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Esporte

Artes Marciais

Júlio da Luz

14/06/2013

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Arena Combate Torneio conquista cada vez mais adeptos em Santa Cruz do Sul A Mistura de Artes Marciais, (Mixed Martial Arts), mais conhecida pela sigla MMA está se tornando um esporte mais reconhecido e ganhando seu espaço na mídia. Um exemplo deste reconhecimento é a transmissão das lutas da principal categoria no mundo, o Ultimate Fighting Championship (UFC), em várias emissoras de TV. E mesmo sendo uma cidade do interior, Santa Cruz do Sul não é diferente, pois a categoria local, denominada Arena Combate, promove lutas desde 2009. O criador da competição, Leonardo Vieira, conhecido nos ringues de luta como Léo Vieira, aos 33 anos, além de ser formado em Educação Física, é lutador e instrutor e proprietário da academia, onde ele também treina sua equipe, a Vieira Brazilian Team (VBT). Em entrevista concedida ao jornal Bom Dia Santa Cruz, Léo explica como funciona o mundo das lutas e desabafa que “devem ser quebrados alguns paradigmas que existem sobre o MMA”. Mas tudo isso você vai saber somente ao ler a entrevista a seguir.

Júlio da Luz - O que te despertou interesse em promover lutas do MMA em Santa Cruz, o Arena Combate? Léo Vieira - Meu interesse maior sempre foi popularizar o esporte e poder proporcionar aos leigos uma oportunidade de ver ao vivo o que, até então, só era visto na televisão aqui na nossa cidade.

JL - Como você percebe o mercado de lutadores e de expectadores em Santa Cruz? LV - É um mercado novo para a cidade, tanto competidores quanto expectadores, mas já possuímos nomes expressivos no cenário gaúcho, como o atleta Passini, que tem cinco lutas e cinco vitórias, e alguns nomes que vão “estourar por aí”. O público já está mais entendedor do assunto e a tendência é


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obtermos mais adeptos e apreciadores do MMA, a cada edição do Arena Combate.7

JL - O que falta em Santa Cruz do Sul e região para que o MMA seja mais difundido e tenha mais seguidores? LV - Falta apoio para eventos e projetos ligado ao esporte, não só ao MMA, pois vejo dificuldade em vários outros esportes em Santa Cruz do Sul. Também devem ser quebrados alguns paradigmas que existem sobre o MMA.

JL - Por quê a categoria UFC é a categoria principal e a pretensão máxima do MMA? LV - Atualmente, no MMA a meta é o UFC porque lá estão os maiores contratos e a maior exposição perante a mídia e, consequentemente, aumentando o número de praticantes e seguidores do seu trabalho. Todo atleta de qualquer modalidade sempre tende a querer chegar ao nível máximo e que lhe dê mais rendimento financeiro.

JL - Tem uma foto postada no seu Facebook em que você enfaixa a mão do seu filho para depois colocar a luva. Ele já demonstra interesse em lutar? LV - O Léo Henrique é um menino de apenas dois anos e quatro meses. Nesta idade, tudo tem que ser de forma mais lúdica. Não aconselho ninguém a encaminhar o seu filho antes dos quatro anos e, ainda assim, o treinamento da criança será diferenciado. Só que o caso do Léo é diferente porque ele vive a minha realidade e me acompanha em evento e competições desde que era recém-nascido. Isso já faz parte da vida dele e ele adora. Só que como pai eu tenho que impor limites, pois ele é muito novo e ainda não tem noção do certo ou errado e acha que todos querem brincar de “luta” com ele. Então, é um trabalho mais delicado e por eu ser pai dele, não posso depositar nele minhas frustrações como atleta e exigir muito, para que ele não ele deixe gostar do que faz.


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JL - Como você lida com a questão de treinar e ensinar o próprio filho a lutar, sujeitando-o a sofrer ferimentos, inclusive lesões em uma luta, haja vista que muitas pessoas têm preconceito contra o esporte? LV - São estes paradigmas que me referi antes. Não é porque uma pessoa treina MMA, Muay Thai ou Boxe que ela vai ter que competir. Isso é uma iniciativa que parte do aluno, pois no momento que ele se julga pronto e que quer por em prática o que aprendeu, ele vai e luta. As competições são muito mais dignas que as de futebol. Um exemplo bem claro disso é a seguinte situação: se eu for lutar, sei que vou bater e apanhar, mas no futebol, meu objetivo é o gol, mas quase sempre acaba em jogadas desleais, o que raramente acontece no meio das lutas. Minha maior realização pessoal vai acontecer se o Léozinho decidir levar adiante o trabalho que faço. Costumo dizer que a vida não ensina com o mesmo amor que os pais e se ele decidir ser um atleta profissional darei o maior apoio, assim como recebi e continuo recebendo de minha mãe. No Brasil, o esporte nacional é o futebol e as crianças já nascem praticamente jogando por desejo dos pais. Na Tailândia, o esporte nacional é o Muay Thai e nas ruas não se vê crianças jogando futebol e, sim, praticando tal luta. Isso faz parte da cultura dessas crianças desde que elas são pequenas e para os pais delas é normal, assim como para filhos de vários outros lutadores é comum o início precoce no esporte. Já faz parte da nossa cultura. JL - O que precisa acontecer para que conhecidos lutadores brasileiros do MMA, da categoria UFC, como Anderson Silva, Demian Maia, Vitor Belforti e Rodrigo Minotauro, tenham o mesmo reconhecimento de outros ídolos no esporte como, por exemplo, Pelé no futebol e Airton Senna no automobilismo, e isso não somente no interior, mas em todo o país? LV - Agora é questão de tempo, até porque há cinco anos, ninguém sabia quem eram esses “caras” e eles já eram tidos como “deuses” no exterior, principalmente no Japão. Agora é tudo consequência. Com a polarização nas mídias, isso logo aconteceu.


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JL - Quais os quesitos necessários e as características de perfil para ser um lutador profissional e de muito sucesso que você dá aos leitores interessados no esporte? LV - Como em qualquer outro esporte e como tudo na vida, primeiro de tudo é força de vontade e dedicação. Você não vai se tornar um Anderson Silva da noite para o dia, sem treinar e se dedicar. É preciso ter uma vida regrada e saber treinar certo e com as pessoas certas, pois com popularização do esporte apareceram inúmeros oportunistas se dizendo “professores de UFC ou professores de Youtube” e brigões que pensam que sabem alguma coisa. Isso é sério: se você fizer a escolha errada, quem vai arcar com o prejuízo é o seu corpo, é a sua vida. A dica é procurar um profissional regulamentado e associado a uma federação e, consequentemente, a uma confederação. Também é importante buscar um referencial sobre a equipe da qual você está se tornando adepto. Qualquer um pode ser um campeão, só depende da força de vontade e dedicação, o resto é aprendido. Outro ponto importante é a disciplina, fator limitante pra você se enquadrar ou não na filosofia de vida de um lutador. Quanto às características físicas, estas não têm importância. Não interessa se o “cara” for forte ou magro, baixo ou alto. Ganha quem tiver mais técnica.


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Fernando Mallmann

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Reportagem pingue pongue com Leonardo Vieira  

Entrevista com o organizador do torneio de MMA, Arena Combate, de Santa Cruz do Sul (RS/Brasil), Leonardo Vieira.