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temos a conjuntura política e a situação da educação brasileira; as lutas na América Latina e o que fazer em nosso dia-a-dia nas universidades. O Seminário já começou a entregar seus frutos. Foi possível construir chapas unitárias que foram vitoriosas em várias eleições de DCE, como na UFRGS, UFPA

e UNIRIO. Além disso, já fizemos uma mobilização em Brasília em defesa do ANDES, que se demonstrou muito positiva. Na opinião do Vamos à Luta, no governo Dilma não haverá muita diferença: para a juventude e para os trabalhadores ataques, e a majoritária da UNE continuará blindando e o apoiando as medi-

das do governo. À cada colega estudante, que participa pela primeira vez de um espaço nacional do movimento estudantil, não se decepcione, pois aqui há aqueles que querem e fazem movimento estudantil sério. Aos colegas dos coletivos da oposição de esquerda, que fortaleçamos cada vez mais nossa organicidade.

Em 2011 temos que construir fortes mobilizações. Somente através de muitas lutas, com novos ativistas se formando e se forjando no dia-a-dia é que teremos uma nova direção política para o movimento estudantil brasileiro.

Até mais vitórias e Vamos à Luta!

ENTREVISTA COM MARCELO FREIXO SOBRE VIOLÊNCIA E SEGURANÇA PÚBLICA NO RJ Reproduzimos uma entrevista com o Deputado Estadual do PSOL Marcelo Freixo, defensor dos Direitos Humanos e que inspirou o Deputado Fraga do Filme Topa de Elite 3, na entrevista Marcelo aborda o problema da violência e segurança pública no RJ.

Qual é o seu olhar sobre as UPPs - Unidades de Polícia Pacificadora criadas no governo Sérgio Cabral? A UPP não é um projeto de segurança pública e sim um projeto de cidade. O governador Sérgio Cabral foi eleito no primeiro turno única e exclusivamente em função das UPPs. Se a população avaliasse o seu desempenho na saúde e educação, provavelmente o conduziria ao cárcere e não ao Palácio Laranjeiras. Porém, os formadores de opinião continuam tendo na segurança pública o único instrumento de avaliação política sobre o Rio. O mapa das UPPs é revelador da razão do projeto, o critério não foi as áreas de maior violência, caso fosse os complexos do Alemão e da Maré seriam os primeiros a ser atendidos. A lógica foi outra, as UPPs chegaram ao corredor hoteleiro da Zona Sul (área nobre), na Região do Porto, que receberá grande investimento privado nos próximo anos (projeto chamado pela prefeitura do Rio de Porto Maravilha), no entorno do Maracanã, em função dos Jogos Olímpicos, e na Cidade de Deus, área de grande investimento da especulação imobiliária e único território, em toda a Jacarepaguá, que não está nas mãos de milícias. Claro que defendo o princípio do policiamento comunitário, a aproximação da polícia com a comunidade que será protegida. É importante para o morador dessas áreas o fim do tiroteio e da barbárie

Deputado Marcelo Freixo PS O L-RJ PSO

do tráfico. A favela não pode continuar sendo tratada como caso sempre de polícia. O que verificamos é a construção de uma gestão policial da miséria, tudo na comunidade é decidido pela polícia, o direito a saúde, educação e cultura continuam distante da favela. A pergunta que fica é: o que é uma sociedade civil, a que garante direitos ou a que se enche de polícia?

O ffilme ilme T ropa de Elite 2 ffala ala do “sistema”, qual é a sua opinião sobre esse termo? O filme deixa claro que o debate da segurança pública não se restringe à ação policial, pelo contrário, esse é o grande tema da política nas grandes cidades brasileiras. Os formadores de opinião não têm mais na saúde e educação públicas os grandes temas da política. A classe média colocou seus filhos no colégio particular e entrou para um plano de saúde, sendo assim esses temas deixaram de ser determinantes no debate político. Com a segurança pública não é possível fazer o mesmo. O filme mostra que as políticas de segurança são decisivas, como instrumentos de controle sobre a massa pobre das favelas e periferias dos grandes centros. Manter a ordem

social é manter a ordem de classe. Não ter política pública de assistência nessas áreas é a política pública do Estado, não se trata portanto, de um Estado ausente, mas da ausência de uma política de direitos, substituída por uma política de controle, violenta e corrupta . A corrupção não é um desvio, mas algo estrutural nas relações de poder. A máquina pública serve a interesses corruptos, perdemos o mínimo sentido republicano. Sendo assim, esse não é um problema que vamos resolver somente com uma mudança na polícia, e sim no sistema.

