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Um estudando ao outro. Sísera atacou novamente. Deborah defendia-se e atacava ao mesmo tempo. Os golpes desferidos por ela o fizeram tropeçar e quase cair. Furioso, ele desferiu um golpe rasteiro. Deborah pulou na hora e virando-se, acertou-lhe o pulso com a ponta da espada. Ele gritou e soltou a sua arma no chão. O homem a encarou perplexo. — Eu sou o filho da rainha de Salema, soberana de toda a terra de Hedhen. Você não poderia ter me desarmado, a não ser que fosse... Antes que ele completasse a frase, dois homens vieram em seu auxílio. Deborah virou-se e passou a lutar com os dois. A agilidade dela era impressionante. Sísera correu até a espada, mas parou e olhou para trás. Lembrou-se das flechas de ferro e pegou o arco que trazia nas costas. Jael observava a cena com olhos de águia. Sísera estava preparando uma flecha para Deborah. Ela viu que a irmã estava dando toda a sua atenção aos homens que a cercavam, que agora eram três. Ela ordenou que atirassem neles para ajudar Deborah. Sua atenção, no entanto, estava voltada para Sísera. Ela correu até a borda da colina e preparou o arco. As flechas foram disparadas quase na mesma hora. Deborah ainda viu os homens caírem ao seu redor pelas flechas dos arqueiros de Jael, quando uma voz interior a fez voltar-se a tempo de erguer a espada em defesa própria, e desviar a perigosa flecha para o lado. Ela viu Sísera ser atingido na altura da rótula, um local desprotegido pela invencível armadura, por uma flecha do arco de Jael. Olhando para cima em direção a arqueira, o homem parecia não acreditar na própria derrota, mas a dor no joelho e a raiva o fizeram soltar um berro que chamou a atenção dos seus homens. — Recuem! Para a ponte! Bater em retirada! Animados pela quase impossível vitória, o povo os perseguiu até que nenhum deles restasse daquele lado do rio. Um grito de vitória ecoou ao som da trombeta e deu ânimo a um antigo povo guerreiro que, afinal, não havia esquecido suas raízes. Jael e Hulda aproximaram-se de Deborah, que descansava ajoelhada ao lado da espada. Hulda pôs a mão em seu ombro. — Serei sincera – a voz da profetiza estava trêmula. — Não pensei que fôssemos conseguir. Jael sentou-se ao lado de Deborah e jogou o arco de lado. — Achei que ele fosse te matar— ela disse com os olhos fixos na ponte. — Ele não pode me matar — a voz de Deborah era arrastada. — Mas agora ele sabe quem eu sou. Ela olhou para cima e encarou Hulda.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...