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Quando caiu e foi arrastada pelo chão, Deborah sentiu a fratura nas costelas se agravar e soltou um grito involuntário. Quando Ky ara a mandou levantar, o seu corpo não quis obedecer. A face direita ardia com os arranhões provocados pelas pedrinhas espalhadas pelo solo arenoso. Além disso, a dor da queimadura era insuportável. — Levante-se! — gritou Ky ara. Deborah tentou responder que não podia, mas a dificuldade para respirar a impedia de falar qualquer coisa. Ela buscava desesperadamente o ar em arquejos curtos que faziam subir poeira do chão. Ky ara tirou o chicote que trazia pendurado ao cinto, mas foi barrada por Eunice. — Faça isso e eu esquecerei que é minha comandante — ameaçou Eunice. Ky ara vacilou, pois sabia que na luta, Eunice a venceria facilmente, tanto pela idade quanto pela agilidade. — Quando isso acabar, pode dar adeus a sua carreira de amazona. — Acredite que isso não me fará a menor falta. Faltavam apenas cinco passos para chegar à plataforma. Eunice apoiou o braço de Deborah em seus ombros, ignorando a presença de Ky ara, e a ajudou a levantar. Foi assim, praticamente arrastada, que ela conseguiu chegar até o altar. Em cima da plataforma, as correntes foram tiradas de suas mãos e ela foi deitada no altar de uma forma brusca, pelos auxiliares dos sacerdotes. A superfície da pedra machucava sua ferida. Seus braços foram abertos e seus pulsos presos em aros de metal. Abaixo de cada mão, formava-se um sulco profundo na pedra, por onde o sangue deveria escorrer. As pernas só seriam presas após o procedimento, por causa da posição dos pés. Enquanto isso, ela sentiu que lhe tiravam as botas. Atalia se pôs de pé e começou a recitar preces em honra à deusa—terra. A sacerdotisa-chefe cantava um hino monótono. Atalia aproximou-se do altar e ergueu os braços. — Ó, grande deusa! Entrego em tuas mãos, a inimiga de meu povo. Aquela que tenta destruir o reino que tu estabeleceste. Não poderia eu, tua humilde serva, te oferecer maior sacrifício. Foram palavras breves. Atalia tinha pressa. O silêncio tomou conta do lugar. Onri, o sacerdote, tomou o machado na mão e caminhou em direção ao braço esquerdo de Deborah. Um auxiliar a fez abrir a mão. Deborah respirou fundo, aguardando o golpe. O som do machado veio acompanhado de um grito angustiado. Seu grito. A dor de nervos, tendões e ossos se rompendo de forma tão traumática, é uma das piores que existe. Ela sentiu a onda de choque subir pelo

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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