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— Nos meus longos anos de existência, já adquiri a capacidade de interpretar os impulsos guerreiros da juventude. Este impulso cega a sabedoria. Ninguém aqui ponderou naquilo que mais importa, por falta de paciência em escutar. Eu, porém, pergunto: o que diz a Profecia sobre isso? Sua resposta para mim será a decisiva. Deborah encontrou o olhar de Jael que se mantinha de braços cruzados, encostada a uma coluna. — Foi uma pergunta sábia – ela respondeu. – A Profecia diz que os exércitos deverão marchar sobre uma única bandeira e se posicionar no perímetro de Salema, circulando a cidade. Nesse ponto, montaremos acampamento e esperaremos o sinal. Houve uma série de murmúrios e Deborah ergueu a mão. — Sim, meus amigos, haverá um sinal! Vocês já devem saber que o Luminar do Sol se revelou. O Rei já está entre nós. Ele, no entanto, deve seguir um caminho solitário para descobrir o propósito de sua vida. Até lá, nós deveremos aguardar e confiar. O rapaz ergueu a voz novamente: — Esperar? Nossa força é muito maior do que qualquer exército. Se o Rei já foi revelado entre nós, não vejo necessidade de perder mais tempo. Vamos marchar! Diante de gritos de aprovação por parte dos mais jovens, Jael perdeu a paciência e caminhou para o centro da sala. — Vamos desobedecer a Profecia, então? Não foi por confiar nela que chegamos até aqui? O que vamos ganhar seguindo nossos próprios impulsos? Os exércitos parecem que estão prontos para lutar e ganhar qualquer guerra, mas não me parecem prontos para ouvir e obedecer. Os Queneus não partirão, enquanto a ordem não sair daqui, dessa sala! — A Ordem Branca também não – completou Noa. – Conheço a dor de uma espera longa e a alegria de vê-la chegar. Não me importo de aguardar e fazer o que é certo. Nathan subiu na plataforma e posicionou-se ao lado de Deborah. — O que estava escrito foi decretado e ratificado. O Pai usa muitas maneiras diferentes ao lidar com exércitos e batalhas. Conta-se que uma vez, antes da era dos Tronos, as muralhas de uma cidade vieram abaixo com apenas o som do grito de guerra do exército. Em outro momento, uma canção sobrenatural, entoada pelos guerreiros, foi o motivo da fuga dos inimigos. — Por que pensar em mortes? Por que pensar em sangue? Existem vidas naquela região que merecem ser salvas – falou Deborah. – Não é promovendo uma carnificina que os Tronos recuperarão o Reino. Mas a vitória virá se continuarmos obedientes à Profecia. Essa deve ser a nossa bandeira. O rapaz ainda não estava convencido.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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