíveis contratempos de uma vida de supermodelo. Cansaço, falta de tempo. Inveja. Homens tratando-a como troféu. É fácil imaginar noites solitárias em hotéis, choro no meio da madrugada, medo avassalador de envelhecer, perda de vínculos. Nada disso parece tê-la atingido. Aproveita tudo sem se deslumbrar. Quem conhece um pouco desse universo sabe que nem sempre é assim. Pergunto se não enfrentou dificuldades nem no começo. Muitas modelos iniciantes vivem em condições precárias, acabam devendo dinheiro à agência, ficam expostas aos aspectos mais nefastos da vida noturna. A opinião de Alessandra a esse respeito é firme: Chegamos às pedras. há um banco a poucos metros da rebentação. A luz do poente derrama-se no oceano como champanhe, teimando em diluir-se, mas falta um pouco para o Sol tocar o horizonte. A extensa faixa de areia branca delimitada por palmeiras está tomada de minúsculas silhuetas que arrastam sombras alongadas. A presença de Alessandra exala felicidade. Algo dessa serenidade parece vir da consciência de que seu tipo de carreira dura pouco. Daqui a alguns anos, ela vai parar. Poderá então dedicar-se a tudo que não tem tempo de realizar por ora. Não pensa em ser atriz nem em fazer faculdade, como planejam muitas modelos. Fez uma ponta no mais recente filme de James Bond, Cassino Royale (2006). Nenhum homem esquece da tenista que dá uma encarada em Daniel Craig. Mas o contato com o cinema não fez sua cabeça. Quando abandonar a carreira, quer casar, ter filhos e morar sossegada na praia. A maior parte dos mortais passa a vida tentando combinar a dura realidade do sustento com lazer, descanso, família e objetivos mais prosaicos. Mas por que bater cabeça na parede tentando conciliar esse tipo de coisa com a rotina inclemente de supermodelo se com cerca de 30 anos Alessandra se aposentará, rica, ainda bela, com a maior parte da vida pela frente? Ela assimilou isso. Não tem pressa. “Me dedico a viver o momento”, diz, referindo-se ao livro de auto-ajuda.

Alessandra Ambrósio, que estava confirmada como a estrela do desfile da Água de Coco na próxima edição da São Paulo Fashion Week, não irá mais desfilar pela grife brasileira. A informação foi confirmada pelo assessor da top. A modelo faz parte do time de angels da Victoria’s Secret e não foi liberada pela marca de lingeries. “Ela terá um compromisso com a marca nos Estados Unidos e não vai poder desfilar pela Água de Coco”, disse o assessor. Ainda de acordo com a assessoria de Alessandra, ainda há chance de ela participar da SPFW por alguma outra marca. “Ela quer muito participar da São Paulo Fashion Week ou mesmo do Fashion Rio. Do desfile da Água de Coco, a agenda realmente impede, mas talvez role com alguma outra marca. Mas ainda não há nada concreto”, completou. A modelo está no Brasil até quarta-feira (19) participando de um ensaio fotográfico. Alessandra deve voltar ao país até o fim de maio, quando participará de uma campanha de joias ao lado de Jesus Luz. Na última edição da SPFW, realizada em janeiro, a top desfilou pela Colcci. Na época, Gisele Bündchen estava de licença-maternidade e Alessandra assinou para participar de uma temporada de desfiles da marca. Alessandra Ambrosio já marcou sua vinda ao Brasil para o dia 9 de junho, segundo confirmou sua assessoriaA top desembarca no país exclusivamente para ser a estrela do desfile da grife de moda praia Água de Coco, que apresenta a coleção Primavera/Verão no dia 10, durante a São Paulo Fashion Week. No dia seguinte, a Angel da marca de lingerie Victoria’s Secret volta para os EUA, onde mora com o marido, Jamie Azer, e a filha, Anja Louise, de 1 ano e meio, que não acompanha a mãe na rápida viagem a trabalho desta vez. Apesar de ter desfilado para a grife Colcci na edição passada do evento, substituindo Gisele Bündchen. Uma pena! •