T ropa de Elite 2 representa um marco no cinema brasileiro. Além do grande apelo da crítica, quase 10 milhões de pessoas já assistiram ao filme. Qual o impacto disso na sociedade brasileira? Já podemos sentir esse impacto, o tema das milícias infelizmente não pautou o debate eleitoral. Entretanto, o principal debate que se faz hoje no Rio é o das milícias, isso se dá em função exclusivamente do filme. (...). É necessário criar outro olhar sobre as políticas públicas de segurança, elas precisam ser instrumentos de garantias de direitos e não da promoção da barbárie ou da guerra, onde o Estado disputa com o crime quem é mais violento. O Tropa 2 coloca o debate da segurança publica no “andar de cima”, sai da polícia para a política. Em qualquer lugar do mundo o crime organizado se dá onde tem dinheiro e poder, sendo assim ele não se organiza nas favelas e periferias. O filme desnuda a relação entre crime, polícia e política no Rio de Janeiro dos últimos anos.

Site: www.vamosaluta.xpg.com.br Blog: juvvamosaluta.blogspot.com vamosalutaouropreto.blogspot.com http://www.vamosalutamaraba.net/ twitter: AP @vamosaluta_ap PA @VamosaLutaPA

Contatos Juninho Dir oposição na UNE 21 9394-6339 RJ - Priscila Guedes - UNIRIO 21 94483334, Rafael Lazari - UFF 21 8141-1804 PA - Rogerio Guimaraes - Unama 91 82014062, Tailson UFPA 91 8234-8140, Samantha - SECUNDA 91 8311-2352 AP Cassia e Gabriela 96 8112-7885 MG Danilo UFOP 31 9377-6450, Carol 31 9624-2360 DF Adriano UnB 61 8144-1978 RS Diego UFRGS 51 9867-2614

APRESENTAÇÃO

Em Tropa de Elite 2, personagem Fraga foi inspirado em Marcelo Freixo

Saudamos os estudantes presentes no 13º Congresso de Entidades de Base da UNE (CONEB). Nosso coletivo, o Vamos à Luta, surgiu em 2007 em meio à ocupação da reitoria da UNB e de diversas outras reitorias país a fora. De lá para cá muita coisa aconteceu. Há uma mulher na presidência do Brasil e um novo governo federal, embora nos pareça que a política seguirá sendo velha. Na Europa houve e há

rebeliões estudantis de massas. A solidariedade dos estudantes europeus aos trabalhadores tem sido admirável. Mas,a direção majoritária da UNE figura entre as coisas que não mudaram. Seu atrelamento ao Governo impede que voltemos a ter aquela UNE dos livros de história. Em 2010, no Seminário de Uberlândia um marco muito importante, voltamos a reunir o conjunto dos estudantes independentes e

combativos. Os estudantes podem e devem ocupar um papel central na situação do nosso país. Devemos retomar o protagonismo que já ocupamos em outros momentos: na luta pela abolição, contra o fascismo, contra a ditadura e no Fora Collor. Somos parte dos que constroem uma alternativa de luta nacional contra o aumento das mensalidades e por uma uni-

versidade pública, gratuita e de qualidade. Não nos agrada o passado como era. Não aceitamos o presente como está. Nossas propostas são um chamado, um projeto em construção, que necessita de sua opinião crítica. Nos construímos na onda dos protestos e das passeatas. Por isso, t e ffaa z e m o s u m c o nnvite... vite... Va mos à Luta!


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nenhuma nota, não chamou nenhuma mobilização, ficou calada, não fez nada porque não tem autonomia do governo e desde 2003 diz sim a todos os absurdos e propostas do governo, como no caso do mensalão. A UNE ficou calada porque recebeu 42 milhões do governo pra reformar sua sede e se render as suas políticas. A indenização da UNE pela sua luta durante a ditadura não pode significar que agora a entidade diga amén ao governo, não podemos aceitar que a direção majoritária troque a independência da entidade pelos milhões recebidos.

Estudantes protestam em Brasília contra o reajuste abusivo para os palrlamentares, na casa de 61%. A UNE ficou em silêncio.

