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— A “deusa”, da forma que lhes é apresentada, não existe! – houve murmurações – Ela, como mãe natureza, é uma criação do Grande Pai. Não nego a sua importância para nós, como natureza, pois estamos ligados a ela por nossa humanidade, e é nosso dever cuidar para que seja preservada, já que é um presente do Pai – Nesse momento, Deborah se ergueu e pôs a mão no tronco da palmeira. – Essa árvore me dá sua sombra e lhe sou agradecida por isso, mas não vou chamá-la de deusa ou árvore sagrada, pois sei que ela só está aqui pela permissão do Pai. Vocês entendem isso? — Então, a natureza seria nossa irmã e não nossa mãe? – perguntou um homem. Deborah assentiu. — Na condição de sermos ambos, criações do Pai, sim – ela respondeu e em seguida aproximou-se do rapaz que estava no centro, pondo a mão sobre a cabeça dele. – A diferença é a de que Ele, o Pai, nos fez para ter domínio sobre a natureza, para cuidar dela. Não percebem que somos as únicas criaturas dotadas de razão? A natureza nos serve e não nós a ela! No entanto, deve haver respeito com aquilo que o Pai nos deu, para que haja um equilíbrio no mundo. — E por que ela exige sacrifícios humanos? – perguntou uma mulher. – Esse ano é a grande Festa do Solstício e haverá um grande sacrifício para termos anos de fartura. Isso é necessário? O olhar de Deborah se entristeceu e seu coração pesou. — Os sacrifícios foram criados pela ignorância humana. Existem aqueles que acreditam firmemente em um princípio vital ativo na terra, no fogo, no vento e na água. Eles acham que podem controlar esse princípio vital através de ofertas e sacrifícios. Mas isso não é verdade! Quantos grandes sacrifícios foram seguidos por anos de seca intermináveis? Muitos aprovaram suas palavras. — O homem foi criado a imagem do seu Criador. A ele foi dado o domínio e a responsabilidade sobre toda a terra. Seu corpo não deve ser usado para engrandecer algo que lhe é inferior. Use o corpo de vocês em louvor ao Pai, pois só a Ele pertence essa honra. As perguntas cessaram. Ela aproximou-se dos três e os abraçou a cada um individualmente. — Fiquem em paz, cada um de vocês. Enquanto a multidão era dispersa, Maalá aproximou-se de Deborah na companhia de um rapaz. — Deborah, esse é Joakim. Ele veio da tribo dos Queneus e está a sua procura. Deborah o olhou com curiosidade e apreensão. — Joakim, seja bem—vindo – ela disse com a voz calma. – Vai tudo bem na sua tribo?

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...