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— Então, vamos criar um – ela replicou. – Reúna os homens e as mulheres mais velhos. Busque-os por suas cãs, pois elas são sinal de sabedoria. Héber a levou até a tenda do líder que era ocupada por Abiatar, irmão mais novo de Héber, o velho. Este cedeu o espaço com uma expressão enigmática no olhar. Jael olhou em volta, e pousou os olhos no tio. — Obrigada por cuidar de minha tenda, meu tio. O homem fez uma mesura com a cabeça, e saiu sem nada dizer. Jael encontrou o olhar divertido de Héber. — Isso diverte você? — Não sabe o quanto é difícil para esses homens aceitar ordens de mulheres. — Eles vão ter que se acostumar com isso – ela disse, sentando-se numa almofada. – Muitas coisas vão mudar daqui pra frente. Não se aplana o caminho sem cortar árvores e derrubar montanhas. Héber sorriu. — Eles vão gostar de que fez. — E o que eu fiz? — Os anciãos. Eles vão gostar de ser ouvidos. Jael sorriu de volta para o primo que saiu para cumprir as primeiras ordens. Longe dali, Deborah sofria com o calor externo e com o frio interno que chegou com a febre. Imagens desconexas, rostos desconhecidos e deformados surgiam em sua mente. Ela sentiu um líquido ser derramado em seus lábios secos. Era viscoso e amargo e a fez tossir. — Precisa beber tudo – disse uma voz distante. – Seu corpo precisa combater o veneno. Ela foi obediente à voz e tomou o terrível líquido. Ao tentar abrir os olhos, sentiu dor ao ver a luz. O frio aumentou e ela gemeu entre tremores violentos. Quando Deborah voltou a tentar abrir os olhos, era noite. Os tremores haviam passado, e ela aproveitou para observar o ambiente em que estava. Era uma caverna diferente das Cavernas do Sal. Essa possuía desenhos estranhos nas paredes, e um pequeno lago se formara em seu interior. Ela estava deitada em cima de um cobertor de pele de camelo. Sua perna foi imobilizada e envolvida por faixas no local da mordida da cobra. Ao sentar, a cabeça rodou e doeu como se um martelo a tivesse atingido. Ela soltou um gemido enquanto cobria o rosto com as mãos. — Você é mais forte do que pensei – disse a mesma voz que ela ouvira durante o sono. Ela ergueu a cabeça e viu um homem de pequena estatura, um pouco maior do que um anão, cujas vestes se assemelhavam a dos sacerdotes das

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

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