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— Vou com você – Hulda decidiu. Atalia não cansava de observar as maravilhas forjadas pela magia de Babilos. A pedra do céu deu aquela cidade o poder que ela sempre almejou. Sua união com Anrafel tinha que ir além de um acordo diplomático. Ela queria fazer parte daquele poder. Queria aquilo como herança. Ela estava na ponte que se elevava sobre o poço onde se localizava a pedra, quando Anrafel se aproximou. — Sinto que logo terei uma grande surpresa para você, minha rainha – ele falou com uma voz rouca e sedutora. — Gosto de suas surpresas, Anrafel. Por isso, eu não perguntarei do que se trata. Ele sorriu e pôs a mão sobre a dela. — Nesse caso, me deleitarei com a sua felicidade. Ele ofereceu a mão para ela e a conduziu pela ponte. — Estive conversando com meus astrólogos – ele falou. – Eles me contaram que está previsto para esse ano um evento muito raro no céu. — E o que seria? – ela perguntou com falsa ignorância. — Parece-me que haverá a união de três grandes estrelas. As estrelas que representam nossos maiores deuses: Kalidor, o deus da guerra e da conquista; Asta, a deusa da fertilidade da terra e do amor carnal; Molocai, o deus da morte. Seus sinais estarão unidos no céu. Penso que, em Salema, deve estar sendo esperado um sacrifício muito especial para este ano. Ou não tinha conhecimento desse evento? Atalia parou e olhou para ele. — Sim, eu tinha conhecimento. Minha sacerdotisa-chefe já havia me avisado sobre isso. Quanto ao sacrifício, eu tenho um desejo em meu coração que talvez a união com Babilos possa realizar. O rei levantou as sobrancelhas. — E o que seria esse desejo? — Ver a Herdeira ser oferecida à deusa da terra por minhas próprias mãos. Mostrar ao povo de quem é o poder maior. Anrafel sorriu maliciosamente e beijou a mão dela. — Talvez esse desejo não seja tão impossível se unirmos nossas forças. Era quase noite quando os quenitas chegaram próximos a Midani. Ainda havia luz o suficiente para que pudessem observar os movimentos do alto de uma colina. As tendas de Midani eram menos coloridas do que as dos Queneus. As cores eram sóbrias e feitas para se mesclarem ao ambiente. Havia a predominância do verde e do cinza. Mas não havia movimento. Ninguém entrava ou saía das tendas. Fogueiras não eram acesas e nem havia crianças brincando do lado de fora. Aquilo inquietou Jael.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...