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vitória. Sísera, ao ouvir os toques das trombetas, sentiu a necessidade de tomar uma posição de alerta. As carruagens foram postas em ordem de batalha. Deborah fechou os olhos ao ouvir os toques de shofar. Quando eles pararam, ela respirou fundo, tentando escutar o silêncio. A paz, que parecia emanar daquele momento, foi quebrada por um trovão. Este foi logo seguido por outro mais forte, e o céu, que antes estava limpo e azul, tornou-se de um cinza pesado. — Vamos aguardar a obra inicial – Deborah disse ao abrir os olhos. A chuva começou a cair torrencialmente. O pequeno ribeiro começou a receber uma maior quantidade de água. Percebendo o perigo, Sísera ordenou que as carruagens avançassem antes que não houvesse mais passagem. Apesar do ataque, nenhum dos três exércitos se moveu. Então, algo maravilhoso aconteceu. As carruagens, uma a uma, começaram a quebrar as rodas e a atolar na lama que se formava. Poucas conseguiam passar do rio cujas águas aumentavam, mas acabavam atoladas e inutilizadas nas suas margens. Quando todas as carruagens ficaram fora de combate, Deborah tirou a espada da bainha e a ergueu. A chuva cessou e o único barulho que se ouviu foi o brado que ela deu. Era o sinal para avançar. Os três exércitos, que agora formavam o grupo de número superior, avançaram simultaneamente em direção ao vale. Jael e os Queneus atiravam flechas e fundas sobre os homens amontoados no lado das carruagens; Deborah e o exército profético avançaram pelo centro; Barak guiou seus homens para cercar a retaguarda de Hazorah. Sísera lutava cegamente. Todo o seu exército parecia estar esfacelado, sem ordem de combate. Era uma questão de sobrevivência e de tempo. Ele encontrou Barak no campo de batalha e os dois homens se avaliaram, de igual para igual. Ao ver o medo nos olhos de Sísera, Barak avançou. O comandante de Hazorah sentiu a energia que fluía daquele rapaz e temeu. Buscando a fuga por entre os guerreiros que lutavam, ele escapou de Barak. Deborah lutava como uma abelha soltando seu ferrão em defesa da colméia. Um objetivo superior era alcançado com aquela vitória. Ela se sentia feliz por ter chegado até ali. De repente, ela se viu frente a frente com Ky ara, a comandante das amazonas de Atalia. A mulher deu um passo vacilante para trás ao vê-la. Deborah partiu para o ataque que foi refutado com muita dificuldade pela amazona. Ky ara logo percebeu que não agüentaria por muito tempo lutar contra aquela mulher, que valia por um exército. Em um gesto, do qual ela se arrependeria depois, deixou a espada cair no chão de propósito. Deborah parou o ataque e a olhou, sem entender aquele gesto. Ky ara sorriu ao vê-la hesitar, pois sabia que a honra e o valor moral não deixariam a Herdeira matar uma inimiga

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...