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o ensaio completo em timbre.com.br

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ENTREVISTA

EDUCAÇÃO CUSTE O QUE CUSTAR MARCELO TAS, ÂNCORA DO CQC, CONSIDERA ‘SOFRÍVEL’ A EDUCAÇÃO BRASILEIRA Por Isabel Vilela Ele ficou conhecido como o ingênuo repórter Ernesto Varela, em programas exibidos no SBT e na Globo, ainda na década de 80, quando acabava de terminar a faculdade de engenharia. Depois, conquistou a criançada com o professor Tibúrcio, do Rá Tim Bum, e o Telekid — do famoso “porque sim não é resposta” —, na continuação do programa, o Castelo Rá Tim Bum. Na década de 90, participou da criação do Telecurso 2000, programa educativo exibido pela TV Globo. Com essa trajetória, Marcelo Tas, que é também uma das grandes personalidades do humor e do jornalismo no Brasil, acabou ligando seu nome à educação e, hoje, além de comandar o programa CQC, na Band, e colecionar seguidores no Twitter, é referência para instituições de ensino que querem utilizar a comunicação de forma inovadora. Em passagem por Brasília para uma palestra para professores, estudantes e dirigentes de faculdades, na Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Marcelo Tas conversou com o Eu,estudante. Na entrevista exclusiva, Tas fala sobre a qualidade da educação no país, a dificuldade que professores e escolas enfrentam para acompanhar as atuais mudanças na forma de comunicação, a falta de engajamento político dos jovens e o diploma para jornalistas. Eu percebo uma desatenção, um descontentamento do jovem, que é proporcional à picaretagem dos governantes, dos políticos. Ou seja, a gente não pode recriminar o jovem por não estar ligado em política. Eu acho até muito saudável essa geração não ficar com atenção na política, porque essa política não merece atenção. Nós estamos diante de tempos bastante diferentes, porque, antigamente, você ser engajado politicamente era uma grande virtude. E daí? Os engajados politicamente são esses caras que se meteram em todos estes últimos escândalos, que, aliás, até hoje não foram reconhecidos, foram pegos com a mão na grana e até hoje estão aí posando para as câmeras. “A cara de pau é uma arte que desprezo, além de ser a mais fácil de ser vista”.

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Sua vida profissional, de uma forma ou de outra, sempre esteve relacionada à educação. Como começou o direcionamento da sua carreira para essa área? Na minha vida pessoal, começou no meu nascimento mesmo, porque meu pai e minha mãe são professores. Educadores mesmo, de escola pública, inclusive, no interior do Brasil, lá em Ituverava, interior de São Paulo. Então, dentro de casa, eu já tive uma ligação muito grande com a educação. Mas, profissionalmente, eu creio que a minha entrada se deu mais forte mesmo, de maneira mais prática, no Rá Tim Bum, quando fui convidado a ajudar a criar o projeto do programa, em 1989. Porque você acha que essas aulas na televisão fizeram tanto sucesso? É só olhar para o Brasil. As dimensões do Brasil pedem um sistema de educação a distância e por isso ele é hoje um dos países que mais desenvolveram essa modalidade de ensino. Pelo tamanho e também pela diferença econômica entre as regiões. Os Estados Unidos não têm uma educação a distância assim tão desenvolvida porque existe um equilíbrio nas regiões. Além do Brasil, o México e a Austrália, países onde há um desequilíbrio entre as regiões, contam com essa modalidade de ensino desenvolvido. Aí, uma série de instituições e empresas foram desenvolvendo essas ferramentas, que acabaram dando certo e isso é o mais legal, pena que poucos se mexem nesse país.