1. O que esperar do Governo de Dilma/T Tee m e r ? O ano de 2011 começou com um marco histórico, a primeira mulher a governar o Brasil. Mas será que veremos mudanças em seu governo? Ao que tudo indica, não. O governo Dilma iniciará diante do aprofundamento da crise econômica mundial, onde os empresários mundiais junto com os governos tentam passar a conta da crise para os trabalhadores, o povo pobre e a juventude. Os palcos de lutas na Europa foram demonstração do interesse que os governos têm em aplicar o pacote de ajustes para salvar os banqueiros e empresários. 2.V gonha! Salário de Vee rrgonha! Dilma aumenta 133%, do parlamentares 61,83% e salário mínimo 5,8%! No dia 15 de dezembro, em uma votação relâmpago, a Câmara Federal reajustou os salários dos senadores, deputados federais, ministros de Estado e da presidente da República e seu vice para R$ 26.700. Esta proposta terá efeito cascata nas assembléias legislativas estaduais e nas

câmaras municipais de todo o país, que têm seus salários vinculados aos parlamentares federais. Esse aumento representa uma afronta ao salário do povo brasileiro. Enquanto os parlamentares votam seus próprios aumentos salariais em valores que variam entre 61,8%, 133,9% e 148,6%, votarão reajustar o salário mínimo em míseros 5,8%, passando dos atuais R$ 510 para R$ 540. Por isso defendemos que o salário dos parlamentares seja definido pela população através de plebiscito e seja vinculado ao salário mínimo, pois se aumentarem o deles têm que aumentar o nosso também. O vergonhoso aumento dos políticos demonstra que não há necessidades do ajuste fiscal proposto por Dilma. Há dinheiro, porém ele vai parar no bolso dos corruptos ou escorre pelo ralo do pagamento dos juros da dívida para os agiotas internacionais.

3. Com quem e pra quem Dilma Governa? O governo Dilma começa como o seu antecessor; uma com-

posição mesclada com históricas rapinas da política brasileira, como: Michel Temer, Sarney e seu partido (PMDB), grandes empresários como EikeBatista e grandes empreiteiras como Camargo Correa, Odebrecht, etc. ao invés de ter os trabalhadores e o povo pobre como aliados, estes terão que sustentar sua família com R$540,00. Logo no inicio do ano o Ministro da Fazenda Guido Mantega já anunciou que “2011 será um ano de cortes de gastos”, fazendo alusão à “prevenção” do Brasil contra os efeitos da crise mundial. Já foram anunciados os famosos cortes orçamentários nas áreas sociais, como saúde e educação, que poderão chegar a 40 bilhões de reais. Tudo para garantir a realização pagamento da dívida pública aos empresários nacionais e internacionais e o aumento de salário dos parlamentares, ministros e da presidente. O Brasil agora é a 7ª economia do mundo, seu PIB está na casa dos trilhões de dólares, em conjunto com a proposta de aumento irrisório do salário mínimo, Dilma pro-

põe o congelamento dos salários dos servidores públicos por 10 anos anos, a reforma da previdência que aumentará o tempo de aposentadoria. A crise já atravessou o atlântico e é evidenciada pelas políticas do “novo” governo, pois os planos de ajuste como o aumento da idade de aposentadoria, a continuação do processo de privatização (como na empresa de correios e os aeroportos) o corte de direitos sociais como a educação e a saúde, somados ao forte índice de desemprego são medidas já em aplicação na Europa e na pauta do governo Dilma.

4 . UNE fica calada frente ao escandaloso aumento de salário dos parlamentares e da Presidente! As greves gerais em toda a Europa serviram de ensinamento para lutas aqui no Brasil, precisamos denunciar as anti-políticas sociais do governo e de seus agentes, como a direção majoritária da UNE, que não fez NADA diante do vergonhoso aumento dos salários dos parlamentares. Não lançou

5 . Para combater os cortes de verbas, seguir o exemplo da juventude européia! Precisamos seguir o exemplo dos estudantes e trabalhadores da Europa que sacudiram o velho continente lutando por seus direitos e contra o pagamento da crise nas costas dos trabalhadores. O CONEB deve encaminhar lutas contra os cortes de verbas das áreas sociais, contra os planos de ajustes que serão aplicados no Brasil e contra o vergonhoso aumento dos salários dos parlamentares. Vamos à luta neste CONEB e juntos faremos um ato contra esse aumento vergonhoso. Aumento dos parlamentares, não quero não, quero 10% o PIB pra educação! 6 . Educação: Os avisos chegam da Europa A crise econômica mundial que não cessa encontra dois alvos: os estudantes e a educação. Cortes de verbas, aumento de mensalidades e retirada de benefícios, essa são as receitas aplicadas, sobretudo nos países europeus, atingindo a qualidade e o direito à educação. Em 2010 o governo Lula cortou 2,3 bilhões da educação, ao mesmo tempo os sintomas do desastroso REUNI começavam a aparecer e mais estudante das particulares abandonavam o sonho de ter uma formação por não poder pagar os aumentos acima da inflação. 7 . Governo indeniza a UNE com 35 milhões e Lula veta proposta da UNE de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para educação. Nas últimas semanas de 2010,

