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Deborah sorriu. — Certo. Você aprende rápido. Barak, Héber, Sangar e Hagai estavam ajoelhados diante de um desenho feito na areia e discutindo algo. Quando Noa e Hadassa se aproximaram, Sangar ficou em pé. — Soube que é uma rastreadora de montanhas – ele dirigiu-se a Noa. – Pode nos dar sua opinião a respeito de um assunto? Ela chegou-se ao círculo e olhou para o desenho. Havia uma linha que ligava o desfiladeiro até o sopé da Montanha Branca. — Eu estava tentando traçar uma rota favorável para vocês até a Montanha Branca, mas lembrei-me de que há um brejo sujo e traiçoeiro para ser atravessado nesse caminho. Você poderia indicar uma rota melhor? Noa lançou um olhar surpreso e repreensivo a Barak. Ele havia indicado a direção de sua jornada a um desconhecido. Ela, porém, não disse nada a esse respeito, apenas agachou-se para ver melhor o desenho. — A Montanha Branca possui muitos caminhos traiçoeiros em seu perímetro. É comum, viajantes e aventureiros se perderem em meio a neve eterna, que já começa a surgir na metade da subida. — Já esteve lá? – Sangar parecia surpreso e admirado. — Eu cresci em Huleh, a meio caminho daquela montanha. Meu pai era guia de montanhas e me levava com ele em seu trabalho. Ele me ensinou tudo o que sei. O seu sonho era encontrar o caminho que levava ao topo daquela montanha, penetrando em suas entranhas. Tive a oportunidade de subir nela uma vez. Uma única vez. Ela parou e fechou os olhos. — O que aconteceu? – a pergunta veio de Barak. — Ele achava que tínhamos tomado uma rota segura em meio às cavernas que levavam ao interior, mas algo deu errado. Houve uma avalanche e ficamos soterrados durante dias. Quando nos acharam, meu pai estava morto e eu desfalecida. Continuei o trabalho dele, mas nunca voltei àquela montanha de novo. Ela respirou fundo, e apontou para a face leste da Montanha Branca. — Ele achava que as cavernas indicavam o caminho para o topo. Existe uma abertura desse lado. A única que existe. Lá dentro há inscrições, símbolos antigos. Ele deve ter interpretado um dos sinais de forma errada, e isso nos levou a uma armadilha. — Quando ia nos contar isso? – perguntou Héber. — Assim que estivesse pronta, Héber – a voz dela era baixa. – Não é fácil se lembrar do passado. Ela levantou-se e se afastou do grupo. Sangar a acompanhou com o

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

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