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Prefácio

A

noite mais estrelada de todos os tempos, pena que não me sentia daquele

jeito, não estava feliz para apreciar tudo aquilo. Não havia motivos para sorrir, fui rejeitada por não ser uma pessoa igual às outras, só porque sou diferente eles me tratam diferente. Tudo o que eu queria era encontrar alguém que sofresse o mesmo que eu, mas nesse mundo não deve existir ninguém.


Capítulo Um. -Uma estrela cadente faz logo um pedido! –Candece sempre adorou tudo o que fosse relacionado com o espaço, numa noite como essa de hoje ela não podia estar mais animada. -Eu não acredito nessas coisas, você, mais do que eu, sabe que isso não é uma estrela e que não realiza pedidos. –Ela para de olhar para o céu e me olha com desdém. -Sei disso, mas é bom ás vezes sermos simpáticos com os outros que acreditam. –Ela olha para a mamãe que está de olhos fechados fazendo um pedido. -Quanto você quer apostar que ela está pedindo para o papai voltar. –Minha mãe sempre teve esperança de que o nosso pai voltasse, ele foi fazer uma viagem para descobrir se existem alienígenas infiltrados na Terra e nunca mais voltou. Não acredito que ele tenha morrido fazendo uma pesquisa tão inútil, meu pai era pesquisador, no seu penúltimo trabalho ele descobriu que o monstro leviatã existiu muito tempo atrás e que podem existir “filhotes” seus no mar, mas modificados pela sua adaptação durante o passar dos anos. Ele tentou levar isso ao governo, mas por sorte Candece e eu conseguimos impedir. -Ela sente muito a falta dele. -Eu também sinto, mas temos que nos conformar que ele nunca mais vai voltar. –Passo a mão nos cabelos loiros da minha irmã e ela deita sua cabeça em meu colo. –Temos que olhar só o futuro, pois o passado nunca vai voltar. -Às vezes eu penso que ele pode entrar pela porta da sala a qualquer momento. –Sinto sua voz fraquejar e passo minha mão em sua bochecha, procurando algum sinal de lágrimas, mas felizmente está tudo seco. -Você sabe que não tem como voltar da morte. -Mas não encontraram o corpo dele. –O que é o pior, o que nos deixa mais aflitas, ter a esperança de que ele possa estar vivo. Se já tivessem encontrado o corpo tudo seria mais fácil, teríamos a certeza e poderíamos voltar a nossa rotina. Tento ser lógica. -Já fazem mais de dois anos Candy, se fosse para ele voltar já estaria aqui com nós. – Sinto minha voz fica um pouco rouca, um nó se forma na minha garganta e tento expulsá-lo com uma tosse, mas ele continua mais forte do que nunca. Relembrar todo o


sofrimento que nossa família passou nunca me faz me sentir melhor, aquela história de que daqui a alguns anos daremos muitas risadas disso, nunca funcionou comigo. O tempo só torna a dor pior. -Você acha que ele pode ter sido sequestrado por algum E.T.? -Tudo bem. Acho que agora você passou dos limites e merece um castigo de cócegas. – Faço cócegas na barriga da minha irmã, enquanto ela grita pedindo perdão. Paro quando sinto minha mãe do meu lado. Minha irmã se levanta do meu colo e senta-se ao meu lado, afasto-me para minha mãe poder sentar no banco conosco. -A noite não está linda meninas? –Todas nós olhamos para o céu. -Acho que é a noite mais estrelada que já vi. –Tento contar o número de estrelas que estão sobre nossas cabeças, mas perco a conta. -Está muito linda mesmo, mas acho melhor entrarmos porque o dia amanhã vai ser muito longo e vocês sabem disso. –Minha irmã e eu nos olhamos e fazemos cara de cansadas. -Não entendo porque temos que acordar tão cedo para fazer uma mudança. -Quanto mais cedo fizermos, mais cedo terminaremos. Agora já pra cama Candy e você também Luna. -Poxa mãe, deixa a gente ficar olhando o céu só mais um pouco. Nós nunca mais vamos poder olhar céu desse jeito novamente. -Tudo bem, só mais vinte minutos. Vou subir e ver se tem alguma para fazer, tenho que ver se vocês não se esqueceram de fazer nada. –Ela aponta para nós duas e vai para dentro de casa. Minha irmã me olha e me abraça. -Não quero me mudar, não quero ser mais uma estranha. -Também não quero, mas temos que ir. A mamãe encontrou um emprego lá e você sabe muito bem que a nossa situação aqui não está muito boa, só a aposentadoria do nosso pai não vai resolver nossos problemas para sempre. -Mas e se quando nos mudarmos ele nos procurar aqui? -Candy, entende uma coisa, ele nunca mais vai voltar. Ele morreu. –Os olhos da minha irmã me fazem entender que dessa vez ela entendeu. Aos poucos os seus olhos se enchem de água e não aguenta e despejam suas lágrimas em cima de suas bochechas rosadas. -Queria tanto que ele estivesse aqui conosco. -Só porque ele morreu não quer dizer que ele não está conosco. Lá em cima. –Aponto para o céu estrelado. –Ele está nos olhando não importa em qual dessas estrelas ele está. -Você é uma ótima irmã Luna. -Você também não é uma das piores. –Ela dá um soco de leve no meu ombro e se levanta. -Vou subir e arrumar minha bolsa, senão daqui a pouco a mamãe desce que nem uma louca. Você vem agora? –Olho para o céu e as estrelas nele. -Vou ficar um pouco mais. –Minha irmã dá de ombros e entra em casa, levanto-me e vou para próximo do nosso cercado, ao fundo da nossa casa está o deserto, onde o nosso pai foi e nunca mais voltou, lembro quando ele foi. Estava muito cedo quando senti algo pegar em meu pé, o frio do quarto estava muito confortável, tentei me esquivar do que tocava o meu pé, mas ele insistia em me acordar. Abri os olhos e meu pai estava ao pé da minha cama com uma bolsa em suas costas. Depois de cinco minutos me situei da minha vida e entendi o que aquilo significava. Levantei e fui acordar a Candy, depois de acordá-la fomos para a sala, meu pai estava em pé no centro enquanto sentamos no sofá. Candy ainda dormindo perguntou o que estávamos fazendo acordados àquela hora. -Eu queria me despedir de vocês antes de ir embora. –Todas nós despertamos do


