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bem irá fazer? — Nenhum. Mas é preciso conhecer a fundo a doença para buscar a cura certa. E amanhã eu terei a oportunidade de ver a ferida mais profunda do meu povo. — E depois? Irá embora? Ela concordou com a cabeça. — Já fiz tudo o que precisava. É hora de voltar. — E por que resolveu me contar tudo? Ela voltou a fixar o olhar nele. — Eu precisava conhecer o seu coração diante da verdade. Você me mostrou que tem muita gente boa nesse mundo e que vale a pena lutar por elas. Eu precisava agradecer. — E o que mais? – ele perguntou como se aguardasse mais alguma coisa. — Vou precisar de sua ajuda amanhã. Jael alcançou a base da montanha. O fogo que parecia existir no seu topo iluminava o caminho. Havia também um vento sobrenatural que fazia o seu cabelo açoitar o rosto e lhe atrapalhar a visão. Ela olhou para trás e viu Nathan caminhando com dificuldade, carregando uma grande sacola. Ela parou para esperar por ele a fim de dividir o peso. — Não se preocupe comigo – ele gritou. – A sacola está cheia, mas não está pesada. Ela hesitou por um momento, então, decidiu prosseguir. Havia uma trilha estreita que levava para o alto. A montanha era pedregosa e suas pedras eram pontudas e afiadas. Seria bom não cair ali. Ela parou para descansar no meio do caminho. O ar era rarefeito naquela altitude e ela se sentia entorpecida. Olhou para baixo e não viu nenhum sinal de Nathan. O cansaço a dominou e ela fechou os olhos. Em seguida, como se viesse de dentro de sua mente, uma voz a despertou. Era um sussurro, mas parecia bastante claro para ela. — Não pare! – dizia a voz. – Precisa alcançar a porta antes que feche. Ela abriu os olhos e, movida pela voz, reiniciou a subida. Dessa vez usou as mãos para ajudar na escalada. Foi assim que Jael alcançou o topo. Quase se arrastando, com as mãos feridas pelas pedras afiadas, o ombro latejando pela ferida ainda recente da flecha. Ela chegou ao cume da montanha, abaixo da nuvem, e forçou as pernas a manterem o corpo em pé. Não via Nathan e se preocupou com ele. Olhou para cima e se sentiu muito pequena. De súbito, caiu de joelhos e apoiou as mãos no chão. Podia sentir a força da Divindade. — O que eu devo fazer agora? Para onde eu tenho que ir? – ela gritou. Como se fosse uma resposta, ela viu um brilho incomum que vinha da

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

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