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— Está indo para Salema? – ela teve a coragem de perguntar. — Não. O meu caminho não passa por lá. — Achei que estivesse indo se alistar no exército de amazonas – Rute parecia surpresa. Deborah franziu as sobrancelhas. — Por que achou isso? — Você parece uma guerreira – o comentário saiu de forma natural. Deborah deu de ombros. — Uma mulher precisa ser uma guerreira para viver nesse mundo. Mas isso não a torna uma amazona. Ela percebeu certo alívio nos olhos da menina. Nesse momento, o som de patas de cavalos se aproximando da casa chegou até elas. Rute correu até a porta. Um grupo de dez amazonas havia parado em frente à sua casa e discutiam com sua mãe. — Desculpe, eu tenho que ir! – ela saiu correndo do celeiro. Deborah não teve tempo de perguntar o que estava acontecendo, mas podia sentir que não era algo bom. Ela levantou-se e pegou a espada por precaução. Saiu e foi caminhando lentamente para frente da casa. O grupo de amazonas cercava mãe e filha, enquanto a primeira apelava: — Por favor, é toda a comida que temos! A mulher alta e magra, que parecia ser a líder, falou com voz arrogante: — Tudo? Um mísero saco de cereal é o que você chama de tudo? Deveria me agradecer por eu não mandar tocar fogo em sua casa. Rute abraçou-se com a mãe enquanto a mulher ordenava que o saco fosse colocado na montaria do cavalo. Deborah resolveu intervir ao ver o estado de suas anfitriãs. — Desculpe, mas o saco é meu por direito – ela falou chamando a atenção das mulheres. — Cheguei aqui primeiro. A líder desceu do cavalo e deu dois passos em sua direção. A mulher era tão alta quanto Deborah. Esta permanecia parada com as mãos descansando sobre a espada e com os olhos e sentidos atentos. Rute apertou a mão da mãe. — E quem é você? – a líder perguntou, perscrutando o rosto de Deborah, encoberto pela escuridão da noite. — Apenas uma hóspede – foi a resposta simples. A mulher riu alto. — E acha que tem prioridade sobre o exército da rainha? Deborah deu dois passos firmes adiante e seu rosto ficou exposto à luz da lua. Os olhos estavam fixos nos olhos da líder. — O direito que me cabe vem da Tradição, e nem sua rainha pode anulá-lo. A mulher parou de rir e hesitou. Ela conhecia a Lei da Tradição, uma

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...