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pegou a espada da gorda, que ainda tentava se levantar. Para sair dali ela precisaria contar apenas com a própria agilidade. E foi o que fez. Amazona nenhuma se comparava a ela na agilidade com a espada. A arma praticamente dançava em suas mãos como se fosse algo vivo. Por vezes, era impossível dizer se ela usava duas, ou apenas uma espada. Dessa forma, ela conseguiu chegar até a porta, abri-la com um chute e correr até o cavalo. — As correntes! – gritou uma amazona. – Precisamos de correntes! Ela é uma Luminar! Aquilo não era nada bom, pensou Jael. Aconteceu o que queria e foi reconhecida. Só precisava se manter longe das mãos de suas perseguidoras e mudar o foco da rainha. De onde ela estava, podia ver o palácio. Lá no alto ela viu surgir a silhueta de uma mulher vestida de negro e o brilho da coroa refletia a luz do dia. Jael sorriu satisfeita. A distração dera resultado. Jael virou o cavalo e saiu a galope pelas ruas de Salema em direção ao portão. Era tarde. Este fora fechado e, nos telhados, algumas arqueiras tomavam posição. Ela olhou em volta preocupada. Não queria levar outra flechada, principalmente ali. Um beco estreito abria-se a sua esquerda, e ela se aventurou por ele. Este se abria em várias ruas transversais. As arqueiras ficaram para trás, mas ela podia ouvir o som de cavalos. Inclinando-se, ela sussurrou algo no ouvido de Solaris. Ele parou para que ela descesse e, em seguida, partiu a galope pelo mesmo caminho, enquanto Jael mergulhava por outro beco mais estreito. Espremendo-se entre uma parede e outra, ela viu a cavalaria passar atrás de Solaris. Ele encontraria a saída, mas ela tinha que fazer o mesmo. Nathan passara quase a vida toda sentindo as forças decorrentes do poder de um poço sagrado. Ele sabia dizer quando estas forças estavam ativas ou não. Desde que Jael saíra, ele caminhava pelo perímetro do santuário sentindo o ar pesado da magia lançada por Atalia. Após certo tempo, ele percebeu uma diminuição dessa força. Quando finalmente o ar ficou leve e o som dos pássaros se fez ouvir novamente, ele soube que o plano de Jael dera certo e não havia tempo a perder. Jael subiu em uma velha escada de cordas que parecia ter sido abandonada ali, e olhou cautelosamente por cima do telhado. Não havia sinal de arqueiras. Ela percebeu que o telhado descia para uma praça adjacente, e escorregou por ele. Era a praça do mercado, e a confusão das caravanas sendo montadas servia para confundir as perseguidoras. Algumas amazonas caminhavam pelo local, procurando e observando cada barraca montada. Puxando um xale de seda colorido que descansava em cima de uma das barracas, ela o pôs sobre o rosto escondendo parte da roupa. Dessa forma, ela

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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