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— Pode me prometer uma coisa? Deborah se afastou para olhar nos olhos de Miriam. — Converse com ela. Ensine a ela a ser uma boa guerreira, Deborah. Ela tem tentado agir por conta própria, como se quisesse me mostrar que é capaz. — O que ela tem feito Miriam? Miriam relatou algumas aventuras da filha em tentativas de caça sem sucesso, da frustração que aqueles erros geravam em seu coração e dos treinamentos solitários com uma espada de madeira feita por ela mesma. Deborah sorriu, pois não imaginava uma Rute diferente. — Eu vou conversar com ela, Miriam. Se não se importar, eu mesma a treinarei e ensinarei. Eu a procurarei amanhã junto a Ordem de Zelofeade. Agora, eu preciso voltar ao palácio. Já fiquei fora por muito tempo. Bruma esperava impaciente para mais uma corrida. Deborah se despediu com um aceno e se foi. Barak montava à frente da comitiva e Héber vinha na retaguarda. Hadassa e Noa mantinham Salum entre as duas, criando assim uma proteção para o sacerdote. O desfiladeiro se aproximava. Barak olhou o disco prateado da lua e sentiu saudades da esposa. No entanto, ele gostaria que aquela fosse uma noite escura, a fim de que pudessem passar despercebidos. Ele parou na entrada do desfiladeiro e virou-se para trás. — Daqui pra frente, a única coisa que nos conforta é a presença do rio. Não terminaremos essa travessia antes do amanhecer, portanto é possível termos problemas mais adiante. Barak podia sentir a tensão em cada rosto. — Estamos preparados, Barak – assegurou Héber. — Confiamos em você, filho – reiterou Salum. Barak suspirou e avançou entre as duas paredes de rocha. O palácio estava silencioso. Deborah seguiu pelo corredor e antes de subir a escada que levava ao seu aposento, ela parou diante de uma porta. A última porta. Ela estendeu a mão e a abriu. Deveria estar trancada. Ela observou a sala vazia e foi até a alavanca que abria a porta secreta. Uma abertura surgiu diante dela. Tochas iluminavam a escada que levava para baixo. Ela hesitou antes de decidir descer. Lá embaixo, o poço tinha as águas escuras e paradas. Tão paradas, que parecia uma superfície sólida. Bastaria um toque para ativá-lo. Ela sentou-se no degrau da escada e ficou olhando aquela água e pensando. Seria fácil morrer ali. Não precisava ser tão difícil. — Deborah? Ela virou-se e viu Nathan. O sacerdote sentou-se dois degraus atrás dela.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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