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20 de agosto a 5 de setembro de 2012

Pesquisa é “descoberta” na graduação Disciplinas voltadas à área científica podem ser também vitrine para mostrar potencial dos alunos CAROLINA JUNQUEIRA As aulas de Pesquisa e de Projeto Experimental, que compõem a grade de disciplinas do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), no terceiro e no quarto ano, respectivamente, são oportunidades para a inserção do aluno do mercado de trabalho acadêmico. Pelas disciplinas, muitos descobrem que, além da reportagem e do trabalho em jornais, portais e emissoras de rádio e TV, o trabalho como pesquisador pode ser interessante. De acordo com o professor Carlos Gilberto Roldão, que ministra, junto a outros colegas, as duas disciplinas, muitas vezes, os estudantes não se atentam às projeções que essas aulas podem proporcioná-los. “O aluno deve aproveitar ao máximo esse espaço acadêmico, pois ele oferece chances que podem emplacar alguns objetivos”, explica Roldão. Isso foi o que motivou a estudante Amanda Cotrim, do último semestre do curso, junto à outra integrante do grupo, a inscreverem seu artigo no 35º Congresso Brasileiro de Ciências e Comunicação (Intercom), que vai ocorrer do dia 3 a 7 de setembro deste ano, em Fortaleza (CE). Em Pesquisa, elas fizeram uma monografia a partir da análise da cobertura das eleições de 2006, realizada pela revista Isto É. “Nosso trabalho foi elogiado em uma reunião no final do semestre e tivemos

a nota máxima”, orgulha-se Amanda. Além disso, o professor Roldão explicou sobre o potencial da monografia, despertando, na aluna, a vontade de apresentá-la no Intercom. Embora o trabalho tenha ficado pronto em 2011, elas perderam o prazo de inscrição para o evento do ano passado. “Esse ano nos organizamos. Está tudo certo e vamos”, afirma Amanda. Segundo a estudante, a decisão de ir ao congresso foi tomada, de fato, ao pensar no mercado de trabalho e no mestrado que ela deseja fazer. Ter uma publicação no Intercom tem grande peso no currículo e já é um passo à frente para a sua entrada no segmento acadêmico. Esse fato chamou a atenção também da aluna Thais Araújo Jorge, do terceiro ano do curso. Ela e o grupo dela pretendem inscrever-se no Intercom Regional de 2013, pois não tiveram tempo de participar do evento deste ano. A pesquisa de Thais se propôs a constatar se o programa VC Repórter, do portal Terra, era jornalístico, estudando o conceito de “jornalismo colaborativo”. Durante esse processo, o grupo visitou a redação do site e, além do levantamento de dados, acredita ter gerado uma rede de contatos. “A pesquisa nos proporcionou a criação de vínculos com diferentes pessoas do mundo acadêmico”, relembra a estudante. Thais, assim como Aman-

FOTO: CAROLINA JUNQUEIRA

Grupo de alunas de Pesquisa e o professor Roldão preparam-se para o Intercom de 2013 da, planeja fazer mestrado e projetou, na monografia, a chance de ter um histórico acadêmico mais completo. Uniu o útil ao agradável, como ela mesma descreve: “Já que teríamos que fazer a pesquisa e a monografia, escolhemos um tema com o qual todos tivessem afinidade e levamos esse projeto adiante”. Ainda de acordo com a aluna do terceiro ano, todo o processo pelo qual o grupo passou não abrange apenas a parte teórica, mas a prática também – que geralmente é a preferência da maioria dos estudantes. Em relação a isso, Amanda é enfática ao dizer que a pesquisa percorre caminhos mais profundos. “Não adianta o aluno focar-se na prática se não ti-

ver uma base sólida, adquirida com os estudos teóricos. Senão for assim, ficará no senso comum”, acredita. Ambas as estudantes são unânimes ao relatar que o universitário não deve limitar-se apenas aos deveres que tem de cumprir na faculdade, mas, sim, enxergar um mundo de oportunidades, oferecido pelo espaço acadêmico. “Além de todos os benefícios que a pesquisa traz pra vida profissional, deve-se pensar também que esse é um espaço para uma produção própria”, afirma Thais. EXPERIÊNCIA

Em relação ao trabalho prático do Jornalismo e à pesquisa nesse campo, a professora

Cyntia Andretta, que também ministra as disciplinas de Pesquisa Aplicada e de Projeto Experimental, na PUC-Campinas, diz que ambos precisam caminhar juntos na formação do futuro jornalista. Ainda de acordo com ela, no dia a dia das redações, não há muito tempo para pensar as práticas jornalísticas e, por isso, a pesquisa torna-se importante. A professora acredita que os dois segmentos da carreira se complementam e, por conta disso, ela sempre procurou fazê-los paralelamente: foi editora, repórter e assessora de imprensa, ao mesmo tempo em que se dedicava também à carreira como professora e como pesquisadora.

Campinas já tem sua “Comissão da Verdade” Desdobramento do movimento nacional, conselheiros podem contribuir com investigações JULIANA DIANI

No dia 9 de agosto uma reunião no salão vermelho da Prefeitura criou a Comissão da Verdade de Campinas. Esse grupo é um desdobramento da Comissão da Verdade instaurada pela presidente Dilma Rousseff nacionalmente. O grupo federal tem por objetivo investigar crimes cometidos pelo Estado entre 1946 e 1988, principalmente no período da Ditadura Militar. A Comissão Nacional é formada por sete membros e tem o prazo de investigação de dois anos, com o direito de convocar vítimas e acusados de violações para prestar depoimentos. O papel dos conselheiros de Campinas irá contribuir

com o da Comissão Nacional. “Nossa ideia é que a Comissão elabore relatórios que sejam encaminhados para a Comissão Nacional para ser somado ao que ela já está fazendo abertamente. É um trabalho

de colaboração. Pretendemos levantar dados, como, por exemplo, qual foi o papel que as empresas tiveram no golpe militar, toda a questão que envolve mortos, desaparecidos e tortura”, explica Paulo MaFOTO: DIVULGAÇÃO CARTA MAIOR

Manifestantes em São Paulo, durante a criação da Comissão

riante, membro da Comissão da Verdade de Campinas. O prazo de dois anos instaurado pela Presidente Dilma para os trabalhos é curto, assim como o professor da Pontifíca Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Arnaldo Lemos, especialista no assunto, afirma: “Eu acho que essas comissões regionais, municipais ou estaduais podem ajudar na coleta de dados, depoimentos, testemunhas, em relação ao objetivo da Comissão Nacional. A Comissão Nacional é composta de sete membros e tem somente dois anos para concluir o trabalho que tem que ser feito. E como o Brasil é muito grande, as comissões podem colaborar.” A Comissão Nacional da

Verdade, apesar de ter o poder de convocar pessoas para prestar depoimento, ainda não tem o poder de punir os culpados. ATRIBUIÇÕES

“A Comissão da Verdade não atende a todas as nossas exigências, mas é o pontapé inicial para que a gente consiga elaborar e aprovar outros projetos de lei que possam estar prolongando e viabilizando a conclusão do trabalho da Comissão Nacional,” diz Celia Coqueiro, membro do Comitê da Verdade municipal. Também foi citada por Celia a elaboração de um projeto de lei para estender o prazo de dois anos dado pela presidente.

Saiba +/ Agosto 2012  

Editor-chefe e Professor Resp.: Prof. Fabiano Ormaneze (MTb 48.375)Capa: Bianca Fernandes e Mayra CioffiDiagramação: Felipe Lange de Faria e...

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