Lula foi até a sede da UNE no RJ inaugurar a pedra fundamental da reconstrução da sede da entidade que foi destruída na ditadura, e fez questão de falar que nunca (na história desse país), a UNE esteve tão rica. Enquanto a direção majoritária da UNE se confraternizava com Lula, recebendo deste R$ 35 milhões, dois outros fatos muito importantes estavam ocorrendo: 1. Os parlamentares federais aumentaram seus salários em quase 70%; 2. O próprio presidente Lula vetou a proposta da UNE de destinar 50% do Fundo Social do PréSal para a educação. No caso do aumento dos parlamentares, ocorreram manifestações de jovens estudantes, de forma autônoma contra esse aumento desrespeitoso para com o povo brasileiro. Hoje o “novo” Governo do PT/ PMDB de Dilma Roussef, briga para que o salário mínimo não seja superior a 540 reais, em contraposição a proposta de míseros 560 reais. O papel da UNE deveria ter sido o de chamar mobilizações, como já fez no passado. da mesma forma como deveria ter agido quando Lula vetou a proposta da UNE dos 50% do fundo social do pré-sal para educação. Vale ressaltar que essa proposta tem sido o carro-chefe das bandeiras que a UNE levantou nos últimos anos, a principal política. Mas porque a direção majoritária da UNE não chamou nenhuma mobilização para derrubar o veto de Lula? É somente porque é do governo do PT ou se fosse de um governo do PSDB ou outro partido não estaríamos lutando contra esse veto? Queremos uma UNE combativa, autônoma aos governos, partidos e reitorias, que seja coerente com a sua história. A atual direção majoritária da UNE, dirige a entidade há mais de 20 anos e tem jogado o nome da UNE no esquecimento, transformando a entidade cada vez mais em uma secretaria do governo ao invés de uma entidade dos estudantes e para à luta dos estudantes.

8 . Ué e não deveria ser o contrário? Sim, em nossa opinião um go-

Crise Econômica na Europa. Manifestante enfrentam polícia na Grécia

verno que defendesse os estudantes no Brasil deveria democratizar o acesso, ampliar vagas com qualidade nas universidades públicas e regulamentar o ensino particular proibindo o aumento abusivo de mensalidades, acima da inflação, cobrança de taxas e exigência de uma política de assistência estudantil. Mas aconteceu tudo diferente. E até a propaganda de facilitação do acesso à universidade através do novo ENEM foi desmascarada com mobilização em diversas capitais.

9 . Dilma anuncia corte de R$ 500 milhões para a educação. Infelizmente a esperança que os estudantes depositaram em Dilma já fracassa. Antes mesmo de iniciar o ano ela já anunciou cortes no orçamento da educação. Será dinheiro que faltará para a assistência estudantil, contratação de professores e melhorias infra-estruturais. Seguimos defendendo a destinação de 10% do PIB para o setor, bandeira histórica do movimento em defesa da educação. Com essa verba poderíamos verdadeiramente ampliar o acesso, ter uma forte política de assistência estudantil e de contratação de professores. Ao mesmo tempo, o governo Dilma se quisesse poderia enviar uma Medida Provisória proibindo o aumento de mensalidades nas universidades pagas. Devemos seguir o exemplo dos estudantes europeus, que foram as ruas contra a crise e os cor-

tes de verbas. Já no início das aulas devemos ter um dia nacional de mobilização contra o corte de verbas e exigindo nossas pautas do governo Dilma. Aliás, ela disse que deveria enxugar gastos fazendo cortes em algumas áreas. Que tal se ela começasse pelo seu salário e o dos parlamentares?

1 00.. Uma nova direção para o movimento estudantil! Com democracia, mobilização e independência dos governos! Nos últimos anos não foi fácil fazer movimento estudantil, com a direção majoritária da UNE sendo o braço direito do governo e na maioria das vezes de mãos dadas com os REItores para aplicar a política educacional de Haddad. Mas nem por isso ficamos parados. Pelo contrário, foram muitas as mobilizações realizadas. Nelas algumas marcas comuns: combatividade, autonomia e a ausência da Majoritária (PCdoB/UJS/ PT). Para nós um dos fatos mais importantes de 2010 no movimento estudantil, foi a reunião, em forma de seminário, de setores estudantis, coletivos e entidades, com vontade de movimentar a estudantada brasileira. Sem blá-blá-blá e com muita vontade, debate e estudo, conseguimos juntar no Seminário de Uberlândia, ativistas que votaram um calendário de lutas, que para nós, podem ser o embrião de algo maior que está por vir. Vencendo a polêmica rasa de se romper ou não com a UNE, deba-

Tese do Vamos à Luta no CONEB 2011  
Tese do Vamos à Luta no CONEB 2011  

Tese do Coletivo Estudantil Vamos à Luta no CONEB da UNE 2011

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