transe, eu já estava com noventa e nove por cento de certeza de que fosse esse o motivo. -Como assim o senhor vai embora? –Candy não parecia estar mais com sono, pois seus olhos já estavam vivos como são, um verde que ao brilho do sol se torna transparente capaz de vermos sua alma. -Bem eu já havia dito que iria fazer uma nova pesquisa, ontem a noite estava pesquisando na internet sobre alienígenas e descobri um fato que pode mudar nossa percepção de vida em outro planeta. Eles vivem entre nós sem sabermos disso. -Querido, por favor, me diz que isso tudo é um sonho. Você não vai sair por aí há essa hora para procurar alienígenas, vai? -Claro que vou, mas não se preocupe já sei onde eles vivem e não fica muito longe daqui, consegui todas as coordenadas do local e irei lá esta noite para captura-los e provar a todos que existem sim ETs. -Se você só vai à noite porque está nos acordando agora para se despedir? -Desculpem, me expressei mal, quis dizer que chegarei lá à noite. Tenho que sair o mais cedo possível para chegar lá a tempo. Então todas venham me dar um abraço. –Todas nos levantamos sem nenhuma animação, por causa do sono e da notícia. O abraço meio sem jeito e sem animação foi o ultimo contato que tivemos com ele. Depois de nos soltarmos ele foi em direção à porta do quintal e nos disse a sua ultima mentira. –Não se preocupem, voltarei logo. –Fomos todas para a janela e o vimos sumir pelo deserto e durante dias, semanas, meses o esperamos, mas ele nunca voltou. Uma lágrima escorre pela minha bochecha e a enxugo com o pulso do meu moletom, olho para o céu e tento ver o meu pai em algum lugar, toda a conversa com minha irmã só me fez pensar ainda mais nele, fecho os olhos e penso. Onde você estiver, por favor, me mande um sinal de que está bem, ou de que está vivo. Abro meus olhos e vejo mais uma estrela cadente passando. Se tudo for verdade ela vai realizar meu pedido feito antecipadamente. Acho que estou com sorte, duas estrelas cadente, isso talvez seja algo bom. Vou para a porta da casa e olho para trás, nunca mais vamos ver essa paisagem. Adeus deserto cuide bem do meu pai. Entro em casa e desligo a luz do quintal, toda a cozinha fica escura, procuro o interruptor e quando o acho coloco-o para baixo, olho para toda a cozinha pela ultima vez e desligo a luz de volta, sinto uma corrente de ar passar ao meu lado e me deixar arrepiada. Subo as escadas e vejo a luz do quarto da minha irmã ainda acesa, ando pelo corredor em direção ao seu quarto. Abro a porta e vejo-a arrumando sua bolsa, entro no quarto e sento na sua cama. -Já arrumou tudo? –Ela me olha com um olhar cansado. -Até que enfim. Agora posso dormir e me preparar para amanhã. –Ela cai na cama e levanto para ir ao meu quarto. –Ia esquecendo, a mamãe quer que você veja uma caixa que está em cima da sua cama, ela quer saber o que dali você quer. -Mais trabalho para mim, obrigado. Deixo minha irmã descansar e vou para o meu quarto, entro e vejo uma caixa média em cima da minha cama, abro-a e vejo minhas antigas bonecas lá. Todas as bonecas que tive, minha mãe guardou para que minha filha futuramente visse. Pego a minha favorita, uma com cheiro de morango que me trazia muitas lembranças boas, passo a mão em seu cabelo e sinto algo me furar, passo a mão novamente e sinto mais uma vez, olho atrás da cabeça da minha boneca e vejo algo preso a sua nuca. Tiro um pedaço de papel que está agarrado com um broche meu de quando era criança. E vejo apenas algumas linhas, deixo o papel de lado e volto para as minhas bonecas, pego mais uma percebo que ela também tem algo preso em seu nunca, tiro outro pedaço de papel e mais linhas. Tiro todas as bonecas da caixa e tiro todos os papéis, nada faz sentido. Quem colocou aquilo


ali e o que aquilo significa? Não passam de linhas que não fazem o menor sentido. Pego uma caixinha de música antiga e guardo todos os papéis, não se é muito bom pensar quando está com sono, nunca sai coisas boas. Volto minhas bonecas para a caixa e me deito na cama. Meus olhos são mais fortes que eu e de repente tudo está escuro.

Amante Futurístico.  

História baseada na música E.T. da Katy Perry.

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