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— Tem razão, Miriam. Ela pode ser diferente. O semblante de Miriam ficou carregado como se uma nuvem de preocupação pousasse sobre ela. — Ouça, você precisa se certificar de todos os fatos referentes à Profecia antes de tomar qualquer decisão. — Para isso, eu precisaria ir a Ilha dos Profetas. Não posso me separar dela. Pelo menos, não agora! — Deixe-a em um local seguro e vá! Não espere muito, Hulda. Há mais fatos nessa história que desconhecemos. O funeral estava pronto para ocorrer. A cerimônia já havia seguido todos os rituais e o povo começava a se cansar embaixo do sol causticante. Atalia, toda vestida de negro, olhava fixamente o pequeno corpo da criança. Subitamente, ela ergueu o braço antes que os sacerdotes tocassem-no. — Esperem! Antes que o encerrem na câmara funerária, eu desejo ver o meu sobrinho. Não posso viver com isso pesando em meu peito. O sacerdote olhou para a sacerdotisa-chefe e recebeu sua aprovação. Respeitosamente, ele foi desatando as faixas que encobriam a criança. De repente, um murmúrio perpassou a multidão. O sacerdote, de mãos trêmulas, olhou para a rainha. Atalia não esboçou nenhum gesto de surpresa. Apenas podia-se ver o brilho frio e gélido em seus olhos negros como a noite. No lugar do corpo da criança, havia um boneco de louça e pano. Ela virou-se para Ky ara, a capitã de suas tropas e sua mais fiel confidente. — Tragam-me a parteira - ela sussurrou por entre os dentes. — Queimem esse embrulho! - ordenou aos sacerdotes. Ao final daquela cerimônia, vários sentimentos agitavam os corações: Alguns aguardavam com ansiedade e angústia o que resultaria da ira da rainha; outros voltaram para casa com uma alegre esperança no coração. A parteira foi jogada diante do trono de Atalia. A mulher tremia e a rainha sorriu. Não seria difícil retirar dela o que queria. — Você fez o parto de minha irmã e ela não teve um boneco! O que foi que nasceu dela e que destino lhe foi dado? A mulher guardou silêncio. — Você tem família. Um marido e duas criancinhas, não é? O que você acharia de vê-los arder na fogueira como sacrifício à grande deusa da terra? — Não! - a mulher atirou-se aos pés da rainha. — Então, diga-me o que eu quero saber. A mulher respirou fundo. — A criança nasceu desfigurada e morta! Ela foi queimada. O último pedido da rainha antes de morrer. Eu juro!

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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