FOTOS CACÁ SIQUEIRA

Essa é uma experiência bem-sucedida de diálogo entre as mídias com a educação. E a escola formal? Caminha no sentido de encontrar esse canal de diálogo com as novas tecnologias? Não. Nem a escola, nem as empresas, nem os jornais, nem as revistas, ninguém está preparado. E é bom a gente falar isso porque o primeiro passo pra gente começar a andar é reconhecer o nosso estágio. E ninguém precisa ficar envergonhado de estar defasado. Pelo contrário, eu costumo dizer que uma pessoa que se sente defasada está muito bem informada sobre o que está acontecendo. E qual é a grande diferença? Quando eu fui educado, a comunicação era em uma direção, era do professor para mim. Eu ficava lá, sentado, na aula de história, e meu professor despejava o conteúdo na lousa. Eu dava um “cut paste” na lousa, naquela época é que eu fazia o “cut paste”, eu ficava copiando o que o professor de história escrevia no quadro. Esse é outro equívoco da escola.

E o que falta para isso? Um bom começo é a gente lutar contra o preconceito. O preconceito é o medo da mudança, é não querer sair da sua região de conforto. Todos nós temos que lutar contra isso, e eu estou me incluindo aí dentro. O jornalista que não quer dar o braço a torcer de que o leitor de hoje pode saber mais do que ele ou pode saber antes dele, por exemplo. No caso do aluno é a mesma coisa. O aluno tem muito acesso a informação antes de chegar na sala de aula. Como você avalia a qualidade do ensino no país? Sofrível, triste. E eu não estou falando do governo atual, estou falando dos últimos 20 anos. O Brasil até hoje não levou a educação a sério. Tem uma ou outra ação que a gente pode aplaudir, mas nada como um planejamento estratégico, que atinja uma sociedade tão grande como a brasileira. Por isso que a educação no Brasil ainda é muito ruim. Ninguém pensou a educação de uma forma estratégica. Agora para converter isso não será fácil! •

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POLÍTICA

A DROGA E O FHC Trata-se um político pelo cargo mais alto que ele atingiu em sua carreira. Assim, Sarney é presidente, Collor é presidente. E Fernando Henrique Cardoso, também, ainda que guarde diferenças dos colegas citados, que vão além do não ter recorrido a botox ou processos de cirurgia plástica e não usar bigode ou escrever romances calientes. Aos 77 anos, o homem cujo governo criou os programas sociais tão caros hoje - e melhor posicionados, é verdade pelo - ao governo do PT, diz participar de algumas decisões do PSDB, partido do qual é presidente - mais uma vez do Diretório Nacional, “mas não do dia a dia”. De longa carreira acadêmica, diz que nunca se sentiu um político profissional e que o prefixo ex, quando junto à palavra presidente, não lhe tirou uma única hora sequer de sono, muito pelo contrário, foi uma boa noite de sono.

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É no Instituto Fernando Henrique Cardoso - do qual é, novamente, presidente -, no Vale do Anhangabaú, que FHC nos recebe para uma hora de entrevista cronometrada pela assessora de imprensa. Seria, para nós, o primeiro de, ao menos, dois rounds de conversa com o homem. Sua sala é ampla e estrategicamente mobiliada com poucas, mas bem escolhidas, peças. As janelas que ocupam toda a volta do espaço revelam do 6º andar um belo corte do Vale em que se emolduram as belezas arquitetônicas paulistanas, deixando abaixo a miséria, os mendigos, as prostitutas, os PMs, os transeuntes e toda a fauna que tradicionalmente habita o centro da cidade. É ali que o ex-presidente lê, escreve, prepara palestras, uma excelente fonte de renda atual, e concede entrevistas como esta a seguir, que quase não acontece porque ele supostamente teria um compromisso. No Irã. •

FOTOS MÔNICA MELO

EX-PRESIDENTE E CIDADÃO DO MUNDO, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO FALA SOBRE DROGAS, PODER, SUCESSÃO, CRISE E DO LULA Por Roberto Maluf e Ricardo Franca Cruz


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