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Aquele comentário foi o suficiente para afastar qualquer sono de Jael. Ela passou a noite olhando a dança das constelações no céu. A lua e a estrela ainda brilhavam próximas. Ela sentiu saudades de Deborah e de suas vidas despreocupadas em Gades. As caçadas, a roda de crianças que se reuniam em torno delas, as festas em volta da fogueira, o cheiro do chá de menta. Quando chovia, elas costumavam subir a montanha e se abrigar na velha torre de vigia para ver a tempestade do alto. Os raios e os trovões nunca as assustaram. Ela sorriu ao lembrar que Deborah era boa na espada, mas sempre fora péssima caçadora. Aos quinze anos, ela tentou salvar um filhote de urso de uma armadilha e quase vira comida da mãe—ursa. Jael chegou na hora e atirou a flecha que apenas feriu a ursa, fazendo-a fugir. Ela ajudou a irmã a levantar. Deborah virou-se para Jael e disse com um sorriso de satisfação: — O seu arco sempre me tira dos apuros, Jael. — Pode contar com ele sempre – ela se lembra de ter respondido. Atalia apoiou as mãos nas bordas do poço na torre do palácio. Estava exausta de tentar encontrar um sinal de Deborah. Ela parecia ter desaparecido, embora isso fosse impossível. Os dois primeiros ataques tiveram sucesso, mas depois... Ela bateu com força o punho na parede do poço e gemeu com a dor que o atrito causou. Ela não ia desistir tão fácil. A cidade já havia sido vasculhada e não encontraram nada. Os túneis eram uma possibilidade e estavam com suas saídas vigiadas. Só restavam os arredores. Ela foi até a janela e observou um grupo de amazonas que acabava de sair para uma busca. Era uma região grande e bem povoada. Podia demorar dias! Ela soltou um lamento. — Onde você está se escondendo? – ela pensou alto. Jael e Nathan chegaram ao santuário. Ficava localizado numa região pouco povoada e de difícil acesso, mas não parecia abandonado. Jael impeliu o cavalo para frente e Nathan a seguiu. — Esse lugar não está em ruínas, Nathan – ela comentou o óbvio. Antes que ele respondesse, o portão se abriu e um homem parou surpreso, ficando a encará-los com uma expressão de medo e ansiedade. Era um homem alto e forte, embora fosse idoso. Ele levava na mão uma pequena pá de jardineiro. — O que vocês querem aqui? – ele conseguiu perguntar. Nathan se adiantou. — Este é o santuário de Shilloh? O homem, ao perceber os trajes de Nathan, ousou se aproximar com certa cautela. — Você, meu senhor, é um sacerdote das Cavernas do Sal? Nathan sorriu.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...