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anulando todo o efeito de magia oculta que pudesse existir. O trono de Atalia foi substituído, ninguém soube dizer por quem, por dois tronos brancos de marfim e ouro. O pátio do palácio, que fora palco de uma batalha, agora estava limpo e enfeitado com bandeiras coloridas em volta do muro. Os corpos foram levados e queimados fora da cidade, logo após a batalha. Incluindo entre eles, o corpo da sacerdotisa-chefe. A pedido de Deborah, Atalia, como rainha, seria queimada numa cerimônia a parte. Na metade do dia, um som de shofar se fez ouvir por toda a cidade. Era o shofar de Héber, tocado por Jael. Ela abria o cortejo que começava a passar pelo portão da cidade. Jael montava Solaris e usava uma túnica de gala cinza, que ressaltava ainda mais o brilho de estrelas que acompanhava qualquer roupa que ela vestisse. A túnica ia até os joelhos e era amarrada por uma faixa em volta da cintura. Por baixo, ela usava uma calça da mesma cor, por dentro de botas pretas cingidas com pele de urso. Para aquela ocasião, não havia armas. Ela levava apenas o shofar na mão e o tocava a cada dez passos dados por Solaris. Atrás dela, lado a lado, vinham Deborah e Barak. Ela, montada em Bruma, cujo pelo negro brilhava como se estivesse molhado, e ele, em Alvorada, de um pelo branco reluzente, quase irreal. Ela usava uma túnica comprida branca que ia até os pés, mas que era aberta na frente e cingida com apenas um cordão na altura da cintura. A roupa de dentro também era branca e enfeitada de modo artesanal. Suas botas eram de pele de ovelha e os cabelos negros pendiam soltos. Barak usava uma veste e calças beges por baixo da armadura dourada e polida, guardada especialmente para aquele dia. Na frente da armadura estava entalhada a face de um leão. As botas eram recobertas com o mesmo material da armadura. Nas costas, uma capa da mesma cor da veste era balançada pelo vento. Eles eram os Luminares e tudo neles brilhava. Atrás deles marchavam os comandantes dos exércitos vitoriosos e os sacerdotes. O povo os aclamava durante o desfile. Jael era muito assediada pelas crianças e distribuía sorrisos na direção delas. Deborah recebia flores pelo caminho e sorria com afeto para cada um que cruzava o olhar com o seu. Barak acenava e pegava nas mãos daqueles mais ousados. Quando o cortejo chegou ao palácio, eles desceram dos cavalos e continuaram o trajeto a pé, na mesma formação. Lá dentro, a sala do trono estava adornada com enfeites vindos de todos os povos ali representados. Flores, bandeiras, objetos de ouro e prata, tapeçarias coloridas cedidas pelas tribos de mercadores. Jael subiu os três degraus e posicionou-se em pé, entre os tronos. Barak sentou-se no que tinha o encosto mais alto e Deborah no mais baixo, mas nem por isso de menor esplendor. Três sacerdotes foram escolhidos para a coroação dos Luminares. Nathan, Otoniel e Salum entraram em fila trazendo nas mãos uma almofada cada um. Sobre cada almofada, uma coroa. As três foram guardadas na cidade

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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